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DIVISÃO AFRO-OCEANO ÍNDICO
@ 22 Boite Postale 1764, 5 Através da dor e além dela
Abidjan 22, Cote d’Ivoire
u Japheth L. Agboka Como entender o sofrimento humano e a dor à luz do Calvário.
japhethlagboka@compuserve.com
DIVISÃO DA ÁFRICA ORIENTAL — Dwight K. Nelson
@ H.G. 100, Highlands, Harare, Zimbábue
u Hudson E. Kibuuka 8 Guardas do jardim: os cristãos e o meio ambiente
100076.3560@compuserve.com
DIVISÃO EURO-AFRICANA Como mordomos responsáveis, de que modo devemos reagir à crise
@ P.O. Box 219, 3000 Bern 32, Suiça
u Roberto Badenas ecológica que enfrentamos?
74617.1776@compuserve.com
DIVISÃO EURO-ASIÁTICA — John T. Baldwin
@ Krasnoyarskaya Street 3, Golianovo,
107589 Moscow, Federação Russa 12 O mistério da vida
u Heriberto Muller
hcmuller@esd-rda.ru Sondar o segredo da vida nos leva ao Criador onisciente.
DIVISÃO INTERAMERICANA
@ P.O. Box 140760, — George T. Javor
Miami, FL 33114-0760, EUA
u Carlos Archbold 17 As pedras ainda clamam!
74617.3457@compuserve.com
u Bernardo Rodríguez Como a arqueologia bíblica continua confirmando a historicidade da
Bernardo@interamerica.org
DIVISÃO NORTE-AMERICANA Bíblia e ampliando nossa compreensão de seu significado.
@ 12501 Old Columbia Pike,
Silver Spring, MD 20904-6600, EUA — Gerald A. Klingbeil
u Don Hevener
donhevener@cs.com
u Richard Stenbakken
74532.1614@compuserve.com
DIVISÃO NORTE-ASIÁTICA DO PACÍFICO
@ Koyang IIsan, P.O. Box 43,
783 Janghang-Dong, Ilsan-Gu, Koyang City,
Kyonggi-do 411-600, República da Coréia Editorial Livros
u David S. F. Wong
dsfwong@ppp.kornet21.net 3 Espiando o futuro 30 Adventism and the American Republic:
— Richard O. Stenbakken The Public Involvement of a Major
DIVISÃO SUL-AMERICANA
@ Caixa Postal 02-2600, Apocalyptic Movement (Douglas
70279-970 Brasilia, DF, Brasil 4 Cartas Morgan)
u Roberto de Azevedo e José M. B. Silva — Gary M. Ross
Violeta@dsa.org.br
DIVISÃO DO SUL DO PACÍFICO Perfis 30 The Christian and Rock Music—
@ Locked Bag 2014, Wahroonga, 20 Barbara Reynolds A Study on Biblical Principles of Music
N.S.W. 2076, Australia — Jonathan Gallagher (Samuele Bacchiocchi)
u Gilbert Cangy — Turíbio J. de Burgo
Gilbert_Cangy@SDASPD.adventist.org.au 22 Francisco de Araujo
u Nemani Tausere — Lincoln Steed 31 Community of Faith:
Ckingston@adventist.org.au The Seventh-day Adventist Church
UNIÃO SUL-AFRICANA and the Contemporary World
@ P.O. Box 468, Bloemfontein 9300, Logos (Russell L. Staples)
Free State, África do Sul 24 Nenhuma reserva! Nenhum recuo! — Gosnell L. O. R. Yorke
u Jongimpi Papu
papu@freemail.absa.co.za
Nenhum pesar!
— Bruce Campbell Moyer
DIVISÃO SUL-ASIÁTICA Para Sua Informação
@ P.O. Box 2, HCF Hosur,
Tamil Nadu 635110, Índia 32 Declaração adventista sobre
Foro Aberto violência na família
u Justus Devadas
sudedn@vsnl.com 26 Estilos adventistas de culto
— Bert B. Beach
DIVISÃO SUL-ASIÁTICA DO PACÍFICO Primeira Pessoa
@ P.O. Box 040, Silang,
Cavite, 4118 Filipinas 35 Servindo enquanto pudermos e
u Oliver Koh
Em Ação onde estivermos
okoh@ssd.org 27 “A obra que — Heidi Ryan
DIVISÃO TRANS-EUROPÉIA precisa ser feita!”
@ 119 St. Peter’s Street, St. Albans, — Samuel Koranteng-Pipim
Herts., AL1 3EY Inglaterra
28 Diálogo une duas pessoas no amor Inserção Intercâmbio
u Paul Tompkins
74617.1257@compuserve.com — Abraham Acosta
u Orville Woolford
71307.1432@compuserve.com

2 Diálogo 14:1 2002


Editorial
Espiando o futuro Diálogo Universitário, um periódico
internacional de fé, pensamento e ação, é
publicado três vezes por ano em quatro
edições paralelas (espanhol, francês, inglês

Q
uando deparei o termo kedging, equivalente em português a espiar, pare- e português) sob o patrocínio da Comissão
ceu-me uma palavra e um conceito inteiramente novos. Por ser uma ex- de Apoio a Universitários e Profissionais
Adventistas (CAUPA), organismo da
pressão náutica, ela não me é absolutamente familiar. Sou mais do tipo de Associação Geral dos Adventistas do Sétimo
pessoa terra firma. Mas, o conceito de espiar é fascinante, não somente Dia: 12501 Old Columbia Pike; Silver
para marinheiros como também para nós, que precisamos navegar na vida diária. Spring, MD 20904-6600; EUA.
Eis a definição léxica: “espiar: segurar (o navio, um ferro, etc.) com espia.” O dici- VOLUME 14, NÚMERO 1.
onário esclarece a idéia: “espia: cabo que se passa de um navio para um cais, uma Copyright © 2002 pela CAUPA. Todos os
bóia ou outro navio, a fim de segurá-lo.” direitos reservados.
Eis aí uma nova palavra e um novo conceito! A educação não é maravilhosa? DIÁLOGO afirma as crenças fundamentais
“Tudo bem”, você dirá, “mas como esse maravilhoso conhecimento me serve da Igreja Adventista do Sétimo Dia e apóia
hoje?” Talvez uma ilustração possa ajudar. Quando os navios tinham de depender sua missão. Os pontos de vista publicados
na revista, entretanto, representam o
do vento e das ondas para se deslocar, sempre havia o risco de encalharem em pensamento independente dos autores.
bancos de areia e ali ficarem presos. Quase todos nós, uma vez ou outra, já passa-
mos por experiências de ocultos bancos de areia, quando estávamos navegando de Equipe Editorial
Editor-chefe: Humberto M. Rasi
vento em popa e, de repente... CRUNCH! Encalhamos! Todos podemos nos referir Editor: John M. Fowler
a situações de encalhe milhares de vezes. Editores-Associados: Alfredo García-Marenko,
Os marinheiros se livravam do encalhe remando na direção em que queriam Richard Stenbakken
Gerente Editorial: Julieta Rasi
que o navio fosse, lançando a âncora no local e içando-o com sarilho para forçá-lo Consultores: James Cress, George Reid
a sair do banco de areia e pô-lo em águas de maior profundidade, próprias à nave- Editor de Texto: Beverly Rumble
gação. A âncora era usada visando a tracionar para diante a embarcação e não para Secretária Editorial: Esther Rodriguez
Edições Internacionais: Julieta Rasi
firmá-la no local! Sua função era proporcionar um firme ponto de apoio. Contudo, Secretárias editoriais internacionais:
nesse emprego de espia, a idéia é usar o ponto de apoio para mover o navio. Corinne Hauchecorne e Louise Geiser
Verdades e valores provados e confiáveis são as sólidas âncoras da vida. Todos (Francês)
César Luís Pagani (Português)
carecemos delas. Uma utilização singular dessas verdades e valores é empregá-los Julieta Rasi (Espanhol)
para avançar rumo ao futuro. Podemos valer-nos do passado para alavancar nosso Correspondência Editorial:
progresso futuro. As âncoras podem ajudar-nos a viver a partir do passado em vez 12501 Old Columbia Pike
Silver Spring, MD 20904-6600; EUA.
de no passado. A espia nos mantém navegando avante, ousados, atualizados e di- Telefone: (301) 680-5060
nâmicos. Sem valores e virtudes estamos literalmente à deriva. Algumas de minhas Fax: (301) 622-9627
“âncoras” são: E-mail: 74617.464@compuserve.com ou
rasij@gc.adventist.org
Jesus: Ele me ensina o meu verdadeiro valor e o de outros.
O sábado: Mantém-me equilibrado e resguardado contra o esgotamento. Comissão (CAUPA)
Presidente: Léo Ranzolin
A criação: Eu e os outros somos muito mais do que lodo primordial. Vice-Presidentes: Baraka G. Muganda,
As Escrituras: Há um mapa fidedigno a guiar-me por entre os rochedos! Quais Humberto M. Rasi, Richard Stenbakken
são suas âncoras? Como posso usá-las para viver no futuro e não no passado? Secretária: Julieta Rasi
Membros: John M. Fowler, Jonathan
Gallagher, Alfredo Garcia-Marenko,
Clifford Goldstein, Bettina Krause,
Kathleen Kuntaraf, Vernon B. Parmenter,
Gerhard Pfandl, Virginia L. Smith, Gary
B. Swanson

CORRESPONDÊNCIA SOBRE CIRCULAÇÃO:


Deve ser dirigida ao Representante Regional
—Richard O. Stenbakken da CAUPA na região em que reside o leitor.
Editor-Associado Os nomes e endereços destes
representantes encontram-se na p. 2.

ASSINATURAS: US$12.00 por ano (três


números, via aérea). Ver cupom na p. 11
para detalhes.

Diálogo tem recebido corres-


pondência de leitores em 113
países ao redor do mundo.

Diálogo 14:1 2002 3


Cartas
Uma rede global de fazer o soldado crer que estava inter- manos sempre têm a escolha entre o certo e
Cada número da Diálogo oferece bas- rompendo uma devoção pessoal que o errado, e que Deus proverá uma solução.
tante material estimulante sobre o qual começara antes dele chegar, e que nada A escolha nunca é limitada a apenas duas
refletir. Também permite que leitores tinha a ver com o ocultamento da me- opções morais erradas — chamadas de “o
como eu se conectem a uma rede mun- nina. Não considera o autor que esse menor dos males” — porque isso implicaria
dial de estudantes adventistas. Muito desvio astuto da verdade poderia cons- que a pessoa tem de pecar, que é impossível
obrigada. tituir-se numa mentira? obedecer a Deus, e que Sua lei deveria ser
Sandrine Chatenay Dever e obediência, como a história mudada.
Trinite, MARTINICA de meu país mostrou, foram os tijolos Infelizmente, algumas pessoas têm ele-
sandrine.chatenay@laposte.net dos quais os campos de concentração vado o patriotismo cego acima da lealdade
foram feitos. para com Deus. Assim, esquecendo-se de
Falando a verdade Dennis W. Meier que “mais importa obedecer a Deus que aos
Depois de ler o artigo “Deveríamos Hamburgo, ALEMANHA homens” (Atos 5-29), elas seguiram, talvez
sempre dizer a verdade?”, de Ron du www.adventgemeinde-altona.de não intencionalmente, um sentimento mal-
Preez (Diálogo 13:2), gostaria de fazer al- orientado de “dever e obediência”. Mas tal
gumas perguntas: O autor responde: interpretação errônea não devia jamais ne-
1. Será que o autor reconhece a pos- Infelizmente, ao narrar a história da se- gar a verdade de que o compromisso sem
sibilidade de um dilema, de uma situa- nhora Knapiuk, deixei de esclarecer que reservas com Cristo é a própria essência do
ção na qual se pode optar pelo “mal quando ela “abriu a sua Bíblia, e começou a discipulado.
menor”? ler e orar”, fê-lo com o propósito expresso Ron du Preez
2. A moralidade adventista é cons- de rogar livramento ao Senhor e não com a Lima, PERU
truída de fato sobre uma ética conse- intenção de enganar o soldado. faithethics@yahoo.com
qüencialista. Grande parte da educação Com efeito, muita educação é construída
de minha filha é exercida em ensinar- sobre o raciocínio conseqüencial. Esse méto- Uma obra-prima
lhe as conseqüências de suas ações. Pro- do é útil em áreas amorais, como no cálculo oportuna
curo transmitir-lhe que a razão para do consumo de combustível, a venda de Até este ano eu não sabia da existên-
não tomar drogas é a consideração das ações, a compra de um carro, etc. Contudo, cia da Diálogo e que ela estava disponí-
conseqüências desastrosas de seu uso. em questões morais, os adventistas susten- vel gratuitamente aos estudantes ad-
Um dia ela poderá ser obrigada a tomar tam que as conseqüências são inconse- ventistas de faculdades e universidades
algumas decisões éticas, talvez até mes- qüentes, porque nos é dito para sermos fieis públicas. O primeiro número que recebi
mo quando sua vida estiver em jogo. até “a morte” (Apocalipse 2:10). Por exem- ajudou-me a resolver um dilema sério.
Deve ela esquecer tudo o que lhe ensi- plo, ao apresentarmos a verdade do sába- Eu estava prestes a fazer a escolha da
nei e não pensar nas conseqüências de do, temos desafiado os interessados a de- companheira para a vida, quando li “A
suas opções? monstrarem amorosa lealdade a Deus, in- matemática do casamento” (Diálogo
3. O autor dá o exemplo de uma mu- dependentemente de resultados. Além dis- 11:1) e achei o artigo uma obra-prima
lher piedosa que, quando um soldado so, as conseqüências são impossíveis de ser oportuna. Deus o enviou para me aben-
nazista entrou em sua casa, onde ela calculadas, pois só Deus conhece o futuro. çoar justamente a tempo. Obrigado!
havia escondido sob a cama uma meni- Admite-se que possam ocorrer situações Georges Tennyson Ngu
na judia, bem depressa se assentou para nas quais todos os resultados imaginados A.T.b.u-Bauchi, NIGÉRIA
ler a Bíblia e orar. Assim o soldado foi-se pareçam indesejáveis. Mas, pela graça de
embora. Com isso ela disse a verdade? Deus, toda prova pode ser suportada. Não
Embora eu creia que suas orações te- obstante, no que concerne a questões éti-
nham sido fervorosas, sua intenção foi cas, as Escrituras indicam que os seres hu-

Escrevam-nos!
Cristão Apreciamos seus comentários, reações
e perguntas, mas limitem suas cartas a
Penso que a clonagem Talvez, mas eu
levanta sérias questões 200 palavras. Escrevam para Dialogue
gostaria de ter
éticas e usurpa a uma segunda Apoiado! Letters: 12501 Old Columbia Pike; Silver
autoridade de Deus. opinião. Spring, MD 20904-6600, EUA. Podem
joelkauffmann@aol.com

também usar o fax: 301-622-9627, ou


E-mail: 105541.3200@compuserve.com.
As cartas selecionadas para publicação
poderão ser resumidas por necessidade
de clareza ou espaço.

4 Diálogo 14:1 2002


Através da dor e além dela

Dwight K. Nelson

A dor terá fim algum dia? Faz alguns


meses que nossa TV repe-
te as cenas de atordoante cho-
que, angustiadas emoções e pungente
dor do ato terrorista de 11 de setembro
além dela, quão imensa foi a perda e
quão amargas as lições!
Para o sobrevivente cristão, um de-
morado e silencioso exame das dramá-
ticas fotos daquela bola de fogo alaran-
em Nova Iorque, Washington, DC e jada, produzida pela explosão de um
Pensilvânia, e seus resultados nos Esta- jato projetado contra as janelas envi-
dos Unidos, Afeganistão e no mundo draçadas da parte posterior da segunda
todo. Misturamos nossas lágrimas com torre, levanta dez eloqüentes questões
as daqueles que, sem timidez e às vezes que dizem respeito: (1) ao amor divino;
Como entender o sofrimento incontrolavelmente, choraram perante (2) ao ódio humano; (3) ao caráter de
câmeras de TV por causa de sua tremen- Deus; (4) à salvação do mundo; (5) ao
da perda. estado da Igreja; (6) à vingança e retri-
humano e a dor à luz do Na quinta-feira à noite, após aquela buição; (7) ao perdão e esquecimento;
terça-feira de terror, eu estava visitando (8) ao fim do mundo; (9) à segunda vin-
meu filho Kirk em seu apartamento. Vi- da de Cristo; e (10) à incapacidade hu-
Calvário. mos pela televisão pessoas que se aglo- mana de resolver seus problemas mais
meravam exibindo fotos de seus ama- profundos e exasperantes. Dez cons-
dos que ainda se achavam sob os es- trangedoras questões que após todos es-
combros das malfadadas torres do ses meses ainda produzem perplexida-
World Trade Center. Aos soluços, ho- de, mesmo para o inquiridor cristão.
mens e mulheres, jovens e velhos, se
apresentavam frente às câmeras implo- Onde estava Deus?
rando por qualquer informação sobre Talvez a mais urgente de todas as
seus cônjuges, noivos, irmãos, irmãs, questões ainda permaneça: Onde estava
pais e filhos. Não entendo como o re- Deus em 11 de setembro? Na busca de
pórter podia permanecer ali segurando uma resposta, considere as palavras de
calmamente o microfone diante daque- um antigo profeta aqui precedidas de
les rostos chorosos. A TV mostrou até o um incidente ocorrido na velha China.
presidente dos EUA embargado pela Muito tempo atrás, um grupo de pobres
emoção, em face à imensidão da tão colonos chineses chegou a uma ampla
horrenda tragédia. planície, estrategicamente situada entre
Irá a dor desaparecer algum dia? os rochosos contrafortes de uma cadeia
Meses depois aprendemos que, de montanhas e o litoral salgado do
numa questão de segundos diabolica- Mar da China, que parecia perfeitamen-
mente coordenados em ações simultâ- te adequada ao cultivo de arrozais. Fi-
neas, a vida sobre este planeta pode ser cou decidido que os colonos construiri-
irrevogavelmente mudada ou perma- am sua vila sobre um promontório pla-
nentemente alterada. Eventos e condi- no e rochoso, de onde poderiam con-
ções que antes imaginávamos impossí- templar não apenas as plantações abai-
veis, ou, na melhor das hipóteses, im- xo, mas as azuladas águas do mar além.
prováveis e impraticáveis, podem agora O povoado foi erigido nessa elevação
suceder em rumo irreversível. E nada e o arroz plantado abaixo. Logo a vida
nem ninguém conseguem detê-los. lhes estava acenando com novas pro-
Nessa jornada através da dor nacional e messas e grandes esperanças.

Diálogo 14:1 2002 5


Numa tarde de verão, quando a mai- rio irromperam em chamas avermelha- e sinistro vindo desde as remotas eras
oria dos lavradores havia descido do das, lançando ao ar espessas colunas de do tempo. Um arcanjo decaído conhe-
monte para os arrozais da planície, uma fumaça negra. No vale, as pessoas tive- cido pelos nomes de Lúcifer, Satanás, a
das mulheres que ficara no povoado ram a atenção chamada para o inespe- antiga serpente chamada o diabo. Após
desviou, por acaso, os olhos de seu tra- rado incêndio lá no alto. Iniciou-se en- todos esses meses vamos dar crédito a
balho caseiro e contemplou o mar à dis- tão uma grande corrida para salvarem quem ele é devido. Nas palavras do po-
tância. Seus olhos vaguearam pela ex- suas moradias em chamas. deroso livro do Apocalipse: “Ai da terra
tensão líquida até o distante horizonte Quando cansados e ofegantes chega- e do mar, pois o diabo desceu até vós,
oceânico. De repente, com apreensão, ram ao alto, encontraram a mulher e cheio de grande cólera, sabendo que
ela reconheceu um ameaçador vaga- seus vizinhos apontando freneticamen- pouco tempo lhe resta.” (Apocalipse
lhão, uma gigantesca onda que seus vi- te na direção do mar. Chocados, os co- 12:12.)
zinhos japoneses chamavam de tsuna- lonos observaram a rugidora parede lí- Há muito que o diabo sabe que seu
mi. Uma distante alteração tectônica no quida destruir a lavoura na qual haviam tempo é curto, que é um breve traço de
leito oceânico havia criado esse maciço estado trabalhando momentos antes. loucura sobre a tela do radar da eterni-
ajuntamento de águas, formando uma Foi necessário algo desastroso para dade. E desde o início, no intocado e
imensa coluna líquida que avançava adverti-los de uma destruição muito imperturbado Jardim do Éden, esse ar-
quase que silenciosamente rumo à maior que sobre eles pairava. canjo maligno e corrompido está em
praia. Agora, considere as palavras do ve- guerra não somente contra o Céu, mas
Por um instante a mulher ficou para- lho profeta Isaías: “Também através dos também contra a Terra. Você e eu, as ci-
lisada, dando-se conta de que quase to- Teus juízos, Senhor, Te esperamos; no dades de Nova Iorque e Washington
dos os moradores do povoado, alheios Teu nome e na Tua memória está o de- D.C., e o mundo inteiro, somos suas ví-
ao fenômeno, estavam se dedicando ao sejo da nossa alma. Com minha alma timas! Tanto os políticos quanto os mi-
plantio do cereal ao longo da praia, sem suspiro de noite por Ti, e com o meu es- litares e a imprensa estão certos: Esta-
imaginar que seu mundo e vidas esta- pírito dentro em mim, eu Te procuro di- mos em guerra!
vam sob iminente ameaça de desastre e ligentemente; porque, quando os Teus
morte. A tsunami iria destruir todos juízos reinam na terra, os moradores do Uma guerra cósmica
quantos trabalhavam nos campos sob o mundo aprendem justiça.” (Isaías 26:8 Para o cristão, porém, fica claro que
sol meridiano, a menos que ela os pu- e 9.) não se trata de uma guerra contra os
desse advertir. “Quando os Teus juízos reinam na árabes, o Islã, o Afeganistão, os estran-
Aos gritos, a aflita senhora notificou terra, os moradores do mundo apren- geiros ou mesmo os terroristas. Nós, ha-
o problema aos poucos aldeões que ha- dem justiça.” Isso pode ser entendido bitantes da Terra, vemo-nos envolvidos
viam permanecido na elevação. Em pâ- como significando que quando os juí- numa guerra sangrenta, em meio ao
nico começaram a berrar e acenar, pro- zos divinos estão na Terra, os habitan- fogo cruzado de um combate cósmico
curando chamar a atenção de seus fa- tes do mundo têm sua atenção chama- cujas espantosas dimensões são verda-
miliares, crianças e amigos lá embaixo. da para a segurança e a salvação. Porque deiramente universais: “Houve peleja
Mas era um esforço inútil; eles estavam há ocasiões desesperadoras em que se re- no céu. Miguel e os seus anjos peleja-
muito distantes. Com a tsunami celere- quer algo catastrófico para servir de adver- ram contra o dragão. Também peleja-
mente vindo de encontro à praia, não tência de uma impendente e maior destrui- ram o dragão e seus anjos; todavia, não
haveria tempo para descer pelo monta- ção. prevaleceram; nem mais se achou no
nhoso e pedregoso caminho e alcançar céu o lugar deles. E foi expulso o grande
o vale. Precisavam chamar a atenção Uma advertência dragão, a antiga serpente, que se chama
deles imediatamente ou todos no vale “O que você quer dizer com tudo diabo e Satanás, o sedutor de todo o
estariam perdidos! isso?”, talvez o leitor pergunte. Você mundo, sim, foi atirado para a Terra e,
Logo ficou claro que tinham de pro- acredita que aqueles seqüestradores es- com ele, os seus anjos.” (Apocalipse
vocar algo catastrófico para despertar as tavam numa espécie de missão divina; 12:7-9.).
famílias ameaçadas lá no vale. A mu- que o Deus Todo-Poderoso os enviou Em 11 de setembro de 2001, o diabo
lher e seus companheiros sabiam o que para executar juízo contra os Estados e seus anjos novamente declararam
precisavam fazer. Seria um terrível cus- Unidos? Absolutamente não! guerra contra todos nós! Estamos numa
to. Porém, se os ameaçados trabalhado- Somente uma mente deturpada bus- guerra, num conflito cósmico pela ali-
res da colônia devessem ser salvos, o caria atribuir a causa dessa tragédia ao ança e lealdade de todos os moradores
preço tinha de ser pago. amorável Deus e Pai da humanidade. da Terra.
Apanhando brasas de seus fogões, a Jesus estava absolutamente certo quan- Então, onde estava Deus quando
mulher e seus vizinhos na aldeia apres- do asseverou: “Um inimigo fez isso.” precisamos dEle em 11 de setembro?
saram-se a pôr fogo nas casinhas de (Mateus 13:28.) Não um inimigo de No mesmo lugar onde esteve naquela
sapé. Uma a uma as casas no promontó- além-mar, porém um inimigo maligno fatídica sexta-feira, envolto pelas trevas

