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A GRAÇA

GRAÇA PARTE I

Uma das palavras mais ditas na franquia era a palavra “simplicidade”.


Essa palavra carrega em si mesmo, fazendo uso de uma forma metalingüística
de linguagem, uma carga de profundidade. Parece um paradoxo, mas acredito
que é isso mesmo. Ser simples de fato é mais difícil do que ser complexo. A
franquia é tudo, menos simplicidade. Ela se complicou. Não era para ser
complicada, era para ser simples, mas infelizmente se complicou. E no que
mais a franquia se complica é em explicar o que é graça. Como a graça de
Deus nos atinge. Como ela atua na prática. Tudo por conta de uma falácia no
início do pensamento. Se eu ficar aqui, caro leitor, definindo e redefinindo graça
eu farei uma sistematização horrorosa e que em nada vai acrescentar. Prefiro
partir para a experiência e depois definir. Calma! Não usarei a experiência para
definir. Apenas começarei pela experiência e então falaremos das falácias e
das verdades.
Apesar de eu estar me sentindo muito bem na atividade de lancheiro, ao
mesmo tempo eu sentia uma distância muito grande de Deus. Era como se eu
estivesse a quilômetros de distância do Senhor. Eu sabia que eu estava no
rumo certo. Sentia isso claramente através da simplicidade das ações a que eu
estava sendo submetido. Sem o pessoal da comunidade saber (ou sabendo, sei
lá) eles me conduziram em um caminho que estava me levando à vida. No
entanto, é um caminho. Tenho que percorrer. Não posso parar. Mesmo
assim eu ainda me sentia um peixe fora da água. O olhar crítico oriundo do
veneno mais mortal que foi injetado em minha alma ainda era forte. Eu
enxergava as pessoas pelo o que elas criam. Pelas suas idéias. Pela sua fé. No
meu cérebro eu era um apologeta. Um defensor ferrenho da fé. Eu sabia que
isso era ruim. Eu estava no caminho para me livrar. Mas ainda não havia me
livrado totalmente. Em um certo dia, em minhas introspecções, entre um
presunto e um queijo, comecei a lembrar de minha conversão. Lembrei que eu
senti-me o mais imundo dos pecadores. Eu tinha apenas 16 anos. Mas, mesmo
assim, sentia-me o pior dos pecadores. Lembro que eu estava em um vestiário
de educação física, no colégio militar, e o rapaz que pregava a palavra disse:
“Se você quiser o perdão dos seus pecados e entregar sua vida a Jesus, venha
aqui agora e que eu orarei por você e você receberá Jesus em seu coração. Foi
exatamente o que eu fiz. Deus já estava trabalhando em minha vida. Esse
mesmo irmão já estava pregando com palavras e sem palavras para mim por
uns três meses. Eu fui até ele naquele dia. Ajoelhei-me. Chorei como um bebê.
E naquele dia ele me disse: “Seus pecados já foram perdoados e seu nome foi
escrito no livro da Vida.” Eu jubilei com aquelas palavras. Eu não havia feito
nada para ter meus pecados perdoados. Sujo e pecador como eu me via,
recebi o perdão total de meus pecados. Não houve nada que eu tivesse feito
que fosse anterior ao perdão de meus pecados. Jesus fez tudo sem eu ter feito
nada antes. Eu não precisava entender. Eu apenas precisava receber. Após
esse primeiro passo eu passei a seguir incondicionalmente o Senhor. Fazia
tudo que o Senhor me falava. Não tinha mais a minha vida como preciosa.
Reflexo da graça. Nunca tinha ouvido falar de graça barata. Eu só sabia da
graça de Deus. Lembrei de um testemunho que eu ouvi do Jaime Kemp. Ele
contou que tem um irmão adotivo. O pai dele adotou ele ainda bem criança.
Esse irmão cresceu e envolveu-se com tudo o que de ruim poderia existir.
Drogas, roubos, imoralidades. Contraiu dívidas e finalmente foi preso. Na prisão
quiseram saber quem iria visitá-lo. Alguns sabendo de sua história e
conhecendo quem era seu pai, um homem de Deus, diziam que jamais ele
deveria dizer ao seu pai onde ele estava. Que isso seria uma decepção para
seu pai. E deixando todos os seus ouvintes atônitos, ele respondeu: “A única
pessoa que eu tenho certeza que viria me visitar é o meu pai”. O filho aprendeu
com o pai, pois esse pai sabia o que era graça. E foi exatamente o que ocorreu.
Seu pai, um homem caído como todos nós, foi visitá-lo e cuidou dele ate ele
poder sair de lá. Esse homem sabia ensinar com a sua vida o que era graça.
Não há condições para a graça. A graça existe e existiu antes de você ou eu
cumprirmos o que chamamos de condições. A graça de Deus é manifesta pelo
oferecimento de seu Filho como sacrifício incondicional pelos nossos pecados.
Não há condições anteriores. Ai, ai, ai. O que você, caro leitor, pode estar
pensando. Não se preocupe, eu já sei. Eu sei muito bem o que se passa na
mente formada na franquia. Os lábios quase tremem com o fim de dizer: Isso é
graça barata, seu blogueiro desprezível! Você então vai me permitir continuar
com o relato. Espere por tudo. Depois pode me apedrejar. Mas não agora. Leia
tudo, ok? Lembrei desse testemunho e pude ver o quanto minha visão técnica
estava distante disso. Acho que nem pelo meu filho eu faria isso. Acho que eu
diria assim: ele escolheu o caminho dele. Se ele quis embora, que se vá. Deixe
o Senhor dar uma surra nele e ai quem sabe ele volta arrependido. Minha
paciência já estaria esgotada com um filho assim. Percebi que eu estava caído
da graça. Eu não tinha mais nada da graça. Eu estive tão preocupado com as
condições, do que era chamado de “porta do reino” que eu nem lembrava da tal
graça. Que horror. Eu havia ouvido que os evangélicos estavam impregnados
da tal da graça barata e que deveríamos reconceituar a graça e a mensagem
evangélica. É verdade, tinha mesmo que fazer isso. No entanto alteraram tudo.
Jogaram fora a força motriz da vida e se detiveram em um motor sem energia.
O motor tem de girar e colocaram o discípulo dentro de uma roda, tal qual um
hamster, a fim de fazer esse motor girar e a vida ser gerada. Isso produz uma
massa falida de pessoas cansadas e desanimadas. É o poder da inversão das
verdades.
Ainda continuando na experiência: eu recebi Jesus, logo recebi a graça.
Sem precisar ouvir um rosário de condições eu agi em acordo com essa graça.
Isso foi automático. O poder de agir conforme a determinação de Deus estava
em mim. Precisava apenas de instrução para seguir. Só que tem de ser na
ordem correta: primeiro a graça, depois as instruções do caminho. Lembrando
de tudo isso fiquei observando, em meio às panelas de leite com Nescau, como
as coisas se inverteram. Jesus, precioso Jesus me recebeu como eu estava.
Ele só queria que eu o seguisse e olhasse para Ele. Ele entrou dentro de mim.
Fez residência em mim. Não obstante os meus pecados, ele me amou e me
deu a força e o poder que eu precisava para fazer a vontade dele. Essa foi a
minha experiência. O fato é tão verdadeiro que uma semana depois que eu me
converti eu fui chamado para ir a um baile de 15 anos, baile de debutante. Isso
era normal para os alunos do internato do colégio militar. Íamos fardados para
dançar com as meninas. Eu fui ao baile. E sem ninguém falar nada para mim eu
não me senti bem. Sai de lá chorando. Quando cheguei ao colégio o rapaz que
pregou para mim me disse: “E ai, o que você sentiu?” E eu respondi “Senti-me
muito mal, nunca mais vou nesses bailes”. Ele apenas respondeu: “Eu sabia
que o Espírito Santo iria se incomodar dentro de você”. Detalhe: eu tinha 16
anos e ele também. Éramos meninos e sabíamos mais que pastores velhos.
Sabíamos a ordem das coisas. Sabíamos que a vida não pode ser suprimida e
que ela cresce onde há condições. Para esse post não ficar enorme, vou deixar
a argumentação bíblica e teológica para o próximo post.

