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DIVÓRCIO / DÍZIMO

embora este trecho se refira à união com uma prostituta. O laço de casamento não
é,
si mesmo, uma causa de impureza, sendo que o cônjuge descrente e quaisquer filhos
qu« houver são “consagrados” pelo cônjuge crente. Se, porém, o cônjuge descrente
procura uma separação, o cristão deve permití-la. O que não fica claro é se, em tal caso,
o cônjuge cristão está livre para casar-se de novo (o assim-chamado “privilégio paulino”).
Esta situaçfo
específica levanta a pergunta de se, na situação da assim-chamada “parte inocente” é per*
missível o novo casamento. Neste ponto, não parece haver qualquer ensinamento claro
no NT. L H.
Marshall
-* Casamento, Adultério, Noivo, Noiva.

(a). D. Daube, The New Testament and Rabbinic Judaism, 1956, 71—86; J. D. M. Derrett, “The
Teaching of Jesus on Marriage and Divorce,” Law in the New Testament, 1970, 363-88; R, H,
Ehrlich, “The Indissolubility of Marriage as a Theological Problem”, SJT 23, 1970, 291-311; ' P.
Hauck, moicheuõyT D N T W 729-35; F. Hauck and S. Schulz, pome, TDNTW1579-95; A. Isaksiori,
Marriage and Ministry in the New Temple, 1965; W. Lillie, Studies in New Testament Ethics, 1961*
118-28; T. W. Manson, The Sayings o f Jesus, 1949, 136 ff.; J. Murray, Divorce, 1953; A, Oepkc.
gyné, TDNT1 776-89; R. Schnackenburg, The Moral Teaching o f the New Testament, 1965, 132«*
43; E. Stauffer, gameõ, T D N T 1 648-57.

Dízimo

ôeKárrj (<a p o d e k a te u ô ), “dar um dízimo”, “dar a


à n o ô e K a rw c j
déclmt parte” ; ànoÔ eKaróco (<a p o d e k a to õ ), “dar um dízimo
ou déclmi
parte”, “cobrar um dízimo” ; ôé/ca-roç (d e k a to s ), “décimo” ; Ôe/caròco (d e k a to õ ), “cobrar
OU
pagar um dízimo, décima parte” ; ÔeKárr?(<d e k a tè ), “décimo” ,
“dízimo”.

AT 1. Definição. “Dízimo” traduz palavras hebraicas e gregas que significam “a décimi


parte”, ou “dar ou tomar a décima parte” dalguma coísa (Heb. ma‘a$èr, um “dízimo” *
cf. *eser, “dez” ; Gr. deka, “dez” ; Número). A décima parte era usualmente do
produto
da terra, e era considerada aquela parte do todo que era devida por um adorador ao seu
Deus, para o sustento do santuário de Deus e dos seus sacerdotes.
2. Origem Quando, e por que, a fração de uma décima parte foi escolhida
par
“imposto” sagrado, não fica claro. O mais que se pode dizer é que o costume é muito antigo
e difundido, talvez de data anterior à história de Israel, não confinado aos povos
semíticos, mas incluindo os povos indo-germânicos também.
Uma razão provável da adoção da décima parte pode ter a ver com o sistema
antigo de contar em unidades de dez, um sistema facilitado pelos dez dedos das mãos e
dos pés que a humanidade tem em comum. É possível, porém, que o dízimo também fosse
seleciona- do por causa dos pontos de vista que os antigos mantinham quanto aos
números. Nlo
somente o dez era um número redondo predileto que poderia ser maior ou menor conforme
596 — DÍZIMO

significativo no simbolismo apocalíptico (Daniel, Apocalipse), e Mateus vê a prova do


