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CD-ROM ISSN 2183-4830

Número 1 2015 Semestral

PRAXIS
EDUCARE
Revista da Associação dos Profissionais Técnicos Superiores de Educação Social
Ficha Técnica Sumário
PRAXIS EDUCARE Editorial
Número 1/ 2015
Técnicos Superiores de Educação Entrevista
Social: definições e percursos “A educação social não pode continuar a ser vista como uma área
onde todos opinam!”
Coordenação Sílvia Azevedo (presidente da APTSES)
Fátima Correia
Margarida Figueiredo Opinião
www.aptses.pt/praxiseducare Sílvia Azevedo Educadores Sociais: uma identidade profissional em construção
Isabel Baptista
Conselho Editorial
Alexandra Novais Artigos
Fátima Correia A evolução da Educação Social: perspetivas e desafios contem-
Margarida Figueiredo porâneos
Sílvia Azevedo Isabel Timóteo
Colaboram nesta edição A Educação Social em Portugal: o início de um percurso
Ana Maria Serapicos Ana Paula Leitão
Ana Paula Leitão
Florbela Samagaio Alguns Apontamentos em torno do Perfil Profissional do Educador
Gabriela Trevisan Social
Isabel Baptista Ana Maria Serapicos, Florbela Samagaio e Gabriela Trevisan
Isabel Timóteo
Jorge Humberto Dias Ética Aplicada à Profissão do Educador Social
Soraia Peixoto Jorge Humberto Dias
Design Vox Populi
Carla Monteiro
A APTSES
Periodicidade
Semestral Sites
Data da publicação Bibliografia
2015
Próximo Número
Edição/Propriedade
Associação dos Profissionais Técnicos Documentos de apoio
Superiores de Educação Social Código Deontológico do Técnico Superior de Educação Social
Rua Dr. Roberto Frias, 602, Gabinete
Tabela Salarial do Técnico Superior de Educação Social
de Educação Social
4200-465 Porto
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desde que indicada a fonte.

CD-ROM ISSN 2183-4830

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EDITORIAL
Fátima Correia

Entrevista
Coordenação Praxis Educare

Bem-vindos à revista para que fosse possível a sua participação na mudança social.
Praxis Educare, uma pu-
blicação da APTSES (As- A imagem escolhida para a primeira edição da Praxis Edu-
sociação dos Profissio- care não foi entregue à aleatoriedade nem tão pouco a sua
nais Técnicos Superiores escolha foi feita de ânimo leve. A árvore pretende retratar o
de Educação Social). percurso da Educação Social nestas últimas décadas. A ár-
Pretendemos com esta vore, símbolo da evolução, representa a vida coletiva. Nos
revista dar a conhecer a últimos anos, evoluímos enquanto comunidade profissional,
Educação Social, quem fruto das lutas de afirmação e da identidade profissional. Con-
são os seus profissio- seguimos melhores oportunidades de emprego, uma maior
nais e o que de melhor estabilidade no trabalho, justas remunerações, acesso a car-
fazem, dar a conhecer gos hierarquicamente superiores, questionamos práticas pro-
os seus âmbitos de in- fissionais, organizamo-nos em espaços de debate e reflexão,
tervenção, suas funções, de apoio profissional, colaboramos com outras entidades… “A educação social não pode continuar a ser vista como uma
lançar a discussão e É, indubitavelmente, de salientar a aceitação que a Educação
reflexão sobre esta pro- Social e seus profissionais têm conseguido junto das entida- área onde todos opinam!”
fissão. No entanto, esta des académicas e empregadoras. Hoje, temos já um espaço
é também uma revista para todos os outros profissionais de intervenção próprio, baseado em conhecimentos teóricos SÍLVIA AZEVEDO (presidente da APTSES)
que, não sendo Técnicos Superiores de Educação Social, refletidos e fundamentados. As folhas da árvore pretendem,
partilham o mesmo espaço de intervenção e trilham os mes- precisamente, simbolizar as estruturas de conhecimento da
mos caminhos, (re)criando com os primeiros a intervenção. Educação Social. As folhas, representação do pensamento,
A Praxis Educare surge num contexto de crise social. As caem e renovam-se. O percurso da Educação Social pas-
sociedades atuais são caraterizadas pela imprevisibilida- sará, também, pela atualização constante do conhecimento
de e complexidade, com o aumento do desemprego e da dos educadores sociais. A criatividade e a inovação são, cada
precariedade das relações de trabalho, de situações de vez mais, exigências impostas a estes profissionais, para
carência, marcadas pelo risco e pela vulnerabilidade. A fa- que possam analisar, de forma sistémica e hermenêutica,
lência das políticas sociais levou a um aumento da privação a realidade social e, assim, criar diferentes formas de pen-
dos direitos de cidadania. A intervenção dos educadores samento e soluções inovadoras para os problemas sociais.
sociais é, por isso e mais do que nunca, uma prática pro-
fissional exigente, que tem de responder a novos desafios. Acreditamos que a reflexão acerca da Educação Social e a
Trabalhamos com as pessoas, a favor dos seus interesses e partilha dos profissionais desta área, bem como a divulga-
projetos de vida, favorecendo o seu desenvolvimento e au- ção de conhecimentos teórico-práticos contribuirão para a
tonomia. Esta relação pedagógica e de proximidade é mais valorização profissional que merecemos. Esperamos que a
do que um recurso técnico: é a especificidade da profissão. Praxis Educare concorra para este reconhecimento social.

A Educação Social é, por isso, uma intervenção prática,


uma prática educativa: Praxis Educare. Adotamos a pers-
petiva marxista de “práxis”, enquanto conjunto de ativi-
dades que visam a transformação da organização social,
que permitem ao ser humano (re)construir-se e (re)cons-
truir o seu mundo, de forma autónoma e com capacidade
crítica para o transformar. O tema escolhido para o primei-
ro número – Técnicos Superiores de Educação Social: de-
finições e percursos – tinha, necessariamente, que subli-
nhar as trajetórias dos profissionais da Educação Social.

A Praxis Educare assinala, também, os quatro anos de exis-


tência da APTSES. Durante estes quatro anos, trabalhamos
para o reconhecimento dos profissionais da Educação Social,

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A Associação dos Profissionais Técnicos Superiores de Educação Social (APTSES) é uma ins-
tituição profissional, cujo objectivo é promover e aprofundar o espírito associativo entre os
profissionais de Educação Social, representar os seus interesses e velar pelos seus direitos.
No ano em que faz quatro anos de existência, entrevistamos a presidente da APTSES…

A APTSES surgiu em 2008, mas Risco, Plano DOM e em muitos outros. O que destaca de mais positivo Primeiro, e acima de todas, a defesa Qual a importância de uma Ordem APTSES, iremos investir no departa-
antes disso foi realizado muito tra- Foi também em 2007 que, finalmente, nestes quatro anos de existência? dos seus direitos enquanto profissional. Profissional? mento formativo, no estabelecimento
balho prévio com o I Grupo de Tra- a CNIS, após várias reuniões paritárias, Além disso, os nossos sócios têm ainda de parcerias com outras entidades de
balho dos Técnicos Superiores de acabou por legitimar o trabalho dos Em primeiro lugar, o trabalho que, ape- disponível outros benefícios, nomeada- A essência de uma ordem profissional formação, nomeadamente aquelas que
Educação Social. Como e quando Educadores Sociais, como técnicos su- sar de lento e pouco visível, se tem vin- mente aconselhamento jurídico, acesso é a representação de um corpo, de um forem certificadas. Brevemente, iremos
começou este grupo? periores. A partir desse momento, a ad- do a produzir em proveito da constitui- gratuito a documentação jurídico-legal e todo, no caso, de uma comunidade aproximar a APTSES e os educadores
ministração pública começou, por sua ção da ordem profissional, na melhoria profissional, descontos em serviços par- formada por membros portadores de sociais portugueses aos profissionais e
O grupo iniciou-se em 2001, quando vez, a regular concursos públicos para das condições de trabalho e de vida ceiros, supervisão de grupos, formação condições específicas, uma corpora- associações internacionais, nomeada-
terminei a minha formação académica. técnicos superiores da área da educa- dos nossos profissionais, na defesa dos gratuita e outras acessíveis, entre muitas ção profissional de direito público. Uma mente através da cooperação, mais ou
Na altura, tinha terminado a minha for- ção social. Foi criado um novo código seus direitos laborais, na promoção e a outras vantagens. ordem é constituída por profissionais menos estreita, com os colegas espa-
mação em Educação Social e quando deontológico, adaptado ao perfil de integração social e profissional dos nos- legalmente regulamentados, poderá nhóis, uma vez que tivemos total abertu-
me deparei com o mercado de trabalho técnico superior e uma proposta para o sos sócios nos seus locais de trabalho, Recentemente surgiu uma nova definir que a profissão abrangida exerce ra por parte do Colexio de Educadoras
constatei que, apesar de ter logo em- estatuto da profissão. Com o decorrer como foi exemplo o Plano Dom. Por associação, a APES (Associação função social, ou seja, desempenho de e Educadores Sociais da Galicia, mas
prego, num Centro Social, na cidade de todo este processo, fomos sentin- outro lado, é de destacar ainda o facto Promotora da Educação Social). atividades dos membros, de interesse também com outras associações de
de Espinho, pouco era o conhecimen- do algumas dificuldades de integração de termos conseguido mobilizar outros Qual a posição da APTSES relati- de toda a coletividade e não apenas âmbito mais europeu, caso da FESET,
to efetivo do papel, funções e perfil do no trabalho social, com a resistência e educadores sociais portugueses, que vamente à criação de uma nova das partes envolvidas. Assume, tam- uma associação europeia ligada à for-
Educador Social. Deparei-me com uma rejeição de outras profissões de cariz apesar de recém-licenciados, auxiliam- associação? bém, missões institucionais, como as mação dos educadores sociais, e ten-
dura realidade: o Educador Social era social, mais antigas que, naturalmente, -nos no reconhecimento da profissão. de fiscalização ou acompanhamento taremos contactos e cooperação com
conhecido apenas como alguém que se sentiram invadidas com este novo Inicialmente, eramos apenas dez, atu- A APTSES defende que todas as ini- do fiel cumprimento das leis que dis- a AIEJI, a Associação Internacional de
dinamiza atividades. Papel muito redutor profissional. Para ajudar a reduzir este almente posso dizer que, felizmente, ciativas são positivas, mas não pode- ciplinam matérias e atividades relativas Educadores Sociais. Ainda a este ní-
para a realidade que experienciei en- sentimento de relutância, que ainda hoje já somos mais de uma dúzia. Quantos mos esquecer que a união profissional às suas atribuições e objetivos sociais vel, tentaremos estabelecer contactos
quanto estagiária de Erasmus, em Buc se verifica, o grupo de trabalho decidiu mais profissionais se moverem, mais a é primordial. Não devemos diversificar da profissão, representando-a, discipli- mais próximos com empresas de re-
Vile, Paris-França. Na altura, tinha trazido criar a APTSES, como uma entidade re- profissão é legitimada, murmurada, hon- respostas, ainda mais quando o número nando-a, prestando serviços para o de- crutamento estrangeiras de profissionais
comigo um know-how e um amadureci- guladora da profissão, uma Pré-Ordem rada. Não interessa o que os motiva, de profissionais em Portugal, não é, por senvolvimento da profissão nos campos da área social e educativa. E claro, um
mento profissional muito diferente e foi aí Profissional, no sentido de dignificar a mas sim a vontade de contribuir para o si só, suficientemente representativo. social, técnico e cultural. Outra das suas dos projectos, a Ordem Profissional.
que decidi que tinha que afirmar e difun- profissão e com funções exclusivas de desenvolvimento da profissão. Quanto mais caminhos se criarem, mais finalidades dizem respeito ao assegurar
dir a educação social, que era uma área regulamentar e fiscalizar o exercício pro- corremos o risco de (nos) perder(mos) o acompanhamento da formação dos Ao longo destes quatro anos,
muito mais abrangente do que o mera- fissional, atuar no campo de defesa dos Qual o feedback que a APTSES tem poder de afirmação profissional. profissionais, ao credenciamento de como foi evoluindo a Edu-
mente lúdico. Deste modo, eu e outra interesses da profissão, resumindo ser tido junto dos Técnicos Superiores instituições privadas para certificar pro- cação Social em Portugal?
colega de curso decidimos procurar es- um conselho profissional. de Educação Social, associados e É um dos objetivos da APTSES a fissionais para fins de uso de título de
truturas sindicais que nos ajudassem a não associados da APTSES? criação de uma Ordem Profissio- técnico superior e especialista, dentro Para mim e para os colegas de certeza
proliferar o verdadeiro perfil profissional, A constituição jurídica da APTSES nal dos Técnicos Superiores de de critérios pré-estabelecidos, assim, que lentamente, mas sempre que falo
contactando ministérios, instituições, enquanto associação profissional No cúbito geral, o feedback é muito Educação Social. Como está esse como a defesa da profissão no seio do com outros profissionais, que já estão
como a CNIS, UIPSSS, centros sociais, data de novembro de 2008. Que afirmativo, o que é extremamente po- processo? interesse público e do Estado de Direito. no mundo académico e profissional há
entre muitas outras, assim como, ela- balanço faz do trabalho realizado sitivo porque nos permite equacionar Esta é a missão da APTSES há 4 anos. mais tempo, mas que ainda não estão
borar um perfil profissional, baseado no até agora? o nosso trabalho enquanto associação Esse processo está em marcha há três definidos, nem reconhecidos no tecido
modelo europeu, com correntes espa- e até mesmo a nossa essência. Ape- anos, mas, como todos os processos Quais os projetos futuros da APT- empregador, parece-me que foi muito
nholas e francesas. Após vários con- Trabalhar numa associação e no seu nas se torna amargurada as críticas de deste género, é moroso. Normalmente, SES? rápido. Ainda, esta semana numa reu-
tactos com diversos sindicatos, apenas desenvolvimento é uma árdua tarefa, quem nada faz ou pensa que faz muito os colegas não têm conhecimento do nião com outra associação profissional,
um aceitou representar os Educadores principalmente quando representamos e bem e, pelo inverso, somente auxilia a que envolve todos estes processos le- São muitos, felizmente. Destaco apenas diziam-nos que nós soubemos trabalhar
Sociais que foi o Sindicato dos Traba- uma coletividade, pouca unificada e desvalorização da profissão, com a sua gais, a burocracia, as reuniões partidá- alguns, concretizáveis a curto e médio no reconhecimento e na afirmação dos
lhadores da Saúde, Solidariedade e Se- pouco amadurecida, mas, apesar de falta de profissionalismo, falsa modestia rias, entre outras…e parece que nada prazo: em primeiro lugar, fazer com que TSES, muito velozmente. E esta ideia
gurança Social e, a partir daí, iniciamos tudo, uma “profissão honrada”. O ba- e pouca ética. Mas como dizia a minha se faz, o que não deixa de ser ingrato! a Praxis Educare se constitua uma re- tem sindo veiculada igualmente junto
todo o processo histórico da profissão lanço contudo é positivo, embora lento, avó, não podemos deleitar todos, faze- Mas se olharmos para outros profissio- vista de arbitragem cientifica. É uma ne- de outros profissionais da pedagogia
em Portugal, já conhecido. Formamos ou seja, os processos são demasiada- mos o nosso melhor com vontade de nais de trabalho social, como psicólo- cessidade a insuficiência de referências social e das ciências da educação, que
o primeiro grupo de trabalho em 2001, mente burocráticos e as lutas às vezes criar “valor”. gos, assistentes sociais, entre outros bibliográficas portuguesas, escritas por provêm de áreas que são a base dos
com Educadores Sociais e outros pro- sofredoras e desmotivadoras. Mas é im- colegas, e compararmos, por exemplo, portugueses, nesta área. Para isto, es- conhecimentos teóricos da Educação
fissionais, mas só depois de 6 anos de portante ressalvar que isto não acontece O valor da anuidade e da jóia paga o tempo que a Ordem dos Psicólogos tamos já a estabelecer contactos com Social. Tal como nos confidenciou a Dra
efetivo trabalho, começamos a ter o só com os Educadores Sociais: vejam, nem sempre é compreensível pe- demorou a ser criada e a dos assisten- estabelecimentos de ensino superior Isabel Baptista aquando o II Congresso
retorno desse reconhecimento, através por exemplo, os nossos outros colegas los Técnicos Superiores de Educa- tes sociais que ainda não conseguiu ser que leccionem cursos de Educação So- Internacional de Educação Social, de-
da integração dos Educadores Sociais de trabalho social que têm associações ção Social. Quais as vantagens de formada, podemos concluir que está a cial e temos já o apoio de uma editora. corrido em Guimarães, os profissionais
nas equipas de Rendimento Social de há mais de vinte anos e ainda não con- ser um associado? decorrer dentro do silêncio e da norma- Além disso, iremos continuar a investir da Educação Social, souberam afirmar-
Inserção e, mais tarde, nas Comissões seguiram regulamentar a sua profissão, lidade que é caraterística do processo. no marketing, publicidade e merchan- -se nestes últimos anos mais do que
de Proteção de Crianças e Jovens em nem criar uma entidade reguladora. Ser associado tem sempre vantagens. dising, uma nova imagem do portal da qualquer outro profissional e isso é,

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cial enquanto técnico superior. Agora, de estudos, é muito mais do que isso!
sem dúvida nenhuma, muito positivo.
claro que, desde 2011, não podemos Passa logo pela formação pessoal, éti-
enquadrar nesta análise, pois os fatores ca e processo educativo do profissional.
Neste momento, um dos princi-
pais problemas no que respei- influenciadores dos atuais indicadores
são muito diferentes e marcados pela Como perspetiva a Educação So-
ta aos Técnicos Superiores de
completa falência do país. Penso que cial nos próximos quatro anos?
Educação Social diz respeito à
empregabilidade. Que feedba- as escolas, institutos e universidades
têm ainda muito que fazer neste campo Com muito trabalho! Trabalho árduo,
ck têm tido das entidades em-
da empregabilidade. Gostava de deixar com pessoas que nos reconhecem va-
pregadoras quanto à formação e
esse convite, desde já em aberto, para lor e outras que nos criticam. Umas que
perfil profissional dos Técnicos
trabalho conjunto. Existem um con- muito farão pela profissão, outras que
Superiores de Educação Social?
junto de fatores que é necessário mu- dizem fazer tudo e nada fazem… Mas,
dar e esses fatores estão identificados acima de tudo, com mais maturidade
Sabe que não é um problema exclusivo
profissional e associativista… mais per-
Opinião
dos Técnicos Superiores de Educação pela APTSES que tem uma correlação
entre o campo académico e o campo to da concretização de projetos já em
Social, mas sim um problema de todos
profissional. Em breve tomaremos uma agenda, todos em prol da educação
os quadros profissionais. Infelizmente é
posição sobre esta matéria. No entanto social em Portugal. Tudo pelo protago-
um problema que afeta a maior parte

EDUCADORES SOCIAIS:
e apesar de necessitarmos de algumas nismo da profissão e dos seus profis-
da Europa. Se compararmos as taxas
melhorias, os próprios profissionais, o sionais. Posso deixar uma mensagem
de empregabilidade, desde 2000 até
mundo académico e a as associações a todos os colegas que tiveram paci-
2010, vemos que nesses últimos dez
têm contribuído para a afirmação e en- ência de ler esta entrevista até ao fim?
anos, a empregabilidade dos profissio-

UMA IDENTIDADE PROFISSIONAL


quadramento da profissão. O feedback A educação social não pode continuar
nais da Educação Social foi sempre a
habitualmente é positivo, mas claro que a ser vista como uma área onde todos
subir. Aliás, houve um estudo do IEFP,
existem más experiências, que também opinam! Ela tem de ser trabalhada pelos
penso que em 2009, cujos indicadores
nos chegam pelas entidades. Obvia- próprios profissionais, tem de se basear
demonstravam precisamente que os

EM CONSTRUÇÃO
mente que isso acontece, muitas ve- em saber cientifíco de qualidade, tem
técnicos superiores de educação social
zes, mais pelas caraterísticas pessoais de ser amada, cuidada e desenvolvi-
tinham mais empregabilidade que os
do próprio técnico superior de educa- da. Para isso é necessário investir na
colegas assistentes sociais. Isto deveu-
ção social, mas também pelas lacunas formação permanente e interdisciplinar.
-se essencialmente ao facto de terem
sido criadas vagas específicas para en- formativas e científicas. Ser educador
quadrar o novo perfil do Educador So- social não é só tirar um primeiro ciclo

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“A identidade profissional corresponde sem-
pre a um caminho em aberto, como foi dito,
mas isso não significa que estejamos perante
um processo contingente e que, como tal,
que foge à nossa responsabilidade.”
Isabel Baptista

As profissões, tal como as pessoas, têm necessidade de ser ta suficiente para os problemas de autonomia e bem-estar das go da vida num quadro de intervenção sociocomunitária. Retomo assim o sentido da minha saudação inicial, felicitando
“com e para outros” e por isso precisam de se apresentar e pessoas, a pertinência da educação social surge necessaria- os promotores da Praxis Educare. Grata por ver o meu nome
de se expressar publicamente para que possam desenvolver- mente reforçada. Esta constatação conduz-nos, porém, ao A identidade profissional corresponde sempre a um caminho associado ao primeiro número de tão significativa publicação,
-se, mantendo-se vivas, dialogantes e atuantes. Na minha reconhecimento de novas responsabilidades e de novos de- em aberto, como foi dito, mas isso não significa que esteja- só posso desejar o maior sucesso a um projeto editorial como
perspetiva, a produção, a partilha e a divulgação de conheci- safios profissionais, apelando a um esforço acrescido de defini- mos perante um processo contingente e que, como tal, que este, destinado a “dar vez e voz” aos educadores sociais.
mento autónomo constituem requisitos fundamentais em ter- ção dos atributos que caracterizam a autoridade distintiva dos foge à nossa responsabilidade. Bem pelo contrário. É neces-
mos de identidade profissional. Saúdo neste sentido a primei- educadores sociais. Entre estes desafios, destaco os que se sário reflectir, em permanência, sobre o rumo que queremos Isabel Baptista 1, novembro de 2012
ra edição da Praxis Educare, um espaço de escrita nascido referem ao conhecimento científico, à formação contínua, à ex- dar à nossa profissão, sobre os valores e os padrões de de-
1 Professora Associada na Faculdade de Educação e Psicologia –
no seio da comunidade profissional dos educadores sociais plicitação deontológica e ao associativismo socioprofissional. sempenho que devem sustentar o “ethos” da educação so- Universidade Católica Portuguesa. ibaptista@porto.
e que, por certo, marcará a história da profissão em Portugal. cial, enquanto atividade profissional específica, qualificada e
No caso português, o processo de afirmação identitária dos credibilizada. É preciso não esquecer que a chegada a uma
Por definição, quer sejam equacionados no plano individual educadores sociais evoluiu nos últimos anos por aproximação profissão implica sempre um movimento de dupla inclusão.
ou no plano coletivo, os processos de construção de iden- ao universo do trabalho social. Uma aproximação justificada, Implica, por um lado, a entrada num determinado setor de
tidade são sempre processos estruturalmente dinâmicos e desde logo, pela proximidade de contextos de trabalho e de serviço público, numa relação de serviço com as pessoas
abertos. Este princípio geral assume, no entanto, particular destinatários, pessoas e grupos humanos em situação de vul- a cargo, mas implica também, e forçosamente, a inserção
evidência quando nos referimos à história da profissão de nerabilidade ou exclusão social, mas que acabou por gerar numa comunidade particular, composta por outros compa-
Educador Social. Recorde-se que no nosso país a Educação um certo obscurecimento da referência matricial à Pedagogia nheiros de profissão. Uma comunidade profissional regulada
Social surge já finais do século XX, primeiro com a criação Social, enquanto saber epistemologicamente indexado às ci- por princípios e valores muito próprios, expressivos da sua
dos cursos técnico-profissionais de Educação Social, na altu- ências da educação. Com efeito, a relação entre Pedagogia autonomia e que, constituindo elementos internos agregado-
ra equivalentes ao 12º ano de escolaridade, mais tarde com Social e Educação Social permanece um dos pontos fortes res e estruturantes das práticas, funcionam ao mesmo tempo
os bacharelatos em Educação Social promovidos pelas Es- de reflexão no âmbito da racionalidade sociopedagógica. É como indicadores fundamentais de credibilização externa.
colas Superiores de Educação e por fim com a primeira licen- verdade que os educadores sociais portugueses não hesitam Por esta razão, as questões de ética e de deontologia pro-
ciatura concretizada pela Universidade Portucalense (1996- em situar-se no campo científico da Pedagogia Social, mas fissional deverão constituir uma preocupação central para os
2000). Ou seja, apenas uma década depois da entrada no esta disciplina nem sempre aparece formalmente contem- educadores e para as suas estruturas representativas. Até
mercado de trabalho dos primeiros técnicos de educação plada nos planos curriculares dos cursos de formação inicial porque, sem uma definição clara e exigente de padrões de
social portadores do grau de licenciatura, podemos dizer que ou contínua. Por outro lado, importa considerar a pluralidade conduta profissional, os processos de reconhecimento pú-
estamos perante uma profissão imprescindível, reconhecida- de técnicos de intervenção socioeducativa, animadores so- blico ligados à regulação de carreiras e à formalização de es-
mente amadurecida e respeitada. Uma profissão que ajuda cioculturais e outros, que hoje reclamam a Pedagogia Social tatutos laborais, perderão toda a sua consistência e eficácia.
a produzir diferença positiva junto de pessoas e grupos hu- como saber profissional de referência. O que é que realmen- Mas importa não esquecer que, em última análise, a deonto-
manos, influenciando decisivamente as políticas sociais e a te queremos dizer quando falamos em Pedagogia Social? logia representa uma exigência interior à profissão, traduzin-
intervenção de uma pluralidade de atores, de instituições, Quais os valores que aproximam e separam os diferentes do os padrões de dignidade e de qualidade ética assumidos
serviços e organismos públicos. E isto deve-se, em boa me- perfis profissionais? Que saberes sustentam a autoridade dos pelos próprios sujeitos da ação, por todos e por cada um.
dida, à participação dos próprios educadores sociais, à forma educadores sociais em situação de diálogo interprofissional?
como têm sabido inscrever o seu poder “de rosto e de assi- Conforme tenho vindo a defender publicamente, os educa-
natura” nos diferentes contextos de praxis sociopedagógica. A resposta a estas questões apela a uma reflexivida- dores sociais são detentores de um saber pedagógico espe-
de crítica exigente e que deverá ser amplamente parti- cializado, encontrando-se em posição de fazer subordinar as
Afirmo por isso, e sem hesitação, que os educadores sociais lhada no seio da comunidade profissional, com conse- interpelações da nossa contemporaneidade ao lado mais lu-
representam hoje o grupo profissional que no nosso país, quente tradução em trabalhos académicos e científicos. minoso da condição humana. É na aptidão para promover as
melhor corporiza o património histórico da Pedagogia Social, Uma reflexividade que precisa atender também à emer- condições de perfectibilidade e educabilidade de todas as pes-
tradicionalmente associado às práticas de beneficência e de gência de novos domínios de intervenção sociopeda- soas, em particular das mais vulneráveis, que se situa o ponto
ajuda. Ora, numa época de crise social generalizada, onde se gógica situados para lá do universo estrito da exclusão de ancoragem essencial do “ethos” (do carácter) da educação
torna cada vez mais evidente que a existência de mecanismos social, como aqueles que se referem, por exemplo, à social. Um ethosprofissional particularmente relevante mas que
de protecção e assistência deixou de funcionar como respos- mediação de aprendizagem social ou formação ao lon- precisa ser mais valorizado, mais conhecido e reconhecido.

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I. A discussão sobre a eclosão e a expansão da Edu- científico-metodológica, técnica, pessoal e social; pelas inú-
cação Social, enquanto ação psicossocial e educativa, não meras oportunidades que os estágios curriculares desenca-
pode ficar alheada dos muitos contributos já existentes sobre dearam de disseminação de novos campos de atuação do
esta matéria. No essencial, podemos sistematizar um conjun- educador social; e, não menos importante, pela possibilidade
to de razões que estão na sua origem: complexidade cres- de articular teoria e prática, nomeadamente no desenho e o
cente das sociedades e consequente aumento dos setores desenvolvimento de projetos de Educação Social concebidos
desfavorecidos; agudização dos fenómenos de exclusão so- localmente, que os profissionais com formação superior pas-
cial e da falência dos processos assistenciais e de interven- sam a estar habilitados. Esta última conquista tem um especial
ção tradicionais; maior consciência da responsabilidade face significado em Educação Social, na mesma medida em que se
aos novos problemas sociais; emergência de novas políticas defende a não compartimentação entre pensar e agir, mas sim
sociais e novas formas do Estado Providência; mudanças do um pensamento dialético que se produz na união do pensa-
conceito de educação, nomeadamente no que se refere à mento abstrato com o conhecimento concreto e a experiência.
sua função permanente, aos novos contextos e populações
a que se refere. (Petrus, 1998; Esteban, 1999; Carvalho & Desde então, proliferaram formações de educadores sociais

Artigos
Baptista, 2004). Segundo Martínez (1991, In Petrus, 1998) a em várias outras instituições de ensino, públicas e privadas, in-
democratização das sociedades e a exigência dos sistemas cluindo cursos com outras designações como Educação So-
de proteção social têm sido, possivelmente, os dois principais cioprofissional ou Educação Social Gerontológica, apesar de
fatores do desenvolvimento da Educação Social, num cenário este processo não ter sido acompanhado até à data de uma
de progressiva valorização dos direitos humanos onde os ide- estratégia nacional, nem quando os cursos foram adequados
ais humanitários, de igualdade e de justiça social impulsionam ao Processo de Bolonha (Canastra, 2011). A lógica difusa que
o estabelecimento de medidas de política social. Conforme a predomina “quer em termos de matriz disciplinar específica,
Declaração de Montevideu evidencia no seu primeiro ponto, quer no que toca ao perfil de saída” (idem, 21), sem definição de
um “referente mínimo” comum às diferentes formações, conti-
“reafirmamos a existência da educação social como um sa- nua a ser uma realidade na formação dos educadores sociais.
ber específico orientado para garantir o exercício dos direitos Veja-se a este propósito a diversidade de perfis de competên-
dos sujeitos (…) que requer o nosso permanente compro- cias ou ainda as distintas áreas disciplinares das licenciaturas.
misso nos níveis éticos, técnicos, científicos e políticos”
(AIEIJ, 2005). Na América Latina, o surgimento da Educação Social está
vinculado a percursos históricos de luta pela paz, de demo-
A Educação Social, embora recente, é já uma área de interven- cratização, de solidariedade e de participação dos povos ou
ção relativamente consolidada em diversos países europeus e ainda a perspetivas de desenvolvimento humano sustentável
da América Latina, assumindo configurações diferenciadas em (Ribeiro, 2006). Se no Chile, a emergência da Educação So-
cada contexto específico, aspeto que não está desligado da cial acompanha a necessidade de promover a inserção e a
história da própria Educação Social e das perspetivas forma- participação dos povos “na nova sociedade global do conhe-
tivas igualmente diferenciadas. Temos, por um lado, modelos cimento” (Martinez, 2004 In Ribeiro, 2006), no Uruguai e no
de formação com tendência a definir áreas de especialidade da Brasil, começa a estruturar-se no âmbito dos processos de
Educação Social, como a educação especializada na França, redemocratização de ambos os países. Próxima da educação
Bélgica, Holanda, Suíça e Espanha, dirigida essencialmente popular, a Educação Social nestes países, afirmou-se como
a populações com dificuldades específicas, como por exem- alternativa e complementar à educação formal, e crítica tanto
A EVOLUÇÃO DA EDUCAÇÃO SOCIAL: PERSPETIVAS E plo crianças e jovens em situações de risco; por outro lado,
modelos com tendências polivalentes que floresceram em
em relação à escola como instituição formal, como em re-
lação à sociedade que produz e reproduz desigualdades e
DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS países como Portugal e em vários outros da América Central vulnerabilidades sociais. Neste sentido, a Educação Social,
e do Sul e que preveem um campo lato de intervenção, in- norteada pela defesa coletiva de direitos humanos, próxima

Isabel Timóteo cluindo a prevenção primária, secundária e terciária junto de


populações com ou sem dificuldades, genericamente voltado
de movimentos sociais populares ou mais institucionalizada,
exige do educador social ação militante enquanto ator com-
Equiparada a Assistente. Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto. InEd/ESE.isabeltimoteo@ese.ipp.pt para a formação dos cidadãos e para o desenvolvimento hu- prometido com a mudança (Ribeiro, 2006). Os educadores
mano (Pérez Serrano, 2003; Sedano, 1994; Ribeiro, 2006). de rua emergem também nestes países, nomeadamen-
te no Brasil, associados a movimentos de luta das classes
Resumo Em Portugal, foi com a abertura dos bacharelatos em Educa- populares, como é exemplo o Movimento dos Trabalhado-
Sem pretensões de retratar a história da Educação Social, mas não ignorando que é também ela ção Social nas Escolas Superiores de Educação do Instituto res Sem Terra, contribuindo para configurar novas relações
que nos enforma, enquanto educadores sociais potencialmente capazes de mapear a história da Politécnico do Porto e do Instituto Politécnico de Santarém, entre trabalho e educação, entre sociedade e educação.
respetivamente em 1993 e 1994, que se iniciou um novo ci-
nossa vida, pretende-se abrir espaço para a reflexão acerca das perspetivas em Educação Social clo para a Educação Social enquanto formação superior. Até à Na Europa, podemos referir-nos a duas tradições históricas
e de alguns dos desafios atuais, desencadeados em grande parte pelos contextos adversos em data, a formação de educadores sociais fazia-se em escolas da Educação Social (Cabanas, 1998), uma que a perspeti-
que vivemos. O individualismo como característica da atualidade, a excessiva responsabilização profissionais e técnico-profissionais, com equivalência ao en- va como formação para a socialização e a segunda como
dos sujeitos pelas suas situações de vida e as ações de controlo social, como riscos da ação sino secundário. Esta evolução, de uma perspetiva técnica da forma educativa do trabalho social ou como ação social.
Educação Social para uma perspetiva simultaneamente de in- A primeira tradição histórica, que terá dado origem ao con-
social e educativas, são algumas das questões discutidas que podem contribuir para configurar tervenção e de investigação psicossocial e socioeducativa, foi ceito clássico de educação social, remonta a dois peda-
a Educação Social. um marco decisivo para a evolução da Educação Social em gogos: Adolfo Diesterweg (1790-1866), pedagogo ale-
Portugal: pela produção de conhecimento em diversos domí- mão, e Ruiz Amado (1861-1934), pedagogo espanhol.
nios da intervenção social; pela preparação mais aprofundada
Palavras-chave: Educação Social, desafios, participação, emancipação, compromisso. e integrada de futuros profissionais nas diferentes dimensões

