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Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

Relatório
Máquinas Síncronas
Anderson Vinícius de Almeida Brasil
Euslei Cassio Elias
Henrique Alves Rodrigues

Professora: Wadaed Uturbey

2 de maio de 2007
Máquinas Síncronas

Sumário

I 2

1 Ob jetivo 2

2 Introdução 2

3 Materiais/equipamentos Utilizados 4

II 5

4 Ensaios em Máquinas Síncronas 5


4.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
4.2 Medição de rs e rf . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
4.3 Ensaio a Vazio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
4.4 Ensaio em Curto Circuito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8

5 Transitório de Curto e Rejeição de Carga 11


5.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
5.2 Transitório de Curto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
5.2.1 Corrente de Fases . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
5.3 Transitório de Rejeição de Carga . . . . . . . . . . . . . . . . 14
5.4 Análise dos Resultados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16

6 Paralelismo de Geradores Síncronos 16


6.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
6.2 Conexão em Paralelo com a Rede Elétrica . . . . . . . . . . . 17
6.3 Curva ∨ . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17

III 20

7 Conclusão 20

Referências 20

Laboratório de Conversão da Energia 1


Máquinas Síncronas

Parte I

1 Objetivo
Este conjunto de experiências objetiva à caracterização estática e dinâ-
mica de máquinas síncronas. São estudados desde o principio de operação
destas máquinas e determinação dos parâmetros até a caracterização dos
transitórios no motor (curto e rejeição de carga) e paralelismo de geradores.

2 Introdução
O motor síncrono é um tipo de motor elétrico muito útil e conável com
uma grande aplicação na indústria.
É bastante semelhante ao motor de indução no seu aspecto geral, em-
bora usualmente os motores síncronos possuem potência elevada e/ou rotação
muito baixa quando comparado com o motor de indução normal.
A máquina síncrona, de acordo com a localização do campo, pode ser
de dois tipos. Na de "campo xo", o estator é constituído por uma estru-
tura cilíndrica de aço ou ferro fundido ou laminado, permitindo o retorno do
uxo para o circuito magnético criado pelos enrolamentos de campo, con-
sistindo de espiras enroladas nas sapatas polares e alimentadas por corrente
contínua. O enrolamento da armadura colocado no rotor é levado a anéis
coletores conforme mostra a gura 1(a), alimentada por CA caso a máquina
seja utilizada como motor. A gura 1(b) mostra um conversor síncrono, que
é utilizado para converter corrente contínua em alternada e vice versa. Se
corrente contínua é aplicada às escovas e potência mecânica ao seu eixo, a
máquina funciona como gerador CA [3].

Figura 1: Máquina síncrona de campo xo

Na máquina síncrona de "campo móvel", gura 2, o enrolamento de


campo é colocado no rotor e alimentado por uma fonte de CC através de
dois anéis coletores e a armadura é idêntica ao estator do MIT, alimentada
por fonte CA trifásica, no caso de funcionamento como motor ou à carga,
quando potência mecânica é fornecida ao seu eixo, no caso de funcionamento
como gerador. Na gura 2 temos dois tipos de rotor: o de pólos salientes
(a) e o de pólos não salientes (b), neste caso, de 4 pólos, sendo mostradas as
conexões da armadura [3].

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Máquinas Síncronas

Figura 2: Máquina síncrona de campo móvel

Os motores síncronos polifásicos têm estatores e enrolamentos de estator


(enrolamentos de armadura) bastante similares aos dos motores de indução.
Assim como no motor de indução polifásico, a circulação de corrente no en-
rolamento distribuído do estator produz um uxo magnético com polaridade
alternada norte e sul que progride em torno do entre-ferro numa velocidade
diretamente proporcional a freqüência da fonte de alimentação e inversamente
proporcional ao número de pares de pólos do enrolamento.
O rotor do motor síncrono difere consideravelmente do rotor do motor de
indução. O rotor tem pólos salientes correspondentes ao número de pólos
do enrolamento do estator. Durante operação normal em regime, não há
nenhum movimento relativo entre os pólos do rotor e o uxo magnético do
estator; portanto não há indução de tensão elétrica no rotor pelo uxo mútuo
e portanto não há excitação proveniente da alimentação de corrente alternada
(CA). Os pólos são enrolados com muitas espiras de o de cobre isolado,
e quando a corrente continua (CC) passa pelos enrolamentos, os pólos se
tornam alternativamente pólos magnéticos norte e sul. Até o começo dos
anos 60, a excitação em CC tinha que ser aplicada no campo através dos
porta escovas e dos anéis coletores. Entretanto, atualmente, um sistema de
excitação sem escova com controle eletrônico é freqüentemente usado.

