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Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais

PJe - Processo Judicial Eletrônico


Consulta Processual

21/01/2018

Número: 5007460-44.2017.8.13.0672
Classe: PROCEDIMENTO COMUM
Órgão julgador: 2ª Vara Cível da Comarca de Sete Lagoas
Última distribuição : 18/09/2017
Valor da causa: R$ 14573.52
Assuntos: Capitalização / Anatocismo, Limitação de Juros, Comissão de Permanência, Bancários,
Tarifas, Honorários Advocatícios
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? SIM
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? NÃO
Partes
Tipo Nome
ADVOGADO LEONARDO JAMEL SALIBA DE SOUZA
AUTOR PAULO HENRIQUE DOS SANTOS
RÉU Banco Pan S/A

Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
32869 06/11/2017 15:34 Manifestação Manifestação
762
31853 18/10/2017 13:43 Despacho Intimação
813
31787 17/10/2017 18:02 Despacho Despacho
244
31715 16/10/2017 17:10 Certidão de triagem Certidão
960
30093 18/09/2017 14:54 PROCURACAO Procuração
692
30093 18/09/2017 14:54 DECLARACAO Declaração de Hipossuficiência
724
30093 18/09/2017 14:54 CRLV Documento de Comprovação
817
30093 18/09/2017 14:54 CONTRATO Documento de Comprovação
847
30093 18/09/2017 14:54 COMPROVANTE DE RESIDENCIA Comprovante de residência
886
30093 18/09/2017 14:54 CNH Documento de Identificação
913
30093 18/09/2017 14:54 CARTEIRA DE TRABALHO Documento de Comprovação
934
30093 18/09/2017 14:54 CARNÊ Documento de Comprovação
957
30093 18/09/2017 14:54 Petição Inicial Petição Inicial
591
PAULO HENRIQUE DOS SANTOS, devidamente qualificado (a) nos autos em epígrafe,
vem, respeitosamente, perante V. Exa., por seus procuradores que a esta subscrevem, INFORMAR que
o autor tomou ciência do despacho de ID n° 31853813, que suspende a presente ação tendo em vista o
Recurso Especial nº 1.578.526-SP.

Assinado eletronicamente. A Certificação Digital pertence a: LEONARDO JAMEL SALIBA DE SOUZA Num. 32869762 - Pág. 1
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Número do documento: 17110615340769100000031704987
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

COMARCA DE SETE LAGOAS

2ª Vara Cível da Comarca de Sete Lagoas

Rua José Duarte de Paiva, 715, Jardim Cambuí, Centro, SETE LAGOAS - MG - CEP: 35700-059

PROCESSO Nº 5007460-44.2017.8.13.0672

CLASSE: PROCEDIMENTO COMUM (7)

ASSUNTO: [Capitalização / Anatocismo, Limitação de Juros, Comissão de Permanência, Bancários, Tarifas,


Honorários Advocatícios]

AUTOR: PAULO HENRIQUE DOS SANTOS

RÉU: BANCO PAN S/A

Vistos, etc...

O e.STJ afetou, em 02/09/2016, o Recurso Especial nº 1.578.526/SP, representativo da controvérsia


repetitiva descrita no Tema 958 como “validade da cobrança, em contratos bancários, de despesas com
serviços prestados por terceiros, registro do contrato e/ou avaliação do bem".

Na decisão de afetação, o Ministro Relator, Paulo de Tarso Sanseverino, determinou "a suspensão, em
todo o território nacional, dos processos pendentes que versem sobre a questão ora afetada (cf. art. 1.037,
inciso II, do CPC/2015), ressalvadas as hipóteses de autocomposição, tutela provisória, resolução parcial
do mérito e coisa julgada, de acordo com as circunstâncias de cada caso concreto, a critério do juízo"
(decisão publicada no DJe de 02/09/2016).

Considerando que o caso dos autos é pertinente a um ou mais temas afetados, em obediência ao
determinado, determino a suspensão do feito, sine die, até o desfecho do Recurso paradigmático.

I.

SETE LAGOAS, 17 de outubro de 2017

Assinado eletronicamente. A Certificação Digital pertence a: MARCIA MARIA PRADO Num. 31853813 - Pág. 1
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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

COMARCA DE SETE LAGOAS

2ª Vara Cível da Comarca de Sete Lagoas

Rua José Duarte de Paiva, 715, Jardim Cambuí, Centro, SETE LAGOAS - MG - CEP: 35700-059

PROCESSO Nº 5007460-44.2017.8.13.0672

CLASSE: PROCEDIMENTO COMUM (7)

ASSUNTO: [Capitalização / Anatocismo, Limitação de Juros, Comissão de Permanência, Bancários, Tarifas,


Honorários Advocatícios]

AUTOR: PAULO HENRIQUE DOS SANTOS

RÉU: BANCO PAN S/A

Vistos, etc...

O e.STJ afetou, em 02/09/2016, o Recurso Especial nº 1.578.526/SP, representativo da controvérsia


repetitiva descrita no Tema 958 como “validade da cobrança, em contratos bancários, de despesas com
serviços prestados por terceiros, registro do contrato e/ou avaliação do bem".

Na decisão de afetação, o Ministro Relator, Paulo de Tarso Sanseverino, determinou "a suspensão, em
todo o território nacional, dos processos pendentes que versem sobre a questão ora afetada (cf. art. 1.037,
inciso II, do CPC/2015), ressalvadas as hipóteses de autocomposição, tutela provisória, resolução parcial
do mérito e coisa julgada, de acordo com as circunstâncias de cada caso concreto, a critério do juízo"
(decisão publicada no DJe de 02/09/2016).

Considerando que o caso dos autos é pertinente a um ou mais temas afetados, em obediência ao
determinado, determino a suspensão do feito, sine die, até o desfecho do Recurso paradigmático.

I.

