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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DA 2ª VARA CRIMINAL DA

COMARCA DE VÁRZEA GRANDE – MT.

Ação Penal
Proc. nº. 6849-72.2018.811.0002
Código:534434

GUILHERME DE ALMEIDA CARVALHO, brasileiro, solteiro, portador do


RG nº 2126200-4 e inscrito no CPF nº 056.207.011-74, filho de Laurevina de Almeida
Santana e Adenoir Guilherme Bispo de Carvalho com residência à Rua Paulistinha,
quadra 28, lote 01, Bairro Vila Arthur, Várzea Grande – MT, atualmente recolhido
provisoriamente na Penitenciária Central do Estado – PCE, Cuiabá – MT, vem, com o
devido respeito à presença de Vossa Excelência, intermediado por seu mandatário ao
final firmado, requerer a concessão da

REVOGAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA

com fulcro no artigo 5º, LXVI da Constituição Federal e artigo 310, III, e 321do
Código de Processo Penal, pelos motivos de fato e de direito que passa a expor.

Ementa do pleito:

Rua Mazagão, nº 06, Q03, Sala T02, Centro Empresarial CPA01 – Cuiabá –MT CEP 78055-225

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1.Crime sem violência, NÃO caracterizado a hediondez. –
“CUMPRIMENTO ANTECIPADO DE PENA” - Princípio da
homogeneidade, corolário do princípio da proporcionalidade,
mostra-se ilegítima a prisão provisória quando a medida for mais
gravosa que a própria sanção a ser possivelmente aplicada na
hipótese de condenação, pois não se mostraria razoável manter-se
alguém preso cautelarmente em "regime" muito mais rigoroso do
que aquele que ao final eventualmente será imposto - Precedente
STJ HC nº 213.830/RJ Prisão é exceção e NÃO regra.

2.“In casu” de condenação NÃO ultrapassará os ditames do


regime semi-aberto o que preceitua o art. 33 § 2º e 3º c/c 59 do CP,
lapso temporal cumprido se condenado for a “eventual”
condenação, ofensa com suporte no artigo 5º, inciso LXXVIII, da
Carta Magna. Princípio da Razoabilidade.
3.Imediata revogação da custódia ou então, substituição por
qualquer outra medida cautelar diversa da prisão

INTROITO

Extrai- se dos autos que o investigado foi preso em 13 de abril de 2018, em


decorrência do auto prisão em flagrante de Diego Prado Ferreira, Elias Teodoro de
Assunção e Guilherme de Almeida Carvalho, que teriam sido autuados pela suposta
prática de ilícito prevista no artigo 288 do CPP, tendo sido ainda ao acusado Guilherme
imputada a suposta pratica prevista no artigo 14 da Lei 10.826/2003.

Tendo somente a Prisão do acusado Guilherme de Almeida Carvalho, convertida


por Vossa Excelência em preventiva em Audiência de Custodia no dia 14 abril de 2018.

Cumpre-nos salientar que, a gravidade abstrata do delito evidencia nas razões da


convolação em prisão preventiva, data vênia, não era fundamento hábil para manter
preso o Acusado.

Destaca-se ainda, que a arma que fora encontradas pelos policiais responsáveis
pela abordagem dos acusados não estava de posse de nenhum dos evolvidos e que em
nenhum momento estaria sob a guarda de quaisquer de um dos outros que foram presos
em flagrante, em especial o Sr. Guilherme.

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Contudo em uma possível condenação do réu, esta será possivelmente cumprida
sob o regime aberto ou semi aberto, ou nem seria considerado culpado, pois não há
indícios de que a arma de fogo estaria em posse do acusado Guilherme, ou que este em
conjunto com os demais estaria se associando para pratica de algum ilícito.

Partindo do principio de que alguém só poderá ser punido, se anteriormente ao


fato que em tese tivesse sido praticado pelo acusado, ora como o próprio auto de prisão
em flagrante no traz, não evidencia de que os acusados estariam se associando para
pratica de ilícito e como dito nos mesmo autos a suposta arma encontrada, não estava de
posse dos mesmo, portanto é vedado o uso de analogia para punir alguém por um fato
não previsto em lei, por este ser semelhante a outro por ela definido.

