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 Deontologia – é um termo que aparece da aglutinação de 2 palavras

gregas: “déon” e “logos”.

Para os gregos “déon” significa


DEVER, enquanto “logos” se
traduzia por Discurso ou
Tratado

 Neste caso, Deontologia seria o tratado do dever, ou o conjunto de


deveres , princípios ou normas adaptadas com um fim determinado
(regular ou orientar determinado grupo de indivíduos no âmbito de
uma actividade laboral, para o exercício de uma profissão).

 A par desta ideia de tratado, associado à regulamentação de uma


profissão estava implícito uma certa Ética, aquilo a que
posteriormente viria a ser entendido como a ciência do
comportamento moral dos homens em sociedade.
•Moral é o conjunto de princípios, normas, dos
juízos de valor vigorantes numa dada sociedade e
aceite pelos indivíduos dessa mesma sociedade.

•Quando se considera o que é correcto ou


incorrecto estamos perante um juízo de valor.

• Os valores são sempre sociais e históricos.

• Baseia-se no costume, hábitos culturais, regras


que já estão enraizadas numa determinada
sociedade.
 A Ética, igualmente com raízes na civilização grega, é
uma palavra proveniente de “ethos”, que em grego
significa Modo de Ser

 Quando aceitamos a ética, como sendo um conjunto de


regras a orientar o relacionamento humano no seio de
uma determinada comunidade social, podemos admitir a
conceptualização de uma ética deontológica, uma ética
voltada para a orientação de uma actividade profissional.
 A ética não envolve apenas um juízo de valor sobre o
comportamento humano, mas determina em si, uma
escolha, uma direcção, a obrigatoriedade de agir num
determinado sentido em sociedade.
ÉTICA - elabora os princípios
morais, subjacentes a todo o
comportamento humano em
sociedade.

Deontologia – dimensão ética de


uma profissão ou de uma
actividade profissional.
Moral/Ética/Deontologia
“Não faças aos outros o que não
queres que façam a ti é um dos
fundamentais princípios da ética. Mas
seria igualmente justificado afirmar:
tudo o que fizeres aos outros fá-lo-ás
também a ti próprio”

(Erich Fromm, Ética e Psicanálise)


Porque todo o trabalho é digno e independentemente da
designação, tem uma dupla dimensão – ninguém é
profissional para si próprio, toda a profissão possui uma
dimensão social, de utilidade comunitária, que suplanta a
concreta dimensão individual, ou um mero interesse
particular.
Não vivemos isolados, e o velho ditado “com o mal dos
outros posso eu bem”, não só traduz um mesquinho
egoísmo, como está profundamente errado.
- De que servirá a riqueza numa sociedade de
miséria?
Entender o conjunto de deveres exigidos aos
profissionais, uma ética de obrigações para consigo
próprio, com os outros e com a comunidade.
 Parece evidente que todas as profissões implicam uma
ética, pois todas se relacionam directa ou indirectamente
com os outros seres humanos.
 Os Atos Jurídicos são aqueles que derivam de um
comportamento humano, nos quais os efeitos
jurídicos (criação, conservação, modificação ou
extinção de direitos) estão fundamentalmente
previsto na lei.

 Neste tipo de ato a manifestação de vontade não


se subordina ao campo da autonomia privada do
agente, ou seja, o agente não possui a faculdade
de moldar os efeitos que sua manifestação de
vontade produzirá.
Os actos ilícitos, são contrários à Ordem
Jurídica e por ela reprovados, importam uma
sanção para o seu autor (infractor de uma norma
jurídica).

Os actos lícitos, são conformes à Ordem


Jurídica e por ela consentidos. Não podemos dizer
que o acto ilícito seja sempre inválido. Um acto
ilícito pode ser válido, embora produza os seus
efeitos sempre acompanhado de sanções. Da
mesma feita, a invalidade não acarreta também a
ilicitude do acto.
Obrigação que o indivíduo tem em dar conta dos seus actos e
suportar as consequências dele.

Um indivíduo responsável – é aquele que age com


conhecimento e liberdade suficiente para com os seus actos
possam ser considerados como dignos, devendo responder
por eles, é ainda um indivíduo que dentro de um grupo pode
tomar decisões.

