ÍNDICE

Capa e Contracapa de Mario Cau – Lúcia e a Banshee
Índice e Tira de “Zé-Man”, de João Carlos Magiero 2
Editorial – André Carim e Tira de João Carlos Magiero 3
Entrevista com MARIO CAU 4
Ilustração da Agente Laranja, de May Santos 17
Ilustração da Agente Laranja, de Estêvão Moraes 18
HQ: “JOGOS DE TERNURA”, 2ª parte HQ Agente Laranja e Caçador do Mal 19
Ilustração de Serj D’Lima Plácido – Força Extrema 40
HQ: “SELENIS”, Elenílton Freitas (Roteiro) e Leo Laino (Criação e Arte) 41
Ilustração de Luiz Iório 46
HQ: “SANGUE INOCENTE”, Vampiras Isabela e Valquíria 47
HQ: “LARA – SONHOS ARTIFICIAIS”, de Jhonas Vieira 54
HQ: “Prólogo de Gaia”, Epopeia, de Maurício R. Augusto 57
Artigo: “Desenho com Ferro de Soldar”, Júlio Shimamoto 68
Ilustração de Luiz Iório 74
Divulgação / Resenhas 75
Ilustração de Luiz Iório 78
Ilustração de Serj D’Lima Plácido – Força Extrema 79
Contracapa: Mario Cau
Ordem das ilustrações utilizadas na Entrevista com Mário Cau são de 3 HQs e
estão distribuídas assim na entrevista: Monstruário; Pieces – Partes do Todo;
Terapia; Terapia; Terapia; Monstruário; Terapia; Monstruário; Terapia; Pieces –
Partes do Todo; Terapia; Pieces – Partes do Todo; Monstruário

MÚLTIPLO – FANZINE DE HQs Fanzine Múltiplo e Adriana
Editor: André Carim de Oliveira Dee, a Agente Laranja,
Periodicidade: Mensal – Nº 18 – abril de 2018
Fanzine online que pode ser baixado em: registrados na Biblioteca
http://multiplozine.blogspot.com.br/ e Nacional sob o número 83.569
https://www.facebook.com/groups/4102013193628 em 19 de julho de 1993 – Autor
51/
Ou solicitado pelo e-mail:andrecarim@outlook.com e criador: André Carim de
Oliveira.
Diversificando...
André Carim
A palavra de ordem desse mês é: DIVERSIFICANDO! Assim é como
vejo a atual fase dos Quadrinhos Nacionais, com muitos lançamentos
especiais, qualidade que se supera a cada nova edição.
E o Múltiplo não poderia ficar de fora, portanto, trago até vocês este
mês uma super entrevista com o ganhador do Troféu Ângelo Agostini de
melhor desenhista de 2017: MARIO CAU, contando um pouco da sua
trajetória, projetos e o modo de pensar.
Dando sequência à última edição, a segunda parte da HQ da Agente
Laranja, “Laços de Ternura”, com roteiro de Elenílton Freitas, apresentando
um crossover entre Adriana e o Caçador do Mal.
Também nesta edição o começo da publicação das HQs avulsas de
cada personagem de EPOPEIA, trazendo nesta edição uma grande heroína
da saga: GAIA, de Maurício Rosélli Augusto. Essa iniciativa traz HQs que
fazem parte do Universo de Epopeia e visa mostrar ao leitor um pouco mais
de cada personagem.
Tem também nesta edição Sinistra Selenis, de Leonardo Laino e uma
HQ do Jhonas Vieira, “LARA”, uma nova aventura que se inicia.
Voltando um pouco ao amigo MARIO CAU, destaco a super capa que
ele fez exclusivamente para o Múltiplo, denominada de “Lúcia e a Banshee”,
ilustração esta, composta pela capa e contracapa num efeito bem legal.
Bom, é isso, até o mês que vem com muito mais HQ Nacional...
Entrevista com Mário Cau
Nome, idade, local de nascimento.
Mario Vitor Gouveia Cau (se necessário, Mario Cau é o artístico). Nasci em
Campinas em 1984.

