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■ Identificar as principais características geométricas de superfícies planas.

■ Calcular as principais características geométricas de superfícies planas.


■ Mostrar a importância da utilização de sistemas de coordenadas.

Os elementos estruturais, quando são utilizados para compor estruturas, estarão sujeitos a diferentes tipos
de solicitações. Para cada uma das solicitações atuantes, existirá uma forma e dimensões ideais para cada
elemento estrutural, que permitirá resistir adequadamente à solicitação que está sendo imposta. Como
identificar a forma e as dimensões ideais é um problema de engenharia de grande responsabilidade,
envolve critérios de segurança e estética estrutural, bem como o fator econômico relacionado com a
execução da estrutura.

Problema 2.1
Quais são as posições e dimensões ideais de uma viga de madeira de seção retangular, que irá compor uma estrutura (Figura 2.1)?

Figura 2.1 Viga retangular de madeira. Foto: © Roman Milert | Dreamstime.com.

Solução
A melhor posição para a viga de madeira depende de fatores como a distribuição da geometria estrutural, tipos de carregamentos,
características mecânicas do material e características geométricas de sua seção transversal. Com essas variáveis, a viga poderia estar em
uma das posições representadas na Figura 2.2.

Figura 2.2 Posições estruturais para uma viga retangular de madeira.

Como visto, entre outros, um dos parâmetros intervenientes no dimensionamento de vigas são as
características geométricas das seções transversais.
O mapa mental é um desenho explicativo sobre os assuntos que serão abordados neste capítulo e a
interligação entre seus principais itens.
Bases das Características Geométricas de Superfícies Planas
Na determinação das características geométricas das superfícies planas, algumas definições são
importantes nesse estudo. Por exemplo, a definição de grandeza física, do campo de estudo da geometria
plana e a importância dos eixos de referência para o cálculo estrutural.

Grandeza física. Todas as características que podem ser quantificadas, como: área, comprimento,
massa, peso, temperatura, volume etc. Elas descrevem qualitativa e quantitativamente as relações entre
as propriedades analisadas.
Geometria plana. Parte da matemática que estuda as figuras que não possuem volume, ou seja, o plano
é uma parte, um subconjunto, do espaço tridimensional. Os objetos primitivos do ponto de vista plano
são: pontos, retas, segmentos de retas, curvas e ângulos.
Características geométricas de superfícies planas. Aquelas inerentes às formas e dimensões das
seções transversais das peças estruturais, compreendendo polígonos e figuras compostas por curvas. O
polígono é uma figura plana formada por três ou mais segmentos de reta que se interceptam dois a dois.
Os segmentos de reta são denominados lados do polígono. Os pontos de interseção dos segmentos de
reta são chamados vértices do polígono. As características geométricas de superfícies planas influenciam
diretamente as tensões e deformações das peças estruturais. Sua determinação exata é fator de extrema
importância no cálculo estrutural, e o erro em sua determinação poderá conduzir o elemento estrutural à
ruina e a estrutura ao possível colapso.
A Figura 2.3 apresenta exemplos seções transversais de barras de aço e a Figura 2.4 um exemplo de
seção transversal de uma barra de alumínio.

Figura 2.3 (a) Tubos e (b) perfis I. Fotos: (a) © Minipig5188 | Dreamstime.com e (b) © View7 | Dreamstime.com.

Figura 2.4 Seção do perfil de alumínio. Foto: © Bogdan Hoda | Dreamstime.com.


