Você está na página 1de 266

Envio: Soryu

Tradução: R. Onuma; Lili B. Liah

Vett

Revisão Inicial: Clau Santos; N.

Aguiar; Black Rose

Revisão Final: Anna Azulzinha

Leitura Final: Paixão

Formatação: Lola
Alex Sheppard gosta de algumas coisas: sexo, festas,

e uma briga de vez em quando para desestressar. Mas seu

modo selvagem o afeta quando ele fica na reversa no

futebol por causa de suas notas abaixo da média. Quando

Mary Trellis se oferece para dar aulas particulares em

troca de acompanhá-la ao casamento de sua irmã, Alex

vê isso como se fosse um passeio no parque. Ela é

inteligente, quente, e tudo que quer em troca é um fim de

semana em sua companhia. Claro, nada é tão fácil como

parece.

Quando Mary fez a proposta ao bad boy tatuado e

cheio de piercing, Alex, ela não percebeu no que estava se

metendo. Ele tem por hábito ser vulgar e obsceno, mas ela

ainda o quer. Não é até que eles estejam sozinhos que

Mary percebe que, negar a Alex o que ele quer, é mais

fácil dizer do que fazer.


O idiota acertou a mandíbula de Alex, na hora ele sentiu
um gosto de ferro na boca. Virou a cabeça, cuspiu sangue, e
virou para Karson. Alex não queria beber tanto e certamente
não queria flertar com a namorada do lutador musculoso,
especialmente quando ele sabia que Karson tinha um
temperamento ruim, mas porra, ela era gostosa e foi olho-no-
olho a noite inteira. Como alguém poderia esperar que um
cara não notasse uma menina vestindo roupas tão apertadas
que dava para ver seus mamilos através da sua maldita
camisa, ou podia praticamente fazer o contorno de sua vagina
quando ela se inclinava? Ele era apenas humano pelo amor de
Deus.

— Você é um babaca do caralho, e vou gostar de meter o


pé na sua bunda. — Alex não queria transar com ela, mas
merda, flertar um pouco nunca fez mal.... não até agora.

Karson girou a cabeça sobre seus ombros e estalou os


dedos. Alex tinha ombros largos e peito tonificado que estavam
em perfeita proporção com sua altura de um metro e oitenta e
físico atlético, mas Karson era um idiota corpulento devido aos
quatro anos de luta livre na faculdade. Cristo, o cara não tinha
sequer um pescoço.

A festa da fraternidade ainda estava no auge, um bando


de pessoas se reuniram em torno deles. A excitação para ver
mais derramamento de sangue era palpável, no som tocava
um rap, os espectadores gritavam para deferirem outro soco, e
a adrenalina batia nas veias de Alex. O álcool se tornou parte
dele, e ele endireitou sua altura completamente, rolou seus
ombros, e estava pronto para se sujar. Sim, ele começou essa
merda, mas ele estava prestes a acabar com ela.

— Bem, vamos lá então. — O rosto de Karson se


transformou numa profunda máscara de fúria, e não era algo
que parecia particularmente bom com seu cabelo vermelho.

O filho da puta corpulento investiu contra ele e começou


a balançar, sua raiva fazendo com que seus movimentos
ficassem desleixados e descoordenados. Alex poderia até ter
gostado do que estava acontecendo, mas ele teve brigas
suficientes para fazer essa merda de olhos fechados. Um
punho veio para ele, e ele bloqueou. Trazendo o braço para
trás e depois para frente, ele socou a mandíbula de Karson.
Dividiu o lábio do babaca ao meio, e o sangue escorreu
lentamente por seu queixo. A multidão foi à loucura, e Alex
estaria mentindo se dissesse que não gostava disso. Suas
vaias pedindo mais se tornaram um movimento rítmico dentro
dele, e ele foi atrás do lutador. Um gancho de direita no
queixo, e depois um soco no estômago fez Karson se curvar e
grunhir de dor.

— Você, seu filho da puta. — Alex sorriu quando o


lutador levantou novamente e mostrou os dentes tingidos de
vermelho.

— Você anda por aí como se possuísse a porra do lugar.

Ele girou, e Alex desviou um milésimo de segundo antes


dele acertar um soco ao lado de sua cabeça. Eles fizeram isso
diversas vezes até que a multidão ficou inquieta e Alex teve o
bastante dessa maldita dança. Foi para a direita e bloqueou o
golpe de Karson, e depois deferiu dois golpes contra seus rins.
Karson caiu como um grande saco de batatas e Alex sabia que
ele iria urinar sangue por uma semana. Ele gemeu e grunhiu,
tentando levantar, mas ao invés disso passou os braços ao
redor da cintura e ficou na posição fetal. A namorada de
Karson veio correndo até ele, caiu de joelhos e começou a
acariciar seu queixo sangrando. Alex não ficou para ver e ao
invés de cuspir sangue de novo, abriu caminho através da
multidão. Vários de seus companheiros de time deram
tapinhas em suas costas e começaram a fazer movimentos de
luta, como se ele não tivesse acabado de sair de uma. Ele
continuou andando.

A casa estava repleta de estudantes da OSU 1, bem como


outras faculdades menores em Columbus. Uma garota colocou
os braços ao redor de seu pescoço e apertou seus seios contra
a lateral de seu corpo.
1
A Universidade Estadual de Ohio, conhecida como OSU, é uma universidade norte-americana do
estado de Ohio, fundada em 1870.
— Alex — Sua chorosa e arrastada voz, e o fedor de
Buttery Nipples2 que ela bebeu disseram que ela estava mais
bêbada que um gambá, o que matou o tesão. Tirando os
braços dela, ele a empurrou para longe. Ela fez beicinho com
seus lábios pintados de vermelho e deu um passo para mais
perto dele. Ele balançou sua cabeça.

— Mas por quê? Você dormiu com metade das meninas


aqui. Eu não sou quente o suficiente?

E daí se ele gostava de transar com garotas? Era um


desejo natural dos seres humanos, mas as vadias com quem
dormiu nunca estiveram bêbadas. Era um limite que ele
impôs. Seu pau brochava quando estavam de porre, e ele já
ouviu falar de vários caras acusados de estupro durante festas
como esta. Ele não queria ser associado a qualquer uma
dessas merdas.

— Não gosto de transar com garotas que não podem ficar


em pé, sem cair. — Ela levou alguns segundos para entender o
que ele estava dizendo.

— Eu não estou bêbada. — Ela disse isso ao mesmo


tempo em que se inclinava para o lado.

— Kait. — Uma garota loira veio andando até a vadia


bêbada, sussurrou algo em seu ouvido, e fez uma careta para
ele. Ele ergueu as mãos, não ia ser acusado de tirar vantagem
de ninguém, e virou para voltar para a cozinha.

2
Buttery nipple é um drink feito com schnapps de butterscotch (licor de manteiga com açúcar mascavo)
Irish Cream (uísque com creme, chocolate e café)
A cozinha estava lotada, e uma pequena fila foi formada
em direção ao barril. Ele não queria nenhuma cerveja, mas
uma dose talvez o fizesse se sentir melhor, desde que ele
acabou de terminar essa luta e seu sangue ainda estava
fervendo. Ele provavelmente poderia ter encontrado uma vadia
sóbria para foder, mas uma dose de uísque parecia mais
atraente no momento. Ele realmente deveria ir dormir em um
dos quartos já que ele precisava acordar cedo para o treino de
futebol, mas que se foda.

— Alex, meu homem. — Kash Lennon bateu em suas


costas e levantou a garrafa de Corona. Ele ergueu as
sobrancelhas, Alex sorriu e inclinou a cabeça acenando em
reconhecimento. Ele conheceu Kash durante os últimos quatro
anos, desde que começou seu primeiro ano na OSU. Eles se
deram bem imediatamente quando compartilharam uma aula
de economia. Kash pode ser quieto e reservado, mas as
pessoas tendem a ficar longe dele, sendo o filho da puta que é,
com um e oitenta de altura, coberto de tatuagens e com um
piercing no lábio inferior. Ele parecia um filho da puta fodão,
mas era muito leal e Alex tinha a honra de chamá-lo de amigo.

— Porra, cara, olhe pra você, parece que teve a bunda


chutada. — Kash serviu um scott para cada. Eles beberam ao
mesmo tempo, e Alex chiou quando o licor ardeu seu lábio
cortado. Ele fez um gesto para Kash derramar mais uma
rodada.

— Sim, você deveria ver como o outro ficou.


Kash riu, e então eles repetiram a dose e se serviram
mais. Alex sentiu o álcool começar a queimar através de suas
veias, e o zumbido que desapareceu durante a briga começou
a se formar novamente. Enquanto lutava com Karson
diminuiu, e agora ele estava ansioso para voltar lá atrás,
menos flertar com vadias acompanhadas de seus namorados.

—Você não tem que levar sua bunda para o treino


amanhã? — Kash encostou no balcão e cruzou os grandes
braços sobre o peito. Alex jurou que o cara estava maior a
cada vez que se encontravam.

— Sim, mas não é como se eu nunca tivesse treinado de


ressaca antes. — Ambos riram, mas, em seguida, seus olhos
estavam fixos em uma loira quente que passou por eles. Alex
se concentrou em seu traseiro, nesta parte gostosa de seu
corpo e assistiu o balanço quase hipnótico de seus quadris.
Ele já estava duro, mas ela tinha um traseiro grande que ele
coçava para colocar as mãos. Os saltos que ela estava usando
e aquela bunda o deixaram ainda mais excitado. Ele também
era um cara que apreciava tetas, e estas eram perfeitas.

— Porra, cara, ela é gostosa!

— Você vai pegá-la esta noite? — Alex perguntou quando


notou Kash olhando para a loira que parou agora ao lado do
barril. Suas calças eram tão apertadas que não tinha como ela
estar usando calcinhas. Calcinhas. Outro fetiche de Alex, que
ele não se envergonhava.
— Nah, cara. Eu fodi essa garota na noite passada e
ainda estou andando engraçado. — Alex olhou para Kash e
levantou uma sobrancelha.

— Cara, ela me montou tão duro que eu pensei que meu


pau partiria ao meio. — Alex explodiu em gargalhadas.

— Você acha que estou mentindo, mas eu não estou.

Ah! Alex não duvidou, mas ainda assim era muito


engraçado.

—Você sempre consegue as selvagens.

Kash deu de ombros, mas o canto da boca inclinou para


cima. Ele olhou para a loira, que agora estava curvada. Seu
pau quase explodiu, e Alex se imaginou fazendo todos os tipos
de coisas com ela nessa posição.

— Nah, cara, elas parecem me encontrar. Embora eu não


esteja reclamando —, disse Kash.

— Eu não penso assim.— Alex rolou a cabeça sobre os


ombros para trás e para frente.

— Talvez eu deva ir para casa. Se eu me atrasar


novamente o treinador chutará minha bunda.

Treinador Marx era um excelente instrutor, mas Alex


sabia que sua paciência estava se esgotando, inclusive alguns
dos outros jogadores também. Alex estava grato por sua
posição na equipe, mas ele gostava de festas e quando ia a
uma, ele aproveitava.

— Sim, quero dizer que eu odiaria ver você sentado no


banco durante um jogo. — Kash sorriu para ele.
— Você precisa de uma carona ou vai andando?

— Eu vou a pé. — Eles bateram as mãos entre si se


despedindo, e Alex começou a andar em direção à casa de dois
andares que dividia com outros três rapazes. Ele conheceu
Jordyn, Racer, e Klein quando ele era um calouro, e todos
viviam no mesmo andar nos dormitórios. Até o início deste ano
quando todos eles decidiram alugar uma casa fora do campus.
Era muito mais barato do que os dormitórios, especialmente
com quatro caras morando juntos, e ele não precisava seguir
as regras da universidade.

O uísque começou a fazer efeito e ele tropeçou em seus


pés. Ele não deveria ter bebido tanto, porque sabia muito bem
que teria uma ressaca do cão no dia seguinte. A pequena casa
que ele alugou apareceu, e ele subiu os degraus da varanda da
frente de dois em dois, o que foi uma má ideia já que ele
tropeçou no último e quase caiu de cara. Depois de se
endireitar, empurrou a porta, abrindo. Devia estar
acontecendo alguma coisa, já que passava da meia-noite, e a
metade das lâmpadas, na parte inferior da casa estavam
acesas, mas quando ele cruzou a porta de entrada e caminhou
para a sala, viu o porquê. Racer estava sentado no sofá, e uma
bonita morena no chão do outro lado da mesa de centro.
Livros e papéis estavam espalhados sobre a mesa na frente
deles, e ela estava no momento esfregando os olhos.

— Adam, você sabe essas coisas. É tarde, e ambos


estamos exaustos, eu não acho que qualquer informação vá
ficar em seu cérebro. — Ela olhou para cima, e Alex foi
atingido pela intensidade de seus olhos azuis. Adam “Racer”
McNamara estava em seu quinto ano na OSU, porque ele não
podia decidir o que queria ser quando crescer. Ele tinha uma
porrada de créditos, mas eles eram tão aleatórios e dispersos
que Alex nem mesmo achava que conseguiria se formar. Por
que alguém daria a ele aulas particulares, estava além do seu
entendimento, mas quando ele olhou para aquela morena
linda ele pôde ver seu encanto.

—Tudo bem, já é tarde. Tem certeza de que não está


cansada demais para dirigir? Se quiser eu posso levar você pra
casa.

Levantou e Racer acompanhou. Era muito engraçado ver


seu companheiro de quarto ficar todo atrapalhado com uma
garota, mas Alex não negou que ela era muito quente. Ela
usava um par de shorts curtos, e suas longas pernas eram da
cor de pêssegos e creme. Sua camiseta não era apertada o
suficiente para que ele pudesse ver tudo, o que foi um pouco
decepcionante, ele também gostou do fato de que ela não era
como metade das meninas em volta do campus, que parecia
estar em competição de quem pode vestir a camiseta mais
apertada.

Ela pegou sua mochila e virou para Racer. Alex realmente


deveria ir embora, mas por alguma razão ele ficou ali parado
como uma espécie de lunático, observando uma garota que ele
nem conhecia. Ele poderia muito bem culpar o álcool, porque
ele já estava bêbado o suficiente e ela estava começando a se
tornar um pouco embaçada, mas na verdade ele simplesmente
gostou de olhar para ela, e não só de uma maneira sexual.
Sim, ela tinha um corpo assassino com uma porra de curvas
bem quentes, e ele gostou do fato de ela não ser magrela. Ela
realmente parecia uma mulher, e não uma adolescente
anoréxica, comportamento que parecia estar crescendo em
popularidade com um monte de meninas que pairavam em
torno dele. Alguns pensamentos sujos estavam passando por
sua mente a respeito desta morena, mas não foi só isso. Ele
observou a maneira como ela tirou seu longo cabelo de seu
ombro, e ficou paralisado pela forma como sua garganta
arqueou delicadamente. Ele também gostou da visão de sua
clavícula, que ele só pode assistir por causa do decote V de
sua camiseta.

Cara, se controle. Você tem que estar muito bêbado para


ter pensamentos sujos assim.

—Talvez você possa vir novamente amanhã? —, Alex teria


rido com o tom esperançoso na voz de Racer, mas ele estava
muito focado na morena.

Ela ajustou a bolsa em seu ombro.

— Na verdade, tenho que ensinar alguém amanhã, e


depois disso eu tenho planos, mas eu posso te ligar depois que
olhar minha agenda e ver quando terei uma vaga. O que
provavelmente será na próxima semana.

Ah, então foi assim que esse imbecil conseguiu uma


menina tão quente como ela essa tarde. Ela foi ensinar o
idiota. Ela acenou e começou a andar em direção à porta da
frente, mas seus olhos estavam no chão e não onde estava
indo. Alex poderia ter facilmente saído do caminho, mas então
ele não teria uma desculpa para se apresentar, ou para sentir
como seu corpo encaixaria ao dele. Sim, ele era um grande
filho da puta. Ela correu para a direita em direção a ele, e ele
não se preocupou em esconder seu sorriso. Agarrando seus
braços, ele a segurou e respirou profundamente.

Porra, ela cheirava a algo doce e cítrico. Seu pênis


endureceu instantaneamente e ele desejou que o idiota
estivesse mole. Que tipo de apresentação seria se sua ereção
estivesse bem no meio deles? Ele ficaria como se fosse um pau
idiota, sem trocadilhos.

— Deus, eu sinto muito. — Ela olhou para ele, e o efeito


do álcool em seu sistema enfraqueceu o suficiente para
enxergá-la claramente em sua frente. Seus olhos eram
enormes, mas em um bom sentido, porra. Ela tinha essa
expressão quase inocente em seu rosto, o que só fez o seu
pulso bater mais rápido, diretamente na ponta do seu pênis.
Tinha olhos de um azul que o lembrava das ilhas do Caribe e
também eram mais azuis do que qualquer coisa que ele já viu.
Deus, como é que aconteceu essa merda onde ele estava
comparando partes de seu corpo com lugares no mundo? Ele
estava agindo como um idiota.

— Totalmente minha culpa. — Sua voz era profunda e


rouca, e ele a limpou. Porra, ele provavelmente soou como
algum tipo pervertido. Ela saiu de seu alcance, e ele se
amaldiçoou. Também não houve dúvida de que ele cheirava a
uma loja de fábrica de cerveja e bebidas alcoólicas combinadas
em uma. Ela sorriu e continuou se afastando, então ele falou
rapidamente.
— Eu sou Alex Sheppard.

Ele estendeu a mão, e ela olhou para ele. Se sentia como


um maldito adolescente na época da escola incapaz de dizer
qualquer merda. Ele estava prestes a baixar mão, porque
quem apertava as mãos à meia-noite, se eles não estavam indo
para uma entrevista? Antes que ele pudesse abaixar, já se
sentindo muito estúpido ela estendeu a mão e pegou a dele.

— Mary Trellis. — Ela respirou profundamente, e Alex


não podia deixar de olhar para baixo. O decote V de sua
camisa e o fato de que ele era cerca de um pé mais alto do que
ela, deu o necessário para ver as leves ondulações de seus
seios. E puta merda que tetas incríveis. Grandes e redondas, e
ele sabia que eram naturais. Ele podia dizer pela inclinação
natural delas. Seu pau empurrou contra a braguilha.

— Sim, eu acho que já ouvi o seu nome pelo campus


algumas vezes. — Ela sorriu brilhantemente, todos os dentes
brancos retos e uma covinha na bochecha direita. Ela também
tinha um rubor começando ao longo de sua garganta esbelta e
subindo rapidamente para suas bochechas. Ele achou a visão
muito quente.

Droga, ele só podia imaginar a merda obscena que ela


ouviu falar sobre ele.

— O grande quarterback do momento, certo? — Ele deu


um suspiro de alívio que ela estava se referindo ao futebol e
não porque ela soube que ele bateu cada uma das líderes de
torcida na escada Norte. E então, enquanto esperava pela
resposta dele, ele sentiu um maldito rubor nas bochechas.
Puta merda, ela o fez corar só de olhar para ele.

Você é um maricas de merda, cara. Alex soltou sua mão e


deu um passo atrás. Ele não gostava de como ela o fazia
sentir: um adolescente bobo, desligado, e com um tesão do
caralho. Um momento de silêncio constrangedor se passou
antes que ela levantasse sua mão e acenasse.

— Tudo bem então. Eu vou te ver por aí. —Ela virou e


acenou para Racer, que estava encostado no corrimão, e pelo
sorriso no rosto de Racer o filho da puta viu a reação dele a
Mary.

— Aqui, me deixe levá-la para o seu carro.

— Está tudo bem. Eu estacionei aqui em frente — Ele já


estava abrindo a porta da frente e apontando para ela ir
primeiro.

— Há um monte de idiotas bêbados lá fora esta noite,


bem, na maioria das noites também.

Ela sorriu para ele, deu de ombros, e saiu. Alex era muito
bom em ler as pessoas, e ele não perdeu o movimento das
mãos ligeiramente trêmulas quando ela fuçou em sua bolsa
para alcançar as chaves. Quando encontrou, ela abriu as
portas com um clique. Um sinal sonoro soou, e as luzes
acenderam para a vida. Alex se arrastou atrás dela, seus olhos
diretamente na bunda dela, que era do tamanho perfeito para
suas mãos. As bochechas de seu traseiro balançavam com
cada passo que dava, e de maneira nenhuma que ele poderia
parar a ereção, que aumentava a cada segundo. Ele nem
tentou. Ela foi até um BMW esportivo estacionado no meio-fio.
Ele assobiou baixo.

— Belo carro. — Ele não estava apenas pensando sobre o


carro. Ele tinha uma imagem dela o montando em sentido
inverso, as mãos sobre sua bunda e as bochechas bem
abertas. Porra, ele estava muito excitado. Depois que disse
algo sobre seu carro, ele imediatamente notou uma carranca
em seu rosto, mas ela murmurou um agradecimento. Ok, bem
claramente o seu meio de transporte era um ponto sensível.

— Obrigada por me acompanhar até o meu carro. — Ela


deu um sorriso genuíno, e Alex percebeu que ele realmente
gostou. Não era falso ou forçado. Ela não era falsa. Havia
muitas meninas que pairavam em torno das festas em que ele
foi e que eram falsas como a merda e só estavam tentando
entrar em suas calças porque ele era o quarterback. Ele bufou
em seus pensamentos, porque parecia muito idiota uma
menina entrar nas calças de um cara. Não era geralmente o
contrário?

— Não tem problema. — Empurrando as mãos nos bolsos


da frente da calça jeans, ele se perguntou o que essa menina
tinha de diferente. Sim, ele ficou ligado por outras meninas no
passado, mas esta atração que sentiu por Mary estava
beirando a insanidade, porra. Ele gostava da conveniência de
um caso de uma noite, e ele com certeza não pensou sobre
filhos depois que eles transaram. Mas olhando para Mary, ele
sabia que ela não era como qualquer uma das garotas que ele
normalmente fodia, o que também significava que ela não era
fácil. Não era como se ela tivesse alguma maldita tatuagem em
sua testa afirmando que ela era o tipo “difícil de conseguir”,
mas tinha essa aura em torno dela que gritava que era muito
boa para ele.

Alex podia admitir que neste momento da vida, ele


gostava apenas de algumas coisas. Quando ele não estava
passando tempo com seus pais e sua irmã mais nova Kiera,
ele estava jogando futebol, festas ou fodendo. Claro que
existiam sempre aquelas brigas ocasionais nas quais ele
entrava, mas tudo isso fazia com que ele se livrasse um pouco
de toda agressividade e energia que tinha dentro dele.

Ele ficou ali parado como um idiota quando ela subiu em


seu carro e foi embora. Ele só podia imaginar o que ela
pensava sobre ele, porque ele estava provavelmente pensando
exatamente a mesma coisa: que idiota mais estranho.

Quando ele estava em casa com a porta fechada atrás


dele, viu Racer ainda encostado no corrimão.

— O quê? — Alex rosnou irritado consigo mesmo e agora


com Racer e seu sorriso presunçoso.

Racer sacudiu a cabeça e se afastou das escadas.

— Nada. Eu só quero dizer que se você acha que vai foder


o traseiro de Mary facilmente, você deve simplesmente desistir
agora.

— Porra, Racer. — Alex balançou a cabeça, sabendo que


seu companheiro de quarto estava certo, mas não querendo
ouvi-lo assim mesmo.
— Eu não estou tentando impedir nada, mas Mary é uma
boa menina, e ela realmente não precisa de gente como você
ou eu.

Embora considerasse Racer um bom amigo, Alex não


perdeu a sutil advertência em suas palavras. Ele se
preocupava com a garota, estava claro e ele também conhecia
a reputação de Alex. Ele não podia ficar chateado com ele por
estar interessado nela.

— Eu posso reconhecer quando uma garota é boa demais


para mim, e ela é boa demais para mim. — Dito isso, Alex
passou por Racer e até seu quarto, onde ele desmaiou.
Alex estava certo. Havia um monte de bêbados, mas Mary
realmente não esperava nada menos. Esse era um território
OSU, e era meia noite de um sábado. Ela teve que realmente
ficar alerta ou não haveria nenhuma dúvida de que ela
acabaria atropelando um pedestre embriagado. Quem teria
pensado que ela ia literalmente esbarrar em Alex Sheppard?
Eles frequentavam círculos totalmente diferentes, eram polos
opostos em todos os sentidos, mas ela esteve tão perto dele
que respiravam o mesmo ar, e ela podia sentir o calor do corpo
que escoava direto para ela.

Oh, ela sabia quem ele era assim que ela olhou em seus
olhos cor de avelã, viu que eles eram mais verdes do que
marrom, e se obrigou a não agir como uma adolescente
hormonal. Ok, então ela pode ter apenas vinte e um anos, mas
estando tão perto dele, cheirando aquela colônia cara e
excitante que ele usava, e pensando em todas as vezes em que
o viu, mas ele claramente não a viu, a fez perceber que ela
precisava se controlar. Ele era lindo, tinha um corpo tonificado
e musculoso, que fez com que se sentisse totalmente feminina,
mas ele não era o tipo dela. Por um lado ele dormiu com uma
infinidade de meninas, provavelmente não sabia metade de
seus nomes, e ela o considerava um bad boy da pior espécie.
Só de pensar sobre quando ela o viu, vindo do treino de futebol
em nada além de um par de shorts largos teve seu corpo todo
quente mais uma vez. Ele estava suado e um pouco vermelho
de correr ou se exercitar, talvez, mas seu corpo estava duro e
definido, e a tatuagem que começava em seu bíceps esquerdo e
cobria toda a volta com padrões escuros a deixou
instantaneamente molhada.

Em seguida, uma loura peituda saltou para ele, seus


peitos mal contidos em suas roupas de ginástica, rindo e
murmurando coisas que Mary não poderia ouvir, aquilo foi o
fim. Alex abraçou a cintura dela, e os dois desapareceram no
vestiário. É claro que ele não notou Mary ali em pé o
observando como uma aberração, mas ela não se importava,
porque ela não precisa de um cara como Alex Sheppard em
sua vida. Ele era muito perigoso e experiente para ela, e, além
disso, não havia nenhuma dúvida de que ele machucaria seu
coração, intencionalmente ou não. Mary podia se apaixonar
por ele facilmente.

Dar aulas particulares, deu a Mary uma oportunidade de


ganhar seu próprio dinheiro e conhecer uma infinidade de
pessoas interessantes. Apesar de sua família ser rica, Mary
queria ser independente, e se sustentar sozinha. Ela pegou
empréstimos de estudante para pagar seus estudos, e
comprou sua própria comida e outros suprimentos que ela
precisava para sobreviver. Quando não estava tutoreando ela
trabalhava algumas horas nos fins de semana em um café fora
do campus. Ela estava exausta a maior parte do tempo, mas
era muito melhor do que depender de seus pais para financiar
sua vida.

Sua família vinha de heranças, ou assim que sua mãe


gostava de chamar, e por isso sempre havia um clima
antiquado, aristocrático na forma como eles viviam. Mas, Mary
foi adotada, ela vivia com a família Trellis desde dois anos,
mas nunca sentiu que realmente se encaixava entre eles. Seus
pais Stephen e Marsha Trellis, mostraram sua afeição quando
a situação exigia, mas Mary nunca sentiu o amor que uma
filha sente quando está em torno de seus pais. Sua mãe e seu
pai sempre a trataram como se ela fosse parte de sua família,
mas não havia como negar, Mary não era nada parecida com
eles. Ela se sentiu assim desde que conseguia se lembrar. E
depois, havia a irmã mais velha, Margo, que era a pessoa mais
egocêntrica com que Mary já se deparou.

Quando eram mais jovens Margo gostava de esnobar


Mary, a fazendo se sentir mais como um incômodo do que
uma irmã. Talvez isto tenha sido pelo fato de Mary não se
parecer em nada com sua família. Onde ela possuía cabelos
escuros e olhos azuis, todos os Trelliss possuíam cabelos
loiros e olhos verdes. Se olhar no espelho todos os dias não
ajudou em nada o fato de que ela não pertencia àquela família,
e aos doze anos ouvir a voz de Margo dizer que ela claramente
não era um “Golden Trellis” deixou bem claro que ela nunca se
encaixaria. É claro que sua mãe disse a ela todas as noites que
a amava, e que ela era parte de sua família sempre que Mary
falava no assunto. Talvez fossem apenas as palavras dolorosas
de Margo e os cochichos que sempre ouvia quando ia para um
evento social que a fez se sentir assim? Os anos se passaram.
Embora Margo não falasse mais essas coisas para ela, sempre
haveria uma parte da Mary que nunca sentiria que fazia parte
daquela família.

Ela virou a esquerda e depois à direita até que a pequena


casa no fim da rua, que dividia com uma companheira de
quarto, apareceu. Ela parou na calçada ao lado do Corolla azul
desbotado de Darcy. Desligou o carro e ficou sentada lá por
um momento. Mary deixou o som do arrefecimento do motor
preencher o interior. A BMW foi um presente de formatura do
ensino médio de seus pais, e embora ela não quisesse, ela
sabia que o presente servia para manter a boa aparência, Mary
também sabia que ela precisava de transporte. Então, ela
sorriu e agradeceu, mas odiava cada minuto quando estava
conduzindo aquela coisa. Isso a fez sentir como uma fraude,
como se não fosse ela mesma. Então, Mary fez questão de
enviar os pagamentos para o carro e seguro, e ignorou suas
queixas quando receberam seu cheque. Isso a fez se sentir
melhor sabendo que ela poderia estar em seus próprios pés,
porque haveria um momento em que seus pais não estariam
aqui, e se ela fosse dependente deles, o que ela faria então?
Margo recebeu tudo que seus pais deram e Mary sabia que
quando Margo estivesse por conta própria ela iria se afogar.
Mary pegou sua bolsa do banco do passageiro, saiu do
carro e foi para a porta da frente. Não havia nenhuma luz
acesa, mas era meia-noite. Ela normalmente não dava aulas
até tão tarde, mas Adam estava tendo um momento difícil em
compreender a dinâmica da economia. Mary tinha a sensação
de que ele não estava prestando muita atenção, não quando
seus olhos estavam em seus seios ao invés do livro.

Oh bem, se ele não queria se concentrar no que ele


estava pagando, isso não era o seu problema. Ela destrancou a
porta e a abriu, e imediatamente foi atingida pelos sons altos
dos gemidos de Darcy tendo relações sexuais. Mary revirou os
olhos e foi direto para a cozinha pegar água. Encostada ao
balcão e trazendo o copo aos lábios, ela virou a cabeça para o
lado e ouviu com espanto o som de uma cabeceira batendo
contra a parede ressoar no silêncio. Depois de apenas alguns
segundos de gemidos e algazarras tudo estava quieto
novamente. Mary terminou a água, e quando ela estava
prestes a ir para o quarto dela uma Darcy muito nua e seu
atual convidado para a noite, Dane, ela achava que esse era o
nome, vieram andando até a cozinha. As luzes ainda estavam
apagadas, somente um fio de luz vinha do quarto de Darcy,
mas foi o suficiente para que Mary visse tudo.

Darcy parou quando viu Mary ali, que por sua vez teve o
cara trombando em suas costas.

— Merda, Mary. — Darcy colocou a mão sobre o coração.

— Você me assustou pra caralho. O que está fazendo


andando por aí no escuro? Você acabou de entrar? — O casal
nu não parecia estar nem um pouco autoconsciente, com a
nudez, relaxadamente se deslocaram para a cozinha. Dane
abriu a geladeira se inclinando sobre ela. Era uma imagem
pouco atraente, mesmo que ele tivesse um corpo bonito. Ela
rapidamente desviou os olhos e olhou para Darcy. Sua colega
de quarto começou a andar em direção a geladeira, e Mary
decidiu que era uma boa hora para dar o fora de lá.

— Acabei de chegar da tutoria e estou cansada. Vejo você


de manhã.

— Sim, tudo bem.

Ela rapidamente foi até o quarto dela, e quando a porta


estava firmemente fechada respirou fundo. Deus, ela precisava
ter seu próprio lugar, mas é claro que ela não poderia pagar
isso por conta própria, e mesmo Darcy tendo um monte de
sexo, ela era uma boa companhia. Houve muitas vezes em que
ela, ou viu uma série de corpos nus enquanto Darcy fodia seu
namorado da semana, ou escutou o som de seu, quase
selvagem, sexo, ou viu pintos o suficiente por sua casa para
ter pesadelos. Ela supôs que esse era apenas um dos perigos
de ter uma companheira de quarto que gostava de muito de
sexo.

Se despindo e vestindo outra camiseta, Mary subiu na


cama e fechou os olhos. Ela estava cansada, mas infelizmente
o sono tranquilo não veio imediatamente. Ao invés disso a
imagem de Alex Sheppard bateu em seu cérebro. Mesmo
agora, ela poderia jurar que ela cheirava Alex. Era um aroma
enigmático, intenso que fez seu coração acelerar e os dedos
dos pés enrolar. Ela era louca, comprovadamente insana,
porque de maneira nenhuma aconteceria qualquer coisa entre
eles. Bem, talvez um caso de uma noite, mas isso não era o
estilo de Mary, e qualquer coisa a longo prazo certamente não
era o cartão de chamada de Alex.

Oh, quem estava enganando para até mesmo ter uma


ideia como essa? Forçando Alex para fora de sua cabeça, se
obrigou a relaxar e finalmente se sentiu cair no sono.

— Sheppard, eu quero falar com você. — Treinador Marx


chamou do outro lado do campo. Alex levantou o queixo em
reconhecimento e foi até o banco para pegar uma das toalhas
que estavam em uma pilha no banco de metal. Ele tirou sua
camisa e equipamentos e limpou o suor do rosto e no peito.
Então ele jogou a pequena tira de pano por cima do ombro e
foi para onde o técnico ficou falando com alguns de seus
companheiros de equipe.

— Droga, Sheppard, seu filho da puta, mesmo de ressaca


você jogou como um animal. — Harley, um dos linebackers, e
um grande idiota no campo, bateu nas costas de Alex e foi com
os outros jogadores para o vestiário.
— Você queria falar comigo? — Ele parou na frente do
treinador Marx e respirou bruscamente, tentando acalmar
suas respirações dos exercícios extenuantes.

— Você veio para o treino de ressaca novamente. — Não


era uma pergunta. O treinador não queria que nenhum dos
jogadores bebesse, porque ele disse que poluir seus corpos os
deixava lentos no campo no dia seguinte, mas não conseguia
impedi-los de se divertirem, e eles só precisavam lidar com a
sensação de merda no dia seguinte. Alex sabia que para ter
sucesso neste esporte, nesta carreira, ele precisava manter um
regime rigoroso e dieta, mas a verdade é que, tanto quanto
Alex gostava de jogar futebol, obviamente, não era tão
excitante parar a porra das festas e se concentrar.

— Sim, sinto muito por isso. — Alex não deu qualquer


outra explicação. Ele respeitava o treinador Marx, mas mesmo
enjoado depois de beber durante toda a noite, ele arrebentou
no campo.

— Quero dizer, nós, ainda assim, jogamos bem hoje. —


Não era apenas Alex que estava de ressaca. Havia um
punhado de outros jogadores que arrastaram suas bundas da
cama e arrebentaram suas bolas no treino.

O treinador passou a mão sobre seu cabelo escuro. Alex


sabia que algo estava errado para que olhasse quase hesitante.

— Escute, eu vi que você está descuidando de seus


estudos, e ficou abaixo da média que é necessária para jogar
com a equipe.

Merda.
Alex sabia que ele estava se acomodado em algumas de
suas matérias, mas a última vez que ele verificou passou em
todas elas, pelo menos achava que sim. É evidente que ele
estava errado. Embora este fosse o seu quarto e último ano na
OSU antes que pudesse se formar com um grau de Bacharel
em Terapia de esportes, ele só estava pensando exatamente
isso: este era o seu último ano. Ele nem percebeu que estava
tão relaxado que estava em risco de ser expulso da equipe.

— Merda.

— Escute, isso está totalmente fora das minhas mãos.


Você conhece as regras que a universidade exige para todos os
jogadores, e o fato é que você precisa manter sua média de
pontos em um nível ideal para permanecer na equipe. — O
treinador começou a andar na frente dele.

— Alex, eu tenho que colocá-lo no banco até que suas


notas fiquem acima da média novamente.

A raiva tomou conta de Alex, embora fosse totalmente


culpa dele.

— Você está falando sério? — Sua voz se levantou, mas o


treinador nem piscou com sua explosão.

— Você quer me colocar no banco? — Alex disse


ironicamente. Futebol foi sua vida durante o tempo que podia
se lembrar, e em um semestre ele ferrou tudo. Sim, ele leu as
regras que precisava seguir se quisesse ficar no time, mas
porra, ele não imaginou realmente que isso aconteceria.
— Como isso aconteceu? — Era uma pergunta retórica,
mais para si mesmo do que qualquer outra coisa, mas ele
disse independentemente.

— Alex, você foi o único a fazer isso, mais ninguém. Você


sabe quão rigorosa a Universidade é sobre isso, e me dói ter de
suspender você vendo quão bom jogador você é, mas minhas
mãos estão atadas sobre este assunto. Tudo o que posso dizer
é para conseguir uma média maior nos exames semestrais, e
quando isso acontecer eu vou colocá-lo de volta nos jogos. Vá
falar com o orientador acadêmico e veja o que você precisa
fazer, e talvez arranje alguém para tutorear seu traseiro para
ficar acima média. — O treinador deu um tapa nas costas e se
afastou, cortando qualquer conversa, e não se preocupou em
esconder sua decepção. Porra, ele ficou desapontado consigo
mesmo.

Bem, puta merda.

— Que horas você vai chegar? — Mary segurou seu


telefone celular entre o ombro e a orelha e ajeitou a bolsa no
ombro. Ela manteve seu suspiro irritado, para si mesma
quando ouviu as palavras cortadas de Margo. A atitude
normalmente arrogante de sua irmã foi à enésima potência
com a proximidade de seu casamento.
— Margo, isso está, tipo, a um mês de distância. — Sua
irmã não se incomodou em esconder o suspiro de frustração.

— Escute, estou tentando planejar quando as damas de


honra chegarão, e eu preciso que você me diga se vai estar
aqui mais cedo. Não é como se você tivesse algo para fazer
nesse fim de semana, ou em qualquer outro fim de semana,
diga-se de passagem. — Cadela.

— Jantar sexta-feira à noite na casa da mamãe, então eu


sei que você vai estar lá, mas você vai chegar mais cedo?

Mary apertou os dentes, mordendo de volta uma resposta


sarcástica. Só mais um mês de Bridezilla 3 e tudo isto estará
terminado.

— Por que você não me diz quando me quer lá e eu vou


organizar a minha agenda de acordo você. — Mary fez questão
frisar a última parte, porque, francamente, ela estava cansada
deste ato de rica e poderosa que Margo se colocava. Era como
se o mundo parasse de girar, se as coisas não estivessem a
sua maneira, e aos vinte e três a irmã mais velha deveria ter
amadurecido um pouco.

— Eu preciso que você esteja na mamãe no máximo às


nove horas da manhã no dia dezesseis, tudo bem?

— Sim. — Margo desfiou mais algumas coisas, mas Mary


já não estava prestando atenção.

3
O termo bridezilla é uma combinação entre a palavra bride (noiva em inglês) e zilla, de Godzilla.
Em uma definição simplificada, poderia se equiparar a uma noiva neurótica.
— Estou no trabalho, então tenho que ir. — Ela desligou
antes que Margo pudesse acrescentar mais dez coisas que ela
queria que Mary fizesse antes do casamento e apertou o passo.

Com sua casa a poucos quarteirões da cafeteria, ela foi


trabalhar. Mary normalmente optava por apenas caminhar,
mas somente quando tinha tempo. Assim que ela entrou na
Just One More Cup, a cafeteria da moda, contudo com estilo
retro, o aroma de café em grão e recentemente torrado encheu
seu nariz. A loja já estava lotada e eram apenas oito da
manhã, e o seu interior estava cheio de estudantes
universitários. As poucas mesas que tinham já estavam cheias
de gente, seus livros espalhados na frente deles, e o mais
provável era que já estivessem com a segunda xícara de café
na frente deles.

Polly, a mais nova barrista que só começou há cerca de


duas semanas, parecia estar esgotada enquanto anotava o
pedido dos clientes. Mary sorriu e foi para o balcão. Polly
deixou escapar um suspiro de alívio e deu um passo para o
lado para Mary poder tomar o lugar dela.

— Graças a Deus você está aqui. Estou prestes a


arrancar meus cabelos. — Mary pegou um avental e o
amarrou em volta da cintura.

— Kristen está de licença médica, estou aqui por apenas


meia hora e já estou prestes a sair.

— Você deveria ter me chamado. Teria vindo mais cedo.

Polly torcia o avental em suas mãos.


— De qualquer forma, estou aqui agora, então não se
preocupe. Mark vem ao meio dia, e ele é o barrista mais rápido
daqui. — Ela deu um sorriso tranquilizador à Polly e se virou
para a menina que esperava com impaciência do outro lado do
balcão.

— Peço desculpas por isso. O que posso fazer por você?

—Caramel latte4, espuma extra, e eu gostaria de canela


no topo. — A garota fez seu pedido, bateu uma nota de cinco
dólares no balcão, e imediatamente voltou para as mensagens
de texto em seu telefone.

Polly não era muito boa para anotar os pedidos, mas ela
era muito eficiente em fazer as bebidas. Elas fizeram isso
durante as próximas horas, e quando a correria da manhã
diminuiu um pouco o movimento, Mary foi capaz ir para a
parte de trás para uma curta pausa. Ela sentou sobre uma
caixa e soprou. Ela estava cansada, seus pés doendo, e tudo o
que ela queria fazer era ir para casa e dormir o resto do dia.
Claro que isso não iria acontecer. Ela precisava ajudar um
calouro a entender cálculo, e Deus sabe como ela odiava
matemática. Era uma maldição e uma bênção que ela se
destacou na matéria, embora, porque pelo menos ela poderia
usá-la para se sustentar. Mary nem bebia café, e na verdade
detestava até mesmo o cheiro dele, mas as dicas eram
decentes, e o dinheiro extra, era uma maneira adicional para
ajudá-la.

4
Café com leite e caramelo
Ela terminou o resto do seu turno, e foi para os fundos
da loja para se trocar por algo que não estivesse manchado
com cappuccinos e lattes. Acenando se despediu de Mark e
Polly, voltou para sua casa. Ela só tinha uma hora para
descansar antes de sair novamente, mas era uma hora que ela
ansiava. O único problema foi que durante toda a manhã, ela
teve uma única imagem entranhada em sua cabeça, e esta
imagem era de um certo bad boy chamado Alex Sheppard. Era
como se esbarrar nele tivesse feito tudo, muito pior, e mesmo
que tivesse sido apenas na noite passada ela já estava ficando
doente de tanto desejá-lo. Ela precisava continuar lembrando
a si mesma de que, tudo o que tinha a ver com ele só ia acabar
custando muitas dores no futuro quando tudo chegasse ao fim
para ele, era um pensamento ridículo uma vez que não havia
nada acontecendo entre eles. Ugh, ela deveria apenas se
internar em um sanatório, ou talvez se juntar ao clube de fãs
de Alex Sheppard, porque essa merda estava ficando ridícula.
— Droga, que porra! É uma merda, cara. — Alex sentou
na frente de Racer em sua mesa de cozinha. Ele olhou para
seu companheiro de quarto, mas manteve a boca fechada.
Sim, ele fez merda, e não precisava de ninguém o criticando.

— O que você vai fazer? Você detona no campo, e colocá-


lo no banco é o mesmo que esmagar a equipe.

Alex passou a mão pelo cabelo e expirou.

— Eu não sei o que fazer. O treinador disse que eu tenho


que conseguir minha média se quiser jogar de novo, e quando
falei com a orientadora acadêmica ela disse a mesma maldita
coisa. Estou seriamente ferrado, mas é tudo culpa minha.

Jordyn entrou na cozinha e foi para a geladeira.

Sem olhar para eles Jordyn disse:

— Que porra vocês bichinhas estão fazendo?


— Alex está bolado, porque ele foi reprovado em uma
matéria, o que baixou sua média. — Jordyn olhou por cima do
ombro.

—Sim, e? Por que você se importa com isso? Eu sei que


de fato você tem créditos suficientes para se formar.

— Estou suspenso da equipe. — Alex recostou na cadeira


e cruzou as mãos atrás da cabeça. No rosto branco de Jordyn
ele disse,

— Eu sei que você não poderia dar a mínima para futebol


ou qualquer coisa relacionada a esportes, mas eu realmente
gosto dele, e ser colocado no banco é uma merda.

Jordyn fechou a geladeira e foi até o armário para pegar


um saco de batatas fritas.

— Então, em que matéria você foi reprovado? Talvez eu


possa ajudar?

