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Revisão Bibliográfica

Na literatura, o debate sobre as diferentes maneiras de modelar a política


agrícola de forma a medir seus efeitos sobre as economias tem se aprofundado. De
acordo com Cardoso (2011), há muitos trabalhos que utilizam modelos de equilíbrio
parcial e, por outro lado, outros que têm empregado análises de equilíbrio geral. Essa
última vertente critica os resultados de equilíbrio parcial pelo fato de esse método não
considerar que a política gera impacto não somente no setor ao qual foi implementada,
mas também em outros setores da economia, e, assim, as estimativas e conclusões
obtidas podem ser equivocadas e subestimadas.

De acordo com Hertel (1999), os modelos de equilíbrio geral aplicados são mais
adequados para mensurar efeitos de políticas porque conseguem captar seu efeito total,
uma vez que representam toda a economia em seus diversos setores, além do fato de
captarem as ligações intersetoriais.

A exemplo disso, Gurgel e Santos (2006) apresentaram um modelo aplicado de


equilíbrio geral para quantificar os impactos de políticas comerciais para o Brasil e seus
principais parceiros comerciais, sob pressuposições alternativas de retornos constantes e
competição perfeita e de economias de escala e competição imperfeita. Os resultados
revelam que os efeitos sobre o bem-estar são de maior intensidade quando economias de
escala e competição imperfeita estão presentes no modelo. Os autores diagnosticaram
que o maior aproveitamento de economias de escala, por meio dos efeitos
racionalização e pró-competitivo nos segmentos industriais brasileiros, contribuem para
o resultado positivo em termos de bem-estar e, ademais, as reduções em preços aos
consumidores e aumentos nas remunerações dos fatores primários de produção são de
maior intensidade quando economias de escala e competição imperfeita são
consideradas.

Cardoso e Teixeira (2013) pretenderam determinar os efeitos de longo prazo do


subsídio ao crédito rural sobre a produção, o comércio externo e a competitividade (via
preços) do setor agropecuário na economia das diferentes regiões brasileiras. Os autores
verificaram que a política de crédito rural representa importante estímulo à cadeia do
agronegócio brasileiro, tendo em vista os impactos positivos sobre a produção, as
exportações da agropecuária, e a expansão das indústrias com forte ligações com o setor
agrícola, como químicos e indústria de alimentos e transportes. Ainda, a política está
associada a ganho de competitividade (via preços) das commodities agropecuárias
nacionais no mercado externo.

Coronel (2010) utilizou um modelo de equilíbrio geral para o impacto da


Política de Desenvolvimento Produtivo, lançada em 2008 no Brasil, na economia
brasileira, por meio do modelo de equilíbrio geral computável chamado
GTAPinGAMS. As análises foram feitas com base na redução do Imposto Sobre
Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias (ICMS),
propostos pela PDP. Os resultados indicaram que as medidas contidas na PDP foram
relativamente eficientes para evitar os efeitos negativos da crise internacional, mas a
discriminação de alíquotas adotada entre setores não se apresenta superior a uma
redução uniforme do IPI como instrumento de política industrial.

Figueirêdo (2007) – DESBLOQUEAR ARQUIVO

[TESE CARDOSO]

Castro e Teixeira (2004) estimaram o impacto do programa de Equalização das Taxas


de Juros do Crédito Rural no crescimento do PIB, utilizando como método analítico a
matriz insumo-produto. Os resultados mostraram que, para o caso da ETJ, os benefícios
gerados para a economia em termos de crescimento econômico são mais elevados que o
custo do governo com a política. Outrossim, há aumento na arrecadação de impostos, e,
portanto, os gastos governamentais com a ETJ são parcialmente recuperados. No
entanto, os efeitos mensurados por esses autores levaram em conta apenas as ligações
para trás do setor agrícola, isto é, pelo lado da demanda. Em outro estudo, Castro e
Teixeira (2009) analisaram o impacto do crédito rural sobre a oferta agrícola e
concluíram que o dispêndio total apresenta impacto positivo na oferta da maior parte
dos produtos analisados, indicando que os produtores enfrentam restrições financeiras
na aquisição de insumos. Esses resultados corroboram a intuição de que o crédito rural
constitui importante política para o setor agropecuário. No entanto, os estudos
supracitados, ao contrário do que propõe o presente trabalho, foram realizados para o
Brasil como um todo, e, assim, não levaram em conta as diferenças regionais quanto ao
recebimento de recursos e quanto à resposta ao financiamento. Dada a heterogeneidade
existente entre as regiões brasileiras, seja em termos econômicos e sociais, ou em
termos de recebimento de recursos federais via crédito rural, salienta-se a importância
de análises regionais. Ademais, considera-se como relevante a análise do efeito total do
subsídio do crédito rural sobre o crescimento econômico, ao entender que a subvenção
gera crescimento porque aumenta a demanda por insumos (ligações para trás), mas
também porque aumenta a oferta de produto (ligações para frente) na economia. Dessa
forma, avalia-se como proeminente a análise do efeito total do crédito rural sobre o
crescimento econômico, que será obtida a partir da união dos estudos de demanda e
oferta em um só modelo, numa análise de equilíbrio geral.

Figueiredo (2010)

Nos fóruns de negociações multilaterais da Organização Mundial de Comércio subsiste


veemente debate com intuito de eliminar as subvenções agrícolas nos países
desenvolvidos. Contudo, os Estados Unidos têm aumentado o volume desses subsídios,
causando distorções no comércio agrícola mundial. Assim, o objetivo desta pesquisa foi
avaliar os impactos desses subsídios norte-americanos (Loan Deficiency Payments),
concedidos no período de 2002 a 2007, sobre o crescimento do agronegócio brasileiro.
Os resultados permitem inferir que a redução dos subsídios nos EUA propiciaria o
crescimento da produção agroindustrial brasileira e ampliaria o superávit na balança
comercial desse setor, com crescimento conjunto das exportações e importações.
Portanto, cortes nesses subsídios contribuiriam para maior competitividade das
exportações brasileiras e gerariam oportunidades para o crescimento do agronegócio.

Cardoso et al. (2014) objetivou avaliar os impactos dos gastos governamentais com a
política de Equalização das Taxas de Juros (ETJ) no crescimento econômico e bem-
estar das cinco macrorregiões brasileiras. Os autores utilizam um modelo de equilíbrio
geral e verificaram que o no Brasil, a política é custo-efetiva e apresenta retorno de
34%. Além disso, todas as regiões são beneficiadas em termos de bem-estar.