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Resenha - Dimensões da Matriz Epistemológica em Estudos Organizacionais: uma

proposição (FARIA, J. H.)

Eziel G. de Oliveira.

De modo geral, a epistemologia é o estudo sistemático das formas como o saber


e o conhecimento científico é produzido, e tem como questão fundamental as relações
que são estabelecidas entre sujeito e o objeto no ato de conhecer.

A partir de uma reflexão científico-filosófica, o trabalho apresenta uma Matriz


Epistemológica para orientar a respeito das principais questões epistêmicas e
metológicas nos estudos organizacionais e em outros campos dentro das ciências
humanas e sociais.

Em um nível pré-epistemológico, onde se encontram diferentes dimensões


epistemológicas, a produção do conhecimento se constitui a partir de dois
condicionamentos ou pólos paradigmáticos que são: (i) o empirismo (realismo), que
defende que o conhecimento resulta apenas da redução do objeto ao pensamento a
partir da experiência; e o (ii) racionalismo (idealismo), que assume a primazia da razão
para representar a realidade, negando a experiência como única fonte do saber.

Em um nível mais sistemático de tratamento epistêmico considera se a


constituição de uma Matriz Epistemológica composta pela diversidade de elementos,
princípios, metodologias ou procedimentos, e pelo amplo aspecto de formas de relações
entre este conjunto de elementos suficientes para o estudo ou investigação de uma
determinada realidade; a partir da qual pode se constituir uma dimensão epistêmica
própria dentro da Matriz Epistêmica, ou seja, dentro de um campo de possibilidades de
formas e de combinações para a produção do conhecimento, seja filosófico, científico,
cultural, ou tecnológico.

Assim, a estrutura da Matriz Epistêmica se compõe de dois aspectos ou


conceitos mais importantes: (i) a Área de Domínio Epistemológico que é formada pela
presença e combinação de certos elementos constitutivos de uma determinada Dimensão
Epistemológica; e por sua vez, esse outro aspecto, a (ii) a Dimensão Epistemológica se
estabelece pela forma como os elementos constitutivos se relacionam ou atuam
particularmente em uma Área Epistemológica. A existência de certos elementos
constitutivos comuns entre diferentes Áreas ou Dimensões de Domínio Epistêmico não
representa que os elementos sejam iguais ou que as Áreas sejam semelhantes, pois os
elementos entram em de um forma específica e com peculiaridades próprias dentro de
cada Espaço Epistêmico.

Propondo se uma classificação dentro da Matriz Epistêmica, são identificadas


seis formas diferentes de relação com o conhecimento, isto é, seis dimensões originárias
entre as formas básicas de como o conhecimento científico é produzido, são elas:

i) o Positivismo, representado por autores como Auguste Comte e Emile


Durkheim, tem como importante característica a busca de identificação
de regularidades na forma como a realidade se manifesta;
ii) o Funcionalismo, representado pelas concepções de autores como
Talcott Parsons e Robert King Merton, defende que os fatos da
realidade social são sempre explicados por determinada função que
exercem no “sistema social” e orientam a ação do indivíduo;
iii) o Estruturalismo, representado por pensadores como Jean Piaget e
Claude Lévi-Strauss, compreende que uma dada realidade social é
formada por um conjunto de partes que são explicadas pelas
representações de suas relações a partir da elaboração de modelos
expositivos;
iv) a Fenomenologia, tem como representação pensadores como Martin
Heidegger e Edmund Husserl, enfatiza a busca pelos elementos
essenciais de um fenômeno social a partir da compreensão de seu
significado para o sujeito;
v) o Materialismo Histórico, representado fundamentalmente pelas
concepções de Karl Marx, a partir de uma ontologia do trabalho
enfatiza as determinações do processo de desenvolvimento histórico
das relações sociais de produção para investigar os fenômenos da
realidade social;
vi) e Pragmatismo, representado por John Dewey e William James,
defende sempre a validação do conhecimento a partir da consideração
de sua utilidade para a experiência na vida prática.

Apesar da consideração das concepções gerais, cada uma das seis Dimensões
Epistemológicas é caracterizada pelas particularidades das relações entre seus próprios
elementos constitutivos que são estabelecidos fundamentalmente com base em seus
pressupostos sobre a concepção da produção do conhecimento e do método de
investigação.

Outra questão importante a se considerar é que cada uma das seis Dimensões
Epistemológicas apresentadas por Faria (2014), possuem desdobramentos ou o
desenvolvimento de Sub-Dimensões epistemológicas a partir de propostas de síntese ou
de novas combinações de elementos constitutivos, que podem até mesmo resultar em
recursos epistemológicos bidimensionais.

Não obstante, é fundamental a constante vigilância da adequação da composição


epistêmica por parte do pesquisador ou cientista, pois é partir deste parâmetro que se
pode estabelecer a coerência de dialogo e de uso entre teorias e entre as ciências, por
isso não se deve utilizar conceitos sobrepondo elementos constitutivos de uma dimensão
em outra.

Referência:

FARIA, J. H. Dimensões da Matriz Epistemológica em Estudos Organizacionais: uma


proposição. Curitiba: EPPEO, 2014.