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Governança Pública: Os Indicadores de Governança Mundial dos sete

países de maior economia do mundo

Débora Tazinasso de Oliveira (UNINTER – Centro Universitário Internacional) deboratazinasso@gmail.com


Luciane Tazinasso (UTFPR - Universidade Tecnológica Federal do Paraná) luciane.tazinasso@hotmail.com

Resumo:
Desde os anos 80 vem ocorrendo mudanças significativas nas políticas de gestão pública em todo o
mundo e, desde então nota-se um importante crescimento nos estudos acerca da governança pública.
Para a realização deste trabalho destaca-se o projeto desenvolvido por Kaufmann, Kraay e Mastruzzi
desde 1996 denominado o Worldwide Governance Indicators (WGI) que trabalha com seis
indicadores aplicados a mais de 200 países sendo importantes instrumentos de gestão que visam
proporcionar uma visão geral demonstrada em índices, também chamados de Dimensões da
Governança. O presente estudo buscou comparar os resultados dos Indicadores pesquisados pelo
Worldwide Governance Indicators (WGI), observando a situação do Brasil e dos demais seis países de
maiores economias do mundo - baseado em dados de 2014 do Banco Mundial – sendo eles os Estados
Unidos, a China, Japão, Alemanha, França e Reino Unido. Para o alcance do objetivo proposto, o
estudo baseou-se em uma pesquisa qualitativa. Os dados foram analisados e notou-se que apesar de os
sete países estarem nas primeiras posições do ranking de países com as maiores economias do mundo,
nem todos apresentam resultados de Governança parecidos e positivos. Dentre os sete, o Brasil e a
China apresentam os piores resultados, já os Estados Unidos, o Japão, a Alemanha, França e Reino
Unido, têm bons resultados. Por fim, conclui-se que a boa governança não está necessariamente
relacionada à riqueza do país, mas sim, está atrelada ao maior planejamento, abertura para participação
popular, accountability, democracia, transparência e eficácia na implantação de políticas públicas.
Palavras chave: Governança Pública, Indicadores de Governança, WGI.

Public Governance: The Worldwide Governance Indicators of the


seven countries with the largest economy in the world

Abstract:
Since the 80s has been occurring significant changes in public management policies around
the world and, since then we notice a significant growth in studies about public governance.
For to accomplish this work stands out the project developed by Kaufmann, Kraay e Mastruzzi
from 1996 called Worldwide Governance Indicators (WGI) working with six indicators applied to
more than 200 countries and are important management tools that aim to provide an overview
demonstrated in indexes, also called governance dimensions. This study aimed to compare the results
of the indicators surveyed by Worldwide Governance Indicators (WGI), observing the situation of
Brazil and the other six countries of world's largest economies - based on World Bank 2014 data - they
are the United States, China, Japan, Germany, France and the UK. To achieve the proposed objective,
the study was based on a qualitative research. Data were analyzed and it was noted that although
the seven countries are in the top positions of the ranking of countries with the largest
economies in the world, not all of then have similar results and positive governance. Among
the seven, Brazil and China have the worst results, while the United States, Japan, Germany,
France and the UK, have good results. Finally, it is concluded that good governance is not
necessarily related to the wealth of the country, but rather is linked to more planning, opening
for popular participation, accountability, democracy, transparency and efficiency in the
implementation of public policies.
Key-words: Public Governance, Governance Indicators, WGI.

