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II Série • N.

º 162 • 3€
Março/Abril 2018

Diretor
Carlos Mineiro Aires

Diretor-adjunto
Carlos Alberto Loureiro

a engenharia portuguesa em revista


ECO

R
N LA
O
U
MIA CIRC
PRIMEIRO PLANO ENTREVISTA ENTREVISTA
A EXPLICAÇÃO QUE É DEVIDA CARLOS MARTINS CARLOS BORREGO
Veto presidencial em relação ao exercício Secretário de Estado do Ambiente Coordenador de Investigação da Agenda
de Atos de Arquitetura por engenheiros civis de I&I para a Economia Circular

Carlos Mineiro Aires “ A economia circular veio para ficar. “ A transição para a economia circular
Bastonário da Ordem dos Engenheiros É um caminho sem retorno ” vai significar um impacto muito
positivo na mitigação das alterações
climáticas ”
Nesta Edição

5 Editorial 8 Notícias
Economia Circular
14 Regiões
6 Primeiro Plano
A explicação que é devida
Veto presidencial em relação ao exercício
de Atos de Arquitetura por engenheiros civis

23 Tema de Capa ECONOMIA CIRCULAR

24 Sinergias Circulares: desafios para Portugal Entrevista

27 O valor da Economia Circular 44 CARLOS MARTINS


Secretário de Estado do Ambiente
30 Planear a transição para uma Economia Circular “A Economia Circular veio para ficar.
É um caminho sem retorno”
34 A Economia Circular no setor dos resíduos
50 CARLOS BORREGO
37 Oportunidades para a Economia Circular Coordenador de Investigação da Agenda
nos serviços de águas de I&I para a Economia Circular
“A transição para a Economia Circular
38 Contributo do PO SEUR para a Economia Circular vai significar um impacto muito positivo
na mitigação das alterações climáticas”
40 A aplicação da ISO 14001:2015 para a implementação
de estratégias circulares

42 Oportunidades na transição para a Economia Circular

56 Colégios 92 Análise
Transportes e Vias de Comunicação – Abordar o
82 Comunicação Presente e Perspetivar o Futuro
Engenharia Mecânica
Qual o Futuro das Motorizações em Veículos 94 Crónica
Automóveis – Fuel-Cell, Elétrico, Combustão Interna A Bela (Adormecida) e o Problema Monstruoso

86 Ação Disciplinar 97 Em Memória

90 Legislação 98 Agenda

Março/Abril 2018 INGe NIUM • 3


2018
ano oe
das alterações
climáticas
O Conselho Diretivo Nacional
da Ordem dos Engenheiros
decretou o ano de 2018 como o
"Ano OE das Alterações Climáticas”

2 ano OE
das alterações
18 climáticas
Editorial

II SÉRIE N.º 162 – MARÇO / ABRIL 2018

Propriedade Ordem dos Engenheiros


Diretor Carlos Mineiro Aires
EDITORIAL
Diretor-adjunto Carlos Almeida Loureiro
Conselho Editorial
Carlos Mineiro Aires
Paulo Ribeirinho Soares, Luis Filipe Cameira Ferreira, Gonçalo Manuel Fernandes Diretor
Perestrelo, Teresa Burguete, Manuel Fernando Ribeiro Pereira, Tiago Alexandre
Rosado Santos, Maria João Oliveira de Barros Henriques, Miguel Castro Neto,
Luis Rochartre, Luis Gil, Ricardo Magalhães Machado, Lisete Calado Epifâneo,
Pedro Mêda, Armando da Silva Afonso, Jorge Grade Mendes, Pedro Jardim
Fernandes, Paulo Botelho Moniz
Edição Ordem dos Engenheiros ingenium@oep.pt
Redação e Produção G
 abinete de Comunicação da Ordem dos Engenheiros
gabinete.comunicacao@oep.pt

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Economia Circular
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R
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C
Região da Madeira Rua Conde Carvalhal, 23 – 9060-011 Funchal
Tel. 291 742 502 • Fax 291 743 479 aras e caros Colegas,
Coordenação Geral Marta Parrado
Tendo o Conselho Diretivo Nacional da Ordem dos Engenheiros (OE) decla-
Redação Nuno Miguel Tomás (CPJ 6152)
Ligação aos Colégios e Especializações Alice Freitas
rado 2018 como o “Ano OE das Alterações Climáticas”, a que associou múl-
tiplos eventos que decorrerão ao longo do ano, faz todo o sentido que a presente
Impressão L idergraf - Artes Gráficas, S.A.
Rua do Galhano, 15 • 4480-089 Vila do Conde • Portugal edição da “INGENIUM” seja dedicada à “Economia Circular”.
Publicação Bimestral • Tiragem 40.000 exemplares Num contexto de mitigação e adaptação às alterações climáticas, a transição da eco-
Registo no ICS n.º 105659 • NIPC 504 238 175 • API 4074
Depósito Legal n.º 2679/86 • ISSN 0870-5968 nomia linear para a economia circular, a interiorização e a assunção desta evolução
assumem uma relevância crucial como forma de atingirmos objetivos fundamentais
como os da eficiência material, hídrica e energética.
Definitivamente, teremos de seguir um caminho sem retorno, alicerçado na eficiência
na gestão e uso dos recursos, que deixe de estar baseado em soluções que recorrem à
Bastonário Carlos Mineiro Aires
Vice-presidentes Nacionais Carlos Almeida Loureiro,
sua sistemática exploração, cientes da sua crescente limitação e caráter finito, e que seja
Fernando de Almeida Santos
capaz de dar resposta à gradual necessidade de produção de bens de consumo de toda
Conselho Diretivo Nacional
Carlos Mineiro Aires (Bastonário), Carlos Almeida Loureiro (Vice-presidente
a natureza, motivada pelo crescimento demográfico e por razões socioeconómicas.
Nacional), Fernando de Almeida Santos (Vice-presidente Nacional), Estes desafios vêm originando, há já algum tempo, reações no mercado e até moti-
Joaquim Poças Martins (Presidente CDRN), Carlos Duarte Neves
(Secretário CDRN), Armando Silva Afonso (Presidente CDRC), Isabel Pestana varam novas e fluorescentes economias e também modificações nos modelos de
da Lança (Secretária CDRC), António Laranjo (Presidente CDRS),
Maria Helena Kol (Secretária CDRS), Pedro Jardim Fernandes negócio das empresas e no comportamento dos consumidores.
(Presidente CDRM), Paulo Botelho Moniz (Presidente CDRA).
Conselho de Admissão e Qualificação
Apesar da evolução registada nos últimos anos, que levou a que Portugal apresente já
Hipólito de Sousa (Civil), Celestino Quaresma (Civil), António Machado e Moura
(Eletrotécnica), Teresa Correia de Barros (Eletrotécnica), Álvaro Rodrigues (Mecânica),
alguns indicadores interessantes em relação às médias europeias, como é o caso da re-
Rui de Brito (Mecânica), Júlio Ferreira e Silva (Geológica e Minas), Paulo Caetano cuperação de resíduos, existem outras situações em que a eficiência material está ainda
(Geológica e Minas), Luís Guimarães Almeida (Química e Biológica), João Pereira
Gomes (Química e Biológica), Carlos Guedes Soares (Naval), Jorge Beirão Reis (Na- muito longe dos objetivos ideais, como é o caso da atividade da construção civil.
val), José Pereira Gonçalves (Geográfica), João Agria Torres (Geográfica), Pedro de
Castro Rego (Agronómica), Vicente de Seixas e Sousa (Agronómica), Pedro Ochôa No contexto das alterações climáticas todos percebemos a importância de um con-
de Carvalho (Florestal), José Ferreira de Castro (Florestal), Rosa Miranda (Materiais),
Rogério Colaço (Materiais), Luís Amaral (Informática), Vasco Amaral (Informática), junto de medidas que teremos de adotar para reduzir as emissões de gases com efeito
António Guerreiro de Brito (Ambiente), Leonor Amaral (Ambiente).
Presidentes dos Conselhos Nacionais de Colégios
de estufa, visando a descarbonização e a perspetiva da exclusiva produção de ener-
Paulo Ribeirinho Soares (Civil), Jorge Marçal Liça (Eletrotécnica), gias limpas num futuro muito próximo, bem como a sua utilização assente em redes
Aires Barbosa Ferreira (Mecânica), Carlos Caxaria (Geológica e Minas),
Luís Pereira de Araújo (Química e Biológica), Pedro Ponte (Naval), interconectadas e inteligentes, servindo as cidades do futuro, com soluções de mo-
Teresa Sá Pereira (Geográfica), Miguel de Castro Neto (Agronómica),
António Sousa de Macedo (Florestal), António Dimas (Materiais), bilidade e atividades não poluentes.
Ricardo Machado (Informática), António de Albuquerque (Ambiente).
Região Norte – Conselho Diretivo Joaquim Poças Martins (Presidente),
Estamos, uma vez mais, a procurar encontrar as melhores respostas e soluções para
José Lima Freitas (Vice-presidente), Carlos Duarte Neves (Secretário),
Pedro Mêda Magalhães (Tesoureiro).
os problemas globais, visando garantir a perenidade dos recursos, mas sobretudo,
Vogais Rosa Vaz da Costa, José Marques Aranha, Pilar Machado. quiçá, a nossa própria sobrevivência.
Região Centro – Conselho Diretivo Armando Silva Afonso (Presidente),
Altino Loureiro (Vice-presidente), Isabel Pestana da Lança (Secretária), Uma tarefa, como sempre, com um forte envolvimento dos engenheiros e da Enge-
Maria Emília Homem (Tesoureira).
Vogais Elisa Almeida, Álvaro Saraiva, Pedro Silva Monteiro. nharia.
Região Sul – Conselho Diretivo A  ntónio Laranjo (Presidente) Nesta edição é, ainda, publicado um artigo sobre a questão do exercício de Arquite-
Jorge Grade Mendes (Vice-presidente), Maria Helena Kol (Secretária),
Arnaldo Pêgo (Tesoureiro). tura por um grupo restrito de engenheiros civis, porquanto a desinformação que
Vogais Maria Filomena de Jesus Ferreira, Arménio de Figueiredo, Gil Manana.
Região da Madeira – Conselho Diretivo Pedro Jardim Fernandes (Presidente),
grassa, quer na Sociedade, quer até dentro da nossa Ordem, exige da parte do Bas-
Amílcar Gonçalves (Vice-presidente) Rui Dias Velosa (Secretário),
Nélia Sequeira de Sousa (Tesoureira).
tonário “a explicação que é devida”, já que as disposições estatutárias da OE nos
Vogais José Branco, Manuel Sousa Filipe, Sara Olim Marote. obrigam a defender os legítimos interesses, direitos e prerrogativas dos Membros.
Região dos Açores – Conselho Diretivo Paulo Botelho Moniz (Presidente),
André Cabral (Vice-presidente), José Silva Brum (Secretário), Aí, espero esclarecer os leitores e deixar claro que os engenheiros não pretendem
Manuel Gil Lobão (Tesoureiro).
Vogais Teresa Soares Costa, Bruno Melo Cardoso, Manuel Francisco Sousa.
mais do que lhes é devido e que apenas desejam justiça, estabilidade geracional, a
dignificação da profissão e que o próprio Estado acate a legislação comunitária.

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Primeiro Plano

A EXPLICAÇÃO
QUE É DEVIDA
Veto presidencial
em relação ao exercício
de Atos de Arquitetura
por engenheiros civis

O
s Estatutos da Ordem dos Enge- toda a União Europeia, uma vez que tal
nheiros obrigam o Bastonário e exercício também é permitido em Portugal
o Conselho Diretivo Nacional, aos cidadãos de outros Estados-membros
entre outras imposições, a defender cole- que estão abrangidos pela mesma Diretiva.
tivamente os legítimos interesses, direitos
e prerrogativas dos seus Membros. Carlos Mineiro Aires No essencial, apenas pugnamos pelo aca-
Assim, todo o empenho que ao longo do Bastonário da Ordem dos Engenheiros tamento das leis da União Europeia e pelo
mandato temos assumido neste caso, bem fim de uma injustiça ridiculamente discri-
como em muitos outros, resulta da plena minatória.
consciência da missão e das obrigações A razão assiste-nos, pois, na plenitude, dado
para que fomos eleitos, o que justifica o que a falta de clarificação gerou uma in-
presente artigo. nharia Civil (licenciaturas pré-Bolonha), coerência que o Senhor Provedor de Justiça
O exercício de Atos de Arquitetura por um cuja formação tenha sido iniciada até ao considerou de discriminatória e inaceitável,
grupo perfeitamente identificado de enge- ano letivo de 1987/88 na Universidade do tendo pedido à Assembleia da República a
nheiros civis não se trata, pois, de qualquer Minho, na Faculdade de Engenharia da Uni- clarificação urgente da situação, com o re-
exigência absurda ou descontextualizada versidade do Porto, na Faculdade de Ciên- conhecimento expresso dos direitos adqui-
da realidade do século XXI, como muitos cias e Tecnologia da Universidade de Coimbra ridos dos engenheiros civis com títulos de
querem fazer crer, pois, se assim fosse, nunca e no Instituto Superior Técnico. formação obtidos em Portugal, nas condi-
teria merecido tal empenho da nossa parte. Desta forma, estão perfeitamente enqua- ções previstas no artigo 49.º da Diretiva
Trata-se, sim, de uma teimosia política de drados os engenheiros civis em causa, cujos 2005/36/CE, tal como transposta pela Lei
não acatamento de uma Diretiva comuni- direitos adquiridos cessarão com o fim da n.º 9/2009, de 4 de março.
tária, para a qual o Estado português in- sua atividade profissional, já que outros não A esta clarividência, acresce o facto de a
dicou quatro licenciaturas (pré-Bolonha) poderão futuramente ser abrangidos. Comissão Europeia já ter instado, pelo menos
em Engenharia Civil e nove cursos de Ar- Assim, a Ordem dos Engenheiros apenas por três vezes, o Estado português a transpor
quitetura obtidos nas escolas de Belas Artes, defende o que é óbvio: corretamente a Diretiva Comunitária 2005/36/
como tendo competências adequadas para › A completa e correta transposição para o CE, o que continua sem acontecer.
o exercício de Arquitetura, ao abrigo de direito interno da Diretiva 2005/36/CE, de Esta é a única e verdadeira génese da questão
direitos adquiridos, já que não detinham a 7 de setembro de 2005, respeitando as e a razão dos pontos de vista que a Ordem
formação específica e direcionada, que só referidas quatro licenciaturas em Enge- dos Engenheiros defende.
mais tarde passou a ser ministrada no En- nharia Civil que nela constam;
sino Universitário. › Que estes engenheiros civis não sejam 1.ª Falácia – Os engenheiros civis (não)
No caso em apreço, recorde-se, a Diretiva impedidos de exercer Atos de Arquitetura querem praticar Atos de Arquitetura.
apenas abrange os licenciados em Enge- no seu País, quando o podem fazer em Na verdade, a grande maioria nunca o fez

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Primeiro Plano

e não o quer fazer e nem sequer a Ordem nitárias da Diretiva e só terminará com o fim a) contornar a questão, mantendo o des-
dos Engenheiros o defende. da atividade profissional de cada um. respeito pelos direitos e lesando estes en-
Mas todos aqueles que têm interesses di- Estaremos, pois, seguramente perante um genheiros civis portugueses que o próprio
retos efetivos na atividade (cerca de duas “retrocesso civilizacional” se o Estado por- Estado indicou para a Diretiva 2005/36/CE,
centenas, ao que apurámos), por força dos tuguês não acatar a legislação comunitária, contornando a efetiva aplicação do direito
direitos adquiridos previstos na Diretiva teimando em discriminar este conjunto de comunitário.
2005/36/CE, nunca perderão o direito a tal cidadãos a quem reconheceu os direitos Conforme extrato do parecer jurídico ela-
e, por isso, podem e poderão fazê-lo, pela que agora insiste em negar-lhes. borado para a Ordem dos Engenheiros pelos
prevalência do direito comunitário. Professores Jónatas E. M. Machado e Paulo
Assim, foi com surpresa que, no dia 7 de Nogueira da Costa, resulta claro o seguinte:
2.ª Falácia – Que outros profissionais, mor- abril, a Ordem dos Engenheiros tomou co- O conteúdo do Anexo V e VI da Diretiva
mente os engenheiros técnicos, também nhecimento do veto presidencial sobre o 2005/36/CE, recebido pela Diretiva 2013/55/
poderão passar a praticar Atos de Arquite- Decreto da Assembleia da República n.º UE, alicerça uma pretensão de garantia su-
tura. 196/XIII, de 3 de abril de 2018 (*vide texto ficientemente precisa e determinada. Por
Uma imprecisão alarmista e intencional, para em rodapé), com base em argumentos que, esse motivo, ele preenche os pressupostos
justificar o que constituiria “um retrocesso por razões de postura e respeito institu- da aplicabilidade direta das diretivas.
civilizacional”, mas que não corresponde à cional, não comentamos. A não aprovação e não transposição para
verdade. Com efeito, tendo sido o próprio Estado o direito interno, que originaram a interdição
No âmbito da Diretiva, apenas estão em português que indicou estes títulos de for- da prática de Atos de Arquitetura pelos en-
causa as qualificações académicas e não mação para constarem da lista dos que genheiros civis abrangidos, constitui uma
os títulos profissionais, que, de acordo com detêm direitos adquiridos para o efeito, na violação suficientemente caraterizada do
a Lei, são atribuídos pelas respetivas Ordens. Diretiva do Conselho 85/384/CEE e Diretiva direito da União Europeia passível de abrir
Tal significa que, independentemente de do Conselho 86/17/CEE (atualmente Dire- portas a uma ação de incumprimento e a
estarem inscritos na Ordem dos Engenheiros tiva 2005/36/CE) porque, à data, os titulares desencadear a responsabilidade civil extra-
ou na Ordem dos Engenheiros Técnicos, a daquela formação exerciam Arquitetura sem contratual do Estado português pelos danos
Diretiva apenas abrange os licenciados qualquer restrição e de acordo com a le- resultantes.
(pré-Bolonha) cuja formação em Enge- gislação então vigente (o Decreto n.º 73/73
nharia Civil tenha sido iniciada até ao ano de 28 de fevereiro), não é justo, nem faz Assim, para além da razão moral, da justiça
académico de 1987/88 nas já referidas sentido, que agora negue a génese e reverta e da estabilidade geracional que é devida,
quatro universidades, e não quaisquer pro- os diretos que então foram conferidos a existe fundamento jurídico, nacional e co-
fissões. determinados cidadãos nacionais, tanto mais munitário, a que acresce a posição inequí-
que estão perfeitamente limitados em termos voca da Comissão Europeia que insisten-
3.ª Falácia – A existência de um regime de qualificação e de limite temporal expec- temente tem instado o Estado português
transitório para os engenheiros civis que tável para a sua atividade profissional, já que a corrigir a situação, bem como a reco-
já terminou. outros não poderão voltar a ser abrangidos. mendação do Senhor Provedor de Justiça,
Embora, em parte, seja verdade, o facto de Incompreensivelmente, na Lei n.º 31/2009, que já deveriam ter obrigado à correção
esse regime ter terminado não anulou ou alterada pela Lei n.º 40/2015, já não foram desta insistência discriminatória.
alterou o âmbito e abrangência da Diretiva reconhecidos esses títulos aos engenheiros Cumprindo os seus desígnios estatutários e
comunitária, que continua em vigor. civis licenciados nas referidas universidades por estas razões e fundamentos, caso não
Por outro lado, o diploma vetado não propõe portuguesas, embora tenham sido reconhe- seja agora encontrada uma solução legis-
qualquer manutenção dos regimes transi- cidos aos engenheiros civis com formação lativa que garanta os direitos adquiridos
tórios que existiram, nem nunca a Ordem obtida em outros Estados-membros, por destes engenheiros civis, a Ordem dos En-
dos Engenheiros defendeu tal intenção. força da aplicação da Diretiva. genheiros ver-se-á forçada a formalizar uma
O que se passa é que, a partir do reconhe- A Ordem dos Engenheiros não pode, pois, queixa contra o Estado português nas ins-
cimento dos referidos títulos académicos rever-se em qualquer alegado consenso tâncias da Comissão e da União Europeia,
na Diretiva, o enquadramento jurídico dos anteriormente obtido, porquanto bem sa- como única forma de ver reposta a justiça
direitos destes engenheiros civis passou a bemos a forma como então, e uma vez e garantir o acatamento da legislação co-
estar alicerçado apenas nas regras comu- mais, o Estado português procurou (obrigou munitária.

(*) 
O artigo 25.º da Lei n.º 31/2009, de 3 de julho, alterada pela Lei n.º 40/2015, de 1 de junho, passa a ter a seguinte redação:
“Artigo 25.º
[…]
1 a 6 mantêm-se
 7 – Sem prejuízo dos atos que, por lei, estejam exclusivamente cometidos aos arquitetos, podem, ainda, elaborar projetos de Arquitetura os engenheiros civis e os
engenheiros técnicos civis, inscritos na respetiva Ordem, matriculados até 1987 e licenciados no curso de Engenharia Civil numa das seguintes instituições:
a) Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa;
b) Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto;
c) Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra;
d) Universidade do Minho.
8 – Os agentes técnicos de Arquitetura e Engenharia podem assumir as funções de direção de obra e direção de fiscalização de obra em obras de classe 4 ou inferior.”

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Notícias

“2018 – Ano OE das Alterações Climáticas”

A iniciativa “2018 – Ano OE das Alterações


Climáticas”, que conta com o Alto Patro-
cínio do Presidente da República, foi inaugu-
Também o Ministro do Ambiente reconheceu
não precisarmos de “mais sinais”, já que o ano
de 2017 foi “prolífero em fenómenos extremos:
As preocupações chegaram também pelas
vozes dos especialistas, tendo Filipe Duarte
Santos demonstrado que “a concentração
rada a 9 de março, com a realização de uma incêndios, secas, frio, chuva”. “Em 2050 se- atmosférica atual [em 2017] de CO2 é a mais
conferência na Sede Nacional da Ordem. remos 10.000 milhões de habitantes. Nós elevada dos últimos dois milhões de anos”.
O Bastonário Carlos Mineiro Aires identificou temos mesmo que mudar de vida”, vaticinou As apresentações podem ser consultadas em
o “acompanhamento, a mitigação e a adap- o titular da pasta do Ambiente. www.ordemengenheiros.pt/pt/centro-de-in-
tação” como os grandes desafios que hoje se formacao/dossiers/area-internacional/confe-
colocam aos engenheiros no âmbito das al- rencia-inaugural-2018-ano-oe-das-alteracoes-
-climaticas.

terações climáticas. A Ordem dos Engenheiros


“pretende, com esta iniciativa, alertar para a
gravidade das alterações climáticas e para a
irreversibilidade da situação caso nada seja A programação geral da iniciativa “2018 – Ano
feito, bem como para a imprescindível inter- OE das Alterações Climáticas” encontra-se
venção dos engenheiros neste processo”, ex- disponível através da homepage do Portal do
plicou o responsável. Engenheiro. •

Ordem dos Engenheiros e Gabinete Nacional


de Segurança juntos pela cibersegurança

A Ordem dos Engenheiros (OE) e o Gabinete Nacional de Segurança/Centro Nacional de Cibersegu-


rança, assinaram, na Sede Nacional da Ordem, em Lisboa, pelas mãos dos seus responsáveis máximos,
um protocolo de cooperação na área da cibersegurança.
Esta parceria tem por objetivos sensibilizar os Membros da OE para as principais problemáticas relacio-
nadas com a cibersegurança; promover formação e capacitar os recursos humanos de Engenharia nesta
área tecnológica específica; e concorrer para a definição de políticas de cibersegurança.
O Bastonário Carlos Mineiro Aires e o Contra-almirante António Gameiro Marques, Diretor-geral daquele
Gabinete, manifestaram o seu regozijo pela cooperação agora formalizada. •

Conselho Diretivo Nacional inicia ciclo de jantares debate


O Conselho Diretivo Nacional da Ordem dos Engenheiros iniciou a 2 de abril um ciclo
de jantares debate, convidando para tal personalidades de referência da Sociedade
portuguesa, para apresentação e debate de temas da atualidade e de interesse transversal
para os engenheiros nacionais.
O primeiro convidado foi o Comissário Europeu, Eng. Carlos Moedas, que tratou o tema
“Europa, Engenharia e Clima: desafios e oportunidades”.
A incapacidade da Europa para uma recuperação rápida da crise económica e financeira
deveu-se, sobretudo, à sua falta de poder. “Como é que os Estados Unidos resolveram a
crise tão rapidamente e nós demorámos oito anos? Percebi que era porque a Europa não tem poder”. Assim, para os próximos dois anos e meio,
Carlos Moedas antevê a necessidade imperiosa de uma decisão clara sobre os poderes efetivos da Comissão Europeia, da Europa. “Quero que
seja uma Europa com poderes fortes e claros, que as pessoas percebam”, defende o Comissário. De qualquer modo, “seja o que for, tem é que
ser uma Europa com muitos engenheiros, para que tenha a capacidade de fazer a simbiose entre a tecnologia e a política.” •

Acordo no âmbito do cadastro predial


O Ministério do Ambiente recebeu, a 12 de
março, a cerimónia de assinatura de um
protocolo entre a Ordem dos Engenheiros
vista a sua integração na lista dos técnicos de
cadastro predial habilitados a exercer atividade
em território nacional. A cerimónia contou
(OE) e a Direção-Geral do Território, que tem com a presença do Bastonário, Eng. Carlos
por objetivo o reconhecimento dos requisitos Mineiro Aires, e do Ministro do Ambiente, Eng.
profissionais dos membros da OE tendo em João Pedro Matos Fernandes. •

8 • INGeNIUM Março/Abril 2018


Notícias

Equiparação de Licenciados Pré-Bolonha aos atuais Mestrados


Apresentação e debate do Pacote Legislativo e Programático na área do Ensino Superior

O Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Professor Manuel Heitor, afirmou


durante uma sessão recentemente ocorrida na sede da Ordem dos Engenheiros (OE),
que o novo pacote legislativo sobre o ensino superior irá contemplar a proposta apresentada
pela OE, através do seu Bastonário, no sentido de ser garantida a equiparação dos graus de
Licenciatura Pré-Bolonha aos atuais graus de Mestrado.
“No âmbito do projeto de revisão do regime legal de graus e diplomas, que está em discussão
pública, o Bastonário propôs que os antigos licenciados até 2006 [pré-Bolonha] sejam equi-
parados aos mestres atuais. Decidimos aceitar a sugestão e incluir um artigo que preveja
esta equiparação de graus, por considerarmos que já é tempo para que tal suceda, como,
aliás, já acontece noutros países, nomeadamente em Espanha”, apresentou o governante.
Depois de diversas iniciativas e por sugestão da OE, ficará, assim, retificada a situação injusta, cuja reparação constava na lista de prioridades do
atual mandato. •

Governo lança programa


“Casa Eficiente 2020”

O Governo apresentou, no
dia 13 abril, na Sede Na-
cional da Ordem dos Enge-
nheiros, o Programa ”Casa Efi-
ciente 2020”, com participação
Corpo técnico de Engenharia do Ministro do Ambiente, Eng.
da IGAMAOT ingressa João Pedro Matos Fernandes,
do Ministro do Planeamento e
na Ordem dos Engenheiros das Infraestruturas, Dr. Pedro

E m sessão simbólica decorrida na Sede Nacional da OE, a IGAMAOT


– Inspecção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Orde-
namento do Território fez ingressar nesta Associação Profissional os seus
Marques, e do Bastonário da
Ordem dos Engenheiros, Eng.
Carlos Mineiro Aires.
33 inspetores da área da Engenharia, assumindo diretamente as custas O Programa “Casa Eficiente
decorrentes do processo de inscrição e das quotas correspondentes. 2020”, promovido pelo Estado
A IGAMAOT corresponde ao primeiro organismo público a tomar a Português e pela Confederação
iniciativa de valorizar os seus recursos humanos, promovendo o reco- Portuguesa da Construção e
nhecimento das suas competências profissionais pela Associação Pro- Mobilidade, concede empréstimos em condições favoráveis a inter-
fissional legalmente instituída pelo Estado para regulação da profissão venções que promovam a melhoria do desempenho ambiental dos
de Engenheiro. Trata-se, assim, de uma iniciativa inédita promovida edifícios de habitação particular, com o valor total disponível de 200
pela Administração Pública e em estreito cumprimento da lei. • milhões de euros, para o período de 2018 a 2021. •

agora na qualidade de mais alto dignatário da


Solução Nação, e aqui encontrar “um consenso prati-
Ferroviária camente total no ponto que mais releva: a im-
portância da ferrovia para a nossa economia e

N a sessão decorrida na Ordem dos Enge-


nheiros, a 28 de fevereiro, sobre o futuro
da ferrovia nacional, o Presidente da República
para o nosso País”, independentemente da di-
ferença de opiniões quanto ao modelo a seguir.
O debate, promovido pelos subscritores do
voltou a prestar homenagem aos engenheiros manifesto “Portugal – Uma ilha ferroviária na
portugueses, reconhecendo-os como “uma União Europeia”, contou com a exposição da ferrovia] que mereceria uma adequada análise
classe fundamental para que exista desenvol- preocupação deste grupo de cidadãos sobre o por parte do Conselho Superior de Obras Pú-
vimento económico, social e humano no nosso facto de Portugal não ter em marcha a intro- blicas, cuja reativação consta do Programa do
País”, palavras que já havia proferido, aquando dução da bitola europeia na linha ferroviária Governo e que, embora tenha sido anunciada
da cerimónia de Tomada de Posse do atual nacional; com o ponto da situação trazido por por diversas vezes, ainda são se efetivou, o
Bastonário, Carlos Mineiro Aires. Carlos Fernandes, Vice-presidente da IP – In- que se torna urgente, pois novos investimentos
Relativamente ao tema central da conferência fraestruturas de Portugal, e com a visão do Go- e importantes decisões se perspetivam.”
que encerrou, Marcelo Rebelo de Sousa en- verno, apresentada pelo titular da pasta do Pla- Apresentações e conclusões da Conferência
tende estarmos num momento de “redesco- neamento e das Infraestruturas, Pedro Marques. disponíveis no Portal do Engenheiro, em www.
berta das virtualidades da ferrovia”. Nas suas palavras finais, o Bastonário afirmou ordemengenheiros.pt/pt/centro-de-informacao/
Confessou-se feliz por regressar a uma casa, corresponder este a “um daqueles casos [o da dossiers/apresentacoes/a-solucao-ferroviaria •

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 9


Notícias

Eng. Rodrigo Ferrão de Paiva Martins


assume presidência da Academia Europeia de Ciências
O Eng. Rodrigo Ferrão de Paiva Martins
tomou posse a 13 de abril, em Bruxelas,
como Presidente da Academia Europeia de
agregação no Colégio de Engenharia Eletro-
técnica e no Colégio de Engenharia de Mate-
riais.
Ciências, numa cerimónia que contou com a É igualmente Presidente do Departamento de
participação do Comissário Carlos Moedas, Ciência dos Materiais da Faculdade de Ciências
responsável pela Investigação, Inovação e e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa,
Ciência na Europa. A Ordem dos Engenheiros Presidente do Senado E-MRS (European Ma-
fez-se representar pelo Vice-presidente Na- terials Research Society) e Membro do Advisory
cional, Eng. Carlos Loureiro. sénior da Ordem dos Engenheiros, inscrito Board of Horizon 2020 (Advanced Materials,
Rodrigo Ferrão de Paiva Martins é membro nesta Associação Profissional desde 1975, com Nanotechnology, Biotechnology). •

A Engenharia Engenheiro e Professor


Portuguesa Joaquim Sarmento
no Contexto Mundial Personalidade de referência na Enge-
nharia e na Academia portuguesas,
50 anos FMOI autoridade nas áreas de resistência dos
materiais, betão armado, pré-esforçado
e em estruturas, o Professor e Enge-
nheiro Joaquim Sarmento faleceu aos
101 anos de idade.
Joaquim Augusto Ribeiro Sarmento
era engenheiro civil, inscrito na Região
Norte da Ordem dos Engenheiros desde 1975, agregado no Colégio
de Engenharia Civil e Membro Conselheiro desta Ordem Profissional.
Formou-se em Engenharia Civil na FEUP, em 1939, com média de 17
valores, Faculdade onde se doutorou em 1944. Foi docente da FEUP,
instituição que dirigiu entre 1973 e 1974 e à qual manteve uma ligação
de mais de 50 anos.
Foi membro do Centro de Estudos de Engenharia Civil, do Instituto de
Alta Cultura, vogal do Conselho Superior das Obras Públicas, membro
da Associação Internacional de Pontes e Estruturas e da Delegação
Portuguesa ao “Comité Européen du Béton”; membro do American
Concrete Institute, do Grupo Português de Pré-esforçado da Fédéra-
tion Internationale de la Précontrainte e membro emérito da Academia
de Engenharia. Recebeu diversos galardões e Prémios. •

A Ordem dos Engenheiros de Portugal reuniu a 26 de fevereiro, na


sua Sede Nacional, em Lisboa, no âmbito do 50.º aniversário da
FMOI – Federação Mundial de Organizações de Engenheiros e da con-
Prémio Personalidade
ferência “A Engenharia Portuguesa no contexto mundial”, dirigentes de Acqualive distingue
algumas das maiores organizações mundiais de Engenharia.
Na sessão, o Bastonário português, Carlos Mineiro Aires, afirmou que
Francisco Nunes Correia
“o elevado número de representantes de organizações internacionais
presentes são o resultado do esforço e da aposta da Ordem dos En-
genheiros no fortalecimento das relações com instituições congéneres
F rancisco Nunes Correia, atual Pro-
fessor Catedrático de Recursos
Hídricos e Ambiente do Instituto Su-
que permitam a mobilidade dos nossos engenheiros e a dinamização perior Técnico, ex-ministro do Ambiente,
das empresas de Engenharia portuguesas a nível internacional”. Ordenamento do Território e Desen-
“A Ordem dos Engenheiros substitui-se muitas vezes ao Estado na di- volvimento Regional, fundador da PPA
plomacia económica no que respeita às empresas de Engenharia na- – Parceria Portuguesa para a Água foi
cional”, concluiu o responsável. o eleito para receber o Prémio Carreira
Destaque, ainda, para as intervenções de Fernando Santo, presidente AcquaLive2018.
fundador do CECPC – Conselho das Associações Profissionais de En- O prémio distingue o seu contributo para o setor da Água em Portugal
genheiros Civis dos Países de Língua Oficial Portuguesa e Castelhana que pode ser evidenciado pelo seu desempenho enquanto Ministro do
e Bastonário da OE entre 2004 e 2010, de Marlene Kanga, presidente Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Re-
da FMOI, José Vieira, presidente da FEANI – Federação Europeia de gional, enquanto responsável pela preparação do Plano Nacional da
Associações Nacionais de Engenharia, e de Alfonso Gonzalez, presi- Política de Ambiente, e no apoio ao processo de negociação com Es-
dente do WCCE – World Council of Civil Engineers. • panha para uma nova convenção sobre recursos hídricos. •

10 • INGeNIUM Março/Abril 2018


Notícias

Novo Regulamento Geral de Proteção de Dados


Adequação da Ordem dos Engenheiros

O novo Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) entra


em pleno funcionamento no próximo dia 25 de maio de 2018,
sendo aplicável a todas as organizações dos Estados-membros da
Neste contexto, a OE enviará em breve uma comunicação para todos
os Membros, através da qual não só dará a conhecer a sua nova po-
lítica de proteção de dados, como solicitará a cada um o seu con-
União Europeia que processam dados pessoais. sentimento expresso para que possa continuar a utilizar os seus dados
Assim, também a Ordem dos Engenheiros (OE), no relacionamento pessoais na tramitação processual, administrativa e de comunicação
com os seus Membros e com as entidades suas parceiras, está vin- que já hoje existe.
culada à observância deste novo Regulamento. Alertamos para o facto de o RGPD exigir a manifestação expressa e
A OE encontra-se já em fase de revisão das suas políticas, práticas e inequívoca do consentimento de cada um dos seus Membros para
procedimentos relacionados com os dados pessoais de que é de- a utilização já referida, sendo que a ausência do consentimento ex-
tentora, tornando-se imprescindível a colaboração ativa dos seus plícito interditará o estabelecimento de toda e qualquer atividade e
Membros para que o cumprimento destas novas disposições legais interação entre a OE e os seus Membros.
seja garantido. A OE agradece antecipadamente a sua colaboração. •

Clube de Bridge dos Engenheiros


OE AcCEdE promove formação

Acreditação da Formação Contínua para Engenheiros


O Clube de Bridge dos Engenheiros (CBE), onde se pratica o Bridge de com-
petição há mais de três décadas, planeia levar a cabo um conjunto de ações
de formação, em colaboração com a Ordem dos Engenheiros e com a Federação
Accreditation of Continuing Education for Engineers
Portuguesa de Bridge.

N o âmbito do OE+AcCEdE, está previsto o início de nove As ações de formação terão como objetivo a iniciação e o aperfeiçoamento desta
ações de formação contínua para o mês de maio, a prática desportiva que, comprovadamente, previne e atrasa as doenças de dege-
decorrer por todo o País. Cursos relacionados com Projetos nerescência da capacidade cerebral para as pessoas que deixaram a vida ativa e
de redes de Gás, de AVAC, ITUR, de Modelação e Análise de que a desenvolve para os mais jovens.
Peças em 2D e 3D, ou sobre Águas Residuais, Estações de Tendo em vista o planeamento destas atividades, solicita-se aos Membros da
Tratamento e de Gestão de fazem parte do leque das for- Ordem dos Engenheiros interessados, o contacto com o CBE, através do email
mações disponíveis a partir de maio. O OE+AcCEdE, criado bridgeng@oep.pt ou dos telefones 968 078 956 / 918 223 525. •
em 2014, tem por objetivo garantir a qualidade da oferta
formativa ao longo da vida destinada aos engenheiros.
Consulte a página da Formação Contínua no Portal do En- Resolução da Assembleia
genheiro e aceda à totalidade das formações previstas. da República n.º 98/2018
www.ordemengenheiros.pt/pt/a-ordem/admissao-e-qua-
lificacao/formacao-continua • recomenda ao Governo
que crie um comité científico
Acordo aproxima Engenheiros
Navais Portugueses e Espanhóis
agroalimentar

A Ordem dos Engenheiros de Portugal (OE) e o Colégio


Oficial de Inginieros Navales y Oceánicos de Espanha
(COIN) assinaram um protocolo de cooperação que visa
T endo a Ordem dos Engenheiros tomado conhecimento da Resolução da As-
sembleia da República n.º 98/2018, que recomenda ao Governo que crie um
comité científico agroalimentar constituído por entidades como a Ordem dos
facilitar o processo mútuo de acreditação e reconhecimento Nutricionistas, a Ordem dos Médicos e academias científicas e institutos vocacio-
dos títulos profissionais dos engenheiros inscritos na OE, na nados para a investigação e pesquisa científica no âmbito dos agroalimentos, so-
Especialidade de Engenharia Naval, e dos Inginieros Navales licitou, em carta dirigida ao Presidente da Assembleia da República, com conhe-
y Oceánicos inscritos no COIN, para efeitos do exercício cimento ao Gabinete do Primeiro-Ministro e ao Ministro da Agricultura, Florestas
em regime de estrita igualdade e reciprocidade, tanto em e Desenvolvimento Rural, que a Ordem dos Engenheiros seja integrada neste
Portugal como em Espanha, das atividades profissionais que elenco de entidades e, assim, corrigida a omissão verificada.
lhes são próprias e comuns. • Toda a informação disponível no Portal do Engenheiro. •

Reverta 0.5% do seu IRS para a AME


A AME – Associação Mutualista dos Enge-
nheiros, como Instituição Particular de
Solidariedade Social, pode usufruir de 0.5%
quadro 11 da folha de rosto do Modelo 3,
indique o NIPC da AME (507967038), no
campo reservado para o efeito (consignação
fícios e as medidas de apoio social disponi-
bilizadas aos Associados – “Todos contribuem,
recebe quem precisa”.
do seu IRS liquidado. de 0.5% do IRS). Com 0,5% do seu IRS ajudamos muitos En-
Ao preencher a sua declaração de IRS, no Esta medida ajuda a AME e reforçar os bene- genheiros. •

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 11


Regiões

Região NORTE
Sede Porto Delegações distritais
Rua Rodrigues Sampaio, 123 – 4000-425 Porto Braga • Bragança
Tel. 222 071 300 – Fax 222 002 876 Viana do Castelo • Vila Real
E-mail geral@oern.pt

www.oern.pt

Obras públicas devem ter placas identificativas


com nome dos engenheiros
“Os edifícios e obras públicas de referência faz em Portugal no domínio da água” e de-
devem ter placas identificativas dos enge- fendeu que “para que o País funcionasse me-
nheiros, das diferentes Especialidades, que lhor deveriam existir mais políticos engenheiros”.
estiveram envolvidos na sua construção”: este Fernando Fonseca, Delegado Distrital de Viana
foi um dos desafios lançados por Joaquim do Castelo da OE, destacou a importância da
Poças Martins, Presidente da Região Norte da “descentralização do debate para que sejam
Ordem dos Engenheiros (OE), no arranque da tomadas as melhores opções”.
segunda edição do ciclo a “OERN em…” que, José Aranha, Engenheiro Florestal, docente
no passado dia 21 de fevereiro, encheu a Sala da Universidade de Trás-os-Montes a Alto
Couto Viana, na Biblioteca Municipal de Viana
do Castelo, trazendo para debate alguns de-
safios que a Engenharia atravessa, sobretudo
no que às alterações climáticas diz respeito.
A sessão de abertura coube ao Presidente da

e Ambiente na Faculdade de Engenharia da


Universidade do Porto, que apresentou as di-
nâmicas e riscos costeiros face às alterações
climáticas, lançado o alerta de que “Viana do
Castelo vai desaparecer”.
A sessão terminou com a apresentação de
casos de sucesso de Engenharia no concelho,
Câmara, José Maria Costa, que começou por Douro, lançou os desafios que se colocam às com as intervenções de João Garcez, Diretor
lembrar que a Ponte Eiffel celebra 140 anos florestas, a sua reflorestação e o combate aos da Divisão de Água e Águas Residuais dos Ser-
no próximo dia 30 de junho, o que “foi pro- incêndios. Teresa Mota, doutorada em Enge- viços Municipalizados e de Saneamento Básico
vavelmente a maior obra de Engenharia de nharia Agronómica, mestre em Produção Ve- de Viana do Castelo (SMSBVC), José Manuel
sempre” do concelho, acrescentando que getal e especialista em produção e qualidade Costa, responsável do Gabinete de Tecnologias
“marcou o desenvolvimento da cidade e a do Vinho Verde, explanou os efeitos das alte- de Informação dos SMSBVC, Joana Barros,
relação com a vizinha Galiza”. rações climáticas na produção do vinho verde. Técnica Superior dos SMSBVC, José Costa,
Já Poças Martins destacou o atual desenvol- O painel dos desafios lançados pelos enge- Engenheiro Técnico Civil na Valdemar Coutinho
vimento de Viana do Castelo, com “fábricas a nheiros à Câmara de Viana culminou com Arquitetos, Patrício Rocha, Engenheiro Civil e
aparecer” e “muita Engenharia de topo”. Referiu Veloso Gomes, Engenheiro Civil, Professor Professor no Instituto Politécnico de Viana do
ainda que Viana “está no topo daquilo que se Catedrático de Hidráulica, Recursos Hídricos Castelo, e Gonçalo Lopes, Arquiteto. •

“Os desafios da Engenharia” esgotam sala da Câmara do Porto


A sala foi pequena para acolher todos os que no passado dia 27 de
janeiro marcaram presença na Biblioteca Almeida Garrett para o ar-
ranque do “A OERN em…”. Mais de 200 pessoas assistiram aos desafios
lançados pelos e para os engenheiros.
O balanço que o Presidente da Região Norte da Ordem dos Engenheiros
faz da iniciativa é positivo. Joaquim Poças Martins espera que a Câmara
do Porto abrace os desafios apresentados pelos engenheiros. “Espero
que esta sessão tenha consequências. Espero que na sequência do que
aqui foi falado a vida no Porto possa ficar melhor em alguns aspetos”,
afirma.
Conheça os cinco desafios deixados pelos nossos engenheiros à Ca-
mara Municipal do Porto: 1) Energia elétrica sustentável e mais barata,

12 • INGeNIUM Março/Abril 2018


Regiões

Região NORTE

Regional Norte de Engenharia Civil, que deixou a questão “E depois da


cidade reabilitada?” para logo de seguida lançar uma série de respostas
e de desafios; 3) Uma cidade construída em cima de um sistema de
informação, desafio de Álvaro Costa, que é perentório: “se tivermos
veículos autónomos não vamos precisar de semáforos nem de esta-
cionamento”. O engenheiro civil, com trabalho desenvolvido e reco-
nhecido na área dos transportes, considera que “uma cidade compe-
titiva tem que ter bons sistemas de mobilidade e boa governança”; 4)
Engenharia ao serviço da felicidade dos portuenses, apostar nas gera-
ções ativas e criar uma cidade onde as pessoas tenham vontade de
“passear, viver e trabalhar” é a premissa que leva o CEO da IDEIA.M,
Júlio Martins, a apresentar soluções que põem a Engenharia a contri-
buir para a felicidade dos portuenses; 5) Circuitos de recolha de resí-
duos em tempo real foi o desafio lançado por Carlos Afonso Teixeira,
apresentado por Adélio Mendes, cientista, investigador e detentor da Coordenador do Colégio Regional Norte de Engenharia do Ambiente.
patente mais cara vendida em Portugal; 2) Pensar a cidade depois da As intervenções da sessão podem ser consultadas no Canal YouTube
reabilitação, desafio lançado por Bento Aires, Coordenador do Colégio da Região Norte da OE. •

Sessões de Ambiente e Eletrotécnica com elevada participação


Os Colégios de Engenharia do Ambiente e de Engenharia Eletrotécnica criar escala ou dinâmica para o pensamento estratégico” e, por isso
da Região Norte da Ordem dos Engenheiros (OE) organizaram sessões mesmo, “com estas sessões tentamos diminuir um pouco esse distan-
técnicas de esclarecimento aos Membros que bateram todos os índices ciamento”, refere.
de participação em sessões equiparadas.
Com 120 inscritos, a sessão sobre o “Guia Técnico de implementação Já o Colégio de Engenharia Eletrotécnica organizou uma sessão sobre
do sistema pay-as-you-throw (PAYT)” decorreu no dia 23 de janeiro, “O Regime das Instalações Elétricas a Particulares”, no dia 1 de fevereiro,
organizada pelo Colégio Regional de Engenharia do Ambiente. Carlos que superlotou a sede regional da OE, no Porto. A Direção-geral de
Afonso Teixeira, Coordenador Regional do Colégio, abriu o encontro, Energia e Geologia foi a entidade convidada para esclarecer dúvidas
lembrando o papel que a Região Norte da OE e o Colégio têm “na dis- sobre a nova lei, numa sessão que contou ainda com as intervenções
cussão de temas” que dizem respeito aos engenheiros e às suas áreas. de José Manuel Freitas, Vice-presidente da Região Norte da OE e En-
“Esta sessão visa constituir-se como uma plataforma técnica para todos genheiro Eletrotécnico, bem como de Ribeiro Fernandes, do Colégio
os colegas que trabalham de forma isolada, ou em locais onde é difícil Regional Norte de Engenharia Eletrotécnica. •

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 13


Regiões

Região CENTRO
Sede Coimbra Delegações distritais
Rua Antero de Quental, 107 – 3000-032 Coimbra Aveiro • Castelo Branco
Tel. 239 855 190 – Fax 239 823 267 Guarda • Leiria • Viseu
E-mail correio@centro.oep.pt

www.ordemengenheiros.pt/pt/a-ordem/centro

Visita Técnica à Böllinghaus Steel


A Delegação Distrital de Leiria da Ordem dos Engenheiros realizou, a industrial em Portugal a transformar aço inoxidável. Nasceu, assim, a
16 de fevereiro, uma visita técnica à Böllinghaus Steel. Com sede em Böllinghaus Portugal – Aços Especiais, Lda., vindo mais tarde a trans-
Vieira de Leiria (concelho da Marinha Grande), a Böllinghaus Steel formar-se na atual Böllinghaus Steel, SA.
produz barras de aço inoxidável para múltiplas utilizações, por parte Em 2001, o grupo cessou a produção na unidade alemã, concentrando-
das indústrias mais exigentes, conforme as especificações dos clientes -a em Vieira de Leiria. Em 2015, concluiu um plano de investimentos
e de acordo com as normas internacionais. em novos equipamentos e na ampliação das suas instalações fabris,
Em 1996, a Böllinghaus adquiriu a massa falida da antiga Fábrica de visando o aumento da capacidade produtiva e do volume de faturação.
Aços Tomé Fèteira, que se tornou a primeira (e até agora única) unidade Atualmente, a empresa tem cerca de 280 colaboradores. •

Indústria 4.0 – Impactos no Setor


Industrial, Pessoas e Sustentabilidade
O Colégio Regional de Engenharia Mecânica Por todo o Mundo temos assistido a uma
realizou a 6 de fevereiro, em Coimbra, a sessão pulsão com origem nos conceitos da Indústria
técnica “Indústria 4.0 – Impactos no Setor 4.0 que tem levado a que governos, agências
Industrial, Pessoas e Sustentabilidade”, que de inovação, universidades e empresas desen- nas operações e nos processos de negócio,
teve como orador o Eng. Jorge Silva, Diretor volvam iniciativas relacionadas com uma visão que competências serão requeridas às pes-
do Departamento Processes and IT, Company futurística da indústria. Porém, as perguntas soas? O orador partilhou a visão da Huf Por-
Security Officer e responsável pela função mais simples ainda estão por responder num tuguesa sobre a Indústria 4.0 e alguns dos
Inovação do grupo multinacional Huf, em grande número de PME, ou seja, o que é a impactos no setor, em particular, nas operações
Portugal. Indústria 4.0, que transformações irão ocorrer e na organização. •

2018 – Ano OE
das Alterações Climáticas
O Conselho Diretivo da Região Centro da Ordem dos Engenheiros
realizou, no dia 5 de fevereiro, uma reunião conjunta com os Colégios
Regionais e Delegações Distritais com vista ao enquadramento e de-
finição das atividades a realizar pela Região no âmbito do “Ano OE das
Alterações Climáticas”. •

