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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE – UFS

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA – CCET


NÚCLEO DE ENGENHARIA DE PETROLEO -NUPETRO

JOAB MATOS BRAZ

JOÃO RODRIGO SANTOS MELO

São Cristovão,

08 de março de 2018
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE – UFS
CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA – CCET
NÚCLEO DE ENGENHARIA DE PETROLEO -NUPETRO

TRABALHO DE MECÂNICA DAS ROCHAS

JOAB MATOS BRAZ

JOÃO RODRIGO SANTOS MELO

Trabalho apresentado no curso

de graduação da Universidade

Federal de Sergipe como requi-

sito para obtenção de nota.

São Cristovão,

08 de março de 2018
Sumário
Introdução 4

2. Objetivos ............................................................................................................................... 5
3. Fundamentação Teórica .................................................................................................... 5
Introdução

A extração de hidrocarbonetos em ambientes cada vez mais severos, como a


exploração de campos em águas profundas, representa um grande desafio à indústria
petrolífera. A busca da viabilidade econômica da produção dessas reservas tem impulsionado o
desenvolvimento de novas tecnologias capazes de garantir sua exploração comercial. Entre
essas novas tecnologias, a perfuração de poços direcionais apresenta-se como uma solução
bastante atrativa. Um poço de petróleo é perfurado em fases, sendo cada fase determinada pelo
diâmetro da broca ou do alargador que está sendo utilizado na perfuração. O número de fases
depende das características das zonas perfuradas e da profundidade final do poço, sendo,
normalmente de três a quatro fases, podendo chegar a oito em alguns casos. Essas fases são
concluídas com a descida de uma coluna de revestimento e a sua cimentação (THOMAS, 2004).

Os motivos para perfurar em fases e consequentemente a necessidade de revestir são


vários, mas em geral são associados a pressões e tensões existentes no subsolo, e todas aquelas
que são impostas às formações que podem, inclusive, levar à falha da rocha, a essas pressões
dá-se o nome de geopressões.

O objetivo da análise de geopressões é determinar as curvas de sobrecarga, fratura,


pressão de poros e colapso. Com estas curvas, pode-se limitar a janela operacional que definirá
o peso específico do fluido de perfuração e o assentamento de sapatas (acessório colocado na
extremidade do revestimento e serve de guia para a introdução do revestimento no poço). O
peso do fluido de perfuração estará limitado superiormente pela curva de tensão de sobrecarga
e de gradiente de fratura, pois o excesso de peso poderá gerar tensões de tração na rocha e
causar a propagação da fissura com a consequente perda de fluido de perfuração. Por outro
lado, o peso do fluido de perfuração estará limitado inferiormente pela curva de pressão de
colapso e de pressão de poros, pois caso o peso específico do fluido seja menor que o gradiente
de pressão de poros, poderá haver um influxo (kick). O assentamento da sapata do revestimento
está relacionado, dentre outros fatores, à impossibilidade de se obter um peso específico de
fluido que seja menor que o gradiente de fratura e maior que o gradiente de pressão de poros.
2. Objetivos

O objetivo principal deste trabalho é apresentar maneiras usuais de se definir a qual


profundidade deve ser assentada a sapata do revestimento em poços de petróleo a partir de
curvas de geopressões determinadas, avaliando inclusive casos reais de alguns poços perfurados
nas bacias sedimentares brasileiras.

3. Fundamentação Teórica

a. Geopressões

Podem ser entendidas como toda e qualquer pressão ou tensão exercida sobre uma
formação geológica, seja em escala macro ou microscópica. A estimativa das geopressões é uma
das mais importantes etapas durante a elaboração de um projeto de poço. O objetivo da análise
de geopressões é determinar as curvas de sobrecarga, fratura, pressão de poros e colapso. Com
estas curvas, pode-se limitar a janela operacional que definirá o peso específico do fluido de
perfuração e o assentamento de sapatas. O peso do fluido de perfuração estará limitado
superiormente pela tensão de sobrecarga e a curva de gradiente de fratura, pois o excesso de
peso poderá gerar tensões de tração na rocha e causar fissuras com a consequente perda de
fluido de perfuração. Por outro lado, o peso do fluido de perfuração estará limitado
inferiormente pela curva de pressão de colapso inferior e a curva de pressão de poros. O
assentamento da sapata do revestimento está relacionado também com a localização de zonas
de perda de circulação, existência de formações frágeis, existência de aquíferos além da
impossibilidade de se obter um peso específico de fluido que seja menor que o gradiente de
fratura e maior que o gradiente de pressão de poros. No presente trabalho são definidas as
geopressões e são também apresentadas as maneiras usuais de como se determinar a
profundidade de sapatas de revestimentos, são dados também exemplos reais testes de
absorção e janelas operacionais com as devidas

3.1.1 Tensões in situ

As formações existentes em subsuperfície estão submetidas a um estado de tensões


compressivo. Esse estado de tensão é chamado de tensões in situ, sendo formado por três
tensões mutuamente ortogonais entre si, uma vertical e duas horizontais (tensão horizontal
mínima e máxima), acrescentando a essas tensões a pressão de poros. A tensão vertical é
originada devido ao peso das camadas sobrejacentes a um bloco de rocha no subsolo e,
geralmente, é a maior tensão atuante na formação. Dentre as tensões in situ, a tensão vertical
a mais fácil de ser determinada.

