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IGREJA PLENA ADORAÇÃO

LUCIENE DE MESQUITA SILVA BEZERRA

A SOCIEDADE NA ÉPOCA DE JESUS

SÃO PAULO
2017
LUCIENE DE MESQUITA SILVA BEZERRA

A SOCIEDADE NA ÉPOCA DE JESUS

Trabalho submetido a Igreja Plena


Adoração, sobre A sociedade na época de
Jesus, como parte de requisito necessário
para a conclusão de curso. Sob a
orientação do Apostolo Miguel Neto

SÃO PAULO
2017
Dedico esta, bеm como todas аs minhas demais
conquistas a Deus qυе nos criou e foi criativo
nesta tarefa. Sеυ fôlego dе vida fоі sustento е
mе deu coragem para questionar realidades е
propor sempre υm novo mundo de
possibilidades.
AGRADECIMENTOS

Agradecemos, a todos que contribuíram no decorrer

desta jornada, em especialmente:

A Deus, a quem devo minha vida.

A minha família que sempre me apoiou e está sempre

ao meu lado nas minhas escolhas tomadas.

A meu marido por sempre me incentivar e

compreender nos momentos difíceis.

Ao orientador e apostolo Miguel Neto,

que teve papel fundamental na elaboração deste trabalho.

Aos meus irmãos e colegas pelo companheirismo

e disponibilidade para me auxiliar em vários momentos.


SUMÁRIO

AGRADECIMENTOS -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 4

1. A SOCIEDADE NO TEMPO DE JESUS------------------------------------------------------------------------------------- 8

1.2 Pontos importante para compreender a sociedade da época de Jesus --------------------------------------------- 19

2. ETIMOLOGIA ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 21

2.1 Situação Econômica -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 22


2.2 O Templo como sede do poder econômico ------------------------------------------------------------------------------ 23
2.3 Situação Social -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 23

3. RELIGIÃO- CULTOS JUDAICOS ------------------------------------------------------------------------------------------ 25

3.1 Algumas importantes instituições do judaísmo: -------------------------------------------------------------------------- 25


3.1.1 Os livros sagrados dos judeus -------------------------------------------------------------------------------------------- 26
3.1.2 Rituais e símbolos judaicos -------------------------------------------------------------------------------------------- 26
3.1.3 As Festas Judaicas ---------------------------------------------------------------------------------------------------- 27
3.1.4 Cultura--------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 27
3.1.5 O Templo -------------------------------------------------------------------------------------------------------- 30

4. POLITICA ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 32

5. CONTEXTO HISTÓRICO DA PALESTINA NA ÉPOCA DE JESUS ------------------------------------------------------------ 36

5.1 História da palestina ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 36


5.2 Geografia --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 38
5.3 Clima----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 38

6. COMÉRCIO E ATIVIDADES ----------------------------------------------------------------------------------------------- 39

6.1 Aspectos comerciais-------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 39

7. SEITAS JUDAICAS --------------------------------------------------------------------------------------------------------- 40

7.1 Fariseus------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 40
7.2 Saduceus ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 41
7.3 Essênios ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 41
7.4 Zelotes -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 41
7.5 Herodianos e Samaritanos ---------------------------------------------------------------------------------------- 41
7.6 Seguidores de João Batista ------------------------------------------------------------------------------------ 42

8. POLITICAS----------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 42

9. FILOSOFIA----------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 43
9.1 Socrates ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 46

10. HELENISMO ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- 47

10.1 Epicurismo: O Prazer ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- 48


10.1.2 Estoicismo: O Dever ------------------------------------------------------------------------------------------------------- 48
10.1.3 Ceticismo: A Suspensão Do Juízo ----------------------------------------------------------------------------------- 49
10.1.4 Cinismo: Além Das Convenções --------------------------------------------------------------------------------- 49
10.2 Panteísmo ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- 50

11. A MITOLOGIA GREGA ------------------------------------------------------------------------------------------------ 51

11.1 Seres Mitológicos --------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 51


11.2 Deuses Gregos ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 51
11.3 Principais Deuses da Mitologia Grega-------------------------------------------------------------------------------- 52

12. ANTROPOMORFISMO ------------------------------------------------------------------------------------------------ 53

12.1 Gregos Romanos Deuses Simbologia --------------------------------------------------------------------------------------- 55


12.2 Heróis Gregos ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 56
12.3 Animais e monstros mitológicas--------------------------------------------------------------------------------------- 57
12.4 Lendas mitológicas---------------------------------------------------------------------------------------------------- 57
12.3.1 Pandora------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 58
12.3.2 Caixa de Pandora -------------------------------------------------------------------------------------------- 58

13. CONCLUSÃO----------------------------------------------------------------------------------------------------------- 61

14. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ------------------------------------------------------------------------------------- 63


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INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem o objetivo apresentar como era a sociedade do tempo de Jesus,
algumas histórias, conceitos seus grupos, diferenciavam no modo de relacionar com a
política, economia, religião, Etimologia, Mitologia Grega, dentre outros. Eles tinham grande
importância no quadro social daquela época. Jesus viveu numa sociedade. A sociedade é
a forma como o povo se organiza e vive seus destinos. Na sociedade do tempo de Jesus
havia grupos políticos e religiosos; havia o rei, o imperador, o sumo sacerdote, os
sacerdotes, a legião de soldados romanos, grupos guerrilheiros (hoje diríamos “terroristas”);
havia trabalhadores nas mais diversas áreas da vida humana: servidores públicos,
agricultores, pedreiros, carpinteiros, comerciantes; havia mercenários, doutores, juízes,
advogados, religiosos; havia também a família, o rico e o pobre, o doente, o leproso, a
prostituta, o mendigo, as viúvas, as mulheres e crianças e os pecadores. Na sociedade de
Jesus também se pagavam impostos: Os agricultores deveriam pagar 25% da colheita
como impostos para o templo em Jerusalém; havia taxas de circulação de mercadorias;
havia impostos para o sustento das tropas de soldados romanos; havia o pagamento de
75% do imposto de renda anual, etc. O povo era muito sacrificado. E mais, todos esses
grupos e organização social está nos textos bíblicos. Lá encontramos diversos grupos
políticos e religiosos: o rei judeu Herodes e seu partido dos herodianos (cf. Mc 1,14-16;
12,13s), o imperador romano (cf. Lc 3,1-2; Mc 1,14-16); os soldados romanos (cf. Mc 15,16;
Mt 8,5); os religiosos fariseus e a elite dos saduceus, escribas e doutores da lei (cf. Mt
22,23; Mc 11,27; 12,38-40); o conselho dos 71 anciãos ou o Sinédrio (cf. Mc 15,1s).

Ao lermos os Evangelhos deparamos com estes grupos com os quais Jesus entrava em
dificuldades e conflitos. Falaremos nesse trabalho, Na época de Jesus, viviam em
comunidades com estilo de vida bastante severo, caracterizado pelo sacerdócio e
hierarquia, legalismo rigoroso, espiritualidade apocalíptica e a pretensão de ser o
verdadeiro povo de Deus. A religião dos judeus no tempo de Jesus está centrada em dois
aspectos fundamentais: o Templo e a sinagoga. Jesus nasceu, viveu e morreu dentro do
contexto histórico do séc. I. Veremos isso, assim como sobre a Filosofia e Mitologia Grega.
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1. A SOCIEDADE NO TEMPO DE JESUS

Algumas histórias seus conceitos, seus grupos ocorridos na época de Jesus, se


diferenciavam no modo de relacionar com a política, economia, religião. Eles tinham
grande importância no quadro social daquela época. Ao lermos os Evangelhos
deparamos com estes grupos com os quais Jesus entrava em dificuldades e conflitos.
Cito o grupo dos Saduceus, formado pelos proprietários de terras e membros da elite
sacerdotal. Com o poder na mão, controlava a administração da justiça no Tribunal
Supremo o Sinédrio. Intransigentes com o povo, viviam preocupados com a ordem
pública. Foram eles os responsáveis pela morte de Jesus.

Os saduceus eram colaboradores do império romano, tinham uma política de


conciliação, com medo de perder seus cargos e privilégios. O grupo dos doutores da Lei
que adquiriu maior prestígio na sociedade daquele tempo. Seu grande poder residia no
saber. A influência deles era exercida em três lugares: Sinédrio, sinagoga e escola. No
Sinédrio, apresentavam como juristas para aplicar a Lei nos assuntos governamentais e
questões judiciárias. Na sinagoga, eram os grandes intérpretes das Escrituras, criando
a tradição através da releitura, explicação e aplicação da Lei para os novos tempos. Eles
monopolizavam a interpretação das Escrituras, e tornavam guias espirituais do povo,
determinando até mesmo as regras que dirigem o culto.

Os Fariseus eram nacionalistas hostis ao império romano, de resistência passiva. Os


fariseus eram formado por leigos provindos de todas as camadas da sociedade, artesãos
e pequenos comerciantes. A maioria do clero pobre, que se opõe à elite sacerdotal
pertencia a esse grupo. Na religião, os fariseus caracterizam pelo rigoroso cumprimento
da Lei em todos os campos e situações da vida diária. Eram conservadores zelosos e
criadores de novas tradições, através da interpretação da Lei para o momento histórico
em que viviam. A maior expressão do farisaísmo era a criação da sinagoga, opondo-se
ao Templo, dominado pelos saduceus.

Assim a sinagoga, com a leitura, interpretação dos textos bíblicos e orações, tornavam-
se a expressão religiosa oposta ao sistema cultual e sacrifical do Templo.

Temos também, os Zelotas que constituíram a partir dos fariseus. Provinham da classe
camponesa, as camadas pobres da sociedade massacradas por um sistema fiscal
impiedoso. Desejam expulsar os dominadores pagãos romanos, eram contrários ao
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governo de Herodes na Galiléia. Queriam restaurar um Estado onde Deus é o único rei,
representado por um descendente de Davi o messianismo.

Nesse sentido, os zelotas eram reformistas, pretendiam restabelecer uma situação


passada. Enquanto os fariseus mantinham numa atitude de resistência passiva, os
zelotas partiam para a luta armada. As autoridades os consideravam criminosos e
terroristas, eram perseguidos pelo poder romano. Entre os apóstolos de Jesus,
provavelmente dois eram zelotas: Simão (Mc 3,19) e Judas Iscariotes. Simão Pedro
parece adotar certos métodos dos zelotas.

Os Erodíamos que eram funcionários da corte de Herodes eram conservadores tinham


o poder civil da Galiléia nas mãos. Fortes opositores dos zelotas viviam preocupados em
capturar agitadores políticos na Galiléia. Foram eles responsáveis pela morte de João
Batista.

Os Essênios. Este grupo foi resultado de fusão entre sacerdotes dissidentes do clero de
Jerusalém e de leigos exilados. Na época de Jesus, viviam em comunidades com estilo
de vida bastante severo, caracterizado pelo sacerdócio e hierarquia, legalismo rigoroso,
espiritualidade apocalíptica e a pretensão de ser o verdadeiro povo de Deus.
Assemelham-se aos fariseus e estavam em ruptura radical com o judaísmo oficial. Tendo
deixado Jerusalém, dirigiram para regiões de grutas, para viverem ideal "monástico".
Tinham uma vida em comum, dividiam seus bens. Tinham obrigação de trabalhar com
as próprias mãos, o comércio era proibido, assim como o derramamento de sangue,
mesmo em forma de sacrifícios.

Bastante conhecidos os Samaritanos, como o próprio nome indica, eram habitantes da


Samaria, descendentes da população mista israelita e pagã. Não formavam uma seita
propriamente dita, mas os Samaritanos afastaram-se do judaísmo oficial. Tinham o
Pentateuco em comum com os Judeus, mas construíram o seu próprio Templo no monte
Garizim (2Rs. 17, 24-28), por este motivo os Judeus (habitantes da Judeia - ao sul)
considerava-os como pagãos. As relações entre eles e os Judeus eram muito tensas
(Lc. 9,52; Jo. 4,9; 8,48). O comportamento de Jesus a seu respeito escandalizou os seus
contemporâneos (Jo. 4,5-.40; Lc. 10,13; 17,10-17). A missão cristã desenvolveu-se
primeiro entre eles (At. 1,8: 8,5-25; 9,31; 15,3).

Os gregos dominaram o mundo a partir de cerca de 323 a.C, quando Alexandre o Grande
terminou seu processo de expansão. Mas após a morte do grande líder, seu império foi
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dividido entre seus generais. A Palestina ficou dominada primeiramente pelos Ptolomeus
e depois pelos Selêucidas, duas dinastias gregas.

Os judeus já conheciam os gregos, pois muitos haviam lutado como mercenários junto
deles. Sabiam do poderio de sua falange de guerra, de seus aparelhos para destruir e
cercar cidades, parte deles descritos no livro de Daniel. Ao se estabelecerem em toda
região, que ia do Egito à Mesopotâmia, os gregos impuseram sua cultura aos povos
dominados. Construíram dezenas de cidades.

Nas mesmas, criaram as ágoras, que eram praças onde o comércio era realizado,
abriram ginásios para exercícios, fundaram liceus para o ensino da filosofia.
Estabeleceram templos de seus diversos deuses. A religião grega, porém, era
meramente ritualística, sem livros sagrados e sem grandes elaborações teológicas,
apenas de cunho sacrificial. Seus deuses tinham forma e sentimentos humanos.

Os gregos também impuseram sua moeda e sua língua aos povos dominados. A moeda
e a língua grega viraram populares e universais, fundamentais para você fazer o
comércio e se comunicar. Bom, e como os judeus receberam tudo isso ? De duas
maneiras. Os judeus mais ricos e instruídos adotaram rapidamente a cultura grega.
Muitos passaram inclusive a ter nomes gregos. Passaram a frequentar os mesmos locais
das elites gregas. Surgiram até filósofos judeus, como Filo de Alexandria, por exemplo.

Ao aprenderem filosofia, esses judeus simpáticos aos gregos aprendiam a questionar


suas próprias tradições e a usar a razão para negócios do estado. Passaram a ter visão
de Homem universal que os gregos traziam com eles. A bíblia foi traduzida para o grego
– a Septuagina. Comungar dos valores gregos passou a ser sinônimo de ser “civilizado”.
Muitos conseguiram bons empregos na burocracia imperial grega. Mal comparando, este
grupo fazia o que a nossa classe média faz hoje: fala inglês, adora shoppings, vai a
Disney, vê filmes americanos, trabalha em multinacionais, ou seja, comunga de valores
que o capitalismo e os americanos, principalmente, disseminaram pelo mundo. Ocorre
que grande parte da população da Palestina era formada por camponeses ignorantes
que viviam em isoladas propriedades rurais nas montanhas, como em Judá,
principalmente. Eles não sabiam ler nem mesmo seu idioma. Viviam a espera de um
Messias que os tirassem da miséria. Cultuavam um Deus da guerra (Jeová) que tinha
ensinado a odiar tudo que fosse estrangeiro. Eram extremamente tradicionalistas,
odiando novidades.
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Queriam congelar o tempo, vivendo como na época de seus antepassados. Eram


isolacionistas e achavam que só os judeus seriam salvos. Por conta disso, eram alvos
fáceis de todos os tipos de falsos profetas e falsos messias, que apareciam aos montes
prevendo o fim iminente e acusando os gregos de serem os representantes de tudo de
ruim existia no mundo. Esses falsos profetas e falsos messias convocavam os
camponeses a viverem no deserto, a se afastarem das cidades, onde, segundo eles,
habitava o mal e o pecado. Eram rudes e guerreiros ao extremo.

Não foi à toa que as primeiras comunidades no deserto de Qmram surgiram nesta época
de domínio grego, pregando o apocalipse e a vitória do deus de Israel sobre todos os
inimigos caso os judeus se mantivessem dentro das tradições. Os judeus de classe
média, os ricos e os cultos que simpatizavam com a cultura grega odiavam essa gente,
as quais achavam pessoas atrasadas e ignorantes, dominadas pela superstição e pela
crendice.

Após a dominação grega na Palestina dois grupos se formaram: um de judeus


helenizados simpáticos à cultura grega e outro de judeus tradicionalistas radicais que
odiavam a dominação feita pelos reis macedônios e tudo que ela trazia consigo em
termos de mudanças culturais

No início do século II a.C., um grupo de judeus helenizados quis acelerar a fusão da


cultura grega com a judaica em evidente prejuízo a esta última. Unidos ao rei Antíocos
Epifanio IV, combatiam a Lei, achando-a retrógrada e invenção dos homens.
Consideravam a crença judaica cheia de superstições e lendas e propunham atualizar e
modernizar sua religião, incorporando os estrangeiros e adotando suas ideias, sobretudo
a de um deus universal, o que achavam útil à vida hebraica.