Neste caso há de ser observado que a manutenção da prisão do acusado gera


estatus de execução penal antecipada da pena, sendo no caso o que deverá ser realizado
é uma livre disposição por parte do poder Estatal de ajuda e assistência social
direcionadas a recuperação do acusado ou inseri-lo em programas sociais capazes de
frear o ímpeto do mesmo aduzido por V. Excelência na continuidade da pratica delitiva,
logo a pena deve ser imposta ao agente por sua própria ação (culpabilidade de fato) e
não por eventual defeito de caráter adquirido cupavelmente pela sua vida pregressa
(culpabilidade pela forma de vida).

Importante destacar que o réu possui um processo em andamento, sendo que em


nenhum há sentença transitada em julgado, sendo fixado regime diverso do fechado,
vejamos:

(...)
2) (Roubo duplamente majorado). Guilherme. Tudo isso sopesado,
fixo sua pena base no mínimo legal, ou seja, em 04 (quatro) anos de
reclusão; deixo de diminuí-la ou aumentá-la devido as circunstâncias
legais genéricas reconhecidas se anularem; aumento-a em (1/3) um
terço ante as majorantes reconhecidas, resultando em 05 (cinco) anos
e 04 (quatro) meses de reclusão; cuja pena torno em concreta e
definitiva a míngua de quaisquer outras circunstâncias ou causas
capazes de diminuí-la ou aumentá-la.
Levado pelos mesmos critérios acima mencionados, fixo sua pena
pecuniária em 54 (cinquenta e quatro) dias-multa no valor mínimo
legal, ou seja, em 1/30 do salário mínimo vigente à época dos fatos,
com a correção monetária, quando do efetivo pagamento.

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Consoante o art. 33, § 2.o, alínea b, e § 3.º, do Código Penal, o réu
deverá iniciar o cumprimento da pena a si imposta sob a égide do
regime semiaberto.
DISPOSITIVO FINAL
O réu Guilherme foi colocado em liberdade (fl. 154/154v.º). Nesta
oportunidade, foi condenado em regime semiaberto. Solto deve
permanecer.
(...)
Deixo de condená-los ao pagamento das custas e despesas processuais
por terem se revelado pobres na forma da lei.
Deixo de condenar os réus em fazerem reparação por dano material à
vítima (art. 387, IV, do CPP), eis que o bem foi devolvido (fl. 24).
Determino a Sr.ª Gestora que por qualquer meio dê conhecimento à
vítima sobre a situação prisional do réu nos termos da lei (CPP, art.
201, § 2.º).
Transitada em julgado, lance o nome do réu no rol dos culpados,
procedendo às anotações devidas e expedindo-se a Guia de Execução
Definitiva.
Procedam-se as devidas comunicações, inclusive à Justiça Eleitoral.
Em caso de recurso antes da remessa do mesmo ao e. TJMT expeça-se
Guia de Execução Provisória e remeta ao juízo da Segunda VEP de
Cuiabá e encaminhe-se cópia ao Diretor da Unidade Prisional onde se
encontra o réu Eder.
P.R.I.C.
Várzea Grande – MT, em 23 de setembro de 2017.
Dr. Abel Balbino Guimarães
Juiz de Direito

Portanto, verifica-se que o réu é inocente de todas as acusações que lhe foram
imputadas, ante a falta as fragilidades encontradas nos autos de prisão em flagrante.

DA AUSÊNCIA DOS REQUISITOS DO ARTIGO 312 DO CPP.

A prisão não preenche os requisitos do artigo 312 do Código de Processo Penal.

Não há ofensa à ordem pública, uma vez que o requerente não tem conduta
compatível com ilícito, ou faz qualquer ostentação de pratica assemelhada. Não
ofereceu ou tem qualquer relação com crime organizado.

Repisando, o requerente não representa perigo, e tampouco a arma a ele


atribuída esta em lugar diverso da prisão o que pode ser relevante para que configure
ofensa à ordem pública.

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Não há ofensa à ordem econômica, quesito fácil de superar, uma vez que não
houve e nem há qualquer relação de impacto financeiro na questão envolta nestes autos.

Não há qualquer ofensa à instrução criminal ou aplicação da lei penal, uma vez
que o mesmo está bem identificado, tem domicílio certo, conforme comprovante de luz,
em anexo.

