Você está na página 1de 27
Seediscussions,stats,andauthorprofilesforthispublicationat: https://www.researchgate.net/publication/282250797 Soluções

Seediscussions,stats,andauthorprofilesforthispublicationat:https://www.researchgate.net/publication/282250797

TechnicalReport·October1999

DOI:10.13140/RG.2.1.2485.8082

CITATIONS

0

1author:

DOI:10.13140/RG.2.1.2485.8082 CITATIONS 0 1author: JorgedeBrito UniversityofLisbon 1,218 PUBLICATIONS 7,931

1,218 PUBLICATIONS 7,931 CITATIONS

READS

498

Someoftheauthorsofthispublicationarealsoworkingontheserelatedprojects:

MAEC-PortugueseMethodforBuildingsConditionAssessment Viewproject Viewproject

CopperSlag Viewproject Viewproject

AllcontentfollowingthispagewasuploadedbyJorgedeBritoon28September2015.

Theuserhasrequestedenhancementofthedownloadedfile.

INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO

MESTRADO AVANÇADO EM CONSTRUÇÃO E REABILITAÇÃO

CADEIRA DE CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS

SOLUÇÕES NÃO TRADICIONAIS DE ESCADAS

Jorge de Brito

CADEIRA DE CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS SOLUÇÕES NÃO TRADICIONAIS DE ESCADAS Jorge de Brito Outubro de 1999

Outubro de 1999

ÍNDICE

1. Introdução

1

2. Pré-fabricação de escadas

4

3. Escadas em betão armado

6

 

3.1. Escadas de troços rectilíneos

7

3.2. Escadas em caracol

13

4.

Escadas em madeira

14

4.1. Escadas de troços rectilíneos

14

4.2. Escadas em caracol

16

5. Escadas metálicas

17

6. Escadas mistas

19

7. Bibliografia

20

Instituto Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

Instituto Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

SOLUÇÕES NÃO TRADICIONAIS DE ESCADAS

1.

INTRODUÇÃO

As escadas, elemento da construção comum a qualquer tipo de edifício com mais de um piso, podem ser definidas como elemento resistente constituído por uma série de degraus para subir e descer ligando desníveis de pavimentos ou de terreno. Podendo ser fixas ou amovíveis (consoante podem ou não ser removidas se essa necessidade surgir), interiores ou exteriores (consoante a sua situação relativamente ao espaço habitado do edifício) tomam diferentes formas conforme o espaço onde são inseridas e o tipo de utilização pretendida (Fig. 1). Assim as formas mais correntes são a escada de um só lanço rectilíneo (Fig. 1, à esquerda), as escadas de dois a quatro lanços rectilíneos e ortogonais (Fig. 1, ao centro) e a escada em caracol (Fig. 1, à direita). No entanto, só a imaginação dos arquitectos, a capacidade dos engenheiros e construtores e as características dos materiais são limites às formas que as escadas podem assumir, conforme a foto da capa, de uma escada helicoidal no Museu do Louvre em Paris, pode demonstrar.

helicoidal no Museu do Louvre em Paris, pode demonstrar. Fig. 1 [1] - Representação esquemática em
helicoidal no Museu do Louvre em Paris, pode demonstrar. Fig. 1 [1] - Representação esquemática em
helicoidal no Museu do Louvre em Paris, pode demonstrar. Fig. 1 [1] - Representação esquemática em

Fig. 1 [1] - Representação esquemática em planta de diversas formas correntes de escadas

Nas escadas, existem duas zonas tipo: os lanços, troços inclinados nos quais estão implantados os degraus (podendo o primeiro ser designado como de arranque), e os patamares, troços horizontais e sem degraus (podendo o último ser designado como de desembarque ou cimeiro). Por outro lado, os degraus propriamente ditos são constituídos pelo cobertor (ou planta), a parte horizontal onde apoiam os pés dos utentes, e pelo espelho, a parte

1

Instituto Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

vertical, que define a altura do degrau e que nalguns casos poderá ser suprimida. Ambas estas partes são frequentemente revestidas (a pedra, madeira ou outros materiais) com materiais diferentes dos que constituem a estrutura da escada.