Figura primitiva. São as figuras conceituais, isto é, aquelas cujas características geométricas fazem
parte das definições básicas das construções geométricas, como, por exemplo, o quadrado, retângulo,
triângulo, trapézio e o círculo.
Eixos de referência ou eixos referenciais. Eixos utilizados no cálculo estrutural, para a identificação
exata da seção transversal ao longo do comprimento da barra, bem como da posição nessa seção
transversal, que será realizada a análise estrutural. Os eixos de referência servem, também, para a
parametrização dos esforços internos solicitantes. Os eixos de referência estão relacionados a
determinado sistema de coordenadas, escolhido conforme a conveniência de cada tipo de estrutura.
Sistema de coordenadas. Compostos por medidas lineares e/ou angulares, que identificam um local
específico de uma estrutura. Os sistemas de coordenadas mais comuns são:
■ Sistema unidimensional de coordenadas ou sistema de coordenadas linear (possui um eixo e
um ponto de origem, com medidas lineares variáveis).
■ Sistema bidimensional de coordenadas é subdividido em:
□ Sistema de coordenadas retangulares (possui dois eixos perpendiculares e um ponto de
origem, com duas medidas lineares variáveis).
□ Sistema de coordenadas oblíquas (possui dois eixos oblíquos e um ponto de origem, com duas
medidas lineares variáveis).
□ Sistema de coordenadas polares (possui um ponto de origem, com uma medida linear variável
e uma medida angular variável).
■ Sistema tridimensional de coordenadas é subdividido em:
□ Sistema de coordenadas retangulares tridimensional (possui três eixos perpendiculares e um
ponto de origem, com três medidas lineares variáveis).
□ Sistema de coordenadas oblíquas tridimensional (possui três eixos oblíquos e um ponto de
origem, com três medidas lineares variáveis).
□ Sistema de coordenadas cilíndricas (possui um eixo e um ponto de origem, com uma medida
linear variável e duas medidas angulares variáveis).
□ Sistema de coordenadas esféricas (possui um eixo e um ponto de origem, com uma medida
linear constante e duas medidas angulares variáveis).

Os sistemas de coordenadas, ainda, podem ser classificados em:


■ Sistema global. Quando cada barra tem seu início e término definidos em relação a um único
sistema referencial para toda a estrutura.
■ Sistema local. Quando cada barra tem o seu próprio sistema referencial, cuja origem está em uma
de suas extremidades e o término na extremidade oposta.

A Figura 2.5 apresenta a usinagem de uma barra utilizando um sistema tridimensional de


coordenadas.
Figura 2.5 Medidas na barra. Foto: © Sarra22 | Dreamstime.com.

A Figura 2.6 apresenta a forma de alguns sistemas de coordenadas.

Figura 2.6 (a) Sistema bidimensional de coordenadas retangulares. (b) Sistema tridimensional de coordenadas
retangulares. (c) Sistema tridimensional de coordenadas esféricas. Fotos: (a) © Radub85 | Dreamstime.com. (b) ©
Pixbox | Dreamstime.com. (c) © Sgame | Dreamstime.com.

As principais características geométricas das superfícies planas utilizadas em Resistência dos Materiais são: área, momento estático de área,
centro de gravidade, momento de inércia, módulo resistente elástico e raio de giração.

Área. Grandeza física que representa a quantidade de superfície de uma região. Sua dimensão é a
unidade de comprimento elevada ao quadrado.

Símbolo da área. A área será representada pela letra latina maiúscula A.


Eixos referenciais da seção transversal. Esses eixos serão nomeados Y (vertical) e Z (horizontal).
Eixo referencial longitudinal. Esse eixo será nomeado X.
A área de uma superfície plana pode ser obtida a partir da somatória de todas as áreas de figuras
elementares de sua composição. A Figura 2.7 é uma superfície em T, cuja área pode ser calculada pela
somatória de dois retângulos, obtidos de sua segmentação nessas figuras primitivas. Os eixos Y e Z são
os eixos de referência da seção transversal e o eixo X, o eixo longitudinal.
A expressão matemática representativa da área da superfície é:

A = Σ ΔAi ... (2.1)


Exemplo E2.1

Determine o valor da área da superfície em T apresentada na Figura 2.7.

Figura 2.7 Superfície em T segmentada em figuras primitivas para a obtenção de sua área.

Solução:
Utilizando a expressão (2.1) para obter a área da superfície em T apresentada na Figura 2.7, tem-se:

A = [ (60 + 10 + 60) × (10) ] + [ (10) × (100) ] = 2.300 cm2 ... (1) resultado da área da Figura 2.7.

É muito importante prestar atenção nas unidades do desenho da seção transversal. Em geral, elas estão em centímetros (cm) ou em
milímetros (mm).