6 Diálogo 14:1 2002


do Calvário, ao lado de Seu solitário e New Living Translation conclui Isaías mim, eu Te procuro diligentemente;
moribundo Filho. Ele estava envolvido 26:9 deste modo: “Pois somente quan- porque quando os Teus juízos reinam
por trevas sufocantes, assim como os do os Teus juízos estão na Terra o povo na Terra, os moradores do mundo
milhares que pereceram em 11 de se- se volverá da iniqüidade para fazer o aprendem a justiça.” (Isaías 26:9.).
tembro. A diferença é que esses não que é certo”. Porque vêm tempos desespe- Não admira que Deus clame com as
morreram sozinhos. Pois a seu lado o rantes quando se faz necessário algo catas- mesmas palavras que usa mais adiante
mesmo Pai de coração partido no Cal- trófico para chamar nossa atenção e adver- no livro do mesmo profeta: “Olhai para
vário permanecia envolto pela poeira e tir-nos da destruição maior que se avizi- Mim, e sede salvos, vós, todos os ter-
explosões dos diabólicos ataques. O nha, assim como aconteceu com os al- mos da Terra; porque Eu Sou Deus, e
Calvário nos garante que Deus sempre deões chineses naquele vale. não há outro.” (Isaías 45:22.) Acima da
está ao lado das vítimas. Poderia ocorrer conosco — e não es- cacofonia de sua frenética vida e ativi-
Tão comprometido está Deus com tou pensando como norte-americano dades acadêmicas, está você também
nossa humana liberdade de escolha, agora, mas a respeito de você e de mim ouvindo o clamor que Deus lhe dirige?
que permite que as opções dos homens, — que também nos divertimos e estu- “Olhai para Mim, e sede salvos!” Está?
nesse caso, a livre escolha de um peque- damos e trabalhamos inteiramente Um de nossos estudantes da Univer-
no bando de perversos, se desenvolva alheios ao desastre iminente que está sidade Andrews, onde atuo como pas-
às vezes (como aconteceu) até o cum- para sobrevir à Terra? Será que no dis- tor, está em Jerusalém num programa
primento de seus destrutivos e trágicos tante horizonte há um impendente ca- de estudos com um ano de duração. No
desígnios. Logicamente, Deus poderia taclismo se aproximando, o qual haverá dia seguinte à tragédia de 11 de setem-
fazer de todo ser humano um robô ine- de destruir toda a Terra; uma catástrofe bro, ele passou um e-mail a seus pais,
xoravelmente programado para Lhe que se avizinha e que hoje só pode ser na minha paróquia, os quais o partilha-
obedecer as ordens. Mas os autômatos vista por Alguém que, de Suas divinas ram posteriormente comigo. Em seu e-
não podem devotar-Lhe amor. E o cora- alturas, observa e conhece todas as coi- mail, Isaac Oliver descrevia o sombrio
ção do Amor Infinito tem sede de amor sas? Poderia ocorrer então que, acima clima em Jerusalém: “Hoje na classe
em retorno. do ruído e estrondo dessa terrível cala- cantamos ‘Que venha a paz sobre nós’.
Assim, Ele nos deve conceder não só midade, já ouvimos a voz dAquele que O professor disse que quando proble-
o direito de dizer-Lhe sim, mas também clama e pleiteia desesperadamente co- mas como esses ocorrem por aqui, eles
o de dizer-Lhe não. nosco, buscando chamar nossa atenção dizem: ‘Que venha o Messias’ — porque
Conseqüentemente, em 11 de se- e despertar-nos de nosso estupor e alhe- quando Ele vier haverá paz.”
tembro, uma gangue de terroristas disse amento, procurando advertir-nos que o O professor está certo. Mas Isaac
não a Ele. Meses depois os Estados Uni- fim se aproxima? Alguém que essencial- conclui seu e-mail lembrando de uma
dos ainda sofrem e lamentam, assim mente teve de queimar Sua própria casa turnê pelo Pentágono que ele, sua mãe
como Deus o Pai lamentou ao lado da a fim de atrair-nos a atenção? e alguns amigos fizeram no verão passa-
cruz de Seu moribundo Filho, a quem Seria o caso de que Aquele que não do, antes do ataque de 11 de setembro.
Ele próprio fez perecer para assegurar o deseja que ninguém pereça (ver II Pedro Ele lembrou como sua mãe estava preo-
direito de todo coração humano dizer 3:9), também não esteja disposto a dei- cupada com a segurança daquele imen-
sim a seu Salvador e não ao diabólico xar essa loucura prosseguir até que to- so complexo militar, mesmo sendo o
terrorista Lúcifer. dos hajam perecido? Poderia dar-se que Pentágono. Quando ela perguntou ao
Não lancemos a culpa pela trágica as casas que queimam ao lado da mon- guia quão seguro o Pentágono realmen-
terça-feira de setembro aos pés do Deus tanha global não sejam senão um de- te era, o oficial virou-se e com um sorri-
da Sexta-Feira Santa. Pois esses pés ain- sesperado clamor dAquele que nos está so disse: “Minha senhora, saiba que
da hoje trazem as marcas dos cravos; os advertindo apaixonadamente, para fu- está no lugar mais seguro do mundo!”
mesmos pés que caminharam para fora girmos da destruição vindoura? Enfim, àquelas alturas, quem poderia
da sepultura ao terceiro dia, dando des- saber?
se modo a Deus o direito de ter a última O chamado de Deus O buraco aberto em 11 de setembro
palavra. E Ele a terá! Pelos habitantes Deus nos está chamando. Por todo o num dos lados do Pentágono é uma
sofredores da Terra, Deus ainda terá a tempo a metáfora operativa tem sido de sombria lembrança de que, de fato, o
última palavra, mais cedo talvez do que que nós clamamos a Ele em desespero. lugar mais seguro do mundo não é, em
imaginávamos antes de 11 de setembro. Todavia, será que desta vez, em desespe- absoluto, um local. É uma Pessoa.
O retorno do Vitorioso do Calvário, a ro, Ele nos está a chamar? Porque talvez “Olhai para Mim, e sede salvos, todos
segunda vinda de Jesus Cristo, pode es- — poderia ser? — a despercebida onda os termos da Terra!” Aquele que profe-
tar mais próximo agora do que jamais catastrófica esteja mais perto agora do riu essas palavras em breve estará vol-
nos demos conta antes! que jamais imaginamos antes! tando. O que significa que se jamais
Retornemos por um momento mais “Com minha alma suspiro de noite
às palavras de Isaías. A versão bíblica por Ti, e com o meu espírito dentro em
Continua na p. 16.

Diálogo 14:1 2002 7


Guardas do jardim:
os cristãos e o meio ambiente
John T. Baldwin

D eus criou a Terra “para que fosse


habitada” (Isaías 45:18). Isso
significa que nosso habitat ter-
restre não é um fenômeno acidental de
pouco valor, mas de alta importância e
segundo e terceiro dias da criação.3 Isso
significa que o anjo está focalizando es-
pecificamente a criação da Terra origi-
nal, a saber, a atmosfera (Gênesis 1:6-8),
os mares e os continentes (Gênesis 1:9 e
que deve ser preservado1. 10).
Infelizmente, por causa de intera- Segundo Gênesis 1, depois de criar a
ções incorretas dos seres humanos com Terra Deus a considerou “boa” (Gênesis
o meio ambiente, uma crise ecológica 1:10). Em outras palavras, os habitats
iminente nos ameaça. Alguns cientistas que sustentam a vida são realmente
Como mordomos responsáveis, sugerem que “estamos vivendo em bons, e assim deveriam ser considera-
tempo emprestado e, tragicamente, to- dos por todos os cristãos. Deus os criou
mando emprestado o tempo das gera- chamando à existência as grandes flo-
de que modo devemos reagir à ções vindouras... Quanto mais tempo a restas, as plantas e as árvores frutíferas,
presente geração posterga seu ajusta- e então declarou que toda essa vegeta-
mento à capacidade da biosfera — um ção era “boa” (Gênesis 1:12). Portanto,
crise ecológica que viver sustentável —, tanto mais difícil é necessário que hoje as consideremos
será para as gerações futuras consegui- boas e valiosas, e que delas cuidemos de
lo.”2 modo apropriado. Mais tarde, a narrati-
enfrentamos? Visto sermos cristãos, como devemos va genesíaca descreve Deus enchendo
reagir à crise ecológica que enfrenta- os mares de criaturas aquáticas de todas
mos? Qual é o nosso papel como mor- as espécies, e o ambiente atmosférico de
domos responsáveis pelo lar que Deus pássaros, todos tidos pelo Criador como
nos deu? Uma atitude correta seria “bons” (Gênesis 1:20-25). Deus conclui
compreender a base bíblica da ecologia, a obra do ambiente terrestre criando
a realidade da crise ecológica e algumas animais, e como Sua obra-prima, realiza
medidas positivas que podemos adotar. a criação de seres humanos que refle-
tem Sua imagem (Gênesis 1:26). Ele de-
Bases bíblicas da ecologia clara que tudo isso é “muito bom” (Gê-
A doutrina bíblica da criação ajuda o nesis 1:31).
cristão a compreender o verdadeiro sig- A narrativa de Gênesis provê uma vi-
nificado do mundo, de forma a poder são aditiva do significado ambiental, re-
lidar com a crise ambiental. Porque gistrando as instruções divinas ao pri-
Cristo é o Criador (João 1:1-3), Ele tam- meiro par: “Deus os abençoou e Deus
bém é o Senhor da criação, tornando o lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos e
ambiente terrestre muito precioso, mes- enchei a Terra, e sujeitai-a; e dominai
mo em sua decaída condição. sobre os peixes do mar, e sobre as aves
A mensagem do primeiro anjo de dos céus, e sobre todo o animal que se
Apocalipse 14:7 produz implicações move sobre a terra” (Gênesis 1:28). Os
ambientais significativas. O anjo con- homens deveriam “governar” o mundo
voca todos os habitantes da Terra a ado- sub-humano da mesma maneira amá-
rarem “Aquele que fez o céu, e a Terra, e vel, terna e fiel com que Deus os rege.
o mar, e as fontes das águas”. Os itens Além disso, Deus mesmo plantou
específicos aqui mencionados referem- um jardim e entregou-o a Adão e Eva
se às realidades trazidas à existência no com a instrução ambiental de lavrá-lo e

8 Diálogo 14:1 2002


guardá-lo [ou mantê-lo e cultivá-lo] A realidade da crise ecológica de. As árvores estão sendo usadas como
(Gênesis 2:15). Eis o que poderíamos Segundo Bernard Nebel e Richard estacas na construção de cabanas de
chamar de primeira Lei de Proteção Wright, quatro princípios básicos são madeira e armazéns, além de serem em-
Ambiental criada e promulgada pelo essenciais para o provimento de um pregadas como lenha para queima. Em
próprio Deus.4 Esse cuidado era apropri- ecossistema sustentável, o alvo do mo- áreas rurais ou terras comunais, a lenha
ado não somente para o jardim, mas a vimento ambiental. Eles são: (1) recicla- é a principal fonte de energia para cozi-
todo o vasto mundo. Visto o primeiro gem dos elementos com o intento de nhar e aquecer as casas durante o inver-
par, na Palavra de Deus, servir de exem- dispor inteligentemente do lixo e pro- no. É também fonte de luz durante a
plo às gerações posteriores, todos os se- mover a reposição dos nutrientes; (2) noite. Como resultado, muitos espaços
res humanos são, em certo sentido, uso de energia solar; (3) colocação de li- das áreas rurais que eram outrora den-
guardiões do “jardim”, isto é, bons mites à expansão das populações con- sas florestas (o orgulho da África), estão
mordomos de nosso planeta. sumidoras e impedimentos ao excesso agora reduzidos a zonas semidesérti-
Mais tarde, Deus disse aos israelitas de pastagens; e (4) manutenção da bio- cas.”14
que a Terra deve ter a oportunidade de diversidade.10 A crise ecológica ocorre Os compromissos assumidos para a
se renovar; daí a observância de um sá- sempre que um desses princípios esteja manutenção do equilíbrio da diversida-
bado anual a cada sete anos (Levítico comprometido. de ecológica ilustram a importância do
25:2-8). Desse modo, cada israelita era Considere, por exemplo, alguns quarto princípio da preservação do
responsável pela manutenção da vitali- comprometimentos bem conhecidos ecossistema. A chuva ácida, um polui-
dade do solo.5 Charles Bradford assim do terceiro e quarto princípios. O des- dor atmosférico, é um dos impactos
resume as implicações desse mandado, florestamento das matas tropicais é ambientais mais graves produzidos pela
quanto à responsabilidade do cristão uma boa ilustração da exploração abu- queima de combustível fóssil como o
para com a Terra: “A mordomia da Terra siva por parte dos seres humanos. Mais carvão vegetal. As usinas elétricas que
confiada por Deus a Adão e Eva ainda de 161.873.600km2 de florestas tropi- queimam carvão emitem gases de dió-
pertence a seus descendentes. Nós, que cais estão sendo perdidos anualmente xido de enxofre e óxido nitroso que,
habitamos o planeta, somos responsá- em razão do desmatamento.11 Essa des- sob a ação da luz solar, misturam-se ao
veis por seu cuidado. No Juízo Final, os truição de valiosa biomassa cria proble- vapor de água na atmosfera e aos radi-
que destroem a Terra serão destruídos mas ambientais sérios, tendo-se em vis- cais de hidroxila, resultando numa
(Apocalipse 11:18).”6 Usando o mesmo ta o consenso científico de que as flo- “sopa” de compostos de ácidos sulfúri-
texto bíblico, Miroslav Kis refere-se ao restas tropicais são responsáveis por co e nítrico.15 Esses ácidos caem sobre o
“princípio da proteção da Terra” e observa cerca de 40% do suprimento mundial solo como chuva “seca” ou numa preci-
que os cristãos evitarão a destruição in- de oxigênio.12 pitação conhecida como “chuva áci-
disciplinada do ambiente.7 Um manda- A descomedida ação por parte de po- da”.16
mento registrado no Apocalipse e rela- pulações pobres em muitas partes do A queima de combustíveis fósseis
cionado ao fim dos tempos afirma: mundo, desmatando as encostas das contribui para o surgimento de outro
“Não danifiqueis nem a terra, nem o colinas em busca de lenha para quei- problema ambiental. Quando queima-
mar nem as árvores...” (Apocalipse 7:3.) mar, é freqüentemente praticada. Um dos, esses combustíveis liberam dióxido
Essas palavras indicam que Deus se in- jornal de Zimbábue relata que “uma de carbono na atmosfera. Isso favorece
teressa na preservação da terra, da água, multidão de aldeões estava cortando as uma condição conhecida como aqueci-
e das florestas do planeta, e que afetá- árvores a esmo para cozer tijolos, usual- mento global devida ao efeito-estufa.
los negativamente é considerado como mente perto de fontes de água como re- Esse problema é apontado numa decla-
daná-los. presas”. O artigo ainda dizia: “Estamos ração recente dos adventistas do sétimo
Kis descobre outro ditame bíblico re- preocupados porque muita gente agora dia sobre questões ambientais: “Os ci-
levante com relação à mordomia da prefere construir suas casas usando tijo- entistas advertem que um aquecimento
Natureza, ao qual chama de “princípio los em vez de barro, e muitas árvores gradual da atmosfera, como resultado
de simplicidade”.8 Esse princípio restrin- próximas a represas e poços artesianos das atividades humanas, terá conseqü-
ge o extravagante estilo de vida de mui- estão sendo destruídas. Esperamos que ências ambientais sérias. O clima muda-
tos dos habitantes dos países ricos, um seja encontrada uma maneira melhor rá, resultando em mais tempestades,
dos principais culpados pelo futuro de cozer tijolos.”13 mais inundações e mais secas.”17
sombrio deste planeta. Ele também des- Titus Matemavi escreveu sobre o Como ilustração final da crise ecoló-
taca os benefícios de um estilo de vida consumo desordenado de biomassa no gica, o debatido buraco na camada de
simples como fonte potencial para a ali- continente africano: “É desanimador ozônio sobre a Antártica, embora ainda
mentação dos famintos, com economia notar que o abuso da Natureza no Zim- sob discussão, pode gerar séria preocu-
de dinheiro e recursos e conservação de bábue apresenta-se de vários modos. pação ambiental. O escudo de ozônio
gás, eletricidade e água.9 Primeiro, há muito corte de árvores e que cerca nossa Terra absorve a radiação
queimada de gramados sem necessida- ultravioleta a qual, se não filtrada, pode

Diálogo 14:1 2002 9


destruir quase toda a vida terrena.18 Os mos, mas ajudam a definir a necessida- dade. Talvez, em primeiro lugar, possa-
estudos mostram que o esgotamento do de de ação positiva. mos declarar nosso irrestrito apoio ao
ozônio pode causar, nos seres huma- cuidado da Terra como um dever e pri-
nos, a supressão do sistema imunológi- Passos ambientais positivos vilégio sagrado de todos os cristãos.
co, câncer de pele e cataratas.19 A imaginação cristã interessada é o Segundo, as igrejas podem fazer de-
Esses poucos exemplos representam único limite na produção de ações posi- clarações afirmando a necessidade de
apenas uma pequena porcentagem dos tivas, objetivando o cuidado do habitat sensibilidade ambiental. Em 1992, o
problemas ambientais que enfrenta- que Deus confiou à nossa responsabili- Conselho Anual da Igreja Adventista do
Sétimo Dia votou um documento inti-
tulado “Cuidando da Criação”, no qual
perfila a posição da igreja sobre a admi-
nistração da Terra. De acordo com a
Cuidando da Criação compreensão adventista do sétimodia,
a preservação e o cuidado do mundo ao
A Declaração dos Adventistas redor estão intimamente relacionados
ao serviço prestado ao Criador. (Ver o
do Sétimo Dia Acerca do Ambiente boxe à esquerda.)
Além de declarações formais, as
O mundo no qual vivemos é um dom uma simples dieta vegetariana. ações individuais dos cristãos fazem di-
de amor do Deus criador, dAquele “que fez Os adventistas do sétimo dia estão com- ferença. O ponto é: haveremos nós de,
os céus, e a terra, e o mar e as fontes das prometidos com um relacionamento res- pela graça de Deus, refletir a verdadeira
águas” (Apocalipse 14:7; 11:17, 18). Den- peitoso e cooperativo entre todas as pesso- imagem do Criador no trato com o ha-
tro desta criação Ele colocou os seres hu- as, reconhecendo nossa origem comum e bitat terrestre que sustenta a vida? Do
manos, colocados intencionalmente em re- percebendo nossa dignidade humana mesmo modo que podemos glorificar a
lacionamento com Ele, outras pessoas e o como um dom do Criador. Desde que a Deus pelo cuidado que damos a nossos
mundo ao redor. Portanto, como adventis- pobreza humana e a degradação do ambi- corpos, assim também podemos honrá-
tas do sétimo dia, nós mantemos que sua ente estão inter-relacionadas, nós nos em- Lo pelo trato dado ao meio ambiente.
preservação e cuidado estão intimamente penhamos em melhorar a qualidade de Como em qualquer negócio bem-suce-
relacionados com o nosso serviço a Ele. vida de todas as pessoas. Nosso alvo é o dido, a boa administração é decisiva.
Deus estabeleceu o sábado, o sétimo desenvolvimento equilibrado dos recursos, Como vai a direção assim vai a empre-
dia da semana, como um memorial e per- enquanto as necessidades humanas são sa- sa. Como vão os mordomos humanos,
manente lembrança do Seu ato criativo e tisfeitas. assim vai nosso planeta.
do estabelecimento do mundo. Ao repou- O progresso genuíno em relação ao As mudanças de estilo de vida pesso-
sar neste dia, os adventistas do sétimo dia nosso ambiente natural repousa sobre es- al podem ajudar. Podemos usar com-
reafirmam o sentido especial de relaciona- forços pessoais e cooperativos. Aceitamos o postos orgânicos (folhas e adubos) para
mento com o Criador e Sua Criação. A ob- desafio de trabalhar com o propósito de os jardins. A reciclagem pode tornar-se
servância do sábado apóia a importância restaurar o total desígnio de Deus. Movidos uma parte de nosso esforço conscienci-
de nossa integração com o ambiente. pela fé em Deus, nós nos comprometemos oso. Métodos alternativos de transporte
A decisão humana de desobedecer a a promover a cura que surge, tanto no ní- podem ser adotados sempre que possí-
Deus quebrou a ordem original da Cria- vel pessoal como no ambiental, de vidas veis. Em Tóquio, a maioria das pessoas
ção, resultando em uma desarmonia integradas no serviço de Deus e da huma- não possui automóvel, mas vai de bici-
alheia aos Seus propósitos. Assim o ar e as nidade. cleta para as estações de trem a fim de
águas foram poluídos, florestas e vida sel- Neste compromisso nós afirmamos nos- utilizar métodos eficientes de acesso a
vagem espoliados, e os recursos naturais sa mordomia da criação de Deus e cremos seus locais de trabalho. Podemos apoiar
explorados. Porque reconhecemos os hu- que total restauração será completa apenas algumas organizações ecológicas locais,
manos como parte da criação de Deus, quando Deus fizer novas todas as coisas. nacionais e internacionais. Escritores,
nossa preocupação com o ambiente ex- professores e pregadores podem se utili-
tende-se à saúde pessoal e ao estilo de * Esta declaração foi adotada em zar de suas penas e vozes através de pa-
vida. Advogamos uma maneira de viver outubro de 1992 pelos delegados que lestras, artigos e sermões sobre justiça
assistiram ao Concílio Anual da Igreja
saudável e rejeitamos o uso de substânci- ecológica, um tema bíblico que mostra
Adventistas do Sétimo Dia. Outras
as tais como o tabaco, o álcool, e outras declarações sobre o ambiente podem que Deus é bom tanto para com os seres
drogas que prejudicam o corpo e conso- ser encontradas no website: humanos quanto para com os não-hu-
mem os recursos da terra; e promovemos www.adventist.org manos.20
Aprender a pensar ecologicamente
pode gerar amor à Natureza e assim à

10 Diálogo 14:1 2002


sua preservação. Dennis Woodland, da Commandments,” Journal of the Adventist 13. “Villagers Accused of Environmental
Andrews University, deu o seguinte Theological Society 11 (2000)1-2: 227. Damage,” The Herald (June 24, 1996), pp.
4. Para maiores informações sobre legislação 9, 10.
conselho aos estudantes: (1) conscienti- ambiental ver Gregg Easterbrook, A 14. Carta ao autor, 10 de junho de 1997.
ze-se sobre o uso de energia; (2) seja um Moment on the Earth: The Coming Age of 15. Nebel e Wright, p. 361.
ecoconsumidor quando for ao merca- Environmental Optimism (New York: Viking 16. Payson R. Stevens e Kevin W. Kelley,
do; (3) comece a reciclar o lixo domésti- Penguin, 1995), p. xv. Embracing Earth: New Views of Our
5. Charles E. Bradford, “Stewardship,” Changing Planet (San Francisco: Chronicle
co; (4) encoraje sua instituição de ensi-
Handbook of Seventh-day Adventist Theology, Books, 1992), p. 125.
no a plantar um arvoredo no campus; ed. por Raoul Dederen (Hagerstown, Md.: 17. “GC Votes Statement on Dangers of
(5) ponha etiquetas nas árvores do cam- Review and Herald Publ. Assn., 2000), p. Climate Change,” Adventist Review (March
pus para estimular o cuidado e a apreci- 662. 28, 1996), p. 7.
ação da terra verde; (6) apóie grupos 6. Ibid. 18. Nebel e Wright, p. 377.
7. Miroslav Kis, “Christian Lifestyle and 19. Stevens e Kelley, p. 118.
ecológicos locais; (7) gaste mais tempo Behavior,” Handbook, p. 704. 20. Ver Dieter T. Hessel, For Creation’s Sake:
em meio à Natureza; (8) “pense global- 8. Ibid. Preaching, Ecology, and Justice
mente, aja localmente.”21 9. Ibid. (Philadelphia: Geneva Press, 1985), p. 15.
Os cristãos não mais deveriam ficar 10. Nebel e Wright, p. 85. 21. Ver Dennis W. Woodland, “Christian
11. Ibid., p. 430. Environmental Stewardship,” Lake Union
escravizados a muitas das premissas da
12. Entrevista pessoal com Dennis Woodland, Herald (December 1996), pp. 12, 13.
cultura moderna, que separam Deus da 10 de junho de 1997.
criação e a sujeitam ao poder arrogante
da humanidade. Devemos perceber o
cosmos como criação de Jesus Cristo. A
adoção decidida dessa visão nos permi-
tirá louvar a Deus diariamente, à medi-
Subscreva Diálogo

