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Desafios para uma educação dialógica em tempos de

tecnologias
Flávia Gabriella Franco Mariano1

Resumo

Este texto apresenta uma reflexão sobre a construção


da educação dialógica a partir do contexto de
propagação e apropriação de novas tecnologias de
informação e comunicação nas relações cotidianas e
educativas. Fundamentamos a importância da reflexão
crítica sobre os processos de ensino-aprendizagem a
distância, crescentes nas universidades brasileiras, e
da identificação do afastamento do pensamento crítico
no modelo global de educação formal hegemônico.
Dialogamos com pesquisadores que discutem a
educação popular e a utilização de tecnologias nos
processos educacionais, sobretudo, na educação
superior a distância. Ressaltamos a centralidade da
contribuição da teoria e da prática de Paulo Freire
(1979) sobre a função social da educação e a criação de
condições para a formação de sujeitos críticos, ativos
e reflexivos.

Palavras-chave

Educação Popular. TIC. EaD.

1. Mestranda em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Uberlândia, participante do movimento estudantil
e do projeto de extensão “Formação de moradores e moradoras de acampamentos urbanos e rurais para a
construção da cidadania e efetivação dos direitos humanos”. E-mail: flavia_dmc@hotmail.com.

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Challenges for a dialogic education in a technological age
Flávia Gabriella Franco Mariano*

Abstract

This article presents a reflection about the construction


of the dialogic education from the context in which new
information and communication technologies are spread
and appropriated in everyday educational relationships.
We substantiate the importance of critical reflection on
the distance teaching and learning processes, which
are growing in Brazilian universities, and the importance
of the identification of the removal of critical thinking
in the global hegemonic model of formal education.
We dialogue with researchers that discuss popular
education and the use of technology in educational
processes, especially in distance learning in higher
education. We emphasize the centrality of Paulo Freire’s
(1979) theory and practice contribution about the social
function of education and the creation of conditions for
the formation of critical, active and reflective subjects.

Keywords

Popular Education. ICT. Distance Education.

* MSc student in Social Science, Federal University of Uberlândia, State of Minas Gerais, Brazil. She is part of
the student movement and the extension project called “Educating inhabitants of rural and urban camps for
citizenship construction and human right establishment”. E-mail: flavia_dmc@hotmail.com.

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Introdução
As mudanças decorridas da finalidades, formas e instituições sociais que
convencionalmente chamada revolução científica constituem os processos de socialização.
trouxeram outra dimensão de importância Na atualidade, observamos novos modelos
para o conhecimento tecnológico, que passou de socialização e mediações a partir dos
a ser considerado central para o progresso artefatos tecnológicos. As mídias eletrônicas,
capitalista. Conforme aborda Lévy (1999), o sobretudo aquelas ligadas à informática
desenvolvimento da tecnologia promoveu e à internet, assumem cada vez mais
transformações sociais, culturais e econômicas importância nos processos de formação social.
que impactaram significativamente em O uso dessas tecnologias nos processos
todos os campos das relações e atividades de ensino vem modificando o panorama da
humanas, sobretudo por intermédio do uso educação formal. Para se pensar os reflexos
e da propagação de novas tecnologias de da inserção da informática na educação, é
informação e comunicação pelos indivíduos. primordial, primeiramente, compreender
Percebemos que as inovações os dois campos. Dias (2008) coloca a
educacionais decorrentes da utilização de necessidade de conhecer a educação e a
recursos tecnológicos constituem um fenômeno informática, propondo problematizações que,
social mais amplo que o campo educacional, oportunamente, reproduzimos aqui: mas o que
expressando a função social da própria é essa educação que se pretende casar com a
ciência e tecnologia. Os desafios colocados informática? Qual é a sua história? Quais são
para a educação, no âmbito tanto teórico as suas qualidades? Quais são as marcas de
quanto prático, realizam-se no sentido de seu caráter? Qual é a história das tecnologias e
reinterpretar a realidade e apropriar-se dos “quais são suas intenções”? (como os velhos pais
novos modos de apreensão de significados. perguntariam.).
Assim, a análise da utilização das tecnologias Tendo como referencial de função social
na educação deve perpassar a reflexão do sistema educativo a concepção freireana de
crítica sobre os contextos históricos em que humanização e criação de condições para a
ocorrem e as referências e as definições formação de sujeitos críticos, ativos e reflexivos,
referentes ao papel dos agentes educacionais. a educação somente cumpre seu papel
Partindo do entendimento que a quando se posiciona e cria novos espaços. Os
produção e a socialização de saberes assentam educadores não são e não devem ser neutros;
qualquer processo estrutural de redução nosso sistema educacional certamente assume
das desigualdades sociais, o conhecimento posições e concepções parciais. Segundo Freire
e seu acesso devem ser tidos como fatores
(1979),
fundamentais para a construção de uma
educação emancipatória e da transformação O papel do educador problematizador é
social. Dos processos de mudança que operam proporcionar, com os educandos, as condições
na produção tanto material quanto imaterial, em que se dê a superação do conhecimento
a pedagogia deve considerar como objetos e no nível da doxa pelo verdadeiro
como ferramentas as novas possibilidades de conhecimento, o que se dá no nível do logos.
Assim é que, enquanto a prática bancária,
apropriação do conhecimento. como enfatizamos, implica uma espécie
Os diferentes momentos históricos em de anestesia, inibindo o poder criador dos
que se inscreve a vida social produzem distintas educandos, a educação problematizadora, de