SETE LAGOAS, 17 de outubro de 2017

Assinado eletronicamente. A Certificação Digital pertence a: CARLOS ALBERTO DE FARIA Num. 31787244 - Pág. 1
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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

COMARCA DE SETE LAGOAS

2ª Vara Cível da Comarca de Sete Lagoas

Rua José Duarte de Paiva, 715, Jardim Cambuí, Centro, SETE LAGOAS - MG - CEP: 35700-059

CERTIDÃO DE TRIAGEM

Certifico e dou fé que procedi à triagem da petição inicial, sendo verificado o atendimento dos seguintes itens, conforme relatório
abaixo:

(X) Isento de custas/diligência do Juízo/Justiça gratuita;

( X ) Procuração anexada

( X ) Há outro processo envolvendo mesmas partes e/ou mesmo pedido desta ação conforme pesquisa no PJE abaixo.

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Número do documento: 17101617102957200000030560272
Assinado eletronicamente. A Certificação Digital pertence a: MARCIA MARIA PRADO Num. 31715960 - Pág. 2
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Número do documento: 17101617102957200000030560272
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Número do documento: 17101617102957200000030560272
SETE LAGOAS, 16 de outubro de 2017

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Número do documento: 17091814513713800000028953966
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Número do documento: 17091814524188000000028954174
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Rua Major Castanheira, nº 232, Centro, Sete Lagoas/MG. CEP 35.700-071 – fone/fax (31) 3775-0609.

EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO DA -____ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE
SETE LAGOAS/MG.

PAULO HENRIQUE DOS SANTOS, brasileiro, casado, desempregado, portador do CPF/MF 102.454.526-13, CI
n° MG-16824656, SSP/MG filho de Heraldo Dos Santos e Maria Aparecida De Araújo Dos Santos, residente e domiciliado na
Rua Professora Edna M Santos Dornellas, n.º 140, casa A, Bairro Jardim Primavera I, Sete Lagoas/MG, CEP 35.703-099, vem,
respeitosamente perante V. Exa., por seus procuradores que a esta subscrevem, endereço eletrônico
manifestacaosl@salibaesaliba.com.br, com fulcro nos Arts. 300 a 304, 318, 319, 330, do CPC, c/c art. 6º, III do CDC, propor a
presente:

AÇÃO ORDINÁRIA DE REVISÃO CONTRATUAL

Em desfavor de BANCO PANAMERICANO S/A, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o n°
59.285.411/0001-13, com sede localizada à Avenida Paulista, n° 1374, 16° andar, Bela Vista, - São Paulo/SP, CEP: 01.310-100,
endereço eletrônico https://www.bancopan.com.br/, pelos fatos e fundamentos que passa a aduzir.

1-DA DESNECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO

Assinado eletronicamente. A Certificação Digital pertence a: LEONARDO JAMEL SALIBA DE SOUZA Num. 30093591 - Pág. 1
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Número do documento: 17091814530417800000028953837
Primeiramente, em obediência ao disposto no artigo 319, VII do CPC, informa o Autor que não possui interesse na
designação de audiência de conciliação.

2-DA JUSTIÇA GRATUITA

Inicialmente, nos termos dos arts. 98 e seguintes do CPC e artigo 5º, inciso LXXIV, da Constituição Federal, o
Autor requer os benefícios da gratuidade da justiça uma vez que se encontra em situação de hipossuficiência financeira,
conforme documentos e declaração anexa.

Insta salientar que o Autor não possui renda, visto que se encontra desempregado.

Conforme comprova documentos anexos, o Autor não possui condições financeiras de arcar com as custas
processuais em virtude de sua condição financeira frágil. Caso haja o indeferimento de tal pedido o Autor será privado do acesso à
justiça, princípio constitucional corolário do Estado Democrático de Direito previsto no artigo 5º, inciso XXXV da Constituição
Federal.

Portanto, o indeferimento do pedido de assistência judiciária gratuita será o mesmo que impedir os mais humildes
de acessarem o judiciário em virtude de não possuírem recursos financeiros suficientes para arcar com as custas processuais.

3 - DOS FATOS

O Autor firmou com o Réu um contrato com cláusula de alienação fiduciária no valor de R$ 8.544,00 (oito mil
quinhentos e quarenta e quatro reais), para aquisição do veículo da marca Yamaha, modelo YS 250 FAZER, ano/modelo 13/14,
cujo pagamento foi financiado em 36 (trinta e seis) parcelas de R$ 404,82 (quatrocentos e quatro reais e oitenta e dois centavos)
cada uma delas, através de contrato de financiamento.

Como é cediço, as instituições financeiras se valem da UNILATERALIDADE dos contratos de adesão para
imputar cláusulas abusivas aos Consumidores, onerando excessivamente os contratos de financiamento, estorcendo suas
obrigações e dando ensejo às desproporções contratuais entre Fornecedor e Consumidor.

Desta forma, não concordando com os altos valores pagos por mês ao longo de toda relação contratual
desproporcional e benéfica apenas à instituição financeira, comparando o valor que financiou e o valor total que pagará ao Réu,
bem como ciente de todas as irregularidades praticadas pelas instituições financeiras, o Autor vem perante Vossa Excelência,

Assinado eletronicamente. A Certificação Digital pertence a: LEONARDO JAMEL SALIBA DE SOUZA Num. 30093591 - Pág. 2
http://pje.tjmg.jus.br/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?nd=17091814530417800000028953837
Número do documento: 17091814530417800000028953837
verificando a ocorrência de cláusulas abusivas no presente contrato, requerer a sua revisão adequando o negócio jurídico ao
ordenamento jurídico pátrio, conforme se pretende com a presente ação revisional.

4 – DO MÉRITO

4.1 - DO CABIMENTO DA AÇÃO REVISIONAL- APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

Com o desenvolvimento e o avanço da sociedade, a autonomia da vontade sofreu limitações e os negócios jurídicos
que antes atendiam somente aos interesses individuais passaram a atender aos interesses coletivos. O princípio do pacta sunt
servanda deixou de ser supremo, absoluto e passou a submeter-se aos princípios da boa-fé e da função social do contrato. Desse
modo, para que seja mantido o equilíbrio entre os direitos e obrigações contratuais, entende-se que os contratos obrigam as partes
desde que sejam observados os limites fixados por lei.