GRAÇA PARTE II

Pois vocês conhecem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico,
se fez pobre por amor de vocês, para que por meio de sua pobreza vocês se
tornassem ricos. (II Coríntios 8:9)
Caros leitores, creio que vou precisar de três posts para falar sobre tão
querido assunto, que é o da graça. Não posso deixar de compartilhar tudo o
que aprendi e tenho aprendido. Faz-se importante esse compartilhar, pois eu fui
um dos principais propagadores das teses salvadorenhas acerca da graça. Se
eu não fizer isso exemplarmente, não terei escusas diante de Deus por ter
contribuído tanto para a formação legalista de dezenas de pessoas. Peço,
mais uma vez, sua paciência, caro leitor.
Os sanduíches, os bolos de chocolate, os waffers e os achocolatados me
ensinaram mais sobre graça do que qualquer livro ou pregação que eu já tenha
lido. Em meio a esta atividade, as lembranças eram mil. Lembrava de cada
ponto de acerto e de cada desvio de minha vida. Observei, nessas lembranças,
que eu havia aprendido que graça, conforme o texto referenciado acima, é se
dobrar a alguém, ajudar a alguém que não merece a nossa ajuda. A graça não
é uma coisa que podemos merecer nem pagar. Deus diz: eu amo você e ponto
final. O problema todo é que começamos pela graça e terminamos pela lei.
Ao entregar minha vida a Jesus eu confiei que meus pecados foram
perdoados e que eu fui recebido pela graça de Deus. Eu sabia, cabalmente,
que eu não tinha contribuído com nada para receber tamanho perdão. Foi tudo
pela graça de Deus. O que acontece às vezes é que em vez de aceitar o fato
de que nós começamos pela graça e vivemos sempre pela graça de Deus,
vivendo a vida cristã pela graça dEle, nós começamos a ficar legalistas
tentando seguir uma lista de regras. Enquanto eu consigo cumprir minha lista
de regras, tudo fica bem. Eu sentia que uma vez por ano eu receberia uma nota
de Deus. Era como se Deus dissesse: olha esse ano você perdeu a paciência
com seus filhos tantas vezes, não pregou a palavra outras tantas vezes, não
contribuiu outras vezes. Então eu vou ter de abaixar a sua nota. Olha o que
Paulo diz em Romanos:
Pois o pecado não os dominará, porque vocês não estão debaixo da lei, mas
debaixo da graça. (6:14)

Paulo ficou muito preocupado com o fato de que uma das igrejas da
região da galácia estava começando a voltar para a lei, ao invés de viver pela
graça. Tanto é que ele diz em Gálatas 2:21:

Não anulo a graça de Deus; pois, se a justiça vem pela lei, Cristo morreu
inutilmente!

Se a nossa justiça vem através daquilo que nós fazemos, então Cristo
morreu em vão! Nós nunca vamos conseguir viver a vida cristã pelo nosso
esforço. Por isso que precisamos de Jesus e da graça dEle. Consigo perceber
até a emoção do apóstolo Paulo no capítulo 3 de Gálatas:

Ó gálatas insensatos! Quem os enfeitiçou? Não foi diante dos seus olhos que
Jesus Cristo foi exposto como crucificado?
Gostaria de saber apenas uma coisa: foi pela prática da lei que vocês
receberam o Espírito, ou pela fé naquilo que ouviram?
Será que vocês são tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, querem
agora se aperfeiçoar pelo esforço próprio? (vs. 1-3)

Eu não poderia de jeito nenhum fazer isso. Se eu comecei pelo Espírito,


ou seja, pela graça, não poderia agora terminar pela carne, sou seja, pela lei. O
problema é que quando eu começava a entender e a falar a mim mesmo sobre
a graça, minha mente envenenada pensava: se a vida cristã não depende de
mim, eu vou viver como eu quiser, isso seria um completo absurdo! Esse
mesmo pensamento foi gerado nos romanos. Tanto é que o mesmo apostolo
Paulo em Romanos 5:20 é obrigado a explicar sobre isso:

A lei foi introduzida para que a transgressão fosse ressaltada. Mas onde
aumentou o pecado, transbordou a graça.

E ainda disse:

Que diremos então? Continuaremos pecando para que a graça aumente?


De maneira nenhuma! Nós, os que morremos para o pecado, como podemos
continuar vivendo nele? (6:1, 2)