Assim como, possui profissão definida conforme declaração em anexo.

Não há prova da existência do crime ou indício suficiente de autoria, como


traçado em toda a narrativa todos os fatos e evidências levam a inexorável conclusão de
que o requerente não cometeu crime algum.

Sobre a primeira parte do artigo 312 do CPP Guilherme de Souza Nucci 1,


esclarece que:

[...]extrai-se da jurisprudência o seguinte conjunto de causas viáveis


para autorizar a prisão preventiva, com base na garantia da ordem
pública: a) gravidade concreta do crime; b) envolvimento com o crime
organizado; c) reincidência ou maus antecedentes do agente e
periculosidade; d) particular e anormal modo de execução do delito; e)
repercussão efetiva em sociedade, gerando real clamor público”.
O ideal é a associação de, pelo menos, dois desses fatores.

Neste diapasão, é mister observar que:

a) Não há que se falar em gravidade do delito in casu. Conferir: STJ: “A


jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que a existência de indícios de
autoria e prova da materialidade do delito, bem como o juízo valorativo sobre a
gravidade genérica do crime imputado ao paciente e sua periculosidade abstrata, não
constituem fundamentação idônea a autorizar a prisão cautelar, se desvinculados
de qualquer valor concreto ensejador da configuração dos requisitos do art. 312 do
CPP.” (HC 245703-MG, 5ª.T., Rel. Gilson Dipp, 28.08.2012, v.u.); g.n.

1
Código de Processo Penal Comentado, ed. RT, 11ª ed, p. 670.

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b) O paciente não apresenta nenhum envolvimento com o crime organizado;

c) A suposta execução do suposto delito não evidencia nenhuma crueldade, não


foram utilizados explosivos ou outros meios capazes de gerar grande perigo comum e
nem se trata de crime premeditado no intuito de diminuir as chances de qualquer vítima,
do que se pode concluir que a suposta consumação do crime não apresenta nada de
anormal;

d) O caso não alcançou nenhuma repercussão social, e em nada alterou a


credibilidade da Justiça e do sistema penal.

Pela análise acima, resta claro que o paciente não apresenta nenhum risco à
ordem pública. Corrobora este entendimento o julgamento do HC 94404-SP, Rel. Min.
CELSO DE MELLO, DJe-110, divulgado em 17.06.2010 e publicado 18.06.2010, cujo
trecho está abaixo transcrito:

A PRISÃO PREVENTIVA - ENQUANTO MEDIDA DE


NATUREZA CAUTELAR - NÃO PODE SER UTILIZADA COMO
INSTRUMENTO DE PUNIÇÃO ANTECIPADA DO PACIENTE OU
DO RÉU. - A prisão preventiva não pode - e não deve - ser utilizada,
pelo Poder Público, como instrumento de punição antecipada daquele
a quem se imputou a prática do delito, pois, no sistema jurídico
brasileiro, fundado em bases democráticas, prevalece o princípio da
liberdade, incompatível com punições sem processo e inconciliável
com condenações sem defesa prévia. (...) A GRAVIDADE EM
ABSTRATO DO CRIME NÃO CONSTITUI FATOR DE
LEGITIMAÇÃO DA PRIVAÇÃO CAUTELAR DA
LIBERDADE. - A natureza da infração penal não constitui, só por si,
fundamento justificador da decretação da prisão cautelar daquele que
sofre a persecução criminal instaurada pelo Estado. Precedentes. A
PRESERVAÇÃO DA CREDIBILIDADE DAS INSTITUIÇÕES E
DA ORDEM PÚBLICA NÃO SE QUALIFICA, SÓ POR SI,
COMO FUNDAMENTO AUTORIZADOR DA PRISÃO
CAUTELAR. - Não se reveste de idoneidade jurídica, para efeito de
justificação do ato excepcional da prisão cautelar, a alegação de que,
se em liberdade, a pessoa sob persecução penal fragilizaria a atividade
jurisdicional, comprometeria a credibilidade das instituições e afetaria
a preservação da ordem pública. Precedentes. A PRISÃO
CAUTELAR NÃO PODE APOIAR-SE EM JUÍZOS
MERAMENTE CONJECTURAIS. - A mera suposição, fundada em
simples conjecturas, não pode autorizar a decretação da prisão cautelar