Alex riu sem graça, e Racer e Jordyn olharam com


curiosidade.

— Sexualidade Humana. — Por um momento, nenhum


dos dois disse nada, mas então os dois explodiram em
gargalhadas.

— Não me diga? — Racer tomou um gole de sua soda e


sorriu para Alex.

— Você deveria receber um A nessa matéria. Quer dizer,


é tudo sobre sexo e essas coisas, certo?

Alex passou a mão pelo cabelo e sabia que os fios


estavam todos bagunçados.
— Ok, então sim, eu pensei que eram créditos fáceis.
Pensei que seria apenas falar sobre sexo e tudo mais, mas é
claro não era isso.

— Cara, você realmente pensou que Sexualidade


Humana era sobre as pessoas fazerem sexo, você imaginava
aulas visuais e toda essa merda? O que você fazia na sala de
aula? — Jordyn perguntou quase incrédulo, mas não havia
uma pitada de humor em sua voz.

— Quero dizer, sim, tem a ver com sexo, mas merda,


cara, eu não pegaria essa matéria. Quem precisa aprender
sobre sexo na sociedade e toda essa merda?

Ele deveria saber que seria enganado, mas ele caminhou


para isso.

— Então vocês não podem me ajudar?

Racer bufou e Jordyn fez algum tipo de ruído.

— Desculpe, não podemos ajudá-lo.— Ficaram sentados


ali por mais alguns minutos antes de Racer falar.

— E quanto a Mary? — Com apenas a menção do nome


da pequena morena o pulso de Alex disparou.

— O que tem ela?

— Sim, cara, ela seria totalmente capaz de ajudá-lo. Ela é


uma tutora excelente em tudo, e muito inteligente. — Bem, as
coisas estavam melhorando se ele pudesse convencê-la a
ajudá-lo.
— Mas eu não sei se ela tem algum tempo livre. Ela está
muito ocupada, e sei, pois tento fazê-la ajudar na minha
burrice o tempo todo.

Alex sabia que Racer não era idiota, mas ele não era
muito bom quando queria ficar com uma menina.

— Me deixe dar seu número.

— Você está simplesmente dando o número da garota


sem ao menos perguntar a ela? — Jordyn pode dormir com
um monte e garotas, mas ele era um cara decente.

Racer deu um olhar.

— Ela postou seu número na sala dos estudantes. Quero


dizer como você acha que eu tenho isso? — Racer disse o
número, e Alex programou em seu telefone. Ele com certeza
ligaria mais tarde. Não só poderia obter ajuda para passar,
mas também teria um pouco de colírio para os olhos.

Mary contou a última fatura e sorriu. Ela fez uma


centena de dólares apenas nos últimos dois dias, e sua
pequena reserva de dinheiro precisasse, estava aumentando
bem. Ela empurrou o dinheiro em sua bolsa e fez uma nota
mental para ir ao banco depois das aulas amanhã. Já passava
das cinco, e como amanhã era segunda-feira e sua primeira
aula era às oito da manhã, ela planejava ir para a cama ainda
antes do sol se por. Ela se levantou e foi até sua cama, que
ainda não foi feita, e os lençóis e edredons se amontoavam em
uma bola no centro do colchão. Sem se importar, porque ela
estava extremamente exausta, ela pulou de barriga direto em
sua cama.

Um suspiro de satisfação a deixou, e ela fechou os olhos.


Talvez ela devesse apenas tirar um cochilo? Isso soou como
um bom plano para ela, mas é claro que seu telefone escolheu
aquele momento para tocar. Ela cegamente estendeu a mão
para sua mesa de cabeceira e sentiu a beira do seu telefone
roçar as pontas dos dedos. Abrindo apenas um olho e olhando
para a tela, ela viu o rosto largo e sorridente de sua mãe.

— Olá? — Mary rolou de costas e fez uma careta quando


o edredom amontoou direto em sua espinha.

— Você está dormindo às cinco da tarde, Mary? — A voz


de sua mãe estava cheia de autoridade, Mary suspirou, não se
importando se pareceu grosseira.

— Sim mãe. Eu trabalhei muito nestas últimas semanas


e estou cansada.

— Hmm. — Mary sabia o que estava por vir e não se


incomodou em parar sua mãe. Seria uma conversa repetitiva,
e que não acabaria tão cedo.

— Mary Sandra Trellis, se você deixasse seu pai e eu


pagar por tudo, você não teria que viver nessa casa um tanto
horrível, e batalhando para sobreviver. Quero dizer, não é
saudável para você, e também nos faz ficar mal com isso. —
Stephen e Marsha Trellis não gostavam que ninguém em sua
família parecesse menos aceitável socialmente do que eram. E
para eles o caminho que Mary estava seguindo era semelhante
a um morador de rua debaixo de uma ponte.

— Por favor, eu não quero ouvir o que você está prestes a


dizer. — Sua mãe fez um som, e Mary sabia que se ela não
dissesse algo, Marsha faria um discurso retórico sobre parecer
da realeza e não como uma espécie de camponês. Houve
muitas vezes em que Mary chegou a uma discussão bem
acalorada com sua mãe sobre o fato do dinheiro não ser tudo,
e que estar em seus próprios pés e conseguir se manter por
conta própria. Sem mencionar que a fez se sentir humana. Ela
gostava de trabalhar para ter as coisas que tinha, e tudo o que
tinha, ela conseguiu pagar sozinha.

— Tudo bem, eu não vou ficar falando disto com você por
telefone. Não é por isso que te liguei de qualquer maneira. —
Mary não duvidava que o telefonema de hoje tinha a ver com o
casamento de Margo, porque apesar de sua mãe ligar várias
vezes durante a semana, ou era para falar sobre o casamento,
ou sobre a falta de dinheiro de Mary, ou sobre algo
escandaloso que aconteceu no clube de campo. Sua mãe
continuou falando sobre o casamento, que Mary já estava tão
farta de ouvir. Ela, então, começou a falar sobre um brunch
que as amigas de Margo estavam planejando para ela. Isso
tinha que ser o quarto encontro de pré-casamento desde que
sua irmã anunciou o noivado no ano passado. Era uma
reunião sem sentido, e apenas uma desculpa para marcarem
outro brunch. Chanel e Heather, damas de honra de Margo,
foram amigas íntimas de sua irmã durante anos, e foram
claramente mantidas no maior respeito uma vez que Mary
estava no fundo da lista de damas de honra. Não importava, e
Mary ainda desejava que ela fosse apenas uma convidada
qualquer.

— Mary, querida, você está me ouvindo?

— Sim, mãe. — Mary pegou um travesseiro e o colocou


sob sua cabeça, porque ela sabia muito bem que esta conversa
estava apenas começando.

— Você falou com Margo sobre tudo?

— Sim mãe.

— Ok, muito bem. Agora, você encontrou um


acompanhante para o casamento? — Mary fechou os olhos,
um pouco surpresa que sua mãe levou todo esse tempo para
levantar a questão do acompanhante.

— Na minha opinião, eu não preciso levar um


acompanhante. Aparecer deve ser bom o suficiente. Além
disso, vou estar muito ocupada fazendo coisas de casamento
para prestar atenção em outra pessoa. — Normalmente na
festa de casamento estariam presos um ao outro: as damas de
honra com os padrinhos. Mas Marsha queria que Mary levasse
um acompanhante.

Sua mãe suspirou alto, e Mary revirou os olhos. Marsha


Trellis era muito dramática sobre tudo. Ela supôs que era de
onde Margo puxou.
— Mary, você quer ser a única mulher lá sem um
acompanhante? Ficará patético.

— Eu não preciso de um acompanhante, mãe. Vou ter


Chad, ou Thad, seja lá qual for o seu nome me
acompanhando. — Mary esfregou os olhos e imaginou o
padrinho de casamento que estaria ao lado dela na cerimônia.
Ele era perfeito em seus cabelos loiros e olhos azuis. Droga,
Mary até pensou que fosse um atleta, jogador de lacrosse, ou
polo, algo nesse sentido.

Mary ouviu a voz grave e profunda de seu pai atrás,


através do receptor. Seja lá com quem ele estivesse falando era
óbvio que ele não estava satisfeito.

— Escuta, vamos falar sobre isso mais tarde, mas você


precisa de um acompanhante. Thad não é um acompanhante.
Ir sozinha para o casamento de sua irmã é simplesmente
inaceitável. Eu tenho certeza que há um garoto bom e
respeitável na sua faculdade que possa te acompanhar. —
Aha! Seu nome era Thad. Pelo menos ela quase acertou.

Em outras palavras Mary é melhor você trazer um


menino rico e lindo, de preferência um que dirija um carro de
luxo. Talvez Mary devesse apenas encontrar um cara que
tivesse dinheiro para levá-la? Ou talvez ela devesse encontrar
um cara que frequentasse o mesmo círculo dos seus pais e
assim ninguém a olharia por baixo? A imagem de Alex veio à
mente, mas não porque Mary pensou que era menos do que
ela ou qualquer outra pessoa. Seus pais cagariam tijolos, se
ela o levasse para o casamento de Margo. Ele era um Hulk,
com tatuagens e um temperamento ruim, um bad boy. Sim,
ele então não se encaixaria no ambiente com os amigos de
seus pais, mas levá-lo estava fora de questão. Por um lado ela
não tinha coragem de pedir para ir com ela, e por outro,
mesmo que ela arranjasse coragem para convidá-lo, ele sem
dúvida não aceitaria. Certamente ele teria uma festa ou algo
para ir durante esse fim de semana. Ele não a conhecia, e
provavelmente só pensava que ela era uma garota certinha, em
outras palavras, o tipo de garota que ele tendia a ficar longe.

Sua mãe acertou mais alguns detalhes do casamento


antes que de finalmente desligar o telefone. Mary jogou o
celular de volta na sua mesa de cabeceira e olhou para o teto.
Era uma casa antiga que estava com o forro caindo e precisava
de um novo telhado. O interior não estava muito melhor, com
os tacos manchados, o tapete felpudo marrom que parecia ser
dos anos setenta, e banheiro com azulejos amarelo com um
sanitário de cor correspondente. Mas era tudo o que podia
pagar, e Mary chamava de casa. Embora sua mente
continuasse voltando a conversa que teve com sua mãe, seus
olhos foram ficando pesados, e antes que ela percebesse, não
conseguia mantê-los abertos por mais tempo.

O som de algo vibrando perto de sua orelha, fez Mary


acordar. Ela abriu os olhos, piscou algumas vezes e virou a
cabeça para o lado. Estremeceu quando seu pescoço protestou
com o movimento súbito, e ela tentou esfregar a torção. Seu
celular vibrava sobre sua mesa de cabeceira, a tela azul
iluminada com uma chamada recebida. A tentação de deixá-la
ir para a caixa postal era grande, porque se fosse sua mãe
novamente, ou Deus me livre, Margo, ela não queria lidar com
o incômodo. Mas no final, ela pegou o telefone, pois poderia
ser um dos alunos que ela ajudava.

— Alô? — Se empurrando para levantar, ela olhou para o


relógio e viu que eram oito horas. Seu rápido cochilo se
transformou em três horas.

— Mary? — A voz que veio através do receptor


instantaneamente fez seu pulso acelerar.

Sentando, ela de repente estava muito nervosa.

— Sim? — Ela sabia quem estava do outro lado, porque


ela lembrava muito bem daquela voz. Na verdade, ele acabou
de estar em sua mente enquanto ela sonhava com um jogador
de futebol muito musculoso.

— Hum, hey. Quem está falando é Alex. — Ela não disse


nada de imediato, e ele limpou a garganta, como se estivesse
nervoso.

— Alex Sheppard. — Oh Deus, ele pensava que ela não


sabia quem ele era. A hesitação em sua voz era quase
engraçada se ela não estivesse sentindo isso também.

— Eu sei quem você é.— Ela sorriu, embora ele não


pudesse vê-la.

— Racer me passou o seu número.

— Racer? — Ela quebrou a cabeça tentando lembrar


quem era.

— Quero dizer Adam. Desculpe, é um apelido estúpido


para ele.
— Oh, ok. — Oh meu Deus, ele realmente pediu meu
número? Uma espécie de vertigem feminina veio sobre ela com
esse pensamento.

— Sim, bem, ele disse que você oferece aulas


particulares, e eu queria saber se você talvez tivesse algum
horário.

Sua vertigem caiu, e seus ombros caíram para frente. É


claro que foi por isso que ele ligou. Será que ela realmente
achou que ele a chamaria para outra coisa? Sim, ela
estupidamente achou.

— Oh, bem, sim, eu ofereço aulas particulares. —


Esfregando os olhos com a mão, ela estava tentando deitar,
mas estava cansada do dia e sentiu a sujeira sob sua pele e a
ideia de um chuveiro parecia celestial.

— Embora eu precise olhar a minha agenda e ver quando


tenho um horário. Qual é a matéria que você precisa de ajuda?
— Droga, Mary sabia que arrumaria um horário para ele,
porque tudo o que ela queria era ajudá-lo. Além disso, ele era
realmente bom de olhar. Ela tinha que ser muito insana para
querer gastar tempo com ele, mesmo que fosse para tutorá-lo.
Não ela decidiu que ele não era para ela, mas isso era uma má
notícia?

— Isso é legal. — Um longo silêncio estabeleceu entre


eles.

— É sexualidade humana.

Mary revirou os olhos. É claro que era essa a matéria. Ela


ajudou alguns outros caras com esse assunto no passado. Por
alguma razão, eles automaticamente pensavam que tinha a ver
com como chegar lá, uma vez que a palavra sexo era citada.
Sim, tinha a ver muito com isso, mas ela tinha a sensação de
que eles achavam que estavam recebendo créditos fáceis para
uma aula onde assistiriam filmes pornô.

Mary não se preocupou em observar seus sentimentos


sobre todo típico o aspecto masculino da sua decisão de pegar
essa matéria.

— Talvez possamos nos encontrar amanhã e eu posso


informá-lo sobre os horários que tenho, e alguns outros
detalhes sobre a aula? Poderíamos estabelecer um
cronograma, também.

— Isso soa bem. — Um momento de silêncio se passou, e


ela podia ouvir o som de papel sendo amassado através do
receptor, e depois o som de algo pesado caindo.

— Porra. — Sua maldição foi suave, mas cortada.

—Desculpa. Eu não quis dizer isso em voz alta. — Mary


se encontrou sorrindo.

— Talvez possamos nos encontrar na hora do almoço,


como meio-dia ou uma hora? Há uma lanchonete na esquina
da rua principal talvez possamos nos encontrar lá. Se chama
Rocko.

— Sim, eu sei onde é. Eu tenho um intervalo entre


Cálculo e Sociologia entre onze e meio-dia, se você quiser me
encontrar, ok?
— Sim, tudo bem. — Ele limpou a garganta novamente, e
Mary se viu puxando um fio de linha na bainha de sua
camisa.

— Tudo bem. Acho que vou te ver, então. E obrigado


novamente pelo tempo e tudo isso.

Eles desligaram, e Mary caiu de volta na cama. Um


pensamento ocorreu, e mesmo que devesse deixar de lado, ela
brincou com ele. Ela cobrava uma taxa de vinte dólares por
hora para aulas particulares, mas talvez Alex não queira se
comprometer em tudo, porque o que ela queria dele não tinha
nada a ver com valor monetário.
Alex sentou em uma das mesas no pátio do lado de fora
do Rocko’s. Embora o clima de setembro fosse mais frio, a
temperatura estava alta, o clima ainda estava quente. Sentou
na mesa em frente a seu chá gelado, e a condensação deixou
um anel de umidade sobre a toalha de papel branco. Seu
coração disparou, e ele se sentia como um maricas de merda
pela excitação dentro dele por ver Mary. Droga, ela seria a
tutora dele, assim ele esperava, mas ele estaria mentindo se
dissesse que não adoraria passar algum tempo com ela.

Ele absolutamente não conseguia saber o porquê teve


esta súbita, quase instantânea, paixão por ela, mas porra se
ele pudesse simplesmente desligar isso. Normalmente, quando
ele se sentia atraído por uma mulher acontecia apenas por
algumas horas, tempo suficiente para tirá-la e disparar sua
carga. Mas ele nunca teve esse desejo, não esta necessidade de
querer ver uma mulher. Se sentia irracional, como algum tipo
de adolescente que não podia controlar suas emoções. Além
disso, Mary Trellis não era o tipo de garota com quem ele
ficava, e ele tinha a sensação de que ela não ficava com caras
como ele: aqueles que festejavam, obviamente faltavam às
aulas, e trepavam com uma grande quantidade de meninas.

Definitivamente afastando de sua cabeça o desejo que


sentia por Mary e tudo o que tinha a ver com desejá-la, se
inclinou para trás na cadeira de plástico branco. A garçonete
passou pela segunda vez por sua mesa e sorriu para ele. Alex
conhecia aquele olhar. Era um olhar de interesse, e qual era a
melhor forma de colocar Mary e seu pequeno corpo quente fora
de sua cabeça do que ficar com uma garota aleatória? Merda,
às vezes ele sentia nojo de si mesmo.

— Hey, você não é Alex Sheppard? — Ele se inclinou para


frente e apoiou os antebraços sobre a mesa de ferro forjado.
Ela usava uma apertada camiseta branca que era sexy como o
pecado, e o sutiã branco que ela usava por baixo se
destacavam em contraste. Seus mamilos estavam duros,
também, e Alex não escondeu sobre onde ele estava olhando
quando baixou o olhar para os seios dela.

— Sim. Qual é o seu nome? — Suas bochechas


ruborizaram e ele sabia que ela certamente ficaria se ele fosse
efusivamente um pouco mais intenso. Ela era tímida, mas não
tímida o suficiente para que não tivesse a coragem de falar
com ele.

Ela abaixou a cabeça e levantou a mão para colocar um


fio de cabelo avermelhado atrás da orelha.
— Jessica Locker. — Ela parecia jovem, mas dentro da
lei.

— Eu acabei de entrar na OSU, mas todo mundo fala de


você. — Suas bochechas ficaram ainda mais vermelhas, e ele
sabia que ela estava envergonhada com o que acabou de dizer.

— Quero dizer, não que eu sente lá e fale sobre você, mas


bem, você sabe, todo mundo sabe que você é um jogador
muito bom, e bem, toda a conversa.

Ela divagava, e ele não podia deixar de sorrir. Ele amava


as inocentes, e talvez isso fizesse dele o maior idiota vivo, mas
ele a trataria bem, e então ela teria uma memória agradável de
ser fodida em seu primeiro ano. E é isso que Alex faz. Ele fode,
nada mais, nada menos. As meninas que queriam mais não
voltavam procurando por ele, e era apenas como ele gostava.

— Então, Jessica, você já foi a alguma festa da


fraternidade? — Ela abriu a boca para responder, mas o som
de alguém limpando a garganta bem atrás dele fez Alex olhar
por cima do ombro. Mary estava lá, o pequeno vestido de verão
que ela usava ondulou em torno de suas coxas quando o vento
aumentou. Porra, ela estava gostosa. O cheiro do sabonete que
ela usou encheu seu nariz, e isso foi tudo que precisou para
seu pau ficar duro.

Você não deveria empurrar a ideia de desejá-la para a


parte de trás de sua maldita mente? Ele não podia ver seus
olhos azuis porque os óculos escuros estilo Jackie-O5 os

5
Óculos estilo Jackie Kennedy Onassis
escondia completamente, mas ele praticamente podia ouvir os
pensamentos condescendentes vindo dela. Quanto ela ouviu
ou viu? Por alguma razão, ele não queria que ela ficasse
pensando nele como um grande festeiro, lutador, galinha,
apesar de ser honestamente a verdade sobre ele.

— Eu não estou interrompendo, estou? — Mary


perguntou, mas novamente ele não poderia avaliar sua reação
com aqueles óculos de sol enorme em seu rosto, e sua voz era
neutra, entediada mesmo. Por alguma razão isto o irritava.
Será que ele queria que ela ficasse com ciúmes? Deus, ele
precisava crescer.

— Não, eu estava apenas conversando com Jessica. — A


garçonete murmurou alguma coisa ininteligível antes de virar
e deixá-los sozinhos.

— Aqui, sente. — Ele correu para ajudá-la com a bolsa


pesada pendurada em seu ombro, mas ela a colocou no chão e
foi puxando sua cadeira. Alex voltou a se sentar, e um
desconfortável silêncio passou entre eles.

— Então, uh, sobre a tutoria —, disse ele para quebrar o


constrangimento. Ela tirou os óculos de sol, e seus olhos
pareciam incrivelmente vibrantes na luz da tarde.

— Me deixe pegar minha agenda, e direi os dias que


tenho em aberto. — Ela se inclinou para o lado e começou a
brincar com a bolsa. A frente de seu vestido estava aberta, e
ele podia ver a borda rendada do sutiã e de seus seios
ligeiramente expostos. Seu pau ficou ainda mais duro, e ele se
mexeu na cadeira. Ele limpou a garganta quando ela se
endireitou, e deu um olhar estranho.

—Você está bem?

—Sim. Estou bem. Então, quais são esses dias? — Ele


falou muito rapidamente, e sua voz falhou no final, como se
estivesse atravessando a puberdade, ou alguma merda.

Suas sobrancelhas levantaram com a urgência em sua


voz, mas ele precisava de uma distração. Quanto mais tempo
ela ficasse quieta e apenas olhando para ele, mais seu pau
endurecia com o pensamento dela e em seus seios fartos e
perfeitos que enchiam uma mão, e a forma como o vento
soprava as mechas de seu cabelo escuro em volta do rosto. A
longa trança que ela usava pendurada sobre um ombro, Deus
fez com que ela se parecesse bem, bonita mesmo. Ela colocou
o tablet sobre a mesa e começou a digitar.

— Eu não tenho certeza de qual é o seu horário de aula,


ou quanto tempo você precisa para ser tutelado, por isso,
provavelmente devemos descobrir isso primeiro.

Alex sabia que ele poderia muito bem jogar limpo sobre a
coisa toda da suspensão, porque sinceramente não sabia
quanto tempo ia demorar até conseguir ser aprovado. Ele foi
reprovado nessa matéria e, a menos que ela pudesse fazer um
milagre, ou fizesse o teste para ele, ele estava muito ferrado.

— Ok, o negócio é o seguinte. — Ele passou a mão sobre


a cabeça, e então se inclinou para frente, trazendo o rosto um
centímetro mais perto dela.
— Eu preciso ficar craque nesta matéria, para sair da
suspensão. Minha média está abaixo das restrições para eu
jogar. — Ela olhou para ele durante vários segundos antes de
falar.

— Eu imaginei que deveria ser muito ruim já que você


não disse nada quando eu te vi na casa do Adam. — Ela
sorriu, e ele devolveu o gesto.

— Então, quais dias você está livre, e vamos começar por


aí.

Ele falou os dias que ele não tinha nenhuma aula, e as


horas em que estava nesses dias. Ela escreveu tudo, e quando
ele terminou, ela levantou os olhos para encontrar os dele.

— Ok, então eu acho que você quer muito passar? — Ele


levantou uma sobrancelha em resposta.

— Ok, eu entendo. — Ela olhou para o seu tablet e


digitou algo no calendário.

— Eu posso te atender na sexta-feira, e podemos criar


uma rotina. Talvez três dias por semana, e pelo menos uma
hora cada sessão? Elas podem ser à noite, uma vez que parece
ser quando nós dois temos um tempo extra. — Ela continuou
olhando para seu tablet e mordeu o lábio inferior. Alex ficou
paralisado com a visão de seus dentes retos e brancos.

Bem, porra. Ele teria que encontrar uma garota para


foder, ou se masturbar por um longo momento depois disso.
Ele estava duro e dolorido, e quanto mais tempo ele ficasse
sentado aqui com ela, mais ele a queria. Seu pau também não
deu a mínima que ele estava tentando ficar longe dela. A
maldita coisa a queria como um demônio.

— Sim, isso parece bom. Tudo o que você acha que vai
ajudar, e qualquer que seja o tempo extra que você tenha será
muito bem-vindo. — Alex estava orgulhoso de si mesmo por
realmente formar frases coerentes, Jessica a garçonete voltou
e perguntou a Mary se ela queria alguma coisa, mas ela disse
que não, Jessica vagou de volta para dentro, mas não antes de
olhar para Alex e sorrir fazendo beicinho. Alex manteve os
olhos em Mary, embora ele devesse ter verificado Jessica e
descobrir como ele a levaria para cama esta noite.

— Então, qual é o dano?

Mary afastou tablet e olhou para ele com uma expressão


adoravelmente confusa.

— O dano?

Ele sorriu.

— Quanto você cobra? O que te devo, Mary? — Ela olhou


para longe rapidamente, e ele não deixou de notar como suas
bochechas ficaram cor de rosa. Ele estava curioso para saber
por que sua pergunta fez de repente ela se sentir tão
desconfortável, ou por que ela ficou se contorcendo em seu
assento e se recusando a encontrar seus olhos.

— Tudo bem? — Ele devolveu a pergunta que ela fez


quando chegou mais cedo.
Ela limpou a garganta e, finalmente, virou para ele. Ela
ainda estava corada, e ele tentou não sorrir, porque não queria
envergonhá-la, ele não conseguiu.

—Uh. — De repente, o guardanapo na frente dela estava


muito interessante, pois ela se manteve dobrando e
desdobrando.

— Na verdade, eu tenho outra ideia para o pagamento. —


Sua declaração fez seu pau empurrar violentamente contra a
braguilha, e ir de semiduro a rocha sólida. Tudo o que podia
pensar era ela pedindo para ter sexo como o pagamento por
suas aulas, mas é claro que era o sonho molhado do menino
com tesão ali.

Merda, ele podia imaginar seus lábios vermelhos e


carnudos se separando quando ela dissesse que seu pênis
valia mais do que qualquer dólar que ela já recebeu. Deus, ele
estava como um maldito idiota pensando assim. Ela era boa e
pura, e ele era um bastardo obsceno com uma mente suja.

Ele lambeu os lábios, limpou a rouquidão de sua


garganta, e tentou forçar sua voz e soar meio normal.

— Você tem outra coisa em mente?

Ela assentiu com a cabeça e começou a brincar com o fim


de sua trança. Deus, ele daria a ela todo o pau que ela
conseguisse suportar, e ela nem precisava dar aulas
particulares a ele. E não era só porque ele era um galinha,
mas porque ele estava extremamente desesperado por ela, e de
uma maneira muito ruim. Pareceu ter levado uma eternidade
para que ela respondesse, mas realmente foram segundos.
— Eu tenho um pequeno problema, e acho que você pode
ser o cara perfeito para me ajudar com isso.

Puta merda. As coisas imundas que vieram à sua mente


o fizeram se sentir um merda, mas é claro que não o impediu
de pensar nelas. Ele não sabia se ela era virgem, mas ela
certamente parecia virginal. Ele também não poderia imaginá-
la dizendo que ela só queria uma noite de felicidade, mas
queria que ele fosse o seu primeiro. Alex não estava no negócio
de virgens, mas porra que ele teria quebrado suas regras por
ela.

— Então, eu tenho um casamento no próximo mês, a


minha irmã, na verdade, e eu sou o tipo de dama obrigada a
levar um acompanhante. — Ela olhou para ele, mas não deu a
chance de responder.

— Não seria como um encontro, mas você me ajudaria e


pagaria as aulas. — Alex estava atordoado sem palavras.

— Você quer que eu seja seu acompanhante para o


casamento de sua irmã? — Esse não era o encontro que ele
estava imaginando.

— Bem, é um pouco mais do que isso. Eu...— Ela olhou


ao redor antes de virar para ele. Se inclinando mais perto e
abaixando a voz, ela disse,

— Eu realmente preciso de um bad boy para levar para


casa dos meus pais. — Seus lábios tremeram, e ele observou a
sua irritação com o fato de que ele achava que isso era
engraçado.
— Eu preciso que você finja estar apaixonado por mim na
frente dos meus pais e seus amigos ricos e esnobes. Eu quero
que eles vejam suas tatuagens, quero que eles levantem as
sobrancelhas e fiquem escandalizados. Eu não quero ser sua
filha doce, e eu quero que você me ajude a provar que eu não
tenho que estar com um graduado de Harvard para ser feliz. —
Ela respirou fundo quando terminou, e ele poderia dizer que
ela estava esperando sua resposta.

— Estou cansada de me sentir fora de lugar com eles, e


desde que eu sou obrigada a ir e tudo, e estou sendo, forçada
a levar um acompanhante, eu pensei que você poderia me
ajudar já que estou te ajudando. Seria apenas para a primeira
semana de outubro.

— Tudo bem. — Ele não tinha a intenção de interrompê-


la, mas ela realmente não precisava se vender para passar o
fim de semana na companhia dele. Não era sobre não ter que
dar dinheiro para ensiná-lo, porque isso não teria sido um
problema e ele ficaria mais do que feliz em compensá-la pelo
seu tempo. Alex antecipou o tempo que iria começar a passar
com ela agora e depois. Sim, seria daqui um mês, mas porra
seria um bom fim de semana.

Ficar longe dela de repente acabou de sair pela janela,


porque havia uma porrada de imagens que colidiram com a
mente de Alex, que não eram inocentes, e que dizia respeito a
eles fazendo coisas que exigiam muito menos roupa. Talvez
querer ela de maneira suja fizesse dele um bastardo, mas ele
nunca disse que não era nada disso. Ele seria bom para ela, a
faria sorrir e ruborizar, mas no final ele queria mais. Uma
noite pode não ser suficiente, mas teria que ser, porque era
tudo que Alex poderia garantir a alguém.

—Sério? Eu pensei que teria que ser mais convincente,


você sabe, realmente convencê-lo a ir. — Seu rosto estava
vermelho, e ele sorriu.

—Nah, eu quero ir. Estou sendo orientado por uma


mulher linda e inteligente, e tenho que ir a uma festa chique.
Fingir ser louco por ela não deve ser difícil. — Ele deu uma
piscadela, e ela desviou o olhar rapidamente, seu
constrangimento era tangível.

— Eu vou. — Ela olhou para cima e sorriu, e uma


covinha bonitinha apareceu.

— Ok, ótimo. — Ela começou a mexer com o guardanapo


novamente.

— Isso está resolvido. Então, de volta à tutoria real. Eu


posso te encontrar aqui na sexta-feira para nossa primeira
sessão, se quiser, ou há algum outro lugar que você se sentiria
mais confortável?

Sua ereção foi a meio mastro durante a conversa, mas


agora a maldita coisa estava completamente dura e ameaçava
explodir através da porra do zíper de sua calça jeans. Tudo o
que precisou foi ela pedir para ir a outro lugar, e ele só foi
capaz de pensar em uma coisa.

— Poderíamos, eventualmente, fazer isso na minha casa?


— Uma onda de testosterona atravessou suas veias quando
viu a cor rosa que cobria seu peito e pescoço transformar em
um profundo vermelho. Ah, então ele não era o único com a
mente suja.

— Tanto faz, onde você se sentir mais confortável, —


disse ela, mas não encontrou o seu olhar. Ela ficou de pé, e ele
fez o mesmo.

— Você já tem que ir? — Deus, ele soou desesperado.

— Quero dizer, você acabou de chegar aqui. Talvez você


queira se juntar a mim para o almoço?

Ela começou a brincar com o fim de sua trança e olhou


para ele.

— Na verdade, eu tenho que voltar, mas obrigada pelo


convite. — Antes que ele pudesse se sentir como um idiota, ela
sorriu para ele.

— Ouça. — Ela se abaixou, pegou sua bolsa e pendurou


no ombro.

— Que tal eu ligar até sexta-feira apenas para me


certificar que ainda está tudo bem para começarmos?

— Sim, tudo bem.

— Eu salvei o seu número no meu telefone, e sei que você


tem o meu. — Ela sorriu novamente, e ele não podia deixar de
notar a maneira como seu gloss labial brilhava sob o sol, e
imaginar como seus lábios se pareceriam em volta do seu pau.
Ela levantou a mão acenando e virou para sair. E como uma
maldita trepadeira, Alex ficou ali e a observou sair. Foi errado
da parte dele esperar que uma grande rajada de vento
soprasse o seu vestido pra cima?
—Merda. — Esfregou uma mão sobre sua boca e sentiu
alguém andar até ele. Jessica ficou ali parada, os dentes dela
puxando o lábio, e seus olhos diminuíram um pouco. Sim, ela
estava tentando parecer sexy. Ele viu essa exata expressão,
mil vezes diferentes, e embora ele tivesse achado atraente a
cada vez, não fez nada para ele agora.

— Então, uh, sobre a nossa conversa anterior. — Ele


enfiou a mão no bolso de trás pegando sua carteira e tirou
algum dinheiro, entregando a ela.

— Obrigada, Jessica, mas talvez uma outra hora? — Foi


apenas por dizer, porque, na verdade ele só estava pensando
em uma garota, e até que ele a tivesse ninguém mais iria
saciar esse apetite ridículo que ele tinha.
Puta Merda. Mary caminhou rapidamente para a
biblioteca OSU na 18th Avenue, tentando manter sua cabeça
em outras coisas, mas só conseguia pensar em seu pequeno
encontro com Alex. Exigiu uma força infernal da parte dela
não olhar por cima do ombro. Ela sentiu seus olhos sobre ela
de modo palpável, era como se ele realmente a estivesse
tocando. Ela estava bastante orgulhosa de si mesma por, pelo
menos, agir quase normal, mas no final, foi muito difícil
quando sentiu a maneira como ele a olhou, como se quisesse
fazer coisas muito malvadas ao seu corpo. Também foi um
pouco enervante e perturbador quando notou sua ereção, o
que ele, ou não se importava que ela visse, ou pensava que era
algo que passaria despercebido.

Mesmo agora, só de pensar sobre a maneira como seus


bíceps incharam debaixo de sua camiseta e o modo como os
músculos do seu abdômen eram claros como o dia através do
material fino, provocou arrepios ao longo do seu corpo. Ela
devia ser masoquista, porque a única coisa certa era Alex a
deixaria com um coração partido. Havia muita conversa das
garotas ao redor do campus, e ela teria que ser surda para não
ouvir todos os detalhes horríveis dos corações que ele deixou
em farrapos. Mary achou um pouco ridículo que as meninas
em torno do campus soubessem como Alex Sheppard era, e
ainda assim corriam para ele como se fosse alguma estrela de
rock. A entrada arqueada de pedra vermelha do edifício
apareceu em sua visão. Quando ela chegou à entrada, ela
abriu a porta e entrou.

Sentando em um computador disponível, ela começou a


procurar títulos para os seus cursos, mas se concentrar em
qualquer coisa era inútil, especialmente quando tudo o que
podia pensar era como seus pais reagiriam quando levasse
Alex para o casamento de Margo. Várias sobrancelhas se
ergueriam, uma grande quantidade de suspiros seriam
ouvidos, e bocas ligeiramente cobertas seriam óbvias à medida
que sussurrariam o quão escandaloso era ela levar aquele
“lixo” para sua pequena reunião arrogante. Talvez fosse um
pouco infantil querer chocá-los, mas sua vida inteira ela se
sentiu como uma estranha, como um quadrado sendo
empurrado para dentro da ranhura de um círculo.

Uma pequena parte dela também ficou quente com a


ideia de que Alex concordou em ir com ela. Para uma
comunidade rica a qual sua família pertencia, eles eram piores
do que aqueles a quem desprezavam. Eles levantavam o nariz
para a classe mais baixa, tinham os segredos mais
escandalosos e esfaqueavam uns aos outros pelas costas. Mas
frente a frente eram sorridentes e com humor malicioso. Mary
queria mostrar que não importava quanto dinheiro a pessoa
tinha ou qual era sua aparência. Eles ainda eram seres
humanos e merecedores de respeito. Ouvindo sua mãe
constantemente perguntando sobre trazer seu encontro, sua
irmã a irritando sobre o que ela deveria ou não fazer, e a
ansiedade em geral que parecia atormentá-la diariamente, ela
se sentia instável e fora de lugar, e convidar Alex para se
juntar a ela parecia a libertação perfeita.

Liberdade.

Uma palavra tão simples, mas com tantos significados


diferentes. O único significado que ela estava atualmente
pensando era a doce libertação que ela sabia que certamente
teria por estar com Alex. Mary não era virgem, mas ela
certamente não era um especialista em sexo. Alex, por outro
lado era, o que poderia ser muito intimidador. Mas não, Mary
não poderia, não o faria. Ela não tinha o hábito de deixar seu
coração se quebrar, e ela também não era o tipo de ter sexo
aleatório. Emoções sempre estavam envolvidas, pelo menos,
para ela.

A vibração em sua bolsa a tirou de seus pensamentos.


Ela pegou o telefone, e o número que brilhou ao longo da tela
fez com que ela parasse no meio caminho. Por que ele estava
ligando? A única explicação plausível era que algo estava
errado. Ansiedade imediatamente se formou no fundo de sua
barriga, e ela passou seu dedo sobre a tela para atender a
chamada.
— Oi? — Ela pegou suas coisas, enquanto equilibrava o
telefone entre o ombro e a orelha, e começou a sair da
biblioteca em passos rápidos.

— Hey. — A voz de Lance estava calma e sem pressa,


então toda a sua ansiedade desapareceu. Se algo estivesse
errado, com certeza ele não estaria tão calmo. Mas então o
pensamento passou a ser sobre a razão de seu ex-namorado
estar ligando, em primeiro lugar. Ela deve ter feito uma pausa
um pouco longa demais para responder, porque ele limpou a
garganta e começou a falar novamente.

— Eu sei, você provavelmente está se perguntando por


que estou te ligando.

Sim, ela estava. Ela encontrou um banco vazio e sentou,


esperando que ele chegasse ao motivo da ligação.

— Eu só gostaria de saber como você está.

Mary sentiu as sobrancelhas se unirem. Havia alguns


alunos abaixo rindo um pouco alto, um cachorro latindo em
algum lugar distante, e o barulho de alguém em uma batida
em um ritmo grave e com raiva, mas nenhuma dessas coisas
era alta o suficiente para o volume do seu coração batendo em
seus ouvidos.

— Você ligou para ver como estou? — Agora, quem ficou


em silêncio por um momento foi ele, mas isso pode ter sido
porque seu tom foi um pouco grosseiro. Mary pressionou,
porque esta conversa foi um pouco longe demais.

— Por que exatamente você me ligou, Lance? Eu sei que


não era apenas para ver como estou.
Fazia mais de dois verões desde que ela falou pela última
vez com Lance, e as memórias eram as menos favoráveis.
Ódio, mágoa e traição misturados dentro dela, e ela sentia
raiva de si mesma por ainda se sentir desta forma. Aquelas
emoções indesejáveis foram enterradas profundamente dentro
dela, e ela achou que tivesse superado tudo isso, mas ouvir a
voz dele fez ressurgir as lembranças de como ele a descartou
tão facilmente, e a fez sentir como se o que eles
compartilharam fosse absolutamente nada.

Ele suspirou dramaticamente, e ela ouviu o som de


lençóis farfalhando no fundo. Estaria ele ligando logo depois
de transar com alguém, ou talvez ela ainda estivesse deitada
ao lado dele em sua cama? Não seria surpresa alguma. Ela
devia desligar, mas não fez.

— Eu liguei para ver como você está. Se passaram anos


Mary. Eu ainda me importo com você. — Mary não se
preocupou em esconder seu bufar. Ela deveria ter superado
isto, de fato tinha, mas então tudo o que bastou foi um
telefonema para a arrastar de volta.

— Somos adultos, amadurecemos e tudo o mais.

Ar morto encheu o espaço entre eles, e ela olhou para o


chão. Um pombo pousou há alguns centímetros dela, bicou o
cimento e depois agitou suas asas para as afofar.

— Você está aí, Mary? — Ela apertou os dentes, não para


deixá-lo encobrir as coisas. Ela antes poderia ter sido
influenciável, deixá-lo escapar com coisas que eram
imperdoáveis em todos os níveis, mas não mais. Ela não
precisava provar nada a ele, à sua família, ou mesmo à dele.
Mary agora estava de pé por si mesma, e vivendo sua vida, e
por causa disso, cresceu de muitas maneiras.

— Sim, estou aqui. — Ela não se incomodou em esconder


a frieza em sua voz.

— Para ser honesta, Lance, eu não tenho muito a dizer a


você. Acho que suas palavras de despedida naquela época
foram adequadas.

Ele suspirou de novo, o que a irritou ainda mais. Ele


deixou seu coração magoado e a humilhou na frente de todas
as pessoas que ela achava que eram seus amigos, e agora
estava tentando agir como se isso tivesse sido há muito tempo
e que não era grande coisa.

— Escute, eu já pedi desculpas pela forma como agi na


época e realmente não sei por que você não superou isso. Isso
foi há muito tempo. Não há nenhuma razão pela qual não
podemos ser civilizados um com o outro. Nossos pais são
melhores amigos.

Mary apertou a ponte de seu nariz. Por que ela ainda


estava no telefone com ele, estava além de sua compreensão.
Ela já deveria ter desligado.

— Lance, eu não vou falar disso com você, especialmente


por telefone. Você me ligar não muda nada, além de me irritar
para caralho. — Ela sentiu seu rosto se aquecer com a raiva
que estava sentindo.
— Deus, Mary, ir para uma universidade pública mudou
você. Você está falando como um marinheiro. — Ela revirou os
olhos, embora ele não pudesse vê-la.

Ele possuía muita audácia ao pensar que poderia falar


assim com ela. Estaria ele pensando que ela esqueceu como
ele costumava tratá-la? O tempo que passou não mudou nada
no grande esquema das coisas. Quando ela estava prestes a
dizer que terminou de falar, ele começou a falar novamente.

—Sua mãe me disse que você chegará antes do


casamento. Estava pensando que poderíamos ficar juntos,
talvez antes do almoço no sábado? Eu sei que você tem o
ensaio e tudo, mas em nome dos velhos tempos?

Ela não estava surpresa que ele soubesse quando seria o


ensaio, não quando ele provavelmente conhecia todos os
aspectos do que estava acontecendo na vida de sua família.

— Não. — A palavra saiu tão rapidamente e dura que ela


ficou surpresa consigo mesma, mas, mais uma vez, ela ficou
furiosa que ela ainda estivesse falando com Lance e que ela se
permitiu continuar a fazê-lo depois de tudo o que aconteceu
entre eles.

— As coisas estão acabadas entre nós. Eu não preciso ou


quero ser sua amiga, mesmo que nossos pais sejam próximos.
Eu segui em frente, comecei minha vida, e não estou pensando
sobre a relação que tínhamos. Você decidiu sobre o que queria
fazer naquela época, e eu também.

Ela praticamente podia ouvi-lo cerrando os dentes do


outro lado da linha. Lance pode parecer calmo e socialmente
perfeito quando os outros estavam vendo, mas ela conhecia o
seu verdadeiro “eu”. Bastava algumas bebidas e era como
assistir a um projeto de ciências grotesco.

A transformação era rápida. É claro que não foi por isso


que a relação deles terminou tão mal, embora ela devesse ter
chutado sua bunda só por isso. Ela deveria tê-lo deixado na
primeira vez que ele gritou com ela enquanto estava bêbado e
disse algumas coisas muito dolorosas, mas naquela época ele
era tudo o que ela conhecia, e ela era uma adolescente
ingênua e suas desculpas aliviaram as coisas que não foram
solucionadas. Desde que começou em OSU ela aprendeu um
monte de coisas, principalmente que ela não precisava de um
homem em sua vida para se sentir completa. Esta era a única
coisa que precisava agradecer a Lance, porque se eles não
tivessem terminado daquela forma, as coisas seriam muito
diferentes na vida dela, disso ela tinha a certeza.

— Eu não estou pedindo nada demais. Eu só quero ser


seu amigo novamente, como éramos antes de tudo acontecer.

O que a irritou mais foi o fato de Lance nunca ter dito


que cometeu um erro. Já foi ruim o suficiente pegá-lo se
enroscando com sua melhor amiga, mas foi ainda pior quando
ela descobriu que todos os seus “amigos” sabiam o que estava
acontecendo. Então, lá estava ela, observando com desgosto
como o cara que ela pensava que amava estava transando com
alguém que ela pensava ser sua melhor amiga. Droga, ela
pensou que um monte de gente se preocupava com ela, mas
era engraçado e deprimente perceber que estava
completamente errada.
Ele pediu desculpas, implorou e prometeu que nunca
faria novamente. No final, ela se afastou, e ela ficaria
eternamente grata por ter sido forte o suficiente para fazer isso
naquela época. Ela não voltaria a ser o saco de pancadas
verbal de todos. Nem voltaria a permitir que um homem
passasse por cima dela, e deixar tudo ficar bem com um
simples, sinto muito. A única coisa pela qual ele se arrependeu
foi o fato de ter sido apanhado. Aquela foi a última vez que ela
viu qualquer um dos chamados “amigos”.