Apresentação da ANEEB
A recém-criada ANEEB – Associação Nacional de Estudantes de En-
genharia Biomédica promoveu, a 2 de fevereiro, a sua cerimónia de
apresentação, iniciativa que teve lugar no auditório da Região Centro
da Ordem dos Engenheiros (OE), em Coimbra. A sessão constituiu um
espaço de debate sobre o mercado da Engenharia Biomédica em Por-
tugal, nomeadamente em assuntos relacionados com a avaliação tec- de Saúde e cibersegurança, e contou com a participação do Bastonário
nológica de dispositivos médicos, informatização do Serviço Nacional da OE, Eng. Carlos Mineiro Aires. •

Direitos de Autor em Obras de Arquitetura e Engenharia


No seguimento de uma série de sessões-debate sobre temas relevantes para o exercício da
profissão de Engenheiro, o Conselho Diretivo da Região Centro levou a efeito, no dia 25 de
janeiro, uma sessão sobre “Direitos de Autor em Obras de Arquitetura e Engenharia”.
Sendo este um tema que suscita dúvidas e interpretações erróneas, a iniciativa contou com a
participação de uma das maiores especialistas sobre o assunto em Portugal, a Professora Dou-
tora Maria Victória Rocha. A sessão teve lugar no auditório da sede regional, em Coimbra. •

14 • INGeNIUM Março/Abril 2018


Regiões

Região CENTRO

Visita Técnica à Base Aérea de Monte Real


A Delegação de Leiria realizou no dia 19 de janeiro uma visita técnica
à Base Aérea de Monte Real.
Oficialmente inaugurada a 4 de outubro de 1959, a Base Aérea tem
como missão garantir a prontidão das unidades aéreas e o apoio lo-
gístico-administrativo de unidades e órgãos ali sediados. Com o pro-
pósito da segurança interna e da defesa imediata, foi construída num
local central do território continental português, de modo a permitir a
intervenção rápida dos seus caças em qualquer ponto do País.
Por toda a componente técnica envolvida na construção, manutenção
dos aviões, assim como as infraestruturas e tecnologias presentes,
constitui um ponto de elevado interesse técnico, englobando várias
Especialidades de Engenharia. •

XI Encontro de Engenheiros do Distrito de Viseu


A Quinta da Ínsua, em Penalva do Castelo,
acolheu no dia 13 de janeiro o tradicional En-
contro de Engenheiros/Jantar de Reis da De-
legação Distrital de Viseu da Ordem dos En-
genheiros (OE). A iniciativa contou com uma
visita guiada à casa e núcleo museológico da
Quinta da Ínsua e com a atuação do Chorus
Ingenium – Coro da Região Centro da OE.
Intervieram na sessão o Delegado Distrital de
Viseu, Eng. António Raínho, o Presidente do
Conselho Diretivo da Região Centro, Eng. Ar-
mando Silva Afonso, e o Bastonário da OE,
Eng. Carlos Mineiro Aires. •

“COnseRva-mE a coreS” em Aveiro No âmbito das habituais “Conversas ao Final do Mês”, a Delegação
Distrital de Aveiro promoveu no dia 15 de dezembro a inauguração da
Exposição Fotográfica “COnseRva-mE a coreS”, da autoria de Rui Pedro
Francisco. A exposição pretende alertar para “uma paisagem em risco
de ficar cada vez mais a preto e branco. Para reter na memória, um
alerta visual sobre a proteção que devemos aos nossos ecossistemas,
mantendo-lhes as cores originais”. •

Incêndios em Portugal: o antes, o durante... E o depois


A Delegação de Aveiro deu início, no dia 13 especialistas na área, oriundos das Universi-
de dezembro, a um ciclo de palestras desig- dades de Aveiro (Celeste Coelho, Ana Isabel
nado “Na (des)Ordem do Dia”. Esta primeira Miranda, Jacob Keiser), Coimbra (Xavier Viegas)
sessão, decorrida no anfiteatro do Departa- e Trás-os-Montes e Alto Douro (Paulo Fer-
mento de Ambiente e Ordenamento da Uni- nandes). A mensagem de acolhimento esteve
versidade de Aveiro (UA), teve como tema a cargo de Carlos Borrego (UA) e de Alberto
“Incêndios em Portugal: o antes, o durante... Roque (Delegado Distrital de Aveiro da Ordem
E o depois” e contou com intervenções de dos Engenheiros). •

Palestra “Análise de Riscos e Segurança Industrial”


O Colégio Regional de Engenharia Química e Biológica e o Núcleo de Estudantes de Engenharia
Química da Universidade de Aveiro levaram a cabo, no dia 6 de dezembro, uma palestra subor-
dinada ao tema “Análise de Riscos e Segurança Industrial”, visando uma abordagem sobre o
cumprimento dos requisitos legais e normativos de segurança aplicáveis às empresas, bem como
a perspetiva da implementação de sistemas de gestão certificados pela norma OHSAS 18001,
mediante a apresentação de três casos reais, com aplicação ao nível empresarial. A sessão teve
lugar na Universidade de Aveiro e contou com cerca de uma centena de participantes. •

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 15


Regiões

Região CENTRO
Sede Coimbra Delegações distritais
Rua Antero de Quental, 107 – 3000-032 Coimbra Aveiro • Castelo Branco
Tel. 239 855 190 – Fax 239 823 267 Guarda • Leiria • Viseu
E-mail correio@centro.oep.pt

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Seminário “O Risco da Exposição a Vibrações”


A Delegação de Leiria, com os Departamentos de Engenharia Civil e ropeia e portuguesa e a forma sobre como se podem e devem controlar
de Engenharia Mecânica da Escola Superior de Tecnologia e Gestão as vibrações e a sua aplicação nos planos de segurança e saúde. •
do Instituto Politécnico de Leiria (ESTG-IPL), e com o apoio da ARICOP,
realizaram no dia 12 de dezembro, nas instalações da ESTG, um semi-
nário sobre “O Risco da Exposição a Vibrações”.
Esta ação, que teve como orador o Eng. Henrique Guisado, abordou
um dos riscos mais comuns na utilização de equipamentos, que é a
exposição a ruído e vibrações, e que afeta, no meio laboral, a saúde e
segurança dos trabalhadores. Encontram-se presentes em quase todas
as atividades, nomeadamente na construção civil e obras públicas, in-
dústrias extrativas, exploração florestal, fundições, transportes, entre
outras, apresentando-se as inconsistências e lacunas da legislação eu-

Sessão Temática sobre “Bacalhau”


Em parceria com a empresa Lugrade, o Colégio Regional de Engenharia
Mecânica promoveu uma sessão temática sobre “Bacalhau”.
A sessão, que teve lugar na sede da Região Centro da Ordem, a 6 de
dezembro, foi constituída por duas partes. Na primeira foi efetuada
uma explicação do processo industrial de preparação do bacalhau e
apresentado “O Fiel – Demolhador de Bacalhau”, um novo produto
desenvolvido pelos Engenheiros Sérgio Paulo e Paulo Santos, em par-
ceria com a Lugrade, com a capacidade de monitorizar, controlar e
acompanhar o processo de demolha do bacalhau salgado seco. A se-
gunda parte da sessão consistiu numa masterclass a cargo do Chef
Diogo Rocha, seguida de degustação de bacalhau. •

Workshop “Eficiência Energética em Edifícios”


Em conjunto com o Departamento de Enge- reflexão sobre os novos avanços em termos
nharia Civil e o Departamento de Engenharia de materiais e tecnologias que permitam me-
Eletrotécnica da Escola Superior de Tecnologia lhorar a performance dos edifícios no que à
e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria eficiência energética diz respeito. Contou com
(ESTG-IPL), e com a ARICOP, a Delegação a participação do Instituto de Soldadura e
Distrital de Leiria promoveu no dia 30 de no- Qualidade, Amorim Cork Composites, Tecno-
vembro, nas instalações da ESTG, um workshop logia de Gestão de Imóveis (Grupo Teixeira
sobre “Eficiência Energética em Edifícios”. Duarte), Siemens, Saint-Gobain Weber Portugal
Este evento constituiu um fórum de debate e e Secil Argamassas. •

Sessão Técnica dedicada ao Medronheiro


Numa organização dos Colégios Regionais de Engenharia Agronómica e
de Engenharia Florestal realizou-se, no dia 8 de novembro, uma sessão
técnica dedicada ao medronheiro. Esta iniciativa permitiu abordar os as-
petos relacionados com o medronho em Portugal: organização de um
setor agrícola emergente, a propagação de plantas selecionadas de me-
dronheiro e o contributo do mesmo na gestão e valorização da floresta.
Foram oradores Filomena Gomes, docente no Departamento de Engenharia
Florestal da Escola Superior Agrária de Coimbra, Carlos Fonseca, Presidente
da Cooperativa Portuguesa de Medronho, e João Gama, técnico da Direção
Regional de Agricultura e Pescas do Centro. •

16 • INGeNIUM Março/Abril 2018


Regiões

Região CENTRO

Instalações Elétricas – Desafios Para o Setor


O Colégio Regional de Engenharia Eletrotéc- lizados destinados a regular a atividade e in- tência. Este Regulamento estabelece requisitos
nica deu início, em novembro de 2017, a um troduziu algumas alterações sobre as quais de conceção ecológica para a colocação no
conjunto de workshops sobre os desafios para importa refletir. Neste âmbito, teve lugar no mercado, ou para a colocação em serviço, de
o setor das instalações elétricas. dia 29 de novembro, na sede da Região Centro, transformadores de potência, com uma po-
O Decreto-Lei n.º 96/2017, mantendo a clas- o primeiro workshop, numa iniciativa que tência mínima de 1 kVA, utilizados em redes de
sificação das instalações elétricas em três tipos, constituiu um fórum de partilha e discussão transporte e distribuição de eletricidade de 50
define procedimentos simples e desmateria- sobre os desafios e impactos deste Decreto- Hz ou destinados a aplicações industriais. •
-Lei no setor.
No dia 9 de janeiro, também em Coimbra,
realizou-se o segundo workshop, levando desta
vez a discussão o tema da conceção ecológica
de transformadores. O Regulamento (UE) n.º
548/2014 da Comissão, de 21 de maio, aplica
a Diretiva 2009/125/CE do Parlamento Europeu
e do Conselho, no que diz respeito aos trans-
formadores de pequena, média e grande po-

Atividades do Projeto Engine4F


No âmbito do Projeto Europeu Engine4F –
– Erasmus+, no qual a Região Centro da Ordem
dos Engenheiros participa através da Delegação
de Aveiro, realizaram-se no dia 20 de novembro
duas sessões “E um Mundo sem Engenharia?
Já pensaste como seria?”. As sessões decor-
reram junto de cerca de 200 jovens, entre os
14 e os 18 anos, que frequentam escolas dos
Agrupamentos de Ílhavo e da Gafanha da Na-
zaré. O Eng. José Cachim e a estudante uni- científicas sobre diversos materiais.
versitária Patrícia Martins, do curso de Enge- Já no dia 15 de fevereiro último realizou-se a
nharia Eletrónica e de Telecomunicações da atividade “Um dia com... A energia que vem
Universidade de Aveiro, ajudaram à reflexão do vento”, com visita à empresa Ria Blades,
com os seus testemunhos pessoais. que teve como objetivo sensibilizar os alunos
No dia 14 de dezembro teve lugar uma ação para a importância do desenvolvimento de
de sensibilização, destinada aos alunos do tecnologias “limpas”, mostrar como funcionam
Agrupamento de Escolas de Ílhavo, sobre a e são fabricadas pás eólicas e possibilitar tomar
Engenharia e os Biomateriais. A apresentação conhecimento sobre fabricação em larga es-
esteve a cargo da Professora Maria Helena cala de diferentes produtos, nomeadamente
Fernandes, da Universidade de Aveiro, e incluiu produtos baseados no desenvolvimento tec-
a demonstração de um kit de experiências nológico. •

Revisão do Código dos Contratos Públicos


No âmbito do Programa de Formação Con- blicação do Decreto-Lei n.º 111-B/2017, de 31 teve lugar no dia 2 de novembro e esgotou a
tínua Estratégica da Região Centro, o Conselho de agosto, que teve como formador o Doutor lotação do auditório da sede regional, em
Diretivo levou a cabo uma ação de formação Licínio Lopes Martins, Professor da Faculdade Coimbra. Dado o elevado interesse do curso,
sobre as alterações introduzidas ao Código de Direito da Universidade de Coimbra. foi realizada uma segunda edição, a 23 de fe-
dos Contratos Públicos, decorrentes da pu- Esta ação, exclusiva para Membros da Ordem, vereiro, na Covilhã. •

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 17


Regiões

Região CENTRO
Sede Coimbra Delegações distritais
Rua Antero de Quental, 107 – 3000-032 Coimbra Aveiro • Castelo Branco
Tel. 239 855 190 – Fax 239 823 267 Guarda • Leiria • Viseu
E-mail correio@centro.oep.pt

www.ordemengenheiros.pt/pt/a-ordem/centro

Sessões Temáticas de Engenharia Civil


No âmbito das sessões temáticas que o Co-
légio Regional de Engenharia Civil promove
em parceria com o Departamento de Enge-
nharia Civil da Universidade de Coimbra, rea-
lizou-se, a 30 de outubro, a sessão “Aplicação
de modelos avançados a problemas estruturais
complexos”. No dia 10 de novembro teve lugar
a sessão “Reabilitação de estruturas: intervenção
em edifícios antigos”. •

Novo Regulamento Geral de Proteção de Dados


O Colégio Regional de Engenharia Informática
promoveu, no dia 27 de outubro, uma sessão
sobre o “Novo Regulamento Geral de Proteção
de Dados”.
Com intervenções de Ricardo Machado, Pre-
sidente do Colégio Nacional de Engenharia
Informática, Vitor Bernardo, da Comissão Na-
cional de Proteção de Dados, Miguel Gonçalves Um painel de oradores debateu o impacto do
e Paulo Domingos, da ITEN, e Alexandre Pe- sido apresentada uma perspetiva jurídica sobre Regulamento Geral de Proteção de Dados.
reira, da Universidade de Coimbra, foi abordada o Regulamento, a implementação desta legis- Esta iniciativa teve lugar na sede regional, em
a relevância desta temática e os impactos daí lação nas empresas e a cibersegurança e a Coimbra, com transmissão, via streaming, para
decorrentes na Engenharia Informática, tendo Universidade. a Delegação de Aveiro. •

Conferência Anual da AME


Sob o tema “O mutualismo como promotor de coesão social e fator
de desenvolvimento”, realizou-se no dia 26 de outubro, na Delegação
Distrital de Aveiro, a 7.ª Conferência Anual da AME – Associação Mu-
tualista dos Engenheiros.
Nesta ocasião foram homenageados, com a outorga do título de As-
sociado Honorário da AME, o Dr. Alberto Ramalheira, pela sua dedicação
ao Mutualismo e apoio à constituição da AME, e os associados General
Eng. Frutuoso Pires Mateus, anterior Presidente da Mesa da Assembleia
Geral da AME, e Eng. António Canas, pelo relevo da atividade desen-
volvida em prol da Economia Social na Região Centro. •

Engenharia Informática promove formação


O Colégio Regional de Engenharia Informática promoveu nos dias 23 e 24 de outubro,
em Coimbra, o curso “Introdução à Gestão de Sistemas e Redes”, com a duração de seis horas.
O Eng. Ricardo Ruivo foi o formador.
Nos dias 25 e 27 de outubro teve lugar o curso
“Introdução à Computação com Matlab/Oc-
tave”, também com a duração de 6 horas,
tendo sido formadores os Engenheiros Paulo
Gil e Alberto Cardoso.
Estas ações decorreram no âmbito do Pro-
grama de Formação Contínua Estratégica da
Região Centro. •

18 • INGeNIUM Março/Abril 2018


Regiões

Região Sul
Sede Lisboa Delegações distritais
Av. Ant. Augusto de Aguiar, 3D – 1069-030 Lisboa Évora • Faro
Tel. 213 132 600 – Fax 213 132 690 Portalegre • Santarém
E-mail secretaria@sul.oep.pt

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Visita Técnica às obras da ETAR da Companheira


A Delegação Distrital de Faro da Ordem dos Engenheiros, com o apoio
do Conselho Diretivo da Região Sul e do Colégio Regional de Enge-
nharia Civil, levou a cabo, no dia 17 de fevereiro, uma visita técnica às
obras da ETAR da Companheira, em Portimão.
A apresentação desta infraestrutura de grande importância para o Bar-
lavento Algarvio foi efetuada pelo Eng. Armando Peres, representante
do dono de obra – Águas do Algarve. A visita contou com 17 partici-
pantes. •

Masterclass “Azeites de Portugal”


O Conselho Regional Sul do Colégio de Engenharia Agronómica organizou,
em parceria com a Casa do Azeite – Associação do Azeite de Portugal, a
primeira masterclass de 2018 sobre a temática “Azeites de Portugal”, no dia
14 de fevereiro. As mais recentes informações tecnológicas, os gostos da
moda, ou o que se passa pelo Mundo, foram alguns dos temas abordados
nesta ação. •

Santarém discute
“Tomada de Decisão Estratégica em Ambiente de Incerteza”
A Delegação Distrital de Santarém promoveu
no dia 8 de fevereiro uma Noite Temática de-
dicada ao tema “Tomada de Decisão Estraté-
gica em Ambiente de Incerteza”, tendo como
orador o Professor Heitor Barras Romana, atual
Presidente do Conselho Científico do Instituto
Superior de Ciências Sociais e Políticas. Esta
ação juntou cerca de 40 Membros, entre os vive nos dias de hoje e as implicações que tal e económicos (quatro ou cinco anos), em que
quais quatro Membros do Conselho Diretivo incerteza transportam para a tomada de de- os decisores se veem “obrigados” a obter re-
da Região Sul, os atuais e muitos dos anteriores cisão. O atual contexto geopolítico leva, na sultados visíveis ao fim de três ou quatro anos,
Delegados Distritais e Delegados-adjuntos. opinião de Heitor Romana, a que as “decisões é um fator determinante para esta mudança.
Suportado numa vasta experiência profissional estratégicas” tenham evoluído cada vez mais, Uma vez mais foi referido que nos países asiá-
em distintas geografias – Diretor Geral Adjunto especialmente no mundo ocidental, para “po- ticos – essencialmente na China – esta pressão
dos Serviços de Informações Estratégicas de líticas” e mais recentemente para “medidas”, dos ciclos curtos não se verifica, sendo atual-
Defesa e Militares (1999/02), Conselheiro Di- sendo notório o caráter de curto prazo dessas mente uma vantagem estratégica desses países
plomático na Embaixada de Portugal em Mos- mesmas decisões, sejam elas de perfil político, face ao “mundo ocidental”.
covo e Assessor do Governador de Macau económico ou social. O período de debate que Antes do início da palestra foi prestada home-
(1990/99) –, bem como numa carreira acadé- se seguiu permitiu analisar as principais razões nagem ao Eng. José Adriano Soares Lopes,
mica com mais de 30 anos, a palestra proferida que levam a que a tomada de decisão tenha anterior Delegado Distrital de Santarém, tendo
durante aproximadamente uma hora teve como uma incidência cada vez maior no curto prazo, sido descerrada a sua fotografia na galeria dos
fio condutor o ambiente de incerteza que se tendo ficado claro que os curtos ciclos políticos Delegados. •

Região Sul nas JORTEC


Decorreu entre os dias 7 e 9 de fevereiro a 19.ª edição das JORTEC –
Jornadas Tecnológicas da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Uni-
versidade Nova de Lisboa, com o apoio da Região Sul da Ordem dos
Engenheiros (OE). As JORTEC de Engenharia e Gestão Industrial, En-
genharia Química e Bioquímica e Engenharia Geológica e de Minas receu as taxas de inscrição para o primeiro ano a todos os estudantes
contaram com a presença do stand institucional da Ordem, que ofe- que se inscreveram na OE durante os dias do evento. •

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 19


Regiões

Região SUL

Resiquímica em jantar-debate na OE
O Conselho Regional Sul do Colégio de En-
genharia Química e Biológica promoveu, a 6
de fevereiro, o Jantar-debate “Resiquímica –
Há Química em Nós”, no restaurante da Região
Sul da Ordem dos Engenheiros (OE). O orador
convidado foi o Presidente do Conselho de
Administração e CEO da Resiquímica, Dr.
Marcos Lagoa, que proporcionou aos presentes
uma interessante e clara apresentação sobre
a génese e evolução da empresa, partilhando
diversos factos relevantes associados à sua
história, crescimento, processo de internacio-
nalização, áreas de negócio e indicadores
económicos. Por parte da Resiquímica esti-
veram também presentes a Administradora
Executiva, Eng.ª Susana Carvalho, a Diretora
da Área da Qualidade e Ambiente, Eng.ª Paula
Miranda, e o Diretor de Operações, Eng. Jaime
Carvalho.
Neste jantar-debate também compareceu o
Presidente do ISEL, Eng. Jorge de Sousa, a tónio Laranjo, e por um dos Vogais, o Eng. Gil o Presidente do Conselho Nacional de Colégio
Presidente do Departamento de Engenharia Manana. Para além dos organizadores da ini- de Engenharia Química e Biológica da OE,
Química do IST, Eng.ª Teresa Duarte, e o Pre- ciativa, o Coordenador e Vogais do Conselho Eng. Luís Araújo.
sidente da Área Departamental de Engenharia Regional Sul do Colégio de Engenharia Quí- De modo a complementar este jantar-debate,
Química do ISEL, Eng. João Silva. mica e Biológica, Engenheiros António Gon- o Colégio tem planeada uma visita técnica à
O Conselho Diretivo da Região Sul da OE es- çalves da Silva, Helena Teixeira Avelino e João instalação industrial da Resiquímica, em Mem
teve representado pelo Presidente, Eng. An- Líbano Marques, esteve igualmente presente Martins. •

Visão Integrada sobre Reabilitação


Realizou-se no dia 26 de janeiro, no auditório da sede da Região Sul dinada ao tema “Visão Integrada sobre Reabilitação”, organizada pelo
da Ordem dos Engenheiros (OE), em Lisboa, uma Conferência subor- Conselho Regional Sul do Colégio de Engenharia Civil, em colaboração
com a coordenação do curso de pós-graduação em Construção e
Reabilitação Sustentável da Faculdade de Ciências e Tecnologia da
Universidade Nova de Lisboa.
A conferência teve como oradores principais o Professor João Appleton
e o Arquiteto Vítor Mestre, que abordaram diversos aspetos relacio-
nados com a realização de projetos de reabilitação de qualidade de
diferentes tipologias de edifícios – desde o processo de conceção até
à utilização do edifício –, exemplificando a apresentação com alguns
trabalhos desenvolvidos em comum. O evento contou com cerca de
200 participantes, evidenciando, dessa forma, o interesse e a atualidade
da temática. •

Curso de Ética e Deontologia Profissional


Decorreu nos dias 13, 19 e 20 de janeiro o 65.º Curso de Formação em Ética e Deontologia Profissional, promovido pela Região Sul da Ordem
dos Engenheiros. Neste curso obtiveram aprovação 139 participantes, dos quais 29 com distinção. •

Engenheiros e o Instituto Superior Técnico,


Curso “Business Intelligence e Analítica através do seu Departamento de Engenharia
Avançada de Dados para Engenheiros” e Gestão. O curso foi coordenado pelo Prof.
Carlos Bana e Costa e as aulas foram minis-
Entre 9 de janeiro e 1 de fevereiro realizou-se no âmbito do protocolo de colaboração para tradas pelo Dr. Émerson Corlassoli Corrêa. Esta
uma formação em “Business Intelligence e a área da formação celebrado entre o Con- ação contou com a participação de mais de
Analítica Avançada de Dados para Engenheiros”, selho Diretivo da Região Sul da Ordem dos 20 formandos. •

20 • INGeNIUM Março/Abril 2018


Regiões

Região da Madeira
Sede Funchal
Rua Conde Carvalhal, 23 – 9060-011 Funchal
Tel. 291 742 502 – Fax 291 743 479
E-mail madeira@madeira.oep.pt

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Visita Técnica à ANACOM


A Região da Madeira da Ordem dos Enge-
nheiros, através do Colégio Regional de En-
genharia Eletrotécnica, realizou uma visita
técnica à ANACOM – Autoridade Nacional de
Comunicações, no âmbito do seu plano de
atividades para 2018.
A visita decorreu no dia 26 de janeiro e contou
com a presença de cerca de 20 participantes.
A iniciativa visou proporcionar aos presentes
um conhecimento da regulação setorial das Madeira, desde a área postal ao espectro e seu
comunicações eletrónicas e postais em Por- licenciamento e fiscalização de utilização. Para foi possível tomar conhecimento sobre os
tugal. A ideia foi dar a conhecer a diversidade o efeito, foi visitado o Centro de Monitorização sistemas utilizados para a execução desta im-
de atuação da ANACOM, em particular na e Controlo do Espectro da Madeira, área onde portante tarefa regulatória. •

Região dos Açores


Sede Ponta Delgada
Largo de Camões, 23 – 9500-304 Ponta Delgada – S. Miguel – Açores
Tel. 296 628 018 – Fax 296 628 019
E-mail geral.acores@acores.oep.pt

www.ordemengenheiros.pt/pt/a-ordem/acores

Debate sobre a Construção Civil nos Açores


O presente e as perspetivas para o futuro
Depois da agricultura e dos transportes marí- tem sido desenvolvido no âmbito da Gestão da
timos chegou o momento de analisar e de Informação, Gestão de Projetos e Contratação
discutir o presente e o futuro de mais um setor e particularmente aprofundado na vertente das
considerado estratégico para o desenvolvi- tecnologias de informação e BIM (Building In-
mento da Região Autónoma dos Açores: o da formation Modelling). Para cadenciar e moderar
Construção Civil. a sessão-debate, fazer a ponte entre o presente nicipal de Ponta Delgada, Dr. José Manuel
A Região dos Açores da OE reuniu, assim, no e o futuro e para lançar as questões que importa Bolieiro, e o Eng. Fernando Santo, Engenheiro
dia 13 de abril, no Auditório da Biblioteca Pú- ver respondidas e analisadas, esteve o jornalista Civil e ex-Bastonário da OE, cuja vastíssima
blica e Arquivo Regional de Ponta Delgada, Osvaldo Cabral, que procurou estimular a par- experiência no setor público e privado muito
um vasto conjunto de stakeholders do setor ticipação do público e dos intervenientes nos contribuiu para o enriquecimento deste último
da construção num debate alargado sobre o painéis de discussão. momento da jornada de trabalhos.
estado desta atividade na Região. No primeiro painel foram conhecidas as opi- Será de realçar que o objetivo da Região dos
O encontro contou com o contributo técnico- niões do Diretor do Laboratório Regional de Açores da OE, com a organização deste e de
-científico de oito oradores repre- Engenharia Civil (LREC), Eng. Fer- outros debates anteriores, é trazer um contri-
sentantes dos setores público, em- nando Fernandes; do Presidente buto eminentemente técnico às problemáticas
presarial, académico e associativo. da Aicopa, Dr. Pedro Marques; e da a discutir.
Uma nota de boas-vindas e de en- representação da Ordem dos En- Sendo este o contexto de atuação da instituição,
quadramento foi trazida pelo Presi- genheiros para as Ilhas de São Mi- o debate sobre o presente e as perspetivas para
dente do Conselho Diretivo Regional, guel e Ilha Terceira, os Engenheiros o futuro do setor da Construção Civil nos Açores
Eng. Paulo Moniz. Seguiu-se a inter- André Cabral e Marco Poim. No foi um encontro entre os diversos agentes que
venção de fundo do Especialista segundo momento da manhã, a atuam nesta área e que trouxeram, no seu con-
António Costa Aguiar, Professor no Secretária dos Transporte e das junto, quer através da presença nos painéis de
Departamento de Engenharia Civil e Obras Públicas, Dr.ª Ana Amorim discussão, quer da participação ativa enquanto
Arquitetura do Instituto Superior Téc- da Cunha, tomou a palavra, assim espetadores na plateia, um retrato plural e
nico, cujo trabalho de investigação como o Presidente da Câmara Mu- abrangente do setor. •

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 21


Regiões

Região dos AÇORES

Curso “Projetista de Segurança Contra Incêndios de Edifícios”


A Região dos Açores, em parceria com a em- Nacional de Proteção Civil. Procurando atender semanas para elaboração do trabalho final e
presa Comunilog Consulting, organizam a ação às expectativas e necessidades formativas ma- das respetivas avaliações em data a combinar
formativa “Projetista de Segurança Contra In- nifestadas pelos Membros da Região, a formação pelos intervenientes, dando como terminada a
cêndios de Edifícios – 3.ª e 4.ª Categorias de terá início a 17 de maio e terminará a 7 de julho. formação nesta data. Mais informações dispo-
Risco”, formação homologada pela Autoridade Será atribuído um período nunca superior a seis níveis no Portal do Engenheiro. •

Laboral ou pós-laboral, eis a questão


Ao longo dos últimos meses, a Região dos período pós-laboral como sendo mais indi-
Açores da Ordem dos Engenheiros tem tido cado para a realização de formações e 22
a oportunidade de oferecer aos Membros di- Membros elegeram o período laboral, sobre-
versos momentos formativos, que, na sua tudo quando se tratam de formações de curta
maioria, têm decorrido em período pós-laboral. duração.
A escolha deste período tem-se mostrado, à Será de salientar que por entre os que afir-
data, a mais apropriada. No entanto, o cansaço maram preferir o período laboral se encontram de que o período pós-laboral continua a ser
expresso pelos Membros no final da sua jor- Membros que residem nas ilhas Terceira, Flores o mais indicado –, as observações e inquie-
nada de trabalho incentivou a reequacionar a e Faial, para quem seria importante concentrar tações trazidas pelos Membros serão tidas em
eventual adequação da organização. Assim, as formações em períodos mais curtos e in- consideração para a definição de formações
com vista a melhor adequar a oferta à expec- tensivos, por forma a evitar deslocações fre- futuras. Será ainda de expressar um agradeci-
tativa dos Membros, a Região dos Açores en- quentes e respetivas estadias fora da sua ilha mento a todos os que reservaram alguns mi-
viou um inquérito com uma pergunta muito de residência. nutos do seu precioso tempo e colaboraram
simples: Laboral ou pós-laboral. O que prefere? Acresce que, embora o resultado do inquérito no esforço de adequação e de melhoria da
Das 72 respostas recebidas, 50 indicaram o tenha sido expressivo – com indicação clara oferta formativa, que se quer permanente. •

O ano que se inicia da melhor forma nião expressa pelo conjunto de formandos,
apesar da elevada duração desta formação
Corresponder às expectativas dos Membros tem “Autocad 2D” e “Projetos de Condicionamento profissional ministrada em regime pós-laboral,
constituído uma preocupação da Região dos Acústico” seguiu-se o curso “Projetista de Redes valeu a pena o investimento de tempo e de re-
Açores da Ordem dos Engenheiros. Nesse con- de Gás”, realizado na segunda quinzena de ja- cursos numa formação complementar que vem
texto, o ano começou com o reforço na oferta neiro. O número de inscritos esgotou a oferta acrescentar valências e competências técnicas
de mais formação profissional. Aos cursos de de lugares disponíveis e, de acordo com a opi- ao desempenho e capacitação profissional. •

Mais formação, melhor desempenho


Foi tempo de refrescar conhecimentos e de momento atual. A utilização e transformação
adquirir mais competências para os formandos do pescado, recurso natural de extrema impor-
do curso da responsabilidade da Silliker Portugal tância para a economia regional, reclama um
realizado no auditório da sede regional. controlo conhecedor. Como tal, este momento
A questão dos “Parasitas nos Produtos da Pesca” formativo mostrou-se particularmente impor- dades no âmbito da produção, transformação
surge como um tema pertinente e relevante no tante para os profissionais que realizam ativi- e distribuição dos produtos da pesca. •

Boas-vindas aos novos Membros Efetivos


Para muitos terá sido o primeiro contacto com a sua Ordem Profissional. Para outros, apenas um reforçar de laços e a certeza de que vale a
pena ficar. Como tem sido habitual, o Conselho Diretivo da Região dos Açores da Ordem dos Engenheiros (OE) faz por não deixar passar em
branco a entrega dos certificados do Curso de Ética e Deontologia Profissional. Trata-se de um passo importante na condição do Membro que,
mediante a aprovação no exame, passa a Membro Efetivo da OE. Um momento marcante que merece ser celebrado. Assim foi no dia 26 de
fevereiro, em Ponta Delgada. •

Curso de Ética e Deontologia Profissional


É sempre com enorme gosto que a Região OE é a oportunidade de reequacionar e de tem constituído uma ocasião única para os
dos Açores da Ordem dos Engenheiros (OE) discutir aspetos comportamentais fundamen- Membros Efetivos que procuram refrescar
recebe os formadores do Curso de Ética e tais ao exercício da profissão. conceitos e partilhar dúvidas relacionadas com
Deontologia Profissional, cuja presença deixa Organizado anualmente, trata-se de um mo- questões de Ética e Deontologia que, natural-
sempre uma grata recordação. Para os for- mento formativo obrigatório para os que mente, acompanham os tempos e a evolução
mandos e futuros jovens Membros Efetivos da querem pertencer à Ordem. Por outro lado, da Sociedade. •

22 • INGeNIUM Março/Abril 2018


TEMA DE CAPA
ECONOMIA CIRCULAR
24 Sinergias Circulares 36 Oportunidades 44 ENTREVISTA
desafios para Portugal para a Economia Circular
Sofia Santos nos serviços de águas
Secretária-geral do BCSD Portugal – Jaime Melo Baptista
– Conselho Empresarial para Investigador-Coordenador do LNEC –
o Desenvolvimento Sustentável – Laboratório Nacional de Engenharia Civil
Coordenador do LIS-Water – Lisbon
27 O valor International Centre for Water
da Economia Circular Presidente do Conselho Estratégico da
Lígia M. Costa Pinto PPA – Parceria Portuguesa para a Água
Professora Associada com Agregação
em Economia, Universidade do Minho 38 Contributo do PO SEUR
Carlos Martins
Membro do Conselho Diretivo para a Economia Circular
Secretário de Estado do Ambiente
da APESB – Associação Portuguesa Helena Pinheiro de Azevedo
de Engenharia Sanitária e Ambiental
Presidente da Comissão Executiva “A economia circular veio para
do PO SEUR – Programa Operacional ficar. É um caminho sem retorno”
30 Planear a transição Sustentabilidade e Eficiência
para uma Economia Circular no Uso de Recursos
Inês dos Santos Costa
40 A aplicação da ISO 14001:2015
Adjunta do Ministro do Ambiente
Ministério do Ambiente para a implementação 50 ENTREVISTA
de estratégias circulares

34 A economia circular Pedro Fernandes


no setor dos resíduos Gestor Comercial
APCER
Luísa Magalhães
Diretora Executiva
da Associação Smart Waste Portugal 42 Oportunidades na transição
para a economia circular
António Albuquerque
Presidente do Conselho Nacional
do Colégio de Engenharia do Ambiente
da Ordem dos Engenheiros Carlos Borrego
Coordenador de Investigação
da Agenda de I&I para a Economia Circular
Professor Catedrático de Engenharia
do Ambiente na Universidade de Aveiro
Membro Conselheiro
da Ordem dos Engenheiros

“A transição para a economia


circular vai significar um impacto
muito positivo na mitigação
das alterações climáticas”

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 23


Tema de Capa ECONOMIA CIRCULAR

Sinergias Circulares
desafios para Portugal
Economia circular nacional funciona como bloqueio à criação
e simbioses industriais de um mercado de simbioses industriais –
como, por exemplo, a exigência prévia de
O conceito de economia circular não é garantir um comprador para o subproduto
novo, estando muito associado à área do ou o custo legal associado à desclassificação
Sofia Santos saber relacionada com a ecologia industrial de resíduo para subproduto. E societal porque
Secretária-geral do BCSD Portugal – Conselho e com as análises de ciclo de vida dos pro- implica a existência de uma cultura empre-
Empresarial para o Desenvolvimento dutos. As agendas europeia e nacional para sarial disposta a trabalhar em conjunto, su-
Sustentável
a economia circular, nomeadamente o pa- portada por infraestruturas locais apropriadas,
cote de economia circular “Fechar o ciclo que permitam a cooperação entre empresas.
– Plano de ação da UE para a economia Na ótica da simbiose industrial, passar de
circular”, lançado em dezembro de 2015 uma economia linear para uma circular im-
pela Comissão Europeia, e o “Plano de Ação plica ambicionar que os resíduos produzidos
para a Economia Circular em Portugal”, lan- pelas atividades económicas sejam nulos e
çado pelo Governo em dezembro de 2017, que sejamos suficientemente criativos para
vieram conferir uma maior ambição às em- identificar modelos de negócio rentáveis e
presas, despoletando oportunidades para a verdadeiramente circulares. Uma vez que
tecnologia, inovação, modelos de negócio muitas das empresas associadas do BCSD
e imaginação. Portugal – Conselho Empresarial para o
Totalmente ligado à economia circular surge Desenvolvimento Sustentável têm vindo a
o conceito de simbiose industrial, em que desenvolver trabalhos profundos relacio-
os processos assentam numa colaboração nados com a reutilização de resíduos, de-
entre empresas de diferentes setores e onde cidimos analisar este mercado de forma
a troca de resíduos, a partilha de energia mais detalhada para perceber os impactos
residual ou de serviços, ou a reutilização de sociais, ambientais e económicos que as
águas tratadas, geram vantagens competi- simbioses industriais poderiam trazer para
tivas para todos os intervenientes. No caso Portugal.
dos resíduos, por exemplo, a simbiose in-
dustrial procura integrar uma ou mais in- O estudo
dústrias, tornando cíclico o fluxo de resíduos
que, em vez de serem produzidos, são antes O estudo “Sinergias Circulares: desafios para
reinseridos na cadeia produtiva como ma- Portugal”, lançado em março de 2018, re-
térias-primas. Desta forma, consegue-se sulta da dinâmica do Grupo de Trabalho
poupar recursos naturais e diminuir o im- Economia Circular e Simbioses Industriais
pacte ambiental associado, por exemplo, à do BCSD e do apoio técnico da 3Drivers.
extração do recurso e do seu transporte. Este estudo surge porque é necessário com-
Idealmente, a economia circular ambiciona preender o potencial económico, ambiental
reduzir os resíduos a zero, sejam resíduos e social da incorporação dos resíduos na
dos processos ou de fim de linha. É por isso economia, podendo esta análise ajudar a
que o design dos produtos tem um papel compreender melhor como se pode imple-
fundamental nesta abordagem. Tendo em mentar a política pública europeia e nacional
conta esta premissa, as simbioses industriais ao nível de uma das áreas da economia cir-
são um desafio tecnológico, político e so- cular. Surge também porque, uma vez que
cietal para os resíduos que não se conse- a percentagem de resíduos valorizados em
guem evitar. Tecnológico porque implica Portugal é inferior à média europeia, é prio-
uma constante procura de possíveis com- ritário passar a considerar os resíduos como
binações de materiais cujo sucesso estará recursos, dando lugar à exploração de si-
dependente do investimento em I&D. Polí- nergias entre empresas que venham a con-
tico porque parte da legislação europeia e cretizar projetos de simbioses industriais.

24 • INGeNIUM Março/Abril 2018


ECONOMIA CIRCULAR Tema de Capa

O estudo analisou dados nacionais de 32 Impactos sociais, ambientais traduzir-se-ia na criação de 1.300 novos
empresas associadas do BCSD, com vista a e económicos das simbioses empregos e o impacto ambiental numa re-
explorar sinergias na área dos resíduos. Os industriais para Portugal dução superior a 5 milhões de toneladas de
quatro objetivos do estudo foram: (1) ma- extração doméstica (materiais extraídos em
pear os tipos de resíduos, as quantidades e Segundo o Instituto Nacional de Estatística, território nacional anualmente). Estes valores
o concelho do País onde são produzidos; em 2015, em Portugal, foram eliminados 1,1 constituem estimativas com base nas ma-
(2) identificar sinergias entre empresas; (3) milhões de toneladas de resíduos não ur- trizes de input-output que resumem as trocas
avaliar o impacte ambiental, social e eco- banos. Se estes resíduos fossem transacio- comerciais e de fluxos entre os vários agentes
nómico destas sinergias; (4) identificar um nados entre empresas, isto é, se em vez de nacionais, que indicam de forma clara o po-
conjunto de ações no âmbito de políticas serem eliminados fossem utilizados como tencial da aposta nas simbioses industriais.
públicas de apoio à transição para a eco- matérias-primas, os impactos económicos
nomia circular. anuais seriam os seguintes: redução de con- Próximos passos
Em 2015, dados anuais a que se refere o
estudo, estas 32 empresas foram respon- Muitas destas transações de resíduos não
sáveis pela produção de 8,3 milhões de acontecem devido à falta de informação,
toneladas de 267 tipos de resíduos, à ausência de capacidade técnica/tec-
sendo que cerca de 57% dos resí- nológica, aos custos associados, à
duos produzidos foram elimi- IMPACTO burocracia e às barreiras legisla-
nados e 43% valorizados. É, SOCIAL tivas, sejam comunitárias ou
portanto, urgente encontrar nacionais. O estudo “Sinergias
um destino útil para os 57% 1.300 5,45
Circulares” propõe seis ações
de resíduos que ainda não novos empregos IMPACTES ANUAIS milhões
prioritárias de atuação, con-
DA GESTÃO de toneladas de extração
têm qualquer tipo de va- substanciadas em 14 me-
doméstica (materiais
lorização e que constituem DAS 1,1 MILHÕES extraídos em território didas, que têm como ob-
um custo financeiro para DE TONELADAS nacional anualmente) jetivo desbloquear estas
as empresas e um custo
DE RESÍDUOS ATRAVÉS barreiras: (1) Alterações re-
DE SIMBIOSE
ambiental para o País. gulamentares para facilitar
INDUSTRIAL
A título de exemplo, o es- a transação de resíduos; (2)
tudo “Cinergias Circulares”
IMPACTO Promover as compras eco-
AMBIENTAL
identificou quatro resíduos lógicas; (3) Promover o co-
IMPACTO
que, em vez de eliminados, po- ECONÓMICO 165 32
nhecimento nas empresas; (4)
deriam ser reutilizados como milhões milhões
Facilitar as condições fiscais e de
matérias-primas: os resíduos bio- de euros em de euros em VAB (Valor financiamento; (5) Promover as pla-
consumos intermédios Acrescentado Bruto)
degradáveis podem ser usados na pro- taformas coletivas para gestão de re-

1
dução de fertilizante para jardins e agricul- cursos; e (6) Comunicar resultados. Adotar abo
ao mais alt
LIDERANÇA depende se
tura; as cinzas têm destino nos setores da equipas pa

construção, cimenteira, asfalto ou agricul- Com este estudo, disponível para consulta
Impactos sociais, ambientais e económicos
tura, reduzindo a extração de matéria-prima das simbioses industriais para Portugal em www.bcsdportugal.org/projetos/siner-
A procura d

1 2
virgem; as lamas podem ser utilizadas na gias-circulares, o BCSD Portugal evidencia
Adotar abordagens circulares nos negócios implica liderança
industriais
ao mais alto nível nasINOVAÇÃO
empresas, já que este tipo de mudanç
LIDERANÇA plataforma
indústria de papel ou em fertilizantes de sumos intermédios de outras matérias-primas que existe um potencial económico NAS depende sempre da e so-
vontade dos líderes
EMPRESAS empresariais que m
de matéria
equipas para o “fazer acontecer”.
resíduos ex
solos; e os solventes podem ser escoados na ordem de 165 milhões de euros e con- cial associado às práticas de economia cir-
para a produção de tintas ou de combus- tribuição com 32 milhões de euros em VAB cular. Faz todo o sentido desenvolver todos
tíveis alternativos. (Valor Acrescentado Bruto). O impacto social os esforços
Adotar abordagenspolíticos e implica
empresariais para com base no Astransição
A procura de modelos colaborativos
políticas
conceito de

1 2 3
circulares nos negócios liderança e envolvimento p
INOVAÇÃO
industriais pode passar por projetos distintos como: a utiliza
projetos de
ao mais alto nível nasINOVAÇÃO
empresas, já que este tipo de mudança sistémica
plataformas colaborativas, aPOLÍTICAS
identificação de oportunidades
LIDERANÇA depende sempre da vontade dos líderes empresariais que mobilizam asNAS
NAS EMPRESAS suas públicas e
de matérias-primas por resíduos, a criação de novos negócio
PÚBLICAS
equipas para o “fazer acontecer”. empresas e
resíduos existentes e o alargamento da vida útil dos equipam
de resíduos
Top 6 dos resíduos mais produzidos 4 passos para uma economia mais circular
a nível nacional
Quantidade Percentagem As políticas públicas podem atuar como aceleradores determ
Desenvolve

1
A procura de modelos colaborativos com base no conceito de simbioses

2 3 4
Adotar abordagens circulares nos negócios implica liderança e envolvimento transição para uma economia cada vez mais circular. A imp
universidad
Resíduo produzida do universo ao mais alto nível nasINOVAÇÃO
industriais pode passar
empresas, já que este tipo de mudança sistémica
INOVAÇÃO
por projetos distintos como: a utilização de
projetos de simbioses industriais será facilitada com alteraç
das suas c
LIDERANÇA plataformas colaborativas,
NAS aPOLÍTICAS
identificação de oportunidades de substituição
RELAÇÕES
(kt) analisado depende sempre da vontade dos líderes
NAS EMPRESAS empresariais que mobilizam as
de matérias-primas por
suas públicas e a uma maior
resíduos, a criação de novos negócios com base nos
agilidade das entidades públicas
o dinamismna
equipas para o “fazer acontecer”. PÚBLICAS empresas em temas como a desclassificação de resíduos,
conhecimeo
Rejeitados geradores resíduos existentes e o alargamento da vida útil dos equipamentos.
de resíduos ou os movimentos transfronteiriços defortalecer
resíduos.a
de ácidos, resultantes da 3.176 38,5%
transformação de sulfuretos Liderança Inovação Inovação nas Relações
Misturas de resíduos e envolvimento naA abordagem
procura de modelos colaborativos com políticas
base no conceito depúblicas
simbioses queDesenvolver
As políticas públicas podem atuar como aceleradores desenvolvam
determinantes
projetospara a
conjuntos entre empresas, centros tecn

2 3 4
1.485 18,0% industriais pode passar
transição para uma economia cada vez mais circular.
por projetos distintos como: a utilização de
A implementação
universidades de de novas aplicações de subprodut
na procura
urbanos e equiparados ao mais alto nível
INOVAÇÃO de modelos INOVAÇÃO
plataformas colaborativas,
para que
projetos sejam
de simbioses projetos
industriais será dasconjuntos
facilitada com alterações
suas entre
nas políticas
características e funcionalidades é uma forma de
NASaPOLÍTICAS
identificação de oportunidades de substituição
públicas e a uma maior RELAÇÕES
agilidade das entidades públicas na resposta
o dinamismo às
entre o mundo empresarial e o académico, des
Lamas do tratamento local
951 11,5%
nas empresasNAS EMPRESAS colaborativos
de matérias-primas por resíduos, aaceleradoras
PÚBLICAS criação de novos negócios dacommudança
base nos empresas,
empresas em temas como a desclassificação de resíduos,
centros
o fim sobre
conhecimento de estatuto
economia circular e simbioses industria
resíduos existentes e o alargamento da vida útil dos equipamentos.
de efluentes entre empresas e para deque resíduosexista maiortransfronteiriçostecnológicos
ou os movimentos defortalecer
resíduos.a capacitaçãoe dos recursos humanos envolvidos n
Embalagens de papel
571 6,9%
agilidade das entidades universidades, que
e de cartão públicas na resposta às contribuam para o
As políticas públicas podem atuar como aceleradores determinantes
Desenvolver projetospara a
conjuntos entre empresas, centros tecnológicos e
Papel e de cartão 335 4,1% transição para uma economia cada vez empresas nesta área conhecimento e

3 4
mais circular. A implementação
universidades de de novas aplicações
na procura de subprodutos ou adaptação
INOVAÇÃO projetos de simbioses industriais será facilitada com alterações nas políticas
Resíduos biodegradáveis
186 2,3% NAS POLÍTICAS públicas e a uma maior RELAÇÕES
das suas
agilidade das entidades públicas
o dinamismo
características
na resposta às
entre o mundo
implementação
e funcionalidades é uma forma de fomentar
empresarial e o académico, desenvolver
de novos
de cozinhas e cantinas PÚBLICAS empresas em temas como a desclassificação de resíduos, o fim sobre
conhecimento de estatuto projetos
economia circular e simbioses nesta
industriais área
e, assim,
de resíduos ou os movimentos transfronteiriços defortalecer
resíduos.a capacitação dos recursos humanos envolvidos nos temas.

Desenvolver projetos conjuntos entre empresas, centros tecnológicos e


Março/Abril 2018 INGeNIUM • 25
universidades na procura de novas aplicações de subprodutos ou adaptação
das suas características e funcionalidades é uma forma de fomentar
Tema de Capa ECONOMIA CIRCULAR

escalar esta potencialidade. É fundamental O conceito de simbiose industrial


continuar a dinamizar o tema da economia
circular em Portugal, fomentar o investi- O estudo apresenta uma ilustração que retrata uma região imaginária de um
mento nesta área e promover um diálogo qualquer país, onde os resíduos urbanos e setoriais são utilizados pela economia
constante entre a administração pública e local de forma organizada e harmoniosa. A ilustração apresenta uma cidade,
as empresas de forma a conseguirmos, em os seus jardins, uma zona agrícola e um parque industrial. Nesta região
conjunto, acelerar a identificação de solu- os cidadãos separam os resíduos adequadamente, sabendo que contribuem
para a melhoria dos jardins e para a qualidade dos produtos agroalimentares.
ções tecnológicas e de mercado que possam
As empresas compram e vendem resíduos entre si, num ciclo fechado
alavancar os projetos existentes e despoletar
de produção industrial. Cinzas, lamas, vapor, calor ou gás são exemplos
novos projetos.
de transações realizadas entre empresas. Os serviços de gestão de água, energia
e resíduos são partilhados entre empresas. Este é o conceito de simbiose
industrial. A ilustração apresentada é apenas um ponto de partida daquilo
que poderia ser feito em várias regiões do Mundo. A ilustração é da autoria
de Mariana Malhão.

