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João José Saraiva da Fonseca

Sonia Henrique Pereira da Fonseca

INTRODUÇÃO À
EDUCAÇÃO
A DISTÂNCIA

Sobral/2016
INTA - Instituto Superior de Teologia Aplicada
PRODIPE - Pró-Diretoria de Inovação Pedagógica

Diretor-Presidente das Faculdades INTA Revisora de Português


Dr. Oscar Rodrigues Júnior Neudiane Moreira Félix

Pró-Diretor de Inovação Pedagógica Revisora Crítica/Analista de Qualidade


Prof. PHD João José Saraiva da Fonseca Anaisa Alves de Moura

Coordenadora Pedagógica e de Avaliação Diagramadores


Profª. Sonia Henrique Pereira da Fonseca Fábio de Sousa Fernandes
Fernando Estevam Leal
Professores Conteudistas
João José Saraiva da Fonseca Diagramador Web
Sonia Henrique Pereira da Fonseca Luiz Henrique Barbosa Lima

Assessoria Pedagógica Produção Audiovisual


Sonia Henrique Pereira da Fonseca Francisco Sidney Souza de Almeida (Editor)

Transposição Didática Operador de Câmera


Adriana Pinto Martins José Antônio Castro Braga
Cileya de Fátima Neves Moreira
Evaneide Dourado Martins Pesquisadora Infográfica
Anacléa de Araújo Bernardo
Design Instrucional
Sonia Henrique Pereira da Fonseca

Introdução à Educação a Distância 5


Sumário
Palavra do Professor-autor.................................................................................... 09
Sobre os autores...................................................................................................... 11
Ambientação............................................................................................................ 13
Trocando ideias com os autores............................................................................ 15
Problematizando .................................................................................................... 17

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: PRINCÍPIOS E CARACTERÍSTICAS


1 FUNDAMENTAIS NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
Características fundamentais da Educação a Distância.......................................................24
Conceitos de Educação a Distância.............................................................................................24
A EAD: quebrando paradigmas ....................................................................................................26
A contribuição da educação a distância na formação dos profissionais do século
XXI.............................................................................................................................................................28
Quais as principais vantagens da utilização da educação a distância na formação de
profissionais?........................................................................................................................................30
Será que a educação a distância só tem vantagens?...........................................................30

2 INTERNET: O APRENDIZADO SOCIALMENTE DISTRIBUÍDO


Um breve histórico da Internet......................................................................................................40
Recomendações que os estudantes deverão compreender ao navegar na inter-
net.............................................................................................................................................................44

3 TUTOR E O SEU PAPEL NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA


Introdução.............................................................................................................................................48
Interação e tutoria: o que tem a ver?..........................................................................................49
Tutor: “os olhos, ouvidos e a boca” do sistema EaD............................................................50
O tutor e a prática da tutoria....................................................................................................51
Alguns desafios a enfrentar....................................................................................................54
O tutor e o encontro presencial...................................................................................................58

Leitura Obrigatória...........................................................................................50
Revisando............................................................................................................54
Autoavaliação....................................................................................................58
Bibliografia.........................................................................................................60
Bibliografia Web...............................................................................................63

8 Introdução à Educação a Distância


Palavra do Professor
Olá estudantes,

A Sociedade do Conhecimento tem como finalidade o domínio do conheci-


mento necessário para processar a informação, suporte da organização econômi-
ca, política e social, apresenta-se como uma sociedade da aprendizagem, chamada
também de uma sociedade cognitiva. Nela, o conceito de educação formal limitada
a um período de tempo, deu lugar ao conceito de aprendizagem ao longo de toda
a vida, em que a autoformação e a educação a distância se apresentam com um
crescente potencial.

Diante disso, um novo paradigma está surgindo na educação, portanto frente


às novas tecnologias o papel do professor será outro. Com as novas tecnologias po-
de-se desenvolver um conjunto de atividades com interesse didático-pedagógico.

Ao conceituar a sociedade contemporânea percebe-se que cada vez mais ela


está alicerçada nas novas tecnologias da informação e da comunicação. Neste sen-
tido, determina uma tomada de consciência de incluir nos currículos dos cursos de
ensino superior as habilidades e competências para lidar com as novas tecnologias.
A influência das novas tecnologias faz-se sentir em todos os aspectos da vida priva-
da e pública, modificando o modo de viver, de trabalhar, de organizar de represen-
tar a realidade e de educar.

A utilização das novas tecnologias da informação e comunicação tem poten-


cializado as propostas pedagógicas oferecidas pelos cursos a distância, disponibi-
lizando recursos instrucionais de elevada qualidade e criando as condições para a
criação de comunidades virtuais de aprendizagem permanente.

Os professores precisam estar profissionalmente qualificados na atualidade,


isso implica na assimilação das tecnologias. Um curso de Licenciatura, por exemplo,
sendo responsável pela preparação de profissionais para a docência, deve oferecer
essa formação, aliando a teoria à prática reflexiva.

Os autores!

Introdução à Educação a Distância 9


Sobre o Autor

João José Saraiva da Fonseca é Pós-Doutor em Educação pela


Universidade de Aveiro em Portugal, Doutor em Educação pela Univer-
sidade Federal do Rio Grande do Norte (2008), Mestre em Ciências da
Educação pela Universidade Católica Portuguesa - Lisboa (1999) (valida-
do no Brasil pela Universidade Federal do Ceará), Especialista em Educa-
ção Multicultural pela Universidade Católica Portuguesa - Lisboa (1994).
Graduou-se em Ensino de Matemática e Ciências pela Escola Superior
de Educação de Lisboa (validado no Brasil pela Universidade Estadual do
Ceará). É pesquisador na área da produção de conteúdo para educação a
distância. Atualmente desempenha a função de Pró-Diretor de Inovação
Pedagógica das Faculdades INTA - Sobral CE.

Sonia Maria Henrique Pereira da Fonseca, mestranda em Ciên-


cias da Educação pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecno-
logias-ULHT. Especialista em Ciências da Educação. Especialista em Edu-
cação a Distância. Graduação em Pedagogia pela Universidade Estadual
do Ceará-UECE.

Colaboradores
Evaneide Dourado Martins, especialista em Planejamento e Avaliação e Gestão Escolar,
(2015) e Educação a Distância (2012) pelas Faculdades INTA. Graduada em Licenciatura Plena em
Pedagogia pela Universidade Regional do Cariri (2005). Atualmente é Autora Roteirista Multimídia
de material didático da Pró-Diretoria Pedagógica de Novas Tecnologias em Educação e Educação a
Distância das Faculdades INTA. Tem experiência na área de educação, com ênfase em Educação a
Distância e na área administrativa e atua também como professora do INTAEAD.

Introdução à Educação a Distância 11


AMBIENTAÇÃO À
DISCIPLINA
Este ícone indica que você deverá ler o texto para ter
uma visão panorâmica sobre o conteúdo da disciplina. a
Vamos refletir um pouco...

Afinal o que é tecnologia da informação e comunicação e para que serve?

Quando falamos em tecnologia pensamos em equipamentos eletrônicos,


quando pensamos em informação estamos falando de dados que são decodificados
e transformados em informação. Portanto, Tecnologia da Informação (TI) utiliza o
computador para transmitir informações, e Tecnologias da Informação e Comunicação
(TIC’s) que podem ser entendidas como um conjunto de recursos tecnológicos para
facilitar a comunicação com objetivo de transmitir a informação e são utilizadas em
diversas áreas, como: na indústria, no comércio, no meio publicitário e na educação.

Elas servem para processar e armazenar informação com o objetivo de


disponibilizá-la com rapidez na sociedade. As Tecnologias da Informação são uma nova
forma de linguagem, estão em todo lugar e influenciam de forma direta e indiretamente a
vida social. Portanto, as escolas são convocadas a acatar de modo aceitável as mudanças
e exigências da modernidade.

O objetivo desta disciplina é mostrar como as rápidas e permanentes


transformações nas concepções de ciência, associadas ao desenvolvimento e
utilização das tecnologias, resultam em novos e difíceis desafios à educação e a
seus profissionais, revelando a necessidade de sua formação continuada ao longo
da vida.

O estudante, enquanto sujeito ativo da aprendizagem deve aprender a


levantar ideias, experimentar, aplicar conhecimentos. O educador deverá possibilitar
situações que motivem os estudantes a interagir entre si, trabalhar em grupo,
com projetos, buscar informações, dialogar com especialistas e produzir novos
conhecimentos, de maneira que desperte no estudante a curiosidade e o desejo
pelo aprender.

Sugerimos a obra Educação a Distância online, neste livro, os autores


procuram definir uma nova agenda de pesquisa para a área da educação a distância
online, sintetizando os temas, oportunidades, questões e desafios que envolvem
atualmente a disciplina. Eles exploram aspectos da prática da educação a distância

Introdução à Educação a Distância 13


que foram em geral marginalizados, como temas ligados a economia, custos, justiça
social, preconceito cultural, formação de professores e gestão e crescimento de
comunidades de educandos.

AWACKI-RICHTER, Olaf; ANDERSON, Terry. Educação a distância online:


Construindo uma agenda de pesquisa. São Paulo: Artesanato Educacional, 2015.

14 Introdução à Educação a Distância


Introdução à Educação a Distância 15
ti
TROCANDO IDEIAS
COM OS AUTORES
A intenção é que seja feita a leitura das obras indicadas
pelos(as) professores(as) autores(as), numa tentativa de
dialogar com os teóricos sobre o assunto.
Prezado estudante,

Você é convidado a realizar a leitura de duas obras que lhe darão um embasamento
sobre a Educação a Distância.

A sociedade torna-se cada vez mais complexa e isso exige sujeitos


competentes, éticos, abertos, criativos, inovadores e confiáveis. Quanto mais acesso,
mais informações, visões, novidades e maior é a necessidade de mediação.

O autor José Manuel Moran, em sua obra Novas Tecnologias e


Mediação Pedagógica, cuja leitura se recomenda, reforça a ideia de
que a educação deve proporcionar as condições para se constituir
enquanto espaço privilegiado para experimentar situações desafiadoras
do presente e do futuro, reais, imaginário e aplicável. Promover o
desenvolvimento integral do estudante na escola envolve a união do
conteúdo escolar com a vivência em variados espaços de aprendizagem,
para além da instituição escolar. A educação precisa encantar, entusiasmar o
estudante permanentemente. Esse é um processo gradual, pois é difícil mudar
padrões adquiridos na escola e na sociedade.

MORAN, José Manuel; MASETTO, Marcos Tarciso; BEHRENS, Marilda Aparecida.


Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. São Paulo: Papirus, 2012.

Propomos também a leitura do livro Educação a distância: um


conceito a erradicar. Os autores abordam as estratégias
pedagógicas inovadoras com auxílio de novas tecnologias e
reflete com precisão as informações necessárias para ação
docente dos professores da EAD, como as estratégias de
interação, os princípios da docência, as diversas ferramentas nos
ambientes virtuais de aprendizagem e sua tendência com as
redes sociais, assim como a importância da avaliação e da
formação dos professores e tutores. O livro é repleto de artigos
apresentados que foram aprovados em instituições de pesquisas.

FONSECA, João José Saraiva da. Educação a distância: um conceito a erradicar.


Sobral: FUNDECT, 2015.