Mary voltou para casa algumas vezes desde então, mas


ela fazia questão de ficar longe das pessoas com quem
costumava estar. Estes anos a ensinaram muito, e a lição era
que ela só podia confiar em si mesma e que as pessoas
usavam muitas máscaras.

— Lance, eu realmente tenho que ir. Eu diria que foi bom


falar com você, mas eu estaria mentindo. — Ele gaguejou
alguma coisa, mas ela desligou e jogou o telefone de volta na
bolsa. A única coisa sobre a qual ela conseguia pensar sobre o
porquê de ele ter ligado, era que ele provavelmente já não
estava mais com Brittany. Todo o seu corpo se apertou quando
ela pensou sobre aquela que foi sua melhor amiga.

A última vez que ouviu algo a respeito, foi de Margo,


porque sua irmã não conseguia parar de fofocar quando ela
voltava para a cidade, e era que Lance e Brittany ainda
estavam juntos. Ambos a enganaram e se mereciam.
Apenas pare de pensar nisso. Você já passou todo este
tempo sem que eles se intrometessem em sua vida, não os deixe
começar agora.

Ela se levantou, não estava mais com humor para a


pesquisa na biblioteca, então foi para casa. Mary não era de
beber, mas ela poderia realmente beber algo agora. Talvez um
bom treino a fizesse ao invés de beber

Dez minutos depois, ela estava fechando a porta de seu


quarto e sentando na beira da cama. O telefone começou a
vibrar, mas quando ela viu que era sua mãe, ela o jogou de
volta na bolsa. Não foi nenhuma surpresa que ela estivesse
ligando depois de Lance ter falado com ela. Na verdade, ela
sabia que seu ex tentaria usar sua mãe para convencê-la a vê-
lo. Isso foi um grande problema com ele quando eles estavam
namorando, bem, um dos problemas.

Olhando para trás no relacionamento com ele, ela se deu


conta de que havia muitas coisas que ela ignorou. Seu telefone
tocou novamente, mas ela não se incomodou em olhar para
ele. Quando sua mãe estava com raiva ou desesperada o
suficiente, ela era persistente.

Depois de colocar um par de calças stretch e sua


camiseta de treino, Mary pegou sua mochila e empurrou uma
muda de roupa na mesma. Ela saiu de seu quarto e foi para a
cozinha, onde ela parou quando viu Darcy sentada à mesa
olhando de forma dura.

— Oi.
Darcy olhou para cima, com a máscara de cílios criando
anéis escuros ao redor dos olhos e seus cachos loiros
normalmente encaracolados parecendo especialmente crespos.
Era final de tarde, e ela sabia que a sua companheira de
quarto teria aula.

— Você está bem? — Darcy se inclinou para trás e


passou o dedo no olho direito, manchando o rímel ainda mais.

— Ei, o que há de errado? — Sua amiga normalmente


energética e sociável parecia pateticamente triste, e esta era a
primeira vez que Mary a via assim. Darcy fungou, e um novo
lote de lágrimas encheu seus olhos antes de transbordarem e
deixarem faixas pretas nas bochechas.

— Eu só tive uma briga com Dane. — Pelo tom de sua voz


Mary sabia que havia mais, e só podia imaginar o que faria a
sua normalmente animada amiga ficar tão chateada.

Ela olhou para Mary, e a ponta do nariz ficou vermelho,


ao mesmo tempo em que enrugou a testa, e ela chorou mais.

— Eu ouvi de Meghan que ele transou com uma garota


da fraternidade no último fim de semana. — Bem, Mary
conseguia entender isso, mas não diria nada até que Darcy
terminasse.

— Eu confrontei o idiota, e ele nem tentou negar. Ele até


teve a coragem de colocar a culpa em mim, porque eu não era
ousada o suficiente para ele. — A voz de Darcy estava subindo
agora, e Mary se inclinou para trás, dando espaço.
— Quero dizer, porra, quão ousada ele quer que eu seja?
Deixei que ele...— Mary ergueu a mão e sacudiu a cabeça,
impedindo Darcy de terminar a frase.

— Uh, não, apenas não. Posso imaginar o que vocês dois


fizeram quando ouvi a cabeceira batendo contra a parede.

Isto fez Darcy sorrir, mas então imediatamente ela


começou a chorar novamente. Merda, ela deveria apenas ter
mantido a boca fechada. Mary se aproximou e colocou os
braços em volta dos ombros de Darcy.

— Eu realmente gostava dele, Mary, tipo realmente


gostava dele.

— Eu sei. — Mary realmente não sabia, mas estava


tentando se identificar com sua amiga. Honestamente, ela viu
muitos caras entrarem e saírem da vida de Darcy no curto
tempo em que viviam juntas, mais do que ela pensou que seria
possível. Ela não julgou, e sabia que a sua colega de quarto
estava curtindo a vida, algo que Mary não fazia. Darcy
furiosamente limpou suas bochechas.

— Eu sei o que você está pensando. — Darcy se afastou


de Mary e fungou.

— Eu tive muitos namorados, mas eu pensei que ele era


“O Cara”. Eles são todos iguais, Mary. Esses caras só querem
uma coisa: boceta. — Mary estava acostumada ao modo rude
de falar de Darcy, mas nunca ouviu tanta dor e angústia em
sua voz.

— Eu sinto muito. Se isso faz você se sentir melhor, eu


posso entender o que você está passando.
— Sério? — Darcy fungou novamente e Mary alcançou
sua mochila para pegar um lenço de papel e entregou.

—Obrigada. — Darcy limpou o nariz e Mary não pôde


deixar de sorrir de como pareceu masculino.

— Sim, eu realmente sei como você se sente. — Ela não


quis entrar em detalhes com Darcy, mas mais uma vez sua
amiga não perguntou nada mais.

— É uma merda, mas posso dizer que melhora com o


tempo e que você encontrará alguém que vai te tratar do jeito
que você merece.

—Sim, eu sei. — Ela se inclinou para trás e olhou para


Mary.

— E pensar que estou chorando por um idiota pomposo.


— Ela balançou a cabeça e soltou um grande suspiro.

— Talvez você queira sair comigo este fim de semana


para me ajudar a esquecer que grande merda que os homens
são, ficando bêbadas e dançando como se ninguém estivesse
olhando?

— Uh. — Mary não estava realmente à vontade nesse tipo


de situação, mas pela forma como Darcy bufou, dando um
olhar arregalado e praticamente implorando para que fosse
com ela, ela soube que não poderia dizer não.

Mary não teve ninguém com quem falar ou para ajudá-la


a esquecer o que Lance fez todos aqueles anos. Se ela poderia
ajudar Darcy a esquecer o quão idiota Dane foi, então ela faria
isso por ela.
— OK.

Todo comportamento de Darcy mudou. Ela bateu palmas


e se levantou.

— Estou animada agora. Que se foda aquele imbecil, e


que se foda o cara que quebrou seu coração. — Darcy não
poderia ter dito melhor.
Alex bateu seu punho cheio de cicatrizes no saco de
pancadas vermelho. Seus dedos estavam doloridos de bater
contra a maldita coisa uma e outra vez, mas ele ficou feliz com
a dor. O suor deixou seu cabelo curto encharcado, e as gotas
caíram por seu peito nu. Ele balançou o punho direito e, em
seguida, fez o mesmo com o esquerdo. Ele sentiu o aperto de
seus músculos quando se esticou e colocou toda sua força,
com o punho direito, contra o saco. Ficando sobre as pontas
dos seus pés, ele fez alguns movimentos, se certificando de
que seu corpo ficou aquecido. O som dos caras lutando ao seu
redor e o cheiro de suor e testosterona preencheram seu nariz.
Era por isso que Alex vinha sempre a esta academia, onde o
mais duro dos duros treinava, e onde ele poderia deixar sair
toda a sua agressividade. Os ginásios em torno do campus
estavam geralmente cheios com os atletas que usavam
esteroides, que possuíam cabeças grandes e paus pequenos.
Quantas brigas ele teve com esses idiotas porque eles
começaram a merda com ele por não limpar a máquina rápido
o suficiente?

Frost6 era de propriedade de Dylan Frost, um ex-campeão


de UFC que tinha se aposentado devido a uma lesão na perna,
com a idade de trinta e cinco anos. Ele abriu este ginásio para
ajudar a outros caras que eram como ele e só precisavam de
um lugar para desabafar sem os regulamentos e regras dos
ginásios ao redor da OSU. Era uma espécie de lugar
underground, onde um monte de grandes nomes vinham
quando eles não queriam a pressão de uma academia grande.

— Sheppard?

Alex parou de bater no saco e virou para ver Vincent, um


dos lutadores em treinamento para o próximo torneio da
Columbus MMA, caminhar até ele. Seus dedos já estavam
enfaixados, e um sorriso em seu rosto.

— Merda não, cara. — Alex enfrentou Vince e sacudiu a


cabeça. Ele conhecia aquele olhar, e de jeito nenhum ele iria
para o ringue lutar com ele.

— O quê? — Os anéis do lábio e da sobrancelha de Vince


brilhavam sob as luzes fluorescentes.

— Não aja como uma criança. Você sabe por que você
veio aqui.

— Tudo bem, deixe de ser trouxa e lute comigo. — Vince


já estava se movendo em direção ao ringue. Alex apertou os
dentes. Ele estava aquecido, mas Vince era uma máquina, e

6
Nome da academia que Alex frequenta, que é o mesmo nome que o apelido do proprietário
conhecia um monte de infernais movimentos a mais que Alex.
A última vez que lutaram, Alex ficou com um olho roxo e
mancou por uma semana. De jeito nenhum Alex era um
maricas, e poderia facilmente lidar consigo mesmo, mas
merda, Vince era um animal na gaiola, estava treinando para
estar na UFC, e poderia matar um homem com alguns
movimentos estrategicamente colocados.

—Eu juro, sem socos nos rins, e eu vou ficar longe do seu
rosto, menino bonito. Eu não gostaria que você tentasse pegar
uma garota parecendo que saiu merda de você.

Vince era um idiota arrogante, e com razão, pois ele era o


Rei da gaiola, mas se ele queria lutar, então foda-se. Alex tinha
tanta adrenalina bombeando em suas veias que ele sentiu
força fluindo através dele. Outro lutador veio até ele e começou
a enfaixar as suas mãos. Vince saltou sobre as pontas de seus
pés na gaiola, olhando para Alex com um olhar divertido no
rosto. Depois que acabou de se preparar, ele subiu no ringue e
enfrentou Vince.

— Desta vez, você é o único que vai ter a porra do olho


roxo.

Vince jogou a cabeça para trás e começou a rir.

—Bem, me mostre menino bonito.

Alex não esperou, apenas se aproximou, seus punhos


levantados e seu único foco em Vince. Eles ficaram ao redor
um do outro, e em um movimento rápido, Vince e eles estavam
abraçados no chão. Vince tentou utilizar uma chave de joelho
para pegar Alex numa posição de submissão, mas ele se virou
rapidamente e prendeu Vince na barriga com o braço por trás
em uma chave de braço.

— Tá ferrado —, Vince disse com uma risada tensa.

Alex poderia ter quebrado seu braço, ou, pelo menos,


deslocá-lo, mas não era disso que se tratava. Vince girou e se
moveu debaixo de Alex, e, em seguida, ele encontrou os braços
de ambos num clinch7, um movimento que os deixou cara a
cara, os braços interligados juntos, e suas respirações rápidas
e idênticas. Alex começou a dar socos próximos ás costelas de
Vince. Vince grunhiu de dor, e se encheu de satisfação.

— Porra Alex, você esteve treinando. — Vince grunhiu


novamente, mas em um movimento experiente, Vince estava
agora atrás dele com o seu grosso antebraço em torno do
pescoço de Alex. Não importa o quão bom Alex era em lutas
sem luvas, Vince conhecia seus movimentos, e era um
especialista em Sambo, uma arte marcial russa. Vince bateu
com o punho livre na lateral de Alex, e ele grunhiu.

— Eu vi você no Rocko’s. — Vince reforçou seu abraço


sobre a garganta de Alex, cortando mais ar.

— Ia chamar você para sair, mas então vi aquela morena


quente com pernas assassinas. — Alex sentiu raiva subir pelo
modo como Vince falou sobre Mary.

— Você está interessado, cara? Porque se não estiver, eu


estou, totalmente.

7
Clinch, no boxe, é uma forma de livrar-se de uma eventual sequência de ataques desferidos pelo
oponente, imobilizando os braços do mesmo com um abraço.
Alex enxergou vermelho e ficou chocado com a força com
que sua raiva cresceu. Ele era amigo de Vince, mas algo
dentro dele explodiu quando Vince falou sobre Mary assim,
como se ela fosse apenas só mais uma. Enrijecendo, ele usou
toda sua força para se manobrar para fora do abraço de Vince,
girou, e socou-o diretamente na porra do olho. Vince tropeçou
para trás, e um olhar de surpresa cruzou o rosto do lutador
logo antes de sua própria raiva mascarar suas feições.

— Droga, acho que eu sei quais botões apertar. — Vince


rolou seu pescoço sobre os ombros e começou a saltar em seus
pés.

— Então, falar sobre aquela boceta é proibido, certo?

O idiota estava provocando, querendo uma briga valendo


tudo, e Alex estava caindo direitinho. Ele não conseguia evitar
sua reação. Ele não podia controlar a forma como seu sangue
ferveu com a porra do pensamento de Vince em qualquer lugar
perto de Mary.

Na verdade, o chateava pensar em qualquer idiota


colocando as mãos sobre ela. As suas emoções aumentaram
como um monstro cheio de fogo, querendo derrubar tudo e
qualquer coisa que se colocasse entre ele e ela, mas ele sabia
como isso parecia ruim. Mary nunca seria dele, em qualquer
sentido da palavra, mas ele se tornava violento com o
pensamento de Vince ou qualquer idiota tentando chegar até
ela.

— Merda, Alex, você parece a porra de uma besta agora.


Você só precisa de um pouco de fumaça saindo de suas
orelhas. — Vince ergueu os punhos e o chamou para mais
perto. Alex não quis fazer quaisquer movimentos
extravagantes. Tudo o que ele queria naquele momento era
chutar a bunda de Vince e deixar sair toda a raiva que de
repente o preencheu. Ele carregou Vince e viu o filho da puta
sorrindo.

— É isso aí, amigo, não segure.

Eles se uniram num emaranhado de punhos e pontapés,


cada um batendo no outro em cada local disponível. Alex foi
atingido no intestino mais vezes do que gostaria de admitir,
mas ele conseguiu dar um bom uppercut 8 em Vince, fazendo
com que o lábio do outro se abrisse.

— Filho da puta. — Vince cambaleou para trás e passou


o polegar pela boca, vendo a mancha carmesim em sua mão.
Seu rosto ficou um tom irritado de vermelho, mas Alex não
quis saber se tinha ou não chateado o lutador. Vince queria
lutar, e quando ele começou a falar sobre Mary todo o merda
se soltou.

— O que está acontecendo? — O som da voz de Dylan


cresceu em todo o ginásio, e Alex percebeu que tudo estava
estranhamente silencioso. Olhando em volta, notou que todos
os lutadores pararam o que estavam fazendo e olhavam para
eles.

8
Uppercut é um soco utilizado em várias artes marciais como no boxe, kickboxing e muay thai. Este
golpe é lançado para cima, com qualquer uma das mãos (apesar de ser mais frequentemente
empregue um uppercut da mão de trás). O uppercut viaja no plano vertical, de baixo para cima,
junto ao tórax do adversário e entra pela sua guarda em direção ao seu queixo.
— Eu perguntei o que está acontecendo! — Dylan estava
do outro lado do ringue e olhou para os dois. Seu cabelo loiro
curto se levantou na extremidade, e pelo suor escorrendo de
seu corpo, ficou claro que o grande filho da puta estava
treinando.

— Este é um centro de treinamento, porra. Se vocês


cuzões querem lutar sujo, façam em outro lugar, vocês me
entenderam?

Alex concordou e enviou um olhar para Vince que já


estava olhando para ele.

—Vá colocar gelo na sua cara de merda, Alex. Vince,


limpe o sangue do tapete —Dylan rosnou e se virou, mas não
antes que murmurasse algo sobre jovens idiotas.

Alex virou, saiu da gaiola e foi para a sala médica. Ele


pegou um gel-pack9 do congelador e bateu a porta com um
pouco mais de força que o necessário. Deus, ele estava agindo
de modo ridículo, ficando chateado com seus amigos, e sobre o
que? Uma garota que ele acabou de conhecer? Ela ia ser a
porra da sua tutora, e ainda assim lá estava ele, com um pau
duro por ela. Ele sentou sua bunda em uma cadeira e bateu o
pacote frio em seu rosto machucado. Tudo por causa disso:
ficar entre as pernas dela.

— Merda. — Ele passou a mão pelo cabelo úmido e


baixou a cabeça entre os ombros. Ele estava se

9
descontrolando, e indo como um louco para cima de seus
amigos. Tinha que ser o fato de Mary não ser como qualquer
outra mulher com quem ele esteve antes. Ela era tão boa, pura
e saudável.

As garotas que ele ia atrás já estavam lá esperando por


ele, com as calcinhas no chão e suas pernas abertas. Elas não
usavam roupas que cobriam mais do que mostravam, e elas
certamente não eram espertas o suficiente para domar idiotas
como ele. O som da porta abrindo o preocupou por ter que
falar com Dylan sobre qual era o seu problema, porque,
honestamente, ele não tinha nenhuma ideia.

—Dylan, cara, eu sinto muito por isso. Eu apenas explodi


sobre alguma merda estúpida. — E foi estúpido, dado o fato de
que não havia nada entre ele e Mary.

Ele levantou a cabeça quando Dylan não respondeu e viu


Vince encostado na parede em frente a ele. Merda, ele se
sentia como um idiota, mas ele ainda estava chateado com
Vince por ter dito aquelas merdas sobre Mary.

— O que está acontecendo? — A saudação indiferente fez


Alex se endireitar e olhar Vince com suspeita. Vince sorriu e se
afastou da parede, indo em direção a ele.

— Você estava muito louco lá atrás. — Ele abriu a


geladeira e pegou um pacote de gel-pack do compartimento,
pressionando no seu olho já inchado.

— Nunca vi você ficar tão feroz. — Ele encostou na


geladeira e olhou para Alex.

— O quê cara?
— Quero dizer, aquela garota é sua ou algo assim? Foi
por isso que ficou puto quando eu estava falando sobre ela? —
Vince dizer qualquer coisa sobre Mary o fazia enrolar sua mão
em punho e cerrar os dentes. Ele olhou para o chão e tentou
ficar calmo.

— Nah, ela não é minha. Ela na verdade é minha tutora.


— Ele olhou para Vince que não disse nada e continuou
olhando.

—Sim?

Alex assentiu, sabendo o que Vince ia dizer em seguida.


O lutador de MMA era um grande filho da puta, e caiu na
categoria peso pesado. Seu cabelo preto foi raspado perto de
sua cabeça, e seus olhos igualmente escuros nunca revelavam
nada. Ele era um bastardo assustador, e um lutador com
quem ninguém mexia, mas algo estalou dentro de Alex quando
ele estava trancado na jaula com ele, e o que começou como
um treino e luta amigável, acabou com ele explodindo e
levando a luta muito longe. Este era o cara que ele considerava
um grande amigo há anos, mas tudo o que foi preciso, foi
Vince dizendo algo sobre uma garota que ele conheceu há
apenas alguns dias.

— Eu nunca vi Dylan tão puto. — Gotas de suor desciam


pela espinha de Alex.

— Nah, ele fica bravo às vezes, mas não há nada como


entrar na gaiola e colocar a raiva para fora que não possa
consertar.
Sim, ele viu Dylan lutar algumas vezes, e o homem ficava
insano na gaiola e era uma força a ser reconhecida, mas sua
ira era sempre controlada. Ele se descontrolou quando os viu
no ringue.

— Escuta, cara, eu sinto muito sobre ter explodido lá


fora. — Alex encostou na cadeira e descansou o gel-pack em
sua coxa.

Seu rosto latejava ferozmente, e ele sabia que Vince


conseguiu dar alguns bons socos nele, mas olhando para o
rosto do outro cara, viu que também teve sua cota de socos
nele.

— Só não diga nada como aquilo sobre Mary de novo, ok?

Vince não disse nada por alguns segundos, mas depois


ele deu um aceno apertado.

— Claro cara. Eu não pretendia ofender, e eu não sabia


que você era tão próximo dela. Da última vez que ouvi, você
ainda estava deixando cair calcinhas.

Alex estremeceu, realmente estremeceu com as palavras


de Vince, e qual era o problema com isso? Ele realmente
nunca se sentiu mal com a vida que vivia, mas agora ele
estava se sentindo sujo. Ele voltou a pensar em todas as
garotas com quem ele dormiu, e ele nunca sentiu o termo
prostituto tão real como agora, ou quando estava na presença
de Mary.

— Merda, Alex, você parece que está prestes a vomitar.


Tem certeza que está bem?
Droga, ele estava bem? Ele estava deixando alguma
garota afetá-lo tanto que ele estava dando socos em seus
amigos.

— Porra. Sim. Não. Droga, eu não sei. — Ele se sentia


como algum tipo de adolescente que só agora percebeu o
quanto sabia se masturbar bem. Ele olhou para Vince, e o
idiota estava sorrindo para ele.

— O quê?

— Então você não está com aquela garota? — Alex cerrou


os dentes, quase no limite para o estourar. Vince levantou as
mãos em sinal de rendição.

— Eu não estou perguntando para que eu possa tentar


algo com ela. — Ele esperou que ele continuasse, mas
pareceu que Vince estava à espera de sua resposta.

— Nah, como eu disse, ela só está me ensinando. — Ele


apertou a mão em torno do gel-pack, e o gel dentro começou a
ficar quente na sua mão. Mas o que ele não disse foi que ele a
desejava muito. É claro que Alex não precisava falar para
Vince ler suas malditas expressões que estavam claras em seu
rosto.

— Mas você tem o pau duro por ela. — Não foi uma
pergunta. Vince jogou o gel-pack na pia. Nada foi dito por
longos vários minutos com Vince alongando as costas e
erguendo os braços acima da cabeça.

— Bem, se você não está com ela, então você pode vir
comigo ao Tainted esta noite. — Vince parecia entediado, mas
Alex sabia que o cara estava ansioso para ir. Alex devia ter dito
não a ir para o novo e mais quente clube em Columbus, mas
ele precisava relaxar e tirar de sua cabeça a ideia de fazer
coisas sujas com Mary.

Sim, ele iria com Vince, ele encontraria uma garota para
foder, talvez a pegasse no corredor. Ou, se ele estava
realmente se sentindo sujo, ele transaria com ela em uma das
cabines do banheiro.

Mas até pensar em colocar seu pau em outra garota tinha


o maldito efeito da coisa murchando em seus calções. Merda,
ele só precisava estar com Mary, mas primeiro ele precisava
que ela o ajudasse a passar no curso, porque transar com ela
antes deixaria as coisas como uma merda desconfortável.

— Minha cabeça tá ferrada.

Vince deu um tapa nas costas dele.

— Alex, todos nós estamos com a cabeça ferrada. Mas


não é nada que um pouco de álcool e uma boceta molhada não
possam mudar. Então você está dentro, irmão? — Vince foi até
a porta, mas parou antes de voltar para o ginásio. Ele olhou
por cima do ombro e levantou uma sobrancelha escura. Eles
seguraram o olhar um do outro e Alex sabia que ele estava
esperando por sua afirmação de que eles estariam no clube
hoje à noite.

Vince abriu a porta, e o som de luta e grunhidos


entraram para a sala médica. Vince esperou sua resposta e
Alex sabia que ele não desistiria.

— Sim, cara, estou dentro.


Mary estacionou a BMW na garagem compacta da casa
de Alex. Ela desligou o motor, mas ficou lá por alguns
momentos. Por que de repente ela estava tão nervosa?

Uh, possivelmente porque você tem desejado esse cara a


cada vez que o vê, e agora você vai vê-lo várias vezes, muito
perto e intimamente.

Depois de ir para a academia e exercitado de forma dura


suas pernas até se sentir como pudim, ela provavelmente
perdeu peso suficiente em água para encher sua pia da
cozinha, e foi para casa e tomou um banho com água tão
quente que poderia ter derretido sua pele. Um par de jeans e
uma camiseta pareciam um traje fino para sair, mas quando
Darcy viu suas roupas ela fez um barulho de escárnio e
sacudiu a cabeça. Ela tinha tudo, mas arrastou Mary de volta
para seu quarto e vasculhou seu armário até que encontrou
um vestido na parte de trás de seu armário. Era escuro, uma
coisa pequena e apertada que ela só usou uma vez, para um
jantar com Lance. Ela deveria ter queimado a maldita coisa,
mas ela gastou muito dinheiro nele, e bem, era um belo
vestido. Feito de seda francesa com as costas nuas e lhe caía
bem o suficiente para que causasse boa impressão, e Mary
trabalhou durante todo o verão só para comprá-lo. Talvez não
tenha sido a melhor maneira de gastar seu dinheiro, já que ela
só o usou uma vez e agora era associado ao seu ex, um cara
que ela não queria ver novamente, mas disse a si mesma que o
usaria novamente. Sim, isso nunca aconteceu, até hoje à noite
ela supunha. Parecia muito extravagante para ir a uma boate,
mas Darcy assegurou que nunca era demais estar arrumada,
especialmente neste lugar, que era conhecido por todos, mas
onde somente poucas pessoas podiam entrar. Mas para a sorte
delas, Darcy conhecia o segurança.

Yay para elas. Insira sarcasmo.

Mary ainda estava um pouco hesitante em ir, mas o que


bastou para a incerteza desaparecer, foi olhar para Darcy e ver
a expressão triste que ela carregava quando pensava que
ninguém estava olhando.

Darcy iria encontrá-la no clube às oito, de modo que


tinha um pouco mais de uma hora para a tutoria de Alex, e
depois voltar para casa para se preparar antes de sair. Então
agora aqui estava ela, olhando para a casa de Alex, sentindo
todo tipo de ansiedade e expectativa, o que era estúpido
porque ela já fez este tipo de coisa umas cem vezes. Isto não
era diferente. Ele não era diferente, e ela precisava se lembrar
disso. Ela pegou sua bolsa que estava cheia com vários livros
que ela retirou na biblioteca de Sexualidade Humana.
Imaginando que começariam do início, uma vez que ela não
fazia ideia do que ele absorveu na classe, se é que absorveu,
ela foi até a porta da frente. Ela bateu na porta três vezes,
abaixou a mão, mas instantaneamente as apertou na frente
dela.

Vários momentos se passaram, e ela levantou a mão para


bater na porta novamente. Ela sabia que alguém estava em
casa porque o som do riso alto, e de um jogo de futebol na
televisão ao fundo chegava até a porta. Ela enviou a Alex uma
mensagem de texto logo cedo dizendo que ela estaria aqui às
seis, então ele deveria estar esperando por ela. Segundos
depois, a porta se abriu.

— Que mer.... — Adam parou no meio da frase e olhou


para ela. Ele ergueu a mão que não estava segurando a borda
do batente da porta e passou por cima da sua cabeça,
despenteando ainda mais os fios.

— Oh, desculpe por isso Mary. — Ele olhou por cima do


ombro em direção às escadas e, em seguida, virou para ela.

— Eu pensei que você fosse outra pessoa. Entre. — Ele


saiu da frente, e ela entrou. A casa cheirava mal, como suor,
meias de ginástica velhas, e algo podre.

— Estou aqui para ser a tutorara de Alex. — Ela virou


para encará-lo. Adam fechou a porta e olhou para as escadas
novamente.

— Oh, ok. Ele está se enfeitando no andar de cima.

Enfeitando?
— Oi? — Adam sorriu e balançou a cabeça.

— Ele está ficando bonito para o seu encontro de hoje à


noite. — Algo torceu em seu estômago com as palavras de
Adam.

— Oh, bem, eu não sabia nada sobre isso. Eu só estou


aqui para ajudá-lo com suas aulas.

Adam estava olhando para ela de forma estranha, e ela


esperava que sua decepção súbita e irracional não estivesse
escrita em seu rosto. Antes que qualquer outra coisa fosse
dita, o som de passos pesados descendo as escadas encheram
seus ouvidos. Adam resmungou algo baixinho e voltou para a
sala. Mary virou e viu Alex vindo em sua direção. Ele usava
um par de jeans rasgados e uma camisa. As mangas estavam
enroladas nos antebraços, mostrando seus músculos e bronze,
e os dois primeiros botões na gola da camisa estavam abertos.
Seu cabelo estava molhado e os fios estavam espetados em
torno de sua cabeça, mas não foi o que chamou sua atenção.
Um hematoma desagradável marcava sua bochecha, e havia
um corte logo acima do olho direito.

—Você não está esperando por muito tempo, não é?

Ela balançou a cabeça, suas palavras fugiram conforme


ela olhou para suas feridas.

— Deus, você está bem? — Por instinto, ela estendeu a


mão para ele, mas ele deu um passo para trás. Mary ficou
imediatamente envergonhada por fazer algo assim, então ela
deu um passo para trás.
— Sim, estou bem. — Ela queria perguntar o que
aconteceu, mas não era preciso ser cientista espacial para
descobrir isso.

Além disso, Alex tinha uma reputação de entrar em


brigas. Mary olhou para ele novamente, e mesmo que alguém
tivesse conseguido dar alguns socos, ela não duvidava de que
o outro cara provavelmente estava pior. Ele estava tão perto
que uma onda de calor a encheu. O aroma de sabão e um
toque de colônia encheram seu nariz, e ela realmente se sentiu
inclinando em direção a ele.

— Uau, você está bem? — Foi só quando ele colocou a


mão enorme em seu ombro para firmá-la, ou talvez para
mantê-la longe, que ela percebeu o que estava fazendo.

Oh meu Deus.

O calor correu até seu pescoço e cobriu o rosto. Não


havia nenhuma dúvida que ela parecia um tomate, mas se
Alex viu ou não era um mistério já que sua expressão
permaneceu impassível.

— Hum. — Ela limpou a garganta e rapidamente olhou


para a sala de estar. Adam e alguns outros caras estavam
sentados ao redor da tela grande de TV assistindo a um jogo
de futebol.

— Não, estou bem.

Quando ela olhou de volta para Alex, ele a estava olhando


com uma expressão estranha, e um tique sob sua bochecha
saltou. Ela olhou para a direita, para a cozinha, mas parecia
que havia algum tipo de jogo de cartas acontecendo com vários
outros caras. Era assim o tempo todo? Ela só veio aqui
algumas vezes no final da noite para ajudar Adam, mas nunca
foi assim. Parecia caótico e lotado, e como que para provar seu
ponto, os caras na sala começaram a reclamar de algo que
aconteceu no jogo, e os da cozinha xingavam e falavam sobre
“comer boceta” e “maldito pau na bunda”.

—Talvez tutoria numa noite de sexta-feira não seja a


melhor ideia. — Mary não era uma puritana, mesmo com sua
educação. Ela quis dizer isso como uma piada, mas quando
ela pegou seus olhos, viu alguma coisa brilhar por trás deles, e
de repente, ela ficou muito tonta.

O que acontecia com este cara que a fazia se sentir tão no


limite? Passou tanto tempo desde que ela foi tocada por
alguém, ou fez sexo? Senhor, se passou muito tempo desde
que ela teve qualquer tipo de interação sexual com alguém,
desde a última vez que ela dormiu com Lance. Pensar em seu
ex a deixou com um humor ácido, mas isso era bem-vindo
porque qualquer coisa era melhor do que esta excitação que
ela tinha por um cara que ela nunca teria.

— Desculpe sobre eles. — Ele não parecia constrangido,


mas, então, ela supôs que provavelmente não haveria muito,
se é que havia algo, que mexesse com Alex.

— É na maioria dos dias. — Ele olhou ao redor e então de


repente parecia desconfortável.

Huh, eu acho que o Grande Alex Sheppard pode ser


abalado.
— Eu odeio dizer isso, porque vai soar como uma espécie
de cantada ruim, mas está muito lotado aqui. Podemos fazer
isso no meu quarto?

Seu rosto instantaneamente aqueceu com suas palavras,


porque mesmo que ele não quisesse dizer da maneira que ela
estava pensando, Mary não podia deixar de imaginar o que
eles poderiam fazer em seu quarto ao invés de estudar. Seu
silêncio deve tê-lo feito pensar que ela estava desconfortável
com a ideia, quando, na verdade, ela estava imaginando todo
tipo de coisas muito sujas.

— Não há realmente qualquer outro lugar na casa, e eu


não pensei que esses idiotas ocupariam os quartos onde
poderíamos estudar.

Ele olhou para baixo, e ela não pode deixar de sorrir. Ela
deveria ter dito não para a sua sugestão, droga, porque o céu
diria que seria uma má ideia entrar no quarto de Alex
Sheppard, onde eles estariam sozinhos.

— Nós podemos ir para outro lugar. Merda. — Ele olhou


para cima e para ela, e fez uma expressão de dor.

— Desculpe.

— Alex, realmente está tudo bem. — Mary estava muito


orgulhosa de si mesma por se manter composta quando estava
se desfazendo por dentro.

— Tem certeza? Eu não quero fazer você se sentir


estranha ou qualquer coisa. — Não era como se ela nunca
tivesse tutelado alguém em seu quarto antes, embora não
fosse realmente norma, e os que ela ajudou em seus quartos
eram do sexo feminino. O problema é que ela nunca desejou
qualquer uma das pessoas que ela tutelou. Mas aqui estava
Alex, tão malditamente lindo que ela não conseguia suportar, e
muito errado para ela em todos os níveis.

Só passe pelas próximas semanas e vai estar tudo bem.


Você pode voltar à sua vida, onde Alex Sheppard nem sabia que
você existia.

O problema era que ela odiava pensar, odiava saber que


era verdade, e que seu encontro hoje à noite não era realmente
um encontro, mas o próximo pedaço de bunda. Esse
sentimento azedo dentro dela, causado por pensar em Lance,
cresceu. Ela não seria um pedaço de bunda de ninguém, e se
ela ficasse com Alex, seria exatamente o que ela seria para ele.

— Sim, eu tenho certeza. — Sua voz era mais forte, mais


direta. Sair hoje à noite estava soando cada vez melhor. Talvez
se ela realmente se soltasse e tomasse algumas bebidas, ela
pudesse relaxar e não pensar em coisas impossíveis. Coisas
que só significariam problemas.

— Mostre o caminho.

Ele novamente olhou para ela de forma estranha pelos


próximos segundos, mas, novamente seu tom foi afiado e
direto. Ele acenou uma vez e subiu as escadas. Ela o seguiu
pelo corredor curto e a primeira porta à direita. Seu coração
estava batendo a mil por hora, quando ele abriu a porta e ela o
seguiu para dentro.

Quantas garotas ele trouxe até aqui? Ela deve ser


masoquista por pensar essas coisas, porque de repente ela se
sentiu tão suja, mas ainda excitada com tudo isso. Seu quarto
era pequeno, mas, Alex era um cara enorme, com ombros
largos e um jeito tão masculino que a fez derreter. A cama
grande ocupava boa parte do quarto. Uma TV de tela plana
pendurada na parede em frente à cama e uma poltrona de
couro. Além de algumas mulheres seminuas deitadas sobre
motocicletas, ou em lingerie com futebol, o quarto era vazio.
Sim, era tudo o que ela esperava encontrar em seu quarto.

— Eu realmente não tenho outro lugar para estudarmos


além do chão, da cadeira ou da cama. — Ela olhou para o
enorme colchão e se forçou a não corar.

— O chão é desconfortável demais. — Mary só podia


imaginar como ele poderia saber disso, e as imagens
desagradáveis dele e de uma garota nua rolando no chão
apareceram em sua mente.

— A cama está ótima. — Eles olharam um para o outro


por um momento, e ela percebeu que o tempo estava sendo
desperdiçado por algo tão estúpido.

Ela fez o primeiro movimento, sentou na beira da cama e


tirou os livros de sua bolsa. Os sons do andar de baixo eram
fortes e desagradáveis, mas não tão estrondoso quanto seu
coração batendo. Alex sentou ao lado dela e, felizmente, ele
estava olhando para os livros grossos que ela colocou sobre a
cama. Ele pegou um deles, folheou e olhou para ela com as
sobrancelhas arqueadas.
— Bem, droga, estas coisas são grossas demais. — A
tensão que Mary sentiu até agora desapareceu um pouco, e ela
não pode deixar de rir.

— Eu não acho que o sexo esteja todo aqui. — Ainda


sorrindo, ela pegou o livro da mão dele e abriu no primeiro
capítulo.

— É por isso que você esta reprovando em Sexualidade


Humana, não é apenas sobre sexo. — Levantando apenas os
olhos, ela sorriu para ele, e uma enxurrada de borboletas
começou a se mover em sua barriga com o sorriso torto que ele
deu.

— Bem, eu não posso discutir com você sobre isso.

Durante a hora seguinte, ela explicou como o sexo tem


desempenhado um papel na sociedade. Ela teve que dar algum
crédito a Alex, ele realmente agiu como se estivesse
interessado no assunto, mas ela também lembrou que eles
ainda estavam falando sobre sexo, e, portanto, era atraente
para um cara.

— Bem, nosso tempo acabou, e, além disso, eu não quero


atrasá-lo para seu encontro. — Ela agarrou os livros e
empurrou-os em sua bolsa.

— Hã?

Já eram sete, e ela ainda precisava ficar pronta e ir para


o clube. O tráfego seria provavelmente horrível, uma vez que
era uma noite de sexta-feira e o centro de Columbus também
estava cheio. Ela olhou para Alex.
Mary não comentou sobre o fato de que ele parecia
confuso com o que ela disse, então ela apenas continuou
falando sobre tutoria.

—Você quer se reunir amanhã, talvez às duas, se você


estiver livre? Eu acho que podemos ter dois dias seguidos
desde que eu esteja livre.

— Sim, eu não tenho nada planejado, então está ótimo.


— Eles ficaram ali por um minuto, e ela percebeu que foi um
minuto muito longo, visto que o constrangimento voltou a
incomodar.

— Você se saiu muito bem com a matéria desta noite,


Alex. Eu não tenho dúvidas de que vai pegar fácil a matéria. —
Suas bochechas ficaram um tom claro de rosa, e seu sorriso
cresceu. Bem, olhe para isso, ela envergonhou fortemente Alex
Sheppard.

— Ok, bem, eu falo com você mais tarde.

Ela se virou para fazer uma saída rápida, sabendo que


precisava de um pouco de ar fresco para ajudar a dissipar o
cheiro inebriante de Alex, que parecia penetrar em seus poros.

Ela alcançou a maçaneta da porta, ao mesmo tempo em


que ele, e quando suas peles se tocaram, um choque de
eletricidade subiu pelo braço dela. Seus olhos ficaram
suspensos por um momento, e agora era a sua vez de corar.
Alex, por outro lado parecia não ter sido afetado novamente,
como se ele se corrigisse por agir como humano, o que a
envergonhou ainda mais. Antes que qualquer coisa pudesse
ser dita, ou que ela trocasse os pés pelas mãos e tropeçasse
em suas palavras, ela arrastou sua bunda de lá para longe do
cara que estava a fazendo se desfazer lentamente.
Alex seguiu Vince para baixo na escada em espiral que
levou à Tainted, o mais novo clube underground em
Columbus. Era mais do que um clube sofisticado e exclusivo,
com uma fila que enrolava em torno do enorme edifício de
tijolo vermelho todos os dias da semana. O clube em si era
debaixo do edifício antigo, no porão maciço que foi convertido
para este propósito específico. A batida da música
rapidamente o abordou enchendo seus ouvidos e atravessando
seu corpo como uma marreta. A escada se abriu para o porão,
e eles deram um passo para o patamar. O elevador que estava
localizado no nível principal abriu, e um grupo de mulheres
seminuas saiu. Seus vestidos mal cobriam suas bundas, e
seus peitos estavam pendurados para fora mostrando um
longo decote. Seus saltos poderiam ter sido fabricados como
uma arma mortal. Uma das loiras parou e descaradamente
olhou para Vince.
— Porra, cara. Estou levando essa para casa hoje à noite.
Ou talvez eu só vá transar com ela no banheiro. — Alex não
piscou duas vezes com as palavras de Vince. As garotas eram
quentes, mas elas não eram nada para ele. O pequeno
patamar abria para a parte principal do clube. As luzes eram
baixas, o ar quase nebuloso, e as batidas foram colidindo.
Lasers atravessavam o espaço, cortando os corpos que
rodavam como se estivessem fazendo sexo na pista de dança.
Era um clube novo, mas Alex veio aqui algumas outras vezes
com Vince. Ele estava sempre cheio de mulheres prontas para
o sexo, e ele tinha vergonha de pensar que aquilo sempre foi
um tesão para ele.

Então ele pensou em Mary e sobre a aparência dela esta


noite. Ela não estava vestindo nada revelador, apenas jeans
com buracos nos joelhos, e uma camiseta apropriada. Ela
parecia maravilhosa com o cabelo escuro espalhado em seus
ombros, e seus olhos azuis brilhando diretamente para ele. Ela
tinha curvas prolongadas, e ele amava que ela não era tão
magra como as garotas que ele normalmente via. Porra, ele
estava caído por ela, mas o pior foi tê-la em seu quarto e na
sua cama. Sim, eles falaram sobre trabalho de escola, mas
para ele foi uma merda se concentrar desde o início, o cheiro
dela era como uma droga. Ele conseguiu absorver pequenas
partes do que ela dizia, o suficiente para que, quando ela
perguntasse, conseguisse responder, sem revelar que ele não
estava prestando muita atenção. Como ele passaria as
próximas semanas com sua tutora, quando tudo o que ele
podia pensar era em tirar suas roupas e explorar cada
polegada de seu corpo? Ele passou a mão pelo cabelo e puxou
os fios curtos na base da sua cabeça.

— Eu preciso de uma bebida. — Ele gritou para Vince,


que levantou o queixo em reconhecimento.

— Eu também.

Eles abriram caminho através da multidão de pessoas e


encostaram no bar quando chegaram. Esta noite estava muito
cheio, o cheiro de suor e sexo pairava no ar. Havia dois
bartenders posicionados atrás do bar com luzes de neon. Seus
movimentos eram rápidos e precisos. Vince se inclinou para
frente, pegou o couro que a bartender estava usando,
chamando sua atenção, e disse algo que a fez parar e
realmente corar. Alex não pôde ouvir o que Vince estava
dizendo por sobre a batida alta e forte da música, mas tinha
certeza de que era algo muito sujo, e que faria a garota punk
deixar cair a calcinha e abrir as pernas para ele até o final da
noite. Vince bateu no bar duas vezes, e Alex praticamente
pôde ouvir o suspiro da garota. Um momento depois, havia
duas garrafas de cerveja gelada na frente deles, e a bartender
estava passando um pedaço de papel para Vince.

Eles se viraram na direção do clube. Alex se inclinou para


o lado, mas manteve os olhos em umas garotas simulando
transar entre si alguns metros à frente.

— Eu ainda quero saber o que você disse para aquela


garota. — Ele ouviu Vince dar risada, mas não se virou para
olhar para ele.
—Não, a não ser que você queira assistir o que eu disse
que faria com minha língua, quando ela saísse do trabalho. —
Alex levantou a mão que segurava a garrafa de cerveja e
franziu os lábios em desgosto. Vince riu.

— Acho que não. — Eles ficaram lá por mais alguns


minutos até Vince bater a garrafa sobre o balcão.

— Vou encontrar um pedaço de bunda para mim.

— E quanto à garota punk? — Alex olhou para Vince, que


estava examinando a multidão.

— Vou ligar para ela mais tarde. — Ele olhou para Alex e
deu um sorriso arrogante. O bastardo a manteria para dormir,
mas Vince era tão culpado quanto o resto deles.

Vince passeou no meio da multidão, e os corpos se


separaram, com se ele fosse óleo e, eles água. Alex trouxe sua
cerveja à boca e tomou um longo gole. Ele deixou seu olhar
fazer uma varredura sobre os corpos, e quando ele fez uma
segunda varredura seus olhos pousaram em uma ruiva que
estava a alguns metros a sua frente. Ela estava sozinha, seu
corpo de frente para o dele, com os olhos fixos nele. Os shorts
que usava não poderiam ser chamados assim, mas de
calcinhas, e seu top era apenas uma tira de elástico que mal
cobria suas enormes, e muito provavelmente, falsas, tetas. Ela
se movia com a música, e cada giro dos quadris era feito para
seduzir. Ela passou as mãos para cima e para baixo de seu
corpo, acariciando seus seios, e, em seguida, se movendo
lentamente para baixo de sua barriga, sobre sua boceta,
recomeçando todo o processo novamente. Normalmente, ele
estaria em cima de tudo isso, mas lá estava ele, ainda
imaginando Mary sentada em sua cama, e não era capaz de
tirar o aroma de sua cabeça. Isto era besteira, e ele estava
agindo como um idiota.

