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Reúso da Água – ESZU026-14

Aula
Reúso de água para fins agrícola
Por que reutilizar esgotos na agricultura?

O reúso agrícola é geralmente incluído como um componente no


programa de reúso de água pelas seguintes razões:

 Demandas extremamente levadas para irrigação agrícola

Consumo de água por atividade - Brasil


5% 18%
14%

Consumo Humano

Irrigação

Uso industrial
63%
Consumo animal
A maior consumidora de água potável no mundo é a agricultura!

Mundo

 Estudo aponta que as pessoas não tem consciência desse fato


(WWF)
Os consumidores acreditam que o vilão do consumo
de água e da poluição é a industria:
Total de água retirada por dia: mais de 80% vai para a agricultura
Por que reutilizar esgotos na agricultura?

 Dificuldade crescente de identificar fontes alternativas de


água para irrigação;

 Custo elevado de fertilizantes;

 A segurança de que os riscos a saúde e impactos ao solo


podem ser minimizados;

 Custos elevados dos sistemas de tratamento para descarga de


lançamento de efluentes em corpos receptores;

 Aceitação sociocultural da prática de reúso agrícola.


Benefícios econômicos do reúso agrícola

1 – Aumento da produtividade e área cultivada


- Efluentes de sistemas convencionais de tratamento possuem
contrações típicas de 15 mg/L de N total e 3,0 mg de P total/L

-Considerando a taxa usual de irrigação, resulta em uma aplicação de N


e P de 300 e 60 kg/ha.ano

- Além do nutrientes, a aplicação de esgoto aumenta a sua capacidade


de reter água.

Reduz significativamente a necessidade do emprego de


fertilizantes.
Aumento da produtividade agrícola

Esgoto bruto Efluente primário Efluente de LE Água + NKT

4,0
3,45 3,45
3,5 3,34
Tonelada/ha.ano

2,97 2,94 2,98


3,0 2,7
2,56
2,41
2,5 2,3
2,03
2,0 1,7

1,5
0,9 0,87
1,0 0,78 0,72

0,5

0,0
Trigo Feijão Arroz Algodão
Vale do Mezquital, Mexico Os distritos de Tula e
Alfajayucan utilizam esgoto
bruto
Vale do Mezquital, Mexico

O esgoto bruto, parcialmente tratado ou


misturado com água de drenagem possui
grande valor para os fazendeiros:

- Melhoram a qualidade do solo e;


- Os nutrientes aumentam a produtividade

Cultura Produção ton/ha Aumento


(%)
Esgoto Água
Milho 5.0 2.0 150
Cevada 4.0 2.0 100
Tomate 35.0 18.0 94
Alfalfa 120.0 70.0 71
Trigo 3.0 1.8 67
Infecção por Ascaris lumbricoides em grupos com diferentes idades

Concentração de coliformes
termotolerantes em diferentes
reservatórios
Benefícios ambientais e de saúde pública
- Minimização das descargas de esgotos em corpos de água

- Preservação dos recursos subterrâneos

- Permite a conservação do solo, pela acumulação de húmus

- Aumenta a concentração de matéria orgânica no solo,


possibilitando maio retenção de água;

- Contribui, principalmente em áreas carentes, para o aumento da


produção de alimentos, elevando assim os níveis de saúde
Medidas para redução do riscos do reúso agrícola

Grupos de risco:

1. Consumidores de culturas carnes e leites;

2. Operários agrícolas e suas famílias,

3. Manusiadores ou transportadores de colheitas;

4. Residentes próximos aos campos irrigados


Riscos associados ao reúso de esgotos na agricultura

Os principais riscos para a saúde associados com


o reúso de esgotos na agricultura são:
- Os patogênicos relacionados com os esgotos;
- Compostos químicos.
Perigo Via de Comentários
exposição

Patogênicos relacionados com excretas

Bactéria Contato - As bactérias morrem mais rapidamente do


(Escherichia coli, Consumo que alguns outros patógenos (por exemplo,
Salmonella spp., helmintos), mas ainda pode apresentar um
Shigella spp. risco para a saúde. Surtos de doenças de
cólera, febre tifóide e disenteria têm sido
associados com o uso de águas residuárias,
para irrigação de vegetais.