1 Introdução
Desde a década de 1980 vem ocorrendo mudanças significativas nas políticas de
gestão realizadas pelas administrações públicas em todo o mundo, a fim de consolidar novas
práticas derivadas do setor privado (SECCHI, 2009). As políticas neoliberais das últimas duas
décadas e a evidente incapacidade das instituições públicas, já enfraquecidas, em lidar de
forma eficiente com os crescentes problemas urbanos, foram motivos para a ampliação do
debate sobre governança que se deu pela retratação do Estado (FREY, 2007). Esse
enfraquecimento do estado e das instituições refletiu a necessidade de mudanças para a
eficácia governamental, pois, conforme Bresser-Pereira (2008, p.392) “o desenvolvimento
econômico é possível somente quando um estado-nação pode contar com um Estado eficaz”.
Bresser-Pereira (2008, p.392) ressalta que a Reforma da Gestão Pública
é a segunda mais importante reforma administrativa vivida pelo moderno estado
capitalista. Em sua primeira versão, o Estado moderno era absolutista e adotava uma
administração patrimonial. Na segunda parte do século XIX, os países capitalistas
mais avançados empreenderam a primeira grande reforma administrativa – a
reforma do serviço público ou reforma burocrática.
Essa primeira reforma trouxe grandes progressos, porém, após a II guerra mundial,
países que utilizavam o Estado como instrumento de promoção do desenvolvimento
econômico e da Justiça social, perceberam que a gestão pública precisava ser mais flexível e
eficaz, todavia, foi apenas nos anos 80 que se tornou clara a necessidade de uma nova forma
de administrar a organização do Estado, começando então a segunda grande reforma do
aparelho de estado, o que fomentou debates sobre governança (BRESSER-PEREIRA, 2008).
Desde então, é notável o crescimento de estudos a respeito da governança pública a
nível mundial. Neste sentido Kaufmann, Kraay e Mastruzzi desenvolvem um projeto desde
1996 denominado o Worldwide Governance Indicators (WGI) que trabalha com seis
indicadores, também chamados de Dimensões da Governança: Voice and Accountability (Voz
e Accountability/Responsabilidade), Political Stability and Absence of Violence (Estabilidade
Política e Ausência de Violência/Terrorismo), Government Effectiveness (Eficácia
Governamental), Regulatory Quality (Qualidade Regulatória/Normativa), Rule of Law
(Estado/Regime de Direito), Control of Corruption (Controle da Corrupção).
Diante deste contexto, o presente estudo teve por objetivo, comparar os resultados dos
Indicadores pesquisados pelo Worldwide Governance Indicators (WGI), observando a
situação dos sete países de maiores economias do mundo - baseado em dados de 2014 do
Banco Mundial – sendo eles os Estados Unidos, a China, Japão, Alemanha, França, Reino
Unido e Brasil, destacando que o Brasil ocupa o 7º Lugar neste ranking (em 2014). Serão
observados os resultados dos índices dos países citados, entre os anos de 2009 a 2013. Sendo
assim, com o objetivo proposto, emerge-se a seguinte questão: o que se percebe a respeito dos
índices de governança mundial dos sete países de maior economia do mundo?
Na perspectiva de atender o problema de pesquisa, o presente estudo baseou-se em
uma pesquisa qualitativa. Os estudos que adotam esse método descrevem a complexidade de
determinado problema por meio da análise de suas variáveis, a fim de contribuir para o
processo de mudança e entendimento de particularidades do comportamento de um grupo de
indivíduos ou entidades (RICHARDSON, 2010). Quanto aos instrumentos adotados para
auxiliar a formulação desta pesquisa, foram utilizados materiais bibliográficos, como livros e
publicações periódicas. Segundo Gil (2008), a pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base
em material já elaborado, que é constituído principalmente de livros e artigos científicos. A
principal vantagem desse tipo de pesquisa, é que permite ao investigador uma cobertura
ampla de fenômenos. Por fim, a análise dos dados foi realizada por meio de relatórios,
quadros, e gráficos. O processo de análise dos dados pode ser definido como “uma sequência
de atividades, que envolve a redução dos dados, a categorização desses dados, sua
interpretação e a redação do relatório” (GIL, 2008, p. 133).
O presente estudo contribui para maior compreenção acerca dos WGI dos sete países
de maior economia mundial, sendo possível observar os resultados dos seis índices de
governaça trabalhados pelo Projeto entre os anos de 2009 a 2013. Sendo assim, o artigo está
estruturado de forma que apresente primeiramente uma contextualização teórica acerca do
tema proposto, na sequência se discorre sobre o Projeto desenvolvido por Kaufmann, Kraay
e Mastruzzi, os Worldwide Governance Indicators (WGI), sendo possível compreender qual
sua função e com que indicadores trabalha. Em seguida, serão expostos os resultados da
pesquisa e por fim as conclusões do trabalho.
2 Considerações sobre Governança na Gestão Pública
Pode-se dizer que a Governança Pública é a capacidade de governar, de decidir e
implementar políticas públicas que atendam às necessidades da população, além disso, é a
forma como o Governo se organiza para prestar serviços à sociedade, como gere os recursos
públicos, como divulga suas informações (transparência), como se relaciona com a sociedade
civil, entre outros (PALUDO, 2010). Ademais, Paludo (2010, p.145) complementa que “uma
boa governança fortalece a legitimidade do governo e aumenta sua governabilidade”. Por
governabilidade entende-se, o poder político de governar, as condições materiais do seu
exercício, legitimidade e sustentação política do governo do Estado no seu programa e suas
estratégias de desenvolvimento, sendo que se os governos não forem legitimados, não haverá
as condições necessárias para governar (BENTO, 2003; PALUDO, 2010). O World Bank
(2015) corrobora e explica que
Governance consists of the traditions and institutions by which authority in a
country is exercised. This includes the process by which governments are selected,
monitored and replaced; the capacity of the government to effectively formulate and
implement sound policies; and the respect of citizens and the state for the
institutions that govern economic and social interactions among them.
Um ponto importante observado pelo Word Bank é a interação entre estado e cidadão,
entendendo-se que havendo governança, ocorre uma reciprocidade entre os mesmos. O Estado
deve ter capacidade de implantar políticas públicas com eficácia, conquistando assim o
respeito do cidadão.
Segundo o Brasil/TCU (2014) o conceito de governança teve início quando
organizações deixaram de ser geridas diretamente pelos seus proprietários, passando a gestão
a terceiros que tinham autoridade e poder de administrar os recursos. Porém, foram nos
últimos 30 anos que o conceito se fortaleceu. O Brasil/TCU (2014) ainda explica que segundo
o IBGC, apesar de o conceito ter sido desenvolvido, primariamente, com foco em
organizações empresariais, ele foi modificado, com o intuito de torná-lo mais abrangente e
adaptável, atendendo a outros tipos e organizações, como Terceiro Setor, cooperativas,
Administração Pública (estatais, fundações e órgãos governamentais), entre outros.
Administração pública, segundo Amaro (1971) apud Saldanha (2006, p.12), "é a gestão dos
bens e interesses qualificados da comunidade, nos âmbitos federal, estadual ou municipal,
segundo os preceitos do direito e da moral, visando ao bem comum". Pereira (2010, p.89)
completa que o objetivo da administração pública é atender as necessidades e interesses
públicos, que nada mais é do que os direitos e interesses legalmente protegidos dos cidadãos.
Começou a se falar em Governança em meados de 1932, quando os autores Berle e
Means desenvolveram os primeiros estudos acadêmicos tratando no assunto e defendiam que
era papel do Estado Regular as Organizações privadas, segundo BRASIL/TCU (2014).
Porém, a Governança na esfera Pública começou a ser discutida em 1980, conforme observa-
se no quadro 1, após isso surgiram no decorrer dos anos novas teorias.

