Você está na página 1de 15

A concretização da Defensoria Pública da União perante a

Justiça do Trabalho
Leandro Araujo Cabral de Melo
Publicado em 05/2016. Elaborado em 10/2015.
GOSTOU?
O presente artigo propõe uma discussão acerca da efetividade da assistência
judiciária gratuita como instrumento de acesso à Justiça do Trabalho.

1 INTRODUÇÃO

A garantia constitucional de assistência judiciária gratuita, prevista no


art. 5º, inciso LXXIV da Constituição Federal de 1988, é direcionada aos mais
necessitados. A construção desse instituto ocorreu em diferentes períodos e de
modo distinto em cada ordenamento jurídico no mundo, e em especial no
Brasil, a partir das Ordenações Filipinas, e presente nas demais Constituições,
tendo a Constituição de 1988 como o grande ápice de sua aplicabilidade.

Tendo em consideração que as defensorias públicas foram instituídas como


instrumentos de realização da assistência judiciária gratuita e ainaplicabilidade desta
no processo do trabalho, haja vista norma infraconstitucional contrária, constata-se
que os meios de postulação judicial atuais existentes estão inseridos em situações
problemáticas de restrição ao acesso pleno à Justiça, tais quais os Sindicatos, ouos
advogados particulares.

É certo que a atuação da Defensoria Pública da União dentro da Justiça do


Trabalho está inserida em um estudo histórico, processual e material das matérias
vinculadas a esta justiça especializada, tendo em vista as mudanças ocorridas por
meio da Emenda Constitucional nº. 45/2004. Ato contínuo, é fato que a competência
da Justiça do Trabalho aumentou significativamente e consequentemente os
paradigmas existentes, designando novos desafios e novas particularidades, como por
exemplo as medidas de restrição ao exercício do princípio celetista do jus postulandi.

Em contrapartida a necessidade de atuação da Defensoria Pública da União


na Justiça do Trabalho, constata-se que a situação dessa instituição na prática é
totalmente diferente no que concerne a sua efetividade, restando totalmente inerte na
defesa dos direitos dos trabalhadores mais necessitados.

O presente trabalho enfrentará a situação problemática através de uma


realidade equiparada a realização efetiva de concretização de atuação das
defensorias públicas perante a Justiça do Trabalho, conforme o caso prático analisado
da Defensoria Pública da União do Distrito Federal, que desenvolveu estruturas de
atendimento e acompanhamento de demandas trabalhistas.

Para a realização deste estudo empregamos o método hipotético dedutivo, a


partir do estudo da garantia constitucional a ser prestada pelo Estado na defesa dos
direitos dos mais necessitados e a situação problemática existente dentro da Justiça
do Trabalho, ou seja, a não atuação da Defensoria Pública da União na seara
trabalhista. A perquirição foi realizada através de estudos bibliográficos e científicos
existentes, a partir de uma realidade constada no âmbitoda prática forense trabalhista,
tendo se pesquisado o tema junto aos sítios das defensorias públicas da União, em
especial do Distrito Federal.

O estudo foi dividido em quatro capítulos, quais sejam:

O primeiro capítulo é intitulado: A assistência judiciária gratuita, tendo


discorrido este desde a análise acerca da sua especificidade e um breve relato
histórico de sua evolução, conjecturando o direito normativo sobre esta instituição, e,
por fim a análise sistemática da atuação da Defensoria Pública da União.

O segundo capítulo foi intitulado: A assistência judiciária gratuita perante a


Justiça do Trabalho, onde discorremos acerca da particularidade existente no
processo do trabalho no que concerne a prestação da assistência judiciária gratuita,
analisando a atuação dos sindicatos e dos advogados particulares, como meios de
postulação judicial.

O terceiro capítulo tem como tema: Novos desafios na Justiça do Trabalho


pós emenda constitucional nº. 45/2004. Neste título verificamos a análise das
mudanças ocorridas no sistema processual e material da Justiça do Trabalho em
decorrência da reforma constitucional, bem como os paradigmas que foram alterados
no processo do trabalho em razão dessas últimas alterações, coadunando a realidade
de postulação pessoal e a reforma.

Por fim, o quarto e último capítulo foi denominado: A atuação da defensoria


pública da União na Justiça do Trabalho. Nesta parte, a análise deste tema se deu
através de uma leitura do atual panorama das defensorias perante as causas
trabalhistas, verificando as problemáticas existentes de estrutura, orçamento e
autonomia funcional delas e que resultam a sua não atuação.

No término deste, estabelecemos novas perspectivas e novos horizontes a


serem alcançados pelas defensorias para a sua efetiva e plena concretização no
âmbito da Justiça do Trabalho.

2 ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA

A assistência judiciária gratuita é concedida às pessoas enquadradas como


necessitadas, classificadas por meio do requisito elencado no art. 5º, inciso LXXIV da
Constituição Federal de 1988, as quais poderão gozar deste benefício, caso
necessitem de recorrer ao sistema judiciário brasileiro.

(...)

LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e


gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos;

(...)