Com o advento do Código de Defesa do Consumidor, foram introduzidas normas que proíbem expressamente as
cláusulas abusivas nos contratos e passou-se a observar também o princípio constitucional da proteção do consumidor, já que
conforme o artigo 47, as cláusulas contratuais devem ser interpretadas da forma mais favorável ao consumidor.

Vale ressaltar que é pacífico o entendimento jurisprudencial no sentido de que as instituições financeiras sujeitam-se
às normas do Código de Defesa do Consumidor, uma vez que o STF, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade
(ADI2591), decidiu a possibilidade de aplicação do Código de Defesa ao Consumidor nas ações revisionais de contrato que
versem sobre contratos elaborados pelas Instituições Financeiras, veja-se: “As instituições financeiras estão, todas elas,
alcançadas pela incidência das normas veiculadas pelo Código de Defesa do Consumidor. Sendo que Consumidor é toda pessoa
física ou jurídica que utiliza, como destinatário final, atividade bancária, financeira e de crédito”. Ademais, a matéria já foi
decidida conforme súmula 297 do Superior Tribunal de Justiça.

Desse modo, havendo a presença de cláusulas abusivas, exemplificadas no artigo 51 da lei federal 8.078/90, e
consequentemente desequilíbrio contratual, existe a possibilidade de revisão das cláusulas contratuais conforme o artigo 6º, V, da
mesma lei, sendo que esta não ocorrerá somente quando advier fato que causará a umas das partes onerosidade excessiva (teoria da
imprevisão), mas também quando ocorrer hipótese de lesão ou ameaça a direitos do Autor.

Por tal razão, caso o Consumidor, que, sequer teve acesso prévio ao contrato e/ou pactuou-o sem que pudesse
discutir suas cláusulas (contrato de adesão) como no caso em questão, e posteriormente não concorde com os valores ali cobrados,
poderá questionar sua regularidade ou não. Isso posto, face o direito ao pleno acesso ao Poder Judiciário, materializado no
princípio da Inafastabilidade, elencado no art. 5°, XXXV, da CRFB/88, perfeitamente cabível a presente Ação Revisional de
Contrato de Financiamento nos termos que se apresenta.

4.2 – DA INVERSÃO/DISTRIBUIÇÃO DINÂMICA DO ÔNUS DA PROVA – COMPROVAÇÃO DE RELAÇÃO DE


CONSUMO ANTERIOR.

O CDC traz em seu bojo o reconhecimento do consumidor como uma pessoa individual vulnerável face o poder dos
fornecedores, que na maioria das vezes são grandes empresas dotadas de grande poder econômico, principalmente em se tratando
de instituição financeira, e partindo do pressuposto que os consumidores dependem dos produtos e serviços destas empresas,
torna-o a parte mais frágil da relação de consumo.

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A vulnerabilidade advém do simples fato da pessoa estar na situação de consumidor, independentemente de grau de
instrução, financeira, política, etc., e que fora expressamente reconhecida pelo Código de Defesa do Consumidor, no seu artigo 4º,
I.

No caso em testilha, a instituição financeira, impôs ao Autor que arcasse com a Tarifa de Cadastro, tarifa esta que
consiste em remunerar o serviço promovido pela instituição financeira no início do relacionamento com o cliente.

Ocorre que a citada tarifa, somente poderá ser cobrada no início do relacionamento com a instituição financeira,
razão pela qual se deve verificar se o consumidor já usufruiu de crédito concedido pela instituição financeira em momento
pretérito.

No entanto, o Autor não mais possui documentação comprobatória referente à eventual outras transações ocorridas
com o Réu, fazendo mister a intervenção deste juízo, para que intime o Réu, a apresentar todos os relacionamentos havidos entre
ele e o Autor da presente demanda até a presente data.

Assim sendo, é mais que cabível a inversão do ônus da prova a favor do Autor (nos termos do art. 6º, inciso VIII do
CDC), parte hipossuficiente, vulnerável na relação de consumo que se apresenta, para a sua eficaz defesa.

Art. 6º, inciso VIII – a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do
ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a
alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências.

Portanto, demonstrado a verossimilhança das alegações ou a hipossuficiência do consumidor, como no presente


caso, o juiz deverá inverter o ônus da prova em favor do Autor, para que compila o Réu a apresentar as relações financeiras
existentes entre ambos.

Cumpre ainda destacar que o NCPC mantém a atual distribuição do ônus probatório entre Autor (quanto ao fato
constitutivo de seu direito) e Réu (quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor),
abrindo-se, porém, no §1º do artigo 373, a possibilidade de aplicação da teoria da distribuição dinâmica do ônus da prova pelo juiz
no caso concreto.

O dispositivo mencionado tem a seguinte redação:

“Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou


à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção

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da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça
por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do
ônus que lhe foi atribuído”.

Assim, o NCPC permite expressamente a distribuição dinâmica do ônus da prova pelo juiz e ainda abre a
possibilidade de a legislação esparsa prever outras hipóteses de aplicação dessa teoria. O dispositivo ressalta também a
necessidade de fundamentação específica da decisão judicial que tratar do tema.

Ante o exposto, requer desde já, seja invertido o ônus da prova, nos termos da fundamentação acima exposta, eis
que perfeitamente aplicável no caso em tela.

4.3 – DA TARIFA DE CADASTRO

Como se pode verificar no contrato de financiamento em questão, a instituição financeira Ré cobra a quantia de R$
498,00 (quatrocentos e noventa e oito reais) referente à Tarifa de Cadastro (TC).

A Tarifa de Cadastro consiste em um encargo em razão da concessão ou outorga do crédito no início da relação
entre as partes, e visa exclusivamente promover as informações do cliente na base de dados do Réu.

Ocorre Exa., como afirmado acima em não sendo o presente contrato, o primeiro contrato havido entre as partes, a
presente Tarifa de Cadastro é ilegal, como nos ensina o Resp 1.251.331 – RS, da relatoria da ministra MARIA ISABEL
GALLOTTI:

[...] Na Tabela anexa à resolução não consta a Tarifa de Abertura de Crédito (TAC) e nem de Tarifa
de Emissão de Carnê (TEC), de forma que não mais é lícita a sua estipulação.
Continuou permitida a Tarifa de Cadastro, a qual remunera o serviço de "realização de pesquisa em
serviços de proteção ao crédito, base de dados e informações cadastrais, e tratamento de dados e
informações necessários ao início de relacionamento decorrente da abertura de conta de depósito à
vista ou de poupança ou contratação de operação de crédito ou de arrendamento mercantil, não
podendo ser cobrada cumulativamente".

