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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUÍZO DA ___

VARA DE SÃO SEBASTIÃO – SÃO PAULO.

Antônio Luiz da Silva, brasileiro, casado,


autônomo, portador da cédula de Identidade/RG nº 12616342 e CPF
sob nº 07358861809, residente e domiciliado na Rua Itatiaia, nº
990, Barra do Una, São Sebastião, São Paulo, CEP: 11.624-206,
por meio de seu advogado que esta subscreve (doc. 1), vem à
Vossa Excelência, propor

AÇÃO PREVIDENCIÁRIA DE CONCESSÃO DE BENEFÍCIO


ASSISTENCIAL AO IDOSO

em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL,


pelos fundamentos fáticos e jurídicos que passa a expor:

PRELIMINARMENTE

DA COMPETENCIA DELEGADA

De acordo com a previsão constitucional do


artigo 109, § 3º que autoriza a apreciação de demandas ajuizadas
conta o Instituto Nacional da Previdência Social perante a justiça
estadual, na hipótese de naquela comarca não haver justiça federal,
exatamente como ocorre no caso dos autos.
DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA
O autor encontra-se sem condições de
trabalhar devido ao acidente, não possuindo condições financeiras
para arcar com as custas processuais sem prejuízo do seu sustento
e de sua família, conforme declaração de hipossuficiência.

Por que razão, com fulcro no artigo 5º, LXXIV


da Constituição Federal e pelo art. 98 do CPC, requer seja deferida
a Gratuidade de Justiça ao Requerente.

DA TRAMITAÇÃO PRIORITÁRIA – IDOSO

Inicialmente cumpre esclarecer que o Autor é


pessoa idosa, contando com mais de 60 (sessenta anos) conforme
prova que faz em anexo 01, razão pela qual tem direito à prioridade
da tramitação da presente demanda, nos termos da Lei nº
10.741/2013 (Estatuto do Idoso) e do art. 1.048, inciso I, do CPC.

DOS FATOS

O requerente pleiteou a Assistência ao Idoso


(LOAS), mesmo contando com 67 anos, o benefício de nº XXXXX foi
indeferido, conforme demonstra a negativa anexa (doc. 02). Tal
Alegação não deve prosperar, vejamos:
DO DIREITO

O benefício de prestação continuada, previsto


na Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS) em seu art. 20 que
assim dispõe:

Art. 20. O benefício de prestação continuada é a garantia


de um salário- mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao
idoso com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais que comprovem
não possuir meios de prover a própria manutenção nem tê-la
provida por sua família. (Redação dada pela Lei 12.435, de
2011)

§ 10. Para os efeitos do disposto no caput, a família é


composta pelo requerente, o cônjuge ou companheiro, os pais
e, na ausência de um deles, a madrasta ou padrasto, os irmãos
solteiros, os filhos e enteados solteiros e os menores tutelados,
desde que vivam sob o mesmo teto.

Assim, após preenchidos todos os requisitos


que autorizam a concessão do benefício, outro não poderia ser a
decisão, senão o imediato deferimento do pedido, afinal:

1. O autor conta com mais de 65 anos de idade;


2. O autor está impossibilitado de prover seus próprios
meios de subsistência ou tê-la provido pela família.
A idade é incontroversa pelo documento de
identidade que colaciona em anexo. Já a renda, motivo do
indeferimento do pedido, é composta apenas por R$ 937,00
(novecentos e trinta e sete reais) para atender o autor e a cônjuge,
tal valor não se revela suficiente para manter as necessidades
básicas de ambos, passando por grandes dificuldades financeiras.
Afinal, as despesas do Autor são composta de
alimentação, remédios, luz, água, o que evidentemente demonstra
que tal quantia não é o suficiente para manutenção da família.

DA APLICAÇÃO RELATIVA DO LIMITE LEGAL DA RENDA

Cabe salientar que o limite da renda, previsto


no §3º do art. 20 da Lei n. 8742/93, não deve mais ser encarado como
um critério objetivo da condição ou não de miserabilidade do Autor,
mas apenas como valor de presunção.