O parágrafo único do art. 2º da Lei nº. 1060/50 dispõe a especificidade do


termo necessitado para todos os fins legais, dispondo que é “todo aquele cuja situação
econômica não lhe permita pagar as custas do processo e os honorários de advogado,
sem prejuízo do sustento próprio ou da família”, restando assim classificados para o
uso devido desse instituto e da consequente solução de conflitos existentes.
2.1 CONCEITO E EVOLUÇÃO HISTÓRICA

A assistência judiciária gratuita é o patrocínio pelo Estado na defesa dos


direitos dos mais necessitados e consequente obtenção da tutela jurisdicional perante
o poder judiciário. A concessão desse benefício deve quando o necessitado não
dispuser decondições financeiras de arcar na contratação de um causídico particular,
como é comumente realizado.

O Estado possui o ônus garantidor na prestação da assistência jurídica e


integral àqueles que comprovarem que a sua situação econômica não lhe permita
pagar honorários advocatícios e despesas processuais, sem prejuízo de seu próprio
sustento e o da sua família, pois se trata de direito público subjetivo. A referida
garantia constitucional pretende efetivar outros princípios constitucionais, como o da
igualdade, do devido processo legal, da ampla defesa e contraditório, e
principalmente, do acesso à Justiça.

No que pese a aplicação desse instituto, faz-se necessário entender que este
atendimento prestado pela administração pública é direcionado por meio das
chamadas defensorias públicas.

Esses órgãos são responsáveis pela aplicação desta garantia constitucional,


que foi instalada historicamente de maneira gradativa, através do reconhecimento dos
direitos civis, políticos e sociais. Há de salientar a existência da advocaciapro bono,
que é a advocacia de graça, ou seja, a prestação de serviços jurídicos para quem não
dispõe de recursos financeiros para a contratação de profissional, sendo o centro de
grandes discussões da advocacia brasileira acerca da sua aplicabilidade.

Tendo em vista que os Estados sempre tiveram o desafio de constituir suas


instituições de maneira mais concreta e sólida, assim como garantir o acesso pleno à
justiça pelos seus cidadãos à medida da evolução histórica, podemos elencar diversos
momentos que assim direcionam para a exatidão do entendimento acerca da
conquista desse benefício.

Na Grécia antiga eram nomeados dez advogados para defender os pobres


contra os poderosos diante da justiça civil e criminal da época. Um outro marco foi a
inclusão no direito romano, por meio de Justiniano (483-565)o dever de conceder um
advogado a quem não tinha recursos para constituir o chamado “defensor”.(SANTOS
JUNIOR, 2015)

A historicidade denota a doutrina cristã como clímax da defesa aos


necessitados. Essa doutrina atribuía aos defensores da época a luta pelos direitos dos
pobres, sem nenhuma contraprestação, assim como na Europa ocidental, durante a
Idade Média, acerca dos países da Inglaterra, França, Portugal e Espanha, em função
da casuística de cada um de seus reinados, os pobres poderiam gozar do acesso
igualitário à Justiça. (SANTOS JUNIOR, 2015)

O assunto acerca da assistência judiciária gratuita só foi regulado, pela


primeira vez, por lei específica em 1814 na Holanda, sendo disposta em outras
legislações de outros países em anos subsequentes. No Brasil tivemos a sua primeira
citação por meio das Ordenações Filipinas, conforme preleciona o constitucionalista
Celso Ribeiro Bastos:

No Brasil, a assistência judiciária tem suas raízes nas


Ordenações Filipinas. Esse diploma foi muito importante na
história do Brasil porque, por força da Lei de 20 de outubro de
1823, vigorou por estas terras até 1916. Com o passar dos anos,
a incumbência vai gradativamente recaindo nos ombros dos
advogados, coisa que não era estranha às ideias reinantes, de há
muito, nas corporações de causídicos. (1989, p. 374)

Os marcos históricos foram direcionadospara a constitucionalização dos


direitos sociais, civis e políticos, o que ensejaram na aplicação do instituto da
assistência judiciária gratuita a tempo e modo, o Estado de São Paulo, em 1935, foi o
primeiro a aplicar, porém a sua efetividade era realizada por outro órgão, não sendo a
aludida defensoria pública. Entretanto, em 1937a assistência judiciária não foi
recepcionada pelo texto constitucional, sendo apenas prevista na ordem
infraconstitucional.(SANTOS JUNIOR, 2015)

Em 1946, por meio do processo de redemocratização, houve a retomada da


previsão constitucional desta garantia de acesso gratuito à justiça brasileira. Ademais,
em 1950, houve a edição da Lei 1060, de 5 de fevereiro, que dispunha
especificamente sobre a temática, a qual é aplicada até os dias atuais, perpassando
por tempos em diversas problemáticas de aplicação doutrinária e jurisprudencial.

A constituição de 1967 ponderou sobre tal benefício, bem como a emenda


constitucional nº. 1 de 1969. Essas constituições mantiveram o instituto da assistência
judiciária gratuita, sendo este, por conseguinte, totalmente inalterado pela constituição
cidadã de 1988, que tratou de maneira máxima e compulsória.