Algumas barras vêm prontas de fábrica, como no caso de concreto pré-moldado e perfis de aço. Nesse caso, geralmente, o fabricante
apresenta uma tabela com as características geométricas do produto comercializado. No caso de estruturas metálicas compostas, ou peças
de concreto moldadas in loco, é necessário calcular todas suas características geométricas.

Momento estático de superfície plana, ou momento estático de área, ou momento primeiro de área.
Uma grandeza física que representa o produto da área pela distância de seu centro de gravidade até o
eixo de referência. Sua dimensão é a unidade de comprimento elevada ao cubo.
Símbolo de momento estático. O momento estático será representado pelas letras latinas maiúscula e
minúscula Ms.
O momento estático da área de uma superfície plana é definido como a somatória de todos os
momentos estáticos das áreas das figuras elementares de sua composição. A expressão matemática
representativa do momento estático de uma área é:

Ms = Σ Msi = Σ Ai di ... (2.2)

Observação: Para o momento estático em relação ao eixo Z a distância é em relação ao eixo Y (dY):

MsZ = Σ Ai dYi

Para o momento estático em relação ao eixo Y a distância é em relação ao eixo Z (dZ):

MsY = Σ Ai dZi

Centro de gravidade de superfície plana. Uma grandeza física definida pelo encontro de todos os
eixos de gravidade da superfície plana. Esta posição em um plano parametrizado por dois eixos
ortogonais é dada por um par ordenado. Sua dimensão é a unidade de comprimento.

Símbolo de centro de gravidade de superfície plana. O centro de gravidade será representado pelas
letras latinas maiúsculas CG. Sendo os eixos de referência dos planos denominados Y e Z, a posição do
centro de gravidade é dada pelos pontos ZCG e YCG. Os eixos que passam pelo centro de gravidade da
superfície plana serão denominados Y1 e Z1.
A posição do centro de gravidade de uma superfície plana é definida como a somatória de todos os
momentos estáticos das áreas de figuras elementares de sua composição dividida pela área total da
superfície plana. As expressões matemáticas representativas da posição do centro de gravidade da
superfície plana referendada por eixos ortogonais Y e Z são as expressões (2.3) e (2.4). A posição do
centro de gravidade da figura plana é dada pelo par ordenado apresentado na expressão matemática (2.5).

Determine o valor do momento estático da área da superfície em T apresentada na Figura 2.7, em relação
aos eixos referenciais Y e Z.

Solução:
A posição do centro de gravidade das figuras primitivas componentes da Figura 2.7 é apresentada na
Figura 2.8.

Figura 2.8 Posição do centro de gravidade das figuras primitivas componentes da Figura 2.7.
Utilizando a expressão (2.2), para obtenção do momento estático da área da Figura 2.7 em
relação ao eixo Y, tem-se: MsY = 0.

Observação: Nessa superfície não existe distância (dZ) entre a posição do centro de gravidade da figura
primitiva 1 (CG1) e do centro de gravidade da figura primitiva 2 (CG2) em relação ao eixo referencial Y.
Isso ocorreu porque os eixos de simetrias das figuras 1 e 2 coincidem com o eixo Y adotado.
Utilizando a expressão (2.2), para obtenção do momento estático da área da Figura 2.7 em relação
ao eixo Z, tem-se:

MsZ = [ (60 + 10 + 60) × (10) ] × [10/2 + 100] + [ (10) × (100) ] × [100/2] = 186.500 cm3 ... (1)
resultado do momento estático em relação ao eixo Z da Figura 2.7.

Determine a posição do centro de gravidade da área da seção T apresentada na Figura 2.7.

Solução:
A posição do centro de gravidade é determinada pelas expressões (2.3) e (2.4):

Então, o centro de gravidade da superfície em T da Figura 2.7, em relação aos eixos referenciais Y e
Z, é dado pelo par ordenado, na unidade de centímetros:

CG (0; 81,09) ... (3) par ordenado da posição do centro de gravidade da Figura 2.7.

Inércia. Propriedade de um corpo continuar em determinado estado de repouso ou de movimento até ser
modificado por uma força.
Momento de inércia de superfícies planas ou momento segundo de área. Grandeza física definida
pelo produto da área pelo quadrado da distância até o referencial. O momento de inércia avalia a
distribuição da massa de um corpo. Sua dimensão é a unidade de comprimento elevada à quarta.

