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1 INTRODUÇÃO

1.1 Tema

Abordagem histórica e concepção de fluidos no estudo da engenharia

1.2 Objetivos

Com este trabalho pretende-se abordar e ressaltar as idéias fundamentais de


mecânica dos fluidos, ao mesmo tempo, sua aplicação na engenharia e nos estudos da ciência
em geral, e também neste contexto destacar a concepção histórica e abordagem atual de
fluidos.

1.3 Justificativa

O estudo da mecânica dos fluidos é quesito básico para quase todos as áreas da
ciência, principalmente para engenharia em que as aplicações são visíveis e essenciais. O
entendimento das idéias básicas de fluidos concernente a evolução de seus estudos durante os
tempos faz-se necessário para maior clareza e entendimento dos fenômenos que envolvem
fluidos seja na natureza, ou em máquinas.

1.4 Definição de termos

Fluidos – É uma substância que não pode resistir a uma força de cisalhamento ou
a uma tensão sem se mover.

Tensão de Cisalhamento – Pode ser definido como o valor da força tangencial


sob um fluido dividido por sua área

Escoamento – Capacidade que um fluido tem de escoar, ou seja vazar , decorrer.

Viscosidade - Resistência que um fluido oferece ao escoamento e que se deve ao


movimento relativo entre suas partes.
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2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 A concepção de fluidos ao longo dos tempos

Seja por alguns fenômenos naturais ou seja pela importância das aplicações dos
fluidos, o seu estudo despertou a curiosidade e o interesse do homem ao longo da história da
humanidade.O homem pré-histórico sempre se encantou com o movimento daságuas e dos
ventos, como atestam inúmeras pinturas rupestres encontradas em antigas cavernas que lhe
serviram de abrigo.
Na antiguidade conceitos de aerodinâmica eram empregados, ainda que de forma
intuitiva, para transformar hastes de madeira em flechas longilíneas, com pontas em forma de
cunha e caudas estabilizadoras e ainda antigas civilizações desenvolveram notáveis
embarcações movidas à vela e a remo, que evoluíram no sentido de minimizar as forças de
arrasto, facilitando sobremaneira a navegação.
Entretanto, a primeira abordagem científica para a solução de problemas de
fluidos em repouso só ocorreu muitos séculos depois, quando Arquimedes e Héron de
Alexandria postularam a lei do paralelogramo para adição de vetores no século III a.C.
Arquimedes (285-212 a.C) formulou as leis do empuxo e aplicou-as a corpos flutuantes e
submersos deduzindo uma forma de calculo diferencial como parte da análise. Os romanos
construíram extensos sistemas de aquedutos no século IV a.C., mas não deixaram registros
mostrando qualquer conhecimento quantitativo acerca dos princípios de projeto.
Do nascimento de Cristo até a Idade Média avanço constante no projeto de
sistemas de escoamento, sendo que a Idade Média foi profundamente marcada pela ocorrência
de pestes e conflitos e,sobretudo, pelo forte misticismo que, de certa forma, inibiu as
principais tentativas de enxergar o mundo por uma ótica mais científica.
Assim mesmo, verificou-se um aprimoramento contínuo no projeto de
embarcações e no desenvolvimento de aquedutos e canais de irrigação, utilizados por diversos
povos. Contudo, não existem registros que comprovem o conhecimento de métodos formais
de análise ou critérios explícitos de dimensionamento destes artefatos.
Foi então que Leonardo Da Vinci (1452-1519)deduziu a equação de conservação
de massa para escoamento permanente e unidimensional. Da Vinci foi um excelente
experimentalista e suas anotações contêm descrições precisas de ondas, jatos, ressaltos
hidráulicos, formação de turbilhões e projetos para baixo arrasto (alinhados com o
escoamento) e alto arrasto (pára-quedas). Um francês, Edme Mariotte (1620-1684_, construí o
primeiro túnel de vento e testou modelos nele.
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Os problemas que envolviam a quantidade de fluidos puderam finalmente ser