Ele terminou a cerveja e colocou a garrafa no bar antes


de ir em direção à ruiva peituda. Ela continuou mexendo os
quadris para trás e para frente enquanto ele se aproximava.
Ele parou na frente dela, e ela imediatamente enganchou o
dedo ao redor da gola da camisa e o puxou para mais perto.
Seus corpos colados, e ele sentiu os firmes globos perfeitos de
seus seios contra o peito, e a suavidade de suas coxas se
encontraram. Ele envolveu sua mão ao redor da cintura muito
fina, sentiu a borda das costelas dela saltarem, mas não se
concentrou nisso. Seu perfume era forte e ligeiramente
nauseante, mas ela era uma garota relativamente atraente, e o
desejava. Ele não era exigente, especialmente quando estava
tentando pegar um pedaço de bunda e esquecer uma certa
morena sexy e inteligente.

— Não te conheço? — Ela praticamente ronronou, e


levantou os olhos pesadamente maquiados para ele. Ela
piscou os cílios para ele, e ele tinha certeza de que, olhando
dessa maneira para os outros caras, eles se tornavam massa
de modelar em suas mãos. Mas só o deixou ainda mais
indiferente.

— Não.
Ela examinou seu rosto, e ele viu seus lábios pintados de
vermelho se abrirem. Aparentemente, ela não estava
acostumada a ouvir essa palavra.

— Sim, você não é um jogador de futebol da OSU? Eu


acho que eu vi seu rosto no jornal.

Era possível, mas ele não veio aqui para falar sobre seu
status, e ele sabia que ela também não, não vestida assim. Ele
não se incomodou em responder, mas levantou a cabeça e
observou a multidão novamente.

Talvez ele não fosse fodê-la. Talvez ele devesse apenas ir


para casa e se masturbar pensando em Mary.

Isso pareceu muito mais agradável do que o que estava


fazendo agora. Ele estava prestes a ir embora e fazer isso,
quando um flash de negrume chamou sua atenção. Os corpos
se juntaram momentaneamente, e o flash foi embora. Como
ele conseguiu ver algo conhecido com todas as sombras do
clube o envolvendo estava além dele, mas foi algo que chamou
sua atenção.

— Ei, você está interessado em mim ou em outra coisa?


— Eles continuaram dançando, mas sua mente não estava
mais ali, e parecia que nem o seu corpo, já que os movimentos
sensuais contra ele nem fizeram seu pau formigar.

A música mudou para algo mais sensual, mais lenta, e


mais baixa. A multidão se afastou de novo, e foi quando ele viu
um pedaço de pele cor de pêssego num justo vestido escuro.
Os flashes de luzes passavam através dela, destacando a
pesada queda de cabelo escuro no alto da cabeça, e seu corpo
assassino. Mas quando ela virou um pouco para o lado e ele
viu seu perfil, tudo dentro dele parou. Seu pau ficou duro
instantaneamente quando viu que Mary estava a poucos
passos dele, sua dança chamando a atenção de mais de um
idiota no clube, inclusive a dele.

O que é que ela estava fazendo aqui, e vestida como se


quisesse ser fodida? Merda, tudo, a suave extensão de suas
costas estava exposta, e os dois montes idênticos femininos
individuais na base de sua espinha o chamavam. O vestido se
moldava em sua bunda, e ele duvidava que ela estivesse
usando calcinha. Alex levantou os olhos novamente para a
parte inferior das costas, e adorou que ela realmente tinha
quadris, onde ele poderia segurar enquanto batia contra sua
bunda. Ele sempre teve uma queda pela parte de trás da
mulher, especialmente aquelas pequenas ondulações. A ruiva
apertou contra ele e gemeu, pensando que sua ereção era para
ela.

— Você é um menino grande, não é? — Ela passou as


mãos para cima e para baixo de seus braços, e sua pele
contraiu em desgosto. Ela começou a descer sua mão até seu
estômago para sua completa ereção, mas antes que ela
chegasse lá ele gentilmente agarrou seu pulso, a detendo.

Seus olhos nunca deixaram o domínio quase hipnótico


dos quadris de Mary. Se afastando da ruiva, ele começou a ir
em direção a Mary através das pessoas que dançavam. Ele não
deu a mínima quando a ruiva começou a chamá-lo de idiota, e
ele certamente não deu a mínima se alguém ouviu. Todo o seu
foco era em Mary. Havia outra garota dançando com ela, com
vários cachos loiros selvagens, mas nem ela, nem qualquer
outra garota no clube o fascinava tanto como Mary Trellis.

Os olhos da amiga de Mary estavam fechados, sua cabeça


jogada para trás e os braços se moviam com a batida da
música que os rodeava. Sua amiga parecia querer chamar a
atenção dos outros pelo modo descaradamente sensual como
dançava. Mary, por outro lado, fluía com a música, não
tentando chamar a atenção de ninguém, e era óbvio que os
caras estavam olhando para ela como se quisessem estar entre
as suas coxas de qualquer jeito. Merda, ele era um desses
caras, mas a diferença entre eles era que ele ia fazer isso
acontecer. Mary estaria debaixo dele, e ele teria o seu pau
dentro dela. A raiva ferveu dentro dele com o pensamento de
qualquer um desses idiotas atrás dela, porque ela era boa
demais para eles.

Porra, ela era boa demais para ele, mas isso não o
impedia de chegar mais perto, ou de estender a mão para ela e
mal deixar o dedo correr para baixo no comprimento de sua
coluna vertebral. Ela se virou, com os olhos arregalados e seus
lábios rosa entreabrindo em surpresa. Se ele não a desejasse
tanto, ele até poderia ter achado o seu choque divertido. Ela
estava em um clube depois de tudo, um daqueles que não
ignorava que havia pessoas se esfregando nos cantos escuros,
ou dando boquetes debaixo das mesas.

Alex deu um minuto para virar as costas e sair, porque


isso teria sido a coisa inteligente a fazer, mas depois de um
segundo olhando para ele, ela deu um passo mais perto até
que seus peitos quase se tocaram. Suas pupilas dilataram
instantaneamente, e seu maldito pau cresceu ainda mais, o
que mostrava, merda, que a maldita coisa não poderia ficar
mais dura. Ele era um imundo, um que não tinha o direito de
levantar sua mão e gentilmente tomar posse de seu braço, mas
ele fez isso de qualquer maneira. Ele a puxou para frente, e ela
caiu contra ele. Mesmo com todo barulho à sua volta, ele
ouviu o seu suspiro de surpresa. O calor que vinha dela, e a
maneira como suas pálpebras se agitaram disse que ela estava
nisto tanto quanto ele. Se inclinando mais perto de modo que
suas bocas estavam separadas apenas por uma polegada, Alex
olhou nos olhos dela.

— O que você está fazendo aqui, Mary?

Ele não disse como uma acusação, mas o Tainted não era
um lugar em que esperava vê-la. Talvez seja um lugar que ele
veio antes para procurar um pedaço de bunda, mas também
era cheio de um monte de idiotas e de sexo sujo.

— O que você pensa que está fazendo? — Ela tentou


parecer com raiva, mas ela não tinha calor em sua voz, e
também não estava o empurrando para longe.

Ele envolveu sua mão ao redor da cintura dela e começou


a se mover com a batida agora mais lenta, mais erótica da
música.

— Dançando. É o que as pessoas fazem nestes lugares.

Por um momento ela agiu como se quisesse dar um tapa


nele, o que o faria sorrir. Ela estava resoluta, e isso o excitava.
Os flashes de luz que antes estavam pela pista de dança,
desapareceram conforme o DJ trouxe um tom abaixo. Casais
moviam juntos, começando a foder um ao outro com suas
bocas e línguas, e movendo as suas pélvis juntos. Apesar de
pensar que ela não deveria estar em um lugar como aquele, ele
não podia negar que a atmosfera, o olhar e o cheiro dela, e o
modo como ela derreteu contra ele, o deixou malditamente
feliz por tê-la encontrado aqui. Seu pau era uma haste de aço
entre eles, pressionado firmemente contra sua barriga, mas
pulsando no mesmo ritmo que seu pulso.

— Então, você não me respondeu. O que está fazendo


aqui?

— Não que seja da sua conta, mas eu vim com a minha


colega de quarto. — Alex levantou os olhos sobre a cabeça de
Mary e viu a loira se movendo lentamente com um cara com
um piercing no lábio, um cara que ele viu treinando na Frost
antes. Ele voltou sua atenção para Mary, a viu olhando para a
sua boca, e quase gemeu em voz alta.

— Eu pensei que você teria um encontro? — Suas


palavras eram suaves, ofegantes, mas ele as ouviu, no
entanto. Com sua outra mão, ele deslizou pela parte baixa de
suas costas, e sua respiração acelerou quando ele tocou a pele
nua.

— Encontro?

Ela lentamente ergueu seus grandes olhos azuis, as


pupilas quase engolindo seus olhos.

Ela piscou algumas vezes, e ele viu como sua garganta


trabalhou quando ela engoliu.

— Adam disse que tinha um encontro.


Droga Racer e sua maldita boca. Não houve um encontro,
não do jeito que ela estava pensando. Ele saiu para uma foda,
isso era tudo. Não houve jantar, nem segurar as mãos, e
certamente não houve beijos no rosto quando ele deixou a
garota em casa. Ele tinha alguns preservativos na carteira, e
isso era a coisa mais romântica da noite.

Olhando nos olhos de Mary, ele quis ser um bom rapaz e


não apenas Alex Sheppard, o quarterback que fodeu muito e
não deu a mínima para isso, era algo que de repente ele queria
para si mesmo.

Ele deixou seu olhar viajar pelo rosto, pelo suave e


delicado arco de seu pescoço, e um pouco mais. A parte de
trás do vestido era inexistente, mas a frente a cobria da
metade da coxa até ás clavículas. Mas, mesmo assim não
escondia suas curvas, ou os grandes montes suaves de seus
seios, aqueles que ele tanto queria em suas mãos e boca. Seu
pênis empurrou entre eles, e um pequeno ruído escapou dela.
Alex se inclinou um pouco mais até que seus lábios mal se
tocavam. Ele deveria parar, mas ele iria? Porra. Não.

— Esta é uma ideia muito ruim. — Ela colocou as mãos


em seu peito e o empurrou, mas não com muita força.

— Eu não estou fazendo isso com você, o que quer que


isso seja. — O cheiro de algo alcoólico e frutado saia de seus
lábios, e isso o tirou de seu transe. Suas palavras deveriam tê-
lo feito perceber que era uma má ideia, mas não fizeram. Se
inclinando para trás apenas uma polegada, ele olhou para seu
rosto. Seus olhos estavam semicerrados, e suas bochechas
vermelhas.

— Está bêbada, Mary? — Ela balançou a cabeça uma vez,


e depois lambeu os lábios.

Ela piscou algumas vezes e tentou dar um passo atrás,


mas ele manteve a mão na parte inferior das suas costas.

—Por que você se importa?

— Mary, pare de responder às minhas perguntas com


perguntas —, disse em um rosnado.

— Foram dois drinks. — Seus seios subiam e desciam,


deixando o vestido ainda mais apertado. Ele a queria, e ele
precisava ter certeza de que ela estava bem ali com ele, e não
só agindo dessa forma por causa do álcool. Ele deu outro
passo para trás, e eles se olharam. Foi um pouco surreal,
tendo em vista que tudo ao redor deles ainda se movia, mas
era como se estivessem em seu próprio mundo.

Eles não se conheciam há muito tempo, e mesmo assim


ele a estava tocando desse jeito e pressionando seu pau duro
em sua barriga, isso era inadequado em todos os níveis.

Quando é que você já se preocupou com o que era


apropriado?

Ela tinha a testa franzida e o olhar confuso por estar


permitindo que ele a sentisse de uma forma tão íntima, mas
ela não conseguia esconder a reação de seu corpo diante dele.
Seus mamilos estavam duros como pedra, isso era evidente,
porque ela não usava sutiã. Seu peito subia e descia com
força, como se ela não conseguisse recuperar o fôlego. E ele
sabia, sem nenhuma de dúvida, que, se ele deslizasse seus
dedos ao longo de sua coxa até sua vagina, ela estaria
molhada para ele. Mas ela não fez nenhum outro movimento
para deixá-lo saber que queria dar o próximo passo, e o fato de
que ele podia sentir o cheiro do álcool nela, mesmo que ela não
estivesse tropeçando bêbada, tinha bandeiras vermelhas
subindo dentro dele como um enorme sinal de stop.

— Você bebeu demais.

Ela piscou, sacudiu a cabeça e olhou para o chão. Pelo


que pareceu uma eternidade tudo o que ela fez foi olhar para
seus pés, como se ela estivesse pensando sobre algo realmente
difícil, e este momento pudesse definir tudo. Quando ela
levantou a cabeça e olhou para sua amiga, ele percebeu que
realmente estava nervoso sobre o que ela diria. Mary virou e
quando seus olhos se encontraram, ela sorriu lentamente. Não
era o sorriso que ele viu inúmeras vezes quando uma mulher
pensava que poderia seduzi-lo, mas um sorriso de relaxamento
e luxúria embriagadora. Porra, ele a desejava demais, mas
ainda pensava logicamente o suficiente para saber e perceber
que fazer isso aqui e agora seria uma grande merda. Porque
ele a desejava, queria estar dentro dela e tocar cada polegada
dela, mas mesmo isto estava caminhando rápido demais para
ele...certo? Merda, ele não sabia. Ele estava num maldito
conflito. Ele nunca deveria ter vindo até ela e começado tudo
isso, e se Mary fosse tão inteligente como ele sabia que ela era,
ela correria em outra direção.
O que ela estava fazendo? Mary olhou para Alex, e
percebeu que tudo dentro dela se acalmaria assim que ele a
tocasse. Ela tentou afastá-lo, mas em vão. Ela o queria, e pela
ereção que sentiu segundos antes em sua barriga, ele também
a queria. Ela tentou negar, mas realmente de nada serviria.
Ela era tão fraca como qualquer outra garota que caía a seus
pés, mas por que ela precisava dizer não a ele?

Porque você é mais esperta do que metade da população


feminina que saiu com Alex. Ele iria te machucar, e isto seria
um fato porque o seu coração se envolveria.

Ele se virou e começou a ir embora, e por que, por que


ela disse que tinha duas bebidas? Foi depois que ela proferiu
essa frase que ele se fechou para ela. Mary, porém, deveria
estar agradecida, porque sua determinação lentamente foi a
deixando e Alex já tinha as mãos em seu corpo. A neblina de
desejo lentamente se dissipou, e Mary ficou ali de pé com um
pouco de frio e muito envergonhada. Não, ela não estava
bêbada, mas naquele momento ela desejou estar. Os dois
cocktails que Darcy empurrou quando chegou, pela primeira
vez a ajudaram relaxar. A atmosfera de Tainted era diferente
de qualquer coisa que ela já viu. Mary já esteve em alguns
clubes e bares locais desde que se mudou para Columbus,
mas isto era como um mundo totalmente diferente. A
escuridão deixava ainda maior a atmosfera já sexualmente
carregada, e a forma como as pessoas não se importavam se
os outros os viam praticamente fazer sexo na pista de dança
era inebriante e isto multiplicado ao ligeiro zumbido do álcool
através de seu sistema.

Ela estava com ele o suficiente para saber que foi Alex
que a tocou, que quase a beijou, e saber disto a deixou mais
molhada do que ela jamais se sentiu. Claro que o álcool
diminuiu suas inibições e a ajudou a derrubar seus muros
para permiti-lo fazer essas coisas. No fundo de sua mente, ela
sabia que era uma má ideia, mas seu corpo estava gritando
para sua mente calar a boca. Ele a soltou, e ela sofreu em
agonia por querer suas mãos sobre ela de novo, para ter seus
dedos roçando ao longo de suas costas. Pode não ter parecido
excessivamente íntimo, mas foi como ter chamas em todo seu
corpo.

Foi uma má ideia, muito, muito má ideia, mas se sentia


tão bem. A sensação de se sentir drogada, como a que Alex
causou dentro dela quando tocou seu corpo voltou com força
total com esse pensamento, e ela se viu se movendo em
direção a ele quando ele se inclinou contra a barra, quase
parecendo irritado. Ele precisava saber que ela o desejava. Não
era como se estivesse escondendo o fato demais, embora
devesse. Como se fosse algum tipo de animal sentindo a
presença dela, ele levantou a cabeça e olhou diretamente para
ela. Sua expressão era ilegível, mas as sombras da escuridão
do clube passaram em seu rosto. Suas maçãs do rosto
pareciam mais pronunciadas, e seu queixo mais quadrado. Ela
deu mais um passo, e outro, até que eles estavam de igual
para igual, respirando o mesmo ar, e ela estava balançando na
direção dele. Droga, ela não era assim.

— O que está fazendo, Mary? — Sua voz profunda era


baixa e a envolvia como seda.

Ele sabia muito bem o que ela estava fazendo. Ele se


envolveu com mulheres suficientes para saber quando alguém
se aproximava dele. Esse pensamento veio em sua força total,
mas ela o afastou. Ela não pensaria sobre isso, não iria deixá-
lo fazer com que se sentisse mal. Ela queria isso, e pelo
volume ainda pressionando a frente de seu jeans, Alex queria
isso também. Por alguma razão ele estava se segurando para ir
trás dela, e ela estaria mentindo se não estivesse um pouco
magoada com isso.

— Você está sendo modesto, Alex. — Levantando sua


mão e a colocando em seu estômago duro, logo acima do botão
da calça jeans, Mary sentiu toda sua potente excitação. Ela
podia sentir os cumes duros de seus músculos abdominais
bem debaixo do seu dedo, e quando ela começou a mover
lentamente a palma da mão para cima sentiu os músculos se
contraírem em resposta. Ela olhou em seus turbulentos olhos
castanhos e sabia que ela poderia facilmente se apaixonar por
este cara, apenas pular de um penhasco de maldição e nunca
olhar para trás, e quão louco era isso?

Volte, Mary. Apenas volte antes que esse cara que você
mal conhece arruíne tudo para você.

— Você tem experiência com mulheres que esperam você,


certo? Quer dizer, sabe quando alguém está dando em cima de
você?

Ela não fez a frase como uma pergunta, e não foi dito
como um tapa na cara, mas quando viu o olhar sombrio que
tomou conta de seu rosto, ela sabia que ela deveria ter
mantido essa última parte para si mesma. Sua mandíbula se
contraiu, e um músculo sob sua bochecha pulsou
violentamente.

— Sim, Mary? — Sua voz era baixa e profunda, e um


pouco assustadora.

Ela deu um passo para trás, mas ele seguiu seu


movimento. De repente, o zumbido prazeroso desapareceu, e
em seu lugar surgiu um momento de incerteza. Um olhar
sobre o ombro mostrou Darcy se esfregando com um cara
enorme tatuado e com muitos piercings.

— Olhe para mim. — Disse Alex ao lado dela, com


autoridade.

Ela voltou sua atenção para ele, encontrou seu rosto bem
perto, e separou os lábios de surpresa. Ele era tão grande, tão
musculoso, como se pudesse esmagar qualquer um que
estivesse em seu caminho. Ela deveria ter medo deste lado
bestial dele e do olhar selvagem em seus olhos, mas por
alguma razão inexplicável ... ela não tinha. Em um movimento
mais rápido do que ela antecipou Alex a pegou pela mão e a
puxou através da multidão. Antes que ela pudesse perguntar o
que ele estava fazendo entraram em um longo corredor, semi-
isolado, onde as sombras eram grossas para o desconforto
dela. Ele a apertou contra a parede, e o frio penetrou através
de sua pele.

Ela estava respirando pesadamente, incapaz de recuperar


o fôlego, e não sabia se deveria se render ao olhar carnal
refletido no rosto de Alex ou correr na outra direção. Ele
pressionou seu grande corpo contra o dela, e ela sentia cada
duro comprimento do músculo. Ele ainda estava duro, e sua
ereção pressionava sua barriga. Seu rosto era quase severo,
como se ele estivesse com raiva, dela ou de si mesmo. A
música foi desaparecendo até que a única coisa que ela podia
ouvir era a combinação de suas respirações.

— Olhe para mim, Mary. Porra olhe para mim. — Suas


palavras eram frias, duras, como um corte profundo, mas não
tiveram o efeito que ela esperava.

Ao invés de se sentir intimidada ela derreteu como


manteiga quente contra ele. Ele estava tão controlador, tão
exigente, que tudo o que ela podia imaginar foi se entregar a
ele. Quando ela não respondeu, ele chegou tão perto que ela
tinha certeza que ele a beijaria, mas justamente no último
momento, quando seus lábios se tocaram, ele virou a cabeça e
sussurrou em seu ouvido.
— Diga o que você vê quando olha para mim. — Mary
fechou os olhos ao sentir em sua bochecha seu hálito quente e
o aroma adocicado com a cerveja que ele bebeu.

—Eu ...— Sua boca de repente estava tão seca.

— Eu não sei o quer que dizer. — Talvez se ela não


estivesse sentindo seu cheiro e a sensação de Alex tão perto
poderia ter mais consciência de onde ele estava tentando
chegar, mas tal como ela estava era como massa de modelar
em suas mãos. Sua risada profunda e baixa enviou todos os
tipos de deliciosos arrepios por todo o corpo, ao mesmo tempo
em que soava sem humor.

— Você sabe o que quero dizer. — A maneira como ele


falou, devagar, deliberadamente, com os lábios tocando
levemente sua orelha.

— Você acha que me quer, mas não é isso. Não


realmente, Mary.

Oh, ela realmente o queria, mas talvez ele não a


desejasse. Mas, novamente, não fazia qualquer sentido, uma
vez que ela viu o tamanho de seu desejo pressionado contra
sua barriga. Mas ele era um homem, e ela era uma mulher, e
talvez fosse simplesmente biológico seu corpo reagir por estar
tão perto do sexo oposto. A negação foi infrutífera, e ela só
queria fazer isso já, porque a expectativa do que aconteceria
era demais. Por que ela acharia que um homem tão lindo,
talentoso e forte como Alex gostaria de estar com uma mulher
cheia de curvas, alguns centímetros mais cheinha como ela?
Lance fez comentários sobre seu peso, e não havia nenhuma
quantidade de exercício, mesmo quando ela se obrigou a fazê-
los, que atrairia seu olhar como as loiras esbeltas que viu
penduradas nos braços de Alex. Derrota se instalou dentro
dela, mas antes que ela se pudesse afastar, Alex estava
inclinado para que pudesse olhar em seus olhos.

— Você sente o quanto eu quero você, Mary? — A


maneira como ele disse o seu nome era tão quente, que ela
poderia ter tido um orgasmo somente por isso.

—Responda. — A maneira como ele expressou essas duas


palavras era tão dominante, e como ele esperava uma resposta
imediatamente, se viu lambendo os lábios e balançando a
cabeça.

— Não, eu quero ouvir você dizer as palavras.

Deus, o que estava errado com ele? Será que ele queria
embaraçá-la ainda mais?

— Sim, eu sinto, Alex. — Até mesmo sua voz soava fraca,


mas ela assistiu com surpresa quando ele fechou brevemente
os olhos, como se suas palavras doessem.

— A maneira como você se enrijeceu em meus braços, eu


sabia que você estava prestes a fugir, e eu deveria deixá-la,
mas você precisa saber uma coisa. — Ele abriu os olhos, e eles
pareciam mais verdes ainda.

— Não pense que não quero você. — Ele enfatizou seu


ponto esfregando sua ereção contra ela, o que fez com que um
grito chocado escapasse.
Estava tão duro, tão grande, que ela não duvidava que
ele sabia exatamente como usar todo o comprimento pesado
entre suas coxas. Ele pegou sua mão e, lentamente, a moveu
para descansar em seu quadril.

— Como agora eu aposto que sua vagina está


encharcada. — Sua boca estava encostada em seu ouvido
novamente, e a suave sensação, quase erótica de seus lábios
contra essa zona erógena de repente a incendiou como fogo.
Ela estava incrivelmente molhada, e sua maneira grosseira de
apontar isso deveria tê-la ofendido, mas tudo o que fez foi fazê-
la querer mais.

— Eu também sei que se eu escorregar minha mão entre


as pernas você me deixará fazê-lo.

Ele era tão arrogante, até mesmo em tudo o que disse.


Mary não podia falar, não podia pensar claramente quando ele
começou a mover seus dedos de modo lento sobre seu osso
ilíaco. Moveu ao redor de seu corpo, de modo que ele estava
tocando suas costas nuas, e uma onda de decepção passou
por ela que ele não seguiu com o que ele disse.

— Mas também não confunda quem eu sou. — As


palavras dele a confundiram, mas também poderia ser o fato
de que ele estava tão perto que, se ela se inclinasse para frente
apenas uma polegada conseguiria beijá-lo.

— Eu estava tentando ignorar a voz na minha cabeça me


dizendo para deixá-la sozinha, porque eu também queria você,
Mary. — Seus olhos estavam em seus lábios, e ela os lambeu,
não porque ela tentou atrair sua atenção, mas porque tudo
dentro dela estava no piloto automático agora.

— Você é muito melhor do que isso, que eu, e o fato de


que você me quer como eu te quero torna isso ainda mais
difícil. — Ele colocou as mãos em cada lado da cabeça, criando
uma parede do músculo tensionado e denso.

— Eu comi um monte de mulheres, Mary. Um monte. —


Suas palavras eram como água e gelo jogados sobre ela. Ela
piscou os olhos para ele e viu determinação férrea nas
profundezas marrom esverdeadas. Ou ela era mais idiota do
que imaginava, ou ele estava tentando afastá-la porque ele
realmente achava que ela era boa demais para ele.

— Isso é o que eu gosto de fazer, é nisso em que sou


bom. Eu não faço flores e doces. Eu não vou para casa e
conheço seus pais, e eu com certeza não quero ter
relacionamentos. — Ela vacilou, mas ele permaneceu
impassível.

— Você me entende?

Ela fez que sim, mas sua boca de repente estava tão seca
que não conseguia formar uma palavra. O que ela estava
pensando, indo atrás dele, e pensar que Alex-fodido-Sheppard
passaria mais de uma noite com ela?

— Sim, você entendeu agora. — Ele deu um pequeno


passo para trás, mas ainda a mantinha enjaulada.

— Agora, se você quer apenas uma noite de sexo duro, eu


posso te dar. — Ele deixou seus olhos viajarem pelo seu corpo,
e ela estremeceu pela frieza de tudo. Aquele na sua frente não
era o cara que ela acabou de se aproximar há poucas horas,
ou o que ela conheceu na loja de sanduíche, ou mesmo o que
ela queria conhecer desesperadamente. Esse cara era um
Grau A de idiota, e olhou para ela como se fosse algum tipo de
pedaço de carne.

— Se você está procurando algo mais significativo, como


você é especial ou algo assim, você está olhando na porra do
lugar errado, baby.

Suas mãos se fecharam em punhos ao lado do corpo, e


sua raiva aumentou. Todo o seu corpo tremia com a força de
suas palavras, da forma como ele a fazia se sentir como algo
barato, sujo, e não digna. Ela não podia se controlar, nem
tentar se impedir de levantar a mão e bater nele. A cabeça
inclinada para a direita, e ela viu sua mandíbula apertar. Por
vários momentos ela não fez nada, mas ficou ali, e quando ele
se virou e olhou para ela, não havia pesar em seu olhar. De
jeito nenhum ele sentiria pena. Ele já falou o que havia em sua
mente, e não poderia voltar atrás.

— Porra, Alex. — Ela empurrou seu peito, e, felizmente,


ele se afastou dela. Sua mão se feriu e ela sentiu o sangue
correndo para a superfície, mas suas lágrimas eram mais
quentes à medida que caiam por sua bochecha. Ela era uma
idiota, mas sabia quais as consequências de ir atrás de um
bad boy como Alex. Ela apenas estava contente que ele tivesse
mostrado suas cores verdadeiras agora. E agora todo seu
corpo estava coberto de chamas, mas não foi culpa de
ninguém, apenas dela, e ela mereceu cada momento doloroso,
humilhante dele.
Alex foi longe demais, ele sabia disso com cada fibra do
seu ser, mas as coisas entre ele e Mary foram de inexistentes a
explosivas em questão de uma semana, porra, em questão de
horas se ele fosse honesto. Ele a queria desde que a viu pela
primeira vez, e vê-la na pista de dança destruiu todo o seu
controle. Seu autocontrole foi para baixo depois disso, e uma
vez que suas mãos a tocaram ele viu que estava perdido.

Mas então tudo foi por água baixo porque ela o desafiou,
tentou assumir o controle, e ele queria mostrar que ele era a
pessoa que segurava as rédeas. Mesmo agora, ele se lembrou
dela pressionada contra a parede, sua respiração curta e
rápida, e seus seios prontos para serem tocados. Ela o teria
deixado tocar nas tetas dela, ele não duvidava, mesmo estando
embaixo dela naquela parede suja em Tainted. Ele também
não queria que algum dos efeitos enjoativos do licor estivessem
cegando seu julgamento.

Então algo nele estalou quando ela fez uma referência a


ele e as outras garotas, e ele sabia que precisava colocar um
fim em tudo. Alex não precisava ir tão longe quanto fez, e
certamente não tinha que dizer as coisas que disse, mas o fez,
e ela reagiu exatamente como ele esperava. O tapa foi uma
surpresa, porque honestamente ele não pensou que ela o faria,
mas ele merecia. Mesmo agora seu rosto ainda ardia.

Alex virou e viu Mary à distância. Sua bunda parecia boa


pra caralho quando ela empurrou as pessoas na pista de
dança e parou na frente de sua amiga. O fato de que ela estava
com raiva dele era como gás para o fogo que já o consumia.
Ele se manteve nas sombras, e mesmo que ela soubesse onde
ele estava, ele também sabia que ela não podia vê-lo. Mary e a
loira olharam em sua direção, e ambas estavam com uma
carranca desdenhosa. Ele se encostou na parede e manteve o
olhar exclusivamente sobre Mary. Ele a ofendeu,
provavelmente a fez se sentir como uma prostituta. E, apesar
desta ser a última coisa que pensava dela, era também a
última coisa que ele queria fazê-la sentir, mas era a única
coisa que ele pôde pensar para apagar a intensidade do que
aconteceu entre eles.

A loira olhou para Mary, mas ela manteve os olhos sobre


ele, como se ela realmente pudesse vê-lo através das sombras.
Ele era o pior tipo de bastardo, e ele a teria arruinado. Foi
melhor assim. Ele poderia obter outro tutor, mas é claro que
não seria como ela, e depois de apenas uma sessão, ele queria
mais. Porra, ele era um idiota e precisava de outra bebida, de
preferência o suficiente para ficar desmaiado até o final da
noite.
Darcy estava chateada com Mary, por tê-la arrastado
para fora do clube, mas essa era a menor das suas
preocupações. Depois de chegarem em casa, ela se deitou na
cama e passou uma boa parte da noite apenas olhando para o
teto. Deus, ela foi um tola por querer Alex, e certamente pagou
o preço por isso. Ele era um idiota e a fez se sentir tão
extremamente barata. Ele era lindo e letal, e tudo dentro dela
queria ele. Maldito seja ele por ser tão bom de se olhar, e ainda
fazendo com que ela o quisesse. Por horas tudo o que ela fez
era ficar deitada no escuro, amaldiçoando seu corpo por ainda
estar tão molhada, tão carente dele.

Ela finalmente caiu no sono às quatro da manhã, e ás


oito ela estava bem acordada. Ela também não tinha ideia do
que faria. Estava claro que ela não teria mais aulas com Alex,
e depois de apenas uma sessão, ela deveria estar agradecida.
Se aquele era seu verdadeiro eu no clube então ela não queria
fazer parte disso, mas e se não fosse seu verdadeiro eu? Era
possível que ele disse aquelas coisas para afastá-la. Ela
certamente pensou muito a respeito depois que ele as disse.
Mary pensou no olhar que viu em seus olhos quando se
sentaram lado a lado na cama dele, e quando estiveram tão
perto um do outro, que não restou o espaço de uma polegada
entre eles. Não foi apenas sua imaginação, não quando ele a
fazia sentir coisas que nenhum outro cara fez.

O som de seu celular tocando a fez fechar seus olhos. Ela


sabia quem era, e era muito cedo para falar com sua mãe, mas
se ela a ignorasse haveria outra chamada em dez minutos, e
outra dez minutos depois. Ela estendeu a mão e atendeu sem
olhar.

— Oi, mãe. — Esfregando a mão em seu rosto ela ouviu


pelos próximos cinco minutos como sua mãe falava sobre os
planos de casamento novamente, e como faltavam apenas
algumas semanas, e como ela mal podia esperar para
conhecer o cara que Mary levaria.

— Mary, você está me ouvindo? — Sua mãe parecia


aborrecida.

— Eu não gosto da maneira como você vem agindo


ultimamente. Eu não sei se são as pessoas com quem você
tem passado seu tempo, sua falta de respeito aumentou, e eu
não irei tolerar isso, mocinha.

Oh cara, ela usou “mocinha”, o que sempre significava


que ela estava falando sério.
— Eu não quis desrespeitá-la, mãe. Só estou cansada. —
Mary esfregou os olhos e levantou até que estivesse apoiando
as costas na cabeceira da cama.

Sua cabeça latejava, mas não tinha nada a ver com os


dois cocktails da noite passada, e sim com o rosto que estava
rodando em sua mente em poucas horas de sono e ainda não
conseguiu tirar o idiota arrogante do Alex de sua cabeça.

— Você está se sentindo bem, querida? — A irritação na


voz de sua mãe mudou para preocupação. O som de xícaras
chinesas tinindo indicava a Mary que sua mãe provavelmente
estava se preparando para o chá da tarde com suas amigas
socialites.

— Sim estou bem.

Satisfeita com esta resposta, sua mãe voltou mais uma


vez ao modo casamento.

— Eu só liguei para ter certeza que você e seu namorado


estarão aqui na sexta-feira à noite depois que você terminar
suas aulas. Nós teremos um jantar em família com Joe e
Margo. — Ao ouvir o nome do noivo de Margo franziu o nariz.

Joe Barton não só era advogado, mas era conhecido em


sua comunidade como um tubarão no tribunal. Isso não foi
uma surpresa para Mary, não quando todos nesse círculo
estavam sempre em busca de sangue parecido. Ele tinha uma
personalidade muito apática e sem graça, mas Mary supunha
que ele precisava ter para lidar com as diversas saias justas de
sua noiva.
— Mãe, eu não acho que meu namorado poderá ir. —
Houve um momento de silêncio.

Espere por isso. Espere por isso.

— Mary Sandra Trellis, nós já acrescentamos uma pessoa


a mais na lista para o casamento, e seu pai e eu estamos
ansiosos para conhecer este rapaz. Eu já disse a Marlen para
preparar uma refeição extra.

Grande aflição. Sua mãe estava sempre usando seu nome


completo quando ela tentava ser severa e condescendente tudo
ao mesmo tempo.

— Mãe, coisas acontecem. Eu não posso fazer nada se os


planos mudam, ou se ele tem uma vida fora do casamento de
Margo. — A mentira veio facilmente, embora Mary supôs que
não fosse totalmente mentira.

— Nós realmente gostaríamos que ele viesse, porque


gostaríamos muito de conhecer o cara com quem você está
saindo, querida. Além disso, você não quer ser a única sem
acompanhante, certo? — Deus. Ela deveria apenas ter dito
não, que não havia maneira de levar Alex ou qualquer outra
pessoa, mas ela apertou os lábios e voltou a olhar para o teto.

Além do fato de que ela estava muito chateada com Alex,


realmente não queria vê-lo novamente, e esperava que seu pau
caísse... ok, talvez não a última parte, mas ainda assim, Mary
não poderia deixar de imaginar a reação deles se ela levasse o
bad boy tatuado com ela. Chocaria um monte de gente, e
traria um imenso prazer para ela.
— Eu não sei, mãe, mas verei se ele pode reorganizar sua
agenda. — Ela deveria ter mantido a boca fechada, mas era
tarde demais para isso. A emoção e esperança na voz de sua
mãe eram evidentes, e mesmo depois que a desligou sabia que
cometeu um erro enorme. Alex foi perfeitamente claro sobre o
que pensava dela, e o que ele pensava que ela era apenas boa,
e mesmo assim ela ainda estava pensando em levá-lo com ela.
E tudo porque ela queria irritar algumas pessoas e dizer, sem
realmente dizer, que ela não dava a mínima para o que eles
pensavam? Bem, claramente, ela não se importava com o que
pensava porque estava realmente pensando em voltar atrás e
falar com ele.

Sim, o que praticamente resumia tudo, mas na verdade


levar o arrogante Alex com ela era muito melhor do que ir para
a droga do casamento sozinha, ou tentar falar com outra
pessoa para ir com ela. Não era como se ela tivesse um monte
de amigos homens, nenhum realmente, e os que ela conhecia
eram de tutoria, e eles estavam em relacionamentos. Droga,
ela honestamente não sabia o que fazer, porque o seu orgulho
exigia que ela nunca falasse ou olhasse para Alex Sheppard
novamente, mas outra parte dela queria levá-lo, porque ele era
tal como uma picada que chocaria todas as pessoas que já a
fizeram se sentir como merda enquanto crescia.

Ela ainda estava mal com ele, e, especialmente,


machucada pelo jeito como ele a tratou no clube, como se ela
fosse nada. Ela precisava da opinião de Darcy e talvez se
exercitar até que não pudesse mais andar.
Depois de tomar um banho e se vestir, ela desceu as
escadas. Darcy foi para cima, mas estava mal, o que ficou
claro pela forma como ela ficou estendida sobre o sofá, um
braço e perna pendurados, um cobertor jogado a esmo em seu
corpo, e a televisão sem som, mas exibindo algum filme em
preto e branco.

— Está se sentindo bem? — Era uma pergunta estúpida,


dadas as bolsas sob os olhos e o tom quase verde para seu
rosto. Darcy bebeu mais do que Mary na noite passada, e
claramente ela estava sentindo isso esta manhã. Darcy voltou
os olhos para Mary, mas não se moveu ou falou por alguns
longos segundos.

— Eu me sinto uma merda. — Sua voz soava como uma


merda, grave, e como se ela tivesse fumado durante os últimos
vinte anos. Ela se moveu minimamente, mas se encolheu e
caiu de volta no lugar.

— Eu me sinto como se um elefante tivesse me mastigado


e me cuspido.

— Boa analogia. — Mary olhou para a TV por um


momento, então virou para Darcy, que estava olhando para
ela.

— Por que você não volta para a cama?

— Eu não posso. Minha cabeça está martelando. Eu


sinto que vou vomitar, e cada parte de mim dói. — Ela gemeu
e jogou um dos braços sobre seus olhos.

— Por que você me deixou beber tanto? — Mary bufou, e


Darcy levantou a mão e olhou para ela.
— Tudo bem, eu acho que provavelmente não ouviria,
mas mesmo assim.— Isso era um eufemismo.

— Minha mente está me perguntando por que nós


tivemos que vir embora tão cedo? Além de você dizendo algo
sobre um cara, eu não me lembro de merda nenhuma.

— Você realmente não se lembra de nada que eu disse na


noite passada? — Mary disse a ela sobre alguns
acontecimentos no clube, deixou mesmo escapar o nome de
Alex, mas ficou surpresa por Darcy realmente não se lembrar
de nada disso.

— Tudo é um pouco confuso depois da terceira dose A


Piece of Ass.

— Piece of Ass? — Mary viu Darcy tomar algumas doses e


negou quando sua amiga ofereceu um pouco, mas não sabia
como eram chamados. O fato é que era um nome muito
engraçado.

— Ugh, eu não deveria estar falando sobre o álcool agora.

— Desculpa.

Darcy acenou para a desculpa, e elas sentaram em


silêncio por um momento. Mary viu Darcy engolir várias vezes,
e esperava que ela não vomitasse tão cedo.

Darcy sabia que ela era tutora, mas não sabia que estava
ajudando Alex, ou que o queria tanto que ela o deixaria
transar com ela no clube para qualquer um ver. Essa
percepção fez suas bochechas se aquecerem em humilhação.
Talvez ela não fosse melhor que as garotas com quem ele
andava? Nunca houve um momento em que ela quis fazer algo
tão ousado, mas parecia que estar com Alex trouxe um monte
de emoções estranhas. Ela olhou para Darcy e sabia que
ninguém poderia dar conselhos sobre caras melhor que sua
amiga. Ela se esparramou na cadeira e respirou fundo.

— Eu precisava sair de lá por causa de Alex Sheppard. —


Darcy colocou o braço para baixo e se endireitou no sofá.

— OK. E o que a estrela quarterback tem a ver com você?


— Ela olhou para o teto, como num pensamento profundo, e
então uma luz se acendeu em sua cabeça.

— Espere, eu acho que me lembro de você mencionar um


cara chamado Alex. Você estava falando sobre aquele Alex? —
Lá se foi sua ressaca, e em seu lugar ficou uma curiosa
companheira de quarto.

— Sim. Concordei ser sua tutora, e tivemos nossa


primeira sessão ontem à noite. Fizemos um acordo que, se eu
ensinasse ele viria comigo ao casamento da minha irmã em
algumas semanas. — Darcy olhou para ela como se estivesse
perdida.

—Estou confusa a respeito do porquê que nós tivemos


que sair porque Alex estava lá se você era tutora dele. Você
não viu o cara gostoso com quem eu estava me esfregando a
noite passada? Ele com certeza é melhor que Dane.

Mary respirou fundo outra vez.

— Eu tive que sair porque eu senti algo importante por


ele, e eu sei que ele, também. — Darcy ainda olhou para ela.
— OK, então?

— Porque nós íamos fazer sexo contra a parede para


todos verem, e então ele se transformou neste grande idiota,
me fez sentir como uma espécie de garota barata, e é por isso
que eu tive que sair de lá. — Darcy fez mudou a expressão
imediatamente e depois falou.

— Ele disse isso? Quero dizer te chamou de barata? —


Darcy estava muito mais interessada na conversa agora.
Quando Mary não falou rápido o suficiente Darcy disse:

— Apenas cuspa, garota. — Darcy abriu um largo sorriso.

— Ele não chegou a me chamar assim, mas ele fez eu me


sentir assim. Quero dizer, ele falou sobre como ele dormiu com
todas essas pessoas, e como ele não tem relacionamentos ou
alguma coisa assim. Ele fez parecer como se eu estivesse
tentando conseguir com ele, como me casar com ele ou algo
assim.

Os olhos de Darcy ficaram tão grandes como pires. Antes


que Darcy pudesse começar a soltar mais perguntas Mary
continuou a falar.

— Tenho certeza que o álcool teve muito a ver com a


diminuição das inibições, porque eu estava dando em cima
dele tão forte quanto ele estava comigo, mas depois tudo se
tornou uma merda desajeitada.

— Bem, merda, Mary, quero dizer você sabe quem Alex


Sheppard é, certo?
Mary apertou os dentes e deu a Darcy um olhar que ela
esperava que significasse que era uma pergunta idiota.

— Sim, eu sei quem ele é, mas o que isso tem a ver?

Darcy suspirou dramaticamente e jogou as pernas para o


lado do sofá.

— Ele dorme com todas, Mary, e muitas. Quer dizer,


nenhuma garota que vai atrás dele acha que ele vai dar mais
do que isso. — Ela gemeu e apertou a cabeça.

— Minha cabeça dói tanto.

Bom. Satisfeito seu direito de apontar o que Mary já


sabia.

— Eu nunca disse que queria algo mais do que sexo com


ele. Seu maldito ego é tão grande que ele claramente pensou
que eu estava apaixonada por ele ou algo assim.

Darcy deixou cair sua mão e olhou para Mary novamente.

— Eu não estou dizendo isso para te chatear ou fazer


você se sentir pior do que eu tenho certeza que você já se
sente. Eu só posso imaginar todas as coisas que ele disse a e
que você não está me contando. Eu só estou dizendo isso
porque me preocupo com você, e sei que você é muito
inteligente e boa demais para deixar que um cara como Alex
Sheppard faça você se sentir assim. Não pense nele, não se
preocupe com ele, e passe para a próxima. — Darcy caiu para
trás no sofá e fechou os olhos.

— Eu me sinto como uma pilha de coco. — Ela abriu um


dos olhos.
— Você não me acha louca porque eu disse isso, certo?

— Não—. Mary encostou na cadeira e suspirou.

— Não é como se eu já não tenha pensado em tudo o que


disse, mas eu senti algo diferente com ele, você sabe. — Ela
colocou os olhos sobre Darcy.

