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Curso Constitucional & Humanos de A a Z – 28.04.

2015
Prof. João Mendes
O presente material constitui resumo elaborado por equipe de monitores a partir da aula
ministrada pelo professor em sala. Recomenda-se a complementação do estudo em livros
doutrinários e na jurisprudência dos Tribunais.

Sumário
Métodos de Interpretação ................................................................................................................... 3
1. Método Jurídico............................................................................................................................... 3
1.1. Premissas do Método Jurídico ou Método Hermenêutico Clássico.................... 3
1.2. Elementos Interpretativos ................................................................................................. 4
1.3. Aspectos Relevantes ............................................................................................................. 5
2. Método Tópico-Problemático (ou Tópica) - Theodor Viehweg ................................... 7
2.1. Premissas.................................................................................................................................. 7
2.2. Processo aberto de argumentação ................................................................................. 8
2.3. Aspectos Relevantes ............................................................................................................. 8
2.4. Função dos vários topoi (argumentos ou pontos de vista) ................................... 9
2.5. Críticas ....................................................................................................................................... 9
2.6. Gilmar Mendes (Discurso em Palestra) ..................................................................... 10
3. Método Científico-Espiritual (Ou Método Valorativo, ou Sociológico) .................. 12
3.1. Premissas............................................................................................................................... 12
3.2. Consequências ..................................................................................................................... 13
3.3. Crítica ...................................................................................................................................... 13
4. Método Hermenêutico-Concretizador - Konrad Hesse ................................................ 14
4.1. Pressupostos ........................................................................................................................ 14
4.2. Diferença em relação à Tópica ...................................................................................... 16
4.3. Críticas .................................................................................................................................... 16
4.4. Aplicação pelo STF ............................................................................................................. 17
5. Método Normativo-Estruturante .......................................................................................... 20
5.1. Postulados Básicos ............................................................................................................. 20
6. Interpretação Comparativa (Método Comparativo) ..................................................... 29
7. Abertura da Interpretação Constitucional e a Sociedade dos Intérpretes ............ 30
7.1. Sociedade fechada da interpretação ........................................................................... 31
7.2. Sociedade aberta................................................................................................................. 31
8. Interpretativismo (EUA) .......................................................................................................... 33

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8.1. Aspectos Gerais ................................................................................................................... 34


8.2. Limites ao controle judicial ............................................................................................ 35
9. Não-Interpretativismo (EUA) ................................................................................................. 36
9.1. Aspectos Gerais ................................................................................................................... 36
9.2. Críticas do Não-Interpretavismo ao Interpretativismo ....................................... 37

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Professor João Mendes

Métodos de Interpretação

São vários os Métodos de Interpretação a serem analisados, entretanto, destina-


se o presente estudo ao esclarecimento de técnicas de interpretação, não existindo um
método verdadeiro ou prevalecente sobre as demais convicções doutrinárias.

1. Método Jurídico

Método baseado em um pensamento positivista, daí ser também assim


conhecido.

Ernest Forsthoff entende que se aplica o método jurídico, ou método


hermenêutico clássico, destinado às normas jurídicas em geral, mesmo na exegese da
Lei Maior.

Em outras palavras, esta linha de pensamento entende que a interpretação de


uma norma jurídica qualquer é idêntica à interpretação de uma norma constitucional.

1.1. Premissas do Método Jurídico ou Método Hermenêutico Clássico

São quatro as premissas do Método Jurídico, a saber:

 Constituição e Lei são normas ontologicamente iguais.

Significa dizer que as normas em questão possuem identidade de natureza, isto


é, têm a mesma essência ou substância, de modo que lei ou Constituição seriam normas

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jurídicas. A diferença entre elas ocorre apenas em nível hierárquico, portanto,


meramente formal.

 A Constituição, enquanto lei, há de ser interpretada da mesma forma que se


interpreta qualquer lei.

 A interpretação da lei está vinculada às regras da hermenêutica jurídica clássica.

 Tese da Identidade: Interpretação Constitucional = Interpretação Legal.

1.2. Elementos Interpretativos

Os elementos interpretativos são aqueles classicamente estudados, consoante


Escola Histórica do Direito de Savigny, de 1840.

Esses são os únicos elementos a preservar o conteúdo normativo e a impedir sua


dissolução em considerações valorativas. Esse método é calcado em um pensamento
positivista que não admite a valoração normativa moral, ética ou com medidas de
justiça.

 Elemento Genético

É o estudo das normas através da origem dos conceitos que levaram a elas. Com
efeito, busca-se o entendimento do dogma em sua gênese.

 Elemento Filológico

Igualmente conhecido como elemento gramatical, literal ou textual. Busca-se


entender a norma de acordo com a literalidade de seu texto.

 Elemento Histórico

Compreensão da norma de acordo com o contexto histórico da época de sua


elaboração.
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 Elemento Sistemático (Elemento Lógico)

A norma não deve ser compreendida de forma isolada, mas em consonância com
os demais elementos do universo jurídico em que se insere.

 Elemento Teleológico (Elemento Racional)

É o estudo da norma através de sua finalidade.

1.3. Aspectos Relevantes

O primeiro aspecto relevante do método jurídico está em sua interpretação


meramente subsuntiva, cabendo revelar o sentido da norma. Trata-se da tradicional
ideia de subsunção, mais facilmente revelada pela seguinte lógica:

A=B (Texto normativo = Matar alguém, pena estabelecida na norma)


B=C (Fato = Fulano matou Beltrano)
A=C (Conclusão = Fulano sofrerá a pena estabelecida na norma)

A lógica subsuntiva nada mais é do que a incidência da norma sobre o fato nela
previsto. O método jurídico adota esta lógica, daí, ao intérprete, não ser lícito a
valoração, já que a ele não cabe a criação de normas, apenas a revelação de seu sentido.

Deste pensamento emana o brocardo que estabelece ser o juiz a “boca da lei”,
desse modo, caberia ao magistrado a simples aplicação da norma. Denota-se então, um
segundo aspecto relevante, que se consubstancia na preocupação em não dar poderes
demasiados ao juiz.

Por fim, um terceiro aspecto relevante, como estabelecido anteriormente, é a


afirmação de que o Método se funda no Positivismo.