A relação entre o PROFISSIONAL/UTENTE recai na forma


como o profissional deve tratar o utente, com respeito,
como uma pessoa que tem o direito de tomar as suas
decisões de ser autodeterminação e que merece a defesa ou
a confidencialidade das suas informações.
É imprescindível o exercício da responsabilidade, em
especial no vosso contexto de trabalho, pois tem um
estrutura tanto humana como física para conferir o
merecido respeito pelos idosos, reconhecendo-os como
cidadãos conscientes dos seus direitos.
Devem ter consciência da grande responsabilidade que
recai sobre os agentes de geriatria, em virtude de, pelo
vosso trabalho conhecerem vários aspectos da vida do
idoso.
As consequências directas ou indirectas dos vossos actos,
devem merecer uma atenção constante, isto é, evitar
prejudicar o “Outro”. O profissional é responsável pelas
suas próprias acções, tendo que assegurar, quanto
possível, que os seus serviços não são mal utilizados .
SIGILO PROFISSIONAL OU
SEGREDO PROFISSIONAL
Constitui obrigação do agente de geriatria a
salvaguarda do sigilo sobre os elementos que
tenha recolhido no exercício da sua actividade
profissional, porém, se utilizar alguns desses
elementos deverá ter o cuidado de não
identificar as pessoas visadas.
Obrigação de, quando o sistema legal exige
divulgação de dados, fornecer apenas a
informação relevante para o assunto em questão
e, de outro modo, manter confidencialidade.
O sigilo é referido à difusão oral, ou
escrita da informação.

Manter o sigilo profissional é ajudar o


utente a manter a sua própria integridade
moral.
Deveres dos
Agentes de Geriatria
O/a Agente em Geriatria é o/a profissional que, no
respeito de imperativos de segurança e deontologia
profissional, garante o equilíbrio pessoal e institucional
no relacionamento interpessoal do dia a dia com
pessoas idosas e outros profissionais e complementa o
cuidado da pessoa idosa nas suas vertentes física,
mental e social.
A geriatria tem em consideração os aspectos
deontológicos da conduta profissional e do
exercício da profissão de acordo com este
código, assenta em quatro princípios
interdependentes:

1. Respeito pelos direitos e dignidade da


pessoa
2. Competência
3. Responsabilidade
4. Integridade
Respeito Geral

•Defender e promover o desenvolvimento dos direitos fundamentais,


dignidade e valor de todas as pessoas.

•Respeitar os direitos dos indivíduos à privacidade, confidencialidade,


autodeterminação e autonomia.

•Respeitar a diversidade individual e cultural, nomeadamente,


decorrente da raça, nacionalidade, etnia, género, orientação sexual,
idade, religião, ideologia, linguagem e estatuto socioeconómico dos
idosos com quem se relaciona.

•Respeitar o conhecimento experiência de todos os idosos com quem se


relaciona.

•Respeitar a diversidade individual resultante das incapacidades dos


idosos, garantindo assim igualdade de oportunidades.

•Dever de não impor o seu sistema de valores perante as pessoas.


Privacidade e Confidencialidade

•Direito à privacidade e à confidencialidade dos idosos.

•Em procedimentos judiciais tem o dever de manter a


confidencialidade, e fornecer apenas a informação estritamente
relevante para o assunto em questão.

Limites da Confidencialidade

•Informar os idosos, quando considerar apropriado, acerca dos limites


legais da confidencialidade, divulga informação dos relatórios a
terceiros quando tal lhe seja imposto com legitimidade jurídica e, neste
caso, informa, obrigatoriamente o idoso.

•Dever de informar, de forma compreensível para o idoso e para


terceiras partes relevantes, todos os procedimentos que vai adoptar e
obter destes o consentimento explícito.

Quando a relação com o idoso for mediada pela terceira parte


relevante é a esta que compete o consentimento informado.
Autodeterminação

•Respeitar e promover a autonomia e o direito à


autodeterminação dos idosos.

•Assegurar de forma fundamentada que é respeitada a liberdade


de escolha do idoso no estabelecimento da relação profissional.

•Respeitar e promover o direito do idoso de iniciar, continuar ou


terminar a relação profissional.

•Ter em conta que a autodeterminação do idoso pode ser limitada


pela idade, capacidades mentais, nível do desenvolvimento, saúde
mental, condicionamentos legais ou por uma terceira parte
relevante.

•assegurar e manter elevados níveis de competência na sua


prática profissional..
•Reconhecer os limites das suas competências particulares e
as limitações dos seus conhecimentos. Proporcionam apenas
os serviços e técnicas para os quais estão qualificados
mediante a educação, treino e experiência.

•Deve ter uma reflexão crítica contínua sobre a sua conduta


e em qualquer contrato que. estabeleça, deve ter em conta o
preconizado no Código Deontológico, tendo um conhecimento
aprofundado e actualizado da lei geral, no que concerne na
sua prática.

