Você está na página 1de 393

Auditor Fiscal do Trabalho

Direitos Humanos – Parte 2

Prof. Mateus Silveira


Direitos Humanos

Professor Mateus Silveira

www.acasadoconcurseiro.com.br
Sumário

Protocolos Facultativos ao Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos – 1966 (PIDCP) . . . . . . . . . . 7
Conselho De Direitos Humanos da ONU . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
Tratados do Sistema Universal ou Global de Direitos Humanos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio (1948) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .19
Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados (1951) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
Protocolo Sobre o Estatuto dos Refugiados (1966) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
Convenção Internacional Sobre Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial (1965) . . . . . 35
Convenção Internacional Sobre Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher (1979) . . 44
Protocolo Facultativo à Convenção Internacional sobre Eliminação de Todas as Formas de
Discriminação Contra a Mulher (1999) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanas ou
Degradantes (1984) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .58
Convenção Sobre os Direitos das Crianças (1989) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68
Protocolo Facultativo à Convenção Sobre os Direitos da Criança Referente à Venda de Criança, à
Prostituição Infantil e à Pornografia Infantil (2000) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 82
Protocolo Facultativo à Convenção Sobre os Direitos da Criança Relativo ao
Envolvimento de Crianças em Conflitos Armados (2000) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89
Convenção Internacional Sobre a Proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores
Migrantes e dos Membros das suas Famílias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93
Tratados do Sistema Americano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 122
Carta da Organização Dos Estados Americanos (1948) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 122
Convenção Americana Sobre Direitos Humanos (1969) – Pacto De San José Da Costa . . . . . . . . . . . . 147
Protocolo Adicional à Convenção Americana Sobre Direitos Humanos em Matéria de Direitos
Econômicos, Sociais e Culturais (1988) – Protocolo De San Salvador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 163
Protocolo à Convenção Americana Sobre Direitos Humanos Referentes à Abolição da Pena De
Morte (1990) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 170
Estatuto da Corte Interamericana de Direitos Humanos (1979) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 171
Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura (1985) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 177
Convenção Interamericana Para Prevenir, Punir e Erradicar A Violência Contra A Mulher (1994) –
Convenção De Belém Do Pará . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 181

www.acasadoconcurseiro.com.br
Convenção Interamericana Sobre Tráfico Internacional de Menores (1994) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 186
Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as
Pessoas Portadoras De Deficiência (1999) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 192
Proteção dos Direitos Humanos no Mercosul . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 196
Constituição da República Federativa do Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 199
A Constituição Brasileira e os Tratados Internacionais de Direitos Humanos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 238
Os Programas Nacionais de Direitos Humanos do Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 239
A Auditoria Fiscal do Trabalho Como Agente de Proteção e Concretização dos Direitos
Fundamentais dos Trabalhadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 242
Combate à Redução Análoga ao Trabalho Escravo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 269
Lei Maria da Penha e a Proteção da Mulher . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 293
Da Criança e do Adolescente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 302
Idoso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 309
Direito das Pessoas com Deficiência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 328
Lei nº 13.146, de 6 de Julho de 2015 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 353

www.acasadoconcurseiro.com.br
Direitos Humanos

PROTOCOLOS FACULTATIVOS AO PACTO INTERNACIONAL


DOS DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS – 1966 (PIDCP)

Faço saber que o Congresso Nacional aprovou, e eu, José Sarney, Presidente do Senado Federal,
nos termos do art. 48, inciso XXVIII, do Regimento Interno, promulgo o seguinte

DECRETO LEGISLATIVO Nº 311, DE 2009

Aprova o texto do Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos,
adotado em Nova Iorque, em 16 de dezembro de 1966, e do Segundo Protocolo Facultativo
ao Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos com vistas à Abolição da Pena de Morte,
adotado e proclamado pela Resolução nº 44/128, de 15 de dezembro de 1989, com a reserva
expressa no art. 2º.
O Congresso Nacional decreta:
Art. 1º Fica aprovado o texto do Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre Direitos
Civis e Políticos, adotado em Nova Iorque, em 16 de dezembro de 1966, e do Segundo Protocolo
Facultativo ao Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos com vistas à Abolição da Pena
de Morte, adotado e proclamado pela Resolução nº 44/128, de 15 de dezembro de 1989, com a
reserva expressa no art. 2º.
Parágrafo único. Ficam sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam
resultar em revisão dos referidos Protocolos, bem como quaisquer ajustes complementares
que, nos termos do inciso I do caput do art. 49 da Constituição Federal, acarretem encargos ou
compromissos gravosos ao patrimônio nacional.
Art. 2º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação.
Senado Federal, em 16 de junho de 2009.
Senador JOSÉ SARNEY
Presidente do Senado Federal

www.acasadoconcurseiro.com.br 7
PROTOCOLO FACULTATIVO AO PACTO Artigo 4º
INTERNACIONAL SOBRE DIREITOS 1. Ressalvado o disposto no artigo 3º, o Co-
CIVIS E POLÍTICOS mitê dará conhecimento das comunicações
que lhe sejam apresentadas, em virtude do
Os Estados Partes no presente Protocolo, presente Protocolo, aos Estados Partes do
Protocolo que tenham alegadamente viola-
Considerando que, para melhorar atender os do qualquer disposição do Pacto.
propósitos do Pacto Internacional sobre Direi-
tos e Políticos (doravante denominado <<o Pac- 2. Dentro de seis meses, os citados Estados
to>>) e a implementação de suas disposições, deverão submeter por escrito ao Comitê as
conviria habilitar o Comitê de Direitos Humanos, explicações ou declarações que esclareçam
constituído nos termos da Parte IV do Pacto (do- a questão e indicarão, se for o caso, as me-
ravante denominado <<o Comitê>>), a receber didas que tenham tomado para remediar a
e examinar, como se prevê no presente Protoco- situação.
lo, as comunicações provenientes de indivíduos Artigo 5º
que se considerem vítimas de uma violação dos
direitos enunciados no Pacto, 1. O Comitê examinará as comunicações re-
cebidas em virtude do presente Protocolo,
Acordam o seguinte: tendo em conta s informações escritas que
Artigo 1º lhe sejam submetidas pelo indivíduo e pelo
Estado Parte interessado.
Os Estados Partes do Pacto que se tornem par-
tes do presente Protocolo reconhecem que o 2. O Comitê não examinará nenhuma comu-
Comitê tem competência para receber e exami- nicação de um indivíduo sem se assegurar
nar comunicações provenientes de indivíduos de que:
sujeitos à sua jurisdição que aleguem ser víti- a) A mesma questão não esteja sendo exa-
mas de uma violação, por esses Estados Partes, minada por outra instância internacional de
de qualquer dos direitos enunciados no Pacto. inquérito ou de decisão;
O Comitê não receberá nenhuma comunicação
relativa a um Estado Parte no Pacto que não b) O indivíduo esgotou os recursos inter-
seja no presente Protocolo. nos disponíveis. Esta regra não se aplica se
a aplicação desses recursos é injustificada-
Artigo 2º mente prolongada.
Ressalvado o disposto no artigo 1º os indivíduos 3. O Comitê realizará suas sessões a portas
que se considerem vítimas da violação de qual- fechadas quando examinar as comunica-
quer dos direitos enunciados no Pacto e que te- ções previstas no presente Protocolo.
nham esgotado todos os recursos internos dis-
poníveis podem apr5esentar uma comunicação 4. O Comitê comunicará as suas conclusões
escrita ao Comitê para que este a examine. ao Estado Parte interessado e ao indivíduo.

Artigo 3º Artigo 6º

O Comitê declarará inadmissíveis as comunica- O Comitê incluirá no relatório anual que elabora
ções apresentadas, em virtude do presente Pro- de acordo com o artigo 45º do Pacto um resumo
tocolo, que sejam anônimas ou cuja apresenta- das suas atividades previstas no presente Proto-
ção considere constituir um abuso de direito ou colo.
considere incompatível com as disposições do
Pacto.

8 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

Artigo 7º to do décimo instrumento ou de adesão, o


Protocolo entrará em vigor três meses após
Até a realização dos objetivos da Resolução (XV), a data do depósito por esses Estados do seu
adotada pela Assembléia Geral das Nações Uni- instrumento de ratificação ou de adesão.
das em 14 de Dezembro de 1960, relativa à De-
claração sobre a Concessão de Independência Artigo 10º
aos Países e aos Povos Coloniais, o disposto no
presente Protocolo em nada restringe o direito O disposto no presente Protocolo aplica-se, sem
de petição concedido a esses povos pela Carta limitação ou exceção, a todas as unidades cons-
das Nações Unidas e por outras convenções e titutivas dos Estados federais.
instrumentos internacionais concluídos sob os Artigo 11.
auspícios da Organização das Nações Unidas ou
de suas instituições especializadas. 1. Os Estados Partes no presente Protoco-
lo poderão propor emendas e depositar o
Artigo 8º respectivo texto junto ao Secretário-Geral
1. O presente Protocolo está aberto á assi- da Organização das Nações Unidas. O secre-
natura dos Estados que tenham assinado o tário-Geral transmitirá todos os projetos de
Pacto. emendas aos Estados Partes do protocolo,
pedindo-lhes que indiquem se desejam a
2. O presente Protocolo está sujeito à rati- convocação de uma conferência de Esta-
ficação dos Estados que ratificaram o Pacto dos Partes para examinar esses projetos e
ou a ele aderiram. Os instrumentos de ra- submetê-los à votação. Se pelo menos um
tificação serão depositados junto ao Secre- terço dos Estados se declarar a favor dessa
tário-Geral da Organização das Nações Uni- convocação, o Secretário-Geral convocará
das. a conferência sob os auspícios da Organiza-
ção das Nações Unidas. As alterações ado-
3. O presente Protocolo está aberto à ade- tadas pela maioria dos Estados presentes e
são dos Estados que tenham ratificado o votantes na conferência serão submetidas
Pacto ou que a ele tenham aderido. para aprovação à Assembleia Geral das Na-
4. A adesão far-se-á através do depósito de ções Unidas.
instrumento de adesão junto ao Secretário- 2. Essas emendas entrarão em vigor quando
-geral da Organização das Nações Unidas. forem aprovadas pela Assembleia Geral das
5. O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas e aceitas, de acordo com as
Nações Unidas informará a todos os Estados suas regras constitucionais respectivas, por
que assinaram o presente protocolo ou que uma maioria de dois terços dos Estados Par-
a ele aderiram do depósito de cada instru- tes no presente Protocolo.
mento de adesão ou ratificação. 3. Quando essas emendas entrarem em vi-
Artigo 9º gor, tornar-se-ão obrigatórias para aqueles
Estados Partes que as aceitaram, continu-
1. Sob ressalva da entrada em vigor do Pac- ando os outros Estados Partes vinculados
to, o presente Protocolo entrará em vigor pelas disposições do presente Protocolo
três meses após a data do depósito junto ao e pelas alterações anteriores que tenham
Secretário-Geral da Organização das Nações aceitado.
Unidas do décimo instrumento de ratifica-
ção ou de adesão. Artigo 12.

2. Para os Estados que ratifiquem o presen- 1. Os Estados Partes poderão, a qualquer


te Protocolo ou a ele adiram após o depósi- momento, denunciar o presente Protocolo

www.acasadoconcurseiro.com.br 9
por notificação escrita dirigida ao Secretá- SEGUNDO PROTOCOLO FACULTATIVO
rio-Geral da Organização das Nações Uni- AO PACTO INTERNACIONAL SOBRE
das. A denúncia produzirá efeitos três me-
ses após a data em que o Secretário-Geral DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS COM
tenha recebido a notificação. VISTAS À ABOLIÇÃO DA PENA DE
MORTE
2. A denúncia não impedirá a aplicação das
disposições do presente Protocolo às comu-
nicações apresentadas em conformidade Os Estados Partes do presente Protocolo:
com o artigo 2º antes da data em que a de-
Convencidos de que a abolição da pena de mor-
núncia produz efeitos.
te contribui para a promoção da dignidade hu-
Artigo 13. mana e para o desenvolvimento progressivo dos
direitos humanos;
Independentemente das notificações previstas
no parágrafo 5 do artigo 8º do presente Proto- Recordando o artigo 3º da Declaração Universal
colo, o Secretário-Geral da Organização das Na- dos Direitos Humanos, adotada em 10 de De-
ções Unidas informará todos os Estados referi- zembro de 1948, bem como o artigo 6º do Pac-
dos no parágrafo 1 do artigo 48 do Pacto: to Internacional sobre Direitos Civis e Políticos,
adotado em 16 de Dezembro de 1966;
a) Das assinaturas do presente protocolo e
dos instrumentos de ratificação e de adesão Tendo em conta que o artigo 6º do Pacto Inter-
depositados de acordo com o artigo 8º; nacional sobre Direitos Civis e Políticos prevê a
abolição da pena de morte em termos que su-
b) Da data da entrada em vigor do presen- gerem sem ambiguidade que é desejável a abo-
te Protocolo de acordo com o artigo 9º e lição desta pena;
da data da entrada em vigor das alterações
previstas no artigo 11, Convencidos de que todas as medidas de aboli-
ção da pena de morte devem ser consideradas
c) das denúncias feitas nos termos do artigo como um progresso no gozo do direito à vida;
12.
Desejosos de assumir por este meio um com-
Artigo 14. promisso internacional para abolir a pena de
1. O presente Protocolo, cujos textos em in- morte,
glês, chinês, espanhol, francês e russo são Acordam o seguinte:
igualmente válidos, será depositado nos ar-
quivos da Organização das Nações Unidas. Artigo 1º

2. O Secretário-Geral da Organização das 1. Nenhum indivíduo sujeito à jurisdição de


Nações Unidas transmitirá uma cópia au- um Estado Parte no presente Protocolo será
tenticada do presente Protocolo a todos os executado;
Estados referidos no artigo 48º do Pacto.
2. Os Estados Partes devem tomar as medi-
* Aprovado pela Assembleia Geral das Nações das adequadas para abolir a pena de morte
Unidas em 16 de dezembro de 1966. Em vigor no âmbito da sua jurisdição.
desde 23 de março de 1976.
Artigo 2º
1. Não é admitida qualquer reserva ao pre-
sente Protocolo, exceto a reserva formulada
no momento da ratificação ou adesão que
preveja a aplicação da pena de morte em

10 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

tempo de guerra em virtude de condenação Artigo 6º


por infração penal de natureza militar de
gravidade extrema cometida em tempo de 1. As disposições do presente Protocolo
guerra. aplicam-se como disposições adicionais ao
Pacto.
2. O Estado que formular tal reserva trans-
mitirá ao Secretário-Geral das Nações Uni- 2. Sem prejuízo da possibilidade de formu-
das, no momento da ratificação ou adesão, lação da reserva prevista no artigo 2º do
as disposições pertinentes da respectiva presente Protocolo, o direito garantido no
legislação nacional aplicável em tempo de parágrafo 1 do artigo 1º do presente Proto-
guerra. colo não pode ser objeto de qualquer der-
rogação sob o artigo 4º do Pacto.
3. O Estado Parte que haja formulado tal re-
serva notificará o Secretário-Geral das Na- Artigo 7º
ções Unidas de declaração e do fim do esta- 1. O presente Protocolo está aberto à assi-
do de guerra no seu território. natura dos Estados que tenham assinado o
Artigo 3º Pacto.

Os Estados Partes no presente Protocolo deve- 2. O presente Protocolo está sujeito à rati-
rão informar, nos relatórios que submeterem ao ficação dos Estados que ratificaram o Pacto
Comitê de Direitos Humanos, sob o artigo 40.º ou a ele aderiram. Os instrumentos de ra-
do Pacto, das medidas adotadas para imple- tificação serão depositados junto do Secre-
mentar o presente Protocolo. tário-Geral da Organização das Nações Uni-
das.
Artigo 4º
3. O presente Protocolo está aberto à ade-
Para os Estados Partes que hajam feito decla- são dos Estados que tenham ratificado o
ração prevista no artigo 41, a competência re- Pacto ou a ele tenham aderido.
conhecida ao Comitê dos Direitos do Homem
para receber e apreciar comunicações nas quais 4. A adesão far-se-á através do depósito de
um Estado alega que um outro Estado Parte não um instrumento de adesão junto do Secre-
cumpre as suas obrigações é extensiva às dispo- tário-geral da Organização das Nações Uni-
sições do presente Protocolo, exceto se o Estado das.
Parte em causa tiver feito uma declaração em 5. O Secretário-Geral da Organização das
contrário no momento da respectiva ratificação Nações Unidas informará a todos os Estados
ou adesão. que assinaram o presente Protocolo ou que
Artigo 5º a ele aderiram do depósito de cada instru-
mento da ratificação ou adesão.
Para os Estados Partes do (Primeiro) Protocolo
Adicional ao Pacto Internacional sobre Direitos Artigo 8º
Civis e Políticos, adotado em 16 de Dezembro 1. O presente Protocolo entrará em vigor
de 1966, a competência reconhecida ao Comi- três meses após a data do depósito junto do
tê dos Direitos do Homem para receber e apre- Secretário-Geral da Organização das Nações
ciar comunicações provenientes de indivíduos Unidas do décimo instrumento de ratifica-
sujeitos à sua jurisdição é igualmente extensiva ção ou de adesão.
às disposições do presente Protocolo, exceto se
o Estado Parte em causa tiver feito uma decla- 2. Para os Estados que ratificarem o presen-
ração em contrário no momento da respectiva te Protocolo ou a ele aderirem após o depó-
ratificação ou adesão. sito do décimo instrumento de ratificação
ou adesão, o Protocolo entrará em vigor

www.acasadoconcurseiro.com.br 11
três meses após a data do depósito por es- Artigo 11.
ses Estados do seu instrumento de ratifica-
ção ou de adesão. 1. O presente Protocolo, cujos textos em
inglês, árabe, chinês, espanhol, francês e
Artigo 9º russo são igualmente válidos será deposita-
do nos arquivos da Organização das Nações
O disposto no presente Protocolo aplica-se, sem Unidas.
limitação ou exceção, a toda as unidades consti-
tutivas dos Estados federais. 2. O Secretário-Geral da Organização das
Nações Unidas transmitirá uma cópia au-
Artigo 10. tenticada do presente Protocolo a todos os
O Secretário-Geral da Organização das Nações Estados referidos no artigo 48 do Pacto.
Unidas informará todos os Estados referidos no * Adotado e proclamado pela Resolução 44/128,
parágrafo 1 do artigo 48º do Pacto: de 15 de dezembro de 1989, da Assembleia Ge-
a) Das reservas, comunicações e notifica- ral das Nações Unidas.
ções recebidas nos termos do artigo 2º do
presente Protocolo;

b) Das declarações feitas nos termos dos ar-
tigos 4º ou 5º do presente Protocolo;
c) Das assinaturas apostas ao presente Pro-
tocolo e dos instrumentos de ratificação e
de adesão depositados nos termos do arti-
go 7º;
d) Da data de entrada em vigor do presente
Protocolo, nos termos do artigo 8º.

12 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

CONSELHO DE DIREITOS HUMANOS DA ONU

1. Conselho de Direitos Humanos

O Conselho de Direitos Humanos (Human Rights Council) é o sucessor nos anos noventa
da desacreditada Comissão de Direitos Humanos (Commission on Human Rights). Como
a Comissão, ele tem principalmente duas tarefas: a de promover a codificação dos direitos
humanos (standard setting) e a de lidar com violações dos direitos humanos. Com isso, ele é o
órgão central para a proteção dos direitos humanos dentro do sistema da ONU.
O Conselho foi instaurado pela Resolução A/60/251 como órgão subsidiário da Assembleia
Geral da ONU. Ele constitui-se de 47 membros, nomeados pela Assembleia Geral da ONU, por
voto secreto, com maioria absoluta, ou seja, com 97 dos 193 votos, por um período de três anos.
Anteriormente, os membros da Comissão eram escolhidos pelo Ecosoc. A chave regional válida
ali levou a uma eleição maciça de países violadores dos direitos humanos. Isso desencadeou
indisposições acaloradas especialmente nos EUA. Os EUA pediram que os Estados-Partes
fossem eleitos por uma maioria de 2/3, o que, no entanto, não prevaleceu. Porém, o pedido foi
posicionado de maneira que os membros do Conselho de Direitos Humanos devam ter um bom
histórico com relação a direitos humanos.
O Conselho de Direitos Humanos é responsável por promover o respeito universal pela
proteção aos direitos humanos e às liberdades fundamentais, sem distinção de espécie
alguma e de maneira justa e igualitária. Ele ocupa-se principalmente com violações graves
e sistemáticas dos direitos humanos e pode fazer recomendações a esse respeito, bem como
promover a coordenação eficaz e a integração sem exceções de questões de direitos humanos
em todos os âmbitos do sistema das Nações Unidas. Em adição, o Conselho é responsável
pela educação em direitos humanos, bem como pela prestação de serviços de consultoria.
Ele atua como fórum para o diálogo sobre questões temáticas de todos os direitos humanos
e apresenta à Assembleia Geral da ONU recomendações para o desenvolvimento do direito
internacional nessa área.
É considerado um grande passo que todos os países devam submeter-se a uma revisão
periódica (Universal Periodic Review – UPR). Por conseguinte, todos os países devem entregar
um relatório de vinte páginas sobre a atuação dos direitos humanos em sua jurisdição a
ser produzido juntamente com atores não estatais. Um segundo relatório de dez páginas
é apresentado pelo secretariado da ONU, baseado em informações reunidas por relatores
especiais. O terceiro relatório vem de ONGs. Todos esses relatórios são então examinados
por um grupo de trabalho constituído por todos os 47 Estados-Membros do Conselho de
Direitos Humanos em um prazo de três horas. Uma vez que não membros do Conselho podem
participar do processo, resta tempo apenas para breves declarações. Essa limitação de tempo
não permite aprofundamentos.
No entanto, o processo é avaliado como positivo na literatura, porque os examinadores são
representantes do governo, expressando as posições de seus governos com suas questões. Os
direitos humanos são, assim, ativados como força viva. A possibilidade de se caminhar para

www.acasadoconcurseiro.com.br 13
um diálogo sobre questões de direitos humanos é vista como um segundo elemento positivo.
Principalmente faz-se válido para o terceiro mundo que todos os países devam submeter-se a
esse procedimento. Dessa maneira, contraria-se a impressão de que toda a política de direitos
humanos seja voltada contra somente um grupo de países.
Um segundo instrumento com o qual o Conselho de Direitos Humanos pode reagir a violações
maciças e generalizadas dos direitos humanos é a instituição de Relatores Especiais de cada
país. Sua tarefa é compilar e controlar todas a informações relevantes sobre os países. Eles
devem procurar entrar em contato com os governos envolvidos e questionar a situação.

Obrigações erga omnes


As obrigações antes analisadas referem-se à relação entre Estado e indivíduo. Como elas
são as mais importantes, podem ser chamadas de “obrigações primárias” ou pensadas
como “obrigações verticais”. Contudo, não são os únicos deveres decorrentes do DIDH. Pelo
contrário, há outra série de “obrigações secundárias” ou “horizontais”. As mais famosas são
as chamadas erga omnes. Segundo a Corte Internacional de Justiça, elas emanam de normas
tão significativas que todos os Estados teriam um interesse legal na sua proteção. Trata-se,
portanto, de obrigações vis-à-vis a comunidade dos Estados. Como já visto, no contexto da
discussão dos direitos humanos vigentes como ius cogens, há consenso em que suas garantias
fundamentais estabelecem tais obrigações e que qualquer Estado é competente para reagir à
sua violação.
Isso é notável porque, no Direito Internacional Público, vale a regra de que Estados somente
podem tomar contramedidas (countermeasures) – antigamente chamadas “represálias”
– em relação a outros, se seus próprios direitos e interesses forem diretamente afetados,
pressupondo, por exemplo, o não cumprimento de um dever contratual em relação bilateral
ou multilateral. De fato, observa-se que todos os tratados de direitos humanos criam não só
obrigações vis-à-vis o indivíduo, mas também vis-à-vis os outros Estados-Partes.
Há autores que, por isso, as chamam de “obrigações erga omnes partes”. As obrigações erga
omnes distinguem-se delas porque valem como costume internacional em relação a todos
os Estados do mundo, ou seja, à comunidade de Estados inteira. Eles obrigam os Estados a
promover o respeito universal pelos direitos humanos. Contudo, o que ainda não está claro é
a questão de saber se os Estados podem aplicar (determinadas) contramedidas – medidas, a
princípio, ilegais no Direito Internacional Público – para sancionar Estados violadores de direito
humanos. Parece que a resposta é afirmativa no que se refere às graves e sistemáticas violações
de direitos humanos, por exemplo, no caso de “limpezas étnicas”.

3. O Conselho de Direitos Humanos

Em 2006, os membros das Nações Unidades decidiram substituir a antiga Comissão de Direitos
Humanos, que existia desde 1946, pelo Conselho de Direitos Humanos. As razões para a
mudança são várias, mas a maior crítica que vinha sofrendo a Comissão era a politização na
sua composição e a forma com que abordava os temas relativos aos direitos humanos. De um
lado, afirmava-se que não havia restrição alguma para que Estados acusados de serem grandes

14 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

violadores dos direitos humanos pudessem compor o órgão; de outro lado, sustentava-se que a
inexistência de um mecanismo que verificasse o cumprimento dos direitos humanos no mundo
inteiro – somente havendo mecanismos que analisavam a situação dos direitos humanos em
Estados específicos – promovia uma extrema politização na atuação da Comissão.
A atual composição do Conselho de Direitos Humanos permite rotatividade maior e
mecanismos para evitar ou reprimir que Estados considerados grandes violadores dos
direitos humanos possam ser membros. Cabe verificar se, no futuro, essa nova arquitetura
não promoverá uma politização ainda.
O Conselho de Direitos Humanos é composto por 47 membros. Ele possui competências
gerais, como a promoção dos direitos humanos, a difusão da educação em direitos humanos
e a elaboração de instrumentos internacionais. Além disso, possui funções de investigação
e monitoramento. Tais funções podem ser divididas em três grandes grupos: (a) revisão
periódica universal; (b) procedimentos especiais (special procedures); (c) procedimento de
reclamações (Procedimento 1503).

a. A revisão periódica universal


A revisão periódica universal não existia com a antiga Comissão de Direitos Humanos. Ela
permite que seja elaborado relatório contendo a situação dos direitos humanos em todo o
globo. Um dos princípios mais importantes no qual o procedimento se baseia é a cobertura
universal e o tratamento igualitário a todos os Estados na análise de questões sobre direitos
humanos. Ainda não foi apresentado um relatório de trabalho no âmbito da revisão periódica
universal. Espera-se, no entanto, que ele, quando elaborado, sirva para fortalecer os direitos
humanos e não seja apenas um mecanismo pelo qual Estados inconformados com a atuação
anterior da Comissão de Direitos Humanos possam agora demonstrar sua insatisfação política
quando forem alvos de críticas no que se refere ao respeito aos direitos humanos.

b. Os procedimentos especiais
Os procedimentos especiais surgiram da prática da Comissão de Direitos Humanos de investigar
não Estados específicos, mas temas. A partir dos anos 1990, o número de procedimentos
especiais aumentou exponencialmente. Nos dias atuais, os procedimentos especiais podem
abranger temas e também Estados específicos. Sua denominação pode variar. Grupo de
trabalho, relator especial, representantes especiais são apenas algumas denominações que
recaem no rótulo mais amplo dos procedimentos especiais. O Conselho tem promovido
esforços para uniformizar a terminologia. Há uma flexibilidade patente tanto na criação quanto
na atuação dos procedimentos especiais. A Resolução 5/1 do Conselho de Direitos Humanos
estabelece não mais que princípios gerais para as funções que devem ser desempenhadas
pelos procedimentos especiais; por outro lado, o Conselho insistiu em estabelecer regras mais
rígidas sobre a escolha dos membros que o compõem.
Mesmo ante a falta de clareza sobre as funções dos procedimentos especiais, algumas podem
ser identificadas: (1) agir com urgência quando houver informações que sugiram que violações
a direitos humanos estão acontecendo ou na iminência de ocorrer; (2) responder a alegações
sobre violações que já hajam ocorrido; (3) realizar missões para a investigação de fatos quando

www.acasadoconcurseiro.com.br 15
houver alegações de violações; (4) examinar o fenômeno global de um tipo específico de
violação a fim de compreender o problema e propor soluções; (5) clarificar a estrutura jurídica
internacional aplicável para tratar de uma violação em particular; (6) apresentar pareceres
anuais ao Conselho de Direitos Humanos, documentando suas atividades. Essas funções são
realizadas muitas vezes com o contato direto e a negociação com os Estados.

c. O procedimento de reclamações
O procedimento de reclamações é aquele originalmente denominado Procedimento 1503 no
âmbito da Comissão de Direitos Humanos. Essa antiga denominação tinha sua razão de ser
pelo fato de o procedimento se originar da Resolução 1503 do Conselho Econômico e Social. O
procedimento de reclamações existe para lidar com padrões consistentes de graves violações
de todos os direitos humanos e todas as liberdades fundamentais em qualquer parte do
mundo e sob quaisquer circunstâncias. Por esse procedimento são admitidas reclamações
de indivíduos que veem algum direito seu sendo violado. Os pressupostos de admissibilidade
serão estudados posteriormente.
Dois grupos de trabalho existem no âmbito do procedimento de reclamações. Enquanto o
Grupo de Trabalho sobre Comunicações faz um juízo de admissibilidade acerca dos casos
aptos a serem apreciados, podendo rejeitar de plano comunicações mal fundadas, o Grupo
de Trabalho sobre Situações tem a função de apresentar ao Conselho de Direitos Humanos
um parecer sobre os casos e formular uma recomendação sobre eles. O Procedimento 1503
sempre foi conhecido – e muitas vezes criticado – por seu caráter de confidencialidade. O
procedimento de reclamações perante o Conselho de Direitos Humanos continua confidencial,
porém este pode decidir dar publicidade à situação em casos de inequívoca falta de cooperação
por parte do Estado.

II. Mecanismos convencionais


Existem outros mecanismos de fiscalização dos direitos humanos sob o marco específico de um
tratado. Há vantagens e desvantagens em o mecanismo existir sob esse marco. Se, por um lado,
o mecanismo pode parecer tolhido em sua atuação a um campo delimitado pelo tratado, por
outro, este fornece uma estrutura mais organizada e clara para o mecanismo, o que certamente
pode contribuir para sua maior efetividade. Há, atualmente, como já visto, oito mecanismos
convencionais no sistema universal:
(1) Comitê de Direitos Humanos; (2) Comitê sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais;
(3) Comitê sobre a Eliminação da Discriminação Racial; (4) Comitê sobre a Eliminação da
Discriminação contra a Mulher; (5) Comitê contra a Tortura; (6) Comitê sobre os Direitos da
Criança; (7) Comitê sobre Trabalhadores Migrantes; (8) Comitê sobre os Direitos das Pessoas
com Deficiência. Há grandes diferenças nos métodos de trabalho e nas funções de cada um dos
comitês. No entanto, podem ser identificadas algumas características comuns entre eles.

16 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

Procedimento de consideração dos relatórios dos Estados-Partes

Os mecanismos convencionais preveem um procedimento de consideração dos relatórios


enviados pelos Estados-Partes. Há relatórios que os Estados precisam apresentar
periodicamente, dando conta do estado de aplicação e efetivação dos direitos contidos nos
tratados. É uma forma de prestação de contas à qual o Estado se torna vinculado desde o
momento em que ratifica o instrumento. E tem-se verificado que, de maneira geral, os
Estados têm apresentado tais relatórios, que são, muitas vezes, “francos e construtivos”.
Algo também comum entre os mecanismos convencionais é a possibilidade de emitirem os
chamados comentários gerais, que são interpretações do conteúdo dos tratados que criam os
mesmos mecanismos.
Inicialmente, foram criados com o objetivo de explicar aos Estados como implementar os
instrumentos internacionais e relatar os esforços empreendidos nesse sentido. Os comentários
gerais não se ajustam exatamente às fontes de direito internacional hoje amplamente
reconhecidas. Nesse sentido, podem ser considerados como não obrigatórios. Contudo, tendo
em vista que a produção de normatividade no direito internacional tem-se tornado cada vez
mais dinâmica, é reducionista dizer que os comentários gerais não possuem relevância jurídica
alguma. Eles podem certamente estimular comportamentos para a criação, por exemplo, do
costume internacional ou de princípios gerais de direito. Por fim, há os procedimentos de
reclamações que não são comuns a todos os mecanismos. Tais procedimentos são de três
tipos, apresentados a seguir.

2. Comunicações individuais
As comunicações individuais são previstas para cinco dos oito mecanismos: o Comitê de
Direitos Humanos, o Comitê sobre a Eliminação da Discriminação contra a Mulher, o Comitê
contra a Tortura, o Comitê sobre Trabalhadores Migrantes e o Comitê sobre os Direitos das
Pessoas com Deficiências. A competência para receber comunicações individuais dos comitês
hoje em funcionamento deve ser reconhecida pelos Estados, seja pela aceitação de um
protocolo facultativo, seja pela feitura de uma declaração específica no âmbito de um tratado.
As comunicações individuais são analisadas internamente pelos comitês, que se pronunciam
pela violação ou não, por parte do Estado, de um ou mais dispositivos do tratado. As decisões
dos comitês não são obrigatórias, mas certamente possuem um peso político expressivo ao
realizarem pressões sobre os Estados.

3. Reclamações interestatais
Um outro tipo de procedimento de reclamação refere-se às reclamações interestatais.
Aqui, Estados estabelecem procedimentos contra outros Estados em razão de um alegado
descumprimento de preceitos do tratado. Essas reclamações interestatais até hoje não foram
utilizadas pelos Estados. Elas são, contudo, previstas, de maneiras ligeiramente distintas, no
Comitê contra a Tortura, no Comitê sobre Trabalhadores Migrantes, no Comitê de Direitos
Humanos, no Comitê sobre a Eliminação da Discriminação contra a Mulher e no Comitê sobre
a Eliminação da Discriminação Racial. Vale destacar que, em relação a esse último comitê, o
procedimento de reclamações interestatais é obrigatório para todos os Estados Partes na

www.acasadoconcurseiro.com.br 17
convenção respectiva, diferentemente dos outros comitês, em que esse procedimento deve
sempre ser sujeito à aceitação dos Estados.

4. Investigações
Enfim, o terceiro tipo de procedimento de reclamações é a investigação, prevista apenas no
Comitê contra a tortura e no Comitê sobre a eliminação da discriminação contra a mulher.
Esse procedimento não é obrigatório, podendo os Estados se furtarem a ele. Ele terá início
quando o Comitê receber informações consistentes sobre indicações bem fundadas de graves e
sistemáticas violações a uma convenção.

18 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

TRATADOS DO SISTEMA UNIVERSAL


OU GLOBAL DE DIREITOS HUMANOS

Convenção para a Prevenção e a Artigo 2º


Repressão do crime de Genocídio Na presente Convenção, entende-se por geno-
(1948) cídio os atos abaixo indicados, cometidos com
a intenção de destruir, no todo ou em parte, um
grupo nacional, étnico, racial ou religioso, tais
Aprovada e proposta para assinatura e ratifica-
como:
ção ou adesão pela resolução 260 A (III) da As-
sembléia Geral das Nações Unidas, de 9 de De- a) Assassinato de membros do grupo;
zembro de 1948.
b) Atentado grave à integridade física e
Entrada em vigor na ordem internacional: 12 de mental de membros do grupo; Submissão
Janeiro de 1951, em conformidade com o artigo deliberada do grupo a condições de existên-
XIII. cia que acarretarão a sua destruição física,
total ou parcial;
As Partes Contratantes:
c) Medidas destinadas a impedir os nasci-
Considerando que a Assembléia Geral da Orga-
mentos no seio do grupo;
nização das Nações Unidas, na sua Resolução
nº 96 (I), de 11 de Dezembro de 1946, declarou d) Transferência forçada das crianças do
que o genocídio é um crime de direito dos po- grupo para outro grupo.
vos, que está em contradição com o espírito e
os fins das Nações Unidas e é condenado por Artigo 3º
todo o mundo civilizado; Serão punidos os seguintes atos:
Reconhecendo que em todos os períodos da a) O genocídio;
história o genocídio causou grandes perdas à
humanidade; b) O acordo com vista a cometer genocídio;
Convencidas de que, para libertar a humanida- c) O incitamento, direto e público, ao ge-
de de um flagelo tão odioso, é necessária a coo- nocídio;
peração internacional;
d) A tentativa de genocídio;
Acordam no seguinte:
e) A cumplicidade no genocídio. Artigo 4º
Artigo 1º
As pessoas que tenham cometido genocídio ou
As Partes Contratantes confirmam que o geno- qualquer dos outros atos enumerados no artigo
cídio, seja cometido em tempo de paz ou em 3º serão punidas, quer sejam governantes, fun-
tempo de guerra, é um crime do direito dos po- cionários ou particulares.
vos, que desde já se comprometem a prevenir e
a punir. Artigo 5º
As Partes Contratantes obrigam-se a adotar, de
acordo com as suas Constituições respectivas,
as medidas legislativas necessárias para asse-

www.acasadoconcurseiro.com.br 19
gurar a aplicação das disposições da presente Artigo 11º
Convenção e, especialmente, a prever sanções
penais eficazes que recaiam sobre as pessoas A presente Convenção estará aberta, até 31 de
culpadas de genocídio ou de qualquer dos atos dezembro de 1949, à assinatura de todos os
enumerados no artigo 3º. membros da Organização das Nações Unidas e
de todos os Estados que, não sendo membros,
Artigo 6º tenham sido convidados pela Assembleia Geral
para esse efeito.
As pessoas acusadas de genocídio ou de qual-
quer dos outros atos enumerados no artigo 3º A presente Convenção será ratificada e os ins-
serão julgadas pelos tribunais competentes do trumentos de ratificação serão depositados jun-
Estado em cujo território o ato foi cometido ou to do Secretário-Geral da Organização das Na-
pelo tribunal criminal internacional que tiver ções Unidas.
competência quanto às Partes Contratantes que
tenham reconhecido a sua jurisdição. Após 1º de Janeiro de 1950 poderão aderir à
presente Convenção os membros da Organiza-
Artigo 7º ção das Nações Unidas ou os Estados que, não
sendo membros, tenham recebido o convite
O genocídio e os outros atos enumerados no ar- acima mencionado.
tigo 3º não serão considerados crimes políticos,
para efeitos de extradição. Os instrumentos de adesão serão depositados
junto do Secretário-Geral da Organização das
Em tal caso, as Partes Contratantes obrigam-se Nações Unidas.
a conceder a extradição de acordo com a sua le-
gislação e com os tratados em vigor. Artigo 12º
Artigo 8º As Partes Contratantes poderão, em qualquer
momento e por notificação dirigida ao Secretá-
As Partes Contratantes podem recorrer aos ór- rio-Geral da Organização das Nações Unidas, es-
gãos competentes da Organização das Nações tender a aplicação da presente Convenção a to-
Unidas para que estes, de acordo com a Carta dos os territórios ou a qualquer dos territórios
das Nações Unidas, tomem as medidas que jul- cujas relações exteriores assumam.
guem apropriadas para a prevenção e repressão
dos atos de genocídio ou dos outros atos enu- Artigo 13º
merados no artigo 3º.
Quando tiverem sido depositados os primeiros
Artigo 9º 20 instrumentos de ratificação ou de adesão, o
Secretário-Geral registará o fato em acta. Trans-
Os diferendos entre as Partes Contratantes re- mitirá cópia dessa acta a todos os Estados mem-
lativos à interpretação, aplicação ou execução bros da Organização das Nações Unidas e aos
da presente Convenção, incluindo os diferendos Estados não membros referidos no artigo 11º
relativos à responsabilidade de um Estado em
matéria de genocídio ou de qualquer dos atos A presente Convenção entrará em vigor no 90º
enumerados no artigo 3º, serão submetidos ao dia após a data do depósito do 20º instrumento
Tribunal Internacional de Justiça, a pedido de de ratificação ou de adesão.
uma das partes do diferendo.
Todas as ratificações ou adesões efetuadas pos-
Artigo 10º teriormente à última data produzirão efeito no
90º dia após o depósito do instrumento de rati-
A presente Convenção, cujos textos em inglês, ficação ou de adesão.
chinês, espanhol, francês e russo são igualmen-
te válidos, será datada de 9 de dezembro de
1948.

20 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

Artigo 14º Artigo 18º


A presente Convenção terá uma duração de 10 O original da presente Convenção ficará depo-
anos contados da data da sua entrada em vigor. sitado nos arquivos da Organização das Nações
Unidas.
Após esse período, ficará em vigor por cinco
anos, e assim sucessivamente, para as Partes A todos os Estados membros da Organização
Contratantes que a não tiverem denunciado seis das Nações Unidas e aos Estados não membros
meses pelo menos antes de expirar o termo. referidos no artigo 11º serão enviadas cópias
autenticadas.
A denúncia será feita por notificação escrita, di-
rigida ao Secretário-Geral da Organização das Artigo 19º
Nações Unidas.
A presente Convenção será registada pelo Se-
Artigo 15º cretário-Geral da Organização das Nações Uni-
das na data da sua entrada em vigor.
Se, em consequência de denúncias, o número
das partes na presente Convenção se achar re-
duzido a menos de 16, a Convenção deixará de
estar em vigor a partir da data em que produzir Convenção Relativa ao Estatuto dos
efeitos a última dessas denúncias.
Refugiados (1951)
Artigo 16º
As Partes Contratantes poderão, a todo o tem- Adotada em 28 de julho de 1951 pela Conferên-
po, formular um pedido de revisão da presente cia das Nações Unidas de Plenipotenciários so-
Convenção, mediante notificação escrita dirigi- bre o Estatuto dos Refugiados e Apátridas, con-
da ao Secretário-Geral. vocada pela Resolução 429 (V) da Assembléia
Geral das Nações Unidas, de 14 de dezembro de
A Assembleia Geral deliberará sobre as medidas 1950.
a tomar, se for o caso, sobre esse pedido.
As Altas Partes Contratantes,
Artigo 17º
Considerando que a Carta das Nações Unidas e
O Secretário-Geral das Nações Unidas notificará a Declaração Universal dos Direitos Humanos,
todos os Estados membros da Organização e os aprovada em 10 de dezembro de 1948 pela As-
Estados não membros referidos no artigo 11º: sembléia Geral, afirmaram o princípio de que os
seres humanos, sem distinção, devem gozar dos
a) Das assinaturas, ratificações e adesões
direitos do homem e das liberdades fundamen-
recebidas em aplicação do artigo 11º;
tais,
b) Das notificações recebidas em aplicação
Considerando que a Organização das Nações
do artigo 12º;
Unidas tem repetidamente manifestado sua
c) Da data da entrada em vigor da presente profunda preocupação pelos refugiados e que
Convenção, em aplicação do artigo 13º; tem se esforçado por assegurar-lhes o exercício
mais amplo possível dos direitos do homem e
d) Das denúncias recebidas em aplicação das liberdades fundamentais,
do artigo 14º;
Considerando que é desejável rever e codificar
e) Da revogação da Convenção em aplica- os acordos internacionais anteriores relativos
ção do artigo 15º; ao estatuto dos refugiados e estender a aplica-
f) Das notificações recebidas em aplicação ção desses instrumentos e a proteção que eles
do artigo 16º oferecem por meio de um novo acordo,

www.acasadoconcurseiro.com.br 21
Considerando que da concessão do direito de 2) Que, em consequência dos aconteci-
asilo podem resultar encargos indevidamente mentos ocorridos antes de 1º de janeiro de
pesados para certos países e que a solução sa- 1951 e temendo ser perseguida por moti-
tisfatória para os problemas cujo alcance e na- vos de raça, religião, nacionalidade, grupo
tureza internacionais a Organização das Nações social ou opiniões políticas, encontra-se
Unidas reconheceu, não pode, portanto, ser ob- fora do país de sua nacionalidade e que não
tida sem cooperação internacional, pode ou, em virtude desse temor, não quer
valer-se da proteção desse país, ou que, se
Exprimindo o desejo de que todos os Estados, não tem nacionalidade encontra-se fora do
reconhecendo o caráter social e humanitário do país no qual tinha sua residência habitual
problema dos refugiados, façam tudo o que es- em consequência de tais acontecimentos,
teja ao seu alcance para evitar que esse proble- não pode ou, devido ao referido temor, não
ma se torne causa de tensão entre os Estados, quer voltar a ele.
Notando que o Alto Comissariado das Nações No caso de uma pessoa que tem mais de uma
Unidas para os Refugiados tem a incumbência nacionalidade, a expressão "do país de sua na-
de zelar para a aplicação das convenções in- cionalidade" se refere a cada um dos países dos
ternacionais que assegurem a proteção dos re- quais ela é nacional. Uma pessoa que, sem ra-
fugiados, e reconhecendo que a coordenação zão válida fundada sobre um temor justificado,
efetiva das medidas tomadas para resolver este não se houver valido da proteção de um dos pa-
problema dependerá da cooperação dos Esta- íses de que é nacional, não será considerada pri-
dos com o Alto Comissário, vada da proteção do país de sua nacionalidade.
Convieram nas seguintes disposições: B) 1) Para os fins da presente Convenção,
as palavras "acontecimentos ocorridos an-
tes de 1º de janeiro de 1951", do art. 1º, se-
ção A, poderão ser compreendidos no senti-
CAPÍTULO I
do de
DISPOSIÇÕES GERAIS
a) "acontecimentos ocorridos antes de 1º
Artigo 1º Definição do termo "refugiado" de janeiro de 1951 na Europa"; ou
A) Para fins da presente Convenção, o ter- b) "acontecimentos ocorridos antes de 1º
mo "refugiado" se aplicará a qualquer pes- de janeiro de 1951 na Europa ou alhures"; e
soa: cada Estado Contratante fará, no momento
da assinatura, da ratificação ou da adesão,
1. Que foi considerada refugiada nos ter-
uma declaração precisando o alcance que
mos dos Ajustes de 12 de maio de 1926 e de
pretende dar a essa expressão do ponto de
30 de junho de 1928, ou das Convenções de
vista das obrigações assumidas por ele em
28 de outubro de 1933 e de 10 de fevereiro
virtude da presente Convenção.
de 1938 e do Protocolo de 14 de setembro
de 1939, ou ainda da Constituição da Orga- 2. Qualquer Estado Contratante que adotou
nização Internacional dos Refugiados; a fórmula a) poderá em qualquer momento
estender as suas obrigações adotando a fór-
As decisões de inabilitação tomadas pela Orga-
mula b) por meio de uma notificação dirigi-
nização Internacional dos Refugiados durante o
da ao Secretário-Geral das Nações Unidas.
período do seu mandato não constituem obstá-
culo a que a qualidade de refugiado seja reco- C) Esta Convenção cessará, nos casos infra,
nhecida a pessoas que preencham as condições de ser aplicável a qualquer pessoa compre-
previstas no parágrafo 2º da presente seção; endida nos termos da seção A, retro:

22 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

1. se ela voltou a valer-se da proteção do Quando esta proteção ou assistência houver


país de que é nacional; ou cessado, por qualquer razão, sem que a sorte
dessas pessoas tenha sido definitivamente re-
2. se havendo perdido a nacionalidade, ela solvida de acordo com as resoluções a ela relati-
a recuperou voluntariamente; ou vas, adotadas pela Assembléia Geral das Nações
3. se adquiriu nova nacionalidade e goza Unidas, essas pessoas se beneficiarão de pleno
da proteção do país cuja nacionalidade ad- direito do regime desta Convenção.
quiriu; ou E) Esta Convenção não será aplicável a uma
4. se voltou a estabelecer-se, voluntaria- pessoa considerada pelas autoridades com-
mente, no país que abandonou ou fora do petentes do país no qual ela instalou sua
qual permaneceu com medo de ser perse- residência como tendo os direitos e as obri-
guido; ou gações relacionadas com a posse da nacio-
nalidade desse país.
5. se por terem deixado de existir as cir-
cunstâncias em conseqüência das quais foi F) As disposições desta Convenção não
reconhecida como refugiada, ela não pode serão aplicáveis às pessoas a respeito das
mais continuar recusando a proteção do quais houver razões sérias para se pensar
país de que é nacional; que:

Contanto, porém, que as disposições do presen- a) cometeram um crime contra a paz, um


te parágrafo não se apliquem a um refugiado crime de guerra ou um crime contra a hu-
incluído nos termos do parágrafo 1 da seção A manidade, no sentido dado pelos instru-
do presente artigo, que pode invocar, para recu- mentos internacionais elaborados para pre-
sar a proteção do país de que é nacional, razões ver tais crimes;
imperiosas resultantes de perseguições anterio- b) cometeram um crime grave de direito
res; comum fora do país de refúgio antes de se-
6. tratando-se de pessoa que não tem na- rem nele admitidas como refugiados;
cionalidade, se por terem deixado de exis- c) tornaram-se culpadas de atos contrários
tir as circunstâncias em consequência das aos fins e princípios das Nações Unidas.
quais foi reconhecida como refugiada, ela
está em condições de voltar ao país no qual Artigo 2º Obrigações gerais
tinha sua residência habitual;
Todo refugiado tem deveres para com o país em
Contanto, porém, que as disposições do presen- que se encontra, os quais compreendem nota-
te parágrafo não se apliquem a um refugiado in- damente a obrigação de respeitar as leis e regu-
cluído nos termos do parágrafo 1 da seção A do lamentos, assim como as medidas que visam a
presente artigo, que pode invocar, para recusar manutenção da ordem pública.
voltar ao país no qual tinha sua residência habi-
tual, razões imperiosas resultantes de persegui- Artigo 3º Não-discriminação
ções anteriores. Os Estados Contratantes aplicarão as disposi-
D) Esta Convenção não será aplicável às ções desta Convenção aos refugiados sem dis-
pessoas que atualmente se beneficiam de criminação quanto à raça, à religião ou ao país
uma proteção ou assistência de parte de de origem.
um organismo ou de uma instituição das Artigo 4º Religião
Nações Unidas, que não o Alto Comissaria-
do das Nações Unidas para os Refugiados. Os Estados Contratantes proporcionarão aos re-
fugiados, em seu território, um tratamento pelo
menos tão favorável como o que é proporciona-

www.acasadoconcurseiro.com.br 23
do aos nacionais no que concerne à liberdade procidade a refugiados que não preencham
de praticar sua religião e no que concerne à li- as condições previstas nos parágrafos 2 e 3.
berdade de instrução religiosa dos seus filhos.
5. As disposições dos parágrafos 2 e 3, su-
Artigo 5º Direitos conferidos independente- pra, aplicam-se assim às vantagens mencio-
mente desta Convenção nadas nos artigos 13, 18, 19, 21 e 22 desta
Convenção, como aos direitos e vantagens
Nenhuma disposição desta Convenção prejudi- que não são previstos pela mesma.
cará os outros direitos e vantagens concedidos
aos outros refugiados, independentemente des- Artigo 8º Dispensa de medidas excepcionais
ta Convenção.
No que concerne às medidas excepcionais que
Artigo 6º A expressão "nas mesmas circunstân- podem ser tomadas contra a pessoa, bens ou
cias" interesses dos nacionais de um Estado, os Esta-
dos Contratantes não aplicarão tais medidas a
Para os fins desta Convenção, a expressão "nas um refugiado que seja formalmente nacional do
mesmas circunstâncias" significa que todas as referido Estado unicamente em razão da sua na-
condições – em especial as que se referem à du- cionalidade. Os Estados Contratantes que, pela
ração e às condições de permanência ou de re- sua legislação, não podem aplicar o dispositivo
sidência – que o interessado teria de preencher geral consagrado neste artigo concederão, nos
para poder exercer o direito em causa, se ele casos apropriados, dispensas em favor de tais
não fosse refugiado, devem ser preenchidas por refugiados.
ele, com exceção das condições que, em razão
da sua natureza, não podem ser preenchidas Artigo 9º Medidas provisórias
por um refugiado.
Nenhuma das disposições da presente Con-
Artigo 7º Dispensa de reciprocidade venção tem por efeito impedir um Estado Con-
tratante, em tempo de guerra ou em outras
1. Ressalvadas as disposições mais favorá- circunstâncias graves e excepcionais, de tomar
veis previstas por esta Convenção, um Es- provisoriamente, a propósito de uma determi-
tado Contratante concederá aos refugiados nada pessoa, as medidas que este Estado julgar
o regime que concede aos estrangeiros em indispensáveis à segurança nacional, até que o
geral. referido Estado determine que essa pessoa é
2. Após um prazo de residência de três efetivamente um refugiado e que a continuação
anos, todos os refugiados se beneficiarão, de tais medidas é necessária a seu propósito no
no território dos Estados Contratantes, da interesse da segurança nacional.
dispensa de reciprocidade legislativa. Artigo 10. Continuidade de residência
3. Cada Estado Contratante continuará a 1. No caso de um refugiado que foi depor-
conceder aos refugiados os direitos e van- tado no curso da Segunda Guerra Mundial,
tagens de que já gozavam, na ausência de transportado para o território de um dos
reciprocidade, na data da entrada em vigor Estados Contratantes e aí resida, a duração
desta Convenção para o referido Estado. dessa permanência forçada será considera-
4. Os Estados Contratantes considerarão da residência regular nesse território.
com benevolência a possibilidade de con- 2. No caso de um refugiado que foi depor-
ceder aos refugiados, na ausência de reci- tado do território de um Estado Contratante
procidade, direitos e vantagens outros além no curso da Segunda Guerra Mundial e para
dos que eles gozam em virtude dos pará- ele voltou antes da entrada em vigor desta
grafos 2 e 3, assim como a possibilidade de Convenção para aí estabelecer sua residên-
conceder o benefício da dispensa de reci-

24 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

cia, o período que precedeu e o que se se- ção de propriedade móvel ou imóvel e a outros
guiu a essa deportação serão considerados, direitos a ela referentes, ao aluguel e aos outros
para todos os fins para os quais é necessária contratos relativos a propriedade móvel ou imó-
uma residência ininterrupta, como consti- vel.
tuindo apenas um período ininterrupto.
Artigo 14. Propriedade intelectual e industrial
Artigo 11. Marinheiros refugiados
Em matéria de proteção da propriedade indus-
No caso de refugiados regularmente emprega- trial, especialmente de invenções, desenhos,
dos como membros da tripulação a bordo de modelos, marcas de fábrica, nome comercial, e
um navio que hasteie pavilhão de um Estado em matéria de proteção da propriedade literá-
Contratante, este Estado examinará com bene- ria, artística e científica, um refugiado se bene-
volência a possibilidade de autorizar os referi- ficiará, no país em que tem sua residência habi-
dos refugiados a se estabelecerem no seu terri- tual, da proteção que é conferida aos nacionais
tório e entregar-lhes documentos de viagem ou do referido país. No território de qualquer um
de os admitir a título temporário no seu territó- dos outros Estados Contratantes, ele se benefi-
rio, a fim, notadamente, de facilitar sua fixação ciará da proteção dada no referido território aos
em outro país. nacionais do país no qual tem sua residência ha-
bitual.
Artigo 15. Direitos de associação
CAPÍTULO II Os Estados Contratantes concederão aos refu-
SITUAÇÃO JURÍDICA giados que residem regularmente em seu terri-
tório, no que concerne às associações sem fins
Artigo 12. Estatuto pessoal políticos nem lucrativos e aos sindicatos profis-
1. O estatuto pessoal de um refugiado será sionais, o tratamento mais favorável concedido
regido pela lei do país de seu domicílio, ou, aos nacionais de um país estrangeiro, nas mes-
na falta de domicílio, pela lei do país de sua mas circunstâncias.
residência. Artigo 16. Direito de propugnar em juízo
2. Os direitos adquiridos anteriormente 1. Qualquer refugiado terá, no território
pelo refugiado e decorrentes do estatuto dos Estados Contratantes, livre e fácil aces-
pessoal, e principalmente os que resultam so aos tribunais.
do casamento, serão respeitados por um Es-
tado Contratante, ressalvado, sendo o caso, 2. No Estado Contratante em que tem sua
o cumprimento das formalidades previstas residência habitual, qualquer refugiado
pela legislação do referido Estado, enten- gozará do mesmo tratamento que um na-
dendo-se, todavia, que o direito em causa cional, no que concerne ao acesso aos tri-
deve ser dos que seriam reconhecidos pela bunais, inclusive a assistência judiciária e a
legislação do referido Estado se o interessa- isenção de cautio judicatum solvi.
do não houvesse se tornado refugiado.
3. Nos Estados Contratantes outros que
Artigo 13. Propriedade móvel e imóvel não aquele em que tem sua residência ha-
bitual, e no que concerne às questões men-
Os Estados Contratantes concederão a um re- cionadas no parágrafo 2, qualquer refugia-
fugiado um tratamento tão favorável quanto do gozará do mesmo tratamento que um
possível, e de qualquer maneira um tratamento nacional do país no qual tem sua residência
que não seja menos favorável do que o que é habitual.
concedido, nas mesmas circunstâncias, aos es-
trangeiros em geral, no que concerne à aquisi-

www.acasadoconcurseiro.com.br 25
CAPÍTULO III tâncias, aos estrangeiros em geral, no que con-
EMPREGOS REMUNERADOS cerne ao exercício de uma profissão não assala-
riada na agricultura, na indústria, no artesanato
Artigo 17. Profissões assalariadas e no comércio, bem como à instalação de firmas
comerciais e industriais.
1. Os Estados Contratantes darão a todo
refugiado que resida regularmente no seu Artigo 19. Profissões liberais
território o tratamento mais favorável dado,
1. Cada Estado Contratante dará aos refu-
nas mesmas circunstâncias, aos nacionais
giados que residam regularmente no seu
de um país estrangeiro no que concerne ao
território e sejam titulares de diplomas re-
exercício de uma atividade profissional as-
conhecidos pelas autoridades competentes
salariada.
do referido Estado e que desejam exercer
2. Em qualquer caso, as medidas restritivas uma profissão liberal, tratamento tão favo-
impostas aos estrangeiros ou ao emprego rável quanto possível, e, em todo caso, tra-
de estrangeiros para a proteção do mercado tamento não menos favorável do que aque-
nacional do trabalho não serão aplicáveis le que é dado, nas mesmas circunstâncias,
aos refugiados que já estavam dispensados aos estrangeiros em geral.
na data da entrada em vigor desta Conven-
2. Os Estados Contratantes farão tudo o
ção pelo Estado Contratante interessado,
que estiver ao seu alcance, conforme as
ou que preencham uma das seguintes con-
suas leis e constituições, para assegurar a
dições:
instalação de tais refugiados em territórios
a) contar três anos de residência no país; outros que não o território metropolitano,
de cujas relações internacionais sejam res-
b) ter por cônjuge uma pessoa que possua ponsáveis.
a nacionalidade do país de residência. Um
refugiado não poderá invocar o benefício
desta disposição no caso de haver abando-
nado o cônjuge; CAPÍTULO IV
c) ter um ou vários filhos que possuam a BEM-ESTAR
nacionalidade do país de residência.
Artigo 20. Racionamento
3. Os Estados Contratantes considerarão
No caso de existir um sistema de racionamento
com benevolência a adoção de medidas
ao qual esteja submetido o conjunto da popula-
tendentes a assimilar os direitos de todos
ção, que regule a repartição geral dos produtos
os refugiados no que concerne ao exercício
de que há escassez, os refugiados serão trata-
das profissões assalariadas aos dos seus na-
dos como os nacionais.
cionais, e em particular para os refugiados
que entraram no seu território em virtude Artigo 21. Alojamento
de um programa de recrutamento de mão-
-de-obra ou de um plano de imigração. No que concerne ao alojamento, os Estados
Contratantes darão, na medida em que esta
Artigo 18. Profissões não assalariadas questão seja regulada por leis ou regulamentos
ou seja submetida ao controle das autoridades
Os Estados Contratantes darão aos refugiados
públicas, aos refugiados que residam regular-
que se encontrem regularmente no seu territó-
mente no seu território, tratamento tão favorá-
rio tratamento tão favorável quanto possível e,
vel quanto possível e, em todo caso, tratamento
em todo caso, tratamento não menos favorável
não menos favorável do que aquele que é dado,
do que aquele que é dado, nas mesmas circuns-

26 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

nas mesmas circunstâncias, aos estrangeiros em b) Previdência social (as disposições le-
geral. gais relativas aos acidentes do trabalho, às
moléstias profissionais, à maternidade, à
Artigo 22. Educação pública doença, à invalidez, à velhice, à morte, ao
1. Os Estados Contratantes darão aos refu- desemprego, aos encargos de família, bem
giados o mesmo tratamento que é dado aos como a qualquer outro risco que, conforme
nacionais no que concerne ao ensino primá- a legislação nacional, esteja previsto no sis-
rio. tema de previdência social), observadas as
seguintes limitações:
2. Os Estados Contratantes darão aos refu-
giados um tratamento tão favorável quanto I – existência de medidas apropriadas visan-
possível, e em todo caso não menos favo- do a manutenção dos direitos adquiridos e
rável do que aquele que é dado aos estran- dos direitos em curso de aquisição;
geiros em geral, nas mesmas circunstâncias, II – disposições particulares prescritas pela
no que concerne aos graus de ensino supe- legislação nacional do país de residência
riores ao primário, em particular no que diz concernentes a benefícios ou a frações de
respeito ao acesso aos estudos, ao reconhe- benefícios pagáveis exclusivamente por fun-
cimento de certificados de estudos, de di- dos públicos, bem como a pensões pagas a
plomas e títulos universitários estrangeiros, pessoas que não preenchem as condições
à isenção de emolumentos alfandegários e de contribuição exigidas para a concessão
taxas e à concessão de bolsas de estudos. de uma pensão normal.
Artigo 23. Assistência pública 2. Os direitos a um benefício decorrentes
Os Estados Contratantes darão aos refugiados da morte de um refugiado em virtude de
que residam regularmente no seu território o acidente de trabalho ou de doença profis-
mesmo tratamento em matéria de assistência e sional não serão afetados pelo fato do be-
de socorros públicos que é dado aos seus nacio- neficiário residir fora do território do Estado
nais. Contratante.

Artigo 24. Legislação do trabalho e previdência 3. Os Estados Contratantes estenderão aos


social refugiados o benefício dos acordos que con-
cluíram ou vierem a concluir entre si, relati-
1. Os Estados Contratantes darão aos re- vamente à manutenção dos direitos adqui-
fugiados que residam regularmente no seu ridos ou em curso de aquisição em matéria
território o mesmo tratamento dado aos de previdência social, contanto que os re-
nacionais quanto aos seguintes pontos: fugiados preencham as condições previstas
a) Na medida em que estas questões são para os nacionais dos países signatários dos
regulamentadas pela legislação ou depen- acordos em questão.
dem das autoridades administrativas: re- 4. Os Estados Contratantes examinarão
muneração, inclusive abonos familiares com benevolência a possibilidade de esten-
quando os mesmos integrarem a remunera- der, na medida do possível, aos refugiados,
ção; duração do trabalho; horas suplemen- o benefício de acordos semelhantes que es-
tares; férias pagas; restrições ao trabalho tão ou estarão em vigor entre esses Estados
doméstico; idade mínima para o emprego; Contratantes e Estados não-contratantes.
aprendizado e formação profissional; traba-
lho das mulheres e dos adolescentes, e gozo
das vantagens proporcionadas pelas con-
venções coletivas.

www.acasadoconcurseiro.com.br 27
CAPÍTULO V encontre no seu território e que não possua do-
MEDIDAS ADMINISTRATIVAS cumento de viagem válido.
Artigo 28. Documentos de viagem
Artigo 25. Assistência administrativa
1. Os Estados Contratantes entregarão aos
1. Quando o exercício de um direito por
refugiados que residam regularmente no
parte de um refugiado normalmente exigir
seu território documentos de viagem des-
a assistência de autoridades estrangeiras às
tinados a permitir-lhes viajar fora desse
quais ele não pode recorrer, os Estados Con-
território, a menos que a isto se oponham
tratantes em cujo território reside provi-
razões imperiosas de segurança nacional ou
denciarão para que essa assistência lhe seja
de ordem pública; as disposições do Anexo
dada, quer pelas suas próprias autoridades,
a esta Convenção se aplicarão a esses docu-
quer por uma autoridade internacional.
mentos. Os Estados Contratantes poderão
2. A ou as autoridades mencionadas no pa- entregar tal documento de viagem a qual-
rágrafo 1 entregarão ou farão entregar, sob quer outro refugiado que se encontre no
seu controle, aos refugiados, os documen- seu território; darão atenção especial aos
tos ou certificados que normalmente se- casos de refugiados que se encontrem no
riam entregues a um estrangeiro pelas suas seu território e que não estejam em condi-
autoridades nacionais ou por seu intermé- ções de obter um documento de viagem do
dio. país onde residem regularmente.