Onde reside hoje?
Moro em Campinas, com minha esposa. Cresci em Pedreira, interior de São
Paulo, e me mudei pra Campinas aos 18.

Como começou a desenhar e o que curtia?
Desenho desde muito novo, uns 2 ou 3 anos. Simplesmente desenhava, como
toda criança. Continuei desenhando até hoje. O que mais me influenciava
quando comecei eram desenhos animados da Disney e gibis da Turma da
Mônica.

Quais foram as suas influências? Algum artista em especial?
Ah, influências são muitas e, ao longo dos anos, elas vão se renovando.
Algumas ficam bastante tampo, haha. Eu já tive Jim Lee, Joe Madureira e
Bryan Hitch como maiores influências, mas hoje não. Atualmente gosto de
consultar David Mack, Cameron Stewart, Jeff Smith, Craig Thompson, Fabio
Moon, Gabriel Bá, tem tantos... E, sempre, o eterno Will Eisner.
Qual o seu gênero preferido?
Gosto de tudo que tiver uma boa história. Drama, cotidiano, fantasia,
biografia. Gosto até de super-heróis, desde que, como falei, seja algo bem
escrito e com boas ideias.

Além de desenhista/roteirista, tem alguma outra profissão?
Sou professor. Dou aulas em Campinas, na Pandora Escola de Artes.
Também dou workshops, oficinas, palestras.
Atendo clientes como ilustrador freelancer em publicidade, editorial,
didático...
Sua arte é um hobby ou
uma profissão?
Profissão. Sou muito
abençoado por ter tido
profissões ligadas a arte
desde o início. Sou
formado em Artes
Visuais e nunca
trabalhei com algo que
não envolvesse isso de
alguma forma.

Algum fato inusitado
marcou sua carreira?
Não consigo lembrar de
nada muito inusitado. Desde que comecei a me enturmar com os autores e o
mercado, tenho marcado presença em eventos, publicando muito e sempre
conheci muita gente bacana, entre editores, leitores, autores. São várias
histórias divertidas. Participei de muita coisa importante, e acho que é
resultado de postura, dedicação, qualidade do trabalho e networking.

Como vê o mercado de HQs no Brasil?
Bom, podia ser muito melhor, né? É uma discussão enorme, e acho que eu
não tenho tanto conhecimento para definir tudo. Eu acho que é uma questão
de contexto, de comparações: está bom, claro, comparado a outras épocas.
Mas ainda temos enxurradas de títulos em bancas e livrarias vindos de
mercado exterior, onde nem tudo é bom; e muita, mas muita mesmo,
produção independente e poreditoras, autorais, de qualidade, que não
chega longe com os leitores.
Somos um povo que lê ridiculamente pouco. Que tem grandes problemas nos
campos da economia, educação, saúde, etc. Sim, também é sobre política.
Como esperar que o povo que tem uma educação tão ruim se torne leitor,
saiba discernir e debater...? As pessoas deveriam ler muito mais. HQ autoral
deveria chegar em muito mais lugares. Autores deveriam poder viver de suas
obras e derivados. Estamos em evolução constante, com eventos, editoras,
autores, leitores... Falta, às vezes, profissionalismo, às vezes chances,
oportunidades, financiamento, procura do público..., mas ainda tem muito
chão pra dizermos que é um mercado sólido e que se sustenta.

Que tipo de incentivo o artista necessita para vencer?
Depende o que você quer dizer com “vencer”. Acredito que, para um artista,
o maior incentivo é simplesmente produzir, se expressar, se comunicar. Se
você faz quadrinhos, você está contando histórias e isso precisa conseguir
cumprir um ciclo, que é chegar ao leitor e aí, ter feedback dele. Cada
trabalho concluído é uma vitória, pensando em nosso mercado.
Agora se “vencer” é ter sucesso financeiro, bom, quadrinhos não trarão isso.
Pelo menos não rápido. Por isso a grande maioria dos autores de HQ têm
outros trabalhos, e são heróis por conseguirem produzir quadrinhos nessa
conjuntura.
Tem que ter paixão, dedicação, estudo, disciplina, pesquisa. Nada vem fácil,
jovens.