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2014 / VUNESP / TJ-PA / Juiz de Direito Substituto


Para entender as características do positivismo e concluir com as
mudanças do pós-positivismo é indispensável entender que o positivismo
metodológico e conceitual se caracteriza:
a) pela neutralidade científica, ou seja, a postura avalorativa entre o
investigador e o objeto investigado com a consequente separação entre o
direito e a moral.
b) pelo direito como um valor com a possibilidade do questionamento da
validade da lei por meio da interpretação e aplicação dos princípios.
c) pela pluralidade de normas jurídicas, que não podem ser reduzidas a
uma estrutura comum, pois dentro do sistema jurídico verifica-se a
existência de normas de direito estatal e não-estatal. Ainda, nem todas as
normas são imperativas e coativas.
d) pela impossibilidade da neutralidade científica, vez que os textos
constitucionais consagram valores, conceitos jurídicos indeterminados,
que são ponderados pela jurisdição na aplicação do caso concreto levado
a juízo.
e) pela pluralidade de fontes do direito com a consequente verificação da
importância da construção jurisprudencial.
Resp.: A

Antes que se possa adentrar ao estudo dos demais Métodos, é necessário que se
façam algumas considerações acerca das Normas Constitucionais. Esclarece-se que essa
espécie normativa possui características próprias, que a diferencia das demais normas
jurídicas, a saber:

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 Superioridade hierárquica
 Conteúdo Jurídico
 Linguagem Plástica (vagueza ou ductilidade)

Na medida em que estas características a diferenciam das demais normas, a


interpretação de Normas Constitucionais deve seguir uma metodologia própria. A partir
dessa ideia se começou a pensar em novas teorias de interpretação, o que culminou em
uma série de novos métodos, alguns dos quais explanados a seguir.

2. Método Tópico-Problemático (ou Tópica) - Theodor Viehweg

A Tópica defende uma forma de pensar oposta àquela ditada pela lógica
subsuntiva, com efeito, o Método Tópico-Problemático subverte a lógica do
pensamento subsuntivo.

Nesse sentido, segundo o presente Método, parte-se da análise do problema,


isto é, da situação fática, a fim de buscar a solução ideal. Trata-se, portanto, de um
método problematicamente orientado, já que voltado para as soluções fáticas.

Para chegar à solução ideal, o intérprete se vale de diversos argumentos ou


pontos de vista possíveis, são os Topoi (lugar comum). Dentre esses diversos
argumentos analisado, pode-se encontrar a norma.

Ressalta-se que o método é indutivo, já que parte do particular para o geral.

2.1. Premissas
 Caráter Prático:

Busca-se resolver problemas concretos.

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 Constituição como um conjunto aberto de regras e princípios.

Não se trata de um conjunto definido e preciso, pois existem normas vagas.

 Caráter Aberto, Fragmentário ou Indeterminado da Norma Constitucional.

Quanto mais principiológica for a norma, maior será esse caráter aberto. É a
chamada ductilidade da norma constitucional.

 Preferência pela Discussão do Problema em virtude da open texture.

São expressões equivalentes: vaga, aberta, textura aberta, dentre outras


similares.

2.2. Processo aberto de argumentação

 A interpretação da constituição se dá a partir de um pluralismo de intérpretes


(vários participantes), com vistas a adaptar a norma ao problema concreto.

Existe a pluralidade de intérpretes porque, quanto maior for a participação de


intérpretes, tanto maior serão os argumentos visando a solução daquele caso concreto.

 A pluralidade de argumentos (topoi) possibilita a definição da interpretação mais


conveniente ao problema.

Visa-se, assim, a solução ideal, aquela mais adequada ao caso concreto.

2.3. Aspectos Relevantes

 Tópica vem da palavra topoi, derivada de topos, que significa lugar comum,
pontos de vista, argumentos aceitos por todos ou pela Maioria ou pelos mais
qualificados.

 Envolve o pensamento dialético de controvérsias práticas.


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 Formula procedimento específico destinado ao tratamento de problemas.

 Opera os topoi envolvidos nas controvérsias para a ponderação dos prós e dos
contras das diversas opiniões que se referem a essas controvérsias.

 Procura a solução mais justa, mais adequada para o caso concreto.

Em breves linhas, a Tópica pressupõe a vagueza e imprecisão da norma, a ponto


de não haver forma de se extrair solução única e precisa. Desta feita, para que se
chegue a uma solução mais adequada, é necessário que o problema seja analisado,
ouvindo-se a maior quantidade possível de argumentos a ele relacionados.

2.4. Função dos vários topoi (argumentos ou pontos de vista)

 Auxiliar de orientação para a interpretação.

 Constituir um guia de orientação para o intérprete.

 Permitir a decisão do problema jurídico em discussão.

2.5. Críticas

 Pode conduzir a casuísmo sem limites.

O método Tópico-Problemático irá permitir soluções variadas a cada novo


problema, não havendo certeza de que aquele tipo de problema receberá soluções
similares em todos os casos.

 A interpretação não deve partir do problema para a norma, mas sim o contrário.

 Interpretação é uma atividade normativamente vinculada, o que implica a


impossibilidade de sacrifício da primazia da norma em prol da prioridade do

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problema.

Nesse prisma, critica-se a Tópica na medida em que levaria a uma primazia do


problema sobre a norma, colocando-a em posição inferior àquele, desvalorizando-a,
degradando-a e até esvaziando sua força normativa. A interpretação, segundo os
críticos, deve ser vinculada à norma e não ao problema.

Por outro lado, segundo Gilmar Mendes, o problema é valorizado no sentido de


que não haverá valoração justa sem se considerar a importância do elemento fático.

2.6. Gilmar Mendes (Discurso em Palestra)


“Contra essa orientação [da Hermenêutica Clássica], levantou-se a
proposta de utilização da tópica, em suas diversas acepções, como
método orientado ao problema. Tal como anotado por Böckenförde, “a
idoneidade da tópica e do pensamento problemático precisamente para a
interpretação da Constituição baseou-se na “abertura estrutural” da
Constituição, na sua pouca densidade normativa e na continuidade de
seus textos, na amplitude e indeterminação de seus elementos”. É nessa
linha de entendimento que Scheuner chega a classificar a tópica como “a
específica hermenêutica jurídico-constitucional”. Essa abordagem, que,
se adotada de forma radical, poderia levar a uma desvalorização ou a
uma degradação da norma, tem, pelo menos, a virtude de afastar a
ilusão, alimentada pelo método hermenêutico-clássico, de que se
poderia separar, em departamentos estanques, os elementos fáticos e
normativos envolvidos. Como se sabe, enquanto método adequado de
hermenêutica constitucional tem a tópica expressivos representantes na
Alemanha, nas suas diversas variantes, como demonstram os textos de

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Ulrich Scheuner, Horst Ehmke e Martin Kriele”. (Gilmar Mendes)

2014 / FJG – RIO / Câmara Municipal do Rio de Janeiro / Analista


Legislativo
O método de interpretação do texto constitucional que toma a
Constituição como um conjunto aberto de regras e princípios, dos quais o
aplicador deve escolher aquele que seja mais adequado para a promoção
de uma solução justa ao caso concreto que analisa, denomina-se:
a) método da tópica
b) método científico-espiritual
c) método clássico
d) método jurídico-estruturante
Resp.: A

CESPE - 2008 - TJ-AL – Juiz


O modo de pensar que foi retomado por Theodor Viehweg, em sua obra
Topik und Jurisprudenz, tem por principal característica o caráter prático
da interpretação constitucional, que busca resolver o problema
constitucional a partir do próprio problema, após a identificação ou o
estabelecimento de certos pontos de partida. É um método aberto,
fragmentário ou indeterminado, que dá preferência à discussão do
problema em virtude da abertura textual das normas constitucionais.
O método de interpretação constitucional indicado no texto acima é
denominado
a. Tópico-problemático.
b. Hermenêutico-concretizador.