Eu só consigo entender a seriedade e o tamanho da graça de Deus


quando eu consigo entender o tamanho e a seriedade do meu pecado. É por
que o pecado é tão terrível e tão mortal que a graça é tão maravilhosa. Vou
tentar explicar da seguinte forma: Vamos dizer que você me convida para a sua
casa e em uma hora em que eu esteja lavando as mãos em seu banheiro eu
veja um vidrinho de um perfume caro, um perfume francês que eu sempre quis
experimentar. Então eu roubo um pouquinho do seu perfume. Eu não sou muito
esperto, por que você logo vai perceber que eu usei o seu perfume, você
sentirá o cheiro em mim. No entanto, se você não perceber, ou se mesmo
percebendo você não quiser falar, eu chegaria em casa e pensaria que não
deveria ter feito aquilo e me proponho a ir confessar a você o que eu fiz. Eu
então vou até você, confesso o que eu fiz, você me perdoa e até me dá o
vidrinho de perfume. Eu vou sentir a sua graça em me perdoar e até em me dar
o vidrinho de perfume. Agora vamos dizer, do outro lado, que eu chego para
você e digo: Eu matei seu filho, você me perdoa? E após isso eu recebo o seu
perdão, qual será a diferença da graça que eu vou sentir? Quando eu já estava
contaminado pelo veneno da franquia, o meu pecado era do tamanho de umas
gotinhas de perfume roubado. Eu sabia que eu era pecador, mas eu já tinha
esquecido que eu era responsável pela morte do filho de Deus e que Deus
havia me perdoado. Veja bem. Quando alguém mata o seu filho e você pega
um revolver e mata o assassino é vingança. Se você não mata, mas entrega o
assassino às autoridades a fim de que ele seja julgado e condenado, isso é
justiça. Mas se alguém mata o seu filho e você convida aquela pessoa para a
sua casa, perdoa completamente e ainda a adota como filho, é GRAÇA. E foi
isso que Deus fez por mim. Foi isso que eu consegui ver novamente que Deus
fez por mim. Eu tinha visto isso no inicio de minha conversão, mas já havia
esquecido. O veneno fez eu perder essa memória. Eu sou responsável pela
morte do filho de Deus. Jesus morreu na cruz por causa dos meus pecados. Ao
invés de Ele exigir vingança ou justiça, Deus nos convida para a sua casa.
Pense. Não estou falando do pecado de Adão. Estou falando dos meus
pecados. Se eu estivesse falando dos pecados de Adão, teologicamente eu
teria resposta diversa. Diria que a morte de Jesus foi para cumprir a justiça de
Deus pelo pecado da raça humana. Só que isso já tinha ocorrido quando eu
ainda nem tinha percebido que eu era pecador. Eu estou falando de meus
pecados. Os meus e os de mais ninguém. Ele me perdoou completamente e
me adotou como filho. Essa é a maravilhosa graça de Deus. E foi exatamente
isso que eu comecei a entender entre um lanche e outro. Entendi que a vida
cristã não dependia de mim, mas depende da graça de Deus. Eu percebi essa
graça em todos os relacionamentos de Jesus aqui na terra. Ele mostrou a graça
com a mulher que pegaram em adultério; com a mulher samaritana, com
Zaqueu. Apenas com os fariseus (donos de uma franquia religiosa da época)
Jesus foi duro, duríssimo na verdade. Com os piores pecadores Jesus foi pura
graça. Pensei da seguinte forma. Se eu fosse começar uma igreja, será que eu
chamaria como primeiro pastor um homem que me negou três vezes? Jesus
escolheu Pedro. Quando Jesus ressuscitou, Ele mandou chamar os discípulos
e também a Pedro. Pedro era um discípulo, mas recebeu um convite especial.
Se ele não tivesse recebido esse convite especial, certamente ele pensaria que
o mestre não queria vê-lo depois do que ele fez contra o mestre. Pedro
experimentou a graça de Deus, a mesma graça que motivou ele para o seu
ministério. Quando experimentamos essa graça, trabalhamos por amor e não
por obrigação.
Por muito tempo na franquia eu passei a fazer a obra do Senhor por
obrigação. Fazia para receber uma boa nota do Senhor no final do ano. Fazia
para agradá-lo, para ser aceito por Ele. Quando eu passei a retomar o meu
caminho, a ser descontaminado do veneno da franquia, passei a fazer lanches
por amor. Não podemos trocar a graça de Deus por nada. Começamos pela
graça e continuamos na graça. O post está muito grande, vou precisar de mais
um, caros leitores, para explicar tudo o que aconteceu comigo em relação à
graça. Isso afetou até minha relação com meu filho. Fiquem na graça!

GRAÇA PARTE III

Bom, caros leitores, pretendo que esse post seja o penúltimo a fim de concluir o
assunto graça (pelo menos aqui nesse desprezível blog, já que um assunto tão
caro não se conclui nunca em nossas vidas) com uma mescla de mais
experiências pessoais e definições bíblicas a fim de dar subsídios aos leitores
em seu caminhar na graça de Deus e refutar as falácias ensinadas a mim e por
mim durante alguns anos.
O ensino do propósito eterno de Deus, conforme podemos verificar nas
apostilas tão propagadas nas franquias pelo Brasil (mais uma vez se justifica a
palavra franquia, pois as localidades usam a mesma apostila da sede, sem
nenhuma ou com poucas inovações locais) lançam um verdadeiro fardo,
mesmo que não fosse essa a intenção, sobre os que as lêem. Como assim?
Vamos ver.
Ensina-se que devemos ser como Jesus. Que esse é o nosso alvo. E que
para atingir esse alvo temos que estar inserido no que seria o serviço dos
santos, a edificação da igreja. Como seria isso? Usando uma argumentação
fragmentada de Efésios faz-se uma ideia natural e humana do serviço de
edificação do Corpo. A ordem é essa:

1º - Os ministérios específicos coordenam o corpo, a fim de que eles sejam


ordenados em juntas e ligamentos. (Ef 4:11,12).
2ª - Os santos devidamente ordenados crescem e edificam-se a si mesmos, ao
realizarem seu trabalho na obra. (Ef 4:13, 15,16).

Isso é tudo que se ensina. Aprendemos que é automático. Dessa forma,


vou traduzir para a linguagem francesa o que está exposto acima.
Funciona assim:

1º Eu me converto.
2º Sou colocado em um vínculo com um discipulador (juntas de discipulado).
3º Vou crescer e conformar-me à imagem de Cristo como conseqüência desse
vínculo.