Símbolo do momento de inércia. O momento de inércia de uma área será representado pela letra latina
maiúscula I. Sendo os eixos de referência do plano denominados Y e Z, o momento de inércia em relação
aos eixos são, respectivamente, IY e IZ. Se for em relação a um polo, será representado como I0.
Eixos que passam pelo centro de gravidade. Esses eixos serão nomeados X1 (longitudinal), Y1(vertical)
e Z1 (horizontal). O momento estático da superfície plana em relação a esses eixos é nulo.
O momento de inércia do retângulo em relação aos eixos Y e Z que passam pelo seu centro de
gravidade (IY1 e IZ1), bem como seu momento de inércia polar (I0), são apresentados na Figura 2.9.

Figura 2.9 Momentos de inércia de uma superfície retangular em relação aos eixos que passam pelo seu centro de
gravidade.

Na Figura 2.10 foi traçado um eixo Z paralelo ao eixo Z1, que passa pelo centro de gravidade da área A.
A distância entre esses dois eixos é dy. O momento de inércia da área A em relação ao eixo Z é dado pela
expressão (2.9).

IZ = IZ1 + A(dy)2 ... (2.9)

Figura 2.10 Momento de inércia de uma superfície em relação a um eixo paralelo ao eixo que passa pelo seu centro
de gravidade.

Determine o momento de inércia da área da seção T apresentada na Figura 2.7, em relação aos eixos Z1 e
Y1, que passa pelo seu centro de gravidade. A Figura 2.11 apresenta a posição do centro de gravidade da
área da seção T apresentada na Figura 2.7, bem como o centro de gravidade de suas figuras primitivas
componentes.
Figura 2.11 Superfície em T com a posição de seu centro de gravidade (CG).

Solução:
Para calcular os momentos de inércia deve-se utilizar o teorema dos eixos paralelos:

IZ1 = [(130 × 103/12) + (10 × 1003/12)] + [(130 × 10) × (81,09 – 105)2 + (10 × 100) × (81,09 – 50)2]

IZ1 = 844.166,67 + 1.709.782,63 = 2.553.949,30 cm4 ... (1) momento de inércia em relação ao eixo Z1
da Figura 2.11.

IY1 = [ (10 × 1303/12) + (100 × 103/12) ] + [ (130 × 10) × (0)2 + (10 × 100) × (0)2]

IY1 = 1.839.166,67 cm4 … (2) momento de inércia em relação ao eixo Y1 da Figura 2.11.
Módulo Resistente Elástico de Superfícies Planas

Módulo resistente elástico de superfícies planas. Uma grandeza física definida pela razão entre o
momento de inércia e a distância até a fibra mais externa. Sua dimensão é a unidade de comprimento
elevada ao cubo.

Símbolo do módulo resistente elástico de superfícies planas. O módulo resistente elástico de


superfícies planas será representado pela letra latina maiúscula W. Sendo os eixos de referência do plano
que passam pelo CG denominados Y1 e Z1, o módulo resistente elástico em relação aos eixos são,
respectivamente, WY1 e WZ1.
A expressão matemática representativa do módulo resistente elástico de superfícies planas em
relação ao eixo horizontal que passa pelo centro de gravidade da seção transversal é dada pelas
expressões (2.10) e (2.11):

em que:
y1máxsup – distância máxima do eixo z até a superfície externa superior da seção transversal
y1máxinf – distância máxima do eixo z até a superfície externa inferior da seção transversal

Determine o módulo resistente elástico da área da seção T apresentada na Figura 2.7.

Solução:
Para calcular o módulo resistente elástico deve-se utilizar as expressões (2.10) e (2.11):

WZ1sup = 2.553.949,30 / (110 – 81,09) = 88.341,38 cm3 ... (1) módulo resistente elástico superior em
relação ao eixo Z1 da Figura 2.7.

WZ1inf = 2.553.949,30 / 81,09 = 31.495,24 cm3 ... (2) módulo resistente elástico inferior em relação
ao eixo Z1 da Figura 2.7.

