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1.

Existem três condições que um bem deve desempenhar para que


possamos considerar o mesmo como moeda: ser meio de troca, servir
como unidade de conta e funcionar como reserva de valor. Explique
cada uma delas. (3,0 pontos)
1) ser meio de troca, ou seja, ser exatamente aquele elemento que vai viabilizar a
ocorrência de milhares de trocas a cada momento;
2) servir como unidade de conta, o que implica ser uma medida que as pessoas usam
para estabelecer os preços de seus serviços e bens, e fazer seus cálculos econômicos; e
3) funcionar como reserva de valor já que a moeda precisa guardar poder de compra ao
longo tempo. Guardar poder de compra de hoje para amanhã.

2. As transações registradas no Balanço de Pagamentos estão reunidas


em dois grandes grupos: Transações Correntes, e Conta Capital e
Financeira. Explique de forma sucinta a composição desses dois grupos
e diga qual a importância do Balanço de Pagamentos para a economia
de um país. (3,0 pontos)

Mês após mês o Banco Central divulga ao mercado uma série de saldos de
transações realizadas pelo Brasil com o resto do mundo. Todos eles são compilados em
uma conta chamada Balanço de Pagamentos. O balanço de pagamentos (BP) permite
que o país consiga medir o dinheiro que sai e entra em forma de serviços, vendas e
compras de produtos, empréstimos, entre outras. Se o BP é positivo em um período,
significa que ingressaram mais recursos do que saíram do País. Ou seja, houve um
acúmulo de reservas. Em caso de déficit, é preciso usar parte das reservas disponíveis
para compensar a saída de recursos maior do que o ingresso.

As Transações Correntes registram o saldo das transações comerciais, de bens e


serviços, e de transferências (doações). A Conta Capital e Financeira registra as
transações envolvendo a transferência de ativos e de passivos entre países, como
empréstimos.

3. Para atender as necessidades de financiamento do setor público, três


procedimentos se destacam: a cobrança de impostos, emissão de moeda
e emissão da dívida pública. Explique cada um deles, apontando seus
aspectos negativos. (4,0 pontos):
1) emissão de moeda
A oferta ou emissão de moeda é uma atribuição exclusiva do governo, através
das autoridades monetárias. Portanto não depende da taxa de juros, mas da política
econômica do governo, que determina a quantidade de moeda emitida por período de
tempo. Mais atenção! Apesar de a emissão de moeda não depender da taxa de juros,
existem critérios bem definidos que regulamentam a oferta monetária. Basicamente, a
emissão de moeda é condicionada pelo crescimento do produto da economia. Diante
deste cenário podemos destacar duas situações específicas:
Se a emissão de moeda for superior à produção, ou seja, se houver excesso de
liquidez no mercado, podemos ter a elevação sistemática dos preços, também conhecida
como inflação; ou X caso o aumento de moeda seja menor que o crescimento do
produto podemos ter, entre outras consequências, crise na economia, porque a falta de
moeda – fenômeno que recebe o nome de crise ou falta de liquidez – dificulta as
transações e prejudica o sistema econômico, ocasionando queda do produto.

2) emissão da dívida pública


A noção de dívida pública menciona o conjunto de dívidas que mantém o Estado
em relação a outro país ou a particulares. Trata-se de um mecanismo para obter recursos
financeiros através da emissão de títulos de valores.
A emissão de dívida pública, à semelhança da criação de dinheiro e dos
impostos, são meios que o Estado tem para financiar as suas atividades. A dívida
pública, de qualquer forma, também pode ser usada como um instrumento da política
económica, de acordo com a estratégia escolhida pelas autoridades.
Quando a situação das contas do Estado sai de parâmetros aceitáveis, essa
situação pode se agravar.
Quanto menor for a capacidade do governo de honrar a sua própria dívida,
maior vai ser a desconfiança dos agentes econômicos, em relação ao Executivo, maior
vai ser o encurtamento do prazo da dívida e maior vai ser a taxa de juros cobrada para
conceder novos empréstimos.
3) cobrança de impostos

Impostos são valores pagos, realizados em moeda nacional (no caso do Brasil
em reais), por pessoas físicas e jurídicas (empresas). O valor é arrecadado pelo Estado
(governos municipal, estadual e federal) e servem para custear os gastos públicos com
saúde, segurança, educação, transporte, cultura, pagamentos de salários de funcionários
públicos, etc. O dinheiro arrecadado com impostos também é usado para investimentos
em obras públicas (hospitais, rodovias, hidrelétricas, portos, universidades, etc.).

Os impostos incidem sobre a renda (salários, lucros, ganhos de capital) e


patrimônio (terrenos, casas, carros, etc.) das pessoas físicas e jurídicas.
A utilização do dinheiro proveniente da arrecadação de impostos não é vinculada
a gastos específicos. O governo, com a aprovação do legislativo, é quem define o
destino dos valores, através do orçamento.
O professor norte americano Arthur Laffer explicou por meio de gráfico que o
comportamento arrecadatório de impostos que segue uma tendência irreversível e
imutável representada por uma parábola. É a chamada Curva de Laffer.
Quando se sobem os impostos para fazer frente aos gastos do governo, essa
curva ascendente encontra um ponto de resistência a partir do qual ela se torna negativa.
Ou seja, a partir dela quanto maior for o imposto, menor será a arrecadação.
A causa disso é simples de ser entendida e tem tripla manifestação:
1) O preço das mercadorias e serviços fica alto demais e inibe o consumo;
2) Estimula-se a sonegação ou simples evasão fiscal; e
3) Ultrapassa o índice de risco do contrabando e contrafação.