Agora fica a pergunta: Isso funciona? O que ocorre depois? Não está
faltando algo essencial nesse ensino que é dado logo após o manual 1 da
franquia? Tem um vazio espiritual nesse ensino. Está faltando o essencial, sem
o qual não há crescimento. Tudo está sendo visto sob a ótica natural das
coisas. A Amway, a Living Forever, a Herba Life e tantas outras empresas que
usam o marketing de rede fazem o mesmo. Não precisam nem do Espírito. A
única diferença da franquia é que ela não cresce. Mais tarde vou explicar o
porquê dessa excepcionalidade. Agora me aterei ao ensino da graça. O
elemento essencial que falta é: COMO CONSEGUIR SER A IMAGEM DE
CRISTO DE FATO? Adiantarei a resposta: NÃO É TENTANDO SER. É um
novelo de lá enrolado que eu vou tentar desenrolar. Tenham paciência que
chegaremos lá e verão que é isso que os apóstolos, principalmente Paulo,
insistiu tanto para que a igreja na época entendesse. O peso de tentar ser a
imagem de Jesus é muito grande e se não for ensinado como e os meios que
o Pai disponibiliza, ficaremos imprestáveis para o resto de nossas vidas,
decepcionados conosco, sem condições de agir. Tudo que for escrito daqui a
diante tem de ser lido levando-se em conta os posts anteriores. É necessário
entender a dimensão do amor e da graça de Deus. Entender a misericórdia sob
pena de o diabo nos destruir com acusações e mentiras próprias dele, acerca
da visão de Deus para conosco.
Quando eu entreguei a minha vida a Jesus, convidando ele para entrar no
meu coração (isso mesmo, não fique se remoendo por dentro ao ler isso) a vida
dEle passou a viver dentro de mim. Eu nem entendia muito bem isso, mas
sabia que eu tinha dentro de mim uma força, um poder que era o diferencial na
hora de enfrentar o pecado. O problema é que com o tempo ficamos
aprendendo estratégias de como enfrentar o pecado e ai é só desgraça. Leva
tempo até aprendermos que o pecado não deve ser enfrentado diretamente.
Não temos a mínima condição de vencer assim. Muito menos ainda acreditando
que seremos a imagem e semelhança de Jesus (uma proposta pesada, diga-se
de passagem) apenas estando vinculado com um ser humano caído igual a
mim. Precisamos agora entender como se processa a salvação por dentro. Eu
tentei falar disso para os donos da franquia. Fiz até uma pequena apostila
sobre isso denominada “O propósito de Deus visto por dentro”, mas ela não
passou no controle de qualidade da franquia e ficou no esquecimento e no
arquivo morto de alguns computadores. Vamos destrinchar isso aqui.
O propósito de Deus sempre foi o de dispensar a Si mesmo para dentro
da humanidade. Antes da queda era isso que Deus intentava. Não dá para
encaixar o objetivo de ser semelhante a Jesus àquela altura, até por que o
próprio Jesus encarnado só existia na mente de Deus. O ponto principal do
desejo de Deus era dispensar Sua vida para dentro de nós. Qualquer coisa,
além disso, é resultado. O resultado pode ser a imagem de Jesus, mas isso é
resultado e não o seu objetivo crucial, principal. Ele queria dispensar a Si
mesmo para dentro de nós. Como podemos ver isso? No relato de Gênesis.
Deus criou o homem com uma natureza semelhante a dEle. Um homem
tripartido como Deus é. O homem foi criado com corpo, feito do pó da terra;
com um espírito, soprado pelo próprio Deus, sendo uma parte receptora da vida
de Deus; e então se tornou alma que é a sede das emoções, vontade e mente
do homem. O espírito do homem foi feito para receber a vida de Deus. O
homem foi criado tripartido dessa maneira. Desculpe a teologicidade disso tudo.
Não tem outra maneira de confrontar alguns ensinos sem irmos até o inicio de
tudo. Prometo que tudo vai se desenrolar. Palavra de blogueiro desprezível. O
espírito do homem ainda não dispunha da vida de Deus dentro dele. Embora o
espírito do homem é o sopro de Deus, ele ainda não tinha recebido a vida do
próprio Deus dentro dele. Faltava o homem decidir introduzir o fruto da árvore
da vida dentro dele. Deus plantou uma árvore com a vida dEle e tinha uma
outra com a natureza de satanás. Árvore da vida e árvore do conhecimento do
bem e do mal. A decisão estava diante do homem. Todos sabemos qual foi a
escolha do homem. Ele escolheu introduzir dentro de si a natureza do diabo, o
pecado. O pecado é a própria natureza de satanás. A independência é a
primeira conseqüência do pecado, mas não foi a causa. O desejo de saber o
bem e o mal à parte de Deus é comum à natureza do diabo. A partir dali o
homem desviou-se do propósito de Deus trazendo para dentro de si a natureza
do diabo. Deus não desistiu de Seu propósito. Ele o manteve. O propósito de
dispensar a Si mesmo para dentro do homem. Para isso precisamos ver os
passos tomados por Deus, a fim de atingir esse propósito.
Vimos que Deus é Triúno. E a maneira que Ele usará para cumprir o Seu
propósito é a própria trindade. Deus é rico. Tem um enorme capital. Ele é como
um homem de negócios bem sucedido que tem um grande capital. Deus tem
um negócio no universo e a sua enorme riqueza é o seu capital. Não
percebemos quantos bilhões ele tem. Todo esse capital é simplesmente Ele
mesmo! Com esse Capital ele tenciona manufaturar a Si mesmo numa
produção em massa. O próprio Deus é o Negociante, o Capital e o Produto. A
sua intenção é dispensar a Si mesmo a muitas pessoas numa produção em
massa. Deus precisa de tal arranjo divino, de um gerenciamento divino, uma
dispensação divina. Desculpe os termos, mas estou tentando encontrar as
melhores palavras para esclarecer o melhor possível. Sejamos mais
específicos. Agora que sabemos que o propósito de Deus é dispensar a Si
mesmo, precisamos descobrir o que Deus é, a fim de sabermos o que ele está
dispensando. Em outras palavras, qual é a substância de Deus? A substância
de Deus é Espírito (João 4:24). A própria essência do Deus todo poderoso é
simplesmente Espírito. Deus é o fabricante e tenciona reproduzir a Si mesmo
como o Produto. Portanto, o que quer que Ele produza, tem de ser Espírito, a
própria substância de Si mesmo.
Vimos o Produto de Deus e o que é dispensado por Ele. Agora
precisamos perceber como Deus é dispensado. Em outras palavras, o Espírito
é o que Deus dispensa para dentro do homem, mas agora precisamos ver os
meios pelos quais Ele faz isso. É pela Trindade. Nunca aprendi na franquia o
que é devidamente a trindade. Aprendi isso na igreja batista (não fique nervoso,
não mencionarei mais nomes como esse aqui). Sabemos que o Pai, o Filho e o
Espírito Santo não são três deuses diferentes, mas um único Deus que é
expresso em três Pessoas. Contudo qual é o objetivo de existirem três Pessoas
da Deidade? Por que há Deus Pai, Deus Filho e também Deus Espírito Santo?
Leremos isso na próxima postagem, pois esta já está demais de longa.
Abraços.

GRAÇA PARTE IV

Caros leitores, somente pela Trindade podem ser fornecidos os meios


essenciais por meio dos quais o Seu Espírito é dispensado para dentro de nós.
Veja o que diz Paulo aos coríntios:

A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito


Santo sejam com todos vós. (II Co 13:13).