Para isso, instalaram um teatro perto do monte do templo e fizeram alterações nos
sacrifícios que acabaram destinados não tanto ao custeio do serviço do templo, mas
para alimentar os próprios gastos com as reformas, o que significava inclusive bancar a
máquina de guerra do rei. A gota d’agua deste processo foi a tentativa de fusão da
religião grega com a hebraica, representada pela instalação de uma estátua de Zeus
dentro do templo de Jeová, atitude sempre narrada na Bíblia com a expressão
“abominação da desolação”.
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Conhecemos muito pouco sobre este grupo de judeus helenizados reformistas, pois
aquilo que nos chegou são de seus inimigos ortodoxos. Mas é certo afirmarmos que
essas medidas assustaram muitos judeus helenizados moderados, que as acharam
ofensivas à cultura e a religião judaica. A instalação dentro do Templo de uma estátua
de quatro metros de um deus com rosto grego, sem camisa, segurando um raio e
sentado em um trono era uma ofensa sem tamanho a um povo que via na adoração de
imagens a “deuses estrangeiros” o pior dos pecados terrenos. Esta imagem negativa de
Zeus ficou tão fortemente marcada no imaginário judeu e posteriormente cristão que foi
associada com a própria imagem do Diabo, tantas vezes representado desta forma nos
séculos posteriores. Além de criar uma divisão entre os judeus helenizantes , nem seria
preciso dizer que essas medidas irritaram sobremaneira os judeus tradicionalistas. Os
primeiros protestos foram reprimidos com extrema violência pelo rei e por seus aliados
judeus, gerando mártires que seriam usados como bodes expiatórios na luta contra a
opressão estrangeira. O processo culminou na revolta dos irmãos Macabeus contra o
domínio grego estabelecido, revolta esta narrada de forma magistral pela Bíblia.

Os irmãos Macabeus e seu grupo de guerreiros das montanhas eram o que havia de
mais atrasado dentre os tradicionalistas. Eram nacionalistas fanáticos, isolacionistas que
tinham uma visão restrita de seu deus como protetor apenas do povo judeu. Odiavam
qualquer questionamento à Lei. Abominavam qualquer inovação cultural ou mesmo
tecnológica. Achavam a cultura grega extremamente ofensiva a seus costumes e
pleiteavam a expulsão imediata de todos os gregos e seus simpatizantes judeus de
Israel. Os macabeus juntaram grande número de seguidores e atacaram as guarnições
selêucidas e os judeus simpáticos aos gregos. Os macabeus, pasmem, pediram ajuda
aos romanos nesta luta.

Roma era um poder crescente na Europa e já afrontava o domínio grego. A resposta dos
gregos e judeus helenizados foi violenta, mas aos poucos os Macabeus foram se
impondo e acabaram expulsando–os de Jerusalem. Cercaram os últimos judeus
helenizados e os gregos resistentes em Acra durante quase dois anos, quando esses
últimos se renderam. Era o fim do domínio grego na região.

Assim, os judeus recuperaram sua independência depois de séculos de dominação


estrangeira. A dinastia dos Hasmoneus (134-63 a.C) governará a região durante os
próximos 80 anos. Esta dinastia incluía os primeiros Macabeus e seus descendentes.
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Na cabeça dos conquistadores tradicionalistas eles se sentiam na época das conquistas


militares de Josué e pleiteavam recuperar a extensão territorial dos tempos de David e
Salomão. Para isso, resolveram expandir suas conquistas à força, atacando os povos
vizinhos e forçando-os a se converterem ao judaísmo. Também atacaram algumas
cidades gregas e converteram seus habitantes à força.

Esta tentativa expansionista dos hasmoneus irritou os ptolomeus, dinastia grega que
governava o Egito, e depois os próprios romanos. Os ptolomeus, aliados a judeus
derrotados pelos macabeus, por diversas vezes atacaram a Judéia. No plano interno, os
hasmoneus não vão governar em paz, já que entre os tradicionalistas começaram a
ocorrer uma série de divisões. A dinastia dos hamoneus que governou Judá nesse
período assumiu o controle do governo e do Templo. Ocorre que eles não eram
descendentes do rei Daví, o que gerou logo insatisfações dentre os judeus mais
ortodoxos. Era também extremamente difícil para os governantes hasmoneus obedecer
fielmente a Lei e efetuar tarefas de governo secular. Em geral, a ação de governo
implicava em desobedecer sempre partes de uma tradição fincada em tempos tão
antigos.

É por essa época que três grupos bem delimitados aparecem nos textos: os fariseus, os
saduceus e os essênios. Para que você, leitor, entenda esses grupos, peço que pense
neles também como partidos políticos, já que entre suas demandas estava o
questionamento do controle do governo pelos hasmoneus e o estabelecimento de seus
projetos de sociedade. Os fariseus propunham que além da lei escrita deixada por
Moisés havia outras leis que foram transmitidas pela tradição oral e que deveriam ser
seguidas. Era uma forma que encontraram de estar sempre atualizando a tradição em
um mundo totalmente diferente daquele dos tempos imemoriais.

Já os saduceus se opunham a isso e exigiam que apenas a Lei escrita fosse seguida.
Desconfiavam que a interpretação da lei escrita pelo uso da tradição oral fosse apenas
um pretexto para desobedecer os textos antigos, como os judeus reformistas tentaram
fazer anos antes. Criaram então uma lista de punições, o Livro dos Decretos, no qual
estabeleciam quais punições o desobediente à Lei estava sujeito, crimes passíveis de
apedrejamento, estrangulamento, decapitação ou morte na fogueira.
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Os essênios eram um grupo de tradicionalistas isolacionistas ainda mais radical.


Achavam que Jerusalém estava absolutamente corrompida e que o Templo era um lugar
de perdição. Passaram a viver no deserto pregando um purismo de vida comunitária e o
apocalipse iminente, onde Jeová faria triunfar o Bem (eles) contra o Mal (todo o resto do
mundo). Achavam que o corpo era o próprio templo de deus e por isso deveriam mantê-
lo puro, banhando-se várias vezes em fontes sagradas e se alimentando de forma frugal.
O isolamento da comunidade garantiria o isolamento contra o mal.

Esses três grupos vão ter uma relação amistosa ou conflituosa com os hasmoneus,
dependendo da época ou como os hasmoneus faziam a política de seus interesses. No
limite, as relações conflituosas muitas vezes terminaram em massacres bárbaros. Até
porque os últimos reis hasmoneus acabaram se afastando dos tradicionalistas e
adotando alguns costumes da cultura grega, passando a ter verdadeiro repúdio pelos
adversários, a quem acusavam de usar a Lei por oportunismo.

Em geral, porém, o período dos hasmoneus consolidou a criação das escolas judaicas
onde se aprendia a Torá, o que que possibilitou a expansão das sinagogas em todo o
mundo mediterrâneo e em última instância criou o judaísmo tal como o conhecemos
hoje.

Mas na verdade, afastar-se completamente da cultura grega era impossível em uma


época em que a língua e a moeda grega haviam se tornado universais. Os próprios
nomes dos últimos reis hasmoneus mostram que eles acabaram se curvando a este
internacionalismo grego. Para que você tenha uma ideia, um dos últimos reis hasmoneus
chamava-se Alexandre, contraditoriamente, o nome do conquistador da Palestina. Para
que se entenda o poder da cultura grega naquele mundo é necessário que você, leitor,
o compare com o poder que a cultura americana e o capitalismo exercem hoje em nossas
vidas. Sem isso, toda a leitura que você está fazendo desses escritos será em vão. Até
a poderosa Roma rendeu-se à cultura grega.

O colapso do reino Hasmoneu se deu após a morte da esposa do rei Alexandre, que
tinha assumido o trono por breve período. Uma luta intestina entre seus filhos fez com
que um deles chamasse Roma e, em conjunto com ela, um Idumeu helenizado para
assumir o trono. Era Herodes, o Grande.
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Herodes era de uma família riquíssima, um daqueles que tinha sido transformadas em
judeus à força durante o processo de expansão hasmoneu. Ou seja, na tentativa de
transformar os vizinhos em judeus ortodoxos, os hasmoneus cavaram sua própria
sepultura. Herodes era amante da cultura grega e aliado de Roma, e assim que assumiu
o trono, separou o Templo do governo. Voltou-se contra os descendentes dos
Hasmoneus, perseguindo-os. Um deles, porém, conseguiu apoio dos Partos (persas) e
invadiu Jerusalém. Herodes fugiu para Roma e voltou com 30 mil romanos, massacrando
os tradicionalistas. A região virava assim uma província de Roma, e Herodes, o Grandes,
o seu representante.

Herodes governou com sabedoria. Ele atraiu milhares de judeus helenizados para seu
lado, e auxiliou milhares deles que viviam fora da Palestina. Calcula-se que este número
já era 3 vezes maior que o de judeus residentes. Usou de sua amizade com Roma e com
as elites gregas para beneficiar os judeus da Diáspora. Ele também induziu os judeus
que viviam fora da Palestina a ajudarem-se mutuamente. Encantado com o
universalismo romano, que na verdade havia sido herdado dos gregos, Herodes criou o
mais impressionante plano de obras já visto na Palestina. Investiu pesadamente em
ginásios, teatros, ágoras e liceus. Refez Samaria, assolada pelos Hasmoneus. Mas
também investiu pesadamente no Templo, satisfazendo os religiosos ortodoxos.

Na política interna, Herodes procurou não se meter nos negócios do Templo, o que fez
com que a situação se acalmasse na região. Quando algum grupo ortodoxo o
contestava, ele era de uma crueldade impressionante. Chegou a matar 6 mil deles de
uma só vez. Os fariseus moderados tornaram-se seus aliados. Os tradicionalistas
insatisfeitos foram para as montanhas e para o deserto, de onde buscaram se
reorganizar para expulsar Roma e seus representantes. É nesse contexto que surgem
os Zelotes, os que, como o nome diz, buscavam zelar pela aplicação da lei, que consistia
basicamente em não aceitar a dominação estrangeira e o que ela trazia consigo em
termos de mudanças culturais.

Os zelotes serão os novos Macabeus e Hasmoneus da época romana, e junto com os


essênios formavam aquilo que havia de mais retrógrado e reacionário na religião judaica.
Eram nacionalistas ferrenhos e viviam do saque às caravanas comerciais que se dirigiam
para a Palestina. Esperavam um Messias que os livrassem do domínio romano. Durante
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o reino de Herodes eles não se mostravam ainda fortes o suficiente para perturbar o
poder, o que só ocorrerá mais tarde.

Jesus nasceu no fim do governo de Herodes, em cerca de 4 a.C.. Jesus irá viver em um
mundo dividido entre os judeus aliados dos romanos que governavam a Palestina e os
tradicionalistas que esperavam apenas um momento para retomar o poder. Mas quando
Herodes morreu, imediatamente as primeiras revoltas dos tradicionalistas explodiram.
Em 4 a.C, a revolta de Judas, o Zelote, foi sufocada com grande dificuldade.

Roma viu que teria dificuldades de encontrar um novo Herodes e resolveu dividir a
região, entregando a Galileia para Herodes Antipas, filho de Herodes o Grande, e
nomeando um procurador da própria Roma para governar a Judéia: Pilatos. Jesus nasce
exatamente nesse contexto. Jesus era da Galileia, região que tinha sido conquistada à
força pelos hasmoneus mais de cem anos antes. Seus habitantes foram convertidos ao
judaísmo na marra. Por conta disso, os judeus devotos desconfiavam da fidelidade de
seus habitantes à Torá. Por isso eles diziam à época que nada de bom vinha da Galileia.

As influências helenizantes em Jesus são observadas nos próprios nomes de sua


família. Dois de seus irmãos tinham nomes gregos e o nome Maria, de sua mãe, era
uma variação do nome hebreu Mírian. O próprio nome Jesus era uma variação grega de
Josué. Tem mais. Jesus tinha sido aluno de um sábio judeu da diáspora, Hilel. Ele tinha
profundo desprezo pela Torá. Dizia que todo ensinamento religioso resumia-se a não
fazer ao seu inimigo o que não gostaríamos de fazer a nós mesmos. Todo o resto seria
invenção dos homens.

Jesus conheceu várias comunidades essênias, mas retirou delas aquilo que era de
caráter mais humano e universal, dispensando seu belicismo. Conheceu os batistas do
Rio Jordão e encantou-se com João, que diferia dos demais pregadores do deserto por
ser um universalista. A João, Jesus faz seu maior elogio: nenhum homem nascido de
mulher teria sido melhor que ele. Alguns zelotes se encantaram com a possibilidade de
Jesus ser o Messias, mas logo se decepcionaram ao saber que ele não se propunha ser
o líder militar que esperavam. A traição de Judas, que era zelote, tem que ser entendida
dentro desta perspectiva.
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Bom, Jesus enfrentou a ambos por diversas vezes. Apenas os fariseus mais
fanaticamente helenizantes gostaram dele, como Nicodemos (nome grego) e José de
Arimatéia, um comerciante da diáspora. Jesus chamava saduceus e fariseus de
hipócritas e cambada de víboras. Tinha desprezo pelo Templo, embora tivesse pregado
ali. Mas Isaías e Jeremias também haviam pregado no templo e o desprezaram. Jesus
ameaçou derrubar o Templo e espancou os vendedores de pombas de sua porta.
Criticou os sacrifícios e os dízimos. Após sua morte, seu irmão Tiago e o seguidor
Estevão continuaram afrontando o Templo. Estevão disse que Deus não habitava
construções humanas e chamou os sacerdotes de “incircuncisos de coração e ouvidos”,
uma agressão religiosa fortíssima. Terminou apedrejado.

Jesus desobedeceu dezenas de prescrições da Torá. Desprezou as regras alimentares


e de higiene, desobedeceu flagrantemente o Livro de Decretos, cessando um
apedrejamento e fez milagres no sábado. Não sabia nem ao menos os 10 Mandamentos.
No Novo Testamento, ele aparece citando apenas sete deles e ainda erra um. Jesus
tinha uma tolerância e uma abertura com as mulheres que era absolutamente estranha
ao judaísmo ortodoxo e só comum na época a quem comungava os valores gregos e
romanos. Como diz o historiador judeu Paul Johnson, “quanto mais se estuda Jesus,
mais chega-se a conclusão que ele tinha profundo desprezo pelo judaísmo”

Por isso tudo, não é necessário dizer que a mensagem de Jesus era universalista e suas
atitudes também. A parábola do Bom Samaritano, a ordem para que os discípulos
pregassem suas palavras pelo mundo todo e o episódio da conversão de um centurião
romano deixam evidente que o deus que Jesus vem oferecer não era o deus da guerra
judeu, o vingativo, vaidoso e xenófobo Jeová, embora Jesus não tenha dito o nome de
outro deus.

Jesus enfrentava os fariseus aliados dos romanos, mas era condescendente com o
poderio de Roma, pois ele sabia que a alternativa ao domínio romano era entregar Israel
nas mãos dos fanáticos isolacionistas zelotes, dos saduceus e dos fariseus ortodoxos.
A alternativa ao universalismo romano era a barbárie da ortodoxia e da Lei. Inteligente,
Jesus sabia que para sua mensagem chegar ao mundo o único caminho era através da
língua grega, lida e falada em todo canto, inclusive em Roma. E também que alguns dos
sistemas filosóficos gregos tinham correspondência significativa com sua mensagem,
sobretudo o estoicismo.
18

Jesus desagradou todos os grupos organizados judeus de seu tempo. Não foi aceito
entre os essênios, foi desprezado pelos zelotes por não ser um líder militar, irritou os
saduceus com a desobediência à Torá e provocou a ira dos fariseus ao chamá-los de
hipócritas, sepulcros caiados e outras ofensas. Mas ele tinha seguidores e não eram
poucos. Mesmo entre os fariseus. Sua pregação era forte e atingiu os corações
sensíveis. Seus milagres atraíram milhares de pessoas. Ele começava a retirar a atenção
do Templo para si. Os sacerdotes perdiam poder e prestígio a cada dia. A continuar
naquela toada, em breve milhares de judeus não mais pagariam os dízimos ou fariam
sacrifícios. A gota d’agua da audácia de Jesus tinha sido a confusão criada no Templo,
quando espancou os comerciantes de pombas e os que faziam câmbio. Era necessário
mata-lo, mas sem sujar as mãos, pois seus seguidores poderiam se revoltar.