Destarte, a cláusula contratual que estipula a Tarifa de Cadastro (TC), apresenta-se abusiva ante os argumentos
supracitados, e colocam o consumidor em desvantagem exagerada, onerando-o, devendo a referida cláusula ser declarada nula de
pleno direito (art. 51, IV, CDC), e restituído os valores pagos indevidamente no valor de R$ 498,00 (quatrocentos e noventa e oito
reais), em dobro, nos termos do art. 42, parágrafo único do CDC.

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4.4 – DA CAPITALIZAÇÃO DE JUROS

Outra cláusula abusiva que se mostra presente no contrato em discussão refere-se à ocorrência de Capitalização de
Juros com periodicidade inferior a um ano, fato este a nosso ver, coberto de ilicitude, sendo vedada a sua ocorrência, salvo em
alguns casos em que a lei expressamente autoriza a sua ocorrência, senão veja-se.

A Capitalização de Juros consiste na ocorrência de adição de juros ao capital principal, seja ela mensal, bimestral,
trimestral, semestral ou anual, antes que os juros estejam vencidos, ou seja, consiste na cobrança de juros sobre juros,
antecipadamente, de forma que os juros que já incidiram sobre o capital principal também sofrerão a incidência nos juros a serem
aplicados nos períodos subsequentes, ocorrendo assim o bis in idem.

Nesse sentido, tem-se manifestado a doutrina:

“A expressão ‘contar juros dos juros’ significa cobrá-los antes que se tornem ‘juros vencidos’. Isto
é o que chamamos de anatocismo.”[1]

Destarte, ficou definitivamente vedada a utilização de juros capitalizados, de juros não vencidos, pelas instituições
financeiras. Fato este que ainda se confirmou com a Súmula 121 do STF, publicada no ano de 1964, colocando fim às discussões
judiciais quanto a sua aplicação:

Súmula 121 - É vedada a capitalização de juros, ainda que expressamente convencionada.

Ademais, vale ressaltar que somente é permitida a capitalização de juros em casos previstos em lei, como na cédula
de crédito rural, comercial ou industrial, o que não ocorre no caso em tela.

Acrescido a isso, a Súmula 596 do STF de 1977, ao contrário de muitos entendimentos equivocados de profissionais
do direito, em nada refere-se à Capitalização de Juros, mas se ateve tão somente a taxa de juros e outros encargos financeiros
praticados por instituições financeiras, não fazendo alusão alguma a ocorrência da capitalização de juros, como fez a Súmula 121
expressamente. Assim, não há que se falar que a Súmula 596 do STF “autorizou” a aplicação de juros capitalizados, como alguns
têm entendido. Sendo certo que ainda continua vedada a Capitalização.

Por outro lado, faz-se necessário levantar a questão novamente do art. 192 da nossa Carta Magna. Pois, o referido
dispositivo, tanto na sua edição “original” quanto na nova redação dada pela Emenda Constitucional nº 40/2003, impõe a

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competência para legislar sobre a matéria do Sistema Financeiro Nacional para o Congresso Nacional (Poder Legislativo), e que
deverá se dar por Lei Complementar, e não o Poder Executivo através de Medidas Provisórias como tem-se visto.

Art. 192. O sistema financeiro nacional, estruturado de forma a promover o desenvolvimento


equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade, em todas as partes que o compõem,
abrangendo as cooperativas de crédito, será regulado por leis complementares que disporão,
inclusive, sobre a participação do capital estrangeiro nas instituições que o integram. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 40, de 2003).

Ora, as Medidas Provisórias, publicadas pelo Poder Executivo, através da figura do Presidente da República, como
o próprio nome diz são normas que visam assessorar a administração pública em caso de relevância ou de medidas que demandam
extrema urgência, não cabendo e não sendo no mínimo razoável aguardar toda a tramitação de um projeto até se transformar em lei
e surtir seus efeitos desejados.

Ocorre que o Poder Executivo se valeu erroneamente da Medida Provisória (MP nº 2.170-36) para autorizar a
famigerada Capitalização de Juros em períodos inferiores a um ano.

A referida Medida Provisória sequer tem legitimidade para interferir no presente caso.

Primeiro, porque o presente contrato aqui discutido tem período superior a um ano, motivo pelo qual, sem sombra
de dúvidas, descabida a aplicação da referida medida provisória no presente caso.

Ainda, pela matéria não se vestir de completa relevância visto que a Capitalização de Juros somente vem a
beneficiar as instituições financeiras, em detrimento de toda população brasileira que depende delas; segundo, não se veste
também de extrema urgência, visto que desde a promulgação da Constituição Federal em 1988, que já previa lei complementar
para regular o Sistema Nacional Financeiro, até a presente data sequer existe tal lei complementar.

Isso demanda urgência? É óbvio que não, pois, no estado em que encontramos é muito cômodo e lucrativo às
instituições financeiras praticar o que lhes convier, e caso seja objeto de discussão judicial nos deparamos com essas aberrações
jurídicas (art. 62, CRFB).

Além disso, no próprio art. 62, § 1º, inciso III, veda a utilização pelo Poder Executivo tentar legislar através das
medidas provisórias quando a matéria estiver expressamente reservada a cargo de Lei Complementar, sob pena da medida
provisória não surtir efeito algum dada a sua completa inconstitucionalidade. Senão Vejamos.

Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas
provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional.

§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria:

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(...)

III - reservada a lei complementar;

E ainda, a MP n° 2.170-36/2001 (última edição), sequer chegou a ser apreciada pelo Congresso Nacional, foi objeto
de uma ADI sob o nº 2.316/DF, a qual suspendeu a eficácia do art. 5º, caput e parágrafo único, no que concerne sobre a
Capitalização de Juros inferiores a um ano, desde 03-04-2002.