D
da que, pela fé, discernirmos novos epois de um longo e árduo trabalho, você finalmente tem seu diploma
exemplos de Sua obra magnífica e cui- na mão. Ótimo! E agora que está neste vasto mundo, você se esforça
dado maravilhoso com a Natureza que para continuar sendo um cristão dedicado, num aprendizado que dura
nos cerca. Isso nos permite percorrer a vida toda. Não é fácil! Mantenha-se em contato com as atividades e os melho-
com esperança nosso caminho através res pensadores adventistas ao redor do globo. Participe da Diálogo!
dos sinais mistos que vemos na Nature- Assinatura anual (3 números): US$12,00; Números anteriores: US$4,00 cada.
za que geme e sofre (Romanos 8:21),
mas que “será libertada da servidão da Gostaria de me inscrever para Diálogo em:
corrupção” (Romanos 8:20). A obra re- ❏ Inglês ❏ Francês ❏ Português ❏ Espanhol.
dentora de Deus, mediante Cristo, in- Números: ❏ Comece minha inscrição com o próximo número.
clui o mundo natural porque ele será ❏ Gostaria de receber os seguintes números anteriores:
recriado. Em vista disso, quão impor- Vol.____ No___
tante é para os cristãos honrarem e cui- Pagamento: ❏ Estou incluindo um cheque internacional ou ordem bancária.
darem da Natureza aqui e agora, a fim ❏ O número de meu cartão de crédito ❏ MASTERCARD ou ❏ VISA
de se sentirem os fiéis guardiões do jar- é _______________________________________
dim. Válido até (data) _____________
Por favor use letra de forma.
Nome: _____________________________________________________________
John T. Baldwin (Ph.D. pela University
of Chicago) leciona teologia no Seminário Endereço: _____________________________________________________________
Adventista do Sétimo Dia da Andrews Uni-
_____________________________________________________________
versity, Berrien Springs, Michigan, EUA. Seu
e-mail: baldwin@andrews.edu Envie para: Dialogue Subscriptions, Linda Torske; 12501 Old Columbia Pike;
Silver Spring, MD 20904-6600; EUA. Fax: 301-622-9627.
Notas e referências E-mail: 110173.1405@compuserve.com
1. Uma versão ampliada deste artigo foi
apresentada na reunião de diálogo entre a
World Alliance of Reformed Churches e a
Associação Geral dos Adventistas do
Sétimo Dia, na cidade de Jongny, Suíça,
em abril de 2001.
2. Bernard J. Nebel e Richard T. Wright,
Environmental Science: The Way the World
Works, 4th ed. (Englewood Cliffs, N.J.:
Prentice Hall, 1993), p. 552.
3. William Shea, “The Controversy Over the

Diálogo 14:1 2002 11


O mistério da vida

George T. Javor

O estudo da matéria viva está no


centro de todos os esforços ci-
entíficos atuais. As recentes vitó-
rias da ciência incluem a clonagem de
Dolly, a ovelha, e a obtenção da se
pria conveniência, eles afirmam que as
condições do “mundo primitivo” eram
apropriadas à geração espontânea da
vida.
Outros teorizam sobre a possibilida-
qüência dos três bilhões de nucleotíde- de de a vida ter sido importada do espa-
os dos cromossomos humanos.1 Mas, ço exterior para a Terra. Embora a Terra
estranhamente, a própria vida não é o esteja populada por milhões de diferen-
objeto de maior estudo. Os cientistas tes espécies de organismos, não há evi-
parecem pensar casualmente na exis- dência de vida em qualquer parte no
Sondar o segredo da vida nos tência da vida. É difícil achar qualquer sistema solar. E, além disso, há três e
discussão sobre a essência da vida em meio anos-luz de espaço vazio até a es-
monografias ou compêndios correntes. trela mais próxima, a Alfa do Centauro.
leva ao Criador onisciente. Essas publicações explicam muito bem A última opção lógica para a origem
a composição da matéria viva e como da vida é a criação realizada por um Cri-
seus elementos funcionam. Mas tal in- ador sobrenatural. Mas a ciência, em
formação não é suficiente para explicar sua tentativa de explicar tudo por leis
a vida e por que os constituintes da naturais, rejeita essa opção como estan-
matéria viva são, em si mesmos, sem do fora dos limites científicos.
vida.
Decomponhamos, a título de exem- A vida não é uma entidade tangível
plo, a matéria viva e então recombine- A vida não é uma entidade tangível.
mos seus componentes isolados. Essa Não pode ser posta num recipiente e
pesquisa irá fornecer uma coleção im- manuseada. Somente vemos “vida” em
pressionante de substâncias inertes, associação com espécies únicas de ma-
mas não com vida. Até aqui a ciência téria, as quais têm capacidade de cres-
não pôde criar a matéria viva em labo- cer, dividir-se em réplicas e também de
ratório. Será isso por que a matéria viva responder a vários estímulos externos,
contém um ou mais componentes que utilizando luz ou energia química para
não podem ser supridos pelo químico? efetuar todas essas coisas.2
A resposta, como desenvolvida neste ar- O termo vida tem diferentes senti-
tigo, apresentará um ponto importante dos, podendo referir-se a um organis-
quanto à origem da vida. mo, um órgão ou uma célula. Órgãos
humanos podem continuar a viver de-
Qual é a origem da vida? pois da morte da pessoa se, dentro de
Há mais de cem anos, Louis Pasteur e certo tempo, forem transplantados para
outros demonstraram a tolice da abio- um indivíduo vivo. A sobrevivência de
gênese — a transformação espontânea um fígado, rim ou coração transplanta-
de matéria sem vida em organismos vi- do, significa algo bem diferente da
vos. Os biólogos agora dizem simples- “vida” humana. Ademais, a vida de
mente: “Vida só pode provir de vida”. cada órgão depende da vitalidade de
Não obstante, os cientistas geralmente suas células.
aceitam o conceito de que a vida se de- Todas as manifestações de vida de-
senvolveu abiologicamente numa Terra pendem de células vivas, as unidades
primitiva. Assim fazendo, para sua pró- mais fundamentais da matéria viva.

12 Diálogo 14:1 2002


Quando uma célula viva se divide, re- vida de matéria anorgânica em laborató- temos vinte e seis letras. Com elas for-
manesce uma coleção muito complexa rio. mamos as palavras. Umas 500 mil dife-
de estruturas subcelulares, mas sem rentes combinações de letras são reco-
vida: membranas, núcleos, mitocôndri- A composição da matéria viva nhecidas como palavras significativas.
as, ribossomos, etc. Estruturalmente a matéria viva é Com algum esforço poderíamos produ-
Há uma seqüência ininterrupta entre composta de uma combinação de água zir outras 500 mil, ou mais, combina-
matéria viva e não-viva, como alguns e de moléculas grandes, frágeis e sem ções sem sentido. Semelhantemente, os
afirmam? Se houver, a questão da ori- vida, de proteínas, polissacarídeos, áci- milhões de diferentes proteínas repre-
gem da vida torna-se discutível. Evoluir dos nucléicos, e lipídios. A Tabela 1 for- sentam uma fração minúscula de todas
de um estado para outro seria seme- nece a composição química de uma cé- as combinações possíveis de aminoáci-
lhante a outras transformações quími- lula bacteriana típica, a Escherichia coli. dos.4
cas. Exemplos de organismos que su- A água serve de meio em que as mu- Quando as palavras são escritas erra-
postamente transponham o abismo en- danças químicas ocorrem. Proteínas e damente, seu sentido fica adulterado
tre o vivo e o não-vivo incluem vírus, lipídios são os principais componentes ou perdido. De igual modo, para que as
príons, microplasmas, rickéttsias e cla- estruturais das células. As proteínas proteínas funcionem adequadamente,
mídias. também controlam todas as mudanças seus aminoácidos precisam estar na se-
Com efeito, vírus e príons são biolo- químicas. Sem mudanças químicas a qüência de outros em ordem correta.
gicamente ativos, mas entidades não- vida não pode existir. Saber como as Os resultados de alterações na seqüên-
vivas. O termo “vírus vivo” é inapropri- proteínas interajem com as transforma- cia de aminoácidos podem ser drásti-
ado, embora os vírus sejam agentes bio- ções químicas é indispensável à com- cos. A proteína transportadora de oxi-
logicamente ativos e infectem células preensão da base química da vida. gênio no sangue, a hemoglobina, é
vivas. Os príons são proteínas singula- constituída de quatro cadeias de mais
res que têm a capacidade de alterar as A estrutura das proteínas: uma ana- de 140 aminoácidos cada uma. Na ane-
estruturas de outras proteínas.3 As pro- logia idiomática mia falciforme, uma doença hereditá-
teínas recém-transformadas, por sua As proteínas existem em milhares de ria, apresenta-se um aminoácido altera-
vez, exercem atividade priônica, crian- formas diferentes, cada qual com pro- do na sexta posição de uma seqüência
do um efeito-dominó de alteração pro- priedades químicas e físicas únicas. Essa específica de 146. Essa mudança causa
téica. A propriedade priônica faz com diversidade se deve a seu tamanho. distorção nos glóbulos vermelhos, o
que eles se tornem infecciosos. Para sua Cada proteína pode conter centenas de que resulta em anemia e muitos outros
reprodução os príons, como os vírus, aminoácidos, e há vinte aminoácidos problemas.
precisam de células vivas. diferentes. O que cada proteína é capaz
Rickéttsias, clamídias e microplas- de fazer depende da ordem em que seus Informação genética e seqüências
mas, por outro lado, acham-se entre os aminoácidos estão ligados. Para com- de aminoácidos
menores organismos vivos. Os primei- preendermos esse aspecto biológico, Como o sistema produtor de proteí-
ros dois têm sérias deficiências metabó- consideremos a analogia da linguagem nas conhece as seqüências corretas de
licas e só podem existir como parasitas escrita. aminoácidos para cada uma das milha-
intracelulares. Há um vasto abismo en- Em qualquer língua, o significado res de proteínas? Os cromossomos de
tre matéria viva e a não-viva. Isso reflete das palavras depende da seqüência das cada célula são bibliotecas repletas de
melhor nossa incompetência de extrair letras. No alfabeto inglês, por exemplo, tais informações. Cada volume dessa
biblioteca é um gene. Quando a célula
necessita de certa proteína, ela ativa o
Tabela 1 gene dessa substância e a síntese tem
início. Os detalhes desse processo po-
Componentes celulares da Escherichia coli dem ser vistos em qualquer compêndio
atual de biologia ou bioquímica. Basta
Componente Porcentagemdo Número de moléculas Número de diferentes lembrar que mais de cem eventos quí-
peso total por célula espécies de moléculas micos distintos têm de ocorrer para que
Água 70 24.3 bilhões 1 a síntese da proteína aconteça.
Proteínas 15 2.4 milhões Cerca de 4.000 Todas as manifestações da vida de-
pendem de transformações químicas.
Ácidos nucléicos 7 255 mil 660
Essas modificações sucedem quando
Polissacarídeos 3 1.4 milhões 3 grupos de átomos (moléculas) ganham,
Lipídeos 2 22 milhões 50 -100 perdem ou re-arranjam seus elementos.
Intermediários Metabólicos 2 Muitos milhões 800 Uma classe de proteínas, as enzimas,
Minerais 1 Muitos milhões 10-30 unem moléculas específicas e facilitam

Diálogo 14:1 2002 13


suas transformações químicas. Na Es- Figura 1
cherichia coli, ou bacilo coliforme, há
cerca de 3.000 diferentes tipos de enzi- enzima 1 enzima 2 enzima 3 enzima 4 enzima 5
mas, os quais facilitam 3.000 mudanças A B C D E F
químicas diferentes.
As enzimas aceleram intensamente
as reações. Isso poderia ser um proble- traçado particular, a substância F, é uti- um documento. Mas por causa da es-
ma grave porque, quando uma reação é lizado pela célula e, portanto, não se treita interdependência funcional de
completada, seu ponto final, conhecido acumula. Na matéria viva ou orgânica, seus componentes, as células estariam
como equilíbrio, é alcançado, e não cada um dos milhões de moléculas (Ta- em grande dificuldade se suas partes
ocorrem outras mudanças químicas bela 1) é mantido em seu rumo. Qual- não fossem completadas integralmente.
posteriores. Uma vez que a vida depen- quer deficiência ou excesso resulta ime- Há também uma complementação
de de mudanças químicas, quando to- diatamente em ajustes nas taxas de horizontal entre os componentes celu-
das as reações atingem seus pontos fi- transformações químicas. lares. Por exemplo, as proteínas não po-
nais, a célula morre. A Figura 2 mostra que numa célula dem ser manufaturadas sem a assistên-
É impressionante que na matéria viva a matéria é organizada em hierar- cia dos ácidos nucléicos; e ácidos nu-
viva nenhuma das reações jamais atinge o quias sucessivamente mais complexas. cléicos não podem ser sintetizados sem
equilíbrio. A razão é que as mudanças As flechas representam traçados bioquí- as proteínas. De uma perspectiva quí-
químicas estão interligadas, de modo micos que vão desde substâncias sim- mica evolucionista, esse problema se
que o produto de uma modificação quí- ples até as complexas. A dependência parece com o enigma clássico da “gali-
mica forma a substância básica para a recíproca entre os componentes celula- nha e do ovo”. (Ver a Figura 2.)
seguinte. Se as moléculas biológicas fos- res na direção vertical, é comparada às Toda senda biossintética conduz a
sem representadas pelas letras maiúscu- relações lógicas entre letras, palavras e níveis sucessivamente mais complexos
las do alfabeto, uma seqüência típica de sentenças da linguagem escrita, até o de organização da matéria. Toda vereda
conversões químicas apareceria como a nível de um livro. é regulada de modo que seu produto
Figura 1 ilustra. Contudo, o grau de tolerância a erros seja apropriado para as necessidades da
Tal seguimento, ou “trilha bioquími- é muito menor em biologia. Palavras célula. A vida da célula depende da ope-
ca”, parece-se como uma linha de mon- malsoletradas, sentenças confusas ou ração harmoniosa e quase simultânea
tagem industrial. O produto final deste parágrafos faltantes podem inutilizar de seus vários componentes. Durante

Figura 2

Organização da matéria na célula


Número de nível Componentes Uma analogia

1. Precursores Dióxido de carbono, água, amônia 1. Letras

2. Blocos constituintes Aminoácidos Monossacarídeos Nucleotídeos Ácidos graxos + glicerol 2. Palavras

3. Polímeros Proteínas Polissacarídeos Ácidos nucléicos Lipídios 3. Sentenças

4. Aglomerados supramoleculares Complexos enzimáticos, ribossomos, etc. 4. Parágrafos

5. Organelas Membranas, núcleos, mitocôndrias, etc. 5. Capítulos

6. Célula Célula 6. Livro

14 Diálogo 14:1 2002


um crescimento equilibrado existe um qüentemente, surgiu uma subdisciplina tese de um “Mundo ARN” ganhou po-
estado constante; isto é, há apenas per- que fornecia evidências laboratoriais da pularidade depois que se descobriu que
turbações mínimas no fluxo de matéria produção de 19 dos 20 aminoácidos, e certas moléculas de ARN tinham ativi-
através de suas trilhas. Como não é per- de quatro ou cinco bases nitrogenadas dades catalíticas. Até então, acreditava-
mitido a nenhuma das reações atingir necessárias para síntese de ácido nucléi- se que a catálise fosse área exclusiva de
seu ponto final, cada uma das milhares co, de monossacarídeos e ácidos graxos, proteínas.
de reações químicas interligadas se encon- tudo sob hipotéticas condições primiti- Embora não seja possível fabricar bi-
tra num estado de desequilíbrio constante. vas variáveis.7 Todas essas substâncias opolímeros biologicamente úteis sob
são componentes dos quais os grandes condições primitivas simuladas, pode-
Tentativas químicas evolucionistas biopolímeros são feitos, projetando a mos obtê-los a partir de células anteri-
Se há forças naturais que produzem possibilidade da produção primária de ormente vivas. Misturando esses biopo-
vida, devíamos buscar diligentemente biopolímeros. límeros isolados, é possível abreviar a
descobri-las e usá-las. Se a abiogênese Contudo, a demonstração da ligação evolução química tornando possível ve-
fosse possível, poderia ser aproveitada de blocos de células em cadeias de polí- rificar se a vida se originará em tal mis-
para restaurar a vida das células, órgãos meros não pôde ser realizada. Todo o tura. Mas em tal experimento, tudo está
e mesmo organismos mortos. Quem ar- elo entre os blocos de substâncias típi- em equilíbrio. Uma vez que a vida ocor-
gumentaria que a criação de matéria cas requer a remoção da água. Isso é re somente quando todos os eventos
viva, ou a reversão da morte, não seria a praticamente impossível no ambiente químicos dentro da célula se acham em
descoberta mais significativa para a hu- hídrico dos pressupostos oceanos pri- estado de desequilíbrio, o máximo que
manidade? mitivos. Ademais, as seqüências nas se pode conseguir através desse método
Contudo, a história de bioquímica quais os aminoácidos se unem para é uma coleção de células mortas.
sugere que isso é improvável. Na déca- transformar as proteínas ou nucleotíde-
da de 1920, quando Oparim e Haldane os em ácidos nucléicos, são as que de- Como produzir matéria viva
primeiramente propuseram que a vida terminam a função desses biopolíme- Sabemos exatamente como produzir
se originou espontaneamente numa ros. Além da matéria viva, não há meca- matéria viva: Primeiro, projete e sinteti-
Terra primitiva, a bioquímica estava em nismos conhecidos que garantam se ze alguns milhares de diferentes apare-
sua infância. Mesmo esse conceito era qüências significativas e reproduzíveis lhos moleculares capazes de converter
uma elaboração da idéia de Darwin, de em proteínas ou ácidos nucléicos. substâncias simples, comumente dispo-
que a vida surgiu num lago morno.5 O Sob condições primitivas simuladas, níveis no meio ambiente, em biopolí-
primeiro curso metabólico só foi descri- material semelhante à proteína tem meros complexos. Segundo, certifique-
to na década de 1930. A estrutura e a sido produzido com o aquecimento de se de que tais dispositivos sejam capa-
função do material genético começa- amostras de aminoácidos a altas tempe- zes de auto-reprodução precisa. Tercei-
ram a ser compreendidas na década de raturas. Contudo, esses “proteinóides” ro, certifique-se de que essas unidades
1950. A primeira seqüência dos amino- eram aminoácidos ligados aleatoria- possam sentir seu meio ambiente e se
ácidos de uma proteína, a insulina, foi mente por elos não naturais, os quais ajustar a quaisquer mudanças que nele
traçada em 1955, e a primeira seqüên- apresentam pouca semelhança com as ocorram. Então, é simplesmente uma
cia de nucleotídeos do cromossomo de proteínas reais.8 questão de dar início simultâneo a cen-
um organismo vivo foi publicada em Os nucleotídeos, blocos formadores tenas de rotas bioquímicas, mantendo
1995. dos ácidos nucléicos, ainda não foram o estado de desequilíbrio de cada con-
À medida que a base química da vida sintetizados sob condições primitivas versão química, garantindo a disponibi-
começou a ser mais bem compreendi- simuladas. Essa é uma tarefa formidável lidade de contínuo suprimento de ma-
da, ela se mostrou mais complexa do e que requer a ligação de uma base de téria-prima, e provendo a remoção efi-
que originalmente imaginada, e as pri- purina ou pirimidina a um açúcar, e ciente de refugos.
meiras sugestões abiogenéticas deveri- desse a um fosfato. O desafio aqui não é Uma exigência mínima para se criar
am ter sido reconsideradas. Em vez dis- somente a remoção da água, mas o fato tais mecanismos biológicos complexos
so, a ciência embarcou numa longa via- de que esses três componentes podem é a familiaridade absoluta com a maté-
gem de meio século para demonstrar ser ligados por dezenas de modos dife- ria em nível atômico e molecular. Você
experimentalmente a plausibilidade da rentes. Todas as combinações, exceto também precisará de grandes idéias
abiogênese. uma, não têm valor biológico. É desne- quanto ao uso dessas complexas maqui-
Os primeiros experimentos sugerin- cessário dizer que os ácidos nucléicos narias vivas, alimentando uma esperan-
do a razoabilidade da evolução química ainda não foram sintetizados. ça proporcional ao esforço despendido
foram feitos por Stanley Miller, que em Mas isso não impediu que muitos ci- em criá-las. Fabricar células vivas requer
1953 publicou a síntese de aminoácidos entistas postulassem que as células vi- controle absoluto de cada molécula
e de outras substâncias orgânicas sob vas mais primitivas continham inicial- grande ou pequena. Essa é uma capaci-
condições primitivas simuladas.6 Subse- mente ácidos ribonucléicos. Essa hipó- dade que a ciência não possui. Os quí-

Diálogo 14:1 2002 15


micos podem transformar grandes nú-
meros de moléculas de uma forma em
pode existir sem Deus. Com efeito, a vida
torna-se uma evidência a favor de um
A través da dor…
outra, mas não podem transportar mo- Criador todo-sapiente, que decidiu criar a Continuação da p. 7.
léculas selecionadas através de mem- vida e partilhá-la conosco.
branas para inverter as condições de houve um tempo certo para olhar para
equilíbrio. É por isso que não podemos George T. Javor (Ph.D. pela Columbia Ele... certamente esse tempo é agora.
reverter a morte. University) leciona bioquímica na Loma Não concorda?
Como se originou a vida na Terra? Este Linda University, Loma Linda, Califórnia, E então, você o fará?
artigo mostrou a grande discrepância en- EUA. Seu e-mail: gjavor@som.llu.edu
tre a bioquímica da matéria viva e as pre- Dwight K. Nelson (D.Min. pela Andrews
tensões daqueles que gostariam de poder Notas e referências University) é o pastor titular da Igreja Pio-
explicar sua origem por abiogênese. Cin- 1. S. Lander e 253 outros, “Initial sequencing neer Memorial, no campus da Andrews
qüenta anos de pesquisa bioquímica de- and analysis of the human genome,” University, Berrien Springs, Michigan, EUA.
Nature 409 (2001):2001. Ver também J. C.
monstraram inequivocamente que, a des-
Vent e 267 outros, “The sequence of the
peito de quais sejam as condições, a abio- human genome,” Science: 291(2001):1304.
gênese é uma impossibilidade. É apenas 2. Uma tal análise da vida pode parecer
uma questão de tempo antes que o edifí- bastante materialista a muitos que acham
cio chamado “evolução química” implo- que a Bíblia ensina um ponto de vista
diferente — o qual não insiste que a vida
da sob o peso dos fatos. esteja associada à matéria. Conquanto
Para o crente no relato bíblico da Cria- possam existir realidades mais amplas de
ção, a asserção de que somente o Criador vida inacessíveis a nós, tanto quanto
pode criar a vida não é um argumento interesse à ciência, percebemos a vida na
Terra somente em associação com a
para o “Deus das lacunas”. Temos uma
boa idéia do que seja necessário para criar
matéria. A Bíblia apóia a noção de que a
vida que conhecemos na Terra está
Diálogo grátis
a vida, somente não podemos fazê-lo.
Essa é uma afirmação de que a vida não
associada à matéria. Ver Gênesis 2:7: “E
formou o Senhor Deus o homem do pó da
para você!
terra e soprou em seus narizes o fôlego da Se você é estudante adventista que fre-
vida: E o homem foi feito alma vivente”.
Uma combinação do fôlego de vida e do qüenta uma universidade não adventista,
Atenção, pó do solo deu origem à pessoa viva.
Semelhantemente, uma pessoa morre
a igreja tem um plano que lhe permite re-
ceber Diálogo gratuitamente enquanto
profissionais quando lhe sai o fôlego e ela volta ao pó.
“Nesse mesmo dia perecem toldos os seus
você for estudante. (Aqueles que não são
mais estudantes podem assinar a revista
adventistas! desígnios.” (Salmo 146:4.) O “retorno à
terra” marca o ponto final da existência Diálogo utilizando o cupom na p. 11.) En-
humana. Embora seja possível especular tre em contato com o diretor do departa-
Vocês que possuem pós-graduação
sobre o significado do “fôlego de vida” e mento de educação ou do departamento
em nível de mestrado ou equivalente em do “fôlego” das pessoas, é claro que a de jovens da sua união e solicite que seu
qualquer campo estão convidados a fazer vida, como experimentada na Terra, não
continua após a morte. A Bíblia nada nome seja incluído na lista de distribuição
parte da Rede de Profissionais Adventistas
menciona sobre uma forma de vida da revista para aquele território. Inclua na
(RPA). O registro global de profissionais
desencarnada. Aceitar a base material da carta seu nome e endereço completos, o
ajuda as instituições adventistas que par-
vida sobre a Terra, portanto, não nos nome da universidade que freqüenta, o
ticipam da associação a localizarem con- torna materialistas.
curso que está fazendo e o nome da igreja
sulentes, voluntários de tempo limitado e 3. S. B. Prusiner, “Prion Diseases and the BSF
Crisis,” Science 278 (1997): 245. local da qual você é membro. Você pode
candidatos a empregos, enquanto pro-
4. O número de possíveis seqüências também escrever para os nossos represen-
movem networking internacional. Não há
diferentes para uma proteína de 100 tantes nos endereços fornecidos na p. 2,
encargos ou custos. aminoácidos é 1.2 x 100130 ou 12 seguido enviando cópia da sua carta para os dire-
Procure o formulário de registro en- de 129 zeros!
5. F. Darwin, The Life and Letters of Charles tores departamentais de sua união, já
trando em contato com: APN — GC Edu-
Darwin (New York: D. Appleton, 1887), II: mencionados acima. Na América do Nor-
cation Department; 12501 Old Columbia
202. Carta escrita em 1871. te, você pode utilizar o nosso número de
Pike; Silver Spring, MD 20904-6600;
6. S. L. Miller, “A Production of Amino Acids telefone de discagem gratuita, 1-800-226-
EUA. Você também pode pedir o formu- Under Possible Primitive Earth
5478 ou utilizar o fax 301-622-9627, ou E-
lário por fax: 301-622-9627, ou E-mail: Conditions,” Science 117 (1953): 528.
7. C. B. Thaxton, W. L. Bradley, e R. L. mail message: rasij@gc.adventist.org
110173.1405@compuserve.com
Olsen, The Mystery of Life’s Origins (New Caso todos esse contatos deixem de pro-
Ou você pode submeter a informação
York: Philosophical Library, 1984), p. 38. duzir resultado, escreva para o nosso en-
diretamente via o World Wide Web: 8. S. W. Fox e K. Dose, Molecular Evolution dereço editorial.
http://apn.adventist.org and the Origins of Life (New York: Marcel
Dekker Publishing Co., 1977), second
edition.