— Quero dizer, no curto espaço de tempo extremamente


ridículo que passamos juntos, e o modo como ele olhou para
mim, eu senti que não era apenas mais um pedaço de bunda
para ele.

— Sim, querida, eu sei. Eu acho que a população


feminina sabe o que você quer dizer. Ele é lindo, músculos
definidos, talentoso, e pode ter garotas deixando cair sua
calcinha num raio de cinco milhas com apenas um sorriso.
Mas a menos que o seu coração seja feito de pedra e você
esteja preparada para ter apenas uma noite, ou droga,
algumas horas com ele, seria suicídio pensar que você
conseguirá algo mais dele. Ele não é diferente de um monte de
idiotas que andam por aí pensando que são os donos do
mundo, e como eles são um presente de Deus para as
mulheres. Caras como Alex Sheppard existem apenas para
uma coisa, e isso é enfiar seus paus em um buraco quente.

— Você é bruta.

— Mas honesta, — Darcy atirou de volta e deu um sorriso


fraco.

— Eu posso gostar de fazer sexo, Mary, mas eu sei que se


eu quisesse alguma coisa com Alex, ou caras como ele, ele
apenas me mastigaria e cuspiria. — Elas ficaram sentadas em
silêncio antes que Darcy começasse a falar novamente.

— Por que você se ofereceu para ser sua tutora?

— Eu não fiz. Na verdade, ele conseguiu o meu número


com outro cara de quem eu fui tutora, que é seu colega de
quarto. — Darcy assentiu.

— Eu só pensei que eu poderia usá-lo para causar um


pequeno choque de valores no casamento de Margo.

—Então, você estava usando Alex? — Darcy começou a


rir e imediatamente fechou os olhos e apertou a cabeça.

—Eu não mantive isso em segredo. Eu disse a ele


exatamente por que queria que ele fosse comigo. Não menti.

— Você vai mesmo para o casamento da VacaTron? —


Darcy bocejou e estendeu os braços ao mesmo tempo. Ela
ouviu o suficiente sobre Margo quando Mary reclamou sobre
ela para saber que sua irmã era um pé no saco.

— Eu meio que tenho que ir ao casamento da minha


irmã.

—Eu posso ir junto, você sabe, fazer uma cena, talvez


usar minhas camisetas transparentes e Daisy Dukes. — Darcy
balançou as sobrancelhas, e Mary começou a rir. Foi bom se
sentir feliz, ao invés daquela temida tristeza que a persistiu a
noite toda.

—Isso é tentador, mas eu não gostaria de sujeitá-la a


essa multidão. — Foi a vez de Darcy começar a rir.
— Obrigada, não sei se poderia me conter para não
estapear uma cadela qualquer. Mas o que você vai fazer sobre
a coisa toda de Alex?

— O que você quer dizer?

Darcy jogou o cobertor de seu colo.

— Quero dizer, você ainda vai ser sua tutora e levá-lo, ou


esse navio já zarpou?

Ontem à noite Mary teria dito droga não, mas depois de


falar com sua mãe e realmente pensar sobre isso, ela não
estava mais tão certa. Ela poderia manter sua parte no acordo
e ajudá-lo a passar no seu curso, e ele por sua vez poderia ir
com ela ao casamento. Eles não teriam que pensar ou até
mesmo falar sobre a noite no clube, e Mary certamente poderia
manter a distância necessária. Ele era um idiota, só pensava
em sexo, e não se importava com quem ele machucava no
processo. Mas ele também era o cara que ela não conseguia
parar de pensar, e isso desde a primeira vez que o viu. Sim, ela
realmente era uma masoquista. Será que ela realmente ainda
poderia passar por isso, fingir que o que eles tiveram era
absolutamente nada, e ainda manter seu coração intacto?

Ugh, ela era uma idiota mesmo por ainda pensar em


querer ajudá-lo, mas em troca ele também a ajudaria. Ela
poderia fazê-lo, poderia passar o próximo par de semanas e,
em seguida, apenas alguns dias para o casamento. Depois
disso ela não precisaria vê-lo novamente. Se sentindo decidida
de que esqueceria a raiva e faria sua tutoria. Mary esperava
que a merda não batesse no ventilador por causa disso.
Alguém devia estar batendo uma marreta dentro do seu
crânio. Alex abriu um olho e imediatamente o fechou quando
de repente a luz brilhante que veio da janela atingiu seu
piercing e o agrediu. Ele procurou identificar onde estava, e o
que aconteceu.

Sua cabeça doía muito, isso era certo, mas nada mais
parecia particularmente dolorido. Tentando ir para a coisa de
abrir os olhos de novo, ele se protegeu do brilho horrendo e
intenso. Ok, então ele estava no quarto de sua casa uma vez
que tudo o que podia ver era o desagradável e velho papel de
parede floral. Este era o quarto que ele sempre levava as
garotas que pegava, e isso o trouxe de volta para tudo neste
lugar. Mas como ele voltou aqui? Tudo o que se lembrava era
de estar numa pegada real com Mary, encontrar Vince, e os
dois bebendo como se fosse água.
— Porra. — Ele sentiu seu estômago, então se apoiou nos
antebraços e baixou a cabeça por um momento, desejando que
o maldito quarto parasse de girar.

Ele também estava com a bunda nua, o que ele não se


lembrava de ter feito quando foi para a cama. Merda, como ele
estava nu? Ouviu um gemido baixo. Olhando para a esquerda,
viu pela primeira vez uma bunda coberta por um lençol fino, e
seguindo a parte nua das costas com um par de asas de anjo
tatuado entre as omoplatas. Ele continuou levantando os
olhos até que ele finalmente parou no tufo de cabelo vermelho
selvagem espalhado por todo o travesseiro.

Levou um momento, mas depois tudo voltou rápido como


num maldito pesadelo. Ele conseguiu enfrentar a merda com
Vince, aquela ruiva dançou com ele antes que Mary o
encontrasse novamente, e então ele a levaria para casa e
foderia com ela. Merda, ele sabia que fizeram sexo, mas ele
não se lembrava. Medo e horror se estabeleceram nele, porque
ele não conseguia lembrar se colocou a camisinha.

Oh merda não.

Ele saiu da cama o que só aumentou a batida maciça em


seu crânio. Olhando para seu pênis, ele deu um suspiro de
alívio quando viu que o preservativo ainda estava lá. Com uma
onda de seu lábio ele puxou a coisa, jogou no lixo pela
cabeceira, e olhou por cima do ombro.

— Hey. — Houve um momento em que ele achava que ela


não ouviu, mas, finalmente, ela gemeu e rolou de costas. Os
seios dela balançavam pelos movimentos, e ele se virou, se
sentindo enojado consigo mesmo.

—Você precisa sair. — Ele se sentiu imundo, e precisava


de um chuveiro quente. Esfregando a mão sobre o rosto sentiu
o resto de algo que cobria sua pele. Sua boca tinha gosto
azedo, e ele tentou lembrar se vomitou. Ele certamente bebeu
o suficiente para que fosse possível.

Quando a garota ao seu lado não se moveu ele disse


novamente:

— Ei, você precisa sair. Eu tenho coisas a fazer. — Ela


olhou para ele por entre seu ninho de seu rato cheio de cabelo
e estreitou os olhos.

— Seu imbecil. Você está mesmo me chutando agora?


Acabei de acordar.

Não era seu problema. Estalando as costas e sentindo


seus músculos protestar contra o movimento, ele procurou por
suas roupas. Sua cueca boxer e o jeans estavam em uma pilha
no chão no final da cama, e ele os apanhou e rapidamente os
vestiu. Quando ele estava meio vestido, ele se virou e olhou
para ela. Ela estava espalhada sobre a cama, o rosto
completamente desaparecido, e suas pernas se espalharam.

—Vamos lá, que tal um pouco de diversão matinal? —


Ela moveu a mão para baixo de sua barriga côncava e
começou a brincar consigo mesma. Alex fez um grunhido de
impaciência e apontou para a porta.

— Não. Eu disse que tenho coisas a fazer.


Seus lábios se achataram, e ela levantou, completamente
despreocupada com sua nudez.

— Que tipo de cara recusa sexo?

— O mesmo tipo de cara que traz vadias aleatórias para


casa para foder. — Ele estava sendo um idiota, mas ele estava
de ressaca, com raiva de si mesmo pelo que fez com esta
garota, e ainda mais chateado por que desrespeitou Mary da
maneira como fez. Nada que pensasse poderia fazê-lo se sentir
de forma diferente sobre isso. Ele a ofendeu para fazê-la ver
que idiota ele era, mas ele ainda se sentia mal por isso.

— Que tipo de garota você pensa que eu sou? — A voz


dela estava indignada.

— O tipo que vai para casa com um cara aleatório para


foder. — Ele usou a mesma frase para ela que usou para si
mesmo.

Eles eram iguais, não importa o jeito que olhassem isto.


Ele sentiu como se fosse vomitar, e a queria fora de sua casa
para que pudesse fazer isso em paz. Ele realmente não tinha
nada para fazer hoje, bem, não mais. Depois de afastar Mary
ele não tinha aulas hoje, e além de talvez ir ao ginásio para
jogar fora as toxinas do seu corpo, ele sentaria no sofá e não
faria absolutamente nada. Sem estudar. Sem futebol. Sem
Mary. Ele precisava praticar ás segundas-feiras, e, embora ele
não pudesse jogar até que suas notas subissem, ele ainda
treinava com seus colegas.

— Você é um bastardo. — Sua raiva era palpável, mas ele


não estava com disposição para isso. Ele esfregou a mão sobre
o rosto novamente, precisando fazer a barba tanto quanto
precisava de um banho.

Deus, que de dor de cabeça. Ele esfregou as têmporas,


precisado apenas que ela saísse.

Ele a ouviu resmungar palavrões sobre sua


masculinidade, mas não disse nada, porque ela estava certa.

— Vá se foder, Alex.

Ele levantou suas mãos, e agradeceu a quem quer que o


tenha ajudado para que ela finalmente saísse. O som dela
arrancando a porta do quarto, e então sua irritação, passos
barulhentos procederam ao bater da porta da frente. Segundos
depois, pneus cantando de sua garagem o fizeram respirar de
alívio. Ele sentou na beirada da cama e apoiou a testa na mão.
Ele precisava de um galão de água e alguns ibuprofenos.
Houve uma batida na porta, mas ele não se incomodou em
olhar para cima.

— Sim? — Sua voz era abafada, mas quem estava do


outro lado ouviu, porque a porta se abriu.

—Você parece gostar de correr para a merda duas vezes.


— A voz de Racer era divertida, o que o chateou ainda mais.
Ele levantou a mão e virou para fora. Racer riu. O cheiro de
carne embrulhou o estômago de Alex.

— Vá se foder, Adam. — A boca de Alex se encheu de


água ameaçando expelir o que foi deixado em seu estômago,
mas ele engoliu grosseiramente e se forçou a mantê-lo dentro.

— Que horas são, afinal?


— Já passa da uma, fodedor. Fiz alguns hambúrgueres,
se quiser.

Alex apertou os dentes para os palavrões. Só o


pensamento de comida o deixou pronto para vomitar.

Porra, ele dormiu metade do dia, embora não fizesse ideia


de que horas chegou em casa.

— Cara, por favor. Cale a boca sobre a comida.

Racer riu novamente.

— Bem, eu posso fazer alguns ovos, você sabe com os


centros realmente escorrendo. Ou eu posso conseguir um
pouco de salsicha ligeiramente mal cozida para você, você
sabe, para ajudar a melhorar seu estômago.

Alex pegou um travesseiro e jogou em Racer.

— Porra, Adam.

Ele sentiu a náusea voltar, e Racer riu alto antes de


precipitadamente sair do quarto. Alex levantou e foi
rapidamente para o banheiro, abriu a tampa e vomitou até que
não restou mais nada. Bem, merda, ele não conseguia se
lembrar da última vez que vomitou.

Ele acionou a descarga e levantou se apoiando na beirada


da pia. Quando olhou para si mesmo no espelho, estremeceu
com o quão horrível estava. Círculos escuros sob seus olhos,
cabelo despenteado, e a sombra de cinco horas do inferno. Sua
boca tinha gosto de coisa velha, e cada parte de seu corpo
doía. Ele realmente ferrou as coisas com ela, mas foi o melhor,
porque ela querendo ele não era só como um sonho tornado
realidade, mas também uma má notícia. No final, ele a
machucaria, porque ele era bom nisso. Merda, ele já a
machucou.

Mary sabia que era uma má ideia assim que surgiu


pensou, e esse sentimento de medo continuou crescendo
quando ela entrou em seu carro, dirigiu até a casa de Alex, e
agora estava em frente à sua porta à espera de alguém para
responder. Seu coração pulava em seu peito, e sua boca ficou
seca. Sua raiva ainda fervia sob a superfície, e sua droga de
excitação estava correndo através de seu corpo. A porta da
frente se abriu, e ela estava sem palavras. Quando ela viu que
era Alex em nada mais que um folgado moletom, pendendo
abaixo da cintura e uma toalha pendurada sobre seus ombros
largos. Havia aquela escura e deliciosa tinta que começava em
seu braço direito e passava por cima do ombro e desaparecia
em suas costas. Ela sabia que a vasta extensão de suas costas
mantinham essas linhas intricadas escuras que rodavam e
torciam, e estavam em contraste com sua pele dourada, sem
pelos.

— Mary? O que você está fazendo aqui? — Ela piscou e


sentiu o rosto aquecer.
Sem dúvida, ele percebeu que ela o encarava. A forma
como sua mandíbula se apertou, e o olhar sombrio que
atravessou seu rosto deixou o nervosismo sair e se
transformar em raiva. Esta foi uma má ideia, mas ela estava
aqui agora, e ela deixaria suas intenções perfeitamente claras.
Ele encostou na moldura da porta e cruzou os braços sobre o
peito. Não havia um pingo de gordura nele, e o modo como seu
abdômen contraiu, mostrando seus six-pack10, e a maneira
como seus bíceps incharam teve o efeito de calor instantâneo
entre as pernas.

Não se deixe levar por coisas bonitas e brilhantes, Mary.

— Eu vou ser totalmente honesta. Estou aqui apenas


porque preciso que você vá comigo ao casamento da minha
irmã. Se você não fosse meu último recurso eu estaria feliz em
nunca mais vê-lo novamente. A verdade é que eu não conheço
qualquer outro homem que não tenha namorada, ou que eu
acho que aceitaria a ideia de ir comigo. — Algumas coisas do
que ela disse eram mentira, mas não completamente, e é claro
que ela não diria isso a ele. Ele apertou os dentes, mas não
demonstrou.

— Você é um idiota, pura e simples, e eu não quero nada


de você além de ser meu acompanhante. Eu ainda serei sua
tutora, desde que você concorde em ir comigo.

Um momento de silêncio se passou antes que ele


respondesse.

10
— Você está falando sério?

—Eu garanto que não estaria aqui se não fosse. — Ela se


lembrou da noite passada, a forma dolorosa que ele a fez se
sentir, e a maneira como ele olhou para ela de modo tão
superficial que seu coração torceu.

— Eu não quero mais nada de você. Isto é apenas um


acordo de negócios. Eu o ajudarei a passar no curso, e você vai
comigo no fim de semana. Quando tudo estiver resolvido,
podemos seguir nossos próprios caminhos, sem ter que pensar
um no outro outra vez.

Ele não disse nada por um longo tempo e, a cada


segundo que passava, ela ficava mais desconfortável. Depois
de pensar sobre tudo isso antes de ela sair da casa, ela
honestamente não pensou sobre o que ela faria se ele voltasse
atrás. Ela supôs que poderia apenas ir sem acompanhante e
lidar com Margo e sua mãe, o que era muito pior do que
parecia. Ele podia apreciar um acordo de negócios simples,
que beneficiaria a ambos, com certeza.

— Eu posso perguntar a Adam se ele quer ir com você. —


Ele levantou a sobrancelha, e ela enrolou suas mãos em
punhos. Oh, ela pensou em Adam, ainda que apenas por um
momento. Ele podia ser grande e musculoso, mas ele era
muito charmoso e agradável, e sem dúvida seria um perfeito
cavalheiro. Mary queria o completo oposto quando estivesse ao
redor desses esnobes.

— Adam é muito legal. Eu preciso de um cara que seja


um idiota, sabe disso, e não se importa. — O olhar sombrio
que cobriu seu rosto a encheu de prazer. Boa. Ela estava feliz
que conseguiu uma pequena reação dele.

— Eu não estou apontando uma arma na sua cabeça.


Você vai ou não, porque eu não vou ficar aqui o dia todo e
esperar que você pense. — Mary estava muito orgulhosa de si
mesma por ter uma voz firme e não vacilar sob seu olhar
firme.

— Sendo inteligente como sei que é, estou surpreso de


ver você na minha porta.

Por que ele estava agindo assim? Não, ela sabia, porque
ele era um filho da puta pomposo. Ela apenas o conheceu na
semana passada, o cara legal que sorriu genuinamente, e
falou baixinho com ela, não era o cara de pé na frente dela.

— Você está dentro ou não? Eu não tenho todo o tempo


para esta merda.

Ele levantou uma sobrancelha escura para ela, e o canto


de sua boca se contorceu. Maldito seja, ele ainda a fazia
desejá-lo depois da maneira como agiu, e droga ele estava
achando engraçado. Não era, e ela marcaria um ponto porque
nem todas as mulheres eram estúpidas quando chegavam até
ele. Ele se afastou da porta, a segurou ainda mais aberta para
ela, e fez um gesto para que entrasse. Mary não olhou para ele
quando entrou na casa e parou uma vez que ela estava na
frente da escada.

— Nós podemos fazer isso na cozinha. — Ela se virou,


olhou para ele e estreitou os olhos quando o canto de sua boca
se contraiu novamente.
— Você precisa levar isso a sério. Não sou eu que posso
falhar no curso e ter a minha temporada de futebol ameaçada.
— Isso fez seu sorriso desaparecer e apertar a mandíbula.

—Você veio aqui, não se esqueça disso. Você precisa de


mim tanto quanto eu preciso de você. — Eles estavam se
olhando fixamente por um longo tempo, e foi só quando Adam
entrou na porta de entrada que ela desviou o olhar.

— Hey, Mary. — Adam sorria quando olhou para ela.


Sim, ele descaradamente a encarava de vez em quando, mas
ele era um cara genuíno, ao contrário de alguns caras que ela
conhecia.

— Você está bonita hoje. — Mary pensaria que era algum


tipo de comentário sarcástico sobre sua roupa, mas não havia
nenhum tom idiota vindo dele.

— Obrigada.

Ela propositadamente fez questão de vestir suas calças


jeans e camiseta mais destruídas, aquelas reservadas para a
limpeza da casa. Adam voltou sua atenção para Alex.

— Cara, você vai quebrar seus dentes se você apertá-los


tanto. — Com isso Adam saiu pela porta da frente, deixando
os dois sozinhos mais uma vez.

— Tudo bem, vamos acabar com isso. — Ela foi para a


cozinha e começou a retirar os livros e notebook da mochila.
Alex chegou alguns segundos mais tarde e foi até a geladeira.

— Você quer algo para beber?

Sem olhar para ele, ela disse,


— Não, estou bem.

Isto foi estranho, mas ela poderia lidar com uma hora por
vez em sua presença. Ela se sentou e focou nas coisas na
frente dele. Se ela não sentisse o cheiro de banho tomado dele,
e a visão de seu peito definido naquele corte V ridiculamente
rasgado e o músculo que conduz abaixo de suas calças, a
perturbava até que ela não pudesse formar uma frase
coerente. Ela levantou apenas seus olhos quando ele se
inclinou e estendeu a mão para algo na geladeira. A visão de
seu tônus musculoso voltando foi impressionante,
especialmente os músculos embaixo de seus braços, mas
aquilo não era o que chamou atenção ao passar por ela. Três
marcas de arranhões longos na parte inferior das costas,
marcas de arranhões que uma mulher fez quando ele a fodeu.
Ele voltou, puxou a cadeira em frente a ela, e sentou-se. Mary
baixou o olhar antes que ele soubesse que ela estava olhando,
e empurrou imagens sobre exatamente o que ele fez na noite
passada para fora de sua cabeça. Ela não tinha nada a ver
com isso, e o que Alex fez, e com quem ele fez, não era
preocupação dela.

— Escute, sobre ontem à noite...

Oh, Droga não. De jeito nenhum ele pediria desculpas


pela merda que fez e o que, logo depois de foder uma garota
qualquer. Honestamente, ela estava feliz que ele disse as
coisas ontem à noite. Lembrou que Alex não era para ela, e
nunca seria. Ela levantou a mão, o impedindo de continuar
com aquilo. Buscando toda a sua força, não ao ponto de deixar
as coisas tão suaves e fáceis quanto ele provavelmente fez com
um monte de coisas, Mary o olhou nos olhos.

— Não há necessidade de desculpas, Alex. — Seu peito


grande e largo subia e descia quando ele inalou
profundamente.

— Estou aqui para ajudá-lo, e porque eu preciso de sua


ajuda em troca. Além disso, parece que você tinha muito para
ocupar o seu tempo na noite passada depois que eu saí.

Por que você disse isso?

Deus, ela precisava aprender a manter a boca fechada.


Ela levantou os olhos para ele, viu a expressão confusa em seu
rosto se transformar em embaraço, raiva e o quê? Era
arrependimento? Ele estava encurralado, no sentido literal e
figurado. Conforme crescia ela conheceu um monte de pessoas
como ele, que pensavam apenas em si mesmos, não importava
o que os outros sentiam. Bem, não mais. Eles fizeram um
acordo, chegaram a um acordo, e era isto.

— Estamos usando o outro, e isso é tudo. — Ela era mais


forte do que ele e ele pensava.

— Agora, podemos apenas deixar a noite passada para


trás, acabar com isso, e então nós dois podemos esquecer que
o outro existiu?

Ele apertou a mandíbula novamente e colocou as mãos


em punhos sobre a mesa. Seu corpo inteiro ficou tenso, e seus
músculos flexionaram e incharam debaixo de sua pele. Ótimo,
ela estava feliz que ele estava irritado, porque ele merecia estar
tanto quanto ela.
— Não achei que você tinha uma boca como essa, Mary.
— A maneira como ele disse o seu nome deu arrepios. Ele
parecia prestes a explodir, como se mal conseguisse se
controlar.

Talvez devesse ter ficado com medo, mas tudo que ela fez
foi empurrar um livro para ele e dizer que página deveria ler.
Mary esqueceu tudo e se concentrou na matéria. Durante a
hora seguinte Mary não fez contato visual com ele, mas sentia
seu olhar sobre ela, e por causa disso estava ainda mais
decidida a manter a distância. Isso ficava mais fácil a cada vez
que pensava sobre os arranhões que ele tinha.

Alex olhou para Mary sentada no chão de sua sala.


Passou uma semana desde que ela chegou a sua casa, o
surpreendendo, considerando a forma filha da puta como ele
agiu com ela no Tainted. Sua boca estava se movendo, mas
tudo o que conseguia pensar era em quão gostosa ela era. Ele
ainda sentia vergonha por ela ter visto as marcas de arranhões
nas costas da noite de sexo que ele nem se lembrava, e embora
se passassem sete dias desde que aconteceu, ele ainda se
sentia um bruto por isso, e envergonhado. Então, seus
pensamentos voltaram à noite em que ele a empurrou contra a
parede no Tainted. Ele ainda podia sentir o cheiro dela, aquele
cheiro de suor misturado com o brilhante perfume floral que
ela usava. Ele estava tão duro, e só de pensar nisso agora o
deixou mais duro ainda. Mesmo agora, quando ela apenas
usava shorts e uma camiseta folgada ele se mexeu em sua
cadeira, tentando aliviar sua ereção.

— Alex, você está me ouvindo? — Ele tirou os olhos de


seus seios perfeitamente arredondados. Sua atitude durante a
última semana foi gelada, mas ela foi lentamente começando a
falar com ele em uma voz que não era monótona e cheia de
desgosto.

— O quê? — Porra, sua maldita voz rachando como se


fosse algum tipo de adolescente atravessando a puberdade. Ele
limpou a garganta e se inclinou para frente e então ele estava
descansando seus antebraços nas coxas.

— Estou ouvindo.

Não, ele não estava, mas ela não precisava saber disso.
Ao longo da última semana, ele aprendeu o básico sobre o que
realmente era esta aula, e percebeu que estava tão fora do
assunto que ficou envergonhado.

—Sim? — Ela cruzou os braços e arqueou uma perfeita


sobrancelha escura.

Merda, ele realmente gostaria que ela não fizesse isso


porque tudo o que conseguiu foi empinar os seios, e mostrar
uma parte agradável do decote. Quando ele não respondeu e
foi finalmente capaz de desviar o olhar fixo de seu peito, era
para ver seus olhos azuis num desafio. Quando ela não disse
para se foder e manter os olhos para si mesmo, ele se sentiu
um pouco alto, e decidiu ver o quão longe ele poderia
pressioná-la. Foi uma jogada idiota da sua parte, já que ela
estava apenas começando a falar com ele de uma forma não
tutorial. Ele deixou seus olhos viajarem para baixo de suas
pernas, e parou quando viu o volume de tecido de seus calções
na junção de suas coxas. Porra. Passando a mão sobre sua
mandíbula, ele desviou os olhos, sabendo se ele não
conseguisse controlar sua excitação, ela, sem dúvida, o veria
brincar com seu pau.

— Sim. — Ele olhou para ela novamente e sorriu.

— Você estava falando sobre o aumento da proximidade


em países subdesenvolvidos. — Ela não mostrou qualquer
reação, e ele estava muito orgulhoso de si mesmo por ser
capaz de responder quando seus pensamentos estavam em
coisas muito mais agradáveis. Ele a viu nos últimos três dias
numa linha, e só tinha mais uma semana de aulas antes que
fosse com ela ao casamento de sua irmã.

A cada vez que a via, a desejava muito mais, e a cada vez


que ela o olhava nos olhos, ele queria dizer a ela que sentia
muito pela forma como a tratou no clube, que agiu como um
idiota, mas que ele tentou fazer o certo, que ele não valia nada
e que não era o tipo de cara que uma menina como ela
merecia.

Ele quis dizer a ela que sentia muito, mas a cada vez que
as palavras vinham, ela olhava para ele, balançava a cabeça
como se soubesse o que ia dizer, e acabavam falando sobre um
assunto menos importante. Ele só queria saber mais sobre ela,
e se viu dolorido para perguntar de onde ela veio, se ela tinha
irmãos, e outras coisas que ele nunca se preocupou quando se
encontrava com o sexo oposto. Ele estava em território
desconhecido agora, e não fazia ideia de como navegar quando
se tratava de tentar ser um cara decente, e não aquele que
estava apenas procurando por outro caso de uma noite.

Ele ferrou tudo, e o que doía ainda mais era saber que, se
ela não tivesse ido à sua casa, e fosse uma pessoa maior, ela
não estaria sentada na frente dele agora, porque ele era um
idiota muito teimoso. Ele a esqueceria, seguido em frente com
sua vida, e sempre desejando ter feito diferente. Ele só tinha
um curto período de tempo, porque ele sabia que depois do fim
do acordo, ela não iria querer mais nada com ele e saber disso
o machucava demais.
— Eu não sei sobre isso, Darcy. — Mary segurou a bolsa
de ginástica mais apertado enquanto andava pelo beco escuro
que, aparentemente, era o caminho para chegar a esta incrível,
mas secreta academia de propriedade de um ex-lutador de
MMA. Darcy olhou por cima do ombro e sorriu.

— Claro. Mica me disse como chegar aqui. — Mary


engoliu em seco e olhou em volta. Ainda era dia, mas isso não
significava que a segurança estava garantida, especialmente
no centro.

Aparentemente Darcy e o cara com piercing, Mica,


dançaram no Tainted e se acertaram. Eles se falaram na
última semana, até várias vezes por dia. Foi enjoativo de
assistir, mas Mary também viu o quão feliz Darcy estava. Sim,
pode ter sido apenas uma semana, mas Darcy passou por
homens tão rápido quanto ela trocava de roupas íntimas. Isso
não quer dizer que ela julga sua amiga, porque mesmo que ela
pudesse ter o equivalente a Alex em relação a experiência em
sexo, ela não tinha um ar arrogante como ele. A calçada sob
seus pés estava rachada e estava faltando algumas partes.
Algumas lixeiras estavam alinhadas à sua esquerda e uma
porta aberta à direita bateu enquanto caminhavam. Um
homem pesado vestindo um avental gorduroso carregava um
saco de lixo preto grande sobre o ombro. Seu ventre se
projetava sob o material sujo. Ele as olhou sugestivamente por
um momento antes de ir para uma das lixeiras e atirar os
sacos nelas.

Toda esta situação deu calafrios em Mary. Ela deveria ter


ficado em casa, ou pelo menos ido apenas para a academia
que ela normalmente utilizava no campus, mas é claro que
Darcy a convenceu a vir a esta grande academia que apenas
os treinadores sérios iam. Mary não era um deles, apesar de
tudo.

— Eu posso ver o lugar. — Darcy apontou para um


edifício a uma curta distância. Mary olhou por cima do ombro,
viu seu carro cada vez mais distante, e sacudiu a cabeça.

— Por que não pudemos apenas dirigir até a entrada da


frente?

— Porque Mica disse que é muito difícil entrar na estrada


principal, sendo que é uma rua de mão única e estava em
obras. Ele disse que passando por aqui é o caminho certo para
a instalação. Além disso, — Darcy olhou por cima do ombro e
sorriu de novo, — este caminho é usado apenas para o
restaurante, e algumas boutiques. Ele me disse para chamá-lo
quando chegarmos aqui, mas eu não quero que ele pense que
eu preciso dele para tudo. — Mary revirou os olhos.

— Eu não sei o porquê já que vocês falam no telefone dez


vezes por dia.

— Você está sendo dramática. Vamos.

Ugh, ela estava perdendo o ponto.

— Somente as meninas pedindo para ter problemas


descem becos porque um cara disse que estava tudo bem.

Darcy bufou, mas não virou.

— Se você apertar o passo chegaremos lá mais rápido. —


Elas atravessaram o beco e pararam do outro lado da rua das
portas da frente do que não se parecia com um centro de
treinamento.

— Tem certeza que é o ginásio?

Darcy olhou para os lados, em seguida, chegou para trás


e pegou a mão dela novamente, e a arrastou para o outro lado
da rua.

— Sim, eu disse a você, a menos que você conheça este


lugar você nunca saberia que estava aqui.

— E por que você sente a necessidade de vir aqui porque


um cara que você conheceu na semana passada disse que era
o lugar para ir? — Mary também sabia que Darcy não gostava
de exercícios, e os comparou a ser chutado entre as pernas.

— Porque eu preciso me livrar da parte de cima do


muffin. — Ela parou e olhou Mary direto nos olhos, que
também parou.
— Eu realmente gosto dele. Ele não é como os outros
caras. — Antes que Mary pudesse responder Darcy continuou
falando.

— Eu sei o que disse isso sobre os outros, mas Mica me


faz sentir coisas que eu nunca senti. Ele me faz rir, segura
minha mão ao invés de tentar enfiá-las em minhas calças, e
não quer mesmo ter sexo comigo até que conheçamos melhor
um ao outro. — Isso fez Mary levantar as sobrancelhas.

— Eu sei, louco, né? — Darcy abriu um largo sorriso.

—Eu realmente gosto dele, Mary. — Elas olharam uma


para a outra por um momento, e Mary sorriu de volta.

— Além disso, você está sempre reclamando da academia


que vai, como é sempre lotada e os caras lá são inflados ao
máximo.

Sim, Darcy estava certa. Mary não incomodou Darcy em


lembrá-la, novamente, que ela conhecia Mica há apenas uma
semana, porque sua amiga estava eufórica, e quem era Mary
para estragar sua felicidade?

Ela olhou para o edifício de novo. Parecia áspero. Um


olhar à sua direita mostrou a construção, e à sua esquerda
mostrou a movimentada rua principal. Ok, então Mica estava
certo sobre, provavelmente, ser difícil dirigir até a porta, mas
ainda assim, isso não a fazia se sentir melhor sobre andar pelo
beco assustador, ou entrar num prédio que parecia sombrio.

Darcy estava certo sobre a academia. Estava superlotada,


repleta de caras que pareciam que seus músculos estavam
prestes a sair de suas peles, e atitudes que combinavam com
uma nova pilha de cocô de cachorro. Ela inclinou a cabeça
para trás e olhou para o alto edifício de tijolo vermelho. Era
semelhante a outros edifícios antigos em Columbus, com o seu
olhar envelhecido e estrutura do tipo caixa padrão.

—Tudo bem, então, vamos lá. — Darcy a puxou para


frente e para dentro do prédio. O ar-condicionado bateu no
rosto de Mary imediatamente, mas foram os sons de homens
grunhindo, maldições soando, e a batida baixa e constante de
música tocando que chamou sua atenção. Ela se inclinou para
perto e sussurrou no ouvido de Darcy.

—Tem certeza que mulheres vêm mesmo aqui? — Ela não


podia ver a sala principal de exercícios, já que havia uma
parede separando a frente do escritório pequeno, mas as fotos
penduradas atrás da recepção mostravam um monte de
homens posando como se estivessem em algum tipo de jogos
UFC. Um homem corpulento vestindo um top olhou por cima
de sua tela de computador e olhou para as duas. Darcy deu
um passo à frente e encostou no balcão.

— Mica recomendou este lugar. — Do ponto de vista de


Mary, ela podia ver o olhar cético no rosto do cara. Ele era
bronzeado, mas, naturalmente, não o look falso e tostado. Seu
cabelo escuro estava em picos em torno de sua cabeça, e ele
tinha o que parecia ser um padrão de tatuagens tribal em
torno de ambos os seus bíceps musculosos.

— Mica disse para vir aqui?

Darcy balançou a cabeça e se afastou do balcão.


— Espere. — Ele pegou o telefone e esperou antes de
começar a falar nele.

— Eu, eu tenho dois pássaros aqui dizendo que Mica


contou sobre Frost.

Pássaros? Ele realmente as chamavam assim? Depois de


ouvir tudo o que a pessoa do outro lado disse, ele desligou e
gesticulou para elas com a curva de seu dedo.

— O chefe diz que vocês podem ir, mas vocês precisam


preencher as renúncias.

Cada uma pegou um formulário, entregaram suas


identidades para fazer cópias, e se sentaram nas cadeiras
desdobráveis ao lado. A renúncia era semelhante ao que ela
era obrigada a preencher no ginásio que normalmente ia, e
dizia que se ela se machucasse no Frost eles não eram
responsáveis por quaisquer lesões. Depois que elas
terminaram de preencher os formulários ele as levou para uma
pequena porta. Dentro havia uma linha de armários azuis de
cada lado, onde elas poderiam colocar as suas coisas. Ele as
deixou depois de explicar que saindo pela porta direto e a
frente chegariam na principal sala de exercícios.

— Deus, qual o problema com aquele cara? — Mary


disse, com Darcy rindo.

—Eu não sei, mas você o ouviu nos chamar de pássaros?


— Isso também fez Mary rir, e sua irritação sumir.

— Quero dizer, que porco. — Elas pegaram suas toalhas,


reforçaram seus rabos de cavalo, e saíram. Assim que Mary
saiu para o piso principal, ela parou, o que causou uma
colisão de Darcy contra suas costas.

Ela tropeçou para frente e olhou em volta. Isso


certamente não era como qualquer academia que ela já esteve.
No centro da sala havia um ringue de boxe. À direita havia
vários sacos de pancada que pendiam do teto, e para a
esquerda era uma linha do equipamento de treino padrão:
esteiras, pesos, elípticos e esteiras azuis que cobriam o chão.
Mas não eram essas coisas que fizeram Mary perceber que ela
estava totalmente fora de lugar. Ela viu apenas uma mulher se
exercitando, mas ela perdeu sua crença, e ela poderia
facilmente segurá-la contra os músculos que preenchiam a
sala. Os homens estavam na sua maioria sem camisa, com o
suor escorrendo de seus corpos rígidos, e possuíam um olhar
de determinação de aço em seus rostos. Este não era um
ginásio onde os caras vinham para exercitar e pegar as
mulheres. Não, este lugar era para lutadores sérios, aqueles
que eram dedicados à arte do esporte e não estavam se
enroscando com qualquer outra coisa.

— Darcy, acho que estamos totalmente fora de lugar


aqui. — Ela inclinou a cabeça para trás e viu que o lugar devia
ser uma enorme sala com algumas paredes divisórias.

— Você já viu tantos caras quentes em um só lugar? E


não estou falando sobre esteroides injetados que vemos nos
clubes. Estou falando sobre os verdadeiros. — Darcy tinha um
ponto. Esses caras não tinham músculos que pareciam
grosseiramente fora de proporções. Eles tinham corpos tão
tonificados e definidos que você poderia dizer que eles
exercitavam suas bundas, e da forma como eles pareciam,
como se alguém fodesse com eles e isso a fez se sentir
totalmente feminina.

— Vamos, vamos para as esteiras.

Elas passaram pelo ringue onde dois caras lutavam boxe.


Suas camisas estavam para fora, suor revestia seus corpos, e
sua concentração estava apenas um no outro. Eles se moviam
com movimentos sincronizados, parecendo saber a posição do
outro antes mesmo de ser revelada. Eles perfuravam, usavam
jabs11, e bloqueavam com sucesso um ao outro, e a
testosterona e a masculinidade enchiam o ar.

— Deus, eu tenho uma série de orgasmos só de observá-


los se batendo. — Sim, Mary poderia se relacionar.

— Mica disse que estaria aqui, mas eu não o vejo. — Elas


pararam na frente das esteiras, e Darcy olhou ao redor.

—Talvez ele esteja em uma dessas salas?

Havia algumas portas fechadas que revestiam uma das


paredes, mas Mary não veio aqui para procurar um homem,
embora ela estivesse seriamente reconsiderando isso. Ela
precisava de uma boa sessão de exercícios, que a esgotaria e
não a faria pensar sobre o cara que consumiu seus
pensamentos pelas duas últimas semanas.

11
Mary pegou uma esteira, sem se incomodar em tirar
Darcy do transe qualquer em que ela estava, e iniciou a
máquina. Programou para um treino que começasse devagar e
aumentasse o ritmo e a inclinação. Depois de alguns minutos
Darcy subiu na esteira ao lado dela e começou seu próprio
treino. Pelos próximos cinco minutos, elas ficaram em silêncio,
e todos os outros sons, exceto os pés de Mary batendo na
máquina, foram bloqueados.

Durante os últimos quatorze dias ela deu o seu melhor


para mostrar claramente a Alex que era apenas sua tutora. Na
maior parte, ela conseguiu. Revivendo aquela noite no clube, e
quando viu a marca na manhã seguinte refrescou sua raiva
novamente. Era infantil mantê-la, mas ela temia que seria
muito fácil cair na armadilha de esquecer tudo o que
aconteceu, e se entregar a Alex. Em seguida, houve vezes em
que ela passou pelo campo de futebol, ouviu os caras
treinando, e se pegou o assistindo. Ele era uma máquina no
campo, derrubando seus companheiros como se fossem
moscas irritantes. Manter suas emoções controladas não foi
tão fácil como pensou, especialmente quando ela o ensinou
nos últimos três dias.

O casamento de Margo era no próximo fim de semana, e


o fim do acordo logo em seguida. Ela estava determinada a se
certificar de que Alex passaria nesta aula nem que tivesse que
matá-lo. Nada o seguraria se ele falhasse. Ele era inteligente,
mais do que ele próprio percebia. Ele só não tentava, e este era
o seu problema. Se ao menos ele parasse de olhar para ela,
parasse de deixar suas emoções transparecerem em seu rosto
de forma tão forte como se ele estivesse realmente dizendo a
ela que a queria ali.

Sua esteira mudou para a próxima marcha, e ela correu


mais rápido. O suor começou a brotar em suas têmporas, e ela
estendeu a mão para seus fones de ouvido e colocou um em
cada orelha. Darcy já estava murmurando as palavras para
qualquer canção que estivesse ouvindo, então Mary focou à
sua frente, que eram todos os homens se exercitando. Ela
aumentou o volume em seu iPod, e como sempre fazia, deixou
a música levá-la. Fechando os olhos, ela foi arrastada pelas
letras tristes e de corações quebrados da canção Wrecking Ball
de Miley Cyrus. Ela odiava e amava a música. Ela manteve
seus olhos fechados, ouvindo quão profundamente a música
era cantada, e como uma parte dela poderia estar relacionada
a ela. Ela queria entrar, e nunca quis descer para isso. Ela se
afastou, mas ele a afastou mais.

Ela abriu seus olhos e vacilou ligeiramente ao se deparar


com o homem que estava no meio dos outros, a pouca
distância dela. Tudo o que podia ver eram suas costas, mas
ela conhecia aquelas costas, conhecia aquelas afiadas e
escuras linhas que cobriam toda a extensão muscular. A
canção estava repetindo, e ela não parou de correr ao assisti-lo
lutar com outro cara. Seus movimentos eram poderosos,
exatos, e aqueceram todo o seu corpo. Num movimento que fez
seus joelhos fracos, ele se levantou, pegou o cara ao redor da
cintura e ao redor de uma de suas pernas e o levantou acima
de sua cabeça. Ela não piscou, nem respirou enquanto o
observava trazer o outro cara para baixo em suas costas, com
força. Foi como uma demonstração de força, do poder
masculino, e ela jurava que o chão tremeu sob seus pés. Eles
lutaram mais e mais, com Alex sempre conseguindo segurar
sua mão. Embora os movimentos parecessem dolorosos e
perigosos, os homens sabiam o que estavam fazendo, e
esperavam toda e cada ação e reação.

Os homens se separaram quando um homem mais velho,


talvez em seus trinta ou quarenta anos, pisou os tapetes azuis.
Seu cabelo loiro estava em um estilo falcão, e não havia como
negar o poder bruto que ele exercia. Ela poderia dizer que ele
tinha autoridade, e pela forma como seus músculos estavam
claramente visíveis através da sua camiseta e shorts brancos,
ela sabia que ele também era mortal.

Um movimento ao lado chamou sua atenção, e ela se


forçou a desviar o olhar de Alex. Mica caminhava para elas,
seu corpo suado, seu cabelo escuro grudado em sua testa, e
seu piercing labial brilhando sob as luzes fluorescentes. Seus
lábios se moviam, mas é claro que ela não podia ouvir o que
ele disse com a música explodindo em seus ouvidos. Ela olhou
para Darcy, que tinha um sorriso largo. Darcy pulou da esteira
e correu para ele, como se ela não o tivesse visto na noite
passada, ou falado com ele há uma hora. Mica a ergueu como
se ela não pesasse nada, mas, novamente, ele era um cara
grande, não tão alto ou musculoso como Alex, mas mesmo
assim, grande.

Alex.
Ela olhou para ele novamente e prendeu a respiração
quando ela o viu olhando diretamente para ela. O suor
escorria de seu cabelo escuro pelo rosto, sobre os ombros
largos, e para baixo no abdome ridiculamente definido. Ele
nem se preocupou em limpar a umidade de seus olhos, apenas
continuou olhando diretamente para ela. Ele parecia sujo da
luta, estava ofegante pelo esforço, mas a maneira como ele a
olhou, fez parecer como se ele estivesse no controle de tudo.
Ele deixou seus olhos viajarem pelo seu corpo, bem, tanto
quanto ele podia ver, e ela poderia jurar que viu suas pupilas
dilatarem. Ela usava roupas de ginástica, mas as calças eram
apertadas, e seu top abraçava seus seios confortavelmente.
Ela deveria ter usado algo desleixado que escondia suas
banhas, ou sua barriga arredondada.

Não caia nessa. Se lembre quem e o que ele é.

Esses pensamentos desapareciam tão rapidamente como


chegavam quanto mais ela olhava para ele, e maldição ela não
conseguia desviar o olhar. Seu pulso chutou na
ultrapassagem, as palmas das mãos começaram a suar como
o resto do seu corpo, e tudo o que ela podia fazer era pensar
sobre o quanto ela o desejava. A esteira parou, e ela ficou
parada ali ofegante, mas seu aumento de respiração tinha
mais a ver com o fato de que Alex olhando para ela a fazia se
sentir nua. Ela tirou seus fones de ouvido e agarrou seu iPod
firmemente em sua mão.