•Deve fornecer apenas os serviços para os quais está


legalmente habilitado e estando atento as suas limitações
pessoais e profissionais.

•Deve manter-se actualizado a nível profissional e


justificando a sua conduta profissional á luz do estado actual
da ciência.
•Deve estar particularmente atento às limitações físicas e
psicológicas, temporárias ou impeditivas de uma adequada prática
profissional.

•Ser responsáveis pelas suas próprias acções, assegurando eles


próprios e tanto quanto possível que os seus serviços não sejam mal
utilizados .

Resolução de Dilemas

•deve ter consciência da potencial ocorrência de dilemas éticos e da


sua responsabilidade para os resolver de uma forma que seja
consistente

•No exercício da profissão, quando confrontado com um dilema ético


deve procurar com os colegas o objectivo de encontrar a melhor
solução.

•Se ocorrer um conflito de interesses entre as obrigações para com o


idoso ou terceiras partes é responsável pelas suas decisões.
Honestidade e Rigor

•deve reger-se por princípios de honestidade e verdade.

•deve assegurar-se que as suas qualificações são entendidas de


forma inequívoca pelos outros.

•deve ser objectivo perante terceiras partes relevantes, acerca


das suas obrigações sob o Código Deontológico, e assegurar-se
que todas as partes envolvidas estão conscientes dos seus
direitos e responsabilidades.

•deve assegurar que terceiras partes relevantes ou outros


(pessoas ou entidades) estão conscientes de que as suas
principais responsabilidades são, geralmente, para com o idoso.

•deve expressar as suas opiniões profissionais de forma


devidamente fundamentada.
Franqueza e Sinceridade

•deve fornecer aos idosos e terceiras partes relevante, de


forma clara e exacta, informação sobre a natureza, os
objectivos e os limites dos seus serviços.

•minimizar a ocorrência de erro. Se este ocorrer deve, de


forma clara e inequívoca, accionar os mecanismos para a sua
correcção.

•evita todas as formas de logro na sua conduta profissional.

Conflito de interesses e exploração

•não pode utilizar as suas relações profissionais com os idosos


com o objectivo de promover os seus interesses pessoais ou
de terceiros.
Relações entre colegas

•Devem basear-se nos princípios de respeito recíproco,


lealdade e solidariedade.

•Deve apoiar os colegas que lhe solicitem ajuda para


situações relacionadas com a prática profissional.

•Quando tem conhecimento de uma conduta


deontologicamente incorrecta por parte de um colega
deve, de forma fundamentada, apresentar-lhe a sua
critica e tentar, com ele, estabelecer formas para a
corrigir. Se esta conduta se mantiver deve informar a
instituição dando disso conhecimento ao colega.
• Remuneração;

• Promoção;

• Horas.
4 grandes princípios:

☞ O princípio do respeito pela autonomia do paciente, que deve ser


encarado como uma pessoa responsável, mesmo quando se denota o
enfraquecimento das suas capacidades;

☞ O princípio do benefício ou beneficência, segundo o qual o prestador


de cuidados deve servir o melhor possível os interesses do paciente;

☞ O princípio de não prejudicar, isto é, de não empreender nada que seja


contrário ao bem do paciente. Destes dois princípios decorre a avaliação
risco - benefício;

☞ O princípio da justiça, que torna obrigatório que se reconheçam as


necessidades de outrem sem distinção de idade, raça, classe ou religião.
Existência física
Existência económica
Existência social
Existência cultural
Dispor de si próprio

Princípios das Nações Unidas para o Idoso


Resolução 46/91 - Aprovada na Assembleia Geral
das Nações Unidas
16/12/1991
 Ter acesso à alimentação, à água, à habitação,
ao vestuário, à saúde, a ter apoio familiar e
comunitário.

 Ter oportunidade de trabalhar ou ter acesso


a outras formas de geração de rendimentos.

 Poder determinar em que momento se deve


afastar do mercado de trabalho.
 Ter acesso à educação permanente e a
programas de qualificação e requalificação
profissional.

 Poder viver em ambientes seguros adaptáveis


à sua preferência pessoal, que sejam passíveis
de mudanças.

 Poder viver em sua casa pelo tempo que for


viável.
Permanecer integrado na sociedade, participar
activamente na formulação e implementação de
políticas que afectam directamente o seu bem-
estar e transmitir aos mais jovens conhecimentos
e habilidades.

