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SUMARIO h 7 eapirutos, Jnsucesso escolar no Brasil do século — Um processo de exclusao social ‘ra. cnsaco roe oz oe jento escolar, resultados © ce nas — O insucesso escolar no {St ig oc enn ane Pads Alo soculo XX1 Tt eg no z asda ios da populacao brasileira — in funcional, niveis de #letramento(s) © dominio das elacies otras da eserita Wvimento de ak: no LETRAMENTO(S) Praticas de letramento em Uliferentes contextos Iavaoros es sols arts, econ, ‘eo una sti de mvestecto esta a5 rts leramente gal ams ‘il a8 posses cto cris. Latramento nao ¢ purse simplesmente um conjunto de abled induc &o contami de prétoes seit Iigedes@ trae @ exits cm gus on nv se ‘vate em se context sca Soar, 10872. Pado-eattmar que escola o mae importante da agencies de leiramenta, preccapase, nde com 0 ea tics socal, mas com apenas um ip de patio de Fetmmenta@ataetzago, proceso de agus gos oabeton, numeri proces gener Perebid em trmos do ume competence indi Ieee pore sceeo «pmo na eco Agencia ae ltament, como a fant «ree ger de tebe, mostra orentaoes de ketene AUfecentes einen 1095 20, [Nossa personagem, professora Dora, entra na sala de aula ‘hamada e em seguida pede a Tadeu que abrao livro na pagina’ ‘texto om voz alta — préticas de letramento | Josias, 22 anos, vestido com uma calga caqut esfarrapad ‘eamiseta regata branca cheia de buracos, aproxima-se de meu e ono sinal e pendura no espetho um saquinho de balas de {jue hd grampeado um bilhete com os seqjuintes dizeres: "So fila e estou desempregado. Vendo balas para sustentar mpre un saquinho. Somente RS 2,00", Lelo o bilhete = priticas de letramente, Suzana estd sem dinheiro vivo na cartera e precisa comp ‘as uma: ou vai ao caixa automatico e seque as inst ndo cécigos alfanuméricos para rotirar dinheio vivo, Afarmacia e usa ocartio de crélito ou de débito, 1a no terminal e digitando cide 4 comipra sem precisar do dinteiro — praticas de de atabaque num terrero de wmbanda de Sao Paulo, Renato Dias ficou int Fializando no primeiro cp de rap com as letras em tupi de que se tem no- lila. ‘Fiquet interessado na soneridade daquelas palavras, diz Renato, ‘que se prepara para langat, neste més, as misicas de ‘Kaumoda’, que, em ‘up, significa uma entidade espirtual maligna, O projeto 6 foi posivel sagas @ uma inusitada mistura de um terreiro de umbanda com o rigor ‘cadémico da Universidade de Séo Paulo"! — préticas de letramento ‘Mas afinal que conceito 6 esse to complexa e diversificado que re- ‘obre desde @ leitura escolar em vor alta de um texto escrito até um co Ale rap em tupi, assessorado par um professor da USP, passando pelo uso Ale meios eletronicos e digitais? ‘Como dlz Kleiman (1995: 15-16), “o coneeito de letramento come- pv a ser usado nos meios académicos numa tentativa de seperar os sludos sobre o “impacto social da eserita’ (Kleiman, 1989) dos estudos ire a alfabetizagao, cujas conotagoes escolares destacam as compe- ncias individuais no uso e na prética da escrita”® Usamos até aqul o conceito de alfabetismo para designar 0 conjunto ‘competéncias e habilidades ou de capacidades envolvidas nos atos i eitura ou de escrita dos individuos, conjunto esse que se diferencia Particulariza de um para outro individuo, de acordo com sua histéria praticas sociais, e que pode, como vimos, ser medido e definido por eis de desenvolvimento de leitura ¢ de eserita, como fazem o INAF ¢ Allobetismo 6 um conceito bem mals antigo. Segundo Ribeiro (1967: 145), ‘9 tormo alfabetismo funcional fot cunhado nos Estados Unidos na décade ‘de 1930 uiizat pel exéretonorte-americano durante a Segunda Guer 4, indicando a capacdaco do entendernstrogdes exerts necessiris para ‘realizagao de tetas militares (Castel, Luke & MacLennan, 1805) A par Hirde entao, otermo passou a sor utlizade para designar a capacidade de i ips www flha ol. com.b/otha/snensein/eohnanigt961106.m, “arab utilizar aJitura a escita para ins pragmaticos, em contents cot ‘domestica ode trabalho, muitas vezes colocado em conraposic 4 concep mais tradicional eacedémica, Entlo, podemos dizer que as prticas sociais de letramento que ex ‘comos nos diferentes contexts de nossas vidas vao constituindo _iveis de alfabetismo ou de desenvolvimento de letura ede escia d ‘elas, as préticas escolares, Mas néo exchusivamente, como mostram s0s exomplos. E possivel ser néo escolarizado @ analfabeto, mas pa sobretudo nas grandes cidades, de priticas de letramento, sendo, letrado de uma certa maneira, Nada exclu, por exemplo, que Jos ‘nosso segundo exemplo, nunca tenha frequentado a escola @ sea fabeto, tendo pedido para alguém escrever e imprimir os