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COMANDO DA AERONÁUTICA

ESCOLA DE ESPECIALISTAS DE AERONÁUTICA

TEORIA CONTRA INCÊNDIO

TEORIA CONTRA INCÊNDIO


VOLUME ÚNICO

SGS

CFS

2011
IMPRESSO NA SUBSEÇÃO GRÁFICA DA EEAR
MINISTÉRIO DA DEFESA
COMANDO DA AERONÁUTICA
ESCOLA DE ESPECIALISTAS DE AERONÁUTICA

TEORIA CONTRA INCÊNDIO

Apostila da disciplina Teoria Contra Incêndio, da


Especialidade Guarda e Segurança, do Curso de Formação
de Sargentos.

Elaborador: Marco Antonio de Castro Toledo SO SGS / 2010

GUARATINGUETÁ, SP
2011
DOCUMENTO DE PROPRIEDADE DA EEAR
Todos os Direitos Reservados

Nos termos da legislação sobre direitos autorais, é


proibida a reprodução total ou parcial deste documento, utilizando-
se de qualquer forma ou meio eletrônico ou mecânico, inclusive
processos xerográficos de fotocópias e de gravação, sem a
permissão, expressa e por escrito, da Escola de Especialistas de
Aeronáutica - Guaratinguetá - SP.
SUMÁRIO

Introdução........................................................................................................................01
1 TEORIA CONTRA INCÊNDIO..................................................................................03
1.1 História do fogo.............................................................................................03
1.2 Fogo e incêndio..............................................................................................03
1.3 Conceito de fogo............................................................................................04
1.4 Composição do fogo......................................................................................05
1.5 Elementos essênciais do fogo........................................................................06
1.6 Processo da combustão..................................................................................22
1.7 Fases do fogo.................................................................................................24
1.8 Velocidade da combustão..............................................................................28
1.9 Formas de combustão....................................................................................29
1.10 Produtos da combustão................................................................................32
1.11 Explosões.....................................................................................................37
1.12 Métodos de extinção do fogo.......................................................................38
1.13 Classificação dos incêndios.........................................................................43
1.14 Agentes extintores........................................................................................49
1.15 Gás liquefeito de petróleo (GLP).................................................................52
1.16 Exercícios.....................................................................................................58
Referências......................................................................................................................62
Gabarito...........................................................................................................................63
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INTRODUÇÃO

Iniciaremos um trabalho de grande utilidade em nosso dia-a-dia, juntamente com os


instrutores temos este material didático para lhe auxiliar e oferecer plenas condições na
compreensão dos assuntos que serão abordados, facilitando assim os trabalhos de prevenção,
salvamento e combate a incêndios.

Este material possui um questionário (com gabarito) para testar seus conhecimentos,
pedimos a você que não consulte as respostas do questionário, caso não consiga responder
qualquer questão, releia o texto procurando compreendê-lo, utilize o gabarito somente para
conferir suas respostas.

Tenho certeza que ao final deste trabalho, sua conscientização para com a importância
deste aprendizado será e grande valia em nossa sociedade. Digo também que um bom
profissional não deve limitar-se ao conhecimento teórico que este material oferece, somente este
conhecimento não será suficiente para um desempenho ideal, sendo necessário também o
conhecimento prático, o bom condicionamento físico, a coragem, o senso de responsabilidade, a
confiança no material e principalmente na vontade de querer executar um bom trabalho.

Companheiro, quero agradecer sua disposição para obter um novo conhecimento e me


colocar a disposição para qualquer dúvida.

Sucesso! Tenho certeza que sua caminhada será vitoriosa.

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1 TEORIA CONTRA INCÊNDIO

1.1 História do fogo

Antes de entrarmos no estudo do fenômeno da combustão, faremos um breve relato sobre


o fogo, sua origem e evolução no tempo.

O fogo está intimamente ligado a história da evolução do homem.

A história contemporânea nos assegura que o fogo provavelmente foi descoberto pelo
homem primitivo que o conhecia como força misteriosa, servindo apenas como iluminação e
meio de aquecimento da caverna.

A partir da Idade da Pedra, passando pela Era dos Metais, pelas Guerras medievais, a Era
das Conquistas e a Revolução Industrial, notamos a presença do Fogo na transformação da
matéria bruta em produtos manufaturados, como armas de guerra, ou preparo de alimentos,
utensílios, etc.

Obviamente, para bem empregá-lo, sempre houve uma nítida preocupação em controlar
seus efeitos, visando obter seu emprego da melhor maneira possível.

1.2 Fogo e incêndio

Neste capitulo vamos estabelecer a diferença entre Fogo e Incêndio que para alguns
parecem palavras sinônimas, mas tecnicamente não tem o mesmo significado.

O Fogo na concepção da palavra é um elemento de grande utilidade na vida moderna


como também foi aos nossos antepassados. Sua aplicação é mais intensificada à medida que
caminhamos em direção ao progresso. Ele acompanha, passo a passo, desenvolvimento de uma
nação, figurando como um dos principais fatores de propulsão do progresso.

O Fogo para ser útil e amigo, deverá estar sob o controle do homem (Fig. 01); entretanto,
quando o homem perde seu controle, ele se transforma em verdadeiro monstro, com ilimitada
capacidade de destruição.

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Incêndio é, portanto, um fogo descontrolado, um fogo nocivo, um fogo destruidor (Fig.


02).

O que caracteriza o incêndio, não é a intensidade ou o estágio de desenvolvimento e sim


o objetivo da sua ação. O fogo, mesmo pequeno, mas nocivo, caracteriza um principio de
incêndio.

Figura 01 - FOGO

Figura 02 - INCÊNDIO

1.3 Conceito de fogo

Após vários estudos concluiu-se que o Fogo, também denominado de combustão, poderá
ser conceituado de outras maneiras, são elas: Conceito do Instituto do Fogo, Conceito Químico e
Conceito do Bombeiro.

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1.3.1 Conceito do instituto do fogo

Combustão viva ou comum é um processo de oxidação que desenvolve com velocidade e


intensidade suficientes para irradiar quantidades sensíveis de energia térmica e luminosa.

1.3.2 Conceito químico

Combustão é uma reação de oxidação irreversível e exotérmica processada através de


radicais livres.

1.3.3 Conceito do bombeiro

Combustão é uma reação química de oxidação, que se caracteriza pela liberação de luz,
calor, fumaça e gases.

1.4 Composição do fogo

Vimos que o Fogo é uma reação química, e para se viabilizar uma reação química, torna-
se necessária à existência de no mínimo 02 elementos que reajam entre si e em circunstâncias
favoráveis.

1.4.1 Triângulo do fogo

Durante muito tempo, considerava que o Fogo era composto de três (03) elementos
essenciais, o Combustível, o Oxigênio (Comburente), e o Calor (Agente Ígneo). Para efeito
didático estes elementos formavam um triângulo equilátero (Triângulo do Fogo), sendo que cada
um deles ocupava um lado deste triângulo (Fig. 03).

Figura 03

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1.4.2 Tetraedro do fogo

Atualmente, estudiosos consideram que o fogo é composto por 04 itens essenciais, o


Combustível, o Oxigênio (Comburente), o Calor (Agente Ígneo) e a Reação em Cadeia;
representados geometricamente pelo “Tetraedro do Fogo”. Chegamos a esta conclusão, pois, a
combustão sendo um fenômeno químico, processa-se no sistema de reação em cadeia que, após a
partida inicial, é mantida pelo próprio calor produzido durante o processamento da reação (Fig.
04).

Figura 04

1.5 Elementos essênciais do fogo

Para uma melhor compreensão dos elementos que compõem o fogo, vamos estudar,
separadamente, cada um deles.

1.5.1 Combustível (Agente Redutor)

Compreende toda substância capaz de se queimar (oxidar-se). É o elemento que serve de


campo de propagação e alimenta a combustão. A velocidade da queima de um combustível
depende de sua capacidade de combinar com oxigênio sob a ação do calor e da sua fragmentação
(área de contato com o oxigênio). Qualquer combustível suficientemente aquecido torna-se
inflamável.

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1.5.1.1 Estado físico dos combustíveis

Os combustíveis podem ser encontrados nos estados sólidos, líquidos e gasosos e a


grande maioria precisa passar pelo estado gasoso para, então, combinar com o oxigênio
(queimar-se).