Isso porque o Supremo Tribunal Federal, ao


analisar os recursos extraordinários 567.985 e 580.963, reconheceu
a inconstitucionalidade do § 3º do art. 20 da Lei 8.742/1993 bem
como o parágrafo único do art. 34 da Lei 10.741/2003 (Estatuto
do Idoso) que previam o critério econômico objetivo como limitador
do benefício.

Afinal, deve ser considerado se a renda


mantém as condições mínimas de dignidade da pessoa humana,
pois, o salário mínimo não alcança o alto de inflação que assola
nossa economia.

Portanto, o fato a ser considerado é que a


parte Requerente é submetida a viver em estado de miserabilidade,
cabendo outros meios de provas, conforme entendimento dos
tribunais:

ASSISTÊNCIA SOCIAL,. APELAÇÃO CIVIL,. BENEFÍCIO ASSISTENCIAL DE


PRESTAÇÃO CONTINUADA. IDOSA. RENDA SUPERIOR A ¼ DO SALÁRIO
MINIMO. EXISTÊNCIA DE OUTROS ELEMENTOS QUE INDICAM SITUAÇÃO
DE MISERABILIDADE. MISERABILIDADE COMPROVADA. –A Constituição
garante à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprove não possuir
meios de prover sua própria manutenção o pagamento de um salário mínimo
mensal. Trata-se de benefício de caráter assistencial, que deve ser provido anos
que cumprirem tais requisitos, independentemente de contribuição à seguridade
social. A autora tem 65 anos, conforme demonstra a cópia de sua Cédula de
Identidade. Cumpre, portanto, o requisito da idade para a concessão do benefício
assistencial, nos termos do art. 20, caput da LOAS – Quando à miserabilidade,
a LOAS prevê que ela existe quando a renda familiar mensal per capita é inferior
a ¼ de um salário mínimo (art. 20, §3º), sendo que se considera como “família”
para aferição dessa renda “o cônjuge ou companheiro, os pais e, na ausência de
um deles, a madrasta ou o padrasto, os irmãos solteiros, os filhos e enteados
solteiros e os menores tutelados, desde que vivam sob o mesmo teto” (art. 20,
§1º) – Embora esse requisito tenha sido inicialmente declarado
constitucional pelo Supremo Tribunal Federal na Ação Direita de
Inconstitucionalidade nº 1.232-1, ele tem sido flexibilizado pela
jurisprudência daquele tribunal. Nesse sentido, com o fundamento de que
a situação de miserabilidade não pode ser aferida através de mero cálculo
aritmético, o STF declarou, em 18.04.2013, ao julgar a Reclamação 4.374, a
inconstitucionalidade parcial, sem pronúncia de nulidade, e do art. 20 , §
3º, da LOAS – Seguindo essa tendência foi incluído em 2015 o § 11 ao art. 20
da LOAS com a seguinte redação: §11. Para concessão do beneficio de que
trata o caput deste artigo, poderão ser utilizados outros elementos
probatórios da condição de miserabilidade do grupo familiar e da condição
de vulnerabilidade, conforme regulamento – No caso dos autos, pelo estudo
social (fls. 101/102) compõem a família da Sra. Nair ela (sem renda) o seu
esposo, Sr. Mário de Arruda, 72 anos, que recebe aposentadoria por invalidez
no valor de R$ 990,00

Assim, admite-se a possibilidade de outros


meios de prova para verificação da hipossuficiência familiar, cabendo
ao julgador, na análise do caso concreto, aferir o estado de
miserabilidade do autor e de sua família.