NO MUNDO – Ano/ Teoria NO BRASIL – Ano/Teoria


1988 - Constituição Federal do Brasil. Estabelece, no
caput do art. 1º, que “a República Federativa do Brasil
1980 - Discussão de governança na esfera pública:
[...] constitui-se em Estado Democrático de Direito”. O
Devido a Crise fiscal de 1980.
poder não está concentrado no governo, mas emana do
povo.
1994 - Código de Ética Profissional do Servidor
2001 - Estudo nº 13- Boa governança no setor
Público Civil do Poder Executivo Federal (Decreto
público da International Federation of Accountants
1.171/94). Têm por objeto aspectos éticos e morais e o
– IFAC.
comportamento da liderança.
2003 - Guia de melhores práticas para a 2000 - Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei
governança no setor público. Publicado pelo Complementar 101/2000. Têm por objeto o
Australian National Audit Office – ANAO. comportamento da liderança.
2004 - Guia de padrões de boa governança para
serviços públicos. Publicado pelo The Chartered 2005 - Programa Nacional de Gestão Pública e
Institute of Public Finance and Accountancy e pelo Desburocratização (GesPública).
Office for Public Management Ltd.
Nos anos que se seguiram, dezenas de países 2011 - Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527, de 18
passaram a se preocupar com aspectos relacionados de novembro de 2011). Instrumentos de transparência,
à governança e diversos outros códigos foram asseguram o direito fundamental de acesso à
publicados. informação.
2013 - Lei 12.813, de 16 de maio de 2013. Dispõe
- sobre o conflito de interesses no exercício de cargo ou
emprego do Poder Executivo Federal.
Fonte: Brasil/TCU (2014) – Adaptado pelo autor
Quadro 1 – Teorias sobre Governança Pública