➢ Combustível sólido - A maioria dos combustíveis sólidos transforma-se em vapores e,


então reagem com o oxigênio. Outros sólidos (ferro, parafina, cobre, bronze) primeiro
transformam-se em líquidos, e posteriormente em gases, para então se queimarem
(Fig. 05). Quanto maior a superfície exposta, mais rápido será o aquecimento do
material e, conseqüentemente, o processo de combustão. Como exemplo: uma barra de
aço exigirá muito calor para queimar, mas, se transformada em palha de aço, queimará
com facilidade. Assim sendo, quanto maior a fragmentação do material, maior será a
velocidade da combustão.

Figura 05

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➢ Combustível líquido - Os Combustíveis líquidos têm algumas propriedades físicas que


dificultam a extinção do calor, aumentando o perigo para sua extinção. Os líquidos
assumem a forma do recipiente que os contém. Se derramados, os líquidos tomam a
forma do piso, fluem e se acumulam nas partes baixas (Fig. 06). Tomando como base
o peso da água, cujo litro pesa um (1) quilograma, classificamos os demais líquidos
como mais leve ou mais pesado que a água. É importante salientar que a maioria dos
combustíveis líquidos são mais leves que a água e, portanto, flutuam sobre esta (Fig.
07).

Figura 06

Figura 07

Outra propriedade a ser considerada é a solubilidade do líquido, ou seja, sua capacidade


de misturar-se com a água. Os líquidos derivados do petróleo (conhecidos como
hidrocarbonetos) têm pouca solubilidade, ao passo que líquidos como o álcool, acetona
(conhecidos como solventes polares) tem grande solubilidade, isto é, podem ser diluídos até um
ponto em que a mistura (solvente polar + água) não seja inflamável.

A volatilidade, que é a facilidade com que os líquidos liberam vapores, também é de


grande importância, porque quanto mais volátil for o líquido, maior a possibilidade de haver

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fogo, ou mesmo explosão. Chamamos de voláteis os líquidos que liberam vapores a temperaturas
menores que 20º C.

➢ Combustível gasoso - Os gases não têm volume definido, tendendo, rapidamente, a


ocupar todo o recipiente em que estão contidos (Fig. 08). Se o peso do gás é menor
que o do ar, o gás tende a subir e dissipar-se. Mas se o peso do gás é maior que o do
ar, o gás permanece próximo ao solo e caminha na direção do vento, obedecendo ao
contorno do terreno. Para o gás queimar-se, há necessidade de que esteja em uma
mistura ideal com o comburente, e, portanto, se estiver numa concentração fora de
determinados limites, não queimará. Cada gás ou vapor tem seus limites próprios. Por
exemplo, se num ambiente há menos de 1,4% ou mais de 7,6% de vapor de gasolina,
não haverá combustão, pois a concentração de vapor de gasolina neste local está fora
do que se chama de mistura ideal, ou limites de inflamabilidade.

Figura 08

COMBUSTÍVEL
CONCENTRAÇÃO METANO PROPANO HIDROGÊNIO ACETILENO
LIMITE INFERIO 1,40% 5,00% 4,00% 2,00%
LIMITE SUPERIOR 7,60% 17,00% 75,00% 100,00%
Tabela 01

Observação: a tabela acima tem o intuito de exemplificar o texto, evite decorá-la, pois são
inúmeros os combustíveis com seus limites de concentração. Procure aprender sobre os limites
de concentração dos combustíveis que você tem contato no dia-a-dia.
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1.5.2 Comburente (agente oxidante)

É o elemento que possibilita vida às chamas e intensifica a combustão. Assim é que em


ambientes pobres de oxigênio o fogo não tem chamas e nos locais ricos em oxigênio as chamas
são brilhantes e com elevada temperatura, como no caso dos maçaricos e oxi-acetileno utilizados
para corte de metais e soldagem (Fig. 09).

Existem corpos que possuem oxigênio em sua estrutura (agentes oxidantes), liberando-os
durante a queima ou em outras reações (são raros); portanto podem manter a combustão em
ambientes fechados, onde não exista oxigênio do ar: é o caso das pólvoras dos cartuchos de arma
de fogo.

Normalmente o que atua como Comburente na combustão é o oxigênio existente no ar


atmosférico, cuja composição, em números aproximados, é de 78% de Nitrogênio, 21% de
Oxigênio e 1% de outros gases.

Em ambientes com a composição normal do ar (21% de oxigênio), a queima se


desenvolve com velocidade normal e de maneira completa, notam-se chamas. Contudo, a
combustão consome o oxigênio do ar num processo contínuo. Quando a porcentagem de
oxigênio do ambiente passa para uma faixa compreendida entre 16% e 8%, a queima torna-se
mais lenta, notam-se brasas e não mais chamas. Quando o oxigênio do ambiente atinge a
concentração menor de 8%, não há combustão.

Figura 09

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1.5.3 Calor (agente ígneo)

Calor é o elemento que dá início ao fogo. É a forma de energia que eleva a temperatura,
gerada da transformação de outra energia, obtidas através de processo físico ou químico. Pode
ser descrito como uma condição da matéria em movimento, isto é, movimentação ou vibração da
molécula que compõem a matéria. As moléculas estão constantemente em movimento (Fig. 10).

Figura 10

Quando um corpo é aquecido, a velocidade das moléculas aumenta e o calor


(demonstrado pela variação de temperatura) também aumenta.

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1.5.3.1 Fontes de calor

O calor é gerado pela transformação de outras formas de energia, quais sejam (Fig. 11):
➢ energia química: a quantidade de calor gerado pelo processo de combustão;
➢ energia elétrica: o calor gerado pela passagem de eletricidade através de um condutor,
como um fio elétrico ou um aparelho eletrodoméstico;
➢ energia mecânica: o calor gerado pelo atrito de dois corpos;
➢ energia nuclear: o calor gerado pela quebra ou fusão de Átomos.

Figura 11

1.5.3.2 Efeitos do calor

O calor é a forma de energia que produz efeitos físicos e químicos nos corpos e efeitos
fisiológicos nos seres vivos. Em conseqüência do aumento de intensidade do calor, os corpos
apresentarão sucessivas modificações, inicialmente físicas e depois químicas. Assim, por
exemplo, ao aquecermos um pedaço de ferro, este, inicialmente aumenta sua temperatura e, a
seguir, o seu volume. Mantido o processo de aquecimento, o ferro muda de cor, perde a forma,
até atingir o seu ponto de fusão, quando se transforma de sólido para líquido. Continuando ainda
o aquecimento, gaseifica-se e queima em contato com o oxigênio, transformando-se em outra
substância.

1.5.3.2.1 Elevação da temperatura

Este fenômeno se desenvolve com maior rapidez nos corpos considerados bons
condutores de calor, como os metais; mais vagarosamente, nos corpos tidos como maus
condutores de calor, como por exemplo, o amianto (Fig. 12).

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Por ser mau condutor de calor, o amianto é utilizado na confecção de materiais de


combate a incêndios, como roupas, capas e luvas de proteção ao calor. Atualmente estes vêm
sendo substituídos por outros materiais maus condutores de calor (ex. nomex, kevlar, etc.).

O conhecimento sobre a condutibilidade de calor dos diversos materiais é de grande valia


na prevenção de incêndios. Aprendemos que materiais combustíveis nunca devem permanecer
em contato com corpos bons condutores, sujeitos a uma qualquer fonte de aquecimento.

Figura 12

1.5.3.2.2 Aumento de volume

Todos os corpos - sólidos, líquidos ou gasosos - se dilatam e se contraem conforme o


aumento ou diminuição da temperatura.

A atuação do calor não se faz de maneira igual sobre todos os materiais. Alguns
problemas podem decorrer dessa diferença. Imaginemos por exemplo uma viga de concreto de

10m exposta a uma variação de temperatura de 7000 C. A esta variação, o ferro, dentro da viga,
aumentará seu comprimento cerca de 84 mm, e o concreto, 42 mm. Com isso, o ferro tende a se
deslocar no concreto, que perde a capacidade de sustentação, enquanto que a viga “empurra”
toda a estrutura que sustenta em, pelo menos, 42 mm (Fig. 13).

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Figura 13

Os materiais não resistem a variações bruscas de temperatura. Por exemplo, ao jogarmos


água em um corpo superaquecido, este se contrai de forma rápida e desigual, o que lhe causa
rompimentos, fissuras e da nos. Pode ocorrer um enfraquecimento deste corpo, chegando até a
um colapso, isto é, ao surgimento de grandes rupturas internas que fazem com que o material não
mais se sustente (Obs:. mudanças bruscas de temperatura, como as relatadas acima, são causas
comuns de desabamentos de estruturas).