Temos aqui a graça do Filho, o amor do Pai e a comunhão do Espírito


Santo. Que são esses? Seriam três deuses diferentes? Será que amor, graça e
comunhão são três itens diferentes? Não. Amor, graça e comunhão são um
único elemento em três estágios: o amor é a fonte, a graça é a expressão do
amor e a comunhão é a transmissão desse amor em graça. De semelhante
modo, Deus, Cristo e o Espírito Santo são um único Deus expresso em três
pessoas: Deus é a fonte, Cristo é a expressão de Deus e o Espírito Santo é a
transmissão, trazendo Deus em Cristo para dentro do homem. Houve um
consenso na Deidade a fim de que houvesse essa expressão trina, com o fim
de cumprir o propósito dEle. Vejamos bem isso.
Como poderia o Deus Pai, que é a fonte universal de todas as coisas,
sendo invisível e inatingível, que habita na luz inacessível (I Tm 6:16), estar
dentro de nós? Como poderíamos ver o Pai invisível? Se Deus fosse somente o
Pai, Ele seria inacessível e não poderia ser dispensado para dentro do homem.
Mas, pelo arranjo divino do Seu propósito, Ele colocou a Si mesmo dentro do
Seu Filho, a segunda pessoa da Trindade, a fim de tornar-se acessível ao
homem. Toda plenitude do Pai habita no Filho (Cl 1:19; 2:9) e é expressa por
meio do Filho (Jo 1:18). O Pai como a fonte inexaurível de tudo é corporificado
no Filho. O Deus outrora incompreensível é agora expresso em Cristo, a
Palavra de Deus (Jo 1:1); o Deus invisível é revelado em Cristo, a Imagem de
Deus (Cl 1:15). Assim o Filho e o Pai são um (Jo 10:30), e o Filho é até
chamado de Pai (Is 9:6).
Antes era impossível ao homem contatar o Pai. Ele era exclusivamente
Deus e Sua natureza era exclusivamente divina. Não havia nada no Pai para
transpor o abismo entre Deus e o homem. Mas, agora Ele não só se
corporificou dentro do Filho como também encarnou na natureza humana. O
Pai se agradou em combinar a Sua própria divindade com a humanidade do
Filho. Por meio da encarnação do Filho, o Pai inacessível é agora acessível ao
homem. Com isso o homem pode ver o Pai, tocá-lo e ter comunhão com o Pai
por meio do Filho. A natureza humana foi adicionada à divina, e as naturezas
que antes eram separadas, agora tornam-se uma. Que grande amor do Senhor
a ponto de permitir que sua natureza seja alterada! O primeiro estágio de Deus
dispensando-se para dentro do homem, portanto, é por meio da corporificação
e encarnação de Si mesmo no Filho como homem e, assim, reproduzindo-se no
homem.
O segundo passo de Deus para introdução da vida dEle em nós ocorre
por meio da segunda pessoa da Trindade, o Filho de Deus. Precisamos, antes,
saber o que Cristo é e quais os elementos que compõem Cristo. Cristo era
100% homem e 100% Deus. Ele era a mescla de Deus com o homem, como
disse acima. Isso já foi motivo de discussão durante séculos na historia da
igreja. Mas, algumas coisas são claras. Ele tinha uma carne semelhante à
carne do pecado (Rm 8:3), no entanto foi tentado em tudo, mas não pecou (Hb
4:15). Podemos arriscar que, embora Jesus sentisse fome (Mt 21:18; Mc
11:12), sede (Jo 19:28), cansaço (Jo 4:6) ele não tinha, em sua carne, todos os
efeitos do Pecado, devido à sua concepção ser pelo Espírito Santo. A maior
dúvida que existe é até que ponto o Pecado estava na carne de Jesus. Que o
Pecado estava isso não há dúvida, pois se não fosse assim ele não teria
morrido, e de fato Ele morreu a fim de ressuscitar. Não sabemos o quanto, o
fato de Ele ter sido gerado pelo Espírito Santo, sem a necessidade de um
espermatozóide humano, diminuiu a presença do Pecado nEle. Mas sabemos
que alguma herança pecaminosa Ele recebeu de Maria sua mãe, e esta
herança tem relação com os efeitos do pecado na vida humana diária, pois a
Bíblia diz que “...Deus o fez pecado...” (II Co 5:21).
Outro elemento de Cristo era a natureza divina. Embora os atributos de
Deus (onisciência, onipresença e onipotência) foram deixados a fim de que Ele
dependesse do poder de Deus como nós devemos depender, Ele portava a
plenitude da Divindade (Cl 2:9). O Pai habitava nEle conforme vimos acima.
Podemos resumir assim: o primeiro passo foi que o Pai corporificou-se no Filho;
o segundo passo foi que o Filho encarnou-se na humanidade, recebendo todos
os elementos que ele nunca dantes teve tais como a vida humana diária, com
seus cansaços, fomes, sede, choro, morte. Além da ressurreição, glorificação e
ascensão. O terceiro passo é que tanto o Pai como o Filho estão agora no
Espírito. Tudo o que está no Pai está no Filho, e ambos, o Pai e o Filho,
contendo todos os elementos em Cristo, são introduzidos no Espírito. O Espírito
Santo, após a ascensão do Senhor, já não é o mesmo que o Espírito de Deus
dos tempos do Velho Testamento. O Espírito de Deus no Velho Testamento
tinha somente um elemento: a natureza divina de Deus. Como Espírito de
Deus, Ele não tinha os elementos da natureza humana, a vida humana diária, a
eficácia da morte, ressurreição, a ascensão e a entronização. Hoje, entretanto,
sob a dispensação do Novo Testamento, todos esses elementos de Cristo
foram colocados no Espírito e, como tal, este Espírito todo inclusivo veio para
dentro de nós e sobre nós. Em outras palavras, Ele está em nós e nós estamos
nEle. Esse é o verdadeiro mesclar de Deus com o homem, que podemos
experimentar a qualquer hora. O que é o Espírito Santo? É o Espírito da
verdade (Jo 15:26). Mas que é a verdade? O significado da palavra grega
“verdade” (αληθείας) é realidade. Por isso o Espírito Santo é o Espírito da
realidade, a realidade plena de Cristo. Assim como Deus está corporificado em
Cristo, assim também Cristo é percebido na Pessoa maravilhosa do Espírito
Santo. Cristo não está separado de Deus e o Espírito não está separado de
Cristo. Cristo é Deus expresso e o Espírito é Cristo percebido em realidade.
Paulo diz em II Coríntios 3:17 “Ora o Senhor é o Espírito” e ainda “O último
Adão tornou-se o espírito que dá vida”.(I Co 15:45). O ultimo Adão é Cristo e
Paulo diz que Ele, Cristo, tornou-se o Espírito. Além disso, Deus Pai é também
o Espírito (Jo 4:24). Portanto todas as três pessoas da deidade são o Espírito.
Se Deus Pai não fosse o Espírito, como Ele poderia estar em nós e como
poderíamos contatá-lo? Além disso, se Deus Filho não é o Espírito, como Ele
poderia estar em nós e como poderíamos experimentá-lo? Por que o Pai e o
Filho estão ambos no Espírito, podemos facilmente contatar Deus e
experimentar Cristo. Observem os versículos seguintes: Um só Deus e Pai (...)
o qual (...) está em todos”. (Ef 4:6) “Jesus Cristo está em vós”. (II Co 13:5). “Seu
Espírito que em vós habita”. (Rm 8:11). Estes três versículos revelam que Deus