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caráter autenticamente reflexivo, implica um noção de educação como mediação para uma
constante ato de desvelamento da realidade. formação humana reflexiva deve se contrapor
A primeira pretende manter a imersão; a
segunda, pelo contrário, busca a emersão à educação inserida na esfera comercial e ao
das consciências, de que resulte sua inserção sistema educativo vinculado aos valores centrais
crítica na realidade. (FREIRE, 1979, p. 35). de formação de força de trabalho técnica em
conformidade com as necessidades do capital
A valorização da educação técnica nos financeiro e empresarial. Conforme argumenta
últimos tempos tem suprimido essa função social Maturana (2001):
da educação. A informática surgiu nessa lógica
como uma tecnologia industrial, tendo sua Sem dúvida, a interconectividade atingida
função historicamente vinculada às necessidades através da Internet é muito maior do que a
que vivemos há cem ou cinquenta anos atrás
do mercado. De acordo com Dias (2008, p. 13), através do telégrafo, radio ou telefone. Todavia
nós ainda fazemos com a Internet nada mais
embora tenha nascido para fazer os cálculos nada menos do que o que desejamos no
de guerra e para atender as necessidades das domínio das opções que ela oferece, e se
indústrias, hoje ela evoluiu e foi apropriada nossos desejos não mudarem nada muda de
por outros setores da economia. Está cada fato, porque continuamos a viver através da
vez mais sendo apropriada pela indústria do mesma configuração de ações (de emocionar)
convencimento, como as TVs, os bancos e as que costumamos viver. (MATURANA, 2001,
agências de indução ao consumo, para formar p. 199).
mentalidades e criar o poder da aceitação de
modelos econômicos. Na verdade, vem se
transformando em um instrumento máximo Nesse sentido, a apropriação tecnológica
de educação. dos recursos de informação e de comunicação
no âmbito educacional deve alinhar-se
Para Gadotti (2000), podemos dizer que necessariamente a um amplo processo pedagógico
estamos em uma era do conhecimento devido intencionalmente refletido e planejado para
à informatização e ao processo de globalização o desenvolvimento da aprendizagem e do
das telecomunicações a ela associado, mesmo compartilhamento de saberes. O papel da
que ainda grande parte da população seja mediação tecnológica no processo pedagógico
excluída desse processo. Entretanto, segundo o é o de contribuir instrumentalmente para a
autor, o que predomina é a difusão de dados construção autônoma, crítica e reflexiva de
e de informações, não de conhecimentos. conhecimentos. Se empregada com fim em si
Ainda que sejam consideráveis os mesma, sob a maquiagem da sofisticação, torna
espaços virtuais de resistência, a difusão de o processo superficial.
informações massificada pela digitalização é É necessário considerar também as
hegemonicamente voltada à reprodução de limitações quanto ao acesso às ferramentas de
concepções dominantes. A sociedade capitalista utilização das novas tecnologias, sobretudo a
globalizada apropria-se desses artefatos para informática. Certamente, é relevante o fato de
a reprodução de valores e sentidos inerentes a inclusão digital ainda estar longe de ser uma
à sustentação da mercantilização e do realidade universal e o acesso amplo ainda ser
consumismo. Assim, a função dos educadores restrito aos grupos sociais médios e dominantes,
perpassa pela apropriação desses significados. aos quais não se atribui primordialmente o
As teorias educacionais devem instituir-se intuito de modificar o status quo. Além disso,
de forma clara na utilização desses recursos estando os meios de comunicação, incluindo a
nos processos de ensino-aprendizagem. A internet, sujeitos às relações globais e desiguais

