Você está na página 1de 8

Os poderes de que dotada a Administração Pública são necessários e proporcionais às funções à mesma

determinados. Em outras palavras, a Administração Pública é dotada de poderes que se constituem em


instrumentos de trabalho.
Os poderes administrativos surgem com a Administração e se apresentam conforme as demandas dos serviços
públicos, o interesse público e os fins aos quais devem atingir. São classificados em poder vinculado e poder
discricionário, segundo a necessidade de prática de atos, poder hierárquico e poder disciplinar, de acordo com a
necessidade de se organizar a Administração ou aplicar sanções aos seus servidores, poder regulamentar para
criar normas para certas situações e poder de polícia, quando necessário se faz a contenção de direitos individuais
em prol da coletividade.

Poder hierárquico.
Poder hierárquico é o de que dispõe o Executivo para organizar e distribuir as funções de seus órgãos,
estabelecendo a relação de subordinação entre o servidores do seu quadro de pessoal.
Inexistente no Judiciário e no Legislativo, a hierarquia é privativa da função executiva, sendo elemento típico da
organização e ordenação dos serviços administrativos.
O poder hierárquico tem como objetivo ordenar, coordenar, controlar e corrigir as atividades administrativas, no
âmbito interno da Administração Pública. Ordena as atividades da administração ao repartir e escalonar as
funções entre os agentes do Poder, de modo que cada qual exerça eficientemente o seu cargo, coordena na busca
de harmonia entre todos os serviços do mesmo órgão, controla ao fazer cumprir as leis e as ordens e acompanhar
o desempenho de cada servidor, corrige os erros administrativos dos seus inferiores, além de agir como meio de
responsabilização dos agentes ao impor-lhes o dever de obediência.
Pela hierarquia é imposta ao subalterno a estrita obediência das ordens e instruções legais superiores, além de se
definir a responsabilidade de cada um.
Do poder hierárquico são decorrentes certas faculdades implícitas ao superior, tais como dar ordens e fiscalizar o
seu cumprimento, delegar e avocar atribuições e rever atos dos inferiores.
Quando a autoridade superior dá uma ordem, ela determina, de maneira específica, os atos a praticar ou a
conduta a seguir em caso concreto. Daí é decorrente o dever de obediência.
Já a fiscalizar é o poder de vigiar permanentemente os atos praticados pelos seus subordinados. Tal se dá com o
intuito de mantê-los de acordo com os padrões legais regulamentares instituídos para a atividade administrativa.
Delegar é conferir a outrem delegações originalmente competentes ao que delega. No nosso sistema não se
admitem delegações entre os diferentes poderes, nem de atos de natureza política.
As delegações devem ser feitas nos casos em que as atribuições objeto das primeiras forem genéricas e não
fixadas como privativas de certo executor.
Avocar é trazer para si funções originalmente atribuídas a um subordinado. Nada impede que seja feita,
entretanto, deve ser evitada por importar desprestígio ao seu inferior.
Rever os atos dos inferiores hierárquicos é apreciar tais atos em todos os seus aspectos para mantê-los ou
invalidá-los.
MEIRELLES destaca subordinação de vinculação administrativa. A subordinação é decorrente do poder
hierárquico e admite todos os meios de controle do superior sobre o inferior. A vinculação é resultante do poder
de supervisão ministerial sobre a entidade vinculada e é exercida nos limites que a lei estabelece, sem retirar a
autonomia do ente supervisionado.

Poder disciplinar.
Faculdade de punir internamente as infrações funcionais dos servidores, o poder disciplinar é exercido no âmbito
dos órgãos e serviços da Administração. É considerado como supremacia especial do Estado.
Correlato com o poder hierárquico, o poder disciplinar não se confunde com o mesmo. No uso do primeiro a
Administração Pública distribui e escalona as suas funções executivas. Já no uso do poder disciplinar, a
Administração simplesmente controla o desempenho dessas funções e a conduta de seus servidores,
responsabilizando-os pelas faltas porventura cometidas.
Marcelo CAETANO já advertia:
"o poder disciplinar tem sua origem e razão de ser no interesse e na necessidade de aperfeiçoamento
progressivo do serviço público."
O poder disciplinar da Administração não deve ser confundido com o poder punitivo do Estado , realizado por
meio da Justiça Penal. O disciplinar é interno à Administração, enquanto que o penal visa a proteger os valores e
bens mais importantes do grupo social em questão.
A punição disciplinar e a penal têm fundamentos diversos. A diferença é de substância e não de grau.