Aproveitar as oportunidades para prestar


serviços à comunidade, trabalhando como
voluntário, de acordo com seus interesses e
capacidades.

Poder formar movimentos ou associações de


idosos.
Beneficiarda assistência e protecção da família e
da comunidade, de acordo com os seus valores
culturais.

Ter acesso à assistência médica para manter ou


adquirir o bem-estar físico, mental e emocional,
prevenindo a incidência de doenças.

Ter acesso a meios apropriados de atenção


institucional que lhe proporcionem protecção,
reabilitação, estimulação mental e desenvolvimento
social, num ambiente humano e seguro.
Ter acesso a serviços sociais e jurídicos que lhe
assegurem melhores níveis de autonomia,
protecção e assistência.

Desfrutar os direitos e liberdades


fundamentais, quando residente em instituições
que lhe proporcionem os cuidados necessários,
respeitando-o na sua dignidade, crença e
intimidade. Deve desfrutar ainda do direito de
tomar decisões quanto à assistência prestada
pela instituição e à qualidade da sua vida.
Aproveitar as oportunidades para o total
desenvolvimento de suas potencialidades.

Ter acesso aos recursos educacionais, culturais,


espirituais e de lazer da sociedade.
Poder viver com dignidade e segurança, sem ser
objecto de exploração e maus-tratos físicos
e/ou mentais.

Ser tratado com justiça, independentemente


da idade, sexo, raça, etnia, deficiências,
condições económicas ou outros factores
 A família, a sociedade e o Governo, tem o dever de amparar o
idoso garantindo-lhe o direito à vida;

 Os filhos tem o dever de ajudar a amparar os pais na velhice,


carência ou enfermidade;

 Poder público deve garantir ao idoso condições de vida


apropriada;

 A família, a sociedade e o poder público, devem garantir ao


idoso acesso aos bens culturais, participação e integração na
comunidade;

 Idoso tem direito de viver preferencialmente junto a família;

 Idoso deve ter liberdade e autonomia.


VIDA – Período/tempo que decorre desde o
nascimento até à morte.

MORTE – É o término da vida biológica, física,


mas não necessariamente o fim. A morte é
um fenómeno físico, psicológico, social e
religioso que afecta a pessoa na sua
totalidade: corpo, espírito, emoções,
experiência de vida.
Desde sempre, a humanidade procura uma
resposta para o mistério da morte…
O que é uma morte digna?! O que é
morrer com dignidade?!

• Morte digna - continuidade lógica de uma


vida digna;

• Mas será a dignidade da morte compatível


com a precipitação da mesma?!...
Terminus da vida - direitos e deveres em conflito

• respeitar o direito sagrado da vida humana

• o direito à autodeterminação pessoal do doente


face à morte

O respeito pela vida tem de prevalecer em todos


os casos?!
Chama-se eutanásia a
situações tão distintas
como…

• a prescrição de tratamentos farmacológicos


contra a dor que, com efeitos secundários podem
apressar a morte;
• situações em que o doente pede expressamente
ao médico para pôr fim à sua vida;
• situações em que o médico colabora com o
doente num suicídio.
Nos dias de hoje… o termo eutanásia

causar a morte a um sujeito humano, para que


este não sofra.

Eutanásia é considerada como o acto intencional


de matar, praticado por uma pessoa a pedido de
outra.
Eutanásia: Tentativa de
definição

Etimologicamente - eutanásia
deriva do grego:

“eu” (boa) e “thánatos” (morte),


significando uma “boa morte”,
ou “morte apropriada, doce e
sem sofrimento” (MOLINS, 1996)
Podem distinguir-se os seguintes tipos de
eutanásia:

• eutanásia activa
• eutanásia passiva
• eutanásia voluntária
• eutanásia involuntária
• eutanásia não voluntária
• eutanásia de duplo efeito
Argumentos a favor da
eutanásia

• o direito de morrer

• evolução cultural
• Progressiva tomada de consciência sobre os
direitos humanos

liberdade e autonomia: poder de decisão

Se: família, profissionais de saúde e a sociedade


não prestarem a devida atenção às necessidades
afectivas, físicas, sociais e espirituais do doente
terminal tem como consequência o aumento do
numero de pedidos de eutanásia.
Argumentos contra a
Eutanásia

• atenção aos doentes

• motivos pouco fundamentados

• relação entre médico-doente seria gravemente


afectada
Questão fulcral = VIDA e não “boa ou má morte”
Ao procurar razões afirmativas da “boa morte”, o
ser humano está a pôr de parte a vida humana...