Isso foi ridículo, e sua reação ao vê-lo, quando ela o viu


ontem, quando ela estava tentando praticar o autocontrole em
todas as coisas que diziam respeito, beirava a insanidade. Ela
só precisava ir, antes que fizesse algo que se arrependesse
como ir até ele, tomando seu rosto entre as mãos, subindo na
ponta dos pés, e o beijando muito. Sim, isso seria algo que ela
nunca poderia fazer, e que colocaria em movimento uma série
de coisas que poderiam e sairiam pela culatra.
— Acho que terminei por aqui, Darcy. — Mary desviou os
olhos de Alex, passou por Darcy que ainda estava nos braços
de Mica, e foi rapidamente para o vestiário. Ela estava
deixando ele se aproximar, e para ser honesta isso era tudo o
que ela pensava. Tudo o que ele fez foi olhar para ela e ela foi
destruída, e foi como se tudo tivesse corrido bem... O que
nunca aconteceu. Ela abriu a porta e se apoiou contra os
armários. O metal era frio contra sua pele superaquecida, mas
isso não ajudava a resfriar. Suor escorria entre seus seios e
para baixo no meio de suas costas.

O que ela estava fazendo? Brincando com fogo, é o que


era. Desde a primeira vez que o viu, ela sentiu algo profundo, o
que era absurdo e ainda parecia impossível agora.

O som da porta sendo aberta perfurou suas reflexões


internas, mas ela não se incomodou em olhar para cima.

— Confio em você, Darcy. Eu só preciso ficar longe


dele.— Ela não ia dizer a sua companheira de quarto sobre o
que estava acontecendo dentro dela, pelo menos não até que
elas estivessem na segurança de sua casa, e longe do objeto de
sua frustração e excitação. Quando Darcy não respondeu, ela
levantou a cabeça, mas não era Darcy quem estava na frente
dela, mas Alex, e ele parecia frustrado. Lentamente, ela
levantou e o encarou.

— O que você está fazendo, Mary?

Raiva cravou dentro dela por causa do seu tom frio.

— Eu acho que é óbvio. — Ela moveu as mãos para cima


e para baixo no seu corpo para mostrar sua transpiração.

Ele enfureceu. Primeiro, ela estava com tesão por ele,


nem mesmo era capaz de pensar claramente, e então ele abriu
a boca maldita e a irritou. Nunca houve uma pessoa que
poderia fazê-la se sentir tão confusa e irritada, tudo isso ao
mesmo tempo, mas Alex estava fazendo um trabalho muito
bom.

— Acho que eu estava me exercitando na academia. —


Seu sarcasmo era palpável. Ele não se moveu, não piscou, e
maldito seja, não demonstrou nenhuma emoção.

—Você sabe o que quero dizer. — Ele estava sem camisa,


suado, e ainda parecia extremamente delicioso. Ele cruzou os
braços sobre o peito e olhou para ela.

— Por que você está aqui, e por que você está chateada
agora?

— Porra, Alex.

Ele sorriu, mas não tinha nenhum divertimento.


— Eu posso fazer essa porra acontecer, Mary, se você
apenas escolher se você vai me perdoar, ou se você ainda quer
ficar com raiva de mim.

Eles se olharam por um longo tempo, e quando ele


percebeu que ela não estava prestes a responder ao que ele
disse, ele falou novamente.

— Como você descobriu sobre esse lugar? Esta parte da


cidade não é realmente segura para você estar, especialmente
sozinha.

Mary se sentia como uma criança sendo repreendida. Ela


cruzou os braços sob os seios e olhou para ele.

— Eu não estou sozinha. Eu vim com Darcy. E o que eu


faço não é da sua maldita conta. — Ela ergueu o queixo,
irritada, pois ele estava agindo como seu pai, como se
realmente se importasse com ela e o que acontece em sua
vida. Ele deu um passo mais perto, e ela deu uma volta.

— Você quer me dizer sobre a coisa toda lá fora com


Mica? — Ele deu mais um passo para frente, e ela estendeu a
mão para detê-lo.

—O que você pensa que está fazendo?

Ele deu mais um passo em direção a ela até que ela teve
que colocar as palmas das mãos contra o peito úmido para
impedi-lo de chegar mais perto.

— O que você quer dizer? — Ele está falando mais rouco


e suave de propósito? Ela engoliu em seco e ergueu os olhos de
onde suas mãos estavam em seu corpo para o seu rosto.
— Se eu não o conhecesse melhor diria que você está me
perseguindo. — Ele sorriu, e ela olhou com raiva.

Mary deixou cair às mãos, mas ele pegou seus pulsos e


colocou as mãos para trás em seu peito.

— Eu vi você me encarando atentamente. — Ele ficou em


silêncio por um momento, como se quisesse que ela
absorvesse um pouco mais as informações.

— Vi você na minha casa, e agora eu te encontro no lugar


onde trabalho. — Havia uma nota de brincadeira em sua voz,
aquele idiota.

Suas bochechas aqueceram com o fato de que ele sabia


sobre seus olhares de quando estava praticando futebol, e que
ele pensou que ela estava o seguindo.

— Você é um maldito arrogante. — Ela não escondeu o


grunhido em sua voz.

— E se você voltar a me tocar. Eu vou bater em você


novamente. — Foi uma ameaça vazia, porque ela não bateria
nele de novo, a não ser que a sua arrogância fosse longe
demais. Agora ela só esperava que suas palavras não tirassem
seu fôlego, porque ela não poderia ficar sem ar em seus
pulmões.

Ele se inclinou para frente, com aquele sorriso ainda no


rosto.

— Eu mereci aquele tapa, e muitos mais, mas você e eu


sabemos que você não quer me afastar mais do que eu quero
estar perto de você. — Mary engoliu em seco, tentando
empurrar o repentino nó que se formou em sua garganta para
baixo.

— Eu sou um bastardo arrogante. Eu não vou nem


mentir sobre isso, mas você e eu sabemos que sou honesto.
Eu não tenho nenhuma razão para mentir, Mary.

Ele estava perto dela, e os armários bem atrás dela, não


permitindo que ela escapasse. Ele estava muito perto para o
seu conforto. Ela queria ficar brava com ele, mas sentir seu
cheiro suado e sentir o calor do seu corpo envolver o dela,
estava fazendo coisas engraçadas para seu cérebro. Seus olhos
mergulharam para olhar para sua boca.

— Você não quis me ouvir no clube quando disse que tipo


de cara eu sou, e ao invés disso você continuou me
empurrando. Eu não sei o que você está tentando provar,
Mary. — Sua voz era baixa, e seu olhar ainda estava em sua
boca.

— Eu não sou um cavalheiro, Mary, nunca fui. — Ele


lentamente olhou em seus olhos.

— Eu nunca tratei as mulheres com o respeito que elas


merecem, mas eu também nunca estive com uma mulher que
valia a pena, e que me fez querer colocar todas as minhas
merdas de lado e realmente tentar. Ser um puro idiota foi à
minha maneira de tentar te mostrar o quão errado eu sou para
você em todos os níveis.

Suas palavras diminuíram sua raiva, parando sua


frustração, e fez algo em seu coração pesar. Após as horas ao
lado dele, em sua tutoria, e lutando com o que ela sentia, ela
estava cansada, muito cansada, e não queria lutar. Mas ela
poderia simplesmente esquecer tudo? Sua intenção de tentar
afastá-la poderia ter sido para o bem, mas a maneira como ele
agiu foi errada.

— Sinto muito, Mary. Eu realmente sinto muito.

Ela estava balançando a cabeça antes mesmo de


terminar. Fechando os olhos, ela sabia que a última de suas
paredes desmoronou, e se ele continuasse, ela estaria perdida.

— Olhe para mim. — Quando ela não obedeceu disse


novamente.

— Olhe para mim. — Sua voz era mais dura, mais


exigente, e ela percebeu que não havia como parar o que
sentia. Ela abriu os olhos e olhou para a direita ao seu redor.
Seus olhares se chocaram, castanhos e azuis, e ela foi incapaz
de afastar do transe que entrou.

— Eu vejo o jeito que você me olha quando acha que não


estou olhando. — Ele baixou a voz uma oitava.

— Eu deveria estar prestando atenção no que você está


me ensinando, mas é difícil se concentrar quando quero você.
— Hoje os seus olhos estavam mais verdes do que marrom.

—Tanto quanto eu sei que não sou bom o suficiente para


você, como sou propenso a arruinar as coisas do pior jeito
possível, eu não posso ficar longe. Porra, eu quero você, mais
do que alguma vez quis algo na minha vida, o que me assusta
muito e também me irrita. Eu não gosto de me sentir inseguro
quando você está por perto, como eu não posso nem pensar
direito.
Ela separou os lábios para dizer alguma coisa, qualquer
coisa, mas antes de uma única palavra deixasse sua boca ele
já estava nela, assumindo em todos os sentidos da palavra.
Mary deveria ter o empurrado, batido como ela disse que faria,
ou o chutá-lo nas bolas. Sentia um ódio dele por pensar que
poderia apenas beijá-la, sem mesmo perguntar. Ela deveria ter
feito um monte de coisas, mas ela não fez nada, ao invés disso
se derreteu contra ele.

Sua língua passou ao longo de seus lábios, exigindo


entrada, e não esperou sua aceitação antes de tomar sua boca.
O sabor dele era como nada que ela já experimentou,
ligeiramente salgado como o seu suor, mas doce e intoxicante.
Havia um tom picante, e Mary gemeu em sua boca.

Ele quebrou o beijo, mas seus lábios ainda estavam


pressionados contra os dela quando ele disse,

— É tão bom, Mary. Deus, é bom pra caralho.

Suas mãos caíram nos armários em cima de sua cabeça,


fazendo com que o metal vibrasse atrás dela e ecoasse por todo
o vestiário. Se sentia cercada, como ele fez no clube, mas ela
não deixaria aquela noite interferir com o que estava
acontecendo agora. Ela precisava disso. Deus, ela realmente,
realmente precisava disso. Esta excitação perto dele, vinha
crescendo desde que ela o viu pela primeira vez. Ele nem sabia
que ela existia, mas ela sabia exatamente quem ele era. Em
seguida, eles passaram um tempo juntos, e a queimação a
consumiu. Estar com ele neste momento apreciando as
deliciosas sensações que ele causava dentro dela não poderia
machucar, certo?

— Você gosta disso Mary? Você gosta de minhas mãos


em você, minha boca em você, e você realmente se sente bem
assim?

Ele apertou sua ereção em sua barriga, e um suspiro


deixou sua boca. Ele era tão obsceno às vezes, mas ela sabia
que não era porque ele estava tentando chocá-la, mas porque
esse era apenas quem ele era. Ele arrastou a boca para o lado
de seu rosto, passou a língua por sua orelha, e parou no lado
do pescoço, onde sua pulsação batia freneticamente. Ele
moveu suas mãos para os ombros e apertou os dedos em torno
deles, mas não dolorosamente.

— Eu sinto muito, baby. As coisas que eu disse, do jeito


que eu te fiz sentir... foi errado. — Ele se aproximou ainda
mais, ela pensou que não seria possível, mesmo com ela
sentindo cada parte deles se tocando.

— Você aceita o meu pedido de desculpas, Mary? — Ele


se inclinou para trás e olhou para baixo e em seus olhos.

Ela não podia falar, muito menos formar a palavra “Sim”


Então, ao invés disso, ela apenas balançou a cabeça. Deus,
como ela poderia ficar brava quando ele parecia tão sincero e
genuíno?

—Diga isso, não acene apenas. — Ele baixou a cabeça


para a curva de seu pescoço novamente e continuou
lambendo. A movimento que ele fazia enviou um arrepio direto
para os seus mamilos, os fazendo duros.
— Não — ela sussurrou. Ele não se afastou dela, mas ele
ficou tenso contra ela, e ela jurou que ele prendeu a
respiração. Um momento de silêncio se passou entre eles
antes de falar novamente.

— Não é só você Alex. — Ela lambeu os lábios, sabendo


que proferir essas palavras mudaria tudo.

— Eu também quero Alex. Eu quero tanto isso, mesmo


que eu não deva. — Este último deveria ter sido mantido para
si mesma.

Ele gemeu profundamente antes de se virar de volta para


a boca e beijá-la brutalmente. Por vários longos momentos,
tudo que ele fez foi foder sua boca com a dele. Lembrou tanto
do sexo pela maneira como ele enfiou a língua entre os lábios,
e depois se afastou tão de repente. Então como se quisesse
deixá-la ainda mais enlouquecida, e ele sabia que ele podia,
ele começou a moer sua enorme ereção em seu estômago.
Quanto mais ele fazia isso, mais úmida ele ficava e ruídos de
choramingos saiam de sua garganta.

Isso está errado. Isto é certo. Ela deve impedi-lo. Não, ela
deve trazê-lo mais perto.

Ele quebrou o beijo, a apertou em seus braços, e girou


em torno dela até que suas costas bateram contra a parede
fria e lisa outro lado da sala. A parede de armários agora
obstruiu a visão da porta, e não havia nenhuma dúvida em
sua mente que ele planejou isso. Alex pressionou sua ereção
contra sua barriga, esfregando o espesso comprimento sólido
em sua pele macia, e não desistiu até que ela percebeu que era
tudo que ela queria.

— Eu sinto tanto por fazer você se sentir menos do que o


que você é, Mary. — Ele olhou nos olhos dela, e ela prendeu a
respiração, sentindo exatamente o quanto ele queria dizer.

—Eu disse essas coisas, fiz essas coisas, porque pensei


que te afastar era o melhor. Eu não presto, já fiz uma porrada
de coisas que eu não me orgulho, e você poderia ter algo muito
melhor. — Ele já disse isso a ela antes, mas ela não o parou,
porque ela podia ver uma angústia em sua expressão, e sabia
que ele precisava repetir isso várias vezes, até que fizesse
sentido para ele.

Ele tinha esse exterior duro, esta cara de menino mau, e


falava e agia como tal, mas agora ele estava mostrando a ela
que embaixo de tudo isso, ele era apenas um menino. Ele se
escondeu atrás do muro que ele ergueu, assim como ela fez,
mas agora, quando era apenas a dois, ele baixou a guarda. Ele
pode ter bagagem, e uma reputação que rivalizaria com uma
estrela pornô, mas ele era um cara bom, não importando o que
ele dissesse ao contrário. Ela o julgou muito rapidamente, e
sim, ele fez ela se sentir como merda, mas nem mesmo ele
tendo dito a ela o porquê de ter feito as coisas que fez, ela
pensou que esta era sua verdadeira intenção.

— Eu quero isso, agora, Mary. Eu preciso que você se


entregue para mim.

A respiração combinada deles era irregular e difícil. Será


que ela poderia realmente, fazer isso com ele, neste instante
com ele, aqui e agora? Merda, ela realmente queria. O aceno
que ela deu foi curto e rápido, mas ele viu, no entanto.
Arrastou os dentes para cima e para baixo na sua garganta, e
uma picada de dor explodiu dentro dela, mas, em seguida, ele
a alisou com sua língua ao longo da sua garganta
sensualmente até que o prazer tomou conta dela. Ele
continuou empurrando seu pau contra seu ventre, e ela
deixou cair a cabeça para trás até que o som de sua cabeça
batendo no armário foi ouvido. Suas respirações eram
idênticas, erráticas, e novas gotas de suor cobriam seus
corpos, misturando tudo, porque eles estavam incrivelmente
perto.

— Deus, eu preciso disso, Mary. Desde o momento que


eu vi você na minha casa naquela noite eu não tenho sido
capaz de tirar você da minha cabeça. — Ele apertou seu pênis
em sua barriga mais uma vez, e um pequeno suspiro saiu de
seus lábios.

Estava tão inchada, que seus mamilos se apertaram


ainda mais, pressionando contra o elástico apertado de seu
sutiã, e ameaçando rasgar através do material.

Mary não iria se preocupar, transaria com ele e depois


pensaria em ter seu coração partido. Porque na verdade ela
estava cansada de se segurar, sempre seguindo certos
padrões, e queria isso mais do que jamais quis qualquer outra
coisa.

— Eu quero isso também.


Ele gemeu contra sua garganta e mudou as mãos entre
seus corpos para seus seios. Seu sutiã não mostrava muito, e
seus seios ficaram um pouco espremidos pelo tecido. Ele
apertou seus seios, deu um rosnado baixo, e colocou os dedos
sob a bainha confortável dele. Seus dedos nus descobrindo
sua pele úmida, superaquecida, e um segundo depois ele
estava arrancando o material. Eles saltaram livres e
sacudiram com a força dele rasgando o tecido e o jogando
longe, mas essa era a última coisa em sua mente, porque de
repente suas mãos seguraram seu peito nu e apertou até o
ponto da dor. Não havia nervosismo de sua parte, sobre o fato
dela ser ligeiramente arredondada na barriga e ter quadris
largos e eles estarem em plena exibição. Ao contrário, isso
ajudou a se sentir confiante sobre seu corpo tamanho
quarenta quatro quando Alex a tocou da maneira que ele fez,
como se não pudesse ter o suficiente dela. Ela não queria
preliminares, não, ela queria toques, não queria falar. Tudo o
que ela queria era senti-lo dentro dela, usando toda a força
bruta que ele exalava, empurrando repetidamente dentro dela.
Sem pensar, sem questionar suas ações ou como se sentia,
Mary só decidiu ir para ele e orou para que ela tivesse tomado
a decisão certa.

Enfiando as mãos entre eles, ela começou a abaixar seus


shorts, precisava sentir cada parte dele. Ele descansou a
cabeça na curva de seu pescoço, sua respiração frenética
movendo sobre os seios expostos. Antes que ela efetivamente
tirasse seu short e passasse para parte dele que ela realmente
precisava, ele colocou a mão sobre a dela, acalmando seus
movimentos.

— Por que você está me parando? — Ela podia ouvir o


pulso acelerado em seus ouvidos, e senti-lo em sua garganta.

— Você tem certeza sobre isso baby, porque quando fizer,


não poderá ser desfeito.

Sem essa merda. Ela desejou que ele não questionasse.


Ele não era o único que estava apenas dizendo a ela que
precisava que isso acontecesse?

— Pare de falar e apenas me foda.

Whoa, de onde veio isso? Ele meio que riu, meio que
gemeu, e de repente suas mãos estavam fora dela. Ela
rapidamente abaixou seu short e ele chutou para o lado. Um
pequeno grito saiu dela quando o comprimento escaldante do
seu pau tocou a sua barriga, mas essa não foi a única razão
do barulho. Algo frio tocou sua pele, e quando ela olhou para
baixo, viu o porquê. Alex tinha um piercing na ponta do seu
pau. Ela sabia como eles chamavam isso, um Prince Albert, e
até este momento ela não sabia o quão excitada ela poderia
estar com a visão. A crescente barra em forma tinha que ter
machucado quando ele fez, mas ela também quis saber como
ele se sentia empurrando para dentro dela, e movendo ao
longo de suas paredes internas.

— Espere, baby. — Ele se afastou dela rapidamente, e ela


apoiou as mãos na parede. Tudo parecia nebuloso, mas logo
sua mente e visão clarearam o suficiente para assistir Alex
pegar sua carteira e tirar um preservativo. A visão dele em
nada era como um chute em seu estômago. Esfregava as
coxas, porque a imagem dele a deixava mais úmida, e
mentalmente dizia para ele se apressar. Ela nunca foi uma
garota de bundas, mas porra, ele tinha uma bela bunda. Na
verdade, tudo sobre ele era bom, e não havia um grama de
gordura em seu corpo todo dourado. Ele virou e seu olhar
imediatamente fixou em seu pau enorme, que se projetava, e o
metal prata adornando sua cabeça que brilhava sob a
iluminação fluorescente. Bem merda, ela não se surpreendeu
ao ver que tudo nele era tão grande e impressionante.

Ele deu um passo à frente, e realmente não havia outra


palavra que descrevesse o que ele estava fazendo. Por um
momento, tudo o que ele fez foi vê-la, mas ela ficou paralisada
pela maneira como ele a olhou, como se ela fosse a única
mulher que ele viu parcialmente nua. Naquele momento Alex a
fez sentir como se não houvesse mais ninguém para ele.

Sem quebrar o contato visual colocou o preservativo e


deu um passo a frente até que seus peitos encostassem. Ele
não tentou remover seu top, apenas a certeza que ele tinha
uma visão desobstruída de seus seios. Como se lesse sua
mente, ele baixou os olhos para essa parte da sua anatomia.

— Você é tão gostosa, Mary. — Ele cobriu o peito com as


mãos grandes e esfregou seus polegares ao longo dos picos
doloridos. Ele fez isso por muito tempo, minutos agonizantes,
e apenas quando ela abriu a boca para dizer que não podia
segurar mais, ele a soltou. Mas ele não parou, e não tinha
intenção de parar, porque ele pegou o cós da calça e o
empurrou juntamente com a calcinha para baixo em um
movimento rápido.

Ela puxou uma de suas pernas, mas antes que pudesse


tirar as calças da outra e chutá-las para o lado, ele estava
segurando sua bunda e levantando na parede. Mary não tinha
escolha, envolveu os braços em volta do pescoço e as pernas
em torno de seus quadris estreitos. Seu pênis era de aço
contra sua vagina, o comprimento de espessura deslizando em
seus lábios e os separando. Mesmo através da fina camada de
látex ela sentiu o piercing provocando cada parte dela. Um
grunhido saiu e ela estava surpresa pela forma que estava
necessitada.

— Você me quer, Mary? Você quer isso? — Ele


pressionou mais firmemente contra ela, e sua boca se abriu
em um grito silencioso.

— Você sabe que eu quero isso, pare de ser um idiota e


me coma agora.

Sua risada era profunda, e ela não conseguia entender


como ele poderia ser tão controlado em uma situação como
esta. Mary sentiu como se pudesse voar, se ela não estivesse
segurando ele. Ele não respondeu, e ao invés disso continuou
a segurando com uma mão forte, e usou a outra para chegar
entre seus corpos e alinhar a ponta do seu eixo com a
abertura de seu corpo. Ela não era virgem, mas ela também
não foi íntima com ninguém em mais de dois anos, e Alex era
muito maior que a média em tamanho. Seus olhares se
encontraram, e ela quis saber exatamente o quanto ele podia
ver. E se alguém entrasse agora? Levaria apenas poucos
passos de alguém, para vê-los pressionados contra a parede.
Surpreendentemente o conhecimento a excitava ainda mais.

Ele fechou os olhos, apertou a mandíbula, e disse:

— Você está tão molhada para mim, Mary.

Ele empurrou apenas a ponta dentro dela, e ela fechou os


olhos sentindo a maneira deliciosa esticá-la. A sensação do
piercing na ponta de sua ereção esfregando contra ela, só que
escondido pelo preservativo fino, a inflamava. Uma queimação
dolorosa bateu nela enquanto ele continuava empurrava todas
aquelas longas polegadas de espessura dentro dela. Deus, ele
tinha que ter pelo menos 23 centímetros de comprimento. Ele
também era muito mais grosso do que ela poderia
confortavelmente aguentar, mas isso não era suficiente para
parar. Tão rapidamente como o desconforto começou, veio um
prazer intenso direto em suas partes. Ele cavou os dedos de
uma das mãos em sua bunda marcando com hematomas
devido à força, mas ela gostava, daquela centelha adicional de
dor, amando quando ele disse que estava mal se controlando.

— Você é tão apertada. — Seus olhos ainda estavam


fechados, e sua voz rouca. Alex baixou a cabeça para a curva
de seu pescoço e usou a mão livre para agarrar sua coxa, a
estabilizando e a mantendo os estacionando no mesmo fôlego.
Com cada impulso dentro dela, ela finalmente descobriu o que
era ser reclamada, e percebeu que ela já estava perdida para
Alex.
— É tão gostoso. Você é tão gostosa. — Ele curvou seus
quadris contra ela e enterrado o resto do seu pau na sua
boceta. Ambos soltaram grunhidos duros de prazer, e Mary
enrolou as unhas nas costas dele, amando como ele encheu
cada parte dela.

— É bom, Alex. Deus que delícia.

Sua respiração ficou mais rápida quando ele começou a


empurrar dentro e fora dela, o pesado saco sob seu pau
batendo contra a bunda dela. Era uma agonia e êxtase, tudo
em um. A parede era áspera em suas costas, raspando de
cima para baixo com seu bombeamento de alta intensidade.
Ele apenas a segurou mais apertado, apenas sua extensão de
um braço para segurá-la e foder com ela ao mesmo tempo.

— Mais, Alex. Sim, mais. — Ali estava ela, pedindo para


que ele fosse mais duro, mais rápido e com apenas uma
parede os separando e mais de vinte pessoas à direita do outro
lado. Ela queria ser a única a deixar marcas nas costas da
ferocidade do que eles estavam fazendo. Uma parte dela sabia
que uma vez que este momento acabasse as chances de Alex
desejá-la novamente seriam escassas.

— Eu gosto quando você implora por isso, baby.

Ele nunca parou de empurrar firmemente. Dentro e fora,


mais e mais rápido, e Mary estava de volta lá com ele.

— Só sinta Mary. — Sua voz era um sussurro áspero, e


quando ele arrastou a língua para cima e para baixo em sua
garganta, ela rosnou em resposta ao seu tremor por causa de
suas carícias, ela sabia que não o faria, e não podia parar de
gozar rápido e duro.

A raiz de seu pênis esfregou ao longo de seu clitóris, e


para trás, de novo e de novo, e o aperto em seu corpo,
sinalizando seu clímax apressado para a superfície e roubando
toda sanidade.

— Estou perto, Alex. — O nome dele saiu em um suspiro


quando ele empurrou duramente dentro atingindo tão
profundo que teve seus músculos internos apertando ao redor
dele involuntariamente.

— Sim, faça isso. Me aperte, me faça gozar junto com


você, baby. — Ele era tão forte, tão potente, que se sentia
bêbada em sua presença, embriagada com seu pênis dentro
dela.

— A sua boceta é tão gostosa, e você é deliciosa. Eu


nunca senti nada melhor, Mary. — Ele bateu nela,
pressionando seu corpo totalmente contra o dela enquanto ele
continuava bombeando em seus quadris, a deixando mais
perto de gozar. Sua pele estava irritada por causa da parede, e
suas coxas doíam de como elas estavam espalhadas. Ele ia
fundo, enfiava seu pau quase todo até que apenas a ponta
encaixava dentro dela, e repetia a ação uma e outra vez. Ele
era um animal, rosnando e mordendo seu pescoço, esfregando
a nuca contra sua pele já sensível, e nunca se cansava. Ele
moveu a mão entre seus corpos, encontrou seu inchado,
clitóris sensível, e esfregou a pequena saliência para trás até
seu orgasmo chegar na superfície, onde estrelas dançaram em
sua visão.

Sua boca abriu e um grito borbulhante saiu de sua


garganta, ela sabia que seria muito alto, mas Alex antecipou e
bateu a mão sobre sua boca e pressionou para baixo. Deus,
ele era tão dominante, tão controlado, que seu prazer só
continuou crescendo. Espetando as mãos em seu cabelo, ela
puxou os fios. Ele moveu a mão de sua boca e inclinou seus
lábios nos dela, engolindo os últimos remanescentes de ruído
que vinha dela. Com um empurrão brutal Alex enterrou o
comprimento inteiro na boceta dela e gemeu seu orgasmo
contra sua boca. O sentiu inchar ainda mais, sentiu o pulso
pesado quando ele se esvaziou, e encontrou a sensação
emocionante. Alex caiu contra ela, seu peito subindo e
descendo, comprimindo dela e fazendo com que fosse difícil
para ela respirar.

Suas mãos apertaram contra seu corpo.

— Isso foi... — A abertura porta do vestiário assustou os


dois.

— Mary, você está aqui? — O som de Darcy chamando os


fez enrijecer.

Merda, oh merda. Eles se olharam por um instante, e


então ela gritou:

— Uh, sim, espere. Estou me preparando...— Merda, o


que ela estava fazendo?

— Eu tenho que pegar minhas coisas. — Alex se inclinou


para trás e sorriu para ela, e ela bateu seu peito, irritada.
— Foi o melhor que eu pude inventar agora, — ela
sussurrou e deu de ombros.

— O que, vergonha de mim? —, Ele disse tão baixo. Ele


estava brincando com ela, e ela não podia deixar de sorrir,
mesmo que estivesse pirando.

— Shh. — Ela o empurrou e engasgou quando ele saiu


dela. Um gemido suave a deixou, e Mary mordeu o lábio,
esperando que Darcy não pudesse ouvir.

— Não, eu não tenho vergonha, mas não quero ser pega


fazendo sexo com um cara no vestiário. — Ela começou a
ajustar suas roupas tão rápido quanto possível.

— Você está bem? Vi Alex e quis saber como as coisas


estão entre vocês, mas então você saiu correndo de lá e eu já
tenho a minha resposta. — A voz de Darcy ainda estava longe.
Quando estava completamente vestida, ela olhou para si
mesma e viu que tudo estava onde deveria estar, e então olhou
para Alex. Ele ainda estava nu e agora se inclinava contra os
armários em toda a sua glória. Ele se livrou do preservativo,
mas seu pau ainda estava semiduro, e uma onda de calor
moveu através dela. Por que não podia ser superior ao seu
olhar penetrante?

Porque você nunca viu nada parecido com isso em


qualquer pessoa.

Ela falou para Alex:

— Por que você não está se vestindo? — Seu sorriso se


alargou, e ele levou o dedo à boca para gesto para que ela
ficasse quieta.
— Mary?

— Estou quase pronta.

— O que você está fazendo?

Merda.

— Pegando minhas coisas, mas eu tive que mudar


minha.... Roupa de baixo. — Ela fechou os olhos e fez uma
careta. Roupa de baixo? Quando ela olhou para Alex foi para
ver seu sorriso de lobo.

— Uh, roupa de baixo? O que, você está toda suada de


meia hora na esteira? — Darcy começou a rir. Mary pegou sua
bolsa que estava jogada no chão e a atirou por cima do ombro.

— Algo assim.— Ela passou por ele, mas ele agarrou a


mão dela antes de virar a esquina. Ele a puxou para perto, e
antes que ela soubesse o que estava fazendo, sua boca estava
sobre a dela e ele passou a língua em sua boca. E assim ela
estava molhada de novo, e realmente precisava mudar sua
calcinha. Ele quebrou o beijo, e Mary se inclinou para frente,
em busca de mais. Ele deu um sorriso torto, e suas bochechas
esquentaram. Maldito. Mary não podia deixar de sorrir de
volta.

Ele se inclinou perto de sua orelha.

— Eu te ligo mais tarde, ok? — Seu coração gaguejou, e


ela se viu assentindo.

— Bom. — Ele a beijou novamente, mas não havia


nenhuma língua, apenas um selinho de seus lábios contra os
dela.
— Agora, é melhor você ir ou ela vai vir até aqui e ver os
meus bens. — Ele bateu em seu beijo, e ela fez um pouco de
barulho.

Antes de Darcy entrar a sua procura ela deixou Alex


parado lá, pelado, com suas bochechas ainda quentes do que
fizeram.

— Desculpa.

— Garota, o que você estava fazendo lá? — Darcy olhou


curiosa, espiando por cima dos ombros de Mary. Mary agarrou
o braço de Darcy e tentou conduzi-la para longe, mas Darcy
cravou os calcanhares no chão.

— Espere um minuto. Por que você saiu correndo de lá?


Foi por causa do Alex? Eu pensei que você estava apenas
exercitando com ele, para o casamento de sua irmã. Vocês
brigaram de novo? Será que aquele babaca fez algum outro
comentário cretino? — Rapidamente as perguntas de Darcy
deixaram Mary tonta.

— Podemos falar sobre isso em casa? — A expressão de


Darcy não alterou, mas ela passou os olhos para cima e para
baixo em Mary, e a confusão desapareceu lentamente, e em
seu lugar surgiu um sorriso de comedor de merda.

— Oh. Minha Porra.

— Vamos — Mary usou toda a sua força e puxou Darcy


do vestiário, porque de maneira nenhuma ela queria que Alex
ouvisse o que estava prestes a sair da boca de sua
companheira de quarto.
— O que você estava fazendo? — Darcy estava
gargalhando quando Mary atravessou o ginásio tão rápido que
ela sentiu os lutadores pararem o que estavam fazendo para
ver.

— Eu te ligo mais tarde, Mica. — Darcy falou atrás dela.


Uma vez que elas estavam fora Mary soltou Darcy e olhou para
ela.

— Alex estava no vestiário com você, não estava? — Pelo


calor que cobria toda a parte de Mary, e o sorriso de cem watts
no rosto de Darcy, Mary sabia que sua amiga estava ciente do
que ela não disse em voz alta.

Darcy se inclinou para frente, em uma silenciosa mas


animada voz disse:

— Oh. Meu Deus. Você transou com ele, sua puta. — Ela
olhou em volta, mas Mary sabia que ela não estava
perguntando
— Ele é grande? Oh, Deus, eu aposto que ele é. Eu sabia
que era, só de olhar

— Eu sou bom e fodo duro escrito em seu rosto. — Darcy


continuou falando, e Mary olhou em volta, se sentindo ainda
mais humilhada.

— Shh, Darcy. Você está falando alto. — Esfregando uma


mão sobre o rosto e, em seguida, até seu cabelo, Mary sabia
que seu rosto estava vermelho, quando sentiu seu rabo de
cavalo pendurado torto.

— Bem, sim, eu fiz sexo com ele. — Darcy pegou a mão


dela, e elas começaram a caminhar para a calçada, mas antes
que elas chegassem no beco e para o carro de Darcy, a porta
do ginásio abriu.

— Posso dar as meninas uma carona? — Elas se viraram,


e Alex andou até elas. O coração de Mary imediatamente
começou a bater. Ele tinha um par diferente de shorts e uma
camiseta preta, mas tudo o que ela podia imaginar era ele nu e
empurrando dentro dela.

— Não é realmente seguro andar sozinhas no centro.


Mica não deveria ter deixado vocês virem aqui sozinhas. Ele
deveria ganhar uns socos por causa disso. — Seu rosto era
uma máscara dura, e ele inclinou a cabeça para o lado e fez
um gesto para elas seguirem. Elas olharam uma para a outra,
e depois para Alex quando ele se aproximou de uma
caminhonete estacionada ao lado do meio-fio.

— Você vai me dar detalhes mais tarde, menina, — Darcy


sussurrou, e Mary não poderia deixar de rir. É claro que Alex
não teve nenhum problema para sair através do tráfego e dar a
volta ao redor para que ele pudesse estacionar ao lado do
carro de Darcy. Houve um momento de silêncio constrangedor.

Mary abriu a porta, mas a voz profunda de Alex a parou.

— Mary, eu posso falar com você por um momento?

Darcy limpou a garganta.

— Eu vou, uh, deixar vocês dois sozinhos por um


momento. — Mary não estava olhando para Darcy, mas ela
podia ouvir o sorriso na voz da amiga. Por que a caminhonete
ficou estupidamente quente de repente? Darcy deu a Mary
dois polegares para cima uma vez que ela estava fora do carro.
Ela orou para que Alex não tivesse visto isso, mas quando ela
olhou para ele, viu seu sorriso, ela sabia muito bem que ele
viu.

— Sua amiga parece legal, mas se está vendo Mica ela


deve ser um pouco rebelde. — Ela era.

Mary colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha, que


caiu de seu rabo de cavalo. Ela não sabia o que dizer, mas
com certeza não o deixaria ver como ela estava nervosa.
Quando ele não começou a falar, ela decidiu apenas acabar
com isso.

— O que você quer falar? — Sua diversão de apenas


alguns segundos foi embora, e o coração de Mary bateu ainda
mais rápido.

Ele olhou pela janela, e em seguida, depois de um longo


par de segundos virou para ela.
— Eu quero levá-la em um encontro. — Por um
momento, tudo o que ela podia fazer era olhar para ele, porque
tão tolo quanto parecia, mesmo depois de terem acabado de
fazer sexo, isso não era o que ela pensou que ele diria.

— Quero dizer, merda. — Ele esfregou as costas de seu


pescoço e olhou para fora do para-brisa. Sem olhar para ela de
novo ele disse:

— Eu queria fazer isso direito, mas então, bem, a coisa


toda do vestiário. — Seu sorriso estava de volta, e ela sentiu
suas bochechas queimarem como fogo quente.

— Eu vou ser honesto. Eu nunca fiz isso antes. Você


sabe, perguntar a uma menina se queria ir num encontro,
nem mesmo na escola.

Oh. Wow. Isso era um pouco estranho e bizarro, mas


uma vez que as meninas queriam de Alex o que ele queria
delas, e isso não se tratava de uma fantasia com copos de
vinho ou uma conversa fácil.

— Um encontro? — Se sentia como uma vadia parecendo


incrédula.

— Sim. Uma loucura, eu sei. — Sua voz era desprovida


de emoção, e ela sabia que o ofendeu.

Antes que ela pensasse em outra coisa ela disse:

— Eu realmente gostaria de ir, Alex. — Um lampejo de


surpresa atravessou seu rosto, e então ele estava sorrindo.
—Quero dizer, nós dormimos juntos e tudo, e eu ficaria
tipo me fazendo de difícil se eu não aceitar. — Quando ele riu,
ela se sentiu bem e grata, o clima ficou um pouco mais leve.

Ele se inclinou e a beijou, ali mesmo, sem dúvida, na


frente de Darcy.

— Eu acho que eu te amo. — Ele estava sorrindo quando


ele se afastou e ela sabia que suas palavras não eram no
sentido literal, mas isso não impediu seu coração de pular
uma batida.

— Você está livre amanhã? Eu quero fazer planos antes


de você perceber que concordou em sair comigo e mudar de
ideia.

Era a sua vez de rir, mas era um riso de nervoso. Ela não
saiu com um cara em anos, mas ele não era um cara
qualquer.

— Sim, eu realmente gostaria de sair com você, Alex. — A


tensão e constrangimento no veículo foi dissipada, e a tontura
resolvida dentro dela.

Mary poderia lidar com a verdade, poderia ser uma das


meninas que experimentou uma noite na cama do quarterback
estrela, por assim dizer, mas o que ela não esperava era o
pedido de desculpas sincero que Alex deu a ela, ou a
explicação dele agindo da maneira que agiu no Tainted, ou
ainda ele pedindo para ir em um encontro depois que eles já
transaram. Ela se preparou para o pior, se satisfez com o
melhor, mas agora ela não tinha certeza do que estava por vir.
Isso a assustou muito. Ela só teria que seguir o fluxo, e
esperar que ela não se afogasse no processo.

Alex estava nervoso com uma garota, e isso era algo que
ele nunca experimentou antes. Ele sentou na frente de Mary
no The Refectory, um restaurante especializado em cozinha
americana e francesa. Era um que ele passou em frente várias
vezes, mas nunca em sua vida ele pensou que estaria sentado
dentro dele em um encontro. Ele não tinha trajes formais para
vestir, não vivendo em Columbus. Então, ele foi para a Brooks
Brothers e comprou um par de calças e uma camisa para que
ele parecesse um pouco mais apresentável. Ele já usou um
traje como este antes, anos atrás, mas estar na presença de
Mary em um cenário tão incomum, para ele de qualquer
maneira, tinha as palmas das mãos suadas e seu coração
acelerado. Se sentia como um maldito adolescente de novo.

— Este lugar é incrível. — Mary ergueu sua taça de vinho


e tomou um gole. Ele seguiu o olhar para o teto alto com as
grossas vigas de madeira, e para baixo para as paredes de
tijolos que os rodeavam.

— Eu sempre quis vir aqui, mas nunca tinha alguém


para vir comigo e não queria vir sozinha. — Suas bochechas
ficaram rosa, e ele não podia deixar de sorrir. Realmente não
demorava muito para envergonhá-la, mesmo que ela fosse a
única fazendo isso para si mesma.

— Sim, eu também. — Não era realmente uma mentira,


porque até que ele a conhecesse ele não se preocupou com
lugares como este. Mas uma vez que ela disse sim para ir a
um encontro, ele sabia que queria levá-la ali. Eles acabaram a
sua refeição, e agora um silêncio confortável pairava entre
eles.

— Você gostou do jantar? — Ela pediu algum tipo de


macarrão e frango, e em diversas ocasiões, ele se viu a
observando comer. Às vezes ela agia de modo sensual sobre
comer, e tinha mesmo gemido levemente com cada mordida.
Se isso acontecia seu rosto ficava em um estado constante de
vermelhidão.

— Estava delicioso. — Seu sorriso era um branco


brilhante, e satisfação masculina o encheu.

— E você está apreciando a noite? — Deus, por que ele


estava agindo como um maricas de repente? Ele nunca se
sentiu tão inseguro sobre suas ações até este momento.

— Claro, Alex. — Droga, o jeito que ela disse seu nome


era como se os seus dedos viajassem ao longo de seu corpo.
Agora era sua vez de corar. Ele se inclinou para trás em sua
cadeira e levou a caneca de cerveja à boca. Ele ainda podia
imaginá-la abrindo a porta quando ele a pegou antes. Ela
estava impressionante, e ele não achava que já usou essa
palavra para descrever uma mulher, mas ele com certeza fazia
com ela. Ele estava fazendo um monte de coisas que
normalmente não fazia. Ela estava usando um vestido branco
sem alças, com flores rendadas espalhadas em torno dele, e as
leves ondulações de seus seios suavemente subiam do decote.
Ele ostentou um pau duro no instante em que a vira pela
primeira vez. Não foi apenas sobre o quão gostosa ela era, ou
que se sentia tão nervoso ao redor dela, foi também sobre a
forma como o seu sorriso parecia iluminar a sala inteira, e
como cada vez que ela sorria, ele se sentia perdido.

— Alex? — Ele piscou algumas vezes e percebeu que ele


estava olhando para seu peito enquanto seus pensamentos
vagaram.

— Você está bem? Você não me respondeu.

— Eu sinto muito, eu só estava pensando.

— Perdido em pensamentos, huh? Ou você quer dizer


olhando para meus peitos? — Ele riu dela chamando sua
atenção.

Alex sorriu.

— O que posso fazer? Você é linda, e quando estou perto


de você eu não consigo pensar com clareza. — Ele não disse
isso para envergonhá-la ainda mais, mas mais uma vez o rosto
virou uma máscara bonita de rosa.

— Você cora muito. — Ele tomou um gole de sua cerveja


e olhou para ela. Ela olhou para baixo e começou a brincar
com o guardanapo.

— Sim, é uma maldição. Eu não posso esconder o que


estou pensando ou sentindo, porque fico mais vermelha que
um tomate. — Ele não disse nada, porque queria que ela
olhasse para ele. Quando ela o fez, ele se inclinou para frente,
pegou a mão dela, e a levou à boca para dar um beijo sobre os
nós dos dedos.
— Eu gosto de te fazer corar. — Sua voz era baixa, e a fez
manter o seu olhar com o seu próprio. Ele estava perdido por
ela, mas parecia muito bom.

— Me diga algo sobre si mesma que ninguém mais sabe.


— Ele manteve a mão na sua e olhou nos olhos dela. Eles
eram uma máscara tão bonita do azul, e em contraste com a
escuridão de seu cabelo.

— Não há realmente nada a dizer. Eu sou uma pessoa


muita chata. — Ele não acreditava nisso nem por um minuto,
não com o fogo que ela tinha atrás de seus olhos, ou a forma
como ela poderia dar tão bem quanto poderia tomar.

—Eu não acredito nisso. — Ela baixou os olhos, e ele


desejou que pudesse ouvir o que ela estava pensando.

— Que tal eu começar primeiro, sim? — Ela olhou para


ele.

— Tudo certo.

— Eu tenho uma irmã da sua idade, três anos mais nova


que eu. Ela começou a namorar esse cara que eu odiava. Eu
pensei que ele era um idiota e usava as meninas. — De
repente, ficou envergonhado, por toda a briga com Reese, e o
fato de que avisou Kiera sobre ele, Alex não fez diferente. Ali
estava ele, dizendo algo que nunca disse a ninguém, porque
ele nem teve noção ou percebeu que idiota ele realmente era.

— Honestamente, eu não sei por que sou do jeito que


sou. — Merda, ele era louco de dizer essas coisas em voz alta,
especialmente para alguém que ele se preocupava.
— Eu tenho usado meninas, sem dúvida, as fiz sentir
como merda, mas nunca pensei duas vezes sobre ele. Minha
irmã e seu namorado são muito sérios. Eu o odiava por pensar
que ele poderia machucá-la, e deixei a sua reputação e os
rumores sobre a forma como ele fodeu um monte de meninas,
fazer esta piscina tóxica dentro de mim. Mas o tempo passou,
e eles se acertaram, e agora estão vivendo juntos. Mesmo com
toda desconfiança, ele acabou sendo realmente um cara muito
bom e muito melhor do que eu. — Ela não respondeu, mas
não havia nenhum julgamento em seu rosto.

— Eu fui um idiota, chutei a bunda dele, porque ele


machucou a minha irmã, mas tudo acabou por ser um enorme
mal-entendido.

Merda, por que ele disse isso a ela? Por que ela não
estava dizendo nada? Sim, ela sabia de sua reputação, mas,
na verdade, dizer em voz alta fez parecer... real.

Quando o silêncio pairou entre eles e começou a ficar


desconfortável, ele pensou que realmente ferrou tudo,
confirmando o que ela provavelmente sabia dos rumores.