Parece não haver dúvidas de que a elite sacerdotal judia forçou a condenação de Jesus
por Roma ao acusa-lo de se proclamar Rei dos Judeus, o que para Roma seria uma
coisa grave, já que seria um desafio à sua autoridade. Mas mesmo para os romanos
Jesus parecia inofensivo. A demora de Pilatos em condenar Jesus é um exemplo disso.
Pilatos, que tinha um histórico de crueldades em seu currículo, não conseguia ver
naquele homem brando perigo algum. Afinal, até alguns centuriões romanos tinham
ficado empolgados com Jesus.

Parte da tradição afirma ainda que sua esposa Cláudia tinha ouvido Jesus falar e ficado
encantada com Ele. Ela também teria tido sonhos reveladores sobre quem Ele era e teria
avisado ao marido. Não se sabe se isso tem fundamento, mas várias evidências indicam
que Pilatos condenou Jesus contra a sua própria vontade, apenas para fazer política
com os fariseus, aliados dos romanos.

Com a condenação de Jesus pelos romanos os fariseus e os saduceus livravam-se da


responsabilidade de terem que enfrentar os seguidores de Jesus, que segundo muitos
estudiosos, já ultrapassaria a casa dos cem mil em toda a Palestina. De tudo isso, fica
uma lição que parece que muitos cristãos posteriores não aprenderam. Jesus preferiu a
filosofia racionalista dos gregos à Lei. Em vida, Jesus deu uma aula de tolerância para
com os diferentes e combateu os intolerantes religiosos do seu próprio povo ao invés
dos deuses de outras nações. Jesus preferiu o universalismo e o politeísmo greco-
romano que respeitava todas as crenças aos fanáticos judeus que seguiam o Velho
Testamento.
19

1.2 Pontos importante para compreender a sociedade da época de Jesus

Um dos pontos importantes nessa época foram as Sinagogas. Não existiam no Velho
Testamento. Passou a ser importante, onde a lei que era transmitida, e foi dela que a
primeira Igreja Cristã, como organizada pelos apóstolos, extraiu a sua constituição, e
principais formas de adoração, bem como os títulos, a forma, etc. Quanto aos discípulos,
a jurisdição da Sinagoga passou ser ampla, inevitável onde a lei eclesiástica e civil era
uma só.

Os escribas que devem ser distinguidos dos sacerdotes e dos fariseus - que vemos no
Novo Testamento, e que se desenvolveram no período interbíblico; são uma classe de
peritos profissionais estudiosos na interpretação e aplicação da Lei e do Velho
Testamento, e não são os mesmos que encontramos nas narrativas do Velho
Testamento, passando, agora, depois do exílio, a constituir uma ordem especialmente
distinta na Nação, devido a cinco fatores:

 Conversão do povo, deixando a idolatria e abraçando a ardente fé na religião e


escrituras.
 Necessidade de professores pela separação de sua pátria, capital e templo.
 Mudança da língua do hebraico para o aramaico.
 Aparecimento e difusão da SINAGOGA.
 Interrupção das profecias e interesse na palavra escrita - as escrituras.

Os Sacerdotes, por sua vez tiveram suas funções, no qual estavam ligadas inteiramente
com as cerimônias oficiais e deveres da adoração do Templo, função esta que poderia ser
acumulada com a de escriba, fariseu, abrangendo áreas distintas de sua vida.

Os Fariseus, coletivamente tratava-se de uma SEITA poderosa e extraordinária, dito pelo


Senhor, e esta forte oposição teve conseqüências fatais, como a dissolução dos
casamentos efetuados durante o exílio babilônico, bem como pela importância e prestígio
que passou a ter o Sumo Sacerdote – autoridade sagrada e civil - o que tornou o cargo
ambicionado, pensando mais em suas vantagens políticas do que espiritual, levando à falta
de escrúpulos, criminalidade e degradação do cargo, prejudicando o curso da história da
nação. Os Fariseus (que significa separatista) e os Saduceus eram uma oposição. Os
20

fariseus nos dias de João Hircano, como um movimento histórico, representando a


subdivisão dos líderes e povo, com dedicação aos primeiros ideais do judaísmo, sendo
oriundos dos Hasidim - os "PIEDOSOS" - agrupados trinta ou quarenta anos secretamente,
com o objetivo de preservar a fé judaica, porque o enlouquecido Antíoco Epifânio procurava
exterminá-la. Podemos dizer que os escribas por vocação seriam fariseus por convicção,
embora tendo como "armadilha" a facilidade de cair na hipocrisia. No princípio se
esforçavam para com os deveres escribas, fracassando, obedeciam somente no exterior,
ocultando-se na máscara da piedade, pecando e se acostumando a pecar e a sua hipócrita
prática.

Ressaltando que muitas obras eram sinceras e dedicadas apesar de má concentrada,


foram os fariseus responsáveis nas lutas para alcançar o poder, incitaram o povo à guerra
civil contra o rei e os saduceus, obrigando Alexandre Janus a fugir, lideraram insurreição
no reinado de Aristóbulo II, e 80 anos de independência sob dinastia hasmoneu (macabeus)
somando aos ensinamentos dos fariseus, provocaram a reação violenta dos judeus quando
se tornou parte do Império Romano. Sua marca - a ritualística - que não se contenta com a
palavra escrita de Deus e a verdade do evangelho, sentindo necessidade de acrescentar
suas principais idéias, tornando a religião complexa, cujo peso tornava a religião um pesado
fardo para os homens carregarem.

Os Saduceus era outro grupo divergente e inimigo dos sacerdotes e escribas desenvolveu
quando os profetas não operavam. Eles emergiram junto com os fariseus, como um "grupo
Social", bem menor que os fariseus, pertencentes às ricas e poderosas famílias dos
sacerdotes, que formavam a aristocracia da nação judaica, embora não tinham grande
influência na massa do povo, e como acontece aos políticos, a lei de Deus não se aplicava
à política. A seita dos saduceus mantinha inimizade com os fariseus, e foram responsáveis
pela crucificação de Jesus, mas não podemos generalizar, porque nem todos os sacerdotes
eram necessariamente saduceus. Sua marca - o racionalismo - não pode aceitar a Palavra
escrita de Deus, nem a verdade do Evangelho, onde precisa ser julgado no tribunal da
razão humana, cortando-se várias coisas para poder tornar a fé mais racional e
convincente, por não querer acreditar em anjos ou demônios, ressurreição dos mortos ou
qualquer outro milagre.

Já os Zelotes, quarta seita, que concordava com os conceitos judaicos, afirmando que Deus
deve ser o único Rei e Senhor, não se preocupam com a morte, e se revoltavam contra os
romanos, pelo abuso de autoridade. Representavam de maneira dinástica o partido
21

nacionalista judeu, que provocaram o choque furioso com Roma, resultando completa ruína
e saque de Jerusalém; movimento iniciado pelos Macabeus em 63 a.C., oposição esta a
Roma pela força das armas, que criou um pretexto para a violência.

Os Essênios é uma seita que reaparecera em três tipos: ortodoxo, heterodoxo e peculiares;
que se satisfazia em viver o espírito da lei, retiravam da sociedade humana comum, vivendo
isolados no campo; praticando um estilo monocrástico de vida e um tipo rústico de
judaísmo. Eram super judeus e Moisés sua principal autoridade. Eles se desligaram dos
sacrifícios no templo, por possuírem purificações próprias, eram considerados infalíveis,
isolados, só viviam em casa de sua propriedade, rejeitavam o comércio e a cobiça;
tomavam refeições com sacrifícios preparados por seus sacerdotes, se opunham à guerra
e alguns até renunciavam ao casamento.

Os Herodianos é um grupo político com objetivo em promover a causa do governo de


Herodes, e não se davam com os fariseus, que se odiavam, motivo pelo qual surpreendeu
a sua união contra o Senhor. Sua marca era - os secularistas - não se importavam em
somar ou subtrair, não se preocupavam com a palavra escrita de Deus, a mensagem do
evangelho, a fé entregue aos santos, sendo que seu interesse estava na vida de hoje,
passando por cima de tudo. 'AM HA-ARETZ - (plural: 'amê ha-aretz) - literalmente, no
hebraico, significa: "o povo da terra". Assim são chamados os ignorantes do conhecimento
da Torá. O termo é pejorativo, pois compara os ignorantes de Torá ao "povo que habitava
a Terra antes da entrada do povo hebreu na Terra de Israel", que não tiveram o mérito de
receber a Torá, estando perdidos em suas açõs abjetas e repletas de conspurcações
ignominiosas diversas, além de obscenidades inúmeras, que eram geralmente oriundas de
suas práticas religiosas diversas.

2. ETIMOLOGIA

Etimologia é o estudo gramatical da origem e história das palavras, de onde surgiram e como
evoluíram ao longo dos anos. Do grego etumología, a etimologia se preocupa em encontrar os
chamados étimos (vocábulos que originam outros) das palavras. Afinal, toda a palavra conhecida
possui um significado e derivação de alguma outra palavra, que pode pertencer a outro idioma ou
a uma língua que já foi extinta.
22

Um grande exemplo é o latim, língua que está há muitos anos em desuso e que é a responsável
pela formação de várias palavras utilizadas atualmente na língua portuguesa, espanhola, italiana,
francesa, entre outras, que são chamadas de "línguas latinas".

Porém, não apenas do latim construímos nosso vocabulário. Mesmo nos dias de hoje, inúmeros
termos que usamos no cotidiano tiveram sua origem em idiomas estrangeiros ou de culturas que já
não existem, como o tupi-guarani. No português falado no Brasil, existem muitas expressões e
palavras que possuem seus étimos da língua tupi, como ipanema, copacabana, abacaxi, caju e
inúmeras outras.

Os responsáveis pelo estudo da origem e história das palavras são os etimologistas, que tentam
explicar os motivos que levam certos termos serem escritos de determinada maneira, mesmo que
a pronúncia seja diferente. Exemplo: "casa" ("s" com som de "z") ou "maçã" ("ç" com som de "s").
Existem também as falsas etimologias, normalmente atribuídas pelo senso comum e cultura popular
à uma palavra que simplesmente é similar a outra, mas sem comprovação de um etimologista. Por
exemplo, a palavra forró, de acordo com a falsa etimologia, teria sido derivada do inglês for all ("para
todos", em português), porém, os etimologistas dizem que na verdade o termo não passa de uma
abreviação da expressão forrodobó, que já existia há muito tempo no Brasil.

Segundo, VIARO, Mário Eduardo- pág 22, informa que a língua que falamos e ouvimos, ou seja, a
com que nos expressamos, é um código herdado, que equivale à língua-ferramenta, sob a ótica da
sua essência. Serve, sobretudo, para a interação social, para a comunicação e para a
argumentação. Desse modo, se nos tornamos conscientes de que a língua é composta de unidades
de diversos tamanhos (fonemas, morfemas, palavras, expressões idiomáticas), concluiremos, após
observação e reflexão, que essa ferramenta foi herdada da geração que a usava antes do
nascimento do falante. Jesus foi uma pessoa como qualquer um de nós, que viveu dentro de um
determinado tempo da história. Ele viveu concretamente em um país, pertencia a uma família,
trabalhava, tinha posicionamento político, uma situação econômica, uma língua e uma religião.

2.1 Situação Econômica

A maioria da população era pobre e vivia principalmente da agricultura (trigo, cevada,


azeite, legumes etc.), pecuária (bois, camelos, ovelhas etc), pesca e artesanato.
Nos povoados os Romanos cobravam IMPOSTOS: a) ¼ (25%) sobre a colheita; b) a corvéia
para manter o exército; c) pedágio e alfândega sobre o transporte de mercadorias. Quem
fazia a cobrança eram os Publicanos, que eram muito corruptos. Isso levou o povo a
desprezar e marginalizar essa categoria (Mc 2,15-26). Era obrigatório também o Dízimo
para o Templo, em Jerusalém: a) 10% das colheitas; b) 1% para os pobres; c) a cada 7
anos, o produto referente a um ano de trabalho.
23

2.2 O Templo como sede do poder econômico

O templo era o banco central e centro de câmbio (troca de moedas). Todos os impostos
eram centralizados ali. Graças às peregrinações, os visitantes (mais ou menos 60 mil
durante a Páscoa) alimentavam um comércio de lembranças, artesanato e objetos de luxo.
Havia um conjunto de hospedarias e comércio de animais para os sacrifícios. O templo era
uma fonte de empregos: entre sacerdotes, funcionários, cambistas, vendedores e operários
eram 18 mil pessoas que viviam da organização do Templo.
O Templo havia deixado de ter significado religioso para sustentar a dominação. Quando
Jesus combateu o templo, foi pensando no sistema econômico que se apoiava nele. Esse
foi um dos motivos de sua condenação (Mc 11,15s). Situação econômica de Jesus: veio do
campo, duma aldeia humilde chamada Nazaré. Seus moradores eram marginalizados,
tratados como ignorantes e bandidos (Jo 1,46;7,52). Jesus era carpinteiro ou biscateiro.
Pagava impostos aos sarcedotes e aos romanos (Mc 12,13s).

2.3 Situação Social

A maior parte da população da Palestina vivia no campo e era constituída de trabalhadores


pobres, que sobreviviam no ganho do dia-a-dia. Os ricos moravam só nas cidades. Havia
uma classe média pouco numerosa. Nela se encontrava os Escribas e Farizeus. Família:
era patriarcal. Na Palestina o pai era o centro da família: tinha plena autoridade sobre a
casa. Mulher: não participava da vida da sociedade. Era considerada inferior ao homem em
todas as coisas. As filhas não tinham os mesmos direitos que os filhos. A mulher precisava
ser fiel ao marido, sob pena de morte, mas o marido podia ter outras mulheres além da
esposa. Não podiam ler no culto. Não podiam estudar e ser discípula. No tribunal, a mulher
não podia ser testemunha. Pessoas excluídas da sociedade: Mulheres, doentes (surdos,
mudos, cegos, leprosos etc), pagãos, escravos, estrangeiros, publicanos.

Alguns grupos sociais. Saduceus: Pertenciam a camada mais rica da Judéia. Tinham,
portanto, o poder econômico em suas mãos.

Por um lado, esse grupo era formado pelos grandes proprietários de terra e pelos donos do
grande comércio. Formavam a elite leiga e rica que considerava sua riqueza sinal de
bênção de Deus.

Os saduceus eram defensores da ordem estabelecida. Colaboravam com o Império


Romano para não serem destruídos de seus cargos. Eles tinham privilégios a defender,
24

especialmente sua situação econômica, seus cargos e seu poder no Templo. Eles não
aceitavam a tradição oral, apegando-se somente à lei escrita no Pentateuco (5 primeiros
livros da nossa bíblia). Esperavam o Messias numa aparição gloriosa.

Fariseus: Na sua maioria, o grupo dos fariseus era formado de pessoas leigas. Sua origem
eram todas as camadas sociais, mas sobretudo, das camadas médias. Também, a maior
parte dos Escribas, especialistas nas escrituras, pertencia ao grupo dos Fariseus. Por seu
saber bíblico, estes eram as maiores lideranças nas sinagogas (comunidades). Eram guias
espirituais das comunidades. Seu conhecimento das leis e do hebraico, como especialista
em direito, administração e educação, também lhe assegurava lugares importantes no
Sinédrio. De um modo geral, eram nacionalistas. Por isso, eram contra a presença de povos
estrangeiros, considerando-os impuros (At 10,11-16). Valorizavam a tradição oral dos
antepassados. Achavam que o messias viria como um guerreiro para expulsar os romanos.

Com o tempo, viraram fanáticos. Insistiam em coisas exteriores, visíveis (ex: a observância
do sábado, do jejum, da esmola, circuncisão etc). Faziam tudo isto para mostrar que eram
judeus observantes da lei de Moisés e de outras prescrições impostas pela tradição. Eram
rígidos nas suas posições. Oprimiam a quem não segue seu fanatismo. Prendiam-se às
exterioridades, mas deixavam dominar-se pela injustiça. Escribas ou Doutores da Lei: O
povo tinha veneração pelos escribas, por serem especialistas nas escrituras. Mas também
tinha medo deles, pois passaram a exercer um controle ideológico. Eram eles que diziam o
que era certo ou errado, bom ou mau, santo ou profano. Muitas vezes estavam ligados à
classe dominante. Muitos fariseus eram escribas (Mc 2,16; 7,5).

Os farizeus e os escribas tornaram-se “donos” da consciência do povo, impondo suas


idéias.
Sacerdotes: O Sumo-sarcedote controlava o Templo e através dele, toda a vida econômica
do país. Os romanos deixavam que os sacerdotes tomassem certas decisões econômicas,
contanto que eles dessem o dinheiro exigido por Roma. O culto era um instrumento
ideológico, muito baseado no puro e no impuro. Puro era quem ia ao Templo (pagar seus
tributos).

