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ETH IOPE sm

RESGATADO
EM PENHADO , SU STEN TA D O ,
Corregido, inílruido, e libertado.
d i s c u r s o
T H E O L O G IC O -JU R ÍD IC O .
'e m q u e SE P R O P O E M o m o d o
de comerciar, haver , epofluir validamente, ouan o
o w , , e o u t r o f o r o , o s P r e t o s c a t i v o s A f u c a r . e s ,

“ eV A m cipacs obrigações, que correm a quem


delles íe ícrvir.
C O N S A G R A D O

SANTÍSSIMA v ir g e m

MARIA NOSSA S E N H O R A. <


Pelo Padre
MANOEL RIBi'lRO ROCHA,
r-' A nnv»irilinr?o da da Bahia, e nella Ad*
UiZ Í \ ntVnWM* *
* irnhni.

L I S B O A :
Na Officii a Patriarcal d; Francilco Lmz Ameno
t a m m -mm ' S'
M . D C C . L V III.
Com todas as lir~ ^ tiecojfaius <
OR AÇA O
CONSECRATORIA
A’

s a n t ís s im a v ir g e m

M A R IA
NOSSA SENHORA?
f

Refundamente humilhado'
na vofa feberana frefen
c a , ohSantifima V irgem M ã y de
§ ii Decs,
Deos, Rainha dos Ceos, e terra, po-
nhoavojfos pés efke , <7we /era
talento, e quafi já fern alento efcrevi,
perfuaâido de que pojfa fer grato , e
proveitofo a alguns, rawjw <7we wwwyè-
jw vijlo, e hem recebido de todos.
Se nolle fe diviza alguma luz de
f ciência, e algum fervor de caridade,
vós Senhora a communicafies, e 0 in-
faúftes; porque vósfois 0 Sol, em quem
ãepofitou Deos todos os refplandores
da fabedoria , para illufirar nojos en­
tendimentos
i
, e todos os ardores da ca-
.ridade, -para injlammar nojfas vonta•
des) como dijfe 0 vojfo fervo, e devoto
Ricardo de S. hpurenço; * e por ijfo
Lib.^*s a. V0jjp0 he, eavás0 confagro, nao tan
virs- por modo de oferta, quanto por via de
rejlituiçaÔ.
Bem reconheço 0 quanto das mi­
nhas mãosfahe impuro, das
voffas aras; mas, qual pobrefmho rega-
I •
■ ÍOy
' «*
1—* .*
r , r
to, que turvo com as infecçoes terref pTf
H'
tres, ainda afim bufcaao
mar, donde manou,para outra m
|
fluir com nova pureza, e aéiiviâade * Ecclef. 1,7. •v

ajfim fe encaminha, e dirije a v&s, que


fois0 mar, * iflo he,a congregação de pr ^
todas as perfeições, de todas
lencias, e detodos os dotes da graça ,
e da natureza, * para que voltando pu- c j _
§*
rifleado com 0 perdao defeus defeitos, *o.
pojfa com a nova aóiiviâade das influ­
encias do vofo feberano patrocínio
obrar nos corações de quem ler, acjiieí-
les efeitos, que fe naõ póâem efperar
fomente da pequena inâuflria
Author.
Fazei pois, clementifima Senhora,
que no ufo , e pojfefao dos
cativos nos conformemos comos
mes dajufliça , que nelle fe expendem
fuavizados [quantofoy pojfvel, eaãap-
tavel ] com as modificações da pru-
A %*
O R A Ç AO
CONSECRATORIA-
à»
A’

s a n t ís s im a v ir g e m

M ARIA
N O SSA SEN H O R A .
•r

Rofunâamente humilhado'
na vofa feberana frefen
ça, oh SanVirgem
UJjmavirg M fy de-^
S 11
Deos, Rainha dos Ceos, e terra, pc-
nho a vqfos pesefte Difcmfo , quefem
talento, equafi já fem alento efcrevi,
perfuadido de quepojfa fer grat
proveifofo a alguns, ainda que naofe­
ia bem vifio, e bem recebido de todos.
Se mile fe diviza alguma luz de
fciência, e algum fervor de caridade,
vós Senhora a communicajles, e o in-
fluijles; porque vós fois o Sol, em quem
áepofitou Deos todos os
ãafabeâoria , para illufirar nojfos en­
tendimentos , e todos os ardores da cd-
.rUade,para infiam
manojfas vonta­
des) como dife o vojfo fervo, e devoto
Ricardo de S. ;J
ren e por iffo
fu
& vojfo he, e a Vós oconfagnaotanto
por modo de oferta, quanto por via de
rejlituiçao.
Bem reconheço o quanto das mi­
nhas madsfahe impudas
vofas aras; mas, qual pobrefmho rega-
to
v •
e
to, quo turvo com us infecçoes terref-
tres, a i n d a ajfimbufca,refiitue ao
mar, donde .manou., para outra -vez
fluir com nova pggeza, Ecclef. 1.7.

ajfim fe encaminha, e'ttri)e avós, que


fois0 mar, * ifio he,a congregação de F rj; a o
todas as perfeições, de todas as excel-
lendas, e de todos os dotes da graça,
e da natureza, * para que voltando g j _ u.
rifleado com 0 perdaodefeus , ■».

pofa com a nova aãividaãe das influ­


encias do voffo foberano patrocínio
obrar nos corações de quem ler, acjiiel-
les efeitos, que fenaõ podem efperar
fomente da pequena induflria
Author. }
Fazei pois, clementifima Senhora,
que no ufo, e pojfejfaõ' dos miferayeis
cativos nos conformemos comosdidta-
mes dajufliça, que nellefe expendem
fuavizados [quanto foy pojfivel, eaâap-
tavel ] com as modificações da pru-
ãen-
dencia, e equidade. E que em todas as
mais occurrencias tomemos pe­
las .vias medias, que faõ as vojjas ve-
,rov*bi g te d a s, # e por ellas nos encaminhay em
“• vida 'à participação das riquezas do
^ vojfoamparo, * ena morte àfruição da
* vid a , e felicidade eterna. * Amen.
EtW

Indigno efcravo vofo

Manoel.

AR-
argumento ,
E RAZAM DA OBRA,
a quem ler.

MAYOR infelicidade, a
que póde chegar a crea-
tura racional neíle mun­
do , he a da efcravidao;
pois cpm ella lhe vem adjuntas to­
das aquellas miferias, e todos aquel-
les incomodos, que fào contrários,
e repugnantes à natureza, e condi­
ção do homem; porque fendo eíle
pouco menos que o Anjo, pela ef-
cravidad tanto defce , que fica fen­
do pouco mais , do quç o bruto;
fendo vivo, pela efcravidao fe jul-
ga morto • fendo livre, pela efcra-
vidao fica fujeito; e nafcendo para
dominar, epofíiiir, pela efcravidaô
fica poifuido, e dominado. Traba­
lha o efcravo fem defcanço , lida
fem focego, e fatiga-fe fem lucro,
fendo o feu fuílento o mais vil, o
feu veítido o mais groífeiro, e o feu
repoufo fobre alguma taboa dura,
quando naõ he fobre a me fina terra
fria.
Noferviço o quer feu Senhor
ligeiro como o fervo, robufto co­
mo o boy, e foífrido comp o ju­
mento ; para lhe ver os acenos o
quer lince, para lhe ouvir as vozes
o quer fatyro , e para lhe penetrar
os penfamentos o quer aguia. T u­
do ifto, e muito mais quer que fe-
ja o triíle efcravo; mas que ao mef-
mo paiTo, ,em que for tudo para el-
le, para fi 1feja fempre.nada; n
nara
pâra o "defcánço, tudo para o traba­
lho ; e do trabalho, nada para os
miiteres, e ufo proprio, tudo para
os lucros, e intereífe alheyo.
Ainda aífim , que a tudo ifto ,
e a tanta miferia, e aniquilaçaõ, fi­
que reduzido hum gentio cativado
em guerra publica, juíta, e verda*
deira de hum com outro Principe ;
naquellas regiões , onde fuppoíto
por falta da luz da fé fenao obfer-
ve a Ley Evangélica , obferva-fe
com tudo o direito natural, e o das
gentesj ou que a todas fique fujei-
to outro gentio, que nas mefmas
terras cometteo algum delióto gra­
v e , e proporcionado à pena da pri-
vaçaó da liberdade; ou aquelle, a
quem feu pay, por fumma indigên­
cia , e necefíidade extrema vendeo,
na falta de outro remedio, para fuf-
ter os alentos vitaes, que às vio-
i ° §§ len<
lencias da fome fe eftavao finali­
zando ! Infelicidade he , e infelici-
dacfç grande; porém he jufta, por­
que em taes circunftancias juilos
fao, por direito natural, e das gen­
tes, eftes titulos, para a efcravidao
fe contrahir, e fe haverem de fo-
frer todas as fuas qualidades, e aba­
timentos.
Porém que fóra defies juftos
titulos, e circunftancias legitimas,
tenhao tolerado as miferias, afflic-
qoqs, anguftias, e aniquilações da
efcravidao, ha muito mais 4? dons
feculos , milhares , e milhares de
Pretos Africanos,barbaramente ca­
tivados pelos feus proprios compa­
triotas , por furtos, por piratarias,
por falfidades, porembuftes, epor
outros femelhantes modos, que a
malícia daguelles infiéis, inftigada
do demonio, tem inventado, e ca-
a ' 1 - da
3a dia inventa, nas fuas incultas,
rudes, barbaras, e inhumanas re­
giões de Guine, Cafraria, e Ethio­
pia , onde nem fe obferva o direito
natural, nem os das gentes, e nera
ao menos as leys da humanidade?
Efta por certo ainda he mayor, e
muito mayor defgraça; porque fen­
do afervidao em fi mefma a mayor,
que póde fobrevir à humana creatu-
raneíta vida; a mefma multidão,
e innumerabilidade de tantos pre­
tos , que violentamente a tem fof-
frido, a conílituhe indizível ,* im-
nicnfa , e inexplicável.
E que fobre tuçlo iílo, poden­
do os Comerciantes Catholieos (fem
prejuízo, e diminuição deílèsmeí-
mos lucros, e interefles, que aòtu-
almente tiraõ deitas alheyas defgra*
ças) refgatar por comercio os di­
tos injuítos, e furtivos èfcravos, pa-
J f §Sii ra

Z
ara que venhao fervir, m o jure domi-
nii, fenao fomente jure pignoris, em
quanto naô pagarem, ounao com-
penfarem em longos, e diuturnos
ferviços o preço, e lucros da fua re-
dempçao; eiílo valida, elicitamen-
te fem peccado , fem encargo, e
fem efcrupulo; feja tal a cegueira,
e hallucinaçaò da humana ambiçaÓ,
que hajao de comerciar nelles por
titulo de permutação, e compra ,
com acquifiçao de dominio in rè
prorfus aliena-, approvando aquellas
fcamaridades , dando-as por juílas ,
por legitimas, por racionaes ,'?e por
humanas.
r í
E nefla conformidade lhos
comprem, e os conduzao, como fe
foífera verdadeiros, e legítimos ef-
cravos; e depois lhe venhaõ vender
a liberdade, e o dominio, como fe
na verdade ’o houveíTem acquirido
' » ».* nel*
■, • ■ . »
-. - #
nelles, para que perpetuamente ífr-
vao como taes; e fendo do fexo fe­
minino, fe transfunda ameftiyí ef-
cravidaô em todos os feus defcen-
ôentes; e iílo com peccados* innu-
meraveis , e inevitáveis encargos,
efcrupulos, e remorfos da confci-
encia? Eíla naÕ fomente he defgra*
ç a , e fatalidade grande; e naÓ fo­
mente he mifèria mayor, que effa
mefma mayor miferia defies cati­
vos; fenao que he a infelicidade ma­
xima , e fobre todas; porque topa
naô menos, que na condemnaçaô
eterna de muitas almas chriítas.
Eíla, pois, me metteo na tnao
a penna para a formatura do Opuf-
culo prefente ; na primeira parte
do qual moílro, que fe naô pòdem
comerciar , haver, e poífuir efles
Pretos Africanos por titulo de per­
mutação, ou compra, com acqui-
fiçao
.fiçat> de domínio, fém peccado, €
graviflimos encargos de confcien-
c ia \N a fegunda, e terceira, con­
cluo, que muito bem fe pódem el-
les comerciar, haver, e pofiuir va-
iidamente em hum, e outro foro ,
com osmefmos lucros, e intereffes,
que actualmente tem , por via , e
titulo de redempçaó, com acquifi-
qaô fomente de direito de penhor,
e retenção, para nos fervirem co­
mo efcravos, até pagarem o feu va­
lor, ou até que com diuturnos fer-
viçOs o compenfem; ficando depois
diflfo [fe viverem] totalmenfe def-
obfigados, e reílituidos à natural li­
berdade, com que nafceraõ.
E porque a todas as peíToas J
que affim os pofíuirem jure pigwris,
fempre lhe correm , por fervos ^ e
domeílicos, asmefmas obrigações
principaes, que aliás lhe correriao,
' « ... fe
fe ospoffuiflemjwn? que fao
as do fuflento, da correcqaõ, e da
inílrucçao na Doutrina , e tjons
coftumes; todas eftas expendo na
quarta, quinta, emais partes pos­
teriores do mefmo Opufculo; ao
qual por ifío appliquey o titulo de
Ethiope refgatão, empenhado ,fujlen-
tado, corrigido , infiruido, e liberta­
do ; ifto h e , Refgataão da efcravi-
daõ injuíla, a que barbaramente o
reduzirão os feus mefmos nacio-
naes, como fe diz na primeira par­
te. Empenhado, no poder de feu pol-
fuidor, para o refpeitar como Se­
nhor, e lhe obedecer, e o fervmco-
mo efcravo, em quanto lhe nao pa-
6 gar, ou compenfar com ferviços o
feu valor, como fe diz na fegundá-r
e terceira parte. SuJieutado , como
fe explica na quarta. Corregido, co­
mo fe expende na quinta. Infiruido
\ ./ na
ria D outrina,' como fe declara na
feiria; e nos bons coítumes, como
fe rfcoílra na fetima. E ultimamen-
t o Libertado, por algum dos quatro
modos mencionados na oitava.
E eíte he o argumento, e ara-
zaó da obra ; da qual porém naô
peço ao Leitor perdão, nem com
elle entro em defculpas, e fatisfa-
çoes; porque o mefmo eíludo, que
neíla materia fiz para minha pro­
pria inílrucçaõ, excitado de efcru-
pulos fobre a illegitimidade das ef-
cràvidôes deites pretos , he 9 que
agora, ou mais, ou menos bem ar­
rumado aqui lhe co m u n ico , por fa-
tisfàzer com iífo à obrigaçao, que ca­
da hum tem de pór a logro, em uti­
lidade do proximo, o talento , que
Deos lhedeu, tal qual o recebeo.
E para defcargo da conta, que
do meu lhe houver de dar, naó me
a he
He neceflario conciliar a Henevola
aceitaçaõ de todos, nem tambeni
effeituar a utilidade de muitos^fo-
brado lucro ferá para a minha pduca
induílria, que ao menos algum trií-
t e , e melancólico timorato fe agra­
de , e fe aproveite das doutrinas
deite Diícurfo , fegurando a fua
confciencia neita parte , peio mo­
do , que nelle lhe aponto.
Pois diz S. Joaó Chryfoítomo,
que hum ío proximo, que lucremos,
defviando-o do caminho da perdi­
ção, he baílante a contrapezar j W
cados innumeraveis,e fervir nójui-
zo final de preço , e, fatisfaçao .da
nofifa alma; uthabet Orat. adve
t Juã.ibi: cepSu
na anima,
ti fuerimus, potefi
v atorumpondus abolere ,anim<eque nof-
tr<e pretium in extremo Judicii die
fieri. Vaileat.
..O S » RE-
r e v e r e n d ís s im o d o m in o ,
te. N ec non j

D O CTO RI SAPIENTÍSSIMO /

EMMANUELI RIBEIRO
ROCHA,
Ahfolutijjimum Opusde redemptâ
doãijftme concinnanti.
e p ig r a m m a .
UI T miferas redimant Maurorum è compede gentes ]
Tres Marine pietas inílruit alma Duces.
Tanta: molis erat raeditata Redemptio , vires
Ut fimul unitas exigat una T rium !
Hinc tamen , Emmanuel, parva eft non gloria, ut unus
Quod fecêre olim Tres, mediteris Opus.
ALIUD.

Q Uas tibi divitias Sapientia contulit olim,


Qua: tibi vel Latio prsemia dignb foro ,
jEthiopum expendis pro libertate j nec ultra
Sub mi fero pateris conlenuiíTe jugo.
Id liber Emmanuel, libri ac induílria , menti
Id quoque materies comprobat apeatuíe. ^
Hinc Operi pretium : quodnam l fortafle requins:
• ^Libertas vendi quo folet, illudent.
p. Emmanuel Xaverius Societat. Jefu9
Sacrs. Theoto. Vcfpermm.

m » Reve
l
R evereniiijfimo D o m in o , necnon SapientiJJiino
D oÕ íori E 112lliã flllOll R ibeiro Brocha 5 con-
\h in a tjjjim u m opus de JRthiopo redempto
\ erudikijjime elucubranti *

* EPIGRAM M A.
O Bfcuros Libya; populos, quos dira coegit
Senvitii iajaftum Tors íubiiíTe jug.uni,
Legali redimit du&u Ribeiras , & illis
Ad iibertatem nobile pandit iter.
Nee fads. hoc , reiiquas Orbis pennatus in oras
Jura utriofque Fori, qua valet arte, ferens,
Incautos redimit Dominos , Barathrique foiutos
A* dítione , Poli perdocet ire vias.
iniignem virga Moyfen quid mirer, aperto
Quamvis Ifacidas duxerit ille Mari i
Per legum pelagus calamo qui liberat omnem
Orbem , prodígio fplendidiore praeit.

^ A L I U P.
P Rofervis librat Jum tot momenta Ribeirus,
Olli pro votis Regula cun&a cadit:
Dum Textus agitat dtfminanti pennavolatUj
Nil fertile fonans pagina fida refert:
Corpora dum redimit, libertosque afferit, omnes
Captat heros , menti bíandaque vincla jacit.
Se Rivum hand praefert, quanquam fonet, ilie Ribeirus
In Nilum fapidis undique erevit aquis.
Nimirum trino Jure seíluat, indè volumen »
Ter magnum in parva currere mole facit.
Qui fuper òfsevse Babilonis Flumina defies,
Concinne ab hoc libri margine liber ades.
P. Emmanuil à SanBts Societat.Jefu 9 ^
Siudmum g m ra itw P r t f f f i u s , ,

§
f
SapientíjTuno Doctor! Emmmueli Kileiro Ro-
cha, l i b r i i m d e JEthieperedempto
. jic e /fcrib
ent

EPIGRAM M A. /
H A&enus ingemurt v.ili Tub pondere proles,
Heu ! libertatis Gens aliena fuae.
At jam fervili reipirat libera vinclo,
Nec finit hoc ultra przevaluiflc jugum,
Praccipiti poftquam Rivus feidit impete nodum ,
Hun
\^UV/ hnnnam imiTijM - ronrmedeI vin&a
_ fait.
-
Hinc Rivo affurgit quam maxima gloria ! Quantus
Fluxit honor iuperi Numinis aflimilis!
Quam iibertatem quondam Deus attulit, ipfam,
^ m Pprcjita
**m auae
X. fuerat.§ nunc liber iile dabit.

A L I U D.

G Ratum opus, imperio Dominos quod ponere frsena,


Etfua quod fervos quaerere jura, docet.
*
V

Scilicet oftendis captos in pignora fervos


Ad Iibertatem jus retinere tuagi.
Omne q u o d , &t q u a n t u m l i b r o h o c c o n c l u d i t u r , aurutn*
Perdita libertas quo redimatur, erit.
Solus tu poteras una vice reddere, quantum
Tot Domini fervis eripuere fuis.

P. Joannes Nogueira SectHat* feJUTMoguu


ínejiifdem SaptentiJJimi A. laudem*

EPIGRAM M A.

Q Uis populis , Angola, tuis, quis demat Alumnis


Tam fervilejugum ,/fufca Loanda tuis£

Quis vobis vindex , Afíertor quisve paratus,


X Quis ferat afBidAis Rhetor amicus opem !

Hanc prseílo Emmanuel induftrius afferet; ipfe ,


Nomine quod prsefert, mite hevamen erit.

A L IU D.

Q VJeis potum Senogala dedit, queis Gambia, Gentes


bervili tentas eripuiiíe jugo.

Non operam perdes, Ribeiie , fcicntia Rivum


Te n o v a n o n v a c u o n o m i n e ferre f i n e t }

Nempe fcientificos latíces dum mente refundis,


Reddere dealbatos vcl potcs jEthiopas.

Thomas Honoratus Societal. Jefu, Philofophfa auditor.

W
'Emlouvor do R
evrn
d/Jtm
o,e Sapientjjfhno
Author.
/
S O N E T O .
A Qoi fabe à luz , da efeura gente
{ De huma Rocha a empenho cavalheiro)
/
Salva já a liberdade ■, e de hum Ribeiro
Ao lume d’agua vay clara , e corrente.
P etal Rocha taõ viva, e eminente
Conceito nenhum cahe , morto , ourafteiro j
Taõ firme foa o Direito , e taõ inteiro ,
Que dos Doutos contrabe toda a Torrente.
He Rocha de Doutrinas taõ fecunda
Que de Deos levemente concitada
Com influencias o Orbe todo inunda.
Rocha he , que em correntes defatada ,
Para livrar a tantos, fem fegunda ,
Por raaõ do Omnipotente, foy talhada.

O U T R O.

E Sfe povo infeliz, que a crueldade


Tem por feus intereííes cativado ,
V

Por vós fica, ò Ribeiro, refgatado ,


Por vós hoje recobra a !iberdadve.
Àtéqui fem refpeito à humanidade
Tinha as Leys a cubiqa violado j
Mas em vós o Direito reílaurado
Faz ceder a ambiqaõ hoje à verdade.^
v^Mas que fazeis f* NaÕ vedes que os Remidos
Da efçravidaõ cruel, que os opprimia,
AÉvoífa fujeícaÔ ficaõ rendidos!
Affim he j porém já fem tyrannia,
Só cativos do amor, e agradecidos,
^ Todos querem fer vofíos à porfia»

OU-
OUTRO
Ou Uem diria já tnais, que na dureza
huma Rocha a ternura cfefcobníTé I
N
M*1 cuidada o cativo , nella vifíe
Seu amparo feliz, fua defeza.

Pafma o mundo de ver, que à fortaleza


A compaixaõ na Rocha hoje íeuniíTe,
Huma, e outra os officios repartifíe ,
t i - ji/7 - tt H í » l n f » 7 a .
numa ucnc ~víuvji1 —, •» t

No valor como Rocha ao fofrimento


Defpiezais a qualquer, que vos maltrate,
Para pôr o cativo em livramento •

A defpeza porém para o refgate


Daiá o ouro do voííò entendimento,
Çue naÕ tem preqo igual ao feu quilate.

D s vários Ànenymos da Companhia â ejefii \

Em
E m lou vor do E ru d itijfm o A u th o r.

S O N E T O. /
J ) Eu huma Penha forte o fundamento
Para aredempqaÕ pia Mauritána ;
Agora novamente da Africana
Huma Rocha nos dá o documento.
Na5 fabe diícernir o penfamento,
Qual maisíeja, entre ambas, foberana,
Conhecendo, que influencia Mariana
Tntervevo
—----- ’ ~ J ~ em hum.• e outro intento.
.
Cuido porém , ò Rocha , em tal defenho,
Que em fufler tanto pezo , e tanto porte,
Mais forte fe nos moílra o vofío engenho ;
Porque vós, efcrevendo defla forte ,
Sobre vós tomais fó, em tal empenho,
O que fó, naõ tomou o Penhaforte*
OUTRO.
N A5 lamente já mais feu trifle eílado
O eícravo infeliz, e fem ventura;
Naõ chore naõ , feu fado , e fórte dura;
Porque já naõ ferá taõ delgraqado.
Amparo, protecqaÕ, zelo, e cuidado,
Eíle livro, oh Ribeiro, lhe aííagura ;
Porque o engenho vofl© aqui fc apura ,
Até o deixar de todo libertado.
Rendido pois a tal bem, e a tal favor
. O Ethiope, fazeis, que em quanto vivo ,
T Vos refpeite, e venere por Senhoi.
sPazeis. que o Africano aflaz efquivo
,ar " Nunca mais feja efcravo de rigor ,
Mas que fempre de amor fique cativo.
Do Doutor Lui^ da Cofia e Farta*

m i Em
Em louvor do Author , fie padecendo penofa
enfermidade pormçis de vinte annos}ain-
k da ajfimcompoz ejle livro.
%
d e c i m a s .
H Um tal livracompozeftes,
Qual ninguém premeditou $
Para vós Deos o guardou $
Porque vós lho mereceíles.
M as fe enfermo efcreveíles,
O que ninguém efereveu,
Cuida o penfamenro meu ,
Que em coufa de tanto porte
Quiz Deos confundir o forte,
Pois ao enfermo elegeu.
Para refgate taõ novo
Foftes, qual Moyfés , eleito:
Vós o fazeis ta5 perfeito ,
Que libertais todo o povo.
A dizer tanto me movo ,
Por ver nefta occafiaõ,
Que vós com a penna na mao
A todos haveis livrado 5
Aos Brancos de peccado ^
Áos Pretès de efcravidaó.
JVfais do que diamantes mil *
JVlais do que o ouro, e a prata
A huns, e outros refgata
Vofla erudicqaÕ fubtil.
Memorável no Brafil
Sejais, e em toda a Naqao 5 %
E da fama alto pregaÕ
Publique em gyro rotundo,
Que obraftes no Novo Mundo
Copiofa redempqaõ.

DoPadreFrant i j co Gemes deRege,


E lias daMota Bahia, do Reve-•
rendijjtmo Author, porje achar com a pex-
na na mao, com a devida vénia, c reveren­
cia, lhe oferece como appendix aos prece­
dentes Elogios, ojeguinte
S O N E T O .
N Au prefamo , Senhor, que em caufa tanta
O meu ple&ro rafteiro, e impolido,
Afinar poíía o mérito fubido,
Que em vós hoje fe exalta, e fe levanta.
Rompe fim o affefto , e fe adianta ,
Moílrando, que em meu peito agradecido ,
RetumbaG ( qual o ecco repetido )
Os louvores, que a fama vos decanta.
Com pafmo deíla, e fufpenfaõ do mundo,
De infinitos refgata a liberdade,
VoíTo engenho fubtil, douto , e profundo.
Efe póde medirfe infinidade,
He a gloria de refgate tao fecundo ^ ^
Aos remidos igual na immenfidade,
E a Jeguinle

D E C I M A . "
T Au liberal vos moftrais,
Douto Senhor, nefta empreza,
Que excedem toda a grandeza ,
As liberdades, que dais.
Porém quando aflim obrais,
Com univerfal effeíto,
Nota o meu rude conceito,
Que em refgate taõ a&ivo
Sempre vos ficou cativo
Todo o Corpo do Direito. _
- §§§§ ii Lh
. LI CENÇAS . I

D O SANTO OFFICIO.

, ophivaçaí do M. R. P. M. Fr. Lourenço


deSanta Fofo, ÇHiàlíficador do Sun-
to Oficio, O’C.
ILL.mos, E E X .mos SENHORES.

P Or ordem deVoffas Illuftriffimas li eíle livro, inti­


tulada Ethiope refgataâo , empenhado, JaJUntado>,
cot'egido, inílruiâo , * //fcrtaio. Difcurfo iheolo»
p i c o , Turidico, em que fe propoem o modo de comerciar,
haver, e poííuir validamente, quanto a hum , e outro toro,
o s Pretos cativos Africanos, e a s principaes obrigaqoes, que
correm a quem delles fe fervir. Confagrado a SantiíTima Vir­
gem Maria Santidima noíía Senhora , pelo I adre Manoe
Ribeiro Rocha Lisbonenfe, Domiciliário da Cidade da Ba­
hia , e nefía Advogado , e Bacharel formado na Umverfida-
de de Coimbra. Obra ta5 pia , taõdevota , e taõ douta , que
nao faltando às pontualidades do íagrado Texto , as regias
do Direito Canónico , àjLevs do Direito Civil, e das gemes,
falia com tanta clareza nas Thcologias praticas, cetpecula-
tivas como fe as eílivera di&ando da cadeira, que mais pa»
rece Expofitor, que Advogado-j pois com as hunaildes per-
fuaqGes das moralidades foube unir as mais altas max iam
da Política ; e entre os cultos numeros da Eloquência , one-
rece facil incelligencia a todos fua claridade 5 admirando com
os difeurfos Evangélicos os entendimentos mais rudes, ã>ro^%
veitando com as pon ieracoes moraes as almas mais perver­
tidas, inftruindo com as obfervaqões políticas os coraqões
mais obílinados , e perfuadindo com as doutrinas mais eleva­
das os ânimos mais depravados , induzindo com claros exenm
pios afeguir o folido das virtudes* eifto com palavras tac>^
f N
fua^es que efcutando-as com godo o fentido, refundem ✓
na alma grande aproveitamento;, corno já ponderou Santo *
A 2oil inho : Ut dum fuavitate carminis mulcetur auditusy,J-
vini fetmonis pa>iter uttlitas inferatur. Acho nefte Opuítu-
lo ponderado, o que nas obras dagraqa fe manda executar }
o que jáobfervou Plinio da providencia nas obras da na|uteza,
cue para fazer fem horror appeteciveis as m edicinasj^r-^
çou fua amargura prudentemente com flores: Pwtfft r0 pfí&
in fioribus , vtfaque tpfa ânimos invitavit, eiiam deitcus aim-
lia permikens ; introduzindo razonavelmente as reprehemoes
azedas aos comerciantes dos efcravos, com os bellos matizes
de taõ folidas doutrinas, e de taõ maduros conlelhos 5 que
me navece fevá efte livro depois de impveflò de tanto-applau-
fõVara todos os que o lerem , aífim como o toy para mim
util e conveniente de o rever, pois encontro nelle huma do­
ce violência dos entendimentos, huma affluencia intrinfeca , c
extrinfeca de virtudes nos períodos da iua Rhetorica, que fe
póde dizer delle , o que deile tres vezes Tulio affirmou Vin.
cencio Lirinenfe, que aos que com a viveza das lentenqas
naõattrahe, com a energia das ponderaqões arraftra j e aos
que com a efficacia das razões naõ obriga , com a eloquên­
cia do eítylo preciza , e com o fubtil de feus argumentos
convence. Sendo pois cada huma deflas oito panes, ou dif-
curfos deile livro , hum attradivo para as virtudes^, cad^pte
lavra huma victoria contra os vícios, e cada argumento hum
triunfo para a> almas veremaDeos" Tanta nefeto, qua ra-
tionum denfttate ejus oratio conjerta ejd , ut ad conjenfum Jui,
quos fuadere non poteji , impellat, cujus, quo pene verba, tot
\ntentia., quot Jenjus, tot viãoriA. he o motivo , que
me obrigou a lev com grande goíto eíte livro 5 e ainda algu­
mas coufas delle tres vezes, como foy a fetuna parte : íer
•^ mkhruni, quod ter left um placet, como difíe o jrego , , •
^ Â u c fua doutrina , conceitos, eítylo, e cruuqao , me tem
Jènímado muito, e conciliado a eít.maqao que todos fa-
a obra de taõ grande Author, e Meftre optimo em
o Écckfiaftico , Moral, Efcriturario, Canomco , e jurídi­
co • e o que mais he , no efpiritual, que bem moítra noqufi
efereveo , fer guia das almas , que com fua doutrina , e ex­
emplo , dará muitas a Deos 5que por elle fe póde dizer: Ext-
vKfonus cm favor da liberdade dos eferavos, quete

"4^-
èoufa , qtíe naõ tem preço : TJbtrUs htfiirnditis r e te /l-,è
'■ a<fTlfn juigo , que VofTas Uluftriffimas pádem dar licenqa pai
raVe imprimir eíle livro, como taõ conducente ao bem das
almas: nelle naõ achey coufa , que encontre a noite banta
Fé , ç bons coftumes: Salvo meíiori judicio. Real Molteiro
da Èfptfranqa de Lisboa em 2. de Marqo de 1757.
, . . ■dv
-v. . _ v Ff, hourouço de Santa Rofa.

jlppvovãçtô do M. R. P. Fr. saberto ae


Jofeph Col f Qiiahficador do Santo
Ojjicio f 0’c.
ILL. mos ^ E EX.mos SENHORES.
E Sta obra intitulada Ethiope rejgatado, empenhado , fttf-
tentado, corregido , injiruido, e libertado, Author o
Reverendo Padre Manoel Ribeiro Rocha , credito
de LibDoa, a(lift ente na Bahia / Advogado , e Bacharel for­
mado na noíía Athenas Conimbricenfe , poem aos olhos do
mundo patente a vafta noticia, que tem tanto no Direito Ca­
nónico , como no Civil.fi naõ contente com a Jurisprudência,
úq que he (ummamente dotado, em que eílabelece as doutri­
nas que elègantemente efte íeu erudito Difcurfo pondera, en­
tra cemo fe foííeprofeBorde Theologia,e das fagradasLetras,
a confirmar as razoeos em que feeftriba. Sempre mecauíou
duvida o cativeiro dos Ethiopes j pois fendo a liberdade joya
deineftimavei preqo, «a6 deícubria jufto titulo , para que
gemefíem debaixo de hum perpetuo jugo. Porem defterra-
ida a minha ignorância com a clara luz defte laboriofo , e ta*
bio Difcurfo, ficaráõ os poííuidores de ftes e (cravos emÍ30|
fé , tuta confciencia, e jufto titulo para a fua retenqaef. AI»
utilidade defta obra, fendo com efpecialidade dirigida aos
que tem femelhantes contratos, para todos póde fer univer-
fel} pois delle fe póde tirar a emenda dos vicios, e reforma
dos coftumes: E como naõ contém coufa contra a noíía
Santa Fé. ou bons coftumes, a julgo digna de licenqa , que
' * ien
feu eruditiffimo Author pede a VoíTas IlluilriíTimas para a X
eternizar na memória das gentes por rneyo do pvélo. Liy '
boa Barraca de nofla Senhora do Carmo às Agoas livres
deMarqo de 1757.
Fr. Alberto âe S. Jofeph Col.

idas as informaqSes póde-fe imprimir o livro


V trata, e depois v o lta r á conferido para fe dfr
que corra, fem a qual naõ correrá. Lisboa 22. deMarqo
de 1757» rr •
1 Abreu. Trtgo%g>

DO ORDINÁRIO.
Approvacaí do M. R. P. M. Paulo Amaro
da Companhia de Jefus, <fc.

E X .ma , E R .mo SENHOR.

V I com incrível goílo meu eíle pequeno livro , mas


grande obra, que o Reverendo Doutor Padre Ma­
noel Ribeiro Rocha , Advogado na Cidade da Ba«
hia quer dar ao prélose proverá a Deosa pudeHe imprimir co-
modezeja ? e pertende o feu fanto zelo imprimir nos cofaqoes
de alguns, que fe empregaõ no comercio dos negros, pelo
modo com que o praticaõ , taõ prejudicial a fuas almas»
he neceílkria huma ignorância , qual naõ conndero p°mvel
m . para os livrar de conderonaqaõ eterna * enaõ menos uosoc*
filhotes, que oscompraÕ, e os trataõ , principalmente na
4 America , como fe naõ foliem almas remidas com o fangue
dccjéfu Chrifto, tanto como as fuas. 1 rata o Author a ma­
teria com tal clareza , que moftrando-a iniuítica, que fe faz
àquella miferavel gente, aponta o meyo , com que fem cel-
fat ocomercio, íe pode juftificar, e purificar de tantas m-
iufticas que nelle fe comettem ; e em tudo difeorre como
gtande Meftre , fundando-fe folidiiiimamente nas regras do
S Direito Canon! co, Civil, Municipal; e o que trials me ad-
N Wira, he que tvaTheologia falla com oo raais douto Profef-
( V e na intelligencia dasEfcrituras, e Santos Padres , co-
mo fe toda a vida fe empregara neftes eftudos. tvao fallo na
fua vaftiflfima erudiqaõ em toda a materia , com que exor-
na toáa eftaobra: Pelo que julgo , que nao fó le deve lm-
mas fe fofle poffivel ,fe devia imprimir com letras de
epublicaremfe por ley inviolável todas as fuas decisões;
norque fó aftim le evitariaõ tantas injulliqas, que fern du­
vida fe comettem contra eftes miteraveis, e tao pouco at-
tendidos efcravos, e a ruina de tantas almas, que porefla
raufa fe condenaõ , no que fe moftra o Author fetvorofiffi-
mo Miffionario, para ein tudo fer confumado, extiortan-
do a todos a piedade chrittã, que devem ufar com os mife-
raveis efcravos. Por todos eftes titulos julgo a obra digniftr.
ma do prélo ; porque naõ fó nada cem , que oflfenda os bons
coftumes, tilas antes toda fe emprega em tirar peccados,
e os da injuftiqa , que faõ taÕ perniciofos, ede tantas con-
fequencias. Efte o meu parecer. VofTa Excellence mandará
o que for fervido. Lisboa Collegio de Santo Antao da Com­
panhia dejefus 27 deMarco de 1757.

P au to A m a ro .

ida a ;nformaqa|) pode-fe imprimir o livro de que fe


Vta 13
“* trata, e depois deimprefío, e conferido torne. Lis-
de Março de 1 7 5 7 .

f,
p 6 J . J . de L a c e de mo tu a . ^

DO
•f
I N D E X / ;
DAS PARTES DESTE DISCURSO. ' s

RimeJra parte. Do (jue refpeita afFjo~


P ro interno , pag. 3.
begun da parte. Do (jue refpeita ao modo li­
cito , e valido ãa negociação djles cati-
vos , 64.
Terceira parte. Do (jue refpeita ao foro con-
tend of0 f n o .
Quarta parte. Do (jue refpeita ao fujlentô
defies cativos , 142.
Quinta parte. Do (jue refpeita a correcçdo
174. . '
Sexta parte. Do (jue refpeita a injlrucqao na
Doutrina Chrifiã, 224.
Setíma parte. Do (jue refpeita. aJnílruccja;®
nos bons cojlumes , 264.
Oitava parte. Do (jue refpeita aos ultimos
Jins defies cativos , 295.
^fxepertorio das coufas mats 9 e menos nota*
*' —veis, 345.

ETHIO-
D O P AÇ O

Jippm açã do M. p
c0 da Congregaçaí) do Oratorio * 0'c.
SENHOR.

C Om ponderaçaf) gortofa , obedecendo ao Real pre-
ceito de V. Maeeftade , revi o fuhftancia! livro,
que o Reverendo- Doutor Manoel Ribe.ro Rocha ,
A d v o g o na Cidade da Bahia, P-etende^ar a lo* PRbl.cr,

que fc funda , no , cftá moílrando a grande capa-


difcreta PR â cat]10\5Ca erudiqaô do Author delia obra,
CÍ 3 fe^nterefía muito o efpiritual Reino de Chriílo , e
! r^ Coro, dc V -M.gcft.de1! a cujas Levs me parece nao
aKeal^or f 0ffenfiva a Ley noviffima de
Se . 7 à do Senhor Rev D. Pedro de
/«o . §oeio que me parece digniflímo da iicenca, que fe pe
de V Maeeftade ordenará o que for fervido Lisboa e
CongrèeacaO do Oratorio na Real Caia de Nofla Senhora das
Neceffidades 14 de Novembro de 1757-
<
T heodoro Franco*

Q Ue fe poffa imprimir ’viftas as licenças doSan o Offi^


cio e Ordinário , e depois de impreífo tornai a a Me
la Data fe conferir, e taxar , e dar licença , que corra ,
que fc» Z : naô correrá! Lisboa .» de Novembro de l7 „ .
j l pm Çarvalho» Cojia. hemos.

DO
m$
DO SANTO OBFICIO.
O’de correr. Lisboa n dejanho de
PI 17jS.

7 'Silva. Trfgofo. Silveiro Lobo.

D O O R D IN Á R IO .

O’de correr. Lisboa 19 de Junho de


P I7 5 8*
D .J . Á-. de Lacedemonia.

BO P A Q O,

Ue poíTa correr, e taxao em qua*


\ / trocemos reis. Lisboa 21 deju®
nhode 1758.

Corn quatro Rubricas*


ET H IOPE
R E S G A T A D O ,
EMPENHADO,
Corregido , ,Injlruido Libertado.

I
U I T A S vezes tem
chegado aos ouvidos
dos Commerçiantes,
e dos mais" habitado­
res do B r a iii, que peffoas doutas^
e timoratas reprovao a negociação,
com p ra, e poffeíTad dos pretos ca;
tivos A fricanos, em razão de nao
ferem legitim am eilte cativados em
guerras publicas , ju íta s, e verda^
5 r \ deiras,
U
2 Ethiope Hefgataâo,
deiras, fenaó em huns furtivos, é
repentinos aífaltos , que aquelles
"'Ta^rnaros praticaõ, e confentem a
feus vaífallos.
2 Excitados prefentemente def-
te fucceflivo rumor, defejaô muitos
faber os encargos , e embaraços de
confciencia, que niílo andao invol-
vidos; e o modo, e obrigações prin-
cipaes, com que aliuef poder
valida, e licitamente commerciar,
h aver, e poífuir eítes ditos pretos
cativos, tanto pelo que refpeita ao
foro interno , como no q u e toca
ao "contenciófo ; e como na cem
fura de Direito fe reputa por .erro
proprio nao evitar o erro alheyo,
cap. cjui cum potefi 2. ãe h<eretic., por
obrigado me dey a llies communi-
car nefte Difcurfo alguma luz , fe
naô como pede a gravidade da ma-
teria
Primeira Parte. 1
'• ' >
teria, ao menos como permitte a
tenuidade de minhas forças. ,

P R IM E IR A PARTE.
Do que rejpeita ao foro interno.
M primeiro lugar fai-
3
E b a õ os Commercian-
te s , que femelhantes affaltos^ain
da que fejaõ permittidos pelos J^eys
Gentios [verdadeiramente taes por
graça, e permiífaõ Divina; ut âat
P o rtu g a l de ãonat.lib.2.cap:26.n.]]-)
n a õ fao guerras le g itim a s , fenao
h u m a s in v a s õ e s , q u e te m a n a tire
za de roubos, latrocíniosv e nego,
ciaçao piratica;
juft. O iur. difp. 35 - §• quod ãe
pum ibi: Et enim , dum Lufitanorum
‘ navigia eò appellant, aut anteaquam^
 íi &Pm
\ x£ E MopeRefgatado,
' appellant ,u t ea parata habeant, u,
qui in quibujdam pagis mo domino
deghnt, accedunt de nodie,
alio tempore, ex locpr<e-
das agunt, O mancipia, qu<g vi car
piunt, fecum
A EtRebeilo .
t q. 2lo.Jeã. fub mm. 12. ib i: Inter
JEthiopes autem nihil regulariter de
militia belli curetur, fed totum jus eo-
i rum in armis pofitumfit, O^ qui poten-
tioresfunt, maiores pr<e*
das agant, adverfarios intempefia no-
die aggrediendo , knò ipfimet nofiri
rnefdatores ingenuè ,
bella verius effe dicenda latrocinia.
Turn quod à fuis
dam furto auferri foleant.
5 E por life fe devem regular
pelo mefmo direito, e regras , que
trataõ dos piratas, e ladroes, como
\ 1
en-
Primeira Fartei f
eniina Mgid. ad L. ex
juJl.Vjui. i. v- cap- i; n\ l 0-vf f f ei
V 3fi Princeps aliquis íbi: òea <U Ji
Frinceps aliquis, qui habet potefiatem
helium p u h l i c u m d e c e r n contra
ticnes alias, illo non decreto, nec ilia-
to, fuhditis fuis licentiam det pr<edan-
di res aliarumnationum, adhuc quod
ceperint, non ut ah hojlihus jure belli
captum, fed, ut a pr<edonibus piratica
injuria cenfehitur ereptum ; ut tahs
■proeda fub eodem jure maneat, quod
diximus pr<zãâ
in l
tarum. ------:
6 E profegue dando a razao:
Aliud eft enim , he
cernere, quo decreto
qui decernendi potefiatem habet, in
confequentiamvenit
tium fiant ipfmsbelli
T* cento; aliud, prceãanâlicentiamfive
| ^ r*
E thiope Kefgatado,
i

terra ,five marl ^ direãò , O ’ princU


palmer decernere, O ’ concedere ; quod
neniini licet tanquam
re vetitum fit.
7 D e que fe fegue , que affim
com o, nas prezas reaes, nao auqui-
rem os piratas dominio algum, an­
tes fem duvida fe devem reilituir a
feus donos as coufas furtadas , co­
mo o mefmo JEgidio tem ubifup. n.
x8. i b i : I lluâ inter omnes conjlat, res
captasà pr<cãonibus ,
rum nunquam fier; circo
pt<e, eiiam ex.intervallo,
*adjuos ãetulèrunt, veris dominis re-
flituenâa erunt; ut traâit C ovarr. & c .
8 Affim tam b ém aq u elles G e n ­
tios jure naturali d ev em reilituir a
fua liberdade o s h o m e n s , e m u lh e­
res , q u e apanfaaÔ nas prezas pefi
fo a es , *ainda que
A
fejaó feitas com í^
ta-
Primeira Parte.
faculdade , ou permiffaS dos feus
Príncipes ; porque neUes nao
/
V. quirem domimo algum, nem
dadeiramente ficao fendo feus cati­
vos; como, citando também a ^Eg
dio , tem Arouca a5- -

tem i-f-de flat. homin *


mò notandum efiq, ft non a
h m fed à latrcnibus, aut piratis , -
Z f p t u s f i t , non fietejusfervus-, fi­
ve hi fin t, qui fine ju ft Prmcipisi
p r J a n m fiv e a im cum
Principie , hello tumen non mi,Bo,
L . h e fts 24 - fie W ^
118. de verb. fignif ut cum aim Mg

'■ ^ ^ f n a ^ e n d o n e n e s domínio
d aro he flue tambem os,„nao
e u r o iic , hu t
po-
dem v e n d e r ; esc reg. w - — ;
plus 54 / . * « g . ju r. amfimlihus.
. Mas coma iem embargo ditto ^
’ )

£
\
sjS Bthiope Refgataâo;
• i

Commerciantes navegando os feus


portos, comprao alii a troco de ta­
baco , e mais generos de fuas carre­
gações , os jditos furtivos efcravos;
por iíTo juilamente reprovao pef-
foas doutas, e timoratas eile gene-
n■
- ro de negociação ; mayormente ,
porque a fazem, fem preceder exa­
me , e averiguaçaô da juítiça, ou
injuftiça das efcravidôes daquelles
mefmos cativos , que cada hum del-
11Í
I:ifl les em particular compra nos ditos
portos; pois fem eíle exame, e ave-
_riguaçaq negoceao já com anim o,
®e r^foíuçlo de comprarem peffoas
livres, pela noticia, prefumpçao, e
veroíimilidade, que tem diffo ; a
qual
.1
prefumpçao
£ X 1
fomente Jpodiaó,
L '

e deviaô depor por via da dita pre*


yia inquirição.
xo Porque fuppoílo nao feja
ulti-
Trim eirâ Tarte. p
ultimadamente certa eíta injuftiça,
he « n u i t o , e m a i s q u e s i t o v e r o -
f i m e l , como tem o lobredito Ke

bello, feã. 2.fub n. 9. ibi: Ratio ve­


ro eíl-,quia Ucèt nonfit cerium otmtr.
™ Mum vercfimilius pnefumi debet,
Jgg/ * I w~ -- jr , ■ g

ejufmodi mancipia.... comparan in utrar


que Guinea, totaque JEthiopia, per
iniuilitiam, raaiori ex parte , a„ ip/fmet
incolis , CT nofiris vendi, nee reguia-
riter ejufmodi pr<efumptionem a merca-
toribus deponi pofe, nee debere.
n Pois aquelles barbaros nao
fom ente r e d u z e m a c a t i y e i r o a m
nitos, que apanhao nas í u a s c h a m a ­

das g l r a s ^ n a ^

to s d o s q u e c o m e t L em q - 1 *
v e c u lp a , e a o s fe u s c o n fa n g u in e o s ;

e a e ílê refpeito to d o s o s le u s c a u -

v o s o fa d in ju ita m e n te p o r fem e*

to te s v ia s contrarias touas, e re-


' H pH"
JL<’j- ht i/* * * A T ? iJÍy y /íf/f/l/) 1
J2AlsUWfJ& J-VC/J^whíwv «

pugiiau ia*
4r « é„i o
n í _________s
r t à m 4"£1 a o d ir e ito n a tu r a l, c o -

n io p o n d e r a o d ito ãiét. R e b e llo ,

feã. 2.fab 7 2 . 1 2 . : w r < ) p r o levij/i-

mis culpis, qu<e privationem libertatis


non merentur, p w w perpetux fervitu-
tis pleãantur a fuis regulls. Alia eti-
nmfine ulla prorfus culpa, quod
Mil, vel conjux, vel confanguineifmt
ipjius âelinquentis.Quos otnnes ,
c o n f l a t a p u d omnes, jureipfo *
- turali, infufdentes efe, ut homo liberv

tote privetur.
i2 E n aõ p reced en d o averigua-
q a o d a ju jliç a d e ite s t it u lo s , a r e f-

^ p e ito ' d e c a d a e fc r a v o , d o s q u e fe

h o u v e r e m d e c o m p r a r , c o m o d e

f a d o n a õ p r e c e d e , e d iz M o lin .

difp. t f . i Hoc pofito i b i : Cam nulíarn


inter JEthiopes inqu
faciant de juflitia belli, neque de aliis
titulis, quibus mancipia, qu<e ipfis ven-
duntur,
Farte.
a • | *«fi*v * ^ —
*■
1
9

x •
d u i i t u r , in f e r v i t u t e m f i n t r e â a ã a f e d
p ro m ifc u e e m a n t q a * au
f e r u n t u r : que outra
coufa fe pode
dizer de femelhante commercio , e
negociaçaô, fenao que he peccam£
nofa e oífenfiva da caridade, e da
iu íliç a ; D e tudo ifto a accufa , f
condem na R ebello u b ifu p .n Ao.ibu
Sum m a ig itu r d o d n r tr a d tif
V e r i f m i il i u s e fe
q u a m nofiri c o l l e d o r e s , v u lg o T - W g *
neg ,
m h o s , & P o m b e ir o s ,d e
m m in fideliu m m n c ip ia c o e m u n t, pro-

p e c c a ti c o n tra c n a r n u ^ m , ~ / -»
.L .
V tiã íY l*
i $ E£fim ilite r , que outro con­
ceito fe póde formar dos C om m er-
ciantes , que a exercem , fena0^®
1 2 Elhiope R ef IT
,

que pêccao mortalmente , e andao


em eftâdo de eterna condemna-
çaó í Salvo algum de ignorância
totalmente invencível, o qual ferá
tao raro , que quaíi naõ ferá ne­
nhum , como fe atrevia a affirmar
o dito Molina ãejufi. .35;.
concl.4 .ibi: Mihi
ejl, negotiationem hanc ementium ejuf-
modi mancipia áb, in
' heis , eaque indè afportantium, injufi
tam, iniquamquejf;e omnefque
\N
illamexercent, lethaliter peccare,
feque inJlatuJaninationis teteme; ni-
ji quem invincibilis ignorantia exeufet,
inqua neminemeorum
mâerem
—- ‘ XT' í-i J /T i f a í l - l l rv o v » n
1 4 JC< a , I t X h i W UV J C l i g M .1 U.U.11X*

injufto eíle negocio , funda-fe em


Theologia certa, e inconcuffa; con­
forme a qual he peceado mortal
con- i

«
Trimeira Tarte. 13
ifjif
M contra juíliqa , e caridade , com
©brigaçaÓ de reftituir, o cou.prar
111
aquellas coufas , de que tem os, ou
devemos ter , prefumpçao de ferem
alheyas ; e fe as compramos fern
-preceder exame , e avenguaçao ,
deque certamente fao, de quern as
vende, peccamos, e ficamos poffui-
dores de má fé; fic Molma ibidem:
Ducor
non folum contra charitatemfed etiam
contra jujlitiam, cum
\ emere ,ea deqmbusejl
fum ptio, aut efe m eritò jeb e t [ q u a n tt
’'vis avaritia obc<ecantede ea non
Ur 1 tiulonjufio efe comparata, nec
efe vendentium , ea m a t ,
'J dem bus verifimiliter
re ea eífe furto comparata; fane , j i j i -
n e vr<evio examine, quo certo compe-
r*m ' riaturnon efe furto comparata, m
ullbS
14 Ethwpe Rêfgátado,
quisemat, utfibi om,
tháliterpeccat, nec eji à principio bo­
ncefideipojfejfor.
15 D o n d e , c o m o e íle s C o m -

m e r c ia n te s t e m e x u b e r a n te s fu n d a ­

m e n to s p a ra fe p e r fu a d ir e m , a q u e

a q u e lle s c a t iv o s , n a m a y o r p a r te ,

fo r a o m a l, e in ju íla m e n te r e d u z i­

d o s a fe r v id a ô , c o m o d o q u e fic a

d ito fe c o lh e ; fe g u e -fe , q u e c o m ­

p r a n d o -o s fe m p r e v ia a v e r ig u a ç a o

d o titu lo d a fu a e fc r a v id a o , e fe m

ju íla c a u fa d e fa c u d ir e m d e fi a d ita

p e r fu a c a õ , tm con-
p r e fu m p ç a o e m

t r a n o , peccao na forma dita ;

etiam M o l i n a ibidem' Cum ergo ex


Ms, qu<e ac,
h V 3difputa-
tione dicta[u
i, V
n ,

nunc expendemus
illis in íocis ejufmodi
delibusemit, debeatut
'P
rim
eírâParte.
mrimumíine juflo titulo infervitutem
re ífe reâaãa-, efficitur, u t e wo,
fine inquifitione de titulo, quofir-
u l l a

