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PROVA 1ª AVA: DIREITO PENAL I

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE (Legalidade = Anterioridade + Reserva Legal)


CP: Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal.
Este princípio, quem vem do latim, estabelece que uma conduta não pode ser considerada criminosa se antes de sua
prática não havia lei nesse sentido. Subdivide-se em Reserva Legal e o da Anterioridade da Lei Penal.
Princípio da Reserva Legal: estabelece que SOMENTE LEI (EM SENTIDO ESTRITO) pode definir condutas criminosas e
estabelecer penas. Assim, somente a Lei (editada pelo Poder Legislativo) pode definir crimes e cominar penas.
• O princípio da reserva legal implica a proibição da edição de leis vagas, com conteúdo impreciso.
• Em razão da reserva legal, em Direito Penal é proibida a analogia em desfavor do réu. Assim, não pode o Juiz criar uma
conduta criminosa não prevista em lei, com base na analogia.
Princípio da anterioridade da Lei penal: estabelece que não basta que a criminalização de uma conduta se dê por meio
de Lei em sentido estrito, mas que esta lei seja anterior ao fato, à prática da conduta.
O princípio da anterioridade da lei penal culmina no princípio da irretroatividade da lei penal. Entretanto, a lei penal pode
retroagir quando ela beneficia o réu.

PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA


CF: Art. 5º XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes.
A individualização da pena é feita em três fases distintas: Legislativa, judicial e administrativa.
Legislativa: se dá através da cominação de punições proporcionais à gravidade dos crimes, e com o estabelecimento de
penas mínimas e máximas, a serem aplicadas pelo Judiciário, de acordo com o fato e as características do criminoso.
Judicial: se dá através da cominação de punições proporcionais à gravidade dos crimes, e com o estabelecimento de
penas mínimas e máximas, aplicadas pelo Judiciário, de acordo com o fato e as características do criminoso.
Administrativa (execução da pena): questões como progressão de regime, concessão de saídas eventuais do local de
cumprimento da pena e outras, serão decididas pelo Juiz da execução penal também de forma individual, de acordo com
as peculiaridades de cada detento.

PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO PENAL


Princípio da Reserva Legal ou da Legalidade – Sem legislação específica não há crime. É uma forma de limitação do poder
punitivo do Estado (Art. 5º, inciso XXXIX da CF/88 e Art. 1º do Código Penal Brasileiro).
Princípio da Intervenção – Limita o poder de atuação do Estado. O direito punitivo só será aplicado em observância ao
princípio da reserva legal, com o fim social de impedir o legislador de se exceder na construção do Direito Penal aplicável.
Princípio da intervenção mínima – O Direito Penal só deve ser aplicado quando estritamente necessário (ultima ratio).
Sua intervenção fica condicionada ao fracasso dos demais ramos (caráter subsidiário) observando somente casos de
relevante lesão/Perigo ao bem tutelado (fragmentariedade). A criminalização de uma conduta só se legitima se for meio
necessário para a proteção de determinado bem jurídico.
Princípio da Irretroatividade da Lei Penal – A lei penal só pode retroagir para beneficiar. Com isso, fica afastada a
possibilidade de uma lei nova (mais rígida) prejudicar fatos pretéritos. A retroação só pode acontecer se a lei nova for
mais benigna ao agente do delito (Art. 5º, XL da CF/88).
Princípio da Insignificância – Aferida a irrelevância de uma conduta delituosa, ou sua insignificância (por exemplo a
apropriação de bagatelas), deve ser excluída sua tipicidade penal.
Princípio da Ofensividade (ou Lesividade) – Aplicado na elaboração das leis, cuida de prevenir um ataque ou perigo
concreto sobre um bem tutelado pelo Estado. Esse princípio protege o interesse social tutelado pelo Estado de um perigo
de lesão ou ofensa.
Princípio da proporcionalidade – Cabe ao Estado dar a seus cidadãos um mínimo de proporcionalidade entre a garantia
de seus direitos. Segundo esse princípio, o sistema penal se firma na sua capacidade de fazer frente aos delitos existentes
em um meio social que absorva sua eficácia.
Princípio do “in dubio pro reo” – Na dúvida, o réu deve ser absolvido, pois no direito penal a culpa tem que ser
comprovada, não cabendo suposição de prática de ato delituoso.
Princípio da Alteridade – Não ofendido nenhum bem jurídico por ato meramente subjetivo, não existe crime. Como
exemplo, a autoagressão contida no suicídio.
PRINCÍPIOS RELACIONADOS COM O AGENTE DO FATO.

• Responsabilidade pessoal – proíbe-se castigo penal pelo fato de outrem.