- Como estes patógenos podem sobreviver no


ambiente tempo suficientemente longo para
causar doenças riscos à saúde, a desinfecção,
lavagem e cozimento são importantes
medidas de proteção da saúde
Perigo Via de Comentários
exposição
Patogênicos relacionados com excretas
Helmintos Contato - Maior risco na agricultura, especialmente
(Ascaris, onde águas residuárias não tratadas e
Ancylostoma,, Consumo excretas são usados ​e as normas de
Tenia spp). saneamento não são restritivas. Os ovos
podem sobreviver no ambiente por um
longo tempo.
Protozoáriso Contato - Foram encontrados em vegetais irrigados
(Giardia, com esgoto no ponto de colheita e no
Cryptosporidium) Consumo mercado. Protozoários podem sobreviver
no ambiente por tempo suficiente para
colocar em risco a saúde.

Vírus (hepatite A, Contato Os vírus estão presentes em grande número


rotavirus) em águas residuáris, e alguns tipos podem
Consumo sobreviver no ambiente por tempo
suficiente para causar riscos à saúde.
Contaminação de culturas levou a surtos de
Alguns fatores ambientais contribuem para
redução da concentração de organismos
patogênicos:
 Tempo de residência;
 Temperatura;
 Exposição a luz UV;
 Tipo de planta
Gestão dos riscos

MEDIDAS PROTETORAS

1.Tratamento dos esgotos

2. Métodos de aplicação

3.Seleção e controle das culturas

4.Controle da exposição humana


Tratamento de Esgotos

Critérios de tratamento

Tratamento para Tratamento para


reúso agrícola descarte

Benéfico Necessidade:
- Matéria organica: DBO < 100 - Remover Matéria orgânica
mg/L - Remover nutrientes
- Manutenção de nutrientes - Eliminar Organismos patogênicos
Eliminar:
- Organismos patogênicos
Remoção de organismos patogênicos em sistemas de tratamento de esgotos
Diretrizes da USEPA para o uso agrícola de esgoto
Considerações sobre as diretrizes da USEPA

 Padrão de qualidade de efluentes para irrigação irrestrita


semelhantes ao padrão de potabilidade da água:
- Ausência de coliformes e organismos patogênicos
- Turbidez < 2,0 NTU
- Cloro residual > 1,0 mg/L]

 Subentende-se que o critério ausência de coliformes asseguraria


ausência de organismos patogênicos

 Os parâmetros turbidez e cloro complementam a indicação da


remoção de protozoários e da inativação de virus
Diretrizes da OMS

 O maior risco tolerável de infecção foi associado a


exposição do rotavírus (10-3 ppa);

Assumiu-se que a remoção correspondente a este


patógeno garantiria suficiente proteção contra infecções
bacterianas e por protozoários;

Para as situações mais desfavoráveis deve-se alcançar


uma redução de 6 a 7 log
Diretrizes da OMS para uso agrícola de esgoto

Irrigação Opção Remoção de patógenos Qualidade do efluente


(ETE) log10
E. Coli 100 mL-1 Ovos de
helmintos L-1
Irrestrita A 4 ≤ 103
B 3 ≤ 104
C 2 ≤ 105
D 4 ≤ 103
≤1
E 6 ou 7 ≤ 101 ou 100
Restrita F 3 ≤ 104
G 2 ≤ 105
H <1 ≤106
Tais níveis de proteção podem ser alcançados:
- por tratamento adequado
- remoção adicional por decaimento natural
- técnicas de irrigação que minimizem o contato
esgoto-planta
- Uso de equipamentos de proteção individual
- Higiene dos alimentos
T: Tratamento DO: decaimento W : lavagem de produtos agrícolas
DI: irrigação localizada (H: culturas altas; SSI: Irrigação sub-superficial
B: culturas baixas)
Opção A: Irrigação irrestrita
A: Cultivo de raízes e tubérculos

Redução de 1 log devido a lavagem antes do


consumo
Redução de 2 log devido ao decaimento entre
a última irrigação e o consumo

Redução de 4 log devido ao tratamento


Equivale a uma concentração de E. coli de
103/100 mL

A redução necessária é alcançada pela combinação do


tratamento, decaimento e lavagem
 Métodos de aplicação
A aplicação de esgotos tratados pode ser efetuada através dos seguintes
métodos básicos de irrigação:

 por inundação ou por canais laterais, molhando praticamente toda a


superfície do solo;
 por sulcos, molhando apenas uma pequena parte da superfície do solo;
 por aspersores, fazendo com que o solo e as culturas sejam molhados
de maneira semelhante ao que ocorre durante chuvas;
 por irrigação sub-superficial, na qual apenas uma pequena porção do
solo é molhada,
 por irrigação localizada (gota a gota, exsudação em mangueiras
plásticas),na qual a água é aplicada a cada planta, individualmente, e a
uma taxa ajustável.
Irrigação por sulcos Irrigação sub-superficial