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c. Científico-espiritual.
d. Normativo-estruturante.
e. Sistêmico.
Resp.: a

3. Método Científico-Espiritual (Ou Método Valorativo, ou Sociológico)

Este método é encabeçado por Rudolf Smend.

O termo científico-Espiritual, em sua origem alemã, é utilizado para designar


aquilo que decorre do espírito humano. Trata-se da essência da norma, não do sentido
transcendental. Uma melhor tradução seria Ciência Humana ou Social, já que não se
trata de ciência exata, mas que sofre a influência da sociedade em que está inserida.

3.1. Premissas

 Bases de Valoração: ordem de valores, sistema de valores subjacentes ao texto


constitucional. Obriga a uma “captação espiritual” do conteúdo axiológico último
da ordem constitucional.

A Captação espiritual denota o sentido de absorver da sociedade seus valores.

 Sentido e Realidade da Constituição como elemento do processo de integração.

A Realidade é a Constituição integrada à vida da sociedade.

 Constituição como instrumento de Integração, isto é, como instrumento de


regulação (absorção/superação) de conflitos e de construção e de preservação
da unidade social.

 Estado não é estático, é realidade (dinâmica) e está em processo (progresso-


evolução ou deformação - involução).
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 Propõe apreciação global, levando em consideração os aspectos teleológicos e


materiais, entendendo a Constituição como a Ordenação Jurídica Integradora
do Estado.

Os aspectos materiais são aqueles que advêm da sociedade. Ademais, para o


Método Científico-Espiritual, a Constituição visa promover a integração entre Estado e
Sociedade.

3.2. Consequências

 A interpretação da constituição deve levar em conta a realidade da vida


concreta, pois constituição não é só norma, mas também realidade.

 Razão pela qual a Constituição exige interpretação flexível e extensiva, para que
haja integração dos impulsos e motivações sociais ou seja, as transformações
sociais.

 Direito / Estado / Constituição são fenômenos culturais (espirituais ou humanos),


referidos de valores.

3.3. Crítica
O integracionismo absoluto em excesso pode degradar o indivíduo à condição de
mera peça da engrenagem social, sem relevo. Enfoca-se tanto a sociedade como um
todo, que se corre o risco de ignorar o indivíduo em sua condição singular.

CESPE - 2012 - AGU – Advogado da União


A respeito das disposições constitucionais transitórias, da hermenêutica
constitucional e do poder constituinte, julgue os itens subsequentes.

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De acordo com o denominado método da tópica, sendo a constituição a


representação do sistema cultural e de valores de um povo, sujeito a
flutuações, a interpretação constitucional deve ser elástica e flexível.
Errado

4. Método Hermenêutico-Concretizador - Konrad Hesse


Método que assume pensamento problematicamente orientado. Similar à
tópica, mas com peculiaridades.

4.1. Pressupostos

 Pressuposto subjetivo: pré-compreensão.

A pré-compreensão é calcada na formação do juízo, abstrato e antecipado, sobre


a norma constitucional objeto da interpretação. O intérprete tem uma função criadora.

Quando o intérprete se depara com o texto normativo, formula um juízo ou


compreensão sobre o texto, mas há, além disso, um elemento objetivo, que é o
problema concreto, ou seja, o contexto.

 Pressuposto objetivo: problema concreto, o contexto. Situação fática sobre a


qual a norma constitucional, uma vez interpretada, é aplicada.

 Relação entre texto e contexto: comunicação entre norma e fato, com a


mediação criadora do intérprete, “transformando a interpretação em
movimento de ir e vir (círculo hermenêutico)”

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Norma Fato

O Método Hermenêutico Concretizador entende que a interpretação não incide


somente sobre a norma, mas leva também em consideração o fato. Todavia, o último
não se sobrepõe à primeira.
Em virtude disso, pode-se afirmar que sofre influências tanto do Método
Jurídico, como da Tópica.
Na filosofia, o termo círculo hermenêutico significa que o todo não pode ser
entendido sem as partes, sendo o oposto igualmente verdadeiro. Nesse contexto,
discorrendo-se acerca do Método fundado por Konrad Hesse, verifica-se que a norma
genérica não pode ser entendida sem a situação concreta, de maneira similar, o
problema não pode ser resolvido fora da norma.
As pré-compreensões do intérprete são valorativas e contribuem para definir o
sentido da norma em um determinado problema, uma vez que o conteúdo normativo só
se pode ser obtido a partir de sua interpretação concretizadora, dotada de caráter
criativo.
Desse modo, todo intérprete, por mais intelectualmente preparado que seja,
sempre será influenciado pelos valores internalizados que possui. Por exemplo, um
intérprete que vive em cultura ocidental possui preconcepções em relação à igualdade
entre homem e mulher diferentes daquele inserido em diferentes formações culturais.
Existem valores internalizados que decorrem da realidade social; valores sociais,
históricos que contribuem para definir o sentido atribuído à norma dentro do problema.
Em outros termos, a interpretação constitucional concretizadora é
compreendida a partir de uma norma preexistente na qual o problema (o caso) é
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singularizado.
O primado não é do problema, mas do texto constitucional. Preconiza-se, assim,
a primazia da norma sobre o problema.
A interpretação é suscitada por um problema, mas, para sua solução, há
vinculação ao texto constitucional.
O intérprete parte de sua pré-compreensão sobre o significado do enunciado
normativo (juízo abstrato prévio), atuando sob a influência das suas circunstâncias
históricas concretas, mas sem perder de vista o problema prático (o caso concreto).

4.2. Diferença em relação à Tópica


 Tópica: primazia do problema sobre a norma.
 Método Hermenêutico-Concretizador: Primado do Texto Constitucional em face
do problema.

4.3. Críticas
 A pré-compreensão do intérprete distorce a realidade e o sentido da norma.
Essa aludida distorção pode ser exemplificada ao se imaginar um intérprete cuja
formação religiosa cristã influencie na compreensão da realidade, podendo,
eventualmente, culminar na distorção do sentido da norma e da realidade.
 A pré-compreensão apresenta um aspecto irracional.
Os valores internalizados nem sempre estão claros ao intérprete como
influenciadores da solução.
 Normas constitucionais apresentam sentido multívoco.
 Falta de um critério de verdade que avalize as interpretações.
Não há elemento definidor da verdade.

