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25/08/2015

Metrologia
AULA 01

Terminologia e conceitos de
Metrologia
Inicialmente, vamos estabelecer a definição a dois termos atualmente bastante
citados, mas entendidos dos mais diferentes modos:
 · Metrologia é a ciência das medidas e das medições. Trata dos conceitos básicos,
dos métodos, dos erros e sua propagação, das unidades e dos padrões envolvidos
na quantificação de grandezas físicas.

 · Instrumentação é o conjunto de técnicas e instrumentos usados para observar,


medir e registrar fenômenos físicos. A instrumentação preocupa-se com o estudo, o
desenvolvimento, a aplicação e a operação dos instrumentos.

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O procedimento de medir -
medição
Medir é o procedimento pelo qual o valor momentâneo de uma grandeza física
(grandeza a medir) é determinado como um múltiplo e/ou uma fração de uma
unidade estabelecida como padrão.
 Medida
A medida é o valor correspondente ao valor momentâneo da grandeza a medir no
instante da leitura. A leitura é obtida pela aplicação dos parâmetros do sistema de
medição à leitura e é expressa por um número acompanhado da unidade da
grandeza a medir.

Erros de medição

Por razões diversas, toda medição pode apresentar erro. O erro de uma medida
é dado pela equação:
 E = M - VV
onde:
E = Erro
M = Medida
VV = Valor verdadeiro

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Os principais tipos de erro de medida são:


 · Erro sistemático: é a média que resultaria de um infinito número de medições
do mesmo mensurando, efetuadas sob condições de repetitividade, menos o
valor verdadeiro do mensurando.
 · Erro aleatório: resultado de uma medição menos a média que resultaria de um
infinito número de medições do mesmo mensurando, efetuadas sob condições
de repetitividade. O erro aleatório é igual ao erro menos o erro sistemático.
 · Erro grosseiro: pode decorrer de leitura errônea, de operação indevida ou de
dano no sistema de medição. Seu valor é totalmente imprevisível, podendo seu
aparecimento ser minimizado no caso de serem feitas, periodicamente,
aferições e calibrações dos instrumentos.

Fontes de erros
 Um erro pode decorrer do sistema de medição e do operador, sendo muitas as
possíveis causas. O comportamento metrológico do sistema de medição é
influenciado por perturbações externas e internas.
 Fatores externos podem provocar erros, alterando diretamente o
comportamento do sistema de medição ou agindo diretamente sobre a
grandeza a medir. O fator mais crítico, de modo geral, é a variação da
temperatura ambiente. Essa variação provoca, por exemplo, dilatação das
escalas dos instrumentos de medição de comprimento, do mesmo modo que
age sobre a grandeza a medir, isto é, sobre o comprimento de uma peça que
será medida.
 A variação da temperatura pode, também, ser causada por fator interno.
Exemplo típico é o da não estabilidade dos sistemas elétricos de medição, num
determinado tempo, após serem ligados. É necessário aguardar a estabilização
térmica dos instrumentos/equipamentos para reduzir os efeitos da temperatura.

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 Curvas de erro
No gráfico de curva de erro, os erros são apresentados em função do valor
indicado (leitura ou medida). O gráfico indica com clareza o comportamento do
instrumento e prático para a determinação

 Correção
É o valor adicionado algebricamente ao resultado não corrigido de uma
medição, para compensar um erro sistemático. Sabendo que determinada leitura
contém um erro sistemático de valor conhecido, é oportuno, muitas vezes,
eliminar o erro pela correção C, adicionada à leitura.
 Lc = L + C
onde:
C = Correção
L = Leitura
Lc = Leitura corrigida

 Resolução
É a menor variação da grandeza a medir que pode ser indicada ou registrada
pelo sistema de medição do resultado da medição.
 Histerese
É a diferença entre a leitura/medida para um dado valor da grandeza a medir,
quando essa grandeza foi atingida por valores crescentes, e a leitura/medida,
quando atingida por valores decrescentes da grandeza a medir. O valor poderá
ser diferente, conforme o ciclo de carregamento e descarregamento, típico dos
instrumentos mecânicos, tendo como fonte de erro, principalmente folgas e
deformações, associadas ao atrito.
 Exatidão
É o grau de concordância entre o resultado de uma medição e o valor verdadeiro
do mensurando.