analisados após Isaac Newton (1642-1727) ter postulados suas leis do movimento e a lei da
viscosidade dos fluidos lineares, hoje chamados fluidos newtonianos. A teoria baseou-se
primeiro na hipótese de um fluido “perfeito”, ou sem atrito. Em 1687, Isaac Newton (1643 -
1727) publicou sua famosa obra Principia Mathematica, dedicando todo o segundo volume à
Mecânica dos Fluidos.
Newton considerava o escoamento de um fluido como uma corrente retilínea e
uniforme de partículas, que, ao se chocar contra um obstáculo com uma inclinação è ,
transferiria a ele sua componente normal da quantidade de movimento, permanecendo a
componente tangencial inalterada. Assim, após a colisão, as partículas se moveriam ao longo
da superfície do corpo.
Essa teoria levou ao surgimento da famosa lei de Newton do seno ao quadrado,
em que a expressão para a força hidrodinâmica variava de acordo com sen2 è. Embora
deixasse muito a desejar em termos de acuracidade, esta teoria foi largamente empregada pela
indústria naval da época, principalmente devido à sua simplicidade.
Segundo Withe (2002) “os matemáticos do século XVIII (Daniel Bernoulli,
Leonhard Euler, Jean d’Alembert, Joseph-Louis Lagrange e Pierre-Simon Laplace)
produziram muitas soluções de problemas sem atrito”. Euler desenvolveu as equações
diferenciais do movimento e também sua forma integral, hoje chamada de equação de
Bernoulli D’Alembert usou-as para presentear seu famoso paradoxo: de que um corpo imerso
em um fluido sem atrito tem arrasto igual a zero.
Esses belos resultados se somaram até exceder a sua validade, a hipótese de fluido
perfeito tem aplicação muito limitada na prática e a maioria dos escoamentos de interesse da
engenharia é dominada pelos efeitos da viscosidade. Os engenheiros começaram a rejeitar o
que eles viam como uma teoria totalmente irreal e desenvolveram a ciência chamada de
hidráulica. Dependendo quase completamente de experimentos. Experimentalistas como
Chezy, Pilot, Borda, Weber, Francis, Hagen, Poiseuille, Darcy, Manning, Bazin e Wersbach
produziram dados sobre uma variedade de escoamentos tais como canais abertos, resistência
de embarcações, escoamentos em tubos ondas e turbinas. Com maior freqüência do que o
desejado, os dados foram usados em sua forma bruta, sem se observar os fundamentos físicos
dos escoamentos.
Jean Charles Borda (1733 – 1799), mais conhecido como Chevalier de Borda, um
matemático e astrônomo náutico francês, comentou que as correntes dos fluidos são “mais
sofisticadas que o mais sofisticado caráter de uma dama” (TOKATY, 1994, p. 83). Ele queria
dar um aviso de que nem todas as correntes de fluidos (escoamentos) estão em harmonia com
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as leis de Daniel Bernoulli e de Leonardo da Vinci. Em particular, a fórmula de Torricelli não