Por fim, para consolidar a completa ilicitude da Capitalização de Juros no presente caso, o Tribunal de Justiça do
Estado de Minas Gerais, através do incidente de constitucionalidade nº 1.0707.05.100807-6/003, declarou a inconstitucionalidade
do art. 5º, da MP 2.170-36/2001.

Portanto, seja pela inconstitucionalidade do art. 5º da Medida Provisória nº 2.170-36, declarada pelo Egrégio Tribunal
mineiro, assim como outros tribunais tem decidido; seja pela Súmula 121 do STF; seja pela falta de norma complementar específica
ao caso; é vedada a ocorrência de Capitalização de Juros, conforme ocorre no presente caso, devendo ser declarada nula tal cláusula,
e os valores apurados em razão deste fato e pagos pelo Autor, devendo ser imputado à instituição financeira Ré as penas do art. 42,
parágrafo único do CDC.

Entretanto, em observância ao princípio da eventualidade, na remota hipótese deste douto juízo entender pela
total possibilidade da capitalização dos juros remuneratórios nos contratos bancários é imprescindível observar a necessidade de
pactuação expressa. Nesse sentido aduz o CDC, em seu artigo 46, cite-se:

Art. 46. Os contratos que regulam as relações de consumo não obrigarão os consumidores, se não lhes
for dada a oportunidade de tomar conhecimento prévio de seu conteúdo, ou se os respectivos
instrumentos forem redigidos de modo a dificultar a compreensão de seu sentido e alcance.

Nos contratos de adesão, nos quais a capitalização de juros deveria ser informada, devem explicitar o seu conteúdo.
Todavia, não basta uma simples previsão contratual, esta deve ser clara, objetiva e autoexplicativa, de forma a permitir a plena
compreensão do cidadão leigo. A simples menção de cláusulas dizendo: ‘Capitalização de Juros Mensal” não é suficiente para a
compreensão do cidadão leigo que NÃO possui habilidade em lidar com mercado financeiro.

O correto seria que as instituições financeiras ao menos descrevessem de forma clara e de fácil entendimento a
capitalização dos juros visto que quem elabora tais contratos de adesão são elas próprias, mas ao invés disso preferem manter
obscura essa explicação inobservando o primado consumeristas da informação bem como o princípio da boa-fé objetiva.

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Assim, de uma análise do contrato, anexo a exordial, verifica-se que a taxa de juros mensal é de 2,52% ao mês, e
a taxa de juros anual é de 35,40%. Ora, apesar de não mencionar a capitalização de juros, o banco Réu o faz, devendo por tal
razão, ser a cláusula extinta do presente contrato.

4.5- DA ILEGALIDADE DA APLICAÇÃO DA TABELA PRICE

A instituição financeira Requerida utilizou como metodologia para saldar a dívida o sistema Francês de amortização
popularmente conhecido por tabela PRICE.

Como é cediço, a tabela PRICE é constituída por juros compostos, servindo de base de cálculo dos juros incidentes
sobre o contrato e se constitui em fórmula de se calcular juros compostos, concentrando a maior parte da amortização apenas ao
final do contrato respectivo. Ressalta-se que a tabela PRICE vai de encontro ao disposto na súmula 121 do Supremo Tribunal
Federal que veda a capitalização mensal de juros, ainda que expressamente convencionada.

Ante o exposto, nota-se a abusividade e consequente ilegalidade da dívida do Autor, visto a utilização do sistema
francês de amortização, devendo o contrato ser revisto, restabelecendo assim, seu equilíbrio e comutatividade.

4.6 – DA COMISSÃO DE PERMANÊNCIA

Um dos itens que merece ser revisto no presente contrato, pois, mostra-se totalmente abusivo, é referente à
aplicação da Comissão de Permanência para os períodos de inadimplência, cumulada com multa, juros remuneratórios, juros
moratórios e correção monetária.

O fato de por si só aplicar a Comissão de Permanência, isoladamente, nos períodos de inadimplência não caracteriza
abusividade, mesmo porque a Súmula 294 do STJ autoriza a sua aplicação. Contudo, e o que se veda, é a ocorrência da Comissão
de Permanência cumulada com outros encargos moratórios, como multa, juros remuneratórios, juros moratórios e correção
monetária, como no caso em comento, já que a mesma possui natureza remuneratória, compensatória e sancionatória, razão pela
qual não deve ser cumulada com outros encargos. E nesse sentido o próprio STJ já se manifestou através das Súmulas 30, 294, 296
e 472.

Súmula nº 30 - A comissão de permanência e a correção monetária são inacumuláveis.

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Súmula nº 294 - Não é potestativa a cláusula contratual que prevê a comissão de permanência,
calculada pela taxa média de mercado apurada pelo Banco Central do Brasil, limitada à taxa do
contrato.

Súmula nº 296 - Os juros remuneratórios, não cumuláveis com a comissão de permanência, são
devidos no período de inadimplência, à taxa média de mercado estipulada pelo Banco Central do
Brasil, limitada ao percentual contratado.

Súmula nº 472 - A cobrança de comissão de permanência – cujo valor não pode ultrapassar a soma
dos encargos remuneratórios e moratórios previstos no contrato – exclui a exigibilidade dos juros
remuneratórios, moratórios e da multa contratual.

Ademais, além de cumular todos estes encargos, chega-se ao ponto de sequer estipular a taxa de incidência da
Comissão de Permanência, deixando “em aberto” para se apurar quando da inadimplência, a taxa média de mercado apurada pelo
Banco Central do Brasil (BACEN), em explícita afronta ao direito à informação ou princípio da transparência (art. 6º, III, CDC).
Isso sem falar na insegurança jurídica que pode trazer ao contratante, pois, sequer sabe, ao contratar, se caso inadimplente fique,
qual taxa ou valor que terá que arcar em razão de seu atraso.