O Sinédrio: ou grande conselho era responsável pela administração da justiça em Israel.


Era o supremo tribunal político, criminal e religioso. Foi esse tribunal que resolveu entregar
Jesus aos romanos para que fosse eliminado (Mc 14,55). Era composto de 71 homens e
funcionava numa sala junto ao Templo. O chefe era o sumo sarcedote indicado pelo
25

procurador romano da ocasião. O grande sacerdote era o responsável não só pelo Sinédrio,
mas também pelo culto no Templo, pela segurança no santuário, pelas finanças do Templo
e pelo comércio que aí se fazia. Faziam parte desse tribunal: os Sarcedotes, os Escribas
(por causa do seu saber a respeito da Lei ou Tora), os Saduceus (grupo de maior
influência).

Samaritanos: eram considerados raça impura pelos demais judeus, por serem
descendentes de população misturada com estrangeiros. Os samaritanos se julgavam
israelitas autênticos, veneravam Moisés e esperavam o Messias. Por serem
marginalizados, tinham pouca influência sobre a maneira de pensar do restante da
Palestina. Jesus diz que os samaritanos, longe de serem impuros, podiam ser modelos de
pensar, agir, amar e rezar (Lc 10,33s).

3. RELIGIÃO- CULTOS JUDAICOS

Jesus era um judeu. A igreja cristã começou na Palestina, e seus primeiros membros eram
judeus. Para entender o NT, precisamos ter algum conhecimento da religião judaica da
época de Jesus. Os últimos profetas do AT viveram 400 anos ou mais antes de João Batista
entrar em cena. E desde aquela época a religião judaica não ficou sendo exatamente a
mesma. A religião clássica do Israel do AT evoluiu e veio a ser o que chamamos de
judaísmo.

No primeiro século da era cristã, havia judeus em todas as partes do mundo romano e até
mesmo fora dele.

3.1 Algumas importantes instituições do judaísmo:

A Bíblia (principalmente o Antigo Testamento) é a referência para entendermos a história


deste povo. De acordo com as escrituras sagradas, por volta de 1800 a.C., Abraão recebeu
uma sinal de Deus para abandonar o politeísmo e para viver em Canaã (atual Palestina).
Isaque, filho de Abraão, tem um filho chamado Jacó. Este luta, num certo dia, com um anjo
de Deus e tem seu nome mudado para Israel. Os doze filhos de Jacó dão origem as doze
tribos que formavam o povo judeu. Por volta de 1700 aC., o povo judeu migra para o Egito,
26

porém são escravizados pelos faraós por aproximadamente 400 anos. A libertação do povo
judeu ocorre por volta de 1300 aC. A fuga do Egito foi comandada por Moisés, que recebe
as tábuas dos Dez Mandamentos no monte Sinai. Durante 40 anos ficam peregrinando pelo
deserto, até receber um sinal de Deus para voltarem para a terra prometida, Canaã.

Jerusalém é transformada num centro religioso pelo rei Davi. Após o reinado de Salomão,
filho de Davi, as tribos dividem-se em dois reinos: Reino de Israel e Reino de Judá. Neste
momento de separação, aparece a crença da vinda de um messias que iria juntar o povo
de Israel e restaurar o poder de Deus sobre o mundo.

Em 721 a.C., começa a diáspora judaica com a invasão babilônica. O imperador da


Babilônia, após invadir o reino de Israel, destrói o templo de Jerusalém e deporta grande
parte da população judaica.

No século I, os romanos invadem a Palestina e destroem o templo de Jerusalém. No século


seguinte, destroem a cidade de Jerusalém, provocando a segunda diáspora judaica. Após
estes episódios, os judeus espalham-se pelo mundo, mantendo a cultura e a religião. Em
1948, o povo judeu retoma o caráter de unidade após a criação do estado de Israel.

3.1.1 Os livros sagrados dos judeus

A Torá ou Pentateuco, de acordo com os judeus, é considerado o livro sagrado que foi
revelado diretamente por Deus. Fazem parte da Torá : Gênesis, o Êxodo, o Levítico, os
Números e o Deuteronômio. O Talmude é o livro que reúne muitas tradições orais e é
dividido em quatro livros: Mishnah, Targumin, Midrashim e Comentários.

3.1.2 Rituais e símbolos judaicos

Os cultos judaicos são realizados num templo chamado de sinagoga e são comandados
por um sacerdote conhecido por rabino. O símbolo sagrado do judaísmo é o memorá,
candelabro com sete braços.

Entre os rituais, podemos citar a circuncisão dos meninos (aos 8 dias de vida) e o Bar
Mitzvah que representa a iniciação na vida adulta para os meninos e a Bat Mitzvah para as
meninas ( aos 12 anos de idade ). Os homens judeus usam a kippa, pequena touca, que
27

representa o respeito a Deus no momento das orações. Nas sinagogas, existe uma arca,
que representa a ligação entre Deus e o Povo Judeu. Nesta arca são guardados os
pergaminhos sagrados da Torá.

3.1.3 As Festas Judaicas

As datas das festas religiosas dos judeus são móveis, pois seguem um calendário
lunissolar.

As principais são as seguintes:

Purim - os judeus comemoram a salvação de um massacre elaborado pelo rei persa


Assucro.

Páscoa (Pessach) - comemora-se a libertação da escravidão do povo judeu no Egito, em


1300 a.C.

Shavuót - celebra a revelação da Torá ao povo de Israel, por volta de 1300 a.C.

Rosh Hashaná - é comemorado o Ano-Novo judaico.

Yom Kipur - considerado o dia do perdão. Os judeus fazem jejum por 25 horas seguidas
para purificar o espírito.

Sucót - refere-se a peregrinação de 40 anos pelo deserto, após a libertação do cativeiro do


Egito.

Chanucá - comemora-se o fim do domínio assírio e a restauração do tempo de Jerusalém.

Simchat Torá - celebra a entrega dos Dez Mandamentos a Moisés.

3.1.4 Cultura

A cultura entende-se como um conjunto de hábitos, valores, regras, símbolos que


caracteriza um povo. É o modo do homem, enquanto ser social, pensar, agir, criar e
modificar o seu ambiente. A cultura tem a finalidade de conservar e atualizar a sua história,
ou seja, a sua tradição. Nesta perspectiva, a cultura é um fenômeno social e está radicada
na vida do homem. Para as civilizações antigas a cultura percorria todo o patrimônio e bem
28

de uma sociedade a tal ponto de não poder prescindir a separação das instituições, isto
porque uma estava relacionada com a outra, quer dizer: todo bem religioso estava
assegurado pela política, pela sociedade.

A cultura refletia a identidade de um povo e, isso, não poderia pertencer apenas a uma
camada ou instituição. Todavia, sabe-se, segundo a história, que muitos bens ou valores
significativos de uma cultura foram instrumentos de monopólio e ideologia. Um particular
de toda cultura, tanto antiga como moderna, é o seu aspecto simbólico, carregado de uma
mística e espírito unificador. Certos aspectos culturais tocam no mais íntimo da vida
espiritual dos homens e, particularmente, da sua dimensão religiosa, ou seja, das crenças
que provocam e sustentam hábitos. Toda civilização recebe da cultura uma religiosidade.
Com isso, é possível afirmar uma relação intrínseca entre cultura e teologia, à medida que
costumes não existem somente para satisfazer às necessidades humanas, ou favorecer a
sua sobrevivência, mas para sustentar o espírito humano, no mais pleno da sua
integralidade: hábitos apontam para uma realidade transcendente. Esta significa o ato. Por
sua vez, o ato materializa essa significação uma dimensão que transcende a vida prática
dos homens e, por isso, assinala valores impregnados de religiosidade e espiritualidade e,
por isso, de crenças instaladas no mais íntimo de um corpo social.

Jesus provavelmente foi um judeu bilíngue: falava normalmente às pessoas em um


aramaico típico da região da Galileia e utilizava o hebraico nas leituras e discussões bíblicas
e teológicas da sinagoga. Mas conhecia algo do grego e é improvável que arranhasse o
latim. No dia a dia o aramaico, língua na qual ele adorava fazer jogos de palavras quando
se expressava em algumas de suas pregações. No entanto, seus conhecimentos de
hebraico eram excelentes, como todo mestre versado nas escrituras. Em consequência de
seu nível social (médio-alto, e não pobre como se crê), Jesus também falava razoavelmente
o grego, de uso franco, equivalente ao inglês de hoje, usado em contratos e documentos
legais. Mas é muito provável que não falasse, nem entendesse, latim.

Durante sua juventude, Jesus usava túnica curta com meia manga, que, com o cinto,
chegava a um pouco acima dos joelhos. Sob a túnica sobressaíam os tsitsiyot do talit catan,
sem mangas, feito de linho fino, que usava junto ao corpo e que simbolizavam oseu
envolvimento no cumprimento dos mandamentos de Deus. Sobre os ombros punha um
manto curto com tsitsiyot que servia também para cobrir a cabeça. Como todo nazireu,
usava cabelos compridos, mas aparava a barba. Mais tarde, depois de ter sido instituído
29

rabi por João Batista, Jesus passou a se trajar com vestes mais próprias dos mestres
nazireus. Por cima do talit catan vestia uma túnica de linho fino que descia até os pés.

Sua túnica, embora simples, denotava o seu estatuto social e de sua família, já que era
tecida numa só peça sem costura tal qual as túnicas dos sacerdotes do templo. A cor da
túnica de Jesus era branca, porque era nazireu. Depois de se tornar rabino, ele passou a
usar, por cima da túnica, um talit gadol (manto de orações), com o qual ele cobria a cabeça
em reverência a Deus.

Existiam três características básicas da cultura na época de Cristo:

1- O Legalismo: A ideologia preconizava o culto e a observância rígida da Lei. A Lei era


uma espécie de força que impedia toda a criatividade, toda força, exuberância. Esse
legalismo, mantido sobretudo pelos escribas, pelos doutores da Lei, era extremamente
funcional. Servia para acobertar as iniquidades do regime e manter o povo dominado.
O legalismo não era um desvio puramente moral ou religioso. Tinha uma função também
política. Por que a Lei era tão rigidamente aplicada? Para poder manter o povo
submetido, O conhecimento dos doutores da Lei se baseava em uma espécie de
conhecimento se ereto, esotérico ou seja, somente eles sabiam ler e interpretar a Lei. E
isto era feito com um vocabulário complicado, difícil, de modo que deixavam o povo
confuso e crente de que eles entendiam os mistérios de Deus.
2- Messianismo: Nessa situação intolerável de exploração econômica, de dominação
política, de marginalização religiosa, as esperanças em um libertador se aguçavam de
maneira extrema. Esperava-se um Messias para libertar o povo dessa opressão, dessa
situação intolerável. O povo imaginava o Messias do tamanho de seu desejo e de suas
necessidades. Ou seja, o Messias seria um grande benfeitor que viria trazer pão, saúde,
libertação de todas as opressões. Mas que Messias? Aquele que vinha libertar a
Palestina da dominação romana para fazer com que pudessem ler, estudar e praticar a
Lei com sossego. É um outro tipo de Messias, é um Messias também de classe. O povão
esperava o Messias realmente material e a espera era feita de uma maneira urgente,
delirante, de uma hora para outra. Isso porque a situação estava insuportável que pior
não podia estar.

Um historiador romano, Flávio Josefo, conta que na época em que Jesus viveu surgiram
cerca de trinta messias, dizendo-se reis, libertadores. Todos acabaram mortos,
massacrados pelo poder romano. Quando apareceu João Batista, o povo perguntou se ele
30

não era Messias. Assim ocorreu com Pedro, Judas Galileu e também com Paulo. Havia
uma expectativa incrível de um salvador, libertador, e se investiam sobre as pessoas que
apareciam com uma certa perspectiva de libertação.

3.1.5 O Templo

O grande Templo de Salomão fora destruído pelos babilônios em 587 a.C. Após o exílio,
os judeus que retornaram a Jerusalém reconstruíram o Templo. Tratava-se de um edifício
menos impressionante, que ficou de pé durante 500 anos. Herodes o Grande decidiu
substituí-lo por um magnífico templo novo, que se tornou uma das sete maravilhas do
mundo antigo. A obra foi iniciada 19 a.C. e ainda não havia sido concluída na época de
Jesus (Jo 2.20). Acabaria ficando pronta em 64 d.C., mas seis anos depois o Templo foi
destruído pelos romanos.

Foi este imponente complexo de construções que deixou os discípulos de Jesus admirados
(Mc 13.1). Ali ainda eram oferecidos os sacrifícios e se realizava o culto que havia sido
instituído muito antes. Aquele era de ação dos sacerdotes e de seus auxiliares. Mas, é
claro, tudo isso acontecia sob o olhar vigilante dos soldados romanos, que estavam
aquartelados na fortaleza Antônia, de onde podiam avistar os pátios do Templo (At 21.31-
40). Os prédios do Templo em si ficavam separados do grande pátio externo, o "pátio dos
gentios", por uma mureta na qual havia várias inscrições que proibiam os gentios de ir além
daquele ponto. Quem o fizesse, corria o risco de ser morto (veja At 21.28-29; Ef 2.14).

Quando os Evangelhos descrevem Jesus ensinando e ministrando "no Templo", falam de


algo que normalmente ocorria nessa ampla área pública, onde os mestres se instalavam
nos pórticos cobertos e o povo se reunia para ouvir e fazer perguntas. Nesse mesmo pátio
também funcionava, durante as festas, o movimentado mercado de animais para os
sacrifícios e estavam instaladas as bancas dos cambistas (que tinham o dinheiro sagrado
para ofertas no Templo), situação que tanto irritou Jesus. (Mt 21.12). O Templo não era
apenas um lugar de adoração. Era um símbolo de identidade judaica e orgulho nacional.
Uma das principais razões por que Jesus e os seus seguidores se tornaram malvistos foi
que eles eram considerados inimigos do Templo (Mt 26.61; 27.40; At 6.13-14).
31

3.1.6 A sinagoga

Havia apenas um Templo, mas cada comunidade tinha a sua sinagoga. Ali não se
ofereciam sacrifícios. Era o centro local de culto e estudo da Lei. No sábado, a comunidade
se reunia, homens e mulheres separados, para ouvir a leitura e exposição de determinadas
passagens da Lei e dos Profetas (Lc 4.16-21) e fazer orações litúrgicas. Durante a semana,
a sinagoga era a escola local, o centro comunitário e o núcleo do governo local. Seus líderes
eram as autoridades civis da comunidade, os magistrados e guardiões da moral pública.

3.1.7 Lei e tradições

Israel tinha uma lei desde a época de Moisés. Mas depois do exílio e da destruição do
Templo, Esdras (no século 5 a.C.) liderou um movimento de estudo intensivo da Lei, e os
judeus se tornaram cada vez mais "o povo do livro". Este estudo detalhado gerou um
conjunto de tradições, ainda em desenvolvimento na época de Jesus, que procurava
detalhar melhor como a Lei devia ser seguida. Os escribas, que eram os estudiosos
profissionais e guardiões da Lei e das tradições, elaboravam regras exatas para todas as
ocasiões

Havia, por exemplo, 39 tipos de trabalho proibidos no sábado, e um deles ( transportar um


objeto de um lugar a outro) foi ampliado a ponto de levar à proibição de quase toda e
qualquer atividade. Viagens eram limitadas a uma "jornada de sábado", cerca de 1 Km (At
1.12).

O ensinamento dos escribas pretendia ajudar o povo a obedecer à Lei, mas infelizmente,
como as palavras de Jesus a respeito dos escribas indicam, às vezes o zelo pelos detalhes
ofuscava as questões fundamentais da Lei (Mc 7.1-13; Mt 23.23).

3.1.8 As marcas de um judeu

A necessidade de sobreviver diante de hostilidades e perseguição levou os judeus a


valorizar aqueles aspectos da Lei que os distinguiam como povo de Deus. Três "sinais de
identidade" se tornaram muito importantes: circuncisão, observação da lei do sábado, e as
leis alimentares (baseadas em Lv 11 e na ordem de não comer sangue) que impediam os
32

judeus de tomar uma refeição normal com os não judeus. Um dos maiores problemas
enfrentados pelos primeiros cristãos foi definir como seguidores de origem judaica e de
origem gentílica poderiam ser integrados numa mesma comunidade (leia At 10.1--11.18; At
15.1-29).