bilhetes.. assim, ele recorre a prticasleradas em suas vendas, cobra e faz 0 Podemes também dizer que, nos textos e pesquisas da década d 1o Brasil, allabetismo ¢ letramento (assim, no singular) recobriram cados muito semelhantes e préximes, sendo, por vezes,usades ini ‘mente ou como sindnimos nos textos, Soares (2003 [19%5} 41), por chega a afirmar que “o neclogismo [letramento] parece desnc ‘que a palavra vernéculaalfabetism [. tem o mesmo sentido de It ‘Como se ve, 0s varios sentidos da palavra literacy em inglés (lt letramento, aifabetismo) tém um papel nessa aparente sinonimia No entanto, vale a pena insistr na distingio: o tormo all tem um foco individual, bastante dtado pelas capacidades e co ‘as (cognitivas e lingutsticas) escolares ¢ velorizadas de le ta (letramentos escolares e académicos), numa perspective ph fenquanto o termo letramento busca recobrir 08 usos e pri de linguagem que envolvem a eserita de uma ou de outra m jam eles valorizados ou nao valorizades, locais ou globais, contextos sociais diversos (familia, igre, trabalho, midi ‘numa perspective sociol6gica, antropologica e sociocal Isso ficou bastante mais claro para 0s estudiosos partir da obra divisora de dguas de Street (1984), que ‘studos do lotrament (na/s) ¢ que foi di por Kleiman (1995), Nela, Street ques do letramento nos estudos, para os quais ele escolheu as deno nagbes de enfoque autdnomo e enfoque ideoldgico do letramento' ‘Segundo Street (1993: 5), o enfoque cuténomo vé o ltramento lermos téenicos,tratando-o como independonte do contexto social variavel autonoma cujas consequéncias para asociedade ea cognigi} derivadas de sua natureza intrinseca”, Ou soja, o contato (escola) ‘Teitura ea escrta, pela propria natureza da escita, feria com que «lividuo aprendesse gradualmente habilidades que o levariam a universals de desenvolvimento (niveis) Eo que, até aqui, deno hiveis de alfabetismo, E é 0 que Bartlett (2003: 68) qualifica de 0 dia educagao a partir do enfoque auténomo, no qual ssas ha resultasiam "no pensamento racional individual, no desenvolNl {electual, no desenvolvimento socal e na mobilidade econémica”, ‘Ao contrério do modelo autdnamo dominant, 0 enfoque idea * v6 as prticas deletramento como indisoluvelmente igadas is flturas de poder da sociedade e reconhece a variedade de prati Joris associadas letra e&eserta em diferentes contextos" (Str 7).0 “significado doletramento" varia através dos tempos e das Alontzo de uma mesma cultura. Por isso, priticas tio diferentes ef tao diferenciades, sao vistas como leramento, embora diferen orizaiase designando a seus participantes poderes também di Outra distingSo interessante, ligada a reflexao de Stet ( ta por Soares (1998), quando fala de uma vorsio fraca e de 6 forte do conceito de letramento. Para ela, a versio traca do} Jetramento, que estaria ligada ao enfoque auténomo, &( nia ligada 4 mecanismos de adaptagao da populagi as @ exigéncias socais do uso de letura o eserita, para dado, uma visto adaptativa que est na raiz doe 10 tunel 4Jd.a versio forte do letramento, para Soares (1998), mais préxit Aly enoque ideotogico e da visto paulo-treiriana de alfabetizagéo, se Jevolucionara, critica, na medida em que colaboraria nao para a ad pho do cidadio as exigéncias sociais, mas para o resgate da autoas Mi, para a construgio de identidades forts, para a potencializacio. Peleros (empoderamento, empowerment) dos agentes social, em Tamnenie istnaiges earns as Latent, nema perp lve, © compatinca equa prs paca nese doi io peteindos” (Olson, 198 274 tase dina) "or que Grsiam ecsiments svi panera como ed io, do protien izes as’ main vara. tinge! xexlSEFMEC, 108 1, ot asia flta local, na cultura valorizada, na contra-hegemonia global (So js, 2005), Para tanto, lava em conta os miitiplos letramentas, so Valorizados ou nao, globais ou locals, Be acondo coma dscussio feta sabre os enfoque dots) ltramanta() fio quatro com 98 cagBes aban, avaiand em qual nha © col cara cad ume das cases: rea wea. Poricpr Ge quasquer coma be que qulquer nace ot organiza © tr de um copa Gin conbocinono ae oT oda ort pemitiva ou pt ‘ta pornto-nencomproender Imathoronovo mundo da ese, quo ol vordaderamente ‘gos eres humanos func rents Tntados relent 80 fore caps procesos de pets mento mio nascon de cap ads merument nati, 4 estturaio dessas capac dados, ota ou detonate pela tecrloga oe eset, Sen Pensaia © ao poder perm fone pense adoepenss quando Scocapa d seta nas normal ompond seus penamentor de oer ote nvencao ina | éncinhmsea” (Ong, 1962 8, ica “Taiaienios sao pratons oo dias, plas © suas, que efeitos ou consequéncias sia ondicionados pte tip de ie pela fialidaden