3. Os documentos ou certificados assim 2. Os documentos de viagem entregues


entregues substituirão os documentos ofi- nos termos de acordos internacionais an-
ciais entregues a estrangeiros pelas suas au- teriores serão reconhecidos pelos Estados
toridades nacionais ou por seu intermédio, Contratantes e tratados como se houves-
e terão fé pública até prova em contrário. sem sido entregues aos refugiados em vir-
tude do presente artigo.
4. Ressalvadas as exceções que possam
ser admitidas em favor dos indigentes, os Artigo 29. Despesas fiscais
serviços mencionados no presente artigo
1. Os Estados Contratantes não submete-
poderão ser cobrados; mas estas cobranças
rão os refugiados a emolumentos alfande-
serão moderadas e de acordo com o valor
gários, taxas e impostos de qualquer espé-
que se cobrar dos nacionais por serviços
cie, além ou mais elevados do que aqueles
análogos.
que são ou serão cobrados dos seus nacio-
5. As disposições deste artigo em nada afe- nais em situações análogas.
tarão os artigos 27 e 28.
2. As disposições do parágrafo anterior
Artigo 26. Liberdade de movimento não impedem a aplicação aos refugiados
das disposições de leis e regulamentos con-
Cada Estado Contratante dará aos refugiados cernentes às taxas relativas à expedição de
que se encontrem no seu território o direito de documentos administrativos para os estran-
nele escolher o local de sua residência e de nele geiros, inclusive papéis de identidade.
circular livremente, com as reservas instituídas
pela regulamentação aplicável aos estrangeiros Artigo 30. Transferência de bens
em geral nas mesmas circunstâncias.
1. Cada Estado Contratante permitirá aos
Artigo 27. Papéis de identidade refugiados, conforme as leis e regulamentos
do seu país, transferir os bens que trouxe-
Os Estados Contratantes entregarão documen- ram para o seu território para o território de
tos de identidade a qualquer refugiado que se

28 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

um outro país, no qual foram admitidos, a dade competente ou perante uma ou várias
fim de nele se reinstalarem. pessoas especialmente designadas pela au-
toridade competente.
2. Cada Estado Contratante considerará
com benevolência os pedidos apresentados 3. Os Estados Contratantes concederão a
pelos refugiados que desejarem obter auto- tal refugiado um prazo razoável para ele ob-
rização para transferir todos os outros bens ter admissão legal em um outro país. Os Es-
necessários a sua reinstalação em um outro tados Contratantes podem aplicar, durante
país, onde foram admitidos, a fim de nele se esse prazo, a medida de ordem interna que
reinstalarem. julgarem oportuna.
Artigo 31. Refugiados em situação irregular no Artigo 33. Proibição de expulsão ou de rechaço
país de refúgio
1. Nenhum dos Estados Contratantes ex-
1. Os Estados Contratantes não aplicarão pulsará ou rechaçará, de forma alguma, um
sanções penais aos refugiados que, chegan- refugiado para as fronteiras dos territórios
do diretamente de território no qual sua em que sua vida ou liberdade seja ameaça-
vida ou sua liberdade estava ameaçada, no da em decorrência da sua raça, religião, na-
sentido previsto pelo art. 1º, encontrem-se cionalidade, grupo social a que pertença ou
no seu território sem autorização, contanto opiniões políticas.
que se apresentem sem demora às autori-
dades e exponham-lhes razões aceitáveis 2. O benefício da presente disposição não
para a sua entrada ou presença irregulares. poderá, todavia, ser invocado por um refu-
giado que por motivos sérios seja conside-
2. Os Estados Contratantes não aplicarão rado um perigo à segurança do país no qual
aos deslocamentos de tais refugiados ou- ele se encontre ou que, tendo sido conde-
tras restrições que não as necessárias; es- nado definitivamente por um crime ou deli-
sas restrições serão aplicadas somente en- to particularmente grave, constitua ameaça
quanto o estatuto desses refugiados no país para a comunidade do referido país.
de refúgio não houver sido regularizado ou
eles não houverem obtido admissão em ou- Artigo 34. Naturalização
tro país. À vista desta última admissão, os Os Estados Contratantes facilitarão, na medida
Estados Contratantes concederão a esses do possível, a assimilação e a naturalização dos
refugiados um prazo razoável, assim como refugiados. Esforçar-se-ão, em especial, para
todas as facilidades necessárias. acelerar o processo de naturalização e reduzir,
Artigo 32. Expulsão também na medida do possível, as taxas e des-
pesas desse processo.
1. Os Estados Contratantes não expulsarão
um refugiado que esteja regularmente no
seu território, senão por motivos de segu-
rança nacional ou de ordem pública. CAPÍTULO VI
DISPOSIÇÕES EXECUTÓRIAS
2. A expulsão desse refugiado somente
ocorrerá em consequência de decisão judi- E TRANSITÓRIAS
cial proferida em processo legal. A não ser
Artigo 35. Cooperação das autoridades nacio-
que a isso se oponham razões imperiosas
nais com as Nações Unidas
de segurança nacional, o refugiado deverá
ter permissão de apresentar provas em seu 1. Os Estados Contratantes comprometem-
favor, de interpor recurso e de se fazer re- -se a cooperar com o Alto Comissariado
presentar para esse fim perante uma autori- das Nações Unidas para os Refugiados, ou

www.acasadoconcurseiro.com.br 29
qualquer outra instituição das Nações Uni- CAPÍTULO VII
das que lhe suceda, no exercício das suas CLÁUSULAS FINAIS
funções e em particular para facilitar a sua
tarefa de supervisionar a aplicação das dis- Artigo 38. Solução dos dissídios
posições desta Convenção.
Qualquer controvérsia entre as Partes nesta
2. A fim de permitir ao Alto Comissariado Convenção relativa a sua interpretação ou a sua
ou a qualquer outra instituição das Nações aplicação, que não possa ser resolvida por ou-
Unidas que lhe suceda apresentar relatório tros meios, será submetida à Corte Internacio-
aos órgãos competentes das Nações Uni- nal de Justiça, a pedido de uma das Partes na
das, os Estados Contratantes se comprome- controvérsia.
tem a fornecer-lhes, pela forma apropriada,
as informações e os dados estatísticos soli- Artigo 39. Assinatura, ratificação e adesão
citados relativos: 1. Esta Convenção ficará aberta à assina-
a) ao estatuto dos refugiados, tura em Genebra a 28 de julho de 1951 e,
após esta data, depositada em poder do
b) à execução desta Convenção, e Secretário-Geral das Nações Unidas. Ficará
c) às leis, regulamentos e decretos que es- aberta à assinatura no Escritório Europeu
tão ou entrarão em vigor no que concerne das Nações Unidas de 28 de julho a 31 de
aos refugiados. agosto de 1951, e depois será reaberta à as-
sinatura na sede da Organização das Nações
Artigo 36. Informações sobre as leis e regula- Unidas, de 17 de setembro de 1951 a 31 de
mentos nacionais dezembro de 1952.
Os Estados Contratantes comunicarão ao Secre- 2. Esta Convenção ficará aberta à assinatu-
tário-Geral das Nações Unidas o texto das leis e ra de todos os Estados membros da Orga-
dos regulamentos que promulguem para asse- nização das Nações Unidas, bem como de
gurar a aplicação desta Convenção. qualquer outro Estado não-membro convi-
dado para a Conferência de Plenipotenciá-
Artigo 37. Relações com as convenções ante- rios sobre o Estatuto dos Refugiados e dos
riores Apátridas, ou de qualquer Estado ao qual a
Sem prejuízo das disposições constantes no pa- Assembléia Geral haja dirigido convite para
rágrafo 2 do artigo 28, esta Convenção substi- assinar. Deverá ser ratificada e os instru-
tui, entre as Partes na Convenção, os acordos de mentos de ratificação ficarão depositados
5 de julho de 1922, 31 de maio de 1924, 12 de em poder do Secretário-Geral das Nações
maio de 1926, 30 de julho de 1928 e 30 de julho Unidas.
de 1935, bem como as Convenções de 28 de ou- 3. Os Estados mencionados no parágrafo
tubro de 1933, 10 de fevereiro de 1938, o Proto- 2 do presente artigo poderão aderir a esta
colo de 14 de setembro de 1939 e o Acordo de Convenção a partir de 28 de julho de 1951.
15 de outubro de 1946. A adesão será feita mediante instrumento
próprio que ficará depositado em poder do
Secretário-Geral das Nações Unidas.
Artigo 40. Cláusula de aplicação territorial
1. Qualquer Estado poderá, no momento
da assinatura, ratificação ou adesão, de-
clarar que esta Convenção se estenderá ao
conjunto dos territórios que representa no

30 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

plano internacional, ou a um ou vários den- c) Um Estado federal Parte nesta Con-


tre eles. Tal declaração produzirá efeitos no venção fornecerá, mediante solicitação de
momento da entrada em vigor da Conven- qualquer outro Estado Contratante que lhe
ção para o referido Estado. haja sido transmitida pelo Secretário-Geral
das Nações Unidas, uma exposição sobre
2. A qualquer momento posterior a exten- a legislação e as práticas em vigor na fe-
são poderá ser feita através de notificação deração e em suas unidades constitutivas,
dirigida ao Secretário-Geral das Nações no que concerne a qualquer disposição da
Unidas, e produzirá efeitos a partir do no- Convenção, indicando em que medida, por
nagésimo dia seguinte à data na qual o Se- uma ação legislativa ou de outra natureza,
cretário-Geral das Nações Unidas houver tornou-se efetiva a referida disposição.
recebido a notificação ou na data de entra-
da em vigor da Convenção para o referido Artigo 42. Reservas
Estado, se esta última data for posterior.
1. No momento da assinatura, da ratifica-
3. No que concerne aos territórios aos ção ou da adesão, qualquer Estado poderá
quais esta Convenção não se aplique na formular reservas aos artigos da Conven-
data da assinatura, ratificação ou adesão, ção, que não os artigos 1, 3, 4, 16 (1), 33 e
cada Estado interessado examinará a possi- 36 a 46 inclusive.
bilidade de tomar, logo que possível, todas
as medidas necessárias a fim de estender 2. Qualquer Estado Contratante que haja
a aplicação desta Convenção aos referidos formulado uma reserva conforme o pará-
territórios, ressalvado, sendo necessário grafo 1 desse artigo, poderá retirá-la a qual-
por motivos constitucionais, o consenti- quer momento mediante comunicação com
mento do governo de tais territórios. esse fim dirigida ao Secretário-Geral das
Nações Unidas.
Artigo 41. Cláusula federal
Artigo 43. Entrada em vigor
No caso de um Estado federal ou não-unitário,
aplicar-se-ão as seguintes disposições: 1. Esta Convenção entrará em vigor no no-
nagésimo dia seguinte à data do depósito
a) No que concerne aos artigos desta Con- do sexto instrumento de ratificação ou de
venção cuja execução dependa da ação adesão.
legislativa do poder legislativo federal, as
obrigações do governo federal serão, nesta 2. Para cada um dos Estados que ratifica-
medida, as mesmas que as das partes que rem a Convenção ou a ela aderirem depois
não são Estados federais. do depósito do sexto instrumento de ratifi-
cação ou de adesão, ela entrará em vigor no
b) No que concerne aos artigos desta Con- nonagésimo dia seguinte à data do depósito
venção cuja aplicação depende da ação le- feito por esse Estado do seu instrumento de
gislativa de cada um dos Estados, províncias ratificação ou de adesão.
ou municípios constitutivos, que não são,
em virtude do sistema constitucional da fe- Artigo 44. Denúncia
deração, obrigados a tomar medidas legisla- 1. Qualquer Estado Contratante poderá de-
tivas, o governo federal levará, o mais cedo nunciar a Convenção a qualquer momento
possível, e com o seu parecer favorável, os por notificação dirigida ao Secretário-Geral
referidos artigos ao conhecimento das au- das Nações Unidas.
toridades competentes dos Estados, provín-
cias ou municípios. 2. A denúncia entrará em vigor para o Es-
tado interessado um ano depois da data em

www.acasadoconcurseiro.com.br 31
que tiver sido recebida pelo Secretário-Ge- Em fé do que, os abaixo-assinados, devidamen-
ral das Nações Unidas. te autorizados, assinaram, em nome de seus
respectivos Governos, a presente Convenção.
3. Qualquer Estado que houver feito uma
declaração ou notificação conforme o ar-
tigo 40, poderá notificar ulteriormente ao
Secretário-Geral das Nações Unidas que a Protocolo sobre o Estatuto dos
Convenção cessará de se aplicar a todo o
Refugiados (1966)
território designado na notificação. A Con-
venção cessará, então, de se aplicar ao ter-
ritório em questão, um ano depois da data Adotado e aberto à adesão pela Resolução n.
na qual o Secretário-Geral houver recebido 2.198 (XXI) da Assembléia Geral das Nações Uni-
essa notificação. das, de 16 de dezembro de 1966, e aprovado
anteriormente pela Resolução nº 1.186 (XLI) do
Artigo 45. Revisão Conselho Econômico e Social (ECOSOC) das Na-
1. Qualquer Estado Contratante poderá, a ções Unidas, de 18 de novembro de 1966.
qualquer tempo, por uma notificação dirigi- Os Estados Membros no Presente Protocolo,
da ao Secretário-Geral das Nações Unidas,
pedir a revisão desta Convenção. Considerando que a Convenção sobre o Estatuto
dos Refugiados assinada em Genebra, em 28 de
2. A Assembléia Geral das Nações Unidas julho de 1951 (doravante denominada Conven-
recomendará as medidas a serem tomadas, ção), só se aplica às pessoas que se tornaram
se for o caso, a propósito de tal pedido. refugiados em decorrência dos acontecimentos
Artigo 46. Notificações pelo Secretário-Geral ocorridos antes de 1º de janeiro de 1951,
das Nações Unidas Considerando que surgiram novas categorias de
O Secretário-Geral das Nações Unidas comuni- refugiados desde que a Convenção foi adotada
cará a todos os Estados membros das Nações e que, por isso, os citados refugiados não po-
Unidas e aos Estados não-membros menciona- dem beneficiar-se da Convenção.
dos no artigo 39: Considerando a conveniência de que o mesmo
a) as declarações e as notificações mencio- Estatuto se aplique a todos os refugiados com-
nadas na seção B do artigo 1; preendidos na definição dada na Convenção,
independentemente da data-limite de 1º de ja-
b) as assinaturas, ratificações e adesões neiro de 1951.
mencionadas no artigo 39;
Convieram no seguinte:
c) as declarações e as notificações mencio-
nadas no artigo 40; Artigo 1º Disposição geral

d) as reservas formuladas ou retiradas § 1º Os Estados Membros no presente Pro-


mencionadas no artigo 42; tocolo comprometer-se-ão a aplicar os "ar-
tigos 2º a 34" inclusive da Convenção aos
e) a data na qual esta Convenção entrará refugiados, definidos a seguir.
em vigor, de acordo com o artigo 43;
§ 2º Para os fins do presente Protocolo, o
f) as denúncias e as notificações mencio- termo "refugiados", salvo no que diz respei-
nadas no artigo 44; to à aplicação do "§ 3 do presente artigo",
significa qualquer pessoa que se enquadre
g) os pedidos de revisão mencionados no
na definição dada no artigo primeiro da
artigo 45.
Convenção, como se as palavras "em decor-

32 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

rência dos acontecimentos ocorridos antes mentos que promulgarem para assegurar a apli-
de 1º de janeiro de 1951 e..." e as palavras cação do presente Protocolo.
"...como conseqüência de tais aconteci-
mentos" não figurassem do "§ 2 da seção A Artigo 4º Solução das controvérsias
do artigo primeiro". Toda controvérsia entre as Partes no presen-
O presente Protocolo será aplicado pelos Esta- te Protocolo, relativa à sua interpretação e à
dos Membros sem nenhuma limitação geográfi- sua aplicação, que não for resolvida por outros
ca; entretanto, as declarações já feitas em virtu- meios, será submetida à Corte Internacional da
de da "alínea a do § 1 da seção B do artigo1º" da Justiça, a pedido de uma das Partes na contro-
Convenção aplicar-se-ão, também, no regime vérsia.
do presente Protocolo, a menos que as obriga- Artigo 5º Adesão
ções do Estado declarante tenham sido amplia-
das de conformidade com o "§ 2 da seção B do O presente Protocolo ficará aberto à adesão
artigo1º" da Convenção. de todos os Estados Membros na Convenção e
qualquer outro Estado Membro da Organização
Artigo 2º Cooperação das autoridades nacio- das Nações Unidas ou membro de uma de suas
nais com as Nações Unidas Agências Especializadas ou de outro Estado ao
§ 1º Os Estados Membros no presente Pro- qual a Assembléia Geral endereçar um convite
tocolo, comprometem-se a cooperar com para aderir ao Protocolo. A adesão far-se-á pelo
o Alto Comissário das Nações Unidas para depósito de um instrumento de adesão junto
os Refugiados ou qualquer outra institui- ao Secretário-Geral da Organização das Nações
ção das Nações Unidas que lhe suceder, no Unidas.
exercício de suas funções e, especialmente, Artigo 6º Cláusula federal
a facilitar seu trabalho de observar a aplica-
ção das disposições do presente Protocolo. No caso de um Estado Federal ou não-unitário,
as seguintes disposições serão aplicadas:
§ 2º A fim de permitir ao Alto Comissaria-
do, ou a toda outra instituição das Nações § 1º No que diz respeito aos artigos da Con-
Unidas que lhe suceder, apresentar relató- venção que devam ser aplicados de confor-
rios aos órgãos competentes das Nações midade com o "§ 1 do artigo1º" do presen-
Unidas, os Estados Membros no presente te Protocolo e cuja execução depender da
Protocolo comprometem-se a fornece-lhe, ação legislativa do poder legislativo federal,
na forma apropriada, as informações e os as obrigações do governo federal serão,
dados estatísticos solicitados sobre: nesta medida, as mesmas que aquelas dos
Estados Membros que não forem Estados
a) O estatuto dos refugiados. federais.
b) A execução do presente Protocolo. § 2º No que diz respeito aos artigos da Con-
c) As leis, os regulamentos e os decretos venção que devam ser aplicados de confor-
que estão ou entrarão em vigor, no que con- midade com o "§ 1 do artigo1º" do presen-
cerne aos refugiados. te Protocolo e aplicação depender da ação
legislativa de cada um dos Estados, provín-
Artigo 3º Informações relativas às leis e regula- cias, ou municípios constitutivos, que não
mentos nacionais forem, por causa do sistema constitucional
da federação, obrigados a adotar medidas
Os Estados Membros no presente Protocolo co- legislativas, o governo federal levará, o mais
municarão ao Secretário-Geral da Organização cedo possível e com a sua opinião favorável,
das Nações Unidas o texto das leis e dos regula- os referidos artigos ao conhecimento das

www.acasadoconcurseiro.com.br 33
autoridades competentes dos Estados, pro- que no momento da adesão uma notifica-
víncias ou municípios. ção contrária for endereçada ao Secretário-
-Geral da Organização das Nações Unidas.
§ 3º Um Estado federal Membro no pre- As disposições dos "§ 2 e § 3 do artigo 40
sente Protocolo comunicará, a pedido de e do § 3 do artigo 44" da Convenção serão
qualquer outro Estado Membro no presen- consideradas aplicáveis mutatis mutantis ao
te Protocolo, que lhe for transmitido pelo presente Protocolo.
Secretário-Geral da Organização das Nações
Unidas, uma exposição de sua legislação Artigo 8º Entrada em vigor
e as práticas em vigor na federação e suas
unidade constitutivas, no que diz respeito § 1º O presente Protocolo entrará em vigor
a qualquer disposição da Convenção a ser na data do depósito do sexto instrumento
aplicada de conformidade com o disposto de adesão.
no"§ 1 do artigo1º" do presente Protocolo, § 2º Para cada um dos Estados que aderir ao
indicando em que medida, por ação legisla- Protocolo após o depósito do sexto instru-
tiva ou de outra espécie, foi efetiva tal dis- mento de adesão, o Protocolo entrará em
posição. vigor na data em que esses Estado deposi-
Artigo 7º Reservas e declarações tar seu instrumento de adesão.

§ 1º No momento de sua adesão, todo Es- Artigo 9º Denúncia


tado poderá formular reservas ao "artigo § 1º Todo Estado Membro no presente Pro-
4º" do presente Protocolo e a respeito da tocolo poderá denunciá-lo, a qualquer mo-
aplicação, em virtude do artigo primeiro do mento, mediante uma notificação endere-
presente Protocolo, de quaisquer disposi- çada ao Secretário-Geral da Organização
ções da Convenção, com exceção dos "arti- das Nações Unidas. A denúncia surtirá efei-
gos 1º, 3º, 4º. 16 (I) e 33", desde que, no to, para o Estado Membro em questão, um
caso de um Estado Membro na Convenção, ano após a data em que for recebida pelo
as reservas feitas, em virtude do presente Secretário-Geral da Organização das Nações
artigo, não se estendam aos refugiados aos Unidas.
quais se aplica a Convenção.
Artigo 10. Notificações pelo Secretário-Geral
§ 2º As reservas feitas por Estados Mem- da Organização das Nações Unidas
bros na Convenção, de conformidade com o
"artigo 42" da referida Convenção, aplicar- O Secretário-Geral da Organização das Nações
-se-ão, a não ser que sejam retiradas, à s Unidas notificará a todos os Estados referido
suas obrigações decorrentes do presente no "artigo 5º" as datas da entrada em vigor, de
Protocolo. adesão, de depósito e de retirada de reservas,
de denúncia e de declarações e notificações
§ 3º Todo Estado que formular uma reser- pertinentes a este Protocolo.
va, em virtude do "§ 1" do presente artigo,
poderá retirá-la a qualquer momento, por Artigo 11. Depósito do Protocolo nos Arquivos
uma comunicação endereçada com este ob- do Secretariado da Organização das Nações
jetivo ao Secretário-Geral da Organização Unidas.
das Nações Unidas.
Um exemplar do presente Protocolo, cujos tex-
§ 4º As declarações feitas em virtude dos tos em língua chinesa, espanhola, francesa,
"§ 1 e§ 2 do artigo 40" da Convenção, por inglesa e russa fazem igualmente fé, assinado
um Estado Membro nesta Convenção, e que pelo Presidente da Assembléia Geral e pelo Se-
aderir ao presente protocolo, serão conside- cretário-Geral da Organização das Nações Uni-
radas aplicáveis a este Protocolo, a menos das, será depositado nos arquivos do Secretaria-

34 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

do da Organização. O Secretário-Geral remeterá Considerando que a Declaração Universal dos


cópias autenticadas do Protocolo a todos os Es- Direitos do Homem proclama que todos os seres
tados membros da Organização das Nações Uni- humanos nascem livres e iguais em dignidade
das e aos outros Estados referidos no "artigo e em direitos, e que cada um pode prevalecer-
5º" acima. -se de todos os direitos e de todas as liberdades
nela enunciados, sem distinção alguma, nomea-
DECRETO Nº 70.946 damente de raça, de cor ou de origem nacional;
DE 7 DE AGOSTO DE 1972
Considerando que todos os homens são iguais
Promulga o Protocolo sobre o Estatuto dos Re- perante a lei e têm direito a uma igual proteção
fugiados da lei contra toda a discriminação e contra todo
o incitamento à discriminação;
O Presidente da República, havendo sido apro-
vado, pelo "Decreto Legislativo nº 93" , de 30 de Considerando que as Nações Unidas condena-
novembro de 1971, o Protocolo sobre o Estatu- ram o colonialismo e todas as práticas de discri-
to dos Refugiados, concluído em Nova York, a 31 minação e de segregação que o acompanham,
de janeiro de 1967 sob qualquer forma e onde quer que existam,
e que a Declaração sobre a Concessão da Inde-
Havendo sido depositado, pelo Brasil, um Ins- pendência aos Países e aos Povos Coloniais, de
trumento de Adesão junto ao Secretariado das 14 de Dezembro de 1960 [Resolução nº 1514
Nações Unidas em 7 de abril de 1972. (XV) da Assembleia Geral], afirmou e proclamou
solenemente a necessidade de lhe pôr rápida e
E havendo o referido Protocolo, em conformida-
incondicionalmente termo;
de com o seu "artigo 8º, § 2", entrado em vigor,
para o Brasil, a 7 de abril de 1972. Considerando que a Declaração das Nações
Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas
Decreta que o Protocolo, apenso por cópia ao
de Discriminação Racial de 20 de Novembro de
presente Decreto, seja executado e cumprido
1963 [Resolução nº 1904 (XVIII) da Assembleia
tão inteiramente como nele se contém.
Geral], afirma solenemente a necessidade de
Emílio G. Médici – Presidente da República eliminar rapidamente todas as formas e todas
as manifestações de discriminação racial em to-
das as partes do Mundo e de assegurar a com-
preensão e o respeito da dignidade da pessoa
Convenção Internacional sobre humana;
Eliminação de todas as formas de Convencidos de que as doutrinas da superiori-
Discriminação Racial (1965) dade fundada na diferenciação entre as raças
são cientificamente falsas, moralmente conde-
Os Estados Partes na presente Convenção: náveis e socialmente injustas e perigosas e que
nada pode justificar, onde quer que seja, a dis-
Considerando que a Carta das Nações Unidas criminação racial, nem em teoria nem na práti-
se funda nos princípios da dignidade e da igual- ca;
dade de todos os seres humanos e que todos
os Estados Membros se obrigaram a agir, tan- Reafirmando que a discriminação entre os seres
to conjunta como separadamente, com vista a humanos por motivos fundados na raça, na cor
atingir um dos fins das Nações Unidas, ou seja: ou na origem étnica é um obstáculo às relações
desenvolver e encorajar o respeito universal e amigáveis e pacíficas entre as nações e é sus-
efetivo dos direitos do homem e das liberda- ceptível de perturbar a paz e a segurança entre
des fundamentais para todos, sem distinção de os povos, assim como a coexistência harmonio-
raça, de sexo, de língua ou de religião; sa das pessoas no seio de um mesmo Estado;

www.acasadoconcurseiro.com.br 35
Convencidos de que a existência de barreiras ra- tural ou em qualquer outro domínio da vida
ciais é incompatível com os ideais de qualquer pública
sociedade humana;
2. A presente Convenção não se aplica às
Alarmados com as manifestações de discrimina- diferenciações, exclusões, restrições ou pre-
ção racial que ainda existem em certas regiões ferências estabelecidas por um Estado Parte
do Mundo e com as políticas governamentais na Convenção entre súbditos e não súbditos
fundadas na superioridade ou no ódio racial, seus.
tais como as políticas de apartheid, de segrega-
ção ou de separação; 3. Nenhuma disposição da presente Con-
venção poderá ser interpretada como aten-
Resolvidos a adotar todas as medidas necessá- tat6ria, por qualquer forma que seja, das
rias para a eliminação rápida de todas as formas disposições legislativas dos Estados Partes
e de todas as manifestações de discriminação na Convenção relativas à nacionalidade, à
racial e a evitar e combater as doutrinas e prá- cidadania ou à naturalização, desde que es-
ticas racistas, a fim de favorecer o bom entendi- sas disposições não sejam discriminatórias
mento entre as raças e edificar uma comunida- para uma dada nacionalidade.
de internacional liberta de todas as formas de
segregação e de discriminação raciais; 4. As medidas especiais adotadas com a fi-
nalidade única de assegurar conveniente-
Tendo presente a Convenção Relativa à. Discri- mente o progresso de certos grupos raciais
minação em Matéria de Emprego e de Profis- ou étnicos ou de indivíduos que precisem
são, adotada pela Organização Internacional da proteção eventualmente necessária para
do Trabalho em 1958, e a Convenção Relativa à lhes garantir o gozo e o exercício dos direi-
Luta contra a Discriminação no Domínio do tos do homem e das liberdades fundamen-
tais em condições de igualdade não se con-
Ensino, adotada pela Organização das Nações sideram medidas de discriminação racial,
Unidas para à Educação, a Ciência e a Cultura sob condição, todavia, de não terem como
em 1960; efeito a conservação de direitos diferencia-
Desejando dar efeito aos princípios enunciados dos para grupos raciais diferentes e de não
na Declaração das Nações Unidas sobre a Eli- serem mantidas em vigor logo que sejam
minação de Todas as Formas de Discriminação atingidos os objetivos que prosseguiam.
Racial e assegurar o mais rapidamente possível Artigo 2º
a adopção de medidas práticas para este fim;
acordam no seguinte: 1. Os Estados Partes condenam a discrimi-
nação racial e obrigam-se a prosseguir, por
PARTE I todos apropriados, e sem demora, uma po-
lítica tendente a eliminar todas as formas
Artigo 1º de discriminação racial e a favorecer a har-
1. Na presente Convenção, a expressão a monia entre todas as raças, e, para este fim:
«discriminação racial» visa qualquer distin- a) Os Estados Partes obrigam-se a não se
ção, exclusão, restrição ou preferência fun- entregarem a qualquer ato ou prática de
dada na raça, cor, ascendência na origem discriminação racial contra pessoas, grupos
nacional ou étnica que tenha como objetivo de pessoas ou instituições, e a proceder de
ou como efeito destruir ou comprometer modo que todos as autoridades públicas e
o reconhecimento, o gozo ou o exercício, instituições públicas, nacionais e locais, se
em condições de igualdade, dos direitos do conformem com esta obrigação;
homem e das liberdades fundamentais nos
domínios político, económico, social e cul-

36 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

b) Os Estados Partes obrigam-se a não en- Artigo 4º


corajar, defender ou apoiar a discriminação
racial praticada por qualquer pessoa ou or- Os Estados Partes condenam a propaganda e as
ganização; organizações que se inspiram em ideias ou teo-
rias fundadas na superioridade de uma raça ou
c) Os Estados Partes devem adotar medi- de um grupo de pessoas de uma certa cor ou
das eficazes para rever as políticas governa- de uma certa origem étnica ou que pretendem
mentais nacionais e locais e para modificar, justificar ou encorajar qualquer forma de ódio
revogar ou anular as leis e disposições regu- ou de discriminação raciais, obrigam-se a adotar
lamentares que tenham como efeito criar imediatamente medidas positivas destinadas a
a discriminação racial ou perpetuá-la, se já eliminar os incitamentos a tal discriminação e,
existe; para este efeito, tendo devidamente em conta
os princípios formulados na Declaração Univer-
d) Os Estados Partes devem, por todos os sal dos Direitos do Homem e os direitos expres-
meios apropriados, incluindo, se as circuns- samente enunciados no Artigo 5º da presente
tancias o exigirem, medidas legislativas, Convenção, obrigam-se, nomeadamente:
proibir a discriminação racial praticada por
pessoas, grupos ou organizações e pôr-lhe a) A declarar delitos puníveis pela lei a di-
termo; fusão de ideias fundadas na superioridade
ou no ódio racial, os incitamentos à discri-
e) Os Estados Partes obrigam-se a favore- minação racial, os atos de violência, ou a
cer, se necessário, as organizações e mo- provocação a estes atos, dirigidos contra
vimentos integracionistas multirraciais, e qualquer raça ou grupo de pessoas de outra
outros meios próprios para eliminar as bar- cor ou de outra origem étnica, assim como
reiras entre as raças, e a desencorajar o que a assistência prestada a atividades racistas,
tende a reforçar a divisão racial. incluindo o seu financiamento;
2. Os Estados Partes adotarão, se as cir- b) A declarar ilegais e a proibir as organi-
cunstancias o exigirem, nos domínios so- zações' assim como as atividades de propa-
cial, económico, cultural e outros, medidas ganda organizada e qualquer outro tipo de
especiais e concretas para assegurar conve- atividade de propaganda, que incitem à dis-
nientemente o desenvolvimento ou a pro- criminação racial e que a encorajem e a de-
teção de certos grupos raciais ou de indiví- clarar delito punível pela lei a participação
duos pertencentes a esses grupos, a fim de nessas organizações ou nessas atividades;
lhes garantir, em condições de igualdade,
o pleno exercício dos direitos do homem e c) A não permitir às autoridades públicas
das liberdades fundamentais. Essas medi- nem às instituições públicas, nacionais ou
das não poderão, em caso algum, ter como locais, incitar à discriminação racial ou en-
efeito a conservação de direitos desiguais corajá-la.
ou diferenciados para os diversos grupos
raciais, uma vez atingidos os objetivos que Artigo 5º
prosseguiam. De acordo com as obrigações fundamentais
Artigo 3º enunciadas no Artigo 2. da presente Convenção,
os Estados Partes obrigam-se a proibir e a elimi-
Os Estados Partes condenam especialmente a nar a discriminação racial, sob todas as suas for-
segregação racial e o apartheid e obrigam-se a mas, e a garantir o direito de cada um à igualda-
prevenir, a proibir e a eliminar, nos territórios de perante a lei sem distinção de raça, de cor ou
sob sua jurisdição, todas as práticas desta natu- de origem nacional ou étnica, nomeadamente
reza. no gozo dos seguintes direitos:

www.acasadoconcurseiro.com.br 37
a) Direito de recorrer aos tribunais ou a e a uma remuneração equitativa e satisfató-
quaisquer outros órgãos de administração ria;
da justiça;
II – Direito de fundar sindicatos e de se filiar
b) Direito à segurança da pessoa e à prote- em sindicatos;
ção do Estado contra as vias de fato ou as
sevícias da parte quer de funcionários do III – Direito ao alojamento;
Governo, quer de qualquer pessoa, grupo IV – Direito à saúde, aos cuidados médicos,
ou instituição; à segurança social e aos serviços sociais;
c) Direitos políticos, nomeadamente o di- V – Direito à educação e à formação profis-
reito de participar nas eleições de votar e sional;
de ser candidato por sufrágio universal e
igual, direito de tomar parte no Governo, VI – Direito de tomar parte, em condições
assim como na direção dos assuntos públi- de igualdade, nas atividades culturais;
cos, em todos os escalões, e direito de ace-
f) Direito de acesso a todos os locais e ser-
der, em condições de igualdade, às funções
viços destinados a uso público, tais como
públicas;
meios de transporte, hotéis, restaurantes,
d) Outros direitos civis, nomeadamente: cafés, espetáculos e parques.

I – Direito de circular livremente e de esco- Artigo 6º


lher a sua residência no interior de um Es-
Os Estados Partes assegurarão às pessoas sujei-
tado;
tas à sua jurisdição proteção e recurso efetivos
II – Direito de abandonar qualquer país, in- aos tribunais nacionais e a outros organismos
cluindo o seu, e de regressar ao seu país; do Estado competentes, contra todos os atos
de discriminação racial que, contrariando a pre-
III – Direito a uma nacionalidade; sente Convenção, violem os seus direitos indivi-
IV – Direito ao casamento e à escolha do duais c as suas liberdades fundamentais, assim
cônjuge; como o direito de pedir a esses tribunais satis-
fação ou reparação, justa e adequada, por qual-
V – Direito de qualquer pessoa, por si só ou quer prejuízo de que sejam vítimas em razão de
em associação, à propriedade; tal discriminação.
VI – Direito de herdar; Artigo 7º
VII – Direito à liberdade de pensamento, de Os Estados Partes obrigam-se a adotar medidas
consciência e de religião; imediatas e eficazes, nomeadamente nos domí-
nios do ensino, da educação, da cultura e da in-
VIII – Direito à liberdade de opinião e de ex- formação, para lutar contra os preconceitos que
pressão; conduzem à discriminação racial, e favorecer a
IX – Direito à liberdade de reunião e de as- compreensão, a tolerância e a amizade entre
sociação pacíficas; nações e grupos raciais ou étnicos, bem como
para promover os objetivos e princípios da Car-
e) Direitos económicos, sociais e culturais, ta das Nações Unidas, da Declaração Univer-
nomeadamente: sal dos Direitos do Homem, da Declaração das
I – Direitos ao trabalho, à livre escolha do Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as
trabalho, a condições equitativas e satisfa- Formas de Discriminação Racial e da presente
tórias de trabalho, à proteção contra 0 de- Convenção.
semprego, a salário igual para trabalho igual

38 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

PARTE II cessará ao fim de dois anos; imediatamente


a seguir à primeira eleição, o nome destes
Artigo 8º nove membros será sorteado pelo presi-
dente do. Comitê;
1. É constituído um Comitê para a Elimina-
ção da Discriminação Racial (a seguir desig- b) Para preencher as vagas fortuitas, o Es-
nado «o Comitê»), composto por dezoito tado Parte cujo perito deixou de exercer as
peritos conhecidos pela sua alta moralidade suas funções de membro do Comitê nome-
e imparcialidade, que são eleitos pelos Esta- ará outro perito de entre os seus súbditos,
dos Partes de entre os seus súbditos – e que sob reserva da aprovação do Comitê.
nele exercem funções a título individual -,
tendo em conta uma repartição geográfica 6. Os Estados Partes tomam a seu cargo as
equitativa e a representação das diferentes despesas dos membros do Comitê no perí-
formas de civilização, bem como dos princi- odo em que estes exerçam as suas funções
pais sistemas jurídicos. no Comitê.

2. Os membros do Comitê são eleitos, por Artigo 9º


escrutínio secreto, de uma lista de candida- 1. Os Estados Partes obrigam-se a apresen-
tos designados pelos Estados Partes. Cada tar ao Secretário-Geral da Organização das
Estado Parte pode designar um candidato Nações Unidas, para ser examinado pelo
escolhido entre os seus súbditos. Comitê, um relatório sobre as medidas de
3. A primeira eleição terá lugar seis meses ordem legislativa, judiciária, administrati-
após a data da entrada em vigor da pre- va ou outra que tenham promulgado e que
sente Convenção. Três meses, pelo menos, dêem efeito às disposições da presente
antes da data de cada eleição, o Secretário- Convenção:
-Geral da Organização das Nações Unidas a) No prazo de um ano, a contar da entrada
envia uma carta aos Estados Partes convi- em vigor da Convenção, para cada Estado
dando-os a apresentar os seus candidatos interessado, no que lhe respeita, e
no prazo de dois meses. O Secretário-Geral
elabora uma lista, por ordem alfabética, de b) A partir de então todos os dois anos e
todos os candidatos assim designados, com além disso, sempre que o Comitê o pedir.
indicação dos Estados Partes que os desig- O Comitê pode pedir informações comple-
naram, e comunica-a aos Estados Partes. mentares aos Estados Partes.

4. Os membros do Comitê são eleitos numa 2. O Comitê submete todos os anos à As-
reunião dos Estados Partes convocada pelo sembleia Geral da Organização das Nações
Secretário-Geral na sede da Organização Unidas, por intermédio do Secretário-Geral,
das Nações Unidas. Nesta reunião, onde o um relatório das suas atividades e pode fa-
quórum é constituído por dois terços dos zer sugestões ou recomendações de ordem
Estados Partes, são eleitos membros do Co- geral, fundadas no exame dos relatórios e
mitê os candidatos que obtiverem o maior das informações recebidas dos Estados Par-
número de votos e a maioria absoluta dos tes. leva ao conhecimento da Assembleia
votos dos representantes dos Estados Par- (Geral essas sugestões e recomendações de
tes presentes e votantes. ordem geral, juntamente com, se as houver,
as observações dos Estados Partes.
5.
Artigo 10.
a) Os membros do Comitê são eleitos por
quatro anos. Todavia, o mandato de nove 1. O Comitê adota o seu regulamento
dos membros eleitos na primeira eleição interno.

www.acasadoconcurseiro.com.br 39
2. O Comitê elege o seu gabinete por um 5. Quando o Comitê examinar uma questão
período de dois anos. em aplicação deste Artigo os Estados Partes
interessados têm o direito de designar um
3. O Secretário-Geral da Organização; das representante, que participara, sem direito
Nações Unidas assegura o secretariado do de voto, nos trabalhos do Comitê enquanto
Comitê. 4 – O Comitê tem normalmente as durarem os debates.
suas reuniões na sede da Organização das
Nações Unidas. Artigo 12.
Artigo 11. 1.
1. Se um Estado Parte entender que outro a) Logo que o Comitê tenha obtido e exa-
Estado também Parte não aplica as disposi- minado as informações que julgar necessá-
ções da presente Convenção pode chamar rias, o presidente designa uma Comissão de
a atenção do Comitê para essa questão. O Conciliação ad hoc (a seguir designada «a
Comitê transmitirá então a comunicação Comissão»), composta por cinco pessoas,
recebida ao Estado Parte interessado. Num que podem ser ou não membros do Comi-
prazo de três meses, o Estado destinatário tê. Os seus membros são designados com o
submeterá ao Comitê explicações ou decla- inteiro e unânime assentimento das partes
rações por escrito que esclareçam a ques- no diferendo, e a Comissão coloca os seus
tão, indicando, quando tal seja o caso, as bons ofícios à disposição dos Estados inte-
medidas que possa ter tomado para reme- ressados, afim de se chegar a uma solução
diar a situação. amigável da questão, fundada no respeito
da presente Convenção.
2. Se no prazo de seis meses, a contar da
data da recepção da comunicação original b) Se os Estados Partes no diferendo não
pelo Estado destinatário, a questão não chegarem a acordo sobre toda ou parte da
estiver decidida a contento dos dois Esta- composição da Comissão no prazo de três
dos, por via de negociações bilaterais ou meses, os membros da Comissão que não
por qualquer outro processo ao seu dispor, tiverem o assentimento dos Estados Partes
qualquer dos Estados tem o direito de a no diferendo serão eleitos, por escrutínio
submeter de novo ao Comitê dirigindo uma secreto, de entre os membros do Comitê
notificação ao Comitê e ao outro Estado in- pela maioria de dois terços dos membros
teressado. do Comitê.
3. O Comitê só poderá conhecer de uma 2. Os membros da Comissão exercem fun-
questão que lhe seja submetida nos termos ções a título individual. Não devem ser súb-
do parágrafo 2 do presente Artigo depois de ditos de um Estado Parte no diferendo nem
se ter certificado de que foram utilizados ou de um Estado que não seja Parte na presen-
esgotados todos os recursos internos dispo- te Convenção.
níveis, conformes aos princípios de direito
internacional geralmente reconhecidos. 3. A Comissão elege o seu presidente e ado-
Esta regra não se aplica se os processos de ta o seu regulamento interno.
recurso excederem prazos razoáveis. 4. A Comissão reúne normalmente na sede
4. Em todas as questões que lhe sejam sub- da Organização das Nações Unidas ou em
metidas, pode o Comitê pedir aos Estados qualquer outro lugar apropriado que seja
Partes em presença que lhe forneçam infor- determinado pela Comissão.
mações complementares pertinentes. 5. O secretariado previsto no parágrafo 3
do Artigo 10 da presente Convenção presta

40 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

também os seus serviços à Comissão sem- comunicações emanadas de pessoas ou de


pre que um diferendo entre Estados Partes grupos de pessoas submetidas à sua juris-
implique a constituição da Comissão. dição que se queixem de ser vítimas de vio-
lação por um Estado Parte de qualquer dos
6. As despesas dos membros da Comissão direitos enunciados na presente Conven-
serão repartidas por igual entre os Estados ção. O Comitê não receberá nenhuma co-
Partes no diferendo com base numa estima- municação relativa a um Estado Parte que
tiva feita pelo Secretário-Geral da Organiza- não haja feito essa declaração.
ção das Nações Unidas.
2. Os Estados Partes que fizerem a decla-
7. O Secretário-Geral está habilitado a, se ração prevista no parágrafo 1 do presente
tal for necessário, reembolsar os membros Artigo poderão criar ou designar um orga-
da Comissão das suas despesas antes de os nismo, no quadro da sua ordem jurídica na-
Estados Partes no diferendo terem efetuado cional, que detenha competência para rece-
o pagamento nos termos do parágrafo 6 do ber e examinar as petições que emanem de
presente Artigo. pessoas ou grupos de pessoas submetidas
8. As informações obtidas e examinadas à jurisdição desses Estados que se queixem
pelo Comitê serão postas à disposição da de ser vítimas de violação de qualquer dos
Comissão, e a Comissão poderá pedir aos direitos enunciados na presente Convenção
Estados interessados que lhe forneçam in- e que tenham esgotado os outros recursos
formações complementares pertinentes. locais disponíveis.

Artigo 13. 3. As declarações feitas nos termos do pa-


rágrafo 1 do presente Artigo e o nome dos
1. Depois de ter estudado a questão sob organismos criados ou designados nos. ter-
todos os seus aspectos, a Comissão prepa- mos do parágrafo 2 do mesmo Artigo serão
rará e submeterá ao presidente do Comitê apresentados pelo Estado Parte interessa-
um relat6rio com as suas conclusões sobre do ao Secretário-Geral da Organização das
todas as questões de fato relativas ao litígio Nações Unidas que deles enviará copia aos
entre as partes e com as recomendações outros Estados Partes A declaração pode ser
que julgar oportunas para se chegar a uma retirada a todo o tempo, por notificação di-
solução amigável do diferendo. rigida ao Secretário-Geral, mas essa retira-
2. O presidente do Comitê transmite o re- da não prejudicará as comunicações que já
latório aos Estados Partes no diferendo. Es- tenham sido afetas ao Comitê.
tes Estados darão a conhecer ao presidente, 4. O organismo criado ou designado nos
no prazo de três meses, se aceitam ou não termos do parágrafo 2 do presente Artigo
as recomendações contidas no relatório da deverá possuir um registo das petições, e
Comissão. todos os anos serão entregues ao Secretá-
3. Expirado o prazo previsto no parágrafo 2 rio-Geral, pelas vias apropriadas, cópias au-
do presente Artigo, o presidente do Comitê tenticadas do registo, entendendo-se, po-
comunicará o relatório da Comissão e as de- rém, que o conteúdo dessas cópias não será
clarações dos Estados Partes interessados divulgado ao público.
aos outros Estados Partes na Convenção. 5. Caso não obtenha satisfação do organis-
Artigo 14. mo criado ou designado nos termos do pa-
rágrafo 2 do presente Artigo, o peticionário
1. Os Estados Partes poderão declarar, a tem o direito de dirigir, no prazo de seis me-
todo o tempo, que reconhecem compe- ses, uma comunicação ao Comitê.
tência ao Comitê para receber e examinar

www.acasadoconcurseiro.com.br 41
6. Artigo 15.
a) O Comitê leva as comunicações que 1. Esperando a realização dos objetivos da
lhe forem dirigidas ao conhecimento, a tí- Declaração sobre a Concessão da Indepen-
tulo confidencial, do Estado Parte que ale- dência aos Países e aos Povos Coloniais,
gadamente violou qualquer disposição da contida na Resolução n. 1514 (XV) da As-
Convenção; a identidade da pessoa ou dos sembleia Geral da Organização das Nações
grupos de pessoas interessadas não pode, Unidas, de 14 de Dezembro de 1960, as dis-
todavia, ser revelada sem o consentimento posições da presente Convenção em nada
expresso dessa pessoa ou desses grupos de restringem o direito de petição concedido a
pessoas. O Comitê não recebe comunica- esses povos por outros instrumentos inter-
ções anónimas. nacionais ou pela Organização das Nações
Unidas ou pelas suas instituições especiali-
b) Nos três meses imediatos, o dito Estado zadas.
submeterá, por escrito, ao Comitê explica-
ções ou declarações que esclareçam a ques- 2.
tão, indicando, quando tal seja o caso, as
medidas que tenha tomado para remediar a a) O Comitê constituído nos termos do Ar-
situação. tigo 8.o da presente Convenção receberá
cópias das petições vindas dos órgãos das
7. Nações Unidas que se ocupem de ques-
tões que tenham uma relação direta com
a) O Comitê examinará as comunicações, os princípios e objetivos da presente Con-
tendo em conta todas as informações que venção e exprimirá uma opinião e fará re-
lhe foram submetidas pelo Estado Parte in- comendações quando examinar as petições
teressado e pelo peticionário. O Comitê não emanadas de habitantes de territórios sob
examinará nenhuma comunicação de um tutela ou não autónomos ou de qualquer
peticionário sem se ter certificado de que outro território a que se aplique a Resolu-
este esgotou todos os recursos internos dis- ção nº 1514 (XV) da Assembleia Geral que
poníveis. Esta regra não se aplica, todavia, se relacionem com questões incluídas na
se os processos de recurso excederem pra- presente Convenção e que sejam recebidas
zos razoáveis. pelos referidos órgãos.
b) O Comitê dirige as suas sugestões e re- b) O Comitê receberá dos órgãos compe-
comendações ao Estado Parte interessado e tentes das Nações Unidas cópia dos relató-
ao peticionário. rios relativos às medidas de ordem legisla-
8. O Comitê incluirá no seu relatório anual tiva, judiciária, administrativa ou outra que
um resumo destas comunicações e, quando digam diretamente respeito aos princípios
as haja, um resumo das explicações e de- e objetivos da presente Convenção, que as
clarações dos Estados Partes interessados, potências administrantes tenham aplicado
bem como das suas próprias sugestões e re- nos territórios mencionados na alínea a) do
comendações. presente parágrafo e exprimirá opiniões e
fará recomendações a esses órgãos.
9. O Comitê só tem competência para de-
sempenhar as funções previstas no presen- 3. O Comitê incluirá nos seus relatórios à
te Artigo se pelo menos dez Estados Partes Assembleia Geral um resumo das petições e
na Convenção estiverem ligados a decla- dos relatórios recebidos de órgãos da Orga-
rações feitas nos termos do parágrafo I do nização das Nações Unidas, assim como as
presente Artigo. opiniões e as recomendações que as ditas

42 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

petições e relatórios mereceram da sua par- 2. A adesão far-se-á pelo depósito de um


te. instrumento de adesão junto do Secretário-
-Geral da Organização das Nações Unidas.
4. O Comitê pedirá ao Secretário-Geral da
Organização das Nações Unidas para lhe Artigo 19.
fornecer todas as informações relativas
aos objetivos da presente Convenção de 1. A presente Convenção entrará em vigor
que aquele disponha quanto aos territórios no trigésimo dia imediato à data do depósi-
mencionados na alínea a) do parágrafo 2 do to junto do Secretário-Geral da Organização
presente Artigo. das Nações Unidas do vigésimo sétimo ins-
trumento de ratificação ou de adesão.
Artigo 16.
2. Para os Estados que ratifiquem a presen-
As disposições da presente Convenção relativas te Convenção após o depósito do vigésimo
às medidas a adotar para decidir um diferendo sétimo instrumento de ratificação ou de
ou liquidar uma queixa aplicam-se sem prejuízo adesão, a Convenção entrará em vigor no
de outros processos de decisão de diferendos trigésimo dia após a data do depósito por
ou de liquidação de queixas em matéria de dis- esses Estados dos seus instrumentos de ra-
criminação, previstos nos instrumentos cons- tificação ou de adesão.
titutivos da Organização das Nações Unidas e
das suas instituições especializadas ou em con- Artigo 20.
venções adotadas por essas organizações, e não 1. O Secretário-Geral da Organização das
impedem os Estados Partes de recorrer a outros Nações Unidas receberá e comunicará a to-
processos para a decisão de um diferendo nos dos os Estados que são ou que podem ser
termos dos acordos internacionais gerais ou es- Partes na presente Convenção o texto das
peciais por que estejam ligados. reservas feitas no momento da ratificação
ou da adesão. Os Estados que levantarem
PARTE III objecções às reservas avisarão o Secretário-
Artigo 17. -Geral, no prazo de noventa dias, a contar
da data da aludida comunicação, de que
1. A presente Convenção estará aberta à as- não aceitam as reservas.
sinatura de todos os Estados Membros da
Organização das Nações Unidas ou mem- 2. Não será autorizada nenhuma reserva
bros de uma das suas instituições especia- incompatível com o objeto e o fim da pre-
lizadas, dos Estados Partes no Estatuto do sente Convenção, nem nenhuma reserva
Tribunal Internacional de Justiça, bem como que tenha como efeito paralisar o funciona-
dos Estados convidados pela Assembleia mento de qualquer dos órgãos criados pela
Geral da Organização das Nações Unidas a Convenção. Entende-se que uma reserva
serem Partes na presente Convenção. entra nas categorias atrás definidas se pelo
menos dois terços dos Estados Partes na
2. A presente Convenção estará sujeita a ra- Convenção levantarem objecções.
tificação, e os instrumentos de ratificação
serão depositados junto do Secretário-Geral 3. As reservas poderão ser retiradas a todo
da Organização das Nações Unidas. o tempo, por notificação dirigida ao Secre-
tário-Geral A notificação produzirá efeitos
Artigo 18. na data da sua recepção.
1. A presente Convenção estará aberta à Artigo 21.
adesão dos Estados referidos no parágrafo 1
do Artigo 17º da Convenção. Os Estados Partes poderão denunciar a presen-
te Convenção por notificação dirigida ao Secre-

www.acasadoconcurseiro.com.br 43
tário-Geral da Organização das Nações Unidas. Artigo 25.
A denúncia produzirá efeitos um ano após a
data da recepção da notificação pelo Secretário- 1. A presente Convenção, cujos textos em
-Geral. inglês, chinês, espanhol, francês e russo são
igualmente válidos, será depositada nos ar-
Artigo 22. quivos da Organização das Nações Unidas.
Os litígios entre dois ou mais Estados Partes 2. O Secretário-Geral da Organização das
relativos à interpretação ou à aplicação da pre- Nações Unidas enviará uma cópia auten-
sente Convenção que não sejam decididos por ticada da presente Convenção aos Estados
negociações ou pelos processos expressamen- que pertençam a quaisquer das categorias
te previstos na Convenção serão introduzidos, mencionadas no parágrafo 1 do Artigo 17.
a pedido de qualquer das partes no litígio, no da Convenção.
Tribunal Internacional de Justiça para decisão,
salvo se as partes no litígio acordarem noutro
modo de resolução.
Convenção Internacional sobre
Artigo 23.
Eliminação de todas as formas de
1 Os Estados Partes poderão formular, a Discriminação contra a Mulher
todo o tempo, um pedido de revisão da pre- (1979)
sente Convenção, por notificação dirigida
ao Secretário-Geral da Organização das Na-
ções Unidas. Os Estados-partes na presente Convenção,

2. Em tais circunstancias, a Assembleia Ge- Considerando que a Carta das Nações Unidas
ral da Organização das Nações Unidas pre- reafirma a fé nos direitos humanos fundamen-
ceituará sobre as medidas a adotar relativa- tais, na dignidade e no valor da pessoa humana
mente a esse pedido. e na igualdade de direitos do homem e da mu-
lher,
Artigo 24.
Considerando que a Declaração Universal dos
O Secretário-Geral da Organização das Nações Direitos Humanos reafirma o princípio da não-
Unidas informará todos os Estados referidos no -discriminação e proclama que todos os seres
parágrafo 1 do Artigo 17. da presente Conven- humanos nascem livres e iguais em dignidade
ção e direitos e que toda pessoa pode invocar to-
dos os direitos e liberdades proclamados nessa
a) Das assinaturas da presente Convenção
Declaração, sem distinção alguma, inclusive de
e dos instrumentos de ratificação e de ade-
sexo,
são depositados nos termos dos Artigos 17.
e 18; Considerando que os Estados-partes nas Con-
venções Internacionais sobre Direitos Huma-
b) Da data da entrada em vigor da presente
nos têm a obrigação de garantir ao homem e à
Convenção, nos termos do Artigo 19.;
mulher a igualdade de gozo de todos os direitos
c) Das comunicações e declarações recebi- econômicos, sociais, culturais, civis e políticos,
das nos termos dos Artigos 14, 20 e 23.;
Observando, ainda, as resoluções, declarações e
d) Das denúncias notificadas nos termos recomendações aprovadas pelas Nações Unidas
do Artigo 21. e pelas agências especializadas para favorecer
a igualdade de direitos entre o homem e a mu-
lher,

44 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

Preocupados, contudo, com o fato de que, ape- ciais, e, em consequência, contribuirão para a
sar destes diversos instrumentos, a mulher con- realização da plena igualdade entre o homem e
tinue sendo objeto de grandes discriminações, a mulher,
Relembrando que a discriminação contra a mu- Convencidos de que a participação máxima da
lher viola os princípios da igualdade de direitos mulher, em igualdade de condições com o ho-
e do respeito da dignidade humana, dificulta a mem, em todos os campos, é indispensável para
participação da mulher, nas mesmas condições o desenvolvimento pleno e completo de um
que o homem, na vida política, social, econômi- país, para o bem-estar do mundo e para a causa
ca e cultural de seu país, constitui um obstácu- da paz.
lo ao aumento do bem-estar da sociedade e da
família e dificulta o pleno desenvolvimento das Tendo presente a grande contribuição da mu-
potencialidades da mulher para prestar serviço lher ao bem-estar da família e ao desenvolvi-
a seu país e à humanidade, mento da sociedade, até agora não plenamente
reconhecida, a importância social da materni-
Preocupados com o fato de que, em situações dade e a função dos pais na família e na edu-
de pobreza, a mulher tem um acesso mínimo à cação dos filhos, e conscientes de que o papel
alimentação, à saúde, à educação, à capacitação da mulher na procriação não deve ser causa de
e às oportunidades de emprego, assim como à discriminação, mas sim que a educação dos fi-
satisfação de outras necessidades, lhos exige a responsabilidade compartilhada en-
tre homens e mulheres e a sociedade como um
Convencidos de que o estabelecimento da nova conjunto,
ordem econômica internacional baseada na
equidade e na justiça contribuirá significativa- Reconhecendo que para alcançar a plena igual-
mente para a promoção da igualdade entre o dade entre o homem e a mulher é necessário
homem e a mulher, modificar o papel tradicional tanto do homem,
como da mulher na sociedade e na família,
Salientando que a eliminação do apartheid, de
todas as formas de racismo, discriminação ra- Resolvidos a aplicar os princípios enunciados na
cial, colonialismo, neocolonialismo, agressão, Declaração sobre a Eliminação da Discriminação
ocupação estrangeira e dominação e interferên- contra a Mulher, e, para isto, a adotar as medi-
cia nos assuntos internos dos Estados é essen- das necessárias a fim de suprimir essa discrimi-
cial para o pleno exercício dos direitos do ho- nação em todas as suas formas e manifestações,
mem e da mulher,
Concordam no seguinte:
Afirmando que o fortalecimento da paz e da
segurança internacionais, o alívio da tensão in- PARTE I
ternacional, a cooperação mútua entre todos os
Estados, independentemente de seus sistemas Artigo 1º Para fins da presente Convenção, a ex-
econômicos e sociais, o desarmamento geral pressão "discriminação contra a mulher" signifi-
e completo, e em particular o desarmamento cará toda distinção, exclusão ou restrição basea-
nuclear sob um estrito e efetivo controle inter- da no sexo e que tenha por objeto ou resultado
nacional, a afirmação dos princípios de justiça, prejudicar ou anular o reconhecimento, gozo ou
igualdade e proveito mútuo nas relações entre exercício pela mulher, independentemente de
países e a realização do direito dos povos sub- seu estado civil, com base na igualdade do ho-
metidos a dominação colonial e estrangeira e mem e da mulher, dos direitos humanos e liber-
a ocupação estrangeira, à autodeterminação e dades fundamentais nos campos político, eco-
independência, bem como o respeito da sobe- nômico, social, cultural e civil ou em qualquer
rania nacional e da integridade territorial, pro- outro campo.
moverão o progresso e o desenvolvimento so-

www.acasadoconcurseiro.com.br 45
Artigo 2º Os Estados-partes condenam a discri- apropriadas, inclusive de caráter legislativo,
minação contra a mulher em todas as suas for- para assegurar o pleno desenvolvimento e pro-
mas, concordam em seguir, por todos os meios gresso da mulher, com o objetivo de garantir-lhe
apropriados e sem dilações, uma política des- o exercício e o gozo dos direitos humanos e li-
tinada a eliminar a discriminação contra a mu- berdades fundamentais em igualdade de condi-
lher, e com tal objetivo se comprometem a: ções com o homem.
a) consagrar, se ainda não o tiverem fei- Artigo 4º
to, em suas Constituições nacionais ou em
outra legislação apropriada, o princípio da 1. A adoção pelos Estados-partes de medi-
igualdade do homem e da mulher e assegu- das especiais de caráter temporário desti-
rar por lei outros meios apropriados à reali- nadas a acelerar a igualdade de fato entre o
zação prática desse princípio; homem e a mulher não se considerará dis-
criminação na forma definida nesta Conven-
b) adotar medidas adequadas, legislativas ção, mas de nenhuma maneira implicará,
e de outro caráter, com as sanções cabíveis como consequência, a manutenção de nor-
e que proíbam toda discriminação contra a mas desiguais ou separadas; essas medidas
mulher; cessarão quando os objetivos de igualdade
de oportunidade e tratamento houverem
c) estabelecer a proteção jurídica dos di- sido alcançados.
reitos da mulher em uma base de igualdade
com os do homem e garantir, por meio dos 2. A adoção pelos Estados-partes de medi-
tribunais nacionais competentes e de ou- das especiais, inclusive as contidas na pre-
tras instituições públicas, a proteção efetiva sente Convenção, destinadas a proteger a
da mulher contra todo ato de discrimina- maternidade, não se considerará discrimi-
ção; natória.
d) abster-se de incorrer em todo ato ou Artigo 5º Os Estados-partes tomarão todas as
prática de discriminação contra a mulher e medidas apropriadas para:
zelar para que as autoridades e instituições
públicas atuem em conformidade com esta a) modificar os padrões sócio-culturais de
obrigação; conduta de homens e mulheres, com vistas
a alcançar a eliminação de preconceitos e
e) tomar as medidas apropriadas para eli- práticas consuetudinárias e de qualquer ou-
minar a discriminação contra a mulher pra- tra índole que estejam baseados na idéia da
ticada por qualquer pessoa, organização ou inferioridade ou superioridade de qualquer
empresa; dos sexos ou em funções estereotipadas de
homens e mulheres.
f) adotar todas as medidas adequadas, in-
clusive de caráter legislativo, para modificar b) garantir que a educação familiar inclua
ou derrogar leis, regulamentos, usos e prá- uma compreensão adequada da maternida-
ticas que constituam discriminação contra a de como função social e o reconhecimento
mulher; da responsabilidade comum de homens e
mulheres, no que diz respeito à educação e
g) derrogar todas as disposições penais na- ao desenvolvimento de seus filhos, enten-
cionais que constituam discriminação con- dendo-se que o interesse dos filhos consti-
tra a mulher. tuirá a consideração primordial em todos os
Artigo 3º Os Estados-partes tomarão, em todas casos.
as esferas e, em particular, nas esferas política, Artigo 6º Os Estados-partes tomarão as medi-
social, econômica e cultural, todas as medidas das apropriadas, inclusive de caráter legislativo,

46 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

para suprimir todas as formas de tráfico de mu- PARTE III


lheres e exploração de prostituição da mulher.
Artigo 10. Os Estados-partes adotarão todas as
PARTE II medidas apropriadas para eliminar a discrimi-
nação contra a mulher, a fim de assegurar-lhe a
Artigo 7º Os Estados-partes tomarão todas as igualdade de direitos com o homem na esfera
medidas apropriadas para eliminar a discrimina- da educação e em particular para assegurar, em
ção contra a mulher na vida política e pública do condições de igualdade entre homens e mulhe-
país e, em particular, garantirão, em igualdade res:
de condições com os homens, o direito a:
a) as mesmas condições de orientação em
a) votar em todas as eleições e referendos matéria de carreiras e capacitação profissio-
públicos e ser elegível para todos os órgãos nal, acesso aos estudos e obtenção de di-
cujos membros sejam objeto de eleições plomas nas instituições de ensino de todas
públicas; as categorias, tanto em zonas rurais como
b) participar na formulação de políticas urbanas; essa igualdade deverá ser assegu-
governamentais e na execução destas, e rada na educação pré-escolar, geral, técnica
ocupar cargos públicos e exercer todas as e profissional, incluída a educação técnica
funções públicas em todos os planos gover- superior, assim como todos os tipos de ca-
namentais; pacitação profissional;

c) participar em organizações e associa- b) acesso aos mesmos currículos e mesmos


ções não-governamentais que se ocupem exames, pessoal docente do mesmo nível
da vida pública e política do país. profissional, instalações e material escolar
da mesma qualidade;
Artigo 8º Os Estados-partes tomarão as me-
didas apropriadas para garantir à mulher, em c) a eliminação de todo conceito estereo-
igualdade de condições com o homem e sem tipado dos papéis masculino e feminino em
discriminação alguma, a oportunidade de repre- todos os níveis e em todas as formas de en-
sentar seu governo no plano internacional e de sino, mediante o estímulo à educação mista
participar no trabalho das organizações interna- e a outros tipos de educação que contribu-
cionais. am para alcançar este objetivo e, em parti-
cular, mediante a modificação dos livros e
Artigo 9º programas escolares e adaptação dos méto-
dos de ensino;
1. Os Estados-partes outorgarão às mu-
lheres direitos iguais aos dos homens para d) as mesmas oportunidades para a obten-
adquirir, mudar ou conservar sua nacionali- ção de bolsas de estudo e outras subven-
dade. Garantirão, em particular, que nem o ções para estudos;
casamento com um estrangeiro, nem a mu-
dança de nacionalidade do marido durante e) as mesmas oportunidades de acesso aos
o casamento modifiquem automaticamente programas de educação supletiva, incluí-
a nacionalidade da esposa, a convertam em dos os programas de alfabetização funcio-
apátrida ou a obriguem a adotar a naciona- nal e de adultos, com vistas a reduzir, com
lidade do cônjuge. a maior brevidade possível, a diferença de
conhecimentos existentes entre o homem e
2. Os Estados-partes outorgarão à mulher a mulher;
os mesmos direitos que ao homem no que
diz respeito à nacionalidade dos filhos. f) a redução da taxa de abandono feminino
dos estudos e a organização de programas

www.acasadoconcurseiro.com.br 47
para aquelas jovens e mulheres que tenham f) o direito à proteção da saúde e à segu-
deixado os estudos prematuramente; rança nas condições de trabalho, inclusive a
salvaguarda da função de reprodução.
g) as mesmas oportunidades para partici-
par ativamente nos esportes e na educação 2. A fim de impedir a discriminação contra
física; a mulher por razões de casamento ou ma-
ternidade e assegurar a efetividade de seu
h) acesso a material informativo específico direito a trabalhar, os Estados-partes toma-
que contribua para assegurar a saúde e o rão as medidas adequadas para:
bem-estar da família, incluída a informação
e o assessoramento sobre o planejamento a) proibir, sob sanções, a demissão por mo-
da família. tivo de gravidez ou de licença-maternidade
e a discriminação nas demissões motivadas
Artigo 11. pelo estado civil;
1. Os Estados-partes adotarão todas as b) implantar a licença-maternidade, com
medidas apropriadas para eliminar a dis- salário pago ou benefícios sociais compará-
criminação contra a mulher na esfera do veis, sem perda do emprego anterior, anti-
emprego a fim de assegurar, em condições guidade ou benefícios sociais;
de igualdade entre homens e mulheres, os
mesmos direitos, em particular: c) estimular o fornecimento de serviços so-
ciais de apoio necessários para permitir que
a) o direito ao trabalho como direito inalie- os pais combinem as obrigações para com a
nável de todo ser humano; família com as responsabilidades do traba-
b) o direito às mesmas oportunidades de lho e a participação na vida pública, espe-
emprego, inclusive a aplicação dos mesmos cialmente mediante o fomento da criação e
critérios de seleção em questões de empre- desenvolvimento de uma rede de serviços
go; destinada ao cuidado das crianças;

c) o direito de escolher livremente profis- d) dar proteção especial às mulheres du-


são e emprego, o direito à promoção e à rante a gravidez nos tipos de trabalho com-
estabilidade no emprego e a todos os be- provadamente prejudiciais a elas.
nefícios e outras condições de serviço, e o 3. A legislação protetora relacionada com
direito ao acesso à formação e à atualização as questões compreendidas neste artigo
profissionais, incluindo aprendizagem, for- será examinada periodicamente à luz dos
mação profissional superior e treinamento conhecimentos científicos e tecnológicos e
periódico; será revista, derrogada ou ampliada, con-
d) o direito a igual remuneração, inclusi- forme as necessidades.
ve benefícios, e igualdade de tratamento Artigo 12.
relativa a um trabalho de igual valor, assim
como igualdade de tratamento com respei- 1. Os Estados-partes adotarão todas as
to à avaliação da qualidade do trabalho; medidas apropriadas para eliminar a dis-
criminação contra a mulher na esfera dos
e) o direito à seguridade social, em parti- cuidados médicos, a fim de assegurar, em
cular em casos de aposentadoria, desem- condições de igualdade entre homens e
prego, doença, invalidez, velhice ou outra mulheres, o acesso a serviços médicos, in-
incapacidade para trabalhar, bem como o clusive referentes ao planejamento familiar.
direito a férias pagas;
2. Sem prejuízo do disposto no parágrafo 1º,
os Estados-partes garantirão à mulher assis-

48 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

tência apropriada em relação à gravidez, ao e serviços em matéria de planejamento fa-


parto e ao período posterior ao parto, pro- miliar;
porcionando assistência gratuita quando
assim for necessário, e lhe assegurarão uma c) beneficiar-se diretamente dos progra-
nutrição adequada durante a gravidez e a mas de seguridade social;
lactância. d) obter todos os tipos de educação e de
Artigo 13. Os Estados-partes adotarão todas as formação, acadêmica e não-acadêmica, in-
medidas apropriadas para eliminar a discrimina- clusive os relacionados à alfabetização fun-
ção contra a mulher em outras esferas da vida cional, bem como, entre outros, os benefí-
econômica e social, a fim de assegurar, em con- cios de todos os serviços comunitários e de
dições de igualdade entre os homens e mulhe- extensão, a fim de aumentar sua capacida-
res, os mesmos direitos, em particular: de técnica;

a) o direito a benefícios familiares; e) organizar grupos de auto-ajuda e coope-


rativas, a fim de obter igualdade de acesso
b) o direito a obter empréstimos bancários, às oportunidades econômicas mediante
hipotecas e outras formas de crédito finan- emprego ou trabalho por conta própria;
ceiro;
f) participar de todas as atividades comu-
c) o direito de participar em atividades de nitárias;
recreação, esportes e em todos os aspectos
da vida cultural. g) ter acesso aos créditos e empréstimos
agrícolas, aos serviços de comercialização
Artigo 14. e às tecnologias apropriadas, e receber um
tratamento igual nos projetos de reforma
1. Os Estados-partes levarão em considera- agrária e de reestabelecimentos;
ção os problemas específicos enfrentados
pela mulher rural e o importante papel que h) gozar de condições de vida adequadas,
desempenha na subsistência econômica de particularmente nas esferas da habitação,
sua família, incluído seu trabalho em seto- dos serviços sanitários, da eletricidade e do
res não-monetários da economia, e toma- abastecimento de água, do transporte e das
rão todas as medidas apropriadas para as- comunicações.
segurar a aplicação dos dispositivos desta
Convenção à mulher das zonas rurais. PARTE IV
2. Os Estados-partes adotarão todas as me- Artigo 15.
didas apropriadas para eliminar a discrimi-
nação contra a mulher nas zonas rurais, a 1. Os Estados-partes reconhecerão à mulher
fim de assegurar, em condições de igualda- a igualdade com o homem perante a lei.
de entre homens e mulheres, que elas par- 2. Os Estados-partes reconhecerão à mu-
ticipem no desenvolvimento rural e dele se lher, em matérias civis, uma capacidade
beneficiem, e em particular assegurar-lhes- jurídica idêntica à do homem e as mesmas
-ão o direito a: oportunidades para o exercício desta capa-
a) participar da elaboração e execução dos cidade. Em particular, reconhecerão à mu-
planos de desenvolvimento em todos os ní- lher iguais direitos para firmar contratos e
veis; administrar bens e dispensar-lhe-ão um tra-
tamento igual em todas as etapas do pro-
b) ter acesso a serviços médicos adequa- cesso nas Cortes de Justiça e nos Tribunais.
dos, inclusive informação, aconselhamento

www.acasadoconcurseiro.com.br 49
3. Os Estados-partes convêm em que todo ses dos filhos serão a consideração primor-
contrato ou outro instrumento privado de dial;
efeito jurídico que tenda a restringir a capa-
cidade jurídica da mulher será considerado g) os mesmos direitos pessoais como mari-
nulo. do e mulher, inclusive o direito de escolher
sobrenome, profissão e ocupação;
4. Os Estados-partes concederão ao ho-
mem e à mulher os mesmos direitos no que h) os mesmos direitos a ambos os cônjuges
respeita à legislação relativa ao direito das em matéria de propriedade, aquisição, ges-
pessoas, à liberdade de movimento e à li- tão, administração, gozo e disposição dos
berdade de escolha de residência e domicí- bens, tanto a título gratuito quanto a título
lio. oneroso.