é totalmente correta. Antes dos experimentos de Borda, pensava-se que a força de arraste
resultante da combinação de corpos poderia ser computada como uma simples soma dos
arrastes individuais de cada corpo da combinação. Borda foi o primeiro a mostrar que isso não
era correto. O arraste total de duas esferas colocadas próximas uma da outra e movendo-se na
água ou no ar, geralmente, difere da soma das resistências de arraste dos dois corpos quando
separadamente. Hoje conhecemos este fenômeno como interferência hidrodinâmica.
Chevalier de Borda foi presidente da Comissão dos Pesos e Medidas, criada
durante a Revolução Francesa, em 1790. Foi por insistência de Borda que a proposta de
escolher como unidade de comprimento a medida do comprimento de um pêndulo de período
igual a um segundo (pêndulo de segundo) foi rejeitada. Borda defendeu a escolha um décimo
de milionésimo da distância do Equador ao Pólo Norte como a unidade de medida a ser
escolhida, criando-se assim o sistema métrico decimal. Outra contribuição original de Borda
foi seu teorema que a resistência aerodinâmica seria proporcional à velocidade ao quadrado
(como na fórmula de Newton) e ao seno do ângulo de ataque, diferentemente da fórmula de
Newton.
No final do século XIX, finalmente começou a unificação entre a hidráulica
experimental e hidrodinamica teórica William Fraude (1810-1879) e seu filho Robert (1846-
1924) desenvolveram leis de teste de modelos, Luz Rayleigh (1842-1919) propôs a técnica de
análise dimensional e Osborne Reynolds (1842-1912) publicou em 1883, o clássico
experimento em tubos que mostrou a importância do adimensional numero de Reynolds,
assim chamado em sua homenagem. Enquanto isso, a teoria do escoamento viscoso foi
disponibilizada, mas não explorada, depois que Navier (1785-1836) e Strokes (1819-1903)
acrescentaram com sucesso os termos viscosos newtonianos às equações do movimento. As
equações de Navier – Strokes resultantes eram muito difíceis de analisar para escoamentos
arbitrários.
Foi então que, em 1904, um engenheiro alemão, Ludwig Prandtl (1875-1953),
publicou talvez o mais importante artigo já escrito sobre mecânica dos fluidos. Prandtl
observou que os escoamentos de fluidos de baixa viscosidade, como, por exemplo,
escoamentos de água e de ar, podem ser divididos em uma fina camada viscosa, ou camada-
limite, próxima das superfícies sólidas e das interfaces, junto a uma camada externa
aproximadamente não-viscosa, na qual as equações de Euler e Bernoulli se aplicam. A teoria
da camada-limite se mostrou a ferramenta individual mais importante em análise de
escoamento modernas. Os fundamentos do século XX para o presente estado da arte em
mecânica dos fluidos foram estabelecidos em uma série de teorias e experimentos
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abrangentes, por Prandtl e seus dois principais competidores e colegas. Theodore Von Kárman
(1881-1963) e Sir Geoffrev I. Taylor (1886-1975).
Theodore Von Kármán (1881 – 1963), nascido na Hungria e falecido nos EUA, foi
um grande especialista em mecânica dos fluidos e, em aerodinâmica, em particular.
Aprofundando os estudos de Borda, Kármán afirmou que dois corpos movendo-se
separadamente estão livres da chamada “esteira de vórtice” (vortex street) de Von Kármán.
Entretanto, quando esses corpos são colocados juntos, lado a lado, há a formação de vórtice
na parte posterior à incidência do fluxo.
Em vista disso, vários são os métodos desenvolvidos ou aprimorados ao longo das
últimas décadas, para resolver numericamente as equações do movimento. Assim, graças à
evolução destas técnicas e, sobretudo, aos notáveis avanços na velocidade e na capacidade de
armazenamento dos computadores modernos, os programas elaborados para simular
escoamentos geofísicos e industriais multiplicam-se, constituindo importante ferramenta de
análise de escoamentos.

2.1 A definição intuitiva de fluidos

Antes de se definir um fluido torna-se necessário o entendimento do que é a


tensão de cisalhamento. Considerando a FIGURA 1, onde a força ΔF que age em uma área
ΔA pode ser decomposta em uma componente normal ΔFn e uma componente tangencial.
ΔFt:

FIGURA 1- Componentes normal e tangencial de uma força


FONTE – POTTER;WIGGERT,2004,p.7.

Tensão é a força dividida pela área na qual ela age. A tensão normal é a
componente normal da força dividida pela área e a tensão de cisalhamento é a força tangencial
dividida pela área.
Esta tensão de cisalhamento τ, matematicamente é definida como:

 Ft
lim (1)
A
ΔA→0
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Neste contexto, segundo Potter e Wiggert (2004), fluidos podem ser considerados
como aqueles líquidos e gases que se movem sob ação de uma tensão de cisalhamento, não
importando o tamanho dessa tensão,ou seja, fluido é uma substância que não pode resistir a
uma força de cisalhamento ou a tensão sem se mover.
Ou ainda como define Giles (1978), fluidos são substâncias que são capazes de
escoar e cujo volume toma a forma de seus recipientes, quando em equilíbrio, os fluidos não
suportam forças tangenciais ou cisalhantes.
Todos os fluidos possuem um certo grau de compressibilidade e oferecem
pequena resistência à mudança de forma e são normalmente classificados como líquido ou
gases, para Hughes e Brigton (1979), os líquidos podem ser compreendidos da seguinte
forma:
Um líquido tem forças intermoleculares que mantêm as moléculas juntas de modo
a formar volume, mas não uma forma definida, colocado em um reservatório
ocupará o volume correspondente ao espaço compreendido pelas paredes do
reservatório. Os líquidos têm baixa compressibilidade e sua massa especifica varia
pouco com a temperatura ou com a pressão. Por outro lado, o gás consiste de
moléculas em movimento que colidem entre si, tendendo a dispersar-se de forma
não ter volume ou forma definidos. (HUGHES,BRIGHTON,1979)

Logo um fluido que se constitui como um gás encherá qualquer reservatório em


que for colocado. Para uma dada massa ou sistema de gás, a pressão, a temperatura e o
volume envolvente relacionam-se pela lei do gás, isto é, a equação apropriada do estado do
gás.