2.2 DAS DEFENSORIAS PÚBLICAS

A assistência judiciária gratuita será prestada pelo Estado, conforme dispõe o


art. 5º, inciso LXXIV, da Constituição Federal, de modo que essa atuação será
realizada através de uma entidade administrativa criada por meio de lei sob a égide da
competência legislativa da União e dos Estados, ou seja, cada um desses entes
poderá criar os seus órgãos de proteção e defesa dos diretos dos cidadãos
necessitados, conforme supracitado.

A Carta Magna em seu art. 134 dispõe que as defensorias públicas são
instituições permanentes e essenciais à função jurisdicional do Estado, nos seguintes
termos:

Art. 134. A Defensoria Pública é instituição permanente,


essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como
expressão e instrumento do regime democrático,
fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos
humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial,
dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita,
aos necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º desta
Constituição Federal.

Em outras palavras, a Constituição Federal atribui poderes ao defensor


público para defesa dos direitos dos necessitados, conferindo prerrogativas e
instrumentos para realização e concretização da tutela jurisdicional adequada em
todos os âmbitos.

As defensorias públicas foram organizadas através da edição da Lei


Complementar nº. 80/94, a serem abrangidas na circunscrição federal através da
Defensoria Pública da União e na estadual por meio da Defensoria Pública Estadual. A
estas instituições, a Constituição Federal, em seu art. 134, §2º assegura total
autonomia funcional e administrativa coadunando aos princípios legais e institucionais
idealizadores da Defensoria Pública, bem como o da unidade e indivisibilidade,
vejamos:

(...)

§ 2º Às Defensorias Públicas Estaduais são asseguradas


autonomia funcional e administrativa e a iniciativa de sua
proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos na lei de
diretrizes orçamentárias e subordinação ao disposto no art. 99, §
2º.

(...)

A defensoria pública da União é um órgão novo do ponto de vista


constitucional, pois foi colocada em destaque pela constituição vigente, assim como do
legal, tendo em vista que esta foi criada em 1995 através da Lei nº. 9.020, de 30 de
março. Vale salientar que a atual constituição tem como uma de suas principais
características o reconhecimento dos direitos individuais e coletivos, sendo as
defensorias um dos alcances efetivos da Carta Magna para a luta dos direitos
fundamentais do cidadão.

Ao momento de sua criação, a qual realizou de modo emergencial e


provisório, as defensorias públicas da União, no que tange ao seu reconhecimento,
tem passado por avanços significativos no acesso à Justiça Integral e gratuita ao
cidadão, tendo em vista a aquisição de uma personalidade definitiva como entidade de
defesa dos direitos dos mais necessitados e consequentemente determinando de
modo integral a sua atuação.

2.3 ATUAÇÃO DA DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO

A atuação da defensoria pública da União está regrada pelo art. 14 da Lei


Complementar nº. 80/94, dispondo sobre o seu funcionamento perante as justiças
federal, do trabalho, eleitoral, militar, tribunais superiores e instâncias administrativas
da União.

A instituição da defensoria em suas atribuições, qualquer que sejao seu


âmbito de atuação, tem por finalidade a prestação e orientação jurídica gratuita ao
cidadão, contribuindo para a democratização da justiça. Além disso, também tem
como objetivo garantir a prestação de assistência jurídica, judicial e extrajudicial,
integral e gratuita, aos mais pobres. Portanto, cada defensoria tem que partir da
premissa constitucional de orientar estas pessoas na busca e concretização dos seus
direitos.

A finalidade da atuação deste órgão público é o acesso à justiça de forma


igualitária, sendo, portanto, este o garantidor e difusor da igualdade entre os
indivíduos, não restando aos defensores públicos apenas o ajuizamento de ações e o
seu acompanhamento processual, como fato de atividade principal.

Ademais inserisse diversas outras atribuições, as quais são desconhecidas


pela população que a usufrui, desde a fase de aconselhamento e consultoria as
pessoas carentes, de maneira a sempre estar sendo um órgão conciliador, a
solucionar diversos conflitos de interesses existentes.

Como já dito anteriormente, é importante frisar que a prestação da assistência


judiciária gratuita é realizada em todas as instâncias do Poder Judiciário, sendo
assegurado diversas prerrogativas, como a de receber intimação pessoal, a contagem
em dobro dos prazos e a tratativa igualitária dada aos juízes e demais usuários da
justiça.

3 ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA PERANTE A JUSTIÇA DO


TRABALHO

A concessão e prestação de assistência judiciária gratuita no processo do


trabalho é regulada por meio da Lei nº. 5.584/70, que estabeleceu em seu art. 14, §1º,
que o benefício será proporcionado por meio dos sindicatos da categoria profissional a
que pertencer o trabalhador, sendo devida a aquelas pessoas que se enquadrarem
nos requisitos elencados pelo §1º do referido dispositivo legal.

Entretanto, a aplicação desta normal legal é questionada, tendo em vista o


que dispõe a Lei nº. 1060/50, bem como a Carta Magna vigente, alterando
profundamente a matéria acerca da assistência judiciária gratuita, qualquer que seja a
seara aplicada.