É frequente distinguir as soluções construtivas das escadas em dois tipos: as tradicionais e as não tradicionais, por vezes também designadas por pré-fabricadas ou racionalizadas. As primeiras correspondem, no caso dos edifícios correntes, a escadas em betão armado executadas no próprio local de implantação das mesmas, com o auxílio de cofragens e escoramentos, sendo as armaduras montadas e o betão colocado in-situ. Estas soluções apresentam ainda a característica de normalmente serem monolíticas com as lajes, vigas ou paredes a que se ligam e em que se apoiam, funcionando geralmente como lajes maciças de funcionamento unidimensional e simplesmente apoiadas em ambos os apoios de extremidade. Não estão incluídas no âmbito deste documento.

As soluções não tradicionais de escadas são entendidas neste documento como as soluções em betão armado pré-fabricadas em fábrica ou em estaleiro (em qualquer dos casos fora do seu futuro local de implantação), assim como todas as soluções em que o material estrutural principal não é o betão armado (madeira, aço, alumínio ou a junção destes materiais entre si ou com o betão), independentemente do facto de serem pré-fabricadas ou não, ainda que a primeira opção seja de longe a mais corrente em edifícios correntes com este tipo de materiais.

Este documento pretende servir de apoio aos alunos do Mestrado Avançado em Construção e Reabilitação do Instituto Superior Técnico na Cadeira de Construção de Edifícios. Foca parte do capítulo dessa mesma cadeira dedicado às soluções não tradicionais de pavimentos e escadas que, tal como toda a restante matéria, se restringe fundamentalmente aos edifícios correntes.

O documento aborda fundamentalmente a descrição das soluções existentes e dos processos construtivos associados às soluções não tradicionais de escadas, independentemente do facto de estas técnicas serem, no cômputo geral dos edifícios correntes, relativamente pouco utilizadas.

2

Instituto Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

A elaboração deste documento não resultou de investigação específica sobre o tema efectuada pelo seu Autor mas sim de alguma pesquisa bibliográfica e de monografias escritas realizadas por alunos do Instituto Superior Técnico, no Mestrado em Construção. Assim, muita da informação nele contida poderá também ser encontrada nos seguintes textos, que não serão citados ao longo do texto:

Anaíza Hassam, “Sistemas Não Tradicionais de Escadas”, Monografia apresentada no Mestrado em Construção, Instituto Superior Técnico, 1999, Lisboa;

Filomena Carvalho, “Soluções Não Tradicionais de Escadas. Soluções à Base de Pré- Fabricação em Betão, Metálicas e em Madeira”, Monografia apresentada no Mestrado em Construção, Instituto Superior Técnico, 1999, Lisboa.

3

Instituto Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas

2. PRÉ-FABRICAÇÃO DE ESCADAS

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

Uma definição possível de pré-fabricação é o fabrico de elementos em local exterior ao local da obra, normalmente em série, cuja montagem e ligação à restante construção é executada no local da obra segundo um plano ou modelo pré-determinado. Esta noção, susceptível de ser aplicada a um conjunto alargado de elementos da construção (pavimentos, painéis exteriores e interiores, platibandas, etc.), tem tido uma divulgação relativamente restrita no nosso País no que se refere às escadas de edifícios correntes.