2.3 Sistema de Unidades aplicadas aos Fluidos

Os sistemas de unidades sempre variam de um país para o outro causando


transtornos, mesmo depois que foram feitos acordos internacionais, assim como em 1872, que
onde foi realizada uma reunião internacional na França onde se propôs um tratado chamado
Convenção Métrica que foi assinada em em 1875 por 17 países, inclusive os EUA.
Posteriormente, persistiram algumas divergências, por causa de alguns países que
diferiram no uso de quilogramas-força em vez de dinas ou newtons, quilogramas em vez de
gramas, ou calorias em vez de joule.
Com o intuito de unificar o sistema métrico, uma Conferência Geral de Pesos e
Medidas realizada em 1960 por 40 países propôs o Sistema Internacional de Unidades (SI).
Para White (2002) no momento “estamos passando por um doloroso período de transição para
o SI, um ajuste que pode levar ainda muitos anos para se completar”. Atualmente a maioria
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dos países exige o uso das unidades do SI, os Estados Unidos são o único pais importante que
não exige o uso das unidades do SI.
Porém as unidades do SI são as preferidas e usadas internacionalmente,
atualmente existe um programa de conversão, na maioria das indústrias, para utilização do SI,
seguindo esta tendência usa-se predominante as unidades do SI nos Brasil e na maioria das
bibliografias.
Ao trabalhar com fluidos utilizam-se quatro dimensões primarias das quais todas
as outras dimensões podem ser derivadas, White (2002) define quatro dimensões primárias
massa, comprimento, tempo e temperatura, e fala que deve ser incluída uma quinta dimensão
apenas se os efeitos eletromagnéticos são importantes, no caso a corrente elétrica {I} que a
unidade no SI é o ámpere (A). Essas dimensões e as suas unidades em ambos os sistemas são
dados na Tabela 1.

TABELA 1
Dimensões Primárias nos sistemas SI e no BG

Dimensão Primária Unidade no SI Unidades no BG


Massa {M} Kilograma (kg) Slug
Comprimento {L} Metro (m) Pé (ft)
Tempo {T} Segundo (s) Segundo (s)
Temperatura {  } Kelvin (K) Rankine (ºR)
FONTE - WHITE,2002,p.4.

As variáveis em mecânica dos fluidos podem ser expressas em termos, os


colchetes ao redor do símbolo como em {M} na TABELA 1, representa a dimensão da massa,
assim como acontece com as outras variáveis da mecânica dos fluidos.
A partir das quatro dimensões primárias ocorrem derivações que resultam em
algumas variáveis secundárias, TABELA 2 aplicadas constantemente aos fluidos. Outras
unidades aceitáveis são o hectare (ha), que vale 10 000 m², usado para grandes áreas; a
tonelada métrica (t), que corresponde a 1 000 kg, usada para grandes massas; e o litro (l) que
vale 0,001 m³.

TABELA 2
Unidades Derivadas

Quantidade Dimensão Unidades SI Unidades Inglesas

Área A L² m² ft²
Volume V L³ m³ ft³
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Velocidade V L/T m/s Ft/s


Aceleração a L/T² m/s² Ft/s²
Velocidade Angular ω 1 1 1
T s s
Força F ML/T² Kg.m/s² Slug-ft²
N (Newton) lb (libra)
Massa Especifica ρ M/L³ Kg/m³ Slug/ft³
Peso Especifico γ M/L²T² n/m³ Lb/ft³
Freqüência f 1 1 1
T s s
Pressão p M/LT² N/m² Lb/ft²
Pa (Pascal)
Tensão τ M/LT² N/m² Lb/ft²
Pa (Pascal)
Tensão Superficial σ M/T² N/m Ft/lb
Trabalho W ML²/T² N.m Ft-lb
J (joule)
Energia E ML²/T² N.m Ft-lb
J (joule)
Taxa transferência de calor ML²/T³ J/s Btu/s
Q
Torque T ML²/T² N.m Ft-lb
Potencia P ML²/T³ J/s Ft-lb/s
W (watt)
Viscosidade µ M/LT N . s/m² Lb-s/ft²
Escoamento de massa m M/T Kg/s Slug/s
Taxa de escoamento L³/T m³/s ft³/s
(vazão) Q
Calor Especifico c L²/T²Θ J/kg . K Btu/slug-ºR
Condutividade K ML/T³Θ W/m . K Lb/s-ºR
FONTE – POTTER,WIGGERT,2004,p.4.