Artigo 16. 2. Os esponsais e o casamento de uma


criança não terão efeito legal e todas as me-
1. Os Estados-partes adotarão todas as me- didas necessárias, inclusive as de caráter
didas adequadas para eliminar a discrimina- legislativo, serão adotadas para estabelecer
ção contra a mulher em todos os assuntos uma idade mínima para o casamento e para
relativos ao casamento e às relações fami- tornar obrigatória a inscrição de casamen-
liares e, em particular, com base na igualda- tos em registro oficial.
de entre homens e mulheres, assegurarão:
PARTE V
a) o mesmo direito de contrair matrimô-
nio; Artigo 17.
b) o mesmo direito de escolher livremente 1. Com o fim de examinar os progressos
o cônjuge e de contrair matrimônio somen- alcançados na aplicação desta Convenção,
te com o livre e pleno consentimento; será estabelecido um Comitê sobre a Eli-
minação da Discriminação contra a Mulher
c) os mesmos direitos e responsabilidades (doravante denominado "Comitê"), com-
durante o casamento e por ocasião de sua posto, no momento da entrada em vigor da
dissolução; Convenção, de dezoito e, após sua ratifica-
d) os mesmos direitos e responsabilidades ção ou adesão pelo trigésimo quinto Esta-
como pais, qualquer que seja seu estado ci- do-parte, de vinte e três peritos de grande
vil, em matérias pertinentes aos filhos. Em prestígio moral e competência na área abar-
todos os casos, os interesses dos filhos se- cada pela Convenção. Os peritos serão elei-
rão a consideração primordial; tos pelos Estados-partes e exercerão suas
funções a título pessoal; será levada em
e) os mesmos direitos de decidir livre e res- conta uma distribuição geográfica equitati-
ponsavelmente sobre o número de filhos e va e a representação das formas diversas de
sobre o intervalo entre os nascimentos e a civilização, assim como dos principais siste-
ter acesso à informação, à educação e aos mas jurídicos.
meios que lhes permitam exercer esses di-
reitos; 2. Os membros do Comitê serão eleitos em
votação secreta dentre uma lista de pessoas
f) os mesmos direitos e responsabilidades indicadas pelos Estados-partes. Cada Esta-
com respeito à tutela, curatela, guarda e do-parte pode indicar uma pessoa dentre
adoção dos filhos, ou institutos análogos, os seus nacionais.
quando esses conceitos existirem na legisla-
ção nacional. Em todos os casos, os interes- 3. A primeira eleição se realizará seis me-
ses após a data da entrada em vigor da

50 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

presente Convenção. Ao menos três meses 8. Os membros do Comitê, mediante apro-


antes da data de cada eleição, o Secretário- vação da Assembléia Geral, receberão re-
-Geral da Organização das Nações Unidas muneração dos recursos das Nações Uni-
enviará uma carta aos Estados-partes para das, na forma e condições que a Assembléia
convidá-los a apresentar suas candidaturas Geral decidir, tendo em vista a importância
no prazo de dois meses. O Secretário-Geral das funções do Comitê.
da Organização das Nações Unidas orga-
nizará uma lista, por ordem alfabética, de 9. O Secretário-Geral da Organização das
todos os candidatos assim designados, com Nações Unidas colocará à disposição do Co-
indicações dos Estados-partes que os tive- mitê o pessoal e os serviços necessários ao
rem designado, e a comunicará aos Estados- desempenho eficaz das funções que lhe são
-partes. atribuídas em virtude da presente Conven-
ção.
4. Os membros do Comitê serão eleitos du-
rante uma reunião dos Estados-partes con- Artigo 18. Os Estados-partes comprometem-se
vocada pelo Secretário-Geral das Nações a submeter ao Secretário-Geral das Nações Uni-
Unidas. Nesta reunião, na qual o quorum das, para exame do Comitê, um relatório sobre
será estabelecido por dois terços dos Esta- as medidas legislativas, judiciárias, administra-
dos-partes, serão eleitos membros do Co- tivas ou outras que adotarem para tornarem
mitê os candidatos que obtiverem o maior efetivas as disposições desta Convenção e dos
número de votos e a maioria absoluta dos progressos alcançados a respeito:
votos dos representantes dos Estados-par- a) no prazo de um ano, a partir da entrada
tes presentes e votantes. em vigor da Convenção para o Estado inte-
5. Os membros do Comitê serão eleitos ressado; e
para um mandato de quatro anos. Entretan- b) posteriormente, pelo menos a cada qua-
to, o mandato de nove dos membros eleitos tro anos e toda vez que o Comitê vier a soli-
na primeira eleição expirará ao final de dois citar.
anos; imediatamente após a primeira elei-
ção, os nomes desses nove membros serão 2. Os relatórios poderão indicar fatores e
escolhidos, por sorteio, pelo Presidente do dificuldades que influam no grau de cum-
Comitê. primento das obrigações estabelecidas por
esta Convenção.
6. A eleição dos cinco membros adicionais
do Comitê realizar-se-á em conformidade Artigo 19.
com o disposto nos parágrafos 2º, 3º e 4º
1. O Comitê adotará seu próprio regula-
deste artigo, após o depósito do trigésimo
mento.
quinto instrumento de ratificação ou ade-
são. O mandato de dois dos membros adi- 2. O Comitê elegerá sua Mesa para um perí-
cionais eleitos nessa ocasião, cujos nomes odo de dois anos.
serão escolhidos, por sorteio, pelo Presi-
dente do Comitê, expirará ao fim de dois Artigo 20.
anos. 1. O Comitê se reunirá normalmente todos
7. Para preencher as vagas fortuitas, o os anos, por um período não superior a
Estado-parte cujo perito tenha deixado de duas semanas, para examinar os relatórios
exercer suas funções de membro do Comitê que lhe sejam submetidos, em conformida-
nomeará outro perito entre seus nacionais, de com o artigo 18 desta Convenção.
sob reserva da aprovação do Comitê. 2. As reuniões do Comitê realizar-se-ão nor-
malmente na sede das Nações Unidas ou

www.acasadoconcurseiro.com.br 51
em qualquer outro lugar que o Comitê de- 2. O Secretário-Geral da Organização das
termine. Nações Unidas fica designado depositário
desta Convenção.
Artigo 21. O Comitê, através do Conselho Eco-
nômico e Social das Nações Unidas, informa- 3. Esta Convenção está sujeita à ratifica-
rá anualmente a Assembléia Geral das Nações ção. Os instrumentos de ratificação serão
Unidas de suas atividades e poderá apresentar depositados junto ao Secretário-Geral da
sugestões e recomendações de caráter geral, Organização das Nações Unidas.
baseadas no exame dos relatórios e em infor-
mações recebidas dos Estados-partes. Essas su- 4. Esta Convenção está aberta à adesão de
gestões e recomendações de caráter geral serão todos os Estados. Far-se-á a adesão median-
incluídas no relatório do Comitê juntamente te depósito do instrumento de adesão junto
com as observações que os Estados-partes te- ao Secretário-Geral das Nações Unidas.
nham porventura formulado. Artigo 26.
2. O Secretário-Geral das Nações Unidas 1. Qualquer Estado-parte poderá, em qual-
transmitirá, para informação, os relatórios quer momento, formular pedido de revisão
do Comitê à Comissão sobre a Condição da desta Convenção, mediante notificação es-
Mulher. crita dirigida ao Secretário-Geral da Organi-
Artigo 22. As agências especializadas terão di- zação das Nações Unidas.
reito a estar representadas no exame da apli- 2. A Assembléia Geral das Nações Unidas
cação das disposições desta Convenção que decidirá sobre as medidas a serem tomadas,
correspondam à esfera de suas atividades. O se for o caso, com respeito a esse pedido.
Comitê poderá convidar as agências especializa-
das a apresentar relatórios sobre a aplicação da Artigo 27. A presente Convenção entrará em vi-
Convenção em áreas que correspondam à esfe- gor no trigésimo dia a contar da data em que o
ra de suas atividades. vigésimo instrumento de ratificação ou adesão
houver sido depositado junto ao Secretário-Ge-
PARTE VI ral das Nações Unidas.

Artigo 23. Nada do disposto nesta Convenção 2. Para os Estados que vierem a ratificar a
prejudicará qualquer disposição que seja mais presente Convenção ou a ela aderir após o
propícia à obtenção da igualdade entre homens depósito do vigésimo instrumento de ratifi-
e mulheres e que esteja contida: cação ou adesão, a Convenção entrará em
vigor no trigésimo dia a contar da data em
a) na legislação de um Estado-parte; ou que o Estado em questão houver deposita-
b) em qualquer outra convenção, tratado do seu instrumento de ratificação ou ade-
ou acordo internacional vigente nesse Esta- são.
do. Artigo 28.
Artigo 24. Os Estados-partes comprometem-se 1. O Secretário-Geral das Nações Unidas re-
a adotar todas as medidas necessárias de âmbi- ceberá e enviará a todos os Estados o texto
to nacional para alcançar a plena realização dos das reservas feitas pelos Estados no mo-
direitos reconhecidos nesta Convenção. mento da ratificação ou adesão.
Artigo 25. 2. Não será permitido uma reserva incom-
1. A presente Convenção estará aberta à as- patível com o objeto e o propósito desta
sinatura de todos os Estados. Convenção.

52 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

3. As reservas poderão ser retiradas a qual- Protocolo Facultativo à Convenção


quer momento por uma notificação endere- Internacional sobre Eliminação de
çada com esse objetivo ao Secretário-Geral
das Nações Unidas, que informará a todos todas as formas de Discriminação
os Estados a respeito. A notificação surtirá contra a Mulher (1999)
efeito na data de seu recebimento.
Artigo 29. As controvérsias entre dois ou mais A Assembléia Geral,
Estados-partes, com relação à interpretação ou Reafirmando a Declaração e Programa de Ação
aplicação da presente Convenção, que não pu- de Viena e a Declaração e Plataforma de Ação
derem ser dirimidas por meio de negociação de Pequim,
serão, a pedido de um deles, submetidas à ar-
bitragem. Se, durante os seis meses seguintes Lembrando que a Plataforma de Ação de Pe-
à data do pedido de arbitragem, as Partes não quim, em seguimento à Declaração e Programa
lograrem pôr-se de acordo quanto aos termos de Ação de Viena, apoiou o processo iniciado
do compromisso de arbitragem, qualquer das pela Comissão sobre a Situação da Mulher com
Partes poderá submeter a controvérsia à Corte vistas à elaboração de minuta de protocolo fa-
Internacional de Justiça, mediante solicitação cultativo à Convenção sobre a Eliminação de To-
feita em conformidade com o Estatuto da Corte. das as Formas de Discriminação contra a Mulher
que pudesse entrar em vigor tão logo possível,
2. Cada Estado-parte poderá declarar, por em procedimento de direito a petição,
ocasião da assinatura ou ratificação da pre-
sente Convenção, que não se considera Observando que a Plataforma de Ação de Pe-
obrigado pelo parágrafo anterior. Os demais quim exortou todos os Estados que não haviam
Estados-partes não estarão obrigados pelo ainda ratificado ou aderido à Convenção a que o
referido parágrafo com relação a qualquer fizessem tão logo possível, de modo que a rati-
Estado-parte que houver formulado reserva ficação universal da Convenção pudesse ser al-
dessa natureza. cançada até o ano 2000,

3. Todo Estado-parte que houver formula- 1. Adota e abre a assinatura, ratificação e


do reserva em conformidade com o pará- adesão o Protocolo Facultativo à Conven-
grafo anterior poderá, a qualquer momen- ção, cujo texto encontra-se anexo à presen-
to, tornar sem efeito essa reserva, mediante te resolução;
notificação endereçada ao Secretário-Geral
2. Exorta todos os Estados que assinaram,
das Nações Unidas.
ratificaram ou aderiram à Convenção a as-
Artigo 30. A presente Convenção, cujos textos sinar e ratificar ou aderir ao Protocolo tão
em árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e logo possível,
russo são igualmente autênticos, será deposita-
3. Enfatiza que os Estados Partes do Proto-
da junto ao Secretário-Geral das Nações Unidas.
colo devem comprometer-se a respeitar os
Em testemunho do que os abaixo-assinados de- direitos e procedimentos dispostos no Pro-
vidamente autorizados assinaram a presente tocolo e cooperar com o Comitê para a Eli-
Convenção. minação da Discriminação contra a Mulher
em todos os estágios de suas ações no âm-
bito do Protocolo;
4. Enfatiza também que, em cumprimento
de seu mandato, bem como de suas fun-
ções no âmbito do Protocolo, o Comitê deve
continuar a ser pautado pelos princípios de

www.acasadoconcurseiro.com.br 53
não-seletividade, imparcialidade e objetivi- Lembrando que as Convenções Internacionais
dade; de Direitos Humanos e outros instrumentos in-
ternacionais de direitos humanos proíbem a dis-
5. Solicita ao Comitê que realize reuniões criminação baseada em sexo,
para exercer suas funções no âmbito do Pro-
tocolo após sua entrada em vigor, além das Lembrando, ainda, a Convenção sobre a Elimina-
reuniões realizadas segundo o Artigo 20 da ção de Todas as Formas de Discriminação Con-
Convenção; a duração dessas reuniões será tra a Mulher (doravante denominada "a Con-
determinada e, se necessário, reexaminada, venção"), na qual os Estados Partes condenam a
por reunião dos Estados Partes do Protoco- discriminação contra a mulher em todas as suas
lo, sujeita à aprovação da Assembléia Geral; formas e concordam em buscar, de todas as ma-
neiras apropriadas e sem demora, uma política
6. Solicita ao Secretário-Geral que forneça de eliminação da discriminação contra a mulher,
o pessoal e as instalações necessárias para
o desempenho efetivo das funções do Co- Reafirmando sua determinação de assegurar o
mitê segundo o Protocolo após sua entrada pleno e equitativo gozo pelas mulheres de to-
em vigor; dos os direitos e liberdades fundamentais e de
agir de forma efetiva para evitar violações des-
7. Solicita, ainda, ao Secretário-Geral que ses direitos e liberdades,
inclua informações sobre a situação do Pro-
tocolo em seus relatórios regulares apre- Concordaram com o que se segue:
sentados à Assembléia Geral sobre a situa-
ção da Convenção. Artigo 1º

28ª Reunião Plenária, em 6 de outubro de 1999. Cada Estado Parte do presente Protocolo (dora-
vante denominado "Estado Parte") reconhece a
competência do Comitê sobre a Eliminação da
Discriminação contra a Mulher (doravante de-
ANEXO nominado " o Comitê") para receber e conside-
rar comunicações apresentadas de acordo com
o Artigo 2 deste Protocolo.
Protocolo Facultativo à Convenção sobre a Eli-
minação de Todas as Formas de Discriminação Artigo 2º
Contra a Mulher
As comunicações podem ser apresentadas por
Os Estados Partes do presente Protocolo, indivíduos ou grupos de indivíduos, que se en-
contrem sob a jurisdição do Estado Parte e ale-
Observando que na Carta das Nações Unidas se guem ser vítimas de violação de quaisquer dos
reafirma a fé nos direitos humanos fundamen- direitos estabelecidos na Convenção por aque-
tais, na dignidade e no valor da pessoa humana le Estado Parte, ou em nome desses indivíduos
e na igualdade de direitos entre homens e mu- ou grupos de indivíduos. Sempre que for apre-
lheres, sentada em nome de indivíduos ou grupos de
Observando, ainda, que a Declaração Universal indivíduos, a comunicação deverá contar com
dos Direitos Humanos proclama que todos os seu consentimento, a menos que o autor possa
seres humanos nascem livres e iguais em dig- justificar estar agindo em nome deles sem o seu
nidade e direitos e que cada pessoa tem todos consentimento.
os direitos e liberdades nela proclamados, sem Artigo 3º
qualquer tipo de distinção, incluindo distinção
baseada em sexo, As comunicações deverão ser feitas por escrito
e não poderão ser anônimas. Nenhuma comu-
nicação relacionada a um Estado Parte da Con-

54 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

venção que não seja parte do presente Protoco- fato não implica determinação sobre a ad-
lo será recebida pelo Comitê. missibilidade ou mérito da comunicação.
Artigo 4º Artigo 6º
1. O Comitê não considerará a comunica- 1. A menos que o Comitê considere que
ção, exceto se tiver reconhecido que todos a comunicação seja inadmissível sem refe-
os recursos da jurisdição interna foram es- rência ou Estado Parte em questão, e des-
gotados ou que a utilização desses recursos de que o indivíduo ou indivíduos consintam
estaria sendo protelada além do razoável na divulgação de sua identidade ao Estado
ou deixaria dúvida quanto a produzir o efe- Parte, o Comitê levará confidencialmente à
tivo amparo. atenção do Estado Parte em questão a co-
municação por ele recebida no âmbito do
2. O Comitê declarará inadmissível toda presente Protocolo.
comunicação que:
2. Dentro de seis meses, o Estado Parte
a) se referir a assunto que já tiver sido exa- que receber a comunicação apresentará ao
minado pelo Comitê ou tiver sido ou estiver Comitê explicações ou declarações por es-
sendo examinado sob outro procedimento crito esclarecendo o assunto e o remédio,
internacional de investigação ou solução de se houver, que possa ter sido aplicado pelo
controvérsias; Estado Parte.
b) for incompatível com as disposições da Artigo 7º
Convenção;
1. O Comitê considerará as comunicações
c) estiver manifestamente mal fundamen- recebidas segundo o presente Protocolo à
tada ou não suficientemente consubstan- luz das informações que vier a receber de
ciada; indivíduos ou grupos de indivíduos, ou em
d) constituir abuso do direito de submeter nome destes, ou do Estado Parte em ques-
comunicação; tão, desde que essa informação seja trans-
mitida às partes em questão.
e) tiver como objeto fatos que tenham ocor-
rido antes da entrada em vigor do presente 2. O Comitê realizará reuniões fechadas ao
Protocolo para o Estado Parte em questão, examinar as comunicações no âmbito do
a não ser no caso de tais fatos terem tido presente Protocolo.
continuidade após aquela data. 3. Após examinar a comunicação, o Comitê
Artigo 5º transmitirá suas opiniões a respeito, junta-
mente com sua recomendação, se houver,
1. A qualquer momento após o recebi- às partes em questão.
mento de comunicação e antes que tenha
sido alcançada determinação sobre o méri- 4. O Estado Parte dará a devida considera-
to da questão, o Comitê poderá transmitir ção às opiniões do Comitê, juntamente com
ao Estado Parte em questão, para urgente as recomendações deste último, se houver,
consideração, solicitação no sentido de que e apresentará ao Comitê, dentro de seis me-
o Estado Parte tome as medidas antecipató- ses, resposta por escrito incluindo informa-
rias necessárias para evitar possíveis danos ções sobre quaisquer ações realizadas à luz
irreparáveis à vítima ou vítimas da alegada das opiniões e recomendações do Comitê.
violação. 5. O Comitê poderá convidar o Estado Par-
2. Sempre que o Comitê exercer seu arbí- te a apresentar informações adicionais so-
trio segundo o parágrafo 1 deste Artigo, tal bre quaisquer medidas que o Estado Parte

www.acasadoconcurseiro.com.br 55
tenha tomado em resposta às opiniões e nores de qualquer medida tomada em res-
recomendações do Comitê, se houver, in- posta à investigação conduzida segundo o
cluindo, quando o Comitê julgar apropria- Artigo 18 deste Protocolo.
do, informações que passem a constar de
relatórios subseqüentes do Estado Parte se- 2. O Comitê poderá, caso necessário, após
gundo o Artigo 18 da Convenção. o término do período de seis meses men-
cionado no Artigo 8.4 deste Protocolo, con-
Artigo 8º vidar o Estado Parte a informá-lo das me-
didas tomadas em resposta à mencionada
1. Caso o Comitê receba informação fi- investigação.
dedigna indicando graves ou sistemáticas
violações por um Estado Parte dos direitos Artigo 10.
estabelecidos na Convenção, o Comitê con-
vidará o Estado Parte a cooperar no exame 1. Cada Estado Parte poderá, no momen-
da informação e, para esse fim, a apresen- to da assinatura ou ratificação do presente
tar observações quanto à informação em Protocolo ou no momento em que a este
questão. aderir, declarar que não reconhece a com-
petência do Comitê disposta nos Artigos 8 e
2. Levando em conta quaisquer observa- 9 deste Protocolo.
ções que possam ter sido apresentadas pelo
Estado Parte em questão, bem como outras 2. O Estado Parte que fizer a declaração de
informações fidedignas das quais disponha, acordo com o Parágrafo 1 deste Artigo 10
o Comitê poderá designar um ou mais de poderá, a qualquer momento, retirar essa
seus membros para conduzir uma investi- declaração através de notificação ao Secre-
gação e apresentar relatório urgentemente tário-Geral.
ao Comitê. Sempre que justificado, e com o Artigo 11.
consentimento do Estado Parte, a investiga-
ção poderá incluir visita ao território deste Os Estados Partes devem tomar todas as medi-
último. das apropriadas para assegurar que os indiví-
duos sob sua jurisdição não fiquem sujeitos a
3. Após examinar os resultados da inves- maus tratos ou intimidação como conseqüência
tigação, o Comitê os transmitirá ao Estado de sua comunicação com o Comitê nos termos
Parte em questão juntamente com quais- do presente Protocolo.
quer comentários e recomendações.
Artigo 12.
4. O Estado Parte em questão deverá, den-
tro de seis meses do recebimento dos re- O Comitê incluirá em seu relatório anual, se-
sultados, comentários e recomendações do gundo o Artigo 21 da Convenção, um resumo de
Comitê, apresentar suas observações ao Co- suas atividades nos termos do presente Proto-
mitê. colo.

5. Tal investigação será conduzida em ca- Artigo 13.


ráter confidencial e a cooperação do Esta-
Cada Estado Parte compromete-se a tornar pú-
do Parte será buscada em todos os estágios
blicos e amplamente conhecidos a Convenção e
dos procedimentos.
o presente Protocolo e a facilitar o acesso à in-
Artigo 9º formação acerca das opiniões e recomendações
do Comitê, em particular sobre as questões que
1. O Comitê poderá convidar o Estado Par- digam respeito ao próprio Estado Parte.
te em questão a incluir em seu relatório,
segundo o Artigo 18 da Convenção, porme-

56 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

Artigo 14. -Geral deverá, nessa ocasião, comunicar


as emendas propostas aos Estados Partes
O Comitê elaborará suas próprias regras de pro- juntamente com solicitação de que o noti-
cedimento a serem seguidas no exercício das fiquem caso sejam favoráveis a uma confe-
funções que lhe são conferidas no presente Pro- rência de Estados Partes com o propósito
tocolo. de avaliar e votar a proposta. Se ao menos
Artigo 15. um terço dos Estados Partes for favorável à
conferência, o Secretário-Geral deverá con-
1. O presente Protocolo estará aberto à as- vocá-la sob os auspícios das Nações Unidas.
sinatura por qualquer Estado que tenha ra- Qualquer emenda adotada pela maioria dos
tificado ou aderido à Convenção. Estados Partes presentes e votantes na con-
2. O presente Protocolo estará sujeito à ferência será submetida à Assembléia-Geral
ratificação por qualquer Estado que tenha das Nações Unidas para aprovação.
ratificado ou aderido à Convenção. Os ins- 2. As emendas entrarão em vigor tão logo
trumentos de ratificação deverão ser depo- tenham sido aprovadas pela Assembléia-
sitados junto ao Secretário-Geral das Na- -Geral das Nações Unidas e aceitas por
ções Unidas. maioria de dois terços dos Estados Partes
3. O presente Protocolo estará aberto à do presente Protocolo, de acordo com seus
adesão por qualquer Estado que tenha rati- respectivos processos constitucionais.
ficado ou aderido à Convenção. 3. Sempre que as emendas entrarem em
4. A adesão será efetivada pelo depósito vigor, obrigarão os Estados Partes que as
de instrumento de adesão junto ao Secretá- tenham aceitado, ficando os outros Estados
rio-Geral das Nações Unidas. Partes obrigados pelas disposições do pre-
sente Protocolo e quaisquer emendas ante-
Artigo 16. riores que tiverem aceitado.
1. O presente Protocolo entrará em vigor Artigo 19.
três meses após a data do depósito junto ao
Secretário-Geral das Nações Unidas do dé- 1. Qualquer Estado Parte poderá denun-
cimo instrumento de ratificação ou adesão. ciar o presente Protocolo a qualquer mo-
mento por meio de notificação por escrito
2. Para cada Estado que ratifique o presen- endereçada ao Secretário-Geral das Nações
te Protocolo ou a ele venha a aderir após Unidas. A denúncia terá efeito seis meses
sua entrada em vigor, o presente Protocolo após a data do recebimento da notificação
entrará em vigor três meses após a data do pelo Secretário-Geral.
depósito de seu próprio instrumento de ra-
tificação ou adesão. 2. A denúncia não prejudicará a continui-
dade da aplicação das disposições do pre-
Artigo 17. sente Protocolo em relação a qualquer co-
municação apresentada segundo o Artigo 2
Não serão permitidas reservas ao presente Pro- deste Protocolo e a qualquer investigação
tocolo. iniciada segundo o Artigo 8 deste Protocolo
Artigo 18. antes da data de vigência da denúncia.

1. Qualquer Estado Parte poderá propor Artigo 20.


emendas ao presente Protocolo e dar entra- O Secretário-Geral das Nações Unidas informará
da a proposta de emendas junto ao Secretá- a todos os Estados sobre:
rio-Geral das Nações Unidas. O Secretário-

www.acasadoconcurseiro.com.br 57
a) Assinaturas, ratificações e adesões ao jeito a tortura ou a pena ou tratamento cruel,
presente Protocolo; desumano ou degradante,
b) Data de entrada em vigor do presente Levando também em conta a Declaração sobre
Protocolo e de qualquer emenda feita nos a Proteção de Todas as Pessoas contra a Tortura
termos do Artigo 18 deste Protocolo; e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desuma-
nos ou Degradantes, aprovada pela Assembléia
c) Qualquer denúncia feita segundo o Arti- Geral em 9 de dezembro de 1975,
go 19 deste Protocolo.
Desejosos de tornar mais eficaz a luta contra a
Artigo 21. tortura e outros tratamentos ou penas cruéis,
1. O presente Protocolo, do qual as versões desumanos ou degradantes em todo o mundo,
em árabe, chinês, inglês, francês, russo e Acordam o seguinte:
espanhol são igualmente autênticas, será
depositado junto aos arquivos das Nações PARTE I
Unidas.
Artigo 1º Para fins da presente Convenção, o ter-
2. O Secretário-Geral das Nações Unidas mo "tortura" designa qualquer ato pelo qual do-
transmitirá cópias autenticadas do presente res ou sofrimentos agudos, físicos ou mentais,
Protocolo a todos os estados mencionados são infligidos intencionalmente a uma pessoa a
no Artigo 25 da Convenção. fim de obter, dela ou de terceira pessoa, infor-
mações ou confissões; de castigá-la por ato que
ela ou terceira pessoa tenha cometido ou seja
Convenção contra a tortura e outros suspeita de ter cometido; de intimidar ou coagir
esta pessoa ou outras pessoas; ou por qualquer
Tratamentos ou Penas cruéis, motivo baseado em discriminação de qualquer
desumanas ou degradantes (1984) natureza; quando tais dores ou sofrimentos são
infligidos por um funcionário público ou outra
Os Estados-partes na presente Convenção, pessoa no exercício de funções públicas, ou por
sua instigação, ou com o seu consentimento ou
Considerando que, de acordo com os princípios aquiescência. Não se considerará como tortura
proclamados pela Carta das Nações Unidas, o as dores ou sofrimentos que sejam consequên-
reconhecimento dos direitos iguais e inaliená- cia unicamente de sanções legítimas, ou que se-
veis de todos os membros da família humana é jam inerentes a tais sanções ou delas decorram.
o fundamento da liberdade, da justiça e da paz
no mundo, O presente artigo não será interpretado de ma-
neira a restringir qualquer instrumento interna-
Reconhecendo que esses direitos emanam da cional ou legislação nacional que contenha ou
dignidade inerente à pessoa humana, possa conter dispositivos de alcance mais am-
plo.
Considerando a obrigação que incumbe aos
Estados, em virtude da Carta, em particular do Artigo 2º Cada Estado tomará medidas eficazes
artigo 55, de promover o respeito universal e a de caráter legislativo, administrativo, judicial ou
observância dos direitos humanos e das liberda- de outra natureza, a fim de impedir a prática de
des fundamentais, atos de tortura em qualquer território sob sua
jurisdição.
Levando em conta o artigo 5º da Declaração
Universal dos Direitos do Homem e o artigo 7º 2. Em nenhum caso poderão invocar-se cir-
do Pato Internacional sobre Direitos Civis e Po- cunstâncias excepcionais, como ameaça ou
líticos, que determinam que ninguém será su- estado de guerra, instabilidade política in-

58 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

terna ou qualquer outra emergência públi- não o extradite, de acordo com o artigo 8º,
ca, como justificação para a tortura. para qualquer dos Estados mencionados no
parágrafo 1º do presente artigo.
Artigo 3º
3. Esta Convenção não exclui qualquer ju-
1. Nenhum Estado-parte procederá à ex- risdição criminal exercida de acordo com o
pulsão, devolução ou extradição de uma direito interno.
pessoa para outro Estado, quando houver
razões substanciais para crer que a mesma Artigo 6º
corre perigo de ali ser submetida a tortura.
1. Todo Estado-parte em cujo território se
2. A fim de determinar a existência de tais encontre uma pessoa suspeita de ter come-
razões, as autoridades competentes levarão tido qualquer dos crimes mencionados no
em conta todas as considerações pertinen- artigo 4º, se considerar, após o exame das
tes, inclusive, se for o caso, a existência, no informações de que dispõe, que as circuns-
Estado em questão, de um quadro de viola- tâncias o justificam, procederá à detenção
ções sistemáticas, graves e maciças de direi- de tal pessoa ou tomará outras medidas le-
tos humanos. gais para assegurar sua presença. A deten-
ção e outras medidas legais serão tomadas
Artigo 4º Cada Estado-parte assegurará que to- de acordo com a lei do Estado, mas vigora-
dos os atos de tortura sejam considerados cri- rão apenas pelo tempo necessário ao início
mes segundo a sua legislação penal. O mesmo do processo penal ou de extradição.
aplicar-se-á à tentativa de tortura e a todo ato
de qualquer pessoa que constitua cumplicidade 2. O Estado em questão procederá imedia-
ou participação na tortura. tamente a uma investigação preliminar dos
fatos.
2. Cada Estado-parte punirá esses crimes
com penas adequadas que levem em conta 3. Qualquer pessoa detida de acordo com
a sua gravidade. o parágrafo 1º terá asseguradas facilidades
para comunicar-se imediatamente com o
Artigo 5º representante mais próximo do Estado de
1. Cada Estado-parte tomará as medidas que é nacional ou, se for apátrida, com o re-
necessárias para estabelecer sua jurisdição presentante de sua residência habitual.
sobre os crimes previstos no artigo 4º, nos 4. Quando o Estado, em virtude deste ar-
seguintes casos: tigo, houver detido uma pessoa, notificará
a) quando os crimes tenham sido cometi- imediatamente os Estados mencionados no
dos em qualquer território sob sua jurisdi- artigo 5º, parágrafo 1º, sobre tal detenção e
ção ou a bordo de navio ou aeronave regis- sobre as circunstâncias que a justificam. O
trada no Estado em questão; Estado que proceder à investigação prelimi-
nar, a que se refere o parágrafo 2º do pre-
b) quando o suposto autor for nacional do sente artigo, comunicará sem demora os re-
Estado em questão: sultados aos Estados antes mencionados e
c) quando a vítima for nacional do Estado indicará se pretende exercer sua jurisdição.
em questão e este o considerar apropriado; Artigo 7º
2. Cada Estado-parte tomará também as 1. O Estado-parte no território sob a juris-
medidas necessárias para estabelecer sua dição do qual o suposto autor de qualquer
jurisdição sobre tais crimes, nos casos em dos crimes mencionados no artigo 4º for
que o suposto autor se encontre em qual- encontrado, se não o extraditar, obrigar-se-
quer território sob sua jurisdição e o Estado

www.acasadoconcurseiro.com.br 59
-á, nos casos contemplados no artigo 5º, a se tivesse ocorrido não apenas no lugar em
submeter o caso às suas autoridades com- que ocorreu, mas também nos territórios
petentes para o fim de ser o mesmo proces- dos Estados chamados a estabelecerem sua
sado. jurisdição, de acordo com o parágrafo 1º do
artigo 5º.
2. As referidas autoridades tomarão sua
decisão de acordo com as mesmas normas Artigo 9º
aplicáveis a qualquer crime de natureza gra-
ve, conforme a legislação do referido Esta- 1. Os Estados-partes prestarão entre si a
do. Nos casos previstos no parágrafo 2º do maior assistência possível, em relação aos
artigo 5º, as regras sobre prova para fins procedimentos criminais instaurados relati-
de processo e condenação não poderão de vamente a qualquer dos delitos menciona-
modo algum ser menos rigorosas do que as dos no artigo 4º, inclusive no que diz respei-
que se aplicarem aos casos previstos no pa- to ao fornecimento de todos os elementos
rágrafo 1º do artigo 5º. de prova necessários para o processo que
estejam em seu poder.
3. Qualquer pessoa processada por qual-
quer dos crimes previstos no artigo 4º re- 2. Os Estados-partes cumprirão as obriga-
ceberá garantias de tratamento justo em ções decorrentes do parágrafo 1º do pre-
todas as fases do processo. sente artigo, conforme quaisquer tratados
de assistência judiciária recíproca existentes
Artigo 8º entre si.
1. Os crimes a que se refere o artigo 4º se- Artigo 10.
rão considerados como extraditáveis em
qualquer tratado de extradição existente 1. Cada Estado-parte assegurará que o en-
entre os Estados-partes. Os Estados-partes sino e a informação sobre a proibição da
obrigar-se-ão a incluir tais crimes como ex- tortura sejam plenamente incorporados
traditáveis em todo tratado de extradição no treinamento do pessoal civil ou militar
que vierem a concluir entre si. encarregado da aplicação da lei, do pesso-
al médico, dos funcionários públicos e de
2. Se um Estado-parte que condiciona a ex- quaisquer outras pessoas que possam par-
tradição à existência de tratado receber um ticipar da custódia, interrogatório ou tra-
pedido de extradição por parte de outro Es- tamento de qualquer pessoa submetida a
tado-parte com o qual não mantém tratado qualquer forma de prisão, detenção ou re-
de extradição, poderá considerar a presente clusão.
Convenção como base legal para a extradi-
ção com respeito a tais crimes. A extradição 2. Cada Estado-parte incluirá a referida proi-
sujeitar-se-á às outras condições estabeleci- bição nas normas ou instruções relativas
das pela lei do Estado que receber a solicita- aos deveres e funções de tais pessoas.
ção. Artigo 11. Cada Estado-parte manterá sistemati-
3. Os Estados-partes que não condicio- camente sob exame as normas, instruções, mé-
nam a extradição à existência de um trata- todos e práticas de interrogatório, bem como as
do reconhecerão, entre si, tais crimes como disposições sobre a custódia e o tratamento das
extraditáveis, dentro das condições esta- pessoas submetidas, em qualquer território sob
belecidas pela lei do Estado que receber a a sua jurisdição, a qualquer forma de prisão, de-
solicitação. tenção ou reclusão, com vistas a evitar qualquer
caso de tortura.
4. O crime será considerado, para o fim de
extradição entre os Estados-partes, como

60 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

Artigo 12. Cada Estado-parte assegurará que forem cometidos por funcionário público
suas autoridades competentes procederão ime- ou outra pessoa no exercício de funções pú-
diatamente a uma investigação imparcial, sem- blicas, ou por sua instigação, ou com o seu
pre que houver motivos razoáveis para crer que consentimento ou aquiescência. Aplicar-se-
um ato de tortura tenha sido cometido em qual- -ão, em particular, as obrigações menciona-
quer território sob sua jurisdição. das nos artigos 10, 11, 12 e 13, com a subs-
tituição das referências a outras formas de
Artigo 13. Cada Estado-parte assegurará, a tratamentos ou penas cruéis, desumanos
qualquer pessoa que alegue ter sido submetida ou degradantes.
a tortura em qualquer território sob sua jurisdi-
ção, o direito de apresentar queixa perante as 2. Os dispositivos da presente Convenção
autoridades competentes do referido Estado, não serão interpretados de maneira a res-
que procederão imediatamente e com impar- tringir os dispositivos de qualquer outro ins-
cialidade ao exame do seu caso. Serão tomadas trumento internacional ou lei nacional que
medidas para assegurar a proteção dos quei- proíba os tratamentos ou penas cruéis, de-
xosos e das testemunhas contra qualquer mau sumanos ou degradantes ou que se refira à
tratamento ou intimidação, em consequência extradição ou expulsão.
da queixa apresentada ou do depoimento pres-
tado. PARTE II
Artigo 14. Artigo 17.
1. Cada Estado-parte assegurará em seu sis- 1. Constituir-se-á um Comitê contra a Tortu-
tema jurídico, à vítima de um ato de tortura, ra (doravante denominado o "Comitê"), que
o direito à reparação e à indenização justa e desempenhará as funções descritas adian-
adequada, incluídos os meios necessários te. O Comitê será composto por dez peritos
para a mais completa reabilitação possível. de elevada reputação moral e reconhecida
Em caso de morte da vítima como resultado competência em matéria de direitos huma-
de um ato de tortura, seus dependentes te- nos, os quais exercerão suas funções a tí-
rão direito a indenização. tulo pessoal. Os peritos serão eleitos pelos
Estados-partes, levando em conta uma dis-
2. O disposto no presente artigo não afetará tribuição geográfica equitativa e a utilidade
qualquer direito a indenização que a vítima da participação de algumas pessoas com ex-
ou outra pessoa possam ter em decorrência periência jurídica.
das leis nacionais.
2. Os membros do Comitê serão eleitos em
Artigo 15. Cada Estado-parte assegurará que votação secreta, dentre uma lista de pesso-
nenhuma declaração que se demonstre ter as indicadas pelos Estados-partes. Cada Es-
sido prestada como resultado de tortura possa tado-parte pode indicar uma pessoa dentre
ser invocada como prova em qualquer proces- os seus nacionais. Os Estados-partes terão
so, salvo contra uma pessoa acusada de tortura presente a utilidade da indicação de pesso-
como prova de que a declaração foi prestada. as que sejam também membros do Comitê
Artigo 16. de Direitos Humanos, estabelecido de acor-
do com o Pato Internacional dos Direitos
1. Cada Estado-parte se comprometerá a Civis e Políticos, e que estejam dispostas a
proibir, em qualquer território sob a sua servir no Comitê contra a Tortura.
jurisdição, outros atos que constituam tra-
tamentos ou penas cruéis, desumanos ou 3. Os membros do Comitê serão eleitos
degradantes que não constituam tortura tal em reuniões bienais dos Estados-partes
como definida no artigo 1, quando tais atos convocadas pelo Secretário-Geral das Na-

www.acasadoconcurseiro.com.br 61
ções Unidas. Nestas reuniões, nas quais o Secretário-Geral das Nações Unidas lhes
quórum será estabelecido por dois terços houver comunicado a candidatura propos-
dos Estados-partes, serão eleitos membros ta.
do Comitê os candidatos que obtiverem o
maior número de votos e a maioria absoluta 7. Correrão por conta dos Estados-partes
dos votos dos representantes dos Estados- as despesas em que vierem a incorrer os
-partes presentes e votantes. membros do Comitê no desempenho de
suas funções no referido órgão.
4. A primeira eleição se realizará no máxi-
mo seis meses após a data da entrada em Artigo 18.
vigor da presente Convenção. Ao menos 1. O Comitê elegerá sua Mesa para um perí-
quatro meses antes da data de cada eleição, odo de dois anos. Os membros da Mesa po-
o Secretário-Geral da Organização das Na- derão ser reeleitos.
ções Unidas enviará uma carta aos Estados-
-partes, para convidá-los a apresentar suas 2. O próprio Comitê estabelecerá suas re-
candidaturas, no prazo de três meses. O gras de procedimento; estas, contudo, de-
Secretário-Geral da Organização das Nações verão conter, entre outras, as seguintes dis-
Unidas organizará uma lista por ordem alfa- posições:
bética de todos os candidatos assim desig-
a) o quorum será de seis membros;
nados, com indicações dos Estados-partes
que os tiverem designado, e a comunicará b) as decisões do Comitê serão tomadas
aos Estados-partes. por maioria dos votos dos membros presen-
tes.
5. Os membros do Comitê serão eleitos
para um mandato de quatro anos. Poderão, 3. O Secretário-Geral da Organização das
caso suas candidaturas sejam apresenta- Nações Unidas colocará à disposição do Co-
das novamente, ser reeleitos. Entretanto, o mitê o pessoal e os serviços necessários ao
mandato de cinco dos membros eleitos na desempenho eficaz das funções que lhe são
primeira eleição expirará ao final de dois atribuídas em virtude da presente Conven-
anos; imediatamente após a primeira elei- ção.
ção, o presidente da reunião a que se refere
o parágrafo 3 do presente artigo indicará, 4. O Secretário-Geral da Organização das
por sorteio, os nomes desses cinco mem- Nações Unidas convocará a primeira reu-
bros. nião do Comitê. Após a primeira reunião, o
Comitê deverá reunir-se em todas as oca-
6. Se um membro do Comitê vier a falecer, siões previstas em suas regras de procedi-
a demitir-se de suas funções ou, por outro mento.
motivo qualquer, não puder cumprir com
suas obrigações no Comitê, o Estado-parte 5. Os Estados-partes serão responsáveis
que apresentou sua candidatura indica- pelos gastos vinculados à realização das
rá, entre seus nacionais, outro perito para reuniões dos Estados-partes e do Comitê,
cumprir o restante de seu mandato, sendo inclusive o reembolso de quaisquer gastos,
que a referida indicação estará sujeita à tais como os de pessoal e de serviços, em
aprovação da maioria dos Estados-partes. que incorrerem as Nações Unidas, em con-
Considerar-se-á como concedida a referida formidade com o parágrafo 3º do presente
aprovação, a menos que a metade ou mais artigo.
dos Estados-partes venham a responder Artigo 19.
negativamente dentro de um prazo de seis
semanas, a contar do momento em que o 1. Os Estados-partes submeterão ao Comi-
tê, por intermédio do Secretário-Geral das

62 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

Nações Unidas, relatórios sobre as medi- ficável, designar um ou vários de seus mem-
das por eles adotadas no cumprimento das bros para que procedam a uma investigação
obrigações assumidas, em virtude da pre- confidencial e informem urgentemente o
sente Convenção, no Estado-parte interes- Comitê.
sado. A partir de então, os Estados-partes
deverão apresentar relatórios suplemen- 3. No caso de realizar-se uma investigação
tares a cada quatro anos, sobre todas as nos termos do parágrafo 2º do presente
novas disposições que houverem adotado, artigo, o Comitê procurará obter a colabo-
bem como outros relatórios que o Comitê ração do Estado-parte interessado. Com a
vier a solicitar. concordância do Estado-parte em questão,
a investigação poderá incluir uma visita a
2. O Secretário-Geral das Nações Unidas seu território.
transmitirá os relatórios a todos os Estados-
-partes. 4. Depois de haver examinado as conclu-
sões apresentadas por um ou vários de seus
3. Cada relatório será examinado pelo Co- membros, nos termos do parágrafo 2º do
mitê, que poderá fazer os comentários ge- presente artigo, o Comitê as transmitirá ao
rais que julgar oportunos e os transmitirá ao Estado-parte interessado, junto com as ob-
Estado-parte interessado. Este poderá, em servações ou sugestões que considerar per-
resposta ao Comitê, comunicar-lhe todas as tinentes com vista da situação.
observações que deseje formular.
5. Todos os trabalhos do Comitê a que se
4. O Comitê poderá, a seu critério, tomar a faz referência nos parágrafos 1º ao 4º do
decisão de incluir qualquer comentário que presente artigo serão confidenciais e, em
houver feito, de acordo com o que estipu- todas as etapas dos referidos trabalhos,
la o parágrafo 3º do presente artigo, junto procurar-se-á obter a cooperação do Esta-
com as observações conexas recebidas do do-parte. Quando estiverem concluídos os
Estado-parte interessado, em seu relatório trabalhos relacionados com uma investiga-
anual que apresentará, em conformidade ção realizada de acordo com o parágrafo 2º,
com o artigo 24. Se assim o solicitar o Esta- o Comitê poderá, após celebrar consultas
do-parte interessado, o Comitê poderá tam- com o Estado-parte interessado, tomar a
bém incluir cópia do relatório apresentado, decisão de incluir um resumo dos resulta-
em virtude do parágrafo 1º do presente ar- dos da investigação em seu relatório anual,
tigo. que apresentará em conformidade com o
artigo 24.
Artigo 20.
Artigo 21.
1. O Comitê, no caso de vir a receber infor-
mações fidedignas que lhe pareçam indicar, 1. Com base no presente artigo, todo Esta-
de forma fundamentada, que a tortura é do-parte na presente Convenção poderá
praticada sistematicamente no território de declarar, a qualquer momento, que reco-
um Estado-parte, convidará o Estado-parte nhece a competência do Comitê para re-
em questão a cooperar no exame das infor- ceber e examinar as comunicações em que
mações e, nesse sentido, a transmitir ao Co- um Estado-parte alegue que outro Estado-
mitê as observações que julgar pertinentes. -parte não vem cumprindo as obrigações
que lhe impõe a Convenção. As referidas co-
2. Levando em consideração todas as ob- municações só serão recebidas e examina-
servações que houver apresentado o Esta- das nos termos do presente artigo, no caso
do-parte interessado, bem como quaisquer de serem apresentadas por um Estado-par-
outras informações pertinentes de que dis- te que houver feito uma declaração em que
puser, o Comitê poderá, se lhe parecer justi-

www.acasadoconcurseiro.com.br 63
reconheça, com relação a si próprio, a com- d) O Comitê realizará reuniões confiden-
petência do Comitê. O Comitê não receberá ciais quando estiver examinando as comu-
comunicação alguma relativa a um Estado- nicações previstas no presente artigo;
-parte que não houver feito uma declaração
dessa natureza. As comunicações recebidas e) Sem prejuízo das disposições da alínea
em virtude do presente artigo estarão sujei- "c", o Comitê colocará seus bons ofícios à
tas ao procedimento que segue: disposição dos Estados-partes interessados
no intuito de alcançar uma solução amisto-
a) Se um Estado-parte considerar que ou- sa para a questão, baseada no respeito às
tro Estado-parte não vem cumprindo as obrigações estabelecidas na presente Con-
disposições da presente Convenção pode- venção. Com vistas a atingir estes objetivos,
rá, mediante comunicação escrita, levar a o Comitê poderá constituir, se julgar con-
questão a conhecimento deste Estado-par- veniente, uma comissão de conciliação ad
te. Dentro do prazo de três meses, a contar hoc;
da data do recebimento da comunicação,
o Estado destinatário fornecerá ao Estado f) Em todas as questões que se lhe subme-
que enviou a comunicação explicações e tam em virtude do presente artigo, o Comi-
quaisquer outras declarações por escrito tê poderá solicitar aos Estados-partes inte-
que esclareçam a questão, as quais deve- ressados, a que se faz referência na alínea
rão fazer referência, até onde seja possível e "b", que lhe forneçam quaisquer informa-
pertinente, aos procedimentos nacionais e ções pertinentes;
aos recursos jurídicos adotados, em trâmite g) Os Estados-partes interessados, a que se
ou disponíveis sobre a questão; faz referência na alínea "b", terão o direito
b) Se, dentro do prazo de seis meses, a con- de fazer-se representar quando as questões
tar da data do recebimento da comunicação forem examinadas no Comitê e de apresen-
original pelo Estado destinatário, a questão tar suas observações verbalmente e/ou por
não estiver dirimida satisfatoriamente para escrito;
ambos os Estados-partes interessados, tan- h) O Comitê, dentro dos doze meses se-
to um como o outro terão o direito de sub- guintes à data do recebimento da notifica-
metê-la ao Comitê, mediante notificação ção mencionada na alínea "b", apresentará
endereçada ao Comitê ou ao outro Estado relatório em que:
interessado;
I – se houver sido alcançada uma solução
c) O Comitê tratará de todas as questões nos termos da alínea "e", o Comitê restrin-
que se lhe submetam em virtude do presen- gir-se-á, em seu relatório, a uma breve ex-
te artigo, somente após ter-se assegurado posição dos fatos e da solução alcançada;
de que todos os recursos internos disponí-
veis tenham sido utilizados e esgotados, em II – se não houver sido alcançada solução
conformidade com os princípios do Direito alguma nos termos da alínea "e", o Comitê
Internacional geralmente reconhecidos. restringir-se-á, em seu relatório, a uma bre-
Não se aplicará essa regra quando a aplica- ve exposição dos fatos; serão anexados ao
ção dos mencionados recursos se prolongar relatório o texto das observações escritas e
injustificadamente ou quando não for pro- das atas das observações orais apresenta-
vável que a aplicação de tais recursos venha das pelos Estados-partes interessados. Para
a melhorar realmente a situação da pessoa cada questão, o relatório será encaminhado
que seja vítima de violação da presente aos Estados-partes interessados.
Convenção;
2. As disposições do presente artigo entra-
rão em vigor a partir do momento em que

64 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

cinco Estados-partes no presente Pato hou- sobre o qual se alegue ter violado qualquer
verem feito as declarações mencionadas no disposição da Convenção. Dentro dos seis
parágrafo 1º deste artigo. As referidas de- meses seguintes, o Estado destinatário sub-
clarações serão depositadas pelos Estados- meterá ao Comitê as explicações ou decla-
-partes junto ao Secretário-Geral da Organi- rações por escrito que elucidem a questão
zação das Nações Unidas, que enviará cópia e, se for o caso, que indiquem o recurso jurí-
das mesmas aos demais Estados-partes. dico adotado pelo Estado em questão.
Toda declaração poderá ser retirada, a qual-
quer momento, mediante notificação ende- 4. O Comitê examinará as comunicações
reçada ao Secretário-Geral. Far-se-á essa re- recebidas em conformidade com o presente
tirada sem prejuízo do exame de quaisquer artigo, à luz de todas as informações a ele
questões que constituam objeto de uma co- submetidas pela pessoa interessada, ou em
municação já transmitida nos termos deste nome dela, e pelo Estado-parte interessa-
artigo; em virtude do presente artigo, não do.
se receberá qualquer nova comunicação de 5. O Comitê não examinará comunicação
um Estado-parte, uma vez que o Secretário- alguma de uma pessoa, nos termos do pre-
-Geral haja recebido a notificação sobre a sente artigo, sem que haja assegurado que:
retirada da declaração, a menos que o Es-
tado-parte interessado haja feito uma nova a) A mesma questão não foi, nem está sen-
declaração. do, examinada perante outra instância in-
ternacional de investigação ou solução;
Artigo 22.
b) A pessoa em questão esgotou todos os
1. Todo Estado-parte na presente Conven- recursos jurídicos internos disponíveis; não
ção poderá declarar, em virtude do pre- se aplicará esta regra quando a aplicação
sente artigo, a qualquer momento, que dos mencionados recursos se prolongar in-
reconhece a competência do Comitê para justificadamente, ou, quando não for prová-
receber e examinar as comunicações envia- vel que a aplicação de tais recursos venha
das por pessoas sob sua jurisdição, ou em a melhorar realmente a situação da pessoa
nome delas, que aleguem ser vítimas de que seja vítima de violação da presente
violação, por um Estado-parte, das disposi- Convenção.
ções da Convenção. O Comitê não receberá
comunicação alguma relativa a um Estado- 6. O Comitê realizará reuniões confiden-
-parte que não houver feito declaração des- ciais quando estiver examinando as comu-
sa natureza. nicações previstas no presente artigo.

2. O Comitê considerará inadmissível qual- 7. O Comitê comunicará seu parecer ao Es-


quer comunicação recebida em conformi- tado-parte e à pessoa em questão.
dade com o presente artigo que seja anô-
8. As disposições do presente artigo entra-
nima, ou que, a seu juízo, constitua abuso
rão em vigor a partir do momento em que
do direito de apresentar as referidas comu-
cinco Estados-partes na presente Conven-
nicações, ou que seja incompatível com as
ção houverem feito as declarações mencio-
disposições da presente Convenção.
nadas no parágrafo 1º deste artigo. As refe-
3. Sem prejuízo do disposto no parágrafo ridas declarações serão depositadas pelos
2º, o Comitê levará todas as comunicações Estados-partes junto ao Secretário-Geral
apresentadas, em conformidade com este das Nações Unidas, que enviará cópia das
artigo, ao conhecimento do Estado-parte na mesmas aos demais Estados-partes. Toda
presente Convenção que houver feito uma declaração poderá ser retirada, a qualquer
declaração nos termos do parágrafo 1º e momento, mediante notificação endereça-

www.acasadoconcurseiro.com.br 65
da ao Secretário-Geral. Far-se-á essa reti- 2. Para os Estados que vierem a ratificar a
rada sem prejuízo do exame de quaisquer presente Convenção ou a ela aderir após o
questões que constituam objeto de uma co- depósito do vigésimo instrumento de ratifi-
municação já transmitida nos termos deste cação ou adesão, a Convenção entrará em
artigo; em virtude do presente artigo, não vigor no trigésimo dia a contar da data em
se receberá qualquer nova comunicação que o Estado em questão houver deposita-
de uma pessoa, ou em nome dela, uma vez do seu instrumento de ratificação ou ade-
que o Secretário-Geral haja recebido a no- são.
tificação sobre a retirada da declaração, a
menos que o Estado-parte interessado haja Artigo 28.
feito uma nova declaração. 1. Cada Estado-parte poderá declarar, por
Artigo 23. Os membros do Comitê e os mem- ocasião da assinatura ou ratificação da pre-
bros das comissões de conciliação ad hoc desig- sente Convenção ou da adesão a ela, que
nados nos termos da alínea "e" do parágrafo 1º não reconhece a competência do Comitê
do artigo 21 terão direito às facilidades, privilé- quanto ao disposto no artigo 20.
gios e imunidades que se concedem aos peritos 2. Todo Estado-parte na presente Conven-
no desempenho de missões para a Organização ção que houver formulado reserva em con-
das Nações Unidas, em conformidade com as formidade com o parágrafo 1º do presente
seções pertinentes da Convenção sobre Privilé- artigo, poderá a qualquer momento tornar
gios e Imunidades das Nações Unidas. sem efeito essa reserva, mediante notifica-
Artigo 24. O Comitê apresentará, em virtude da ção endereçada ao Secretário-Geral das Na-
presente Convenção, um relatório anual sobre ções Unidas.
as suas atividades aos Estados-partes e à As- Artigo 29. Todo Estado-parte na presente Con-
sembléia Geral das Nações Unidas. venção poderá propor emendas e depositá-las
junto ao Secretário-Geral da Organização das
PARTE III Nações Unidas. O Secretário-Geral comunicará
Artigo 25. todas as propostas de emendas aos Estados-
-partes, pedindo-lhes que o notifiquem se de-
1. A presente Convenção está aberta à assi- sejam que se convoque uma conferência dos
natura de todos os Estados. Estados-partes destinada a examinar as propos-
tas e submetê-las a votação. Dentro dos quatro
2. A presente Convenção está sujeita à rati- meses seguintes à data da referida comunica-
ficação. Os instrumentos de ratificação se- ção, se pelo menos um terço dos Estados-partes
rão depositados junto ao Secretário-Geral se manifestar a favor da referida convocação, o
da Organização das Nações Unidas. Secretário-Geral convocará a conferência sob os
Artigo 26. A presente Convenção está aberta à auspícios da Organização das Nações Unidas.
adesão de todos os Estados. Far-se-á a adesão Toda emenda adotada pela maioria dos Esta-
mediante depósito do instrumento de adesão dos-partes presentes e votantes na conferência
junto ao Secretário-Geral das Nações Unidas. será submetida pelo Secretário-Geral à aceita-
ção de todos os Estados-partes.
Artigo 27. A presente Convenção entrará em vi-
gor no trigésimo dia a contar da data em que o 2. Toda emenda adotada nos termos da
vigésimo instrumento de ratificação ou adesão disposição do parágrafo 1º do presente ar-
houver sido depositado junto ao Secretário-Ge- tigo entrará em vigor assim que dois terços
ral das Nações Unidas. dos Estados-partes na presente Convenção
houverem notificado o Secretário-Geral das
Nações Unidas de que a aceitaram, em con-

66 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

formidade com seus respectivos procedi- efeitos; a denúncia não acarretará, tam-
mentos constitucionais. pouco, a suspensão do exame de quaisquer
questões que o Comitê já começara a exa-
3. Quando entrarem em vigor, as emendas minar antes da data em que a denúncia veio
serão obrigatórias para os Estados-partes a produzir efeitos.
que as aceitaram, ao passo que os demais
Estados-partes permanecem obrigados pe- 3. A partir da data em que vier a produzir
las disposições da Convenção e pelas emen- efeitos a denúncia de um Estado-parte, o
das anteriores por eles aceitas. Comitê não dará início ao exame de qual-
quer nova questão referente ao Estado em
Artigo 30. As controvérsias entre dois ou mais apreço.
Estados-partes, com relação à interpretação ou
aplicação da presente Convenção, que não pu- Artigo 32. O Secretário-Geral da Organização
derem ser dirimidas por meio de negociação, das Nações Unidas comunicará a todos os Esta-
serão, a pedido de um deles, submetidas à ar- dos membros das Nações Unidas e a todos os
bitragem. Se, durante os seis meses seguintes Estados que assinaram a presente Convenção
à data do pedido de arbitragem, as Partes não ou a ela aderiram:
lograrem pôr-se de acordo quanto aos termos
do compromisso de arbitragem, qualquer das a) As assinaturas, ratificações e adesões re-
Partes poderá submeter a controvérsia à Corte cebidas em conformidade com os artigos 25
Internacional de Justiça, mediante solicitação e 26;
feita em conformidade com o Estatuto da Corte. b) A data da entrada em vigor da Conven-
2. Cada Estado-parte poderá declarar, por ção, nos termos do artigo 27, e a data de
ocasião da assinatura ou ratificação da pre- entrada em vigor de quaisquer emendas,
sente Convenção, que não se considera nos termos do artigo 29.
obrigado pelo parágrafo 1º deste artigo. Os c) As denúncias recebidas em conformida-
demais Estados-partes não estarão obriga- de com o artigo 31.
dos pelo referido parágrafo, com relação a
qualquer Estado-parte que houver formula- Artigo 33.
do reserva dessa natureza.
1. A presente Convenção, cujos textos em
3. Todo Estado-parte que houver formu- árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e
lado reserva, em conformidade com o pa- russo são igualmente autênticos, será depo-
rágrafo 2º do presente artigo poderá, a sitada junto ao Secretário-Geral das Nações
qualquer momento, tornar sem efeito essa Unidas.
reserva, mediante notificação endereçada
2. O Secretário-Geral da Organização das
ao Secretário-Geral das Nações Unidas.
Nações Unidas encaminhará cópias auten-
Artigo 31. Todo Estado-parte poderá denunciar ticadas da presente Convenção a todos os
a presente Convenção mediante notificação por Estados.
escrito endereçada ao Secretário-Geral das Na-
ções Unidas. A denúncia produzirá efeitos um
ano depois da data do recebimento da notifica-
ção pelo Secretário-Geral.
2. A referida denúncia não eximirá o Esta-
do-parte das obrigações que lhe impõe a
presente Convenção relativamente a qual-
quer ação ou omissão ocorrida antes da
data em que a denúncia venha a produzir

www.acasadoconcurseiro.com.br 67
Convenção sobre os Direitos das Considerando que cabe preparar plenamente
Crianças (1989) a criança para viver uma vida individual na so-
ciedade e ser educada no espírito dos ideais
proclamados na Carta das Nações Unidas e, em
Preâmbulo particular, em um espírito de paz, dignidade, to-
lerância, liberdade, igualdade e solidariedade;
Os Estados-partes na presente Convenção
Tendo em mente que a necessidade de propor-
Considerando que, em conformidade com os cionar proteção especial à criança foi afirmada
princípios proclamados na Carta das Nações na Declaração de Genebra sobre os Direitos da
Unidas, o reconhecimento da dignidade ineren- Criança de 1924 e na Declaração sobre os Direi-
te e dos direitos iguais e inalienáveis de todos os tos da Criança, adotada pela Assembléia Geral
membros da família humana constitui o funda- em 20 de novembro de 1959, e reconhecida na
mento da liberdade, da justiça e da paz do mun- Declaração Universal dos Direitos Humanos, no
do; Pato Internacional de Direitos Civis e Políticos
Tendo presente que os povos das Nações Uni- (particularmente nos artigos 23 e 24), no Pato
das reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e
humanos fundamentais e na dignidade e no va- Culturais (particularmente no artigo 10) e nos
lor da pessoa humana, e resolveram promover estatutos e instrumentos relevantes das agên-
o progresso social e a elevação do padrão de cias especializadas e organizações internacio-
vida em maior liberdade; nais que se dedicam ao bem estar da criança;

Reconhecendo que as Nações Unidas proclama- Tendo em mente que, como indicado na Decla-
ram e acordaram na Declaração Universal dos ração sobre os Direitos da Criança, a criança, em
Direitos Humanos e nos Patos Internacionais razão de sua falta de maturidade física e mental,
de Direitos Humanos que toda pessoa huma- necessita proteção e cuidados especiais, incluin-
na possui todos os direitos e liberdades neles do proteção jurídica apropriada, antes e depois
enunciados, sem distinção de qualquer tipo, tais do nascimento;
como de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião Relembrando as disposições da Declaração so-
política ou outra, de origem nacional ou social, bre os Princípios Sociais e Jurídicos Relativos à
posição econômica, nascimento ou outra condi- Proteção e ao bem-estar da Criança, com espe-
ção; cial referência à adoção e à colocação em lares
Recordando que na Declaração Universal dos de adoção em âmbito nacional e internacional
Direitos Humanos as Nações Unidas proclama- (Resolução da Assembléia Geral 41/85, de 3 de
ram que a infância tem direito a cuidados e as- dezembro de 1986), as Regras-Padrão Mínimas
sistência especiais; para a Administração da Justiça Juvenil das Na-
ções Unidas ("As Regras de Pequim") e a Decla-
Convencidos de que a família, unidade funda- ração sobre a Proteção da Mulher e da Criança
mental da sociedade e meio natural para o cres- em Situações de Emergência e de Conflito Ar-
cimento e bem-estar de todos os seus membros mado;
e, em particular das crianças, deve receber a
proteção e assistência necessárias para que Reconhecendo que em todos os países do mun-
possa assumir plenamente suas responsabilida- do há crianças que vivem em condições excep-
des na comunidade; cionalmente difíceis, e que tais crianças necessi-
tam considerações especial;
Reconhecendo que a criança, para o desenvolvi-
mento pleno e harmonioso de sua personalida- Levando em devida conta a importância das tra-
de, deve crescer em um ambiente familiar, em dições e dos valores culturais de cada povo para
clima de felicidade, amor e compreensão;

68 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

a proteção e o desenvolvimento harmonioso da tutores ou de outras pessoas legalmente


criança; responsáveis por ela e, para este propósito,
tomarão todas as medidas legislativas e ad-
Reconhecendo a importância da cooperação ministrativas apropriadas.
internacional para a melhoria das condições de
vida das crianças em todos os países, em parti- 3. Os Estados-partes assegurarão que as
cular nos países em desenvolvimento; instituições, serviços e instalações res-
ponsáveis pelos cuidados ou proteção das
Acordam o seguinte: crianças conformar-se-ão com os padrões
PARTE I estabelecidos pelas autoridades competen-
tes, particularmente no tocante à segurança
Artigo 1º Para os efeitos da presente Conven- e à saúde das crianças, ao número e à com-
ção, entende-se por criança todo ser humano petência de seu pessoal, e à existência de
menor de 18 anos de idade, salvo se, em confor- supervisão adequadas.
midade com a lei aplicável à criança, a maiorida- Artigo 4º Os Estados-partes tomarão todas as
de seja alcançada antes. medidas apropriadas, administrativas, legislati-
Artigo 2º vas e outras, para a implementação dos direitos
reconhecidos nesta Convenção. Com relação
1. Os Estados-partes respeitarão os direitos aos direitos econômicos, sociais e culturais,
previstos nesta Convenção e os assegurarão os Estados-partes tomarão tais medidas no al-
a toda criança sujeita à sua jurisdição, sem cance máximo de seus recursos disponíveis e,
discriminação de qualquer tipo, indepen- quando necessário, no âmbito da cooperação
dentemente de raça, cor, sexo, língua, reli- internacional.
gião, opinião política ou outra, origem na-
cional, étnica ou social, posição econômica, Artigo 5º Os Estados-partes respeitarão as res-
impedimentos físicos, nascimento ou qual- ponsabilidades, os direitos e os deveres dos
quer outra condição da criança, de seus pais pais ou, conforme o caso, dos familiares ou da
ou de seus representantes legais. comunidade, conforme os costumes locais, dos
tutores ou de outras pessoas legalmente res-
2. Os Estados-partes tomarão todas as me- ponsáveis pela criança, de orientar e instruir
didas apropriadas para assegurar que a apropriadamente a criança de modo consisten-
criança seja protegida contra todas as for- te com a evolução de sua capacidade, no exercí-
mas de discriminação ou punição baseadas cio dos direitos reconhecidos na presente Con-
na condição, nas atividades, opiniões ou venção.
crenças, de seus pais, representantes legais
ou familiares. Artigo 6º

Artigo 3º 1. Os Estados-partes reconhecem que toda


criança tem o direito inerente à vida.
1. Em todas as medidas relativas às crian-
ças, tomadas por instituições de bem estar 2. Os Estados-partes assegurarão ao máxi-
social públicas ou privadas, tribunais, auto- mo a sobrevivência e o desenvolvimento da
ridades administrativas ou órgãos legislati- criança.
vos, terão consideração primordial os inte- Artigo 7º
resses superiores da criança.
1. A criança será registrada imediatamente
2. Os Estados-partes se comprometem a após o seu nascimento e terá, desde o seu
assegurar à criança a proteção e os cuida- nascimento, direito a um nome, a uma na-
dos necessários ao seu bem-estar, tendo cionalidade e, na medida do possível, direi-
em conta os direitos e deveres dos pais, dos

www.acasadoconcurseiro.com.br 69
to de conhecer seus pais e ser cuidada por relações pessoais e contato direto com am-
eles. bos, a menos que isso seja contrário ao in-
teresse maior da criança.
2. Os Estados-partes assegurarão a imple-
mentação desses direitos, de acordo com 4. Quando essa separação ocorrer em vir-
suas leis nacionais e suas obrigações sob os tude de uma medida adotada por um Esta-
instrumentos internacionais pertinentes, do-parte, tal como detenção, prisão, exílio,
em particular se a criança se tornar apátri- deportação ou morte (inclusive falecimen-
da. to decorrente de qualquer causa enquanto
a pessoa estiver sob a custódia do Estado)
Artigo 8º de um dos pais da criança, ou de ambos, ou
1. Os Estados-partes se comprometem a da própria criança, o Estado-parte, quando
respeitar o direito da criança, de preservar solicitado, proporcionará aos pais, à criança
sua identidade, inclusive a nacionalidade, ou, se for o caso, a outro familiar, informa-
o nome e as relações familiares, de acordo ções básicas a respeito do paradeiro do fa-
com a lei, sem interferências ilícitas. miliar ou familiares ausentes, a não ser que
tal procedimento seja prejudicial ao bem
2. No caso de uma criança se vir ilegalmente estar da criança. Os Estados-partes se cer-
privada de algum ou de todos os elementos tificarão, além disso, de que a apresentação
constitutivos de sua identidade, os Estados- de tal petição não acarrete, por si só, conse-
-partes fornecer-lhe-ão assistência e prote- quências adversas para a pessoa ou pessoas
ção apropriadas, de modo que sua identida- interessadas.
de seja prontamente restabelecida.
Artigo 10.
Artigo 9º
1. Em conformidade com a obrigação dos
1. Os Estados-partes deverão zelar para que Estados-partes sob o artigo 9º, parágrafo
a criança não seja separada dos pais contra 1º, os pedidos de uma criança ou de seus
a vontade dos mesmos, exceto quando, su- pais para entrar ou sair de um Estado-parte,
jeita à revisão judicial, as autoridades com- no propósito de reunificação familiar, serão
petentes determinarem, em conformidade considerados pelos Estados-partes de modo
com a lei e os procedimentos legais cabí- positivo, humanitário e rápido. Os Estados-
veis, que tal separação é necessária ao in- -partes assegurarão ademais que a apresen-
teresse maior da criança. Tal determinação tação de tal pedido não acarrete quaisquer
pode ser necessária em casos específicos, consequências adversas para os solicitantes
por exemplo, nos casos em que a criança ou para seus familiares.
sofre maus-tratos ou descuido por parte de
seus pais ou quando estes vivem separados 2. A criança cujos pais residam em diferen-
e uma decisão deve ser tomada a respeito tes Estados-partes terá o direito de manter
do local da residência da criança. regularmente, salvo em circunstâncias ex-
cepcionais, relações pessoais e contatos di-
2. Caso seja adotado qualquer procedi- retos com ambos os pais. Para este fim e de
mento em conformidade com o estipulado acordo com a obrigação dos Estados-partes
no parágrafo 1º do presente artigo, todas as sob o artigo 9º, parágrafo 2º, os Estados-
partes interessadas terão a oportunidade -partes respeitarão o direito da criança e
de participar e de manifestar suas opiniões. de seus pais de deixarem qualquer país, in-
3. Os Estados-partes respeitarão o direito cluindo o próprio, e de ingressar no seu pró-
da criança que esteja separada de um ou prio país. O direito de sair de qualquer país
de ambos os pais de manter regularmente só poderá ser objeto de restrições previstas
em lei e que forem necessárias para prote-

70 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

ger a segurança nacional, a ordem pública a) ao respeito dos direitos e da reputação


(ordre public), a saúde ou a moral públicas de outrem;
ou os direitos e liberdades de outrem, e fo-
rem consistentes com os demais direitos re- b) à proteção da segurança nacional ou da
conhecidos na presente Convenção. ordem pública ordre public, ou da saúde e
moral públicas.
Artigo 11.
Artigo 14.
1. Os Estados-partes tomarão medidas para
combater a transferência ilícita de crianças 1. Os Estados-partes respeitarão o direito
para o exterior e a retenção ilícita das mes- da criança à liberdade de pensamento, de
mas no exterior. consciência e de crença.