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Os seus contributos - histórica, política e socialmente con- didática do social, concebida como uma espécie de ciência -mento social e adaptação à ordem), como vimos no pri- do pleno desenvolvimento do ser humano e da sociedade,
textualizados - referem-se à Educação Social como uma das da intervenção ou de técnica face aos problemas sociais meiro grupo de perspetivas, esta conceção de trabalho so- necessita de ser ela própria transformativa, assumindo a per-
componentes da educação do ser humano e que se con- (Petrus, 1998), traduzindo-se, em última análise, numa didá- cial e educativo evidencia a dimensão educativa da ação manente ligação à vida e às suas constantes reconfigurações
funde com educação moral, religiosa e política. Uma Educa- tica do social acrítica que recusa princípios de participação social que se faz em larga medida por via da participação. sociais, assumindo-se igualmente como resposta social em
ção Social que pretende inserir o indivíduo no seu grupo e democrática, desvaloriza processos e foca-se nos resulta- A Educação Social como trabalho social e educativo as- desenvolvimento, devidamente ancorada numa permanente
ensinar-lhes as regras de convivência que poderão ir desde dos. Aliás, o excessivo foco nos resultados ou na solução senta na necessidade de se encontrar novas respostas reflexão sobre o sentido da sua existência. Para esta desig-
as práticas de justiça, cooperação e solidariedade ao incre- última de um problema inibe a reflexão e o questionamen- educativas perante os novos desafios que emergem da nação, Educação Social Transformadora e Transformativa,
mento do seu sentido patriótico. Á mercê de determinadas to acerca da origem desse mesmo problema e acerca dos sociedade contemporânea e que não se compadecem partiu-se, por um lado, dos contributos de Coimbra de Matos
crenças ou ideologias, a Educação Social tanto se apresen- princípios éticos que suportam determinadas soluções (Diaz, com respostas da intervenção tradicional assistencialista. (2004) sobre o perfil do analista como objeto transformacio-
tava como uma educação social de base cristã “que procura 2006). Também a Educação Social entendida como preven- nal, “transformador e transformativo que transforma o outro e
educar o homem como naturalmente destinado a viver em ção e controlo social, para além de se inscrever igualmente Na mesma ordem de ideias, a Educação Social como aqui- se transforma” (idem, 30) e, por outro lado, de Giroux (1990)
sociedade” (Ruíz Amado, 1920 cit. por Cabanas, 1998, p.74), numa lógica de “evitamento” e de “tratamento” dos proble- sição/desenvolvimento de competências sociais, tem igual- no que se refere aos educadores como intelectuais trans-
como um meio de socializar as populações para a educação mas sociais, fica ao serviço da ordem social (dominante): mente como objetivo a educação para a participação so- formativos, capazes de integrar pensamento e ação e de,
socialista, conforme a apropriação que a ex-República Demo- cial (Petrus, 1998). Acrescentamos à designação original, comprometidos com uma atitude auto-crítica e reflexiva, con-
crática da Alemanha fez da obra pedagógica de Diesterweg “aquisição de competências sociais”, a expressão “desen- tribuírem para uma intervenção consciente e transformativa.
como meio de propaganda ideológica. O segundo momento “A educação social entendida como prevenção do desvio volvimento”, pela importância de considerar as competên-
histórico que contribuiu para reconfigurar a Educação Social social, e como controlo desse mesmo desvio, supõe um cias que os sujeitos já detenham e, num processo mais di- A aproximação da Educação Social à Teoria Crítica, enquanto
refere-se ao período pós primeira guerra mundial na Alema- conjunto de procedimentos utilizados pelas sociedades mais nâmico do que estático (que parece caracterizar a primeira educação emancipatória, permite ir para além da reprodução
nha. Num ambiente de profundo agravamento de problemas avançadas a fim de que todos os seus membros observem expressão), partir delas seja para a sua consolidação, seja social e cultural, em busca da produção reflexiva de novas
sociais e humanos, gerou-se um movimento pedagógico aquelas normas de conduta consensuais e catalogadas para a sua redefinição, ou para a construção pessoal de no- formas de conceber o mundo e de nos situarmos nele, onde
especialmente preocupado com os jovens – surgimento como necessárias para conseguir a ordem social” (Petrus: vas competências sociais. A Educação Social será a ação o caminho da aprendizagem seja feito pelos atores, capa-
de várias organizações juvenis, de lugares educativos e de 1998, p.28). educativa com vista à formação, à aquisição de compe- zes de mapear a sua vida e de interferir nos seus contextos.
universidades populares – num ambiente de forte produção tências dos sujeitos, dos grupos e das comunidades para
legislativa sobre a proteção de crianças e jovens e, pela pri- uma integração social ancorada na progressiva capacidade Com base neste enquadramento, a educação, enquan-
meira vez nesta matéria, o princípio educativo sobrepõe-se Subscrevendo Isabel Baptista (1998), os educadores sociais de tomada de consciência de si e dos problemas sociais. to processo gradual e continuado de desenvolvimento,
ao princípio punitivo. A Educação Social assume-se a par- não podem ser vistos como uma espécie de guardas de fron- visa capacitar as pessoas para se tornarem mais capa-
tir desta data especialmente dedicada a populações juvenis teira a quem caberá vigiar as margens definidas pela socieda- A Educação Social é também considerada como ação so- zes de se entenderem a si próprias, de entenderem os
em situação de risco, tanto numa perspetiva preventiva como de e reencaminhar os transgressores. cioeducativa ou ajuda educativa a pessoas ou populações outros e o mundo em que vivem, com vista à mudan-
numa outra perspetiva de recuperação e ressocializadora. específicas. Vários autores criticam a excessiva relação entre ça no sentido de melhor qualidade de vida (Lima, 2003).
No que se refere ao segundo grupo de perspetivas, que po- a Educação Social e a intervenção junto de atores que vivem
Este segundo momento histórico foi um marco decisivo no demos designar de educativo e educador, a Educação Social nas “margens” da sociedade, nas áreas-limite de exclusão Ora, a ação socioeducativa do educador social tem vindo a
alargamento das fronteiras da Educação Social (Bertão & como trabalho social e educativo evidencia, por um lado, a social ou de risco social (Petrus, 1998) que corresponderiam ser construída ao longo dos tempos, em grande medida, a
Timóteo, s/d), passando-se de uma perspetiva de gené- aproximação da Educação Social ao Trabalho Social e, por à educação social reeducadora, segundo a classificação partir das práticas dos próprios educadores sociais (Pérez
rica formação para a socialização, para uma outra perspe- outro lado, o compromisso educativo que vem dar especifi- de Cabanas (2000 referido por Baena, Saénz & Cabanas, Serrano, 2003). É no tecido sociocultural, nas instituições
tiva mais ampla e plural, no que se refere a novos contex- cidade ao trabalho social. É habitual os educadores sociais 2002). Considerando que estes setores constituem campos e nos projetos de cariz psicossocial e educativo, que estes
tos e a populações específicas, nomeadamente crianças definirem-se como trabalhadores sociais (Petrus, 1998; Bap- de especial interesse na sociedade de bem-estar e compre- profissionais desenvolvem e mostram as suas competên-
e jovens em situação de risco. “Terá sido, provavelmen- tista, 2001), seja pela partilha de características com as ações endendo ainda a necessária priorização de necessidades, a cias e, por outro lado, é nestes mesmos espaços socioins-
te, este alargamento que possibilitou a gradual amplitu- de outros trabalhadores sociais, seja pela referência ao mes- Educação Social tem funções não menos importantes que titucionais que se vão configurando práticas de intervenção.
de que a Educação Social tem vindo a assumir, podendo mo território de intervenção. No entanto, o trabalho social é não se esgotam neste âmbito de intervenção: a promo-
desenvolver-se hoje em dia com populações de todas as concebido a partir de uma perspetiva educativa que procu- ção da qualidade de vida de todos os cidadãos e a ado- Tratando-se de uma área de investigação e de intervenção social
idades, com base em lógicas de prevenção ou de reinser- ra superar lógicas de ação assistencialistas rumo a lógicas ção de estratégias de prevenção de desequilíbrios sociais. e educativa com clara intencionalidade prática de transforma-
ção psicossocial social e em diferentes contextos” (idem). centradas na população com vista à sua capacitação e ao ção social, é no terreno que podemos acompanhar os proces-
seu desenvolvimento (Bertão & Timóteo, s/d). Referimo-nos Partindo deste último conjunto de conceções e conforme se sos de reconfiguração da profissão. O que fazem os educado-
É com base nestas duas tradições, que se desenvolvem dis- a um compromisso educativo onde, por um lado, os sujeitos defendeu anteriormente (Timóteo, 2010; Bertão & Timóteo, res sociais nos seus locais de trabalho? Como o fazem? Para
tintas perspetivas da Educação Social (Cabanas, 1998; Es- possam protagonizar, a partir dos seus saberes e das suas s/d), parte-se de uma conceção de Educação Social de forte quê? Com que resultados? Como produzem conhecimento?
teban, 1999; Parcerisa, 1999; Petrus, 1998; Pérez Serrano, culturas, o seu desenvolvimento, nomeadamente através da cariz emancipatório, transformadora e transformativa. Em rutu-
2003), que foram então organizadas em dois grandes grupos sua participação consciencializada na vida comunitária e so- ra com o registo assistencialista (de base positivista), parte-se É esta mesma via prática de configuração da profissão que
(Timóteo, 2010; Bertão & Timóteo, s/d;): um que aproxima cial e, por outro lado, à mudança da realidade social injusta de uma visão de um mundo que se deseja mais igualitário, tem permitido aos diferentes autores que se debruçam sobre
a Educação Social à didática do social, adaptação, socia- e com uma maior incidência sobre as causas que geram es- solidário, inclusivo e democrático, e tendo por base a visão esta matéria, classificar os âmbitos de intervenção do edu-
lização, transmissão dos valores educativos e prevenção e sas mesmas desigualdades. A participação social, como eixo do ser humano como capaz de se olhar e olhar o mundo de cador social, também denominados de espaços profissio-
controlo social; no outro grupo, incluem-se as perspetivas central do trabalho social e educativo é, neste sentido, a via forma crítica e informada e capaz de resolver os seus proble- nais. Sendo várias as classificações propostas de organiza-
da Educação Social como trabalho social e educativo, como privilegiada para se recriarem ligações entre sujeitos e entre mas, num quadro de valores necessariamente inteligíveis e ção dos âmbitos de ação em Educação Social e os critérios
ajuda a pessoas ou grupos em situações de maior vulnerabi- sujeitos e o seu ambiente, sendo perspetivada como um di- conscientes. Num contexto de valorização de uma educação que lhes subjazem, identificamos na pluralidade de propostas
lidade social, como aquisição de competências sociais. No reito de inserção e como um meio de integração social ativa, que seja para todos e durante toda a vida, conforme preco- as seguintes possibilidades (não se tratando de categorias
primeiro grupo de perspetivas, destaca-se um sentido nor- por via da construção da identidade e da valorização pessoal niza a UNESCO, muito para além da educação formal e es- mutuamente exclusivas): a) intervenção com população de
mativo e adaptativo da Educação Social: “tornar-se membro e sociocultural. Segundo Carvalho e Baptista (2004), a lógica colar, a Educação Social apresenta-se como possibilidade de todas as faixas etárias; b) intervenção com pessoas e co-
da sociedade”, “conseguir a perfeita integração social”, como propriamente educativa da Educação Social surge em alter- intervenção educativa sobre as questões sociais. Em particu- letivos com problemas específicos (por exemplo, população
referem Baena, Saénz & Cabana (2002), ou ainda “formar nos nativa à lógica estratégica da ação política que prevalece, de lar quando contribui para a implantação, no tecido social, de toxicodependente, pessoas que se prostituem); c) interven-
grupos pautas comportamentais de convivência” (Cabanas, uma maneira geral, no trabalho social, embora este seja tam- intervenções de cariz emancipatório porque dotadas de pres- ção ao nível da prevenção primária, secundária e terciária;
1998) são alguns dos fins expressos da Educação Social. A bém configurado a partir do contexto institucional em que se supostos, objetivos, funções e modos de atuação muito dis- d) intervenção em meio aberto (como o âmbito comunitário
função instrumental que estas perspetivas atribuem à Educa- inscreve. Ao contrário de uma conceção de Educação Social tintos. Uma Educação Social que se assume transformadora ou a rua), semiaberto (como os centros de dia) e fechado
ção Social é notória na conceção de Educação Social como que visa a socialização dos sujeitos (entendida como ajusta- das realidades sociais injustas, opressoras e incapacitantes (como lares de infância e juventude); e) intervenção em con-

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-textos diversificados como a rua, o bairro, a escola, a família, uma responsabilização dos sujeitos pela sua situação (Gel- Como se responsabiliza os sujeitos “pela sua sorte”, é mais fá- que a balança está atualmente desequilibrada, com um maior
a comunidade, a instituição; f) intervenção que incide sobre ford, 1999 In Hespanha & Matos, 2000) e o risco de serem cil de adotar medidas repressivas que mais do que não fazem peso de ações de tipo “asfaltadoras” sobre as ações de tipo
áreas de inserção social, profissional, de saúde, de cultura, punitivas na sua aplicação (Heikklä, 1999 In idem). Muitas do que promover “uma ilusão de autoridade ou uma ilusão de “desempedradoras”, enquadradas num processo de “retorno
de educação, de formação permanente, de ócio (Pérez Ser- destas medidas de política social, pedindo/exigindo ao sujeito disciplina (…) iludir o problema, aumentar a relação de medo, da assistência” (Soulet, 2011), cabe questionar se não es-
rano, 2003; Petrus, Romans & Trila, 2003; Romani,1998). que partilhe responsabilidades, como via para o gradual aces- de instabilidade e de vingança, sem de facto intervirem ou taremos perante a necessidade de investir a Educação So-
so à plena cidadania, traduzem-se numa obrigação de “par- inveterem as dinâmicas efetivas que estão na origem da sua cial de algum ativismo, aproximando-se mais das pessoas e
ticipar” muitas vezes como justificação e contrapartida para produção.” (Rodrigues, 2010, p.212). Mais importante ainda, dos coletivos sociais, das suas necessidades e interesses,
II. A configuração da Educação Social na atualidade não o que se está a receber. Se, por um lado, esta conceção e é o facto de estas medidas repressivas tenderem a “confundir mesmo que para tal seja necessário fazer um movimento
pode estar desligada de características da sociedade do risco prática de participação é antagónica daquela que se defende as políticas sociais de combate aos fatores de risco com medi- oposto de alguma desinstitucionalização da Educação Social.
que assolam o nosso quotidiano. As inúmeras perplexidades em Educação Social, por outro lado, ao colocarem a tónica das de combate aos indivíduos em situação de risco” (ibidem). Como ambos os tipos de ação partilham uma “vontade mais
decorrentes do projeto da modernidade, a crise do (quase) no individuo, reduzem a responsabilidade social à responsabi- ou menos oculta de ter influência sobre os sujeitos, sobre
Estado-providência e o aumento das desigualdades, a união lidade do próprio sujeito, aumentando as exigências e as con- Decorrente desta pressão social e política, também o risco da os grupos e sobre as organizações” (idem, 67), é imperativo
entre liberalismo e democracia, a globalização desterritoriali- trapartidas requeridas aos indivíduos. Ora, a partir do momen- ação social se confundir em demasia com uma ação de con- manter alguma vigilância para que prevaleça o princípio do
zante, parecem dar corpo à atual sociedade do risco (Beck, to em que o dever do sujeito (em se responsabilizar ou em dar trolo social aumenta, por exemplo, por via da fiscalização das respeito pela vontade, pelos desejos e pela autodetermina-
1996). Pensando na designação genérica do bem comum, uma contrapartida ao benefício que recebe) substitui o direito situações de vida que os profissionais passam a exercer, tam- ção das pessoas. Colocar sempre no centro da ação edu-
conforme alerta Sousa Santos (1998), as sociedades politi- à proteção social, desloca-se o foco do direito universalista à bém pressionados pela estrutura hierárquica. Enquanto “ins- cativa o(s) sujeito(s) e a(s) comunidades(s), num movimento
camente democráticas são, ao mesmo tempo, socialmente proteção social para um foco individualizado e condicionado. petores sociais”, papel potenciado pelo desempenho de fun- endógeno de descoberta e de compreensão das necessi-
fascistas porque com o estado enfraquecido, a sua dimensão Esta responsabilização do sujeito aumenta tanto mais quanto ções no âmbito de determinadas políticas sociais e educativas dades sociais, dos problemas e das potencialidades. Um
de redistribuição vai-se desvanecendo, facilitando a compa- mais se reproduzem determinados mitos sobre o welfare (Spi- institucionalizadas, os profissionais privilegiam a regulação so- movimento educativo e educador que procure contribuir para
tibilidade do capitalismo “selvagem” com a democracia, que cker, 2002), tal como o de que a proteção social, só por si, cial e a manutenção da ordem dominante e colocam o sujeito que todos sejamos mais capazes de intervir sobre as nos-
assim só pode ser de “baixa intensidade” (Sousa Santos, deveria resolver o problema da pobreza persistente ou o mito mais como objeto do que sujeito da ação, a maior parte das sas vidas e no nosso mundo, de forma reflexiva e consciente.
1998). As pessoas precisam, então, de ser protegidas dos de que a “generosidade extravagante” das medidas de pro- vezes num processo pouco compatível com a capacitação
seus próprios Estados. Beck (1996) refere-se igualmente ao teção social incentiva à permanência as medidas. Este mito, das populações e com o desenvolvimento da sua capacidade O processo de investir a Educação Social de um cariz um
paradoxo de quem detém a responsabilidade de proteção relativo à dependência que a “generosidade” da política social crítica e reflexiva. Neste contexto, e recuperando contributos pouco mais “desempedrador”, e de a libertar da função de
social ter-se convertido em autênticas ameaças para o siste- provoca, ou lido no sentido inverso, de que o incentivo à au- de Habermas, acresce a importância de não se reduzir o “tra- controlo social, está necessariamente associado à partici-
ma jurídico, a prosperidade e a liberdade. Os riscos, difíceis tonomia dá-se na proporção direta da redução monetária dos tamento” dos problemas sociais e políticos a uma solução pação de todos os sujeitos na vida coletiva. A participação,
de hierarquizar, sentem-se no local de trabalho, na saúde, benefícios, parece servir lógicas liberais de ataque à proteção de racionalidade técnica, não transformando “tarefas práticas” concebida como direito e dever de cidadania, é talvez a
na família, no meio ambiente, sejam riscos globais ou locais social e, especificamente, dos indivíduos supostamente pro- em “tarefas técnicas” que exigiriam, por sua vez, soluções de principal característica educativa da Educação Social. É por
e o contexto de permanente austeridade que caracteriza as tegidos pelo sistema. Aumenta ainda a pressão sobre o sujei- especialistas tecnocratas nunca sujeitas a discussão pública. via da promoção e da defesa da participação dos sujeitos
políticas contemporâneas dos estados de welfare (Pierson, to na mesma medida da perceção de que o welfare é para os e das comunidades, que a Educação Social pode contribuir
2002), ensaia outros princípios de proteção social, tenden- pobres, um outro dos mitos identificados por Spicker (2002). A este respeito, cabe recuperar a reflexão de Marcel Bolle de para que as pessoas reinventem novas formas de se ligarem
cialmente liberais e configura novas práticas de ação social. Bal (2000) acerca do trabalhador social como “desempedra- entre si e de se ligarem aos contextos onde se movem, fa-
Como Hespanha & Matos (2000) tão bem ilustram com a as- dor” ou como “asfaltador”: zendo-o num processo de (re)descoberta de si e dos outros,
As características individualistas da contemporaneidade tam- sociação ao “princípio da cenoura e do cacete”, com uma assumindo-se gradualmente como sujeitos da ação. Estas
bém são extensíveis à intervenção social e educativa, tenden- mão apresentam-se determinadas regalias e com a outra, “Lembram-se, em Maio de 68, os estudantes parisienses serão as condições necessárias para que as mudanças se
cialmente individualizada e menos coletiva. A título de exem- esclarecem-se as contrapartidas exigidas - a maioria das em fúria a arrancar as pedras da calçada da rua Gay-Lussac operem “de dentro para fora”, num processo de maturação
plo, refira-se a escassa intervenção de cariz comunitário, não vezes sem qualquer participação do sujeito na decisão so- para construir barricadas ou para atirá-las às janelas dos e de consolidação progressiva. Para que tal aconteça, pa-
obstante o potencial do local e das comunidades, enquanto bre estas contrapartidas. Curioso é o facto de apesar deste bancos. No entanto quando a calma voltou, o poder apres- rece urgente questionar o uso da participação como “mera
contextos de proximidade, de fortificação de redes sociais, de debate já não ocorrer no regime predominantemente assis- sou-se em asfaltar a rua Gay-Lussac, esperando manter técnica de gestão” ou “tecnologia pedagógica” (Lima, 1992
emergência permanente de problemas concretos e quotidia- tencialista e caritativo, conter ainda fortes vestígios de tais a ordem bem “betumada”. Quanto ao trabalhador social… In Lima, 2003), ou ainda como sinónimo de adesão. Preci-
nos, de ativação de respostas contextualizadas, entre outros pensamentos e práticas. Os mecanismos de troca e coer- Será do tipo “desempedrador” ou do tipo “asfaltador”? Nou- samente porque a participação, tal como a concebemos
(Lima, 2003). Também Fernando Ilídio Ferreira (2005) associa civos, a relação de inferioridade e de dependência – carac- tros termos, será que vai pôr areia ou óleo nas engrenagens em Educação Social, desenvolve-se enquanto processo de
a “territorialização” das políticas sociais com a individualização terísticos do modelo assistencialista – parecem manter-se na da máquina burocrática? Será que vai definir-se como sendo consciencialização, a par de oportunidades de reflexão, de
dos processos de intervenção social, assente no pressuposto atualidade quer consideremos que estamos num novo mo- desestabilizador ou normalizador? Contestador ou recupe- partilha e da (re)invenção de novas perspetivas individuais e
de que é necessário apenas mudar os comportamentos dos delo de intervenção social, quer assumindo o “retorno ao as- rador? Defensor dos oprimidos ou mercenário dos opresso- coletivas, e não é algo que se “oferece” aos outros, estamos
indivíduos, esquecendo-se a natureza societal e estrutural sistencialismo” (Soulet, 2011). Recorda-se Paulo Freire que res? Será que é, como alguns pretendem, o “colmatador” conscientes de que não há participação sem risco (Bolle de
dos problemas. É com base nesta constatação que, a partir tão bem inscreve as práticas assistencialistas na educação das brechas sociais, a muleta ou o maqueiro do capitalismo Bal, 2000). Mas é este risco (de imprevisibilidade e de com-
dos discursos dos profissionais de intervenção social, Ferreira bancária e na comunicação construída à base do monólogo: moribundo?” (Bolle de Bal, 2000, p.65). promisso) que confere à participação o seu caráter educati-
(idem) conclui haver nos projetos de intervenção social, uma vo e emancipatório: não antecipamos o que vai resultar de
maior orientação para os indivíduos do que para o território. Em resposta a esta questão, o autor segue dois pontos de um processo participativo porque enquanto participamos,
“O grande perigo do assistencialismo está na violência do vista que designa de científico e de político. Do ponto de vista construímos, levantamos novas questões e novos desafios,
As designadas políticas sociais de ativação, associadas por antidiálogo que, impondo ao homem mutismo e passividade, científico, o trabalhador social é ao mesmo tempo “desem- encontramos obstáculos e definimos novos rumos, e desco-
exemplo à proteção no desemprego ou ao Rendimento So- não lhe oferece condições especiais para o desenvolvimen- pedrador” e “asfaltador”, na medida em que ativa e reduz si- brimo-nos na relação com os outros e com o mundo. Então,
cial de Inserção, não obstante os seus “motivos nobres”, tais to ou a abertura da sua consciência que, nas democracias multaneamente as lutas sociais. Do ponto de vista político, o os riscos, entendidos por uns, serão características da ação
como a substituição do princípio do assistencialismo pelo autênticas, há-de ser cada vez mais crítica” (Freire, 1967, trabalho social não se deveria orientar “nem para uma ação do social e educativa para outros, embora difícil de inscrever, por
princípio da universalidade de direitos a todos os cidadãos, a p.57). tipo ortopédico, dominada por uma preocupação de adapta- vezes, no quadro de ações institucionalmente enquadradas.
sua adequação aos grupos específicos, a defesa da ativação ção, de rectificação, de normalização, nem para uma ação de Cabe também pensar como se coloca a Educação So-
de recursos locais e a lógica de descriminação positiva que tipo demiúrgico, isto é, dominada pela preocupação da revo- cial perante a emergência de novos movimentos de afir-
persegue (Rodrigues, 2010), contêm em si inúmeros riscos. O segundo risco das políticas sociais de ativação, decorrente lução, de mutações ou de transformações radicais” (idem, 66) mação ou ainda de contestação à ordem social domi-
Referimo-nos a dois deles, intimamente ligados, pelos im- do primeiro, refere-se ao seu caráter punitivo e às consequ- nante. Referimo-nos, no início do artigo, à afinidade da
pactos que comportam para a intervenção social e educativa ências na ação social. Partindo da perceção – construída através dos contactos Educação Social na América Latina com os movimentos sociais.
onde atuam os educadores sociais: o risco de conduzirem a com distintos atores da intervenção social e educativa - de

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Na Europa, nomeadamente nos países do Sul e em Portugal, onde a realidade acontece, palco protagonizados por atores
assistimos na atualidade ao surgimento de coletivos de ori- locais, deixando de ser “uma fase menor ou um hábito des-
gens distintas, sejam movimentos culturais ou societais (se- cartável para passar a ser o campo privilegiado de luta por um
gundo a classificação de Tourraine, 1998), que surgem de mundo e uma vida melhores” (Sousa Santos, 1997, p.224).
forma mais espontânea ou mais organizada. Os movimentos Que atenção está a Educação Social a prestar à emergência
sociais, na generalidade, reúnem potencial de associação, de destes movimentos? Como se potencia, nos locais e junto
ação e de transformação, são “nutridos por inúmeras energias das pessoas, as associações coletivas?
emancipatórias” (Sousa Santos, 1997) que se fortificam nos
locais, principalmente se o ambiente é de participação e de
solidariedade, de descentralização e de cooperação. Neste
sentido, alguns movimentos pautam-se por formas organizati- III. De entre muitos e distintos desafios que se colocam
vas próximas da democracia participativa, são grupos sociais à Educação Social e aos educadores, os que foram discuti-
com interesses coletivos comuns, alguns compostos por gru- dos neste artigo estão centrados nos sujeitos e nas popula-
pos sociais específicos, outros não, por vezes muito localiza- ções, por se considerar urgente manter vigilância quanto ao
dos mas maximalistas e globalizantes no que se refere aos fim último que justifica a necessidade e legitima a existência
valores e a exigências com a qualidade de vida. Apesar des- desta área de intervenção social e educativa: o desenvolvi-
ta associação entre os movimentos sociais e a democracia mento das pessoas e dos territórios, a igualdade, a justiça
participativa não ser consensual, na medida em que alguns social, entre outros. A Educação Social não é neutra, como
autores consideram que os novos movimentos sociais jogam nenhuma educação o é, o que exige dos educadores sociais
o jogo da democracia representativa, nomeadamente pelas uma atitude crítica e reflexiva, norteada por um compromisso
alianças mais ou menos oficiais que fazem com sindicatos ou ético de permanente escuta e vigilância das suas práticas e
partidos (idem), apesar ainda de a participação estar dificulta- dos sentidos que as enformam, de identificação de contradi-
da pela sociedade impessoal e individualista, os movimentos ções e das complexidades do dia-a-dia.
sociais têm a vantagem de fazer do quotidiano espaço-tempo

Referências bibliográficas
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18 19
Educação Social: Uma formação superior de nível superior 1º ciclo, formado por 6 semestres (180 créditos) que confere (1040) que permitem ao estudante um conhecimento de di- educativa. A pedagogia social, deve ser encarada como a
O Curso de Educação Social surgiu no nosso país, enquan- o grau de licenciatura e um 2º ciclo (120 créditos), que con- ferentes realidade, com públicos e problemáticas diferentes. ciência da educação social dos indivíduos e grupos, que pe-
to curso superior (bacharelato), no ano de 1989 no Institu- cede o grau de mestre e encontra-se organizado em 4 se- Estes estágios desenrolam-se em instituições parceiras de rante necessidades sociais e humanas são orientados numa
to Superior de Ciências Educativas (ISCE), uma instituição mestres. O Mestrado em Educação Social foi autorizado pelo cariz privado (Associações, IPSS, ONG – o chamado 3º setor) vertente educativa para a resolução das mesmas, através da
particular de ensino superior, vocacionada para a formação despacho nº 24 238 – D/2007 e dá resposta a duas áreas de ou público onde se desenvolve trabalho educativo em con- implementação de projetos de intervenção socioeducativos
de profissionais de educação básica (professores do ensino especialidade: intervenção com crianças e jovens em risco, e textos sociais. assentes na investigação ação (Pérez Serrano, 2009).
básico e educadores de infância) a par de profissionais no intervenção socioeducativa e gerontologia. Hoje em dia, são
âmbito da ação social nos domínios da animação sociocul- várias as instituições de ensino superior (públicas e privadas)
tural e educação social (portaria nº943/89 de 21 de outubro). onde o curso de Educação Social é lecionado estimando-se
No sentido de conceber e implementar um modelo de for- que existam “…mais de 500 (quinhentos) ingressos por ano no A Pedagogia Social enquanto conceito Educação social como objeto de estudo da pedagogia social
mação e de intervenção adequada à realidade portuguesa ensino superior público e privado…” (Azevedo, 2012, para. 4) Definir a pedagogia social não é tarefa fácil. Esta encontra-se Para entender a educação social é preciso saber analisar os
em matéria de educação não formal (uma vez que esta tal na confluência de 2 eixos: educativo e social. Durante o sécu- contextos; contextos estes onde acontece a interação so-
como a educação formal faz parte do processo educativo lo XIX começou-se a refletir, do ponto de vista científico, sobre cial (família, escola, coletividades) no sentido de promover o
porque também ela tem uma intencionalidade havendo por esta área do conhecimento. No entanto, podemos considerar desenvolvimento pessoal e social, a qualidade de vida das
isso uma relação lógica entre estas), o ISCE sentiu a necessi- A pertinência de uma formação superior que Platão e Aristóteles foram os representantes da pedago- pessoas, corrigindo e reparando inadaptações, orientando
dade de procurar parcerias europeias, destacando-se desta Sendo o ISCE uma escola que iniciou a sua atividade com gia social clássica (Pérez Serrano, 2009). Mas é na Alemanha para a resolução de problemas sociais e humanos visando
forma a AEDESP (Association Européenne pour le Developp- a formação de técnicos de educação, como já foi referido que se devem procurar as origens históricas da pedagogia sempre o desenvolvimento pessoal, e a autonomia dos in-
ment Educatifet Social des Personnes), a AEIJI (Association anteriormente, foi percebendo que o fenómeno educa- social. Paul Natorpfoi o primeiro a tentar definir uma teoria divíduos (Baena et al, 2001). A par dos contextos é preciso
Internationale des Éducateurs de Jeunes Inadaptés), o IRTS tivo, tal como acontecia na Europa, não se limitava ape- sobre a educação social, pelo que referia que a pedagogia também conhecer as políticas educativas e sociais do país,
(Institut Régional du Travail Social de Bretagne), ENSP (Éco- nas à escola. Era preciso, e ao mesmo tempo urgente, social era um saber prático em articulação direta com um sa- ter em consideração a cultura, o modelo económico vigen-
le National de la Sante Publique de Renne), a Rede Euro*Dir dar respostas a situações de exclusão, marginalidade e ber teórico. A pedagogia social surge no âmbito das ciências te e a realidade educativa. Tudo isto acontece num contínuo
(Rede Transnacional Europeia de Organizações de Formação de rutura social que se iam manifestando na sociedade. pedagógicas, e para ele não era concebível uma Pedagogia espácio-temporal (Diaz, 2006).
de Diretores de Estabelecimentos de Ação Social) da qual foi que não fosse a Pedagogia Social (Diaz, 2006; Pérez Serrano,
membro fundador, que permitiram um verdadeiro trabalho em 2009). Diz o autor a este respeito que “as condições sociais Para Quintana Cabanas (1994) a educação social pode ser
rede (Networking), no que diz respeito à realização de inter- O reconhecimento legal que fundamentava a necessidade de da educação e as condições educativas da vida social são caraterizada através de dois aspetos, a intervenção educativa
câmbios no âmbito da formação de docentes e de alunos. existência de outros técnicos de educação que não fossem o foco de atenção da pedagogia social, a qual não se pode que tem como propósito apoiar o sujeito a alcançar a reali-
A partir de 1993, surgem os Cursos de Estudos Supe- docentes surge explanado na Lei de Bases do Sistema Edu- separar das ciências da educação…ou seja, a pedagogia é zação pessoal, promovendo a socialização, a adaptação à
riores Especializados (CESES) em Pedagogia Social (por- cativo, no seu artigo nº 33 (nº 2 e nº3) que prevê a formação pedagogia social” (Baena, Sáenz, Quintana Cabanas, 2001, vida em sociedade numa lógica de convivência e participa-
taria nº 855 de 11 de setembro) e mais tarde em 1995, de outros técnicos de educação cuja intervenção é feita em p.29). ção cívica. É ao fim ao cabo promover a maturação social de
em Direção de Instituições de Ação Social (portaria nº contextos extra-escolares, sendo esta formação passível de cada pessoa. Por outro lado, a educação social é considera-
117, de 3 de fevereiro), este último integrado na rede Eu- ser realizada por escolas que ministravam a formação inicial Assim sendo, podemos dizer que o objeto de estudo da pe- da como um tipo de trabalho social educativo, que se pratica
ropeia Euro*Dir, e que conferia um certificado europeu. de docentes do ensino básico e de educação de infância. dagogia social surgiu depois da revolução industrial, como fora do contexto escolar, ou seja, em contextos não formais
A Licenciatura em Educação Social (bietápica) é autorizada consequência da necessidade de encontrar respostas para onde se promove o bem-estar social.
em 2001 (portaria nº 1068 de 4 de setembro). O seu plano As funções desempenhadas por estes novos profissionais os novos problemas sociais que daí resultaram, sobretudo Assim sendo, a educação social pode ser entendida como
de estudos organizado em três (3) anos (bacharelato) mais um de educação (não formal) estavam centradas sobretudo entre as duas grandes Guerras, na Alemanha, intervindo jun- uma forma educativa de âmbito social que dá resposta a pro-
4º ano (licenciatura) viu acrescer à componente formativa a em atividades de apoio educativo, apesar da forte compo- to de uma população jovem com problemas sociais (Baena blemas de marginalização, exclusão e carências sociais dos
vertente de investigação e intervenção socioeducativa, assim nente teórica e prática lecionada que os preparava para o et al, 2001). Anuncia-se então o surgimento desta ciência, indivíduos, grupos ou comunidades, cujos objetivos podem
como um maior enfoque teórico nas áreas da pedagogia social, conhecimento dos fenómenos sociais e humanos. No en- definindo-se os principais âmbitos de intervenção, como a ser identificados como a adaptação à sociedade, a promoção
dos idosos e no acompanhamento das toxicodependências. tanto, e porque a realidade social está em constante trans- animação sociocultural (este modelo posteriormente dissemi- as relações humanas, a convivência em sociedade.
Em 2006/2007, implementou-se a adaptação dos cursos formação surgindo por isso uma heterogeneidade de situa- nado em Espanha, e mais tarde Portugal e América Latina), a No que diz respeito aos âmbitos de intervenção da educação
ao Tratado de Bolonha, que consistiu num conjunto de re- ções passíveis de intervenção por parte destes técnicos, inadaptação, a educação de adultos (Espanha e Portugal), e social, os diferentes autores (Esteban, 1999; Pérez Serrano,
formas do sistema educativo (a nível superior) como o ob- procurou-se alargar a formação destes alunos a outros do- a formação no trabalho. 2009) referem que o educador social pode desenvolver a sua
jetivo de criar uma área europeia do ensino superior. Esta mínios cuja tutela fosse para além do Ministério da Educa- Muito influenciada pelo pensamento alemão a pedagogia so- ação profissional a vários níveis, tais como a animação socio-
adaptação trouxe ao processo educativo alterações, no- ção, surgindo assim contactos e parcerias com o Instituto da cial surge em Espanha na senda do pensamento de Natorp. cultural (educação para os tempos livres e o ócio), a educação
meadamente ao facto de o estudante passar a ser parte Segurança Social, e os Ministérios da Saúde e da Justiça. Consolida-se na década de 80, e definiu como os âmbitos de de adultos (educação básica, formação laboral e profissional),
integrante do seu processo de ensino-aprendizagem, vi- intervenção mais comuns a animação sociocultural, a edu- a educação especializada (em situações de exclusão, maus
sando por isso um trabalho pessoal, crítico e reflexivo, que Durante todos estes anos de formação desde o bacharelato cação especializada, a educação de adultos e a pedagogia tratos, toxicodependências), e a educação informal (meios
promovendo a autonomia e a criatividade, reforça a tomada até ao presente momento, ou seja, licenciatura adaptada ao laboral. comunicação), onde podem desempenhar diferentes tipos de
de consciência para a aprendizagem/formação ao longo Tratado de Bolonha, os alunos no âmbito da sua formação De acordo com Quintana Cabanas (2000) podemos dizer que funções: coordenação (grupo de jovens, equipa educativa, de
da vida. Esta perspetiva vem contrariar a postura passiva têm a oportunidade de vivenciar/experienciar durante os três os objetivos da pedagogia social são: projetos), acompanhamento individualizado, mediação social,
dos estudantes na aquisição do conhecimento, até então. (3) anos de formação, em diferentes contextos, aquilo que - a educação social de indivíduos e grupos. e funções de caráter formativo, informativo e de orientação
Mas, o Tratado de Bolonha proporcionou acima de tudo a uni- se pode definir como uma aproximação à vida ativa, através - o estudo de problemas sociais e humanos que podem ser (Pérez Serrano, 2009; Romans, Petrus e Trilla, 2003).
formização da designação destes técnicos superiores, uma vez de estágios (práticas educativas), que em complementaridade resolvidos a partir de contextos educativos.
que esta formação superior já estava disseminada por algumas com uma sólida formação teórica- prática, organizada em dife- No entanto, e como refere Canastra e Malheiro (2009) existem No sentido de dar resposta às funções enunciadas, o edu-
regiões do país (Porto, Santarém e Algarve), sendo que cada rentes áreas científicas tais como a psicologia, a sociologia, as outros espaços educativos para além da família e da escola, cador social necessita de ir desenvolvendo ao longo da sua
instituição de ensino atribuía-lhe uma designação diferente, e ciências da educação, as politicas sociais, entre outras contri- sendo a comunidade um deles, onde a educação e a for- formação, que deve ser contínua, um conjunto de compe-
uma organização também diferente aos seus planos de estudos. buem para a articulação entre a teoria e a prática, fundamentan- mação ao longo da vida se torna uma realidade promovendo tências (pessoais, sociais e técnicas) que lhe vão permitir de-
À luz das orientações emanadas pelo Ministério da Ciência, do a intervenção dos técnicos superiores de educação social. uma educação para a cidadania. sempenhar adequadamente as suas funções, mas tal como
Tecnologia e Ensino Superior (decreto-lei nº 74/2006 de 24 Podemos dizer que a pedagogia social pode ser entendida Canastra e Malheiro (2009) referem servirá acima de tudo
de março) a organização dos cursos de ensino superior bem Mesmo com a adaptação do curso ao tratado de Bolonha, como a ciência pedagógica do trabalho social, que procu- para marcar a diferença relativamente a outros técnicos que
como a sua duração foram alterados, passando o curso de a formação em contexto (estágios) continua a ser uma re- ra através da análise empírica e analítica da realidade edu- fazem intervenção social, não porque esteja habilitado para os
educação social, a estar constituído por 2 ciclos de formação: alidade, contando com um número significativo de horas cativa estudar as causas sobre as quais se faz intervenção substituir, mas porque o trabalho em parceria deve ser uma