16 Diálogo 14:1 2002


As pedras ainda clamam!

P
Gerald A. Klingbeil ó, sim. Calor, bastante. Discus- como resultado do assalto pós-moder-
sões veementes, muitas. Mas não nista contra o absoluto.3
são essas coisas que tornam a ar- Como isso afeta o crente na Bíblia
queologia bíblica excitante e desafia- ao ele ler comentários, jornais e livros
dora. Ela é a busca de significado, da que contêm referências a achados ar-
compreensão de uma cultura, da per- queológicos recentes? Ainda é verda-
missão para que a Bíblia se torne viva de que a pá do arqueólogo confirma a
e transforme a poeira da escavação Palavra, ou isso é algo que servia para
num castelo de sabedoria. Um frag- uma época menos iluminada, onde
mento de cerâmica, alguns ossos que- uma cosmovisão positivista baseada
Como a arqueologia bíblica brados e deteriorados, uma lasca de em fundamentos cristãos determinava
parede ou uma inscrição meio apaga- a agenda de pesquisa para o arqueólo-
da numa moeda, essas e outras evi- go bíblico?
continua confirmando a dências colhidas no entulho do passa- Para responder a essas perguntas,
do clamam e freqüentemente confir- considere três áreas nas quais a arque-
mam a historicidade e autenticidade ologia bíblica do século XXI pode
historicidade da Bíblia e das Escrituras. contribuir para nossa compreensão da
O início da pesquisa arqueológica Palavra de Deus. Note como o texto
foi caracterizado mais pelos aventu- bíblico e os artefatos precisam ser
ampliando nossa compreensão reiros afoitos do que por cientistas conjugados para formar um todo útil.4
equilibrados e analíticos.1 Mais tarde,
essa mentalidade foi substituída por Eventos históricos e personalidades
cuidadosa análise estratigráfica e um A arqueologia confirma, primeira-
de seu significado. enfoque voltado a métodos em lugar mente, acontecimentos históricos espe-
de artefatos. Essa renovada discussão cíficos e personalidades mencionadas
metodológica tem caracterizado o tra- no texto bíblico. Um exemplo é a ins-
balho dos peritos no campo durante crição de Tell Dan.5
os últimos 20 anos. Um aspecto desse
debate é o desafio de William Dever,
professor da Arizona University, lan-
çado tanto aos arqueólogos como aos
teólogos, para uma redefinição da re-
lação entre a comunidade de fé e a
comunidade arqueológico–cientifica.2
Como resultado, o adjetivo “bíblico”
foi desconectado de “arqueologia” e
substituído pelo termo geográfico
“siro-palestino”. Essa controvérsia so-
bre “mera nomenclatura” evidencia
os desafios que a disciplina enfrenta,
os quais estão mais arraigados em
pressuposições filosóficas do que na
diferenciação de métodos. Podemos
observar desenvolvimentos semelhan-
Inscrição de Tell Dan.
tes em outras áreas de pesquisa, talvez

Diálogo 14:1 2002 17


Em 21 de julho de 1993, uma esca- poucos achados arqueológicos estabe- com o Deus de Israel. (Como pode ser
vação em Tell Dan6 descobriu uma pe- lecem conexão direta com o texto bí- visto em Êxodo 24:11, comer e beber
dra de basalto com inscrições. O acha- blico. Uma inscrição mencionando fazem parte do ritual do pacto.) Deus
do produziu inúmeros artigos por par- um rei conhecido é um acontecimen- não somente é soberano para enviar
te de eruditos bíblicos e confirmou a to extraordinário. Um selo inscrito fogo, como também é verdadeiramen-
narrativa escriturística. 7 Uma estela com o nome de um oficial da corte te o Regente da Natureza. Ele trará
(um tipo de bloco fixo de pedra com mencionado na narrativa bíblica é chuva e com ela vêm as bênçãos da
inscrições, freqüentemente usado uma exceção maravilhosa. No entan- colheita, do socorro e do vigor reno-
para demarcar uma fronteira ou co- to, o lado menos glamouroso (e mais vado. A alusão à refeição é tanto a de-
memorar um acontecimento impor- poeirento) da arqueologia, que ajuda claração final de vitória sobre Baal fei-
tante na vida de seus criadores, por a reconstituir a vida diária dos tempos ta pelo profeta de Deus, como o últi-
exemplo, uma vitória militar) que fa- antigos, representa uma contribuição mo esforço de um Criador amoroso
zia parte de uma parede datada de importante em nossa busca de sentido para recuperar um filho obstinado e
meados do século nono A.C. pelo pes- na Palavra de Deus. perdido, isto é, o rei Acabe.
quisador Prof. A. Biran, do Hebrew Um bom exemplo desse tipo de Rute 1:1 descreve uma fome em Be-
Union College em Jerusalém, e con- pesquisa é o trabalho de Øystein S. La- lém, que ironicamente significa “casa
temporânea do rei Acabe, de Israel e Bianca, antropólogo na Andrews Uni- do pão”. Elimeleque, sua esposa Noe-
do rei Josafá, de Judá. A parte insti- versity, e um dos diretores-adjuntos mi e dois filhos precisavam achar ali-
gante dessa descoberta tem de ver do Projeto da Planície de Mataba, co- mento em algum outro lugar. Numa
com o conteúdo da estela, o qual patrocinado pela Andrews University, tentativa desesperada de vencer as ad-
menciona “Israel” e, pela primeira vez La Sierra University, Walla Walla Col- versidades (e contra uma boa razão bí-
em material extrabíblico, “a casa de lege e Canadian University College. O blica), eles se mudaram para Moabe,
Davi”, texto esse que foi mui prova- interesse principal de LaBianca tem país vizinho situado do outro lado do
velmente precedido de uma referência sido o estudo dos sistemas de alimen- vale do Jordão. A viagem não era lon-
a um rei específico (na linha 9 dessa tação como um barômetro da organi- ga, talvez alguns dias quando se viaja-
inscrição). Alguns fragmentos adicio- zação social local.9 Esse plano de pes- va com crianças e todos os pertences
nais encontrados em 1994 indicam quisa pode parecer um tanto árido de uma casa. Mas em termos da di-
que a estela faz referência ao assassi- para o estudante da Bíblia. Contudo, mensão interna dessa decisão, a via-
nato de Jeorão de Israel e Acazias de quando pensamos nas muitas vezes gem bem poderia ser de milhares de
Judá, por Jeú (ver II Reis 9). A referên- que a Bíblia menciona “comer e be- quilômetros. A fome física experimen-
cia à “casa de Davi” é clara e fora de ber”10 e na importância da refeição co- tada em Belém é aparentemente evita-
discussão. No Velho Testamento, munal, também no significado do da em Moabe, embora a Bíblia não
“casa de Davi” se refere não somente à acesso à água, uso do solo, regras de descreva as circunstâncias materiais
família (ou pessoas vivendo sob o assentamento populacional, e no ex- da mudança. Contudo, a dimensão es-
mesmo telhado) do Rei Davi (I Samuel traordinário papel que a agricultura piritual da fome torna-se ainda mais
19:11; 20:16), como também a seus desempenhava no Velho Testamento, aparente quando continuamos a ler a
descendentes que se assentaram no imediatamente percebemos o signifi- história de Noemi e Rute. Com o pas-
trono em Jerusalém e reinaram sobre cado subjacente ao trabalho nessa sar do tempo, Elimeleque e seus dois
Judá (II Samuel 3:19; I Reis 12: 19, área. Eis dois exemplos: filhos morreram, deixando três viú-
20). Parece razoável afirmar que “casa I Reis 18:41 acrescenta um porme- vas. Noemi expressa sua desolação ao
de Davi” é uma referência ao reino de nor interessante à história do encon- aconselhar que suas noras voltem
Judá e a simples menção de Davi, fora tro entre Deus e Baal (representados para a casa de seus pais. A amargura
da Bíblia, resolve os numerosos desafi- nesse ensejo por Elias e os sacerdotes da separação reflete-se em seu novo
os à historicidade desse monarca.8 de Baal), quando o profeta fala ao rei nome: “Mara”, que significa “amar-
Acabe, depois do fogo ter descido do ga”, porque “Grande amargura me
Vida cotidiana nos tempos antigos céu: “Sobe, come e bebe, porque ruído tem dado o Todo-Poderoso” (Rute
A arqueologia nos conta da vida di- há de uma abundante chuva.” Por 1:20). A Bíblia salienta dois pontos
ária nos tempos antigos, tornando que, em meio à seca, sugerir ao rei an- importantes: (1) Parece que os surtos
mais reais e significativos nossa prega- tagonista, uma festa, mesmo depois de fome ocorriam localmente e nem
ção e ensino da Palavra de Deus. Essa do lamentável desempenho de seus sempre em grande escala. A fome po-
é uma das razões que uma equipe de sacerdotes? “Comer e beber” são ou- dia ser causada por uma peste grassan-
arqueólogos modernos inclui uma tros componentes da história que an- te sobre os campos de Belém, destru-
ampla variedade de especialistas em tecipam os aspectos do acordo para indo toda a colheita e a semente para
antropologia, biologia, paleozoologia, uma ceia comunal. Eis outro convite o ano seguinte. A fome aniquilava vi-
botânica, arquitetura, etc. Contudo, para entrar (novamente) em concerto das e eliminava opções, algo que mal

18 Diálogo 14:1 2002


pode ser apreciado por um leitor das com William Dever, uma das maiores
Escrituras nos Estados Unidos ou na autoridades da moderna arqueologia
Europa, no começo do século 21. En- siro-palestiniana. Estávamos deitados
tretanto, suponho que alguém viven- em nossas camas num dormitório,
do na África subsaariana ou no Orien- conversando sobre arqueologia, teolo-
te Médio pode facilmente compreen- gia, textos e artefatos, quando ele me
der essa realidade. (2) A interação eco- disse: “Vocês adventistas estão fazen-
nômica entre as várias regiões pode do uma grande obra. Continuem ca-
ser mais bem apreciada. Israel não era vando, continuem tendo uma visão
uma ilha isolada e protegida como um ampla da conexão da vida real com o
encrave. Tinha fronteiras em constan- texto bíblico. Continuem lendo a Bí-
te mudança, interação real com regi- blia à luz da arqueologia”. E a tudo
ões vizinhas e com essa ação recíproca isso eu só pude acrescentar um caloro-
surgia sempre o desafio religioso de so Amém!
manter-se fiel a Jeová, em lugar das
sempre presentes divindades da ferti- Gerald A. Klingbeil (D.Litt. pela Univer-
lidade. Isso muda nossa opinião sobre sity of Stellenbosch, África do Sul) é profes-
a história de Rute ou mesmo a de Elias sor de Velho Testamento e estudos do Anti-
e Acabe? Na verdade, isso nos ajuda a go Oriente Médio na Universidad Adventis-
ligar a vida real com as personalidades ta del Plata, Entre Ríos, Argentina. Seu e-
bíblicas. Um dos pontos principais mail: kling@uapar.edu
que os autores do Velho Testamento
(mesmo os do Novo) destacam ao des- Notas e referências
crever os atos de Deus na história é 1. Ver, por exemplo, a descrição dos métodos
este: Deus é um Deus ativo e próximo. de H. A. Layard, que escavou em
Nínive, em P. R. S. Moorey, A Century of
Ele intervém diretamente na história
Biblical Archaeology (Louisville:
humana e está no seu controle. Estela icônica de Betsaida. Westminster/John Knox Press, 1990),
pp. 8 e 9. Outro bom sumário pode ser
Realidades religiosas encontrado em S. Schroer e T. Staubli,
Finalmente, a arqueologia nos aju- tinha caráter religioso e penso que Der Vergangenheit auf der Spur. Ein
Jahrhundert Archäologie im land der Bibel
da a compreender melhor o panorama isso proveja um bom esclarecimento (Zürich: Freunde des Schweizer
religioso. Na cultura do Antigo Orien- para o texto de II Reis 23:8, freqüente- Kinderdorfes Kirjath Jearim in Israel,
te Médio, religião, política e vida diá- mente olvidado. 13 O texto nos infor- 1993), p. 11.
ria não eram tão compartimentaliza- ma que quando Josias começou a que 2. Ver W. G. Dever, “Retrospects and
Prospects in Biblical and Syro-
das como em nossa cultura ocidental. seria a última reforma religiosa em
Palestinian Archaelogy”, Biblical
Para ilustrar: Considere um importan- Judá, ele “derribou os altos das portas, Archaeologist (1982) 45:103-107 e
te achado de Betsaida (et-Tell), um lu- que estavam à entrada da porta de Jo- “What Remains of the House that
gar que os leitores da Bíblia ligam ge- sué”, como parte de uma lista de me- Albright Built?” Biblical Archaeologist 56
ralmente ao ministério de Jesus. Con- didas reformatórias que também in- (1993) 1:25-35.
3. Ver A. E. McGrath, “The Challenge of
tudo, escavações recentes demonstra- cluíam outros lugares altos. É bastante Pluralism for the Contemporary
ram que o lugar já existia na época da surpreendente que os arqueólogos Christian Church”, Journal of the
monarquia dividida (que os arqueólo- não achassem outros exemplos desses Evangelical Theological Society 35 (1992)
gos descrevem como a II Era do Ferro). “altos” junto da porta 14, porque no 3:363; também R. McQuilqin e B.
Mullen, “The Impact of Postmodern
Em junho de 1997, os arqueólogos antigo Israel o portão era um dos pon-
Thinking on Evangelical
da Universidade de Nebraska, Omaha, tos principais tanto para a cidade Hermeneutics”, Journal of the Evangelical
encontraram junto ao portal da cida- como para a sociedade. Estamos falan- Theological Society 40 (1997) 1:69-82.
de uma estela icônica (isto é, osten- do do lugar onde as coisas aconteci- 4. Para uma discussão mais profunda
tando uma imagem gravada) com ins- am, onde as decisões eram feitas e sobre a relação entre texto e artefato,
ver meu capítulo intitulado “Methods
crição.11 Essa peça se assentava sobre onde as grandes reformas começavam and Daily Life in the Ancient Near East:
uma espécie de plataforma de um me- — à entrada da sociedade civil. É jus- Understanding the Use of Animals in
tro de altura, juntamente com uma tamente essa conexão que a teologia e Daily Life in a Multi-Disciplinary
bacia e três vasos de incenso. Segundo a arqueologia precisam fazer. Framework”, em R. Averbeck et al., eds.,
os editores da primeira publicação, a Quando estive escavando para o
divindade da estela representava o Projeto da Planície de Mataba, em
Continua na p. 34.
deus-lua.12 A construção, sem dúvida, 1996, passei uma noite inesquecível

Diálogo 14:1 2002 19


Perfil
Bárbara Reynolds
Diálogo com a titular do Programa Educacional da
UNICEF, que é adventista do sétimo dia.

Q uando Bárbara tinha seis anos, seu pai faleceu deixando a mãe com seis
filhos e um a caminho. Mas a Sra. Reynolds era uma mulher de forte fé e
firme propósito. Ela e seu marido eram professores. Ela sabia que tinha
de viver e dar o melhor para seus filhos. Seis anos mais tarde, algo ex-
traordinário aconteceu no lar dos Reynolds: a fé adventista convidava a família
meu escritório, certo dia, após uma reu-
nião com o Ministro da Educação, e
ocorreu-me que ali estava eu, uma pes-
soa relativamente jovem, ajudando a
formular políticas e programas que afe-
a maiores alturas, não só na vida espiritual como também no progresso intelec- tariam as crianças durante os próximos
tual. O compromisso dos pais com a educação continuou nos filhos, e todos os cinco anos. Isso me fez pensar.
sete se tornaram educadores.
Mas para Bárbara, a rota da educação foi, de algum modo, acidental. Atra- ■ Por favor, conte-nos algo de seu passado,
vés de todo o curso médio ela sonhava em ser urbanista, mas quando foi seus planos originais e ideais.
batizada, no final da escola secundária, descobriu que a escola adventista da Sou da Guiana, um pequeno país da
Guiana não oferecia nenhum curso dessa natureza. A única opção de Bárbara América do Sul com menos de um mi-
era estudar pedagogia, decisão da qual jamais se arrependeu. Armada de um lhão de habitantes. Sou filha de dois
mestrado em currículo e instrução e um doutorado em educação (Columbia professores e penso que essa foi a coisa
University), com especialidade em desenvolvimento educacional internacional, a mais importante na moldagem de mi-
Dra. Reynolds está bem qualificada para suas responsabilidades mundiais, no nha vida. Quando crianças, todos nós
exercício do cargo de delegada de operações do fundo das crianças das Nações nos tornamos professores, algumas ve-
Unidas, em Lagos, Nigéria. Antes de trabalhar para a UNICEF, há doze anos, zes, e ensinamos alguém. Meu pai mor-
gastara a maior parte de sua vida profissional na educação como professora se- reu quando eu tinha seis anos e sua
cundária em Grenada e Guiana. Suas responsabilidades com a UNICEF a têm morte transformou decisivamente mi-
levado a vários países, entre eles Libéria, Zâmbia, Angola e China. nha vida. Isso significava que minha
Como uma fiel adventista do sétimo dia, introduz em suas responsabilidades mãe tinha de assumir toda a responsa-
as grandes qualidades que sua fé nela instilou: respeito pela dignidade huma- bilidade da família.
na, amor às pessoas como um princípio de vida, e uma devoção particular ao Quando meu pai faleceu, éramos an-
bem- estar das crianças. “O melhor sermão é o sermão vivido”, diz a Dra. glicanos, mas minha mãe tornou-se ad-
Reynolds. “Em meu trabalho, espero partilhar a compreensão do que significa ventista cerca de seis anos mais tarde.
em termos práticos ser cristão.” Posteriormente, os quatro filhos mais
jovens, incluindo eu mesma, nos torna-
■ Fale-nos a seu respeito, Dra. Reynolds. mos adventistas. Minha mãe viu no ad-
Bem, sou adventista há 24 anos e me ventismo uma fé com aplicações práti-
dedico aos desafios e recompensas de cas e concretas daquilo que ela conhe-
ser uma adventista. Trabalho como titu- cia teoricamente. O adventismo intro-
lar do programa educacional da UNI- duz a religião na vida diária. Ele não é
CEF, o fundo de crianças das Nações uma liturgia semanal da qual você par-
Unidas. Ajudo governos e sociedades ci- ticipa. Ele espera que você mude seu
vis nos paises onde a UNICEF opera. modo de vida e o relacionamento com
Auxilio-os a planejar, desenvolver, mo- as pessoas. Isso era importante para mi-
nitorar e avaliar os programas educacio- nha mãe e foi o que ela nos transmitiu.
nais.
■ Crescendo naquele ambiente, você pen-
■ Isso parece ser uma responsabilidade sava sobre como as coisas iriam acontecer
muito grande. Não é muito pesada às ve- ou simplesmente era feliz e despreocupada?
zes? Muito feliz e despreocupada! Fui a
Sim. Lembro-me de quando estive última de quatro irmãs a tornar-me ad-
em Angola, em 1991. Achava-me em ventista. Com efeito, a conversão ocor-

20 Diálogo 14:1 2002


reu no penúltimo ano da escola secun- tenha uma educação de boa qualidade. Voltemos ao assunto das oportuni-
dária. Essa foi uma decisão que levou Ela trabalha muito no campo da saúde dades de testemunhar. O melhor ser-
muitos anos. Para mim, o adventismo — imunização, saúde materna, cuidado mão é o sermão vivido. Isso não é um
significava restrições, pois isso foi o que da infância —, e nós, os adventistas, te- clichê, mas um chamado à realidade. A
me apresentaram a seu respeito. Você mos uma fabulosa mensagem de saúde. maneira como vivemos é importante.
não podia fazer certas coisas. Só negati- A UNICEF se envolve bastante na ques- Se você é cuidadoso no trabalho, digno
vas. Levou algum tempo para eu fazer a tão de água e saneamento, e nós tam- de confiança, responsável em tudo
decisão, mas quando a tomei, foi uma bém o fazemos mediante nossa obra as- quanto lhe pedem para fazer, isso é tan-
resolução muito racional. Pensei a res- sistencial. Durante os últimos 10 anos to um sermão como qualquer outra coi-
peito e pesei os prós e os contras. Com- temos tido pela frente o desafio da sa. Para mim, parte de meu testemunho
preendi o compromisso que estava as- AIDS. é justamente esse.
sumindo. Num dia comum de trabalho, mal
■ Nós, como adventistas, deveríamos assu- estou consciente de minha religião.
■ Como foi que você foi para a UNICEF, e mir a liderança a esse respeito, não é verda- Com efeito, trabalhando do jeito que
por que queria estar lá como adventista? de? trabalho para a UNICEF, designada para
Voltemos um pouco no tempo. Na Sim, deveríamos. É uma questão de promover e proteger os direitos e o
escola secundária, estudei economia, educação, de estilo de vida, de saúde e bem-estar de todas as crianças, quero
história e geografia. Meu sonho era tor- nutrição. Mas no fundo, é um problema agir como se fosse cega para a religião.
nar-me urbanista. Mas nenhuma uni- de vida ou morte. Essa é a nossa mensa- O mundo está cheio de tantas barreiras
versidade adventista oferecia tal curso. gem. erguidas pelas pessoas — raça, sexo, et-
E por que desejava estudar numa facul- nicidade, língua, status socioeconômi-
dade adventista, cursei educação, o úni- ■ Temos um imperativo moral que também co, cultura, nível educacional — e não
co curso a mim disponível. Ensinei du- faz parte desse contexto. deveríamos acrescentar outra: a reli-
rante três anos em Grenada. Ensinei em Sim, há um imperativo moral. Quan- gião.
meu país e depois vim para os Estados do estive em Zâmbia, em 1995, encon- Mas todos nós revelamos nossa reli-
Unidos fazer o mestrado. Conclui-o em trei na igreja pessoas infectadas pela gião ou a ausência dela mediante nosso
1989 e estava decidida a ir para Nova AIDS. Ao procurarmos respostas na modo de ser. Ele determina o que so-
Iorque à procura de emprego como pro- igreja, precisamos achar algo que seja mos, pensamos e sentimos, e como rea-
fessora, mas minha irmã me disse: “Por muito concreto, espiritual, mas tam- gimos em momentos de dor e prazer,
que você não vai para a UNICEF?” E se bém prático. O que temos a dizer a nos- crise e conflito. Define o que lemos e
você está familiarizado com a cultura sos irmãos e irmãs que estão morrendo, escrevemos, o que comemos ou bebe-
das Índias Ocidentais, sabe que quando e/ou sepultando seus pais ou filhos? mos, o que vestimos e como andamos.
sua irmã mais velha lhe diz para fazer Precisamos refletir a respeito e retornar- Mesmo numa organização não-religiosa
algo, você o faz! mos aos princípios básicos. O que há no e apolítica como a UNICEF, a religião é
Candidatei-me à UNICEF em setem- Bom Livro que nos ajude a compreen- importante. Ela dirige, embora não
bro e comecei a trabalhar no mês se- der esse fenômeno — os aspectos espiri- abertamente, as discussões, desacordos,
guinte. Desde então, tenho estado nes- tual, moral e prático? Precisamos divul- negociações e compromissos, sob o fun-
sa organização, excetuando-se o tempo gar essa mensagem. do de todo o trabalho que realizo diari-
despendido para fazer meu doutora- amente.
do. Estou muito presa ao trabalho da ■ Em tudo o que estamos falando, incluin-
UNICEF, protegendo os direitos e o fu- do a AIDS, há uma mensagem espiritual. ■ Eles formulam perguntas sobre o que
turo das crianças. Você tem, em seu trabalho, a oportunidade você faz?
de exercer influência espiritual sobre as pes- Sim, e isso me dá oportunidade de
■ Como adventistas, mais do que outros, soas que a cercam? dizer o que cremos. Minha antiga secre-
devemos enfatizar a importância das crian- Sim, mas não do modo adventista tária, em Angola, acaba de me telefonar
ças e o privilégio de trabalhar por elas. tradicional. Nas Nações Unidas temos e convidar para o seu casamento. Ela
Exatamente. Entre o que a UNICEF um código de conduta de que nós, seus não era adventista quando lá estive;
faz e o que a Igreja Adventista realiza funcionários, não estamos lá para pre- mas converteu-se depois que fui embo-
nos domínios da educação e saúde, há gar. Você se encontra numa sociedade ra. Quando estive em Angola, convidei-
muito em comum. A UNICEF concen- multicultural e respeita outras culturas a a visitar a igreja. Ela era muito ligada a
tra-se em educação e nós temos uma e religiões. Assim como desejo que ou- mim no trabalho. Como minha secretá-
maravilhosa mensagem educacional da tros aceitem o fato de que na sexta-feira ria, conhecia-me melhor do que qual-
cabeça, coração e mão. A UNICEF tem à tarde eu me retire, tenho de respeitar
por objetivo a “educação para todos”, suas práticas. Continua na p. 34.
que visa a assegurar que toda a criança