2. Para esse fim, os Estados-partes promo- 2. Os Estados-partes respeitarão os direitos


verão a conclusão de acordos bilaterais ou e deveres dos pais e, quando for o caso, dos
multilaterais ou a adesão a acordos já exis- representantes legais, de orientar a criança
tentes. no exercício do seu direito de modo consis-
tente com a evolução de sua capacidade.
Artigo 12.
3. A liberdade de professar sua religião ou
1. Os Estados-partes assegurarão à criança, crenças sujeitar-se-á somente às limitações
que for capaz de formar seus próprios pon- prescritas em lei e que forem necessárias
tos de vista, o direito de exprimir suas opini- para proteger a segurança, a ordem, a mo-
ões livremente sobre todas as matérias ati- ral, a saúde públicas, ou os direitos e liber-
nentes à criança, levando-se devidamente dades fundamentais de outrem.
em conta essas opiniões em função da ida-
de e maturidade da criança. Artigo 15.

2. Para esse fim, à criança será, em particu- 1. Os Estados-partes reconhecem os direi-


lar, dada a oportunidade de ser ouvida em tos da criança à liberdade de associação e à
qualquer procedimento judicial ou adminis- liberdade de reunião pacífica.
trativo que lhe diga respeito, diretamente 2. Nenhuma restrição poderá ser impos-
ou através de um representante ou órgão ta ao exercício desses direitos, a não ser
apropriado, em conformidade com as re- as que, em conformidade com a lei, forem
gras processuais do direito nacional. necessárias em uma sociedade democrá-
Artigo 13. tica, nos interesses da segurança nacional
ou pública, ordem pública (ordre public), da
1. A criança terá o direito à liberdade de ex- proteção da saúde ou moral públicas, ou da
pressão; este direito incluirá a liberdade de proteção dos direitos e liberdades de ou-
buscar, receber e transmitir informações e trem.
idéias de todos os tipos, independentemen-
te de fronteiras, de forma oral, escrita ou Artigo 16.
impressa, por meio das artes ou por qual- 1. Nenhuma criança será sujeita a interfe-
quer outro meio da escolha da criança. rência arbitrária ou ilícita em sua privacida-
2. O exercício desse direito poderá sujeitar- de, família, lar ou correspondência, nem a
-se a certas restrições, que serão somente atentados ilícitos à sua honra e reputação.
as previstas em lei e consideradas necessá- 2. A criança tem direito à proteção da lei
rias: contra essas interferências ou atentados.

www.acasadoconcurseiro.com.br 71
Artigo 17. Os Estados-partes reconhecem a im- a criança e assegurarão o desenvolvimento
portante função exercida pelos meios de comu- de instituições, instalações e serviços para o
nicação de massa e assegurarão que a criança cuidado das crianças.
tenha acesso às informações e dados de diver-
sas fontes nacionais e internacionais, especial- 3. Os Estados-partes tomarão todas as me-
mente os voltados à promoção de seu bem- didas apropriadas para assegurar que as
-estar social, espiritual e moral e saúde física e crianças, cujos pais trabalhem, tenham o
mental. Para este fim, os Estados-partes: direito de beneficiar-se de serviços de assis-
tência social e creches a que fazem jus.
a) encorajarão os meios de comunicação a
difundir informações e dados de benefício Artigo 19.
social e cultural à criança e em conformida- 1. Os Estados-partes tomarão todas as me-
de com o espírito do artigo 29; didas legislativas, administrativas, sociais e
b) promoverão a cooperação internacional educacionais apropriadas para proteger a
na produção, intercâmbio e na difusão de criança contra todas as formas de violência
tais informações e dados de diversas fontes física ou mental, abuso ou tratamento negli-
culturais, nacionais e internacionais; gente, maus-tratos ou exploração, inclusive
abuso sexual, enquanto estiver sob a guar-
c) encorajarão a produção e difusão de li- da dos pais, do representante legal ou de
vros para criança; qualquer outra pessoa responsável por ela.
d) incentivarão os órgãos de comunicação 2. Essas medidas de proteção deverão in-
a ter particularmente em conta as necessi- cluir, quando apropriado, procedimentos
dades lingüísticas da criança que pertencer eficazes para o estabelecimento de pro-
a uma minoria ou que for indígena; gramas sociais que proporcionem uma as-
sistência adequada à criança e às pessoas
e) promoverão o desenvolvimento de di- encarregadas de seu cuidado, assim como
retrizes apropriadas à proteção da criança outras formas de prevenção e identificação,
contra informações e dados prejudiciais ao notificação, transferência a uma instituição,
seu bem-estar, levando em conta as disposi- investigação, tratamento e acompanha-
ções dos artigos 13 e 18. mento posterior de casos de maus-tratos
Artigo 18. a crianças acima mencionadas e, quando
apropriado, intervenção judiciária.
1. Os Estados-partes envidarão os maiores
esforços para assegurar o reconhecimento Artigo 20.
do princípio de que ambos os pais têm res- 1. Toda criança, temporária ou permanen-
ponsabilidades comuns na educação e de- temente privada de seu ambiente familiar,
senvolvimento da criança. Os pais e, quan- ou cujos interesses exijam que não perma-
do for o caso, os representantes legais têm neça nesse meio, terá direito à proteção e
a responsabilidade primordial pela educa- assistência especiais do Estado.
ção e pelo desenvolvimento da criança. Os
interesses superiores da criança constitui- 2. Os Estados-partes assegurarão, de acor-
rão sua preocupação básica. do com suas leis nacionais, cuidados alter-
nativos para essas crianças.
2. Para o propósito de garantir e promo-
ver os direitos estabelecidos nesta Conven- 3. Esses cuidados poderão incluir, inter
ção, os Estados-partes prestarão assistência alia, a colocação em lares de adoção, a kafa-
apropriada aos pais e aos representantes le- lah do direito islâmico, a adoção ou, se ne-
gais no exercício das suas funções de educar cessário, a colocação em instituições ade-

72 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

quadas de proteção para as crianças. Ao se outro país seja levada a cabo por intermé-
considerar soluções, prestar-se-á a devida dio das autoridades ou organismos compe-
atenção à conveniência de continuidade de tentes.
educação da criança, bem como à origem
étnica, religiosa, cultural e lingüística da Artigo 22.
criança. 1. Os Estados-partes adotarão medidas per-
Artigo 21. Os Estados-partes que reconhecem tinentes para assegurar que a criança que
ou permitem o sistema de adoção atentarão tende obter a condição de refugiada, ou que
para o fato de que a consideração primordial seja considerada como refugiada de acordo
seja o interesse maior da criança. Dessa forma, com o direito e os procedimentos interna-
atentarão para que: cionais ou internos aplicáveis, receba, tanto
no caso de estar sozinha como acompanha-
a) a adoção da criança seja autorizada da por seus pais ou por qualquer outra pes-
apenas pelas autoridades competentes, as soa, a proteção e a assistência humanitária
quais determinarão, consoante as leis e os adequadas a fim de que possa usufruir dos
procedimentos cabíveis e com base em to- direitos enunciados na presente Convenção
das as informações pertinentes e fidedig- e em outros instrumentos internacionais de
nas, que a adoção é admissível em vista da direitos humanos ou de caráter humanitário
situação jurídica da criança com relação a nos quais os citados Estados sejam partes.
seus pais, parentes e representantes legais
e que, caso solicitado, as pessoas interes- 2. Para tanto, os Estados-partes coopera-
sadas tenham dado, com conhecimento de rão, da maneira como julgarem apropriada,
causa, seu consentimento à adoção, com com todos os esforços das Nações Unidas e
base no assessoramento que possa ser ne- demais organizações intergovernamentais
cessário; competentes, ou organizações não-gover-
namentais que cooperem com as Nações
b) a adoção efetuada em outro país possa Unidas, no sentido de proteger e ajudar a
ser considerada como outro meio de cuidar criança refugiada, e de localizar seus pais ou
da criança, no caso em que a mesma não membros da família, a fim de obter infor-
possa ser colocada em lar de adoção ou en- mações necessárias que permitam sua reu-
tregue a uma família adotiva ou não logre nião com a família. Quando não for possível
atendimento adequado em seu país de ori- localizar nenhum dos pais ou membros da
gem; família, será concedida à criança a mesma
proteção outorgada a qualquer outra crian-
c) a criança adotada em outro país goze de ça privada permanente ou temporariamen-
salvaguardas e normas equivalentes às exis- te de seu ambiente familiar, seja qual for o
tentes em seu país de origem com relação à motivo, conforme o estabelecido na presen-
adoção; te Convenção.
d) todas as medidas apropriadas sejam Artigo 23.
adotadas, a fim de garantir que, em caso de
adoção em outro país, a colocação não per- 1. Os Estados-partes reconhecem que a
mita benefícios financeiros indevidos aos criança portadora de deficiências físicas ou
que dela participem; mentais deverá desfrutar de uma vida plena
e decente em condições que garantam sua
e) quando necessário, promovam os obje- dignidade, favoreçam sua autonomia e faci-
tivos do presente artigo mediante ajustes litem sua participação ativa na comunidade.
ou acordos bilaterais ou multilaterais, e en-
videm esforços, nesse contexto, com vistas 2. Os Estados-partes reconhecem o direi-
a assegurar que a colocação da criança em to da criança deficiente de receber cuida-

www.acasadoconcurseiro.com.br 73
dos especiais e, de acordo com os recursos criança se veja privada de seu direito de
disponíveis e sempre que a criança ou seus usufruir desses serviços sanitários.
responsáveis reúnam as condições requeri-
das, estimularão e assegurarão a prestação 2. Os Estados-partes garantirão a plena
de assistência solicitada, que seja adequada aplicação desse direito e, em especial, ado-
ao estado da criança e às circunstâncias de tarão as medidas apropriadas com vistas a:
seus pais ou das pessoas encarregadas de a) reduzir a mortalidade infantil;
seus cuidados.
b) assegurar a prestação de assistência mé-
3. Atendendo às necessidades especiais dica e cuidados sanitários necessários a to-
da criança deficiente, a assistência presta- das as crianças, dando ênfase aos cuidados
da, conforme disposto no parágrafo 2 do básicos de saúde;
presente artigo, será gratuita sempre que
possível, levando-se em consideração a si- c) combater as doenças e a desnutrição,
tuação econômica dos pais ou das pessoas dentro do contexto dos cuidados básicos de
que cuidem da criança, e visará a assegurar saúde mediante, inter alia, a aplicação de
à criança deficiente o acesso à educação, à tecnologia disponível e o fornecimento de
capacitação, aos serviços de saúde, aos ser- alimentos nutritivos e de água potável, ten-
viços de reabilitação, à preparação para em- do em vista os perigos e riscos da poluição
prego e às oportunidades de lazer, de ma- ambiental;
neira que a criança atinja a mais completa
d) assegurar às mães adequada assistência
integração social possível e o maior desen-
pré-natal e pós-natal;
volvimento cultural e espiritual.
e) assegurar que todos os setores da so-
4. Os Estados-partes promoverão, com es-
ciedade e em especial os pais e as crianças,
pírito de cooperação internacional, um in-
conheçam os princípios básicos de saúde
tercâmbio adequado de informações nos
e nutrição das crianças, as vantagens da
campos da assistência médica preventiva e
amamentação, da higiene e do saneamen-
do tratamento médico, psicológico e fun-
to ambiental e das medidas de prevenção
cional das crianças deficientes, inclusive
de acidentes, e tenham acesso à educação
a divulgação de informação a respeito dos
pertinente e recebam apoio para aplicação
métodos de reabilitação e dos serviços de
desses conhecimentos;
ensino e formação profissional, bem como
o acesso a essa informação, a fim de que os f) desenvolver a assistência médica pre-
Estados-partes possam aprimorar sua capa- ventiva, a orientação aos pais e a educação
cidade e seus conhecimentos e ampliar sua e serviços de planejamento familiar.
experiência nesses campos. Nesse sentido,
serão levadas especialmente em conta as 3. Os Estados-partes adotarão todas as
necessidades dos países em desenvolvi- medidas eficazes e adequadas para abolir
mento. práticas tradicionais que sejam prejudiciais
à saúde da criança.
Artigo 24.
4. Os Estados-partes se comprometem a
1. Os Estados-partes reconhecem o direito promover e incentivar a cooperação inter-
da criança de gozar do melhor padrão pos- nacional com vistas a lograr progressiva-
sível de saúde e dos serviços destinados ao mente, a plena efetivação do direito reco-
tratamento das doenças e à recuperação da nhecido no presente artigo. Nesse sentido,
saúde. Os Estados-partes envidarão esfor- será dada atenção especial às necessidades
ços no sentido de assegurar que nenhuma dos países em desenvolvimento.

74 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

Artigo 25. Os Estados-partes reconhecem o di- 4. Os Estados-partes tomarão todas as


reito de uma criança que tenha sido internada medidas adequadas para assegurar o paga-
em um estabelecimento pelas autoridades com- mento da pensão alimentícia por parte dos
petentes para fins de atendimento, proteção pais ou de outras pessoas financeiramente
ou tratamento de saúde física ou mental, a um responsáveis pela criança, quer residam no
exame periódico de avaliação do tratamento ao Estado-parte quer no exterior. Nesse senti-
qual está sendo submetida e de todos os demais do, quando a pessoa que detém a respon-
aspectos relativos à sua internação. sabilidade financeira pela criança residir
em Estado diferente daquele onde mora a
Artigo 26. criança, os Estados-partes promoverão a
1. Os Estados-partes reconhecerão a todas adesão a acordos internacionais ou a con-
as crianças o direito de usufruir da previ- clusão de tais acordos, bem como a adoção
dência social, inclusive do seguro social, e de outras medidas apropriadas.
adotarão as medidas necessárias para lo- Artigo 28.
grar a plena consecução desse direito, em
conformidade com a legislação nacional. 1. Os Estados-partes reconhecem o direito
da criança à educação e, a fim de que ela
2. Os benefícios deverão ser concedidos, possa exercer progressivamente e em igual-
quando pertinentes, levando-se em consi- dade de condições esse direito, deverão es-
deração os recursos e a situação da criança pecialmente:
e das pessoas responsáveis pelo seu susten-
to, bem como qualquer outra consideração a) tornar o ensino primário obrigatório e
cabível no caso de uma solicitação de bene- disponível gratuitamente a todos;
fícios feita pela criança ou em seu nome.
b) estimular o desenvolvimento do ensino
Artigo 27. secundário em suas diferentes formas, in-
clusive o ensino geral e profissionalizante,
1. Os Estados-partes reconhecem o direito tornando-o disponível e acessível a todas as
de toda criança a um nível de vida adequa- crianças, e adotar medidas apropriadas tais
do ao seu desenvolvimento físico, mental, como a implantação do ensino gratuito e a
espiritual, moral e social. concessão de assistência financeira em caso
2. Cabe aos pais, ou a outras pessoas en- de necessidade;
carregadas, a responsabilidade primordial c) tornar o ensino superior acessível a to-
de proporcionar, de acordo com suas possi- dos, com base na capacidade e por todos os
bilidades e meios financeiros, as condições meios adequados;
de vida necessárias ao desenvolvimento da
criança. d) tornar a informação e a orientação edu-
cacionais e profissionais disponíveis e aces-
3. Os Estados-partes, de acordo com as síveis a todas as crianças;
condições nacionais e dentro de suas pos-
sibilidades, adotarão medidas apropriadas a e) adotar medidas para estimular a fre-
fim de ajudar os pais e outras pessoas res- qüência regular às escolas e a redução do
ponsáveis pela criança a tornar efetivo esse índice de evasão escolar.
direito e, caso necessário, proporcionarão
assistência material e programas de apoio, 2. Os Estados-partes adotarão todas as
especialmente no que diz respeito à nutri- medidas necessárias para assegurar que a
ção, ao vestuário e à habitação. disciplina escolar seja ministrada de manei-
ra compatível com a dignidade humana da

www.acasadoconcurseiro.com.br 75
criança e em conformidade com a presente presente artigo e que a educação ministra-
Convenção. da em tais instituições esteja de acordo com
os padrões mínimos estabelecidos pelo Es-
3. Os Estados-partes promoverão e estimu- tado.
larão a cooperação internacional em ques-
tões relativas à educação, especialmente Artigo 30. Nos Estados-partes onde existam
visando a contribuir para eliminação da ig- minorias étnicas, religiosas ou lingüísticas, ou
norância e do analfabetismo no mundo e pessoas de origem indígena, não será negado
facilitar o acesso aos conhecimentos cientí- a uma criança que pertença a tais minorias ou
ficos e técnicos e aos métodos modernos de que seja indígena o direito de, em comunidade
ensino. A esse respeito, será dada atenção com os demais membros de seu grupo, ter sua
especial às necessidades dos países em de- própria cultura, professar e praticar sua própria
senvolvimento. religião ou utilizar seu próprio idioma.
Artigo 29. Artigo 31.
1. Os Estados-partes reconhecem que a 1. Os Estados-partes reconhecem o direito
educação da criança deverá estar orientada da criança ao descanso e ao lazer, ao diver-
no sentido de: timento e às atividades recreativas próprias
da idade, bem como à livre participação na
a) desenvolver a personalidade, as ap- vida cultural e artística.
tidões e a capacidade mental e física da
criança e todo o seu potencial; 2. Os Estados-partes respeitarão e pro-
moverão o direito da criança de participar
b) imbuir na criança o respeito aos direi- plenamente da vida cultural e artística e en-
tos humanos e às liberdades fundamentais, corajarão a criação de oportunidades ade-
bem como aos princípios consagrados na quadas, em condição de igualdade, para
Carta das Nações Unidas; que participem da vida cultural, artística,
c) imbuir na criança o respeito aos seus recreativa e de lazer.
pais, à sua própria identidade cultural, ao Artigo 32.
seu idioma e seus valores, aos valores na-
cionais do país em que reside, aos do even- 1. Os Estados-partes reconhecem o direi-
tual país de origem e aos das civilizações di- to da criança de estar protegida contra a
ferentes da sua; exploração econômica e contra o desem-
penho de qualquer trabalho que possa ser
d) preparar a criança para assumir uma perigoso ou interferir em sua educação, ou
vida responsável em uma sociedade livre, seja nocivo para saúde ou para seu desen-
com espírito de compreensão, paz, tole- volvimento físico, mental, espiritual, moral
rância, igualdade de sexos e amizade entre ou social.
todos os povos, grupos étnicos, nacionais e
religiosos e pessoas de origem indígena; 2. Os Estados-partes adotarão medidas le-
gislativas, administrativas, sociais e educa-
e) imbuir na criança o respeito ao meio cionais com vistas a assegurar a aplicação
ambiente. do presente artigo. Com tal propósito, e
2. Nada do disposto no presente artigo ou levando em consideração as disposições
no artigo 28 será interpretado de modo pertinentes de outros instrumentos inter-
a restringir a liberdade dos indivíduos ou nacionais, os Estados-partes deverão, em
das entidades de criar e dirigir instituições particular:
de ensino, desde que sejam respeitados os
princípios enunciados no parágrafo 1 do

76 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

a) estabelecer uma idade ou idades míni- perpétua, sem possibilidade de livramento,


mas para a admissão em empregos; por delitos cometidos por menores de de-
zoito anos de idade.
b) estabelecer regulamentação apropriada
relativa a horários e condições de emprego; b) Nenhuma criança seja privada de sua li-
berdade de forma ilegal ou arbitrária. A de-
c) estabelecer penalidades ou outras san- tenção, a reclusão ou a prisão de uma crian-
ções apropriadas a fim de assegurar o cum- ça, será efetuada em conformidade com a
primento efetivo do presente artigo. lei e apenas como último recurso, e duran-
Artigo 33. Os Estados-partes adotarão todas as te o mais breve período de tempo que for
medidas apropriadas, inclusive medidas legis- apropriado.
lativas, administrativas, sociais e educacionais, c) Toda criança privada da liberdade seja
para proteger a criança contra o uso ilícito de tratada com humanidade e o respeito que
drogas e substâncias psicotrópicas descritas nos merece a dignidade inerente à pessoa hu-
tratados internacionais pertinentes e para im- mana, e levando-se em consideração as ne-
pedir que crianças sejam utilizadas na produção cessidades de uma pessoa de sua idade. Em
e no tráfico ilícito dessas substâncias. especial, toda criança privada de sua liber-
Artigo 34. Os Estados-partes se comprometem dade ficará separada de adultos, a não ser
a proteger a criança contra todas as formas de que tal fato seja considerado contrário aos
exploração e abuso sexual. Nesse sentido, os melhores interesses da criança, e terá di-
Estados-partes tomarão, em especial, todas as reito a manter contato com sua família por
medidas de caráter nacional, bilateral e multila- meio de correspondência ou de visitas, sal-
teral que sejam necessárias para impedir: vo em circunstâncias excepcionais.

a) o incentivo ou coação para que uma d) Toda criança privada de sua liberdade
criança de dedique a qualquer atividade se- tenha direito a rápido acesso a assistência
xual ilegal; jurídica e a qualquer outra assistência ade-
quada, bem como direito a impugnar a lega-
b) a exploração da criança na prostituição lidade da privação de sua liberdade perante
ou outras práticas sexuais ilegais; um tribunal ou outra autoridade competen-
c) a exploração da criança em espetáculos te, independente e imparcial e a uma rápida
ou materiais pornográficos. decisão a respeito de tal ação.

Artigo 35. Os Estados-partes tomarão todas as Artigo 38.


medidas de caráter nacional, bilateral ou mul- 1. Os Estados-partes se comprometem a
tilateral que sejam necessárias para impedir o respeitar e a fazer com que sejam respeita-
sequestro, a venda ou o tráfico de crianças para das as normas do Direito Internacional Hu-
qualquer fim ou sob qualquer forma. manitário aplicáveis em casos de conflito
Artigo 36. Os Estados-partes protegerão a crian- armado, no que digam respeito às crianças.
ça contra todas as demais formas de exploração 2. Os Estados-partes adotarão todas as
que sejam prejudiciais a qualquer aspecto de medidas possíveis, a fim de assegurar que
seu bem-estar. todas as pessoas que ainda não tenham
Artigo 37. Os Estados-partes assegurarão que: completado quinze anos de idade não parti-
cipem diretamente de hostilidades.
a) Nenhuma criança seja submetida a tor-
tura nem a outros tratamentos ou penas 3. Os Estados-partes abster-se-ão de recru-
cruéis, desumanos ou degradantes. Não tar pessoas que não tenham completado
será imposta a pena de morte, nem a prisão quinze anos de idade para servir em suas

www.acasadoconcurseiro.com.br 77
Forças Armadas. Caso recrutem pessoas nacional ou pelo direito internacional no
que tenham completado quinze anos mas momento em que foram cometidos;
que tenham menos de dezoito anos, deve-
rão procurar dar prioridade aos de mais ida- b) que toda criança de quem se alegue ter
de. infringido as leis penais ou a quem se acuse
de ter infringido essas leis goze, pelo me-
4. Em conformidade com suas obrigações, nos, das seguintes garantias:
de acordo com o Direito Internacional Hu-
manitário para proteção da população civil I – ser considerada inocente, enquanto não
durante os conflitos armados, os Estados- for comprovada sua culpabilidade conforme
-partes adotarão todas as medidas necessá- a lei;
rias a fim de assegurar a proteção e o cui- II – ser informada sem demora e diretamen-
dado das crianças afetadas por um conflito te ou, quando for o caso, por intermédio de
armado. seus pais ou de seus representantes legais,
Artigo 39. Os Estados-partes adotarão todas as das acusações que pesam contra ela, e dis-
medidas apropriadas para estimular a recupera- por de assistência jurídica ou outro tipo de
ção física e psicológica e a reintegração social de assistência apropriada para a preparação de
toda criança vítima de: qualquer forma de aban- sua defesa;
dono, exploração ou abuso; tortura ou outros III – ter a causa decidida sem demora por
tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou de- autoridade ou órgão judicial competente,
gradantes; ou conflitos armados. Essa recupera- independente e imparcial, em audiência
ção e reintegração serão efetuadas em ambien- justa conforme a lei, com assistência jurídi-
te que estimule a saúde, o respeito próprio e a ca ou outra assistência e, a não ser que seja
dignidade da criança. considerado contrário aos melhores inte-
Artigo 40. resses da criança, levando em consideração
especialmente sua idade ou situação e a de
1. Os Estados-partes reconhecem o direito seus pais ou representantes legais;
de toda criança, de quem se alegue ter in-
fringido as leis penais ou a quem se acuse IV – não ser obrigada a testemunhar ou se
ou declare culpada de ter infringido as leis declarar culpada, e poder interrogar ou fa-
penais, de ser tratada de modo a promover zer com que sejam interrogadas as testemu-
e estimular seu sentido de dignidade e de nhas de acusações, bem como poder obter
valor, e a fortalecer o respeito da criança a participação e o interrogatório de teste-
pelos direitos humanos e pelas liberdades munhas em sua defesa, em igualdade de
fundamentais de terceiros, levando em con- condições.
sideração a idade da criança e a importân- V – se for decidido que infringiu as leis pe-
cia de se estimular sua reintegração e seu nais, ter essa decisão e qualquer medida
desempenho construtivo na sociedade. imposta em decorrência da mesma sub-
2. Nesse sentido, e de acordo com as dis- metidas a revisão por autoridade ou órgão
posições pertinentes dos instrumentos in- judicial competente, independente e impar-
ternacionais, os Estados assegurarão, em cial, de acordo com a lei;
particular: VI – contar com a assistência gratuita de um
a) que não se alegue que nenhuma criança intérprete, caso a criança não compreenda
tenha infringido as leis penais, nem se acu- ou fale o idioma utilizado;
se ou declare culpada nenhuma criança de VII – ter plenamente respeitada sua vida
ter infringido essas leis, por atos ou omis- privada durante todas as fases do processo.
sões que não eram proibidos pela legislação

78 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

3. Os Estados-partes buscarão promover ídas pelos Estados-partes na presente Con-


o estabelecimento de leis, procedimentos, venção, deverá ser constituído um Comitê
autoridades e instituições específicas para para os Direitos da Criança, que desempe-
as crianças de quem se alegue ter infringido nhará as funções a seguir determinadas.
as leis penais ou que sejam acusadas ou de-
claradas culpadas de tê-las infringido, e em 2. O Comitê estará integrado por dez espe-
particular: cialistas de reconhecida integridade moral
e competência nas áreas cobertas pela pre-
a) o estabelecimento de uma idade míni- sente Convenção. Os membros do Comitê
ma antes da qual se presumirá que a criança serão eleitos pelos Estados-partes dentre
não tem capacidade para infringir as leis pe- seus nacionais e exercerão suas funções a
nais; título pessoal, tomando-se em devida con-
ta a distribuição geográfica equitativa, bem
b) a adoção, sempre que conveniente e de- como os principais sistemas jurídicos.
sejável, de medidas para tratar dessas crian-
ças sem recorrer a procedimentos judiciais, 3. Os membros do Comitê serão escolhi-
contanto que sejam respeitados plenamen- dos, em votação secreta, de uma lista de
te os direitos humanos e as garantias legais. pessoas indicadas pelos Estados-partes.
Cada Estado-parte poderá indicar uma pes-
4. Diversas medidas, tais como ordens de soa dentre os cidadãos de seu país.
guarda, orientação e supervisão, aconse-
lhamento, liberdade vigiada, colocação em 4. A eleição inicial para o Comitê será re-
lares de adoção, programas de educação e alizada, no mais tardar, seis meses após a
formação profissional, bem como outras al- entrada em vigor da presente Convenção
ternativas à internação em instituições, de- e, posteriormente, a cada dois anos. No
verão estar disponíveis para garantir que as mínimo quatro meses antes da data mar-
crianças sejam tratadas de modo apropria- cada para cada eleição, o Secretário-Geral
do ao seu bem-estar e de forma proporcio- das Nações Unidas enviará uma carta aos
nal às circunstâncias do delito. Estados-partes, convidando-os a apresen-
tar suas candidaturas em um prazo de dois
Artigo 41. Nada do estipulado na presente Con- meses. O Secretário-Geral elaborará pos-
venção afetará as disposições que sejam mais teriormente uma lista da qual farão parte,
convenientes para a realização dos direitos da em ordem alfabética, todos os candidatos
criança e que podem constar: indicados e os Estados-partes que os desig-
a) das leis de um Estado-parte; naram e submeterá a mesma aos Estados-
-partes na Convenção.
b) das normas de Direito Internacional vi-
gente para esse Estado. 5. As eleições serão realizadas em reuniões
dos Estados-partes convocadas pelo Secre-
PARTE II tário-Geral na sede das Nações Unidas. Nes-
sas reuniões, para as quais o quorum será
Artigo 42. Os Estados-partes se comprometem de dois terços dos Estados-partes, os candi-
a dar aos adultos e às crianças amplo conheci- datos eleitos para o Comitê serão aqueles
mento dos princípios e disposições da Conven- que obtiverem o maior número de votos e a
ção, mediante a utilização de meios apropriados maioria absoluta de votos dos representan-
e eficazes. tes dos Estados-partes presentes e votan-
tes.
Artigo 43.
6. Os membros do Comitê serão eleitos
1. A fim de examinar os progressos realiza-
para um mandato de quatro anos. Poderão
dos no cumprimento das obrigações contra-

www.acasadoconcurseiro.com.br 79
ser reeleitos caso sejam apresentadas no- Artigo 44.
vamente suas candidaturas. O mandato de
cinco anos dos membros eleitos na primei- 1. Os Estados-partes se comprometem a
ra eleição expirará ao término de dois anos; apresentar ao Comitê, por intermédio do
imediatamente após ter sido realizada a Secretário-Geral das Nações Unidas, relató-
primeira eleição, o Presidente da reunião, rios sobre as medidas que tenham adotado,
na qual a mesma se efetuou, escolherá por com vistas a tornar efetivos os direitos re-
sorteio os nomes desses cinco membros. conhecidos na Convenção e sobre os pro-
gressos alcançados no desempenho desses
7. Caso um membro do Comitê venha a fa- direitos:
lecer ou renuncie ou declare que por qual-
quer outro motivo não poderá continuar a) dentro de um prazo de dois anos a partir
desempenhando suas funções, o Estado- da data em que entrou em vigor para cada
-parte que indicou esse membro designará Estado-parte a presente Convenção;
outro especialista, dentre seus cidadãos, b) a partir de então, a cada cinco anos.
para que exerça o mandato até o seu térmi-
no, sujeito à aprovação do Comitê. 2. Os relatórios preparados em função do
presente artigo deverão indicar as circuns-
8. O Comitê estabelecerá suas próprias re- tâncias e as dificuldades, caso existam, que
gras de procedimento. afetam o grau de cumprimento das obriga-
9. O Comitê elegerá a Mesa para um perío- ções derivadas da presente Convenção. De-
do de dois anos. verão também conter informações suficien-
tes para que o Comitê compreenda, com
10. As reuniões do Comitê serão celebradas exatidão, a implementação da Convenção
normalmente na sede das Nações Unidas no país em questão.
ou em qualquer outro lugar que o Comi-
tê julgar conveniente. O Comitê se reunirá 3. Um Estado-parte que tenha apresenta-
normalmente todos os anos. A duração das do um relatório inicial ao Comitê não pre-
reuniões do Comitê será determinada e cisará repetir, nos relatórios posteriores a
revista, se for o caso, em uma reunião dos serem apresentados conforme o estipulado
Estados-partes na presente Convenção, su- na alínea "b" do parágrafo 1º do presente
jeita à aprovação da Assembléia Geral. artigo, a informação básica fornecida ante-
riormente.
11. O Secretário-Geral das Nações Unidas
fornecerá o pessoal e os serviços necessá- 4. O Comitê poderá solicitar aos Estados-
rios para o desempenho eficaz das funções -partes maiores informações sobre a imple-
do Comitê, de acordo com a presente Con- mentação da Convenção.
venção. 5. A cada dois anos, o Comitê submeterá
12. Com prévia aprovação da Assembléia relatórios sobre suas atividades à Assem-
Geral, os membros do Comitê, estabeleci- bléia Geral das Nações Unidas, por intermé-
dos de acordo com a presente Convenção, dio do Conselho Econômico e Social.
receberão remuneração proveniente dos 6. Os Estados-partes tornarão seus relató-
recursos das Nações Unidas, segundo os rios amplamente disponíveis ao público em
termos e condições determinados pela As- seus respectivos países.
sembléia.
Artigo 45. A fim de incentivar a efetiva imple-
mentação da Convenção e estimular a coopera-
ção internacional nas esferas regulamentadas
pela Convenção:

80 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

a) os organismos especializados, o Fundo PARTE III


das Nações Unidas para a Infância e outros
órgãos das Nações Unidas terão o direito de Artigo 46. A presente Convenção está aberta à
estar representados quando for analisada a assinatura de todos os Estados.
implementação das disposições da presen-
te Convenção em matérias corresponden- Artigo 47. A presente Convenção está sujeita à
tes a seus respectivos mandatos. O Comitê ratificação. Os instrumentos de ratificação serão
poderá convidar as agências especializadas, depositados junto ao Secretário-Geral das Na-
o Fundo das Nações Unidas para a Infância ções Unidas.
e outros órgãos competentes que considere Artigo 48. A presente Convenção permanecerá
apropriados a fornecerem assessoramento aberta à adesão de qualquer Estado. Os instru-
especializado sobre a implementação da mentos de adesão serão depositados junto ao
Convenção em matérias correspondentes Secretário-Geral das Nações Unidas.
a seus respectivos mandatos. O Comitê po-
derá convidar as agências especializadas, o Artigo 49.
Fundo das Nações Unidas para a Infância 1. A presente Convenção entrará em vigor
e outros órgãos das Nações Unidas a apre- no trigésimo dia após a data em que tenha
sentarem relatórios sobre a implementa- sido depositado o vigésimo instrumento de
ção das disposições da presente Convenção ratificação ou de adesão junto ao Secretá-
compreendidas no âmbito de suas ativida- rio-Geral das Nações Unidas.
des;
2. Para cada Estado que venha a ratificar a
b) conforme julgar conveniente, o Comitê Convenção ou a aderir a ela após ter sido
transmitirá às agências especializadas, ao depositado o vigésimo instrumento de rati-
Fundo das Nações Unidas para a Infância e ficação ou de adesão, a Convenção entrará
a outros órgãos competentes quaisquer re- em vigor no trigésimo dia após o depósito,
latórios dos Estados-partes que contenham por parte do Estado, do instrumento de rati-
um pedido de assessoramento ou de assis- ficação ou de adesão.
tência técnica, ou nos quais se indique essa
necessidade juntamente com as observa- Artigo 50.
ções e sugestões do Comitê, se as houver,
sobre esses pedidos ou indicações; 1. Qualquer Estado-parte poderá propor
uma emenda e registrá-la com o Secretário-
c) o Comitê poderá recomendar à Assem- -Geral das Nações Unidas. O Secretário-Ge-
bléia Geral que solicite ao Secretário-Geral ral comunicará a emenda proposta aos Esta-
que efetue, em seu nome, estudos sobre dos-partes, com a solicitação de que estes
questões concretas relativas aos direitos da o notifiquem caso apoiem a convocação de
criança; uma Conferência de Estados-partes com o
propósito de analisar as propostas e subme-
d) o Comitê poderá formular sugestões e tê-las à votação. Se, em um prazo de qua-
recomendações gerais com base nas infor- tro meses a partir da data dessa notificação,
mações recebidas nos termos dos artigos pelo menos um terço dos Estados-partes se
44 e 45 da presente Convenção. Essas su- declarar favorável a tal Conferência, o Se-
gestões e recomendações gerais deverão cretário-Geral convocará a Conferência, sob
ser transmitidas aos Estados-partes e enca- os auspícios das Nações Unidas. Qualquer
minhadas à Assembléia Geral, juntamente emenda adotada pela maioria de Estados-
com os comentários eventualmente apre- -partes presentes e votantes na Conferência
sentados pelos Estados-partes. será submetida pelo Secretário-Geral à As-
sembléia Geral para sua aprovação.

www.acasadoconcurseiro.com.br 81
2. Uma emenda adotada em conformida- Em fé do que, os abaixo assinados, devidamente
de com o parágrafo 1º do presente artigo autorizados por seus respectivos Governos, as-
entrará em vigor quando aprovada pela As- sinaram a presente Convenção.
sembléia Geral das Nações Unidas e aceita
por uma maioria de dois terços de Estados-
-partes.
Protocolo Facultativo à Convenção
3. Quando uma emenda entrar em vigor,
sobre os Direitos da Criança
ela será obrigatória para os Estados-partes
que a tenham aceito, enquanto os demais referente à venda de criança, à
Estados-partes permanecerão obrigados prostituição infantil e à pornografia
pelas disposições da presente Convenção e infantil (2000)
pelas emendas anteriormente aceitas por
eles.
Os Estados Partes no presente Protocolo,
Artigo 51. O Secretário-Geral das Nações Uni-
Considerando que, para melhor realizar os obje-
das receberá e comunicará a todos os Estados-
tivos da Convenção sobre os Direitos da Criança
-partes o texto das reservas feitas pelos Estados
e a aplicação das suas disposições, especialmen-
no momento da ratificação ou da adesão.
te dos artigos 1º, 11º, 21º, 32º, 33º, 34º, 35º e
2. Não será permitida nenhuma reserva in- 36º, seria adequado alargar as medidas que os
compatível com o objeto e o propósito da Estados Partes devem adotar a fim de garantir a
presente Convenção. proteção da criança contra a venda de crianças,
prostituição infantil e pornografia infantil,
3. Quaisquer reservas poderão ser retira-
das a qualquer momento, mediante uma Considerando, também, que a Convenção sobre
notificação nesse sentido, dirigida ao Secre- os Direitos da Criança reconhece à criança o di-
tário-Geral das Nações Unidas, que infor- reito de ser protegida contra a exploração eco-
mará a todos os Estados. Essa notificação nômica ou a sujeição a trabalhos perigosos ou
entrará em vigor a partir da data de recebi- capazes de comprometer a sua educação, pre-
mento da mesma pelo Secretário-Geral. judicar a sua saúde ou o seu desenvolvimento
físico, mental, espiritual, moral ou social,
Artigo 52. Um Estado-parte poderá denunciar a
presente Convenção mediante notificação feita Seriamente preocupados perante o significati-
por escrito ao Secretário-Geral das Nações Uni- vo e crescente tráfico internacional de crianças
das. A denúncia entrará em vigor um ano após para fins de venda de crianças, prostituição in-
a data em que a notificação tenha sido recebida fantil e pornografia infantil, Profundamente
pelo Secretário-Geral. preocupados com a prática generalizada e con-
tínua do turismo sexual, à qual as crianças são
Artigo 53. Designa-se para depositário da pre- especialmente vulneráveis, na medida em que
sente Convenção o Secretário-Geral das Nações promove diretamente a venda de crianças, pros-
Unidas. tituição infantil e pornografia infantil, Reconhe-
Artigo 54. O original da presente Convenção, cendo que determinados grupos particularmen-
cujos textos seguem em árabe, chinês, espa- te vulneráveis, nomeadamente as raparigas, se
nhol, francês e russo são igualmente autênticos, encontram em maior risco de exploração sexu-
será depositado em poder do Secretário-Geral al, e que se regista um número desproporciona-
das Nações Unidas. damente elevado de raparigas entre as vítimas
de exploração sexual,
Preocupados com a crescente disponibilização
de pornografia infantil na Internet e outros no-

82 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

vos suportes tecnológicos, e recordando a Con- Encorajados pelo apoio esmagador à Conven-
ferência Internacional sobre o Combate à Por- ção sobre os Direitos da Criança, demonstrativo
nografia Infantil na Internet (Viena, 1999) e, em da existência de um empenho generalizado na
particular, as suas conclusões que apelam à cri- promoção e proteção dos direitos da criança,
minalização mundial da produção, distribuição,
exportação, transmissão, importação, posse in- Reconhecendo a importância da aplicação das
tencional e publicidade da pornografia infantil, disposições do Programa de Ação para a Preven-
e sublinhando a importância de uma coopera- ção da Venda de Crianças, Prostituição Infantil e
ção e parceria mais estreitas entre os Governos Pornografia Infantil e da Declaração e Programa
e a indústria da Internet, de Ação adotados no Congresso Mundial contra
a Exploração Sexual de Crianças para Fins Co-
Acreditando que a eliminação da venda de merciais, realizado em Estocolmo de 27 a 31 de
crianças, prostituição infantil e pornografia in- Agosto de 1996, e outras decisões e recomen-
fantil será facilitada pela adopção de uma abor- dações pertinentes dos organismos internacio-
dagem global que tenha em conta os fatores nais competentes,
que contribuem para a existência de tais fenó-
menos, nomeadamente o subdesenvolvimen- Tendo devidamente em conta a importância das
to, a pobreza, as desigualdades econômicas, tradições e dos valores culturais de cada povo
a iniquidade da estrutura sócio-econômica, a para a proteção e o desenvolvimento harmonio-
disfunção familiar, a falta de educação, o êxodo so da criança,
rural, a discriminação sexual, o comportamento Acordaram no seguinte:
sexual irresponsável dos adultos, as práticas tra-
dicionais nocivas, os conflitos armados e o tráfi- Artigo 1º
co de crianças,
Os Estados Partes deverão proibir a venda de
Acreditando que são necessárias medidas de crianças, a prostituição infantil e a pornografia
sensibilização pública para reduzir a procura que infantil, conforme disposto no presente Proto-
está na origem da venda de crianças, prostitui- colo.
ção infantil e pornografia infantil, e acreditando
Artigo 2º
também na importância do reforço da parceria
global entre todos os agentes e do aperfeiçoa- Para os efeitos do presente Protocolo:
mento da aplicação da lei a nível nacional,
a) Venda de crianças designa qualquer ato
Tomando nota das disposições dos instrumen- ou transação pelo qual uma criança é trans-
tos jurídicos internacionais pertinentes em ma- ferida por qualquer pessoa ou grupo de
téria de proteção das crianças, nomeadamen- pessoas para outra pessoa ou grupo contra
te a Convenção da Haia sobre a Proteção das remuneração ou qualquer outra retribui-
Crianças e a Cooperação Relativamente à Adop- ção;
ção Internacional, a Convenção da Haia sobre os
Aspectos Civis do Rapto Internacional de Crian- b) Prostituição infantil designa a utilização
ças, a Convenção da Haia sobre a Jurisdição, de uma criança em atividades sexuais con-
Direito Aplicável, Reconhecimento, Aplicação e tra remuneração ou qualquer outra retri-
Cooperação Relativamente à Responsabilidade buição;
Parental e Medidas para a Proteção das Crian- c) Pornografia infantil designa qualquer
ças, e a Convenção nº 182 da Organização Inter- representação, por qualquer meio, de uma
nacional do Trabalho, Relativa à Interdição das criança no desempenho de atividades se-
Piores Formas de Trabalho das Crianças e à Ação xuais explícitas reais ou simuladas ou qual-
Imediata com vista à Sua Eliminação, quer representação dos órgãos sexuais de

www.acasadoconcurseiro.com.br 83
uma criança para fins predominantemente 4. Sem prejuízo das disposições do respec-
sexuais. tivo direito interno, todo o Estado Parte de-
verá adotar medidas, sempre que necessá-
Artigo 3º rio, para estabelecer a responsabilidade das
1. Todo o Estado Parte deverá garantir que, pessoas coletivas pelas infracções enuncia-
no mínimo, os seguintes atos e atividades das no nº 1 do presente artigo. De acordo
sejam plenamente abrangidos pelo seu di- com os princípios jurídicos do Estado Parte,
reito penal, quer sejam cometidos dentro a responsabilidade das pessoas coletivas
ou fora das suas fronteiras ou numa base poderá ser penal, civil ou administrativa.
individual ou organizada: 5. Os Estados Partes deverão adotar to-
a) No contexto da venda de crianças, con- das as medidas legislativas e administrati-
forme definida na alínea a) do artigo 2º: vas adequadas a fim de garantir que todas
as pessoas envolvidas na adopção de uma
I – A oferta, entrega, ou aceitação de uma criança atuem em conformidade com os
criança, por qualquer meio, para fins de: instrumentos jurídicos internacionais apli-
a) Exploração sexual da criança; cáveis.

b) Transferência dos órgãos da criança com Artigo 4º


intenção lucrativa; 1. Todo o Estado Parte deverá adotar as
c) Submissão da criança a trabalho força- medidas que se mostrem necessárias para
do; estabelecer a sua jurisdição relativamente
às infracções previstas no nº 1 do artigo 3º,
II – A indução indevida do consentimento, caso essas infracções sejam cometidas no
na qualidade de intermediário, para a adop- seu território ou a bordo de um navio ou ae-
ção de uma criança com violação dos instru- ronave registados nesse Estado.
mentos internacionais aplicáveis em maté-
ria de adopção; 2. Todo o Estado Parte poderá adotar as
medidas que se mostrem necessárias para
b) A oferta, obtenção, procura ou entrega estabelecer a sua jurisdição relativamente
de uma criança para fins de prostituição in- às infracções previstas no nº 1 do artigo 3º,
fantil, conforme definida na alínea b) do ar- nos seguintes casos:
tigo 2º;
a) Quando o presumível autor for nacional
c) A produção, distribuição, difusão, impor- desse Estado ou tiver a sua residência habi-
tação, exportação, oferta, venda ou posse tual no respectivo território;
para os anteriores fins de pornografia infan-
til, conforme definida na alínea c) do artigo b) Quando a vítima for nacional desse Esta-
2º; do.

2. Sem prejuízo das disposições do direito 3. Todo o Estado Parte deverá adotar tam-
interno do Estado Parte, o mesmo se aplica bém as medidas que se mostrem necessá-
à tentativa de praticar qualquer um destes rias para estabelecer a sua jurisdição re-
atos e à cumplicidade ou participação em lativamente às infracções acima referidas
qualquer um deles. sempre que o presumível autor se encontre
no seu território e não for extraditado para
3. Todo o Estado Parte deverá penalizar es- outro Estado Parte com fundamento no fato
tas infracções com penas adequadas à sua de a infração ter sido cometida por um dos
gravidade. seus nacionais.

84 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

4. O presente Protocolo não prejudica Artigo 6º


qualquer competência penal exercida em
conformidade com o direito interno. 1. Os Estados Partes deverão prestar toda
a colaboração mútua possível no que con-
Artigo 5º cerne a investigações, processos penais ou
procedimentos de extradição que se iniciem
1. As infracções previstas no nº 1 do artigo relativamente às infracções previstas no nº
3º serão consideradas incluídas nas infrac- 1 do artigo 3º, incluindo assistência na re-
ções passíveis de extradição em qualquer colha dos elementos de prova ao seu dispor
tratado de extradição existente entre os Es- que sejam necessários ao processo.
tados Partes e serão incluídas em qualquer
tratado de extradição que venha a ser cele- 2. Os Estados Partes deverão cumprir as
brado entre eles, em conformidade com as suas obrigações ao abrigo do número an-
condições estabelecidas nesses tratados. terior do presente artigo em conformidade
com quaisquer tratados ou outros acordos
2. Sempre que a um Estado Parte que con- sobre auxílio judiciário mútuo que possam
diciona a extradição à existência de um existir entre eles. Na ausência de tais trata-
tratado for apresentado um pedido de ex- dos ou acordos, os Estados Partes deverão
tradição por um outro Estado Parte com o prestar toda a colaboração mútua em con-
qual não tenha celebrado qualquer tratado formidade com o seu direito interno.
de extradição, esse Estado pode considerar
o presente Protocolo como base jurídica da Artigo 7º
extradição relativamente a essas infracções.
A extradição ficará sujeita às condições pre- Os Estados Partes deverão, em conformidade
vistas pela lei do Estado requerido. com o seu direito interno:

3. Os Estados Partes que não condicionam a) Adotar medidas que visem a apreensão
a extradição à existência de um tratado de- e a perda, conforme o caso, de:
verão reconhecer essas infracções como I – Bens, tais como materiais, valores e ou-
passíveis de extradição entre si, nas condi- tros instrumentos utilizados para praticar
ções previstas pela lei do Estado requerido. ou facilitar a prática das infracções previstas
4. Tais infracções serão consideradas, para no presente Protocolo;
fins de extradição entre os Estados Partes, II – Produtos derivados da prática dessas in-
como tendo sido cometidas não apenas no fracções;
local onde tenham ocorrido mas também
nos territórios dos Estados obrigados a es- b) Satisfazer pedidos de outro Estado Parte
tabelecer a sua competência em conformi- para apreensão ou perda dos bens ou pro-
dade com o artigo 4º. dutos enunciados na alínea a) ;

5. Sempre que seja apresentado um pedi- c) Adotar medidas destinadas a encerrar,


do de extradição relativamente a uma in- temporária ou definitivamente, as instala-
fração prevista no nº 1 do artigo 3º, e caso ções utilizadas para a prática de tais infrac-
o Estado Parte requerido não possa ou não ções.
queira extraditar com fundamento na na-
Artigo 8º
cionalidade do infrator, esse Estado adotará
medidas adequadas para apresentar o caso 1. Os Estados Partes deverão adotar me-
às suas autoridades competentes para efei- didas adequadas para proteger, em todas
tos de exercício da ação penal. as fases do processo penal, os direitos e
interesses das crianças vítimas das práticas

www.acasadoconcurseiro.com.br 85
proibidas pelo presente Protocolo, em par- previstas no presente Protocolo, o interesse
ticular: superior da criança seja a consideração pri-
macial.
a) Reconhecendo a vulnerabilidade das
crianças vítimas e adaptando os procedi- 4. Os Estados Partes deverão adotar me-
mentos às suas necessidades específicas, didas destinadas a garantir a adequada
incluindo as suas necessidades específicas formação, em particular nos domínios do
enquanto testemunhas; direito e da psicologia, das pessoas que
trabalham junto das vítimas das infracções
b) Informando as crianças vítimas dos seus previstas nos termos do presente Protoco-
direitos, do seu papel, e do âmbito, duração lo.
e evolução do processo, e da solução dada
ao seu caso; 5. Os Estados Partes deverão, sempre que
necessário, adotar medidas a fim de prote-
c) Permitindo que as opiniões, necessida- ger a segurança e integridade das pessoas
des e preocupações das crianças vítimas e/ou organizações envolvidas na prevenção
sejam apresentadas e tomadas em consi- e/ou proteção e reabilitação das vítimas de
deração nos processos que afetem os seus tais infracções.
interesses pessoais, de forma consentânea
com as regras processuais do direito inter- 6. Nenhuma das disposições do presente
no; artigo será interpretada no sentido de pre-
judicar os direitos do arguido a um processo
d) Proporcionando às crianças vítimas ser- equitativo e imparcial.
viços de apoio adequados ao longo de todo
o processo judicial; Artigo 9º
e) Protegendo, adequadamente, a priva- 1. Os Estados Partes deverão adotar ou
cidade e identidade das crianças vítimas e reforçar, aplicar e difundir legislação, medi-
adotando medidas em conformidade com o das administrativas, políticas e programas
direito interno a fim de evitar a difusão de sociais a fim de prevenir a ocorrência das
informação que possa levar à sua identifica- infracções previstas no presente Protocolo.
ção; Deverá ser prestada particular atenção à
proteção das crianças especialmente vulne-
f) Garantindo, sendo caso disso, a seguran- ráveis a tais práticas.
ça das crianças vítimas, bem como das suas
famílias e testemunhas de acusação, contra 2. Os Estados Partes deverão promover a
atos de intimidação e represálias; sensibilização do público em geral, incluin-
do as crianças, através da informação por
g) Evitando atrasos desnecessários na deci- todos os meios apropriados, da educação
são das causas e execução de sentenças ou e da formação, a respeito das medidas pre-
despachos que concedam indemnização às ventivas e efeitos nocivos das infracções
crianças vítimas. previstas no presente Protocolo. No cum-
2. Os Estados Partes deverão garantir que primento das obrigações impostas pelo
a incerteza quanto à verdadeira idade da ví- presente artigo, os Estados Partes deverão
tima não impeça o início das investigações incentivar a participação da comunidade e,
criminais, nomeadamente das investiga- em particular, das crianças e crianças víti-
ções destinadas a apurar a idade da vítima. mas, nesses programas de educação e for-
mação, designadamente a nível internacio-
3. Os Estados Partes deverão garantir que, nal.
no tratamento dado pelo sistema de justi-
ça penal às crianças vítimas das infracções

86 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

3. Os Estados Partes deverão adotar todas da de crianças, prostituição infantil, porno-


as medidas que lhes sejam possíveis a fim grafia infantil e turismo sexual.
de garantir toda a assistência adequada às
vítimas de tais infracções, nomeadamente a 4. Os Estados Partes em posição de o fazer
sua plena reinserção social e completa recu- deverão prestar assistência financeira, téc-
peração física e psicológica. nica ou de outro tipo através dos programas
existentes a nível multilateral, regional, bila-
4. Os Estados Partes deverão garantir que teral ou outro.
todas as crianças vítimas das infracções
enunciadas no presente Protocolo tenham Artigo 11.
acesso a procedimentos adequados que Nenhuma disposição do presente Protocolo afe-
lhes permitam, sem discriminação, recla- ta as disposições mais favoráveis à realização
mar dos presumíveis responsáveis indemni- dos direitos da criança que possam figurar:
zação pelos danos sofridos.
a) Na legislação de um Estado Parte;
5. Os Estados Partes deverão adotar todas
as medidas adequadas a fim de proibir efi- b) No direito internacional em vigor para
cazmente a produção e difusão de material esse Estado.
que faça publicidade às infracções previstas
Artigo 12.
no presente Protocolo.
1. Cada Estado Parte deverá apresentar
Artigo 10.
ao Comitê dos Direitos da Criança, nos dois
1. Os Estados Partes deverão adotar todas anos subsequentes à entrada em vigor do
as medidas necessárias a fim de reforçar a Protocolo para o Estado Parte em causa, um
cooperação internacional através de acor- relatório contendo informação detalhada
dos multilaterais, regionais e bilaterais para sobre as medidas por si adotadas para tor-
a prevenção, detecção, investigação, exer- nar efetivas as disposições do Protocolo.
cício da ação penal e punição dos respon-
2. Após a apresentação do relatório deta-
sáveis por atos que envolvam a venda de
lhado, cada Estado Parte deverá incluir nos
crianças, prostituição infantil, pornografia
relatórios que apresenta ao Comitê dos Di-
infantil e turismo sexual. Os Estados Partes
reitos da Criança, em conformidade com o
deverão também promover a cooperação
artigo 44º da Convenção, quaisquer infor-
e coordenação internacionais entre as suas
mações complementares relativas à aplica-
autoridades, organizações não governa-
ção do Protocolo. Os outros Estados Partes
mentais nacionais e internacionais e organi-
no Protocolo deverão apresentar um relató-
zações internacionais.
rio de cinco em cinco anos.
2. Os Estados Partes deverão promover a
3. O Comitê dos Direitos da Criança poderá
cooperação internacional destinada a auxi-
solicitar aos Estados Partes o fornecimento
liar as crianças vítimas na sua recuperação
de informação complementar pertinente
física e psicológica, reinserção social e repa-
para efeitos da aplicação do presente Proto-
triamento.
colo.
3. Os Estados Partes deverão promover o
Artigo 13.
reforço da cooperação internacional a fim
de lutar contra as causas profundas, nome- 1. O presente Protocolo está aberto à assi-
adamente a pobreza e o subdesenvolvimen- natura de todos os Estados que sejam par-
to, que contribuem para que as crianças se tes na Convenção ou a tenham assinado.
tornem vulneráveis aos fenómenos da ven-

www.acasadoconcurseiro.com.br 87
2. O presente Protocolo está sujeito a ra- de Estados Partes para apreciação e votação
tificação e aberto à adesão de todos os Es- da proposta. Se, nos quatro meses subse-
tados que sejam partes na Convenção ou a quentes a essa comunicação, pelo menos
tenham assinado. Os instrumentos de rati- um terço dos Estados Partes se declarar a
ficação ou adesão serão depositados junto favor da realização da referida conferência,
do Secretário-Geral das Nações Unidas. o Secretário-Geral convocá-la-á sob os aus-
pícios da Organização das Nações Unidas.
Artigo 14. As alterações adotadas pela maioria dos
1. O presente Protocolo entrará em vigor Estados Partes presentes e votantes na con-
três meses após o depósito do décimo ins- ferência serão submetidas à Assembleia Ge-
trumento de ratificação ou de adesão. ral da Organização das Nações Unidas para
aprovação.
2. Para cada um dos Estados que ratifi-
quem o presente Protocolo ou a ele adiram 2. As alterações adotadas nos termos do
após a respectiva entrada em vigor, o pre- disposto no número anterior entrarão em
sente Protocolo entrará em vigor um mês vigor quando aprovadas pela Assembleia
após a data de depósito do respectivo ins- Geral da Organização das Nações Unidas e
trumento de ratificação ou de adesão. aceites por uma maioria de dois terços dos
Estados Partes.
Artigo 15.
3. Logo que as alterações entrem em vigor,
1. Qualquer Estado Parte poderá denunciar terão força vinculativa para os Estados Par-
o presente Protocolo a todo o tempo, por tes que as tenham aceitado, ficando os res-
notificação escrita dirigida ao Secretário- tantes Estados Partes vinculados pelas dis-
-Geral da Organização das Nações Unidas, posições do presente Protocolo e por todas
que deverá então informar os outros Esta- as alterações anteriores que tenham aceita-
dos Partes na Convenção e todos os Estados do.
que tenham assinado a Convenção. A de-
núncia produzirá efeitos um ano após a data Artigo 17.
de recepção da notificação pelo Secretário- 1. O presente Protocolo, cujos textos em
-Geral da Organização das Nações Unidas. árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e
2. Tal denúncia não exonerará o Estado russo fazem igualmente fé, ficará deposita-
Parte das suas obrigações em virtude do do nos arquivos da Organização das Nações
Protocolo relativamente a qualquer in- Unidas.
fração que ocorra antes da data em que a 2. O Secretário-Geral da Organização das
denúncia comece a produzir efeitos. A de- Nações Unidas enviará cópias autenticadas
núncia não obstará de forma alguma a que do presente Protocolo a todos os Estados
o Comitê prossiga a apreciação de qualquer Partes na Convenção e a todos os Estados
matéria iniciada antes dessa data. que a tenham assinado.
Artigo 16.
1. Todo o Estado Parte poderá propor al-
terações, depositando a proposta junto do
Secretário-Geral da Organização das Nações
Unidas. O Secretário-Geral transmite, em
seguida, a proposta aos Estados Partes, so-
licitando que lhe seja comunicado se são fa-
voráveis à convocação de uma conferência

88 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

Protocolo Facultativo à Convenção nor de 18 anos, salvo se, nos termos da lei que
sobre os Direitos da Criança relativo lhe for aplicável, atingir a maioridade mais cedo,
ao envolvimento de crianças em Convictos de que a adopção de um protocolo
conflitos armados (2000) facultativo à Convenção destinado a elevar a
idade mínima para o recrutamento de pessoas
nas forças armadas e para a sua participação
Os Estados Partes no presente Protocolo, nas hostilidades contribuirá de forma efectiva
Encorajados pelo apoio esmagador à Convenção para a aplicação do princípio segundo o qual em
sobre os Direitos da Criança, o qual demonstra a todas as decisões relativas a crianças se terá pri-
existência de um empenho generalizado na pro- macialmente em conta o interesse superior da
moção e proteção dos direitos da criança, criança,

Reafirmando que os direitos da criança reque- Notando que a vigésima-sexta Conferência In-
rem uma proteção especial e apelando à me- ternacional da Cruz Vermelha e do Crescente
lhoria contínua da situação das crianças, sem Vermelho realizada em Dezembro 1995 reco-
distinção, bem como ao seu desenvolvimento e mendou, designadamente, que as partes num
educação em condições de paz e segurança, conflito adoptem todas as medidas possíveis
para evitar que as crianças com menos de 18
Preocupados com o impato negativo e alarga- anos participem em hostilidades,
do dos conflitos armados nas crianças e com as
suas repercussões a longo prazo em matéria de Congratulando-se com a adopção, por unanimi-
manutenção da paz, segurança e desenvolvi- dade, em Junho de 1999, da Convenção nº 182
mento duradouros, da Organização Internacional do Trabalho sobre
a Proibição e Ação Imediata para a Eliminação
Condenando o fato de em conflitos armados as das Piores Formas de Trabalho Infantil, que pro-
crianças serem convertidas em alvo, bem como íbe, designadamente, o recrutamento forçado
os ataques diretos contra bens protegidos pelo ou obrigatório de crianças com vista à sua utili-
direito internacional, incluindo locais que con- zação em conflitos armados,
tam geralmente com a presença significativa de
crianças, tais como escolas e hospitais, Condenando com profunda preocupação o re-
crutamento, treino e utilização de crianças em
Tomando nota da adopção do Estatuto de Roma hostilidades, dentro e fora das fronteiras nacio-
do Tribunal Penal Internacional, em particular nais, por grupos armados distintos das forças
da inclusão no mesmo, entre os crimes de guer- armadas de um Estado, e reconhecendo a res-
ra cometidos em conflitos armados, de índole ponsabilidade daqueles que recrutam, treinam
internacional ou não-internacional, do recruta- e utilizam crianças desta forma,
mento e do alistamento de menores de 15 anos
nas forças armadas nacionais ou a sua utilização Relembrando a obrigação de cada parte num
para participar ativamente nas hostilidades, conflito armado de respeitar as disposições do
direito internacional humanitário,
Considerando, por conseguinte que, para um
continuado reforço da aplicação dos direitos re- Salientando que o presente Protocolo não pre-
conhecidos na Convenção sobre os Direitos da judica os fins e princípios consignados na Car-
Criança, é necessário reforçar a proteção das ta das Nações Unidas, nomeadamente o artigo
crianças contra qualquer participação em confli- 51º, e as normas relevantes de direito humani-
tos armados, tário,

Notando que o artigo 1º da Convenção sobre os Tendo presente que as condições de paz e se-
Direitos da Criança especifica que, para os fins gurança assentes no pleno respeito pelos fins e
da Convenção, criança é todo o ser humano me- princípios consignados na Carta e o respeito pe-

www.acasadoconcurseiro.com.br 89
los instrumentos de direitos humanos aplicáveis 2. Cada Estado Parte deve depositar uma
são indispensáveis para a plena proteção das declaração vinculativa no momento da ra-
crianças, em particular durante conflitos arma- tificação ou adesão ao presente Protocolo
dos e em situações de ocupação estrangeira, indicando a idade mínima a partir da qual
autoriza o recrutamento voluntário nas suas
Reconhecendo as necessidades especiais da- forças armadas e descrevendo as garantias
quelas crianças que, em função da sua situação adotadas para garantir que esse recruta-
econômica e social ou do seu sexo, estão espe- mento não se realiza através da força ou da
cialmente expostas ao recrutamento ou utiliza- coação.
ção em hostilidades, com violação do presente
Protocolo, Conscientes da necessidade de se- 3. Os Estados Partes que permitam o recru-
rem tidas em conta as causas econômicas, so- tamento voluntário nas suas forças armadas
ciais e políticas que motivam a participação de de menores de 18 anos devem assegurar no
crianças em conflitos armados, mínimo que:
Convictos da necessidade de fortalecer a coope- a) Esse recrutamento é inequivocamente
ração internacional para assegurar a aplicação voluntário;
do presente Protocolo, bem como as atividades
de recuperação física e psicossocial e de reinser- b) Esse recrutamento é realizado com o
ção social de crianças vítimas de conflitos arma- consentimento esclarecido dos pais ou re-
dos, Encorajando a participação da comunidade presentantes legais do interessado;
e, em particular, das crianças e das crianças ví- c) Esses menores estão plenamente infor-
timas na divulgação de programas informativos mados dos deveres que decorrem do servi-
e educativos relativos à aplicação do Protocolo, ço militar;
Acordaram no seguinte: d) Esses menores apresentam prova fiável
Artigo 1º da sua idade antes de serem aceites no ser-
viço militar nacional.
Os Estados Partes devem adotar todas as medi-
das possíveis para garantir que os membros das 4. Cada Estado Parte poderá, a todo o mo-
suas forças armadas menores de 18 anos não mento, reforçar a sua declaração, através de
participem diretamente nas hostilidades. uma notificação para tal efeito dirigida ao
Secretário-Geral da Organização das Nações
Artigo 2º Unidas, o qual informará todos os Estados
Partes. Essa notificação produzirá efeitos a
Os Estados Partes devem garantir que os meno- partir da data em que for recebida pelo Se-
res de 18 anos não sejam compulsivamente in- cretário-Geral.
corporados nas respectivas forças armadas.
5. A obrigação de elevar a idade referida
Artigo 3º no nº 1 do presente artigo não é aplicável
1. Os Estados Partes devem elevar a ida- aos estabelecimentos de ensino sob admi-
de mínima de recrutamento voluntário nas nistração ou controlo das forças armadas
forças armadas nacionais para uma idade dos Estados Partes, em conformidade com
superior à que se encontra referida no nº 3 os artigos 28º e 29º da Convenção sobre os
do artigo 38º da Convenção sobre os Direi- Direitos da Criança.
tos da Criança, tendo em conta os princípios Artigo 4º
contidos naquele artigo e reconhecendo
que, nos termos da Convenção, os menores 1. Os grupos armados distintos das forças
de 18 anos têm direito a proteção especial. armadas de um Estado não devem, em cir-

90 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

cunstância alguma, recrutar ou utilizar me- Artigo 7º


nores de 18 anos em hostilidades.
1. Os Estados Partes devem cooperar na
2. Os Estados Partes adotam todas as me- aplicação do presente Protocolo, incluindo
didas possíveis para evitar o recrutamento e na prevenção de qualquer atividade contrá-
utilização referidos no número anterior, de- ria ao mesmo, e na reabilitação e reinserção
signadamente através da adopção de me- social das pessoas vítimas de atos contrá-
didas de natureza jurídica necessárias para rios ao presente Protocolo, nomeadamente
proibir e penalizar essas práticas. através de cooperação técnica e assistência
financeira. Tal assistência e cooperação de-
3. A aplicação do disposto no presente ar- verão ser empreendidas em consulta com
tigo não afeta o estatuto jurídico de nenhu- os Estados Partes interessados e com as or-
ma das partes num conflito armado. ganizações internacionais pertinentes.
Artigo 5º 2. Os Estados Partes em posição de o fazer
Nenhuma disposição do presente Protocolo devem prestar assistência através de pro-
será interpretada como impedindo a aplicação gramas de natureza multilateral, bilateral
de disposições da legislação de um Estado Par- ou outros já existentes ou, entre outros,
te, de instrumentos internacionais ou do direito através de um fundo voluntário criado de
internacional humanitário mais favoráveis à rea- acordo com as regras da Assembleia Geral.
lização dos direitos da criança. Artigo 8º
Artigo 6º 1. Cada Estado Parte deverá apresentar
1. Cada Estado Parte adotará todas as me- ao Comitê dos Direitos da Criança, nos dois
didas jurídicas, administrativas e outras anos subsequentes à data da entrada em
para assegurar a aplicação e o cumprimento vigor do Protocolo para o Estado Parte em
efetivos das disposições do presente Proto- causa, um relatório contendo informação
colo. detalhada sobre as medidas por si adotadas
para tornar efetivas as disposições do Pro-
2. Os Estados Partes comprometem-se a tocolo, incluindo as medidas adotadas para
divulgar e promover amplamente, através aplicar as disposições sobre participação e
dos meios adequados, os princípios e dis- recrutamento.
posições do presente Protocolo, tanto junto
de adultos como de crianças. 2. Após a apresentação do relatório deta-
lhado, cada Estado Parte deverá incluir nos
3. Os Estados Partes adotarão todas as me- relatórios que apresentar ao Comitê dos
didas possíveis para que as pessoas que se Direitos da Criança, em conformidade com
encontrem sob a sua jurisdição e tenham o artigo 44º da Convenção, quaisquer infor-
sido recrutadas ou utilizadas em hostilida- mações adicionais relativas à aplicação do
des de forma contrária ao presente Proto- Protocolo. Os outros Estados Partes no Pro-
colo sejam desmobilizadas ou de outra for- tocolo deverão apresentar um relatório de
ma libertadas das obrigações militares. Os cinco em cinco anos.
Estados Partes devem, quando necessário,
conceder a essas pessoas toda a assistência 3. O Comitê dos Direitos da Criança pode
adequada à sua recuperação física e psicos- solicitar aos Estados Partes informações
social e à sua reinserção social. complementares relevantes para a aplica-
ção do presente Protocolo.

www.acasadoconcurseiro.com.br 91
Artigo 9º núncia não obstará de forma alguma a que
o Comitê prossiga a apreciação de qualquer
1. O presente Protocolo está aberto à assi- matéria iniciada antes dessa data.
natura de todos os Estados que sejam par-
tes na Convenção ou a tenham assinado. Artigo 12.
2. O presente Protocolo está sujeito a ra- 1. Todo o Estado Parte poderá propor al-
tificação e aberto à adesão de todos os Es- terações, depositando a proposta junto do
tados que sejam partes na Convenção ou a Secretário-Geral da Organização das Nações
tenham assinado. Os instrumentos de ratifi- Unidas. O Secretário-Geral transmite, em se-
cação ou de adesão serão depositados jun- guida, a proposta aos Estados Partes, solici-
to do Secretário-Geral da Organização das tando que lhe seja comunicado se são favo-
Nações Unidas. ráveis à convocação de uma conferência de
Estados Partes para apreciação e votação da
3. O Secretário-Geral, na sua qualidade de proposta. Se, nos quatro meses subsequen-
depositário da Convenção e do Protocolo, tes a essa comunicação, pelo menos um ter-
informará todos os Estados Partes na Con- ço dos Estados Partes se declarar a favor da
venção e todos os Estados que a tenham realização da referida conferência, o Secretá-
assinado de cada uma das declarações de- rio-geral convocá-la-á sob os auspícios da Or-
positadas nos termos do artigo 3º. ganização das Nações Unidas. As alterações
Artigo 10. adotadas pela maioria dos Estados Partes
presentes e votantes na conferência serão
1. O presente Protocolo entrará em vigor submetidas à Assembleia Geral da Organiza-
três meses após o depósito do décimo ins- ção das Nações Unidas para aprovação.
trumento de ratificação ou de adesão.
2. As alterações adotadas nos termos do
2. Para cada um dos Estados que ratifi- disposto no número anterior entrarão em
quem o presente Protocolo ou a ele adiram vigor quando aprovadas pela Assembleia
após a sua entrada em vigor, o presente Geral da Organização das Nações Unidas e
Protocolo entrará em vigor um mês após a aceites por uma maioria de dois terços dos
data de depósito do respectivo instrumento Estados Partes.
de ratificação ou de adesão.
3. Logo que as alterações entrem em vigor,
Artigo 11. terão força vinculativa para os Estados Partes
1. Todo o Estado Parte poderá denunciar o que as tenham aceitado, ficando os restantes
presente Protocolo a todo o tempo, por no- Estados Partes vinculados pelas disposições
tificação escrita dirigida ao Secretário-Geral do presente Protocolo e por todas as altera-
da Organização das Nações Unidas, que de- ções anteriores que tenham aceitado.
verá então informar os outros Estados Par- Artigo 13.
tes na Convenção e todos os Estados que
a tenham assinado. A denúncia produzirá 1. O presente Protocolo, cujos textos em ára-
efeitos um ano após a data de recepção da be, chinês, espanhol, francês, inglês e russo
notificação pelo Secretário-Geral da Organi- fazem igualmente fé, ficará depositado nos ar-
zação das Nações Unidas. quivos da Organização das Nações Unidas.