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4.4. Aplicação pelo STF


“O chamado “Brandeis-Brief” - memorial utilizado pelo advogado Louis D.
Brandeis, no “case Müller versus Oregon” (1908), contendo duas páginas
dedicadas às questões jurídicas e outras 110 voltadas para os efeitos da
longa duração do trabalho sobre a situação da mulher - permitiu que se
desmistificasse a concepção dominante, segundo a qual a questão
constitucional configurava simples “questão jurídica” de aferição de
legitimidade da lei em face da Constituição. (Cf., a propósito, HALL,
Kermit L. (organizador), The Oxford Companion to the Supreme Court of
United States, Oxford, New York, 1992, p. 85). Hoje não há como negar
a “comunicação entre norma e fato” (Kommunikation zwischen Norm
und Sachverhalt), que, como ressaltado, constitui condição da própria
interpretação constitucional. É que o processo de conhecimento aqui
envolve a investigação integrada de elementos fáticos e jurídicos. (Cf.,
MARENHOLZ, Ernst Gottfried, Verfassungsinterpretation aus praktischer
Sicht, in: Verfassungsrecht zwischen Wissenschaft und Richterkunst,
Homenagem aos 70 anos de Konrad Hesse, Heidelberg, 1990, p. 53 (54)).”
(ADI 2548/PR, Rel Ministro Gilmar Mendes)

PROCURADOR FEDERAL - 2010


Quanto à hermenêutica constitucional, julgue os itens a seguir.
34 O método hermenêutico-concretizador caracteriza-se pela praticidade
na busca da solução dos problemas, já que parte de um problema
concreto para a norma.
Resp.: E

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2011 - TRT - 23ª Reg. (MT) - Juiz do Trabalho


c) O método de interpretação constitucional denominado hermenêutico-
concretizador seria aquele segundo o qual o Direito, o Estado e a
Constituição são vistos como fenômenos culturais ou fatos referidos a
valores, a cuja realização os três servem de instrumento, emergindo entre
tais valores, como fim supremo a ser buscado por toda a comunidade, a
integração, exigindo-se, então, uma interpretação extensiva e flexivel da
Constituição, enquanto instrumento ordenador da totalidade da vida do
Estado.
Errado (Método Científico –Espiritual)

Procurador do BACEN - 2009


QUESTÃO 1 - Assinale a opção correta acerca de constituição,
hermenêutica constitucional e poder constituinte originário e derivado,
no ordenamento jurídico brasileiro [Adaptada – julgar o item].
A Pelo método de interpretação hermenêutico-concretizador, a análise
da norma constitucional não se fixa na sua literalidade, mas decorre da
realidade social e dos valores insertos no texto constitucional, de modo
que a constituição deve ser interpretada considerando-se seu dinamismo
e constante renovação, no compasso das modificações da vida da
sociedade.
Item Errado (Método Científico-Espiritual)

FUNDEC - 2003 - TRT - 9ª REGIÃO (PR) - Juiz - 1ª Prova - 2ª Etapa


Sobre os métodos de interpretação constitucional, considere as seguintes
proposições:

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I - o método tópico-problemático parte das seguintes premissas: (1)


caráter prático da interpretação constitucional; (2) caráter aberto,
fragmentário ou indeterminado da lei constitucional e (3) preferência
pela discussão do problema em virtude da abertura das normas
constitucionais que não permitam qualquer dedução subsuntiva a partir
delas mesmo.
II - o método jurídico preconiza que, para desvendar o sentido das
normas constitucionais, devem ser utilizados os cânones ou regras
tradicionais da hermenêutica, quais sejam: (1) o elemento filológico,
também chamado sistemático; (2) o elemento lógico; (3) o elemento
teleológico e o (4) elemento genético.
III - o método hermenêutico-concretizador; cuja teorização fundamental é
devida a K. Hesse, realça os seguintes pressupostos da tarefa
interpretativa: (1) subjetivos, em razão de que o intérprete desempenha
um papel criador na obtenção do sentido do texto constitucional, (2)
objetivos, isto é, o contexto, atuando o intérprete como operador de
mediações entre o texto e a situação em que se aplica e (3) relação entre
texto e contexto com a mediação criadora do intérprete.
IV - Quanto ao método científico-espiritual (também chamado valorativo
ou sociológico), suas premissas básicas fundamentam-se na necessidade
de a interpretação da Constituição ter em conta: (1) as bases de
valoração subjacentes ao texto constitucional e (2) o sentido e a realidade
da constituição como elemento do processo de integração.
a. Apenas três proposições estão corretas
b. Apenas duas proposições estão corretas
c. Apenas uma proposição está correta

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doutrinários e na jurisprudência dos Tribunais.

d. Todas as proposições estão corretas


e. Todas as proposições estão erradas
Resp.: a

ESAF - 2005 - SET-RN - Auditor Fiscal do Tesouro Estadual


Sobre teoria geral da Constituição e princípio hierárquico das normas,
marque a única opção correta.
O método de interpretação constitucional, denominado hermenêutico-
concretizador, pressupõe a pré-compreensão do conteúdo da norma a
concretizar e a compreensão do problema concreto a resolver.
Correto

CESPE - 2012 - TCE-ES - Auditor de Controle Externo – Direito


Com relação à aplicabilidade e interpretação das normas constitucionais,
julgue os itens subsequentes.
De acordo com o método hermenêutico concretizador, elaborado com
base nos ensinamentos de Konrad Hesse, a norma deve ser interpretada
a partir da análise do problema concreto, tendo-se a constituição como
um sistema aberto de regras e princípios.
Errado

5. Método Normativo-Estruturante

O Método Normativo Estruturante é encabeçado por Friedrich Müller. Há quem


defenda sua similaridade ao Método Hermenêutico Concretizador.

5.1. Postulados Básicos


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i. Investigar as várias funções de realização do direito constitucional (legislação,


administração e jurisdição).

Não é o teor literal de uma norma que regula um caso concreto, mas sim o órgão
legislativo/governamental, o servidor público, os juízes/tribunais, pois promovem a
implementação prática da norma. Nesse sentir, a Constituição se realiza através das leis,
do administrador e do judiciário.

ii. Transformação das normas a concretizar numa decisão prática.

A decisão prática pode ser a legislativa, administrativa ou judicial.

iii. Não identidade entre norma e texto normativo.

