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UNIC – Universidade de Cuiabá

Direito Processual Civil I

Frederico Capistrano Dias Tomé

Aula 3: JURISDIÇÃO
UNIDADE 1- Seção 1

Conteúdo Curricular:

✓ Evolução Histórica
✓ Formação do Estado de Direito
✓ Características da Jurisdição
✓ Princípios; Tipos de jurisdição

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1 SOCIEDADE E A PROTEÇÃO JURÍDICA
1.1 CONFLITOS E INSATISFAÇÕES

Não é possível a vida em sociedade sem uma


normatização do comportamento humano. Daí surgir o
Direito como conjunto das normas gerais e positivas,
disciplinadoras da vida social.
Mas não basta traçar a norma de conduta. O
equilíbrio e o desenvolvimento sociais só ocorrem se a
observância das regras jurídicas for obrigatória.
Assim, o Estado não apenas cuida de elaborar leis,
mas também institui meios de imposição coativa das
determinações expressas na norma.
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Por outro lado, diante da complexidade com
que se travam as relações sociais, é impossível
evitar conflitos de interesse entre os cidadãos, ou
entre estes e o próprio Estado, a respeito da
interpretação dos direitos subjetivos e da fiel
aplicação do direito objetivo aos casos concretos.

Para manter o império da ordem jurídica e


assegurar a paz social, o Estado não tolera a justiça
feita pelas próprias mãos dos interessados. Divide,
pois, suas funções soberanas, de molde a atender a
essa contingência, em atividades administrativas,
legislativas e jurisdicionais.
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A função administrativa diz respeito à gestão
ordinária dos serviços públicos e incumbe ao Poder
Executivo.

A legislativa consiste em traçar, abstrata e


genericamente, as normas de conduta que formam o
direito objetivo, e cabe ao Poder Legislativo.

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A terceira é a jurisdição, que incumbe ao
Poder Judiciário, e que vem a ser a missão
pacificadora do Estado, exercida diante de situações
litigiosas.

Através da jurisdição, o Estado dá soluções às


lides ou litígios, que são os conflitos de interesses,
caracterizados por pretensões resistidas, tendo
como objetivos:
✓ objetivo imediato a aplicação da norma ao caso
concreto.
✓ objetivo mediato restabelecer a paz entre os
particulares e, com isso, manter a da sociedade.
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Para cumprir com essa tarefa – solucionar as
lides, aplicando a norma ao caso concreto para
garantir a paz social – o Estado utiliza método
próprio, que é o processo, que recebe denominação
de civil, penal, trabalhista, administrativo, etc,
conforme o ramo do direito material perante o qual
se instaurou o conflito de interesses (lide).

Para regular esse método de resolução de


litígios, cria o Estado normas jurídicas que formam o
direito processual, por servir de forma ou
instrumento de atuação da vontade concreta das
normas, que há de solucionar o conflito de
interesses estabelecido entre as partes.
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1.2 CONCEITO DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Na essência, o direito processual é um só,


porquanto a função jurisdicional é única, qualquer que
seja o direito material debatido, sendo, por isso mesmo,
comuns a todos os seus ramos os princípios fundamentais
da jurisdição e do processo.

Conveniências de ordem prática, no entanto, levam


o legislador a agrupar as normas processuais em códigos
ou leis especializadas, conforme a natureza das regras
aplicáveis à solução dos conflitos, e daí surgem as
divisões que individuam o direito processual civil, o direito
processual penal, o direito processual do trabalho, etc.
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Diante disso, o Direito Processual Civil pode
ser definido como o ramo da ciência jurídica que
trata do complexo das normas reguladoras do
exercício da jurisdição civil.

Contudo, não apenas as questões de direito


civil são solucionadas através do processo civil, mas
também as de direito comercial e até as de direito
público não penal que não caibam a outros ramos
especializados do direito processual.

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Funciona o direito processual civil, então,
como principal instrumento do Estado para o
exercício do Poder Jurisdicional.

Nele se encontram as normas e os princípios


básicos que subsidiam os diversos ramos do direito
processual, como um todo, e sua aplicação faz-se,
por exclusão, a todo e qualquer conflito não
abrangido pelos demais processos, que podem ser
considerados especiais, enquanto o civil seria o
geral.

Artigo 15, CPC


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