{ im i fmtfubjeãa,i?
fa depellendi pr^fumptionem ’ ^ 0 ’
L * l(r» ârM in contrarlethahter
Uv7cca, neque incipiat bona fide pojfi-

ãer% P o is a s lib e r d a d e s , q u e n e f-

ta n e g o c ia q a o fe v e n d e m , fa o c o u -

fa a lh e y a , e p r o p r ia d o s
efcra v o s,q u efem p rea retem ,en
perderão o feu domínio, e os
merciant.es, comprando p r o m i f c u ^
m ente as mefmas Hberdades , 1
h e que fe expoem a perigo certo, e
■evidente de comprarem m u u a ., - ^
quafi todas c o m notona mjunal , e
dam no de feus donos , que fao^
mefmos cativos. E eifahi o pecca-
, do contra juítiqa ■ > etiam expmd
E thiopeKef gatado,
M .difp.tf.% hoc pofito
o lin

cip. inverbis i b i :
contra jufiitiam propter periculum, cui
fe exponunt entendi
non funt ; emendique, in gravifimam
mancipiorum injuriam, jervitutem, jeu
potius libertatem
, quam cupti homines

non amiferunt, & cujus dominium re-


tinent; tenerique , modo exp
fim
cate , earnmancipiis
Atque hoc folum fatis ejfe deberet, ad
damnandam lethalis peccati injujlitw
negotiationem mancipiorum , de qua
difputamus. . M
f 7 Em fegundo lugar faibao
também , que alem do peccado
contra juítiqa, e caridade, que af-
{im comettem os Commerciantes
neíla dita negociaqao, ficao contra-
hindo mais duas obrigações, fauma
de refarcir os dam nos c a u ia d o s , e
ou-
"p rim eira P a r te . V '

nutra de evitarem os futuros: quan­


t a primeira devem todas as vezes
que fe offerecer occaiiao , inquir
l verdade fobre a juftiça, ou rnjuf-
tica das efcravidoes dos cativos ,
que tiverem comprado ; e nao po­
dendo defcobrir a certeza, ou nao
fe offerecendo occafiao para íffo,
( como de fado fe nao offerecera,
attentas as circunítancias de tem­
po , e lugar) eftaÒ obrigados a re-
farcir o damno caufado , pro q u a n ti­
t a t e dubii re m a n e n tis. ^ .
18 Iíto he , quev#ftao obriga
d os a reítituir a cada hum dos taes
cativos [ em detrimento de cuja li­
berdade', fizer ao^ eítas com pra , e
negociação] nao a parte o e P
ço , OU valor de cada num ; íeoao
a parte do damno, e daquelles m
reffes, que aliás^tiverao , fe cad^
c
iS E th io p e K e f g a t a d o :

hum delies exiíliffe na fua liberda­


de , que he muito mayor, do que
o feu valor -7f i c Molin.didi.difp. 35.§•
f i n ih ilo m in u s a d fin . ibi: S e d t e n e a t u r ,
q u o ties f e o cca fio o b t u l e r i t , v e r ita te m
in q u ir e re ; q u o d f i non f e o f e r a t , u t
g u la r ite r f e non o f e r e t , te n e a tu r refii-
tu e r e m a n cip io ( in c u iu s lib e r ta tis de-
tr im e n tu m em ptio f a c i a e f i ) pro quan­
t i t a t e d u b ii , a u t p rjc fu m p tio n is rem a-
nentis-, non quidem p a r te m v a lo r is m an-
c ip ii, f e d p a r te m e j u s , q u o d f u a ( m an-
cipii f c i l i c e t ) i n t e r e r a t , lib eru m ejfe;
quod fanè lo n g e p lu s
efi, q u à m com m o-
dum quod alii ex ipfiiusfervitute repor-
tant, atque adeò q u à m valor mancipii.
19 E elta reílituiçaò fe o
vo e(liver aufente em parte ignota,
ou for morto, deve fer feita a feus
herdeiros, e naó os tendo, deve-fe
fegtiir a mefma ordem das outras
ei*
Parte Primeira. 19
reílituições, fazendo-fe aos pobres,
ou. difpendendo-fe em outras coítu-
madas obras pias, praticadas em ca-
fos femelhantes, e applicadas pela
alma do defunto originário crédor
da mefma reílituiçaõ; u t e tia m ha•
b e t Molin. difp.56. co n cl. 2. in m e d . ibi:
Q u o d f i a liq u o d p r< e d iã o ru m
Tum fu e r it .m
ortu
h < e red ib u srejlitu ere.
bus
pauperibus ,
carea t , rejitundwd

pro anima ta lis m a n c ip ii e r it


aut in
-
dum. ,A,
20 E quanto à fegunda obriga­
ção , he certo que eítes Comm er-
ciantes nao cuidao em examinar o
titulo da efcravidaô deites cativos,
fenao que recebem todos quantos
os Gentios lhes vendem, affirmam
d o . au e ainda quando quizeffem
C ii exa-
20 'Ethiope Kef gatado,
e x a m in a r a ju ftiç a , o u in ju íliç a d a s

fu a s e fc r a v id o e s , n a õ p o d ia o fa b e r

a c e r te z a d e lia s ; n e m o s m e ím o s

G e n t io s h a v ia o c o n fe n tir , a n te s fe

h a v ia õ e fc a n d a lifa r d e fe m e lh a n te

p r o c e d im e n to , c o m o p o r c o n fifla o

d e lle s m e fm o s r e fe r e o d ito M o lin .

difp. 7,4. §. ufitanib i :


L
omnino curant ãe titulo, quo , ip-
jis in commutationem pro mercibus ven-
âuntur, à fuis,aut ab eorum aãverfãr
riis in fervitutemredaÓii : quin
cunt, necfi de titulo inquirere vellent,
quidquamcerti pojfent ;idque
eegre paterentiir JEthiopes, nonf 'ecus,
ac inter nos tegrè ferret venditor mer-
cis alicujus, fi ab emptore interrogare-
tur de titulo, quo earn comparavit.
21 E c o m o n e fte s te r m o s n a õ

te m v ia , n em m o d o d e fa z e r e m o

exame, e a v e r ig u a ç a q n e c e ífa r ia , e
de-
Tarte Trimeira. 21 ■
d e v id a , e íla o o b r ig a d o s , d e b a ix o d e

p e c c a d o m o r ta l , a a b íte r e m -ie d e

fe m e lh a n te c o m m e r c io ; [ fa lv o fe

p o r o u tr a v ia lic ita o p u d e r e m , e

q u iz e r e m p r a tic a r ] p o r q u e fe b a lta

a fu fp e ita , d e q u e a lg u é m c o ítu m a

v e n d e r c o u fa s a lh e y a s p a r a n o s d e^ -

v ia r m o s d e n e g o c ia i c u m c n w , m u i­

to m a is n o s d e v e m o s a p a r ta r , o n d e

já te m p a ffa d o d e fu fp e ita a fer v e r ­

d a d e p r e fu m p tiv a , e v e r o fim e l. In
terminisM o l i n . âifp-35• 2.

i b i :Qiiòd fimereatores ãe titulis


dião modo imjuirere non velint ^ ciim
confiteantur JSLthiopes
plurimos pr<ediólo modo injufiè infer­
vos, omnino à mereatura ejufmodi mãn-
cipiorum abftineant.
fufpicio efi aíiquos vendere non fua ,
v abftinendumefi omnino a negoduinone
- cum illis. Idem dat R e b e l . âiót.feót.2.n.
10.
22 EthiopeRefgataâo /
io. ibi: Quodfi non detur modus inâa
ventatem, prout regulariter non
dàbitur , âejifiendum ejfe fub peccato
mortali àb emptione eorum.
22 Em terceiro lugar, quanto
aos compradores , e poííuidòres
deites efcravos, dévem faber, que
huns quando comprao o fazem com
ignorância da juítiça , ou injuítiça
deitas efcravidões ; porque talvez
nunca ouvirão fallar neíla materia,
nem a lerão, nem por outro algum
modo tiveraô noticia della. E que
outros, ou por lerem , ou por ou­
virem, ou por outra alguma feme-
Ihante razaó , já tinhaõ alguma no­
ticia quando comprarao ; e já o fi-
zerao com duvida de ferem mal, ou u
bem cativados.
23 Kites com pradores , e pof-
fuidores, que por ouvirem fallar na
m a-
Farte Fr23
m ateria, ou por lerem , ou por ou­
tra qualquer via, já tinhao alguma
noticia quando compraraô, ejá o
fizeraô com duvida de ferem os ef-
cravos bem, ou mal cativados, tem
outra fubdiílinçaô; porque ou com­
prarão a quem os pofluhia com má
fé, (como exempli gratia aos nego­
ciantes ) ou compraraÕ a quem os
poíTuhia com boa fé : ( como exem­
pli gratia aos ignorantes) fe com­
prarão a quem pofluhia com má fé,
eílaõ obrigados a fazer reílituiqaô
aos efcravos pro qu,a£
fim, e do mefmomodo, que eítaô
obrigados os Commerciantes, co­
mo a diante fe explica; Molin. difp.
3 6. concl. 5. ibi:
24 Pojtrema conclufw.
'bius propter rationes nofiras, aui -
k pterquafcumque alias,
cipia
24 E thiopeRefgatado,
cipia emeret, autde
mercatorum, qui ilia afportant, aut de
quocumque alio, qui neque Iona fide
fidere ccepifet, nequefuccefifet in titu­
lo alicui, qui bonafide ea aliquando pof-
fedifetjane tenereturad refiitutionem
mancipiisfaciendam, velmi­
norem, pro quantitate dubii, an juftè à
principiofuerintin fervitutem redaóíal
25 Sendo a razao , porque c o ­
m o n e m t e m b o a f é ex jure proprio,

p o is a d u v id a lh a e x c l u e ; n e m ta m ­

b é m te m b o a fé eauthor
q u e m ca d a h u m c o m p r o u , p o is o s

fuppom os poífuidores de m á fé ;
n ao procede a feu refpeito a regra,
de que indubio melijuf­
tè poffidentis , e por con fegu in te de­
vem rellituir o dam n o , e intereffes
pro quantitate dubii ; ut profequitur
M olin . ib i: Probaturconclufio,
mam
Primeira Farte. 25*
niam neque is , nec antecefores ipfius
ejfent pojfejfores bon<e fiâei, ut mélior
eflet conditio ipforum pojfiâentium; qua-
rè, cumfuccedant injure dúbio, an an-
tecejfores jujlè pojfiâerint ? tenentur ad
refiitutionemarbítrio ,faci-
endam mancipiis pro quantitate.
26 E fe p e lo c o n tr a r io c o m p r a ­

rão a a l g u m p o í f u i d o r d e b o a f é ,
e n tã o já te m lu g a r a d ita r e g r a ; p o r ­

q u e ju íla m e n te p o ííu e m jure fui


authoris ;e p o r iffo p o d e m r e te r o s

e fc r a v o s fe m o b r ig a ç a ô d e lh e fa z e r

r e íK tu iç a ô ; tM o l i n .
prou ,

eadem difp.36. d.3i b i : Terti


con
conclujio. Etiam poj, ex
qu<e âuabus pr<ecedentibus difputatio-
nibus diâta funt, auliunde,
fuaderet ,mancipia,
l locis afportantur, magna ex parte in-
*jujlè effe redadta in fervitutem, pojfet
D li-
*26 Ethiope K e f J
licite ea em
r-,non dim pojfi-
denturab iis mercatoribus, qui ilia ef­
fortant-,fed poflqu
jab aliquo alio
àm
bona fide pojfideri ccepijfent. Et profe-
quitur : tenereturque pofieà moralem
f acere diUgentiam, ut feiret an manci-
pium, quod emit, titulo gratuito
eo modo CKpit pojfidere, legitime a prin­
cipio fuerit infervitutem, id-
m
reâaólu
quefi via aliqua occurreret, qua id
ri certopojfet. Quòdfi nulla
rit, ut regulariter non occurret, vel
faóta morali diligentia, nihil certi
fit reperiri , ad nullamte-
nebitur mancipio, fed licite poterit il-
hid pojfidere.
• 72 E quanto aos ignorantes ,
que fao aquelles , a cujos ou vid os
nunca chegou noticia algum a, n em
tiverao razao de d u v id a r, fe eítes
eferavos vem bem , ou mal cativa­
dos,
Primeira Parte. 27'
/

dos, quer com prafifem aos Commer-


ciantes , quer compraíTem a qual­
quer outro poíluidor de b o a, ou
de má fé, bem os podem reter fem
obrigaçao da dita reftituiçao; por­
que a fua ignorância osjàz poflfui-
dores de boa fé ; e por ilio a feu ref-
peito procede a regra, de que,
lior ejl conditio pofiiãentis. Molina
ãifp. 36. l.4. ib i:
con
fio. Qui in pofierum hna fide emerent
ejufmoâi m ancipiade manu
rum, cjui illa ex JEafportant;
eo (juod rationes dubitandi, an a prin­
cipio jufiè fueruntinfervitutem
óta, ad eorum aures non pervenirent;
aut quia quacumque alia ratione ejfent
bon<efidei eorum pojfejfores, tuta conf-
cientia pojfent ea retinere , donee certo
illisconfiarei injufièfaife infervitutem
ed a ã a . Probatur conclufw, quoniam
D ii ~ re
'28 EthiopeKefgatado,
re vera ejfent bon<efidei pojfejjores:
dubioque melior ejfet ipforum conditio,
at iliafibi retinerent.
28 De f o r t e , que quern tem
ig n o r a n c ia , c o m p r a c o m b o a fé ,

p o r q u e c o m p r a c o m c r e d u lid a d e

d e naÓ fe r a c o- u f a a l h e j v a /. n o a i.u e

a b o a fé c o n fid e ; e q u e m te m d u ­

v id a , e d á in d iífe r e n te p ara a b o a ,

e p ara am á fé ; p o r q u e a fu a c r e ­

d u lid a d e n e m h e d e fer a c o u fa

a lh e y a , n e m d e o n a o fe r ; e p o r if-

fo a in d a q u e n a o p ó d e p r in c ip ia r

p o d e d eboa fé p r o p r i a , p ó d e com
tudo continuar a pode de boa fé ,
que t i v e í f e a q u e l l e a quem fucce-
der; explicaiMolin. difp.
29 Donde fe comprar a podui-
dor de boa fé , póde reter a pode ,
affim como a podem reter os que
compraõ com ignorancia, por pro-?-
Farte Primeira. 29
*
ceder a refpeito de huns, e outros/
com igualdade a me ima regra , de
q u e, m
elioreji conditio ;
razao porque os igualou a todos o
mefmo JVÍolin. difp. 36. concl. 1. ibi.
Sit ergo prima conclufio. Qidcumque
hona fide emerunt ejufmodi ã
mercatoribus, aut ea ulterius
derivata ab iis , qui bona fide ea ali-
q u a n d o p o f i í â e r e epc, re-
gulariterfunt pojfejfores , de
quibusin hac difputatione
mo, licite ilia retinent. Ffio autem du-
bitare incipiant propter ea , qu<e difipu-
tationibuspr^ecedentíbus fiunt,
aut propter rationes
qu<e occurrant, an )ufiè in fervitutem
Jint redadía, licitèilla retinent, neque
ad ullamreflitutionemtenentur.
3 o Dando a reípeito de huns ?
"“V outros a razao no íeguinte §• ibi»
Pri-
50, E thiope Kef gat ado,
iPrimum, O pruecipuum, quoddonga
hac conclufione ajferere intendimus, ex
eo efi manifejium, quòd Mi omnes, vel
fuerint à principio bon<efidei poffejfores
fuorum mancipiorum , vel iis fuccefie-
runt injure fuorum mancipiorum, qui
aliquando bon<e fidei poffejfores eorum
fuerunt: ut autem in calce difputatio-
nis pr<ecedentis ofienefi,
que bonafide aliquando ccepit pofiidere,
ad nullam refiitutionem tenetur, quo-
ufque fibi omnino confiet, rem, quam
pofiidet, fuam
noneffe; quòd in -
bio meliorJit conditio poffidentis.
11 A mefraa refoluçao tam­
bém nefta materia, além de Molin.
tem Azor Inflit, moral, j.p. lib. 8. cap.
6. §. fed quid fpeciatim,Re­
bel. de obligat.jufi. 1o. feel. 1.
n. 2.; e todos uniformemente aíTen-
tao, em que o comprador, e pofíuk
dor
Parte Primeira. - 31.
dor de boa fé deve , fe entrár \ n w
duvida, fazer a diligencia poííivelV
para averiguar a verdade fobre a
juftiça , ou injuíliça do^ efcravo ,
que comprou; e que nao a poden­
do confeguir , o pòde reter, iem
obrigaçao de reílituir; fendo que
fobre efte ponto mais ha ainda que
ver para fua completa, e ultimada
decifaÕ.
32 Porque eíles AA. deixarao
totalmente intaóta [ talvez por m-
tural olvido ] huma refoluçao nao
menos necefíaria, que as preceden­
tes ; a qual a refpeito deites com­
pradores , e poífuidores de boa fé ,
he precifo expenderfe; e para a fua _
intelligencia fupponhamos , que
qualquer delles, quando a primeira
vez q u v í q fallar neíta materia , e
^gntrou em duvida, procurou , co­
mo
32 Etliiope Kefgatado,
mÔ devia, os donos dos navios, os
Capitães,e mais peíiòas, quejiego-
ciavaõ no tempo , e occaíiaó , em
que vieraõ os ícus eferavos, para
inquirir delles a verdade do como
fe fez entaõ aquelle negocio ,^e fe
os eferavos. que vieraõ, feriao por
acafo bem cativados í
33 Supponhamos também, que
lhe diíferaô, que naquella occafiaõ
fe fez o negocio, Como nas mais fe
tem feito; e que os eferavos erao
dos cativados naquellas guerras ,
ou afíaltos dos Gentios; e que ra­
ros feriao os que entre elles vieffem
bem, e juítamente cativados; e que
ex vi delta repoíta , formou o tal
poffuidor o feu difeurfo, dizendo:
Se raros feriao os bem cativados, mais
faóiivelhe, que os meus dos que
então vieraõ cativados injuflamente. f
E
Primeira Parte. .1 33-

34 E como efte juizo proplm-


deo mais para a parte da injuítiqa
das efcravidoes, em taes termos en­
tra a queítaó, e pergunta: Se por
razao ãefia mayor propenfao efiá obri­
gado o pojfuidor de boa fé a fazer al­
guma refiituiçao aos efcravos, com
, J
ooa je comprou , c wm uuují- f/iyu*
-t S' f 4/i/y
■.
~t\ /X./1 n a ta

E porque acima fica dito com M o­


lina , que as liberdades fao a coufa
alheya, que nefte negocio fe ven­
de , e os cativos fao os donos, he
neceíTario tomar a refoluçao deíla
queílao, [ como fe tomao todas as
mais nefta materia] do que nella
refo lvem os T h e o lo g o s , a refpeito
da coufa alheya, com boa fé poífui-
da.
5 E como com elles a refolve
j
Sanch. de matrimon., dizendo, que
taes termos efiá obrigado o pof-
' E fuidor
, 34 i Ethiope Refg,
factor de boa fé a fazer reílituiçaõ
a de parte della, por razao da mayo-
ria daquella propetifao; habet lib.
2. difp. 41. n. 19. ibi: Secunda conclu-
fio: Pojidens bonafide ,fi pr<emifa de­
bita diligentia, dubius maneat; magis
tamen propendeat in earn partem, quod
res ilia aliena f it; tenetur partem refi
tituere, pro ratione maioris illius pro-
penfionis. Quia tunc non efl par caufa.
Sic Salon. 2. 2. q. 62. art. 6. controver•
fia 4. Petrus de Ledefma de matri-
mon.q.tf.art. 1.ad). prim<efententw
dubiifecundi. Bannes 2. 2. ante q. 62.
in pream bulo ad, ultimo
concl. 2.
E t in hoc cafiu videntur loqui
Sotus, ?Ledefma
C . , quos 11.
tail , dicentes in d divi-
dendam ;’ aiunt e n im ', auando
I jfob jfor-
midine judicatur res aliena.
36 Segue-fe, que a mefma rek,
tituiçaò
'Primeira Parte'. * •' 35•
tituiqaõ devem fazer eíles compra*(
dores de efcravos, e poffuidores de
boa fé; pois nao pódem deixar de
ter femelhante propenfaoe for­
mar o mefmo difcurfo, a vifla da
noticia, e fama confiante, que cor­
re de virem todos, e quafi todos,
ou a mayor parte defies roai, e in-
juílamente cativados; e à vifla do
que a eíle refpeito dizem os meí-
mos Mofina , e Rebello , que aci­
ma fe tranfcreverao; e a razaõ he,
porque iífo, que efles dizem , jun­
to com eíla fama, e noticia , que
geralmente corre na cenfura dos
prudentes , preíla cabal razaò , e
fundamento para fe julgar, que o
entendimento ex vi delia, per a-
£tum opinionis ,vel
c i o n i s , aífente ou ao menos fe
%cfina j e propende mais paia a
X “ E li par-
;i$mí
á6 J E thiope Refgatado,
£,
part é da injuíliça das eícravidoes.
37 E pela razaô , e fundamen­
to lie que fe regula fer qualquer du­
vida igual, e propriamente duvida;
ou fer defigual , e propriamente
opinião, ou fufpeita, ou efcrupulo;
como depois da explicação defies
ados adverte Sanch. de matrimon.
ãiã. difp. 41. n. 3. ibi: Adjudieandum
autem, non tam attendenâum eji, an
adfit âubium, vel opinio, vel firmus
afenfus, ad caufas unde oritur;
àm
cju
potejl enim afenfus ex tam levibus ra-
tionibus oriri, ut vir prudens potius
fcrupulurn judicet; HX è contra, pof
funt aãeo urgere rationes ferupuli, ut
potius fit feientia ,vopinio.
tus 4. Í.27. q. 1. art. 3. verf. tunc ergo.
3 8 Pelo que, quando M olina,
Rebello, Azor, e os mais AA. di-
zem, que os poíTuidores de boa fé #
fei-
Primeira Farte, * \j 7
% ip*
feita a moral diligencia, ou nao lia-^
vendo modo de afazer, fe perma­
necerem na mefma duvida, podem
reter os efcravos, e nao tem obri­
gação de lhes fazer reílituiçao algu­
ma, pela regra de que , dúbio
Uoreft conditio pojfid; entende-
fe , quando a duvida for propria­
mente duvida ; iflo he , quando o
feu fundamento for igual a refpeito
dos pofluidores, e a reípeito dos ef­
cravos , intelleãu
propendente; e nao quando a duvi­
da nao for propriamente tal; iíto
lie, quando ella, e o feu fundamen­
to propenderem mais a favor dos
/ efcravos, contra os rnefmos poífm-
dores; aliás errariao os ditos AA.
a fua doutrina; o que fe nao póde
dizer neíte ponto, ainda que nelle
^'^llaraõ com arte, e cautela; de for­
te
38 Ethiope Ref gat ado", f
4
te , q u e o s d o u to s b e m e n te n d e f

fem , e o s m e n o s a g u d o s , e o s p re*

ju d ic a d o s fe n a õ o ffe n d e ffe m , e p e r

turbaffem.
39 E a d iv e r fa ra za ó h e ; p o r ­

q u e fu p p o íto , q u a n d o a d u v id a h e

ig u a l , o u ig u a l o fe u lu n d a m e n to ,

ta n to d ir e ito te m à p r o p r ie d a d e d a

c o u fa a lh e y a o p o ffu id o r d e b o a f é ,

c o m o te m o d u v id o fo d o n o ; c o m

tu d o c o m o o p o ffu id o r d e b o a fé

te m d e m a is o d ir e ito c e r to d a p o í-

fe a é tu a l, e m q u e e x if t e , n e íte d e­

v e fe r c o n fe r v a d o , e p r o te g id o e m

h u m e outro f o r o ; e feria
, ín ju íli-

ça t i r a r l h e a poffe q u e t e m , e r e íti-

tu ir a c o u fa a o d u v id o fo d o n o ;

ãat S a n c h . de matrimon4 r *
fubn. 1 2 . i b i : Ergo cum fit par
iitriufíjuecaufâ, meli
conditio, ut rem poffit retinere; quia i t
..... ' " ' fo ro
Primeira Parte. V 39
foro externo, veritate cognita, proie-
getur hie in fua pojfejjione, nec aliquid
refiituere compelletur: ergo O ’ info­
ro interno quiajudicia hec
non funt, nifi quando externum pre-
fumptione ducitur ,
veritatem ovit; ut dixi lib. 1. difv. í.
n
n.20. ; O’ profequitur ibi : Qiúa nul­
lumaliud crimen in hac retentione
mitti potefi , nifi ;in
f
ju
non eft; quoniam injufiitia inequalita-
tem inter ulriufque partis jura impor­
tai ; hie autem nulla ;
fed eajfet , refiitutio ;
enim utriufque partis, licet «equatefit
in dubio, quoad proprietatem non ta-
men eji equate, quoad pojfejjionem; pof-
fidens enim certus ejl juris pojfidendi:
ergoft maneat in eoure.
j
nis, in quopotior eft ,nulla
$ejt inequalitasO’
fia. P e *
4o Eihiope Refgatado,
*40' Pelo contrario , quando â
duvida, e o feu fundamento pro­
pendem mais para a credulidade de
íer a coufa alheya, já então , ex vi
deita mayor propenfaõ, tem o du-
vidofo dono mais direito à proprie­
dade da coufa , do que tem o pof-
fuidor de boa fé ; e ainda que elte
pela aétual infiítencia , tem mais di­
reito à poffe, do que elle tem ; com
tudo, compenfando o mayor direi­
to, que o duvidoío dono tem à pro­
priedade , com o mayor direito, que
o poffuidor de boa fé tem à poffe,
ambos vem a ficar em igualdade; e
por iffo devem dividir a coufa entre
íi; ut dot Sanefa, âifp. 41. num. 19., já
acima tranfcripto neíle difcurfo no
num.55.; o que outra vez confirma
na mefma dif}but.41. 14. in -
Ms ibi : Dividendam e(fe rem promif\, .
fará]
Parte Primeira. V ^ 4 i

fam; Jicut de pqfidenterem, qtiefn


natur, aut magis propendit ejfe alienam,
diximus hac difp.n.19.; -
re pro dubiiqualitate; quia mayor ju-
dicii determinate, etiam cumformidi-
ne, fujficienter compenfat excejfum pof-
P stffi n si~t t rt-tsvt sll-h/y-v* Tl
I C J J I U H L Ò y L f U U i n W U s & i I .

41 D e q u e fe f e g u e , q u e fe a

n o tic ia , q u e c h e g a r a o s o u v id o s d o s

p o flu id o r e s de b o a fé, f o r ta ô d im i­

n u ta , q u e e lle s n a o p e r c e b a o fe r e m

m a is o s e fc r a v o s, q u e v e m m a l c a ­

tiv a d o s , d o q u e o s q u e v e m le g iti-

m a m e n te c a t iv o s ; n e fte s te r m o s ,

ainda poderáô reter os efcravos,


q u e p o í f u i r e m ,fem obrigaçao de ref-

titu iç a o alguma, em quanto lhes


nao f o b r e v i e r m a y o r n o t i c i a . Po­
rém fe a n o t i c i a , que c h e g a r a f e u s
o u v id o s , fo r m a is a m p la , c o m o

: i de fado h e , de forte que percebad


F ferem
4 E thiope Refgatado,
fercrti mais os efcravos que vem
/

mal cativados, do que os que vem


legitimamente cativos; devem lo­
go fazerlhe reílituiçao ratione
mayoris propenfionis ; mayormente
quando in fubjeóía materia as razoes,
cm que fe funda eíla mayor pro-
penfaõ, fan de íi convincentes, e
fufficientes a gerar no entendimen­
to do poffuidor do efcravo, hum
afíenfo opinativo, moralmente cer­
to de fer elle injuílamente cativa­
do; o qual baila para o dito effei-
to , ainda eílando pela opiniaõ de
V a f q u e s i . 2. q. 1 9 . art. 6. âifp. 66.

cap. y . .42 . ;
n ede S a l a f .
traât. 8. âifp. unic. feât. 2 5 . n. 2 3 1 .
42 E porque tanto eíla dita
reílituiçao pro ratione mayoris propen­
fionis , como a outra reílituiçao
quantitate ãubii, feguem em tudo as >
reg ra s
Primeira
regras da reílituiçaõ de coufa âiheã
frutífera; faibaõ também huns, e
outros pòífuidores , que naõ fo­
mente devem reítituir aos efcravos
a proporcionada parte dos^ feus in­
ter eífes , e ferviços, que faô os feus
frutos; fenaô também a proporcio­
nada parte da meíma liberdade ,
que he a coufa alhea frutífera, que
aqui fem de reílituir. ^
43 E fuppofto eíta reftituiçaõ
parece fe nao pode fazer efpecifica-
m ente, por fer a liberdade coufa
indivifa, cujas partes faõ ^intelle-
étuaes, e naó faõ obje&ivè difcre-
t a s , ut efi text. in
ficf. ãeflipul.fervo.G o m .
10. fúb n. 7. Vinnio in §. erat olitn 4*
Injlit. de ãonat.Árouca J L . 5 ■ jf-de
Jlat.homin. §. 1. n. 10. ; e também por.
’ .que a liberdade da parte dos efcra.
E ii vos

\
A if "Ethiope R ef gatado,
vos he ineílimavel. L. if
L. noneft, §.infinita, ft.de .
in % cum ergo 7- Inftit. qui quib.
ex cauf. ubi etiam Vin. e ainda
quando fofle eílimavel, nao tinha
lugar o pagarfe parte da íua eítima-
çao ao duvidofo efcravo; porque
ifíb era comprar parte de homem
livre; o que o direito nao admitte,
conforme as leys que cita, e ex­
plica Arouca aã L. y./. de fiat, hom.
§. i. n. ].cumfequentib.; as quaes pro­
cedem tanto na compra, e venda
total, como na parcial, pela regra
de que quiãquidãiciturde , quo­
ad totum, ãicitur de parte, quoad
partem. L Qu<e de tota de reivinã.
L.Hceredes mei, §. cum ad Senat.
Confuit. TSrebl. anch. de
lib. 2. ãifp. 41. n. \\. .
44 Com tudo ha modo de fe/> - ...

■ ‘ fazer
Primeira Parte.
fazer neftes cafos reftituiçao efpeci-
fica daquella mefma parte da liber­
dade, que for devida pro quantitate
dubii, ou pro ratione mayoris propen-
Jionis; que he darfe ao duvidofo ef-
cravo a liberdade toda; parte em
reftiíuiqao, e íimultaneamente par­
te por venda ; recebendo delle o
juílo preço da parte aífim vendida;
de forte que fe a noífa duvida, o u
mayor propenfao nos obrigar a ref-
tituirlhe ametade da liberdade, e o
efcravo valer, exemplicgraem
mil reis, devemos darlhe meya li­
berdade por reílituiçao , e íimulta-
neamente venderlhe a outra meya
p o r c in c o e n ta . ■

' 45 E a razaô h e ; porque a obri­


gação de reítituir efpecificamentea
propria coufa , fe.extende a qual­
quer modo poífivel, pelo qual fe
polia
\k Ethiape Kefgataão,
poiTa confeguir efle effeito; de-
ducitur ex text, in cap.ft aliena l.canf.
15. q. 6.1? in cap. peccatum 4. de reg.
jur. infexto. Navarr. in Sum.cap. 17. n.
lo.ibi: Tenetur rejlituere eandem rein
ji potefi. Et n. 24. ibi: Idipfum, quod
acceptum eft, vel debetur, fi fieri po­
tefi. Logo por efle fobredito modo
fe deve fazer areftituiçao efpecifica
da parte da liberdade, de que falía­
mos ; porque elle nao fomente he
modo poffivel, e faétivel; fenao
que tambem he livre dos fobreditos
embaraços; pois a liberdade da par­
te dos poffuidores he divifivel, e
recebe o valor commum, e com-
mua eftímaçaô do preço porque fe
coflumaó comprar eíles efcravos;
ainda que da parte delles feja ella
indivifa, e ineílimavel , ut ãocet a
Vinnius M j. cum ergo 7. Infiit.qui,
O*
Trimeira Tarte. M7
V a quibus ex cauf. Per. de
cap. 19. n.-i6. O 21. E o direito que
prohibe a compra de homem livre,
naó prohibe, antes permitte ven-
derfe aos efcravos a liberdade por
dinheiro; ut ejl text, in Jj. licet ac-
cepta 33. cod. de libel*. cauf.
46 Além difto, tanto que os
pofluidores contrahirao má fé , ou
cahiraõ na mayor propenfao; logo
aequirem osduvidofos efcravos^Mr
à parcial reftituiçao da fua liberda­
d e , que elles tem de lhe fazer, e
por eíle jus ficao fendo feus focios
em coufa commua, fcil, na fua
mefma liberdade; na qual o poflui-
d o r, e o eferavo duvídofo, cada
hum fica tendo a fua parte. E da­
qui confurgem mais duas difpoíi-
qoes jurídicas , que obrigaõ os
pofluidores a vender ao eferavo a
outra
I
4 8 . E thiopeRefgatado,
outra parte da liberdade iimulta-
neamente, quando lhe reílituirem
a fua; a primeira coníiíte, em que
quando .dous focios tem de repar­
tir a coufa commua a ambos, fe eh
la nao foffre divifaÕ, deve hum
comprar ao outro a íiiu parte, ou
venderlhe a que tiver, aliás ven-
derfe a terceiro para repartir entre
fi o preço, ex Valafc. part
22. n. 15. infine.Guerr. de âivif lib. 5.
cap.6. n. 1 6.; n como nos termos
e cafo em que falíamos, nem o pof-
fuidor, nem o eílranho podem
comprar a parte do efcravo duvi-
dofo ,* porque nao podem comprar
in totum,vel pro parte a liberdade
de homem livre, utdiãum, -
batam ejl.
■ 47 De neceffidade para fe fa­
zer a devida repartição, e reílitui-'
çao
Farte Primeira'. V A9
ç a o , d e v e o p o ffu id o r v e n d e r a o

d u v id o fo e fc r a v o íe u fo c io a p a r te ,

q u e n e lle te m ; p o is as o b r ig a ç õ e s

a lte r n a tiv a s , íe n a o p o d a & í p o r a l­

g u m a o b je c ç a õ e m c o n tr a r io cu m -

p r ir fe p o r h u m d o s m o d o s a lte r n a ­

d o s , eo ipfo fe d e v e m c u m p r ir , e

fo r tir e ffe ito p e lo o u tr o , q u e n a o

tiv e r o b je c ç a õ bene Cy­


a lg u m a ;
m e. tom. 4 . controverf. 5 7 6 . 5 . l?

4 . ib i: Unde cumalternativa ejl con­


tenta uno tantum ex petitis;
alternativis, de reg. jur. in 6. L. Si
hteredes plures , de condit. Infi.
Alex. conf.ii. n.2.vol.2.Honded. conf.
2 $ . n. 12 . vol.1.; O ’n
Jit fortiri efeOtum
ternativee, cenfetur purè, O fimpli-
citer propofita in capite, in quo efji-
cax efe potefi; C? cui nihil objici po-
teji; atque in eo fob confifere did-
(jr tUT*
) Of J u ln lU js v X \v jz ^ u i/U U Q j
s'
tur. L. Sticuura, o 9$,
§. 1.ft. de folut. L. Si duo rei 12%.ft. de
verbor. obhgat.
. « A v ^ c iin d a d if n n iic a o ir .r id i-
‘f " ' ■“ * * - 0 ---------------- r - j - —

ca he terminante , e efpecial a
favor das liberdades, e confide em
que quando algum dos focios, que
tiver efcravo commum lhe der, ou
quizer dar liberdade, deve o ou­
tro focio vendèrlhe a parte, que
tiver nelle, ou feja mayor, ou fe­
ja menor, ou feja igual à fua. H e
expreflb text, in L. 1. commit,
ferv. manumif. in verbis ibi: Necef-
fitatem habente focio
■fuam , quantum
in ,
dimidiam ,Jiveteriam,
cumque. E tfi pluresuno ex
his libertatem imponere cupienti, alios
cmnesneceftitatem habere partes fuas,
quas infervo poftiáent, vendere ipji,
a
Primeira P arte. v*i
qui Ubertatem fervo imponere âefide-
ra t: fie etiam text, in §. erat olim 4.
Inftit. dedonat. ubi Pi c h a r d . V i n n .
M in tin g . O ’ Cceteri
g id . ad L.1 . cod.de Sacrof Ecclef.
initio 5. p. n. 6. Sylv. ad Ord. lib. 4.
tit. 1. ad rnbr.art. 6 61. ub
4 9 E p o r iffo fe o d u v id o fo e f-

c r a v o , n o s te r m o s e m q u e fa llá -

m o s , q u iz e r c o m o fo c io lib e r ta r -

fe a ii p r o p r io , c o m o e fc r a v o ,

c o m p r a n d o p a ra iffo a p a r te ig u a l,

o u m a y o r , o u m e n o r , q u e o fe n

p o ffu id o r d e b o a , o u d e m a fe

n e lletiv er, deve e f t e como feu fo­


cio receber o valor della , e dar-
Ihe a liberdade; porque em tal ca-
fo o e f c r a v o duvidofo tem d o u s d i t
tindtos d i r e i t o s , e f e m c o n f u f a õ ,
k fe n d o h u m f ó , fe r e p u ta c o m o fe

foffem dous h o m e n s para o dito ef-


Gr ii feito;
52,' ’Ethiope Refgatado,
f e it o ; o q u e n a õ h e n o v o e m D i­

r e ito , n e m in v o lv e im p lic â n c ia a l­

g u m a ut explicai R e i n o f .
,

54- ti. 6. 7ÍT. i b i : jura


àuorum in eadem perfona exiftunt, dif-
tinóia remanent, O 1 non confundun-
tur-,fed con/iderantur,âu<e
fent perfon<e; ut ex B a l d . enim
eadem res intelleCtuali confiâeratione
diverfimodè cenferi , ubi concurrunt
plures intelligenâi form<e, ex traditis
per B a l d , in L. 1 . oppofit. 3 . de
Jervis fugit.
5 o Deinde q u a n t o à r e í l i t u i ç a o
d a p a r t e d o s f r u t o s pro quantitate du-

bii, velpro ratione maioris


nis; d e v e m t a m b é m f a b e r , q u e p o r
fr u to s , a r e fp e ito d o s p o ífu id o r e s

d e m á fé , fe e n te n d e m to d o s o s

lu c r o s , e in te r e fíe s , q u e o e fc r a v o

p o d ia te r lu c r a d o , fe e ítiv e ffe n a

fua
'Parte Primeira. ti 5 ?
fu a lib e r d a d e ; e a ra za õ h e , p o r q u e

a r e ílitu iç a o d e fte s p o fiu id o r e s d e

m á fé , d iz e m a s le y s , q u e h a d e

fer cum omni caufa, ut funt text, in


L. fed partus ,f quod met.
T
C
JL. cum fundus , jf.fi certum petal. L.
Julianas, f . derew
in
. L. videamus,
§ . fi aãionem, f.de e n a s p a ­

l a v r a s cum omni caufa, f e c o m p r e -

h e n d e tu d o o q u e fe p o d ia p e r c e ­

b e r , e lu c r a r n o te m p o d a r e te n ­

ç ã o ut explicat text, in L . pr<eterea,


;

jf. de reivindicat. CT âant G a r c i a de


expenf. cap. 2 3 . n. 47- G u e r r . forenf.
q. 1 4 . n. 1 0 .
51 E a refpeito d o s p o í l i u d o ­
res de boa té , fomente f e enten­
dem por f r u t o s a s o b r a s , o u f e r -
v iç o s d o s e fc r a v o s; a liá s a fu a e fti-

m a ç a õ , o u fa lla r io s d e v id o s d e fd e

p tempo da m a y o r p r o p e n fa o , em
<aue<
U- EthiopeR ef gatado,
que a boa fe ceifou; porque o po£
fuidor de boa fé faz os frutos feus
até o tempo em que ella dura; co­
mo tudo em efpecificos termos de
ferviços de efcravos tem ¥ eg. for.
tom. 5. cap. 107. n. 124., 0 ‘fecj. , e ge-
íalmente em termos de qualquer
outra coufa frutífera, dat Moraes
de execut. infir. tom. j. cap. 10. n. 18.
ÍT n. 21. in fine.
52 Donde (concluindo já eíle
ponto das reílituiçoes) como a du­
vida da injuíliça delias efcravidòes
he defigual, e mais que duvida ,
por razaó do feu fundamento, que
na forma dita a faz fer propriamen­
te opinião, ou fufpeita, e ella desi­
gualdade p ôem m ais hum a parte
a favor dos e fc r a v o s, de forte que
v em a ficar com duas na fua liber­
d a d e , e os poffuidores de. m á fé
com
T fisneira Tarte.
com liuma tao fomente, e a poffe
deites, como injuíta, nao compen-
fa alguma das ditas duas partes em
o

contrario.
f 3 Segue-fe,que eítes ditos pof
fuidores de má fé devem logo dar
liberdade aos efcravos. Em duas
partes reftituida, e na terça parte
vendida por feu juíto preço. E de­
vem mais reílituirlhe duas partes
da importância dos lucros, e inte-
reífes, que elles, fe eítiveffem livres,
podiao ter percebido; abatendo ,
ou defcontando o preço da venda
da dita terça parte da liberdade.
54 E os poffuidores de boa fé ,
como compenfando a terça parte
da fobredita duvida, ou do funda­
mento da mayoria da propenfaõ,
“corn o exceifo, ou mayoria da pof­
fe , ficaõ em igualdade com os ef­
cravos ;
5& nthiope Refgataâo ]
c r a v o s •, d e v e m lo g o d a r lh e a lib e r ­

d a d e . N a a m e ta d e r e ílitu id a , e n a

o u tr a a m e ta d e v e n d id a p o r f e u ju f-

to p r e ç o ; e d e v e m m a is r e ílitu ir -

lh e a a m e ta d e d a im p o r tâ n c ia d o s

fe r v iç o s p o íte r io r e s à n o tic ia ; d e í-

c o n ta n d o -lh e o p reço d a v e n d a d a

a m e ta d e d a lib e r d a d e . E í e n a o c h e ­

gar p ara e fte d e íc o n to , p a g a rá o o s

e fc r a v o s o r e íto a d in h e ir o . E fe o

n a o tiv e r e m , c o n tin u a r á o n o fer-

y iç o d e feu s p o íT u id o r e s , a té lh o

p re fa z e r e m ; p o rq u e n as v en d a s d e

lib e r d a d e , p r im e ir o fe p a g a o p re­

ç o , do que e lla fe e n tr e g u e , e re­

c e b a ; ut ã a t, & p ro b a t S y lv a ad
O r ã . lib. 4 . t i t . 12.9.,
e eíla mef-
m a preítaçao de l i b e r d a d e , meya
r e ílitu id a , e m e y a v e n d id a , e com ,

o mefmo d e f c o n t o n a a m e t a d e d a
importância dos ferviços poíterio-
; p r im e ir a F a r te . 57

res à n o tic ia , d e v e m ta m b é m pra­

tic a r o s d ito s p o ffu id o r e s c o m o ,


d as e fc r a v a s, n a fc id o s
y -----------
te m p o
,
d a
-« n ^ r a n r ia
ig n o r a n c i
e b o a re ;
,d e m
DOru u e a fe u r e fp e ito p r o c e d e m

lom i g u a l d a d e as ^

- s^ nafci emj r l d r f e í h e
d e v e u ia y o r r e ftitu iq ã õ , p e lo e fp o -

l i o , c o m o a d ia n te fe e x p e n d e .
í A lé m d iíto d u as c o u fa s d e­

v e m m a is fa b e r o s c o m p ^ ^

p o ffu id o r e s d e b o a fe . A P
L q u e e x v i d a n o tic ia q u e te m , e d a

d u v id a e m q u e c o m e l a en tr a r a o .

n a o p o d e m v e n d e r o s e ^ ra v ,q

p o ffu e m , fero g ra v a m e d a c o n ic
L i a . H e q u e fta ô , q u e e x c ita e m

te r m o s , e r e fo lv e o Ç r tH

. w I nil. moral 3 . p . cap. 6. $ . Dubitarh


i b i : Bubitari quis pqjjet, an is aom^
5$ E thiopeKefgatado
n l i S \( Çs'li-i'vi / ' i + n f i c rlTtii'VH
iitY í C/ i Oi i lC
mrp WP
lp W lo w u n u , **jv i i i i i \y i w
an injuria pojfideat,quemit fer
into alteri vendat r , mini-
mè: nam tunc idea jure retinet, quia
melior ejl conditio : ergo
jus habet pojfidendi fervum, non ven-
dendi : quemadmodumquando
alias res pojfidem
u
s,
Tint ne alienee, an nofir<e \ Jure quidem
pojfidemus, vendere tamen non pofu-
mus;nec enim ejl idem jus vendendi,
quod pojfidendi; e o mefmo procede
a refpeito dos partos das eferavas
nafeidos no tempo da ignorancia^
e boa fé; os quaes tambem fe nao
podem vender,
nis.
56 A fegunda coufa, que tam­
bem devem faber he , que exvi da
dita noticia nao podem comprar
fern encargo de çonfciencia outro
a lg u m .
Primeira Parte. 59
a k u m e fc r a v o ; p o r q u e a r e fp e ito

d e to d o s , e ca d a h u m p r o c e a e a

m e fm a d u v id a d e fe r e m b em , o u

m a l c a tiv a d o s , e e n tr a a d o u tr in a

d e A zo r ãiã.cap.§ . ,
ib i: Quidft dubiifumus an Jhthwps
ât fervusefeãus jure, an ?

j i umnè tuta fietantere


con
musl Níinimè verb-, aliud efi emm
rem m e r e ,aliud refinere h à b e -
mus. Nimirum jure
rea'quoà melior fit conditio pofiidentis.
Sed ad emendum non ,

eum ãubitam
us, fit , * * * Uber
homo is, quem emere
57 De q u e fe f e g u e , q u e t a m ­
bém dos partos d a s e f c r a v a s p o l t e -
r io r e s à m e fm a n o tic ia fe n a o p o ­

d e m fe n h o r e a r , e fe d e fa c to fe e-

n h o r e a r e m , fa r á o e fp o lio , e fie a -

rád o b r ig a d o s a lh e r e ílitu ir to d a a
H ii líber-
60 E thvopeR ef
lib e r d a d e p le n a m e n te , c o m p erd as,

e d a m n o s , n a fô r m a d o s m a is e f-

p o lio s , c o m o a d ia n te n a fe g u n d a

p a rte d e ite D ifc u r fo fe d iz ; p o is

fu p p o íla a n o tic ia q u e te m o s , n e m

c o m o d o n o s d as efc r a v a s, n e m

c o m o fe u s p o ffu id o r e s d e b o a f é , n o s

p o d e m o s fe n h o r e a r d o s p a r to s fu-
pervenientes. C o m o d o n o s n a o ,

p o rq u e já n a o fa b e m o s íe n o s o-

m o s fe n h o r e s d e lia s , o u fe e lla s

fa o fe n h o r a s d e f i, p ara r e g u la r ­

m o s o s p a r to s, v iíto q u e p or D i­
r e ito p e r te n c e m a o d o n o d a p ro ­

priedade , com o diz o text, m \ m


pecuâum 3 7 . Injlit. de ver. divij. 1 1 .
Partus verb ancille m fruciu non ejt;
itaque aà dominam proprietors perti-
net; e c o m o poffuidores de b o a e
também n a õ ; porque a boá íe cei
fou pela noticia fu p e r v e n ie n te , co-
" r ' mo
T a r te T r tm á r a . 61
m 0 d iz M o lin a âifp. T « - 5- ie
a lé m d iffo o s fr u to s d as e fc r a v a s

fa d o s fe u s fe r v iq o s , e n a o o s fe u s

p a r to s , e p o r id o p ara fe W
r e m ,h e neceffario d o m ín io , e

b a fta a p o ffe d e b o a fe i V 'n m u s

in d. § . m pecuâian, n.i. pofl mei. ^


, 8 E eifaqui o q u e fe p a ffa n o ,

fo r o in te r n o d a c o n fc ie n c ia , c o m a

n e g o d a q a o , e p o ffe ffa d d o s p r e to s

c a tiv o s A fr ic a n o s , p r a tic a d £
v ia d è co m p ra e p e r m u t a s a o ,c o m

a c q u iiic a d d e d o m ín io , P

d er a v e r ig u a ç a o e c o t a a ^
g itim id a d e d a e fc r a v id a o d e ca d a
hum. Os Commerciantes a m b o
em eftado de condemnaçao, ex
cepto fomente algum., aquem a
Í S t o t a l , e invencível i g n o r â n c i a

e fc u z e , e e ta Õ o b r ig a d o s a

fa r c ir a t o d o s o s c a tiv o s , q u e m - -
62 Ethiope Refgataâo,
' **. •*
tiv e r e m c o m m e r c ia d o , o s d a m n o s,

e p r e ju íz o s r e fu lta n te s d a in ju ítiç a

.3-S
c o m q u e o s e x tr a h ir a o , o u fiz e r a o

e x tr a h ir d a s fu a s te r r a s, e a c e ifa ­

r e m d e íle n e g o c io , p o r v ia d e

p e r m u ta ç ã o , c o m p r a , o u q u a lq u e i

o u tr a a c q u iíitiv a d e d o m in io .

L ;■ 5 9 A s m a is p e íT o a s , q u e o s

eom p raÕ p ara o fe u fe r v iç o ; h u n s

fe a ch a ó o b r ig a d o s a lh e v e n d e ­

rem a te r ç a p a r te d a íu a lib e r d a d e ,

e r e ílitu ir lh e as o u tr a s d u a s, c o m

o s r e fp e & iv o s lu c r o s , q u e e lle s p o ­

d erã o te r a c q u ir id o , fe e íliv e íT e n x

liv r e s d a e fc r a v id a ó , e o u tr o s fe

achaò obrigados a lhe venderem


metade da liberdade, e reílituirlhe
a outra m e ta d e , com os refpeótí-
vos f e r v i ç o s , que na efcravidaó lhe
houverem fe ito , e h u n s, e o u tr o s,’
í n h a b i l i t a d o s para os venderem ', e
alhe-
Primeira P^arte. 65
a lh e a r e m , e ta m b é m p a ra co m p ra ­

rem o u tr o s n o v o s , c o m q u e íe

h a ia ô d e fe r v ir .
6 0 M a s fe à v iíta d e fie s h o r r o -

r o lb s e n c a r g o s, e d e íla s d e tr im e n -

to fa s r e ftitu iq ó e s , a ffii& o s , e an -

c io fo s d e íe ja o to d o s fa b e r , fe h a

o u tr o algum m o d o , o u tr a v ia , o u

o u tr o g e n e r o d e c o n tr a to , c o m

q u e p o ffa o (p a r a o fu tu r o ) co m -

m e r c ia r , h a v e r , e p o ffu ir e íte s d -

to s c a tiv o s A fr ic a n o s , ( e p a r a o

p r e fe n te ) r e v a lid a r , e fu lle r a p o í-

fe d o s q u e e x iíle m n a fu a e fc r a v i-

d a o ? T o m e m n o v a r e fp ir a ç a o , e

entremos na fegunda parte.

SE*
Ó4 Vthiope Refgatado,

SEGUNDA PARTE,
Vo querefeita ao modo
do,da negociação ,
defies cauvui.

i u E b e llo juft,
lib. iS . 4 .2 5 . feã. 5- n-
20 fa lla n d o n o p o n to , d e q u e a

fa v o r d a F é , fe d ev êra p r o m u lg a r

L e y , p ara q u a lq u e r in fie l, r e c e b i­

d o o fa g ra d o B a u tifm o , fic a r liv r e

d a e fc r a v id a õ ; d iz , q u e e íte era

ta m b é m o m e y o d e fe r e fe c a r e m

as in iq u id a d e s d a n e g o c ia q a o d e f­

Expedirei maxmie,
ie s c a tiv o s , i b í :

non folim
Summits , eti

m
M'»n
O' ■*" ' “ R p.x C
ath
olicu
s, <efi .y-»•
çem favore fidei pro tot a conquijitio<r%>
ne Lufitana , quàm primum f errent ’
Séguilda P arte.
ad tollenâas injurias qn<e propter ,

avaritiam fiuntin quàmplurimis .