… tudo na vida parece ter sentido - alegria, o


sofrimento, a tristeza, etc, e até a própria
MORTE!!
 Distanásia significa morte “difícil ou penosa”.

 A distanásia é o prolongamento acriterioso


de qualquer tipo de vida a qualquer custo.

 Como indica o prefixo grego dys, a distanásia


alude a situações de disfuncionalidade ou de
imperfeição no morrer.
 Estas disfuncionalidades ou imperfeições
provêm do uso exagerado de técnicas
biomédicas, em si boas e louváveis, mas que em
aplicações concretas causam tais
inconvenientes. Estas técnicas, chamadas antes
de “reanimação” e agora de “prolongamento da
vida” constituem com frequência uma autentica
obstinação terapêutica.

 Esta atitude é consequência de um excesso


de zelo mal fundamentado, derivado do desejo
dos médicos e dos profissionais da saúde em
geral de procurar evitar a morte a todo custo.
O médico encontra-se frequentemente
perante estas perguntas, do ponto de
vista ético: devo continuar a prolongar
esta vida? Sou obrigado a usar todos os
meios terapêuticos para com este
doente? Posso e/ou devo suspender a
reanimação a este doente?
São três os factores que causam a distanásia:

Convicção de alguns médicos em que a vida


biológica é um bem pelo qual se deve lutar até
ao limite das suas considerações sobre
qualidade de vida.
Desprezo do direito do paciente em relação
ao início ou continuação dos tratamentos
médicos que prolongam a agonia do paciente
terminal.
A angústia do médico, perante o insucesso
terapêutico e resistência em aceitar a morte
do paciente.
As consequências que derivam da distanásia
são:

Causar dor ou sofrimento desnecessário ao


paciente e familiares;
Diminuição da confiança nos médicos e na
assistência hospitalar;
Discussão acerca do apoio legal para nos
protegermos do que é considerado o poder
médico incontrolado
Criação de um clima favorável á
despenalização da eutanásia.
 há uma obstinação por tratamentos diversos e meios
tecnológicos para estender a vida.
O que é uma agressão:
 Física,
Psíquica,
 Moral.

Trata-se de um princípio da dignidade humana


permitir que cada um escolha o modo como deve
passar seus momentos finais.

A ortotanásia, então, é um direito de que a vida cumpra


seu caminho natural
MORTE
“ O homem fraco teme a morte; o desgraçado chama-a; o
valente procura; só o sensato a espera.”
 Avançada: previsivelmente fatal a curto prazo
geralmente inferior a 6 meses;

 Incurável: que não melhora face á terapêutica


ou tratamento específico;

 Progressiva: com agravamento dos variados


sintomas provocando dor intensa no utente e
na família.
Pessoa com uma doença evolutiva irreversível, cuja
morte é uma consequência directa e para breve.
LEONE et al (2001)

Alívio da dor
A assistência a este doente
deve ser dada até ao último Boa ventilação
instante de vida
Compreensão
Conceitos de morte
Morrer é o cessar irreversível:

 Da função de todos órgãos, tecidos e células;

 Do fluxo de todos os fluídos do corpo incluindo o sangue e o


ar;

 Do funcionamento do coração e do pulmão;

 Do funcionamento de todo o cérebro, incluindo o tronco


cerebral;

 Da capacidade corporal de ser consciente

©Francisconi/2000
Morte Tranquila

“ Morte tranqüila é aquela em que a dor e o


sofrimento são minimizados por paliação
adequados, na qual os pacientes não são
abandonados ou negligenciados, e na qual
os cuidados com aqueles que não vão
sobreviver são avaliados tão importantes
como aqueles que são dispensados a quem
irá sobreviver.”
OS AJUDANTES DE LAR E A MORTE

Sendo impossível evitar a morte, é no entanto


possível tornar a vida da pessoa que está a morrer
o mais agradável e significativa.
O doente terminal tem o direito de viver
plenamente até ao fim.
O profissional de saúde deve fazer sempre o
bem, cuidar da saúde e promover a qualidade de
vida do doente.

O doente deve ser informado correctamente


acerca da sua situação, para que possa tomar
decisões acerca de si próprio e com base nas
suas crenças nos seus valores.
Qualquer cidadão tem direito ao acesso aos
serviços de saúde que deve ser garantido pelo
estado. Os cuidados à pessoa em fim-de-vida
devem estar acessíveis a todas as pessoas que
necessitem deles e as suas famílias.