Pai, Deus Filho e Deus Espírito estão em nós. Quantas pessoas estão em nós?
Três ou uma? Não devemos dizer que três pessoas separadas estão em nós
nem dizer que somente uma Pessoa está em nós, mas os Três em um está em
nós. O Pai está no Filho e o Filho, com todos os seus elementos maravilhosos
está no Espírito. Quando esse Espírito maravilhoso entra em nós, no momento
em que abrimos nosso coração para Jesus, o próprio Deus é então dispensado
para dentro de nós. O Deus Triúno está em nós. É esse o ponto crucial do
propósito de Deus, ou seja, dispensar o Deus Triúno em nós. Por isso
precisamos agora focalizar toda a nossa atenção em viver pelo Deus Triúno
que habita dentro do nosso espírito. Se nos desviarmos disso, não importa
quão boas e bíblicas possam ser as outras coisas, nós certamente perderemos
o ponto crucial do propósito de Deus.
A eletricidade pode ser usada para ilustrar esse arranjo de Deus na
trindade. Ela inclui a fonte, a corrente e a transmissão. Parecem ser três tipos
diferentes de eletricidade, mas na realidade é um só. A fonte, a corrente e a
transmissão são a própria eletricidade. Se a eletricidade não existisse, nem a
fonte, nem a corrente, nem a transmissão existiriam. Assim como há uma única
eletricidade com três estágios diferentes, assim também há um Deus com três
Pessoas. Numa extremidade está a fonte ou o depósito de eletricidade,
enquanto na outra está a transmissão da eletricidade aos nossos lares. Entre
as duas extremidades está a corrente. Deus como Pai é a fonte; Deus como o
Filho, é a corrente e a própria expressão do Pai; e Deus, como o Espírito, é a
transmissão de Deus para dentro do homem. Isso não é modalismo. Não
estamos falando de uma heresia tão elegantemente combatida na igreja.
Estamos falando de um exemplo humano que mais pode ser usado para
compreender a trindade e seu propósito. Nunca um exemplo será perfeito.
Agora a pergunta que não quer calar. O que isso tudo contribui em meu
entendimento sobre a graça e a vida em Cristo? Vejamos.
O Espírito Santo em nós é a dose toda inclusiva de Deus. Nele temos
tudo o que precisamos. Tudo o que o Pai e o Filho são e tudo o que Eles tem,
está nesse Espírito. Não é uma questão de aprender doutrinas, de ser
discipulado e ensinado a conformar-se a um padrão moral. Não é estudo sobre
ética cristã. Você é um irmão fraco? Aqui está uma dose maravilhosa para
fortalecê-lo com poder e força divina. Em certo momento, na franquia eu
aprendi que eu havia sido crucificado em Cristo e que eu deveria viver a vida
como alguém que foi crucificado em Cristo. Que eu deveria sempre lembrar
disso antes de pecar. Eu tinha de ficar alerta de manhã até a noite lembrando
disso. Aquilo não funcionava e nunca funcionou para ninguém. Um dia o
Senhor abriu meus olhos para ver que a realidade de sua morte não está em
meu reconhecimento deste fato, mas no meu desfrutar do Espírito Santo. Isso
está revelado em Romanos 8. Romanos 6 dá apenas a definição. Mas
Romanos 8 dá a realidade da morte de Cristo, pois a eficácia da morte de
Cristo está no Espírito Santo. Quanto mais eu tiver comunhão com Cristo no
Espírito Santo, mais estarei morto. A dose do Espírito Santo todo inclusivo
contém o elemento aniquilador. Não há a necessidade de eu me considerar
morto quando estou no Espírito Santo, por que estou desfrutando-o como essa
dose maravilhosa. Espontaneamente os muitos germes que estão dentro de
mim serão mortos. Um dia um homem me bateu no trânsito. Sim, apanhei feio.
A filha dele soltou a mão dele e ela atravessou bem na minha frente. Não a
atropelei a filha dele, mas foi um susto. Desci do carro para ver como ela estava
e “poft” ele me bateu. Eu estava odiando aquele homem. Disseram, na franquia,
que quem odiava era o ego e esse ego fora crucificado e negado, portanto eu
teria que amá-lo. Assim tentei me considerar morto, tentei negar a mim mesmo,
mas isso não funcionou. Quanto mais me considerava morto mais eu odiava.
Por fim, um dia, enquanto tinha comunhão com o Senhor em oração, fiquei
cheio de seu Espírito Santo. Como as lágrimas correram! Percebi que o poder
aniquilador estava dentro de mim, matando meu ódio e o meu orgulho.
Automaticamente, amor misturado com lágrimas jorraram no meu coração por
esse homem. Que era isso? Era o elemento aniquilador nesta dose
maravilhosa, a eficácia da morte de Cristo no Espírito. Quando estivermos
fracos, devemos ir ao Senhor, dizendo: “Louvo-te, Senhor, por que nesta
situação sou fraco”. Por contatá-lo, veremos que Espírito maravilhoso Ele é.
Muitas doutrinas das várias franquias estão desviando o povo do Senhor Dele
mesmo, levando-os a desviarem-se do ponto crucial, ou seja, o Espírito Santo
todo inclusivo dentro de nós. O Espírito é a morada mútua. João 4:23 diz que o
Pai e o Senhor virão fazer a Sua morada em nós. Que isso quer dizer? Você já
experimentou o Pai e o Filho vindo fazer morada em você? Esse é o ponto
crucial do arranjo de Deus, do propósito de Deus. Quando estamos no Espírito,
estamos morando no Filho e no Pai e ao mesmo tempo Eles estão morando em
nós. Somente então é que temos uma comunhão íntima com o Pai e com o
Filho. Teremos uma conversa interior. Falaremos com o Senhor e o Senhor
falará conosco. Essas são as experiências do mútuo morar. Muitos cristãos
estão preocupados com doutrinas. Com pós arrebatamento, pré arrebatamento,
arrebatamento parcial ou outra coisa qualquer. Esqueça isso! Contanto que
ame ao Senhor e viva por Ele, quando Ele voltar você será arrebatado. Isso é
suficientemente bom!
O Espírito é o Espírito transformador, liberador, que dá vida. Se
contatarmos durante todo o dia este que é vivo no Espírito Santo maravilhoso,
Ele vai dispensar vida para dentro de nós (II Co 3:6). Teremos refrigério interior,
iluminação interior. Isso indica que Cristo está sendo dispensado para dentro de
nós. Além disso, o Espírito Santo continuamente nos liberta (II Co 3:17). Muitas
opressões e depressões do dia tendem a enfraquecer-nos. Uma questão
pequena pode nos deprimir ou oprimir. Entretanto, se eu contatar Cristo vivo
dentro de mim Ele imediatamente me libertará. Se estivermos no Espírito Santo
seremos transcendentes, por que nesse Espírito maravilhoso estão os
elementos de ascensão e transcendência. Finalmente, enquanto o Espírito
Santo transmite vida e nos liberta, Ele também nos transforma. Em II Coríntios
3:18, de acordo com a tradução literal, diz-se:
E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando e refletindo como um
espelho a glória do Senhor, estamos sendo transformados (μεταρφουμεθα) de
glória em glória, à Sua própria imagem, como do Senhor Espírito (κυρίου
πνευματος).