expect eas aque se destinam. Tabs podemos diner que a dain eat em que sto praicados. [aoe auiicd don leramen: teres poe contre a proceo confitaeao ¢ mba ‘csibes so muito poxeo prov vos" Muza, 2007 153-154 ilacio 4, de Ong, ek quaiceda como um nla aiconada) snfoqveauténono om vedo forte, bul 3 esc, de meni astnema to 6, po la mess, midangit Bea cscnoes onc Karmen rr, See clas 1, ce Olson, sri oitaca do ealogueostnomo, ps reativi autonomia da eer de ‘am adlsiibigso do poser x hierorquia sociale com as nates letiamento como una competénelaadgulaparefuncionar 3 etiaas dos PCN do ensno fundamental ua verso ac do nfoque eo, Assim, a6 abordagens mais recente dis tremens, cee, Pedal ques Bgeces as ves Cotudos do etramento weuXis, | al func sonata tar as haan omer neldede dee pratices socais (oa Intra ccenla so da lingua; (iia fjuagem em geal em socedades | molothas edu Jetradas e tém insistido no caréter ae praia a1 Bn pococtarel estado ces pit tes de Ietraneat. Ea poxcho, (ih om nota Street (200: 77), ene tém apontado para a heteroge- implice 0 reconhecimento dos matiposleramentos, que varia ‘no spor, as ue so também contestaos nas relagaes de po sim, os his do presupdem coisa alguma como gereatida em ei letramentos © x praticas socinis com que se assocam,proble ‘agullo que conta como letramento em qualquer tempo-espaco ‘gendo-ae sobre “quais Ieramentoe” so dominantese quais 50 ‘ados ot de resistencia (fase adicionada). [Nesse movimento, o conceito de letramento passa a ser pli mento, Hamilton (2002: 4) chama os letramentos dominantes tifucionalizados” e of dislingue dos letramentos locals" vernat (ou “autogerados"). Entretanto, nio 0s vé como categoria ind tes ou radicalmente separadas, mas interligadas. Para a aulonty :mentos dominantes estéo associados a organizagoes formals 4 escola, as igrejas, @ local de trabalho, o sistema legal, @ ‘burocracias, Os letramentos dominantes preveem agents (pl autores de livros didaticos, especialisas, pesquisadores, DUD dres e pastores, advogados e juizes) que, om relagdo a eo so valorizados legal e culturalmente, sio poderosos na pi poder da sua instituicdo de origem. Ja 0s chamados letra ‘ulares” nao sio requlados, contiolados ou sistematizados ‘es 04 organizagoes socials, mas tém sua origem na vida Testo basen om Rojo 200) Cis ‘deadaptaros alos, dda thal culturas locals, Como tal, frequentemente sio des ‘ados pela cultura ofilal e so praticas, muitas ve ‘Um exemple de desprezo pelos letramentos locals ‘escola (nstuig ofa vem sispensando ao inte ‘vormos professoces ea mia “reclamando” da mii cal da misiacigtal para outs esferes de comin lingua portuguesa. Ve, por exemple, 2 posigso da publicada ne jomal satiste A Taibura, em 30/05/2008 Para a professoraElonice Rodrigues Loren ‘teratua produto textual, o probleme est 4a tingua matema. “As pessoas no leem, no ‘wcabuléro,eram na rogéncla ena cs lavas; tém afculdade do conectar las ede cols 6 usar las ontornetés ne Informal evar esses clos para toda a comunlcagio, “pobre de reqras gsamatonls © a verde, 0 internets 6 us i eu = ojo esses dos exemplos e intarntés: um ddlogo no MSN € um ema envi: "os por ovens. a amigos: a) [ve E+ CERVEIA? AXO Q NAUM TENHO + BLZ? anit: Koen tz mk 77? Pedro: ze omg 77? Dani: manerow, mas aew emu vaia vida 77? Pedro: tonhu ida praia e sido com ms amigut Doni: kre vaew! Pontar um glsséo com as aos do iternetes sua8 cor pondenes da esctta pactao. ‘Quo 0 pxincpat mecarisme que no Intometés, ra sua opt Por qué? A que necessice atone? 1 palawras come w, 08,6 fag aro, 06,10, n? esi 1) 0 Internetés deve ser estudado nas salas de aula de linguas, como: ‘mode stuado de funcionamento da nguagem, Justiiqu sua resposta, (Os novos estusdos do letramento tém se voltado em especial p letramentos locais ou vernaculares, de maneira a dar conta da hereto dade das prticas ndo valorzadlase, portant, pouco investigadas. NO tanto, cabe também uma revisdo dos letramentos dominantes na co ‘poraneidatde, om especial dos etramentos escolar, por diversas Em primeiro luger, por causa de como se apresenta o mundo co pordineo, Podemes dizer que, por efeito da globalizacéo, o mundo| ‘muito nas duas ttimas décadas, Em termos de exigénclas de no tramentos, 6 especialmente importante dastacar as mudancas ‘40s meios de comunicagdo e a circulagéo de informagéo. O su ‘4 ampliagio continua de acesso ds tecnologiasdigitals da com dda informagao (computadores pessoais, mas também celulares, {do mp3, 1¥s dgitais, entre outa) implicaram pelo menos quatro m ‘as que ganham importéncia na reflexao sobre os letramentos: + avertginoss intensiioagdo ea diverticagdo da eiculagd da ‘magio nos meios