2. Tal denúncia não exonerará o Estado 2. O Secretário-Geral da Organização das


Parte das suas obrigações em virtude do Nações Unidas enviará cópias autenticadas
Protocolo relativamente a qualquer in- do presente Protocolo a todos os Estados
fração que ocorra antes da data em que a Partes na Convenção e a todos os Estados
denúncia comece a produzir efeitos. A de- que a tenham assinado.

92 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

CONVENÇÃO INTERNACIONAL SOBRE A PROTEÇÃO DOS


DIREITOS DE TODOS OS TRABALHADORES MIGRANTES
E DOS MEMBROS DAS SUAS FAMÍLIAS

Adotada pela Resolução 45/158 da Assembléia ou Degradantes, a Declaração do Quarto Con-


Geral da ONU em 18 de dezembro de 1990. gresso das Nações Unidas para a Prevenção do
Crime e o Tratamento dos Delinqüentes, o Códi-
Preâmbulo go de Conduta para os Funcionários Responsá-
veis pela Aplicação da Lei e as Convenções sobre
Os Estados Partes na presente Convenção, a Escravatura;
Tendo em conta os princípios enunciados nos Recordando que um dos objetivos da Organi-
instrumentos básicos das Nações Unidas relati- zação Internacional do Trabalho, estabelecido
vos aos direitos humanos, em especial a Decla- na sua Constituição, é a proteção dos interes-
ração Universal dos Direitos Humanos, o Pacto ses dos trabalhadores empregados em países
Internacional sobre os Direitos Econômicos, estrangeiros, e tendo presente a perícia e a ex-
Sociais e Culturais, o Pacto Internacional sobre periência desta Organização em assuntos rela-
os Direitos Civis e Políticos, a Convenção Inter- cionados com os trabalhadores migrantes e os
nacional sobre a Eliminação de Todas as Formas membros das suas famílias;
de Discriminação Racial, a Convenção sobre a
Eliminação de Todas as Formas de Discrimina- Reconhecendo a importância do trabalho re-
ção contra as Mulheres e a Convenção sobre os alizado sobre os trabalhadores migrantes e os
Direitos da Criança; membros das suas famílias por vários órgãos
das Nações Unidas, em particular a Comissão
Tendo igualmente em conta as normas e prin- dos Direitos Humanos, a Comissão para o De-
cípios estabelecidos nos instrumentos perti- senvolvimento Social, bem como a Organização
nentes elaborados no âmbito da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agri-
Internacional do Trabalho, em particular a Con- cultura, a Organização das Nações Unidas para a
venção relativa aos Trabalhadores Migrantes Educação, a Ciência e a Cultura e a Organização
(nº 97), a Convenção relativa às Migrações em Mundial de Saúde e outras organizações inter-
Condições Abusivas e à Promoção da Igualdade nacionais;
de Oportunidades e de Tratamento dos Traba-
lhadores Migrantes (nº 143), a Recomendação Reconhecendo, igualmente, os progressos rea-
relativa à Migração para o Emprego (nº 86), a lizados por alguns Estados, nos planos regional
Recomendação relativa aos Trabalhadores Mi- ou bilateral, no diz respeito à proteção dos direi-
grantes (nº 151), a Convenção sobre o Trabalho tos dos trabalhadores migrantes e dos membros
Forçado ou Obrigatório (nº 29) e a Convenção das suas famílias, assim como a importância e
sobre a Abolição do Trabalho Forçado (nº 105); a utilidade dos acordos bilaterais e multilaterais
celebrados neste campo;
Reafirmando a importância dos princípios enun-
ciados na Convenção relativa à Luta contra a Conscientes da importância e da extensão do
Discriminação no Campo do Ensino, da Organi- fenômeno da migração, que envolve milhões de
zação das Nações Unidas para a Educação, a Ci- pessoas e afeta um grande número de Estados
ência e a Cultura; na comunidade internacional;
Recordando a Convenção contra a Tortura e Ou- Conscientes do efeito das migrações de traba-
tras Penas ou Tratamentos Cruéis, Desumanos lhadores nos Estados e nas populações inte-

www.acasadoconcurseiro.com.br 93
ressadas, e desejando estabelecer normas que além disso, a concessão de certos direitos adi-
possam contribuir para a harmonização das cionais aos trabalhadores migrantes e membros
condutas dos Estados mediante a aceitação de das suas famílias em situação regular encorajará
princípios fundamentais relativos ao tratamen- todos os migrantes e empregadores a respeitar
to dos trabalhadores migrantes e dos membros e a aplicar as leis e os procedimentos estabeleci-
das suas famílias; dos pelos Estados interessados;
Considerando a situação de vulnerabilidade em Convictos, por esse motivo, da necessidade
que frequentemente se encontram os trabalha- de garantir a proteção internacional dos direi-
dores migrantes e os membros das suas famílias tos de todos os trabalhadores migrantes e dos
devido, nomeadamente, ao seu afastamento do membros das suas famílias, reafirmando e es-
Estado de origem e a eventuais dificuldades re- tabelecendo normas básicas no quadro de uma
sultantes da sua presença no Estado de empre- convenção abrangente suscetível de aplicação
go; universal;
Convencidos de que os direitos dos trabalhado- Acordam o seguinte:
res migrantes e dos membros das suas famílias
não têm sido suficientemente reconhecidos em PARTE I
todo o mundo, devendo, por este motivo, bene-
ficiar de uma proteção internacional adequada; ÂMBITO E DEFINIÇÕES
Tomando em consideração o fato de que, em Artigo 1º
muitos casos, as migrações são a causa de gra-
ves problemas para os membros das famílias 1. Salvo disposição em contrário constante
dos trabalhadores migrantes, bem como para os do seu próprio texto, a presente Conven-
próprios trabalhadores, especialmente por cau- ção aplicar-se-á todos os trabalhadores mi-
sa da dispersão da suas famílias; grantes e aos membros das suas famílias
sem qualquer distinção, fundada nomeada-
Considerando que os problemas humanos de- mente no sexo, raça, cor, língua, religião ou
correntes das migrações são ainda mais graves convicção, opinião política ou outra, origem
no caso da migração irregular e convictos, por nacional, étnica ou social, nacionalidade,
esse motivo, de que se deve encorajar a ado- idade, posição econômica, patrimônio, es-
ção de medidas adequadas, a fim de prevenir e tado civil, nascimento ou outra situação.
eliminar os movimentos clandestinos e o tráfi-
co de trabalhadores migrantes, assegurando ao 2. A presente Convenção aplicar-se-á todo
mesmo tempo a proteção dos direitos humanos o processo migratório dos trabalhadores
fundamentais destes trabalhadores; migrantes e dos membros das suas famílias,
o qual inclui a preparação da migração, a
Considerando que os trabalhadores não do- partida, o trânsito e a duração total da es-
cumentados ou em situação irregular são, fre- tada, a atividade remunerada no Estado de
quentemente, empregados em condições de emprego, bem como o retorno ao Estado de
trabalho menos favoráveis que outros trabalha- origem ou ao Estado de residência habitual.
dores e que certos empregadores são, assim,
levados a procurar tal mão de obra a fim de se Artigo 2º
beneficiar da concorrência desleal; Para efeitos da presente Convenção:
Considerando, igualmente, que o emprego de 1. A expressão "trabalhador migrante" de-
trabalhadores migrantes em situação irregular signa a pessoa que vai exercer, exerce ou
será desencorajado se os direitos humanos fun- exerceu uma atividade remunerada num Es-
damentais de todos os trabalhadores migrantes tado de que não é nacional.
forem mais amplamente reconhecidos e que,

94 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

2. a) A expressão "trabalhador fronteiriço" (iii) Que, a pedido do seu empregador no


designa o trabalhador migrante que man- Estado de emprego, realize, por um período
tém a sua residência habitual num Estado limitado e definido, um trabalho de natu-
vizinho a que regressa, em princípio, todos reza transitória ou de curta duração; e que
os dias ou, pelo menos, uma vez por sema- deva deixar o Estado de emprego ao expi-
na; rar o período autorizado de residência, ou
antecipadamente, caso deixe de realizar a
b) A expressão "trabalhador sazonal" desig- tarefa ou função específica ou o trabalho
na o trabalhador migrante cuja atividade, inicial;
pela sua natureza, depende de condições
sazonais e somente se realiza durante parte h) A expressão "trabalhador autônomo"
do ano; designa o trabalhador migrante que exerce
uma atividade remunerada não submeti-
c) A expressão "marítimo", que abrange os da a um contrato de trabalho e que ganha
pescadores, designa o trabalhador migrante a sua vida por meio desta atividade, traba-
empregado a bordo de um navio matricula- lhando normalmente só ou com membros
do num Estado de que não é nacional; da sua família, assim como o trabalhador
d) A expressão "trabalhador numa estrutura considerado autônomo pela legislação apli-
marítima" designa o trabalhador migrante cável do Estado de emprego ou por acordos
empregado numa estrutura marítima que bilaterais ou multilaterais.
se encontra sob a jurisdição de um Estado Artigo 3º
de que não é nacional;
A presente Convenção não se aplicará:
e) A expressão "trabalhador itinerante" de-
signa o trabalhador migrante que, tendo a a) Às pessoas enviadas ou empregadas por
sua residência habitual num Estado, tem de organizações e organismos internacionais,
viajar para outros Estados por períodos cur- nem às pessoas enviadas ou empregadas
tos, devido à natureza da sua ocupação; por um Estado fora do seu território para
desempenharem funções oficiais, cuja ad-
f) A expressão "trabalhador vinculado a um missão e estatuto estejam regulados pelo
projeto" designa o trabalhador migrante ad- direito internacional geral ou por acordos
mitido num Estado de emprego por tempo internacionais ou convenções internacio-
definido para trabalhar unicamente num nais específicas;
projeto concreto conduzido pelo seu em-
pregador nesse Estado; b) Às pessoas enviadas ou empregadas por
um Estado ou por conta desse Estado fora
g) A expressão "trabalhador com emprego do seu território que participam em progra-
específico" designa o trabalhador migrante: mas de desenvolvimento e noutros progra-
(i) Que tenha sido enviado pelo seu empre- mas de cooperação, cuja admissão e estatu-
gador, por um período limitado e definido, a to estejam regulados por acordo celebrado
um Estado de emprego para aí realizar uma com o Estado de emprego e que, nos ter-
tarefa ou função específica; ou mos deste acordo, não sejam consideradas
trabalhadores migrantes;
(ii) Que realize, por um período limitado e
definido, um trabalho que exige competên- c) Às pessoas que se instalam num Estado
cias profissionais, comerciais, técnicas ou diferente do seu Estado de origem na quali-
altamente especializadas de outra natureza; dade de investidores;
ou d) Aos refugiados e apátridas, salvo disposi-
ção em contrário da legislação nacional per-

www.acasadoconcurseiro.com.br 95
tinente do Estado Parte interessado ou de vai exercer, exerce ou exerceu uma ativida-
instrumentos internacionais em vigor para de remunerada, conforme o caso;
esse Estado;
c) A expressão "Estado de trânsito" designa
e) Aos estudantes e estagiários; qualquer Estado por cujo território a pessoa
interessada deva transitar a fim de se dirigir
f) Aos marítimos e aos trabalhadores de para o Estado de emprego ou do Estado de
estruturas marítimas que não tenham sido emprego para o Estado de origem ou de re-
autorizados a residir ou a exercer uma ati- sidência habitual.
vidade remunerada no Estado de emprego.
Artigo 4º PARTE II
Para efeitos da presente Convenção, a expres- NÃO DISCRIMINAÇÃO
são "membros da família" designa a pessoa ca- EM MATÉRIA DE DIREITOS
sada com o trabalhador migrante ou que com
ele mantém uma relação que, em virtude da Artigo 7º
legislação aplicável, produz efeitos equivalen-
tes aos do casamento, bem como os filhos a seu Os Estados Partes comprometem-se, em con-
cargo e outras pessoas a seu cargo, reconheci- formidade com os instrumentos internacionais
das como familiares pela legislação aplicável ou relativos aos direitos humanos, a respeitar e a
por acordos bilaterais ou multilaterais aplicáveis garantir os direitos previstos na presente Con-
entre os Estados interessados. venção para todos os trabalhadores migrantes
e membros da suas famílias que se encontrem
Artigo 5º no seu território e sujeitos à sua jurisdição, sem
distinção alguma, independentemente de qual-
Para efeitos da presente Convenção, os traba-
quer consideração de raça, cor, sexo, língua, reli-
lhadores migrantes e os membros das suas fa-
gião ou convicção, opinião política ou outra, ori-
mílias:
gem nacional, étnica ou social, nacionalidade,
a) Serão considerados documentados ou idade, posição econômica, patrimônio, estado
em situação regular se forem autorizados a civil, nascimento ou de qualquer outra situação.
entrar, permanecer e exercer uma atividade
remunerada no Estado de emprego, confor- PARTE III
me a legislação desse Estado e das conven-
ções internacionais de que esse Estado seja DIREITOS HUMANOS DE TODOS OS
Parte; TRABALHADORES MIGRANTES E DOS
b) Serão considerados não documentados
MEMBROS DAS SUAS FAMÍLIAS
ou em situação irregular se não preenche- Artigo 8º
rem as condições enunciadas na alínea a)
do presente artigo. 1. Os trabalhadores migrantes e os mem-
bros das suas famílias poderão sair livre-
Artigo 6º mente de qualquer Estado, incluindo o seu
Para os efeitos da presente Convenção: Estado de origem. Este direito somente
poderá ser objeto de restrições que, sen-
a) A expressão "Estado de origem" designa do previstas na lei, constituam disposições
o Estado de que a pessoa interessada é na- necessárias para proteger a segurança na-
cional; cional, a ordem pública, a saúde ou moral
públicas, ou os direitos e liberdades de ou-
b) A expressão "Estado de emprego" desig-
trem, e se mostrarem compatíveis com os
na o Estado onde o trabalhador migrante

96 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

outros direitos reconhecidos na presente c) Qualquer trabalho ou serviço que forme


parte da Convenção. parte das obrigações cívicas normais, desde
que exigível também a cidadãos do Estado
2. Os trabalhadores migrantes e os mem- interessado.
bros da sua família têm o direito a retornar
em qualquer momento ao seu Estado de Artigo 12.
origem e aí permanecer.
1. Os trabalhadores migrantes e os mem-
Artigo 9º bros das suas famílias têm direito à liber-
dade de pensamento, de consciência e de
O direito à vida dos trabalhadores migrantes e religião. Este direito abrange a liberdade
dos membros da sua família será protegido por de professar ou de adotar uma religião ou
lei. crença da sua escolha, bem como a liberda-
Artigo 10º de de manifestar a sua religião ou crença,
individual ou coletivamente, em público e
Nenhum trabalhador migrante ou membro da em privado, pelo culto, celebração de ritos,
sua família poderá ser submetido à tortura, nem práticas e o ensino.
a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou
degradantes. 2. Os trabalhadores migrantes e os mem-
bros das suas famílias não serão submetidos
Artigo 11. a coação que prejudique a sua liberdade de
1. Nenhum trabalhador migrante ou mem- professar e adotar uma religião ou crença
bro da sua família será mantido em escrava- da sua escolha.
tura ou servidão. 3. A liberdade de manifestar a sua religião
2. Nenhum trabalhador migrante ou mem- ou crença somente poderá ser objeto de
bro da sua família poderá ser compelido a restrições previstas na lei e que se mostra-
realizar um trabalho forçado ou obrigatório. rem necessárias à proteção da segurança
nacional, da ordem pública, da saúde ou da
3. O parágrafo 2 do presente artigo não será moral públicas, e das liberdades e direitos
interpretado no sentido de proibir, nos Esta- fundamentais de outrem.
dos onde certos crimes podem ser punidos
com pena de prisão acompanhada de traba- 4. Os Estados Partes na presente Convenção
lho forçado, o cumprimento de uma pena comprometem-se a respeitar a liberdade
de trabalho forçado imposta por um tribu- dos pais, quando pelo menos um deles é
nal competente. trabalhador migrante, e, quando for o caso,
dos representantes legais, de assegurar a
4. Para efeitos do presente artigo, a expres- educação religiosa e moral dos seus filhos
são "trabalho forçado ou obrigatório” não de acordo com as suas convicções.
incluirá:
Artigo 13.
a) Qualquer trabalho ou serviço, não pre-
visto no parágrafo 3 do presente artigo, exi- 1. Os trabalhadores migrantes e os mem-
gido normalmente a uma pessoa que, em bros das suas famílias têm o direito de ex-
virtude de uma decisão judicial ordinária, se primir as suas convicções sem interferência.
encontra detida ou tenha sido colocada em 2. Os trabalhadores migrantes e os mem-
liberdade condicional posteriormente; bros das suas famílias têm o direito à liber-
b) Qualquer serviço exigido no caso de crise dade de expressão. Este direito compre-
ou de calamidade que ameacem a vida ou o ende a liberdade de procurar, receber e
bem-estar da comunidade; expandir informações e idéias de toda espé-

www.acasadoconcurseiro.com.br 97
cie, sem consideração de fronteiras, sob a Artigo 16.
forma oral, escrita, impressa ou artística ou
por qualquer outro meio à sua escolha. 1. Os trabalhadores migrantes e os mem-
bros das suas famílias têm direito à liberda-
3. O exercício do direito previsto no pará- de e à segurança da sua pessoa.
grafo 2 do presente artigo implica deveres e
responsabilidades especiais. Por esta razão, 2. Os trabalhadores migrantes e os mem-
poderá ser objeto de restrições, desde que bros das suas famílias têm o direito à prote-
estas estejam previstas na lei e se afigurem ção efetiva do Estado contra a violência, os
necessárias a fim de: maus tratos físicos, as ameaças e a intimida-
ção, por parte de funcionários públicos ou
a) Garantir o respeito dos direitos e da re- privados, grupos ou instituições.
putação de outrem;
3. A verificação pelos funcionários respon-
b) Defender a segurança nacional dos Esta- sáveis pela aplicação da lei da identidade
dos interessados, da ordem pública, da saú- dos trabalhadores migrantes e dos mem-
de ou da moral públicas; bros das suas famílias deverá ser conduzida
de acordo com o procedimento estabeleci-
c) Prevenir a incitação à guerra; do na lei.
d) Prevenir a apologia do ódio nacional, ra- 4. Nenhum trabalhador migrante ou mem-
cial e religioso, que constitua uma incitação bro da sua família será sujeito, individual
à discriminação, à hostilidade ou à violên- ou mediante coletivamente, a detenção ou
cia. prisão arbitrária; nem será privado da sua li-
Artigo 14. berdade, salvo por motivos e em conformi-
dade com os procedimentos estabelecidos
Nenhum trabalhador migrante ou membro da por lei.
sua família será sujeito a intromissões arbitrá-
rias ou ilegais na sua vida privada, na sua famí- 5. O trabalhador migrante ou membro da
lia, no seu domicílio, na sua correspondência sua família que for detido deverá ser infor-
ou outras comunicações, nem a ofensas ilegais mado, no momento da detenção, se possí-
à sua honra e reputação. Os trabalhadores mi- vel numa língua que compreenda, dos mo-
grantes e os membros das suas famílias têm o tivos desta e prontamente notificado, numa
direito à proteção da lei contra tais intromissões língua que compreenda, das acusações con-
ou ofensas. tra si formuladas.

Artigo 15. 6. O trabalhador migrante ou membro da


sua família que for detido ou preso median-
Nenhum trabalhador migrante ou membro da te acusação da prática de uma infração pe-
sua família será arbitrariamente privado dos nal deverá ser presente, sem demora, a um
bens de que seja o único titular ou que possua juiz ou outra entidade autorizada por lei a
conjuntamente com outrem. A expropriação exercer funções judiciais e tem o direito de
total ou parcial dos bens de um trabalhador ser julgado em prazo razoável ou de aguar-
migrante ou membro da sua família somente dar julgamento em liberdade. A prisão pre-
poderá ser efetuada nos termos da legislação ventiva da pessoa que tenha de ser julgada
vigente no Estado de emprego mediante o pa- não deverá ser a regra geral, mas a sua li-
gamento de uma indenização justa e adequada. bertação poderá ser subordinada a garan-
tias que assegurem a seu comparecimento
na audiência ou em qualquer ato processual
e, se for o caso, para execução de sentença.

98 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

7. No caso de sujeição de um trabalhador o direito de requerer uma indenização ade-


migrante ou membro da sua família a de- quada.
tenção ou prisão preventiva, ou a qualquer
outra forma de detenção: Artigo 17.

a) As autoridades diplomáticas ou consu- 1. Os trabalhadores migrantes e os mem-


lares do seu Estado de origem ou de um bros das suas famílias privados da sua liber-
Estado que represente os interesses desse dade deverão ser tratados com humanida-
Estado serão informadas prontamente, se de e com respeito da dignidade inerente à
o interessado assim o solicitar, da sua de- pessoa humana e à sua identidade cultural.
tenção ou prisão e dos fundamentos dessa 2. Os trabalhadores migrantes e os mem-
medida; bros das suas famílias sob acusação deverão
b) A pessoa interessada será assegurada o ser separados dos condenados, salvo em
direito de se comunicar com as referidas au- circunstâncias excepcionais, e submetidos a
toridades. As comunicações dirigidas pelo um regime distinto, adequado à sua condi-
interessado às referidas autoridades deve- ção de pessoas não condenadas. Se forem
rão ser transmitidas sem demora, e o inte- menores, deverão ser separados dos adul-
ressado também será assegurado o direito tos, devendo o seu processo ser decidido
de receber, sem demora, as comunicações com a maior celeridade.
enviadas pelas referidas autoridades; 3. Qualquer trabalhador migrante ou mem-
c) A pessoa interessada deverá ser informa- bro da sua família que for detido num Esta-
da prontamente deste direito, e dos direi- do de trânsito, ou num Estado de emprego,
tos decorrentes de tratados eventualmente por violação das disposições relativas à mi-
celebrados nesta matéria entre os Estados gração deverá, na medida possível, ser se-
interessados, de trocar correspondências e parado das pessoas detidas ou presas pre-
de reunir-se com representantes das referi- ventivamente.
das autoridades, assim como de tomar pro- 4. Durante todo o período de prisão em
vidências com vistas à sua representação execução de sentença proferida por um tri-
legal. bunal, o tratamento do trabalhador migran-
8. Os trabalhadores migrantes e os mem- te ou membro da sua família terá por fina-
bros das suas famílias que forem privados lidade, essencialmente, a sua re-inserção e
da sua liberdade mediante detenção ou pri- recuperação social. Infratores jovens serão
são terão o direito de interpor recurso pe- separados dos adultos e submetidos a um
rante um tribunal, para que este decida sem regime adequado à sua idade e ao seu esta-
demora sobre a legalidade da sua detenção tuto legal.
e ordene a sua libertação no caso de aquela 5. Durante a detenção ou prisão, os traba-
ser ilegal. Quando participarem nas audiên- lhadores migrantes e os membros das suas
cias, eles deverão beneficiar da assistência, famílias deverão gozar dos mesmos direitos
gratuita, quando couber, de um intérprete, de que beneficiam os cidadãos nacionais de
se não compreenderem ou não falarem su- receber visitas dos seus familiares.
ficientemente bem a língua utilizada pelo
tribunal. 6. No caso de um trabalhador migrante que
for privado da sua liberdade, as autoridades
9. Os trabalhadores migrantes e os mem- competentes do Estado da detenção deve-
bros das suas famílias que tiverem sofrido rão ter em conta os problemas que os mem-
detenção ou prisão preventiva ilegal terão bros da sua família possam enfrentar, em
particular os cônjuges e filhos menores.

www.acasadoconcurseiro.com.br 99
7. Os trabalhadores migrantes e os mem- d) A estar presente no julgamento e a de-
bros das suas famílias sujeitos a qualquer fender-se a si próprio ou por intermédio de
forma de detenção ou prisão, em virtude um defensor da sua escolha; se não tiver
da legislação do Estado de emprego ou do patrocínio jurídico, a ser informado deste
Estado de trânsito, deverão gozar dos mes- direito; e a pedir a designação de um de-
mos direitos que os cidadãos nacionais des- fensor público, sempre que os interesses
se Estado que se encontrarem na mesma da justiça exijam a assistência do defensor,
situação. sem encargos, se não tiver meios suficien-
tes para assumi-los;
8. Se um trabalhador migrante ou membro
da sua família for detido com o fim de ve- e) A interrogar ou fazer interrogar as teste-
rificar se houve infração às disposições re- munhas de acusação e a obter o compareci-
lacionadas com a migração, este não será mento e o interrogatório das testemunhas
obrigado a assumir quaisquer encargos daí de defesa em condições de igualdade;
decorrentes.
f) A beneficiar da assistência gratuita de um
Artigo 18. intérprete se não compreender ou falar a
língua utilizada pelo tribunal;
1. Os trabalhadores migrantes e os mem-
bros das suas famílias têm os mesmos direi- g) A não ser obrigado a testemunhar ou a
tos, perante os tribunais, que os nacionais confessar-se culpado.
do Estado interessado. Eles têm o direito a
que a sua causa seja eqüitativa e publica- 4. No caso de menores de idade, o processo
mente julgada por um tribunal competente, tomará em conta a sua idade e a necessida-
independente e imparcial, instituído por lei, de de facilitar a sua reintegração social.
que decidirá dos seus direitos e obrigações 5. Os trabalhadores migrantes e os mem-
de caráter civil ou das razões de qualquer bros das suas famílias condenados pela prá-
acusação em matéria penal contra si formu- tica de um crime terão o direito de recorrer
lada. dessa decisão para um tribunal superior,
2. O trabalhador migrante ou membro da nos termos da lei.
sua família suspeito ou acusado da práti- 6. Quando uma condenação penal definiti-
ca de um crime presumir-se-á inocente até va for posteriormente anulada ou quando
que a sua culpabilidade tenha sido legal- for concedido o indulto, em virtude de que
mente estabelecida. um fato novo ou recentemente revelado
3. O trabalhador migrante ou membro da prova que se produziu um erro judiciário,
sua família acusado de ter infringido a lei o trabalhador migrante ou membro da sua
penal terá, no mínimo, direito às seguintes família que cumpriu uma pena em decor-
garantias: rência dessa condenação será indenizado,
em conformidade com a lei, a menos que se
a) A ser informado prontamente, numa lín- prove que a não revelação em tempo útil do
gua que compreenda e pormenorizadamen- fato desconhecido lhe é imputável no todo
te, da natureza e dos motivos das acusações ou em parte.
formuladas contra si;
7. Nenhum trabalhador migrante ou mem-
b) A dispor do tempo e dos meios necessá- bro da sua família poderá ser perseguido ou
rios à preparação da sua defesa e a comuni- punido pela prática de uma infração pela
car com o advogado da sua escolha; qual já tenha sido absolvido ou condenado,
em conformidade com a lei e o processo pe-
c) A ser julgado num prazo razoável; nal do Estado interessado.

100 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

Artigo 19. Artigo 22.


1. Nenhum trabalhador migrante ou mem- 1. Os trabalhadores migrantes e os mem-
bro da sua família poderá ser sentenciado bros das suas famílias não poderão ser ob-
criminalmente por ação ou omissão que no jeto de medidas de expulsão coletiva. Cada
momento da sua prática não seja considera- caso de expulsão será examinado e decidi-
da criminosa segundo a lei interna ou o di- do individualmente.
reito internacional. Será aplicada retroativa-
mente a lei penal que preveja a imposição 2. Os trabalhadores migrantes e os mem-
de uma pena mais favorável ao acusado. bros das suas famílias somente poderão ser
expulsos do território de um Estado Parte
2. Na determinação da medida da pena, o em cumprimento de uma decisão tomada
tribunal atenderá a considerações de natu- por uma autoridade competente em con-
reza humanitária relativas ao estatuto de formidade com a lei.
trabalhador migrante, nomeadamente o di-
reito de residência ou de trabalho reconhe- 3. A decisão deverá ser comunicada aos in-
cido ao trabalhador migrante ou membro teressados numa língua que compreendam.
da sua família. A seu pedido, se não for obrigatório, a deci-
são será comunicada por escrito e, salvo em
Artigo 20. circunstâncias excepcionais, devidamente
fundamentada. Os interessados serão in-
1. Nenhum trabalhador migrante será deti- formados deste direito antes que a decisão
do pela única razão de não poder cumprir seja tomada, ao mais tardar, no momento
uma obrigação contratual. em que for tomada.
2. Nenhum trabalhador migrante ou um 4. Salvo nos casos de uma decisão definiti-
membro da sua família poderá ser privado va emanada de uma autoridade judicial, o
da sua autorização de residência ou de tra- interessado terá o direito de fazer valer as
balho, nem expulso, pela única razão de não razões que militam contra a sua expulsão e
ter cumprido uma obrigação decorrente de de recorrer da decisão perante a autorida-
um contrato de trabalho, salvo se a execu- de competente, salvo imperativos de segu-
ção dessa obrigação constituir uma condi- rança nacional. Enquanto o seu recurso for
ção de tais autorizações. apreciado, o interessado terá o direito de
Artigo 21. procurar obter a suspensão da referida de-
cisão.
Ninguém, exceto os funcionários públicos de-
vidamente autorizados por lei para este efeito, 5. Se uma decisão de expulsão já executada
terão o direito de apreender, destruir ou tentar for subseqüentemente anulada, a pessoa
destruir documentos de identidade, documen- interessada terá direito a obter uma indeni-
tos de autorização de entrada, permanência, zação de acordo com a lei, não podendo a
residência ou de estabelecimento no território decisão anterior ser invocada para impedi-
nacional, ou documentos relativos à autoriza- -lo de regressar ao Estado em causa.
ção de trabalho. Se for autorizada a apreensão 6. No caso de expulsão, a pessoa interessa-
e perda desses documentos, será emitido um da deverá ter a possibilidade razoável, antes
recibo pormenorizado. Em caso algum é permi- ou depois da partida, de obter o pagamento
tido a destruição do passaporte ou documento de todos os salários ou prestações que lhe
equivalente de um trabalhador migrante ou de sejam devidos, e de cumprir eventuais obri-
um membro da sua família. gações não executadas.

www.acasadoconcurseiro.com.br 101
7. Sem prejuízo da execução de uma deci- gurança, saúde, suspensão do vínculo em-
são de expulsão, o trabalhador migrante ou pregatício e quaisquer outras condições de
membro da sua família objeto desta decisão trabalho que, de acordo com o direito e a
poderá solicitar a admissão num Estado di- prática nacionais, se incluam na regulamen-
ferente do seu Estado de origem. tação das condições de trabalho;
8. No caso de expulsão, as despesas ocasio- b) Outras condições de emprego, como a
nadas por esta medida não serão assumidas idade mínima para admissão ao emprego,
pelo trabalhador migrante ou membro da as restrições ao trabalho doméstico e ou-
sua família. O interessado poderá, no en- tras questões que, de acordo com o direito
tanto, ser obrigado a custear as despesas da e a prática nacionais, sejam consideradas
viagem. condições de emprego.
9. A expulsão do Estado de emprego, em si, 2. Nenhuma derrogação será admitida ao
não prejudicará os direitos adquiridos, em princípio da igualdade de tratamento refe-
conformidade com a lei desse Estado, pelo rido no parágrafo 1 do presente artigo nos
trabalhador migrante ou membro da sua fa- contratos de trabalho privados.
mília, nomeadamente o direito de receber
os salários e outras prestações que lhe se- 3. Os Estados Partes adotarão todas as me-
jam devidos. didas adequadas a garantir que os traba-
lhadores migrantes não sejam privados dos
Artigo 23. direitos derivados da aplicação deste prin-
cípio, em razão da irregularidade da sua si-
Os trabalhadores migrantes e os membros das tuação em matéria de permanência ou de
suas famílias terão o direito de recorrer à prote- emprego. De um modo particular, os em-
ção e à assistência das autoridades diplomáticas pregadores não ficarão isentos de cumprir
e consulares do seu Estado de origem ou de um as obrigações legais ou contratuais, nem se-
Estado que represente os interesses daquele Es- rão, de modo algum, limitadas as suas obri-
tado em caso de violação dos direitos reconhe- gações por força de tal irregularidade.
cidos na presente Convenção. Especialmente no
caso de expulsão, o interessado será informado Artigo 26.
deste direito, sem demora, devendo as autori-
dades do Estado que procede à expulsão facili- 1. Os Estados Partes reconhecerão a todos
tar o exercício do mesmo. os trabalhadores migrantes e aos membros
das suas famílias o direito:
Artigo 24.
a) A participar em reuniões e atividades de
Os trabalhadores migrantes e os membros da sindicatos e outras associações estabeleci-
sua família têm direito ao reconhecimento da dos de acordo com a lei para proteger seus
sua personalidade jurídica, em todos os lugares. interesses econômicos, sociais, culturais e
outros, sujeito apenas às regras da organi-
Artigo 25. zação interessada.
1. Os trabalhadores migrantes deverão des- b) A inscrever-se livremente nos referidos
frutar de um tratamento não menos favorá- sindicatos ou associações, sujeito apenas às
vel que aquele que é concedido aos nacio- regras da organização interessada.
nais do Estado de emprego em matéria de
retribuição e: c) A procurar o auxílio e a assistência dos re-
feridos sindicatos e associações;
a) Outras condições de trabalho, como tra-
balho suplementar, horário de trabalho, 2. O exercício de tais direitos somente po-
descanso semanal, férias remuneradas, se- derá ser objeto das restrições previstas na

102 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

lei e que se mostrarem necessárias, numa Artigo 30.


sociedade democrática, no interesse da se-
gurança nacional, da ordem pública, ou para O filho de um trabalhador migrante tem o di-
proteger os direitos e liberdades de outrem. reito fundamental de acesso à educação em
condições de igualdade de tratamento com os
Artigo 27. nacionais do Estado interessado. Não poderá
ser negado ou limitado o acesso a estabeleci-
1. Em matéria de segurança social, os traba- mentos públicos de ensino pré-escolar ou esco-
lhadores migrantes e os membros das suas lar por motivo de situação irregular em matéria
famílias deverão beneficiar, no Estado de de permanência ou emprego de um dos pais ou
emprego, de um tratamento igual ao que com fundamento na permanência irregular da
é concedido aos nacionais desse Estado, criança no Estado de emprego.
sem prejuízo das condições impostas pela
legislação nacional e pelos tratados bilate- Artigo 31.
rais e multilaterais aplicáveis. As autorida-
des competentes do Estado de origem e do 1. Os Estados Partes assegurarão o respei-
Estado de emprego poderão, em qualquer to da identidade cultural dos trabalhadores
momento, tomar as disposições necessárias migrantes e dos membros das suas famílias
para determinar as modalidades de aplica- e não os impedirão de manter os laços cul-
ção desta norma. turais com o seu Estado de origem.

2. Se a legislação aplicável privar de uma 2. Os Estados Partes poderão adotar as me-


prestação os trabalhadores migrantes e os didas adequadas para apoiar e encorajar es-
membros das suas famílias, deverá o Esta- forços neste domínio.
do de emprego ponderar a possibilidade de Artigo 32.
reembolsar o montante das contribuições
efetuadas pelos interessados relativamente Cessando a sua permanência no Estado de em-
a essa prestação, com base no tratamento prego, os trabalhadores migrantes e os mem-
concedido aos nacionais que se encontra- bros das suas famílias terão o direito de transfe-
rem em circunstâncias idênticas. rir seus ganhos e suas poupanças e, nos termos
da legislação aplicável dos Estados interessados,
Artigo 28. seus bens e pertences.
Os trabalhadores migrantes e os membros das Artigo 33.
suas famílias têm o direito de receber os cuida-
dos médicos urgentes que sejam necessários 1. Os trabalhadores migrantes e os mem-
para preservar a sua vida ou para evitar danos bros das suas famílias terão o direito de
irreparáveis à sua saúde, em pé de igualdade serem informados pelo Estado de origem,
com os nacionais do Estado em questão. Tais Estado de emprego ou Estado de trânsito,
cuidados médicos urgentes não poderão ser- conforme o caso, relativamente:
-lhes recusados por motivo de irregularidade
a) Aos direitos que lhes são reconhecidos
em matéria de permanência ou de emprego.
pela presente Convenção;
Artigo 29.
b) Às condições de admissão, direitos e
O filho de um trabalhador migrante tem o di- obrigações em virtude do direito e da práti-
reito a um nome, ao registro do nascimento e a ca do Estado interessado e outras questões
uma nacionalidade. que lhes permitam cumprir as formalidades
administrativas ou de outra natureza exigi-
das por esse Estado.

www.acasadoconcurseiro.com.br 103
2. Os Estados Partes adotarão todas as me- PARTE IV
didas que considerarem adequadas para di-
vulgar as referidas informações ou garantir OUTROS DIREITOS DOS
que sejam fornecidas pelos empregadores, TRABALHADORES MIGRANTES E DOS
sindicatos ou outros organismos ou institui-
ções apropriadas. Para este efeito, deverão MEMBROS DAS SUAS FAMÍLIAS QUE
cooperar com outros Estados interessados, SE ENCONTRAM DOCUMENTADOS
se tal se mostrar necessário. OU EM SITUAÇÃO REGULAR
3. As informações adequadas serão facul- Artigo 36.
tadas gratuitamente aos trabalhadores mi-
grantes e aos membros das suas famílias Os trabalhadores migrantes e os membros das
que o solicitem, na medida do possível, suas famílias que se encontrem documentados
numa língua que compreendam. ou em situação regular no Estado de emprego
gozarão dos direitos enunciados nesta parte
Artigo 34. da presente Convenção, para além dos direitos
Nenhuma das disposições da Parte III da presen- previstos na parte III.
te Convenção isentará os trabalhadores migran- Artigo 37.
tes e os membros das suas famílias do dever de
cumprir as leis e os regulamentos dos Estados Antes da sua partida ou, ao mais tardar, no mo-
de trânsito e do Estado de emprego e de respei- mento da sua admissão no Estado de emprego,
tar a identidade cultural dos habitantes desses os trabalhadores migrantes e os membros das
Estados. suas famílias terão o direito de ser plenamente
informados pelo Estado de origem ou pelo Es-
Artigo 35. tado de emprego, conforme o caso, de todas as
Nenhuma das disposições da parte III da pre- condições exigidas para a sua admissão, espe-
sente Convenção deve ser interpretada como cialmente as que respeitam à sua permanência
implicando a regularização da situação dos tra- e às atividades remuneradas que podem exer-
balhadores migrantes ou dos membros das suas cer, bem como dos requisitos que devem satis-
famílias que se encontram não documentados fazer no Estado de emprego e das autoridades
ou em situação irregular, ou o direito a ver re- a que devem dirigir-se para solicitar a modifica-
gularizada a sua situação, nem como afetando ção dessas condições.
as medidas destinadas a assegurar condições Artigo 38.
satisfatórias e eqüitativas para a migração inter-
nacional, previstas na parte VI da presente Con- 1. Os Estados de emprego deverão envidar
venção. esforços no sentido de autorizarem os tra-
balhadores migrantes e os membros das
suas famílias a ausentar-se temporaria-
mente, sem que tal afete a sua autorização
de permanência ou de trabalho, conforme
o caso. Ao fazê-lo, os Estados de emprego
levarão em conta as obrigações e as neces-
sidades especiais dos trabalhadores migran-
tes e dos membros das suas famílias, nome-
adamente no seu Estado de origem.
2. Os trabalhadores migrantes e os mem-
bros das suas famílias terão o direito de ser
plenamente informados das condições em

104 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

que tais ausências temporárias são autori- Artigo 42.


zadas.
1. Os Estados Partes deverão ponderar a
Artigo 39. possibilidade de estabelecer procedimentos
ou instituições que permitam ter em conta,
1. Os trabalhadores migrantes e os mem- tanto no Estado de origem quanto no Esta-
bros das suas famílias terão o direito de cir- do de emprego, as necessidades, aspirações
cular livremente no território do Estado de e obrigações específicas dos trabalhadores
emprego e de aí escolher livremente a sua migrantes e dos membros das suas famílias
residência. e, sendo esse o caso, a possibilidade de os
2. Os direitos referidos no parágrafo 1 do trabalhadores migrantes e os membros das
presente artigo não poderão ser sujeitos a suas famílias terem nessas instituições os
restrições, com exceção das previstas na lei seus representantes livremente escolhidos.
e que sejam necessárias para proteger a se- 2. Os Estados de emprego facilitarão, de
gurança nacional, a ordem pública, a saúde harmonia com a sua legislação nacional, a
ou moral públicas, ou os direitos e liberda- consulta ou a participação dos trabalhado-
des de outrem e se mostrarem compatíveis res migrantes e dos membros das suas fa-
com os outros direitos reconhecidos na pre- mílias nas decisões relativas à vida e à admi-
sente Convenção. nistração das comunidades locais.
Artigo 40. 3. Os trabalhadores migrantes poderão go-
1. Os trabalhadores migrantes e os mem- zar de direitos políticos no Estado de em-
bros das suas famílias terão o direito de prego se este Estado, no exercício da sua
constituir associações e sindicatos no Esta- soberania, lhes atribuir esses direitos.
do de emprego para a promoção e a prote- Artigo 43.
ção dos seus interesses econômicos, sociais,
culturais e de outra natureza. 1. Os trabalhadores migrantes deverão
beneficiar-se de tratamento igual ao que é
2. O exercício deste direito somente pode- concedido aos nacionais do Estado de em-
rá ser objeto de restrições previstas na lei prego em matéria de:
e que se mostrarem necessárias, numa so-
ciedade democrática, no interesse da segu- a) Acesso a instituições e serviços educati-
rança nacional, da ordem pública, ou para vos, sem prejuízo das condições de admis-
proteger os direitos e liberdades de outrem. são e outras disposições previstas pelas re-
feridas instituições e serviços;
Artigo 41.
b) Acesso aos serviços de orientação profis-
1. Os trabalhadores migrantes e os mem- sional e de colocação;
bros das suas famílias terão o direito de par-
ticipar nos assuntos públicos do seu Estado c) Acesso às facilidades e instituições de for-
de origem, de votar e de candidatar-se em mação e aperfeiçoamento profissional;
eleições organizadas por esse Estado, de
acordo com a legislação vigente. d) Acesso à habitação, incluindo os progra-
mas de habitação social, e proteção contra
2. Os Estados interessados deverão facilitar, a exploração em matéria de arrendamento;
se necessário e em conformidade com a sua
legislação, o exercício destes direitos. e) Acesso aos serviços sociais e de saúde,
desde que se verifiquem os requisitos do di-
reito de beneficiar dos diversos programas;

www.acasadoconcurseiro.com.br 105
f) Acesso às cooperativas e às empresas em presente artigo, aos restantes membros da
autogestão, sem implicar uma modificação família dos trabalhadores migrantes.
do seu estatuto de migrantes e sem prejuí-
zo das regras e regulamentos das entidades Artigo 45.
interessadas; 1. Os membros das famílias dos trabalhado-
g) Acesso e participação na vida cultural. res migrantes deverão gozar no Estado de
emprego, em pé de igualdade com os nacio-
2. Os Estados Partes envidarão esforços no nais desse Estado, de:
sentido de criar as condições necessárias
para garantir a igualdade efetiva de trata- a) Acesso a instituições e serviços educati-
mento dos trabalhadores migrantes de for- vos, sem prejuízo das condições de admis-
ma a permitir o gozo dos direitos previstos são e outras normas fixadas pelas institui-
no parágrafo 1 deste artigo, sempre que as ções e serviços em causa;
condições fixadas pelo Estado de emprego b) Acesso a instituições e serviços de orien-
relativas à autorização de permanência sa- tação e formação profissional, desde que se
tisfaçam as disposições pertinentes. verifiquem os requisitos de participação;
3. Os Estados de emprego não deverão im- c) Acesso aos serviços sociais e de saúde,
pedir que os empregadores de trabalhado- desde que se encontrem satisfeitas as con-
res migrantes lhes disponibilizem habitação dições previstas para o benefício dos diver-
ou serviços culturais ou sociais. Sem preju- sos programas;
ízo do disposto no artigo 70º da presente
Convenção, um Estado de emprego poderá d) Acesso e participação na vida cultural.
subordinar o estabelecimento dos referidos
2. Os Estados de emprego deverão adotar
serviços às condições geralmente aplicadas
uma política, inclusive em colaboração com
no seu território nesse domínio.
os Estados de origem, quando for apropria-
Artigo 44. do, que vise facilitar a integração dos filhos
dos trabalhadores migrantes no sistema
1. Reconhecendo que a família, elemento local de escolarização, nomeadamente no
natural e fundamental da sociedade, deve que respeita ao ensino da língua local.
receber a proteção da sociedade e do Esta-
do, os Estados Partes adotarão as medidas 3. Os Estados de emprego deverão esforçar-
adequadas a assegurar a proteção da famí- -se por facilitar aos filhos dos trabalhadores
lia dos trabalhadores migrantes. migrantes o ensino da sua língua materna e
o acesso à cultura de origem e os Estados
2. Os Estados Partes adotarão todas as me- de origem deverão colaborar neste sentido,
didas que julguem adequadas e nas respec- sempre que tal se mostre necessário.
tivas esferas de competência para facilitar
a reunificação dos trabalhadores migrantes 4. Os Estados de emprego poderão assegu-
com os cônjuges, ou com as pessoas cuja re- rar sistemas especiais de ensino na língua
lação com o trabalhador migrante produza materna dos filhos dos trabalhadores mi-
efeitos equivalentes ao casamento, segun- grantes, em colaboração com os Estados de
do a legislação aplicável, bem como com os origem, quando for necessário.
filhos menores, dependentes, não casados.
Artigo 46.
3. Os Estados de emprego, por motivos de
Os trabalhadores migrantes e os membros das
natureza humanitária, deverão ponderar a
suas famílias deverão beneficiar, em confor-
possibilidade de conceder tratamento igual,
midade com a legislação aplicável dos Estados
nas condições previstas no parágrafo 2 do
interessados, dos acordos internacionais perti-

106 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

nentes e das obrigações dos referidos Estados b) Beneficiarão de reduções ou isenções de


decorrentes da sua participação em uniões adu- impostos de qualquer natureza, bem como
aneiras, de isenção de direitos e taxas de im- de desagravamento fiscal, incluindo dedu-
portação e exportação quanto aos bens de uso ções por encargos de família.
pessoal ou doméstico, bem como aos bens de
equipamento necessário ao exercício da ativida- 2. Os Estados Partes procurarão adotar me-
de remunerada que justifica a admissão no Es- didas adequadas a fim de evitar a dupla tri-
tado de emprego: butação dos rendimentos e das economias
dos trabalhadores migrantes e dos mem-
a) No momento da partida do Estado de ori- bros das suas famílias.
gem ou do Estado da residência habitual;
Artigo 49.
b) No momento da admissão inicial no Esta-
do de emprego; 1. Quando a legislação nacional exigir au-
torizações de residência e de trabalho dis-
c) No momento da partida definitiva do Es- tintas, o Estado de emprego emitirá, em
tado de emprego; benefício dos trabalhadores migrantes, uma
autorização de residência de duração pelo
d) No momento do regresso definitivo ao menos igual à da autorização de trabalho.
Estado de origem ou ao Estado da residên-
cia habitual. 2. Os trabalhadores migrantes que, no Esta-
do de emprego, forem autorizados a esco-
Artigo 47. lher livremente a sua atividade remunerada
1. Os trabalhadores migrantes terão o direi- não serão considerados em situação irregu-
to de transferir seus ganhos e economias, lar e não poderão perder a sua autorização
em particular as quantias necessárias ao de residência pelo mero fato de ter cessado
sustento das suas famílias, do Estado de a sua atividade remunerada antes do venci-
emprego para o seu Estado de origem ou mento da autorização de trabalho ou outra
outro Estado. A transferência será efetuada autorização.
segundo os procedimentos estabelecidos 3. Para permitir que os trabalhadores mi-
pela legislação aplicável do Estado interes- grantes mencionados no parágrafo 2 do
sado e de harmonia com os acordos inter- presente artigo disponham de tempo su-
nacionais aplicáveis. ficiente para encontrar outra atividade re-
2. Os Estados interessados adotarão as me- munerada, a autorização de residência não
didas adequadas a facilitar tais transferên- deverá ser retirada, pelo menos durante o
cias. período em que os trabalhadores tiverem
direito ao seguro-desemprego.
Artigo 48.
Artigo 50.
1. Em matéria de rendimentos do trabalho
auferidos no Estado de emprego, e sem pre- 1. Em caso de falecimento do trabalhador
juízo dos acordos sobre dupla tributação migrante ou de dissolução do casamento,
aplicáveis, os trabalhadores migrantes e os o Estado de emprego considerará favora-
membros das suas famílias: velmente a possibilidade de conceder aos
membros da família desse trabalhador que
a) Não ficarão sujeitos a impostos, contri- residam nesse Estado, com base no princí-
buições ou encargos de qualquer natureza pio do reagrupamento familiar, autorização
mais elevados ou mais onerosos que os exi- para permanecerem no seu território, de-
gidos aos nacionais que se encontrem em vendo tomar em conta o tempo de residên-
situação idêntica; cia dos mesmos nesse Estado.

www.acasadoconcurseiro.com.br 107
2. Os membros da família a quem não for b) Restringir a livre escolha da atividade
concedida tal autorização deverão dispor, remunerada em conformidade com a sua
antes da sua partida, de um prazo razoável legislação relativa ao reconhecimento das
que lhes permita resolver os seus proble- qualificações profissionais adquiridas fora
mas no Estado de emprego. do seu território. No entanto, os Estados
Partes interessados deverão envidar esfor-
3. Nenhuma das disposições dos parágrafos ços no sentido de assegurar o reconheci-
1 e 2 do presente artigo deve ser interpreta- mento de tais qualificações.
da como prejudicando os direitos à perma-
nência e ao trabalho que, de outro modo, 3. No caso dos trabalhadores migrantes por-
sejam atribuídos aos referidos membros da tadores de uma autorização de trabalho por
família pela legislação do Estado de empre- tempo determinado, o Estado de emprego
go ou pelos tratados bilaterais ou multilate- poderá igualmente:
rais aplicáveis a esse Estado.
a) Subordinar o exercício do direito de livre
Artigo 51. escolha da atividade remunerada à condi-
ção de o trabalhador migrante ter residido
Os trabalhadores migrantes que, no Estado de legalmente no território desse Estado a fim
emprego, não estiverem autorizados a escolher de aí exercer uma atividade remunerada
livremente a sua atividade remunerada não se- durante o período previsto na legislação na-
rão considerados em situação irregular, nem cional, o qual não deve ser superior a dois
poderão perder a sua autorização de residência, anos;
pelo simples fato de a sua atividade remunera-
da ter cessado antes do vencimento da sua au- b) Limitar o acesso do trabalhador migrante
torização de trabalho, salvo nos casos em que a uma atividade remunerada, em aplicação
a autorização de residência dependa expressa- de uma política de concessão de prioridade
mente da atividade remunerada específica para aos seus nacionais ou às pessoas equipa-
o exercício da qual foram admitidos no Estado radas para este efeito em virtude da legis-
de emprego. Estes trabalhadores migrantes lação nacional ou de acordos bilaterais ou
terão o direito de procurar outro emprego, de multilaterais. Tal limitação deixará de ser
participar em programas de interesse público e aplicável a um trabalhador migrante que
de freqüentar cursos de formação durante o pe- tenha residido legalmente no território do
ríodo restante da sua autorização de trabalho, Estado de emprego a fim de aí exercer uma
sem prejuízo das condições e restrições cons- atividade durante o período previsto na le-
tantes desta autorização. gislação nacional, o qual não deve ser supe-
rior a cinco anos.
Artigo 52.
4. Os Estados de emprego determinarão
1. Os trabalhadores migrantes terão, no as condições em que os trabalhadores mi-
Estado de emprego, o direito de escolher grantes, admitidos no seu território para aí
livremente a sua atividade remunerada, su- ocuparem um emprego, poderão ser auto-
bordinado às restrições ou condições espe- rizados a exercer uma atividade por conta
cificadas a seguir. própria. O período durante o qual os traba-
2. Em relação a qualquer trabalhador mi- lhadores tenham permanecido legalmente
grante, o Estado de emprego poderá: no Estado de emprego deverá ser levado
em conta.
a) Restringir o acesso a categorias limitadas
de empregos, funções, serviços ou ativida- Artigo 53.
des, quando o exija o interesse do Estado e 1. Os membros da família de um trabalha-
esteja previsto na legislação nacional; dor migrante que beneficiem de uma auto-

108 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

rização de residência ou de admissão por Artigo 55.


tempo ilimitado ou automaticamente re-
novável serão autorizados a escolher livre- Os trabalhadores migrantes a quem tenha sido
mente uma atividade remunerada nas con- concedida autorização para exercer uma ativi-
dições aplicáveis ao referido trabalhador dade remunerada, sujeita às condições previs-
migrante, nos termos do disposto no artigo tas nessa autorização, deverão beneficiar de
52º da presente Convenção. igualdade de tratamento com os nacionais do
Estado de emprego no exercício daquela ativi-
2. No caso dos membros da família de um dade remunerada.
trabalhador migrante que não sejam auto-
rizados a escolher livremente uma ativida- Artigo 56.
de remunerada, os Estados Partes deverão 1. Os trabalhadores migrantes e os mem-
ponderar a possibilidade de lhes conceder bros das suas famílias a que se refere esta
autorização para exercer uma atividade re- parte da presente Convenção não poderão
munerada, com prioridade em relação aos ser expulsos de um Estado de emprego, sal-
outros trabalhadores que solicitem a ad- vo por motivos definidos na legislação na-
missão no Estado de emprego, sem prejuízo cional desse Estado, e sem prejuízo das ga-
dos acordos bilaterais e multilaterais aplicá- rantias previstas na parte III.
veis.
2. A expulsão não será acionada com o ob-
Artigo 54. jetivo de privar os trabalhadores migrantes
1. Sem prejuízo das condições estabeleci- ou os membros da sua família dos direitos
das na sua autorização de residência ou de decorrentes da autorização de residência e
trabalho e dos direitos previstos nos artigos da autorização de trabalho.
25º e 27º da presente Convenção, os traba- 3. Na consideração da expulsão de um tra-
lhadores migrantes deverão beneficiar de balhador migrante ou de um membro da
igualdade de tratamento em relação aos na- sua família, deverão se tomar em conta
cionais do Estado de emprego, no que res- considerações de natureza humanitária e o
peita a: tempo em que a pessoa interessada já resi-
a) Proteção contra a demissão; diu no Estado de emprego.

b) Seguro-desemprego; PARTE V
c) Acesso a programas de interesse público DISPOSIÇÕES APLICÁVEIS A
destinados a combater o desemprego;
CATEGORIAS ESPECIAIS DE
d) Acesso a emprego alternativo no caso de TRABALHADORES MIGRANTES E
perda do emprego ou de cessação de outra MEMBROS DAS SUAS FAMÍLIAS
atividade remunerada, sem prejuízo do dis-
posto no artigo 52º da presente Convenção. Artigo 57.
2. No caso de um trabalhador migrante ale- As categorias especiais de trabalhadores mi-
gar a violação das condições do seu contra- grantes indicadas nesta parte da presente Con-
to de trabalho pelo seu empregador, este venção e os membros das suas famílias que se
terá o direito de apresentar o seu caso às encontrem documentados ou em situação re-
autoridades competentes do Estado de em- gular deverão gozar dos direitos enunciados na
prego, nos termos do disposto no parágrafo parte III e, sem prejuízo das modificações a se-
1 do artigo 18 da presente Convenção. guir indicadas, dos direitos enunciados na parte
IV.

www.acasadoconcurseiro.com.br 109
Artigo 58. Artigo 60.
1. Os trabalhadores fronteiriços, conforme Os trabalhadores itinerantes, conforme defini-
definidos na alínea a) do parágrafo 2 do dos na alínea e) do parágrafo 2 do artigo 2º da
artigo 2º da presente Convenção, deverão presente Convenção, deverão beneficiar dos di-
beneficiar dos direitos previstos na parte IV reitos previstos na parte IV que possam ser-lhes
que lhes sejam aplicáveis em virtude da sua concedidos em virtude da sua presença e do seu
presença e do seu trabalho no território do trabalho no território do Estado de emprego e
Estado de emprego, levando em conta que que se mostrarem compatíveis com o sua condi-
esses trabalhadores não mantêm a sua resi- ção de trabalhadores itinerantes nesse Estado.
dência habitual nesse Estado.
Artigo 61.
2. Os Estados de emprego considerarão fa-
voravelmente a possibilidade de atribuir 1. Os trabalhadores vinculados a um proje-
aos trabalhadores fronteiriços o direito de to, conforme definidos na alínea f) do pará-
escolher livremente uma atividade remu- grafo 2 do artigo 2º da presente Convenção,
nerada após o decurso de um determinado e os membros das suas famílias deverão
período de tempo. A concessão deste direi- beneficiar dos direitos previstos na parte
to não afetará a sua condição de trabalha- IV, salvo as disposições das alíneas b) e c)
dores fronteiriços. do parágrafo 1 do artigo 43º, da alínea d)
do parágrafo 1 do artigo 43º, n 1, alínea d),
Artigo 59. no que respeita os programas de habitação
social, da alínea b) do parágrafo 1 do artigo
1. Os trabalhadores sazonais, conforme 45º e dos artigos 52º a 55º.
definidos na alínea b) do parágrafo 2 do
artigo 2 da presente Convenção, deverão 2. Caso um trabalhador vinculado a um pro-
beneficiar dos direitos previstos na parte jeto alegar a violação dos termos do seu
IV que lhes sejam aplicáveis em virtude da contrato de trabalho pelo seu empregador,
sua presença e do seu trabalho no território este terá o direito de submeter o seu caso
do Estado de emprego e que se mostrarem às autoridades competentes do Estado a
compatíveis com o seu estatuto de traba- cuja jurisdição está sujeito esse emprega-
lhadores sazonais, levando em conta que dor, nos termos previstos no parágrafo 1 do
esses trabalhadores somente estão presen- artigo 18º da presente Convenção.
tes nesse Estado durante uma parte do ano.
3. Sem prejuízo dos acordos bilaterais ou
2. O Estado de emprego deverá ponderar, multilaterais aplicáveis, os Estados Partes
sem prejuízo do disposto no parágrafo 1 do interessados envidarão esforços no sentido
presente artigo, apossibilidade de conceder, de garantir que os trabalhadores vinculados
aos trabalhadores migrantes que tenham a projetos estejam devidamente protegidos
estado empregados no território do referi- pelos regimes de seguro social dos Estados
do Estado durante um período significativo, de origem ou de residência durante todo
a oportunidade de realizarem outras ativi- o tempo de participação no projeto. Nes-
dades remuneradas e de dar-lhes priorida- te sentido, os Estados Partes interessados
de em relação a outros trabalhadores que adotarão as medidas necessárias para evi-
pretendam ser admitidos nesse Estado, sem tar a denegação de direitos ou a duplicação
prejuízo dos acordos bilaterais e multilate- de contribuições.
rais aplicáveis.
4. Sem prejuízo do disposto no artigo 47º
da presente Convenção e dos acordos bila-
terais ou multilaterais pertinentes, os Esta-
dos Partes interessados deverão autorizar o

110 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

pagamento das remunerações dos trabalha- PARTE VI


dores vinculados a um projeto no seu Esta-
do de origem ou de residência habitual. PROMOÇÃO DE CONDIÇÕES
Artigo 62. SAUDÁVEIS, EQÜITATIVAS,
DIGNAS E JUSTAS EM MATÉRIA DE
1. Os trabalhadores com um emprego es-
pecífico, conforme definidos na alínea g) do MIGRAÇÃO INTERNACIONAL DE
parágrafo 2 do artigo 2º da presente Con- TRABALHADORES MIGRANTES E DE
venção, deverão beneficiar de todos os di- MEMBROS DAS SUAS FAMÍLIAS
reitos previstos na parte IV, salvo o disposto
nas alíneas b) e c) do parágrafo 1 do artigo Artigo 64.
43º, na alínea d), parágrafo 1 do artigo 43º,
1. Sem prejuízo do disposto no artigo 79º
no que respeita os programas de habitação
da presente Convenção, os Estados Partes
social, no artigo 52º e na alínea d) do pará-
interessados deverão celebrar consultas e
grafo 1 do artigo 54º.
cooperar, quando for necessário, a fim de
2. Os membros das famílias dos trabalha- promover condições saudáveis, eqüitativas
dores com um emprego específico deverão e dignas no que se refere às migrações in-
beneficiar dos direitos relativos aos mem- ternacionais dos trabalhadores e dos mem-
bros das famílias dos trabalhadores migran- bros das suas famílias.
tes enunciados na parte IV da presente Con-
2. A este respeito, deverão ser tomadas de-
venção, com exceção do disposto no artigo
vidamente em conta não somente as ne-
53º.
cessidades e os recursos referente à mão-
Artigo 63. -de-obra, como também as necessidades
de natureza social, econômica, cultural e
1. Os trabalhadores autônomos, conforme outra dos trabalhadores migrantes e dos
definidos na alínea h) do parágrafo 2 do membros das suas famílias, assim como as
artigo 2º da presente Convenção, deverão conseqüências das migrações para as comu-
beneficiar de todos os direitos previstos na nidades envolvidas.
parte IV, salvo os direitos exclusivamente
aplicáveis aos trabalhadores assalariados. Artigo 65.