Introdução à Educação a Distância 17


GUIA DE ESTUDO

Após a leitura das obras faça uma resenha crítica elencando diferenças e semelhanças
entre as ideias dos respectivos autores e disponibilize na sala virtual.

18 Introdução à Educação a Distância


Introdução à Educação a Distância 19
PROBLEMATIZANDO
É apresentada uma situação problema onde será feito
um texto expondo uma solução para o problema
abordado, articulando a teoria e a prática profissional. PL
Sabemos que, na atualidade, as novas tecnologias da informação e
comunicação estão intimamente associadas com a realidade educacional,
articulando o conhecimento teórico e a realidade prática, e que o indivíduo precisa
aprender a aprender ao longo da vida em um mundo de inesgotáveis informações,
reconhecendo a influência da tecnologia nas formas de desenvolvimento das
aprendizagens e no potencial da sua capacidade de intervenção como cidadão na
sociedade do conhecimento.

Nesse contexto dinâmico, as novas tecnologias da informação e da


comunicação vêm atuando na mediação do homem com o mundo e no âmbito da
educação, também motivando mudanças significativas nas relações entre docentes
e discentes, bem como nas maneiras de ensinar e aprender. As relações entre
docentes e discentes estão se modificando, na medida em que a separação entre o
ensinar e o aprender torna-se crescentemente mais tênue.

Agora, aponte como o professor pode transformar a tecnologia em um


instrumento facilitador no processo de ensino e aprendizagem, formando sujeitos
críticos para o uso ético dos recursos tecnológicos. Será que saber utilizar a tecnologia
é o mesmo que saber ensinar com ela? Quais procedimentos são esperados do
professor? Como transformar informações em conhecimento? O que diferencia
uma nova ou velha tecnologia? Como fazer da tecnologia digital uma ferramenta
de mudança comportamental? Como atrair os estudantes para o espaço da escola
diante da versatilidade do universo digital? O professor está preparado para lidar
com estes recursos?

GUIA DE ESTUDO

Após a leitura do texto reflita sobre os questionamentos e faça seus


comentários na sala virtual.

Introdução à Educação a Distância 21


APRENDENDO A PENSAR
O estudante deverá analisar o tema da disciplina
em estudo a partir das ideias organizadas pelos
professores autores do material didático.
Ap
1
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: PRINCÍPIOS E
CARACTERÍSTICAS FUNDAMENTAIS NA
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA

CONHECIMENTOS
Compreender os conceitos básicos que articulam
as potencialidades da Educação a Distância e a comunicação que geram possibilida-
des de novas práticas educativas.

HABILIDADES
Identificar os princípios da educação a distância para contribuir com a formação de
profissionais e produção de conteúdos.

ATITUDES
Interpretar o uso das tecnologias digitais da informação
e da comunicação como elementos estruturantes dos processos sociais e
educacionais.

Introdução à Educação a Distância 23


Características fundamentais da Educação a Distância

A educação a distância dispõe hoje de diversificados suportes de transmissão


de informação, que tornam possível a concretização das duas ideias básicas que
lhe estão subjacentes: possibilitar acesso igualitário à educação e promover aos
estudantes condições próximas às oferecidas na educação presencial.
Tendo atenção em acompanhar as constantes transformações tecnológicas
e didático/metodológicas, a evolução da terminologia foi acompanhada por um
contínuo ajuste do conceito de educação a distância. O conceito atual de educação
a distância visa expressar a riqueza de instrumentos de mediação, que possibilitam
uma aproximação crescente entre as condições oferecidas ao estudante no estudo
a distância e no presencial.
Neste momento propomos que estudem as bases conceituais e as
abordagens teóricas da EAD, por um lado, de uma relação com a evolução tecnológica
e por outro de um posicionamento em face à evolução das propostas de ensino e
aprendizagem.

Conceitos de Educação a Distância

Neste tópico vamos abordar as bases conceituais e abordagens teóricas


da EaD. Com ele procuramos que ao final do estudo compreendam a evolução da
Educação a Distância, bem como a proposta pedagógica específica para a educação
a distância. Propõe-se também que relacionem a evolução do processo social e das
tecnologias e da educação a distancia ao processo histórico da EaD. Qual o conceito
de Educação a Distância?
Os teóricos tentam há décadas encontrar um conceito para a Educação
a Distância. Esta tarefa não se tem revelado fácil e ainda hoje se discutem várias
possibilidades. Ao falarmos de Educação a Distância, não podemos esquecer que, na
sua essência, ela não deixa de ser uma modalidade de educação e tem o compromisso
de proporcionar a transmissão, construção e reconstrução do conhecimento, com
vista à formação de cidadãos competentes e conscientes de seu papel na sociedade,
capazes de atuarem produtivamente e de forma comprometida em seus ambientes
sociais e em suas atividades profissionais.
A Educação a Distância, analisada de um ponto de vista elementar, pode
ser definida como: modalidade de educação em que estudantes e professores estão

24 Introdução à Educação a Distância


separados pela distância e algumas vezes pelo tempo (MOORE AND KEARSLEY,
1996).
Em 1980, Keegan apresentou alguns elementos básicos que sustentariam
uma definição de Educação a Distância:

• Separação física entre professor e estudante, que a distingue do ensino


presencial;
• Separação do estudante de um grupo de aprendizado;
• Utilização de várias tecnologias e mídias para distribuir o conteúdo do curso,
unir o professor ao estudante e transmitir os conteúdos educativos;
• Previsão de uma comunicação de “mão dupla”, em que o estudante se
beneficia do diálogo e da possibilidade de iniciativas bilaterais; possibilidade
de encontros ocasionais com propósitos didáticos e de socialização.

A evolução do conceito de Educação a Distância seguiu em nível internacional,


uma tendência de focalizar a atenção mais no processo de ensino e aprendizagem
do que na tecnologia. Essa preocupação pode ser encontrada na legislação brasileira.
De acordo com o Decreto nº. 2.494, de 10/02/1998, a Educação a Distância
é “uma forma de ensino que possibilita a autoaprendizagem, com a mediação de
recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes
suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados e veiculados pelos
diversos meios de comunicação” (BRASIL, 1998).
O Decreto nº. 5.622, de 20/12/05, que atualmente regulamenta a Educação a
Distância no Brasil, caracteriza-a “como modalidade educacional na qual a mediação
didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a
utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e
professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos”
(BRASIL, 2005).
Como tivemos a oportunidade de verificar, é grande a diversidade de
conceitos que ao longo do tempo foram usados para a Educação a Distância.
Apresentam-se algumas características comuns, num estudo de Landim
(1997):
• Separação professor-estudante;

Introdução à Educação a Distância 25


• Utilização de diferentes mídias (vídeo, material impresso, DVD e outros);
• Preparação de materiais a serem disponibilizados aos estudantes;
• Estímulo à construção pelo estudante do conhecimento a partir de suas
práticas e reflexões;
• Utilização de recursos técnicos de comunicação professor/estudante e
estudante/estudante por meio de e-mail, rádio, TV, telefone, internet e outros;
• Saber o que a Educação a Distância possibilita a você mais um elemento para
ter sucesso em seu curso.

A EAD: quebrando paradigmas

A sociedade em que vivemos foi designada como sendo do conhecimento,


caracteriza-se pelo dinamismo da informação, que transita a velocidades e
quantidades crescentes em redes de comunicações globais. A utilização da
informação e da comunicação foi acompanhada por inovações organizacionais,
comerciais, sociais e jurídicas que alteraram o nosso modo de vida.
Esse processo foi estimulado pelo desenvolvimento das novas tecnologias
da informação e comunicação que invadem o nosso cotidiano socializando e
difundindo novas concepções de mundo, novas ideias, crenças, valores e modelos
de comportamento. Perante esse processo é urgente acelerar novas posturas
individuais e coletivas que possibilitem a todos o acesso às condições mínimas
para exercício consciente da cidadania. Qualquer profissional deve constantemente
procurar atualizar suas competências técnicas, tecnológicas, sociais e culturais, em
respeito aos princípios éticos que regem a sua conduta.

Será o estudo a distância ajustado ao ensinar e aprender na sociedade do


conhecimento? Quais as características da Sociedade do Conhecimento? Por que
um profissional deve ter a preocupação da formação ao longo de toda a vida?

A atualização deverá na Sociedade do Conhecimento constituir uma


preocupação permanente. O volume de informação publicada nas diversas áreas do
conhecimento está aumentando rapidamente. Por exemplo: da informação recebida
pelos estudantes durante a sua escolarização, grande parte já está obsoleta no final.

26 Introdução à Educação a Distância


Por outro lado assiste-se a outros desafios, envolvendo:

• O aparecimento de novas descobertas na ciência;


• O incremento do desenvolvimento e utilização generalizada de novas
tecnologias;
• A generalização da ideia de conhecimento enquanto base para o
desenvolvimento econômico;
• O incremento da globalização;
• O aumento do nível acadêmico e informacional da população;
• A mudança do conceito de trabalho baseado na força manual para o trabalho
baseado no conhecimento.

Quais os domínios da sua formação? A quê um profissional deverá atribuir


mais atenção?

O exercício de um profissional na Sociedade da Informação exige das


instituições de formação inicial e permanente, um esforço de atualização dos
conteúdos científicos e da prática docente, de modo que os seus egressos estejam
em condições de prestar os melhores cuidados de saúde à população.

A formação dos profissionais deverá atender às seguintes preocupações:

• Centrar o atendimento no cliente,


• Trabalhar em equipes interdisciplinares;
• Fomentar a aplicação das melhores práticas;
• Fomentar a utilização das tecnologias da informação e comunicação;
• Trabalhar com incidência na resolução de problemas;
• Promover atitudes proativas;
• Promover o conhecimento da comunidade do ponto de vista social,
econômico, psicológico, cultural e do meio em que vive;
• Conhecer as novas tecnologias na perspectiva do utilizador e no quadro de
uma ampla reflexão sobre as suas consequências individuais e sociais;
• Alertar para a procura permanente de formação, especialmente utilizando as
tecnologias da informação e comunicação e incluindo a educação a distância;
• Promover o trabalho cooperativo e em equipe.

Introdução à Educação a Distância 27


A contribuição da educação a distância na formação dos
profissionais do século XXI

O avanço das tecnologias da informação e da comunicação vem modificando


profundamente o nosso modo de vida, alterando as nossas formas de conviver e
trabalhar, além de introduzir novos valores, hábitos e tipos de interação social, incluindo
o aparecimento de novas formas de ensinar e aprender.

A educação a distância destaca-se como uma modalidade com potencial


no atendimento às crescentes necessidades de formação inicial e ao longo de toda
a vida, impostas pelas permanentes mudanças sociais e tecnológicas. Além disso, ela
possibilita atender a públicos alvos que pelas suas especificidades dificilmente teriam
possibilidades de ser atendidos pela educação presencial.

No início foi encarada como forma de superação de lacunas educacionais


na qualificação profissional e aperfeiçoamento ou atualização de conhecimentos.
Tem reconhecimento nas sociedades como uma forma de acesso à educação, se
apresentando hoje como uma modalidade que potencia a formação flexível e ajustada
às necessidades pessoais e profissionais, contribuindo para atender aos desafios
colocados aos indivíduos.