Observa-se que começou a se tratar efetivamente de governaça como estratégia de


gestão e necessidade na administração pública em meados de 2001, surgindo a partir daí
novas teorias com vistas a modernizar cada vez mais o conceito. Percebe-se também, que o
conceito de Governança está interligado a outros importantes conceitos, como democracia,
participação popular - observando-se que cabe ao cidadão fiscalizar e intervir se necessário na
gestão dos governantes -, prestação de contas (accountability), transparência, entre outros.
Todos esses conceitos, tem por finalidade garantir a boa gestão pública, para que se utilize de
maneira eficiente e eficaz os recursos públicos, tendo como objetivo fim o bem comum.
Bento (2003) cita que o conceito de Governança Pública remete à reforma do aparelho
do estado, pois a mesma tem por fim melhorar a governança, explicando que essa reforma
consiste na “reformulação da forma burocrática de administração e de prestação de serviços
públicos, mediante a elaboração de novas ferramentas gerenciais jurídicas, financeiras e
técnicas, cujo objetivo consiste em aprimorar a capacidade de implementação de políticas
públicas” (BENTO, 2003, p. 85-86).
O Brasil/TCU (2014) defende que a Governança pode ser observada a partir de quatro
perspectivas, onde cada uma exerce uma função, sendo elas: a) Sociedade e Estado: que
definem regras e princípios para a atuação dos agentes envolvidos, além de criar condições
estruturais de administração e controle de estado; b) Entes federativos, esferas de poder e
políticas públicas: que trata das políticas públicas; c) Órgão e Entidades: que são encarregados
de garantir que órgãos e entidades cumpram seu papel; e d) Atividades intraorganizacionais:
que visam reduzir os riscos, otimizar os resultados e agregar valor às entidades e órgãos.
Uma forma de monitorar a Governança de um governo é por meio de Indicadores. Os
Indicadores são importantes ferramentas utilizadas para avaliar a eficácia e eficiência dos
planejamentos de modo geral. Com eles é possível observar se o projeto está obtendo o
resultado necessário e se está sendo eficaz. Grateron (1999, p. 2) apud Casado e Siluk (2011,
p.2) explica que “a atividade do setor público deve ser medida e avaliada mediante a
utilização de parâmetros ou indicadores que decorram da eficiência e eficácia [...]”.
Corroborando com as informações, Brasil (2009, p.12-13) explica que
Indicadores são métricas que proporcionam informações sobre o desempenho de um
objeto (seja governo, política, programa, organização, projeto etc.), com vistas ao
controle, comunicação e melhoria. Os indicadores são instrumentos de gestão
essenciais nas atividades de monitoramento e avaliação das organizações, assim
como seus projetos, programas e políticas, pois permitem acompanhar o alcance das
metas, identificar avanços, melhorias de qualidade, correção de problemas,
necessidades de mudança etc.
Sendo assim, nota-se a importância da utilização de indicadores na gestão pública para
melhoria da governança, visto que eles proporcionam acompanhar o alcance de metas,
identificar avanços, melhorias, correções de problemas e as necessidades de mudanças, entre
outros benefícios. De modo que há possibilidade de ajustar-se no decorrer da implantação de
projetos, programas e políticas.
3. Worldwide Governance Indicators (WGI) – Indicadores de Governança Mundial
Os Indicadores de Governança Mundial – Worldwide Governance Indicators (WGI) –
são um projeto de pesquisa produzido por Daniel Kaufmann, do Natural Resource
Governance Institute (NRGI) e Brookings Institution, juntamente com Aart Kraay, do World
Bank Development Research Group e com Massimo Mastruzzi, do World Bank Institute,
desde o ano de 1996 até 2013 (WORD BANK INSTITUTE, 2008, 2015).
Os WGI captam seis dimensões de governança relativas a mais de 200 países e
territórios [...]. Organizam e sintetizam dados que refletem as opiniões de milhares
de interessados de todo o mundo, inclusive os entrevistados por pesquisas sobre
domicílios e empresas e peritos de organizações não-governamentais, órgãos do
setor público e fornecedores de informações sobre negócios do setor de comércio.
(WORD BANK INSTITUTE, p. 1, 2008).
Além disso, o Word Bank Institute (2008, p. 1) explica que “Os WGI são uma ferramenta
importante para avaliar as diferenças entre os países e as alterações no desempenho dos países ao
longo do tempo, a respeito das principais dimensões da governança”. Para isso, eles mensuram seis
grandes dimensões de governança pública no mundo, conforme elencado e explicado a seguir:
 Voice and Accountability (Voz e Accountability/Responsabilidade): até que ponto os
cidadãos de um país são capazes de participar da escolha do seu governo, bem como a
liberdade de expressão, liberdade de associação e meios de comunicação livres.
 Political Stability and Absence of Violence (Estabilidade Política e Ausência de
Violência/Terrorismo): a probabilidade de o governo vir a ser desestabilizado por métodos
inconstitucionais ou violentos, inclusive o terrorismo.
 Government Effectiveness (Eficácia Governamental): a qualidade dos serviços públicos, a
competência da administração pública e sua independência das pressões políticas; e a
qualidade da formulação das políticas.
 Regulatory Quality (Qualidade Regulatória/Normativa): a capacidade do governo de
fornecer políticas e normas sólidas que habilitem e promovam o desenvolvimento do setor
privado.
 Rule of Law (Estado/Regime de Direito): até que ponto os agentes confiam nas regras da
sociedade e agem de acordo com elas, inclusive a qualidade da execução de contratos e os
direitos de propriedade, a polícia e os tribunais, além da probabilidade de crime e violência.
 Control of Corruption (Controle da Corrupção): até que ponto o poder público é exercido
em benefício privado, inclusive as pequenas e grandes formas de corrupção, além do
“aprisionamento” do estado pelas elites e pelos interesses privados.
Além disso, cada um dos seis indicadores citados é desmembrado em outros quatro
dados de pesquisa, sendo: Number of Sources (número de fontes); Governance Score
(Pontuação de Governança); Percentile Rank (Ranking Percentual); Standard Error
(Padrão/Margem de erro). No entanto, serão utilizados na discussão e análise dos resultados
do presente artigo, apenas os índices de Governance Score, que representa uma estimativa de
governança em uma escala de aproximação de -2,5 a +3,5, onde os maiores valores
correspondem a uma melhor governança) e Percentile Rank, que representa o Ranking de
todos os países pesquisados, onde zero representa a classificação mais baixa e 100 a mais alta
classificação. Pois, são os mais convenientes e relevantes para o objetivo do estudo. Será
apresentada a comparação dos resultados dos Worldwide Governance Indicators (WGI),
observando a situação do Brasil em dos demais seis países de maiores economias do mundo,
baseado em dados de 2014 do Banco Mundial, sendo eles: Estados Unidos, China, Japão,
Alemanha, França e Reino Unido. Serão comparados os resultados dos anos de 2009 a 2013,
pois 2013 é o último ano de registro lançado no WGI.
3.1 Voice and Accountability - Voz e Accountability/ Responsabilidade
A figura 1, demonstra o resultado da Pontuação de Governança do Indicador de Voz e
Responsabilidade dos países, Brasil, China, França, Alemanha, Japão, Estados Unidos e
Reino Unido, entre os anos de 2009 a 2013.