DO CÔMPUTO ISOLADO DA RENDA DO IDOSO

Mister ressaltar ainda, que o benefício auferido pela


cônjuge não pode ser computado para o limite da renda familiar,
conforme redação expressa do Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003):
Art. 34. Aos idosos, a partir de 65 (sessenta e cinco) anos,
que não possuam meios para prover sua subsistência, nem de tê-la
provida por sua família, é assegurado o benefício mensal de 1 (um)
salário-mínimo, nos termos da Lei Orgânica da Assistência Social –
LOAS. (vide Decreto nº 6.214, de 2007)

Parágrafo único. O benefício já concedido a qualquer membro da


família nos termos do caput não será computado para os fins do
cálculo da renda familiar per capita a que se refere a LOAS.

O objetivo do Legislador foi preservar a renda mínima


recebida pelo idoso (no montante de um salário mínimo), excluindo-
a do cálculo da renda per capita familiar, para fins de assegurar a
dignidade do idoso, por analogia, tal regra deve ser estendida aos
demais benefícios de renda mínima, sejam eles de natureza
assistencial ou previdenciária.

Nesse sentido, a Advocacia Geral da União editou


Instrução Normativa 02/2014 dispensando a interposição de recursos
de decisões judiciais que conferem interpretação extensiva ao
parágrafo único do dispositivo acima referido.

A Lei de Organização da Assistência Social (LOAS), ao


regulamentar o art. 203, V, da Constituição da República,
estabeleceu os critérios para que o benefício mensal de um salário
mínimo seja concedido aos portadores de deficiência e aos idosos
que comprovarem não possuir meios de prover a própria manutenção
ou de tê-la provida por sua família, dessa forma, cumpridos os
requisitos o benefício deve ser imediatamente concedido.
PEDIDOS

Diante de todo o exposto, Requer a Vossa


Excelência:

1. A concessão do benefício da gratuidade de justiça, por ser o


Autor pobre na acepção legal do termo, nos termos do art. 98
do Código de Processo Civil;
2. Que seja deferido a prioridade na tramitação do processo uma
vez que o autor é idoso, nos termos do art. 71, da Lei
10.741/2003;
3. A citação do INSS, para, querendo responder a presente ação;
4. Ao final, seja julgado totalmente procedente o pedido para
condenar a ré para que proceda a concessão do beneficio
assistencial da LAOS e pague os retroativos devidos desde a
data do requerimento administrativo, sob pena de multa diária;
5. A condenação do Réu ao pagamento de honorários, nos
termos do art. 85 do CPC/15;
6. A produção de todos os meios de prova, principalmente a
documental e a pericial.

Dá-se à causa o valor R$

Nestes termos,
pede deferimento.

Renata Castro de Oliveira


OAB/SP: 401.991
Portanto a renda per capita familiar mensal é de R$ 495,00, superior
a ¼ de um salário mínimo (equivalente a R$ 220,00). Entretanto, a
autora reside em casa alugada, no valor de R$ 500,00, com gastos
de água e energia elétrica que totalizam R$ 160,00 por mês. Embora
não tenham sido especificados outros gastos, apenas esses gastos
básicos já consomem 66% da renda do casal, que depende de
doações para prover sua alimentação – Além disso, conforme relato
do estudo social, o imóvel alugado não apresenta boas condições,
com problemas de fiação e infiltração de agua. A assistente social
relata, ainda, que os utensílios e móveis da casa são igualmente
precários – Tanto a autora quanto seu marido são idosos, ela com 66
anos e ele com 72 anos. Ambos necessitam de medicamentos de
uso continuo, que recebem em sua maioria da Farmácia Popular,
mas consta que um deles, para a circulação, não é fornecido
gratuitamente e não pode ser adquirido pela autora em razão de seu
custo de R$ 150,00 – Neste sentido, apesar da renda familiar per
capita da família da autora ser superior a ¼ do salário mínimo, está
configurada a situação de miserabilidade, sendo de extrema
necessidade o benefício assistencial – Recurso de apelação a que
se nega provimento. (TRF-3 – Ap: 00240219820174039999 SP,
Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL LUIZ STEFANINI, Data de
Julgamento: 19/02/2018, OITAVA TURMA, Data de Publicação: e-
DJF3 Judicial 1 DATA: 19/03/2018)