Você está na página 1de 5

ESTADO DE MATO GROSSO

SECRETARIA DE ESTADO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA


FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO
CÂMPUS UNIVERSITÁRIO PROFESSOR EUGÊNIO CARLOS STIELER

RELATÓRIO DE OBSERVAÇÃO1
2
Fernando Soares Ferreira de Santana
Nota 2,60
Estágio de observação realizado no CME Sílvio Paternez, que se encontra na rua
Francisco Jose de Mendonça, número 1209, bairro Jardim 13 de Maio na cidade de Tangará da
Serra, estado de Mato Grosso. As observações foram realizadas no 7º ano “C” (35 alunos),
período vespertino, em quatro aulas, nos dias 12 e 13 de abril de 2018, sendo duas aulas em
cada respectivo dia.
Criado pelo decreto nº 030/GP/92 de 06 de maio de 1992 e regulamentado pela
resolução 06/2008 do Conselho Municipal de Educação, o colégio abrange a pré-escola e o
ensino fundamental (séries finais e iniciais), funcionando nos períodos matutino e vespertino.
Possui o total de 28 salas, sendo 17 salas de aula, 1 de reforço, 1 multifuncional, 1 onde
funciona, de forma conjunta, a biblioteca e a sala de informática, e entre outras. Conta com
1139 educandos e o quadro docente é de 38 educadores contratados e concursados. O Projeto
Político Pedagógico (PPP) da escola está desatualizado, portanto algumas das informações aqui
constadas foram atualizadas através de dados cedidos pela coordenação da escola.
A nota atribuída pelo IDEB aos anos iniciais do ensino fundamental foi de 5,9. Para os
anos finais, a nota foi de 5,4 ultrapassando, ambas, a meta estipulada para o ano de 2015 (dados
recentes coletados no site do INEP).
Todas as salas possuem ar condicionado, exceto o refeitório, que é um local pouco
ventilado por não se tratar de uma área externa. A escola passa por reformas, por isso algumas
salas estavam sem porta e alguns murais sem cerâmica, no piso das salas existiam alguns
buracos. Possui poucos projetores, que não são suficientes para todas as turmas, portanto, os
educadores têm de reservar para que possam utilizar o aparelho. A pré-escola funciona em um
bloco separado das demais salas, contando com um parque na frente, banheiros e bebedouro
exclusivos para os pequenos.
Existem, na biblioteca, apenas 15 computadores, todos em bom estado, praticamente,
novos. O espaço é pequeno, mas a sala era limpa e organizada, contando com apenas uma mesa
redonda e algumas cadeiras. Quanto aos livros do acervo, a biblioteca possui uma quantidade

1
Apresentado como exigência parcial para aprovação junto à disciplina de “Estagio Curricular Supervisionado -
Língua Portuguesa”, sob responsabilidade da Profª Mauricéia Goncalves De Magalhaes Santos e Profª Lilian Elisa
Minikel Brod.
2
Acadêmico do curso de Licenciatura Plena em Letras da Universidade do Estado de Mato Grosso, Câmpus
Universitário Professor Eugênio Carlos Stieler.
ESTADO DE MATO GROSSO
SECRETARIA DE ESTADO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA
FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO
CÂMPUS UNIVERSITÁRIO PROFESSOR EUGÊNIO CARLOS STIELER