O que a arte pode fazer
como transformação na
vida das pessoas?
A arte, em geral, abre as
portas para a expressão e
autoconhecimento. Tudo
que um artista quiser falar,
ele pode. Existe espaço para
isso. Mas geralmente, tem
um caminho considerável
para se tornar
tecnicamente bom naquilo
que se faz, o que pode
frustrar as pessoas. A gente
vê grandes artistas e seus
trabalhos magistrais (em qualquer estilo, linguagem, etc.) e não costuma ver
o tempo de dedicação e estudo. Arte é algo maravilhoso e até
transcendental, mas pode ser só entretenimento. A questão é atingir o ponto
em que o que você produz é nivelado com o que você espera, sem frustração.
Arte, apesar de ser expressão, não é para ser só sofrimento e frustração. É
para fazer bem a quem faz.

Tem admiração por algum
artista em especial?
Admiro muito quem se
dedica ao que ama e faz
dar certo. E, também, a
quem acaba, com seu
trabalho, criando coisas
novas e rompendo
barreiras. Admiro quando
a pessoa é humilde e
acessível.
Posso citar David Mack,
Neil Gaiman, Eisner, Greg
Tochini, o Rei Jack Kirby...,
mas tem muita gente
incrível por aí. Seria injusto
esquecer alguém
importante.

Quais as parcerias que
realizou durante sua
trajetória?
Minha carreira como
quadrinista começou
quando entrei na Front,
que era uma antologia
temática produzida por
vários autores, num sistema muito bacana. Depois, entrei para o Quarto
Mundo, que foi o maior e mais importante coletivo de Quadrinhos dos
últimos anos. Também participo, até hoje, do Petisco, que começou como um
site para publicação de webcomics, onde Terapia é publicada.
Nesse tempo, fiz muitas parcerias, com destaque para Rob Gordon, Marina
Kurcis, Daniel Esteves, Will, Cadu Simões, Sergio Chaves, Estevão Ribeiro,
Lillo Parra, Caio Yo, Lucas Oda, Ana Recalde, Carla Rodrigues... Como
roteirista, minha única experiência escrevendo para outro artista foi com o
Pedro Serpa.

Qual o seu trabalho que mais marcou?
A série Pieces, que foi onde começou a minha experiência autoral. Dom
Casmurro, meu primeiro projeto de fôlego e que nos trouxe dois Prêmios
Jabuti. Terapia, projeto mais longo e mais experimental.

Qual o impacto que espera que seus personagens causem nas pessoas?
Como as minhas HQs geralmente são sobre pessoas vivendo a vida cotidiana
e lidando com suas questões emocionais, seus traumas, seus sonhos e
paixões, espero que os leitores se identifiquem, reflitam, sintam.
Conversando com vários leitores, fica evidente o quanto a gente consegue se
comunicar e o quanto as histórias reverberam neles. Fico muito feliz e
realizado com isso!

Alguma gratidão a alguém? Alguma mágoa?
Minha gratidão é imensa a todos que de alguma forma me ajudaram a chegar
onde estou. Meus pais (a família toda, na verdade), que desde sempre me
apoiaram. Meus professores de
desenho, Paulo Branco e Dag
Lemos que, cada um do seu
jeito, me lapidaram de um
moleque empolgado a um
desenhista mais consciente. O
pessoal dos grupos dos quais
participei, mais em especial os
que estão comigo até hoje, um
tipo de conselho editorial do
Petisco (Daniel, Will e Cadu). E
minha esposa Monica, porque
sem o apoio dela, eu não faria
um terço do que faço.
Mágoa nenhuma. Não gosto de
guardar mágoa, e espero que
não tenha ninguém por aí que
guarde mágoa de mim.

Tem algum projeto futuro?
Meus próximos trabalhos são o
Volume 2 de Terapia (que vai
ser concluído ainda no primeiro
semestre no site
petisco.org/terapia e depois virar livro); e de Monstruário. Depois, não sei.
Nos últimos anos estive sempre envolvido em muita coisa, lidando com
prazos apertados. Em 2018, quero concluir tudo com o que estou envolvido;
e fazer as coisas com calma. Quem sabe, começar um novo roteiro para um
projeto solo.