poder messiânico de Jesus mediante dez milagres (Mt caps..8*9).
3. O Dizimo na Literatura Secular\ Embora o dízimo formasse uma parte importante
da cultura israelita, não era, todavia, exclusivo daquela cultura. A literatura extra-bíblica
indica que o dízimo era empregado em muitos lugares. Às vezes, era um assunto
puramente
político, um imposto pago ao rei pelo povo, ou cobrado pelo conquistador de nações
con-
quistadas (Diod. Sic., 20,
14).
Mais freqüentemente, no entanto, era uma combinação do secular com o sagrado.
Na Babilônia, durante o reinado de Nabucodonosor II, todos, inslusive o rei, pagavam
um dízimo da terra ao templo, e, ao mesmo tempo, os reis babilônios cobravam o
dízimo de todas as importações (C. H. W. Johns, Babylonian and Assyrian Laws, Contracts
and Letters,
1904, xi, 205-206). Os sátrapas persas também exigiam o dízimo das importações (Aristót,
Oecoru 134b; 135b). Ciro, o Persa, no entanto, obrigou seus soldados a darem a Zeus o
dízi- mo dos seus despojos (Hdt., 1, 89), Pausânias (século II d.C.) dá muitos exemplos da
Grécia e de Roma de um dízimo como imposto sobre as terras, que ocasionalmente se
dedicava aos deuses.
Há, outrossim, numerosos exemplos na literatura secular do dízimo como questão
exclusivamente religiosa, um sacrifício devido à divindade somente: Agamenon
conquistou Micena e dedicou um dízimo aos deuses (Diod. Sic., 11, 65). Ao
conquistarem os etruscos,
diz-se que os lipários dedicaram um dízimo em Delfos (ibid. 5,9; Hdt., 7, 132; ver W. B.
D.
Rouse, “Tithes (Greek)”, ERE XII 350-51, para evidência adicional abundante do
dizimar
entre os gregos). G. F. Hawthorne

4. O Dízimo no A T O conceito de dízimo no AT já surge na era patriarcal. Abraão


deu a Melquisedeque o dízimo de tudo (Gn 14:20). Tratava-se, contudo, de despojos
de guerra e não de produto da terra ou de gado. Não há também, nenhuma explicação do
fato nem se menciona qualquer lei que obrigasse Abraão a dar o dízimo. Mais tarde, é
Jacó que se dispõe a dar o dízimo a Deus (Gn 28:22). O voto que ele fez decorreu de sua
experiência com Deus em Betei e mostra uma atitude espontânea de gratidão pelas
bênçãos que Javé lhe daria. Não é possível saber, entretanto, como o dízimo seria dado nem
quem o receberia em nome de Deus. É provável que o dízimo fosse um elemento
esporádico na tradição religiosa dos patriarcas, ligado à necessidade de “retribuir” a Deus
as suas dádivas, como na vitória em uma batalha, ou no sucesso em uma jornada
importante. Seria, então, uma ma- neira de demonstrar gratidão a Deus e de reconhecer seu
direito soberano sobre os sucessos da vida.
Na Lei de Moisés, o dízimo vem a exercer um papel muito importante. No entanto,
o estudo dos textos a ele relativos não deixa de oferecer sérias dificuldades. O
primeiro elemento que sobressai é o fato do dízimo não ser mencionado dentre as
diversas leis do
livro de Êxodo, embora ali se registrem as leis que regem a oferta das primícias da
terra
(Êx 23:16, 19; 34:22-26), A oferta das primícias surge também em Lv 23:9-14, 33-44; Nm
28:26 e Dt 16:13-17; 26:1-11. É relacionada à festa das semanas (ou Pentecostes) e à dos
DÍ ZI MO - m

