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GRUPO I

Leitura / Educação Literária

Lê o texto. Se necessário, consulta o vocabulário.

Texto A
Peregrino fez 105 mil quilómetros
Miguel Amorim

É peregrino, chama-se José Antonio García, tem 65 anos e já calcorreou1 mais de 105 mil
quilómetros. Antes de voltar a casa, em Cádiz (Espanha), visitou o JN, numa paragem de um
percurso iniciado na Bósnia, há cinco meses, e que, entre outras, inclui a visita ao Vaticano, em
Roma, onde terá tido um breve contacto com o Papa Francisco.

5 José Antonio está em rodagem há 10 anos. Trabalhava na pesca do bacalhau e o seu barco
naufragou na Noruega. “Dos 17 tripulantes, 16 morreram. O único a salvar-se fui eu”, revela para
justificar a devoção a Nossa Senhora do Carmo, a padroeira 2 dos marinheiros, e explicar as longas
caminhadas que o têm levado a diferentes pontos do globo. “É uma promessa”, reforça.
Quando começou a “aventura”, tinha 35 mil euros na conta. As viagens consumiram todo
esse dinheiro. Hoje, vive de uma pequena pensão e, sobretudo, da ajuda dos outros peregrinos. “Um
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dia sem rir é um dia perdido”, dá conta, para ilustrar o seu modo de vida e com o qual pretende
contagiar quem o rodeia.
Faz 45 quilómetros diários. Só mete um travão à marcha para as refeições e quando as
pernas lhe pedem descanso. Médicos e hospitais não são com ele. Apesar dos seus 65 anos (perfaz
66 no sábado), a saúde não lhe tem pregado sustos. A estrada é, mesmo, a sua praia.
15 Resistiu, por exemplo, às baixas temperaturas do Tibete, da Sibéria e do Alasca.
A brincar, diz ter “pele de foca”, apesar de a cidade-berço ter sido a ensolarada Cádiz, onde mantém
residência. Sempre a pé, conheceu os principais templos religiosos do Mundo, fosse na China ou no
Brasil.

Tem telemóvel, mas sem GPS


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Nesta última odisseia, com partida na Bósnia, fez o caminho até Santiago. Agora, o Porto
atravessou-se na rota. Fátima é o próximo destino. Conta lá chegar em quatro dias.
Pelos países por onde tem passado, tem sido notícia. Há dias, foi capa no Diário de
Pontevedra. Aos outros peregrinos aconselha que “andem com calma, sem corridas”, e salienta a
importância de “uma boa noite de sono”. Quanto à mochila que carrega às costas, os 20 quilos
exigem espírito de sacrifício. Lá dentro transporta o essencial: bebida, comida, roupa, saco-cama,
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toalha e uma botija de gás.
Apesar de ter telemóvel, não dispõe do sistema GPS. “Sigo-me sempre pelas setas na
estrada. Quando me engano, volto atrás e recomeço a peregrinação”, diz, no seu jeito simplista.

In Jornal de Notícias, 23/09/2015

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IMP-PR10-08/V02 1 de 6
VOCABULÁRIO
1percorreu, palmilhou; 2patrona, protetora.

1. Seleciona, em cada item, a alínea que completa cada frase de forma adequada, de acordo com
o sentido do texto.
1.1. Na linha 3, a palavra “outras” refere-se a
a) paragens.
b) cidades.
c) visitas.
d) capitais.

1.2. A expressão “A estrada é, mesmo, a sua praia.” (linhas 16-17) contém uma
a) comparação.
b) metáfora.
c) personificação.
d) hipérbole.

1.3. Na linha 19, o conector “apesar de” apresenta uma ideia de


a) confirmação.
b) alternativa.
c) contradição.
d) oposição.

2. As frases a seguir apresentadas correspondem a afirmações sobre José Antonio García.


Transcreve, para cada um dos itens, uma expressão do texto que comprove a veracidade das afirmações
efetuadas.
A. Nasceu na cidade de Cádiz, em Espanha.
B. Encetou a sua peregrinação devido a um milagre.
C. Durante a sua romaria, conheceu Sua Santidade.
D. Visitou os monumentos de culto religioso de referência mundial.
E. Despendeu as suas economias nas jornadas.

Texto B

Lê o texto. Se necessário, consulta o vocabulário.

E três dias depois o Cavaleiro deixou Florença.


Viajava agora com pressa para embarcar no porto de Génova num dos navios que, no
princípio do verão, sobem da Itália para Bruges, Gand e Antuérpia.