Irrigação gotejamento canais laterais


DIRETRIZES QUÍMICAS

Poluentes químicos devem ser considerados de maneira


diferente dos contaminantes microbiológico, pois:
- São incorporados aos tecidos das plantas;
- Não são removidos efetivamente por lavagem
superficial ou por cozimento.

Abordagem crítica: mais de 65000 produtos utilizados


rotineiramente

Esgoto em quantidades elevadas


A adsorção de poluentes por plantas depende de
características locais:
 tipos de solo e de plantas,
 clima,
 precipitação pluviométrica.

Os efeitos dos poluentes sobre a saúde pública causados


por solos irrigados com esgotos ou fertilizados com
biossólidos depende de fatores locais:
 dietas alimentares
 condições de saúde pública das populações afetadas
Princípios básicos
1- Prevenir a acumulação de poluentes nos solos

 Evita que os produtos agrícolas sejam contaminados

Introdução de poluentes Remoção de poluentes


Escoamento superficial
Lixiviação
Evaporação
Absorção pelas plantas

Se esta condição é satisfeita a transferência de poluentes é


reduzida
1- Prevenir a acumulação de poluentes nos solos

 Não leva em consideração o transporte e degradação de poluentes;

 Tem a vantagem de não necessitar de dados relativos a transporte e


degradação de poluentes, cenários de exposição e relações doses-
respostas;

 Os valores numéricos estabelecidos para os parâmetros


regulamentados pode ser calculados através de um simples balanço
de massa.

Este critério leva a valores numéricos extremamente restritivos, que exigem sistemas
avançados de tratamento, ou a taxas de aplicação de efluentes e biossólidos muito
baixas.
2 - Maximizar a capacidade do solo em assimilar e atenuar o efeito
de poluentes

 Este critério se baseia na capacidade que os solos possuem de


atenuar os poluentes que recebe;

 É necessário que a aplicação seja adequadamente controlada,


evitando que a acumulação de poluentes atinja níveis que afetem
a saúde pública dos consumidores de culturas produzidas;
Necessário identificar diversas rotas de exposição, através dos
quais os poluentes podem atingir seres humanos;

 cenários de exposição,
 das taxas de transferência de poluentes e;
 Das quantidades de poluentes transferidos em cada
fase da cadeia de transmissão,

 As cargas máximas de Esgoto ou Alimento


aplicação ou; Biossólidos
Acumulação

 As concentrações
máximas no solo,
permitidas

Transferência
Determinação de valores numéricos de poluentes

1 - Identificação de poluentes potenciais

 dados toxicológicos e epidemiológicos e informações disponíveis sobre


composição química de esgotos e biossólidos
2 - Análise Dose-Resposta

 Os efeitos provocados em seres humanos pela ingestão de compostos


químicos são avaliados através de bio-ensaios

 Com base na análise de dados de dose-resposta, efetuada por


toxicologistas, são determinadas as Doses Diárias Aceitáveis – DDA

DDA = miligramas por dia por kg de peso corporal (mg/dia/kgPC)


Análise de Exposição
 Visa determinar as rotas de exposição mais prováveis, através
das quais os grupos de risco possam vir a se expor à ação dos
poluentes potencial
Concentração máxima de poluentes permitida no solo

DDA = Dose Diária Aceitável de cada poluente regulamentado (mg/dia/kg de


peso
corporal)

PC = Peso corporal de um adulto, estimado em 60 kg

PE = Fração da DDA que é assimilada através dos alimentos considerados na


dieta global

CA = Consumo de alimentos (kg/dia)


Concentração máxima de poluentes permitida no solo

FA = Fração da dieta global que é oriunda de campos irrigados ou fertilizados com


esgotos ou lodos

KS = Fator de transferência de poluentes do solo para plantas (alimentos)


expresso em mg de poluente/kg de alimento por mg de poluente/kg de solo

SB = Relação Alimento Peso Seco/Alimento Peso Bruto (kg/kg),

CS = Concentração máxima de poluentes permitida no solo (mg de poluente / kg


de solo seco