Partida de Motores Síncronos

Se o rotor estiver parado quando for aplicada a corrente contínua no


enrolamento de campo, a interação do uxo do estator e o uxo do rotor
causará um grande conjugado oscilante mas o rotor não gira. Logo um motor
síncrono ou funciona à velocidade síncrona ou não funciona [3].
Para se dar partida num motor síncrono, é necessário trazer o rotor a
uma velocidade suciente próxima da síncrona, para ocorrer o sincronismo
com o campo girante. Algumas formas para se conseguir isso são:

1. Utilizar um motor acoplado ao eixo do MS, que, se for de indução, deve


ter, no mínimo, um par de pólos a menos que os do motor síncrono.

2. Utilização dos enrolamentos de compensação.

A segunda alternativa consiste em inserir um número de barras na face de


cada pólo e curto-circuitar essas barras nas extremidades para formar uma
gaiola de esquilo semelhante àquela existente no motor de indução. Além

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disso, o enrolamento de campo deve ser desconectado da alimentação CC e


curto-circuitado, usualmente através de um resistor apropriado ou do circuito
da excitatriz sem escovas.
Se o rotor tiver alcançado velocidade suciente, então se aplica corrente
contínua no enrolamento de campo e o motor entrará em sincronismo com o
uxo magnético rotativo do estator.

3 Materiais/equipamentos Utilizados
• Motor MS
220/133 V - F/4
3.8/6.5 A - 1.5 kVA
3 fases - 40/80 Hz
1200/2400 rpm

• Motor DC
110/220 V - 17 A
1.5/3.0 kW
1200/2400 rpm
acoplado mecanicamente ao MS

• Osciloscópio

• Multímetros

• Tacogerador

• Sincroscópio

Parte II

4 Ensaios em Máquinas Síncronas


4.1 Introdução

Os ensaios realizados e descritos neste documento têm por objetivo de-


terminar os parâmetros do modelo da máquina síncrona citada na seção 3.

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Vs (V) Is (A)
2.0 0.33
4.7 0.76
6.0 0.99
8.3 1.44
10.0 1.75
12.5 2.10
20.5 3.45

Tabela 1: Pontos medidos para determinação de rs

A gura 3 mostra o circuito equivalente de uma máquina síncrona. Nele


estão representadas as reatâncias e resistências de campo (rotor) e armadura
(estator) identicadas pelos índices f e s respectivamente [1].

Figura 3: Circuito equivalente de uma máquina síncrona

4.2 Medição de rs e rf
A parte real da impedância do estator, rs , foi determinada alimentando
uma das fases do estator com o rotor da MS aberto. Foram utilizados uma
fonte senoidal variável (varivolt), um amperímetro e um voltímetro. Assim,
foi possível variar e monitorar o valor da tensão aplicada e medir a corrente de
estator resultante. Os pontos de medição de tensão e corrente estão contidos
na tabela 1.
O parâmetro rf , resistência de campo (rotor), foi determinado através
de um procedimento semelhante ao realizado na determinação da resistência
de armadura. Porém, nesse caso, o circuito de estator foi mantido aberto
enquanto uma tensão era aplicada no circuito do rotor da máquina. Nova-
mente, a variação da tensão aplicada produziu um conjunto de pontos, os
quais estão contidos em 2.
Os pontos contidos nas tabelas 1 e 2 resultaram nos grácos 4 e 5 respec-
tivamente.