Bus infervitutem injufi
2 E profeguindo n o n. 51. a c c r e l -
e e n ta (d a n d o ra za o d o fe u d it o )

q u e m o r a lm e n te fa lla n d o , n a o h a

o u tr a v ia , p o r o n d e fe a ta lh e m to -

d o s a q u e lle s e x c e ffo s n e ita m a te r ia *

q u e a fa m a te m p u b lic a d o ; p r m c i-

p a lm e n te a r e fp e ito d o s e fc r a y o s

d e G u in é ; o n d e h u n s p o r v io le m

c i a , o u tr o s p o r fr a u d e , fa o c a tiv a ­

d o s , e tr a z id o s a o s n a v io s d o s

P o r t u g u e z e s ; o u tr o s p e lo s d e lié lo s

a lh e y o s d o s p a y s, d o s filh o s , d o s

e o n fa n g u in e o s , d a m ulher , e d o

m a r id o ,, fa o r e d u z id o s a p e r p e tu o ;

c a tiv e ir o ; o u tr o s o fa o em g u e ir a s

jn ju íla s ; o u tr o s n o s r e p e n tin o s , e

fu r tiv o s a fia lto s ; e o u tr o s p o r ar-

tific io fa s im p o ílu r a s d e h o m ic íd io s ,

1 ®
'66 'E thiofe Ref g a t a d o ,
e •
c r im e s nfmcrifios
n g i a o s , ibi:
iu i.

enlm loquendo , nulla aha


V0ife obviari multis,
bus iniuflèin fervitutem rediguntur,
a l l fen ! pr<efertim in Regtone
Guine*. Quidam enlm per vim, vel
fraudem, ad navigia
hmtur. Et profetjuitur: Alu fine ulla
culpa fun pro deltão patnsfamthas,
perpetua fervitute barbari iamnantur,
nempe uxor, flit, & conjangumeu
Alii hello injufio capiuntur, u pi o
mancipiis venduntur ; ejufmodi emm
barbari Mthiopes, nihil de jure belli
curant-, fedqui virib
in vicinosproedas Ain
neceftate à parent.
Alii fraudulento artificio hominis ocel­
li, cujus occifioms ,
redigunt plurimos in fervitutem cum
ma fua família. ^
Segunda Parte. 6 7

3 M a s p o r q u e e fte m e y o , p o f-

to q u e ta ô in fa lliv e l p ara o in te n -

t o , p r e ju d ic a v a à fu b íiíte n c ia , e

c o n tin u a q a õ d o c o m m e r c io , a lia s

u til, e n e c e íía r io a o R e in o , d ir h -

c u lto fa fe fa z a fu a in tr o d u c ç a o .

M a is fu a v e p a r e c e o m o d o h a b il,

q u e a g o ra te m o s d e a p o n ta r ; p o is

fe m d e ítr u iç a õ d o c o m m e r c io p o ­

d e e v ita r to d o s a q u e lle s d e tr im e n ­

to s , fe n d o c o m o h u m a v ia m e d ia ,

q u e e m to d a a m a te r ia a rd u a fe d e ­

v e e le g e r a fa v o r d e a m b a s as p ar­

te s ; ut hábet P e g . tom. 7 . for. cap.


241. fubn. 1 3 . A r o u c .
iegib. 11. 6.
4. Segue elle também a regula­
ridade das coufas furtadas^ e rou­
badas pelos piratas , e lad roes ; pois
atTim com o ainda que nellas nao
acquiraõ elles. d o m in io , e por corn
lii feguinte
6$ Ethiúpe E efgataâo
fe g u in te o n a o p o ffa o tr a n s fe r ir ;

ex L. Nemo plus 54- / • de reè- )ur-


cum fmilibus- , t o d a v i a , f e g u r a m e n -
te fe lh e p ó d e m co m p ra r, c o m ta n ­

to q u e e íla s c o m p r a s, e n e g o c io

n a r e a lid a d e fe ja o h u m r e fg a te ,

q u e d a s ta e s c o u ta s fe fa ç a a fa v o r

d e fe u s d o n o s, a q u em p a g a s a s d e í-

p e z a s , e o pro labore, f e j a o
p r é m io

r e í l i t u i d a s , ut etiam dat Mgid.adL.

Quòd Ji non vi,


pr<edonibus, 0
ex hoc jure i . p- cap. i . fub n. 1 8 . i b i .

piratis,
aliquis etiam fciens, prudenfque ^re-
âemjfet, pr^efiare debebunt domini re^
captas
fed

âemptionis m
pretiu
,

volunt O"c.
ç A ffim , e d o m e fm o m o d o

o s C o m m e r c ia n te s d a C o íla d a M i­ \!
n a , A n g o la , e m a is p a r t e s d e A fr i­

c a , lic ita m e n te , e fe ^ g ra v a m e
de
Secunda
& Tarte. 69
d e c o n fc ie n c ia , p o d e m tr o c a r p e lo

ta b a c o , e m a is g e n e r o s , q u e a lli

c o n d u z e m , a q u e lle s e f c r a v o s j c o m

t a n t o , q u e n e íte n e g o c io n a o fa ç a o

m a is q u e r e fg a ta llo s , a c q u ir in d o

n e lle s fo m e n te h u m d ir e ito d e p e ­

n h o r , e r e te n ç ã o , e m q u a n to lh e

n a ó p a g a rem o q u e n o r e ig a te d e i-

p e n d e r a õ , e o p r é m io d o fe u tra ­

b a lh o ; p o r q u e iíto fe m d u v id a h e

c o m m e r c io lic it o ,e liv r e d e c a lu m -

n i a , e d o lo , e e x p r e ffa m e n te p er-

m ittid o e m D ir e ito n a s l e y s , q u e c i­

t a , e e m q u e fe fu n d a A r o u c a

fupra n. 2 7 . i b i : Et hujus qiúdem com­


mercio redempti, fingulare jus ejl, ut
quanvis nonjit fervas reâimentis, qui
liber captus fuerat ab hoJUbus; tamen,
quoad exolvatur pretium redemption^
in caufamj i t pignorisconjiitutus,
in poiejlate redimentisfinedo-
70 E thiope Kefgataâo ]
lo pojfit.L. ab h oftiu
s2 . L .
i i . c u m fequenibus, cod. de
reverf. L. Qui 2t
n0 . § .
efiam
tatis 1 . f. de tefiam.
f. de lib. horn. exhib. Et ibidem imrne-
â i a t è , i b i : N o n quod in libero hom ing
.. ííl t- *1+1/yinnr r/ivi fiíhpTP! íicilti Yt€C 'V€Tt*
ditto, nec com m ercium a liq u o d ; fe d
quia publicè in te rfu it ita ju s c o n ftitu i,
Kí in caufam pignoris m a n e re t f a v o r e
libertatis; u t in v ita re n tu r ditiores a d
ca p tivo s re d im e n d o s , libera n d o s ;
ut t e / z f A n to n . F a b e r . & c .
6 E n a o fo m e n te fic a fe n d o a

dita n e g o c i a ç ã o , p o r e fta v ia , co ra -

m e r c io lic ito , e liv r e d e c a lu m n ia ,

e d o lo ; fen a ô ta m b é m p o fitiv a m e n -

te p io , e c a th o lic o ; em razaó d e

q u e e íle s m ife r a v e is g e n tio s tr a z i­

d o s a te r r a s d e C h r iíta n d a d e , r e c e ­

b em a fa n ta F é , e 0 fa g r a d o B an -
J-*4
Segunâa Parte. 71

tiím o , c o m o q u e fe liv r a ô d a in ­

fa m e e fc r a v id a ô d o d e m o n io , e

p e lo te m p o a d ia n te p o d e m fa tií-

fa z e r , é u c o m o s p r o p r io s f e r v iç o s

e x tin g u ir a c a u fa , o u d ir e ito d a re­

te n ç ã o e m q u e fic a o ; v in d o a ffim

a liv r a r fe c o m p le ta m e n te d a in ju f-

t a , e v io le n ta e fc r a v id a ô ^ a q u e

b a r b a r a m e n te o s r e d u z ir ã o o s fe u s

p r o p r io s n a c io n a e s .

7 S e n d o q u e p e la o u tr a v ia d e

c o m p r a , o u p e r m u ta ç a õ , e m o r­

d e m a a c q u ir ir d o m in io , a té e íle s

m e fm o s b o n s e ífe ito s , d e g e n e r a o

era iniquidade. ainda que o c o n ­


E

tr a r io lh e s p a r e ç a aos C o m m e i c i -
a n te s aétuaes, como parecia a o s
d o te m p o d o d ito M o lin a , p o r fe

c a p a c ita r e m d e fer muito f a n t a , e

lo u v á v e l c a r id a d e eita d e c o n d u z ir

infiéis, para r e c e b e r e m a Fé, e o


Bau-

W
ÊBm
7 2 Ethiopé Kefg
B a u tiím o , e a n d a rem n u tr id o s , e

v e ílid o s n a s n o íT a s te r r a s; ut ipfe
refert ãifp.4
* §•hujitani> ibi •
quantum intelligent potui ex mercato-
ribus, qui ejufmoãi mancifia in JE-
thiopia emunt, eaque inde hue afpor-
tant ( cum quibus locutus jum , qui­
que nihil" eorm n, q
tur)HU nihil aliud curant
gotiatione , quàm fuum lucrum, &
commodum -, miranturque fiquis illis
fcrupulum velit injicere, fatifque pr
elarum cum JEthiopibus , quos
emptos afportn
, faõtum ejfe

cum hac ratione adfidem aâãucantur,


O ’ pr<eterea longè meliorem vitam,
quoad corpus, internos quàm
interfuos nuâi, vilique cibo nutriti.
8 Com tudo pódem eítar cer­
tos, que por meyo de injuítiqas
mo quer X>eos a converfaô dos In­
fiéis
-
, •iSegiíndd "Farte. 1 75

fieis; c u m n o n fm tf ut
evenkmt bma.-, como alli ptofegue
o mcímo M olina, e que uao
de haver mayor iniquidade, do que
vender a cada hum defies a reduc?
çao àF é , e arecepçao do fagrada
Bautiímo, a troco de huma injuh
ta, e perpetua efcravidao; como
mais ponderou o fupra citado Re-
belio lil>. i • f r o. Jeã.2. n. ió. íbu
C e r tu m e jt e a r a tio n e no n poj/e r e d a t
iu á a m f e r v i t u t e m , n e c p ro in d è m e r c a -
t u f a m e o r u n ã e m m a n c ip io r u m ta n ta r u m
fr a u d u m f u f p e ã a m ; c u m non f i n t j a -
c ie n d a m a l a , u t e v e n ia n t U n a ; ta liu m
enitn damnatioj u j i a e f i ,
ait ad Roman, Etenimfi pro fide,
q u a m f u f c i p i u n t , q injujto ti­
tulo fervire fervitutem proje-
A.vi sitm Vihsrt.att v r o v r ia
L sb v ’ JW tH ' v i is * - ~ ---------- I I ’

emerent; quo quid i :_ *


K. “
'Ethiope Kefgãtaâo,
, 9 E p r o fe g u in d o n a e x p la n a ç a o

d e fte d ito m o d o , e c o m m e r c io d e

r e d e m p ç a o d e c a tiv o s , c o n fo r m an*

d o fe c o m e lle , p ó d e m o s C o m -

m e r c ia n te s v e n d e r , e as m a is p e i-

fo a s e m q u a lq u e r p a r t e c a m p r a r lh e

e ile s d ito s fu r tiv o s , e r e fg a ta d o s

e fc r a v o s ; fic a n d o a d v e r tid o s , d e

q u e v e r d a d e ir a m e n te o q u e e n ta õ

v e n d e m , h e a q u e lle m e fm o d ir e ito

d e p e n h o r , e d e r e te n ç ã o , q u e n e l-

le s a c q u ir ir a o , e d e q u e e íle m e f*

m o ta m b é m lie o q u e v e r d a d e ir a -

m e n te fe lh e co m p ra .

io E que quando fe tom arem


a ven d er, o u fe d oarem , ou fe pe­

nhorarem , e fe rem atarem , fern-


pre em to d o s e íle s , e nos mais
m od os de a lh ea ça o , o que fe tra n f
fundirá de h u n s , em outros pof-
fuidores, ferá o. m efm o direito d e
penhor*
, Segunda Parte. 75
^ e tiH o r e r e te n ç ã o *, f i c a n d o o b r i -

g a d o s ' a fe r v ir , e o b e d e c e r , a te

p a g a r e m o p r e ç o d o fe u r e * g a te ,

o u a té q u e c o m o s p r o p r io s ie r v i-

c o s , o v e n h a ô a c o m p e n fa r ; e u l-

tim a m e n te q u e fe n d o e fe r a v a s , o s

íe u s » p a r to s n a fe e m in g é n u o s , e li­

v r e s d e to d a a lu je iç a o . ^
i i P o r q u e tu d o iílo fa õ e x p r e f-

fa s , e e fp e c ific a s d ifp o fiç õ e s d e D i­

r e ito ; c o n fo r m e o q u a l n o s c a tiv o s

r e fg a ta d o s p o r c o m m e r c io n a o fe

a c q u ir e d o m in io , fe n a õ fo m e n te

d ir e ito d e p e n h o r , e r e te n ç ã o ; ut
eti text, in L. db hoj i âe
iimin. reverf. i b i : Ab hojlibus reâemp- m
ti, quoad exolvatur
in caufam pignoris conjlituti, quain in
fervilem conâitwnem ejfe âetrufi vi-
dentur; e p o r m o a t o a o o
q u e o ffe r e c e r e m o fe u v a lo r , o u

K i i p r e ç o
nhiope Rèfgataão,
preço do feu refgate, fe lhe deve?
aceitar, e dar liberdade, e a iffo
pódem os leus poíTuidores, fe re-
nuirem, fer compellidos pela juíli-
ça; como he expreífo text,
cum 6. cod. âe pofilimin. reverf. in ver­
bis , ibi: Ut Jicjuiah
redemerint, accepto pretio, redemp-
ios fuos ingenuitati refiituant: propo-
nafque redemptorem tuum noluife obla-
tum pretium à te , vel ah alio recipe-
re: prefesprovinde ejficaci injlantia
compellet eum legibusobtemperare.
12 E do mefmo modo, haven-
do fervido aos ditos feus poííuido-
res o tempo, que baíiar para ficar
compenfado o íeu refgate, devem
libertallos, conforme outro texto
igualmente expreffo, o qual prova
eíta, e a precedente conclufao;
Jj. Diverfarum 20, eodem tit.
verbis
1
1

:S e £ m id T ^ ~ 77.

i w
y o i
t t
v m
r h i: Decet« niemfcoi
,
trf
.7
i mi-r
á a í« m p r b / b j w ? i n w * emptonbus ref-

Muere, m t marls cbfeqwf vel*j>*


re quinquenii, vicem referre benefim
habituros incolumem (ft in ea natt
funt) libertatem.
13 E ultimam ente que os ^par­
tos das efcravas remidas nafcem
ingénuos , e fern contrahirem a
eauza de penhor, e retenção, era
que ellas exiftirem, do mefmo mo-
do fe acha expreflb, e determina­
do em Direito j in L.
vinci<e $. cod, eodem tit. in verbis l b i :
Cum eos, iqpc/t
u naft
cuntur, lie pigncrisvinculo oh
pretium, quod pro his datum non eft r
teneri, nullis audtoribas vifum eft, O'
docet A rouca ad didi.L. 5. di£t. §. i-
1U

r
1
n. 33. lbi: òeú, quia uc num
quamquis ab hoftibus commercio
demit l
>
??». ?TZ pCti/YyifÍp.fl j»
. niiõÉ L
-y'■- —

vinculo temntur, o
pro Hits datum non eft -, contrariúmqm
nullis auãoribus vifuteft. L. Fr<efes
8. cod. de poftlimin. reverf.
i i^i • E como
•; eftas determinações »
de Direito comraura, e Leys Im-
periaes, por virtude da
Rein.lib. tit. 64. in principio , tam­
bém fao leys noíTas, que difpoem,
e refolvem, o que ella naõ deter­
minou , admittida eíla via, devem
fer obíervadas ; ao menos com
aquella m o d ifica çã o , que couber
na esféra da prudência, attentas
as circunftancias de te m p o , e lu­
gar , que vem a fer na fôrma fe-
guinte.
15 Manda a fobredita L.
6.cod. de poftlimin. , que os
poflui-
D e v e -fe o b fe r v a r e íta le y c o m a

m o d ific a ç ã o , d e q u e p ô r p r e ç o d ©

r e fg a te fe n a ô e n te n d a o v a lo r d o s

r o lo s d e ta b a c o , p o r q u e fo r a ô r e s ­

g a ta d o s n a C o fta d a M i n a , e m a is

p a r te s , e íle s e fc r a v o sj m a s fim íe

e n te n d a p o r p r e ç o d o r e fg a te o

p r e ç o d a p r im e ir a v e n d a , q u e d e i*

le s fe fe z n a lá lfa n d e g a , o u n a p o r

ta d o s C o m m e r c ia n te s in c lu íd o

já o lu c r o d o c o m m e r c io .

,;; 16r’■Manda a L.
ditos efcravos fervido a
fu id o r e s o te m p o d e te r m in a d o , e

fu ffic ie n te p a ra a c o m p e n fa ç a o d ó

p t C ^ U U U 1 j
d o s , e liv r e s d a q u e lla r e te n ç ã o , e
p en h o r .
•i, Jt*
4M. T"|
IV u t v
rwne - f e O b f e r v a r e f t a l e y

c o m a m o ^ ific a ç a io ,i d e q u e e fte s

a n h o s n a õ fe ja ô c in c o , c o m o e fta

le y d e te r m in o u n a s c ir c u n ita n c ia s
1
d a q u e lle s te m p o s e r lu g a r e s d o

I m p e r io E L o m a n o , e m q u e o s ca-

tiv o s era o b r a n c o s , e m u ito a v a n -

o s fe u s íe r v iç o s .

rf. S e n a õ q u e fe ja o i a q u e lle s |
if f . ?l
q u e fe p r o p o r c io n a r e m a o m a y o r ,

íilíSi ou m e n o r p reç o d a p r im e ir a v e n d a

d e ca d a h u m d é íte s é fc r a v o s , e :à

q u a lid a d e d o s fe u s fe r v iç o s ; c o m

M
M i i ,1
d e c la r a ç a o p o r é m , q u e fe lh e n a õ

m e ta o e m c o n ta p ara a u g m e n ta r

o c o m p u to , d e íp e z a s d o s a lim e n ­

; >5. -n1lPj, to s , e v e ftu a r io ; p o r q u e iffo ex-

p r e fía m e n te fe p r o h ib e n a fo b r e d i-

ta Diverfarum
L , ib i:

ÇhiibuSjJi quidquam in ufum vefiium,


yel allmonw.impenfim eft,
' ..................... " ........ "
t i fit yr< ejtliu m ; ucu inunzuu
fumptus repetitio.
18 Sic etiam declara a fobredi-
ta L. Fraefes Província? 8., que os
partos das efcravas remidas já naf-
cem livres da efcravidaô, e fem
contrahirem a caufa de penhor , e
retenção, em que ficáraÕ conítitui-
das fuas mays fomente, e naó el-
les. Deve-fe obfervar efta ley , com
a modificação, de que fiquem fer-
vindo, e obedecendo a feus patro­
nos , até terem a idade de^ quator-
ze, ou quinze annos; nao por efi
cravidaÓ, nem por penhor, e re­
tenção ; fenaô fomente por recom-
penfa, e gratificaçao do beneficio
da criaçaõ, e educaçao, que def­
ies receberão.
19 Mas fe aos pofíuidores lhes
parecer pefada eíla obrigaçaô de
L largar
largar os efcravos, quando dereni
o feu preço, ou o tiverem compem
fado com diuturnos ferviços, fâçao
parallelo , e comparaçao delia com
a outra, em que ficao de lhe rcfti-
tuir a liberdade, e os intereíTes,
pro quantitate dubii, fendo poffuido-
res de má fé, ( vel pro mayori proper
Jione) fendo poífuidores de boa fé,
e logo reconhecerão fer mais leve^,
e mais fuave, e fe accomodaráÕ
com o vulgar , e jurídico diétame,
deque malum min, ut
gravius evitetur; ex L. abfentem, ]if.
de pcenis.Barbof. loc. comm, liter.
M . n. 27.
20 Do mefmo modo, fe lhes
parecer também pefada a obriga­
ção de largar os partos das efera-
vas remidas, quando já chegarem
a idade competenteconfiderem
que
Segunda T a r t e r H
íiue também pela outra via fe nao
pòdem fenhorear delles , e que
pevor ferá haver de os largar , e lo-
breiíTo pagarlhe os damn os, em*
tereffes do tem po, que contra fua
vontade os retivermos, e fenhore-
armos, e iffo naô pro parte, fenao
in totum; porque como nafcem na
poffe da liberdade natural, fenho-
reando-nos delles, lhe fazemos ef-
polio logo a principio, por razao
da nofla má f é , que pela noticia
antecedente ao feu nafeimento ,
contrahimos; a qual nos impede
entrar na fua poífeífao; e por con-
feguinte ficamos obrigados a reíti-
tuillos ao primitivo eílado da fua
liberdade, com todas as per das, e
damnos na fórma dos roais efponos;
ut pro regula ãat Rcbcllo fup fe£t*
2. fui n. 10, ibi: Itamen, <jui a
ii
1 tio mancipiurnper
bertate fpoliafet, reftituere ftatim iU
hid in prifiinum libertatis fiatum tene-
retur. O cetera ãamna eiâem com-
penfare.
21 V e n c i d a e t n f i m , c o m a
f
m
h p o n d e r a ç ã o d e lta s c ir c u n ita n c ia s * m
Mi
IK •! I a n o ffa r e p u g n â n c ia , e d e te r m in a ­
!
d o s já a to m a r e íta v e r e d a d e re-
l«9
d em p ç a õ d e c a tiv o s ; n a fu a p r a x e

n a o te m o s C o m m e r c ia n te s , q u e
i l l 1Pi W
h
Jm
II%
a lte r a r n o m o d o d e co n tra ta r c o m
l!
Mil p s g e n tio s ; p o rq u e fe m p r e , q u a n ­

to a e lle s , h a d e fer o m e fm o a & o

externo de trocar os generos p e l o s


.V
Mj !If
j| H
i e f c r a v o s , e toda a a l t e r a ç a o h a d e

fe r c o m íig o , e c o m o s c o m p r a d o ­

res , a q u em d e p o is v e n d e r e m :

c o m fig o ; p o rq u e fe a té a g o ra d ir i-

g ia o a q u e lla t r o c a a a c q u ir ir d o m í­

nio , e effe era o f e u animo ; d a q u i

em
, SeguhâàTarte.*. Sf
ém diante a devem dirigir fomente
a acquirir direito de penhor, e re­
tenção : fe até agora era o íeu ani­
mo comprar, daqui em diante fe-
ja a fua intenção remir; porque co­
mo niíto nao recebem os cativos
prejuizo, fenao que recebem grave
beneficio, corre de plano a regra
de que fapientisejl mutare
in melius ; ex text, in cup. non debet
de confaguin. O ’ ajjinit. ; O’ in cap.
mutare de reg.jur. in fexto; ecom
os compradores, a quem depois
venderem; porque lhes devem de_
clarar, que aquelles cativos já naõ
íaõ comprados; fenao que fao re­
midos, e que o que lhes vendem,
naõ he dominio , fenao que he o
direito de os pofíuir, e os reter no
feu ferviço, até que em dinheiro,
ou em ferviços lhe paguem o mef-

85 EtJiiopeKefgataão,
mo preço çue então derem pòr el*
le , na conformidade do que adiam
te fe diz; porque todo o vendedor
tem obrigaçao de declarar ao corn*»
prador o eílado, e qualidade da
coufa , que vende ; como com
multidão de textos, que provao
eíla regra , tem Hermofilh. L.
62. glof1. n. 5. ubi alios.
22 Similiter naô tem também
os poffuidores, ecompradores, que
alterar mais do que o animo, e
in ten çã o ; que fe ate agora era de
comprar, e acquirir dominio, da­
qui em diante feja de acquirir fo­
m ente direito de reterem os cati­
vos no feu ferviço, e em penhor,
até ferem p a g o s , ou fatisfeitos do
nreco
J-
. noruuej-
compráraó;
*
e £ fe•
para mais fegurarem a fua conici-
encia , e fe livrarem de duvidas
até
Segunda Tarte.
até a refpeito dos efcravos, que
já tem , e até agora poffuirao com
boa fé , quizerem defde logo arri-
marfe totalmente a eíte partido,
bem o podem fazer ; porque as
compras deites efcravos, reduzin*
do-fe a aétos de redempçaò, tem
validade no foro externo, como
veremos na terceira parte deite
Difcurfo.
23 Logo também a podem ter
no foro interno, por viada mefrna
reducçaÕ; pois' eíta nao fe funda
em prefumpqaô alguma falfa , e
por iffo em a m b o s os foros fe pode
p r a t i c a r ; quia ubi fonts externus non

innititurfalfe prcefu
, uterque

fonts idem judiea t ut liãbet Sanem


de matrim.lib. 1 . fubn.
•~t
110.
3! C..
1 . aijp.
w /l.í. -M
n
n /n
t/LlUi kJULt* C'n.
n 1t-Wi Ç f u i »
*»>-*2’U;'■
i/i/ • as y/ / •y.JLW
' J
vai- &, Ledefm. 5 quan­
ta
g§ "Ethiope Kefgataâõ;
to mats, que fem Ter precifaroente
neceffaria eita reducçao, bem po*
demos reóia viaremir os nof
cravos da fervidaõ, em que pre*
fentemente exiftirem, para deile
modo nao fomente nos livrarmos
da duvida, em que agora entrá­
mos, e da reftituiqao que ex del­
la lhe devemos fazer; fenaó tam­
bém para foftermos a noífa poíTe,
e direito, por eíte novo titu lo , e
os ficarmos ex vi delle retendo no
noflb ferviqo em caafa de penhor,
até foluçao do feu valor, ou com*
penfaçaõ delle com os proprios
ferviços, como fe tem explicado.
24 Porque quando o titulo da
coufa, que pofíuimos , entra a fer
duvidofo, nodemos para declinar
a fuperveniente duvida, uzarde ou­
tro titulo, que também nos feja
com-
c õ m p e te n te , p a ra p o r e lle , c o m o

p o r n o v a a c q u iíiç a o , p o d e r m o s fu f-

te r e fir m a r a n o fia p o fle , e d ir e i­

t o à m e f r n a c o u fa ; u t de ju r e pno-
bant, quos c i t a t , idãocens C a n -

c e r iu s var. 3 . p. cap. 3- 2 ® b * f '


T a c it quod n ot a n t Joann. A n d r. M e -

n o c h . & D o m in ic , in cap. cum -


fon. n. 11. d e p r iv ile g . in 6. quod ubi
dubium ejl d e prim o titu lo potefi r e s
acqu ire e x fe c u n d o , a d c a u te la m ; a *
le g a n t t e x t , in L . 4 - f - a d L -
fe q u itu r Cravet. conf. 16. n. 6. u b id i-
cit, re m femelpm eao fe de
n o v o , ubi p rim a acqu ifitio f i t d iib ia ,
vel fecunda plenior;n ove D e c i a n .
conf. 13 . n.1. vol2. H o c idem
tr a d it id em D e c i a n . c o n f 2 7 1 . in cafu W
IBl
tran fm ijfo deH ifp a n . 10. Saiga ^.
de Supplicat. 1.p.cap. 2. n. 1 6 6 . 101:
dunnem o p reh ib ea tu r ,
títulos cumulare , tan- ad fid juris,
eorifirmationem, cum de eo certuseft,
mam ad maiorem cautelam, quartdo
de eo dubitat.L. 4. jf. ad L.
cap. Sacrorum. 1 2 . q. 2 . ZdXcap. pofi
eleâtionem, de concef. prebend.
25 E a f ó r m a p o d e f e r a iT e n ta n *

d o ca d a h u m c o m fig o , e d e te r m i­

n a n d o fm c e r a m e n te e m fe u a n im o ,

q u e o s e fc r a v o s , e e fc r a v a s, q u e

d e p r e fe n te , e poiTuir, d e f d e
tiv e r

lo g o os refgata a todos, e o s h a
p o r remidos da efcravidao e m q u e

e x i d e m , 011 feja jufta, o u injuita,

e o s reduz, e transfere ao eftado ,


e condição de cativos remidos, e
o direito que neiles tern, o tranf-
f e r e , e reduz também a direito de

penhor, e retenção no f e u ferviço,


a t é que cada hum lhe pague, o u

compenfe o feu valor; e porque


nefta
neíla conta entraô igualmente os
partos das eíbravas naíçidos ate
a^ora no tempo da noíla boa te ,
fe alguém fundado na regra de
que i n dubustutiorpars eft ,
allegar a feu favor, que como os
naô comprámos, melhor he, e
mais feguro , darlhe logo pura, e
liquida liberdade; nao contendere
mos; porque iffo mefmo diz tam­
bém quem iíto efcreve; p^rem o
naô ferem comprados, nao tira o
ferem , e nafcerem cativos, e que
poifaÔ como taes, ferem também
refgatados; para o que naô he ne-
ceífaria r e a l, e vifivel num eraçao
do feu p r e ç o ; antes baila a fuppo*
fiçao de que o damos como re-
demptores, e o receb em os como
d on os; perfiótw
nem
brevis •
mite d e d u c i t u r , extext.
M ii lana
p2 Ethiope
laria i $ . ff.fi certum
L. Certi
p. §. depofui, ff. eoâem titul. cumjimi-
libus.
26 Deludeo q u e h e m e l h o r n a o

d erro g a n o q u e h e b o m ; a n t e s c ir -

c u n íla n c ia s o c c o r r e m a lg u m a s v e ­

z e s , q u e tr o c a d a a fc e n a , fic a fe n ­

d o m e lh o r o q u e fo m e n te era b o m ;

p r in c ip a lm e n te q u a n d o ( c o m o n o

c a fo p r e fe n te ) a q u illo q u e lie me­


lhor p r e ju d ic a m a is às p a r te s n o

te m p o r a l, d o q u e a q u illo q u e fo ­

m e n te h e bomp; o r q u e e n tã o m

lh o r h e , o q u e fo m e n te h e , H
p ara q u e m uitos o fig a ô -, e o b rem
nr, 5"í
‘ '■ 111: :
b e m ; do q u e o q u e e o m p a r a ti-

Ijj! 4ifc\tS*ii. v a m e n te he melhor-, p o rq u e ta lv e z

í! p o u c o s , ou n e n h u n s o fig a o , e

c o n tin u a r ã o e m ob rar m a l; c o m o

em te r m o s, e m a te r ia q u a fi id ê n ti­

c a , diz Navarro Ma­


nual
i
I F arte. n
wal. cap. 2 3. n. 95- a ibi:Nwi
M a t, quod melius faceret, gratis
<Uum abextrema ilialibe­
raret. Turn quia id non arguit, hoc
effe malum; quia bono melius datur.
Turn quia utilius efi
contrariam, ne bona opera -

tur, cum illudnemo, velrarus fa^u-


rus «t
i hoc vero multi facient.
27 E a r e g r a d e q u e in M ils
iutior pars efi eligenda, f o m e n t e p r o ­
c e d e , e o b r ig a c o m o p r e c e ito ,

q u a n d o a d u v id a h e p r o p r ia m e n te

d u v id a , e d u v id a p r a tic a ; p o r q u e

c o m e lla n in g u é m p o d e o b r a r , p e ­

ia s r a z o es fo lid iffim a s , q u e e x p e n ­

d e S a n c h . de matrim. Ub. 2. d.tt.


âifp. 4 1 . n. 6. , e n a o q u a n d o h e d u ­
v id a e fp e c u la tiv a , e o e n te n d im e n -

to o p in a fe r b u ir ia p a r te m e n o s

g u ra ? q u e a. o u tr a ? c o m o
Çenti; p o r q u e e n tã o a d ita r e g ia f o

m e n te p r o c e d e d e c o n fe lh o , e n a o j

o b r ig a , e p o r iíF o b em fe p o d e fe - j

g u ir a p a r te , q u e o p in a r m o s fer

m e n o s tu ta ; ex eoâem S a n ch . ubi |

natur alteram partem minus ;

tunc enim potefi eamampleóti, í? in


hoc fenfu, tantum confilium efi., am-
pleãi id, quod tutius efi; fie docent.
D . A n to n , i. p . O ’c.^ |

28 R e m id o s n e íla fo rm a o s ef- I

c r a v o s, e e fe r a v a s , q u a n d o d e p o is

fe h o u v e r e m d e lib e r ta r d a fe r v id a o L

em q u e f i e a Ó , a l é m d o f e u p r e ç o ^ , |

o u valor, d e v e m pagar a e í l i m a ç a o i
1 Segunda Furte. 0
p o fitiid o r e s . E -fe n d o p a r to s in g é ­

n u o s n a fd d o s d aV e íe r a v a s d e p o is :

d e r e m id a s , d e v e m fe r v ir , e u tili­

zar fe u s P a tr o n o s , a té a id a d e d e

t in t e e e in c o a n n o s, p e lo b e n e fi­

c io d e lh e e n fin a r e m , o u fa z e i e m

e n fin a r , e a p r e n d e r o ta l o ffic io .

2 9 A ra za Ô , q u a n to a o s efcr a -

v o s , e e fc r a v a s, h e , p o r q u e p e la

r e d e m p ç a ó fic a ò fe n d o d e v e d o r e s

d o fe u p r o p r io p r e ç o , o u v a lo r ,

e fic a o e m p e n h o r , a té p a g a r e m

e íta d iv id a , e c o m o p o r fu a v o n ­

ta d e ta c ita , o u e x p r e ífa a p r e n d e m

a ta l a r te , o u o ffic io , e c o m e l a

ficao melhorados, efta bemfeitoria,,


011 melhoramento pertence ao feu
p o ffu id o r , p o r fe r o c r é d o r , q u e a

f e z , e p r o c e d e a fe u r e fp e ito ex -

p r e ífo t e x t o , q u e aíhm o d iip o e m ;

in L. Si Cervos 25 .ff. âe fignorat. ac­


tion.

%
tion. ibi : Si fervos pignoratos artifi-
ciis inflruxit creditor, Jiquidem jam
imbutos, vel voluntate,
aãio junãa glof.ad eandem ibi :
gafii mihi fervos tuos, quos injiruxi
in fcriptura, vel in
li artificiom
. nunquid ilia, qu<£ itnpen-
âi, potero à te repetere I Dicit, quod
fi voluntate tua taci, exprefa
impendam, expenfas potero recupera­
te ; [ecus fi voluntas
30 E a razaõ quanto aos ingé­
nuos partos das efcravas, nafcidos
depois de remidas, he porque fup*
p o f l o a s o b r a s , o u ferviços dos im­

púberes, na cenfura de Direito ,


baílao para compenfar as defpezas
d a f u a criaçaô, como fe deduz do

text, in L. Cceterum 3 1 . j f . de reivind.


in verbis ibi: F abereju s
da jte; quia etiam
ni
opertâ
Segunda Parte.
o v e r * e f e p o fu n f. Com tudo para
compenfar as delpezas da aanceu-
cia do officio, ou artificio ( que he
como outra fegunda, e iuperadita
criaqao ) na cenfura do mefmo Di­
reito , fao neceffarios outros dez
annos, que orfao até os vinte e
cinco; como fe deduz do t e x t , m
L . Q u ò d f i a rtificem 32 . f . eod. tit. ibi:
Quò d f i a rtific e m f e c e r it; y ig e f i-
mum (juintum an n u m e j u s ,
ciu m co n fecu lu s e jl , im pen fie fa d t< e
p o te r m t p en fa ri ,iu n d ta g lo f. v e r b , pen-
f a r i ibi: P e n f a r i : cum f r u ã ib u s per-
c e p tis a n te v ig e fim u m qu in tum annum ,
eò quia pr<ef limit l e x eos ta n to s e ffe ,
utb en t in de fatisfieripoffit p o f e f o r i
pro e x p e n fis in a r te d ifcen d a f a c t i s .
31 Mas fe eftes ingénuos qui-
zerem fatisfazer a dinheiro a eilima-
cao do tempo , que lhes faltar para
j N o
98 Ethiope Refgatado, ■
o complemento da fobredita idade
dos vinte e cinco annos, naõ fe
lhes pode negar eíte beneficio; por­
que como prova, e diz Moraes de
execut. infiram, lib. 2. cap. 4• ti.
quem eítá obrigado a algum facto,
naô he precifamente neceflario,
que o obre; baila que pague o in*
tereffe; pois em outra forma con-
trahiria efpecie de fervidao , que o
Direito reprova nas peífoas livres,
e ingénuas; uthabet ibi: Quia obli-
gatus ad faótum, non tenetur pr<eci-
fè facere-, imò liberatur folvenâo inte-
reffe. L. Quis ab alio, §. fin. ff. jud.
L.Cam ita fiipulatus fim §. fin.
L. Stipulations non dividuntur, verf.
ceifas, ff. de verbor. obligat.
alias fi pruecifè tenerefacere, cer­
tain fubiretfpeciem ;argum
L. Titio centum, §. 1.ff. de conâit. O ’
âemonfir. E
Segunda Parte. 99
32 E o tempo que devem fer-
vir eíles efcravos, e efcravas remi­
dos , para fe lhe compenfar o feu
preço, ou o feu valor, e ficarem
livres, pode chegar a vinte annosj
mas naÔ os pode exceder. A razao
de fe poder extender tanto eíle
prazo , fem embargo de prefinir o
Direito, o efpaço de cinco annos,
he porque nao fendo affim, nao
faz conveniência dar cem mil reis,
e mais de cem mil reis, como vul­
garmente fe dao por cada hum ; e
nao havendo quem os tome por
eíle preço, também nao haverá
quem arme navios, e embarcações,
e quem maneye o commercio do
feu refgate , e iílo prejudica o Rei­
no , e Conquiílas no temporal; e
no efpiritual prejudica o ferviço de
D eos, e bem das almas, que re-
N ii fulta
i co Ethiope Kef gatado,
fulta do dito commercio, e tranf-
porte defies gentios, e fua con-
veriao.
55 E além difíb o Direito in-
trod uzio eíla fingularidade de fica­
rem os remidos conílituidos em
caufa de penhor, e fervindo como
e(cravos, até pagarem, ou com-
peniarem o feu preço, para que
haja muito, quem fe incline ao com­
mercio de os reígatar, em que
tanto interéíTa a utilidade publica
no efpiritual, e temporal; e por-
iíío ainda que attentas as circunf-
tancias do tempo, em que aquel-
las leys forao eftabelecidas., e a
qualidade daquelles cativos , lhe
prefinio o efpaço de cinco annos,
que então fe julgou baílante; com
iudo nos tempos prelentes, para
que tenha effeito o dito commer­
cio ,
Segunda, Parte. lo t
cio, podemos agora interpretar,
ampliar , e extender o dito prazo ,
até os annos que forem neceííarios,
para fe confeguir a pretendida uti­
lidade ; porque femelhante interpre­
tação , ampliaçao, e extenfao, o
mefmo Direito a manda fazer nef-
tes cafos; ut efi text, in IS am
ait ip ff. âe legibus, ibi: Nam, ut
ait Peãius, quoties lege aliquid unum,
vel alterum introduóium
efi, bona oc-
cafio efi, c<etera, qu<e tendunt aà
eandem utilitatem, vel interpretatio­
ns , vel certè jurifdiâtione, fuppleri.
Et notat Arouca ad eundem text. n.
5. ibi: Jurifdiéíione fuppleri: etiam
Ji in jure jingulari verfemur, propter
aliquam utilitatem introãuéio ; nam
proâucenãum jus efi, eòufque
catur muitas; ut probatur innotanâa
fpecie.L. 1. §. magifirum 5. infine j
ibi:
102 Ethiope Refgatado,
ibi: Eòufque producendam utilitatem
navigantium, f . de exercitor. aãio-
ne ; quia etiam inex orbitantibus ,
quando Jumus in favor, quibus
jura favent propter publicam utilita­
tem , fieri potefi extenfio, qu<e tendat
ad eandem utilitatem; ut ait text,
hie, V a docet Everard. in topicis.
54 E a razao porque naõ pode
eíle prazo exceder o tempo de vin­
te annos, h e ,porque por mais di­
minutos que fejaõ os reditos an-
nuaes dos bens rendofos, ou fruc-
tiferos, fempre na cenfura de Di­
reito, o feu rendimento de cada
anno compenfa, e iguala a vigeíi-
ma parte do valor, e eítimaçao
dos meímos bens, que por iíTo^na
Authent. de non alienanã. collat. 2. tit.
1.cap. 5. §. quia vero 1. propefinem,
fe difpoz, que os prédios luburba-
nos
Segunda Parte. 103
nos da Igreja fe avaliaífem, e que
repartido o preqo do feu valor por
vinte annos, e computado o que
tocava a cada hum , fe arrendafíem,
ou defiem a emphyteutas, com a
penfaó annual da dita vigeíima
parte; utpatet ibi: Sed <eflimari fu-
burbanum Jubtiliter, O1 reputari: U"
expretio colleéío reditus pojjibíles in
viginti amis computari: ÍT ex reâiti-
bus ex hoc computatis, agi emphyten­
fim.
35 O qual texto , e fua glofa
fazem regra geral nefte ponto, e
nella fe fundão todos os AA. aílen-
tando, em que os bens pouco ren-
dofos tanto valem, quanto rendem
no efpaço de vinte annos; viãe-
re efi apud Mantica de tacitis, lib. 4.
+
vlv * ^
ti r\
j£à
n .
•ff "t
A >. j
r1•» ,
unut cApiica
que iílo fe entende in rebus, qu<e
funt
io4 E thiope Kef gatado ,
funt parvi reditus; Aug. Barb, veto
io . n.1 2 . Guerr. dinventar, lib. I .
cap.ii. n .45.; e como os eferavos
fao bens frutíferos, cujos reditos,
ou frutos, na cenfura do mefmo
Direito, faõ as fuas obras, e fer-
viços; fegue-fe, que por rnais iner­
tes, e inúteis que fejaó, quem def­
ies fe fervir por efpaço de vinte an-
n o s, fempre fica pago do feu va­
lor, e por confeguinte nao pode
exceder o dito prazo.
36 E do mefmo modo fe fegue,
que fe o eferavo depois de haver
fervido algum tem po, quizer li-
bertaríe, e pagar o r e fto ; dividido
o feu valor em vinte partes , paga­
rá cada anno', dos que lhe faltarem,
pela vigefim a parte do feu preço ,
ou eílimaçaô. Exempli,gratia; tem
o eferavo fervido dez a n n os, e
quer

\
Segunda Parte. 105
quer pagar os que lhe faltaõ: fe e'l-
le valer cem mil reis; repartidos
eíles por vinte annos, fahe a cin­
co mil reis cada anno, e a cinco
mil reis pagará cada hum dos an­
nos que lhe faltar. E fe por fer al-
fayate, ou fapateiro, ou por ter
outro algum officio, que lhe man­
dámos enfinar, valer cento e cin-
coenta mil reis repartidos por
vinte annos , fahe a fete mil e
quinhentos cada anno; e a fete mil
e quinhentos, pagará o efcravo, os
que lhe faltao.
37 E porque póde vir em du­
v i d a a refpeiío d o s e fc r a v o s, q u e

até agora poffuimos com boa fe,


fe lhe devemos levar em conta os
annos, q u e nos houverem fervido,
ou fe devem, fem effe defconto ,
novamente principiar.' Se refpon-
O de,
loó Ethiope Kefgataâo,
d e , que os ferviços dos annos pre­
téritos forao frutos , que o pof-
fuidor de boa fé fez feus, e quan­
to he por força dcíla razao, naó
fe devem computar; porém como
a liberdade he favoravel, e a fervi-
dao odiofa, e a ley do amor do
proximo nos obriga a amar eítes
cativos ( por mais indignos que nos
pareqaô ) como a nós mefmos; in­
ternamente repugna, e fe faz dura,
e rigida eíla deíigualdade; e por-
iífo neíla duvida, juílo, e pruden­
te confelho feguiremos, fazendo
compoíiçaó amigavel com os e f
cravos fobre o tempo, que mais
nos hajaó de fervir para ferem li­
vres ; como diz Rebello ubi fiepius
âiCt. q. i. feót. 2. fub n. io. ibi: Id
autem fieri poterit convenienâo cum
mancipio, ut per cefervi-
Segunda F arte. 107
at, majus, vel minus, pro raticne ãu-
bii maioris, vel minor
fua libertate fruatur-, pois em outra
fórma viremos a larga lios já velhos;
e incapazes de agenciar a fua vida,
depois de confumida no noíTo fer-
viço; o que ferá error peior priori.
38 Eíle he o modo, com que
valida, e licitam ente fe pode con­
tinuar a negociação, e a poffeffao
dos pretos cativos. Se o íeguirmos,
podemos confiar, que a Divina
Providencia, por eíle voluntário
facrificio, nos defvie o trabalho , e
o infortúnio, e nos favoreça com
occultos influxos de mais avanteja-
dos lucros no modo de vida de
cada hum; e poderá internamente
commover o animo dos mefmos ef-
cravos já livres, para que fiquem ,
e permanecaõ na noífa companhia,
O ii e
io8 Ethiope Refgatado,
e nos íirvaõ melhor na liberdade,
do que o faziao na efcravidao; de
forte que fe talvez entao o faziao
m al, como forçados, depois o fa-
çao bem, como agradecidos. Se
porém os defprezarmos, podemos
recear que nos venhaô trabalhos,
infortúnios, deígraças, e pobreza,
e até mayor rebeliiaó dos mefmos
efcravos; porque por tudo iíto cla-
maô tantas fervidoes, e tantas re­
tenções injuítas, e as fuas más con-
fequencias , e peccados concomi­
tantes ; e quiçá nao fejaó eíles a
caufa porque as Cidades marítimas,
em que vemos ha tantos annos fre­
quentado eíle cormnercio de efcra-
vos, fem obfervancia, e preceden-
cia dos devidos requifitos ( antes
com fua total diffimulaçaõ) em
vez de fe augmentarem na opulên­
cia,

?
Segunda Parta, 109
cia , cada dia as experimentamos
mais decadentes, e diminutas.
39 E praza a D eos, naÓ lhes
fobrevenhaô mayores miferias, e
calamidades, como já antigamente
com outras peflbas timoratas recea­
va o meímo M olina, ut ipfe refert
áifp. 35. concl. 4- in fine ibi: H<ec om­
niafimul fumpta in caufa ejje pofunt,
nt quam rarifimi, aut prcrfus nulli
fmt, qui in hoc negotiations genere
progrejfusmuitos inditiis ut
ah ipfifmet mercatorihus audivi-, T)eo
non favente, propter multa, qu<e in
ea interveniunt, peccata, Atque ati­
nam graviora alia infortunia, oh hoc
negotiations genus tanto tempore âif-
Jirmllatum, ut aliquitiment, non eve-
nerint.

TER-
ix o EtUope K ef gatado,
t« M n W M 9 I M < B W H W M 1 M IIW H IM H | —»— ■M— » W W im W IH I I— III I* IW l U K M i ....... willI— If I H M M H H i W Q

T E R C E IR A PARTE.
Do querefpeita ao foro contenciofo.

i
éT~^\ Mefmo que fe difle na
y J r primeira , e fegunda
parte deite Difcurfo, de nao ter
validade no foro interno a negocia-
qao de cativos pelo m odo, com
que ha tantos annos fe pratica, e
coíluma exercer; e de fomente fe
poder continuar, e profeguir por
reducçaó aocommercio de redemp-
çaó; he o que também fe deve di­
zer, e julgar no foro contenciofo,
fe nelle apparecer eila materia, e
for difputada com contradicçaô,
e audiência das partes, era forma
judicial; porque o coilume , polio
que tao antigo, e longevo, com
que
Terceira Farte. m
que os Commerciantes comprao
o s ditos cativos aos gentios , fem
averiguaçao, e certeza do jufto ti­
tulo da efcravidao de cada hum ,
fendo ufo, e coftume taõ injuílo,
e tao nutritivo de peccados, como
fica expendido, claro h e , que nos
noífos Auditórios, e Tribunaes, fe
nao póde julgar valido, ou feja
perante as Juíliças Ecclefiaíticas,
ou perante as Seculares.
2 Pois os coltumes injuftos, e
nutritivos de peccados, todos ge­
ralmente faô abrogados, e annul-
lados pelos Sagrados Cânones
cap. ex parte de confuetudine, cap.
de probat. ; in cap. 1. de tcrn., e
tT
poriflo nem no fero Civil, nem
no Canonico, nem no Ecclefiaíti-
co, nem no Seculrr, devem ter
obfervancia, e validade. N o Ec-
defiaílico*
112 Ethiôpe
clefiaíHco , claro eítá que nao $
porque as difpofiçôes canónicas di­
reitamente fe encaminhaÓ a eíle
foro, ao feu regímen, e à decifao
das fuas caufas. E no Secular tam­
bém n aó ; porque na Ordenaçao
do Reino lib.3. tit. 64. princi
fe difpoem , que nas matérias que
trouxerem peccado , fe julgue pe­
los Sagrados Cânones, ut patet ibi:
Mandamos que feja julgado, fendo
materia que traga peccado, por os
Sagrados Cânones.
3 Logo por injuíla, e nutriti­
va de peccados, fe nao deve tam­
bém no foro contenciofo julgar va­
lidade à negociaçaô, de que falía­
mos, vifto proceder em termos a
feu refpeito a fobredita Orden. lib.
3. tit. 64. in princip., e o que no feu
Commentario diz Sylya ad
Terceira Parte. 113
n. 64.i b i : Sic etiam-
)ufi<e, O peccatti non
bent fervari in foro Civili, nec Canó­
nico; quia ex auCioritate
tifcu
on
P
■per Cânones tu
abrogn
in cap. Ex
parte ãe confuetudin.; O in cap. 2 .
deprob. ; O in cap. 1.torneara. ;
ubifcribentes A u g . B a r b o f . in cap. 2.
n. 10. de reg. jur. lib. 6.
4 E fo m e n te fe lh e d e v e n o t a i

fo r o ju lg a r v a lid a d e , fe fo r p r a ti­

ca d a d a q u i em d ia n te , c o m o fic a

d ito , p o r via d e r e d e m p ç a o d e ca ­

tiv o s ; p o r q u e e r ta , a in d a c o m fe u s

lu c r o s , e in te r e ífe s , lie c o m m e r c io

licito , e valido , p e r m ittid o n as

l e y s do titu lo cod.de re­


ver/.; n a fo rm a e x p e n d id a n a fe -

g u n d a p a r te d e fie d ito D ifc u r fo ;

nni i'q^ n n r m'*"»i■P


feAt*firJB-fe- W ^ a íT
ww i m — h e— l--—
i c' i t o n
— o fo -

ro e x te r n o , ta m b é m o fic a fe n d o

P n o

&
114 EthiopeKef gatado,
no interno, conforme areara theo-
logica, q u a m a f e r t Sanch.
mon. lib.1. difp.21
ubi forus externas non innititur falfe
pryfumptioni,uterqueforus
dieat, ut dixi difputatione 5. n. 2 0 .
5 Pelo que a queítao, que nef-
ta terceira parte temos de expender
fomente h e : Seas compras de
vos atéagora injuftamente feit pelos
C o m m e r c i a n t e s ,fe devem, e
noforo contendofo reduzirfe, ainda de
prefente, aos termos de contrato de
reâempçaô, para, como taes ,fortirem
li 1 os efeitos exprefados nas Leys lmpe-
riaes, citadas, e ex
acima na fegunda
fo : A refoluçaò deita dita queítao,
que he particular, e contrahida já
íX premente rnateria ? depende ue
decifad da outra queítao geral, e
abítra-
Terceira Parte. ii 5
a b ítr a h id a , Se o a-
q u e p e r g u n ta :

éío que naõ valer pela via, e modo


com que foy feito ,deve pelo
modo , e via, em que aliás poderá ter
validade ? N a q u a l h a d u a s d i v e r f a s
o p in io e s ; fe b em q u e h u m a , e o u ­

tr a fe v e m a c o n c ilia r , c a d a h u m a

n o s fe u s c a fo s.