b. Gradiente de Pressão

Por definição, gradiente de pressão é a razão entre a pressão e a profundidade,


geralmente referenciada à mesa rotativa da sonda. Entretanto, é muito comum que os
gradientes de pressão sejam expressos em unidade de massa específica, como lb/gal ou
g/cm3, para uma comparação direta com a massa específica do fluido de perfuração.
O gradiente de pressão pode ser calculado a partir da seguinte fórmula:

Onde:

G = gradiente de pressão (lb/gal)


Ph = Pressão hidrostática (psi)
Z = profundidade vertical (m)
C = constante de conversão de unidades (0,1704 psi.gal/ lb.m)

c. Pressão de Poros

A pressão de poros, também conhecida como pressão de formação, é a pressão


que estão submetidos os fluidos contidos nos poros de uma determinada formação. É
muito importante o conhecimento da pressão de poros para se definir o peso do fluido de
perfuração a ser utilizado, já que o fluido de perfuração dentre as suas funções é
responsável pela pressão exercida dentro do poço ou pressão estática, impedindo o fluxo
da formação para o seu interior e garantindo a estabilidade do poço.
Deve-se controlar a pressão que é exercida dentro do poço pelo fluido de
perfuração, pois o desequilíbrio entre a pressão de poros e a pressão dentro do poço pode
causar sérias consequências como influxo descontrolado. Quando a pressão de poros é
maior que a pressão dentro do poço em formações permeáveis, por exemplo, pode ocorrer
um kick e caso não seja controlado, esse kick pode resultar em um blowout. Por outro
lado, se a pressão dentro do poço for muito maior que a pressão de poros pode resultar
em uma prisão de coluna, também conhecido como prisão por pressão diferencial ou
fraturar a formação.
No caso de formações impermeáveis, o diferencial de pressão entre o poço e a
formação não causam kick, mas podem causar outros problemas como instabilidade das
formações que pode levar ao desmoronamento total ou parcial das paredes do poço,
acarretando no aprisionamento da coluna de perfuração.
A pressão de poros é dita normal em uma certa profundidade quando seu valor é igual
ao da pressão exercida por uma coluna hidrostática de fluido equivalente ao peso da água. Nesse
caso, a pressão de poros é em função apenas da altura da coluna de fluido e de sua massa
específica, que irá variar de acordo com a salinidade do fluido.

Anormalmente Baixa Pressão de Poros < Pressão Hidrostática


Normal Pressão de Poros = Pressão Hidrostática

Anormalmente Alta ou Sobrepressão Pressão Hidrostática < Pressão de Poros <


90% da pressão de Sobrecarga
Alta Sobrepressão Pressão de Poros > 90% da Pressão de
Sobrecarga

3.2.1 Estimativa da pressão de poros

Para a estimativa da pressão de poros, temos os métodos diretos, realizados em


formações permeáveis e os métodos indiretos, em formações de baixíssima
permeabilidade. No caso de métodos diretos podem em:
Medições em zonas permeáveis:
 Teste de formação;

 RFT (Repeated Formation Test);

 FPWD (Formation Pressure While Drilling);

 Kicks.

Em formações impermeáveis como folhelhos não se consegue medir a pressão de poros


diretamente, sendo esta pouco conhecida, embora esta possa ser estimada utilizando-se
métodos indiretos, que tem por base a interpretação de parâmetros, como por exemplos, os
perfis elétricos.

A) Teste de formação
Em formações permeáveis, a pressão de poros pode ser medida em alguns casos por
métodos indiretos e também diretamente por meio de testes de formação que é um método de
avaliação das formações equivalente a uma completação provisória feita no poço. Ele consiste
basicamente em isolar o intervalo a ser testado, estabelecer um diferencial de pressão entre a
formação e o interior do poço forçando os fluidos da formação a serem produzidos, promover
períodos intercalados de fluxo e de estática e registrar continuamente as pressões de fundo em
função do tempo durante o teste. Geralmente os testes de formação são feitos após a
perfuração do poço e geralmente levam várias horas e até dias, isso sem contar as várias
manobras para retirar a coluna de perfuração e descer a coluna de teste.

B) RFT (Repeated Formation Test)


O RFT é mais simples que o teste de formação e é feito a cabo durante a perfuração
do poço ou na perfilagem final, o que acelera a operação, reduzindo bastante o tempo de
sonda. Essas características fazem com que esse teste possa ser planejado como uma
espécie de suporte para as estimativas dos gradientes de pressão de poros. Entretanto,
como é feito após a perfuração do poço ou da zona de interesse, seus resultados são
utilizados para confirmar ou não a estimativa de pressão de poros já realizada, sendo de
grande utilidade na previsão de outros poços presentes na mesma área.

C) FPWD (Formation Pressure While Drilling)

Os FPWD são feitos por meio de ferramentas que são descidas na coluna de perfuração.
A grande vantagem é que esses testes são realizados sem grandes perdas de tempo de sonda, e
seu resultado é obtido em tempo real, auxiliando na estimativa da pressão de poros do poço
ainda em perfuração. Desta forma, a utilização da ferramenta de FPWD deve ser planejada nas
situações em que existam incertezas com relação aos valores de pressão de poros previstos.

D) Kicks

Invasão de um poço de petróleo por fluidos da formação que está sendo perfurada, ou
de alguma outra já perfurada, porém não isolada do poço. É um evento indesejável, sempre. A
severidade de um kick, isto é, a dificuldade para controlá-lo, cresce com o aumento da diferença
entre a pressão hidrostática no poço e a pressão de poros da formação e com o aumento do
volume de fluido que invade o poço, o volume ganho.