Hoje, porém, ela está sendo utilizada como complemento da educação


presencial e é vista por muitos como uma modalidade de ensino alternativo que pode
substituir parte do sistema do ensino presencial, possibilitando que, independentemente
da presença física dos participantes no mesmo espaço geográfico, qualquer pessoa
adquira o conhecimento sobre o assunto de seu interesse.

Qual papel terá a educação a distância na promoção da universalização de


uma educação de qualidade? Que mudanças deverão ocorrer na educação para que se
promova a construção de “novos” cidadãos?

Para atingir estes objetivos, as instituições de ensino tendem a abandonar uma


postura que aprimora aptidões já definidas em cada indivíduo, passando a atribuir
particular relevo aos fatores ambientais e sociais presentes e envolventes da educação.
Os indivíduos assumem um papel central enquanto parceiros das instituições de ensino
na construção de uma aprendizagem que promova o crescimento integral da sua
pessoa, o desenvolvimento do seu papel crítico, exigente e consciente.

28 Introdução à Educação a Distância


A Declaração Universal dos Direitos Humanos ao consagrar em 1948 o
direito à educação aponta para a necessidade de garantir o desenvolvimento pleno
dos indivíduos, através da igualdade de oportunidades no acesso à educação.
Perante as alterações socioculturais e tecnológicas crescentes, se torna
mais relevante a intervenção da educação na formação do indivíduo e do cidadão.
Entretanto, os sistemas de ensino encontram dificuldades para corresponderem às
exigências de universalização da educação não só ao nível da formação inicial, mas
crescentemente ao longo de toda a vida e com a vida, essencial para enfrentar a
obsolescência acelerada da tecnologia e do conhecimento.
A educação deve garantir ao indivíduo, os instrumentos para a sua inserção
participativa e transformadora na sociedade em que vive e possibilitar as condições
de intervenção social crítica, dentro dos princípios de convivência democrática.
Para passar de um paradigma centrado no ensino, para um paradigma centrado na
aprendizagem, temos que refletir sobre a mudança da instrução para o auxílio ao
aprendizado.
Em vez da instrução do professor ao estudante, temos de estimular a
descoberta e a construção do conhecimento. Temos de ofertar ricos ambientes
de aprendizagem onde o estudante, livremente possa navegar e aprofundar
seu conhecimento de acordo com o seu desejo e da utilidade que atribui ao
conhecimento. Ele deverá também abandonar o ensino baseado no livro, para ser
orientado para modelos de trabalho baseados na pesquisa, ou seja, busca orientada
do conhecimento.
O estudante de um curso a distância não só tem acesso à informação e à
possibilidade de construir o conhecimento onde e quando desejar, como adquire
competências de trabalho autônomo e colaborativo que possibilitarão a sua
integração social e profissional.

Qual a contribuição das instituições de ensino nesse processo de renovação


da educação?

A educação a distância tem ao longo dos tempos, tentado corresponder às


exigências educacionais decorrentes das mudanças de ordem econômica e social.
Tem ampliado a possibilidade de acesso à educação em condições igualitárias,
representando uma oportunidade para todos os que encontram barreiras à educação
formal ou profissional no ensino presencial, seja pela impossibilidade de se deslocar,

Introdução à Educação a Distância 29


pela distância geográfica ou pelas limitações financeiras ou temporais.

Quais as principais vantagens da utilização da educação a


distância na formação de profissionais?

Abertura - Eliminação ou redução das barreiras de acesso aos cursos ou


níveis de estudos; diversificação e ampliação da oferta de cursos; oportunidade de
formação adaptada às exigências atuais, às pessoas que não puderam frequentar a
educação tradicional.
Flexibilidade - Ausência de rigidez quanto aos requisitos de espaço (onde
estudar?), assistência às aulas e tempo (quando estudar?) e ritmo (em que velocidade
aprender?); eficaz combinação de estudo e trabalho; permanência do estudante em
seu ambiente profissional, cultural e familiar; formação fora do contexto da sala de
aula.
Economia - Redução de custos em relação aos sistemas presenciais de
ensino, ao eliminar pequenos grupos, ao evitar gastos de locomoção de estudantes,
ao evitar o abandono do local de trabalho para o tempo extra de formação, ao
permitir a economia em escala.
Eficácia - O estudante, centro do processo de aprendizagem e sujeito
ativo de sua formação percebe o respeito ao seu ritmo de aprender; formação
teórico-prática, relacionada à experiência do estudante, em contato imediato com
a atividade profissional que se deseja melhorar; conteúdos instrucionais elaborados
por especialistas e a utilização de recursos multimídia; comunicação bidirecional
frequente, garantindo uma aprendizagem dinâmica e inovadora.
Formação permanente e pessoal - Atendimento às demandas e às
aspirações dos diversos grupos, por intermédio de atividades formativas ou não;
estudante ativo: desenvolvimento da iniciativa, de atitudes, interesses, valores e
hábitos educativos; capacitação para o trabalho e superação do nível cultural de
cada estudante.

Será que a educação a distância só tem vantagens?

A educação a distância, apesar das forças que possui, apresenta também


vulnerabilidades, muitas vezes resultado de experiências de qualidade duvidosa
e outras, fruto da nossa tendência natural em resistir a quebrar o paradigma da

30 Introdução à Educação a Distância


presencialidade de professores e estudantes. Ela necessita de um trabalho continuado
de sensibilização, de divulgação e de credibilidade.
Por outro lado, a aplicação das novas tecnologias da informação e
comunicação levanta a questão do acesso à tecnologia e de sua utilização enquanto
facilitadora do conhecimento. Ligada a este aspecto encontra-se a necessidade de
um elevado investimento prévio ao lançamento de um curso a distância, ampliado
quando se utilizam instrumentos tecnológicos de ponta, em constante evolução.
A proposta do material didático dos cursos é de mediação, interação,
promoção de diálogo, mas se não incluírem esses instrumentos, a educação a
distância corre o risco de reforçar a exclusão linguística, social, cultural e tecnológica
de uma parte da população já tradicionalmente afastada da educação de qualidade.
A educação a distância enfrenta desafios aos quais urge dar resposta. Contudo o
maior desafio cabe ao estudante em aceitar participar de um curso a distância e
passar pela experiência.

Apresentamos a seguir algumas das vulnerabilidades comumente apontadas


à educação a distância.

• Falta de motivação dos estudantes;


• Altos índices de evasão dos cursos;
• Custo elevado de implantação;
• Dificuldade na interação estudante/estudante, estudante/instituição que
promove o curso e vice-versa;
• Dependência exagerada da tecnologia;
• Carência de pessoal especializado;
• Resistências da estrutura tradicional do ensino;
• Custos específicos da tecnologia;
• Necessidade de conhecimento tecnológico por parte dos estudantes;
• Resistência cultural de adaptação às novas propostas comunicacionais e
educacionais;
• Escassez de pesquisas para desenvolvimento de pedagogia específica;
• Falta de segurança, sobretudo nas avaliações de aprendizagem.

Introdução à Educação a Distância 31


Mas afinal qual a diferença entre educação a distância e educação presencial?

Imagine que você está numa sala de aula presencial. À sua volta estão os
seus colegas. Na sua frente encontra-se o professor. Você escuta o professor e por
vezes interage com os seus colegas. Quando sai da sala de aula vai para casa e tem
que estudar sozinho.
Quando se fala em educação a distância, afirma-se normalmente que não
estão presentes ao seu lado os seus colegas e o professor. Contudo, essa visão não
é completamente verdadeira. Você pode estar em sua casa e ter o seu professor em
frente à tela do seu computador, bem como os seus colegas.
Pode falar com eles, vê-los e trocar documentos. Mas mesmo que não tenha
computador, você continua a ter na sua frente o professor dialogando com você
através do material didático.
Existem cursos de educação a distância que têm na sua proposta pedagógica
a possibilidade de realização de momentos presenciais, onde você pode estar
com os seus colegas. A participação do estudante nesses momentos presenciais
é fundamental para a construção da sua aprendizagem e para o sucesso do curso.
Os encontros presenciais cumprem várias finalidades: introdução e
sistematização das unidades, socialização do trabalho realizado, debate e troca de
experiências, esclarecimento de dúvidas, apresentação de sugestões e avaliação.
O estudante deverá preparar a sua participação nos encontros presenciais
cuidadosamente. Levar sempre os materiais do curso, registrar previamente as
dúvidas, dificuldades e sugestões que desejar apresentar, respeitar cuidadosamente
o cronograma previsto e participar ativamente.
Durante o estudo deverá ter a possibilidade de contato permanente com
um tutor/facilitador de aprendizagem que esclarecerá as suas dúvidas de caráter
administrativo e de conteúdo. O tutor também terá o cuidado de estar atento ao
acompanhamento do estudante durante o curso, intervindo, caso o estudante não
estiver em dia com as atividades, tentando conhecer os eventuais problemas que ele
tenha para frequentar o curso.
Os Referenciais de Qualidade para a modalidade de educação superior a
distância no Brasil, afirmam que:
Não há um modelo único de educação à distância! Os programas podem
apresentar diferentes desenhos e múltiplas combinações de linguagens

32 Introdução à Educação a Distância


e recursos educacionais e tecnológicos. A natureza do curso e as reais
condições do cotidiano e necessidades dos estudantes são os elementos
que irão definir a melhor tecnologia e metodologia a ser utilizada, bem
como a definição dos momentos presenciais necessários e obrigatórios,
previstos em lei, estágios supervisionados, práticas em laboratórios de
ensino, trabalhos de conclusão de curso, quando for o caso, tutorias
presenciais nos polos descentralizados de apoio presencial e outras
estratégias. Apesar da possibilidade de diferentes modos de organização,
um ponto deve ser comum a todos aqueles que desenvolvem projetos
nessa estratégia de educação: é a compreensão de EDUCAÇÃO como
fundamento primeiro, antes de se pensar no modo de organização: A
DISTÂNCIA (BRASIL, 2007, p.7).

Na sala de aula presencial podemos dizer que você pode estar acompanhado
fisicamente. Agora se pergunte: Quantas vezes você está na sala de aula e na
realidade não está?

Quantas vezes você deseja intervir e apresentar as suas opiniões e não


consegue, porque o professor não permite e porque a sua timidez o impede? Quantas
vezes o apresentar apressado dos conteúdos, para atender a um programa longo
trabalhado em tempo curto, impede que você tenha a possibilidade de intervir,
apresentar e debater as suas experiências e sensibilidades?
Nessa modalidade de ensino, você, enquanto estudante, define o seu
tempo. Intervém quando e quantas vezes desejar, pode apresentar as suas dúvidas
e as experiências da realidade em que vive sem a limitação do tempo e sem
condicionamentos de personalidade. Essa possibilidade aumenta, com a utilização
das tecnologias da informação e da comunicação, formam-se comunidades de
aprendizagem ligadas através da rede, em que cada um é emissor e receptor da
informação e constrói na interação com esses dados o seu conhecimento.
A possibilidade de interação permanente na sala de aula presencial nem
sempre corresponde à qualidade das propostas pedagógicas e da educação. Se essa
possibilidade não se torna efetiva, não traz benefícios acrescidos ao estudante, na
educação a distância acontece o mesmo.
As instituições que promovem cursos a distância têm hoje ferramentas
tecnológicas e reflexão teórica suficientes para estruturarem cursos em que a interação
constitua elemento fundamental para a aprendizagem do estudante. Contudo, não
podemos esquecer que a utilização dessas ferramentas está condicionada pelo

Introdução à Educação a Distância 33


próprio estudante, a ser disponíveis, a saber operar e delas retirar uso produtivo em
termos educacionais.
De acordo com o que temos vindo a afirmar, as diferenças entre educação
presencial e educação a distância situam-se no fato de a educação presencial obrigar a
um contato direto entre educador e educando em um local estabelecido. A partir desse
encontro ocorre o processo de ensino aprendizagem, o professor é o mediador num
processo partilhado de construção do conhecimento, organizando os conteúdos, as
estratégias de ensino e o ambiente favorável à aprendizagem.