Apesar disso, existe uma indústria produtora destes elementos, tanto em betão armado (a solução mais difundida para escadas de dimensões médias a grandes com sobrecargas significativas) como em madeira, aço, alumínio ou um misto destes materiais (sobretudo em comunicações verticais no interior de um mesmo espaço habitado). As formas adoptadas são as utilizadas também nas escadas tradicionais (Fig. 1), a que se podem juntar algumas outra, executadas por encomenda por empresas da especialidade: escada curva (Fig. 2, à esquerda) e mista rectilínea - curva (Fig. 2, à direita).

esquerda) e mista rectilínea - curva (Fig. 2, à direita). Fig. 2 [1] - Formas menos
esquerda) e mista rectilínea - curva (Fig. 2, à direita). Fig. 2 [1] - Formas menos

Fig. 2 [1] - Formas menos correntes de escadas pré-fabricadas (representação em planta)

As vantagens da pré-fabricação de escadas são as seguintes:

a boa integração numa concepção racionalizada (modular) da arquitectura do edifício;

a repetitividade de processos, que se reflecte em melhor qualidade a prazo e diminuição do tempo de execução;

4

Instituto Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

a rapidez de execução (encomenda, transporte e colocação), com clara vantagem em locais desabrigados quando as condições climatéricas não são favoráveis;

o melhor controlo de qualidade dos materiais, processos de execução e dimensões;

o facto de as escadas não ocuparem espaço em estaleiro, na medida em que podem ser instaladas assim que chegam da fábrica.

Apresenta, no entanto, algumas desvantagens:

dificuldades de transporte da fábrica para a obra e na movimentação dentro desta nas soluções em betão armado ou de grandes dimensões, obrigando à mobilização de equipamento adequado;

independentemente do peso, a movimentação na obra torna-se difícil e susceptível de produzir danos (na própria escada ou nos elementos da construção já colocados) para escadas de grandes dimensões, sobretudo quando já foram executadas as paredes divisórias ou quando se pretende instalar a escada num piso intermédio; esta questão obriga a um bom planeamento, ao nível das encomendas mas não só;

é frequente surgirem dificuldades de compatibilização dimensional entre as escadas e os negativos deixados na obra para as mesmas assim como os pés direitos reais, dificuldades estas de resolução extremamente difícil e onerosa;

como em toda a pré-fabricação, as ligações são fonte de um conjunto de problemas estruturais e de durabilidade;

necessidade de grandes investimentos iniciais.

Subjacente ao conceito da pré-fabricação, estão os seguintes:

reutilização das cofragens (em betão armado), com grande rotatividade das mesmas;

assemblagem de um conjunto restrito de elementos de base para dar origem a uma variedade de formas finais;

processo de produção programado;

processo de cura normalizado (em betão armado).

5

Instituto Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas

3. ESCADAS EM BETÃO ARMADO

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

De entre as escadas pré-fabricadas, aquelas que têm maior aplicação em edifícios correntes em Portugal são as executadas em betão armado. Há várias razões para esta tendência: a inegável implantação que este material estrutural tem em toda a construção; a facilidade de ajuste a pequenas variações dimensionais, existente em todas os projectos, desde que detectadas antes da encomenda para fábrica; a elevada resistência destas soluções, indispensável quando a sobrecarga de utilização é também elevada. No entanto, as escadas feitas com este material têm também alguns inconvenientes: são soluções geralmente fixas, o que torna difícil posteriores variações de utilização dos espaços; originam peças muito pesadas, com todos os inconvenientes associados, tanto no transporte e movimentação, na fábrica e na obra, como nas cargas que introduzem na restante estrutura; alguma dificuldade de adaptação a pequenos espaços.

Do ponto de vista da forma de fabrico, é possível classificar os sistemas de pré-fabricação em betão em duas classes:

cofragens fixas, em que o equipamento de distribuição e vazamento do betão se desloca ao longo das cofragens para as encher; o elemento permanece na cofragem até que o betão faça presa e só depois é levado para armazenamento;

instalação de betonagem fixa, em que as cofragens são colocadas sobre mesas que se deslocam, passando pelo equipamento de betonagem para serem enchidas.

Na desmoldagem, o ideal é que a escada seja colocada praticamente na vertical, apoiada sobre um dos lados, para evitar a formação de fissuras e economizar armadura. Para tal, pode-se recorrer a um sistema, em a escada é betonada logo nessa posição e em que um dos painéis é içado lateralmente, ou a um outro, em que a escada é betonada na horizontal e um dos painéis bascula lateralmente em torno de uma charneira.