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Mas já no fim do caminho, a pouca distância de Génova, adoeceu. Foi talvez do sol que o
escaldava enquanto cavalgava por vales e montes ou foi da água que bebeu de um poço onde iam
à noite beber os sardões.
Tremendo de febre, foi bater à porta dum convento. Os frades que o recolheram tiveram
grande trabalho para o salvar, pois o Cavaleiro parecia ter o sangue envenenado e delirava dia e
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noite. Nesse delírio imaginava que nunca mais conseguia chegar ao seu país, pois Veneza erguia-
se das águas e arrastava-o consigo para o fundo do mar, e as estátuas de Florença formavam
exércitos de bronze e mármore que não o deixavam passar.
Os frades trataram-no com chás de raízes de flores, com pílulas de aloés, com xaropes de
mel e vinho quente, com pós misteriosos e emplastros de farinha e ervas. A febre foi baixando
15 lentamente e só acabou de todo ao fim dum mês e meio. Então o Cavaleiro quis seguir viagem, mas
estava tão fraco, magro e pálido que os frades não o deixaram partir.
Teve de esperar mais um mês no pequeno convento calmo e silencioso. Estendido na sua
cela caiada escutava o murmurar das fontes na cerca e os cânticos dos religiosos. Depois, à tarde,
passeava no claustro1 quadrado admirando nas paredes as suaves pinturas dos frescos 2 que
contavam os milagres maravilhosos dos santos. Na parede da direita via-se Santo António pregando
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aos peixes e na parede da esquerda via-se São Francisco fazendo um pacto3 com o lobo de Gubbio.
No meio do claustro corria uma fonte e em sua roda cresciam cravos e rosas brancas. No
céu azul as andorinhas cruzavam o seu voo.
E das colunas, do murmúrio da fonte, das flores, das pinturas e das aves erguia-se uma
grande paz como se os homens, os animais, as plantas e as pedras tivessem encontrado um reino
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de aliança e de amor.
Nesta paz as forças do Cavaleiro cresciam dia a dia até que, ao cabo de cinco semanas de
descanso, ele pôde despedir-se dos frades e continuar o seu caminho.
Então dirigiu-se para Génova.

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Sophia de Mello Breyner Andresen, O Cavaleiro da Dinamarca, Porto, Figueirinhas, 2004.

VOCABULÁRIO
1 pátio
interior de um convento; 2 técnica aplicada em paredes e tetos que consiste em pintar sobre reboco fresco e húmido
com tinta diluída em água e cal; 3 acordo, combinação.

3. “Mas já no fim do caminho, a pouca distância de Génova, adoeceu.” (linha 4)


3.1. Explicita as eventuais causas da doença do Cavaleiro.
3.2. Indica dois sintomas da doença, manifestados pelo Cavaleiro.

4. Comprova, com uma frase do texto, que os frades curaram o Cavaleiro por meio de remédios caseiros.

5. “Teve de esperar mais um mês no pequeno convento calmo e silencioso.” (linha 18)
5.1. Indica os motivos pelos quais o Cavaleiro teve de adiar a sua partida.

6. O Cavaleiro “passeava no claustro quadrado admirando nas paredes as suaves pinturas dos frescos que
contavam os milagres maravilhosos dos santos.” (linhas 20-21)
6.1. Usando palavras tuas, esclarece de que “milagres” se trata.
7. Atribui um título adequado ao texto que acabaste de ler.
Justifica devidamente a tua resposta.

GRUPO II

1. “Os frades trataram-no com chás de raízes de flores [...].” (linha 13)
1.1. Reescreve a frase anterior, iniciando-a pelo advérbio talvez.

2. “No meio do claustro corria uma fonte [...].” (linha 24)


2.1. Identifica a função sintática desempenhada pelas expressões sublinhadas.

3. “Foi talvez do sol que o escaldava enquanto cavalgava por vales e montes ou foi da água que bebeu de
um poço onde iam à noite beber os sardões.” (linhas 4-6)
3.1. Classifica as orações:
a) “que o escaldava”.
b) “enquanto cavalgava por vales e montes”.
c) “ou foi da água”.

4. Atenta nas frases simples a seguir apresentadas.

O Cavaleiro adoeceu gravemente a caminho de Génova.


O Cavaleiro teve de adiar a sua viagem de regresso a casa.

4.1. A partir das frases anteriores, constrói uma frase complexa, usando uma conjunção subordinativa
causal. Faz apenas as alterações necessárias.
4.2. Classifica a oração introduzida por essa conjunção.

GRUPO III
José Antonio García e o Cavaleiro viajam em peregrinação, visitando diversos lugares santos.
No papel de um dos peregrinos, escreve uma carta a um familiar, entre 160 a 200 palavras, a
contar as tuas aventuras.

Antes de escreveres o teu texto, atenta nas indicações que se seguem:


– respeita a estrutura formal da carta;
– seleciona um vocabulário variado e adequado ao género textual;
– redige frases claras e coerentes;
– aplica conectores do discurso;
– respeita as normas de ortografia;
– pontua corretamente o texto;
– revê o texto que escreveste e corrige-o, se necessário.

GRUPO II
Lê o texto com atenção

GRUPO III

Gramática

GRUPO IV

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Terminaste? Então, revê atentamente o teu teste!


A professora