2. Sem prejuízo dos artigos 52º e 79º da 1. Os Estados Partes deverão manter servi-
presente Convenção, a cessação da ativida- ços apropriados para tratar as questões re-
de econômica dos trabalhadores autôno- lativas à migração internacional dos traba-
mos não implicará, por si só, a revogação da lhadores e dos membros das suas famílias.
autorização que lhes seja concedida, bem Compete-lhes, nomeadamente:
como aos membros das suas famílias, para
a) Formular e executar políticas relativas a
poderem permanecer e exercer uma ativi-
essas migrações;
dade remunerada no Estado de emprego,
salvo se a autorização de residência depen- b) Assegurar o intercâmbio de informações,
der expressamente da atividade remune- proceder a consultas e cooperar com as au-
rada específica para o exercício da qual te- toridades competentes dos outros Estados
nham sido admitidos. envolvidos nessas migrações;
c) Fornecer informações adequadas, espe-
cialmente aos empregadores, aos trabalha-
dores e às respectivas organizações, sobre
as políticas, legislação e regulamentação

www.acasadoconcurseiro.com.br 111
referentes à migração e ao emprego, sobre gãos, empregadores em potencial ou seus
os acordos relativos à migração celebrados representantes.
com outros Estados e outras questões per-
tinentes; Artigo 67.

d) Fornecer informações e prestar assistên- 1. Os Estados Partes interessados deverão


cia adequada aos trabalhadores migrantes cooperar, quando for necessário, com o ob-
e aos membros das suas famílias, no que jetivo de adotar medidas relativas ao retor-
se refere às autorizações, formalidades e no ordenado ao Estado de origem dos tra-
providências necessárias relativas à parti- balhadores migrantes e dos membros das
da, viagem, chegada, estada, atividades re- suas famílias, nos casos em que estes deci-
muneradas, saída e retorno, bem como às dam retornar, expire a sua autorização de
condições de trabalho e de vida no Estado residência ou de trabalho ou se encontrem
de emprego e, ainda, as disposições legais e em situação irregular no Estado de empre-
regulamentares vigentes em matéria adua- go.
neira, cambial, fiscal e outras. 2. Relativamente aos trabalhadores migran-
2. Os Estados Partes deverão facilitar, na tes e aos membros das suas famílias em
medida que for necessário, o acesso a ser- situação regular, os Estados Partes interes-
viços consulares adequados e outros servi- sados deverão cooperar, quando for neces-
ços que sejam necessários para satisfazer sário, conforme os termos por estes acorda-
as necessidades de natureza social, cultural dos, no sentido de promover as condições
e outra dos trabalhadores migrantes e dos econômicas adequadas à sua reinstalação e
membros das suas famílias. a facilitar a sua reintegração social e cultural
duradoura no Estado de origem.
Artigo 66.
Artigo 68.
1. Sem prejuízo do disposto no parágrafo 2
do presente artigo, somente serão autoriza- 1. Os Estados Partes, incluindo os Estados
dos a efetuar operações de recrutamento de trânsito, deverão cooperar a fim de pre-
de trabalhadores para ocuparem um em- venir e eliminar os movimentos e o traba-
prego em outro Estado: lho ilegais ou clandestinos de trabalhadores
migrantes em situação irregular. As medidas
a) Os serviços ou organismos oficiais do Es- adotadas pelos Estados interessados dentro
tado em que essas operações forem realiza- da sua jurisdição deverão incluir:
das;
a) Medidas apropriadas contra a divulgação
b) Os serviços ou organismos oficiais do Es- de informações que possam induzir a erro
tado de emprego, com base em acordo en- no que se refere à emigração e à imigração;
tre os Estados interessados;
b) Medidas destinadas a detectar e a elimi-
c) Os organismos instituídos no âmbito de nar os movimentos ilegais ou clandestinos
um acordo bilateral ou multilateral. de trabalhadores migrantes e de membros
das suas famílias e a impor sanções eficazes
2. Sob reserva da autorização, aprovação às pessoas, grupos ou entidades que organi-
e fiscalização por parte dos órgãos oficiais zem, realizem ou participem na organização
dos Estados Partes, estabelecidos em con- ou execução de tais movimentos;
formidade com a legislação e a prática dos
referidos Estados, poderão igualmente ser c) Medidas destinadas a impor sanções efi-
autorizados a efetuar essas operações ór- cazes às pessoas, grupos ou entidades que
recorram à violência, à ameaça ou à intimi-

112 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

dação contra os trabalhadores migrantes ou dores migrantes ou dos membros das suas
os membros das suas famílias que se encon- famílias.
trem em situação irregular.
2. No que diz respeito à indenização pelo
2. Os Estados de emprego deverão ado- falecimento de um trabalhador migrante ou
tar todas as medidas adequadas e eficazes de um membro da sua família, os Estados
para eliminar o emprego, no seu território, Partes deverão, sempre que for convenien-
de trabalhadores migrantes em situação ir- te, atender às pessoas em questão com vis-
regular, impondo nomeadamente, se for o tas a assegurar a pronta resolução das ques-
caso, sanções aos seus empregadores. Essas tões relacionadas. A resolução das referidas
medidas não prejudicarão os direitos dos questões se efetuará com base na legislação
trabalhadores migrantes com relação aos nacional aplicável, de acordo com as dis-
seus empregadores, no que se refere a sua posições da presente Convenção e com os
situação empregatícia. acordos bilaterais ou multilaterais relevan-
tes pertinentes.
Artigo 69.
1. Os Estados Partes, em cujo território PARTE VII
se encontrem trabalhadores migrantes e
membros das suas famílias em situação irre- APLICAÇÃO DA CONVENÇÃO
gular, deverão tomar as medidas adequadas
Artigo 72.
para evitar que essa situação se prolongue.
1. a) Para efeitos da análise da aplicação da
2. Sempre que os Estados Partes interes-
presente Convenção, será instituído um Co-
sados considerem a possibilidade de re-
mitê para a Proteção dos Direitos de Todos
gularizar a situação dessas pessoas, em
os Trabalhadores Migrantes e dos Membros
conformidade com a legislação nacional e
das suas Famílias (doravante "o Comitê");
os acordos bilaterais ou multilaterais apli-
cáveis, deverão ter devidamente em conta b) O Comitê será composto de dez peritos,
as circunstâncias da sua entrada, a duração quando da entrada em vigor da presente
da sua estada no Estado de emprego, bem Convenção, e de quatorze peritos, após a
como outras considerações relevantes, em vigência da Convenção para o quadragési-
particular as que se relacionem com a sua mo primeiro Estado Parte, os quais deverão
situação familiar. possuir alta autoridade moral, imparciali-
dade e reconhecida competência na área
Artigo 70.
abrangida pela presente Convenção.
Os Estados Partes deverão adotar medidas não
2. a) Os membros do Comitê serão eleitos
menos favoráveis do que as aplicadas aos seus
por voto secreto pelos Estados Partes, a
nacionais para garantir que as condições de vida
partir de uma lista de candidatos nomeados
e de trabalho dos trabalhadores migrantes e dos
pelos Estados Partes, tomando em devida
membros das suas famílias em situação regular
consideração a necessidade de se assegurar
estejam de acordo com as normas de saúde, de
uma repartição geográfica eqüitativa, tan-
segurança e de higiene e aos princípios ineren-
to para os Estados de origem como para os
tes à dignidade humana.
Estados de emprego, e uma representação
Artigo 71. dos principais sistemas jurídicos. Cada Esta-
do Parte poderá nomear um perito dentre
1. Os Estados Partes deverão facilitar, quan- os seus nacionais;
do necessário, a repatriação para o Estado
de origem dos restos mortais dos trabalha- b) Os membros do Comitê serão eleitos e
exercerão as suas funções a título pessoal.

www.acasadoconcurseiro.com.br 113
3. A primeira eleição terá lugar nos seis c) Os membros do Comitê poderão ser re-
meses após a data em que a presente Con- eleitos nos casos em que forem nomeados
venção entrar em vigor, sendo que as elei- novamente.
ções subseqüentes se realizarão a cada dois
anos. Pelo menos quatro meses anterior- 6. Em caso do falecimento ou da demis-
mente à data de cada eleição, o Secretário- são de um membro do Comitê ou caso,
-Geral da Organização das Nações Unidas por qualquer outro motivo, um membro
convidará, por escrito, os Estados Partes a declarar que não pode continuar a exercer
proporem os seus candidatos num prazo de as funções do Comitê, o Estado Parte que
dois meses. O Secretário-Geral elaborará nomeou o referido membro designará um
uma lista alfabética dos candidatos assim outro perito dentre os seus nacionais para
apresentados, indicando os Estados Partes preencher a vaga até o término do manda-
que os nomearam e apresentando a refe- to. A designação estará sujeito à aprovação
rida lista, acompanhada do curriculum vi- do Comitê.
tae de cada candidato, aos Estados Partes 7. O Secretário-Geral da Organização das
na presente Convenção, no mais tardar um Nações Unidas colocará à disposição do Co-
mês anteriormente à data de cada eleição. mitê o pessoal e as instalações necessárias
4. As eleições dos membros do Comitê se para o desempenho das suas funções.
realizarão quando da celebração das reu- 8. Os membros do Comitê receberão emo-
niões dos Estados Partes convocadas pelo lumentos provenientes dos recursos finan-
Secretário-Geral na Organização das Nações ceiros da Organização das Nações Unidas,
Unidas. Nestas reuniões, em que o quorum segundo as condições e modalidades fixa-
é constituído por dois terços dos Estados das pela Assembléia Geral.
Partes, serão eleitos para o Comitê os can-
didatos que obtiverem o maior número de 9. Os membros do Comitê gozarão das fa-
votos e a maioria absoluta dos votos dos re- cilidades, privilégios e imunidades de que
presentantes dos Estados Partes presentes beneficiam os peritos em missão junto à Or-
e votantes. ganização das Nações Unidas, previstos nas
seções pertinentes da Convenção sobre Pri-
5. a) Os membros do Comitê serão eleitos vilégios e Imunidades das Nações Unidas.
por um período de quatro anos. O mandato
de cinco dos membros eleitos na primeira Artigo 73.
eleição expirará ao término de dois anos.
1. Os Estados Partes se comprometerão a
O presidente da reunião sorteará, imedia-
apresentar ao Comitê, através do Secretá-
tamente após a primeira eleição, os nomes
rio-Geral da Organização das Nações Uni-
dos cinco membros.
das, relatórios sobre as medidas legislativas,
b) A eleição dos quatro membros suple- judiciais, administrativas e de outra nature-
mentares do Comitê se realizará de acordo za que hajam adotado para dar aplicação às
com o disposto nos parágrafos 2, 3 e 4 do disposições da presente Convenção:
presente artigo, após a entrada em vigor da
a) Num prazo de um ano após a data da en-
Convenção para o quadragésimo primeiro
trada em vigor da presente Convenção para
Estado Parte. O mandato de dois dos mem-
o Estado Parte em questão;
bros suplementares eleitos nesta ocasião
expirará ao término de dois anos. O presi- b) Subseqüentemente, a cada cinco anos e
dente da reunião dos Estados Partes sortea- sempre que o Comitê o solicitar.
rá os nomes dos dois membros.
2. Os relatórios apresentados em aplicação
do presente artigo deverão também indi-

114 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

car os fatores e as dificuldades, se houver, tes relatórios que se inscrevam no âmbito


que afetem a aplicação efetiva das disposi- dos respectivos mandatos.
ções da presente Convenção e conter infor-
mações sobre as características dos movi- 4. O Comitê poderá convidar as agências
mentos migratórios relativos ao Estado em especializadas e outros órgãos das Nações
questão. Unidas, bem como organizações inter-go-
vernamentais e outros organismos interes-
3. O Comitê estabelecerá as diretrizes apli- sados, a submeter, por escrito, para apre-
cáveis ao conteúdo dos relatórios. ciação pelo Comitê, informações sobre a
aplicação da presente Convenção nas áreas
4. Os Estados Partes assegurarão a ampla relativas a suas áreas de atividade.
divulgação dos seus relatórios nos seus pró-
prios países. 5. O Secretariado Internacional do Trabalho
será convidado pelo Comitê a designar os
Artigo 74. seus representantes para participarem, na
1. O Comitê examinará os relatórios apre- qualidade de consultores, nas reuniões do
sentados por cada Estado Parte e transmi- Comitê.
tirá ao Estado Parte em questão os comen- 6. O Comitê poderá convidar outras agên-
tários que julgar apropriados. Esse Estado cias especializadas e órgãos da Organização
Parte poderá submeter ao Comitê observa- das Nações Unidas, bem como organizações
ções sobre qualquer comentário feito pelo inter-governamentais, a fazerem-se repre-
Comitê ao abrigo do disposto no presente sentar nas suas reuniões quando for apre-
artigo. O Comitê poderá solicitar aos Esta- ciada a aplicação de disposições da pre-
dos Partes informações complementares. sente Convenção que se inscrevam no seu
2. Antes da abertura de cada sessão ordi- mandato.
nária do Comitê, o Secretário-Geral da Or- 7. O Comitê submeterá um relatório anual à
ganização das Nações Unidas transmitirá, Assembléia Geral das Nações Unidas sobre
oportunamente, ao Diretor-Geral do Se- a aplicação da presente Convenção, conten-
cretariado Internacional do Trabalho cópia do as suas observações e recomendações,
dos relatórios apresentados pelos Estados fundadas, nomeadamente, na apreciação
Partes interessados e informações úteis à dos relatórios e nas observações apresenta-
apreciação desses relatórios, de modo a das pelos Estados.
possibilitar ao Secretariado auxiliar o Co-
mitê disponibilizando conhecimentos espe- 8. O Secretário-Geral da Organização das
cializados que o Secretariado possa possuir Nações Unidas transmitirá os relatórios
com relação às matérias abordadas na pre- anuais do Comitê aos Estados Partes na pre-
sente Convenção que se inscrevam no man- sente Convenção, ao Conselho Econômico e
dato da Organização Internacional do Tra- Social, à Comissão dos Direitos do Homem
balho. O Comitê deverá ter em conta, nas da Organização das Nações Unidas, ao Dire-
suas deliberações, todos os comentários e tor-Geral do Secretariado Internacional do
documentos que o Secretariado lhe possa Trabalho e a outras organizações relevantes
facultar. pertinentes.
3. O Secretário-Geral da Organização das Artigo 75.
Nações Unidas poderá, de igual modo, ou-
vido o Comitê, transmitir a outras agências 1. O Comitê adotará o seu Regulamento in-
especializadas, bem como a organizações terno.
inter-governamentais, cópia de partes des-

www.acasadoconcurseiro.com.br 115
2. O Comitê elegerá o seu secretariado por b) Se, no prazo de seis meses a contar da
um período de dois anos. data do recebimento pelo Estado destinatá-
rio da comunicação inicial, a questão não ti-
3. O Comitê se reunirá em regra anualmen- ver sido resolvida de forma satisfatória para
te. ambos os Estados Partes interessados, qual-
4. As reuniões do Comitê habitualmente quer um dos referidos Estados terá o direito
terão lugar na sede da Organização das Na- de submeter a questão à apreciação do Co-
ções Unidas. mitê, mediante notificação feita ao Comitê
e ao outro Estado interessado;
Artigo 76.
c) O Comitê somente examinará a questão
1. Qualquer Estado Parte na presente Con- após verificar que todos as vias de recurso
venção poderá, em virtude do presente ar- internas disponíveis foram esgotadas, em
tigo, declarar, em qualquer momento, que conformidade com os princípios geralmente
reconhece a competência do Comitê para reconhecidos do Direito internacional. Esta
receber e apreciar comunicações de um Es- regra não se aplicará quando o Comitê jul-
tado Parte, invocando o não cumprimento gar que os procedimentos de recurso ultra-
por outro Estado das obrigações decorren- passam os prazos razoáveis;
tes da presente Convenção. As comunica-
ções apresentadas ao abrigo do disposto d) Sob reserva das disposições da alínea c)
neste artigo somente poderão ser recebidas do presente parágrafo, o Comitê se colocará
e apreciadas se forem provenientes de um à disposição dos Estados Partes interessa-
Estado que tenha feito uma declaração, re- dos, a fim de obter a solução amigável do
conhecendo a competência do Comitê, no litígio, fundada no respeito das obrigações
que lhe diz respeito. O Comitê não receberá enunciadas na presente Convenção;
as comunicações apresentadas por um Es- e) O Comitê se reunirá à porta fechada para
tado que não tenha feito tal declaração. Às examinar as comunicações recebidas nos
comunicações recebidas nos termos do pre- termos do presente artigo;
sente artigo será aplicável o seguinte proce-
dimento: f) O Comitê poderá solicitar aos Estados
interessados, referidos na alínea b) do pre-
a) Se um Estado Parte na presente Conven- sente parágrafo, as informações que julgar
ção considerar que outro Estado Parte não pertinentes com relação a qualquer ques-
está cumprindo as obrigações impostas tão submetida nos termos da alínea b) do
pela presente Convenção, esse Estado po- parágrafo;
derá, por comunicação escrita, chamar a
atenção desse Estado para o referido des- g) Os Estados Partes interessados, referidos
cumprimento. O Estado Parte poderá, tam- na alínea b) do presente parágrafo, terão o
bém, levar esta questão ao conhecimento direito a ser representados quando da apre-
do Comitê. Num prazo de três meses a con- ciação da questão pelo Comitê e de apre-
tar da recepção da comunicação, o Estado sentar declarações orais e / ou escritas;
destinatário dirigirá, por escrito, ao Estado
que, fez a comunicação uma explicação ou h) O Comitê apresentará um relatório, no
outras declarações destinadas a esclarecer prazo de doze meses a contar do recebi-
o assunto, que deverão incluir, na medida mento da notificação prevista na alínea b)
possível e pertinente, indicação sobre as do presente número, nos seguintes termos:
regras processuais e os meios de recurso, (i) Se uma solução for alcançada nos termos
pendentes ou disponíveis, já utilizados; da alínea d) do presente número, o Comi-

116 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

tê limitará o seu relatório a uma exposição comunicação relativa a um Estado Parte que
breve dos fatos e da solução alcançada; não tiver apresentado a referida declaração.
(ii) Se uma solução não for alcançada nos 2. O Comitê declarará inadmissível uma co-
termos da alínea d) do presente número, o municação apresentada nos termos do pre-
Comitê deverá expor, no seu relatório, os fa- sente artigo que seja anônima ou julgada
tos relevantes relativos ao objeto da disputa abusiva ou incompatível com as disposições
entre os Estados Partes interessados. O tex- da presente Convenção.
to das declarações escritas e o auto das de-
clarações orais apresentadas pelos Estados 3. O Comitê não examinará nenhuma comu-
Partes interessados serão anexados ao rela- nicação submetida por uma pessoa, nos ter-
tório. O Comitê poderá também comunicar mos do presente artigo, até verificar se:
apenas aos Estados Partes interessados as a) A mesma questão já não foi ou não tenha
opiniões que julgar pertinentes. O relatório sido submetida a outra instância internacio-
será comunicado aos Estados Partes inte- nal de inquérito ou de decisão;
ressados.
b) O interessado já esgotou os recursos in-
2. As disposições do presente artigo entra- ternos disponíveis; essa regra não se aplica-
rão em vigor quando dez Estados Partes na rá quando, na opinião do Comitê, os proce-
presente Convenção tiverem feito a decla- dimentos de recurso ultrapassam os prazos
ração prevista no parágrafo 1 deste artigo. razoáveis ou se é pouco provável que as vias
A declaração será depositada pelo Estado de recurso satisfaçam efetivamente o inte-
Parte junto ao Secretário-Geral da Organi- ressado.
zação das Nações Unidas, que transmitirá
uma cópia aos outros Estados Partes. A de- 4. Sob reserva das disposições do nº 2 do
claração poderá ser retirada em qualquer presente artigo, o Comitê dará conheci-
momento mediante notificação feita ao mento das comunicações apresentadas, nos
Secretário-Geral. A retirada não prejudicará termos deste artigo, ao Estado Parte na pre-
a apreciação de qualquer questão que já te- sente Convenção que tiver feito uma decla-
nha sido transmitida nos termos do presen- ração nos termos do parágrafo 1 e estiver,
te artigo; nenhuma outra comunicação de segundo alegado, violando uma disposição
um Estado Parte será recebida ao abrigo do da Convenção. No prazo de seis meses, o
presente artigo após o recebimento, pelo Estado recebedor submeterá explicações ou
Secretário-Geral, da notificação da retirada declarações, por escrito, ao Comitê esclare-
da declaração, a menos que o Estado Parte cendo o assunto e indicando as medidas, se
interessado tenha formulado uma nova de- houver, que tenha adotado.
claração.
5. O Comitê examinará as comunicações
Artigo 77. recebidas nos termos do presente artigo,
tendo em conta todas as informações for-
Qualquer Estado Parte na presente Convenção necidas pelo interessado ou em seu nome e
poderá, a qualquer momento, declarar, nos ter- pelo Estado em causa.
mos do presente artigo, que reconhece a com-
petência do Comitê para receber e examinar co- 6. O Comitê se reunirá à porta fechada para
municações apresentadas por pessoas sujeitas à examinar as comunicações recebidas nos
sua jurisdição ou em seu nome, alegando a vio- termos do presente artigo.
lação por esse Estado Parte dos seus direitos in-
7. O Comitê transmitirá as suas conclusões
dividuais, conforme estabelecidos pela presente
ao Estado Parte em causa e ao interessado.
Convenção. O Comitê não receberá nenhuma

www.acasadoconcurseiro.com.br 117
8. As disposições do presente artigo entra- lias, os Estados Partes estarão sujeitos às limita-
rão em vigor quando dez Estados Partes na ções impostas pela presente Convenção.
presente Convenção tiverem feito a decla-
ração prevista no parágrafo 1 do presente Artigo 80.
artigo. Tal declaração será depositada pelo Nenhuma disposição da presente Convenção
Estado Parte junto ao Secretário-Geral da deve ser interpretada como afetando as dispo-
Organização das Nações Unidas, que trans- sições da Carta das Nações Unidas e dos atos
mitirá cópia aos outros Estados Partes. A constitutivos das agências especializadas que
declaração poderá ser retirada em qual- definem as responsabilidades respectivas dos
quer momento por notificação dirigida ao diversos órgãos da Organização das Nações Uni-
Secretário-Geral. A retirada não prejudica- das e das agências especializadas no que respei-
rá a apreciação de uma questão objeto de ta às questões abordadas na presente Conven-
uma comunicação já apresentada, nos ter- ção.
mos do presente artigo. Nenhuma comuni-
cação apresentada por um indivíduo, ou em Artigo 81.
seu nome, nos termos do presente artigo, 1. Nenhuma disposição da presente Con-
será recebida depois do recebimento, pelo venção afetará as disposições mais favorá-
Secretário-Geral, da notificação da retirada veis à realização dos direitos ou ao exercício
da declaração, a menos que o Estado Parte das liberdades dos trabalhadores migrantes
tenha formulado uma nova declaração. e dos membros das suas famílias em decor-
Artigo 78. rência:

As disposições do artigo 76º da presente Con- a) Da legislação ou da prática de um Estado


venção aplicar-se-ão sem prejuízo de qualquer Parte; ou
processo de resolução de controvérsias ou de b) De qualquer tratado bilateral ou multila-
denúncias relativas às áreas abrangidas pela teral em vigor para esse Estado.
presente Convenção, conforme previsto nos
instrumentos constitutivos e convenções da Or- 2. Nenhuma disposição da presente Con-
ganização das Nações Unidas e das agências es- venção deve ser interpretada como impli-
pecializadas, e não impedirão os Estados Partes cando para um Estado, grupo ou pessoa, o
de recorrerem a qualquer outro processo de re- direito a dedicar-se a uma atividade ou a
solução de controvérsias em conformidade com realizar um ato que afete os direitos ou as
os acordos internacionais vigentes que tenham liberdades enunciados na presente Conven-
sido celebrados entre esses Estados. ção.

PARTE VIII Artigo 82.


Os direitos dos trabalhadores migrantes e dos
DISPOSIÇÕES GERAIS membros das suas famílias previstos na presen-
Artigo 79. te Convenção não poderão ser objeto de renún-
cia. Não será permitido exercer qualquer forma
Nenhuma disposição da presente Convenção de pressão sobre os trabalhadores migrantes
afetará o direito de cada Estado Parte de esta- e os membros das suas famílias para que re-
belecer os critérios de admissão de trabalhado- nunciem a estes direitos ou se abstenham de
res migrantes e de membros das suas famílias. os exercer. Não será possível a derrogação por
contrato dos direitos reconhecidos na presente
No que se refere às outras questões relativas ao Convenção. Os Estados Partes tomarão as me-
estatuto jurídico e ao tratamento dos trabalha- didas adequadas para garantir que estes princí-
dores migrantes e dos membros das suas famí- pios sejam respeitados.

118 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

Artigo 83. Artigo 87.


Cada Estado Parte na presente Convenção com- 1. A presente Convenção entrará em vigor
promete-se: no primeiro dia do mês seguinte ao término
de um período de três meses após a data do
a) A garantir que todas as pessoas cujos depósito do vigésimo instrumento de ratifi-
direitos e liberdades reconhecidos na pre- cação ou de adesão.
sente Convenção tenham sido violados dis-
ponham de um recurso efetivo, ainda que a 2. Para cada um dos Estados que ratificarem
violação tenha sido cometida por pessoas a presente Convenção ou a ela aderirem
no exercício de funções oficiais; após a sua entrada em vigor, a Convenção
entrará em vigor no primeiro dia do mês se-
b) A garantir que, ao exercer tal recurso, guinte a um período de três meses após a
os interessados possam ver a sua queixa data do depósito, por parte desse Estado,
apreciada e decidida por uma autoridade do seu instrumento de ratificação ou de
judiciária, administrativa ou legislativa com- adesão.
petente, ou por qualquer outra autoridade
competente prevista no sistema jurídico do Artigo 88.
Estado, e a desenvolverem as possibilidades
de recurso judicial; Um Estado que ratificar a presente Convenção
ou a ela aderir não poderá excluir a aplicação de
c) A garantir que as autoridades competen- qualquer uma das suas partes ou, sem prejuízo
tes dêem seguimento ao recurso quando do artigo 3º, excluir da sua aplicação uma cate-
este for considerado fundado. goria qualquer de trabalhadores migrantes.
Artigo 84. Artigo 89.
Cada Estado Parte deverá se comprometer a 1. Qualquer Estado Parte poderá denunciar
adotar todas as medidas legislativas e outras a presente Convenção, após o decurso de
que se afigurem necessárias à aplicação das dis- um período de cinco anos, a contar da data
posições da presente Convenção. da entrada em vigor da Convenção para
esse Estado, por via de notificação escrita
PARTE IX dirigida ao Secretário-Geral da Organização
das Nações Unidas.
DISPOSIÇÕES FINAIS
2. A denúncia produzirá efeito no primeiro
Artigo 85. dia do mês seguinte ao término de um pe-
ríodo de doze meses após a data de recebi-
O Secretário-Geral das Nações Unidas é desig- mento da notificação pelo Secretário-Geral.
nado como depositário da presente Convenção.
3. A denúncia não desvinculará o Estado
Artigo 86. Parte das obrigações que para si decorrem
1. Qualquer Estado poderá assinar a presen- da presente Convenção relativamente a
te Convenção. Estará sujeita a ratificação. qualquer ato ou omissão praticado ante-
riormente à data em que a denúncia produz
2. Qualquer Estado poderá aderir à presen- efeito, nem impedirá, de modo algum, que
te Convenção. uma questão submetida ao Comitê ante-
riormente à data em que a denúncia produz
3. Os instrumentos de ratificação ou de ade-
efeito seja apreciada.
são serão depositados junto do Secretário-
-Geral das Nações Unidas. 4. Após a data em que a denúncia produzir
efeito para um Estado Parte, o Comitê não

www.acasadoconcurseiro.com.br 119
apreciará mais nenhuma questão nova res- 2. Não será autorizada nenhuma reserva
peitante a esse Estado. incompatível com o objeto e com o fim da
presente Convenção.
Artigo 90.
3. As reservas poderão ser retiradas em
1. Depois de transcorrido o prazo de cinco qualquer momento por via de notificação
anos, a contar da data da entrada em vigor dirigida ao Secretário-Geral da Organização
da presente Convenção, qualquer Estado das Nações Unidas, o qual informará todos
poderá, em qualquer momento, propor a os Estados. A notificação produzirá efeito na
revisão da Convenção por via de notificação data do seu recebimento pelo Secretário-
dirigida ao Secretário-Geral da Organiza- -Geral.
ção das Nações Unidas. O Secretário-Geral
transmitirá, em seguida, a proposta de revi- Artigo 92.
são aos Estados Partes, solicitando que lhe
seja comunicado se são favoráveis à convo- 1. Em caso de uma controvérsia envolvendo
cação de uma conferência de Estados Par- dois ou mais Estados relativamente à inter-
tes para apreciação e votação da proposta. pretação ou aplicação da presente Conven-
Se, nos quatro meses subseqüentes a essa ção, que não for resolvida por negociação,
comunicação, pelo menos um terço dos esta será submetida a processo de arbitra-
Estados Partes se declarar a favor da reali- gem a pedido de um dos Estados interessa-
zação da referida conferência, o Secretário- dos. Caso, no prazo de seis meses, a contar
-Geral convoca-la-á sob os auspícios da Or- da data do pedido de arbitragem, as Partes
ganização das Nações Unidas. As emendas não chegarem a um acordo sobre a organi-
adotadas pela maioria dos Estados Partes zação da arbitragem, a controvérsia poderá
presentes e votantes na conferência serão ser submetida ao Tribunal Internacional de
submetidas à Assembléia Geral para apro- Justiça, em conformidade com o Estatuto
vação. do Tribunal, por iniciativa de qualquer uma
das Partes.
2. As emendas entrarão em vigor quando
aprovadas pela Assembléia Geral das Na- 2. Qualquer Estado Parte poderá, no mo-
ções Unidas e aceites por uma maioria de mento da assinatura ou do depósito do ins-
dois terços dos Estados Partes, em confor- trumento de ratificação ou de adesão da
midade com as respectivas normas consti- presente Convenção, declarar que não se
tucionais. considera vinculado pelas disposições do
parágrafo 1 do presente artigo. Os outros
3. Quando uma emenda entrar em vigor, Estados Partes não ficarão vinculados às
terá força vinculativa para os Estados que a referidas disposições em relação ao Estado
aceitarem, ficando os outros Estados Partes Parte que tiver formulado tal declaração.
ligados pelas disposições da presente Con-
venção e por todas as emendas anteriores 3. Qualquer Estado Parte que tiver formula-
que tenham aceitado. do uma declaração nos termos do parágrafo
2 anterior poderá, em qualquer momento,
Artigo 91. retirá-la mediante notificação dirigida ao
Secretário-Geral da Organização das Nações
1. O Secretário-Geral da Organização das Unidas.
Nações Unidas receberá e comunicará a
todos os Estados o texto das reservas que Artigo 93.
forem feitas pelos Estados no momento da
assinatura, da ratificação ou da adesão. 1. A presente Convenção, cujos textos em
árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e
russo são igualmente autênticos, será depo-

120 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

sitada junto ao Secretário-Geral da Organi-


zação das Nações Unidas.
2. O Secretário-Geral da Organização das
Nações Unidas transmitirá cópia autentica-
da da presente Convenção a todos os Esta-
dos.
Em fé do que os plenipotenciários abaixo
assinados, devidamente habilitados pe-
los seus governos respectivos, assinaram a
Convenção.

www.acasadoconcurseiro.com.br 121
TRATADOS DO SISTEMA AMERICANO

CARTA DA ORGANIZAÇÃO DOS gresso e à civilização do mundo exigirá,


ESTADOS AMERICANOS (1948) cada vez mais, uma intensa cooperação
continental;

(Reformada pelo Protocolo de Buenos Aires Resolvidos a perseverar na nobre empresa


em 1967, pelo Protocolo de Cartagena das que a Humanidade confiou às Nações Uni-
Índias em 1985, pelo Protocolo de Washing- das, cujos princípios e propósitos reafirmam
ton em 1992 e pelo Protocolo de Manágua solenemente;
em 1993) Convencidos de que a organização jurídica
EM NOME DOS SEUS POVOS, OS ESTADOS é uma condição necessária à segurança e à
REPRESENTADOS NA NONA CONFERÊNCIA paz, baseadas na ordem moral e na justiça;
INTERNACIONAL AMERICANA, e

Convencidos de que a missão histórica da De acordo com a Resolução IX da Confe-


América é oferecer ao Homem uma terra rência sobre Problemas da Guerra e da Paz,
de liberdade e um ambiente favorável ao reunida na cidade do México,
desenvolvimento de sua personalidade e à RESOLVERAM
realização de suas justas aspirações;
Assinar a seguinte
Conscientes de que esta missão já inspirou
numerosos convênios e acordos cuja vir- CARTA DA ORGANIZAÇÃO DOS
tude essencial se origina do seu desejo de ESTADOS AMERICANOS
conviver em paz e de promover, mediante
sua mútua compreensão e seu respeito pela PRIMEIRA PARTE
soberania de cada um, o melhoramento de
todos na independência, na igualdade e no
direito;
CAPÍTULO I
Seguros de que a democracia representati- NATUREZA E PROPÓSITOS
va é condição indispensável para a estabili-
dade, a paz e o desenvolvimento da região; Artigo 1º
Certos de que o verdadeiro sentido da so- Os Estados americanos consagram nesta Carta
lidariedade americana e da boa vizinhança a organização internacional que vêm desen-
não pode ser outro senão o de consolidar volvendo para conseguir uma ordem de paz e
neste Continente, dentro do quadro das de justiça, para promover sua solidariedade,
instituições democráticas, um regime de li- intensificar sua colaboração e defender sua
berdade individual e de justiça social, fun- soberania, sua integridade territorial e sua in-
dado no respeito dos direitos essenciais do dependência. Dentro das Nações Unidas, a Or-
Homem; ganização dos Estados Americanos constitui um
organismo regional.
Persuadidos de que o bem-estar de todos
eles, assim como sua contribuição ao pro-

122 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

A Organização dos Estados Americanos não tem CAPÍTULO II


mais faculdades que aquelas expressamente PRINCÍPIOS
conferidas por esta Carta, nenhuma de cujas
disposições a autoriza a intervir em assuntos da Artigo 3º
jurisdição interna dos Estados membros.
Os Estados americanos reafirmam os seguintes
Artigo 2º princípios:
Para realizar os princípios em que se baseia e a) O direito internacional é a norma de
para cumprir com suas obrigações regionais, de conduta dos Estados em suas relações recí-
acordo com a Carta das Nações Unidas, a Or- procas;
ganização dos Estados Americanos estabelece
como propósitos essenciais os seguintes: b) A ordem internacional é constituída es-
sencialmente pelo respeito à personalida-
a) Garantir a paz e a segurança continen- de, soberania e independência dos Estados
tais; e pelo cumprimento fiel das obrigações
b) Promover e consolidar a democracia re- emanadas dos tratados e de outras fontes
presentativa, respeitado o princípio da não- do direito internacional;
-intervenção; c) A boa-fé deve reger as relações dos Esta-
c) Prevenir as possíveis causas de dificulda- dos entre si;
des e assegurar a solução pacífica das con- d) A solidariedade dos Estados americanos
trovérsias que surjam entre seus membros; e os altos fins a que ela visa requerem a or-
d) Organizar a ação solidária destes em ganização política dos mesmos, com base
caso de agressão; no exercício efetivo da democracia repre-
sentativa;
e) Procurar a solução dos problemas polí-
ticos, jurídicos e econômicos que surgirem e) Todo Estado tem o direito de escolher,
entre os Estados membros; sem ingerências externas, seu sistema polí-
tico, econômico e social, bem como de orga-
f) Promover, por meio da ação cooperati- nizar-se da maneira que mais lhe convenha,
va, seu desenvolvimento econômico, social e tem o dever de não intervir nos assuntos
e cultural; de outro Estado. Sujeitos ao acima dispos-
to, os Estados americanos cooperarão am-
g) Erradicar a pobreza crítica, que constitui plamente entre si, independentemente da
um obstáculo ao pleno desenvolvimento natureza de seus sistemas políticos, econô-
democrático dos povos do Hemisfério; e micos e sociais;
h) Alcançar uma efetiva limitação de arma- f) A eliminação da pobreza crítica é parte
mentos convencionais que permita dedicar essencial da promoção e consolidação da
a maior soma de recursos ao desenvolvi- democracia representativa e constitui res-
mento econômico-social dos Estados mem- ponsabilidade comum e compartilhada dos
bros. Estados americanos;
g) Os Estados americanos condenam a
guerra de agressão: a vitória não dá direi-
tos;
h) A agressão a um Estado americano cons-
titui uma agressão a todos os demais Esta-
dos americanos;

www.acasadoconcurseiro.com.br 123
i) As controvérsias de caráter internacio- disposto a assinar e ratificar a Carta da Organi-
nal, que surgirem entre dois ou mais Esta- zação, bem como a aceitar todas as obrigações
dos americanos, deverão ser resolvidas por inerentes à condição de membro, em especial
meio de processos pacíficos; as referentes à segurança coletiva, menciona-
das expressamente nos artigos 28 e 29.
j) A justiça e a segurança sociais são bases
de uma paz duradoura; Artigo 7º
k) A cooperação econômica é essencial A Assembléia Geral, após recomendação do
para o bem-estar e para a prosperidade co- Conselho Permanente da Organização, deter-
muns dos povos do Continente; minará se é procedente autorizar o Secretário-
-Geral a permitir que o Estado solicitante assine
l) Os Estados americanos proclamam os a Carta e a aceitar o depósito do respectivo ins-
direitos fundamentais da pessoa humana, trumento de ratificação. Tanto a recomendação
sem fazer distinção de raça, nacionalidade, do Conselho Permanente como a decisão da As-
credo ou sexo; sembléia Geral requererão o voto afirmativo de
m) A unidade espiritual do Continente ba- dois terços dos Estados membros.
seia-se no respeito à personalidade cultural Artigo 8º
dos países americanos e exige a sua estreita
colaboração para as altas finalidades da cul- A condição de membro da Organização estará
tura humana; restringida aos Estados independentes do Con-
tinente que, em 10 de dezembro de 1985, forem
n) A educação dos povos deve orientar-se membros das Nações Unidas e aos territórios
para a justiça, a liberdade e a paz. não-autônomos mencionados no documento
OEA/Ser.P, AG/doc.1939/85, de 5 de novembro
de 1985, quando alcançarem a sua independên-
cia.
CAPÍTULO III
MEMBROS Artigo 9º

Artigo 4º Um membro da Organização, cujo governo de-


mocraticamente constituído seja deposto pela
São membros da Organização todos os Estados força, poderá ser suspenso do exercício do di-
americanos que ratificarem a presente Carta. reito de participação nas sessões da Assembléia
Geral, da Reunião de Consulta, dos Conselhos
Artigo 5º
da Organização e das Conferências Especializa-
Na Organização será admitida toda nova entida- das, bem como das comissões, grupos de traba-
de política que nasça da união de seus Estados lho e demais órgãos que tenham sido criados.
membros e que, como tal, ratifique esta Carta.
a) A faculdade de suspensão somente será
O ingresso da nova entidade política na Organi-
exercida quando tenham sido infrutíferas
zação redundará para cada um dos Estados que
as gestões diplomáticas que a Organização
a constituam em perda da qualidade de mem-
houver empreendido a fim de propiciar o
bro da Organização.
restabelecimento da democracia represen-
Artigo 6º tativa no Estado membro afetado;
Qualquer outro Estado americano independen- b) A decisão sobre a suspensão deverá
te que queira ser membro da Organização de- ser adotada em um período extraordinário
verá manifestá-lo mediante nota dirigida ao Se- de sessões da Assembléia Geral, pelo voto
cretário-Geral, na qual seja consignado que está

124 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

afirmativo de dois terços dos Estados mem- Artigo 12.


bros;
Os direitos fundamentais dos Estados não po-
c) A suspensão entrará em vigor imediata- dem ser restringidos de maneira alguma.
mente após sua aprovação pela Assembléia
Geral; Artigo 13.

d) Não obstante a medida de suspensão, a A existência política do Estado é independente


Organização procurará empreender novas do seu reconhecimento pelos outros Estados.
gestões diplomáticas destinadas a coadju- Mesmo antes de ser reconhecido, o Estado tem
var o restabelecimento da democracia re- o direito de defender a sua integridade e inde-
presentativa no Estado membro afetado; pendência, de promover a sua conservação e
prosperidade, e, por conseguinte, de se organi-
e) O membro que tiver sido objeto de sus- zar como melhor entender, de legislar sobre os
pensão deverá continuar observando o seus interesses, de administrar os seus serviços
cumprimento de suas obrigações com a Or- e de determinar a jurisdição e a competência
ganização; dos seus tribunais. O exercício desses direitos
não tem outros limites senão o do exercício dos
f) A Assembléia Geral poderá levantar a direitos de outros Estados, conforme o direito
suspensão mediante decisão adotada com a internacional.
aprovação de dois terços dos Estados mem-
bros; e Artigo 14.
g) As atribuições a que se refere este artigo O reconhecimento significa que o Estado que o
se exercerão de conformidade com a pre- outorga aceita a personalidade do novo Estado
sente Carta. com todos os direitos e deveres que, para um e
outro, determina o direito internacional.
Artigo 15.
CAPÍTULO IV O direito que tem o Estado de proteger e desen-
DIREITOS E DEVERES volver a sua existência não o autoriza a praticar
FUNDAMENTAIS DOS ESTADOS atos injustos contra outro Estado.

Artigo 10. Artigo 16.

Os Estados são juridicamente iguais, desfrutam A jurisdição dos Estados nos limites do território
de iguais direitos e de igual capacidade para nacional exerce-se igualmente sobre todos os
exercê-los, e têm deveres iguais. Os direitos de habitantes, quer sejam nacionais ou estrangei-
cada um não dependem do poder de que dis- ros.
põem para assegurar o seu exercício, mas sim Artigo 17.
do simples fato da sua existência como persona-
lidade jurídica internacional. Cada Estado tem o direito de desenvolver, livre
e espontaneamente, a sua vida cultural, política
Artigo 11. e econômica. No seu livre desenvolvimento, o
Todo Estado americano tem o dever de respei- Estado respeitará os direitos da pessoa humana
tar os direitos dos demais Estados de acordo e os princípios da moral universal.
com o direito internacional. Artigo 18.
O respeito e a observância fiel dos tratados
constituem norma para o desenvolvimento das

www.acasadoconcurseiro.com.br 125
relações pacíficas entre os Estados. Os tratados CAPÍTULO V
e acordos internacionais devem ser públicos. SOLUÇÃO PACÍFICA DE
Artigo 19. CONTROVÉRSIAS
Nenhum Estado ou grupo de Estados tem o di- Artigo 24.
reito de intervir, direta ou indiretamente, seja
qual for o motivo, nos assuntos internos ou As controvérsias internacionais entre os Estados
externos de qualquer outro. Este princípio ex- membros devem ser submetidas aos processos
clui não somente a força armada, mas também de solução pacífica indicados nesta Carta.
qualquer outra forma de interferência ou de Esta disposição não será interpretada no sen-
tendência atentatória à personalidade do Esta- tido de prejudicar os direitos e obrigações dos
do e dos elementos políticos, econômicos e cul- Estados membros, de acordo com os artigos 34
turais que o constituem. e 35 da Carta das Nações Unidas.
Artigo 20. Artigo 25.
Nenhum Estado poderá aplicar ou estimular São processos pacíficos: a negociação direta, os
medidas coercivas de caráter econômico e po- bons ofícios, a mediação, a investigação e conci-
lítico, para forçar a vontade soberana de outro liação, o processo judicial, a arbitragem e os que
Estado e obter deste vantagens de qualquer na- sejam especialmente combinados, em qualquer
tureza. momento, pelas partes.
Artigo 21. Artigo 26.
O território de um Estado é inviolável; não pode Quando entre dois ou mais Estados america-
ser objeto de ocupação militar, nem de outras nos surgir uma controvérsia que, na opinião de
medidas de força tomadas por outro Estado, um deles, não possa ser resolvida pelos meios
direta ou indiretamente, qualquer que seja o diplomáticos comuns, as partes deverão convir
motivo, embora de maneira temporária. Não em qualquer outro processo pacífico que lhes
se reconhecerão as aquisições territoriais ou as permita chegar a uma solução.
vantagens especiais obtidas pela força ou por
qualquer outro meio de coação. Artigo 27.
Artigo 22. Um tratado especial estabelecerá os meios ade-
quados para solução das controvérsias e deter-
Os Estados americanos se comprometem, em minará os processos pertinentes a cada um dos
suas relações internacionais, a não recorrer ao meios pacíficos, de forma a não permitir que
uso da força, salvo em caso de legítima defesa, controvérsia alguma entre os Estados america-
em conformidade com os tratados vigentes, ou nos possa ficar sem solução definitiva, dentro
em cumprimento dos mesmos tratados. de um prazo razoável.
Artigo 23.
As medidas adotadas para a manutenção da paz
e da segurança, de acordo com os tratados vi- CAPÍTULO VI
gentes, não constituem violação aos princípios SEGURANÇA COLETIVA
enunciados nos artigos 19 e 21.
Artigo 28.
Toda agressão de um Estado contra a integrida-
de ou a inviolabilidade do território, ou contra
a soberania, ou a independência política de um

126 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

Estado americano, será considerada como um fixar em seus planos de desenvolvimento, sem
ato de agressão contra todos os demais Estados vinculações nem condições de caráter político.
americanos.
Artigo 32.
Artigo 29.
A cooperação interamericana para o desenvolvi-
Se a inviolabilidade, ou a integridade do territó- mento integral deve ser contínua e encaminhar-
rio, ou a soberania, ou a independência política -se, de preferência, por meio de organismos
de qualquer Estado americano forem atingidas multilaterais, sem prejuízo da cooperação bila-
por um ataque armado, ou por uma agressão teral acordada entre os Estados membros.
que não seja ataque armado, ou por um conflito
extracontinental, ou por um conflito entre dois Os Estados membros contribuirão para a coope-
ou mais Estados americanos, ou por qualquer ração interamericana para o desenvolvimento
outro fato ou situação que possa pôr em peri- integral, de acordo com seus recursos e possibi-
go a paz da América, os Estados americanos, lidades e em conformidade com suas leis.
em obediência aos princípios de solidariedade Artigo 33.
continental, ou de legítima defesa coletiva, apli-
carão as medidas e processos estabelecidos nos O desenvolvimento é responsabilidade primor-
tratados especiais existentes sobre a matéria. dial de cada país e deve constituir um proces-
so integral e continuado para a criação de uma
ordem econômica e social justa que permita a
plena realização da pessoa humana e para isso
CAPÍTULO VII contribua.
DESENVOLVIMENTO INTEGRAL Artigo 34.
Artigo 30. Os Estados membros convêm em que a igualda-
de de oportunidades, a eliminação da pobreza
Os Estados membros, inspirados nos princípios
crítica e a distribuição eqüitativa da riqueza e da
de solidariedade e cooperação interamericanas,
renda, bem como a plena participação de seus
comprometem-se a unir seus esforços no senti-
povos nas decisões relativas a seu próprio de-
do de que impere a justiça social internacional
senvolvimento, são, entre outros, objetivos bá-
em suas relações e de que seus povos alcancem
sicos do desenvolvimento integral. Para alcançá-
um desenvolvimento integral, condições indis-
-los convêm, da mesma forma, em dedicar seus
pensáveis para a paz e a segurança. O desen-
maiores esforços à consecução das seguintes
volvimento integral abrange os campos econô-
metas básicas:
mico, social, educacional, cultural, científico e
tecnológico, nos quais devem ser atingidas as a) Aumento substancial e auto-sustentado
metas que cada país definir para alcançá-lo. do produto nacional per capita;
Artigo 31. b) Distribuição eqüitativa da renda nacio-
nal;
A cooperação interamericana para o desenvol-
vimento integral é responsabilidade comum e c) Sistemas tributários adequados e eqüi-
solidária dos Estados membros, no contexto dos tativos;
princípios democráticos e das instituições do
Sistema Interamericano. Ela deve compreender d) Modernização da vida rural e reformas
os campos econômico, social, educacional, cul- que conduzam a regimes eqüitativos e efi-
tural, científico e tecnológico, apoiar a consecu- cazes de posse da terra, maior produtivida-
ção dos objetivos nacionais dos Estados mem- de agrícola, expansão do uso da terra, diver-
bros e respeitar as prioridades que cada país sificação da produção e melhores sistemas
para a industrialização e comercialização de

www.acasadoconcurseiro.com.br 127
produtos agrícolas, e fortalecimento e am- à jurisdição dos tribunais nacionais competen-
pliação dos meios para alcançar esses fins; tes dos países receptores, bem como aos trata-
dos e convênios internacionais dos quais estes
e) Industrialização acelerada e diversifica- sejam parte, e devem ajustar-se à política de de-
da, especialmente de bens de capital e in- senvolvimento dos países receptores.
termediários;
Artigo 37.
f) Estabilidade do nível dos preços inter-
nos, em harmonia com o desenvolvimento Os Estados membros convêm em buscar, cole-
econômico sustentado e com a consecução tivamente, solução para os problemas urgentes
da justiça social; ou graves que possam apresentar-se quando o
desenvolvimento ou estabilidade econômicos
g) Salários justos, oportunidades de em- de qualquer Estado membro se virem seriamen-
prego e condições de trabalho aceitáveis te afetados por situações que não puderem ser
para todos; solucionadas pelo esforço desse Estado.
h) Rápida erradicação do analfabetismo e Artigo 38.
ampliação, para todos, das oportunidades
no campo da educação; Os Estados membros difundirão entre si os be-
nefícios da ciência e da tecnologia, promoven-
i) Defesa do potencial humano mediante do, de acordo com os tratados vigentes e as leis
extensão e aplicação dos modernos conhe- nacionais, o intercâmbio e o aproveitamento
cimentos da ciência médica; dos conhecimentos científicos e técnicos.
j) Alimentação adequada, especialmente Artigo 39.
por meio da aceleração dos esforços nacio-
nais no sentido de aumentar a produção e Os Estados membros, reconhecendo a estrita
disponibilidade de alimentos; interdependência que há entre o comércio ex-
terior e o desenvolvimento econômico e social,
k) Habitação adequada para todos os seto- devem envidar esforços, individuais e coletivos,
res da população; a fim de conseguir:
l) Condições urbanas que proporcionem a) Condições favoráveis de acesso aos
oportunidades de vida sadia, produtiva e mercados mundiais para os produtos dos
digna; países em desenvolvimento da região, es-
m) Promoção da iniciativa e dos investimen- pecialmente por meio da redução ou abo-
tos privados em harmonia com a ação do lição, por parte dos países importadores,
setor público; e das barreiras alfandegárias e não alfandegá-
rias que afetam as exportações dos Estados
n) Expansão e diversificação das exporta- membros da Organização, salvo quando tais
ções. barreiras se aplicarem a fim de diversificar
Artigo 35. a estrutura econômica, acelerar o desenvol-
vimento dos Estados membros menos de-
Os Estados membros devem abster-se de exer- senvolvidos e intensificar seu processo de
cer políticas e praticar ações ou tomar medidas integração econômica, ou quando se rela-
que tenham sérios efeitos adversos sobre o de- cionarem com a segurança nacional ou com
senvolvimento de outros Estados membros. as necessidades do equilíbrio econômico;
Artigo 36. b) Continuidade do seu desenvolvimento
econômico e social, mediante:
As empresas transnacionais e o investimento
privado estrangeiro estão sujeitos à legislação e

128 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

I – Melhores condições para o comércio de do seu comércio, promoverão a modernização e


produtos básicos por meio de convênios in- a coordenação dos transportes e comunicações
ternacionais, quando forem adequados; de nos países em desenvolvimento e entre os Esta-
processos ordenados de comercialização dos membros.
que evitem a perturbação dos mercados; e
de outras medidas destinadas a promover Artigo 42.
a expansão de mercados e a obter receitas Os Estados membros reconhecem que a inte-
seguras para os produtores, fornecimentos gração dos países em desenvolvimento do Con-
adequados e seguros para os consumido- tinente constitui um dos objetivos do Sistema
res, e preços estáveis que sejam ao mesmo Interamericano e, portanto, orientarão seus
tempo recompensadores para os produto- esforços e tomarão as medidas necessárias no
res e eqüitativos para os consumidores; sentido de acelerar o processo de integração
II – Melhor cooperação internacional no com vistas à consecução, no mais breve prazo,
setor financeiro e adoção de outros meios de um mercado comum latino-americano.
para atenuar os efeitos adversos das acen- Artigo 43.
tuadas flutuações das receitas de exporta-
ção que experimentem os países exporta- Com o objetivo de fortalecer e acelerar a inte-
dores de produtos básicos; gração em todos os seus aspectos, os Estados
membros comprometem-se a dar adequada
III – Diversificação das exportações e am- prioridade à elaboração e execução de proje-
pliação das oportunidades de exportação tos multinacionais e a seu financiamento, bem
dos produtos manufaturados e semimanu- como a estimular as instituições econômicas e
faturados de países em desenvolvimento; e financeiras do Sistema Interamericano a que
IV – Condições favoráveis ao aumento das continuem dando seu mais amplo apoio às insti-
receitas reais provenientes das exportações tuições e aos programas de integração regional.
dos Estados membros, especialmente dos Artigo 44.
países em desenvolvimento da região, e ao
aumento de sua participação no comércio Os Estados membros convêm em que a coope-
internacional. ração técnica e financeira, tendente a estimular
os processos de integração econômica regional,
Artigo 40. deve basear-se no princípio do desenvolvimen-
Os Estados membros reafirmam o princípio de to harmônico, equilibrado e eficiente, dispen-
que os países de maior desenvolvimento econô- sando especial atenção aos países de menor de-
mico, que em acordos internacionais de comér- senvolvimento relativo, de modo que constitua
cio façam concessões em benefício dos países um fator decisivo que os habilite a promover,
de menor desenvolvimento econômico no to- com seus próprios esforços, o melhor desenvol-
cante à redução e abolição de tarifas ou outras vimento de seus programas de infra-estrutura,
barreiras ao comércio exterior, não devem soli- novas linhas de produção e a diversificação de
citar a estes países concessões recíprocas que suas exportações.
sejam incompatíveis com seu desenvolvimento Artigo 45.
econômico e com suas necessidades financeiras
e comerciais. Os Estados membros, convencidos de que o Ho-
mem somente pode alcançar a plena realização
Artigo 41. de suas aspirações dentro de uma ordem social
Os Estados membros, com o objetivo de acele- justa, acompanhada de desenvolvimento eco-
rar o desenvolvimento econômico, a integração nômico e de verdadeira paz, convêm em envi-
regional, a expansão e a melhoria das condições

www.acasadoconcurseiro.com.br 129
dar os seus maiores esforços na aplicação dos e a consolidação do regime democrático.
seguintes princípios e mecanismos: O estímulo a todo esforço de promoção e
cooperação populares que tenha por fim o
a) Todos os seres humanos, sem distinção desenvolvimento e o progresso da comuni-
de raça, sexo, nacionalidade, credo ou con- dade;
dição social, têm direito ao bem-estar mate-
rial e a seu desenvolvimento espiritual em g) O reconhecimento da importância da
condições de liberdade, dignidade, igualda- contribuição das organizações tais como os
de de oportunidades e segurança econômi- sindicatos, as cooperativas e as associações
ca; culturais, profissionais, de negócios, vicinais
e comunais para a vida da sociedade e para
b) O trabalho é um direito e um dever so- o processo de desenvolvimento;
cial; confere dignidade a quem o realiza e
deve ser exercido em condições que, com- h) Desenvolvimento de uma política efi-
preendendo um regime de salários justos, ciente de previdência social; e
assegurem a vida, a saúde e um nível eco-
nômico digno ao trabalhador e sua família, i) Disposições adequadas a fim de que to-
tanto durante os anos de atividade como na das as pessoas tenham a devida assistência
velhice, ou quando qualquer circunstância o legal para fazer valer seus direitos.
prive da possibilidade de trabalhar; Artigo 46.
c) Os empregadores e os trabalhadores, Os Estados membros reconhecem que, para
tanto rurais como urbanos, têm o direito facilitar o processo de integração regional lati-
de se associarem livremente para a defe- no-americana, é necessário harmonizar a le-
sa e promoção de seus interesses, inclusi- gislação social dos países em desenvolvimen-
ve o direito de negociação coletiva e o de to, especialmente no setor trabalhista e no da
greve por parte dos trabalhadores, o reco- previdência social, a fim de que os direitos dos
nhecimento da personalidade jurídica das trabalhadores sejam igualmente protegidos, e
associações e a proteção de sua liberdade convêm em envidar os maiores esforços com o
e independência, tudo de acordo com a res- objetivo de alcançar essa finalidade.
pectiva legislação;
Artigo 47.
d) Sistemas e processos justos e eficientes
de consulta e colaboração entre os setores Os Estados membros darão primordial impor-
da produção, levada em conta a proteção tância, dentro dos seus planos de desenvolvi-
dos interesses de toda a sociedade; mento, ao estímulo da educação, da ciência, da
tecnologia e da cultura, orientadas no sentido
e) O funcionamento dos sistemas de admi- do melhoramento integral da pessoa humana e
nistração pública, bancário e de crédito, de como fundamento da democracia, da justiça so-
empresa, e de distribuição e vendas, de for- cial e do progresso.
ma que, em harmonia com o setor privado,
atendam às necessidades e interesses da Artigo 48.
comunidade;
Os Estados membros cooperarão entre si, a
f) A incorporação e crescente participação fim de atender às suas necessidades no tocan-
dos setores marginais da população, tanto te à educação, promover a pesquisa científica
das zonas rurais como dos centros urbanos, e impulsionar o progresso tecnológico para seu
na vida econômica, social, cívica, cultural e desenvolvimento integral. Considerar-se-ão in-
política da nação, a fim de conseguir a plena dividual e solidariamente comprometidos a pre-
integração da comunidade nacional, o ace- servar e enriquecer o patrimônio cultural dos
leramento do processo de mobilidade social povos americanos.

130 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

Artigo 49. Artigo 52.


Os Estados membros empreenderão os maio- Os Estados membros, dentro do respeito devi-
res esforços para assegurar, de acordo com suas do à personalidade de cada um deles, convêm
normas constitucionais, o exercício efetivo do em promover o intercâmbio cultural como meio
direito à educação, observados os seguintes eficaz para consolidar a compreensão interame-
princípios: ricana e reconhecem que os programas de inte-
gração regional devem ser fortalecidos median-
a) O ensino primário, obrigatório para a te estreita vinculação nos setores da educação,
população em idade escolar, será estendido da ciência e da cultura.
também a todas as outras pessoas a quem
possa aproveitar. Quando ministrado pelo
Estado, será gratuito;
SEGUNDA PARTE
b) O ensino médio deverá ser estendido
progressivamente, com critério de promo-
ção social, à maior parte possível da popula- CAPÍTULO VIII
ção. Será diversificado de maneira que, sem
prejuízo da formação geral dos educandos,
DOS ÓRGÃOS
atenda às necessidades do desenvolvimen- Artigo 53.
to de cada país; e
A Organização dos Estados Americanos realiza
c) A educação de grau superior será acessí- os seus fins por intermédio:
vel a todos, desde que, a fim de manter seu
alto nível, se cumpram as normas regula- a) Da Assembléia Geral;
mentares ou acadêmicas respectivas.
b) Da Reunião de Consulta dos Ministros
Artigo 50. das Relações Exteriores;

Os Estados membros dispensarão especial aten- c) Dos Conselhos;


ção à erradicação do analfabetismo, fortalece-
d) Da Comissão Jurídica Interamericana;
rão os sistemas de educação de adultos e de
habilitação para o trabalho, assegurarão a toda e) Da Comissão Interamericana de Direitos
a população o gozo dos bens da cultura e pro- Humanos;
moverão o emprego de todos os meios de divul-
gação para o cumprimento de tais propósitos. f) Da Secretaria-Geral;

Artigo 51. g) Das Conferências Especializadas; e

Os Estados membros promoverão a ciência e h) Dos Organismos Especializados.


a tecnologia por meio de atividades de ensino, Poderão ser criados, além dos previstos na Car-
pesquisa e desenvolvimento tecnológico e de ta e de acordo com suas disposições, os órgãos
programas de difusão e divulgação, estimularão subsidiários, organismos e outras entidades que
as atividades no campo da tecnologia, com o forem julgados necessários.
propósito de adequá-la às necessidades do seu
desenvolvimento integral; concertarão de ma-
neira eficaz sua cooperação nessas matérias; e
ampliarão substancialmente o intercâmbio de
conhecimentos, de acordo com os objetivos e
leis nacionais e os tratados vigentes.

www.acasadoconcurseiro.com.br 131
CAPÍTULO IX A Assembléia Geral exercerá suas atribuições de
A ASSEMBLÉIA GERAL acordo com o disposto na Carta e em outros tra-
tados interamericanos.
Artigo 54.
Artigo 55.
A Assembléia Geral é o órgão supremo da Orga-
A Assembléia Geral estabelece as bases para a
nização dos Estados Americanos. Tem por prin-
fixação da quota com que deve cada um dos go-
cipais atribuições, além das outras que lhe con-
vernos contribuir para a manutenção da Organi-
fere a Carta, as seguintes:
zação, levando em conta a capacidade de paga-
a) Decidir a ação e a política gerais da Or- mento dos respectivos países e a determinação
ganização, determinar a estrutura e fun- dos mesmos de contribuir de forma eqüitativa.
ções de seus órgãos e considerar qualquer Para que possam ser tomadas decisões sobre
assunto relativo à convivência dos Estados assuntos orçamentários, é necessária a aprova-
americanos; ção de dois terços dos Estados membros.

b) Estabelecer normas para a coordenação Artigo 56.


das atividades dos órgãos, organismos e
Todos os Estados membros têm direito a fazer-
entidades da Organização entre si e de tais
-se representar na Assembléia Geral. Cada Esta-
atividades com as das outras instituições do
do tem direito a um voto.
Sistema Interamericano;
Artigo 57.
c) Fortalecer e harmonizar a cooperação
com as Nações Unidas e seus organismos A Assembléia Geral reunir-se-á anualmente na
especializados; época que determinar o regulamento e em sede
escolhida consoante o princípio do rodízio. Em
d) Promover a colaboração, especialmente
cada período ordinário de sessões serão deter-
nos setores econômico, social e cultural,
minadas, de acordo com o regulamento, a data
com outras organizações internacionais
e a sede do período ordinário seguinte.
cujos objetivos sejam análogos aos da
Organização dos Estados Americanos; Se, por qualquer motivo, a Assembléia Geral
não se puder reunir na sede escolhida, reunir-
e) Aprovar o orçamento-programa da Or-
-se-á na Secretaria-Geral, sem prejuízo de que,
ganização e fixar as quotas dos Estados
se algum dos Estados membros oferecer opor-
membros;
tunamente sede em seu território, possa o Con-
f) Considerar os relatórios da Reunião de selho Permanente da Organização acordar que
Consulta dos Ministros das Relações Exte- a Assembléia Geral se reúna nessa sede.
riores e as observações e recomendações
Artigo 58.
que, a respeito dos relatórios que deverem
ser apresentados pelos demais órgãos e Em circunstâncias especiais e com a aprovação
entidades, lhe sejam submetidas pelo Con- de dois terços dos Estados membros, o Conse-
selho Permanente, conforme o disposto na lho Permanente convocará um período extraor-
alínea f, do artigo 91, bem como os relató- dinário de sessões da Assembléia Geral.
rios de qualquer órgão que a própria As-
sembléia Geral requeira; Artigo 59.

g) Adotar as normas gerais que devem re- As decisões da Assembléia Geral serão adota-
ger o funcionamento da Secretaria-Geral; e das pelo voto da maioria absoluta dos Estados
membros, salvo nos casos em que é exigido o
h) Aprovar seu regulamento e, pelo voto de voto de dois terços, de acordo com o disposto
dois terços, sua agenda.

132 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

na Carta, ou naqueles que determinar a Assem- nente da Organização e submetidos à conside-


bléia Geral, pelos processos regulamentares. ração dos Estados membros.
Artigo 60. Artigo 64.
Haverá uma Comissão Preparatória da Assem- Se, em caso excepcional, o Ministro das Rela-
bléia Geral, composta de representantes de to- ções Exteriores de qualquer país não puder as-
dos os Estados membros, a qual desempenhará sistir à reunião, far-se-á representar por um de-
as seguintes funções: legado especial.
a) Elaborar o projeto de agenda de cada Artigo 65.
período de sessões da Assembléia Geral;
Em caso de ataque armado ao território de um
b) Examinar o projeto de orçamento- Estado americano ou dentro da zona de segu-
-programa e o de resolução sobre quotas e rança demarcada pelo tratado em vigor, o Pre-
apresentar à Assembléia Geral um relatório sidente do Conselho Permanente reunirá o
sobre os mesmos, com as recomendações Conselho, sem demora, a fim de determinar a
que julgar pertinentes; e convocação da Reunião de Consulta, sem pre-
juízo do disposto no Tratado Interamericano de
c) As outras que lhe forem atribuídas pela Assistência Recíproca no que diz respeito aos
Assembléia Geral. Estados Partes no referido instrumento.
O projeto de agenda e o relatório serão oportu- Artigo 66.
namente encaminhados aos governos dos Esta-
dos membros. Fica estabelecida uma Comissão Consultiva de
Defesa para aconselhar o Órgão de Consulta a
respeito dos problemas de colaboração militar,
que possam surgir da aplicação dos tratados es-
CAPÍTULO X peciais existentes sobre matéria de segurança
A REUNIÃO DE CONSULTA DOS coletiva.
MINISTROS DAS RELAÇÕES EXTERIORES Artigo 67.
Artigo 61. A Comissão Consultiva de Defesa será integrada
pelas mais altas autoridades militares dos Esta-
A Reunião de Consulta dos Ministros das Rela-
dos americanos que participem da Reunião de
ções Exteriores deverá ser convocada a fim de
Consulta. Excepcionalmente, os governos pode-
considerar problemas de natureza urgente e de
rão designar substitutos. Cada Estado terá direi-
interesse comum para os Estados americanos, e
to a um voto.
para servir de Órgão de Consulta.
Artigo 68.
Artigo 62.
A Comissão Consultiva de Defesa será convoca-
Qualquer Estado membro pode solicitar a con-
da nos mesmos termos que o Órgão de Consul-
vocação de uma Reunião de Consulta. A solici-
ta, quando este tenha que tratar de assuntos re-
tação deve ser dirigida ao Conselho Permanente
lacionados com a defesa contra agressão.
da Organização, o qual decidirá, por maioria ab-
soluta de votos, se é oportuna a reunião. Artigo 69.
Artigo 63. Quando a Assembléia Geral ou a Reunião de
Consulta ou os governos lhe cometerem, por
A agenda e o regulamento da Reunião de Con-
maioria de dois terços dos Estados membros,
sulta serão preparados pelo Conselho Perma-
estudos técnicos ou relatórios sobre temas es-

www.acasadoconcurseiro.com.br 133
pecíficos, a Comissão também se reunirá para Artigo 74.
esse fim.
Cada Conselho, em casos urgentes, poderá con-
vocar, em matéria de sua competência, Con-
ferências Especializadas, mediante consulta
CAPÍTULO XI prévia com os Estados membros e sem ter de
recorrer ao processo previsto no artigo 122.
OS CONSELHOS DA ORGANIZAÇÃO
Artigo 75.
Disposições comuns
Os Conselhos, na medida de suas possibilidades
Artigo 70. e com a cooperação da Secretaria Geral, presta-
rão aos governos os serviços especializados que
O Conselho Permanente da Organização e o estes solicitarem.
Conselho Interamericano de Desenvolvimento
Integral dependem diretamente da Assembléia Artigo 76.
Geral e têm a competência conferida a cada um
Cada Conselho tem faculdades para requerer
deles pela Carta e por outros instrumentos in-
do outro, bem como dos órgãos subsidiários e
teramericanos, bem como as funções que lhes
dos organismos a eles subordinados, a presta-
forem confiadas pela Assembléia Geral e pela
ção, nas suas respectivas esferas de competên-
Reunião de Consulta dos Ministros das Relações
cia, de informações e assessoramento. Poderá,
Exteriores.
também, cada um deles, solicitar os mesmos
Artigo 71. serviços às demais entidades do Sistema Intera-
mericano.
Todos os Estados membros têm direito a fazer-
-se representar em cada um dos Conselhos. Artigo 77.
Cada Estado tem direito a um voto.
Com a prévia aprovação da Assembléia Geral,
Artigo 72. os Conselhos poderão criar os órgãos subsidiá-
rios e os organismos que julgarem convenien-
Dentro dos limites da Carta e dos demais instru- tes para o melhor exercício de suas funções.
mentos interamericanos, os Conselhos poderão Se a Assembléia Geral não estiver reunida, os
fazer recomendações no âmbito de suas atribui- referidos órgãos e organismos poderão ser es-
ções. tabelecidos provisoriamente pelo Conselho
Artigo 73. respectivo. Na composição dessas entidades os
Conselhos observarão, na medida do possível,
Os Conselhos, em assuntos de sua respectiva os princípios do rodízio e da representação geo-
competência, poderão apresentar estudos e gráfica eqüitativa.
propostas à Assembléia Geral e submeter-lhe
projetos de instrumentos internacionais e pro- Artigo 78.
posições com referência à realização de confe- Os Conselhos poderão realizar reuniões no ter-
rências especializadas e à criação, modificação ritório de qualquer Estado membro, quando o
ou extinção de organismos especializados e ou- julgarem conveniente e com aquiescência pré-
tras entidades interamericanas, bem como so- via do respectivo governo.
bre a coordenação de suas atividades. Os Con-
selhos poderão também apresentar estudos, Artigo 79.
propostas e projetos de instrumentos interna-
Cada Conselho elaborará seu estatuto, subme-
cionais às Conferências Especializadas.
tê-lo-á à aprovação da Assembléia Geral e apro-
vará seu regulamento e os de seus órgãos subsi-
diários, organismos e comissões.

134 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

CAPÍTULO XII Artigo 85.


O CONSELHO PERMANENTE De acordo com as disposições da Carta, qual-
DA ORGANIZAÇÃO quer parte numa controvérsia, no tocante à qual
não esteja em tramitação qualquer dos proces-
Artigo 80. sos pacíficos previstos na Carta, poderá recorrer
O Conselho Permanente da Organização com- ao Conselho Permanente, para obter seus bons
põe-se de um representante de cada Estado ofícios. O Conselho, de acordo com o disposto
membro, nomeado especialmente pelo respec- no artigo anterior, assistirá as partes e recomen-
tivo governo, com a categoria de embaixador. dará os processos que considerar adequados
Cada governo poderá acreditar um represen- para a solução pacífica da controvérsia.
tante interino, bem como os suplentes e asses- Artigo 86.
sores que julgar conveniente.
O Conselho Permanente, no exercício de suas
Artigo 81. funções, com a anuência das partes na contro-
A Presidência do Conselho Permanente será vérsia, poderá estabelecer comissões ad hoc.
exercida sucessivamente pelos representantes, As comissões ad hoc terão a composição e o
na ordem alfabética dos nomes em espanhol de mandato que em cada caso decidir o Conselho
seus respectivos países, e a Vice-Presidência, de Permanente, com o consentimento das partes
modo idêntico, seguida a ordem alfabética in- na controvérsia.
versa.
Artigo 87.
O Presidente e o Vice-Presidente exercerão suas
funções por um período não superior a seis me- O Conselho Permanente poderá também, pelo
ses, que será determinado pelo estatuto. meio que considerar conveniente, investigar os
fatos relacionados com a controvérsia, inclusive
Artigo 82. no território de qualquer das partes, após con-
O Conselho Permanente tomará conhecimen- sentimento do respectivo governo.
to, dentro dos limites da Carta e dos tratados e Artigo 88.
acordos interamericanos, de qualquer assunto
de que o encarreguem a Assembléia Geral ou a Se o processo de solução pacífica de controvér-
Reunião de Consulta dos Ministros das Relações sias recomendado pelo Conselho Permanente,
Exteriores. ou sugerido pela respectiva comissão ad hoc
nos termos de seu mandato, não for aceito por
Artigo 83. uma das partes, ou qualquer destas declarar
O Conselho Permanente agirá provisoriamente que o processo não resolveu a controvérsia, o
como Órgão de Consulta, conforme o estabele- Conselho Permanente informará a Assembléia
cido no tratado especial sobre a matéria. Geral, sem prejuízo de que leve a cabo gestões
para o entendimento entre as partes ou para o
Artigo 84. reatamento das relações entre elas.
O Conselho Permanente velará pela manuten- Artigo 89.
ção das relações de amizade entre os Estados
membros e, com tal objetivo, ajudá-los-á de O Conselho Permanente, no exercício de tais
maneira efetiva na solução pacífica de suas con- funções, tomará suas decisões pelo voto afirma-
trovérsias, de acordo com as disposições que se tivo de dois terços dos seus membros, excluídas
seguem. as partes, salvo as decisões que o regulamento
autorize a aprovar por maioria simples.

www.acasadoconcurseiro.com.br 135
Artigo 90. f) Considerar os relatórios do Conselho In-
teramericano de Desenvolvimento Integral,
No desempenho das funções relativas à solução da Comissão Jurídica Interamericana, da
pacífica de controvérsias, o Conselho Perma- Comissão Interamericana de Direitos Hu-
nente e a comissão ad hoc respectiva deverão manos, da Secretaria-Geral, dos organismos
observar as disposições da Carta e os princípios e conferências especializados e dos demais
e normas do direito internacional, bem como le- órgãos e entidades, e apresentar à Assem-
var em conta a existência dos tratados vigentes bléia Geral as observações e recomenda-
entre as partes. ções que julgue pertinentes; e
Artigo 91. g) Exercer as demais funções que lhe atri-
Compete também ao Conselho Permanente: bui a Carta.

a) Executar as decisões da Assembléia Ge- Artigo 92.


ral ou da Reunião de Consulta dos Ministros O Conselho Permanente e a Secretaria-Geral te-
das Relações Exteriores, cujo cumprimento rão a mesma sede.
não haja sido confiado a nenhuma outra en-
tidade;
b) Velar pela observância das normas que
regulam o funcionamento da Secretaria- CAPÍTULO XIII
-Geral e, quando a Assembléia Geral não O CONSELHO INTERAMERICANO DE
estiver reunida, adotar as disposições de DESENVOLVIMENTO INTEGRAL
natureza regulamentar que habilitem a Se-
cretaria-Geral para o cumprimento de suas Artigo 93.
funções administrativas;
O Conselho Interamericano de Desenvolvimen-
c) Atuar como Comissão Preparatória da to Integral compõe-se de um representante ti-
Assembléia Geral nas condições estabeleci- tular, no nível ministerial ou seu eqüivalente, de
das pelo artigo 60 da Carta, a não ser que cada Estado membro, nomeado especificamen-
a Assembléia Geral decida de maneira dife- te pelo respectivo governo.
rente;
Conforme previsto na Carta, o Conselho Intera-
d) Preparar, a pedido dos Estados membros mericano de Desenvolvimento Integral poderá
e com a cooperação dos órgãos pertinentes criar os órgãos subsidiários e os organismos que
da Organização, projetos de acordo destina- julgar suficiente para o melhor exercício de suas
dos a promover e facilitar a colaboração en- funções.
tre a Organização dos Estados Americanos
Artigo 94.
e as Nações Unidas, ou entre a Organização
e outros organismos americanos de reco- O Conselho Interamericano de Desenvolvimen-
nhecida autoridade internacional. Esses to Integral tem como finalidade promover a
projetos serão submetidos à aprovação da cooperação entre os Estados americanos, com
Assembléia Geral; o propósito de obter seu desenvolvimento inte-
gral e, em particular, de contribuir para a elimi-
nação da pobreza crítica, segundo as normas da
e) Formular recomendações à Assembléia Carta, principalmente as consignadas no Capítu-
Geral sobre o funcionamento da Organiza- lo VII no que se refere aos campos econômico,
ção e sobre a coordenação dos seus órgãos social, educacional, cultural, científico e tecno-
subsidiários, organismos e comissões; lógico.