O que deixaria para seus leitores?
Deixar...? Acho que o que todos nós deixamos são memórias e histórias. Se,
quando eu partir desse plano, minhas histórias, aulas, palestras e ideias
continuarem de alguma forma fazendo sentido e inspirando as pessoas,
considero uma missão muito bem cumprida.

O que o inspira na hora de criar?
As pessoas e seus universos internos. Os pequenos momentos da vida comum
que são cheios de significado e poética. Gosto de, mesmo em histórias que
envolvem monstros, heróis ou fantasia, entender quem são os personagens e
suas motivações. Gosto de escrever sobre pessoas, mas não histórias vazias e
sem profundidade.

Qual personagem seu é o favorito?
Dos meus personagens? Bom, eu sempre trabalhei com histórias que não têm
personagens fixos e eles nem têm nome. É uma das coisas que abordo em
meus trabalhos. Dos que são, de fato, personagens com nome, ou frequentes,
acho que seria o Garoto de Terapia. Ele me trouxe muita coisa boa, muita
evolução como autor e ser humano.

Nos conte a respeito de “Monstruário”, que ganhou o Ângelo Agostini, é um
trabalho autoral? Você mesmo escreveu e desenhou?
É autoral, mas o roteiro não é meu. A ideia nasceu do Lucas Oda, que assina
o roteiro. Fizemos várias reuniões para debater os temas e a estrutura da
história. Eu desenhei todo o livro e cuidei da concepção visual dos
personagens e monstros. As cores são do Danilo Freitas.
É um drama, suspense, thriller. Tem monstros, mas também não tem. É sobre
a burocratização do medo: um mundo igual ao nosso, mas onde as crianças,
com 7 anos, precisam tirar seus documentos e entre eles há o registro de
monstro. A criança escolhe um monstro (que representa seu maior medo e a
acompanha por toda a vida). A trama tem seu início quando a Lucia, nossa
personagem, descobre uma antiga ficha sem monstro – ou seja, sem medo. E
decide investigar isso.

É um trabalho que haverá continuidade?
Sim, o Volume 2 sairá ainda em 2018 e conclui a história.

Sobre o que fala a maioria de suas HQs? Algum outro personagem seu que
gostaria de falar sobre?
Costumo dizer que minhas HQs são, na maioria, sobre pessoas comuns
tentando encontrar seu lugar no mundo. É sobre inadequação, saudade,
distância, silêncio, amor, medo, sonhos. Gosto de explorar o psicológico dos
personagens em um contexto urbano, pé no chão. As pessoas vivem na
maioria no automático, sentimentos e autoconhecimento são subestimados,
geralmente colocados como coisas de pessoas sensíveis demais ou sei lá o
quê. O que acho é que se todo mundo fizesse uma autoanálise, se conhecesse
e tentasse entender, respeitar e conviver em paz com os outros, o mundo
seria bem mais tranquilo.

Como classificaria o seu traço?
Olha, sinceramente, como professor entendi que não existe necessidade de
rotular traços ou estilos. O que cada um desenvolve é uma linguagem cheia
de recursos, técnicas e truques que façam sentido e funcionem para ele. Por
exemplo, o que chamamos de “mangá” é qualquer coisa que tem uma
estética oriental no traço ou na narrativa..., mas na verdade, tudo que é feito
em quadrinhos no Japão é mangá. Independente do traço: e são infinitos
estilos dentro do mangá. Então, o termo só diz respeito a uma questão
geográfica (ou, no máximo, algo muito inspirada nessa estética, mas que seja
feita fora do Japão). A mesma coisa serve pra “comics” ou “fumetti”. É o nome
de um tipo de HQ produzido num determinado lugar, mas que não tem –
nem pode ter – uma limitação estética por ser daquele lugar ou temática.
Eu tenho influência de muita coisa, de mangá a quadrinho de super-heróis,
cartum a artes visuais clássicas. É uma colcha de retalhos imensa. É assim que
tem que ser, senão o artista vira algo limitado pelo próprio rótulo.