Fonte: Word Bank (2015) – Adaptado pelo autor


Figura 1 – Indicador de Voz e Responsabilidade
Observa-se que a Pontuação de governança do Indicador de Voz e Responsabilidade
variou de forma considerável entre os países. Conforme já citado, neste índice quanto maior a
pontuação, melhor a governança na dimensão analisada. O Brasil manteve uma pontuação
positiva variando de 0,37 a 0,49, entretanto no último ano a pontuação foi a menor dos
últimos 5 anos. A China foi o país que teve a menor pontuação dentre os países observados,
apresentando pontuação negativa que variou entre -1,58 a -1,66. Os demais países, Alemanha,
Japão, Estados Unidos e Reino Unido, mantiveram índices positivos, acima de +1,00, porém
nenhum ultrapassou o índice de +1,41. Observa-se que, dentre os sete países observados, o
que teve o pior desempenho na Pontuação de Governança, nos cinco anos avaliados, foi a
China e o melhor, foi a Alemanha, mantendo índices entre 1,31 e 1,41.
3.2 Political Stability and Absence of Violence (Estabilidade Política e Ausência de
Violência/Terrorismo)
Em relação à Estabilidade Política e Ausência de Violência, nota-se que os melhores
resultados são da Alemanha e Japão, além disso no decorrer dos cinco anos, os mesmos
tiveram pouca variação, conforme a figura 2.