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de qualquer pessoal (...) O CLAMOR PÚBLICO NÃO BASTA
PARA JUSTIFICAR A DECRETAÇÃO DA PRISÃO
CAUTELAR. - O estado de comoção social e de eventual indignação
popular, motivado pela repercussão da prática da infração penal, não
pode justificar, só por si, a decretação da prisão cautelar do suposto
autor do comportamento delituoso, sob pena de completa e grave
aniquilação do postulado fundamental da liberdade (...) O
POSTULADO CONSTITUCIONAL DA PRESUNÇÃO DE
INOCÊNCIA IMPEDE QUE O ESTADO TRATE, COMO SE
CULPADO FOSSE, AQUELE QUE AINDA NÃO SOFREU
CONDENAÇÃO PENAL IRRECORRÍVEL. (...) g.n.

Prosseguindo ao exame do disposto, também não se pode placitar que a razão de


prisão preventiva seja a conveniência da instrução criminal, vez que o paciente não
possui sequer meios ou razões para obstruir a investigação.

Ademais, data máxima vênia, não houve motivação da autoridade policial que
repute adequada sobre as razões pelas quais considera que eventual prisão preventiva
para assegurar a conveniência da instrução criminal.

Não subsistindo razão para vossa excelência decrete prisão preventiva.

Nesse sentido: STF:

“O decreto de prisão preventiva há que fundamentar-se em elementos


fáticos concretos, que demonstrem a necessidade da medida
constritiva” (HC 101.244-MG, 1ª T., rel. Ricardo Lewandowski,
16.03.2010, v.u.). E, com máxima vênia, somente depoimentos da
pessoa que estava com todo o entorpecente (Sr. Paulino) e da
companheira do requerente (que estava sob forte pressão psicológica e
temor físico) não constituem elementos fáticos concretos, em especial
porque não se localizou NADA que indicasse a prática de crimes.

Após exaustivamente demonstrar que a decretação de eventual prisão preventiva


não encontra amparo na disposição do artigo 312 do CPP, atente-se ao parágrafo único
do artigo seguinte:

Art. 313. Nos termos do art. 312 deste Código, será admitida a
decretação da prisão preventiva:
(...) Parágrafo único. Também será admitida a prisão preventiva
quando houver dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando
esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la, devendo o

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preso ser colocado imediatamente em liberdade após a identificação,
salvo se outra hipótese recomendar a manutenção da medida.

Ora, o paciente já foi devidamente qualificado e possui moradia fixa, não


havendo sombra de dúvida sobre sua identidade civil e localização. Desta forma, por
que saturar ainda mais o já abarrotado sistema carcerário brasileiro com um preso sem
nenhuma periculosidade e que possui endereço e identidade certos?

Ademais, a infração supostamente cometida pelo paciente não está eivada de


qualquer gravidade, e, ainda que estivesse esta circunstância não seria suficiente para
ensejar a privação da liberdade do paciente.

Não se pode olvidar que a falta de elementos concretos caracterizadores da


periculosidade do agente e da gravidade da conduta é sustentáculo para a soltura do
paciente em prisão preventiva, conforme já decidiu acertadamente o Tribunal de Justiça
do Paraná em caso mui semelhante:

DECISÃO: ACORDAM os integrantes da Terceira Câmara Criminal


do Tribunal de Justiça do Paraná, por unanimidade de votos, em
conceder a ordem, com extensão ao corréu. Oficie-se à MMª. Juíza de
Direito da Vara Criminal da Comarca de Cianorte para que lavre o
respectivo termo de comparecimento a todos os atos do processo e,
aceitas as condições por BRUNO MAGNESI e PAULO HENRIQUE
DE SOUZA JORGE, expeça alvará de soltura se por al não estiverem
presos. EMENTA: HABEAS CORPUS. PACIENTE PRESO EM
FLAGRANTE PELA PRÁTICA DO CRIME DE ROUBO
MAJORADO. PRISÃO EM FLAGRANTE CONVERTIDA EM
PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO INIDÔNEA. GRAVIDADE
ABSTRATA. PERICULOSIDADE NÃO DEMONSTRADA COM
DADOS CONCRETOS. ORDEM CONCEDIDA, COM EXTENSÃO
AO CORRÉU. "Para decretar a prisão preventiva, deverá o
magistrado fazê-lo com base em elementos concretos e
individualizados aptos a demonstrar a necessidade da prisão do
indivíduo, nos termos do art. 312 do Código de Processo Penal."
(STF, HC 113119, Relator: Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma,
julgado em 13/11/2012, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-237
DIVULG 03-12-2012 PUBLIC 04-12-2012). – HC (Processo:
1030529-0 (Acórdão), Rel. Rogério Kanayama, publicado no DJ:
1096 10/05/2013) g.n.

