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Desse modo, seja antes da EC 80/2014 e com maior razão depois, a

Defensoria Pública possui sim legitimidade para propor ação civil pública na
defesa de interesses difusos, coletivos ou individuais homogêneos.

Segundo pontuou a Ministra Cármen Lúcia, em um país como o nosso,


marcado por graves desigualdades sociais e pela elevada concentração de
renda, uma das grandes barreiras para a implementação da democracia e da
cidadania ainda é o efetivo acesso à Justiça. Somente se conseguirá promover
políticas públicas para reduzir ou suprimir essas enormes diferenças se forem
oferecidos instrumentos que atendam com eficiência às necessidades dos
cidadãos na defesa de seus direitos. Nesse sentido, destaca-se a ação civil
pública. Dessa feita, não interessa à sociedade restringir o acesso à justiça dos
hipossuficientes.

A interpretação sugerida pela CONAMP restringe, sem fundamento jurídico, a


possibilidade de utilização da ação civil pública, que é instrumento capaz de
garantir a efetividade de direitos fundamentais de pobres e ricos a partir de
iniciativa processual da Defensoria Pública. Além disso, deve-se lembrar que a
CF/88 não assegura ao Ministério Público a legitimidade exclusiva para o
ajuizamento de ação civil pública. Em outras palavras, a Constituição em
nenhum momento disse que só o MP pode propor ACP. Ao contrário, o § 1º do
art. 129 da CF/88 afirma que a legitimação do Ministério Público para as ações
civis não impede a de terceiros, nas mesmas hipóteses, segundo o disposto
nesta Constituição e na lei.

A ação civil pública pode ser proposta pelo Ministério Público, pela Defensoria
Pública, pela União, os estados, municípios, autarquias, empresas públicas,
fundações, sociedades de economia mista e associações interessadas, desde
que constituídas há pelo menos um ano.

Conforme a lei, a ação civil pública, da mesma forma que a ação popular,
busca proteger os interesses da coletividade. Um dos diferenciais é que nela
podem figurar como réus não apenas a administração pública, mas qualquer
pessoa física ou jurídica que cause danos ao meio ambiente, aos
consumidores em geral, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico,
turístico e paisagístico.

Cabe uma ação pública, por exemplo, quando uma comunidade é atingida pelo
rompimento de uma barragem, como aconteceu em Mariana/MG. Nesse caso,
os responsáveis podem ser condenados a reparar, financeiramente, os danos
morais e materiais da coletividade atingida. Esse tipo de ação também pode
ser movido com o objetivo de obrigar o réu a corrigir o ato praticado ou, no
caso de omissão, a tomar determinada providência.