BCSD Portugal

O BCSD agrega e representa empresas


que se comprometem ativamente com
a sustentabilidade e é um dos dinami-
zadores nacionais da transição para
uma economia de baixo carbono, que
valorize os ecossistemas e que seja ge-
radora de bem-estar na sociedade. Atra-
vés do desenvolvimento de projetos
interempresas que estimulam o desen-
volvimento sustentável, o BCSD é um
ator influente e inspirador de novos
modelos de negócio, competitivos, ino-
vadores, responsáveis, sustentáveis e
inclusivos. Ao intervir no desenvolvi-
mento de políticas públicas, o BCSD
fomenta a colaboração entre a comu-
nidade empresarial, os decisores polí-
ticos e a sociedade civil. Com ampla
representação setorial, o BCSD conta
com mais de 90 empresas que dão em-
prego direto a mais de 270 mil pessoas.
O volume de vendas dos associados
não financeiros do BCSD representa
38% do PIB nacional, valor que se tra-
duz em mais de 65 mil milhões de euros
de volume de negócios e um VAB entre
6% a 8% do PIB.

26 • INGeNIUM Março/Abril 2018


ECONOMIA CIRCULAR Tema de Capa

O valor
da Economia Circular

O
modelo económico-social domi- tantes para as economias ocidentais; e a
nante no último século teve a sua crescente limitação de recursos naturais e
base em dois pilares fundamentais, ambientais para responder às necessidades
os recursos naturais e a tecnologia. Con- da população, entre outros.
tudo, a impossibilidade de crescimento sem Frequentemente, a designação de economia
limites foi, ao longo do tempo, sendo assu- circular é associada, na sua forma mais sim- Lígia M. Costa Pinto
mida pela sociedade em geral, cada vez ples, à eficiência na gestão e uso de recursos Professora Associada com Agregação
mais consciente quer dos impactos ambien- (eco-eficiência). Não desprezando a impor- em Economia, Universidade do Minho
tais das atividades económicas e sociais, tância dessa dimensão, o termo economia Membro do Conselho Diretivo
da APESB – Associação Portuguesa
quer da limitação dos recursos naturais circular tem uma abrangência muito supe- de Engenharia Sanitária e Ambiental
renováveis e não renováveis, assim como rior. Eco-eficiência diz respeito ao processo
da capacidade da ciência e tecnologia para e à otimização do uso de recursos no interior
resolução (ou mitigação) dos impactos. O do mesmo. O paradigma da economia cir-
debate em torno da sustentabilidade dos cular centra-se no sistema, trata-se de uma
modelos de desenvolvimento desde meados abordagem holística e sistémica. A economia
do século passado demonstra a crescente circular pode ser entendida como um novo
preocupação com os limites do modelo paradigma de organização das atividades
económico dominante. económicas e sociais, cuja origem pode ser
O modelo de economia circular, em alter- associada a diversas escolas de pensamento,
nativa ao linear, permite responder a vários desde a ecologia industrial (Frosch & Gallo-
desafios das sociedades atuais: o cresci- poulos); a economia azul (Gunther Paul);
mento demográfico e do consumo (asso- permaculture (Bill Mollison e David Holmgren);
ciado a rendimentos mais altos) e a cres- performance económica (Walter Stahel); bio-
cente necessidade de produção de bens; a mímica (Janine Benyus); desenho regenera-
instabilidade económica, política e social de tivo (John Lyle); cradle to cradle (Michael
fornecedores de matérias-primas impor- Braungart e William McDonough).

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 27


Tema de Capa ECONOMIA CIRCULAR

O objetivo é transformar os modelos atuais Tabela 1 Indicadores de economia circular (Fonte: Eurostat)
de produção e consumo em modelos que:
2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016
promovam a durabilidade e a permanência Emprego em setores circulares (% emprego total)
dos recursos/produtos uma vez extraídos/ UE – – – – 1,68 1,7 1,71 – –
produzidos; privilegiem a recuperação/re- Portugal 1,73 1,76 1,75 1,76 1,76 1,78 1,79 1,81 –
paração em detrimento da substituição; Investimento em materiais circulares tangíveis (% PIB)
promovam a prestação de um serviço em UE – – – – – 0,11 0,11 0,12 –
detrimento do produto no caso de bens Portugal 0,18 0,16 0,14 0,13 0,10 0,10 0,11 0,10 –
duráveis; entre outros. Nesta lógica, pro- Valor acrescentado em setores circulares (% PIB)
move-se a eco-eficácia, isto é, o upcycling UE – – – – 0,98 0,98 1,00 – –
no fim de vida. Portugal 0,77 0,78 0,77 0,73 0,71 0,70 0,73 0,75 –

Contudo, a transição é um processo com- Resíduos por material consumido (%, excluindo minerais)
UE 10,9 – 12,3 – 12,6 – 12,8 – –
plexo, quer pelas atividades, quer pelos
Portugal 6,1 – 7,4 – 7,4 – 8,0 – –
agentes envolvidos. Desde a alteração dos
Taxa de utilização de material circular
mecanismos de financiamento da atividade,
UE – – 10,8 10,4 11,2 11,4 11,4 – –
à alteração do comportamento dos consu-
Portugal – – 2,2 2,0 2,1 2,6 2,4 – –
midores e dos modelos de negócios das
Taxa de reciclagem de materiais (%, excluindo minerais)
empresas, às formas de governação, aos UE – – 53 – 53 – 55 – –
instrumentos de política, para nomear apenas Portugal – – 45 – 47 – 53 – –
alguns. Gerir esta mudança requer conhe- Reciclagem de resíduos urbanos (%)
cimento aprofundado dos agentes e das UE 36,5 37,5 38,3 39,6 41,5 42,2 43,6 45,0 45,8
instituições para, assim, desenhar esquemas Portugal 17,3 19,5 18,7 20,1 26,1 25,8 30,4 – –
que potenciem alterações de comporta- Reciclagem de embalagens – Madeira (%)
mentos e removam barreiras de implemen- UE 38,4 37,7 38,9 38,5 38,8 35,9 38,8 39,8 –
tação do paradigma. A conceção de meca- Portugal 64,5 65,3 66,0 78,0 69,7 98,5 131,5 86,5 –
nismos facilitadores da transição implica, Reciclagem de embalagens – Embalagens (%)

por sua vez, o conhecimento dos compor- UE 60,5 62,5 63,5 63,8 64,7 65,3 65,5 65,7 –
Portugal 61 59,9 55,5 58,4 56,9 61,5 61 57,1 –
tamentos dos agentes e dos seus determi-
Reciclagem de embalagens – Plásticos (%)
nantes.
UE 30,3 32,2 33,2 34,3 35,5 37,2 39,5 40,3 –
Frequentemente, associam-se quatro tipos
Portugal 19,1 25,5 24,5 26,1 30,4 35,3 40,0 43,0 –
de valores à economia circular: o valor de
Reciclagem de resíduos orgânicos per capita
recursos; o valor da informação; o valor
UE 71 70 69 69 72 74 76 78 80
ambiental; e o valor de consumo. O valor Portugal 0 0 32 22 29 23 20 18 18
potencial gerado varia de setor para setor. Reciclagem de resíduos de construção e demolição (%, excluindo minerais)
Se no setor de resíduos elétricos e eletró- UE – – 78 – 86 – 88 – –
nicos, o valor de informação pode ser sig- Portugal – – 58 – 74 – 96 – –
nificativo, no setor da construção serão o Reciclagem de REE (%)
valor de recursos e o valor ambiental os UE – – – 28,7 28,8 29,6 32,2 – –
mais significativos; enquanto no setor ali- Portugal 21,8 24,0 22,8 30,5 24,9 32,3 38,2 42,7 –
mentar e das águas residuais será o valor de
recursos gerados. Contudo, a realização dos clagem e indicadores mais específicos sobre madeira (86,5% era reciclado em 2015, sendo
valores depende, em muitas circunstâncias, emprego, atividade e uso de materiais em a média da UE de 39,8%). Os números re-
da existência de redes intersetorais. É nesta setores circulares. A recuperação de resí- cortados ilustram o valor potencial no âm-
dimensão que a implementação da eco- duos, em média, para todos os materiais bito do aproveitamento dos resíduos en-
nomia circular enfrenta maiores desafios. (excluindo minerais) em Portugal, em 2014, quanto fonte de materiais.
era de apenas 53%. Sendo um valor com- A análise dos indicadores mais específicos
Alguns números sobre o valor parável com a média europeia (55%), ilustra de economia circular vai em linha com a
potencial da economia circular bem o caminho que ainda há a percorrer conclusão anterior. O emprego nos desig-
em Portugal e na Europa no aproveitamento de resíduos. Contudo, nados setores de economia circular (inclui
a análise por fileira de resíduos mostra al- setor da reciclagem, reparação e reutilização)
Com o objetivo de avaliar e acompanhar a guma variedade. Enquanto a taxa de recu- representava em Portugal 1,73% do emprego
evolução dos seus Estados-membros no peração de resíduos de construção e de- total, em 2008, subindo para 1,81% em 2015
âmbito da implementação da economia molição (mineral) é de 96% (média da UE (ligeiramente acima da média da UE), e o
circular, a União Europeia (UE) criou uma 88%), a taxa de reciclagem de resíduos ur- valor acrescentado pelos setores em per-
série de indicadores. Os indicadores suge- banos era de apenas 30% (média da UE centagem do PIB era de 0,75% em 2015 (o
ridos podem ser divididos em dois grupos: 43,6%). No setor das embalagens, destaca- país com melhor comportamento neste in-
produção de resíduos, tratamento e reci- -se o aproveitamento de embalagens de dicador é a Islândia com 1,26% em 2015). A

28 • INGeNIUM Março/Abril 2018


ECONOMIA CIRCULAR Tema de Capa

tivo da compra e não da utilidade gerada,


são lógicas contrárias ao modelo da eco-
nomia circular.
Identificados os processos envolvidos na
transformação, e o valor a ser realizado nos
setores de economia circular, para finalizar
é importante refletir sobre os fatores facili-
tadores da difusão do paradigma da eco-
nomia circular.
Uma transformação que se espera disruptiva
Gráfico 1 C
 omércio internacional de matérias-primas recicláveis – Resíduos e subprodutos (ton.)
e sistémica depende, de forma crucial, do
percentagem de investimento em bens cir- informação sobre a localização e caracte- envolvimento dos stakeholders, desde as
culares tangíveis relativamente ao total é rísticas da procura de serviços. A constituição indústrias e serviços, ao consumo e ao ci-
ainda reduzida: 0,1%. Conclui-se, assim, pelo de redes de consumo colaborativo, na mesma dadão nas suas escolhas diárias. Contudo,
insignificante peso da circularidade na eco- linha, depende de informação detalhada como todas as mudanças disruptivas não
nomia nacional e europeia. Contudo, a per- que compatibilize disponibilidades e von- motivadas por grandes eventos naturais, so-
centagem de uso de materiais circulares tades (oferta e procura). ciais ou económicos, que por si só despo-
relativamente ao uso total era em Portugal Uma questão transversal no desenvolvimento letam a mudança, estas necessitam de fa-
de 2,4% em 2014, sendo a média da UE de de sinergias industriais, na transformação do tores mobilizadores e facilitadores da mu-
11,4%, o que, sendo ainda muito reduzido, produto em serviço e na criação de redes dança. Neste contexto, o contributo do Es-
mostra o potencial de valor a realizar, no- colaborativas de consumo, é a da responsa- tado nas suas várias dimensões (central, local,
meadamente se comparado com os 26,7% bilidade sobre o uso e reintegração do mesmo regional, regulador), assim como o das or-
registados pela Holanda em 2014. em círculos produtivos após esgotado o uso ganizações de investigação e inovação, pro-
Finalmente, parece também relevante ana- principal. No caso das sinergias industriais, a fissionais e sociais, é fundamental. Ao alcance
lisar a evolução do comércio internacional garantia da qualidade dos recursos usados e do Estado está, entre outras, a possibilidade
de produtos recicláveis em Portugal. A maior dos recursos produzidos requer a alteração de (1) remover barreiras fiscais e regulató-
alteração que se regista nos últimos anos de normas de certificação, no sentido de rias; (2) criar, através da regulação, condições
(2008/2016) é o aumento muito significa- uniformizar características, e também na competitivas para os novos materiais, por
tivo das exportações de produtos recicláveis classificação de resíduos para materiais. Igual- exemplo, através das compras públicas; (3)
para fora da UE (um aumento de 240%), se- mente, o consumo partilhado requer sistemas através de instrumentos económicos de in-
guido do aumento de 142% das importações de certificação descentralizados e imediatos. ternalização dos impactos ambientais e so-
de países da UE. O saldo comercial de Por- A transformação da regulação necessária ciais de práticas de produção, distribuição e
tugal, quer com países da UE, quer fora, tem para que a economia circular vingue, pro- consumo lineares, nivelar a concorrência
vindo a desagravar-se ao longo do tempo duzindo valor, é assim disruptiva. com as práticas circulares; (4) contribuir para
(Gráfico 1). Adicionalmente à transformação da regu- o aumento da consciência dos efeitos das
Os dados reportados evidenciam duas con- lação, a todos os stakeholders envolvidos decisões individuais sobre o coletivo e sobre
clusões importantes. Se por um lado, a pre- nos processos são requeridas alterações de a sustentabilidade das mais diversas ações,
sença de elementos de circularidade na comportamentos, de práticas e de modelos através da educação e sensibilização. Às or-
economia nacional e europeia é ainda muito de negócio. Às empresas pede-se que pri- ganizações de investigação e inovação, so-
incipiente, o que pode implicar a existência vilegiem a prestação do serviço e não a licita-se, entre outras, a criação de conhe-
de bloqueios e entraves à sua expansão, venda de produtos, por outras palavras, que cimento fundamental e aplicado que con-
também evidencia o potencial de negócio criem com os consumidores uma relação tribua para a criação de soluções, quer ao
que pode existir nesta área, no médio-longo que os remunera pelo serviço/assistência nível da tecnologia e do produto, quer ao
prazo. Exploram-se, de seguida, as evidên- prestado e assim se estende por períodos nível do desenvolvimento de mecanismos
cias de entraves, mas também de fatores de tempo mais longos. Pede-se também de geração e tratamento de dados, ao nível
potenciadores da implementação da eco- que adotem práticas de eco-design, não só do desenvolvimento de instrumentos (eco-
nomia circular. com o objetivo de maximizar a eficiência nómicos, sociais, legais, etc.) facilitadores da
O desenvolvimento de sinergias industriais no uso de recursos mas também, e funda- transformação de comportamentos e há-
circulares é um exemplo de cooperação/ mentalmente, no sentido de conceberem bitos profundamente enraizados na eco-
coordenação intersetorial, a qual, para ser os seus produtos tendo em vista a sua du- nomia e na sociedade. Por fim, as organiza-
efetiva, depende da existência de informação rabilidade, reparabilidade, desmantelamento ções profissionais e sociais podem desem-
detalhada sobre origem de recursos e des- e aproveitamento de materiais. Aos consu- penhar um papel fundamental na difusão de
tino dos recursos transformados. midores pede-se a alteração dos seus há- informação e formação, contribuindo para
Por razões semelhantes, a transformação bitos de consumo; a partilha e a durabilidade a alteração dos modelos de negócio, para
de modelos de negócio baseados na pro- são desde há muito tempo características a criação de sinergias industriais e, numa
priedade, para modelos de negócio baseados não fomentadas ou privilegiadas. O culto perspetiva social, para a alteração de mo-
no serviço, requer cooperação, mas também da propriedade, do último modelo, o incen- delos de comportamento e consumo.

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 29


Tema de Capa ECONOMIA CIRCULAR

Planear a transição
para uma Economia Circular
1. O PORQUÊ de 24 indicadores que demonstrava a dra-
mática aceleração da atividade humana e
Em 1955, o economista Simon Kuznets acre- os impactes diretos no sistema terrestrei
ditou estar perante uma “lei da física” apli- (Figura 1).
cada à economia, que relacionava desigual- Estes indicadores apenas reforçam as evi-
Inês dos Santos Costa dade salarial/económica e crescimento. Os dências apresentadas pelo MITii, as Nações
Adjunta do Ministro do Ambiente dados recolhidos sugeriam que, à medida Unidasiii ou o Fórum Económico Mundialiv,
Ministério do Ambiente
que o PIB de um país cresce, a desigualdade de que os impactos ambientais estão ine-
primeiro acentuava-se, estabilizava e depois xoravelmente associados ao modelo de de-
diminuía. E, apesar de o autor ter referido senvolvimento económico atual, e persistir
que esta teoria era “5% empírica e 95% es- na sua continuidade terá por consequência
peculação”, a curva de Kuznets tornou-se a falência do sistema que o suporta. Para-
uma verdade quase indiscutível e que ci- fraseando o professor Guy MacPherson, da
mentou o PIB como indicador de cresci- Universidade do Arizona, se cortar todas as
mento por excelência. árvores e as vender o PIB cresce, mas eu
Quarenta anos depois, outros cientistas, não conheço quem consiga contar dinheiro
Grossman e Krueger, também pensaram ter sem respirar.1
encontrado uma relação semelhante entre As Nações Unidas e organizações como a
economia e degradação ambiental – a curva Trucostv já calcularam que, em média, 1/3
Kuznets de ambiente – que, tal como a sua dos danos ambientais globais estão ligados
antecessora, parecia indicar que à medida ao desperdício e sobreutilização de energia
que o PIB crescia, o nível de degradação e 2/3 estão ligados à sobreexploração e uso
ambiental crescia antes de voltar a decrescer. pouco produtivo dos materiais extraídos.
E, uma vez mais, apesar das ressalvas à trans- De facto, 67% das emissões de gases com
versalidade do modelo, a mensagem prin- efeito de estufa estão relacionadas com a
cipal ficou: fica sempre pior antes de ficar produção de materiais básicosvi. E desde
melhor. O que é preciso garantir é que o 2000 a produtividade material da economia
PIB continue a crescer. global tem decrescido – precisamos de cada
Hoje, a realidade já ultrapassou esta as- vez mais recursos para gerar um euro de
sunção. Na véspera do acordo das Nações retornovii.
Unidas para os Objetivos de Desenvolvi- Em 2050 cada cidadão irá exigir 70% mais
mento Sustentável, era publicada uma lista recursos, anualmente, do que no início do
séculoviii e a procura energética será o dobro
da atual. A transição renovável irá exigir dez
vezes mais capacidade instalada. Mais pro-
cura, mais produção, mais materiais.
A escassez de recursos poderá até não ser
o principal constrangimento, mas certa-
mente o mesmo não se poderá dizer dos
impactes ambientais derivados da extração,
consumo intensivo e uso ineficaz desses
mesmos recursos.

2. O QUÊ

A economia está integrada num sistema di-


nâmico que responde e adapta-se de acordo
Figura 1 Indicadores de tendência ambiental (azul) vs. tendências socioeconómicas e não forçosamente numa trajetória que
Fonte: Steffen et al. 2015

1 https://guymcpherson.com/2009/05/time-for-a-revolution

30 • INGeNIUM Março/Abril 2018


ECONOMIA CIRCULAR Tema de Capa

nos favorece. Perante um sistema tão com- sua utilidade e valor económico máximos É difícil equilibrar durabilidade, a posse, o
plexo e dinâmico, o conceito de “desenvol- pelo maior tempo possível (Figura 2). Isso “querer novo” e a manutenção ou a regene-
vimento sustentável” assente no cruzar dos implica, por exemplo, considerar a desma- ração de recursos. Para garantir um win-win
pilares económico, ambiente e social não terialização, o uso partilhado, a reutilização, para produtor e consumidor, há que ter uma
faz sentido. a remanufatura, o uso em cascata de ma- visão sistémica sobre os elementos das ca-
A sociedade e a economia estão imersas no teriais, ou a reciclagem, desde a conceção deias de valor e garantir a sua coordenação,
sistema natural e dele dependem para ma- de produtos, processos e modelos de ne- permitindo a extração de valor em vários
teriais, energia e serviços que possam su- gócio. Deste modo, evita-se a extração de pontos e em vários ciclos. E as ferramentas
portar a sua atividade. Se queremos garantir novos recursos, a produção de resíduos e e estratégias já existem (Figura 3): o design,
prosperidade, o valor desse capital natural reduzem-se as emissões, em ciclos ener- assente numa visão sistémica do produto,
tem de ser integrado como sucesso eco- gizados por fontes de energia renovável. que prepara a reparação, a atualização ou a
nómico. Caso contrário, seremos sempre É importante reforçar que a reciclagem é remanufatura; as tecnologias e novos mo-
ineficientes na sua gestão e menos reativos um dos ciclos neste modelo, sendo mesmo delos de negócio, como o fabrico aditivo, a
a sinais de degradação, sejam eles de cariz considerado o último ciclo porque não pre- servitização, a economia colaborativa, o pla-
social, económico ou ambiental. serva o valor da energia e do trabalho em- neamento e a monitorização inteligente, as-
É preciso tomar decisões que permitam de- bebido no produto, recuperando apenas sente no blockchain, na sensorização, digi-
senhar um modelo económico mais sus- parte do valor do material de origemx. E o talização e na análise de big data; os ciclos
tentável. E existe inspiração: a ciência da desperdício pode também ser estrutural (p.e. reversos, com redes de logística inteligente,
ecologia industrial vê os ecossistemas como o carro parado 92% do tempo, o edifício ou os passaportes de materiais, que permitem
o melhor exemplo de sustentabilidade, ba- ocupado 8 horas/dia, a mala de viagem recuperar e rapidamente os reintegrar em
seado num conjunto de princípios de fun- usada uma vez). vários pontos do sistema económico.
cionamento que incluem a cascata de energia
e o fecho de ciclos materiais através de re- Figura 3 Estratégias de produção numa economia circular Fonte: Baseado em PBL (2017)
lacionamentos entre organismosix. Neste Recusar Tornar o produto redundante, abandonando a sua função ou oferecendo a
contexto, waste equals food, ou seja, não (p.e. digitalizar) mesma função com um produto radicalmente diferente
Produção
existem resíduos mas sim materiais que che- Tornar o uso do produto mais intensivo (p.e. através da partilha, ou produtos
e utilização Repensar
multifuncionais)
gados ao fim da sua função são totalmente inteligente
Aumentar a eficiência na produção ou utilização, consumindo menos recursos
Reduzir
integrados num outro processo, com todo e materiais naturais
Reutilização por outro consumidor ou utilizador do produto descantado que
o sistema a ser suportado por energias re- Reutilizar
ainda está em boas condições e pode cumprir a sua função original
nováveis. Prolongar Reparação e manutenção de produto com defeito de modo a poder ser utilizado
Reparar
A economia circular tem na ecologia indus- a vida útil na sua função original
de produtos Recondicionar Restaurar um produto antigo e atualizá-lo
trial o seu principal constructo científico. Ao e dos seus Utilizar partes/componentes do produto descartado num novo produto com a
invés de um modelo linear que extrai, produz, componentes Remanufaturar
mesma função
consome, acumula e deita fora, num mo- Utilizar o produto descartado (ou partes/componentes de) num novo produto,
Realocar
com diferente função
delo circular há uma gestão mais eficaz de
Processar materiais para obter o mesmo material com a mesma qualidade ou
Aplicações úteis Reciclar
recursos e de energia entre os agentes eco- inferior
de materiais
nómicos, em que os materiais mantêm a Valorizar Recuperação de energia de materiais

Mas é também necessário trabalhar a pro-


moção destas estratégias e ferramentas,
nomeadamente através de um contexto de
políticas que favoreça opções “circulares”.

3. O COMO

Portugal tem um metabolismo económico


lento, isto é, acumulamos recursos num banco
de materiais e somos pouco eficientes e pro-
dutivos na sua gestão. Em 2015, Portugal ge-
rava €1,1 de valor por cada kg de materiais
consumidos, quando a média europeia é de
€2. É verdade que existem muitos fatores a
contribuir para esse desempenho, mas quando,
por exemplo, 53% da estrutura de custos na
indústria transformadora é atribuída a maté-
rias-primas, não há dúvidas que existe espaço
Figura 2 Uma economia circular. Fonte: Fundação Ellen MacArthur, 2015 para progredir. A competitividade por via da

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 31


Tema de Capa ECONOMIA CIRCULAR

produtividade material, integrando princípios pacto interno relevante (p.e. turismo, com- O PAEC não pode, por isso, ser encarado
de circularidade, de neutralidade carbónica pras públicas) e com projeção externa (p.e. como um plano determinístico. Precisa de
e de valorização do território, deve ser in- têxtil, calçado). No segundo caso, destacou- flexibilidade para acomodar a evolução do
centivada. -se a importância das especificidades so- tema, quer a nível nacional, como interna-
São hoje estes os vértices subjacentes às cioeconómicas e naturais de cada região cional. Porque não falamos de um setor mas
políticas em matéria de ambiente. É nessa na promoção de uma economia circular, sim da transformação de um paradigma de
medida que surge o Plano de Ação para a sobretudo em três temas-âncora: simbioses desenvolvimento. Logo, é algo que não pode
Economia Circular em Portugal (PAEC), o industriais, cidades e empresas “bandeira”. determinar-se por decreto, mas que tem de
resultado de um ano de trabalho intermi- As metas para as quais o PAEC concorre já ser trabalhado por todos e com todos os
nisterial entre o Ministério da Ciência, Tec- existem: falamos da redução de emissões agentes económicos.
nologia e Ensino Superior, o Ministério da de gases com efeito de estufa e de produção
Economia, o Ministério do Ambiente e o de resíduos, ou da produtividade material
Ministério da Agricultura, Florestas e Desen- da economia. Mas existem domínios que
volvimento Rural, tendo sido aprovado em ainda não estão contemplados, como a pre-
Conselho de Ministros em 2017 (Resolução venção ou a reutilização, e, para isso, a Co-
do Conselho de Ministros n.º 190-A/2017). missão Europeia encontra-se a trabalhar na
O PAEC é construído sobre os quatro pilares melhoria deste sistema de indicadores.
do Plano de Ação Europeu para uma Eco- Os impactos previstos para 2030 na União
nomia Circular, tendo sido acopladas sete Europeia de medidas de Economia Circular
ações nacionais cujo foco vai desde o de- na mobilidade, ambiente construído e sis-
sign e a reutilização, passando pelo desper- tema agroalimentar, apontam para aumentos
dício alimentar, à investigação e inovação. de 11% do PIB, com 1,8 biliões de euros em
Cada ação contém orientações focadas em poupançasxi e uma redução de 50% das
instrumentos de política pública (p.e. fisca- emissões relativamente a 2015. No emprego
lidade verde, acordos voluntários), mas poderiam ser criados, em média, mais dois
também instrumentos de investimento (p.e. milhões de postos de trabalho.
Fundo Ambiental, Fundo para a Inovação, A Comissão assumiu, assim, o compromisso Referências Bibliográficas

Tecnologia e Economia Circular, Portugal de uma economia circular de baixo carbono i Steffen, W., et al. 2015. The trajectory of the
2020). até 2030, patente na recente comunicação Anthropocene: the great acceleration. The
Anthropocene Review, 2(1), 81-98
Mas esta transição não se pode resumir a do Estado da União de 2017 sobre uma In-
ii Meadows, D. H., Meadows, D. L., Randers, J.,
uma abordagem top-down; é necessário dústria Inteligente, Inovadora e Sustentável.
& Behrens, W. W. (1972). The limits to growth.
motivar a emergência de iniciativas bottom- E essa ambição terá reflexo no próximo ciclo
New York, 102, 27
-up. Assim, o PAEC introduziu um foco se- de investimento, como demonstra a criação
iii Harlem, B. G. 1987. Our common future. United
torial e regional no plano. No primeiro caso, da Plataforma de Financiamento à Economia Nations World Commission on Environment
foram destacados os setores de atividade Circular e Bioeconomia do Banco Europeu and Development
particularmente intensivos em materiais (p.e. de Investimento ou o mais recente Plano iv 
WEF – World Economic Forum. 2018. The
construção, bens de consumo), com im- de Finanças Sustentáveisxii. Global Risks Report 2018
v Trucost. 2013. Natural capital at risk: the top
100 externalities of business.
vi Ecofys, Circle Economy. 2016. Implementing
Circular Economy globally makes Paris Targets
Achievable.
vii Potonick, J. 2017. Global use of natural re-
sources: in crisis or not? Apresentação no World
Circular Economy Forum, Helsinquia
viii UNEP. 2017. Resource Efficiency: Potential and
Economic Implications. A report of the Inter-
national Resource Panel
ix Ehrenfeld, J. R. 2000. Industrial ecology: para-
digm shift or normal science? American Beha-
vioral Scientist, 44(2), 229-244
x 
Webster, K. 2017. The circular economy: A
wealth of flows. Ellen MacArthur Foundation
Publishing
xi EMF. 2017. Achieving Growth Within. Ellen Ma-
cArthur Foundation Publishing
xii Comissão Europeia. 2018. Action Plan: Finan-
cing Sustainable Growth. COM (2018) 97 final
Figura 4 Ações macro, meso e micro. Fonte: Plano de Ação para a Economia Circular em Portugal

32 • INGeNIUM Março/Abril 2018


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Tema de Capa ECONOMIA CIRCULAR

A economia circular
no setor dos resíduos
Enquadramento políticas de eficiência no uso dos recursos,
que são finitos. A economia global está a
O tema da economia circular, a par da di- usar cerca de 1,5 planetas de recursos para
gitalização, tem sido considerado um dos satisfazer as atuais exigências de produção
mais debatidos nos últimos anos e prevê-se e consumo, sendo a este ritmo de cresci-
Luísa Magalhães que seja o tema das próximas gerações. O mento da população necessários quase 3
Diretora Executiva ano de 2015 foi marcado pela apresentação planetas de recursos em 2050. A indústria
da Associação Smart Waste Portugal de estratégias relevantes, em termos inter- europeia, ainda muito dependente do abas-
nacionais, que pretendem mudar o para- tecimento de matérias-primas provenientes
digma da atual sociedade de consumo li- de mercados exteriores, tem apenas 9% da
near, que se caracteriza por “extrair, trans- capacidade interna para as 54 matérias-
formar, consumir e descartar”, promovendo -primas essenciais, com tendências a longo
a transição para uma sociedade assente nos prazo de inflação e volatilidade de preços.
conceitos da economia circular. Adicionalmente, o consumo excessivo de
Desta forma, para cumprir o Acordo de Paris, matérias-primas é também acompanhado
atingir os 17 Objetivos de Desenvolvimento por uma grande produção de resíduos, sendo
Sustentável das Nações Unidas e acompa- a nível mundial gerado um volume de 11 mil
nhar e desenvolver as estratégias e iniciativas milhões de toneladas de resíduos por ano,
patentes no Plano de Ação para a Economia dos quais apenas 25% são recuperados e
Circular da União Europeia, é fundamental encaminhados para o sistema produtivo,
que haja uma redução no consumo de ma- havendo ainda uma grande quantidade de
térias-primas e na produção de resíduos, resíduos que não é recuperada e que tem
adotando-se assim medidas que promovam como destino o aterro.
uma maior circularidade na economia. Para além da necessidade de cumprir as
Num momento em que a população mun- metas europeias, os argumentos anterior-
dial cresce a um ritmo acelerado, prevendo- mente enumerados são por si só suficientes
-se que em 2050 se atingirá 10 mil milhões para que seja necessária uma mudança ur-
de habitantes, é urgente que haja uma mu- gente para um modelo económico mais
dança de paradigma e que se promovam circular. Desta forma, devem ser promovidos

34 • INGeNIUM Março/Abril 2018


ECONOMIA CIRCULAR Tema de Capa

círculos fechados de reutilização dos ma- cular é elevada. Segundo o estudo, no ano sociados, a dinamização de cinco grupos
teriais, desenvolvidos produtos com uma de 2013, o setor dos resíduos registou uma de trabalho sobre os seguintes temas: Com-
maior duração e resistência ao reprocessa- intensidade das despesas em I&D de 0,7%, bustíveis Derivados de Resíduos; Recolha
mento, promover o uso em cascata dos sendo necessário o reforço desta posição. de Resíduos; Compostos dos Resíduos Ur-
materiais por várias indústrias, pensar no Decorre, ainda, do estudo, que os setores banos; Resíduos de Construção e Demo-
eco-design dos produtos, terminando-se de fabricação de máquinas, equipamentos lição; e Desperdício Alimentar. Outras áreas,
com o conceito de “fim de vida”. Os resí- e material de transporte, da construção, das como os plásticos, o têxtil e os bio-resíduos,
duos devem ser considerados como sendo indústrias metalúrgicas de base e produtos são também prioritárias para serem traba-
matérias-primas, preservando-se o capital metálicos e do comércio e serviços, são lhadas em conjunto pela Associação.
natural e extraindo menos recursos. considerados como os de maior oportuni- A Smart Waste Portugal tem promovido a
dade de circularidade. Seguem-se outros produção e divulgação de conhecimento,
O peso e a relevância do setor como o setor das indústrias extrativas, o das a cooperação, o fomento do I&D e a trans-
dos resíduos em Portugal indústrias alimentares, bebidas e tabaco, o ferência do conhecimento (integra candi-
dos minerais não metálicos, o das indústrias datura para Laboratório Colaborativo de
A Associação Smart Waste Portugal pro- da moda (têxtil, vestuário e calçado) e o das Economia Circular), dando dimensão e força
moveu o desenvolvimento de um estudo indústrias químicas, farmacêuticas, da bor- ao setor dos resíduos, destacando-se, em
pioneiro sobre a “Relevância e o impacto racha e dos plásticos. seguida, duas iniciativas:
do setor dos resíduos na perspetiva de uma Portugal está na linha da frente na transição › Estudo sobre “Caracterização da produção
economia circular”, elaborado pela consul- para a economia circular, tendo apresen- da fração resto em Portugal e avaliação
tora Augusto Mateus & Associados. O es- tado o “Plano de Ação para a Economia potencial de valorização”: analisou a si-
tudo visa aprofundar o conhecimento sobre Circular em Portugal: 2017-2020”, que cons- tuação atual e identificou novas opções
o setor dos resíduos em Portugal, a sua di- titui o primeiro documento de estratégia de valorização para este tipo de resíduos
mensão e o impacto económico, consti- pública a procurar garantir que os princípios em Portugal, contribuindo para o desvio
tuindo-se como um documento estratégico de economia circular, assumidos como ba- de aterro da fração resto dos resíduos
e uma base de suporte à Associação e aos silares na política europeia, sejam aplicados. urbanos (cerca de 1,6 milhões de tone-
seus associados, que ajude a definir a sua Este Plano de Ação, à semelhança do eu- ladas). Este documento foi entregue ao
atuação no sentido de uma maior circula- ropeu, identifica áreas prioritárias de atuação, Secretário de Estado do Ambiente como
ridade da economia portuguesa. que vão também ao encontro das indicadas contributo para a revisão do PERSU 2020,
De acordo com o estudo, a economia na- pelo estudo promovido pela Associação que está a decorrer neste momento;
cional gerou, em 2016, 14,8 milhões de to- Smart Waste Portugal. › Projeto “Construção Circular”: tem como
neladas de resíduos (33% resíduos urbanos objetivo a sensibilização para a proble-
e 67% resíduos setoriais). Foram valorizados Algumas iniciativas mática dos Resíduos de Construção e
71% e 29% foram depositados em aterro. Na da Smart Waste Portugal Demolição em Portugal e a sua incorpo-
perspetiva da economia circular, este ele- ração na cadeia de valor, através de ações
vado volume de resíduos não valorizados de sensibilização para empresas no setor
constitui não só um enorme desperdício e da construção e gestão de resíduos, téc-
um problema ambiental, mas por outro lado nicos das autarquias e arquitetos e enge-
também uma oportunidade económica per- nheiros em formação, apoiando a sua
dida e de criação de valor. interação, de forma a promover uma or-
De destacar que é nos resíduos setoriais, A Associação Smart Waste Portugal, criada ganização da cadeia de valor mais sus-
em que já existem fileiras organizadas a fun- em 2015, tem como missão potenciar o re- tentável, em linha com os princípios da
cionar, que as atividades de valorização têm síduo como recurso, atuando em toda a ca- economia circular.
vindo a crescer, chegando a próximo dos deia de valor, promovendo a investigação,
82% em 2016, tendo um posicionamento a inovação, o desenvolvimento e a imple- Apesar de o tema da economia circular estar
positivo no âmbito europeu, considerando mentação de soluções, potenciando e in- na ordem do dia, de o Plano de Ação do
assim relevante a criação de novas fileiras centivando a cooperação. A Associação Governo estar em cima da mesa, de o Fundo
de resíduos. conta neste momento com cerca de 90 as- Ambiental estar a apoiar muitas iniciativas,
O setor da gestão dos resíduos em Portugal, sociados, sendo 35% representantes do setor ainda falta uma visão holística e sistémica
que inclui a recolha, valorização, tratamento da gestão de resíduos, 16% da indústria e em torno da economia circular. A capaci-
e eliminação, cresceu significativamente nos distribuição, 17% universidades e centros de tação, o financiamento, a inovação e o apro-
últimos anos. E, em 2016, era composto por investigação, 15% empresas de consultadoria fundamento de uma estratégia coletiva, são
2.542 entidades, empregava 24.919 traba- e de serviços, 11% associações, entre outros. áreas fundamentais para que o setor da
lhadores, faturou quase 2,5 mil milhões de Esta rede pode ser uma mais-valia na tran- gestão de resíduos e a indústria nacionais
euros e teve um VAB de cerca de 717 mi- sição para a economia circular, promovendo estejam preparados e acompanhem esta
lhões de euros. o diálogo, as sinergias e a inovação, sempre transição. A Associação Smart Waste Por-
A importância da I&D e da inovação no fecho na perspetiva de criação de valor. tugal está preparada para ter um papel re-
dos ciclos dos materiais e na economia cir- A Associação está a promover, com os as- levante neste processo.

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 35


Tema de Capa ECONOMIA CIRCULAR

Oportunidades
para a Economia Circular
nos serviços de águas

P
orquê a economia circular nos ser- aos desafios das alterações climáticas e do
viços de águas? crescimento demográfico. Contudo, essa
Uma das principais mensagens do evolução tem sido condicionada por uma
Fórum Mundial da Água, realizado há um regulamentação por vezes bloqueante e por
mês em Brasília, é a necessidade de prio- condições de mercado pouco claras e, con-
Jaime Melo Baptista rizar a economia circular no ciclo urbano sequentemente, pouco incentivadoras.
Investigador-Coordenador do LNEC – da água, aproveitando em simultâneo água,
– Laboratório Nacional de Engenharia Civil
materiais e energia. Efetivamente, o modelo Quais os fatores impulsores da economia
Coordenador do LIS-Water –
– Lisbon International Centre for Water tradicional de “extrair, transformar, consumir circular?
Presidente do Conselho Estratégico da PPA – e rejeitar” é crescentemente considerado Há que encontrar novos caminhos e pro-
– Parceria Portuguesa para a Água incompatível com o desenvolvimento sus- cedimentos para promover a economia cir-
tentado. Por razões ambientais, sociais e cular na água, nos materiais e na energia,
também económicas, há que assegurar o que são indissociáveis. Há que identificar
crescimento e o desenvolvimento sem pro- incentivos regulatórios e de mercado que
vocar o esgotamento e a degradação de contribuam para aumentar e acelerar esses
recursos finitos, como a água. novos caminhos e procedimentos.
Os serviços de águas – abastecimento de Os comportamentos e as solicitações dos
água e gestão de águas residuais e de águas consumidores serão agentes crescente-
pluviais – podem e devem ser motores da mente conscientes e ativos na promoção
economia circular. Estes serviços têm vindo da economia circular na água, passando,
já a adotar tecnologias e práticas no sentido por exemplo, a gerir melhor a água e a
da economia circular, face à regulamen- energia em suas casas. A indústria tenderá
tação mais exigente e à inovação científica a ser consumidora da água, dos materiais,
e tecnológica e também para responderem anteriormente designados resíduos, e da

36 • INGeNIUM Março/Abril 2018


ECONOMIA CIRCULAR Tema de Capa

energia que resultam da indústria da água, mento de materiais nas estações de trata- produção de calor com instalação de per-
com exigências específicas de quantidade mento de águas residuais e de água potável. mutadores de calor nos coletores de águas
e de qualidade. A atual forma de conceber É desejável a utilização de água usadas e usadas, que “transporta” as perdas de energia
as infraestruturas de águas, que presente- das lamas para agricultura, quer como fer- nas habitações. É viável a produção de
mente não incentiva a economia circular, tilizante (azoto e fósforo), quer como con- energia, produzindo gás, eletricidade e calor,
vai evoluir para permitir o uso eficiente e a dicionador do solo (matéria orgânica), após a partir de lamas tratadas de águas usadas
recuperação de materiais e reduzir o con- tratamento adequado. É possível o uso de por pirólise, produzindo gás e escórias, com-
sumo de energia e desperdício. A regula- nutrientes das águas usadas como fertili- bustão, produzindo eletricidade e cinzas,
mentação ambiental e não ambiental tem zante não agrícola, por exemplo, para par- geração de biogás, produzindo gás e lamas,
que evoluir para incentivar a economia cir- ques e golfes. É viável o uso de lamas de e gaseificação, produzindo gás. É ainda pos-
cular. A economia a níveis urbana e de bacia águas usadas para construção de bases de sível o uso de aerogeradores, painéis solares
hidrográfica vai incentivar a procura e a estradas e campos de golfe e para fabrico e geotermia para produção de energia verde,
oferta a estas escalas. A inovação nesta área de betão e tijolos, misturados com outros em alternativa ou complemento à de origem
vai naturalmente aumentar, pois tem um materiais. Pode ainda haver a adição de re- fóssil, reduzindo custos e aumentando a
papel essencial na evolução para a eco- síduos orgânicos às lamas de água usadas, segurança face à flutuação dos preços da
nomia circular. na digestão anaeróbia, por exemplo, resí- energia da rede.
duos de produção de alimentos e bebidas,
Que formas assume a economia circular de restaurantes e supermercados, gorduras Em conclusão
em termos de água? e a fração orgânica domiciliar. É possível a O atual sistema centralizado e linearizado
É possível investir em medidas de conser- produção de plástico biodegradável, similar dos serviços de abastecimento de água e
vação a montante e controlo de poluição, ao polipropileno, a partir de bactérias das de gestão de águas residuais implica ele-
que reduzem custos operacionais de trata- águas usadas e de algas produzidas com vados custos de investimento, nomeada-
mento, e em infraestruturas naturais (verdes), água usadas. Tem sido estudado o aprovei- mente de transporte, utiliza intensamente
que reduzem custos de investimento e per- tamento de celulose das águas usadas mu- os recursos hídricos, pois a água é utilizada
mitem tratamento, controlo de temperatura, nicipais para a indústria de papel, o fabrico uma só vez, consome muita energia no
minimização de sedimentos, retenção plu- de asfaltos e de tubagens e para secagem transporte e no tratamento, tem dificuldade
vial, redução de cheias, captura de carbono de lamas. É possível a extração de proteínas em ser implementado faseadamente, origi-
e produção alimentar. É desejável a reci- de águas usadas para alimentação de gado. nando capacidade ociosa e está habitual-
clagem de águas residuais cinzentas para a Tem sido equacionada a extração de metais mente desintegrado no desenho urbano.
agricultura e aquacultura e para água não e minerais valiosos das águas usadas, por Mas atualmente existe tecnologia para tratar
potável a nível domiciliar ou de pequenas exemplo, da galvanização e anodização, a água de origens alternativas, salgadas, sa-
comunidades, para reduzir a procura de para laboratórios e indústria química, e lobras ou de menor qualidade, multiplicando
água, embora exija tratamento e tenha custos mesmo a extração de produtos das águas origens de água mais próximas dos centros
adicionais. É possível a reutilização de águas usadas para a indústria farmacêutica, hos- urbanos e reduzindo custos de transporte
residuais negras para a agricultura e aqua- pitalar e de suplementos alimentares. É ainda e distribuição; existe tecnologia para reuti-
cultura, para reduzir a procura de água e possível a reutilização de gases das águas lizar águas residuais em ciclos sucessivos,
aproveitar nutrientes, embora também im- usadas, como azoto amoniacal, enxofre, em locais relativamente próximos da utili-
plique custos adicionais de tratamento e metano e dióxido de carbono. zação; e sabemos produzir energia a partir
principalmente de transporte para os ter- das águas residuais, transformando os ser-
renos agrícolas. É possível a reutilização de Que formas assume a economia circular viços de águas de grandes consumidores
água para a indústria, para reduzir a procura em termos de energia? em produtores de energia. É, pois, viável
de água, podendo ser utilizada em processos É indispensável a redução do consumo de uma mudança de paradigma! E não é por
de arrefecimento, aquecimento, lavagem e energia por otimização da operação das acaso que o recentemente criado LIS-Water
mistura, desejavelmente com utilização se- estações de tratamento, por exemplo, no – Lisbon International Centre for Water tem
quencial em cascata, aproveitando as águas arejamento e nos tanques de digestão, e a economia circular como um dos princi-
função da sua qualidade. É até possível em das redes de distribuição. É desejável a con- pais eixos de atividade.
algumas situações a recolha da água da servação de energia e sua recuperação na Os futuros sistemas tendencialmente semi-
chuva a nível domiciliar ou de pequenas habitação, com utilização de equipamentos -centralizados de serviços de águas permi-
comunidades, reduzindo a procura de água, mais eficientes, como máquinas de lavar, e tirão igualmente um serviço de qualidade,
as cheias, a erosão do solo e a contami- de permutadores de calor para chuveiros, mas utilizarão menos recursos hídricos do
nação das águas superficiais com fertilizantes pois o aquecimento de água é o maior con- que atualmente, utilizarão menos energia e
e pesticidas. sumidor de energia na habitação. É por vezes permitirão a recuperação de materiais, como
viável a produção de eletricidade a partir de nutrientes. Estes sistemas podem ser imple-
Que formas assume a economia circular sistemas de distribuição, com utilização de mentados faseadamente, de acordo com
em termos de materiais? microturbinas para produção de energia em as necessidades, e valorizar o espaço urbano
É essencial aumentar a eficiência, quer na sistemas de adução e de distribuição com na forma de lagos artificiais de armazena-
utilização de recursos, quer no aproveita- excesso de pressão. É também possível a mento, autopurificação e lazer.

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 37


Tema de Capa ECONOMIA CIRCULAR

Contributo do PO SEUR
para a Economia Circular

O
PO SEUR – Programa Operacional energética, nas vertentes da eficiência e do
Sustentabilidade e Eficiência no crescimento da produção de energias re-
Uso de Recursos foi criado através nováveis, visando o cumprimento das po-
da Decisão de Execução da Comissão Eu- líticas públicas do setor.
ropeia de 16 de dezembro de 2014 e é um Assim sendo, a estratégia para o PO SEUR
Helena Pinheiro de Azevedo dos 16 Programas criados para a operacio- alude a uma perspetiva multidimensional da
Presidente da Comissão Executiva nalização da Estratégia Portugal 2020, pre- sustentabilidade assente em três pilares es-
do PO SEUR – Programa Operacional
Sustentabilidade e Eficiência
tendendo contribuir para o Crescimento tratégicos que estão na origem dos três
no Uso de Recursos Sustentável e para responder aos desafios Eixos de Investimento do Programa:
de transição para uma economia de baixo › Eixo 1 – Apoiar a transição para uma eco-
carbono, assente numa utilização mais efi- nomia com baixas emissões de carbono
ciente de recursos e na promoção de uma em todos os setores;
maior resiliência face aos riscos potenciados › Eixo 2 – Promover a adaptação às alte-
pelas alterações climáticas. rações climáticas e a prevenção e gestão
Os objetivos a alcançar no domínio da Sus- de riscos;
tentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos › Eixo 3 – Proteger o ambiente e promover
visam a antecipação e a adaptação europeia a eficiência dos recursos.
às grandes mudanças globais, no âmbito da
energia, das alterações climáticas e do uso O Programa tem até na sua designação, e
mais eficiente dos recursos numa perspe- na sua génese/missão, a referência ao con-
tiva dinâmica, que relaciona competitividade tributo para a promoção da eficiência no
e sustentabilidade. Portugal está profunda- uso de recursos, através de diversas áreas
mente empenhado na transformação es- de intervenção que têm uma relevância sig-
trutural do seu modelo de desenvolvimento, nificativa para a economia circular e para a
procurando desta forma criar condições economia verde.
para uma maior coesão e convergência no Como tal, o PO SEUR contribui para cata-
contexto europeu. lisar as atividades da economia circular, de
O PO SEUR assume-se como tributário de forma direta, através do apoio aos projetos
parte da Agenda Valorização do Território, que visam a produção de energia através
prosseguida no período 2007-2013 e a qual de fontes renováveis e a redução do con-
foi em parte financiada pelos Fundos Estru- sumo de fontes de energia primárias (tone-
turais e de Coesão, ganhando uma maior ladas equivalentes de petróleo), o que é
abrangência com a integração da dimensão suscetível de reduzir a extração de recursos

38 • INGeNIUM Março/Abril 2018


ECONOMIA CIRCULAR Tema de Capa

naturais finitos, sem comprometer o cres-


cimento da atividade económica e o bem-
-estar da população. Contribuem para este
efeito os projetos que visam aumentar os
níveis de Eficiência Energética e a utilização
de energias renováveis na habitação privada
(associada à regeneração das zonas urbanas
a reabilitar, através do IFRRU 2020), na Ad-
ministração Central e nos Transportes Pú-
blicos Coletivos de Passageiros (através da
substituição de frotas a diesel por frotas que
usem combustíveis mais limpos e com in- cuito económico como matérias-primas aqui estamos a promover a redução da ex-
corporação de uma parcela superior de secundárias, ganhando uma nova vida e tração de água bruta para o abastecimento
energias renováveis, nomeadamente auto- evitando o consumo de recursos naturais de água e permitir a reutilização das águas
carros elétricos, a gás natural e a hidrogénio). primários subtraídos à natureza, deixando residuais tratadas, contribuindo assim para
O PO SEUR contribui também para o incre- ainda de contaminar o ambiente através da uma maior sustentabilidade financeira e am-
mento da Mobilidade Elétrica, através do redução da deposição de resíduos em aterro, biental do setor.
apoio à modernização e completamento que são também territórios finitos. A dotação global de Fundo de Coesão pre-
dos postos de carregamento elétrico da Quando o PO SEUR financia investimentos vista no PO SEUR para projetos que visam
Rede Pública MOBI.E. com vista ao aumento da reciclagem e va- a Gestão Eficiente do Ciclo Urbano da Água
Estes setores – Habitação, Administração lorização de resíduos urbanos está a desen- ronda os 600 milhões de euros.
Pública e Mobilidade Urbana Sustentável – volver o mercado em geral da reciclagem Podemos afirmar que o PO SEUR contribui
Transportes Públicos e Mobilidade Elétrica dos resíduos, uma vez que através dos equi- também, de forma indireta, para a economia
– correspondem aos maiores consumidores pamentos e infraestruturas cofinanciados circular das empresas, uma vez que ao fi-
nacionais de fontes de energia primária, vão ser “preparados para reutilização e re- nanciar projetos de investimento em in-
prevendo-se que com estas intervenções ciclagem” toneladas adicionais de resíduos fraestruturas e equipamentos em todas as
apoiadas pelo PO SEUR, e também pelos recicláveis que irão ser posteriormente en- áreas de intervenção do Programa, estamos
Programas Operacionais Regionais (Eficiência caminhados pelos sistemas de gestão de a contribuir para o desenvolvimento da eco-
Energética nas Empresas, na Administração resíduos urbanos para as empresas de re- nomia verde e da economia circular através
Local e na Habitação Social), se reduza con- ciclagem, que, por sua vez, irão transformar da potenciação de novas oportunidades de
sideravelmente o consumo energético e se os materiais existentes nos resíduos urbanos investimento e desenvolvimento de solu-
aumente a utilização de fontes de energia (papel, cartão, vidro, metal, plástico) em ções técnicas inovadoras, uma vez que os
renováveis, reduzindo simultaneamente o novos produtos, reduzindo assim o con- beneficiários do PO SEUR, maioritariamente
nível de emissões de gases com efeito es- sumo das matérias-primas. públicos, para realizarem os seus projetos
tufa (CO2), contribuindo, assim, para a “des- Por sua vez, a indústria da reciclagem, cons- recorrerão às empresas privadas que operam
carbonização da economia em todos os tituída por empresas privadas, será também no mercado para fornecerem os serviços,
setores”. catalisada pelos investimentos cofinanciados, estudos técnicos e equipamentos e reali-
A dotação global indicativa de Fundo de embora de forma indireta, uma vez que re- zarão as empreitadas para a concretização
Coesão prevista no PO SEUR para projetos ceberá mais matéria-prima para reciclar, destes projetos, o que contribuirá para o
que visem a promoção da Produção de criando assim novas oportunidades de ne- aumento da atividade dessas empresas e,
Energia por Fontes Renováveis e para a Efi- gócio e aumentando o seu volume de tra- consequentemente, para a criação de em-
ciência Energética nos domínios referidos balho. prego especializado.
ascende a 630 milhões de euros. A dotação global indicativa de Fundo de Sempre que existem ganhos ambientais
O Programa contribui ainda para a desig- Coesão prevista no PO SEUR para projetos existem ganhos económicos para a socie-
nada “Economia Circular”, de forma direta, de Valorização de Resíduos Urbanos as- dade (externalidades positivas), que são tidos
através das intervenções no domínio da Va- cende a 306 milhões de euros. em conta no âmbito da análise económica
lorização de Resíduos Urbanos, por via do No âmbito do Ciclo Urbano da Água, pre- dos projetos e da avaliação custo-benefício
cofinanciamento do Fundo de Coesão a tende-se sobretudo resolver as situações que os projetos de maior dimensão de custo
projetos que visem o aumento da recolha de deficiente tratamento das águas residuais total de investimento têm que apresentar
seletiva de Resíduos Urbanos (papel e cartão, urbanas, para deixarem de contaminar o nas candidaturas. À partida, e face ao teor
vidro, plásticos e outros) e da separação dos ambiente e promover uma gestão mais efi- do Programa e seus eixos de atuação, os
materiais resultantes da recolha indiferen- ciente dos sistemas de abastecimento de projetos de uma forma geral têm sempre
ciada e do seu tratamento e valorização nas água e de saneamento de águas residuais, subjacente uma lógica de ganhos ambien-
unidades de tratamento mecânico e bioló- nomeadamente para reduzir as elevadas tais associados a ganhos económicos, no-
gico, gerando desta forma um aumento perdas de água nas redes atuais e promover meadamente na criação e melhoria da qua-
significativo dos materiais disponíveis para a reutilização de água residual tratada e va- lidade do ambiente e de vida das popula-
reciclagem, que poderão reentrar no cir- lorização de lamas de ETA e de ETAR. Também ções.