Figura 4: Gráco de rs (Vs × Is )

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Vf (V) If (A)
02.7 0.03
04.9 0.06
06.6 0.09
10.2 0.14
14.8 0.19
20.2 0.26

Tabela 2: Medição para determinação de rf

Figura 5: Gráco de rf (Vf × If )

A inclinação das curvas fornecem os valores de rs e rf , respectivamente


dados em (1) e (2).

rs = 2.977 Ω (1)
rf = 78.907 Ω (2)

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Vs0 (V) If (A)


15.2 0.00
28.3 0.02
55.5 0.06
81.3 0.11
110.0 0.15
154.1 0.23
189.0 0.30
224.0 0.40

Tabela 3: Medições do ensaio a vazio

4.3 Ensaio a Vazio

Para a realização deste ensaio foi utilizada, além da máquina síncrona,


uma máquina de corrente contínua que atuou como motor. A máquina de
corrente contínua funcionando como motor fez com que a máquina síncrona
funcionasse como gerador, graças a unicidade de seus eixos. Os dados de
placa da máquina CC utilizada já foram apresentados na seção 3.
A máquina síncrona, durante o ensaio a vazio, teve o circuito do rotor
alimentado com uma tensão contínua que podia ser variada através de um
conjunto varivolt/reticador. A tensão e a corrente de rotor foram medidas
através de um voltímetro e de um amperímetro, respectivamente. Um outro
voltímetro foi conectado entre os terminais de uma das fases do estator e
através dele foram medidos valores da tensão alternada gerada pela MS à
medida que a tensão aplicada ao rotor era variada. A velocidade da máquina
foi mantida constante e igual a nominal durante todo o ensaio. Um conjunto
de valores de tensão no estator a vazio (Vs0 ) e de correntes de rotor (If ) foram
obtidos. Os mesmos estão listados na tabela 3.
Os pontos da tabela 3 resultaram na característica If × Vs0 mostrada na
gura 6.

Figura 6: Gráco If × Vs0

4.4 Ensaio em Curto Circuito

No ensaio a vazio o circuito do estator da máquina síncrona foi colocado


em curto e sua corrente monitorada através de um amperímetro. Novamente,

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Isc (A) If (A)


0.16 0.00
0.50 0.03
1.10 0.13
1.56 0.18
2.00 0.25
2.47 0.32
3.00 0.40
3.49 0.45

Tabela 4: Pontos medidos no ensaio em curto-circuito

o circuito do rotor foi alimentado com uma tensão contínua e um amperímetro


foi utilizado para medir a corrente nesse circuito. A máquina de corrente
contínua funcionando como motor garantiu que a velocidade de rotação da
máquina síncrona permanecesse constante e igual a nominal durante todo o
ensaio. Um conjunto de pontos foi obtido e resultaram na tabela 4 e na curva
mostrada no gráco da gura 7.

Figura 7: Gráco If × Isc

A realização dos ensaios a vazio e a curto-circuito possibilita determinar


o valor da reatância do estator da máquina síncrona. Para isso basta dividir
a tensão a vazio (Vs0 ) pela corrente de curto-circuito (Isc ) para um valor
especíco da corrente de rotor (If ).
Em (3) tem-se o valor da reatância encontrada para o estator.

Xs = 82 Ω (3)

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5 Transitório de Curto e Rejeição de Carga


5.1 Introdução

A conversão eletromagnética de energia está intimamente associada à


armazenagem de energia em campos magnéticos. Assim, quando ocorrem
mudanças bruscas nas condições de operação, as mudanças associadas à
energia magnética não podem ocorrer instantaneamente. Essa caracterís-
tica denomina-se transitórios . No caso de máquinas elétricas, que também
são equipamentos com toda uma mecânica embarcada, torna-se importante,
muitas vezes, também considerar a atuação de outro tipo de transitório: o
eletromecânico [1].
Para se interpretar, corretamente, os dados adquiridos em ensaios, são
necessárias algumas simplicações sobre o efeito transitório. Uma delas, é
considerar nulas as resistências do circuito. Essa aproximação pode ser feita,
uma vez que as máquinas síncronas têm resistências sucientemente baixas
de modo que o seu comportamento num primeiro instante do transitório é
muito próximo aos da ausência de resistências. Desta forma, as correntes e
os uxos iniciais após uma mudança brusca são determinados por um grupo
de reatâncias como se nenhuma resistência estivesse presente. E a queda
dessas correntes é descrita por meio de um grupo de constantes associadas
às resistências e reatâncias do circuito. Assim, o método é aproximado de
modo que as resistências seriam incluídas na análise somente indiretamente.
Dessa forma, pode-se chegar a um quadro físico bem próximo do obtido em
ensaios de laboratório.
Quando há uma mudança súbita no funcionamento de uma máquina
ocorre um transitório de funcionamento, como visto anteriormente. Para
o ensaio proposto de curto-circuito, o período transitório será dividido em
três (3) partes ou regimes de tempo [1]:
• Regime Subtransitório: é o curto período de alguns primeiros ciclos,
para os quais há um decréscimo de corrente muito rápido.
• Regime transitório: Período cobrindo um tempo relativamente mais
longo durante o qual ocorre um decréscimo mais lento no valor da
corrente.
• Regime permanente: quando o sistema atinge a regularidade e a cor-
rente já não sofre variações bruscas. É o momento em que a corrente é
estável.
Para o outro transitório de rejeição de carga, os mesmos regimes são
encontrados, mas dessa vez, como há a abertura de uma chave, ao invés de