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Imperioso, por fim, destacar que a regra é a liberdade provisória, e a prisão é
a exceção, em respeito inclusive ao princípio constitucional da presunção de inocência.
Sobre a premissa, ensina Eugênio Pacelli de Oliveira na obra Curso de Processo Penal
(pág. 471):

[...] a partir, então, da Constituição de 1988, com todas as profundas


alterações nela inseridas, de modo especial em relação às garantias
individuais de quem se acha submetido a processo penal, o princípio
da inocência tornou-se efetivamente uma realidade normativa, com
toda a carga de positividade que vem expressa no art. 5º, §1º, da CF,
segundo o qual “as normas definidoras dos direitos e garantias
fundamentais tem aplicação imediata”. Com isso, a privação da
liberdade deve ser sempre a exceção, daí porque depende de ordem
escrita e fundamentada de autoridade judicial competente, e com base
exclusivamente em razões de natureza cautelar.

Assim, o direito à liberdade é garantia fundamental, bem jurídico tutelado pelo


próprio Direito Penal, não podendo ser tolhido senão em virtude de motivo relevante.

Repisando que quando há dúvida pairando esta deve ser interpretada a favor do
réu e não o contrário. Assim a segregação cautelar do requerente não é legal ou
constitucional.

Da Liberdade Provisória:

Vossa Excelência, não entendendo pelas teses, ora supracitadas, passemos a


dispor sobre as teses Subsidiárias:

Convém ressaltar, sob o enfoque do tema em relevo, o magistério de Norberto


Avena:

“A liberdade provisória é um direito subjetivo do imputado nas


hipóteses em que facultada por lei. Logo, simples juízo valorativo
sobre a gravidade genérica do delito imputado, assim como
presunções abstratas sobre a ameaça à ordem pública ou a
potencialidade a outras práticas delitivas não constituem
fundamentação idônea a autorizar o indeferimento do benefício, se

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desvinculadas de qualquer fator revelador da presença dos requisitos
do art. 312 do CPP. “ (AVENA, Norberto Cláudio Pâncaro. Processo
Penal: esquematizado. 4ª Ed. São Paulo: Método, 2012, p. 964).

No mesmo sentido:

“Como é sabido, em razão do princípio constitucional da presunção da


inocência (art. 5º, LVII, da CF) a prisão processual é medida de
exceção; a regra é sempre a liberdade do indiciado ou acusado
enquanto não condenado por decisão transitada em julgado. Daí
porque o art. 5º, LXVI, da CF dispõe que: ‘ninguém será levado à
prisão ou nela mantida, quando a lei admitir a liberdade provisória,
com ou sem fiança. “ (BIANCHINI, Alice . . [et al.] Prisão e medidas
cautelares: comentários à Lei 12.403, de 4 de maio de 2011. (Coord.
Luiz Flávio Gomes, Ivan Luiz Marques). 2ª Ed. São Paulo: RT, 2011,
p. 136).

É de todo oportuno também gizar as lições de Marco Antônio Ferreira Lima e


Raniere Ferraz Nogueira:

“A regra é liberdade. Por essa razão, toda e qualquer forma de prisão


tem caráter excepcional. Prisão é sempre exceção. Isso deve ficar
claro, vez que se trata de decorrência natural do princípio da
presunção de não culpabilidade. “ (LIMA, Marco Antônio Ferreira;
NOGUEIRA, Raniere Ferraz. Prisões e medidas liberatórias. São
Paulo: Atlas, 2011, p. 139).