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 39


Tema de Capa ECONOMIA CIRCULAR

A aplicação da ISO 14001:2015


para a implementação
de estratégias circulares
mas também das metodologias assumidas sua relação com as partes interessadas.
pelas organizações. Algumas dessas normas, baseadas também
A grande maioria das organizações tem de- numa metodologia de avaliação do ciclo de
finidas as suas estratégias tendo como base vida, têm como objetivo atuar nas várias
o princípio da economia linear de extrair- fases/etapas da cadeia de valor e na cadeia
Pedro Fernandes -transformar-usar-rejeitar. Agora que este de fornecimentos das organizações, de
Gestor Comercial princípio não se mostra benéfico para a modo a concretizar as metas da economia
APCER nossa sustentabilidade existe a necessidade circular. Assim, as ações e as medidas a
de redefinir a cadeia de valor e as metodo- tomar pelas organizações deverão atuar na
logias e procedimentos de modo alcançar produção, prestação de serviço, consumo,
a economia circular e a sustentabilidade. aprovisionamento responsável de matérias-

A
adoção de estratégias de economia Seguindo orientações definidas por políticas -primas primárias, gestão de resíduos, con-
circular a nível global, europeu e europeias e iniciativas legislativas, as orga- versão de resíduos em recursos – matérias-
nacional [por exemplo: “Os 17 Ob- nizações começam a talhar o seu caminho -primas secundárias, consumidores, ino-
jetivos de Desenvolvimento Sustentável de convergência para este princípio, mas vação e investimento, tentando abranger
(ODS)”, o Acordo de Paris para as Alterações existem também outras ferramentas que ao máximo as etapas sobre influência da
Climáticas, “Fechar o ciclo – Plano de ação podem ajudar a estimular e acelerar este organização (direta ou indireta).
da UE para a economia circular”, Plano Na- processo e a fazê-lo de maneira a afetar o A ISO (International Organization for Stan-
cional para a Economia Circular (PNEC) e a menos possível os objetivos definidos para dardization) tem desenvolvido várias normas
alteração do Código dos Contratos Públicos a cadeia de valor. para assimilação da sustentabilidade e o
(CCP) em Portugal] traz consigo a necessi- Entre estas ferramentas podemos encontrar desenvolvimento sustentável na gestão es-
dade de adaptação das políticas centrais e normas desenvolvidas como auxiliares de tratégica das organizações, tendo inclusive
também das políticas setoriais e empresa- gestão das organizações que permitem a criado orientações para a integração destes
riais. Novos objetivos e a necessidade de assimilação dos princípios da sustentabili- princípios nas próprias normas e no seu de-
tomada de ações de âmbito comum im- dade e da economia circular nas suas polí- senvolvimento (ISO Guide 82:2014 – Gui-
plicam uma mudança não só de mentalidade ticas, procedimentos, metodologias e na delines for addressing sustainability in stan-
dards).
Entre as várias existentes, a que as organi-
zações podem recorrer, podemos encontrar:
› ISO 20400:2017 – Sustainable procure-
ment – Guidance;
› ISO 20121:2012 – Event sustainability ma-
nagement systems – Requirements with
guidance for use;
› ISO 14001:2015 – Environmental mana-
gement systems – Requirements with
guidance for use;
› ISO 50001:2011 – Energy management
systems – Requirements with guidance
for use;
› ISO 14006:2011 – Environmental mana-
gement systems – Guidelines for incor-
porating eco-design.

Destas normas, aquela mais difundida e mais


aceite pelas organizações é a ISO 14001:2015,
que foi adotada e traduzida em Portugal
pela NP EN ISO 14001:2015. Esta versão de

40 • INGeNIUM Março/Abril 2018


ECONOMIA CIRCULAR Tema de Capa

2015 trouxe alterações significativas preci-


samente no que concerne a orientações
para a utilização de metodologias em con-
fluência com a economia circular. Esta norma
veio clarificar algumas intensões da versão
anterior e intensificar a integração da gestão
ambiental na gestão estratégica da organi-
zação, procurando acelerar o processo de
adaptação à nova realidade e à necessidade
da sustentabilidade na nossa vida.
A avaliação do ciclo de vida, a análise de
contexto e a relação com as partes interes-
sadas são alguns dos conceitos mais enfa-
tizados:
› A análise de ciclo de vida estimula a aná-
lise do risco ao longo da cadeia de forne-
cimento. Permite a gestão mais sustentável
das organizações e é uma ferramenta im-
portante no controlo dos impactes da or-
ganização, sejam eles anteriores à atividade
da organização, sejam eles posteriores à plica um conhecimento dos intervenientes Na altura de definir os objetivos da organi-
intervenção da organização. Minorando o na cadeia de valor da organização, in- zação, quando se desenvolve um produto
impacto do ciclo de vida dos produtos e cluindo os vários níveis na cadeia de for- ou serviço, a ISO14001:2015, através da
serviços gerados, vamos assim ao encontro necimento. Este conhecimento permite perspetiva de avaliação do ciclo de vida,
da economia circular. aferir o grau de influência que a organi- pode ajudar na consideração dos seguintes
A metodologia a aplicar pode seguir as zação tem sobre os impactes e a capa- aspetos:
orientações das normas: cidade de minimização dos mesmos. Estas › A manutenção dos ecossistemas que as-
• NP EN ISO 14044:2010 (ISO 14044:2006) partes interessadas podem incluir as en- seguram a existência das matérias-primas;
– Gestão ambiental, Avaliação do ciclo tidades oficiais, clientes, fornecedores, › A gestão dos vários recursos utilizados
de vida, Requisitos e linhas de orien- população na envolvente da organização, no processo de produção e logística;
tação; consumidores finais e todos aqueles que › A gestão dos resíduos decorrentes do
• NP EN ISO 14040:2008 (ISO 14040:2006) interagem com a organização (direta ou processo de produção;
– Gestão ambiental, Avaliação do ciclo indiretamente). › Os impactos ambientais decorrentes do
de vida, Princípios e enquadramento. O processo de comunicação com as partes consumo do bem e da prestação do ser-
› A análise de contexto permite à organi- interessadas deverá ser adaptado con- viço;
zação ter consciência das alterações em soante o tipo de interação com a organi- › O destino final dos produtos após con-
seu redor: as suas fraquezas e os seus zação e a importância para esta, de modo sumo ou após o fim de linha (reutilização).
pontos fortes, as ameaças e as oportuni- a facilitar a troca de informação, agilizar
dades. Conhecendo bem a sua realidade a tomada de ações, reforçar as sinergias As organizações que já tem sistemas de
e contexto será mais fácil definir objetivos e parcerias no sentido de potenciar as gestão ambiental, certificados ou não, po-
e os recursos para os alcançar. políticas da economia circular. derão, através da ISO14001, como ferramenta,
A fase de definição de recursos é uma moldar a sua gestão estratégica com vista a
excelente oportunidade para aplicação A ISO 14001:2015 focaliza igualmente na adaptação para a economia circular, gerando
dos princípios da economia circular: re- necessidade de controlo (monitorização, poupanças muito significativas, criando em-
posição do valor natural através da re- medição, controlo operacional) dos impactes pregos diretos e indiretos (p.e. na gestão de
dução, reutilização, recuperação e reci- dos seus aspetos ambientais ao longo do resíduos, na gestão de efluentes) e permi-
clagem dos recursos usados (materiais e seu ciclo de vida. Pode ser posto em prática tindo, simultaneamente, a redução das emis-
energia), prolongando o seu tempo de através do controlo na cadeia de forneci- sões de gases de efeito de estufa e do im-
vida no sistema, aplicação do eco-design, mento (monitorização, avaliação, auditorias pacto do ciclo de vida das suas atividades,
da eco-inovação e do marketing verde, a fornecedores), através de medidas de pre- sem perderem a competitividade e respon-
entre outros, melhorando os processos venção dos resíduos, efluentes e do con- savelmente se posicionarem no mercado e
existentes, tornando-os mais eficientes e sumo energético. A tecnologia existente já prosperarem.
com maior valor acrescentado para a so- permite uma produção mais limpa e efi- Assim, a convergência para este objetivo
ciedade – eficiência e otimização de re- ciente e há uma oferta de novas tecnologias comum torna-se mais simples e permite que
cursos, o que não implica uma perda de para redução dos impactes das atividades mais rapidamente se mude o paradigma da
competitividade. da organização que permitem que o con- nossa sociedade para um desenvolvimento
› A relação com as partes interessadas im- trolo seja mais simples e eficaz. mais sustentável e sem desperdício.

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 41


Tema de Capa ECONOMIA CIRCULAR

Oportunidades na transição
para a economia circular
surgir com a transição das empresas para colmatar a falha no cumprimento de metas
um modelo de economia circular. A circu- de redução de emissões de GEE. A adoção
laridade da economia abre várias oportuni- de estratégias para as empresas entrarem
dades no desenvolvimento de estratégias, na economia circular exigirá maior respon-
produtos, processos e modelos de negócio, sabilização nas suas atividades e a integração
mas levanta também preocupações ao nível equilibrada do desempenho económico,
António Albuquerque
da sua implementação junto de empresas, inclusão social e resiliência ambiental.
Presidente do Conselho Nacional
do Colégio de Engenharia do Ambiente em especial das PME, devido às dificuldades Um dos grandes desafios do modelo de
da Ordem dos Engenheiros de financiamento e à necessidade de res- economia circular será o de agregar os vá-
truturação da política fiscal e clarificação do rios intervenientes das cadeias de valor em
enquadramento legal. torno das oportunidades para o uso eficiente
O modelo de economia circular pretende e produtivo de recursos. Será necessário

A
manter-se o atual ritmo de consumo atender as necessidades de desenvolvimento reestruturar os processos produtivos nas
de recursos naturais e de produção da sociedade com minimização do impacte empresas, com inclusão de tecnologia ino-
de resíduos líquidos e sólidos e de ambiental das atividades económicas, no- vadora, criar mecanismos colaborativos entre
gases com efeito de estufa (GEE), em 2050, meadamente na redução da extração de os centros de investigação, as empresas e
para uma população esperada de 9,8 mil matérias-primas e de emissões de GEE, os consumidores, em suma, criar uma men-
milhões de pessoas, conservando-se o atual efluentes líquidos e resíduos sólidos para o talidade de abordagem sistémica para a re-
modelo económico, seria necessário dispor ambiente, incentivando a criação de cadeias dução, reciclagem e reutilização de resíduos.
de uma área três vezes superior à atual para de valor a partir da reutilização e reciclagem Portugal deu já alguns passos positivos para
a extração de recursos e descarga de resí- de resíduos e da utilização de energia de a circularidade da economia ao aprovar o
duos. O modelo económico atual, de for- fontes renováveis. Esta nova abordagem Plano de Ação para a Economia Circular em
mato linear, baseado na extração de maté- levará à substituição do “fim da vida” tradi- Portugal: 2017-2020, primeiro documento
rias-primas, produção de bens, seu consumo cionalmente associado a processos, pro- de estratégia pública que pretende orientar
e geração de resíduos, levará a um consumo dutos e subprodutos do modelo económico a sociedade portuguesa para a mudança de
crescente de matérias-primas que originará atual, por novos ciclos de vida onde é mi- paradigma entre os dois modelos econó-
um aumento da produção de resíduos e nimizada a entrada de novos recursos na- micos. Em 2017, foi criado o Fundo Am-
uma fraca redução de GEE. turais e energia e a saída de resíduos. biental, que prevê, para 2018, um investi-
Na maioria dos países desenvolvidos, apesar Nas últimas duas décadas, muitas empresas mento de dois milhões de euros em projetos
de terem sido aprovados vários planos e incluíram a sustentabilidade na sua agenda para a transição para o modelo de economia
estratégias para a redução, reciclagem e estratégica, investindo em inovação, mas circular. Apesar de o investimento ter ficado
reutilização de resíduos líquidos e sólidos e com objetivo essencialmente económico, aquém do esperado, este fundo permitiu
a minimização de GEE, as metas propostas não considerando satisfatoriamente as di- aprovar já projetos que contribuirão para
raramente foram atingidas e acabaram por mensões social e ambiental. Em muitos reduzir a extração de matérias-primas, o
ser incorporadas nos planos subsequentes. casos, a resolução de problemas ambientais consumo de água, a produção de resíduos
Por exemplo, na União Europeia, apenas foi realizada, por exemplo, à custa da sub- e a emissão de GEE, aumentar a eficiência
cerca de 40% dos resíduos sólidos urbanos contratação de outras empresas, para a energética e hídrica, e utilizar energias re-
são reciclados, e em Portugal pouco mais transferência de atividades mais poluentes nováveis e de recursos regenerativos nas
de 24%, valores que ficam aquém das metas para regiões ou países menos desenvolvidos, cadeias de valor envolvidas. É esperado que
definidas para 2020. ou da aquisição de créditos de carbono para as empresas criem soluções de produção
A mudança de paradigma no consumo de inovadoras e que o setor privado fique sen-
recursos naturais, produção de resí- sibilizado para o coinvestimento em
duos, consumo de energia e soluções circulares em fases
emissão de GEE vai subsequentes.

42 • INGeNIUM Março/Abril 2018


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Tema de Capa › Entrevista Carlos Martins

Secretário de Estado do Ambiente,


no XXI Governo Constitucional,
desde novembro de 2015.

Licenciado em Engenharia Civil e Mestre


em Planeamento Regional e Urbano,
pela Universidade Técnica de Lisboa.
Pós-graduação em Direito da Água e em
Direito dos Resíduos, pela Universidade
de Lisboa. Doutorando em Administração
Pública, pela Universidade de Lisboa.

É Professor Especialista em Engenharia


Sanitária do Instituto Politécnico de Lisboa.

Desempenhou funções como Presidente


Executivo do Conselho de Administração
da Águas do Algarve e como gestor
da UNAPD, do grupo Águas de Portugal,
entre 2012 e 2015.

Entre 2009 e 2012 foi Administrador


da Empresa Geral de Fomento, Presidente
do Conselho de Administração da Amarsul
e Presidente do Conselho de Administração
do ACE EGF Dourogás.

Foi Presidente da Comissão Executiva da


Simtejo, entre 2007 e 2009, e Vice-presidente
do Instituto dos Resíduos, do Ministério
do Ambiente, entre 1998 e 2002. Presidiu
à Associação Portuguesa das entidades

Carlos Martins
gestoras de Distribuição e Drenagem
de Água, entre 2003 e 2009, e à European
Union Nacional Association of Water Suppliers
Secretário de Estado do Ambiente and Waste Water Services, entre 2005 e 2006,
em Bruxelas.

“A economia circular veio para ficar.


É um caminho sem retorno”
A Sociedade terá de repensar muitos dos pressupostos associados à economia tradicional. Quem o diz é Carlos Martins, o Secretário
de Estado do Ambiente, que, em conversa com a “INGENIUM”, faz o balanço do que tem sido feito nesta área e traça aquelas que
serão as tendências do futuro. Constituindo a economia circular uma “mudança de paradigma”, caberá a todos a responsabilidade
e a consciencialização para a mudança de hábitos, comportamentos e atitudes que é necessária, com vista a alcançar um modelo
de desenvolvimento mais utilitarista, com menos pressão nos processos produtivos e nas matérias-primas virgens, sem com isso
colocar em causa a qualidade de vida e os níveis de progresso entretanto alcançados.

Por Nuno Miguel Tomás que, cada vez mais, são difundidos, muitos de acesso àquilo que para nós, hoje, são
Fotos Paulo Neto deles com matérias-primas que são escassas ferramentas de trabalho indispensáveis nas
em termos mundiais. Um simples telemóvel tecnologias de informação. Mas também

O
conceito de economia circular incorpora quase 70 produtos raros e o seu noutras áreas da Engenharia, nomeadamente
começa a entrar no léxico do Es- consumo cresce vertiginosamente no Mundo. naquela à qual tenho maior proximidade,
tado, das organizações, na vida A população mundial em 2050 será de 9,5 os materiais de construção e as obras, em
das pessoas. Enquanto Secretário de Estado mil milhões e basta que 1/3 dessa população que, mantendo-as tal como as fazíamos
do Ambiente, que importância atribui a tenha um telemóvel e que os ciclos conti- tradicionalmente, são as que incorporam
esta problemática? nuem, praticamente, de dois em dois anos, matérias virgens, em termos de quantidade,
Nós estamos, em termos de política global, com a renovação deste parque e com taxas de uma forma que menos está relacionada
e falo pelo Planeta, perante a eminência de de reciclagem como a que temos hoje, que com criação de riqueza, ou seja, incorpo-
uma situação incomportável. As matérias- é inferior a 2% dos que são colocados no ramos uma quantidade imensa de materiais
-primas virgens não alimentarão, segura- mercado, para avaliar o quanto estamos a virgens para tirar pouco valor acrescentado
mente, aquilo que é a procura de produtos pôr em risco as gerações futuras em termos para a Sociedade.

44 • INGeNIUM Março/Abril 2018


Carlos Martins Entrevista › Tema de Capa

Temos, portanto, a necessidade/obrigato- A economia circular É um trabalho com que nós, sobretudo a
riedade de caminharmos para um modelo nunca nos abandonou. próxima geração, vamos estar muito con-
de desenvolvimento assente na economia Há alguns setores, frontados e que passa por encontrar me-
circular. Quais os benefícios que daí advêm? algumas culturas, alguns canismos que levem ao consumo crescente
A nível global, a situação não pode conti- ambientes empresariais em que desses subprodutos ou dessas novas ma-
nuar como nos últimos séculos, diria depois térias-primas emergentes. Nas nossas uni-
as práticas de incorporar
da revolução industrial, em que abando- versidades vamos ter de incentivar outras
tecnologia, incorporar naquilo
námos um ciclo mais próximo da natureza formas de pensar o projeto, porque muitos
que é o seu fim de linha um
para nos transformarmos em utilizadores destes problemas começam logo com o
resíduo que voltam a revalorizar,
massivos de matérias-primas do Planeta. Se projeto, com a construção, com a forma
é tradicional. A geração dos meus
quisermos continuar a ter qualidade de vida, como os cidadãos valorizam esse aspeto
a ter os níveis de desenvolvimento que pos- pais tinha muitas preocupações ambiental, coisa que ainda não conseguimos
suímos, temos de prolongar essas matérias- ligadas à economia circular, fazer, o que conduz a que, não raras vezes,
-primas na economia. Muito daquilo que ainda que não lhe chamassem esse tipo de construção acaba por sair em
considerávamos que eram resíduos, teremos, economia circular e não tivessem preço por metro quadrado acima daquele
rapidamente, de assumir que são as maté- essa sensibilidade que é o da construção tradicional, o que
rias-primas dos produtos do futuro. Isso limita logo o acesso. Mas isto sucede também
faz-se com uma consciencialização, sobre- independentemente do valor. Por uma
tudo dos cidadãos, enquanto consumidores estamos também com outro tipo de desa- questão de cultura, de marketing, ainda não
e enquanto pessoas que têm responsabili- fios, desafios na própria Administração Pú- temos o nosso registo mental orientado
dades quando esses produtos deixam de blica, que estava muito preparada para uma para essas questões ambientais.
lhes ser úteis. Mas faz-se também com a certa legislação, um tipo de fiscalização,
ajuda da investigação, do conhecimento, uma abordagem na temática dos resíduos Mas se ainda não introduzimos estes va-
do saber dos nossos politécnicos e univer- e que agora vai ter de fazer uma reconfigu- lores no nosso “registo mental”, teremos,
sidades, que têm de procurar materiais al- ração para um outro estádio que é muitas como País, “maturidade” suficiente para
ternativos, materiais que sejam mais facil- vezes desclassificar o estatuto de resíduo e avançarmos já para a economia circular ou
mente recicláveis, têm de desenvolver pro- passar ao estatuto de subproduto ou de o processo é muito gradual?
cessos produtivos que não estejam orien- matéria-prima alternativa, e isso é também A economia circular nunca nos abandonou.
tados para a produção em quantidade, mas, uma nova forma de estar. Há alguns setores, algumas culturas, alguns
sobretudo, para a produção de materiais e ambientes empresariais em que as práticas
de produtos que nos sejam úteis com uma Neste momento, a regulamentação, quer de incorporar tecnologia, incorporar naquilo
vida mais prolongada. Tudo isso associado europeia, quer nacional, ainda constitui, que é o seu fim de linha um resíduo que
ao eco-design, menos incorporação de de alguma forma, um entrave a esta ativi- voltam a revalorizar, é tradicional. A geração
matérias-primas, que eventualmente des- dade da economia circular? dos meus pais tinha muitas preocupações
carte tudo aquilo que hoje é acessório… A Sociedade tem de repensar muitos dos ligadas à economia circular, ainda que não
pressupostos da economia linear tradicional. lhe chamassem economia circular e não ti-
Nesse cenário, o plástico será o grande Estou a lembrar-me de um setor que em vessem essa sensibilidade. Desse ponto de
“drama”? Portugal é crítico: o da construção civil. É vista, o que estamos a assistir é quase como
O plástico é considerado um problema um dos que já tem alguns avanços, já há que um regresso a algumas práticas que ti-
porque ainda estamos perante produtos especificações para alguns materiais, para veram a sua história e que foram abando-
que, por vezes, incorporam três tipos de incorporação de alguns materiais em obra, nadas com a nossa vinda para as grandes
plástico, que incorporam um rótulo, que com especificações do LNEC, mas infeliz- urbes. Nesta sociedade atual, em que não
incorporam dificuldade de o reutilizar, de o mente o número dessas especificações é temos um simples quintal para valorizar os
reciclar… Apesar de tudo, poderemos dizer muito reduzido e esperamos que seja mais nossos resíduos orgânicos, em que não temos
que a indústria, eventualmente não por ra- alargado. Por outro lado, este tema pode facilidade de poder fazer uma cadeia de valor,
zões ambientais mas por razões até de na- necessitar em determinada altura de alguma passando de filhos para netos a roupa que
tureza económica, vem fazendo alguns legislação, nomeadamente apoiada em eco- deixou de servir aos mais crescidos, etc.,
avanços nessa matéria. Se hoje compararmos -taxas, que promova que os valores desses fomos perdendo essa dimensão, porque a
uma garrafa de plástico com uma garrafa novos produtos possam chegar ao mercado maneira com que nos colocam produtos
de há dez ou 15 anos, do mesmo tipo de a preços tão competitivos como as maté- novos para consumo foi muito alimentada,
plástico, vamos verificar que ela pesará rias-primas, o que nem sempre acontece, nomeadamente pelas grandes operações de
menos, ou seja, incorpora menos matéria- porque geralmente não valorizamos a na- marketing. Não era invulgar aqui há uns anos,
-prima. Mesmo por razões de natureza eco- tureza, valorizamos só os custos de ope- uma pessoa ir à procura de alguém que lhe
nómica, as empresas vão procurando maior ração e exploração das matérias-primas sem reparasse um eletrodoméstico avariado. Hoje,
eficiência e vão sendo elas próprias parceiras colocarmos em cima uma taxa ambiental o custo que tem uma operação desse tipo
deste processo. Do ponto de vista das po- que de alguma maneira poderia tornar os leva a que a maior parte das vezes as pes-
líticas tradicionais em lidar com os resíduos, materiais alternativos mais concorrenciais. soas optem por comprar um produto novo

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 45


Tema de Capa › Entrevista Carlos Martins

e descartam-se do antigo. Isso ainda teria ciedade mais equilibrada com o utilitarismo cesso na medida em que encontrarmos, da
menos preocupação se se descartassem de sem com isso colocar uma grande pressão parte dos cidadãos, um comportamento
uma maneira ambientalmente correta, ou sobre matérias-primas virgens e sobre os mais adequado. Aprovámos a estratégia na-
seja, se valorizassem os componentes que próprios processos produtivos, que envolvem cional de educação ambiental, já houve vá-
lá estão. Infelizmente, muitas vezes, essa não consumos de energia e de água, emissões rios avisos, quer do Fundo Ambiental, quer
é a prática e agrava a circularidade dessas atmosféricas, entre outros. do PO SEUR, naturalmente o PO SEUR mais
matérias-primas e da economia de uma ma- focado nos resíduos e na água, mas o do
neira geral. Existem medidas específicas de apoio às Fundo Ambiental muito alargado em termos
empresas, de apoio à investigação, nesta de espetro, para conduzir a alterações com-
O Plano de Ação para a Economia Circular área? portamentais. Temos ainda a questão das
em Portugal, lançado pelo Governo em Há, claramente! Muitas delas, objetivamente agendas regionais: houve apoio para as
dezembro de 2017, veio trazer uma maior orientadas e com essa terminologia. Outras, cinco CCDR’s do Continente fazerem as
ambição às empresas. Despoletou oportu- menos orientadas, mas com efeitos sobre suas agendas, porque sabemos que este
nidades para a tecnologia, inovação, novos ela. No Portugal 2020 há um conjunto de processo tem de ser gradual e que temos
modelos de negócio? incentivos a empresas, nomeadamente In- de nos focar nos setores mais relevantes.
A economia circular é, de facto, uma mu- dústrias 4.0, que, no conceito implícito da Dizer ainda que desde a primeira hora o Mi-
dança de paradigma. Sendo uma mudança criação dessas empresas, leva a que sejam nistério criou o eco.nomia.pt, um site onde
de paradigma é uma nova forma de como muito mais eficientes, a todos os níveis, mas podemos encontrar legislação, boas prá-
a sociedade olha para estes temas: o con- também neste domínio ambiental, do que ticas, fóruns de discussão, benchmarking
sumidor, cada vez que compra um produto, aquilo que eram as empresas do passado. internacional neste domínio, etc., funcio-
terá um registo mental das implicações desse Sem ser um apoio com a terminologia de nado quase como uma montra daquilo que
ato; as empresas, pela sua responsabilidade economia circular, acaba por resultar dessa fazemos bem, daquilo que outros fazem
na incorporação de materiais, naquilo que modernização do parque industrial e dessa bem e nós podemos de alguma maneira
é saberem bem o que pode ser otimizado nova maneira de estar das empresas um re- “copiar”, integrando algum valor acrescen-
de incorporação de matérias-primas, na- flexo indireto da economia circular. O pró- tado se possível. Temos a convicção de que,
quilo que é a facilidade com que os pro- prio Ministério do Ambiente, ainda que de de facto, tem de se fazer alguma coisa ra-
dutos podem ser desmontados para que forma mitigada, tem vindo a apoiar um con- pidamente para inverter a situação. Temos
depois de cumprirem uma determinada junto de iniciativas através do Fundo Am- a consciência realista de que este é um as-
função as matérias-primas possam ser fa- biental. sunto que vai levar o seu tempo, mas também
cilmente recuperadas, não colocando ex- temos a consciência de que quando plan-
cesso, mas exatamente concebendo um Em termos práticos o que tem sido feito? tamos uma árvore muitas vezes não é com
produto que ele próprio seja com muita fa- Fizemos avisos para projetos inovadores de a expectativa de colhermos o seu fruto mas
cilidade capaz de gerar novas matérias- investigação e desenvolvimento na área dos é de o deixarmos para alguém que há-de
-primas, de uma economia que natural- plásticos, na tentativa de substituição do vir a colhê-lo.
mente valorize esse tipo de trabalho. Espe- plástico por outro material mais amigo do
ramos, acompanhando este desígnio, vir a ambiente, ou, mantendo o plástico, criar Que ganhos económicos é que a Economia
assistir a novos negócios. Esta ideia de termos um plástico mais reciclável ou com menos Circular pode trazer para a sociedade, para
em Lisboa mais 150 veículos elétricos em incorporação e quantidades de matérias- os cidadãos e para as empresas?
que a pessoa com um simples telemóvel -primas, ou homogeneidade do próprio Quando iniciámos, há 20 anos, a recolha
pode saber onde está um veículo que a pode plástico, evitando que na mesma embalagem seletiva em Portugal não havia negócio. O
transportar, pagar ao minuto a sua deslo- apareçam três tipos de plástico e aumen- negócio era os materiais irem para as lixeiras.
cação, voltar a estacioná-lo, ainda por cima tando o seu potencial de reciclagem. Fi- Hoje em dia, Portugal pode orgulhar-se de
sem custos, para que alguém depois pegue zemos avisos, com grande sucesso, para as ter uma indústria de reciclagem que em-
nele e se desloque, é a ideia de que o ci- juntas de freguesia, que excederam larga- prega muita gente, que cria muito valor, que
dadão precisa de um carro não por status mente aquilo que era a nossa expectativa. desse ponto de vista cria muitos produtos
social mas para se deslocar. Estou em crer Temos apoiado um conjunto de iniciativas que são colocados no mercado nacional e
que as gerações do futuro viverão menos ligadas à temática dos resíduos, da água. O no mercado internacional, que leva e replica
preocupadas com a posse do bem, que foi projeto da casa eficiente determina que haja as nossas soluções noutros mercados. Esse
muito incutida nas gerações passadas, pas- incorporação de materiais e de equipa- sucesso será tanto maior ou menor con-
sando para uma sociedade com um caráter mentos também alinhados com as preocu- soante a capacidade visionária de os nossos
mais utilitário das coisas, que necessite de pações da economia circular… empresários conseguirem incorporar valor.
menos quantidade para se sentir satisfeita. Estou em crer que a nova geração de em-
O caso paradigmático é o do berbequim, E na área da educação e sensibilização? presários percebe bem que o ambiente é
que é usado 15 a 20 minutos em toda a sua Temos também programas, que são essen- hoje uma oportunidade. Aquela geração de
vida útil! É um exemplo simples para dar a ciais, ligados à educação e sensibilização empresários que, ainda não há muitos anos,
ideia de que no futuro podemos mudar estes ambiental, ou seja, temos consciência de entendia que o ambiente era sobretudo um
registos e podemos ser, de facto, uma so- que tudo isto vai ter maior ou menor su- fator de areia na engrenagem das suas vidas,

46 • INGeNIUM Março/Abril 2018


Carlos Martins Entrevista › Tema de Capa

já entendeu bem que o ambiente hoje é um tada, e que, ainda assim, alguns que são criação de riqueza para o País. Estou con-
parceiro. O que os empresários que estão eliminados pudessem pelo menos ser va- victo que este processo, que vai levar a um
na linha da frente nos exigem é maior rigor lorizados. O que estamos a procurar é au- novo paradigma social, ainda que possa de-
na condução das questões políticas ambien- mentar os materiais que vão subindo nesta morar os tais 10/20 anos que levou também
tais, porque é isso que lhes dará oportuni- cadeia da hierarquia de gestão de resíduos, à estruturação da nossa política de resíduos,
dade de crescimento, que lhes dará uma na tentativa de, com eles, criar valor. Admi- irá conduzir inevitavelmente a mais em-
concorrência sã, de que aqueles que querem tindo que há, nalguns casos, inibições de prego, talvez um emprego diferente.
fazer bem não estão a concorrer com aqueles natureza tecnológica, há materiais que pela
que, não sendo eficientes em termos de sua conceção são pouco recicláveis, ou se O PERSU está novamente em discussão,
gestão, procuram ganhar dinheiro através o são são-no em condições económicas com diversas entidades a apontar críticas
de externalidades ambientais negativas. Hoje, que não apresentam competitividade e aí o ao Plano. O que podemos esperar desta
a Europa está na linha da frente desta estra- apelo é a nível das parcerias que podem re- nova revisão?
tégia para a economia circular também por sultar entre as empresas, as universidades e Identificámos no PERSU alguns temas crí-
uma razão de natureza económica natural politécnicos e os centros tecnológicos, para ticos. Uma análise dos dados que vamos
que é perpetuar materiais que são essenciais encontrar materiais alternativos para a apli- apurando anualmente leva-nos a pensar
à sua economia, não se descartando deles, cação dos materiais atuais e para desenhar que se a trajetória continuar como está a
antes pelo contrário, mantendo dentro do e conceber no futuro produtos mais ami- ocorrer não vamos cumprir as metas que
seu território a capacidade de os valorizar. gáveis desse ponto de vista. Hoje é fácil en- estão desenhadas para 2020! Sabemos
contrar uma percentagem muito elevada também que, hoje mesmo [18 abril], foi
O setor dos resíduos será provavelmente de incorporação de materiais que já foram aprovado na União Europeia um pacote de
aquele onde existem mais fileiras organi- outra coisa na sua vida, nomeadamente nas uma nova diretiva de resíduos que nos vai
zadas e a funcionar e onde as atividades papeleiras, nos têxteis, nos plásticos ou nos colocar perante a eminência de sermos
de valorização têm vindo a crescer. Quando materiais ferrosos. confrontados com metas mais exigentes.
comparados com a Europa, qual o nosso Portanto, se já não conseguíamos cumprir
posicionamento nesta área? Em termos de criação de emprego, o que as de 2020, mal estamos colocados para
Do ponto de vista da nossa capacidade de pode significar esta mudança de paradigma? cumprir as de 2025 e as de 2030. Enten-
reciclagem, temos vindo a ter uma trajetória Que tipo de emprego será criado? demos reavaliar aquilo que era o PERSU,
próxima daquilo que é o padrão médio eu- Há alguns números, quer sobre a criação desde logo com a preocupação de financiar
ropeu. De qualquer maneira não gostaria de emprego, quer sobre os valores que po- investimentos que não sejam mais do mesmo,
de dar uma resposta tão taxativa porque ela derão vir a ser aportados para a economia que não levam a resultados, mas que es-
pode ser enganadora, sobretudo quando europeia. Em 1997 tínhamos as nossas li- tejam orientados para tecnologias e práticas
tratada isoladamente. Relativamente aos xeiras. Praticamente não tínhamos estrutura que nos permitam aproximar das metas a
materiais mais nobres que nos chegam, vem de emprego, nem empresarial, no setor dos que estamos obrigados.
sendo feito um trabalho relativamente im- resíduos, na altura chamado de “lixo”. Hoje
portante para que sejam reciclados num temos 1.600 operadores de gestão de resí- Que tecnologias serão essas?
caso e valorizados noutro. Gostaríamos duos, licenciados na Agência Portuguesa Identificámos os combustíveis derivados de
muito que, do ponto de vista da hierarquia, do Ambiente, temos um número imenso de resíduos, ainda que produzidos porque não
a reciclagem e manutenção da matéria- empregos e temos uma economia pujante cumprem as especificações, quer de humi-
-prima fosse mais longa e fosse incremen- na área, significativa do ponto de vista da dade, quer de qualidade que geralmente os

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Tema de Capa › Entrevista Carlos Martins

Este é um trabalho dida a sua valorização energética tem ou funções. E a diretiva europeia associada à
pluridisciplinar não potencial. Estamos igualmente a avaliar economia circular foi contemporânea desse
e só terá sucesso onde vale a pena apostar na recolha porta- acordo. Passados apenas três meses, está-
se a economia e o ambiente -a-porta e onde vale a pena apostar na re- vamos a organizar um evento no CCB sobre
andarem muito próximos colha dos bio-resíduos de forma seletiva. E economia circular, com uma participação
estamos à espera que o grupo de trabalho extraordinária, em que conseguimos mo-
criado possa trazer propostas concretas no tivar quatro ou cinco empresas para serem
utilizadores têm. Identificámos também as PERSU 2020+: este 2020+ surge por estar coorganizadores com o Ministério. Esse foi
cimenteiras e eventualmente os produtores orientado para 2025 ou para 2030 e para o primeiro marco, onde tivemos, para além
de energia elétrica. Não encontrando essas que possamos fazer ainda, com as verbas do Ministro do Ambiente, e eu próprio, o
especificações asseguradas não têm colo- que estão disponíveis, investimentos já ali- Ministro da Economia. Este é um trabalho
cação no mercado. nhados com essa trajetória. pluridisciplinar e só terá sucesso se a eco-
nomia e o ambiente andarem muito pró-
E as papeleiras? Será por estes dias? ximos. Depois disso, a AIP e outras associa-
As papeleiras eventualmente também e até O nosso calendário aponta para que em ções têm vindo a promover um conjunto
mesmo a área da cerâmica. Estas indústrias maio o trabalho desse grupo possa terminar. de iniciativas, de sugestões e estudos, uns
não estão a encontrar saída e, assim sendo, O mês de junho será para interações inter- mais setoriais, outros mais gerais, e que
no fim do ciclo vão parar ao aterro, sem ministeriais, para o processo legislativo e constituem ferramentas relevantes. Nos
mais nenhuma mais-valia ambiental, porque para aprovação. Com isso, faremos os avisos próprios ambientes universitários e politéc-
a sua reutilização tem um custo superior à do PO SEUR para que não seja posta em nicos já começa a haver preocupações de
deposição em aterro. Logo, vamos ficar com causa a execução dos fundos comunitários. criar desenvolvimento, inovação e reflexão
resíduos que não têm possibilidades de va- Temos alguma pressa para que as candida- sobre estes temas. Os centros tecnológicos
lorização no quadro daquilo que era a es- turas sejam abertas e aprovadas ainda este dos setores empresariais, em particular,
tratégia anterior, mas que eles próprios ul- ano, para que as entidades gestoras tenham também estão a dar grande enfâse a esta
trapassam os 10% que vamos estar obrigados cerca de três anos para executar. matéria. Cada vez que há uma abertura de
em 2030 para colocação em aterro. Depois aviso para candidaturas de projetos finan-
temos ainda a questão da recolha seletiva O PO SEUR será determinante para a exe- ciados na área de economia circular a pro-
das embalagens, que praticamente se mantém cução? cura é muito grande, ou seja, as pessoas já
estagnada. Tem vindo a cumprir as metas, Naturalmente, temos ainda disponíveis cerca estão preparadas e têm projetos na cabeça,
mas não tem crescido, remetendo-nos para de 80 a 90 milhões de euros, para além dos não é apenas uma moda. A economia cir-
a necessidade de fazer mais porta-a-porta. 72 que já estão aprovados. Vamos aprovar cular veio para ficar e vai fazer parte, segu-
Mas não podemos esquecer que somos um seguramente projetos em torno dos 100 mi- ramente, das gerações futuras em termos
País que ainda tem quase 50% da população lhões para este setor, mas queremos que eles de um novo paradigma. É um caminho sem
em locais e povoamentos dispersos e que sejam, de facto, muito alinhados com estes retorno que só teremos de seguir e quanto
os custos implícitos a essas operações le- novos objetivos. Não os queremos antecipar, mais à frente conseguirmos ir melhor será
variam os portugueses a pagar muito mais porque o grupo de trabalho é independente para as cidades do futuro.
que os europeus. Tudo isto leva a que também e tem muitas visões integradas e essa plura-
os municípios sejam confrontados com uma lidade de opiniões é importante porque traz- A Ordem dos Engenheiros proclamou 2018
nova realidade para a qual não estão pre- -nos uma visão mais holística daquilo que como o “Ano OE das Alterações Climáticas”.
parados, pois precisam de novos camiões, deve ser o tema. Nesse ponto de vista, e es- Como avalia essa decisão?
novos contentores, novos circuitos de re- tando a falar para a “INGENIUM”, quero dizer Considero altamente meritório colocar na
colha, reprogramar as equipas e preparar o quanto reconhecemos o papel da Ordem agenda este tipo de preocupação. Vamos
os cidadãos para esta mudança de com- dos Engenheiros neste processo e daí que assistindo no Mundo a cada vez mais fenó-
portamento. tenhamos também integrado nesse grupo menos extremos e o que sabemos, com a
de trabalho um representante da Ordem, Ciência que temos disponível, é que estamos
Perante esses desafios, que fazer? pois pensamos que este é um setor onde, confrontados com um problema que temos
O que neste momento estamos a desenhar certamente, a Engenharia, nos seus vários de ultrapassar, com medidas de adaptação
é eventualmente vir a investir mais em se- domínios, pode aportar valor muito relevante. e de mitigação que evitem que estes fenó-
cagem dos combustíveis derivados de re- menos ganhem mais relevância ou que te-
síduos, permitindo que venham a cumprir Para terminar, falemos de ensino, de inves- nham um crescimento acima do desejável.
a especificação, melhorando a sua triagem tigação e também de Engenharia. O País Portugal está a fazer uma boa trajetória
na origem, para que não tenham materiais dispõe de recursos humanos para esta nova nestas matérias. A Engenharia tem ajudado
com cloro, etc., que são perniciosos para a fase da economia? muito, porque muitos destes nossos ganhos
sua valorização, e que baixem a humidade, Tenho vindo a ser surpreendido pela posi- ambientais resultam de processos tecnoló-
para que apresentem um maior poder ca- tiva. Este tema acabou por estar muito as- gicos e sobretudo de processos mais efi-
lorífico e sejam competitivos. No âmbito da sociado à presença que tive no Acordo de cientes que a Engenharia tem vindo a de-
fração-resto estamos a avaliar em que me- Paris, logo quando este Governo iniciou senvolver.

48 • INGeNIUM Março/Abril 2018


CARTÃO
PRÉ-PAGO
Para empresas
quilómetros à frente.
No mundo das empresas só há uma direção;
para a frente. É para aí que todas querem
ir e é aí que o Galp Ready já está. Com o
novo pré-pago da Galp vai ser mais fácil
reduzir os custos da sua empresa porque
por um lado tem controlo sobre os gastos
da frota e por outro pode oferecê-lo como
regalia de carreira aos seus colaboradores.
Galp Ready. Quilómetros à frente.
Tema de Capa › Entrevista Carlos Borrego

Carlos Borrego
Coordenador de Investigação da Agenda de I&I para a Economia Circular
Professor Catedrático de Engenharia do Ambiente na Universidade de Aveiro
Membro Conselheiro da Ordem dos Engenheiros

“A transição para a economia


circular vai significar um impacto
muito positivo na mitigação
das alterações climáticas”
Professor Catedrático na Universidade de Aveiro, ex-Ministro do Ambiente, Carlos Borrego defende que a economia circular
“não é apenas uma questão de economia, mas sim de mudanças fundamentais de comportamento e de novos modos de
pensar e de estar no Mundo” e que para isso “o envolvimento dos cidadãos é crucial”. À Engenharia portuguesa fica reservado
o papel de liderar e impulsionar este processo, revendo as suas práticas, para encontrar as áreas onde se deve concentrar o
esforço de inovação, o catalisador essencial da mudança de paradigma em curso.