A massa especifica é ocasionalmente expressa como grama por litro (g/l). Nos
cálculos químicos o mol é, muitas vezes, mais conveniente que o quilograma. Em alguns
casos ele é útil na mecânica dos fluidos. Para gases o quilograma-mol (kg-mol) é a quantidade
que preenche o mesmo volume que 32 quilogramas de oxigênio à mesma temperatura e
pressão.

2. 4 Descrição euleriana e lagrangiana

Para analisar os problemas em mecânica utiliza-se de dois pontos de vistas: a


método euleriana e lagrangiana. Contudo o mais utilizado em mecânica dos fluidos é o que se
preocupa com o campo de escoamento, chamado de método euleriano de descrição, onde
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calcula-se o campo de pressão p(x,y,z,t) do padrão de escoamento, não sobre as variações de


pressão p(t) que a partícula experimenta quando ele se move no campo. A descrição
langrangiana segue uma partícula individual movendo-se no fluido e é mais apropriada, sendo
mais apropriada aos sólidos.
As medidas fluidodinâmicas são bem adaptas ao sistema euleriano, como
exemplifica White (2002):
“Quando uma sonda de pressão é introduzida em um escoamento em laboratório,
ela é fixada em uma posição especifica (x,y,z). Sua resposta contribui assim para a
descrição no campo euleriano de pressão p(x,y,z,t). Para simular uma medida
langranriana, a sonda deveria mover-se a jusante com as velocidades das
partículas de fluido.”(WHITE,2002).
Assim comprova-se que para estudo de problemas envolvendo fluidos é aplicável
a descrição euleriana em função da pressão.

2.5 Propriedades dos fluidos

2.5.1 Densidade

A densidade de um corpo é um número absoluto que representa a relação do peso


do corpo para o peso de um igual volume de uma substância tomada com padrão, no caso de
líquido a água é a referencia e o ar no caso dos gases.
Com isso pode-se aplicar as seguintes equações onde, d é a densidade, e ρ a massa
especifica.

 gás  gás
d gás  
 ar 1,205kg / m ³
(2)
 líquido  líquido
d líquido  
 água 998kg / m ³

2.5.2 Viscosidade

A viscosidade de um fluido pode ser considerada como a propriedade que


determina o grau de sua aversão à força cisalhante, definida preliminarmente à interação entre
as moléculas de um fluido.
Portanto, a viscosidade “é uma medida da resistência do fluido ao cisalhamento
quando o fluido se move, lembrando que um fluido não pode resistir ao cisalhamento sem que
se mova, como o que pode um sólido.” (HUGHES;BRIGTON,1979,p.4).
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O fluido entre duas placas de grande tamanho, em movimento relativo tem perfil
de velocidade linear, assim não existe deslizamento entre o fluido e as placas, ou seja em uma
interface entre um fluido e um sólido , a velocidade do fluido deve ser a mesma que a do
sólido.

FIGURA 2 – Escoamento entre placas paralelas ilustrando a viscosidade. Um pequeno elemento


mostra a tensão de cisalhamento.
FONTE - HUGHES;BRIGTON,1979,p.4.

Considerando-se um pequeno elemento do fluido, como na FIGURA 2, a tensão


de cisalhamento τ na parte superior pode ser escrita:
u
 
y

(3)
Onde µ - a viscosidade – é a constante de proporcionalidade entre a tensão de
cisalhamento e o gradiente de velocidade. As unidades da viscosidade são obviamente lb-s/pé²
em unidades inglesas ( ou força-tempo/área). A relação entre a viscosidade e a massa
especifica ρ é chamada viscosidade cinemática e é usualmente indicada por v.
A relação entre a tensão de cisalhamento e gradiente de velocidade é considerada
como relação newtoniana, seguem a Lei de Newton. Os fluidos que obedecem esta relação
são chamados de fluidos newtonianos como o ar, a água e o óleo. Já os fluidos não
newtonianos, com relações de tensão de cisalhamento versus a taxa de esforço muitas vezes
tem um composição molecular complexa.
Os fluidos dilatantes (areia movediça, polpas) ficam mais resistentes a movimento
com o aumento da taxa de tensão e os pseudoplásticos ficam menos resistentes ao movimento
com o aumento da taxa de tensão.
Plásticos ideais requerem uma tensão mínima de cisalhamento para haver
movimento.A relação entre a tensão e a taxa de deformação de uma fluido pode ser melhor
compreendida através da FIGURA 3:
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FIGURA 3 – Fluidos Newtonianos e não newtonianos.


