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Universidade Eduardo Mondlane

Faculdade de Engenharia
Departamento de Engenharia Electrotécnica

DISCIPLINA: Comunicações Sem Fio

FICHA 09
GESTÃO DE CHAMADAS EM GSM

4º Ano – 2018

1 Equipe de Trabalho: Eng.º HB e Eng.º LM


1. Gestão de Chamadas em GSM

A gestão de chamadas não é um tema novo. Consiste no estabelecimento e libertação de circuitos de


comunicação através de diversas redes. O desenvolvimento das redes fixas, principalmente a PSTN e
a ISDN, causou uma grande evolução nas técnicas de sinalização. As redes celulares públicas em
geral, e o GSM em particular, são basicamente redes de acesso a estes sistemas de telecomunicações.
O seu esquema de gestão de comunicações é bastante dependente das técnicas existentes e oferece
poucas novidades, por exemplo, a troca de sinalização na interface entre o GSM e as redes exteriores
é imposta pelas últimas. Os procedimentos de sinalização da gestão de comunicações, definidos
entre estações móveis e a infra-estrutura GSM, são cópias adaptadas e simplificadas daquelas
especificadas para o acesso à PSTN.

No entanto a gestão de chamadas não é totalmente herdada da PSTN, pois os sistemas celulares
acarretam alguns problemas devido à mobilidade dos utilizadores e ao facto de não existir nenhuma
ligação fixa entre cada utilizador e a estrutura da rede. O ponto central é o estabelecimento de
chamadas com utilizadores que se deslocam. Um dos lados do problema é o percurso que o sistema
tem que percorrer para seguir o movimento dos utilizadores entre chamadas, de maneira a localizá-
los sempre que necessário. O outro lado do problema é o encaminhamento da chamada através de
redes até ao utilizador móvel.

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1.1 Chamada Originada no Móvel

O facto de a chamada ser originada num móvel não implica uma grande diferença de procedimento
em relação às redes fixas. A principal diferença é que o número é completamente digitado antes de
ser estabelecido qualquer contacto com a rede, sendo este visualizado na MS e estar sujeito a
modificações antes da transmissão. Uma outra diferença, aplicável em redes multi-serviço como
GSM, é que informação adicional pode ser trocada entre o utilizador e a rede no início da chamada,
tal como o tipo de serviço ou o tipo de canal. Na maioria dos casos, estes pontos serão tratados
automaticamente pela estação móvel, quer com valores por defeito ou previamente especificados.

Na Figura 1 poderemos observar o fluxo de informação através da rede GSM. Estão representadas
e numeradas as diversas fases do encaminhamento da chamada. Ao longo da descrição do projecto
será identificado o canal lógico em utilização.

1. Em primeiro lugar o móvel irá efectuar um acesso aleatório, através do canal RACH,
pedindo então um canal de sinalização dedicado SDCCH.

2. A BSC atribui um canal de sinalização, através do canal de acesso concedido AGCH.

3. É estabelecido o canal de sinalização entre o móvel e o MSC/VLR (SDCCH). Este canal


suportará toda a sinalização entre as entidades de rede e o móvel, até ser estabelecido o canal
de tráfego. A troca de informação agora processada incluirá:

i) Envio da identificação do móvel – TMSI. Com base nesta identificação, o VLR activa o
registo do móvel e devolve a trio de parâmetros ao MSC;

ii) Autenticação. O MSC enviará o parâmetro RAND ao móvel. O móvel devolverá o


respectivo SRES que deverá coincidir com o valor devolvido pelo VLR..

iii) Inicio de encriptação. A BSC é informada da chave de encriptação Kc.

iv) O móvel envia o pedido de chamada. O número destino é enviado agora para o MSC
(neste caso trata-se de um telefone fixo).

4. A MSC informa a BSC para que seja atribuído um canal de tráfego ao móvel. A
informação relativa a este canal é então enviada ao móvel.

5. A partir de agora o móvel passará a utilizar o canal de tráfego TCH/SACCH.

6. A MSC envia agora o pedido para a rede fixa. O utilizador móvel passa agora a ouvir o
toque de chamada.

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Figura 1 - Estabelecimento de Chamada Originada no Móvel.