Como já foi referido, a pré-fabricação é muito sensível a incompatibilidades geométricas detectadas apenas durante a construção. Daí que haja necessidade de definir de forma extremamente rigorosa (ao milímetro, quando normalmente essa definição é feita no betão

6

Instituto Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

armado ao centímetro) todas as dimensões dos elementos estruturais assim como o posiciona- mento dos elementos de ligação (Fig. 3). Não obstante este cuidado, é indispensável que os moldes consagrem um conjunto de tolerâncias compatíveis com as condições de execução.

O dimensionamento de elementos pré-fabricados obriga à consideração das fases de

transporte e colocação in-situ. Neste sentido, torna-se necessário ter em conta, em particular os aspectos seguintes: adesão aos moldes; transporte em posição diferente da do funcionamento na situação final; efeitos dinâmicos.

No que se refere à fase definitiva, as soluções pré-fabricadas não apresentam grandes novidades em relação tradicionais do mesmo tipo estrutural. Assim, nas escadas de troços rectilíneos, o esquema de cálculo de esforços e dimensionamento tem o aspecto apresentado na Fig. 4, à esquerda, ou seja, laje maciça simplesmente apoiada e armada numa só direcção. Nas escadas em caracol ou em situações em que o apoio seja assimétrico (Fig. 13, à esquerda), poderá haver necessidade de verificar a escada como um todo ou os degraus à torção. Na solução apresentada na Fig. 15, os degraus apenas têm de ser calculados como consolas encastradas no eixo central. O dimensionamento tem ainda que ser estendido a certos elementos de importância secundária em termos macro-estruturais (consolas curtas - Fig. 4, à direita, ancoragens, etc.).

As duas soluções mais correntes na pré-fabricação de escadas em betão armado em Portugal

são a escada composta por troços rectilíneos e a escada em caracol. Ambas serão focadas neste documento, sobretudo no que se refere ao processo construtivo.

3.1. ESCADAS DE TROÇOS RECTILÍNEOS

Em termos geométricos, existem fundamentalmente duas opções: uma em que tanto os lanços como os patamares são pré-fabricados e monolíticos entre si (pré-fabricação total - Fig. 5, à esquerda) e outra em que apenas os lanços são pré-fabricados (pré-fabricação parcial) e são apoiados em patamares, vigas ou paredes betonados in-situ (Fig. 5, à direita).

7

Instituto Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito Fig. 3 - Desenho de projecto de

Fig. 3 - Desenho de projecto de um lanço pré-fabricado de uma escada em betão armado

de um lanço pré-fabricado de uma escada em betão armado t máx Diagrama a considerar para
de um lanço pré-fabricado de uma escada em betão armado t máx Diagrama a considerar para
t máx
t máx

Diagrama a considerar para dimensionamento da consola curta da escada

Fig. 4 - Esquema geral de dimensionamento de escadas de troços rectilíneos (à esquerda) e esquema de dimensionamento das zonas de apoio (à direita)

e esquema de dimensionamento das zonas de apoio (à direita) Fig. 5 - Escadas pré-fabricadas de
e esquema de dimensionamento das zonas de apoio (à direita) Fig. 5 - Escadas pré-fabricadas de

Fig. 5 - Escadas pré-fabricadas de troços rectilíneos em betão armado

O processo construtivo de escadas pré-fabricadas é semelhante ao das escadas fabricadas in- situ com as diferenças que decorrem da existência de melhores condições para o controlo de qualidade, de moldes, armaduras, dimensões e processos normalizados e da necessidade de armazenamento posterior ao fabrico. O processo será ilustrado com base nos elementos fotográficos obtidos numa fábrica da especialidade que forneceu as escadas de um edifício de habitação social em Lisboa.