FONTE – POTTER;WIGGERT,2004,p.13.

Conforme Potter e Wiggert (2004) um efeito importante da viscosidade é provocar


a aderência do fluido à superfície, que conhecido como uma condição de não-escorregamento.
A viscosidade é dependente da variação de temperatura tanto nos gases como nos
líquidos, como aponta Giles (1978):

A viscosidade nos líquidos decrescem com o aumento de temperatura mas não


são afetados apreciavelmente pelas variações de pressão, já a viscosidade
absoluta de gases aumenta com o aumento de temperatura mas não sofre
alterações apreciáveis devidas à pressão. (GILES,1978).

Uma vez que o peso especifico dos gases varia com a variação de pressão
(temperatura constante), a viscosidade cinemática varia inversamente com a pressão. De
acordo com a equação:

g  wv (4)

2.5.3 Compressibilidade

Com as mudanças de pressão nos fluidos ocorre a deformação, ou seja, todos os


fluidos se comprimem se aumenta a pressão e consequentemente sua massa especifica
também aumenta.
O coeficiente de compressibilidade (módulo de elasticidade volumétrica), é
definido como a razão da variação da pressão (Δp), pela mudança da massa específica (Δρ/ρ),
enquanto a temperatura permanece constante. A compressibilidade tem as mesmas unidades
da pressão.
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2.5.4 Tensão Superficial

Quando há uma molécula no interior de um líquido, ela está mercê de forças que a
atraem por todas as direções, e o vetor dessas forças é nulo. Entretanto se uma molécula está
na superfície de um líquido, então ela é solicitada para o interior do líquido por uma força de
coesão que é perpendicular à superfície do mesmo necessitando de certo trabalho para
deslocar as moléculas dessa força oposta.
O termo tensão superficial é utilizado para identificar a tensão aparente na camada
superficial de um líquido, essa camada comporta-se como uma membrana distendida e pode
ocasionar uma diferença de pressão através de uma superfície líquida curva, como descreve
Brighton e Hughes (1979).
As unidades da tensão superficial são as de força por comprimento N/m ou lb/ft. A
força da tensão superficial resulta do comprimento multiplicado pela tensão superficial, sendo
o comprimento do fluido em contato com o sólido.
Pode-se analisar o efeito da tensão superficial na FIGURA 4 , onde aparece os
diagramas do corpo livre da metade de uma gotícula e metade de uma bolha.

FIGURA 4 – Forças Internas em (a) uma gotícula e (b) em uma bolha


FONTE – POTTER;WIGGERT,2004,p.15.
A gotícula tem uma superfície e a bolha é composta de uma filme fino de liquido
com uma superfície interna e uma externa. As pressões podem ser calculadas dentro da
gotícula e da gota. A força da pressão, pπR², gotícula equilibra com a força de tensão
superficial em volta da circunferência. Então,

pR ²  2R
2
p
R (5)

Igualmente, a força de pressão na bolha é equilibrada pelas forças da tensão


superficial das duas circunferências, assim,
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pR ²  2(2R )
4
p
R (6)
Com as equações pode-se concluir que a pressão interna em uma bolha é duas
vezes a pressão da gota com o mesmo tamanho.

2.5.5 Pressão

A pressão em um fluido é transmitida com igual intensidade em todas as direções


e atua normalmente à qualquer plano. Em um mesmo plano horizontal as intensidades de
pressão em um líquido são iguais.
Quando há pressão num “fluido estático (estacionário) é definida como a força de
compressão normal por unidade de área (tensão normal) que atua sobre uma superfície imersa
no fluido” (Hughes;Brigton, 1979,p.4).
O que não acontece em uma situação dinâmica ( quando o fluido se move) onde
pode não existir apenas força de pressão no fluido, mas também de cisalhamento ou tensões,
assim a pressão deve ser medida como a tensão normal sobre uma área que se move
localmente com o fluido.
White (2002) define o seguinte, que junto com a velocidade, a pressão p é a mais
importante variável em mecânica dos fluidos.
2.5.5.1 Pressão a vapor

A pressão de vapor acontece quando a pressão parcial criada pelas moléculas de


vapor acontece quando a evaporação ocorre dentro de um espaço fechado. A pressão de vapor
depende da temperatura e aumenta com ela.
Segundo Potter e Wiggert (2004) a pressão de vapor é altamente dependente da
pressão e da temperatura, ou seja ela aumenta significativamente quando a temperatura
aumenta. A pressão de vapor da água aumenta a 101,3 kPa (14,7 psi) se a temperatura chegar
a 100ºC (212ºF).