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analisar um decréscimo de corrente, será analisado como a corrente cresce à


medida que volta ao regime permanente.
Uma máquina CC será responsável pelo acionamento da máquina síncrona
como visto na seção 2.
Neste ensaio deverão ser adquiridas as curvas de corrente de rotor e de
corrente de estator para transitórios de curto-circuito e de rejeição de carga.
Então, serão utilizadas duas pontas de corrente que levarão as curvas de
corrente do campo e da armadura da máquina síncrona para o osciloscópio.

5.2 Transitório de Curto

Inicia-se o conjunto (MS<MDC) com cerca de 30 a 40% da corrente nominal


de campo da máquina síncrona.

If = 0.3 A
Após a partida, a chave trifásica na armadura encontra-se inicialmente
aberta. Ao atingir uma certa velocidade a chave é fechada e a armadura
da MS é curto-circuitada. Assim, são adquiridas as curvas de corrente para
o rotor (campo) e para o estator (armadura) da máquina síncrona para um
transitório de curto-circuito.

Figura 8: Transitório de curto para as correntes de estator (Is ) e rotor (If )

O resultado da gura 8 era esperado, uma vez que a partir de uma corrente
de campo da ordem de 0.3 A foi aplicado um curto circuito, nota-se um rápido
pico de corrente (cerca de 3.3 A) e depois a sua diminuição passando pelos
regimes subtransitório e transitório até iniciar o regime permanente. Todas
essas informações podem ser facilmente visualizadas na curva adquirida.
O mesmo comportamento analisado para a corrente de rotor pode ser
estendido a corrente de estator.
Como pode ser notado na mesma gura 8, a corrente se comporta de ma-
neira semelhante na armadura da máquina síncrona, mas com uma diferença
em relação à corrente no campo da mesma máquina. No estator trata-se de
corrente alternada enquanto no enrolamanto de campo, corrente contínua.
Porém, a análise é a mesma. Há um pico de corrente no momento do curto-
circuito, depois os regimes subtransitório e transitório e, por m, a volta ao
regime permanente de operação.

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5.2.1 Corrente de Fases

Apenas para demonstrar que o funcionamento de uma MS operando em


uma rede trifásica obedece as mesmas relações existentes entre as fases, fo-
ram adquiridas, durante o transitório de curto-circuito, uma medição das
correntes de duas fases diferentes. As curvas constam na gura 9.
É interessante notar que a defasagem entre as correntes ocorre até mesmo
durante todo o período de transitório. No caso das duas fases adquiridas,
observa-se também que o início do transitório em ambas se dá em sentidos
opostos demonstrando a direção do uxo de corrente no momento em que
a chave foi ligada e a MS curto-circuitada. Infelizmente, não foi adquirida a
curva da terceira fase para uma comparação melhor.

Figura 9: Correntes das fases a e b durante o transitório de curto

5.3 Transitório de Rejeição de Carga

Com a mesma montagem utilizada para o transitório de curto, pode ser


observado o transitório de rejeição de carga. Inicialmente, a máquina síncrona
funciona em regime permanente com a armadura curto-circuitada até que,
em um determinado momento, a chave trifásica é aberta e são adquiridas,
com o auxílio do osciloscópio, as curvas de corrente de estator e rotor para o
transitório de rejeição de carga.