3.1 A PARTICULARIDADE NO PROCESSO DO TRABALHO

A assistência judiciária gratuita no processo do trabalho é regulada através da


Lei nº. 5.584/70, que dispõe no §1º do art. 14, que a mesma deverá ser prestada pelos
Sindicatos da categoria do trabalhador, transcrito in verbis:

Art 14. Na Justiça do Trabalho, a assistência judiciária a


que se refere a Lei nº 1.060, de 5 de fevereiro de 1950, será
prestada pelo Sindicato da categoria profissional a que pertencer
o trabalhador.

§ 1º A assistência é devida a todo aquêle que perceber


salário igual ou inferior ao dôbro do mínimo legal, ficando
assegurado igual benefício ao trabalhador de maior salário, uma
vez provado que sua situação econômica não lhe permite
demandar, sem prejuízo do sustento próprio ou da família.

Entretanto, tal dispositivo tem a sua aplicabilidade absolutamente contestada,


pois claramente cria um óbice a conjuntura de defesa dos direitos dos trabalhadores,
bem como do acesso igualitário a Justiça.

A Constituição Federal reserva aos necessitados o direito de acesso à Justiça


por meio das defensorias públicas, sendo este órgão essencial na luta pelos direitos,
seja qual for a sua natureza jurídica, não podendo lei infraconstitucional privar o
cidadão pobre na forma da lei de buscar esse órgão de defesa. Tal particularidade
enseja outras discussões que na prática trabalhista é demasiadamente discutida pela
doutrina e jurisprudência, dentre elas a da atuação Defensoria Pública da União
perante a Justiça do Trabalho, não tendo mais vistas a discussão acerca do chamado
monopólio sindical na prestação da assistência judiciária gratuita.
Assim, o trabalhador poderá requerer a tutela jurisdicional dos seus direitos
através de um advogado particular ou por seu sindicato, ou até mesmo pessoalmente,
através do jus postulandi, previsto pelo art. 791 da CLT, que assim dispõe:

Art. 791 - Os empregados e os empregadores poderão


reclamar pessoalmente perante a Justiça do Trabalho e
acompanhar as suas reclamações até o final.

Diante do exposto, resta evidente as razões pelas quais o instituto da


defensoria é minimamente aplicável no dia a dia da seara trabalhista.

3.2 A ATUAÇÃO DOS SINDICATOS

O sindicato como instrumento legítimo de defesa dos direitos coletivos e


individuais dos trabalhadores é assegurado pela Constituição Federal, em seu art. 8º,
inciso III, bem como na alínea a do art. 513 da CLT:

Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical,


observado o seguinte:

(...)

III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses


coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões
judiciais ou administrativas;

(...)

Art. 513. São prerrogativas dos sindicatos:

a) representar, perante as autoridades administrativas e


judiciárias os interesses gerais da respectiva categoria ou
profissão liberal ou interesses individuais dos associados relativos
á atividade ou profissão exercida;

Assim, dispõe plenamente essas entidades da prerrogativa de representar os


interesses da categoria, garantindo, de certa forma, o acesso à Justiça.

A atuação das entidades sindicais na justiça do trabalho exprime diversas


facetas, principalmente na defesa de direitos homogêneos e heterogêneos, através de
ações coletivas e individuais, comumente tuteladas pela substituição processual e
assistência processual, respectivamente. A previsão do sindicato como legitimado
ativo nos dissídios coletivos consagrou ainda, segundo parte da doutrina, a
possibilidade de ampla substituição processual pelos sindicatos, permitindo a defesa
dos direitos individuais homogêneos e também heterogêneos perante a Justiça do
Trabalho.

Entretanto, os sindicatos delimitam-se na luta dos direitos pelo conceito de


categoria, limitando o campo de atuação, haja vista que se põe uma porção
determinável de trabalhadores e empresas à área representativa, impossibilitando a
defesa plena e igualitária de futuros e eventuais interesses e direitos, e, por
conseguinte, restringindo o acesso à justiça.
Na seara trabalhista, a aplicação dos sindicatos como instrumentos de acesso
ao sistema judiciário e na defesa dos direitos é quase plena. Isso acontece devido às
remissivas atuações dessas entidades perante a Justiça do Trabalho, e assim a não
concretização do acesso igualitário através das defensorias públicas.

3.3 ADVOGADOS PARTICULARES

O art. 791 da CLT prever que a postulação perante a Justiça do Trabalho


poderá ocorrer de forma pessoal por parte do empregado e do empregador, ou seja,
sem a necessidade de um advogado, sendo, por conseguinte, que o jus postulandino
processo do trabalho não é privativo de um defensor particular.

A atuação dos advogados nas lides trabalhistas se torna indispensável no


contexto atual, tendo em vista as diversas mudanças materiais e processuais sob a
égide dos confrontos judiciais existentes. Isso torna notório o fato de que o patrocínio
das causas por advogados particulares empresta, de certa maneira, celeridade,
efetividade e completa garantia do contraditório e da ampla defesa aos jurisdicionados.