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 Exatidão de um instrumento de medição


É a aptidão de um instrumento de medição para dar respostas próximas a
um valor verdadeiro. Exatidão é um conceito qualitativo.

Importância da qualificação dos


instrumentos
A medição e, conseqüentemente, os instrumentos de medição são elementos
fundamentais para:
 · monitoração de processos e de operação;
 · pesquisa experimental;
 · ensaio de produtos e sistemas (exemplos: ensaio de recepção de uma
máquina-ferramenta; ensaio de recepção de peças e componentes adquiridos
de terceiros);
 · controle de qualidade (calibradores, medidores diferenciais múltiplos, má-
quinas de medir coordenadas etc.).

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Qualificação dos instrumentos de


medição
 A qualidade principal de um instrumento de medição é a de medir, com erro
mínimo. Por isso, há três operações básicas de qualificação: calibração,
ajustagem e regulagem. Na linguagem técnica habitual existe confusão em
torno dos três termos. Em virtude disso, a seguir está a definição recomendada
pelo INMETRO (VIM).
 Calibração/Aferição: conjunto de operações que estabelece, sob condições
especificadas, a relação entre os valores indicados por um instrumento de
medição ou sistema de medição, ou valores representados por uma medida
materializada, ou um material de referência e os valores correspondentes das
grandezas estabelecidas por padrões.

Observações
 O resultado de uma calibração permite o estabelecimento dos valores daquilo
que está sendo medido (mensurando) para as indicações e a determinação das
correções a serem aplicadas.

 Uma calibração pode, também, determinar outras propriedades metrológicas,


como o efeito das grandezas de influência.

 O resultado de uma calibração pode ser registrado em um documento


denominado certificado de calibração ou relatório de calibração.

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 Ajustagem de um instrumento de medição: operação destinada a fazer com


que um instrumento de medição tenha desempenho compatível com o seu
uso.

 Regulagem de um instrumento de medição: ajuste, empregando somente os


recursos disponíveis no instrumento para o usuário.

Normas de calibração
 As normas da série NBR ISO 9000 permitem tratar o ciclo da qualidade de maneira
global, atingindo desde o marketing e a pesquisa de mercado, passando pela
engenharia de projeto e a produção até a assistência e a manutenção.
 Essas normas são tão abrangentes que incluem até o destino final do produto após
seu uso, sem descuidar das fases de venda, distribuição, embalagem e
armazenamento.
 Juntamente com a revisão dos conceitos fundamentais da ciência da medição
será definida uma terminologia compatibilizada, na medida do possível, com
normas nacionais (ABNT), internacionais (ISO) e com normas e recomendações
técnicas de reconhecimento internacional (DIN, ASTM, BIPM, VDI e outras). No
estabelecimento da terminologia, procura-se manter uma base técnico-científica.
 Ainda não existe no Brasil uma terminologia que seja comum às principais instituições
atuantes no setor. A terminologia apresentada é baseada no VIM (Vocabulário
Internacional de Metrologia), que busca uma padronização para que o vocabulário
técnico de Metrologia no Brasil seja o mesmo utilizado em todo o mundo.

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Um breve histórico das medidas


 Como fazia o homem, cerca de 4.000 anos atrás, para medir comprimentos? As
unidades de medição primitivas estavam baseadas em partes do corpo
humano, que eram referências universais, pois ficava fácil chegar-se a uma
medida que podia ser verificada por qualquer pessoa. Foi assim que surgiram
medidas padrão como a polegada, o palmo, o pé, a jarda, a braça e o passo.