Por Nuno Miguel Tomás e extraímos mais recursos do que aqueles economia circular, apesar de este ser ainda
Fotos Universidade de Aveiro que o nosso Planeta consegue oferecer. No um conceito pouco conhecido para a maioria
dia 2 de agosto de 2017 assinalou-se o Global das pessoas. No entanto, as Nações Unidas,
O Comissário Europeu Carlos Moedas dizia Overshoot Day, dia a partir do qual come- na Agenda 2030 – Objetivos do Desenvol-
há dias, em Viseu, que o futuro da Europa çámos a consumir os recursos de 2018. Esta vimento Sustentável, vieram estabelecer um
passa pela economia circular. Concorda? data surge cada vez mais cedo no calen- quadro de exigência mundial ao nível am-
Sim, concordo. Atualmente vivemos numa dário. Em 2018 poderá ser a 28 de julho! Do biental, económico e social para uma po-
sociedade insustentável, em que o cresci- ponto de vista ambiental, estamos a viver a pulação crescente e um planeta finito. A
mento económico está associado à utili- crédito. Se queremos alterar este cenário, é Comissão Europeia vê a transição para a
zação intensiva de recursos. Consumimos inevitável que o futuro da Europa passe pela economia circular como uma oportunidade

50 • INGeNIUM Março/Abril 2018


Carlos Borrego Entrevista › Tema de Capa

Doutor em Sciences Appliquées pela Universidade Livre de Bruxelas, é Professor Catedrático encontro onde os cidadãos trazem apare-
de Engenharia do Ambiente na Universidade de Aveiro (UA). Há mais de 40 anos que trabalha lhos avariados, ou outros bens com pequenos
no domínio do ambiente e clima, representando Portugal em organizações científicas nacionais
danos, para serem reparados; as ferramentas
e internacionais (CE, NATO, FSE, FCT…), bem como em comissões de investigação e avaliação
de estratégia ambiental e desenvolvimento sustentável. e materiais são disponibilizados pelos orga-
nizadores e os consumidores são convidados
Foi Ministro do Ambiente e Recursos Naturais (XI e XII Governos) e Vice-reitor
a aprender a reparar. O Airbnb é responsável
para a Investigação na UA. É Membro Conselheiro da Ordem dos Engenheiros, Diretor
do Departamento de Ambiente e Ordenamento, Delegado Nacional ao Programa-Quadro por mais de mil milhões de euros de impacto
de Investigação & Inovação H2020 da UE na “Ação Climática e Ambiente” e Diretor da EURASAP em Portugal sem que tenha sido necessário
– European Association for the Science of Air Pollution. Coordena o grupo de investigação construir um único edifício, provando que
em Emissões, Modelação e Alterações Climáticas, com envolvimento em 73 projetos europeus é possível vender desempenho ao invés de
e nacionais em avaliação de impacto ambiental, gestão da qualidade do ar, simulações em túnel
materialidade. Nós, como consumidores,
de vento, exposição a poluentes atmosféricos e saúde humana, mitigação e adaptação
somos o ator principal na transição para a
às alterações climáticas, investigação e inovação sobre economia circular, desenvolvimento
sustentável. Produziu mais de 800 publicações e foi orientador de 21 teses de doutoramento economia circular. As nossas escolhas vão
e 34 dissertações de mestrado. Tem sido Professor em diversos cursos de mestrado fazer a diferença nesta mudança. Se em vez
e programas doutorais. de comprarmos um produto comprarmos
A ligação da investigação à resolução dos desafios societais e o forte entrosamento com um serviço, estamos a rentabilizar a sua uti-
o tecido empresarial, potenciado pela estratégia da UA, justificam a consultoria e realização lização e a maximizar o uso das matérias-
de vários projetos para empresas, organizações do governo central, das regiões e das autarquias, -primas, sejam materiais ou energéticas.
bem como a criação, em 1993, do IDAD – Instituto Do Ambiente e Desenvolvimento, como
unidade de interface privilegiada para atingir os objetivos da cooperação Universidade-Sociedade.
E porquê a necessidade de caminharmos
Como Diretor do IDAD tem coordenado, ao longo destes 25 anos, diferentes projetos
multidisciplinares na área do ambiente e do ordenamento. para um modelo de desenvolvimento as-
sente na economia circular? Quais os be-
nefícios que daí advêm?
Nós, como consumidores, da competitividade. A ideia é manter um dado A população mundial tem vindo sempre a
somos o ator principal recurso em circulação pelo maior tempo crescer, implicando invariavelmente um au-
na transição para a possível. Isso significa desenhar produtos, mento do consumo de matérias-primas e
economia circular. As nossas processos e serviços que otimizem o uso bens e o consequente aumento dos sub-
dos recursos, de tal modo que, no fim da sua produtos – resíduos, efluentes líquidos e
escolhas vão fazer a diferença
vida útil, se possam reutilizar, reparar ou re- gasosos. Estamos a crescer infinitamente
nesta mudança. Se em vez
manufaturar. Assim, a economia circular é num mundo finito. Em Portugal, as três fontes
de comprarmos um produto
vista como o elemento chave para alcançar principais de desperdício de recursos natu-
comprarmos um serviço, estamos
o desenvolvimento sustentável, criando si- rais são o consumo exagerado de carne e
a rentabilizar a sua utilização multaneamente qualidade ambiental, pros- peixe, o uso excessivo do automóvel, a subs-
e a maximizar o uso das matérias- peridade e equidade social, possibilitando o tituição demasiado frequente de equipa-
-primas, sejam materiais crescimento económico desassociado do mentos e compra excessiva de bens de con-
ou energéticas aumento do consumo de recursos. sumo que acabam por ir parar aos aterros.
Por isso, são diversos os benefícios de curto
Em termos práticos, como se materializa e longo prazo que advêm do modelo focado
para modernizar e transformar a Europa. E no dia-a-dia das organizações, empresas, na economia circular. Apresento quatro
Portugal lançou, em 2017, o Plano de Ação pessoas? exemplos: oportunidades para novos mo-
para a Economia Circular. A implementação da economia circular tem delos de negócio – ex. programas de retoma
por base a abordagem sistémica, que passa ou de reparação; redução da volatilidade no
Para contextualizarmos a questão, que mo- por rentabilizar os desperdícios – lixo – e preço das matérias-primas – ex. aumento
delo económico é este chamado de “eco- subprodutos. Olhando para dentro de nossa do preço dos combustíveis; conservação do
nomia circular”? Quais as suas caracterís- casa, temos o exemplo das cápsulas de café, capital natural; recuperação de energia a
ticas principais? O que o distingue? cujo destino final é resíduo doméstico. Subs- partir de resíduos, a última etapa da hierar-
A economia circular é um modelo econó- tituindo o conceito de fim-de-vida por novos quia de resíduos.
mico que pretende substituir a atual eco- fluxos circulares de reutilização, estas cáp-
nomia linear associada à ideia de fim-de-vida, sulas podem ser reutilizadas como pequenos Tendo em conta a realidade do tecido em-
isto é, mudar o paradigma “extrair > fabricar vasos onde se podem cultivar algumas plantas presarial português, na sua maioria cons-
> consumir > deitar fora”. Para isso, a eco- de uso culinário. No ramo empresarial, existe tituído por PME, que desafios enfrenta Por-
nomia circular leva em consideração o ciclo o notável exemplo da utilização de paletes tugal no que à adoção das boas práticas
de vida completo do produto, indo desde as de transporte, subproduto para muitos se- provenientes da economia circular diz res-
emissões às energias renováveis, da reci- tores de atividade, mas que podem apre- peito?
clagem ao desperdício de alimentos, dos sentar valor acrescentado para outros se- O principal obstáculo à adoção de boas prá-
mercados de matérias-primas secundárias à tores, por exemplo, o do mobiliário de jardim. ticas está relacionado com procedimentos
criação de novos empregos e ao aumento Os RepairCafe surgiram como um ponto de há muito enraizados – a população, de forma

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Tema de Capa › Entrevista Carlos Borrego

geral, não é favorável à mudança – e com Como engenheiros, competir com o setor alimentar ou da ma-
o investimento necessário. Neste último estamos habituados deira, no Centro de Portugal [desenvolvida
ponto, o Plano de Ação para a Economia a fazer muito com pela BLC3], pode conduzir a 2,9-3,4 milhões
Circular prevê medidas para mobilização do pouco e é altura de usar esta de euros de rendimento anual e a mais de
investimento público e privado. Também competência, pensando “fora 70 mil empregos. O estudo “Sinergias Cir-
existem algumas organizações, como a Caixa culares – Desafios para Portugal ”, realizado
da caixa” para que, de forma
Central de Crédito Agrícola Mútuo ou o pelo BCSD Portugal, evidenciou que se os
inteligente e rentável, esta
grupo de trabalho Sustainable Finance do resíduos não urbanos eliminados em Por-
transição/mudança de paradigma
BCSD Portugal – Conselho Empresarial para tugal em 2015 – 1,1 milhões de toneladas
ocorra com naturalidade
o Desenvolvimento Sustentável, que juntam – fossem transacionados entre empresas,
empresas e banca em torno do desenvolvi- traduzir-se-iam numa redução de consumos
mento de medidas e de mecanismos finan- dutivo – projeto Green Cork – faz da Amorim intermédios de 165 milhões de euros, numa
ceiros para apoiar modelos de negócio que um exemplo no Mundo, na área da eco- contribuição de 32 milhões de euros em
acelerem a economia circular, de baixo car- nomia circular. VAB, na criação de 1.300 novos empregos
bono e verde. Para além dos incentivos eco- e na redução superior a 5 milhões de tone-
nómicos, a sensibilização, a educação e en- À semelhança da “responsabilidade social”, ladas de extração nacional de materiais.
volvimento social serão essenciais neste que há uns anos ganhou alguma “força”
processo. junto do tecido empresarial e das organi- E qual o valor social, ambiental, cultural,
zações, não teme que a economia circular etc.?
Em que áreas de atividade será mais pro- seja encarada mais sob forma de marketing A nível ambiental, e por consequência a nível
pício o desenvolvimento destes conceitos? do que propriamente como uma compo- social, os benefícios serão enormes. Por
Todas as áreas de atividade têm condições nente que permita, de facto, alavancar ne- exemplo, espera-se que a transição para a
para adotar os conceitos associados à eco- gócio? economia circular, para além da redução
nomia circular – setores agroalimentar, cons- Não há dúvida que, com o aumento da cons- óbvia do volume de resíduos, se traduza
trução, agricultura e floresta, energia, terri- ciencialização dos problemas ambientais, numa redução de 2% a 4% das emissões to-
tório, saúde e ensino, uma vez que existem assistimos ao surgimento de uma nova classe, tais anuais de gases com efeito de estufa.
estratégias que podem ser combinadas na os consumidores verdes. Para dar resposta Os RepairCafe, cujo objetivo principal é a
criação de valor, como por exemplo novos a esta necessidade, as empresas tiveram de redução de novos materiais e da energia
modelos de negócio e desmaterialização; se adaptar, pelo que o conceito de “marke- para os produzir, mas também incentivar um
design/redesign “circular” de produtos e pro- ting verde” se tornou obrigatório no léxico setor económico – o da reparação – que
cessos; sistemas ou modelos de negócio dos negócios e, por isso, a economia circular estava em decaimento e estimular a criação
centrados na manutenção, reparação, re- poderá ser encarada como uma forma de de emprego técnico especializado, consti-
condicionamento e remanufatura de pro- marketing. Os consumidores têm um papel tuem um bom exemplo do valor social e
dutos; definição da estratégia de negócio fundamental no mercado, são eles que de- cultural desta abordagem.
entre entidades que colaboram no uso efi- finem as regras da oferta e da procura, e a
ciente dos recursos. transição para a economia circular não será Portugal estará em condições de passar de
exceção. Os consumidores serão o motor uma sociedade do consumo, como a nossa,
As grandes empresas já encaram a questão deste processo. Estou convencido que quando para uma sociedade da recuperação/reu-
da economia circular de forma “efetiva”, o tecido empresarial analisar os benefícios tilização? São perspetivas antagónicas.
visto terem capacitação humana e técnica, da economia circular, traduzidos em euros, A grande mudança de paradigma ocorreu
ou esta problemática só começa agora a terá uma versão objetiva e empresarial desta aquando da transição da economia linear
entrar na gestão diária dessas organizações? estratégia. para a economia da reciclagem. Não dei-
Nos últimos anos, por toda a Europa, o con- xámos de ser uma sociedade de consumo,
ceito de economia circular tem sido cada Qual o valor económico da economia cir- mas apurámos o sentido de responsabilidade
vez mais adotado por empresas e Portugal cular? social. Hoje, a preocupação pelo ambiente,
não é exceção. Outras ainda têm muito a Segundo os dados do Plano de Ação para a muito fruto dos impactos das alterações cli-
fazer. Um exemplo: como sabemos, Por- Economia Circular, estima-se que as me- máticas que se fazem sentir, está mais pre-
tugal possui a maior área mundial de floresta didas de prevenção dos resíduos, conceção sente na sociedade. No entanto, a difusão
de sobro – 34% – e detém 49,6% da pro- ecológica, reutilização e outras ações cir- de informação e criação de perceção social
dução mundial deste material. As proprie- culares poderão gerar poupanças líquidas em relação à economia circular, através de
dades do material, aliadas a um processo de de cerca de 600 mil milhões de euros/ano ações de informação, workshops e outros
extração de baixo impacto ambiental, um às empresas da União Europeia, que com recursos que suportem a consciencialização,
processo produtivo 0% desperdício, que efeitos multiplicadores podem atingir 1,8 bi- será crucial neste processo. O exemplo prá-
promove sinergias com outros materiais e liões de euros/ano, criando 170 mil empregos tico de uma ferramenta de difusão da infor-
subprodutos – plástico, borracha – e que, diretos no setor da gestão de resíduos. A mação é o portal ECO.NOMIA lançado pelo
inclusivamente, promove a recolha de rolhas estratégia da Smart bio-region, biorrefinaria Ministério do Ambiente, que se assume, por
usadas para reintrodução no processo pro- para produção de biocombustíveis – sem um lado, como um espaço de partilha de

52 • INGeNIUM Março/Abril 2018


Carlos Borrego Entrevista › Tema de Capa

conhecimento, e, por outro, como fórum


de interação para projetos colaborativos de
investimento em economia circular.

Esta transformação de paradigma não ca-


recerá de uma maior maturidade política,
económica e social?
Embora a transição para a economia circular
já tenha sido iniciada, esta não é uma alte-
ração fácil e rápida, necessitando ainda de
uma maior maturidade a todos os níveis.
Esta transição não é apenas uma questão
de economia, mas sim de mudanças funda-
mentais de comportamento e de novos
modos de pensar e de estar no Mundo. Para
isso, o envolvimento dos cidadãos é crucial.
Portanto, as escolas – formação – e as au-
tarquias – estão perto dos cidadãos – serão
atores determinantes nesta abordagem.

Mais que a formação


técnica, é necessário
aumentar a
consciencialização dos técnicos
das diferentes especialidades
da Engenharia para esta
realidade, começando pelos
engenheiros ainda em formação

Que papel pode, e deve, desempenhar a eco-inovação, bem como a análise dos im- Metabolismo Urbano, Ecologia Industrial, En-
Engenharia portuguesa no cenário que des- pactos ambientais gerados e a avaliação do genharia de Sistemas de Tratamento, Gestão
creve? Que responsabilidades lhe estão, ciclo de vida, o uso de matérias-primas se- Integrada de Recursos Naturais, entre outras.
naturalmente, atribuídas? cundárias e de produção mais limpa, podem
A Engenharia portuguesa tem o dever de li- ser consideradas as principais áreas de con- A nível de Ensino Superior, mas também a
derar e impulsionar este processo, revendo vergência do conceito da economia circular nível de Investigação, Inovação e Desen-
as práticas de Engenharia para encontrar as com a Engenharia. volvimento, o País dispõe já de massa crí-
áreas onde se deve concentrar o esforço de tica que lhe permita encarar estes desafios
inovação. Como engenheiros, estamos ha- Os engenheiros portugueses estão prepa- com confiança?
bituados a fazer muito com pouco e é altura rados para os desafios que perspetiva? Em 2017, o Ministério da Ciência, Tecnologia
de usar esta competência, pensando “fora Podemos dizer que sim! A economia circular e Ensino Superior, no âmbito do Plano Na-
da caixa” para que, de forma inteligente e já é aplicada há algum tempo na Engenharia, cional de Ciência e Tecnologia, lançou o
rentável, esta transição/mudança de para- apesar de não ser conhecida por essa desig- desenvolvimento da Agenda de Investigação
digma ocorra com naturalidade. O desafio nação. Por exemplo, na indústria da celulose, e Inovação para a Economia Circular. O do-
deste novo sistema produtivo circular abrange com o aproveitamento de alguns subpro- cumento preliminar da Agenda está pronto
uma gama de conhecimentos e atividades dutos para produção de energia elétrica, e e irá ser apresentado e discutido publica-
que está diretamente relacionada com a for- na indústria da cortiça, como já referi. Tais mente ainda neste mês de abril. O trabalho
mação e prática em Engenharia, criando aplicações são obra de Engenharia. As com- realizado pelo grupo de peritos – 43 – no
produtos, desde a fase de projeto, que iden- petências técnicas existem. Mais que a for- âmbito da Agenda de I&I para a Economia
tifiquem e adotem estratégias ambiental- mação técnica, é necessário aumentar a Circular evidenciou que já existem muitos
mente amigáveis, melhorando a ecoeficiência consciencialização dos técnicos das diferentes exemplos de I&I nesta área, mas torna-se
dos processos produtivos, o que se refletirá especialidades da Engenharia para esta rea- necessário fazê-lo de forma sistémica. Para
no uso de matérias-primas secundárias e no lidade, começando pelos engenheiros ainda tal, Portugal precisa de desenvolver os pi-
consumo destes produtos. Desta forma, os em formação. No Mestrado Integrado em lares de I&I que alicercem a transição dos
conhecimentos da Engenharia em projeto Engenharia do Ambiente da Universidade de diversos setores da economia, desenvol-
e desenvolvimento de produtos e serviços, Aveiro foi em 2013 introduzida a abordagem vendo: i) o design de novos produtos, pro-
principalmente as práticas de eco-design e sistémica, com unidades curriculares como cessos e serviços, substituindo o conceito

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 53


Tema de Capa › Entrevista Carlos Borrego

de fim de vida dos ciclos de materiais nos Os engenheiros devem cução do desenvolvimento sustentável, em
processos de produção, distribuição e con- caminhar no sentido de áreas como as alterações climáticas, os re-
sumo; ii) a gestão sustentável dos recursos desenvolver tecnologias cursos hídricos, os resíduos e a conservação
naturais, seguindo a lógica da cadeia dos e processos que lhes permitam da natureza e da biodiversidade.
recursos e incluindo a gestão e valorização fortalecer o conhecimento
dos resíduos; iii) a governança e território, A Ordem dos Engenheiros proclamou 2018
e a prática necessária
com novos modelos de governo e instru- como o “Ano OE das Alterações Climáticas”.
à implementação das ações
mentos de política que estimulem a circu- Dentro do contexto da nossa conversa,
conducentes à transição
laridade do território, onde as cidades são como avalia esta deliberação?
para a economia circular
fundamentais; iv) os novos modelos de ne- É uma decisão muito meritória e em linha
gócio, comportamento e consumo, que com as necessidades da Europa e do nosso
promovam comportamentos económicos tencial de produzir efeitos transversais e sis- País. As alterações climáticas são vistas pelos
e sociais mais sustentáveis. Ao mesmo tempo, témicos que potenciam a apropriação de cidadãos como uma das maiores ameaças.
devemos apostar na formação de base e na princípios da economia circular pela socie- Assim, promover mais iniciativas dedicadas
educação, nas tecnologias de informação dade. As ações meso, ou setoriais, são ini- e que promovam a disseminação alargada
e comunicação, para potenciar plataformas ciativas definidas e assumidas pelos interve- de informação é fundamental. Com o Acordo
digitais que suportem a economia circular, nientes na cadeia de valor de setores con- de Paris, a política global em matéria de al-
e na regulamentação, agilizando procedi- siderados críticos – ex. construção, turismo, terações climáticas entrou numa nova fase.
mentos e ultrapassando obstáculos. Por- têxtil, retalho, compras públicas, etc. – para Limitar o aquecimento global a valores in-
tugal deve ainda apostar em projetos de- o aumento da produtividade e utilização efi- feriores a 2°C acima dos níveis pré-industriais
monstradores, em áreas com potencial de ciente de recursos do País, capturando be- obriga a reduções substanciais das emissões
inovação e impacto, que projetem a ciência nefícios económicos, sociais e ambientais. de gases com efeito de estufa. Para isso, é
e inovação nacionais na Europa e no resto As ações micro, ou regionais/locais, são ini- imperativo aumentar a resiliência das cidades,
do Mundo. ciativas definidas e assumidas pelos agentes tornando as cidades circulares, bem como
económicos regionais e/ou locais, que in- o tecido industrial, onde a economia circular
Noutro âmbito, mas fazendo parte desta corporam o perfil económico local e o va- terá um papel preponderante. A transição
transição, temos o PO SEUR – Plano Ope- lorizam na abordagem aos desafios societais para a economia circular vai significar um
racional Sustentabilidade e Eficiência no – e.g., empresas circulares, cidades circu- impacto muito positivo na mitigação das al-
Uso de Recursos: prós e contras? lares, simbioses industriais, etc. terações climáticas. O fluxo de materiais no
Com a crescente procura de uma trajetória Mundo é o responsável por 67% das emis-
de adaptação europeia às grandes mudanças A nível de apoios comunitários, mas também sões de gases com efeito de estufa. Se con-
globais, no domínio da energia, das altera- de sistemas de incentivos nacionais, que seguirmos limitar a utilização de materiais e
ções climáticas e do uso mais eficiente dos ferramentas destaca para os gestores/em- apostarmos, ainda mais, nas energias pro-
recursos, o PO SEUR é um dos programas presários/engenheiros que queiram enve- venientes de fontes renováveis, estamos a
nacionais que podem alicerçar a evolução redar por este caminho? contribuir diretamente para a mitigação das
para a economia circular através do finan- Há vários instrumentos europeus que apoiam alterações climáticas.
ciamento de projetos inovadores em três a I&I na área da economia circular, mas des-
eixos principais: Eixo I – Apoiar a transição taco o Horizonte 2020 por ser o maior pro- Que mensagem deixa aos profissionais de
para uma economia com baixas emissões grama europeu de financiamento de I&I, e Engenharia, sabendo nós que caberá a muitos
de carbono em todos os setores; Eixo II – que, entre 2018 e 2020, irá disponibilizar deles a operacionalização, no terreno, de
Promover a adaptação às alterações climá- cerca de 960 milhões de euros em con- algumas das questões que elencou?
ticas e a prevenção e gestão de riscos; Eixo cursos competitivos na área da economia Os engenheiros devem caminhar no sentido
III – Proteger o ambiente e promover a efi- circular. A nível nacional há o COMPETE de desenvolver tecnologias e processos que
ciência do uso dos recursos. 2020 – Competitividade e Internacionali- lhes permitam fortalecer o conhecimento e
zação, SI I&DT, SI Inovação Empresarial e a prática necessária à implementação das
A aposta política do Ministério do Ambiente Empreendedorismo e SI Qualificação e In- ações conducentes à transição para a eco-
materializa-se no já referido Plano de Ação ternacionalização de PME; o PO SEUR, que nomia circular nas organizações e entidades
para a Economia Circular em Portugal… já foi referido. No âmbito do Programa Na- onde desempenhem funções. É necessário
Que balanço geral faz da iniciativa? cional de Reformas, o Programa INTERFACE apostar na formação especializada dos en-
O Plano de Ação para a Economia Circular – com objetivo de acelerar a transferência genheiros portugueses para adquirirem va-
2017-2020 veio estabelecer as metas e ações de tecnologia das universidades para as em- lências e conhecimentos que abordem, de
específicas para diversos setores em Por- presas e potenciar a certificação dos pro- forma pragmática e sistémica, as atividades
tugal até 2020, desenhando o caminho que dutos; o Programa FITEC – reforço da ação que terão que ser implementadas para ali-
o País deve percorrer na transição para a dos centros de interface tecnológicos, alar- cerçarem a transição dentro das instituições
economia circular. Apresenta sete ações gando o seu contributo para melhorar a ino- e na sociedade em geral. E, no fim, inovar
macro e ações de cariz regional. As ações vação das empresas; e o Fundo Ambiental nas soluções: “Nunca se pode planear o fu-
macro são de âmbito estrutural, com po- – apoiar políticas ambientais para a prosse- turo pelo passado” [Edmund Burke].

54 • INGeNIUM Março/Abril 2018


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Colégios

Especialidades e Especializações Verticais

Engenharia CIVIL .................................................................................................... 56 Engenharia GEOGRÁFICA ............................................................................. 67


Engenharia ELETROTÉCNICA ................................................................... 56 Engenharia AGRONÓMICA .......................................................................... 68
Engenharia MECÂNICA .................................................................................... 58 Engenharia FLORESTAL ................................................................................... 69
Engenharia GEOLÓGICA E DE MINAS .............................................. 59 Engenharia de MATERIAIS ............................................................................ 69
Engenharia QUÍMICA E BIOLÓGICA .................................................. 63 Engenharia INFORMÁTICA .......................................................................... 71
Engenharia NAVAL ................................................................................................ 65 Engenharia do AMBIENTE ............................................................................ 71

Especializações HORIZONTAIS
Especialização em

AVALIAÇÕES DE ENGENHARIA .............................................................. 73 GEOTECNIA ................................................................................................................ 77


ENGENHARIA AERONÁUTICA ................................................................. 74 METROLOGIA .......................................................................................................... 78
ENGENHARIA ALIMENTAR ......................................................................... 74 SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA ............................. 79
ENGENHARIA DE CLIMATIZAÇÃO ...................................................... 75 TRANSPORTES E VIAS DE COMUNICAÇÃO ............................. 79

Especialidades e Especializações Verticais

Colégio Nacional de
Engenharia Civil
Paulo Ribeirinho Soares › p@ribeirinhosoares.pt

• Sessões Temáticas de Engenharia Civil » ver secção Regiões » CENTRO


• Visita Técnica às obras da ETAR da Companheira » ver secção Regiões » SUL
Iniciativas Regionais
• Visão Integrada sobre Reabilitação » ver secção Regiões » SUL
• Debate sobre a Construção Civil nos Açores » ver secção Regiões » AÇORES

Especialidades e Especializações Verticais

Colégio Nacional de
Engenharia Eletrotécnica
Luis Filipe Cameira Ferreira › luis.cameiraferreira@gmail.com

O primeiro satélite 100% português: o Infante


DR

O primeiro satélite totalmente construído e Este microssatélite será o precursor de uma


desenvolvido em Portugal, o Infante, deverá constelação de outros satélites idênticos
ser lançado até final de 2020, sendo uma que serão construídos e lançados nos anos
iniciativa do cluster português para as in- seguintes para observação da Terra e co-
dústrias Aeronáutica, do Espaço e da Defesa municações com foco em aplicações ma-
(AED Cluster). rítimas.
Trata-se da construção de um satélite de O consórcio envolvido neste projeto é cons-
nova geração que envolve um investimento tituído por nove empresas da área do es- Ilustração artística do microssatélite Infante

de mais de nove milhões de euros para três paço, entre as quais a Tekever, Active Space
anos, sendo que o projeto Infante já foi Technologies, Omnidea, Active Aerogels, vestigação de todo o País que trabalham
aprovado pela Agência Nacional de Inovação GMV, HPS e a Spin.Works, além de dez cen- em espaço, como, por exemplo, o ISQ, que
para ser cofinanciado pelos fundos estru- tros de investigação e desenvolvimento de será o responsável por toda a área de testes
turais da União Europeia. diversas universidades e laboratórios de in- a peças e do produto final.

56 • INGeNIUM Março/Abril 2018


Colégios

Colégio Nacional de Engenharia ELETROTÉCNICA

Seca aumenta consumo de gás em 344% para produzir eletricidade


Em complemento a outros constrangimentos uma variação de 334% face ao período ho-

DR
que a seca está a produzir em Portugal Con- mólogo de 2016.
tinental, a falta de água nas albufeiras está A Associação Sistema Terrestre Sustentável
a gerar um impacto na produção de eletri- Zero também noticiou que, devido à seca,
cidade pelas grandes barragens. De acordo as centrais térmicas têm vindo a colmatar
com a REN - Redes Energéticas Nacionais, a impossibilidade de gerar eletricidade via
nos primeiros cinco meses de 2017, o con- energias renováveis, pelo que as emissões
sumo acumulado das centrais de ciclo com- associadas à produção de eletricidade entre carbono, um aumento de 5,7 milhões de
binado movidas a gás natural foi de 9.439 janeiro e setembro de 2017 atingiram “cerca toneladas em relação ao mesmo período
gigawatts hora (GWh), o que representou de 24 milhões de toneladas de dióxido de do ano passado [+31%]”.

Colégio Nacional de Engenharia ELETROTÉCNICA

“Poupa Energia” já está a funcionar

DR
O portal “Poupa Energia” já se encontra a Este portal é uma iniciativa da ADENE –
funcionar e permite ao consumidor esco- Agência para a Energia, entidade nacional
lher o comercializador de eletricidade e gás incumbida do exercício da atividade de Ope-
natural mais adequado para o seu perfil de rador Logístico de Mudança de Comercia-
consumo. O portal disponibiliza informação lizador, no âmbito do Sistema Elétrico Na-
sobre as ofertas dos comercializadores de cional e do Sistema Nacional de Gás Natural,
eletricidade e gás natural disponíveis no através do Decreto-lei n.º 38/2017, de 31 • O “Poupa Energia” encontra-se disponível em
mercado liberalizado. de março. www.poupaenergia.pt

Colégio Nacional de Engenharia ELETROTÉCNICA

Guia de Informação “Indústria 4.0

DR
Sistemas de Incentivos à Economia Digital”
O IAPMEI – Agência para a Competitividade cionais na era digital, este Guia insere-se na
e Inovação lançou a primeira edição do Guia Estratégia Nacional para a Digitalização da
de Informação “Indústria 4.0 – Sistemas de Economia. O documento tem como obje- para o investimento no contexto da Indús-
Incentivos à Economia Digital”, com o apoio tivos centrais acelerar a adoção das tecno- tria 4.0.
do FEDER – Fundo Europeu de Desenvol- logias e conceitos da Indústria 4.0 no tecido
vimento Regional. empresarial português, promover empresas • Disponível para consulta em
Pretendendo gerar as condições para o de- tecnológicas portuguesas a nível interna- www.iapmei.pt/getattachment/Paginas/
senvolvimento da indústria e serviços na- cional e tornar Portugal um polo atrativo Industria-4-0/GuiaIndustria40.pdf.aspx

Colégio Nacional de Engenharia ELETROTÉCNICA

Projeto 5GCity hosting), como a extensão do modelo da


“cloud” para o “edge” da rede. Isto significa
O 5GCity é um projeto de investigação e que as antenas móveis podem ser parti-
DR

desenvolvimento da rede 5G, do programa lhadas entre operadores, sem requerer o


Horizon 2020, que começou em junho de investimento inicial em infraestrutura por
2017. O projeto envolve 18 parceiros euro- parte deles. Tal como já acontece em alguns
peus, maioritariamente de Espanha e Itália, sítios mais críticos em termos de concen-
DR
DR

num conjunto equilibrado de indústria e in- tração populacional, prevê-se que em cen-
vestigação, sendo liderado pela i2cat (Es- tros urbanos isto seja uma necessidade para
panha) e pela NEC (Alemanha). um modelo de rede inovador, que não só cumprir os requisitos do 5G, onde dez a
O principal objetivo do 5GCity passa por servirá para partilhar a infraestrutura de rede cem vezes mais dispositivos estarão ligados,
desenvolver, experimentar e implementar entre operadores móveis (através de neutral transmitindo um volume de dados mil vezes

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 57


Colégios

superior ao atual. Com este volume de dados, a estratégia passará

DR
por deixar de continuar a fazer processamento em serviços cen-
tralizados na “cloud”, que requer um elevado custo de manutenção,
e passar a distribuir este processamento pela rede, nomeadamente
na “edge” da mesma, mais perto dos dispositivos, reduzindo assim
a latência na comunicação, não correndo o risco de violação de
privacidade dos dados mais sensíveis e melhorando a performance
das soluções.
As três cidades-piloto, Barcelona, Lucca e Bristol, servirão para va-
lidar os múltiplos casos de uso planeados, tais como: Neutral Hos-
ting (partilha de infraestrutura de rede entre operadores móveis);
Transmissão multimédia em Ultra HD; e Prevenção de colocação
não autorizada de lixo. com sensores de monitorização, permitirão medir, por exemplo, a
A Ubiwhere e a MogTechnologies são as duas empresas portuguesas qualidade do ar ou o tráfego automóvel. A MogTechnologies irá
envolvidas no projeto 5GCity. A Ubiwhere, empresa de software contribuir com aquisição e produção de conteúdos de vídeo, bem
focada em Smart Cities e Telecomunicações, irá contribuir para o como ligação aos media, uma vez que irão ser explorados no 5GCity:
desenvolvimento da plataforma que possibilitará a partilha da in- transmissão em direto via telemóvel, distribuição de vídeo UHD e
fraestrutura de rede entre operadores móveis e irá explorar o seu aquisição/produção de vídeo em direto na “edge” e na “cloud”.
produto, o Smart Lamppost, instalando “postes inteligentes” capazes
de servir como antenas de comunicação móveis e que, equipados • Mais informações sobre o Projeto 5GCity disponíveis em www.5gcity.eu

• Sessões de Ambiente e Eletrotécnica com elevada participação » ver secção Regiões » NORTE
Iniciativas Regionais • Instalações Elétricas – Desafios Para o Setor » ver secção Regiões » CENTRO
• Visita Técnica à ANACOM » ver secção Regiões » MADEIRA

Especialidades e Especializações Verticais

Colégio Nacional de
Engenharia Mecânica
Gonçalo Manuel Fernandes Perestrelo › gfperestrelo@gmail.com

EU Green Week 2018 bem como o seu incentivo na partilha da


visão de um futuro sustentável.
A próxima edição da Semana Verde da União A Semana Verde da UE 2018 incluirá eventos
Europeia (UE) irá explorar as formas pelas por toda a Europa, com destaque para uma
quais a UE está a ajudar as cidades a tor- conferência de alto nível, em Bruxelas, de
narem-se melhores lugares para viver e tra- gens participativas para o desenvolvimento 22 a 24 de maio.
balhar. Apresentando a evolução da política urbano, esquemas de redes e ferramentas
em matéria de qualidade do ar, ruído, gestão para partilha das melhores práticas, envol- • Mais informações disponíveis em
da água e resíduos, irá promover aborda- vendo as autoridades locais e os cidadãos, www.eugreenweek.eu

Colégio Nacional de Engenharia MECÂNICA

EUSEW18 – EU Sustainable Energy Week 2018


A Comissão Europeia organiza anualmente relacionada com o tema, ou a um prémio
a Semana da Energia Sustentável (EUSEW18), na EUSEW18, ou, até mesmo, através da or-
a qual, este ano, decorrerá entre 4 e 8 de ganização de um dia de energia local.
junho. O evento, subordinado ao tema “Clean De entre as várias propostas, a “Policy Con- debater os novos desenvolvimentos da po-
Energy Transition”, pretende promover a ference EUSEW18” é considerada a confe- lítica energética, bem como as melhores
eficiência energética e as energias renová- rência europeia mais importante dedicada práticas e ideias de energia sustentável. Esta
veis na Europa. Os interessados poderão a questões de política energética susten- Conferência tem lugar entre os dias 5 e 7
participar em diferentes iniciativas, desde a tável. As sessões organizadas pela Comissão de junho, em Bruxelas, na Bélgica.
candidatura ao acolhimento de uma sessão Europeia e as partes interessadas pretendem • Mais informações disponíveis em www.eusew.eu

58 • INGeNIUM Março/Abril 2018


Colégios

Colégio Nacional de Engenharia MECÂNICA

Turbo Expo 2018 – Turbomachinery Technical Conference & Exposition


A Turbo Expo é apresentada pelo ASME In- timas tendências em digitalização, contando
ternational Gas Turbine Institute como um com sessões específicas nestes domínios.
reconhecido evento obrigatório para os À semelhança da edição anterior, serão
profissionais de turbomáquinas. A confe- igualmente abordadas as iniciativas recentes
rência técnica tem grande reputação nestes nos domínios da indústria dos aditivos. Con-
domínios, reunindo os melhores especia- Dada a importância em manter uma exce- tará, ainda, com uma sessão de posters de
listas de todo o Mundo, na qual partilham lente e fiável operação das turbomáquinas estudantes. Decorre de 11 a 15 de junho,
as mais recentes informações em termos ao longo da sua vida, a edição de 2018 da em Oslo, na Noruega.
de investigação, desenvolvimento, aplica- Turbo Expo terá um foco claro na manu- • Mais informações disponíveis em
ções e tecnologias de turbinas. tenção, reparação e inspeção, à luz das úl- www.asme.org/events/turbo-expo

• Indústria 4.0 – Impactos no Setor Industrial, Pessoas e Sustentabilidade » ver secção Regiões » CENTRO
Iniciativas Regionais
• Sessão Temática sobre “Bacalhau” » ver secção Regiões » CENTRO

Especialidades e Especializações Verticais

Colégio Nacional de
Engenharia Geológica e de Minas
Teresa Burguete › teresa.burguete@gmail.com

A Engenharia Geológica e de Minas nas Universidades


O Conselho Regional Sul do Colégio de En- chas ornamentais. Foram realizados ensaios o traquito como uma rocha resistente a
genharia Geológica e de Minas da Ordem dos mais diversos tipos, de forma a incluir ações mecânicas intensas, contudo, apre-
dos Engenheiros promoveu, a 17 de no- um grande leque de situações a que o ma- senta um valor de absorção de água ele-
vembro, um Seminário sobre “A Engenharia terial poderá estar sujeito em obra. vado, fator que pode justificar um novo es-
Geológica e de Minas nas Universidades”. A sua identificação foi realizada através da tudo de forma a compreender a sua in-
Os trabalhos apresentados resultaram de análise mineralógica e química, com o ob- fluência na utilização da rocha em exteriores.
teses de mestrado de alunos oriundos do jetivo de confirmar a sua classificação se- Relativamente à alterabilidade, a rocha apre-
Instituto Superior Técnico da Universidade gundo a bibliografia. A rocha apresenta três sentou ser pouco suscetível aos ambientes
de Lisboa, da Faculdade de Ciências e Tec- variedades, cujas composições mineraló- simulados. Os resultados da prospeção geo-
nologia da Universidade Nova de Lisboa e gicas são semelhantes mas que apresentam física permitiram simular a existência de,
da Universidade de Évora. Os temas focados variações texturais e de cor. Através de pelo menos, 3.750.000 m3 de material, valor
evidenciaram a multidisciplinaridade da En- normas padronizadas, adaptações e proce- que pode influenciar positivamente a viabi-
genharia Geológica e de Minas. dimentos internos, o traquito foi testado por lidade da exploração.
ensaios físico-mecânicos e de alteração Em suma, o traquito de Mafra demonstrou
Lúcia Irina Oliveira para determinação do seu comportamento. ser um material de elevada qualidade, po-
Estudo de um traquito da região Este material não foi alvo de qualquer es- dendo ser utilizado para os mais diversos
de Mafra para aplicação como tudo anterior, sendo necessário identificar produtos e aplicações das rochas ornamen-
rocha ornamental formações semelhantes e que tivessem sido tais, em interiores.
O tema principal deste trabalho foi a iden- previamente estudadas, nomeadamente o
tificação e caracterização tecnológica de traquito dos Açores, que é utilizado como João Lino Pereira
um traquito, uma rocha vulcânica com aflo- rocha ornamental na região. Balancing Static and Dynamic
ramentos no concelho de Mafra (Portugal), Para determinar as dimensões do maciço Match and uncertainty
devido às suas características estéticas terem em profundidade foi realizada prospeção quantification
suscitado interesse na sua possível explo- geofísica, nomeadamente a geoelétrica, As incertezas intrínsecas em modelos de
ração. com o objetivo de especular a viabilidade reservatórios constituem a principal preo-
O objetivo foi testar a rocha de forma a da exploração. cupação na tomada de decisões para o de-
identificar o seu potencial no setor das ro- Os ensaios realizados permitiram classificar senvolvimento e gestão de reservatórios de

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 59


Colégios

hidrocarbonetos. A incerteza nos modelos principal processar e analisar imagens óticas (cone de queda) e vane (aplicada através de
de reservatórios resulta da escassa infor- e de radar que cobrem a área de estudo e um viscosímetro e de um reómetro). A partir
mação e de medições indiretas de dados combiná-las num SIG para identificar pa- dos resultados obtidos procedeu-se à iden-
que podem comprometer a reliabilidade na drões de águas subterrâneas em aquíferos tificação dos ensaios que apresentaram me-
previsão da produção. O ajuste de histórico fraturados e bacias sedimentares nos vales. lhores resultados e correlações com o teor
é um processo habitualmente usado em As observações de campo e os dados geo- de sólidos das misturas e com os valores de
modelação de reservatórios com a finali- lógicos permitiram distinguir dois principais tensão de cedência obtidos com o viscosí-
dade de reduzir as incertezas relacionadas tipos de aquíferos na área de estudo, um de metro e com o reómetro. As conclusões
aos dados dinâmicos observados, mas ge- tipo detrítico e outro fraturado, que é o ob- obtidas sobre a influência de certos parâ-
ralmente negligencia a consistência geoló- jeto deste estudo. metros nos valores de tensão de cedência,
gica do modelo. Assim sendo, apesar de Os resultados mostram que a integração e determinados por ambos os equipamentos,
reproduzir a resposta dinâmica do reserva- interpretação de diferentes camadas temá- foram matematicamente comprovadas num
tório, o modelo pode evidenciar caracterís- ticas, tais como lineamentos, drenagem, estudo estatístico baseado na proposta e
ticas geológicas irrealistas. O presente tra- índice de vegetação e dados de campo, são validação de modelos de regressão linear
balho propõe uma metodologia para ajuste úteis para prever áreas de recarga e des- múltipla.
de histórico de reservatórios aplicada num carga. O método de ensaio fall cone, adaptado a
caso de estudo padrão de referência na in- No que diz respeito à qualidade da água, o este tipo de material, foi o que obteve me-
dústria. O processo de ajuste de histórico estudo hidrogeoquímico mostrou que para lhores resultados. Tratando-se de um mé-
passa pela aplicação de uma abordagem de os parâmetros físico-químicos analisados, todo simples, económico e expedito para
otimização multiobjetivo com amostragem as águas subterrâneas da área de estudo a determinação da tensão de cedência de
estocástica adaptativa, Multi-Objective Par- podem ser avaliadas como águas de boa pasta, considera-se que o estudo realizado
ticle Swarm Optimisation. Após otimização qualidade. constitui um importante contributo para a
de parâmetros geológicos, é obtido simul- medição da tensão de cedência, pelo que
taneamente o ajuste das propriedades pe- Maria Ângela Silva se recomenda a sua frequente utilização no
trofísicas e das variáveis de produção. A in- Determinação laboratorial controlo de qualidade e nas medições, in
certeza nas previsões é quantificada e ca- de propriedades reológicas situ, deste tipo de enchimento mineiro.
racterizada através de técnicas de inferência de pasta de enchimento.
Bayesiana tais como Neighbourhood Algo- Um caso de estudo das minas Joel Pequito
rithm-Bayes e Bayesian Model Averaging. A Zinkgruvan e Neves-Corvo Uma alternativa “verde” para o
metodologia proposta provou que em mo- A reologia é uma das propriedades mais im- processamento de areias siliciosas
delos com diferentes parametrizações, o portantes do enchimento de pasta, na me- Uma areia siliciosa é um recurso natural que
ajuste dinâmico continua bom e as proprie- dida em que determina a viabilidade de funciona como uma matéria-prima para
dades estáticas são melhor reproduzidas. É transporte deste material por longas distân- variadas indústrias, tais como as das tintas,
identificado um bom balanço entre os ob- cias no subsolo. A caracterização reológica cimentos, enchimentos, mas também para
jetivos estático e dinâmico, o que leva a dis- da pasta de enchimento constitui uma ta- realizar moldes para a indústria da fundição,
tribuições mais realistas do modelo. Na de- refa difícil, complexa, ainda assim, desafiante, para a indústria vidreira, entre outras. A in-
dução das previsões, os modelos com di- tendo em conta o elevado número de fa- dústria do vidro ótico é a mais exigente e,
ferentes parametrizações demonstraram tores variáveis. Até ao momento, ainda não como tal, é necessário submeter a areia a
previsões fidedignas tanto a nível de poços foram criados procedimentos e/ou métodos uma série de processos de beneficiação. É
como de produção cumulativa de óleo e standard para a medição das propriedades comum recorrer-se à flutuação por espumas,
água, estando o valor real englobado no reológicas deste material, de forma parti- que é um método bastante eficiente para a
intervalo credível P10-P50-P90. cular, a tensão de cedência. remoção dos contaminantes da areia numa
O trabalho experimental realizado consistiu fase final da sua linha de processamento,
Irina Miguel no desenvolvimento de um programa pre- mas este também é um método que recorre
Identificação de padrões de água ciso de testes laboratoriais que permitisse a uma grande quantidade de água e rea-
subterrânea com base em deteção avaliar, medir e compreender as proprie- gentes químicos possuindo algum impacte
remota. Caso de estudo de um dades reológicas deste tipo de pasta. Neste ambiental.
aquífero fraturado em rocha sentido, realizou-se uma vasta bateria de Pretendeu-se com este trabalho estudar a
dura, Wako Kungo, Angola ensaios, no laboratório GeoLab, no Instituto possibilidade de realizar a substituição desse
A água subterrânea é considerada a maior Superior Técnico, a diferentes misturas, pro- método por um método alternativo com
porção dos recursos de água doce do Mundo. duzidas com cimento, água e rejeitados menor impacte no ambiente e também, de
A água subterrânea é utilizada em vários provenientes das minas de Zinkgruvan e de modo a facilitar a análise dos produtos, de-
centros urbanos das províncias do litoral de Neves-Corvo. senvolver um método de caracterização
Angola e nas províncias áridas do sul é uma Para determinar a viscosidade e a tensão de com recurso à análise de imagem com base
das principais fontes de abastecimento nas cedência destas misturas, efetuaram-se os na cor das partículas.
zonas rurais. ensaios seguintes: slump (abaixamento), Foi realizado um plano de ensaios, avaliando
O presente trabalho tem como objetivo flow table (mesa de espalhamento), fall cone os resultados em termos da recuperação

60 • INGeNIUM Março/Abril 2018


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de quartzo e teor de quartzo no produto Gergana Ivanova Vanova As ferrovias representam uma das principais
concentrado com base no método desen- Anionic surfactant and low vias de comunicação de um país, possibili-
volvido de análise de imagem. Os resultados molecular weight polymer tando a ligação de diversos locais por meio
destes ensaios permitiram definir um critério as cEOR methods for carbonates. terrestre, com o intuito de transportar cargas
para maximizar ambos os resultados che- Coreflooding Experiments ou passageiros de modo económico. Por
gando a uma recuperação de quartzo de at Reservoir Conditions este motivo, é essencial garantir a sua pre-
71,5% e um teor em quartzo de 99,89% no A abundância e a complexidade dos reser- servação e o seu funcionamento adequado
produto concentrado. vatórios de calcário fez deles o objeto de durante o respetivo tempo de vida útil.
Foram realizados ainda alguns ensaios com estudo mais investigado nas últimas décadas. Ao longo destas infraestruturas viárias é pos-
a mesma areia num separador magnético Ao mesmo tempo, a maior parte dos campos sível identificar taludes de escavação na sua
Frantz resultando numa recuperação de de petróleo estão a envelhecer e a recupe- envolvente que, frequentemente, se encon-
quartzo de 99,92% e um teor em quartzo ração primária vai deixando de ser suficiente tram instabilizados, por diferentes tipos de
de 99,88%. Quando comparados os con- para manter a produção de hidrocarbonetos. movimentos de massa. Por essa razão,
centrados com a alimentação, o ensaio Neste cenário, a recuperação melhorada de existem diversos sistemas de classificação
ótimo da mesa oscilante indica uma re- petróleo, apesar de não ser uma temática que pretendem avaliar a necessidade de in-
moção de cerca de 56% dos contaminantes recente, tem vindo a ganhar mais atenções tervenção, em infraestruturas lineares, e
de cor escura, onde se incluem os conta- a cada dia que passa, com a procura de priorizar a intervenção nos taludes de maior
minantes de ferro. O pior ensaio da sepa- novas ou o aperfeiçoamento de técnicas já risco.
ração magnética apresentou uma remoção existentes. Uma das técnicas mais promis- Na presente dissertação inventariaram-se
de 77,13% e o melhor de 97,73% de partí- soras é a recuperação melhorada de pe- os taludes de escavação rochosos de uma
culas de cor escura. tróleo pelo uso de surfactantes. linha ferroviária com a finalidade de identi-
Surfactantes são moléculas capazes de re- ficar aqueles que representassem maior risco
Alexandre Vieira duzir significativamente a tensão interfacial para priorizar a sua reabilitação. Através de
Avaliação do Potencial Mineiro entre água e petróleo, conseguindo dessa métodos expeditos realizou-se a caracteri-
das Escombreiras da Mina maneira alterar a molhabilidade da rocha zação geológica e geotécnica dos taludes,
de S. Domingos reservatório e mobilizar hidrocarbonetos procedendo-se à descrição dos sistemas de
Localizado na Faixa Piritosa Ibérica, o jazigo adicionais. O problema do uso de surfac- descontinuidades e mecanismos de rotura
de São Domingos foi explorado na época tantes é a sua adsorção na rocha reserva- existentes, bem como à caracterização das
romana e entre 1854 e 1966, tendo sido es- tório. A adsorção de surfactante pode ser valas de captação e dos sistemas de dre-
cavada uma corta com 120m de profundi- minimizada adicionando inibidores de ad- nagem associados.
dade e abertas galerias mineiras até 420m. sorção, como por exemplo polímeros de Os taludes foram sujeitos a uma primeira
O minério é formado por sulfuretos maciços baixo peso molecular. análise, em função da sua geometria e das
e stockwork (py, cpy, sph, ga, tt, aspy) e res- Neste estudo, uma formulação de um sur- respetivas valas de captação, segundo o
petivo enriquecimento supergénico (chapéu factante aniónico da Cepsa com um car- ábaco de Ritchie, que permite dimensioná-
de ferro hematítico e zona de covelite/cal- boxilato como co-surfactante e um polí- -las e caso estas cumpram os critérios de
cocite), encontrando-se associado a vulca- mero de baixo peso molecular é proposta; dimensionamento (em largura e em pro-
nitos félsicos e xistos negros do Complexo o seu desempenho foi testado em expe- fundidade) sugeridos, considera-se que o
Vulcano-Sedimentar. riências de coreflooding sobre calcários, a talude não representa risco significativo para
Recorrendo a cartografia das diferentes pressão de 10bar e temperatura de 120oC. a via, uma vez que as valas permitem uma
classes de escombreiras, chapéu de ferro, Além disso, o estudo reológico de um po- captação ideal dos blocos e, portanto, não
rochas vulcânicas e xistos, xistos e aterros, límero de alto peso molecular foi realizado, se justificaria a sua reabilitação. Àqueles que
e considerando a caracterização efetuada de maneira a implementar uma solução foram considerados de risco, procedeu-se
pela empresa CONASA (162 poços e 160 drive de polímero numa das experiências à respetiva classificação e gestão do risco
sondagens de circulação inversa/base de de coreflooding. para rodovias, Unstable Slope Management
dados LNEG), foram inferidos novos recursos Com a formulação proposta foi possível au- System, desenvolvido, pelo Departamento
usando software de modelação por blocos. mentar em >20% o petróleo recuperado. dos Transportes do Estado de Washington.
Considerando alguns fatores limitantes à Os níveis de adsorção/retenção de surfac- Após as devidas adaptações deste sistema
remoção dos resíduos, foram avaliados di- tante variaram entre 1,51mgsurf/grocha e para aplicação em ferrovias, avaliam-se pa-
ferentes cenários. O mais restritivo aponta 2,88mgsurf/grocha. A solução drive de po- râmetros inerentes ao talude e à ferrovia,
para um recurso de 2.4 Mt com 0.77 g/t Au límero contribuiu para aumentar a viscosi- determinando-se, assim, se cada talude em
e 8.26 g/t Ag (volumes sem condicionantes dade da fase aquosa e não apresentou pro- particular necessitava, ou não, de inter-
à exploração). Considerando todos os re- blemas de injectividade na rocha de baixa venção. Para os taludes que se conclui que
cursos avaliados (incluindo áreas urbanas) permeabilidade (18mD) em que foi testada. necessitam de ser intervencionados são su-
inferem-se valores de 3.9 Mt com 0.64 g/t geridas algumas soluções de reabilitação,
Au e 7.30 g/t Ag, correspondendo a um Loubna Kerfah tendo como base o Slope Mass Rating. Fi-
conteúdo em metal de 82 878 oz t Au e 955 Reabilitação de taludes de nalmente, tecem-se considerações sobre a
753 oz t Ag. escavação rochosos em ferrovias eficácia da metodologia adotada.

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 61


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Colégio Nacional de Engenharia GEOLÓGICA E DE MINAS

Projetos H2020 no setor mineiro português ¡VAMOS!