Nesse sentido tem-se posicionado a Jurisprudência:

“COMISSÃO DE PERMANÊNCIA – CONTRATO BANCÁRIO – COBRANÇA EM CASO DE


INADIMPLÊNCIA – CABIMENTO – NÃO CUMULAÇÃO COM OUTROS ENCARGOS –SÚMULA
472, STJ- A cobrança de comissão de permanência no período de inadimplência é cabível desde
que não seja cumulada com outros encargos, conforme entendimento do Superior Tribunal de
Justiça. ” (Apelação Cível nº 1047666-86.2014.8.26.0002, TJPR, Relator: Nelson Jorge
Júnior; 07/05/2015).(grifo)

“APELAÇÃO. INDENIZAÇÃO. CONTRATO DE FINANCIAMENTO -INDEXADOR - COMISSÃO


DE PERMANÊNCIA. ILEGALIDADE. CARACTERIZAÇÃO. A cobrança de comissão de
permanência por si só é ilegal quando no mesmo contrato existe a incidência de juros e correção
monetária, já que aquela tem embutida a cobrança de juros.”(Apelação Cível nº
1.0024.99.159506-7/001, TJMG, Relator Des. Des. Antônio Bispo, Publicado em 22/05/2015).

Destarte, como resta indevida a aplicação da comissão de permanência com escopo de atualização da dívida, pois
essa deve ser de alguma forma corrigida para que não haja perdas para a contratada, justa é a aplicação do índice relativo ao INPC,
visando a correção monetária. É ilegal, pois, a cobrança de comissão de permanência que exceda à correção indicada pelo INPC,
haja vista que ela não se constitui em juros remuneratórios ou compensatórios, mas sim em instrumento de atualização monetária
do saldo devedor, cabendo a anulação dos dispositivos contratuais que estabeleçam de outro modo.

Caso contrário, que sua cobrança não seja cumulada com multa, juros remuneratórios, juros moratórios, correção
monetária, devendo a cláusula ser declarada nula de pleno direito, e os valores cobrados indevidamente serem restituídos ao
Requerente, nos termos do art. 42, parágrafo único do CDC.

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4.7 – DOS SERVIÇOS DE TERCEIROS

Constata-se também no presente contrato de financiamento um encargo intitulado de “Registros”, no valor de R$


74,89 (setenta e quatro reais e oitenta e nove centavos). Agora, antes de adentrar especificamente nas razões que o qualifica como
cláusula abusiva, faz-se necessário fazer a pergunta: “De que se trata o encargo “Serviços de Terceiros”?

Quanto ao encargo intitulado de Serviços de Terceiros, primeiramente, houve sim falta de informação sobre a
tarifa (art. 6, III, CDC), pois, o princípio da transparência não se traduz em somente estipular o valor e titulá-lo, mas sim
deixá-lo claro de que se trata; principalmente de que serviço é ou que se trata, com suas especificações como quantidade,
características, composição, quantidade, qualidade, riscos, pois, assim demonstrará se tal encargo realmente é devido ou não, se se
trata de uma contraprestação ou não, se abusivo ou não. O que não ocorreu no presente caso.

Portanto, não sendo observado o que a lei determina (art. 6°, III, CDC), princípio da transparência ou direito a
informação adequada, como queiram, não estará obrigado o consumidor a assumir obrigação de que não teve previamente e/ou
adequadamente informações, isto nos termos do art. 46 e 47 do CDC:

Art. 46. Os contratos que regulam as relações de consumo não obrigarão os consumidores, se não
lhes for dada a oportunidade de tomar conhecimento prévio de seu conteúdo, ou se os respectivos
instrumentos forem redigidos de modo a dificultar a compreensão de seu sentido e alcance.

Art. 47. As cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais favorável ao consumidor.

Ainda, no que concerne aos serviços de terceiros, os mesmos são abusivos pois ocorre apenas a estipulação de sua
cobrança sem a necessária especificação e orçamentos prévios, ferindo princípios da transparência e informação.

Neste sentido são os julgados:

“EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. REVISÃO DE CONTRATO BANCÁRIO. SERVIÇOS DE


TERCEIRO. DEFICIÊNCIA DE INFORMAÇÃO. NULIDADE DECLARADA. - A exigência de
pagamentos de serviços de terceiros, sem qualquer indicação complementar a propósito da natureza
dos serviços cobrados fere o dever de informação ao consumidor (art. 6º, III, Código de Defesa do
Consumidor. (Apelação Cível 1.0672.12.005143-4/001, Relator(a): Des.(a) Luiz Carlos Gomes da
Mata , 13ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 29/08/2013, publicação da súmula em 06/09/2013)”

“A cobrança sob a rubrica de serviço correspondente não bancário, prestado por terceiros, bem
como dos custos decorrentes da essência do negócio jurídico, compreendendo-se o registro do
contrato, inserção de gravame e tarifa de avaliação do bem, constitui prática abusiva que não pode
prevalecer ante a hipossuficiência do consumidor, parte evidentemente fraca na relação, ao qual não

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é dado abrir qualquer discussão sobre as condições do contrato, notadamente sobre as cobranças
impostas pela instituição financeira. [...] (TJMG; APCV 1.0702.11.020665-4/001; Rel. Des.
Guilherme Luciano Baeta Nunes; Julg. 25/06/2013; DJEMG 01/07/2013)”

Certo é que a referida tarifa nada mais é do que uma artimanha para conferir maior lucro ao lojista ou remuneração
de correspondente na captação de clientela, expressamente proibida pela Res. n.º 3954/2011, verbis:

“(….)
Art. 17. É vedada a cobrança, pela instituição contratante, de clientes atendidos pelo
correspondente, de tarifa, comissão, valores referentes a ressarcimento de serviços prestados por
terceiros ou qualquer outra forma de remuneração, pelo fornecimento de produtos ou serviços de
responsabilidade da referida instituição, ressalvadas as tarifas constantes da tabela adotada pela
instituição contratante, de acordo com a Resolução nº 3.518, de 6 de dezembro de 2007, e com a
Resolução nº 3.919, de 25 de novembro de 2010.”