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de poder, o simples contato com as mídias e a veiculação dos programas de educação a
tecnológicas de comunicação, além de não ser distância, em todos os níveis e modalidades
igualitário, não garante a reflexão crítica acerca de ensino, e de educação continuada”,
das segregações socioeconômicas e culturais sendo regulamentado, em 2005, com o
históricas. A manutenção de desigualdades Decreto nº 5.622 (BRASIL, 2005, p. 1-2).
persiste, inclusive, nos processos educacionais,
Art. 1º Para os fins deste Decreto, caracteriza-
cabendo à ação pedagógica orientar a
se a educação a distância como modalidade
utilização com fins de promover a autonomia. educacional na qual a mediação didático-
Para desenvolver o potencial pedagógica nos processos de ensino e
humanizador da informática, devemos aprendizagem ocorre com a utilização
nos atentar a uma metodologia crítica que de meios e tecnologias de informação e
comunicação, com estudantes e professores
priorize o domínio dos conteúdos específicos
desenvolvendo atividades educativas em
de nossas áreas do conhecimento, a clareza lugares ou tempos diversos.
das problemáticas que estamos refletindo, a
coletividade e a mutualidade na produção § 1º A educação a distância organiza-se
segundo metodologia, gestão e avaliação
do saber, o desenvolvimento de uma prática
peculiares, para as quais deverá estar prevista
pedagógica reflexiva e dialógica, além de a obrigatoriedade de momentos presenciais
um trabalho articulado e cooperativo com as para:
outras áreas do saber (interdisciplinaridade).
I - avaliações de estudantes;
Consideramos salutar que o papel dos
educadores inclua a problematização das II - estágios obrigatórios, quando previstos na
concepções, dos significados e dos valores legislação pertinente;
reproduzidos por meio do acesso às redes III - defesa de trabalhos de conclusão de curso,
tecnológicas de comunicação, apresentando quando previstos na legislação pertinente;
possibilidades de produção de conhecimento
IV - atividades relacionadas a laboratórios de
de forma autônoma.
ensino, quando for o caso.

Educação a distância: desafios Art. 2º A educação a distância poderá ser


pedagógicos ofertada nos seguintes níveis e modalidades
educacionais:

A utilização da informática para a I - educação básica, nos termos do art. 30


promoção da Educação a Distância (EaD), deste Decreto;
especialmente ligada à internet, tem se II - educação de jovens e adultos, nos termos
ampliado nos últimos anos. No Brasil, EaD do art. 37 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro
desenvolveu-se a partir da década de 1960 de 1996;
com a utilização do rádio e da televisão e
III - educação especial, respeitadas as
também por meio de correspondências para especificidades legais pertinentes;
a ministração de aulas. A promulgação da Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional IV - educação profissional, abrangendo os
seguintes cursos e programas:
(LDB 9394/96) regulamenta, pelo Ministério
da Educação (MEC), o oferecimento de a) técnicos, de nível médio; e
cursos de EaD, inclusive nas universidades.
b) tecnológicos, de nível superior;
O Art. 80 da LDB 9394/96 traz que “O
Poder Público incentivará o desenvolvimento V - educação superior, abrangendo os