Os projetos com financiamento europeu para gico e inovação, com o compromisso de


melhoria do setor mineiro contam com a transferir conhecimento para o setor em-
participação de parceiros portugueses, pro- presarial. Com o desenvolvimento do Plano
curando inovar na exploração sustentável de Geológico Nacional será possível melhorar
matérias-primas, explorando ao máximo os o sistema de governança da Região Centro,
minerais de valor, com menores custos e re- em particular no que se refere ao desenvol-
dução de impactes ambientais negativos. vimento das bases para incentivar projetos
No XXI Congresso Nacional da Ordem dos eco-inovadores e que promovam a explo- O projeto ¡VAMOS! (Viable Alternative Mine
Engenheiros tivemos oportunidade de co- ração das barragens de rejeitados e escom- Operating System), com lançamento em
nhecer o projeto Real-Time-Mining, que breiras. Este projeto tem particular interesse março de 2016, tem por objetivo desen-
tem como parceiro português o Instituto a nível europeu, já que na Região Centro de volver um protótipo robótico para explo-
Superior Técnico (IST-ID). Em Portugal, o Portugal se encontram minérios listados na ração subaquática, assim como o equipa-
projeto implementa a monitorização e gestão lista de matérias-primas críticas, das quais mento associado de lançamento e recolha,
de reservas em tempo real, através de um a Europa é dependente (www.dct.fct.unl.pt/ que serão usados para levar a cabo testes
caso concreto de um jazigo de sulfuretos noticias/2017/06/interreg-europe-projecto- sobre depósitos minerais em quatro locais
cupríferos da mina de Neves Corvo. -remix). diferentes na União Europeia. Dos quatro
Nesta edição da “INGENIUM” apresentamos locais, três são depósitos minerais subter-
mais alguns projetos, com financiamento EXPLORA râneos e o quarto no mar. O protótipo ba-
europeu, relacionados com o setor mineiro O projeto EXPLORA – Definição de novos seia-se em técnicas de exploração em mar
português. vetores de conhecimento geológico, geo- profundo, pelo que se prevê garanta uma
físico e geoquímico para a região seten- opção mais segura e menos poluente para
INTERREG REMIX trional de Neves-Corvo, financiado pelo o aproveitamento económico de depósitos
programa Alentejo2020, tem por objetivo minerais que atualmente não são exploráveis
caracterizar os modelos geológicos, geo- por métodos tradicionais. Em 24 de outubro
químicos e geofísicos deste importante de 2017 foi realizada, no Reino Unido, com
centro mineiro da Faixa Piritosa Ibérica, até sucesso, a primeira demonstração. O se-
profundidades de cerca de 1.500m. gundo teste está previsto para o segundo
O EXPLORA pretende definir novos hori- trimestre de 2018, na Bósnia e Herzegovina.
zontes geológicos favoráveis à ocorrência Em janeiro de 2018 realizou-se uma confe-
de mineralizações de sulfuretos, com base rência conjunta dos projetos ¡VAMOS! e
numa metodologia ID integrada, que en- UNEXMIN sobre a utilização da robótica e
volve: o estudo de sondagens profundas automação nos métodos de prospeção e
O projeto REMIX – Regiões Mineiras Euro- (>1.000m); datação de rochas vulcânicas exploração. Este projeto, liderado pela em-
peias Verdes e Inteligentes centra-se no félsicas (U/Pb em zircões) e de sedimentos presa BMT Group Limited (Reino Unido), tem
desenvolvimento de estratégias eco-inova- (estudos biostratigráficos, palinologia); pro- como parceiros portugueses o INESC TEC
doras para a Indústria Mineira. O REMIX pre- cessamento e modelação de dados de gra- (Instituto de Engenharia de Sistemas e Com-
tende estimular as regiões europeias com vimetria, geomagnetismo, resistividade e putadores – Tecnologia e Ciência) e a em-
depósitos minerais a desenvolverem estra- sísmica; medições petrofísicas; geoquímica presa Minerália (http://vamos-project.eu).
tégias regionais para a implementação de de rochas e de solos; estudo de halos geo-
projetos mineiros mais eficientes que sal- químicos em solos e desenvolvimento de UNEXMIN
vaguardem o ambiente e promovam, simul- software.
taneamente, o crescimento de emprego A equipa EXPLORA está sediada no Alentejo,
através do envolvimento das PME. O coor- em Beja e no novo Centro de Estudos Geo-
denador do projeto é o Conselho Regional lógicos e Mineiros do Alentejo – CEGMA, O projeto UNEXMIN está a desenvolver um
de Lapland (Finlândia). construído pelo LNEG em Aljustrel. novo sistema de pesquisa robótico para o
No caso de Portugal, com o parceiro Fa- O EXPLORA é uma operação do Sistema de mapeamento autónomo de minas subter-
culdade de Ciências e Tecnologia da Uni- Apoio à Investigação Científica e Tecnoló- râneas inundadas. Este projeto tem como
versidade Nova de Lisboa, o projeto centra- gica/Alentejo2020 (ALT20-03-0145- parceiros portugueses o INESC TEC, a EDM,
-se na articulação de políticas regionais, FEDER-000025), desenvolvida pelo LNEG a GEOPLANO e a APG, através da Federação
concretamente o Programa Operacional (líder) e pelo Laboratório Hércules da Uni- Europeia de Geólogos. A tecnologia desen-
Centro2020. versidade de Évora, em parceria com a em- volvida pelo UNEXMIN aumentará a capa-
Neste projeto, um dos objetivos é o reforço presa Somincor/Lundin Mining, concessio- cidade da Europa em reavaliar as suas minas
da investigação, desenvolvimento tecnoló- nária da mina de Neves Corvo. abandonadas no que diz respeito ao seu

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potencial mineiro, beneficiando de custos criação de condições que facilitem o acesso tem dez parceiros de nove países. Portugal
de pesquisa reduzidos e uma maior segu- ao território para a atividade de gestão dos está representado no projeto MIN-GUIDE
rança em termos de investimento para fu- recursos geológicos e a compatibilização da pela Universidade de Aveiro, coordenando
turos projetos mineiros. A recuperação da sua gestão com outras ocupações do terri- a área específica da mineração marinha,
informação sobre locais de exploração his- tório na União Europeia. As conclusões e atendendo ao propósito mais abrangente
tóricos, atualmente inacessíveis, ajudará, recomendações deste projeto poderão cons- do projeto de construir um Guia com as
igualmente, a documentar e proteger o pa- tituir ferramentas de apoio aos decisores nas Legislações/Políticas Mineiras dos 28 países.
trimónio mineiro único da Europa. O pro- áreas dos recursos geológicos e do ordena- Os principais objetivos do projeto MIN-
jeto teve início em 2016, com a duração mento do território. Com início em dezembro -GUIDE consistem na criação de uma base
prevista de 45 meses e a primeira demons- de 2017 prevê-se que este projeto esteja informativa de caráter legislativo para os
tração terá lugar em meados de 2018 (www. concluído em novembro de 2019. recursos geológicos e áreas afins, existentes
unexmin.eu). em cada Estado-Membro, ajudando a es-
MIN-GUIDE tabelecer bases para a política mineira na
MINLAND União Europeia, facilitando a tomada de
O projeto MINLAND – Mineral resources in decisão e promovendo a construção de
sustainable land-use planning, coordenado redes de gestão e conhecimento para os
pelos Serviços Geológicos da Suécia, tem recursos minerais. Este projeto, com início
como parceiros portugueses a Direção-geral em fevereiro de 2016 e conclusão prevista
de Energia e Geologia e o Laboratório Na- para janeiro de 2019, prevê a realização de
cional de Energia e Geologia. Os principais O MIN-GUIDE é financiado pela Comissão cinco Policy Laboratories e de três confe-
objetivos do projeto MINLAND consistem na Europeia no âmbito do H2020 e o consórcio rências anuais (www.min-guide.eu).

Especialidades e Especializações Verticais

Colégio Nacional de
Engenharia Química e Biológica
Manuel Fernando Ribeiro Pereira › fpereira@fe.up.pt

Indorama Ventures compra fábrica da Artlant em Sines


A empresa tailandesa Indorama Ventures pois de ter entrado em Processo Especial de aumentar em 10% o número de trabalha-
concluiu em novembro do ano passado a Revitalização. A unidade fabril é produtora dores, atualmente 105, ainda durante o pri-
compra da Artlant, fábrica da área petroquí- de ácido tereftálico, a matéria-prima utilizada meiro semestre do ano. A Indorama adquiriu
mica instalada no complexo industrial de na produção de politereftalato de etileno, também os ativos da Artelia Ambiente à Veolia,
Sines, um negócio que foi fechado por 28 componente base no fabrico de embalagens que tem uma capacidade de produção de
milhões de euros, ou seja, três milhões acima de plástico e fibras têxteis, e tem uma capa- 40.390 megawatts de eletricidade, vapor,
do preço mínimo definido. A Artlant, que cidade produtiva de 700 mil toneladas anuais. água desmineralizada, tratamento de águas
tinha a Caixa Geral de Depósitos como prin- Entretanto, a AICEP anunciou que a Indo- residuais e hidrogénio. A Indorama é um dos
cipal credora, foi declarada insolvente pelo rama investirá em 2018 cerca de 150 milhões principais grupos tailandeses e o maior pro-
Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa no de euros entre tesouraria e investimentos dutor mundial de PET integrado, com 20%
final do mês de julho de 2017, dois anos de- para o reinício da fábrica. A empresa prevê da quota no mercado. Fonte: Lusa

Colégio Nacional de Engenharia QUÍMICA E BIOLÓGICA

CUF investe 55 milhões de euros em nova fábrica de cloro em Espanha


O grupo CUF anunciou a compra da fábrica de Estarreja. A fábrica terá uma capacidade cumprindo o desiderato de implementação
de cloro da Solvay Química SL em Torrela- instalada de 68 kt, o que permitirá à CUF da sua estratégia”.
vega (Cantábria). A CUF investirá cerca de dar continuidade à sua estratégia de ser um Para além da venda de ativos, também foram
55 milhões de euros para a instalação de dos principais produtores ibéricos na cadeia assinados acordos entre ambas as empresas
um novo sistema de produção de cloro e de valor do cloro-alcális. que passam pelo arrendamento do solo in-
produtos clorados, através da tecnologia De acordo com João de Mello, Presidente dustrial e fornecimento de serviços, nomea-
baseada em células de membrana, que é do Conselho de Administração da CUF, “com damente a manutenção industrial e apoio
considerada como a mais moderna e amiga este investimento em Espanha, a CUF re- de laboratório a disponibilizar pela Solvay.
do ambiente para este processo e que a força a sua posição de liderança no mer-
CUF já utiliza há vários anos na sua fábrica cado ibérico de cloro e produtos clorados, Fonte: APEQ

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 63


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Colégio Nacional de Engenharia QUÍMICA E BIOLÓGICA

ONU proclama 2019 como o Ano Internacional da Tabela Periódica


Durante a 74.ª Reunião Plenária, realizada riódica em 2019 coincidirá com o 150.º ani-

DR
em 20 de dezembro de 2017, a Assembleia versário da descoberta do Sistema Periódico
Geral das Nações Unidas (ONU) proclamou por Dmitry Mendeleev, em 1869. Os quatro
2019 como o Ano Internacional da Tabela elementos mais recentes (115-118) foram
Periódica (IYPT 2019). Com esta iniciativa, adicionados na Tabela Periódica, com a
as Nações Unidas reconhecem a impor- aprovação dos seus nomes e símbolos, em
tância de aumentar a consciência global do 28 de novembro de 2016.
papel da Química no desenvolvimento sus- O Ano Internacional da Tabela Periódica
tentável e na procura de soluções para os coincidirá ainda com o centenário da IUPAC
desafios globais em energia, educação, agri- Periódica e das suas aplicações para a so- (IUPAC100). Os eventos da IUPAC100 e do
cultura e saúde. Este Ano Internacional irá ciedade durante 2019. IYPT aumentarão a compreensão e rele-
reunir diferentes stakeholders, incluindo a O desenvolvimento da Tabela Periódica é vância da Tabela Periódica e da Química em
UNESCO, sociedades científicas, instituições uma das realizações mais importantes na geral entre o público. O 100.º aniversário
de ensino e de investigação, plataformas Ciência e um conceito científico unificador, da IUPAC será a 28 de julho de 2019 no ca-
tecnológicas, organizações sem fins lucra- com amplas implicações em Astronomia, lendário de aniversários da UNESCO.
tivos e parceiros do setor privado para pro- Química, Física, Biologia e outras ciências
mover e celebrar o significado da Tabela naturais. O Ano Internacional da Tabela Pe- Fonte: IUPAC

Colégio Nacional de Engenharia QUÍMICA E BIOLÓGICA

Mário Ferreira reconhecido como Fellow da The Electrochemical Society


O Professor Mário Ferreira, Membro Con- 2017, o Professor Mário Ferreira já tinha sido
DR

selheiro da Ordem dos Engenheiros, Inves- distinguido pela Federação Europeia de Cor-
tigador do CICECO e Diretor do Departa- rosão com a atribuição da European Cor-
mento de Engenharia de Materiais e Cerâ- rosion Medal. Em 2014, foi o contemplado
mica da Universidade de Aveiro, foi reco- com a Medalha Cavallaro, criada pela Uni-
nhecido como Fellow da The Electroche- versidade de Ferrara e atribuída, desde 1965,
mical Society. Este prémio foi estabelecido a um cientista que se tenha distinguido par-
em 1989 para contribuições tecnológicas ticularmente pela sua atividade e publica-
avançadas individuais nos campos da ele- ções no campo da corrosão. Em 2013, foi
troquímica e da ciência do estado sólido. O tional Corrosion Council, participando em distinguido com a H. H. Uhlig Award, da Di-
Professor Mário Ferreira desenvolve a sua diferentes grupos de trabalho da Federação visão de Corrosão da The Electrochemistry
atividade no campo da corrosão há 40 anos, Europeia de Corrosão. É também membro Society (EUA), um prémio criado em 1972
tendo ainda contribuído para várias áreas do Steel Advisory Group do The Research para reconhecer a excelência na investi-
relacionadas. Steel and Coal Fund da União Europeia. É gação e contribuições técnicas relevantes
O Professor Mário Ferreira tem sido extre- ainda membro do Working Party on Elec- para o campo da ciência da corrosão.
mamente ativo em diversas sociedades cien- trochemical Engineering da Federação Eu-
tíficas, representando Portugal no Interna- ropeia de Engenharia Química (EFCE). Em Fonte: EFCE

Colégio Nacional de Engenharia QUÍMICA E BIOLÓGICA

União Europeia adota nova estratégia para os plásticos


A 16 de janeiro de 2018 a Comissão Europeia acabar com as embalagens de plástico des- euros. A CE quer tornar a reciclagem mais
(CE) publicou a “Estratégia para os Plásticos”, cartáveis na União Europeia, mudando para rentável para as empresas e defende que a
desenhada para fomentar uma economia plástico reciclável e reutilizável e limitando União Europeia deve fazer novas normas para
mais circular, uma das prioridades do execu- o uso de microplásticos. A CE pretende estar embalagens, tornando o plástico utilizado
tivo europeu. De acordo com a CE, a nova na vanguarda da reciclagem e reutilização mais reciclável, aumentando e melhorando
estratégia “alterará o modo de conceção, de materiais, criando “novas oportunidades a recolha para poupar “cerca de cem euros
produção, utilização e reciclagem dos bens de investimento e novos postos de trabalho” por cada tonelada de resíduos recolhida”.
fabricados na União Europeia”. numa indústria que emprega 1,5 milhões de Pretende-se, ainda, criar 200 mil empregos
A CE definiu 2030 como a data-limite para pessoas e movimenta 340 mil milhões de no setor de triagem e reciclagem até 2030.

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A CE refere ainda que “tomará igualmente nantes de plásticos reciclados”. Anualmente,

DR
medidas para restringir a utilização de mi- os europeus geram 25 milhões de toneladas
croplásticos nos produtos e fixará rótulos de resíduos de plástico, “das quais menos
para os plásticos biodegradáveis e compos- de 30% são recolhidas”, enquanto “85% dos
táveis”. A deposição de resíduos no mar será resíduos encontrados nas praias de todo o
proibida, com novas normas a aplicar nos mundo” é plástico.
portos e nos navios. A Comissão pretende Documento da “Estratégia para os Plásticos”
também fomentar o investimento e a ino- da CE disponível em http://ec.europa.eu/
vação nesta área, prevendo 100 milhões de recicláveis, o aumento da eficiência do pro- environment/circular-economy/pdf/plastics-
euros adicionais para financiar “a criação de cesso de reciclagem e o rastreio e elimi- -strategy.pdf
materiais plásticos mais inteligentes e mais nação de substâncias perigosas e contami- Fonte: Lusa, Comissão Europeia

Colégio Nacional de Engenharia QUÍMICA E BIOLÓGICA


e será centrada em novos desenvolvimentos
CarboCat-VIII e avanços fundamentais em materiais de
O 8th International Symposium on Carbon carbono (convencionais e nanoestruturados)
for Catalysis – CarboCat-VIII terá lugar no para aplicações catalíticas.
Porto, de 26 a 29 de junho próximo. Esta
edição é organizada pelo Grupo do Car- • Mais informações disponíveis em
bono da Sociedade Portuguesa de Química http://carbocatviii.eventos.chemistry.pt

Colégio Nacional de Engenharia QUÍMICA E BIOLÓGICA

CICat 2018 9 e 14 de setembro. Este evento pretende ser um ponto de encontro


da comunidade ibero-americana que trabalha em Catálise, nas suas
A Federação Ibero-Americana de Sociedades de Catálise (FISoCat), mais variadas áreas do conhecimento científico. O CICat 2018 re-
a Sociedade Portuguesa de Química (SPQ) e a Universidade de veste-se de particular importância histórica, por marcar os 50 anos
Coimbra são os organizadores do XXVI Congresso Ibero-Americano desta série de encontros.
de Catálise – CICat 2018, que irá decorrer em Coimbra entre os dias • Mais informações disponíveis em http://cicat2018.eventos.chemistry.pt

Colégio Nacional de Engenharia QUÍMICA E BIOLÓGICA

ChemPor 2018 A Universidade de Aveiro e a Ordem dos Engenheiros vão organizar a 13th International Chemical and
Biological Engineering Conference – ChemPor 2018, na cidade de Aveiro, de 2 a 4 de outubro de 2018.
Em breve será disponibilizada mais informação sobre esta conferência.

• Palestra “Análise de Riscos e Segurança Industrial” » ver secção Regiões » CENTRO


Iniciativas Regionais
• Resiquímica em jantar-debate na OE » ver secção Regiões » SUL

Especialidades e Especializações Verticais

Colégio Nacional de
Engenharia Naval
Tiago Alexandre Rosado Santos › t.tiago.santos@gmail.com

Jornadas de Engenharia e Tecnologia Marítima 2018 vão sendo produzidos no setor, constituindo
uma oportunidade de debate sobre pro-
Realizar-se-ão entre 7 e 9 de maio, no Ins- O evento, de natureza técnico-científica, blemas das várias áreas ligadas ao setor ma-
tituto Superior Técnico (IST), em Lisboa, as permitirá a apresentação dos trabalhos que rítimo nacional, com vista a contribuir para
15.as Jornadas de Engenharia e Tecnologia o seu progresso. Serão realizadas sessões
DR

Marítima. Este evento representa uma con- sobre estaleiros navais, projeto naval, navios
tinuidade em relação às tradicionais Jor- militares, eficiência energética e novos com-
nadas Técnicas de Engenharia Naval, que bustíveis, transportes marítimos, portos,
começaram em 1987, sempre por meio de entre outros temas.
uma organização conjunta do IST e do Co-
légio de Engenharia Naval da Ordem dos • Mais informações disponíveis em
Engenheiros. www.centec.tecnico.ulisboa.pt/martech2018/pt

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 65


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Colégio Nacional de Engenharia NAVAL

Acidentes marítimos marcam o início de 2018


O início do ano de 2018 fica marcado, em mento do acidente eram adversas, mas apa- caça e removê-lo para outro local; construir
Portugal, por dois acidentes marítimos im- rentemente o navio terá sofrido uma falha um aterro junto à orla costeira e proceder
portantes, que felizmente não causaram das máquinas durante a entrada em porto. ao desmancho progressivo do navio para
vítimas mortais nem poluição significativa. Importa, contudo, investigar se o navio po- terra. Em todo o caso, prevê-se que os tra-
Em ambos os casos, a Engenharia Naval derá ter sofrido a ação de um fenómeno balhos demorem entre três a cinco meses.
pode trazer contributos valiosos na acla- complexo de captura pelas vagas, que se

DR
ração das causas dos acidentes e no desen- sabe ocasionar a perda da capacidade de
volvimento de procedimentos operacionais manobra, levando ao encalhe do mesmo.
que permitam evitar a repetição de ocor- Em finais de janeiro completou-se a ope-
rências deste género. ração de remoção do combustível, óleo lu-
brificante e hidráulico do navio, sem causar
DR

poluição marinha. Concluiu-se, entretanto,


que o navio não é, infelizmente, recuperável,
pelo que o Governo Regional dos Açores já Entretanto, a 16 de janeiro, foi a draga Bra-
anunciou a intenção de fazer construir um sinho, com 80 metros de comprimento, e
navio semelhante a este, por forma a asse- que estava envolvida numa operação de
gurar, logo que possível, os padrões mo- reposição de areias, a virar-se na barra do
dernos de serviço aos passageiros que estes Lavajo (barra da Armona), à entrada da Ria
navios permitem. O navio possui já um gémeo, Formosa. Na sequência do acidente quatro
A 6 de janeiro, o ferry Mestre Simão, com de seu nome Gilberto Mariano, tendo ambos tripulantes caíram à água, tendo escapado
cerca de 40 metros de comprimento, en- sido construídos nos Estaleiros Armon. ilesos, apenas com sintomas de hipotermia.
calhou dentro do porto da Madalena (ilha Foram recentemente recebidas sete pro- O acidente poderá dever-se ao corrimento
do Pico) imediatamente após a entrada no postas para a remoção do navio, que apre- da carga ou excesso de carga, não tendo
porto. O navio trazia a bordo 61 passageiros sentam duas soluções técnicas distintas: as condições meteorológicas influído nos
e nove tripulantes, que foram prontamente fazer chegar ao mesmo uma plataforma, eventos. Também aqui se impõe uma in-
evacuados usando os meios de salvação do equipada com uma grua com capacidade vestigação das condições de estabilidade
navio. As condições meteorológicas no mo- para levantar o navio, colocá-lo numa bar- do navio na altura do acidente.

Colégio Nacional de Engenharia NAVAL

Sociedades classificadoras aderem às tecnologias digitais


A revolução digital tem também vindo a e, eventualmente, dos certificados estatu- que estarão guardados num “cofre digital”.
fazer-se sentir no trabalho das sociedades tários, estes em nome da bandeira do navio. Os certificados de classe do navio, em for-
classificadoras de navios. Estas organizações Também neste processo a digitalização vai mato Blockchain, ficarão alojados num bloco
multinacionais, com longa tradição no setor fazendo sentir o seu impacto. De acordo de dados privado e quaisquer alterações
marítimo, são necessárias ao abrigo das com a sociedade classificadora norueguesa apenas poderão ser feitas com total acordo
principais convenções marítimas interna- e alemã DNV-GL, o processo de transpo- entre as partes envolvidas (ligadas por assi-
cionais, tais como a SOLAS e MARPOL, as sição dos documentos de classificação dos natura ao designado bloco) sobre as deci-
quais requerem que os navios sejam proje- navios (certificados de classe) para o for- sões tomadas relativamente ao estatuto de
tados e construídos de acordo com regras mato Blockchain decorrerá ao longo dos classe do navio. Quando um certificado é
de sociedades classificadoras. Adicional- próximos anos. Os certificados de classe emitido pela primeira vez, é enviado para o
mente, estas organizações possuem dele- emitidos pela DNV-GL estão já disponíveis Blockchain e uma identidade digital é atri-
gação de competências para efetuar certas em suporte eletrónico, tendo sido emitidos buída ao mesmo, que permitirá torná-lo
inspeções em nome das bandeiras. Os ar- desde 2017 cerca de 50 mil documentos único e rastreável. Será armazenado numa
madores dos navios, por sua vez, obtêm neste suporte, mas prepara-se já o passo rede de computadores, em vez de um re-
diversos benefícios da classificação dos na- seguinte, que será a entrada desses docu- positório central, nos chamados nodos. Os
vios, tais como um aumento da segurança mentos no ambiente Blockchain. certificados encontram-se já atualmente
e proteção do meio ambiente oferecidos Esta tecnologia consiste numa encriptação dotados de códigos QR (códigos de barras
pelo navio e a diminuição de prémios de de blocos de dados mutuais e partilhados. bidimensionais) que podem ser lidos e usados
seguro. A confirmação do estatuto de classe Os armadores dos navios e a sociedade por uma aplicação para aceder à versão
é tradicionalmente feita por meio da emissão, classificadora possuirão um código único eletrónica dos mesmos.
em papel, dos certificados de classe do navio para aceder a esses mesmos documentos, No domínio dos certificados estatutários,

66 • INGeNIUM Março/Abril 2018


Colégios

deve referir-se que os certificados eletrónicos despendido e causar o mínimo de pertur-


deste tipo devem cumprir com os requisitos bação na operação do navio.
da circular da IMO FAL.5-Circ.39-Rev.2 (Gui- A ferramenta será em breve melhorada, de
delines for the use of electronic certificates). modo a seguir o percurso dos navios e no-
Apesar de a maioria das bandeiras já aceitar tificar os mesmos, com antecedência, das
os certificados eletrónicos, a bandeira por- a inspeção anual tendo em conta a ope- melhores oportunidades para realizar as
tuguesa ainda não os autorizou, obrigando ração do navio e a realização, de uma só inspeções. Uma outra capacidade a ser in-
à emissão de certificados em papel. vez, do maior número possível de itens co- cluída proximamente será a estimativa do
Também o machine learning (aprendizagem bertos pela dita inspeção. A ferramenta tem tempo necessário para realizar cada ins-
de máquina) se encontra a ser introduzido também em conta, nas recomendações que peção tendo em conta as características e
na classificação de navios. Uma primeira emite, os portos previstos de escala do navio, o histórico do navio, o que permitirá me-
ferramenta desenvolvida pela DNV-GL per- as características dos portos e a disponibi- lhorar o enquadramento da inspeção na
mite encontrar a melhor janela para realizar lidade de inspetores, para minimizar o tempo normal operação do mesmo.

Especialidades e Especializações Verticais

Colégio Nacional de
Engenharia Geográfica
Maria João Oliveira de Barros Henriques › mjoaoh@gmail.com

Os Visigodos resolveram a batalha, apesar


Apontamento histórico da morte do rei Teodorico; conduzidos por
A Grande viagem dos Visigodos (parte III) Torismundo, conseguiram bater os Ostro-
godos e infletiram para a esquerda, para o
João Casaca Caesaraugusta (Saragoça) na província Tar- centro, onde Hunos e Alanos foram obri-
Engenheiro Geógrafo, raconense, zona de influência romana. gados a retirar, no que foram acompanhados
Membro Conselheiro da OE O relacionamento dos Visigodos com o ma- pela sua ala direita. As forças de Átila refu-
gister millitum romano Flávio Aécio nunca giaram-se no círculo de vagões que trans-
Teodorico, eleito rei dos Visigodos, após a foi bom. Aécio era íntimo aliado dos Hunos portava as bagagens e foram cercadas pelos
morte de Vália em 418, teve um longo rei- e instigou-os a um terrível massacre dos imperiais que, no entanto, não aproveitaram
nado que terminou com a sua morte em Burgúndios (436), que inspirou a epopeia a ocasião para as liquidar.
batalha em 451. Durante os primeiros anos germânica “Niebelungenlied”.
do seu reinado, Teodorico enfrentou os Em 438 e 439 um exército
Vândalos Asdingos, na Hispânia, em apoio romano-huno invadiu o reino
dos Romanos. dos Visigodos e foi repelido a
Em 421 morreu o magíster militum Cons- muito custo por Teodorico.
tâncio e em 423 morreu o imperador Ho- Ao aparecer o exército impe-
nório deixando Roma em guerra civil para rial, o exército de Átila levantou
discutir a sucessão. Em 425, Valentiniano III, o cerco a Orleães e deslocou-
filho de Constâncio e de Galla Placidia e -se para os “Campos Cataláu-
sobrinho de Honório, foi nomeado impe- nicos” (Chalons, na figura), perto
rador do Ocidente, com o apoio do impe- de Troyes, onde se preparou
rador do Oriente. Teodorico deu o impor- para receber os imperiais. Na
tante apoio dos Visigodos à sucessão e à formação de batalha, os Visi-
regência de Galla, dado que Valentiniano godos, sob Teodorico e seu
O trajeto do exército de Átila na Gália
tinha apenas cinco anos. filho mais velho Torismundo,
Os anos seguintes são passados em conflito ocuparam a ala direita, os Alanos, sob San- Manifestando o habitual cinismo político ro-
com os Romanos (426 e 430), com os giban, ocuparam o centro, e os restantes mano, Aécio convenceu Torismundo a re-
Francos (435), com os Romanos aliados aos aliados, sob Aécio, ocuparam a ala esquerda. tirar com os Visigodos para Tolosa, para
Hunos (438-439) e com os Romanos aliados Na linha dos Hunos, os Ostrogodos, sob os consolidar a sucessão ao trono do pai, e
aos Suevos (446). Em 449, Teodorico faz as irmãos Valamir, Thiudimer e Vidimer, enfren- também o rei franco Merovech a retirar para
pazes com os Suevos, casando uma filha taram os Visigodos, os Hunos e os Alanos de as suas terras.
com o jovem rei Requiário. Após o casa- Leste, sob Andag, ocuparam o centro, e os Aécio temia que ao destruir os Hunos, os
mento, tropas suevas e visigodas tomaram restantes aliados, Gépidas, sob Ardaric, etc., Visigodos ficassem com demasiado poder
Ilerda (Lérida) e devastaram as cercanias de enfrentaram a ala esquerda imperial. no Império. De qualquer modo, o resultado

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 67


Colégios

da batalha foi estruturante para a Europa: se o que veio a acontecer em 453. O novo rei senador Petrónio Máximo como novo im-
Átila a tivesse ganho, a Europa de hoje seria Teodorico II adotou uma política pró-ro- perador. Petrónio não resistiu ao saque de
muito diferente. mana: começou por ajudar a dominar as Roma pelos Vândalos de Genserico (foi
Torismundo sucedeu a seu pai Teodorico revoltas de camponeses (bagaudas) na Tar- morto pelos próprios romanos) e Teodorico
em 451 e herdou o antagonismo deste com raconense (453-454). Entretanto, o impe- II aproveitou a anarquia reinante para entrar
Aécio. Após Torismundo tentar tomar Arles rador Valentiniano III mandou assassinar em Roma com o exército Visigodo e obrigar
aos romanos, Aécio começou a conspirar Flávio Aécio (454) e foi assassinado (455) o Senado a eleger, como imperador, o se-
com os seus irmãos Teodorico (II) e Frede- por dois oficiais fiéis a Aécio. nador Avito, natural da Gália e amigo do pai
rico e induziu-os a assassinar Torismundo, Ainda em 455, o Senado Romano elegeu o Teodorico e dos Visigodos.

Colégio Nacional de Engenharia GEOGRÁFICA

Open Geospatial Consortium:


o estabelecimento de Sistemas de Grelhas Discretas Globais
O Open Geospatial Consortium (OGC) foi sistema de referência. A identificação de uma
criado na década de 1990 e agrupa atual- célula é atribuída ao centroide da célula. Como
mente várias centenas de organizações – na génese da criação de DGGS está a neces-
empresas, entidades governamentais, cen- sidade de exploração da informação associada
tros de investigação e organizações sem a cada célula (compreende-se, assim, a im-
fins lucrativos – que aceitaram colaborar a portância da igualdade das áreas das células),
b
para desenvolver e implementar normas os DGGS devem possibilitar a exploração desta
abertas (open standards) para serviços e Figura 1 Tesselação da terra com (a) triângulos informação, nomeadamente atribuir, ou obter,
e (b) hexágonos com alguns pentágonos
conteúdos geoespaciais, sistemas de infor- dados de e para as células, realizar operações
mação geográfica (SIG), processamento e Para que uma grelha seja um DGGS é preciso algébricas quer com as células quer com os
partilha de dados SIG, internet das coisas. cumprir requisitos estabelecidos pelo OGC. dados associados a estas, transformar as iden-
A especificação mais recente (de agosto de Alguns destes são seguidamente referidos. A tificações das células para outros sistemas de
2017) diz respeito ao estabelecimento de grelha inicial global tem que cobrir a terra coordenadas (por exemplo, latitude e longi-
Sistemas de Grelhas Discretas Globais (Dis- completamente. Esta grelha pode ser refinada, tude), a navegação de vizinhança ou hierár-
crete Global Grid Systems – DGGS), sistemas i.e., cada célula pode ser dividida sendo obri- quica entre células. Um DGGS deve também
estes utilizados para referenciar áreas na gatório que a divisão utilize formas geomé- permitir que sejam executadas consultas ex-
superfície terrestre. Num DGGS a superfície tricas simples e que respeite a igualdade de ternas aos dados (external data query), assim
terreste é coberta por uma grelha sendo áreas (dentro de um certo nível de precisão) como devem existir métodos para converter
que as células criadas têm que ter áreas nas novas células. Nos DGGS as formas geo- os resultados destas consultas em formatos
iguais. Na Figura 1 apresentam-se duas pos- métricas mais habituais das células são triân- padrão.
síveis formas de tesselação da terra, ou seja, gulos, quadriláteros e hexágonos. Um DGGS
a cobertura desta superfície por formas geo- deve definir um método para referenciar cada • A “Discrete Global Grid Systems Abstract
métricas, sem sobreposição nem deixando célula, que seja único e aplicável a todo o Specification” está disponível em http://docs.
espaços livres. domínio do DGGS, ou seja, deve definir um opengeospatial.org/as/15-104r5/15-104r5.html

Especialidades e Especializações Verticais

Colégio Nacional de
Engenharia AGRONÓMICA
Miguel Castro Neto › mneto@novaims.unl.pt

A Engenharia Agronómica no contexto a atmosfera, é relevante referir que a agri-


cultura também pode contribuir para a mi-
do “Ano OE das Alterações Climáticas” tigação das alterações climáticas, reduzindo
as emissões de gases com efeito de estufa
A agricultura é uma das atividades mais ex- sofrerá com o aumento da temperatura global e sequestrando carbono, enquanto mantém
posta às alterações climáticas, pois as ativi- e a ocorrência de fenómenos extremos. a produção de alimentos.
dades agrícolas dependem diretamente das Sendo verdade que a agricultura contribui Tendo a Ordem dos Engenheiros (OE) de-
condições climáticas, sendo considerado para as alterações climáticas através da li- dicado o ano de 2018 às Alterações Climá-
como um dos setores que maior impacto bertação de gases com efeito de estufa para ticas, vale a pena perguntar:

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Colégios

› Como é que a agricultura e a Engenharia Agronómica influen- Agência Europeia do Ambiente – Agricultura e Alterações Climáticas
ciam a mudança climática? › https://www.eea.europa.eu/pt/sinais-da-aea/sinais-2015/artigos/a-
› Como será afetada pelas alterações climáticas a agricultura em -agricultura-e-as-alteracoes-climaticas
Portugal e na União Europeia? Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural –
› Qual o papel da Engenharia Agronómica para promover a re- – Agricultura e Alterações Climáticas
dução das emissões e como se pode adaptar a agricultura a estas › https://ec.europa.eu/agriculture/climate-change_pt
alterações do clima? European Climate Adaptation Platform – Agriculture
› http://climate-adapt.eea.europa.eu/eu-adaptation-policy/sector-
Deixamos aqui algumas sugestões de fontes de informação para o -policies/agriculture
debate que levaremos a cabo este ano: European Commission Climate Action – Forests and Agriculture
› https://ec.europa.eu/clima/policies/forests_en
AJAP – Alterações Climáticas e Agricultura EU Agriculture and Climate Change Fact-Sheet
› 
http://agrinov.ajap.pt/index.php/temas/alteracoes-climaticas-e- › https://ec.europa.eu/agriculture/sites/agriculture/files/climate-
-agricultura -change/factsheet_en.pdf

• Sessão Técnica dedicada ao Medronheiro » ver secção Regiões » CENTRO


Iniciativas Regionais
• Masterclass “Azeites de Portugal” » ver secção Regiões » SUL

Especialidades e Especializações Verticais

Colégio Nacional de
Engenharia Florestal
Luis Rochartre › lrochartre@hotmail.com

Iniciativas Regionais • Sessão Técnica dedicada ao Medronheiro » ver secção Regiões » CENTRO

Especialidades e Especializações Verticais

Colégio Nacional de
Engenharia de Materiais
Luis Gil › luis.gil@dgeg.pt

Dia Mundial dos Materiais Prémio ORDEM DOS ENGENHEIROS

No passado dia 8 de novembro celebrou-se tação de uma palestra “Os Materiais e a In-
o Dia Mundial dos Materiais, na Universidade dústria 4.0”, proferida pela Professora Dou-
da Beira Interior, na Covilhã. Durante o pe- tora Teresa Vieira, do DEM/FCTUC.
ríodo da manhã foram apresentados os tra- A aluna de doutoramento da Universidade
balhos a concurso. Em disputa pelo prémio da Beira Interior, Beatrice Paiva Santos, rea-
Filipe Rosas Coutinho (FEUP)
Sociedade Portuguesa de Materiais, nove tra- lizou uma apresentação “Indústria 4.0 – De- Study and development of a metal additive
balhos foram expostos e discutidos. O prémio safios e Oportunidades”, que juntamente manufacturing system

Ordem dos Engenheiros contou com quatro com a apresentação anterior lançaram o versidade de Aveiro, Adriana Magueta.
trabalhos em prova. Os mesmos foram ava- debate que se seguiu. A Professora Doutora Paula Vilarinho, Pre-
liados por júris distintos para cada categoria. A J-SPM foi apresentada aos presentes pela sidente da Sociedade Portuguesa de Mate-
O programa contou ainda com a apresen- voz da aluna de mestrado em Materiais e riais, fez o balanço do dia e encerrou a sessão
Dispositivos Biomédicos do DEMaC, Uni- após entrega de prémios.
Prémio SPM

Beatriz Jorge Coelho (FCT-UNL) − A


 Digital Microfluidics Platform for Loop-Mediated Isothermal
Amplification of DNA

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 69


Colégios

Colégio Nacional de Engenharia de MATERIAIS

Nanotecnologia em Portugal: Ciência, Empresas, Sociedade


A SPM – Sociedade Portuguesa de Materiais
promoveu, no dia 13 de dezembro, um se-
minário sobre a temática “Nanotecnologias
em Portugal: Ciência, Empresas, Sociedade”,
destinado a investigadores, alunos, empresas
e sociedade civil em geral. Realizou-se na
cidade de Braga e levou ao INL – Interna-
tional Iberian Nanotechnology Laboratory
cerca de 120 participantes. Lars Montelius, Diretor-geral do INL, rea- vestigação Interdisciplinar da Universidade
Pretendeu-se com esta ação dar continui- lizou uma palestra sobre a “Importância da de Coimbra, Paula Nogueira.
dade a uma iniciativa da Direção da SPM, nanotecnologia nos diferentes setores”, re- Bruno Figueiredo (Graphenest), António Brás
que tenciona realizar anualmente um semi- levando a importância que a nanotecnologia da Costa (CENTI), José Carlos Lopes (FEUP/
nário sobre um tema que considera rele- terá na resolução dos desafios da sociedade. Fluidinova), Jorge Lino (Vice-presidente da
vante para a sociedade civil e organizar um Seguiu-se Luís Filipe Lages, Professor Ca- SPM) e Paulo Ferreira (INL/UT Austin) for-
debate com atores de relevo sobre a temá- tedrático da Nova SBE e criador da VCW – maram o painel de convidados, com quem
tica escolhida. Value Creation Wheel, que explorou a te- a assistência trocou algumas questões.
A sessão, organizada pela Professora Dou- mática “Nanotecnologia: impacto econó- Nas notas finais, a Professora Sandra Carvalho
tora Sandra Carvalho (Universidade do Minho mico e social”. realçou que durante todo o seminário a pa-
e membro da Direção da SPM) e o Professor Seguidamente, teve lugar um debate sobre lavra “Materiais” esteve em destaque e que a
Doutor Paulo Ferreira (INL/UT Austin) de- “O que mudou em Portugal com a Nano- SPM pretende desempenhar um papel cada
correu entre as 14 e 18 horas, promovendo- tecnologia: perspetiva da Indústria”, mode- vez mais interveniente na interligação entre
-se uma visita ao INL no final do dia. rado pela Investigadora no Instituto de In- a Ciência, as Empresas e a Sociedade.

Colégio Nacional de Engenharia de MATERIAIS

Novo material produz hidrogénio a partir da água do mar


Yang Yang, investigador da Universidade da de dissulfeto de molibdénio, materiais que do processo. Este material também é mais
Flórida Central, conseguiu criar um novo na- aumentam consideravelmente a eficiência resistente à água do sol, que corroía mate-
nomaterial que usa a energia solar para iniciar riais interiores usados no estudo, e que só
DR

o processo de extração do hidrogénio con- funcionavam com água pura. Isto vai permitir
tido na água salgada. O investigador da uni- aceder com mais facilidade a uma maior
versidade americana, que está a trabalhar quantidade de hidrogénio, para ser usado em
nesta área há uma década, propõe usar um células de combustível, uma alternativa aos
fotocatalisador, uma película microscópica carros elétricos com baterias de iões de lítio.
de dióxido de titânio, com cavidades cobertas Fonte: www.motor24.pt

Colégio Nacional de Engenharia de MATERIAIS

Samsung cria bateria que carrega em 12 minutos


A empresa de eletrónica sul-coreana Sam- rápido. A resistência, as propriedades de carros elétricos, refere o “Financial Times”.
sung anunciou a criação de uma bateria condução de eletricidade e a elasticidade “É uma grande tecnologia com várias apli-
inovadora, que carrega cinco vezes mais rá- do grafeno fazem com que seja considerado cações potenciais, mas vai demorar muito
pido que as convencionais, tem uma capa- um material ideal para substituir a atual tec- tempo até que as baterias à base de grafeno
cidade de armazenamento 45% superior e nologia de iões-lítio, permitindo ainda pro- sejam produzidas em massa”, disse o ana-
pode ser utilizada em automóveis. duzir baterias mais pequenas. lista Kim Young-woo, da SK Securities.
O “Financial Times” refere que a nova bateria Assim, em vez de uma hora – tempo médio A nova tecnologia resulta do trabalho de in-
usa grafeno – descrito como um “material de carregamento atual – as novas baterias vestigação na área das baterias, que ganhou
milagroso” e que é obtido a partir do car- demorarão 12 minutos a carregar. Além disso, força depois dos casos de sobreaquecimento
bono –, que prolonga a vida de baterias de como mantêm estabilidade a temperaturas de baterias nos smartphones Galaxy Note 7.
iões-lítio e permite um carregamento mais até 60 graus Celsius, podem ser usadas em Fonte: www.jornaldenegocios.pt

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Colégios

Colégio Nacional de Engenharia de MATERIAIS

Michelin: pneus impressos em 3D e de material biodegradável


Em 2017, a conhecida marca de pneus Michelin lançou um novo

DR
tipo de pneu muito diferente dos habituais, o pneu Vision. Um pneu
biodegradável, sem ar e impresso em 3D.
Como é que um pneu sem ar pode ser útil para um carro, uma vez
que os pneus são uma parte muito importante de um carro? Com
funções como amortecer as irregularidades do solo, ter força de
tração, e manter e permitir a mudança de direção?
O pneu Vision possui vários sensores que transmitem informações
relevantes sobre as condições da estrada e o seu próprio estado.
Assim, é mais fácil para o condutor saber quando deve trocar os
pneus do seu carro.
Devido aos atuais pneus serem feitos de componentes bastante
poluentes para o meio ambiente, libertarem pequenas partículas
que têm altos níveis de toxicidade que contaminam a atmosfera, e No seu interior o conceito é similar ao encontrado nos corais, onde
ainda serem de difícil degradação, esta é uma invenção importante a crosta é constituída de forma a proteger e resistir à pressão que
para o futuro. lhes é feita, por exemplo, pelas ondas do mar. O pneu começa por
De forma a conseguir pneus mais amigos do ambiente, a Michelin ser complexo no centro e vai ficando gradualmente mais suave no
criou este novo conceito, impresso em 3D a partir de material bio- exterior. Desta forma o pneu nunca pode explodir ou entortar.
degradável constituído por borracha natural, bambu, papel, ma- Para além da sua forma inovadora de fabrico, estes pneus podem
deira, latas, resíduos eletrónicos, aparas de pneus e até cascas de ainda adaptar-se aos vários tipos de estrada.
laranja e roupas. Fonte: http://kids.pplware.sapo.pt

Especialidades e Especializações Verticais

Colégio Nacional de
Engenharia Informática
Ricardo de Magalhães Machado › colegioinformatica@oep.pt

• Novo Regulamento Geral de Proteção de Dados » ver secção Regiões » CENTRO


Iniciativas Regionais
• Engenharia Informática promove formação » ver secção Regiões » CENTRO

Especialidades e Especializações Verticais

Colégio Nacional de
Engenharia do Ambiente
Lisete Calado Epifâneo › lisete.epifaneo@estsetubal.ips.pt

CIALP – Conferência Internacional de Ambiente em Língua Portuguesa


Entre os próximos dias 8 e 10 de maio decorrerá na de Aveiro, os 30 anos da Conferência Nacional de
Universidade de Aveiro a CIALP – Conferência In- Ambiente e o XX Encontro da Rede de Estudos Am-
ternacional de Ambiente em Língua Portuguesa, que bientais de Países de Língua Portuguesa.
destaca os interesses, desafios e abordagens da co- O lema da CIALP – Ambiente e Direitos Humanos
munidade lusófona sobre vários temas ambientais. – assume que a proteção dos direitos humanos e a
Esta conferência enquadra-se na comemoração, em proteção do ambiente estão intrinsecamente ligadas
2018, de várias efemérides: os 40 anos do Departa- e se reforçam mutuamente.
mento de Ambiente e Ordenamento da Universidade • Mais informações disponíveis em http://cialp.web.ua.pt

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 71


Colégios

Colégio Nacional de Engenharia do AMBIENTE

Portugal Smart Cities Summit


Realizou-se entre 11 e 13 de abril, no Centro de Congressos de Lisboa, o Portugal Smart Cities Summit,
evento de networking dedicado ao debate sobre o futuro das smart cities, conceito emergente na
atualidade mundial. Com a assinatura Green Business Week e apoio da Agência Portuguesa do Am-
biente, este evento juntou oportunidades, exposições, conferências e networking, em suma, a partilha
de conhecimentos sobre todos os setores que envolvem o conceito emergente de cidades inteli-
gentes.

Colégio Nacional de Engenharia do AMBIENTE

Relatório do Estado do Ambiente 2017

APA, 2018
Está disponível para consulta o Relatório do alguns dos atuais desenvolvimentos da po-
Estado do Ambiente 2017 (REA 2017). A lítica ambiental.
edição inclui fichas temáticas de indicadores, Os 11 artigos (https://sniambgeoviewer.apam-
organizadas em oito domínios ambientais: biente.pt/GeoDocs/geoportaldocs/REA/
Economia e Ambiente, Energia e Clima, REA2017/ArtigosREA2017.pdf) apresentados
Transportes, Ar e Ruído, Água, Solo e Bio- em documento separado, mas parte inte-
diversidade, Resíduos e Riscos Ambientais. grante deste relatório, contemplam temas
O Relatório contém ainda oito infografias, tão diversos como a seca de 2017, o orde-
uma para cada domínio ambiental, que re- namento do território, as estratégias muni-
sumem os valores-chave da evolução dos cipais de adaptação às alterações climáticas,
indicadores analisados. O documento apre- o Roteiro para a Neutralidade Carbónica, a
senta, também, a atualização dos cenários economia circular, as guias eletrónicas de
macroeconómicos de possível evolução da acompanhamento de resíduos, os objetivos a Estratégia Nacional de Educação Ambiental.
economia portuguesa no horizonte 2050. de desenvolvimento sustentável, a conser- O REA 2017, que comemora em 2017 trinta
À semelhança da edição de 2015, o REA vação e gestão sustentável do oceano, o lixo anos de análise do estado do ambiente em
2017 retoma a publicação de artigos sobre marinho, a plataforma única de inspeção e Portugal, pode ser consultado em https://
temáticas ambientais, procurando abordar fiscalização da agricultura, mar e ambiente e rea.apambiente.pt

Colégio Nacional de Engenharia do AMBIENTE

JorTec Ambiente 2018 taram as melhores práticas em Portugal em


matéria de Ar, Água, Solo e Biodiversidade.
A JorTec é uma iniciativa da Faculdade de O painel que se seguiu contou com grandes
Ciências e Tecnologia da Universidade Nova empresas e associações nacionais dando a
de Lisboa (FCT/UNL) que visa oferecer a todos conhecer o que as torna sustentáveis e que
os interessados a oportunidade de conhe- iniciativas têm desenvolvido para melhorar
cerem os cursos lecionados na Faculdade, tiva geral do que de melhor é feito naquele o ambiente que nos rodeia. O período da
por meio de workshops, palestras e mesas município, nomeadamente na gestão dos tarde iniciou-se com um debate sobre o
redondas com incidência nas temáticas afetas três ramos da sustentabilidade. A comissão tema mais polémico de 2017 em Portugal,
a cada curso. Acima de tudo, a JorTec per- organizadora da JorTec Ambiente, somente os Incêndios Florestais. Contou com a pre-
mite também aos alunos da FCT/UNL co- incorporada por alunos, desenvolveu quatro sença de oradores de renome que fizeram
nhecer as potencialidades de cada curso, painéis onde foram apresentadas oportuni- jus a este grande tema, apresentando o que
nomeadamente as saídas profissionais, pro- dades que um Engenheiro do Ambiente tem se está a fazer para evitar uma nova catás-
porcionando contacto direto entres alunos profissionalmente, assim como dois debates. trofe e os problemas que continuam a existir
e possíveis empregadores. Foi neste âmbito A parte da manhã iniciou-se com o painel antes, durante e após um incêndio florestal.
que se realizou no mês fevereiro a 19.ª edição de investigação, onde os oradores apresen- O dia finalizou-se com um segundo debate,
das JorTec, tendo o dia 6 de fevereiro sido onde participaram antigos alunos que trou-
dedicado à JorTec Ambiente, sob o tema xeram a discussão as suas experiências du-
“How many earths do we need?”. rante e após o curso de Mestrado Integrado
A sessão de abertura contou com a partici- em Engenharia do Ambiente na FCT/UNL,
pação da Eng.ª Catarina Freitas, da Câmara dando conselhos aos estudantes de acordo
Municipal de Almada, que deu uma perspe- com a sua visão pós-FCT.