Quanto à tarifa de Registro de Contrato, as mesmas também se mostram abusivas, pois desamparadas de fato
gerador, configurando dupla remuneração pelo mesmo serviço de fornecimento de crédito, se não veja-se:

“Afigura-se abusiva a exigência da "tarifa de registro de contrato" pactuada após a vigência da Lei n.
11.882, de 23/12/2008, uma vez que o registro do contrato de financiamento deixou de ser
obrigatório, passando a valer a regra prevista no seu artigo 6º, que atribui plenos efeitos à anotação da
alienação no registro do veículo. - A cláusula genérica correspondente aos "pagamentos de serviços
de terceiros" não especifica quais seriam, efetivamente, as despesas realizadas. Por consequência,
afigura-se abusiva, à medida que desrespeita os princípios da informação e da transparência
consagrados no Código de Defesa do Consumidor. - A denominada "tarifa de avaliação de bem" se
mostra de toda abusiva, eis que, segundo já se pronunciou esta colenda Câmara, "desamparada de
fato gerador independente e por configurar remuneração em duplicidade pela prestação de um só
serviço". TJ/MG - APELAÇÃO CÍVEL Nº 1.0707.11.029024-4/001 – Relator: Exma. Desa.
CLÁUDIA MAIA – data da publicação: 28/06/2013).

“Para os contratos celebrados após 30 de abril de 2008, é ilegal a cobrança da Tarifa de Registro de
Contrato, por não ter sido contemplada nos anexos das Resoluções do Conselho Monetário nºs.
3.518/2007 e 3.919/2010, aplicando-se, analogicamente, o entendimento firmado pelo Superior
Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 1.251.331/RS.” Apelação Cível
1.0596.13.004706-8/001-0047068-13.2013.8.13.0596. Relator(a): Des.(a) Roberto Vasconcellos.
Data de Julgamento: 29/06/2016. Data da publicação da súmula: 05/07/2016.

Quanto à Tarifa de avaliação do bem, contratada e cobrada do consumidor, a mesma é ilegal e abusiva, uma vez que
basta a instituição financeira fazer uma breve pesquisa nas diversas tabelas disponíveis na internet, como por exemplo, a tabela
FIPE, para ter o pleno conhecimento do valor do bem dado em garantia contratual. Ademais, se a diligência complementar
interessa apenas à Instituição Financeira, não pode esta transferir o custo deste ônus ao consumidor.

No mais, no que tange ao Registro de Gravame e Ressarcimento de Despesa de Promotora de Venda, as mesmas
não podem ser transferidas ao consumidor, por se tratar de custo inerente a atividade da Instituição Financeira, sendo, portanto,
indevidas, incumbindo a ela arcar com as referidas despesas.

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Portanto, a cláusula contratual que estipula o encargo de “Registros”, não possui legitimidade alguma para existir no
presente contrato, devendo a mesma ser decotada do contrato e restituído em dobro ao Autor o valor total pago indevidamente, nos
termos do art. 42, parágrafo único do CDC.

4.8 – DA VENDA CASADA

Outra cláusula abusiva presente no contrato e que merece ser decotada é a que impõe “ Seguro” em caso de
inadimplemento por parte do Autor, ou seja, a instituição financeira, além de receber o bem adquirido em garantia, impôs ao Autor
um seguro para proteger ou minimizar os riscos do contrato em caso deste advir a falecer, ficar inválido, incapaz e ou
desempregado involuntariamente.

Certo é que a referida cláusula beneficia tão somente a instituição financeira, já que pode ser acionada apenas no
caso em que o Autor não possa arcar com as parcelas do financiamento aqui discutidas, e mesmo assim para que quite apenas
algumas parcelas de seu financiamento, onerando em demasia o consumidor e beneficiando tão somente a instituição financeira, o
que não pode ser aceito no ordenamento jurídico atual.

Vale ressaltar que o objeto da presente demanda se trata de um contrato de financiamento com alienação fiduciária,
ou seja, fez-se um contrato de empréstimo para adquirir um bem (veículo), sendo que, este bem foi dado em garantia justamente
para, em caso de fato futuro incerto que coloque o contratante em situação que lhe impeça de cumprir o contrato.

Salienta-se que não é de boa-fé, tampouco equânime, obrigar o Autor-contratante a arcar com um seguro que visa
única e exclusivamente proteger de forma exagerada a instituição financeira Ré e cujos termos de contratação não são
apresentados ao consumidor, tais como coberturas e garantias contratadas.

A referida cláusula além de colocar a parte Autora em desvantagem exagerada e não condizer com a boa-fé e a
equidade contratual (art. 51, IV do CDC), também configura prática abusiva, pois, impôs ao consumidor a contratação de outro
serviço, no caso um seguro para proteção financeira, para firmar o contrato de financiamento, configurando venda casada nos
termos do art. 39, I do CDC.

Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas:

I - condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou


serviço, bem como, sem justa causa, a limites quantitativos;

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A bem da verdade, as instituições financeiras sequer fornecem o contrato (apólice), assim como, o consumidor não
sabe da referida contratação, pois o termo do seguro é inserido no contrato principal do financiamento, sem conferir ao contratante
o direito de recusa.

Nesse seguimento é o posicionamento do Des. Ricardo Pessoa de Mello Belli na Apelação Cível nº
0009995-77.2013.8.26.0100 – TJSP:

“Cumpre reconhecer a nulidade da cláusula que prevê a contratação de “seguro de proteção


financeira” e, consequentemente, o pagamento do respectivo prêmio. Isso porque o instrumento
contratual não explicita os termos da contratação, isto é, as hipóteses de cobertura e de exclusão da
cobertura etc., certo ainda que o apelado não cuidou de trazer aos autos a correspondente apólice.
Donde a invalidade da cláusula, por violar o direito de informação do consumidor e a proteção
contra cláusulas abusivas e iníquas (CDC, arts. 51, IV, e 52).” (TJSP, Ap. Cív.: nº
0009995-77.2013.8.26.0100, Rel: Ricardo Pessoa de Mello Belli, 23 de fevereiro de 2015).

Destarte, a cláusula contratual que impõe o “Seguro” deve ser declarada nula de pleno direito, nos termos do art.
39, I e art. 51, IV do CDC, e o valor pago de R$ 300,00 (trezentos reais) deverá ser restituído ao Autor nos termos do art. 42,
parágrafo único do CDC.