A dilatação dos líquidos também pode produzir situações perigosas, provocando


transbordamento de vasilhas, rupturas de recipientes contendo produtos perigosos ou
inflamáveis, etc.

A dilatação dos gases provocada por aquecimento acarreta risco de explosões físicas,

pois, ao serem aquecidos até 2730 C os gases duplicam de volume; a 5460 C o seu volume é
triplicado, e assim sucessivamente. Sob a ação do calor, os gases liquefeitos comprimidos
aumentam a pressão no interior dos recipientes que os contém, pois não tem para onde se
expandir. Se o aumento de temperatura não cessar, ou se não houver dispositivos de segurança
que permitam escape dos gases, pode ocorrer uma explosão, provocada pela ruptura das paredes
do recipiente e pela violenta expansão dos gases. Os vapores líquidos (inflamáveis ou não) se
comportam como os gases.

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1.5.3.2.3 Mudança no estado físico da matéria

Com o aumento do calor, os corpos tendem a mudar seu estado físico: alguns sólidos
transformam-se em líquidos (liquefação), líquidos transformam em gases (gaseificação) e há
sólidos que se transformam diretamente em gases (sublimação). Isso se deve ao fato de que o
calor faz com que haja maior espaço entre as moléculas e estas, separando-se, mudam o estado
físico da matéria.

No gelo, as moléculas vibram pouco e estão bem juntas; com o calor elas adquirem
velocidade e maior espaçamento, transformando um sólido (gelo) em um líquido (água) (Fig.
14).

Figura 14

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1.5.3.2.4 Mudança no estado químico da matéria

Mudança química é aquela em que ocorre a transformação de uma substância em outra


(Fig. 15).

A madeira, quando aquecida, não libera moléculas de madeira em forma de gases, e sim
outros gases, diferentes, em sua composição, das moléculas originais da madeira. Essas
moléculas são menores e mais simples, por isso tem grande capacidade de combinar com outras
moléculas, as de oxigênio, por exemplo. Podem produzir também gases venenosos ou explosões.

Figura 15

1.5.3.2.5 Efeitos fisiológicos do calor

O calor é a causa direta da queima e de outras formas de danos pessoais. Danos causados
pelo calor incluem desidratação, insolação, fadiga e problemas para o aparelho respiratório, além

de queimaduras, que nos casos mais graves (1°, 2° e 3° graus) podem levar a morte (Fig. 16).

Figura 16

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1.5.3.3 Propagação do calor

O calor pode se propagar de três diferentes maneiras: condução, convecção e irradiação.


Como tudo na natureza tende ao equilíbrio, o calor é transferido de objetos com temperatura
mais alta para aqueles com temperatura mais baixa. O mais frio dos dois objetos absorverá calor
até que esteja com a mesma quantidade de energia do outro.

1.5.3.3.1 Condução

Condução é a transferência de calor de molécula para molécula, ou seja, para que haja
transmissão por condução é necessário que os corpos estejam juntos. Se colocarmos a
extremidade de uma barra de ferro próxima a uma fonte de calor as moléculas desta extremidade
absorverão calor, elas vibrarão mais rigorosamente e se chocarão com as moléculas vizinhas,
transferindo-lhes calor. Essas moléculas vizinhas, por sua vez, passarão adiante a energia
calorífica, de modo que o calor será conduzido ao longo da barra para a extremidade fria. Na
condução, o calor passa de molécula a molécula, mas nenhuma molécula é transportada com o
calor (Fig. 17).

Quando dois ou mais corpos estão em contato, o calor é conduzido através deles como se
fossem um só corpo.

A transmissão de calor por condução se dá nos combustíveis sólidos, líquidos e gasosos.


Os combustíveis líquidos e gasosos são pobres condutores de calor concentrado.

Figura 17
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1.5.3.3.2 Convecção

É o processo de transferência de calor que se faz através da circulação do meio


transmissor: gás ou líquido.

Quando a água é aquecida num recipiente de vidro, pode-se observar um movimento,


dentro do próprio líquido, de baixo para cima. À medida que a água é aquecida, ela se expande e
fica menos densa (mais leve) provocando um movimento para cima, deixando espaço para que
outro volume de água mais denso ocupe o seu lugar para ser aquecido e, assim, sucessivamente.

Da mesma forma, o ar aquecido se expande e tende a subir para as partes mais altas do
ambiente, enquanto o ar frio toma lugar nos níveis mais baixos. Em incêndios de edifícios, essa é
a principal forma de propagação de calor para andares superiores, quando os gases aquecidos
encontram caminho através de escadas, poços de elevadores, etc. (Fig. 18).

Figura 18

1.5.3.3.3 Irradiação

É a transmissão de calor por ondas de energia calorífica que se deslocam através do


espaço. As ondas de calor propagam-se em todas as direções e a intensidade com que os corpos
são atingidos aumenta ou diminui à medida que estão mais próximos ou mais afastados da fonte
de calor. Por exemplo, o calor do Sol é transmitido através do vácuo celeste até alcançar a Terra,
quando é absorvido.

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 19

Um corpo mais aquecido emite ondas de energia calorífica para um outro mais frio até
que ambos tenham a mesma temperatura. O bombeiro deve estar atento aos materiais ao redor de
uma fonte que irradie calor para protegê-los, evitando novos focos de incêndios. Para se proteger
o bombeiro deve utilizar roupas apropriadas e água (como escudo) (Fig. 19).

Figura 19

1.5.3.4 Pontos de temperatura

Os combustíveis são transformados pelo calor, e a partir desta transformação, é que


combinam com o oxigênio, resultando a combustão. Essa transformação desenvolve-se em
temperaturas diferentes, à medida que o material vai sendo aquecido (Fig. 20).

Figura 20

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EEAR 20

COMBUSTÍVEL PONTO DE FULGOR °C PONTO DE IGNIÇÃO °C


álcool 12,8 371
éter -40 160
Gasolina de aviação -45,5 440
glicerina 160 365
naftalina 79 524,5
Óleo de soja 282 445
parafina 199 245
querosene 38 210
Tabela 02

Observação: a tabela acima tem o intuito de exemplificar o texto, evite decorá-la, pois são
inúmeros os combustíveis com seus pontos de fulgor e ignição. Procure aprender sobre os pontos
de fulgor e ignição dos combustíveis que você tem contato no dia-a-dia.

Com o aquecimento, chega-se a uma temperatura em que o material começa a liberar


vapores, que se incendeiam se houver uma fonte externa de calor. Neste ponto, chamamos de
“Ponto de Fulgor”, as chamas não se mantêm, devido à pequena quantidade de vapores.
Prosseguindo no aquecimento, atinge-se uma temperatura em que os gases desprendidos do
material, ao entrarem em contato com uma fonte externa de calor, iniciam a combustão, e
continuam a queimar sem auxílio daquela fonte. Esse ponto é chamado de “Ponto de
Combustão”. Continuando o aquecimento, atinge-se um ponto no qual o combustível, exposto ao
ar, entra em combustão sem que haja uma fonte externa de calor. Esse ponto é chamado de
“Ponto de Ignição”. Definindo, para fins didáticos, teremos:
➢ Ponto de fulgor - Ponto de Fulgor é a temperatura mínima na qual os corpos
combustíveis começam a desprender vapores que se incendeiam com uma fonte
externa de calor, entretanto a chama não se mantém, devido à insuficiência nas
quantidades de vapores.
➢ Ponto de combustão - Ponto de Combustão é a temperatura mínima na qual os gases
desprendidos dos corpos combustíveis, ao entrarem em contato com uma fonte externa
de calor, inflamam-se e mantém a combustão.
➢ Ponto de ignição - Ponto de Ignição é a temperatura mínima, na qual os gases
desprendidos dos combustíveis, ao entrarem em contato com o oxigênio do ar, se
inflamam, independente de qualquer fonte externa de calor (chama ou centelha) e
mantém a combustão.
DIVISÃO DE ENSINO SSDM
EEAR 21

1.5.4 Reação em cadeia

A combustão, sendo um fenômeno químico, processa-se no sistema de reação em cadeia


que, após a partida inicial, é mantida pelo calor produzido durante o processamento da reação
(Fig. 21).

Figura 21

A reação em cadeia torna a queima auto-sustentável. O calor irradiado das chamas atinge
o combustível e este é decomposto em partículas menores, que se combinam com o oxigênio e
queimam, irradiando outra vez calor para o combustível, formando um ciclo constante.