4. POLITICA

A ansiosa espera pelo messias libertador reflete a opressão a que o povo judeu estava
submetido, sob o domínio romano. Depois da morte de Herodes I (73 a.C.-4 a.C.), rei
vassalo de Roma que não gozava de legitimidade junto à população, a Palestina foi dividida
entre três de seus filhos: Arquelau, Filipe e Herodes Antipas. A Galiléia, onde Jesus vivia,
coube ao último, responsável pela decapitação de João Batista.

Arquelau, rei da Judéia e Samaria, foi substituído pelo procurador romano Pôncio Pilatos,
sob cujo mandato Jesus Cristo foi crucificado. Mas o sumo sacerdote do templo de
Jerusalém, Caifás, tinha grande influência no governo. Apoiava-se no Sinédrio, conselho
de 71 membros formado por altos sacerdotes, anciãos das famílias judias mais ilustres e
doutores da Lei. Vários grupos moviam-se na cena política.

No alto da pirâmide social estavam os saduceus — a elite sacerdotal e os grandes


proprietários de terras. Eram judeus conservadores que se alinham ao texto da Lei, tal como
aparece nas Escrituras, e colaboravam com o dominador romano.

Logo abaixo, vinham os fariseus — elementos do baixo clero, pequenos comerciantes e


artesãos. Eram hostis à presença romana, mas sua oposição era apenas passiva. Em todas
as questões da vida cotidiana, cumpriam zelosamente a Lei e as tradições orais
acumuladas ao longo dos séculos. Em confronto com o templo de Jerusalém, o centro de
sua expressão eram as sinagogas, presentes nos menores lugarejos.

Saído dos fariseus, o grupo dos zelotas era formado por camponeses e outros membros
das camadas mais pobres, esmagadas pelos impostos. Muito religiosos, eram nacionalistas
radicais. Queriam expulsar pelas armas os romanos e instituir um Estado onde Deus fosse
o único rei, representado pelo messias, descendente de Davi. Considerado agitador e
assassino pela tradição cristã, Barrabás foi um líder zelota.
33

Entre os apóstolos de Jesus, dois devem ter sido zelotas: Simão e Judas Iscariotes.
Também Pedro parece ter simpatizado com eles. O nome Iscariotes pode significar que
Judas fosse da cidade de Kariot, foco da ação zelota, ou viria da expressão aramaica Ish
Kariot, que quer dizer "o homem que leva o punhal". Sua traição a Jesus pode ser
interpretada como um ato resultante de divergência política: enquanto a ação dos zelotas
se voltava contra o dominador estrangeiro, a pregação de Jesus visava a própria estrutura
social da Palestina. Existiam três partidos políticos principais:

1- Saduceus: Nele se encontrava a classe rica: O alto clero, os proprietários de terra


(anciãos). Como dá para desconfiar, era um partido totalmente “capacho”, pró-romano.
Não tinham nenhuma posição crítica frente ao poder romano. Ele era mantido sem
nenhuma perspectiva messiânica. Eles não acreditavam na vinda do Messias, porque o
Messias significa mudança. Ele se opunha a mudança, porque se beneficiava da
situação tal como ela era, e mantinha a ideologia da conservação. Era extremamente
conservador e reacionário. Este partido se concentrava em torno do templo, tinha os
papéis principais’ do governo colegiado do Sinédrio e detinha o poder político.
2- Fariseus: Composto por leigos, da classe média ascendente. Ascendente porque os
fariseus e os escribas controlavam a interpretação da Bíblia. Como saber é poder, eles
estavam subindo na sociedade e adquirindo bas-tante postos no Sinédrio, dentro do
governo Judeu. O partido era formado pelos intelectuais do templo, pelos advogados,
copistas, teólogos. Frente aos romanos ele era uma espécie de oposição confiava. Tinha
uma resistência pacifi-ca. Seus membros pagavam os impostos e se sub-metiam para
evitar o pior. Procuravam ganhar espaço pouco a pouco, com o tempo.Seus partidários
se concentravam em torno da Sinagoga, porque aí era o lugar em que se lia a Lei de
Deus, Era a liturgia da palavra. Eles dominavam porque eram os únicos que sabiam ler
e interpretar a Lei Bíblica. Tinham a hegemonia, no sentido de que detinham a direção
moral, intelectual; o povo confiava neles. Então, na verdade, detinham o poder na mão,
Um histo-riador daquele tempo dizia que o povo era o aliado natural dos fariseus.
3- Zelotas: É um partido radical, que rompe definitivamente com os romanos e adota a
prática da guerrilha, da violência ar-mada. Nascido na Galiléia, é integrado sobretudo por
camponeses escravizados por dívidas. Visa realmente destruir a estrutura política
romana e também o poder judaico “capacho” dos saduceus. Em certos momentos, fazem
alianças com os fariseus.
34

Para entender como é que Jesus se posiciona diante dos revolucionários, é necessário
lembrar que esse partido tem um projeto nacio-nalista na cabeça. Além da independência
da Palestina, ele tem uni projeto expansionista, imperialista. Quer colocar o judeu no centro
e sobre todos os outros povos, e criar um império mundial judeu. O César judeu seria uma
espécie de César-Moises, César Bíblico que dominasse o mundo, já que isso estava nas
profecias da Bíblia.

No projeto dos zelotas havia também a restauração de teocracia, do rei santo, muito
parecido com Davi. Cristo age ao contrario. Ele dessacraliza o poder político, não pensa
em poder religioso, teocrático. Deste ponto de vista, há diferença entre Cristo e os
revolucionários zelotas. Existiam ainda outros partidos de significação menor, como os
essenios, os heroditas e outros, e tinha também o povo, o “povilhéu” como era chamado a
gente da terra. Era o povo sem organizações populares de base e que estava mais sob a
dominação dos saduceus e dos fariseus.

O sistema de impostos era o canal principal pelo qual o povo era explorado pelos
colonizadores romanos .Havia dois sistemas de impostos: O romano e o religioso. O
Imposto Romano: Era dividido em três tipos:

a) Debário: Pago por cabeça. Controlar o seu pagamento, através de recenseamento ou


censos. O próprio Jesus nasceu numa época de recenseamento e, naquele tempo, houve
um grande levante revolucionário na Galiléia. Surgiu o movimento guerrilheiro denominado
“Zelotismo” dos Zelotes, que perceberam que o recenseamento nada mais era do que a
forma de garantir o imposto por cabeça.

b) Produçâo: Um quarto da produção agrícola (25%) era entregue nas mãos do colonizador
romano.

c) Circulação: Nas grandes cidades, nas encruzilhadas, nas divisões das províncias, era
taxado um tributo de circulação.

O Imposto Religioso: Era imposto judaico, para o templo, tem também três tipos:

a) DRACMA: Pago por cabeço. No Evangelho aparece a referência quando o Sacerdote diz
a Pedro: “O mestre de vocês não paga a didracma, o imposto do Templo”? Depois Cristo
manda Pedro pescar. Ele encontra quatro dracmas embaixo da orelha do peixe e os entrega
como pagamento.
35

b) PRIMÍCIAS: Todo primeiro fruto da terra ou do animal era entregue no templo, ao sumo
sacerdote. E até mesmo todo filho que nascesse tinha de ser entregue simbolicamente ao
Templo, através de um animal. Os ricos entregavam camelos ou bodes; os pobres, um par
de rolas ou de pombinhos. Quando Jesus foi apresentado ao Templo, São José levava um
par de rolinhas para ser entregue no lugar da criança.

c) DÍZIMO: Dez por cento (10%) da produção vai para as mãos do sumo sacerdote, da
classe sacerdotal’ do Templo. E não havia um só dízimo, havia três ou quatro tipos: Dai
percebemos o quanto era profundamente explorado o povo no tempo de Jesus exploração
que se fazia através do sistema tributário.

Somente entendendo o funcionamento da economia e que se entende a significação


política de uma crítica ao Templo. No tempo de Jesus, o Estado é o que chamamos hoje
de teocrático. Ou seja, um Estado religioso. A constituição, as leis são a Bíblia, os cinco
primeiros livros chamados Pentateuco. Ela e a constituição, o código penal, o código civil.

Quando os juizes vão julgar alguém, eles interpretame aplicam as regras da Bíblia. O sumo
sacerdote é o dirigente político da nação. Existe ainda o Sinédrio, que é uma espécie de
tribunal, de conselho, formado por 80 homens que dirigem a nação, tendo à frente o sumo
sacerdote. Qualquer comportamento religioso, nesta situação, e um comportamento
político.

Não havia divisão, política de um lado, religião de outro. Hoje nós temos uma divisão
institucional entre Igreja e governo. Naquela época ano. A Igreja judaica era a sede do
poder político, e o sumo sacerdote, o governante da nação .

É muito importante entender que religião e política eram uma coisa só e qualquer
comportamento blasfemo, irreligioso, era subversivo. Quando Cristo, por exemplo, cura em
dia de sábado e não observa as tradições, ele está tendo um comportamento subversivo,
antipolítico.

Segundo Augusto Cury, fala da síndrome de Pilatos, que tem varrido os séculos e
contaminado alguns políticos. É muito mais fácil se esconder atrás de um discurso
eloquente que assumir com honestidade seus atos e suas responsabilidades sociais. A
Sidra de Pilatos se caracteriza pela omissão, dissimulação, negação do direito, da dor e
da história do outro. Só levando isso em consideração é que entendemos o quanto Cristo
36

era político, o quanto ele rompia com a ordem social porque para fazer política bastava
praticar religião de uma outra maneira. Isso era política de oposição.

5. CONTEXTO HISTÓRICO DA PALESTINA NA ÉPOCA DE JESUS

Palestina da época de Jesus com certeza foi um tempo de muitos detalhes históricos que
precisam ser compreendidos para que possamos ter uma visão melhor das origens do
cristianismo. O estudante atento que se preocupa com o contexto histórico da Palestina
terá a vantagem de entender melhor alguns eventos narrados nos evangelhos e em Atos.
É, portanto, de grande importância um estudo sobre este tema. Embora esta obra seja
bastante condensada, pode ser útil para se compreender aquela época, e isto é essencial
se quisermos de fatos interpretar corretamente os textos do Novo Testamento. A Palestina
era a terra que os hebreus conquistaram dos filisteus, também conhecida como terra de
Canaã. Depois da conquista toda a região ficou conhecida como terra de Israel, 1 Sm 13.19;
1 Cr 22.2; Mt 2.20, porém, depois da divisão do reino, aplicava-se ao reino do norte. Após
a era cristã os escritores gregos e latinos a denominavam Palestina e na Idade Média ficou
conhecida como Terra Santa.

5.1 História da palestina

Em sua política expansionista Roma chega ao Oriente Médio em 63 a.C., por meio do
general Pompeu. Era um Império que nesta época crescia constantemente. Depois de cinco
séculos sua dominação já se estendia á parte da Europa, da Ásia e da África. Assim
também a Palestina passou a fazer parte do Império Romano. A Palestina então era uma
região de localização estratégica, por ser uma região de passagem havia um constante
trânsito de soldados, comerciantes, mensageiros, diplomatas. Essa região possuía cidades
importantes para o comércio, como Cesaréia e Jerusalém, onde havia estradas bem
estruturadas e portos que facilitavam a comunicação e o transporte de mercadorias e
pessoas.

Durante todo o período do novo Testamento a Palestina foi governada por membros da
família herodiana, descendentes dos asmoneus, ou então por procuradores diretos de
37

Roma. Na época do nascimento de Jesus quem governava era Herodes o Grande. Era um
homem que desconfiava constantemente de conspirações. De fato, o ambiente da família
de Herodes era de ganância e luta pelo poder. A situação era tal que ele acusou dois de
seus filhos de conspirar contra ele condenando os mesmos à morte. Herodes morreu em 4
a.C., cinco dias antes um outro filho seu Antípatro havia sido executado acusado de
conspiração. Os judeus o consideravam como um tirano egoísta, mas os romanos como
um vassalo fiel. Após sua morte seus filhos sucederam-no. Arquelau reinou na Judéia de 4
a.C. – 6 d.C. Herodes Antipas foi nomeado tetrarca da Galiléia e da Peréia de 4 a.C. – 39
d.C. ambos foram parar no exílio, Arquelau devido às queixas dos Judeus contra ele, e
Antipas por ordem de Calígula (37 – 41 d.C.).

O terceiro filho de Herodes, Filipe (4 a.C – 34 d.C) foi tetrarca das regiões da Ituréia e
traconites (Lc 3.1). Tudo indica ter sido um governante justo e benevolente, ao contrário de
Arquelau que foi cruel e despótico. Filepe morreu em 34. d.C. e seu território passou para
o domínio de Herodes Agripa I. Após a morte de Arquelau, sua tetrarquia foi governada por
procuradores romanos, eram os territórios de Judéia, Samaria e Iduméia. Dentre os
procuradores o quinto deles ficou sendo o conhecido, Pilatos, devido à crucificação de
Jesus.

Quirino, que era governador da Síria, foi enviado a Judéia no ano 6 d.C para realizar um
recenseamento para efeitos de tributação, o que provocou o descontentamento de alguns
judeus que foram liderados por um galileu chamado Judas. Atos 5.37 faz menção dele.
Herodes Agripa I, herdeiro da família dos macabeus ou hasmoneus, tendo o apoio dos
fariseus por ser um observador de Lei conseguiu desbancar os procuradores romanos e
assumiu o poder, permanecendo como governador de 37-44 d.C. Era hostil aos cristãos,
morreu repentinamente após um discurso no ano 44 d.C, o texto de Atos 12.19-24 relata
como isto se deu

Outros governadores de menor importância para o contexto do Novo Testamento foram


Fadus (44-46 d.C), Alexandre (46-48 d.C.) e Cumanus (48-52 d.C). Félix (52-60 d.C.) era
hostil aos judeus. Em sua sede de resolver o problema de frear a ação dos zelotes, grupo
favorável à luta armada contra a dominação romana, mostrou uma inabilidade, pois sua
severidade serviu apenas para incrementar a ação dos sicários. Os sicários eram
assassinos que surgiram do grupo dos zelotes responsáveis por muitos assassinatos,
inclusive do sumo sacerdote Jônatas.
38

Festo (60-62 d.C) governou em período de instabilidade e caos social. Crescia então o
fervor dos fanáticos religiosos e políticos. Morreu durante seu mandato. Predominava a
anarquia em Jerusalém, para se t6er uma idéia surgiu grupos de sacerdotes rivais que
competiam pela autoridade, chegavam a travar batalhas nas ruas. Quem substituiu Festo
foi Albino (62-64 d.C.), mas ele não estava interessante de resolver os graves problemas
de sua tetrarquia, buscou apenas a autopromoção, embora tenha prendido a muitos,
colocava em liberdade aqueles que lhe pagassem um suborno favorável.

Segundo Josefo, mais terrível que Albino era o seu sucessor, Floro (64-66 d.C.). Ele chegou
a saquear cidades inteiras, permitia que os ladrões atuassem livremente desde que lhe
pagassem suborno. A situação tornara-se então intolerável e de 78 a 70 d.C. os judeus
travaram uma guerra contra a dominação romana. A derrota dos judeus foi trágica coma
invasão de Jerusalém por Tito em 70 d.C, a cidade foi completamente destruída, assim
como o templo. Milhões de judeus foram mortos, o sangue jorrava nas ruas naturalmente.

5.2 Geografia

A Palestina no tempo de Jesus possuía uma extensão de terra mediana, era uma estreita
área situada entre a África e a Ásia, funcionando como uma espécie de ponte entre essas
regiões. Suas coordenadas geográficas estão nos paralelos de 31 e 33 ao norte e nos
meridianos 32 e 34 ao leste. Com um território menor que o estado do Espírito Santo,
possuía uma superfície de cerca de 34.000 Km2 e cerca de 650 mil habitantes. Encontrava-
se dividida em áreas menores: Judéia, Samaria e Galiléia, à oeste; Ituréia, ao norte;
Gualanítade, Batanéia, Traconítide, Auranítide, Decápole e Peréia, à leste; e Iduméia ao
sul. Todo esse território era margeado pelo Mar Mediterrâneo, no extremo Oeste. Ao leste
estava o Rio Jordão que desemboca no Mar Morto, ao sul, entrecortando toda região havia
uma cadeia de montanhas e montes com 600 m de altura, sendo que os mais altos estavam
situados na Galiléia e no Hermon.

5.3 Clima

A Palestina possuía duas estações bem definidas, uma chuvosa e outra de extremo calor.
O período chuvoso vai de novembro a março, era bastante rigoroso e com muitas chuvas
39

regulares. O restante dos meses a temperatura média pairava entre os 23,5º graus. As
temperaturas mais altas nesta estação seriam no vale do Jordão e no planalto.