de comunicagéo analgicos e digits, uy ‘mesmo, distanciam-se hoje dos meios impresss, muilo 0s e seletivos,mplicando, segundo alguns autores (pot (Chartier, 1997, Restdouin, 2002), mudancas sigifcaivas -neiras de ler, de produzre de fazer circular textos nas sock ‘a diminuigdo das distancias espaciais — tanto em termes 0s, por efito dos transportes rapids, como em termos {nformacionas, por efeito da midia digital e analdgica, {dos populagdes e desconstruindo identidades, + dino das dnc emporio a conte bela velocidad sm precedents, frazem para ato de etura: J ndo basta mais leltura do texto verbal ‘serto — preciso relacioné- com um conjunto de signs de outras ‘modalidades de linguagem limagem esttica, imagem em movinen- 10, misica fala) que o ceream, ou intercalam ou impregnamy esses fextos mulssemiétices extrapolaram os limites dos ambientesdigitals ‘invadizam também os impressos Gomais, revistas, livres didticos outro lado, a escola —em especial, a piblica — também mudou. como vimos, nos ultimos cinquenta anos no Brasil, mas nao la dirego. Buscou-se — e atingiv-se, na década de 1990 — a alizacao do acesso & educagao piblica no ensino fundamental bousea @ mesma ampllacio e universalizacio de acesso no en- ¢ superior, para melhor qualificacdo da mio de obra. Como vimos, acesso ndo quer dizer permanéncia e nem qualidade ‘Ainda assim, a ampliag2o de acesso tem impactos visvels lentos escolares 0 ingresso de alunado e de professorado das Jpopulares nas escolas pablicastrouxe para os intramuros escola- jumentos ocais ou vernaculares antes desconhecidos ainda ho jos, como o rap e 0 funk, por exemplo, Isso eria uma situacéo io wnlre praticas letradas valorizadas nao valorizadas na escol ‘apontam os trabalhos de Kleiman (1995, 1998), por exemplo. ton (2002: 8) vai apontar para o fato de que multos dos /quie so influentes e valorizados na vida cotidiana das pe jam circulacio sao também ignorados © desvalorizados ps feducacionais: "Nao contam como letramento ‘verdad iplo 60 intemnotés que abordamos na aividade 13, usade pelos jovens fora da escola e, nela,ignorado ou execrado ‘da lingua, Da mesma maneira, as redes socials i ‘essas prticas letradas (por exemplo, as redes @ do que jovens de todas as classes sociais esconhecidas ¢ apagadas nas escolas, quando «amo 6 0 caso da protbigdo de acesso naculares e auténomos, sempre em contato e em confito, send ‘ejitados ou ignorados e apagades e outros constantemente ental Por fim, nessas circunstancias, o que significa trabalhar ‘ escrila para o mundo contempordneo? Ou, como diz Hamilton, ‘como esbocar politicas de letramento ao longo da vida que sustentem e desenvolvam os recursos, processos e metas que exh ‘Um dos objetivos principals da escola 6 justamente possib seus alunos possam participar das varlas préticassociais que se da leitura eda escrita(letramentos) na vida da cidade, de critica e democratica. Para fazé-l, € preciso que a educacio Jevo om conta hoje, de maneira ética e democratia: ‘+ os multiletramentos ou letramentos maltiplos, deixando de ‘ou apagar os letramentos das cultura locals de seus agen ‘sores, alunos, comunidade escolar) ¢ colocando-os et (0s letramentos valorizados, universais e inttucionaisy ‘Souza-Santos (2005), assumindo seu papel casmopoli ‘os etramentos mullissemisticos exigidos pelos textos co ‘eos, ampliando a nocio de letramentos para o campo dai ‘da mdsica, das outras semioses que nio somente a mhecimento e as capacidades relativas a outros melos testao ficando cada vez mals necessaries no uso da. i tendo em vista es avangos tocnoldgicos: as cores, a im sons, o design etc, que estio disponiveis na tela do c ‘em muitos materials impressos que tim transformado 0 tradicional (da letra/ivio) em um tipo de letramento, para dar conta dos letramentos necesstos para agi temporiinea (Moita-Lopes & Rojo, 2004) Wome Saios 2005: 74) apa pae e lobatizaio ou eign + os letramentos eriticose protagonists requeridos para o trat ético ‘dos dscursos em uma sociedadle saturada de textos e que nio pode lida com eles de maneia instanténes, amorfae alienada; como afi- mam Moita Lopes & Rojo (2004: 37-38), 6 preciso lever ex conta 6 fato de que a inguagem nie ocorre em um vicuo socal e que, portato, toxos oralseesrtesndotém sentido em si mosmos, mas intrlocutores(5- filores e letores, por exemplo simads no mundo socal com seus valores, ptojtos politicos, hstxias desejs constroem seus sgnifiades para agit fh Vida social. Os sgnitieados S20 contextuatzados. Essa compreensio ¢ fxtromamente importante no mundo altamente semiotizado da globalize ‘ho, umna ver que possbiita sitar os discusos @ que somos exposes & Focuperar sue stuacionalidade socal ou seu conteato de produgde einer retaceo: quem esereveu, com que props, onde fol pulicado, quando, {quem era o interlocutor projet etc. Tal terizago tem uma implieagho ritica, porque possiblitatrabalar em sala de ula com ma visio de ie ‘guage que forneceartticios pare os alunos aprenderem, na prdtica esc. Ig a tazer escola sticas etre os tiscursos em que ezculen 80 possi Ii aprender «problematizaro discurso hegemdnico de globalizago of significados atisticos que desrespetom a diferenca (énlase adicionada) Fissas miltiplas exigencias que omundo contempordneo apresenta ‘vio multiplicar enormemente as priticas e textos que nela dev ‘© ser abordados. O letramenta escolar tal como o conhecert Jp principalmente para as prticas de leiturae escrita de textos fescolares {anotagoes, resumos, resenhas, ensaios, dissertal riose ou multimodalidade das midias digitais que Ihe dew origem, ‘menos duas facetas: a multiplicidade de préticas de letramento q clam em diferentes esferas da sociedade e 2 multiculturalidade, ‘0 fato de que diferentes culturas locas vivem essas préticas de ml ‘ferente, Por exemplo, um analfabeto habitante de zona rural q ‘a, na hora do “angelus", 3s seis da tarde, senta-se em posicio) vveréncia e “I6" a Biblia, folheando lentamente ¢ olhando aten ‘ematitude de proce, ¢ 0 pastor da igreja pentecostal que Ié a ‘y, entremeando a leitura de seu inflamado discurso, para pers figis, ambos, de maneiras multo diferentes — inclusive em t ‘allabetismo —estao inseridos em prticas letradas da esfera Como organizer, na escola, a abordagem de tal multiplied priticas? Que eventos de Jetramento e que textos selecionar? D cesferas? De que midias? De quais culturas? Como abordé-los? ois conceitos bakhtinianos podem auxiliar nossa rol coito deestera de aividade ou de cirulagdo de discursos-¢ 0.0 ‘géneros discursivos (Bakhtin 1992 [1952-53/1979). Na vida 6 Circulamos por diferentes esferas de atividades (domestica @ fa trabalho, escolar, cadémica, jomalistica, publiitéria, burocr ligiosa, artistica ete), em diferentes posicbes sociais, como ‘0 receptores/consumidores de discursos, em generos Vi diversas e em culturas também diferentes. © dia da professora D. Nand, com que comecamos ‘mostra bem iss: ele so inicia para ela, como dona de ¢ doméstica ou cotidiano, deixando bilhete para sua diansta do 8 oficina autorizada; neste meio tempo, ela liga a TV @ com a esfera jornalistica, como consumidora de noticias, @ ‘itaria, como consumidora de produtos; em seguida, co ‘0 desloca para a es(era burocratica do comércio, fe destocando-te por moto Dparceiro pelo ssn na esfera intima e, finalmente, voltar& esfera dessa vez como aluna, para fazer atividades on-line de seu curso cal lo, as esteras de atividade e de circulagdo de discursos nao ues e separadas, mas ao contrrio, nterpenetram-se 0 tempo ‘nossa vida cotidiana, organizando-a e organizando nossas po- Jogo, nossos direitos, deveres e discursos em cada uma delas. diagrama abaixo possa captar vagamente esse nosso movimen- nie polasesferas de atividade: ‘ramaticais — mas também, e sobretudo, por sua construgio composicio- nal (p. 279), [Neste sentido, o jovem usa internetés no new ¢ em seus emails, no seu blog e em bilhetes escolares para colegas obedecendo as condlgdes cespeciicas de circulagio da lingua em uma esfera de comunieagao, ‘Mas os ltramentos miitiplos também podem ser entendids na pers- pectiva multicultural (multltramentos), ou sea, diferentes culturas, nas diversas esferas,terdo priticase textos em géneros dessa esfera também Aiferenciados. Deverdo as péticas, os textos, as linguagens eas variedades ‘da tingua ndo valorizadas,locais ou "vernaculares", como quer Hamilton (2002), ser abordadas na escola? Por qué? Para qué? Uma resposta pode ser conduzida pela anélise do mundo globalizado em que viveros hoje. A aaftica & globalizagdo cultural jé fora denunciada e prenunciada nos estudos sobre a indiistria cultural ¢ a comunicagéo de massas. A texisténcia de metos de comunicaco capazes de colocar uma mensagem ao alcance de grande nimero de individuos nao basta para caracterizar ‘existincia de uma industria cultural e de uma cultura de massa. A in= ‘Astra cultural 6 ustemente, fruto da sociedade industrializada, de tipo apitalista liberal ou, ainda, da sociedade dita de consumo. No campo das culturas, 6 considerada como condigio para a exis- tncia dessa indstria uma oposicdo entre a cultura dita superior ou va- Jorizada, como a patimoniada pela escola, e a de massa, difundida nos Ieios de comunicagdo, apesar dos equivocos envolvides nessa divisio, ‘Admitida essa diviséo, pode-se falar