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1.6 Processo da combustão

O início da combustão requer a conversão do combustível para o estado gasoso, o que se


dará por aquecimento. O combustível pode ser encontrado nos três estado da matéria: sólido,
líquido e gasoso. (Fig. 22)

Figura 22

Na realidade quando as temperaturas começam a elevar-se acima do normal, temos um


fenômeno denominado pirólise, que pode ser definida como a decomposição química da matéria
pela ação do calor, passando diretamente do estado sólido para o estado gasoso.

O principal efeito da pirólise é a possibilidade e a frequência com que, por pirólise, são
obtidos produtos cujos pontos de ignição estejam situados abaixo do ponto de ignição do
material que esta sendo pirolisado, de modo que esses produtos assim obtidos entram,
imediatamente, em combustão e determinam a auto-pirolisação das substâncias; por isso,
podemos ter num incêndio verdadeiros saltos de temperatura.

Para exemplificar este processo, observamos a queima da madeira que, o olho nu, tem-se
uma impressão errada do fenômeno. Na realidade, o que queima são os gases que ela desprende
na decomposição: ácido acético, álcool metílico e monóxido de carbono.

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 23

A madeira a 1000 C começa a evaporar (Fig. 23); a 1800 C escurece e começa a destilar,

liberando ácido acético, álcool metílico e CO (Fig. 24); a 2500 C, se houver ação de um agente
ígneo externo, se inflamam (Fig. 25).

Figura 23

Figura 24

Figura 25
Como exceção e como casos raros existem combustíveis que se queimam diretamente no
estado sólido.
Exemplo: potássio, magnésio, cálcio, etc.
DIVISÃO DE ENSINO SSDM
EEAR 24

1.7 Fases do fogo

Se o fogo ocorrer em área ocupada por pessoas, há grandes chances de que o fogo seja
descoberto no início e a situação resolvida; mas se ocorrer quando a edificação estiver deserta e
fechada, o fogo continuará crescendo até ganhar grandes proporções.

Podemos entender melhor os incêndios se compreendermos suas fases de


desenvolvimento (fase inicial, fase da queima livre e fase da queima lenta).

1.7.1 Fase inicial

Nesta primeira fase, o oxigênio contido no ar não está significativamente reduzido e o


fogo está produzindo vapor d’água (H2O), dióxido de carbono (CO2), monóxido de carbono

(CO) e outros gases. Grande parte do calor está sendo consumido no aquecimento dos
combustíveis, e a temperatura do ambiente, neste estágio, está ainda pouco acima do normal. O
calor está sendo gerado e evoluirá com o aumento do fogo (Fig. 26).

Figura 26

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 25

1.7.2 Fase da queima livre

Durante esta fase, o ar, rico em oxigênio, é arrastado para dentro do ambiente pelo efeito
da convecção, isto é, o ar quente “sobe” e sai do ambiente, forçando a entrada de ar fresco pelas
aberturas nos pontos mais baixos do ambiente (Fig. 27).

Figura 27

Os gases aquecidos espalham-se preenchendo o ambiente e, de cima para baixo, forçam o


ar frio a permanecer junto ao solo; eventualmente, causam a ignição dos combustíveis nos níveis
mais altos do ambiente. Este ar aquecido é uma das razões pelas quais os bombeiros devem se
manter abaixados e usar equipamentos de proteção respiratória, evitando queimar os pulmões.

Neste momento a temperatura nas regiões superiores do ambiente pode exceder 7000 C.

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 26

Na fase da queima livre, o fogo aquece gradualmente todos os combustíveis do ambiente.


Quando determinados combustíveis atingem seu ponto de ignição, simultaneamente, haverá uma
queima instantânea e concomitante desses produtos, o que poderá provocar uma explosão
ambiental, ficando toda a área envolvida pelas chamas. Este fenômeno é conhecido como
flashover (Fig. 28).

Figura 28

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 27

1.7.3 Fase da queima lenta

Como nas fases anteriores, o fogo continua a consumir o oxigênio, até atingir um ponto
onde o comburente é insuficiente para sustentar a combustão. Nesta fase, as chamas podem
deixar de existir se não houver ar suficiente para mantê-las (Fig. 29).

Figura 29

O fogo é normalmente reduzido a brasas, o ambiente torna-se completamente ocupado


por fumaça densa e os gases se expandem. Devido à pressão interna ser maior que a externa, os
gases saem por todas as fendas em forma de golfadas, que podem ser observadas em todos os
pontos do ambiente.

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 28

Na fase da queima lenta, a combustão é incompleta porque não há oxigênio suficiente


para sustentar o fogo. Contudo, o calor da queima livre permanece, e as partículas de carbono
não queimadas (bem como outros gases inflamáveis, produtos da combustão) estão prontas para
incendiar-se rapidamente, assim que o oxigênio for suficiente. Na presença de oxigênio, esse
ambiente explodirá. A essa explosão chamamos backdraft (Fig. 30).

Figura 30

Uma ventilação adequada (ventilação pelo ponto mais alto do ambiente) permite que os
gases combustíveis superaquecidos sejam retirados do ambiente.

São condições que podem indicar uma situação de backdraft (Fig. 31):
➢ fumaça sob pressão, num ambiente fechado;
➢ fumaça escura, tornando-se densa, mudando de cor (cinza e amarelada) e saindo do
ambiente em formas de golfadas;
➢ calor excessivo (nota-se pela temperatura da porta);
➢ pequenas chamas ou inexistência destas;
➢ resíduos da fumaça impregnando o vidro das janelas;
➢ pouco ruído;
➢ movimento de ar para o interior do ambiente quando alguma abertura é feita (em
alguns casos ouve-se o ar assobiando ao passar pelas frestas).

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 29

Figura 31

1.8 Velocidade da combustão

Dois elementos são preponderantes na velocidade da combustão: o comburente e o


combustível; o calor entra no processo para decompor o combustível. A velocidade da
combustão variará de acordo com a porcentagem do oxigênio no ambiente e as características
físicas e químicas do combustível.
De acordo com a velocidade da reação as combustões podem ser:
➢ lentas: quando não há produção de chama, ou qualquer fenômeno luminoso (notam-se
brasas);
➢ vivas: quando dá lugar a produção de chamas, ou qualquer fenômeno luminoso (fogo
comum);
➢ muito Vivas: quando a velocidade da reação é muito grande, mas inferior a velocidade
do som (300 m/s), são as deflagrações (queima da pólvora em espaço não confinado);
➢ instantâneas: quando a combustão se processa de forma súbita e atinge de imediato
toda a massa do combustível. São verdadeiras explosões, como as que ocorrem com as
serragens em suspensão no ar.

São fatores que influenciam na velocidade da reação:


➢ presença de catalisadores. Estes interferem na velocidade da reação sem, contudo,
tomar parte na reação;

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 30

➢ relação superfície e massa. Um pedaço de madeira maciça queima com relativa


dificuldade, sendo que a mesma quantidade de madeira, porém divididas em aparas,
queima com facilidade e com grande velocidade;
➢ natureza do combustível. Os combustíveis mais voláteis queimam com velocidade
maior, que aqueles com grau de decomposição mais difícil;
➢ concentração do calor. Os ambientes capazes de concentrar o calor possibilitam o
aumento da temperatura facilitando a maior velocidade da combustão.

1.9 Formas de combustão

Quanto a Forma as combustões podem ser classificadas em:


➢ combustão completa: é aquela em que a queima se processa em ambiente rico em
oxigênio (Fig. 32);

Figura 32

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 31

➢ combustão incompleta: é aquela que a queima se processa em ambiente pobre em


oxigênio (Fig. 33);

Figura 33

➢ combustão espontânea: é o que ocorre, por exemplo, quando do armazenamento de


certos vegetais que pela ação de bactérias, fermentam (Fig. 34). A fermentação produz
calor e libera gases que podem incendiar. Alguns materiais entram em combustão sem
fonte externa de calor (materiais com baixo ponto de ignição); outros entram em

combustão à temperatura ambiente (200 C), como o fósforo branco (Fig. 35). Ocorre
também, na mistura de determinadas substâncias químicas, quando a combinação gera
calor e libera gases em quantidade suficiente para iniciar a combustão. Por exemplo,
água + sódio (Fig. 36).

Figura 34
DIVISÃO DE ENSINO SSDM
EEAR 32

Figura 35

Figura 36

1.10 Produtos da combustão

Quando um combustível queima, sempre haverá certos produtos da combustão. Estes


produtos da combustão são classificados em quatro categorias: gases da combustão, chama, calor
e fumaça.