Fonte: Word Bank (2015) – Adaptado pelo autor


Figura 2 – Indicador de Estabilidade Política e Ausência de Violência/Terrorismo

De acordo com a figura 2, o Brasil, foi o país que apresentou menores índices dentre
os sete países, chegando a -0,14 em 2011, contudo em 2013 chegou a 0,28. A França e os
Estados Unidos tiveram resultados variados, porém fecharam 2013 com índices parecidos,
0,42 e 0,48. Já a China apresentou os piores resultados entre os países analisados, sendos
todos os valores negativos, representando que a Governança baseada neste índice, não obteve
resultados otimistas. Alemanha e Japão apresentaram os melhores resultados, fechando o ano
de 2013 respectivamente com índices de 0,93 e 0,98.
3.3 Government Effectiveness (Eficácia Governamental)
A Pontuaçao de Governaça baseada na Eficácia Governamental, é o indicador para o
qual o Brasil apresenta resultados negativos, nos cinco anos observados a pontuaçao do País
variou entre -0,04 e -0,12, como mostra a figura 3.
Fonte: Word Bank (2015) – Adaptado pelo autor
Figura 3 – Indicador de Eficácia Governamental

A China também apresentou resultados parecidos, apesar de não serem todos


negativos, os índices variaram entre -0,03 e 0,11. Os demais países apresentaram resultados
positivos e próximos, sendo os melhores: a Alemanha em 2009, com 1,59, e o Japão em 2013
com o mesmo resultado. Apesar disso as variações são entre valores de 1,33 a 1,59.
3.4 Regulatory Quality (Qualidade Regulatória/Normativa)
Se tratando da Pontuação da Governaça da Qualidade Regulatória ou Normativa, a
China novamente é o país que apresenta a pontuação mais baixa, ficando negativa em todos
os cinco anos, inclusive baixando ainda mais os resultados nos anos de 2012 e2013, sendo -
0,26 e -0,31, conforme a Figura 4.

Fonte: Word Bank (2015) – Adaptado pelo autor


Figura 4 – Indicador de Qualidade Regulatória / Normativa

O Brasil é o segundo país com os menores resultados, apresentando índices entre 0,07
(em 2013) e 0,18 (em 2011), seu melhor resultado entre os cinco anos. Em seguida observa-se
que o Reino Unido apresenta os melhores índices, chegando a 1,77 em 2013, seguido da
Alemanha, Estados Unidos, França e Japão, respectivamente.
3.5 Rule of Law (Estado/Regime de Direito)
Brasil e China novamente apresentam resultados negativos, agora na Pontuação do
Indicador de Estado/Regime de Direito. A China com índicesnegativos que chegam a -0,49
em 2012, é novamente o país com os piores resultados entre os sete países, seguida do Brasil,
qua variou seus índicesentre -0,22 em 2009 e 0,00 em 2010, nos demais anos os valores
ficaram entre essa faixa de resultados. Conforme observa-se na figura 5.
Fonte: Word Bank (2015) – Adaptado pelo autor
Figura 5 – Indicador de Estado/Regime de Direito

A França, Alemanha, Japão, Estados Unidos e Reino Unido, mantiveram resultados


positivos nos cinco anos da pesquisa, sendo que os melhores índices apresentados são os do
Reino Unido. O Japão apresentou os índices mais modestos dentre os cinco países
supracitados, porém, ainda assim são bom resultados.
3.6 Control of Corruption (Controle da Corrupção)
O índice de Controle de Corrupção é um importante indicador de Governança, nele o
Brasil apresenta pontuações baixas, comparadas com os demais países, deixando apenas a
China para última posição, como demonstra a Figura 6.