6 A o p in iã o n e g a tiv a fe g u e

B a r to lo , e c o m e lle g r a n d e m u l­

tid ã o d e A A . d o s q u a e s a p o n ta a l­

g u n s S c a c ia de com i .
§. 7.

limit.7 . n
.5. , e f e f u n d ã o n o s
in L. i. §. Jiquis ita , ff. de verbor.
obligat., ÍXin L.1. §.
de conftit. pectin., UX L. An inutilis,
ff. ãe accept.; e n a c o n f o r m i d a d e
d e lia o p in iã o , o a é to o b ra d o p o r

v ir tu d e d e p r o c u r a ç ã o in fu ffic ie n te ,

n a o v a i , a in d a q u e a lia s o p r o c u ­

ra d o r tiv e ffe o u tr a p r o c u r a ç ã o fu f-

P ii fic ie n te
HM

116 Ethiope Refga^ado,


ficiente, com a qual fe o fizeile ,
feria valido, e afilm outros muitos
mais aólos, que o mefmo Scacia
ai li refere nos num. 6. 7. 8. 9. O 310.
A opinião affirmativa fegue o mef­
mo Scacia, com m uitos que cita
ibidem non.12.O j’ p , e tem a feu
favor os text.in L. Si unus, §.
acepiilatio, ff. de padi. L. 1. §. Ji Jli-
pulanti, ff.de verborL. Si
tam augufli, ff. de cap. §.
1. de defponf. im
puberucap.
3. de fponf, e na conformidade def-
ta opinião, o matrimonio dos im­
púberes vai como contrato de ef-
p o n fa es, e o proceífo nullo vai co ­
mo interpelação extrajudicial , e
affim outros muitos aótos, que tam­
bém aponta o citado Scacia ubifu-
j/t w
T
/~1”» 11 T
AAV/n ,
/%/?'•‘T*irJL^ .
1^,

7 Para intelligencia dos termos,


em
Terceira Parte. 117
em que procede cada hua deílas opi­
niões, fe deve prenotar que os a-
cSlos, e contratos, pódem fer nul-
los, e inválidos, por algum de
quatro princípios; a faber por par­
te da materia, por parte dos agen­
tes, ou contrahentes, por parte da
fórma, ou por parte do fim a que
fe oídenaõ, e vai o mefmo, que
dizer que pódem fer nullos ex de-
fectu caitjx materialis, ou ex ãefe-
óíu caufe efficients , ou ex defeóiu
cauf<eformalis, ou ex ãefeâtu cauf<e
finalis; iit explicatMoraes ãeexe­
cution. injlrúm
.tom
. 1. cap. 18.
72. 25. Seja exem p lo a com p ra, e
venda ; a qual ferá nulla ex ãefe-
£iu cauf<ematerialis, fe a coufa, que
fe vender, for fagrada, religiofa,
homem livre, ou outra femelhan-
te, das que naõ entraõ em com-
mercio;
nS ~Ethiope Refgntado,
mercio; de quibus Sylva ad Ord. lib.
4. in rubr. articul. 6. n. 113. O' 118.
E ferá nulla ex defe£tucaufie
entis, fe quem comprar, ou quern
vender, for algum mentecapto, ou
prodigo, ou mudo, e furdo ; de
quibus idem Sylva articul. 5. 59.;
fic etiam, ferá nulla ex ãefeòlu for-
m& , fe faltar o aífenfo , e confen-
fo de re, íX pretio, em todo, ou
em parte; de quo etiam Sylva ad ean-
ãem Ord. in princ. n. 61., e ultima-
mente ferá nulla ex defeãu ?
finalis, fe padarem, que naÕ haja
translaçaó de domínio; Man-
tica.detacitis, lib.4. tit. 5. n. 19.
8 O que porto, e prenotado;
as ditas duas opiniões procedem de
forte, que a affirmativa de valer o
ado Dltlln 7
nr*ln mrvr!n pm niiA
£ * -*
■ «
--*
■ * W|U V

aliás podia ter validade, fica fendo


regra
Terceira Parte. 119
regra geral affirmativa para todo ,
e qualquer cafo occurrente, com
tres exceições, e limitações taô fo­
mente ; e a negativa de nao valer
o a&o nullo, pelo modo com que
que aliás podéra valer, fica fendo
regra particular negativa, que fo­
mente procede nos mefmos tres
cafos exceptuados , ou naquellas
mefmas tres limitações; o primei­
ro cafo exceptuado, ou a primei­
ra limitaçao, em que procede a opi­
nião , ou regra negativa, he quan­
do a nullidade do aéto provêm ex
defeóíujforme; porque então o a-
61o nullo nao pode valer por outro
algum modo, como tem os AA.
que cita Scacia libifup. n. 9. Sanch.
de matrim. lib. 1. difp. 2c. fub n. 3.
-tln
JUOíl Qina, quando adias non 'Valet,
ut agitur, tunc valet eo modo, quo
valere

9
E'mope. Kef gat ado
valerepotejl, quando eft ex
farte cauf<e s, ut
ejftcin
in matrimonio impubérum; hàbet enim
debitam formam, foliim claudicans de-
feõtu <etatis contrahentium ; / ecus
quando defeâius contingit ex parte
caufe ejftcientis, O’form<e-,tunc enim
prorfus corruit ;con
tr
Bart. L. i. §. fi quis ita, n. 5. ff. de
verbor. obligat.
o Domin. d. c. unic. 1»
idem quoque, vsrf quartum, O ibi
Francus n . 2. de rin 6.
ved. lib. 5. recopil. titul. 1. n. 32. O'
fequenti.
9 E a razao lie; porque a fôr­
ma he a que dá o fer, e exiítencia
ao aéto; de tal forte, que faltando,
também o aóto perece.
§. fedft rem, ff.aâ exibenã.
ubífup. cap.21. ?z. 1. ubi plures; e a
compárao os AA. a refpeito do a-
óto.
Terceira \ I2 Í
XI /> rt/\}"li A efpirito a refpeito do Vv ri-
UtUj w m v/
vente; pois affim como o vivente,
ainda que padeça o defeito de qual­
quer outra parte, tendo efpirito
fempre vive, e fem elle nao póde
viver, poílo que lhe nao falte ou­
tra alguma parte; affim também o
aóto bem póde fubfiftir com qual­
quer outro defeito, ou nullidade
das quatro fobreditas, mas com o
defeito, e nullidade da fórma, ne­
nhuma fubíiítencia póde te r; don­
de proveyo o proloquio jurídico;
quod a£ius corruit fifórma. Barb.
in loc. comm. lit. A. n. 129.
10 O fegundo cafo exceptua-
do, ou a fegunda limitaçao, em
que procede a dita opinião, e re­
gra negativa, he quando o aéto
valido, a que fe houver de reduzir
o aóto nullo, fe nao inclue, e corn­
ei prehende
;I22 E thiopeErfgatado,
W P l l n d»1W
| / t . V M V l J i VlV
id V
XUW
/=»cí%ra
J 1 U M J
d r\
u ,v IL iW U U ^

virtualmente; utSeacia r
fup. n. 12. Sancb. ubi flip. diet. difp. 20.
fub n. 2.,&difp. etiam n. 2.
ibi: Et quando adtus includitur in eo,
quòd fit, fi non valet eo padto, quo
fit, valet meliorimode, quo valere
potefi; junão n. 4. ibi: Dico earn doc-
trinam Bartol. explicatam efe difp.
pricedenti, ».■?.; quando adtus ejt
nullus ex defedtu fornre: quod hie
non contingit;vel die, earn habere
locum, quando obligaquae
hi poterat, non includitur in obligatio-
ne contraãa; ut bene explicat Co-
var. citatus n. 1.: e a razaó h e ; por­
que os aótos dos agentes, confor­
me também he regra jurídica, nao
podem obrar além da fua intenção;
e por iífo fe o aéto valido, a que
ie houver de reduzir o nullo, íe
Terceira Parte.
naõ in c lu ir, e com prehender na
fua esféra, a elle fe naô póde ex­
te n d e r, co n tra a m ente, e inten­
ção de quem o o b ra ; ut explicat idem
Sanch. diéí. difp. 20. fub n. 2 ., íX
difp. 21.; etiam fub n. 2. Scacia n. 10.
11 E ultim am ente o terceiro
cafo exceptuado, ou a terceira li­
m itação, em que procede a opinião,
e regra n e g a tiv a , he quando o di­
reito reíiíle, e prohibe o acto vali­
d o , a que fe houver de reduzir o
n u llo ; ut etiam habet Scacia ibidem
n. 8. ÍX 10. Sanch. ubi 20.
n. f. pofi im
eã.b i :
quia adhucquando contraélus
claudicai ex parte cauf<e ejfcientis,fe
jus illirefefeat, ecvalet ut
n ,
nec ut agi ;potu
i ut optimè Domi­
nic. ibidem, verf. venio ad primum; ÍX
conflat ex cap. quòd in âubiis de re-
Q Ji nuntiat.
1 2 4 Ethiope Refgátdâo,
nuntiat. ; ubi licet Clericus pojfit re-
nuntiare beneficiam in
Ji renuntiet in manibulaid, dicitur
renuntiationem ejfe j eò quòd
jus illi renuntiationi refifiat.
12 E c o m o o s a d o s d a s c o m ­

p ras d o s e fc r a v o s , q u e o s C o m m e r-

c ia n te s fa z e m a o s g e n tio s , p a ra o

e ffe ito d e v a le r e m , c o m o a d o s d e

r e d e m p ç a o d e c a t iv o s , n a ô e n tr a ó

e m a lg u m a d e ita s d ita s t r e s lim it a ­

ç õ e s , o u e x c e iç õ e s ; p o r q u e p r im e i­

r a m e n te a fu a n u llid a d e n a õ h e ex
âefeélu caufie formalis, fe n a o q u e

h e ex defedia caufiem e e m
fegu n d o lu g a r , os c o n tr a to s d a r e -

d em p ça Õ fe in c lu e m n o s c o n tr a to s

d a s m e fm a s c o m p r a s ; e u ltim a m e n -

te o d ir e ito n a õ r e fifte , a n te s ap-

p io v a , e fa v o r e c e a r e d e m p ç a o d e

c a tiv o s ; fe g u e -fe q u e p e la d ita

opinião,

5
I

Terceira Parte. 12 5
o p in iã o , e re g ra a fir m a tiv a , fe d e­

v e r e fo lv e r a q u e íla ó p r o p o fla , e

q u e n a c o n fo r m id a d e d e lia , c o m o

a é lo s d e red em p ça Ó d e c a t iv o s , d e ­

v e m v a le r , e te r íu b fiíle n c ia o s a-

d o s d a s d ita s in j u íla s , e n u lla s c o m ­

p ra s; e q u e a flim fe d e v e m r e d u z ir ,

e ju lg a r a r e q u e r im e n t o d e q u a lq u e r

d a s p a r te s n o fo r o c o n te n c io fo .

1} P o is q u a n to à p r im e ir a lim i­

ta ç ã o . Q u e a q u e lla s in ju íla s c o m ­

p ra s n a õ te m n u llid a d e ex parte
fomice, fe m o ílr a ; p o r q u e a c o m ­

p ra , e v e n d a p o r v ia d e r e g r a , n a o

te m fó r m a a lg u m a e x tr in fe c a d e e f-

c r itu r a , o u o u tr a fe m e lh a n te fo le m -

n id a d e , c o m o d iz S y lv a aã Orã.
lib.4 . adrubr. articul. 1 . 33 . , e to ­

d a a fu a fó r m a c o n fiíte n o c o n fe n -

fo d e re , íX preti, o q u a l b a ila

fe r e x p r e ífa d o p o r p a la v r a s , e m o ­

d o .
126 Ethiope Refgataão,
d o , c o m q u e fu íiic ie n te m e n te fé -

m a n ife íle ;ut


habet ib i : Item fubfi
tantiam em
ption
s, O venâitionis non
requiritur certa forma extrinfeca
fieri potefi infcriptis, vel fine fcriptis
quanvisverborumformâ confenfusfuf-
ficienter exprejfwâ -, non enimfcriptu-
ra requiritur ad illius validitatem-, fed.
folummodo ad probationem, ex .
in L. Contrahitur ff. ãe pignorib., O ’
hypothec., e o s C o m m e r c i a n t e s c l a ­
r o , e fa b id o h e , q u e p o r í i , o u

p o r in te r p r e te s , o u p o r p a la v r a ,

o u p o r a c e n o s , q u e fa ó o q u e b a f-

t a , exL. Ubi non voce, ff de reg.jur.


fe a ju íla o c o m o s g e n tio s fo b r e o s

cativos, q u e r e c e b e m , e fo b r e a s

co u fa s q u e lh e d a o , e tr o c a o p o r

ca d a h u m , e to d a a n u llid a d e , q u e

h a n e íle s c o n tr a to s, h e ex defectu
eaufie materlatis,..
P o r -
’Terceira Farte. 1 2 7

1 4 P o r q u e o s ta e s c a t iv o s , q u e

fa o a c o u fa v e n d id a , o u t o d o s , o u

q u a li to d o s fa õ h o m e n s liv r e s , n o s

q u a e s n a õ c a b e c o m m e r c io p o r

v ia d e c o m p r a , p e r m u ta ç a ó , o u

o u tr o a lg u m titu lo tr a n s la tiv o d e

d o m in io ; e q u a n d o o s c o n tr a to s

fa o n u llo s ex defe, e

n a o ex defedu form
ae, v a l e m p e lo

m o d o c o m q u e a liá s p o d ia o v a le r ;

ut ãat M a n t i c , de tacit, lib. 5 .


fub n. 1 0 . i b i : Sed huic rationi facile
etiam refpondetur, quòd h<ec regula
habet locum, quando contractus ejl
nullus propter ãefedumut lo­
quitur diCt. § . â quis ita ; quando
tails fuitanimus ,c
contradus alio modo non valere t , L.
An inutilis in princip.f. deacept. A-
liud ejl, ft fit defedus materi<e, nec.
animus contrahentium tunc
, enim
»
12 8 Ethiope R
enirn valet contractus eo modo, quo
valere potejl. L. Si urns, %.fi
latio, f . de pa£t. L. i . %.Jiflipulanti,
f . de verier, obliged.
1 5 Deinde q u a n t o à f e g u n d a l i*

m ita ç a ô . Q u e o a é to , o u c o n tr a to

d a r e d e m p ç a o d e c a t iv o s , fe in d u e

n o a 6 to , o u c o n tr a to d a fu a c o m ­

p ra , ig u a lm e n te fe m o ílr a ; p o r q u e

a r e d e m p ç a o ta m b é m h e e fp e c ie

d e c o m p r a ; diciturenimredemptio
quaji, rei emptio: redimere •

Ji, rem emere: e a fu a d iffe r e n ç a

c o n liíte , e m q u e a c o m p r a fe d ir i-

je a a e q u ir ir d o m i n i o , n o q u a l fe

in d u e p o ífe , u f o , e liv r e a r b ítr io

d e p o d e r p e r p e tu a m e n te u fa r d a

co u fa c o m p ra d a p a ra to d o s , é

q u a e fq u e r e ffe ito s ; e a r e d e m p ç a o

fe d ir ije a a e q u ir ir fo m e n te p a rte

d e ífa p o í f e , ufo , e r e te n ç ã o in te r i­

na,
Terceira Tarte- 129
n â ., a te fe r p a g o d 3. i m p o r t â n c i a . ,

e g a d o s d o r e fg a te , c o m o fic a d i­

to n e d e D if c u r io , n a fe g u n d a p ar­

te , e a d ia n te fe d iz n e d a t e r c e ir a ,*

d o n d e a flim c o m o o a d io d o s e fi

p o n fa e s fe in c lu e , e c o m p r e h e n d s

v ir tu a lm e n te n o d o m a tr im o n io ;

p o r q u e o s e fp o n fa e s fa o c o m o p ar­

te m e n o r d o m e fm o m a tr im o n io ;

ut dat S a n c h . de matrimon. diet. difp.


20. fub n. 2 . ; a f f i m t a m b é m o a é t o
d e r e d e m p ç a o d e d e s c a tiv o s fe in ­

d u e , e c o m p r e h e n d e v ir tu a lm e n ­

te n o a d o d a fu a c o m p r a ; p o r q u e

ta m b é m e d a r e d e m p ç a ó h e c o m o

p a r te m e n o r d a q u e lla c o m p r a .^

16 E p o r c o n fe g u in te n a ô fe

p ó d e ãótus agentium
d iz e r , q u e

rantur ultra eorum intentionem; p o r ­


q u e n a in te n ç ã o d e co m p ra r o s ta e s

c a tiv o s , q u e era o m a is , fe in d u e
R v ir -
1 3 ó

tualmente a intenção de os remir,


que he o menos; bem affim como
na intenção de fe cazar, que tam­
bém era o mais, fe indue virtual­
mente a intenção de fe defpofar ,que
também he o menos; mayormente
quando em hum, e outro cafo,
nao houver expreífa, e declarada
intenção dos contrahentes em con­
trario ; utomnia dot Sanch.
20. fubn. 2. ibi : Eratio ;

quia ciim matrimoniam fit vinculum


perpetuam, ut âeinceps cônjuges unum
fint-, eo ipfo quod aliqui confentiunt in
m a t r i m o n i u m ,volunt tunc O 1
re futuro jungi-, £? itah<ec verba, ac-
cipio te in meam, claudunt h<ecac-
cipio te infuturum. Et diól. difp. 21.
etiam fub n. 2. ibi: Et ratio hujus âe-
cifionis ejl, ob contrahentium intentio-
nem, qui videntur voluijfe fponfalia
con*
Terceira Parte. 131
contràhere, cafu,quomatrimoniam
nimè valeret', unde non eji dicendum
extendi aólumultra contrahentium
tentionem; fed in illo , quando
contrahentes nonhabuerunt exprefsè in*
tentionemcontrariam, includitur inten*
tio fe oUigandi, eo modo quo poterant.
17 E ultimamente quanto à ter­
ceira limitaçaõ. Que o Direito nao
prohibe, nem reíiíle aosaétos , e
contratos de redeinpçao de cati­
vos, antes permitte eíte commer-
cio, e favorece a fua continuação;
fe prova das leys, e doutrinas ex­
pendidas na fegunda parte deite
Difcurfo, ZJ ex .c aurwn yc.
12. q.2.; das quaes fe moítra, que o
Direito para attrahir a todos, e os
excitar ao exercício defte dito pio,
p Innvavel commercio, conítitu-
A Xrf/' ¥ •W'* * —— r

hio a formalidade de penhor legal


R ii nas


l]2 Ethiope Refgatado 9
nas peflbas dos remidos , para fegu-
rança de quem affim os refgatar;
ut etiam exponit Merlin, depignor.
lib.2. q. 5o. n. 37. ibi: ,
homine redempto ab hofiibus, quid po-
tejl retineri à creâitore, doneefibi pre-
tium fuerit refeóium, quod impend'd in
redemptionem; text, in L. 2. c. de ,
CX pofilim. rever, contrahitur enirn ta*
citum p ig n u s legalefavore
bertatis, ut homines alliciantur ad re-
âimendos captivos, IX fw , ut illi
ãi pojfint í uti de pretio impenfo in hu-
jufmoâi redemptione.
18 Eiílo com o onus, e obri­
gação de exiftírem no feu poder, e
os íervirem totalm ente como ef-
cravos, até lhe reítituirem, ou por
algum modo fatisfazerem a impor­
tância, e preço da íuaredempçaoj
ut cum glof.in L. 2. de capt.,
pofi«
Terceira Parte. 133
poftlim. reverf. verbo magis, profequi­
tar ipfeMerlin, n. 39. ibi: Ínterim
autem âum non reftipretium,
funt penes creãitorem, eique infervi-
re t e n e n t u r ,glof. d.L. 2
in verb, magis, ubi ãicit non ejfe fer-
v o s ,fed proximamfervorum naturam
ajfequi ; e também com a circunf-
tancia de fe poder vender, e ceder
a outrem eíle meímo direito , com
tanto que defla venda, ouceíTao,
naô refulte aos remidos outra mais
dura fervidaÔ; como também ex­
pende Merlin. .43. ibi: Amplia fe
n
cundo ,ut hujufmoãi creditumvel
l e a , de qua precdnt!rima
pojjit cedi, CT vendi, dummodo per
cejfionem durior non ejficiatur conditio
redempti. Rip. d. L. obligatione n. 18.
ubi eliam notat, quod talea non ãebet
ejfe barbarica, fed humana.
E
154 Ethiope Refgataâú,
19 E convencido affiíTl o pon*
to de fe m o implicar em alguma das
tres expendidas limitações a reduc-
çao dos actos de compra de cativos,
a aótos de fua rcdempçao; ainda
accrefce mais em comprovação da
prefente refoluçao, fer a materia
della favoravel, tanto pelo que ref
peita à liberdade natural dos mef-
mos cativos, como pelo que toca
à utilidade de fe poder fubíler por
eíla via a .fua negociação, e fer
materia de evitar os peccados, que
nella andaõ involutos, e a viola-
çaõ da juíliça commutativa, e da
natural, que também nella fe of-
fendem; em cujos termos ( ainda
precifo tudo o mais) fe deve no fo­
ro contenciofo reduzir qualquer
deftas compras de cativos ao con­
trato de redempçaõ , para nelle for»
tir

*
'Terceira Tarte. I tf
" t lr e f f e i t o , e te r v a lid a d e a fa v o r

d o s m e fm o s c a t iv o s , e d a c o n tin u a ­

ç ã o , e fu b fifte n c ia d o c o m m e r c io ,

e iffo n a ô d e q u a lq u e r f o r t e , fe n a o

c o m to d o o e s fo r ç o , e e ffic a c ia d o s

J u iz e s , p e r a n te q u e m fe m e lh a n te s

litíg io s fe c o n tr o v e r te r e m .

2 0 P o is p r o c e d e a e íle r e fp e i-

t o c o m o m n im o d a p a r id a d e d e te r ­

m o s , e d e fu n d a m e n to s, o m e fm o

q u e r e fo lv e S c a c ia a r e fp e ito d e fe

r e d u z ir o c o n tr a to d e c a m b io n u l-

lo a o c o n tr a to d e m u tu o c o m ju ­

r o s lic it o s , m a te r ia ta m b é m fa v o -

r a v e l a o c o m m e r c io , e x c lu íiv a d o s

p e c c a d o s de u fu r a , e da v ío la ç a ô

da j u í l i ç a n a tu r a l, e c o m m u ta tiv a ;

n t in fn o cafu c e n c lu ã it abi fu p r a â iâ t.
§. i. q. 7. lim it. H. in fin e i b i : E t
fim iiite r eft m a te ria f a v o r a b ilis , turn
qu ia e v ita tu r fu fp icio u/iir<&, qw<e eft
odiofa>
156 Ethiope Refgataão ,
odiofa, turn quia cortfervatur jufiitia
naturalis , feu ,com
u ut urns
rn
non locupletetur cum detriment0 alte-
rius, in quajufiitia commutativa debet
Judex cmnni conatu infifiere, ut dixi
part, priced, ampliat. 2 o . fub n. 1 . verf.
ratio: erp'o ifle contractus debet valere.
ut valere potuifiet, C? fic in forma
fimplicismutui ex
dpi interefie.
21 E fe ta m b é m e íla d ita r e fo *

lu ç a o d e fa g r a d a r a o s C o m m e r c ia n -

t e s , e a o s p o flu id o r e s d e fie s c a ti­

v o s , fa ib a o u ltim a m e n te , q u e a in ­

d a e lla h e fu n d a d a em p r u d ê n c ia ,

e e q u id a d e . Q u e d e r ig o r d e Di­
r e ito , p r o v a n d o q u a lq u e r d e lle s e m

J u iz o , q u e fo y to m a d o a o s g e n tio s ,

c o m o n a o d e v ia f e r ; iílo h e , ferr i

c o n íla r a q u e m o to m o u , a c e r te ­

z a , e le g itim id a d e d a fu a e fc r a v i-

d a õ ,
Terceira Tarte. 137
daô, devia fer julgado por livre,
fem mais onus, ou encargo algum ;
ficando falvo a feu pofiuidor o re-
greffo contra o Commerciante, a
quem o compraíTe, e a eíle contra
os gentios de quem o houvefle.
■22E o que mais he, que na
GrdenaçaÓ do Reino ha funda­
mento, e argumento naÔleve, que
conclue iílo mefmo; pois no 3.
til. 1oó., onde fe prohibe o com-
mercio de Guiné fem licença Re­
gia, dando-fe faculdade aos Capi­
tães, e mais peííòas dos navios de
EIRey, para tomarem, elevarem
a Lisboa outros navios, e embar­
cações , que naquelles portos achaf-
fem fem a dita licença, depois de
lhe confignar por prémio a ameta-
de de tudo o que lhe fofie tomado
por perdido in.§1. ibi: E do cjuelhe
S for
138 EthiopeRefgatado
for tomado, e julgado por perdido, ha­
verão os que o tomarem ametade, e to-
do o mats para nós; accrefcentou lo­
go o legislador as feguintes, e imme-
diatas palavras lEiftnao entenderá
nos efcravos, quepor naõferem tornados,
como devem, forem havidos por livres;
das quaes fe colhe, que chegados
aos noíFos portos os navios de Gui­
né, devem Ter examinados arefpei-
to dos efcravos, que trouxerem, e
os que fe achar ferem tomados, co­
mo o deviaofer,- iílo he , com ave-
riguaçaõ, e certeza de ferem legiti-
mamente cativados, devem ficar,
como taes, no dominio de feus do­
nos ; e pelo contrario os que fe a-
char ferem tomados como o naó
deviaô fer; iílo he , fem certeza,
e averiguaçao de que foficm le-
gitimamente cativos}j devem como
inge-

J
Terceira Parte. i >9
ingénuos, fer logo havidos por li­
vres.
25 Mas porque já nos tempos,
e termos prefentes nao tem os
Commerciantes m odo, e via de
inquirirem , e faberem ao certo
a julta, ou injuíta efcravidaõ dos
cativos , que tomao aos gentios,
e o deixarfe eíla negociação, ce­
dia em prejuízo das Conquiílas, pe­
la indigência que tem delles as vi­
vendas , lavouras, e culturas para
a fua fabrica, e beneficio, e a que
todos temos para o noííò ferviço,
e companhia, eos commercios, co­
mo neceffarios à humana fócieda-
de , fe devem favorecer quanto,
fem detrimento das confciencias,
for poffivel; por iífo pede a equi­
dade , que omittido o rigor de Di­
reito , com que em tal cafo, e ter-
S ii mso
14° "Ethiope Refgataâc,
mos fe devia julgar o eícravo por
livre, e a compra feita aos gentios
por nulla, fe reduza eíta aos termos
lícitos de redempçao, e fe julgue
o efcravo por remido, e por coníli-
tuido em caufa de penhor, e reten­
ção , para que íirva, e obedeça a
quem o poffuir até lhe pagar, ou
compenfar o feu refgate, na fórma
repetidas vezes explicada.
24 A qual equidade nao he ce-
rebrina, fenaô que he fundada na
confiante regra de que utile per inu­
tile non r; m efi text, in
vitau .
utile 57. de reg. j ;em
comprovação da qual aponta a glo-
fa a eíle texto muitos aétos , e dif-
pofiçoes, que tomadas na fua ex-
tenfao eraô ( de rigor de Direito)
e fe deviao julgar nullas, e com
tudo reduzidas aos termos licito?,
foraó,
Terceira Parte. 141

foraó, e fe julgaraõ validas; ut ibi­


dem videre-efi, O faciunt ea, qu<e in
fimilibus dat Peg. for.cap. 5 700.
infine tom. 1. pag.225., Moraes
de execnt.infir. tom. 1. lib. 2. cap. 12.
n. 75.
25 E iilo h e já o q u e b a fta n a

m a te r ia p ara in ílr u c ç a o d o s C o m -

m e r c ia n te s , e p o f f u id o r e s d e f ie s d i­

to s c a tiv o s A fr ic a n o s . E fe a lg u m

d o s m e fm o s C o m m e r c ia n te s , e

p o ffu id o r e s , d e p o is d e h a v e r lid o ,

e e n te n d id o tu d o o q u e a té a g o ra

fe e x p e n d e o , naÔ a c o d ir a o s re-

m o r fo s d a fu a c o n fc ie n c ia , c o m o

r e m e d io , q u e fe lh e te m d e fc u b e r -

t o , e a p p lic a d o ; a ch a rá m a is e íle

a r tig o c o n t r a íi n o p r o c e ffo d a fu a

c o n ta ; o n d e fe lh e fa rá ca rg a d a

n o tic ia d a v er d a d e q u e d e íp r e z a , e

d o e r r o , q u e v o lu n ta r ia m e n te fic a

fe g u in d o ,
142 E thiopeRefgatado,
fe g u in d o ; e te m a o q u e d iz 6 » .' P a u ­

lo ad Hebr. cap.1 0 . verf. Volun-


tariè enim peccantibus nobis, pofi ac­
ceptam notitiam veritatis, jam non re-
linquitur pro peccatis hoflia;
autem qiuedam expeélalio judicii, i?
1 /V M 1 il V lll/it I 1
fcuiU iuiLU .
o

QU A RT A PA RTE.
kV
Do que refpeita ao fujlento defies
cativos.

1 T \ Eixada já em fim a
J L ? caufa, e titulo de do­
mínio com que até agora injuíta,
e illicitamente fe poífuhiao os cati­
vos, deque fe trata, e admittida
a caufa, e titulo de penhor, e re­
tenção, com que valida, e licita-
mente em hum , e outro foro, fe
pódem
Quarta Parte. 145
p ó d e m d a q u i e m d ia n t e p o ííu ir , C u-

m o fic a e x p e n d i d o ; a in d a q u e ta m ­

b é m fe m u d a , d e p e r p e tu a q u e

e r a , e m te m p o r a l q u e fic a f e n d o ,

a fe r v id a õ d e ite s c a tiv o s ; c o m tu ­

d o a r e fp e ito d o m a is , p e r m a n e c e

e lla , fe m a lte r a ç a õ a lg u m a , n a m e f-

m a fo r m a ; e p o r iíf o , e m q u a n to

e lle s e x iítir e m n o p o d e r d e fe u s

p o ffu id o r e s , a e íle s , e a e lle s , c o r ­

rem ta m b é m ( n a m e fm a fo r m a q u e

a té a g o r a ) as m u tu a s , e r e c ip r o ­

ca s o b r ig a ç õ e s , q u e h a , e fe m p r e

h o u v e e n tr e o s fe n h o r e s , e o s e f-

cravos.
2 Q u a e s , e q u a n ta s fe ja o e íta s ,

e m b r e v e s p a la v r a s o e x p lic a S .

P a u lo Epifl. ad Colojfenf cap. 3 .


n a

v . 22.i b i : Servi -o

minis carnalibus. Et cap. 4 . verf. 1 .


ibi : Domini quod jujtum eji, i!X <equ~
um z
144 Ethiope Kefgataão,
urn, fervis prreflate; devem os efcra-
vos obedecer em tudo o que for li­
cito a feus fenhores, e devem os
fenhores em tudo o que for juilo ,
preitar aos feus efcravos. Mais ef-
peciíicamente compendiou eilas o-
brigaçóes o Ecdeiiailico no cap. 55.
verf. 25. dizendo, que aos efcravos
devem os fenhores dar o fuilento,
e a correcçao, affim como lhe
daô também o ferviço; ibi:
& d i f c i p l i n a ,CX opu sfervo; enten
dendo-ie por fuilento neíle lugar, tu­
do quanto lhes for neceffario para
as indigências da vida; pois na fra*
ze Hebraica da Efcritura, tudo if-
fo fe iignifica na palavra ; co­
mo tern Lyra ad cap. 6. M a
In hoc intelliguntur peti omnia vit<e
necej/aria; e como tern Cornelio à
Lapide ad didi. cap. 6. M atth . o n ­
de
Quarta “Parte.
de accrefcenta, que na fraze H e-
b rea, na palavra panis fe fignifica
jia,o fom ente o alim ento neceflario
para a confervaçao do c o r p o ; fe
naô tam bém a d o u trin a , e educa­
ção neceffaria para a vida do efpi-
r ito , ib i: Nota fubpane phraftHe-
bréa accipi: : quidcjuid vitie, turn cor­
poris , turn anim<e fujientandiC ejl ne-
cejfarium.
j E neíla conform idade, aflim
c o m o n a A rea d o a n tig o T e ila m e n -

to tin h a o o s I fr a e lita s d e p o iita d a s ,

p a ra o fe u c u lto , e o b fe r v a n c ia as

duas Taboas da Ley , a V ara, e o


M a n n á , c o m o d iz S . P a u lo

cap. 9. verf ; a ffim n o a r c h iv o d a

fu a le m b r a n ç a d e v e m o s p o ifu id o -

res deíles c a t i v o s c o n fe r v a r r e p o f-

t a s , e te r b e m a ife n ta d a s e m fe u

a n im o , p a ra a e x e c u ç ã o a s m e ftn a s

> T antigas,
14$ EthiopeRef gatado.
antigas, e principaes obrigações ,
que lhe correm de preítar a feusef-
cravos, com o fuftento figurado
no Manná , com o caftigo figurado
na Vara, e com a doutrina figura­
da , e comprehendida nas Taboas.
4 Quanto a primeira; he conf­
iante , e geral regra de D ireito,
que quem fe ferve, ou uza das
obras de alguém, eítá obrigado a
alimentallo; ut extext, in
bus, pojfunt, f. commodati, O' Cor-
dub. i n L . S i q u i s à liberis, %fi mater,
n. 66. f . de liberis agnofcend. probat,
O ’ dat Gratian. for. cap. 274. 21. -
logo em quanto os cativos de que
A À i 0 /“% o
no poder, e fu-
jeiçaõ de feus pofluidores, claro
he iflllí3 aIIoo rkfl -»-r^_____ __
j
~ 7 ’i wv uõ ucvciii manter,. e
fuftentar. Confirma-fe, I te m
J i fe r v i 30. f de xd il. ed iô l .; onde

1
Quarta Tarte. 147

fe d ifp o e m , q u e r e d h ib in d o , o u en -

g e ita n d o o c o m p r a d o r o e fc r a v o ,

a q u e m lh o h a v ia v e n d id o , n a o lh e

p o d e r á p e d ir a s d e fp e z a s, q u e ill-*

te r in a m e n te fe z n a fu a fu íle n ta ç a o ,

e a flig n a o te x to p o r r a z a o , o h a ­

v e r e x iftid o o ta i e fc r a v o n o fe u fer-

v iç o , e patet i b i :
m in ifte r io ;

cibaria fervo data non ejfte imputanda


Arijlo ait y nam nequitexigi,
quod in minifterio ejus fuerit; e a
g lo fa a o m e fm o t e x t o , v e r b o

tanda, cita.a o u t r o s m a is e m c o m ­

p r o v a ç ã o d a m e fm a r e fo ln ç a ó .

5 Mais fe confirma e ft a , de
q u e e n tr e a s m u ita s q u e r e la s , o u

a c ç o e s c iv e is , q u e a s le y s p e r m its

te m a o s e fc r a v o s c o n tr a fe u s fe n h o -

r e s , e p o ftu id o r e s , l i e .h u m a a d e

lh e n a o d a rem , c o m o d e v e m , o

fu íle n to , e v e ftu a r io c o n d ig n o , e
X T ii n e c e f-
I4& E thiopeKefgatado
neceffario; ut expenditArouca ad
text. in L. 2. f . de his, qui funt, in
verbis: ideoque cognofce de querellis
eorum: n. 5 0 . ibi: De querellis
vorum adverfus dominos funt
c a f u s : junâlon.33. ibi: QiúntusJi ali­
menta, O condigna vefiim
rit-, porque concedendo o Direito
acqaó, eo ipfo fuppoem obrigaçaÔ;
eo quod obligatioejl mater
ex L.Ea obligatio jf. de procurato-
rib., O text, in Injlit. de
verb, obliged., O in princ. Injlit. de
adlionib.
6 E para que eile fuilento , e
veíluario feja fufficiente, e condig­
no , onde os efcravos forem muitos,
difpoem tambem as leys, que fe at*
tenda à qualidade, e graduaçaô de
cada hum ; como he expreffo text,
in L. Sedfiquid 15. §. 8.
1.

i
Q u a r ta F a r t e . 149

i. f. ãe ufufruã.i b i : au-
tcwialere, C -fJ vej l i reã,
crãinem, C? dignitatem mancipiorum;
d e f o r t e , q u e p o r D ir e ito a o s e f-

c r a v o s ru ra es, c o m o exempli ,

o s d a s r o ífa s , fa z e n d a s , e e n g e n h o s ,

b a ila q u e fe d ê fu íle n to , e v e ílu a -

r io fu fH c ie n te , p o ílo q u e fe ja m a is

g r o ffe ir o ; m a s a o s e fc r a v o s d o m e f-

tic o s d o fe r v iq o , e c o m p a n h ia d o s

fe n h o r e s , e p o ffu id o r e s , o fu íle n -

t o , e o v e ílu a r io já d e v e fe r m a is

c o m p e te n te , e m a is d ig n o , e p o r

c o n fe g u in te m e n o s g r o ííe ir o .

7 Neíla conformidade f e e n ­
t e n d e o d i t o t e x t o , fegun d o e x p e n ­

d e a g lo fa i n d i ã . §. m,
bo d i g n i t a t e m , & e a c i t a t a G r a tia n .

fo r. cap. i i 2 . fub n.2 2 . ib i: P r out de


"fe r v is ejl t e x t , in L . S e d f t quid in<eâi-
ú c a v e r i t , i m a n c ip io r u m , in fin . f . d e
u fitfr .
ijõ 'Ethiape Kef gatado,
ufufr. ubiUlpianus mandat
all, O ’ vejliri fujficienter fecundam or-
dinem , O dignitatem
1ntettigendo ijlam dignitatem pro me-
liorijiatu, O opinione, nonautempro
publico honore, cum fervus illo non
pojfit uti. L. Generali, cod. de tabuL
lib. io. prout ita explicglof. ind. §.
mancipiorum, in verbo dignitatem-, e
à villa diílo, muito mal cumprem
com a fua obrigaçao aquelles pof-
fuidores de efcravos, que os tra­
zem fem mais veílido, que algum
fragmento velho, e ainda efle tao
d im in u to , que de to d o o corpo
apenas lhe cobre aquellas partes ,
que o pejo natural, e vergonha
própria, os eníina a defviar, e re­
catar da viíta alheia.
8 Por Ifaias cap. 58. verf. 7.
manda Deos que cubramos os def
p id o s /

í
Quarta Tarte. ijfi
pidos, enaõ defprezemos a quem
he danoíía carne ; ibi:
nudum, openum, V tuam
nè ãefpexeris; e eíte preceito falia
também a refpeito dos efcravos, e
domeílicos, como lem os Setenta:
ãomefiicos nè ;ãefpx de iórte
que para eíle effeito o corpo do ef-
cravo, ou domeítico, he como par­
te do corpo do íenhor; e por iífo
affim como fe envergonharia o fe-
nhor, fe elle proprio appareceífe
na rua taõ mal veítido; aífim fe de­
ve envergonhar, de que neífa fôr­
ma feja viíto o feu efcravo ; porque
tudo vai o mefmo; como profun­
damente veyo a dizer S. JoaÔ Chry-
foílomo referido por Salazar ad cap.
31. verf. 11. Proverb, n. 122. ibi: Oiá
fervos fuos inãecorènudos, ac
çbfoletifque vejlibus ejje fn it, fui cor-
. . paris-
i $2 Ethiope Refgatado,
poris bottom partem ãeâecore ajficit •
concordando com o dito de Arifto-
teles i. Polit. cap. 4. fervus quidem
pars efi dominl
9 N o tempo da enfermidade
ainda he mayor a obrigaçaõ de aga-
zalhar, fuílentar, e curar cada hum
os feus efcravos; porque entao he
tambem mayor a neceffidade, que
elles tem; donde aquelles fenho-
res, que os deixao à reveria, entre­
gues ao rigor dos males, e commet-
tidos fomente à providencia dana-
tureza, muito defamparados eílao
já da graça, e amor de D eos; pois
como diz S. Joaõ Epifiol. i. j.
verf. 17.; quem fecha asfuas entra­
nhas , para que lhe nao entre a
compaixaõdo proximo, que vê ne-
ceffitado, de nenhum modo póde
habitar nelle a Divina graça; ibi:
Qui
QiiartaParte. I >3
Q i à habuerit fubftantiam,
'viderit fratrem fiuum necefiitatem ha­
bere, O ’ clauferit vifcera fua ah eo,
quomodo charitas Dei manet in eo í
io Além diíto o Direito Civil
impoem graves, e condignas penas
aos poíTuidores de efciavos, que
faltarem, e fe defcuidarem delias
fuas obrigações; pois aos que lhe
naõ acodirem com os alimentos, e
medicamentos neceífarios na enfer­
midade, e nella os defamparaiem,
lhes tira tbtalmente o dominio, or­
denando que fiquem forros; ut ex­
pend'd , C? probat Arouc. ad text, in
L. 4. $. 1. f . de fiat, homin. fub n. 6.
ibi: Nam
fi es, aut
gu
lan
f it, quem dominas pro derelióto habuit,
(latimfit liber, ex eClauãii,
in L. 2. f . qui fine manumijf. ad lib. per-
ven. .3. §.
L fervuscoâ. de
U bon.
154 E thicpe Ref gatado,
bon. libert.L
.i. §. fed cod. de
latin. lib. tollenda; e que quando fo­
ra da enfermidade lhe faltarem com
o fuílento, fiquem os efcravos, co­
mo vagos, inbonis ed
fe poífa fenhorear, quem primeiro
os aprehender, pelo direito da pri­
meira occupaçaÕ; ut projequitur A-
rouca, paucis interjeciis, ibi: Si au-
tem non s, nec infans
cegrotu
tus , fervus f it, quem âominus pro
relióto habeat, tantumali­
menta , Jlatim illius ejfe ãejfnit, O'
citur occupantis fieri in
ã. fer­
vus 5 ófffeâe fiipulat.
ff.pro derelióto , junât. L. i . eod. tit.
ii Se bem que depois fe corre-
gio eíta ultima parte, determinan-
do-fe, que defamparando o fenhor
o eferavo, ou feja na enfermidade,
ou fora delia, ou por qualquer dos.
outros-'
Quarta Parte. 155

outros moaos uew-iaradOo win


reito, e o i p f o em todo o cafo fiquem
livres; como explica a glofa L.
Quoâfervus 36. jf. âe ,
e com ella Arouca ubi proxinie,
ibi: Ne aliás dicamus, prout cum ali-
_C/yt'-ittif inOdj • j oJjn v Ound
GlUUllS vv
íervus
a—z J - J
^6. ff. de ftipul. fervor.; eajura corre-
ãafuife, O’ eâiãum Divi Claudii,
qui ãe languentibus tantum loquitur,
in d. L. 2 .f. qui finemad om

nes fimpliciter fervos pro derelidto há­


bitos extendi; ut liberi eo ipfojlatitn
fiant; e he certo , que as difpoíiçoes
do Direito commum procedem
também no nofío R e in o , ex Ord.
lib. 3. tit. 64. in princip.; mayormen-
te quando as fu as leys outra coufa
naÕ determinao.
12 E paliando d e lia s, às leys
D iv in a s; a obrigaçao de fuílentar,
U ii e
1)6 JEthiope 'Kefgataào,
e veiliros efcravos, fe comprehen-
de no quarto preceito, ou Man­
damento da Ley de Decs , que
os catholicos profeffamos, e man-
da honrar o Pay, e May; porque
affim como por Pay, e M ay , nao
fomente fe entendem os que o fao
naturalmente por via de geraqaô;
fenao também os que o fao civel-
mente por via de poífeíTaó; affim,
e do mefrno modo por filhos nao fo­
mente fe entendem os gerados , fe­
nao tambem os poffuidos, e iffo
por qualquer titulo civel, que o
fejaÔ; como he por familiares, por
domeilicos, por fervos, ou porefi
cravos, e a obrigaçao affim como
he reciproca dos Pays para os filhos,
tambem o he dos fenhores para os
efcravos. De forte, que affim co­
mo os filhos, e efcravos eitao obri-.
ga^os'
Quarta "Parte. i £7
gadosex videite preceito a íoccor-
rer, reverenciar, e obedecer a fens
Pays, e a feus fenhores; aílim tam­
bém os Pays, e fenhores eítao obii-
gados a darlhesa todos o fuílento,
o veítido, e a doutrina.
bviíto affentao íem difere-
pancia todos osTheologos na ex­
plicação deite dito quarto preceito,
ou Mandamento da Ley de Deos;
inter quos Navarr. in Manuali, cap. 14.
u. 21. Abreu injlit. Paroch. lib. 8. cap.
7.feã. S.n. 392. CT 393-; e ie prova
£as palavras dò Eccleíiaítico ja aci­
ma tranferiptas: Panis, O ’ difcipli-
na, íX opus, fervo; e das outras de
S. Paulo também acima tranferip-
tas: Domini quod jujlum ejl, í f <equ-
um,fervis proejlate ■,o qual efereven-
do a Timotheo, e recomendando-
lhe o repréhender, entre outras, a
' í n lf o
158 E iopeRefgataâo,
th
falta dc obfervancia deltas obriga­
ções, chama aos feus transgreífo-
res peyores que infiéis, e negativos
da F é , e Ley, que profefíaÕ;
kabet Epifi. 1. cap. 5. v. 8. ibi: Si
fuorum, O ’maximè cu­
ram non kabet, fidem negavit, O ’ eft
infideli delerior; o que fe entende,
que negaÔ a Fé nas obras, e que
nas obras faõ peyores que infiéis ,
como explicaõ os Expofitores; cum
quibus noviflimè Baptiíla Du-Hamel
in annotationib. ad hunc textum: e a
razao he clara; porque os infiéis
faltando à obrigaçao de fuftentarem,
e veílirem feus filhos, efcravos, fer-
vos, e domeíticos, fomente obrao
contra o direito natural, que he a
fua unica ley; at verb os Chriílaos,
faltando a ella, naÕ fomente obrao
contra 0 direito natural, e contra

4
Quarta Parte, *59

as leys humanas; fe nao que também


obraõ contra o Preceito, e Ley
Divina que profeffao , e por mo
nas obras peyores íao do que elles.
14 Deinde, que negaó a F e , e
Ley que profeffao, também fe mof
tra, que a Ley que profeffamos, to­
da lie fundada no amor de D eos, e
do proximo, e fao tao connexos f
e infeparaveis hum , e outro amor^
que quem nao ama ao proximo 9nao
ama a Deos; de forte que S. Joao
Apoílolo , 0 Evangeliíla na fua
primeira Epiftola câp. 4 * vevf. 20.
chama mentirofo, aquem differ?
que ama a D eos, nao amando ao
feu proximo; porque quem nao
ama ao proximo ? que continua-
mente tem diante dos feu§ olhos,
mal pode amar a Deos que ettá
occulto %e encuberto a fua vifta ?
ibi*
i6 o Fthiope Refgatado,
ibi: Si quis dixeritquoniam dillgo
Deum, O’fratremfuum oderit, men-
dax efi ; quienim
non fratrem
fuum, quern videt; Deum, quern non
videt, quomodo potejl diligere I
i$ Ecom o osfenhores, epof-
luidores de efcravos, que lhes nao
dao o fuílento, nem o veiluario,
nem os curao, e tratao nas enfer­
midades ? nao amaõ ao feu proximo
por obra; pois com as obras he que
o proximo fe deve amar, como diz
o mefmo S. Joao ubifup. cap. 3. verf
18. ibi: Fratres non verbo,
neque lingua, fed opere, O’ veritate-,
fegue-fe , que nem ao proximo,
nem a Deos amao, e por confe-
guinte negao a baze, e fundamen­
to da mefma Ley que profeíTao. E
nao cuidem alguns, que fatisfazem
a eíla dita obrigaqaôcom lhe deixa­
rem
Quarta Farte. >
rem livres os Domingos, e dias fan,"
to s; porque ainda eíte he erro pe-
yor, que o primeiro, pelo mais
que lhe accrefce, de darem com
iffo occafiaò aos eferavos de falta­
rem nefíes diasao preceito da Igre­
ja; e neíte ponto baila, que ou-
çao, ou lêaô a Conílituiqaó do Ar-
cebifpado, geralmente recebida, e
mandada obfervar nelle , e em to­
dos os Bifpados fuffraganeos ; a
qual no n. 579- diz 0 feguinte.
16 Nao he menos para efiranhar
0 ãef-humano, e cruel abufo , e cor-
ruptellamuito prejudicial ao de
Deos, ebem das almas, mui­
tos fenhores de eferavos fe tem intro­
duzido-, porque aproveitanâo-fe toda a
femana do ferviço dos miferaveis ef-
'cravos, fem lhes darem coufa alguma
para feu ,fu
to nem vefiido com
len
X que
IÓ2 EthiopeR
quefe cubrao, lhe fatisfazem ejla di­
vida fundada em direito natural, com
lhes deixarem livres os Domingos, e
dias fantos, para que nelles ganhem
of u f i e n t o ,e o veftido neceffario. D
de nafce,que os miferaveis fervos mÕ
ouvem N L i f f a ,nem o precei­
to da Ley de Deos que prohibe tra­
balhar nos taes dias. Pelo que para
deflerrar taõ perniciofo contra
D e o s ,e contra o homemexhortamo
a todos os nojfos fubelhes pedi­
mos pelas Chagas de Chrifio nofo Se­
nhor, e Redemptor
ante acuãaõcom
e f c r a v o s ,para que ajfim
var os ditos preceitose viver como
Chrijlãos. E mandamos aos
one com todo n nridndo fe informem.
e vejao fe continua ejle abufoe achan­
do alguns culpados, e que
daÕ'
<Quarta Petrie. .16}
dao efia ConfiituiçaÕprocederão con­
tra ellesnet forma do decreto ante­
SUPS' 11 ”

cedente no n. 378.
17 Eíle numero 378- in fine, ao
qual fe refere neíle lugar a Coniti-
tuiçaõ, diz affim : 0 que fizer 0
contrario 0 Paroch
0 condemnora pe­
la primeira vez em dez tofloes, pela
fegunda em dous mil reis, e pela ter­
ceira em quatro mil reis applicados
para a fabrica do corpo da Igreja^; e
■perfeverando nacontumácia, fara
go avizo ao nqffo Vigario Geral, pa­
ra proceder como for econtra
0 Parochoque nao der à
te decreto, fe procedera com todo 0 ri­
gor. E non. 380.fichabet: Asmef-
mas penas haverão, procedera do
mefmo modo contra os lavradores de
canas, mandiocas, etabacos, confen-
Undo que feus negros, e fervos traba-
Xii Viem
IÓ4 Ethiope. Refgatqdo,
them nosDomingos, e dias
Hicamente, fazendo rojjas para Ji, ou
para outrem, pefcandefcarre­
gando bareas, ou qualquer outra obra
de ferviço prohibido nos taes dias;fal­
vo havendo urgente , e pe­
dindofe para i f o ( como dizemos em
outro lugar) licença.
18 De forte que o Domingo
devem os fenhores deixar livre aos
eferavos, nao para ganharem o fuf-
tento do corpo, fenao para rece­
berem o paílo efpiritual da alma;
para hirem à MiíTa de manha, e pa­
ra no reíto do dia aprenderem a
Doutrina Chriíta; e iílo he o que
Deos manda, o que a Conílitui-
çao ordena, e o que Sua Magef-
tade tem recomendado com fevéras
infinuaçoes, como coníta de huma
carta de 7. de Fevereiro de 1698.
regiítada
Quarta Parte. 16$
regiftada na Secretaria do Eílado,
que diz o feguinte: Sou informado
que nao bafta o cuidado dos Prelados,
nem os provimentos que ãeixao nas
vifitas, para que algumas das peffoas
poderofas defa Capitania guardem os
dias fantos da Igreja, como devem
os Chriftãos; e que também nelles nao
ãaõ a feus efcravos o tempo necefa-
rio para ajiprem nas r, e
aprenderem a Doutrina Chrijia. E
ainda que efia materia pertence à obri­
gação dos Bifpos;vosordeno, pro­
cureis ajudallos, para que as fuas or­
dens fe executem nejle p a rtic u la r, e
que pela vofa parte façais tudo o que
puderes para que fe evite efte efcan-
dalo, e prejuízo das almas dos pobres
efcravos s e quando defa advertência
nao refulte a emenda necefaria, me
dareis conta,para que
à
%66 Ethiope Kefgatado,
a âemonfiraçaõ de cafligo, que for fer­
vido darlhes. Efiamateria vos h
muito recomendada, e mandareis re-
gifiar efia carta nos livros defa Se­
cretaria, paraque todos vojfos fuccef-
fores ã dem &fiifl devidã execução.
19 E quanto a outros pofluido-
res de eferavos, que por eflas fazen­
das, engenhos, e lavras mineraes,
lhe deixaÕ livre o dia do Sabbado,
para nelle acquirirem o fuflento, e
o veílido; cuido, que ainda iilo os
nao defobriga, e que nem o devem,
nem o pódem praticar; porque co­
mo , moralmente fallando, he im-
poiTivel, que em hum fó dia aequi-
rao os pobres pretos, com que paf-
far todos os fete da femana, o ne­
Ogocio fe reduz aos termos de _ ines
darem nella o tal dia, para furtiva-
mente o haverem; e ainda que a
neceffi-
Quarta F arte. 167
neceffidade do efcravo poderá fer
algumas vezes ta l, que o efcuze de
peccado; nao fey com tudo , que
deixem ficar ligados nelle eítes feus
poffuidores; porque a obrigaçao
nao he de lhes darem tem po, íe-
_nau^ CtC nica
ru— uaiwio pfneciíicamente —
o fuílento-, e naõ fomente o fuflen-
to , fenao também o veílido , e tu­
do o rnais neceífario para viverem
e ilTo nao de qualquer forte, fe-
naõ com proporção, e abaítança,
como diz S.Paulo u b i : Domini,
quod jujlumejl, fervis
pr<ejlate; e fegundo accrefcenta S.
JoaÔ Chryfoílomo , ha de fer de
forte, que nao neceílitem de outro
algum adjutorio de terceira peíToa;
ut habet Homil.10. ad Hunc text um,
ibi: Quidvero jujlum ejl quid
Omnia abunde Juppeâit, O non
ut
f 68 RtMope Refgatado,
ut aliorum ope indigent.
20 E o darem aos efcravos o
Sabbado para tudo acquirirem, he
taparlhes com iíTo a boca, para que
fe nao queixem, por lha nao pode­
rem direitamente tapar, para que
nao comaÕ; quando para que nao
folTem comer o pao alheyo, e fur­
tado , deviaó, e devem taparlha
com o proprio diariamente repar­
tido ; iílo h e, devem darlhe fuffici-
ente raqao de farinha, com feu
conduóto, e nao raçao de tem po;
porque o tempo nao he alimento,
e coufa c o m e ftiv e l; e h e c e r to , que
quem tem de pagar alguma d ivid a ,
para ficar exonerado de todo, nao ha
de dar huma coufa por outra, ou a
eílimacao delia ao feu crédor: co-
i

mo he expreiTo text, in L. 2. §.
de reb. cred., O' in L. eum 16.
de

\
Quarta Tarte. 169
'de folut., CT princip. Inflit. quib.
mod. tollit. obligat.inverbis Tollitur
autem (minis obligatio folutione ejus,
quod debetur: Onde Vinnio com-
mentando ettas palavras n. 2. diz:
Reãè ejus quod debetur; nam aliud
pro eo, quod debetur, invito credito-
refolvi non potefl, ut fequatur libe­
ration L. 2. §. 1. de reb. cred. L. eum
16. cod. defolut. Velutifi propecunia
debita certa fpecies obtrudatur credi-
tori, vel profpecie debita ofealia
fpecies, aut fpeciei debits
21 Além ditto o futtento he o
jornal dos efcravos, como diz Arif-
toteles lib. 1. <econom.ca,p. 5- ibi: Ser­
vi nierces cibus eft; e por etta conta,
o nao dar o futtento aos efcravos,
tanto monta, como naõ pagar o
jornal aos que trabalhaó , que he
o quarto dos peccados, que ciam ao
Y ao
170 E thiopeKefgatado,
ao Ceò vingança, que por iffo com
mayor feveridade os cailiga Deos
nefta, e n a outra vida. E para nao
incorrer na fua Divina indignaçaò,
deve cada hum dos poífuidores de
cativos feguir proporcionalmente
o exemplo daquella forte Heroína
decantada incap. 31. Proverb
qual ainda antes de fahir a Aurora,
já fe achava a pedifpondo, e repar^
tindo o fuílento de todo o dia, que
logo entregava a cada hum dos feus
efcravos, e efcravas, quando pela
manha lhes confignava a todos a
v. tarefa; ut expendA’ Lapide
cap. ibi: lAnte aurorafurgit,
ut fervis, CT ancillis :: prceparet, tru
buatque cibos, utque totius ãiei opera,
C?* penfa inter eos partiatur.
22 E ultimamente efteja certo,
de que affim como os fenhores tem
os
Quarta Tarte. 171
os olhos nas maos dos eícravos, pa*
ra que trabalhem , e os íirvao; tam­
bém os eferavos tem os olhos nas
maos dos fenhores, para que os
fuílentem, viftao, e tratem nas
enfermidades; e que tao fitos os
tem nellas, efperando a fua com­
paixão, que David os tomou para
exemplificação do quanto temos,
ou devemos ter os nofíòs nas maos
de Deos, efperando a fua Divina
mifericordia; como fe ve do Pfalm,
122. verf. 2. ibi: Eoculi fer-
vorum in manibus dotninorutnfuorum:::
ita oculi nojiri ad
nojlrum, donee mifereatur nojiri.
23 E nefta conformidade fe
queremos, que Deos fe compade­
ça das noífas indigências, neceífario
he, que também tenhamos com­
paixão das neceffidades defies cati-
Y ii vos,
y ji Ethiope Kefgataão,
vos, que faó noífos parceiros a feu
refpeito ; como fallando neíte mef-
mo ponto diz S. Paulo aã Colojfenf.
cap.4. verf.i. Domini, quodjujtum efi,
O <equum fervis pr<ejlate,
quod O ’ vos Dominum habetis in
Cedo; pois o lervo, que fe naõ
compadece dos feus confervos ,
também nao merece, que delle fe
compadeça o Senhor de todos; co*
mo infinuou por S. Mattheus cap.
18 .verf.23.Opportuit O ’ te mifere-
ri confervitui. E naô obíla que fe-
jao negros, rudes, e malévolos;
porque huma vez que eítaô deíti-
nados ao nolfo ferviço, e tem os
olhos nas noífas mãos, devemos
acudirlhe com o fuílento, e miíle-
v a n /In i r , J n r» f a n 4~ n
ivD ua vtua ? a í^u twLiJpv/.
24 Negros fao os corvos, ru­
des os jumentos, e malévolos os
brutos;
Quarta'Parte. 173

brutos; mas porque todos faô do


ferviço de D eo s, para os fins a que
elle os deílinou , todos tem os olhos
nas Tuas mãos, efperando o de que
neceffitaó; como diz David no
Pfalmo 103. verf. 27. à te ex­
pectant , ut ães illis efcatn in tempore;
e por iffo o mefino Senhor a todos
acode com fua Divina Providen­
cia; como também diz no Pfalmo
146. verf. 9" dat jumentis efcatn
ipforum, l? pulliscorvorum
tibus eum; e no Pfalmo 135- vcufi 6.
Qiú dat efcam omni carni.
25 Demos-lhe pois tudo, efe-
ja com abundancia; que talvez o
mefmo ferá abrirmos bem as maos
para o feu commodo, que abrirem
elles melhor os olhos para o noT
fo ferviqo. Sejamos liberaes com
eftes máos cativos, para que ao
menos
174 Ethiope Refgatado,
menos por eíle meyo fejao, e fe
façao bons; pois até aos brutos máos
enche de bondade, o dar, e fer
liberal com elles; como profegue
David no dito Pfalmo 105. verf.
28. Dante te illis, colligent-, aperi­
ente te manum tuam, omnia impie-
buntur bonitate.