Na educação a distância, o contato entre o professor e estudante ocorre de


modo indireto, através dos meios tecnológicos, a organização didática e pedagógica
terá de ser planejada de modo que os estudantes assumam a construção autônoma do
seu processo de aprendizagem sem a presença física do professor.

Fazer um curso a distância tem várias peculiaridades, quando comparado com


a presencialidade. A partir das diferentes realidades, há também mitos e preconceitos
relativos à Educação a Distância que é preciso superar e há potencialidades e vantagens
ainda pouco exploradas na maior parte dos cursos oferecidos.

Você sabe qual a relação entre o desenvolvimento tecnológico e a evolução da


educação a distância?

Para explicar essa relação vamos falar sobre as origens da educação a distância.
A educação a distância embora hoje seja por vezes considerada como “descoberta” da
era da Internet, isso não é bem assim, embora a Internet seja uma ferramenta muito
importante para a educação a distância nos nossos dias, existe todo um trabalho ao
longo de pelo menos um século em termos de educação a distância.

Mas podemos encontrar referências à educação a distância na Antiguidade.


São Paulo, quando escrevia as suas epístolas, e Platão, as suas cartas, estavam utilizando
os princípios do método de ensino que hoje chamamos de educação a distância.

Dando um pulo no tempo e não tendo por pretensão colocar algo muito
sistemático e rígido podemos dizer que a educação a distância surge no século XIX
na Inglaterra, Alemanha e Suécia, usando a correspondência. Estes projetos de EaD
estavam associados à necessidade de enquadrar as pessoas na sociedade industrial que
estava se intensificando no caso da Inglaterra e da Alemanha e de ultrapassar distâncias
geográficas e condições climáticas adversas na Suécia, país do norte da Europa sujeito
a condições climáticas adversas.

34 Introdução à Educação a Distância


No dia 20 de março de 1728, foi publicado no jornal Gazeta de Boston (EUA),
pelo professor de taquigrafia Caleb Phillips, o seguinte anúncio:

“Qualquer pessoa que queira estudar taquigrafia pode ter várias lições enviadas
à sua casa semanalmente, e estará sendo tão bem instruída quanto uma pessoa que mora
em Boston”.

Esse anúncio de jornal marcou o início do estudo a distância com as características


básicas ainda hoje utilizadas. No caso do curso de taquigrafia do senhor Caleb, ele
propunha utilizar como canal de comunicação o correio, para veicular o curso através
de material didático impresso.

Já no século XX, com o aparecimento do rádio, os projetos de educação a distância


utilizando material impresso (designados de cursos de ensino por correspondência),
tiveram a oportunidade de alargar o seu público alvo e de potencializar a sua dinâmica
didática e pedagógica com os recursos que esse meio de comunicação possibilitou.

O rádio possibilitou que, pela primeira vez, estudantes dispersos por uma ampla
área geográfica debatessem as temáticas do curso com colegas e esclarecessem as suas
dúvidas ao vivo com os professores. A generalização do uso do telefone e a crescente
eficácia dos serviços postais permitiram uma maior interação entre a instituição que
promove o curso e seus estudantes.

Entretanto, o provérbio “mais vale uma imagem que mil palavras” torna-se
referência quando a educação a distância tem acesso à veiculação de cursos através da
televisão. A magia da imagem e a presença visual dos intervenientes no processo de
ensino e aprendizagem dão à educação a distância a possibilidade de utilizar práticas
didáticas e estratégias motivacionais que disponibilizam ao estudante condições únicas
para construir o seu aprendizado.

A partir dos anos 90, o aparecimento das tecnologias baseadas na digitalização


da informação (CD-rom, computador, Internet), possibilitaram o aparecimento de novas
linguagens e a criação de novas formas de diálogo e cooperação.

As tecnologias de informação e de comunicação motivam novos hábitos


de pensamento. Simultaneamente oportunizam novas perspectivas para o ensino e
a pesquisa, bem como para a promoção e a divulgação do saber, elas rompem os
conceitos tradicionais de tempo, de espaço e cultura quando compartilham informações,
experiências e sentimentos com estudantes e professores de outras instituições de
ensino em tempo real ou não.

As novas tecnologias de informação e comunicação conduzem ao


desenvolvimento de diferentes formas de ler, de interpretar e de se relacionar

Introdução à Educação a Distância 35


com o mundo. Estudantes e professores encaram o desafio de organizar novos
esquemas de ação e de representação, desenvolver novas competências, atitudes e
habilidades, pesquisar e experimentar novos processos de produzir conhecimento
e de aprender. Nesse contexto, os modelos anteriores de educação a distância com
os seus limitados recursos informativos e fracas possibilidades de interação são
colocados perante novos desafios e possibilidades.
A educação a distância vai constituir um amplo campo de pesquisa de novas
práticas pedagógicas específicas para ensinar e aprender em ambientes mediados
pela tecnologia e para a produção de conteúdos específicos que facilitem esse
processo.

Nesse sentido a interculturalidade terá grande relevância. Mas o que se


entende por interculturalidade?

A vida do homem na terra sempre foi marcada pela interculturalidade, no


entanto, a relação do homem face à interculturalidade tem mudado ao longo dos
séculos. Exemplos de posturas diferenciadas do homem face à interculturalidade
encontramos ao longo da expansão da Europa na África, América e Oceania, no
regime nazista e nos nossos dias no conflito israelense-árabe.
A sociedade cognitiva atual transforma-se numa Paideia global que
transforma qualquer espaço e tempo em oportunidade para permanentemente
criar e aprender cooperativamente com o outro. Numa dicotomia constante entre
o global e o local, o homem tem de construir um referencial cultural complexo e
permanentemente ajustável, que lhe permita relacionar-se simultaneamente com o
próximo e o longínquo, seja ele humano, informacional, cultural, etc.. A construção
de uma visão integrada do posicionamento do sujeito face ao global e ao local, só
será possível tendo como suporte os princípios democráticos da interação, diálogo
e respeito mútuo.
A educação do novo milênio busca esforços para enraizar os seres humanos
numa visão holística do mundo, integrando o global e o local, o individual e o
coletivo, a identidade e a diferença na persecução de um cidadão planetário capaz
de traçar e redefinir permanentemente um projeto de vida e utopia.
A utopia educativa na sociedade do conhecimento passa obrigatoriamente
pelo protagonismo do combate às formas de injustiça não apenas socioeconômicas,
mas também culturais ou simbólicas, num processo de coeducação coletiva e

36 Introdução à Educação a Distância


dialógica, visando uma postura reivindicativa de uma cultura de respeito e valorização
da diferença e de uma política social de igualdade, numa sociedade de pessoas e
não do mercado.
Quando falamos em educação a distância a questão intercultural aflora com
particular pertinência. A educação a distância propõe-se ajustar a todos condições
de acesso a uma educação de qualidade e simultaneamente terá de corresponder às
expectativas de não excluir do processo de construção do conhecimento ninguém
por questões interculturais.
A educação a distância será o arauto de uma nova polis onde os cidadãos
terão as habilidades, atitudes e conhecimentos necessários para atuar e interagir
no âmbito de diferentes culturas, promotor da ecologia profunda, da unidade do
gênero humano e da paz universal. Ela pode ser o vértice de um projeto educativo
focalizado nas preocupações de quem é vitima de preconceitos e discriminações
multiculturais e no respeito pelo ser humano, e fundado nos princípios expressos na
Declaração Universal dos Direitos Humanos e nos Direitos e Garantias Fundamentais
da Constituição Federal Brasileira.
A utilização da educação a distância enquanto prática alternativa de educação,
tem sido pressionada por exigências crescentes no domínio socioeconômico de
mão de obra qualificada para o mercado de trabalho, às quais corresponderam
políticas educacionais visando a universalização do ensino, especialmente em áreas
do conhecimento e em áreas geográficas onde a educação presencial não atende às
necessidades prementes da Sociedade da Informação.
Essa modalidade de ensino é o processo de ensino-aprendizagem, mediado
por tecnologias, no qual professores e estudantes estão separados espacial e/ou
temporalmente. Apesar de não estarem juntos, de maneira presencial, eles podem
estar interligados por tecnologias, tais como o livro, o rádio, a televisão, o vídeo, o
CD-ROM, o telefone, o fax, a Internet e eventualmente outras tecnologias.
A tecnologia tem constituído elemento estimulador e transformador das
estratégias de educar a distância, aumentando as possibilidades de interação
e contato entre os estudantes e entre a instituição que promove o curso e vice-
versa permitindo, simultaneamente, desenvolver projetos cada vez mais adaptados
às formas individuais de aprendizagem, nos quais se atribuiu mais progressiva
autonomia ao estudante, colocando ao seu dispor um número crescente de recursos
para a aprendizagem.
Essas mudanças serão forçadas em parte por novas tecnologias, em parte

Introdução à Educação a Distância 37


pelas exigências de uma sociedade baseada no conhecimento na qual o aprendizado
organizado precisa se tornar um processo vitalício, e em parte por novas teorias a
respeito de como aprendem os seres humanos.
Não podemos esquecer as palavras de dois teóricos conhecidos: McLuhan
(1996) nos anos sessenta afirmou que
“Haverá um dia e este já pode ser uma realidade, em que todos aprenderão
muito mais e muito mais rapidamente em contato com o mundo exterior do que no
recinto das instituições de ensino”.
E por outro lado Peter Singer afirmou em (1995) que

“As escolas e as universidades irão mudar de formas muito mais drástica do


que têm mudado desde que assumiram sua presente forma há mais de 300 anos
quando se reorganizaram em torno do livro impresso”.

Estamos terminando nossa intervenção, deixando uma recomendação:

“Trabalhe com entusiasmo. Nunca desanime. Acredite no seu sucesso.


Fortaleça redes de cooperação com os seus companheiros de curso e orientadores de
aprendizagem”.

38 Introdução à Educação a Distância


2
INTERNET:
O APRENDIZADO SOCIALMENTE DISTRIBUÍDO

CONHECIMENTOS
Compreender as novas formas de ensinar e aprender, o papel da escola e a importân-
cia da postura do professor para a transformação do ambiente escolar na sociedade
do Conhecimento e da Aprendizagem.
Conhecer as concepções de currículo e sua redefinição diante das possibilidades de
integração da escola com diferentes espaços de produção de conhecimento.

HABILIDADES
Identificar as implicações pedagógicas envolvidas no uso das diferentes tecnologias.
Reconhecer as formas de ensinar com a utilização das novas tecnologias.

ATITUDES
Utilizar as tecnologias digitais da informação e comunicação como elementos
estruturantes dos processos sociais e educacionais.

Introdução à Educação a Distância 39


Um breve histórico da Internet

Você sabe quando a Internet “nasceu”? Foi no dia 12 de janeiro de 1983.