1.10.1 Chama

A chama é o corpo visível e luminoso de uma fase gasosa queimando-se, tornando-se


mais quente e luminosa quando a porcentagem de oxigênio é maior.

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 33

1.10.2 Calor

É um dos produtos gerados da combustão, é também o responsável pelo início e


propagação do incêndio. No sentido fisiológico, é a causa direta de queimaduras e outras formas
de lesões (desidratação, esgotamento, danos respiratórios, etc.).

1.10.3 Fumaça

A fumaça que se encontra normalmente num incêndio, consiste de uma mistura de


oxigênio, nitrogênio, dióxido de carbono, um pouco de monóxido de carbono, partículas
finamente divididas de carbono e uma mistura de produtos liberados pelos materiais envolvidos
na combustão. A falta de visibilidade é a causa da desorientação que pode atrapalhar as pessoas
num edifício.

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 34

1.10.4 Gases da combustão

Os gases da combustão podem ser definidos como aqueles gases que permaneceram
quando os produtos da combustão são esfriados até alcançar temperaturas normais.

Uma análise nos produtos da combustão indicará a presença dos seguintes corpos
resultantes da combustão: o gás carbônico (CO2), o vapor de água (H2O), o anidrido sulfuroso

(SO2) e o monóxido de carbono (CO), como principais produtos, além de cinzas e outras partes

sólidas (Fuligem).

Figura 37

Neste artigo, interessa-nos os produtos nocivos da combustão (Fig. 37), são eles:

1.10.4.1 Monóxido de carbono

Em uma combustão completa, com suficiência de oxigênio, a combinação entre o


carbono e o oxigênio, formará um composto estável, o gás carbônico (CO2); mas quando houver

carência de oxigênio, teremos uma combustão incompleta e aquela combinação formará o


composto monóxido de carbono (CO).

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 35

A combustão incompleta é prontamente reconhecida pela intensa formação de fumaça,


constituída dos elementos já citados e principalmente do monóxido de carbono.
O monóxido de carbono (CO), também chamado de óxido de carbono, óxido carbônico e
protóxido de carbono; é um gás incolor, inodoro, insípido e forma misturas explosivas com o
oxigênio e com o ar, com este na proporção de 12,5 a 74% torna-se altamente perigoso
(explosivo).

É venenosíssimo, forma com sangue um composto estável denominado


carboxihemoglobina, que impede a chegada do oxigênio aos órgãos e músculos e impede a
expulsão do CO2. Normalmente a fumaça contém menos de 0,5% deste gás;ntretanto 0,1% é

suficiente para privar o homem de suas faculdades locomotoras, 0,5% produz a inconsciência,
2% matam em uma hora e 10% imediatamente. Duas respirações profundas, em concentrações
de 2% de CO, podem matar uma pessoa em três minutos. Por este motivo quando o operador
sentir a mais leve dor de cabeça em um ambiente enfumaçado, deve abandoná-lo imediatamente
procurando respirar ar fresco, antes que o monóxido de carbono o impeça.

A combustão incompleta provoca a formação de fumaça tão densa que impossibilita


totalmente a visão, mesmo com a luz do dia. Por isso, quando o bombeiro tiver que penetrar em
locais enfumaçados, além da mascara deverá também fazer uso de uma corda-espia amarrada à
cintura, a qual lhe servirá como cabo guia. Quando possível, executa-se um trabalho de
ventilação do ambiente, facilitando a atuação do bombeiro.

1.10.4.2 Anidrido sulfuroso

Nos incêndios em que se queima enxofre, ou seus compostos, teremos a formação do gás
denominado anidrido sulfuroso (SO2). É um gás incolor, de cheiro desagradável, sufocante, de

sabor ácido, venenoso e muito solúvel na água.

É utilizado para fabricação de ácido sulfúrico, como desinfetante, como alvejante de lã,
da seda. É vendido no comércio, comprimido sob pressão, em cilindros de aço.

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 36

1.10.4.3 Gases nitrosados

Os gases nitrosados são produzidos pela queima incompleta de compostos de nitrogênio;


são altamente venenosos, poucas inalações produzem graves consequências e até mesmo a
morte. O composto mais conhecido de nitrogênio é o celulóide.
O celulóide é um material muito usado para a fabricação de filmes, ao queimar produz
grandes quantidades de monóxido de carbono além de gases nitrosados; apresenta grande
sensibilidade ao fogo, queimando com grande rapidez, podendo originar grandes incêndios. O
celulóide, uma vez inflamado, não admite sua extinção por abafamento, devido a grande
quantidade de oxigênio em sua composição.

Os gases resultantes da combustão incompleta do celulóide contêm cerca de 40% de


monóxido de carbono, 20% de gases nitrosados, 25% de gás carbônico e os restantes 15% de
compostos cianídricos, hidrocarbonetos, nitrogênio e hidrogênio. Donde se conclui que os gases
resultantes, além de venenosos, são altamente explosivos.

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 37

1.11 Explosões

Uma explosão pode ser conceituada como o desenvolvimento repentino ou a súbita


expansão de uma grande massa gasosa (Fig. 38), geralmente acompanhada por efeitos sonoros
(estrondo ou estampido) e mecânicos (esmagamento ou ruptura de materiais atingidos pela onda
explosiva).

As explosões verdadeiras são determinadas por substâncias especiais, os explosivos. Por


definição, um explosivo é uma substância capaz de se decompor instantaneamente com a
produção de grande massa de gases. Os explosivos são divididos em dois grandes grupos: os
baixos explosivos (produção de calor e a formação de chamas) e os altos explosivos (ação de
esmagamento e ruptura).

Figura 38

No nosso estudo, ou seja, especificamente relacionados com os incêndios, o que merece


especial atenção são as explosões causadas pelos pseudo-explosivos, consequentes de
combustões extremamente rápidas de gases, ou de materiais combustíveis finamente divididos,
em mistura com o ar ambiente e em uma proporção que é denominada limite de explosividade
(explosões de gases, poeiras, etc.).

As explosões de gases combustíveis em mistura com o ar são bastante conhecidas e, de


certo modo, frequentes, ocorrendo sempre que um agente ígneo inflama uma mistura que está

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 38

compreendida dentro de determinadas proporções, constituindo o que se chama de mistura


explosiva.

Limite de explosividade de alguns combustíveis quando em mistura com o ar.

COMBUSTÍVEL MÍNIMO MÁXIMO


acetona 2,15% 13,00%
acetileno 2,50% 80,00%
butano 1,60% 8,50%
Monóxido de carbono 12,50% 74,20%
Álcool etílico 3,28% 19,00%
Óleo diesel 6,60% 13,50%
Gás encanado 5,30% 31,00%
gasolina 1,30% 6,00%
querosene 1,16% 6,00%
metano 5,30% 13,90%
hidrogênio 4,10% 74,20%
Tabela 03

Observação: a tabela acima tem o intuito de exemplificar o texto, evite decorá-la, pois são
inúmeros os combustíveis com seus limites de explosividade. Procure aprender sobre os limites
de explosividade dos combustíveis que você tem contato no dia-a-dia.

1.12 Métodos de extinção do fogo

Os métodos modernos de extinção do fogo baseiam-se na eliminação de um ou mais dos


elementos essenciais que provocam o fogo.

1.12.1 Retirada do material

A retirada de material ou controle do combustível é o método de extinção mais simples


na sua realização, pois é executado com a força física, não exige aparelhos especializados;
consiste na retirada ou interrupção do campo de propagação do fogo, no material ainda não
atingido pelo incêndio.

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 39

Como exemplo do emprego deste tipo de extinção, citamos o aceiro praticado nos casos
de incêndios, em matas, florestas e campos, que interrompem a continuidade do fogo, facultando
o seu domínio. O fechamento da válvula ou interrupção de vazamento de combustível líquido ou
gasoso é outro exemplo do método de extinção através da retirada de material (Fig. 39).

Figura 39

Este método é também denominado como corte ou remoção do suprimento do


combustível.

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EEAR 40

1.12.2 Resfriamento

O resfriamento ou controle do calor é o método de extinção mais usado. Consiste em


retirar calor do material incendiado, conseqüentemente diminuindo a liberação de gases ou
vapores inflamáveis.

A água é o agente extintor mais usado, por ter grande capacidade de absorver calor, ser
facilmente encontrada na natureza e devido as suas características e propriedades torna-se fácil
sua utilização pelos bombeiros (Fig. 40).