Figura 10: Transitório de rejeição de carga para Is e If

O resultado acima, também, condiz com a teoria. Uma vez que, a partir
de uma corrente de campo da ordem de 0.25 A, foi aberto o circuito nota-se
um rápido decréscimo de corrente (cerca de -0.05 A) e depois a seu aumento
passando pelos regimes: subtransitório, transitório até o regime permanente.
Todas essas informações podem ser facilmente visualizadas na curva adqui-
rida.
Novamente, o mesmo comportamento analisado para a corrente de rotor
pode ser estendido a corrente de estator.
Como pode ser notada na gura, a corrente se comporta de maneira se-
melhante na armadura da máquina síncrona, mas com uma diferença em

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relação à corrente no campo da mesma máquina: no estator trata-se de cor-


rente alternada enquanto no enrolamanto de campo temos corrente contínua.
Porém, a analise é a mesma: temos um mínimo de corrente no momento da
abertura da chave, seguido dos regimes subtransitório, transitório e por m
o retorno ao regime permanente de operação.

5.4 Análise dos Resultados

O quadro físico dos acontecimentos durante o período de transitórios mos-


tra que as máquinas elétricas têm pontos críticos no momento de um curto-
circuito e também quando o circuito é aberto. Nesses momentos as tensões
e as correntes sofrem picos ou decaem de forma rápida e acentuada.
O fato de ocorrer picos de corrente tão elevados num momento de curto-
circuito prova aquela suposição inicial de poder aproximar a máquina para
um circuito de resistências nulas. O mesmo vale ao existir uma abertura de
chave, a situação é a mesma, mas de maneira invertida.
Também, nota-se, nesses casos que o retorno ao regime permanente é feito
segundo uma constante de tempo relacionadas às reatâncias e resistências
presentes no circuito da máquina que, como visto nos resultados adquiridos
no ensaio, possuem uma aproximação exponencial. Essa aproximação nada
mais é do que a indicação da presença de um circuito RL, o elemento básico
formador dos enrolamentos da máquina.

6 Paralelismo de Geradores Síncronos


6.1 Introdução

Geralmente, uma máquina síncrona é ligada a um sistema de potência


contendo muitas outras máquinas síncronas. A tensão e freqüência nos ter-
minais da armadura são, então, xados pelo sistema [1]. Essa ligação é feita
de forma que os muitos geradores que fazem parte do sistema funcionem em
paralelo, interligados por centenas de quilômetros de linhas de transmissão,
e fornecendo energia elétrica a cargas espalhadas por áreas de centenas de
milhares de quilômetros quadrados. As principais razões para estes sistemas
interligados são a continuidade de serviço e economias no investimento em
instalações e em custos operacionais.
Para se ligar um gerador síncrono a um barramento de potência innita
(fonte de tensão ecaz e freqüência constantes, no caso a rede elétrica) é
preciso que a tensão gerada pelo gerador síncrono, Vs , possua seqüência de

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fases, amplitude de tensão, freqüência e fase angular idênticas as da rede


elétrica [2].
Sendo assim, é descrito neste documento o procedimento adotado para a
inserção em paralelo de um gerador síncrono a um barramento de potência
innita. E também é apresentada a relação entre a corrente de campo e
a corrente de armadura que constitui uma das principais características de
funcionamento em regime permanente de uma máquina síncrona.

6.2 Conexão em Paralelo com a Rede Elétrica

Utilizando uma máquina de corrente contínua como motor primário, coloca-


se a máquina síncrona para girar a velocidade síncrona. O objetivo é fazer
com que a tensão gerada e vista entre os terminais do estator da máquina
síncrona se iguale a do barramento. Se a freqüência da máquina que entra
não for exatamente igual à do barramento, a fase entre a sua tensão e a do
barramento variará a uma freqüência igual à diferença entre a freqüência das
duas tensões. Assim, a conexão deve ser feita com o auxílio de um sincroscó-
pio que permite monitorar a variação da diferença entre as fases das tensões.
Quando as duas tensões estiverem momentaneamente em fase e a tensão na
fase for nula a conexão deve ser estabelecida. Além disso, é necessário que
a seqüência de fases do gerador e do barramento sejam iguais. Abaixo é
apresentado um resumo das condições para se estabelecer o paralelismo de
geradores.
Condições de paralelismo:

• Mesma seqüência de fases;

• Mesma amplitude de tensão;

• Mesma freqüência;

• Mesma fase angular.