q u in t a p a r t e .
Do que refpeita à

1 /'" X Uanto a eíla fegunda


obrigaçao, n ao ha du-
vida , que devem os
poffuidores defies cativos corregir,
e emendarlhe os feus erros, quan­
do tiverem já experiencia de lhes
nao fer baftante para eíTe effeito
a palavra; porque fe o efcravo for
de
QuintaFarte. i 75
de boa indole, poucas vezes errará,
e para emenda delias, bailara a 1e*
prehenfao; mas fe for protervo, ou
traveífo, continuadaroente obrara
niafeferá neceíTario para o corregir,
que a reprehenfaõ vá acompanhada,
e auxiliada também com o caíligo.
2 Neíta conformidade permit-
tem as leys humanas a correcçaó,
emenda, e caíligo dos fervos, dos
efcravos, e dos domeílicos; ut ãe-
ãucitur ex text., O 1 glof in L. unic.
cod. de emend, fervor. in L. unic.
cod. de emend, propine].; in verbisibi:
Tribuimus potefiatem, ut quos ad vi-
t<e decora âomeJlic<e laudis exempla
non provocant, faltem correélionis me­
dicina com
pelat; e neíla conformi­
dade fe entende também proce­
der a obrigaçaô de corregir os do­
meílicos , os fervos, e os efci avos,
involuta
I7Ó Ethiope Kefgatado,
involuta no quarto preceito da Ley
Divina; como explicao os Theolo-
gos; Ó 3de qua Navarr. d. cap. 1 4 -
n. 21., O ’ Abreu inflit. Paroch. âióí.
lib. 8. cap. 7. n. 393.
3 Quanto feja louvada eila
correcçao , difciplina , e caitigo
chriftaò , he ponto diffufo, longo,
e extenfo, cuja expoíiçao nosnao
permitte o ligeiro paflb, que leva­
mos neile Difcurfo. N o tom. 9. de
Santo Agoílinho fe acha o tratado
de bono âifciplin<e; onde o Santo
D outor, entre outros elogios,lhe
chama meílra da Religião, e mef-
tra da verdadeira piedade:
plina magiflra efl religionis, magiflra
ver^e pietatis ; porém accrefcenta
logo, e declara, que falia da difci­
plina, e correcçao prudente, que
nem efcandaliza com a reprehen-
faõ,
Quinta Parte. i 77
íao, nem offende com o caíligo:
Qiue nec ideo increpat, tít l<eãat; nec
ideo cajligat, ut noc; e por iflo
para que o caíligo dosefcravosfeja
pio, e conforme a nofià religião, e
chriítandade, he neceflario que fe
miniílre com prudência, excluídas
todas as defordens, que no feu ufo
muitas vezes póde intervir; para o
que deve fer bem ordenado quan­
to ao t e m p o -,bem ordenado quanto
à caufa-,bem ordenado quanto à
qualidade-, bem ordenado quanto à
quantidade-, e bem ordenado quan­
to ao modo. ' '
4 Primeiramente para o caíli­
go fer bem ordenado quanto aotem­
po, naÓ fe deve miniílrar logo ira
continent!, quando o efcravo fizer
o erro, ou commetter o deliéto;
he neceflario meter em meyo algum
Z inter-
7
178 E thiope Kef gatado,
intervallo, mayor, ou menor, con­
forme a gravidade do cafo, atten­
d s as circunilancias occurrentes: e
a razao h e ; porque a deformidade
do erro, ou do delidto, natural-
mente altera os efpiritos, e altera­
dos elles, fe commove logo a ira;
como explica Abreu ubifiip. diât. lib.
8. cap. 1$.n. 671.; eo caíligo naôfe
deve miniilrar com colera, e furor,
fenao com brandura, e caridade;
e por iffo he neceffario efperar que
os efpiritos foceguem, e que a tur­
bação movida pela colera fe ferene;
que ifto he o que S. Paulo chama
dar lugar à ira; in
cap. 12. verf 19. ibi: locum ir<e)
pois em outra fórma, o furor com
que o lenhor caftiga, provoca tam­
bém a ira do efcravo cailigado , e
defordenada a correcçaõ, em vez
de
Quinta P arte. 179
de fer a que Deos manda, fica fen­
do a que o demonio influe.
5 Por iíTo o mefmo S. Paulo ad
Ephef. cap. 6. verf. 4,fallando ne
p o n to , aconfelha, que os filhos de
tal fórte fejao educados, e caítiga-
dos, que juntamente naô fejao pro­
vocados; chamando ao caítigo af-
fim acautelado, difciplina, e cor-
recçao de Deos; ut patet ibi: Et
vos patres, nolite ad iracundiam
vocarefiliosvejlros; fed educate illos
in difciplina, l? correótione Domini;
e Baptifta Du-Hamel inannotation!-
busadhunclocum, commenta: non ex
impetu, Z?ira ; donde fica
caftign
claro, que o caítigo dado logo in
continenti, quando o filho, ou ef-
cravo erra, pela defordem do tem­
po, fica pervertido, de fórte que
já naó he enfino, fenao vingança;
Z ii n aó
18 o Ethiope K ef gatado,
nao he zelo, fenao ira; e em fim
nao he difciplina, e correcçao de
Deos, fenao que he correcqaõ, e
fanha do demonio.
6 E nao vem em confideraçao
o dizerem alguns defies poifuido-
res de efcravos, que fe os naõ caf-
tigarem logo in continenti, em quan­
to nao esfria o calor da colera,
menos os caftigaráÓ depois de ex-
tinóta ella; dando por razaÒ, que
a experiencia lhe tem moílrado,
que paflado aquelle primeiro furor,
e indignação, perdoado vay o er­
ro , ou o delióto do efcravo; por
nao eílarjá entaoem feu animo, tor-
narfe a alterar novamente para o caf-
tigo; porque iílo he dar por def-
culpa, outra culpa, e he confeífar
de plano, quenelles nao obra, nem
pòde obrar o racional, e que fo­
mente
QiántaPãrte. 181
mente obra, e póde obrar o fenfi-
tivo. Saibaó pois, que a manfidaõ
comprehend eem li dous aétos, que
fao reprimir a ira, quanto for def-
ordenada, e excitalla quanto for
conveniente; e eifaqui o que em
taes termos devem feguir ; reprimir
os primeiros m otos, e furor da có­
lera; mas nao a deixar esfriar tanto
de todo, que tire o animo de caf-
tigar.
7 N o cap. ij. dos Provérbios
verf. 24. fe diz, que quem ama o
filho, a cada paífo o corrije com o
caítigo: Qui autem â
ter erúdit; e conforme a raiz Hebrea:
Quifilium ãiligit, ãiluculo qu^rit ei
cafiigationem; quem ama a feu fi­
lho , logo de madrugada o caíli-
ga. Os "Rabinos fundados neíla
verfao, entendida por elles em fen-
tido
I $2 E thiope R
tido errado, enfinavao, que os
pays logo de manha deviao açou­
tar feus filhos, para que a lembran­
ça do caíligo matutino lhes fizef-
fe efquecer as traveíTuras diurnas.
O fentido porém mais vulgar, e
commua expoiiçao deite texto h e ,
que logo na puericia ( que he a
. aurora, ou madrugada da vida) de­
vem os pays amantes de feus filhos,
tratar de os corregir, e caítigar;
pois naó he negocio eíle de pouca
importância, para que fe poffa dif-
ferir para a tarde; fenao que para
ter bom exito, deve fer procura­
do logo de manha, e de manha
muito cedo. Janfenio mais ao in­
tento diz, que eíle caíligo fe deve
refervar para a madrugada, porque
a eíta hora fe achao os humores
locegados, temperadas as paixões,
e
Quinta . i8$
e pacificado igualmente o animo
dos pays, e que por iflo he bem
ordenado tempo eíte da madruga­
da , para que nem o caíligo feja di­
minuto , nem também feja exceíli-
vo.
8 Boas innegavelmente faó ef-
tas ditas expofiçoes; porém cuido
que a madrugada de que alli fe fal­
ia , nao he a natural do dia, fenaó
a metaphorica da razao; por quan­
to a cólera verdadeiramente he
noite do entendimento; pois aílim
como a noite natural, fegundo ef-
creve Bluteau , âicituànocenão , por
impedir que exercitem os olhos o
feu natural officio, que he ver ;af-
fim também a cólera por impedir,
que o entendimento exercite o feu
natural officio de conhecer, e ra­
ciocinar , he para elle a fu a noite.
E
184 E iopeRefgataâo,
th
E affim como a noite tem quatro
partes, que faó as quatro vigias,
em que a dividirão os Romanos ;
ailim também a paixaõ da cólera
tem quatro termos, em que divi­
dem os phyíicos as fuas criíis, que
faó; principio, correfpondente à
primeira vigia; augmento, corref­
pondente à fegunda; declinaçaó,
correfpondente à terceira; e fim,
correfpondente à quarta.
9 O que pofto, o dizer o tex­
to na raiz Hebréa, que o pay que
ama o filho, procura caítigallo de
madrugada, vai o mefmo que di­
zer , que o pay naó caítiga o filho
que ama, em quanto a cólera eílá
no principio, nem em quanto^eíla
no augmento, ou na declinação; fe-
naõ quando fe acha já finalizando;
porque já então as ultimas fombras
deita
Quinta’ Parte. il
deíla noite fe defpedem, e vem
outra vez rayando, e fubindo a au­
rora , e luz da razaô. E iilo mefino
he o que devem feguir os pofliiido-
res de efcravos, que confeflao nao
poderem cafligar fern cólera. N ao
o façao logo no principio della;
efperem iim, que decline, e que
vá já chegando-fe ao fim ; de forte,
que o crefpufculo, ou redo della,
apenas lhes firva de brando eftimu-
lo, para entrarem no caitigo , e
nao lhe firva de impulfo violento,
para o executarem; que efta no
fentido em que falíamos, parece
fer a energia daquellas palavras do
texto: Dilucido qiuerit ei cafiigationem,
as quaes denotao acçaô obrada' com.
advertência, e conhecimento, e
nao com violência , e precipita­
ção.
Aa Em
_22
i U Ethiope K e f gat ado,
io Em fegundo lugar para o
caftigo fer bem ordenauo quanto a
caufa,he neceflario que preceda a
culpa; porque a culpa he a caufa,
pela qual fe dá o caftigo, corao
diz Santo Agoilinho lib. i. retraã.
cap. 9.; e como naó póde haver
effeito fem preexiftencia da fua cau­
fa; poriffo nao póde haver^ caiti­
go bem ordenado, onde naó pre-
cedefle culpa; como faó expreffos
textos dejure canonico, in cap. inven­
tam 16. q. 7. V in cap. Joannes 23.,
i f cap. ult. de homicid., i f de jure
civili, text. inL.2S2.
pmis.
11 Donde vem, que fe o efcra-
vo nao der caufa, peccado ferá
cafligallo; e peccado abominavel
nos olhos de Deos; como diz Sala-
maõ nos Provérbios cap. 17. verf 1$•
ibi:
Qídnl a Parte. xS7
íbi: Qui jupficat impium, O'
demnat jujlum, abominabilis ejt uter-
que apud Devem: A boa ordem pede,
que fe condemnem os delinquentes,
e que fe abfolvaõ os que.naó tem
culpa: logo affim como he grande
defordem, deixar de caítigar a quem
dá caufa errando, ou delinquindo;
affim também igual defordem he ,
caíligar a quem ném errando, nem
delinquindo, deu caufa alguma pa­
ra o caítigo; e como a defordem
he igual; por iífo nos olhos Divh

sagas
nos he também igual a abominaçaÕ;
como tem A’ Lapide in diói. text.
ibi: Ex aequo abomD
ominus
torn eum, qui fcelejlum abfolvit, quàm
qui innocentem damn
12 Antigamente tinhao os R o­
manos jus vitae, HX necis nos efera-
vos, e podiao conforme as fuas
Aa ii leys.
iSS E iopèK ef gatado,
th
leys, çaíligallos fern caufa alguma •
como refere Juiliniano §. i. 2.
Injlit. ãe sih, qui fui, vel alien.
funt; porém o mefmo Juiliniano,
conform ando-fe com outras coníli-
tuições de feus predeceifores, abro-
gou eíle jus, e deílerrou do feu
Jmperio eíleabufo, eíla defordem,
e efta exceffiva crueldade; ut habet
ãi£t. §. 2. ibi: Sed hoc tempore nullis
hominibus, qui fub Império nojlrofunt,
licet, fine caufa, legibus cognita, in
fervos fuos, fupra modum fevire.
15 Nas fazendas, engenhos, e
lavras mineraes, ainda hoje ha ho­
mens tao inhumanos, que o pri­
meiro procedimento que tem com
os efcravos, e a primeira hofpeda-
gem que lhe fazem,1ogo que compra­
dos apparecem na fua prefença,
he mandallos açoutar rigorofamen­
te *
Quinta Parte. 180
t e , fem mais caufa que a vontade
propria de o fazer affim, e diílo
mefmo fe ja&ao aos mais , como
inculcando-lhe, que só elles nafce-
rao para competentemente domi­
nar efcravos, e ferem delles temi­
dos, e refpeitados, e fe o Confef-
for, ou outra peífoa intelligente
lho eftranha, e os pertende meter
em efcrupulo; refpondem, que he
licita aquella prevenção, para evi­
tar que os taes efcravos no feu po­
der procedaó mal, e para que def-
de o principio fe façao, e fejaó
bons; eque humavezque faofeus,
entra a regra de cada hum poder
fazer do feu o que mais quizer,
na fôrma que entender.
14 SaibaÓ pois eftes fenhores,
ou poífuidores de efcravos , que
eíta Theologia rural, he o avêffo
da
ipo Èthiope Kef gatado,
da Theologia chriílã; porque a
Theologia chriílã uniformemente
fegue por primeiro , e indubitável
principio: Quòd nonfuntfacienda ma­
la, ut eveniant bona-, e a fua Theo­
logia filveítre lhes dida às avellas,
que pódem fazer de preíente m al,
fe lhesrefultar delle bem para o fu­
turo.1D ida a Theologia chriílã ,
que naÒ he licito dizer huma men­
tira leve, ainda que delia certamen­
te fe feguilfe a converfaô de todo
o mundo; e dida a Theologia a-
greíle defies régulos, que pódem
commetter a abominaçaó, e cru­
eldade de caíligar fem culpa ofeu
efcravo, para que dahi refulte o
fer bom para o futuro, e iíTo fem
terem certeza de que eíle effeito
infallivelmente fe coníiga por tal
meyo; nem também faberem ain­
da ,
Quinta Parte. ipi
da, fe 0 noyo eferavo lie já de
prefente certamente máo,
■ 15 SaibaÓ mais, que a regra de
Direito, de que cada hum póde fa­
zer do que he feu o que quizer,
e lhe parecer, todos a fabem dizer;
mas poucos fao os que a enten­
dem ; pois procede fomente nos
termos, de que cada hum faça do
feu aquillo que quizer, fe aliás as
leys lho naõ vedarem, e prohibi-
rem ; e as leys Divinas, e huma­
nas* como fica dito, prohibemque
fe caíliguem os fervos fem prece-
dencia de caufa. Efíe abufo, além
da fobredita abominaçaô, que tem
nos olhos.de Deos, involvia pre­
juízo da republica, e continha in­
juria, e defprezo da condição de
peflfoa humana, e a tudo ifto at-
tenderaõ as leys, para que reco-
nheçaô
192 Ethiope Ref gatado,
nheçao os fenhores, que aquelles
efcravos a quem a deígraça meteo
na fua fujeiçao , a natureza os conf-
tituio no mefmo gráo de igualda­
de eòm elles ; utperbene Vi
ad text, in $.fed hoc tempore 2. Injl.
de his qui funt, fid, veijur. n. 5. ibi:
EJl quidem unufquifque rei fiite mode­
rator, O arbiter. L. 1. in re man-
data , cod. mand. in tantum ut ea etiam
abuti poffit. L. Sed 25. §. confu-
luit, de h<er.pet. Cae
pub. hide arbítrio modum a lege pr<ef-
cribi; nè privatiforturnsfids abutendo,
publico noceant. Acced'd hie conditio
perfome, qu& licit fortunâ fervus,
homo tamen ejl, O jure nature do­
mino <equalis.
16 O u ç a õ ta m b e m p ara fu a

eonfufaó, o que a eíle intento dif-


fe o Seneca, fendo hum gentio,
que
Quinta Tarte. 195
que naõ profeííava a Ley de Deos;
o qual na pijloa?4. que efcreveo
E
a Lucillo, louvando-lhe a humani­
dade, e a prudência, com que tra­
tava familiarmente os feus efcravos,
accrefcentou: Adverte que eítes
miieraveis, que a fortuna meteo
debaixo da tua fujeiçaô, efcravos
fao, mas também faÕ homens; fer-
vos fao, mas confervos, e compa­
nheiros teus; nao tanto fao teus
fervos, como fao amigos teus, pof-
to que mais humildes; ibi: Ex his
quià teven
t,
iu cofamíliariter
ie cumfervis tuis vivere:
tiam tuam decet. Servi funt,
homines; fervi funt, contuber-
nales-, fervi funt, immo humiles ami­
ci; fervi funt, immo;
gitaveris tantunãem in utroque
re fortuna. E na 4profe-
Bb gue:
194 E tJiopé"Kefgatado,
gue: Olha que elTe a quem chamas
teu efcravo, nafceo da mefrna for­
te, que também tu, fendo fenhor,
nafceíle; goza do mefmo C eo , da
mefrna reípiraçaó, e d a mefrna vi­
da que tu gozas; e em fim has de
ter a mefrna morte, que também
elle terá; ibi: Cogita quem fervum
vocas exiifdemfeminortum-,
ãem frui Ceelo, <equèfpirare, deque
vere, <equè mori;fomente lhe fal­
tou dizer, olha que tem o mefmo
Pay no Ceo , e teve o mefmo Re-
demptor na terra, e com o preço
do mefmo fangue de Jefu Chriíto,
t u , e elle foraó libertados da infa­
me eícravidaÔ de Satanás.
17 Em terceiro lugar,para o
caíligo fer bem ordenado quanto à
qualidade, naô deve paflar de pal­
matória, difciplina , cipó, e prizaÓ;
: porque
Quinta Parte. 195
porque as niais qualidad.es ue iup-
plicio, no governo domeftico , e
economico das famílias, faó repro­
vadas , e prohibidas; e nefta con­
formidade , nao pódem os fenhores
efpancar com groífos bcrdoes aos
feus elcravos; porque iílo he cru­
eldade , e inhumanidade. Em todos
os lugares dos Provérbios ja acima
citados, e tranfcriptos, quando le
falia no caíligo dos domeíticos ,nao
fe ufa de outra palavra, fenaõ do
nome virga; e eíle nao íignifica
bordoes, e varas groifas; fenaoque
íignifica a palmatória, e também
as vergonteas das arvores, que fao
varinhas delgadas, como as de mar­
meleiro, de que fe ufa na Europa;
ou como os cipos delgados, de
que ufamos no Brafil; e nifto mef-
mo veyo a infmuar o E fpirito San-
Bb ii to
ip 6 Ethiopè Kefgataâo,
to a prohibiçao de fe efpancarem
os domeílicos com bordoes, ou com
outros femelhantes inílrumentos
groíTos, e pefados.
18 CompáraÔ alguns AA. os
filhos, os domeílicos, e os mais
commenfaes de hum pay de famí­
lias bem governado , aos ramos no­
vos das oliveiras, fundados naquel-
las palavras do Pfalmo 127. verfo
3. Filii tui, ficut novelLe olivarum; e
da oliveira diz Plinio, que fuppof-
to feja neceífario varejarlhe os ra­
mos novos, para no feguinte anno
fe em endarem , e produzirem, fru­
to ; com tudo naó fe deve fazer efi
ta diligencia com varas, e inílru-
mentos groíTos, e pefados; fenaô
com varinhas delgadas, e leves,
como as canas; e iílo de forte que
nao fiquem os ramos encontrados
huns
Quinta Tarte. 197
huns com outros, ou entalados
entre a vara, e o tronco da olivei­
ra ; porque em outra forma que-
brao-fe os ramos, e átraza-fe a fe­
cundidade para o futuro ; ut habet
lib. 15. cap. 5. ibi: Quidam perticis
âifcutiunt cum injuria arborumJequen-
tifejueanni ;ãam
o quiagunt,
n
arundine, levi ,i£tu
cutiunt ramos-, e eifaqui o que de­
vem imitar, e feguir ospoffuidores
dos efcravos, quando os caíligao;
fuíligallos com o cipó a varejar , e
naõ darlhe com o baílao a derrear;
e fe o varejo for miniílrado com a
palmatória, ha de defcarregar os
golpes fobre a maõ pendente, ou
levantada no ar, e nao fobre ella,
pnfalaria p pftendida no bofete. <_
w V 4 ® '» ' J ^ -W -— — — - -■ {

19 Do mefmo modo he repro- j


vado no caíligo de aqoutes feriar
depois
ip§ Ethiope Refgatado,
depois delles, ou picar as nadegas
dos efcravos, tomando a efie fim
o pretexto de fe ordenarem feme-
lhantes fangrias, a evacuar porefte
modo o fangue que ficou pifado, e
fe pòde apoitemar. Por certo que
transformados já em lobos, e ur-
fos, eílao no meyo defies matos ,
por effas fazendas, engenhos, e la­
vras mineraes os homens ( ou naô
homens) que tal fazem. Eíle furor,
eíla braveza, eíla fanha, e eíla
crueldade degenéra de humana , e
,pafra j á a fer ferina; pois como bem
reconheceo, e difíe o Seneca i.
ãe clem.aâ Ner.Ferina efi rabie
guine gqudere, O ’ in filvefire animal
tranfire. A mefma, ou mayor cru­
eldade lie,findos os açoutes, cau-
terifar as pifaduras com pingos de
lacre derretido, eo u fard e outros
feme-
Quinta Parte. 1 9 9

femelhantes tormentos, que caua


hum defies monilros da foberha
( raiz de todos os. ieus exceilos)
idéa, e executa nos miíeraveis iei> /
VOS.
20 Saibaõ pois, que illo, e tu?
do o mais que inventar a fua cru»
eldade, lhes eílá prohibido por leys
humanas, e também pelas Divinas;
e que fe nao extende a tanto ex­
cedo o poder, e o direito que tem
na emenda, e correcçao dos feus
efcravos; pelas humanas o diz, e
prova Arouca ãd P. 4 - §* jf- defiat,
homin. n. 18. ibi: Hinc etiam proce*
ãit, quia fervitus ecentra
naturam; jus quodin
emenãatione fervorum, ut cervicofos
fubjugare valeant, v i r , , ãut
'vinculis: non tamen , íapiâi-
bus, ,v
oferanmi unguibus,
en
igne
2oo E thiopeKefgat ado,
igne, vet afperitatemaiori,
ram hominum excedat. L. i. cod. de
emend, fervor. L. 2. ff. de his quifunt
fui; e pelas Divinas o explicaÓ os
Theologos, que por diffufosfe nao
tranícrevem; O viãere efi apud Bo-
nacin. .2. difp.6.
tom punóí.
8. n. 6.Trullench. 4.
6. n. 2. Dian. p. 7. 7. refol.
47. Salmanticenf. to6. traéí.
114. O n. 146. qui aíios plures citant.
21 Em quarto lugar, para o caf-
tigo fer bem ordenado no que ref-
peita à quantidade, ou extenfaÔ,
deve-fe proporcionar, e medir pela
mayoria, ou minoria da culpa; por­
que affim o determinaô, ainda pa­
ra o foro criminal punitivo dos de- .
lidos públicos, as leys de hum , e
outro Direito, dando ambos por
regra geral, e primeiro principio:
Ouoâ
Quinta Farted '201
Quoã -poma debet culp<e refponâere, V
deliâio commenfurariut áe jure Ca­
nónico efi text, in cap. felicis verf. c<e-
terum, O §. illud autem in fine áe
pan. in 6. text, in cap. non
mus 24. q. I. O' in cap. quxfivit de
his qmefimt amaior. part. cap. O' de
jur. Civili text, in L. Sancimus 22.
cod. de p m . c u t n fais concordantibus.
22 Cinco vezes açoutaraõ os
Hebreos a S. Paulo pelos crimes,
e deliótos contínuos, que iinagi-
navao commettia na prégaçao dav
Ley Evangélica, e em nenhuma
delias excederão o numero , e men*
fura de quarenta açoutes; antes por
naõ chegarem a completallo, em
cada hum a lhe derao fomente trin­
ta e nove; como o mefmo Santo
refere Epifi. 2. ad Corinth, cap.11. v.
24. ibi: JudSs quinquies, quadra-
Cc genas»
2o2 Ethiòpe Refgatado,
gems, una minus accept; c a razao
que tiverao para diminuírem foy ;
porque nas leys do Deuteronomio
fe difpunha, que pelo delido ma­
yor , que fe podefle commetter,
fendo daquelles que por fua quali­
dade eraò puniveis com açoutes,
poderiao orfar até o numero de
quarenta; porem nao o poderiao
exceder; ut habetur in cap. 2$. verf.
2. i f ]. ibi: Sin autem eum, qui peer
cavit, dignum viderint plagis: prof
ternent, i? coramfe facient verberar
ri. Pro menfura , erit
plagarum modus r ita dum tax a t, ut
quadragenariumnumerum non exce­
dant-, e por fe nao exporem ao pe­
rigo de exceder, elegiaõ antes o
diminuir.
r 25 E ifto he o que tambem os
Ipoffuidores de eferavos proporcio­
nal-
Quinta Parte. 205

nalmente devem obfervar a ref-


peito da quantidade do caitigo, e
principalmente nos açoutes. o
efcravo merecer tres duzias, caiu-?
gue-fe com duas taõ fomente ; e
fe merecer duas, baila que fe caí
ligue corn duzia e tneya; e mere-*
cendo huma dúzia, commute-fe, e
troque-fe o caítigo pelo da palma-?
toria; de forte que fempre do fup*
plicio merecido, depois de juíta-
mente commenfurado com o erro,
ou delióto, fempre fe lhe diminua
alguma parte , como os Hebreos i
faziaô, e obfervárao com S. Pai>j
lo; pois ainda que aquella ley do
Deuteronomio, com todas as mais
leys ceremoniaes, e judiciaes, eí-
pirárao pela Ley Evangélica, co­
mo enfinaõ osTneologos; cum qui-
bus Navarr. m Manualicap. u .n .2,
Cc ii Com
Io 4 'Ethiope Refgatado,
24 Com tudo a doutrina^que
éllas continhaõ, e a fua razao de
decidir, fempre perfevéra; ut nota-
tur in glof verb, decimarum: in cap.
I. de s; O ’ cwm Divo Thom.
decim
O’ aliis,dat Cardof.
iseÍ/7J 72. 2. w
ÍÊ /7‘T* U t U U L L i U r
A /i A 1 V1 Í77/i —
rs'Ti-faFt* 0 TV-
Paul. ízá Roman, cap. 15• 4 -
cumqueenimfcriptafunt, tfd nofiram
dodirinamfcripta funt; ubi Du-Ha-
mel yic : Id obiter advertit,
fcripta funt in veteri Teftamento,
ad utilitatem nofiram, infirudiio-
n,fcripta effe. E nefta confor­
em
midade devem-fe arbitrar os açou­
tes aos efcravos, nao aos duzen­
tos, aos trezentos, e quatrocen­
tos, como fe acha já taô ufado
neíías fazendas, engenhos, e lavras
mineraes, que naô fomente paífa
eíte abuíq fem fe corrigir, fenaô
que
Quinta Tarte. 205
que nem ao menos fe eílranha;
antes agora fe eítranhara talvez
o eítranharfe; devem-fe fim arbitrar
aos vinte, aos trinta, e aos quaren­
ta; e bom confelho ferá, que ain­
da os quarenta fe naô completem,
quando fe punir o mayor erro, ou
crime do e feravo.
25 Pois ainda que a L ey, e
OrdenaçaÓ do Reino, conforman-
do-fe com a dita ley do Deutero-
nomio, prefereveo, e confignou
para os eferavos o numero de qua­
renta açoutes; ut5.
tit. 62. §. 1. in verbis: Por tormento
ãe açoutes, que lhe feraõ dados, um
tanto que os açoutes nao pafem de qua­
renta; com tudo aíTim como os
Hebreos dos quarenta ainda tira-
vaõ hum, bem he cue nos osCtim.-
tãos tiremos ao menos feis, ou fe­
te;
2o6 Ethiope Refgatado f
jg • pofcjuc o vinculo ao unior uo
proximo na Ley Evangélica ficou
mais atado, e apertado, por virtu*
de daquellas palavras de Chrifio Se­
nhor nofib: Jõân. cap. 15. verf 54*
Mandatumnovum do vobis, ut diliga-
tis invicem ficutEgodilexi ; do
que até então o fora na Ley Efcrita
por força das outras do Le vitico
cap-19. verf.18.
im , ficut te ipfum.
r 26 E por iffo fe entaô era
eoufa torpe, que depois de caíli-
gado apareceífe nos olhos do pro­
ximo o delinquente, ferido com
mais de quarenta açoutes; como o
Senhor alli lhes declarou: Nè fade
laceratusante oculos tuos abeat
ter tuus; eoufa indigna fera agora
entre nós, que o noífo eferavo, que
he noífo irmão , e noífo proximo;
nos
Quinta Parte. 207
cos apareça, e tenhamos animo de
o ver punido com mais de trinta;
que ter animo de over, e nosap-
pareeer com cem, duzentos, tre­
zentos , e quatrocentos , iíTo he
defprezar as Leys Divinas, como
infiel; naò refpeitar as humanas,
como barbaro; e feguir as da fere­
za, e crueldade, como bruto.
27 Em quinto, e ultimo lugar, j
para o caítigo fer bem ordenado
quanto ao modo, he neceffario que
fe naó exceda efte , nem nas obras,
nem nas palavras. Nas obras fe ex­
cede , fuíligando-fe os efcravos pelo
rofto, pelos olhos, pela cabeça, e
pelas mais partes irregulares; e nas
palavras fe excede, quando entre
as expreífivas da reprehenfao fe
miílurao outras indudhvas de con-
tumelia, de afronta, e de maldi­
ção
hwmb
2o3 E iopéR ef gatado,
th
cao, ouexecraçaõ. Primeiramente
nao devem os poffuidores de ef-
cravos darlhe defattentadamente pe­
la cabeça, e pelas outras mais par*
tes irregulares do corpo; porque
fe expoem ao perigo de lhes cau-
far alguma deformidade perpetua
no roílo, e de lhes prejudicar nas
mais partes gravemente à faude,
e talvez à vida; e ifto ferá obrarem
mais como feus verdugos, do que
como feus fenhores; e ferá mais
ufar do poder dominico , para os
deftruir, do que de caftigo econo-
iriico, para os emendar; e ferá fa­
zer injuria aos efcravos, e tratallos
com afpereza, e duramente.
28 O que tudo fe acha prohi-
bido, tanto por ley humana, na
ConílituiçaÒ Antonina inferta no
texto in %fed hoc tempore 2. Infi- de,
his.
Quinta Parte. 2op
his, cjui funt fid, vel alien, jur. in ver>
Us: Sed O ’fi vel diirius habitos quam
<equum eft, vel infami injuria afeâtos
ejfe cognoveris,venire como
por Ley Divina; a qual ainda que
fallava fomente dos efcravos He-
breos no tempo dà Ley Efcrita,
com tudo ex vi do amor do proxi*
mo mais vinculado, e apertado na
Evangélica, procede a refpeito de
todos, e quaefquer efcravos, como
diz Vinnio, commentando a fobre-
dita Conílituiçao Antonina , ad
text, in did. §. 2 . ifnI u
bi proximè
n. 1. admedium
,ibi: Non
fervum, non dominaberis ei dure, ait
Lex Divina de fervo Hebr^eo. Levit. .
25. quod nunc prolata vi proximitatis
ad omnes fervos debet extendi.
29 E nao fomente he femelhan-
te exceffo repugnante às Leys Di-
Dd vinas,
2io EthiopeKefgataâo,
vinas, e humanas, ienao que Lam­
bem he proprio de brutos, e feras
irracionaes; por iiTo o Ecclefiafti-
co reprehendeodo deftes^exceiiqs
aos fenhores, lhes diz; Nao queirais
fer como o L ead, opprimindo os
voffos domeilicos, e deitruindo os
efcravos, ou fujeitos ao voffo po­
der; ut habeturcop- 4 - 35 •
Uejfe ficut ko in domo tua evertens
âomefiicos tuos, & oppritnens fubje-
ctos tibi; no que parece fallava ei-
pecificamente com eiles fenhores,
que os cailigao defattentadamente;
pois affim como o Leao inveite,
e defpedaça a preza, fern refervar
cabeça? olhos? e mais partes prin-
cipaes do corpo; antes talvez por
nrinrirvia
«•^ w-*J-- ** O
- fell furor; affim
também o fazem eiles defcarregan-
do os feus golpes, e pancadas, def*
humana-
QuintaParte.
humanamente por todo o corpo,
fem exceiçaô de parte alguma. ^
30 Mas 0 que daqui lhes reful-1
t a , he a fuga dos efcravos, aífim 1
leíòs , e offendidos; os quaes de
tal forte fe aufentaõ, que rara vez
voltaô./ e apDarecem,
XX por niais di-
'A .

ligencia, e cuidado , com que os


bufquem, como quotidianamente
fuccede; cumprindo-le à rifca 0 que
tamBém b mefmo Ecclefíaílico lhes
pronoíticou no cap. 35. verf 32. ibi :
Si Ijeferis fervam , in fa gam
convertetur; Cfji extottens
t i t , quem quaeras, Cf in qua via il­
ium qu<eras , nefcis;e quando lhèsl
nao fujab, fícaõ com mais eíTes ini­
migos de porta a dentro; porque
os efcravos affim como, fe os tra­
tamos bem , e com amor', ainda
que os caítiguemos para o feu en-
D dii fino,
212 Ethiope R e fg a ta â o ,
fino, fempre íaõ noíTos companhei-
ros, ebon, amigos, como diffe o
Seneca já acima tranfcripto; atiim
também pelo contrario, fe ostia-
tamos barbara, e afrontofamente,
de neceflidade ficao fendo noíTos
domeílicos-inimigos; nao pojque
elles de fua vontade o queirao íer;
fenao porque nós com a m á, que
* lhes moftramos, os fazemos) como
Seneeartaffiibèm difie na
d to EPificl 5 : Serves nm ha-
bemus hofies, fed facunus.
... Deinde quanto ãs pâlâvrâs,
naó devem os íenhores, quando
caítigaó os eferavos, miílurar entre
as da reprehenfaõ outras injuriofas,
e de contumelia , chamando-lhe
aquelles infames nomes, que aífini
como nao cabem nosjsicos dano -
fa pena , naó deverão caber tam-
1 bem
Quinta Parte. 215
betii nos lábios da fua boca ; por-
que a reprehenfao dos few os para [
fer reóta, naô deve fer ii\juriofk iJ
como advertio Platao Dialog. 6.
legibus, ibi: Efi autem reãa horum
educatio; ut nulla Mis contumelia in­
feratur. Todos os meyos devem fer
proporcionados ao fim a que fe or-
denao; ex L. oratio ,
cumfimilibus; e fe o meyo he vicio-
fo , como eíle de que falíamos, mal
póde por elle confeguirfe o fim vir-
tuofo da emenda , a que o caíligo,
e a reprehenfao fe ordenaÕ; e cui­
do que neíle fentido procede o di-
zerfe no cap. 29. dos Provérbios verf.
19. que os efcravos fe nao podem. x
doutrinar, e enfinar com palavras:
Servus verbis non potejl eruãiri; en-
tendendo-fe do eníino feito cotp pa­
lavras más, e afrontofas, e nao do
que
214 Emope Refgatado ,
que fe fizer com boas, e doutrmaes
palavras; pois eftas, claro he que
fao aptas para inílruir, e influir
doutrina. . . .
i2 A boca que profere injurias,
he como fonte , ou veya de aguas
infeótas de iniquidade; e a que
profere palavras íinceras, e junas»
ie fonte de aguas vivas, e fauda-
veis ; ut • /I • fj
verf. ii. ibi: Vena vit<e os jujti, u
cs impiorum opcrit iniquitciteinj e por
iffo nao da primeira, fenaô da fe-
gunda, he que podem os fervos
beber a virtude, e doutrina da cor-
recçao. No Ecclefiaftico H-
verf iB. fé diz, que trabalhando
dous na mefma obra, hum que a
vá fazendo, e outro que in continen-
ti a vá logo defmanchando; ficaô
ambos com trabalho, e nenhum
delles
Quintet P art#. 215
delies com proveito; ibi <edi-
ficans, i ? mus defiruetts : quid pro-
defiillisnifi labor*. E affim fuccede na
obra da correcçaô, e difciplina, que
fabricaõ eftesfenhores,* na qual tra­
balha a reprehenfao edificando, e
trabalha a injuria, e afronta, def-
truindo; c o trabalho he em fim
o que lhe fica, porém baldado , e
fem proveito. Lancem poisfóra da
obra a injuria, que deílroe, e dei­
xem trabalhar fomente a reprehen­
fao , que fabrica, e logo com feliz
fucceffo fobrefahirá o edifício.
3 3 Além de q u e, a todas eilas
razoes deve prevalecer, na confi-
deraçao defies poífuidores, e inju-
riadores de feus eferavos, para a
emenda na prefente materia; o fer
peccado mortal proferir palavras in-
juriofas, afrontoías, e tendentes a
tirar „
216 Ethiope Ref
,

tirar, e offender a honra, e bom


nome do injuriado; e como os ef-
cravos também entre íi pódem ter
fua honra, e feu bom nome, por
muitos titulos, como de fieis, bem
procedidas, e femelhantes; fegue-
le,que quando OS fenhores lhes di­
zem palavras contrarias, e deítru-
étivas-delle, e deffafua tal, ou qual
honrinha , niffo mefmo lhe fazem
afronta, e injuria mortalmente pec-
caminofa *, pois já neffes termos
procede a explanaqao Theologica
de Santo Thomás 2. 2. </. 62. 2.
ib i: Si intentio profe
ratur, ut aliquis per verba, qu<e pr0-
fert, honoreraalterius hoc
propriè, & per fe, ejl convicium, C?
contumelia; O’ hoc ejl peccatum mor-
tale, non minus, quàm fartum, vel
rapina-, non enim homo minus amat
Quinta Parte. 217

fuum honorem , qu
rem
àm
34 E fe diflerem, que as profe-
rem fern animo máo, ou Tem ple­
na deliberação, naÔ he iíTo muito
facil de acreditar; pois ainda que
do interno fomente Deos pode ao
certo conhecer; com tudo no ex­
terno tem contra fi as regras em con­
trario, as quaesdidtao, quetalfepre-
fume fer o animo , e intenção do
agente, qual o moítra fer o mef-
mo faóto que obra; ex , íST
A A. apud Barbof. inloc. com. litera
E,n.142. literaF,n.19.; quanto
mais que neíle lugar fomente nos
toca apontar a culpa , e nao difpu-
tar, e averiguar o concurfo das cir-
cunílancias, que a poflao efcuzaf.
O certo he, que os efcravos, quan­
do os injuriaó feus fenhores com
contumelias, e opprobrios graves^
Ee tomao
2i8 Ethicpe JLefgataâo,
tomao diffo conhecida pena; e al-
legaó a feu fa vor, que também tem
alma como os brancos; e que Chiif-
to Senhor noílb também padeceo,
e morreo por elies; e que nas Igre­
jas, fenhores, e efcravos, todos
commungao na mefma meza; e fe
neftes termos a cólera, ou outra
alguma circunílancia, livra os fe­
nhores do peccado , baila fer pon­
to dubitavel, e opinavel, para que
ninguém neíla materia fe exponha
ao perigo de peccar: Eo quoâ, qid
amat periculum, peribit inillo; como
ie diz no cap. 5. verf. 27. do Eccle-
iiaílico.
f~ 33 Menos devem os fenhores,
í e poífuidores de eícravos nas occa-
fioes do caíligo , e fóra delias, uzar
de pragas, e maldições. Eíle vicio
taõ frequente, e geral neílas Con-
quiítas
Qiiinta Parte. 219
quillas, he muito reprehendvel , t
execravel; porque quem pragueja,
e lança maldições com ira, e máo
dezejo ao feu proximo, direitamen-
te fe oppoem à caridade , que lhe j
deve; e por iffo gravemente peç-j
ca; iuDiv. Thorn. ubifup. diéi.
q.76. diói.art. 3. ibi: Malediciio, de
qua loquimur, efi per quarn pronuntia-
tur malum contra aliquem, vel impe­
rando , vel optando; autem,
império movere ad malum alterius, fe­
cundam fe repugnai charitati,
ligimus proximum ;t? ita, fecundum
genus fuum, efipeccatum mortale: E
como aos efcravos por domeíticos,
e companheiros, fe deve ter mayor
caridade, porque faõ mais proxi-1
mos que os eítranhos; por iflb as
maldições, e imprecações contra
elles , ainda faõ mayor peceado.
Eeii Algu-
2 2 0 Ethiope R.Exalado,
56 A lg u m a s v e z e s e m c a íh g o

d e fe m e lh a n te c u lp a , te m D e o s

n o íío S e n h o r p e r m ittid o o m e fm o

e íF e ito , q u e fe im p r e c a , n a c o n fo r ­

m id a d e d o q u e d iz o E c c le fia ílic o

cap. 4 . verf. 6 . i b i : Maleâicentis enim


tibi in amaritudineaniniíCexaudiciur
ãeprecatio illius; d e c u j a v e r d a d e n a
e x e m p lo s h o r r o r o fo s; e ta l h e o

q u e fe r e fe r e n o P ra d o E fp ir itu a l

§. 9 2 . d e h u m a m a y , q u e e íta n d o à

m e z a , e fe n d o ir r ita d a d e f u a filh a ,

lh e im p r e c o u , q u e ta n to s d e m ó ­

n io s lh e e n tr a ffe m n o c o r p o , q u a n ­

ta s le n tilh a s tin h a c o m id o p e la b o ­

c a ; o q u e in continenti f u c c e d e o , fi­

c a n d o a filh a c a ílig a d a p e la c u lp a

d e im p a c ie n ta r fu a m a y , e a m a y

p e la c u lp a d e p r a g u e ja r fu a filh a ;

a filh a fo ffr e n d o to d o s a q u e lle s d e ­

m ó n io s , e a m a y fo ffr e n d o a fu a
pena*
Quinta Tarte.
t>ena, e magoa que lhe caufava,
é os enfados, que lhe dava taõtre­
mendo, e afflidtivo tiabalno; o
qual ultimamente ceifou na cova
de Santa Maria Magdalena, onde
a poífeífa foy levada, e milagrofa-
mente livre.
57 Do mefmo modo foy livre
outra mulher no fepulchro de S. Pe­
dro; a qual fendo menina , e fur­
tando huma efcudella de leite a feu
pay ( que a achou com ella já na
boca) lhe difiera eíle que bebeífe
ò leite, e com elle o demomo; e
com effeito o bebeo, e trouxe no
corpo defde menina ate fer adulta;
como refere Cefario lib. $. Miracul.
cap. 15.; à villa do que temaõ ,
tremaó os praguejadores dos feus
efcravos, lhes nao fucceda o mef-
mo para feu caíligo; pois melhor
222 EtUope Refgataâo,
he que agora tomem exemplo , do
que já fuccedeo a outros de preté­
rito, do que ao depois venhaô
a fervir de eícarmento aos mais pa­
ra o futuro; e obfervem hum do­
cumento tirado da doutrina de S.
Gregorio Magno , e vem a fer.
38 Quando reprehenderem, e
caítigarem eítes cativos, feja fim o
fupplicio condigno, e proporcio­
nado ; porém as palavras fejaõ fem-
pre amorofas; e pelo contrario,
quando lhes fizerem algum bem,
ou beneficio, ufem entaô de pala­
vras mais dominantes; para que
deite modo, fempre o amor, o
poder, e o refpeito, reciprocamen-
, tè fe temperem de forte, que nem
os fenhores J por rigorofos, deixem
de fer amados; nem também, por
benevolos, deixem de fer temidos,
e
Quinta Parte. 223

e r e fp e ita d o s ; p o is d iz o S a n to

D o u to rlib. 20.Moral, cap. 2 . ib i:

Oui p r < e e f i , debet arr ,


iratas ri; ut e u m n i m i a l<e-
am
titia vilem reddatnec immoderata
feveritas odiofum.
3 0 E e m n e n h u m c a íb o s tr a ­

te m o s c o m a m a r g u r a , c o m ir a ,

c o m in d ig n a ç ã o , c o m g r ita r ia s , e

c la m o r e s , e c o m p ra g a s, e b la s fé ­

m ia s ; p o r q u e e m fim e íle s c a tiv o s

fa o ir m ã o s , e p r o x im o s n o íf o s ; c o m

o s q u a e s p o r iffo n a ô p o d e m o s u fa r

d e fe m e lh a n te s p e r v e r fid a d e s , q u e

to ta lm e n te d e v e m o s la n ç a r fó r a d e

n ó s-, c o m o ad Pphef.
d iz S . P a u lo

cap. 4 . verf m . Omnis amaritudo,


ira, O' indignatio,O' clamor, O'*
Uafphemia,tollatur à vobis cum omni
malitia eftote autem invicem benigni.

S E X -
224
E 'MopeRef gatado

SEXTA PARTE.
Bo (jue refpeita à
Doutrina Chrijlã.

i X T ' S te s m iíe r a v e is c a tiv o s ,

j H . q u e o u m a is , o u m e ­

n o s b e m , n o s a ju d a õ n a s d e p e n ­

d ê n c ia s d a v id a , n o s fe r v e tn , e n o s

a c o m p a n h a õ , c e r ta m e n te fa o da-

q u e lle s p á r v u lo s , d e q u e m la m e n ta ­

v a J e r e m ia s Thren. 4. verf. 4 - o n a o

h a v e r q u e m lh e p a r tifle o p a o , q u e

Parvuli petierunt panem, u


p e d ia õ :

non erat, qua frangeret eis; p o r q u e


n a q u a lid a d e d e p r e to s , n a c o n d i-

tç a o d e fe r v o s, n a ru d eza d e e n te n ­

d im e n to , e n a p o u c a id a d e ch rn -

tã , q u e te m d e p o is d e n a íc id o s ,

o u r e n a fc id o s p e lo B a u tiíin o , e m
tudo
Sexta Parte- 225

tu d o o s fe z a n a tu r e z a , e a fo r tu n a

p e q u e n o s ; m a s m a is p r o p r ia m e n te

o fa o p e la u ltim a ra z a ó d e n e o p h i-

to s , e n o v a m e n te c o n v e r fo s à n o f-

fa fa n ta F é ; c o n fo r m e a a lle g o r ia

d e S y lv a verb.P
l, i b i :
arvu
dicuntur nuperbaptizati,ac recentes
infide. O p a d ,q u e p e d e m ,h e o d a

d o u tr in a , d a e r u d iç ã o , e fa b e d o í ia

c h r iílã ; c o m o d iz H u g o c o m m e n -

ta n d o a q u e lle lu g a r : P anem doctri­


ne ; e e í t a h e a q u e r e g u la r m e n te

fe lh e n a 5 p a r te , e r e p a r te c o m o

d e v ê r a fe r ; p o is o s P á r o c o s fe e f.

c u f a o , e o s C o n fe flò r e s fe d e fv ia õ ;

h u n s , e o u tr o s p o r o c c u p a d o s.

2 A o s fe n h o r e s p o rém , q u e

p o ífu e m e íte s c a tiv o s ^ , in c u m b e

ta m b é m a d ita p a r tiç a o , e r e p a r ti­

ç ã o ; p o is tu d o q u a n to o s T h e o lo -

PQSd i z e m d a D o u tr in a C h r iílã , q u e

5 F f o s
2 2 6 Ethiope Refgatado,
o s p a y s d e v e r a e n fin a r a fe u s filh o s ,

d e c la m o , q u e p r o c e d e ig u a lm e n te

n o s fe n h o r e s a dos f e u s
r e fp e iío

e fc r a v o s, e efpecificamente f a l t a n ­
d o , d o s q u e fa h ir a õ d a in fid e lid a ­

de*, o e n fin a o a ffim F a g u n d . in 4•


—^ ** -t __ / ' / i p T a i H i ! Tiomi-
jUecalog . precept, cap. í - r — • fírf
nus m u i fervum neophythabe
non curat eum DoclrinaChriftianainf- \
. truere , pcccat lethâlitcr’, e N a v a r r o
in Sum. latin. cap. M- fab n. 21. í b i :
Triçejimo primo, peccat âominus, vel
herus, quihabet fervum ,
feu novè ad fidem converfam, O ’ non
curat per fe, deque per alium, ChrifliOr
narn Dodirinam ipfum docere, O
qu id f i t efeChriJlianum ,O ’
' lem v i t a m agere ten^
5 D o n d e a ffim c o m o o p a o

d e c a fa , p o r m a is f r e q u e n t e , h e o

q u e m a is a p r o v e ita , e m e lh o r fu f-
te n ta j
S e x ta Parte. 227
te n ta ; a ffim a d o u tr in a d e ca fa h e

a q u e c o m o m a is u t i l , c o n tin u a d a -

m e n te fe lh e d e v e p a r tir , e rep a r­

tir , p a ra a lim o n ia e íp ir it u a l, e p r o ­

fíc u a d e fla s a lm a s ; p a r tin d o -fe c o m

d iítin ç a o , e fe p a r a ç a ó d e c a d a p o n ­

to , e r e p a r tin d o -fe , o u to r n a m io -

fe a p a r tir c o m a fu a e x p lic a ç ã o ; e

tu d o iílo q u a n to o p e r m ittir a c a ­

p a c id a d e d e lle s , a ju d a d a d a n o fía

íb lic ita d ilig e n c ia .