E) Causas de kicks

Uma das principais funções do fluido de perfuração é exercer pressão hidrostática sobre
as formações a serem perfuradas pela broca. Quando esta pressão for menor que a pressão dos
fluidos confinados nos poros das formações e a formação for permeável, ocorrerá influxo destes
fluidos para o poço. Se este influxo for controlável diz-se que o poço está em kick; se
incontrolável, diz em blowout. Dentre as causas comuns da ocorrência do kick podemos citar:

-Peso (densidade) de lama insuficiente: normalmente por desconhecimento da pressão de


poros das formações. Necessidade de métodos para “avisar” a proximidade e ocorrência
de kicks.

- Abastecimento incorreto do poço durante a manobra (em outras palavras, falta de ataque
durante a retirada da coluna): esta é uma das causas predominantes de kick. Ao se retirar a
coluna de perfuração do poço, o volume de aço retirado deve ser substituído por um
volume equivalente de lama, mantendo a mesma pressão hidrostática no fundo do poço.

- Perda de circulação: perda de fluido para os vazios ou fraturas abertas nas formações (parcial
ou total) e são induzidas por velocidade excessiva de descida da coluna ou por densidade do
fluido muito alta ou ainda por propriedades reológicas do fluido inadequadas.

- Pistoneio (hidráulico ou swabbing): movimentação da coluna para cima, durante as


manobras, provoca uma redução da pressão em todo o poço. Para compensar este efeito, o
fluido deve ter em média densidade 0,3 a 0,5 lb/gal acima do necessário para se opor
à formação (margem de manobra).

- Gás dos cascalhos perfurados: que se expandem à medida que os cascalhos vão subindo pelo
anular (fluido cortado por gás). Isto pode diminuir bastante a densidade do fluido que retorna a
o poço. A redução da pressão no fundo do poço, porém, é normalmente pequena.
3.3. Pressão de Colapso

A pressão de colapso é a pressão que leva à ruptura da rocha por cisalhamento,


sob tensões de compressão. A ruptura por colapso poderá ocorrer tanto devido a um baixo
peso de fluido de perfuração, quanto devido a um peso de fluido excessivo. As
consequências dessas rupturas em termos operacionais irão variar de acordo com o tipo
de rocha. Um caso típico se dá quando a falha da rocha por cisalhamento causa
deformação no diâmetro do poço, aumentando o torque na coluna de perfuração, levando
ao seu aprisionamento. Em outros tipos de formação, a falha por cisalhamento pode levar
ao desmoronamento total ou parcial do poço, com possível aprisionamento da coluna
devido aos cascalhos desmoronados.

3.4. Pressão de Fratura

A pressão de fratura é a pressão que leva à falha da rocha por tração. Da mesma
forma que ocorre o colapso da formação, a fratura pode ocorrer tanto em função da
utilização de um baixo peso de fluido de perfuração, como também em função da
utilização de um alto peso de fluido de perfuração. Na prática, a ocorrência de fratura
superior é muito mais comum do que fratura inferior. As consequências operacionais de
uma falha por fratura são desmoronamentos ou perda de fluido de perfuração para a
formação, conhecida por perda de circulação, respectivamente.

3.4.1. Estimativa da pressão de fratura

A estimativa do gradiente de fratura pode ser feita utilizando medições diretas ou


utilizando técnicas de cálculo baseadas em modelos teóricos ou empíricos (métodos
indiretos).
A medição direta da pressão de fratura é feita geralmente através de testes em que o fluido
de perfuração é pressurizado de maneira controlada dentro do poço. A escolha do tipo
teste vai depender do cenário em que o poço está inserido e nas informações que se deseja
obter, como por exemplo: a pressão de absorção, de quebra ou a tensão mínima. Os
métodos diretos fornecem valores bastante confiáveis, porém alguns são caros, os valores
que esses testes fornecem são pontuais e muitas vezes realizados em formações
específicas, como folhelhos. As companhias que realizam essas medições guardam os
dados em um banco de dados para serem utilizados na calibração pontual de curvas de
gradientes de fratura geradas pelos métodos indiretos.
Com relação aos métodos diretos pode-se citar os seguintes:

 Teste de Absorção Clássico (LOT);

 Teste de Absorção Estendido;

 Teste de Microfraturamento.

A) Teste de Absorção Clássico (LOT)

O leak off test (LOT) é considerado como um método de medição da pressão de


fratura ou teste de absorção. Ele é feito depois que o revestimento é descido e cimentado.
Ele tem como objetivo verificar se o revestimento, o cimento e a formação abaixo da
sapata do revestimento podem suportar a pressão de poço necessária para perfurar até a
profundidade seguinte onde irá ser descido o próximo revestimento.
O LOT é realizado pela pressurização na seção de poço aberto (após a coluna de
revestimento ter sido cimentada, a sapata é rompida e poucos metros da nova formação
são perfurados). A pressão no poço é aumentada pelo bombeio a uma vazão constante,
produzindo uma linha reta em um gráfico de pressão versus volume. O ponto onde a
resposta da pressão começa a se desviar do comportamento linear é definido como o ponto
de absorção (ponto de início da fratura). Normalmente, um LOT é interrompido após esse
instante.
Vale ressaltar que como esse teste é interrompido logo após o ponto de absorção,
a fratura gerada é muito pequena e mesmo que o fechamento da fratura ocorra, a pressão
de fechamento, se usada como estimativa da tensão horizontal mínima, apresentará
valores significativamente mais altos que o valor real.
Sabendo a pressão de absorção, podemos calcular o peso de fluido equivalente na
sapata através da equação a seguir:

Onde:

ρeq= Densidade de fluido equivalente na sapata (lb/gal)

ρm= Peso do fluido de perfuração usado no teste (lb/gal)

PA= Pressão de absorção (psi)

Dsap= Profundidade vertical da sapata (m)

Quando é fixada uma pressão máxima para o teste, podemos chamar de teste de
integridade de formação (FIT), nesse teste a pressurização para assim que é atingida a pressão
máxima estabelecida anteriormente, servindo principalmente para se fazer uma aproximação
da pressão de absorção.