2.5.6 Peso Específico


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O peso específico de um fluido, é designado por γ, e é o seu peso por unidade de


volume. Igualmente a uma massa que tem um peso P = mg, massa especifica e peso específico
são simplesmente relacionados pela gravidade:
  g (7)
As unidades de γ são de peso por unidade de volume, em N/m³. O peso espeíifico
é muito útil nas aplicações de pressão hidrostática, um ramo da mecânica dos fluidos.

2.5.7 Massa Específica

A massa específica de fluido é designada por ρ, e é sua massa por unidade de


volume. A massa especifica é altamente variável em gases e aumenta quase
proporcionalmente ao nível de pressão, em líquidos é quase constante. Assim a maioria dos
escoamentos de líquidos é tratada analiticamente como aproximadamente “incompressível”.

2.5 Escoamento

Há algumas definições básicas que são aplicadas ao de escoamento de fluido para


melhor acepção, a seguir serão definidas algumas propriedades assumidas pelo o escoamento
dos fluidos nas mais diversas situações.
2.5.1 Escoamento ideal

O fluido que não tem viscosidade e não escoa de maneira turbulenta é chamado de
fluido ideal, ou melhor o escoamento é dito ideal. O escoamento ideal não tem atrito interno e
assim não há nenhuma perda ou dissipação interna.
Contudo não existem fluidos ideais, mas sim alguns que em determinadas
circunstâncias aproximam-se bastante de condições ideais, e assim são considerados como tal.

2.5.2 Escoamento laminar e turbulento

As denominações de escoamentos laminares e viscosos puros são usadas como


sinônimos para indicar um escoamento que se processa em laminas ou camadas, em
contraposição ao escoamento turbulento no qual as componentes de velocidade sofrem
flutuações aleatórias impostas a seus valores médios.
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Na FIGURA 5 pode-se observar a diferenciação entre o escoamento laminar e o


escoamento turbulento através das linhas de corrente mostrada.

FIGURA 5 – Escoamento laminar e turbulento. As linhas indicam trajetórias das partidas


FONTE - HUGHES;BRIGTON,1979,p.7.

A determinação se o escoamento é laminar ou turbulento do fluido se dá através


da velocidade e a configuração do canal (tamanho). À medida que aumenta a velocidade, o
escoamento passará de laminar para turbulento, atravessando um regime de transição.
Apesar de que na natureza pode se encontrar escoamento laminar e escoamento
turbulento, o escoamento turbulento é mais comum. Os efeitos da viscosidade estão sempre
presentes no escoamento turbulento, mas usualmente estão mascarados pelas tensões de
cisalhamento dominantes.

2.5.3 Escoamento Compressível e Incompressível

Os fluidos são basicamente divididos em dois grupos: gases e líquidos. Os gases


são compressíveis e sua massa especifica varia realmente com a temperatura e a pressão.
Os líquidos por sua vez, são difíceis de comprimir e para a maioria dos problemas
pode-se considera-los incompressíveis, mas em situações como a propagação do som nos
líquidos é necessário considerar sua compressibilidade.

2.5.4 Escoamento subsônico e supersônico

Ao analisar o escoamento compressível existe uma grande distinção entre os


escoamentos com velocidades inferiores à sônica (subsônicos) e as com velocidades
superiores à sônica (supersônico). Lembrando que a velocidade do som no ar nas CNTP é
cerca de 1.080 pés/s ou 810 milhas/s.
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O número de Mach, M, “é a medida de velocidade relativa e é definido pela


relação entre as velocidades do fluido e do som no local onde V é a velocidade do fluido e a a
velocidade local do som.”BRIGTON, HUGHES (1979)

M V /a (8)
Na equação 4 para M<1, o escoamento é subsônico e quando M>1, é supersônico.

2.5.5 Escoamento permanente

Pode-se definir o escoamento permanente como aquele que a velocidade e as


propriedades termodinâmicas do fluido não variam com o tempo. Assim o escoamento
permanente significa inexistência de mudanças como tempo em um ponto do espaço.
Detalhe importante consiste em o fluido ter aceleração num ponto de espaço e o
escoamento ser permanente Uma partícula fluida pode estar movendo mas em qualquer ponto
particular do espaço ela se comporta como outra partícula fluida que lá estivesse.