O texto normativo compreende o chamado programa normativo. A norma


encontra sua estrutura composta pela parcela da realidade social em que incide, o
chamado domínio normativo. Assim, dois elementos são indispensáveis: o programa
normativo e o domínio normativo.

O programa normativo é o enunciado prescritivo, isto é, o texto normativo. O


domínio normativo é a parcela da realidade descrita no texto. A interpretação deve
levar em conta o programa e o domínio.

iv. Texto Normativo é apenas a ponta do iceberg normativo. É o Programa


Normativo.

v. Há dois elementos de concretização:

o Elementos resultantes da interpretação do texto normativo;

o Elemento como resultado da investigação do domínio normativo (parcela


da realidade que o programa prevê).

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Programa Domínio
Norma vo Norma vo

Norma

Norma não é só texto, mas também o Domínio (ou


Âmbito) Norma vo, que é a parcela da realidade social
que o programa somente parcialmente contempla.

2015 / MPE-BA / Promotor de Justiça Substituto


A relevância dos problemas envolvidos na interpretação da Constituição
tem motivado a proposta de métodos a serem seguidos nesta tarefa.
Todos eles tomam a Constituição como um conjunto de normas jurídicas,
como uma lei, que se destina a decidir casos concretos. Ocorre que nem
todo o problema concreto acha um desate direto e imediato num claro
dispositivo da Constituição, exigindo que se descubra ou se crie uma
solução, segundo um método que norteie a tarefa. (…). (MENDES, Gilmar
Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional,
9 ed., IDP, 2014, p.91)
Levando-se em consideração a doutrina dos autores acima, bem como a
caracterização dos Métodos de Interpretação da Constituição, é possível
AFIRMAR que o método jurídico-estruturante:
a) Toma a Constituição como um conjunto aberto de regras e princípios,
dos quais o aplicador deve escolher aquele que seja mais adequado para
a promoção de uma solução justa ao caso concreto que analisa. O foco,
para este método, é o problema, servindo as normas constitucionais de

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catálogo de múltiplos e variados princípios, em que se busca argumento


para o desate adequado de uma questão prática.
b) Enxerga a Constituição como um sistema cultural e de valores de um
povo, cabendo à interpretação aproximar-se desses valores subjacentes à
Carta Maior. Tais valores, contudo, estão sujeitos a flutuações, tornando
a interpretação da Constituição fundamentalmente elástica e flexível,
submetendo a força de decisões fundamentais às vicissitudes da
realidade cambiante.
c) Enfatiza que a norma não se confunde com o seu texto (programa
normativo), mas tem a sua estrutura composta, também, pelo trecho da
realidade social em que incide (o domínio normativo), sendo esse
elemento indispensável para a extração do significado da norma.
d) Preconiza que a Constituição seja compreendida com os mesmos
recursos interpretativos das demais leis, segundo as fórmulas
desenvolvidas por Savigny: a interpretação sistemática, histórica, lógica e
gramatical. A interpretação constitucional não fugiria a esses padrões
hermenêuticos, não obstante a importância singular que lhe é
reconhecida para a ordem jurídica.
e) Parte do pressuposto de que a interpretação constitucional é
concretização, entendida como uma norma preexistente na qual o caso
concreto é individualizado. Aqui, o primado não é do problema, mas do
texto constitucional. A tarefa hermenêutica é suscitada por um problema,
mas, para equacioná-lo, o aplicador está vinculado ao texto
constitucional. Para obter o sentido da norma, o intérprete arranca da
sua pré-compreensão o significado do enunciado, atuando sob a
influência das suas circunstâncias históricas concretas, mas sem perder

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de vista o problema prático que demanda a sua atenção.


Resp. C

2014 / FUNDEP / DPE-MG / Defensor Público


Quanto aos métodos de interpretação da constituição e das normas
constitucionais, assinale a alternativa CORRETA.
a) Diz-se método científico espiritual, valorativo ou sociológico, aquele
que parte de uma tese da identidade que existiria entre a constituição e
as demais leis, ou seja, se a constituição é uma lei, não há por que ter
método específico para interpretá-la.
b) Diz-se método tópico problemático aquele em que o intérprete se vale
de suas pré-compreensões valorativas para obter o sentido da norma em
um determinado problema pois o conteúdo da norma somente é
alcançado a partir de sua interpretação concretizadora, dotada de caráter
criativo que emana do exegeta.
c) Diz-se método da comparação constitucional aquele que prega que a
constituição deve ser interpretada por todos e em qualquer espaço.
d) Diz-se método normativo estruturante ou concretista aquele em que o
intérprete parte do direito positivo para chegar à estruturação da norma,
muito mais complexa que o texto legal. Há influência da jurisprudência,
doutrina, história, cultura e das decisões políticas.
Resp.: d

2014 / FCC / TCE-PI / Assessor Jurídico


É INCORRETO afirmar que, na interpretação da norma constitucional, por
meio do método

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a) hermenêutico-concretizador, parte-se da norma constitucional para o


problema concreto, valendo-se de pressupostos subjetivos e objetivos e
do chamado círculo hermenêutico.
b) jurídico ou hermenêutico clássico, a Constituição deve ser encarada
como uma lei e, assim, todos os métodos tradicionais de exegese deverão
ser utilizados na tarefa interpretativa.
c) tópico-problemático, parte-se de um problema concreto para a norma,
atribuindo-se à intepretação um caráter prático visando à solução dos
problemas concretizados.
d) normativo-estruturante, esta terá de ser concretizada tão-só pela
atividade do legislador, excluindo-se os demais Poderes federais.
e) científico-espiritual, a sua análise da norma constitucional não se fixa
na literalidade da norma, mas parte da realidade social e dos valores
subjacentes do texto constitucional.
Resp.: D
FMP-RS - 2011 - TCE-RS - Auditor Público Externo - Ciências Jurídicas e
Sociais
Sobre a interpretação das normas constitucionais, assinale a alternativa
correta.
a. Para a hermenêutica constitucional contemporânea, dispositivo
textual e norma são coisas idênticas, havendo, entre eles, uma
correspondência biunívoca, de tal forma que todo dispositivo veicula uma
e tão somente uma norma e para toda norma há um específico
dispositivo textual.
b. Conforme a denominada teoria subjetiva da interpretação, é tarefa da
interpretação constitucional identificar ou descobrir a vontade objetiva