na existéncia de uma cultura st Derior, outra média (midcul), de valor cultura, mas ndo estético, ¢ uma ceira, de massa (masscull, inferior). segunda distingue-se da tercel- | hasicamente, por sua pretensdo de apresentar produtos que se que Ssuperiores, mas que sio, de fato, formas desbastadas daqueles. Ao que a mosscul se contenta com fornecer produtos (mercadorias) jer pretensio ou dlibi cultural. E possivel, ainda, estabele~ 0 enire a cultura popular ou local, entendida como ‘0s valores a cultura ‘de um povo ou de uma comunidade especifica, © ‘Com seus produtos, a indstria cultural busea o reforgo das normas socials, repetidas até a exaustao e som discussdo, Fm consequéncia, tem Juma outra fungio: a de promover 0 conformismo, a alienagao, Ela fa- barca seus produtos, cujafinalidade ¢ a de serem trocados por moeda, Dromove a deturpacio e a degradacao do gosto popula; simplifica ao Idximo seus produtos, para obter uma atitude sempre passiva do con- dor; assume uma atitude paternalist, dirgindo 0 consumidor 20 “Invés de colocar-se a sua disposicéo ‘A-cultura de massa da globalizagéo é padronizada, monotonica, ho- nea e pasteurizada, a ponto de alguns estudiosos da globalizacio de Mundo Mc, de *medonaldizacio" da cultura, tendo como \dominante e imadiador 6 ocidente, branco, masculino, heterosse- |, norte-americano: cultura da rapidez, da instantaneidade (fastfood, ‘zapping, clipping) e do excesso (fat food, megalépoles, stress, hipertu- {io}, Por is80 se lornam to importantes hoje as maneiras de incrementat, ‘escola fora dela, 0s letramentos critics, capazes de lidar com os 108 © discuss naturalizados, neutralizados, de maneira a perceber ‘Valores, suas intoncoes, suas estratégias, seus efeitos de sentido, m0 texto jd no pode mais ser visto fora da abrangéncia dos dis ‘das ideologias e das significacdes, como tanto a escola quanto as ‘se habituaram a fazer of dizia Bakhtin (1992 (1952-53/1979)), a compreensio de um ‘ativa, € uma acéo de réplica e néo de repetico: clas scptinas vrbaiscontoee duss modalidaes Wisicas,sco- anstissdo que assimila dscurso de outrem (lo texto, das regs, "com suas propas palavras", [] © objetivo da defini as proprias bases de nossa atitude Mleolégica em relagéo ao ‘de nosso comportamento, ela urge aqul com a palavra autor 2 palavrainternamente persuasva (Baktin, 1988 (1994-35/1975) Além disso, como frisa Sousa Santos (2005: 26), a global rage fortemente — quando ndo provoca ou intensifica — com a némenos de depreciagao” e de diminuicao da qualidade de vida neta, tais como o aumento dramdtico das desiqualdades da ‘entre/de patses, povos, classes, etnias ¢ individuos, a superpoph ‘caéstrofe ambiental, as conllitos étnicos, a migragdo inter iva, @ proiferagdo de guerras cvis, o crime globalmente orga 6 incremento consequente da violéncia, a democracia apenas ‘desprovida de sentido, o isolamento. Sousa Santos (2005: 27) af a que, embora a globalizacio esteja longe de ser consons “um vast e intenso campo de confitos entre grupos socials, Interesses hageménicos, por um lado, e grupos sociais, Es esses subalternos, par outro", © campo hegeménico ata com ‘um consenso entre os mais influentes e poderosos membros: 0 de Washington ou consenso neoliberal, responsével pelas cara dominantes da globalizacdo. A isso, o autor vai denominar glo ou coligagdo hegemdnica, d [No entanto, como todo fendmeno sécio-hstérico, a global ‘geménica gesta seu polo contréio, a locaizacio, 0 que leva toresafalarem de glocalizagdo ou de g-localizagdo. Aina Sousa Santos (2005; 26), a sociedade contemporinea perece combinar @universalizacio © a eliminacdo de fo por um lado, o partiulaisme, a diversidade ocala eqresso ao comantarsmo, por aura, (© movimento de localizagdo é visivel tanto no & ‘nomico, nas “novas" formas de organizagio da so ldlentificagées comunitérias agregadas a interesses comuns ou io clas culturas locas. Fenémenos dasse tipo so encontrado comunidades locas, como, principalmente, nas virtuals. Sendo les digitalis interativos e pouco contrelados, prestam-se & no- We sociabilidade. Assim, as armas da globalizacéo fortalecem fas contra-hegemonias da localizacéo, A Isso, Sousa Santos ‘chamar de globalizagdo ou coligacto contra-hegemdnica. ‘Yotdlade, ha duas formas de resisténcla: a localizacdo assumida ‘0 fomento a inilativas locals de varios tipos ao redor do mun- do “espacos de sociabilidade em pequena escala, comun!