6.3 Curva ∨
A curva que mostra a relação entre a corrente de armadura, Is , e a corrente
de campo, If , a uma tensão terminal constante (220 V), é conhecida como
curva ∨, devido a sua forma característica. Uma família de curvas ∨ para a
máquina síncrona em análise são apresentadas na gura 11 (pág. 18).
As curvas foram plotadas para diferentes valores de potência ativa (P ). A
variação da potência ativa, quando o gerador está conectado a rede, foi feita
através da variação da tensão de armadura da máquina de corrente contínua

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Figura 11: Curvas para paralelismo de geradores

0 W 220 W 360 W
If (A) Is (A)
0.03 2.20 2.85 
0.05 2.00 2.62 3.20
0.15 1.43 1.85 2.05
0.25 0.80 1.27 1.47
0.30 0.50 0.98 1.22
0.34 0.28  
0.36 0.30 0.72 0.95
0.50 0.66 0.78 1.00
0.60 1.30 1.27 1.30
0.70 1.92 1.79 1.89
0.80 2.47 2.42 2.45
0.90 3.00 2.92 3.03

Tabela 5: Valores medidos para três diferentes potências

que atuou como motor primário. Para cada valor de potência variou-se o
valor da corrente de campo da máquina síncrona e se mediu a corrente de
armadura. A variação da corrente de campo se deu sempre a partir do ponto
If igual a 0.36 A, valor esse que corresponde a uma potência reativa igual a
zero. Os conjuntos de pontos obtidos são apresentados na tabela 5 (pág 19).
Para potência de saída constante, a corrente de armadura é mínima
(0.36A) a fator de potência unitário, e aumenta conforme o fator de potência
decresce. Em outras palavras, ao se variar a corrente de campo aumenta-se
a potência reativa que, inicialmente, é igual a zero.
O fator de potência ao qual o motor síncrono funciona pode ser contro-
lado por ajuste da excitação de campo. Para obter-se um fator de potência
capacitivo (corrente adiantada na entrada) deve-se sobre-excitar a máquina,
ou seja, aumentar a corrente de campo a partir dos pontos de f.p. unitário.
Por outro lado, para obter-se fator de potência indutivo (corrente atrasada
na entrada) deve-se sub-excitar a máquina, consumindo reativo da rede.
Outro ponto interessante a ser observado é que, em contraste com os ge-
radores CC, os geradores síncronos em paralelo precisam girar exatamente a
mesma velocidade de regime permanente (para o mesmo número de pólos).
Consequentemente, o modo no qual a potência ativa se divide entre eles de-

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pende quase inteiramente das caracteristicas de velocidade-potência dos seus


acionadores primários no caso, um motor CC. Os motores primários apre-
sentam características inclinadas de velocidade-potência, isto é, a velocidade
decresce com o aumento da potência. As curvas ∨ de potências distintas
mostradas acima foram obtidas diminuindo a tensão de armadura da MCC
diminuindo assim, a velocidade de rotação da mesma.

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Parte III

7 Conclusão
Com os experimentos descritos aqui, aprendemos como lidar com uma
máquina síncrona (MS).
Determinamos os parâmetros da máquina, encontrando, assim, seu cir-
cuito equivalente. Observamos que, como na máquina de corrente contínua
estudada anteriormente, a resistência de estator (armadura), rs , é notavel-
mente menor que a resistência de campo (rotor), rf . O rotor da MS também
trabalha em corrente contínua.
Analisamos o transitório da máquina, seja quando a armadura é curto-
circuitada quando em efeito contrário, isto é, rejeição de carga. Posterior-
mente, foi feito um estudo sobre os impactos de tais transitórios.
No m, vericamos como são ligados os geradores síncronos que alimen-
tam uma complexa rede elétrica como a que utilizamos atualmente. Averigua-
mos quais as condições necessárias para que isto ocorra e, detalhadamente,
o seu procedimento.
A máquina síncrona é de extrema utilidade no mundo, apesar de não ser
tão comercialmente e popularmente conhecida como a de indução.

Referências
[1] Fitzgerald, A. E.; Kingsley Jr., C. & Umans, S. D. Electric Machinery,
5th Edition, McGraw Hill, 1992.
[2] IEEE Std 115-1983 (Rea 1991) Guide: Test Procedures for Synchronous
Machines (ANSI), IEEE, 1991.

[3] DLSR/JCFC - UNESP/FEG/DEE IX. Motores Elétricos in Eletrotécnica


Geral, eletronic document.

[4] Sen, P.C., Principles of Electric Machines and Power Electronics, John
Wiley & Sons, 1989.
[5] McPartland J. F. Motor Circuits and Controls, McGraw Hill, 1972.

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