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Lula pode ser candidato mesmo condenado; event... https://eleicoes.uol.com.br/2018/noticias/2018/01...

Lula pode ser candidato mesmo


condenado; eventual posse
depende de recursos
Felipe Amorim e Nathan Lopes
Do UOL, em Brasília e em Porto Alegre 24/01/2018 17h49

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A condenação em segunda instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva


(PT), definida nesta quarta-feira (24) após julgamento pela 8ª turma do TRF-4
(Tribunal Regional Federal da 4ª Região), tornou o petista inelegível de acordo com
as regras da Lei da Ficha Limpa, que proíbe a candidatura de políticos condenados
por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro. Foram exatamente essas as
imputações determinadas a Lula pelo tribunal no caso do tríplex no Guarujá (SP).

LEIA MAIS: Lula é condenado por unanimidade a 12 anos de prisão


(http://eleicoes.uol.com.br/2018/noticias/2018/01/24/lula-e-condenado-
por-unanimidade-a-prisao-por-corrupcao-e-lavagem.htm)

Entretanto, a decisão de hoje não impede, na prática, o ex-presidente de pedir


o registro de candidatura à Justiça Eleitoral e até mesmo fazer campanha e
receber votos no dia da eleição - desde que sua prisão, pedida pelos
desembargadores do TRF-4, não seja consumada.

Isso porque ele ainda pode apresentar recursos contra a condenação criminal - no
STJ (Superior Tribunal de Justiça) e no STF (Supremo Tribunal Federal) - e também
com o objetivo de conseguir registrar sua candidatura – na Justiça Eleitoral.
Enquanto os recursos não forem julgados em definitivo, o ex-presidente pode atuar
como qualquer outro candidato.

A situação jurídica de Lula depende agora de dois fatores: a rapidez da Justiça em


julgar os recursos da defesa, tanto no campo criminal quanto no eleitoral, e o
sucesso das apelações nos tribunais superiores.

Lula é o pré-candidato do PT à eleição presidencial de outubro e tem liderado as


principais pesquisas te intenção de voto para o pleito, sempre seguido pelo
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deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

Embargos ao tribunal

O fato de o placar final do julgamento ter sido 3 votos a 0 tirou de Lula a


possibilidade de pedir a revisão da condenação dentro do próprio TRF-4. No
tribunal, a defesa só poderá apresentar os chamados embargos de declaração, que,
em tese, não têm o poder de modificar a decisão, mas apenas esclarecer pontos da
sentença.

Enquanto o TRF-4 não terminar o julgamento dos recursos da defesa, não é


esperado que a Justiça Eleitoral declare a inelegibilidade do ex-presidente.

Isso porque a instância máxima em processos eleitorais, o TSE (Tribunal Superior


Eleitoral), entende que o candidato só pode ser considerado inelegível depois
de julgados todos os recursos no tribunal de segunda instância, que no caso é
o TRF-4.

Recurso ao STJ e ao STF

Mesmo se a 8ª Turma do TRF-4 não acatar as apelações de Lula, ele pode recorrer
de duas maneiras ao STJ e ao STF. Além de pedir que a sentença seja revista, a
defesa pode solicitar que os tribunais suspendam de forma liminar (provisória) os
efeitos da condenação do TRF-4 até que o caso seja julgado em definitivo.

Isso poderia levar o TSE a não declarar a inelegibilidade do ex-presidente, com o


argumento de que, se a condenação em segunda instância está suspensa,
então também deve cair seu efeito de determinar a inelegibilidade do
candidato.

Mas esse eventual desdobramento do caso não é dado como certo no meio jurídico.
Alguns defendem que, mesmo obtendo sucesso no recurso ao STJ ou STF, a
Justiça Eleitoral deve de imediato cassar a candidatura do condenado em segunda
instância.

"Essa é a dúvida mais cruel desse processo. Esse efeito suspensivo pode tratar da
inelegibilidade ou não?", diz o advogado Daniel Falcão, professor de direito eleitoral
da USP (Universidade de São Paulo) e do IDP (Instituto Brasiliense de Direito
Público).

"Se é um processo criminal, em tese esse efeito suspensivo só deveria incidir sobre
questões criminais desse processo. Existe essa dúvida entre os estudiosos do
direito eleitoral, do direito penal: se o efeito suspensivo, nesse caso, tem reflexos na
inelegibilidade ou não", afirma Falcão.

Recurso à Justiça eleitoral

Mesmo se tiver a candidatura rejeitada pela Justiça Eleitoral, Lula ainda pode
apresentar recursos ao próprio TSE, e também ao STF, para pedir seu registro
como candidato. No caso dos candidatos à Presidência da República, é o próprio
TSE quem analisa os pedidos de registro.

A advogada Carol Clève, presidente do conselho consultivo do Iprade (Instituto


Paranaense de Direito Eleitoral), afirma que Lula poderá continuar na campanha
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mesmo se tiver o pedido de registro de candidatura inicialmente indeferido pelo


TSE.

Isso porque a Lei das Eleições permite que o candidato continue na disputa
enquanto a legalidade de sua candidatura é discutida na Justiça Eleitoral.

"O fato é que ele pode concorrer à eleição. Pode fazer os atos de campanha
normalmente", diz.

E se a situação se resolver só após a eleição?

Se a Justiça só definir a situação da candidatura de Lula após a eleição de outubro,


são duas as principais possibilidades jurídicas.

Primeira hipótese: se a condenação for suspensa até o fim da eleição e a


candidatura for autorizada

Se isso ocorrer, Lula, sendo o candidato mais votado, pode ser eleito e tomar
posse.

Como a Constituição Federal afirma que o presidente da República só pode ser


processado por fatos que tenham relação com o mandato, é esperado que, se Lula
for eleito, os processos contra ele anteriores ao mandato fiquem suspensos,
incluindo a condenação pelo tríplex do Guarujá (SP).

Segunda hipótese: se a condenação for mantida até o fim da eleição e a


candidatura não for autorizada

Neste caso, os votos obtidos por Lula poderão ser considerados nulos quando a
Justiça Eleitoral julgar em definitivo os recursos sobre a candidatura.

Após ter o registro de candidatura negado, Lula até pode recorrer da decisão e
participar da campanha até que todos os recursos ao TSE sejam julgados. Mas se o
tribunal não acatar as apelações, ele pode perder os votos e o mandato.

O advogado Daniel Falcão explica que os votos dados a candidatos que tem a
candidatura posteriormente rejeitada são considerados nulos e, por isso, seria
preciso realizar uma nova eleição.

Para a advogada Carol Clève, o ineditismo de uma candidatura presidencial com


esse tipo de contestação jurídica dificulta previsões sobre o posicionamento do TSE
no caso.

"Vai ser a primeira vez que o TSE vai ser testado a se posicionar. Então tudo é
muito novo e está tudo muito nebuloso ainda. Vamos ver o que vai acontecer",
afirma a advogada.

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