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Ficha 1 · Cantigas de amigo

Lê atentamente a cantiga que se segue.

Bailemos nós já todas três, ai amigas,


so1 aquestas2 avelaneiras frolidas3;
e quen for velida4, como nós, velidas,
se amigo amar,
5
so aquestas avelaneiras frolidas
verrá5 bailar.

Bailemos nós já todas três, ai irmanas,


so aqueste ramo destas avelanas;
e quen for louçana6, como nós, louçanas,
10 se amigo amar,
so aqueste ramo destas avelanas
verrá bailar.
1. sob;
7 2. estas;
Por Deus, ai amigas, mentr’ al non fazemos , 3. floridas;
so aqueste ramo frolido bailemos; 4. bela, formosa;
5. virá;
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e quen ben parecer, como nós parecemos, 6. formosa;
se amigo amar, 7. mentr’ al non fazemos: enquanto
não fizermos outra coisa;
so aqueste ramo sol que8 nós bailemos, 8. sol que: sob o qual ou assim que.
verrá bailar.

Airas Nunez de Santiago ou Airas Nunez (CV 462, CBN 818),


in FERREIRA, Maria Ema Tarracha, 1991. Antologia Literária Comentada
– Idade Média. 5.ª ed. Lisboa: Ulisseia (pp. 90-91) (1.ª ed.: 1975)

Apresenta, de forma bem estruturada, as tuas respostas ao questionário.


1. A cantiga inicia-se com um convite, repetido ao longo das estrofes.
1.1. Explicita-o e transcreve os vocativos que identificam o seu destinatário.
2. Caracteriza o sujeito poético, comprovando as tuas afirmações com elementos textuais.
3. Esclarece a relação estabelecida entre a(s) figura(s) feminina(s) e a Natureza e destaca a
função atribuída a esta última no universo amoroso.
4. Descreve formalmente o poema, no que diz respeito a:

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a. estrofe; c. rima; e. refrão.
b. métrica; d. paralelismo;

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5. Refere três características temáticas e/ou formais que fundamentam a inclusão do poema no
género das cantigas de amigo.

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Ficha 2 · Cantigas de amor
Lê com atenção a cantiga que se segue.

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Se eu podesse desamar Mais rog’ a Deus que desempar3
a que[n] me sempre desamou, a quen m’ assi desemparou,
e podess’ algun mal buscar vel4 que podess’ eu destorvar5
a quen me sempre mal buscou! a quen me sempre destorvou.
5
Assi me vingaria eu, E logo dormiria eu,
se eu podesse coita dar 20
se eu podesse coita dar
a quen me sempre coita deu. a quen me sempre coita deu.

Mais1 non poss’ eu enganar Vel que ousass’ eu preguntar


meu coraçon, que m’ enganou, a quen me nunca preguntou,
10
por quanto me fez desejar por que me fez em si cuidar6,
a quen me nunca desejou. 25
pois ela nunc’ en mi cuidou.
E por esto non dormio2 eu, E por esto lazeiro7 eu,
porque non posso coita dar porque non posso coita dar
a quen me sempre coita deu. a quen me sempre coita deu.

Pero da Ponte (CA 289, CV 567, CBN 923), in FERREIRA, Maria Ema Tarracha.
Antologia Literária Comentada – Idade Média. 5.ª ed. Lisboa: Ulisseia (pp. 49-50) (1.ª ed.: 1975)

1. Mas;
2. durmo;
3. desampare, abandone;
4. ou;
5. incomodar, perturbar;
6. pensar;
7. aflijo-me, lastimo-me.

Apresenta as respostas às perguntas de forma bem estruturada.


1. Sintetiza o desejo manifestado pelo “eu” ao longo da cantiga, referindo os motivos que o
determinam.
2. Propõe uma divisão fundamentada do poema em partes, atendendo ao desenvolvimento do
seu assunto.
3. Aponta dois dos traços de carácter da mulher apresentada pelo sujeito poético, confirmando
as tuas asserções com elementos textuais.
4. Destaca a expressividade do jogo de tempos verbais nas duas variantes do refrão.
5. Comprova a classificação do poema como cantiga de amor.

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