Tendo em vista que o dispositivo da CLT acima referido se trata de norma


legal de eficácia escassa, haja vista que a própria Constituição Federal, em seu art.
133, estabeleceu que o advogado é indispensável à administração da Justiça, ou seja,
não tendo como excluir da leitura sistemática desse dispositivo constitucional a Justiça
do Trabalho, bem como mais admitir que a própria parte postule e defenda-se
pessoalmente

Outros problemas subsistem no que tange a atuação dos advogados


particulares na seara trabalhista, pelo fato de que existem problemas sociais e
econômicos aí inseridos, tais como a má fé dos advogados e clientes, ensejando em
ações pelos dois lados de cobrança de prestações pecuniárias devidas. Outro ponto
suscitado acerca da atuação privativa de patronos particulares é a denegação por
parte da justiça especializada do trabalho dos honorários sucumbenciais, tema este já
pacificado através da Súmula nº. 219 do Colendo Tribunal Superior do Trabalho:

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CABIMENTO


(incorporada a Orientação Jurisprudencial nº 305 da SBDI-1 ao
item I) - Res. 197/2015, DEJT divulgado em 14, 15 e 18.05.2015

I - Na Justiça do Trabalho, a condenação ao pagamento


de honorários advocatícios, nunca superiores a 15% (quinze por
cento), não decorre pura e simplesmente da sucumbência,
devendo a parte, concomitantemente: a) estar assistida por
sindicato da categoria profissional; b) comprovar a percepção de
salário inferior ao dobro do salário mínimo ou encontrar-se em
situação econômica que não lhe permita demandar sem prejuízo
do próprio sustento ou da respectiva família. (art.14,§1º, da Lei nº
5.584/1970). (ex-OJ nº 305da SBDI-I)

II - É cabível a condenação ao pagamento de honorários


advocatícios em ação rescisória no processo trabalhista.

III – São devidos os honorários advocatícios nas causas


em que o ente sindical figure como substituto processual e nas
lides que não derivem da relação de emprego.
Da leitura da súmula acima referida, verifica-se que a problemática existente
acerca dos honorários advocatícios sucumbenciais em face dos advogados
particulares, pois só são devidos aos sindicatos da categoria profissional que presta
assistência jurídica aos empregados, os quais deverão se enquadrar nos termos
elencados pelo art. 14, §1º da Lei nº. 5.584/70.

Portanto, énotóriaa necessidade a aplicação de novos meios de assistência


jurídica aos trabalhadores necessitados, que estão sob a guarda precária de
advogados particulares, que sobrepõem interesses financeiros próprios para então
buscar o direito que ali está sendo reclamado.

4 NOVOS DESAFIOS NA JUSTIÇA DO TRABALHO PÓS EMENDA


CONSTITUCIONAL Nº. 45/2004

A reforma do poder judiciário através da Emenda Constitucional nº. 45/2004,


que alterou a competência da Justiça do Trabalho, conferiu maior destaque a seara
trabalhista, tendo tais modificações alterado profundamente a visão que tinha esta
justiça especializada.

A competência da Justiça do Trabalho, antes da reforma, tinha como cerne


para o processamento e julgamento de suas ações as matérias de direito material
vinculadas aos limites das relações de emprego, ou seja, vinculada àquela relação
própria existente nos moldes do art. 3º da CLT, coexistindo diversas discussões no
âmbito doutrinário e jurisprudencial acerca das matérias que poderiam ou não estar
sub judice desta justiça especializada.

Vale acrescentar, que as expressões “relação de emprego” e “relação de


trabalho” diferenciam claramente dentro de um contexto legal e constitucional,
conforme preleciona o Professor Maurício Godinho Delgado que:

A primeira expressão refere-se a todas as relações


jurídicas caracterizadas por terem sua prestação essencial
centrada em uma obrigação de fazer consubstanciada em labor
humano. Refere-se, pois, a toda modalidade de contratação de
trabalho humano modernamente admissível. A expressão relação
de trabalho englobaria, desse modo, a relação de emprego, a
relação de trabalho autônomo, a relação de trabalho eventual, de
trabalho avulso e outras modalidades de pactuação de prestação
de labor. (2008, p. 285).

Ademais, essa diferença é acentuada através do art. 7º, da Constituição


Federal de 1988, que, concisa e claramente, consolida constitucionalmente a diferença
entre tais relações, na determinação dos direitos sociais do trabalhador ao inserir a
expressão “relação de emprego” no inciso I do referido dispositivo, ao passo de
restringir o alcance da norma, não existindo desde já confusão com a expressão
“relação de trabalho”.

Neste norte, consideremos a nova redação disposta no art. 114 da


Constituição Federal:

Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e


julgar:
I as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos
os entes de direito público externo e da administração pública
direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios;

II as ações que envolvam exercício do direito de greve;

III as ações sobre representação sindical, entre


sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e
empregadores;

IV os mandados de segurança, habeas corpus e habeas


data , quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua
jurisdição;

V os conflitos de competência entre órgãos com


jurisdição trabalhista, ressalvado o disposto no art. 102, I, o;

VI as ações de indenização por dano moral ou


patrimonial, decorrentes da relação de trabalho;

VII as ações relativas às penalidades administrativas


impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das
relações de trabalho;

VIII a execução, de ofício, das contribuições sociais


previstas no art. 195, I, a , e II, e seus acréscimos legais,
decorrentes das sentenças que proferir;

IX outras controvérsias decorrentes da relação de


trabalho, na forma da lei.