20 21
realidade. Entendemos, portanto, que os técnicos supe- cional) com o propósito de gerar resultados (pessoas) em-
riores de educação social conheçam o perfil de competên- powered (Gomes, Coimbra & Menezes, 2007). Implica-se,
cias da sua profissão, bem como o código de ética e de- participa e distancia-se como forma de gerir a interação so-
ontológico. Devem também identificar as suas capacidades cial (Carvalho e Batista, 2004) em diversas situações da vida
e limitações no exercício da sua função e aceitá-las humil- quotidiana, espontâneas ou não, que acontecem dentro ou
demente. A sua intervenção através de projetos de inter- fora de um grupo, instituição ou serviço ou até mesmo em
venção socioeducativa, de caráter formal ou não formal, meio natural de vida, desenvolvendo uma ação continuada
devem estar assentes em diagnósticos fundamentados, se- no tempo de forma sistemática, não só com as pessoas,
guindo como estratégia a investigação ação. O seu traba- mas também com os seus ambientes (sistemas) mais pró-
lho não é conseguido se não souber trabalhar em equipa. ximos, para compreender as pessoas e os seus contextos.
Torna-se por isso necessário e urgente, tal como Azevedo
(2011) refere o reconhecimento e a aceitação do técnico su-
perior de educação social, a par de outros que já reconhecidos
A identidade de um profissional: educador social há mais tempo e que trabalham no âmbito da ação social. Esta
A realidade tem-nos vindo a mostrar que cada vez mais a pro- continua, por sua vez, a ser realizada com base do paradigma
fissão de educador social é necessária numa sociedade multi- assistencialista. É imprescindível que a intervenção a nível so-
cultural onde as necessidades sociais, económicas e culturais cial seja considerada também com a participação de outros
são tão evidentes. Se pensarmos que as crises económicas profissionais, numa lógica de cooperação e colaboração, res-
criam sempre necessidades educativas de âmbito social, tal peitando os “olhares” de cada um, porque necessariamen-
como a história da humanidade nos tem mostrado, percebe- te são diferentes mas são também complementares, assim
mos com toda a clareza que a educação social acontece. como respeitar a formação e o “treino” recebido pelos técni-
cos superiores de educação social, através de estágios, tão
O Técnico Superior de Educação Social é a pessoa que atra- importantes para o crescimento e amadurecimento pessoal,
vés da formação específica que recebe em termos acadé- mas acima de tudo para a construção de um perfil profissional.
micos, apoia através de métodos e técnicas pedagógicas, E porque os técnicos superiores de educação social são
psicológicas e sociais o desenvolvimento das pessoas, assim educadores, fundamentam a sua intervenção em diferentes
como a sua maturação social com um fim único a autonomia. contextos a partir da pedagogia social que é uma ciência pe-
Porque é um técnico que trabalha com as pessoas e não dagógica de caráter teórico-prático, centrada no indivíduo,
para as pessoas, não tem uma visão paternalista da inter- nos grupos ou comunidades, visando a sociabilidade em situ-
venção e não a torna unidirecional. Reconhece as capaci- ações normalizadas ou de necessidades sociais e humanas
dades das pessoas (crianças, jovens, adultos), fortalece-as (Baena et al, 2001). Entendemos por tudo isto, que a peda-
e estimula a participação destas nos seus projetos de vida gogia social e os educadores sociais não podem nem de-
ao mesmo tempo que as responsabiliza. É um técnico que vem ser considerados seguidores de uma Pedagogia menor!
promove o empowerment (individual, comunitário, organiza-

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Resumo
PÉREZ SERRANO, G. (2009). Pedagogia social-educación social. Construcción científica e intervención práctica. Madrid: Narcea. O presente artigo apresenta uma pequena reflexão sobre a profissão do Educador Social em Por-
ROMANS, M., PETRUS, A., &TRILLA, J. (2003).Profissão: educador social. Porto Alegre: Artmed. tugal, a partir da recente investigação realizada pela equipa sobre as Trajetórias Socioprofissionais
QUINTANA CABANAS, J.M. (1994). Educación social. Antologia de textos clássicos. Madrid: Narcea.
dos Educadores Sociais. Centra-se nos seus traços distintivos, partindo de uma análise reflexiva
QUINTANA CABANAS, J.M. (2000). Pedagogia social. Madrid: Dykinson.
das competências desenvolvidas ao longo da formação e, posteriormente, na prática profissional.
Legislação: O Educador Social ao assumir-se como técnico da relação, do cuidado, e da proximidade com
Diário da República nº 243, Portaria nº 943, 21 de outubro de 1989, Série I. o Outro desenvolve intervenções complexas e dilemáticas que procuram promover a cidadania
Diário da República nº 214, Portaria nº 855, 11 de setembro de 1993, Série I.
Diário da República nº 29, Portaria nº 117, 3 de fevereiro de 1995, Série I.
ativa e responsável, a autonomia de sujeitos e grupos com forte implicação na conquista da dig-
Diário da República nº 205, Portaria nº 1068, 4 de setembro de 2001, Série I-B. nidade humana.
Diário da República nº 60, Decreto-lei nº 74, 24 de março de 2006, Série I-A.
Diário da República nº203, Despacho nº 24238/D, 22 de outubro de 2007, Série II.
Palavras-chave: Educador Social, ética do cuidado, competências, perfil profissional

22 23
Introdução Também para Guilherme de Oliveira Martins (2000): Ao partilharmos da mesma convicção, sentimos a respon- tura de intervenção pautada pela cooperação e, por um co-
A Comissão Internacional da Educação para o séc. XXI afir- sabilidade de quem quer preparar profissionais capazes de nhecimento efetivo da realidade humana e social.
mou a sua convicção no papel essencial que a educação tem “ … as atitudes, os valores, os comportamentos estão na uma intervenção social com sentido. Este sentido é confe-
para o desenvolvimento contínuo das pessoas e das socie- mira dos desígnios sociais a que nos propomos; a confian- rido ao Educador Social pelo trabalho que desenvolve junto “Na pluralidade dos saberes e das formações disciplinares,
dades enquanto caminho, ao serviço de um desenvolvimento ça, a coesão e as estratégias de inclusão e de combate à de populações com todo o tipo de carências: afetivas, pe- resultado do processo de complexificação das sociedades,
humano mais autêntico e mais harmonioso, de forma a contri- exclusão estão na primeira linha das preocupações ligadas dagógicas, familiares, de integração, na saúde, na solidão... fazendo face a estas novas exigências da vida em socieda-
buir para a diminuição das guerras, da pobreza e da exclusão ao desenvolvimento” (2000, p.15) de, emerge de modo pertinente a Educação Social. Forma-
social. Porque sabemos que a sociedade atual apresenta grandes ção profissional, ela própria resultante duma encruzilhada de
Acreditamos que só uma socioética suportada pelo respei- desequilíbrios sociais onde não é estranha a abundância, o saberes, procura, constantemente, corresponder, na medida
Com o fim da Guerra Fria acreditou-se, talvez pela utopia, to dos direitos humanos garantirá o que Emmanuel Levinas desperdício e os privilégios de alguns a morarem lado a lado do possível, em diálogo com outras áreas científicas, às
num mundo melhor para todos. Se a 2ª grande guerra fez 50 salienta em toda a sua obra – o direito ao rosto. Um rosto com a pobreza, a exclusão e a discriminação de outros, mais solicitações de determinadas problemáticas sociais.” (Sama-
milhões de vítimas e se ainda hoje persistem tensões entre sinónimo de singularidade humana, de especificidade pesso- facilmente percebemos a indispensabilidade, pertinência e gaio, 2006, p.17).
povos, como aprender a “com viver” nesta sociedade glo- al e única. Um rosto que desperte em nós a consciência do atualidade do Educador Social. A sua ação ganha realmente
bal, se não conseguimos viver com justiça e equidade nas Outro, nos interpele, reclame hospitalidade, abertura e acolhi- sentido junto dos mais desprotegidos socialmente: das crian- De resto, a ideia de recomposição do campo social e da emer-
comunidades naturais a que pertencemos? Conviver é uma mento na relação e nos conduza à descoberta de uma outra ças muitas vezes vítimas de abandono e maus-tratos; dos gência de novas profissões neste âmbito parece ser, simultane-
arte que se aprende e se desenvolve, implicando reconhe- interioridade. jovens e idosos sem expectativas; das famílias com desinte- amente, fator positivo e constrangedor da afirmação da própria
cer a diferença, respeitar a diversidade, partilhar experiências, gração de laços e de relações intra e intergeracionais; dos imi- profissão (Autès, 2003). O próprio “trabalho social” não per-
desenvolver o talento de saber conciliar e coordenar a nossa Os ideais humanitários pugnados pela Revolução Francesa e grantes, refugiados e minorias étnicas com fortes problemas manece imutável e constante, sendo possível observarem-se
autonomia com a liberdade dos outros, resolvendo as diferen- a Declaração Universal dos direitos Humanos proclamada, em de identidade; dos bairros degradados com falta de condições ruturas e resistências à sua própria mudança, incluindo as que
ças de um modo construtivo. 1948, pela Assembleia-geral da ONU constituem, em nosso habitacionais, onde tantas vezes mora a violência, delinquên- se colocam, por exemplo, na mobilização das metodologias
entender, princípios a sustentar o pensamento, a educação e cia, venda e consumo de drogas; várias formas de pobreza de trabalho em rede e de cooperação interdisciplinar. Por outro
Para que o exemplo da orquestra, onde a harmonia é o re- a ação no séc. XXI. Educar para estes valores supõe um pro- geradas por todo o tipo de exclusão (religião, etnia, cultura, lado, o facto de ser alvo de diferentes categorizações e teori-
sultado do respeito pela peculiaridade de cada instrumento cesso de inovação tanto nos conteúdos como nos métodos escolaridade...). Não esqueçamos que a violência social é, zações de campos como o académico, o político e o empírico,
nos inspire, não precisaremos de apostar mais na educação e organização educativa que espoletem o aparecimento de frequentemente, a expressão da insatisfação por parte de dificulta essas mesmas definições e delimitações, necessá-
porque com ela se desenvolve o pensamento crítico, o senti- novas sensibilidades, saberes e comportamentos com cate- quem se vê privado dos direitos da sociedade do bem-estar, rias a uma profissionalização efetiva dos Educadores Sociais.
do de responsabilidade, a importância da participação ativa, a goria ética. Os direitos humanos terão de ser não apenas um uma vez que esses cidadãos terão compreendido que usufruir
relação entre as pessoas, entre a identidade dos grupos e a referencial cultural mas o seu uso e exigência um referencial de bem-estar é um direito que lhes assiste. Importa, ainda, sa- Atualmente, vislumbra-se para o trabalho social uma siste-
identidade universal? O pensamento internacional dos últimos social, político, ético e educacional. Bastaria aplicar em todas lientar a importância da Educação Social quando falamos de: matização e uma racionalização das práticas de trabalho que
anos, é coincidente no reconhecimento que faz à educação as dimensões da nossa vida o art.º 1 da Declaração Universal não se compadece com o assistencialismo e a espontanei-
enquanto fator de desenvolvimento, promoção e igualdade dos Direitos do Homem “Todos os seres humanos nascem • Adaptação no que significa de otimização da pes- dade do passado. A realidade social complexifica-se, o que
entre os povos (leia-se a este propósito Roberto Carneiro, livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão soa ao sentir-se integrada no meio convertendo-se em fator vai suscitando uma reconfiguração da ação pedagógica do
2001 e Relatório para a Unesco da Comissão Internacional e de consciência, devem agir uns para com os outros em de mudança e melhoria desse mesmo meio; trabalho social. Neste sentido, podemos afirmar, com segu-
sobre a Educação para o séc. XXI. Como afirma Glória Pérez espírito de fraternidade “ para que a nossa consciência antro- • Aquisição de competências sociais permitindo ao rança, que as necessidades de intervenção socioeducativa
Serrano: pológica fosse mais solidária e mais atenta. Nesta atenção ao sujeito a compreensão da lógica das normas de convivência junto das populações ultrapassam, neste momento, os limites
Outro, a educação ocupa um lugar privilegiado ao nível da for- social contribuindo, por isso, para a sua socialização; formais da educação. É neste contexto de novas exigências
“…hoynadieduda de que la educaciónes el pilar fundamental mação uma vez que, operando na mudança de mentalidades, • Prevenção e controle social exigindo a aplicação de sociais e educativas que a Educação Não Formal vai conquis-
para construir la paz y la liberdad de las personas; sinella no poderá ser decisiva na mudança das atitudes sociais. Afigura- estratégias de prevenção não se limitando ao “tratamento” tando espaços, cada vez mais diversificados de intervenção.
habrádesarrolloposible”.( 2003, p.13) -se-nos, então, a necessidade de uma nova ordem educacio- dos problemas sociais. Perante tão variada e tão ampla capacidade de intervenção com
nal postulada por uma antropologia que respeite o diverso, o • Formação política do cidadão no que significa, vista à melhoria de todas as dimensões constitutivas do bem-es-
individual e que seja o fundamento de atitudes e valores com como Ortega y Gasset, possibilidade de transformar a tar e desenvolvimento humano, Francisco Xosé Candia Duran
Educação Social, porquê? vista à sociedade da coesão. As diferenças deverão dar lugar sociedade porque mais esclarecida e mais implicada no seu (1999) define o Educador Social como alguém preparado com
Vivemos num tempo tão particular, que liberdade, direitos a comunidades onde a natureza plural das culturas, raças, próprio destino;
humanos, intolerância e exclusão social conseguem coe- modos de vida, crenças, idades... façam nascer uma cida- • Trabalho social educativo por não se cingir à perspe- “ uma formação teórico-prática de carácter humano, psico-
xistir nestes nossos dias do séc. XXI, deixando marcas de dania onde o “ aprender a viver juntos “ o “aprender a apren- tiva assistencialista e assumir uma postura pedagógica em -pedagógico, técnico e sócio-comunitário, que o capacita
desigualdades e angústias de não realização pessoal, que der juntos “ e o “ aprender a crescer juntos “ sejam fatores contextos sociais para desenvolver intervenções intencionais e sistemáticas
reclamam ajuda e uma mão próxima de quem se sente “im- facilitadores e essenciais a um humanismo considerado como sobre determinados sujeitos, grupos ou comunidades, com
pedido ou incapaz” de sair para uma vida com mais sentido. ”…, valor transcendente da empresa educativa e a pessoa o Diremos, em síntese, que a eclosão da Educação Social se carácter social, comunitário, terapêutico preventivo, etc.,
A rejeição ao Outro por fanatismos religiosos, tendências se- seu domínio subjectivo “ (Carneiro, 2001, p. 201 e seguintes). poderá explicar com a conscientização e defesa dos direitos mas sempre inspirado na Pedagogia Social “.(1999, p. 71)
xuais, opções políticas ou simplesmente por se ser diferente humanos, com o ressurgimento do pensamento democrático,
representa, em nossa opinião, a principal ameaça à ética da Pela utopia – no que a palavra contém de sonho, de impulso, com a valorização e incremento da pedagogia do tempo livre Tornando presente a finalidade última da sua acção – aju-
convivialidade atual. Precisamos de um Homem Novo. Huma- de desejo, de força, de positivo – a E.S.E. de Paula Frassinetti e educação não formal, com o reconhecimento das culturas dar o Outro a ser – este profissional terá de se afirmar pela
nidade e Humanismo terão de se reconciliar. Torna-se, assim criou o curso de Educação Social convicta da sua pertinência e ideais dominantes, com a emergência de novos contextos diferença. Uma diferença conseguida pela formação de um
necessário – como afirma Roberto Carneiro (2001) a emer- e importância em contextos que reclamem o reconhecimen- sociais, com as exigências de novas políticas sociais, eco- perfil pessoal e profissional rigoroso, informado pelos valores
gência de um novo contrato social que assegure a motivação to e a prática dos mais elementares direitos do Homem. Tal nómicas e educativas em defesa de um novo conceito de da cidadania. Coloca-se-nos, então a questão: que ensinar?
para uma nova cidadania. Essa nova cidadania deverá, em como Adalberto Dias de Carvalho (2001) pensamos que a cidadania e um novo modo de “ajudar” o OUTRO a SER. Como ensinar? Acreditamos que só um corpus de conteúdos
sua opinião, conter elementos como: educação para os direitos humanos e de métodos em permanente diálogo com o tecido social,
darão ao Educador Social um saber em constante processo
“(…) os direitos humanos, a racionalidade e o pensamento “ tem de passar por um elevado grau de exigência cultural Educação Social: breves considerações de construção para a formação das identidades e dos proje-
científico , a liberdade de iniciativa , a democracia , a igualda- “ e a sua aplicação depende “ cada vez menos da sua de- O trabalho social constitui um espaço de intervenção profis- tos pessoais daqueles com quem se cruza profissionalmente.
de de oportunidades (...) “ a que se deverá associar o “ justo claração e , cada vez mais , das práticas e das representa- sional onde intervêm técnicos provenientes das várias áreas A desejada igualdade de oportunidades exigirá, neste séc. XXI,
equilíbrio entre direitos e deveres (Carneiro, 2001, p. 224) ções que deles fazem os actores sociais , circunstância que do saber com o objetivo de, cruzando vários olhares, se en- uma educação democrática, pluridimensional e ao longo de toda
implica a mediação educativa“ (2001, p. 8). contrem caminhos complementares, e se promova uma pos- a vida. Autonomizar e socializar: eis o imperativo da sua ação.

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definir Educação Não Formal como A visibilidade crescente da Educação Não Formal exige, como adequadas às necessidades pessoais, sociais e profissionais.
“Na sua formação, o Educador Social cruzar-se-á com várias já referimos, uma sistematização e uma organização crítica Pensamos que a instituição escolar não mudou o suficiente,
lógicas: a lógica do formador, a sua própria lógica, a lógica “…qualquer atividade educativa, organizada e sistemática, das metodologias e das práticas de intervenção. Para além ao nível da sua organização e funcionamento, para garantir
do Outro, a lógica do tempo, a lógica social, a lógica da in- desenvolvida fora do enquadramento do sistema formal de das metodologias de investigação, são também importantes algo mais do que o conhecimento das matérias abordadas.
tervenção prática, a lógica das instituições, a lógica da teo- ensino, e com vista a fornecer tipos de aprendizagem sele- as metodologias de intervenção socioeducativa. Estas me- Os conteúdos não poderão ser encarados como fins em si
ria, a lógica das linguagens, a lógica das utopias, a lógica do cionados para subgrupos particulares da população, adultos todologias que vão desde a escuta ativa às técnicas de pre- mesmo mas como condição necessária para o desenvolvi-
possível... E, porque a leitura da realidade nunca é neutra, ou crianças” (Coombs & Ahmed, 1974:8 cit. Rogers, 2004, venção de comportamentos de risco, por exemplo, carecem mento das nossas competências nos mais diferentes níveis
entre o Homem e o seu pensamento interpõem-se questões pp.78-79). atualmente de uma (nova) reflexividade que se prende com a e domínios do saber, o que vem a refletir-se na vida pessoal,
axiológicas e ideológicas, caber-lhe-á com sentido de respon- dilematização das situações de intervenção socioeducativas profissional e social.
sabilidade e com sentido ético saber optar pela(s) lógica(s) Os conceitos de Educação Formal e Educação Não Formal quotidianas. A reflexividade sobre a dimensão ética do traba-
que melhor e mais contribua(m) para o desenvolvimento e apresentam uma certa relatividade histórica e política: o que lho social faz necessariamente parte do conjunto das práticas Os curricula deverão promover nos estudantes competências
o reconhecimento da PESSOA .” (Serapicos, 2003, p.57). antes era não formal pode passar a ser formal, da mesma de intervenção socioeducativa. de imaginação, de viagens a locais distintos, que permitam o
Eles são, como afirma Isabel Baptista (2001), “profissionais forma que algo pode ser formal num país e não formal nou- desenvolvimento de posturas éticas e reflexivas de abertura
do terreno “, “ agentes de mudança “, “ técnicos de relação tro. Trata-se, portanto, de um critério de distinção de carácter O educador social é um dos profissionais do trabalho social ao mundo, e enquanto indivíduos culturalmente criativos. Os
“, “ mediadores sociais “, “ especialistas de mãos vazias “ administrativo e legal (Serramona, 1989). A Educação Não e traz consigo um enfoque dirigido ao lugar central do apren- curricula, mais do que desenvolverem apenas competências
por partirem para o terreno sem soluções miraculosas mas Formal procura assumir-se, então, como forma menos hierár- dente no processo de educação, o que faz dele um técnico técnicas, deverão, então, impulsionar o desejo e curiosidade
que apoiados num saber profissional próprio, se comprome- quica e menos burocrática, que por excelência da intervenção sócio educativa intencional, e dos alunos (Hansen, 2010) .
tem, pessoalmente, na viabilização de projetos que tornam capaz de trabalhar a autonomia dos indivíduos capacitando-
possível mudar o rosto da exclusão. Esta é, a grande origi- “(…) pretende ser um trabalho educativo, desenvolvido à me- -os para o desenvolvimento de si e dos outros. Esta aquisição de competências está muito associada à es-
nalidade do Educador Social que, ao tentar inverter o esta- dida, e em função de problemas e grupos específicos, com colarização porque se espera que seja pela Escola que o indi-
do da erosão social, responde ao grande desafio do proje- estratégias e metodologias complementares e alternativas às Em sociedades cada vez mais tecnicistas, como é o caso víduo se torne “mais competente” em relação aos que a não
to educativo para o séc. XXI. Urge, por isso, construir uma formas de organização tradicional (…)” (Cortesão, Trevisan, da sociedade portuguesa atual, urge a necessidade de uma frequentaram, ou que a frequentaram com insucesso. Com
Escola onde se desenvolvam competências que preparem 2006, p.61) avaliação constante dos procedimentos. Mobilizando as me- Maria do Céu Roldão (2008, p.11) diremos que,
o Homem para valores como os da solidariedade e da to- todologias do trabalho de projeto, com responsabilidade cívi-
lerância. Hoje, mais do que nunca, vive-se a esperança de A Educação Formal e Não Formal apresentam relações de ca, e promovendo a sua constante avaliação de resultados, “ (…) há que organizar melhor, com mais eficácia, o tra-
um mundo melhor. A humanidade dispõe de conhecimentos, complementaridade cada vez mais acentuadas, o que implica o educador social poderá ser um técnico de excelência do balho das escolas hoje, unicamente porque o sistema de
técnicas e recursos capazes de criar uma nova ordem inter- um trabalho consertado entre estes dois espaços educativos. trabalho social, integrando e complementando equipas mul- organização curricular uniformista e transmissiva que temos
nacional que permita atingir, de uma forma conjunta, a paz, a A escola é deste facto um exemplo. Não poderemos alcançar tidisciplinares. tido desde o século XIX, pensado para grupos sociais mais
reconstrução das sociedades e a revalorização do Homem. um desempenho escolar bem-sucedido sem trabalharmos de homogéneos, é obviamente incapaz de garantir a aprendiza-
uma outra forma as competências que, supostamente, são gem de todos -, mas todos necessitam dela, numa socieda-
A Educação é um fenómeno social fundamental e estruturan- também desenvolvidas no espaço aula e ainda certas com- de a exigir crescente qualificação particularmente ao nível do
te da evolução da sociedade. Cada vez mais se torna um petências familiares, nomeadamente as parentais para a com- Educador social - para a definição de um perfil de competên- mercado de trabalho”.
campo de atuação vasto e abrangente chegando a novos preensão da utilidade social da escola. A este nível, salienta- cias
públicos. A escola é, sem dúvida, uma instituição histórica. -se o projeto de Investigação- Ação em desenvolvimento (por Como já referimos, o nosso século está fortemente marcado Vivemos, também, num contexto de graves problemas am-
Contudo, constitui apenas um dos contextos educativos este grupo de investigação da ESEPF), com o Contrato Local por um conjunto convergente de acontecimentos sociais, po- bientais, identificados a partir da degradação da natureza e
de que a sociedade dispõe. Hoje, não pode ser vista como de Desenvolvimento Social de Vila do Conde, atuando preci- líticos, culturais e económicos que condicionam o Homem na da qualidade de vida da população mundial que nos obrigam
agente exclusivo da educação. No final dos anos 60, algu- samente numa perspetiva de intervenção comunitária a partir sua relação com a vida A importância da entrada da mulher à criação de novos imaginários, valores e estilos de pensa-
mas análises macro educativas apontavam para uma crise da realidade escolar e da relação escola-família-comunidade; no mundo do trabalho e as alterações familiares daí decorren- mento que obviem o superar dessa crise. Como expõe Mo-
mundial da educação (Combs, 1968). Esta crise, mais do ou ainda a integração de Educadores Sociais em Escolas tes, nomeadamente o decréscimo do índice de natalidade, a rin (1996), a complexidade da realidade exige que saibamos
que uma crise de educação em geral, era uma crise sen- definidas em Territórios Educativos de Intervenção Prioritária dificuldade em apoiar os idosos familiares, o elevado desem- como superar o paradigma da disjunção, redução e unidi-
tida especialmente nos sistemas formais de educação. Es- (TEIP) mobilizando competências de trabalho na e com a co- prego, os movimentos migratórios associados à procura de mensionalização, procurando um saber complexo, que nos
tava aberto o caminho para a implementação da noção de munidade e respetivas famílias e a instituição escolar. emprego, a alongada permanência no seio familiar e a con- permita distinguir sem desarticular, associar sem identificar ou
Educação Não Formal. É interessante notar que com a in- cretização tardia dos projetos jovens as novas configurações reduzir, através da formação de grupos que possam praticar a
trodução deste conceito, se assistiu não só ao crescimento Atualmente, a educação permanente ganha cada vez mais familiares, as exclusões sociais, os novos paradigmas das interdisciplinaridade e o diálogo entre saberes.
como também a uma diversificação bibliográfica de natureza força porque se acredita na educabilidade e capacidade para fases da vida, entre outros, têm feito surgir enfoques teóricos
pedagógica. A educação ligada aos conceitos de comuni- a aprendizagem ao longo de toda a vida. Neste sentido, de- e novas posturas de intervenção social. Assim, grupos potencialmente expostos a riscos de maus
dade e de desenvolvimento e intervenção comunitária que veremos olhar para o processo educativo de forma contínua tratos, abandono familiar, exclusão social e pobreza, a fenó-
triangulada pela Educação Formal, Educação Não Formal e A sociedade contemporânea, caracterizada por movimentos menos como a violência urbana, a diversas dependências
“(…) assume os grupos como entidades ativas, participantes Educação Informal. A Educação Não Formal constitui um do- de constante renovação e transformação de valores e ideais, que põem em causa o bem-estar de cada um, comunidades
e protagonistas da intervenção e não apenas como objetos mínio de práticas formativas diversificadas, dinâmicas e flexí- formas de vida e organização individual, pessoal e coletiva, migrantes e imigrantes, etc... necessitam da intervenção de
dessa mesma intervenção. Existirá, então, na intervenção veis e em contextos de intervenção diferenciados. Os lares, apresenta-se, simultaneamente, como contexto de cresci- técnicos devidamente dotados de competências e saberes
comunitária, uma interação informativa, valorativa e interven- os centros de dia, os ATL, as escolas, os hospitais são locais mento e de oportunidades variadas mas, também, de vulnera- que otimizem a prevenção e intervenção em contextos sócio
tiva, entre interventor e grupos, onde cada um pode alterar onde a Educação Não Formal se vem tornando cada vez mais bilidades que podem colocar os indivíduos e as comunidades educativos fragilizados e que façam prevalecer os mais ele-
estratégias e influenciar o outro” (Cortesão, Trevisan, 2006, visível. Por outro lado, problemáticas como, por exemplo, as em situações de risco. Se tradicionalmente, o risco se encon- mentares direitos do Homem. Com Adalberto Dias de Carva-
p.65). questões ambientais, as questões ligadas ao património e à trava associado a populações ou grupos etários específicos, lho, diremos que a aplicação dos direitos humanos
cultura, as questões ligadas à pobreza e às exclusões sociais hoje considera-se que, pelas diferentes instabilidades a que
A Educação Não Formal refere-se à atividade educacional or- constituem, igualmente, um objeto privilegiado de intervenção indivíduos e grupos estão expostos, todos estamos sujeitos a “…depende, cada vez menos, da sua declaração e, cada
ganizada que se processa fora do sistema formal e é dirigida ao nível da Educação Não Formal. De resto, as lógicas atuais diferentes tipos de riscos – pessoais, coletivos, profissionais, vez mais, das práticas e das representações que deles fa-
a um público específico e com objetivos específicos. É uma de desenvolvimentos privilegiam como dimensões fundamen- éticos, etc... – para os quais se torna necessário um olhar zem os atores sociais, circunstância que implica a mediação
forma de educação com intencionalidade, organizada e siste- tais a cultura local e o desenvolvimento humano e social sus- atento e preparado (Xiberras, 1996, Paugam, 1996). Essa educativa.” (2001, p. 8).
matizada. Envolve metodologias ativas, estratégias pedagó- tentado, assumindo as questões ambientais uma importância preparação passa, inevitavelmente, pela aquisição de conhe-
gicas e socioeducativas com grande criatividade. Podemos cada vez maior (Caride Goméz, Freitas, Vargas, 2007). cimento produtor de competências que garantam respostas

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É neste sentido, que se assumem como centrais um conjun- independente. Tal como sustenta Orange (2012): A Associação Internacional dos Educadores Sociais (AEIJ) já competências, nomeadamente de carácter instrumental, in-
to de competências na formação do Educador Social que, em 2001, na Declaração de Barcelona, afirmou: terpessoal e estratégicas que tanto caracterizam a sua pro-
articulando-se com as lógicas do saber ser, saber fazer, e do fissão.
saber estar em relação, contribuem para a construção de um “(…) Na vida corrente, os problemas são tidos como ne- “Agimos a partir da ideia de que a finalidade da acção edu-
perfil direcionado para a lógica do cuidado e da proximidade. gativos; eles são, de uma certa maneira suportados. Pelo cativa é capacitação dos sujeitos para a vida social. O nosso Sabemos da importância das competências instrumentais
contrário, no trabalho científico, os problemas são vistos objectivo é conseguir a promoção e a participação social que o preparam para a utilização de metodologias, técnicas e
Assim, um Educador Social preparado com solidez para res- como desafios intelectuais, mesmo se estes colocam por activa das pessoas, dos grupos e das comunidades com estratégias de intervenção, a par do conhecimento das fun-
ponder aos desafios atuais deverá ser capaz de: vezes em causa a resistência emocional dos investigadores: quem trabalhamos, para que compreendam os seus direitos ções dos vários equipamentos e redes sociais de apoio; da
não somente não são evitados, mas são procurados pela e assumam as suas responsabilidades”. importância das competências interpessoais que o dotam de
• Relacionar conceitos como educação e pedagogia comunidade científica” (Orange, 2012, p.52-53). um pensamento crítico e reflexivo para o saber aceitar a dife-
• Caracterizar a sociedade contemporânea nos seus Ao ambicionar integrar o sujeito na sociedade, ajudando-o rença e ser imparcial na resolução de conflitos; da importância
dinamismos sociais, culturais, educativos, económicos e co- O estudo preliminar, já feito por esta equipa de investigação a compreender o seu contexto de vida, motivando-o para a das competências estratégicas para a otimização da interven-
munitários sobre as trajetórias profissionais dos Educadores Sociais for- construção de projetos que lhe proporcionam a possibilida- ção valorizada pela capacidade criativa e de improviso que a
• Relacionar conhecimentos pedagógico-sociais com mados pela ESEPF , tornou possível destacar a importância de de realização pessoal, diremos com Glória Pérez Serrano todo o momento necessita ter. Para isso, é crucial uma dose
práticas sócio-educativas procedentes de diferentes contex- de algumas dimensões estruturantes de uma prática socio- (2003, p.129) que os objetivos da Educação Social são de- necessária de autonomia e segurança que lhe confira con-
tos de intervenção educativa específica, no domínio do trabalho social. Dimen- senvolver a maturidade social; promover as relações humanas fiança junto da pessoa ou dos grupos com quem interage. É
• Identificar tendências de inclusão/exclusão humana sões como a motivação pessoal para o desempenho de e preparar o indivíduo para a convivência na comunidade. urgente saber que este profissional se caracteriza
no interior das comunidades e respetivas consequências para uma profissão ligada à lógica da transformação social e do
os sujeitos desenvolvimento pessoal, a urgência de uma ética de cui- “O saber pedagógico oferece (ao Educador Social) instru- “… pela enorme capacidade de percepcionar a realidade,
• Revelar novas atitudes e valores para uma interven- dado e o exercício do voluntariado, mostram-se marcantes mentos conceptuais de carácter abrangente, de acordo com reflectir, adaptar-se às dificuldades e encontrar saídas possí-
ção pedagógica – social comprometida junto de pessoas e na construção e aquisição de competências específicas de as exigências da actividade educativa, valorizada simulta- veis para os múltiplos problemas de âmbito social. Por isso,
grupos quem trabalha com as complexidades próprias do Ser Hu- neamente como arte, como ciência, como técnica e como a sua formação profissional deverá ser rigorosa articulando o
• Demonstrar competências sociais tornando os indiví- mano. Estas dimensões assumem particular importância se filosofia” (Carvalho, Baptista, 2004, p.83). conhecimento, a formação pedagógica reflectida com uma
duos capazes de participar em diferentes dimensões da vida pensarmos no Educador Social como um técnico privilegiado cultura actual e crítica, fundamental à leitura e compreensão
social e comunitária da relação, da proximidade e do contacto com o Outro, e Ora, a avaliação do seu papel educativo exige tempo, o tem- do mundo, à capacidade de orientação e decisão que, a
como integrante de equipas multidisciplinares na área da in- po necessário que a mudança de mentalidades e dos com- cada momento, terá de tomar” (Serapicos, 2006, p.7)
A par destas competências, outras, de carácter transversal, tervenção social, ainda marcada por indefinições ao nível dos portamentos exige. Essa mudança acontecerá, por certo, em
são trabalhadas ao nível da formação inicial e pós graduada perfis profissionais. O que carateriza e distingue este técnico breve tal é a evidência do seu papel no apontar de soluções d) Ao investimento, ainda reduzido, por parte dos pro-
tais como, ética e valores; comunicação; relacionamento in- são algumas destas dimensões relatadas pelos próprios Edu- possíveis para problemas complexos e de difícil encaminha- fissionais, na sua formação ao longo da vida e em
terpessoal e pensamento crítico. cadores e pelos empregadores diretos que neles reconhe- mento. formações pós graduadas para enfrentar a rápida ob-
cem, frequentemente, competências e saberes específicos solescência dos saberes. A formação ao longo da vida dá
O carácter profissionalizante foi, desde a criação do curso em para a intervenção sociopedagógica. O grande desafio deste oportunidade de evoluir na direção dos desafios que o de-
1996, uma preocupação e uma exigência da formação em estudo é fazer emergir características de uma matriz identitária b) À falta de uma investigação significativa nesta área sempenho profissional vai exigindo. A dinâmica do tempo e
Educação Social, por parte desta Escola. Para se proporcio- de competências do Educador Social formado pela ESEPF, de saber que ainda é exígua mas reconhecidamente indis- do conhecimento é implacável com os que sofrem de falta de
nar essa formação, a ESEPF mantém protocolos com várias a partir de um conhecimento real e aprofundado dos contex- pensável para a afirmação da profissão. abertura em relação às oportunidades de atualização que vão
Instituições onde os seus estudantes aprendem a observar, tos, das condições e responsabilidades profissionais que lhe surgindo, com frequência, nos estabelecimentos de Ensino
a descobrir, a integrar-se, a conceber e a desenvolver pro- são atribuídas em ambiente de trabalho. Desta forma, estará O Educador Social, tal como outros profissionais, terá de criar Superior e noutros espaços de formação.
jetos de Intervenção Socioeducativos. Toda esta formação é a ESEPF a contribuir para a definição de competências de um conhecimento que torne visível e justifique a matriz teórica em
supervisionada por um docente da Escola e acompanhada, perfil profissional específico como é o do Educador Social, que se inscreve a sua prática, a par dos resultados consegui- As exigências atuais não se compadecem com a desinforma-
no terreno, por um orientador/técnico superior responsável na dando-lhe maior visibilidade e reconhecimento profissional. dos no desenvolvimento dos projetos de intervenção. Por se ção por parte dos profissionais, por isso, a importância da sua
Instituição onde se desenvolve o estágio. O constante con- tratar de um profissional do terreno, um constante confronto implicação na construção do seu próprio saber.
tacto com os formandos, em contextos de estágio, e com os entre teoria e prática, refletido e analisado, criará condições de
orientadores proporciona tempos de reflexão e de busca de produzir conhecimento com saberes específicos pedagógico- A criatividade e a inovação fazem a diferença nas posturas
soluções metodológicas de grande importância para a forma- O Educador social e a necessidade de afirmação do seu perfil -sociais que sustentam a sua praxis profissional. Mas, porque e desempenhos profissionais. Com Roberto Carneiro (2001,
ção profissional . A este nível, os alunos deverão conseguir profissional esta investigação socioeducativa se alicerça normalmente em p.76), somos de opinião que
desenvolver diferentes competências instrumentais/técnicas, A afirmação e reconhecimento do perfil profissional do Educa- posturas de Investigação-Acção, a investigação em Educa-
interpessoais e sistémicas que permitam um tipo de inter- dor Social implica outros desafios e ajustes às novas exigên- ção Social é extraordinariamente complexa e morosa. O in-
venção, orientada para problemas específicos, dentro de um cias e desempenhos profissionais. vestigador vê-se constantemente na encruzilhada das fontes “nunca, como hoje, se apelou tanto à capacidade de aprendi-
quadro de referências e competências associadas ao desem- de informação, do duplo papel de investigador/ator, da toma- zagem generativa – aquela que assenta no pensamento dife-
penho do Educador Social . Apesar desta crescente afirmação identificamos a existência da de decisões, da definição de prioridades, do cruzamento rente e na busca de soluções não convencionais”
de obstáculos a um mais forte reconhecimento social destes das imensas variáveis que poderão ou não ir ao encontro das
Em síntese, o licenciado em Educação Social deverá estar profissionais, que poderemos atribuir a vários fatores: sensibilidades pessoais. Pós - graduações especializadas, mestrados e doutoramen-
devidamente apetrechado para saber fazer abordagens pro- tos são alguns dos caminhos que, numa atitude assumida de
fissionais no âmbito das competências associadas ao perfil “Tal como argumenta Monteiro a Investigação-Acção assu- educação vitalícia, poderão conduzir a uma investigação que
profissional do Curso, nomeadamente a capacidade de re- a) à falta de definição das funções que o Educador me-se (…) um processo no qual os investigadores e actores,
solução de problemas relacionados com a sua área de inter- Social desempenha porque muitas vezes confundido com conjuntamente, investigam sistematicamente um dado e “levada a cabo ligando tendências mundiais e europeias às
venção. Daí a importância da problematização para a aquisi- outros trabalhadores da área social, como os Assistentes So- põem questões com vista a solucionar um problema ime- novas exigências de competências necessárias e de perfis
ção e desenvolvimento de competências para, criticamente, ciais e os Animadores Sociocultural. É urgente esclarecer que diato vivido pelos actores e a enriquecer o saber cognitivo, profissionais desejáveis é muito elucidativa. A mudança em
selecionar informação relevante sabendo fundamentar, argu- o papel do Educador Social é fundamentalmente pedagógi- o saber-fazer, o saber-ser, num quadro ético mutuamente curso quer na organização do trabalho, quer no funciona-
mentar, justificar e aplicar as opções, o que proporcionará e co, fundamentado por um conhecimento teórico-prático e por aceite (…)” (Monteiro, 1995 in Guerra, 2005, p.53) mento das sociedades demanda aptidões de adaptação e
facilitará ao licenciado em Educação Social a autonomia indis- princípios éticos e deontológicos indispensáveis a quem lida de inovação cada vez mais críticas” (Carneiro, 2001, p.39).
pensável para um profissionalismo fundamentado, rigoroso e com pessoas, muitas vezes, com fragilidades e em sofrimento. c) À falta de um conhecimento generalizado das suas