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da Constituição, afastando-se qualquer interferência, no processo


interpretativo, da vontade e das pré-compreensões do intérprete.
Obs: Teoria Subjetiva: mens legislatori (vontade do legislador) – Escola da
Exegese ou Filológica do Direito
Teoria Objetiva: mens legis (vontade da lei) – Escola Histórica do Direito
(Savigny)
c. Aceita a distinção entre texto constitucional e norma constitucional,
conclui-se que a norma constitucional não é o pressuposto da
interpretação constitucional, mas o seu resultado.
d. Em direito constitucional, é vedada a interpretação extensiva,
sobretudo do âmbito de proteção de normas de direitos fundamentais,
porque, invariavelmente, se trata de estratagema do intérprete para
usurpar a vontade do Poder Constituinte.
e. Na teoria constitucional contemporânea ganhou status de opinião
comum a tese segundo a qual os métodos ou elementos tradicionais de
interpretação, sistematizados por Friedrich Karl von Savigny, devem ser
completamente afastados do processo de interpretação da Constituição,
porque são historicamente anacrônicos e metodologicamente
inadequados para aferir o verdadeiro sentido dos dispositivos
constitucionais.
Resp.: C

CESPE - 2009 - MPE-RN - Promotor de Justiça


Desde o momento da elaboração do texto até o instante de sua
aplicação, a norma é determinada histórica e socialmente. Logo, quando
o jurista cogita dos elementos e situações do mundo da vida sobre os

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quais recai determinada norma, não se refere a um tema metajurídico. A


norma é composta pela história, pela cultura e pelas demais
características da sociedade no âmbito da qual se aplica.
O texto normativo - diz Muller - é uma fração da norma, aquela parte
absorvida pela linguagem jurídica, porém não é a norma, pois a norma
jurídica não se reduz à linguagem jurídica. A norma congrega todos os
elementos que compõem o âmbito normativo (elementos e situações do
mundo da vida sobre os quais recai determinada norma).
Além disso, os textos normativos são formulados tendo em vista
determinado estado da realidade social (que eles pretendem reforçar ou
modificar); este estado da realidade social geralmente não aparece no
texto da norma. 
O texto é abstrato e geral (isto é, sem referência a
motivos e contexto real). Mas o aspecto da realidade referida pela norma
constitui conjuntamente seu sentido (esse sentido não pode, a partir daí,
ser perseguido apartado da realidade a ser regulamentada).
A realidade é tanto parte da norma quanto o texto; na norma, estão
presentes inúmeros elementos do mundo da vida.
Eros Roberto Grau.
Ensaio e discurso sobre a interpretação/aplicação do direito. 3.ª ed. São
Paulo: Malheiros, 2005, p. 74-5 (com adaptações).
O método de
interpretação constitucional tratado pelo autor no trecho de texto acima
é o método
a. jurídico ou hermenêutico-clássico.
b. tópico-problemático.
c. normativo-estruturante.
d. hermenêutico-concretizador.
e. científico-espiritual.

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Resp. C

CONSULPLAN - 2008 - TRE-RS - Técnico Administrativo


O método de interpretação da Constituição segundo o qual o intérprete
aplicador deve considerar e trabalhar com dois tipos de elementos de
concretização: um formado pelos elementos resultantes da interpretação
do texto da norma e o outro, resultante da investigação do referente
normativo, é chamado de:
a. Método normativo-estruturante.
b. Método tópico-problemático.
c. Método científico-espiritual.
d. Método hermenêutico-concretizador.
e. Método jurídico.
Resp.: a

FCC - 2010 - TCM-PA - Técnico de Controle Externo


No que diz respeito à interpretação das normas constitucionais, observa-
se, entre outros métodos, aquele que dá relevância ao fato de não haver
identidade entre norma jurídica e texto normativo. A norma
constitucional abrange um "pedaço da realidade social"; ela é
conformada não só pela atividade legislativa, mas também pela
jurisdicional e pela administrativa. Assim, o intérprete deve identificar o
conteúdo da norma constitucional mediante a análise de sua
concretização normativa em todos os níveis.
Esse método de interpretação denomina-se
a. normativo-estruturante.

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b. científico-sociológico.
c. hermenêutico-clássico.
d. tópico-problemático.
e. hermenêutico-concretizador.
Resp.: A

6. Interpretação Comparativa (Método Comparativo)


 Utilização do Direito Constitucional Comparado para a formação de standards ou
parâmetros na solução das controvérsias e problemas constitucionais.

Imagine-se um problema demasiadamente complicado no âmbito do Supremo,


levando-o a buscar na Constituição nacional ou no direito constitucional de outros
Estados parâmetros para sua solução. Com efeito, a globalização intensifica ainda mais
essa influência do direito comparado.

Tome-se, a título de exemplo, o direito social à moradia que, ao ser estudado de


forma aprofundada, culminará deterministicamente no estudo da legislação da África do
Sul.

 Entendida como processo de busca e constatação de pontos comuns ou


divergentes entre dois ou mais direitos nacionais.

 Aplicação costumeira pelo Tribunal de Justiça da União Europeia.

O Tribunal de Justiça lida com todos os Estados Nacionais que compõe a União
Europeia. O órgão, então, verifica como a constituição nacional de cada Estado membro
soluciona o problema, verificando-se as similaridades e as divergências entre os direitos
constitucionais, a fim de que, por meio do estudo comparado, chegue-se a uma melhor
solução.

 Alargamento da utilização juntamente com o alargamento da incidência e


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influência das decisões dos Tribunais Constitucionais e dos Tratados


Internacionais (sobretudo de direitos humanos).

Observação: O Min. Fux, ao analisar a omissão legislativa quanto ao aviso prévio


(no caso de extinção da relação trabalhista), ressalta a possibilidade de utilização de
método de hetero-integração, que implica a utilização do direito comparado para a
colmatação, ou preenchimento, de lacunas normativas (admitido no art. 8º, CLT).

MI 943, Informativo 632.


CLT, Art. 8º - As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na
falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso,
pela jurisprudência, por analogia, por equidade e outros princípios e
normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda,
de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de
maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o
interesse público.

CESPE - 2011 - CBM-DF - Oficial Bombeiro Militar Complementar – Direito


Acerca da Constituição, das classificações e métodos de sua
interpretação, bem como do poder constituinte, julgue os
itens
subsequentes.
Pelo método da comparação constitucional, o intérprete parte de um
problema concreto para a norma, atribuindo à interpretação caráter
prático na busca da solução dos problemas concretizados.
Errado

7. Abertura da Interpretação Constitucional e a Sociedade dos Intérpretes


Peter Häberle
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Não se trata de um método especificamente, mas engloba a metódica


constitucional.

7.1. Sociedade fechada da interpretação


Formada pelos intérpretes em sentido estrito, que são primariamente os juízes,
mas também intérpretes jurídicos “vinculados às corporações” e os participantes
formais.
Intérpretes oficiais ou em sentido estrito são os responsáveis pela concretização
da constituição, especialmente o juiz, mas também o administrador e legislador.

7.2. Sociedade aberta

A sociedade aberta é formada pelos intérpretes em sentido amplo, que são os


agentes conformadores da realidade constitucional.