ipós o advento da Lei, dízimo c primícias sffo mantidos lado a lado (Dt 26:1-15), daí
é difícü verificar a validade dessa hipótese; b) a oferta das primídas e os dízimos sffo
equiva- lentes. Esta hipótese é inviável, pelas mesmas razões acima e, adicionalmente, pela
proposta de uma terceira soluçffo. c) as primídas e os dízimos sffo desvinculados entre
si. A quantí* dade das primídas era relativamente pequena (um cesto) e deveria ser dada
mais de uma vez por ano, como uma das maneiras de reconhecer a propriedade da terra e
de seus frutos por parte de Javé. Já o dízimo era anual —e trienal. Essa hipótese (c) é a
mais provável embora não possamos responder de maneira final e absoluta a questão da
relação dízimo e primídas. De qualquer forma, "a origem tanto dos dízimos como das
primídas, era o dever de expres* sar a convicção de que todas as posses do homem, em
última análise, pertencem a Deus. Tal expressão utilizava-se de várias maneiras” (H> H.
Guthrie Jr., "Tithe”, IDE, vol. IV, 655.
Outro problema a ser analisado tem a ver com o próprio dízimo, A leitura dos divenoi
textos da Lei, a ele relativos, irá mostrar uma série de divergêndas entre si ao lado de
alguns elementos comuns (cf. tábua comparativa a seguir). A isto tem se dado dois tipos de
respos* tas. O primeiro busca a solução na diversidade de tradições (ou fontes) que deu à luz
o Penta* teuco, sendo que as diferentes leis sobre o dízimo representariam diversos
extratos de tradições em diferentes regiões e épocas da nação israelita. O segundo busca a
soluçffo nos diferentes propósitos das leis dos dízimos e nas diferentes situações
experimentadas por Moisés e pelo povo de Israel durante o período entre o êxodo e o
estabelecimento na Terra Prometida. Para adotar-se uma ou outra das soluções é necessário,
antes, estudar os diferen- tes textos sobre os dízimos, verificando suas semelhanças e
diferenças, avaliar a possível Sitz in Lebem dos mesmos e depois chegar à esta ou aquela
solução.
Pode-se verificar, pelo menos, cinco momentos das leis do dízimo no
Pentateuco: (a) O povo deveria dar os dízimos de todos os produtos da terra e
dos rebanhoi.
Havia a possibilidade de resgate dos dízimos das colheitas, acresddo da quinta parte
de
seu valor; possibilidade essa nffo adida aos dízimos de gado (Lv 27:30ss; Dt 12:6;; 14:22-23;
26:12-13);
(b) Os dízimos pertencem ao Senhor (Lv 27:30) - somente em Lv afirma-se explidta-
mente que os dízimos sffo do Senhor e só nesse livro não se atribui o dízimo aos
levitas. Seu propósito imediato era o sustento dos levitas em troca dos serviços prestados
na tenda da congregação. Por sua vez, os levitas davam o dízimo dos dízimos ao
sacerdote (Nm 18;
21-32; Dt 12:12,19; 14:27; 26:12-13);
(c) Outro propósito dos dízimos era o auxílio dos necessitados - o estrangeiro,
o órfiío, a viúva —que assim nffo ficariam desamparados na terra de Israel (Dt 14:28-29;
26;
12-13);
(d) Ainda outro propósito dos dízimos era a celebração de uma refeição cultual pelas
famílias do povo de Deus, juntamente com os levitas de suas respectivas ddades (Dt
12:12). Certamente, nessa refeição seria consumida apenas uma parte dos dízimos.
Segundo J. A*
Thompson, “haveria sempre um perigo de que as deidadas cananitas fossem honradas
na época da ceifa. Para evitar isso, insiste-se aqui (Dt 14:23) que toda cerimônia religiosa
asso-
dada com a colheita e com o dízimo seja celebrada no santuário de Javé e nffo num santuário
pagffo. Assim Israel irá aprender a ‘temer Javé, teu Deus, para todo*” (Deuteronomy,
IVP, p. 182).
598 - DÍZIMO