considerável (3554 unidades). Eles eram variados e havia obras tanto para os educandos quanto
para os educadores. Dentre elas existiam muitas de literatura brasileira e até literatura inglesa,
havia uma vasta gama de autores e opções de leitura como: “O Castelo”, de Franz Kafka;
“Memórias de Um Sargento De Milícias”, de Manuel Antônio de Almeida; “Canções”, de
Mário Quintana; “O Enfermeiro”, “A Cartomante” e outras obras, originais e adaptadas, de
Machado de Assis.
O local conta com uma bibliotecária para fazer o registro e organização do acervo além
de orientar os alunos e realizar os empréstimos dos livros. Além disso, alguns projetos de
incentivo à leitura são realizados na escola pela própria funcionária. De forma geral, de acordo
com o relato da bibliotecária, o local é bem frequentado por alunos, professores, alguns
acadêmicos (estagiários) e até pais de alunos.
Além dos projetos de leitura da bibliotecária, há também uma iniciativa tomada pela
própria escola, que é a de incentivar a leitura. Cada aluno possui uma ficha de leitura e esta
deve ser realizada semanalmente, portanto, o aluno vai até a biblioteca, escolhe o livro e tem
uma semana para lê-lo. A bibliotecária faz esse intermédio entre o aluno, o livro e a leitura,
desta forma, ela realiza anotações para saber se o aluno leu ou não e porque, perguntando a ele
sobre o conteúdo do livro. Caso não tenha realizado a leitura a funcionária da biblioteca insiste
para que este leve o mesmo livro e realize essa leitura, nada é feito de forma obrigatória.
A escola tem como homenageado, em seu nome, o senhor Silvio Paternez, que é “[...]
natural de São José do Rio Pardo, Estado de São Paulo, nascido em 10 de janeiro de 1920 [...]”
(PPP do CME Sílvio Paternez, 2012, p. 7). Foi um grande investidor em plantações de algodão
e amendoim e teve influência social e política. Silvio faleceu no dia 10 de fevereiro de 1976.
Para a biblioteca, o psicanalista e escritor Rubem Alves foi escolhido para ser o homenageado.
De forma clara, a apresentação do PPP explica a relevância deste documento para a
escola e a comunidade. Mostra a responsabilidade que a escola deve ter para a elaboração desse
projeto, visando o desenvolvimento social – papel este que se atribui a escola. Este
desenvolvimento é que vai preparar o aluno para a sociedade, fazendo ele empregar seu papel,
isso deve ser construído também com auxílio de toda a comunidade escolar.
Os objetivos da escola, de acordo com o PPP desta, são: viabilizar o desenvolvimento
cognitivo dos estudantes através de discussões éticas, políticas e socioculturais; debater acerca
da realidade social na qual os educandos estão inseridos; garantir a composição de variadas
propostas de desenvolvimento do ensino (PPP do CME Sílvio Paternez, 2012, p. 2-4).
ESTADO DE MATO GROSSO
SECRETARIA DE ESTADO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA
FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO
CÂMPUS UNIVERSITÁRIO PROFESSOR EUGÊNIO CARLOS STIELER

O colégio é regido por princípios éticos, políticos e estéticos. Há uma necessidade em


buscar um lugar harmonioso para que coexistir em disciplina (no que se refere a convivência).
A ideia de conjunto, de solidariedade e ética são reforçadas. Também trazendo reflexões sobre
violência, o PPP fala sobre doenças sexualmente transmissíveis e afins.
A filosofia da escola expressa a inserção de práticas de letramento local, levando em
conta a cultura do alunado. A busca pela criticidade, autonomia e criatividade são outras
reflexões que a escola deseja objetivar: buscar o individual, mas também, e principalmente, o
coletivo, é relevante no processo de aprendizagem.
Durante o período que realizamos a observação, o professor apenas ministrou aulas de
gramática com a utilização do livro didático, resolução de questões e aula expositiva através do
projetor. Ele estava disposto a atender os alunos com dificuldades, porém não havia uma
explicação antecedente à resolução dos exercícios, era algo mais direto. Categoricamente,
controlava a turma quando estava dispersa, o que acontecia principalmente no início da aula.
Quando era preciso ele mudava alguns alunos de lugar.
No primeiro dia de observação o professor regente pediu aos alunos que resolvessem
algumas atividades do livro, mas, antes disso, ele estava entregando atividades corrigidas e
alguns alunos não haviam feito na última aula, esse momento de correção tomou um tempo
considerável da aula. O professor apenas corrigia os exercícios e entregava, não havia um
feedback do que foi corrigido.
As atividades do livro necessitavam da leitura prévia de um texto, que só foi feita com
os alunos após a resolução das atividades. Aconteceu uma divergência na sala e, alterado, o
professor pediu para que um dos alunos se retirasse, pois, estava provocando sua colega e ele
“não queria mais ver a sua cara”. Ele afirma que este aluno é um dos que possuem dificuldades
no aprendizado.
No intervalo, alguns alunos, que ainda não haviam realizado as atividades, ficaram na
sala para que as concluíssem. Na segunda aula, o educador corrigiu oralmente e no quadro essas
mesmas atividades da aula anterior a esse dia. Os educandos não participavam com frequência
dessas correções, mesmo ele questionando-os. Os exercícios possuíam um número determinado
de linhas, que o professor estabelecia a partir do livro didático do professor, limitando a escrita
do aluno.
Na observação realizada no segundo dia, houve um acontecimento peculiar, no qual
uma professora, da aula anterior, separou alguns alunos que estavam conversando muito e disse
a eles que iria ver se estavam no mesmo lugar (na aula do professor em que observávamos).
ESTADO DE MATO GROSSO
SECRETARIA DE ESTADO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA
FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO
CÂMPUS UNIVERSITÁRIO PROFESSOR EUGÊNIO CARLOS STIELER