Portanto, a abertura de competência inserida pela emenda constitucional


elevou a uma nova percepção e novos desafios à Justiça do Trabalho e aos
operadores do direito do trabalho.

4.1 MUDANÇAS DOS PARADIGMAS DO PROCESSO DO TRABALHO

Em razão das mudanças ocasionadas pela reforma constitucional acerca das


matérias a serem processadas na seara trabalhista, surgiram diversas complexidades
no seio material e processual. Essas complexidades ensejaram mudanças na
aplicação do regramento anterior, principalmente no alcance denotativo das
expressões introduzidas.

Um exemplo disso é a expressão “relação de emprego”, disposto no inciso I,


do artigo 114 da Constituição Federal, que dispõe que “as ações oriundas da relação
de trabalho”, e o inciso IX “outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na
forma da Lei”; bem como a continuação do inciso I, no tocante a expressão
“abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e
indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; ”.

Tais expressões estão cheia de cargas dúbias de interpretação acerca de sua


aplicação à regra, haja vista outras normas aplicáveis e a expressão relação de
emprego ser bem vaga e subjetiva. A aplicação dessas normas de maneira coerente
aos princípios constitucionais e infraconstitucionais ficou a cargo da própria
jurisprudência e doutrina.

Diante das diversas causas ocasionadas pelas mudanças da famosa Emenda


Constitucional 45, verificamos que Justiça do Trabalho tendeu a modificar o seu
regramento processual estabelecido na CLT, que data da Era Vargas, ou seja, muito
arcaico à realidade do sistema processual e material, como por exemplo, o exercício
do jus postulandipelo trabalhador, previsto pelo artigo 791 da CLT.

4.2 RESTRIÇÕES AO EXERCÍCIO DO JUS POSTULANDI

A capacidade de aspartes postularem em juízo sem a necessidade da


presença de um advogado, em especial na Justiça do Trabalho, é legalmente possível,
tendo em vista o que dispõe o artigo 791 da CLT, portanto, o comando legal trata
como sendo dispensável a atuação do causídico.

Entretanto as matérias analisadas pelo juízo trabalhista, restam


demasiadamente complexas, bem como a capacidade de acompanhar as questões de
direito e de fato que possam ser levantadas durante todo o percurso processual
trabalhista.

As inovações resultantes das alterações inseridas na nova competência


material e processual da Justiça do Trabalho afastam totalmente a aplicação deste
princípio consagrado pela CLT. Neste norte, o art. 133 da Constituição Federal prevê a
indispensabilidade do defensor, seja ele particular ou público, à administração da
Justiça.

Em razão das complexidades ora ventilada, bem como de diversos fatores,


sociais, econômicos, políticos e processuais, a Justiça do Trabalho ainda aceita a
possibilidade do recebimento de reclamações pessoais, mas com certas restrições,
conforme dispõe a Súmula nº. 425 do Colendo Tribunal Superior do Trabalho, nos
seguintes termos:

JUS POSTULANDI NA JUSTIÇA DO TRABALHO.


ALCANCE. Res. 65/2010, DEJT divulgado em 30.04.2010 e 03 e
04.05.2010 O jus postulandi das partes, estabelecido no art. 791
da CLT, limita-se às Varas do Trabalho e aos Tribunais Regionais
do Trabalho, não alcançando a ação rescisória, a ação cautelar, o
mandado de segurança e os recursos de competência do
Tribunal Superior do Trabalho.

Diante da leitura do enunciado proferido pelo Colendo Tribunal, verificamos


que o alcance do Jus postulandi, está restrito aos petitórios junto às Varas do Trabalho
e aos Tribunais. Em outras palavras, o empregado ou empregador poderá
acompanhar suas ações perante o aludido 1º grau e 2º grau sem a necessidade de um
advogado, restando impossibilitado de resguardar seus direitos “pessoalmente” em
ações rescisórias, cautelares, mandado de segurança, e recursos perante o TST.

Portanto, verifica-se que as partes legítimas para alcançar a tutela


jurisdicional no seio trabalhista por meio das reclamações pessoais, previsto pela CLT,
podem estar caracterizando uma violação ao direito de acesso à Justiça, nos moldes
do devido processo legal, bem como do contraditório e da ampla defesa, tendo em
vista que as partes podem constituir um advogado particular ou um defensor público.
5 ATUAÇÃO DA DEFENSORIA PÚLICA DA UNIÃO NA JUSTIÇA DO
TRABALHO

A Defensoria Pública da União foi organizada para atuar em todas as


instâncias administrativas e judiciárias, conforme prevê o art. 134 da Constituição
Federal e a própria Lei Complementar nº. 80/94, em seus artigos, elencando, dentre
as instâncias de atuação, a da Justiça do Trabalho.