A equipa de saúde deve ponderar acerca da


realização de tratamentos invasivos, uma vez
que o objectivo não é a quantidade de dias de
vida, mas a máxima qualidade de vida.
Direitos do Doente Terminal:

Ser tratado até ao fim como um ser humano;

Conservar a esperança ( num alivio, numa vida futura );

Ser tratado por pessoas competentes, capazes de


manter a esperança;

Exprimir à sua maneira os sentimentos e as emoções


quanto à morte;

Participar nas decisões quanto aos cuidados;


Receber cuidados médicos e de enfermagem quando
necessários, mesmo quando os objectivos de cura são
modificados para objectivos de conforto;

Não morrer só;

Não sofrer;

Ter respostas francas ás suas perguntas;

Não ser enganado;

Morrer em paz com dignidade;


Conservar a individualidade e não ser julgado por
decisões e escolhas que entrem em conflito com os
valores ou crenças de outros;

Saber que após a morte o seu corpo será respeitado;

Receber os cuidados de pessoas sensíveis,


competentes e capazes de ajudar, que compreendem as
suas necessidades e que o querem ajudar a ultrapassar
esta ultima fase da vida.
 Morte no ambiente familiar:

 Outrora a morte acontecia no leito onde se


nascia como que a encerrar o ciclo;

 O defunto nos últimos momentos sentia e


comunicava com os seus familiares mais próximos;

 A casa ficava em sinal de luto, fechando-se as


bandas interiores, apagando-se o lume e a música;
 Os familiares mais próximos eram apoiados
pela vizinhança e pela comunidade, que lhes
levava comida no dia do velório;

 Rezava-se uma missa para propiciar a viagem


para o além, a missa da guia;

 No momento do velório verificava-se a prática


de aspersão com água benta e alecrim;

 O lar representa o mundo privado e público


onde se enfrenta os medos evitando a poluição
dos ambientes e aumentando o conforto.
◦ Actualmente a morte tem vindo a ser relegada para
um outro espaço menos privado, menos íntimo: o
Hospital;
◦ O morrer privatizou-se, e a morte passou a ser mais
uma fonte de rendimento para empresas de
serviços;
◦ A morte de alguém passou lentamente a ser um
problema dos familiares e menos da comunidade;
 Esta é uma situação bastante delicada e
complicada, por isso, a informação deve ser
transmitida de uma forma gradual e dita com
empatia, adaptando-a de acordo com a
personalidade dos entes queridos.

 A informação brusca poderá dar origem a um


impacto psico-emocional no que respeita á
família.
 Retirar drenos, perfusões, limpar as feridas,
fazer pensos limpos (tarefa de Enfermagem);

 Fechar os olhos, baixando ligeiramente as


pálpebras superiores;

 Dar ao corpo uma posição horizontal;

 Fechar bem os orifícios naturais com algodão;

 Colocar um lençol sobre o corpo;

 Trazer os antebraços para o tórax e cruzar as


mãos sobre o peito;
 Do doente:
Segundo Elisabeth Kubler Ross - cada pessoa é
única com sua forma de reagir e de enfrentar a
morte.

Classifica as reacções em cinco estádios:


 Choque/Negação,
Raiva/Zanga/Revolta,
Negociação,
Depressão,
Aceitação.
A negação, a idosa não que acreditar que vai
morrer e rejeita a ideia da morte

 Raiva/Zanga/Revolta

A negociação, o idoso aceita a morte mas


dá-se conta de que o tempo lhe falta, que a
sua vida está a acabar e tenta ganhar tempo
negociando. Ex.”sim, eu vou morrer mas falta
algum tempo”
A tristeza e a melancolia, é um período de
tristeza (dita depressiva), desliga-se do seu
meio e isola-se. O medo, depois da tristeza vem
o medo ligado ao sentimento de abandono, o
medo geralmente manifesta-se por sintomas
físicos, angustia ou reacções agressivas

Aceitação não é feliz nem infeliz é um estádio


da paz “a minha hora vai chegar em breve e
estou pronto”
 Da família:

 Receia a morte do moribundo e tenta esconder-


lhe a angústia,

Por vezes age como se o familiar já estivesse


morto (reacção de defesa) dos profissionais de
saúde.
 Dos profissionais de saúde:

 A morte de um doente gera um


inconsciente sentimento de culpabilidade e
impotência face ao fim da vida humana.
 O que é?
É a dor, pena, pesar ou aflição pela
morte recente de alguém.