As potências públicas e o cidadão atuam como pré-intérpretes, o que significa


que os destinatários da norma são participantes ativos do processo hermenêutico.

Em outras palavras, uma norma possui como destinatário o indivíduo que vive a
realidade constitucional. Por vivê-la, influencia nesta realidade, transformando-se,
assim, o indivíduo em pre-intérprete.

Assim, não há um numerus clausus de intérpretes, pois que os órgãos estatais, as


potências públicas (não se trata de Poderes Públicos, mas organizações da sociedade,
ONGs Sindicatos, entidades de classe etc.), cidadão e grupos estão vinculados ao
processo de interpretação.

Toda a sociedade participa da realidade constitucional, logo participa de sua


interpretação.

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“A teoria da interpretação constitucional esteve muito vinculada a um modelo


de interpretação de uma “sociedade fechada”. Ela reduz, ainda, seu âmbito de
investigação, na medida em que se concentra, primariamente, na interpretação
constitucional dos juízes e nos procedimentos formalizados. A estrita correspondência
entre vinculação (à Constituição) e legitimação para a interpretação perde, todavia, o
seu poder de expressão quando se consideram os novos conhecimentos da teoria da
interpretação: interpretação é um processo aberto. Não é, pois, um processo de passiva
submissão, nem se confunde com a recepção de uma ordem. A interpretação conhece
possibilidades e alternativas diversas. A vinculação se converte em liberdade na medida
em que se reconhece que a nova orientação hermenêutica consegue contrariar a
ideologia da subsunção. A ampliação do círculo dos intérpretes aqui sustentada é
apenas a consequência da necessidade, por todos defendida, de integração da realidade
no processo de interpretação. É que os intérpretes em sentido amplo compõem essa
realidade pluralista. Se se reconhece que a norma não é uma decisão prévia, simples e
acabada, há de se indagar sobre os participantes no seu desenvolvimento funcional,
sobre as forças ativas da law in public action (norma na atividade da vida pública) (...).
(HÄBERLE, Peter. Hermenêutica Constitucional – a Sociedade Aberta dos Intérpretes da
Constituição: Constituição para e Procedimental da Constituição. Tradução de Gilmar
Ferreira Mendes. Porto Alegre: Sérgio Antônio Fabris editor, 1997)

Julgado STF
“A admissão de amicus curiae confere ao processo um colorido
diferenciado, emprestando-lhe caráter pluralista e aberto, fundamental
para o reconhecimento de direitos e a realização de garantias
constitucionais em um Estado Democrático de Direito”. (ADI 2548/PR, Rel
Ministro Gilmar Mendes).

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MPF / 25º Concurso - 2011


É CORRETO AFIRMAR QUE:
d) São intérpretes da Constituição não apenas os órgãos do Poder
Judiciário, como também os demais poderes politicos, além dos múltiplos
atores presentes na sociedade civil, que, em seus debates travados na
esfera pública, participam da tarefa de atribuição de sentido às normas
constitucionais.
Item correto

8. Interpretativismo (EUA)

A estrutura básica de pensamento do Interpretativismo é a constatação de


existência de um conflito, uma tensão entre a jurisdição constitucional e o legislador.

Nesse sentido, sabe-se que o legislativo é composto pelos representantes eleitos


pelo povo, cuja função primária é a elaboração de leis. Logo, se as leis são elaboradas
pelo representante do povo, são frutos da vontade majoritária.

Em contraposição, a jurisdição constitucional, em especial a Suprema Corte


Americana, ou mesmo o Supremo (que é bastante similar) é composta por um indivíduo
escolhido pelo Presidente da República, sabatinado pelo Senado. Assim, pode-se afirmar
que o membro da jurisdição constitucional não é eleito pelo povo, mas por seus
representantes. Em função disso, diz-se dos membros da jurisdição constitucional que
padecem de déficit de representatividade popular.

Ora, os legisladores fazem as leis e os membros da jurisdição constitucional


podem fazer o controle de constitucionalidade delas, inclusive, declará-las
inconstitucionais, em que pese serem fruto da vontade majoritária. Desta feita, ao
entender que essa decisão majoritária ocasional, naquele momento é contrária ao
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ordenamento constitucional, o membro da jurisdição constitucional age como uma


força contra majoritária.

É importante que se entenda o embate existente, pois, vive-se em uma


democracia, cuja primeira forma de manifestação é a vontade da maioria do povo.
Desta feita, quando uma lei, que é fruto da vontade majoritária, é declarada
inconstitucional, isto é, quando a jurisdição constitucional atua como uma forma contra
majoritária, há o risco muito grande de essa jurisdição constitucional agir como uma
força antidemocrática.

Para que não subsista essa forma antidemocrática, mesmo indo contrariamente
à maioria, deve a jurisdição constitucional ater-se o máximo possível ao texto
constitucional. Caso haja afastamento do texto e aplicação de valores éticos, políticos,
históricos, morais, ou seja, valores substantivos, haverá elemento criativo no tocante ao
texto constitucional. Estaria a jurisdição, assim, agindo em lugar do legislador,
criativamente, o que não pode acontecer, já que não foram eleitos pelo povo, logo, esse
tipo de atuação seria antidemocrática.

Resume-se, pode haver a análise de constitucionalidade das leis, desde que


tenha fulcro em interpretação do texto constitucional, e não em valores substantivos.

8.1. Aspectos Gerais

Os interpretativistas têm preocupação com a democracia (o poder político


democrático).

O poder judiciário é uma força contramajoritária, sobretudo quando realiza o


controle de constitucionalidade das normas, uma vez que as suas decisões representam
obstáculos à expressão, à vocalização, da vontade das maiorias, que se expressam por

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seus representantes, no parlamento, no executivo.

Para que as decisões do poder judiciário tenham legitimidade, é essencial que se


fundamentem estritamente no texto e na história da constituição. Não se pode, assim,
recorrer a valores substantivos, a princípios de inspiração política que não estiverem,
explicitamente, acolhidas no texto constitucional.

Consequência: nega o ativismo judicial e o rotula como antidemocrático.

Segundo este pensamento, o judicial review (controle de constitucionalidade) só


é democrático se o judiciário se valer dele, com extrema parcimônia e utilizá-lo para
invalidar normas apenas quando colidirem, explicitamente, com ditames da
constituição.

8.2. Limites ao controle judicial

i. A constituição escrita;

ii. A vontade do poder político democrático.

Segundo o interpretativismo, deve-se respeitar ao máximo possível as escolhas


substantivas (morais, éticas, políticas, ...) do legislador, apenas intervindo quando
violarem o texto constitucional. Não pode o intérprete, assim, valorar os valores
substantivos escolhidos pelo legislador.