Assim, a DPU possui competência para atuar em todas as esferas do


judiciário, de forma a garantir o acesso à Justiça em todos os graus.

5.1 ATUAL PANORAMA PERANTE AS CAUSAS TRABALHISTAS

Da leitura da Portaria nº. 01 de 08 de janeiro de 2007 da DPU, verifica-se que


este órgão defensor, atualmente, na sua grande maioria, não patrocina reclamações
trabalhistas perante a Justiça do Trabalho justificando que essa atribuição depende de
fatores externos e internos de sua própria estrutura.

Os fatores elencados variam donúmero insuficientes de funcionários e de


defensores públicos, estrutura física a não suportar a demanda resultante, bem como
ao fato da entidade está instituída em caráter emergencial e provisório.

As justificativas elencadas pela Defensoria Pública da União atenta contra a


atribuição constitucional da prestação gratuita e plena da assistência judiciária gratuita
pelo Estado, não podendo se exonerar por meio de medidas administrativas e
econômicas.

Ademais, é de salientar que a portaria acima citada, que regulamenta a


prestação judiciária gratuita em todo o país, resolveu que no âmbito das causas
trabalhistas a mesma deverá ocorrer de forma integral, nas Unidades em quehaja
possibilidade, externando o fato de que a preferência deverá ocorrer para os
empregados hipossuficientes não sindicalizados.

Entretanto, nos casos de que a unidade daquela defensoria não possa atuar,
ou seja, de que não possa prestar a assistência jurídica junto a seara trabalhista, o
defensor público deverá apenas notificar o requerente sobre a impossibilidade, no
prazo de 5 (cinco) dias e caso não haja a devida comunicação, a assistência jurídica
deverá ser regularmente prestada.

No que pese, a DPU tenta se eximir de qualquer responsabilidade acerca da


sua atribuição constitucional, com base na Lei nº. 5.584/70, que é literalmente
inconstitucional, destinando a obrigação da prestação judiciária nas causas
trabalhistas aos próprios Sindicatos, privando, portanto, o acesso à Justiça, de forma
integral e gratuita, razão pela qual não seria a correta justificativa e medida a ser
adotada.

Portanto, é fato que a própria instituição de defesa dos direitos dos


hipossuficientes resta com diversas dificuldades e entraves para a sua máxima
atuação e efetividade na Justiça Laboral.

5.2 DIFICULDADES E ENTRAVES NA ATUAÇÃO DA DPU


O art. 134 da Constituição Federal, em seu §1º, assegura a total autonomia
funcional e administrativa da Defensoria Pública da União, entretanto, a realidade não
é essa, haja vista que a DPU não a possui, pois resta vinculada ao Ministério da
Justiça e ao Poder Executivo Federal, implicando sempre do aval de permissões da
Casa Civil e da Advocacia Geral da União – AGU, no que tange a aplicações de
análise do aumento de salários, concessões de bolsas de estagiários, realizações de
dispensa de licitação em caso de emergência, dentre outras situações, as quais a
DPU perpassa diante da falta de ingerência e independência.

Ademais, constata-se uma contrariedade a essa gerência indireta, pois


mesmo não possuindo autonomia, a DPU atua constantemente em demandas nas
quais litiga contra a União, suas autarquias ou empresas públicas e
consequentemente estaria, em tese, contrariando os interesses de quem a gerencia,
mas não pode garantir de forma integral o acesso a justiça dos mais necessitados, por
existir causas que dificultam e travam a sua atuação.

Nesse mesmo norte, verifica-se que por se tratar de uma instituição que é
relativamente nova e consequentemente não existir um quadro de servidores efetivos,
por ainda estar atrelada ao Ministério da Justiça, os seus servidores são pertencentes
a este e não aquela, haja vista que tampouco ocorreu concursos para o
preenchimento de cargos.

Destarte, faz mister a necessidade de uma alteração nesta orientação


política-administrativa, com o objetivo de concretizar a função dessa instituição
permanente, a qual é essencial à jurisdição do Estado, que é a de ser instrumento de
um Estado Democrático de Direito, ao que promove a orientação jurídica, promoção
dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos
direitos individuais e coletivos dos mais necessitados.

Portanto, os entraves e dificuldades acima elencados, não podem possuir


óbice para que assim a Defensoria Pública da União se exime da obrigação
constitucional e legal de atuação perante a Justiça do Trabalho, tendo que existe
perspectivas acerca da atuação na seara da trabalhista, conforme atividades recentes
de unidades da DPU no país.

5.3 HORIZONTES E NOVAS PERSPECTIVAS

A Defensoria Pública da União vem evoluindo e conquistando seu devido


espaço com o aumento de defensores e servidores, de acordo com o modo e
conveniência do Estado, por meio de maior orçamento estruturação física das
unidades de cada defensoria, contribuindo para realização da tutela dos direitos dos
jurisdicionados, seja qual for a seara de atuação, por ser atribuição constitucional.