Neste versículo, a palavra “transformados” é a mesma palavra que em


Romanos 12:2: “Transformai-vos pela renovação da vossa mente”. Ser
transformado não significa simplesmente ser mudado exteriormente, mas ser
mudado tanto em natureza por dentro como em forma por fora. A palavra é
metamorfo que é uma mudança na sua essência. Embora sejamos tão naturais
e até mesmo pecaminosos, o Espírito transforma a nossa imagem natural na
Sua imagem gloriosa. Por saturar a nossa mente, emoção e vontade Consigo
mesmo, Ele ocupará todas as partes interiores do nosso ser . O nosso amor,
ódio, desejos, escolhas e decisões ostentarão a Sua imagem. Seremos
transformados à Sua imagem, de glória em glória, isto é, hoje somos
transformados no primeiro estágio de glória, amanhã seremos transformados
no segundo estágio e no dia seguinte, no terceiro. Cada dia a glória aumentará.
No próximo post tentarei explicar como isso se processa em nosso interior. Está
difícil fazer posts pequenos, estou fazendo o melhor que posso. Fiquem na paz.
GRAÇA PARTE V

“Na luta contra o pecado, vocês ainda não resistiram até o ponto de derramar o
próprio sangue”. (Hebreus 12:4)
Para mim, foi muito necessário entender e relembrar que eu devo
depender do Espírito Santo e que este Espírito é todo suficiente. Nele eu tenho
tudo o que preciso. Desfrutar da graça de Deus passa por viver nesse Espírito
de maneira simples, dependendo dEle em tudo. No entanto, isso parece um
pouco distante de uma realidade. Por ser muito simples, sem depender de
organizações ou doutrinas ortodoxas, achamos que não deveria e não poderia
ser assim. Isso é muito antigo. Lembro-me do dia em que chegou às minhas
mãos um livro de Madame Guyon. Ela era católica nos idos de 1.664. Após
perder toda a sua família entrou em uma busca insaciável à presença de Deus.
Sua experiência simples, incluindo até manuais para auxiliar pessoas que não
sabiam ler, ajudou muitos a desfrutar de plena comunhão com o Senhor,
através do que depois se chamou de “quietismo”, onde entendeu-se que o
segredo de ter comunhão com o Espírito dentro de nós é o aquietar de nossa
mente, de nosso interior. Isso é muito antigo. Infelizmente nós acabamos nos
desviando dessa doce simplicidade e dando uma dimensão para estrutura que
ela nunca deveria ter. A própria Guyon foi mantida na prisão por anos como
herege por ter despertado a ira dos líderes católicos da França. Eles viram nela
uma ameaça à sua hegemonia, baseada no clientelismo e no incentivo a uma
dependência além do biblicamente correto nos padres e no sistema católico.
Madame Guyon lembrou fórmulas simples de viver a sua vida com o Senhor,
mesmo nos momentos em que você se encontra sozinho. Lembro de ter lido
um livro dela quando eu tinha uns 17 anos. Como foi bom voltar àquilo que eu
nunca deveria ter deixado. Vou detalhar melhor. Certo domingo eu fui chamado
a fazer uma tarefa diferente da que eu estava habituado a fazer. Um irmão
chegou pra mim e disse com muito carinho: “Alexandre, hoje precisamos de
você com as crianças. São muitas e alguns irmãos faltaram. Faça o lanche
rapidinho e depois venha aqui para o auditório”. Apressei-me em fazer o lanche,
embora naquele dia era um lanche bem fácil. Era waffer com tang de laranja.
Era só abrir os pacotes de waffer, colocar em umas tigelas de plástico; depois
pegar duas panelas bem grandes de água gelada, jogar o pozinho mágico de
laranja e colocar nos copos em cima da mesa. Fiz bem correndo e fui atender
ao chamado dos irmãos. A tarefa era simples: ficar sentado ao lado das
crianças a fim de que eles não se distraiam uns com os outros e ajudar na
recreação. Quando eu estava sentado perto de uma rodinha com umas
crianças eu prestei bem atenção em uma conversa deles. Um deles estava
falando que a mãe sempre ia a uma oração de manha na quadra do colégio da
comunidade. Ele disse que a mãe o levava quase sempre. Ao ouvir aquela
conversa senti um forte desejo de estar nessa oração. Era todos os dias das 6
às 7 h da manhã. Procurei informar-me com as próprias crianças ali e resolvi
freqüentar essa oração. Eu estava bem no início do reaprendizado.
Naquela comunidade eu estava, como ainda estou, como um novo
convertido. Comecei a acordar bem cedo para ir à oração. Eu precisava muito
orar. Fiquei receoso de ser algo dirigido, como um culto de oração. Eu queria
um lugar para orar com outras pessoas, a fim de ter um incentivo pela presença
de outros, mas sem algué dirigindo. Sozinho, em um recomeço, às vezes é
difícil. Foi pelo mesmo motivo que eu comecei as vigílias na franquia carioca
todas as sextas feiras. Cheguei e graças a Deus era como eu precisava.
Surpreendi-me pelo número de pessoas, mas talvez eu houvesse chegado em
algum dia especial. Devia ter umas 100 pessoas. Cada um ficava em seu canto,
outros andando, outros ajoelhados com o rosto no chão em algum cantinho da
quadra. Vi que os pastores da comunidade também estavam ali. Arrumei um
cantinho, inclinei-me e comecei minha viagem rumo ao retorno do pleno contato
com o Espírito Santo. Não foi fácil manter a mente no lugar. Nessas horas a
mente vai pra todos os lugares. É difícil voltar-se para o lugar onde o Espírito
Santo está, principalmente por eu ter, por muito tempo, vivido em um sistema
em que a dependência do Espírito não é cultivada. Quando eu estava quase
conseguindo dominar minha desprezível mente, já eram sete horas e tínhamos
que desocupar o local, pois a quadra era usada pela escola da comunidade. No
outro dia eu retornei. Tinha também muitas pessoas. Fiquei admirado, pois
estava um dia muito frio. Menos de 5 graus. Entrei, ajoelhei-me e pela
misericórdia de Deus o céu se abriu. Foi uma surpresa. Eu ficaria ali alegre
mesmo que o céu não se abrisse. Mas, se abriu. Glória a Deus! Senti-me como
criança no colo do Pai. Toquei e desfrutei do Espírito todo suficiente. Fiz disso
uma prática. Na verdade foi o meio de impulsionar-me para ter de volta uma
prática constante. Eu comecei a receber de volta aquilo que está tão
claramente escrito em I João 2:27:
Quanto a vocês, a unção que receberam dele permanece em vocês, e não
precisam que alguém os ensine; mas, como a unção dele recebida, que é
verdadeira e não falsa, os ensina acerca de todas as coisas, permaneçam nele
como ele os ensinou.

Essa unção nos guia em tudo o que precisamos. Não é o caso de dizermos que
não precisamos dos irmãos. É claro que a plenitude de Cristo não está em um
membro do Corpo. A plenitude de Cristo está derramada no Corpo. Mas não
podemos viver debaixo de um controle que mine a nossa dependência e a voz
de Deus em nosso coração. Precisamos experimentar a presença de Cristo em
nós. Passei a ter mais sensibilidade para ouvir a voz e Deus no meu coração.
Evitava fazer qualquer coisa sem antes ouvir essa voz. Sou obrigado a dizer,
para não ser injusto, que muito me ajudou nesse processo o meu contato com
irmãos simples da comunidade. Quando o veneno foi saindo, passei a
conseguir enxergar as virtudes da simplicidade da vida com Deus desses
irmãos. Deixei de lado as doutrinas. Deixei de lado os caprichos
fundamentalistas. Passei a desfrutar. Imagine a seguinte situação: Você está
morrendo de fome. Muita fome mesmo. Você comeria um bifão bem grande.
Nesse momento eu vou até você e digo: “Vou lhe apresentar um bife”. Você fica
radiante e cheio de expectativa devido à fome. Eu pego um manual do bife e
começo a explicar tudo sobre o bife. Digo que o bife tem em sua composição
tantos por cento de gordura, tanto de fibra, tanto de proteína. Pergunto: Isso o
alimentará? Sua fome será saciada? De forma alguma. Você quer comer um
bife. Você quer desfrutar do bife. Está com fome. Por isso passei a me
preocupar a desfrutar de Cristo e de sua doce presença e deixar os
preciosismos bíblicos de lado. Quero me fazer compreender bem a fim de evitar
confusões. Esse blogueiro desprezível já foi chamado de tudo, até de louco.
Herege eu ainda não fui chamado, mas pode ainda acontecer. Peço apenas
que não seja por algo que eu não disse. Leia o que Jesus disse aos fariseus:
Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas
mesmas que testificam de mim. Contudo, não quereis vir a mim para terdes
vida. (João 5:39,40)