— Embora eu tenha ouvido tudo sobre suas façanhas, eu


acho que você é um grande cara, reputação de menino mal e
tudo.

Sua palavra significava mais para ele do que ela jamais


saberia. Alex baixou a cabeça e realmente sentiu um calor em
suas bochechas pelo elogio. Limpando a garganta, se forçando
a olhar para ela de novo, ele foi atingido pela milionésima vez
por como ela era bonita. A luz a cima direto nela lançava um
brilho quente sobre ela, como se fosse um anjo.

— O suficiente sobre mim. Quem é você realmente, Mary?


Qual é a sua cor favorita? Você tem um animal favorito,
comida ou perfume? Eu só quero saber alguma coisa,
qualquer coisa sobre você, Mary.

— Eu odeio a cor vermelha; minha comida favorita é


lasanha, e eu amo o cheiro de árvores de Natal. Eu armazeno
as latas de aerossol quando elas estão à venda durante as
férias para que eu possa sentir o cheiro durante todo o ano.

Ele não podia conter a risada que o deixou, e ficou


satisfeito quando ela sorriu. Ele estendeu a mão sobre a mesa
e deu um aperto de mão para ela continuar. Ele queria saber
tudo sobre ela.

— Você realmente quer saber as coisas chatas?

— Elas não são coisas chatas para mim, Mary.

Ela torceu os dedos, e antes que pudesse perguntar se ele


estava a deixando nervosa e desconfortável ela começou a
falar.

— Eu não como frutos do mar a menos que seja um


sanduíche de atum. Eu também como todas as coberturas de
minha pizza em primeiro lugar.

Ele sentiu o estiramento da pele quando o seu sorriso


aumentou. Isso era o que ele queria saber, as pequenas
peculiaridades que a fazia. As pequenas coisas que ninguém
mais conhecia a menos que eles estivessem realmente
prestando atenção a Mary Trellis.

Ela respirou fundo.

— Me sinto deslocada. — Isso o pegou desprevenido.

— Sério? Por quê? Eu a deixo nervosa? —Ela balançou a


cabeça lentamente.

— Bem, isso é um alívio porque me sinto da mesma


maneira aqui. — Ela começou a rir, e o som foi direto através
de seu peito.

— É só, eu não saio com alguém em mais de dois anos,


desde que saí de casa. — Ele levantou uma sobrancelha,
porque ele se surpreendeu como que ela foi capaz de manter
os caras fora.

— Meu ex, Lance, me traiu, na verdade, e por um longo


tempo eu não me vi como nada de especial. Ele era tudo que
eu conhecia, e eu o deixei me fazer sentir como se eu não fosse
ninguém sem ele. —Ele não falou, apenas a deixou continuar,
embora ele se sentisse querendo rasgar as bolas de seu ex-
namorado.

— O encontrei na cama com uma das minhas melhores


amigas em uma festa.

Ela tirou a mão, e ele deixou ir. Ela precisava de seu


espaço, ele daria a ela, contanto que ela não se escondesse
dele. Alex percebeu que ele não queria isso, nem agora nem
nunca.
— Ela não estava chateada com o fato, e embora ele
tenha se desculpado por isso e agir como se estivesse errado,
eu o conhecia bem o suficiente para ver que ele não achava
que me traíram. — Ela levantou os olhos para ele.

— Eu não disse a ninguém como eu me sentia sobre isso,


apenas bloqueei e fingi apenas que fui embora depois que
comecei a faculdade. Mas eu vou ser honesta, eu mereci o que
ele fez para mim em um sentido.

Como ela achava que merecia ser traída?

— Eu deixei ele pisar em mim, falar comigo da maneira


com que ele achava que devia, e o que ele fez foi uma espécie
de karma, de tapa na cara, para me acordar, e me mostrar que
deixar alguém fazer o que ele fez comigo faria só me arruinar
no final. Então, embora estivesse acabada, agora eu posso
olhar para trás e perceber que as coisas aconteceram da
maneira que eram para acontecer.

— Sinto muito que ele te machucou, Mary. Isso é horrível


para fazer a alguém. — Sua raiva fervia dentro dele, crescendo
cada vez mais até que ele pensou que queimaria vivo. Deus, o
que ele não daria por esse idiota estar na frente dele agora.

— Todo mundo sabia o que ele estava fazendo naquela


festa com Brittany, mas ninguém disse absolutamente nada
para mim. Todos eles sabiam que estavam trepando pelas
minhas costas, e nem uma maldita pessoa me impediu de ir
naquela sala e encontrá-los, porra. Foi o que realmente me
mostrou que tipos de pessoas eram, e como eu não podia
confiar em ninguém além de mim. Eles não eram realmente
meus amigos, e fiquei feliz que descobri isso.

Ele viu seu rosto quando ela falou, viu a dor que sentia,
mas não sabia como consolá-la. Droga, ele nem sabia o que
dizer para fazê-la sorrir novamente. Alex queria machucar as
pessoas por ela, bater neles até que eles estivessem chorando,
gritando suas desculpas, e rastejando aos seus pés. Ele
começou a tremer com a força da sua ira, e sua mandíbula
doía de como ele estava rangendo os dentes.

— Você quer saber realmente quem sou, Alex?

— Sim, Mary, eu realmente quero.

Ela segurou os olhos por um momento antes de falar.

—Eu sou o tipo de garota que deixou o namorado bêbado


abusar verbalmente dela por muito tempo, foi tudo porque eu
estava com muito medo do que seria, e como me sentiria
quando estivesse sozinha. — Ele abriu a boca, mas ela sorriu
tristemente e balançou a cabeça, o parando.

— Eu não estou dizendo isso para fazer você se sentir


mal, ou para ganhar alguma coisa. Você queria saber algo
sobre mim que ninguém mais sabe, e eu disse meu segredo
mais profundo, porque eu quero que você saiba quem é a
verdadeira Mary Trellis, Alex. Eu costumava ser muito fraca,
não tinha certeza de mim mesma, e com medo do
desconhecido. Eu deixava as pessoas pisarem em mim e
nunca mantinha a cabeça erguida, porque achava que não
valia nada.

— Mary—. Alex mais uma vez não sabia o que falar.


— Eu já passei por tudo isso, agora estou mais forte.
Mesmo envolvendo um monte de lágrimas, eu fiz isso por
minha conta. — O garçom veio para consultá-los, quebrando a
melancolia que encheu o espaço entre eles. Quando ele os
deixou a sós, mais uma vez ela disse:

— Então, eu o assustei? — Ele a amava sorrindo em uma


situação que claramente a machucava profundamente.

— Não. — Ele balançou a cabeça e estendeu a mão


novamente.

— Você nunca poderia me assustar. — Estar com Mary


era tão diferente de tudo que ele já fez, e o que ele sentia por
ela era como nada que ele comparado ao que ele sentiu antes.
Não duvidava de que ele não seria o mesmo com ela em sua
vida, não mais. O pulso dele acelerou, e gotas de suor
pontilhavam sua têmpora, e ele sabia que não queria
nenhuma distância. Ele a queria agora, e ele sempre iria
querer, não importava o quê. Ele estava se apaixonado por
esta menina, e não impediria isso de acontecer.

Por um momento, uma emoção passou rapidamente em


seu rosto, e ele se perguntou se ela viu o quanto ele a queria,
mas foi embora tão rapidamente como se tornou visível.

— Eu sou adotada e crescer com Margo era uma droga.

— Margo? — Ele gostava que ela estivesse


compartilhando tudo isso com ele, e gostava que ela confiasse
nele.

— Minha irmã. A que vai casar na próxima semana. Ela é


dois anos mais velha. Nós crescemos juntas mas nunca me
encaixei. Eu não sou o tipo rica como a minha família e as
pessoas que eles convivem. — Alex nunca teve a vontade de
bater em uma menina, mas ouvir o que a irmã de Mary fez ela
sentir, fez crescer dentro dele um novo tipo raiva. Em sua
mente, ele acabou de espancar seu ex duas vezes. Ela colocou
a mão sobre o peito e olhou diretamente nos olhos.

— Eu não quero despejar tantas informações em você, ou


fazer você olhar para mim de forma diferente, porque eu gosto
da maneira como você olha para mim, como se eu fosse a
única garota que você já viu.

Deus, ela estava o rasgando por dentro, e ele não sabia o


que dizer para lavar essa expressão sem esperança fora de seu
rosto, que ela levava quando dividiu um pedaço de si mesma
com ele.

— Mary —. Ela mais uma vez desviou o olhar do dele,


mas ele queria aqueles belos olhos azuis olhando diretamente
para ele. Quando ela fez exatamente isso, ele disse:

— Quando se trata de você, não há qualquer outra


mulher que eu queira. — Sua expressão era dura, séria.

—Você é para mim, Mary.


Alex não conseguia manter suas mãos longe dela, mas
estava tudo bem, porque ela não conseguia manter suas mãos
longe dele também. Depois que saíram do restaurante, Mary
só podia pensar em estar com ele no mais elementar dos
sentidos. Para ouvir Alex Sheppard dizer que não havia outra
para ele. Só existia ela. Seu coração estava batendo como um
tambor dentro do peito, e tinha a sensação de euforia lavando
seu corpo ao mesmo tempo. Ele deve ter visto o que ela queria
em seus olhos, porque toda conversa cessou, ele pagou a
conta, pegou a mão dela, e voltou ao seu lugar mais rápido do
que o legalmente permitido.

Ela disse tanto sobre si mesma, coisas que nunca


proferiu a outra pessoa. Seus medos quando era mais jovem, o
que Lance fez, a droga que ele fez, tudo isso era algo que ela
mantinha no fundo, dentro dela, com medo de se revelar a
outra pessoa. Ele a deixou falar, não a julgou com olhares ou
palavras, e nunca deixando ela se sentir envergonhada ou
arrependida por ter compartilhado com ele.

— Você cheira tão bem, Mary. Um gosto bom pra caralho.


— Ele tomou posse de sua boca de novo, arrastando sua
língua ao longo dela, e causando tantas sensações pelo seu
corpo, que a deixou confusa. Aqui eram só eles, na cabine da
sua caminhonete em sua garagem como faziam os
adolescentes do ensino médio. Foi emocionante. As luzes
estavam apagadas em sua casa, e o fato de que ele disse que
ninguém estaria em casa por horas, queria sair do carro e ir
para sua cama agora.

— Alex.

Ele continuou a beijando, e, em seguida, moveu sua boca


pelo pescoço para lamber seu pulso que bateu freneticamente
logo abaixo da orelha.

— Poderíamos eventualmente terminar isso na sua


cama? — Ele gemeu, e ela sorriu. Ela já enviou para Darcy um
texto dizendo que não estaria em casa hoje à noite, e a
resposta que voltou para ela era dois desenhos rústicos feitos
com números e símbolos de um pênis e vagina.

— Diga isso de novo. — Ele segurou seu peito, e ela


deixou a cabeça cair para trás contra o encosto.

— Dizer o quê? — Suas palavras eram curtas e ofegantes,


porque o que ele estava fazendo ao seu corpo era ilegal.

Ele estava fazendo maldades com o seu mamilo com o


dedo indicador e o polegar. Ele beliscou a ponta, esfregou
entre os dedos, e tinha o sangue correndo para a superfície.
— Diga que quer estar na minha cama. — Ele
gentilmente mordeu o pescoço, e um suspiro de prazer a
deixou. Foi tão bom, ele era tão bom, e ele sabia apenas o
lugar certo para tocá-la e incendiá-la mais rápido do que jogar
gasolina no fogo.

— Quero ir lá em cima, em seu quarto, onde eu possa


deitar em sua cama ... nua. — Ela acrescentou a última parte
como uma pequena provocadora, porque se ele poderia
torturá-la com as mãos e boca, então ela faria com palavras.

— O que você faz para mim. — Ele não fez uma pergunta,
mas pelo menos ele se afastou dela para que ela pudesse
puxar uma parte muito necessária de ar. Em movimentos
rápidos ele estava fora da caminhonete, passou pela frente do
carro e a tirou nos braços um segundo depois. Depois de um
prolongado beijo, em que ele a pressionou contra o caminhão,
colocou os dedos em sua vagina, estava tão molhada que ela
tinha que realmente se moer em sua mão para aliviar a dor,
eles rapidamente foram para dentro da casa, até seu quarto. A
luz em frente veio através da única janela em seu quarto e
lavou o quarto em um brilho amarelado. Eles se olharam por
um momento antes que eles se olhassem e juntos tinham as
mãos rasgando as roupas uns dos outros, bocas pressionadas
em marcante vigor, e os sons sexuais emitidos por ambos.

Uma vez que ambos estavam nus, Alex deu um passo


totalmente contra ela, sua dureza contra a sua suavidade. Não
existia uma parte dele que não fosse tão trabalhada e definida.
Ele era totalmente masculino, e ela nunca sentiu mais
controlada do que ela fez quando ele a tocou. Um ruído baixo a
deixou, e ele colou sua língua na base do pescoço e a arrastou
lentamente. Ela deixou a cabeça cair para trás, fechou os
olhos, e não se concentrou em qualquer coisa, exceto como ele
a fazia sentir.

— Eu vou tomar meu tempo com você, Mary. Esta não é


uma transa rápida contra os armários. — Sua voz estava
rouca e vibrava contra seu pescoço. Ele segurou um dos seios
à mostra, rolou o mamilo entre o polegar e o dedo indicador, e
foi para a próximo. Ele fez isso várias vezes enquanto
continuava arrastando sua língua para cima e para baixo em
sua garganta, como se fosse algum tipo de animal e a
marcando. Era uma sensação inebriante, que a fazia se sentir
propriedade dele.

Ele passou os enormes braços em torno dela, empurrou


sua ereção em sua barriga, e então virou para a cama. Ele
usou sua parte superior do corpo para empurrá-la para trás, e
quando caíram no colchão ele reivindicou sua boca mais uma
vez. Abrindo as pernas para que ele pudesse colocar seus
quadris estreitos entre eles, ela sentiu o ar sair dela quando
todo seu peso a pressionou. Depois que ele a beijou como
louco ele colocou as mãos em cada lado da cabeça e
empurrou, para que suas partes superiores do corpo não se
tocassem. Mary se sentiu presa por ele, pela sua força e
músculos, e pela pura determinação que viu em seu rosto. Ele
a lembrou de algum animal selvagem, a ponto de reivindicar a
sua presa e ela era a sua presa.

Ele olhou para ela, e com um toque mais suave que ela
pensou o que ele poderia dar a ela neste momento, passou o
dedo entre os seios. Para cima e para baixo, fazendo com que
sua pele arrepiasse com a sensação. Ele não tirava os olhos
dela, nem mesmo quando seus peitos subiam com tanta força
que ela ficou quase tonta com falta de ar. Ele arrastou seu
dedo menor, e enquanto segurava seu olhar, tudo o que podia
fazer era esperar com a respiração suspensa até que ele tocou
a parte de seu corpo que doía demais por ele. Quando ele
alcançou seu umbigo Alex mudou o movimento em torno dele
para um círculo lento, e depois continuou mais para baixo, até
que ele chegou ao topo do seu monte.

— Eu quero provar você aqui, Mary. — Ele torceu a mão


para que ele pudesse sentir sua vagina, e uma exclamação de
surpresa a deixou quando ele empurrou seu dedo médio em
seu corpo.

—Você vai deixar? — Baixando a cabeça para que seus


rostos estivessem quase tocando, ele disse,

— Eu preciso lamber a sua boceta Mary. Eu quero


arrastar minha língua pela sua boceta até gozar em todo o
meu rosto. — Alex era vulgar na sua descrição, mas ao invés
de assustá-la ele a fez desejar mais. Ele lentamente começou a
bombear seu dedo dentro e fora, e pressionou a palma da mão
em seu clitóris ao mesmo tempo. As sensações eram
explosivas, e ela agarrou seus bíceps protuberantes e cravou
as unhas em seus braços. Ele vaiou,

— É isso aí, baby. Porra cave suas unhas em mim, me


faça perceber que não estou sonhando isso.
— Deus, Alex. — Ninguém nunca transou com ela assim
antes, e o pensamento de Alex chupando e a lambendo fez a
umidade escorrer, fazendo com que o dedo de Alex entrasse
liso com a sua necessidade. Ela estava queimando viva, e não
havia como escapar.

— Eu quero você.

Ele não respondeu, apenas arrastou seus lábios pelo seu


corpo e parou quando chegou entre as coxas. Seu hálito
quente ao longo de sua fenda, e mesmo que seu rosto estivesse
tão perto das partes dela, a única coisa que a consumia era o
desejo desenfreado.

— Ohhh. — grunhiu arqueando, cavando as unhas ainda


mais fundo em seus braços fortes, e sua respiração ofegante,
Mary olhou para o teto, quando Alex passou a ponta da língua
ao longo da abertura de seu corpo. Ele então mudou para sua
fenda, circulou seu clitóris até que ela debatia a cabeça para
trás e para frente, e arrastou de volta à sua abertura onde ele
lentamente a penetrou.

— Porra, eu sabia que você teria um gosto assim.— Ele


tirou os polegares, separou os lábios e começou a devorar a
sua boceta com rápidas e longas lambidas e poderosa
aspiração de seu clitóris. Seus grunhidos alimentavam o
desejo e enviava choques de vibrações ao seu núcleo. Estava
tão perto de gozar, e ele ainda nem não a penetrou, não
realmente, não com a parte de seu corpo que ela
absolutamente ansiava.

— Não lute contra isso, Mary. Eu quero que você goze.


Essas palavras eróticas, sujas foram sua ruína.
Agarrando um punhado de seu cabelo, ela puxou os fios
sedosos quando seu clímax rasgou através dela. Alex nunca
em nenhuma vez parou de lambê-la, e de fato acrescentou
outro dedo grosso dentro do seu buraco no pico de seu prazer.
Foi intenso, com a mente entorpecida de algo que para ela foi
certamente superior.

Quando os tremores pararam, ela ficou ali respirando.


Alex continuou enfiando seus dedos, apertando sua boceta e
movendo para cima de seu corpo e então a beijou. Sua língua
se enroscou com a dela, e o sabor dela, misturado com tudo o
que era Alex invadiu seu paladar.

— Você vai me deixar fazer isso de novo algum dia, baby?

— Deus, sim. — Ele riu e a beijou profundamente, e ela


não era tão tímida na verdade, ela tinha tudo, mas ronronou
essas duas palavras. Sua ereção era uma entidade viva entre
as coxas dela, quente e dura. Eles se olharam por um
momento antes que ele se afastasse dela, pegou um
preservativo de sua mesa de cabeceira, e rolou em seu eixo.
Ela olhou para a mesa de cabeceira, odiando o fato do que
estava pensando naquele momento. Dedos firmes seguraram
seu queixo, e Alex virou a cabeça para que ela estivesse
olhando para ele.

— Eu nunca tive outra menina no meu quarto. Você é a


primeira e única mulher na minha cama, e eu penso em
manter dessa forma. — É claro que ele saberia no que ela
estava pensando, porque Mary rapidamente percebeu que ela
não poderia esconder nada de Alex. Se isso era uma coisa boa
ou ruim ela ainda decidiria.

— Ok, Mary? — Ela confiava nele mais do que em


qualquer outra pessoa, foi o que a confortou, mas a assustava
ao mesmo tempo.

— Sim. — Ele parecia satisfeito, e ela também viu um


toque de alívio. Ele passou os dedos sobre sua bochecha, como
se estivesse memorizando ela. Ele pegou a outra mão e mudou
entre seus corpos, se posicionando em sua entrada. Com a
sensação da cabeça grossa em sua abertura, ela não conteve o
gemido de satisfação.

— Enrole suas pernas em volta de mim, Mary. — Ela fez


o que ele quis e cruzou os pés contra a sua parte inferior das
costas. Um grunhido deixou quando seu movimento ao redor,
tentando entrar em posição, teve outra polegada sendo
empurrado dentro dela. Ele não provocou desta vez, apenas
empurrou lentamente seu pênis dentro dela. Uma máscara de
êxtase tomou conta de seu rosto quando ele foi fundo dentro
dela.

— É tão bom, Mary. Você nunca vai saber como é bom


para mim. — Ele pressionou o rosto na curva do pescoço e
inalou profundamente.

Alex começou lentamente empurrando dentro e fora dela.


Ele puxava para fora apenas o suficiente para que a coroa de
seu pau fosse a única coisa alojada em sua vagina, e então ele
empurrava de volta para ela. Seus movimentos eram sem
pressa, devagar. Seus olhos estavam fechados, os tendões em
seu pescoço tenso, e sua mandíbula apertada. Ele parecia tão
bom, tão masculino. Ele estava indo lentamente para ela, e ela
percebia pela maneira como ele se segurava, acima dela, que
ele queria ir mais rápido, mais forte, como a forma como ele a
levara no vestiário.

— Você não tem que se segurar para mim, Alex. Eu só


quero que você me leve. — Ele abriu os olhos lentamente, mas
apenas metade. O olhar que ele a deu enquanto sua boceta
apertava em torno de seu comprimento, fez com que saísse um
gemido do fundo da garganta.

— Mary, eu realmente tenho que me segurar. Você não


tem ideia do que eu quero fazer com você, como quero te tocar,
te beijar, e quão duro quero foder você. — Ele empurrou
profundamente dentro dela, e ela subiu na cama uma
polegada.

Suas mãos estavam na cama ao lado de sua cabeça, e ela


podia ver pelo canto dos olhos a maneira como ele puxou os
lençóis, apertando o material em seus grandes punhos.
Quando ele abaixou a cabeça e passou ponta do seu nariz ao
longo da orelha dela, Mary estremeceu em resposta.

— Você correria gritando, se soubesse o quanto eu quero


ser dono de seu corpo, e marcá-la para que os caras saibam
que você é minha.

Ele puxou e empurrou duro dentro dela novamente. Ela


subiu na cama mais uma polegada e um grito de prazer a
deixou. Ele agarrou um pedaço de seu cabelo, inclinou a
cabeça dela para trás e suavemente mordeu o lado de seu
pescoço.

— Isso assusta você, Mary? — Ele bombeou novamente,


superficialmente, para que ela ansiasse por mais.

— Será que te assusta saber que eu quero cada parte de


você, e que se outro cara olhar para você da maneira errada,
falar com você, ou Deus que o ajude, tocar em você, eu vou ter
que bater tão forte nele, que ele será incapaz de andar direito
outra vez? —Suas palavras eram baixas e perigosas.

—Responda baby — Outro empurrão dentro dela e ela foi


forçada a apertar os dedos em seu bíceps enormes e se
segurar.

— N-não, não me assusta, Alex. — Pelo contrário. Ele a


virou, caramba! Ela já não tinha as pernas ao redor de sua
cintura e sim teve seus pés apoiados no colchão e foi
levantada pelos quadris no tempo com o seu bombeamento
poderoso.

— Cristo, Mary. — Ele começou a se mover mais rápido, e


quando ela ia gozar, ele parou. Por um momento, Mary estava
atordoada sem palavras. Ele realmente parou quando ela
estava tão perto? Ela levantou a cabeça para olhar para ele por
entre as pernas. Alex estava de joelhos, sua ereção se
projetando para frente, e o recuo do piercing na ponta do seu
eixo visível através do preservativo. Ele agarrou a raiz de seu
eixo, respirou pesadamente, e olhou para sua vagina.

— Eu quero levá-la por trás, Mary. — Ele levantou


apenas os olhos para ela, e ela lambeu os lábios e assentiu.
Ele não sorriu, não se moveu, e apenas continuou olhando
para ela. Mary mudou para que ela estivesse de joelhos, e
olhou para Alex de cima do ombro.

— Se espalhe para mim, Mary. Me deixe ver o que é meu.

Seu coração estava batendo em dobro, e o fato de que ele


falou tão exigente a teve fazendo exatamente o que ele disse.
Ele chegou por trás dela, agarrou a bunda e espalhou. Ele
gemeu profundamente. Ele chegou tão perto que o calor do
corpo o fazia sentir como se um fogo a cercasse. Colocando a
ponta de sua ereção, na abertura de sua vagina, mais uma
vez, ela esperava que fosse bater dentro dela, mas ele não o
fez, e ao invés disso ele segurou sua cintura, grunhiu, e entrou
nela com uma ternura que a surpreendeu. Mais e mais, ele
puxou e empurrou de volta, não aumentando a sua
velocidade, mas se certificando de preenchê-la completamente.
Ela doía, precisava dele tão feroz como ele poderia ser. As
roupas de cama estavam enroladas em suas mãos, e ela olhou
por cima do ombro, mais uma vez, não tendo medo de
perguntar o que ele realmente queria.

—Alex — Sua voz era suave, mas tensa a partir da


necessidade desesperada de gozar.

— Eu preciso que você se dê para mim. Você está


segurando. — Ele olhou para ela, e ela viu a forma como a
garganta levantou quando ele engoliu. Ele estava quase fora de
seu corpo, mas depois que ela disse o que queria, ele fechou os
dedos em sua cintura e empurrou de volta para ela, duro.
—Oh, Deus. — Ela fechou os olhos enquanto uma onda
passou por ela. Ele fez isso de novo e de novo, mantendo um
aperto e batendo em seu clitóris já deliciosamente dolorido.
Ela estava tão perto de gozar, mas antes que pudesse resolver
o assunto em suas próprias mãos e se tocar, Alex colocou o
dedo entre as coxas e esfregou seu clitóris. Ele beliscou o
tecido inchado com força suficiente que seus olhos
lacrimejaram e seu orgasmo se chocou contra ela. Era uma
agonia e êxtase, tudo junto. Ela mordeu o lábio, o sentindo
tocar o escondido e inchado nervo dela, e dando a ela o prazer
em um nível vulcânico.

O sabor picante, metálico de sangue encheu sua boca,


mas ela não se importava que tivesse rompido a pele, porque o
que Alex estava fazendo com ela, neste momento, não poderia
ser chamado de qualquer coisa, mas ele estava transando com
ela de forma crua. Seus seios balançavam com a força de seus
golpes, e o som de seus tapas na pele úmida em conjunto,
encheu seus ouvidos. Ele resmungou e rosnou atrás dela como
uma espécie de animal feroz, mas tudo isso só fazia com que
ela tivesse outra série de contrações menores saindo dentro
dela. Com um gemido ensurdecedor ele enterrou todo o
comprimento do seu pau dentro dela e gozou. Ela sentiu quão
tenso ele estava e quão difícil e molhados seus músculos
estavam enquanto se esforçava por trás dela. Quando seu
corpo não estava mais tenso ele a cobriu de volta com seu
peito, seu hálito quente e úmido soprando em sua nuca.

Eles caíram para o lado ao mesmo tempo, e Alex


enrolando logo os seus braços em volta dela a trouxe de volta
ao seu peito sólido. Seu eixo suavizou em seu interior, mas
não estava totalmente flácido, e ela balançou contra ele. Ele
beliscou o lóbulo da orelha e gemeu.

— É melhor você parar de fazer isso, ou vamos para a


segunda rodada. — Ele beijou sua orelha e saiu dela, para sua
decepção. Ele saiu do quarto, presumivelmente para ir ao
banheiro, mas ela estava cansada demais para abrir os olhos e
checar. Poucos minutos depois, ele estava de volta e deitou na
cama ao lado dela, ficando de conchinha. Ficaram em silêncio
por alguns instantes, e assim como ela estava prestes a falar
algo, sua voz profunda perfurou a quietude.

— Obrigada por compartilhar uma parte de si mesma


comigo esta noite. Significa muito que você confiou em mim. —
Ele enterrou o rosto em seu cabelo e inalou.

—Estou feliz por ter dito a você, também. — E ela estava.


O silêncio mais uma vez pairou sobre eles, Mary deixou seus
pensamentos assumirem por um momento, e teve a ideia de
que poderia facilmente se apaixonar por Alex Sheppard.
Suor escorria pelos olhos de Alex assim que ele deu outra
volta no campo. Ele não poderia participar de nenhum jogo até
que toda a sua merda fosse resolvida, mas ele ainda treinava
com o resto do time. Alex estava realmente se perguntando
porquê Mary estava o ensinando, o que o deixou surpreso
desde que se concentrar perto dela era muito difícil. O que ele
sabia com certeza, é que ele não tinha nenhuma ideia do
porquê ele decidiu se inscrever na aula de Sexualidade
Humana. Ela estava sendo paciente com ele, desde que seu
relacionamento se tornou físico ele ainda não foi capaz de
manter suas mãos fora dela. Mas os pequenos avisos dela para
ele prestar atenção e parar de se aproveitar da tutora foi
incentivo suficiente para ele realmente se focar.

Era sexta-feira, e era para ele supostamente a levar no


restaurante com sua família para jantar. Toda a situação era
louca, imprevisível, e ele amou cada minuto.
Ele deu mais uma volta e parou quando alcançou seus
companheiros de time. Todos estavam respirando cansados,
mas correr em volta do campo foi a punição por alguns caras
terem chegado tarde e de ressaca ou até meio bêbados ainda.

—Eu deveria fazer vocês correrem mais vinte voltas só


porque eu apreciaria muito isso — O treinador parou na frente
deles e fez uma careta. Sim, ele estava puto, e sempre que o
Treinador estava bravo era muito assustador de ver.

— Não sei quantas vezes eu avisei sobre vir para o treino


de ressaca, mas estou cansado disso. Não me importo se não
foi você, porque nós somos um time, e quando um de vocês faz
merda, todos vocês fazem também. — Ele passou os olhos por
todos os jogadores e parou seu olhar em Alex por mais tempo.

— Estou surpreso que você não esteja falhando em suas


aulas e na sua posição, Sheppard. De fato, eu pensei que fosse
mais esperto e tomasse seu erro como uma lição de vida.

Alex ficou e com raiva por ter sido chamado atenção na


frente de todos, mas ele manteve sua boca fechada. Alguns de
seus companheiros lançaram olhares cautelosos, mas
rapidamente desviaram quando ele estreitou seus olhos para
eles.

— Ninguém está liberado do treino até que cada um de


vocês tenha suado todo o álcool, e a única coisa que vocês irão
querer na sexta-feira à noite é gelo nos seus músculos;

Houve um gemido coletivo. Alex olhou para o relógio. Era


para ele chegar em casa, arrumar uma bolsa para o fim de
semana, e pegar Mary na casa dela em uma hora. E aí eles
encontrariam seus pais. Ele reservou um quarto de hotel, e o
pensamento de tê-la só para si, embaixo dele, e gritando seu
nome, o deixou duro como uma pedra. Ele se ajustou através
de sua roupa e andou para onde o treinador falava com alguns
de seus colegas de time.

— Agora movam seus traseiros de volta para o campo e


executem a jogada 3 de novo até que esteja correta — O
treinador virou para Alex.

—Treinador, era para eu estar passando esse fim de


semana com a minha garota. Eu realmente não posso me
atrasar essa noite. — Houve um momento de silêncio.

— Você é uns do que precisam ficar Sheppard.

— Eu cheguei sempre na hora desde que você me disse


sobre aumentar minha média, e não vim para o treino de
ressaca. Eu também estou me esforçando muito para
aumentar minhas notas.

— Você quer um prêmio, Sheppard? — Alex cerrou seus


dentes e apertou suas mãos em punho. O treinador tinha que
ser respeitado, mas isso não significava que ele gostava da
forma que ele falava.

— Não, mas estou dizendo a você que preciso ir. Eu


tenho planos.

O treinador não esboçou nenhuma reação.

— Parece que você vai se atrasar, Sheppard. Agora se


junte ao time e treine. — Ele não deu tempo para Alex falar,
porque ele já estava voltando para o campo. Alex olhou em
volta e viu seus colegas de time entrando em formação para
praticar a jogada. Merda. Ele poderia sair, mas ele não
duvidava que haveriam sérias repercussões envolvidas, e ele já
estava em observação.

—Porra. — Ele rapidamente andou até sua bolsa e pegou


seu telefone. Ele discou o número de Mary, saiu do campo e
apoiou na parede de concreto.

— Oi. — O sorriso em sua voz era contagiante, e ele se


viu sorrindo de volta.

— Oi, baby.

— Você já está vindo? — Sua voz era macia, melodiosa, e


fez com que ele fechasse seus olhos para apreciá-la. Porra, ele
estava tão na dela, e ele não se importava com que alguém
dissesse sobre isso.

— Aww, baby, eu tenho que ficar até tarde no treino hoje.


O treinador está sendo realmente duro com todos, porque os
caras vieram treinar de ressaca. — Ele ouviu o som de um
zíper sendo fechado e soube que ela estava se arrumando.

—Sério? — Seu desapontamento estava claro.

— Você não consegue sair antes? Talvez se você dissesse


ao treinador seus planos?

— Desculpe baby, mas eu já estou em estágio probatório


por causa das minhas notas, e realmente não quero irritar
mais ninguém.

— Então, mas você ainda vai vir, certo?


As coisas entre eles eram tão diferentes agora, que ele
não poderia explicar isso racionalmente. Há algumas semanas
atrás ele não acreditaria que sentiria dor só de ver o rosto de
Mary, só ouvir sua voz, e somente tocar sua pele. Mas tudo
terminou quando ela se entregou a ele na Frost’s e continuava
mudando para melhor toda vez que ele a via, droga, toda vez
que ele falava com ela. Eles ainda não sentaram e
conversaram sobre o tipo de relacionamento que tinham, mas
não existia ninguém mais para ele. Além disso, a forma que ela
o olhava, dizia a Alex que ela se sentia do mesmo jeito que ele.
Ele não olhava para outras garotas, ele não pensava em outras
garotas, e ele não ficou duro quando uma garota se esfregou
nele. Tudo que ele queria era uma certa garota de cabelos
escuros e brilhantes olhos azuis, e que a paixão que havia
dentro dela, poderia deixa-lo de joelhos em mais de uma
maneira. Ele olhou para a parede cinza porosa em sua frente e
passou sua mão pela superfície áspera.

Poderia ele realmente amar alguém em tão pouco tempo?


Ele nunca esteve apaixonado, ele não sabia como era se sentir
apaixonado, mas as emoções dentro dele todas as vezes que
ele olhou para Mary, disse que o que ele estava sentindo não
era apenas desejo por ela. Ele se importava com ela, muito. E
se isso era como o amor se parecia, essa necessidade profunda
de protegê-la, e o sentimento de posse que o consumia quando
ele estava perto dela, então sim, ele a amava, muito.

— Eu não sei que horas chegarei, mas sim baby, eu não


perderia isso por nada no mundo. — E ele não o faria, porque
ele iria a qualquer lugar com ela, faria qualquer coisa por ela,
e não haveria nada no planeta que o pararia. Seus amigos
poderiam chamá-lo de submisso a namorado, mas era muito
mais do que isso. Ele estava apaixonado pela primeira vez em
sua vida, e não haveria nada que poderia tirar essa alegria
dele.

Mary temia em ir nesse casamento. Não somente porque


Alex estava no treino e chegaria atrasado, mas ela também
estaria presa na sala de jantar abafada com seus pais tendo
que ouvir Margo falar e falar o quão infeliz ela estava sobre
cada minúsculo detalhe da decoração do casamento, dos
vestidos, até mesmo sobre a música. É claro que Margo tinha
classe, mas ela também era uma mega-megera nos seus
melhores dias. Então aqui estava ela sentada na mesa com
sua família, ouvindo Margo reclamar sobre quão seco estava o
vinho tinto para o seu gosto. Joe sentou do lado de Margo
como um cavalheiro, concordando com tudo que ela falava.

— Mary, você ouviu o que sua irmã te perguntou? —


Mary olhou para sua mãe, percebendo que ela estava
divagando.

— Não, me desculpem. Estava perdida em meus


pensamentos. — Quando ela estava com sua família precisava
ser a filha adequada dos Trellis. Suas costas tinham que estar
eretas e suas mãos tinham que estar cuidadosamente
dobradas sobre seu colo, ela se sentia como uma total
impostora. Era tudo robótico.

— Eu perguntei o que aconteceu com o seu encontro? Ele


furou com você?

Ela olhou para Margo.

— Ele estará aqui mais tarde. Ele tinha treino, e ficará


até mais tarde. — Antes que Margo pudesse fazer um
comentário sarcástico, o qual Mary imaginava que estava na
ponta da sua língua, a campainha da porta da frente tocou e
sua mãe exclamou.

— Oh Mary, eu esqueci de dizer que encontrei um velho


amigo seu algumas semanas atrás. — O coração de Mary
acelerou imaginando qual “amigo” sua mãe encontrou,
especialmente desde que Lance falou que eles eram um casal
semanas atrás. Sua mãe estava de pé e indo em direção a
porta da frente antes que a empregada pudesse chegar lá
antes. Deus, minha mãe está muito ansiosa. Ela ouviu uma
tagarelice e depois a voz profunda e esnobe de Lance.
Momentos depois seu ex-namorado entrou na sala de jantar,
mas Mary se recusou a manter um contato visual com ele.
Essa situação toda era uma merda. Ela estava irritada que sua
mãe o convidou, mas em sua defesa Mary não disse a ninguém
o porquê de eles terem terminado, ou todas as coisas horríveis
que ele fez com ela. Após a conversa deles no telefone várias
semanas atrás, ela pensou que Lance pegou a dica de que ela
não queria mais nada com ele. Claramente esse não era o
caso.

— Mary, será que você pelo menos irá dizer oi ao Lance?

Apertando as mãos em torno do guardanapo de linho em


seu colo, ela levantou sua cabeça e olhou para o cara que a fez
sentir como se ela não fosse nada, em todos os sentidos da
palavra. Lance Marten, com o seu perfeito cabelo loiro curto e
seus olhos claros, parecia exatamente como ela se lembrava
quando ela o deixou há dois anos naquela festa. Com apenas
um piscar de olhos ele parecia o menino perfeito da porta ao
lado, mas no seu interior não valia nada. Seu suéter
estampado argila estava sem uma ruga e liso sobre sua camisa
branca de botões engomada, e seus Dockers foram amarrados
com perfeição. Ele sorriu para ela, mas ela conhecia Lance o
bastante para saber que ele não passava de um monte de
merda quando ficou na sua frente.

— É tão bom vê-la novamente, Mary. Tem sido um longo


tempo. — Ele se moveu em volta da mesa, e ela ficou tensa.
Seu sorriso era branco e perfeito. Sem dúvida que ele teria
comprado para si mesmo facetas de porcelana. Antes que ela
pudesse se mover ele a agarrou por baixo dos seus braços e a
puxou suavemente. Quando ela chegou perto dele, ela quase
engasgou com o cheiro forte do seu perfume Polo. Era o
mesmo cheiro que ele usava quando eles namoravam, perfume
que ela não podia tolerar por mais tempo, porque ela sempre
atribuiu ele as suas explosões bêbadas, e a forma como ela se
sentia com ele... Dependente e carente.
Sussurrando para que só ela fosse capaz de ouvir Lance
disse:

— Já que você não quis me ver por conta própria, eu tive


sorte de encontrar sua mãe no clube de campo. Estranho
como as coisas se encaixaram, não é?

Sim, muito conveniente.

— É tão bom ver você. — Ele se afastou e sorriu para ela.

— Eu não posso acreditar nisso. Você não mudou nada.

Ela tentou afastá-lo, e dizer a ele que só se passaram dois


anos, e não décadas, desde a última vez que eles se viram.
Estar diante dele novamente mostrou duas coisas a ela: ela
ainda o odiava, e não importava o tanto que ela amadureceu
enquanto eles estiveram afastados, e se tornaram estranhos,
ainda havia uma parte dela que se sentia diminuída com sua
presença. Agora ela estava pensando o quanto ela cresceu
desde que deixou Brentsville, Lance, e o controle rígido da sua
família. Ela fez algo errado, ou ela estava deixando Lance
controlar uma parte dela que ele não poderia reivindicar.

O que ela queria era Alex, para sentir suas mãos fortes a
segurando, seu cheiro para limpar o perfume doce e doentio de
Lance. Alex não se importava com títulos, ou status sociais.
Sua mãe estava feliz com a reunião e seu pai os encarava
imperturbavelmente.

Pela próxima hora e meia sua mãe incluía Lance em


todos os assuntos que ela começava. A raiva de Mary crescia
lentamente com o passar do tempo.
— Então, Lance, como estão às coisas com seu pai? Ouvi
dizer que você começa seu estágio na companhia dele logo?

Lance passou a próxima hora falando sobre ele mesmo.


Mary não podia aguentar mais.

— Lance. — Todo mundo olhou para ela.

— E como esta Brittany? — Houve um silêncio e ele a


encarou. Não teve como disfarçar o modo que ele rangeu os
dentes.

Aww, um assunto delicado. Bom.

Ele limpou a garganta, e olhando entre seus pais, deu a


ela um sorriso sarcástico.

— Na verdade, Brittany e eu nos separamos. — A


maneira como ele disse, com um leve tom de desgosto, Mary
ficou se perguntando o que a “amiga” fez para ele. Ficou claro
que ele estava chateado sobre como as coisas terminaram
entre eles. Talvez Brittany conseguiu uma amostra do que
Lance Marten realmente era capaz. Não que ela desejasse mal
a ninguém, mas existia o karma e tudo mais.

Lance, com sua fala mansa, passou por cima do assunto


Brittany.

—Mary, eu estava pensando que talvez nós pudéssemos


nos encontrar depois do casamento?

Talvez sua família estivesse tão absorta por não reparar


nos tiques raivosos de Lance, ou eles não se importavam em
manter o mesmo assunto.
— Oh, Mary, isso não é agradável? — Sua mãe derramou
sobre o que ele falou.

— Eu nunca entendi porque vocês se separaram, mas


dois anos é tempo bastante para as coisas se ajeitarem. Além
do mais, você está solteira e ele também.

Mary não corrigiu sua mãe sobre o fato de que ela não se
considerava solteira. Ela e Alex podiam não ter conversado
sobre o que o relacionamento deles era, mas ela se importava
com ele, e não conseguia se ver com qualquer outra pessoa.
Ela só queria Alex.

Ela encarou sua mãe, mas essa estava praticamente


bajulando Lance do seu lugar.

— Vocês dois deveriam ir ao casamento juntos. — Sua


mãe olhou para Mary.

—Desde que seu encontro obviamente não virá, penso


que seria perfeito desde que esbarrei com Lance no clube.

Sim, momento perfeito. Escreva sarcasmo.

— Eu não penso assim, desde que meu encontro, Alex,


estará me acompanhando. Ele teve coisas para fazer, como eu
disse mais cedo. — Ela manteve seu olhar sério enquanto
encarava sua mãe. Ela não mudaria de ideia. Isso já estava
indo longe demais e ela estava colocando ponto final nessa
conversa.

— Desculpe, Lance, mas tenho certeza que encontrará


alguém para ir com você. — Satisfação a encheu quando ela
percebeu uma faísca em seu olhar, e ela sabia que atingiu um
nervo.

— Bem, isso é uma pena, mas você guardará uma dança


pra mim no casamento, certo? — Deus, ela só queria sair
desse horrível pesadelo.

Ela nem se importou em responder sua pergunta.

—Ouçam, eu tenho que ir. — Mary teve o suficiente, e


agora tudo o que ela queria era voltar para seu quarto de hotel
e esperar por Alex. Ela olhou para seu telefone, imaginando
onde ele estava. Ela não queria que ele aparecesse agora,
porque sujeitá-lo a isso, seria crueldade. Margo estava dando a
ela um olhar de desdenho, e seus pais a olhando com
desaprovação, provavelmente por causa de sua atitude. Logo
depois desses dois anos em que ela realmente sentiu que
amadureceu como pessoa e como uma adulta. Ela supôs que
quando coisas ruins acontecem na vida de uma pessoa isso a
faz mais forte. Ela sabia que se não fosse por tudo que ela
passou com Lance, e o jeito que ela deixava as pessoas
fazerem ela se sentir, como um nada enquanto crescia, Mary
talvez nunca tivesse a coragem necessária para dizer as coisas
que ela disse a eles agora. Antes que eles pudessem detê-la ela
se levantou e pegou sua bolsa.

—Mary, você está indo embora sem terminar de jantar?


— Sua mãe se levantou, com surpresa evidente em sua voz.

Mary se virou para sair.

— Eu tive um longo dia, então eu só gostaria de ir para o


hotel.
— Hotel? — Sua mãe gritou em choque. Mary voltou para
mesa, e fechou seus olhos. Sim, ela não se importou em dizer
a ninguém que ficaria em um hotel com Alex. Quando virou
todos estavam a encarando e esperando uma resposta. Existia
um pingo de dor no rosto de sua mãe, o que fez Mary se sentir
ainda pior.

— Sim, eu pensei que a casa estaria lotada com Margo e


Joe ficando aqui, além do mais, seria desconfortável para Alex
ficar em um lugar que ele não está familiarizado.