Raio de giração de superfícies planas. Uma grandeza física definida pela raiz quadrada da divisão do
momento de inércia pela área da superfície plana. O raio de giração é conceituado como a distância em
relação a um eixo de referência que seria colocada uma área que fosse transformada em uma linha, de
forma que essa linha tivesse o mesmo momento de inércia que a área original em relação a esse eixo de
referência. Sua dimensão é a unidade de comprimento.

Símbolo do raio de giração de superfícies planas. O raio de giração de superfícies planas será
representado pela letra latina minúscula r. Sendo os eixos de referência do plano que passam pelo CG
denominados Y1 e Z1, o raio de giração em relação aos eixos são, respectivamente, rY1 e rZ1. Se for em
relação a um polo será representado como r0.
A expressão matemática representativa do raio de giração de superfícies planas em relação ao eixo
horizontal que passa pelo centro de gravidade da seção transversal é dada por (2.12) e (2.13):

Determine o raio de giração da área da seção T apresentada na Figura 2.7.

Solução:
Para calcular o raio de giração, deve-se utilizar as expressões (2.12) e (2.13):

As tabelas de características geométricas de superfícies planas são úteis para o cálculo dessas grandezas
físicas.

Tabela 2.1 Características geométricas de superfícies planas


A Tabela 2.1 apresenta alguns valores para as figuras primitivas utilizadas neste livro.
Para refletir

Os resultados obtidos para o momento de inércia, módulo resistente elástico e raio de giração dependem do cálculo exato da posição do
centro de gravidade, em relação aos eixos referenciais. Quanto maior o momento de inércia, ou o raio de giração, maior será a resistência da
peça à deformação devido ao carregamento externo. Assim, para um carregamento vertical, que provoca a flexão em uma barra, a peça
estrutural deve ser posicionada para ter como eixo horizontal aquele eixo que passa pelo seu centro de gravidade que tiver o maior
momento de inércia, ou maior raio de giração. Para as barras que somente possuem cargas de compressão, ou de tração, a melhor forma é a
de um cilindro vazado (tubo). Para saber mais, calcule o momento de inércia de uma seção circular maciça e o de outra na forma de um anel,
com a mesma área que a anterior circular maciça.

Determine a posição do centro de gravidade (CG), os momentos de inércia e raios de giração em relação
aos eixos Y1 e Z1 que passam pelo centro de gravidade da superfície apresentada na Figura 2.12.

Figura 2.12 Superfície do Exemplo E2.7.

Solução:
Para se calcular o Centro de Gravidade (CG) da superfície, inicialmente deve ser feita a identificação das
superfícies primitivas componentes da superfície da Figura 2.12, bem como a localização da posição de
seus centros de gravidade.
A Figura 2.12, representa uma seção na forma de um canal invertido. Nela existe um eixo com duas
bandeiras, que representa o eixo de simetria geométrica da superfície. Para calcular as características
geométricas, foram indicados os eixos referenciais Y e Z.
Na figura foram identificadas as posições dos centros de gravidade de duas figuras primitivas
(retângulos 1 e 2), que estão representados na Figura 2.13. Para que as cotas dos centros de gravidade
das figuras primitivas em relação aos eixos referenciais sejam positivas, é sugerido que a figura seja
posicionada no primeiro quadrante.
Os cálculos serão realizados com a utilização de tabelas conceituais sistematizadoras.

Figura 2.13 Divisão da Figura 2.12 em figuras primitivas.

A Figura 2.12 foi segmentada em duas figuras primitivas:


■ figura 1: retângulo real com dimensões 4,00 m × 6,00 m;
■ figura 2: retângulo imaginário com dimensões 2,00 m × 3,00 m.

Observação: O retângulo imaginário terá sua área e momentos de inércia negativos. Como a figura está
no primeiro quadrante, as cotas do retângulo imaginário serão positivas.
A Tabela E2.1 apresenta colunas com valores obtidos da Figura 2.13.