Poder regulamentar.
Poder regulamentar é o poder dos Chefes de Executivo de explicar, de detalhar a lei para sua correta execução,
ou de expedir decretos autônomos sobre matéria de sua competência ainda não disciplinada por lei. É um poder
inerente e privativo do Chefe do Executivo. É, em razão disto, indelegável a qualquer subordinado.
O Chefe do Executivo regulamenta por meio de decretos. Ele não pode, entretanto, invadir os espaços da lei.
MEIRELLES conceitua que regulamento é ato administrativo geral e normativo, expedido privativamente pelo
Chefe do Executivo, por meio de decreto, visando a explicar modo e forma de execução da lei (regulamento de
execução) ou prover situações não disciplinadas em lei (regulamento autônomo ou independente).

Poder de polícia
MEIRELLES conceitua: "Poder de polícia é a faculdade de que dispõe a Administração Pública para condicionar
e restringir o uso e gozo de bens, atividades e direitos individuais, em benefício da coletividade ou do próprio
Estado".
Explica o autor que poder de polícia é o mecanismo de frenagem de que dispõe a Administração Pública para
conter os abusos do direito individual.
Já em relação à polícia sanitária, não há como se medir o seu campo de atuação.
Podemos falar a respeito das situações de perigo presente ou futuro que lesem ou ameacem lesar a saúde e a
segurança dos indivíduos e da comunidade. Amplo é o poder discricionário decorrente em virtude da amplitude
própria do bem a ser protegido pelo Estado.
DI PIETRO explica que o poder de polícia do Estado pode agir em duas áreas de atuação estatal. São as áreas
administrativa e judiciária.

Polícia administrativa.
A polícia administrativa tem um caráter preventivo. Seu objetivo será não permitir as ações anti-sociais.
Entretanto, a diferença não é absoluta. A polícia administrativa protege os interesses maiores da sociedade ao
impedir, por exemplo, comportamentos individuais que possam causar prejuízos maiores à coletividade.
DI PIETRO se utiliza da seguinte opinião de Álvaro Lazzarini para distinguir a polícia administrativa da polícia
judiciária:
"a linha de diferenciação está na ocorrência ou não de ilícito penal. Com efeito, quando atua na área do ilícito
puramente administrativo (preventivamente ou repressivamente), a polícia é administrativa. Quando o ilícito
penal é praticado, é a polícia judiciária que age".
A polícia administrativa é regida pelo Direito Administrativo, agindo sobre bens, direitos ou atividades.
A polícia administrativa é dividida entre diferentes órgãos da Administração Pública. São incluídos aqui a polícia
militar e os vários órgãos de fiscalização como os das áreas da saúde, educação, trabalho, previdência e
assistência social.

Polícia judiciária.
A polícia judiciária é de caráter repressivo. Sua razão de ser é a punição dos infratores da lei penal.
A polícia judiciária se rege pelo Direito Processual Penal. Ela incide sobre pessoas.
A polícia judiciária é exercida pelas corporações especializadas, chamadas de polícia civil e polícia militar.
Características.
As características do poder de polícia que costumam ser apontadas são, segundo Maria Sylvia Zanella DI
PIETRO, a discricionariedade, a auto-executoriedade e a coercibilidade.
A discricionariedade é uma liberdade existente ao administrador para agir quando a lei deixa certa margem de
liberdade para a escolha da oportunidade ou da conveniência de agir, ou, como diz DI PIETRO, "o motivo ou o
objeto", do ato a ser realizado. Quando a Administração Pública tiver que decidir "qual o melhor momento de
agir, qual o meio de ação mais adequado, qual a sanção cabível diante das previstas na norma legal. Em tais
circunstâncias, o poder de polícia será discricionário".
Pode-se dizer, no entanto, que o poder de polícia pode ser discricionário ou vinculado.
Outra característica é a auto-executoriedade. Ela é a possibilidade da Administração utilizar seus próprios meios
para executar as suas decisões sem precisar recorrer ao Poder Judiciário.
Como opina DI PIETRO:
"Pelo atributo da auto-executoriedade, a Administração compele materialmente o administrado, usando meios
diretos de coação. Por exemplo, ela dissolve uma reunião, apreende mercadorias, interdita uma fábrica".
Finalmente, o poder de polícia tem como característica a coercibilidade indissociavelmente ligada à auto-
executoriedade.
Lembra a autora: "O ato de polícia só é auto-executório porque dotado de força coercitiva".