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seguintes cursos e programas: de ser que são visíveis e, portanto, mais
a) sequenciais;
compreensíveis ao professor e ao educando.

b) de graduação; O ensino envolve sentimentos, emoções. Daí


a necessidade de conhecer e compreender
c) de especialização; motivações, interesses, necessidades dos
alunos diferentes entre si, capacidade de
d) de mestrado; e
comunicação com o mundo do outro,
e) de doutorado. sensibilidade para situar a relação docente
no contexto físico, social e cultural do aluno.
(LIBÂNEO, 2001, p. 88-89).
É necessário, entretanto, considerar
as concepções e os interesses aplicados e
reproduzidos pelo processo educacional Se somente por meio da observação e
formativo e por seus desdobramentos na da interação comunicativa gestual, falada ou
produção do conhecimento tecnológico. expressiva é possível garantir a visualização
Dentre as várias concepções de EaD, é comum e a identificação subjetiva entre os sujeitos,
que os agentes educacionais se relacionem a presencialidade favorece a efetividade da
mediados pelos recursos eletrônicos, participação e o papel ativo dos sujeitos no
separados espacial e temporalmente. Cabe- compartilhamento de saberes, experiências e
nos refletir, à luz das concepções educacionais sentimentos. Entretanto, a presença do professor
apresentadas, as possibilidades e os limites por si só também não é capaz de garantir a
para que tais concepções se concretizem dialogicidade e a construção de conhecimento
em um processo formativo realizado com o a partir da autonomia dos educandos. Uma vez
distanciamento espacial e temporal dos sujeitos. que, em todas as modalidades de educação,
Para Freire (1979), a dialogicidade é predominam as concepções técnicas e
a essência da educação como prática da mercadológicas de ensino-aprendizagem,
liberdade. Nessa perspectiva, o conceito acreditamos ser preciso pensar formas possíveis
abarca dimensões da ação e da reflexão. Ainda para que, sendo técnica a mediação, o professor
segundo o autor, o diálogo é uma relação de não seja somente transmissor de conhecimentos
horizontalidade e, somente a partir dele, ocorre e o educando, receptor destes.
comunicação, sendo indispensável para a O grande desafio dos processos
conscientização libertadora e transformadora. educacionais a distância consiste em diagnosticar
Para tal, temos como necessidade a construção como essa dialogicidade deve ser colocada com
da mutualidade no processo ensino- vistas a fornecer condições para que os professores
aprendizagem e a interação dialógica como ausentes se tornem presentes. Nesses moldes,
alternativa para construir a participação ativa
não são poucas as pesquisas que alertam a
de todos os sujeitos no compartilhamento e
predominância da aprendizagem passiva entre
na produção de significados e conhecimentos. os alunos desta modalidade, absorvendo, ao
Nesse sentido, a educação realizada invés de elaborar, os conteúdos aprendidos.
com a presença física dos sujeitos estabelece (BELONNI, 1999, p. 40).
condições concretas de trocas e inter-relações
diretas entre os indivíduos no processo de Ainda segundo a autora, essa característica
ensino-aprendizagem. Segundo Tardif (2005, p. promove, em grande escala, o desestímulo e o
50), essas interações são mediadas por diversos abandono das aulas por parte dos educandos.
canais: discursos, comportamentos, maneiras Para que o educando seja sujeito da