Diálogo 14:1 2002 21


Perfil
Francisco de Araújo
Diálogo com um regente, produtor
e diretor artístico adventista

O cartão de visita mal sugere as qualificações do Dr. Araújo: Diretor-associ-


ado de Promoção e Diretor do Pro Arts International no Atlantic Union
College, em South Lancaster, Massachusetts, EUA. Um dos editores do
Washington Times escreveu acerca dele: “Vale a pena observá-lo, isto é, se você
não se importar em contemplar um gênio”. Esse comentário foi feito após a
■ Dr. Araújo, como o senhor ingressou no
evangelismo musical?
Eu era um menino de roça. Meus
pais imigraram dos Açores para os Es-
tados Unidos. Não havia nenhum des-
apresentação do Drama da Paixão dirigido por Araújo em 1981 no Monte das tino grandioso para minha vida. Eu
Oliveiras. Surpreendentemente, naquela terra de campos religiosos minados, o era apenas um dos sete filhos, e era
evento foi um grande sucesso, com cobertura de primeira página no New York difícil para meus pais porem comida
Times e a publicação pela Editora Doubleday de um livro sobre arte religiosa, sobre a mesa. Papai desejava o melhor
baseada nessa apresentação. para nós, mas fui o único filho que
Araújo sempre trabalhou com música em nível mundial. A música é seu ins- cursou faculdade. Todos os outros qui-
trumento de evangelização. Ele fundou a Choral Arts Society of Japan e fez uma seram sair para trabalhar. Eu tinha
turnê pelos Estados Unidos com seu mundialmente reconhecido grupo de jovens. uma paixão inata pela música, mas eu
Alan Gershwin, filho de George Gershwin, ouviu-os no Town Hall de Nova realmente não sabia o que era música.
Iorque e trabalhou para que dessem um concerto na sede das Nações Unidas. Nunca ouvira uma sinfonia ou coisa
Depois de trabalhar como missionário no Japão durante sete anos, Araújo parecida, embora soubesse que queria
voltou aos Estados Unidos e fundou o Washington National Chorus, um grupo envolver-me com música.
coral adventista, o qual queria que funcionasse nos moldes do Mormon Depois da escola secundária, esco-
Tabernacle Choir. Foi um grande sonho e no final de 1960 esse coro causou con- lhi o Atlantic Union College (AUC). E
siderável impacto sobre a igreja. foi lá que conheci a Dra. Virgínia Jean
Araújo levou sua música até o turbilhão dos eventos internacionais. Foi con- Rittenhouse, que se tornou primeira-
vidado pelo presidente Anwar Sadat para reger a Orquestra e o Coro Nacional mente uma conselheira e depois uma
do Egito, num concerto de gala pela celebração do segundo aniversário da inici- boa amiga, ao trabalharmos em mui-
ativa de paz com Israel. Em 1994, com sua Camerata Nuove Singers e Orques- tos projetos durante 50 anos. Ela me
tra, ele dirigiu uma apresentação televisada do Messias na Igreja da Nativida- deu a visão do serviço missionário.
de, em Jerusalém. Dois dias mais tarde, eles cruzaram o Jordão para dar um Papai vendeu sua casa a fim de cus-
concerto na abertura das celebrações do aniversário do rei. tear meus estudos no AUC e viveu o
Em 1996, Araújo visitou novamente a Jordânia e apresentou a Nona Sinfo- resto de sua vida num apartamento.
nia de Beethoven, em comemoração ao pacto de paz recém-assinado com Israel. Seu sonho não era que eu me tornasse
Nessa ocasião, o presidente Yasser Arafat pediu-lhe que executasse o concerto músico, mas um pastor. Mamãe costu-
“Paz para a Palestina”, na Universidade de Belém. mava dizer: “Sempre desejamos um fi-
As homenagens são comuns para os artistas, mas alguns comentários feitos lho missionário.” Bem, fui ao Japão
por Yoni Fighel, então governador militar do West Bank, após a turnê do Messi- como missionário.
as, em 1994, toca no cerne do que Araújo faz com a música: “Você não tem
idéia do que realizou aqui esta noite. Por quase 50 anos nossos políticos têm ■ Quais são algumas lembranças do iní-
tentado em vão congraçar estes povos. Numa única noite, você reuniu neste san- cio de sua carreira musical?
to lugar judeus, cristãos, muçulmanos e palestinos, todos louvando a um só Embora nunca tivesse grandes pro-
Deus ao se levantarem durante o ‘Coro do Aleluia’. A influência desta noite jetos para minha vida, sempre me
será sentida aqui por muito tempo.” lembro do que me disse H. M. S. Ri-
chards, pai, quando eu trouxe o coro
japonês para uma turnê pelos Estados
Unidos: “Deus pôs Sua mão sobre
você, irmão, seja cuidadoso.” Isso me
chocou e mesmo me assustou, mas
sempre cri no conselho de Ellen Whi-

22 Diálogo 14:1 2002


te de que Deus nos espera no degrau gada, senti que tinha a resposta: eu te. Creio que nossos jovens deveriam
mais alto da escada. Nunca fui atraído devia continuar nessa senda. estudar em escolas adventistas. É aí
pela fama fora da igreja, embora te- Realmente, nunca me arrependi que deviam obter seus fundamentos.
nha recebido muitas homenagens. disso. Não fiquei milionário, mas te- Nada pode substituir o valor e a edu-
Inadvertidamente, esse tem sido um nho sido rico em bênçãos de Deus. cação espiritual e social que nossos
dos efeitos colaterais de se fazer músi- Não sei o que acontece quando jovens colégios oferecem. Mas onde isso não
ca. Uma das minhas maiores alegrias cantam, mas sei que tem tocado meu é possível, eles devem procurar condi-
foi a oportunidade de levar um coral coração e me dado satisfação. ções sob as quais possam alimentar a
jovem ao SkyDome, numa sessão da fé e estimular seu compromisso cris-
Associação Geral, para cantar diante ■ Que peça musical tocou-o mais profun- tão.
de 50 mil pessoas. Os organizadores damente? Deus tem uma obra para cada jo-
da programação musical disseram-me Há muitas peças maravilhosas que vem. Ele tem um plano definido para
que não podíamos cantar lá porque tenho executado tantas e tantas vezes. cada um de nós; precisamos descobri-
estávamos muito atrasados. Disseram Mas gosto do Coro do Aleluia, acima lo e trabalhar para torná-lo uma reali-
que não havia tempo. Lembro-me de de tudo. A primeira vez que você o dade. Podemos ter uma visão tão
dizer-lhes: “Vamos cantar para a Asso- ouve, imagina que está rumando para grande quanto quisermos, mas se nela
ciação Geral. Pode ser nos toaletes ou o trono de Deus. Tendo dito isso, devo não houver lugar para Deus e Sua igre-
no palco. Mas vamos cantar.” acrescentar que é muito difícil esco- ja, ela é vã.
Tenho sempre dito aos membros de lher uma peça musical e dizer: esta é a
meu coral que não devíamos jamais li- melhor. Contudo, a que mais se desta- Entrevista concedida a
mitar a Deus. Como você pode limitá- ca em minha carreira é o último coro Lincoln Steed
Lo? Quando Ele aponta o dedo para da Paixão Segundo S. Mateus, de Bach.
você e diz: “Quero que você faça um É a parte em que Jesus jaz no túmulo e Lincoln Steed é editor da revista Liberty
trabalho para Mim”, quem somos nós dois coros, acompanhados por duas e diretor-associado de Relações Públicas e
para impedir isso? Você não pode orquestras, cantam “Descanse em Liberdade Religiosa da Divisão Norte-Ame-
fazê-lo! Paz”. Os componentes dessa peça são ricana dos Adventistas do Sétimo Dia, em
Durante meus sete anos no Japão, inesquecíveis. Silver Spring, Maryland, EUA.
vi jovens deixarem o budismo e acei- Bem disse Mendelssohn: “Essa mú- O Dr. Francisco de Araújo pode ser con-
tarem o cristianismo. Vi-os tornarem- sica não brotou do homem; veio de tatado pelo e-mail: faraujo@atlanticuc.edu
se membros e obreiros na igreja. Hoje, Deus.” Tomei a Paixão Segundo S. Ma-
ao olhar para trás, constatamos que o teus e fiz dela uma peça de moralida-
diretor de nossa obra no Japão, o che- de. Na última cena, os discípulos to-
fe de nosso hospital e o chefe da esta- mam o corpo de Jesus e o colocam so-
ção de TV, foram membros do coro. bre uma laje de mármore. Ao dizerem
A obra no Japão, hoje, é dirigida adeus a Jesus, o coro canta com a mais
por aqueles sobre os quais tive alguma
influência, e isso é muito gratificante.
profunda emoção. Penso que essa tem
sido uma das maiores experiências
Assinatura
musicais de minha vida. gratuita para a
■ A música tem sido sua vida. Mas o co-
meço não deve ter sido fácil, não é? ■ Faz alguma diferença se um crente ou
biblioteca de sua
Quando fui para o Atlantic Union
College, estava no degrau mais baixo
um descrente canta o Messias? Basta ser faculdade ou
um profissional bem treinado? Que papel
da escada. Toda vez que ia para as li- o senhor vê na fé pessoal, ao ser ela co- universidade!
ções de piano com a Dra. Rittenhouse, municada mediante a música?
Deseja ver a Diálogo disponível na bibli-
voltava para meu quarto e chorava. A coisa mais importante para um
oteca de sua faculdade ou universidade, de
Eu dizia: “É o fim, não posso fazer cantor é prover um toque espiritual, e
modo que seus amigos não-adventistas
isso; isso não é para mim!” Essa luta isso precisa originar-se na própria ex-
possam ter acesso à revista? Procure o bibli-
continuou semana após semana. Fi- periência do cantor. Se a espiritualida-
otecário e sugira que solicite uma assinatu-
nalmente subi ao telhado do dormitó- de é demonstrada na vida, vai proje-
ra gratuita, usando papel timbrado da insti-
rio dos rapazes e disse: “Senhor, preci- tar-se através da música.
tuição. Cuidaremos do resto!
samos resolver isso, Tu e eu. Não sairei
As cartas devem ser endereçadas a: Dia-
daqui até que me abençoes. Até que ■ O senhor tem algum conselho especial logue Editor-in-Chief; 12501 Old Columbia
me digas que estou fazendo aquilo para os jovens de hoje? Pike; Silver Spring, MD 20904-6600; EUA.
que queres que eu faça.” Essa luta Nada pode substituir o valor de
prosseguiu noite adentro. De madru- uma educação cristã para o adolescen-

Diálogo 14:1 2002 23


Logos
Nenhuma reserva!
Bruce Campbell Moyer Nenhum recuo!
Nenhum pesar!
Um convite à paixão apostólica na missão e no
testemunho.

W illiam Borden sabia que seria


herdeiro de grande patrimônio.
E quando a riqueza lhe chegasse
às mãos, ele estava decidido a doar milha-
res de dólares para as missões. Em 1904,
Alguns dos que lêem este artigo têm já
respondido ao chamado para o serviço
justamente onde se encontram. Outros
esperam ouvir a convocação divina. Al-
guns ainda podem estar fugindo ou evi-
aos povos ainda não alcançados, o que
atende à tarefa apostólica.
As condições originais das missões
eram muito rigorosas. Compromisso sig-
nificava, como Dietrich Bonhoeffer nos
aos 16 anos, graduou-se na escola secun- tando o chamado específico de Deus. O lembra, disposição para depor a vida. Os
dária e resolveu viajar pelo mundo du- fato é que todos somos chamados, de um cemitérios de missionários espalhados ao
rante um ano. No decurso dessa viagem modo ou de outro, para a tarefa apostóli- redor do mundo são testemunhas mudas
seu propósito existencial tomou corpo e ca de posicionar cristãos e fundar igrejas disso. As licenças ocasionais estavam su-
sua visão do futuro aguçou-se. Ele aceitou em lugares onde não existem nem uns jeitas a distúrbios internacionais e trans-
o chamado de Deus para ser missionário. nem outras, e levar o evangelho de Jesus porte imprevisível. As pessoas trabalha-
Pouco depois, o pai de Bill faleceu Cristo a toda nação, tribo, língua e povo. vam em condições primitivas, sem conta-
quando ele ainda estava na faculdade. Os Como William Borden sabia, essa é a to por rádio ou telefone. A comunicação
parentes esperavam que ele se encarregas- tarefa essencial da igreja. Tudo o que faze- poderia levar de três a seis meses, e pou-
se dos negócios familiares. Mas Bill já ti- mos como cristãos deve enfocar ou pro- cos nativos falavam a língua dos missio-
nha feito sua decisão. Estava disposto a mover essa empreitada apostólica. nários. Havia bem poucos, às vezes nin-
abrir mão de sua fortuna e mesmo dos guém, para lhes dar boas-vindas e suavi-
bens que poderiam ser usados para a gló- Ministério de graça e misericórdia zar o choque da chegada.
ria de Deus, a fim de obedecer ao chama- Em II Coríntios 4:1-14, Paulo nos Hoje as condições são muito diferen-
do divino. Tendo tomado firme resolu- lembra que todo ministério é uma ques- tes. Muitos missionários têm casas con-
ção, escreveu numa folha da Bíblia: “Ne- tão de graça e misericórdia. Nenhum de fortáveis e estão freqüentemente rodea-
nhuma Reserva.” nós tem algo de que se gabar. Não pas- dos de colegas de ministério. Eles têm e-
Quando se formou no seminário, seus samos de “servos inúteis..., porque fize- mail e outros meios de comunicação ins-
amigos e familiares propuseram-lhe uma mos somente o que devíamos fazer” tantânea, e há consideráveis facilidades e
alternativa: Por que não ficar nos Estados (Lucas 17:10). A despeito de nossa ele- rapidez para um eventual retorno à terra
Unidos e servir a Deus como pastor? vada e costumeira auto-estima, Deus re- natal. Melhores condições não significam
Como ministro ele certamente poderia almente não precisa de nós; mas Sua necessariamente compromisso mais per-
fazer uma grande diferença, além de trei- misericórdia nos habilita ao envolvi- feito. Alguns de nós perdemos o sentido
nar missionários e enviá-los ao campo. mento com o divino chamado. O cum- da paixão apostólica, da escolha delibera-
“Por que se lançar num campo estrangei- primento da tarefa apostólica não é da de viver para a glória de Jesus no mun-
ro?”, argumentaram. Bill orou e acrescen- nossa responsabilidade, porém de Deus, do, estando comprometidos até o ponto
tou numa página em branco, no início de e podemos sempre nos maravilhar de de morrer para difundir Sua glória; infla-
sua Bíblia, a frase: “Nenhum recuo.” que Ele esteja disposto a usar pessoas mados por Ele e sonhando com a Terra
A oração constante de Bill era para que como nós. Ele nunca nos chama para coberta pela glória do Senhor.
a vontade de Deus fosse cumprida em sua sermos bem-sucedidos, mas para ser-
vida. Viajou ao Egito com a bênção de mos fiéis. O sucesso é responsabilidade Desenvolvendo a paixão apostólica
sua família. “Todos tínhamos a certeza de divina e não humana. Floyd McClung nos lembra que “o en-
que ele teria um longo e proveitoso mi- Assim, nada temos de pessoal para tusiasmo humano não pode sustentar a
nistério”, disse sua mãe. Mas dentro de defender, apenas a missão de proclamar paixão apostólica. Quando Deus reveste o
quatro meses após sua chegada no Cairo, Jesus. Como William Borden, podemos homem com Sua paixão, você precisa de-
ele adoeceu e morreu. ser envolvidos pela paixão com relação senvolver aquilo que Ele lhe deu a fim de

24 Diálogo 14:1 2002


glorificar Seu nome no meio de todos os tem razão quando afirma que aprendeu a bre o peito. O féretro foi enviado para a
povos”.* Quatro coisas contribuem para dizer “não” a muitas coisas boas, a fim de casa de sua família em Chicago. Na Bí-
isso: poder dizer “sim” àquilo que é excelente. blia, sua família viu a resposta inicial ao
Renúncia apostólica. Muitos de nós de- chamado de Deus: “Nenhuma reserva”; e
sejamos o fruto do ministério de Paulo, Missão amorosa e amável então o compromisso: “Nenhum recuo”;
todavia sem pagar o preço devido. Esse Muçulmanos, budistas e hindus preci- e, finalmente a resolução escrita no dia
voluntarioso mensageiro do evangelho sam de vizinhos bondosos, amorosos e anterior à sua morte: “Nenhum pesar.”
sabia que precisava morrer para o eu. Sa- amáveis. Imagine o que aconteceria se Isso é servir a Deus com paixão apos-
bia que em sua carne não podia gerar a centenas e mesmo milhares de cristãos tólica: uma vida “sem reservas”, “sem re-
revelação de Jesus, nem sustentar a sensi- amáveis se mudassem para os países com- cuos” e “sem pesares”.
bilidade de Cristo. Assim ele morreu para preendidos na Janela 10/40, e lá conse-
o ego e entregou completamente sua vida guissem emprego e residência, tornando- Bruce Campbell Moyer (STD pelo San
à vontade de Deus. Vivemos num mundo se amorosos, cheios de compaixão e per- Francisco Theological Seminary) ensina mis-
de paixões em conflito. Se não morrer- dão, revelando Jesus em sua vida diária, são global no Seminário Teológico Adventis-
mos para o eu e enchermos nossas vidas vivendo como cristãos equilibrados e ta do Sétimo Dia da Andrews University, Ber-
com a paixão consumidora da adoração a bem-propositados, orando por seus vizi- rien Springs, Michigan, EUA.
Deus, vamos ser absorvidos por outras nhos não-cristãos e coobreiros.
atrações. Muito antes de nossos vizinhos mu- * F. McClung, “Apostolic Passion” em R. J.
Winter e S. C. Hawthorne (eds.),
Foco apostólico. A grande inimiga da çulmanos, hindus e budistas encontra-
Perspectives on the World Christian
missão de promover a adoração de Jesus rem Jesus, eles precisam conhecer ao me- Movement: A Reader, 3a edição (Pasadena,
em todas as nações é a falta de foco. Po- nos um cristão genuíno, crente, amoroso CA: William Carey Library, 1999),
demos despender energia em todo o tipo e amável. O escopo de partilhar Jesus pp. 185-187.
de bons ministérios e não dar um passo com os muçulmanos nunca será plena-
para mais perto das nações. O povo de mente atingido mediante o uso de tecno-
Deus em todo o mundo está envolvido logia ou mesmo da palavra escrita. As bar-
em muitos projetos e ministérios, e esses reiras são muito altas e as animosidades Um convite
são muito importantes. Mas a igreja tem demasiado acentuadas. A má compreen-
uma missão apostólica específica. Deus são e as feridas emocionais são muito Junte-se à parceria global e experi-
nos chamou para uma tarefa especial pe- profundas. É imperativo e essencial que mente a alegria das missões no Exterior.
rante as nações. Nosso foco deve ser pos- os cristãos trabalhem primeiramente para As Parcerias Globais são promovidas pela
to nela ou estaremos sendo desobedien- curar as feridas e substituir as animosida- Igreja Adventista do Sétimo Dia, visando a
tes à verdadeira missão. des por amizades legítimas, a fim de des- apoiar pessoas resolvidas a viver no es-
Oração apostólica. Podemos entrar no mantelar as paredes erguidas durante sé- trangeiro, com o propósito de testemu-
Céu sem muita oração. Podemos apenas culos. nhar usando seu trabalho como meio de
ter um tempo muito breve de quietude Ore pelos não-cristãos! Ore fervente- evangelismo, de fazer discípulos e de im-
com Deus cada dia, e ainda assim Ele nos mente por eles! Mas esteja preparado para plantar igrejas. Elas estimulam os obreiros
amará. Mas não ouviremos um “bem empenhar-se em suas orações e trabalhar transculturais a criarem seus próprios ne-
está, servo bom e fiel” como resultado de pessoalmente no mundo islâmico, budis- gócios ou conseguirem trabalho local, ou
conversas apressadas com Deus. Com ta ou hinduísta, além-mar ou onde você ainda a encontrarem oportunidades de
esse tipo de oração não conseguiremos vive. trabalho em áreas não atingidas com faci-
sucesso nos lugares difíceis, onde Jesus Desfrute sua amizade. Gaste tempo lidade ou fechadas a missionários tradicio-
não é conhecido nem adorado. A missão com eles. Façam coisas juntos. Trabalhem nais. As Parcerias Globais treinarão esses
às nações demanda uma vida de oração para o bem da comunidade ou do mun- “fabricantes de tendas” para um trabalho
profunda, intercessória, incessante. Sua do. Divirtam-se juntos! Isso é o que ami- transcultural de ganhar almas, e os apoia-
ausência é garantia segura de fracasso gos fazem. rá enquanto estiverem no campo. Para a
missionário. Partilhe sua fé. Faça-o delicadamente e obtenção de informações sobre essa
Decisão apostólica. Esse passo requer à medida que surgirem perguntas. Mas oportunidade missionária singular, conta-
paixão pela glória de Deus diante das na- não insista na aceitação instantânea. te Global Partnerships na Andrews Uni-
ções e indaga: “Onde queres que eu Te sir- Faça-o como se compreendesse claramen- versity; Berrien Springs, Michigan 49104;
va, Senhor?” A maior parte das pessoas te que aquilo em que crê é de importân- EUA. Telefone: 616-471-2522. Fax: 616-
faz o contrário. Perguntam sobre onde e cia vital para você. Não o imponha como 471-6252. E-mail: partners@andrews.edu
quando, sem uma revelação de Sua gló- pré-requisito de uma amizade duradoura. Visite nosso website
ria. Toda espécie de desejos inferiores Amigos não fazem assim! http://www.andrews.edu/partners
pode manter-nos cativos. Talvez nunca O corpo de William Borden foi posto
os reconheçamos. Gordon McDonald num caixão de pinho, com sua Bíblia so-

Diálogo 14:1 2002 25


Foro Aberto
Estilos adventistas de culto

Ao me familiarizar com diferentes cul- nico”, isto é, deve alcançar o há componentes da cultura que
turas, fico intrigado com a ampla varieda- mundo todo. são contrários às normas e mis-
de de estilos adventistas de culto. Imagino 2. O culto adventista é contextual. A são cristãs, e, portanto, devem
que essas diversidades aumentarão à medi- forma de culto adotada em certo ser rejeitados. Se for esse o caso,
da que a Igreja Adventista do Sétimo Dia lugar incorporará componentes a igreja e seu culto devem decla-
crescer ao redor do mundo. Existem princí- da cultura local. Muito cuidado rar-se contrários a certas práticas
pios que nos possam guiar na conexão da deve ser exercido para garantir culturais e proclamar um cha-
cultura com o culto? que essa contextualização não mado para “sair” da Babilônia
inclua elementos incongruentes cultural.