B) Teste de Absorção Estendido

O teste de absorção estendido funciona da mesma maneira que o LOT, citado acima, a
diferença é que é prosseguida a pressurização até que ocorra o primeiro decréscimo de pressão.
Esta pressão é chamada pressão de ruptura ou pressão de quebra da formação. Como pode ser
visto na Figura 3.3, o bombeio continua após o ponto em que se encontra a pressão de absorção.

C) Teste de Microfraturamento
O teste de microfraturamento segue o mesmo formato do teste de absorção
estendido, a diferença é que é continuada a pressurização da formação mesmo após a
quebra da formação. Como se prossegue a pressurização após a quebra da formação,
pode-se observar uma estabilização da pressão, chamada de pressão de propagação da
fratura, após essa estabilização da pressão para-se de pressurizar e é observada a queda
de pressão para que se possa obter a pressão em que ocorre o fechamento da fratura. No
microfraturamento, podemos obter as pressões de absorção, de quebra e de propagação
da fratura.

3.5. Pressão de Sobrecarga


A pressão de sobrecarga é a pressão a uma certa profundidade exercida pelo peso
total das camadas sobrepostas, a pressão de sobrecarga a uma dada profundidade é função
das densidades das camadas sobrejacentes (incluindo rocha e fluidos). Uma vez que essa
pressão não diz respeito somente aos fluidos e atua sobre a matriz da rocha, o uso do
termo tensão de sobrecarga é também utilizado.
Em poços terrestres a pressão de sobrecarga terá também uma participação de um
trecho de ar (trecho da mesa rotativa até o solo), enquanto que nos poços marítimos, tanto
o trecho de ar (trecho da mesa rotativa até o nível do mar) como o da lamina de água é
levado em consideração, entretanto o trecho de ar apresenta um valor muito próximo de
zero e normalmente é desprezado nos cálculos.

3.5.1. Estimativa da pressão de sobrecarga

A determinação do gradiente de sobrecarga é de vital importância para a


estimativa das outras curvas de geopressões, então quanto mais precisa for a sua
determinação mais precisa serão os resultados que serão obtidos da pressão de poros, de
colapso e de fratura.
Como a pressão de sobrecarga é exercida pelo somatório dos pesos das camadas sobrepostas
ao ponto analisado, podemos definir a pressão ou tensão de sobrecarga através da seguinte
fórmula:

σov = Pressão de sobrecarga


ρ (z) = Massa especifica ou densidade das camadas sobrepostas
Z= Profundidade desejada
dz= Variação da profundidade
g= Aceleração da gravidade

Como se pode observar a tensão ou pressão de sobrecarga é definida em função


de três parâmetros, que são a massa especifica, a aceleração da gravidade e a profundidade,
tanto a aceleração da gravidade como a profundidade serão conhecidas, teremos então
que a massa especifica será o único parâmetro desconhecido para se determinar a pressão
de sobrecarga.
Para se determinar a densidade das formações pode-se usar de correlações matemáticas
ou por meio de medições.
No caso das medições temos a testemunhagem e o perfil densidade. No caso da
testemunhagem, que consiste em amostras de rochas da superfície, nós temos uma
medição pontual da densidade, normalmente as amostras tem tamanho de 9,18 ou 27
metros, dependendo da formação é necessário também o ajuste através de correlações
matemáticas. Já o perfil densidade é usado com a finalidade de fornecer as porosidades
das formações por meio da medição de suas densidades. Se estiver disponível o perfil de
densidade em toda a extensão do poço, o cálculo da pressão de sobrecarga se torna bem
mais fácil. O problema no uso desses perfis é que normalmente ele é corrido apenas nas
zonas de interesse, tem grandes imprecisões em poços alargados e está disponível apenas
a partir da profundidade do revestimento de superfície.

3.6. Janela operacional


A janela operacional é um item indispensável em um projeto de poço, é o principal
parâmetro a ser usado na estabilidade de um poço durante a sua perfuração. É a partir da
obtenção da janela operacional que se tem o intervalo permitido para a variação da massa
específica e consequentemente o peso do fluido de perfuração com o principal objetivo
de obter uma perfuração estável e segura com a redução de problemas operacionais
Usualmente, o limite inferior da janela operacional é representado pelo maior
valor da curva do gradiente de pressão de poros e gradiente de colapso. Já o limite superior
é representado pela curva do gradiente de fratura. A massa específica do fluido deve ser
condicionada a promover uma pressão hidrostática de modo a atender cada fase neste
intervalo, não ultrapassando nenhum dos limites citados, para que a perfuração ocorra
estabilizada.
A janela operacional define a profundidade de assentamento das sapatas, pois
mostra os trechos em que um certo peso de fluido é compatível, o que define as
profundidades dos revestimentos, estabelecendo as fases de perfuração do poço. Fazendo
a escolha dos revestimentos e a posição das sapatas é possível fazer o projeto de
cimentação do poço.
As curvas de pressão são obtidas das tensões e pressões presentes no subsolo e daquelas
que são impostas às formações, que podem levar à falha da rocha. São elas: pressão de
sobrecarga, pressão de poros, pressão de colapso e pressão de fratura.
3.7. Revestimentos e sapatas de revestimento