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Salienta-se, assim, a coresponsabilidade das Instituições Es-
colares, enquanto unidades criativas de conteúdos educacio-
que esta competência poderá ser desenvolvida e mobilizada
numa lógica de intervenção diferenciada junto do Outro. Pen-
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competências ultrapassadas pela rapidez da mudança. piração económica, em termos gerais, encontra-se balizada nas contra a exclusión social. in as Cidades e os Rostos da Exclusão. Porto: Universidade Portucalense.
por três conceitos fundamentais. O primeiro prende-se com FERNANDES, António Teixeira (2006). Monotonia democrática e diluição das regulações sociais. Porto: Afrontamento.
e) Às dinâmicas da sociedade em geral e à valorização a conceção de “destruição criadora” de Joseph Shumpeter, GUERRA, Isabel (2000). Fundamentos e Processos de Uma Sociologia de Acção. Cascais: Principia.
que a sociedade atribui ao seu trabalho educativo. ensaiada logo no início do século XX. Para aquele economis- HANSEN, David; BURDICK-SHEPPERD, Stephanie; CAMMARANO, Cristina; OBELLEIRO, Gonzalo (2009).Education, Values and Valuing in Cosmopolitan Perspective.Curriculum
ta, as épocas marcadas por fortes mudanças sociais, con- Inquiry. 39:5. 587:612.
A este respeito, o decorrer da história falará por si. duziriam a situações de uma destruição criadora no sentido LE BOTERF, Guy (2005). Construir as competências individuais e coletivas. Resposta a 80 questões. Porto: ASA.
da reestruturação e reconversão de setores da economia LÉVINAS, Emmanuel (1988). Totalidade e Infinito. Lisboa: Edições 70.
f) Finalmente, como parte dos fatores que contribuem para de acordo com as novas exigências sentidas. As épocas de LÉVINAS, Emmanuel (2012).De Deus que vem à ideia. Petrópolis: Vozes.
uma “indefinição” do educador social, poderão referir-se, tal crise económica e social constituem tempos de reconfigura- MARTINS, Guilherme de Oliveira (2000). In O Futuro da Educação em Portugal, Tendências e Oportunidades, um estudo de reflexão prospectiva. Lisboa: Ministério da Educação.
como apontam Romans, Petrus e Trilla (2003): a existência ção de exigências e respostas adequadas. Posteriormente, MORIN, Edgar (1996). O problema epistemológico da complexidade. Lisboa: Europa-América.
de um campo de trabalho amplo e de diferentes visões sobre nos anos 80, P. Drucker introduz a noção de oportunidade, ONU (1986). Declaração Universal dos Direitos do Homem. Porto: Fundação Engenheiro António de Almeida.
o que é “intervenção educativa”; a sobreposição de tarefas em termos económicos. De facto, as épocas históricas mais ORANGE, Christian (2011). Problematização e conceptualização em ciências e nas aprendizagens científicas. Saber & Educar. Nº16. 46-63.
com outros profissionais da área “social”; as incertezas nas controversas são as que possibilitam o surgimento de no- PAUGAM, Serge (org) (1996). L’exclusion. L’État des savoirs. Paris: La Découverte.
contratações e nas carreiras, e a instabilidade do mercado de vas oportunidades de investimento, de criação de serviços PETRUS, A. (1997) (coord). Pedagogia Social. Barcelona: Ariel.
trabalho social. e produtos inovadores. O terceiro conceito prende-se com a RODRIGUES, Maria João (coord) (2003). Para uma Política de Inovação em Portugal. Lisboa: Dom Quixote.
noção de inovação. Maria João Rodrigues (2003) ensaia um ROLDÃO, Maria do Céu (2008). Gestão do Currículo e Avaliação de Competências. Lisboa: Editorial Presença.
(novo) paradigma de perspetivação e atuação económica e ROMANS, Mercè; PETRUS, Antoni; TRILLA, Jaume (2003). Profissão: Educador Social. Porto Alegre: Artmed.
social, baseado fundamentalmente, na Inovação. SAMAGAIO, Florbela (2006), A educação social e a investigação: algumas generalidades em torno de um perfil profissional. Cadernos de Estudo. ESE Paula Frassinetti.
SBERGA, Adair Aparecida (s/d). Voluntariado Educativo. Brasil: Editora Fundação Educar.
Reflexões finais É neste contexto de apelo generalizado à inovação que a SERAPICOS, Ana Maria (2003). Pensar e intervir socialmente no séc. XXI. Saber e Educar, nº 8. Porto: Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti.
Como já afirmámos, os perfis profissionais deverão acom- noção de empreendedorismo social vai ganhando terreno SERAPICOS, Ana Maria (2006).Alguns Desafios que se colocam à Educação Social. Cadernos de Estudo, nº3. Porto: Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti.
panhar as exigências sociais e económicas, resultantes das na área das ciências socais e das ciências da educação. SERAPICOS, Ana Maria; SAMAGAIO, Florbela; TREVISAN, Gabriela (no prelo). Trajectórias Socioprofissionais dos Diplomados em Educação Social da ESEPF: Porto, ESEPF.
transformações ocorridas nas sociedades modernas. Esta Na nossa perspetiva, a “ética de cuidado” poderá constituir SERRANO, Glória Pérez (2003). Pedagogia Social, Educación Social, Construcción científica e intervención práctica. Madrid: Narcea.
equipa tem vindo a desenvolver um trabalho de investigação, uma mais-valia capitalizável no mercado de emprego/traba- XIBERRAS, Martine (1996). As Teorias da Exclusão. Para uma construção do imaginário do desvio. Lisboa: Instituto Piaget.
alicerçado em metodologias quantitativas e em metodologias lho, no domínio de intervenção social e comunitária. A nossa
qualitativas de investigação, com o objetivo final de ajudar a sociedade assiste ao surgimento de novas necessidades de
definir o perfil profissional do Educador Social. acompanhamento socioeducativo junto de populações con-
sideradas vulneráveis, como por exemplo, a população ido-
Ao longo destes últimos quatro anos, o grupo tem vindo a ve- sa. O educador social encontra-se, em termos (in)formativos,
rificar oscilações e variações no perfil profissional original des- numa posição privilegiada para acionar esta competência e
te técnico, resultantes do ajustamento das suas funções face perspetivar com ela a criação do autoemprego. Contudo, face
às novas configurações de desempenho exigidas. Trabalhan- a esta questão, devemos chamar a atenção para a necessi-
do diretamente quer com aprendizes quer com profissionais dade do ajustamento das políticas públicas promotoras da
do domínio do trabalho social , a mesma equipa tem vindo a criação de emprego neste âmbito.
constatar a emergência de outras competências que, em seu
entender, poderão integrar o perfil profissional do Educador
Social. Neste sentido, poderemos destacar a “ética do cui-
dado” como competência “aglutinadora” das competências
expostas na tipologia de LeGoterf (2005). Para este autor, as
competências poderão ser teóricas, cognitivas, instrumen-
tais e sociais. Consideramos que a competência entretanto
emergente de “ética de cuidado” reúne simultaneamente ca-
racterísticas das várias competências referenciadas na res-
petiva tipologia. Trata-se efetivamente de uma competência
complexa e ambiciosa que requer formação, conhecimento e
sensibilidade por parte destes trabalhadores. Por outro lado, e
atendendo a que a sociedade atual apresenta novos desafios
ao nível do trabalho social, relacionados, por exemplo, com
o acompanhamento socioeducativo dos idosos, acreditamos

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Introdução ao problema que se processa a regulação ética e deontológica na sua
profissão e, na prática, como é que se podem resolver
A profissão do educador social envolve o trabalho com pes- dilemas éticos no quotidiano da educação social em insti-
soas e com instituições que, curiosamente, são também te- tuições, sobretudo, no trabalho com pessoas. Em relação
mas de análise em ética aplicada. Intervir na vida de pessoas à consultoria filosófica, o interesse era sobre os problemas
traz consigo algumas dificuldades práticas e, a priori, dilemas filosóficos das pessoas, a questão da fronteira com as pato-
conceptuais e valorativos. logias do foro mental e as técnicas que deveriam ser utiliza-
Temos assim 3 níveis de análise do problema: o nível prático, das para gerir as situações em que esse tipo de problemas
em que as consequências das ações técnicas são muitas aparecesse. Dado o âmbito deste artigo, vamos directos
vezes objeto de uma avaliação qualitativa, onde verificamos para a segunda questão, deixando para outra oportunidade a
que uma má decisão foi o resultado de uma deliberação des- exploração do primeiro interesse.” (Dias, 2011, 56)
focada dos valores éticos essenciais à profissão do educa-
dor social. Claramente, identificamos aqui a responsabilidade Posto isto, resta-nos dar seguimento ao projeto iniciado em
partilhada, quer do técnico, quer da instituição; o nível teórico 2011 e abordar as questões que consideramos decisivas
subdivide-se em dois âmbitos - aquele que se constitui duran- para dar resposta ao problema que identificámos no início
te a formação do técnico e aquele que se realiza quando os deste artigo, a saber, como é que se pode efetuar uma re-
instrumentos de avaliação solicitam uma reflexão ética sobre gulação ética numa profissão que não está organizada em
uma determinada ação. Ordem Profissional, mas que pretende intervir socialmente, no
sentido de recuperar, manter/orientar as pessoas para a felici-
Assim, a questão de fundo que aqui levantamos é: quem dade, numa perspetiva de sustentabilidade pessoal.
define a ética profissional do educador social? Um educador
social? Qual? Um grupo de educadores sociais? Qual? E qual
a validade dessa “carta ética” (Fernandes, 2004, 151)? Pode-
remos utilizá-la para justificar as decisões dos técnicos?
Questões conceptuais
Se olharmos para as principais profissões existentes em A ética já foi identificada como uma disciplina que deveria es-
Portugal, e referimo-nos àquelas que estão reconhecidas le- tudar o carácter (moral) dos indivíduos e das suas relações
galmente perante a república e que, além disso, estão or- sociais. Mateus refere-se ao “modo de ser de um individuo”, à
ganizadas mediante a definição de uma ordem profissional: sua bondade e perfetibilidade. (Mateus, 2011, 8)
médicos, enfermeiros, advogados, engenheiros, arquitetos,
A ÉTICA APLICADA À PROFISSÃO DO EDUCADOR SOCIAL economistas, são apenas alguns exemplos. Nestas ordens
profissionais, encontramos definida a deontologia do profis-
A questão da convivência é central na ética e, como sabe-
mos, é também central na educação social (Serrano, 2009,
sional. 15). Por exemplo, uma das referências em ética convivên-
Jorge Humberto Dias1 O que podemos entender por deontologia profissional? E para
cia é a obra do filósofo espanhol Julián Marías: Ensayos de
convivência (1955) e Tratado sobre la convivencia (2000). Em
1 Diretor do Gabinete PROJECT@. Investigador na Universidade Nova de Lisboa. gabineteporject@mailworks.org. que serve? Como deverá funcionar? E qual o valor ético fun- análise está a noção de pessoa humana, a sua riqueza vital
WEB: http://gabinete-project.blogspot.com. damental, que deverá ser considerado a principal finalidade e relacional, assim como os conteúdos da sua realização na
da vida das pessoas? sociedade civil. Associado a este processo está um conjunto
vasto de valores éticos fundamentais, que importa compre-
Resumo Tendo em conta que a educação social é uma atividade pro- ender, aplicar e desenvolver. Recentemente, em 2004, Corti-
Com este artigo pretendemos demonstrar a importância da ética no desempenho profissional do fissional que trabalha o “bem-estar” das pessoas (Azevedo, na, professora da Universidade de Valência e especialista em
educador social. Para isso, teremos de compreender a origem etimológica e disciplinar da ética 2011, 35), pretendemos com este artigo, aprofundar a com- ética aplicada, referia que a convivência liberal na Europa do
preensão sobre esse conceito de bem-estar, ao mesmo tem- século XVI/XVII veio abrir uma nova subdisciplina, a saber, a
como área de estudo dos princípios fundamentais que devem orientar a ação humana. Nesse
po que questionaremos o seu sentido reducionista, sobretudo moral civil, que consiste na partilha de mínimos éticos entre
processo, salientaremos o sucesso da teoria kantiana, nomeadamente junto das ordens profis- num trabalho social que se pretende não apenas reativo mas, cidadãos que têm diferentes conceções do mundo (Cortina,
sionais em Portugal, que vieram desenvolver e aplicar, de modo genérico e diversificado, a sua essencialmente, proativo e promotor da felicidade humana no 2004, 2).
deontologia moral. No entanto, dado o facto dos educadores sociais não possuírem uma ordem sentido definido por um dos principais especialistas da ética
contemporânea: Julián Marías. Outro contributo foi definir a ética como o estudo dos princí-
profissional, indicaremos, por ora, alguns instrumentos essenciais para a promoção da ética na pios fundadores e fundamentadores de toda a moral e ação
atividade profissional do educador social. Também com este artigo, pretendemos ir mais além, no Desde 1998 que estudamos as obras completas deste filó- humanas. Este último tópico levou alguns especialistas da éti-
sentido de propormos um paradigma ético-felicitário, inspirado na teoria de Julián Marias, filósofo sofo espanhol, e ao longo dos anos temos verificado que as ca aplicada a identificarem alguns valores éticos fundamentais
referências para as disciplinas sociais e pedagógicas são di- em determinado momento histórico e para uma determinada
espanhol, e que permita ao educador social realizar uma intervenção técnica com maior sentido versas e na sua grande maioria com um carácter compreen- comunidade e/ou instituição.
humano, racional e filosófico. Neste artigo, daremos continuidade ao trabalho que iniciámos, de sivo e fundamentador. No entanto, mais recentemente, temos
modo mais objetivo, em 2011, com um artigo que publicámos em Madrid, na Visión Libros: “Do publicado sobre a sua filosofia aplicada à questão da felicida- A Internet Encyclopedia of Philosophy apresenta-nos uma
de e a sua importância para o trabalho do educador social, definição de ética, que se identifica com a filosofia moral e
método da razão vital felicitária, em Julián Marías, na aplicação filosófica da(s) sua(s) teoria(s) à
sobretudo no que diz respeito às suas funções de mediador que consiste na definição dos comportamentos bons e maus.
compreensão da vida humana. Análise de um caso-de-consulta e referências para a educação social e escolar (Azevedo, 2011, 35). No artigo que publicá- Posto isto, considera que a ética divide-se em 3 áreas de
social” (Dias, 2011, 56). mos em 2011, referimo-nos precisamente aos dois aspetos estudo: metaética (estudo dos princípios éticos e suas fontes:
que nos interessavam desenvolver em linha de investigação: invenções sociais, expressões emocionais, etc.), ética nor-
mativa: definição de padrões morais que regulem os bons e
Palavras-chave: Ética, pessoa, valores, deontologia, felicidade, projeto, educador social. “Assim, os educadores sociais pretendiam saber como é maus comportamentos, como por exemplo, aprendizagem

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de hábitos, cumprimento de deveres e entendimento das 2006, 13-14)
Como sabemos, a teoria que mais tem sido apreciada por
consequências; e ética aplicada: estudo de temas controver-
Em 2011, Azevedo considera que são necessários novos es- juristas e políticos é a teoria deontológica de Kant, que se
sos como o aborto, direitos dos animais, homossexualidade, Voltando ao texto de Mateus, é curiosa a referência a Séneca,
tudos, que atualizem a informação sobre o real quotidiano dos baseia na boa vontade, na sua liberdade, na universalidade
etc. (Fieser, 2009) filósofo da felicidade e, ao mesmo, tempo, um teórico do di-
educadores sociais. (Azevedo, 2011, 49) da racionalidade, na dignidade da pessoa e na sua auto-
reito e da ética. Será esta uma referência histórica no que diz
nomia. É com base nestes critérios, os quais levaram Kant
Mateus recorda a importância dos valores éticos e suas re- respeito à importância de estarmos atentos à realização dos
Se olharmos, por exemplo, para o trabalho exemplar do Con- para o “estrelato deontológico”, através da célebre expressão
gras morais estarem legislados, devido à essencial proteção dois tipos de ética na vida das pessoas? Por um lado, garantir
selho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (http://www. “imperativo categórico”, que são definidos os deveres de um
das pessoas e das sociedades, no sentido de garantia bási- os bons comportamentos na sociedade e nas instituições –
cnecv.pt/), verificamos que os pareceres éticos escritos são determinado profissional e que costumam constar no código
ca do humanismo na sociedade e nas instituições (Mateus, a base da vida pessoal e livre – e por outro lado, garantir o
apenas consultivos para o governo em determinadas deci- deontológico (das ordens profissionais, nas profissões orga-
2011, 3). Talvez aqui fizesse sentido falarmos de 2 éticas: a aprofundamento pessoal da dimensão ética da vida individual
sões mais complexas, que envolvem matéria a legislar, não nizadas e reconhecidas pelo estado em decreto-lei e das as-
pública (morus) e a privada (ethos). A primeira poderia ser le- e social, a saber, a felicidade.
sendo portanto vinculativos. De qualquer modo, é de salientar sociações profissionais, nas restantes profissões que ainda
gislada, mas a segunda não, dado que envolveria as decisões
a estrutura que os pareceres éticos têm, assim como o regu- percorreram o processo constante da lei Nº 6/2008, de 13 de
e os projetos mais pessoais. Assim, é comum dizer-se que Como sabemos, para Aristóteles, o objeto da ética era o bem,
lamento de funcionamento do Conselho, em que os conse- fevereiro, que estabelece o regime jurídico das associações
os advogados são os especialistas da ética pública (Mateus, as ações boas e a finalidade do indivíduo era a felicidade.
lheiros recebem um subsídio de presença em cada reunião e públicas profissionais).
2011, 7) e os filósofos da ética pessoal. Mas com Kant, a ética passou a disciplina fundamentadora
outro para o autor do respetivo parecer.
dos princípios teóricos da ação e a moral veio universalizar-
Cortina faz-nos a apresentação do paradigma vitalista «pro-
No entanto, não deveremos radicalizar esta consideração, -se à racionalidade da liberdade, da vontade e da autono-
O que é um parecer ético e para que serve? Trata-se um jetivo-felicitário», que pretendemos aqui apresentar. No texto
dado que o âmbito dos problemas éticos é transversal e exi- mia. Só nos últimos 100 anos é que surgiu um paradigma
documento escrito, elaborado por um especialista em ética já aqui citado, a autora divide a ética em dois tipos (Cortina,
ge uma formação académica, pessoal e social diversificada. ético-vitalista, considerado como o resultado da história do
aplicada (também denominado de conselheiro/consultor éti- 2004, 3): de um lado, coloca as éticas máximas, ou seja,
Atualmente, é comum encontrarmos profissionais com várias pensamento filosófico, culminando “naturalmente” em Orte-
co) que analisa um determinado problema da ação humana aquelas que pretendem compreender a globalidade, a com-
formações especializadas, pelo que é mais complexo deter- ga y Gasset, o qual veio permitir a revalorização da felicidade
à luz de uma ou mais teorias éticas, com o objetivo de orien- plexidade ao agir humano, onde se coloca a questão da
minar, a priori, qual o perfil do especialista em ética aplicada / como uma necessidade vital da pessoa (Julián Marías). Este
tar o processo de elaboração de uma lei (no caso do CNE- felicidade como uma finalidade e o dever moral como uma
consultoria ética. Por um lado, o licenciado em direito tem uma paradigma veio inserir, de modo claro e decisivo, a filosofia
CV) ou de apoiar um processo de tomada-de-decisão numa condição necessária. Aqui, estaríamos nos antípodas da de-
formação prática relevante (o estágio, por exemplo), mas uma espanhola na história do pensamento filosófico. Cortina, por
instituição (empresa, câmara municipal, escola, associação, ontologia kantiana, com um “imperativo hipotético”, mas com
diminuta formação filosófica e ética. Por outro, o licenciado em exemplo, chega mesmo a referir-se ao “giro aplicado”, como
clube desportivo, etc.). Neste tipo de trabalho, são analisa- valor de “quase-categórico, pois todas as pessoas procuram
filosofia tem uma elevada formação teórica em ética, mas uma outro dos factores que caracterizam a contemporaneidade.
dos e confrontados diferentes valores éticos (justiça, respeito, a felicidade. Para Cortina, este tipo de éticas são considera-
diminuta formação prática (sobretudo em instituições). (Cortina, 1996, 119) Facto que apenas tinha sido titubeado
solidariedade, etc.) e relacionados/aplicados à possibilidade das “éticas conciliatórias”, que dão conselhos vitais; do outro
com F. Suaréz e a sua metafísica. Portanto, será este paradig-
de resolver esse problema do agir. Pensamos que este mode- lado, coloca as éticas mínimas, ou seja, aquelas que propõem
Para Cortina, a ética é uma disciplina prática de especialistas ma, na sua linha «projetiva-felicitária» (Marías), que vamos de-
lo, adotado pelo CNECV, no âmbito do Ministério da Saúde, mínimos axiológicos e normativos, os quais são partilhados
em filosofia, que desenvolvem e aplicam métodos filosóficos senvolver mais à frente neste artigo, no sentido de apresentá-
deveria ser alargado a outras áreas como a Solidariedade e por uma sociedade pluralista (Cortina, 2004, 4). É aqui que
(empírico racional, transcendental, fenomenológico, herme- -lo como uma alternativa válida para a fundamentação de uma
Segurança Social, a Educação, a Economia, as Finanças, o Cortina coloca a moral cívica.
nêutica, etc.) (Cortina, 2004, 2). intervenção mais completa e realizante, do educador social,
Desporto, a Política, etc.
junto das suas comunidades
Mas Cortina vai mais longe, ao introduzir a questão da edu-
( Não vamos aqui explorar a teoria ética de John Rawls (libe-
Portanto, o procedimento das instituições locais/nacionais cação para os valores, tecendo um olhar critico ao sistema
ralismo político), nem a teoria ética de Apel e Habermas (ética
deverá ser a criação de uma comissão de ética na instituição educativo, devido à sua hipervalorização para com as com-
do discurso), citadas por Cortina, mas que ultrapassam em
e/ou o recurso a um serviço externo de consultoria ética, con- petências cognitivas e de memorização, em detrimento das
larga medida o âmbito deste artigo. No entanto, não quisemos
tratando a uma empresa do ramo os serviços de um consultor competências ético-morais e de projeção felicitária. (Cortina,
deixar de registar a referência à sua importância na época
ético. Em articulação com esta fundamentação científica da 2004, 8) Este posicionamento de Cortina vai na linha da teoria
contemporânea.)
ética na instituição, deverão existir planos anuais de atividades apresentada por Marías na sua obra La educación sentimen-
Outra questão essencial é o facto da ética não poder ser con- na área da ética aplicada. tal, em que são apresentados vários recursos pedagógicos,
fundida com o direito. No entanto, o comportamento público Em 2004, Banks considerava alguns desafios éticos do traba-
Neste âmbito, recordamos aqui o Plano Nacional de Ética no assim como justificações teóricas para o “esquecimento” con-
de um técnico – o exercício da sua profissão com pessoas lhador social em geral e divide-os em duas partes:
Desporto (http://www.pned.pt/), criado pela Secretaria de Es- temporâneo da dimensão ética na educação das crianças e
- deverá ser objeto de análise ética e, nalguns casos, de aná- tado do Desporto e da Juventude. Neste plano, encontramos jovens, principalmente o âmbito valorativo e sentimental. (Ma-
lise jurídica. É esta ideia que está presente na lei nº 6/2008, 1) os temas que interessam à sociedade e as políticas
já alguns exercícios pedagógicos para que os professores e rías, 2008) Na nossa perspetiva, o papel do educador social
de 13 de fevereiro (Regime jurídico das Ordens Profissionais), públicas para a área social e para os seus profissionais: as
os técnicos possam trabalhar com as crianças e os jovens a nas escolas – tão defendido por Leonor Viegas – deveria ser,
em que o incumprimentos das normas deontológicas levará privatizações e a visão do trabalho social como um negó-
compreensão, valorização e aplicação dos valores éticos (fair- precisamente, trabalhar a dimensão não-formal da educação,
a Ordem Profissional a instaurar um processo disciplinar ao cio; a diversidade de profissões na área social, dificultando a
-play, responsabilidade, amizade, etc.) na prática desportiva. sobretudo no âmbito social, dos comportamentos e dos va-
técnico. Aqui, o diálogo crítico entre ética filosófica e direito identidade profissional de cada uma; o aumento do trabalho
Outros recursos são os códigos de ética e os códigos de- lores. (Viegas, 2011) Azevedo refere-se ao educador social
pode ser frutífero e enriquecedor para todo o processo quali- multidisciplinar (Banks dá o exemplo das Comissões de Pro-
ontológicos, manuais, livros e artigos sobre ética desportiva, como um “técnico de proximidade” (Azevedo, 2011, 49), e
tativo do exercício da profissão. No entanto, é importante re- teção de Menores); a diminuição da confiança pública, devido
assim como a formação contínua (ações de curta duração) e estabelece uma relação pertinente entre a dimensão relacio-
cordar que este procedimento não existe nas profissões que à ausência de uma Ordem Profissional que regule as profis-
especializada (cursos de média/longa duração). nal do quotidiano em sociedade e a qualidade de vida.
não possuem Ordem Profissional. É o caso dos licenciados sões da área social; o respeito pelas diferenças; promoção da
autonomia dos utentes; o pluralismo axiológico; o aumento da
em educação social e, também, dos licenciados em filosofia. Na história da ética: da deontologia (Kant) à «projeção É neste ponto que gostaríamos de introduzir o paradigma que
burocracia e de empregos públicos, que colocam em causa
Assim, além de comprometida a qualidade profissional, quer felicitária» (Marías) encontrámos na obra do filósofo espanhol Julián Marías: em
no âmbito da formação, quer no âmbito dos serviços presta- a independência profissional;
primeiro lugar, a sua perspetiva ética para a atualidade, já não
dos, a regulação apenas existe de acordo com o regime geral No seguimento do que referimos anteriormente, urge deitar se concentra no conceito de bem, mas sim no conceito de
da legislação, não havendo qualquer regime específico para 2) os assuntos éticos e os dilemas da prática quotidiana
um pequeno olhar para a história da ética, que desde Pla- melhor. A visão de Marías centra-se num olhar construtivo e
estas profissões. Cardoso refere que “estudos sociológicos do trabalhador social: a divergência entre os interesses do
tão e Aristóteles, tem acompanhado os sistemas teóricos dos baseado na dimensão do possível e do realismo humano; em
apontam que as profissões mais especializadas e que exigem utente e os interesses da comunidade; a divergência entre a
filósofos: Epicuro, Séneca, Agostinho de Hipona, Tomás de segundo lugar, a sua perspetiva prática, a saber, que o melhor
um alto nível de conhecimento são, normalmente, as que al- maximização do bem-estar e a contenção para a justiça distri-
Aquino, Descartes, Espinosa, Kant, Hegel, Stuart Mill, E. Lévi- possível em ética é a aproximação constante à questão da
cançam um reconhecimento social mais elevado.” (Cardoso, butiva; as parcerias; conflitos entre colegas;
nas, Ortega y Gasset, John Rawls, etc. felicidade, e por isso, as pessoas necessitam de projetar,

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ou seja, de desenhar, aplicar, rever, etc. vários projetos na sua (PROJECT@)
vida. Para o primeiro ponto, sugerimos a leitura de Tratado de Como sabemos, a lei nº6/2008, de 13 de fevereiro, refere-se, Assim, atualmente, o paradigma «projetivo-felicitário» define Para este efeito, torna-se necessário ter uma compreensão
lo mejor (1995); para o segundo ponto, sugerimos a leitura de no seu artigo 2º à expressão “normas deontológicas”, como felicidade como a concretização de um projeto de vida, ba- aprofundada relativamente ao significado do conceito de felici-
La felicidad humana (1989). uma das condições necessárias para o acesso, o exercício e seado numa ética pessoal rica em valores humanos diversos. dade, pois só assim será possível desenhar uma intervenção
o controlo da profissão. O objetivo é, na verdade, a garantia Assim, para que a felicidade seja possível, torna-se neces- completa e eficiente. Aqui, como vimos, a educação social
da qualidade profissional, ou seja, do serviço prestado por um sário um método que apoie esse processo construtivo. Foi e a ética filosófica necessitam de um diálogo interdisciplinar,
A formação académica e profissional determinado técnico. Neste processo, estão envolvidos os nessa linha que criámos, em 2006, na obra Filosofia Aplica- no sentido de preparar a intervenção como uma orientação
Se analisarmos os currículos das licenciaturas, verificamos estabelecimentos de ensino superior, os centros de formação da à Vida. Pensar Bem, Viver Melhor, o método PROJECT@, projetiva da felicidade pessoal e comunitária. O método PRO-
que ainda não é consensual, nos estabelecimentos de ensi- contínua, as associações científicas, as ordens profissionais que inclui 6 níveis, os quais foram aprofundados ao longo da JECT@ foi assim a nossa sugestão de trabalho e que acon-
no superior portugueses, a existência de uma cadeira sobre e os sindicatos. Na nossa perspetiva, pensamos que tam- experiência de consultoria ética e filosófica, assim como da selhamos a experimentar num futuro próximo, avaliando, pos-
«ética e deontologia do educador social». Pelo exposto neste bém devem participar neste processo qualitativo, as entida- investigação académica e profissional. Portanto, em 2009, teriormente, os seus resultados.
artigo, pensamos que o título deveria ser este. des onde os técnicos exercem a sua atividade profissional, de surgiu uma versão renovada e enriquecida, que publicámos
preferência em formato societário ou associativo. em Felicidad o Conocimiento?. Num futuro próximo, contamos publicar um artigo sobre a ava-
Da análise que realizámos a alguma da literatura científica so- No mundo atual, a consciência dos direitos pessoais é cada liação de uma experiência profissional de aplicação concreta
bre o tema, assim como alguma produção reflexiva e crítica vez maior. Logo, é normal – diz Lipovetsky - que a ética apli- Um exemplo curioso, que podemos deixar neste artigo, em da ética – em particular, o paradigma «projetivo-felicitário» - ao
na internet, verificámos que tem existido um esforço conside- cada esteja na moda e em várias áreas, desde as empresas forma de encerramento, é o PDP (Plano de Desenvolvimento trabalho de um ou mais educadores sociais.
rável, por parte de algumas entidades e personalidades, para à bioética, passando pela ecologia e pelas novas tecnologias, Pessoal), que os CNO’s (Centros Novas Oportunidades) ela-
a organização da profissão do educador social, dando um es- (Cortina, 1996, 120) chegando agora à educação social. boravam com os adultos, em processos educativos de for-
pecial relevo para questões de identidade profissional (Cardo- mato RVCC. Este precioso instrumento, assumia uma impor-
so, 2006, 9), nomeadamente, aquelas que mais contribuem Como sabemos, o mundo do trabalho é na atualidade uma tância, não apenas pedagógica e com utilidade para o futuro,
para o ethos deste técnico superior, a saber, os princípios das principais fontes da vida pessoal e social, assim como mas também vital e pessoal. A limitação que encontrávamos,
éticos universais da sua profissão (necessariamente definidos garantia de uma certa felicidade. Na atividade do educador nalgumas entidades, era a ausência de cursos de formação
e consensualizados a uma escala global) e os conteúdos de- social, a dimensão do futuro é essencial. Aqui, Azevedo re- contínua e especializada, financiados pelas entidades compe-
ontológicos da sua atividade em instituições. corda-nos a teoria de Paulo Freire (Azevedo, 2011, 35), e a tentes, com implicações na qualidade do PDP.
importância de ajudar as pessoas a projetar a sua vida de
Como já o referimos neste artigo, é essencial que neste pro- modo autónomo. Marías vai mais longe e defende que a ca-
cesso de regulação estejam envolvidas todas as entidades tegoria do bem e do correto já não podem ser consideradas
que colaboram na formação e no exercício da atividade do adequadas para orientar e compreender, em exclusividade, a Conclusão
educador social. Os documentos aprovados deverão ter a as- ação humana em geral e, em específico, o trabalho do edu- Concluímos com este artigo que fica por debater se a profis-
sinatura de todos os departamentos universitários atualmente cador social, devendo utilizar-se antes a categoria do melhor são do educador social pode ser considerada uma profissão
existentes em Portugal, assim como de todas as associações (Marías). A ideia que subjaz a esta visão crítica da moral é a da liberal e se a sua regulação ética e deontológica pode ser re-
do setor. È fundamental que assim seja. A discórdia é a úni- essência da vida como projeto no tempo, em que a pessoa alizada pelo Estado ou por outra entidade extern a. O esclare-
ca possibilidade negativa, mas que exige, por isso mesmo, constrói o seu caminho, em vez de regular-se por padrões cimento deste ponto, abre a discussão sobre a possibilidade,
a participação no debate e na produção documental. A au- externos e impostos. o sentido e a necessidade de uma Ordem Profissional dos
sência e a não colaboração não poderão ser admitidas, dado educadores sociais.
tratar-se de uma questão fundamental para a profissão e para O paradigma que estudou esta dimensão vital foi iniciado por
todos os técnicos formados em educação social e que inves- Ortega y Gasset em Espanha, a famosa Escola de Madrid, Entretanto, pensamos que a dimensão ética e deontológica
tiram seriamente nesta atividade profissional. em que, um dos seus principais discípulos, Julián Marías, de- do seu trabalho, deverá ser garantida pelas entidades envol-
senvolveu uma aplicação original do paradigma rácio-vitalista vidas, sendo que para isso poderão realizar parcerias com
No que diz respeito à formação universitária de 1º ciclo, pen- de Ortega, ensaiando um estudo compreensivo da questão outras entidades especializadas na área da ética aplicada /
samos que deveria incluir um estágio anual, que contemplas- da felicidade como finalidade da vida, e considerando o pro- consultoria ética, no sentido de serem criadas comissões de
se a supervisão científica, realizada por um docente da univer- jetar ético como a categoria filosófica decisiva. La felicidad ética, elaborados códigos de ética e pareceres éticos sobre
sidade e a monitorização técnica na entidade de acolhimento, humana tornou-se assim numa obra central da história con- determinados problemas da educação social.
realizada por um técnico com experiência. Atualmente, en- temporânea, sendo já caracterizada como um dos maiores
contramos o sistema de “práticas”, que é, na nossa perspeti- contributos inovadores no recente movimento da filosofia apli- Além disso, uma disciplina de deontologia do educador social
va, claramente insuficiente para desenvolver um projeto e uma cada (Dias & Barrientos, 2009, 167). deveria ser consensual em todos os departamentos universi-
intervenção fundamentadas, prejudicando assim a parte de tários, desde as licenciaturas aos doutoramentos em educa-
envolvimento presencial na instituição, e que é, quanto a nós, Assim, sugerimos como metodologia de trabalho para o edu- ção social. Outra condição organizacional seria a abordagem
essencial para a formação profissional do candidato a técnico cador social, que pretende assumir na sua intervenção a pro- do tema em congressos da especialidade, a publicação de
superior de educação social, sobretudo ao nível da ética e da moção da felicidade pessoal e social/comunitária, a aplicação artigos que refletissem sobre problemas éticos da prática do
deontologia. de PROJECT@, que explicitámos na obra Felicidad o Cono- educador social e a realização de teses de mestrado e dou-
cimiento?. Além da leitura atenta e crítica, deixamos a possi- toramento sobre aspetos relevantes da sua deontologia pro-
Outro aspeto decisivo é a realização de teses de mestrado e bilidade do educador social realizar um curso introdutório à fissional.
doutoramento, suportadas em seminários e/ou pós-gradua- consultoria ética e filosófica (nível 1) e/ou de aprofundamento A convivência e a felicidade seriam, na nossa perspetiva, os
ções, que realizem estudos científicos teórico-práticos, que (Nível 2 e 3), através do formato PIFEC (Programa Individual conceitos-chave da intervenção socioeducativa que o técni-
relacionem a ética aplicada à educação social. A importância de Formação e Certificação), totalmente à distância e com tu- co superior de educação social pretende realizar. Nesse âm-
destas investigações está relacionada não apenas com a fun- toria on-line, no Gabinete PROJECT@ - Consultoria Filosófica bito, pensamos que o educador social necessita de realizar
damentação científica da ética e deontologia do educador so- - http://gabinete-project.blogspot.pt/. formação contínua e/ou especializada, no sentido de adquirir
cial, mas também com a evolução do mundo e da profissão, competências técnicas específicas, para enriquecer a sua in-
que deverão caminhar lado a lado. O conceito de felicidade teve origem na ideia grega de aper- tervenção ao nível ético e deontológico, sobretudo no que diz
feiçoamento humano e, mais tarde, na visão cristã de realiza- respeito à felicidade dos seus utentes e das comunidades em
O mercado de trabalho e uma nova metodologia ção pessoal. que o educador social trabalha.