5 – DA RESTITUIÇÃO EM DOBRO (ART. 42, CDC)

Ao longo da presente peça processual se discutiu várias cláusulas abusivas que a instituição financeira Ré impôs ao
Autor, através das quais cobrou e recebeu valores indevidos, de pleno direito, nos termos do art. 51 do CDC.

Ocorre que o Código de Defesa do Consumidor além de elencar vários direitos do consumidor e deveres do
fornecedor de produtos ou serviços, também resguardou o direito do consumidor de reaver todos e quaisquer valores pagos
indevidamente em dobro, nos dizeres do artigo 42, parágrafo único do diploma:

Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não será exposto a ridículo, nem será
submetido a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça.

Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito,
por valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais,
salvo hipótese de engano justificável.

Nesse sentido é a jurisprudência deste Tribunal:

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“APELAÇÃO CÍVEL – AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO – JUIZADOS ESPECIAIS
– DECISÃO – REVISÃO – JUSTIÇA COMUM – IMPOSSIBILIDADE – CAPITALIZAÇÃO DOS
JUROS – RESTITUIÇÃO EM DOBRO – PREQUESTIONAMENTO – IMPRESTABILIDADE
A Lei 8078/90, concebeu um sistema de proteção ao consumidor que fixa parâmetros de conduta que
devem ser observados pelos fornecedores de serviços e servem como medida para a aferição da
legalidade da prestação fornecida, tomando-se por base a legítima expectativa do consumidor.
Verificadas cobranças indevidas pelos bancos, tem-se a violação de um dever inquestionável de
cuidado e de adstrição à legalidade, que afronta os limites traçados pelo princípio da boa-fé
objetiva, autorizando a incidência do parágrafo único do artigo 42 do CDC.” (TJMG - Apelação
Cível 1.0024.12.059167-2/002, Rel.:Des. Antônio Bispo, julgamento em 24/03/2015, publicação da
súmula em 30/03/2015).

Desta forma, sendo declaradas as cláusulas aqui discutidas no presente feito como abusivas e nulas de pleno direito,
os valores indevidos cobrados e pagos pelo Requerente deverão ser devolvidos por valor igual ao dobro que pagou, de forma a
inibir as práticas abusivas perpetradas pela instituição financeira Ré, como medida corretiva e pedagógica, nos termos do
parágrafo único do artigo 42 do CDC.

6 – DOS PEDIDOS

Ante o exposto, requer:

a) Tratando-se o Réu de pessoa jurídica, requer que a citação seja efetuada por intermédio do sistema de cadastro de processos e
autos eletrônicos nos termos do art. 246, § 1º do CPC ou, caso o Réu não conste o cadastro obrigatório, que seja citado pelo
correio (art. 246, I e 248 do CPC), na pessoa de seu representante legal, para apresentar defesa, sob pena de revelia;

b) Requer a concessão dos benefícios da Justiça Gratuita nos termos 98 e seguintes do CPC, pelo fato de o requerente não possuir
condições financeiras para arcar com as custas processuais e honorários advocatícios e, sem prejuízo de seu sustento e de sua
família;

c) Seja invertido o ônus da prova nos termos do art. 6º, inciso VIII do CDC e 373, § 1º do CPC, para que a instituição financeira
comprove se o consumidor já usufruiu de crédito concedido pela mesma em momento pretérito, para que possa verificar a
legalidade da cobrança de Tarifa de Cadastro;

d) Seja retirada a Capitalização de Juros, uma vez que é vedada sua utilização, sendo a cláusula que a estipula, abusiva e nula de
pleno direito;

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e) Seja decotada a cláusula que estipula a Comissão de Permanência nos períodos de inadimplência, determinando, por
conseguinte, a atualização do capital emprestado pelo indexador INPC, ou subsidiariamente, que a comissão seja aplicada sem
cumulação com juros remuneratórios, juros moratórios, multa contratual e correção monetária;

f) Seja decotada do contrato a cláusula abusiva que estipula o encargo “Registros” e “Ressarcimento de Despesa de Promotora de
Vendas” e seja restituído em dobro ao Autor, o valor total pago indevidamente, nos termos do art. 42, parágrafo único do CDC;

g) Seja decotada do contrato a cláusula contratual que estipula a Tarifa de Cadastro, assim como os codinomes citados, nula de
pleno direito (art. 51, IV, CDC), sendo restituído em dobro ao Requerente o valor pago, nos termos do art. 42, parágrafo único do
CDC;

h) Seja decotada do contrato a cláusula abusiva que impôs ao Requerente o “ Seguro”, constituindo em venda casada, devendo o
valor pago indevidamente ser restituído em dobro, nos termos do art. 39, I e art. 42, parágrafo único, do CDC;

i) Seja restituído em dobro todos os valores cobrados a maior, indevidamente, apurados, nos termos do art. 42, parágrafo único
do CDC;

j) Seja o requerido condenado a pagar custas processuais e honorários advocatícios, a serem arbitrados por V. Exa., nos termos do
art. 85 do CPC;

k) Que as intimações no Diário Oficial do Estado sejam feitas em nome do advogado Dr. Leonardo Jamel Saliba de Souza,
inscrito na OAB/MG 115.946;

Pretende provar o alegado mediante prova documental, testemunhal, e demais meios de prova em Direito admitidos,
consoante disposição do art. 369 do Código de Processo Civil.

Conforme artigo 292, II do CPC, dá-se à causa o valor de R$ 14.573,52 (quatorze mil, quinhentos e setenta e três reais e cinquenta
e dois centavos).

Termos em que, pede deferimento.

Sete Lagoas, 18 de setembro de 2017.

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LEONARDO JAMEL SALIBA DE SOUZA FELIPE MAURICIO SALIBA DE SOUZA

OAB/MG 115.946 OAB/MG 108.211

[1] CANÇADO, Romualdo Wilson e LIMA, Ornei Claro de in “Juros. Correção Monetária. Danos Financeiros Irreparáveis.”
Livraria Editora Del Rey Ltda., 3ª ed., p. 25/27.

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