Tabela E2.1 Cálculo do centro de gravidade da Figura 2.13

Figura Ai (m2) ZCGi (m) YCGi (m) MsYi (m3) MsZi (m3)

1 24 2 3 48 72

2 –6 2 1,5 – 12 –9

TOTAL 18 ------- -------- 36 63

ZCG = Σ MsYi / Σ ΔAi = 36/18 = 2,0 m ... (1) posição Z do centro de gravidade da Figura 2.12.

YCG = Σ MsZi / Σ ΔAi = 63/18 = 3,5 m ... (2) posição Y do centro de gravidade da Figura 2.12.

A posição do centro de gravidade da Figura 2.12, observando-se os eixos referenciais da Figura


2.13, é: CG (2,0; 3,5). Na Figura 2.14 estão representados os eixos Y1 e Z1 que passam pelo seu centro de
gravidade e que são, respectivamente, paralelos aos eixos Y e Z.
Figura 2.14 Posição do centro de gravidade.

A Tabela E2.2 apresenta o cálculo dos momentos de inércia da Figura 2.12 em relação aos eixos Y1
e Z1, que passam pelo seu centro de gravidade.

Tabela E2.2 Cálculo dos momentos de inércia da Figura 2.13

Figura Ai Izi Iyi Ai * (dyi)2 Ai * (dzi)2 Iz1i = Izi + (Ai * Iy1i = Iyi + (Ai *
(dyi) )2
(dzi)2)

72,00 32,00 6,00 0 78,00 32,00

cálculo cálculo cálculo cálculo cálculo cálculo


1 24

(4*(6ˆ3))/12 ((4ˆ3)*6)/12 24*((3 – 3,5)ˆ2) 24*((2 – 2)ˆ2) 72 + 6 32 + 0

– 4,50 –2 – 24 0 – 28,50 –2

cálculo cálculo cálculo cálculo cálculo cálculo


2 –6
– (2*(3ˆ3))/12 – ((2ˆ3)* 3)/12 – 6*((1,5 – 3,5) – 6*((2 – 2)ˆ2) – 4,50 – 24 –2–0
ˆ2)

49,50 30,00
TOTAL
m4 m4
Assim:

IZ1 = 49,50 m4 ... (1) momento de inércia em relação ao eixo Z1 da Figura 2.12.

IY1 = 30,00 m4 ... (2) momento de inércia em relação ao eixo Y1 da Figura 2.12.

Os raios de giração são:

Determine a posição do centro de gravidade (CG) e os momentos de inércia em relação aos eixos Y1 e Z1
que passam pelo centro de gravidade da superfície apresentada na Figura 2.15.

Figura 2.15 Peça do Exemplo E2.8.

Solução:
Para se calcular o centro de gravidade (CG) da superfície, inicialmente deve ser feita a separação
das partes componentes da superfície, buscando identificar as figuras geométricas primitivas, onde se
conheça previamente a posição de seus centros de gravidades.
Na Figura 2.15, para calcular as características geométricas, foram indicados na Figura 2.16 os
eixos referenciais Y e Z.
Na Figura 2.15 foram identificadas as posições dos centros de gravidade de três figuras primitivas
(retângulos 1, 2 e 3), que estão representados na Figura 2.16.
Para que as cotas dos centros de gravidade das figuras primitivas em relação aos eixos referenciais
sejam positivas, é sugerido que a figura seja posicionada no primeiro quadrante.
Os cálculos serão realizados com a utilização de tabelas conceituais sistematizadoras.
Figura 2.16 Divisão da Figura 2.15 em partes.

A Figura 2.15 foi dividida em três partes, conforme apresentado na Figura 2.16:

■ figura 1: retângulo real com dimensões 5,00 m × 1,00 m;


■ figura 2: retângulo real com dimensões 1,00 m × 3,00 m;
■ figura 3: retângulo real com dimensões 2,00 m × 1,00 m.

A Tabela E2.3 apresenta colunas com valores obtidos da Figura 2.16.