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DÍZIMO - m
Dos dados adma, depreende-te que h í um desenvolvimento da legislação do
dízimo, de Levítico até Deuteronômio. Em Lv a referência ao dizimo é geral, fornecendo
princípio! básicos de sua existência: os dízimos são do Senhor e devem ser dados
dentre todos 01 produtos da terra e do gado. Em Nm especifica-se que os levitas irão
receber os dízimo« em nome do Senhor - como uma dádiva de Javé a eles. Nm 18:21-32
reflete umasituaçlo de não-estabelecimento do povo na terra, não havendo ainda um Templo
e um local especí- fico para sua localização e adoração ao Senhor. Já em Deuteronômio,
as leis dos dízimos parecem apontar para o futuro estabelecimento na Terra. Os dízimos
sedam entregues num lugar escolhido por Deus, para os levitas, e haveria um ritual
familiar a ser seguido nessa entrega. De três em três anos os dízimos seriam retidos nas
cidades e entregues aos levitas e necessitados.
O cumprimento dessas leis por Israel, contudo, não se deu de modo uniforme. Todai
as demais referências ao dízimo, fora do Pentateuco» indicam que o povo descumpria a
lei e se fizeram necessárias diversas reformas e intervenções divinas (cf. II Cr 31:4-12; Ne
10:37-
38; 12:44-47; 13:10ss e Ml 3:6-12). Uma exceção seria I Sm 8:1 lss que indica qu©
Oi dízimos deveriam ser dados ao rei. No entanto, este uso da palavra d iz im o
simplesmente
indica a inexistência de termos técnicos fixados para a tributação de impostos. De
qualquer modo, não seria uma alteração da lei dos dízimos dada no Pentateuco. (cf. ponto 6 a
seguir),
5. O sig n ifica d o d o d íz im o . O dízimo baseia-se no fato de Javé ser o proprietário
da terra e o causador de todas as suas bênçãos (SI 24:1). O dízimo é do Senhor, ao outorgar»
lhe, o israelita reconhecia que Javé era o dono da terra e de seus frutos. O
inadimplemento do dizimo, por parte dos israelitas, considerava-se como roubar a Javé
(Ml 3:8,10), ou seja, roubar-lhe o devido reconhecimento de que tudo pertence a Ele (cf, SI
50).
Javé, como o Deus de Israel, agradou-se em lhe dar uma terra e abençoá-lo com prospe-
ridade material. Assim, o dízimo também era um símbolo da gratidão do ofertante a Javé
pela sua generosidade (cp. as atitudes de Abraão e Jacó).
Ainda mais, uma vez que os dízimos serviam para o sustento dos levitas e para a assis-
tência social, devem ser encarados como uma oportunidade de participar na obra de
Deui e na sua preocupação para com os pobres e necessitados. Assim como Deus dera
bênçãos a seu povo, os que as receberam deviam reparti-las com as pessoas menos bem-
afortunadas. Dar o dízimo, portanto, traria bênção divina (Dt 14:29, 26:25), retê-lo tratia
a maldição divina (Ml 3:8,10).
Assim, o dízimo - como um ato de adoração ao Senhor de toda terra e único
autor de toda seara - tem diferentes nuances de significado, “é uma oferta que
reconhece l
propriedade da terra e seus frutos da parte de Deus, um meio para o sustento dos
levitas e uma oferta para a caridade” (1DB, "Tithe”, IV, 655). M i o P. T. Z a b
a tiero
6. O D iz im o n o J u d a ísm o H e le n is tic o e p o s te r io r : O dízimo, no período do
judaísmo helenístico, ainda era a fonte principal de renda para os sacerdotes e levitas,
embora, como no AT, o dízimo, deixado à consciência do contribuinte, ficou freqüentemente
sem ser pago, Ocasionalmente, portanto, sumos sacerdotes cobiçosos asseguravam-se do
recebimento dos seus direitos ao enviarem bandos de fascínoras para tirarem os dízimos das
eiras. O agricultor não era considerado digno de confiança para cumprir esta
responsabilidade religiosa impor* tante (Josefo, A n t. 20, 181; 20, 206-7). Nos últimos
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os rabinos ressaltavam a importância do dízimo. Consideravam-no como sendo um dos


três elementos mediante cujo mérito o mundo foi criado (Gn R. 1, 6), e como meio pelo
qual os israelitas escapavam à sorte dos ímpios (Jewish Encyclopedia, XII, 151b).