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aprendizagem, Freire (1979) afirma que o apresenta maiores quantidades e efetividade
processo de ensino deve considerar as atitudes, de ferramentas para o estabelecimento
a identidade, a autonomia, os sentimentos, da comunicação dialógica horizontal nos
e, sobretudo, a autonomia, elemento central processos educativos não presenciais.
para que os oprimidos deixem de hospedar Entretanto, a orientação da utilização desses
o opressor dentro de si e substituam a recursos, na maior parte das vezes, mantém
sombra dos opressores por outro conteúdo. a desconsideração das possibilidades de
Nesse sentido, aprender não significa realização de uma educação emancipatória.
acumular conhecimentos, mas refletir a Conforme Adorno (1996), em tempos de
realidade e produzir saberes. A proposta indústria cultural hegemônica, a substituição
da educação a distância tem como discurso da função de consciência moral do sujeito
central justamente a facilitação da chamada por autoridades externas pode engendrar
“aprendizagem autônoma”. Nesse prisma, o uma dependência de preceitos e de normas
professor deve oferecer recursos e informações que escapam comodamente à racionalidade
para que os educandos possam administrar do indivíduo. Assim, entendemos que as
de forma autônoma os conhecimentos concepções que propõem transformar o
adquiridos. Entretanto, atentamos para que professor em entidade coletiva, mesmo que sob
o discurso da autonomia não se confunda o argumento da autonomia de aprendizagem,
com a prática de autoaprendizagem e de podem contribuir contrariamente para a
individualização de responsabilidades. ausência de autonomia. Nesse contexto,
A escola é uma instituição que, há
cinco mil anos, baseia-se no falar-ditar do a figura do professor passa a se confundir
mestre (LÉVY, 1993). Em consonância com o com um serviço ou com um próprio recurso,
iniciando um processo de coisificação das
modelo educativo hegemônico, os estudos de relações colocadas. (BELLONI, 1999, p. 82).
Sumner (2000) atentam para a predominância
da concepção educativa de transferência e É necessário superar a distância física,
para o acúmulo unidirecional, caracterizada estabelecendo a interação professor-aluno de
por Paulo Freire (1979) como educação modo efetivo através da mediação da tecnologia.
bancária e antidialógica ao longo de toda a Somente assim quaisquer manifestações
história da educação a distância. Desde o técnicas podem contribuir para a transformação
princípio, manteve-se, a ênfase na capacitação da razão recebida em produção de
individualista e instrumental. conhecimentos. Nesses moldes, os professores
não podem se colocar como recursos, mas
Desta maneira, a educação se torna um ato
de depositar, em que os educandos são os
atribuir a si o papel fundamental no processo
depositários e o educador o depositante. educacional-formativo de mediar participação
Em lugar de comunicar-se, o educador faz ativa de todos os sujeitos no compartilhamento
“comunicados” e depósitos que os educandos, e na construção de significados e saberes.
meras incidências, recebem pacientemente,
memorizam e repetem. Eis aí a concepção
A educação libertadora, problematizadora, já
“bancária” da educação, em que a única
não pode ser o ato de depositar, ou de narrar, ou
margem de ação que se oferece aos educandos
de transferir, ou de transmitir “conhecimentos”
é a de receberem os depósitos, guardá-los e
e valores aos educandos, meros pacientes, à
arquivá-los. (FREIRE, 1979, p. 28).
maneia da educação “bancária”, mas um ato
cognoscente. Como situação gnosiológica, em
Nota-se que o avanço tecnológico recente que o objeto cognoscível, em lugar de ser o

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término do ato cognoscente de um sujeito, a educação, por meio da teoria e da prática
é o mediatizador de sujeitos cognoscentes, freireanas da superação da dicotomia vertical
educador, de um lado, educandos, de outro, a
educação problematizadora coloca, desde logo, a
professor-aluno, viabiliza um aporte para o
exigência da superação da contradição educador- necessário reconhecimento de possibilidades
educandos. Sem esta, não é possível a relação de uma prática educativa problematizadora
dialógica. (FREIRE, 1979, p. 34). e libertadora naquela modalidade de ensino.
A horizontalidade no compartilhamento
Acreditamos que, ao refletir a de saberes apresenta-se como princípio
construção dialógica de um processo de fundamental para a construção de um processo
ensino-aprendizagem a distância, é necessário em que o educando não seja mero receptor, mas
considerar fundamentalmente a análise construtor de conhecimento. A horizontalidade
conjuntural do afastamento do pensamento e o compartilhamento são bases necessárias
crítico na educação formal como um todo. para que a prática educativa seja para os sujeitos
Diante disso, acreditamos que orientar as um relacionamento dialético que envolve,
reflexões sobre apropriação tecnológica para inerentemente, reflexão crítica e prática social.

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