Prefere desenhar preto e branco ou colorido? Por quê?
Preto e branco. Existe uma exigência muito técnica, desafiadora, em
construir páginas (ou mesmo ilustrações) que funcionem em PB. Além disso,
tem uma carga dramática muito especial. Quando comecei a produzir minhas
HQs, o PB era tanto uma questão financeira (é mais barato para imprimir),
mas principalmente por um tipo de tendência para histórias do estilo que eu
mais costumo produzir.

Por outro lado, quando posso contar com cores, o experimentalismo
aumenta muito. As cores trazem mais informações, sensações, analogias... A
melhor coisa é pensar o que funciona melhor para cada trabalho e buscar
compor as páginas e usar os recursos gráficos disponíveis da melhor forma,
para contar a história da melhor forma possível.

Como vê o cenário independente de HQs no Brasil?
Riquíssimo, muito mais interessante e diverso do que encontramos nas
bancas. Tem muita gente boa, de nível altíssimo, ainda no cenário
independente. Os autores independentes têm, hoje, acesso e condições
idênticas às editoras. Então, publicar por editora é uma opção em meio a
outras, e não o pote de ouro no fim do arco-íris.
E o fato de que o independente batalha pelo seu projeto, faz acontecer da
melhor forma possível, deposita seus esforços de forma honesta, faz com que
exista muita paixão e entrega. Muita amizade, muito apoio mútuo. Todos
queremos produzir e fazer nossas histórias chegarem aos leitores. E nosso
mercado tem espaço para todo mundo, os eventos, a internet e os métodos
de financiamento têm ajudado muito nisso.
Ser independente é muito importante como jornada de amadurecimento. Se
aprende muito, justamente por precisar encontrar as soluções por conta ou
em contato com os colegas autores. Então, quando há possibilidade de ser
publicado por editoras, o autor já tem uma formação e vivências muito boas.
Em alguns casos, na verdade, a editora nem é interessante, pois a via
independente parece mais convidativa pelo que oferece.

Breve currículo e considerações finais.
Pesquisem, conheçam, leiam, mergulhem no quadrinho nacional, no
quadrinho autoral (mesmo que não seja brasileiro). Tem muito mais do que
você acha na banca, tem muito mais do que supers, TdM e mangá. E tem tanta
coisa boa de tantos temas, que acho impossível não encontrar algo que seja
feito exatamente para você.
Apoie seus autores favoritos, compre os trabalhos deles, sigam nas redes,
curtam e compartilhem. Se você não tem como comprar as coisas, ajude
divulgando. Por mais que pareça que temos um mercado grande e sólido,
ainda temos muito chão e o apoio mútuo de leitores e autores é muito
importante.