É altamente ilustrativo transcrever notas de jurisprudência:

HABEAS CORPUS. ARTIGOS 306 E 309 DO CTB. PRISÃO EM


FLAGRANTE. LIBERDADE PROVISÓRIA COM FIANÇA.
HIPOSSUFICIENCIA. AUSÊNCIA DE FATOS QUE
DEMONSTREM A NECESSIDADE DA CUSTÓDIA CAUTELAR.
ORDEM CONCEDIDA.
1. A prisão, unicamente em razão da insuficiência de recursos
financeiros para arcar com os valores arbitrados a título de fiança não
encontra amparo na Lei, nem na jurisprudência desta corte de justiça.
2. Ademais, o paciente firmou termo de compromisso de
comparecimento a todos os atos do processo e comparecimento
mensal em juízo para informar e justificar suas atividades, medidas

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cautelares alternativas à prisão, menos gravosas, mas, que se mostram
suficientes para a conclusão da persecução penal.
3. Ordem de habeas corpus concedida, confirmando-se a liminar.
(TJDF - Rec 2013.00.2.000016-0; Ac. 652.060; Segunda Turma
Criminal; Rel. Des. João Timóteo; DJDFTE 08/02/2013; Pág. 172)

HABEAS CORPUS. CRIMES PREVISTOS NOS ARTIGOS 303 E


306 DA LEI Nº 9.503/97. LIBERDADE PROVISÓRIA COM
FIANÇA. LEI Nº 12.403/11. IMPOSSIBILIDADE DE ARCAR COM
O PAGAMENTO DA FIANÇA. PACIENTE ASSISTIDO PELA
DEFENSORIA PÚBLICA. CONCEDER A ORDEM.
Com o advento da Lei nº 12.403/11, a prisão cautelar só deverá ser
decretada e mantida quando se mostrar extremamente necessária. Se
não possuir o réu condições financeiras de arcar com a fiança
arbitrada, deve ser concedida a liberdade provisória em seu favor,
sujeitando-o às obrigações constantes nos artigos 327 e 328 do Código
de Processo Penal. (TJMG - HC 1.0000.12.091998-0/000; Rel. Des.
José Mauro Catta Preta Leal; Julg. 06/09/2012; DJEMG 17/09/2012)

HABEAS CORPUS. ART. 306 DO CÓDIGO DE TRÂNSITO


BRASILEIRO.
Ausentes os pressupostos da prisão preventiva é de rigor a concessão
da liberdade provisória. (TJMG - HC 1.0000.12.084609-2/000; Rel.
Des. Paulo Cézar Dias; Julg. 04/09/2012; DJEMG 12/09/2012)

PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS. CRIMES DE


TRÂNSITO. PRISÃO PREVENTIVA CARENTE DE
FUNDAMENTOS CONCRETOS. RECONHECIMENTO DO
DIREITO À LIBERDADE PROVISÓRIA. CONSTRANGIMENTO
ILEGAL CONFIGURADO. ORDEM CONCEDIDA. LIMINAR
CONFIRMADA. SUSPENSÃO DO DIREITO DE DIRIGIR
MANTIDA. DECISÃO UNÂNIME.
I. A prisão preventiva tem natureza extraordinária, somente devendo
ter lugar quando for estritamente necessária e outra medida não se
mostrar suficiente no caso concreto. Assim, não estando presentes os
requisitos previstos nos artigos 311 e 312 do código de processo
penal, tal como na hipótese, impõe-se a concessão de liberdade
provisória.
Ii. Considerando, porém, os fortes indícios de que o paciente dirigia
alcoolizado, pondo em risco a integridade física das pessoas que
estavam no local, e como forma de prevenir a ocorrência de situações
semelhantes, cabe manter a cautelar de suspensão do direito da
habilitação para dirigir veículo automotor, que deverá permanecer
retida nos autos originários, com base no art. 294 da lei nº 9.503/97.
Iii. Ordem concedida à unanimidade, confirmando-se a liminar
anteriormente deferida. (TJPE - HC 0012046-56.2012.8.17.0000;
Terceira Câmara Criminal; Rel. Des. Cláudio Jean Nogueira Virgínio;
Julg. 19/09/2012; DJEPE 08/10/2012; Pág. 524)

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Dessa forma, em todas as hipóteses, a natureza cautelar da prisão deve
emergir a partir da realidade objetiva, de forma a evidenciar a imprescindibilidade
da medida extrema.