A vida eterna não está nas Escrituras. Ela apenas fala da vida eterna. A vida
eterna está em Jesus. Isso é mais experiência do que referência bíblica. Mas,
se precisarmos de referências, vamos lá, vamos às escrituras!
Em João 3:6 lemos: “O que é nascido do Espírito, é espírito”. Este versículo fala
de dois espíritos distintos: um está em maiúscula e o outro não (no grego não
há essa distinção de maiúscula e minúscula; a diferenciação foi feita por
inferência). A primeira ocorrência da palavra refere-se ao Espírito Santo de
Deus e a segunda, ao espírito do homem. O que é nascido do Espírito Santo é
o espírito humano. Em João 4:24 diz que “Deus é Espírito, e importa que os
que o adoram o adorem em espírito”. Outra vez, o primeiro Espírito está em
maiúscula e o segundo não. Devemos adorar a Deus, que é Espírito, em nosso
espírito humano. Romanos 8:16 confirma ainda mais a existência de dois
espíritos: “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de
Deus”. O pronome nosso não deixa dúvida de que se refere ao espírito humano
e remove qualquer base para duvidar da realidade de que existe o Espírito
Divino e o espírito humano. Muita atenção é dada ao Espírito Santo e pouco se
sabe sobre o espírito humano. E tem de ser assim mesmo, mas isso não
remove o fato de ignorarmos o que é o espírito humano. O espírito humano é a
morada, a habitação do Espírito Santo. Veja que estranha essa fala de Paulo:
“Por que Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho”. (Rm
1:9). A ideia que temos é que sempre servimos ao Senhor no Espírito Santo.
Mas, Paulo diz que serve no espírito humano dele. A dificuldade de diferenciar
quando a Bíblia quer dizer espírito humano ou Espírito Santo é clara nas
traduções. Entretanto, para os que estão no Senhor, vale o que diz Paulo aos
coríntios: “Aquele que se une ao Senhor é um espírito com Ele”. (I Co 6:17). Ou
seja, a diferenciação é difícil mesmo pela união do Senhor conosco. Em outra
oportunidade irei falar detalhadamente sobre cada parte do homem. Agora não
é possível, pois fugiremos muito do assunto. O importante é sabermos que o
Espírito Santo todo suficiente e todo inclusivo está habitando em nosso espírito
humano e que esse espírito humano é a parte mais interior de nosso ser. É lá
que devemos procurá-lo a fim de tocá-lo. Não precisamos ir longe. Ele está
dentro de nós. Na parte mais íntima. Ele não está na Bíblia, se não era só
comer o livro e teríamos o Senhor. Ele está em nosso espírito.
Ele tem um propósito: quer que sejamos transformados à sua imagem.
Uma transformação que começa em nosso interior.
Onde se encaixa o versículo que foi colocado acima desse post? Veja o
que o escritor de Hebreus está fazendo menção a Jesus. Você consegue ver
essa menção? Ele diz que em nossa luta contra o pecado ainda não resistimos
até o sangue. Que sangue é este? O capitulo em questão está falando do
sofrimento de Cristo. E em que momento Jesus derramou sangue? Foi na cruz
e no Getsemani. Em que momento esse derramamento foi em conseqüência de
uma intensa luta contra o pecado? Na cruz é que não foi. Jesus estava no
Getsemani orando. Era um momento de tribulação. O vitupério da cruz estava
próximo. Deus nunca havia sentido dor física. Era uma experiência nova e
difícil. Ele chegou a ponto de pedir para que fosse afastado dele aquele cálice.
Nesse momento ele suou sangue. Ele estava lutando para não desobedecer,
para cumprir seu propósito. E como era essa luta? Será que ele estava
encarando o pecado diretamente? Será que ele estava fazendo força? De
forma alguma. A sua luta contra o pecado e também a nossa hoje, não é
encarando o pecado. Dessa forma fatalmente naufragaremos. Combatemos o
pecado indo ao Senhor. Como Jesus fez. Ele estava em oração, em comunhão
com o Pai. O autor de Hebreus diz que em nossa luta contra o pecado ainda
não resistimos até o sangue, ou seja, ainda não tivemos que buscar a Deus,
lutando contra o pecado, a ponto de derramar gotas de sangue. Não chegamos
a esse ponto. Jesus chegou. Nossa luta contra o pecado é ganha quando nos
dirigimos ao Espírito Santo em nosso espírito. Assim como Jesus fez, devemos
fazer também. Vencemos o pecado desfrutando da graça de Deus, que é a vida
do próprio Deus em nós. Falarei isso com muita reverência, mas é o único
exemplo que me vêm agora. Imagina que Deus seja uma melancia. Ele quer
fazer parte de você. Mas a melancia é grande, não dá para engolir ela inteira.
Então primeiro temos que parti-la. Depois cortar em pedaços que caibam em
nossa boca e depois ela se transforma em suco em nossas bocas e passa a
fazer parte de nossa composição. Deus fez isso nos três estágios. Ele se
introduziu no Filho, o Filho introduziu-se no Espírito Santo e o Espírito pode ser
facilmente absorvido pelo nosso espírito. Portanto, desfrutemos da graça de
Deus no Espírito Santo e deixemos um pouco de lado as mil regrinhas e os
ensinos comportamentais. Precisamos de Vida.
Termino esses post com a letra de uma música bem antiga do irmão Asaph
Borba. Deveria ser cantada todos os dias a fim de lembrar a todos, franqueados
ou não, de onde vieram e que triste fim chegamos.
Quando terminar esta vida e lá no céu eu chegar
Haverá uma multidão de irmãos
Esperando pra me abraçar, e perguntarão a uma voz,
Voltados para mim ,Oh conta-nos como você irmão,
Venceu e chegou aqui.
E falarei, e cantarei de Jesus que me salvou
Que por este pecador a si mesmo se entregou.
Foi graça, graça, super abundante graça
Graça, graça, preciosa e doce graça.
Foi graça irmão, Graça irmão,
Eu vos digo que foi assim
Foi só pela graça de Jesus
Que eu venci e cheguei aqui.

Rf.rocha2010@hotmail.com