Quadrinista e ilustrador, um artista compulsivo e multitarefa: desenha
desde sempre e nunca parou. Acredita nas Histórias em Quadrinhos como
forma poderosa de comunicação, expressão e arte: são sua linguagem e sua
voz. Formou-se licenciado e bacharel em Artes Visuais pelo Instituto de Artes
da Unicamp (2003-2007). Desde 2004 atua profissionalmente.
Começou sua produção autoral com a série “Pieces”, sobre os
pequenos momentos cotidianos, convidando o leitor a uma reflexão sobre os
mesmos. Foi membro da Front e do premiado coletivo independente Quarto
Mundo. Participou de várias revistas e antologias, no Brasil e no exterior.
Participou dos projetos “MSP+50” e “Mônica(s)”, em homenagem aos
cinquentenários de carreira de Maurício de Sousa e da personagem Mônica,
respectivamente, e da exposição e livro “Ícones dos Quadrinhos”, no Festival
Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte.
Ilustrou a adaptação para HQs de “Dom Casmurro”, de Machado de
Assis, com roteiro de Felipe Greco. Obra contemplada com o edital ProAC, e
publicada pela Devir, Dom Casmurro venceu o Prêmio Jabuti em 2013; e,
também o Troféu HQMIX. Também foi selecionada no PNBE, sendo
distribuído para as bibliotecas das escolas públicas de todo o país.
Produz a elogiada série de webcomic “Terapia”, com Rob Gordon e
Marina Kurcis, para o portal Petisco. Terapia ganhou o Troféu HQMIX na
categoria “Web Quadrinho”, e virou livro após uma bem-sucedida campanha
de financiamento coletivo no site Catarse. “Terapia Vol. I” foi publicado pela
Editora Novo Século.
Em 2014 participou
de antologias como
“Feitiço da Vila – a
poesia de Noel Rosa
em Quadrinhos”,
“Cripta do Shogum”
e “Um Rock para
Caçador”; além de
ter lançado a graphic
novel “Morphine”. No começo de 2015, recebeu o Troféu Angelo Agostini na
categoria "Melhor Desenhista de 2014". Publicou a graphic novel "Quando a
noite fecha os olhos”, com roteiro do premiado André Diniz.
Em 2016, ilustrou o livro “Neuro-o-quê?! Neurociência!”, uma HQ
para a nova edição de O Gralha, super-herói nacional, uma HQ para a
antologia “Cosmogonias” de Cadu Simões e outra para a antologia “Pátria
Armada – Visões de Guerra”, publicada pelo InstitutoHQ. Durante a Comic
Com Experience, lança “Pieces – Partes do Todo”, novo volume com a
retomada de sua série autoral, desta vez publicada pela Marsupial/Jupati
Books.
Seus projetos de 2017 incluem o livro “Cris, 30 anos”, que reúne pela
primeira vez a webcomic “Cris Corner”, publicada em 2004 em parceria com
a ASPE Brasil, e mais 10 contos inéditos ilustrados sobre a vida adulta da
personagem-título. Uma nova edição, revista e ampliada com novas
ilustrações de “Neuro-o-quê?! Neurociência!” também foi lançada. Durante
a CCXP, lança “Monstruário – Volume 1”, seu mais novo trabalho, em parceria
com o roteirista Lucas Oda e o colorista Danilo Freitas, obra contemplada
pelo edital ProAC em 2016 e publicada pela Marsupial/Jupati Books. No
evento também é lançada a edição limitada de “Sketchbook – Pessoas do
mundo todo”, seu primeiro artbook.
Como ilustrador, atende diversos clientes particulares, editoras,
agências de publicidade e produtoras culturais. É professor de HQ, Ilustração
e Desenho Artístico na Pandora Escola de Artes em Campinas - SP, onde
reside atualmente.
Desenho com ferro de
soldar, uma técnica de
Júlio Shimamoto, o
mestre!
Que o grande mestre Júlio
Shimamoto é um dos maiores
quadrinhistas que o Brasil já viu
não é novidade para quase
ninguém. E mesmo depois de
tantos anos desenvolvendo
quadrinhos épicos, grandes
ilustrações e HQs memoráveis,
Shimamoto ainda nos surpreende
com sua técnica apurada e suas
experimentações fantásticas.
Qual não foi a minha surpresa
quando o mestre me contou
dessa nova técnica de desenho,
utilizando “ferro de soldar”! Isso
A página faz parte da HQ inédita "CIDADE de SANGUE", mesmo, uma nova forma que ele
escrita por Márcio Jr., e terá mais de 100 páginas. Adaptei desenvolveu experimentando e
luva de madeira no ferro de soldar para evitar queimadura. nos mostrando mais um trabalho
sem retoques e com a qualidade que leva o seu nome.
A persistência e a imaginação acompanham Shima desde seus
primeiros rabiscos, e hoje, nos mostra que a idade apenas o tornou mais
mestre e mais surpreendente ainda, capaz de nos trazer uma nova técnica de
desenho que, com toda a certeza, irá ser comentada e elogiada por muitos.
Abaixo algumas perguntas que Shimamoto gentilmente me
respondeu, com o carinho e a consideração costumeiros de quem tem muito
ainda a ensinar a todos nós, bem como algumas amostras do que ele pode
realizar com essa nova técnica. Ah, e só Shimamoto faz desenhos utilizando
Ferro de Soldar e um Maçarico.