Fonte: Word Bank (2015) – Adaptado pelo autor


Figura 6 – Indicador de Controle de Corrupção

Nos últimos cinco anos a melhor pontuação do Brasil neste indicador foi em 2011 com
0,12, fechando 2013 com o resultado de -0,12. Comparado-se com a Alemanha, que teve
resultado em 2013 de 1,78, o resultado é bastante baixo. A China novamente apresenta índices
negativos, chegando a -0,60 em 2010. Apesar de ter melhorado os resultados em 2013,
chegou a apenas -0,35, o menor entre os demais países, representando a pior pontuação no
Controle de Corrupção.
Os Estados Unidos apresentam uma constância nos resultados, variando muito pouco
nos cinco anos, seu menores índices são em 2009 e 2010 com 1,26 e o maior em 2012, 1,38,
fechando 2013 em 1,28. Já a França apresenta índices um pouco mais altos, variando entre
1,30 em 2013 e 1,52 em 2011. Na sequencia os melhores índices são do Japão, Reino Unido e
Alemanha, que mantém resultados sem muita variação e com bons valores, fechando 2012 e
2013 em 1,78.
Nota-se que nenhum país chegou a atingir o valor máximo (+2,5) e nem o mínimo (-
2,5), em nenhum dos seis Indicadores investigados, no período de cinco anos. No índice de
Voz e Accountability/Responsabilidade, o maior valor foi de 1,41 em 2013 apresentado para a
Alemanha e o menor -1,66, para a China. A Estabilidade Política e Ausência de
Violência/Terrorismo, teve maior valor em 2011, onde o Japão apresentou 0,98, o menor
valor foi da China em 2010, -0,66. O índice de Eficácia Governamental, teve como valor
máximo 1,59, pelo Japão em 2013 e o menor foi do Brasil, -0,12 em 2011 e 2012. Para o
índice de Qualidade Regulatória/Normativa, o Reino Unido apresentou maior valor registrado
em 2013 com 1,77, e novamente a China obteve o menor valor, -0,31 em 2013 também. O
Estado/Regime de Direito, apresentou maior valor em 2010, 1,76 do Reino Unido e o menor
foi -0,49 da China em 2012. Por último, o indicador de Controle da Corrupção) teve maior
valor novamente pelo Reino Unido, 1,78 em 2012 e 2013 e menor em 2010 pela China, que
obteve o índice de -0,60.
3.7 Ranking Percentual dos Indicadores de Governança no ano de 2013
O Ranking Percentual é calculado para cada uma das seis dimensões da Governança
dos WIG, e demonstra a classificação dos países no Ranking mundial, dentro de cada
indicador. A Figura 7 apresenta esses resultados do ano de 2013 dos sete países analisados no
presente estudo. Optou-se por observar o ano de 2013 por ser o último lançado no WGI. Esse
Ranking está interligado e/ou relacionado com os resultados das Figuras 1, 2, 3, 4, 5 e 6.