A história comprova que a cultura


influencia grandemente o culto.
Conquanto a comunidade de fé,
em seu culto, não deva ser do mundo, a
igreja, não obstante, existe no mundo, e
com o evangelho da salvação.
Ao mesmo tempo, é importante
colocar o evangelho e o culto
cristão no contexto da cultura
na qual ocorrem. Alguns teólo-
4. O culto adventista é intercultural.
O cristianismo não pode ser li-
mitado a uma única expressão
cultural, a uma única nação, a
um grupo étnico, ou a uma úni-
seu culto se realiza num cenário cultu- gos usam o termo encarnação ca língua. É contraproducente
ral. Nesse contexto, podemos conside- para descrever esse processo. referir-se à igreja como “ameri-
rar cinco princípios quanto ao culto e à Qualquer que seja o termo, o cana”, “suburbana”, “latina” ou
cultura adventista: culto não deveria adaptar-se à qualquer outro adjetivo limitan-
1. O culto adventista é transcultural. cultura, mas adotar seus elemen- te. A cultura está restrita ao es-
Cristo e o evangelho eterno tos úteis para auxiliar a comuni- paço, mas o evangelho no culto
transcendem à cultura. Se bem cação do evangelho. desconhece longitude e latitude.
que a mensagem cristã seja pre- 3. O culto adventista é contracultu- 5. O culto adventista é multicultural.
gada dentro de um cenário cul- ral. Isso significa que ele não Mesmo em seu ambiente local, a
tural, ela precisa suplantá-lo e deve conformar-se ao mundo, igreja não precisa ser identifica-
transcender as limitações da cul- mas transformar os adoradores e da com uma dada cultura, lin-
tura. O evangelho é eterno; a sua cultura. Embora o culto não guagem ou estrato econômico
cultura, porém, está ligada ao seja necessariamente anticultu- da sociedade. A igreja precisa ser
tempo. O evangelho é “ecumê- ral, precisamos reconhecer que multicultural e prover um culto
que sirva a culturas variadas.
Quanto melhor a igreja realizar
esse papel, tanto mais eficaz será
seu alcance evangelístico e de
serviço. Afinal de contas, o pró-
prio Senhor da igreja enfatizou
que ela haveria de ser “uma casa
“Gostaríamos de de oração para todos os povos.”
agradecer ao coral (Isaías 56:7.)
por seu número
Bert B. Beach (Ph.D. pela University of
emocionante”. Paris, Sorbonne) é diretor de relações entre
igrejas do escritório mundial da Igreja Ad-
Extraído de Clip Art Cartoons
ventista do Sétimo Dia. Seu endereço:
for Churches, Group
Publishing Inc. Usado com 12501 Old Columbia Pike; Silver Spring,
permissão. Maryland 20904; EUA.

26 Diálogo 14:1 2002


Em Ação
“A obra que
precisa ser feita!”
Samuel Koranteng-Pipim Ministério de Campus na University of Michigan

H á mais de 100 anos, Ellen White


apelou para que se pusesse a
Universidade de Michigan, em
Ann Arbor, na mira evangelística. Disse
ela: “Os estudantes deveriam entrar em
Adventista do Sétimo Dia Campus
HOPE reúne-se cada sábado no campus.
O que começou como um grupo de cer-
ca de 25 estudantes, chega a 60 ou 70
num sábado típico. Os serviços de culto
sociação de Michigan, cujo objetivo é
mobilizar os adventistas em campi secu-
lares a se tornarem “um movimento de
reavivamento baseado na Bíblia, no
qual todo estudante é um missionário”.
escolas [públicas] e viver a verdade, são complementados, no meio da se- Com essa finalidade é que o Centro
como Daniel e Paulo fizeram. Cada um mana, por sermões inspiradores e pales- para o Ministério Adventista de Estu-
deveria procurar ver qual é o melhor tras sobre a Bíblia chamados “Terças- dantes em Universidades Públicas
modo de introduzir a verdade na esco- feiras com Jesus”. Há também as reuni- (CAMPUS) foi fundado, junto à Univer-
la, para que a luz possa brilhar.” Mas, ões regulares de oração às segundas e sidade de Michigan, em Ann Arbor. O
“os jovens que vão a Ann Arbor”, ad- quintas-feiras pela manhã (7h30), bem CAMPUS procura: (1) treinar adventis-
vertiu, “precisam receber Jesus como como programações às sextas-feiras à tas dedicados e outros para se tornarem
seu Salvador pessoal ou serão... venci- noite. Além disso, diversos estudantes missionários em campi públicos; (2) de-
dos”. “Mas eu quase não ouso apresen- dirigem equipes FAST no campus, enco- senvolver recursos altamente produti-
tar esse método de trabalho... Porém, rajando o estudo da Bíblia em grupos e vos para pessoas engajadas nessa linha
essa obra precisa ser realizada, e será efe- a memorização das Escrituras. Observar de ministério, e (3) dirigir retiros fre-
tuada por aqueles que são guiados e en- esse nível de devoção numa escola tão qüentes de fim de semana e semanas
sinados por Deus.” (Mensagens Escolhi- exigente do ponto de vista acadêmico integrais de liderança ministerial, para
das, volume 3, pp. 233 e 234). como a Universidade de Michigan é um pessoas que genuinamente desejem fa-
Esse apelo tem sido a motivação para milagre! zer o trabalho “que precisa ser feito”
o que está sendo feito hoje, por um de- Mas esse milagre é o resultado de es- nos campi seculares.
dicado grupo de estudantes adventistas forços dirigidos pelo departamento de “Foram-nos dadas diretrizes muito
na Universidade de Michigan. A Igreja Ministérios no Campus Público da As- claras quanto ao calibre dos estudantes

Alguns estudantes e missionários do campus que lideraram o re- Líderes estudantes adventistas da Universidade de Michigan.
cente trabalho na Universidade de Michigan.

Diálogo 14:1 2002 27


chamados para essa espécie de traba- grama de treinamento Campus HOPE Hoje, integrando o programa da equi-
lho”, diz Dan Vis, diretor de Ministé- oferece cursos intensivos em discipli- pe do Campus HOPE, sua série de pa-
rio FAST, um movimento de adestra- nas como hermenêutica, ética, evan- lestras está sendo programada para
mento em discipulado que surgiu há gelismo, liderança cristã, discipulado apresentar uma mensagem adventista
poucos anos no país, e que presente- pessoal, herança adventista e temas intelectualmente crível e espiritual-
mente tem sua sede em Ann Arbor contemporâneos. Os estudantes missi- mente edificante. O CAMPUS também
(verifique seu website: www.fast.st). onários também despendem dois dias espera recrutar um grupo ainda maior
Ele acrescenta: “Somente aqueles que por semana fazendo colportagem de missionários para o outono de
estão ‘fundados, arraigados e firmados evangelística para cobrir as despesas 2002. Quem quiser fazer parte desse
na verdade’ deveriam entrar nessas do programa. E o mais importante: a movimento empolgante e estiver dis-
instituições de ensino como estudan- cada um são dadas amplas oportuni- posto a se dedicar durante um ano ao
tes.” Somente ‘aqueles que têm a ver- dades de se associarem a e interagirem treinamento prático em evangelismo
dade bem aprofundada em seu ser de- com estudantes da Universidade de de campus público, ou aqueles inte-
veriam ser encorajados a entrar em Michigan. ressados em freqüentar um de nossos
tais escolas’” (Mensagens Escolhidas, Como um missionário presente dis- retiros regulares de liderança em mi-
idem.) FAST, com sua ênfase na memo- se: “Tem sido uma grande bênção fa- nistérios de campus, podem contatar
rização das Escrituras e aplicação pes- zer parte do programa de treinamento o Campus HOPE para informação adi-
soal, é uma parceira perfeita no desen- Campus HOPE. O Espírito Santo está cional, visitando seu website:
volvimento do HOPE, o programa de trabalhando ativamente aqui... Tenho www.campushope.org.
treinamento missionário dirigido no visto vidas de muitos estudantes
CAMPUS. “Imagine o impacto de de- transformadas pela Palavra de Deus. É Samuel Koranteng-Pipim (Ph.D. pela
zenas de estudantes espalhados pelo empolgante ver os corações de estu- Andrews University) é o diretor do CAM-
campus, vivendo e partilhando a Pala- dantes não-adventistas tocados pela PUS, o Centro para Ministério Adventista
vra memorizada!” verdade bíblica e a atitude gentil de em favor de Estudantes em Universidades
Um marco importante do ministé- nossos universitários. Esse centro me Públicas. Ele é também diretor de Ministéri-
rio no campus na Universidade de Mi- ensinou o que significa ser um verda- os de Campus Público da Associação de
chigan foi a compra, no outono de deiro cristão.” Michigan (endereço do escritório: P.O. Box
2001, de duas casas em Ann Arbor. Es- Os planos para 2002 são ainda mais 19009, Lansing, Michigan 48901, EUA).
ses imóveis provêem uma base para os ousados. Randy Skeete, até recente- Seu e-mail é: skpipim@cs.com
missionários de tempo integral, que mente conselheiro e diretor de Enri-
se alistaram no programa de treina- quecimento Acadêmico para Progra-
mento de um ano no campus HOPE. mas de Estudantes na escola de medi-
(HOPE é um acrônimo para Helping cina da Universidade de Michigan, es-
Others Prepare for Eternity.) Agora, em tará dirigindo uma campanha evange-
seu terceiro ano de existência, o pro- lística que abrange o campus todo.

o de receber os pagamentos de casa em


Diálogo une duas casa. Já há muitos anos ele era um fiel
adventista do sétimo dia. Desejava ca-

pessoas no amor sar-se e formar uma boa família adven-


tista, mas não conseguia achar a pessoa
certa. Corria, então, o ano de 1996.
Maybetth Patricia Fernández vivia
Abraham Acosta no Chile, no extremo-sul da América
Latina. Ela também era uma fiel adven-
tista do sétimo dia, solteira e estudante
do curso de magistério na Universidad
Adventista del Chile. Alguém poderia

L
uis Martínez Benítez era jovem, ambi- micas reinantes em sua terra natal deci- estar no meio de centenas de jovens e
cioso e cheio de vida, mas solteiro e diram, de uma forma ou de outra, que ainda achar um tanto ilusório e misteri-
solitário. Vivia em Cuba, onde trabalho ele deveria conseguir. Acabou oso apaixonar-se. Ela orou e esperou
nascera. Embora fosse perito em tecno- entrando para a Companhia de Eletrici- que o companheiro certo surgisse. May-
logia de alimentos, as condições econô- dade de Cuba; entre seus deveres estava betth era uma leitora regular de Diálogo.

28 Diálogo 14:1 2002


Na seção “Intercâmbio” da revista, ela nho do casal. A distância e o espaço
achou uma amiga correspondente em através do continente suscitava suas
Marta Perdomo, uma senhora adventis- próprias questões. Luis decidiu buscar
ta cubana. A troca de cartas entre as aconselhamento e escreveu para a fonte
duas tornou-se viva e regular. As duas que os tinha reunido — a Diálogo. Silvia
tinham muito em comum: sua fé, espe- Sicalo, então secretária editorial da re-
rança e o que pensavam ser a vontade vista, abriu a carta e passou-a ao editor-
de Deus para elas. Marta investia muito chefe, Dr. Humberto Rasi. O Dr. Rasi
de sua energia em trabalho missionário. pediu que Silvia respondesse a carta.
Um dia, ela ouviu alguém bater à sua “Afinal”, disse-lhe ele, “você está perfei-
porta. O homem da companhia de ele- tamente qualificada, pois se casou re-
tricidade lá estava para cobrar a conta. centemente e sabe o que significa fazer
Marta conhecia Luis de vista. Ambos ajustes no casamento”. A resposta clara
freqüentavam a mesma igreja adventis- e encorajadora de Silvia resolveu as
ta, mas agora, subitamente, um pensa- questões para o casal.
mento lampejou na mente de Marta. Maybetth retornou a Cuba e os dois
Naquele dia, juntamente com o paga- se casaram no civil em 19 de maio de
mento da conta, Marta deu a Luis um 2000. Infelizmente, os documentos de
exemplar da Diálogo. “Leia-o”, disse ela, Luis não ficaram prontos em tempo e
“quem sabe você ache a vida menos so- Maybetth teve de voltar sozinha para o
litária”. Chile. Cinco meses mais tarde, ele foi
Luis levou a revista para casa e na se- para esse país, onde selou sua união
ção “Intercâmbio” achou vários nomes numa cerimônia matrimonial adventis-
de moças que queriam manter corres- ta.
pondência. Ele ouvira falar de um jo- Seis anos de oração da parte de am-
vem cubano adventista e uma moça bos, uma revista adventista comprome-
mexicana que se haviam conhecido veio outro chamado e o desapontamen- tida em servir a dinâmica juventude da
através do intercâmbio. “Bem, este to se desvaneceu quando os dois fala- igreja, e a companhia de tantos amigos
pode ser o modo de Deus me dizer o ram de um possível encontro. “Maybet- resultaram na criação de um belo lar
que devo fazer”, pensou, e escreveu th deu-me os dois melhores presentes adventista. Luis e Maybetth foram ago-
para diversas jovens. Todas responde- de aniversário então. Um foi o próprio ra abençoados com uma filha. Ele está
ram, mas a resposta de uma delas foi chamado e outro a aceitação de meu estudando enfermagem na Universidad
especial. Ela falava de sua fé, contava convite para visitar Cuba.” Adventista del Chile e logo esperam es-
acerca de sua filosofia de vida e revelava “Não me era fácil viajar ao exterior, e tar trabalhando onde Deus os chamar.
um compromisso adventista com o fu- assim essa foi a melhor maneira de nos “É Seu propósito e vontade que gover-
turo. conhecermos pessoalmente”, lembra nam nossas vidas”, disse Luis com um
No Chile, a milhares de quilômetros Luis. “Logo Maybetth estava em Cuba, radiante sorriso.
de distância, Maybetth ficou surpresa hospedando-se na casa de algumas ami-
ao receber a carta de um estranho. “Mas gas minhas. Nosso primeiro encontro Maybetth e Luis contaram sua história
não, realmente, um estranho”, ponde- no aeroporto foi inesquecível. Eu estava ao Dr. Abraham Acosta que, naquele tem-
rou. “Afinal, ele é um adventista do sé- nervoso, mas contente por dentro. Visi- po, era reitor da Universidad del Chile.
timo dia, e pertencemos à mesma famí- tamo-nos regularmente e chegamos a
lia. Além disso, minha amiga Marta foi nos conhecer melhor. Minha família
quem mo apresentou.” A correspon- gostou muito dela. As duas semanas
dência entre Cuba e o Chile tornou-se
mais e mais regular, mais e mais magné-
que passamos juntos foram como um
dia. Maybetth era muito franca e exu-
Procurando
tica. Uns dezoito meses mais tarde, no berante. Antes dela voltar ao Chile pro- respostas para as
aniversário de Luis, seu telefone tocou; pus-lhe casamento. E ela aceitou.”
mas ele não estava em casa. Disseram- A família de Maybetth concordou GRANDES QUESTÕES
lhe mais tarde que o chamado era do
Chile. Pela primeira vez tinha ele a
com seus planos. Contudo, algumas de
suas conhecidas expressaram dúvidas
da vida?
oportunidade de ouvir a voz de alguém quanto às diferenças culturais. Afinal, o
Confira no website
cujas cartas vinha lendo há tanto tem- Chile não é igual a Cuba. Embora tives-
po, mas ele tinha perdido a oportunida- sem muito em comum, parecia que as Bibleinfo.com
de. Mais tarde, naquele mesmo dia, duas culturas se interpunham no cami-

Diálogo 14:1 2002 29


Livros
Adventism and the American contra leis dominicais e orações proferidas por professores
Republic: The Public nas escolas públicas; defendeu os direitos religiosos de operá-
Involvement of a Major rios no campo secular, e manifestou profundo (embora não
Apocalyptic Movement unânime) ceticismo com respeito ao auxílio governamental
por Douglas Morgan (Knoxville: The às escolas paroquiais.
University of Tennessee Press, 2001; 269 Os leitores encontram assim uma “combinação complexa
pp.; encadernado). de passividade política e ativismo seletivo”. Alguns podem
lamentar essa história ambígua, esperando por uma menos
Revisado por Gary M. Ross. ambivalente. Outros podem desafiar a postura da igreja em
questões particulares, mas poucos afrontarão a maneira
como Morgan descreveu a história. Afora alguns deslizes, ela
é ricamente documentada e bem interpretada.

A opinião corrente retrata o adventismo como historica-


mente alheado do cenário público. Não havia tempo
para outras preocupações (a volta iminente de Cristo reque-
Duas coisas restam, as quais o autor deixou de incluir: um
estudo da obra de liberdade religiosa da igreja além-mar, e
um estudo da liberdade religiosa ao nível do paroquiano lo-
ria atenção para com as pessoas) e nenhuma probabilidade cal. Nesse último ele acharia exatamente a paralisia que o
para outras preocupações (Cristo não retornaria a uma Amé- adventismo aparentemente suplantou.
rica positivamente transformada, mas a uma potência dissi-
mulada e aliada a religiões falsas). Em suma, uma teologia Gary M. Ross (Ph.D. pela Washington State University) é assistente do
premilenial da história presa às Escrituras (Apocalipse 13 e a presidente da Andrews University e diretor de seu Centro Internacional para
identificação da segunda besta com os Estados Unidos) imo- Governo e Religião. Anteriormente foi diretor-associado de Negócios Públi-
bilizava as instituições humanas e ações em relação ao mun- cos e Liberdade Religiosa da Associação Geral e Oficial de Ligação junto ao
do em redor. Congresso.
Isso não é verdade, escreve Douglas Morgan. No primeiro
estudo amplo dessa espécie, uma diferente (pelo menos para
alguns leitores) e mais animadora imagem emerge. Com ar-
gumentos variados e uma redação feliz, Morgan argumenta The Christian and Rock Music:
que a Igreja Adventista nunca seguiu consistentemente “a A Study on Biblical Principles
lógica do premilenialismo com respeito à vida pública ameri-
of Music
cana”. O pessimismo quanto ao futuro não gerou passivida-
Publicado por Samuele Bacchiocchi (Berrien
de. Antes, a igreja achou um meio de tornar-se — temporária,
Springs, Michigan: Biblical Perspectives,
cautelosa, seletivamente, e sem jamais se deslocar para o rei-
2000; 384 pp.; brochura).
no do otimismo pós-milenial — profética, ativista, engajada.
Ela pregou a morte iminente da república e com o mesmo
Revisado por Turíbio J. de Burgo.
zelo trabalhou para retardar-lhe o fim.
O que, exatamente, deu ensejo às implicações inquietan-
tes do premilenialismo? A resposta breve é que diversas influ-
ências suplementaram o completo apocalipsismo. Por exem-
plo, Anson Byington, irmão mais velho do primeiro presi-
dente da Associação Geral, defendia a idéia de “domar” a re-
pública pelo uso da Constituição para alcançar a justiça —
O rock pode ter-se iniciado como um modismo na história
da música popular, mas é agora a maior influência cul-
tural no mundo todo. Seu impacto pode ser sentido e ouvido
uma opinião largamente divulgada que o tempo favoreceu. não apenas na música popular, mas também no surgimento
Ellen White reprovou o separacionismo radical e encorajou a de novos estilos musicais que têm invadido cada vez mais as
igreja a fazer o bem no mundo. Adventistas negros, latinos, salas de concerto e as igrejas. Esses novos gêneros musicais
jovens acadêmicos e profissionais, começaram a empurrar têm criado controvérsias em muitas igrejas hoje, com acalo-
em direções não-apocalípticas. rados argumentos a favor e contra.
O envolvimento público, justificado em tal postura, carac- The Christian and Rock Music: A Study on Biblical Principles
terizou a Igreja Adventista desde meados do século XIX. A of Music contribui com algumas idéias novas ao debate atual.
igreja se opôs à escravatura, advogou a proibição de bebidas Samuele Bacchiocchi, seu principal autor e editor, é um teó-
alcoólicas, prestou serviço às cidades, e — com atraso — de- logo, escritor e palestrante bem conhecido, tendo lecionado
plorou as injustiças da segregação. Num tópico — liberdade no Seminário da Universidade Andrews até sua jubilação. O
religiosa — os adventistas se tornaram incansáveis campeões. livro inclui ainda sete capítulos escritos por musicólogos dos
“Defendendo seu direito e o de outros de ser diferentes”, Estados Unidos e de diversos países, e está fundamentado em
Morgan diz que a igreja atingiu “seu mais vigoroso envolvi- exegese bíblica e extensa pesquisa de variadas fontes.
mento público e maior impacto cultural”. Fez campanha A avaliação histórica do livro analisa o papel de astros do

30 Diálogo 14:1 2002


rock como os Beatles, Madonna e Michael Jackson. Ele apre- que as igrejas do Ocidente enfrentam” (p. 12).
cia, a seguir, os efeitos físicos e mentais do rock sobre o indi- Avaliado desse ponto de vista, o livro oferece uma leitura
víduo, aprofundando sua análise com a inclusão das implica- informativa e estimulante. Em 13 breves capítulos, o autor
ções espirituais. Os autores procuram demonstrar que o “rock toca em questões que têm a ver com o passado, o presente e o
and roll como experiência religiosa” opõe-se à verdade bíbli- futuro.
ca. Por exemplo, Bacchiocchi, primeiramente, expõe a tese Sob a rubrica do passado, Staples corretamente nos lembra
de que a música que executamos na igreja deve refletir nossa de que o Novo Testamento está repleto de “termos, metáfo-
compreensão da natureza de Deus e visão de culto, e assim, ras, imagens e analogias da igreja” (p. 17). Depois de alistar
“a música, a letra e a maneira de cantar devem estar em con- sete desses tropos, ele dirige nossa atenção ao “corpo de Cris-
formidade com os princípios bíblicos da música de adora- to”; à contribuição distintiva de Paulo à eclesiologia.
ção”. Ele conclui ainda que o rock é um meio impróprio para Como alguém que escreveu sobre o mesmo assunto
o culto ou a evangelização, porque “o meio afeta a mensa- (1991), posso me tornar um tanto minudente e pretensioso
gem”. sobre uma questão ou duas, tais como sua repetitiva justapo-
Um dos autores, o Dr. Calvin Johansson, amplia o debate sição da metáfora do corpo e da liderança de Cristo como se,
abordando a música popular religiosa. Ele contrasta os valo- juntamente, constituíssem um todo anatomicamente inte-
res e os objetivos da música popular com aqueles do evange- grado. Contudo, não vou cavilar sobre isso, uma vez que, no
lho, demonstrando que eles estão em diametral oposição. fundo, parece que estamos de acordo.
Outros autores abordam temas correlatos como as implica- Sob a rubrica do presente, Staples explora alguns dos desa-
ções étnicas sobre a cultura, música e moralidade da igreja. O fios contemporâneos que confrontam a Igreja Adventista: a
último capítulo traz o testemunho pessoal de um astro de transferência demográfica do centro de gravidade da igreja
rock convertido. para os “dois terços do mundo” da África e outras partes; o
Embora seu enfoque seja por vezes conservador, The Chris- fenomenal aumento da população do mundo, na qual a “fra-
tian and Rock Music apresenta argumentos relevantes que me- ção cristã” está diminuindo em vez de aumentar; o secularis-
recem ser analisados pela liderança e pelos músicos da Igreja. mo e o materialismo exorbitantes que agora infestam o Oci-
dente; o crescimento urbano e o concomitante surgimento
Turíbio J. de Burgo é professor no Centro Universitário Adventista de São de cidades multiétnicas no mundo ocidental, mais o cons-
Paulo, Brasil. Atualmente é aluno do programa de doutorado em educação tante aumento das populações urbanas de pobres e favelados
musical da Universidade Estadual da Flórida, EUA. nos países em desenvolvimento; e ainda o renascimento do
budismo, do hinduísmo, do islamismo e das religiões primi-
tivas africanas.
Sob a rubrica do futuro, o autor partilha conosco sua visão
de como “podemos nos preparar melhor — e também nossa
igreja — para o serviço no novo milênio cristão” (p. 154). Ele
Community of Faith: The apela para um renovado pacto o qual, em termos práticos,
Seventh-day Adventist Church deverá ter implicações sobre: (1) como nós, como uma comu-
in the Contemporary World nidade de muitas etnias, decidiremos adorar em espírito e em
por Russell L. Staples (Hagerstown, verdade (no que tange à liturgia); (2) o fato de termos de dar
Maryland: Review and Herald Publ. Assn., maior ênfase sobre a vivência da fé, em vez de nos contentar-
1999; 157 pp; brochura). mos em fazer mera exposição dela; e (3) o nosso dever de es-
tar em prontidão contínua, a fim de nos tornarmos membros
Revisado por Gosnell L. O. R. Yorke. alegres e gratos da família celestial.
Pastores e outras pessoas familiarizadas com a teologia, e
mesmo aqueles especializados em outras disciplinas, certa-
mente acharão esse livro útil.
Ele demonstra convincentemente que é possível ser um