• Responsabilidade SUBJETIVA – não basta que o fato seja materialmente causado pelo agente. Condiciona-se à
voluntariedade (dolo ou culpa).
• Culpabilidade – limitação do direito de punir. Só o estado pode impor sanção penal ao agente imputável (penalmente
capaz), com potencial consciência da ilicitude, podendo agir de outra forma.
• Igualdade - demanda tratamento análogo aos iguais e desigual aos desiguais, o que explica diplomas que constituem
ações afirmativas (Lei Maria da Penha – Lei 11.340/06 e Estatuto da Igualdade Racial – Lei 12.288/10), de modo que a
proteção por eles conferida é constitucional.
• Presunção da inocência ou não culpa – Artigo 5º, LVII CF. – Cumpre à acusação o dever de demonstrar a
responsabilidade do réu e não a este comprovar sua inocência (o ônus da prova é do titular da ação (indubio pro reo).
Prisão cautelar é medida excepcional.

PRINCÍPIOS RELACIONADOS COM A PENA

• Dignidade da pessoa humana – Veda-se pena cruel, desumana, indigna, degradante.


• Individualização da pena – art. 5º, XLVI – deve ser observada na definição, pelo legislador, do crime e sua pena;
imposição da pena pelo juiz e na fase de execução.
• Proporcionalidade – Implícito. Desdobramento lógico da individualização da pena. Para que a sanção cumpra sua
função, deve se ajustar á relevância do bem jurídico.
• Pessoalidade – Art. 5º XLV, CR/88 – desdobramento lógico dos princípios da responsabilidade penal individual,
responsabilidade subjetiva e culpabilidade.
• Vedação do bis in idem – Implícito na constituição e previsto no Estatuto de Roma, que criou o Tribunal penal
Internacional.

Divisão das Fontes de Direito Penal

Fontes materiais – Ente estatal responsável pela produção e pela exteriorização do Direito.
Fontes Formais – Forma e modo de exteriorização do Direito
• Fontes Formais Imediatas – As leis penais existentes. Conforme o princípio da legalidade, não há crime sem lei anterior
que o defina, nem pena sem prévia cominação legal.
• Fontes Formais Mediatas – Na omissão da lei, podem ser aplicados os princípios gerais de Direito, os costumes a
jurisprudência e a doutrina, os quais são fontes formais mediatas. Esses princípios estão autorizados por lei.

APLICAÇÃO DA LEI PENAL (Artigos 1º a 12 do CPB)

Vigência e Revogação da Lei Penal (Lei Penal no Tempo – Artigo 2º) – A lei penal começa a vigorar na data expressa em
seu bojo. Em caso de omissão, ela começa a vigorar quarenta e cinco dias após sua publicação, no País, e em três meses
no exterior (Vacância da Lei). A revogação da Lei Penal se opera com a edição de nova lei, e sua revogação pode se
efetivar total (ab-rogação) ou parcialmente (derrogação). A lei penal pode ser temporária (com prazo fixado de vigência),
ou excepcional (criada para ser aplicada em evento emergencial ou furtivo).

Tempo e Lugar do Crime (Artigo 6º)– Segundo a Teoria da Atividade, o crime sempre é cometido no momento da ação ou
omissão, com a respectiva aplicação da lei vigente. A lei penal brasileira utiliza dessa teoria, em conjunto com a teoria do
resultado (segundo a qual o crime é considerado cometido quando da produção do resultado) e com a teoria da
ubiquidade (segundo a qual considera-se o crime cometido, tanto no momento da ação ou omissão, quanto na produção
do resultado).
CONCEITO DE DIREITO PENAL

• Aspecto Formal / Estático: Direito Penal é o conjunto de normas que qualifica certos comportamentos humanos como
infrações penais, define os seus agentes e fixa sanções a serem-lhes aplicadas.

• Aspecto Material: O Direito Penal refere-se a comportamentos considerados altamente reprováveis ou danosos ao
organismo social, afetando bens jurídicos indispensáveis à própria conservação e progresso da sociedade.

• Aspecto Sociológico / Dinâmico (TJ/PR): direito penal é mais um instrumento de controle social visando assegurar a
necessária disciplina para a harmônica convivência dos membros da sociedade.

DIREITO PENAL CRIMINOLOGIA (CIÊNCIA PENAL) POLÍTICA CRIMINAL (CIÊNCIA PENAL

– Analisa os fatos humanos indesejados;


– Ciência empírica que estuda o
– Define quais devem ser rotulados – Trabalha as estratégias e meias de
crime, o criminoso, a vítima e o
como crime ou contravenção; controle social da criminalidade.
comportamento da sociedade.
– Anuncia as penas.

– Ocupa-se do crime enquanto fato


– Ocupa-se do crime enquanto norma. – Ocupa-se do crime enquanto valor.
social.