Figura 40

A redução da temperatura está ligada à quantidade e à forma de aplicação da água


(jato/neblina), de modo que ela absorva mais calor que o incêndio é capaz de produzir. É inútil o

emprego de água onde queimam combustíveis com baixo ponto de combustão (menos de 20 0 C),
pois a água resfria até a temperatura ambiente e o material continuará produzindo gases
combustíveis.

1.12.3 Abafamento

O abafamento ou controle do comburente é o método de extinção mais difícil, pois a não


ser em pequenos incêndios que podem ser abafados com tampas de vasilhas, panos, cobertores
etc., necessita-se de aparelhamento e produtos específicos para sua obtenção.
DIVISÃO DE ENSINO SSDM
EEAR 41

Consiste em diminuir ou impedir o contato do oxigênio com o material combustível. Não


havendo comburente para reagir com o combustível, não haverá fogo. Como exceção, estão os
materiais que têm o oxigênio em sua composição e queimam sem a necessidade do oxigênio do
ar, como os peróxidos orgânicos e o fósforo branco (Fig. 41).

Figura 41

Conforme já vimos anteriormente, a diminuição do oxigênio em contato com o


combustível vai tornando a combustão mais lenta, até a concentração de oxigênio chegar abaixo
de 8%, onde não haverá mais combustão.

Colocar uma tampa sobre um recipiente contendo álcool em chamas, ou colocar um copo
voltado de boca para baixo sobre uma vela acesa, são duas experiências práticas que mostram
que o fogo se apagará tão logo se esgote o oxigênio em contato com o combustível. Pode-se,
também, abafar o fogo com uso de materiais diversos, como areia, terra, cobertores, vapor
d’água, espumas, pós, gases especiais, etc.

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 42

Figura 42

Assim é que se julgou que a ação extintora dos pós-químicos, a base de bicarbonato,
fosse devida principalmente à formação de CO2 conseqüente de sua queima; entretanto, a

experiência indicava que o pó era no mínimo duas vezes mais eficiente que a ação extintora de
igual quantidade de CO2 usada separadamente. Devido a este fato chegou-se a conclusão de que

a única teoria capaz de explicar a ação dos referidos agentes é a extinção de natureza química,
pois a reação destes agentes intervém na cadeia de combustão.

1.13 Classificação dos incêndios

A classificação adotada pelo Comando da Aeronáutica é a classificação elaborada pela


NFPA (National Fire Protection Association/EUA), adotada pela IFSTA (International Fire
Service Training Association/EUA) e adotada, também, pelo Corpo de Bombeiros da Polícia
Militar do Estado de São Paulo.

Os incêndios são classificados de acordo com os materiais neles envolvidos, bem como a
situação; é feita para determinar o agente extintor adequado para o tipo de incêndio específico.
Entendemos como agentes extintores, todas as substâncias capazes de eliminar um ou mais dos
elementos essenciais do fogo, cessando a combustão. As classes de incêndio são em numero de
quatro: A, B, C e D (Fig. 43).

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 43

Figura 43

1.13.1 Incêndio classe A

São incêndios envolvendo combustíveis sólidos comuns (Fig. 44) como papel, madeira,
tecido, borracha, etc. É caracterizado pelas cinzas e brasas que deixam como resíduos e por
queimar em razão do seu volume, isto é, a queima se dá na superfície e em profundidade.

Figura 44

Necessita de resfriamento para sua extinção (Fig. 45), isto é, do uso de água ou soluções
que a contenha em grande porcentagem, a fim de reduzir a temperatura do material em

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 44

combustão. O emprego de pós-químicos irá apenas retardar a combustão, não agindo na queima
em profundidade.

Figura 45

1.13.2 Incêndio classe B

São os incêndios em líquidos combustíveis (Fig. 46), graxas e gases combustíveis.


Exemplos: gasolina, óleo, tintas, gases liquefeitos, álcool, graxas. Esta classe de incêndio é
caracterizada pelo fato de o fogo queimar unicamente à razão da superfície e não deixar resíduos.

Os líquidos inflamáveis pegam fogo com grande facilidade, pois em temperatura


ambiente já estão produzindo gases ou vapores (ponto de combustão). Esta classe de incêndio
necessita para sua extinção o método do abafamento (Fig. 47) ou da interrupção da reação em
cadeia.

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 45

No caso de líquidos muito aquecidos, que já atingiram o ponto de ignição, é necessário


também o resfriamento.

Figura 46

Figura 47

1.13.3 Incêndio classe C

Incêndios envolvendo equipamentos energizados (Fig. 48), tais como condutores e


motores elétricos, transformadores de voltagem, disjuntores e outros aparelhos elétricos
energizados. Caracteriza-se pelos riscos que oferecem aos operadores.

Para sua extinção necessita de agente extintor que não conduza a corrente elétrica (Ex.
CO2) e utilize o principio de abafamento ou interrupção da reação em cadeia (Fig. 49).

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 46

Esta classe de incêndio pode ser mudada para “Classe A”, se for interrompido o fluxo
elétrico. Deve-se ter cuidado com equipamentos (televisores, por exemplo) que acumulam
energia elétrica, pois estes continuam energizados mesmo após a interrupção da corrente elétrica.

Figura 48

Figura 49

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 47

1.13.4 Incêndio da classe D

São incêndios em metais alcalinos (magnésio, selênio, potássio, etc.) e outros


combustíveis pirofóricos (Fig. 50) que constituem exceção aos métodos convencionais de
extinção. Esses combustíveis têm um comportamento diferente dos combustíveis comuns; por
esta razão, são considerados combustíveis especiais. São caracterizados pela queima em altas
temperaturas e por reagir com agentes extintores comuns (principalmente os que contenham
água). Para sua extinção, necessita de agentes extintores especiais que se fundem em contato
com o metal combustível, formando uma espécie de capa que o isola do ar atmosférico,
interrompendo a combustão por abafamento (Fig. 51). Os pós-especiais são compostos dos
seguintes materiais: cloreto de sódio, cloreto de bário, monofosfato de amônia, grafite seco.
Estes produtos deverão cumprir as especificações da Organização Internacional de Normatização
(ISO 7202).

Figura 50

Figura 51

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 48

1.13.5 Considerações

Pelo que foi exposto acima, verifica-se que os incêndios das Classes A e B caracterizam-
se pelo modo como se queimam. Os incêndios de Classe C e D pelo risco de vida que oferecem
aos operadores.

Alguns autores admitem como incêndio de Classe D os incêndios em que ocorrem


conjuntamente as três classes: A, B e C, como por exemplo, incêndios em veículos.

1.14 Agentes extintores

São denominados agentes extintores as substâncias capazes de interromper uma


combustão, quer por resfriamento, abafamento, extinção química (quebra da reação em cadeia),
utilizando, inclusive, simultaneamente esses processos.

São normalmente utilizados através de equipamentos especializados ou instalações


adequadas e destinadas a proporcionar a proteção contra o fogo.

Os agentes extintores, normalmente utilizados para combate de incêndio são os seguintes:


água, espuma, gases inertes, pós-químicos, halogenados e outros agentes.

1.14.1 Água

A água é o agente extintor mais abundante na natureza. Age principalmente por


resfriamento, devido a sua propriedade de absorver grande quantidade de calor. Atua também
por abafamento, dependendo da forma como é aplicada.

A água é o agente extintor mais empregado, em virtude do seu baixo custo e da facilidade
de obtenção. Em razão da existência de sais minerais em sua composição química, a água conduz
eletricidade e seu usuário, em presença de materiais energizados, pode sofrer choque elétrico.
Quando utilizada em combate ao fogo em líquidos inflamáveis, há o risco de ocorrer
transbordamento do líquido que está queimando ou mesmo um “boil over”, aumentando, assim a
área do incêndio.

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 49

A água é utilizada, para extinção de incêndio, no estado líquido através de jato sólido
(compacto), jato pulverizado (chuveiro) e neblina; no estado gasoso é utilizada sob a forma de
vapor de água (um litro de água produz 1700 litros de vapor de água).

1.14.2 Espuma

Agente extintor cuja ação de extinção é de abafamento (principal) e resfriamento


(secundária); por utilizar razoável quantidade de água na sua formação, conduz corrente elétrica.

A espuma pode ser química ou mecânica conforme seu processo de formação.

A espuma química é obtida através de uma reação química de sulfato de alumínio com
bicarbonato de sódio e mais um agente estabilizador da espuma. Contém em suas bolhas CO2.

