PADRÃO OURO

HISTÓRIA 3ª Série

http://www.saberweb.com.br/dinheiro/padrao-ouro/ O padrão-ouro foi o sistema monetário vigorante desde o século XIX até a Primeira Guerra Mundial e, basicamente, consistia na adoção, por parte das instituições financeiras de cada país que aderisse ao arranjo, de um preço fixo de sua moeda em relação ao ouro. Desse modo, as autoridades deveriam exigir dos bancos e demais instituições monetárias que negociassem seus passivos respeitando esse preço fixo em relação ao ouro, como forma de estabilizar a economia. Em termos internacionais, o padrão-ouro significou a adoção de um regime cambial fixo por parte de praticamente todos os grandes países comerciais de sua época. Cada país se comprometeu em fixar o valor de sua moeda em relação a uma quantidade específica de ouro, e a realizar políticas monetárias, de compra e venda de ouro, de modo a preservar tal paridade definida. Operando no regime de padrão-ouro, o banco central de cada país mantém grande parte de seus ativos de reserva internacional sob a forma de ouro. As diferenças entre as reservas de ouro sob a propriedade de cada país refletia, portanto, as suas necessidades comerciais. Pois, nesse padrão, os fluxos de ouro financiavam os desequilíbrios nas balanças de pagamentos de cada país. Se um país fosse deficitário em sua balança de pagamentos, isto é, se a soma de bens e serviços importados do exterior fosse superior à soma de bens e serviços exportados ao mesmo, o país deveria corrigir o déficit exportando ouro. Os países superavitários, por sua vez, tornavam-se importadores de ouro. As “regras do jogo” prevalecentes no sistema de padrão-ouro eram simples: a quantidade de reservas de ouro do país determinava, portanto, a sua oferta monetária. Se um país fosse superavitário em sua balança de pagamentos, deveria importar ouro dos países deficitários. Isso elevaria sua oferta interna de moeda, levando a uma expansão da base monetária, o que provocaria um aumento de preços que, no final das contas, tiraria competitividade de seus produtos nos mercados internacionais, freando assim, novos superávits. Já se o país fosse deficitário na balança comercial, exportaria ouro, sofreria contração monetária, seus preços internos baixariam e, no final das contas, aumentaria a competitividade de seus produtos no exterior.. Em resumo, o padrão-ouro visava uma situação de equilíbrio na economia internacional de modo que cada país mantivesse uma base monetária consistente com a paridade cambial, mantendo assim uma balança comercial equilibrada. Durante a Primeira Guerra Mundial, a maioria dos países abandonou o padrão-ouro, principalmente devido às expansões monetárias e fiscais realizadas por eles durante a guerra, as quais desequilibraram enormemente o comércio internacional. X – X – X –X -X No período entre-guerras houve uma tentativa de retorno ao padrão ouro, mais precisamente na segunda metade da década de 1920, embora não funcionando tão bem quanto no período que antecedeu a Primeira Guerra Mundial. Com a perda da flexibilidade nos mercados de trabalho, devido ao aumento da sindicalização, e também no de commodities, em função das intervenções dos governos visando manter a competitividade de suas pautas de exportações, o padrão ouro restaurado não conseguia absorver impactos com facilidade, sendo que o aumento das pressões sociais por crescimento e emprego tornava nula a credibilidade do novo regime. O próprio capital financeiro, que antes atuava como fator estabilizador, agora fugia em massa gerando fortes crises econômicas e políticas, culminando em 1929 na Grande Depressão e no colapso definitivo do próprio padrão ouro. 1

C. transformando em “coisa obsoleta” a política do período 1870-1913 que visava defender inflexivelmente a estabilidade das taxas de câmbio. 34. tornando a solução do problema extremamente complexa para os planejadores de política econômica.ed. 1989. que estavam agora diante de um novo cenário internacional cuja reconstrução do padrão ouro como sistema monetário teria obrigatoriamente que se acomodar às mudanças políticas e econômicas que se operavam no mundo nos anos posteriores à I Guerra Mundial. implicando em movimentos desestabilizadores nos fluxos de capital internacionais que ampliavam as pressões sobre os bancos centrais. Economia monetária. 479p. FURTADO.R. (Eichengreen.ocaixa. P. Trad. ROSSETTI. Teoria e política. São Paulo. 809p. segundo Eichengreen. A globalização do capital.130). Sérgio Blum. São Paulo. nas décadas de 20 e 30 do séc. 1999. B.htm EICHENGREEN. XX os governos não hesitavam em utilizar ativamente suas políticas monetárias com o intuito de atingir uma gama de objetivos econômicos nacionais. 248p.br/artigos/rodrigues2. 1998.. OBSTFELD. tais como aumentar a produção e o nível de emprego. Makron Books. 2000. DE 2002. Atlas. Nacional. Formação econômica do Brasil.com. como já dissemos. J. J do C..ed. KRUGMAN. os Estados Unidos assumiram a liderança em âmbito comercial e financeiro. 23. Carlos Alberto Rodrigues. São Paulo. 2 . 4. 7. Além disso. JAN.ed. P.Diferentemente de sua primeira fase. M. p. Uma história do sistema monetário internacional. Economia Internacional. http://www. suas relações financeiras e comerciais com o resto do mundo ainda não se ajustavam de modo a produzir um sistema internacional harmônico. 288p. mas. LOPES. São Paulo. As novas prioridades assumidas pelos governos resultaram em perda de credibilidade de suas políticas monetária e cambial.

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