1.2 Chamada Terminada no Móvel

A maior diferença entre o estabelecimento de uma chamada para um utilizador


PSTN/ISDN e um utilizador móvel é que no primeiro, a localização exacta é conhecida,
enquanto no segundo nunca sabemos onde se encontra o móvel, podendo inclusivamente
estar no estrangeiro. Desta forma teremos de encontrar o móvel através das bases de dados e
depois por paging e só então encaminhar a chamada para o local destino.

Na Figura 2 estão representados os procedimentos que se deve efectuar no estabelecimento


deste tipo de chamada. Neste caso trata-se de uma chamada originada na rede fixa, mas na
verdade, toda a sequência de procedimentos é semelhante, qualquer que seja a origem da
chamada. Passemos então a explicar as diversas fases:

1. O assinante fixo digita o número de telefone destino - MSISDN. Este número é então
analisado pela central de comutação local, que encaminha então a chamada para a gateway
do operador móvel, denominada por GMSC.

2. O GMSC analisa o MSISDN de forma a deduzir em que HLR se encontra registado o


assinante. Um operador móvel pode optar pela utilização de diversos HLR’s, existindo então
uma separação com base no MSIDN. É então altura de interrogar o HLR acerca do estado
do móvel, e a forma de encaminhar a chamada para o mesmo.

3. Depois de checado o número do assinante móvel ao HLR, terá então de se proceder a


várias operações:

i) O HLR terá de em primeiro lugar efectuar a transformação do MSISDN na identificação


móvel, o IMSI.

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ii) Esta consulta verifica também o estado dos serviços do assinante, pois pode-se dar o caso
de estarem activos reenvios para outros números, ou por exemplo, para um centro de voice
mail.

iii) O HLR contacta agora o MSC da área de serviço onde se encontra o móvel. Este
contacto tem como objectivo a obtenção do MSRN, que permitirá o encaminhamento da
chamada para o MSC. Repare-se que este MSC pode não ser do próprio operador, podendo
inclusive estar no estrangeiro. No entanto todo o processo é semelhante.

4. Com base no IMSI o VLR selecciona temporariamente um MSRN e associa-o ao


assinante em causa enquanto a chamada decorrer. Este número é então devolvido ao HLR,
que por sua vez o envia ao GMSC.

5. O GMSC está então agora em condições de encaminhar a chamada para o destino,


estabelecendo um circuito através da própria rede, ou através do PSTN caso o assinante
esteja em roaming. Esta chamada é encaminhada directamente para o MSC.

6. Chegado o MSRN ao MSC/VLR, este converte-o no respectivo TMSI e obtêm assim a


LAI em que se encontra o assinante. É então iniciado o processo de paging.

7. O MSC pede as BSC’s que controlam as estações base que pertencem à área de localização
do móvel, que enviem uma mensagem de paging por forma a encontrar o móvel. Esta
mensagem tem como parâmetro o IMSI e o TMSI do móvel destino. É utilizado o canal de
paging PCH em todas as estações base.

8. O móvel em causa deverá então responder ao paging, através do canal de acesso aleatório
RACH. O móvel envia o TMSI.

9. É atribuído um canal para sinalização dedicado SDCCH. Esta atnribuição faz-se através
do AGCH. O canal lógico SDCCH é então estabelecido entre o móvel e o MSC/VLR. É
então que se dará todo o processo de autenticação por forma a confirmar a identidade do
móvel. Depois de iniciada a chamada encriptada, será passada ao móvel toda a informação
respeitante à chamada em causa, por exemplo número de origem.

10. Depois de informada a BSC, é então atribuído um canal de tráfego ao móvel,


completando-se a ligação. Esta atribuição poderá ser efectuada antes ou depois de inicio de
alerta no móvel, dependendo da estratégia de atribuição de canal de tráfego, como foi
referido anteriormente.

5 Equipe de Trabalho: Eng.º HB e Eng.º LM


Figura 2 - Estabelecimento de Chamada Terminada no Móvel .

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