Contudo, os estudos que conduziram o seu surgimento remontam ao início dos
anos sessenta, quando começaram a organizar redes para a difusão de informação.
O primeiro visionário da Internet foi o físico, matemático e psicólogo norte americano
Joseph Licklider.

A partir de 1962, ele começou a divulgar em memorandos a ideia de que


uma rede universalizada de computadores criaria interações sociais complexas e
melhoraria o trabalho humano (XEXEO, 2003). Nessa época, por causa da Guerra Fria,
os Estados Unidos procuravam descobrir como manter uma rede de comunicação
e um comando que resistisse a um ataque nuclear. Foi esse o impulso necessário
para o desenvolvimento da rede mundial de comunicação que depois se chamaria
Internet.

Com a queda do muro de Berlim, em 1989, e o fim da Guerra Fria, a Internet,


até então, mantida sob domínio militar, foi liberada para o uso civil e rapidamente
tornou-se num poderoso veículo de comunicação e relacionamento entre pessoas
e organizações.

A Internet é uma rede mundial que interliga milhões de computadores. É


uma rede de comunicação e de processamento de dados e informações, cujo suporte
material é composta de redes de conexões digitais entre diversos computadores
espalhados pelo mundo inteiro (PRETTO, 2003).

Atualmente, essa grandiosa invenção cativa milhões de seres humanos


desejosos de conhecimento, através da diversão ou de interação, independentemente
das fronteiras e nacionalidades ou da cultura, condição socioeconômica, raça ou
religião. Esse meio de comunicação abriu oportunidades diretamente associadas
ao conjunto de transformações no modo de pensar e conviver da humanidade,
possibilitando a cada sujeito poder navegar livremente de forma não sequencial,
estabelecendo o caminho entre as distintas possibilidades existentes.

Cada pessoa assume o risco de selecionar seus próprios percursos nessa


aventura de navegar pelo desconhecido e de descobrir-se perdido ou defrontar-
se com novas descobertas. Além de ter oportunizado a libertação da distribuição
unidirecional e homogênea das informações, abrindo portas para a coprodução

40 Introdução à Educação a Distância


do conhecimento e a sua difusão de modo nunca antes tentado (PRETTO, 2003).
Possibilitando, dessa forma, um infinito espaço destinado a:

• Troca de informações;
• Atualização sobre temas de interesse;
• Formação educacional;
• Repositórios de informação;
• Interação.
Você pode concluir a partir do supracitado que a Internet apresenta um
enorme potencial para a educação. Estudantes e professores caminham rumo à
produção compartilhada do conhecimento. O professor assume o papel daquele que
navega junto com os seus estudantes, apontando a exploração de novos caminhos
sem a preocupação de ter passado por eles alguma vez, motivando, dessa forma,
a resolução dos problemas ou o desenvolvimento de projetos que mobilizem suas
expectativas, desejos e interesses.

Mais do que ensinar, o professor concentra-se no “aprender fazendo”, na


criação, gestão e regulação das situações de aprendizagem significativas ao grupo
de cada estudante. Professores e estudantes são encarados como colaboradores do
crescimento individual e coletivo. Eles selecionam as informações que lhes são mais
pertinentes, as internalizam, as transformam e devolvem ao grupo, colaborando
para o crescimento individual e coletivo.

O desenvolvimento da Internet como ferramenta potencial na área da


educação envolve quatro momentos:

• Difusão de informação

O uso de portais facilita o acesso à informação, aumenta a utilização de


materiais educativos atuais e de melhor qualidade e oferece a vantagem econômica
de entregar informação completa de forma oportuna.

• Interação

Os portais permitem interações simples (como correio eletrônico, conferências,


etc.) que possibilitam a construção e o desenvolvimento de comunidades
educacionais, tanto locais como regionais verticais ou horizontais. Essas interações
criam as bases de uma plataforma de colaboração que conectam todos os atores,

Introdução à Educação a Distância 41


além das fronteiras físicas e incorpora uma dimensão pedagógica nova, capaz de
gerar dinâmicas importantes de socialização e aprendizagem.

• Transação

Enfatiza a capacidade de comprar, vender, intercambiar direitos, vincular-


se com o Sistema Financeiro e realiza milhares de transações diárias, exigidas pelo
Sistema Educacional. Essas transações se vinculam com outros sistemas em rede,
como é o caso do bancário, que potenciam os benefícios como por exemplo, famílias
compram materiais por meio de catálogos eletrônicos e se beneficiam da redução
de preços da compra de grandes volumes agregados de muitos estabelecimentos.
Esse sistema permite o intercâmbio de conteúdos e serviços entre grupos de
estabelecimentos, com o fim de obter benefícios econômicos.

• Colaboração

Agrega dimensões como a gestão colaborativa de projetos, aplicações


e funcionalidades para a planificação e a pesquisa, possibilitando a estudantes e
professores poderem trabalhar em rede, conjuntamente, sobre um tema comum
(RADA, 2004). Contudo, a utilização da Internet na sala de aula implica alguns
cuidados.

A Internet é um ambiente propício à obtenção e troca de informação. Você


poderá ver algumas características que justificam essa assertiva:

• Oferece um número ilimitado de recursos informacionais;


• Não apresenta uma organização precisa da informação;
• Motiva o esforço de pesquisa;
• Cada usuário determina o material que deseja apresentar;
• O formato eletrônico dos dados possibilita a sua fácil disponibilização e
obtenção;
• Contêm informações atualizadas;
• Obriga à seleção da informação supérflua;
• Não tem por objetivo fundamental atender as necessidades individuais.

O trabalho do professor em sala de aula pode ser beneficiado pela utilização


da Internet, que pode trazer ganhos pedagógicos como:

42 Introdução à Educação a Distância


• Acessibilidade a fontes diversas de assuntos para pesquisas;

• Páginas educacionais específicas para a pesquisa escolar;

• Páginas para busca de softwares;

• Comunicação e interação com outras escolas;

• Estímulo para pesquisar a partir de temas previamente definidos ou a partir


da curiosidade dos próprios estudantes;

• Desenvolvimento de uma nova forma de comunicação e socialização;

• Estímulo à leitura e a escrita;

• Estímulo à curiosidade;

• Estímulo ao raciocínio lógico;

• Desenvolvimento da autonomia;

• Aprendizado individualizado;

• Troca de experiências entre professores/professores, aluno/aluno e


professor/aluno (TAJRA, 2000).

E quanto a você, quais os benefícios que a Internet pode trazer para o seu
aprendizado?

De acordo com Kalinke (2003), outros aspectos positivos da utilização da


Internet na sala de aula podem ser destacados que, mesmo em diferentes caminhos
o estudante pode aprender se comunicando de forma satisfatória entre eles. Seus
trabalhos podem ser publicados e visualizados por todos da comunidade escolar.
A Internet em ambientes educacionais tem-se tornado destaque, pois é um
recurso ágil, dinâmico e atrativo. Possibilita os estudantes adentrarem a uma nova
realidade tecnológica e social, permitindo uma interação com outras culturas.

Introdução à Educação a Distância 43


Quase todas as abordagens atualmente em uso que permitem a
aprendizagem via Internet podem ser distribuídas em três categorias:
• Aquelas que têm estrutura de um curso (seja de 20 minutos, 20 horas ou 20
semanas);
• Aquelas que não têm estrutura de um curso, mas permitem.
• Vários tipos de aprendizagem, como a operação via Internet de equipamentos
científicos localizados em centros de pesquisa distantes; a ‘imersão’, via
Internet 2, em ambientes de realidade virtual; a participação em ‘comunidades
virtuais’ de aprendizagem e de prática; e tutoria avulsa;
• Aquelas que contêm acervos em forma digital, como portais coletivos de
periódicos científicos; bibliotecas, museus e arquivos virtuais; e repositórios
de objetos de aprendizagem, também conhecidos como ‘conteúdos
modulares’ (esses, quando de grandes dimensões, normalmente exigem uma
ferramenta de diálogo na interface com o aprendiz para determinar o escopo
e as características da informação desejada antes de indicar sugestões).

Recomendações que os estudantes deverão


compreender ao navegar na Internet.

A Internet, além das potencialidades, também apresenta pelo menos dois


desafios básicos. O primeiro passa exatamente pelo que parece ser uma das suas
grandes vantagens: o excesso de informações. O professor deve estar atento, pois
muitas dessas informações é “lixo” e repetida, para além do marketing e da informação
ofensiva da moral. Segundo, o professor deve estar atento ao fato de muitos
estudantes retirarem informação da Internet, sem avaliar o que estão pesquisando.
É necessário que o professor discuta com seus estudantes que apesar da Internet
constituir uma ferramenta privilegiada para a atualização de conhecimentos, não
existe um controle de qualidade da informação divulgada.

Por outro lado, é importante que os estudantes compreendam a necessidade


de respeitar os direitos autorais do material disponível na Internet, prestando a
atenção ao plágio e as normas de etiqueta elementares, tais como:

• Não dizer para alguém nada que você não diria pessoalmente, face a face ou
em auditório, perante o público;

44 Introdução à Educação a Distância


• Não divulgar quaisquer informações ou dados pessoais;
• Não escrever em mensagens com todas as letras maiúsculas, pois significará
que está gritando;
• Ser breve e conciso nas mensagens;
• Evitar erros gramaticais;
• Certificar-se de que o conteúdo é de fácil leitura e compreensão para o
receptor;
• Evite reenviar mensagens que recebeu por e-mail;
• Confirme o endereço do receptor da mensagem;
• Se desejar que a sua mensagem não seja de domínio público, seja explícito
na referência ao fato de ela estar sujeita a copyright;
• Não utilize ideias alheias como sendo suas, mesmo que o autor tenha liberado
os direitos autorais;
• Não divulgue propaganda pela rede, seja com fins particulares ou comerciais,
pois pode acontecer que possa ser expulso da comunidade a que pertence;
• Respeite a privacidade dos outros usuários da Internet.

A Internet pode contribuir também para promover a interação entre a


escola e o meio, possibilitando à escola quebrar o seu isolamento e oportunizar sua
integração no mundo que a rodeia, aproximando-a da vida. Através desse meio de
comunicação são disponibilizados inúmeros recursos que combinam publicações
(páginas web, blog, webquest, twitter e redes sociais) e de interação (conferências
entre duas ou mais pessoas localizadas em qualquer local do globo), que poderão
não apenas ver, como também trocar arquivos, listas de discussões entre pessoas
com interesses em determinada área do conhecimento, correio eletrônico em
formato de texto, áudio e vídeo.

No entanto, a partir desse conjunto de rede mundial a escola está em


condições não só de recolher e disseminar informação, mas também de trabalhar
colaborativamente com parceiros de todo o mundo e divulgar pesquisas e
experiências feitas por professores e estudantes (KALINKE, 2003).

Introdução à Educação a Distância 45


46 Introdução à Educação a Distância
3
TUTOR E O SEU PAPEL NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

CONHECIMENTOS
Compreender os diferentes modos de utilizar a internet na educação e no ensino
a distância. Entender o papel do tutor e suas dificuldades.

HABILIDADES
Identificar o papel do tutor e as dificuldades dos estudantes durante o curso de
EAD.