Tabela E2.3 Cálculo do centro de gravidade da Figura 2.16

Figura Ai (m2) ZCGi (m) YCGi (m) MsYi (m3) MsZi (m3)

1 5,00 3,50 2,50 17,50 12,50

2 3,00 0,50 1,50 1,50 4,50

3 2,00 2,00 0,50 4,00 1,00

TOTAL 10,00 ----------- ----------- 23,00 18,00

ZCG = Σ MsYi /Σ ΔAi = 23/10 = 2,3 m ... (1) posição Z do centro de gravidade da Figura 2.15.

YCG = Σ MsZi /Σ ΔAi = 18/10 = 1,8 m ... (2) posição Y do centro de gravidade da Figura 2.15.

A posição do centro de gravidade da Figura 2.16 é: CG (2,3; 1,8). Na Figura 2.17 estão
representados os eixos Y1 e Z1 que passam pelo seu centro de gravidade.
Figura 2.17 Posição do centro de gravidade.

A Tabela E2.4 apresenta o cálculo dos momentos de inércia da Figura 2.16 em relação aos eixos Y1
e Z1, que passam pelo seu centro de gravidade.
Tabela E2.4 Cálculo dos momentos de inércia da Figura 2.16

Figura Ai Izi Iyi Ai * (dyi)2 Ai * (dzi)2 Iz1i = Izi + (Ai * Iy1i = Iyi + (Ai *
(dyi) )2
(dzi)2)

0,42 10,42 2,45 7,20 2,87 10,42 + 7,20

cálculo cálculo cálculo cálculo cálculo cálculo


1 5

(5*(1ˆ3))/12 ((5ˆ3)*1)/12 5*((2,5 – 1,8)ˆ2) 5*((3,5 – 2,3)ˆ2) 0,42 + 2,45 10,42 + 7,20

2,25 0,25 0,27 9,72 2,52 9,97

cálculo cálculo cálculo cálculo cálculo cálculo


2 3

(1*(3ˆ3))/12 ((1ˆ3)*3)/12 3*((1,5 – 1,8)ˆ2) 3*((0,5 – 2,3)ˆ2) 2,25 + 0,27 0,25 + 9,72

0,17 0,67 3,38 0,18 3,55 0,85

cálculo cálculo cálculo cálculo cálculo cálculo


3 2

(2*(1ˆ3))/12 ((2ˆ3)*1)/12 2*((0,5 – 1,8)ˆ2) 2*((2,0 – 2,3)ˆ2) 0,17 + 3,38 0,67 + 0,18

8,94 28,44
TOTAL
m4 m4

Assim:

IZ1 = 8,94 m4 ... (3) momento de inércia em torno do eixo Z1 da Figura 2.15.

IY1 = 28,44 m4 ... (4) momento de inércia em torno do eixo Y1 da Figura 2.15.

Determine a posição do centro de gravidade (CG) e os momentos de inércia em relação aos eixos Y1 e Z1
que passam pelo centro de gravidade da superfície apresentada na Figura 2.18.
Figura 2.18 Peça do Exemplo E2.9.

Solução:
Para se calcular o centro de gravidade (CG) da superfície, inicialmente deve ser feita a separação das
partes componentes da figura, buscando identificar as figuras geométricas primitivas, onde se conheça
previamente a posição de seus centros de gravidades.
Na Figura 2.18 para calcular as características geométricas, foram indicados na Figura 2.19 os eixos
referenciais Y e Z.
Na figura foram identificadas as posições dos centros de gravidade de cinco figuras primitivas
(retângulos 1 e 2; círculo 3; triângulos 4 e 5), que estão representadas na Figura 2.19.
Para que as cotas dos centros de gravidade das figuras primitivas em relação aos eixos referenciais
sejam positivas, é sugerido que a figura seja posicionada no primeiro quadrante.
Os cálculos serão realizados com a utilização de tabelas conceituais sistematizadoras.
Figura 2.19 Divisão da Figura 2.18 em partes.

A Figura 2.18 foi dividida em cinco partes, conforme apresentado na Figura 2.19:

■ figura 1: retângulo real com dimensões 12,00 m × 5,00 m;


■ figura 2: retângulo imaginário com dimensões 2,00 m × 3,00 m;
■ figura 3: círculo imaginário com raio de 1,00 m;
■ figura 4: triângulo retângulo real com catetos de 3,00 m cada;
■ figura 5: triângulo retângulo real com catetos de 3,00 m cada.