- “| teaidos por lagicas cooperativas ¢ partcipativas e a globall- oligado contea-hegeménica” (Sousa Santos, 2005: 72), que Jno incremento ena protecao do local enraizado — embora, seu valor estratégico, designando-o como localizagdo contra —, mas no que ele chama de as “inciativas, organizagoes los integeantes do cosmopolitismo e do patriménio comum lo, com vocagao transnacional", mas ancoradas em “lutas as [..] © global acontece localmente. E preciso fazer com {pontra-hegemdnico também aconteca globalmente™ (p. 74) “dvs armas @ favor da construgdo da coligagdo contraches Justamente a escola e as tecnologias digas. Por te aqul,s40 crciais os letramentos crtcos que ta Jados como materialidades de discursos,caregadas ‘valores, que buscam efeitos de sentido © ecos @ preciso, portanto, un reenfcar do texto, te nela, pot sua Yocagio cosmopolita ‘agonciamento de populagies locas na diego do da humanidde, [Neste sentido, o papel da escola na contemporaneidade seria 0 de colocar em didlogo — nao isento de conflits, poifénico em termos Dbakhtinianos — os textos/enunciados/discursos das diversas culturasfo- ‘ais com as culturas valorizadas, cosmopdlitas,patsimoniais, das quais 8 ‘guard, nao para servir cultura global, mas para criar coligagées con- ‘tachegem@nicas, para translocalizar las locais, Como gosto de dizer, para transformar patriménios em fratriménios, Nesse sentido, a escola ‘Pode formar um eidadio flexivel, democritico e protagonista, que seja ‘multicultural em sua cultura e potiglota em sua Kingua, abe, portanto, também a escola potencializaro didlogo multicultu- tal, trazendo para dentro de seus muros ndo somente a cultura valoriza- da, dominante, candnica, mas também as culturas locas e populares ea cultura de massa, para tomé-las vozes de um didlogo, objetos de estudo ‘ede crtica, Para tal, é preciso que a escola se interesse por e admita as culturas locas de alunes professores. Cutturas tocais Cutturas valorizadas Cutturas escolares Flgwa 2: utticaualsme @ mut-ovtreneeramentos Nené de Vila Mate -Samba-onrodo 2008! (Mens, Aaiano Beare Sulv) ‘Um voo da sguia como nunca so vu! Também somes {olelore do nosso Brasil -110 anos aprendendo com ‘camara caseudo Pra encantar a averse ‘Ragu vor misiicar ‘prboca em bora, ai pra tino TRI ser rai str eanaexcla « eae endo, ve mala dats aati a sun fcha hci acessando ip wikipedla ag ‘Vila Mate. Ve} ambi as nota sda eo des ‘mora com ben gual drag sd voc to ‘oma cits em nero lane ques a ct Saino Sasi Pe ‘Omode de agi, sontire pensar (0 poiqua) CCémars Cascude mostou pare © mundo 0 folelore popular Brasil ca misigenagdo, nosso povoestende as mos vamos mestcar Costumes do nordeste.. vente eabra da peste ‘em pro ors dancar, asia levantar Maracatu, festa junina ‘Bo:Bumis no Nere,Parntins, © panto nabre Pro mau alae tom reza forte (0 p26 pode saver Fesraduras carrances..Patass ‘Quorn fo que deiou 0 espeino se quetrar? ‘No Centro Oeste nao pasque sem orago(poraue) AssombragSo val pegar Nou bxnguet De cabeacega e amarelina reparel num indo canto que via -téa Saci se encantou Nao hula, nem fandango E pergurtau: Que som 6 esse? Que cadérciaeferente Protege pelos deuses Me esponda quem vem i! Eu sou NenB! Oa culnri,batucadae camavalt No sucste a fest pra valet Feicore vio nesse amanhecer Mina escola de sambe ¢ evolve! Bateria de bamb, toca at jongoe bao ‘nossa banda, mantosagrado ‘Gueto azul brane, mio respetado by Ea cuturs popuar, das eutu- W. Nesso ano, © camavalesco da ; 1, Nesse carnaval ‘Sendo haseado no Dion d foeo- ‘bri, oder os temas do envedo ‘so rltivos & atura popular rast a. Como a ape do carnavaleso fo Taionaar divers bens das cals Joenis ext spresentadas (nas do ‘maract, maracata Tra, cabeclnho, fev, qos, lends bases 005 ‘ersonogons (Mater, Sac-Perre, pings), Bombe seu bo, chula, fandango sas june). fas locals? | Um deste de escola de samba © um evento mulssemistico. (Que tnauagens entra na com posi¢ao do deste da escola? [Musics letra (canta e eso ta), no sama... Quais mais? fs00la fol Augusto do Omeira, lim cearense exo pal fundou a meta nagto de maracatu do (ard. Com que athidadosltra- ts. levamertos ee toe dose roe para roourresse ene- tH © esse deste? Cite algumas. 