ATITUDES
Assumir a postura necessária para o estudante de Educação a Distância
utilizando estratégias de gestão de tempo e de informação para o estudo. Atuar
em sala virtual de acordo com os princípios subjacentes ao projeto pedagógico,
ajustando o horário de estudo a distância em função das necessidades do curso.

Introdução à Educação a Distância 47


Introdução

A educação a distância vem se expandindo nos últimos anos. Um dos temas


em constante debate trata-se do papel do tutor EAD, como sendo uma função
determinante no processo de concretização de um modelo ideal de educação. O
avanço tecnológico, permite através da Internet a oportunidade de estudantes dos
mais variados níveis de instrução ter acesso a qualquer tipo de conhecimento sem
exigir a presença de um professor para colaborar com o seu modo de estudar. Mas,
a presença do tutor EAD, se mostra imprescindível na ação de colaborador para
aprendizagem do estudante. Atualmente, a educação a distância no Brasil está
ascendendo de forma acelerada e existe um educador por trás de todo o processo: o
tutor EAD. Por que o tutor se distingue no papel pedagógico atribuído aos tutores
a distância e presencial?

Você já parou para pensar o que faz o tutor no ambiente virtual de EAD?

Na educação a distância, o estudante e professor estão fisicamente afastados


portanto, é preciso criar uma infraestrutura que permita a máxima interação possível
entre os personagens do processo educativo. Ensinar a distância é diferente de
ensinar presencialmente, a larga experiência do professor no ensino presencial não
garante a ele sucesso no ensino a distância. O professor na função de tutor precisa
desenvolver diferentes habilidades e táticas para ensinar a distância, porque o
estudante precisa aprender a aprender a construir o seu conhecimento considerando
sua autorresponsabilidade com o seu processo de aprendizagem.

Nessa ocasião, entra em cena o professor-tutor – ou orientador pedagógico,


orientador acadêmico, facilitador. O professor-tutor antes de trabalhar no ensino a
distância deve ponderar os seguintes aspectos que são fundamentais:

• A conjuntura de ensino – O espaço de aprendizagem segue a inovação da


midiatização da tecnologia e da separação física entre os participantes. O
tutor deve conhecer que essas transformações influencia a conjuntura do
ensino;
• Os estudantes – Têm uma expectativa diferente do ato de aprender dos
estudantes na modalidade presencial. O tutor, deve estar atento às dificuldades
sociais, psicológicas e técnicas que o estudante de EaD enfrenta;

48 Introdução à Educação a Distância


• Os métodos – Os intervenientes do ensino a distância precisam distinguir que
os procedimentos tradicionais do ensino presencial não podem prontamente
ser adotados no contexto da EAD. Por isso, atenção para não reproduzi-
los. Portanto, Maggio afirma, “o tutor pode mudar o sentido da proposta
pedagógica pela qual foi concebido um projeto (...) (2001, p. 106),”. Mas é
imperativo distinguir que sua intervenção pode melhorar a proposta.

Interação e tutoria: o que tem a ver?

As tecnologias da informação e da comunicação trouxeram a discussão


sobre o que significa interação.

Por falar nessa discussão, trazemos o exemplo de Belloni (1999, p. 58):

[...] o conceito sociológico de interação – ação recíproca entre dois ou mais


atores onde ocorre intersubjetividade, isto é, encontro de dois sujeitos (...)
e a interatividade (...) com dois significados diferentes (...): de um lado a
potencialidade técnica oferecida por determinado meio (...), e, de outro, a
atividade humana, do usuário, de agir sobre a máquina, e de receber em
troca uma ‘retroação’ da máquina sobre ele.

Primo (2000) propõe interação como as relações e influências mútuas entre


dois ou mais fatores entes, de modo que cada um altera o outro e a si próprio, bem
como a relação existente entre eles. Em educação a distância é possível encontrar
interações diversas como: interação estudante/conteúdo, professor/estudante,
estudante/estudante e estudante/instituição. Vamos conversar um pouco sobre
cada uma delas.

Interação Estudante/Conteúdo - Ao lermos algum texto, interagimos


com ele, refletimos e reestruturamos, ainda que mentalmente, as explicações dadas
sobre determinados temas. Trata-se de uma forma crítica de realizar leituras, de
dialogar com o texto. E isso é mais necessário ainda se o texto se presta a promover
aprendizagens específicas. Do contrário, o estudante será apenas um receptador de
conteúdos.

Cada estudante precisa elaborar seu próprio conhecimento. Para que isto
aconteça, uma das atitudes é pela inserção pessoal do estudante nas informações.
Percebeu que estamos falando de uma troca entre estudante e conteúdo? Falamos
então, da interação estudante/conteúdo. Esse tipo de interação possibilita alterações

Introdução à Educação a Distância 49


da compreensão do aprendiz, internalizações de aspectos que ele considera
importantes, e, talvez, até mesmo, mudanças de perspectiva. E qual o papel do tutor?
É o de facilitar a interação do estudante com o assunto apresentado para estudo.

Interação Tutor/Estudante - A aprendizagem em EAD se caracteriza pela


interação tutor/estudante onde ambos aprendem entre si, num clima de liberdade
e pró-ação. É dado ao estudante total liberdade de tempo pela assincronicidade
(que não se realiza ao mesmo tempo) do curso. Nesta ótica, o estudante é
responsável também por seu aprendizado decorrente de seu comprometimento.
Cabem ao tutor atitudes de cobrança, uma vez que o estudante, apesar de agente
de sua aprendizagem, deverá atender aos compromissos assumidos em relação ao
cronograma do curso.

Interação Estudante/Estudante - Existe a relação de um estudante com os


demais estudantes da turma, de pequenos grupos (quando há atividades grupais).
As discussões entre eles são valiosas, pois se sentem mais a vontade para expressar
suas ideias, podem trazer ricos relatos de suas vivências.

Interação Instituição/Estudante - A instituição deve dar apoio ao


estudante. Informações a serem dadas pela secretaria, ou pela área tecnológica, ou
por responsáveis pelo atendimento em polos, entre outros, devem ser encaminhadas,
ao estudante, de forma clara e com brevidade.

Tutor: “os olhos, ouvidos e a boca” do sistema EaD

O perfil do público norteia o projeto pedagógico, a elaboração dos


conteúdos, e a atuação dos tutores. O que significa dizer que o tutor é os “olhos,
ouvidos e a boca” do Sistema EaD? É que o tutor tem a função essencial de apoio ao
estudante, que se desdobra num atendimento dentro de várias situações.

Apesar de instituições que lidam com EAD designarem áreas para


responderem sobre questões diversas (administrativas, tecnológicas, entre outras),
na prática, os estudantes procuram, primeiramente, o tutor. Perguntam sobre notas
de outros tutores; querem saber o que houve com a plataforma que estava “fora do
ar”; solicitam informações de como fazer a carteira de estudante e muito mais. Por
ter esse contato direto com o estudante, receberá observações e comentários em
relação a várias dimensões do curso.

50 Introdução à Educação a Distância


Para dar esse tipo de apoio ao estudante, o tutor precisa conhecer
como funciona toda a estrutura de atendimento do curso, e poderá responder a
solicitação ou encaminhá-lo aos profissionais responsáveis por esse acolhimento.
As questões que não tenham diretamente a ver com a área de atuação do tutor
deverão ser remetidas às esferas responsáveis para que os mesmos venham a
passar, imediatamente, a informação ao estudante. Esse procedimento irá liberar o
tutor para realizar as ações mais pertinentes à tutoria.

Kearsley e Moore (2007) também falam que perceber as dificuldades que o


estudante possa estar enfrentando, no decorrer da disciplina ou do curso, é outra
forma de apoio. Eles dão um exemplo:

Para refletir:

O tutor tem percebido que o estudante Jorge sempre entrega os trabalhos


no “apagar das luzes”. Ao consultar as tarefas enviadas, constata, outra vez, que
o estudante ainda não mandou a atividade. Será que o aluno não sabe lidar com
a tecnologia? Não consegue gerenciar o tempo? Está muito angustiado com o
desempenho?

Em situações como essa, o tutor precisa ter sensibilidade aguçada para


reconhecer os “sintomas” e buscar superar os obstáculos junto ao estudante. Perceba
que o tutor tomará conhecimento de muitas coisas que acontecem no decorrer do
curso.
Certamente, por exercer a atividade de tutor, passará muitas críticas e
sugestões de melhorias. Então, veja que ele se torna uma fonte de informações
preciosas. É por isso que o tutor pode ser considerado “os olhos e os ouvidos” do
Sistema EaD. E sobre ser “a boca”? Bem, as informações que estão em suas mãos
precisam ter uma destinação e, mais do que isso, uma consequência. Todo esse
levantamento precisa ser apresentado aos responsáveis, conforme combinações
prévias.

O tutor e a prática da tutoria

A atuação do tutor depende do tipo de sistema de tutoria elaborada pela


instituição. Não há um modelo universal, mas é ponto pacífico que a tutoria é uma
necessidade dos sistemas de EAD, porque o contato humano faz parte do processo

Introdução à Educação a Distância 51


ensino e aprendizagem. Quais as atribuições de um tutor? A maioria dos estudos
indica que, ser mediador pedagógico entre o estudante e sua aprendizagem é a
principal função do tutor.

São características da mediação pedagógica: dialogar permanentemente


de acordo com o que acontece no momento; trocar experiências; debater dúvidas,
questões ou problemas; apresentar perguntas orientadoras; orientar nas carências
e dificuldades técnicas ou de conhecimento quando o aprendiz não consegue
encaminhá-las sozinhos; propor situações-problema e desafios; desencadear e
incentivar reflexões (...); colaborar para estabelecer conexões entre o conhecimento
adquirido e os novos conceitos; colocar o aprendiz frente a frente com questões
éticas, sociais, profissionais (...); colaborar para desenvolver crítica com relação à
quantidade e a validade das informações obtidas; cooperar para que o aprendiz use
e comande as novas tecnologias.(MASETTO, 2000, p. 144-145).

Contudo, ele também precisa ser o animador, o facilitador desse processo.


Quando pensamos no tutor como um mediador pedagógico, que estabelece uma
relação empática com os estudantes, percebemos que ele os ajuda a construir
significados de mundo. Isso significa que, esse mediador deverá apresentar base
teórica consistente sobre concepções de aprendizagem; profundo conhecimento
do conteúdo – como é o caso da Licenciatura em Educação Física a Distância; clareza
da metodologia a ser utilizada e do sistema de avaliação a ser aplicado.