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Colégios

Colégio Nacional de Engenharia do AMBIENTE

Relatório dos Riscos Globais para 2018

Capa do Relatório WEF, 2018


O Fórum Económico Mundial publicou um relatório onde identi- desastres ambientais causados pelo
fica os riscos globais para 2018, destacando, no último ano, os homem (p.e., derramamentos de óleo
efeitos positivos da recuperação económica global e identificando e contaminação radioativa), que têm
novas oportunidades de desenvolvimento de negócio que não provocado a poluição do solo, água e
devem ser desperdiçadas. No levantamento anual de perceção de atmosférica e o aumento das emissões
riscos globais são abordados os riscos económicos, ambientais, de CO2 (a primeira vez nos últimos
geopolíticos, sociais e tecnológicos para a próxima década. quatro anos), bem como falhas na mi-
No que respeita aos riscos ambientais, identifica-se um crescimento tigação e adaptação às alterações cli-
proeminente nos últimos anos, destacando-se os eventos climá- máticas.
ticos extremos, como as tempestades, inundações, temperaturas • O Relatório encontra-se disponível em
extremas, perda de biodiversidade (terrestre e marinha), danos e http://www3.weforum.org/docs/WEF_GRR18_Report.pdf

Colégio Nacional de Engenharia do AMBIENTE

III Congresso do Tejo bem como da qualidade de vida das popu-


lações ribeirinhas, cujas origens remontam
o Tejo de forma mais global, na ótica do
presente e do futuro. Assim, foram abor-
Decorreu nos dias 16 e 17 de fevereiro, na aos anos sessenta do século passado. dados temas, entre outros, como “Os Usos
Gare Marítima da Rocha Conde de Óbidos, O evento contou com a presença do Mi- da Água e Potenciais Conflitos – Agricultura
em Lisboa, o III Congresso do Tejo, nistro do Ambiente, João Matos Fer- e Rega, Abastecimento Urbano, Produção
onde foram debatidas e avaliadas nandes, da Ministra do de Energia, Turismo, Valores Ambientais e
questões relacionadas com a pre- Mar, Ana Paula Vito- Culturais”, “Administração Pública e Partici-
servação do rio Tejo. rino, e de diversos es- pação – Riscos de Cheias e Secas, Diretiva-
O Congresso foi organizado pela pecialistas qualificados -quadro da Água, Impactos Ambientais, Par-
Tagus Viva – Confraria do Tejo Vivo nas matérias debatidas. ticipação Pública” e “Planeamento Estraté-
e Vivido, associação cívica sem fins Num período em que gico e Desenvolvimento”.
lucrativos, de defesa do ambiente e do pa- a poluição do Tejo teve eco nas notícias na- • Mais informações disponíveis em
trimónio cultural, material e imaterial do Tejo, cionais, o Congresso pretendeu olhar para www.congressodotejo.com

Iniciativas Regionais • Sessões de Ambiente e Eletrotécnica com elevada participação » ver secção Regiões » NORTE

Especializações Horizontais

Especialização em AVALIAÇÕES DE Engenharia


Alice Freitas › aafreitas@oep.pt

IVSC lança “A Guide to Producing IVS-Compliant Appraisals”


O International Valuation Standards Council (IVSC), organismo que Lançado em junho de 2016 e depois atualizado em janeiro de 2017,
estabelece as normas globais para a Avaliação e a profissão de Ava- este guia define as etapas adicionais a serem tomadas pelos ava-
liação, e a The Appraisal Foundation, autoridade dos Estados Unidos liadores já habituados a fornecer avaliações compatíveis com USPAP
da América em matéria de Avaliação, anunciaram o lançamento do para fazer avaliações compatíveis com IVS.
guia de harmonização das normas atualizadas “A Guide to Produ-
cing IVS-Compliant Appraisals (the Bridge)”. • Mais informações disponíveis em www.ivsc.org

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 73


Colégios

Especializações Horizontais

Especialização em Engenharia AERONÁUTICA


Alice Freitas › aafreitas@ordemdosengenheiros.pt

3.º Encontro de Operadores de Linha Aérea


No passado dia 6 de dezembro realizou-se na Ordem dos Enge-
nheiros (OE), em Lisboa, o 3.º Encontro de Operadores de Linha
Aérea para abordar o tema “Gestão da Mudança”. O encontro contou
a presença dos seguintes elementos:
› Euroatlantic: Lídia Menezes (Eng.ª), José Roteia (Eng.);
› NETJETS: Nuno Aghdassi (Eng.), Cláudia Cabaço (Eng.ª);
› PGA: Miguel Correia (Eng.);
› SATA: Isabel Sousa (Eng.ª), Henriques Nunes (Eng.);
› TAP: Rui Alves (Eng.), Bernardo Lourenço (Eng.);
› White: Rui de Carvalho (Eng.), Francisco Rodrigues (Piloto);
› GPIAA: Luiz Bassani (Investigador), Carlos Lino (Investigador), Je-
rónimo Coelho dos Santos (Jurista).
A moderação da reunião ficou a cargo da Comissão de Especiali-
zação em Engenharia Aeronáutica da OE.
O tema “Gestão da Mudança” faz parte dos requisitos do sistema de
gestão da segurança operacional (Safety Management System) pre-
visto pela Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO) – or-
ganismo no âmbito da Nações Unidas, cfr. documento 9859 da ICAO.
O encontro permitiu a partilha entre as várias empresas de trans- máticos e os vários modelos organizativos que administram o res-
porte aéreo das metodologias que cada uma delas usa em termos petivo processo.
do processo de gestão da mudança e que faz parte do manual de Concluíram as empresas de transporte aéreo em como se alcan-
gestão da segurança operacional. çaram os objetivos do encontro e que é oportuno que a OE con-
Neste enquadramento, as empresas tiveram oportunidade de ob- tinue a patrocinar semestralmente discussões entre operadores de
servar e discutir entre si os eventos que se inscrevem no processo linha aérea sobre temas de interesse comum.
de gestão da mudança, as opções em termos de programas infor- O próximo encontro deverá ocorrer em meados de maio de 2018.

Especializações Horizontais

Especialização em Engenharia ALIMENTAR


Alice Freitas › aafreitas@ordemdosengenheiros.pt

Visita Técnica à Delta Cafés


Promovida pela Comissão de Especialização em Engenharia Ali-
mentar da Ordem dos Engenheiros (OE), ocorreu a 17 de janeiro
uma Visita Técnica à Delta Cafés, empresa fundada em 1961 por
Rui Nabeiro, na vila alentejana de Campo Maior (Portalegre).
A Delta é uma marca de sucesso no País e no Mundo, sendo um
claro exemplo de pioneirismo, inovação e vontade empresarial. A
Novadelta, unidade industrial do Grupo Nabeiro, é hoje uma em-
presa reconhecida e certificada nacional e internacionalmente pela
qualidade da sua gestão, pelo rigor na atenção às normas que le-
gislam a proteção do ambiente, segurança e saúde no trabalho,
segurança alimentar, qualidade e responsabilidade social. Para a

74 • INGeNIUM Março/Abril 2018


Colégios

Atividade
da Especialização
• Está em preparação, para maio, uma Vi-
sita Técnica à zona norte do País, espe-
cificamente à Frulact e Conservas Rami-
rez;
• A 20 de fevereiro, e no âmbito do pro-
tocolo com a Qualifica, teve lugar o Se-
minário “Produtos Tradicionais: qualifi-
evolução da atividade da Novadelta contri- cação e coisas mais”, tema abordado da OE agradece o almoço gentilmente ofe-
pela Eng.ª Ana Soeiro num evento que
buem ainda os princípios do desenvolvi- recido. Nesse dia, fomos recebidos pelo
registou elevada procura por parte dos
mento sustentável e da otimização de re- Comendador Rui Nabeiro, tendo o Vice-
profissionais da área Alimentar;
cursos. -presidente Nacional da OE, Eng. Carlos
• Ocorreu a 5 de janeiro uma reunião na
Esta iniciativa, que registou grande procura, sede regional da OE, em Coimbra, dedi- Loureiro, entregue uma medalha.
permitiu visitar a Fábrica de Torrefação do cada aos “Atos Próprios do Engenheiro Uma palavra de agradecimento à colega
Café, o Centro de Ciência do Café e a Adega- Alimentar”, que se encontram em fase Especialista Eng.ª Maria João Cunha, da
-Enoturismo. de finalização para darem entrada na As- Delta Cafés, pelo empenho na preparação
sembleia da República.
A Especialização em Engenharia Alimentar desta Visita Técnica.

Especializações Horizontais

Especialização em Engenharia de CLIMATIZAÇÃO


Alice Freitas › aafreitas@oep.pt

1.ª Conferência Regional dos Capítulos da ASHRAE – Região Europa


No mês de dezembro de 2017, de 8 a 10,
em Belgrado, na Sérvia, realizou-se a 1.ª
Conferência Regional dos Capítulos da
ASHRAE que integram a Região XIV – Re-
gião Europa, recentemente criada. A orga-
nização esteve a cargo do Danube Chapter
e da SMEITS – Union of Mechanical and
Electrical Engineers and Technicians of Serbia.
O Prof. Branislav (Branko) Todorovic, aca- Bjarne Olesen e Branko Todorovic
démico com notável carreira e personali- Estiveram também presentes, na qualidade
dade de renome internacional, foi o CRC A ASHRAE Portugal Chapter fez-se repre- de Regional Leaders, os Engenheiros Eduardo
General Chair. A orientação dos trabalhos sentar pelos seguintes membros da Direção: Maldonado, Nominating Committee Member,
esteve a cargo de Costas Balaras, ASHRAE Eng.ª Isabel Sarmento, Chapter Delegate; e Serafin Graña, Regional Vice Chair – Chapter
Region XIV Director & Regional Chair. Eng. José Luis Alexandre, Chapter Alternate; Technology Transfer.
A conferência contou com a presença de Eng. Carlos Gabriel Farto, Chapter Techno-
Bjarne Olesen, Presidente da ASHRAE, e de logy Transfer Chair; Eng. Adélio Rodrigues
Sheila Hayter, Presidente Eleita, entre outros Gaspar, Chapter Membership Promotion
observadores da Society. Chair.

Costas Balaras e Branko Todorovic

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 75


Colégios

Desenrolaram-se várias reuniões de trabalho, Aquecimento, Refrigeração e Ar Condicio-


conferências e sessões plenárias, com a nado, sob o tema “Em direção a edifícios sau-
presença de membros dos vários capítulos dáveis, sustentáveis e resilientes, povoações
que constituem a Região, nomeadamente: e cidades com zero emissões de CO2”.
Cyprus, Danube, Hellenic, Ireland, Portugal,
Scotland Section, Spain, UK London and SE,
UK Midlands e UK Northern.
Antecedendo a Conferência, entre 6 e 8 de
dezembro, no Sava Center, a SMEITS levou a ASHRAE Portugal Chapter
efeito o seu 48.º Congresso e Exposição de e ASHRAE Spain Chapter

Especialização em Engenharia de CLIMATIZAÇÃO

Conferência conjunta OE-REHVA-ASHRAE Apresentou dados estatísticos exaustivos,


ocorridos na Europa, falou de terminologia
A Especialização em Engenharia de Clima- Seguiu-se a apresentação do orador, a cargo aplicável, de microbiologia associada, das
tização da Ordem dos Engenheiros (OE) do Eng. Eduardo Maldonado, na qualidade condições ideais para a transmissão da
realizou, em colaboração com a Secção de Conference Chair e de Nominating doença, das infeções resultantes e das fontes
Portuguesa da REHVA e a ASHRAE Portugal Member – ASHRAE Region XIV (Europe). que poderão provocar a doença.
Chapter, uma conferência, no dia 11 de ja- Patricia Graef fez uma apresentação muito Através de dados estatísticos, fez questão
neiro, sob o tema “Legionellosis – Gestão circunstanciada sobre o objetivo da nova em desfazer um mito corrente: as torres de
de Risco em Sistemas de Água dos Edifícios”. norma, que estabelece os requisitos mínimos arrefecimento não são o maior reservatório
A primeira parte contou com a Eng.ª Patricia de gestão de risco de legionellosis ou le- ou fonte da Doença dos Legionários.
T. Graef, P.E., ASHARE Fellow e ASHRAE Dis- gionelose em sistemas de água dos edifí- Patricia Graef terminou a sua apresentação
tinguished Lecturer, que dissertou sobre cios, bem como o âmbito da sua aplicação. concluindo:
“The New Legionella Standard: ANSI/ASHRAE Fez o enquadramento histórico do apare- › A Legionella é uma bactéria presente ha-
188-2015 – Legionellosis: Risk Management cimento da Legionelose, ou Doença dos bitualmente em sistemas de distribuição
for Building Water Systems”. Legionários, em 1976, no Bellevue-Stratford de água;
Hotel em Filadélfia, doença até então des- › A causalidade da doença não é simples
conhecida, que atingiu 221 pessoas e pro- – envolve muitos fatores: Condições fa-
vocou a morte de 34. voráveis para o crescimento, proliferação
e disseminação da bactéria Legionella;
Meios de transmissão de aerossóis de
água contendo bactéria Legionella; Rotas
de exposição para pessoas suscetíveis;
› Água de arrefecimento e sistemas de água
potável devem ser equacionados;
› ANSI/ASHRAE Standard 188-2015: Res-
ponsabilidade recai sobre os proprietários
e gestores – bem como nos projetistas;
Identificar requisitos mínimos de risco de
legionelose; Deve estabelecer-se um pro-
grama de gestão da água.

Após a apresentação, seguiu-se um vivo e


longo debate com a assistência, composta
A abertura da sessão esteve a cargo do Eng. por mais de duas centenas de pessoas.
Serafin Graña, na qualidade de Coordenador A apresentação está disponível no Portal do
da Especialização de Engenharia de Clima- Engenheiro, em www.ordemengenheiros.
tização da OE e Regional Vice Chair – Chapter Esta doença levou a uma intensa investi- pt/pt/centro-de-informacao/dossiers/area-
Technology Transfer – ASHRAE Region XIV gação. A causa era desconhecida, mas havia -internacional/legionellosis-gestao-de-risco-
(Europe), tendo começado por dar as boas já um nome: Doença dos Legionários. Após -em-sistemas-de-agua-dos-edificios
vindas ao orador convidado e agradecer o a investigação a cargo do Center for Disease
ter prontamente aceitado o convite para Control Prevention, acabou por se concluir A segunda parte foi dedicada a uma mesa
estar presente e reunir com os membros do que a causa da doença estava numa bac- redonda com debate, moderada pela Dr.ª
Capítulo Português. téria da água. Rita Ascenso, Diretora da revista “Edifícios

76 • INGeNIUM Março/Abril 2018


Colégios

e Energia”, e contou com um painel de ora- Após as várias intervenções, o debate foi no final que o Ministério do Ambiente iria
dores convidados: Dr.ª Maria de Jesus Chas- estendido a todo o auditório. enviar em breve para a Assembleia da Re-
queiro, da Direção Geral de Saúde, Dr.ª Fi- pública uma proposta de lei que estabele-
lipa Costa Ferreira, do Instituto Nacional de Em fase de encerramento, o Eng. Serafin cerá o regime de prevenção e controlo da
Saúde Doutor Ricardo Jorge, Eng. Ricardo Graña apresentou as conclusões, cabendo Doença dos Legionários, estabelecendo um
Sá, Perito em Qualidade do Ar Interior, e ao Eng. Carlos Mineiro Aires, Bastonário da conjunto de procedimentos relativos ao uso
Eng. Serafin Graña, Coordenador da Espe- OE, a saudação e apresentação do Ministro e à manutenção de redes, sistemas e equi-
cialização em Engenharia de Climatização do Ambiente, Eng. João Matos Fernandes, pamentos nos quais a Legionella é capaz
da OE. que encerrou a Conferência, anunciando de proliferar e disseminar.

Especialização em Engenharia de CLIMATIZAÇÃO

2018 ASHRAE Winter Conference


Entre 20 e 24 de janeiro teve lugar, em Chi- Estiveram presentes e participaram, na qua-
cago, nos Estados Unidos da América, a lidade de Regional Leaders (Region XIV –
2018 ASHRAE Winter Conference. Europe), os Engenheiros Eduardo Maldo-
nado, Nominating Committee Member, e
Serafin Graña, Regional Vice Chair – Chapter
Technology Transfer. Em paralelo com a Winter Conference, de
Desenrolaram-se várias reuniões de trabalho, 22 a 24 janeiro, teve lugar a AHR Expo – The
conferências e sessões plenárias, com a International Air-Conditioning, Heating, Re-
presença de membros dos vários Capítulos frigeration Exposition, a que se associaram
e Regiões que integram a ASHRAE. como patrocinadores a ASHRAE o AHRI.

Especializações Horizontais

Especialização em GEOTECNIA
Alice Freitas › aafreitas@ordemdosengenheiros.pt

Obras de Engenharia Geotécnica Portuguesa no Mundo


No dia 29 de janeiro, a Especialização em Geotecnia da Ordem dos Enge-
nheiros (OE) realizou o terceiro conjunto de conferências do ciclo intitulado
“Obras de Engenharia Geotécnica Portuguesa no Mundo”. Esta iniciativa, que
contou com cerca de 80 participantes, teve lugar no auditório da OE, em Lisboa,
e foi dedicada ao tema “Estruturas de suporte e obras de contenção”. Foram
apresentados trabalhos de projetistas e empresas portuguesas, nas áreas de
projeto e construção de obras geotécnicas, em quatro países do Mundo.

Especialização em GEOTECNIA

Ciclo de Palestras Geotécnicas a Pensar no Ambiente


A Especialização em Geotecnia da Ordem OE, em Lisboa, mais um evento do “Ciclo
dos Engenheiros (OE) e a Comissão Portu- de Palestras Geotécnicas a Pensar no Am-
guesa de Geotecnia Ambiental da Sociedade biente”. A conferência foi dedicada ao tema
Portuguesa de Geotecnia organizaram no “Gestão de Resíduos na Infraestruturas de
dia 15 de dezembro, na sede nacional da Portugal”.

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 77


Colégios

Especializações Horizontais

Especialização em METROLOGIA
Alice Freitas › aafreitas@ordemdosengenheiros.pt

Dia Mundial da Metrologia 2018


A Especialização em Metrologia da Ordem Poids et Mesures, França; António Possolo,
dos Engenheiros (OE) associa-se ao Instituto Chefe da Divisão de Engenharia Estatística
Português da Qualidade (IPQ) para promover do NIST – National Institute of Standards
a sessão comemorativa do Dia Mundial da and Technology, EUA; e Carlos Fiolhais, Pro-
Metrologia 2018. Este encontro irá decorrer fessor da Universidade de Coimbra.
nas instalações do IPQ, no Monte de Capa- O Dia Mundial da Metrologia celebra a as-
rica, em Almada, no próximo dia 21 de maio. sinatura, em 1875, da Convenção do Metro
Recorda-se que a OE e o IPQ têm em vigor por representantes de 17 nações, entre as
um protocolo de colaboração para os do- quais Portugal. Este tratado diplomático es-
mínios da normalização, da metrologia e da tabeleceu as bases do sistema métrico, hoje
qualidade. designado por Sistema Internacional de Uni-
O programa do encontro irá incluir diversas dades. Tendo em conta a profunda refor-
apresentações de caráter técnico e visitas mulação que este Sistema vai ter no final
aos laboratórios de metrologia do IPQ. Entre do presente ano, será esse o tema que en-
os oradores cuja presença já está confir- quadra as comemorações do Dia Mundial
mada, destaque para Andy Henson, Diretor da Metrologia 2018.
de Relações Internacionais e de Comuni-
cação do BIPM – Bureau International des • Mais informações disponíveis em www.ipq.pt

Especialização em METROLOGIA

SIMPMET 2018 – 6.º Simpósio de Metrologia


A Especialização em Metrologia da Ordem João, organiza o SIMPMET 2018 – 6.º Sim-
dos Engenheiros (OE), em colaboração com pósio de Metrologia. O Simpósio irá decorrer
o Instituto Eletrotécnico Português, o Insti- no auditório do ISEP no próximo dia 23 de ensaios e análises. Os Membros da OE be-
tuto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), maio. É dirigido a todos os engenheiros e a neficiam de condições especiais de inscrição.
o Centro de Apoio Tecnológico à Indústria outros técnicos que no seu exercício profis- • Mais informações disponíveis em
Metalomecânica e o Centro Hospitalar de S. sional têm necessidade de efetuar medições, www.isep.ipp.pt/simpmet

Especialização em METROLOGIA

CONFMET 2018
Conferência Nacional de Metrologia
A CONFMET 2018 irá decorrer na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade
Nova de Lisboa, no Monte de Caparica, em Almada, nos dias 27 e 28 de novembro.
O prazo para submissão de resumos de comunicações decorre até 29 de julho.
Poderão também ser apresentadas propostas para a organização de sessões tutoriais, ter-
minando a 30 de abril o prazo para tal.
A Especialização em Metrologia da Ordem dos Engenheiros apoia a SPMet – Sociedade
Portuguesa de Metrologia e a RELACRE – Associação Nacional de Laboratórios Acredi-
tados na organização do evento.

• Mais informações disponíveis em www.spmet.pt/confmet2018.html

78 • INGeNIUM Março/Abril 2018


Colégios

Especializações Horizontais

Especialização em SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA


Alice Freitas › aafreitas@oep.pt

Hexagon Safety & Infrastructure Portugal


presente no SmartCities Summit
Decorreu, entre 11 e 13 de abril, no Centro ao longo dos três dias, houve em simultâneo
de Congressos de Lisboa, o Portugal Smart­ uma mostra tecnológica, da qual a Hexagon
Cities Summit by Green Business Week. A Safety & Infrastructure Portugal fez parte. A
Figura 1 Mobile Responder (solução da Hexagon)
edição de 2018 teve como principal tema aposta da Hexagon para 2018 recai na ver-
“Smart Mobility”. Este encontro prima por ser tente da segurança, mais concretamente, luções. Soluções estas que têm ajudado ci-
um evento de partilha de conhecimento nas nas Cidades Seguras como parte integrante dades e milhares de pessoas em todo o
diversas vertentes das Cidades Inteligentes, das chamadas Cidades Inteligentes. Na mostra Mundo a sentirem-se mais seguras, interli-
como é o caso dos transportes e mobilidade tecnológica, a empresa mostrou ao público gando os seus sistemas, tornando-os mais
e tecnologias de informação, entre outros. as diferentes soluções de segurança que resilientes e dotados das funcionalidades ne-
Para além das conferências que decorreram compõem o seu portfólio de produtos e so- cessárias para reagir a qualquer situação.

Especializações Horizontais

Especialização em Transportes e Vias de Comunicação


Alice Freitas › aafreitas@oep.pt

Tecnologia dos Veículos e Mobilidade Sustentável


A Comissão de Especialização em Trans- maio e o Painel 3, que abordará a Eletro-
portes e Vias de Comunicação da Ordem mobilidade – Célula de Combustível a H2,
dos Engenheiros (OE) considerou oportuno está previsto para o mês de junho.
debater, ao longo de 2018, o presente e o O Painel 1 contou com a contribuição de
futuro das propulsões e combustíveis para fabricantes de veículos pesados e ligeiros
os veículos rodoviários (pesados e ligeiros),
com particular ênfase nas inovações e de-
senvolvimentos tecnológicos recentes e no
futuro próximo, abordando também as novas pulsão diesel-elétrica), com utilização flexível
infraestruturas necessárias e algumas ques- sem infraestrutura de carregamento, e au-
tões relacionadas com a comercialização tocarros elétricos a baterias com interfaces
de produtos e serviços. – Volvo/Auto Sueco, CaetanoBus, Toyota de carregamento por cabo (nas estações
Esta temática constitui uma das vertentes C. Portugal e Nissan Iberia, assim como de de recolha) ou carregamentos de oportu-
com contribuição relevante para a iniciativa um operador logístico (CTT) e da EDP Dis- nidade (nos términus das linhas). Os estudos
do Conselho Diretivo Nacional da OE que tribuição. podem ser feitos para cada caso e disponi-
declarou o ano de 2018 como “O Ano OE A Volvo/Auto Sueco fez referência à urba- bilizados produtos/serviços, consoante o
das Alterações Climáticas”. nização como um fenómeno global em interesse do cliente, com diversas opções
Para o efeito, a Comissão concebeu três crescimento, sinónimo de novos desafios e contratuais baseadas no custo/km.
painéis no intuito de abordar as múltiplas metodologias na gestão das cidades e como A CaetanoBus apresentou o autocarro ur-
tecnologias atualmente disponíveis, com um transporte urbano de passageiros ape- bano de propulsão elétrica a baterias, que já
relevância técnico-económica e comercial. lativo e proficiente em todos os seus vetores tem em fase de comercialização, detalhando
O Painel 1, dedicado à Eletromobilidade Hí- pode acrescentar qualidade à vida nas ci- as suas características técnicas e os aspetos
brida e a Baterias, ocorreu a 10 de janeiro. dades. Foram apresentadas as várias solu- construtivos/metodologia de fabrico, com
O Painel 2, respeitante à Propulsão Térmica ções disponíveis pela Volvo Bus, nomeada- os diversos desenvolvimentos e testes, rela-
de Ciclos Otto e Diesel, irá decorrer a 22 de mente autocarros urbanos híbridos (pro- tivos, por exemplo, ao chassis e sistema de

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 79


Colégios

tração, à estrutura/“design”/ergonomia da FREVUE. A apreciação geral é positiva mas mencionadas as características técnicas do
carroçaria e ao “hardware” e “software”. Foram com viabilidade económica só assegurada novo Leaf, versão que esteve em exposição
também focados aspetos da infraestrutura por fundos europeus e incentivos do Estado. no evento.
de carregamento (por cabo/de oportunidade) Ao longo do processo ocorreram algumas Por último, a EDP Distribuição abordou a
versus tempo de operação dos veículos, re- dificuldades relacionadas com o carrega- questão da evolução necessária e dos imensos
ferindo ser importante a análise dos requi- mento das baterias e com a assistência téc- desafios atuais e futuros com os quais as
sitos operacionais dos clientes para a escolha nica a certos veículos, mantendo-se a du- redes de distribuição são (e irão ser) con-
das baterias/sistemas de carregamento. ração das baterias uma incógnita. Contam frontadas: o volume crescente de produção

A Toyota C. Portugal revelou a aposta na prosseguir com projetos deste tipo, como renovável ligado diretamente às redes de
propulsão híbrida Otto/Atkinson – elétrica, complemento para melhorar a sustentabi- distribuição torna mais exigente a sua gestão
dando a conhecer a gama de veículos li- lidade da operação da empresa. eficiente; a evolução dos sistemas de arma-
geiros de propulsão híbrida, em particular A Nissan Iberia salientou o contínuo desen- zenamento, do ponto de vista de custos e
o Toyota Prius Plug-in (a versão mais recente volvimento da tecnologia e as profundas possibilidades técnicas, irá, cada vez mais,
deste modelo e que esteve em exposição alterações sociais e comportamentais a que compensar a variabilidade dos recursos re-
no evento). Mostrou em detalhe o sistema se está a assistir e que conduzirá a uma nova nováveis e permitir oferecer um conjunto de
híbrido – tipos, funcionamento, cadeia ci- era, a da mobilidade elétrica, inteligente, novos serviços energéticos; e, sobretudo, o
nemática e outros componentes, controlo assistida/autónoma e conectada (condu- incremento previsível da quantidade de veí-
do sistema, travagem regenerativa, baterias tores/automóveis/comunidades), contri- culos elétricos em circulação e das infraes-
de tração –, assim como o carregamento buindo de maneira decisiva para minimizar truturas de carregamento necessárias. Com
por cabo “plug-in” e respetivos tempos de os grandes problemas com que o setor se vista a preparar-se para estes desafios, men-
carregamento. depara na atualidade. Assumindo este com- cionou então alguns projetos de inovação,
Os CTT partilharam a experiência na utili- promisso, a Nissan comercializa uma gama que tem vindo a desenvolver, nas áreas de
zação de veículos elétricos a baterias (bici- de veículos elétricos a baterias, nomeada- redes inteligentes (smart grids), micro redes,
cletas, scooters, triciclos, quadriciclos, ligeiros mente o Nissan Leaf, com capacidades de armazenamento e eficiência energética.
de mercadorias e de passageiros), que cor- bidirecionalidade de carregamento, dando Seguiu-se um período de debate, com
respondem atualmente a 9,5% do total da ao utilizador a possibilidade de controlar grande interesse, em que foram analisadas
sua frota. As últimas gerações de veículos como e quando utiliza a energia elétrica e, e discutidas diversas questões, congratu-
elétricos datam de 2013 e de 2015, sendo se assim o entender, de a devolver à rede lando-se a Comissão com a presença de
de relevar a participação no projeto europeu ou de a usar para outros fins. Foram também mais de 120 participantes neste painel.

Especialização em VIAS TRANSPORTES E VIAS DE COMUNICAÇÃO

Visita Técnica à Transtejo


Com a participação de 20 pessoas, decorreu em julho último uma
visita técnica à Transtejo, organizada pela Especialização em Trans-
portes e Vias de Comunicação da Ordem dos Engenheiros.
Esta ação teve como objetivo dar a conhecer o navio mais recente
da empresa, o ferry “Almadense”, com visita à casa das máquinas e
à ponte.

A empresa opera no rio Tejo fazendo a ligação entre as duas mar-


gens, com acostagem em Belém, Cais do Sodré, Terreiro do Paço
(margem norte), Trafaria, Porto Brandão, Cacilhas, Seixal, Barreiro
e Montijo (margem sul), sendo a frota composta por cacilheiros,
ferries e catamarãs. Em 2016, a Transtejo transportou mais de 16
milhões de passageiros.

80 • INGeNIUM Março/Abril 2018


Comunicação Engenharia Mecânica

Qual o Futuro das Motorizações


em Veículos Automóveis
Fuel-Cell, Elétrico, Combustão Interna
António Carvalho de Andrade, Ph.D.
Professor Adjunto do Instituto Superior de Engenharia do Porto › ata@isep.ipp.pt

Resumo Abstract
O domínio do Motor de Combustão Interna (MCI) começa a ser What is the Future of Motor Vehicles – Fuel-Cell, VE, ICE
ameaçado pelo aparecimento das tecnologias Zero Emissão (ZE). The Internal Combustion Engine (ICE) domain begins to be threatened
Há mesmo países que já anunciaram a intenção de proibir a by the appearance of Zero Emission (ZE) technologies. There are
comercialização dos automóveis com MCI a partir de 2030, devido even countries that have already announced the intention to ban
às suas emissões poluentes. Neste artigo são analisadas as duas the marketing of cars with ICE from 2030 due to their pollutant
tecnologias ZE disponíveis e comparadas com o MCI. emissions. In this paper the two available ZE technologies are
analysed and compared to ICE.

1. PROBLEMAS AMBIENTAIS lhões de mortes prematuras, correspondendo a 16% de todas as


mortes em todo o Mundo, sendo três vezes superior às provocadas
As energias fósseis foram um fator fundamental para o desenvol- pela SIDA, tuberculose e malária e 15 vezes superior em que a causa
vimento industrial e social até à atualidade. Mas a sua utilização não é atribuída à guerra ou outras formas de violência [1].
é neutra do ponto de vista ambiental devido à libertação de gases
de efeito de estufa (GEE), que estão a alterar o equilíbrio da atmos- 1.1 A poluição a nível global
fera que existia no período pré-industrial. Apoiado em estudos cien- Como se pode ver na Figura 1, o setor que mais contribui para a
tíficos cada vez mais credibilizados pela comunidade científica, o emissão de CO2 a nível global corresponde ao setor da produção
poder político está a ficar cada vez mais consciente das suas con- de eletricidade e calor, com 42% [2]. Mas, já há várias décadas que
sequências climáticas, já visíveis e penalizadoras no ponto de vista as centrais mais poluidoras estão a ser substituídas por centrais
social e económico, e por isso empenhado em mudar a matriz neutras ou com menor impacto ambiental, prevendo-se inclusi-
energética com vista à sua progressiva redução, substituindo-as vamente que até 2030 a maioria das centrais a carvão, as mais
por energias renováveis. poluidoras, seja desativada. A entrada em serviço, para o parque
Devido à poluição estima-se que em 2015 tenham havido 9 mi- produtor, de centrais com tecnologias neutras (eólicas e solares),

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Comunicação Engenharia Mecânica

permitiu que a produção de energia elétrica tenha cada vez mais 1.3 Mudança das políticas ambientais
incorporação de energias renováveis, que em Portugal no ano de Nas cidades europeias progressivamente será proibida a circulação
2016 atingiu 57% [3]. dos veículos poluidores, permitindo só a circulação de veículos ZE.
O segundo setor que mais contribui para a emissão de CO2, a nível Vários países europeus, entre eles a Alemanha, a partir de 2030 irão
global, é o dos transportes, com uma percentagem de 24% (ver proibir a venda de automóveis com emissões poluentes.
Figura 1). Este setor está quase exclusivamente dependente dos
combustíveis fósseis, porque a única medida tomada por vários 2. VEÍCULOS ZERO EMISSÃO
países foi a incorporação de biodiesel no gasóleo e etanol na ga-
solina de um valor muito reduzido. Nas últimas décadas, para poderem cumprir a legislação europeia
cada vez mais restritiva, os veículos com MCI têm evoluído na re-
Electricity and Heat
dução de emissões poluentes. A descoberta da manipulação por
42%
software das emissões poluentes, por várias marcas, indicia um li-
mite tecnológico do MCI. Com os híbridos é possível reduzir as
emissões poluentes, mas não as anulam, e por isso também serão
proibidos de entrar nas cidades. Noutra estratégia, adotada por ou-
tros construtores, foram desenvolvidos os veículos ZE: veículo elé-
trico com fuel-cell (FCVE) e veículo elétrico (VE).

2.1 Veículos Elétricos com Fuel-Cell


O FCVE é um automóvel com acionamento elétrico que utiliza as
fuel-cell para converter o hidrogénio em energia elétrica para car-
regar a bateria. Atualmente no norte da Europa já estão a ser co-
Figura 1 Emissões globais de CO2 por setor [2] mercializados pela Hyundai o ix35 FC e pela Toyota o Mirai.

1.2 A poluição nas cidades Constituição


Atualmente nas cidades vive a maioria da população mundial, com Como exemplo da constituição de um FCVE apresenta-se na Fi-
um consumo de energia elevado e consequente emissão de GEE gura 2 o Toyota Mirai:
elevada. Em várias capitais e cidades europeias quando a poluição › Motor elétrico com 151 CV;
atinge níveis acima dos valores máximos admissíveis a circulação › Bateria de níquel de hidretos metálicos;
é reduzida ou mesmo proibida nas zonas mais sensíveis. › Depósito de hidrogénio com capacidade de 5 kg;
A Diretiva Quadro Europeia da Qualidade do Ar (Diretiva 2008/50/ › Autonomia de 500 km.
CE1) que fixa os objetivos e parâmetros da qualidade do ar de forma
a reduzir, prevenir e evitar os seus efeitos nocivos para a saúde hu-
mana, foi transposta pelo Decreto-Lei n.º 102/20102, de 23 de se-
tembro, para a legislação nacional.
A Câmara Municipal de Lisboa criou as Zonas de Emissão Reduzia
(ZER), cuja primeira fase entrou em vigor no dia 4 de julho de 2011,
pelas razões que se transcrevem [4]:
“8 – Nos últimos anos, a cidade de Lisboa tem apresentado con-
centrações de partículas inaláveis (PM10) superiores aos valores
limite estabelecidos pela legislação nacional e comunitária para
proteção da saúde humana, sobretudo nas zonas de maior trá-
Figura 2 Toyota Mirai [5]
fego, situação que originou um processo de contencioso contra
o Estado Português, tendo a Comissão Europeia intentado re- Pontos Fortes
centemente uma ação junto do Tribunal de Justiça Europeu por Comparando com os VE e MCI, os pontos fortes são:
este incumprimento; › O tempo de abastecimento é de 5 minutos (equiparados aos
9 – O tráfego automóvel é, no momento presente, a principal MCI);
causa da degradação da qualidade do ar na cidade de Lisboa, › Autonomia de 500 km;
dado que é a principal origem de poluentes prejudiciais à saúde › Maior rendimento da fuel-cell (60%) face ao MCI (< 40%).
humana”.
Pontos Fracos
Em 1 de abril de 2012 e em 15 de janeiro de 2015 entraram em Os pontos fracos são:
vigor, respetivamente, a segunda e a terceira fases, aumentando a › Preço elevado face aos VE;
exigência em termos ambientais. › O menor rendimento da fuel-cell (60%) face ao VE (80% global);

1 Com a Retificação do Jornal Oficial da União Europeia L 322, de 8 de dezembro de 2010, e as alterações introduzidas pela Diretiva 2015/1480 da Comissão, de 28
de agosto de 2015.
2 Com as alterações introduzidas pelos Decreto-Lei n.º 43/2015, de 27 de março, e Decreto-Lei n.º 47/2017, de 10 de maio.

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Comunicação Engenharia Mecânica

› O preço atual do hidrogénio (10 €/kg na Alemanha e Dinamarca)


ficam comparáveis aos MCI (1kg/100 km);
› A inexistência em Portugal de postos de abastecimento de hi-
drogénio.

2.2 Veículos Elétricos


O automóvel elétrico é um veículo com motor elétrico que é ali-
mentado a partir de baterias. A sua autonomia está dependente da
capacidade da bateria, que é carregada a partir de um carregador
externo.
Figura 5 Bateria do Nissan Leaf [9]
Motor
O motor elétrico, face ao MCI, tem a vantagem de ser leve, ter ele-
vado rendimento (> 80%), muito robusto e fiável, por ser consti-
tuído por poucos componentes. Poderão ser do tipo Corrente Al-
ternada (CA) de indução (Figura 3) ou CA síncrono de ímanes per-
manentes (Figura 4).

Figura 6 Bateria da Tesla [10]

NCM 622 (60% de Ni, 20% de Co e 20% de Mn) as baterias têm


atualmente uma capacidade de 40 kWh, mas com as NCM 811 (80%
+ 10% + 10%) irão ter 60 kWh. As células NCM 811, em produção,
estarão disponíveis em 2018, utilizando metade do cobalto, que é
Figura 3 Motor CA de indução do Tesla S [6]
cinco vezes mais caro que o níquel e, por isso, serão previsivel-
mente mais baratas.
O preço das baterias baixaram de 1.000 US$/kWh em 2010, para
216 US$/kWh em 2017, com uma redução em 2017 de 24% face a
2016 (Figura 7) [11].

Figura 4 Motor CA síncrono de ímanes permanentes do Nissan Leaf [7] Figura 7 Redução do preço das baterias [11]

Baterias Carregamentos
A maioria das baterias atuais é construída com células NCM (níquel, O tempo de carregamento irá depender da potência disponível
cobalto e manganês) e eletrólito de iões de lítio, colocadas na pla- para carregar a bateria. A maneira mais fácil de carregar um VE é
taforma entre os eixos (Figuras 5 e 6). A capacidade, presentemente, nas garagens das nossas casas, numa vulgar tomada de 16 A e 3,68
poderá ir até aos 100 kWh, permitindo uma autonomia até 632 km kW (230 Vx16 A). Um VE com bateria de 40 kWh (totalmente des-
[8] em testes normalizados, pois a autonomia real dependerá do carregada) irá demorar 10,9 horas (40 kWh/3,68 kW). Se se consi-
modo de condução. derar o custo da eletricidade de 0,15 €/kWh em vazio (contrato de
O aumento da autonomia dos VE tem sido obtido através da evo- fornecimento de energia com dupla tarifa) e um consumo de 15
lução tecnológica das células, permitindo aumentar a capacidade kW/100 km, o custo será de 2,25 €/100 km.
das baterias sem aumentar o seu peso e volume. Utilizando células Em Portugal já estão disponíveis carregadores rápidos com 60 kW.

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Comunicação Engenharia Mecânica

Nesta situação, a bateria só carrega 80% e demora 36 minutos › Em centros comerciais;
(0,8x40 kWh/60 kW). O tempo de carga baixava para 7 minutos › Nos hipermercados;
(0,8x40 kWh/322 kW) se se utilizasse um carregador ultra rápido › Noutros locais com grande fluxo de VE, onde se justifique a sua
da Efacec [12]. existência.

Pontos Fortes 4. CONCLUSÕES


Comparando com o FCVE e MCI, os pontos fortes são os seguintes:
› Elevada fiabilidade da bateria (um TESLA S chegou aos 483.000 Nas próximas décadas, os veículos automóveis com MCI irão ser
km em dois anos e um Nissan Leaf de 24 kWh chegou aos 300.000 progressivamente proibidos de circular nas cidades devido às suas
km); emissões poluentes. E, também, progressivamente a sua venda será
› Maior rendimento global (80%); proibida para os países poderem cumprir metas de redução de po-
› Menor custo de manutenção. luição assumidas internacionalmente. Os veículos automóveis ZE
aparecem como as únicas alternativas válidas, atualmente, para os
Pontos Fracos substituir, por serem neutros em termos ambientais.
Presentemente, os pontos fracos são os seguintes: Presentemente, o VE é o ZE mais interessante, por ter a maior efi-
› Preço mais elevado em relação ao MCI, mas mais barato que o ciência global e, por isso, menor custo por quilómetro. A bateria, que
FCVE; inicialmente era considerada o seu ponto fraco, está continuamente
› O tempo de abastecimento é mais demorado; a baixar de preço e apresenta atualmente elevada fiabilidade, permi-
› A autonomia poderá ser inferior, dependendo do VE a comparar; tindo aos fabricantes oferecer uma garantia de oito anos na sua aqui-
› Pontos de carga rápida em número reduzido. sição. Com o aumento da sua produção, as marcas irão aumentar a
economia de escala, prevendo-se que em 2020 tenham um preço
3. CARREGAMENTOS DOS VEÍCULOS ELÉTRICOS semelhante aos automóveis com MCI. As redes de abastecimento
deverão evoluir progressivamente em número e potência disponível
3.1 Carga lenta (rápidas e ultra rápidas) para se tornarem numa solução equivalente
A carga lenta, para as baterias atuais, é a ideal, permitindo menor aos postos de abastecimento de combustíveis convencionais.
degradação e, por isso, maior longevidade da bateria.

BIBLIOGRAFIA
Habitação
[1] Philip J Landrigan et al. – The Lancet Commission on pollution and health.
Para quem tem uma potência contratada que permita o uso de [Consulta 11 Dez. 2017] – Disponível em www.thelancet.com/pdfs/jour-
uma tomada de 16 A (ver ponto 2.2), a carga lenta é a ideal. Mas, nals/lancet/PIIS0140-6736(17)32345-0.pdf
com o previsível aumento de vendas irão aumentar os carrega- [2] IEA: International Energy Agency – CO2 emissions from fuel combustion
mentos domésticos, o que poderá sobrecarregar as redes de baixa 2017 HIGHLIGHTS. [Consulta 11 Dez. 2017] – Disponível em www.iea.org/
tensão (BT). As redes elétricas BT são dimensionadas com fatores publications/freepublications/publication/CO2EmissionsfromFuelCom-
de simultaneidade inferiores a 1, por se verificar que a probabilidade bustionHighlights2017.pdf

de os consumidores ligarem ao mesmo tempo cargas elevadas é [3] REN – Relatório de Contas 2016 – [Consulta 11 Dez. 2017] – Disponível
em http://relatorioecontas2016.ren.pt/media/78419/rc_completo.pdf
baixa, e se ligarem é no período curto das refeições. A carga do VE
[4] CML: Câmara Municipal de Lisboa – Deliberação n.º 247/CM/2011 – [Con-
altera completamente este paradigma, por ser uma carga elevada
sulta 11 Dez. 2017] – Disponível em www.cm-lisboa.pt/fileadmin/VIVER/
e prolongar-se por muitas horas.
Mobilidade/ZER/Proposta_247-CM-2011_-_1_Fase_ZER.pdf
[5] Toyota. Toyota Mirai – [Consulta 11 Dez. 2017] – Disponível em https://
Habitações coletivas (prédios) www.toyota-europe.com/new-cars/mirai/#/video/tfv2-3-0
Nos prédios, o carregamento de VE tem difícil resolução, dado que
[6] Motor AC de indução do Tesla S – [Consulta 11 Dez. 2017] – Disponível
habitualmente as garagens são coletivas e as tomadas são de ser- em https://www.pinterest.pt/pin/423690277421509556/
viços comuns. [7] Motor AC síncrono de ímanes permanentes do Nissan Leaf [Consulta 11
Dez. 2017] – Disponível em https://www.quora.com/How-is-power-trans-
3.2 Cargas rápidas e ultra rápidas de VE mitted-from-electric-motor-to-wheels-in-Nissan-Leaf-car
Os carregadores rápidos já permitem colmatar o problema de quem [8] TESLA [Consulta 11 Dez. 2017] – Disponível em https://www.tesla.com/
não tem possibilidade de carregar em casa, que é o caso dos mo- pt_PT/models/design
radores em prédios, com um tempo de carga aceitável (30 minutos). [9] Bateria do Nissan Leaf [Consulta 11 Dez. 2017] – Disponível em https://
O aumento de carregadores rápidos até ao número de pontos de www.nissanusa.com

carga dos combustíveis tradicionais é a chave deste problema. Os [10] Bateria da Tesla [Consulta 11 Dez. 2017] – Disponível em https://tesla-
portugal.blogspot.pt/2015/01/autonomia-de-conducao-da-familia-model-
futuros carregadores ultra rápidos resolvem definitivamente também
-s.html
o problema do tempo de carga (ver ponto 2.2), ficando compará-
[11] Blomberg [Consulta 11 Dez. 2017] – Disponível em https://www.bloom-
veis aos FCVE ou MCI.
berg.com/news/articles/2017-12-05/latest-bull-case-for-electric-cars-the-
Existindo por todo o País infraestruturas elétricas, será fácil a im- -cheapest-batteries-ever
plementação de postos de carregamento com cargas rápidas ou [12] Efacec [Consulta 11 Dez. 2017] – Disponível em http://electricmobility.
ultra rápidas: efacec.com/ev-high-power
› Nos postos de abastecimento atuais;

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 85


Ação Disciplinar

Ação Disciplinar

Súmula de Sentença proferida pelo mentares aplicáveis, tendo sido assegurados damente, incorreções no livro de obra e no
Tribunal Administrativo e Fiscal de e respeitados os direitos de audiência e de- termo de responsabilidade do diretor téc-
Beja, no seguimento da interposição fesa do A., pelo que carecem em absoluto nico da obra, e que se encontram descritos
de uma Ação Administrativa de fundamento as invalidades que lhes são no parecer técnico que ora se junta; O pa-
Especial de declaração de nulidade assacadas, na presente ação, devendo esta recer citado refere ainda que não tendo a
de acórdão do Conselho Disciplinar improceder totalmente. obra sido objeto de fiscalização municipal
da Região Sul da Ordem dos poderá ser realizada vistoria para a emissão
Engenheiros (OE) e do acórdão FACTOS PROVADOS do Alvará de Autorização de Utilização; Nesta
conjunto do Conselho Jurisdicional sequência, por despacho de 2009-01-27, a
e do Conselho Diretivo Nacional Considera-se assente, com interesse para Comissão de Vistorias (…) deslocou-se ao
da OE, que aplicaram a pena de a decisão da causa, que: local da obra e, em relatório, descreveu as
Censura Registada a um Engenheiro. Em 2009-07-27, o Município de XX parti- diversas alterações ao projeto aprovado,
cipou à OE irregularidades detetadas no tendo em suma constatado que “(…) o edi-
termo de responsabilidade subscrito pelo fício vistoriado não reúne condições para a
A. relativo a uma obra de construção, de emissão da autorização de utilização, dado
que ressalta: “…Em 2007-02-22 deu entrada que a obra erigida não está em conformi-
na Câmara Municipal de XX um pedido de dade com o projeto aprovado”; Em 2009-

X
XX intentou uma ação administrativa apreciação de projeto de arquitetura rela- -01-28, o diretor técnico da obra (também
especial contra a OE, pedindo a de- tivo à construção de um edifício de habi- autor do projeto de arquitetura e de enge-
claração de nulidade ou a anulação tação unifamiliar (…); O participado é, simul- nharia de especialidades), ora participado,
do acórdão do Conselho Disciplinar da Re- taneamente, diretor técnico da obra, autor veio através de requerimento “suspender o
gião Sul da OE, que aplicou ao A. a sanção do projeto de arquitetura e autor dos pro- Termo de Responsabilidade, emitido em
disciplinar de censura registada, e do acórdão jetos de especialidades da obra identificada 2009-01-23, dando-o como nulo e sem
conjunto do Conselho Jurisdicional e do em 2.”; (…) Concluída a construção, o dono qualquer efeito legal (…)”, declarando que
Conselho Diretivo Nacional da OE, que con- da obra solicitou, em 2009-01-09, a con- as alterações efetuadas em obra foram or-
firmou aquele e, bem assim, a condenação cessão da autorização de utilização e a denadas pelo dono da mesma; Por des-
da Demandada na eliminação da anotação emissão do respetivo Alvará. O pedido foi pacho da Chefe de Divisão de Gestão Ur-
da sanção disciplinar em causa do registo instruído, com o livro de obra, termo de en- banística, (…) de 2009-01-29, foi requisitado
biográfico do A. cerramento exarado, as telas finas do pro- à topografia da divisão de Obras Municipais
Para tanto, e em síntese, assaca aos atos jeto de arquitetura, o termo de responsabi- e Equipamentos (DOME) a verificação de
impugnados vícios vários. lidade do diretor técnico da obra, termo de medidas assinaladas a vermelho nos alçados;
Citada, a OE contestou que tanto os atos responsabilidade de autoria das telas finais; (…) Em 2009-02-02 o diretor técnico da
impugnados, como o Processo Disciplinar, (…) Resultam igualmente da análise dos do- obra vem “(…) anular a suspensão do Termo
respeitaram todas as formalidades essen- cumentos outros elementos que necessitam de Responsabilidade emitido em 2009-01-
ciais previstas nas normas legais e regula- de ser esclarecidos e/ou corrigidos, nomea- 23, feita em 2009-01-28, dando-o de novo