8

Instituto Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

O

primeiro passo é a indicação dada pelo projectista ou pelo empreiteiro do desnível a vencer

e

das dimensões dos degraus e patamares (recorde-se que a cofragem - Fig. 6, neste caso

mista metálica - madeira - Fig. 7, à esquerda, permite algum grau de adaptação às necessidade específicas de cada obra). Passa-se à montagem da armadura (Fig. 7, à direita), feita de forma automatizada em máquinas adequadas, também permitindo alguns ajustes dimensionais.

Passa-se à betonagem da escada, à vibração para compactação do mesmo e ao alisamento a talocha das superfícies lisas dos patamares e degraus (Fig. 8, à esquerda). Segue-se um processo de cura normalizado. Em face da forma complexa destas peças, é indispensável utilizar óleos descofrantes durante a desmoldagem, por forma a minimizar as forças de adesão aos moldes e, portanto, os esforços não previstos nas peças durante esta operação. A armazenagem dos elementos prontos é objecto de particular cuidado, procurando que estes fiquem na posição em que ficarão no seu local definitivo (Fig. 8, à direita). Em obra, estes procedimentos são um pouco descuidados (Fig. 5), ainda que se procure evitar esforços (locais ou globais) nos elementos para os quais estes não foram concebidos.

Para permitir a movimentação da escada, quer na fábrica quer na obra, são previstos ganchos nos patamares (Fig. 9, à esquerda). O transporte da fábrica para a obra á feito em camiões providos de cavaletes apropriados para minimizar as acções a que ficam sujeitas as escadas durante esta operação. A colocação em obra (pela abertura existentes no último piso) é feita com o auxílio de uma grua e requer cuidados especiais, para não introduzir nas escadas esforços não previstos no cálculo e para não as danificar por choque ou a outros elementos já instalados.

Passa-se à ligação da escada pré-fabricada à estrutura executada in-situ. Os lanços de escada com patamar apoiam em consolas curtas (cachorros) dimensionadas para o efeito (Fig. 9, à direita). Por sua vez, os lanços intermédios sem patamar apoiam nos lanços com patamar através de um sistema de ligação à base de ferrolhos (Fig. 10). Numa fase intermédia em que os ferrolhos ainda não estão selados com resina epoxi, convém escorar a escada (Fig. 11, à esquerda). As juntas entre os elementos estruturais executados in-situ e os pré-fabricados são preenchidas com uma argamassa não retráctil (Fig. 11, à direita).

9

Instituto Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito Fig. 6 - Vista geral da cofragem

Fig. 6 - Vista geral da cofragem (parte metálica) antes da montagem da cofragem de madeira dos espelhos dos degraus

da montagem da cofragem de madeira dos espelhos dos degraus Fig. 7 - À esquerda, pormenor
da montagem da cofragem de madeira dos espelhos dos degraus Fig. 7 - À esquerda, pormenor

Fig. 7 - À esquerda, pormenor da cofragem mista metálica - madeira e; à direita, armadura das escadas já montada e pronta a ser colocada

armadura das escadas já montada e pronta a ser colocada Fig. 8 - À esquerda, betonagem
armadura das escadas já montada e pronta a ser colocada Fig. 8 - À esquerda, betonagem

Fig. 8 - À esquerda, betonagem de um lanço e, à direita, forma de armazenamento correcto em fábrica das escadas pré-fabricadas

10

Instituto Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas

Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito Fig. 9 - À esquerda, ganchos para

Fig. 9 - À esquerda, ganchos para movimentação das escadas e ferrolhos de ligação aos lanços e, à direita, cachorro para apoio dos lanços com patamar

reservas de ligação (pelo menos duas na largura do lanço)

ferrolho
ferrolho
patamar
patamar
(pelo menos duas na largura do lanço) ferrolho patamar gancho emergente do patamar Fig. 10 -

gancho emergente do patamar

Fig. 10 - Esquema dos ferrolhos na zona de apoio dos lanços nos patamares (pré-fabricados ou não)

Fig. 10 - Esquema dos ferrolhos na zona de apoio dos lanços nos patamares (pré-fabricados ou
Fig. 10 - Esquema dos ferrolhos na zona de apoio dos lanços nos patamares (pré-fabricados ou