Uma curiosidade sobre o clima eram os constantes ventos com suas variáveis. Os do oeste
e do sudoeste, no calor, eram sempre agradáveis, pois traziam umidade e orvalho. Aqueles,
porém, oriundos do leste, no entremeio das duas grandes estações, tornavam o clima seco
e quente e, por vezes, desidratava pessoas e animais. Há por fim, um vento que vem do
deserto (Kasmim) que poderia em apenas um dia tornar os campos áridos por períodos de
meses.

6. COMÉRCIO E ATIVIDADES

As profissões na época de Jesus todos deveriam exercer uma profissão, do contrário


seriam desprezados na sociedade. Até mesmo os escribas tinham uma profissão. O
principal ramo de profissão era o do artesanato. As profissões mais comuns eram de
fabricantes de tendas (como era o caso do apóstolo Paulo), fabricantes de pregos,
comerciantes de linho, padeiros, curtidor, copista, fabricante de sandália, arquiteto, alfaiate,
comerciante de betume. Algumas dessas profissões eram exercidas inclusive por doutores
da lei, enquanto outras eram tidas como desprezíveis, como tecelão, pastor de ovelhas e
cobrador de impostos. A profissão de médico era considerada como de artífice, e estava
presente em cada região e em cada povoado. As mulheres tinham como sua ocupação
principal serem lavadoras de roupas, a despeito disso havia os lavadeiros profissionais. A
indústria de construção expandiu-se bastante em Jerusalém devido ao investimento da
família herodiana nas construções.

6.1 Aspectos comerciais

Havia um intenso comércio na Palestina, dividido entre um comércio interno que abastecia
as cidades e o externo, responsável pelas importações e exportações. A profissão de
comerciante era bastante valorizada. Alguns deles detinham o controle de grandes
comércios atacadistas que realizavam importações, como o mercado de Jerusalém. Eram
importados produtos de luxo para serem consumidos pela a elite social e pelo Templo. A
40

exportação era de produtos como frutas, óleo, vinho, peixes e manufaturas como perfumes
e betume.

A produção era baseada no trabalho escravo, classe composta por uma grande maioria da
população. Os mesmos não eram considerados pessoas, mas coisas que podiam ser
vendidas ou trocadas segundo a vontade de seus donos. A corte romana obrigava os
cidadãos a pagarem impostos elevadíssimos levando o povo a viver sob condições
econômicas precárias. Os impostos foram aumentados muitas vezes para suprir as
despesas das construções realizadas pela família herodian.

7. SEITAS JUDAICAS

Na época de Jesus os judeus da Palestina dividiam-se em três principais facções religiosas:


fariseus, saduceus e essênios. É importante observar que em cada um desses grupos
outros pequenos grupos eram formados em torno da figura de um rabi (mestre) ou de uma
escola rabínica.

7.1 Fariseus

Os fariseus surgiram do antigo partido dos hassidim, conservadores estremados que


apoiaram a luta dos macabeus contra a dominação estrangeira. Também eles têm o mérito
de resistirem ao helenismo para a preservação de sua cultura e fé. Os fariseus eram
mestres na interpretação das tradições orais dos rabis. Socialmente provinham de famílias
de artífices e mercadores da classe média, como todos os judeus exerciam uma profissão,
Paulo, por exemplo, era fabricante de tendas. Exerciam grande influência sobre a massa
popular, porém, segundo Josefo na época de Jesus contavam apenas 6.000 deles que
viviam na Palestina (Antiguidades, Livro XII, Cap. X, Séc. 5; citado por Packer, Tenney e
Whit Jr. Em “O mundo do Novo Testamento”).

Doutrinariamente os fariseus acreditavam na ressurreição dos mortos, na predestinação,


na imortalidade e a vinda de um Messias libertador político. Criam como Escritura Sagrada
todo o Antigo Testamento. Sua plataforma de atividade era a sinagoga.
41

7.2 Saduceus

Os saduceus eram a classe sacerdotal do Templo. Com uma religiosidade mais formal e
elaborada que os fariseus aceitavam apenas a Tora como revelação divina. Os saduceus
se deixaram influenciar grandemente pela política grega de helenização cultural.
Acreditavam no livre arbítrio do homem, negavam a existência de anjos e demônios, e
também não criam na ressurreição.

7.3 Essênios

Também tiveram a sua origem dos hassidim. Era grupo, ou melhor, vários grupos de
costumes extremos. Viviam uma vida simples em comunidades no deserto. Assim como os
fariseus acreditavam em anjos e demônios, tinham uma vaga concepção da ressurreição
individual, esperavam para muito breve a vinda de um messias e eram deterministas (criam
na predestinação). Praticavam ritos para purificar-se física e espiritualmente.

7.4 Zelotes

Os zelotes eram um grupo de pessoas que não aceitavam pacificamente a dominação


estrangeira de Roma sobre seu país. O líder mais conhecido dos Zelotes foi Judas, o
Galileu, mencionado em Atos 5.37. Ele liderou uma rebelião contra Roma que veio a
fracassar, porém, foi o início de tempos de conflitos que veio a culminar com a invasão de
Jerusalém e destruição do Templo em 70 d.C.

Dentre os zelotes estava aqueles que foram conhecidos com sicários (“gente da adaga”),
assassinos que matavam aqueles que de alguma forma estivessem cooperando com
Roma. Circulavam na multidão em momentos de festividades com adagas escondidas sob
suas vestes, fazendo assim suas vítimas.

7.5 Herodianos e Samaritanos


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Os herodianos eram aqueles que preferiam o governo da dinastia de Herodes o Grande a


o governo dos romanos. Eram formados pessoas de diversas seitas religiosas. As
Escrituras chegam a mencioná-los três vezes (Mt 22.16; Mc 3.6; 12.13). Os Samaritanos,
estes eram judeus que tinham sua linhagem misturada com os assírios, pois quando Israel
foi vencido pelos assírios e deportados os habitantes de samaria aderiram ao casamento
misto com colonizadores assírios. Além disto, estabeleceram seu próprio local de culto, no
monte Gerizim em contraposição ao Templo de Jerusalém. Por tudo isso havia uma
inimizade preconceituoso dos judeus de “sangue puro” para com os samaritanos.

7.6 Seguidores de João Batista

Não era exatamente uma seita no real sentido da palavra. João Batista teve um modo de
vida singular e uma pregação singular. Vivia no deserto e pregeva vigorosamente contra os
pecados dos judeus. Ele fez questão de deixar claro que ele não era o Messias. O próprio
João Batista aconselhou aos seus discípulos a seguirem Jesus de Nazaré, não havia,
portanto, uma rivalidade entre os dois rabis. Mantinha oposição contra o casamento de
Herodes com sua cunhada, pois o seu irmão ainda era vivo. Foi preso e morto sob as ordens
de Herodes Antipas. Há uma pequena seita no Oriente Próximo conhecida como
“mandeanos” que alega serem descendentes dos seguidores de João Batista. Alguns
estudiosos afirmam que João Batista teve influência dos essênios, o que é bem plausível
que ele tenha tido contato com este grupo religioso.

8. POLITICAS

No ano 747 da fundação de Roma (6 a.C.), quando Jesus nasceu em Belém, César
Otaviano Augusto era o imperador romano. Naquele mesmo ano, a Palestina era governada
por Herodes o Grande, que obtivera do senado romano o título de Rei dos Judeus. Herodes
era um homem cruel e ambicioso, que soube cativar a confiança dos imperadores romanos
e o respeito dos judeus. Foi ele quem mandou restaurar e ampliar o Templo de Jerusalém;
foi ele também que ordenou a matança das crianças com menos de dois anos de idade
esperando, assim, eliminar o menino Jesus.
43

Com a morte de Herodes o Grande, ocorrida no ano 750 de Roma, quando Jesus tinha
aproximadamente três anos, o reino foi dividido entre os seus três filhos:

A Judéia, a Samaria e a Iduméia couberam a Arquelau que, por sua excessiva crueldade, logo
foi denunciado ao imperador Augusto e foi deposto por este, sendo exilado na Gália (ano
759 de Roma). Seus territórios passaram a ser governados diretamente por procuradores
romanos. O quinto procurador foi Pôncio Pilatos, que exerceu o cargo por cerca de dez
anos (de 26 a 36 d.C.); foi ele que condenou Jesus à morte. A Galiléia e a Peréia couberam
ao segundo filho de Herodes o Grande, Herodes Antipas. Foi ele que mandou prender e
decapitar João Batista; também foi diante dele que Jesus compareceu durante sua
Paixão.As regiões situadas ao norte do lago de Genesaré (Ituréia, Traconítides, etc…)
couberam ao terceiro filho de Herodes o Grande, chamado Filipe. Este soube administrá-
las com sabedoria e somente o evangelho de São Lucas o menciona.

Em 767, quando Jesus contava aproximadamente 20 anos, morria Otaviano, sucedendo-o


no poder, como Imperador, Tibério César. Foi durante seu governo, que se estendeu até
789, que Jesus exerceu seu ministério e foi condenado à morte por Pôncio Pilatos.

9. FILOSOFIA

A filosofia foca questões da existência humana, mas diferentemente da religião, não é


baseada na revelação divina ou na fé, e sim na razão. Desta forma, a filosofia pode ser
definida como a análise racional do significado da existência humana, individual e
coletivamente, com base na compreensão do ser.

Apesar de ter algumas semelhanças com a ciência, muitas das perguntas da filosofia não
podem ser respondidas pelo empirismo experimental. A filosofia pode ser dividida em vários
ramos. A “filosofia do ser”, por exemplo, inclui a metafísica, ontologia e cosmologia, entre
outras disciplinas.

A filosofia do conhecimento inclui a lógica e a epistemologia, enquanto filosofia do trabalho


está relacionada a questões da ética. Diversos filósofos deixaram seu nome gravado na
história mundial, com suas teorias que são debatidas, aceitas e condenadas até os dias de
hoje. Alguns desses filósofos são Aristóteles, Pitágoras, Platão, Sócrates, Descartes,
Locke, Kant, Freud, Habermas e muitos outros. Cada um desses filósofos fez suas teorias
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baseadas nas diversas disciplinas da filosofia, lógica, metafísica, ética, filosofia política,
estética e outras.

De acordo com Platão, um filósofo tenta chegar ao conhecimento das Ideias, do verdadeiro
conhecimento caracterizado como episteme, que se opõe à doxa, que é baseado somente
na aparência.

Segundo Aristóteles, o conhecimento pode ser divido em três categorias, de acordo com a
conduta do ser humano: conhecimento teórico (matemática, metafísica, psicologia),
conhecimento prático (política e ética) e conhecimento poético (poética e economia).

Nos dias de hoje a palavra "filosofia" é muitas vezes usada para descrever um conjunto de
ideias ou atitudes, como por exemplo: "filosofia de vida", "filosofia política", "filosofia da
educação", "filosofia do reggae" e etc. A Filosofia surgiu na Grécia Antiga, por volta do
século VI a.C. Naquela época, a Grécia era um centro cultural importante e recebia
influências de várias partes do mundo. Assim, o pensamento crítico começou a florescer e
muitos indivíduos começaram a procurar respostas fora da mitologia grega. Essa atitude de
reflexão que busca o conhecimento significou o nascimento da Filosofia. Antes de surgir o
termo filosofia, Heródoto já usava o verbo filosofar e Heráclito usava o substantivo filósofo.
No entanto, vários autores indicam que Tales de Mileto foi o primeiro filósofo (sem se
descrever como tal) e Pitágoras foi o primeiro que se classificou como filósofo ou amante
da sabedoria.

Ao examinar tais questões, a filosofia se distingue da mitologia e da religião por sua ênfase
em argumentação racional; por outro lado, diferencia-se também das pesquisas científicas
por geralmente não recorrer a procedimentos empíricos em suas investigações. Entre seus
métodos, estão a argumentação racional, a análise conceitual, a dialética, a hermenêutica,
a fenomenologia, as experiências de pensamento e outros métodos investigativos a priori.
A Filosofia é o saber mais abrangente – na medida em que ocupa-se com os grandes temas
da humanidade. A partir dela, são fundamentadas e desenvolvidas teorias, metodologias,
pesquisas, projetos educacionais, bem como elabora-se, inclusive, a própria
fundamentação racional das instituições do conhecimento humano, i.e., as instituições
científicas, artísticas, religiosas e culturais.

Para Aristóteles, ao contrário, não há separação entre, de um lado, um mundo apreendido


pelos sentidos e, de outro lado, um mundo exclusivamente captado pela razão. A filosofia
seria uma investigação das causas e princípios fundamentais de uma única e mesma
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realidade. O filósofo, segundo Aristóteles, “conhece, na medida do possível, todas as


coisas, embora não possua a ciência de cada uma delas por si”. A filosofia almejaria o
conhecimento universal, não no sentido de um acúmulo enciclopédico de todos os fatos e
processos que se possam investigar, mas no sentido de uma compreensão dos princípios
mais fundamentais, dos quais dependeriam os objetos particulares a que se dedicam as
demais ciências, artes e ofícios. Aristóteles considera que a filosofia, como ciência das
causas e princípios primordiais, acabaria por identificar-se com a teologia, pois Deus seria
o princípio dos princípios.

As definições de filosofia elaboradas depois de Platão e Aristóteles separaram a filosofia


em duas partes: uma filosofia teórica e uma filosofia prática. Como reflexo da busca por
salvação ou redenção pessoal, a filosofia prática foi gradativamente se tornando um
sucedâneo da fé religiosa e acabou por ganhar precedência em relação à parte teórica da
filosofia. A filosofia passa a ser concebida como uma arte de viver, que forneceria aos
homens regras e prescrições sobre como agir e como se portar diante das inconstâncias
do mundo. Essa concepção é muito clara em diversas correntes da filosofia helenística,
como, por exemplo, no estoicismo e no neoplatonismo.

As definições de filosofia formuladas na Antiguidade persistiram na época de disseminação


e consolidação do cristianismo, mas isso não impediu que as concepções cristãs
exercessem influência e moldassem novas maneiras de se entender a filosofia. As
definições de filosofia elaboradas durante a Idade Média foram coordenadas aos serviços
que o pensamento filosófico poderia prestar à compreensão e sistematização da fé
religiosa; e, desse modo, a filosofia passa a ser concebida como “serva da teologia” (ancilla
theologiae).

Segundo São Tomás de Aquino, por exemplo, a filosofia pode auxiliar a teologia em três
frentes: Ela pode demonstrar verdades que a fé já toma como estabelecidas, tais como a
existência de Deus e a imortalidade da alma; pode esclarecer certas verdades da fé ao
traçar analogias com as verdades naturais; e pode ser empregada para refutar ideias que
se oponham à doutrina sagrada.

Os pensadores gregos dessa época foram os responsáveis pela criação da filosofia


ocidental; quando deixaram de acreditar em mitos e passaram a pensar com a razão.
Assim, a filosofia deu origem à ciência.
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9.1 Socrates

Sócrates nasceu em Atenas, provavelmente no ano de 470 a.C., e tornou-se um dos


principais pensadores da Grécia Antiga. Podemos afirmar que Sócrates fundou o que
conhecemos hoje por filosofia ocidental. Foi influenciado pelo conhecimento de outro
importante filósofo grego: Anaxágoras. Seus primeiros estudos e pensamentos discorrem
sobre a essência da natureza da alma humana. Na Grécia antiga, na cidade de Delfos,
existia um santuário dedicado ao deus Apolo, considerado o deus da luz, da razão e do
conhecimento. Na entrada deste santuário havia uma grande mensagem que dizia:
“Conhece-te a ti mesmo”. Em Atenas vivia um homem chamado Sócrates, que era
considerado por muitos um homem sábio. Porém, Sócrates não tinha convicção de que era
um homem sábio, por isso resolveu ir ao santuário consultar o oráculo. O oráculo
perguntou-lhe: “O que você sabe?” e ele respondeu: “Só sei que nada sei”. Diante de tal
afirmação, o oráculo afirmou: “Sócrates é o mais sábio de todos os homens, pois é o único
que sabe que não sabe”.

Sócrates era considerado pelos seus contemporâneos um dos homens mais sábios e
inteligentes. Em seus pensamentos, demonstra uma necessidade grande de levar o
conhecimento para os cidadãos gregos. Seu método de transmissão de conhecimentos e
sabedoria era o diálogo. Através da palavra, o filósofo tentava levar o conhecimento sobre
as coisas do mundo e do ser humano.