Quando ela retornou para verificar, os alunos não estavam nos locais designados, por isso eles
foram separados mais uma vez por esta professora nas aulas de língua portuguesa, as quais ela
não ministrava.
A primeira aula deste segundo dia foi destinada à resolução de exercícios do livro e, na
segunda aula, o professor trouxe uma explicação sobre os pronomes: tipos, classificações,
funções, concordância e entre outros. Antes de começar esta aula, ele trazia reflexões sobre o
ensino e a aprendizagem aos alunos através de frases de alguns autores, suscitando um incentivo
para eles. Nessa aula, o professor encaminhou a eles textos nos gêneros tirinha como exemplo
para explicar o conteúdo apresentado. Ele pedia para os alunos que fizessem a leitura e, em
seguida, vinha com a definição e identificação do pronome. Esta aula rendeu mais participações
e engajamento dos alunos em relação as outras.
O professor regente relata que alguns alunos têm muita dificuldade, mas desconhece de
que algum deles tenham laudo médico de qualquer déficit e pediu para procurarmos com a
coordenação. Ele afirma ainda que todos são alfabetizados. O discurso do professor era o de
que os alunos tinham que participar e que suas respostas, não necessariamente, tinham de ser
iguais a do autor do livro. Em entrevista, dois alunos da turma afirmaram que gostam e
entendem as aulas do professor, uma inclusive elogiou o fato de que, quando estão com
dificuldade em um assunto e não o aprendem da forma esperada, ele enfatiza trazendo outras
aulas sobre aquilo.
De forma geral, a ênfase das aulas ministradas era na terminologia gramatical. Muitos
termos eram citados e não eram explicados e contextualizados de forma clara e com exemplos,
apresentando assim uma didática insatisfatória e superficial, não proporcionando reflexão e
profundidade nas conversas. Entre as principais habilidades enfatizadas nas aulas observadas
estão as de leitura oral, escrita e intepretação. A avaliação do conhecimento é feita pela
resolução dos exercícios no livro.
A atmosfera para a interação não é criada e apesar das tentativas de questionar, os
educandos interagiam muito pouco e apenas quando eram questionados. Muitas vezes não há
uma contextualização e, por isso, os alunos não participam. Já, no segundo dia, os alunos
participaram mais intensamente por conta do gênero trabalhado e da contextualização que foi
feita por intermédio do professor, apresentando as regras da língua pela língua, pelos usos, que
são acompanhados nos gêneros trabalhados, observamos aí um contraste entre as aulas.
As expectativas para essa observação foram de receio no que diz respeito ao
comportamento dos alunos. As possíveis realidades que poderíamos encontrar ali dentro nos
ESTADO DE MATO GROSSO
SECRETARIA DE ESTADO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA
FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO
CÂMPUS UNIVERSITÁRIO PROFESSOR EUGÊNIO CARLOS STIELER

trazia certa insegurança, havia um medo também quanto a postura do professor, que
pensávamos ser mais autoritário. Em meio a observação alguns desses medos foram vãos pois,
pelo que observamos, existem alguns problemas, mas acreditamos que são menores do que o
esperado.

REFERÊNCIAS

Coordenação do CME Sílvio Paternez. PPP – Projeto Político Pedagógico. Tangará da Serra,
2012.

INEP. IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. Disponível em:


<http://idebescola.inep.gov.br/ideb/consulta-publica>. Acesso em 14 de abr. 2018.