11

Instituto Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

Fig. 11 - À esquerda, escoramento das escadas numa fase provisória e, À direita, junta entre escada pré-fabricada e parede betonada in-situ

O exemplo apresentado não esgota de forma alguma as soluções pré-fabricadas de escadas de

troços rectilíneos (Fig. 12 e 13). O exemplo da Fig. 13, à direita, merece uma alusão especial,

já que se trata de uma utilização particular da solução da pré-laje, normalmente utilizada em

pavimentos horizontais. Tanto a parte superior do patim como os degraus têm de ser betonados in-situ, pelo que se trata de uma solução de pré-fabricação parcial. Pelo contrário, noutras soluções até os degraus são pré-fabricados (Fig. 14), mesmo não contribuindo para a resistência da escada como um todo, sendo posteriormente fixados à estrutura.

como um todo, sendo posteriormente fixados à estrutura. Fig. 12 [1] - Exemplos de escadas pré-fabricadas
como um todo, sendo posteriormente fixados à estrutura. Fig. 12 [1] - Exemplos de escadas pré-fabricadas

Fig. 12 [1] - Exemplos de escadas pré-fabricadas de troços rectilíneos

Exemplos de escadas pré-fabricadas de troços rectilíneos Fig. 13 - Escada com degraus apoiados em pinos
Exemplos de escadas pré-fabricadas de troços rectilíneos Fig. 13 - Escada com degraus apoiados em pinos

Fig. 13 - Escada com degraus apoiados em pinos [2] (à esquerda) e escada executada com pré-laje (à direita)

12

Instituto Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas

Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito Fig. 14 [2] - Exemplos de degraus

Fig. 14 [2] - Exemplos de degraus pré-fabricados

3.2. ESCADAS EM CARACOL

A opção por uma escada em caracol prende-se normalmente com aspectos de ordem

arquitectónica e com a exiguidade do espaço disponível em planta para a comunicação

vertical. Em face dessas limitações, a solução é normalmente circunscrita a escadas interiores

em

duplex.

Os

degraus (Fig. 15, à esquerda) apresentam medidas normalizadas, sendo o maior ou menor

desnível vencido através de um número variável de peças acopladas. O eixo central pode ser também pré-fabricado (e depois fixado convenientemente à base com chumbadouros) ou executado in-situ.

No fabrico dos elementos constituintes da escada, recorre-se a moldes de madeira e seus derivados, os quais permitem obter a forma pretendida com relativa facilidade. Periodicamente, o sistema de cofragem é revisto com vista a garantir a qualidade do elemento pré-fabricado. As armaduras dos degraus (Fig. 15, à direita) são fabricadas de forma automatizada. Na betonagem, feita por processos normalizados, pode-se recorrer a betão branco para conseguir um efeito estético agradável.

13

Instituto Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas

Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito Fig. 15 - À esquerda, armazenamento de

Fig. 15 - À esquerda, armazenamento de degraus de escada em caracol e, à direita, armaduras desses mesmos degraus

14

Instituto Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas

4. ESCADAS EM MADEIRA

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

As escadas pré-fabricadas em madeira ou em derivados da madeira possuem algumas características comuns às escadas metálicas e às mistas, ou seja, aquelas em dois ou mais materiais são utilizados na superestrutura da escada e/ou dos degraus, que as separam das escadas pré-fabricadas em betão armado. São muito mais leves, com todas as vantagens que daí advêm. Por outro lado, têm geralmente uma capacidade de escoamento de pessoas substancialmente inferior, o mesmo se passando com a resistência e a sobrecarga admissível. São com frequência amovíveis, o que permite remodelações do espaço ao longo do tempo. Finalmente, ocupam um espaço relativamente pequeno em planta, sobretudo nas versões em caracol. A estas características, dever-se-á juntar, no caso particular da madeira, um inegável conforto estético e visual. Por todas estas razões, a sua utilização é propícia em acessos verticais dentro do mesmo espaço habitado (uma loja com mais de um piso, um apartamento duplex, etc.), ou seja, em escadas interiores, mas não em escadas comuns a várias entidades.