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Algumas dessas medidas-padrão continuam sendo empregadas até


hoje.
Veja os seus correspondentes em centímetros:
 1 polegada = 2,54 cm
 1 pé = 30,48 cm
 1 jarda = 91,44 cm
O Antigo Testamento da Bíblia é um dos registros mais antigos da
história da humanidade. E lá, no Gênesis, lê-se que o Criador mandou
Noé construir uma arca com dimensões muito específicas, medidas
em côvados.
O côvado era uma medida-padrão da região onde morava Noé, e é
equivalente a três palmos, aproximadamente, 66 cm.

 Em geral, essas unidades eram baseadas nas medidas do corpo do rei,


sendo que tais padrões deveriam ser respeitados por todas as pessoas
que, naquele reino, fizessem as medições.
 Há cerca de 4.000 anos, os egípcios usavam, como padrão de medida
de comprimento, o cúbito: distância do cotovelo à ponta do dedo
médio.

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 Como as pessoas têm tamanhos diferentes, o cúbito variava de uma pessoa


para outra, ocasionando as maiores confusões nos resultados nas medidas.
Para serem úteis, era necessário que os padrões fossem iguais para todos.
Diante desse problema, os egípcios resolveram criar um padrão único: em
lugar do próprio corpo, eles passaram a usar, em suas medições, barras de
pedra com o mesmo comprimento. Foi assim que surgiu o cúbito-padrão.
 Com o tempo, as barras passaram a ser construídas de madeira, para facilitar
o transporte. Como a madeira logo se gastava, foram gravados comprimentos
equivalentes a um cúbito-padrão nas paredes dos principais templos. Desse
modo, cada um podia conferir periodicamente sua barra ou mesmo fazer
outras, quando necessário.
 Nos séculos XV e XVI, os padrões mais usados na Inglaterra para medir
comprimentos eram a polegada, o pé, a jarda e a milha.

 Na França, no século XVII, ocorreu um avanço importante na questão de medidas. A


Toesa, que era então utilizada como unidade de medida linear, foi padronizada em
uma barra de ferro com dois pinos nas extremidades e, em seguida, chumbada na
parede externa do Grand Chatelet, nas proximidades de Paris. Dessa forma, assim
como o cúbito-padrão, cada interessado poderia conferir seus próprios instrumentos.
Uma toesa é equivalente a seis pés, aproximadamente, 182,9 cm.
 Entretanto, esse padrão também foi se desgastando com o tempo e teve que ser
refeito. Surgiu, então, um movimento no sentido de estabelecer uma unidade
natural, isto é, que pudesse ser encontrada na natureza e, assim, ser facilmente
copiada, constituindo um padrão de medida. Havia também outra exigência para
essa unidade: ela deveria ter seus submúltiplos estabelecidos segundo o sistema
decimal. O sistema decimal já havia sido inventado na Índia, quatro séculos antes de
Cristo. Finalmente, um sistema com essas características foi apresentado por
Talleyrand, na França, num projeto que se transformou em lei naquele país, sendo
aprovada em 8 de maio de 1790.
 Estabelecia-se, então, que a nova unidade deveria ser igual à décima milionésima
parte de um quarto do meridiano terrestre.

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Essa nova unidade passou a ser chamada metro (o termo grego metron significa
medir).
Os astrônomos franceses Delambre e Mechain foram incumbidos de medir o
meridiano. Utilizando a toesa como unidade, mediram a distância entre
Dunkerque (França) e Montjuich (Espanha). Feitos os cálculos, chegou-se a uma
distância que foi materializada numa barra de platina de secção retangular de
4,05 x 25 mm. O comprimento dessa barra era equivalente ao comprimento da
unidade padrão metro, que assim foi definido:
 Metro é a décima milionésima parte de um quarto do meridiano terrestre.
Foi esse metro transformado em barra de platina que passou a ser denominado
metro dos arquivos.