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Metodologias aplicadas desde a filosofia: estabelecimentos prisionais, empresa, ética, consultoria e educação. Madrid: Visión Libros. Como recente licenciada em Educação Social, não tenho, Sou Diretor de uma Instituição de Proximidade e Tempos-
ainda, uma opinião muito certa da relação do desempre- -Livres para crianças e Jovens, há 15 anos. Tenho um
go na atualidade. Certo é que a procura que tenho efe- enorme prazer em ser educador. Na instituição lutamos
tuado tem sido diária e constante e, pelo que comprovo contra o uso de drogas e realizamos várias atividades
diariamente, a oferta de emprego nesta área é muito pou- para promover a Saúde dos jovens, tais como, atividades
ca ou quase nula. Escusado será dizer que isto se retrata, desportivas. Neste projecto, também temos meios para
sem dúvida, na situação atual do nosso país, em que o oferecer aos nossos jovens atividades ligadas à informáti-
Estado fecha as portas à contratação pública e cada vez ca, montagem audiovisual, atividades ligadas à música e
mais instituições de apoio à sociedade estão a encerrar ao teatro. Realizamos, ainda, jornadas ao ar livre e cam-
ou a despedir profissionais qualificados. Obviamente que pismo. Outras das atividades que fazemos, e as crianças
isto só vem reforçar a ideia de que são cada vez mais ne- adoram, é organizar jornadas de voluntariado em que aju-
cessários profissionais da área social para atuar com este dam a supervisionar grupos de jovens que fazem parte
vasto público. Não creio que isto signifique que o futuro das Associações de Clubes de Desporto na Argélia.
dos Educadores Sociais e dos profissionais da área social A nossa Equipa é formada por mim, 4 Educadores So-
esteja comprometido. ciais, 2 Psicólogos, 2 Sociólogos, 1 Informático e 1 Co-
Como positivista em relação à visibilidade que temos pe- municador Social. As crianças e jovens têm acesso a uma
rante o mundo e, principalmente, perante a sociedade, sala de informática, sala de lazer, cafetaria, sala de des-
tenho esperanças de que o nosso trabalho seja cada vez portos de combate, terreno para jogar futebol ou voleibol.
mais apreciado e aclamado, sobretudo se atendermos a O nosso trabalho é duro mas temos muitos apoios do
um panorama tão incerto do que será o futuro do nosso nosso Governo, pois aqui 75% da nossa população é jo-
país e da população que nele habita e que precisa, cada vem. Por isto, temos muitos problemas de drogas e rou-
vez mais de ver e assistir a grandes feitos de mudança. bos! Mas, felizmente, temos acesso a muitos recursos
Este trabalho, enquanto profissionais da área social com- para prevenir e lutar contra estes problemas sociais. Na
pet-nos, ajudando a construir um futuro melhor em todos Argélia a base do ser humano é ter um bom desenvolvi-
os sentidos que do ser humano fazem parte. mento educativo e, é por isto, que lutamos todos os dias.

38 39
José Pucci Neto

Educador Social

Curitiba-Brasil
A APTSES
O profissional EDUCADOR SOCIAL deve ser, primeiramen- Aqui no Brasil a profissão de Educador(a) Social ainda não A Associação dos Profissionais Técnicos Superiores de Edu- Atividades APTSES:
te, comprometido com os valores humanos: amor, amizade, está regulamentada e é exercida por profissionais de nível cação Social iniciou-se a 21 de novembro de 2008. Contu-
emancipação do indivíduo e ser necessariamente hábil nas médio de escolaridade, não sendo portanto uma profissão do, o seu trabalho começou em 2001, com o 1.º Grupo de 2007 – Negociação do Contrato Coletivo de Trabalho para as
áreas de conhecimentos básicos da educação, pedagogia, de nível superior. Estamos nós profissionais atuantes na área Trabalho em Educação Social. Este grupo surgiu com a difícil IPSS (CNIS | STSSS)
psicologia, sociologia, história, antropologia, ter noções de buscando nossa regulamentação em nível de pós-médio. integração dos primeiros licenciados em Educação Social no 2008 – Reuniões com governo e partidos do governo para
saúde, para poder aplicar em seu cotidiano e fazendo desta Até o presente momento, não há interesse político no Brasil mercado de trabalho. Estes profissionais depararam-se com negociação da integração dos TSES nas equipas técnicas de
ação educativa um transporte de conhecimento para a auto- para favorecer a regulamentação da nossa profissão, por ser uma incompatibilidade entre a formação académica e as fun- protocolo RSI
promoção do ser humano. o profissional da Educação Social um agente transformador ções que eram solicitadas aos educadores sociais. Em 2002, 2011 – Reuniões com governo contra os despedimentos dos
da cultura e de realidades do país. Trabalhando pelo em- juntaram-se assim ao Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, TSES das equipas do Plano DOM (Desafios, Oportunidades
Entendemos que esta relação é de transferências e de trocas, poderamento de um povo na busca de sua real identidade Solidariedade e Segurança Social (STSSS). e Mudanças)
então para se poder fazer um bom trabalho de assistência e significação de seus valores políticos e sociais, os atuais 2012 – Negociação com o Secretário de Estado do Emprego
social, devemos observar que os atendidos trazem consigo governantes não querem, pois coloca em cheque suas rega- Desde a sua constituição, a Educação Social, em geral, e a para integração dos TSES na Classificação Portuguesa das
conhecimentos, bagagens e estas devem ser entendidas, co- lias, desvela as fontes da corrupção, de uma visão não moral APTSES, em particular, têm-se deparado com alguns desa- Profissões.
nhecidas e às vezes transformadas, para que o vulnerabilizado e não ética de cidadania. Por este motivo, nós, profissionais fios, os quais temos procurado responder. A saber: 2013 – Negociação com o Secretário de Estado do Ensino
possa se transformar em cidadão pleno. Educadores Sociais, ficamos refém de um sistema arcaico e Básico para integração dos TSES nas equipas dos Centros
sem trabalho de real e efetiva mobilidade social. Nossa iden- para a Qualificação e Ensino Profissional.
O trabalho educativo é uma das formas de se olhar o seme- tidade profissional enquanto Educadores Sociais Brasileiros é 1.º DESAFIO: Lutar por um adequado reconhecimento 2014 – Reunião com o Secretário de Estado da Economia
lhante com uma visão crítica de que se houver o desejo por o efetivo comprometimento com a cidadania de nosso povo e profissional. para a criação da Ordem Profissional dos TSES.
parte do indivíduo de transformação está poderá ocorrer para a defesa plena do ensino para nossa população de seus di- 2015 – Defesa dos TSES junto da Agência Nacional para a
melhorar e potencializar o seu próprio processo de autonomia. reitos civis e está sedimentada na valorização do ser humano. A investigação na área das ciências da educação iniciou-se Qualificação e Ensino Profissional (ANQEP)
Partindo do princípio de que este ser encontra-se excluído, na década de 70, com os primeiros cursos técnico-profissio-
devemos nós educadores investir no processo de entendi- nais de Educação Social, em Braga. Estes cursos, de equi-
mento de sua cidadania. Portanto este entendimento inicia- valência ao 12.º ano, conferiam ao educador social um papel 2.º DESAFIO: Valorização do conhecimento epistemo-
-se através de um trabalho elaborado de um profissional que de monitor de crianças e jovens, muitas vezes com incapa- lógico do Educador Social
hoje se chama Educador Social. Sendo a sua ferramenta de cidades físicas e cognitivas, dinamizando actividades lúdicas.
trabalho, o uso de seu conhecimento global, adaptando ao Estes profissionais não tinham qualquer tipo de formação para O reconhecimento da identidade profissional dos educadores
seu contexto, utilizando a palavra, o olhar, gestos para com o a decisão e acompanhamento de casos. sociais depende não só da sua evolução académica, mas
outro. Tudo isso com uma intencionalidade pedagógica, está também da diversidade de contextos e populações com os
voltada para o protagonismo do ser. Entre 1980-1990, surgiram os primeiros bacharelatos em quais interage. Se na sua emergência, os educadores sociais
Educação Social nas Escolas Superiores de Educação do apenas lidavam com um público muito específico, actualmen-
Vemos, portanto, que o Educador Social é um profissional Porto (em 1993) e Santarém. Estes bacharelatos, com a te o seu domínio de intervenção é muito mais abrangente:
que tem que ter uma visão de todo o contexto, pois ele faz duração de três anos, preparavam o Educador Social para intervém com populações de todas as faixas etárias (infância,
uma anamnese sócio-política, cultural e humanística do ser actividades recreativas, mas com uma metodologia centra- juventude, adultez e velhice); com problemas específicos (toxi-
humano vulnerabilizado, pois isso clarifica ao educador pos- da na animação sociocultural. A pertinência da educação codependentes, pessoas que se prostituem), em meio aberto
sibilidades de intervenções no indivíduo, objetivando sempre social foi-se acentuando cada vez mais e, em 1996, surgiu, (rua), semi-aberto (centros de dia) e fechado (centros educa-
sua auto-promoção. Entende este profissional que cidadania na Universidade Portucalense Infante D. Henrique, a primeira tivos); no âmbito da prevenção primária, secundária, terciária;
é uma conquista, de um ser humano que atinge sua autono- licenciatura em Educação Social. A partir daqui, proliferam as educação, formação, cultura, saúde, comunidade, família, …
mia plena, dentro da sociedade, isto o transforma conhecedor licenciaturas em educação social, concebendo-a como uma Esta diversidade de contextos e funções, por um lado, favo-
de seus direitos e responsabilidades civis. profissão que realiza trabalho social, educativo e pedagógico. rece a empregabilidade, todavia não facilita que a educação
social tenha limites bem definidos. Não há uma definição clara
Portanto entendemos que educar é uma nobre arte, que se Num curto espaço de tempo, a Educação Social deixa de ser do campo de actuação dos educadores sociais. Por outro
faz necessária para intervenções precisas, porém de forma entendida como uma perspectiva técnica e recreativa e passa lado, há uma confusão com outras profissões sociais, cuja
singela, com ternura, porém firme e adequada. Para assim a ser vista de acordo com uma perspectiva de intervenção e profissão está mais consolidada no campo da acção social
atuar, é necessário que o profissional Educador Social, cons- investigação socioeducativa. Todavia, durante um determina- (caso dos assistentes sociais), com quem há uma semelhan-
tantemente, se aprimore e isso exige do mesmo não só o do período de tempo, coexistiam profissionais de diferentes ça de títulos e com quem partilham território de intervenção.
trabalho laboral do dia-a-dia, mas sempre a busca de novos níveis de formação. Foi, assim, necessário um enquadramen-
conhecimentos. Portanto, o profissional Educador Social deve to profissional distinto, uma vez que os técnicos superiores É assim necessário destacar e valorizar o conhecimento
também olhar-se com dignidade, respeito e humanidade e de educação social (TSES) eram remunerados como profis- epistemológico do Educador Social, o seu saber matricial de
ter a consciência da nobre missão que lhe cabe, possibilitar sionais com formação técnico-pedagógica e existia uma total referência: A Pedagogia Social. Os educadores sociais têm,
transformações humanas por meio da palavra, da reflexão, ao confusão dos âmbitos e funções de cada um. assim, o desafio de definir uma identidade profissional que
realizar uma escuta ativa e ser fundamentalmente um questio- evidencie o compromisso educativo do seu trabalho social.
nador e propositor de atitudes perante a vida. Os educadores sociais têm um saber próprio, que urge cada

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vez mais implementar até mesmo em Pedagogia Social. bleia Geral no 1.º Congresso Internacional de Educação
Embora os educadores sociais reconheçam a Pedagogia So- Social (maio 2011).
cial como a ciência da educação social, a verdade é que esta Congressos 8.º DESAFIO: Cooperação internacional
disciplina nem sempre aparece formalmente contemplada 1.º Congresso Internacional de Educação Social – “Velhos
nos planos de estudo dos cursos de educação social. 5.º DESAFIO: Reduzido associativismo profissional Rumos, novos caminhos” – ESE Viseu| maio 2011 Vivemos num mundo globalizado, que exige uma maior apro-
2.º Congresso Internacional de Educação Social – “Educação ximação das congéneres internacionais.
Atividades APTSES: As associações profissionais são fundamentais para a reflexão e Inovação Social” – Guimarães| novembro 2012
sobre os valores e princípios que sustentam o ethos profissio- 3.º Congresso Internacional de Educação Social – “Educação Atividades APTSES:
2012 – Participação, a convite, na Universidade Católica Por- nal. São elementos agregadores da comunidade profissional, e Integração Social” – ESE Porto| outubro 2013 - XVI AIEJI World Congress (Luxemburgo – 2013)
tuguesa - Centro Regional do Porto, no 2.º ciclo de Seminários credibilizando a profissão. O ethos da educação social preci- 4.º Congresso Internacional de Educação Social – “Compor- - Workshop “Regulating acess to profesions: national
Temáticos em Pedagogia Social, com a comunicação “Peda- sa de ser mais valorizado. Pertencer a uma associação profis- tamentos Desviantes e Reinserção Social” – ESE Santarém| perspectives” (Bruxelas – 2013)
gogia Social: novos espaços para a identidade profissional”. sional é participar nos processos de afirmação da identidade outubro 2014 - I Congreso Internacional Ciências de la Educación e
profissional. Um colectivo profissional coeso permite lutar pro 5.º Congresso Internacional de Educação Social – “Pensar a del Desarrollo (Santander – 2013)
2014 – Participação no XXVII Congresso Internacional de Pe- melhores oportunidades de emprego, maior estabilidade no Família” – ESECS Leiria| outubro 2015 - II Congreso Internacional de Menores Infractores y
dagogia Social, que decorreu na Escola Superior de Educa- trabalho, justas remunerações, acesso a cargos hierarquica- I Encontro Luso Galaico da Educación Social – “La Educación violencia juvenil (Alicante – 2013)
ção do Porto, como entidade colaboradora e com a comu- mente superiores, criação de espaços de investigação, apoio Social más allá e mais acá da raia” | Vigo| Março 2015 - III European Symposium of Social Educators’ Profe-
nicação “Percursos da Pedagogia e da Educação Social em profissional, divulgação do perfil profissional do educador so- sional Associations (Saragoça – 2014)
Portugal”. cial. - I Congreso Iberoamericano de Educación Social en
7.º DESAFIO: Estreitamento ligação entre a Teoria e a situaciones de riesgo y conflicto (Madrid – 2014)
2015 – Foi celebrado entre a APTSES e a SIPS – Sociedade Atividades APTSES: Prática - AIEJI Board Meeting (Lisbon – 2015)
Iberoamericana de Pedagogia Social, um convénio de cola- - Protocolo com a AIEJI
boração. - Aconselhamento jurídico-laboral Meio académico e profissional; formação e práxis profissional - Protocolo com o CEESG – Colexio de Educadoras e
- Representatividade profissional Educadores Sociais da Galicia
- Protocolo com o CEESRM – Colegio de Educadoras e
3.º DESAFIO: Aposta na formação contínua Atividades APTSES: Educadores Sociais da Región Murcia
6.º DESAFIO: Reduzida investigação e produção de - Participação no grupo European Office from AIEJI
Pela exigência da sua missão, o exercício profissional do edu- publicações - Participação do Dia da Educação Social na UPT (2010 e
cador social requer uma formação rigorosa, capaz de conferir 2013)
competências de saber, saber ser, saber estar, saber fazer A Educação Social precisa de visibilidade. Os educadores - Participação na III Semana de Inserção Profissional – e de-
e querer saber. A rápida obsolência dos saberes exige uma sociais precisam de trazer para a luz pública quem são e o pois da licenciatura? Oportunidades e dificuldades – ESE
atualização constante, capaz de adaptar o sue trabalho à rea- que fazem. Em Portugal, há uma reduzida investigação e pro- Santarém (2010)
lidade que encontra. A formação permanente é essencial para dução de publicações que dêem visibilidade aos educadores - Aula aberta Técnicos Superiores de Educação Social – Iden-
os educadores sociais, para incorporar novos saberes e pos- sociais. tidade e Reconhecimento Profissional – ESE Porto (2013)
turas capazes de responder a novos desafios. Os educadores sociais devem ser capazes de criar conhe- - Seminário “Educação Social em debate: formação, ambien-
cimento que torne visível a matriz teórica em que se insere a te e sustentabilidade” (ESE Santarém – 2013)
Atividades APTSES: sua praxis profissional, divulgar as suas experiências e boas - Seminário “Humanitude: a arte de cuidar com amor” (IESFA-
práticas. A escrita favorece ainda a consciencialização das FE – 2013)
- Plano Formativo Anual da APTSES: suas práticas, uma atitude mais crítica e reflexiva. - II Jornadas Ibéricas da Educação Social (ESE Bragança –
· Workshop Coaching for all (parceria com a TESE) 2014)
· Workshop Metodologias Expressivas de Atividades da APTSES: - II Jornadas Cientificas: Intervenção psicossocial na comuni-
Intervenção Sócio-educativa dade (Campanhã – 2014)
· Curso Gestão de Instituições Sociais e Educativas - Livros: - Mesa Redonda: Educador de adultos: Identifico(me)? (ESE
· Workshop Psicogerontologia Educativa • Técnicos Superiores de Educação Social: Ne- Porto – 2015)
· Protocolo com a Competir cessidade e pertinência de um estatuto profissional - I Encontro da Pós-graduação em Educação Social (Univer-
· Registo no Portugal 2020 – Sílvia Azevedo | 2011 sidade Aberta – 2015)
• Educação e Integração Social – Fátima Correia - Aulas abertas relativas ao papel das associações profissio-
e Sílvia Azevedo | 2014 nais (ESE Porto – 2015)
4.º DESAFIO: Formação ética e deontológica - Apresentação da APTSES (ISCE Odivelas – 2015)
- Revistas: - Protocolo com a Escola Superior de Educação do
A formação ética e deontológica deve-se constituir como uma • Praxis Educare Porto
preocupação central para os educadores sociais. De acordo - Protocolo com a Escola Superior de Educação de
com a Declaração de Barcelona, em 2013, elaborada pela - Artigos: Santarém
AIEJI, a ética é um elemento central da prática profissional, • Colaboração com a RES – Revista de Educación - Protocolo com o Instituto de Estudos Superiores de
porque possibilita o questionamento das linhas de atuação Social (ESPANHA) Fafe
profissional. A credibilidade externa e o reconhecimento de- • Colaboração com o portal Social Paedagogen - Protocolo com a Escola Superior de Educação de
pendem da capacidade ética e associativa dos educadores (DINAMARCA) Paula Frassinetti
sociais. • Colaboração com a Revista Interfaces Cientificas - Protocolo com a Universidade Portucalense Infante
– Educação (BRASIL) D. Henrique
Atividades APTSES: • Colaboração no Livro de Atas do XXVII Seminá- - Protocolo com o Instituto Superior de Ciências
rio Interuniversitário de Pedagogia Social (PORTUGAL) Educativas de Odivelas
- Elaboração Código Deontológico, aprovado em Assem- • Colaboração com a revista Sensos (PORTUGAL) - Protocolo com a Escola Superior de Educação e
Ciências Sociais de Leiria

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CEES Aragón - Colegio Profesional de Educadores y Educa- Soziale Arbeit Scheiwz
doras Sociales de Aragón El Portal de la Educación Social http://www.avenirsocial.ch/
http://www.ceesaragon.es/ http://www.eduso.net/

CEESC - Collegi d’Educadores i Educadors Socials de Cata- FESET - Formation d’Educateurs Sociaux Européens
lunya http://www.feset.org/
http://www.ceesc.es/
Finish Federation of Social Educators
CEESCYL - Colegio Profesional de Educadores y Educadoras http://www.talentia.fi/
Sociales de Castilla y León
http://www.ceescyl.com/ Greenland’s Federation of Social Educators
http://www.pip.gl/
CEESG - Colexio de Educadores Sociais de Galicia
http://ceesg.org/ Iceland’s Federation of social Educators
http://throska.is/
CEESIB - Col.legi de Educadores y Educadors Socials de Les
Illes Balears
http://www.ceesib.org/ ICSW - International Council on Social Welfare
http://www.icsw.org/
CEESPV - Colegio de Educadoras y Educadores Sociales del
Pais Vasco Institut Saint Laurent - Centre de Formation aux Profesisons
http://www.ceespv.org/ Sociales
http://www.institutsaintlaurent.com/
CESCLM - Colegio Profesional de Educadores Sociales de
Castilla-La Mancha International Association of Social Educators
http://www.cesclm.es/ http://aieji.net/

CESRM - Colegio Profesional de Educadores Sociales de la International Federation of Social Workers (IFSW)
Región de Murcia http://ifsw.org/

44 45
Bibliografia
Subsídios Breves para o Debate de Princípios e Técnicos Superiores de Educação Social. Necessidade
Valores na Formação Política do(a) Educador(a) e Pertinência de um Estatuto Profissional Cartografías Pedagógicas para Educadores Sociales
Social

Autor (es): José García Molina


Autor(es): Rosanna Barros Autor(es): Sílvia Azevedo Ano de edição: 2012
Edição/reimpressão: 2012 Edição/reimpressão: 2011 Editor: U.O.C.
Páginas: 246 Páginas: 145 ISBN: 9788490291702
Editor: Chiado Editora Editor: Fronteira do Caos
ISBN: 9789896973933 ISBN: 9789898070630
Coleção: Compendium

7 Retos para la Educación Social: Reinventarse como


Dinâmicas e Práticas do Trabalhador Social Educação e Integração Social Profesional de lo Social, Nuevos Desafios para la
Empleabilidade

Autor(es): Philippe Weber Autor (es): Fátima Correia & Sílvia


Edição/reimpressão: 2011 Azevedo (coord.) Autor (es): Novella Camara & Flores
Páginas: 256 Ano de edição: 2014 Miravalles
Editor: Porto Editora Editor: Fronteira do Caos Ano de edição: 2013
ISBN: 9789720348593 ISBN: 9789898647306 Editor: Gedisa
Coleção: Educação e Trabalho ISBN: 9788497847360
Social

Educação Social: Fundamentos e Estratégias Ética Prática para as Profissões do Trabalho Social Cuestiones Éticas en la Educación Social.
Del compromisso político a la responsabilidad en la
práctica profesional
Autor(es): Adalberto Dias de Car- Autor(es): Sarah Banks & Kirsten
valho & Isabel Baptista Nøhr (Coords.)
Edição/reimpressão: 2008 Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 112 Páginas: 160 Autor (es): Jesús Vilar Martín
Editor: Porto Editora Editor: Porto Editora Ano de edição: 2013
ISBN: 9789720348517 ISBN: 9789720348586 Editor: U.O.C.
Coleção: Educação e Trabalho So- Coleção: Educação e Trabalho So- ISBN: 9788490299456
cial cial

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Próximo Número Documentos de
Apoio
A Praxis Educare tem como objectivo a construção de um espaço de debate, reflexão e partilha sobre a Educação Social e CÓDIGO DEONTOLÓGICO DO TÉCNICO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO SOCIAL
seus profissionais, suas (boas) práticas, seus espaços de intervenção, seu perfil e identidade profissional. Não obstante, esta
é também uma publicação dirigida a outros profissionais, com quem os Técnicos Superiores de Educação Social partilham Pertinência: contextos, processos e recursos socioeducativos; (c) media-
terreno e que, com eles, trilham e (re)criam a intervenção. Desde 1996 em que a Universidade Portucalense Infante D. ção social, cultural e educativa; (d) conhecimento, análise e
A Praxis Educare é uma publicação semestral com um tema central, dividida em diferentes secções. O próximo número, em Henrique abre a Licenciatura em Educação Social, modelo investigação dos contextos sociais e educativos; (e) desenho,
preparação, terá como tema “A Escola: espaço de intervenção do Técnico Superior de Educação Social”. Se deseja colaborar, de formação este que foi alargado a outros estabelecimentos implementação e avaliação de programas e projetos em qual-
gratuitamente, com a revista, poderá enviar um e-mail para praxiseducare@aptses.pt. de ensino superior, que a ética profissional tem sido objeto de quer contexto educativo; (f) gestão, direcção, coordenação e
Os artigos devem ser enviados, impreterivelmente, até dia 15 setembro 2015. Os artigos não deverão exceder as 25 páginas debate e de preocupação para os Técnicos Superiores de organização de instituições e recursos educativos” (ASEDES,
A4, processados em formato word, tipo de letra arial, tamanho 10. Recomenda-se o uso restrito de negritos, abreviaturas e Educação Social. cit. Sáez, 2009: 14).
marcas. As citações devem ser apresentadas entre aspas e em itálico. A primeira folha deve conter o título do artigo (e substí-
tulo, caso exista), nome do(s) autor(es), ocupação profissional, instituição a que pertencem (e cargo que desempenham) e con- Em 2008, com a génese da APTSES, enquanto associação
tato (e-mail). Deve, também, ser enviado um resumo, em português, contendo até 100 palavras, além de 4/5 palavras-chave. profissional com personalidade jurídica, que herdou o trabalho
Os gráficos e figuras, quando existentes, deverão ser apresentados em ficheiros à parte, sendo indicada a sua localização iniciado anteriormente pelo Grupo de Trabalho dos Educado-
aproximada no texto. As referências no interior do texto, assim como a lista bibliográfica final, devem seguir as normas da APA res Sociais Portugueses do Sindicato dos Trabalhadores da CAPÍTULO I - Visão geral
(American Psychological Association). As opiniões e conceitos emitidos são, ainda, da responsabilidade do(s) autor(es). Saúde, Solidariedade e Segurança Social, existe a preocu-
Os artigos apresentados para publicação serão precedidos de uma leitura por parte dos membros do conselho editorial da pação pela elaboração de um documento profissional e pelo Entendemos que este Código Deontológico seja entendido
Praxis Educare, que se reserva o direito de aceitar ou rejeitar artigos e poderá fazer sugestões para melhor a sua apresentação. novo Código Deontológico do Técnico Superior de Educação como função promover uma postura reflexiva em torno de um
Após publicação na revista Praxis Educare, os artigos ficam a ser propriedade desta. Por este motivo, a reprodução, parcial ou Social, acompanhando as novas exigências profissionais que conjunto de princípios e regras que devem auto-regular as
têm sido impostas a este coletivo profissional. práticas profissionais do Técnico Superior de Educação So-
total, deverá ser feita com indicação expressa do nome da revista e da referência aos autores. cial, constituindo-se também como um referente para os Do-
Este documento elaborado por um coletivo profissional e co- centes que integram os estabelecimentos de ensino superior
ordenado por Bruno Ferreira e Sílvia Azevedo, com supervisão que formam estes profissionais, a sociedade civil, de modo a
científica de Fernando Canastra, docentes do ensino superior contribuir para o respeito e cooperação no exercício da sua
e responsáveis pela formação e profissionalização de Técni- profissão e melhorar a praxis profissional exercida com indiví-
cos Superiores de Educação Social, surge agora para apro- duos e comunidade.
vação no 1.º Congresso Internacional de Educação Social.
Este Código baseia-se juridicamente na Constituição da
República Portuguesa (1976), na Declaração Universal dos
Preâmbulo: Direitos Humanos (1948), na Convenção Europeia para a
O presente Código Deontológico procura estabelecer alguns Salvaguarda dos Direitos Humanos (1950), na Carta Social
princípios e algumas regras, no quadro de uma ética profissio- Europeia (1965), na Convenção sobre os Direitos da Criança
nal, que devem regular o exercício profissional dos Técnicos (Nova Iorque, 1989), anunciada na Carta dos Direitos Fun-
Superiores de Educação Social. damentais da União Europeia (2000) e no Tratado de Lisboa
(2007).
A necessidade de reconhecimento jurídico, social e profissio- Este direito está expresso no reconhecimento de uma profis-
nal desta nova Profissão Educativa, em vias de profissionaliza- são de carácter pedagógico, exercida em contextos socioe-
ção, coloca-nos perante a exigência de produzirmos consen- ducativos, em programas de mediação, em projetos educa-
sos partilhados em torno do que entendemos por Educação tivos comunitários, que são da competência profissional do
Social, no contexto do exercício profissional dos Técnicos Técnico Superior de Educação Social, e que possibilita:
Superiores de Educação Social.
- A incorporação da importância da educação para a diversi-
Considerando que a prática socioeducativa não é, apenas, dade e heterogeneidade das redes sociais, entendida como
protagonizada pelos Educadores Sociais, uma vez que são o desenvolvimento da socialização, sociabilidade, autonomia
vários os atores profissionais que também exercem a sua ati- e interação social.
vidade neste contexto, importa definir, especificamente, em
que consiste o exercício das suas funções e competências - A promoção sociocultural, entendida como causa de novas
profissionais. oportunidades para a aquisição de bens culturais, de forma a
ampliar as perspetivas de educação, emprego, lazer e parti-
Assim, assumimos que a atividade profissional específica dos cipação social.
Técnicos Superiores de Educação Social se inscreve a partir
do seguinte referente: “(a) transmissão, formação, desenvol-
vimento e promoção da cultura; (b) gestão de redes sociais,

48 49
Assim, a Educação Social parte de um epítome de conhe- diversidade de contextos socioeducativos: Artigo 7.º CAPÍTULO VI – Relação com os Sujeitos de Educação
cimentos e competências para os Técnicos Superiores de Educação e Desenvolvimento Comunitário (instituições edu- O Técnico Superior de Educação Social, devido à sua respon-
Educação Social, produzindo efeitos pedagógicos no desen- cativas, autarquias, associações, ONG, centros culturais, sabilidade social que incide no acompanhamento dos sujeitos Artigo 15.º
volvimento, mudança e promoção de indivíduos, grupos e centros de atividades desportivas, lazer e turismo, centros de de educação, deve ser objetivo e prudente, quer na sua ação, Sujeitos de Educação são os actores sociais ou sujeitos
comunidades. formação, etc.); quer na passagem de informações a outros colegas no que aprendentes com quem interage o Técnico Superior de Edu-
Serviço Educativo (bibliotecas, museus, fundações, autar- concerne a relatórios psicopedogógicos e sociais (que se re- cação Social no contexto da sua atividade profissional.
A Educação Social aparece alicerçada no saber matricial da quias, centros de interpretação, centros de difusão científica, vistam da necessidade de garantir a confidencialidade).
Pedagogia Social, que se interligam na promoção de uma su- cultural e ambiental, etc.); Artigo 16.º
cessão de serviços socioeducativos e recursos para todos, Serviços sociais(centro de recursos no contexto da deficiên- Artigo 8.º O Técnico Superior de Educação Social não deve expressar
desde indivíduos, comunidades e sociedade geral. cia, estabelecimentos prisionais, centros de saúde, hospi- O Técnico Superior de Educação Social deve estar atento às palavras ou ações passíveis de produzir dano aos seus sujei-
tais, lares de acolhimento de crianças, jovens e idosos, etc.) consequências diretas ou indiretas da sua atividade profissio- tos de educação, sejam eles físicos ou morais.
As necessidades que sentimos, enquanto Técnicos Superio- (http://www.ipleiria.pt/portal/ipleiria?p_id=6051.) nal e assegurar-se da correta interpretação e utilização que
res de Educação Social em consolidarmos a nossa profissão, dela possa ser feita por terceiros. Artigo 17.º
exigem a criação de um Código Deontológico. Este constitui- O Técnico Superior de Educação Social tem de respeitar os
-se num referente para organizar e sistematizar alguns princí- Artigo 9.º valores ideológicos, religiosos, filosóficos, morais e outros dos
pios éticos comuns, regras que norteiam a profissão e a sua O Técnico Superior de Educação Social não deve usar e abu- atores com quem vier a exercer a sua atividade profissional.
praxis, que promove o exercício da responsabilidade que os CAPÍTULO II - Princípios Fundamentais sar da boa-fé das pessoas que acompanha para benefício
Técnicos Superiores de Educação Social devem ter perante próprio ou de terceiros. Artigo 18.º
a sociedade, coletivos em situações de risco, exclusão, vul- Artigo 1.º O Técnico Superior de Educação Social deve inscrever a sua
nerabilidade social, que coloca a possibilidade de modificar Este Código aplica-se aos Técnicos Superiores de Educação relação numa postura profissional, caraterizada por um senti-
essa situação, através de um saber técnico e uma prática Social no exercício da atividade profissional, nomeadamente do de responsabilidade. Assim deve reconhecer e respeitar
profissional, que se inscreve numa relação educativa. aos associados efetivos da Associação dos Profissionais Téc- os valores éticos e culturais de cada ator com quem vier a
nicos Superiores de Educação Social. CAPÍTULO IV – Exercício da Profissão realizar a sua atividade profissional.
Neste contexto, a acção educativa envolve a construção de
uma relação de confiança e de responsabilização, acordada Artigo 2.º Artigo 10.º Artigo 19.º
entre as partes envolvidas, exigindo que o Técnico Superior O Técnico Superior de Educação Social deve defender a dig- O exercício da profissão de Técnico Superior de Educação O Técnico Superior de Educação Social deve encaminhar os
de Educação Social garanta o exercício de uma postura ética nidade e o respeito da pessoa humana, salvaguardando o Social só pode ser realizado por pessoas com as devidas seus sujeitos de educação para outros colegas, quando as
e deontológica informadas. bem-estar de qualquer pessoa que procure os seus serviços habilitações académicas e profissionais. necessidades específicas não se enquadrem dentro da sua
e com quem entre em relação profissional, não praticando competência profissional.
A construção deste documento representa, por um lado, a qualquer ato ou palavra passível de lesar os atores com quem Artigo 11.º
promoção da responsabilidade profissional nas ações socio- vier a exercer a sua actividade profissional. Se um Técnico Superior de Educação Social, ou pessoa que Artigo 20.º
educativas realizadas pelo Técnico Superior de Educação So- se identifique como tal, violar os princípios deontológicos da O Técnico Superior de Educação Social deve informar os
cial, a sua relação com outros profissionais, que responde a Artigo 3.º profissão, o Técnico Superior de Educação Social tem o dever sujeitos de educação dos apoios, serviços ou acompanha-
certas necessidades socioeducativas que se fazem sentir na É dever do Técnico Superior de Educação Social, em qual- de reportar a ocorrência às entidades responsáveis, nomea- mento socioeducativo a prestar-lhe, definindo bem os seus
sociedade atual. quer área da sua atividade profissional, informar-se dos pro- damente à Associação dos Profissionais Técnicos Superiores objetivos, a fim de que os mesmos possam tornar-se auto-
gressos referentes à sua profissão, com a finalidade de con- de Educação Social. res da sua auto-formação, esclarecendo-os, ainda, sobre os
As caraterísticas que devem representar todas as práticas so- seguir uma atualização constante dos seus conhecimentos eventuais prejuízos da não cooperação ou do seu envolvi-
ciais e educativas construídas pelos profissionais no ambiente científicos e técnicos. Artigo 12.º mento pró-ativo.
em que se movem são, entre outras: especialização, forma- O Técnico Superior de Educação Social deve manter boas
ção e profissionalização para adquirir esse conhecimento, que Artigo 4.º relações com os outros profissionais com quem trabalha, de- Artigo 21.º
se traduz em competências e capacidades, tendo este códi- O Técnico Superior de Educação Social não deve servir-se vendo limitar o seu trabalho ao âmbito da sua atividade profis- O Técnico Superior de Educação Social não deve estabelecer
go como elemento de auto-justificação, ação responsável no da sua condição profissional nem consentir que a sua ação sional, de modo a evitar que os outros profissionais desempe- relações profissionais com elementos da sua própria família,
uso de tais competências, desenvolvimento de normas inter- profissional possa servir para fins que contrariem os valores da nhem funções que são de competência exclusiva do Técnico amigos ou estruturas em que o Técnico participe na qualidade
nas para as articular com os outros profissionais e, finalmente, dignidade e do respeito da condição humana. Superior de Educação Social. de cidadão ou militante.
a atividade política para justificar a sua presença no mercado
de trabalho, respondendo a diferentes necessidades socio-
educativas, promovendo propostas de melhoria ao nível do
bem-estar subjetivo e social. CAPÍTULO VII – Relação Interdisciplinar
CAPÍTULO III - Responsabilidade CAPÍTULO V – Relações Institucionais
Os Técnicos Superiores de Educação Social são formados Artigo 22.º
a partir de uma multiplicidade de experiências (biográficas e Artigo 5.º Artigo 13.º O Técnico Superior de Educação Social deve, quando solici-
sociais) e de referenciais científicos e pedagógicos, desde a O Técnico Superior de Educação Social deve reconhecer os O Técnico Superior de Educação Social deve respeitar a obri- tado, prestar toda a colaboração profissional aos seus cole-
Pedagogia Social, Psicologia, Sociologia, Antropologia e Filo- limites da sua competência e da sua ação profissional, não gatoriedade de sigilo profissional. gas, salvo em caso de justificado impedimento.
sofia, entre outros. Esses referenciais possibilitam a produção devendo oferecer serviços ou utilizar métodos para os quais
de conhecimento teórico, metodológico e técnico, de forma não tenha qualificação. Artigo 14.º Artigo 23.º
a expandir as contribuições dessas disciplinas que orientam Quando for solicitada a sua participação como testemunha O Técnico Superior de Educação Social não pode ser coni-
a ação socioeducativa, este profissional cria um corpo de co- Artigo 6.º judicial, o Técnico Superior de Educação Social só deverá vente com erros graves praticados por outros colegas.
nhecimentos que são específicos para esta profissão, resul- O Técnico Superior de Educação Social deve encaminhar os prestar as informações permitidas pela sua formação e pela
tante da conceptualização formativa e experiência profissional. sujeitos de educação a fim de obterem cuidados adequados sua experiência profissional.
de outros profissionais quando a resposta ajustada está fora
No seu quotidiano profissional, o Técnico Superior de Edu- do âmbito da sua competência profissional.
cação Social intervém do ponto de vista pedagógico, numa