Neste diapasão, constatamos que em 2011, através da Portaria nº. 502 de 26


de agosto, foi iniciadaconsulta a iniciação de projeto piloto pela Defensoria Pública da
União do Distrito Federal com o objetivo de concretizar a atuação perante a Justiça do
Trabalho, por meio da criação de ofícios trabalhistas, ou seja, escritórios da defensoria
para o recebimento e atendimento dos empregados necessitados de orientação
jurídica.

A atuação da DPU perante a Justiça do Trabalho mesmo diante de uma


grande demanda já suportada pelos advogados particulares, foi uma das tarefas
constatadas pelo projeto, entretanto, foi se constando que a ideia é conquistar o
espaço reservado por lei às defensorias, através de uma cultura de relações públicas
e políticas com os juízes, com os advogados, com a própria Ordem de Advogados do
Brasil, bem como com o Tribunal Regional do Trabalho, que através da criação de um
convênio junto a Defensoria Pública da União poderá criar um sistema de
informatização para sintonização de procedimentos, buscas de processos e todos os
atos que necessitem da atuação conjunta, como por exemplo, diante da existência de
uma reclamação pessoal, nos termos do art. 791 da CLT, o juiz, em sede de
audiência, verificar a necessidade de atuação de um defensor, tendo em vista que a
parte possa ser prejudicada e a devida prossecução dos atos, nos termos da ampla
defesa e do devido processo legal.

Outro ponto importante destacar na aplicação desse projeto iniciado pela DPU
do Distrito Federal, é que as transações que possam ser realizadas, mediações ou
conciliações referendadas pelo Defensor Público tem valência de título executivo
extrajudicial, nos termos do art. 4º, § 4º, da Lei Complementar nº. 80/94, ou seja, os
chamados ofícios trabalhistas funcionariam como câmaras de conciliação, tornando,
assim, medidas de diminuição nas demandas ajuizadas na Justiça do Trabalho.

Portanto, as perspectivas de atuação da DPU diante de inovações


ocasionadas pelas dificuldades impostas pelas políticas-orçamentárias, bem como
somente pela própria política para imediata consecução da eficácia constitucional no
tocante as atribuições do defensor público, podem ser solvidas com os noves
horizontes alcançados pelos próprios defensores, que a título de exemplo, podemos
constatar diante do levantamento alcançando pela Defensoria Pública da União do
Distrito Federal.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Inicialmente, este estudo, demonstrou a especificidade do instituto da


assistência judiciária gratuita a passar pelos momentos históricos de sua aplicação
nos ordenamentos jurídicos, em especial no brasileiro, assim como a análise da atual
conjuntura desse instituto e sua aplicação prática no atual cenário da seara trabalhista.

Neste norte, conclui-se que as defensorias públicas são instrumentos de


garantia de efetivo acesso à Justiça à população que não possuecondições para fazer
valer os seus direitos, salientando o fato que a assistência deve ser jurídica, e não
meramente judiciária, além de ser integral e gratuita, expressões essas que
possibilitam o fortalecimento deste órgão institucional. Ademais, constatouque as
defensorias públicas da União foram criadas por um sistema constitucionalpara
atender as metas de um maior desenvolvimento econômico e social, e que a sua
atuação contribui para a redução das desigualdades sociais, sendo, portanto,
necessáriaa sua efetiva aplicabilidade.

Tendo em vista também a aplicação do instituto da assistência judiciária


gratuita no processo do trabalho, aferiu que essa garantia constitucional é destinada a
todos, não podendo haver distinção de qualquer natureza, em qualquer ramo do
direito, inclusive na seara trabalhista. A simples verificação que o trabalhador não tem
condições de arcar com as despesas processuais, sem prejuízo do próprio sustento ou
da família já garante a concessão deste benefício, não podendo lei o excluir, devendo
o Estado assim garantir.

Constatou-se também a necessidade da assistência judiciária gratuita no


processo do trabalho, em razão das questões de alterações na competência da
Justiça do Trabalho a partir da Emenda Constitucional nº. 45/2004, bem como das
questões infrutíferas de utilização do princípio do jus postulandi como instrumento de
acesso à Justiça.

Assim, o objetivo maior deste estudo sumário foi expor o enfrentamento das
situações ora expostas e suas soluções, ou seja, da efetividade do avanço da
Defensoria Pública da União em ênfase a sua atuação e perspectivas na área
trabalhista, em contraponto às questões problemáticas, tais como a processual,
material, estrutural e de políticas existentes.

Portanto, verifica-se que a situação dessa instituição na prática é totalmente


diferente no que concerne a sua efetividade, restando totalmente inerte na defesa dos
direitos dos trabalhadores mais necessitados. Surge daí a existência de novas
perspectivas de concretização da defensoria pública da União perante a Justiça do
Trabalho, que se verifica através da necessidade de aumento de pessoal e de
melhorias de atendimento, em razão da grande demanda existente.

A partir desta evolução de iniciativas, como por exemplo do projeto piloto da


DPU do Distrito Federal, as defensorias conseguiriam conquistar o seu devido espaço,
maior orçamento e maior atenção do Poder Legislativo e consequentemente a sua
autonomia funcional, contribuindo para a satisfação dos seus destinatários.