O tutor é necessário, porque a distância entre o estudante e o educador


provoca no estudante a sensação de solidão. Portanto, o tutor precisa estar atento
aos obstáculos psicológicos, sociais e técnicos que os estudantes poderão enfrentar.
As funções do tutor não são simples, não é mesmo? Então, vamos tentar sistematizar
essa complexidade das principais atribuições da tutoria na descrição a seguir:

• Promover um ambiente social amigável, essencial em processos de ensino-


aprendizagem a distância;
• Favorecer o intercâmbio entre os estudantes (interação estudante/
estudante);
• Estar sempre “presente”; não “sumir” do ambiente virtual de aprendizagem
é um compromisso sério e deve ser cumprido. Os estudantes se ressentem
quando não encontram o seu tutor. Diante disso, geralmente, chamam a
atenção do tutor, quando ficam extremamente desestimulados (interação

52 Introdução à Educação a Distância


tutor/estudante);
• Dar dicas de como o estudante poderá organizar seu tempo de estudo
(planejamento de ações); estimular os estudantes a elaborarem um plano
de estudo e de administração do tempo (interação tutor/estudante);
• Auxiliar na resolução de dúvidas (interação estudante/conteúdo);
• Dar suporte ao estudante via e-mail / fórum, ou pessoalmente e por
telefone, no caso do tutor presencial (interação tutor/estudante);
•Enviar rapidamente feedback / respostas ao estudante. Uma das grandes
reclamações dos estudantes é quanto à demora de obter resposta às suas
mensagens. Com isso, acabam por considerar essa atitude como falta de
interesse do tutor (interação tutor/estudante);
• Vincular os conteúdos e as atividades às práticas de vida dos estudantes
de sua turma;
• Encaminhar as dúvidas dos estudantes aos supervisores das disciplinas,
quando for o caso;
• Controlar o recebimento e a entrega de trabalhos;
• Responsabilizar-se pela correção dos trabalhos dos estudantes;
• Aplicar as avaliações e corrigi-las;
• Interagir com os tutores presenciais, mediante orientações definidas;
• Participar do fórum dos tutores.

Perceba que, diante do papel que o tutor venha desempenhar, precisa


desenvolver as seguintes competências, entre outras:

• Apropriar-se de conhecimento teórico de sua prática;


• Conhecer as bases da andragogia (aprendizagem de adultos);
• Apresentar habilidades na escrita, pois o mundo da EAD se vale muito dessa
forma de comunicação. Diante da falta de pistas visuais, é preciso saber
empregar expressões para não gerar ruído na comunicação e consequentes
conflitos. Isso também vale para as comunicações a distância, não escritas,
como o atendimento por telefone, por exemplo;
• Conhecer detalhadamente o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA)
do curso, porque receberá pedidos de socorro de estudantes quanto à
“navegação” correta na plataforma Moodle;
• Ter segurança do que diz e do que faz, certamente, os estudantes
ficam bem mais confiantes quando sentem segurança em seu tutor. Essa
segurança decorre do domínio que o tutor tem do conteúdo, da capacidade

Introdução à Educação a Distância 53


de promover condições para o estudante aprender e da experiência em
atuar como tutor.

Há água divisória dos papéis da tutoria a distância e presencial, portanto é


certo que os tutores precisam atuar de modo integrado, porém, para que não exista
uma sobreposição de papéis, e sim uma interseção, é necessário compreender o
que cada um faz.

Delimitar as ações do tutor a distância e do tutor presencial é tarefa que


exige “quebrar a cabeça”, pois o estudante precisará ter muito claro, no seu dia a
dia, a quem recorrer, a quem solicitar determinadas dificuldades ou dúvidas.

O estudante pode desconhecer as ferramentas tecnológicas, ter dificuldades


em lidar com as ferramentas do AVA e, até mesmo, com o próprio equipamento
de informática. Outros, talvez não possuam os conhecimentos e as habilidades
básicas para lidar com elaboração e envio de arquivos. Existem também aqueles
que apresentam uma verdadeira “tecnofobia” (aversão das tecnologias). Por rejeitar
os equipamentos tecnológicos e manter a proposta de lidar com essa resistência,
sentem que vão “naufragar” nas “navegações”.

Alguns desafios a enfrentar

Ensinar a distância, com qualidade, utilizando mídias integradas, como no


caso do Curso de Educação Física a Distância, é um processo complexo que exige
muito do educador que atua nesse meio.
Estamos aprendendo a “fazer” EAD, “fazendo”, enquanto a descobrimos e
lidamos com ela. Diante disso, nos deparamos com alguns desafios, que veremos
agora:

• Os estudantes silenciosos

Os estudantes silenciosos são mais comuns do que você possa imaginar,


ficam somente observando as discussões, sem participar dos fóruns, o estudante
silencioso pode ficar sem se comunicar por vários motivos, entre eles:

• Temor de se expor;
• Ainda não está adaptado às ferramentas, ou não consegue tirar o melhor

54 Introdução à Educação a Distância


proveito delas;
• Alguma dinâmica no processo do debate o está intimidando;
• Não se sente pertencente ao grupo;
• Está desmotivado;
• Não está compreendendo o assunto em foco;
• Encontra dificuldade para se expressar através da escrita;
• Falta de comprometimento com a participação;
• Passa por um momento da vida que o trabalho exige mais dele;
• Enfrenta problemas na vida pessoal.

Diante disso, o que o tutor pensa em fazer? Bem, como agente educador,
deverá verificar, com muito tato, os motivos que estão por trás da baixa ou
nenhuma participação. Após conhecer os motivos do estudante, buscar incentivá-
lo a compartilhar seu conhecimento, suas opiniões, participando efetivamente
das discussões. Pensar em alternativas que envolvam o estudante e o incluam na
comunidade, o estudante precisa se sentir confortável e seguro para fazer parte do
seu grupo.

Precisamos perceber estes estudantes silenciosos, “ausentes”, e nos


preocuparmos com eles, pois são os principais candidatos a abandonar o curso.
Vamos a outro perfil.

• Os estudantes que participam “em excesso”.

Bem, agora enfrentamos uma situação totalmente oposta à anterior: temos


alguns estudantes que intervêm em excesso. Quando a contribuição é efetiva, fica
até difícil pedir que participem menos para não monopolizar os diálogos, não é
mesmo?

E não se assuste se descobrir que essas participações, embora promovam a


reflexão e o aprendizado, têm o poder de intimidar outros estudantes, e deixá-los
inibidos. E quando as mensagens pouco ou nada contribuem com o crescimento
pessoal e dos demais colegas?

Bem, o que fazer? Você poderá propor um “contrato” conjunto – um contrato


pedagógico – com orientações sobre a maneira de se comunicar e com explicações
do que é uma participação relevante. Mas esse contrato precisa ser aceito por todos;

Introdução à Educação a Distância 55


do contrário, poderá não haver um comprometimento com o que foi acordado.

Porém, o tutor precisa levar em conta os estilos e ritmos de aprendizagem


dos estudantes, tanto dos que apresentam interatividade, em “excesso”, quanto aos
silenciosos.

• Os estudantes ausentes desde o começo do curso

Imagine a situação: o curso já começou há três semanas, mas Patrícia,


Fernando, Elvira e Glauber ainda não se apresentaram, não transitaram pela plataforma
e nem procuraram pelo tutor da turma. Esses estudantes “desapareceram” antes
mesmo de terem aparecido. Não acessaram o curso desde o começo.

Afinal, o que houve com eles?

É outra situação que merece muito zelo. O tutor precisa urgentemente


entrar em contato com eles. Envia e-mail e... as mensagens voltam. Pede ao
tutor presencial que entre em contato com o estudante. O tutor presencial liga,
insistentemente, e descobre, depois de muito tentar, que o número está incorreto.
Então, envia correspondência pelo correio, e constata, quando a carta volta, que o
endereço da residência ou do trabalho mudou. O tutor não deve desanimar, deverá
pedir ajuda para outros estudantes da turma que possam ter algum vínculo com
aqueles estudantes ausentes.

No decorrer do curso, nos momentos de debates pode ocorrer esvaziamento,


parece que tudo já foi dito. Isso pode ser um sinal de algumas ocorrências, tais como:

• A discussão, realmente, se esgotou;


• Aqueles que participam ativamente se cansaram da responsabilidade
de sempre alimentarem o debate ou não puderam contribuir mais,
naquele momento;
• A moderação do tutor não é instigadora;
• Os estudantes estão sobrecarregados de tarefas, de diferentes
disciplinas, com prazos de entrega coincidentes;
• Acúmulo de atividades pessoais e profissionais que concorrem com
os estudos.

56 Introdução à Educação a Distância


É claro que as discussões podem ser esvaziadas por vários outros motivos
porém, esses são os mais comuns. O tutor também pode “devolver a vida” às
discussões, apresentando posicionamentos divergentes, que geram polêmicas,
trabalhando com perguntas provocadoras e inteligentes. Mas, muito cuidado:
este tipo de estratégia exige que tenha muito tato e sensibilidade para lidar com
possíveis situações de conflito. E esteja pronto para esclarecer essa estratégia ao
estudante, porque poderá receber opiniões contrárias e até, talvez, expressas de
modo exaltado.

• Estratégias Motivacionais - talvez você já tenha ouvido a frase:


“ninguém motiva ninguém!”.

Esse é um entendimento que gera muitas controvérsias, mas não falaremos


delas. O nosso intuito é de esclarecer que, mesmo que esse pensamento seja correto
– e muitos acham que não, – existem estratégias que podem incentivar e animar o
estudante a estudar.

Inicialmente, é preciso que o tutor identifique os motivos de desânimo de


alguns estudantes e o que pode “acender” ainda mais outros estudantes. Depois, poderá
implementar algumas estratégias de incentivo à aprendizagem, como:

• Valorizar as iniciativas dos estudantes;


• Responder rapidamente às solicitações;
• Indicar filmes e sites, leituras complementares;
• O senso de humor não está proibido na EAD. Quando conveniente, e
articulado a aspectos da aprendizagem, pitadas de bom humor são
estimulantes;
• Auxilie os estudantes a interpretarem conteúdos;
• Use uma linguagem dialógica, clara e coerente, para se aproximar dos
estudantes;
• Adote ações que estimulem os estudantes a procurarem uns pelos
outros;
• Conforme a possibilidade apresente questões existenciais;
• Vincule assuntos estudados a fatos recentes;
• Conte histórias, lendas, para quebrar a velha sistemática de o estudante
só lidar com textos “áridos”. Para incentivá-los a trabalhar com textos
mais densos, lembre-se de usar esses recursos educativos, durante as
conversas.

Introdução à Educação a Distância 57


O tutor e o encontro presencial

Os cursos de EAD, em nível de graduação, por força de lei, utilizam encontros


presenciais. São momentos em que os estudantes se encontram e participam de
atividades comuns, fundamentais para desenvolver o senso de pertencimento a
um grupo ou instituição, sistematizar os conhecimentos desenvolvidos e trocar
experiências.

Podem envolver trabalhos práticos em grupo, aulas expositivas, palestras,


avaliações, plantão tira-dúvidas, entre outras atividades. Assim, fica evidente que os
encontros presenciais exigem um planejamento prévio.

Geralmente, cabe ao tutor presencial:

• Dominar as ferramentas do Moodle;


• Acessar, frequentemente, o curso e a disciplinas, no Moodle;
• Acompanhar o cronograma das disciplinas e do curso;
• Interagir com o tutor a distância;
• Contactar os estudantes indicados pelo tutor a distância;
• Participar dos fóruns de tutores nas disciplinas, no ambiente Moodle;
• Planejar os encontros;
• Providenciar ou solicitar à pessoa designada os materiais que serão usados;
• Coordenar a realização dos encontros;
• Dirimir dúvidas de conteúdo;
• Estimular a permanência do estudante no curso;
• Aplicar avaliações de aprendizagem;
• Checar o comparecimento dos estudantes;
• Repassar a área administrativa de seu polo:
• As orientações dadas pelo Coordenador de Curso no caso do estudante
comparecer ao encontro presencial em outro polo;
• A lista de presença dos estudantes;
• Relatório de atividades que exerceu se solicitado pelo Coordenador.