4 N e íla p o is d e v e m o s e n tra r

le v a d o s d a c o n fid e r a ç a õ , d e q u e

c a d a h u m d e fie s c a tiv o s , p e la b o ­
c a d a fu a m e fm a e íp ir itu a l in d ig ê n ­

c ia , c o n tin u a m e n te n o s e ílá c la ­

m a n d o , e p e d in d o e íte p a o c o m

a q u e lla s lib. 3 . Peg. cap. 3-


p a la v r a s

verf. 7. Ego autem fum puer parvulus,


i? ignorans egrejfum, €/ introitum
meum: E u , S e n h o r , f o u h u m r u d e
E f ii p r e t o ,.
228 E iopeKèfgataâo,
th
preto, e párvulo na fe, que nao
fey por onde hey de entrar, nem
por onde hey de fahir; enfinai-me,
e inílruí-me, para que a niefma
doutrina me illuílre, e faça fabio,
conforme aquillo do Pfalmo 18. v.
8. T e fiim o n iu m D o m in i fidele,
tiam pr<eftans parvulis.
$ E neíla conformidade entra­
remos, principiando pelas noticias
de quem he Deos, e de como nos
creou a todos paraíi, e de que a al­
ma naõ morre como o corpo; fe-
naô que a efpera o prémio eterno,
fe obrarmos bem; ou eterna pena,
fe obrarmos mal; que o peccado
he muito feyo, e horrorofo; que
devemos levantar os olhos, e as
mãos aò Ceo, e efperar de Deos
merces, e favores em todas as no f-
fas afflicções, e neceffidades. Enfi-
•n arlh p-
Sexta Farte. ' 229
narlhes-hemos aadorar o Santiffimo
Sacramento nas Igrejas; e fóradel­
ias, nas procifsôes folemnes, econ-
ducçaõ aos enfermos; adorar as
fagradas Imagens, e reverenciar
os Sacerdotes, e Miniítros da Igre­
ja. e a eíle refpeito todas as rnais
obfervancias praticas da chriftanda-
de-, para que todos eíles teílimo-
nios, e documentos da nofia F e,
que forem aprendenao, vao extin­
guindo nelles as relíquias da ceguei­
ra da infidelidade ; pois como diz
Santo Agoítinho trait. 4 4 - in Joan,
fub princip. Coecitas ejl
luminatio fides.
6 Depois diílo trabalharemos
quanto for poliivei, para que to­
mem de memória a principal par­
te da Doutrina Chriílã ; que he o
Credo, os Mandamentos da Ley
de
2 3 0 E MopeRef gatado,
d e D e o s , e d a S a n ta M a d r e Ig r e ja ,

o P a d re N o fíb , e A v e M e a r ia , o s

fe te P e c c a d o s m o r ta e s, e o s fe te

S a c r a m e n to s. E iito m e fm o lh e

to r n a r e m o s a p a r tir , d c c la r a n d o lh e ,

q u e n o C r e d o fe c o n té m tu d o o

qUC UCVC Iti ?


erer; q u e n o s M a n d a m e n to s d a

L e y d e D e o s , e d a S a n ta M ^ adre

I g r e ja , f e c o n té m tu d o o q u e d e­

v e fa zer p a r a b em o b r a r ; e n o P a ­

d re N o fíb , e A v e M a r ia , te m tu ­

d o o ,q u e d e v e rezar p ara b e m p e ­

d ir ; nos P e c c a d o s m o r ta e s , te m as

c o u fa s, e v ic io s ,q u e d e v e m fu g ir ;

e n o s fe te S a c r a m e n to s, o q u e d i­

g n a m e n te d e v e m r e c e b e r p ara b ém ,

e fa lv a ç a o d a s fu a s a lm a s ; q u e iílo

m e fm o lie o q u e íe d e c la r a , e d if*

p o e m n a C o n ftitu iç a Ô B a h ie n fe n.
4. n a fo r m a fe g u in te .
Manda-
Sexta .F 2 3 1
7 Mandamos a todas as peffoas,
ajfimFcclefiapcas, como Seculares,
enjinem, ou façaõ enfinar a Doutri­
na Chrifia à fua família, e efpecial-
mente a feusefcravos, que faõ
mais necejfitados defta infirucçaÕ pe­
la fua rudeza, mandando-os à Igre­
ja para que 0 Pároco lhes enfine os
Artigos da F é , para fàberem hem
crer; 0 Padre nojfo, e Ave Maria pa­
ra fàberem bem pedir; os Mandamen­
tos da Lev de ecs,De da Santa Ma-
âre Igreja, e os Peccados mortaes,
para Jaberem bem obrar; as Virtudes
para que asfigao; e os fete Sacramen­
tos para que dignamente os , e,
com elles a graça que daÕ; e as mais
orações da Doutrina Chrijlã, para que
fejaõ inftruidos em tudo 0 que importa «
a fua falvaçao.
8 E nao nos devemos logo ef-
c u fa r
252 Ethiope Refgataâo,
c u fa r d e lta in e v itá v e l o b r ig a ç ã o ,

c o m a d e íc u lp a g era l d a p o u c a fu f-

fic ie n c ia , e p e r c e p ç a o o r d in a r ia ,e

r e g u la r d o s p r e t o s ; p o is já h o je n a ô

v e m d a q u e lla s te r r a s c a t iv o s t a ò ru ­

d es , e b u ç a e s , c o m o a lg u m d ia

* c o ílu m a v a o v ir ; d e fo r te q u e a n ti-

g a m e n te era ó m a is o s in e p to s q u e

v in h a ô , d o q u e eraÕ o s q u e v in h a ó

c a p a z e s d e e n fin o , e h o je p e lo

c o n tr a r io , fa o m a is o s ca p a z e s q u e

v e m , d o q u e o s r u d e s, e in e p to s ;

e m ta l fó rm a , q u e a d u a lm e n te o s

v e m o s a p ren d er to d a s as a r te s, e

o ffic io s m e c â n ic o s , fem rep u g n â n ­

c ia , e d iffic u ld a d e .

9 E a lé m d iífo ; fe te m h a v id o

a v e s q u e . a p ren d erã o , e r e p e tir ã o

o r a ç õ e s in te ir a s , a h u m a d as q u a es

lh e v a le o p a ra liv r a r m ila g r o f a m e n -

te a v id a , 0 r e p e tir a A v e M a r ia
e m
Sextã Parte. 235
em occafiaô que nas unhas a le­
vava o GaviaÕ arrebatada, como
fe refere na Arte de criar hem os
filhos cap. 4.; como pòde fer que
homens racionaes, poílo que ru­
des, nao poífaõ ao menos chegar
com a memória, e entendimento ,
aonde as aves chegao com a fanta-
fia, e potênciasmateriaes fomente
10 Para hum Papagayo apren­
der qualquer pertendida, e deítina-
da locução , duas coufas devem
concorrer, que faô ; a inclinação
natural, e inílinto, com que elle fe
applica, e a continua, efrequente
diligencia de quem o enfina. Se fal­
ta a applicaçao, e inclinação do
paflaro; ou fe nao perfevera a dili­
gencia do meílre; entaÕ he que fe *
nao confegue o intento do enfino.
E a e íte exemplo devemos ver, fe
Gg a
234 Ethiope Refgatado,
a falta he da applicaqao, e cuida­
do do efcravo em aprender a Dou­
trina; ou fe he da nofla paciência,
e perfeveranqa em lha eníinar; por­
que hum a , e outra fao remediá­
veis , e muito bem as poderemos
lupprir, e evitar.
n Porque fe acharmos que a
falta he da nofla paciência, e per-
feveranca em o enfinar; o remedio
he feguirmos o contrario de ter
paciência, e conilancia, e com
ella profeguirmos na confideraçao,
de que enfinar o noflo fervo,além
de fer obrigaçaõ que fatisfazemos,
de íi he hum a obra fanta, e divi­
na ; porque he cooperar para a fal-
vaçao da fua alma; e como diflfe
S. Dionyfio Areopagita cap. 3. de
Çcelejl. Hierarch. Divinorum divinif-
fimam efi cooperari Deo infalutem ani­
maram ;
Sexta Parte. 2 ?5

marum ; c a s o b ra s b o s s , e v ii tu o *

fa s n a o ie le v a o a o fim , fsm c o o f-

ta n c ia , e tr a b a lh o ; b e m a ífim c o ­

m o v e m o s n a s o b ra s d a n a tu r e z a ,

e d a -a r te ; as q u a e s n a o c h e g a õ à

fu a p e r fe iç ã o , fe n a ô le v a d a s a p u ­

ro tr a b a lh o , c o n fta n c ia , e p a c iê n ­

c ia .
12 O paÕ q u e c o m e m o s , o li­

n h o , e lã q u e v e ítim o s , o a z e ite ,

e cera q u e n o s a lu m ia o ; q u a n to s

tr a b a lh o s , q u a n ta s d ilig e n c ia s , e

q u a n ta c o n íta n c ia n a o fo y n e c e fla *

r ia p a ra c h e g a r e m à p e r fe iq a õ q u e

te m , p a ra o n o lT o u fo l O d in h e i­

ro q u e g a ita m o s , q u a n ta s m u d a n ­

ça s , e tr a n z e s n a õ p a ílo u ; e q u a n -*

ta s jo r n a d a s n a o a n d o u , d e fd e as

v e y a s d a s m in a s a t é à p a lm a d a n o f i

fa m a o . H u m e d ifíc io d e m á r m o r e s

b u r n id o s , e lu ítr a d o s , q u a n t o s m i-

G ff i i lh a r e s
2 56 Ethicpe Kefgatado,
lhares de golpes nao levou a fua
fabrica para chegar ao feu ultimo
d lad o , e perfeição.
15 E fe tudo póde o trabalho,
e a diligencia junto com a conftan-
cia; quem nao tiver conilancia no
trabalho das obras boas, e virtu o-
fas, nao logrará a gloria de confe-
guir, e colher os feus frutos; por­
que eíla planta he de tal caíla,
que para os produzir, he neceífario
fer regada com o fuor; como diiTe
Santo Ifidoro Pelufiot. lib. 2.
12. Gloria fudoribtis irrigatur-, e nef-
ta conformidade , nao devemos de-
fiílir da empreza de enfinar o nof-
fo efcravo; fenao continuar com
paciência, e fem defefperar, ainda
que nao vejamos logo, e para logo
logrado, e confeguido o noífo in­
tento ; que iíto mefmo he o que o
.Efpirito
Sexta Parte. 237
Efpirito Santo aconfelha aos pays
de famílias, e nelles aos fenhores,
e poífuidores de efcravos; Proverb,
cap. i 9. verf.18. ibi: Erúdi filium tu-
um, nè defpéres.
14 E fe tivermos outro eícra-
vo ja perito nat Doutrina , por eile
poderemos fazer eníinar os que a
naófouberem; mas fempre he bem
que feja na noífa prefença, para
hirmos corregindo as faltas do inf-
truidor; e também porque fóra da
noífa viíla, o mais certo he nao fe
obrar coufa alguma; que por ilTo
certo Senador Rom ano, que fe fer­
via de multidão de efcravos, ainda
quando elle mefmo os nao doutri-
nava, aífiília fempre pelfoalmente
ao feuenfino com toda a attençao^»
dizendo ,que eíle era, e devia fer
principal cuidado de hum fenhor,
ou
2}$ E thiopè Refgatado,
ou p a y d e fa m ília s ; c o m o r e fe r è

E r a fm .lib. 5 . Apophet. apud C e l a d .


in Comment, in Ruth. § . 1 3 1 . i b i :
le dives magnamfervorum turbam de-
mi alebat, quorum precipuam agebat
curam, difcentibus adflans: interdum,
O' ipfe docens eos, dicens, hanc opor-
tere precipitam ejfe patris famíliasfol-
licitudinem.
15 E fe a ch a rm o s q u e a fa lta

h e d e a p p lic a ç a õ , e c u id a d o d o e f-

c r a v o e m a p ren d er; d o u s r e m e d io s

te m o s q u e lh e a p p liç a r . O p r im e ir o

h e r e p a r tir lh e o p a ô d a d o u tr in a , e

r e p e tir lh e ta m b é m à p r o p o r ç ã o o

c a ítig o . D a r lh e h u m p e r ío d o fo m e n ­

te d o Padre nofop a r a e ílu d a r , c


n o s d ar c o n ta n a fe g u in te liç a ó ;

exempli gratia: Padre , que efiás


no Ceo. E f e d e r c o n t a , e b o a c o n ­

ta d e lle , a u g m e n ta r e m o s a liç a õ

1 f e g u in t e ,-
Sexta . 259
feguinte , levando fempre com ella
a antecedente, exempli gratia: Pa­
dre nofo,que eftás no Ceo: fantificada
feja 0 teu nome. E fe ao dar a fua
conta tropeçar, emendaremos; e
contados os erros, o caíligaiemos
♦>/> -dm /IP!1q mrp oijtras tantas
11O u i 11 v i s i t a j v v ^ i- - * ------------

palmatoadas, quantos os erros fo­


rem.
ió Faremos como deve fazer
o ConfeíTor prudente; pois affim
como eíle fizudamente, e com dif-
fimulaçaõ ha de ouvir o penitente,
e hirlhe enfinando fomente o que
for neceífario para fe explicar , e
no fim reprehendello, e corrigillo
então de todos os peccados junta­
mente , e nao darlhe pelo meyo ,
a cada peccado fuacorrecçaô; para
que iífo o nao perturbe, e altere ,
eom perigo, ou prejuízo da intei­
reza
2 4 .0 Ethiope Kefgataâo ,
reza d a c o n f iif a o ; a ifim ta m b e m pa­

ra q u e o e fç r a v o fe n a ô p e r tu r b e ,

e erre m a is v e z e s d o q u e ta lv e z er­

r a r ia , d e v e m o s r e fe r v a r p ara o fim

o c a ílig o d o s erro s to d o s ju n ta m e n -

tC 17 E e íle h e o p r im e ir o rem e-

d io , c o m o q u a l a e x p e r ie n c ia te m

m o ílr a d o , q u e m u ito s r e p u ta d o s

p o r ru d es a p ren d erã o c o m te lic id a -

d e : fe n d o a r a z a o ; p o rq u e c o m o

e íle s p r e to s e m to d a s as o p era q o es,

q u e in v o lv e m a lg u m tr a b a lh o , fa o

n a t u r a lm e n t e fr io s , e f o m e n t e o b r a o

c o m fe r v o r n as d a c o n v e n iê n c ia , e

in te r e ífe p r o p r io ; d e fó r te q u e q u a n ­

d o c o m e m fu a õ , e q u a n d o tr a b a -

lh a o e íla o fr e fc o s, c o m o d iz P e x e n -

tom. 2. hifi- 58 - Qid fudant,


. fe ld e r .

quando vorant, frigofcunt, quando la


borant; p o r i í f o h e n e c e í f a r i o a q u e n -
' - ta llo s
Sexta Tarte. 241

ta llo s ta m b é m c o m a p a lm a tó r ia

n e íte e n fin o , p a ra q u e c o m c u id a ­

d o , e fe r v o r e ítu d e m , to m e m , c

a p ren d a o a D o u tr in a .

18 O fe g u n d o r e m e d io h e , à
d e q u e u fo u D . JoaÕ d e M e llo B if-

p y Vj UI í w W C m
pm P n i m K r u n n e f i n e rjrv
v j u u i i u i W ) iiv/u

fe c u lo p a íT a d o . H a v ia e íle fo lid o

P r e la d o o rd en a d o h u m c la r o , e b re­

v e r e fu m o d a D o u tr in a C h r iíta

p ara o s ru d es c a m p o n e z e s ; e h a ­

v ia p r o h ib id o a o s P á r o c o s fo b p e ­

n a d e e x c o m m u n h a o o d e fo b r ig a -

re m d a Q u a r e fm a a q u a lq u e r d e lle s ,

fe m q u e p r im e ir o o fo u b e íle d e m e ­

m ó r ia ; e íu c c e d e n d o h ir fe q u e ix a r

a o m e fm o P r e la d o h u m v e lh o , d a

p o u c a m e m ó r ia , q u e D e o s l h e d e 5-

r a , e p o rra za o d a q u a l n a o p o d ia 1

d eco ra r o fo b r e d ito r e fu m o , ro g a n ­

d o -lh e , q u e c o m e lle d ifp e n fa ífe ,

Hh atten-
2 4 2 Etluope Ref gat ado,
atten ta a fua idade , ô rudeza V^O
Prelado oinvidou afazer mayor di­
ligencia , com o prémio de /lo u s
n i l reis de efm ola, peio trabalho,
de o aprender.
1Q E com eífeito voltando o
camponez, depois de tem P0 ^ '
p e te n te , com a liqao bem eftnda-
d a , e melhor fabida, o Brfpo-o re,
cebeo benignamente , e lhe fatis e
os dous mil re is; mas na retirada o
mandou prender, e reter na pnzao
os dias,'que com os dous mil reis
fe pudeffe nella fuftentar; por evi­
tar, que os mais cam ponezes, ie
quizeífem inculcar rudes, por igual
conveniência; mas publicado o ca-
fo logo nos primeiros d ia s, e ia-
V zendo-lhe o camponez humilde pe­
tição, em que confeffava a fua cul­
pa ,: o mandou logo fo lta r, e reco?
Sexta Tarte. 243
lh e r em p a z a fu a c a ía .

2 0 A e íte e x e m p lo p o i s , íe v ir ­

m o s , q u e o n o íT o e fc r a v o , c o m o

r u d e , e b r u ta l, n a o d a p e la v a ra d o

c a f t ig o , p ic a llo h e m o s c o m a e fp o r a

d o p r é m io , p r o m e tte n d o r lh e , ex­
empli gratia, a c a tn iz a , o c a lç a o ,

o c h a p e o , o u ta m b é m a lg u m d i­

n h e ir o , fe d e n tr o e m p r o p o r c io ­

n a d o te r m o d er c o n ta d a D o u ­

tr in a , q u e lh e e n íin a r m o s ; p o r q u e

c o m o e í l e s A r ‘i c a n o s n a t u r a l m e n t e

fa o c u b iç o fo s , e in te r e fle ir o s , fe g u n -

d o ta m b é m exeu- d ifle o m e fm o P

felder. tom. 3. hiftor. 145- i h i • Cúpida,


atque improba funt fervorum ingenia,
p ó d e fu cced er , q u e a p r o v e ite o

m a y o r c u id a d o , e d ilig e n c ia , e m
:■
q u e e lle e n tr a r , a ílim c o m o a p ro ­

v e ito u , a q u e fe z , e em q u e e n tr o u

0 c a m p o n e z .
H h ii 21 M a s
244
Ethiope Refgataâo,
2i Mas fe experimentarmos ,
que toda via naô tem capacidade
para aprender a Doutrina , com
aquella explicação commua, com
que todos a fabemos, e devemos
faber ; padaremos a enfmarlha na
fôrma mais breve, e accomouaaa,
que determina a Cionftituiçao I>a-
hienfe: a qual no n. 5 7 7 * e no n*
57S. diz o feguinte:
cravos de nofo -Arcebifpado, e detc-
do 0 Brafil faoos mais da
Doutrina Chriftã, fendo tantas as Na­
ções , e âiverfiâadesde que
pa/aô do gen
tilfm
oa de­
vemos lufcarlhes todos os meyos para
ferem infirmdos na Fé, ou por quem
lhes falle no feu idioma , ou na nofa
V, lingua, quando elles já a pofaÔ enten­
der. Eme fenos oferece outro meyo
mais prompt0, e mais proveitofo, que
0 de
Sexta r arte. 24^
0 âe huma inftrucçao accommoâaâa a
fua rudeza de entender, do
faliar.
2 2 E t d i t o n . 5 7 8 . i b i : Por tanta

ferao obrigados osFarocos a mandar


fazer copias [ fe nao bafarem as que
mandámos imprimir ] de huma breve
fôrma de cathecifmolhes *
municámos, para fe repartirem pelas
cafas de feus freguezes, em ordem a
elles inftruiremosfeus efcravos ?

Myfierios da Fé, e Doutrina Chrifiã


peia fôrma da dita E as
fuas perguntas, e refpofias ferao as
examinadas para ellesfe ,

e commungarem chrijlamente, e com


mais fa c ilid a d e ,do que efiuãando de
§•••
memória 0Credo, e ouiras lições, que
fô fervem para os de mayor capaci­
dade.
23 E a tal fôrma da Doutrina
mais
2?4Ó Ethiope Refga'ado
mais breve a divide em várias ink
trucqóes , que todas inclue amef-
ma Conftituiqao do n. 579 a t é o n.
5 8 4 inclufivè; e f a o n a f o r m a f e g u i n -

t e : I njlrucçao âõS Níyjlerios da Fé,


accomodada ao modo dofaliar dos -ef-
cravos: Q u e m f e z e í l e m u n d o ?
Deos. Q u e m n o s f e z a n ó s 1 Deos.
D e o s o n d e e ílá ? na terra,
e em todo 0 mundo. T e m o s h u m íó
D e o s , o u m u i t o s ? T emos hum fà

.. í í S sJ íe í 1*
Deos. Q u a n t a s P e f f o a s ? Tres. D i z e
o s f e u s n o m e s 5 Padre, í ilho,

t
to Santo.Q u a l d e l i a s P e í T o a s t o m o u
a n o l í a c a r n e ? O Filho. Q u ^ l d e í l a s

P e íT o a s m o r r e o p o r n ó s ? O Filho.

C o m o fe c h a m a e íle F ilh o ? Jefti


Chrifto.S u a M a y c o m o f e c h a m a i
* Virgem JS^Íaria. O n d e m o r r e o e í l e
F i l h o ? Na Cruz. 1
2 a D e p o is q u e m o r r e o , o n d e
foy i
Sextd Parte.' H7
j

foy i Foy lá abaixoâa terra bufear m


almas toas. E depois onde foy ? Ao
Ceo. H a de tornar a vir ? Que
ha de vir bufcar? As almas de bom
coraçao. Epara onde as ha de levar?
Para oCeo. E as almas de máo co-
raçaô para onde hao de ir? Para o
inferno. Quem eítá no inferno ? Ef-
iá o diabo. E quem mais ? A s almas
de máo coraçao. E que fazem lá ? E f
tao nofogo, que nao fe apaga. H ao
defahir de lá alguma vez? Nunca.
E profegue. Quando nós morre­
mos, morre também a alma? NaÕ.
Morre fó o corpo. E a alma para on­
de vay ? Se he boa, vay para o Ceo;
e fenaõ he boa, vay para oinferno. E
o corpo para onde vay ? Vay para
a terra. H a de tornar a fahir da ter­
ra vivo ? Sim. E para onde lia de
ir o corpo, que teve alma de máo
cora-
24S E thiope Refgatado,
coraçaõ? Para o inferno. E para on­
de hade ir o corpo, que teve alma
de bom coraçao i Para o . Quern
eílá no Ceo com Deos os
que tiveraõ boas almas. H ao d e tor­
nar a fahir do C eo, ou hao de eftar
lá para fempre I Hao de ejtar

^ 2? flru
Inpara
cçaÕ
Para que he a confiffao I Para la­
var a alma dos peccados. Quern faz a
confiffaõ efconde peccados l IN
Quern efconde peccados para on-
Jfevayl Para o inferno. Quern faz
peccados ha de tornar a fazer mais?
Nad. Que faz o peccado i Mata a
alma. A alma depois da co n ^ao
torna a viver? Sim. O teu coraçao
v ha de tornar a fazer peccados i
Por amor de quem l Por amor de
Deos. Ado de contrição para os
Sexta Parte, 249
efcravos, egente rude: MeuDeos,
e meu Senhor • 0meu a
quer, e ama: eu tenho feito muitos pec-
cados , e 0 meu coraçao me doe muito
por todos os que fiz. Perdoai-me meu
Senhor; nao hey de fazer mais -
dos: todos ooio joru ae uícu un ?
e daminha alma por amor de Deos.
26 InfirucçaoparaaCommunhao •
Tu queres CommunhaÓ? Sim. Para
que ? Para pôr na alma a noffo Senhor
Jefu Chrijlo. E quando eítá noífo
Senhor Jefu Chriíto na Comunhão?
Ouando 0Padre diz as palavras. Aon­
de diz o Padre as palavras?
fa. E quando diz as palavras? Quan­
do toma nafua mao a Hoftia. Antes
q u e o Padre diga as palavras, efta

já na Hoítia noffo Senhor Jefu


Chriílo ?Nao ? EJláfó 0 pao. E quem
noz a noffo Senhor Jefu Chrifto na
F li Hof-
250 Ethiope Kefigataâo,
Hoília ? E liemefino
ãre âife as palavras. E no Calix que
eílá, quando o Padre o toma na
maó’: Ejlá vinho, antes que o Padre
diga as palavras. E depois que diz
as palavras, que coufa eíta no L,a-
lixf Ejlá o Sangue de noffo Senhor Je-
fu Chrijlo. r
27 Injlrucçào para os mefmos efi
cravos rudes moribundos: O teu cora-
çaõ crê tudo o que Deos diíie \ Sim.
O teu coraqao ama fó a Deos? Sim.
Deos ha de levarte para o Ceo l
Sim. Qtieres ir para onde eíta Deos?
Sim
.Queres morrer porque Deos
affim o quer ? Sim.RepitaÔ-
tas vezes1oaão de contrição -, e advir-
ta-fe, que antes defiefazer a injlrucçào
acima dita, fie ha de dizer aos que a
ouvirem , que coufa he confijfiao que
coufa he communhao que coufa he Hofi
j
S e x ta Farte. m
tiã ; e que coufa he Calix; e também,
que coufa he MiJJa-, e tudo por pala­
vras tofcas ,mas que elles as
daô, e pojfaõ perceber, o quefe lhes en-
fina. E fe naõ fouber a lingua do con-
fefaâo, ou moribundo, e houver quem
af a i b a ,pode ir vertendo nella ejlas
perguntas, afjim como ofor injlruinão.
28 E fendo cafo, que nem ao
menos eftas breves inítrucçóes pof-
fa algum delles aprender, por mais
diligencias , que concorraõ da nofía
parte; já entaó por conta dos Pá­
rocos corre a fua precifa inílruc-
çaõ , na form a da mefma Conílitui-
qaò ; a qual no n. 5f diz affim : P o ­
rém porque a exp en en cia nos tem m o f
tra d o , que os muitos e[cra vo s, que ha
nefie A rceU fpaâo , fa o muitos delles
tab buçaes, e ru d e s, que pondofeus
Senhores a diligencia pcjfivel em os
li ii enfi‘
2^2 Etliiope Refgatado,
enfmar, cada vez parece , que faiem
menos-, compadecendo-nos âefua rufii
Mato , emiferia,, damos Ucençaaos
V i g á r i o s ,e Curas, para que confian­
do-lhes a diligencia dos Senhores em
0e , nrtnar 7
t/J I/IVI
, e rudeza dos efcravos
/-> em
aprender, de maneira , que fe enten­
da , que ainda que os enfinem m a ts, nao
poderáo aprender , lhes p o jfa o a d m m f-
tra r os Sacramentos do B a u tifm o , Pe­
nitencia, E xtrem a -U n ça Ô , e M a t r i ­
m onio, catequizando-os primeiro nos
Mvílerios da Fé, nas
farias para os receber , e obrigações
em queficao: de maneira, que ãejuas
refpodas fe alcance, que confentem, e
tem conhecimento; e tudo ornais, que
fuppoem de necefidade os ditos Sacra-
t Y l P f l t f i C
29 E no feguinte n.$6 profegue
ao mefmo intento com o feguinte.
E le-
Sexta Tarte. 253
j? feiao advertidos os Vigarios, e Cu­
ras', que ãefia licença nao temem
cafiao fara aâminijlrarem os Sacra­
mentos aos ejeravos
fois fe lhes nao dá,
iar , que preceâeo muita diligencia da
parte dos Senhores,epela grande ru
deza dos efcravos, nao baftou, nem baf-
tará provavelmente, a que ao diante
fizerem; antes procedao com atten-
çao , examinando-os primeiro, e enfi-
nanão-os , aver fe podem
porque naÕ dem motivo aos Senhores
■a fe defcuiâarem da obrigaçao , que
tem de enfinar aos feus eferavos; a
qual cumprem tao mal, que raramen­
te fe acha algum, que ponha a diligen­
cia, que deve, errando também no mo­
do ’de enfinar, porque naõ a
Doutrina por partes , e com vagar,
com he necefario rude, fenaô
por
2 5 4 E thiopeKefgatado,
por junto, e com muita prefa.
30 A lém -d itto , a refpeito dos
ca tiv o s, que vierem de n ovo , te­
mos mais a obrigaçaó de cuidar, e
fazer toda apoffivel d ilig en cia , pa­
ra -u e fe convertao à noíla fanta
F é Catholica, e fe bautizem; e fen­
do do fexo feminino , e trazendo
algum filho menor de fete annos,
devemos logo ordenar, e e ei uar
o feu bautifmo ; com o tudo^ dil-
poem também a Coníhtuiqao no
n 2 5 i b i : Mandamos aos nofos fub-
âitos, que fe fervem de cativos infiéis,
trabalhem muito,porquefe con vert
à noífa fanta Fé Catholica e
0 Sacramento do Bautifmo, vindo no
conhecimento dos erros, em que vivem,
eeflado de perdição, em que e
para efle ejfeito os mandem muitas ve
zes a pejfoasdoutas , e virtuofas , que
LIiv J
Sexta Tarte. 255
lhes declarem 0 erroemque vivem , e
enfinem 0 que he npara fua
falvaçaÕ.
31 E n o n. $ 5 - i b i : E fendo os

taes efcravos filhos de infiéis, que nao


pajfemde idade defette annòsou que
lhes nafcerem depois de ejiarem em
poder defeus Senhores, mandamos fe-
)aõ bautizados , ainda que os pays 0
contradigao-,por quanto ainda que os
filhos dos infiéis nao devem -

zados fem licença dos pays, antes de


chegarem a ufo de razao, ou idade,em
que peçaõ 0 bautifmo [excepto naquel-
le cafo, em que fó a mãy 0 ,

e 0 pay confente , ou que confente a


mãy, efomente contradiz 0 pay ] com'
tudo fó ha lugar o fobreãito , quando
os pays fao livres, e naÕ cativos. E
pafando de fette annos, mandamos aos
Senhores os apartem da converfaçaâ
Ethiope K efgatado,
t o vays , p to </«* nrn
m f a 5 converter/ , ; , « p ^ f » ;

' * * *
Senhores* * > » » Chf f l Z
grande cuidado d*V ap r -
tarem dos pays infiéis, para que os na
Zrv-rtaâ e de lhes mandar enfinar
£ /, » - /« ™ ^ f t ™
^ í f ^ T r e s r a z o e s p r in c ip a lm e n te

n o s d e v e m m o v e r a o c u m p r im e n to

d e lta s o b r ig a q 6 e s ; a p r im e ir a c o n -

fifte em n o s c o n flitu ir m o s p o r e fte


m o d o M in iítr o s E v a n g é lic o s , e p r o ­

p a g a d o r es d a l e , e R e lig iã o C h r if-

t a ; n o q u e v a ô m v o lu ta s m u ita s

u tilid a d e s e fp ir itu a e s ; q u e p o r ií

S . A g o ítin h o d iz , q u e n a o c u i

m o s fe r e m e fte s e x e r c íc io s fo m e n ­

te p ara o s B ifp o s , e S a c e r d o te s ; fe -

n a o q u e ta m b é m o fa o p ara n o s , e

q u e pelo m odozinho , q u e p u d er-


* Sexta Parte. 25 7
mos , fejamos, e nos façamos tam­
bém Miniftros de Chrifto, pregan­
do ofeu nome, e enfinando afua
Doutrina; uthabet adca12. Joan.
ibi: N olite tantummodo bonos Epifco­
pos, Va Clericos;cogit pro
modulo vejiro miniftrate Chrifto no-
men, tP3 doCtrinamejus, pote
ritis predicando.
33 A fegunda razaô confifte,
em que o retardar , ou naÕ apreífar
o Bautifmo aos efcravos , tanto a-
dultos, como meninos, he privar
eftas creaturas de muitos bens ef-
pirituaes; porque em quanto nao
fao regeneradas para Chrifto nas vi-
taes, e falutiferas agoas defte Sacra­
mento, eftaô priíioneiras em poder
do demonio, o qual realmente mo­
ra, e affifte nellas; tanto affim,que
por efta caufa, o Sacerdote primei-
Kk ío
258 Elhiope Refgataâo,
ro que bautize, faz os exorcifmos
à porta da Igreja, mandando.impe-
riofamente ao demomo, que lay a,
e defpeje aquella cafa.
UP E depois, tanto que acrea-
+u™he bautizada, entra nella o El-
p ^ o L r t o , e toda a Santiffima
Trindade, e a fantifica com a fua
graça , elhe infunde os dons. e s ­
tudes concomitantes da mefma gr^
qa, e fica filha de D eos, herdeira
do Ceo, membro vivo de Chnilo ,
e da Santa Igreja Cathohca efpofa
fua; e tudo ifto com huma troca
taô extraordinaria , e com huma
taõ admiravel mudanqa, como ie
da morte fahiffe para avida; por-
que com effeito , eftando a alma
morta para Deos pela culpa de
Adao, que lhe tirou a graqa do E
pirito Santo, que he a vida da^aj
SP®!
S e x t a P a rte." 259
ma , affim com o a alma he a do
c o rp o ; deíla m orte refurgio, e fe
m u d o u , e trocou para aquella vida.
3 3 E por eíla razao he que an­
tigam ente fe coítum ava por a p e f
foa , que fe havia bauíizar , vira-
ua para X ) pAAnfp
1. Owxxww r• p~ depois
—-r -- a vol-
tavaó para o N afcente; fignifican-
do-fe neíla acçaõ externa, e vifivel,
aquella in te rn a , e invifivel refur-
reiçaó, e m udança da m orte da cul­
pa, e efcravidaÕ do dem onioy pa­
ra a vida da graça, e fervi daõ de
D eos: como vem a dizer S. Jero-
nymo , fazendo menção deite avi-
fo , incap. 6 . A m a s , ib i:
prim o renuntiamusei, qui -e
nobifcum m oritu r cum p ecca tis ; O
f ie verfi ad O rie n te m , pa élu m inim us
cum Sole j u f i i t w , O 1 ei nos
vromittimus: e S . Cyrillo d iz , expli-
K k ii cando
2 óo EtUopeKefgataâô,
cando efta m efma acqaÔ ;
lhe abre à creaturabautizada o 1 ^
raifo da parte do O riente , e paffa
daregiaÕ das trevas , que fica da
banda do P o e n te , para a região da
luz, que fica ao N afcen te•, ut hdbet
inCatec. myfiag-traf ‘^ om'2' ^ -
neritur tibi Paradifus Dei, quem ad
Orientem plantavit. db Occafu, convex
teris aãO r t u m , qu<eregio luas.
z 6 P ara confirmação deita vir­
tude , e efficacia do Sacram ento do
B autifm o, perm ittio m uitas vezes
D eos noffo Senhor, que eíta inte­
rior efpiritual, e invifivel mudan­
ça fe moílrafle , e fizeffe patente
áos olhos h u m a n o s, por alguns &
naes exteriores, de que h a m uitos
exem plos; e entre elles he n o ta v e ,
o que refere T hom ás Bofio lib. i. d e
n o í.E c c le f. cap a 6 . e Santo A ntonina
Sexta Parte. 2ÓI
2 . p. hifior.tit. 20. §. 8. cap. 9. de hum a
Princeza , a quem nafceo hum fi­
lho tao deform e, e h o rro ro fo , que
naô pareffia indivíduo da efpecie
h u m a n a ; de forte, que o pay o naõ
quiz reconhecer por filho , indig-
_ L „,W e , ce fiifneitando
iianao-ic - ^ - haver alii
talvez algum a aleivofia de adulté­
r io ; e fendo b a u tiz a d o , efte que
parecia monfl.ro, ^immediatamente
que furgio acima das fagradas on-
das b au tifm aes, appareceo nos o
lhos de todos taõ fo rm o fo , e engra­
çado , que o K e y , e m uitos dos
feus vaflallos , até en tao infieis, fe
abalarao , com a evidencia da ma­
ravilha , a abraçar , como corn ef-
feito abraçarao a Fe de Chriilo ,
com muito grande augmento da
Igreja de Decs naquellas partes.
6 27 N o qual cafo a fealdade an-
te ce-

V
’V
■vS-!
202 E opeRefgataâo,
M
tecedente, e monftruofa daquelle
parto ( por permifíaÓ Divina abem
da converfaó de tantas almas) íig-
nificava, e reprefentav» aos olhos
de todos a torpeza, e fealdade da
culpa original, contrahida, e trans­
fundida naquella alma pela defcen-
dencia de Adaõ; e a poílerior for-
mofura , ebelleza, com que depois
fahio da pia bautifmal, fignificou,
e reprefentou aos olhos de todos a
belleza, e formofura da graça, que
na mefma alma entrou, por virtu­
de da regeneraçaô obrada no fau-
davel Sacramento do Bautifmo ; o
qual poriflb he bem, que os Senho­
res o apreífem, e o naó retardem
aos feus efcravos , affim adultos ,
como meninos; para que nao eíle-
jaõ fuas almas feyas, e deformes era
poder dos demonios; fenao que lo­
go,
Sexta Parte. 26 f
go , e para logo , fe lhes anticipe a
formofura da graça , e filiaçao de
Deos.
38 E também , para que com
mais promptidao , e fidelidade os
firvaó ; que eíla he a terceira , e
ultima razaõ; pois *a Fé, que fe re­
cebe no B a u t i í m o , faz o fervo mais
prompto , e fiel no ferviqo de feu
fenhor , como diz Du-Hamely ex­
pondo as palavras da recomenda*
çaó , que S. Paulo fez a Philemo,
do fervo Onefio , que lhe havia
bautizado; in cap. unic. verf. 16. aã ti­
la verba: Quanto aiitern magis tibi, qui
fiáelis erit in âomejlicis tuis rebus; nam
fiães eum promptiorem aã obfequium
ejfecit.

SE-
204 % E iopeRefgataâo,
th

se t im a pa r t e .
Do que refpeita à injlrucçao nos bons
H coflumes.

j T \ Evern tambem ospoft


I J fuidores deites cati­
vos, emquanto cites.exiftirem, .e
viverem na fua obediencia■ e ujei
çao, ordenarlhe, e inftruirlhe a fua
vida , com aquelles boos coilumes,
que deve ter todo o Chrrftao; fa­
zendo que ouçao Miffa nos Do­
mingos, e dias de preceito; que_ob-
fervem os Mandamentos da Dey
deDeos, e da Santa Madre Igreja,
que jejuem nos dias determinados,.
naÕ fendo trabalhadores, ou om-
ciaes de exercicio braçal; e que ie
confeffem, e communguem ; enii-
-■-... - nan-
Sétima Parte. 265
nando-lhe, que primeiro cuidem os
peccados para os dizer ao Contei*
for; e que ihe digao todos , ainda
que elle lhe naõ pergunte por ah
guns; e que devem ter d o r, e arre­
pendimento delles, e propofito de
fe emendar; e que depois da^on-
fiíTaõ haõ de rezar, ou lazer a peni­
tencia, que elle lhes der. ^
2 E aos que houverem de co*/
mungar , eníinarlhe*haõ, que en-
gulao a partícula toda inteira de hu-
ma vez, fem a dividir dentro da
bocca em partes, e que fe lhe pe­
gar no ceo da bocca, com a lingua
a vao defpegando, e ajuntando com
muito fentido , e reverencia, ate
que defpegada de todo, a engulau;
e que antes diffo, nao tomem o la­
vatório; e que fejao devotos de N".
Senhora, e lhe rezem todos os dias
LI as
266 Ethiope Ref gatado,
as fuas contas, ou a Salve Rainha,
ou Ave Maria algumas vezes, con­
forme a capacidade de cada hum.
, Eíla obrigaçaó anda também
involuta no quarto preceito do De­
cálogo, como dizem, e exphcao os
Theologos, e a fua tranfgreffao por
omiffaõ grave, he peccado
ut habet Abreu Inflit.VaroMibisaf.
.7 „ , 95. ibi: Domini verb detent firms
Lciatem curam circa vitambene m-
ftitueniam, juxta illud Fault Apojlo-
li:Siquisfuorum, O' maxime
corum curam non habet, fidem nega-
vit,. O’efiinfideliior.
viter veccant , qui negli
mint ea, qu<e pertinent ad fervorum
confcientiam , non curando, ut chrij-
tianè vivant, utDei,CTEcdefi* pre­
cepta obfervnt,ut confiteantur, com
m u n i c e n t , O'millamtempon-
* bus
Sétima Tarte. 267
bus âebitis. E o m e fm o d iz , e e x p li­

c a ta m b e m Navarr. in Manual cap.


1 4 . n. 21. i b i : Trigejimo peccat dcmi-

n u s ,vel herus,quinotabiliter
git ea, qu<e pertinent adfervorum, fa-
mulorumve fuorum confcientiam , non
curundone afuefcant male jurare,^ vel
pr<ecepta Dei, aut
aut non monent eos ccnfiteri, O ’ com-
municare, V" Mifam audire diebusf -
ad idfiatutis, negligit notabiliter pro­
curare ilsSacramenta.
4 E d e v e m o u tr o fim to m a r

c o n h e c im e n to d o s p e c c a d o s p ú b li­

c o s , o u m a n ife ílo s d e fie s íe u s ca ­

tiv o s , p ara o s c o r r e g ir , e emen­


d ar ; c o m o o m e fm o A b reu p r o fe -

g u e ib id e m: Unde peccant::
qui notabiliter negligupeccata
publicafervorum, ut corrigant: e m a i s
e x p r e f f a m e n t e . N a v a r r . eodem n. 21.

L I ii ib i:
E thiopc Rcfgfitãdo j
ibi- Trigefmo fecundo; hems, vel da-
minus , % mtatiUter-
peccata manifefia fervorum , afam a
lorumfuorum, u t p o f i t eoscorrigere,
fecundumS. Mtoninum. E _ p o r p e c -
c a d o s e v ic io s m a is m a m f e f t o s , e
ca a o b , c v fe e n te r s
m ib lic o s d e ite s
dem o da continência, o da bebe­
dice , o do jogo, e todos os mais,
em que manifeftamente fe ímplica-
renv; pois a todos fa6 natnralmen-
te propenfos, e com exceffo a
fu a lid a d e . „ *
5 A o q u a l v ic io fe e n tr e g a o

ta n to , q u e n em o p e jo n a tu r a l,

n e m o te m o r d e D e o s o s c o m b e ,

c o m o a d m ir o u e m Hefpanha , e

r e fe r e F r. L u iz d e G r a n a d a

none, de temp, conc.^.ãVomit, i b i :


hoc impuro crimine homines, aut timor
Dei, aut s, a ignominia ti-
dem
7 tnnr
Sétima Tarte. 269
mor liberat; utroque autem hoc freno,
plerique horum mancipiorum carent -,
mia nulla illis aut timoris Vomim,
aut humani pudoris , V 3verecunâm,
aut etiam honoris cura ejl; ideoque ej-
frenata mente inhoc vitium, tanquam
equus, C T mulus pre
Salviano Ub. 7. de gubernat.
que taô diffieil he nao fer hum def­
ies pretos impudico, como deixan
de fer preto, ibi: Tam infrequent
enim ejl hoc , C T inujitatum , impudi
cum non efe Afrum, quàmnovum, C T
inauditum, Afrum non ejfe Afrum. ^
6 E p o r ilf o h e n e c e ffa r io n a o

d iífim u la r c o m e lle s ; fenao que ten­


d o n o tic ia d e q u a lq u e r a cq a o , o u

tr a to m e n o s h o n e flo , d e v e c a « *

g a r fe , e r e p r e h e n d e r fe ; e n a o lh e

d ar la r g u e z a s d e fa h ir d e c a fa a to ­

d a a h o ra , q u e q u iz e r e m ; e m u ito
m e :.
2 7 0 E thiope K . efgatado,
menos nas da noite ; e defviallos
outrofim de todas aquellas occa-
rioes , e encontros em que houyer
prefumpçaô, ou perigo claro de fua
mina nefta materia; tendo enten­
dido , que do que felhe n a o e v ^
nella, porcuipa, e omuiao, - .....-
feus poffuidores eílreita conta a
Deos noffo Senhor, quando judicium
■durijfimumhis,qui p; ut -
betur Sapient, cap.6. verf 6.
rt y E fendo cafo, cjue Ine con -
te do c o n c u b i n a t o de algum delies,
tem obrigaçaô de o evitar por to­
dos os m odos poffiveis; dos quaes
o melhor he o do cafamento^ co­
mo fe declara na Conftituiqao ~a-
hienfe n. 989. a qual nefta materia
diz , e refolve completamente o
ponto , na forma feguinte: E por-
quc 0 amancebamento dos
1 ceffita
Sétima Tarte. 271
cejfita ãe prompt0 remeâio
ufuàl, e quafi commum em todos deixa-•
rem-fe andar em efiado de conãemna-
çaõ, a que elles porfuarudeza,
ria naõ aten
ãm
: ordenamose man­

damos, que confiando na forma fobre-^


dita de feus amancebamentos , fejao
admoefiados, mas naõ fe lhes ponha
pena alguma pecuniária, porémjudiei-
almentefefará afaber afeus Senho^ ^
ves do máoefiado, em que anâao ; ad­
vertindo-os, que fe naõ puzerem cobro
nos ditos feus eferavos, fazendo-os a-
partar do illicitotrato, e ruim efiado ,
ou por meyo ãe cafamento [ que
mais conformeà Ley de De os, e lho
nao pódem impedir feus Senhores ,fem
muito grave cargo de
en almas ]
por outro quefeja convenhaãe
proceder contra os ditos eferavos apri-
zao, e degredo, femfeattenãer a per-
ãa}
272 E thiúpe Refgataâo,
da que os ditos fenhores pàâem ter
em lhefaltaremos ditos efcravos para

nao izenta da pena, que yui j


^ V ^ E t e n h a o m a isentendido os
ditos poiTuidores dos cativos , que
elles pódem cafar, com quem lhes
pMecPers e que lhenaS podem
L d ir o M atrimonio, e o u fo delie
f m tempo , e lugar conveniente
tratando-os por eiTa caufa m al,
vendendo o direito, que neU eatt
verem , a peffoas, que os levem
fóra da terra ; porqueifto he pecca-
do mortal; ealern diffo o s t a e s P °£
fuidores tomao fubre u , e mas -
ciências, todos os peccados de in-
continência, e os m ais, que de le-
melhante feparaçao & feguirem ,
com o declara ad ita Conílituiçao
^ no
Sétima Tarte; *2 7 ?
tiO ri 3° 3 *ibi • Conforme o direito JDi-
4n n o ,e humano os e efcra-
ms podem cafar com outras pefoas
cativas, ou livres, efeus Senhores lhe
nao pódemimpedir o,
nem oufo âelle,em tempo, e lugar con­
veniente, hem por ejfe refpeito os po­
dem tratar peyor, nem vender para
outros lugares remotos , para onde o
outro, porfer cativo, ou por ter outro,
jufto impedimento, o nao pojfa feguir;
e fazendo o contrario, peccao mortal­
mente, e tomaofobrefuas confciencias
as culpas defeus efcravos , que por
fe temor fedeixao muitas vezes
e permanecerem eftado
çaÕ. Pelo que lhe mandamos', emcar-
regamosmuito , que nao ponndo impe­
dimentos afeus eferavos para fe
rem, nemcom ameaços , e mao trata­
mento lhes encontrem o ufo do JMatri-
Mm mmU>
274 E thiope K e f gatado,
monioem tempo, e lugar conven^ * '>
Tern depois de cafados os vendaojam
lanes remotas ,defóra ondefuas
P, w ir e s , verferem T Z
outro impedimento legitimo, os nao p J
fao fegii^ ajito aos outros vícios
de bebedice, jogo, e todos os tn » ,
a que fe entregarem eites catn ,
• stefpedivamente fe deve tero m -
"mo cuidado , e vigilancia, ^ail^ a ‘
do e reprehendendo nelles qual
oner acqaÔ viciofa, que nos conilar,
evitando-lhe quanto pudermos^ to
das as occalioes certas,, e pre
veis do feu damno; e principalmen-
te he grande prefervativo dos ví­
cios o trabalho, e
derada, e ta l, que os livre da oqo
fidade ; que por lifo nos moftr
no Brafil a experience, que os e -
Sétima Tarte. 275
c r a v o s d a s la v o u r a s d e m a n d io c a s ,

ta b a c o s , e a fíu c a r e s , e o s d o s e n g e *

n h o s , e os c o r ta d o r e s d e le n h a s ^

n u n c a fa õ ta ô v ic io fo s , c o m o la o

o s o u tr o s d o fe r v iç o d a s c a fa s , e

c o m p a n h ia d o s S e n h o r e s , q u e re­

g u la r m e n te f a o , o s q u e m a y o r e s

m o le llia s , d e fg o ílo s , e e n fa d o s lh e

c a u fa ó ; p o r q u e a ffim c o m o a te r r a

v a g a , e p o r la v r a r , lo g o p r o d u z ef*

p in h o s , e o r tig a s ; a ffim e lle s , e

ta n d o v a g o s , e fe m tr a b a lh o , q u e

p ó d e m p r o d u z ir , fe n a õ fr u c to a d e j

m a lic ia , e fr a g ilid a d e í
io Cuidem pois os Senhores,
e excogitem mefmo em cafa exer-
cicios de ferviço , em que conti-
nuamente os occupem , porque
aAdao poílo noParaifo l o g o Deos
o occupou, nao fomente em vigiar,
fenaó também em trabalhar n e l l e ;
M m ii
276 E th io p e R t f g â t a d o ,
» t G e n e f . c a p . 2 . i* r /. 1 i- ib i :

earn in Paradifo voluptato, ut ofe


retur O’ cuflodiret ilium, n e c e f l a r
t e q ú e e lte s e fc r a v o s d o m e ffic o s ,

v ifto e lla r e m , c o m o n o p a r a .f o a

p o r ta d e fe n s S e n h o r e s (J p n n c r p a l-

m e n te q u a n d o e lte s fa o p e ffo a s

m a is r ic a s , o u d iltin d a s n a o fo ­

m e n te v ig ie m , fe n a o j ^
m e n te tr a b a lh e m ; f a z e n d o , exempt
'gratia, a s m e y a s , o s c e ll m h o s , e o s

ch a p eo s d e p a lh a ; p a ra q u e: c o m i -

fo o u c o m c o u fa s fe m e lh a n te s ,

e v ite m o m e te r e m -fe n o s c a n to s

das lojas ajogar o s d a d o s , b u z io s , e

c a r ta s; e o fa h ir e m a b e b e r p e la s ta ­

vernas , o fu r ta r , o arm ar c o n te n ­

das c o m o u tr o s , e to d o s o s m a is e r ­

ro s c o ítu m a d o s . „
11 E c o n fid e r e m , q u e fe A d a o ,

a c h a n d o -fe n o e íla d o d a in n o c e n -
' ' " “ ...... cia*
Sétima Farte. 277
cia, e natureza sa, e inteira, cahio
miseravelmente em culpa ; que te
póde efperar deites brutos ocio-
fos, no eítado da natureza lapfa,
c corrupta, fenao que continua,
mente commettaÒ, e eítejao cahi-
dos nos vicios capitaes, que fao os
fete demonios , que aótualmente
giraõ por todo o mundo, e onde
achaÓ cafa vaga, entraõ logo a ha-
bitalla í E fe o demonio accomette
até os que acha trabalhando nas
coufas fantas, e do ferviço de Deos,
v como nao accômettera aos efcra-
vos ociofos, fe nem no ferviço de
feus donos, os achar ao menos Oc-
cupados i
12 Importa logo , que os oe-
nhores tomem para íi, e para os feus
eferavos, os dous confelhos de S.
Paulo j e do Ecclefiaítico; de S. Pau-
";;v " .....‘ ' ■ lo
2j% JZthiope Refgãtcido,
lo a W -
Be beam dare itahob , w8 ^
nem nelles dem lugar de vago ao
demonio, em que elle po
duzir as fuas maldades, e dc^ Eecle
fiaOico cV .

litiam docait aebfitas. Con^ t'i“^


da hum os feus efcravos em algum
trabalho, exercido, ou occupaqao
honefta, e nunca os tenha
zio • porque a ocioftdade he
das muitas maldades, que nelles la*

lém d iílo ,Paraom efm o


fim dos bons coftumes defies cati­
vos conduz muito, feus fe-
nhóres , e pofíuidores, lhes dem
bom exemplo em humas coma ,
que em outras, lhe naõ dem efca»
Sétima Parte. l
279
d a lo , o u m á o e x e m p lo . S . F r a n c if-

c o e m h u m a c a r ta , q u e e fc r e v e o

a o s P r e la d o s d a fu a O r d e m , lh e s

d e u e fte d id a m e m a r a v ilh o !© , e

d ig n o Tiray 0 vof
d a fu a -fa n tid a d e :

fo dizer do vojjo obrar oue


fosfubditos tirem 0 feu obrar do vof0
‘'dizer. O m e f m o d i d a m e f i g a o o s f e -
n h o r e s , e p o ílu id o r e s d e fie s c a ti­

v o s. D iz q u a lq u e r S e n h o r a o fe u

e fc r a v o , q u e o u ç a M .if f a j v e j a o e f-

c r a v o , q u e o S e n h o r ta m b é m a o u ­

v e . D iz -lh e , q u e fe c o n fe fíe ; v e ja

q u e ta m b é m e lle fe c o n fe ffa . D iz -

lh e , q u e je ju e ; v e ja q u e ta m b é m o

S e n h o r je ju a ; V fic in ceteris. E e ís -

a q u i o d a r lh e b o m e x e m p lo .^

* D iz o S e n h o r a o e lc r a v o ,

q u e fe ja c a ílo , e te n h a v e r g o n h a -,

n a õ v e ja o e fc r a v o n o S e n h o r ae-

ç a ó a lg u m a c o n tr a r ia à c o n tin ê n ­
c ia ,
2$ o lEthiôpe Refgcttaâô,
c ia e h o n e ítid a d e . D iz -lh e , J P 1®

iia ò j o g u e , e q u e n a o b e b a ; n a o v e ­

ia o e íc r a v o a o S en h o r c o m jo g o s ,

í e m c o m b e b id a s ; CTfic
•£ g ifa q u i o n a o lb e d a r e íc a n d a ,

o u m T e x e m p lo . I íto m e fin o h e o

2
c u e v e y o a d iz e r em b r e v e s p a --

v ra s Q u in tib a n o I O
. i b ú Primum efi , u apu

L valeant , valere apud f ^ olu


mus:t e n h a õ p r i m e i r o v a i i d a d e . e

o b fe r v a n c ia e m n o s, as co u fa s q ^
perfuadimos, p a ra q u e d e p o is a

n b a ô n a q u e lle s , em q u em as q u i-

z e r m o s in tr o d u z ir : e a ra za o h ,

p o rq u e c o m o d iz S . G r e g o n o P a p a ,

as p a la v r a s , q u e vao acompanha­
d as c o m a s o b r a s ; o u a d o u tr in , q

acompanha o ex e m p ° » e £
a q u e o b ra ; p o rq u e e lla h e , q

te m m ayor e ffic a c ia p ara p e n


Setinía Parte. 281
os corações de quem a ouve; ut hd
let lib. i. Epi/tol. 24. ibi: Ilia vox
fortius auditorum
cor , quarn
dicentis aãio commendat
15 Como fe poderá inclinar o
efcravo a ouvir Miffa , por mais
que o Senhor lho diga, vendo que
elle no Domingo, ou dia ianto fahe
já tarde de fua cafa, e dirige os pat
fos para a outra do divertimento^
e converfaçaõ 1 Como pode incli-
rnrfe a frequentar os Sacramentos
da Confiflaõ, e CommunhaÕ, ven­
do que o Senhor em dias dejubi-
leo, levanta-fe mais cedo, e vay di*
vertirfe na fua quinta, ou na fua
roífa i Como poderá inclinaríe a
fer cafto, fe talvez elle mefrno he
o menfageiro das correfpondeneias
illicitas de feu Senhor ? Como po­
derá naõ inclinaríe, ou cohibirfe de
Nn jogar,
2 $ z E thiope Refgatado»

- vf,nd° bq“ u f u f f t coroo


também hu beber aos.vin-
t r e l a s " - vfndo que tal-
v e 2 feu Senhor
m eate prover a fratqueir

ma:6enSDfe o Senhor ao efcrav o :


Homem, ouve U f a , o o n fflfj™
.... an(ie s amancébaào, q J

kvas ! vas direita caiur nelle.


nonde o efcravo dentro e m fi: Vai-
U embora homem, <iueif a hementira,
. nas falias deveras; pots
v e r d a d e , tombem tu te
dar,e te havias retirar me
mo mão caminho, por onde
eu vou. E eiíàqui como *s p a i r a s
do Senhor defacompanhadas do ex
em plo, nao penetrao, nem analao
o çoravao do e ta v o .
Sétima Tarte. 285
1 7 F ic a o e f c r a v o , n e íte s te r *

m o s , r e p u ta n d o p o r fa lfa to d a a-

q u e lla b o a d o u tr in a , q u e o S e n h o r

lh e d á ; p o r q u e l P o r q u e v a y p ro ­

v a d a , c o m o d e v e r a ir . E c o m o ie

p r o v a a v erd a d e d a d o u tr in a i C iO m

te íle m u n h a s . E q u a e s J a o e fla s te í-

te m u n h a s ? S a o as a c ç o e s d e^ q u em

a d á , q u a n d o fe co n fo r m a ó c o m

a q u illo m e fm o q u e e n fin a .