136 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

Artigo 95. coordenação dos programas interamerica-


nos de assistência técnica;
Para realizar os diversos objetivos, particular-
mente na área específica da cooperação técni- e) Avaliar periodicamente as entidades de
ca, o Conselho Interamericano de Desenvolvi- cooperação para o desenvolvimento inte-
mento Integral deverá: gral, no que tange ao seu desempenho na
implementação das políticas, programas
a) Formular e recomendar à Assembléia e projetos, em termos de seu impacto, efi-
Geral o plano estratégico que articule as po- cácia, eficiência, aplicação de recursos e da
líticas, os programas e as medidas de ação qualidade, entre outros, dos serviços de co-
em matéria de cooperação para o desenvol- operação técnica prestados e informar à As-
vimento integral, no marco da política geral sembléia Geral.
e das prioridades definidas pela Assembléia
Geral; Artigo 96.
b) Formular diretrizes para a elaboração do O Conselho Interamericano de Desenvolvimen-
orçamento programa de cooperação técni- to Integral realizará, no mínimo, uma reunião
ca, bem como para as demais atividades do por ano, no nível ministerial ou seu equivalen-
Conselho; te, e poderá convocar a realização de reuniões
no mesmo nível para os temas especializados
c) Promover, coordenar e encomendar a ou setoriais que julgar pertinentes, em áreas de
execução de programas e projetos de de- sua competência. Além disso, reunir-se-á, quan-
senvolvimento aos órgãos subsidiários e do for convocado pela Assembléia Geral, pela
organismos correspondentes, com base nas Reunião de Consulta dos Ministros das Relações
prioridades determinadas pelos Estados Exteriores, por iniciativa própria, ou para os ca-
membros, em áreas tais como: sos previstos no artigo 37 da Carta.
1) Desenvolvimento econômico e social, Artigo 97.
inclusive o comércio, o turismo, a integra-
ção e o meio ambiente; O Conselho Interamericano de Desenvolvimen-
to Integral terá as comissões especializadas não-
2) Melhoramento e extensão da educação -permanentes que decidir estabelecer e que fo-
a todos os níveis, e a promoção da pesquisa rem necessárias para o melhor desempenho de
científica e tecnológica, por meio da coope- suas funções. Estas Comissões funcionarão e se-
ração técnica, bem como do apoio às ativi- rão constituídas segundo o disposto no Estatuto
dades da área cultural; e do mesmo Conselho.
3) Fortalecimento da consciência cívica dos Artigo 98.
povos americanos, como um dos funda-
mentos da prática efetiva da democracia e a A execução e, conforme o caso, a coordenação
do respeito aos direitos e deveres da pessoa dos projetos aprovados será confiada à Secreta-
humana. ria Executiva de Desenvolvimento Integral, que
informará o Conselho sobre o resultado da exe-
Para este fim, contará com mecanismos de par- cução.
ticipação setorial e com apoio dos órgãos subsi-
diários e organismos previstos na Carta e outros
dispositivos da Assembléia Geral;
d) Estabelecer relações de cooperação com
os órgãos correspondentes das Nações Uni-
das e outras entidades nacionais e interna-
cionais, especialmente no que diz respeito a

www.acasadoconcurseiro.com.br 137
CAPÍTULO XIV Artigo 102.
A COMISSÃO JURÍDICA A Comissão Jurídica Interamericana representa
INTERAMERICANA o conjunto dos Estados membros da Organiza-
ção, e tem a mais ampla autonomia técnica.
Artigo 99.
Artigo 103.
A Comissão Jurídica Interamericana tem por
finalidade servir de corpo consultivo da Orga- A Comissão Jurídica Interamericana estabelece-
nização em assuntos jurídicos; promover o de- rá relações de cooperação com as universida-
senvolvimento progressivo e a codificação do des, institutos e outros centros de ensino e com
direito internacional; e estudar os problemas as comissões e entidades nacionais e interna-
jurídicos referentes à integração dos países em cionais dedicadas ao estudo, pesquisa, ensino
desenvolvimento do Continente, bem como a ou divulgação dos assuntos jurídicos de interes-
possibilidade de uniformizar suas legislações no se internacional.
que parecer conveniente.
Artigo 104.
Artigo 100.
A Comissão Jurídica Interamericana elaborará
A Comissão Jurídica Interamericana empreen- seu estatuto, o qual será submetido à aprova-
derá os estudos e trabalhos preparatórios de ção da Assembléia Geral.
que for encarregada pela Assembléia Geral,
A Comissão adotará seu próprio regulamento.
pela Reunião de Consulta dos Ministros das Re-
lações Exteriores e pelos Conselhos da Organi- Artigo 105.
zação. Pode, além disso, levar a efeito, por sua
própria iniciativa, os que julgar convenientes, A Comissão Jurídica Interamericana terá sua
bem como sugerir a realização de conferências sede na cidade do Rio de Janeiro, mas, em casos
jurídicas e especializadas. especiais, poderá realizar reuniões em qualquer
outro lugar que seja oportunamente designado,
Artigo 101. após consulta ao Estado membro correspon-
dente.
A Comissão Jurídica Interamericana será com-
posta de onze juristas nacionais dos Estados
membros, eleitos, de listas de três candidatos
apresentadas pelos referidos Estados, para um CAPÍTULO XV
período de quatro anos. A Assembléia Geral
procederá à eleição, de acordo com um regime
A COMISSÃO INTERAMERICANA
que leve em conta a renovação parcial e procu- DE DIREITOS HUMANOS
re, na medida do possível, uma representação
Artigo 106.
geográfica eqüitativa. Não poderá haver na Co-
missão mais de um membro da mesma naciona- Haverá uma Comissão Interamericana de Di-
lidade. reitos Humanos que terá por principal função
promover o respeito e a defesa dos direitos hu-
As vagas que ocorrerem por razões diferentes
manos e servir como órgão consultivo da Orga-
da expiração normal dos mandatos dos mem-
nização em tal matéria.
bros da Comissão serão preenchidas pelo Con-
selho Permanente da Organização, de acordo Uma convenção interamericana sobre direitos
com os mesmos critérios estabelecidos no pará- humanos estabelecerá a estrutura, a competên-
grafo anterior. cia e as normas de funcionamento da referida
Comissão, bem como as dos outros órgãos en-
carregados de tal matéria.

138 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

CAPÍTULO XVI Artigo 111.


A SECRETARIA-GERAL De acordo com a ação e a política decididas pela
Assembléia Geral e com as resoluções pertinen-
Artigo 107.
tes dos Conselhos, a Secretaria-Geral promove-
A Secretaria-Geral é o órgão central e perma- rá relações econômicas, sociais, jurídicas, edu-
nente da Organização dos Estados Americanos. cacionais, científicas e culturais entre todos os
Exercerá as funções que lhe atribuam a Carta, Estados membros da Organização, com especial
outros tratados e acordos interamericanos e a ênfase na cooperação da pobreza crítica.
Assembléia Geral, e cumprirá os encargos de
Artigo 112.
que for incumbida pela Assembléia Geral, pela
Reunião de Consulta dos Ministros das Relações A Secretaria-Geral desempenha também as se-
Exteriores e pelos Conselhos. guintes funções:
Artigo 108. a) Encaminhar ex officio aos Estados mem-
bros a convocatória da Assembléia Geral, da
O Secretário-Geral da Organização será eleito
Reunião de Consulta dos Ministros das Rela-
pela Assembléia Geral para um período de cin-
ções Exteriores, do Conselho Interamerica-
co anos e não poderá ser reeleito mais de uma
no de Desenvolvimento Integral e das Con-
vez, nem poderá suceder-lhe pessoa da mesma
ferências Especializadas;
nacionalidade. Vagando o cargo de Secretário-
-Geral, o Secretário-Geral Adjunto assumirá as b) Assessorar os outros órgãos, quando ca-
funções daquele até que a Assembléia Geral bível, na elaboração das agendas e regula-
proceda à eleição de novo titular para um perí- mentos;
odo completo.
c) Preparar o projeto de orçamento-pro-
Artigo 109. grama da Organização com base nos pro-
gramas aprovados pelos Conselhos, orga-
O Secretário-Geral dirige a Secretaria-Geral, é o
nismos e entidades cujas despesas devam
representante legal da mesma e, sem prejuízo
ser incluídas no orçamento-programa e,
do estabelecido no artigo 91, alínea b, responde
após consulta com esses Conselhos ou suas
perante a Assembléia Geral pelo cumprimento
Comissões Permanentes, submetê-lo à Co-
adequado das atribuições e funções da Secreta-
missão Preparatória da Assembléia Geral e
ria-Geral.
em seguida à própria Assembléia;
Artigo 110.
d) Proporcionar à Assembléia Geral e aos
O Secretário-Geral ou seu representante poderá demais órgãos serviços de secretaria per-
participar, com direito a palavra, mas sem voto, manentes e adequados, bem como dar
de todas as reuniões da Organização. cumprimento a seus mandatos e encargos.
Dentro de suas possibilidades, atender às
O Secretário-Geral poderá levar à atenção da outras reuniões da Organização;
Assembléia Geral ou do Conselho Permanente
qualquer assunto que, na sua opinião, possa e) Custodiar os documentos e arquivos das
afetar a paz e a segurança do Continente e o de- Conferências Interamericanas, da Assem-
senvolvimento dos Estados membros. bléia Geral, das Reuniões de Consulta dos
Ministros das Relações Exteriores, dos Con-
As atribuições a que se refere o parágrafo ante- selhos e das Conferências Especializadas;
rior serão exercidas em conformidade com esta
Carta. f) Servir de depositária dos tratados e
acordos interamericanos, bem como dos
instrumentos de ratificação dos mesmos;

www.acasadoconcurseiro.com.br 139
g) Apresentar à Assembléia Geral, em cada Artigo 116.
período ordinário de sessões, um relatório
anual sobre as atividades e a situação finan- A Assembléia Geral, com o voto de dois terços
ceira da Organização; e dos Estados membros, pode destituir o Secretá-
rio-Geral ou o Secretário-Geral Adjunto, ou am-
h) Estabelecer relações de cooperação, bos, quando o exigir o bom funcionamento da
consoante o que for decidido pela Assem- Organização.
bléia Geral ou pelos Conselhos, com os Or-
ganismos Especializados e com outros orga- Artigo 117.
nismos nacionais e internacionais. O Secretário-Geral designará o Secretário Exe-
Artigo 113. cutivo de Desenvolvimento Integral, com a
aprovação do Conselho Interamericano de De-
Compete ao Secretário-Geral: senvolvimento Integral.
a) Estabelecer as dependências da Secreta- Artigo 118.
ria-Geral que sejam necessárias para a reali-
zação de seus fins; e No cumprimento de seus deveres, o Secretário-
-Geral e o pessoal da Secretaria não solicitarão
b) Determinar o número de funcionários nem receberão instruções de governo algum
e empregados da Secretaria-Geral, nomeá- nem de autoridade alguma estranha à Organi-
-los, regulamentar suas atribuições e deve- zação, e abster-se-ão de agir de maneira incom-
res e fixar sua retribuição. patível com sua condição de funcionários inter-
nacionais, responsáveis unicamente perante a
O Secretário-Geral exercerá essas atribuições de Organização.
acordo com as normas gerais e as disposições
orçamentárias que forem estabelecidas pela As- Artigo 119.
sembléia Geral.
Os Estados membros comprometem-se a res-
Artigo 114. peitar o caráter exclusivamente internacional
das responsabilidades do Secretário-Geral e do
O Secretário-Geral Adjunto será eleito pela As- pessoal da Secretaria-Geral e a não tentar influir
sembléia Geral para um período de cinco anos sobre eles no desempenho de suas funções.
e não poderá ser reeleito mais de uma vez, nem
poderá suceder-lhe pessoa da mesma nacionali- Artigo 120.
dade. Vagando o cargo de Secretário-Geral Ad-
junto, o Conselho Permanente elegerá um subs- Na seleção do pessoal da Secretaria-Geral levar-
tituto, o qual exercerá o referido cargo até que -se-ão em conta, em primeiro lugar, a eficiência,
a Assembléia Geral proceda à eleição de novo a competência e a probidade; mas, ao mesmo
titular para um período completo. tempo, dever-se-á dar importância à necessida-
de de ser o pessoal escolhido, em todas as hie-
Artigo 115. rarquias, de acordo com um critério de repre-
sentação geográfica tão amplo quanto possível.
O Secretário-Geral Adjunto é o Secretário do
Conselho Permanente. Tem o caráter de fun- Artigo 121.
cionário consultivo do Secretário-Geral e atuará
como delegado seu em tudo aquilo de que for A sede da Secretaria-Geral é a cidade de Wa-
por ele incumbido. Na ausência temporária ou shington, D.C.
no impedimento do Secretário-Geral, exercerá
as funções deste.
O Secretário-Geral e o Secretário-Geral adjunto
deverão ser de nacionalidades diferentes.

140 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

CAPÍTULO XVII ral e dos Conselhos, de acordo com as disposi-


AS CONFERÊNCIAS ESPECIALIZADAS ções da Carta.
Artigo 127.
Artigo 122.
Os Organismos Especializados apresentarão à
As Conferências Especializadas são reuniões Assembléia Geral relatórios anuais sobre o de-
intergovernamentais destinadas a tratar de senvolvimento de suas atividades, bem como
assuntos técnicos especiais ou a desenvolver sobre seus orçamentos e contas anuais.
aspectos específicos da cooperação interame-
ricana e são realizadas quando o determine a Artigo 128.
Assembléia Geral ou a Reunião de Consulta dos
Ministros das Relações Exteriores, por iniciativa As relações que devem existir entre os Organis-
própria ou a pedido de algum dos Conselhos ou mos Especializados e a Organização serão defi-
Organismos Especializados. nidas mediante acordos celebrados entre cada
organismo e o Secretário-Geral, com a autoriza-
Artigo 123. ção da Assembléia Geral.
A agenda e o regulamento das Conferências Es- Artigo 129.
pecializadas serão elaborados pelos Conselhos
competentes, ou pelos Organismos Especializa- Os Organismos Especializados devem estabele-
dos interessados, e submetidos à consideração cer relações de cooperação com os organismos
dos governos dos Estados membros. mundiais do mesmo caráter, a fim de coordenar
suas atividades. Ao entrarem em acordo com os
organismos internacionais de caráter mundial,
os Organismos Especializados Interamericanos
CAPÍTULO XVIII devem manter a sua identidade e posição como
ORGANISMOS ESPECIALIZADOS parte integrante da Organização dos Estados
Americanos, mesmo quando desempenhem
Artigo 124. funções regionais dos organismos internacio-
nais.
Consideram-se como Organismos Especializa-
dos Interamericanos, para os efeitos desta Car- Artigo 130.
ta, os organismos intergovernamentais estabe- Na localização dos Organismos Especializados,
lecidos por acordos multilaterais, que tenham levar-se-ão em conta os interesses de todos os
determinadas funções em matérias técnicas de Estados membros e a conveniência de que as
interesse comum para os Estados americanos. sedes dos mesmos sejam escolhidas mediante
Artigo 125. critério de distribuição geográfica tão eqüitativa
quanto possível.
A Secretaria-Geral manterá um registro dos
organismos que satisfaçam as condições esta-
belecidas no artigo anterior, de acordo com as
determinações da Assembléia Geral e à vista de
relatório do Conselho correspondente.
Artigo 126.
Os Organismos Especializados gozam da mais
ampla autonomia técnica, mas deverão levar
em conta as recomendações da Assembléia Ge-

www.acasadoconcurseiro.com.br 141
TERCEIRA PARTE Artigo 135.
A situação jurídica dos Organismos Especializa-
dos e os privilégios e imunidades que devem ser
CAPÍTULO XIX concedidos aos mesmos e ao seu pessoal, bem
NAÇÕES UNIDAS como aos funcionários da Secretaria-Geral, se-
rão determinados em acordo multilateral. O dis-
Artigo 131. posto neste artigo não impede que se celebrem
Nenhuma das estipulações desta Carta se in- acordos bilaterais, quando julgados necessários.
terpretará no sentido de prejudicar os direitos Artigo 136.
e obrigações dos Estados membros, de acordo
com a Carta das Nações Unidas. A correspondência da Organização dos Esta-
dos Americanos, inclusive impressos e pacotes,
sempre que for marcada com o seu selo de fran-
quia, circulará isenta de porte pelos correios dos
CAPÍTULO XX Estados membros.
DISPOSIÇÕES DIVERSAS Artigo 137.
Artigo 132. A Organização dos Estados Americanos não ad-
mite restrição alguma, por motivo de raça, cre-
A assistência às reuniões dos órgãos permanen-
do ou sexo, à capacidade para exercer cargos na
tes da Organização dos Estados Americanos ou
Organização e participar de suas atividades.
às conferências e reuniões previstas na Carta,
ou realizadas sob os auspícios da Organização, Artigo 138.
obedece ao caráter multilateral dos referidos
órgãos, conferências e reuniões e não depende Os órgãos competentes buscarão, de acordo
das relações bilaterais entre o governo de qual- com as disposições desta Carta, maior colabo-
quer Estado membro e o governo do país sede. ração dos países não membros da Organização
em matéria de cooperação para o desenvolvi-
Artigo 133. mento.
A Organização dos Estados Americanos gozará
no território de cada um de seus membros da
capacidade jurídica, dos privilégios e das imu- CAPÍTULO XXI
nidades que forem necessários para o exercício
das suas funções e a realização dos seus propó- RATIFICAÇÃO E VIGÊNCIA
sitos. Artigo 139.
Artigo 134. A presente Carta fica aberta à assinatura dos
Os representantes dos Estados membros nos Estados americanos e será ratificada conforme
órgãos da Organização, o pessoal das suas re- seus respectivos processos constitucionais. O
presentações, o Secretário-Geral e o Secre- instrumento original, cujos textos em portu-
tário-Geral Adjunto gozarão dos privilégios e guês, espanhol, inglês e francês são igualmente
imunidades correspondentes a seus cargos e autênticos, será depositado na Secretaria-Geral,
necessários para desempenhar com indepen- a qual enviará cópias autenticadas aos gover-
dência suas funções. nos, para fins de ratificação. Os instrumentos
de ratificação serão depositados na Secretaria-
-Geral e esta notificará os governos signatários
do dito depósito.

142 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

Artigo 140. Artigo 145.


A presente Carta entrará em vigor entre os Es- Enquanto não entrar em vigor a convenção in-
tados que a ratificarem, quando dois terços dos teramericana sobre direitos humanos a que se
Estados signatários tiverem depositado suas ra- refere o Capítulo XV, a atual Comissão Interame-
tificações. Quanto aos Estados restantes, entra- ricana de Direitos Humanos velará pela obser-
rá em vigor na ordem em que eles depositarem vância de tais direitos.
as suas ratificações.
Artigo 146.
Artigo 141.
O Conselho Permanente não formulará nenhu-
A presente Carta será registrada na Secretaria ma recomendação, nem a Assembléia Geral to-
das Nações Unidas por intermédio da Secreta- mará decisão alguma sobre pedido de admissão
ria-Geral. apresentado por entidade política cujo territó-
rio esteja sujeito, total ou parcialmente e em
Artigo 142. época anterior à data de 18 de dezembro de
As reformas da presente Carta só poderão ser 1964, fixada pela Primeira Conferência Intera-
adotadas pela Assembléia Geral, convocada mericana Extraordinária, a litígio ou reclamação
para tal fim. As reformas entrarão em vigor nos entre país extracontinental e um ou mais Esta-
mesmos termos e segundo o processo estabele- dos membros da Organização, enquanto não se
cido no artigo 140. houver posto fim à controvérsia mediante pro-
cesso pacífico. Este artigo permanecerá em vi-
Artigo 143. gor até 10 de dezembro de 1990.
Esta Carta vigorará indefinidamente, mas po-
derá ser denunciada por qualquer dos Estados
membros, mediante uma notificação escrita à DECLARAÇÃO AMERICANA DOS
Secretaria-Geral, a qual comunicará em cada
caso a todos os outros Estados as notificações DIREITOS E DEVERES DO HOMEM
de denúncia que receber. Transcorridos dois (1948)
anos a partir da data em que a Secretaria-Geral
receber uma notificação de denúncia, a presen- A IX Conferência Internacional Americana, Con-
te Carta cessará seus efeitos em relação ao dito siderando:
Estado denunciante e este ficará desligado da
Organização, depois de ter cumprido as obriga- Que os povos americanos dignificaram a pessoa
ções oriundas da presente Carta. humana e que suas Constituições nacionais re-
conhecem que as instituições jurídicas e políti-
cas, que regem a vida em sociedade, têm como
finalidade principal a proteção dos direitos es-
CAPÍTULO XXII senciais do homem e a criação de circunstâncias
DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS que lhe permitam progredir espiritual e mate-
rialmente e alcançar a felicidade;
Artigo 144.
Que, em repetidas ocasiões, os Estados ameri-
O Comitê Interamericano da Aliança para o Pro- canos reconheceram que os direitos essenciais
gresso atuará como comissão executiva perma- do homem não derivam do fato de ser ele ci-
nente do Conselho Interamericano Econômico e dadão de determinado Estado, mas sim do fato
Social enquanto estiver em vigor a Aliança para dos direitos terem como base os atributos da
o Progresso. pessoa humana;

www.acasadoconcurseiro.com.br 143
Que a proteção internacional dos direitos do E, visto que a moral e as boas maneiras consti-
homem deve ser a orientação principal do direi- tuem a mais nobre manifestação da cultura, é
to americano em evolução; dever de todo homem acatar-lhe os princípios.
Que a consagração americana dos direitos es-
senciais do homem, unida às garantias ofereci-
das pelo regime interno dos Estados, estabele- CAPÍTULO PRIMEIRO
ce o sistema inicial de proteção que os Estados
DIREITOS
americanos consideram adequado às atuais
circunstâncias sociais e jurídicas, não deixando Artigo I. Todo ser humano tem direito à vida, à
de reconhecer, porém, que deverão fortalecê-lo liberdade e à segurança de sus pessoa.
cada vez mais no terreno internacional, à medi-
da que essas circunstâncias se tornem mais pro- Artigo II. Todas as pessoas são iguais perante
pícias; a lei e têm os direitos e deveres consagrados
nesta Declaração, sem distinção de raça, língua,
Resolve: crença, ou qualquer outra.
Adotar a seguinte Artigo III. Toda pessoa tem o direito de profes-
sar livremente uma crença religiosa e de mani-
Declaração Americana dos festá-la e praticá-la pública e particularmente.
Direitos e Deveres do Homem
Artigo IV. Toda pessoa tem o direito à liberdade
Preâmbulo de investigação, de opinião e de expressão e di-
fusão do pensamento, por qualquer meio.
Todos os homens nascem livres e iguais em dig-
nidade e direitos e, como são dotados pela na- Artigo V. Toda pessoa tem direito à proteção da
tureza de razão e consciência, devem proceder lei contra os ataques abusivos à sua honra, à sua
fraternalmente uns para com os outros. reputação e à sua vida particular e familiar.

O cumprimento do dever de cada um é exi- Artigo VI. Toda pessoa tem direito a constituir
gência do direito de todos. Direitos e deveres família, elemento fundamental da sociedade e a
integram-se correlativamente em toda a ativi- receber proteção para ela.
dade social e política do homem. Se os direitos Artigo VII. Toda mulher em estado de gravi-
exaltam a liberdade individual, os deveres expri- dez ou em época de lactação, assim como toda
mem a dignidade dessa liberdade. criança, têm direito à proteção, cuidados e auxí-
Os deveres de ordem jurídica dependem da lios especiais.
existência anterior de outros de ordem moral, Artigo VIII. Toda pessoa tem direito de fixar sua
que apoiam os primeiros conceitualmente e os residência no território do Estado de que é na-
fundamentam. cional, de transitar por ele livremente e de não
É dever do homem servir o espírito com todas abandoná-lo senão por sua própria vontade.
as suas faculdades e todos os seus recursos, Artigo IX. Toda pessoa tem direito à inviolabili-
porque o espírito é a finalidade suprema da dade do seu domicílio.
existência humana e a sua máxima categoria.
Artigo X. Toda pessoa tem direito à inviolabili-
É dever do homem exercer, manter e estimu- dade e circulação da sua correspondência.
lar a cultura por todos os meios ao seu alcance,
porque a cultura é a mais elevada expressão so- Artigo XI. Toda pessoa tem direito a que sua
cial e histórica do espírito. saúde seja resguardada por medidas sanitárias
e sociais relativas à alimentação, roupas, habi-

144 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

tação e cuidados médicos correspondentes ao Artigo XVI. Toda pessoa tem direito à previdên-
nível permitido pelos recursos públicos e os da cia social, de modo a ficar protegida contra as
coletividade. conseqüências do desemprego, da velhice e da
incapacidade que, provenientes de qualquer
Artigo XII. Toda pessoa tem direito à educação, causa alheia à sua vontade, a impossibilitem fí-
que deve inspirar-se nos princípios de liberda- sica ou mentalmente de obter meios de subsis-
de, moralidade e solidariedade humana. tência.
Tem, outrossim, direito a que, por meio dessa Artigo XVII. Toda pessoa tem direito a ser re-
educação, lhe seja proporcionado o preparo conhecida, seja onde for, como pessoa com di-
para subsistir de uma maneira digna, para me- reitos e obrigações, e a gozar dos direitos civis
lhorar o seu nível de vida e para poder ser útil à fundamentais.
sociedade.
Artigo XVIII. Toda pessoa pode recorrer aos
O direito à educação compreende o de igualda- tribunais para fazer respeitar os seus direitos.
de de oportunidade em todos os casos, de acor- Deve poder contar, outrossim, com processo
do com os dons naturais, os méritos e o desejo simples e breve, mediante o qual a justiça a pro-
de aproveitar os recursos que possam propor- teja contra atos de autoridade que violem, em
cionar a coletividade e o Estado. seu prejuízo, qualquer dos direitos fundamen-
Toda pessoa tem o direito de que lhe seja mi- tais consagrados constitucionalmente.
nistrada gratuitamente pelo menos, a instrução Artigo XIX. Toda pessoa tem direito à nacionali-
primária. dade que legalmente lhe corresponda, podendo
Artigo XIII. Toda pessoa tem direito de tomar mudá-la, se assim o desejar, pela de qualquer
parte na vida cultural da coletividade, de gozar outro país que estiver disposta a concedê-la.
das artes e de desfrutar dos benefícios resultan- Artigo XX. Toda pessoa, legalmente capacitada,
tes do progresso intelectual e, especialmente tem o direito de tomar parte no governo do seu
das descobertas científicas. país, quer diretamente, quer através de seus re-
Tem o direito, outrossim, de ser protegida em presentantes, e de participar das eleições, que
seus interesses morais e materiais, no que se re- se processarão por voto secreto, de uma manei-
fere às invenções, obras literárias, científicas ou ra genuína, periódica e livre.
artísticas de sua autoria. Artigo XXI. Toda pessoa tem o direito de se reu-
Artigo XIV. Toda pessoa tem direito ao trabalho nir pacificamente com outras, em manifestação
em condições dignas e o direito de seguir livre- pública, ou em assembléia transitória, em rela-
mente sua vocação, na medida em que for per- ção com seus interesses comuns, de qualquer
mitido pelas oportunidades de emprego exis- natureza que sejam.
tentes. Artigo XXII. Toda pessoa tem o direito de se as-
Toda pessoa que trabalha tem o direito de re- sociar com outras a fim de promover, exercer e
ceber uma remuneração que, em relação à sua proteger os seus interesses legítimos, de ordem
capacidade de trabalho e habilidade, lhe garan- política, econômica, religiosa, social, cultural,
ta um nível de vida conveniente para si mesma e profissional, sindical ou de qualquer outra natu-
para sua família. reza.

Artigo XV. Toda pessoa tem direito ao descanso, Artigo XXIII. Toda pessoa tem direito à proprie-
ao recreio honesto e à oportunidade de aprovei- dade particular correspondente às necessida-
tar utilmente o seu tempo livre em benefício de des essenciais de uma vida decente, e que con-
seu melhoramento espiritual, cultural e físico. tribua a manter a dignidade da pessoa e do lar.

www.acasadoconcurseiro.com.br 145
Artigo XXIV. Toda pessoa tem o direito de apre- CAPÍTULO SEGUNDO
sentar petições respeitosas a qualquer autori- DEVERES
dade competente, quer por motivo de interesse
geral, quer de interesse particular, assim como o Artigo XXIX. O indivíduo tem o dever de con-
de obter uma solução rápida. viver com os demais, de maneira que todos e
Artigo XXV. Ninguém pode ser privado da sua li- cada um possam formar e desenvolver integral-
berdade, a não ser nos casos previstos pelas leis mente a sua personalidade.
e segundo as praxes estabelecidas pelas leis já Artigo XXX. Toda pessoa tem o dever de auxiliar,
existentes. alimentar, educar e amparar os seus filhos me-
Ninguém pode ser preso por deixar de cumprir nores de idade, e os filhos têm o dever de hon-
obrigações de natureza claramente civil. rar sempre os seus pais e de auxiliar, alimentar e
amparar sempre que precisarem.
Todo indivíduo, que tenha sido privado da sua
liberdade, tem o direito de que o juiz verifique Artigo XXXI. Toda pessoa tem o dever de adqui-
sem demora a legalidade da medida, e de que o rir, pelo menos, a instrução primária.
julgue sem protelação injustificada, ou, no caso Artigo XXXII. Toda pessoa tem o dever de votar
contrário, de ser posto em liberdade. Tem tam- nas eleições populares do país de que for nacio-
bém direito a um tratamento humano durante o nal, quando estiver legalmente habilitada para
tempo em que o privarem da sua liberdade. isso.
Artigo XXVI. Parte-se do princípio de que todo Artigo XXXIII. Toda pessoa tem o dever de obe-
acusado é inocente, até provar-se-lhe a culpabi- decer à Lei e aos demais mandamentos legíti-
lidade. mos das autoridades do país onde se encontrar.
Toda pessoa acusada de um delito tem direito Artigo XXXIV. Toda pessoa devidamente habili-
de ser ouvida em uma forma imparcial e públi- tada tem o dever de prestar os serviços civis e
ca, de ser julgada por tribunais já estabelecidos militares que a pátria exija para a sua defesa e
de acordo com leis preexistentes, e de que se conservação, e, no caso de calamidade pública,
lhe não inflijam penas cruéis, infamantes ou os serviços civis que estiverem dentro de suas
inusitadas. possibilidades.
Artigo XXVII. Toda pessoa tem o direito de pro- Da mesma forma tem o dever de desempenhar
curar e receber asilo em território estrangeiro, os cargos de eleição popular de que for incum-
em caso de perseguição que não seja motivada bida no Estado de que for nacional.
por delitos de direito comum, e de acordo com
a legislação de cada país e com as convenções Artigo XXXV. Toda pessoa está obrigada a coo-
internacionais. perar com o Estado e com a coletividade na as-
sistência e previdência sociais, de acordo com
Artigo XXVIII. Os direitos do homem estão limi- as suas possibilidades e com as circunstâncias.
tados pelos direitos do próximo, pela segurança
de todos e pelas justas exigências do bem–estar Artigo XXXVI. Toda pessoa tem o dever de pagar
geral e do desenvolvimento democrático. os impostos estabelecidos pela lei para a manu-
tenção dos serviços públicos.
Artigo XXXVII. Toda pessoa tem o dever de tra-
balhar, dentro das suas capacidades e possibi-
lidades, a fim de obter os recursos para a sua
subsistência ou em benefício da coletividade.

146 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

Artigo XXXVIII. Todo o estrangeiro tem o dever Considerando que a Terceira Conferência Inte-
de se abster de tomar parte nas atividades polí- ramericana Extraordinária (Buenos Aires, 1967)
ticas que, de acordo com a lei, sejam privativas aprovou a incorporação à própria Carta da Orga-
dos cidadãos do Estado onde se encontrar. nização de normas mais amplas sobre os direi-
tos econômicos, sociais e educacionais e resol-
* Resolução XXX, Ata Final, aprovada na IX Con- veu que uma Convenção Interamericana sobre
ferência Internacional Americana, em Bogotá, Direitos Humanos determinasse a estrutura,
em abril de 1948. competência e processo dos órgãos encarrega-
dos dessa matéria;
Convieram no seguinte:
CONVENÇÃO AMERICANA SOBRE
DIREITOS HUMANOS (1969) – PACTO
DE SAN JOSÉ DA COSTA PARTE I

Os Estados Americanos signatários da presente


DEVERES DOS ESTADOS
Convenção, E DIREITOS PROTEGIDOS
Reafirmando seu propósito de consolidar neste
Continente, dentro do quadro das instituições
democráticas, um regime de liberdade pessoal CAPÍTULO I
e de justiça social, fundado no respeito dos di-
ENUMERAÇÃO DOS DEVERES
reitos humanos essenciais;
Reconhecendo que os direitos essenciais da Artigo 1º Obrigação de respeitar os direitos
pessoa humana não derivam do fato de ser ela 1. Os Estados-partes nesta Convenção
nacional de determinado Estado, mas sim do comprometem-se a respeitar os direitos e
fato de ter como fundamento os atributos da liberdades nela reconhecidos e a garantir
pessoa humana, razão por que justificam uma seu livre e pleno exercício a toda pessoa
proteção internacional, de natureza convencio- que esteja sujeita à sua jurisdição, sem dis-
nal, coadjuvante ou complementar da que ofe- criminação alguma, por motivo de raça, cor,
rece o direito interno dos Estados americanos; sexo, idioma, religião, opiniões políticas ou
Considerando que esses princípios foram con- de qualquer outra natureza, origem nacio-
sagrados na Carta da Organização dos Estados nal ou social, posição econômica, nascimen-
Americanos, na Declaração Americana dos Di- to ou qualquer outra condição social.
reitos e Deveres do Homem e na Declaração 2. Para efeitos desta Convenção, pessoa é
Universal dos Direitos do Homem, e que foram todo ser humano.
reafirmados e desenvolvidos em outros instru-
mentos internacionais, tanto de âmbito mun- Artigo 2º Dever de adotar disposições de direi-
dial como regional; to interno

Reiterando que, de acordo com a Declaração Se o exercício dos direitos e liberdades mencio-
Universal dos Direitos Humanos, só pode ser nados no artigo 1 ainda não estiver garantido
realizado o ideal do ser humano livre, isento do por disposições legislativas ou de outra nature-
temor e da miséria, se forem criadas condições za, os Estados-partes comprometem-se a ado-
que permitam a cada pessoa gozar dos seus tar, de acordo com as suas normas constitucio-
direitos econômicos, sociais e culturais, bem nais e com as disposições desta Convenção, as
como dos seus direitos civis e políticos; e medidas legislativas ou de outra natureza que

www.acasadoconcurseiro.com.br 147
forem necessárias para tornar efetivos tais direi- Artigo 5º Direito à integridade pessoal
tos e liberdades.
1. Toda pessoa tem direito a que se respei-
te sua integridade física, psíquica e moral.
2. Ninguém deve ser submetido a torturas,
CAPÍTULO II nem a penas ou tratos cruéis, desumanos
DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS ou degradantes. Toda pessoa privada de li-
berdade deve ser tratada com o respeito
Artigo 3º Direito ao reconhecimento da perso- devido à dignidade inerente ao ser humano.
nalidade jurídica
3. A pena não pode passar da pessoa do
Toda pessoa tem direito ao reconhecimento de delinquente.
sua personalidade jurídica.
4. Os processados devem ficar separados
Artigo 4º Direito à vida dos condenados, salvo em circunstâncias
1. Toda pessoa tem o direito de que se res- excepcionais, e devem ser submetidos a tra-
peite sua vida. Esse direito deve ser prote- tamento adequado à sua condição de pes-
gido pela lei e, em geral, desde o momento soas não condenadas.
da concepção. Ninguém pode ser privado 5. Os menores, quando puderem ser pro-
da vida arbitrariamente. cessados, devem ser separados dos adultos
2. Nos países que não houverem abolido a e conduzidos a tribunal especializado, com
pena de morte, esta só poderá ser imposta a maior rapidez possível, para seu trata-
pelos delitos mais graves, em cumprimento mento.
de sentença final de tribunal competente e 6. As penas privativas de liberdade devem
em conformidade com a lei que estabeleça ter por finalidade essencial a reforma e a re-
tal pena, promulgada antes de haver o de- adaptação social dos condenados.
lito sido cometido. Tampouco se estenderá
sua aplicação a delitos aos quais não se apli- Artigo 6º Proibição da escravidão e da servidão
que atualmente.
1. Ninguém poderá ser submetido a escra-
3. Não se pode restabelecer a pena de vidão ou servidão e tanto estas como o trá-
morte nos Estados que a hajam abolido. fico de escravos e o tráfico de mulheres são
proibidos em todas as suas formas.
4. Em nenhum caso pode a pena de morte
ser aplicada a delitos políticos, nem a deli- 2. Ninguém deve ser constrangido a exe-
tos comuns conexos com delitos políticos. cutar trabalho forçado ou obrigatório. Nos
países em que se prescreve, para certos
5. Não se deve impor a pena de morte a delitos, pena privativa de liberdade acom-
pessoa que, no momento da perpetração panhada de trabalhos forçados, esta dispo-
do delito, for menor de dezoito anos, ou sição não pode ser interpretada no sentido
maior de setenta, nem aplicá-la a mulher de proibir o cumprimento da dita pena, im-
em estado de gravidez. posta por um juiz ou tribunal competente.
6. Toda pessoa condenada à morte tem O trabalho forçado não deve afetar a digni-
direito a solicitar anistia, indulto ou comu- dade, nem a capacidade física e intelectual
tação da pena, os quais podem ser conce- do recluso.
didos em todos os casos. Não se pode exe- 3. Não constituem trabalhos forçados ou
cutar a pena de morte enquanto o pedido obrigatórios para os efeitos deste artigo:
estiver pendente de decisão ante a autori-
dade competente.

148 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

a) os trabalhos ou serviços normalmente 6. Toda pessoa privada da liberdade tem


exigidos de pessoa reclusa em cumprimento direito a recorrer a um juiz ou tribunal com-
de sentença ou resolução formal expedida petente, a fim de que este decida, sem de-
pela autoridade judiciária competente. Tais mora, sobre a legalidade de sua prisão ou
trabalhos ou serviços devem ser executados detenção e ordene sua soltura, se a prisão
sob a vigilância e controle das autoridades ou a detenção forem ilegais. Nos Estados-
públicas, e os indivíduos que os executarem -partes cujas leis prevêem que toda pessoa
não devem ser postos à disposição de parti- que se vir ameaçada de ser privada de sua
culares, companhias ou pessoas jurídicas de liberdade tem direito a recorrer a um juiz
caráter privado; ou tribunal competente, a fim de que este
decida sobre a legalidade de tal ameaça, tal
b) serviço militar e, nos países em que se recurso não pode ser restringido nem aboli-
admite a isenção por motivo de consciên- do. O recurso pode ser interposto pela pró-
cia, qualquer serviço nacional que a lei esta- pria pessoa ou por outra pessoa.
belecer em lugar daquele;
7. Ninguém deve ser detido por dívidas.
c) o serviço exigido em casos de perigo ou Este princípio não limita os mandados de
de calamidade que ameacem a existência autoridade judiciária competente expedi-
ou o bem-estar da comunidade; dos em virtude de inadimplemento de obri-
d) o trabalho ou serviço que faça parte das gação alimentar.
obrigações cívicas normais. Artigo 8º Garantias judiciais
Artigo 7º Direito à liberdade pessoal 1. Toda pessoa terá o direito de ser ouvida,
1. Toda pessoa tem direito à liberdade e à com as devidas garantias e dentro de um
segurança pessoais. prazo razoável, por um juiz ou Tribunal com-
petente, independente e imparcial, estabe-
2. Ninguém pode ser privado de sua liber- lecido anteriormente por lei, na apuração
dade física, salvo pelas causas e nas condi- de qualquer acusação penal formulada con-
ções previamente fixadas pelas Constitui- tra ela, ou na determinação de seus direitos
ções políticas dos Estados-partes ou pelas e obrigações de caráter civil, trabalhista, fis-
leis de acordo com elas promulgadas. cal ou de qualquer outra natureza.
3. Ninguém pode ser submetido a deten- 2. Toda pessoa acusada de um delito tem
ção ou encarceramento arbitrários. direito a que se presuma sua inocência, en-
4. Toda pessoa detida ou retida deve ser quanto não for legalmente comprovada sua
informada das razões da detenção e notifi- culpa. Durante o processo, toda pessoa tem
cada, sem demora, da acusação ou das acu- direito, em plena igualdade, às seguintes
sações formuladas contra ela. garantias mínimas:

5. Toda pessoa presa, detida ou retida deve a) direito do acusado de ser assistido gra-
ser conduzida, sem demora, à presença de tuitamente por um tradutor ou intérprete,
um juiz ou outra autoridade autorizada por caso não compreenda ou não fale a língua
lei a exercer funções judiciais e tem o direi- do juízo ou tribunal;
to de ser julgada em prazo razoável ou de b) comunicação prévia e pormenorizada ao
ser posta em liberdade, sem prejuízo de que acusado da acusação formulada;
prossiga o processo. Sua liberdade pode ser
condicionada a garantias que assegurem o c) concessão ao acusado do tempo e dos
seu comparecimento em juízo. meios necessários à preparação de sua de-
fesa;

www.acasadoconcurseiro.com.br 149
d) direito do acusado de defender-se pes- em sentença transitada em julgado, por erro ju-
soalmente ou de ser assistido por um de- diciário.
fensor de sua escolha e de comunicar-se,
livremente e em particular, com seu defen- Artigo 11. Proteção da honra e da dignidade
sor; 1. Toda pessoa tem direito ao respeito da
e) direito irrenunciável de ser assistido por sua honra e ao reconhecimento de sua dig-
um defensor proporcionado pelo Estado, nidade.
remunerado ou não, segundo a legislação 2. Ninguém pode ser objeto de ingerências
interna, se o acusado não se defender ele arbitrárias ou abusivas em sua vida privada,
próprio, nem nomear defensor dentro do em sua família, em seu domicílio ou em sua
prazo estabelecido pela lei; correspondência, nem de ofensas ilegais à
f) direito da defesa de inquirir as teste- sua honra ou reputação.
munhas presentes no Tribunal e de obter 3. Toda pessoa tem direito à proteção da
o comparecimento, como testemunhas ou lei contra tais ingerências ou tais ofensas.
peritos, de outras pessoas que possam lan-
çar luz sobre os fatos; Artigo 12. Liberdade de consciência e de religião

g) direito de não ser obrigada a depor con- 1. Toda pessoa tem direito à liberdade de
tra si mesma, nem a confessar-se culpada; e consciência e de religião. Esse direito impli-
ca a liberdade de conservar sua religião ou
h) direito de recorrer da sentença a juiz ou suas crenças, ou de mudar de religião ou de
tribunal superior. crenças, bem como a liberdade de professar
3. A confissão do acusado só é válida se fei- e divulgar sua religião ou suas crenças, indi-
ta sem coação de nenhuma natureza. vidual ou coletivamente, tanto em público
como em privado.
4. O acusado absolvido por sentença tran-
sitada em julgado não poderá ser submeti- 2. Ninguém pode ser submetido a medidas
do a novo processo pelos mesmos fatos. restritivas que possam limitar sua liberdade
de conservar sua religião ou suas crenças,
5. O processo penal deve ser público, salvo ou de mudar de religião ou de crenças. A li-
no que for necessário para preservar os in- berdade de manifestar a própria religião e
teresses da justiça. as próprias crenças está sujeita apenas às
limitações previstas em lei e que se façam
Artigo 9º Princípio da legalidade e da retroati- necessárias para proteger a segurança, a
vidade ordem, a saúde ou a moral públicas ou os
Ninguém poderá ser condenado por atos ou direitos e as liberdades das demais pessoas.
omissões que, no momento em que foram co- 3. Os pais e, quando for o caso, os tutores,
metidos, não constituam delito, de acordo com têm direito a que seus filhos e pupilos rece-
o direito aplicável. Tampouco poder-se-á impor bam a educação religiosa e moral que esteja
pena mais grave do que a aplicável no momento de acordo com suas próprias convicções.
da ocorrência do delito. Se, depois de perpetra-
do o delito, a lei estipular a imposição de pena Artigo 13. Liberdade de pensamento e de ex-
mais leve, o delinquente deverá dela beneficiar- pressão
-se.
1. Toda pessoa tem o direito à liberdade
Artigo 10. Direito à indenização de pensamento e de expressão. Esse direi-
to inclui a liberdade de procurar, receber e
Toda pessoa tem direito de ser indenizada con- difundir informações e idéias de qualquer
forme a lei, no caso de haver sido condenada

150 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

natureza, sem considerações de fronteiras, 2. Em nenhum caso a retificação ou a res-


verbalmente ou por escrito, ou em forma posta eximirão das outras responsabilida-
impressa ou artística, ou por qualquer meio des legais em que se houver incorrido.
de sua escolha.
3. Para a efetiva proteção da honra e da re-
2. O exercício do direito previsto no inciso putação, toda publicação ou empresa jorna-
precedente não pode estar sujeito à censu- lística, cinematográfica, de rádio ou televi-
ra prévia, mas a responsabilidades ulterio- são, deve ter uma pessoa responsável, que
res, que devem ser expressamente previs- não seja protegida por imunidades, nem
tas em lei e que se façam necessárias para goze de foro especial.
assegurar:
Artigo 15. Direito de reunião
a) o respeito dos direitos e da reputação
das demais pessoas; É reconhecido o direito de reunião pacífica e
sem armas. O exercício desse direito só pode es-
b) a proteção da segurança nacional, da or- tar sujeito às restrições previstas em lei e que
dem pública, ou da saúde ou da moral pú- se façam necessárias, em uma sociedade demo-
blicas. crática, ao interesse da segurança nacional, da
segurança ou ordem públicas, ou para proteger
3. Não se pode restringir o direito de ex- a saúde ou a moral públicas ou os direitos e as
pressão por vias e meios indiretos, tais liberdades das demais pessoas.
como o abuso de controles oficiais ou par-
ticulares de papel de imprensa, de frequ- Artigo 16. Liberdade de associação
ências radioelétricas ou de equipamentos e
aparelhos usados na difusão de informação, 1. Todas as pessoas têm o direito de asso-
nem por quaisquer outros meios destina- ciar-se livremente com fins ideológicos, re-
dos a obstar a comunicação e a circulação ligiosos, políticos, econômicos, trabalhistas,
de idéias e opiniões. sociais, culturais, desportivos ou de qual-
quer outra natureza.
4. A lei pode submeter os espetáculos pú-
blicos a censura prévia, com o objetivo ex- 2. O exercício desse direito só pode estar
clusivo de regular o acesso a eles, para pro- sujeito às restrições previstas em lei e que
teção moral da infância e da adolescência, se façam necessárias, em uma sociedade
sem prejuízo do disposto no inciso 2. democrática, ao interesse da segurança na-
cional, da segurança e da ordem públicas,
5. A lei deve proibir toda propaganda a fa- ou para proteger a saúde ou a moral públi-
vor da guerra, bem como toda apologia ao cas ou os direitos e as liberdades das de-
ódio nacional, racial ou religioso que cons- mais pessoas.
titua incitamento à discriminação, à hostili-
dade, ao crime ou à violência. 3. O presente artigo não impede a imposi-
ção de restrições legais, e mesmo a privação
Artigo 14. Direito de retificação ou resposta do exercício do direito de associação, aos
membros das forças armadas e da polícia.
1. Toda pessoa, atingida por informações
inexatas ou ofensivas emitidas em seu pre- Artigo 17. Proteção da família
juízo por meios de difusão legalmente regu-
lamentados e que se dirijam ao público em 1. A família é o núcleo natural e fundamen-
geral, tem direito a fazer, pelo mesmo órgão tal da sociedade e deve ser protegida pela
de difusão, sua retificação ou resposta, nas sociedade e pelo Estado.
condições que estabeleça a lei. 2. É reconhecido o direito do homem e da
mulher de contraírem casamento e de cons-

www.acasadoconcurseiro.com.br 151
tituírem uma família, se tiverem a idade e Artigo 21. Direito à propriedade privada
as condições para isso exigidas pelas leis in-
ternas, na medida em que não afetem estas 1. Toda pessoa tem direito ao uso e gozo
o princípio da não-discriminação estabeleci- de seus bens. A lei pode subordinar esse
do nesta Convenção. uso e gozo ao interesse social.

3. O casamento não pode ser celebrado 2. Nenhuma pessoa pode ser privada de
sem o consentimento livre e pleno dos con- seus bens, salvo mediante o pagamento de
traentes. indenização justa, por motivo de utilidade
pública ou de interesse social e nos casos e
4. Os Estados-partes devem adotar as me- na forma estabelecidos pela lei.
didas apropriadas para assegurar a igualda-
de de direitos e a adequada equivalência de 3. Tanto a usura, como qualquer outra for-
responsabilidades dos cônjuges quanto ao ma de exploração do homem pelo homem,
casamento, durante o mesmo e por ocasião devem ser reprimidas pela lei.
de sua dissolução. Em caso de dissolução, Artigo 22. Direito de circulação e de residência
serão adotadas as disposições que assegu-
rem a proteção necessária aos filhos, com 1. Toda pessoa que se encontre legalmente
base unicamente no interesse e conveniên- no território de um Estado tem o direito de
cia dos mesmos. nele livremente circular e de nele residir, em
conformidade com as disposições legais.
5. A lei deve reconhecer iguais direitos tan-
to aos filhos nascidos fora do casamento, 2. Toda pessoa terá o direito de sair livre-
como aos nascidos dentro do casamento. mente de qualquer país, inclusive de seu
próprio país.
Artigo 18. Direito ao nome
3. O exercício dos direitos supracitados não
Toda pessoa tem direito a um prenome e aos pode ser restringido, senão em virtude de
nomes de seus pais ou ao de um destes. A lei lei, na medida indispensável, em uma socie-
deve regular a forma de assegurar a todos esse dade democrática, para prevenir infrações
direito, mediante nomes fictícios, se for neces- penais ou para proteger a segurança na-
sário. cional, a segurança ou a ordem públicas, a
Artigo 19. Direitos da criança moral ou a saúde públicas, ou os direitos e
liberdades das demais pessoas.
Toda criança terá direito às medidas de prote-
ção que a sua condição de menor requer, por 4. O exercício dos direitos reconhecidos no
parte da sua família, da sociedade e do Estado. inciso 1 pode também ser restringido pela
lei, em zonas determinadas, por motivo de
Artigo 20. Direito à nacionalidade interesse público.
1. Toda pessoa tem direito a uma naciona- 5. Ninguém pode ser expulso do território
lidade. do Estado do qual for nacional e nem ser
privado do direito de nele entrar.
2. Toda pessoa tem direito à nacionalidade
do Estado em cujo território houver nasci- 6. O estrangeiro que se encontre legalmen-
do, se não tiver direito a outra. te no território de um Estado-parte na pre-
sente Convenção só poderá dele ser expul-
3. A ninguém se deve privar arbitrariamen- so em decorrência de decisão adotada em
te de sua nacionalidade, nem do direito de conformidade com a lei.
mudá-la.
7. Toda pessoa tem o direito de buscar e
receber asilo em território estrangeiro, em

152 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

caso de perseguição por delitos políticos ou competentes, que a proteja contra atos que
comuns conexos com delitos políticos, de violem seus direitos fundamentais reco-
acordo com a legislação de cada Estado e nhecidos pela Constituição, pela lei ou pela
com as Convenções internacionais. presente Convenção, mesmo quando tal
violação seja cometida por pessoas que es-
8. Em nenhum caso o estrangeiro pode ser tejam atuando no exercício de suas funções
expulso ou entregue a outro país, seja ou oficiais.
não de origem, onde seu direito à vida ou à
liberdade pessoal esteja em risco de viola- 2. Os Estados-partes comprometem-se:
ção em virtude de sua raça, nacionalidade,
religião, condição social ou de suas opiniões a) a assegurar que a autoridade compe-
políticas. tente prevista pelo sistema legal do Estado
decida sobre os direitos de toda pessoa que
9. É proibida a expulsão coletiva de estran- interpuser tal recurso;
geiros.
b) a desenvolver as possibilidades de recur-
Artigo 23. Direitos políticos so judicial; e
1. Todos os cidadãos devem gozar dos se- c) a assegurar o cumprimento, pelas auto-
guintes direitos e oportunidades: ridades competentes, de toda decisão em
que se tenha considerado procedente o re-
a) de participar da condução dos assuntos curso.
públicos, diretamente ou por meio de re-
presentantes livremente eleitos;
b) de votar e ser eleito em eleições periódi-
cas, autênticas, realizadas por sufrágio uni- CAPÍTULO III
versal e igualitário e por voto secreto, que DIREITOS ECONÔMICOS,
garantam a livre expressão da vontade dos SOCIAIS E CULTURAIS
eleitores; e
Artigo 26. Desenvolvimento progressivo
c) de ter acesso, em condições gerais de
igualdade, às funções públicas de seu país. Os Estados-partes comprometem-se a adotar
as providências, tanto no âmbito interno, como
2. A lei pode regular o exercício dos direi- mediante cooperação internacional, especial-
tos e oportunidades, a que se refere o inciso mente econômica e técnica, a fim de conseguir
anterior, exclusivamente por motivo de ida- progressivamente a plena efetividade dos direi-
de, nacionalidade, residência, idioma, ins- tos que decorrem das normas econômicas, so-
trução, capacidade civil ou mental, ou con- ciais e sobre educação, ciência e cultura, cons-
denação, por juiz competente, em processo tantes da Carta da Organização dos Estados
penal. Americanos, reformada pelo Protocolo de Bue-
Artigo 24. Igualdade perante a lei nos Aires, na medida dos recursos disponíveis,
por via legislativa ou por outros meios apropria-
Todas as pessoas são iguais perante a lei. Por dos.
conseguinte, têm direito, sem discriminação al-
guma, à igual proteção da lei.
Artigo 25. Proteção judicial
1. Toda pessoa tem direito a um recurso
simples e rápido ou a qualquer outro re-
curso efetivo, perante os juízes ou tribunais

www.acasadoconcurseiro.com.br 153
CAPÍTULO IV ção, relacionadas com as matérias sobre as
SUSPENSÃO DE GARANTIAS, quais exerce competência legislativa e judi-
cial.
INTERPRETAÇÃO E APLICAÇÃO
2. No tocante às disposições relativas às
Artigo 27. Suspensão de garantias matérias que correspondem à competência
1. Em caso de guerra, de perigo público, das entidades componentes da federação, o
ou de outra emergência que ameace a in- governo nacional deve tomar imediatamen-
dependência ou segurança do Estado-parte, te as medidas pertinentes, em conformida-
este poderá adotar as disposições que, na de com sua Constituição e com suas leis, a
medida e pelo tempo estritamente limita- fim de que as autoridades competentes das
dos às exigências da situação, suspendam referidas entidades possam adotar as dispo-
as obrigações contraídas em virtude desta sições cabíveis para o cumprimento desta
Convenção, desde que tais disposições não Convenção.
sejam incompatíveis com as demais obriga- 3. Quando dois ou mais Estados-partes de-
ções que lhe impõe o Direito Internacional cidirem constituir entre eles uma federação
e não encerrem discriminação alguma fun- ou outro tipo de associação, diligenciarão
dada em motivos de raça, cor, sexo, idioma, no sentido de que o pacto comunitário res-
religião ou origem social. pectivo contenha as disposições necessá-
2. A disposição precedente não autoriza a rias para que continuem sendo efetivas no
suspensão dos direitos determinados nos novo Estado, assim organizado, as normas
seguintes artigos: 3 (direito ao reconheci- da presente Convenção.
mento da personalidade jurídica), 4 (direito Artigo 29. Normas de interpretação
à vida), 5 (direito à integridade pessoal), 6
(proibição da escravidão e da servidão), 9 Nenhuma disposição da presente Convenção
(princípio da legalidade e da retroativida- pode ser interpretada no sentido de:
de), 12 (liberdade de consciência e religião),
a) permitir a qualquer dos Estados-partes,
17 (proteção da família), 18 (direito ao
grupo ou indivíduo, suprimir o gozo e o
nome), 19 (direitos da criança), 20 (direito à
exercício dos direitos e liberdades reconhe-
nacionalidade) e 23 (direitos políticos), nem
cidos na Convenção ou limitá-los em maior
das garantias indispensáveis para a prote-
medida do que a nela prevista;
ção de tais direitos.
b) limitar o gozo e exercício de qualquer
3. Todo Estado-parte no presente Pacto
direito ou liberdade que possam ser reco-
que fizer uso do direito de suspensão de-
nhecidos em virtude de leis de qualquer dos
verá comunicar imediatamente aos outros
Estados-partes ou em virtude de Conven-
Estados-partes na presente Convenção, por
ções em que seja parte um dos referidos Es-
intermédio do Secretário Geral da Organiza-
tados;
ção dos Estados Americanos, as disposições
cuja aplicação haja suspendido, os motivos c) excluir outros direitos e garantias que
determinantes da suspensão e a data em são inerentes ao ser humano ou que decor-
que haja dado por terminada tal suspensão. rem da forma democrática representativa
de governo;
Artigo 28. Cláusula federal
d) excluir ou limitar o efeito que possam
1. Quando se tratar de um Estado-parte
produzir a Declaração Americana dos Direi-
constituído como Estado federal, o governo
tos e Deveres do Homem e outros atos in-
nacional do aludido Estado-parte cumprirá
ternacionais da mesma natureza.
todas as disposições da presente Conven-

154 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

Artigo 30. Alcance das restrições b) a Corte Interamericana de Direitos Hu-


manos, doravante denominada a Corte.
As restrições permitidas, de acordo com esta
Convenção, ao gozo e exercício dos direitos e
liberdades nela reconhecidos, não podem ser
aplicadas senão de acordo com leis que forem CAPÍTULO VII
promulgadas por motivo de interesse geral e
COMISSÃO INTERAMERICANA
com o propósito para o qual houverem sido es-
tabelecidas. DE DIREITOS HUMANOS
Artigo 31. Reconhecimento de outros direitos Seção 1
Poderão ser incluídos, no regime de proteção ORGANIZAÇÃO
desta Convenção, outros direitos e liberdades
Artigo 34. A Comissão Interamericana de Direi-
que forem reconhecidos de acordo com os pro-
tos Humanos compor-se-á de sete membros,
cessos estabelecidos nos artigos 69 e 70.
que deverão ser pessoas de alta autoridade mo-
ral e de reconhecido saber em matéria de direi-
tos humanos.
CAPÍTULO V Artigo 35. A Comissão representa todos os
DEVERES DAS PESSOAS Membros da Organização dos Estados America-
nos.
Artigo 32. Correlação entre deveres e direitos
Artigo 36.
1. Toda pessoa tem deveres para com a fa-
mília, a comunidade e a humanidade. 1. Os membros da Comissão serão eleitos a
título pessoal, pela Assembléia Geral da Or-
2. Os direitos de cada pessoa são limitados ganização, a partir de uma lista de candida-
pelos direitos dos demais, pela segurança tos propostos pelos governos dos Estados-
de todos e pelas justas exigências do bem -membros.
comum, em uma sociedade democrática.
2. Cada um dos referidos governos pode
propor até três candidatos, nacionais do Es-
PARTE II tado que os propuser ou de qualquer outro
Estado-membro da Organização dos Esta-
MEIOS DE PROTEÇÃO dos Americanos. Quando for proposta uma
lista de três candidatos, pelo menos um de-
les deverá ser nacional de Estado diferente
do proponente.
CAPÍTULO VI Artigo 37.
ÓRGÃOS COMPETENTES
1. Os membros da Comissão serão eleitos
Artigo 33. São competentes para conhecer de por quatro anos e só poderão ser reelei-
assuntos relacionados com o cumprimento dos tos uma vez, porém o mandato de três dos
compromissos assumidos pelos Estados-partes membros designados na primeira eleição
nesta Convenção: expirará ao cabo de dois anos. Logo depois
da referida eleição, serão determinados por
a) a Comissão Interamericana de Direitos sorteio, na Assembléia Geral, os nomes des-
Humanos, doravante denominada a Comis- ses três membros.
são; e

www.acasadoconcurseiro.com.br 155
2. Não pode fazer parte da Comissão mais dos-membros sobre questões relacionadas
de um nacional de um mesmo país. com os direitos humanos e, dentro de suas
possibilidades, prestar-lhes o assessora-
Artigo 38. As vagas que ocorrerem na Comis- mento que lhes solicitarem;
são, que não se devam à expiração normal do
mandato, serão preenchidas pelo Conselho Per- f) atuar com respeito às petições e outras
manente da Organização, de acordo com o que comunicações, no exercício de sua autori-
dispuser o Estatuto da Comissão. dade, de conformidade com o disposto nos
artigos 44 a 51 desta Convenção; e
Artigo 39. A Comissão elaborará seu estatuto e
submetê-lo-á à aprovação da Assembléia Geral g) apresentar um relatório anual à Assem-
e expedirá seu próprio Regulamento. bléia Geral da Organização dos Estados
Americanos.
Artigo 40. Os serviços da Secretaria da Comis-
são devem ser desempenhados pela unidade Artigo 42. Os Estados-partes devem submeter
funcional especializada que faz parte da Secre- à Comissão cópia dos relatórios e estudos que,
taria Geral da Organização e deve dispor dos re- em seus respectivos campos, submetem anual-
cursos necessários para cumprir as tarefas que mente às Comissões Executivas do Conselho In-
lhe forem confiadas pela Comissão. teramericano Econômico e Social e do Conselho
Interamericano de Educação, Ciência e Cultura,
Seção 2 a fim de que aquela zele para que se promovam
FUNÇÕES os direitos decorrentes das normas econômi-
cas, sociais e sobre educação, ciência e cultura,
Artigo 41. A Comissão tem a função principal de constantes da Carta da Organização dos Estados
promover a observância e a defesa dos direitos Americanos, reformada pelo Protocolo de Bue-
humanos e, no exercício de seu mandato, tem nos Aires.
as seguintes funções e atribuições:
Artigo 43. Os Estados-partes obrigam-se a pro-
a) estimular a consciência dos direitos hu- porcionar à Comissão as informações que esta
manos nos povos da América; lhes solicitar sobre a maneira pela qual seu di-
reito interno assegura a aplicação efetiva de
b) formular recomendações aos governos
quaisquer disposições desta Convenção.
dos Estados-membros, quando considerar
conveniente, no sentido de que adotem Seção 3
medidas progressivas em prol dos direitos
humanos no âmbito de suas leis internas e COMPETÊNCIA
seus preceitos constitucionais, bem como Artigo 44. Qualquer pessoa ou grupo de pesso-
disposições apropriadas para promover o as, ou entidade não-governamental legalmente
devido respeito a esses direitos; reconhecida em um ou mais Estados-membros
c) preparar estudos ou relatórios que con- da Organização, pode apresentar à Comissão
siderar convenientes para o desempenho petições que contenham denúncias ou queixas
de suas funções; de violação desta Convenção por um Estado-
-parte.
d) solicitar aos governos dos Estados-mem-
bros que lhe proporcionem informações so- Artigo 45.
bre as medidas que adotarem em matéria 1. Todo Estado-parte pode, no momento do
de direitos humanos; depósito do seu instrumento de ratificação
e) atender às consultas que, por meio da desta Convenção, ou de adesão a ela, ou
Secretaria Geral da Organização dos Esta- em qualquer momento posterior, declarar
dos Americanos, lhe formularem os Esta- que reconhece a competência da Comissão

156 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

para receber e examinar as comunicações 2. As disposições das alíneas "a" e "b" do in-
em que um Estado-parte alegue haver ou- ciso 1 deste artigo não se aplicarão quando:
tro Estado-parte incorrido em violações dos
direitos humanos estabelecidos nesta Con- a) não existir, na legislação interna do Esta-
venção. do de que se tratar, o devido processo legal
para a proteção do direito ou direitos que
2. As comunicações feitas em virtude deste se alegue tenham sido violados;
artigo só podem ser admitidas e examina-
das se forem apresentadas por um Estado- b) não se houver permitido ao presumido
-parte que haja feito uma declaração pela prejudicado em seus direitos o acesso aos
qual reconheça a referida competência da recursos da jurisdição interna, ou houver
Comissão. A Comissão não admitirá nenhu- sido ele impedido de esgotá-los; e
ma comunicação contra um Estado-parte c) houver demora injustificada na decisão
que não haja feito tal declaração. sobre os mencionados recursos.
3. As declarações sobre reconhecimento Artigo 47. A Comissão declarará inadmissível
de competência podem ser feitas para que toda petição ou comunicação apresentada de
esta vigore por tempo indefinido, por perío- acordo com os artigos 44 ou 45 quando:
do determinado ou para casos específicos.
a) não preencher algum dos requisitos es-
4. As declarações serão depositadas na Se- tabelecidos no artigo 46;
cretaria Geral da Organização dos Estados
Americanos, a qual encaminhará cópia das b) não expuser fatos que caracterizem vio-
mesmas aos Estados-membros da referida lação dos direitos garantidos por esta Con-
Organização. venção;

Artigo 46. Para que uma petição ou comunica- c) pela exposição do próprio peticionário
ção apresentada de acordo com os artigos 44 ou ou do Estado, for manifestamente infunda-
45 seja admitida pela Comissão, será necessá- da a petição ou comunicação ou for eviden-
rio: te sua total improcedência; ou

a) que hajam sido interpostos e esgotados d) for substancialmente reprodução de pe-


os recursos da jurisdição interna, de acordo tição ou comunicação anterior, já examina-
com os princípios de Direito Internacional da pela Comissão ou por outro organismo
geralmente reconhecidos; internacional.

b) que seja apresentada dentro do prazo Seção 4


de seis meses, a partir da data em que o PROCESSO
presumido prejudicado em seus direitos te-
nha sido notificado da decisão definitiva; Artigo 48.
c) que a matéria da petição ou comunica- 1. A Comissão, ao receber uma petição ou
ção não esteja pendente de outro processo comunicação na qual se alegue a violação
de solução internacional; e de qualquer dos direitos consagrados nesta
Convenção, procederá da seguinte maneira:
d) que, no caso do artigo 44, a petição con-
tenha o nome, a nacionalidade, a profissão, a) se reconhecer a admissibilidade da peti-
o domicílio e a assinatura da pessoa ou pes- ção ou comunicação, solicitará informações
soas ou do representante legal da entidade ao Governo do Estado ao qual pertença a
que submeter a petição. autoridade apontada como responsável
pela violação alegada e transcreverá as par-

www.acasadoconcurseiro.com.br 157
tes pertinentes da petição ou comunicação. so 1, "f", do artigo 48, a Comissão redigirá um
As referidas informações devem ser envia- relatório que será encaminhado ao peticionário
das dentro de um prazo razoável, fixado e aos Estados-partes nesta Convenção e poste-
pela Comissão ao considerar as circunstân- riormente transmitido, para sua publicação, ao
cias de cada caso; Secretário Geral da Organização dos Estados
Americanos. O referido relatório conterá uma
b) recebidas as informações, ou transcor- breve exposição dos fatos e da solução alcança-
rido o prazo fixado sem que sejam elas re- da. Se qualquer das partes no caso o solicitar,
cebidas, verificará se existem ou subsistem ser-lhe-á proporcionada a mais ampla informa-
os motivos da petição ou comunicação. No ção possível.
caso de não existirem ou não subsistirem,
mandará arquivar o expediente; Artigo 50.
c) poderá também declarar a inadmissi- 1. Se não se chegar a uma solução, e den-
bilidade ou a improcedência da petição ou tro do prazo que for fixado pelo Estatuto
comunicação, com base em informação ou da Comissão, esta redigirá um relatório no
prova supervenientes; qual exporá os fatos e suas conclusões. Se
o relatório não representar, no todo ou em
d) se o expediente não houver sido arqui- parte, o acordo unânime dos membros da
vado, e com o fim de comprovar os fatos, Comissão, qualquer deles poderá agregar
a Comissão procederá, com conhecimento ao referido relatório seu voto em separado.
das partes, a um exame do assunto exposto Também se agregarão ao relatório as ex-
na petição ou comunicação. Se for necessá- posições verbais ou escritas que houverem
rio e conveniente, a Comissão procederá a sido feitas pelos interessados em virtude do
uma investigação para cuja eficaz realização inciso 1, "e", do artigo 48.
solicitará, e os Estados interessados lhe pro-
porcionarão, todas as facilidades necessá- 2. O relatório será encaminhado aos Esta-
rias; dos interessados, aos quais não será facul-
tado publicá-lo.
e) poderá pedir aos Estados interessados
qualquer informação pertinente e receberá, 3. Ao encaminhar o relatório, a Comissão
se isso for solicitado, as exposições verbais pode formular as proposições e recomen-
ou escritas que apresentarem os interessa- dações que julgar adequadas.
dos; e
Artigo 51.
f) pôr-se-á à disposição das partes interes-
sadas, a fim de chegar a uma solução amis- 1. Se no prazo de três meses, a partir da re-
tosa do assunto, fundada no respeito aos messa aos Estados interessados do relatório
direitos reconhecidos nesta Convenção. da Comissão, o assunto não houver sido so-
lucionado ou submetido à decisão da Corte
2. Entretanto, em casos graves e urgentes, pela Comissão ou pelo Estado interessado,
pode ser realizada uma investigação, me- aceitando sua competência, a Comissão po-
diante prévio consentimento do Estado em derá emitir, pelo voto da maioria absoluta
cujo território se alegue houver sido come- dos seus membros, sua opinião e conclu-
tida a violação, tão somente com a apresen- sões sobre a questão submetida à sua con-
tação de uma petição ou comunicação que sideração.
reúna todos os requisitos formais de admis-
sibilidade. 2. A Comissão fará as recomendações per-
tinentes e fixará um prazo dentro do qual o
Artigo 49. Se se houver chegado a uma solução Estado deve tomar as medidas que lhe com-
amistosa de acordo com as disposições do inci- petir para remediar a situação examinada.