Não faz parte do âmbito deste documento ou da cadeira na qual ele se insere a descrição dos processos tecnológicos associados às construções em madeira ou metálicas, pelo que esses aspectos não serão tratados na descrição das soluções de pré-fabricação de escadas com esses materiais. Quanto ao dimensionamento, ele é feito pelo fabricante, limitando-se o técnico projectista a consultar os prospectos comerciais, apresentados por vezes sob a forma de tabelas de “cálculo”. Tal como para as escadas em betão armado, as duas soluções mais correntes em madeira são a escada em troços rectilíneos e a escada em caracol.

4.1. ESCADAS DE TROÇOS RECTILÍNEOS

De entre as muitas soluções disponíveis no mercado, seleccionou-se uma [3] concebida à base de peças que são acopladas formando uma trave de apoio dos degraus (Fig. 16, à esquerda). As guardas, em madeira ou metálicas, estão dispostas de forma a contribuírem para a estabilidade do conjunto, possibilitando o apoio dos degraus superiores sobre os inferiores.

As peças que formam a trave ligam-se por meio de parafusos e ferrolhos e são conveniente- mente fixadas aos pavimentos (superior e inferior) do desnível. Aproximadamente de metro a

15

Instituto Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

metro, colocam-se também apoios que são fixados à trave e à parede por meio de peças metálicas. Existe um conjunto alargado de componentes fixas e opcionais (Fig. 16, à direita).

de componentes fixas e opcionais (Fig. 16, à direita). Fig. 16 [3] - Vista geral e
de componentes fixas e opcionais (Fig. 16, à direita). Fig. 16 [3] - Vista geral e

Fig. 16 [3] - Vista geral e mostra de componentes de escada pré-fabricada em madeira, rectilínea e de um só tramo

pré-fabricada em madeira, rectilínea e de um só tramo Fig. 17 - Exemplos de escadas em
pré-fabricada em madeira, rectilínea e de um só tramo Fig. 17 - Exemplos de escadas em
pré-fabricada em madeira, rectilínea e de um só tramo Fig. 17 - Exemplos de escadas em
pré-fabricada em madeira, rectilínea e de um só tramo Fig. 17 - Exemplos de escadas em

Fig. 17 - Exemplos de escadas em caracol em madeira ou derivados; à esquerda, fixação do prumo central ao pavimento

4.2. ESCADAS EM CARACOL

16

Instituto Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

Existe uma infinidade de soluções de escadas em caracol em madeira ou derivados da mesma (Fig. 17). De entre estas, seleccionou-se uma [3] (Fig. 17, segunda a contar da esquerda), em que o eixo central é constituído por um prumo de madeira (ou metálico), fixado ao pavimento com buchas e parafusos (Fig. 17, à esquerda), onde são acoplados os cilindros ocos e os degraus num sistema macho - fêmea. A estes últimos são fixadas as peças que constituem a guarda (também por meio de parafusos). Os degraus apresentam medidas normalizadas (o diâmetro da escada pode variar entre 1.00 e 2.00 m), sendo o desnível vencido através de um número variável de degraus acoplados. O último degrau da escada possui um sistema de fixação ao pavimento (com chapa metálica e parafusos) que tem por objectivo garantir a segurança e solidez do conjunto.

17

Instituto Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas

5. ESCADAS METÁLICAS

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

As escadas metálicas apresentam em relação às escadas em madeira a vantagem da resistência acrescida e, desde que protegidas, uma menor sensibilidade aos agentes atmosféricos, nomeadamente a água, mas perdem em termos de conforto visual. No entanto, as muitas soluções existentes permitem dar um bom enquadramento estético a este tipo de escadas (Fig. 18 e 19). Tal como para os outros materiais, as duas formas mais correntes de escadas metálicas são a escada de troços rectilíneos (Fig. 18) e a escada em caracol (Fig. 19), com forte predominância destas últimas em edifícios correntes.