Conhecemos seus pensamentos e ideias através das obras de dois de seus discípulos:
Platão e Xenofontes. Infelizmente, Sócrates não deixou por escrito seus pensamentos.
Sócrates não foi muito bem aceito por parte da aristocracia grega, pois defendia algumas
ideias contrárias ao funcionamento da sociedade grega. Criticou muitos aspectos da cultura
grega, afirmando que muitas tradições, crenças religiosas e costumes não ajudavam no
desenvolvimento intelectual dos cidadãos gregos.

Em função de suas ideias inovadoras para a sociedade, começa a atrair a atenção de


muitos jovens atenienses. Suas qualidades de orador e sua inteligência, também
colaboraram para o aumento de sua popularidade. Temendo algum tipo de mudança na
sociedade, a elite mais conservadora de Atenas começa a encarar Sócrates como um
inimigo público e um agitador em potencial. Foi preso, acusado de pretender subverter a
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ordem social, corromper a juventude e provocar mudanças na religião grega. Em sua cela,
foi condenado a suicidar-se tomando um veneno chamado cicuta, em 399 AC.

10. HELENISMO

A morte de Alexandre III em 323 assinala, tradicionalmente, o fim da polis como modelo de
unidade política e o começo da difusão da cultura grega no Oriente. Nem mesmo a
meteórica expansão de Roma e a conquista das monarquias helenísticas foi capaz de
afetar, posteriormente, a predominância cultural do helenismo em todo o Mediterrâneo
Oriental. Durante o conturbado Período Helenístico, o homem deixou de ser o componente
mais importante de uma comunidade restrita para se tornar um simples cidadão de vastos
impérios. A perda da importância política individual fez muitos se dedicarem cada vez mais
à busca da felicidade pessoal através da religião, da magia ou da Filosofia.

As principais escolas filosóficas do Período Helenístico foram o cinismo, o ceticismo, o


epicurismo e o estoicismo. Todas procuravam, basicamente, estabelecer um conjunto de
preceitos racionais para dirigir a vida de cada um e, através da ausência do sofrimento,
chegar à felicidade e ao bem-estar.

Das antigas escolas filosóficas, a Academia envolveu-se durante algum tempo com o
ceticismo, e depois voltou ao caminho original, traçado por Platão; o Liceu, fundado por
Aristóteles, afastou-se cada vez mais da filosofia e da erudição e se devotou,
principalmente, à literatura.

O Período helenístico caracterizou-se por um processo de interação entre a cultura grega


clássica e a cultura dos povos orientais conquistados. Substituiu-se a vida pública pela vida
privada como centro de reflexões filosóficas.

A reflexão política foi abandonada pela Filosofia. Na filosofia Greco-romana, que


corresponde à fase militar de Roma, não houve grandes novidades, pois o principais
pensadores dedicaram-se basicamente à tarefa de assimilar e desenvolver as contribuições
culturais herdadas da Grécia Clássica.
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As principais correntes filosóficas desse período vão tratar da intimidade, e da vida interior
do ser humano. Entre as principais tendências desse período destaca-se o epicurismo, o
estoicismo, o pirronismo e o cinismo.

10.1 Epicurismo: O Prazer

O epicurismo, de Epicuro (324-271 a.C.) – propunha a ideia de que o ser humano deve
buscar o prazer da vida. No entanto, distinguia, entre os prazeres, aqueles que são
duradouros e aqueles que acarretam dores e sofrimentos, pois o prazer estaria vinculado a
uma conduta virtuosa. Para Epicuro, o supremo prazer seria de natureza intelectual e obtido
mediante o domínio das paixões. Os epicuristas procuravam a ataraxia, termo grego que
usavam para designar o estado em que não havia dor, de quietude, serenidade,
imperturbabilidade da alma. O epicurismo, posteriormente, serviu de base ao hedonismo,
filosofia que também defende a busca do prazer, mas que não diferencia os tipos de
prazeres, tal como faz Epicuro. Defendia que o prazer é o princípio e o fim de uma vida
feliz.

Epicuro defendia dois grandes grupos de prazeres. O primeiro reúne os prazeres mais
duradouros, que encantam o espírito, como a boa conversação, a contemplação das artes,
a audição da música etc.

O segundo inclui os prazeres mais imediatos, muitos dos quais são movidos pela explosão
das paixões e que, ao final, podem resultar em dor e sofrimento. Para desfrutar dos
prazeres do intelecto é necessário dominar os prazeres exagerados da paixão.

10.1.2 Estoicismo: O Dever

O estoicismo, de Zenão de Cício (334-262 a.C.) – os representantes desta escola,


conhecidos como estoicos, defendiam uma atitude de completa austeridade física e moral,
baseada na resistência do homem ante os sofrimentos e os males do mundo. Seu ideal de
vida, designado pelo termo grego apathéia (que costuma ser mal traduzido por "apatia"),
era alcançar uma serenidade diante dos acontecimentos fundada na aceitação da "lei
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universal do cosmos", que rege toda a vida. Fundado pelas ideias de Zenão de Cício,
Defendiam a noção de que toda a realidade existente é uma realidade racional.

O que chamamos de Deus, nada mais é do que a fonte dos princípios racionais que regem
a realidade. Zenão propõe o dever, vinculado à compreensão da ordem cósmica, como o
melhor caminho para a felicidade.

10.1.3 Ceticismo: A Suspensão Do Juízo

O ceticismo (pirronismo), de Pirro de Élis (365-275 a.C.) - segundo suas teorias, nenhum
conhecimento é seguro, tudo é incerto. O pirronismo defendia que se deve contentar com
as aparências das coisas, desfrutar o imediato captado pelos sentidos e viver feliz e em
paz, em vez de se lançar à busca de uma verdade plena, pois seria impossível ao homem
saber se as coisas são efetivamente como aparecem. Assim, o pirronismo é considerado
uma forma de ceticismo, que professa a impossibilidade do conhecimento, da obtenção da
verdade absoluta.

Fundado a partir das ideias de Pirro de Élis, foi uma corrente filosófica que defendia a ideia
de que tudo é incerto, nenhum conhecimento é seguro, qualquer argumento pode ser
contestado.

Desse modo, aceitando que das coisas só se podem conhecer as aparências e desfrutando
o imediato captado pelos sentidos, as pessoas viveriam felizes e em paz.

10.1.4 Cinismo: Além Das Convenções

O cinismo - o termo cinismo vem do grego kynos, que significa "cão", e designa a corrente
dos filósofos que se propuseram a viver como os cães da cidade, sem qualquer propriedade
ou conforto. Levavam ao extremo a filosofia de Sócrates, segundo a qual o homem deve
procurar conhecer a si mesmo e desprezar todos os bens materiais. Por isso Diógenes, o
pensador mais destacado dessa escola, é conhecido como o “Sócrates demente”, ou o
“Sócrates louco”, pois questionava os valores e as tradições sociais e procurava viver
estritamente conforme os princípios que considerava moralmente corretos. Sãos inúmeras
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as histórias e acontecimentos na vida desse filósofo que o tornaram uma figura instigante
da história da filosofia.

Cínico, do grego kynicos, significa “como um cão”. Designa assim a corrente dos filósofos
que se propuseram viver como os cães da cidade, sem qualquer propriedade e conforto.
Levavam ao extremo a tese socrática de que o ser humano deve procurar conhecer a si
mesmo e desprezar todos os bens materiais.

10.2 Panteísmo

O panteísmo é o sistema de crença daqueles que sustentam/defendem que a totalidade do


universo é o único Deus. Esta cosmovisão (visão do mundo) e, simultaneamente, doutrina
filosófica afirma que o universo inteiro, a natureza e Deus são o mesmo. Noutros termos, a
existência (tudo o que foi, é e será) pode ser representada através da noção teológica de
Deus. Cada criatura existente, segundo o panteísmo, é uma manifestação de Deus, que
ganha forma humana, animal, vegetal, etc. Para muitos especialistas, o panteísmo é o nexo
que une as religiões não criacionistas, para além de aparecer na essência dos politeísmos.

O panteísmo, de qualquer forma, não costuma ser considerado como uma religião, mas
antes uma concepção do mundo ou uma filosofia. Tendo em conta a sua amplitude, pode
ser entendido de diversas maneiras.

O panteísmo, por um lado, pode considerar que a realidade divina é a única realidade
existente. O universo inteiro, por conseguinte, é uma manifestação ou uma emanação de
Deus. Por outro, o panteísmo pode entender que o mundo é a única realidade verdadeira:
Deus, neste caso, fica reduzido ao mundo e converte-se na autoconsciência do universo
ou no princípio orgânico do natural.

Vários dos principais pensadores da história da humanidade são considerados panteístas.


Heráclito, por exemplo, sustentava que o divino se encontra presente em todas as coisas.
Para Plotino, Deus é o princípio de tudo, mas não é tudo. Giordano Bruno, por sua vez,
acreditava na existência da alma do mundo, que é a forma geral do universo. Para Baruch
de Spinoza, por fim, nada pode ser nem conceber-se/existir fora de Deus.
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11. A MITOLOGIA GREGA

A Mitologia Grega reúne um conjunto de lendas e mitos criado pelos gregos a fim de explicar
alguns fatos, por exemplo, a origem da vida, a vida após a morte, ou até mesmo os
fenômenos da natureza. Assim, a mitologia grega e suas narrativas fantásticas foi uma
maneira encontrada pelos gregos para preservarem sua história. É importante ressaltar que
a civilização grega era baseada numa religião politeísta, ou seja, eles cultuavam diversos
deuses.

11.1 Seres Mitológicos

A mitologia grega é permeada por inúmeras figuras mitológicas. Dentre as mais importantes
podemos citar: Heróis: eram considerados os semideuses, em outras palavras, eram os
filhos de deuses com humanos. Dos heróis gregos, destacam-
se Perseu, Teseu e Belerofonte.

Ninfas: eram figuras mitológicas femininas, sempre lindas e alegres, que cuidavam das
florestas. Por exemplo, as Alseídes, ninfas das flores e bosques; as Dríades, ninfas dos
carvalhos; as Nereidas, ninfas da água.
Sereias: eram figuras femininas que cantavam e possuíam corpo de peixe. Podiam ser
representadas com asas e cabeça e busto de mulher, tal qual as Harpias.
Centauros: seres híbridos e fortes, com corpo metade humano, metade cavalo. Destaca-
se Quíron, amigo de Herácles criado por Cronos.
Sátiros: possuíam um corpo de homem com patas de bode e chifres, correspondente aos
faunos da mitologia romana. Dos sátiros gregos destaca-se: Pã, o Deus dos bosques.
Górgonas: eram figuras femininas que possuíam cabelos de serpentes, por exemplo,
a Medusa.

11.2 Deuses Gregos

Interessante observar que os deuses gregos eram figuras imortais e antropomórficas, ou


seja, deuses com formas humanas que também possuíam sentimentos humanos como o
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amor, o ódio, a maldade, a inveja, a bondade, egoísmo, fraqueza. Os deuses mais


poderosos são os Deuses do Olimpo que viviam no topo do Monte Olimpo, eles são
considerados os principais deuses do panteão grego. São 12 os principais deuses do
Olimpo: Zeus, Hera, Poseidon, Deméter, Héstia, Afrodite, Apolo, Ares, Ártemis, Atena,
Hefesto e Hermes.

Representação de Alguns Deuses Gregos do Olimpo

11.3 Principais Deuses da Mitologia Grega

 Zeus: O deus supremo do céu.


 Hera: deusa protetora das mulheres, dos casamentos e da maternidade.
 Poseidon: deus dos mares e dos oceanos.
 Hades: deus dos infernos, dos mortos e do subterrâneo.
 Afrodite: deusa do amor, do sexo e da beleza.
 Héstia: deusa do lar e do coração.
 Apolo: deus da luz do sol, da música, da poesia, das artes, da beleza masculina e da
adivinhação.
 Ártemis: deusa da caça, da castidade, da luz e da vida selvagem.
 Ares: deus da guerra.
 Eros: deus da paixão, do sexo, do amor.
 Atena: deusa da sabedoria, da justiça, das artes, da guerra e da serenidade.
Considerada a protetora da cidade de Atenas.
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 Cronos: deus do tempo.


 Deméter: deus da colheita e da agricultura.
 Dionísio: deus das festas, do prazer e do vinho.
 Hermes: deus do comércio e das comunicações; mensageiro dos deuses, protetor dos
comerciantes e dos viajantes.
 Hefesto: deus do fogo, dos metais e do trabalho.
 Gaia: deusa da terra.
 Pã: deus das florestas, dos bosques, dos campos e dos pastores.
Agora que você já conhece os principais deuses da mitologia grega, veja também
os Deuses Romanos e Deuses Egípcios.

12. Antropomorfismo

Antropomorfismo é o costume de se atribuir características humanas (ou que se presume


serem humanas) a outros animais, objetos inanimados, fenômenos da natureza, estados
materiais, objetos ou conceitos abstratos, como organizações, governos, espíritos ou
divindades. O termo é uma combinação de duas palavras, “antropos” (homem) e “morfé”
(forma) e acredita-se que tenha sido originalmente cunhado pelo filósofo grego Xenófanes,
que procurava descrever a semelhança entre crentes religiosos e seus deuses, ou seja,
deuses gregos, que eram retratados com uma pele clara e olhos azuis, enquanto os deuses
africanos tinha a pele escura e olhos castanhos. Mesmo bem depois das ideias de
Xenófanes, o antropomorfismo continuou e persistir como uma questão relevante no
raciocínio sobre a lógica das religiões em geral.

O politeísmo grego é até hoje uma excelente fonte de estudos sobre a natureza e o
funcionamento do raciocínio antropomórfico, na medida em que os deuses tinham todas as
características humanas, todos os seus caprichos, qualidades ou defeitos. As religiões do
oriente, por sua vez, como o hinduísmo ou o cristianismo também traziam sua carga de
prática antropomórfica, em especial, no que tange ao cristianismo, a ideia acerca da
natureza de Jesus Cristo, se esta seria divina, humana, ou reunia as duas ao mesmo tempo.
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Como artifício literário, o antropomorfismo está fortemente ligado à arte de contar histórias,
as chamadas “fábulas”. A maioria das culturas possuem uma longa tradição de fábulas,
onde os protagonistas são animais que representam formas reconhecíveis de
comportamento humano. Diversas motivações podem influenciar o antropomorfismo, como
por exemplo, a falta de conexões sociais com outras pessoas, que acaba por motivar
indivíduos solitários a buscar conexões com entes não-humanos. Assim, o
antropomorfismo atua como uma ajuda no sentido de simplificar e dar maior sentido a
episódios complexos da existência humana. Como exemplo, pode-se citar o costume de
“batizar” furacões e tempestades (uma prática que se originou com os nomes dos santos,
das namoradas dos marinheiros ou mesmo de figuras políticas impopulares) simplifica e
facilita a comunicação eficaz, além de ajudar na mobilização do público, na propaganda
pela mídia, e no estímulo de uma eficiente fluência de informações.

Existe ainda a prática diametralmente oposta à do antropomorfismo, que é conhecida pelo


nome de desumanização. Esta se dá quando os seres humanos são representados como
objetos ou animais selvagens. São inúmeros os exemplos históricos de desumanização,
incluindo a perseguição dos judeus durante o Holocausto pelos nazistas e as torturas de
prisioneiros na prisão de Abu Ghraib, no Iraque, pelas forças norte-americanas.
Os Gregos eram politeístas, isto é, adoravam vários deuses, acreditando que esses deuses
tinham forma humana, embora fossem mais belos e poderosos que os homens, imortais e
possuidores de poderes mágicos.

Os deuses gregos revelavam também qualidades e defeitos semelhantes aos dos seres
humanos: apaixonavam-se, sofriam, conheciam aventuras e desventuras e os Gregos
falavam deles como se fossem pessoas: contavam a história da sua vida, as suas lutas,
sentimentos...

O conjunto das histórias maravilhosas da vida dos deuses e heróis gregos chama-se
mitologia. Para os Gregos, os deuses eram descendentes da terra - Gaia - e do céu - Urano
- e tinham grandes semelhanças com os homens.

O Monte Olimpo é o ponto mais alto de toda a Grécia com uma altitude de 2 917 m. Na
antiga Grécia foi considerado a casa dos deuses importantes. Segundo reza a história a
entrada para o Olimpo fazia-se através de um portão feito de nuvens, isto talvez se possa
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atribuir ao fato de o cume da montanha, devido à sua altitude, estar sempre coberto de
nuvens.

12.1 Gregos Romanos Deuses Simbologia

Zeus Júpiter- Pai dos deuses, filho de Cronos e de Réia. A esposa de Zeus foi sua irmã
Hera. É designado também por Padre, Tonante e Jove. Era representado como homem
forte e barbado, de aspecto majestoso, com um raio na mão sobre uma águia.