• Segundo Freud:

“ É uma reacção à perda de um ser amado


ou a abstração equivalente.”
1) O choque, fuga, negação;
2) Ansiedade, desejo da presença da pessoa perdida,
vai-se tomando consciência da perda e produzindo a
assimilação da nova situação;
3)Tomada de consciência plena da perda, produz-se
desorganização traduzida por isolamento, desespero
ou depressão;
4)Reorganização que leva à resolução da perda, à
recuperação e acomodação.
Perda

Luto Depressão
Depressão não é tristeza…
Depressão é
Abatimento
Inibição

Vazio
Tristeza Depressão

Reacção à perda Reacção à perda


do objecto amado do amor do
objecto
Luto Luto
normal patológico
Luta interna
entre
a
memória…
…e a
percepção
da ausência
As expressões posturais, faciais e
verbais da tristeza

Inibem a
agressividade

Promovem
atitudes de
consolo
 Ética:

Não dá solução para o


agir;

Contribui com
orientações;

Traduz-se num reflexo


filosófico sobre a
conduta humana.
Sentimentos comuns no processo de luto

Tristeza: O sentimento mais comummente encontrado


no enlutado, muitas vezes manifestando-se através do
choro;

Raiva: Um dos sentimentos mais confusos para o


sobrevivente, estando na raiz de muitos problemas no
processo de sofrimento após a perda; a raiva advém de
duas fontes: da sensação de frustração por não haver
nada que se pudesse fazer para prevenir a morte e de
um tipo de experiência regressiva que ocorre após a
perda de alguém próximo;
Culpa e autocensura: Normalmente, e principalmente
no início do processo de luto, há um sentimento de culpa
por não se ter sido suficientemente bondoso, por não
ter levado a pessoa mais cedo para o hospital, etc.; na
maior parte das vezes, a culpa é irracional e irá
desaparecer através do teste com a realidade;

Ansiedade: Pode variar de uma ligeira sensação de


insegurança até um forte ataque de pânico e quanto
mais intensa e persistente for a ansiedade, mais sugere
uma reacção de sofrimento patológica; surge de duas
fontes: do sobrevivente temer ser incapaz de tomar
conta dele próprio sozinho e de uma sensação
aumentada da consciência da mortalidade do próprio;
Solidão: Sentimento frequentemente expressado pelos
sobreviventes, particularmente aqueles que perderam
os seus cônjuges e que estavam habituados a uma
relação próxima no dia a dia;

Fadiga: Pode, por vezes, ser experimentado como


apatia ou indiferença; um elevado nível de fadiga pode
ser surpreendente e angustiante para uma pessoa que
é normalmente muito activa;

Desamparo: Está frequentemente presente na fase


inicial da perda;
Choque: Ocorre mais frequentemente no caso de
morte inesperada, mas também pode existir em casos
cuja morte era previsível;

Ansiedade: Ansiar pela pessoa perdida, desejá-la


fortemente de volta é uma resposta normal à perda;
quando diminui, pode ser um sinal de que o sofrimento
está achegar ao fim;

Emancipação: A libertação pode ser um sentimento


positivo após a perda; por exemplo, no caso de uma
jovem que perde o seu pai que era um verdadeiro tirano
e a oprimia por completo;
Alívio: É comum principalmente se a pessoa querida
sofria de doença prolongada ou dolorosa; contudo, um
sentimento de culpa acompanha normalmente esta
sensação de alívio;

Torpor: Algumas pessoas relatam uma ausência de


sentimentos; após a perda, sentem-se entorpecidas; é
habitual que ocorra no início do processo de
sofrimento, logo após tomar conhecimento da morte;
pode ser uma reacção saudável bloquear inicialmente
as sensações como uma espécie de defesa contra o
que de outra forma seria uma dor esmagadora e
insuportável.
Sensações físicas normalmente sentidas após
a perda:

 vazio no estômago
 aperto no peito
 nó na garganta
 hipersensibilidade ao barulho
 sensação de despersonalização (nada
parecer real, incluindo o próprio)
 falta de fôlego, sensação de falta de ar
 fraqueza muscular
 falta de energia
 boca seca
Cognições ou pensamentos habituais após a
perda:

 descrença (não acreditar na morte


assim que se ouve a notícia)
 confusão (pensamento confuso, não
conseguindo ordenar os pensamentos;
 dificuldade de concentração ou
esquecimento de coisas)
 preocupação (obsessão com
pensamentos acerca do falecido)
 sensação de presença (contraparte
cognitiva do sentimento de anseio)
 alucinações (visuais e auditivas; são
uma experiência frequente nos
enlutados são normalmente
experiências ilusórias passageiras, que
ocorrem habitualmente após poucas
semanas da perda e normalmente não
provocam uma experiência de
sofrimento mais complicada ou difícil)
Comportamentos usualmente manifestados
após a perda:

 distúrbios do sono (insónias)


 distúrbios do apetite (normalmente há
uma redução, mas também pode haver
um aumento do apetite)
 comportamentos de distracção
("andar aéreo")
 isolamento social
 sonhos com a pessoa falecida
 evitar lembranças da pessoa falecida
 procurar e chamar pelo ente perdido
 suspirar
 hiperactividade, agitação
 chorar
 visitar sítios ou transportar consigo
objectos que lembrem a pessoa perdida
 guardar objectos que pertenciam à
pessoa falecida
A adaptação à perda, envolve 4 tarefas
básicas:

1.aceitar a realidade da perda

2. trabalhar a dor advinda da perda

3. ajustar a um ambiente em que o falecido


está ausente

4. transferir emocionalmente o falecido e


prosseguir com a vida
Esta noite... Vê lá se percebes... Não venhas
comigo.
- Vou! Vou! Não te quero abandonar!
- Mas há-de parecer que me dói muito... Há-de
parecer que eu estou a morrer. Tem de ser assim.
Não venhas ver uma coisa dessas que não vale a
pena.
- Vou! Vou! Não te quero abandonar!
(...)
- Fizeste mal. Vais ter pena. Vai parecer que eu
estou morto e não é verdade...
Eu continuava calado.
- Percebes?... É que é muito longe e eu não posso
levar este corpo... É pesado de mais...

O Principezinho, Saint-Exupéry
O QUE É A COMUNICAÇÃO?

Partilha
Relação
Transmissão
Informação
COMUNICAR PARA:

Reduzir a Incerteza

Melhorar Relacionamentos

Indicar ao Idoso e à Família uma


Direcção
QUEIXAS DOS IDOSOS E FAMILIARES:

Não serem ouvidos

Não receberem informação

Sentirem falta de respeito e falta de


preocupação pelos seus
problemas/sofrimentos
REGRAS GERAIS:

Reconhecer a situação da pessoa

Legitimá-la, se for caso disso –


“Compreendo como se sente….”

Explorar a situação e permitir a expressão


de sentimentos – “Quer falar disso”

Identificar a causa real da reacção


“… ao doente tanto assiste o
direito de conhecer a
verdade sobre a sua doença,
como de não a conhecer.”
Mª Rosário Dias, 1997

Pesquisar até que ponto o doente e ou


família quer saber a situação em que se
encontra!
RESPONDER ÀS EMOÇÕES DO DOENTE /
FAMILIA

Não mentir

Não dar falsas esperanças

Avaliar as necessidades

Não fazer prognósticos acerca da morte

Permitir a esperança realista

Dar apoio
EVITAR RESPOSTAS

Valorativas /Juízos de Valor

Interpretativa – Este tipo de resposta


produz sensação de ter sido mal entendido
e pode provocar desinteresse, irritação ou
resistência ao ver que a sua experiência é
lida com critérios distintos dos seus
Apoio/consolo – O profissional tentar animar
fazendo alusão a uma experiência comum ou
minimizando a situação. É uma atitude
paternalista que favorece a regressão e a
dependência ou a recusa a ser tratado com
piedade.

Investigadora – Com este tipo de resposta o


profissional tende a fazer perguntas para
obter mais dados e aprofundar a situação
exposta pelo idoso ou familiar. têm que se ter o
cuidado de não tornar a conversa num
interrogatório
Solução Imediata – Consiste em propor ao
outro uma ideia uma resolução para sair
imediatamente da situação, dando-lhe
conselhos de carácter definitivo que poriam
fim ao seu problema e, talvez, também à
conversação
COMO DIALOGAR COM O DOENTE /
FAMILIAR?

Escuta Activa

Resposta Empática

Reformulação
REFORMULAÇÃO

A partir de algo que o doente /


familiar disse reformular, fazendo
perguntas que permitam a pessoa
expressar o que sente.
EM SINTESE:

A COMUNICAÇÃO

É UM DOS PILARES FUNDAMENTAIS DOS


CUIDADOS AO OUTRO

DEVE SE RESPEITAR O RITMO E AS


NECESSIDADES DO DOENTE/FAMILIA

TEM QUE ASSENTAR NA HONESTIDADE


PARA SER EFICAZ

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