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CAPÍTULO VIII – Relação com entidades patronais: Artigo 30.º CAPÍTULO XV – Disposições Finais de Educação Social pertencentes à APTSES e pelo Gabinete
Os honorários do Técnico Superior de Educação Social de- Jurídico dessa associação profissional.
Artigo 24.º vem ser fixados de modo a que representem uma justa retri- Artigo 38.º
O Técnico Superior de Educação Social deve assegurar a buição dos serviços prestados. O Técnico Superior de Educação Social deve, sempre que se Artigo 40.º
autonomia do seu exercício profissional, privilegiando uma justificar, dar a conhecer os princípios e as regras estipuladas Este Código deve ser revisto de cinco anos em cinco anos.
postura de trabalho em rede e numa ótica de partilha de res- Artigo 31.º neste Código Deontológico, às pessoas com quem trabalha, Levado a aprovação no 1.º Congresso Internacional de Edu-
ponsabilidades. Os honorários, quando se justificar, devem ser comunicados assim como aos superiores hierárquicos e outros trabalhado- cação Social, Viseu, 7 de Maio de 2011.
aos sujeitos de educação antes de iniciada qualquer interven- res da instituição/organização onde o mesmo se insere.
Artigo 25.º ção socioeducativa.
O Técnico Superior de Educação Social não deve aceitar o CAPÍTULO XII – Publicidade Profissional Artigo 39.º
emprego deixado por um colega que tenha sido exonerado A infração a este Código passará por apreciação de uma co-
sem justa causa ou que haja pedido a demissão para preser- Artigo 32.º missão constituída para o efeito por três Técnicos Superiores
var a dignidade e os interesses da profissão e os princípios e O Técnico Superior de Educação Social, ao divulgar publica-
normas do presente Código. mente a sua disponibilidade para a prestação de serviços,
deve fazê-lo com exatidão e dignidade científica e profissional.
NÍVEIS DE REMUNERAÇÃO E MONTANTES RETRIBUTIVOS DE BASE MÍNIMOS
Artigo 33.º TÉCNICO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO SOCIAL
O Educador Social não pode exercer a sua atividade profis- (Boletim do Trabalho e Emprego, n.º 6 de 15de fevereiro de 2012)
CAPÍTULO IX – Sigilo Profissional sional enquanto Técnico Superior de Educação Social, se não
for portador de qualificação profissional de nível superior (Grau
Artigo 26.º de Licenciado). Contrato coletivo entre a CNIS — Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade ea FNE — Federa-
Constitui obrigação inevitável do Técnico Superior de Educa- ção Nacional da Educação eoutros — Revisão global.
ção Social a salvaguarda do sigilo acerca de elementos que
tenha recolhido no exercício da sua atividade profissional ou CAPÍTULO I propostaaté 30 dias após a recepção da comunicação dede-
no âmbito da sua prática investigativa, desde que esteja em Disposições gerais núncia de revisão, presumindo -se a respectiva aceitaçãoca-
causa a garantia de sigilo profissional, salvaguardando o dis- CAPÍTULO XIII – Declarações Públicas so não seja apresentada contraproposta.
posto no Artigo 37.º. Cláusula 1.ª 7 — Será considerada como contraproposta a declaraçãoex-
Artigo 34.º Âmbito de aplicação pressa da vontade de negociar.
Artigo 27.º O Técnico Superior de Educação Social, quando se manifeste 1 — A presente convenção regula as relações de trabalho- 8 — A parte denunciante disporá de até 20 dias paraexaminar
O sigilo profissional deve ser salvaguardado, quer nas palavras sobre questões relativas à sua profissão ou sobre serviços entre as instituições particulares de solidariedade social(IPSS) a contraproposta e as negociações iniciar -se -ão,sem qual-
assim como na conservação e divulgação de documentos. O prestados por colegas a sujeitos de educação ou ao público representadas pela CNIS — Confederação Nacionaldas Insti- quer dilação, nos primeiros 10 dias úteis a contardo termo do
Técnico Superior de Educação Social deve proceder de tal em geral, tem obrigação de narrar os factos de maneira cri- tuições de Solidariedade, doravante também abreviadamen- prazo acima referido.
modo que os documentos provenientes do seu trabalho (con- teriosa e exata, devendo evitar qualquer deformação da rea- tedesignadas por instituições, e os trabalhadoresao seu ser- 9 — Havendo denúncia, as partes comprometem -se ainiciar
clusões, comunicações, relatórios, gravações, exposições, lidade, assim como em caso de publicação de trabalhos de viço que sejam ou venham a ser membros dasassociações o processo negocial utilizando as fases processuaisque en-
etc.) sejam sempre apresentados e classificados de forma a investigação entre outros. sindicais outorgantes, sendo aplicável em todoo território na- tenderem, incluindo a arbitragem voluntária.
garantir que o sigilo seja respeitado, evitando intromissão abu- cional com excepção da Região Autónomados Açores.
siva na vida privada e íntima dos sujeitos de educação. 2 — Para cumprimento do disposto na alínea g) do artigo CAPÍTULO II
492.º, conjugado com o artigo 496.º, do Código doTrabalho, Disposições gerais
Artigo 28.º refere -se que serão abrangidos por esta convenção 4000
O Técnico Superior de Educação Social só pode utilizar como CAPÍTULO XIV – Comunicações científicas empregadores e 70 000 trabalhadores. Cláusula 3.ª
exemplo os casos pessoais em contexto de ensino, publi- e publicações Responsabilidade social das instituições
cação ou apresentação a colegas, sem nunca identificar as Cláusula 2.ª As instituições devem, na medida do possível, organizar a
pessoas visadas, no caso de não ser possível, só após auto- Artigo 35.º Vigência e denúncia prestação de trabalho de forma a obter o maior grau decom-
rização por escrito dos sujeitos de educação. O Técnico Superior de Educação Social não deve subordinar 1 — A presente convenção entra em vigor no 5.º dia posterior patibilização entre a vida familiar e a vida profissionaldos seus
as suas investigações a ideologias que possam enviesar o ao da sua publicação no Boletim do Trabalho eEmprego e trabalhadores.
curso da pesquisa ou a fiabilidade dos seus resultados. terá uma vigência de dois anos, sem prejuízodo disposto no
número seguinte. Cláusula 4.ª
Artigo 36.º 2 — As tabelas salariais e demais cláusulas de expressão- Objecto do contrato de trabalho
CAPÍTULO X – Técnicas Utilizadas Na publicação de qualquer trabalho, o Técnico Superior de pecuniária terão uma vigência de um ano, produzem efeitosa 1 — Cabe às partes definir a actividade para que o trabalha-
Educação Social deve indicar todas as fontes consultadas. partir de 1 de Janeiro e serão revistas anualmente. dor é contratado.
Artigo 29.º 3 — O processo de revisão das tabelas salariais e cláusulas 2 — A definição a que se refere o número anterior podeser
É proibido ceder, dar, emprestar ou vender material de apoio à Artigo 37.º de expressão pecuniária deverá ser iniciado no prazo de10 feita por remissão para uma das categorias profissionaiscons-
formação de Técnicos Superiores de Educação Social a pes- Na publicação de trabalhos científicos, o Técnico Superior de meses contados a partir da data de início da respectiva vi- tantes do anexo I.
soas não qualificadas como tal, ou de qualquer modo divulgar Educação Social deve salvaguardar os elementos éticos e gência.
tal material entre pessoas estranhas à profissão; exceptuam- deontológicos que está obrigado. 4 — No caso de não haver denúncia, a convenção renova-se, Cláusula 5.ª
-se os alunos de Educação Social desde que sob orientação sucessivamente, por períodos de um ano, mantendo –seem Admissão
de um Técnico já formado. vigor até ser substituída por outra. 1 — São condições gerais de admissão:
5 — A denúncia far -se -á com o envio à contraparte da- a) Idade mínima não inferior a 16 anos;
proposta de revisão, através de carta registada com avisode b) Escolaridade obrigatória.
recepção, protocolo ou outro meio que faça prova dasua en-
trega.
CAPÍTULO XI – Honorários 6 — A contraparte deverá enviar à denunciante uma contra-

52 53
2 — São condições específicas de admissão as discriminadas 4 — O plano de objectivos a que se reporta o número anterior e) Contribuir para a elevação do nível de produtividadedo tra- b) O disposto nas cláusulas 20.ª e 21.ª, sempre querealizadas
no anexo II, designadamente a formação profissionaladequa- será submetido ao parecer prévio de uma comissãoparitária, balhador, nomeadamente proporcionando -lhe formaçãopro- fora do local de trabalho.
da ao posto de trabalho ou a certificação profissional,quando constituída por quatro membros designados pelas instituições fissional;
exigidas. e eleitos pelos seus trabalhadores. f) Respeitar a autonomia técnica do trabalhador queexerça ac- Cláusula 12.ª
3 — Para o preenchimento de lugares nas instituiçõese desde 5 — Para o efeito consignado no número anterior, acomissão tividades cuja regulamentação profissional a exija; Garantias dos trabalhadores
que os trabalhadores reúnam os requisitos necessáriospara o reúne anualmente até ao dia 31 de Março. g) Possibilitar o exercício de cargos em organizaçõesrepre- É proibido ao empregador:
efeito, será dada preferência: sentativas dos trabalhadores, bem como facilitar oexercício, a) Opor -se, por qualquer forma, a que o trabalhadorexerça
a) Aos trabalhadores já em serviço, a fim de proporcionara Cláusula 8.ª nos termos legais, de actividade sindical nainstituição; os seus direitos, bem como despedi -lo, aplicar –lheoutras
promoção e melhoria das suas condições de trabalho; Enquadramento e níveis de qualificação h) Prevenir riscos e doenças profissionais, tendo emconta a sanções ou tratá -lo desfavoravelmente por causadesse exer-
b) Aos trabalhadores com capacidade de trabalho As profissões previstas na presente convenção são enqua- protecção da saúde e a segurança do trabalhador,devendo cício;
reduzida,pessoas com deficiência ou doença crónica. dradas em níveis de qualificação de acordo com o anexo III. indemnizá -lo dos prejuízos resultantes de acidentesde traba- b) Obstar, injustificadamente, à prestação efectiva dotrabalho;
4 — Os trabalhadores com responsabilidades familiares,com lho e doenças profissionais, transferindo arespectiva respon- c) Exercer pressão sobre o trabalhador para que actueno sen-
capacidade de trabalho reduzida, com deficiência oudoença Cláusula 9.ª sabilidade para uma seguradora; tido de influir desfavoravelmente nas condições detrabalho
crónica, bem como os que frequentem estabelecimentosde Período experimental i) Adoptar, no que se refere à higiene, segurança e saúdeno dele ou dos companheiros;
ensino secundário ou superior, têm preferênciana admissão 1 — Durante o período experimental, salvo acordo escrito em trabalho, as medidas que decorram para a instituição daapli- d) Diminuir a retribuição, baixar a categoria ou transferiro tra-
em regime de tempo parcial. contrário, qualquer das partes pode rescindir o contratosem cação das prescrições legais e convencionais vigentes; balhador para outro local de trabalho, salvo nos casoslegal ou
5 — Sem prejuízo do disposto nas normas legais aplicáveis,a aviso prévio e sem necessidade de invocação de justa causa, j) Fornecer ao trabalhador a informação e a formaçãoadequa- convencionalmente previstos;
instituição deverá prestar ao trabalhador, porescrito, as se- não havendo direito a qualquer indemnização. das à prevenção de riscos de acidente e doença eproporcio- e) Ceder trabalhadores do quadro de pessoal própriopara uti-
guintes informações relativas ao seu contratode trabalho: 2 — Tendo o período experimental durado mais de60 dias, nar aos trabalhadores as condições necessáriasà realização lização de terceiros, salvo nos casos especialmenteprevistos;
a) Nome ou denominação e domicílio ou sede das partes; para denunciar o contrato nos termos previstosno número an- do exame médico anual; f) Obrigar o trabalhador a adquirir bens ou a utilizarserviços
b) Categoria profissional; terior a instituição tem de dar um aviso prévio de 7 dias. k) Passar certificados de trabalho, conforme a lei em vigor. fornecidos pelo empregador ou por pessoa porele indicada;
c) Período normal de trabalho; 3 — O período experimental corresponde ao períodoinicial de g) Explorar, com fins lucrativos, quaisquer cantinas,refeitórios,
d) Local de trabalho; execução do contrato, compreende as acções deformação Cláusula 11.ª economatos ou outros estabelecimentos directamenterelacio-
e) Tipo de contrato e respectivo prazo, quando aplicável; ministradas pelo empregador ou frequentadaspor determina- Deveres dos trabalhadores nados com o trabalho para fornecimento debens ou presta-
f) Retribuição, indicando o montante das prestações acessó- ção deste, nos termos legais, e tem a seguinteduração: 1 — Sem prejuízo de outras obrigações, o trabalhador deve: ção de serviços aos trabalhadores;
rias e complementares; a) 90 dias para a generalidade dos trabalhadores; a) Observar o disposto no contrato de trabalho e nasdisposi- h) Fazer cessar o contrato e readmitir o trabalhador,mesmo
g) Condições particulares de trabalho, quando existam; b) 180 dias para os trabalhadores que exerçam cargos de ções legais e convencionais que o regem; com o seu acordo, havendo o propósito de oprejudicar em
h) Duração do período experimental, quando exista; complexidade técnica, elevado grau de responsabilidade ou- b) Respeitar e tratar com urbanidade e probidade oemprega- direitos ou garantias decorrentes da antiguidade.
i) Data de início do trabalho; que pressuponham uma especial qualificação, bem comoos dor, os superiores hierárquicos, os companheirosde trabalho
j) Indicação do tempo de serviço prestado pelo trabalhadorem que desempenhem funções de confiança; e as demais pessoas que estejam ou entrem emrelação com Cláusula 13.ª
outras IPSS; c) 240 dias para trabalhador que exerça cargo de direcção ou a instituição; Remissão
k) Justificação clara dos motivos do contrato, quandofor a ter- quadro superior. c) Comparecer ao serviço com assiduidade e pontualidade; Às matérias relativas a férias, ao contrato a termo, aoexercício
mo; 4 — Salvo acordo em contrário, nos contratos a termoo perí- d) Realizar o trabalho com zelo e diligência; do direito de desenvolver actividade sindical nainstituição, ao
l) Indicação do instrumento de regulação colectiva detrabalho odo experimental tem a seguinte duração: e) Cumprir as ordens e instruções do empregador emtudo exercício do direito à greve, à suspensãodo contrato de traba-
aplicável, quando seja o caso. a) 30 dias para os contratos com duração igual ou superiora o que respeite à execução e disciplina do trabalho,salvo na lho por impedimento respeitante àentidade patronal ou ao tra-
seis meses; medida em que se mostrem contrárias aos seusdireitos e ga- balhador e à cessação dos contratosde trabalho, entre outras
Cláusula 6.ª b) 15 dias nos contratos a termo certo de duração inferiora rantias; não especialmente reguladasnesta convenção, são aplicáveis
Categorias e carreiras profissionais seis meses e nos contratos a termo incerto cuja duraçãose f) Guardar lealdade ao empregador, nomeadamente nãone- as normas legais em vigora cada momento.
1 — Os trabalhadores abrangidos na presente convenção preveja não vir a ser superior àquele limite. gociando por conta própria ou alheia em concorrênciacom
serão classificados nas profissões e categorias profissionais- 5 — A antiguidade do trabalhador conta -se desde oinício do ele, nem divulgando informações relativas à instituiçãoou seus
constantes do anexo I, tendo em atenção a actividadeprinci- período experimental. utentes, salvo no cumprimento de obrigaçãolegalmente insti- CAPÍTULO IV
pal para que sejam contratados. 6 — A admissão do trabalhador considerar -se -á feita por tuída; Prestação do trabalho
2 — As carreiras profissionais dos trabalhadores abrangidos- tempo indeterminado, não havendo lugar a períodoexperi- g) Velar pela conservação e boa utilização dos
pela presente convenção são regulamentadas noanexo II, mental quando o trabalhador haja sido convidado para inte- bens,equipamentos e instrumentos relacionados com o seu- Cláusula 14.ª
sendo que a fixação de períodos de exercícioprofissional para grar o quadro de pessoal da instituição, tendo,para isso, com trabalho; Poder de direcção
efeitos de progressão na carreira nãoimpede que as institui- conhecimento prévio da mesma, revogadoou rescindido qual- h) Contribuir para a optimização da qualidade dosserviços Compete às instituições, dentro dos limites decorrentesdo
ções promovam os seus trabalhadoresantes do seu decurso. quer contrato de trabalho anterior. prestados pela instituição e para a melhoria dorespectivo fun- contrato e das normas que o regem, fixar os termos emque
cionamento, designadamente participandocom empenho nas deve ser prestado o trabalho.
Cláusula 7.ª acções de formação que lhe forem proporcionadaspela enti-
Avaliação do desempenho CAPÍTULO III dade patronal; Cláusula 15.ª
1 — As instituições podem construir um sistema de avalia- Direitos, deveres e garantias das partes i) Zelar pela sua segurança e saúde, submetendo Funções desempenhadas
ção do desempenho dos seus trabalhadores subordinadoaos -se,nomeadamente, ao exame médico anual e aos exames- 1 — O trabalhador deve, em princípio, exercer funçõescorres-
princípios da justiça, igualdade e imparcialidade. Cláusula 10.ª Deveres da entidade patronal médicos, ainda que ocasionais, para que seja convocado. pondentes à actividade para que foi contratado.
2 — A avaliação do desempenho tem por objectivo a me- São deveres da entidade patronal: 2 — O dever de obediência a que se refere a alínea e)do 2 — A actividade contratada, ainda que descrita porremissão
lhoria da qualidade de serviços e da produtividade do a) Cumprir o disposto no presente contrato e na legislação de número anterior respeita tanto às ordens e instruçõesdadas para uma das categorias profissionais previstasno anexo I,
trabalho,devendo ser tomada em linha de conta para efeitos trabalho aplicável; directamente pelo empregador como às emanadasdos supe- compreende as funções que lhe sejam afins oufuncionalmen-
de desenvolvimento profissional e de progressão na carreira. b) Respeitar e tratar com urbanidade e probidade otrabalha- riores hierárquicos do trabalhador, dentro dospoderes que por te ligadas, para as quais o trabalhador detenhaa qualificação
3 — As instituições ficam obrigadas a dar adequada publici- dor; aquele lhes forem atribuídos. profissional adequada e que não impliquemdesvalorização
dadeaos parâmetros a utilizar na avaliação do desempenhoe c) Pagar pontualmente a retribuição; 3 — Às acções de formação profissional prestadas pelasins- pessoal e profissional.
à respectiva valorização, devendo elaborar um plano que, d) Proporcionar boas condições de trabalho, tanto doponto tituições é aplicável: 3 — Para efeitos do número anterior, consideram -se afinsou
equilibradamente, tenha em conta os interesses e expectati- de vista físico, como moral; a) O regime de trabalho suplementar, na parte em queexce- funcionalmente ligadas, designadamente, as actividadescom-
vasquer das instituições quer dos seus trabalhadores. dam mais de duas horas o período normal de trabalho; preendidas no mesmo grupo ou carreira profissional.

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4 — Considera -se haver desvalorização profissionalsempre 2 — Designa -se por deslocação a realização transitóriada 5 — A transferência do trabalhador entre os serviços ouequi- de trabalho em cinco dias semanais, entre segunda--feira e
que a actividade que se pretenda qualificar comoafim ou fun- prestação de trabalho fora do local de trabalho. pamentos da mesma instituição não afecta a respectivaanti- sexta -feira.
cionalmente ligada exceder em um grau o nívelde qualificação 3 — Consideram -se deslocações com regresso di- guidade, contando para todos os efeitos a data deadmissão 4 — As instituições ficam obrigadas a elaborar e a afixaranu-
em que o trabalhador se insere. ário àresidênciaaquelas em que o período de tempo na mesma. almente, em local acessível, o mapa de horário detrabalho.
5 — O disposto nos números anteriores confere ao despendido,incluindo a prestação de trabalho e as viagens 6 — Em caso de transferência temporária, a respectivaordem, 5 — A prestação de trabalho deve ser realizada nostermos
trabalhador,sempre que o exercício das funções acessóriase- impostaspela deslocação, não ultrapasse em mais de duas além da justificação, deve conter o tempo previsívelda altera- previstos nos mapas de horário de trabalho.
xigir especiais qualificações, o direito a formação profissional- horas operíodo normal de trabalho, acrescido do tempo con- ção, que, salvo condições especiais, não podeexceder seis 6 — O período normal de trabalho pode ser definidoem ter-
não inferior a dez horas anuais. sumidonas viagens habituais. meses. mos médios, tendo como referência períodos dequatro me-
6 — As instituições devem procurar atribuir a cada 4 — Consideram -se deslocações sem regresso diário àre- ses.
trabalhador,no âmbito da actividade para que foi contratado,as sidência as não previstas no número anterior, salvo se otra- Cláusula 23.ª 7 — O período normal de trabalho diário pode ser aumen-
funções mais adequadas às suas aptidões e qualificaçãopro- balhador optar pelo regresso à residência, caso em queserá Comissão de serviço tadoaté ao limite máximo de duas horas, sem que aduração
fissional. aplicável o regime estabelecido para as deslocaçõescom re- 1 — Podem ser exercidos em comissão de serviço os car- semanal exceda 50 horas, só não contando paraeste limite o
7 — A determinação pelo empregador do exercício,ainda que gresso diário à mesma. gosde administração ou equivalentes, de direcção técnicaou trabalho suplementar prestado por motivo deforça maior, salvo
acessório, das funções referidas no n.º 2 a quecorresponda de coordenação de equipamentos, bem como as funçõesde nas seguintes situações:
uma retribuição, ou qualquer outra regalia,mais elevada con- Cláusula 20.ª secretariado pessoal relativamente aos titulares dessescargos a) Pessoal operacional de vigilância, transporte e tratamen-
fere ao trabalhador o direito a estas enquantotal exercício se Deslocações com regresso diário à residência e ainda as funções de chefia ou outras cuja naturezapressu- tode sistemas electrónicos de segurança, designadamente-
mantiver. 1 — Os trabalhadores deslocados nos termos do n.º 2da ponha especial relação de confiança com a instituição. quando se trate de guardas ou porteiros;
cláusula anterior terão direito: 2 — Gozam de preferência para o exercício dos cargos efun- b) Pessoal cujo trabalho seja acentuadamente intermitenteou
Cláusula 16.ª a) Ao pagamento das despesas de transporte de ida evolta ções previstos no número anterior os trabalhadores já aoservi- de simples presença;
Reclassificação profissional ou à garantia de transporte gratuito fornecido pelainstituição, ço da instituição, vinculados por contrato de trabalhopor tem- c) Pessoal que preste serviço em actividades em quese mos-
1 — Sempre que haja alteração consistente da actividade- na parte que vá além do percurso usual entre aresidência do po indeterminado ou por contrato de trabalho atermo, com tre absolutamente incomportável a sujeição do seuperíodo de
principal para a qual o trabalhador foi contratado, deverá ains- trabalhador e o seu local habitual de trabalho; antiguidade mínima de três meses. trabalho a esses limites.
tituição proceder à respectiva reclassificação profissional,não b) Ao fornecimento ou pagamento das refeições, consoante- 3 — São directamente aplicáveis ao exercício da actividade- 8 — As comissões de trabalhadores ou os delegadossindi-
podendo daí resultar a baixa de categoria. as horas ocupadas, podendo a instituição exigirdocumento em comissão de serviço as normas legais em vigorrelativas às cais devem ser consultados previamente sobre organizaçãoe
2 — Presume -se consistente a alteração da actividade prin- comprovativo da despesa efectuada para efeitosde reembol- formalidades, à cessação e efeitos da cessaçãoda comissão definição dos mapas de horário de trabalho.
cipalpara a qual o trabalhador foi contratado, sempre que de- so; de serviço, bem como à contagem de tempode serviço. 9 — Nas situações de cessação do contrato de trabalhono
corraum período entre 6 e 12 meses sobre o início da mesma. c) Ao pagamento da retribuição equivalente ao períodoque decurso do período de referência, o trabalhador serácompen-
3 — A presunção a que se reporta o número anteriorpode decorrer entre a saída e o regresso à residência, deduzidodo sado no montante correspondente à diferença deremunera-
ser ilidida pela instituição, competindo -lhe a provada natureza tempo habitualmente gasto nas viagens de ida eregresso do CAPÍTULO V ção entre as horas que tenha efectivamente trabalhadona-
transitória da alteração. local de trabalho. Duração do trabalho quele mesmo período e aquelas que teria praticadocaso o
4 — A reclassificação produz efeitos por iniciativa dainstituição 2 — Os limites máximos do montante do reembolsoprevisto seu período normal de trabalho não tivesse sidodefinido em
ou, sendo caso disso, a partir da data de requerimentodo tra- na alínea b) do número anterior serão previamenteacordados Cláusula 24.ª termos médios.
balhador interessado nesse sentido. entre os trabalhadores e a instituição,observando -se critérios Período normal de trabalho
de razoabilidade. 1 — Os limites máximos dos períodos normais de trabalho- Trabalho a tempo parcial
Cláusula 17.ª dos trabalhadores abrangidos pela presente convençãosão 1 — Considera -se trabalho a tempo parcial o que correspon-
Local de trabalho Cláusula 21.ª os seguintes: daa um período normal de trabalho semanal igualou inferior a
1 — O trabalhador deve, em princípio, realizar a suaprestação Deslocações sem regresso diário à residência a) 35 horas — para médicos, psicólogos e 75 % do praticado a tempo completo numasituação compa-
no local de trabalho contratualmente definido. O trabalhador deslocado sem regresso diário à residênciatem sociólogos,trabalhadores com funções técnicas, enfermei- rável.
2 — Na falta de indicação expressa, considera -se localde direito: ros, técnicossuperiores de habilitação, reabilitação e emprego 2 — O trabalho a tempo parcial pode, salvo estipulaçãoem
trabalho o que resultar da natureza da actividade dotrabalha- a) Ao pagamento ou fornecimento integral da alimentaçãoe protegidoe técnicos de diagnóstico e terapêutica, técnicos contrário, ser prestado em todos ou alguns dias dasemana,
dor e da necessidade da instituição que tenha levadoà sua do alojamento; superiores de animação sócio-cultural, educação social e me- sem prejuízo do descanso semanal, devendo onúmero de
admissão, desde que aquela fosse ou devesseser conhecida b) Ao transporte gratuito ou reembolso das despesas detrans- diaçãosocial, bem como para os assistentes sociais; dias de trabalho ser fixado por acordo.
do trabalhador. porte realizadas, nos termos previamente acordadoscom a b) 36 horas — para os restantes trabalhadores sociais; 3 — Aos trabalhadores em regime de tempo parcialaplicam
instituição; c) 37 horas — para os ajudantes de acção directa; -se todos os direitos e regalias previstos na presenteconven-
Cláusula 18.ª c) Ao pagamento de um subsídio correspondente a 20 %da d) 38 horas — para trabalhadores administrativos, trabalhado- ção colectiva, ou praticados nas instituições, naproporção do
Trabalhador com local de trabalho não fixo retribuição diária. resde apoio, restantes trabalhadores de habilitação,reabilitação tempo de trabalho prestado em relação aotempo completo,
1 — Nos casos em que o trabalhador exerça a sua activi- e emprego protegido e de diagnóstico eterapêutica, auxiliares incluindo, nomeadamente, a retribuiçãomensal e as demais
dadeindistintamente em diversos lugares, terá direitoao paga- Cláusula 22.ª de educação e prefeitos; prestações de natureza pecuniária.
mento das despesas e à compensação de todos osencar- Mobilidade geográfica e) 40 horas — para os restantes trabalhadores. 4 — A retribuição dos trabalhadores em regime detempo par-
gos directamente decorrentes daquela situação, nostermos 1 — A instituição pode, quando o seu interesse assim oexija, 2 — São salvaguardados os períodos normais de trabalho- cial não poderá ser inferior à fracção de regimede trabalho
expressamente acordados com a instituição. proceder à mudança definitiva do local de trabalho,desde que com menor duração praticados à data da entrada emvigor da em tempo completo correspondente ao períodode trabalho
2 — Na falta de acordo haverá reembolso das despesasrea- tal não implique prejuízo sério para o trabalhador. presente convenção. ajustado.
lizadas impostas directamente pelas deslocações, desdeque 2 — A instituição pode ainda transferir o trabalhadorpara outro
comprovadas e observando -se critérios de razoabilidade. local de trabalho, se a alteração resultar damudança, total ou Cláusula 25.ª Cláusula 31.ª
3 — O tempo normal de deslocação conta para todosos efei- parcial, do estabelecimento onde aquelepresta serviço. Fixação do horário de trabalho Contratos de trabalho a tempo parcial
tos como tempo efectivo de serviço. 3 — No caso previsto no número anterior, o trabalhadorpode 1 — Compete às entidades patronais estabelecer os horário- 1 — O contrato de trabalho a tempo parcial deve revestirfor-
resolver o contrato com justa causa se houverprejuízo sério, sde trabalho, dentro dos condicionalismos da lei edo presente ma escrita, ficando cada parte com um exemplar, e contera
Cláusula 19.ª tendo nesse caso direito à indemnizaçãolegalmente prevista. contrato. indicação do período normal de trabalho diário e semanalcom
Deslocações 4 — A instituição custeará as despesas do trabalhadorimpos- 2 — Na elaboração dos horários de trabalho devemser pon- referência comparativa ao trabalho a tempo completo.
1 — O trabalhador encontra -se adstrito às deslocaçõesine- tas pela transferência decorrentes do acréscimo doscustos deradas as preferências manifestadas pelos trabalhadores. 2 — Quando não tenha sido observada a forma escrita,presume
rentes às suas funções ou indispensáveis à sua formação- de deslocação e resultantes da mudança de residência. 3 — Sempre que tal considerem adequado ao respectivofun- -se que o contrato foi celebrado por tempo completo.
profissional. cionamento, as instituições deverão desenvolver oshorários

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3 — Se faltar no contrato a indicação do período normalde com filhos com idade inferior a 1 ano; 3 — Os turnos deverão, na medida do possível, serorganiza- Cláusula 41.ª
trabalho semanal, presume -se que o contrato foicelebrado b) Menores; dos de acordo com os interesses e as preferênciasmanifesta- Direito a férias
para a duração máxima do período normal detrabalho admiti- c) Trabalhadores -estudantes. dos pelos trabalhadores. 1 — O trabalhador tem direito a um período de fériasretribuí-
da para o contrato a tempo parcial. 4 — O trabalho suplementar só pode ser prestadoquando 4 — A duração do trabalho de cada turno não podeultrapas- das em cada ano civil.
4 — O trabalhador a tempo parcial pode passar a trabalhara as instituições tenham de fazer face a acréscimoseventuais sar os limites máximos dos períodos normais detrabalho e o 2 — O direito a férias adquire -se com a celebração docon-
tempo completo, ou o inverso, a título definitivoou por período e transitórios de trabalho que não justifiquema admissão de pessoal só poderá ser mudado de turno apóso dia de des- trato de trabalho e vence -se no dia 1 de Janeiro decada ano
determinado, mediante acordo escrito como empregador. trabalhador, bem assim como em casos deforça maior ou canso semanal. civil.
5 — Os trabalhadores em regime de trabalho a tempoparcial quando se torne indispensável para a viabilidadeda instituição 5 — A prestação de trabalho em regime de turnos rotativos- 3 — No ano da contratação, o trabalhador tem direito,após
podem exercer actividade profissional noutras empresasou ou para prevenir ou reparar prejuízosgraves para a mesma. confere ao trabalhador o direito a um especial complemento- seis meses completos de execução do contrato, a gozar2
instituições. 5 — Quando o trabalhador tiver prestado trabalho suplemen- de retribuição, salvo nos casos em que a rotaçãose mostre dias úteis de férias por cada mês de duração do contrato,até
tarna sequência do seu período normal de trabalho, nãodeve- ligada aos interesses dos trabalhadores e desdeque a dura- ao máximo de 20 dias úteis.
Cláusula 32.ª rá reiniciar a respectiva actividade antes que tenhamdecorri- ção dos turnos seja fixada por períodos nãoinferiores a quatro 4 — No caso de sobrevir o termo do ano civil antes dedecor-
Isenção de horário de trabalho do, pelo menos, onze horas. meses. rido o prazo referido no número anterior ou antes degozado o
1 — Por acordo escrito, podem ser isentos de horáriode tra- 6 — A instituição fica obrigada a indemnizar o traba- direito a férias, pode o trabalhador usufruí -lo até30 de Junho
balho os trabalhadores que se encontrem numa dasseguintes lhadorpor todos os encargos decorrentes do trabalho Cláusula 38.ª do ano civil subsequente.
situações: suplementar,designadamente dos que resultem de necessi- Jornada contínua 5 — Em caso de cessação do contrato de trabalho, asins-
a) Exercício de cargos de administração, de direcção, decon- dadesespeciais de transporte ou de alimentação. 1 — A jornada contínua consiste na prestação ininterruptade tituições ficam obrigadas a proporcionar o gozo de fériasno
fiança, de fiscalização ou de apoio aos titulares dessescargos, 7 — O trabalho prestado em cada dia de descanso semana- trabalho, salvo num período de descanso de 30 minutos para momento imediatamente anterior.
bem como os trabalhadores com funções de chefia; lou feriado não poderá exceder o período de trabalho normal. refeição dentro do próprio estabelecimentoou serviço, que,
b) Execução de trabalhos preparatórios ou complementares- para todos os efeitos, se considera tempode trabalho. Cláusula 42.ª
que, pela sua natureza, só possam ser efectuados forados Cláusula 35.ª 2 — A jornada contínua pode ser adoptada pelas instituições- Duração do período de férias
limites dos horários normais de trabalho; Descanso compensatório nos casos em que tal modalidade se mostre adequadaàs res- 1 — O período anual de férias tem a duração mínimade 22
c) Exercício regular da actividade fora do estabelecimento,sem 1 — Nas instituições com mais de 10 trabalhadores,a presta- pectivas necessidades de funcionamento. dias úteis.
controlo imediato da hierarquia. ção de trabalho suplementar em dia útil, em diade descanso 3 — A adopção do regime de jornada contínua não prejudi- 2 — Para efeitos de férias, são úteis os dias da semanade
2 — O acordo referido no número anterior deve serenviado à complementar e em dia feriado confere aotrabalhador o direito cao disposto nesta convenção sobre remuneração detraba- segunda -feira a sexta -feira, com excepção dos feriados,não
Autoridade para as Condições de Trabalho. a um descanso compensatório remuneradocorrespondente a lho nocturno e de trabalho suplementar. podendo as férias ter início em dia de descanso semanaldo
3 — Os trabalhadores isentos de horário de trabalho nãoestão 25 % das horas de trabalhosuplementar realizado. trabalhador.
sujeitos aos limites máximos dos períodos normaisde traba- 2 — O descanso compensatório vence -se quando perfize- CAPÍTULO VI 3 — A duração do período de férias é aumentada nocaso de
lho, mas a isenção não prejudica o direito aos diasde descan- rum número de horas igual ao período normal detrabalho diá- Suspensão da prestação de serviço o trabalhador não ter faltado ou na eventualidadede ter ape-
so semanal, aos feriados obrigatórios e aos diase meios dias rio e deve ser gozado nos 90 dias seguintes. nas faltas justificadas, no ano a que as férias sereportam, nos
de descanso semanal complementar. 3 — Nos casos de prestação de trabalho em dias dedescan- Cláusula 39.ª seguintes termos:
4 — Os trabalhadores isentos de horário de trabalho têmdirei- so semanal obrigatório, o trabalhador terá direito aum dia de Descanso semanal a) Três dias de férias até ao máximo de uma falta oudois meios
to à remuneração especial prevista na cláusula 61.ª descanso compensatório remunerado, a gozarnum dos três 1 — O dia de descanso semanal obrigatório deve, emregra, dias;
dias úteis seguintes. coincidir com o domingo. b) Dois dias de férias até ao máximo de duas faltas ouquatro
Cláusula 33.ª 4 — Na falta de acordo, o dia de descanso compensatóriose- 2 — Pode deixar de coincidir com o domingo o dia dedes- meios dias;
Intervalo de descanso rá fixado pela instituição. canso semanal obrigatório dos trabalhadores necessáriospa- c) Um dia de férias até ao máximo de três faltas ou seis meios
1 — O período de trabalho diário deverá ser interrompidopor 5 — Por acordo entre o empregador e o trabalhador,quando ra assegurar o normal funcionamento da instituição. dias.
um intervalo de duração não inferior a uma horanem superior o descanso compensatório for devido por trabalhosuplemen- 3 — No caso previsto no número anterior, a instituiçãoassegu- 4 — Para efeitos do número anterior, são equiparadasa faltas
a duas, de modo a que os trabalhadores nãoprestem mais de tar não prestado em dias de descanso semanal,obrigatório rará aos seus trabalhadores o gozo do dia derepouso sema- os dias de suspensão do contrato de trabalho porfacto res-
cinco horas de trabalho consecutivo. ou complementar, pode o mesmo ser substituídopelo paga- nal ao domingo, no mínimo, de sete em setesemanas. peitante ao trabalhador.
2 — Para os motoristas e outros trabalhadores de apoioads- mento da remuneração correspondente comacréscimo não 4 — Para além do dia de descanso obrigatório seráconcedido
tritos ao serviço de transporte de utentes e para os trabalha- inferior a 100 %. ao trabalhador um dia de descanso semanalcomplementar. Cláusula 43.ª
dorescom profissões ligadas a tarefas de hotelaria,poderá ser 5 — O dia de descanso complementar, para além derepar- Encerramento da instituição ou do estabelecimento
estabelecido um intervalo de duração superiora duas horas. Cláusula 36.ª tido, pode ser diária e semanalmente descontinuadonos ter- As instituições podem encerrar total ou parcialmenteos seus
3 — O disposto no número anterior é aplicável aos auxiliares- Trabalho nocturno mos previstos nos mapas de horário de trabalho. serviços e equipamentos, entre 1 de Maio e 31 deOutubro,
de educação que a 30 de Junho de 2005 pratiquemo interva- 1 — Considera -se nocturno o trabalho prestado no período- 6 — O dia de descanso semanal obrigatório e o dia oumeio pelo período necessário à concessão das fériasdos respecti-
lo de descanso a que o mesmo se reporta. que decorre entre as 21 horas de um dia e as 7 horasdo dia dia de descanso complementar serão consecutivos,pelo me- vos trabalhadores.
4 — Salvo disposição legal em contrário, por acordoentre a imediato. nos uma vez de sete em sete semanas.
instituição e os trabalhadores, pode ser estabelecidaa dispen- 2 — Considera -se também trabalho nocturno aquele quefor Cláusula 44.ª
sa ou a redução dos intervalos de descanso. prestado depois das 7 horas, desde que em prolongamento- Cláusula 40.ª Marcação do período de férias
de um período nocturno. Feriados 1 — O período de férias é marcado por acordo entreempre-
Cláusula 34.ª 1 — Deverão ser observados como feriados obrigatóriosos gador e trabalhador.
Trabalho suplementar Cláusula 37.ª dias 1 de Janeiro, terça -feira de Carnaval, Sexta –FeiraSanta, 2 — Na falta de acordo, cabe ao empregador marcar asférias
1 — Considera -se trabalho suplementar todo aquele queé Trabalho por turnos rotativos Domingo de Páscoa, 25 de Abril, 1 de Maio, Corpode Deus e elaborar o respectivo mapa, ouvindo para o efeitoa comis-
prestado, por solicitação do empregador, fora do horárionor- 1 — Sempre que as necessidades de serviço o (festa móvel), 10 de Junho, 15 de Agosto, 5 deOutubro, 1 de são de trabalhadores ou os delegados sindicais.
mal de trabalho. determinarem,as instituições podem organizar a prestação Novembro, 1, 8 e 25 de Dezembro e o feriadomunicipal. 3 — Sem prejuízo do disposto no número anterior, oempre-
2 — Os trabalhadores estão obrigados à prestação detraba- dotrabalho em regime de turnos rotativos. 2 — O feriado de Sexta -Feira Santa poderá ser observado- gador só pode marcar o período de férias entre 1 deMaio e
lho suplementar, salvo quando, havendo motivosatendíveis, 2 — Apenas é considerado trabalho em regime de turnos- noutro dia com significado local no período daPáscoa. 31 de Outubro, salvo parecer favorável em contráriodaquelas
expressamente solicitem a sua dispensa. rotativos aquele em que o trabalhador fica sujeito àvariação 3 — Em substituição do feriado municipal ou da terça--feira entidades.
3 — Não estão sujeitas à obrigação estabelecida nonúmero contínua ou descontínua dos seus períodos detrabalho pelas de Carnaval poderá ser observado, a título de feriado,qualquer 4 — Na marcação das férias, os períodos mais pre-
anterior as seguintes categorias de trabalhadores: diferentes partes do dia. outro dia em que acordem a instituição eos trabalhadores. tendidosdevem ser rateados, sempre que possível,
a) Mulheres grávidas, bem como trabalhador ou trabalhadora- beneficiando,alternadamente, os trabalhadores em função