NT 1 .0 Dizimo no NT. Já que o dízimo desempenhou um papel tão importante no AT


e no judaísmo contemporâneo do cristianismo primitivo, é surpreendente descobrir
que, em nenhuma ocasião, o dízimo é mencionado em qualquer das instruções dadas à
igreja. Jesus menciona -►escribas e -►fariseus que dão o dízimo (Mt 23:33 par. Lc
11:42;
18:12), mas nunca mandou que Seus discípulos dessem o dízimo. 0 escritor aos
hebreus
se refere a Abraão que pagou dízimos a Melquisedeque, e a Levi que pagou seu
dízimo a Melquisedeque através de Abraão (Hb 7:2, 5), mas nunca ensinou seus leitores a
seguirem o exemplo deles. Paulo escreve acerca do repartir as posses materiais para cuidar
das neces-
sidades dos -*■ pobres (1 Co 16:1-3; 2 Co caps. 8-9; Ef 4:28) e para sustentar o ministério
cristão (1 Co cap. 9). Insiste na generosidade e a recomenda (2 Co 9:6; 8:1-5) mas nunca
exige, nenhuma só vez, como mandamento da parte de Deus, que qualquer montante especí-
fico seja dado.
Paulo mandava (diatassein), porém, que suas igrejas levantassem coletas (logeiai)
para os santos, i.é, para os cristãos na igreja-mãe em Jerusalém (1 Co 16:1-3; 2 Co 8:4;9:1,
12). Sendo que a palavra logeia; que aqui se emprega, pode significar uma cobrança de -
>impos- tos bem como contribuições voluntárias coletadas no culto para fins caridosos
(Liddell- Scott, 1055; A. Deissmann, Light from the Ancient East, 19273, 105), pode-se
supor que a escolha que Paulo fez deste verbete incomum dê a entender um imposto oficial
pago pelas igrejas paulinas em prol dos pobres (um termo técnico para “os santos”) em
Jerusalém, em reconhecimento da posição de Jerusalém como matriz da igreja universal
(ver K. Holl, “Der Kirchenbegriff des Paulus in seinem Verhältnis zu der Urgemeinde” ,Neue
Jahrbücher des klassischen Altertums, 33, 1914, 521-56). Seria semelhante à taxa per capita
paga anual- mente ao templo pelos judeus fiéis que viviam fora, bem como dentro, da
Palestina, e muito semelhante ao dízimo quanto ao conceito.
Mesmo assim, o fato de que Paulo empregou logeia apenas duas vezes (1 Co 16:1-2),
uma palavra que talvez pudesse ser interpretada como termo fiscal técnico, e rapidamente
a substituiu por uma expressão devocional (charis, 1 Co 16:3), e o fato de que a
coleta
com a qual Paulo se preocupava era, na realidade, para o sustento dos socialmente
pobres em Jerusalém (cf. Rm 15:26), argumenta contra semelhante suposição. A
totalidade do vocabulário especial de Paulo acerca da contribuição (çharis, -* graça, 1 Co
16:3, koinõnia,
comunhão, 2 Co 8:4; diakonia, “serviço”, 2 Co 8:4; 9:1; eulogia, “louvor”, “bênção” ,
2 Co 9:5), e seu ensino explícito sobre o assunto (Rm 15:25-28; 1 Co 9:8-18; 2 Co caps.
8 —9) indicam que, para o cristão, a contribuição é voluntária, um ato da livre vontade,
o compartilhar não-compulsório das suas posses materiais, sem montante estipulado,
como
seria uma taxa ou dízimo, que pudesse ser exigido dele. O cristão contribui conforme resol-
veu no seu coração (2 Co 9:7) e conforme Deus o prosperou (1 Co 16:2). Contribui, porque
tem consciência de ser o -> escravo (doulost Rm 6:16; 1 Co 7:22; Ef 6:6; 1 Pe 2:16) de
Deus (Cristo); sabe que nem ele nem suas posses são realmente dele mesmo para
empregar
como deseja (1 Co 6:20); que, essencialmente, é um mordomo encarregado com o
DÍZIMO / DOMÍNIO PRÓPRIO - 601