– Exemplo: quais fatores


– Exemplos: define como crimes lesão – Exemplo: estuda como diminuir a
contribuem para a violência
no ambiente doméstico e familiar. violência doméstica e familiar.
doméstica e familiar.

DIREITO PENAL: MISSÃO – Na atualidade, a doutrina divide a missão do Direito Penal em:
• MISSÃO MEDIATA
a) Controle Social: controle do cidadão;
b) Limitação ao Poder de Punir do Estado: controla o Estado.
Obs: Se de um lado o Estado controla o cidadão, impondo-lhe limites, de outro lado é necessário também limitar seu
próprio poder de controle, evitando a hipertrofia da punição.
• MISSÃO IMEDIATA
1ª Corrente: a missão do direito penal é proteger bens jurídicos essenciais para a convivência em sociedade (Roxin –
Funcionalismo teleológico).
2ª Corrente: a missão do direito penal é assegurar o ordenamento jurídico, a vigência da norma (Jakobs – Funcionalismo
sistêmico).

DIREITO PENAL OBJETIVO DIREITO PENAL SUBJETIVO

– Traduz o conjunto de leis penais em vigor no


– Refere-se ao direito de punir do Estado;
país;

– Exemplo: CP, Lei de Drogas, Lei de


Organização Criminosa.

Um não vive sem o outro

– Direito penal subjetivo positivo: capacidade de criar e executar


normas penais.
Obs: compete ao Estado.

– Direito penal subjetivo negativo: é o poder de derrogar normas penais


ou restringir seu alcance.
Obs: controle judicial das normas penais.
Cuidado: o direito de punir estatal não é absoluto / incondicionado / ilimitado.
LIMITES DO DIREITO DE PUNIR ESTATAL:
• QUANTO AO MODO:
(Canotilho) Mesmo nos casos em que o legislador se encontre constitucionalmente autorizado a editar normas restritivas,
permanecerá vinculado à salvaguarda do núcleo essencial dos direitos, liberdades e garantias do homem e do cidadão.

• QUANTO AO ESPAÇO:
Em regra, aplica-se a lei penal brasileira aos fatos ocorridos no território nacional.
“Art. 5º, C.P. – Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime
cometido no território nacional.” (Princípio da territorialidade)

• QUANTO AO TEMPO:
Em regra, por mais grave que seja o crime, ele prescreve, extinguindo o direito de punir do estado. A prescrição é limite
temporal ao direito de punir.
Existem casos excepcionais de imprescritibilidade.

Obs: O direito de punir é monopólio do Estado, ficando proibida a justiça privada.

Art. 345 – Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite:

Cuidado: há um caso que o Estado tolera a punição privada paralela à punição estatal:
EXCESSÃO: ESTATUTO DO ÍNDIO (art. 57 da Lei nº 6001/73)
“Art. 57. Será tolerada a aplicação, pelos grupos tribais, de acordo com as instituições próprias, de sanções penais ou
disciplinares contra os seus membros, desde que não revistam caráter cruel ou infamante, proibida em qualquer caso a
pena de morte.”

O TPI é exceção ao monopólio do direito de punir do Estado?


O TPI não representa exceção a exclusividade do direito de punir do Estado. O art. 1º do Estatuto de Roma consagra o
princípio da complementariedade, o TPI será chamado a intervir somente se e quando a justiça repressiva interna falhar,
se tornar omissa ou insuficiente.

Estatuto de Roma – Artigo 1º – O Tribunal – É criado, pelo presente instrumento, um Tribunal Penal Internacional (“o
Tribunal”). O Tribunal será uma instituição permanente, com jurisdição sobre as pessoas responsáveis pelos crimes de
maior gravidade com alcance internacional, de acordo com o presente Estatuto, e será complementar às jurisdições
penais nacionais. A competência e o funcionamento do Tribunal reger-se-ão pelo presente Estatuto.

DIREITO PENAL DE EMERGÊNCIA DIREITO PENAL PROMOCIONAL / POLÍTICO / DEMAGOGO

– Atendendo as demandas de criminalização, o


– O Estado, visando a consecução dos seus objetivos políticos, emprega
Estado cria normas de repressão ignorando
leis penais desconsiderando o princípio da intervenção mínima;
garantias do cidadão;

– Finalidade: devolver o sentimento de


– Finalidade: usar o direito penal para transformação social;
tranquilidade para a sociedade;

– Exemplo: Estado criando contravenção penal de mendicância


– Exemplo: Lei dos Crimes Hediondos –
(revogada) para acabar com os mendigos ao invés de melhorar políticas
sequestro do Abilio Diniz (pressão da mídia);
públicas;