A espuma mecânica é obtida pelo batimento de uma mistura de água com um agente
espumante (extrato) e a aspiração simultânea de ar atmosférico através de um esguicho próprio.
São classificadas em protéica, fluorprotéica, sintéticas (AFFF e HiEX) e para solventes polares
(AFFF/ATC).

A rigor a espuma é mais uma das formas de aplicação da água, pois se constitui de um
aglomerado de bolhas de ar ou gás (CO2) envoltas em película de água.

1.14.3 Gases inertes

São agentes extintores que extinguem o incêndio por abafamento (função principal),
resfriamento (função secundária) ou até mesmo o rompimento da cadeia iônica.

O gás carbônico ou CO2 é o mais utilizado, é um gás mais denso (mais pesado) que o ar,

sem cor, sem cheiro, não condutor de eletricidade e não venenoso. Por não deixar resíduos nem
ser corrosivo é um agente extintor apropriado para combater incêndios em equipamentos
elétricos e eletrônicos sensíveis (centrais telefônicas e computadores).

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 50

1.14.4 Pós-químicos

Tais como bicarbonato de potássio, bicarbonato de sódio, sulfato de alumínio, grafite,


pós-especiais, próprios para fogo em magnésio, sódio e potássio. Atuam na quebra da reação em
cadeia e por abafamento; não são condutores de eletricidade. São pulverizados no incêndio, onde
através da formação de uma nuvem de pó, extinguem o incêndio.

O Pó Químico, quando aquecido (decomposto), produz 26% de seu peso em CO2; dai
vem a afirmação que o Pó Químico não age somente pelo abafamento, agindo também na quebra
da reação em cadeia do incêndio.

Os diversos tipos de pós-químicos são classificados segundo suas possibilidades


extintoras:
➢ pó químico regular ou pó químico comum são os pós destinados a extinção de
incêndios de classe B e C;
➢ pó químico abc ou pó químico para múltiplos Propósitos são os pós destinados a
extinção de incêndios das classes A,B e C;
➢ pó especial é o pó especialmente formulado para agir como agente extintor de
incêndio em metais combustíveis.

1.14.5 Halogenados

São ideais para combate a incêndios em equipamentos elétricos e eletrônicos sensíveis,


sendo mais eficientes que o CO2, porém, estes, estão em desuso, pois destroem a camada de
ozônio.

Assim como o CO2, os compostos halogenados se dissipam com facilidade em locais


abertos, perdendo seu poder de extinção.

1.14.6 Outros agentes

Além dos agentes já citados, podemos considerar como agentes extintores a terra, areia,
cal, talco, etc.

DIVISÃO DE ENSINO SSDM


EEAR 51

Tabela - Seleção do agente extintor segundo a classificação do incêndio.


Agentes Extintores
Classes de Incêndio Pó Químico Agentes
Espuma
Água CO2 Especiais
Mecânica BC ABC (Limpos)
Fogo envolvendo materiais
comuns sólidos, tais como:
papel, madeira, tecidos,
A algodão, fibras, capim etc., (AD) (AD) (NR) (NR) (AD) (AD)
em que o efeito da água ou
solução contendo água, e de
primordial importância.
Fogo envolvendo líquidos
e/ou gases inflamáveis ou
combustíveis, graxas,
B (P) (AD) (AD) (AD) (AD) (AD)
plásticos, óleos, tintas e
similares, em que o efeito do
abafamento é essencial.
Fogo envolvendo instalações
C e equipamentos elétricos (P) (P) (AD) (AD) (AD) (AD)
energizados.
Fogo em metais combustíveis
tais como: magnésio,
Deve ser verificada a compatibilidade entre o metal combustível e o
D zircônio, titânio etc. A
agente extintor.
extinção deverá ser feita por
meios especiais.
Tabela 04
(AD) - ADEQUADO À CLASSE DE INCÊNDIO.
(NR) - NÃO RECOMENDADO.
(P) - PROIBIDO.

1.15 Gás liquefeito de petróleo (GLP)

O Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) ou gás de cozinha é um produto muito útil em


nossos lares, mas devido a sua inflamabilidade é um agente produtor de vários acidentes; por
isto, neste capítulo, daremos especial atenção a este produto.

O gás de cozinha é um combustível formado pela mistura de dois gases extraídos do


petróleo: propano e butano. Ele tem a característica de ficar em estado líquido quando submetido
a uma certa pressão, sendo por isto chamado de Gás Liquefeito de Petróleo, ou GLP.

O GLP não é corrosivo nem poluente. Também não é tóxico, mas se inalado em grande
quantidade produz asfixia e efeito anestésico.
DIVISÃO DE ENSINO SSDM
EEAR 52

Assim como a gasolina, o álcool ou o querosene, o gás de cozinha também pega fogo
com facilidade ao entrar em contato com chamas, brasas ou faíscas. Se houver um grande
vazamento em um ambiente não ventilado, o gás, por ser mais pesado que o ar, se acumulará a
partir do piso. Assim, qualquer chama ou faísca provocará uma explosão no ambiente e
conseqüentemente o incêndio.

Sei que você deve ter ouvido muitas vezes no jornal e mesmo na televisão, a seguinte
expressão: “o botijão de Gás EXPLODIU...”. Esta é uma idéia que as pessoas fazem de um
acidente com GLP: mas não caiam neste erro! Ao término desta exposição, você poderá dizer,
com toda a segurança de um especialista no assunto, que isto é praticamente impossível.

1.15.1 Medidas de prevenção

Uma maneira encontrada para prevenir acidentes com GLP foi a odorização do gás, pois
o GLP é produzido inodoramente, ou seja, sem cheiro. Se não fosse esse “cheirinho” artificial,
seria muito difícil saber se há vazamentos e o numero de acidentes aumentaria assustadoramente.

Outra medida adotada diz respeito ao modo de construção dos recipientes (botijões). Eles
são fabricados com chapas de aço, capazes de suportar altas pressões, seguindo as Normas
Técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), também são construídos sob

um rigoroso controle, onde todo recipiente é testado a uma pressão de 21 Kgf/cm2,

correspondentes ao triplo da pressão de trabalho normal (7 Kgf/cm2).

A cada lote de 200 recipientes, 01 (um) sofre teste a 34 Kgf/cm 2; a cada 1000, 01 (um)

recebe pressão até o rompimento da chapa, que não pode ser inferior a 84 Kgf/cm2.

Sendo a pressão normal de seu interior igual a 7 Kgf/cm 2, é praticamente impossível a


explosão de um recipiente de GLP, pois a pressão para o rompimento da chapa, como já vimos,
corresponde a 12 (doze) vezes o valor da pressão normal de trabalho.

A limitação da porcentagem de enchimento do vasilhame é, também, uma importante


medida de segurança, pois nenhum recipiente pode ser 100% cheio; do volume total do
recipiente, 85% é de gás na fase líquida (parte inferior) e 15% em fase de vapor (parte superior),
o que permite uma expansão em caso de aumento de temperatura.
DIVISÃO DE ENSINO SSDM
EEAR 53

Além de todos estes cuidados o botijão possui uma válvula de segurança (plug fusível)

que se rompe com o aumento de pressão ou temperatura (+ ou – 15 Kgf/cm2), dando escape ao


gás para diminuir a pressão em seu interior.

1.15.2 Capacidades

O GLP é comercializado nas capacidades de 02 Kg. (uso em lampião e fogareiro), 13 Kg.


(uso domestico), 20 Kg. (uso em empilhadeira), 45 Kg. (uso industrial e comercial) e 90 Kg. (uso
industrial e comercial) (Fig. 52).