André Carim
Como descobriu essa nova forma de
desenhar?
Sempre fui um curioso experimentador.
Usei muito o fax antes de ter
microcomputador, e sabia que o aparelho
captava imagem fototásticamente e a
imprimia via calor no papel
sensibilizado quimicamente. EUREKA!
Troquei o bico de uma lapiseira com prego
sem cabeça, e após esquentá-lo numa vela
acesa vi que podia rabiscar livremente
sobre papel-fax, enquanto não esfriasse. A
solução foi usar ferro de soldar elétrica,
adaptando um bico especial.

O que essa técnica ajuda nas suas ilustrações?
Essa técnica me permite um leque diversificado de nuances que jamais
poderão ser reproduzidos ou imitados por tradicionais bicos de pena ou
pincéis.

Qual o resultado mais importante desta nova técnica?
Diria que ela permite agregar grande expressividade ao desenho, devido as
ferramentas utilizadas serem brutas e bastante agressivas.

O que ela lhe permite fazer?
Como afirmei antes, essa técnica encaixa
como luva para arte expressionista em
preto e branco.

Pretende fazer HQs com essa nova
técnica ou somente ilustrações?
Estou terminando um álbum de HQ com
essa técnica com mais de cem páginas em
parceria com o roteirista Márcio Jr.

Além de você, mais alguém se utiliza
dessa forma de fazer HQs?
Ninguém. Essa piração é exclusivamente
minha, rerrerreh!...
Quais trabalhos já produziu com essa
nova técnica?
Antes da HQ "Cidade de Sangue", fiz
dezenas de artes avulsas para avaliar a
potencialidade dessa arte térmica.
Continuo empolgado!

Ao lado, Ferramentas utilizadas por
Shimamoto para criar HQs e Ilustrações com
Ferro de Soldar e Maçarico