De entre as escadas metálicas, há que distinguir fundamentalmente as de perfilados de aço e as de ligas de metais leves como o alumínio. As primeiras, exigem pelo seu peso elevado meios de transporte e manuseamento mais pesados e necessitam de ser protegidas periodicamente contra a corrosão. As segundas podem ser facilmente manuseadas, praticamente não precisam de manutenção e permitem a correcção de eventuais empenamentos em obra, embora o preço seja um inconveniente e a resistência seja um pouco menor.

A escada da Fig. 19, à esquerda, disponível em diâmetros entre 1.00 e 1.50 m, corresponde a um sistema em tudo semelhante ao descrito nas escadas em caracol em madeira. O prumo é sempre metálico, tal como os degraus. O guarda-corpos é composto por balaustradas metálicas, fixas ao degrau, com corrimão do mesmo material.

18

Instituto Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito Fig. 18 - Exemplo de escadas metálicas

Fig. 18 - Exemplo de escadas metálicas de troços rectilíneos: Instituto do Mundo Árabe em Paris

de troços rectilíneos: Instituto do Mundo Árabe em Paris Fig. 19 - Exemplos de escadas metálicas
de troços rectilíneos: Instituto do Mundo Árabe em Paris Fig. 19 - Exemplos de escadas metálicas
de troços rectilíneos: Instituto do Mundo Árabe em Paris Fig. 19 - Exemplos de escadas metálicas

Fig. 19 - Exemplos de escadas metálicas em caracol

19

Instituto Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas

6. ESCADAS MISTAS

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

As escadas mistas são aquelas em que os materiais estruturais, ou seja, os que não têm exclusivamente a função de revestimento, são mais do que um. As razões desta associação são várias: opções arquitectónicas / estéticas, aproveitamento das características mais propícias de cada material, factores económicos e outras. Não apresentam novidades em termos de forma (os sistemas da Fig. 16, à esquerda, e da Fig. 20, ao centro, apenas diferem entre si no material de que é feita a trave, que passe de madeira a aço), de processo construtivo ou ainda de dimensionamento estrutural. As associações materiais podem ser: metálicas - madeira (Fig. 20), metálicas - mármore (Fig. 21), metálicas - betão, betão - madeira, metálicas - polímeros ou outras.

betão - madeira, metálicas - polímeros ou outras. Fig. 20 - Exemplos de escadas mistas metálicas
betão - madeira, metálicas - polímeros ou outras. Fig. 20 - Exemplos de escadas mistas metálicas
betão - madeira, metálicas - polímeros ou outras. Fig. 20 - Exemplos de escadas mistas metálicas

Fig. 20 - Exemplos de escadas mistas metálicas (vigamento) - madeira (degraus) de troços rectilíneos

ou outras. Fig. 20 - Exemplos de escadas mistas metálicas (vigamento) - madeira (degraus) de troços
ou outras. Fig. 20 - Exemplos de escadas mistas metálicas (vigamento) - madeira (degraus) de troços

20

Instituto Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

Fig. 21 - Exemplo (IST) de escada mista metálica (2 vigas reticuladas) - mármore (degraus)

21

Instituto Superior Técnico Soluções não tradicionais de escadas

7.

BIBLIOGRAFIA

Cadeira de Construção de Edifícios por Jorge de Brito

Nota: as referências bibliográficas indicadas de seguida não incluem as referidas no capítulo de introdução a este documento, assim como um número não especificado de sites da Internet e catálogos comerciais.

[1] José Igoa, “Escadas - Traçado, Cálculo e Construção”, Plátano Edições Técnicas, 4ª Edição, 1996. [2] Raymond Chaise, “Les Escaliers en Béton Armé”, Les Dossiers de Construire, Dunod. [3] Pereira da Costa, “Enciclopédia da Construção Civil. Escadas de Madeira”, Portugália Editora.

22