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dos períodos gozados nos dois anos anteriores. sempre o de menor duração relativo a um dia completode l) As que por lei forem como tal qualificadas. f) As previstas na alínea l) do n.º 2 da cláusula 49.ª,quando
5 — Salvo se houver prejuízo grave para o empregador,devem trabalho. 3 — No caso de o trabalhador ter prestado já o 1.º períodode superiores a 30 dias por ano;
gozar férias em idêntico período os cônjuges, os filhos,que tra- 4 — O período de ausência a considerar no caso de umtra- trabalho aquando do conhecimento dos motivosconsidera- g) As autorizadas ou aprovadas pelo empregador, comexcep-
balhem na mesma empresa ou estabelecimento,bem como balhador docente não comparecer a uma reunião depresença dos nas alíneas b) e c) do n.º 2 desta cláusula, operíodo de ção das que este, expressamente e por escrito, entendadever
as pessoas que vivam em união de facto ou economiacomum obrigatória é de duas horas. faltas a considerar só começa a contar a partirdo dia seguinte. retribuir.
nos termos previstos em legislação especial. 5 — Relativamente aos trabalhadores docentes dos 2.ºe 3.º 4 — São consideradas injustificadas as faltas não previstasno 3 — Nos casos previstos na alínea e) do n.º 2 da cláusula49.ª,
6 — O gozo do período de férias pode ser interpolado,por ciclo do ensino básico e do ensino secundário, serátida como n.º 2. se o impedimento do trabalhador se prolongarefectiva ou pre-
acordo entre empregador e trabalhador e desde quesejam dia de falta a ausência ao serviço por cinco horaslectivas se- visivelmente para além de um mês, aplica-se o regime de
gozados, no mínimo, 10 dias úteis consecutivos. guidas ou interpoladas. Cláusula 50.ª suspensão da prestação do trabalho porimpedimento prolon-
7 — O mapa de férias, com indicação do início e termodos 6 — O regime previsto no número anterior não seaplica aos Comunicação das faltas justificadas gado.
períodos de férias de cada trabalhador, deve ser elaboradoaté professores com horário incompleto, relativamenteaos quais 1 — As faltas justificadas, quando previsíveis, serãoobrigato- 4 — No caso previsto na alínea h) do n.º 2 da cláusula49.ª, as
15 de Abril de cada ano e afixado nos locais detrabalho entre se contará um dia de falta quando onúmero de horas lectivas riamente comunicadas à entidade patronal com aantecedên- faltas justificadas conferem, no máximo, direitoà retribuição re-
esta data e 31 de Outubro. de ausência perfizer o resultadoda divisão do número de ho- cia mínima de cinco dias. lativa a um terço do período de duraçãoda campanha eleitoral,
8 — A instituição deverá marcar as férias do trabalhador- ras lectivas semanais porcinco. 2 — Quando imprevistas, as faltas justificadas serãoobrigato- só podendo o trabalhador faltarmeios dias ou dias completos
-estudante respeitando o cumprimento das obrigações 7 — São também consideradas faltas as provenientes dere- riamente comunicadas à entidade patronal logoque possível. com aviso prévio de 48 horas.
escolares,salvo se daí resultar incompatibilidade com o seu- cusa infundada de participação em acções de formaçãoou 3 — A comunicação tem de ser reiterada para as faltasjustifi-
plano de férias. cursos de aperfeiçoamento ou reciclagem realizadosnos ter- cadas imediatamente subsequentes às previstas nascomuni- Cláusula 53.ª
9 — A instituição pode marcar as férias dos trabalhadoresda mos do disposto na cláusula 11.ª cações indicadas nos números anteriores. Efeitos das faltas injustificadas
agricultura para os períodos de menor actividadeagrícola. 1 — As faltas injustificadas constituem violação dodever de
Cláusula 49.ª Cláusula 51.ª assiduidade e determinam perda da retribuiçãocorresponden-
Cláusula 46.ª Tipos de faltas Prova das faltas justificadas te ao período de ausência, o qual será descontadona antigui-
Férias e impedimento prolongado 1 — As faltas podem ser justificadas e injustificadas. 1 — O empregador pode, nos 15 dias seguintes à comuni- dade do trabalhador.
1 — No ano da suspensão do contrato de trabalho porimpe- 2 — São consideradas faltas justificadas: caçãoreferida no artigo anterior, exigir ao trabalhadorprova dos 2 — Tratando -se de faltas injustificadas a um ou meio pe-
dimento prolongado, respeitante ao trabalhador, sese verificar a) As dadas, durante 15 dias seguidos, por altura docasa- factos invocados para a justificação. ríodonormal de trabalho diário, imediatamente anterio-
a impossibilidade total ou parcial do gozo dodireito a férias já mento; 2 — A prova da situação de doença prevista na alínea e)do n.º res ouposteriores aos dias ou meios dias de descanso ou
vencido, o trabalhador tem direito à retribuiçãocorrespondente b) As dadas até cinco dias consecutivos por falecimentode 2 da cláusula 49.ª é feita por estabelecimento hospitalar,por feriados,considera -se que o trabalhador praticou uma infrac-
ao período de férias não gozadoe respectivo subsídio. cônjuge não separado de pessoas e bens ou de parenteou declaração do centro de saúde ou por atestadomédico. ção grave.
2 — No ano da cessação do impedimento prolongado, otra- afim no 1.º grau da linha recta (pais e filhos, mesmoque adop- 3 — A doença referida no número anterior pode serfiscalizada 3 — No caso de a apresentação do trabalhador, parainício
balhador tem direito após a prestação de seis meses deefec- tivos, enteados, padrastos, madrastas, sogros,genros e no- por médico, mediante requerimento do empregadordirigido à ou reinício da prestação de trabalho, se verificar comatraso
tivo serviço ao período de férias e respectivo subsídio. ras); segurança social. injustificado superior a 30 ou 60 minutos, pode oempregador
3 — No caso de sobrevir o termo do ano civil antes dedecor- c) As dadas até dois dias consecutivos por falecimentode 4 — No caso de a segurança social não indicar o médicoa recusar a aceitação da prestação durante parteou todo o pe-
rido o prazo referido no número anterior ou antes degozado o outro parente ou afim da linha recta ou do 2.º grau dalinha que se refere o número anterior no prazo de vinte e qua- ríodo normal de trabalho, respectivamente.
direito a férias, pode o trabalhador usufruí -lo até30 de Abril do colateral (avós e bisavós, netos e bisnetos, irmãos ecunha- trohoras, o empregador designa o médico para efectuar a 4 — Sem prejuízo, designadamente, do efeito disciplinarine-
ano civil subsequente. dos) e de outras pessoas que vivam em comunhãode vida e fiscalização,não podendo este ter qualquer vínculo contratua- rente à injustificação de faltas, exceptuam –sedo disposto no
4 — Cessando o contrato após impedimento prolongadores- habitação com o trabalhador; lanterior ao empregador. número anterior os professores dos 2.ºe 3.º ciclo do ensino
peitante ao trabalhador, este tem direito à retribuição eao sub- d) As dadas ao abrigo do regime jurídico do trabalhador-es- 5 — Em caso de desacordo entre os pareceres médicosre- básico e os professores do ensinosecundário.
sídio de férias correspondentes ao tempo de serviçoprestado tudante; feridos nos números anteriores, pode ser requerida ainterven-
no ano de início da suspensão. e) As motivadas por impossibilidade de prestar trabalhodevido ção de junta médica.
a facto que não seja imputável ao trabalhador,nomeadamente 6 — Em caso de incumprimento das obrigações previstasna Cláusula 54.ª
Cláusula 47.ª nos casos de: cláusula anterior e nos n.os1 e 2 desta cláusula,bem como Licença sem retribuição
Efeitos da cessação do contrato de trabalho 1) Doença, acidente ou cumprimento de obrigaçõeslegais; de oposição, sem motivo atendível, à fiscalizaçãoreferida nos 1 — As instituições podem atribuir ao trabalhador, apedido
1 — Cessando o contrato de trabalho, o trabalhador temdi- 2) Prestação de assistência inadiável e imprescindível,até 15 n.os3, 4 e 5, as faltas são consideradasinjustificadas. deste, licença sem retribuição.
reito a receber a retribuição correspondente a um períodode dias por ano, a cônjuge, parente ou afim nalinha recta ascen- 7 — A apresentação ao empregador de declaração médica- 2 — O pedido deverá ser formulado por escrito, nele seex-
férias proporcional ao tempo de serviço prestado até àdata da dente (avô, bisavô do trabalhador ou dohomem/mulher des- com intuito fraudulento constitui falsa declaração paraefeitos pondo os motivos que justificam a atribuição da licença.
cessação, bem como ao respectivo subsídio. te), a parente ou afim do 2.º grau dalinha colateral (irmão do de justa causa de despedimento. 3 — A resposta deverá ser dada igualmente por escritonos 30
2 — Se o contrato cessar antes de gozado o período deférias trabalhador ou do homem/mulherdeste), a filho, adoptado ou dias úteis seguintes ao recebimento do pedido.
vencido no início do ano da cessação, o trabalhadortem ainda enteado com mais de10 anos de idade; Cláusula 52.ª 4 — A ausência de resposta dentro do prazo previsto no nú-
direito a receber a retribuição e o subsídio correspondentesa 3) Detenção ou prisão preventiva, caso se não venha averifi- Efeitos das faltas justificadas mero anterior equivale a aceitação do pedido.
esse período, o qual é sempre consideradopara efeitos de car decisão condenatória; 1 — As faltas justificadas não determinam a perda ouprejuízo 5 — O período de licença sem retribuição conta -se paraefei-
antiguidade. f) As ausências não superiores a quatro horas e sópelo tempo de quaisquer direitos do trabalhador, salvo o dispostono nú- tos de antiguidade.
estritamente necessário para deslocação àescola do respon- mero seguinte. 6 — Durante o mesmo período cessam os direitos, devere-
Cláusula 48.ª sável pela educação de menor, uma vezpor trimestre, a fim de 2 — Salvo disposição legal em contrário, determinama perda se garantias das partes, na medida em que pressuponhama
Faltas — Noção se inteirar da respectiva situaçãoeducativa; de retribuição as seguintes faltas ainda que justificadas: efectiva prestação de trabalho.
1 — Falta é a ausência do trabalhador no local de trabalhoe g) As dadas pelos trabalhadores eleitos para as estruturasde a) Por motivo de doença, desde que o trabalhador beneficie- 7 — O trabalhador beneficiário da licença sem retribuição-
durante o período em que devia desempenhar aactividade a representação colectiva, nos termos das normas legaisapli- de um regime de segurança social de protecçãona doença; mantém o direito ao lugar.
que está adstrito. cáveis; b) Por motivo de acidente no trabalho, desde que otrabalha- 8 — Terminado o período de licença sem retribuição,o traba-
2 — Nos casos de ausência do trabalhador por períodosinfe- h) As dadas por candidatos a eleições para cargos dor tenha direito a qualquer subsídio ou seguro; lhador deve apresentar -se ao serviço.
riores ao período de trabalho a que está obrigado, osrespecti- públicos,durante o período legal da respectiva campanhae- c) Por motivos de cumprimento de disposições legais;
vos tempos são adicionados para determinação dosperíodos leitoral; d) As previstas na subalínea 2) da alínea e) do n.º 2 dacláusula
normais de trabalho diário em falta. i) As dadas pelo período adequado à dádiva de sangue; 49.ª; Cláusula 55.ª
3 — Para efeito do disposto no número anterior, caso ospe- j) As dadas ao abrigo do regime jurídico do voluntariadosocial; e) As previstas na subalínea 3) da alínea e) do n.º 2 dacláusula Licença sem retribuição para formação
ríodos de trabalho diário não sejam uniformes, considera-se k) As autorizadas ou aprovadas pelo empregador; 49.ª; 1 — Sem prejuízo do disposto em legislação especial,

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o trabalhador tem direito a licenças sem retribuição de lon- de base e n o período de trabalho semanal a que otrabalhador confere ao trabalhador, nos termos do disposto non.º 5 da 2 — Os trabalhadores que prestem serviço em regime deho-
gaduração para frequência de cursos de formação ministra- estiver obrigado. cláusula 37.ª, o direito aos seguintes complementosde retri- rário parcial têm direito às diuturnidades vencidas à datado
dossob a responsabilidade de uma instituição de ensino ou 2 — Relativamente aos professores dos 2.º e 3.º ciclosdo buição: exercício de funções naquele regime e às que se vierema
deformação profissional ou no âmbito de programa especí- ensino básico e aos professores do ensino secundário,o perí- a) Em regime de dois turnos em que apenas um sejatotal ou vencer nos termos previstos no número seguinte.
ficoaprovado por autoridade competente e executado sob odo de trabalho a considerar para efeitos de determinaçãoda parcialmente nocturno — 15 %; 3 — O trabalho prestado a tempo parcial contará proporcio-
oseu controlo pedagógico cursos ministrados em estabele- remuneração horária é o correspondente, apenas,ao número b) Em regime de três turnos ou de dois turnos total ouparcial- nalmentepara efeitos de atribuição de diuturnidades.
cimentosde ensino. de horas lectivas semanais estabelecido para osector em que mente nocturnos — 25 %. 4 — Para atribuição de diuturnidades será levado emconta o
2 — A instituição pode recusar a concessão da licençaprevis- o docente se integra. 2 — O complemento previsto no número anterior incluio tempo de serviço prestado anteriormente a outrasinstituições
ta no número anterior nas seguintes situações: acréscimo de retribuição pelo trabalho nocturno prestadoem particulares de solidariedade social, desde que,antes da ad-
a) Quando ao trabalhador tenha sido proporcionadaformação Cláusula 60.ª regime de turnos. missão e por meios idóneos, o trabalhador façaa respectiva
profissional adequada ou licença para o mesmofim nos últi- Compensações e descontos prova.
mos 24 meses; 1 — Na pendência do contrato de trabalho, as instituições Cláusula 64.ª 5 — Não é devido o pagamento de diuturnidades aostraba-
b) Quando a antiguidade do trabalhador na instituiçãoseja in- não podem compensar a retribuição em dívidacom créditos Remuneração do trabalho nocturno lhadores abrangidos pela tabela B do anexo V.
ferior a três anos; que tenham sobre o trabalhador, nem fazerquaisquer descon- A retribuição do trabalho nocturno será superior em 25 % à
c) Quando o trabalhador não tenha requerido a licençacom tos ou deduções no montante da referidaretribuição. retribuição a que dá direito o trabalho equivalenteprestado du- Cláusula 68.ª
antecedência mínima de 45 dias em relação à datado seu 2 — O disposto no número anterior não se aplica: rante o dia. Abono para falhas
início; a) Aos descontos a favor do Estado, da segurança social ou 1 — O trabalhador que, no desempenho das suas funções,
d) Quando a instituição tenha um número de trabalhadores- de outras entidades, ordenados por lei, por decisãojudicial Cláusula 65.ª tenha responsabilidade efectiva de caixa tem direitoa um abo-
não superior a 20 e não seja possível a substituiçãoadequada transitada em julgado ou por auto de conciliação, quando da Retribuição do período de férias no mensal para falhas no valor de € 29, em 2010.
do trabalhador, caso necessário; decisão ou do auto tenha sido notificado oempregador; 1 — A retribuição do período de férias corresponde à que o 2 — Se o trabalhador referido no número anterior forsubstitu-
e) Para além das situações referidas nas alíneas b) Às indemnizações devidas pelo trabalhador ao emprega- trabalhador receberia se estivesse em serviço efectivo. ído no desempenho das respectivas funções, oabono para
anteriores,tratando -se de trabalhadores incluídos em níveisde dor, quando se acharem liquidadas por decisão judicialtransi- 2 — Além da retribuição mencionada no número anterior,o falhas reverterá para o substituto na proporçãodo tempo de
qualificação de direcção, de chefia, quadros ou pessoalqua- tada em julgado ou por auto de conciliação; trabalhador tem direito a um subsídio de fériascujo montante substituição.
lificado, quando não seja possível a substituição dosmesmos c) Às sanções pecuniárias aplicadas nos termos legais; compreende a retribuição base e as demaisprestações retri-
durante o período de licença, sem prejuízo sériopara o funcio- d) Às amortizações de capital e pagamento de juros de em- butivas que sejam contrapartida do modoespecífico da exe- Cláusula 69.ª
namento da instituição. préstimos concedidos pelo empregador ao trabalhador; cução do trabalho. Refeição
3 — Considera -se de longa duração a licença não inferiora e) Aos preços de refeições no local de trabalho, de alojamen- 3 — Salvo acordo escrito em contrário, o subsídio deférias 1 — Os trabalhadores têm direito ao fornecimento de uma
60 dias. to, de utilização de telefones, de fornecimento degéneros, de deve ser pago antes do início do período de férias epropor- refeição principal por cada dia completo de trabalho.
combustíveis ou de materiais, quando solicitados pelo traba- cionalmente nos casos de gozo interpolado. 2 — Em alternativa ao efectivo fornecimento de refeições,as
CAPÍTULO VII lhador, bem como a outras despesasefectuadas pelo empre- instituições podem atribuir ao trabalhador umacompensação
Retribuição e outras atribuições patrimoniais gador por conta do trabalhador econsentidas por este; Cláusula 66.ª monetária no valor de € 2,38 em 2010, porcada dia completo
f) Aos abonos ou adiantamentos por conta da retribuição. Subsídio de Natal de trabalho.
Cláusula 56.ª 3 — Com excepção das alíneas a) e f) os descontosreferidos 1 — Todos os trabalhadores abrangidos por esta convenção 3 — Aos trabalhadores que, no interesse da instituição,nela
Disposições gerais no número anterior não podem exceder, no seuconjunto, um têm direito a um subsídio de Natal de montanteigual ao da devam permanecer no período nocturno será fornecidaali-
1 — Considera -se retribuiçãoaquilo a que, nos termos do sexto da retribuição. retribuição mensal. mentação e alojamento gratuitos.
contrato, das normas que o regem ou dos usos, o trabalha- 2 — Os trabalhadores que no ano de admissão não tenha- 4 — Ressalvados os casos de alteração anormal decircuns-
dortem direito como contrapartida do seu trabalho. Cláusula 61.ª mconcluído um ano de serviço terão direito a tantosduodéci- tâncias, não é aplicável o disposto no n.º 2 àsinstituições
2 — Na contrapartida do trabalho inclui -se a retribuiçãobase Retribuição especial para os trabalhadores isentos de mos daquele subsídio quantos os meses de serviçoque com- cujos equipamentos venham já garantindo ocumprimento em
e todas as prestações regulares e periódicas feitas,directa ou horário de trabalho pletarem até 31 de Dezembro desse ano. espécie do direito consagrado no n.º 1destecláusula.
indirectamente, em dinheiro ou em espécie. Os trabalhadores isentos do horário de trabalho têmdireito a 3 — Suspendendo -se o contrato de trabalho por impedimen- 5 — Aos trabalhadores a tempo parcial será devida arefeição
3 — Até prova em contrário, presume -se constituir retribui- uma remuneração especial, no mínimo, igual a20 % da retri- toprolongado do trabalhador, este terá direito: ou a compensação monetária quando o horárionormal de tra-
çãotoda e qualquer prestação do empregador aotrabalhador. buição mensal ou à retribuição correspondentea uma hora de a) No ano de suspensão, a um subsídio de Natal demontante balho se distribuir por dois períodos diáriosou quando tiverem
4 — A base de cálculo das prestações complementarese trabalho suplementar por dia, conforme oque lhes for mais proporcional ao número de meses completos deserviço pres- quatro ou mais horas de trabalho nomesmo período do dia.
acessórias estabelecidas na presente convenção é constituí- favorável. tado nesse ano; 6 — A refeição e a compensação monetária a que sereferem
daapenas pela retribuição base e diuturnidades. b) No ano de regresso à prestação de trabalho, a umsubsí- os números anteriores não assumem a naturezade retribuição.
Cláusula 62.ª dio de Natal de montante proporcional ao número demeses
Cláusula 57.ª Remuneração do trabalho suplementar completos de serviço até 31 de Dezembro, a contarda data CAPÍTULO VIII
Enquadramento em níveis retributivos 1 — O trabalho suplementar prestado em dia normal de traba- de regresso. Condições especiais de trabalho
As profissões e categorias profissionais previstas na presente lho será remunerado com os seguintes acréscimosmínimos: 4 — Cessando o contrato de trabalho, a instituiçãopagará ao
convenção são enquadradas em níveis retributivosde base de a) 50 % da retribuição normal na primeira hora; trabalhador a parte de um subsídio de Natalproporcional ao Cláusula 70.ª
acordo com o anexo IV. b) 75 % da retribuição normal nas horas ou fracçõesseguintes. número de meses completos de serviçono ano da cessação. Remissão
2 — O trabalho suplementar prestado em dia de descanso- 5 — O subsídio de Natal será pago até 30 de Novembrode As matérias relativas a direitos de personalidade, igualdade
Cláusula 58.ª semanal, obrigatório ou complementar e em dia feriadoserá cada ano, salvo no caso da cessação do contratode traba- e não discriminação, protecção da maternidade e dapaterni-
Retribuição mínima mensal de base remunerado com o acréscimo mínimo de 100 %da retribuição lho, em que o pagamento se efectuará na data dacessação dade, trabalho de menores, trabalhadores com capacidadee
A todos os trabalhadores abrangidos pela presente conven- normal. referida. trabalho reduzida, trabalhadores com deficiênciaou doença
ção são mensalmente assegurados os montantes retributi- 3 — Não é exigível o pagamento de trabalho suplementarcuja crónica, trabalhadores-estudantes e trabalhadores estrangei-
vosde base mínimos constantes do anexo V. prestação não tenha sido prévia e expressamentedetermina- Cláusula 67.ª ros são reguladas pelas disposições do Códigodo Trabalho
da pela instituição. Diuturnidades e legislação complementar, designadamente pelas que se
Cláusula 59.ª 1 — Os trabalhadores que estejam a prestar serviço em regi- transcrevem nas cláusulas seguintes.
Remuneração horária Cláusula 63.ª me de tempo completo têm direito a uma diuturnidadeno valor
1 — O valor da remuneração horária é determinado pela fór- Retribuição de trabalho por turnos de € 21, em 2010, por cada cinco anos de serviço,até ao
mula (Rm× 12)/(52 × n) sendo Rmo valor da retribuiçãomensal 1 — A prestação de trabalho em regime de turnos rotativos limite de cinco diuturnidades.

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SECÇÃO I caso de impossibilidade do outro 7 — Quando a confiança administrativa consistir naconfirma- acidente ou doença, a filho ou enteado com12 ou mais anos
Protecção da maternidade e da paternidade 1 — O pai ou a mãe tem direito a licença, com a duraçãore- ção da permanência do menor a cargo do adoptante,este de idade que, no caso de ser maior, façaparte do seu agre-
ferida nos n.os1, 2 ou 3 da cláusula 72.ª, ou do períodorema- tem direito a licença, pelo período remanescente,desde que a gado familiar.
Cláusula 71.ª nescente da licença, nos casos seguintes: data em que o menor ficou de facto a seu cargotenha ocorri- 4 — Aos períodos de ausência previstos nos números ante-
Protecção da segurança e saúde a) Incapacidade física ou psíquica do progenitor queestiver a do antes do termo da licença parental inicial. rioresacresce um dia por cada filho além do primeiro.
As trabalhadoras puérperas, grávidas e lactantes têm direito, gozar a licença, enquanto esta se mantiver; 8 — Em caso de internamento hospitalar do candidato aadop- 5 — A possibilidade de faltar prevista nos númerosanteriores
nos termos legais, a especiais condições de segurançae saú- b) Morte do progenitor que estiver a gozar a licença. tante ou do adoptando, o período de licença é suspensopelo não pode ser exercida simultaneamente pelopai e pela mãe.
de nos locais de trabalho, de modo a evitar asexposições a 2 — Apenas há lugar à duração total da licença referidano n.º tempo de duração do internamento, devendo aquelecomuni-
riscos para a sua segurança e saúde. 2 da cláusula 72.ª caso se verifiquem as condiçõesaí previs- car esse facto ao empregador, apresentando declaraçãocom- Cláusula 79.ª
tas à data dos factos referidos no número anterior. provativa passada pelo estabelecimento hospitalar. Falta para assistência a neto
Cláusula 72.ª 3 — Em caso de morte ou incapacidade física ou psíquicada 9 — Em caso de partilha do gozo da licença, os candidatosa 1 — O trabalhador pode faltar até 30 dias consecutivos, a se-
Licença parental mãe, a licença parental inicial a gozar pelo paitem a duração adoptantes informam os respectivos empregadores, com a guir ao nascimento de neto que consigo viva em comunhãode
1 — A mãe e o pai trabalhadores têm direito, por nascimento mínima de 30 dias. antecedência de 10 dias ou, em caso de urgênciacompro- mesa e habitação e que seja filho de adolescente com idade
de filho, a licença parental inicial de 120 ou 150 diasconse- 4 — Em caso de morte ou incapacidade física ou psíquicade vada, logo que possível, fazendo prova da confiançajudicial inferior a 16 anos.
cutivos, cujo gozo podem partilhar após o parto, semprejuízo mãe não trabalhadora nos 120 dias a seguir aoparto, o pai ou administrativa do adoptando e da idadedeste, do início e 2 — Se houver dois titulares do direito, há apenas lugara um
dos direitos da mãe a que se refere a cláusula seguinte. tem direito a licença nos termos do n.º 1, coma necessária termo dos períodos a gozar por cada um,entregando para o período de faltas, a gozar por um deles, ou por ambosem
2 — A licença referida no número anterior é acrescidaem 30 adaptação, ou do número anterior. efeito declaração conjunta. tempo parcial ou em períodos sucessivos, conforme decisão
dias, no caso de cada um dos progenitores gozar,em exclusi- 5 — Para efeito do disposto nos números anteriores, opai 10 — Caso a licença por adopção não seja partilhada, ocan- conjunta.
vo, um período de 30 dias consecutivos, oudois períodos de informa o empregador, logo que possível e, consoantea si- didato a adoptante que gozar a licença informa o respecti- 3 — O trabalhador pode também faltar, em substituiçãodos
15 dias consecutivos, após o períodode gozo obrigatório pela tuação, apresenta atestado médico comprovativo oucertidão voempregador, nos prazos referidos no número anterior,da progenitores, para prestar assistência inadiávele imprescindí-
mãe a que se refere o n.º 2 dacláusula seguinte. de óbito e, sendo caso disso, declara o períodode licença já duração da licença e do início do respectivo período. vel, em caso de acidente ou doença, a neto menor ou, inde-
3 — Nos casos de nascimentos múltiplos, o período deli- gozado pela mãe. pendentemente da idade, com deficiênciaou doença crónica.
cença previsto no número anterior é acrescido de 30 diaspor Cláusula 77.ª 4 — O disposto nesta cláusula é aplicável a tutor do adoles-
cada gemelar além do primeiro. Cláusula 75.ª Dispensas para consultas e amamentação cente, a trabalhador a quem tenha sido deferida a confiança
4 — Em caso de partilha do gozo da licença, a mãe e opai Licença parental exclusiva do pai 1 — As trabalhadoras grávidas têm direito a dispensade tra- judicial ou administrativa do mesmo, bem como ao seu cônju-
informam os respectivos empregadores, até sete diasapós o 1 — É obrigatório o gozo pelo pai de uma licença parental de balho para se deslocarem a consultas pré -natais pelotempo ge o pessoa em união de facto.
parto, do início e termo dos períodos a gozar porcada um, 10 dias úteis, seguidos ou interpolados, nos 30 diasseguintes e número de vezes necessário e justificado, sendoa prepara-
entregando, para o efeito, declaração conjunta. ao nascimento do filho, 5 dos quais gozados de modo conse- ção para o parto equiparada a consulta pré -natal. Cláusula 80.ª
5 — Caso a licença parental não seja partilhada pelamãe e cutivo imediatamente a seguir a este. 2 — O pai tem direito a três dispensas do trabalho paraacom- Licença parental complementar
pelo pai, e sem prejuízo dos direitos da mãe a quese refere 2 — Após o gozo da licença prevista no número anterior,o panhar a trabalhadora às consultas pré -natais. 1 — Para assistência a filho ou adoptado e até aos 6 anos de
a cláusula seguinte, o progenitor que gozar a licençainforma pai tem ainda direito a 10 dias úteis de licença, seguidosou 3 — A mãe que, comprovadamente, amamenta o filhotem idade da criança, o pai e a mãe que não estejam impedido-
o respectivo empregador, até sete dias apóso parto, da du- interpolados, desde que gozados em simultâneo com o gozo direito a ser dispensada em cada dia de trabalho pordois pe- sou inibidos totalmente de exercer o poder paternal têm direito
ração da licença e do início do respectivoperíodo. Juntando da licença parental inicial por parte da mãe. ríodos distintos de duração máxima de uma horapara o cum- a licença parental complementar, em qualquerdas seguintes
declaração do outro progenitor da qualconste que o mesmo 3 — No caso de nascimentos múltiplos, à licença previstanos primento dessa missão, durante todo o tempoque durar a modalidades:
exerce actividade profissional e quenão goza a licença paren- números anteriores acrescem dois dias por cadagémeo além amamentação. a) A licença parental alargada, de três meses;
tal inicial. do primeiro. 4 — No caso de não haver lugar à amamentação, a mãeou b) A trabalhar a tempo parcial durante 12 meses, comum pe-
6 — Na falta da declaração referida nos n.os4 e 5, alicença é 4 — Para efeitos do disposto nos números anteriores, o tra- o pai trabalhador têm direito, por decisão conjunta, àdispensa ríodo normal de trabalho igual a metade do tempocompleto.
gozada pela mãe. balhador deve avisar o empregador com a antecedência pos- referida no número anterior para aleitação até ofilho perfazer 2 — O pai e a mãe podem gozar qualquer dos direitosre-
7 — Em caso de internamento hospitalar da criança oudo sível, que, no caso previsto no n.º 2, não deve serinferior a 1 ano. feridos no número anterior de modo consecutivo ou atétrês
progenitor que estiver a gozar a licença prevista nosn.os1, cinco dias. 5 — No caso de nascimentos múltiplos, a dispensa emcau- períodos interpolados, não sendo permitida a acumulaçãopor
2 ou 3 durante o período após o parto, o período delicença sa é acrescida de mais 30 minutos por cada gémeoalém do um dos progenitores do direito do outro.
suspende -se, a pedido do progenitor, pelo tempode duração Cláusula 76.ª primeiro. 3 — Depois de esgotado qualquer dos direitos referidosnos
do internamento. Adopção 6 — Se qualquer dos progenitores trabalhar a tempoparcial, números anteriores, o pai ou a mãe tem direito a licençaespe-
8 — A suspensão da licença no caso previsto no númeroanterior 1 — Em caso de adopção de menor de 15 anos, o traba- a dispensa diária para amamentação ou aleitaçãoé reduzida cial para assistência a filho ou adoptado, de modoconsecutivo
é feita mediante comunicação ao empregador,acompanhada lhadorcandidato a adoptante tem direito à licença referidanos na proporção do respectivo período normal detrabalho, não ou interpolado, até ao limite de dois anos.
de declaração emitida pelo estabelecimentohospitalar. n.os1 ou 2 da cláusula 72.ª podendo ser inferior a 30 minutos. 4 — No caso de nascimento de um terceiro filho oumais, a
2 — No caso de adopções múltiplas, o período de licença 7 — As dispensas para consulta, amamentação e aleitação- licença prevista no número anterior pode ser prorrogávelaté
Cláusula 73.ª referido é acrescido de 30 dias por cada adopçãoalém da não determinam perda de quaisquer direitos e sãoconsidera- três anos.
Períodos de licença parental exclusiva da mãe primeira. das como prestação efectiva de serviço. 5 — Nos casos dos n.os3 e 4 da presente cláusula, otraba-
1 — A mãe pode gozar até 30 dias da licença parental inicial 3 — Havendo dois candidatos a adoptantes, a licença deve lhador tem direito à licença se o outro progenitorexercer activi-
antes do parto. ser gozada nos termos dos n.os1 e 2 da cláusula 72.ª Cláusula 78.ª dade profissional ou estiver impedido ouinibido totalmente de
2 — É obrigatório o gozo, por parte da mãe, de seissemanas 4 — O candidato a adoptante não tem direito a licença em Faltas para assistência a filhos exercer o poder paternal.
de licença a seguir ao parto. caso de adopção de filho do cônjuge ou de pessoa com- 1 — Os trabalhadores têm direito a faltar ao trabalho, até 30 6 — O trabalhador tem direito a licença para assistênciaa filho
3 — A trabalhadora que pretenda gozar parte da licençaan- quem viva em união de facto. dias por ano, para prestar assistência inadiável eimprescindí- de cônjuge ou de pessoa em união de facto, que comeste
tes do parto deve informar desse propósito o empregadore 5 — Em caso de incapacidade ou falecimento do candidato vel, em caso de doença ou acidente, a filhosou a enteados resida, nos termos da presente cláusula.
apresentar atestado médico que indique a data previsíveldo a adoptante durante a licença, o cônjuge sobrevivo,que não menores de 12 anos. 7 — O exercício dos direitos referidos nos númerosanteriores
parto, prestando essa informação com a antecedência de10 seja candidato a adoptante e com quem o adoptado viva em 2 — Em caso de hospitalização, o direito a faltar estende-se depende de aviso prévio dirigido à instituiçãocom antecedên-
dias ou, em caso de urgência comprovada pelo médico,logo comunhão de mesa e habitação, tem direitoa licença corres- ao período em que aquela durar, se se tratar de menoresde cia de 30 dias relativamente ao início doperíodo de licença ou
que possível. pondente ao período não gozado ou a um mínimo de 14 dias. 12 anos, mas não pode ser exercido simultaneamentepelo de trabalho a tempo parcial.
6 — A licença tem início a partir da confiança judicial ou admi- pai e pela mãe ou equiparados. 8 — Em alternativa ao disposto no n.º 1 e medianteacordo
Cláusula 74.ª nistrativa, nos termos do regime jurídico da adopção. 3 — O trabalhador pode faltar ao trabalho até 15 diaspor ano, escrito com a instituição, o pai e a mãe podem terausências
Licença parental inicial a gozar por um progenitorem para prestar assistência inadiável e imprescindível,em caso de interpoladas ao trabalho com duração igual aosperíodos