A coluna de revestimento de um poço compreende o comprimento total de tubos de


revestimento com o mesmo diâmetro externo que é descido no poço em uma única
operação. Suas principais funções são segundo Thomas (2004), são:

 Prevenir desmoronamentos de partes do poço;

 Evitar contaminação da água potável dos lençóis freáticos;

 Permitir retorno do fluido de perfuração à superfície;

Impedir migrações de fluidos das formações;

 Sustentar os equipamentos de segurança de cabeça de poço;

 Alojar os equipamentos de elevação artificial;

 Confinar a produção ao interior do poço.

Os revestimentos são classificados em diferentes tipos de acordo com sua função no


poço:

 Revestimento condutor;

 Revestimento de superfície;

 Revestimento intermediário,

 Revestimento de produção;

 Liners.

A) Revestimento condutor

O revestimento condutor é o primeiro revestimento a ser assentado no poço, e é a


partir dele que a perfuração tem início. Esse revestimento tem, dentre outros, o objetivo
de servir como base para equipamentos da cabeça do poço, além de proteger o
revestimento de superfície de processos erosivos.

C) Revestimento de superfície
O revestimento de superfície tem a função de prevenir a erosão das formações
rasas inconsolidadas, além de proteger aquíferos rasos de contaminação.
Usualmente a profundidade de assentamento da sapata desse revestimento é função de
variáveis como a presença de perigos rasos (formações saturadas com hidrocarbonetos ou
aquíferos), da janela operacional etc.

C) Revestimento intermediário

Revestimentos intermediários representam todos os revestimentos assentados


entre o revestimento de superfície e o de produção. Esses revestimentos normalmente são
aplicados em poços que atravessam zonas de sobrepressão, onde mais fases são projetadas
para o poço.
Nesses casos é necessário o assentamento do revestimento como forma a proteger a região
abaixo das sapatas dos revestimentos anteriores de diferenciais de pressão entre a
formação e o poço. As profundidades de assentamento dependerão do critério de
assentamento aplicado, bem como a janela operacional em questão.

D) Revestimentos de produção

O revestimento de produção é um conjunto de tubos de aços que reveste o poço


até a zona do reservatório, é descido com a finalidade de permitir a produção do poço,
suportando as paredes do poço e possibilitando o isolamento entre os vários intervalos
produtores.

Na figura 1 , temos um esquema de um poço revestido, onde é mostrado a localização de cada


um dos tipos de revestimentos citados.
Figura 1 - Esquema de revestimentos (Fonte: Thomas, 2004)

Juntamente com os revestimentos devem ser também selecionados os acessórios


e centralizadores. Os acessórios são elementos descidos com a coluna de revestimento,
cujas posições devem ser pré-definidas e são indispensáveis para a operação, dentre eles
estão a sapata (guia a coluna de revestimento). A sapata é o primeiro acessório a ser
descido na coluna de revestimento, então a profundidade da sapata é a profundidade final
da fase.

3.8. Profundidade de assentamento de sapatas

Para o desenvolvimento de um projeto de poço é necessário que se determine a


profundidade do assentamento da sapata do revestimento de cada fase do poço.
Toda companhia de petróleo tem seus próprios critérios de assentamento de sapatas que
vem de experiências adquiridas em zonas já conhecidas.
Durante a perfuração de um poço, diferentes problemas podem ser enfrentados,
sendo característicos da profundidade nas quais ocorrem. Problemas como gases rasos,
presença de aquíferos entre outros são típicos de profundidades mais rasas, abrangidas
pelos revestimentos condutores e de superfície. Já para zonas mais profundas, temos as
regiões de sobrepressão, que eleva a possibilidade de ocorrer influxo. Tal fato diminui a
janela operacional do poço, aumentando o número de fases do poço. Para se posicionar a
sapata é necessário conhecer os limites superiores (pressão de fratura e pressão de colapso
superior) os limites inferiores (pressão de poros e pressão de colapso), as formações a
serem atravessadas (tipo de formação, formações problemáticas) e o projeto do poço
(vertical, direcional, horizontal).
É normal se descer um revestimento logo após a perfuração de uma zona
problemática para se minimizar a chance de haver problemas no poço. De qualquer
maneira o poço aberto deve permanecer estável, sendo assim o peso do fluido deve ficar
entre os limites mínimos e máximos.
No caso do revestimento condutor, não existe um critério tão definido para se
determinar a profundidade de assentamento do mesmo. Entretanto, essas profundidades
são relativamente rasas, em torno de 3 a 20 metros para poços terrestres e de 10 a 50
metros abaixo do fundo do mar para poços marítimos. A profundidade de assentamento
do condutor pode ser determinada com o intuito de cobrir uma zona de perda de circulação
e também para sustentar as formações com sedimentos inconsolidados.
No caso do assentamento do revestimento de superfície, geralmente ele é feito
com base na janela operacional e também com base na experiência que se tem na área,
visando por exemplo, proteger aquíferos ou zonas de perda de circulação.
Para se determinar as profundidades onde devem ser assentadas as sapatas dos
revestimentos mais profundos pode-se usar um critério baseado apenas na janela
operacional como também um critério baseado na tolerância ao kick.