18 E n tã o h e q u e as d o u tr in a s

v e m a lle g a d a s , e v e m in
p ro v a d a s; p o rq u e o m e fm o , q u e a s

a lle g a , h e te íle m u n h a d e fa d o

p r o p r io , q u e a s v e r ific a ; a íE m O d iz ,

o S e n e c a Epft.5 0 . i b i : âi-
cuntur tantum ilia, fed probantur', tune
non tantum preceptor , fed
eft. T o d o s os h o m e n s n a t u r a l m e n ­
te n o s fia m o s m a is d o s o lh o s , d o

q u e d o s o u v id o s ; d a m o s m a y o r ore*

N n ii d ito
T.thiopc Refgãtãdâ,
dito ao que vemos, do que ao que

“ “ 1 •g S . S £ «”

cuia razaõ S. Luiz Gonzaga, como

* . ^ S o FS “
n a s' t e f f ê tan tas penitencias, e fe-
guiffe o confeito de o u t r o s j S *
nefta m ateria; refpondeo • ^ Jfm > h e
nue me acon
õ; p r m
feih
lies fazem 0 contrario-, e a n tesjvo
f e g u ir o fe u exemplo, do que afinem

f e % Im p o r ta p o i s p a r a a r e f o r m a

d o s c o ílu m e s d o s e fe r a v o s , ^ p r i n ­

c ip le e íla p r im e ir o pe^ a u o s _

res, n o q u e neceffario ,
lh e fo r

q u e e l l e s h a o de f e g u i r m a i s , 0 q u e

v i r e m , do q u e o q u e l h e d i f f e r e m ,

e f e p e l a m a y o r p a r t e , os m e i r n
Sétima 285

coílumes, e i n c l i n a * ^ o e o*Se
nhores tem , efíes mefmos fe dm-
fao nos feus efcravos ; e pelos dos
efcravos, fejulgaó os dos en ^ J s’
como notou S. Jeronymôjw E jn fio U
ad V e m e tr . ibi: M o r e s , do-
m in o ru m y le ru m q u e e x a n c illa ru m
_ - 1/1 1fl/7í»
c o m itu m m o r ib u s , a c f e r m o n m * j u a .
f a í / j S* 1 r i i I C

c a n tu r . Vejaó os efcravos bons cof-


tumes em feus Senhores, para que
os pofíao copiar, e trasladar em fi;
e para que então os Senhores te-
nhao goílo de fe ver , e rever nos
feus efcravos. ^
20 Huma objecçao porem, e
à primeira viíla urgente, fe poderá
oppor contra a precedente doutri­
na; evem afer, que muitos po«ui-
dores de efcravos ha de coílumes
irreprehenfiveis; e com tudo os feus
efcravos faõ de coílumes deprava-
2$ 6 E ihlopeRefgdtado,
d o s , e e n tr e g u e s a t o d ° o ^ g en ero

d e v ic io s ; a n te s pela m a y o r p a r te ,

o s e fc r a v o s d e fie s tim o r a to s fa o

a in d a p e y o r e s , q u e o s d e p e íT o a s d e

v id a m a is c o r n u a : lo g o n a o h e o

b o m e x e m p lo ta o e ffic a z p a r a m -

tr u ir , e r e fo r m a r o s fe u s c o ilu m e s ,

c o m o n e íle p o n to fe te m a te a g o ra

in c u lc a d o . A e fta r^ ° . f e s r£ P ? “ '
d e ,q u e o b o m e x e m p lo d o s S e n h o

res h e h u m d o s r e q u ifito s ^ n e c e ffa -

r io s p ara a b o a in ftr u c q a o d o s ie r *

2i ~Mas para obrar efte bom


exemplo, hao de concorrer com el-
le1todos os mais requifitos lgual-
rnente neceflarios, pois diz o pro-
loquio vulgar, e regra jurídica i òmr.
gula, quce non profunt, fimul collecta
ju
van
t; õiax L. rationes , O
ãeâu
exL. infirumenta. Cod. deprob. O’ ex
Sétima Tarte. 287
cap. cumcaufam i$.ãe prohat. cumfi*
milihus. Nao baila fomente o bom
exemplo ; deve-íe eíte juntar com
acorrecçaõ verbal, e verberai, co­
mo fica expendido na quarta, e
quinta parte deite Difcurfo; e por
iííò fe efles pofíuidores timora­
tos forem froxos , e laltarem à
dita correcqaõ, de pouco apro­
veitará o feu bom exemplo tao fo­
mente.
22 E do mefmo m odo, fe tam­
bém forem froxos , e defeuidados
em applicar os efcravos, a que fe
confeífem, e comunguem algumas
vezes no anno, deixando-os paítár
de Quarefma a Quarefma, fem fe
cheirarem aos Sacramentuo, pouca,
ou nenhuma emenda pódem ter nos
feus vicios, e maos coílumes; pois
eíles faõ iníluidos por tentaçôea, e
fugr
2gg' E thiopeRefgat ado,
fuggeftoes do demonic; e Pa^a V5R‘
« e t a . , heneceffanoaudio Du
vino , e nao baftaÓ as pobres forças
To livre arbitrio da creatura, amda
cue fejaÕ excitadas do bom exem­
plo de outrem; pois bom exemp o
piu u«^ xr, fótnfls na dill-
Uvetao as \ > cooltudo
vencia das prudentes,
nada lhes aproveitou, Por£lue
faltaraõ osmais preparatórios; doo,
de diz S. Jeronymo Dialog. 2. con
t rela/: ^ fe
cas do noffo livre alvedrioi para >en
cer as tentações, nao differa o Se
nhor no Evangelho: Vigiay, eoray,
para nao cahires em tentaqao , ut
ibi: Si libertas arefet a
vincendam tenaiomon
Chrifius: Vigilate
tis in tentationem. .
2Z E os .roais preparatórios, ou
1 requi-
Sétima Parte,289
requiíitos , para vencer a creatura
as tentações, e fuggeftoes do demó­
nio, e alcançar auxílios para ifío,
eoníiílem em fe chegar a D eos, pe­
los fantos Sacramentos da Peniten­
cia , e Euchariília; conforme aquil-
lo do Profeta Zacharias cap. 1. verf.
3. C onvertim ini
aã m e , O 3 co n vert ar;
aà vos-, e de Santiago cap. 4 . .8
Appropinquate D eo,
vobis-, que porifíò fe confeíTao, e
comungaô os enfermos, e moribun­
dos , para receberem forças, com
que refiílao às tentações, e fuggef­
toes do inimigo , que naquella ulti­
ma batalha faô may ores.
24 Logo fe os poffuidores de
efcravos, ainda que aliás lhe dem
bom exemplo, nao os applicarem á
fe chegarem a Deos, e receberem
algumas vezes os Sacramentos ,nao
Oo po*
2$>o Ethiope Refgalado,
poderão confeguir a reforma dos
feus vicios ; por iffo Drexelio in
'Moem. ncap. . diz que muitos pays
de famílias fe queixao continuada-
mente dos máos coilumes, e vicios
dos feus efcravos, e efcravas; po­
rem que elles mefmos tern a culpa,
porque rariffimas vezes os mandao
à Igreja, para fe confeiTarem, e co­
mungarem , e ouvirem a palavra de
Deos; ut ibi: Queruntur non
patres familias defam
,
cillariim corruptis moribus-, fed ipji, qui
famttiamducunt, in culpa , qui
fuos ad templa, ad expiandam confci-
entiam, ad. obeunda facra , rãrijfimè
m ittim t

2 y Concluamos pois, que nef-


te negocio da inílrucçaõ , e refor­
ma dos coflumes defies cativos, de­
vem concorrer da nofía parte copu-
lativa-
' Sétima "Parle. 291
lativamenté tres coufas , que fao,
onofíb bom exemplo; a correcçaÕ,
e caítigo das fuás acqoes viciofas;e
a applicaçao delles a receberem os
fantos Sacramentos da Igreja; e íe
ainda affim concorrendo todas ef-
tas^ continuarem emfer máos, e
viciofos, então fomente nos reíia
coníiderar, que os poffuimos por
permiífaõ Divina , para exercício
da noíía paciência; pois como dfe
Santo Agoítinbo in Pfaltn. 1 4 * ad i.
verf. nao imaginamos, que balda*
damente conferva Deos os máos
neíle m undo, fem que delles me£
mos haja de refultar algum bem,
26 Porque, ou os conferva pa­
ra que fe emendem , ou para que
firvao de exercitar o fofrimento , e
a paciência dos bons; ut hàbet ibi:
Ne putetis gratis efe maios in hoc
Oo ii
2<?2 Ethiope K efg a ta d o ,
mundo , O ’ nihil boni de illis
D um. Omnis malus, autideò
ut corrig a t u r ;aut ideò vivitlit
ilium bonus exerceatur ; e e m t a e s
te r m o s , r o g a r e m o s , e p e d ir e m o s a

D e o s , q u e e fte s m e fm o s m á o s e £

c r a v o s , q u e a g o r a n o s e x c ita o , fe

c o n v e r ta o a e lle , d e ta l fo r te , q u e

ta m b é m c o m n o fc o v e n h a ô a fer

d e p o is e x e r c ita d o s n o fo ffr im e n to

d o s m a is tr a b a lh o s , e m ife r ia s d a

p r e fe n te v id a ; d iz e n d o c o m o m e f-

m o S a n to U tinam ergo,
D o u to r :

qui nos modo exercent, convertantur;


C T nohifcum exerceantur.

OITA-
Oitava Parte. 293

OITAVA, E U L T IM A PA RTE.
Do que refpeita ãos últimos fins
defies cativos.

i T A Or últimos fins defies


cativos, entendo neíle
lugar, os últimos fins da fua fujei-
çaô fervil; quando extincta já de
todo a cauía de penhor, e retenção
em que haviao ficado, pelo benefi­
cio da redempçao forem comple­
tamente reftituidosà fua primitiva,
e natural liberdade com que nafee-
raô. Eítes fins pódem fer de qua­
tro modos: Primeiro, quando o ca­
tivo pagar a feu pofíuidor a dinhei­
ro o preço total, ou parcial da fua
redempçao, na fórma explicada na
fegunda parte defte Difcurfo;
* gm-
294 E 'M
opeRefgatado,
gundo , quando o cativo houver
fervido osannos, que bailarem pa­
ra compenfar o mefmo preço, co­
mo também alli deixamos expen­
dido*, Terceiro, quando fallecendo
o poííuidor do cativo , lhe fizer qui­
ta do tempo, que ainda llic faltar,
e o deixar defobrigado; Quarto, e ulti­
mo , quando o cativo, antes de fin­
dar o tempo da fua fervidaÔ, falle-
cer da vida prefente.
2 A fórma, com que, em cada
hum deites cafos, fe devem portar
osfeus poffuidores, e o que então
lhes devem fazer, he o argumento
deita oitava, e ultima parte. Con-
fiíle o fubítancial deita forma, em
agradecermos aDeosnofíò Senhor,
por palavra, e por obra, o benefi­
cio , que nos fez, no logro, e ufo de
qualquer deites pretos , que fao
crea-
Oitavá Parte. 29?
creaturas fuas racionaes; pois he
fem duvida certo, que precifa a fu a
Divina permiflao , naó nos fervi-
riaõ, nem preílariaõ elles; enaó de­
vemos paliar em claro por eíta taõ
finalada beneíicencia, como fe nós
mefmos os houveífemos creado, e
confervado vivos, para onoflb ufo,
e para o noífo ferviço , e compa­
nhia, que nos fizeraó; que por iffo
até no ufo, e logro das coufas ma-
teriaes, e inanimadas, que por Di­
vina difpofiqaó fervem aos noífos
membros, e fentidos, he devido a
Deos noflb Senhor eíle íincero,
e humilde agradecimento , como
diífe S, Antonino in Summ. 1. v.
3. cap. 9. §. 6.
- 3 Onde expende , que cada
ereatura das que nos fervem heíle
mundo , continuamente nos ertá
da
296 E t hi o p e R
da parte de Deos clamando ao co-
raçao com eilas tres myileriofas,
e mudas vozes: c,
A
< -
ye. Com a primeira clama ,
toma homem o meu u fo , e o meu
preílimo; pois para te fervir fuy
creada, e eílou fubfiílindo por Di­
vina permiflaô. Com a fegunda cla­
ma Reãde , rende a Deos as gra­
ças; olha, e repara bem , que niílo
te faz grande, e ilnalado beneficio.
E com a terceira clama Cave, te­
me , e guarda*te homem de feres
ingrato; foge do caíligo, que teras,
fe lho nao fouberes agradecer ; e
também do caíligo , que terás, fe
te queixares, e nao levares a bem,
que elle [fefor de fua Divina dig-
naqao] ufe de mim, como for fervi­
do, para te caítigar neíla vida com
mifericordia.
4 Pe-
Citava Farte. 897
4 Pelo que, havendo nós acei­
tado o primeiro clamor do Divi­
no lAccipe, em quanto durou o
tempo da fujeiçao fervil, que nos
teve cada hum deites cativos; che­
gados agora
o O
última-mente ao fim
deíía fujeiçao, fegue-fe, que demos
também fatisfaçao ao Divino Reâ*
ãe, reridendo-lhe as devidas graças
por palavra, e por obra, do bene­
ficio , que acabamos de receber.
Por palavra, dizendo mental, ou
vocalmente na fua Divina prefen*
ça aquelles finceros affectos, ter­
nuras, e exprefsóes de gratificaçao,
que elle mefmo nos infpirar ao cò-
raçao, acompanhadas de vivas con-
fideraçóes dosfeus contínuos bene­
fícios; porque fendo Deos noíto
Senhor nas creaturas racionaes, co­
mo he o Sol nas fenfitivas; fegun*
Pp 4o
298 Ethiope Kefgatado,
do diffe S. Gregorio Nazianzeno:
Sicut in rebus fenjibiUbus efi Sol, ita
in intelligibilibusejl Deus-, fe ao Sol
adoraô muitas nações , fomente
porque o reconhecem benefico ,
como fao osPerfas, ex Ccsl. ILhoãig.
Ub.18. cap.7.-, que adoraçoes, que ren­
dimentos , e acçoes de graças nao
devemos os Pieis àquelle Senhoi,
por cuja virtude forao creadas, e fub*
fiílem, e por cujo preceito nos fer­
vem obfequiofas todas, e cada hu-
ma das creaturasí
5 E por obra, fazendo a eítes
cativos, no fim da fua fujeiçao, to­
do aqueíle affago, e bem, que cou­
ber nos limites da noífa mayor, ou
menor poffibilidade; pois affim co­
mo he parte da devida gratificaçao
receber agradavelmente, e brindar
com competente donativo ao men-
fagefio
Oitava Farte. , 299
fageiro de qualquer offerta, ou da­
diva dos homens ; aífim deve fer
parte do noffo agradecimento para
com Deos, tratar com agrado, e be­
neficiar competentemente aquellas
creaturas fuas, por cuja interven*
minifterio , recebemos os
dons effedtivos da fua infinita libe­
ralidade , e Providencia.
6 E naó fomente lhes devemos
fazer affago, e efte bem, na razao
de menfageiros, e miniítros dos Di­
vinos benefícios ; fenao ainda na
precifa razao de creaturas , que
quanto deíi he, ou mais, ou menos
bem, nos ferviraó, e preílaraõ; põr-
que o naõ lhe correfponder com o
agradecimento, fera indicativo de
animo mais que brutal , e infeníi-
v el; pois nos brutos imprimio a
natureza huns veftigios, e finaes de
Pp ii amor,
5oo "Ethope Refgataâo,
amor, boa vontade, e agradecimen­
to , às peffoas, que fuccedeo fervil-
los, de que ha muitos exemplos nas
Hiílorias; como-fao , o da Doninha,
que trouxe na bocca huma pedra
preciofa, eafoypôr aos pés de D.
Fernando Annes de Lim a, pela h-
yrar, e a outra fita companheira,
de huma cobra, com quem as achou
contendendo; cuja pedra engaita­
da em hum anel deixou efte Ca­
valheiro com a Tua bençaò annexa
aofeu morgado, como refere Vd*
lasboas Nobíl. Port. cap. io..
7 E o da Aguia, que vendo-
hum camponez levar à. bocca para
beber huma vaíilha de agoa mfeéta
com o veneno de outra cobra, da
qual pouco antes ahavia livrado,
com hum repentino, e accelerado
VOO , lha lançou fóra das mãos ,
com:
Oitava T a rte. joi
Coin (jug o livrou da morte ; da qual
porém nao eícaparao os feus com*
panheiros, que Pierio haviaô be­
bido , como refere primeiro Vale*
riano, apudLouhcr iti tit.
30. §. 5. n. 3.; e o do L e a o , que li-
yrou dos mais Leões feus compa­
nheiros a hum criminofo, que com
outros fe lhes lançaraõ, para ferem
defpedaçados , pelo beneficio de
lhe haver tirado hum efpinho cra­
vado em hum braço, e lho haver
çurado, em tempo que o mefmo
criminofo vivera nas brenhas efeon-
dido; cafo que refere Aulo Gelio
lib. 5. cap. 24...
8 E nas creaturas infeníiveis,
vemos também huns arremedos de
reciproco amor, correfpondencia,
e agradecimento ; porque os rios
y oltao para 0 m ar, donde fahiraô,
com
5o2 EthiopeKefgatado,
com continuo , e inceífante movi­
mento , recebendo o beneficio de
humas agoas, e agradecendo-o lo­
go in continent} com outras. Os ^ele­
mentos em perpetua circulação fe
beneficiaó, e gratificaô a cada inf-
ta n te , convertendo-fe mutuamen-
te huns com os outros; e como dif-
cretamente ponderou Theodoreto
Ora. i. deProvid. ; os dias de V e­
rão, que recebem da noite o bene­
ficio de mais algumas horas para
o trabalho , e colheita dos frutos,
depois lho agradecem no Inverno ,
dando-lhe também muitas horas
para o defcanço; donde veyo a di­
zer Santo Ambroíio 6, Hexamer•
cap. 4., que de tudo iíto, devem os
homens aprender a ferem agrade-
eidos, e a fe envergonharem da no­
ta de ingratidão; da qual até as mefi
mas
v O ita v a P a r te * 50 5
inas ereaturas infeníiveis , eirracio*
naes fogem , ut ibi: earn non
erubefcat gratiambene defe merenfà
bus non referre, cumv
tias refugere crimen
0 E neíla conformidade, para
nao fermos ingratos com eftes cati­
vos , que nos ferviraõ, devemos,
quando elles pelo primeiro modo
chegarem ao ultimo fim da fua fu-
jeiçao, ou fervidaõ, trazendo-nos
o dinheiro dosannos, que ainda lhe
faltavaõ, recebellos com todo o af-
fedo , e affabilidade , com ferena
fronte, e fobrancelhas altas, enao
com fronte rugada, e fobrancelhas
cahidas; iílo h e , alegres, e nao car­
rancudos; porque naõ fendo aíTim,
molharemos , que nao conhece­
mos , e que diífimulamos, e nega­
mos o beneficio , que D eos, e el-
- 7. les
504. E iopéKefgatado,
th
les nos fizerao; e já aqui hiraõ in*
volvidas tres ingratidões; pois co­
mo diz Seneca de benef. 5.
Ingratus efi, qui
fe negat, quod accepit; ingratus, qui
nonreddit; ingratus, qui âijfimulat.
10 Devemos, depois deite af-
fago, pafíarlhe logo documento, ou
carta de liberdade, que verdadeira­
mente ferá huma quitaçaó do pa­
gamento , que nos fizeraõ, parte em
dinheiro, e parte em ferviços; e nel-
la declararemos, que nos fervirao
tantos annos, e que nos pagaraô
tanto a dinheiro, a razaô de tanto
por cada hum, que he a vigeíima
parte do íeu valor; e que com iííò
ficou extinéta a caufa de penhor,
e retenção em que Íeachavaô; e
vao de todo defembaraçados, e ple­
namente reílituidos à natural liber­
dade com que nafceraô. E
O itava P art*. fo *
ii E logo entregando-lhe atai
carta, lhe diremos, que de todo o
coraçaõ lhe perdoamos os deícui*
dos, que tiverao no noflo ferviço>
e os enfados, e moleítias, que nos
caufaraô; e que nos perdoem tam­
bém asfaltas, que tivemos na fua
correcqaõ , na fua inílrucçao, e no
feu fuítento, e tratamento, e repar­
tiremos com elles algum dinheiro,
ou outra coufa , conforme noífas
poffibilidades , de fórte que naõ
fayaõ da noffa cafa totalmente com
as maos vazias; para o que, por ma­
yor que feja a noífa pobreza, fem*
pre acharemos com que os conten­
tar; pois como diz S. Joao Chrifoí*
tomo.H o m i l . â e ã u à b viduis titul.
fomente nao tem , quem naõ quer
dar; que quem quer dar, pormais
pobre , e miferavel que feja, fem-
Pr«
$od E opeKefgútaão,
tH
pre acha que offerecer: Nullus mifer
eft, nifi qui mifereri noluerit; quia nec
qwfquam mifereri defiderans , poterit
non habere quod tribuat.
12 E naõ pareça aos pofíuido-
ires defies cativos, que femelhante
procedimento he coufa inaudita, e
nunca vifta no mundo; porque na
Ley antiga, mandando D eos, que
quem compraíTe algum efcravo He*
breo, ' depois de fervir íeis annos,
no fetimo o deixaria ir livre; accref*
centou logo, que porém naõ con*
fentiife por modo algum, fahir com
as maõs vazias daíua cafa; ut habe-
tur in Deuteron. cap. i J. verf. 12. O'
15. ibi- Cum tibivendfra
tuus Hebreus, aut Hebr<ea, ÍP“fex
amis fervieritibi, infeptimo anno
mitieseum liberum: Ó" quem
donaveris , nequaquam vacuum abire
Va'
Oitava Parte. Jo J
patieris; fenao que dos íeus gados,
dafua eira, ou celeiro , e do íeu la­
gar , repartiria com elle , e lhe da­
ria viatico; ut profequiturvcvfu14* ibi •
Sed datisviaticum de gregibus, O dê
area, O tcrculari tuo, Bomb
nus Deus tuus benedixertiti.
1$ E já nefta Ley temos exem­
plar do que fe deve feguir nefte
ponto; porque as Leys ccreniomaes,
ejudiciaes, ainda que efpirarao no
ingreiTo da Ley Evangélica, quan­
to0à fu a obrigaçaÔ, e obfervancia;
com tudo quanto àsdoutrinas, que
em todas ellas fe encerrao, fempre
permanecem para o noífo exemplo,
e imitaçao; como ja na quinta par­
te defteDifcurfo, fallando da quan­
tidade do caíligo, deixamos dito, e
provado; o que fe entende quan­
do para a fua imitaçao, occorrer a
■ Qh h mef-
3 oS E thiopeRefgatado,
mefma razao, em que qualquer del-
las fe fundava; como he no cafio,
e termos em que falíamos, de nao
deixar fahir da noffa cafa com as
maos vazias o efcravo, que alguns
annos nos fervio; no qual cafo fe
dá a mefma razaó , e fundamento
da tranfcripta ley, que Deos nof-
fo Senhor declarou fer alii a de fervi-
rem os efcravos a feus Senhores,
com conformidade ao jornal dos
jornaleiros;Mí hàbet 18. ibi:
avertas ab eis oculos tuos, quando âi-
miferis eos liberes ; quoniam , ju x ta
mercedem mercenârii, per fe x
fervivit tibi ; ut beneãicat tibi Dotni-
nus Deus tuus in cun£tis openbus, qu<e
agis.
14 E foy o mefmo, que dizer;
que affim como o jornaleiro cada
dia dos que trabalha, além do feu
fuf
Oitava T
509

fuílento, acquire o feu jornal, eef-


te lhe he devido; affim, e na mef-
ma conformidade, cada dia, que o
efcravo ferve , alem do feu fuíten-
to , acquire o correfpe&ivo agrade­
cimento de feu Senhor, que.igual­
mente fe lhe deve ; e que por iífo,
affim como fenaopode defpedir o
jornaleiro , fem fe lhe pagar o me­
recido jornal no fim do feu traba­
lho; affim também fe nao deve def­
pedir o efcravo no fim da fua fervi-
d a õ , fem fe lhe meter nas maôs o
competente agradecimento.
15 E como os efcravos, nos ter­
mos , em que falíamos, tem de nos
fervir, nao fomente feis annos, co­
mo era coítume naquelle tempo ,
fenao dez, quinze, e vinte annos,
como diffemos na fegunda parte
deite Difcurfo; por iífo com m u i ­
to
5 to E thiope Refgataâo,
to mayor razaõ devemos, feguitt-
do o exemplo daquella Divina Ley,
naô o deixar fahir da noffa cata ,je
companhia, trilte, e com as maos
vazias; ao tnefino paffo, que lhe de­
vemos hum agradecimento igual,
e conforme ao jornal, que aliasse-
riamos de lhe pagar, fe elle nos fer-
viffe como jornaleiro, todo o tem-
no que nos fervio como efcravo.
■ 16 E neíla conformidade, ca­
da hum dentro de feu coraçao di­
rá defte m o d o O meu efcravo tem
fervido dez annos, fem exceiçao
de Domingos, e dias fantos; e pe­
los outros dez, que lhe faltavao,
aqui me paga cincoenta mil reis em
dinheiro. Se eu para o meu ferviqo
deíle tempo alu gaffe outro algum
efcravo atoílao por dia, como pa­
gan pedreiros , carpinteiros, e lá’
* Oitava P arte. ?n
vradores , vencia o tal eferavo trin-
ta mil reis em cada hum anno; e no
decurfo dos dez annos, tinha vem
eido trezentos, oumais mil reis: lo­
go outros trezentos mil reis venceo
também o meu eferavo neíle tem­
po: pois diz Deos na Sagrada Ef-
critura , que os eferavos fervem,
com conformidade ao jornal dos
jornaleiros. Ajuntando pois aos tre­
zentos mil reis os cincoenta, que
agora me paga, fomao trezentos e
cincoenta mil reis; dos quaes tiran­
do os cem , que elle me cuílou,
ainda tenho de lhe agradecer du­
zentos e cincoenta mil reis.
17 E como lhe hey de agrade­
cer tao grande, eavantajada quan­
tia? Reconhecendo a minha obri­
gação, e dando finaes deite meu re­
conhecimento , como Deos man­
dou
ii 2 Ethiope Refgàtadõ,
dou no Deuteronomio. Porey nel*
le os meus olhos. Tratallo-hey neíla
defpedida com affago, amor , e be­
nevolência. E naô confentirey de
modo algum, que faya da minha
cafa, e companhia, triíle, e com
as maõs vazias. Hey de contenta .o»
com o que puder; ou feja a veítia,
e calcao novo; ou feja o par de ca-
mizas, e chapeo; ou feja o par de
patacas , deífas mefmas , que me
trouxe; ou feja finalmente aqui o»
que a minha abaílanqa, ou pobreza
permittir.
í8 E quanto ao fegundo mo­
do; chegado que feja o efcravo ao
ultimo dos annos de ferviqo [que
como difíemos na fegunda parte
deite Difcurfo, podem orfar ate os
vinte , porém nunca excedellos ]
teremos cuidado de OS chamar, e
lhe
Oitava . 313
P
i

lhe dizer, que tem acabado o feu


tempo; e logo lhe paliaremos carta
na fórma, que fica expendido , per­
doando-lhe , e pedindo-lhe perdão ,
e contentando-o, com o que puder­
mos , e com mais alguma ventagem,
nnr iflfo mefmo,que nos fervio mais
tempo, fem que nelle podeíTe lu­
crar coufa alguma, com que mais
cedo íe livrafle da fervidaõ.
19 Porém fe quizer permane­
cer na noffa companhia, e nao hou­
ver razaò em contrario , nella o
deixaremos ficar; paffando-lhe po­
rém fempre acarta para feu titulo;
porque também iíto he parte do
agradecimento, que felhe deve; e
também Deos o mandou aílim repe
tidas vezes na Ley Efcrita ; aíaber,
no E xod.cap.21.verf.1).iX á.ibv.Quodfi
d ixerit fe r v u s ’ D ilig o dotninutnmeutn,
' Rr &
5U thiopeK efgataâo,
E
C Tuxorern, acliberos, w
liber: offeret eutn dominus diis, O
plicabitur ad ofliurn, O pojiesr, perfo-
rabit(\ue auremejusfubula: O erit ei
lervus infieculum.
20 £ no Deuteronomio ? câp*
i$'Verf 16.O17. ibi: Sin autem dixe-■
rit\ Nolo egredi: quod te,
O domumtuam, O bene Jibi apud te
etfefentiat: affumesfubulam, O perfo-
rabis aurem ejus injanua domus tu<e >.
O ferviet tibi ufque in sternum. E ja
fe vê, que para ifto nao lie necei-
faria, nem praticável a antiga 10*
lemnidade de o levar à prefença
dos Juizes, íignificados na palavra
ãiis [como expõem lirino ] e rurar-
Ihe a orelha; porque eíla ceremo-
uia expreífa naquelles textos invol-
via outros myfterios, e era funda­
da em outras razões, que já ceifa-
O itava Tarte. Vi
nno, e nao fao adaptaveis aos.efcrar
vos, de que falíamos; e por iflo baf-
ta que imitemos fomente o fubítan-
ciai da difpofiçaõ; e nao he necefía-
rio imitar também as circunítancias
accidentaes da fua folemnidade.
2i E fe o efcravo fe achar en­
fermo, ou eíliver já velho, que tu­
do vai o mefmo, cenfura juris, ex
text, incap. i Sinautem
de Cleric. <egrot. vel debit infexto,
cum fimilibus, com muito mayor ra-
zao o devemos confervar; porque
entao a fua mayor neceffidade pu­
xa pelo noffo mayor agradecimen­
to , e obrigaçaô ; de fórte "que
obrando o contrario, podemos juf-
tamente temer, e recear o caltigo;
do que temos exemplo no livro i.
dos Reys cap.50.; onde no 11. e
feguintes fe refere , q u e andando
3i 6 Bthiope Kefgataão,
ElRey David em campanha, Ihe
trouxerao os exploradores hum
fervo , ouefcravo, que acafo en­
contrarão no campo, quafi morto
com a fome de tres dias, de forte ,
que para tornar em fi, e poder fal-
la r, e dizer quem era , foy neceifa-
«
rio darlhe de comer, e de beber, co­
mo diz o texto verf. ib i: Qiiae
çiim comedi/et, reverfus efl fpiritus
ejus, í f refocillatus ; non enim co­
meâerat panem , neque biberat aquam,
tribusdiebus, O1tribus no£iibus.
22 E perguntadodiíTe fer ef-
cravo de hum Amalecita, que por
adòêcer, o lançara fóra, e defam-
parara, depois da batalha, que pou­
co antes tiveraÕ, e haviao vencido
os do batalhao de feu Senhor-; e in­
quirindo David, fe fabia guiallo pa­
ra onde fe achava o tal troço, 011
bata*
O ita v a 317
batalhaõ, refpondeo , que fe lhe
promettefle com juramento naô &
m atar, nem entregar ao dito feu
Senhor, entaõ o guiaria; ut verf-15»
ibi: Dixit que ei David: Potes me ãu-
cere adcuneum ijlum?
mihiper Deum, quòdocciáas me,
i? non tradas me in manus ãomini
çy ego dueam te ad cuneum ijlum. Et
juravit ei David; e com effeito ju­
rando David, o guiou; e dando fo-
bre 0 Amalecita, efeus focíos,em
vinte e quatro horas os deílruio,
e acabou a todos: verf. 17- ibi:
Et percujfit eos David à vefpere ufque
ad vefperam alterius G ‘nonevà*
fit ex eis quifquam. ^
23 N o qual cato permittio Deos
nofíbSenhor, que o mefmo eferavo,
em que todos tinhaô peecado, con-
fentindo que ficafíè ao defamparo
no
5iS Ethiope R efgatado ,
no campo, onde pereceíTe à fome, e
neceílidade, eífe mefmo folTe a occa-
íiao do feu eílrago; , quia
per quce peccat quis, per lhec , -
quetur-, ut hdbetur lib. Sapient, cap. ii.
verf. i 6 .;pois fe nao póde negar,
que fe o Amalecita, e feus focios
confervaífem na fua companhia, e
nao defamparaflem o efcravo en­
fermo , nao fora elle achado no
campo-, nao fora levado a David;
e nao o guiara contra d ies; e com
iífo evitavaõ aquella tao grande, e
horrivel fatalidade. Tomemos lo-
go daqui exemplo, e confervemos
na nòfla companhia o efcravo do­
entio , inerte, ou velho: pois po­
derá fucceder , que affim mefmo
feito efpantalho nanoíTa cafa nos
defvie talvez delia o infortúnio,
oufeja daperda da fazenda, ou da
honra, ou da mefma vida. E
Oitava Parte. 319
24 E quanto ao terceiro modo
de chegarem eíles cativos ao fim
da fua fujeiçaô fervil ; que he ,
quando os Senhores por fua morte,
lhe fizerem quita do tempo , que
ainda lhes faltar para compenfarem
o preço do feu refgate, ainda que
eíla quita fe deve fazer a todos, to­
tal , ou parcialmente, conforme o
mayor, ou menor tem po, que ca­
da hum defies houver fervido; com
tudo plenamente fe deve fazer
àquelles cativos, que forem bons,
è fieis aos feus poffuidores ; pois
ainda que Pexenfelder tem. j.M L
145! diz, que eíles efcravos pretos
fomente fao bons, em quanto a feu
falvo, nao pódem fer, e fe nao po­
dem fnoílrar máos: Multi exhac
tribu tanãiú funt leni, quanâiu haud
iuto foflunt effe mali; e S. Thomas
ex-
32 0 ;E thiope R efg a ta d o ,
expondo aquellas palavras do Evan­
gelho de S. Mattheus 24. verf.
45.: Quis putas efifidelis fervusi diz,
que raro he o efcravo fiel: Rarus
efi fidelis fervas , com quem con­
corda Tito Boílrenf.
ibi: Non ignorans dixit, quis putas efti
Sed ut quod rarum efi, Ô ‘multo hono-
re dignum, demonfiraret,fiquis.
inveniatur.
25 E ainda que haja muitas
hiílorias de efcravos , que forao
máos, e infiéis a feus Senhores;huns
furtando-lhe a fazenda para fi , e
pjca feus defperdiços; outros tiran­
do-me a honra, e deixando-fe para
iiTo corromper com donativos , e
promefías; levando cartas, avifos,
e prefentes, em damno, e prejuízo
da honeílidade, e recolhimento de
fuas filhas; e em fim outros coope­
rando
Oitava Tarte.
rando por diverfos modos, para ou­
tros infultos femelhantes, epeyo-
res; com tudo também fe naopóde
negar haver muitos efcravos bons,
e fieis, que zelarao, e defenderão a
fazenda, a honra, e a propria vida de
feus Senhores, e ainda o bem com-
mum da Republica, como forao os
que refere Soares Bahienfe no Pro-
gymnafma Literário 51.; em cuja
conformidade no Direito Civil fe
acha no Codigo o titulo: Pro qui-'
bus caufis fervi -pro libertatem
accipiunt; com algumas Leys, em
que fe dá liberdade por prémio aos
efcravos fieis a feus Senhores, daos
efcravos fieis ao bem commufti da
Republica.
26* E a eftes cativos, que forem
bons, efieis afeuspoífuidores, os
devem elles amar , como afuaal-
Ss ma»
f, *

5 2 2
E thiofe R efgatado ,
raa, e tratar como airmads, con­
forme a doutrina do Ecclefiaíticó
cap. 3]■verf. 31. ibi: Si efi tibi fervus
Metis , fit tibi quafianima
fratrem fie eum traC ; e iffo
fomente emvida,fenao tambem por
morte, naô os deixando em fervi-
dao, nem em pobreza, como o mef-
mo Ecclefiailico diz no 7.
23. ibi: Servus fenfatus f i t tibi
quafi anima tua ; non defraudes ilium
libertate , neque inopem derelinquas -
ilium •, onde fe deve notar a energia,
com que fallaeíle texto, dizendo,
quç o Senhor naõ defraude o efcra-
vò fel da liberdade; no que fup-
poem divida , e obrigaçao de lha
deixar.
27 Defórte, que o nao deixar
o Senhor a liberdade, fazendo a di­
ta quita , a qualquer outro efcravo,
dos
Sétima T arte. $2$
d os que 0 fervera na fórraa comua,
e ordinaria, fem efpecialidade, hu-
mas vezes bem, e outras m al, ferá
naô ufar com elle de benevolenoia>
e benignidade, efaltar por mort e à
obrigaçaÓ de caridade, e amor fra­
ternal , que fe deve a qualquer pro­
ximo ; porém o naô fazer a tal qui­
ta , e naô deixar plenamente livre
por fua morte o efcravo bom , que
lhe foy fiel; iflb ferá além da obri­
gaçaÓ de caridade, faltar também à
obrigaçaõ de juíliça, nao lhe pa­
gando o que rigorofamente lhe de­
ve , e defraudando-o do que por
direito lhe com pete. r
28 E fe o efcravo além de fer
bom, e fiel, houver utilizado a feu
pofíuidor com officio, ou agencia,
que tenha , e de que haja percebi­
do alguns lucros; naô fomente lhe
Ss ii deve
t '
324 E thiope,R
deve deixar a liberdade, fenaô que
também o deve beneficiar com al­
guma coufa, que mais lhe deixe da
fua propria fazenda; que iífo Vem a
fer, nao o deixar pobre, como diz
o tranfcripto texto in verbis: Ne-
que i n o p e m ã e r e l i n q u a s ilium. D
ufar com elle em taes termos pro­
porcionalmente , o que obrou a-
quelle Senhor do Evangelho com
o fervo, que lhe lucrou cinco ta­
lentos; e também com o outro,
que fomente lhe lucrou dous; aos
quaes ambos pela fua fidelidade, e
pela fua agencia, nao fomente os
ílfõtr do eítado da fervidao, e os
elevou ao foro de Senhores na fua
cafa ; fenao que juntamente divi-
dio com filies, osfeus bens, metten-
do-os de pofle com igualdade; ut
habetur àth
M.cap. 25, verf. 21. O'
■ 25.;
O itava T arte. 325
I23. • è dizendo a cada hum delles
de perfi: Euge ferve bone, l?fiãelis-,
cuia, inpauca fuifii fiãelis, fupra multa
te c o n f i i t u á f n : i n t r a :•
ni tuL Id ejl, expõem Du-Hamel,
intra in âomum meam.fr
E faça*lhe ao menos agora por fua
morte iíto mefmo , que já ihe de­
vera ter feito em fuavida.
29 E quanto ao quarto , e ulti- ;
mo modo, com que eíla fervidaÕ ,
ou fujeiçao fervil fe finaliza; que he
fallecendo da vida prefente qual­
quer defies cativos; em tal cafo,
devem os poíTuidores fazer a fuas
almas, e ainda a feus c o r p o s , aquel-
les bons officios, e benefícios, que
pede a noíTa chriílandade, e a ley,
do proximo, que profeífamos, no
que certamente ha muitos defcui-
dos nos tempos prefentes; fe bem
flue
326 E tMope R efg a ta d o ,
\ '

que m ayores, e mate frequentes, o s


houveraô nos paflados; nos quaes
fe achavao no reconcavo, e fertôes
deite Arcebifpado, homens tad in-
humanos, que além de naõ foccor-
rerem as almas dos efcravos falleci-
dos, comMiflas, e fuifragios, até
por fe pouparem à pouca defpeza
do feu pobre funeral, e humilde fe-
pultura, os mandavao enterrar in­
dignamente nos campos, como fe
foífem jumentos; de fórte, que pa­
ra fe obviar tao impio procedimen­
to, foy neceífario imporfe pena pe­
cuniária aos íncurfos neíla barbari-
'dacte', além da excomunhão mayor
contra elles fulminada na Coníti-
tuiçaõ do mefmo Arcebifpado n.
844,, onde fe diz 0 feguinte: .
s 30 E porque na vi/tta, que temos
feito detodoomjfQ achá­
mos
O itava F arte. 527
mos [ com muito grande magoa âe
fo coraçaÕ ] que algumas pefeas efque-
cidas, naô fó da alheya, mas da pro- y
priahumanidade, mandaÔ enterrar os
feus efcravos no campo, e mato, como
feforao brutos animaes:fobre 0que de-
fejando nós prover, e atalhar efia im*
piedade, mandamos fob pena âe ex-
cõmunhao ayor, ipfo fado incurren-
m
da, e âe cincoenta cruzados pagos do
aljube, applicados para 0 accufaãor, e
fufragios do efcravo defunto, que ne­
nhuma pejfoa de qualquer efiado, con­
dição , e qualidade que feja, enterre,
ou mande enterrar fóra ãofagrady a
defunto algum, fendo ChrifiaÔbaiítiza-
do, ao qual conforme a Direito fe deva .
âarfepultura Ecclefiafiica, nao fe ve­
rificando nelle algum impedimento dos
que ao diante fe feguem, peio qual fe
lh e deva negar. E m a n d a m o s aos P á ­
ro co s,
$ 2 8 ErnopeRefgataâo,
rocos , e nojfos Vijitadores , que com
particular cuidado , inquirao da fibre*
j dito.
... j i E para que totalmente cef-
fe eíta falta de piedade, devem fa-
ber os poffuidores deites cativos,
que naquellas palavras de S. Paulo ,
■ 'Epifi. 1. ad Tim ot. cap. 5. verf. 8 . Si
quis fuorum , O" maximè domeflico-
rum curam non habet, fiâem ,
V efi infideli deterior; as quaes já
acima expendemos a refpeito dos
Senhores, e poffuidores de cativos,
que naõ trataô delles em vida, dan­
do-lhe, como devem, ofuítento,
"vefttiario, e a doutrina , e lhe nao
acodem com o neceffario nas en­
fermidades ;também fe eomprehen-
de eíte cuidado de tratarem’delles
por morte, amortalhando, e fepul-
tando feus corpos decentemente,
■■ e foc-
Oitava Parte. 329
è foccorrendo fuas almas com Mif-
fas, e fuíFragios; d e fó rte , que do
S en h o r, 011 p o ífu id o r, que faltar a
alguma delias duas obrigações, tam ­
bém fe pôde dizer com S. Paulo
neíle te x to , que he peyor que in-
.sfiel^ e que nega nas fuas obras a
* rrielma fé que co n h ece, e que pro- •
feífa.
32 Porque quanto à primeira
falta, hum dos artigos da F é h e ,
Crer na refurreiçaô da carne-, iíto h e,
que cada hum de nós ha de refufci-
tar com o feu meftno c o rp o , e com
os feus meftnos oíTos, e carne , qup^
agora tem; por nao fer difficultoTo*
a D e o s, que tudo creou de nada,
tornar a compor a todos novam en­
te das meftnas cinzas, em que fe re*
folvem; e quando honram os com
a m o rta lh a , com a fepultura, e com
Tt ' ’ os
330 E th w p e R e f g a t a d o ,
osfuneraes, os corpos dos defun­
tos, entende-fe, que tudo iíto fa­
zemos proteílando, e dando teíle-
munhos da fé, com que cremos a
fua refurreiçaó: logo o nao lhe fa­
zer eftes devidos benefícios, he ne­
gar nas obras, e nao dar teílemu-/
nhos defía mefma fé.
33 E he fer cada hum peyor,
que infiel, ou gentio; porque gen­
tios, e infiéis ha, que fem terem a
luz da fé, nem crerem o dito arti­
go , honrao com mortalhas, fepul-
turas, efuneraes gentílicos, e a feu
modo os corpos defeus defuntos;
comcí tudo diz, convencendo eíle
mefmo ponto , o expreífo texto dç.
Direito Canonico in cap. cum
via 17. cauf 13. q. 2. ibi: Et fi
ciunt, qui carnis refurreótionem non
c r e d u n t ;quant ò magis de b e n t f acere,
qui
6
Oitava T a rte. 551
qui creâunt; nt corporimortuo,fedta-
men refurreóturo , impenfum ejufmodi
ojficium , fit etiam ejaf-
demfidei tejlimonium.
34 E quanto à fegunda fa lta ;
q ue o S e n h o r, ou pofíuidor do ef-
.çrayo fallecido, que lhe nao foccor-
ré a lua alma com MiíTas, e fuffra-
gios, m oílra negar a fé, nas fuas
obras, tam bém he claro; porque de
fé h e , que ha P u rg a tó rio , onde as
almas dos fieis,que m orrem em gr&-
qa de D e o s , íatisfazem com acer-
biffimas penas, que padecem, os pec*
cados com m ettidos nefta vida ^po­
mo eílá definido no C oncilio' Flo-
jjentino fejf. ultim.J)ecret. fiãei; e
n o ,T rid en tin o feff. 6. Canon. 30. O ’
fejf'.2$An D
ecret.dePurgat.; e conf-
ta de m uitos lugares da Sagrada Ef-
c ritu ra ; e entre elles m uito expref-
T t ii fam ente
332 E m o p e R e f gatado,
fam ente do cap. 12. do livro fegun-
do dos M achabeos.
35 E do mefmo raodo he tam ­
bém de fé, que as noflas almas faõ
im m ortaes, como coníla de m uitos
lugares do n o v o , e velho Tefta-
V
4i»
I m e n to , ex Genef. cap. 3 7- verf> 2
•<í Exod.cap.]. verf. 6.12. 1
verf.7. Matth.cap. 12. 28.
cap. 22. verf 32. Lwc. cap. 16. w r / 22.
Apocal. cap. 6. verf. 9. cap. 14.. verf.
13.; O fic etiam d e fé h e , q u e c o m
osnoffos fuffr agios as podem os ali­
viar, e livrar daquellas penas; por­
Si
que ellas , e nós eítam os com o
membros v iv o s, unidos todos no
corpo myílico de C hriílo; e por if
fo com unicam os, e participam os
huns das boas obras dos o u tro s ;
que iílo he o que cremos no artigo
da Comunicação dos Santos; ut ex-
O ita va■ P a r t‘d 333
V

potiit tJogueir. ãe Bull. crucial, âifp.