Figura 52

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EEAR 54

1.15.3 Instalação de GLP

Agora daremos algumas dicas para uma boa instalação e uso do GLP, são elas:
➢ verificar se o recipiente está lacrado (Fig. 53), se não existe pontos de corrosão, se não
está amassado e as condições da válvula de alívio (plug fusível);

Figura 53

➢ os recipientes devem estar protegidos das intempéries, em locais arejados e distantes


no mínimo 1,5 m de ralos, caixas de gordura e esgoto;
➢ quando a distância entre a saída do gás do recipiente e a entrada do gás no fogão for de
até 1,25 m, utilizar mangueira, caso seja maior, utilizar cano de cobre;
➢ utilizar mangueira de PVC transparente com tarja amarela onde está gravado o prazo
de validade e o código NBR 8613;
➢ nunca colocar a mangueira passando por detrás do fogão (Fig. 54);

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EEAR 55

Figura 54

Figura 55

➢ usar regulador de pressão com a marca NBR/INMETRO (Fig. 55);


➢ o regulador de pressão deve ter roscas de cobre ou latão, para evitar faíscas na
instalação;
➢ o regulador de pressão deve ser rosqueado com as mãos;
➢ utilize água e sabão ou detergente líquido para fazer o teste de vazamento após trocar
o botijão;

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➢ quando em uso, nunca deite ou vire o botijão, pois pode haver escoamento de gás na
fase líquida, e anulando a função do regulador de pressão (Fig. 54);
➢ mantenha os queimadores do fogão sempre limpos (lavar com água quente);
➢ para uma boa utilização do fogão obedeça a seguinte seqüência: abra o registro de gás,
acenda o fósforo, aproxime o fósforo do queimador e ligue o queimador;
➢ se o fogão for de acendimento automático, abra sempre a porta do forno quando for
acendê-lo;
➢ feche o registro de gás sempre que não estiver utilizando o fogão;
➢ quando em uso, mantenha as crianças longe do fogão.

1.16 Exercícios

1- Responda as questões.

a) Qual o conceito do fogo do ponto de vista do Bombeiro?


_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
b) Quais os elementos que compõe o tetraedro do fogo?
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
c) Como pode ser definida a Pirólise?
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
d) Descreva o que é uma explosão?
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
e) Quais são os métodos de extinção do fogo?
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
f) Em que tipo de combustível ocorre o incêndio de classe B?
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________

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EEAR 57

g) Por qual motivo é dado o nome de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) ao gás de cozinha?
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
h) Em quais capacidades o GLP é comercializado?
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________

2- Marque a resposta certa.

a) É o elemento que serve de campo de campo de propagação e alimenta a combustão:

I) ( ) calor
II) ( ) oxigênio
III) ( ) combustível
IV) ( ) reação em cadeia

b) Quando o calor é transferido de moléculas para molécula, ele está sendo transmitido por;

I) ( ) condução
II) ( ) irradiação
III) ( ) convecção
IV) ( ) solidificação

c) Quando determinados combustíveis atinge seu ponto de ignição, simultaneamente, haverá uma
queima instantânea e concomitante desses produtos, podendo provocar uma explosão ambiental,
estamos falando de:

I) ( ) combustão incompleta.
II) ( ) combustão completa.
III) ( ) flashover.
IV) ( ) pirólise.

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EEAR 58

d) Combustão completa, combustão incompleta e combustão espontânea são:

I) ( ) fases da combustão.
II) ( ) formas de combustão.
III) ( ) produtos da combustão.
IV) ( ) velocidades da combustão.

e) É o método de extinção do fogo mais simples na sua realização, pois é executado com a força
física:

I) ( ) quebra da reação em cadeia.


II) ( ) retirada de material.
III) ( ) resfriamento.
IV) ( ) abafamento.

f) São normalmente utilizados através de equipamentos especializados ou instalações adequadas


e destinadas a proporcionar a proteção contra o fogo:

I) ( ) agentes extintores.
II) ( ) métodos de Extinção.
III) ( ) produtos da combustão.
IV) ( ) classificação de incêndio.

g) O GLP é:

I) ( ) tóxico.
II) ( ) poluente.
III) ( ) corrosivo.
IV) ( ) não tóxico.

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EEAR 59

h) O GLP se inalado em grande quantidade produz.

I) ( ) hipertensão.
II) ( ) dor nos olhos.
III) ( ) efeito anestésico.
IV) ( ) congelamento dos orgãos.

3- Verifique se as afirmativas abaixo estão certas ou erradas marcando um “X”.

a) Os combustíveis podem ser encontrados nos estados sólido, liquido e gasoso


( ) certo
( ) errado

b) O comburente é o elemento que possibilita vida as chamas e intensifica a combustão.


( ) certo
( ) errado

c) Convecção é a transmissão do calor por ondas de energia calorífica que se desloca pelo
espaço.
( ) certo
( ) errado

d) Ponto de Fulgor é a temperatura mínima na qual os gases desprendidos dos corpos


combustíveis, ao entrarem em contato com uma fonte externa de calor, inflaman-se e mantém a
combustão.
( ) certo
( ) errado

e) Combustível compreende toda substância capaz de se queimar (oxidar-se)


( ) certo
( ) errado

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EEAR 60

f) A madeira a 180º C começa a evaporar e a 250º C escurece e começa a destilar, liberando


ácido acético, álcool metílico e monóxido de carbono (...)
( ) certo
( ) errado

g) Calor excessivo, fumaça escura, pequenas chamas, pouco ruído, fumaça sob pressão, (...) são
condições que podem indicar situações de “Backdraft”.
( ) certo
( ) errado
h) O CO, na proporção de 12,5 a 74%, misturado com o ar torna o ambiente explosivo.
( ) certo
( ) errado

i) Combustão incompleta é aquela em que a queima se processa em ambiente rico em oxigênio.


( ) certo
( ) errado

j) As explosões verdadeiras são determinadas por substâncias especiais, os explosivos.


( ) certo
( ) errado

k) O resfriamento ou controle do calor é o método de extinção do fogo mais utilizado.


( ) certo
( ) errado

l) Os incêndios são classificados de acordo com os materiais neles envolvidos.


( ) certo
( ) errado

m) Os incêndios classe C e D caracterizam-se pelo risco de vida que oferecem aos operadores.
( ) certo
( ) errado

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n) São denominados agentes extintores as substâncias capazes de interromper uma combustão.


( ) certo
( ) errado

o) Terra, areia, cal e talco são considerados agentes extintores.


( ) certo
( ) errado

p) O GLP é um gás mais leve que o ar.


( ) certo
( ) errado

q) O regulador de pressão deve Ter roscas de ferro ou alumínio.


( ) certo
( ) errado

r) O GLP é produzido sem cheiro (inodoramente).


( ) certo
( ) errado

s) É praticamente impossível um botijão de GLP explodir.


( ) certo
( ) errado

t) O recipiente de 20 Kg. de GLP é para uso doméstico.


( ) certo
( ) errado

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REFERÊNCIAS

NSCA 92-2/2005 - ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DO SERVIÇO DE


PREVENÇÃO, SALVAMENTO E COMBATE À INCÊNDIO EM EDIFICAÇÕES DO
COMANDO DA AERONÁUTICA. Comando da Aeronáutica – Diretoria de Engenharia da
Aeronáutica

POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO. Corpo de Bombeiros. Manual de


fundamentos de bombeiros. São Paulo, [19--].

POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE MINAS GERAIS. Corpo de Bombeiros. Manual de


atividades de bombeiros.Minas Gerais, [19--].

CENTRO DE INSTRUÇÃO E ADESTRAMENTO AERONAVAL. Combate a incêndio.

[s.l], [19--].

ESCOLA DE ESPECIALISTAS DE AERONÁUTICA. Teoria contra incêndio

Módulo II. Guaratinguetá, 2000.

ULTRAGAZ; BRASILGÁS; UTINGÁS. Manual de GLP: uso, instalação e segurança.

[s.l.], [19--].

ULTRAGAZ. Ficha informativa do produto GLP.[s.l], [19--].

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GABARITO

1 -Respostas
a) Combustão é uma reação química de oxidação, que se caracteriza pela liberação de luz, calor,
fumaça e gases.

b) Combustível, oxigênio (comburente), calor (agente ígneo) e a reação em cadeia.

c) Decomposição química da matéria pela ação do calor, passando diretamente do estado sólido
para o estado gasoso.

d) Explosão é o desenvolvimento repentino ou a súbita expansão de uma grande massa gasosa,


geralmente acompanhada por efeitos sonoros (estrondo ou estampido) e mecânicos
(esmagamento ou ruptura de materiais atingidos pela onda explosiva).

e) Retirada de material, resfriamento, abafamento e quebra da reação em cadeia.

f) Em líquidos combustíveis, graxas e gases combustíveis.

g) Por ter a característica de ficar em estado líquido quando submetido a uma certa pressão.

h) 02, 13, 20, 45 e 90 Kg.

2 -Respostas
a) III
b) I
c) III
d) II
e) II
f) I
g) IV
h) III

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3 -Respostas
a) certo
b) certo
c) errado
d) errado
e) certo
f) errado
g) certo
h) certo
i) errado
j) certo
k) certo
l) certo
m) certo
n) certo
o) certo
p) errado
q) errado
r) certo
s) certo
t) errado

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