3.8.1 Critério de Assentamento Baseado Somente na Janela Operacional

Podemos definir que a profundidade de assentamento depende dos limites da


janela operacional ou também podem ser usadas margens de segurança, essas margens de
segurança variam de companhia para companhia. Para se definir as profundidades de
assentamento utilizando esse critério, conhecida a profundidade final do poço traça-se
uma linha vertical na janela operacional até cruzar o limite superior, onde deve ser
assentada uma sapata de revestimento. A partir desse ponto definido, podemos definir a
profundidade das outras sapatas fazendo o mesmo procedimento, traçando a seta vertical
a partir da profundidade da última sapata.
Figura 2- Exemplo de Assentamento de sapata (Fonte: Rocha et al, 2009)

3.8.2 Critério de Assentamento Baseado na Tolerância ao Kick

Calcula-se a capacidade do influxo de um kick se conseguir fechar o poço com


segurança. Tolerância ao kick é definida como a máxima pressão de poros que ao se tomar
um kick ainda permite o fechamento do poço com segurança, onde segurança é entendido
como não causar fratura em nenhuma formação do poço aberto. A tolerância ao kick
depende da magnitude do influxo, a qual deve ser definida.
O assentamento das sapatas baseado no critério de tolerância ao “kick” leva se dá pela
margem de segurança denominada de margem de pressão de poros, dada por

∆ρkt= tolerância ao “kick” (lb/gal)


ρkt = pressão de poros equivalente mais provável
(lb/gal)

Existem duas maneiras de se determinar à profundidade de assentamento da sapata com


base na tolerância ao kick:
 De Cima para baixo;

 De baixo para cima.

A) Assentamento de Cima para Baixo:


No assentamento de cima para baixo, temos como dado o início da fase e
procuramos determinar a máxima profundidade que a fase pode atingir, além de calcular
a tolerância ao kick, quando a tolerância ao kick atingir um valor igual ou menos do que
a margem estabelecida uma sapata deve ser assentada (algumas empresas adotam 0,5
lb/gal como nível de segurança, ou seja, a diferença entre a tolerância ao kick e a pressão
de poros estimada deve estar acima deste valor para que a perfuração prossiga com
segurança). Essa metodologia leva a comprimentos de revestimento longos e
normalmente mais caros, em certos casos pode diminuir o número de fase do poço, mas
permite o poço prosseguir em condições seguras caso necessário.
Calcula-se ρkt (tolerância ao kick) “De Cima pra Baixo” variando-se a profundidade do
poço com base na seguinte equação:
Onde:

Figura 3 - Exemplo de Assentamento de cima para baixo baseado na tolerância ao kick

Onde:

ρm = massa específica do fluido de perfuração (lb/gal);


ρfr = pressão de fratura equivalente mais provável (lb/gal);
ρk = massa específica do fluido invasor (lb/gal);
Hk = altura do fluido invasor no anular (m);
Dsap = profundidade da sapata do último revestimento (m);
D = profundidade do poço (m).

A profundidade de assentamento da sapata é determinada onde a diferença entre


a tolerância ao kick e a pressão de poros equivalente mais provável fica menor que a
margem de pressão de poros kt.

4. Metodologia

A metodologia adotada no presente trabalho caracteriza-se por dois projetos de


sapatas para o poço, sendo que no Projeto 1 deve ser levado em consideração o critério
de assentamento de sapatas com base na janela operacional considerando uma margem
de segurança de 0,5 lb/gal e com assentamento de baixo para cima. Enquanto que no
Projeto 2, o projeto deve ser realizado com base na tolerância ao kick com assentamento
de cima para baixo. Iremos definir o BOP que será utilizado na perfuração do poço
levando em consideração no Projeto 1 o máximo gradiente de poros e no Projeto 2 o
gradiente de fratura da formação mais fraca, adotando nos dois casos uma margem de
segurança de 0,5 lb/gal e o peso de fluido de perfuração adequado para ser utilizado em
cada fase do poço nos dois projetos.

4. Resultados e Discussões

Gráfico (5) Projeto 2 – Solução para o traçado de Trend


Gradiente(lb/gal)
5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
500
800
1100
1400
1700
2000
2300
2600
2900
3200
3500
3800
4100
4400
4700
5000

Gradiente de Poros Gradiente de Fratura Série1

Gráfico (1) de gradiente (lb/gal) x Profundidade (Janela Operacional)

K
0 0,2 0,4 0,6 0,8 1
0
500
1000
1500
2000
K
2500
3000
3500
4000
4500

Gráfico (2) de k x Profundidade(m)


Gráfico (3) Projeto 1 – Assentamento da sapata com Base na Janela operacional

Profundidade (m) Diâmetro da Fase Diâmetro do Revestimento


1250 36” 30”
1750 26” 20”
2450 17 ½” 13 3/8”
3700 12 ¼” 9 5/8”
4700 8 ½” 7”

Tabela (1) de profundidade de assentamento da sapata.