Afrodite- Vénus Filha de Zeus e Dione. É a deusa do amor e da beleza. Hefesto recebeu-a
como esposa, mas esta, incapaz de lhe ser fiel, procurou o amor de Ares, de quem teve
Eros. Amou também Hermes, Dioniso, Anquises (de quem teve Eneias) e Adonis.

Imagem: google.com/ abrilmundoestranho

Ares Marte Deus da guerra, presente em todos os combates. Era representado como um
guerreiro completamente armado, acompanhado por um galo. Fiel apaixonado de Vênus.

Apolo- Deus das Artes. O deus mais venerado depois de Zeus. Identifica-se com o Sol - daí
ser chamado também Febo (brilhante) - e o ciclo das estações do ano.

Artemis- Diana Filha de Zeus e da irmã de Apolo. Deusa da caça e da castidade é


representada num coche, tirada por corças, armada de arco e flechas com setas e uma
meia-lua sobre a cabeça.
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Atena- Minerva, Deusa da Sabedoria e da guerra justa possuía uma disposição pacífica,
representando a preponderância da razão e do espírito sobre o impulso irracional. Deusa
protectora de Atenas e outras cidades da Ática.

Acredita-se que ela era originalmente a deusa-serpente de Creta. Imagem guerreira, com
capacete, lança, escudo e couraça.

Eolo- Deus dos ventos, Poseídon Neptuno Deus dos mares era filho de Cronos,
deus do tempo, e Réia, deusa da fertilidade e irmão de Zeus e Hades.

É representado como um homem forte, de barbas brancas, com um tridente na mão e


acompanhado de golfinhos e outros animais marinhos.

Hefestos- Vulcano, Deus do fogo. Patrono dos ferreiros e dos artesãos em geral, é
responsável, segundo a lenda, pela difusão da arte de usar o fogo e da metalurgia.

Era geralmente representado como um homem de meia-idade, barbado, vestido com uma
túnica sem mangas e com um gorro sobre o cabelo desgrenhado.

12.2 Heróis Gregos

Além dos vários deuses, a quem adoravam e veneravam, existem ainda muitas histórias
sobre heróis gregos que realizavam as mais destemidas façanhas e se embrenhavam nas
mais empolgantes aventuras.

O Aquiles que era o guerreiro mais forte dos gregos. Filho de um homem (Peleu) e da deusa
Tétis. Quando nasceu sua mãe mergulhou-o nas águas de um rio que protegiam todas as
partes do seu corpo banhadas pelas águas. Mas como a mãe lhe pegou pelo calcanhar foi
só esta parte do corpo que era vulnerável. Morreu no assalto a Tróia, trespassado por uma
flecha que se cravou no seu calcanhar.

Hércules- Herói grego muito forte enfrentou doze dificuldades, conhecidas pelos doze
trabalhos de Hércules.

Jasão- Chefiou a expedição dos argonautas em busca do “velo de ouro” tendo enfrentado
imensos perigos e aventuras.
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Perseu- Filho de Zeus, casou com Andrômeda. Na sua viagem de regresso da Etiópia
transformou os seus companheiros em pedra ao mostrar-lhes a cabeça da Górgona.

Édipo- Rei de Tebas decifrou o enigma da esfinge. Sem o saber matou o pai e casou com
a própria mãe. Mais tarde, quando soube o que fizera, cegou-se a si próprio para não
contemplar o horror que cometera.

Teseu- Venceu o Minotauro que era o monstro que existia no labirinto de Creta, com a ajuda
de Ariadne.

12.3 Animais e monstros mitológicas

Temos o Centauro- Metade homem, metade cavalo.

Ciclopes- Criaturas gigantes com um olho no meio da testa.

Já o minotauro era uma criatura metade touro, metade homem. Ele habitava o centro do
Labirinto, uma elaborada construção erguida para o rei Minos de Creta, e projetada pelo
arquiteto Dédalo e seu filho, Ícaro especificamente para abrigar a criatura.

O sítio histórico de Cnossos, com mais de 1300 compartimentos semelhantes a labirintos,


já foi identificado como o local do labirinto do Minotauro, embora não existam provas
contundentes que confirmem ou desmintam tal especulação. No mito, o Minotauro
eventualmente morre pelas mãos do heroi ateniense Teseu. Pégaso- Cavalo alado

12.4 Lendas mitológicas

Ariadne- Dédalo construiu o labirinto de Creta, onde vivia o Minotauro (metade monstro
metade homem).Exigia sacrifícios humanos cujas vítimas eram raparigas atenienses.
Teseu entrou no labirinto com a ajuda do fio de Ariadne, tendo morto o Minotauro.

Narciso- Ao beber água de uma fonte viu a sua imagem refletida e apaixonou-se por si
próprio. Não podendo satisfazer a sua paixão morreu de desgosto e o seu corpo
transformou-se na flor que ficou com o seu nome.

Sísifo- Foi condenado pelos deuses a transportar uma pedra às costas para cima de um
monte. Quando chegava lá acima a pedra escorregava-lhe dos ombros e rolava até ao
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sopé do monte. Sísifo tinha de ir buscar outra vez. Estava condenado a fazer isto
eternamente.

Tântalo, foi condenado pelos deuses a ficar eternamente com fome e sede. Estava
acorrentado a uma árvore e os frutos desciam até estar ao seu alcance, mas quando
estendia as mãos para apanhá-los, os frutos fugiam. Do mesmo modo, o lugar onde estava
ficava inundado de água e quando tentava beber a água escapava-se do seu alcance.

12.3.1 Pandora

Na mitologia grega, Pandora ("a que possui todos os dons", ou "a que é o dom de todos os
deuses") foi a primeira mulher, criada por Zeus como punição aos homens pela ousadia do
titã Prometeu em roubar aos céus o segredo do fogo.

Pandora era a filha primogênita de Zeus que, aos 9 anos de idade, recebeu de presente de
seu pai o colar usado por Prometeu que foi retirado dele ao pagar a sua pena por roubar o
fogo dos deuses. Pandora, então, arranjou uma caixa para pôr seu colar, a mesma caixa
em que ela guardou a sua mente e as lembranças de seu primeiro namorado, cujo nome
era Narciso. A caixa podia apenas guardar bens de todo o tipo, com exceção de bens
materiais. Como o colar era um bem material, ele se auto-destruiu.

Para Pandora o colar tinha valor sentimental, o que a fez chorar por muitos dias seguidos
sem parar. Como a caixa guardava lembranças com a intenção de sempre recordar-las ao
"dono", Pandora sempre se sentia triste. Tentou destruir a caixa para ver se ela se esquecia
do fato, mas não funcionou, a caixa era fruto de um grande feitiço, que a impedia de ser
destruída. Pandora então, aos 36 anos, se matou. Não aguentou viver mais de 27 anos
com aquela "maldição".

12.3.2 Caixa de Pandora

A caixa de Pandora é uma expressão muito utilizada quando se quer fazer referência a algo
que gera curiosidade, mas que é melhor não ser revelado ou estudado, sob pena de se vir
a mostrar algo terrível, que possa fugir de controle. Esta expressão vem do mito grego, que
conta sobre a caixa que foi enviada com Pandora a Epimeteu.
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Pandora foi enviada a Epimeteu, irmão de Prometeu, como um presente de Zeus.


Prometeu, antes de ser condenado a ficar 30.000 anos acorrentado no Monte Cáucaso,
tendo seu fígado comido pelo abutre Éton todos os dias, alertou o irmão quanto ao perigo
de se aceitar presentes de Zeus.

Imagem google

Epimeteu, no entanto, ignorou a advertência do irmão e aceitou o presente do rei dos


deuses, tomando Pandora como esposa. Pandora trouxe uma caixa (uma jarra ou ânfora,
de acordo com diferentes traduções), enviada por Zeus em sua bagagem. Epimeteu acabou
abrindo a caixa, e liberando os males que haveriam de afligir a humanidade dali em diante:
a velhice, o trabalho, a doença, a loucura, a mentira e a paixão. No fundo da caixa, restou
a Esperança (ou segundo algumas interpretações, a Crença irracional ou Credulidade).
Com os males liberados da caixa, teve fim a idade de ouro da humanidade.

Pode-se perguntar quanto ao sentido desta lenda: por que uma caixa, ou jarra, contendo
todos os males da humanidade conteria também a Esperança? Na Ilíada, Homero conta
que, na mansão de Zeus, haveria duas jarras, uma que guardaria os bens, outra os males.
A Teogonia de Hesíodo não as menciona, contentando-se em dizer que sem a mulher, a
vida do homem não é viável, e com ela, mais segura. Hesíodo descreve Pandora como um
"mal belo" (καλὸν κακὸν/kalòn kakòn).

O nome "Pandora" possui vários significados: panta dôra, a que possui todos os dons,
ou pantôn dôra, a que é o dom de todos (dos deuses). A razão da presença da Esperança
com os males deve ser procurada através de uma tradução mais acurada do texto grego.
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A palavra em grego é ἐλπίς/elpís, que é definida como a espera de alguma coisa; pode ser
traduzida como esperança, mas essa tradução seguramente é arbitrária. Uma tradução
melhor poderia ser "antecipação", ou até o temor irracional. Graças ao fechamento por
Pandora da jarra no momento certo, os homens sofreriam somente dos males, mas não o
conhecimento antecipado deles, o que provavelmente seria pior.

Eles não viveriam o temor perpétuo dos males por vir, tornando suas vidas possíveis.
Prometeu se felicita assim de ter livrado os homens da obsessão com a própria morte. Uma
outra interpretação ainda sugere que este último mal é o de conhecer a hora de sua própria
morte e a depressão que se seguiria por faltar a esperança.

Um outro símbolo está inserido neste mito. A jarra (pithos) nada mais é que uma simples
ânfora: um vaso muito grande, que serve para guardar grãos.

Este vaso só fica cheio através do esforço, do trabalho no campo, seu conteúdo então
simboliza a condição humana. Por conseqüência, será a mulher que a abrirá e a servirá,
para alimentar a família.

Uma aproximação deste mito pode ser feita com a Queda de Adão e Eva, relatada no livro
do Gênesis. Em ambos os mitos é a mulher, previamente avisada (por Deus, na Bíblia, ou,
aqui, por Prometeu e por Zeus), que comete um erro irremediável (comendo o fruto proibido,
na Bíblia, ou, aqui, abrindo a caixa, ou jarra, de Pandora), condenando assim a humanidade
a uma vida repleta de males e sofrimentos. Todavia, a versão bíblica pode ser interpretada
como mais indulgente com a mulher, que é levada ao erro pela serpente, mas que divide a
culpa com o homem.

A mentalidade politeísta vê Pandora como a que deu ao homem a possibilidade de se


aperfeiçoar através das provas e da adversidade (o que os monoteístas chamam de males).
Ela lhe dá assim a força de enfrentar estas provas com a Esperança.

Na filosofia pagã, Pandora não é a fonte do mal; ela é a fonte da força, da dignidade e da
beleza, portanto, sem adversidade o ser humano não poderia melhorar.

Os principais deuses cultuados pelos gregos antigos eram: Zeus (principal deus, governava
os outros deuses e os homens), Hera (esposa de Zeus), Hades (senhor dos infernos), Ares
(deus da guerra), Ártemis (deusa da caça), Atena (deusa da razão e da inteligência),
Afrodite (deusa do amor e a beleza), Apolo (deus da luz, das artes e da adivinhação),
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Dioniso (deus do vinho e do prazer), Hefaístos (deus do fogo), Deméter (deusa da terra),
Hermes (deus do comércio e das comunicações) e Posêidon (deus dos mares).

Com o passar do tempo, nas cidades gregas, como Atenas, surgiram estudiosos que
fundaram a Filosofia (os principais foram Sócrates, Platão e Aristóteles). Eles começaram
a duvidar das explicações originárias da mitologia e fizeram-se valer do uso metódico da
razão, elaborando outras explicações sobre os fenômenos naturais, sobre a vida e o
homem.

A partir de então, a mitologia passou a explicar, juntamente com a Filosofia, a origem da


vida e os problemas da existência.

13. CONCLUSÃO

Primeiramente pudemos analisar vários pontos, qual a época e lugar de onde se originaram,
que os samaritanos viviam em um religião sem consistência, adoravam de uma forma
errada, o próprio Jesus pode explicar melhor isso a eles através do seu encontro.
Pesquisamos a história geral, onde descobrimos vários pontos sobre como era na época
de Jesus. Compreendemos um pouco mais sobre sua religião, suas crenças e seu estilo,
cultura. Também analisamos a questão sobre o Templo, e o quanto achavam importante
apoiar a obra.

Concluindo o que vimos até agora, percebi que é por isso que quando lemos os Evangelhos,
devemos ficar atentos para avaliar corretamente as atividades de Jesus dentro da formação
social, econômica, política e religiosa do seu tempo. A fidelidade a Palavra de Deus está
no olhar a realidade do povo de ontem e de hoje e transformar a realidade numa grande
revelação de Deus. O centro da mensagem de Jesus é o reino de Deus uma nova
sociedade.

Ler a palavra de Deus para que possa aprofundar melhor ao conhecimento de Jesus de
seu projeto, deixe questionar por Jesus, ele questionou as pessoas de seu tempo e
questiona a nós hoje. O que mais impressiona na sociedade e no tempo em que Jesus
viveu é que, por causa da religião como era entendida, vivida e ensinada sobretudo pelo
grupo dos fariseus, doutores da lei e saduceus, o povo era marginalizado e condicionado a
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se sentir, enquanto povo de Deus, pecador. Pecador por não cumprir a Lei tintim por tintim
ao pé da letra; pecador por praticar “atos ou ter uma vida impura” que basicamente era ter
profissões consideradas “impuras” sobretudo se essa obrigava a manter relações
interpessoais e comerciais com estrangeiros, ou lhe dar com “coisas impuras” conforme
descrita nos livros da lei.

Daí entender, por exemplo, que certas doenças eram consideradas como castigos divinos;
possessões do demônio (epilepsia, por exemplo), etc. O povo vivia psicologicamente refém
de seus próprios medos, preconceitos e baixa estima, e isso refletia na sua relação com
Deus, refletia na sua fé.

Mas também é verdade que o povo era um povo festeiro, alegre, celebrativo,
essencialmente religioso. Mesmo escravo dos romanos mantinham a esperança de que,
como no passado, Deus iria o libertar.

Quero deixar aqui minha contribuição a respeito do tipo de política que devemos adotar.
Reflitamos. Se o Novo Testamento está impregnado de política, devemos nos munir do
entendimento de que Jesus é o Senhor absoluto do Universo, e todas as estruturas e
espaços da vida humana são permeados pela presença soberana Dele.

Então, precisamos estudar o assunto despretensiosamente, livrando-nos da dicotomia


nociva que separa o espiritual do carnal, o santo do profano, mentalidade errônea que se
instaurou no ambiente cristão ao longo dos séculos, e descobrir que no mundo, tudo é de
Deus, todos os espaços da vida estão imersas Nele e que essa área deve ser conquistada
pelo Reino da luz e da liberdade.

Não seja obrigado a reeleger candidatos que já derem provas concretas de incompetência
ou que já tenham tido histórico de ações escusas como roubalheira e aproveitamento do
dinheiro público.

Aprendemos também que vários movimentos, seitas e partidos políticos estavam presentes
na época e no ministério terreno de Jesus, e que muito influenciaram para revelar a postura
e a atitude do Mestre. Concluímos com algumas lições práticas, a partir da vida e
experiência de Jesus. Em nenhum momento, Jesus mudou o foco do cumprimento de Sua
missão. Ele cumpriu o propósito do Pai até o fim. Jesus não Se deixou intimidar apesar da
pressão externa que sofreu durante todo Seu ministério terreno.
63

14. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


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phism.html >. Acesso: 23/01/13.

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Capit 5, pág 79.

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20ª edição, 1996.

EBESP - Escola Bíblica de Estudo Pentecostal – Bibliologia. ESTUDO DAS SAGRADAS


ESCRITURAS CONTENDO ESTUDOS BÍBLICOS SELECIONADOS E ANALIZADOS. 1ª
EDIÇÃO. Ctba/PR: 2000

FONTES: (COTRIM, G. Fundamentos da filosofia. São Paulo: Saraiva, 2005, pp.105-106)


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64

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impressão corrigida: 2014].

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https://abrilmundoestranho.files.wordpress.com/2016/08/56ec75800e21630a3e17e12dzeu
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