Página desenhada com a nova técnica de Shimamoto
Algumas artes feitas por Shimamoto com sua nova técnica:
Divulgação / resenhas
GRIMORIUM - NÚMERO 1 – ROM FREIRE
Para quem curte HQs de Terror e Horror,
Grimorium, do amigo Rom Freira não deixa nada
a desejar. Muito terror nas páginas da revista, e a
promessa de que, a cada número HQs em épocas
diferentes, locais inusitados e muita criatividade.
Esta edição 1 vem com uma HQ de terror daquelas
de arrepiar e “é uma homenagem ao gênero
terror e seus realizadores, uma colcha de retalhos
que se pretende coesa, bem costurada, onde cada
ponto tem seu significado e importância”, como
bem define o editor. Descanse em Paz, a HQ desse
número é muito bem argumentada pelo Rom
Freire e prende a atenção até a última página, deixando um futuro de
possibilidades que com certeza o amigo saberá explorar, cativando os
amantes do gênero. A revista traz um pôster central e colorido. Pedidos
através do e-mail: romfreire@hotmail.com.
------------------------------------------------------------------------------------
HISTÓRIAS FANTÁSTICAS 1 – DEZEMBRO DE 2015
Vi o anúncio desta revista no Facebook e corri à procura de quem ainda
tivesse algum exemplar desta fantástica revista e tão prontamente o amigo
Rom Freire se prontificou a me mandar um exemplar. É uma edição de 2015,
mas que está mais atual do que nunca e é o prenúncio do lançamento do
número 2, segundo informações do editor Silvio
Ribeiro que na troca de mensagens a respeito
desse número 1 que se animou com a repercussão
e já está com o número 2 praticamente pronto
para ser lançado em julho. Nesta edição número 1
ele conseguiu juntar grandes nomes dos
quadrinhos nacionais como Alan Faria, Fernanda
Reche, Gilvan Lira, Henry Jaepelt, Leonardo
Santana, Mauro Barbieri, Rom Freire e claro, o
editor, além do mestre samurai Júlio Shimamoto.
São HQs de Contos de Terror e Ficção Científica
em formato gigante e com 56 páginas. Vale, com
certeza, e muito, a leitura. Pedidos através do e-
mail: ssemr@yahoo.com.br.
QUADRINHOS INDEPENDENTES 149 – EDGARD
GUIMARÃES
Mais uma grande edição do QI, fanzine longevo que
está aí há mais de 20 anos e sempre com a qualidade
que o seu editor lhe confere. Edgard, ao longo dos
anos vem nos alimentando a alma e a paixão pelas
HQs Nacionais, dando o devido e merecido
destaque que os nossos quadrinhos deveriam ter
sempre. Ampla divulgação de independentes,
revistas e periódicos, além de um fórum bastante
rico em opiniões e demonstrações de talento de
nossos quadrinhistas. Esse ano, Edgard resolveu nos
presentear a cada nova edição de seu informativo
com encartes mais do que especiais, além de
matérias superinteressantes. Nesta edição,
Edgard nos traz o encarte “Essas Incríveis Heroínas
de Papel”, escrito por Ionaldo A. Cavalcanti, com
as biografias em ordem alfabética das maiores
heroínas conhecidas no Brasil, um material
riquíssimo e que você não deveria deixar de ler.
Também nesta edição uma entrevista com o
quadrinhista Mozart Couto. Pedidos através do e-
mail: edgard.faria.guimarães@gmail.com.
Assinatura a R$ 30,00 (anual)
------------------------------------------------------------------------------------
JUVENATRIX 194 – RENATO ROSATTI – MARÇO
2018
Mais uma edição do Fanzine Eletrônico
Juvenatrix dedicado a horror e ficção científica,
editado pelo amigo Renato, com 14 páginas. Esta
edição traz ficção de Allan Fear e como de
costume, resenhas de filmes de cinema. A revista
fala de “Numa noite escura; The Black Cat e à
série de TV Sexta-feira 13: O Legado. Também
curiosidades sobre fanzines, livros, filmes e
bandas independentes de rock. Com capa de
José Nogueira. Pedidos através do e-mail:
renatorosatti@yahoo.com.br, formato PDF.
------------------------------------------------------------------------------------
LANÇAMENTO: CONTOS
DE TERROR e COVA DO
HORROR – LUIZ IÓRIO
Duas revistas em uma, com
clássicos do terror escritas
e desenhadas por Luiz
Iório. Contos de Terror
apresenta seis HQs:
Imortalidade • Epidemia •
Muerte • O Senhor do
Castelo • Rock Bizarro •
Lupus / Cova do Horror
apresenta seis HQs: Festa
de Noivado • Fui Enterrado Vivo • Quando os Mortos Caminham • A Vítima •
Apocalipse • Tempos Modernos, Hábitos Antigos / Fanzine Ilustrado nº 8.
Revista em quadrinhos aperiódica do Estúdio Múltiplo em parceria com a
Atomic Books e HQ Point. 56 páginas, formato 15,5x23,0cm, capa color
Couché 210g e miolo PB offset 90g. R$ 20,00 com frete incluído no valor.
Baixe o Radioatividade com detalhes da edição:
http://www.mediafire.com/file/xg3b3k4748bm036/Radioatividade_contos
_de_terror.pdf / Pedidos: André Carim de Oliveira - através do e-mail:
andrecarim@outlook.com ou com o Marcos Freitas com depósitos na conta:
Banco Bradesco / Agência 1552-0 / Conta Corrente 20906-6 / CPF
595802401/91 / Marcos de Freitas da Silva. Comprovante para:
atomiceditora@gmail.com
------------------------------------------------------------------------------------
EPOPEIA e FORÇA EXTREMA
Finalmente foram oficialmente
lançadas as duas maiores sagas de
heróis nacionais, em 2 prólogos
de tirar o fôlego, no MÚLTIPLO de
março, número 17. Corre lá no
blog ou no grupo do Múltiplo e
Fanzine Ilustrado e baixe o seu em
PDF ou peça o impresso no Clube
de Autores ou por demanda,
deixando seu nome na lista de
espera.
MÚLTIPLO e FANZINE
ILUSTRADO, trazendo o melhor da HQ Nacional todos os
meses.