CUST0 METRICO
FASE PROF. D.FASE D.REV DURAÇÃO(DIAS) CUSTO(US$)
(U$/M)
0 1250 36” 30’’
1 1750 26” 20” $ 1.168.200,00
2 2450 17 ½” 13 3/8” $ 1.789.200,00
3 3700 12 ¼” 9 5/8” 50 6.397.559.72 $ 1.245.600,00
4 4700 8 ½” 7” 60 6.436.726,45 $ 1.014.400,00
Tabela (2) de custo baseado no projeto
Gráfico (4) Projeto 2 – Assentamento da sapata com Base na Janela operacional

Profundidade (m) Broca Revestimento


1250 36” 30”
1600 26” 20”
2600 17 ½” 13 3/8”
3800 12 ¼” 9 5/8”
4700 8 ½” 7”

Tabela 2- Dados de assentamento de sapata com base na tolerância ao kick

Gráfico 5 – Controle de Poço


6 - DADOS GERAIS DE PROJETO

Dados:
 Lâmina d’água: 1 175 metros;
 Profundidade final: 4 700 m;
 Air gap: 25 metros;
 Gradiente normal da formação: considere um valor da faixa de 8,5 a 9,0
lb/gal;
 Valores de Leak off Test para a área são: 11,1 lb/gal a 2 000 metros, 12,1
lb/gal a 3 000 metros e 15,4 lb/gal a 4 000 metros;
 Dados de kick dos poços de correlação: Profundidade de ocorrência
(4100m); SIDPP (643 psi) e fluido de perfuração 11,5 lb/gal;
 Altura do kick: 95 m;

 Densidade do fluido invasor: 2 lb/gal;

 Tolerância ao kick diferencial mínima: 0,5 lb/gal;

FASE PROF. D.FASE D.REV DURAÇÃO(DIAS) CUSTO(US$)


0 1250 36” 30’’

1 1600 26” 20”

2 2600 17 ½” 13 3/8”

3 3800 12 ¼” 9 5/8” 50 6.397.559.72

4 4700 8 ½” 7” 60 6.436.726,45

FASE III - 12 1/4 pol

de 2600 até 3800 m

3.2 - Montar coluna a critério do Técnico Direcional com Motor de Fundo e MWD e perfurar com
broca 12 1/4", até a profundidade final da fase prevista para 3800 metros, dentro da Formação ?.
Obs.:
1) Reforçar o procedimento de nivelamento da sonda no momento da reentrada no poço e
monitorar essa condição periodicamente ao longo das operações no poço.
2) Fazer utilização da bucha de desgaste e monitorar periodicamente o estado da mesma (a cada
manobra para troca de broca nas fases de 12 1/4" e 8 1/2" e nos testes de 21 dias do ESCP
providenciando a substituição da mesma caso apresente desgaste acentuado)

3.3 O Fluido de Perfuração será do tipo Sintético ;


3.4 As perdas de fluido para a formação durante toda a perfuração da fase, deverão ser
relatadas mencionando a quantidade de fluido perdida e o intervalo onde ocorreu a perda.
Observar se o volume de cascalho produzido no poço é compatível com a taxa de
penetração.
3.5 Recolher amostras de calha de 3 em 3 m até o final da fase.
3.6 Atingida a profundidade final da fase, condicionar o poço e o fluido para a perfilagem
intermediária (condicionada à ocorrência de indício de hidrocarboneto), e para a descida do
revestimento 9 5/8”.
3.7 Descer e cimentar o revestimento de 9 5/8”, conforme programa em anexo.
É extremamente importante o bom condicionamento (redução da reologia) do fluido de
perfuração com vistas à boa qualidade da cimentação do revestimento, mesmo envolvendo uma
demanda de tempo de sonda superior ao convencional, dada sua importância no atendimento
dos objetivos de perfuração da fase seguinte.
3.8 Após a ancoragem do revestimento 9 5/8”, instalar BOP 13 5/8” x 10000 psi, e testar de
acordo com recomendações em anexo.
3.12 Testar linhas, fechar BOP, e bombear através do tubo de perfuração com vazão
constante entre 1/4 e 1/2 bpm, até a pressão de teste do revestimento (5000 psi), e aguardar
10 minutos, para checar a existência de vazamentos.
Aliviar a pressão, e registrar o volume injetado e o retornado.
3.13 Se as operações de descida e cimentação do revestimento, tiverem sido normais, e não
houver nenhum outro impedimento, por exemplo, a previsão de baixa taxa de penetração no
início da fase seguinte, a coluna descida para iniciar a fase, já poderá ser estabilizada, conforme
orientação do Técnico Direcional responsável.
3.14 Cortar colar, cimento, sapata, e lavar poço aberto.

FASE IV - 8 1/2 pol

de 3800 até 4700 m

4.1 Perfurar 10 metros, circular para homogeneizar fluido e efetuar teste de absorção,
servindo também para verificar a estanqueidade da cimentação do revestimento de 9 5/8”,
(seguindo os procedimentos descritos em anexo), até a pressão de absorção.
Em caso de fratura da formação, aguardar aproximadamente meia hora e testar
novamente com uma pressão 0,5 lb/gal inferior àquela que ocasionou a fratura. Caso a tentativa
seja insatisfatória efetuar cimentação à compressão e repetir o teste observando o limite de 0,5
lb/gal.
GRÁFICO DE TOLERÂNCIA AO KICK DO POÇO – FASE DE 8 ½”

4.2 Prosseguir perfuração com broca de 8 1/2" até a profundidade final, prevista para 4700
metros. Os BHA’s e os parâmetros estarão a critério do Técnico Direcional.
Atenção para a importância do uso trip tanque, durante as manobras (curtas ou longas), como
prevenção no controle dos fluidos do poço.
4.3 Programação de Brocas e Parâmetros:

Dia(p IADC ENT( SAIDA( TBF(M/H) TXP(M/H) RPM VAZÃO JATOS - PSB
ol) M) M) (GPM) TFA
8 1/2 STINGER 3900 4300 133 3 50 320 8 X 13 40
8 1/2 STINGER 4300 4600 107 2,8 50 320 8 X 13 40
8 1/2 STINGER 4500 4700 100 2,0 50 360 8 X 13 40

OBS 1.: Recomendamos manter na sonda um estoque mínimo de brocas de dente de aço (para
formações duras), para eventualidade de ser necessário trabalhar sobre ferro (1 BR de 12 1/4"
e BR de 8 1/2".
OBS 2.: Devido à baixa taxa de perfuração nesta fase recomendamos instalar magneto na caixa
da peneira para verificar a presença de limalhas de ferro decorrente do trabalho da coluna
contra o revestimento.
4.4 O Fluido de Perfuração será do tipo Sintético;
As perdas de fluido para a formação durante toda a perfuração da fase, deverão ser
relatadas no BDF, mencionando a quantidade de fluido perdida e o intervalo onde
ocorreu a perda.
4.5 Recolher amostras de calha de 3 em 3 metros conforme orientação da geologia.
4.6 Efetuar TESTEMUNHAGEM na Fm. ? Consultar staff da Geologia para
programação.
4.7 Atingida a profundidade final do poço, circular e efetuar manobra curta até a sapata do
revestimento 9 5/8” antes da retirada da coluna para perfilagem final.
NOTA: -Atentar para os cuidados com as circulações, em frente às zonas de interesses, para
minimizar danos no caliper.
4.8 Confirmada a descida do revestimento de produção, muita atenção deve ser dispensada a
um bom condicionamento do Fluido de Perfuração, visando a qualidade da cimentação do
revestimento de produção.
Na coluna de revestimento deve ser instalado tubos curtos, imediatamente acima do
intervalo produtor.
4.9 Um Programa de Completação, Teste ou Abandono, será elaborado após a análise e
interpretação dos perfis.
4.10 Em caso de descida de revestimento ou abandono definitivo do poço, anotar no BDP as
profundidades dos cortes dos revestimentos, os intervalos dos tampões de cimento com seus
respectivos volumes de pasta, cimento e peso específico.

7. PROCEDIMENTOS PARA A REALIZAÇÃO DO TESTE DE ABSORÇÃO

1- Perfurar aproximadamente 5m abaixo da sapata.


2- Circular para limpeza do poço e homogeneização da lama.
3- O teste deve ser feito com a unidade de cimentação, utilizando-se manômetro de precisão
que permita facilmente a leitura de pequenos valores. A broca deve estar posicionada dentro
do revestimento. Antes de conectar a linha da unidade de cimentação na superfície, bombear
lama através da mesma para evitar a presença de ar na linha.
4- Fechar o preventor e bombear lama através da coluna de perfuração ou linha de injeção
com uma vazão constante e igual a do teste de revestimento. Em zonas muitos permeáveis
aumentar a vazão de modo que se tenha uma reta com inclinação semelhante a do teste do
revestimento ou cerca de 3/4 a 1 1/2 bpm.
5- Simultaneamente plotar pressão de injeção X volume bombeado até atingir a pressão de
absorção, isto é até que a curva P x V, perca a linearidade. Se o teste perder a continuidade de
execução devido a paradas por problemas operacionais, aliviar a pressão e recomeçar o teste.
6- Após atingir a pressão de absorção parar as bombas e aguardar cerca de 10 min. ou até que
a pressão se estabilize, escolhendo o que ocorrer primeiro.
7- Aliviar lentamente a pressão e registrar o volume retornado comparando-o com o
bombeado. O alívio brusco de pressão poderá provocar desmoronamento das paredes do
poço.

8. Conclusões
Neste trabalho foram apresentados os tipos de geopressões que formam a janela
operacional, que é de grande importância na elaboração de projetos de poços, pois determina
a variação permitida para a pressão exercida pelo fluido de perfuração dentro do poço, de forma
a manter a perfuração em condições seguras, respeitando as limitações do poço.

9. Referências Bibliográficas

1. CORRÊA, Stefano Gomes Instabilidade Mecânica de Formações Calcareníticas em


Poços de Petróleo/ Stefano Gomes Corrêa - Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) –
Centro Universitário do Norte / Laureate International Universities. Curso de Tecnologia
em Petróleo e Gás, 2011, acessado em março de 2018.
2. PEREIRA, BRUNO CÉSAR MURTA Proposta de uma Metodologia para Estimativa de
Geopressões [Rio de Janeiro] 2007 XII, 120 p. 29,7 cm (COPPE/UFRJ, M.Sc.,
Engenharia Civil, 2007) Dissertação – Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE
3. RAMIREZ P., Paul Richard. Metodologia para determinar as profundidades de
assentamento das Sapatas dos Revestimentos de Poços de Petróleo em Águas Profundas.
Campinas: Faculdade de Engenharia Mecânica, Universidade Estadual de Campinas,
2003. 120p. Dissertação (Mestrado), acessado em março de 2018.

4. ROCHA, L. A. S.; AZEVEDO, C. T. Projetos de Poços de Petróleo. 2. ed. Rio de


Janeiro: Interciência, 2009.