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Com o desenvolvimento da ciência, verificou-se que uma medição mais precisa


do meridiano fatalmente daria um metro um pouco diferente. Assim, a primeira
definição foi substituída por uma segunda:
 Metro é a distância entre os dois extremos da barra de platina depositada nos
Arquivos da França e apoiada nos pontos de mínima flexão na temperatura de
zero grau Celsius.
Escolheu-se a temperatura de zero grau Celsius por ser, na época, a mais
facilmente obtida com o gelo fundente.
No século XIX, vários países já haviam adotado o sistema métrico. No Brasil, o
sistema métrico foi implantado pela Lei Imperial nº 1157, de 26 de junho de 1862.
Estabeleceu-se, então, um prazo de dez anos para que padrões antigos fossem
inteiramente substituídos.

Com exigências tecnológicas maiores, decorrentes do avanço científico, notou-se


que o metro dos arquivos apresentava certos inconvenientes. Por exemplo, o
paralelismo das faces não era assim tão perfeito. O material, relativamente mole,
poderia se desgastar, e a barra também não era suficientemente rígida.
Para aperfeiçoar o sistema, fez-se um outro padrão, que recebeu:
 · seção transversal em X, para ter maior estabilidade;
 · uma adição de 10% de irídio, para tornar seu material mais durável;
 · dois traços em seu plano neutro, de forma a tornar a medida mais perfeita.

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Assim, em 1889, surgiu a terceira definição:

 Metro é a distância entre os eixos de dois traços principais marcados na


superfície neutra do padrão internacional depositado no B.I.P.M. (Bureau
Internacional desPoids et Mésures), na temperatura de zero grau Celsius e sob
uma pressão atmosférica de 760 mmHg e apoiado sobre seus pontos de mínima
flexão.

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Atualmente, a temperatura de referência para calibração é de 20ºC. É nessa


temperatura que o metro, utilizado em laboratório de metrologia, tem o mesmo
comprimento do padrão que se encontra na França, na temperatura de zero grau
Celsius.
Ocorreram, ainda, outras modificações. Hoje, o padrão do metro em vigor no Brasil
é recomendado pelo INMETRO, baseado na velocidade da luz, de acordo com
decisão da 17ª Conferência Geral dos Pesos e Medidas de 1983. O INMETRO
(Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), em sua
resolução 3/84, assim definiu o metro:
 Metro é o comprimento do trajeto percorrido pela luz no vácuo, durante o
intervalo de tempo de do segundo.

É importante observar que todas essas definições somente estabeleceram com


maior exatidão o valor da mesma unidade: o metro.

Medidas inglesas
A Inglaterra e todos os territórios dominados há séculos por ela utilizavam um
sistema de medidas próprio, facilitando as transações comerciais ou outras
atividades de sua sociedade.
Acontece que o sistema inglês difere totalmente do sistema métrico que passou a
ser o mais usado em todo o mundo. Em 1959, a jarda foi definida em função do
metro, valendo 0,91440 m. As divisões da jarda (3 pés; cada pé com 12 polegadas)
passaram, então, a ter seus valores expressos no sistema métrico:
 1 yd (uma jarda) = 0,91440 m
 1 ft (um pé) = 304,8 mm
 1 inch (uma polegada) = 25,4 mm

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Padrões do metro no Brasil


 Em 1826, foram feitas 32 barras-padrão na França. Em 1889, determinou-se que
a barra nº 6 seria o metro dos Arquivos e a de nº 26 foi destinada ao Brasil. Este
metro-padrão encontra-se no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas).

 Múltiplos e submúltiplos do metro:


A tabela abaixo é baseada no Sistema Internacional de Medidas (SI).

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SI

Principais Unidades do SI Unidades


de Base

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Unidades Derivadas Adimensionais

Unidades Derivadas do SI

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