Atualmente, em sentido político, o interpretativismo é associado ao


conservadorismo.

Em síntese:

 O rule of law não pode ser law of judges.

O império da lei ou o Estado de Direito não pode ser a lei dos juízes, i.e., não

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cabe ao juiz legislar.

 Visa uma interpretação objetiva, previsível, democrática, vinculada às regras


precisas da constituição.

É democrática porque deve respeito às escolhas do legislador, representante da


maioria.

9. Não-Interpretativismo (EUA)

O Não-Interpretativismo entende que a Constituição é uma obra viva, em


constante construção por cada geração.

Veja-se o exemplo da Constituição americana, que subsiste desde 1787. Isso é


possível em função de uma interpretação constitucional baseada em valores
substantivos adotados pelas novas gerações. Essa é a razão pela qual a constituição
obrigatoriamente traz normas vagas, para permitir sua construção pelas novas geração.

9.1. Aspectos Gerais

Busca uma vertente diametralmente oposta ao interpretativismo.

Entende-se que a constituição não é um documento estático, antes, é uma obra


viva, living constitution.

A Constituição não é patrimônio de uma geração, da geração que a elaborou.


Ela, propositadamente, usa expressões abertas, semanticamente indeterminadas, e é
papel do judiciário atualizar essas expressões, é papel buscar, através de valores
substantivos, inclusive de filosofia política e valores morais, a construção de um sentido
novo da constituição a cada dia.

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O presente material constitui resumo elaborado por equipe de monitores a partir da aula
ministrada pelo professor em sala. Recomenda-se a complementação do estudo em livros
doutrinários e na jurisprudência dos Tribunais.

Por valores substantivos entenda-se princípios da liberdade, igualdade e justiça,


valores morais.

O não-interpretativismo dá um poder muito maior ao intérprete da constituição,


e, como consequência, reconhece a legitimidade de uma conduta mais ativista do
judiciário.

“A interpretação de uma constituição concebida como projeto de ordenação


inteligível e suscetível de consenso, dirigida para o futuro, formada por regras concretas
e princípios abertos e valorativos, dotada de lacunas e incompletude, é necessariamente
um processo de argumentação principial e objetivante, juridicamente concretizador, a
cargo de uma instância jurisdicional” (Canotilho).

Noutras palavras, cabe à jurisdição constitucional atualizar o sentido da


constituição através dos valores substantivos que aquela geração possui.

9.2. Críticas do Não-Interpretavismo ao Interpretativismo

i. O interpretativismo relega o Direito Constitucional a simples instrumento de


governo.

Não interpretativistas criticam interpretativistas, pois entendem que no


interpretativismo, o intérprete não utiliza a constituição como elemento valorativo de
análise das decisões do governo. Apenas verifica se estas decisões não estão contrárias
ao texto, de modo que o governo permanece livre para adotar seus próprios valores
morais, relegando, assim, a constituição, a uma função meramente instrumental.

ii. Constituição como produto de uma vontade constituinte historicamente


situada.

O interpretativismo colocaria a constituição como um produto de uma vontade


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constituinte de uma geração passada, não sensível, assim, às mudanças sociais.

iii. Direito como um sistema fechado de regras precisas.

iv. Relativismo de valores, sem atentar para questões substanciais de justiça.

v. Antidemocraticidade do controle judicial, como pressuposição do


interpretativismo.

Critica-se o interpretativismo por pressupor que o controle judicial é antidemocrático.

2013 / CESPE / TJ-PI / Titular de Serviços de Notas e de Registros


Assinale a opção correta no que tange à interpretação das normas
constitucionais.
a) Para a corrente interpretativista, o legislador constituinte não tem
legitimidade para impor sua visão de Constituição à sociedade atual, pois
cada geração tem o direito de vivê-la ao seu modo.
b) O método hermenêutico-concretizador parte do pressuposto de que a
interpretação constitucional é concretização, entendida como uma
norma preexistente na qual o caso concreto é individualizado.
c) Ernst Forsthoff, com sua obra Topik und Jurisprudenz (1953), foi o
grande responsável pela retomada da tópica no campo jurídico, de modo
que é considerado por muitos o pai do método tópico-problemático.
d) O método normativo-estruturante, em linhas gerais, parte da premissa
de que a Constituição, por ser uma espécie de lei, deve ser interpretada
pelos mesmos elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny para a
interpretação das leis em geral.
e) Para o método tópico-problemático, a Constituição deve ser
interpretada como um todo (visão sistêmica), considerados os fatores
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extraconstitucionais, como a realidade social.


Resp.: B

CESPE/UNB – Procurador Federal – 2007


32 As correntes interpretativistas defendem a possibilidade e a
necessidade de os juízes invocarem e aplicarem valores e princípios
substantivos, como princípios de liberdade e justiça, contra atos de
responsabilidade do Poder Legislativo que não estejam em conformidade
com o projeto da CF. As posições não-interpretativistas, por outro lado,
consideram que os juízes, ao interpretarem a CF, devem limitar-se a
captar o sentido dos preceitos nela expressos ou, pelo menos, nela
claramente explícitos.
Resp. E.

CESPE - 2009 - TRT - 17ª Região (ES) - Analista Judiciário - Execução de


Mandados
Entender uma lei não é somente aferrar de modo mecânico o sentido
aparente e imediato que resulta da conexão verbal; é indagar com
profundeza o pensamento legislativo, descer da superfície verbal ao
conceito íntimo que o texto encerra e desenvolvê-lo em todas as suas
direções possíveis.
A missão do intérprete é justamente descobrir o conteúdo real da norma
jurídica, determinar em toda a plenitude o seu valor, penetrar o mais que
é possível (como diz Windscheid) na alma do legislador, reconstruir o
pensamento legislativo. Francesco Ferrara. Interpretação e aplicação das
leis. Coimbra: Armênio Amado, 1987, p. 128 (com adaptações).

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Tendo o texto acima como referência inicial, julgue os itens de 57 a 60,


acerca da interpretação e da aplicabilidade das normas
constitucionais.
A corrente que nega a possibilidade de o juiz, na interpretação
constitucional, criar o direito e, valendo-se de valores substantivos, ir
além do que o texto lhe permitir é chamada pela doutrina de não-
interpretativista.
Errado

CESPE - 2007 - Petrobras – Advogado


Entre as correntes de interpretação constitucional, pode-se apontar uma
bipolaridade que se concentra entre as correntes interpretativistas e não
interpretativistas das constituições. As correntes interpretativistas se
confundem com o literalismo e permitem ao juiz que este invoque e
aplique valores e princípios substantivos, como a liberdade e a justiça
contra atos da responsabilidade do Poder Legislativo em
desconformidade com a constituição.
Errado

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