a um dizimo da renda de cada ano. Pelo contrário, é feita com bom ânimo,
voluntária t sistematicamente, e com generosidade sem limites (1 Co 16:1-2; 2 Co
9:6-9).
2. O Dizimo na Igreja Primitiva. Nos escritos dos Pais Apostólicos e dos
Apologist não aparecem as palavras comuns para o dízimo. Mesmo assim, a
contribuição ainda conti*
nuou sendo uma parte da adoração cristã primitiva. Justino Mártir observa que cada
donüngo
“aqueles que prosperaram e têm esta vontade, contribuem, cadaum na
quantidade que quiser. Aquilo que é coletado é depositado como presidente, e ele
cuida dos órfãoa e dai viúvas, e dos necessitados . . . e aqueles que estão presos
e dos forasteiros que habitam
entre nós” (/ ÂpoL 67; cf. também Apost Const. 2, 27). Irineu considerou o dizimar
uma
lei judaica que não se requer dos cristãos, porque os cristãos receberam a
“liberdade” e
devem, em conseqüência, dar sem constrangimento externo (Haer. 4,18, 2). Originei
comi*
derava que o dízimo era algo que deveria ser ultrapassado, de longe, pelos cristãos
na* lua*
distribuições (In Num. hom. 11). Sendo assim, para os antigos Pais da Igreja,
bem como para os escritores do NT, o dízimo era coisa do passado; agora, um novo
princípio para a*
dádivas os guiava, e os impulsionava a compartilhar - a bondade de Deus e a
compulsão
interna do Espírito Santo.
Nota-se que, neste período primitivo da história da igreja, a contribuição
ainda $fa voluntária, relacionava-se diretamente com o caso de uma pessoa ter
prosperado na mio de Deus, ou não, e era principalmente para socorrer os
pobres. Pouco, ou nada, se dida
sobre como se sustentava os clérigos e a igreja. Supõe-se que eram mantidos
pelas oferta* voluntárias das pessoas às quais ministravam. Mais tarde, porém, o
dízimo foi reintroduzido como meio de sustentar a igreja. Foi reintroduzido, de
início, com a ajuda de passagens do NT tais como Mt 10:10; Lc 10:7; 1 Co 9:3-4,
etc. e numa base voluntária. Finalmente, porém, foi necessário o poder da lei civil
para impor aquilo que a instrução não conseguiu levar a efeito. O famoso decreto
de Carlos Magno (785 d.C.)já não dava ao povo uma opçlo
- eram tributados para o sustento da igreja, quer gostassem, quer não.
G. F. Hawthorm
Primeiro, Fruto, -►Dádiva, Número, -» Pobre, Posses, Sacrifício,
Imposto

H. Conzelmann, First Corinthians, Hermeneia, 1975, 294 96; A. Deissmann, Light From theAncient East,
I9273; C. L. Feinberg, ‘T ith e” . ZPEB V 756 ff.; M. Jastrow, The Religion o f Babylonia and Assyria,
1898; C. H. W. Johns, Babylonian and Assyrian Laws, Contracts and Letters; 1904; H, Landseil, The
Sacred Tenth; Siudies in lhe Tiihe-Giving Ancient and Modem, 1906; J, A, MacCulloch and W. H. D.
Rouse, “Tithes”, ERE XI! 347-51; G. F. Moore, Judaism II 70 fT.; E. Schürer, A History o f lhe Jewish
Peopie in the Time of Jesus Christ, U 2, 181, 189 (new edition, 1, 1973, 465, 469); 2, 1,
2 3 3 ^ 8 ; W. R. Smith, Religion o f the Semites, 19273.