2 GAGES. en de Vila Mate conseguiu, fm esse ervedo, colocar a cut ‘ur ytertada em contato com fs culluas locals do Bras fm a cultura de massa. Ponse tv oxemplo de atidartos esco qe Se podria propor pare ‘este mesmo objet. ‘conelusiio, podemos di- ‘Ads da mtn @ dtr do saa “ened, voce poder ter mencinnedo {5 lnguogens pistes © visi ws nas alegora, oscars asa ‘esis das alas 4 ngvagem corporal ‘sda na daa, no samba os pesos ‘mercado dent ov ‘com a leitura © hoje 6 muito mais 5 enfocar, portanto, os usos e praticas de lnguagens (mil semioses), para produzir, compreender e responder a efeitos de s ‘do, em diferentes ontexios e midias. Trata-se, entéo, de garantir que censino desenvolva as diferentes formas de uso das linguagens (verbal, corporal, plistica, musical, grafica otc) e das lingua (falar em diversas variedatdes linjuas, ouvir, er, escrever). Para partilpar de ais préticas com proficiéncia © consciéncia cidadé, 6 preciso também que © alino Aesonvolva cortas competéncias basieas para 0 trato com as Kinguas, a8 linguagens, as midis ¢ as mltiplas praticas letradas, de manelra ci ‘a, ética, democritica e protagonista, ‘Assim send, como responderiamos is questbes propostas neste capitulo? Retomando-as, nos perguntamos: 0 que sigitica trabalhar a leitura| «ascrita para o mundo contempordneo?, ou, como diz Hamilton (2002), como eshocar politicas de letramento ao longo da vida que realmente. sustentem e desenvolvam 0s recursos, processos e metas que existem & so requeridos na vida cidada contemporanea? ‘A rosposta a essa primeira pergunta reside principalmente na dis- posigdo em trabalhat: ‘+ 05 leramentos mulissemidtcos, ou sea, a litua e a producio de ‘estos em diversas linguagens e semioses (verbal oral eescrita, m- sical, imagétia [imagens estéticas e em movimento, nas fotos, no ‘nema, nos videos, na 7), corporal ¢ do movimento [nas dancas, performances, esportes,aividades de condicionamento fico, a= tematic, digital ete), 6 que essas maltiplas inguagens © as capa ‘cidade de leitura e produgo po elas exigidas sio constitutivas dos textos contemporaneos. Iso encaminha, 6 dlaro, para a necessidade ‘de um trabalho interdisctplinar,é que ndo somos formados para en- sind-las todas. Por outro lado, & importante também hoje abordar fs diversas micias e suportes em que os texts crculam, 4 que hd Poo npr opel dara de se priate des (0s fetramentos multiculturas on multiletramentos, ou sea, abordar ‘0 prodtos culturas letrados tanto da cultura escolar e da dominan- {como das diferentes culturas locals e populares com as qualsalu- ios professore estdo envolvides, assim como abordar citicamen- {0s produtos da cultura de mass. Essa trangulagao que @ escola "pe fazer, enquanto agéncia de letramento patrimonial € cosmo- Polit entre as culturas locas, global e valorizadaé particularmente preconceitose dlsposto a ser “multicultural em sua cultura” a lidar com 0s diferencas sociocalturals, 0s letramentos erticos, ou sea, abordar esses textos produtos das ‘diversas midias e culturas, sempre de manelra critica ecapaz de des- ‘oar suas finaidades, intengdes e ideologias. Nesse sentido, ¢ im- ‘om seu espago histricoe ideolégico e dasvelando seus efeitos de ‘ntido, replicando a ele ¢ com ele dialogando. 0 6580 multiplcidade tdo grande de praticas toxtos que po- ‘ovem ser objetos de estudo e ertica levanta problomas para a curricular e do espago-tempo escolar, perguntamo-nos t= no organizar, na escola, @ abordagem de tal multipicidade de sf Que eventos de letramento @ textos solecionar? De que esfe= Iidias? De quais culturas? Como abordé-los. que alguns conceitos podem ser organizadores da selec ‘ensino desses objetos. Principalmente, o conceito de le tiplos, se operacionalizado pelo conceito de esferas de possbilidades de aprendizagem, revazeando 0 conceite vygotskiano de zona proximel de desenvolvimento (zo). As possibilidades de apren- dizagem respondem a pergunta sobre queis objetos de ensino o aluno ppoderd aprender, de quais podera se apropriar nesse momento do seu {desenvolvimento (20). Nao posso querer ensinar a Ietura de um edito- "ial complexo se meu aluno ainda néo 1é uma noticia simples, E preciso averiguar seu trato com 0s objetos de ensina propostos, diagnosticar, para verficar aquilo que é ensinével, No entanto, entre os muitos “ensinéveis", tenho de escolher alguns, Bessa escolha poderd ser regida pelo principio das necessidades de en- sino, que respondem & pergunte: para esses alunos, dessa escola, dessa ‘comunidad de préticas, visando formar um eidadao com tals caracte- ristcas, que géneros ¢ esferas escolher dentre os ensinaveis? Na depen- dencia dos ertérios que escolher (aqui mencionamos protagonismo,cr= licidade, democracia, ética, multiculturalidade) e da comunidad de pr ticas a que a escola e os alunos pertencam, poderemos restringir nosso luniverso cle escolha dentre os “ensindveis”:seré mais importante ensinar ‘agora uma carta de amor? Ou uma carta de leitor® Ou um requerimento? Essas escolhas nunca sio neutras, nem impunes, pols o tempo esco- Jar que tomo com um objeto de ensine nao seré dedicado a outro; cada escolha presentifica um dentre muitos outros perdidos, Mas nada em ‘educagéo nunca ¢ neutroe nossa tarefa éjustamente a de fazer escolhas| ‘© encaminhamentes conscientes,

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