— Alex? Você quer dizer o namorado que não está aqui?


— Estava claro na voz de Margo que ela acreditava que não
havia nenhum Alex. Mary estava exausta mentalmente e
fisicamente, e ela já estava pronta para ir.

— Sim. — Ela cerrou os dentes, sentindo toda a fraqueza


que ela sempre sentiu evaporando.

— De fato, ir embora é melhor a opção no momento.

— Mary, não sei que bicho te mordeu, mas o seu


comportamento é rude e inaceitável. — Seu pai pegou o
guardanapo e limpou o canto da boca.

— Eu concordo Mary. Você nunca agiu dessa forma. Tem


alguma coisa te incomodando? — Sua mãe apertou o
guardanapo de linho no seu colo.

— A deixe ir, mãe. Ela está estragando o jantar de


qualquer forma. Ela provavelmente vai fazer uma cena no meu
casamento também. — Margo sentou e jogou o cabelo para
trás.
Era isso. Algo dentro de Mary estalou. E toda a fraqueza
que eles a fizeram sentir e o jeito que ela permitiu que todos
passassem por cima de suas vontades e dissessem como a
vida dela seria, foi longe demais. Ela era uma adulta, ela
sobreviveu por dois anos sem a ajuda deles, e ela era mais
forte do que eles poderiam imaginar. A lutadora dentro da sua
rosa. Encarando Margo com raiva ela viu sua irmã arregalando
os olhos. Ah sim, nada mais de ficar para trás e deixar os
outros pisarem nela.

— Você é uma grande puta, Margo. — A sala ficou


mortalmente silenciosa assim que Mary falou. Todos a
olhavam escandalizados pelo que ela acabou de dizer. Pareceu
muito chocante.

— Mary...— A voz estridente da sua mãe não a impediria


de continuar. Não, isso vinha acontecendo há muito tempo.

— Não, mãe. Eu tive muito dessa merda, e vocês dois me


olhando como se nada que eu fizesse se encaixasse na
pequena vida perfeita dessa comunidade. — Ela encarou seus
pais.

— Estou cansada de me sentir como se não valesse nada


para ninguém.

— Mary, querida, eu não sabia que você se sentia desse


jeito. — Os olhos de sua mãe estavam arregalados e sua voz
era sincera.

— Isso é porque você nunca se importou Mãe. — Foram


diversas vezes na sua vida em que seus pais e sua irmã
mostraram o que eles esperavam dela, o que ela deveria vestir,
a forma como ela deveria falar, ou agir do jeito que eles
queriam. Ela sempre seguia as ordens e sentia que ela nunca
fazia nada certo. E isso custou a ela se sentir confortável
consigo mesma.

Foi preciso dois anos para ela compreender que valia


alguma coisa. Alex a fazia se sentir especial, ele não esperava
que ela fosse outra pessoa, ele se importava com o que ela
tinha para dizer. Ele a fez sentir como um ser humano. Ele
podia não saber, mas ele a ajudou a perceber várias coisas no
pequeno espaço de tempo em que estavam juntos. Ela sentia
que podia ser ela mesma com ele, e isso era libertador.

A sala ainda estava em silêncio, e ela não quebrou o


contato visual com Margo.

— Estou cansada de você me tratar como se eu não fosse


boa o suficiente. Estou cansada de você agindo como se fosse
melhor do que eu. E estou cansada de você ser uma vadia o
tempo todo.

Sua mãe engasgou, e Margo abriu sua boca em choque,


mas nada saiu dela. Todo o resto continuou em silêncio. Pelo
menos eles eram espertos nesse sentido, porque ela estava se
sentido como se houvesse um fogo queimando dentro dela e
poderia explodir a qualquer momento.

— Você não é melhor que ninguém, Margo. — Ela


abaixou a voz.

— Você é minha irmã, você querendo ou não corre o


mesmo sangue em nossas veias. E não importa de onde você
veio, quanto dinheiro você possui, ou amiga de quem você é.—
Ela se virou para sua mãe então.

— Eu não sou uma boneca mãe, você não pode me fazer


agir da forma que você quer, ou fazer o que você quer. Eu sou
humana, sua filha, e estou cansada de nunca poder me sentir
como eu mesma quando venho para casa. — Elas se
encararam por um instante.

— E eu nunca voltarei com Lance. — Mary levantou sua


mão quando sua mãe ameaçou falar.

— Me deixe terminar. — Pela primeira vez na vida


Marsha Trellis realmente olhou para ela.

— Você quer saber porquê de eu nunca mais vou voltar


com Lance? — Ela olhou para seu ex, ela viu como suas
narinas se abriram e seus olhos se estreitaram.

— Ele me traiu com a Brittany, você sabe, a garota que


costumava ser minha amiga. Sim, eu os peguei transando em
uma daquelas elegantes festas de vinho que eles gostavam de
fazer.

— Mary, acho que isso é o bastante. — Lance falou entre


seus dentes, mas ela não podia parar. Não agora, e com
certeza nunca mais.

— Não é o bastante Lance, porque eu quero que eles


saibam exatamente o tipo de pessoa que você é. — Seu rosto
ficou vermelho de raiva.

— Você está cometendo um erro, Mar....

— A deixe terminar garoto.


Mary arregalou seus olhos para o pai, surpresa com o
baixo tom de advertência em sua voz.

Seu pai olhou para ela e balançou a cabeça para ela


continuar.

— Você me machucou Lance. — Sua voz era macia, mas


ela sabia que fazia sentido o que ela estava dizendo.

— Todo o tempo em que nós estivemos juntos eu


aguentava as suas agressões verbais bêbadas, porque estava
com medo de ficar sozinha.

Ela não iria chorar, mas as lágrimas começaram a surgir


por trás dos seus olhos. Não era lágrima de tristeza,
surpreendentemente, eram lágrimas que a faziam se sentir
limpa e feliz, porque finalmente estava tirando essa opressão
do seu peito e sentiu como se o peso do mundo fosse retirado
dos seus ombros.

— A única coisa boa do nosso relacionamento foi o fato


de que eu aprendi muito sobre mim mesma, e sobre o meu
valor estando com você. Eu sou diferente agora, como você
pode ver, e isso é uma coisa boa. — Ela deu um passo para
trás e saiu da sala.

— Estar por minha conta, andar com as minhas próprias


pernas e lidar com tudo sozinha fez eu não me sentir
dependente dos outros, ou a me importar sobre a que eles
pensam sobre mim. Eu posso viver em uma casa velha, com
uma colega de quarto, que não pode comprar roupa de grife ou
sempre tem coisas novas, mas eu não trocaria isso por nada
no mundo. — As lágrimas que ela lutou arduamente para
segurar rolaram pelo seu rosto, mas ela não se importava. Ela
se sentia bem em chorar, porque pela primeira vez na sua vida
as lágrimas não eram de tristeza.

O único som que se ouvia quando ela terminou de falar


era o relógio do seu avô no hall de entrada marcando as horas.

— Mary, querida. — Mary balançou a cabeça e sorriu


para sua mãe.

— Eu não quero um pedido de desculpas, porque o que


passou, passou. Eu estava cansada de manter tudo isso
dentro de mim, mas coloquei tudo para fora, e só sei que
nunca vou manter nada para mim novamente. Devo uma
parte dessa mudança a Alex, porque ele nunca me fez sentir
estranha, e sempre me diz que eu sou valiosa. Eu tenho que ir,
mas eu irei amanhã ao salão de beleza, Margo. — Ela não
esperou ninguém responder, apenas foi para a porta da frente,
mas parou quando ouviu a voz profunda do seu pai.

— Você fez aquilo para minha filha? — Mary ficou


surpresa ao ouvir a raiva borbulhando quando seu pai falou.
Houve apenas algumas vezes que ela viu ou ouvido seu pai
chateado, e todas às vezes foi por causa do trabalho. Ele era
imperturbável, apático no melhor dos dias, e como todos os
outros, pouco mostrava afeto. Era quem ele era, mas agora ele
estava falando com Lance com raiva crescente em sua voz.

Lance limpou sua garganta.

—Senhor...

— Você não é mais bem-vindo em minha casa, ou na


companhia da minha família. Eu quero você fora daqui.
Ela ouviu sua mãe começar a chorar. Mary abriu a porta
e saiu, mas parou quando viu a chuva. Claro. Pegando as
chaves na sua bolsa, ela pegou o telefone, e viu algumas
chamadas perdidas de Alex e textos dizendo que estava
arrependido porque estava chegando tarde e que já estava no
caminho. Ela enviou uma mensagem para ele dizendo apenas
para encontrá-la no hotel. Ela estava feliz que ele não foi esta
noite, porque de maneira nenhuma ela queria que ele tivesse
assistido aquele espetáculo.

Destravando o alarme do carro ela começou a caminhar


rapidamente até o carro. A chuva continuava e ela ficou
encharcada, mas antes de entrar no carro, ela ouviu a porta
da frente abrir e fechar e se virou para ver Lance andando
rapidamente em sua direção. Ele parou bem na sua frente,
com seu cabelo perfeitamente penteado pingando água, e seus
olhos transformados em fendas.

— Você me fez parecer um idiota lá dentro. — Ela


percebeu o jeito que ele abria e fechava suas mãos do lado do
corpo. Ela segurou ainda mais forte suas chaves, se recusando
a ser intimidada. Ele não se atreveria a bater nela, mas o que
ela via em seus olhos é que ele desejava isso.

— Eu só disse a verdade. Mas se a verdade o faz parecer


um idiota talvez você devesse dar uma boa olhada no espelho,
Lance. — Não era uma pergunta, mas suas palavras com
certeza o irritaram ainda mais porque ele mostrou seus dentes
para ela. Ele levantou sua mão, e ela estava entre ele e seu
punho.
— Se você quer fazer isso, então faça. — Não existia medo
em suas palavras. Segurando seu olhar, ela o desafiou a bater
nela e provar exatamente o quão fraco ele era. Suas narinas
expandiram, e por alguns segundos, ele não fez nada, apenas
olhou para ela. Ele baixou a mão e sorriu para ela. Não era
doce e genuíno, mas como um predador que está para atacar
sua presa.

— Você vai se arrepender disso, Mary. Parece que você se


esqueceu qual é o seu lugar. — Com isso, ele foi até seu
Porsche, subiu e saiu em disparada, com pneus cantando e
jogando água para os lados. Havia o Lance que ela se
lembrava, aquele com o pavio curto, mas que poderia enganar
o Papa. Seu celular vibrou e ela viu que era uma mensagem de
Alex.

Alex: Ok, mas está tudo bem?

Mary suspirou, se sentido sobrecarregada.

Sim, apenas dramas de família. Eu o verei no hotel.

Jogando seu telefone no banco do passageiro ela foi para


o hotel, se sentindo bem por ter colocado tudo para fora, mas
também estava se sentindo exausta ao fazer isso. Pelo menos
sua família não tentou impedi-la de ir embora. Apesar de dizer
a si mesma que não choraria, as lágrimas que ela estava
segurando escorreram pelo seu rosto.
Alex ficou esperando embaixo da entrada do pequeno
hotel no subúrbio elegante de Brentsville. Eles ficaram várias
horas a mais no treino. Seu corpo estava dolorido, e depois de
correr para casa, tomar um banho rápido e pegar sua bolsa,
ele veio direto para cá. Ele ligou para Mary para dizer que já
estava vindo, mas ela não atendeu. Ele se sentiu como um
merda por não poder estar com ela, e se sentiu ainda mais
idiota quando ela enviou um texto quando ele estava indo
encontrá-la, dizendo para que se encontrassem no hotel. Ele
viu sua BMW parar na entrada, e viu o vallet indo ao seu
encontro. Ela entregou as chaves, e ele dirigiu o carro para
estacioná-lo, e em seguida, ela estava apenas a poucos metros
dele, toda molhada, e seus olhos vermelhos de tanto chorar.
Seu coração perdeu uma batida e ele se moveu em direção a
ela. Esses babacas a machucaram? Se fosse isso ele chutaria
algumas bundas.
Ela o encontrou no meio do caminho, e parou quando
estava bem na sua frente, e antes que ele pudesse perguntar o
que estava acontecendo ela passou os braços em seu pescoço
e o beijou. Ele foi surpreendido por sua atitude. Ele entendeu
errado pensando que ela estava chateada? Ele ficou
instantaneamente duro quando ela passou a língua sobre seus
lábios. Alex não perguntaria o que ela estava fazendo, passou
as mãos por sua cintura e a puxou mais para perto de modo
que ele estava sustentando seu peso e seus pés estavam fora
do chão, e tomou sua boca em um beijo rápido, cheio de
paixão. Por vários longos segundos ficaram ali, se beijando
como se ninguém estivesse olhando, e isso era muito quente.

Ela quebrou o beijo, trilhou seus lábios pelo queixo, e


sussurrou em seu ouvido:

— Me leve para o quarto, Alex. Eu quero você agora.

Ela se inclinou para trás e olhou em seus olhos, e de jeito


nenhum ele perguntaria o que estava acontecendo. Alex a
colocou no chão e pegou sua mão, a levou através da recepção
do hotel e entrou no elevador. A pressionando contra a parede
espelhada, ele tomou sua boca de novo sentindo o elevador
subir, adorando saber que se ele quisesse, ele poderia tê-la
aqui e agora. Ela apertou contra ele, esfregou seu corpo ao
longo do dele, parecendo quase desesperada pelo seu toque.
Seu pau estava pulsando, e ele sabia que precisava parar ou
puxaria sua saia para cima e a tomaria ali mesmo no elevador.
Ela estava molhada, como se ela tivesse ficado na chuva, ele
quebrou o beijo e olhou para ela. Seu cabelo escuro parecia
ainda mais escuro agora que ela estava molhada, e um olhar
para baixo mostrou a ele o fino tecido colado em seus seios, e
os mamilos duros através do sutiã.

— Você está encharcada. — Ele lentamente ergueu seus


olhos para ela, e parou de respirar com o olhar selvagem que
ela tinha em seu rosto.

— Você não imagina, Alex. — A forma que ela disse


deixou claro que ela não estava falando sobre suas roupas e
cabelo molhados.

Santa Merda. Sua garota estava quente. Felizmente o


elevador apitou quando atingiu o seu andar, porque ele estava
a segundos de tomá-la. Ele pegou sua mão novamente e os
arrastou rapidamente para o quarto. Uma vez que a porta foi
aberta e fechada atrás deles, eles ficaram ali encarando um ao
outro. A excitação que pairava sobre eles fez seu pau latejar.
Ele foi até ela e, ao mesmo tempo, eles começaram a rasgar
suas roupas até que eles estavam nus uns contra os outros.
Esta não seria uma noite de fazer amor lentamente, seria
rápido e duro.

Ele a levou para a cama, correu seu dedo por suas coxas,
e gemeu profundamente quando ele sentiu o quão excitada ela
estava.

— Baby, eu tenho que pegar a camisinha. — Ele a beijou


e começou a se mover, mas ela apertou as mãos em volta do
seu pescoço. Ele olhou para ela, um pouco confuso.

— O que está errado?

— Estou tomando pílula. — Ele piscou uma vez com as


palavras dela, não entendendo exatamente onde ela queria
chegar. Ele ficou feliz que ela estava tomando precauções
extras. Quando ele não respondeu de imediato, ela continuou.

— Você sempre usou preservativo com as meninas que


você esteve? — Ele engoliu em seco, percebendo exatamente o
que ela queria chegar.

— Sim, querida. — Sua voz estava rouca, e seu pau


saltou entre eles.

— Eu não quero nada entre nós. Eu só quero sentir você.


— Mary levantou e apertou seus lábios contra os dele. Um som
estrangulado saiu dele quando ela acabou com a distância
entre eles, tomou conta de seu pênis, e o colocou em sua
boceta.

Ela levantou os quadris, fazendo com que a cabeça do


seu pau entrasse nela.

— Cristo. — Ele fechou os olhos e continuou empurrando


para dentro dela. Sua respiração era difícil e rápida, e quando
ele estava totalmente dentro dela sentiu seus músculos
internos se apertarem em torno dele como uma luva.

— Porra, Mary. — Cada músculo em seu corpo estava


tenso, e tudo que ele queria era foder com ela até que ela
soubesse que ela era sua.

— Me tome, Alex, completamente.

Isso era tudo o que ele precisava ouvir. Colocando seus


braços em torno dela, Alex a fodeu como se ele a amasse, e
merda, ele a amava. Mary estava quente e úmida, tão gostosa,
que ele começou a suar.
— Deus, Mary — Ele continuou entrando e saindo dela, e
antes que pudesse dizer quão boa ela era, ele a ouviu dizer.

— Eu te amo. Eu te amo tanto. — Eles olharam um para


o outro, e os sentimentos que borbulharam dentro dele o
fizeram se sentir nas nuvens.

—Baby...— Sua voz falhou, mas ele nunca quebrou o


contato visual.

— Eu também te amo. — Deus foi rápido, muito rápido,


mas ele nunca se sentiu tão bem como quando ela disse que o
amava, ou dizer essas três palavras em troca.

Eles se chocaram, peito a peito, boca a boca, e ele deixou


tudo o que ele sentia por ela transparecer. Não existia nada
melhor no mundo do que estar com ela, ter o cheiro dela
enchendo os pulmões, e ouvi-la gemer seu nome uma e outra
vez. Ele gozou rápido e duro dentro dela, seguido pelo orgasmo
de Mary. Foi a sensação mais intensa no mundo, e ele nunca
mais iria querer uma barreira entre eles novamente. Quando
ambos estavam saciados ele caiu em cima dela e tentou
recuperar o fôlego.

— Alex? — Sua voz era suave.

— Sim, baby?

— Eu não posso respirar. — Ele riu e saiu de cima dela.

—Desculpa. — Alex empurrou uma mecha de cabelo fora


de sua testa úmida e se inclinou para beijá-la.

— Isso foi ...— Merda, ele não podia nem descrever.


— Sim, eu sei. — Ela sorriu para ele, e tudo que eles
fizeram foi olhar um para o outro.

— Eu amo você, Mary. E para ser honesto, isso me


assusta um pouco pela intensidade do que eu sinto. — Sim,
ele disse isso, e foi uma das coisas mais honestas que ele já
disse a outra pessoa.

Ela sorriu e ergueu a mão e acariciou seu rosto.

— Eu me sinto da mesma maneira, Alex.

Ele passou os braços em volta dela e a trouxe para perto.

— Você quer falar sobre isso? — Ela não disse o que


havia de errado, mas ele sabia lá no fundo que algo aconteceu
no jantar esta noite.

Uma pausa grave encheu o ar.

— Não há realmente muito a dizer. Me posicionei diante


deles. Eu disse a Margo a cadela egoísta que ela era, disse a
minha mãe que eu não sou sua boneca, e disse a eles sobre
Lance e como eu nunca vou voltar para ele. — Essa última
parte o fez pular.

— Lance, seu ex? — Cada parte sua estava tensa, ao


ouvi-la dizer o nome de seu ex-namorado mais uma vez.

— Ele estava no jantar? — Ele se afastou para poder


olhar para seu rosto. Ela assentiu parecendo desconfortável.

— Sim, aparentemente minha mãe esbarrou com ele no


clube de campo, mas eu sei que Lance planejou isso, porque
ele me ligou no prédio azul do campus algumas semanas atrás
dizendo que queria me ver.— Essa informação fez seu sangue
ferver.

— Espere, ele te ligou?

— Sim, antes de você e eu começarmos a fazer qualquer


coisa. — Ela enfatizou a última palavra, e ele sabia que
precisava se acalmar.

— Minha mãe tinha essa fantasia de que poderíamos


voltar a ficar juntos, mas eu esclareci isso no jantar. Eu disse
a eles que ele me agredia verbalmente quando bebia e que ele
me traiu com a minha amiga, tudo isso.

Bem, merda.

— O que eles disseram?

— Nada, exceto meu pai que normalmente é calmo ficou


bastante puto com Lance e disse que não o queria mais perto
da nossa família novamente.

Bom.

— Mas Lance me alcançou quando eu estava saindo, e


parecia pronto para me matar.

— Ele tocou em você? — Alex não conteve a raiva em sua


voz.

Ela se levantou e assentiu com a cabeça. Droga, tudo o


que ele imaginava era o canalha se aproximando de Mary, e ele
estava a ponto de perder a cabeça. Sua pressão arterial subiu,
seus músculos contraíram, e droga, ele se forçou a se acalmar,
porque ele estava assustando a mulher que amava.

Fechando os olhos e respirando fundo, ele disse:


— Sinto muito querida, mas basta saber que ele esteve
perto de você e te ameaçou para me deixar maluco. — Ela
sorriu e se aconchegou contra seu peito, e isso o fez se sentir
maravilhosamente bem. Ele não conhecia o cara, mas sabia o
que ele a fez sentir em todos estes anos, e isso foi o suficiente
para ele saber que chutaria sua bunda se ele um dia cruzasse
seu caminho.

— Está bem. Está tudo bem agora. Eu vou para o


casamento, mas irei como eu. Eu vou ter você ao meu lado, e
não me importo o que alguém pensa ou diz. — Ela inclinou a
cabeça para trás e sorriu para ele.

— Se eu soubesse o quão libertador seria dizer


exatamente como eu me sentia, e não me sentir presa pelos
meus próprios medos, eu já teria feito isso há muito tempo.

Alex segurou seu rosto. Sua mão rodeou um lado inteiro


de seu rosto. Ela era tão pequena em comparação a ele, mas
tudo nela, juntamente com tantas outras coisas, o fez querer
envolvê-la em seus braços e nunca a deixar ir. Mas ele não
poderia sufocá-la, não podia deixar a sua necessidade de se
tornar seu protetor a afastar dele.

— E eu estarei ao seu lado, deixando você mostrar o


caminho... às vezes. — Ele piscou, e sua risada encheu toda a
sala e foi direto para o seu coração.

Eles tomaram banho juntos, e ele a tomou lentamente


contra a parede. E então eles estavam de volta na cama, nus,
sem nada entre eles, e o som de sua profunda respiração o
embalou para dormir.
O casamento foi lindo, não havia dúvidas sobre isso.
Mary estava parada na entrada onde a recepção estava
acontecendo, pensando. Stay da Rihanna estava tocando,
assustadoramente alto. Ela virou e viu Alex pegando suas
bebidas no bar. Por alguma inexplicável e estranha razão, seu
pai e Alex se deram bem instantaneamente.

Mas, novamente, algo mudou em seu pai desde ontem.


Ele ainda parecia duro e inabalável, mas havia essa suavidade
em seus olhos quando ele olhou para ela. Poderia aquele
incidente ter quebrado uma parte da sua casca dura? Ela o
viu na igreja, e pela primeira vez em mais do que poderia se
lembrar, ele a abraçou, disse que estava orgulhoso dela, e que
a amava, e que também estava arrependido pela forma com
que a fez sentir todos esses anos. Isso a fez chorar, porque até
aquele momento ela não fazia ideia de quanto ela sentiu falta
daquelas palavras. Stephen Trellis sempre foi um homem de
poucas palavras e ainda menos emoções, e foi assim que ela o
viu enquanto crescia, mas quando ele olhou para ela, tudo o
que ela viu era um pai que amava a filha.

Ela se virou e olhou para os jardins perfeitamente


cuidados com as pequenas luzes que marcavam as trilhas
dentro dos bosques que rodeavam a propriedade. A noite
estava clara, e o brilho da lua deixou tudo em um tom
prateado. Mary deixou seus pensamentos a levarem para a
mãe e Margo. Quando ela as encontrou no salão esta manhã,
ela ficou surpresa ao vê-las do lado de fora, esperando por ela.
Ela ficou apreensiva, sabia que o que estava prestes a ser dito
não poderia ser bom, não depois de tudo que ela falou na noite
passada.

Mas não foi o confronto que ela esperava. Ao invés disso,


sua mãe pediu desculpas, e Margo, bem Margo pediu
desculpas de uma forma que não parecia sincera, se você não
a conhecesse. Ambas disseram que nunca tiveram a intenção
de fazê-la se sentir como se ela não pertencesse a família. Não
foi uma demonstração de encher o coração, mas foi o
suficiente para Mary perceber que suas palavras na noite
passada chegaram até elas. Não havia desculpas ou palavras
suficientes no mundo que fariam Mary esquecer tudo o que
aconteceu e como todo mundo a fez se sentir, mas ela queria
olhar para o futuro, e isso significava dar o primeiro passo.

O casamento terminou. Margo era agora uma Barton, e


todos pareciam estar no caminho para um novo começo. Mary
se afastou do corrimão de pedra e alisou o vestido de chiffon
lilás. O vestido de dama de honra era elegante e sofisticado,
com delicadas rendas em torno do busto, e o comprimento
caindo aos pés. Ela sorriu e voltou para a recepção, mas uma
voz profunda vinda das sombras a deteve.

— Não achei que seria tão fácil. — As palavras


claramente arrastadas vieram do canto, onde o paredão de
pedra fazia sombra e sem visibilidade nenhuma. Mary tentou
ver, mas era impossível. Ainda assim, ela sabia que a voz
estava claramente bêbada. Um segundo depois Lance
apareceu na luz, o brilho silencioso da decoração do salão
fluiu através de sua aparência desgrenhada. Ele estava
bêbado, isso estava claro. O cheiro de uma cervejaria inteira
vindo dele era suficiente para ter bile subindo pela sua
garganta.

— Você tem muita coragem de aparecer aqui depois que


eu disse que não queria ter nada mais a ver com você, e meu
pai disse que você não era bem-vindo.

Ele sorriu, mas foi superficial, assim como sua aparência.


Suas calças estavam enrugadas, e sua camisa de oxford estava
pendurada por fora da calça. Ele parecia uma merda. Onde ele
estava o mantinha fora da visão de qualquer um que olhasse
do salão, e ela teria de ficar bem perto dele para poder passar.

— Basta ir para casa e dormir Lance. — Ela nem


perguntou como ele entrou, apesar de ser uma festa privada.
Lembrou das vezes que ele tentou convencê-la a se esconder
no clube de campo à noite para ir mergulhar com seus amigos.
Ele foi inteligente o suficiente para não aparecer no casamento
de Margo, mas certamente passou esse tempo ficando bêbado.

— Você sabe, eu pensei que teria que entrar em algum


tipo de luta com o seu guarda-costas antes que eu pudesse
chegar perto de você. — Ele não se moveu, e foi inteligente o
suficiente para ficar longe da visão de todos.

— Eu refleti bastante hoje. E você me deve muito, Mary.


— Sim. É evidente que ele fez essa reflexão com a garrafa de
bebida.

Incredulidade passou através dela.

— Oi? — Ele deu um riso distorcido e sem humor.


— Sim, eu inseri você no meu círculo, fiz todo mundo
perceber que você ainda estava viva. Se não fosse por mim,
você ainda seria o caso de caridade dos Trellis.

— Eu não posso acreditar que vi algo atraente em você.


Você é um idiota, e imaturo. Vá para casa dormir antes de
pareça um idiota maior do que já é.

Ela foi em direção as portas da varanda, com as costas


retas e a cabeça erguida, mas antes que ela pudesse entrar,
ele a agarrou pela mão a levando para as sombras. Seu aperto
estava machucando e dor se espalhou por seu braço. Ele girou
em torno dela e a apertou contra a parede, no canto escuro
onde não havia iluminação. Antes que ela pudesse gritar por
socorro, ele tampou com a mão livre sua boca. Seu hálito
quente e bêbado soprava em seu rosto, e ela engasgou.

— Você me fez parecer um idiota na frente de todos. —


Seu antebraço pressionado em sua garganta, cortava seu ar e
a mantinha pressionada contra a parede. Ele diminuiu o
espaço entre eles e começou a desafivelar o cinto se
atrapalhando no processo.

Oh, o merda que não.

Ela lutou, mas em um movimento rápido ele tinha a mão


envolvida em torno de sua garganta.

— Eu acho que irei descarregar a minha raiva em seu


maldito corpo. — Ele apertou a mão em sua garganta, e ela
arranhava sua mão.

Ele era vil e repugnante, e se ela não lutasse arduamente


ficaria muito pior. O som do zíper deslizando para baixo
parecia gritar contra o súbito silêncio que a rodeava. Ele
resmungou quando ela tentou sair de seu controle, mas ela
continuava tentando arrancar as mãos da sua garganta,
tentando aliviar a pressão sufocante ele que estava a
submetendo.

— Eu meio que gosto quando você luta, Mary. — Ele se


inclinou e passou a língua em sua bochecha.

—Faz eu realmente querer trabalhar por isso. Eu deveria


ter feito isso com você quando estávamos namorando. Isso
teria feito às coisas muito melhores entre nós. — Ele agarrou
na parte inferior de seu vestido, levantando até que estava
enrolado em torno de sua cintura, e entrou entre suas pernas.
Ela tentou sair de seu alcance, mantendo as pernas fechadas,
tanto quanto possível, mas mesmo bêbado ele era mais forte
do que ela. Sua respiração era difícil, mas ela sabia que era
porque isso o excitava. A ereção pressionada contra ela era
prova disso. Mary tentou gritar, mas seu grito era abafado.
Sua visão começou a escurecer por causa da falta de oxigênio,
e por um momento ela pensou que ele a mataria. Não sabendo
mais o que fazer, ela relaxou, na esperança de afastá-lo o
suficiente para que ela pudesse sair do seu agarre.

— Oh, você quer ser uma boa menina agora, Mary? — Ele
afrouxou seu aperto um pouco, e ela respirou profundamente,
a dor queimou o suficiente para mais lágrimas correrem por
suas bochechas. Quando ele a tocou entre as pernas, era a
sensação mais desprezível que ela já sentiu. Seu olhar estava
vidrado, sua boca entreaberta, e ele olhou para o que ele
estava fazendo com ela. Era isso, a chance de se defender
enquanto ele estava distraído. Ela conseguiu levantar seu
joelho e bateu em sua virilha, e ela amou quando ele uivou de
dor. Ele soltou sua garganta quando caiu, e ela não perdeu
um minuto para correr, mas ele a alcançou, agarrou seu
tornozelo, e a puxou de volta.

Mary caiu para frente e apoiou as mãos no chão quando


estava caindo. A dor bateu nela quando ela caiu de mal jeito
sobre seu pulso, mas ela não podia deixar a dor a impedir. O
som de aplausos veio de dentro, e ela tentou chegar e chamar
a atenção de alguém. Lance não baixaria sua guarda
novamente. Ele a puxou de volta, murmurando palavras
incoerentes entre os dentes e entre os grunhidos de dor. E
quando ele a puxou novamente para as sombras as portas das
sacadas foram abertas, e Alex apareceu.

— Mary? Eles estão se preparando para cortar o bolo. —


Ele estendeu dois copos e olhou em volta procurando por ela.
Quando Mary abriu a boca por socorro os olhos de Alex
pousaram sobre ela, e foi quando a merda bateu no ventilador.

Ele deixou os copos caírem e estes se partiram em um


milhão de pedaços. A escuridão que atravessou seu rosto não
era como nada que ela já viu antes, e pela forma como Lance
parou de arrastá-la, ela assumiu que ele viu isso também. Alex
avançou tão rapidamente e, a próxima coisa que ela sabia era
que estava sendo levantada do chão e colocada em uma das
cadeiras ao lado. Sua cabeça estava confusa, o pulso dela
latejando de dor, e sua visão turva pelas lágrimas, mas ela
ainda podia ver o que estava acontecendo bem na frente dela.
Alex pegou Lance pelo pescoço e o levantou no ar.
Oh Deus.

Ele parecia tão poderoso e feroz, como uma espécie de


guerreiro, ela ousaria dizer, um deus mítico.

— Você mexeu com a garota errada, idiota. — Ele


empurrou Lance contra a parede e começou a bater no rosto
uma vez e de novo. O som de ossos quebrando, Lance
grunhindo de dor e Alex respirando com raiva, encheram seus
ouvidos.

— Você está morto. — Alex soou loucamente enfurecido,


mesmo possuído.

— Alex—. Sua garganta estava seca e Mary sentiu como


se tivesse engolido fogo.

— Por favor, pare.

Alex parou e virou para ela ainda segurando a garganta


de Lance. Ele olhou para ela, e a raiva em seu rosto se
intensificou.

— Você quer que eu pare depois do que este filho da puta


fez com você, Mary?

Ela queria? Lance merecia tudo o que ele estava


recebendo, mas ela não queria ser a causa disso, e ela
certamente não queria que Alex fosse culpado por isso. Ele a
encarou por um momento, e depois deixou Lance cair sem
cerimônia no chão. Lance engasgou e respirou fundo, mas
Alex não acabou. Ele o socou mais uma vez, a cabeça de Lance
caiu para trás, o sangue jorrava de seu nariz, e ele desmaiou.

—Você tem sorte que minha menina pediu para parar.


Tudo parecia acontecer lentamente, mas Mary sabia que
foi apenas uma questão de minutos. A confusão atraiu as
pessoas para fora do salão de baile, e todos pararam quando
viram o massacre diante deles. A luz passou através de Alex, e
quando ele se virou para olhar para ela, ela podia ver sangue
espalhado em toda sua camisa branca, e que os nós dos dedos
estavam machucados. Alguns homens correram para Lance,
alguém gritou para chamar uma ambulância, e Mary
continuava focada em Alex. Ele estava na sua frente segundos
depois, tomando seu rosto entre as mãos, e perguntando algo
para ela. Ela não podia ouvi-lo, só via seus lábios se movendo.
Nem todo o movimento à sua volta poderia tirá-la do transe em
que estava.

—Mary. — Sua voz soou distante, como se estivesse em


um túnel. Ele chamou o nome dela de novo, e a preocupação
em seu rosto a fez piscar afastando o nevoeiro que ela estava.

— Mary, baby, por favor me responda. — Ela olhou para


os lábios, viu um pouco de sangue, mas ela não conseguia
sentir nada a não ser alívio que Alex apareceu. Ela começou a
chorar incapaz de controlar a correnteza de emoções que de
repente tomou conta dela.

— Ele não...— Alex não terminou a frase, mas,


novamente ele não precisava, porque ela sabia o que ele estava
tentando dizer. Negando com a cabeça porque ela não confiava
em sua voz, ela caiu em seus braços e se deixou consolar.
— Oh meu Deus. — Primeiro foi a voz de sua mãe, em
seguida Margo, e, depois, seu pai estava bem na frente dela,
fazendo a mesma pergunta que Alex.

Tudo parecia passar como um borrão de sons e


movimentos. Sua mãe, seu pai e Margo vieram para se
certificar de que ela estava bem, e depois que ela foi capaz de
convencê-los de que ela estava, deram espaço suficiente para
respirar. Uma vez que a ambulância levou Lance, e a polícia os
interrogou, ela olhou para o gramado tão bem cuidado
novamente. Ela não se mexeu, mas Alex colocou um cobertor
sobre os ombros. O choque estava sumindo, e tudo que ela
sentia agora era exaustão e frio. Uma cama quentinha, onde
ela poderia dormir até poder esquecer o que aconteceu hoje
parecia celestial.

— Baby, você está bem? —, Alex sentou ao lado dela e


passou o braço em torno do ombro, a trazendo para perto dele.
Ela assentiu com a cabeça. Ela estaria.

— Eu sinto muito por não aparecer antes.

Ela empurrou o cobertor de cima de seus ombros e virou


para que ela pudesse ver em seus olhos.

— Isso não é culpa de ninguém, a não ser do Lance. —


Ela ouviu a polícia dizendo algo sobre uma mandíbula
quebrada e nariz, mas depois disso, ela se desligou de todo o
resto. Alex assentiu uma vez e a ajudou a ficar de pé. Ele
imediatamente a abraçou.

— Deus, Mary, eu te amo tanto. — Ela agarrou sua


camisa em suas mãos e descansou a cabeça em seu peito.
Fechando os olhos e inalando seu aroma profundamente, ela
sentiu todo o resto desaparecer.

— Eu também te amo.

Eles mandaram todos para fora, quando a polícia e


ambulância chegaram, mas em seguida, Margo a surpreendeu,
dizendo a todos que a recepção acabou. Agora, aqui estava ela,
com os grandes braços de Alex envolvidos em torno dela,
palavras suaves de afeto sendo sussurradas em seu ouvido, e
sua família assistindo a tudo. Ela tentou ligeiramente sair de
seus braços, e não pode deixar de sorrir quando ele se recusou
a deixá-la ir. Seus pais, Margo, e Joe estavam dentro do salão.
Sua mãe ainda estava chorando; seu pai parecia louco, tão
louco como Alex estava, e Joe estava consolando sua esposa
inquieta.

— Eu só quero ir para a cama. — Eles todos pararam de


falar e olharam para ela.

— Querida, você tem certeza que não quer ir para o


hospital? — Sua mãe choramingou, e seu pai deu a ela um
lenço de papel. Sua garganta estava seca e sensível, e quando
ela levantou a mão e esfregou o pescoço sua mãe chorou mais.
Mary sabia que Lance deixou uma marca no formato da sua
mão em seu pescoço.

— Estou bem, realmente. — Acusações foram lançadas,


Lance estava no hospital, mas estaria enfrentando a pena de
prisão por agressão e tentativa de estupro, e ela teve Alex e
sua família ao seu lado para dar apoio.

— Eu realmente só quero ir dormir.


Alex a levou para fora da sala de recepção para sua
caminhonete. Depois que deixaram o clube e voltaram para o
quarto de hotel, Mary sentou na beira da cama. Alex ajoelhou
na frente dela e colocou a cabeça em seu colo. Ela passou os
dedos pelo cabelo, e ficou chocada pela forma como os fios
escuros pareciam seda. Nesta posição, ele parecia um homem
derrotado.

— Eu não posso nem te dizer a raiva que senti quando vi


você no chão com ele bem atrás de você. — Ela não respondeu,
apenas continuou passando os dedos pelos cabelos.

— Eu queria matá-lo, Mary. — Sua voz era suave, mas


mortal.

— Eu o mataria também. — Ele levantou a cabeça, e a


angústia em seu rosto era clara.

— Eu também me senti sem esperança.

— Alex —. Ela não sabia o que dizer. A situação era uma


merda. Lance se foi, e ela queria seguir em frente. Ela não
queria que Lance interferisse mais na sua vida como ele fez, e
ela não queria que ele ficasse entre ela e Alex. Ele engoliu em
seco.

Não existia necessidade de sentar e conversar sobre o


relacionamento deles. Ela o queria. Ele a queria. Nada mais
importava. Ele se levantou e passou os braços em volta dela e
a empurrou suavemente para a cama. Ela sabia que ele queria
confortá-la com a sua presença, mas ela queria que a ajudasse
a apagar o toque de Lance.
—Me ajude a esquecer, Alex. — Ele levantou a cabeça e
olhou para ela. Ele ia dizer não, porque ela sabia que qualquer
homem decente acharia que ele estava se aproveitando da
situação, mas ela precisava dele para tocá-la, precisava de seu
cheiro todo sobre ela, e sua voz enchendo seus ouvidos.

— Eu preciso de você, só você. Por favor, me ajude a me


livrar do jeito que ele fez eu me sentir.

— Baby. — Ele não se moveu por alguns segundos, mas


depois baixou o rosto para o dela e a beijou suavemente. O
resto como se diz, se encaixou no lugar.
Dois anos depois

— Baby, onde você quer que eu coloque isso? — Alex


parou na entrada da nova casa deles, com uma grande caixa
em seus braços, suor e sujeira cobrindo o rosto e os braços
descobertos. Ele tirou a camisa uma hora atrás, e o modo
como seus músculos brilhavam, mostrava o quão duro ele
estava trabalhando, e o fato de seus bíceps parecerem
montanhas de músculos, fez cada parte dela se aquecer.
Nunca se cansava de vê-lo. Na verdade, ela sentia as mesmas
borboletas em sua barriga em torno dele como ela teve quando
ela o viu pela primeira vez. Ela estava tão suada e suja como
ele, mas decidiu fazer uma pequena pausa no sofá e olhar da
janela para a baía. A visão não era tão maravilhosa, apenas
uma fileira de pequenas casas do outro lado da rua e algumas
árvores, mas era deles. E isso nunca ficava velho.

— Você quer dizer aquela que diz “cozinha”? Eu vou


tomar um palpite e dizer na cozinha. — Ela sorriu quando ele
olhou com raiva.
— Quero dizer, eu escrevi para onde queria que as caixas
fossem quando embalei. — Ela começou a rir ao ver a
expressão que ele fez.

— Você é uma espertinha, e não é tão engraçada eu diria.


Eu pensei que fossem caixas velhas com coisas aleatórias
escritas nelas. Merda. — Ele finalmente perdeu o olhar azedo e
riu.

Ele virou e desapareceu, presumivelmente para a


cozinha. Ela descansou a cabeça para trás no sofá e assistiu
um esquilo correr através dos fios de telefone em toda a rua.
Sua pequena casa de dois quartos não era nada espetacular,
mas perfeita para eles. Depois de toda a situação com Lance,
Alex ficou tão protetor, que Mary teve que sentar e conversar
com ele explicando à ele, que não tinha como estar em todos
os momentos, e que sim, ela ficaria bem. Levou um longo
tempo para convencê-lo disso, e ela só conseguiu um acordo
depois que prometeu fazer aulas de autodefesa, e então ele
passou a ir com ela nessas aulas.

Como ela podia ficar chateada com o fato de que ele só


queria ter certeza de que ela estava bem? Ela se formou no
ano passado no grau de bacharelado, mas decidiu voltar para
conseguir um mestrado. Depois que Alex passou no curso
Sexualidade Humana e, há dois anos e terminou as
temporadas de futebol, ele se formou em medicina desportiva.
Agora, ele trabalha em uma clínica de reabilitação como um
terapeuta de lesões esportivas. Ela ficou extremamente
orgulhosa dele, e tão orgulhosa de si mesma por ter passado
por cima de tudo e seguido em frente com sua vida.
Depois do incidente com Lance, os olhos dos seus pais
foram abertos. Eles mudaram muito ao longo dos últimos dois
anos, e ela nunca pensou que isso poderia acontecer, mas eles
realmente começaram a agir como seres humanos. Eles
perceberam que tudo não tinha que girar em torno de status e
dinheiro. Margo ainda era Margo, mas sua irmã ligava diversas
vezes apenas para conversarem. Mary pensou que tinha a ver
com o fato de Margo ver que nem todos eram quem eles
pareciam ser, e a vida era realmente muito curta para se
preocupar com as mesquinharias. Ela não falou com Lance
desde o incidente, mas ela ouviu que ele passou algum tempo
na prisão, e que isso causou uma série de problemas com a
universidade, ele merecia, e este era um problema que seu pai
simplesmente não poderia fazer desaparecer como ela tinha
certeza que ele fez por Lance no passado. Além de quê, ela não
tinha notícias dele, e não se importava com isso.

Alex voltou para a sala e sentou ao lado dela no sofá. Ela


torceu o nariz.

— Você fede. — Ele cutucou seu ombro com o seu.

— E você acha que cheira a rosas, né, botão de ouro? —


Ele descansou a cabeça no encosto do sofá e se virou para ela,
sorrindo.

— Mas eu pegaria você. — Ele deixou seus olhos


mergulharem em seus seios, aqueles mal cabiam em seu top.
Ele fez uma careta quando ela o vestiu em primeiro lugar, mas
estava quente como no inferno, e ela não faria a mudança para
sua casa vestida da cabeça aos pés, o que ele provavelmente
preferia.

—Eu disse como você está gostosa? — Ela bateu no peito


dele, mas sorriu.

— Você é, mesmo toda suada. Eu tenho uma grande


ereção para provar isso.

— Você é um porco. — Ele riu e se inclinou, mas ela


escapou antes que ele pudesse tocá-la.

— De jeito nenhum, você fede.

— Ahhh, venha aqui, baby. Podemos feder juntos. — Ele


fez um movimento para agarrá-la, mas ela pulou do sofá e
correu para o outro lado.

— Nós dois estamos suados, então vamos ficar sujos


juntos, Mary. — Ela gritou quando ele pulou sobre o encosto
do sofá em um movimento e ele a tinha em seus braços antes
que ela pudesse fazer uma fuga.

— Peguei você. — Ele começou a beijar seu pescoço, e ela


riu mais ainda.

— Mmm, salgado, mas ainda estranhamente doce. — Ela


virou para ele, colocou os braços em volta do pescoço, e o
beijou.

— Eu te amo. — Ela o sentiu sorrir contra sua boca.

— Eu sei. — Ela quebrou o beijo e deu um tapa no seu


peito novamente.

— Estou apenas brincando. — Ele beijou sua testa, a


ponta do nariz, e finalmente chegou a sua boca.
— Eu também te amo, Mary. — Ele a levantou do chão e
começou a carregá-la pela casa.

— É hora de batizar o quarto. — Ele entrou no quarto e


fechou a porta, e isso foi exatamente o que eles fizeram, uma e
outra vez.