Fonte: Word Bank (2015) – Adaptado pelo autor


Figura 7 – Ranking Percentual dos Indicadores de Governança - 2013

Segundo o Word Bank (2014) zero representa a classificação mais baixa e 100 a mais
alta classificação no Ranking. Sendo assim, observa-se que na Dimensão Voz e
Accountability, a China apresenta o pior resultado com a posição 5, demonstrando que os
cidadãos não têm muita participação nas escolhas do governo, assim como liberdade de
expressão, entre outros. O Brasil está em uma posição mediana, 59. Os demais países
aparecem em posições melhores, França, 89, Alemanha na melhor classificação, 94, Japão, 85
e Estados Unidos, 92. Em relação a Estabilidade Política e Ausência de Violência/Terrorismo,
percebe-se que Brasil e China aparecem em posições baixas, 37 e 27, França e Estados
Unidos aparecem em uma classificação melhor, 62 e 63, já Alemanha e Japão têm resultados
ainda melhores, 77 e 82, representando que a probabilidade de o governo vir a ser
desestabilizado por métodos inconstitucionais ou violentos, inclusive o terrorismo, são
menores.
Observando a Dimensão de Eficácia Governamental, percebe-se a proximidade
novamente de Brasil e China, 51 e 54, sendo a posição do Brasil um pouco melhor que a da
China. França, Alemanha, Japão e Estados Unidos, também aparecem em posições próximas,
porém bem melhores, sendo respectivamente, 89, 91, 94 e 90. Isso representa que esses países
são melhores em qualidade dos serviços públicos, competência na administração pública,
independência das pressões políticas e a qualidade na formulação das políticas. Se tratando de
Qualidade Regulatória/Normativa, a capacidade do governo de fornecer políticas e normas
sólidas que habilitem e promovam o desenvolvimento do setor privado, nota-se que
novamente França (85), Alemanha (93), Japão (83) e Estados Unidos (96) aparecem em boas
posições, sendo os Estados Unidos o melhor classificado. Já o Brasil aparece na posição 55 e
a China, 43.
O índice de Estado/Regime de Direito, representa a confiança dos agentes nas regras
da sociedade e até que ponto agem de acordo com elas, abrangendo a qualidade a execução de
contratos, política, entre outros. Nesse quesito, o Brasil está na posição 52, a frente apenas da
China (40), considerando somente os sete países, novamente uma posição mediana, os demais
apresentam boas posições, a melhor sendo dos Estados Unidos, em 93º. E por fim, o indicador
de Controle da Corrupção, indica o Brasil na posição 55, china, 47, França, 88, Alemanha, 94
e Japão e Estados Unidos na mesma posição, 93, representando o controle da corrupção,
considerando o exercício do poder público em benefício privado, inclusive as pequenas e
grandes formas de corrupção, além do “aprisionamento” do estado pelas elites e pelos
interesses privados.
4 Considerações Finais
A Governança é um assunto de grande importância quando se fala em Gestão Pública,
pois conforme já citado por Paludo (2010), a Governança é a capacidade de o Estado
governar, implementar suas políticas públicas voltadas para o cidadão, a forma como se
organiza e gere seus recursos para prestar seus serviços, entre outros. Pensando neste
contexto, a presente pesquisa teve por objetivo comparar os resultados dos Indicadores
pesquisados pelo Worldwide Governance Indicators (WGI), observando a situação dos sete
países de maiores economias do mundo - Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, França,
Reino Unido e Brasul-, por meio da análise dos resultados dos índices destes países entre os
anos de 2009 a 2013, a fim de responder ao problema da pesquisa: o que se percebe a respeito
dos índices de governança mundial dos sete países de maior economia do mundo?
Sendo assim, observando os resultados dos Indicadores de Governaça do Brasil,
Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, França e Reino Unido, nota-se que a China
apresentou os resultados mais inferiores em quase todos os seis índices que fazem parte do
Projeto Wordwide Governace Indicators (WGI), tendo resultado melhor que o Brasil apenas
no Indicador de Eficácia Governamental. O Brasil, apesar de ter resultados um pouco
melhores que a China no Indicador de Voz e Responsabilidade, Indicador de Controle de
Corrupção e Indicador de Estabilidade Política e Ausência de Violência/Terrorismo, são
valores baixos comparados com os demais países. Nos demais indicadores - Indicador de
Eficácia Governamental, Indicador de Qualidade Regulatória / Normativa e Indicador de
Estado/Regime de Direito – Brasil e China têm resultados parecidos e ainda baixos. Os
Estados Unidos, Japão, Alemanha, França e Reino Unido, apresentaram bons resultados em
todos os Indicadores, sendo que não obtiveram nenhum índice negativo no período analisado.
A Alemanha e o Reino Unido, foram os países que mais se destacaram, pois obtiveram os
melhores resultados na maioria dos indicadores. Os Estados Unidos, o Japão e a França
mantiveram resultados positivos, com valores próximos entre si e sem muita variação.
Apesar de alguns países não terem apresentado resultados negativos, nenhum país
atingiu a pontuação máxima de +2,50, assim como, nenhum país foi totalmente negativo
atingindo -2,50, no período investigado (entre 2009 e 2013). O maior valor atingido foi +1,78
em 2012 e 2013, pelo Reino Unido no Indicador de Controle de Corrupção. Já o menor valor
registrado, foi no Indicador Estabilidade Política e Ausência de Violência/Terrorismo em
2009, quando a China teve pontuação de -1,66.
Em relação ao Ranking Percentual dos Indicadores, as tendências se mantiveram de
acordo com os Resultados de Governança avaliados primeiramente nos resultados da
pesquisa. Para cada um dos Indicadores de Governança elencou-se um Ranking, sendo assim
o Reino Unido se manteve entre a posição 63 a 96, a Alemanha nas posições entre 77 e 94, o
Japão entre 82 e 94, a França entre 62 e 89, seguidos do Brasil posições entre 37 e 59 e a
China com as posições entre 5 e 54. Lembrando que zero representa a mais baixa e 100 a mais
alta classificação no Ranking.
Os sete países analisados, estão nas primeiras posições do ranking dos países com as
maiores economias do mundo – 1º Estados Unidos, 2º China, 3º Japão, 4º Alemanha, 5º
França, 6º Reino Unido e 7º Brasil –, apesar disso, percebe-se que nem todos apresentam
resultados de Governança parecidos e positivos. Porém, ao contrário do que se julga, “a boa
governança não é exclusividade dos países ricos” (WORD BANK INSTITUTE, 2008, p. 02),
mas sim do país com maior planejamento, abertura para participação popular, accountability,
democracia, transparência e eficácia na implantação de políticas públicas.
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