Preliminarmente, cumpre ressaltar que se trata de suposto crime destituído de


violência ou grave ameaça, revelando-se desproporcional a custódia de
GUILHERME DE ALMEIDA CARVALHO

No mais, é salutar que se ressalte que, nos termos do § 3º do artigo 44 do Código


Penal, o fato de o paciente ser reincidente não deduz que não poderá fazer jus ao
benefício legal da substituição de pena privativa de liberdade por pena alternativa.

Sendo assim, é evidente que a suposta reincidência do acusado, por si só, não
pode orientar a decretação da sua prisão preventiva. Nestes termos, o entendimento do
Superior Tribunal de Justiça:

HABEAS CORPUS. RECEPTAÇÃO. PRISÃO EM


FLAGRANTE. LIBERDADE PROVISÓRIA INDEFERIDA.
REINCIDÊNCIA. FUNDAMENTO INSUFICIENTE. FALTA DE
MOTIVAÇAO CONCRETA. ART. 312 DO CÓDIGO DE
PROCESSO PENAL. ORDEM CONCEDIDA. 1. Hipótese em que
o paciente encontra-se preso há mais de seis meses pelo suposto
cometimento de dois delitos de receptação, crimes que não envolvem
violência ou grave ameaça à pessoa, tendo sido indeferida sua
liberdade provisória tão somente em razão da reincidência,
presumindo-se, por isso, que ele poderia evadir-se do distrito da culpa.
2. A reincidência, por si só, não constitui fundamento idôneo para
manter a custódia cautelar do paciente, ficando evidenciada a
ilegalidade se não apontado qualquer elemento concreto que
efetivamente demonstre a presença dos requisitos previstos no art.
312 do Código de Processo Penal, exigidos para embasar toda
segregação imposta antes do trânsito em julgado de sentença
penal condenatória. 3. Ordem concedida para garantir ao paciente a
liberdade provisória, se por outro motivo não estiver preso, mediante
assinatura de termo de compromisso de comparecimento a todos os
atos do processo. (TJSP- HC 2009/0218686-8 - Rel. Min. Maria
Thereza de Assis Moura – DJ 20/04/2010)

De efeito, não resta, nem de longe, quaisquer circunstâncias que justifiquem a


prisão em liça, quais sejam, a garantia de ordem pública, a conveniência da instrução
criminal ou assegurar a aplicação da lei penal.

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Igualmente, Data Máxima Vênia, vem Reiterar o pedido de Liberdade
Provisória, a Vossa Excelência, após a negativa do mesmo. Pondera-se que
exaustivamente, o acusado Guilherme não teria de forma alguma participado do fato,
desta feita, respeitosamente reitera o pedido feito anteriormente a Vossa Excelência.

REQUERIMENTOS

Do exposto, uma vez comprovado que o Réu:

I -- demonstrou que tem residência fixa;

II - Garantia de Trabalho e ocupação licita

III - é pobre na forma da Lei (CPP, art. 350);

Requer, com abrigo no art. 310, inc. III, art. 322, parágrafo único e art. 350,
todos do CPP, seja-lhe concedida a REVOGAÇÃO DA PRISÃO
PREVENTIVA/LIBERDADE PROIVISÓRIA, ao SR GUILHERME DE
ALMEIDA CARVALHO sem o pagamento de fiança, mediante termo de
comparecimento a todos os atos do processo (CPP, art. 327 e 328), expedindo-se, para
tanto, o devido ALVARÁ DE SOLTURA, com a entrega do Réu, ora preso na PCE
– Penitenciária Central do Estado – Cuiabá- MT de forma incontinenti, o que de
logo requer.

Nesses termos pede e espera deferimento.

Rua Mazagão, nº 06, Q03, Sala T02, Centro Empresarial CPA01 – Cuiabá –MT CEP 78055-225

P á g . 13 | 14
Cuiabá, 02 de Maio de 2018.

Antonio de Lima Fernandes Neto


OAB/MT 21536-O

Rua Mazagão, nº 06, Q03, Sala T02, Centro Empresarial CPA01 – Cuiabá –MT CEP 78055-225

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