A través dos anos, Russell Staples, professor de missões da


Andrews University, tem refletido e falado no mundo
todo acerca da Igreja Adventista do Sétimo Dia, sobre como
crítico arguto da igreja que todos amamos, enquanto perma-
necemos fielmente comprometidos com ela, como o autor
indubitavelmente é.
ela se relaciona com o mundo enquanto confronta as várias
expressões e experiências locais. Talvez seja essa cultivada Gosnell L. O. R. Yorke (Ph.D., McGill) foi designado pela Associação
sensibilidade em relação ao todo e suas partes que o motiva- Geral, nos últimos quatro anos, para servir como consultor de tradução das
ram, a despeito do tom abrangente do subtítulo de seu livro, United Bible Societies — presentemente ele é responsável por Angola,
a alertar logo de início o leitor sobre “os desafios e questões Botsuana e Moçambique. Seu endereço postal: P.O. Box 3768, Kempton
específicas que concernem à experiência especial e testemu- Park, África do Sul. E-mail: 113324.647@compuserve.com
nho coletivo, que são largamente moldados pelos problemas

Diálogo 14:1 2002 31


Para Sua Informação
Declaração adventista dos outros, a aceitar homens e mulhe-
res como iguais e a reconhecer que
cada pessoa tem o direito ao respeito e

sobre violência na à dignidade. O não se relacionar com


outras pessoas dessa forma viola sua
personalidade e desvaloriza os seres
família humanos criados e redimidos por
Deus.
O apóstolo Paulo refere-se à igreja
como os “domésticos da fé” que atu-
am como uma extensão da família,
oferecendo aceitação, compreensão e
conforto a todos, especialmente àque-
les que estão feridos ou em desvanta-

V
iolência entre os membros da mesma família é um flagelo que afeta a gem. A Escritura retrata a igreja como
vida física e emocional de crianças e adultos ao redor do mundo. Pesqui- a família na qual o crescimento pesso-
sa e dados estatísticos revelam que nenhuma sociedade é isenta desta reali- al e espiritual pode ocorrer ao os sen-
dade penosa — nem mesmo os cristãos. timentos de traição, rejeição e pesar
Abuso e violãncia na família são palavras que adventistas do sétimo dia ra- darem lugar a sentimentos de perdão,
ramente usam. Contudo, os relatos de vítimas e os apelos de profissionais médi- confiança e integridade. A Bíblia tam-
cos e de saúde mental nos obrigam a reconhecer que membros e lares bém fala da responsabilidade cristã
adventistas não são imunes a incidentes de abuso e de seus efeitos devastado- pessoal para proteger o templo do cor-
res. po contra a profanação porque é o lu-
Depois de longo e cuidadoso estudo das questães envolvidas, a Associação gar de habitação de Deus.
Geral dos Adventistas do Sétimo Dia votou a seguinte declaração em seu Concí- Lamentavelmente a violência na
lio Anual de 1996. Esta declaração é oferecida aqui a nossos leitores para infor- família ocorre em muitos lares cris-
mação e reflexão. tãos. Ela nunca deve ser justificada,
pois afeta gravemente a vida de todos
os envolvidos e muitas vezes resulta
em percepções distorcidas de Deus, de

A
violência na família envolve a de coerção física e violência no relaci- si mesmo e dos outros.
agressão de qualquer tipo — ver- onamento sexual conjugal ou ameaça Cremos que a Igreja tem a respon-
bal, física, emocional, sexual ou de violência pelo comportamento in- sabilidade —
negligência ativa ou passiva — come- timidatório verbal ou não-verbal. Ela 1. De cuidar das pessoas envolvidas
tida por uma pessoa ou pessoas contra inclui comportamentos tais como in- na violência familiar e de aten-
outra dentro da família, quer sejam cesto ou maus-tratos ou negligência der as suas necessidades ao:
casados, aparentados, vivam juntos de crianças pequenas pelo pai/mãe ou a. Ouvir e aceitar as pessoas que
ou separados, ou divorciados. A pes- pelo guardião que resulta em lesão ou sofrem abuso, dando-lhes
quisa atual indica que a violência na dano. A violência contra idosos pode amor e afirmação como pesso-
família é um problema global. Ela ser abuso físico, psicológico, sexual, as de valor e importância.
ocorre entre indivíduos de todas as verbal, material, e abuso ou negligên- b. Destacar as injustiças do abuso
idades e nacionalidades, de todos os cia médica. e falar em defesa das vítima na
níveis sócio-econômicos e nas famíli- A Bíblia claramente indica que o comunidade da fé e na socieda-
as de todos os tipos, com anteceden- marco que distingue os crentes cris- de.
tes religiosos ou não. A média total de tãos é a qualidade de suas relações hu- c. Prover um ministério huma-
incidentes é parecida nas comunida- manas na igreja e na família que, no nitário e apoio às famílias afe-
des urbanas, suburbanas e rurais. espírito de Cristo de amor e aceitação, tadas pela violência e abuso,
A violência na família manifesta-se busca afirmar e edificar os outros em buscando prover às vítimas e
de várias formas. Por exemplo, pode vez de abusar ou agredir um ao outro. aos agressores acesso ao con-
ser um ataque físico contra um dos Não há lugar entre os seguidores de selho de profissionais, quan-
cônjuges. Agressão emocional tais Cristo para o controle tirânico e o do isso for possível, ou à rede
como ameaças verbais, episódios de abuso de poder ou autoridade. Moti- de recursos profissionais dis-
ira, depreciação do caráter e exigênci- vados por seu amor a Cristo, Seus dis- poníveis na comunidade.
as irrealistas para a perfeição também cípulos são chamados a mostrar res- d. Animando os profissionais ad-
são abusos. Ela pode assumir a forma peito e preocupação pelo bem-estar ventistas a se especializarem e

32 Diálogo 14:1 2002


a abrirem serviços profissio- usarem de medidas discipli-
nais licenciados pela igreja, nares severas ou punitivas. Recursos
tanto para os membros da igre- 3. Aceitar como responsabilidade O Departamento de Ministérios da Fa-
ja quanto para as comunidades moral o estar atento e reagir en- mília da Associação Geral produziu mate-
circunjacentes. faticamente ao abuso nas famíli- riais educacionais que tratam da preven-
e. Oferecer um ministério de re- as de nossas congregações e em ção e constatação de violência em família
conciliação quando o arrepen- nossas comunidades. Quaisquer bem como da restauração das pessoas
dimento do agressor torna pos- indícios ou informações de abu- afetadas pelo abuso. O livro Peace and He-
sível o oferecimento do perdão so não devem ser minimizados aling: Making Homes Abuse Free, por Ka-
e da restauração nos relaciona- mas seriamente considerados. ren e Ron Flowers, está presentemente
mentos. O arrependimento Pois a atitude dos membros da disponível. O departamento pode ser
sempre inclui aceitação da ple- igreja de permanecerem indife- contactado pelo correio: 12501 Old Co-
na responsabilidade pelos erros rentes e não tomarem qualquer lumbia Pike; Silver Spring, Maryland
cometidos, disposição de fazer providência é a de tolerância, per- 20904; EUA. Fax: 301-680-6155. E-mail:
restituição de toda forma pos- petração e possivelmente prolon- 74617.1143@compuserve.com
sível e mudança de comporta- gamento da violência familiar. Os interessados podem também obter
mento para eliminar o abuso. materiais através do Departamento de
f. Focalizar a luz do evangelho na Se devemos viver como filhos da Ministérios da Família, website:
natureza dos relacionamentos luz, devemos iluminar as trevas onde http://familyministries.gc.adventist.org
marido-mulher, pais-filhos e ocorre a violência familiar em nosso
outros e capacitar as pessoas e meio. Devemos cuidar uns dos outros,
famílias a crescerem conforme mesmo quando seria mais fácil não
os ideais de Deus para sua vida nos envolvermos.
de união.
g. Proteger as vítimas ou os (A declaração acima está fundamentada nos
agressores da repulsa dentro princípios expressados nas seguintes passagens
da família ou na comunidade bíblicas: Êxodo 20:12; Mateus 7:12; 20:25-28;
Marcos 9:33-45; João 13:34; Romanos 12:10,
da igreja enquanto firmemen- 13; I Coríntios 6:19; Gálatas 3:28; Efésios 5:2,
te mantém os agressores res- 3, 21-27; 6:1-4; Colossenses 3:12-14; I Tessalo-
ponsáveis por seus atos. nicenses 5:11; I Timóteo 5:5-8).
2. Fortalecer a vida familiar:
a. Prover educação de vida fami-
liar voltada para a graça e que
inclui a compreensão bíblica
da reciprocidade, igualdade e
respeito indispensáveis aos
relacionamentos cristãos. Aprenda inglês — e mais
b. Aumentar a compreensão dos
fatores que contribuem para a neste verão nos E.U.A.
violência dentro da família.
c. Buscar romper o ciclo recor- Seis semanas de estudo de inglês, além de viagens a lugares
rente do abuso e da violência
históricos adventistas e da cultura norte-americana.
e o ciclo vicioso muitas vezes
observado nas famílias e atra- 24 de junho a 1o de agosto de 2002
vés das gerações.
d. Corrigir as crenças religiosas e 20 horas de instrução de inglês por semana.
culturais comumente manti-
das que podem ser usadas The English Language Institute
para justificar ou acobertar a em Atlantic Union College
violência na família. Por 338 MAIN STREET, SOUTH LANCASTER, MA 01561, E.U.A.
exemplo, embora os pais se- Telefone: 978-368-2444 • 1-800-282-2030 (nos E.U.A.)
jam instruídos por Deus a re- Fax: 978-368-2015
dentivamente corrigirem seus E-mail: eli@atlanticuc.edu • www.atlanticuc.edu
filhos, essa responsabilidade
não lhes dá permissão para

Diálogo 14:1 2002 33


As pedras… seus descendentes (Juízes 18:30), foi
elevado à posição de santuário nacional
Bronze/Iron Age Transjordan (ca. 1400-
500 a. C.)”, em T. E. Levy, ed., The
Continuação da p. 19. por Jeroboão I (I Reis 12:29 ss.), e assim Archaeology of Society in The Holy Land
permaneceu até “o cativeiro da terra” (London e Washington: Leicester
sob Tiglate-Pileser III. University Press, 1995), pp. 399-415.
Daily Life in the Ancient Near East, a ser 7. Ver A. Biran e J. Naveh, “An Aramaic 10. Leia o importante artigo de autoria de
publicado por C. D. L Press em Stele Fragment from Tell Dan”, Israel A. W. Jenks, “Eating and Drinking in
Bethesda, MD. Exploration Journal 43 (1943) 2/3:81-98, The Old Testament”, em D. N.
5. Para um debate mais acurado sobre o e também seu artigo “The Tell Dan Freedman, ed., Anchor Bible Dictionary,
significado da descoberta de Tell Dan, Inscription: A New Fragment”, Israel 6 volumes (New York: Doubleday,
ver meu artigo “La ‘casa de David’ y la Exploration Journal 45 (1995) 1:1-18. 1992), 2:250-254.
arqueologia reciente: o que viene 8. Ver, por exemplo, N. P. Lemche e T. L. 11. M. Bernett e O. Keel, Mond, Stier und
primero, las piedras o nuestra fe”?, Thompson, “Did Biran Kill David? The Kult am Stadttor: Die Stele von Betsaida
Revista Adventista, setembro de 1996, Bible in the Light of Archaeology”, (et-Tell), OBO 161 (Fribourg/Göttingen:
pp. 30 e 31. Journal for the Study of the Old Testament Universitätsverlag/Vandenhoeck &
6. Tell Dan é uma cidade ao norte do 64 (1994):3-22. O artigo afirma que o Ruprecht, 1998).
território danita, a moderna Tell el Qadi relato bíblico de Davi (Saul, Salomão e 12. Ibid., p. 34-41.
ou Tell Dan, próxima das nascentes do todas as outras figuras históricas) não é 13. Construções e práticas semelhantes são
Jordão. Seu antigo nome era Lais (Juízes um fato histórico que nos fale da vida e também descritas em Ezequiel 8:3-5 e
18:29; chamada Lesém em Josué 19:47), experiências desses homens, mas ideais talvez no Salmo 121:8.
aparecendo como Luz (i) nos textos de Israel conceituados por algum 14. Há, contudo, diversos exemplos de Tell
egípcios de c.1850-1825 a.C. Essa era a erudito (muito criativo e engenhoso,) Dan e outros lugares na Palestina. Ver
cidade israelita mais ao norte, daí a pouco depois do exílio. Vernett e Keel, Mond, Stier und Kult am
frase “de Dan até Berseba” (Juízes 20:1). 9. Ø. S. LaBianca e R. W. Younker, “The Stadttor, 47-66.
O santuário ali estabelecido sob o Kingdoms of Ammon, Moab and Edom:
sacerdócio de Jonatã, neto de Moisés, e The Archaeology of Society in Late

Reynolds nacionais oferecem oportunidades de


se fazer um bom trabalho para uma
dial de seres humanos, vive uma experi-
ência que nos torna humildes. Você
Continuação da p. 21. causa justa. Ninguém o impedirá de vi- aprecia muito mais o modo como foi
ver suas crenças. Você tem a oportuni- abençoado.
quer outra pessoa, assim sinto que hou- dade de fazer a diferença junto às pesso- Como você sabe, vivi na China com
ve a transmissão da mensagem para ela. as para as quais trabalha e também seus seus 1.2 bilhões de pessoas. Isso coloca
É essa a qualidade de testemunho que colegas; e isso é um testemunho. Você em perspectiva o fato de que Deus ama
responde a perguntas sobre o que faço e também desfruta outros benefícios e a cada um de nós e que conta nossos
por quê. Você também tem oportunida- tem oportunidade de ir a lugares onde próprios cabelos; que, quando oramos,
de de ser social, de sair e de não tomar nunca iria de outro modo, a fim de en- Ele cuida de nós assim como cuida de-
uma cerveja; de mostrar que você não contrar gente de outras culturas. Os se- les.
gosta de dizer palavrões; que está dis- res humanos são os mesmos em toda
posta a aceitar as pessoas. Espero que parte; pensamos do mesmo modo, Entrevista concedida a
alguma coisa que fiz permaneça com apreciamos as mesmas coisas, rimos das Jonathan Gallagher
elas, e que pela associação elas compre- mesmas coisas, choramos pelas mesmas
endam o que significa ser cristão em coisas. Relacionamo-nos com outros de Jonathan Gallagher (Ph.D. pela Univer-
termos práticos. modos semelhantes. Essa é uma impor- sity of St. Andrews, Escócia) trabalha como
tante lição a ser aprendida. Há bastante diretor-associado do Departamento de Rela-
■ O que você aconselharia a um jovem ad- variedade. Quando dizemos que Deus ções Públicas e Liberdade Religiosa da As-
ventista que diz: “Estou pensando em me ama a todos e que Ele nos criou a todos, sociação Geral dos Adventistas do Sétimo-
associar a alguma agência internacional isso os torna conscientes de que em dia. Ele é também diretor de Ligação da
como a UNICEF, ou outra organização das meio a toda essa multiplicidade, vive- Associação Geral com as Nações Unidas.
Nações Unidas? mos num mundo maravilhoso. Quando Seu e-mail: jongallagher@compuserve.com
Eu o encorajaria a procurar uma você se entende como apenas um mi-
vaga, a ir avante! Essas agências inter- núsculo fragmento no complexo mun-

34 Diálogo 14:1 2002


Primeira Pessoa
Servindo enquanto
pudermos e onde
Heidi Ryan estivermos

D urante o ano letivo de 2000-


2001, tive a oportunidade de
trabalhar como estudante missio-
nária no Quênia. Quando meu avião
aterrissou no Aeroporto Internacional
socorrer nesse país. Durante os poucos
meses seguintes, trabalhei em várias lo-
calidades no Quênia fazendo projetos
de construção e ajudando grupos missi-
onários. Com o passar do tempo apren-
mas coisas enquanto estive num lugar
estranho, longe do lar. Ensinou-me a
olhar em derredor. Meu lar confortável,
minha família e amigos maravilhosos
fazem parte da minoria. Muita gente do
de Nairobi, eu sabia que minha vida iria di muitas coisas: cozinhar, construir ar- vasto mundo está sofrendo, vivendo
mudar. Eu não tinha idéia sobre a des- mação de pontes, misturar cimento e em caixões de papelão e, contudo, ou-
crição de meu trabalho, quem estaria lá dirigir um velho caminhão do exército tros vivem como se o tempo fosse durar
para me receber ou quando meu traba- com várias marchas e uma embreagem para sempre. Não eu. Não mais.
lho começaria, mas eu tinha certeza de muito sensível. O mais importante é Milhões de pessoas ainda não ouvi-
que estava destinada a uma aventura. que cheguei a conhecer os africanos ram as boas-novas. Mas a mensagem
Ao sair da alfândega transportando a que viviam ao meu redor. está se espalhando rapidamente. Sou
bagagem num carrinho, olhei para cá e Trabalhei mais com os massais. Uma grata por ter tido a oportunidade de ir à
para lá, por toda parte, à procura de al- das minhas tarefas era ensinar-lhes hor- África como estudante missionária. No
guém que me desse um sinal, chamasse ticultura. Isso foi difícil porque outra entanto, não temos de ir muito longe
meu nome ou o exibisse num cartazete. tribo, sua rival de mais de dois mil para sermos missionários de Cristo. Co-
Uma senhora de pele bem bronzeada e anos, os cacuius, é conhecida por sua nheço gente em minha vizinhança que
negros cabelos crespos finalmente me prática agrícola. Agora eu estava ensi- necessita desesperadamente de Deus.
chamou. Debbie Aho, a contabilista do nando aos massais métodos de plantio Olhe ao seu redor. Estou certa de que há
Outpost Centers Inc. (OCI) e esposa de semelhantes àqueles dos cacuius. alguns em sua vizinhança também.
meu chefe para os próximos 10 meses, Como houve uma seca e o gado dos Cristo está à procura daqueles que pode
viajou comigo uns 18 quilômetros até massais estava morrendo, tornou-se levar Consigo. Resta pouco tempo. Por
chegarmos à cidadezinha de Utung mais e mais necessário que aprendes- que não usá-lo bem?
Rongai. Cabanas sujas e centenas de pe- sem a lidar com o solo. Assim, lenta e
quenos sacos plásticos balouçando ao penosamente ensinei agricultura aos Heidi Ryan é estudante segundanista no
vento foram as primeiras coisas que me meninos da aldeia, enquanto eles pro- Columbia Union College, Takoma Park,
saudaram. Lembravam-me da pobreza curaram ensinar-me suaíle. Foi um lon- Maryland, EUA.
que eu vira em algumas regiões da Ásia go processo nas duas direções. Através E-mail do OCI: kbusl@outpostcenters.org
enquanto crescia. Eu já podia ver que de tudo isso aprendi que a vida na Terra
havia muito que fazer e muitos a quem é temporária. Deus me ensinou algu-

Diálogo 14:1 2002 35


36 Diálogo 14:1 2002
Intercâmbio
música e fazer novos amigos; corres- ceitas culinárias; correspondência em es-
Amplie Sua pondência em espanhol ou inglês. Ende-
reço: Yungay 193; Arica; CHILE. E-mail:
panhol. E-mail: dorlin1@yahoo.com
Josie Elaine Toledo Braga: 22; soltei-
rubenchile@latinmail.com ra; completando estudos para um diplo-
Rede de Linda Margarita Ampié: 25; solteira;
arquiteta; interesses: música e civiliza-
ma em enfermagem no Centro Universi-
tário Adventista; interesses: esportes; vi-
ções antigas; correspondência em espa- ajar e fazer novos amigos; correspondên-

Amizades nhol. Endereço: Barrio Riguero; De la


Iglesia Santa María de los Angeles 1 c. al
Norte, 1 cx . al Este; Managua; NICARÁ-
cia em português. Endereço: Chácara
Advir; Caixa Postal 311; 12900-000 Bra-
gança Paulista, SP; BRASIL. E-mail:

E
GUA. E-mail: linda_amb@yahoo.com amorim@auanet.com.br
studantes universitários e profissio-
Allan Arua: 20; solteiro; estuda para Walter Castillo: 25; solteiro; estu-
nais adventistas, leitores de Diálogo,
obter diploma em comércio; interesses: dando para obter um diploma em edu-
interessados em trocar correspon- esportes. viajar, música e fazer novos cação física; passatempos: colecionar
dência com colegas em outras partes do amigos; correspondência em inglês. En- fósseis, trabalhar com Desbravadores,
mundo. dereço: Pacific Adventist University; Pri- natureza e acampar; correspondência
vate Mailbag; Boroko, N.C.D.; PAPUA em espanhol, português, ou inglês. En-
Yamis Jova Abrahantes: 23; solteira; NOVA GUINÉ. dereço: Universidad Adventista del Pla-
ensina artes e teatro para crianças; inte- Joie Tiangha Aviles: 20; solteira; es- ta; 25 de Mayo 99; Libertador San Mar-
resses: trocar pontos de vista com pesso- tudando para obter diploma em pedago- tín, Entre Ríos; ARGENTINA. E-mail:
as que gostam de artes plásticas e fazer gia, com ênfase em história; interesses: waltercastillouap@yahoo.com.ar
novos amigos; correspondência em es- fazer novos amigos, leitura, viajar e jo- Tragedy Chingola: 23; solteiro; pro-
panhol. Endereço: Calle Heredia 620 A, gos de bola; correspondência em inglês curando obter um diploma em humani-
entre Pepe Alemán y Padre Las Casas; ou tagalog. Endereço: Naga View Colle- dades; passatempos: turismo, cantar,
Cruces, Cienfuegos; 57500 CUBA. ge; P.O. Box 6078; Panicuason, Naga drama e ouvir rádio; correspondência
Rejelly O. Abueva: 23; solteira; estu- City; 4400 FILIPINAS. em inglês ou francês. Endereço: Univer-
da para obter diploma em agricultura; Nancy Bas: 21; solteira; estudando sity of Malawi; Milewa Hall, Chancellor
interesses: cantar, tocar violão, esportes comunição; passatempos: trocar cartões College; Box 280; Zomba; MALAUÍ.
e representação; correspondência em in- e discos, excursão e escrever poesia; cor- E-mail: ckankuzi@yahoo.com
glês. Endereço. Negros Occidental Agri- respondência em inglês. Endereço: #802 Márcia Costa: 23; solteira; estudando
cultural College; Kabankalan City; FILI- Zone 6 Brgy., Caranan; Pasacao, Carines para obter diploma em biologia e fazen-
PINAS. Sur; 4417 FILIPINAS. do pesquisa na Escola Paulista de Medi-
Ignace Adede Agossou: 31; solteiro; Claire Bella Eba: 30; solteira; estu- cina; interesses: música, fazer novos
envolvido em comércio; interesses: evan- dando para obter diploma em psicologia amigos, ler e esportes; correspondência
gelismo, natureza e música; correspon- na Université de Yaoundé I; interesses: em português ou inglês. Endereço: Cen-
dência em francês ou inglês. Endereço: 01 esportes, natação, Bíblia e cozinhar; cor- tro Universitário Adventista; Estrada de
B.P. 4836; Marcory Residentiel, Bld. Achal- respondência em francês ou inglês. En- Itapecerica 5859, Capão Redondo;
me; Abidjan 01; COSTA DO MARFIM. dereço: S/C Bitchey Nadyne Therese; B.P. 05858-001 São Paulo, SP; BRASIL.
E-mail: aadede@2ims.africaonline.co.ci CNPS Yaoundé; CAMARÕES. E-mail: E-mail: marciaoc@hotmail.com
Marco Aguirre: 20; solteiro; estudando bcclaire@hotmail.com Misara Cruz Ruiz: 29; solteira; estu-
tecnologia médica na Universidad de An- E. S. Benjamin: 29; solteiro; comple- dando para obter diploma em agrono-
tofagasta; interesses: leitura, trocar idéias, tou diploma em economia e estatísca; mia; interesses: viajar, literatura cristã e
futebol e música; correspondência em es- passatempos: viajar, assistir ao cinema, trocar cartões postais; correspondência
panhol ou inglês. Endereço: Ruiz-Tagle música e tocar o teclado; correspondên- em espanhol ou inglês. Endereço: Cán-
0130, Estación Central; Santiago; CHILE. cia em inglês. Endereço: P.O. Box 1795; dido Rodríguez 13; Manatí, Las Tunas;
E-mail: ocram24@hotmail.com Kericho; QUÊNIA. CUBA.
Lang Kiir Magol Ajak: 28; solteiro; Elsie B. Bocala: 29; solteira; com di- Ijita Cyrus: 22; solteiro; estudando
completou um diploma em teologia no ploma em administração de desenvolvi- nutrição e dieta; passatempos: cantar,
Sudan Adventist Seminary, trabalhando mento rural; interesses: viajar, música voleibol, desenho e literatura de evange-
agora como interno ministerial; interes- religiosa, cozinhar e fazer novos amigos; lismo; correspondência em inglês ou
ses: viajar, música, estudo bíblico e fazer correspondência em inglês. Endereço: swahili. Endereço: P.O. Box 518; Kasese;
novo amigos; correspondência em inglês Siteo Piatnga, Bgy. Kamuning; Puerto UGANDA. E-mail: cyrus.J@yahoo.com
ou árabe. Endereço: Baghdad Central Princesa City, Palawan; 5300 FILIPINAS. Sally Fe Dalis: 31; solteira; diplomada
Church; P.O. Box 3500; Baghdad; IRA- Dorlin Bouchot: 21; solteira; estu- em pedagogia; interesses: leitura; excur-
QUE. dando para obter diploma em música na são, tênis e colecionar selos; correspon-
Rubén Alvarez: 36; solteiro; com- Universidad de Montemorelos, México; dência em inglês ou filipino. Endereço:
pletou diplomas em educação física e interesses: trocar idéias sobre a Bíblia, EVAA; P.O. Box 242; Tacloban City; 6500
teologia; interesses: leitura, esportes, colecionar poesias, cartões postais e re- FILIPINAS.