2.5.5 Classificações físicas e tipos de escoamento

Há muitas maneiras de se classificar escoamentos, após a definição concisa de


cada escoamento, conforme a categorização física do escoamento permite classifica-lo em
grupos, fundamentalmente existem dois tipos de escoamento ou região espaciais ocupadas por
um fluido: são escoamentos externos e internos.
No escoamento externo o fluido está em torno de um objeto, como na
aerodinâmica. A região de escoamento em torno deste objeto pode ser dividida em três sub-
regiões. O escoamento que é afastado do corpo é ideal, não tendo importância o atrito.
Próximo ao corpo o fluido desenvolve uma camada onde a viscosidade e/ou a
turbulência são importantes, essa região é chamada de camada limite e pode ser laminar ou
turbulenta. Um terceira região ocorre por trás do corpo, chamada de esteira , geralmente um
região de alta turbulência e baixa pressão.
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FIGURA 6 – (a) Camada limite e separação sobre um cilindro


(b) Escoamento ideal
FONTE - HUGHES;BRIGTON,1979,p.7.

Através da FIGURA 6 pode-se observar o escoamento em torno de um cilindro


com sua esteira, que decorre da separação da camada limite da superfície do corpo (a), e a
região de escoamento ideal atrás do corpo, mas fora da esteira (b).

2.6 Escopo da mecânica dos fluidos

Os fluidos estão relacionados a quase todo trabalho humano. A aplicação quase


intuitivamente de fluidos é comum nas mais diversas áreas do conhecimento, na
meteorologia, a oceanografia física e hidrologia estão relacionadas com escoamentos que
ocorrem naturalmente, assim como os estudos médicos da respiração e da circulação
sanguínea. A atmosfera e o clima são governados pela dinâmica dos fluidos.
Todos os problemas de transporte envolvem movimento de fluido, com
especialidades bem desenvolvidas em aerodinâmica de aeronaves e foguetes e em
hidrodinâmica de navios e submarinos. Quase toda a nossa energia elétrica é desenvolvida a
partir do escoamento de água ou a partir doe escoamento de vapor por meio de turbinas
geradoras. Todas máquinas precisam ser lubrificadas, o lubrificante é um fluido.
A combustão envolve questões fundamentais de movimento de fluido, assim
como os problemas mais clássicos irrigação, controle de inundação, abastecimento de água,
disposição de esgoto, movimento de projetis, oleotudos e gasodutos.
É de fato difícil pensar em máquina, dispositivo ou ferramenta que não envolva
fluido ou algo de mecânica dos fluidos em seus projetos. Bombas, ventiladores, motores a
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jato, foguetes, turbinas a gás são principalmente máquinas de fluidos.Os aviões e navios
movem-se através de fluidos.
Neste contexto o interesse da engenharia pelo aperfeiçoamento de dispositivos
úteis para a humanidade raramente se afasta dos fluidos, fazendo com que o estudo completo
sobre o intuito e aplicações da mecânica dos fluidos seja feito pelos estudantes de engenharia
para futuras aplicações.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Independente da complexidade dos fenômenos e dispositivos estudados, os


conceitos básicos de mecânica dos fluidos aplicam-se. Ao longo dos tempos o homem, por
perceber a utilização de fluidos naturalmente em sua vida, aprofundou os estudos sobre
fluidos e evolui as aplicações em sistemas que melhorariam sua qualidade de vida.
Atualmente a aplicação de fluidos está presente na maioria dos dispositivos usados pela
humanidade.
A presença de gases e líquidos está por toda parte, e a compreensão fundamental
de suas propriedades essenciais, como escoamento, viscosidade, tensão, pressão, é
imprescindível para análise e observação para estudos em ciência moderna e engenharia
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GILES, Ronald V. Mecânica dos fluidos e hidráulica. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil,
1976.

HUGHES, William F; BRIGHTON, John A. Dinâmica dos fluidos. São Paulo: McGraw-Hill
do Brasil, 1979.

POTTER, Merle C. [et al].Mecânica dos fluidos. 3 ed. São Paulo: Pioneiro Thomson
Learning, 2004.

WHITE, Frank M.. Mecânica dos fluidos. 4. ed. Rio de Janeiro: Mc Graw-Hill, 2002..