A educação a distância aparece cada vez mais, no contexto das sociedades


contemporâneas, como uma modalidade de educação adequada para atender as
demandas educacionais decorrentes das mudanças na nova ordem econômica
mundial. Ela é cada vez mais um elemento necessário dos sistemas educativos, não

58 Introdução à Educação a Distância


apenas para atender as demandas e/ou grupos específicos, mas com funções de
crescente importância, especialmente no ensino superior regular.

Contudo, a expansão da educação a distância na última década representa o


impacto das forças de mercado e da situação de recessão econômica e consequentes
políticas governamentais de restrição de recursos aplicados a educação. Observa-
se na década de 90, em vários países industrializados, uma rápida expansão do
ensino superior, não acompanhado de uma expansão proporcional de recursos de
ensino. Nesse quadro de crise do ensino superior, a educação a distância tem sido
percebida por vezes como uma solução e em outros momentos como uma ameaça.

Introdução à Educação a Distância 59


LEITURA OBRIGATÓRIA
Este ícone apresenta uma obra indicada pelos(as)
professores(as) autores(as) que será indispensável
para a formação profissional do estudante.
L
e
Caro estudante, propomos a leitura da obra Educação a
Distância – o estado da arte. A influência das Tecnologias de
Informação e Comunicação nas pessoas, e nas instituições
sociais, - é uma presença inquestionável para complementar
os temas. Nesta obra são tratadas as questões técnicas e
pedagógicas da educação a distância, as experiências e práticas,
nos cenários históricos e culturais - tudo isso apresentado sob
vários enfoques dos profissionais autores da obra. Essa
pluralidade permite ao leitor ter visão sobre diferentes pontos
de vista da EAD, tornando esta leitura indispensável para todos
aqueles que desejam estar conectados com o que há de melhor quando o assunto é EAD
- uma área que cresce a cada dia.

LITTO, Fredric M. (ORG.); FORMIGA, Marcos. (ORG.). Educação a distância: o estado


da arte. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009.

Indicamos também a leitura da obra Docência em ambientes de


aprendizagem online, pois nos anima e nos faz sair da realidade
imposta pela ‘moderna renascença’, parodiando Warshaw, das
práticas pedagógicas universitárias tradicionais, mesmo quando
são utilizados os mais diferenciados e inovadores recursos
midiáticos.

CORTELAZZO, Iolanda Bueno de Camargo. (org.) .Docência em ambientes de


aprendizagem online. Salvador: EDUFBA, 2009.

GUIA DE ESTUDO

Após a leitura das obras, sugerimos que escolha a que mais você achou
relevante e faça uma resenha crítica sobre o assunto abordado
Introdução e disponibilize
à Educação na 61
a Distância
sala virtual.
Rs
REVISANDO
É uma síntese dos temas abordados com a
intenção de possibilitar uma oportunidade
para rever os pontos fundamentais da
disciplina e avaliar a aprendizagem.
A Educação a Distância tem como desafio permanente promover
a autonomia do estudante, encarada aqui, como forma de lhe proporcionar
competências para poder decidir o seu modo de aprender a aprender e de construir
o seu próprio percurso de aprendizagem.

Por outro lado, o estudante é obrigado permanentemente a conciliar as


suas possibilidades e anseios de autonomia, com as expectativas que a instituição
promotora do curso tem em relação a ele, enquanto estudante e cidadão. Nesse
processo, a interação é condição para a construção de um conhecimento significativo.
Nós aprendemos na interação com o outro e com a realidade que nos rodeia.

O isolamento do estudante é, por vezes, apontado como a principal lacuna


dos cursos de Educação a Distância, face à educação presencial. Esse é um dos
motivos pelos quais o conceito de Educação a Distância não é consensual. Desde
que o ensino por correspondência cedeu lugar a Educação a Distância que se
procura um conceito que possa enquadrar as características do ensinar e aprender
a distância e a evolução das tecnologias.

O desenvolvimento das tecnologias da informação e comunicação


possibilitou a Educação a Distância melhorar a interação entre os estudantes e
a instituição que promove o curso e entre os próprios estudantes, visando a
promoção de ambientes de aprendizagem individual e colaborativa, promotores de
aprendizagem significativa e de qualidade.

O tutor é o profissional que provê o necessário apoio pedagógico, para


ajudar o estudante a explorar a disciplina e alcançar um aprendizado significativo.
A maioria das instituições assume que o papel da tutoria na educação a distância
é colocar-se à disposição do estudante para auxiliá-lo na construção do próprio
caminho.

A função primordial do tutor é a mediação pedagógica, orientar e reorientar


caminhos para a aprendizagem, esclarecer dúvidas dos estudantes e identificar
suas dificuldades, sugerir novas leituras, etc.

Introdução à Educação a Distância 63


AUTOAVALIAÇÃO
Momento de parar e fazer uma análise sobre o que o
estudante aprendeu durante a disciplina. Av
1. A Internet é uma mídia informativa recente e suas repercussões e aplicações
na sociedade atual ainda não foram devidamente dimensionadas (LEVY,
2007). Diante do exposto, é correto afirmar que:

a) A abertura e a liberdade da Internet só trazem contribuições à sala de aula.

b) “O mar de informações” que se pode encontrar na Internet torna a


navegação muito prejudicial aos estudantes.

c) Há um paradoxo na cibercultura, pois a facilidade de se encontrar e publicar


informações convive com a falta de controle e possibilidade de se inserir
notícias e conteúdos falsos.

d) A visão fragmentada dos conteúdos impossibilita qualquer estudo mais


sério.

e) Os estudantes aprendem espontaneamente, sem necessidade de


intervenções.

2. Marque as opções que devem ser contempladas nas propostas de Educação


a Distância na atualidade:

A. Separação física e espacial entre estudante e professor.

B. Predomínio de atividades expositivas.

C. Atendimento individualizado por professor em sala de aula presencial em


horários fixos.

D. Ritmo de aprendizado determinado pelo estudante.

E. Processo de ensino-aprendizagem centrado no professor.

F. Processo de ensino-aprendizagem centrado no estudante.

Quais as opções abaixo estão corretas:


a) as opções A e F estão corretas

Introdução à Educação a Distância 65


b) as opções B e F estão incorretas
c) as opções D e E estão incorretas
d) apenas uma opção está incorreta.

3. Considerando as definições de Educação a Distância de acordo com


diferentes autores, qual das afirmações abaixo pode ser considerada
incorreta?

a) É o processo de ensino-aprendizagem quando professores e estudantes


não estão normalmente juntos fisicamente, mas podem estar conectados,
interligados por tecnologias.

b) A Educação a Distância reconhece a capacidade do estudante para construir


seu conhecimento e ser ator e autor de suas práticas e reflexões.

c) Educação a Distância é uma forma de ensino que possibilita a


autoaprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente
organizados e apresentados em diferentes suportes de informação. São
utilizados isoladamente ou combinados e veiculados pelos diferentes meios
de comunicação.

d) Em Educação a Distância os estudantes não estão fisicamente no mesmo


lugar, mas devem, necessariamente, participar todos ao mesmo tempo das
atividades.

4 - O maior desafio da Educação a Distância envolve necessariamente:


a) O estudante;
b) A tecnologia;
c) Os professores;
d) O descrédito da sociedade

5 – Sobre a interação promovida pela Educação a Distância podemos afirmar:


I) Resume-se ao relacionamento com o tutor;
II) Promove a criação de comunidades de aprendizagem , de discurso e
de prática, nas quais os estudantes produzem significativamente e agem
criticamente;
III) Não é decisiva para a aprendizagem dos estudantes;

66 Introdução à Educação a Distância


IV) É ocasional e restrita a algumas atividades específicas.
a) As alternativas I, IV são falsas e a II e III verdadeiras;
b) A alternativa I é verdadeira e as alternativas II, III e IV são falsas;
c) A alternativa II é verdadeira e as alternativas I, III e IV são falsas;
d) As alternativas I, II, III e IV são verdadeiras.

6 – Os dois primeiros motivos pelos quais se comprova a importância da


educação a distância no Brasil são:
a) O caráter técnico e as necessidades do País no campo da educação.
b) A realidade geográfica e as necessidades do País no campo da educação.
c) A ordem individual e particular do cidadão que tem acesso à educação e
a realidade geográfica.
d) A realidade e geográfica e o caráter técnico.

7 – A modalidade de educação a distância não propõe a substituição nem


a desvalorização da educação presencial, o que significa esta afirmativa?
Escreva um texto de no mínimo 15 linhas sobre o assunto. Não esqueça de
sustentar teoricamente as suas afirmações.

8 - Dentre as potencialidades da EAD podemos afirmar que a flexibilidade do


estudo à distância:

a) Está subordinada a nenhuma legislação educacional, nem depende de


autorização para funcionar no Brasil.
b) Está associada ao fato de não se limitar às condições especiais e temporais
de sala de aula.
c) Está associada ao fato de não ultrapassar fronteiras geográficas e culturais.
d) Está vinculada a uma realidade virtual cujo potencial criativo do estudante
fica limitado aos novos desafios da sociedade.

9- O material impresso para Educação a Distância não se presta apenas ao


repasse de conhecimentos, possibilita também aos estudantes a aquisição
de habilidades e/ou mudança de atitudes. O material impresso pode ser
utilizado como recurso complementar de outros instrumentos de mediação,
tais como: o rádio, televisão, possibilitando a fixação e complementação de
conteúdos.

Introdução à Educação a Distância 67


A partir do exposto acima, que características deverão ter o material impresso
para Educação a Distância?

10 - Que vantagens os instrumentos de mediação analógicos possibilitam à


Educação a Distância?

11 - A avaliação dos cursos de EAD no Brasil obedece aos indicadores de


qualidade definidos:

a) Pelos Conselhos Estaduais de Educação.


b) Pelas Secretarias Estaduais de Educação.
c) Pelo MEC.
d) Pela Capes.

12 - No Brasil a legislação da Educação a Distância focaliza sua atenção,


sobretudo:

a) Na tutoria como centro do conhecimento.


b) Nas estruturas das localidades.
c) No processo de ensino e aprendizagem.
d) Na uniformidade cultural.

13 - A Educação a Distância configura uma mudança de paradigma no ato de


ensinar e aprender, em razão:

a) Da disseminação da Internet.
b) De ser mecanismo complementar, substitutivo ou integrante do ensino
presencial.
c) Dos anseios de universalização do ensino.
d) Da queda dos índices de aprovação no ensino presencial.

As opções verdadeiras são:


a) a, b, c, d
b) a, c, d
c) a, b, c
d) b, c, d

68 Introdução à Educação a Distância


14 - As instituições que promovem cursos a distância têm que obedecer à
rigorosos critérios de certificação definidos legalmente e controlados pelo
MEC.
A partir da legislação legal sobre Educação a Distância, defina uma lista de,
no mínimo 15 itens, dos critérios que, para você, devem integrar uma relação
de aspectos a serem observados por uma instituição que deseje certificar-
se para promover curso a distância independente do grau de ensino que
deseja atingir.

15 - Identifique pelo menos três cursos de Educação a Distância promovidas


por instituições educacionais brasileiras. Apresente as características desses
cursos sob o ponto de vista do material didático, da interação e avaliação.

Introdução à Educação a Distância 69


BIBLIOGRAFIA
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construção do material didático da disciplina. Bb
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