Diálogo 14:1 2002 Inserção37


A
Talia Greta Dueñas: 28; solteira; far- ver cinema e fazer novos amigos; cor- diploma em bioquímica; interesses: cole-
macêutica; interesses: pintar, fotografia, respondência em espanhol, francês, in- cionar cartões postais, música religiosa,
cantar e aprender de outras culturas; cor- glês ou italiano. Endereço; Urbanizaci- ler sobre bateriologia e parasitologia, e
respondência em espanhol, inglês, fran- ón Santa Rosa, Edificio B-21, Depto. fazer novos amigos; correspondência em
cês ou italiano. Endereço: Calle 3, Mza. 303; Callao 01; PERU. E-mail: espanhol ou inglês. Endereço: Apdo.
D, Lte. 4, Urb. Resid. Surco; Surco, Lima keilaisimar@hotmail.com Postal 97, Sucursal F; Cd. Universitaria;
33; PERU. E-mail: tacher@ec-red.com Sunday Parker Inyang: 27; solteiro; San Nicolás de los Garza, NL; 66450 MÉ-
Brian M. E. Dzimbiri: 23; solteiro; médico; interesses: cuidar das pessoas, XICO.
estudando para obter diploma em pe- evangelismo, hinos evangélicos e natu- Solange Sampaio Mantuan: 37; sol-
dagogia; passatempos: voleibol, TV, reza; correspondência em inglês. Endere- teira; completou curso de contabilidade;
música evangélica e fazer novos ami- ço: Health Care Centre; No. 10 Akpan interesses: leitura, música, viajar e fazer
gos; correspondência em inglês. Ende- Akpa Udo Street; P.O. Box 2992; Uyo, novos amigos; correspondência em por-
reço: Domasi College of Education; Akwa Ibom State; NIGÉRIA. tuguês. Endereço: Rua Sen. Felício dos
P.O. Box 49; Domasi; MALAUÍ. E-mail: Arla Y. Jolly: 29; solteira; trabalhando Santos 230, Apto. 83; Aclimação; 01511-
brianzimbiri@operamail.com como professora elementar; interesses: 010 São Paulo, SP; BRASIL. E-mail:
Kaseringi Eryeza: 25; solteiro; tem cer- música, leitura, partilhar o amor de Deus Manttuan@ig.com.br
tificado em administração pública e um e aprender sobre outras culturas; corres- Aljean Adante Mapusao: 21; soltei-
diploma em administração de empresa; pondência em espanhol ou inglês. Ende- ra; estudando para obter diploma em
passatempos: cantar, tocar piano, viajar e reço: Almirante; Bocas del Toro; PANA- educação elementar; interesses: tocar pi-
fotografia; correspondência em inglês. En- MÁ. E-mail: yexenic24@yahoo.com ano, leitura, viajar e colecionar selos;
dereço: P.O. Box 364; Kasese; UGANDA. Charles Frienderson Kankuzi: 28; correspondência em inglês ou tagalog.
E-mail: rmaatee@parliament.go.ug solteiro; estudando para obter diploma Endereço: Naga View College; P.O. Box
Janete Fouchard: 32; solteira; conta- em ciência da terra e estudos ambien- 6078; Naga City; 4400 FILIPINAS.
dora; interesses: boa música, esportes, tais; passatempos: cooper, música evan- Danielys Durán Martín: 30; casada;
natureza e colecionar cartões de telefone gélica, ciclismo e aprender sobre outras com diploma em engenharia elétrica da
e moedas antigas; correspondência em culturas; correspondência em inglês. Universidad Central de Las Villas; inte-
português, francês ou espanhol. Endere- Endereço: University of Malawi; 5 resses: correspondência com outros cris-
ço: Rua Anita Garibaldi, 804; 97543-030 Khondowe Hall, Chancellor College; tãos, obter material para a educar crian-
Alegrete, RS; BRASIL. Box 280; Zomba, MALAUÍ. E-mail: ças, viajar e natureza; correspondência
Chayin D. Gonzaga: 23; solteira; ter- cfkankuzi@yahoo.co.uk em espanhol. Endereço: Eusebio Her-
minando curso de contabilidade no Robert Kulabako: 33; solteiro; tem nández 243 A, entre Víctor Torres y Al-
Mountain View College; passatempos: diploma em pedagogia; interesses: trocar berto Nadarse; Colonia Matanzas;
acampar, pintar, colecionar selos e leitu- idéias, música, natureza e crianças; cor- CUBA. E-mail: diane@mtz.jcce.org.cu
ra de livros de história; correspondência respondência em inglês. Endereço: Kasa- Juan Manuel Martínez: 21; solteiro;
em inglês. Endereço: Mambaroto, Sipa- na Infant School; P.O. Box 392; Luwee- estudando para obter diploma em mú-
lay; Negros Occidental; 6113 FILIPINAS. ro; UGANDA. sica e voz na Argentina; interesses: to-
E-mail: chayin@eudoramail.com Frimpong Lewis Kwame: 34; casado, car piano, trocar cartões postais, servir
David Lawrence Gyne: 21; solteiro; dois filhos; completando um diploma a Deus e fazer novos amigos; corres-
estudando contabilidade na Koforidua em artes; interesses: artes gráficas, víde- pondência em espanhol ou francês. E-
Polytechnic; interesses: tênis de mesa, os, música romântica, e aprender de ou- mail: juanmartinez1981@yahoo.com.ar
futebol e viajar; correspondência em in- tras culturas; correspondência em inglês. Anthony O. Melchizedeck: 24; sol-
glês. Endereço: c/o Seventh-day Adven- Endereço: University College of Educa- teiro; estudando para tornar-se professor
tist Church; P.O. Box 2066; Koforidua, tion; North Campus; P.O. Box 25; Win- no Adventist Training College; passa-
E/R; GANA. neba, Central Region; GANA. tempos: futebol, basquete, leitura e mú-
Hector Hammerly: 65; recentemente Sherry Lyn Lavador: 21; solteira; pro- sica; correspondência em inglês. Endere-
divorciado; com um doutorado em lin- fessora; interesses: cozinhar, poesia, ço: P.O. Box 6486; Kumasi, Ashanti;
güística, professor de universidade apo- acampar e natureza; correspondência GANA.
sentado, autor e orador começando uma em inglês ou filipino, ou cebuano/vi- Orchid Htang Dim Mek: 24; solteira;
segunda carreira escrevendo livros não- sayan. Endereço: Malangas District Ad- estudando para adquirir um mestrado
acadêmicos; interesses: música clássica, ventist Elementary School; Malangas, em educação; interesses: colecionar foto-
compor cantos e fotografia; correspon- Zamboanga del Sur; 7038 FILIPINAS. grafias e selos, fazer novos amigos; cor-
dência em inglês. Endereço: 2285 - 125A Maricris Lomboy: 26; solteira; com- respondência em inglês. Endereço: 68
Avenue; Maple Ridge, BC; CANADÁ V2X pletando estudos em biologia; passatem- Uwisara Road, Dagon Township; P.O.
0N3. E-mail: fenix@sprint.ca pos: leitura, poesia, música e excursão; Box 11191; Yangon; MIANMAR.
Keila Isimar Huapaya: 23; solteira; correspondência em inglês. Endereço: Yolanda Mendoza: 32; solteira; téc-
estudando para obter diploma em tradu- P.O. Box 515 BSDAC; 46 Bokawkan nica em computação; interesses: músi-
ção e interpretação na Universidad Ri- Road; Baguio City; 2600 FILIPINAS. ca cristã, bons livros, e aprender sobre
cardo Palma; interesses: viajar, ginástica, Gabriela López G.: 36; solteira; tem outras culturas; correspondência em

Inserção
38 B Diálogo 14:1 2002
espanhol. Endereço: Barrio Riguero, Box 72244; Dar-es-Salaam; TANZÂNIA. dernos e acampar; correspondência em
Talleres Modernos, 2 c. arriba, 2c. al Tapiwa Uchizi Nyasulu: 23; solteira; inglês. Endereço: Mission College -
sur; Managua; NICARÁGUA. E-mail: procurando obter diploma em filosofia e Muak Lek; P.O. Box 4; Saraburi 18180;
yarmen_mal@yahoo.com drama; passatempos: hóquei de campo, TAILÂNDIA.
Solomon Muganda: 29; solteiro; tra- música evangélica e natação; correspon- E-mail: yolaluzz@carolynsmail.com
balha como engenheiro metalúrgico; in- dência em inglês. Endereço: University Kyei Patrick: 29; solteiro; professor
teresses: caminhar na natureza, viajar, of Malawi; 16 Mulunguzi Hall, Chance- na Hospital Road Adventist Primary
troca cultural e fotografia; correspon- llor College; Box 280; Zomba; MALAUÍ. School; passatempos: cantar hinos, par-
dência em inglês ou shona. Endereço: E-mail: tapisulu@yahoo.co.uk tilhar minha fé, viajar e flores; corres-
P.O. Box 114; Redcliff; ZIMBÁBUE. Stephen Christopher Odhiambo: pondência em inglês. Endereço: Akora
E-mail: smuganda@hotmail.com 27; solteira; tem diploma em ciência de Manu Enterprise; P.O. Box TL 1224; Te-
Charles W. E. Mwanbene: 29; casa- computação; interesses: música evangé- male, Northern Region; GANA.
do; professor; passatempos: futebol e lei- lica, tocar violão, viajar e natureza; cor- Douglas S. Peña: 20; solteiro; estu-
tura de novelas; correspondência em in- respondência em inglês. Endereço: P.O. dando para obter diploma em engenha-
glês. Endereço: P.O. Box 10l Nyungwe, Box 105; Pap-Inditi; QUÊNIA. E-mail: ria industrial na Universidad de Sonso-
Karonga; MALAUÍ. odhiambo2k@yahoo.com nate; interesses: música cristã, viajar, po-
Nkem Nnaji: 27; solteiro; estudando Minnie Waithira Okonya: 28; casa- esia e aprendar sobre outras culturas;
engenharia elétrica na University of da; trabalha como operadora de compu- correspondência em espanhol. Endere-
Nigeria; passatempos: música, viajar, tador; passatempos: leitura da Bíblia, do- ço: Lotificación Los Angeles, Block G,
esportes, e fazer novos amigos; corres- cumentários, passar tempo com crican- Nr. 4; San Antonio del Monte, Sonsona-
pondência em inglês. cinhas e música; correspondência em in- te; EL SALVADOR.
E-mail: nnajium@yahoo.com glês ou suaíle. Endereço: P.O. Box 53; Ana Cláudia Rocha Pereira: 22; sol-
Flávio César Franco Nascimento: Maralal; QUÊNIA. teira; completando estudos para diplo-
20; solteiro; estudando geografia na Jack Odhiamo Okullo: 22; solteiro; ma em comunicação social na Universi-
UNESP-FCT; interesses: cantar, dese- procurando obter diploma em engenha- dade Federal do Maranhão; interessess:
nhar e ecologia; correspondência em ria civil; interesses: desenho, leitura, cantar, dar estudos bíblicos, viajar e lei-
português, inglês ou espanhol. Ende- música e trabalhar no computador; cor- tura; correspondência em português. En-
reço: Viela Sete 20, Jd. Paulista; 19500- respondência em inglês. Endereço: dereço: Rua Damar do Desterro 90; Fati-
000 Martinópolis, SP; BRASIL. E-mail: JKUAT; P.O. Box 62000; Nairobi; QUÊ- ma; 65030-390 São Luis, MA; BRASIL.
colmeiaja@bol.com.br NIA. E-mail: eokumbe@jkuat.ac.ke Beth C. Relos: 25; solteira; com di-
Larisa Navrichevska: 46; divorciada; Rogério Izaul Ramos de Oliveira: 28; ploma em administração de empresa da
completando um diploma em instrução solteiro; biologista, fazendo pesquisa em Gregorio Araneta University Founda-
de dança; interesses: leitura, ouvir músi- grupo sobre surdez na Universidade de tion; interesses: caminhadas, comer, es-
ca, ginástica e fazer tricô; correspondên- Campinas; interessess: linguagem por si- portes e fazer novos amigos; correspon-
cia em russo, ucraniano ou inglês. Ende- nais, esportes, e colecionar cartões de te- dência em inglês ou tagalog. Endereço:
reço: vul. Fevraljska 229-19; Melitopol lefone; correspondência em português, 1142 Bambi Ave, Tanada Subd; Valen-
72316; UCRÂNIA. espanhol, inglês ou alemão. Endereço: zuela City; 1440 FILIPINAS.
Adair Sérgio Nazareth: 26; solteiro; Rua Natálio Tauhyl 87; 18540-000 Porto José Elías Rivas: 25; solteiro; tem di-
estudando para obter diploma em mate- Feliz, SP; BRASIL. ploma em comércio; interesses: doutri-
mática; interesses: fazer novos amigos, Ogalo Stephen Omondi: 28; solteiro; nas bíblicas, literatura e línguas; corres-
colecionar cartões de telefone e literatu- completou um diploma em engenharia pondência em espanhol ou inglês. Ende-
ra religiosa; correspondência em portu- civil na Jomo Kenyatta University of reço: Urbanización Cleofe Andrades (Los
guês, inglês ou espanhol. Endereço: Es- Agriculture and Technology; interesses: Cerrajones), Sector 1, Casa 22; Barquisi-
trada de Itapecerica 5859; Bairro Capão música evangélica, trocar cartões pos- meto, Estado Lara; VENEZUELA. E-mail:
Redondo; 05858-001 São Paulo, SP; BRA- tais, fotografia e aventura; correspon- jera0@starmedia.com
SIL. E-mail: 9806792@lai.iae-sp.br dência em inglês ou kiswahili. Endereço: Nelly Rivera: 23; solteira; concluin-
Milagros Novas: 25; solteira; estuda P.O. Box 30670; 00100 Nairobi; QUÊ- do estudos para diploma em engenha-
ciências sociais em uma escola adventis- NIA. E-mail: stephenongalo@avu.org ria de sistemas na Universidad Tecno-
ta na República Dominicana; interesses: Denisse R. Ortega: 23; solteira; estu- logica de El Salvador; interesses: cantar
leitura, música e colecionar cartões pos- dante; interesses: viajar, aprender outras música cristã num sexteto, medicina
tais e moedas; correspondência em espa- línguas, vegetarianismo e fazer novos natural e ar livre no campo; correspon-
nhol. E-mail: madenovas@hotmail.com amigos; correspondência em espanhol, dência em espanhol ou inglês. E-mail:
Venance P. Ntiyalundura: 27; soltei- inglês ou sueco. Endereço: Hospitalga- nelly612@latinmail.com
ro; estudando para obter diploma em tan 24 A; 602 27 Norrloping; SUÉCIA. Paula Letícia Rodrigues: 20; solteira;
economia na University of Dar-es-Sala- E-mail: denisse@www.com estudando enfermagem no Centro Uni-
am; interesses: leitura, aprender sobre Carolyn Lhudz Patrick: 22; solteira; versitário Adventista; interesses: acam-
outras culturas, natureza e esportes; cor- estudando para obter diploma em in- par, esportes, música religiosa e animais;
respondência em inglês. Endereço: P.O. glês; passatempos: leitura, colecionar ca- correspondência em português ou espa-

Diálogo 14:1 2002 Inserção39


C
nhol. Endereço: Rua Comandante Car- glês. Endereço: Pob. Guañacagua II; São Paulo, Brasil; interesses: basquete,
los Ruhl 186 A; Vila Solange-Guiamases; Psje. 2, No. 1778; Tarapacá; COLÔM- cozinhar, ler sobre obstetrícia, estabele-
08410-130 São Paulo, SP; BRASIL. BIA. E-mail: mariz@mixmail.com cer amizade com pessoas dinâmicas; cor-
Soribel de la Rosa: 33; solteira; com- Simon Sivakumar: 31; solteiro; com respondência em português ou espa-
pletando estudos para diploma em con- diploma em teologia e mestrado em edu- nhol. E-mail: Rosemarv.adm.iae@iae-
tabilidade e administração; interesses: cação; começando trabalhar como pas- sp.br
leitura, fazer novos amigos, música e to- tor e professor na Índia; interesses: parti- Violy Visto: 40; solteira; professora; in-
car violão; correspondência em espa- lhar o evangelho, viajar e fazer novos teresses: música cristã, acampar, excursão
nhol. Endereço: Calle Apolinar Perdomo amigos; correspondência em inglês. e escrever; correspondência em inglês. En-
6; Barahona; REPÚBLICA DOMICANA. E-mail: simon_ska@usa.net dereço: Royal Valley Adventist Elementary
E-mail: marivaldez14@hotmail.com Iván Smith Palacios: 24; solteiro; es- School; Km. 7, Davao City; FILIPINAS.
Hanillyn A. Roxas: 21; solteira; estu- tudando engenharia civil na Universi- E-mail: bebs51061@email.com
dando para obter diploma em pedago- dad Tecnologica de Panamá; interesses: Mahi L. Waga: 20; solteira; estudando
gia; interessada em esportes; correspon- esportes, aeronaves e aprender sobre ou- para obter diploma em pedagogia e traba-
dência em inglês. Endereço: Nazareth tras culturas; correspondência em espa- lhando como codificadora de computa-
11021 Street; Cagayan de Oro City; 9000 nhol. E-mail: micollan@hotmail.com dor; interesses: esportes, viajar, acampar,
FILIPINAS. Ruth I. Sowder: 40; divorciada; tra- colecionar selos e cartões postais; corres-
Yudelsy Ruiz Osorio: 29; mãe solteira balhando em relatórios médicos numa pondência em inglês. Endereço: 247 Lapaz
com um filho de 6 anos; economista; in- clínica de famíia; interesses: cantar, via- II; Colambog Lapasan, Cagayan de Oro
teresses: poesia, fotografia, atividades da jar; estar ao ar livre e fazer novos ami- City; 9000 FILIPINAS.
igreja e fazer novos amigos; correspon- gos; correspondência em inglês ou espa- E-mail: www.mahiwaga@e-mailpinoy.com
dência em espanhol. Endereço: Calle 90, nhol. Endereço: 1133 South Little Creek Danny Hernán Zambrano: 23; soltei-
No5, entre 95 y 86; Rpto. Edificios; Ma- Rd., Lot 43; Dover, DE 19901; EUA. ro; completando estudos para diploma
natí, Las Tunas; 77100 CUBA. E-mail: Idalmi2me@aol.com em engenharia mecânica no Peru; inte-
Atta K. Samuel: 26; solteiro; estu- Cryton Tambala: 30; solteiro; estu- resses: acampar, música, futebol e dese-
dando para ser professor; passatempos: dando para obter diploma em pedago- nho; correspondência em espanhol.
leitura, música e trocar idéias; corres- gia; passatempos: música, leitura da Bí- E-mail: dannyhernanz@latinmail.com
pondência em inglês. Endereço: S.D.A. blia, excursão e levantar peso; corres-
Training College; P.O. Box 18; Asokore- pondência em inglês. Endereço: P.O. Box
Koforidua, Eastern Region; GANA. 49; Domasi; MALAUÍ.
Kyei Adoma Samuel: 26; solteiro; E-mail: crytontambala@operamail.com
procurando obter diploma em psicolo- Manuel Daniel Tapia: 25; solteiro;
gia educacional na University of Cape colportor evangelista; interesses: parti-
Coast; passatempos: fazer apresentaçães lhar minha fé e encorajar outros a co-
na rádio, música, ler revistas e tênis de nhecer Jesus ; correspondência em es-
mesa; correspondência em inglês ou panhol. Endereço: Avenida Azolas
akan. Endereço: Mail Box 857; Sunyani, 1112; Arica; CHILE. Se você é universitário ou profissional ad-
Blale; GANA. E-mail: m_tapia_espinal@hotmail.com ventista e quer ter seu nome alistado aqui,
Rosa Maria Silva Santos: 35; soltei- Virgínia Tavares: 32; solteira; leciona envie-nos seu nome e endereço postal, in-
ra; completou estudos em enfermagem inglês no Colegio Adventista de Salva- dicando sua idade, sexo, estado civil, estu-
e educação física; serviu como missio- dor, planejando estudar direito; interes- dos correntes ou diploma obtido, faculda-
nária na África; agora trabalhando no ses: línguas estrangeiras, esportes, viajar de ou universidade que está freqüentando
Hospital Adventista Silvestre; interes- e música; correspondência em portugu- ou da qual graduou-se, passatempos ou in-
ses: música cristã, esportes, viajar e co- ês, inglês ou espanhol. Endereço: Rua teresses e língua(s) nas quais quer corres-
municação com pessoas de outras cul- Afonso Sertão 26, 2 o. Andar; Ribeira; ponder. (Vamos indicar seu endereço no
turas; correspondência em português 40420-220 Salvador, BA; BRASIL. E- “e-mail”, se no-lo fornecer.) Envie sua carta
ou inglês. Endereço: Rua Fortuna 23, mail: virginiamaria.tavares@bol.com.br a Dialogue Interchange: 12501 Old Colum-
Apto. 202; Rio Comprido; 20251-061 Arleen Toledanes: 29; solteira; pro- bia Pike; Silver Spring, MD 20904-6600;
Rio de Janeiro, RJ; BRASIL. fessora; passatempos: voleibol, cozinhar, EUA. Você pode também usar e-mail:
E-mail: rosantos@justicemail.com natação e música religosa; correspon- 104472.1154@compuserve.com Por fa-
ou rosamariasilva@yahoo.com dência em filipino ou inglês. Endereço: vor, datilografe ou use letra de imprensa
Damaris Santos Zimmermann: 25; c/o Royal Valley Adventist Elementary clara. Só alistaremos aqueles que fornece-
solteira; completando estudos para di- School; Km. 7 Bangkal; Davao City; FILI- rem toda informação pedida acima. A revis-
ploma em direito na Universidad de PINAS. E-mail: ar10114@yahoo.com
ta não assume responsabilidade pela exati-
Tarapacá; interesses: leitura, viajar, Rosemary Vieira: 20; solteira; estu-
dão da informação dada ou pelo conteúdo
música cristã e fazer novos amigos; dando para obter diploma em enferma-
da correspondência que possa resultar.
correspondência em espanhol ou in- gem no Centro Universitário Adventista,

Inserção D
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