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normais de trabalho de três meses. 4 — A prestação de trabalho a tempo parcial pode serprorro- e dispensa paraavaliação para adopção. escolaridade obrigatória e disponha de capacidadesfísica e
9 — Durante o período de licença parental complementarem gada até dois anos ou, no caso de terceiro filho, oumais, ou, 2 — A dispensa para consulta pré -natal, amamentaçãoou psíquica adequadas ao posto de trabalho.
qualquer das modalidades ou de licença paraassistência a ainda, no caso de filho com deficiência ou doençacrónica, aleitação não determina perda de quaisquer direitos e éconsi-
filho, o trabalhador não pode exercer outraactividade incom- quarto anos. derada como prestação efectiva de trabalho. SECÇÃO III
patível com a respectiva finalidade, nomeadamentetrabalho 5 — O trabalhador que trabalhe em regime de horárioflexível 3 — A licença para assistência a filho ou para assistênciaa Trabalhadores -estudantes
subordinado ou prestação continuadade serviços fora da sua pode efectuar até seis horas consecutivas detrabalho e até filho com deficiência ou doença crónica suspende osdireitos,
residência habitual. dez horas em cada dia e deve cumprir ocorrespondente pe- deveres e garantias das partes na medida em quepressu- Cláusula 91.ª
ríodo normal de trabalho semanal, emmédia de cada período ponham a efectiva prestação de trabalho, designadamentea Noção
Cláusula 81.ª de quatro semanas. retribuição, mas não prejudica os benefícioscomplementares 1 — Considera -se trabalhador -estudante aquele que presta
Licença para assistência a filho com deficiênciaou 6 — É correspondentemente aplicável o disposto non.º 9 da de assistência médica e medicamentosa a que o trabalhador uma actividade sob autoridade e direcção de outrem e que
doença crónica cláusula 80.ª tenha direito. frequenta qualquer nível de educação escolar, incluindocur-
1 — O pai ou a mãe tem direito a licença por períodoaté seis sos de pós -graduação, em instituição de ensino.
meses, prorrogável com limite de quatro anos, paraacompa- Cláusula 84.ª Cláusula 88.ª 2 — A manutenção do Estatuto do Trabalhador –Estudanteé
nhamento de filho, adoptado ou filho de cônjugeque com este Dispensa de algumas formas de organização do tem- Protecção no despedimento condicionada pela obtenção de aproveitamento escolar.
resida, que seja portador de deficiência oudoença crónica, po de trabalho 1 — O despedimento de trabalhadora grávida, puérpera ou
que será confirmada por atestado médicoquando o filho tenha 1 — A trabalhadora grávida, puérpera ou lactante temdireito a lactante ou de trabalhador no gozo de licença parentalcarece Cláusula 92.ª
12 ou mais anos de idade. ser dispensada de prestar trabalho em horário detrabalho or- sempre de parecer prévio de entidade que tenha competên- Horário de trabalho
2 — À licença prevista no número anterior é aplicável,com as ganizado de acordo com regime de adaptabilidade,de banco cia na área de igualdade de oportunidades entrehomens e 1 — O trabalhador -estudante deve beneficiar de horários de
necessárias adaptações, inclusivamente quanto aoseu exer- de horas ou de horário concentrado. mulheres. trabalho específicos, com flexibilidade ajustávelà frequência
cício, o estabelecido para a licença especial deassistência a 2 — O direito referido aplica -se a qualquer dos progenitore- 2 — O despedimento por facto imputável a trabalhadoraem das aulas e à inerente deslocação para osrespectivos esta-
filhos prevista na cláusula anterior. sem caso de aleitação, quando a prestação de trabalhonos qualquer das referidas situações presume -se feito semjusta belecimentos de ensino.
regimes nele referidos afecte a sua regularidade. causa. 2 — Quando não seja possível a aplicação do regimeprevisto
Cláusula 82.ª 3 — O parecer referido no n.º 1 deve ser comunicadoà insti- no número anterior o trabalhador -estudante beneficiade dis-
Redução do tempo de trabalho para assistência a fi- Cláusula 85.ª tuição e à trabalhadora nos 30 dias subsequentesà recepção pensa de trabalho para frequência de aulas,nos termos pre-
lho menor com deficiência ou doença crónica Dispensa de prestação de trabalho suplementar do despedimento pela entidade competente,considerando vistos nos números seguintes.
1 — Os progenitores de menor com deficiência oudoença 1 — A trabalhadora grávida, bem como o trabalhador ou tra- -se em sentido favorável ao despedimentoquando não for 3 — O trabalhador -estudante beneficia de dispensa detraba-
crónica, com idade não superior a 1 ano, têm direitoa redução balhadora com filho de idade inferior a 12 meses,não está emitido dentro do referido prazo. lho até seis horas semanais, sem perda de quaisquerdireitos,
de cinco horas do período normal de trabalhosemanal, ou ou- obrigada a prestar trabalho suplementar. 4 — É inválido o procedimento de despedimento de trabalha- contando como prestação efectiva de serviço, seassim o exi-
tras condições de trabalho especiais, paraassistência ao filho. 2 — A trabalhadora não está obrigada a prestar trabalho su- doragrávida, puérpera e lactante ou no gozo de licençaparen- gir o respectivo horário escolar.
2 — Não há lugar ao exercício do direito referido nonúmero plementar durante todo o tempo que durar a amamentação,se tal caso não tenha sido solicitado o parecer referidono n.º 1, 4 — A dispensa de trabalho para frequência de aulas prevista-
anterior quando um dos progenitores não exerçaactividade for necessário para a sua saúde ou para a da criança. cabendo o ónus da prova deste facto à instituição. no número anterior pode ser utilizada de uma só vezou fraccio-
profissional e não esteja impedido ou inibidototalmente de 5 — Se o parecer referido no n.º 1 for desfavorável aodespe- nadamente, à escolha do trabalhador -estudante,dependendo
exercer o poder paternal. Cláusula 86.ª dimento, este só pode ser efectuado após decisãojudicial que do período normal de trabalho semanal aplicável,nos seguin-
3 — Se ambos os progenitores forem titulares do direito,a Dispensa de trabalho nocturno reconheça o motivo justificativo, devendo aacção ser intenta- tes termos:
redução do período normal de trabalho pode serutilizada por 1 — As trabalhadoras são dispensadas de prestar trabalhoen- da nos 30 dias subsequentes à notificaçãodo parecer. a) Igual ou superior a 20 horas e inferior a 30 horas:dispensa
qualquer deles ou por ambos em períodossucessivos. tre as 20 horas de um dia e as 7 horas do dia seguinte: 6 — Se o despedimento de trabalhadora for declaradoilíci- até 3 horas semanais;
4 — O empregador deve adequar o horário de trabalhore- a) Durante um período de 112 dias antes e depois doparto, to, o empregador não se pode opor à reintegração,podendo b) Igual ou superior a 30 horas e inferior a 34 horas:dispensa
sultante da redução do período normal de trabalhotendo em dos quais pelo menos metade antes da data presumíveldo aquela, em alternativa à reintegração, optar pelaindemnização até 4 horas semanais;
conta a preferência do trabalhador, semprejuízo de exigências parto; especial calculada nos termos legais, semprejuízo, designa- c) Igual ou superior a 34 horas e inferior a 38 horas:dispensa
imperiosas de funcionamentoda empresa. b) Durante o restante período de gravidez, se for apresentado- damente, de indemnização por danosnão patrimoniais. até 5 horas semanais;
5 — A redução do período normal de trabalho semanalnão atestado médico que certifique que tal é necessáriopara a sua d) Igual ou superior a 38 horas: dispensa até 6 horassema-
implica diminuição de direitos consagrados na lei,salvo quanto saúde ou para a do nascituro; SECÇÃO II nais.
à retribuição, que só é devida na medida emque a redução, c) Durante todo o tempo que durar a amamentação, sefor Trabalho de menores 5 — O empregador pode, nos 15 dias seguintes à utiliza-
em cada ano, exceda o número de faltassubstituíveis por per- apresentado atestado médico que certifique que tal éneces- çãoda dispensa de trabalho, exigir a prova da frequênciade
da de gozo de dias de férias. sário para a sua saúde ou para a da criança. Cláusula 89.ª aulas, sempre que o estabelecimento de ensino procederao
2 — À trabalhadora dispensada da prestação de trabalhonoc- Trabalho de menores controlo da frequência.
Cláusula 83.ª turno deve ser atribuído, sempre que possível, umhorário de 1 — A entidade patronal deve proporcionar aos menores que
Trabalho a tempo parcial e horário flexível de traba- trabalho diurno compatível. se encontrem ao seu serviço condições de trabalhoadequa- Cláusula 93.ª
lhador com responsabilidades familiares 3 — A trabalhadora é dispensada do trabalho sempre quenão das à sua idade, promovendo a respectiva formaçãopessoal Prestação de provas de avaliação
1 — O trabalhador com filho menor de 12 anos seja possível aplicar o disposto no número anterior. e profissional e prevenindo, de modo especial,quaisquer ris- 1 — O trabalhador -estudante tem direito a faltar justificada-
ou,independentemente da idade, filho com deficiência oudo- cos para o respectivo desenvolvimento físicoe psíquico. mente ao trabalho para prestação de provas deavaliação, nos
ença crónica que com ele viva em comunhão de mesa ehabi- Cláusula 87.ª 2 — Os menores não podem ser obrigados à prestaçãode termos seguintes:
tação tem direito a trabalhar a tempo parcial ou a quelhe seja Regimes das licenças, faltas e dispensas trabalho antes das 8 horas, nem depois das 18 horas,no caso a) Até dois dias por cada prova de avaliação, sendo umoda
atribuído horário flexível, nos termos da lei. 1 — As ausências de trabalho previstas nas cláusulas 72.ª, de frequentarem cursos nocturnos oficiais, oficializadosou realização da prova e o outro o imediatamente anterior,aí se
2 — O direito pode ser exercido por qualquer dos progenito- 73.ª, 74.ª, 75.ª, 76.ª, 78.ª, 79.ª e 80.ª não determinamperda equiparados, e antes das 7 horas e depois das20 horas no incluindo sábados, domingos e feriados;
resou por ambos em períodos sucessivos, depoisda licença de quaisquer direitos e são consideradas, paratodos os efei- caso de os não frequentarem. b) No caso de provas em dias consecutivos ou de maisde
parental complementar, em qualquer das suasmodalidades. tos legais, salvo quanto à retribuição, comoprestação efectiva uma prova no mesmo dia, os dias anteriores são tantosquan-
3 — Salvo acordo em contrário, o período normal detrabalho de serviço, o mesmo se aplicando àsfaltas por licença em Cláusula 90.ª tas as provas de avaliação a efectuar, aí se incluindosábados,
a tempo parcial corresponde a metade do praticadoa tempo situação de risco clínico durante agravidez, à licença por in- Admissão de menores domingos e feriados;
completo numa situação comparável e, conformeo pedido do terrupção da gravidez, às devidasa dispensa da prestação de Só pode ser admitido a prestar trabalho, qualquer que seja c) Os dias de ausência referidos nas alíneas anterioresnão
trabalhador, é prestado diariamente, de manhãou de tarde, ou trabalho por parte detrabalhadora grávida, puérpera ou lac- a espécie e modalidade de pagamento, o menor quetenha podem exceder um máximo de quatro por disciplinaem cada
em três dias por semana. tante, por motivo da protecção da sua segurança e saúde completado a idade mínima de admissão, tenha concluídoa ano lectivo.

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2 — O direito previsto no número anterior só pode serexercido Cláusula 97.ª si ou com o apoio de entidades públicasou privadas, devi- Cláusula 105.ª
em dois anos lectivos relativamente a cada disciplina. Objectivos damente certificadas, devem promoveracções de formação Comissões de segurança, higiene e saúde
3 — Consideram -se ainda justificadas as faltas dadaspelo São, designadamente, objectivos da formação profissional: profissional ou educacional que garantama aquisição daquela Podem ser criadas comissões de segurança, higiene e saúde
trabalhador -estudante na estrita medida das necessidade- a) Promover a formação contínua dos trabalhadores, enquan- escolaridade e, pelo menos, onível II de qualificação. no trabalho, de composição paritária, com vistaa planificar e
simpostas pelas deslocações para prestar provas deavalia- to instrumento para a valorização e actualizaçãoprofissional e propor a adopção de medidas tendentes aoptimizar o nível
ção, não sendo retribuídas, independentemente donúmero para a melhoria da qualidade dos serviços prestados pelas da prestação de serviços de segurança,higiene e saúde no
de disciplinas, mais de 10 faltas. instituições; CAPÍTULO X trabalho, bem como avaliar o impactoda respectiva aplicação.
4 — Para efeitos de aplicação desta cláusula,consideram -se b) Promover a reabilitação profissional de pessoas comdefici- Segurança, higiene e saúde no trabalho
provas de avaliação os exames e outras ência, em particular daqueles cuja incapacidade foiadquirida
provas escritas ou orais, bem como a apresentação detraba- em consequência de acidente de trabalho; Cláusula 101.ª CAPÍTULO XI
lhos, quando estes os substituem ou os complementam,desde c) Promover a integração sócio -profissional de grupos com Princípios gerais Cessação do contrato de trabalho
que determinem directa ou indirectamente oaproveitamento particulares dificuldades de inserção, através do desenvolvi- 1 — O trabalhador tem direito à prestação de trabalho em
escolar. mentode acções de formação profissional especial; condições de segurança, higiene e saúde, asseguradaspela Cláusula 106.ª
d) Garantir o direito individual à formação, criando condições instituição. Princípio geral
Cláusula 94.ª para que o mesmo possa ser exercido independentementeda 2 — A instituição é obrigada a organizar as actividadesde se- A cessação do contrato de trabalho fica sujeita ao regime legal
Efeitos profissionais da valorização escolar condição laboral do trabalhador. gurança, higiene e saúde no trabalho que visem aprevenção em vigor a cada momento.
1 — Ao trabalhador -estudante devem ser proporcionadas de riscos profissionais e a promoção da saúdedo trabalhador.
oportunidades de promoção profissional adequada àvaloriza- Cláusula 98.ª Cláusula 107.ª
ção obtida por efeito de cursos ou conhecimentos adquiridos, Formação contínua Cláusula 102.ª Exercício da acção disciplinar
não sendo, todavia, obrigatória a reclassificaçãoprofissional 1 — No âmbito da formação contínua, as instituições devem: Obrigações do empregador 1 — O procedimento disciplinar deve exercer -se nos 60 dias
por simples obtenção desses cursos ou conhecimentos. a) Elaborar planos anuais ou plurianuais de formação; As instituições são obrigadas a assegurar aos trabalhadores subsequentes àquele em que o empregador ousuperior hie-
2 — Têm direito, em igualdade de condições, ao preenchi- b) Reconhecer e valorizar as qualificações adquiridas pelos condições de segurança, higiene e saúde em todosos as- rárquico com competência disciplinar teve conhecimento da
mentode cargos para os quais se achem habilitados,por vir- trabalhadores de modo a estimular a sua participação na for- pectos relacionados com o trabalho, devendo aplicare fazer infracção.
tude dos cursos ou conhecimentos adquiridos, todos os tra- mação. aplicar as medidas necessárias e adequadas, tendoem conta 2 — A infracção disciplinar prescreve ao fim de um anoa con-
balhadores que os tenham obtido na qualidade detrabalhador 2 — A formação contínua de activos deve abranger, emcada os princípios legalmente consignados. tar do momento em que teve lugar, sem prejuízo daaplicação
-estudante. ano, pelo menos 10 % dos trabalhadores com contratos em de prazos prescricionais da lei penal, quandoaplicável.
termo de cada instituição. Cláusula 103.ª
Cláusula 95.ª 3 — O número mínimo de horas anuais de formação certifi- Obrigações do trabalhador
Excesso de candidatos à frequência de cursos cada a que se refere o número anterior é de 35 horas a partir O trabalhador tem obrigação de zelar: CAPÍTULO XII
Sempre que o número de pretensões formuladas por traba- de 2006. a) Pela segurança e saúde próprias, designadamente, sujei- Segurança social
lhadores -estudantes no sentido de lhes ser aplicado o regi- 4 — As horas de formação certificada que não foram organi- tando -se à realização dos exames médicos, promovidospela
me especial de organização de tempo de trabalho se revelar, zadas sob a responsabilidade do empregador por motivo que entidade empregadora; Cláusula 108.ª
manifesta e comprovadamente, comprometedor dofunciona- lhe seja imputável são transformadas em créditos acumulá- b) Pela segurança e saúde das pessoas que possam serafec- Segurança social — Princípios gerais
mento normal da instituição, fixar -se -á por acordo entre esta, veis ao longo de três anos, no máximo. tadas pelas suas acções ou omissões. As instituições e os trabalhadores ao seu serviço contribuirão
os interessados e as estruturas representativas dos trabalha- 5 — O trabalhador pode utilizar o crédito acumulado a que para as instituições de segurança social que osabranjam nos
dores o número e as condições em que serãodeferidas as se refere o número anterior para frequentar, por sua iniciativa, Cláusula 104.ª termos dos respectivos estatutos e demais legislação aplicá-
pretensões apresentadas. acções de formação certificada que tenham correspondên- Representantes dos trabalhadores vel.
ciacom a actividade prestada, mediante comunicação à insti- 1 — Os representantes dos trabalhadores para a segurança,
tuição com a antecedência mínima de 10 dias. higiene e saúde no trabalho são eleitos pelos trabalhadores- Cláusula 109.ª
CAPÍTULO IX 6 — Sempre que o trabalhador adquira nova qualificação pro- por voto directo e secreto, segundo o princípio da representa- Invalidez
Formação profissional fissional ou grau académico, por aprovação em curso de for- tividade e da proporcionalidade. No caso de incapacidade parcial ou absoluta para o traba-
mação profissional ou escolar, com interesse para a entidade 2 — Os representantes dos trabalhadores não poderãoex- lho habitual proveniente de acidente de trabalho oudoença
Cláusula 96.ª empregadora, tem preferência no preenchimento de vagas ceder: profissional contraída ao serviço da entidade empregadora,
Princípio geral que correspondam à formação ou educação adquirida. a) Empresas com menos de 61 trabalhadores — um esta diligenciará conseguir a reconversão dostrabalhadores
1 — A instituição deve proporcionar ao trabalhador acções de representante; diminuídos para funções compatíveis com as diminuições ve-
formação profissional adequadas à sua qualificação. Cláusula 99.ª b) Empresas de 61 a 150 trabalhadores — dois repre- rificadas.
2 — O trabalhador deve participar de modo diligente nas ac- Formação de reconversão sentantes;
ções de formação profissional que lhe sejam proporcionadas, 1 — A instituição promoverá acções de formação profissional c) Empresas de 151 a 300 trabalhadores — três repre-
salvo se houver motivo atendível, devendo neste caso, obri- de requalificação e de reconversão pelas seguintes razões: sentantes; CAPÍTULO XIII
gatória e expressamente, solicitar a sua dispensa. a) Condições de saúde do trabalhador que imponhamincapa- d) Empresas de 301 a 500 trabalhadores — quatro re- Comissão paritária
3 — As acções de formação devem ocorrer durante operíodo cidades ou limitações no exercício das respectivasfunções; presentantes;
normal trabalho, sempre que possível, contandoa respectiva b) Necessidades de reorganização de serviços ou por modifi- e) Empresas de 501 a 1000 trabalhadores — cinco re- Cláusula 110.ª
frequência para todos os efeitos como tempoefectivo de ser- caçõestecnológicas e sempre que se demonstre a inviabilida- presentantes; Constituição
viço. dede manutenção de certas categorias profissionais. f) Empresas de 1001 a 1500 trabalhadores — seis re- 1 — É constituída uma comissão paritária formada por três
4 — Caso seja possível a sua substituição adequada,o tra- 2 — Tais acções destinam -se, sendo tal possível, a prepara- presentantes; representantes de cada uma das partes outorgantes dapre-
balhador tem direito a dispensa de trabalho comperda de re- ros trabalhadores delas objecto para o exercício deuma nova g) Empresas com mais de 1500 trabalhadores — sete sente convenção.
tribuição para a frequência de acções deformação de curta actividade, na mesma ou noutra entidade. representantes. 2 — Por cada representante efectivo será designado um su-
duração com vista à sua valorizaçãoprofissional. 3 — O mandato dos representantes dos trabalhadoresé de plente para desempenho de funções em caso de ausênciado
5 — As instituições obrigam -se a passar certificados de fre- Cláusula 100.ª três anos. efectivo.
quência e de aproveitamento das acções de formaçãoprofis- Formação nos contratos de trabalho para jovens 4 — Os representantes dos trabalhadores dispõem, parao 3 — Cada uma das partes indicará por escrito à outra, nos 30
sional por si promovidas. Sempre que admitam trabalhadores com menos de 25 anos exercício das suas funções, de um crédito de cinco horaspor dias subsequentes à publicação desta convenção,os mem-
e sem a escolaridade mínima obrigatória, as instituições,por mês. bros efectivos e suplentes por si designados, considerando -

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-se a comissão paritária constituída logo apósesta indicação. 1 — Trabalha directamente com os utentes, quer individual- funcionamento dos serviços; procede à recepção, arrumação Assistente social. — Estuda e define normas gerais, esque-
4 — A comissão paritária funcionará enquanto estiver em vi- mente, quer em grupo, tendo em vista o seu bem -estar,pelo de roupas lavadas e à recolha de roupassujas e suas entre- mas e regras de actuação do serviço social das instituições;
gor a presente convenção, podendo qualquer doscontraen- que executa a totalidade ou parte das seguintes tarefas: gas, prepara refeições ligeiras nos serviços e distribui dietas procede à análise de problemas de serviço social directamen-
tes, em qualquer altura, substituir os membros que nomeou, a) Recebe os utentes e faz a sua integração no período inicial (regime geral e dietas terapêuticas);colabora na prestação de te relacionados com os serviços das instituições; assegura e
mediante comunicação escrita à outra parte. de utilização dos equipamentos ou serviços; cuidados de higiene e conforto aos doentes, sob orientação promove a colaboração com os serviços sociais de outras
b) Procede ao acompanhamento diurno e ou nocturnodos do pessoal de enfermagem; transporta e distribui as balas de instituições ou entidades; estuda com os indivíduos as so-
Cláusula 111.ª utentes, dentro e fora dos estabelecimentos e serviços,guiando oxigénio e os materiaisesterilizados pelos serviços de acção luções possíveis dos seus problemas (descoberta do equi-
Normas de funcionamento -os, auxiliando -os, estimulando -os através daconversação, médica. pamento social de que podem dispor); ajuda os utentes a
1 — A comissão paritária funcionará em local a determinar detectando os seus interesses e motivações eparticipando na Auxiliar de laboratório. — Lava, prepara e esteriliza omaterial resolver adequadamente os seus problemas de adaptação
pelas partes. ocupação de tempos livres; de uso corrente; faz pequenos serviços externosreferentes ao e readaptação social, fomentando uma decisão responsável.
2 — A comissão paritária reúne a pedido de qualquer daspar- c) Assegura a alimentação regular dos utentes; funcionamento do laboratório. Técnico superior de educação social. — É o trabalhador que
tes mediante convocatória a enviar com a antecedênciamíni- d) Recolhe e cuida dos utensílios e equipamentos utilizados- Maqueiro. — Procede ao acompanhamento e transporte concebe , investiga, executa, articula, potencia, apoia, gere,
ma de 15 dias de que conste o dia, hora e agenda detraba- nas refeições; de doentes a pé, de cama, maca ou cadeira, para todos avalia projectos e programas assentes em redes, actores
lhos, cabendo o secretariado à parte que convocar areunião. e) Presta cuidados de higiene e conforto aos utentese colabo- osserviços de internamento, vindos dos serviços de ur- e parcerias sociais, assentes na prática sócio -educativa e
3 — No final da reunião será lavrada e assinada a respecti- ra na prestação de cuidados de saúde que nãorequeiram co- gência ou das consultas externas; efectua o transporte de pedagógica, desenvolvida em contexto social, fomentando
vaacta. nhecimentos específicos, nomeadamente,aplicando cremes cadáveres;colabora com os respectivos serviços na realiza- a aprendizagem permanente, a minimização e resolução de
4 — As partes podem fazer -se assessorar nas reuniõesda medicinais, executando pequenos pensose administrando ção dos trâmites administrativos relacionados com as suasac- problemas. Acompanha processos de socialização e inser-
comissão. medicamentos, nas horas prescritas esegundo as instruções tividades; procede à limpeza das macas. ção das pessoas reforçando as suas competências pessoais,
recebidas; sociais e profissionais.
Cláusula 112.ª f) Substitui as roupas de cama e da casa de ba- Trabalhadores sociais (Os educadores sociais de grau I, de 1.ª, de 2.ª ou de 3.ª
Competências nho, bemcomo o vestuário dos utentes, procede ao Agente de educação familiar. — Promove a melhoria da vida passam a ser designados técnicos superiores de educação
1 — Compete à comissão paritária: acondicionamento,arrumação, distribuição, transporte e con- familiar, através da consciencialização do sentido e conteúdo social, respectivamente de 1.ª, de 2.ª ou de 3.ª, mantendo
a) Interpretar e integrar o disposto nesta convenção; trolo dasroupas lavadas e à recolha de roupas sujas e sua dos papéis familiares e educação dos filhos e do ensino de todo o tempo de serviço que detinham naquelas categorias,
b) Criar e eliminar profissões e categorias profissionais, bem entregana lavandaria; técnicas de simplificação e racionalização das tarefas domés- que ficam extintas.)
como proceder à definição de funções inerentes àsnovas pro- g) Requisita, recebe, controla e distribui os artigos dehigiene ticas; procura solucionar os problemas apresentados ou pro- Técnico superior de animação sócio -cultural. — É o traba-
fissões, ao seu enquadramento nos níveis de qualificação e e conforto; porciona no domicílio, mediante a análise das condições reais lhador que investiga, integrado em equipas multidisciplina-
determinar a respectiva integração num dosníveis de remu- h) Reporta à instituição ocorrências relevantes no âmbitodas do lar, os conselhos adequados res, o grupo alvo e o seu meio envolvente, diagnosticando e
neração. funções exercidas; à melhoria da vida familiar e doméstica. analisando situações de risco e áreas de intervenção sob as
2 — Quando proceder à extinção de uma profissão oucate- i) Conduz, se habilitado, as viaturas da instituição. Animador cultural. — Organiza, coordena e ou desenvolve ac- quais actuar. Planeia e implementa projectos de intervenção
goria profissional, a comissão deverá determinar a reclassifi- 2 — Caso a instituição assegure apoio domiciliário,compete tividades de animação e desenvolvimento sócio-cultural junto comunitária. Planeia, organiza e promove/desenvolve activida-
cação dos trabalhadores noutra profissão ou categoria pro- ainda ao ajudante de acção directa providenciarpela manu- dos utentes no âmbito dos objectivos da instituição; acompa- des de carácter educativo, cultural, desportivo, social, lúdico,
fissional. tenção das condições de higiene e salubridadedo domicílio nha e procura desenvolver o espírito de pertença, cooperação turístico e recreativo, em contexto institucional, na comunida-
dos utentes. e solidariedade das pessoas, bem como proporcionar o de- de ou ao domicílio, tendo em conta o serviço em que está
Cláusula 113.ª 3 — Sempre que haja motivo atendível expressamenteinvoca- senvolvimento das suas capacidades de expressão e realiza- integrado e as necessidades do grupo e dos indivíduos, com
Deliberações do pelo utente, pode a instituição dispensar o trabalhadorda ção, utilizando para tal métodos pedagógicos e de animação. vista a melhorar a sua qualidade de vida e a qualidade da sua
1 — A comissão paritária só poderá deliberar desde que este- prestação de trabalho no domicílio daquele. (A anterior categoria de animador cultural de grau II passa a inserção e interacção social. Incentiva, fomenta e estimula as
jam presentes dois membros de cada uma das partes. Ajudante de acção educativa. — Participa nas actividadessó- designar -se animador cultural.) iniciativas dos indivíduos para que se organizem e decidam o
2 — As deliberações da comissão são tomadas por unanimi- cio -educativas; ajuda nas tarefas de alimentação,cuidados Educador social. — Presta ajuda técnica com carácter edu- seu projecto lúdico ou social, dependendo do grupo alvo e
dade e passam a fazer parte integrante da presenteconven- de higiene e conforto directamente relacionadoscom a crian- cativo e social, em ordem ao aperfeiçoamento das condições dos objectivos da intervenção. Acompanha as alterações que
ção, logo que publicadas no Boletim do Trabalhoe Emprego. ça; vigia as crianças durante o repouso e na salade aula; as- de vida dos grupos etários e sociais com que trabalha; realiza se verifiquem na situação dos utentes que afectem o seu bem
siste as crianças nos transportes, nos recreios,nos passeios e apoia actividades de carácter recreativo, para crianças, ado- -estar e actua de forma a ultrapassar possíveis situações de
e visitas de estudo. lescentes, jovens e idosos. isolamento, solidão e outras. (Os animadores culturais de grau
CAPÍTULO XIV Ajudante de estabelecimento de apoio a pessoas comdeficiên- Técnico de actividades de tempos livres (ATL). — Orienta e I, de 1.ª, de 2.ª ou de 3.ª passam a ser designados técnicos
Disposições transitórias e finais cia. — Procede ao acompanhamento diurno ounocturno dos coordena a actividade dos ajudantes de ocupação. Actua jun- superiores de animação
utentes, dentro e fora do serviço ou estabelecimento;participa to de crianças em idade escolar, com vista à sua ocupação sócio -cultural, respectivamente de 1.ª, de 2.ª ou de 3.ª, man-
Cláusula 114.ª na ocupação de tempos livres; apoiaa realização de activida- durante o tempo deixado livre pela escola, proporcionando tendo todo o tempo de serviço que detinham naquelas cate-
Regime des sócio -educativas; auxilia nastarefas de alimentação dos -lhes ambiente adequado e actividades de carácter educati- gorias, que ficam extintas.)
1 — A presente convenção estabelece um regime globalmen- utentes; apoia -os nos trabalhosque tenham de realizar. vo; acompanha a evolução da criança e estabelece contactos Técnico superior de mediação social. — É o trabalhador que,
te mais favorável do que os anteriores instrumentosde regula- Ajudante de ocupação. — Desempenha a sua actividadejunto com os pais e professores no sentido de obter uma acção de forma autónoma, atende e avalia beneficiários e utentes,
mentação colectiva de trabalho. de crianças em idade escolar, com vista àsua ocupação du- educativa integrada e de despiste de eventuais casos sociais procede à análise das situações individuais e promove o
2 — A aplicação das tabelas de remunerações mínimas cons- rante o tempo deixado livre pela escola,proporcionando -lhes e de problemas de foro psíquico que careçam de especial seu encaminhamento para as respostas adequadas a cada
tantes do anexo V, não prejudica a vigência de retribuições- ambiente adequado e actividades decarácter educativo e re- atenção e encaminhamento. Em alguns casos conta com o situação, estabelece os contactos e assegura a articulação
mais elevadas auferidas pelos trabalhadores, nomeadamente, creativo, segundo o plano de actividadesapreciado pela téc- apoio do psicólogo. necessários com serviços e entidades, públicos ou particu-
no âmbito de projectos ou de acordos de cooperaçãocele- nica de actividades de temposlivres. Colabora no atendimento Técnico auxiliar de serviço social. — Ajuda os utentes em si- lares, com vista à integração e inserção pessoal, social ou
brados com entidades públicas, sociais ou privadas. dos pais das crianças. tuação de carência social a melhorar as suas condições de profissional das pessoas atendidas, nomeadamente as mais
Auxiliar de acção médica. — Assegura o serviço demensagei- vida; coadjuva ou organiza actividades de carácter educativo desfavorecidas perante o mercado de trabalho ou em situa-
ro e procede à limpeza específica dos serviços deacção mé- e recreativo para crianças, adolescentes e jovens, bem como ção ou risco de exclusão social, acompanha, segue, avalia e
ANEXO I dica; prepara e lava o material dos serviços técnicos;procede actividades de ocupação de tempos livres para idosos; apoia investiga as situações por si trabalhadas.
Definição de funções ao acompanhamento e transporte de doentesem camas, ma- os indivíduos na sua formação social e na obtenção de um Mediador sócio -cultural. — É o trabalhador que tem por fun-
cas, cadeiras de rodas ou a pé, dentro e fora do hospital; maior bem -estar; promove ou apoia cursos e campanhas ção colaborar na integração dos imigrantes e minorias étni-
Trabalhadores de apoio assegura o serviço externo e interno de transportede medi- de educação sanitária, de formação familiar e outros. Pode cas, na perspectiva do reforço do diálogo intercultural e da
Ajudante de acção directa: camentos e produtos de consumo corrente necessários ao também ser designado por auxiliar social. coesão e inclusões sociais, para tal colaborando na resolução

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de conflitos sócio -culturais e na definição de estratégias de senvolve -se pelas categorias de 2.ª e 1.ª
intervenção social; colaborando activamente com todos os 7 — Constitui requisito da promoção a prestação de cinco Pelo SITRA — Sindicato dos Trabalhadores de Transportes
intervenientes dos processos de intervenção social e educati- anos de bom e efectivo serviço na categoria de agente de Rodoviários e Afins: Joaquim João Martins Dias da Silva, man-
va; facilitando a comunicação entre profissionais e utentes de educação familiar, educador social e técnico auxiliar de servi- datário.
origem cultural diferente; assessorando os utentes na relação ço social de 2.ª
com profissionais e serviços públicos e privados; promoven- Pelo SINTAP — Sindicato dos Trabalhadores da Administra-
do a inclusão de cidadãos de diferentes origens sociais e cul- ção Pública: Joaquim João Martins Dias da Silva, mandatário.
turais em igualdade de condições. Porto, 3 de Janeiro de 2012.
Pela CNIS — Confederação Nacional das Instituições de So- Pelo SINAPE — Sindicato Nacional dos Profissionais da Edu-
ANEXO II lidariedade: cação: Joaquim João Martins Dias da Silva, mandatário.
Condições específicas João Carlos Gomes Dias, mandatário.
Nuno dos Santos Rodrigues, mandatário. Depositado em 6 de fevereiro de 2012, a fl. 122 do livro n.º
Trabalhadores sociais 11, com o n.º 9/2012, nos termos do artigo 494.º do Código
Admissão Pela FNE — Federação Nacional dos Sindicatos da Educa- do Trabalho, aprovado pela Lei n.º 7/2009, de 12 de fevereiro.
1 — Constitui condição de admissão para o exercício de fun- ção, em representação dos seguintes Sindicatos seus filia-
ções inerentes a assistente social, técnico superior de anima- dos:
ção sócio -cultural e técnico superior de educação social a SPZN — Sindicato dos Professores da Zona Norte; SPZCen-
titularidade de licenciatura oficialmente reconhecida. tro-Sindicato dos Professores da Zona Centro; SDPGL- Sin-
2 — Constitui condição de admissão para o exercício de fun- dicato Democrático dos Professores da Grande Lisboa;
ções inerentes a técnico superior de mediação social a titu- SDPS-Sindicato Democrático dos Professores do Sul;
laridade de licenciatura anterior ao Processo de Bolonha ou SDPA-Sindicato Democrático dos Professores dos Açores;
do 2.º ciclo de estudos superiores especializados, num caso SDPM-Sindicato Democrático dos Professores da Madeira;
ou noutro oficialmente reconhecidos, na área das Ciências STAAEZN-Sindicato dos Técnicos Superiores, Técnicos, Ad-
Sociais e Humanas. ministrativos e Auxiliares de Educação da Zona Norte; STAA-
3 — Constituem condições de admissão para a profissão de EZC-Sindicato dos Técnicos, Administrativos e Auxiliares de
animador cultural: Educação da Zona Centro; STAAEZS-Sindicato dos Técnicos,
a) 12.º ano de escolaridade ou habilitação equivalentes; Administrativos e Auxiliares de Educação do Sul e Regiões
b) Formação profissional específica. Autónomas: Joaquim João Martins Dias da Silva, mandatário.
4 — Constituem condições de admissão para a profissão de
mediador sócio -cultural: Pela FETESE — Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores
a) 9.º ano de escolaridade ou habilitação equivalente; de serviços, por si e em representação dos seguintes Sindi-
b) Formação profissional conferente do nível II de qualificação catos seus filiados: SITESE-Sindicato dos Trabalhadores de
profissional. Escritório, Comércio, Hotelaria e Serviços; STEIS-Sindicato
dos Trabalhadores de Escritório, Informática e Serviços da
Carreira Região Sul; SITEMAQ-Sindicato da Mestrança e Marinhagem
1 — A carreira do trabalhador com a profissão de assistente da Marinha Mercante, Energia e Fogueiros de Terra; SITAM
social, técnico superior de animação sócio -cultural, técnico -Sindicato dos Trabalhadores de Escritório, Comércio e Servi-
superior de educação social e técnico superior de mediação ços da Região Autónoma da Madeira; Sindicato dos Trabalha-
social desenvolve -se pelas categorias de 3.ª, 2.ª e 1.ª dores de Escritório e Comércio do Distrito de Angra do Hero-
2 — Constitui requisito da promoção a assistente social, téc- ísmo; SINDESCOM-Sindicato dos Profissionais de Escritório,
nico superior de animação sócio -cultural, técnico superior de Comércio, Indústria, Turismo, Serviços e Correlativos das Ilhas
educação social, técnico superior de mediação social de 3.ª de São Miguel e Santa Maria; SINDCES/UGT-Sindicato do
a 2.ª e de 2.ª a 1.ª a prestação de três anos de bom e efectivo Comércio, Escritório e Serviços: Joaquim João Martins Dias
serviço na categoria imediatamente inferior. da Silva, mandatário.
3 — Os animadores culturais de grau I e os educadores so-
ciais de grau I com licenciatura transitam para a nova categoria Pelo SINDEP — Sindicato Nacional e Democrático dos Pro-
de técnicos superiores de animação sócio –cultural e técnicos fessores: Joaquim João Martins Dias da Silva, mandatário.
superiores de educação social, contando o tempo de serviço
na nova categoria, para efeito de enquadramento na carreira, Pelo SITESC — Sindicato dos Trabalhadores de Escritório,
desde 22 de Fevereiro de 2009, ou desde a data da conclu- Serviços, Comércio, Alimentação, Hotelaria e Turismo: Joa-
são da licenciatura, se posterior a essa data. quim João Martins Dias da Silva, mandatário.
4 — As categorias de animador cultural de grau II e de educa-
dor social de grau II passam a designar -se animador cultural Pelo SINDITE — Sindicato dos Técnicos Superiores de Diag-
e educador social, extinguindo -se as anteriores designações. nóstico e Terapêutica: Joaquim João Martins Dias da Silva,
5 — Os respectivos trabalhadores serão reclassificados em mandatário.
técnicos superiores de animação sócio -cultural e técnico su-
perior de educação social, a partir da data em que adquiram o Pelo Sindicato dos Enfermeiros: Joaquim João Martins Dias
grau de licenciatura, ou 2.º ciclo de Estudos Superiores Espe- da Silva, mandatário.
cializados nos termos do Processo de Bolonha e com efeitos
a partir da mesma data. Pelo SETAA — Sindicato da Agricultura, Alimentação e Flores-
6 — A carreira do trabalhador com a profissão de agente fa- tas: Joaquim João Martins Dias da Silva, mandatário.
miliar, educador social e técnico auxiliar de serviço social de-

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CD-ROM ISSN 2183-4830

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