2 ó.feã. 7
0 E por iffo affim como os
fieis, que foccorrem com Miffas,
e fuffragios as almas dos defuntos
de fua obrigaçao, confeífaõ com as
.obras, e dal teílemunlio da fé, com
que crem eítes ditos artigos; affim ,
também os fieis, que pelo contra­
rio naô foccorrem com Miffas , e
fuffragios as almas dos defuntos da
fua obrigaqaõ, neíla fua omiffao ne-
2aÔ, enaÕ dao teílemunho da vi­
va fé, com que devem crer os mef-
mos artigos. E como entre os de­
funtos da obrigaçao de cada ,lTum*
fe entendem também fer os fervos,
r efcravos a refpeito de feus pof-
fuilores ; porque em tudo o que
refpeita ao feu bem temporal, e el-
piritual correm paridade com osfr
534«< E mope Kefgatado,
lhos, como repetidas vezes fica ex­
pendido ; fegue-íe, que faltando os
taes pofíuidores a foccorrer as fuas
almas com MiíTas, efuffragios, naõ
dao teílemunho da viva fé, com que
deviaô crer, que eítaraõ no Purga­
tório padecendo acerbiílimas pe-<
- t - . -'

nas, eque delias as pôdem aliviar,


e livrar pormeyo dosfeus fuffra-
gios, e do fanto Sacrifício da Miflfa.
37 Por efta razaõ de crer viva­
mente os fobreditos artigos , man­
dou Judas Machabeo doze mil dra­
chmas [ que erao certas moedas de
prata] aos Sacerdotes do Templo
de Jerufalem , para offerecerem Sa­
crifícios , e Orações pelas almas de
alguns dos feus fervos , e foldatid^
fallecidos, que ohaviao fervido nas
campanhas; como fe refere na Sa­
grada Efcritura dito 2.
cap.
/* O ita va 535

cap. 12. verf. 45-; obrando aflini, im-


pellido da viva fé , que tinha da re-
furreiçaó dos feus corpos, e imrnor-
talidade de fuas almas, e da comu­
nicação das boas obras dos vivos
para com os mortos, ut ibi: Etfa-
tta çollatione, duodecim millia drach­
mas argentimifit Jer
pro peccatis mortuorum ,
benè, O ’ religiofède refurreãione co-
git ans. Etverf. 4 4 - ibi: Nifi enim eos,
(jui ceciderant, refurreãuros fperaret,
fuperfluumvideretur, vanum orare
pro mortuis; o que como coufa fan-
t a , e pia lhe approvou, e confir-
mou por ultima conclufao o*nef-
. rjjo fagrado Texto no 4^* ulti-
idbfdaquelle cap. ibi: Sancta ergo,
O’Jalubris eft cogitatio, pro âefunãis
exorare, u t à peccatis
38 E à viíla diílo, fe naõ quere-1
mos
3j 6 '' E tW p è Refgataâo,
mos os poífuidores defies cativos
faltar com as noflas omifsoes à viva
fé, com que devemos crer os arti­
gos da fua refurreiçaõ, daimmorta-
lidade dasfuas almas, edacomuni-
caqao dos Santos; e fe queremos dar
authenticos teílemunhos deífa m ef-'
ma viva té , com que tudo devemos
crer, imitemos o exemplo do fo-
bredito Machabeo, mandando o f
ferecer muitos facrificios, iíto h e ,
dizer muitas MiíTas pelos efcravos,
que toda a vida, até fallecerem, nos
fervirao , affim como elle fez aos
toldados, e fervos, que talvez fo­
mente o ferviriao naquella occa-
fiao.
3 9 Pois além de fatisfazerig?iés
com iífo à noífa obrigaçaô, merece­
remos grandes prémios na outra vi­
da.; e também, neíla, como elle me-
receo.
Oitava parfé.' 7 ’ * 337
receo, e fe refere no mefmo livro ;
onde depois daquella piedade, fe
diz, que lhe mandara Deos noíTo Se­
nhor da fua «ião huma efpada
guarnecida de ouro,fegurando-lhe,
que com ella entraria fem receyo
nas batalhas, e venceria feus inimi-
gos,fendo menfageiros defte Divino
prefente dous defuntos taõ diílin-
ótos," e qualificados, como erao o
Sacerdote Gnias, e o Profeta Je­
remias, de cuja mao a recebeo ; ut
habetur cap. 5. verf.12. c
CFverf.15. í? 16. ibi: Extendijfe au-
tem Jeremiamdexteram,O’ dedijfe
à<e gladium aureutn ãicentem: *Accipe
janãumgladium munus a Deo,
hjfcies adverfarios populi mei Ifrael.
40. Pois que melhor , e mais
univerfal efpada de ouro, nos po­
de Deos noflo Senhor dar em agra-
: Yv ' de-
33$ Ethidpe R e f galado,
decimento da caridade, que exerce»
mos com as almas dos cativos, que
nos fervirem, e fallecerem na noflà
fujeiçao, do que a ’’de auxílios effi-
cazes da fua graça, com que poíTa*
mos vencer as batalhas, e tentações
dos demonios noffos invifiveis^ni*,*
migos?
41 E pelo contrario fe faltar­
mos a eíla obrigaçaõ , podemos
além da perda do prémio tem er, e
recear o merecido caftigo ; que
quando naõ feja outro, ferá ao me­
nos , o de fentirmos também a mef*
ma falta de caridade dos vivos para
com» as noílas almas, quando fe
acharem no mefmo eílado, que taj-
vez naõ tarde muito tempo ; jlsfe
os parentes fe defcuidaráÕ; os ami­
gos nem denós teraõ lembrança?
as Irmandades, os teílamenteiros,
eas
O ita v a P a rte . $$$
e âs Confrarias terão demoras, ou
terão os defcaminhos , que muitas
vezes fuccedem por falta de fideli­
dade nos feus Sdminiftradores.
42 Neíla conformidade diz o
Venerando Bifpo Joao dePalafox
na $.p.do Anno efpiritual Sernan. 4*
de Julho n. 52: Quem fe nao iem- *
bra dos feus amigos, dos feus com-
panheiros, de feus pays, irmãos, co­
nhecidos, e obrigados, e os deixa
padecer no Purgatório, que efpe-
ra que feja delle , fe também lá
for? Que memória pertende tenhaòí
Que Miffas, que fuffragios, eque
efenolas 1E no fobredito texto de
Direito Canonico incap.cumgraviá
'P7tfauf.11. q. 2. fe infinua, queufe
eada*hum de piedade com os feus
obrigados fallccidos, com a mayor
diligencia r que puder , para que de-
V v ii P0is
340 <A 'Ethiqfe'Refgatado,
pois os feus obrigados vivos, lhe fa-
qao também o mefmo com igual
cuidado , ibi: Diligentius tamen fa­
cial hoc quifque pro net^Jfariisfuis, qua
pro illofiat fimiliteràfuis.
43 E além diíto, já acima dei­
xamos dito, e outra vez agora repe­
timos, que eíles cativos fao noífos
confervos, a refpeito deD eos; e
por iífo fe em vida, e por morte ufar-
mos de piedade com elles, com
feus corpos defuntos, e com fuas al­
mas, também eíle Senhor a terá
de nós; porque as obras da noíía
piedade, e mifericordia com elles,
fao premifTas, cuja confequencia he
a piedade, e mifericordia de Deos,
comnofco, como fe deduz do^flè
o Senhor diile ao Servo do Evange­
lho apud Matth. cap.i%. verf 33. ibi:
Opportuit O te mifer;
e fe
OitavaParte. ' 541
e fe nasMiífas, fuffragios, e Oraqoes
porfuas almas formos poupados , e
diminutos; o mefmo feráo por per-
miíTao fua aqCfèllés, de quem por
morte efperarmos femelhantes be­
nefícios; pois, como diz o citado Pa-
. lafpx, hum dos effeitos ordinarios da
Divina Juíliça neíle ponto, he ler­
mos tratados pelos mais, affim co­
mo os outros forem tratados por nós.
44 E por ifíb cuidemos muito
em encher neíla parte a medida da
noífa obrigaçaõ, em quanto vivos;
para que por noífa morte, enchao
também a fua osnoífos obrigados,,
attendendo a dizer o mefmo Se-
. uhor por S. Lucas, que na mefma
f$rtha~, que agora medirmos, fe nos
medirú entaõ; e que fe agora en­
chermos bem a medida para os ou­
tros , fará elle, que entaõ- a mefma
HlO
342 Ethidpe Kefgataão,
medida fe encha de tal fórte para
nós, que a recebamos boa, refeita,
calcada, e trasbordando*, ut habetur
incap.ó.verf.38. ibiifddbitur
vobis: menfuram bonam
,O
"conferiam,
ÇJ?coagitatam, O"fuperefluentem âa*
bunt in fmum vejlrum; eadem quippè
menfura, qua menjifueritis, remitietur
vobis.
45 E eíla he a fórma, com que
fe devem portar os poífuidores def­
ies cativos, nos últimos fins da fua
fujeiqaõ fervil; com cuja expofiqaó,
temos também chegado aos últi­
mos fins deite Difcurfo. Reíla, que
quem até aqui o houver lido , prin­
cipie logo a praticar o mefmo , qup
acabou de ler; porque tudo faó cft5u-
trinas fundadas em Leys Divinas,
e humanas, das quaes, para cada
hum fe juílificar perante Deos, no
que
Oitava PÈrte. ^ ^ 545
que refpeita a comerciar, haver, e
pofluir competentemente os men­
cionados cativos , nao baila que fe«
ja leitor fóméfite-* neceffario he,
que feja juntamente obrador, na
conformidade do que diz S. Paulo,
aã Romanos cap. 2. verf. ij.Non enirâ
auditores legis jujlifuntapudDeum; ’
fed faótores legis ju ficah
in
. Obre
pois com elles o que neíle Opufcu-
lo fica dito; e do modo injufto de
os comerciar , haver, poffuir jure
empionis, transfira-fe logo para o
modo juílo de os comerciar, haver,
pofluir, jure redemptions; e aos que >
aflim houver , e pofluir , fuílente,
vifta , e inílrua com mayor provi-'
dfeíeia, e cuidado, do que até ago­
ra o praticava, feguindo em tudo
os didames, e doutrinas apontadas.
46 E para obrar iílo mefmo,
he
344 ^ * Ethttipé K
,
he neceffario pedir a Deos noíTo Se­
nhor a fua graça; e que lhe affiíla
com a luz interior do entendimen­
to, e moção intensa da vontade;
porque fem iífo nao poderá vencer
as contrarias, e repugnantes leys da
noffa própria ambiçao, e amor pro-
prio; pois elle mefmo nos diz por S.
Joaô cap.15. vèrf 5. me nihil po-
teftis facere; eS. Agoílinho 81.
Sive ergo parum ,five multum , fine il-
lo fieri non poteft, fine quo nihil fieri po­
tejl. O mefmo Senhor fe digne diri­
gir tudo o que temos dito , à fua
honra, gloria, elouvor; queeíles,
'de noíTos penfamentos, obras, e pa­
lavras , devem em fim fer os noffqs.
últimos fins.
*
LAUS DEO, ET DEI GENITRICI.

RE-
45 í
REPERTÓRIO
DAS C O U S A S MAIS, E MENOS
notaveis> deíle Diícuríò.

A
A
Cto $ o que na5 vai pelo modo nullo, fe poderá fuf-
terfe pelo valido , 5. parte n. 6. f
Aã& nullo 5 fe naõ he da tnefma ordem do valido , a elie íe
naõ póde reduzir, p p . n. í o . .
Afio do agente 5 quando obra ultra intcnUonem agents, ?.
p. n. 1o. & n. i<>. c .
Accaó de graças a Deos noflo Senhor , que devem tazer os
poíTuidores doscativos, p.8. à n.2. .. . Q £
Agradecimento j de alguns brutos a feus bemfeitores,p.8. n* .
Aguiaj a quem livrou o camponez dc hnma cobra: eella
livrou do feu veneno, 8.p. n. 7. .
Alimentos, devem os Senhores preílar aos cativos, p.4-n.
4.e feguintes. „ c. ,
Almas 5 fua fmmortalidade he de fé , p. 8. n. 3$. $ e fatist -
zem por feus peccados no Purgatório , n. 34.
Almas dos cativos devem os Senhores fcccorrer com Milías,
fufFragios, e ora coes 5 e pela medida que lhos medirem,,
feráÕ também medidos os feus, p.8. n.4i. £43. y
Amor do proximo deve fe exercer com obras, enaoióm eiw
te com a lingua, e palavras, 4-P-n-1$•
A^lgççaÕ dos cativos remidos, como fe entente, 2*p»n. o*
Amor deJDeos, e do proximo fao connexos, p. 4. n. *4*
Anãos } os que faltarem aos cativos remidos, pagarao cada
hum pela vigefima parte dofeu valor, a.p. n. 3^*
Annos) fe devem entrar na conta para a compenfaqao dos ca­
tivos , os que até agora tiverem já fervido, 2. p. n. 37.
AJfaltos dos pretos gentios , na5 faõ guerras legitimas} iaD
w • Xx sov*
P á Kepertorio
roubos, e latrocínios, i. p. n. 3. e4*
AJfaltos fobreditos, devemde regular pelo mefmo direito de
negociaqaõpiratica, i.p.n.$.£ó.
jyjoutes ) como fe portaráõ neíte caftigo os poíTuidores def-
tes cativos, ç.p. n. l
Averiguação da legitimidac^d|^j£i:avidões na5 fazem os
Ctfmerciantes deíles cativos, quancío os tomaõ aos gentios,
i . p . n«i2.
A ves, que aprenderaõ OracÔes inteiras, eas repetiaõ, 6. p. n.9.

B
Arbaridade he mandar fepultar os cativos fóra de lugar
B fagrado , p. 8.n. 29. e $0.
Barbaridade he atormentar os cativos com pingos de lacre, e
femelhantes crueldades, p.ç.n. 19.
B a u tijm o 5que effeitos caufa nas almas dos bautizados, p.
ú • n• ^^e
B a u tijm o $ he iniquidade vendello a troco de perpetua efera-
vidaõ, 2. p. n. 7.
B a u tijm o ; devem os poíTuidores dos cativos nao retardar aos
meninos , e aos adultos, p. 6. n,
Beneficios $ devemos agradecer a Deos o que nos faz noufo
das creaturas, 8. p. n. 2.
B eneficios ; fe devem fazer aos cativos fallecidos com morta-
* lha, fepuItura, e fuffragios, p. 8. n. 25».
BeneficioS ■, quaes devem fazer os poíTuidores aos cativos no
4 fim da fua fervidao, p. 8. n. 5.
B o a f e em que confide , i.p.n.28. ' <1
Boa f è j quem com ella poífue, como , e quando he
do a reílituir, i.p. à n. 51.
Boa f é , ceifa pela noticia fuperveniente , 1. p.n. $7*
B om a g ra d o $ com elle devem deípedir os poíTuidores aos
cativos no fim da fervidaÕ , p. 8.0.5.
B o m exemplo $ devem os Senhores dar aos fervos, e cativos,
P* 7* n.13.
B om nom e $ também os cativos tem , enaÕ fe lhe deve of­
fender, $.p. n. 33. Bom-,
D as coufas m ais'notaveis.' 547
Bom ; o que defi h e, na5 federoga pelo que he melhor,
2. p. n. 2 6.
Brutos j a liberalidade os faz bons, 4* p*n. 24.

AJUgo, deve fer bem ordenado no tempo , quantida­


C de , qualidade, em odo, $-p- n. 5. ,,
Cativos, òs de que fe trata, fa6 os donos da fua liberdade ,
da qua! fempre retem , e nunca perderão o domínio, 1.

Cativos remidos-, fervem até pagar o feu refgate ; e.p.n. 11. _


e j. p. n. 18. faÕcomo efcravos, ibidem. '
Cativos remidos tendo fervido o tempo, que baile p r
compenfar o feu refgate, ficaS livres, a.p.n.ia.
Cativo i provando emjuizo , que na5 foy tomado legitim -
mente com averiguaqaõ, e certeza defer bem cativado,
deve-fe julgar por remido ,e naS por comprado,
Cativo, que findado o tempo, quizer permanecer em cala,
osSenhores odeixem ficar, p. 8.n. 19. e fegumtes.
Comercio , ou negociacaõ de cativos fem exame, e averigua
caô previa , he reprovado , 1. p-n. e 5. p. an. ■■
Comerciantes de cativos, compvao, ou mandao coropt P
com animo, e refoluqaõ de comprarem peiloas livies, i-

Comerciantes de cativos, andaõ em eftado de eterna condem-,

cZeniàntêsde cativos, raro, ouquafi ne^um à á, oque


tenha nefia materia ignorância invencível , que o elcu

yem * efaberem , que os pretos gentios fao mal, e injult


mente reduzidos a cativeiro i. p. n.
Comerciantes de cativos, peccaõ mortalmente , c°™P'»ndo
fem preceder exame, e averiguaqaõ das efcravidoes,

Cmetciantesj como praticaráõa via de redempqaÕ, 2. P. n.21.


Xx u
54» Kepertorio
Comercio de redempqaõ de cativos, as Leys o favorecem, $.
p.n. 17.
Com ercio de cativos fem averiguaqaõ dos títulos da fua efcra-
vidaõ, he peceaminofo, econtra juftiqa, e caridade, 1.
p.n. 12. í
Çompofiçad amigavel com os catiws fobre o tempo preterito,
pode-íe razer, 2. p. n. 37.
C om pra , e venda, na5 tem fórma extrinfeca , além do con-
fenfo d e r e , & pretio , 3. p. n. 13.
Cojlumes injuftos, e nutritivos de peccados, faõ abrogados,
e annullados pelos fagrados Cânones, 3. p.n. 2.
C e u fa s a lh eya s , ou que fe prezume o faõ, he peccado mor­
tal comprailas, i.p. n.14.
Coufas atheyas faõ as liberdades, que fecompraõ, e vendem
na ncgociaqaÕ defies cativos, i.p. n. 10.

D
Am no, e detrimentos caufados aos cativos pela injuíla
D compra dos Comerciantes, lhe devem eftes refarcir,
1. p.n 17m. 18 e n. 58.
D em onjiraçdes , veftigios, earremedos de amor, e gratifica-
caõ , até nas creaturas infenfiveis, e nos elementos fe di-
vizaõ, p. 8. n. 6.
D efordens $ quaes fe devem evitar no caftigo dos cativos, f .
p.n. 3.
.Demonio, afiifie nas almas antes debautizadas as creaturas, p.
í.n.55,- ■ '
D em onios , faõ os vicios capitaes, que occupaõ ioda a cafa va-
p-a.
o ?n r ■/ ------
Deformidade da culpa original, fignificada na fealdade d^bum
menino , que depois de bautizado ficou formoío, p.ó.n.3^.
Dottieronomio, as fuas leys, no que refpeita à doutrina , fer­
vem paraa noíTa imitacao , ecomo , p.$.n.24- c p. 8.n. 13.
Direito de penhor, eretenqaõ, fe acquire nos cativos remi­
dos por comercio , e pode-fe pafiar , e ceder a outrem , 3.
p.n. 18.
Divisão, e repartiqaõ daliberdade , como a faraÕ o poíTui-
dor,
Vascoufas mais s 349
dor eoefcravo duvidofo, i.p»n.4^. 647.
Dtonivd , eeiUmavel he a liberdade da parte dos foffuido-
res mas na5 da parte dos efcravos, .. p.n. 43- « “■«■ _
Domínio naõ acquirem os gentios nos cativos, que apan ao
furtivamente , nem os,pódem vender, i-P- " '9' <r _
Donativo, com que fe brin^o menUgeir° de alguma offer
ta, he parte do agraWífiíLuo devido a quem a envia ^

DoutrinaChriílã, como adevem enfinar os Senhoresaos ca-


tivos, p« 6. per totatn. ,
Doutrina, efua explicaqaS para os cativos buqaes, p .i.n .

diligencias fara6 os Senhores para que os cati-


D w t'r in a i ^ u e
vos a aprendaõ , p .6. n. 11. e feguintes. p .
Doutos, e timorato, reprovaõ o comercio de cat, vos deGur-

Dumia 'propriamente tal, quando , e como fe conhece fer ,


D ^ q u a n d o he igual deve-fe dividir a - « fa entre o
duvidofo dono, e o pofluidorde boa e , ■ P fervidaõ
Duraçaó ; quanta ferá a dos cativos remidos na lua lervidao,
a. p. n* 32. ufquc adn. 37*

E
dos cativos, ate onde fe estende o poder, que,
M e tid a

E para ella daõ as Leys a feus senhores, p. Vny °-


Frfermo doentio, ou velho, ie eftiver o cativo , findo o
E feu tempo, deve fe contervar em cafa , e nao o lançar fo-

E^ ' / e f t a n d o oscativos, devem os Senhores curallos, e

Eqddade]’ he julgarfe o cativo por remido , enaõ por livre,

Erro^roprio, he nafi evitar o erro alneyo, i . p. n. 2.


Eâimaçad , ou valor da arte , ou officio, nevem pagar
tivos, que fe libertarem ,2. p. n. 28. e porque
55° Repertório
E Jiim açaÕ dojofficio, ou arte , por razaõ delia ferviráS os in­
génuos até idade de vinte e cinco annos, p. 2. n.28.e n.30.
E J lm a u s l , e divifivel , como, e quando he a liberdade, 1.
p.n.4j.e n. 45.
EJiimaçaÕ da arte , ou officio a poderáõ pagar a dinheiro os
ingénuos, naõ querendo iervir.- 2. p. n. 51.
E fp a d a de ouro, que Deof^lfraotf ajudas Machabeo, p.
8.n. 39.
E fponfaes , incluem*fe no Matrimonio, 3. p.n#1$.
E jc a n d a lo , ou máo exemplo, naõ devem os Senhores dar
aos cativos, p. 7. n. 14.0 1$.
E fcru p u lo , fe regula pelo feu fundamento , e naõ pela propria
P v iílím a^ aA t n n 1*»
V A l l U U I M V ^ M U J X • I I . } / •

* EJcrauos fervem com conformidade ao jornal dos jornalei­


ros, p. 8. n. 13. e 14.
E th io p es faõ frívolos para o trabalho, e faõ ambiciofos, p.
6.n. 17.en. 20.
E thiopes faõ muito inclinados à fenfualidade, p. 7.0.
E x a m e da legitimidade das efcravidões , naõ o fazem os Co­
merciantes dos cativos, i.p. n. 12.
E x a m e das efcravidões mandaõ os Regimentos fazer, 3. p.
n. 26. , & vide etiam n. 22.
E xem p la r dos noffos olhos nas maÕs de Deos, faõ os olhos
dos cativos nasnoíTas maÕs, p. 4. n. 22.
E xem plos de maldições, ou pragas, que fuccederao para caf-
tigo de quem as impreca , e de quem dá a iílo caufa, $»
4) p* n.
Exemplo,bom devem os Senhores dar aos cativos, e como,
p.7. n. 13. e feguintes.
E xem plo de Judas Machabeo, fe deye feguir nos fuíFragios
pelos fervos, p. 8. n.58.

F
quem a algum fe acha obrigado , fatisfaz pagan­
d S lõ )

F do o intereííe, 2. p. n. 3t.
F a ã o s 5 por elles fe regula o animo, e intenqaõ de quem os
obra, p.5.0.34,

Das coufasmats notáveis:$J1
Fé recebida nó bautifmo, faz os cativos mais promptos, e
fieis no ferviqo dos Senhores, i.p.n. 58.
F í neganas obras, quern naõ tem cuidado dos ieus domei-
ticos, nafaude, na doenqa, e por morte , p-4- n. 13. e
14. e p.8.n. \i. efeguintes.
Fé , e feus mvílerios, e c jó ^ ^ n to s, como os Senhores de­
vem inftruir os cativos, p. 6. n. ç. e feguintes. **
Fé boa, ou boa fé, em que confifte , i.p.n. 28.
Fieis x aos efcravos, que o fao a feus Senhores, e a Repu­
blica, da5 as Leys doGodigo a liberdade por prémio , p.

Fieh l aos cativos, que o forem , devem os Senhores amat


como irmaõs, ecomo apropria alma, p. 8.0. 26.
Fieis; aos cativos, que o forem , naõ devem os benhores por
fua morte, deixar emfervidaõ, nem em pobreza, p- »•

Fôrma) he a que dá íer, exiílencia , e vida ao a&o, 3-P-

Fôrma , com que podemos reduzir aos termos licitos a poffe


dos pretos cativos, 2. p.n. 25. ,
Formofura milagrofa caufada pelo Bautifmo , p.6.n. 56.
Frutos dos efcravos, la5 os feus ferv.cos,
Fmos , ou ferviqos dos efcravos como os devem eflnmt
os polfuidores deboa, edema fe, i.p.n. ' V
Frutos, ou rendimentos de qualquer coufa , fempre igua
laõ a vígefima partedofeu valor , 2. p-n.?4-
Foro interno, eexterno, quando fao diverfos, i.p .n .3?.e,

F««;L"',2qúe refazem aos defuntos, fao teftemdnhos da

F«"r°^quefieerem’os cativos, a quem o Senhor naSder o


fuílento, carrega fobre elle , P-4-*M4-

G
A v ia ô }
das fuas garras livrou huma ave , pronuncí-
J ando a Ave Maria, p- <>• n. 9.
352. Repertório
G e n tio s $ naô tem que alterar os Comerciantes com ellès
nada no comercio de redempqaõ : porque fempre ha de
Ter o mefmo acto externo de trocar o tabaco , e mats ge-
neros, pelos cativos que remirem , 2. p. 11.21.
G en tio s -t grandes benefícios fe lhes faz , remindò-os, e tra­
zendo-os às noíTas terras, 2/p.^. 6.
x G e n tio s naõ confentem , qífêieraqS averiguaqaÕ da juíliqa
das eferavidões, i. p. n. 20.
G e n tio s , reduzem a cativeiro a infinitos, que apanhao nos
afíaltos, e a outros muitos por modos injuílos, e repug­
nantes ao direito natural, i.p. n. 11.e 2. p. n.2.
G era ça d c iv e l, he a fujeicaõ: pois faz, como filhos , aosdo-
l i í V* 11 Í U U J 2
f t f »
IVi 1 V U J 9 ^
ra riitAe 4 r> ti r^ .
v w u VW J J q.t » *«•

G ra ça s devemos render a Deos pelo ufo , e logro das crea-


turas, ainda materiaes, p. 8.n.a.
G ra ç a recebida no Bautifmo , effeitos , que caufa , <>.p. n.33.
G ra ça , e amor de Deos, nao habita em quem fe naõ com­
padece , e foccorre o proximo, que vê neceffitado, 4.
p. n.9.
G raduaçaõ dos cativos, fe deve attender na preítaqaÕ do fuf-
tento , e veftuario condigno, 4. p. n. 6.
G ratificaçaõ dos benefícios, até os brutos a moílráraõ algu­
mas vezes, p. 8. n. 6.
G ratificaçaõ devem os Senhores ter com os cativos no fim da
fua fervidaÕ, p. 8. n. 5. e feguintes.
G uerras^ naõ faõ os aflaltos dos gentios, com que fe cativao
, furtivamente huns aos outros, 1. p. n. 3. efeguintes.
G r ita r ia s ^ e clamores, naõ devemos ufar com os proximos,
S-P- 1M$*
Groffos bordões , varas, e outros inflrumentos pezados $com
dies fe naõ devem efpancar os cativos, $,p. n. i^.we fe­
guintes.

H
{florias de animaes agradecidos, apontaõ-fe algumas,
H p. 8. n 6. e 7.
H id o ria s de pragas, que cahiraõ $ referem-fe dussf
e 37. m /ig -
D a s coufas tnais notáveis. 353
Hijloria da ave, que lurou do Gaviaõ, repetindo a Ave Ma-
ria , é. p. n. 9.
Hiftoria de hum camponez rude , que pelo ínterefíe apren-
deo a Doutrina , 6. p. n. 18.
Hiftoria daformolura de; hum menino milagrofa , e obrada
nobautifmo, 6.p.n.3<%^
Hi/ioria de hum efcravo deixado por enfermo, que roy oc>^
caíiaÕ da morte de leu Senhor, 8. p» n.iy.e feguintes.
Hiftorias de efcravos fieis, que zelaraõ a fazenda, honra , c
vida de feus Senhores; renúffwe', 8.p. n. 2$. ^
Homens iguaes na natureza aos Senhores íaõ os cativos je
como taesfe devem tratar, p. 5. n.tj.e 16.
H
A i , 1/
i . As* n fprp.ro ■> e oaffarem a brutost e feias, degenc
J -MW - * ' r * —' / - I ’ ---

raÕ os que farjaõ os cativos fobre os aqoutes, 5*P* n. iy»

Homens livres 5 nelles naõ cabe comercio por titulo translati-


vodedominio, 3. p. n. 14.
Homens , e mulheres, que apanhaõ os Gentios furtivamente,
naõ faõ feus cativos, nem ellesos pódem vender, i-P’
HoneJUdade nos Senhores devem oscativos ver, 07.0.14.
Honra que fefaz aos defuntos com a mortalha, fepultura,
efuneraes , he teftemunho da fé , com que cremos os arti­
gos da refurreiqaõ da carne n e immortalidade da alma, p.
n.^2> 35'^ 11 1 ^
Honra da mortalha, fepultura, efuneraes, n e g a l l a , he ier
peyor que infiel, p.8.n-$2. efeguintes. .
Honra $ também os efcravos a tem , e he peccado injuriallos^

Humanidade , com ella tratava Lucillo os feus efcravos, f*


_P-n-I(: \ 5 nao rcípciu*
' Humantdaae iu«a y ’, ~ iiavrcfpoup.
- asdafere*
za, e crueldade , quem caftiga oscativos com cem , du-
y.pnms,. trezentos. e quatrocentos acoutes, p^.n.aô.

Yy Inju-
554 * Repertório

I
I N mias « e pragas, naô devem dizer, c lanqar os Senho?
res aos cativos, *.p. n . y í # § í ntes* , r
. Infiéis $ os cativos de idade até fete annos devem logo ler
bautizados , e apartados dos pays , fe for neceflàrio , p. _

Infiéis,Aquando ainda o faÔ os cativos, devem os Senhores


trabalharia que feconvertaÕ, ebautizem, p. d.n.30.
Infiéis, honrao os feus defuntos com fepultura, e funeraes
ao feu modo gentílico, 8. p. n. 33*
Ignorantes, fe eílaõ obrigados areftituiqao alguma aosefcra*
vos, i.p.n.27. e feguintes.
Iniquidade grande , he querer vender a veduqao a fe , e recep»
qaõ do bautifmo,a troco de perpetua efcravidaõ, 2. p.n.28.
Injufiiça dasefcravidôes dos cativos comprados por gentios ^
he muito , e mais que muito verofimel, 1. p. n.io.
Injujiiça com que fe compraõ os cativos, em que íe funda ,
i.p. n.14.
Ingénuos nafcidos das efcravas remidas, quanto tempo devem
fervir, e utilizar feus patronos , pela criacao, e educaqao ,
a.p.n. 18.n. 28» en. 30,
Ingénuos, pódem-fe remir deita obrigaçaÕ, pagando o inte»
reííe a feus patronos, 2.p. n.31.
- Injuria, deítroe o que edifica a correcqao $ e tudo fica balda®
do, m 5. n. 32.
Ira , e cólera , deve*fe efperar que palie a fua primeira in-
tenfaÕ , antes de entrar no caftigo dos cativos, 3, p. 0.4»
e feguintes. ^
Intenção, como amudaráõ os Comerciantes, a.p. n.20. e 2í»
Ecomo a mudaráõ os compradores, e pofluidorçs, n. 22.
' Inimigos domefticos, fazem os Senhores aos cativos , fe
os tratao mal, $. p. n 3o.
Jornaí dos jornaleiros *, com conformidade aelle, fervem os
cativos, efelhes deve gratificar , p. 8.n i$.e feguintes.
Infiruccaí na Doutrina Chriílã , como entraráõ a fazella os
pofíuidores dos cativos, ^nh
’S

D a s coufas nuns notáveis. 555


Tnftruccâfi na Doutrina para os catives rudes, p. ó.n.2}.
Iníintcçaõ nos bons coílumes, como a faraõ os poíTuidores
dos cativos, p.7. n.i.efeguintes. . ,
Iníirucçao nos bons coílumes j para elles conduz muito dat
aos cativos bons exemptos^ e na5. lhes dar efcandalo, p. 7*
n. 15. cicguintcs. 1Ç L
L
w . como elles faõ os Senhores, que caftigaõ os ca­
L
tivos defattentadamente pelo rofto, e mais partes ír-

L P enas «0‘ Senhore», que faltaS ao _


“ fuftento e mais neceffidades dos cativos, p-4- n-5- en.io.
U y s , naõ bafta que fe leaõ, he neceflario , que fe obrem,
ou executem, p. 8.0.44. _
Ligiumidade das eferavidões, yifio fe rao poder )a nos tem­
pos pretences averiguar, nao fe pódem os cativ^ P
tomar aos Gentios por via de compra , ou permutaqao
com acquifiqaõ de doroinio ; fenaô fomente porvia de
redempqaõ com acquifiqaõ de Direito de penhor, e reten-
. qaõ , i.p.n.21. er.p. n.(.e feguintes ,e ç.p.n. 3-e 4 -
L m brama, muito aflentadas nella devem terosSenhors
as principaes obrigaqões, que lhe correm de fuíl-ntar.
veftir, curar, corregir , e inflruir na Doutrina, e
coftumes aos feus cativos, 4. p n. 5.
Liberalidade, até aos brutos enche de bonf a d e P. " l^ ‘ ’
Liberdade, fe naõ deve dar aos cativos para fah>rerr\de cala a
toda a hora, e menos de noite, p.7. n. é.
Lições da Doutrina Chriftá, como fedarao aos cativos, é.p.

Liberdade 'pn'parte',como fe deve reftituir, 1. p .n 44 - e fe-

Liberdade,’ com ella nafeem os partos das eferavas remidas,


2-p.n.i?. e n.i8. . Am
Uberdade dc rigor de Direito fe devia julgar aos cativos Afri­
canos, 3. p. n.2i.
Liberdade, póde-fe vender aos eferavos, 1.p. n.45
356 Repertório
L ib erd a d e alheya , na5 fepóde comparar in t o t u m , n e c p n
p a r te , i.p.n.45.
"Liberdade , como he divifa, e indivlfa , 1. p. n. 43. eti.45.
U b e r d a d e s , faõ acoufa alheya , que os Gentios vendem, e os
Comerciantes lhe coippraÕ na negociaqaÕ deites cativos,
I. p. n. 16.
Lucillox benevolencia com que rrataVa os feus eícravos,
p. n . iô« v
Lu\âa ra%ad , he a aurora, que vem outra vez rayando no
- fim da cólera , $. p.n. 9.
L u \ , devemos pedir aDeos noíío Senhor, para podermos
vencer as leys da propria ambiqaõ, e amor proprio, p. 8»
II. 45.

M
M da noite da cólera, como, e quando fe
A drugada,
emende íer , 5. p.n. 8.
O 7: antes delia fe levantava à mulher forte dos Pro-
Madrugada
verbios a tratar do fuftento dos eferavos, 4. p.n.21.
Madrugada j nella caftigavaõ os Rabinos feus filhos diaria­
mente, para naõ ferem traveífos em todo o mais dia , ç.
p.n. 7.
M al , tolera*fe o menor , p o r evitar o mais grave, 2.p.n.19.
Mayoria da propenfao do entendimento, obriga a refiituir
parte da coufa alheya , 1. p. n. $4 efeguintes.
f Mayoria do erro, ou delidlo , por dia íe ha de regular o caf-
tigo dqs cativos, $.p. n. 4.
Maldições , ou pragas, naõ devem dizer, e rogar os Senho­
res aos cativos, p.$,n. 51.
Matrimonio, nao devem os Senhores impedir a fua coj^rac-
qaõ, e o feu ufo aos cativos, p.y.n. 8.
Matrimonio dos impúberes fe vai, 5«p.n 6. &
Melhor 5 para o que o he , póde cada hum mudar o confe-
lho , naõ havendo prejuízo de terceiro, 2. p.n 21.
Melhor he algumas vezes , o que fómente he bom, do que
aquillo, que comparativamente he melhor, 2. p. n, 26.
MifericordiadeD eos $ devemos imitalla , ecomo, 4. p.n.2$»
24.62$. Mije-
Das ccufas mais mtaveis. 357
Uifiricorti* , o fervo , que a na5 of* com os parceiros , ou
confervos, naÕ merece a do Senhor de todos, 4. p.n.23.

M o l de" empem oamor, e o refpeito, que devem ter os

exlminar .^ e r ig u a r , e faber dos G®m'°s *


legitimidade, e certea Wefcravid&s doscatrvos, qu<^
vendem , já o naõ tem , nem pódem ter os Comeician-
tes , I.p.n.20. .
Modo , comque fe pódem validamente comerciar , e poflu
os pretos cativos „ ap.n*$. « „nr
Mododecaltigar os cativos, na5 deve fer defordenado por
obras, ou oor palavras, ç.p. n.e? elegumtes.
Modos iíijuftos, com que os pretos (ao cativados, *•!>•••
Modos, quantos fa6 os com que fe finda a fervidao , p.S.n.r.

MoléfasTee nfados, que nos caufara5 , perdoaremos aos ca-


M o Z l ,^eenfados, caufaõ os cativos ociofos, mais que os

dmente
S tSo fuftento
ti K aosi ocativos,
, , deve.fe —
4.p. n. ai.
» <*

N
rr.zzszazz■
MeooclacoSde cativos por via de redempqaÕ, adm.ttida ella

cativos, até pagarem v ^ ^ p e ^ r e m . £

aofi^ ntios, fem confiar da


N l!gkfm,dade da fu. efcravidaõ , he reprovada , «• P- »• 9-

N o g í i a f J de compíar cativos, fem averiguaqafi da f t. ef-


55* Repertório
cravidaõ, he peccaminofa, e offenfiva dajufliqa, ecart-
** dade , i.p.n.12. e 3 p. n.i.
N o t i c i a , efama, que corre de ferem os pretos furtados, e
e mal cativados pelos Gentios, faz propender o entendi­
mento para a parte da injuíliça de luas efcravidões , na cen-
fura dos prudentes, 1.p
N o tic ia , que tiverem os potíuidores defies cativos, quanta
baile para os naõ poderem reter , i.p. n.41.
N o tic ia j tanto que a tem qualquer peíToa , da illegitimidad^
com que eflcs pretos faõ cativados, logo cefía a boa fé com
que os poííubiaõ , i.p. m/7.
N o tic ia s de quem he Deos, e de como nos creou , e outras
rnais, que devem os Senhores dar aos cativos, ó.p.n.3.
? N o m e s injuriofos, naõ devem os Senhores chamar aos cati­
vos, $.p. n.31. e leguintes.
N o i t e do entendimento , he a cólera , $.p.n.ó.
N utlos pódem fer os aétos, e contratos por quatro modos, 3.
p.n.7.
N u lla póde fer a venda, porhuma de quatro nullidades, $.
p.n.7.
N u llid a d e esc â efettu fo r m s . , de nenhum modo fe fuppre, 3. p.
n. 8.e 9.
N ú s , ou mal veílidos, naõ devem os Senhores trazer os ca­
tivos, A.p. n.7.e 8.

o
pias, nella fedeve fazer reflituiqaÕ do damno ,
E ra s

O caufado aos eícravos pelos Comerciantes, fe forem


fallecidos, i.p. nsr«.
Obrigação alternativa, como fe cumpre , i.p.n.47. ^
Obrigaçaõ tem os Comerciantes, debaixo de peccado mortal,
de naÕ comprarem , ou mandarem comprar aqs Gentios
efles cativos, viílo fe naõ poder averiguar a certeza , ele-
gitimidade das fuas efcravidões, e devem-fe abíler de ne­
gociar por eíla via j porém por outra , pódem continuar o
negocio, i.p.n.21.
Obrigaçaõ de reílituir parte da liberdade, tem ospoíluidores»
como, e q u a n d o , i.p. à n .4 1 . Obri -
Dacoufas m ais notáveis. 39
O bm açaõ alternativa, como fe cumpre , i.p. n.47.
dc fervir até a idade dc quinze, e vinte e cinco an-
O b riea ça õ
nos, tem os ingénuos, que nafcerem das efcravas remicas,
a.p.n. 18.0.28. e n. 50. E como fe pódem remir d.efta obn-
O b fig a ç a õ de dar o íuílentfjh? cativos, na5 fe cumpre, dan-
do-lhe o Domingo , ou o Sabbado para o ganharem , 4-
A àn.ip ufqueadn. 21.
* O b rig a ç õ es. duas contrahem os Comerciantes defies ca 1 »
humade refarciros damnos pretéritos j è outra de evitar os
futuros, i.p.n. 17.ufque adn. 21.
O brigações dos Senhores para com os cativos, quaes, e qua
tasÍe»a5 A sn; n 2, ( •
O fic io ,Ye os remidos o aprenderem , entrará no computo go
feu valor, 2.0.0.28.e n. 29.
Officio , fe o aprenderem os partos ingénuos, quanto temço
ferviráõ mais a feus patronos, 2. p. n.28. e^°.
Oliveira ; aos feus ramos novos fe comparao os >
Olhos-, aflim como temos os nofibs nas ma os de Deos, tem
os cativos os feus nas no fias maos, 4-P p.i £
O n e jb ) recõmendaqaò, que delle tez S. Paulo a Filemo, 6.

O p in ia d , como fe conhece o ado delia , l ^ , X\ ^ QÔ0 com


O piniões \ duas ha fobre valer o ado nullo , p
que póde ter validade , ?.p* n.ó. e feguintes.
O rdenações do Reino , mandaõ guardar os Cânones no que,
involver peccado , 3«p.n.2. \

p
p ■*£.*■.t ™ b,“ «!»■•
mays , r.p.n.y • e $ < ! • d _0j, da duvida, cu noticia ;
Purus das efcravas, nafcidos deP - , d f mays,
d e l i e s f e n a õ pódem fenVtorcar os * è
x.p.n. 57. j e no contrario fe lhe taz eipono, a f ^
n . 20.
•V 1

5Ó0 Repertório
P a ren te'fio > fomente por razaõ delle com os delinquentes ca»
tivaô os Gentios injuílamente a muitos, i.p. n. 11. e 2. p.
n. 2.
Peccado mortal he comprar coufas, que fe prefumem alheyas,
fem previa averiguaqaõ diífo, í.p. n.14.
Peccado mortal, he compraQyg Gentios os cativos fem
o dito exame, i.p.n.12. e feguintes.
P ir a ta s , e ladroens gentios, devem reftituir a feus donos as f
coufas furtadas, nas quaes na5 aequírem dominio , i.p.n.7.
P ir a ta s , eladroens gentios, naõ aequirem dominio, nem fi-
caõ íendo feus cativos os homens, e mulheres, que apa-
nhaõ, e os devem reílituir à iua liberdade, í.p. n.8.
P o juidor de boa fé, deve íer confer vado nafuapoífe in d ú ­
bio a q u a li , i.p.n.39.
P o ju id o r , deve vender aoeferavo a parte, que nelle tem ma=
yor, ou menor, í.p. n.2$.
P ojuidores defies cativos, que os compraraÕ com ignorância
invencível, e boa fé, fe naõ quizerem reduziríe aostermoS|
e via de redempeaõ , eílaõ obrigados a lhe darem logo li­
berdade, metade reílituida, e metade vendida, com a im­
portância dos fervicos, deíde que nelles ceifou a boa fé , i»
p.n.41. ufquead n.34. e n.$ 0.
Pojuidores defies cativos, que os compraraõ com alguma no­
ticia, efem ignorância invencível, fe naõ quizerem redu-
zirfe aos termos, e via de redempeaõ , eítaÕ obrigados a
lhe darem logo liberdade, em duas partes reílituida , e na
, terca parte vendida com duas partes dos lucros, que os ca»
tivos j^odiaõ ter, feeíliveílem na fua liberdade, í.p.n.42.
44-Çi- 52.$3- $4- e 59.
P ojuidores defies cativos, em quanto ospoíTuirem com boa
fé, fem noticia do que ha neíla materia, fazem feus opjerví-
cos, aífim como os poííuidores de boa fé , fazem os frutos
de coufa alheya , í.p. n.<j 1. e 2. p. n.37. f
Pojuidores de boa fé, como praticaráõ a via de redempeaõ
com osefcravos, que já poffuhiaõ, 2 .p. n.22.
Pojuidores de hoa fe , logo que lhes fobrevem a noticia , ceí-
la aboa fé , com que poffuem , p. t. 11.^7.
P ojuidores de cativos , que poífuem era boa fé 9 logo que
lhe
9 r
Va coufas mais notáveis. 301
lhe fobrevier noticia deque vem mal cativados, que de­
vem fazer , e como fe devem portar, p. 1.0.31*
Vô/Tuidores de boa fé, ex vi da duvida, já nao pódem vender,
nem comprar os efcravos duvidofos, i.p.n.55. e$o.
Vropenfao mayor do entendimento ,*para a parte da ínjuítiqa
, das efcravidões, naopóff Ceda hum deixar de ater a vifta
da fama, que corre , e (fe que dizem os A A. Jp*
XSropenJaB mayor do entendimento , obnga aos poífuidores
f * deites cativos a reftituir-lhe parte da liberdade, ainda que fe-
ia5 poíTuidorcsde boa fé, i.p.n.34.3 5 e S
VrofcU Jeremias, por elle inviou Deos huma efpada de ou­
ro ajudas Macabeo , p. 8.0.39. .
" Vrotefiaçad da F é, com que cremos a Refurreicao da carne, ^
Immortalidade das almas, Purgatório, eCommumcaqao
dos Santos 5 faS amortalha, fepultura , funeraes, e íuf-
fragiospelos defuntos, p.8. n .y. e feguintes.
Prudência* com ella fe devem caftigar os cativos, evitadas as
defordens, $.p.n.^. e feguintes,

n
Q
Uaís,e quantas fejaõ as obrigaqSes dos polTuidotes

V ;
f*5Mdkordens que fe devent exdu'r noc.fr

n t!/°deve Ver o'noflo agradecimento a Decs noflo Senhor .


^pelo ufo, e logro deftes cativos ■,e ainda das coufas mate-
riaes, e inanimadas, p.8.n.2.efeguintes.
p
d o c ^ d ; y ^ i v o s V como, e quando fe exce-

£ ^ /d o s C [ q o r f c d e v e a t t e n d e r nacompenfaqaSdos

QuarljZ “ àeiwm* a°utra naõ devem osSenhotes deft-


*ir os Sacramentos aos cativos , p.;.n.22.
Quant!) deva fer o noflb agradecimento a eaes cttivo» no 6m
X d a íua íervidaõj pXn.n*
‘ Zz , x. -
5Ó2, Repertorio
Quantidade, qual deva Ter a do caftigo dos Cervos, e cativos,
$.p.n.2i. ,
Queteíía civel , concedem as Leys aos eferavos, para have­
rem dos Senhores o fuílento , p-4*n-$»
Queretía^civel, concede^ as Leys ao cativo ( fe o Senhor o
naõ tratar, e curar na enfes^^ade) para que fique livre,
. 4,p. n. io. e 11.
IQueixa 5 para que os cativos a naÔ facaÕ da falta dofultento ^
lhe da6 alguns livre o dia de Sabbado, 4.p.n.2o. ^
Qitedad, que Molina, eRebello, eos mais A A. omittirao,

Queflaõ íobre^areducqaõ do ado hullo a termos validos, 5.

' úuitaçad dos annos , que ferviraô, e dos que pagaraS a di­
nheiro, devem os Senhores dar aos cativos na carta , que
lhe paíiarem no fim da fua íervidaõ, p.8.n.io eiç.
Quitaçad ou carta 5 devem fempre os Senhores dar aos cati­
vos, findo ofeutempo, ainda que elles fiquem permane­
cendo na fua companhia , porfer ofeu titulo , p o. 0^19*
Quita total, ou parcial do tempo , que faltar aos cativos,
lhe devem os Senhores fazer por morte *. e íendo bons, e
e fieis, deve fer plena, e total, p. 8.0.26.
Quinta , ou Rofla } fe o Senhor fe vay diverts nella, quan-
do fe devera ir confeífar , e commungar, dá mao exem.«
pio aos cativos, p.7. n.15.

R
R Âbbinos , aqoutavaÔ o s filhos logo de manhã, paranao
ferem traveífos no reílo do dia, ç.p.nj.
Redempçad , he parte de compra, e nella fe indue, $.p-
Redempçao, he via media, que fem prejudicar o comercio,
evita todos os encargos , e detrimentos da outra via de
compra , epermutacaô, 2.p.n.3.
Redempçad defies cativos $ he comercio hcíto, valido, livre
de dolo , de peccados, encargos, e embaraços j e he pi°»
e catholico; 0 que na5 tern pela outra via, a.p.n^. efe-
guintes. Ré*
Dascoufas mats notáveis,jó j
-Regra ■, S a p i e n t i s e f t mutarem
uiltf;noc como, e quando pro-
udubh tidier pars eft eligenda , como procede, a.

Regra f Metier eft conditio pofdentisguando tem lugar, s.p.

R ^ G e n tio s, fao verdadêiratfiente taes, por graqa, e pej£

Genri«“ rmtom a feus vaffallos os aflaltos, e frem

R eilituifdio damno, caufado aos cativos injuftamente com-


o ados aos Gentios , devem os Comerciantes fazer aos mef-
mos eferavos, i.p.n.18. E fendo fallec.dosonaufentes^^
dpypm fe^uir as regras aas outras í c i ^ u . ^ , n . i ^
R <fevem fazer aos eferavos, os que os comprao, ten-
do alguma noticia da fua inj ufta eferavidaõ , i P- "-M■« te’

* f íS da liberdade , como fe fará, p.i. n.4$ 44-5? <=.54-


para fe livrarem da que devem fazer os poffrn o-
re<; defies cativos. como fchaverao , 2.p.n.2$. e leguintes
RS c t o , e amor, como o devem temperar os Senhores, p-

Rifòr,^e crueldade na correcqaõ dos cativos, Leys humanas,


V j,*™ ''tm °em btgomdè o ferem' eftes cativos, devemos
poVuidoTes acud.dhes com todo o neceffario, 4-pm- *H £
Rudes, e ineptos, já hoje faõ menos os pretos que vem,

• «— * * f » 10' *•
p. n .18.
s
C ’AibTdo, naõ devem dar os Senhores livre aos cativos, pa-

«»«>■ÍÍ;L“II“>»»■. ■>»“*>“ s,nh«;


»
364, JR.epertorio
res lhe dizem injurias, p.ç. n.34.
S e rv iç o domeílico ; nelle devem os Senhores occupar os ca­
tivos, e evitarlhe à ociofidade , p.7. n.io.
Serviços de cativos por mais inertes, e incapazes , quefejaÇ,
em vinte annos inteir^p o feu valor, 2.p.n.3/.
Serviço dos cativos, feitos no-tempo de boa fé, c ignoran»
cia dos Senhores , fe deveiíT, óu naõ entrar na conta dos
^vvinte annos, 2.p.n.}7-
v Servos] aos dous do Evangelho, premiou o Senhor pela fide- **
lidade, e agencia no lucro dos talentos,p.8.n.28.
Servidão ; por quantos modos fe finaliza a dos cativos remU
dos, p.8.n,i.
S e v e rid a d e , e refpeito , devem os Senhores temperar com o
^ amor, e benevolencia , p ?.n. 38.
Sin g u la rid a d e ; quando as Leys a concedem a fim de alguma
utilidade, póde-fe interpretar, ampliar, e eílender, quan­
to for neceíTario, para que a tal utilidade feconfiga, 2.
p n. 33.
Socto do efcravo commum, deve vender a fua parte ao con-
focio, i.p.n.48.
S o cio s ; ficao fendo o efcravo duvidofo , e o. feu poíTuidor na
mefma liberdade, por raza5 da má fé, ou da mayor pro-
penfaõ, i.p.n.46.
S u jlen to devem os Senhores dar aos cativos, mais, ou menos
groíTeiro , conforme a graduaqaõ delles, 4>p n.6,
Sujlento devem os Senhores dar, efpecificamente em farinha,

11 e condudoj enao emtempo para o ganharem os cativos,


ne2o*
Sujlento 'he jornal dos cativos; e naõ lho dar, he naõ pagar
o jornal aos que trabaihaõ, p.4.n.2i.
Sujlento , e tudo o mais neceííario , fe deve dar aos catjvo^
ainda que fejaõ máos, 4 p. 0.23.624. „ . .
S u frá g io s devem os Senhores fazer aos cativos, q^efallece*5
vem na fua fujeiqaõ fervil, 8.p.n.34.
S u frá g io s de Judas Macabsoa feus fervos ,^e#fo.ldados falle-
cidos, p.8. n.37.
Sufpeita de que algum vende coufas alheyas, baila para ne­
nhuma felhe poder comprar, í.p.n.21.
Temor,
Das coufas mais notáveis. ,JÍ i
T
Emor, eamor dos cativos aos Senhores, como o de­
T vem eftes conciliar, 5•P-n; 38J n. . „ n _
Tempo, naõ he alimentoye c»ufa C^eftivel, 4-p. • *
Tempo, quanto devaõ fftvif’os cativos remidos, 2. p.J^
quanto deva5 fervir os ingénuos partos das éftíavas

T e n C a e tilnaõbàftaõ noflàs forqas para as vencer , P-7 "'2Í *


T ;E S da F é , da Reíurreiqaó da carne, — aLdjjde da
a '-a , e Comnrunicaqa5 dos Santos 6ou — ^
fepultura, os tuneracs, c us lUur«6io5, n----- v

que nos compita para tuiter, uu


■ p.n 24- j . oentios Africanos fa5 injuílos,

T M : • conO.nci. p rim «ob.» *


T « , e « efpirituaes , P-, ■ ^ , e

bom ’ * 4°õX Tnim tg2s domefticos, $!p-n.?p.


neceflari.o , que a repreheniaS

‘X ’K ’o. > * ~ « « Rab-


binos logo de madrugada , P-5*n*7*
5 6 6 Repertório
Trifle $ ecomasmaSs vaílas, na5 devem os Senhores dei­
xar Tahir de fua cafa , e companhia os cativos no fim da fua
fervidaõ , e porque! fi a conta, que devem fazer para eífe
efFeite, p S .n .n . e feguintes. f
«•

y
Midade j quando a pódem ter os ados nullos, por re-
T ducqaõ aos validos, ?.p. n.ç. efeguintes.
Valor, e preqo dos cativos, naõ fedeve entender, o que dies
cuft&raõ naGoíla da Mina, e nos mais portos , íenaõ aquel-
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n -tiim p i r a »/í»nr!si
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ztf&jx J qu na porta dos Comerciantes, porque nefte primeiro


preqò, já vay incluido o lucro, eintereíTe docomercio, 2.
p.n.i$.
Valor dos cativos, augmenta fe , fe aprenderão officio , e de*
vefelhe computar, 2.p.n.28.e n.36.
Valor dos cativos, por mais inertes, que fejaõ, em vinte an-
nos o recompenfaõ, 2.p. n.55.
Valor das couías fruótiferas, computa-fe pelo feu rendimen­
to de vinte annos, 2.p.n.}4.
Varinhas, ou cipós delgados, com dies fe devem fuftigar os
cativos, e nao com bordões, ©u baílões groffos, p.ç.n. 18.
Vendar os cativos remidos, como fe póde praticar ,2.p.n.<?.
Vender deve o focio ao coníocio a parte , que tiver no efcra-
vo commum , i.p. n.48.
*VeJluaxio, devem os Senhores dar aos cativos Jcompetente , 4.
p.n.6.
Via deredempqaó. faz o comercio de cativos licito, valido.
e pio, z.p.n.6. m ****
Via media em toda a materia ardua , fe deve feguir ,v2'p.n.^
Via, e modo de fe faber a juftiqa das efcravidões do&ativos
comprados aos Gentios, já a nao tem os Comerciantes, 1.
p. niio.e 3-p. n.23.
Via de compra, ou outra acquifitiva de domínio , devem fe
apartar delia os Comerciantes defies cativos, 1. p. n. 20. e
n.<8.
Viati-
Das coufas mais ,367
Viatico de dinheiro ,ou outra coufa , devem os Senhores dar

F r .'f c S .^ d i S ^ ’d S - Í Senhores inftrtuir,

C t 'S Í & - «Bp »°


tempo da colera , e fu£0r o
Views dos cativos, devem fer caftig^os, e reprehend o p
h f e naÕ diffimulados, p-7.ni. e feguintes. 9
*Vicios, quaes faõ os principaes dos cativos, aq
acudir, p.7. n 4. e feguintes. . rnlT
Vinude , naõ fe póde introduzir por meyos viciofos, 5-P^d1-
V«fs mudas, emyfteriofas, com que nos clamao todas as
^rreaturas.
— ------- 9 de aue
+
nos fervimos nefle mundo, PJ*r 'v

z
c.m
vineanca , ira , e fanha dodemomo , ^.p.n.j.
iim vingança ,
*7*in- muitos cativos >o tiverao da iwnda
tazenua,honra,
n »e vida de,

gando a foffrer a mefma morte , p.S.n.zs. m rm jj v

SS2S*

f i n i s .