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Ação Disciplinar

como válido para todos os efeitos legais; do RJUE, tendo sido de acordo com o des- ciarem sobre as desconformidades exis-
Com base nas medições efetuadas pela pacho do Sr. Vereador, de 2009-05-28, tentes entre a obra e o projeto aprovado;
DOME, foi emitido novo parecer técnico dado início à instrução do competente pro- 6.º Pelo participado foi entregue uma ex-
que reitera o teor do parecer de 2009-01- cesso contraordenacional, que corre os seus posição justificando as desconformi-
28; Com efeito, aferida a cércea do corpo termos (…). Finalmente importa informar dades existentes que não foi, no entanto,
referente ao “torreão” constatou o topógrafo que: a) Se comunicou igualmente à Ordem aceite pelos serviços camarários;
que a mesma possui 7,55m, verifica-se pois, dos Arquitetos as irregularidades detetadas 7.º 
A obra não está concluída de acordo
o não cumprimento da cércea aprovada no termo de responsabilidade e no livro de com o projeto aprovado, sendo que o
pelo projeto de arquitetura (6,50m); (…), “as obra; b) Considerando ainda que a conduta Técnico Responsável de Obra tem a obri-
chaminés das lareiras de fumos (…)”; “(…) do participado configura um crime de fal- gação de vigiar a obra, de modo a que
Reitera-se a conclusão do relatório da co- sificação de documentos, de acordo com fique concluída de acordo com os pro-
missão de vistorias, nomeadamente, obra os arts. 100.º n.º 2 do RJUE e o artigo 256.º jetos aprovados pela Câmara Municipal;
erigida não se encontra em conformidade do Código Penal, informa-se igualmente 8.º Ao não ter zelado pelo cumprimento
com o projeto aprovado, pelo que não reúne que se requereu a instauração do procedi- dos projetos aprovados, que eram de
condições para que possa ser emitido o Al- mento criminal junto dos Serviços do Mi- sua autoria, o participado não atuou
vará de Autorização de Utilização (…) A fim nistério Público da Comarca do XX”. com a diligência a que está obrigado
de se pronunciar sobre as desconformidades infringindo o preceituado no art. 87.º,
da obra com as telas finais, foi o dono da Na sequência da participação apresentada, n.º 2 do Estatuto da OE.
obra, notificado, (…) para, (…), se pronunciar foi instaurado ao A., inscrito na OE, o Pro- O arguido tem como atenuantes o facto
(…); O diretor técnico respondeu à notifi- cesso Disciplinar n.º XX, chamando-o a de não ter antecedentes disciplinares.
cação, através de carta datada de 2009-02- prestar declarações na qualidade de parti- Notificou-se o participado (art. 33.º do
20, dizendo, em suma, que reconhece as cipado. Regulamento Disciplinar) para apresentar
desconformidades das telas finais com o defesa no prazo de 30 dias a contar da
projeto aprovado e que “(…) ao diretor téc- Foi deduzida Acusação contra o A., nos se- notificação.
nico da obra não lhe é possível fisicamente guintes termos:
medir as quotas verticais exteriores, e porque 1.º O participado foi projetista e Técnico Em 2010-02-26 realizaram-se as eleições
não tinha a certeza presumiu sem ser poder Responsável de Obra da construção de para os Órgãos Nacionais e Regionais da
confirmar que houve um erro na construção uma moradia unifamiliar sita na XX; OE (triénio 2010-2013), com eleição de
cometida pelo empreiteiro.” A resposta do 2.º A obra encontra-se concluída, tendo novos membros do Conselho Disciplinar da
participado foi objeto de parecer pelo téc- sido requerida a licença de utilização e, Região Sul, tendo o Conselho Jurisdicional,
nico responsável pela análise, (…); Com conforme é exigido por lei, foram en- a 2010-03-25, deliberado deferir os pedidos
efeito, os argumentos apresentados pelo tregues as telas finais, termo de respon- de prorrogação dos prazos para serem jul-
participado não nos merecem acolhimento sabilidade do Projetista e do Técnico gados vários processos disciplinares entre
pois é ao diretor técnico que compete as- Responsável de Obra; os quais se incluía este Processo Disciplinar.
segurar o cumprimento do projeto que 3.º Em 2009-01-03 a XX realizou uma vis-
aceitou executar, dirigindo tecnicamente os toria à obra tendo constatado que esta Em 2011-02-07 foi o A. notificado da acu-
trabalhos; (…) Para além disso, quando de- não se encontrava conforme o projeto sação, tendo apresentado defesa a 2011-
tetadas deficiências no projeto e nas orien- aprovado, nomeadamente: A cércea do 03-09, suscitando a incompetência do Con-
tações emanadas pelo dono da obra, ou torreão excede a cércea do projeto selho Disciplinar e a nulidade do despacho
pelos seus agentes, o diretor técnico deve aprovado; Existem diferenças nos al- de acusação, por falta de factos, tendo in-
de imediato comunicá-las ao dono da obra; çados; A cor exterior é amarela em vez dicado testemunhas e requerido a produção
Ao invés, o ora participado não só não o do branco indicado no projeto (com de prova documental em poder de terceiro.
terá feito, como também não declinou a diferenças na cercadura das janelas); As
responsabilidade técnica da obra, assinando chaminés não estão sobre-elevadas Em 2011-05-06 foi o A. notificado para re-
o termo de responsabilidade (…) Assim, o como deveriam em termos regulamen- meter as questões a colocar a cada uma
crime de falsificação de documentos en- tares; das testemunhas, para efeito de pedidos de
quadra as situações em que tanto os autores 4.º Após a vistoria, a 2009-01-28, o parti- depoimento escrito, tendo, na mesma data,
dos projetos, como o diretor técnico da cipado requereu a suspensão do seu sido notificado o empreiteiro nos termos
obra, ou quem esteja mandatado para esse Termo de Responsabilidade, informando requeridos pelo A., o qual informou que a
efeito pelo dono da obra, subscreva termos que as alterações ao projeto em obra solicitada coleção de desenhos foi entregue
de responsabilidade ou inscreva registos no foram efetuadas por ordem do dono de na delegação do Ministério Público do Tri-
livro de obra que sejam falsos. Acresce ao obra, tendo em 2009-01-30 requerido bunal da Comarca de XX, não tendo em seu
aduzido o facto de, também, se valorar como a anulação da suspensão; poder outro exemplar.
ilícito contraordenacional as falsas declara- 5.º Em 2009-02-16 a XX notificou o dono
ções no termo de responsabilidade pres- de obra e o participado de que não emi- O A. indicou os factos a que pretendia ver
tadas pelo diretor técnico da obra, conforme tiria a licença de utilização concedendo ouvidas as testemunhas por si arroladas,
previsto no artigo 98.º n.º 1 alínea f) e n.º 5 um prazo de dez dias para se pronun- tendo a OE entendido que os quesitos não

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 87


Ação Disciplinar

eram relevantes para a decisão do processo ciplinar dispunha para prosseguir a ação Assim, dos autos retira-se que a acusação
em causa, “pelo que se pode fazer acórdão, disciplinar, pertencendo esta já ao Conselho enunciou os factos de forma clara, coerente
censura registada…”. Jurisdicional, o que constitui nulidade insa- e concreta e por expresso reporte a espaço
nável. temporal perfeitamente identificado, permi-
Em 2011-07-01, o Conselho Jurisdicional, tindo ainda ampla defesa do arguido, ora A.,
ao abrigo do art. 55.º, n.º 2 do Regulamento Como decorre dos autos, foram pedidas e, em sede procedimental e em sede judicial.
Disciplinar, voltou a deferir pedidos de pror- corretamente, deferidas as prorrogações de
rogação de prazos de processos discipli- prazo para conclusão do Processo Disci- Advoga, ainda, o A. que o seu direito de de-
nares da competência do Conselho Disci- plinar. fesa foi colocado em risco por decisão não
plinar da Região Sul, entre os quais este Acresce que o circunstancialismo em que fundamentada, ao ser recusada a audição
Processo Disciplinar, tendo a 2011-09-30 o se desenrolou o Processo Disciplinar em das testemunhas por si arroladas.
Conselho Disciplinar proferido Acórdão de- análise, e o facto de as disposições invo-
cidindo aplicar ao A. a sanção disciplinar de cadas identificarem um prazo meramente Ressalta dos factos assentes que o instrutor,
censura registada. ordenador, importam a conclusão de que após ponderação dos factos sobre os quais
o (alegado) incumprimento do prazo, mesmo as testemunhas indicadas pelo A. iriam ser
Em 2011-11-02 foi admitido o recurso para que a existir, mas que não provado, não ouvidas, decidiu recusar a produção de prova
o Conselho Jurisdicional interposto pelo A., acarretaria uma invalidade suscetível de in- testemunhal requerida, prerrogativa que
tendo o Conselho Jurisdicional solicitado quinar o ato disciplinar (art. 55.º e art. 57.º podia utilizar (arts. 11.º, 25.º e 26.º do Re-
ao Bastonário sucessivas prorrogações do do Regulamento Disciplinar). gulamento Disciplinar; art. 53.º n.º 1 e n.º 3
prazo para concluir o Processo Disciplinar, Existem, ainda, factos qualificados como do Estatuto Disciplinar dos Trabalhadores
que foram deferidas. infração disciplinar que podiam ser, também, em Funções Públicas).
qualificados como infração penal (como
Em 2012-10-15 foi proferida sentença pelo acabou sucedendo), o que sempre justifi- A decisão está devidamente fundamentada
Juízo Instância Criminal – Juiz 1 da Comarca caria a aplicação ao caso dos prazos de se das informações dos serviços e/ou dos
do Alentejo Litoral, tendo o A., arguido no prescrição estabelecidos na lei penal. relatórios constarem diretamente, ou por
processo, sido condenado pela prática, como remissão, as razões por que se decidiu em
autor material, de crime de falsificação de Termos em que se julgou improcedente o certo sentido, permitindo assim a defesa
documento e a uma pena de 150 dias de suscitado vício. posterior dos direitos e interesses legítimos
multa. dos destinatários (cfr. arts. 122.º, 124.º n.º 1
Sustenta ainda o A. que da acusação não al. a), 125.°, 126.º e 151.º n.º 1 do CPA).
Em 2013-03-26, o Conselho Jurisdicional constam os factos integrantes da mesma,
emitiu parecer no sentido da improcedência as circunstâncias de tempo, modo e lugar Ora, quer a decisão de não ouvir as testemu-
da argumentação do arguido recorrente, da da prática da infração, bem como as que nhas indicadas pelo A., quer os atos impug-
negação do provimento do recurso e da integram circunstâncias atenuantes e agra- nados (alicerçando-se em extensa prova do-
confirmação da aplicação da pena de cen- vantes. cumental, nomeadamente junta com a par-
sura registada aplicada pelo respetivo Con- ticipação, ouvidas as declaração do arguido
selho Disciplinar, tendo em 2013-09-17 Contudo, resulta da factualidade assente e ponderada a defesa apresentada), estão
proferido Acórdão conjunto do Conselho que a acusação contém todos os factos in- fundamentados, pois identificam os factos
Jurisdicional e do Conselho Diretivo Na- tegrantes, identificando devidamente o ar- em que se alicerçam permitindo alcançar os
cional, confirmando a decisão do Conselho guido, as circunstâncias no tempo, modo e motivos de facto, e de direito, concretizando
Disciplinar – Aplicação da pena de censura lugar da prática das infrações, as circuns- as razões da decisão e identificando os cri-
registada. tâncias atenuantes, a indicação dos preceitos térios e normas em que a OE se fundou para
legais respetivos e pena aplicável. decidir no sentido, e no modo, em que o fez.
Em 2013-12-06 transitou a sentença pro- Do confronto entre a acusação e os atos
ferida pelo Juízo Instância Criminal – Juiz impugnados resulta que o A. foi efetivamente DECISÃO
1 da Comarca do Alentejo Litoral e em 2013- julgado e condenado pelos factos que cons-
12-20 o A. intentou a presente ação. tavam da Acusação, da qual foi devidamente Em suma, resulta a total improcedência do
notificado, tendo ainda tido oportunidade pedido de impugnação por inexistência de
O DIREITO de utilizar todos os seus direitos de defesa, vícios, ficando, concludentemente, preju-
prerrogativa que utilizou, como, claramente, dicado o pedido à prática do ato devido,
O A., não se conformando, reforçou o que resulta do Processo Disciplinar, de onde consubstanciado no pedido de condenação
havia alegado, nomeadamente quanto à in- constam todos os elementos probatórios da OE na eliminação da anotação da sanção
competência do Conselho Disciplinar por em que se alicerçou a decisão e, bem assim, disciplinar em causa do registo biográfico
considerar que dado o tempo decorrido a defesa apresentada, da qual ressalta ainda do A.
entre a apresentação da participação e o ter o A., oportunamente, compreendido
Acórdão, quando este foi proferido estava todos os factos de que era acusado, tendo Nestes termos, decidiu o Tribunal julgar to-
esgotado o prazo de que o Conselho Dis- deles apresentado a devida defesa. talmente improcedente a presente ação.

88 • INGeNIUM Março/Abril 2018


Legislação

Legislação

ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO Portaria n.º 15-A/2018 CONTRATAÇÃO PÚBLICA


Diário da República n.º 9/2018,
Decreto-Lei n.º 152/2017 1.º Suplemento, Série I de 2018-01-12 Portaria n.º 372/2017
Diário da República n.º 235/2017, Estabelece as normas técnicas essenciais a Diário da República n.º 239/2017,
Série I de 2017-12-07 considerar no âmbito da elaboração de pro- Série I de 2017-12-14
Altera o regime da qualidade da água para jetos de arborização e de rearborização, do Define as regras e os termos de apresen-
consumo humano, transpondo as Diretivas respetivo processo de análise e decisão, e tação dos documentos de habilitação do
números 2013/51/EURATOM e 2015/1787. da sua execução. adjudicatário no âmbito de procedimentos
de formação de contratos públicos.
AMBIENTE Portaria n.º 15-B/2018
Diário da República n.º 9/2018, ECONOMIA CIRCULAR
Decreto-Lei n.º 152-B/2017 1.º Suplemento, Série I de 2018-01-12
Diário da República n.º 236/2017, Define as habilitações mínimas, exigidas para Resolução do Conselho de Ministros
1.º Suplemento, Série I de 2017-12-11 elaboração e subscrição de projetos no âm- n.º 190-A/2017
Altera o regime jurídico da avaliação de im- bito das ações de arborização e de rearbo- Diário da República n.º 236/2017,
pacte ambiental dos projetos públicos e rização, com recurso a espécies florestais, 2.º Suplemento, Série I de 2017-12-11
privados suscetíveis de produzirem efeitos para efeitos da autorização e da comuni- Aprova o Plano de Ação para a Economia
significativos no ambiente, transpondo a cação prévia previstas nos artigos 4.º e 5.º Circular em Portugal.
Diretiva n.º 2014/52/UE. do Decreto-Lei n.º 96/2013, de 19 de julho,
alterado e republicado pela Lei n.º 77/2017, ENERGIA
ARBORIZAÇÃO E REARBORIZAÇÃO de 17 de agosto, bem como o seu registo.
NOTA: posição da OE sobre esta Portaria Decreto-Lei n.º 152-C/2017
Decreto-Lei n.º 148/2017 disponível no Portal do Engenheiro Diário da República n.º 236/2017,
Diário da República n.º 233/2017, 2.º Suplemento, Série I de 2017-12-11
Série I de 2017-12-05 ARRENDAMENTO Transpõe a Diretiva (UE) 2015/1513, que al-
Estabelece o regime transitório a que ficam tera a Diretiva 98/70/CE relativa à qualidade
sujeitas, no território continental, as ações Portaria n.º 3/2018 da gasolina e do combustível para motores
de rearborização com recurso a espécies Diário da República n.º 2/2018, diesel e a Diretiva 2009/28/CE relativa à
do género Eucalyptus sp. Série I de 2018-01-03 promoção da utilização de energia prove-
Atualiza os fatores de correção extraordi- niente de fontes renováveis.
nária das rendas para o ano de 2018.
ENQUADRAMENTO
Portaria n.º 4/2018 ORÇAMENTAL
Informações detalhadas sobre estes
Diário da República n.º 3/2018,
e outros diplomas legais podem
Série I de 2018-01-04 Lei n.º 2/2018
ser consultadas em
www.ordemengenheiros.pt/pt/ Altera a Portaria n.º 277-A/2010, de 21 de Diário da República n.º 20/2018,
/centro-de-informacao/legislacao maio, que cria o programa Porta 65 – Ar- Série I de 2018-01-29
rendamento por Jovens. Primeira alteração à Lei de Enquadramento

90 • INGeNIUM Março/Abril 2018


Legislação

Orçamental, aprovada em anexo à Lei n.º INTEROPERABILIDADE DIGITAL Fixa o valor da retribuição mínima mensal
151/2015, de 11 de setembro. garantida para 2018.
Resolução do Conselho de Ministros
FLORESTAS n.º 2/2018 TRABALHADORES INDEPENDENTES
Diário da República n.º 4/2018,
Lei n.º 111/2017 Série I de 2018-01-05 Decreto-Lei n.º 2/2018
Diário da República n.º 242/2017, Procede à revisão do Regulamento Nacional Diário da República n.º 6/2018,
Série I de 2017-12-19 de Interoperabilidade Digital. Série I de 2018-01-09
Primeira alteração, por apreciação parla- Altera o regime contributivo dos trabalha-
mentar, ao Decreto-Lei n.º 66/2017, de 12 IRS dores independentes.
de junho, que estabelece o regime jurídico
de reconhecimento das entidades de gestão Decreto Regulamentar n.º 1/2018 TRANSPORTES
florestal. Diário da República n.º 7/2018,
Série I de 2018-01-10 Decreto-Lei n.º 152-A/2017
Resolução do Conselho de Ministros Fixa o universo dos sujeitos passivos de IRS Diário da República n.º 236/2017,
n.º 1/2018 abrangidos pela declaração automática de 1.º Suplemento, Série I de 2017-12-11
Diário da República n.º 2/2018, rendimentos, em conformidade com o pre- Altera o Regulamento de Atribuição de Ma-
Série I de 2018-01-03 visto no n.º 8 do artigo 58.º-A do Código trícula a Automóveis, Seus Reboques e Mo-
Aprova o Programa de Revitalização do Pi- do IRS. tociclos, Ciclomotores, Triciclos e Quadri-
nhal Interior. ciclos, transpondo a Diretiva 2014/46/UE.
ORÇAMENTO DO ESTADO
GRANDES OPÇÕES DO PLANO DIPLOMAS REGIONAIS – MADEIRA
Lei n.º 114/2017
Lei n.º 113/2017 Diário da República n.º 249/2017, Decreto Legislativo Regional n.º 1/2018/M
Diário da República n.º 249/2017, Série I de 2017-12-29 Diário da República n.º 3/2018,
Série I de 2017-12-29 Orçamento do Estado para 2018. Série I de 2018-01-04
Grandes Opções do Plano para 2018. Aprova o regime jurídico do aproveitamento
PENSÃO DE VELHICE de massas minerais na Região Autónoma
HABILITAÇÃO LEGAL da Madeira.
PARA CONDUZIR Portaria n.º 25/2018
Diário da República n.º 13/2018, Decreto Legislativo Regional n.º 2/2018/M
Decreto-Lei n.º 151/2017 Série I de 2018-01-18 Diário da República n.º 6/2018,
Diário da República n.º 235/2017, Portaria que estabelece a idade normal de Série I de 2018-01-09
Série I de 2017-12-07 acesso à pensão de velhice em 2019. Aprova o Orçamento da Região Autónoma
Altera o Regulamento da Habilitação Legal da Madeira para 2018.
para Conduzir, transpondo a Diretiva 2016/1106/ RESÍDUOS
EU. Resolução da Assembleia Legislativa da
Decreto-Lei n.º 152-D/2017 Região Autónoma da Madeira n.º 3/2018/M
Declaração de Retificação n.º 3/2018 Diário da República n.º 236/2017, Diário da República n.º 6/2018,
Diário da República n.º 20/2018, 2.º Suplemento, Série I de 2017-12-11 Série I de 2018-01-09
Série I de 2018-01-29 Unifica o regime da gestão de fluxos espe- Aprova o Plano e Programa de Investimentos
Retifica o Decreto-Lei n.º 151/2017, de 7 de cíficos de resíduos sujeitos ao princípio da e Despesas de Desenvolvimento da Admi-
dezembro, do Planeamento e das Infraes- responsabilidade alargada do produtor, trans- nistração da Região Autónoma da Madeira
truturas que altera o Regulamento da Ha- pondo as Diretivas números 2015/720/UE, para o ano de 2018.
bilitação Legal para Conduzir, transpondo 2016/774/UE e 2017/2096/UE.
a Diretiva 2016/1106/UE, publicado no Diário DIPLOMAS REGIONAIS – AÇORES
da República, 1.ª série, n.º 235, de 7 de de- Portaria n.º 20/2018 - Diário da República
zembro de 2017. n.º 12/2018, Série I de 2018-01-17 Decreto Legislativo Regional n.º 1/2018/A
Estabelece os critérios para a atribuição do Diário da República n.º 2/2018,
INDEXANTE Fim do Estatuto de Resíduo (FER) ao mate- Série I de 2018-01-03
DOS APOIOS SOCIAIS rial de borracha derivado de pneus usados. Orçamento da Região Autónoma dos Açores
para o ano 2018.
Portaria n.º 21/2018 RETRIB. MÍNIMA MENSAL GARANTIDA
Diário da República n.º 13/2018, Decreto Legislativo Regional n.º 2/2018/A
Série I de 2018-01-18 Decreto-Lei n.º 156/2017 Diário da República n.º 5/2018,
Portaria que procede à atualização anual do Diário da República n.º 248/2017, Série I de 2018-01-08
valor do indexante dos apoios sociais (IAS). Série I de 2017-12-28 Plano Anual Regional para o ano 2018.

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 91


Análise

DR
Análise

TRANSPORTES E VIAS
DE COMUNICAÇÃO – ABORDAR
O PRESENTE E PERSPETIVAR O FUTURO
INTRODUÇÃO pelo que os engenheiros especializados se encon-
tram em posição particularmente favorável para
A Especialização em Transportes e Vias de Comu- assumir papel de relevo a todos os níveis, em pro-
nicação incide sobre uma área de atividade da En- cessos de ordenamento do território e de desen-
genharia que abrange matérias de várias Especiali- volvimento e gestão das acessibilidades. Atualmente,
dades e que assume inegável importância científica José Alberto Alves e em complemento das abordagens relativas às in-
e técnica, sendo os seus Membros reconhecidos Nunes do Valle fraestruturas, já por si multidisciplinares, são cada
Coordenador
pelas habilitações qualificadas que detêm. da Especialização
vez maiores as exigências envolvendo diversos ramos
Os sistemas de Transportes e as suas infraestruturas, em Transportes da Engenharia, que se articulam em áreas como as
e Vias de Comunicação
as Vias de Comunicação e os veículos, constituem da gestão e segurança do tráfego, dos sistemas de
da Ordem dos Engenheiros
no seu conjunto uma área estratégica de primor- javalle@sapo.pt
informação, do ambiente, da qualidade e outras.
dial importância na economia mundial, fortemente A atividade da Comissão de Especialização em Trans-
marcada por uma progressiva evolução tecnológica portes e Vias de Comunicação traduz-se, assim, na
sustentada por métodos avançados de investigação. preocupação de abordar e discutir, sob diversas
As grandes transformações estruturantes do terri- formas e através de diferentes iniciativas, as grandes
tório nacional vêm resultando, em grande parte, da opções estratégicas nesta área e os problemas mais
realização de novas infraestruturas de transporte, prementes a nível nacional que requerem a atuação

92 • INGeNIUM Março/Abril 2018


Análise

da Engenharia de Transportes, não descurando os avanços tec- transporte, com o contributo e otimização de desenvolvimentos
nológicos que são vertidos para aplicações no domínio. tecnológicos, mantendo a continuidade da procura de tecnolo-
gias inteligentes de conectividade e de tratamento e armazena-
O PRESENTE mento eletrónico de grandes volumes de informação – compo-
nentes integrantes da transformação digital que se convencionou
Através da realização de seminários e conferências tem-se pro- designar por Indústria 4.0.
movido o debate de opções estratégicas de âmbito geral, como Acresce ainda o desenvolvimento de tecnologias inteligentes apli-
sejam as questões relativas ao financiamento para projetos nacio- cadas a materiais e a equipamentos, que permitam mudanças dis-
nais, e de âmbito mais específico, direcionadas por área ou setor. ruptivas não só nos processos, como nos produtos e, em última
Noutra vertente, com a realização de visitas técnicas da Especia- análise, em modelos de negócios.
lização, a operadores de transportes e empresas nacionais de re- Haverá, assim, transformações que se esperam e que até já se ve-
conhecido e elevado valor tecnológico, procura-se conhecer a rificam, seja nas infraestruturas e nos veículos isoladamente, seja
evolução dos projetos em curso e as perspetivas para o seu de- ainda, e sobretudo, nas interações infraestrutura-veículo e veículo-
senvolvimento futuro, de acordo com as orientações estratégicas -veículo.
para o respetivo setor. Nas infraestruturas, os avanços tecnológicos permitirão tornar as
A incidência de novas tecnologias e em particular as relacionadas estradas, para além de sustentáveis, mais interativas, através de sis-
com a transformação digital têm sido também objeto de apresen- temas de iluminação inteligentes, pavimentos inovadores com cap-
tação e discussão, designadamente o enquadramento atual da evo- tação de energia solar e tecnologia LED, sinais que funcionam de
lução que se verifica em matéria de tecnologias da informação e acordo com as diferentes situações de tráfego em presença, etc.
comunicação no domínio dos transportes. – “Estradas Inteligentes”.
Ações realizadas, focando exemplos de desenvolvimento de apli- Ao nível dos veículos, tem sido acelerada a evolução tecnológica
cações relativas à desmaterialização bilhética, à gestão do parquea- que se tem verificado nos últimos anos, seja na procura de substi-
mento, quer coberto, quer à superfície, à informação em tempo tuição dos motores convencionais por outras formas de energia,
real para utentes e operadores na rede de transportes públicos e mais sustentáveis e amigas do ambiente, seja no desenvolvimento
na rede de “interfaces”, à otimização da oferta de mobilidade e ao de soluções tecnológicas para veículos autónomos – “Veículos In-
controle e fiscalização do tráfego, confirmam a atualidade e per- teligentes”. Neste âmbito, a evolução esperada recairá ainda, e so-
tinência destas tecnologias inovadoras. A criação de plataformas bretudo, em soluções inovadoras para sistemas de comunicações
permitindo a integração dos sistemas facilita, não só, a utilização veículo-veiculo, veículo-infraestrutura e veículo-peão.
otimizada de cadeias de transporte multimodal, como uma nova
visão estratégica para um transporte público mais acessível. CONCLUSÃO
Também a segurança rodoviária, com os desenvolvimentos mais
recentes e expectativas de evolução, que incidem sobre os veículos As intervenções nos sistemas de transportes e nas suas infraestru-
nos seus diversos tipos, sobre as características das infraestruturas turas, onde se enquadram as estradas, o caminho-de-ferro, os
que os suportam e sobre o comportamento humano, tem sido ob- portos, os aeroportos e as vias navegáveis, não podem ser alheias
jeto de particular atenção. à incidência de novas tecnologias e, em particular, as relacionadas
com a transformação digital.
A PERSPETIVA DE FUTURO Esta realidade é extensiva a todos os modos e meios de transporte
que caracterizam qualquer sistema de mobilidade de uma dada
O desafio da mobilidade sustentável não pode deixar de ter subja- área ou região e não só em meio urbano, devendo assim estar pre-
cente a necessidade de se assegurar uma adequada fluidez de trá- sente em qualquer processo de ordenamento do território e de
fegos articulada com o ordenamento do território e com o am- gestão de acessibilidades.
biente, sem descurar contudo outros aspetos como o da segu- Em meio urbano, uma mobilidade mais sustentável assume uma
rança de circulação. Particular realce deve continuar a merecer importância decisiva tendo em conta que aproximadamente 70%
então a intermodalidade e a interoperabilidade integradas, como da população da União Europeia já aí vive, sendo responsável por
forma e estratégia para atingir esses objetivos. cerca de 85% do PIB. A procura crescente de mobilidade, seja de
A questão crucial manter-se-á assim, e sobretudo, na forma de se pessoas, seja de bens, pode contudo gerar graves problemas, no-
incrementar o uso do transporte público e dos modos suaves na meadamente ambientais, caracterizados por congestionamento,
mobilidade urbana, em detrimento do uso do automóvel como desequilíbrio na repartição modal, má qualidade do ar e níveis ele-
transporte individual. Diversas soluções, que vêm sendo enunciadas, vados de emissões de CO2. Assim, independentemente de todas
mantêm-se como válidas, desde a integração funcional e tarifária e quaisquer tecnologias, para as “Cidades do Futuro” as soluções
dos diversos modos de transporte coletivo, facilitando o respetivo terão que ser devidamente enquadradas e suportadas no quadro
transbordo, até à implementação de políticas de estacionamento de adequado planeamento estratégico, sem descurar uma visão
que desincentivem o uso do automóvel em áreas centrais. territorial integrada que, no setor dos transportes e respetivas in-
A principal aposta terá que ser numa adequada estratégia de pla- fraestruturas, passará pela indispensável articulação e conjugação
neamento e política de gestão integrada de modos e meios de multimodal e intermodal.

Nota da Redação: O presente artigo resulta de uma comunicação apresentada ao XXI Congresso Nacional da Ordem dos Engenheiros que, por lapso, não foi publicado
na última edição da “INGENIUM”.

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 93


Cró
nica
A Bela
(Adormecida)
Jorge Buescu
e o problema
Professor na Faculdade de Ciências
da Universidade de Lisboa // jsbuescu@fc.ul.pt
monstruoso
U
ma equipa de cientistas propôs à que ia ser acordada e nada mais lhe é co- Este problema deliciosamente subtil tem uma
Bela Adormecida participar no se- municado). Portanto, nada muda em relação história notável. Foi proposto em 2000 pelo
guinte estudo. No Domingo à noite a Domingo à noite, pelo que a sua convicção filósofo americano Adam Elga, então no MIT,
ela adormece. Ao longo da experiência será de que saiu uma cara é 1/2. num artigo em que defendia a correcção da
despertada uma ou duas vezes, brevemente Mas as coisas não são assim tão simples. solução 1/3. O artigo de Elga suscitou reac-
entrevistada e posta de novo a dormir com Suponhamos que a experiência é repetida ções indignadas de outros filósofos, que ten-
um comprimido indutor de amnésia, de um número muito grande de vezes. Quando taram desconstruir os seus argumentos de
forma a não se recordar de nada. Depois de sai uma cara, a Bela Adormecida é acordada todas as formas. Estas reacções, por sua vez,
ela adormecer no Domingo à noite, os in- uma vez, ao passo que quando sai coroa é desencadearam contra-reacções igualmente
vestigadores lançam ao ar uma moeda acordada duas vezes. Assim, cerca de 1/3 inflamadas. Em menos de duas décadas este
equilibrada, sendo o procedimento experi- das vezes em que a Bela é acordada saiu problema já foi alvo de centenas de publi-
mental o seguinte: uma cara e em 2/3 das vezes uma coroa.
1. Se sair cara, a Bela Adormecida é acor- Assim, a sua expectativa de que num des-
dada na Segunda-feira; pertar específico tenha saído cara deve ser
2. Se sair coroa, a Bela Adormecida é acor- 1/3. Isto continua a ser verdade para o caso
dada e entrevistada na Segunda-feira e em que só se faz a experiência uma vez.
na Terça-feira. Portanto a resposta é 1/3.
As duas formas de raciocinar parecem igual-
De cada vez que se acordar a Bela Adorme- mente válidas e plausíveis. No entanto, não
cida ela não saberá o dia da semana nem se podem estar ambas certas, pois 1/2 é dife-
já foi acordada antes. Durante a entrevista rente de 1/3. Onde está o erro?
os investigadores perguntam-lhe: “Qual é Chegado a este ponto, convido o leitor a
agora o seu grau de convicção de que tenha interromper a leitura, pousar a “INGENIUM”
saído uma cara no lançamento da moeda?”. e reflectir sobre este dilema. Provavelmente,
A experiência termina na Quarta-feira, dia quanto mais pensar numa das possibilidades
em que ela é acordada sem entrevista. mais lhe parecerá ser essa a correcta e a
E a pergunta para todos nós é: se fôssemos outra a errada. Começará então a pensar
a Bela Adormecida, qual seria a resposta que nesta segunda hipótese, tentando descobrir
daríamos? o erro. Não só não consegue, como acaba
Um primeiro olhar dá-nos a resposta que por se convencer de que afinal é a segunda
parece absolutamente óbvia. A moeda é hipótese que está certa e a primeira errada.
equilibrada, pelo que cada face tem proba- Voltará a pensar na primeira, repetindo-se
bilidade 1/2 de sair. A Bela Adormecida sabe o processo. Ao fim de algum tempo, tomará
isto. Quando acorda não recebe nenhuma uma decisão – e passará a defender infle-
nova informação (pois sabia desde o início xivelmente uma das opções.

94 • INGeNIUM Março/Abril 2018


Crónica

cações académicas nas grandes revistas de O argumento da simetria. De cada vez que cimentos possíveis, a soma destas probabi-
filosofia, de reacções sanguíneas, de análises a Bela Adormecida é despertada, ela en- lidades é 1. Portanto
matemáticas e continua em aberto. Parte da contra-se em um de três estados:
excitação em torno do problema da Bela › Cara e Segunda-feira (Ca+2); P(Ca+2)= 1/3
Adormecida talvez seja, como diz Michael › Coroa e Segunda-feira (Co+2);
Titelbaum, precisamente o facto de ninguém › Coroa e Terça-feira (Co+3). Este é o argumento original de Elga, que faz
o ter resolvido de uma forma que todas as dele o primeiro tercista. Convencido? Mais
pessoas, ou sequer a maioria, considere sa- Vamos considerar uma variação do pro- devagar. Um metadista propõe a seguinte
tisfatória. Para simplificar a discussão, pas- blema. Suponhamos que a Bela Adormecida variação sobre o protocolo experimental
saremos a chamar aos defensores da solução é informada, assim que acorda, de que saiu que não altera rigorosamente nada nas con-
1/2 “metadistas” (conhecidos na literatura de coroa. Então ela estará forçosamente ou dições do problema. Uma vez que a Bela
língua inglesa por “halfers”) e aos defensores num dos estados (Co+2) ou (Co+3). Como Adormecida é sempre acordada à Segunda-
da solução 1/3 por “tercistas” (“thirders”). Por estes estados são, do ponto de vista da Bela -feira qualquer que seja o resultado do lan-
estranho que pareça, estas duas posições Adormecida, indistinguíveis, têm de ser igual- çamento, os investigadores podem lançar
não esgotam as posições adoptadas pelos mente prováveis. Designando por P a res- a moeda apenas na Segunda à noite, depois
filósofos; por exemplo, os “dualistas” de- pectiva probabilidade, tem-se de ela adormecer ao fim do primeiro dia.
fendem que ambas as soluções, em função Na verdade, até podem lançar a moeda na
da interpretação, podem estar correctas; os P(Co+2) = P(Co+3) (1) Terça de manhã, decidindo nesse momento
“objectores” defendem que não existe res- se a acordam ou se a deixam ficar a dormir.
posta correcta porque o problema não pode Façamos uma variação diferente, supondo Ora, como pode na Segunda-feira a Bela
ser bem posto. Os argumentos são por vezes agora que a Bela Adormecida é informada Adormecida acreditar noutra probabilidade
assustadoramente complexos: desde a in- do dia da semana assim que é despertada. que não 1/2 para o lançamento de uma
vocação da não-aplicabilidade dos axiomas Se lhe é dito que é Segunda-feira, ela sabe moeda equilibrada que ainda não foi feito?
da probabilidade de Kolmogorov e do Baye- que só pode estar nos estados (Co+2) ou Se o leitor prefere não interferir com o pro-
sianismo, à interpretação dos universos múl- (Ca+2). Como não os consegue distinguir, tocolo experimental inicial, o metadista
tiplos da Mecânica Quântica, a Bela Ador- tem de os considerar equiprováveis. Por- propõe considerar o seguinte argumento.
mecida tem sido um convite à dança para tanto A Bela Adormecida (que supomos absolu-
os filósofos – e para alguns matemáticos, tamente racional e inteligente) faz o racio-
que se esforçam por colocar o problema em P(Ca+2) = P(Co+2) (2) cínio “tercista” no Domingo à noite, antes
bases Bayesianas. de adormecer. Conclui, portanto, que ao
Para apreciarmos bem a complexidade e Combinando as equações (1) e (2) con- ser acordada na Segunda-feira de manhã
subtileza deste problema considere-se a cluímos que P(Ca+2) = P(Co+2) = P(Co+3). defenderá a probabilidade 1/3. Ora, como
seguinte sucessão de pontos de vista. Como os três estados esgotam os aconte- do seu ponto de vista nada se terá passado

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 95


Crónica

DR
em Filosofia e Economia: o argumento da
Aposta Holandesa (Dutch book). Este afirma,
numa das suas versões, que se uma se-
quência de apostas “justas” tem um resul-
tado negativo, então as probabilidades nas
quais se baseia o cálculo correspondente
não podem estar correctas.
Quase duas décadas depois de apresentado
o problema da Bela Adormecida, a facção
dos tercistas leva vantagem sobre a dos me-
tadistas – embora, evidentemente, a questão
não se decida com uma votação. Do ponto
entre Domingo à noite e Segunda de manhã de 600 €. Nada mau, para duas noites de de vista matemático parece ser relativamente
(a não ser, claro, umas boas horas de sono), sono! claro, depois do artigo de 2009 de Jeffrey
ela tem, no Domingo à noite, de atribuir Já um metadista atribui probabilidade 1/2 a Rosenthal “A mathematical analysis of the
probabilidade 1/3 ao lançamento de uma cada acontecimento, sendo portanto o valor Sleeping Beauty Problem”, que uma tradução
moeda equilibrada. Isto é absurdo. médio esperado de - 500 €. Portanto, a matemática rigorosa deste problema conduz,
Para contrariar os tercistas que se baseiam Bela Adormecida tem de recusar a aposta. por aplicação dos métodos bayesianos, à
em repetir a experiência muitas vezes (como Independentemente das suas convicções solução 1/3.
anteriormente fizemos no primeiro argu- íntimas, a Bela Adormecida deve dar uma Mas mesmo após demonstrações matemá-
mento tercista), o metadista propõe a se- resposta a este desafio. Ela ganha ou perde ticas subsistem dificuldades para a posição
guinte variação. Suponhamos que, em vez dinheiro com esta aposta? Devo ou não tercista. Como se pode justificar que, depois
de se repetir muitas vezes o problema ori- aceitar? de ser acordada na Segunda-feira, a Bela
ginal, se aumenta o número de vezes que Deve dizer-se, para que não se fique com Adormecida modifique a sua estimativa de
se desperta a Bela Adormecida em caso de a sensação de que os filósofos desta área Domingo? O próprio Adam Elga reconhece
coroa. Para fixar ideias, suponhamos que se se dedicam a discutir excitadamente pro- que não existe informação nova na Segunda-
sair coroa ela é acordada 999 vezes. Isso blemas de salão, que o seu objectivo é bem -feira de manhã para o justificar, mas que a
significa que um tercista, para ser coerente, maior. Eles tentam determinar a credibili- Bela Adormecida deve, mesmo nestas cir-
tem nesta experiência de atribuir à proba- dade que deve atribuir-se a uma dada afir- cunstâncias, alterar nesse momento a sua
bilidade de sair cara o valor de 1/1000. Um mação sob certas circunstâncias, bem como estimativa para 1/3. Outros tercistas, como
milésimo? Mas que raio de moeda equili- a forma como essa credibilidade se altera Arntzenius (que curiosamente começou
brada é esta? com a introdução de nova informação ou como metadista mas se converteu ao ter-
Um tercista empedernido pode, por seu a passagem do tempo. O problema da Bela cismo), Dorr, Horgan ou Weintraub, argu-
lado, propor a um metadista arriscar o seu Adormecida, que incorpora elementos como mentam que estar consciente num dado
dinheiro em defesa das suas convicções. a perda de consciência, de memória e de momento, mesmo não sabendo que dia é,
Desafiemos a Bela Adormecida para o se- indicação do tempo, é um excelente teste pode constituir informação genuína, justi-
guinte jogo: de cada vez que é despertada para uma teoria que pretenda fazê-lo. ficando a alteração da estimativa da Bela
ela verá retirados 3.000 € da sua conta ban- Para além dos objectivos, muitos dos pró- Adormecida.
cária, no caso de sair cara, e depositados prios argumentos anteriormente utilizados O problema da Bela Adormecida dificilmente
2.000 €, no caso de sair coroa. Ela deve representam questões mais ou menos pro- virá a ter uma solução em que todas as
aceitar esta aposta ou não? fundas desta área da Filosofia. Por exemplo, partes se revejam: ele envolve tantas subti-
Um tercista acha que a Bela Adormecida a ideia de que se soubermos que amanhã lezas informais que muitos dos seus recantos
deve aceitar a aposta, porque esta lhe é fa- vamos pensar “X”, então hoje devemos permanecem misteriosos. Talvez seja esta
vorável. Com efeito, o valor esperado da também pensar “X”, é conhecida entre os uma das razões para o seu encanto: afinal,
aposta é filósofos como Princípio de Reflexão de van o mistério é uma condição necessária para
1 2 Fraassen. Outro exemplo é o da aposta com a Beleza.
(-3.000€) + (+2.000€) = 666.66€ ,
3 3 que desafiamos a Bela Adormecida: apesar
pelo que, em média, de cada vez que a Bela do tom aparentemente ligeiro, trata-se da Nota: Jorge Buescu escreve, por opção pessoal,
Adormecida participar no estudo ganha mais aplicação de uma questão muito relevante de acordo com a antiga ortografia.

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Em MEmória

Em Memória
Os resumos biográficos dos Membros da Ordem dos Engenheiros falecidos são publicados na secção “Em Memória”, de acordo com o
espaço disponível em cada uma das edições da “INGENIUM” e respeitando a sua ordem de receção junto dos Serviços Institucionais da
Ordem. Agradecemos, assim, a compreensão das famílias e dos leitores pela eventual dilação na sua publicação.
Igualmente, solicita-se, e agradece-se, que futuras comunicações a este respeito sejam dirigidas à Ordem dos Engenheiros através do
e-mail rolanda.correia@oep.pt e/ou ingenium@oep.pt

Carlos Eduardo Lopes Padrão Soares 1958-2017


Engenheiro Mecânico inscrito na Ordem em 1988. desempenhou o cargo de Chefe da Divisão de Serviços Oficinais da
Licenciou-se em Engenharia Mecânica, em 1987, no Instituto Superior Scania, de fevereiro a maio de 1995, data a partir da qual passou a exercer
Técnico, e fez uma pós-graduação em Engenharia de Soldadura, pelo o cargo de Diretor dos Serviços de Após-Venda, até agosto de 1998.
Instituto de Soldadura e Qualidade (1987/88). Iniciou a sua atividade Iniciou funções na C. Santos V.P., S.A. como Diretor da Unidade de Ne-
profissional (1988) na Companhia Carris de Ferro de Lisboa (até 1992), gócios de Pesados, até 1999. Foi promovido a Diretor dos Serviços de
no Departamento de Carroçarias de Autocarros. Até final de 1989 inte- Após-Venda, em junho de 1999, cargo que desempenhou até julho de
grou a Divisão de Estudos Técnicos de Autocarros. Na Fassio, Lda. 2006. A partir dessa data foi Diretor-geral na empresa Manitou, até julho
(1993/95), foi Diretor-adjunto dos Serviços Técnicos. Na Cimpomóvel de 2012.

Carlos Manuel da Silva dos Reis 1947-2017


Engenheiro Eletrotécnico inscrito na Ordem em 1972. passou a coordenar a área de Organização e Informática e mais tarde
Licenciou-se em Engenharia Eletrotécnica, em 1971, no Instituto Supe- o Gabinete do Plano Ferroviário Nacional, onde permaneceu até 1997.
rior Técnico. Iniciou a sua atividade nos Caminhos de Ferro Portugueses, Nesse ano, por motivos da separação operada naquele setor, com a
na Divisão de Catenária. Entretanto é chamado a cumprir o serviço mi- criação da CP e da REFER, optou por transitar para a REFER, na qual, e
litar (1973/75). É depois incorporado na Força Aérea, o que o leva até até 2007, foi Diretor de Planeamento Estratégico. Representou o País
Lourenço Marques (atual Maputo). em diversos organismos relacionados com a ferrovia, nomeadamente
Regressado à vida profissional, nos Caminhos de Ferro Portugueses, a nível da UE e UIC (International Union of Railways). Até à passagem à
desempenha diversos lugares de coordenação, na área da Exploração, reforma (2010), exerceu a função de Coordenador de Relações Institu-
que culminaram com a Direção da Região Sul (1976). Posteriormente, cionais.

João Pedro Antunes Gomes 1930-2017


Engenheiro Químico inscrito na Ordem em 1956. Nacional de Petroquímica E.P.), da qual foi Diretor de Projetos, de 1972
Licenciou-se em Engenharia Química-Industrial, em 1954, no Instituto até 1977, data a partir da qual passou a ser membro do Conselho de
Superior Técnico. Iniciou a sua carreira em 1954, no setor dos Adubos Gerência, cargo que acumulou com a Vice-presidência da Empresa de
Azotados na União Fabril do Azoto, como Chefe de Turno da Fábrica de Polímeros de Sines, SARL, até 1984.
Alferrarede, tendo sido Chefe dos Serviços Fabris. De 1960 até ao seu Regressou à Companhia Nacional de Petroquímica como Diretor-geral,
encerramento, em 1965, foi Diretor daquela unidade industrial. Passou até 1985. De 1986 a 1989 foi Presidente da Empresa Carbonífera do
a Chefe da Zona Amoníaco da mesma empresa (1965), mas na Fábrica Douro, SA. A partir dessa data, administrou a Organização Portuguesa
do Lavradio, tendo chegado a Subdiretor em 1969. de Projetos Industriais, SA. Foi formador e consultor de empresas. De-
Em 1971 transita para a holding Companhia União Fabril, como Chefe sempenhou funções na OE como membro do Conselho Disciplinar da
do Grupo de Trabalho de Petroquímica (que deu origem à Companhia Região Sul (1982/88).

Júlio Henrique Branco Pereira Dias 1937-2017


Engenheiro Mecânico inscrito na Ordem em 1964. vido a Chefe do Gabinete de Estudos de Equipamentos Industriais (Re-
Licenciou-se em Engenharia Mecânica, em 1961, no Instituto Superior servatórios e Tubagens).
Técnico. Fez diversos cursos de pós-graduação: Automatismos Pneu- Desempenhou funções de Chefe da Inspeção Fabril (1971/72) e do Ga-
máticos (Atlas-Copco), Engenharia Sísmica (LNEC), Fortran IV (NORMA), binete de Estudos de Equipamentos Industriais (1972/86). Foi nomeado
Controle de Qualidade (GECTI), entre outros. Iniciou a atividade profis- Assessor do Departamento de Controlo da Qualidade da Divisão de
sional em 1962, como supervisor na MOTRA (Siemens). Energia (1986/88) e Assessor do Departamento da Qualidade da Direção
Em 1963 ingressou na Sorefame, onde permaneceu até 1993, desem- de Investigação e Desenvolvimento (1988/92). Foi adjunto para a Ga-
penhando funções de chefia na Secção de Soldadura. Foi nomeado rantia da Qualidade da Sorefame. Representou a empresa em diferentes
(1966) responsável do setor de equipamentos mecânicos, do Gabinete organismos. Coordenou, dirigiu e foi autor de diversos trabalhos nas
de Estudos de Material Circulante, tendo sido, no ano seguinte, promo- áreas de Soldadura e de Projetos.

Março/Abril 2018 INGeNIUM • 97


AGENDA Mais eventos disponíveis em www.ordemengenheiros.pt/pt/agenda

Nacional 23 de maio 14 de maio 25 de junho


SIMPMET 2018 – 6.º Simpósio EUBCE 2018 – European IVSC – WAVO Global
7 de maio de Metrologia Biomass Conference Valuation Conference
Jornadas de Engenharia Local: Porto and Exhibittion Local: Singapura
e Tecnologia Marítima 2018 www.isep.ipp.pt/simpmet Dinamarca https://iibv.org/event/ivsc-wavo-
Local: Lisboa Página: 78 www.eubce.com global-valuation-conference-2018-
www.centec.tecnico.ulisboa.pt/ singapore
martech2018/pt 22 de maio
Página: 65 EU Green Week 2018
Local: Bélgica
8 de maio www.eugreenweek.eu
CIALP – Conferência 26 de junho Página: 58
Internacional de Ambiente CarboCat-VIII – 8th
em Língua Portuguesa International Symposium 23 de maio
Local: Aveiro on Carbon for Catalysis 1st International
http://cialp.web.ua.pt Local: Porto Conference Mines 26 de junho
Página: 71 http://carbocatviii.eventos.chemistry.pt of the Future Mining Journal
Página: 65 Local: Alemanha Local: Inglaterra
www.aims.rwth-aachen.de www.theminingjournal30.com
9 de setembro
CICat 2018 – XXVI 2 de julho
Congresso Ibero- 7th International
-Americano de Catálise Conference on Smart
Local: Coimbra Materials and Structures
16 de maio http://cicat2018.eventos.chemistry.pt Local: Áustria
Tektónica Página: 65 4 de junho https://smartmaterials.
Feira Internacional EUSEW18 – EU Sustainable materialsconferences.com
da Construção Energy Week 2018
e Obras Públicas Local: Bélgica 13 de agosto
Local: Lisboa www.eusew.eu 20th International
www.tektonica.fil.pt Página: 58 Conference on Advanced
Materials and Research
19 de setembro 6 de junho Local: Irlanda
PMI2018 – International Mining Investment Europe https://energymaterials.
Conference on Polymers Local: Alemanha materialsconferences.com
17 de maio and Moulds Innovations www.mininginvestmenteurope.com
SASGEO – II Simpósio Local: Guimarães 23 de agosto
Internacional de Águas, http://pmiconference.eu World Congress
Solos e Geotecnologias on Materials Science
Local: Vila Real 2 de outubro & Engineering
https://iisasgeo.utad.pt ChemPor 2018 Local: Holanda
13th International 11 de junho https://materialsscience.euroscicon.com
17 de maio Chemical and Biological Turbo Expo 2018 –
2.º Congresso Português Engineering Conference Turbomachinery Technical
de Building Information Local: Aveiro Conference & Exposition
Modelling Página: 65 Local: Noruega
Local: Lisboa www.asme.org/events/turbo-expo
www.ptbim.org 25 de outubro Página: 58
VIII Conferência Nacional
de Cartografia e Geodesia
Local: Porto 17 de setembro
www.ordemengenheiros.pt DAM World 2018
3rd International
Internacional 20 de junho Dam World Conference
21 de maio 23rd International Local: Brasil
Dia Mundial 1 de maio Conference on Advanced http://ibracon.org.br/damworld2018
da Metrologia 2018 International Energy and Materials
Local: Almada Environment Conference Local: Noruega
www.ipq.pt Local: Turquia https://advancedmaterials.
Página: 78 www.idtm.com.tr materialsconferences.com

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TESTES & ENSAIOS
/ Ensaios de transformadores MAT/AT/MT
/ Ensaios de cabos AT/MT
/ Auditoria a sistemas de contagem
/ Avaliação da vida útil de equipamentos elétricos
/ Inspeção termográfica a linhas AT/MT, subestações e parques eólicos
/ Medição de ruído

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