A Tabela E2.5 apresenta colunas com valores obtidos da Figura 2.19.

Tabela E2.5 Cálculo do centro de gravidade da Figura 2.19

Figura Ai (m2) ZCGi (m) YCGi (m) MsYi (m3) MsZi (m3)

1 60 6 2,5 360 150

2 –6 10 1,5 – 60 –9

3 – 3,14 3 3 – 9,42 – 9,42

4 4,5 5 6 22,5 27

5 4,5 7 6 31,5 27

TOTAL 59,86 ----- ------- 344,58 185,58


ZCG = Σ MsYi /Σ ΔAi = 344,58/59,86 = 5,76 m ... (1) posição Z do centro de gravidade da
Figura 2.18.

YCG = Σ MsZi /Σ ΔAi = 185,58/59,86 = 3,10 m ... (2) posição Y do centro de gravidade da Figura 2.18.

A posição do centro de gravidade da Figura 2.19 é: CG (5,76; 3,10). Na Figura 2.20 estão
representados os eixos Y1 e Z1 que passam pelo seu centro de gravidade.

Figura 2.20 Posição do centro de gravidade.

A Tabela E2.6 apresenta o cálculo dos momentos de inércia da Figura 2.19 em relação aos eixos Y1
e Z1, que passam pelo seu centro de gravidade.

Tabela E2.6 Cálculo dos momentos de inércia da Figura 2.17

Figura Ai Izi Iyi Ai * (dyi)2 Ai * (dzi)2 Iz1i = Izi + (Ai * Iy1i = Iyi + (Ai *
(dyi) )
2
(dzi)2)

125,00 720,00 21,60 3,46 146,60 723,46

cálculo cálculo cálculo cálculo cálculo cálculo


1 60
(12*(5ˆ3))/12 (5*(12ˆ3))/12 60*((2,5 – 3,1) 60*((6,0 – 5,76) 125 + 21,6 720 + 3,46
ˆ2) ˆ2)

2 –6 – 4,50 – 2,00 – 15,36 – 107,87 – 19,86 – 109,87

cálculo cálculo cálculo cálculo cálculo cálculo


– (2*(3ˆ3))/12 – ((2ˆ3)* 3)/12 – 6*((1,5 – 3,1) – 6*((10,0 – – 4,5 – 15,36 – 2,0 – 107,87
ˆ2) 5,76)ˆ2)

– 0,79 – 0,79 – 0,03 – 23,92 – 0,82 – 24,71

cálculo cálculo cálculo cálculo cálculo cálculo


3 –3,14
– (3,14*(1ˆ4))/4 – (3,14*(1ˆ4))/4 – 3,14*((3,0 – – 3,14*((3,0 – – 0,79 – 0,03 – 0,79 – 23,92
3,1)ˆ2) 5,76)ˆ2)

2,25 2,25 37,85 2,60 40,10 4,85

cálculo cálculo cálculo cálculo cálculo cálculo


4 4,5
(3*(3ˆ3))/36 ((3ˆ3)*3)/36 4,5*((6,0 – 3,1) 4,5*((5,0 – 5,76) 2,25 + 37,85 + 2,25 + 2,60
ˆ2) ˆ2)

2,25 2,25 37,85 6,92 40,10 9,17

cálculo cálculo cálculo cálculo cálculo cálculo


5 4,5
(3*(3ˆ3))/36 ((3ˆ3)*3)/36 4,5*((6,0 – 3,1) 4,5*((7,0 – 5,76) 2,25 + 37,85 2,25 + 6,92
ˆ2) ˆ2)

206,12 602,90
TOTAL
m4 m4

Assim:
IZ1 = 206,12 m4 ... (3) momento de inércia em torno do eixo Z1 da Figura 2.18.
IY1 = 602,90 m4 ... (4) momento de inércia em torno do eixo Y1 da Figura 2.18.

Neste capítulo foram apresentados:


■ características geométricas de superfícies planas;
■ cálculo de área, momento estático de área e de centro de gravidade;
■ momento de inércia e módulo resistente elástico;
■ sistemas de coordenadas.

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