158 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

3. Transcorrido o prazo fixado, a Comissão Artigo 54.


decidirá, pelo voto da maioria absoluta dos
seus membros, se o Estado tomou ou não 1. Os juízes da Corte serão eleitos por um
as medidas adequadas e se publica ou não período de seis anos e só poderão ser ree-
seu relatório. leitos uma vez. O mandato de três dos juízes
designados na primeira eleição expirará ao
cabo de três anos. Imediatamente depois
da referida eleição, determinar-se-ão por
CAPÍTULO VIII sorteio, na Assembléia Geral, os nomes des-
ses três juízes.
CORTE INTERAMERICANA
DE DIREITOS HUMANOS 2. O juiz eleito para substituir outro, cujo
mandato não haja expirado, completará o
Seção 1 período deste.
ORGANIZAÇÃO 3. Os juízes permanecerão em suas funções
até o término dos seus mandatos. Entretan-
Artigo 52.
to, continuarão funcionando nos casos de
1. A Corte compor-se-á de sete juízes, nacio- que já houverem tomado conhecimento e
nais dos Estados-membros da Organização, que se encontrem em fase de sentença e,
eleitos a título pessoal dentre juristas da para tais efeitos, não serão substituídos pe-
mais alta autoridade moral, de reconhecida los novos juízes eleitos.
competência em matéria de direitos huma-
Artigo 55.
nos, que reúnam as condições requeridas
para o exercício das mais elevadas funções 1. O juiz, que for nacional de algum dos
judiciais, de acordo com a lei do Estado do Estados-partes em caso submetido à Cor-
qual sejam nacionais, ou do Estado que os te, conservará o seu direito de conhecer do
propuser como candidatos. mesmo.
2. Não deve haver dois juízes da mesma na- 2. Se um dos juízes chamados a conhecer
cionalidade. do caso for de nacionalidade de um dos
Estados-partes, outro Estado-parte no caso
Artigo 53.
poderá designar uma pessoa de sua escolha
1. Os juízes da Corte serão eleitos, em vo- para integrar a Corte, na qualidade de juiz
tação secreta e pelo voto da maioria abso- ad hoc.
luta dos Estados-partes na Convenção, na
3. Se, dentre os juízes chamados a conhe-
Assembléia Geral da Organização, a partir
cer do caso, nenhum for da nacionalidade
de uma lista de candidatos propostos pelos
dos Estados-partes, cada um destes poderá
mesmos Estados.
designar um juiz ad hoc.
2. Cada um dos Estados-partes pode pro-
4. O juiz ad hoc deve reunir os requisitos
por até três candidatos, nacionais do Estado
indicados no artigo 52.
que os propuser ou de qualquer outro Es-
tado-membro da Organização dos Estados 5. Se vários Estados-partes na Convenção
Americanos. Quando se propuser uma lista tiverem o mesmo interesse no caso, serão
de três candidatos, pelo menos um deles considerados como uma só parte, para os
deverá ser nacional do Estado diferente do fins das disposições anteriores. Em caso de
proponente. dúvida, a Corte decidirá.

www.acasadoconcurseiro.com.br 159
Artigo 56. O quorum para as deliberações da Artigo 62.
Corte é constituído por cinco juízes.
1. Todo Estado-parte pode, no momento do
Artigo 57. A Comissão comparecerá em todos depósito do seu instrumento de ratificação
os casos perante a Corte. desta Convenção ou de adesão a ela, ou
em qualquer momento posterior, declarar
Artigo 58. que reconhece como obrigatória, de pleno
1. A Corte terá sua sede no lugar que for de- direito e sem convenção especial, a compe-
terminado, na Assembléia Geral da Organi- tência da Corte em todos os casos relativos
zação, pelos Estados-partes na Convenção, à interpretação ou aplicação desta Conven-
mas poderá realizar reuniões no território ção.
de qualquer Estado-membro da Organiza- 2. A declaração pode ser feita incondicio-
ção dos Estados Americanos em que con- nalmente, ou sob condição de reciprocida-
siderar conveniente, pela maioria dos seus de, por prazo determinado ou para casos
membros e mediante prévia aquiescência específicos. Deverá ser apresentada ao Se-
do Estado respectivo. Os Estados-partes cretário Geral da Organização, que encami-
na Convenção podem, na Assembléia Ge- nhará cópias da mesma a outros Estados-
ral, por dois terços dos seus votos, mudar a -membros da Organização e ao Secretário
sede da Corte. da Corte.
2. A Corte designará seu Secretário. 3. A Corte tem competência para conhecer
3. O Secretário residirá na sede da Corte e de qualquer caso, relativo à interpretação e
deverá assistir às reuniões que ela realizar aplicação das disposições desta Convenção,
fora da mesma. que lhe seja submetido, desde que os Esta-
dos-partes no caso tenham reconhecido ou
Artigo 59. A Secretaria da Corte será por esta reconheçam a referida competência, seja
estabelecida e funcionará sob a direção do Se- por declaração especial, como prevêem os
cretário Geral da Organização em tudo o que incisos anteriores, seja por convenção espe-
não for incompatível com a independência da cial.
Corte. Seus funcionários serão nomeados pelo
Secretário Geral da Organização, em consulta Artigo 63.
com o Secretário da Corte. 1. Quando decidir que houve violação de
Artigo 60. A Corte elaborará seu Estatuto e sub- um direito ou liberdade protegidos nes-
metê-lo-á à aprovação da Assembléia Geral e ta Convenção, a Corte determinará que se
expedirá seu Regimento. assegure ao prejudicado o gozo do seu di-
reito ou liberdade violados. Determinará
Seção 2 também, se isso for procedente, que sejam
COMPETÊNCIA E FUNÇÕES reparadas as consequências da medida ou
situação que haja configurado a violação
Artigo 61. desses direitos, bem como o pagamento de
indenização justa à parte lesada.
1. Somente os Estados-partes e a Comissão
têm direito de submeter um caso à decisão 2. Em casos de extrema gravidade e urgên-
da Corte. cia, e quando se fizer necessário evitar da-
nos irreparáveis às pessoas, a Corte, nos
2. Para que a Corte possa conhecer de qual- assuntos de que estiver conhecendo, pode-
quer caso, é necessário que sejam esgotados rá tomar as medidas provisórias que consi-
os processos previstos nos artigos 48 a 50. derar pertinentes. Se se tratar de assuntos
que ainda não estiverem submetidos ao seu

160 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

conhecimento, poderá atuar a pedido da Artigo 68.


Comissão.
1. Os Estados-partes na Convenção compro-
Artigo 64. metem-se a cumprir a decisão da Corte em
todo caso em que forem partes.
1. Os Estados-membros da Organização po-
derão consultar a Corte sobre a interpreta- 2. A parte da sentença que determinar in-
ção desta Convenção ou de outros tratados denização compensatória poderá ser exe-
concernentes à proteção dos direitos hu- cutada no país respectivo pelo processo in-
manos nos Estados americanos. Também terno vigente para a execução de sentenças
poderão consultá-la, no que lhes compete, contra o Estado.
os órgãos enumerados no capítulo X da Car-
ta da Organização dos Estados Americanos, Artigo 69. A sentença da Corte deve ser notifi-
reformada pelo Protocolo de Buenos Aires. cada às partes no caso e transmitida aos Esta-
dos-partes na Convenção.
2. A Corte, a pedido de um Estado-membro
da Organização, poderá emitir pareceres
sobre a compatibilidade entre qualquer de
suas leis internas e os mencionados instru- CAPÍTULO IX
mentos internacionais. DISPOSIÇÕES COMUNS
Artigo 65. A Corte submeterá à consideração da Artigo 70.
Assembléia Geral da Organização, em cada pe-
ríodo ordinário de sessões, um relatório sobre 1. Os juízes da Corte e os membros da Co-
as suas atividades no ano anterior. De maneira missão gozam, desde o momento da eleição
especial, e com as recomendações pertinentes, e enquanto durar o seu mandato, das imu-
indicará os casos em que um Estado não tenha nidades reconhecidas aos agentes diplomá-
dado cumprimento a suas sentenças. ticos pelo Direito Internacional. Durante o
exercício dos seus cargos gozam, além dis-
Seção 3 so, dos privilégios diplomáticos necessários
PROCESSO para o desempenho de suas funções.

Artigo 66. 2. Não se poderá exigir responsabilidade


em tempo algum dos juízes da Corte, nem
1. A sentença da Corte deve ser fundamen- dos membros da Comissão, por votos e opi-
tada. niões emitidos no exercício de suas funções.
2. Se a sentença não expressar no todo ou Artigo 71. Os cargos de juiz da Corte ou de
em parte a opinião unânime dos juízes, membro da Comissão são incompatíveis com
qualquer deles terá direito a que se agregue outras atividades que possam afetar sua inde-
à sentença o seu voto dissidente ou indivi- pendência ou imparcialidade, conforme o que
dual. for determinado nos respectivos Estatutos.
Artigo 67. A sentença da Corte será definitiva e Artigo 72. Os juízes da Corte e os membros da
inapelável. Em caso de divergência sobre o sen- Comissão perceberão honorários e despesas de
tido ou alcance da sentença, a Corte interpretá- viagem na forma e nas condições que determi-
-la-á, a pedido de qualquer das partes, desde narem os seus Estatutos, levando em conta a
que o pedido seja apresentado dentro de no- importância e independência de suas funções.
venta dias a partir da data da notificação da sen- Tais honorários e despesas de viagem serão fi-
tença. xados no orçamento-programa da Organização
dos Estados Americanos, no qual devem ser in-

www.acasadoconcurseiro.com.br 161
cluídas, além disso, as despesas da Corte e da entrará em vigor na data do depósito do seu
sua Secretaria. Para tais efeitos, a Corte elabo- instrumento de ratificação ou adesão.
rará o seu próprio projeto de orçamento e sub-
metê-lo-á à aprovação da Assembléia Geral, por 3. O Secretário Geral comunicará todos os
intermédio da Secretaria Geral. Esta última não Estados-membros da Organização sobre a
poderá nele introduzir modificações. entrada em vigor da Convenção.

Artigo 73. Somente por solicitação da Comissão Artigo 75. Esta Convenção só pode ser objeto
ou da Corte, conforme o caso, cabe à Assem- de reservas em conformidade com as disposi-
bléia Geral da Organização resolver sobre as ções da Convenção de Viena sobre o Direito dos
sanções aplicáveis aos membros da Comissão Tratados, assinada em 23 de maio de 1969.
ou aos juízes da Corte que incorrerem nos casos Artigo 76.
previstos nos respectivos Estatutos. Para expe-
dir uma resolução, será necessária maioria de 1. Qualquer Estado-parte, diretamente, e a
dois terços dos votos dos Estados-membros da Comissão e a Corte, por intermédio do Se-
Organização, no caso dos membros da Comis- cretário Geral, podem submeter à Assem-
são; e, além disso, de dois terços dos votos dos bléia Geral, para o que julgarem convenien-
Estados-partes na Convenção, se se tratar dos te, proposta de emendas a esta Convenção.
juízes da Corte.
2. Tais emendas entrarão em vigor para os
PARTE III Estados que as ratificarem, na data em que
houver sido depositado o respectivo instru-
DISPOSIÇÕES GERAIS E mento de ratificação, por dois terços dos Es-
tados-partes nesta Convenção. Quanto aos
TRANSITÓRIAS outros Estados-partes, entrarão em vigor na
data em que eles depositarem os seus res-
pectivos instrumentos de ratificação.
CAPÍTULO X Artigo 77.
ASSINATURA, RATIFICAÇÃO, 1. De acordo com a faculdade estabeleci-
RESERVA, EMENDA, PROTOCOLO da no artigo 31, qualquer Estado-parte e a
E DENÚNCIA Comissão podem submeter à consideração
dos Estados-partes reunidos por ocasião da
Artigo 74. Assembléia Geral projetos de Protocolos
adicionais a esta Convenção, com a finalida-
1. Esta Convenção está aberta à assinatura e
de de incluir progressivamente, no regime
à ratificação de todos os Estados-membros
de proteção da mesma, outros direitos e li-
da Organização dos Estados Americanos.
berdades.
2. A ratificação desta Convenção ou a ade-
2. Cada Protocolo deve estabelecer as mo-
são a ela efetuar-se-á mediante depósito de
dalidades de sua entrada em vigor e será
um instrumento de ratificação ou adesão na
aplicado somente entre os Estados-partes
Secretaria Geral da Organização dos Estados
no mesmo.
Americanos. Esta Convenção entrará em
vigor logo que onze Estados houverem de- Artigo 78.
positado os seus respectivos instrumentos
de ratificação ou de adesão. Com referência 1. Os Estados-partes poderão denunciar
a qualquer outro Estado que a ratificar ou esta Convenção depois de expirado o prazo
que a ela aderir ulteriormente, a Convenção de cinco anos, a partir da data em vigor da
mesma e mediante aviso prévio de um ano,

162 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

notificando o Secretário Geral da Organiza- Seção 2


ção, o qual deve informar as outras partes. CORTE INTERAMERICANA
2. Tal denúncia não terá o efeito de desligar DE DIREITOS HUMANOS
o Estado-parte interessado das obrigações
contidas nesta Convenção, no que diz res- Artigo 81. Ao entrar em vigor esta Convenção,
peito a qualquer ato que, podendo consti- o Secretário Geral pedirá a cada Estado-parte
tuir violação dessas obrigações, houver sido que apresente, dentro de um prazo de noventa
cometido por ele anteriormente à data na dias, seus candidatos a juiz da Corte Interame-
qual a denúncia produzir efeito. ricana de Direitos Humanos. O Secretário Geral
preparará uma lista por ordem alfabética dos
candidatos apresentados e a encaminhará aos
Estados-partes pelo menos trinta dias antes da
CAPÍTULO XI Assembléia Geral seguinte.
DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS Artigo 82. A eleição dos juízes da Corte far-se-á
dentre os candidatos que figurem na lista a que
Seção 1 se refere o artigo 81, por votação secreta dos
COMISSÃO INTERAMERICANA Estados-partes, na Assembléia Geral, e serão
DE DIREITOS HUMANOS declarados eleitos os candidatos que obtiverem
o maior número de votos e a maioria absoluta
Artigo 79. Ao entrar em vigor esta Convenção, dos votos dos representantes dos Estados-par-
o Secretário Geral pedirá por escrito a cada Es- tes. Se, para eleger todos os juízes da Corte, for
tado-membro da Organização que apresente, necessário realizar várias votações, serão elimi-
dentro de um prazo de noventa dias, seus can- nados sucessivamente, na forma que for deter-
didatos a membro da Comissão Interamericana minada pelos Estados-partes, os candidatos que
de Direitos Humanos. O Secretário Geral prepa- receberem menor número de votos.
rará uma lista por ordem alfabética dos candida-
tos apresentados e a encaminhará aos Estados-
-membros da Organização, pelo menos trinta
dias antes da Assembléia Geral seguinte. Protocolo Adicional à Convenção
Artigo 80. A eleição dos membros da Comissão
Americana sobre Direitos Humanos
far-se-á dentre os candidatos que figurem na lis- em matéria de direitos econômicos,
ta a que se refere o artigo 79, por votação se- sociais e culturais (1988) – Protocolo
creta da Assembléia Geral, e serão declarados de San Salvador
eleitos os candidatos que obtiverem maior nú-
mero de votos e a maioria absoluta dos votos
dos representantes dos Estados-membros. Se, Preâmbulo
para eleger todos os membros da Comissão, for
necessário realizar várias votações, serão elimi- Os Estados Partes na Convenção Americana so-
nados sucessivamente, na forma que for deter- bre Direitos Humanos, “Pacto de San José da
minada pela Assembléia Geral, os candidatos Costa Rica”,
que receberem maior número de votos. Reafirmando seu propósito de consolidar neste
Continente, dentro do quadro das instituições
democráticas, um regime de liberdade pessoal
e de justiça social, fundado no respeito dos di-
reitos essenciais do homem;

www.acasadoconcurseiro.com.br 163
Reconhecendo que os direitos essenciais do ho- ser submetidos à consideração dos Estados Par-
mem não derivam do fato de ser ele nacional tes, reunidos por ocasião da Assembléia Geral
de determinado Estado, mas sim do fato de ter da Organização dos Estados Americanos, proje-
como fundamento os atributos da pessoa hu- tos de protocolos adicionais a essa Convenção,
mana, razão por que justificam uma proteção com a finalidade de incluir progressivamente no
internacional, de natureza convencional, coad- regime de proteção da mesma outros direitos e
juvante ou complementar da que oferece o di- liberdades,
reito interno dos Estados americanos;
Convieram no seguinte Protocolo Adicional à
Considerando a estreita relação que existe en- Convenção Americana sobre Direitos Humanos,
tre a vigência dos direitos econômicos, sociais “Protocolo de San Salvador”:
e culturais e a dos direitos civis e políticos,
porquanto as diferentes categorias de direito Artigo 1. Obrigação de adotar medidas
constituem um todo indissolúvel que encontra Os Estados Partes neste Protocolo Adicional à
sua base no reconhecimento da dignidade da Convenção Americana sobre Direitos Humanos
pessoa humana, pelo qual exigem uma tutela e comprometem-se a adotar as medidas neces-
promoção permanente, com o objetivo de con- sárias, tanto de ordem interna como por meio
seguir sua vigência plena, sem que jamais possa da cooperação entre os Estados, especialmente
justificar-se a violação de uns a pretexto da rea- econômica e técnica, até o máximo dos recur-
lização de outros; sos disponíveis e levando em conta seu grau de
Reconhecendo os benefícios decorrentes do fo- desenvolvimento, a fim de conseguir, progressi-
mento e desenvolvimento da cooperação entre vamente e de acordo com a legislação interna,
os Estados e das relações internacionais; a plena efetividade dos direitos reconhecidos
neste Protocolo.
Recordando que, de acordo com a Declaração
Universal dos Direitos do Homem e a Conven- Artigo 2. Obrigação de adotar disposições de
ção Americana sobre Direitos Humanos, só direito interno
pode ser realizado o ideal do ser humano livre, Se o exercício dos direitos estabelecidos neste
isento de temor e da miséria, se forem criadas Protocolo ainda não estiver garantido por dispo-
condições que permitam a cada pessoa gozar sições legislativas ou de outra natureza, os Esta-
de seus direitos econômicos, sociais e culturais, dos Partes comprometem-se a adotar, de acor-
bem como de seus direitos civis e políticos; do com suas normas constitucionais e com as
Levando em conta que, embora os direitos disposições deste Protocolo, as medidas legisla-
econômicos, sociais e culturais fundamentais tivas ou de outra natureza que forem necessá-
tenham sido reconhecidos em instrumentos rias para tornar efetivos esses direitos.
internacionais anteriores, tanto de âmbito uni- Artigo 3. Obrigação de não discriminação
versal como regional, é muito importante que
esses direitos sejam reafirmados, desenvolvi- Os Estados Partes neste Protocolo comprome-
dos, aperfeiçoados e protegidos, a fim de con- tem-se a garantir o exercício dos direitos nele
solidar na América, com base no respeito pleno enunciados, sem discriminação alguma por mo-
dos direitos da pessoa, o regime democrático tivo de raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões
representativo de governo, bem como o direito políticas ou de qualquer outra natureza, origem
de seus povos ao desenvolvimento, à livre de- nacional ou social, posição econômica, nasci-
terminação e a dispor livremente de suas rique- mento ou qualquer outra condição social.
zas e recursos naturais; e
Artigo 4. Não-admissão de restrições
Considerando que a Convenção Americana so-
Não se poderá restringir ou limitar qualquer
bre Direitos Humanos estabelece que podem
dos direitos reconhecidos ou vigentes num Es-

164 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

tado em virtude de sua legislação interna ou de suas famílias e salário eqüitativo e igual por
convenções internacionais, sob pretexto de que trabalho igual, sem nenhuma distinção;
este Protocolo não os reconhece ou os reconhe-
ce em menor grau. b) O direito de todo trabalhador de seguir
sua vocação e de dedicar-se à atividade que
Artigo 5. Alcance das restrições e limitações melhor atenda a suas expectativas e a tro-
car de emprego de acordo com a respectiva
Os Estados Partes só poderão estabelecer res- regulamentação nacional;
trições e limitações ao gozo e exercício dos di-
reitos estabelecidos neste Protocolo mediante c) O direito do trabalhador à promoção ou
leis promulgadas com o objetivo de preservar avanço no trabalho, para o qual serão leva-
o bem-estar geral dentro de uma sociedade de- das em conta suas qualificações, competên-
mocrática, na medida em que não contrariem o cia, probidade e tempo de serviço;
propósito e razão dos mesmos.
d) Estabilidade dos trabalhadores em seus
Artigo 6. Direito ao trabalho empregos, de acordo com as características
das indústrias e profissões e com as causas
1. Toda pessoa tem direito ao trabalho, o de justa separação. Nos casos de demissão
que inclui a oportunidade de obter os meios injustificada, o trabalhador terá direito a
para levar uma vida digna e decorosa por uma indenização ou à readmissão no em-
meio do desempenho de uma atividade líci- prego ou a quaisquer outras prestações pre-
ta, livremente escolhida ou aceita. vistas pela legislação nacional;
2. Os Estados Partes comprometem-se a e) Segurança e higiene no trabalho;
adotar medidas que garantam plena efetivi-
dade do direito ao trabalho, especialmente f) Proibição de trabalho noturno ou em
as referentes à consecução do pleno empre- atividades insalubres ou perigosas para os
go, à orientação vocacional e ao desenvolvi- menores de 18 anos e, em geral, de todo
mento de projetos de treinamento técnico trabalho que possa pôr em perigo sua saú-
profissional, particularmente os destinados de, segurança ou moral. Quando se tratar
aos deficientes. Os Estados Partes compro- de menores de 16 anos, a jornada de traba-
metem-se também a executar e a fortalecer lho deverá subordinar-se às disposições so-
programas que coadjuvem um adequado bre ensino obrigatório e, em nenhum caso,
atendimento da família, a fim de que a mu- poderá constituir impedimento à assistên-
lher tenha real possibilidade de exercer o cia escolar ou limitação para beneficiar-se
direito ao trabalho. da instrução recebida;
Artigo 7. Condições justas, eqüitativas e satis- g) Limitação razoável das horas de traba-
fatórias de trabalho lho, tanto diárias quanto semanais. As jor-
nadas serão de menor duração quando se
Os Estados Partes neste Protocolo reconhecem tratar de trabalhos perigosos, insalubres ou
que o direito ao trabalho, a que se refere o arti- noturnos;
go anterior, pressupõe que toda pessoa goze do
mesmo em condições justas, eqüitativas e satis- h) Repouso, gozo do tempo livre, férias re-
fatórias, para o que esses Estados garantirão em muneradas, bem como remuneração nos
suas legislações, de maneira particular: feriados nacionais.
a) Remuneração que assegure, no mínimo, Artigo 8. Direitos sindicais
a todos os trabalhadores condições de sub-
sistência digna e decorosa para eles e para 1. Os Estados Partes garantirão:

www.acasadoconcurseiro.com.br 165
a) O direito dos trabalhadores de organizar Artigo 10. Direito à saúde
sindicatos e de filiar-se ao de sua escolha,
para proteger e promover seus interesses. 1. Toda pessoa tem direito à saúde, en-
Como projeção desse direito, os Estados tendida como o gozo do mais alto nível de
Partes permitirão aos sindicatos formar bem-estar físico, mental e social.
federações e confederações nacionais e 2. A fim de tornar efetivo o direito à saúde,
associar-se às já existentes, bem como for- os Estados Partes comprometem-se a reco-
mar organizações sindicais internacionais nhecer a saúde como bem público e, espe-
e associar-se à de sua escolha. Os Estados cialmente, a adotar as seguintes medidas
Partes também permitirão que os sindica- para garantir este direito:
tos, federações e confederações funcionem
livremente; a) Atendimento primário de saúde, enten-
dendo-se como tal a assistência médica es-
b) O direito de greve. sencial colocada ao alcance de todas as pes-
2. O exercício dos direitos enunciados aci- soas e famílias da comunidade;
ma só pode estar sujeito às limitações e res- b) Extensão dos benefícios dos serviços de
trições previstas pela lei que sejam próprias saúde a todas as pessoas sujeitas à jurisdi-
a uma sociedade democrática e necessárias ção do Estado;
para salvaguardar a ordem pública e prote-
ger a saúde ou a moral pública, e os direitos c) Total imunização contra as principais do-
ou liberdades dos demais. Os membros das enças infecciosas;
forças armadas e da polícia, bem como de
d) Prevenção e tratamento das doenças en-
outros serviços públicos essenciais, estarão
dêmicas, profissionais e de outra natureza;
sujeitos às limitações e restrições impostas
pela lei. e) Educação da população sobre prevenção
e tratamento dos problemas da saúde; e
3. Ninguém poderá ser obrigado a perten-
cer a um sindicato. f) Satisfação das necessidades de saúde
dos grupos de mais alto risco e que, por sua
Artigo 9. Direito à previdência social
situação de pobreza, sejam mais vulnerá-
1. Toda pessoa tem direito à previdência veis.
social que a proteja das conseqüências da
Artigo 11. Direito a um meio ambiente sadio
velhice e da incapacitação que a impossi-
bilite, física ou mentalmente, de obter os 1. Toda pessoa tem direito a viver em meio
meios de vida digna e decorosa. No caso de ambiente sadio e a contar com os serviços
morte do beneficiário, as prestações da pre- públicos básicos.
vidência social beneficiarão seus dependen-
tes. 2. Os Estados Partes promoverão a prote-
ção, preservação e melhoramento do meio
2. Quando se tratar de pessoas em ativida- ambiente.
de, o direito à previdência social abrangerá
pelo menos o atendimento médico e o sub- Artigo 12. Direito à alimentação
sídio ou pensão em caso de acidentes de 1. Toda pessoa tem direito a uma nutrição
trabalho ou de doença profissional e, quan- adequada que assegure a possibilidade de
do se tratar da mulher, licença remunerada gozar do mais alto nível de desenvolvimen-
para a gestante, antes e depois do parto. to físico, emocional e intelectual.
2. A fim de tornar efetivo esse direito e de
eliminar a desnutrição, os Estados Partes

166 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

comprometem-se a aperfeiçoar os métodos pessoas que não tiverem recebido ou termi-


de produção, abastecimento e distribuição nado o ciclo completo de instrução do pri-
de alimentos, para o que se comprometem meiro grau;
a promover maior cooperação internacional
com vistas a apoiar as políticas nacionais so- e) Deverão ser estabelecidos programas
bre o tema. de ensino diferenciado para os deficientes,
a fim de proporcionar instrução especial e
Artigo 13. Direito à educação formação a pessoas com impedimentos físi-
cos ou deficiência mental.
1. Toda pessoa tem direito à educação.
4. De acordo com a legislação interna dos
2. Os Estados Partes neste Protocolo con- Estados Partes, os pais terão direito a esco-
vêm em que a educação deverá orientar-se lher o tipo de educação a ser dada aos seus
para o pleno desenvolvimento da personali- filhos, desde que esteja de acordo com os
dade humana e do sentido de sua dignidade princípios enunciados acima.
e deverá fortalecer o respeito pelos direitos
humanos, pelo pluralismo ideológico, pe- 5. Nada do disposto neste Protocolo pode-
las liberdades fundamentais, pela justiça e rá ser interpretado como restrição da liber-
pela paz. Convêm, também, em que a edu- dade dos particulares e entidades de esta-
cação deve capacitar todas as pessoas para belecer e dirigir instituições de ensino, de
participar efetivamente de uma sociedade acordo com a legislação interna dos Estados
democrática e pluralista, conseguir uma Partes.
subsistência digna, favorecer a compreen-
são, a tolerância e a amizade entre todas as Artigo 14. Direito aos benefícios da cultura
nações e todos os grupos raciais, étnicos ou 1. Os Estados Partes neste Protocolo reco-
religiosos e promover as atividades em prol nhecem o direito de toda pessoa a:
da manutenção da paz.
a) Participar na vida cultural e artística da
3. Os Estados Partes neste Protocolo re- comunidade;
conhecem que, a fim de conseguir o pleno
exercício do direito à educação: b) Gozar dos benefícios do progresso cien-
tífico e tecnológico;
a) O ensino de primeiro grau deve ser obri-
gatório e acessível a todos gratuitamente; c) Beneficiar-se da proteção dos interesses
morais e materiais que lhe caibam em vir-
b) O ensino de segundo grau, em suas di- tude das produções científicas, literárias ou
ferentes formas, inclusive o ensino técnico artísticas de que for autora.
e profissional de segundo grau, deve ser
generalizado e tornar-se acessível a todos, 2. Entre as medidas que os Estados Partes
pelos meios que forem apropriados e, espe- neste Protocolo deverão adotar para asse-
cialmente, pela implantação progressiva do gurar o pleno exercício deste direito, figura-
ensino gratuito; rão as necessárias para a conservação, de-
senvolvimento e divulgação da ciência, da
c) O ensino superior deve tornar-se igual- cultura e da arte.
mente acessível a todos, de acordo com a
capacidade de cada um, pelos meios que 3. Os Estados Partes neste Protocolo com-
forem apropriados e, especialmente, pela prometem-se a respeitar a liberdade indis-
implantação progressiva do ensino gratuito; pensável para a pesquisa científica e a ativi-
dade criadora.
d) Deve-se promover ou intensificar, na
medida do possível, o ensino básico para as 4. Os Estados Partes neste Protocolo re-
conhecem os benefícios que decorrem da

www.acasadoconcurseiro.com.br 167
promoção e desenvolvimento da coopera- nais, reconhecidas judicialmente, a criança de
ção e das relações internacionais em assun- tenra idade não deve ser separada de sua mãe.
tos científicos, artísticos e culturais e, nesse Toda criança tem direito à educação gratuita e
sentido, comprometem-se a propiciar maior obrigatória, pelo menos no nível básico, e a con-
cooperação internacional nesse campo. tinuar sua formação em níveis mais elevados do
sistema educacional.
Artigo 15. Direito à constituição e proteção da
família Artigo 17. Proteção de pessoas idosas
1. A família é o elemento natural e funda- Toda pessoa tem direito à proteção especial na
mental da sociedade e deve ser protegida velhice. Nesse sentido, os Estados Partes com-
pelo Estado, que deverá velar pelo melhora- prometem-se a adotar de maneira progressiva
mento de sua situação moral e material. as medidas necessárias a fim de pôr em prática
este direito e, especialmente, a:
2. Toda pessoa tem direito a constituir fa-
mília, o qual exercerá de acordo com as dis- a) Proporcionar instalações adequadas,
posições da legislação interna correspon- bem como alimentação e assistência médi-
dente. ca especializada, às pessoas de idade avan-
çada que careçam delas e não estejam em
3. Os Estados Partes comprometem-se, me- condições de provê-las por seus próprios
diante este Protocolo, a proporcionar ade- meios;
quada proteção ao grupo familiar e, espe-
cialmente, a: b) Executar programas trabalhistas espe-
cíficos destinados a dar a pessoas idosas a
a) Dispensar atenção e assistência espe- possibilidade de realizar atividade produti-
ciais à mãe, por um período razoável, antes va adequada às suas capacidades, respei-
e depois do parto; tando sua vocação ou desejos;
b) Garantir às crianças alimentação ade- c) Promover a formação de organizações
quada, tanto no período de lactação quanto sociais destinadas a melhorar a qualidade
durante a idade escolar; de vida das pessoas idosas.
c) Adotar medidas especiais de proteção Artigo 18. Proteção de deficientes
dos adolescentes, a fim de assegurar o ple-
no amadurecimento de suas capacidades Toda pessoa afetada por diminuição de suas ca-
físicas, intelectuais e morais; pacidades físicas e mentais tem direito a rece-
ber atenção especial, a fim de alcançar o máxi-
d) Executar programas especiais de for- mo desenvolvimento de sua personalidade. Os
mação familiar, a fim de contribuir para a Estados Partes comprometem-se a adotar as
criação de ambiente estável e positivo no medidas necessárias para esse fim e, especial-
qual as crianças percebam e desenvolvam mente, a:
os valores de compreensão, solidariedade,
respeito e responsabilidade. a) Executar programas específicos destina-
dos a proporcionar aos deficientes os recur-
Artigo 16. Direito da criança sos e o ambiente necessário para alcançar
Toda criança, seja qual for sua filiação, tem di- esse objetivo, inclusive programas traba-
reito às medidas de proteção que sua condição lhistas adequados a suas possibilidades e
de menor requer por parte da sua família, da que deverão ser livremente aceitos por eles
sociedade e do Estado. Toda criança tem direito ou, se for o caso, por seus representantes
de crescer ao amparo e sob a responsabilidade legais;
de seus pais; salvo em circunstâncias excepcio-

168 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

b) Proporcionar formação especial às fa- 4. Os organismos especializados do Siste-


mílias dos deficientes, a fim de ajuda-los ma Interamericano poderão apresentar ao
a resolver os problemas de convivência e Conselho Interamericano Econômico e So-
convertê-los em elementos atuantes no de- cial e ao Conselho Interamericano de Edu-
senvolvimento físico, mental e emocional cação, Ciência e Cultura relatórios sobre o
destes; cumprimento das disposições deste Proto-
colo, no campo de suas atividades.
c) Incluir, de maneira prioritária, em seus
planos de desenvolvimento urbano a consi- 5. Os relatórios anuais que o Conselho In-
deração de soluções para os requisitos es- teramericano Econômico e Social e o Con-
pecíficos decorrentes das necessidades des- selho Interamericano de Educação, Ciência
te grupo; e Cultura apresentarem à Assembléia Geral
conterão um resumo da informação recebi-
d) Promover a formação de organizações da dos Estados Partes neste Protocolo e dos
sociais nas quais os deficientes possam de- organismos especializados sobre as medi-
senvolver uma vida plena. das progressivas adotadas a fim de assegu-
Artigo 19. Meios de proteção rar o respeito dos direitos reconhecidos no
Protocolo e das recomendações de caráter
1. Os Estados Partes neste Protocolo com- geral que a respeito considerarem pertinen-
prometem-se a apresentar, de acordo com tes.
o disposto por este artigo e pelas normas
pertinentes que a propósito deverão ser 6. Caso os direitos estabelecidos na alínea
elaboradas pela Assembléia Geral da Orga- a do artigo 8, e no artigo 13, forem viola-
nização dos Estados Americanos, relatórios dos por ação imputável diretamente a um
periódicos sobre as medidas progressivas Estado Parte deste Protocolo, essa situação
que tiverem adotado para assegurar o de- poderia dar lugar, mediante participação da
vido respeito aos direitos consagrados no Comissão Interamericana de Direitos Hu-
mesmo Protocolo. manos e, quando cabível, da Corte Intera-
mericana de Direitos Humanos, à aplicação
2. Todos os relatórios serão apresentados do sistema de petições individuais regulado
ao Secretário Geral da OEA, que os transmi- pelos artigos 44 a 51 e 61 a 69 da Conven-
tirá ao Conselho Interamericano Econômico ção Americana sobre Direitos Humanos.
e Social e ao Conselho Interamericano de
Educação, Ciência e Cultura, a fim de que os 7. Sem prejuízo do disposto no parágrafo
examinem de acordo com o disposto neste anterior, a Comissão Interamericana de Di-
artigo. O Secretário Geral enviará cópia des- reitos Humanos poderá formular as obser-
ses relatórios à Comissão Interamericana de vações e recomendações que considerar
Direitos Humanos. pertinentes sobre a situação dos direitos
econômicos, sociais e culturais estabeleci-
3. O Secretário Geral da Organização dos dos neste Protocolo em todos ou em alguns
Estados Americanos transmitirá também dos Estados Partes, as quais poderá incluir
aos organismos especializados do Sistema no Relatório Anual à Assembléia Geral ou
Interamericano, dos quais sejam membros num relatório especial, conforme conside-
os Estados Partes neste Protocolo, cópias rar mais apropriado.
dos relatórios enviados ou das partes per-
tinentes deles, na medida em que tenham 8. No exercício das funções que lhes con-
relação com matérias que sejam da compe- fere este artigo, os Conselhos e a Comissão
tência dos referidos organismos, de acordo Interamericana de Direitos Humanos deve-
com seus instrumentos constitutivos. rão levar em conta a natureza progressiva

www.acasadoconcurseiro.com.br 169
da vigência dos direitos objeto da proteção a dois terços do número de Estados Partes
deste Protocolo. neste Protocolo. Quanto aos demais Esta-
dos Partes, entrarão em vigor na data em
Artigo 20. Reservas que depositarem seus respectivos instru-
Os Estados Partes poderão formular reservas mentos de ratificação.
sobre uma ou mais disposições específicas des-
te Protocolo no momento de aprova-lo, assiná-
-lo, ratifica-lo ou a ele aderir, desde que não
sejam incompatíveis com o objetivo e o fim do Protocolo à Convenção Americana
Protocolo. sobre Direitos Humanos referentes à
abolição da pena de morte (1990)
Artigo 21. Assinatura, ratificação ou adesão.
Entrada em vigor
1. Este Protocolo fica aberto à assinatura e
PREÂMBULO
à ratificação ou adesão de todo Estado Par- OS ESTADOS MEMBROS NESTE PROTOCOLO,
te na Convenção Americana sobre Direitos CONSIDERANDO:
Humanos.
Que o "artigo 4" da Convenção Americana sobre
2. A ratificação deste Protocolo ou a ade- Direitos Humanos reconhece o direito à vida e
são ao mesmo será efetuada mediante de- restringe a aplicação da pena de morte.
pósito de um instrumento de ratificação ou
de adesão na Secretaria Geral da Organiza- Que toda pessoa tem o direito inalienável de
ção dos Estados Americanos. que se respeite sua vida, não podendo este di-
reito ser suspenso por motivo algum.
3. O Protocolo entrará em vigor tão logo
onze Estados tiverem depositado seus res- Que a tendência dos Estados americanos é favo-
pectivos instrumentos de ratificação ou de rável à abolição da pena de morte;
adesão.
Que a aplicação da pena de morte produz con-
4. O Secretário Geral informará a todos os seqüências irreparáveis que impedem sanar o
Estados membros da Organização a entrada erro judicial e eliminam qualquer possibilidade
em vigor do Protocolo. de emenda e de reabilitação do processado.

Artigo 22. Incorporação de outros direitos e Que a abolição da pena de morte contribui para
ampliação dos reconhecidos assegurar proteção mais efetiva do direito à
vida.
1. Qualquer Estado Parte e a Comissão In-
teramericana de Direitos Humanos pode- Que é necessário chegar a acordo internacional
rão submeter à consideração dos Estados que represente um desenvolvimento progressi-
Partes, reunidos por ocasião da Assembléia vo da Convenção Americana sobre Direitos Hu-
Geral, propostas de emendas com o fim de manos.
incluir o reconhecimento de outros direitos
Que Estados Membros na Convenção Ameri-
e liberdades, ou outras destinadas a esten-
cana sobre Direitos Humanos expressaram seu
der ou ampliar os direitos e liberdades reco-
propósito de se comprometer mediante acordo
nhecidos neste Protocolo.
internacional a fim de consolidar a prática da
2. As emendas entrarão em vigor para os não aplicação da pena de morte no continente
Estados ratificantes das mesmas na data em americano.
que tiverem depositado o respectivo ins-
CONVIERAM,
trumento de ratificação que corresponda

170 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

Em assinar o seguinte: Artigo 4º

PROTOCOLO À CONVENÇÃO AMERI- Este Protocolo entrará em vigor, para os Estados


CANA SOBRE DIREITOS HUMANOS que o ratificarem ou a ele aderirem, a partir do
depósito do respectivo instrumento de ratifica-
REFERENTE À ABOLIÇÃO DA PENA DE ção ou adesão, na Secretaria Geral da Organiza-
MORTE ção dos Estados Americanos.
Artigo 1º
Os Estados Membros neste Protocolo não apli-
carão em seu território a pena de morte a ne- Estatuto da Corte Interamericana de
nhuma pessoa submetida a sua jurisdição. Direitos Humanos (1979)
Artigo 2º
§ 1º Não será admitida reserva alguma a
este Protocolo. Entretanto, no momento de CAPÍTULO I
ratificação ou adesão, os Estados Membros
DISPOSIÇÕES GERAIS
neste instrumento poderão declarar que
se reservam o direito de aplicar a pena de Artigo 1º Natureza e regime jurídico
morte em tempo de guerra, de acordo com
o Direito Internacional, por delitos suma- A Corte Interamericana de Direitos Humanos é
mente graves de caráter militar. uma instituição judiciária autônoma cujo obje-
tivo é a aplicação e a interpretação da Conven-
§ 2º O Estado Membro que formular essa ção Americana sobre Direitos Humanos. A Corte
reserva deverá comunicar ao Secretário Ge- exerce suas funções em conformidade com as
ral da Organização dos Estados Americanos, disposições da citada Convenção e deste Estatu-
no momento da ratificação ou adesão, as to.
disposições pertinentes de sua legislação
nacional aplicáveis em tempo de guerra a Artigo 2º Competência e funções
que se refere o parágrafo anterior.
A Corte exerce função jurisdicional e consultiva.
§ 3º Esse Estado Membro notificará o Se-
§ 1º Sua função jurisdicional se rege pelas
cretário Geral da Organização dos Estados
disposições dos "artigos 61, 62 e 63" da
Americanos de todo início ou fim de um es-
Convenção.
tado de guerra aplicável ao seu território.
§ 2º Sua função consultiva se rege pelas dis-
Artigo 3º
posições do "artigo 64" da Convenção.
§ 1º Este Protocolo fica aberto à assinatu-
Artigo 3º Sede
ra e ratificação ou adesão de todo Estado
Membro na Convenção Americana sobre § 1º A Corte terá sua sede em San José,
Direitos Humanos. Costa Rica; poderá, entretanto, realizar reu-
niões em qualquer Estado Membro da Or-
§ 2º A ratificação deste Protocolo ou a ade-
ganização dos Estados Americanos – OEA,
são ao mesmo será feita mediante o depósi-
quando a maioria dos seus membros consi-
to do instrumento de ratificação ou adesão
derar conveniente, e mediante aquiescên-
na Secretaria Geral da Organização dos Es-
cia prévia do Estado respectivo.
tados Americanos.

www.acasadoconcurseiro.com.br 171
§ 2º A sede da corte pode ser mudada pelo anterior à expiração do mandato dos juízes
voto de dois terços dos Estados Membros cessantes.
da Convenção na Assembléia Geral da OEA.
§ 2º As vagas da Corte decorrentes de mor-
te, incapacidade permanente, renúncia ou
remoção dos juízes serão preenchidas, se
CAPÍTULO II possível, no próximo período de sessões
da Assembléia Geral da OEA. Entretanto, a
COMPOSIÇÃO DA CORTE
eleição não será necessária quando a vaga
Artigo 4º Composição ocorrer nos últimos seis meses do mandato
do juiz que lhe der origem.
§ 1º A Corte é composta de sete juízes, na-
cionais dos Estados Membros da OEA, elei- § 3º Se for necessário, para preservar o
tos a título pessoal dentre juristas da mais quorum da Corte, os Estados Membros da
alta autoridade moral, de reconhecida com- Convenção, em sessão do Conselho Perma-
petência em matéria de direitos humanos, nente da OEA, por solicitação do Presidente
que reúnam as condições requeridas para da Corte, nomearão um ou mais juízes inte-
o exercício das mais elevadas funções judi- rinos, que servirão até que sejam substituí-
ciais, de acordo com a lei do Estado do qual dos pelos juízes eleitos.
sejam nacionais, ou do Estado que os pro- Artigo 7º Candidatos
puser como candidatos.
§ 1º Os juizes são eleitos pelos Estados
§ 2º Não deve haver mais de um juiz da Membros da Convenção, na Assembléia Ge-
mesma nacionalidade. ral da OEA, de uma lista de candidatos pro-
Artigo 5º Mandato dos juízes postos pelos mesmos Estados.

§ 1º Os juízes da Corte serão eleitos para § 2º Cada Estado Membro pode propor até
um mandato de seis anos e só poderão ser três candidatos, nacionais do Estado que os
reeleitos uma vez. O juiz eleito para substi- propõe ou de qualquer outro Estado Mem-
tuir outro cujo mandato não haja expirado, bro da OEA.
completará o mandato deste. § 3º Quando for proposta uma lista tríplice,
§ 2º Os mandatos dos juízes serão contados pelo menos um dos candidatos deve ser na-
a partir de 1 de janeiro do ano seguinte ao cional de um Estado diferente do proponen-
de sua eleição e estender-se-ão até 31 de te.
dezembro do ano de sua conclusão. Artigo 8º Eleição: Procedimento prévio
§ 3º Os juízes permanecerão em exercício § 1º Seis meses antes da realização do perí-
até a conclusão de seu mandato. Não obs- odo ordinário de sessões da Assembléia Ge-
tante, continuarão conhecendo dos casos a ral da OEA, antes da expiração do mandato
que se tiverem dedicado e que se encontra- para o qual houverem sido eleitos os juízes
rem em fase de sentença, para cujo efeito da Corte, o Secretário Geral da OEA solici-
não serão substituídos pelos novos juízes tará, por escrito, a cada Estado Membro da
eleitos. Convenção, que apresente seus candidatos
Artigo 6º Data de eleição dos juízes dentro do prazo de noventa dias.

§ 1º A eleição dos juízes far-se-á, se possí- § 2º O Secretário Geral da OEA preparará


vel, no decorrer do período de sessões da uma lista em ordem alfabética dos candida-
Assembléia Geral da OEA, imediatamente tos apresentados e a levará ao conhecimen-
to dos Estados Membros, se for possível,

172 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

pelo menos trinta dias antes do próximo seguintes ao convite escrito do Presidente
período de sessões da Assembléia Geral da da Corte, considerar-se-á que tal Estado re-
OEA. nuncia ao exercício desse direito.
§ 3º Quando se tratar de vagas da Corte, § 5º As disposições dos "artigos 4, 11, 1 5, 1
bem como nos casos de morte ou de inca- 6, 1 8, 1 9 e 20" deste Estatuto serão aplicá-
pacidade permanente de um candidato, os veis aos juízes ad hoc.
prazos anteriores serão reduzidos de ma-
neira razoável a juízo do Secretário Geral da Artigo 11. Juramento
OEA. § 1º Ao tomar posse de seus cargos, os ju-
Artigo 9º Votação ízes prestarão o seguinte juramento ou de-
claração solene: "Juro" – ou – "declaro so-
§ 1º A eleição dos juízes é feita por votação lenemente que exercerei minhas funções de
secreta e pela maioria absoluta dos Estados juiz com honradez, independência e impar-
Membros da Convenção, dentre os candida- cialidade, e que guardarei segredo de todas
tos a que se refere o "artigo 7" deste Esta- as deliberações".
tuto.
§ 2º O juramento será feito perante o Presi-
§ 2º Entre os candidatos que obtiverem a dente da Corte, se possível na presença de
citada maioria absoluta, serão considerados outros juízes.
eleitos os que receberem o maior número
de votos. Se forem necessárias várias vota-
ções, serão eliminados sucessivamente os
candidatos que receberem menor número CAPÍTULO III
de votos, segundo o determinem os Estados ESTRUTURA DA CORTE
Membros.
Artigo 12. Presidência
Artigo 10º Juízes ad hoc
§ 1º A Corte elege, dentre seus membros, o
§ 1º O juiz que for nacional de um dos Esta- Presidente e Vice-Presidente, por dois anos,
dos Membros num caso submetido à Corte, os quais poderão ser reeleitos.
conservará seu direito de conhecer do caso.
§ 2º O Presidente dirige o trabalho da Cor-
§ 2º Se um dos juízes chamados a conhe- te, a representa, ordena a tramitação dos
cer de um caso for da nacionalidade de um assuntos que forem submetidos à Corte e
dos Estados Membros no caso, outro Estado preside suas sessões.
Membro no mesmo caso poderá designar
uma pessoa para fazer parte da Corte na § 3º O Vice-Presidente substitui o Presiden-
qualidade de juiz ad hoc. te em suas ausências temporárias e ocupa
seu lugar em caso de vaga. Nesse último
§ 3º Se dentre os juízes chamados a conhe- caso, a Corte elegerá um Vice-Presidente
cer do caso, nenhum for da nacionalidade para substituir o anterior pelo resto do seu
dos Estados Membros no mesmo, cada um mandato.
destes poderá designar um juiz ad hoc. Se
vários Estados tiverem o mesmo interesse § 4º No caso de ausência do Presidente e
no caso, serão considerados como uma úni- do Vice-Presidente, suas funções serão de-
ca parte para os fins das disposições prece- sempenhadas por outros juízes, na ordem
dentes. Em caso de dúvida, a Corte decidirá. de precedência estabelecida no "artigo 13"
deste Estatuto.
§ 4º Se o Estado com direito a designar um
juiz ad hoc não o fizer dentro dos trinta dias

www.acasadoconcurseiro.com.br 173
Artigo 13. Precedência zam também dos privilégios diplomáticos
necessários ao desempenho de seus cargos.
§ 1º Os juízes titulares terão precedência,
depois do Presidente e do Vice-Presidente, § 2º Não se poderá exigir aos juízes respon-
de acordo com sua Antigüidade no cargo. sabilidades em tempo algum por votos e
opiniões emitidos ou por atos desempenha-
§ 2º Quando houver dois ou mais juízes dos no exercício de suas funções.
com a mesma Antigüidade, a precedência
será determinada pela maior idade. § 3º A Corte em si e seu pessoal gozam das
imunidades e privilégios previstos no Acor-
§ 3º Os juízes ad hoc e interinos terão pre- do sobre Privilégios e Imunidades da Orga-
cedência depois dos titulares, por ordem nização dos Estados Americanos, de 15 de
de idade. Entretanto, se um juiz ad hoc ou maio de 1949, com as equivalências respec-
interino houver servido previamente como tivas, tendo em conta a importância e inde-
juiz titular, terá precedência sobre os outros pendência da Corte.
juízes ad hoc ou interinos.
§ 4º As disposições dos "§ 1,§ 2 e § 3 deste
Artigo 14. Secretaria artigo" serão aplicadas aos Estados Mem-
§ 1º A Secretaria da Corte funcionará sob a bros da Convenção. Serão também aplica-
imediata autoridade do Secretário, de acor- das aos outros Estados Membros da OEA
do com as normas administrativas da Secre- que as aceitarem expressamente, em geral
taria Geral da OEA no que não for incompa- ou para cada caso.
tível com a independência da Corte. § 5º O regime de imunidades e privilégios
§ 2º O Secretário será nomeado pela Corte. dos juízes da Corte e do seu pessoal poderá
Será funcionário de confiança da Corte, com ser regulamentado ou complementado me-
dedicação exclusiva, terá seu escritório na diante convênios multilaterais ou bilaterais
sede e deverá assistir às reuniões que a Cor- entre a Corte, a OEA e seus Estados Mem-
te realizar fora dela. bros.

§ 3º Haverá um Secretário Adjunto que au- Artigo 16. Disponibilidade


xiliará o Secretário em seus trabalhos e o § 1º Os juízes estarão à disposição da Corte
substituirá em suas ausências temporárias. e deverão trasladar-se à sede desta ou ao
§ 4º O pessoal da Secretaria será nomeado lugar em que realizar suas sessões, quantas
pelo Secretário Geral da OEA em consulta vezes e pelo tempo que for necessário, con-
com o Secretário da Corte. forme o Regulamento.
§ 2º O Presidente deverá prestar perma-
nentemente seus serviços.
CAPÍTULO IV Artigo 17. Honorários
DIREITOS, DEVERES E
§ 1º Os honorários do Presidente e dos ju-
RESPONSABILIDADES ízes da Corte serão fixados de acordo com
as obrigações e incompatibilidades que lhes
Artigo 15. Imunidades e privilégios
impõem os "artigos 16 e 18", respectiva-
§ 1º Os juízes gozam, desde o momento de mente e levando em conta a importância e
sua eleição e enquanto durarem os seus independência de suas funções.
mandatos, das imunidades reconhecidas
§ 2º Os juízes ad hoc receberão os honorá-
aos agentes diplomáticos pelo direito inter-
rios que forem estabelecidos regularmente,
nacional. No exercício de suas funções go-

174 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

de acordo com as disponibilidades orça- gadora, ou em qualquer outra qualidade, a


mentárias da Corte. juízo da Corte.
§ 3º Os juízes perceberão, além disso, diá- § 2º Se algum dos juízes estiver impedido
rias e despesas de viagem, quando for ca- de conhecer, ou por qualquer outro motivo
bível. justificado, considerar que não deve partici-
par em determinado assunto, apresentará
Artigo 18. lncompatibilidades sua escusa ao Presidente. Se este não a aco-
§ 1º O exercício do cargo de Juiz da Corte In- lher, a Corte decidirá.
teramericana de Direitos Humanos é incom- § 3º Se o Presidente considerar que qual-
patível com o exercício dos seguintes cargos quer dos juízes tem motivo de impedimen-
e atividades: to ou por algum outro motivo justificado
a) Membros ou altos funcionários do Po- não deva participar em determinado assun-
der Executivo, com exceção dos cargos que to, assim o fará saber. Se o juiz em questão
não impliquem subordinação hierárquica estiver em desacordo, a Corte decidirá.
ordinária, bem como agentes diplomáticos § 4º Quando um ou mais juízes estiverem
que não sejam Chefes de Missão junto à inabilitados, em conformidade com este ar-
OEA ou junto a qualquer dos seus Estados tigo, o Presidente poderá solicitar aos Esta-
Membros. dos Membros da Convenção que em sessão
b) Funcionários de organismos internacio- do Conselho Permanente da OEA designem
nais. juízes interinos para substitui-los.

c) Quaisquer outros cargos ou atividades Artigo 20. Responsabilidades e competência


que impeçam os juízes de cumprir suas disciplinar
obrigações ou que afetem sua independên- § 1º Os juízes e o pessoal da Corte deverão
cia ou imparcialidade, ou a dignidade ou o manter, no exercício de suas funções e fora
prestígio do seu cargo. delas, uma conduta acorde com a investi-
§ 2º A Corte decidirá os casos de dúvida so- dura dos que participam da função jurisdi-
bre incompatibilidade. Se a incompatibili- cional internacional da Corte. Responde-
dade não for eliminada serão aplicáveis as rão perante a Corte por essa conduta, bem
disposições do "artigo 73" da Convenção e como por qualquer falta de cumprimento,
20.2 deste Estatuto. negligência ou omissão no exercício de suas
funções.
§ 3º As incompatibilidades unicamente cau-
sarão a cessação do cargo e das responsabi- § 2º A competência disciplinar com respei-
lidades correspondentes, mas não invalida- to aos juízes caberá à Assembléia Geral da
rão os atos e as resoluções em que o juiz em OEA, somente por solicitação justificada da
questão houver interferido. Corte, constituída para esse efeito pelos de-
mais juízes.
Artigo 19. Impedimentos, escusas e inabilitação
§ 3º A competência disciplinar com respeito
§ 1º Os juízes estarão impedidos de partici- ao Secretário cabe à Corte, e com respeito
par em assuntos nos quais eles ou seus pa- ao resto do pessoal, ao Secretário, com a
rentes tiverem interesse direto ou em que aprovação do Presidente.
houverem intervindo anteriormente como
agentes, conselheiros ou advogados, ou § 4º O regime disciplinar será regulamenta-
como membros de um tribunal nacional ou do pela Corte, sem prejuízo das normas ad-
internacional ou de uma comissão investi- ministrativas da Secretaria Geral da OEA, na

www.acasadoconcurseiro.com.br 175
medida em que forem aplicáveis à Corte em § 2º A Corte deliberará em privado. Suas de-
conformidade com o "artigo 59" da Conven- liberações permanecerão secretas, a menos
ção. que a Corte decida de outra forma.
Artigo 21. Renúncia e incapacidade § 3º As decisões, juízos e opiniões da Corte
serão comunicados em sessões públicas e
§ 1º A renúncia de um juiz deverá ser apre- serão notificados por escrito às partes. Além
sentada por escrito ao Presidente da Cor- disso, serão publicados, juntamente com os
te. A renúncia não se tornará efetiva senão votos e opiniões separados dos juízes e com
após sua aceitação pela Corte. quaisquer outros dados ou antecedentes
§ 2º A incapacidade de um juiz de exercer que a Corte considerar conveniente.
suas funções será determinada pela Corte. Artigo 25. Regulamentos e normas de procedi-
§ 3º O Presidente da Corte notificará a acei- mento
tação da renúncia ou a declaração de inca- § 1º A Corte elaborará suas normas de pro-
pacidade ao Secretário Geral da OEA, para cedimento.
os devidos efeitos.
§ 2º As normas de procedimento poderão
delegar ao Presidente ou a comissões da
própria Corte determinadas partes da tra-
CAPÍTULO V mitação processual, com exceção das sen-
FUNCIONAMENTO DA CORTE tenças definitivas e dos pareceres consulti-
vos. Os despachos ou resoluções que não
Artigo 22. Sessões forem de simples tramitação, exarados pelo
Presidente ou por comissões da Corte, po-
§ 1º A Corte realizará sessões ordinárias e
derão sempre ser apelados ao plenário da
extraordinárias.
Corte.
§ 2º Os períodos ordinários de sessões se-
§ 3º A Corte elaborará também seu Regula-
rão determinados regularmentalmente pela
mento.
Corte.
Artigo 26. Orçamento e regime financeiro
§ 3º Os períodos extraordinários de sessões
serão convocados pelo Presidente ou por § 1º A Corte elaborará seu próprio projeto
solicitação da maioria dos juízes. de orçamento e submetê-lo-á à aprovação
da Assembléia Geral da OEA, por intermé-
Artigo 23. Quorum
dio da Secretaria Geral. Esta última não lhe
§ 1º O quorum para as deliberações da Cor- poderá introduzir modificações.
te é constituído por cinco juízes.
§ 2º A Corte administrará seu orçamento.
§ 2º As decisões da Corte serão tomadas
pela maioria dos juízes presentes.
§ 3º Em caso de empate, o Presidente terá o CAPÍTULO VI
voto de qualidade. RELAÇÕES COM ESTADOS
Artigo 24. Audiências, deliberações e decisões E ORGANISMOS
§ 1º As audiências serão públicas, a menos Artigo 27. Relações com o país sede, Estados e
que a Corte, em casos excepcionais, decidir Organismos
de outra forma.

176 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

§ 1º As relações da Corte com o país sede CAPÍTULO VII


serão regulamentadas mediante um convê- DISPOSIÇÕES FINAIS
nio de sede. A sede da Corte terá caráter In-
ternacional. Artigo 31. Reforma do Estatuto
§ 2º As relações da Corte com os Estados, Este Estatuto poderá ser modificado pela As-
com a OEA e seus organismos, e com outros sembléia Geral da OEA por iniciativa de qual-
organismos internacionais de caráter gover- quer Estado Membro ou da própria Corte.
namental relacionados com a promoção e
defesa dos Direitos Humanos serão regula- Artigo 32. Vigência
mentadas mediante convênios especiais. Este Estatuto entrará em vigor em 1 de janeiro
Artigo 28. Relações com a Comissão Interame- de 1980.
ricana de Direitos Humanos
A Comissão Interamericana de Direitos Huma-
nos comparecerá e será tida como parte peran- Convenção Interamericana para
te a Corte, em todos os casos relativos à função prevenir e punir a Tortura (1985)
jurisdicional desta, em conformidade com o "§
1, artigo 2", deste Estatuto.
Os Estados Americanos signatários da presente
Artigo 29. Convênios de cooperação Convenção,
§ 1º A Corte poderá celebrar convênios de Conscientes do disposto na Convenção Ame-
cooperação com instituições que não te- ricana sobre Direitos Humanos, no sentido de
nham fins lucrativos, tais como faculdades que ninguém deve ser submetido a torturas,
de direito, associações e corporações de ad- nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos
vogados, tribunais, academias e instituições ou degradantes;
educacionais ou de pesquisa em disciplinas
conexas, a fim de obter sua colaboração e Reafirmando que todo ato de tortura ou outros
de fortalecer e promover os princípios jurí- tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou
dicos e institucionais da Convenção em ge- degradantes constituem uma ofensa à dignida-
ral, e da Corte em especial. de humana e uma negação dos princípios con-
sagrados na Carta da Organização dos Estados
§ 2º A Corte incluirá em seu relatório anual Americanos e na Carta das Nações Unidas, e são
à Assembléia Geral da OEA uma relação dos violatórios dos direitos humanos e liberdades
referidos convênios, bem como de seus re- fundamentais proclamados na Declaração Ame-
sultados. ricana dos Direitos e Deveres do Homem e na
Declaração Universal dos Direitos do Homem;
Artigo 30. Relatório à Assembléia Geral da OEA
Assinalando que, para tornar efetivas as normas
A Corte submeterá à Assembléia Geral da OEA,
pertinentes contidas nos instrumentos univer-
em cada período ordinário de sessões, um rela-
sais e regionais aludidos, é necessário elaborar
tório sobre suas atividades no ano anterior. In-
uma convenção interamericana que previna e
dicará os casos em que um Estado não houver
puna a tortura;
dado cumprimento a suas sentenças. Poderá
submeter à Assembléia Geral da OEA proposi- Reiterando seu propósito de consolidar neste
ções ou recomendações para o melhoramento Continente as condições que permitam o reco-
do sistema interamericano de Direitos Huma- nhecimento e o respeito da dignidade inerente
nos, no que diz respeito ao trabalho da Corte. à pessoa humana e assegurem o exercício pleno
de suas liberdades e direitos fundamentais;

www.acasadoconcurseiro.com.br 177
Convieram no seguinte: Artigo 5º
Artigo 1º Não se invocará nem admitirá como justificati-
va do delito de tortura a existência de circuns-
Os Estados Partes obrigam-se a prevenir e a pu- tâncias tais como o estado de guerra, a ameaça
nir a tortura, nos termos desta Convenção. de guerra, o estado de sítio ou de emergência,
Artigo 2º a comoção ou conflito interno, a suspensão das
garantias constitucionais, a instabilidade políti-
Para os efeitos desta Convenção, entender-se- ca interna, ou outras emergências ou calamida-
-á por tortura todo ato pelo qual são infligidos des públicas.
intencionalmente a uma pessoa penas ou so-
frimentos físicos ou mentais, com fins de inves- Nem a periculosidade do detido ou condenado,
tigação criminal, como meio de intimidação, nem a insegurança do estabelecimento carcerá-
como castigo pessoal, como medida preventiva, rio ou penitenciário podem justificar a tortura.
como pena ou qualquer outro fim. Entender- Artigo 6º
-se-á também como tortura a aplicação, sobre
uma pessoa, de métodos tendentes a anular a Em conformidade com o disposto no artigo 1, os
personalidade da vítima, ou a diminuir sua ca- Estados Partes tomarão medidas efetivas a fim
pacidade física ou mental, embora não causem de prevenir e punir a tortura no âmbito de sua
dor física ou angústia psíquica. Não estarão jurisdição.
compreendidas no conceito de tortura as penas
ou sofrimentos físicos ou mentais que sejam Os Estados Partes assegurar-se-ão de que to-
unicamente conseqüência de medidas legais ou dos os atos de tortura e as tentativas de praticar
inerentes a elas, contanto que não incluam a re- atos dessa natureza sejam considerados delitos
alização dos atos ou a aplicação dos métodos a em seu Direito Penal, estabelecendo penas se-
que se refere este artigo. veras para sua punição, que levem em conta sua
gravidade.
Artigo 3º
Os Estados Partes obrigam-se também a tomar
Serão responsáveis pelo delito de tortura: medidas efetivas para prevenir e punir outros
tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou de-
a) Os empregados ou funcionários públicos gradantes, no âmbito de sua jurisdição.
que, atuando nesse caráter, ordenem sua
execução ou instiguem ou induzam a ela, Artigo 7º
cometam-no diretamente ou, podendo im-
pedi-lo, não o façam. Os Estados Partes tomarão medidas para que,
no treinamento de agentes de polícia e de ou-
b) As pessoas que, por instigação dos fun- tros funcionários públicos responsáveis pela
cionários ou empregados públicos a que se custódia de pessoas privadas de liberdade, pro-
refere a alínea a, ordenem sua execução, visória ou definitivamente, e nos interrogató-
instiguem ou induzam a ela, cometam-no rios, detenções ou prisões, se ressalte de manei-
diretamente ou nele sejam cúmplices. ra especial a proibição do emprego de tortura.
Artigo 4º Os Estados Partes tomarão também medidas
semelhantes para evitar outros tratamentos ou
O fato de haver agido por ordens superiores não penas cruéis, desumanos ou degradantes.
eximirá da responsabilidade penal correspon-
dente. Artigo 8º
Os Estados Partes assegurarão a qualquer pes-
soa que denunciar haver sido submetida a tor-
tura, no âmbito de sua jurisdição, o direito de

178 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

que o caso seja examinado de maneira impar- delito descrito nesta Convenção, nos seguintes
cial. casos:
Quando houver denúncia ou razão fundada a) quando a tortura houver sido cometida
para supor que haja sido cometido ato de tortu- no âmbito de sua jurisdição;
ra no âmbito de sua jurisdição, os Estados Par-
tes garantirão que suas autoridades procederão b) quando o suspeito for nacional do Esta-
de ofício e imediatamente à realização de uma do Parte de que se trate;
investigação sobre o caso e iniciarão, se for cabí- c) quando a vítima for nacional do Estado
vel, o respectivo processo penal. Parte de que se trate e este o considerar
Uma vez esgotado o procedimento jurídico in- apropriado.
terno do Estado e os recursos que este prevê, o Todo Estado Parte tomará também as medidas
caso poderá ser submetido a instâncias interna- necessárias para estabelecer sua jurisdição so-
cionais, cuja competência tenha sido aceita por bre o delito descrito nesta Convenção, quando o
esse Estado. suspeito se encontrar no âmbito de sua jurisdi-
Artigo 9º ção e o Estado não o extraditar, de conformida-
de com o artigo 11.
Os Estados Partes comprometem-se a estabele-
cer, em suas legislações nacionais, normas que Esta Convenção não exclui a jurisdição penal
garantam compensação adequada para as víti- exercida de conformidade com o direito inter-
mas de delito de tortura. no. Artigo 13

Nada do disposto neste artigo afetará o direi- O delito a que se refere o artigo 2 será conside-
to que possa ter a vítima de outras pessoas de rado incluído entre os delitos que são motivo de
receber compensação em virtude da legislação extradição em todo tratado de extradição cele-
nacional existente. brado entre Estados Partes. Os Estados Partes
comprometem-se a incluir o delito de tortura
Artigo 10. como caso de extradição em todo tratado de ex-
tradição que celebrarem entre si no futuro.
Nenhuma declaração que se comprove haver
sido obtida mediante tortura poderá ser ad- Todo Estado Parte que sujeitar a extradição à
mitida como prova em um processo, salvo em existência de um tratado poderá, se receber de
processo instaurado contra a pessoa ou pesso- outro Estado Parte, com o qual não tiver trata-
as acusadas de havê-la obtido mediante atos de do, uma solicitação de extradição, considerar
tortura e unicamente como prova de que, o acu- esta Convenção como a base jurídica necessária
sado obteve tal declaração. para a extradição referente ao delito de tortura.
A extradição estará sujeita às demais condições
Artigo 11. exigíveis pelo direito do Estado requerido.
Os Estados Partes tomarão as medidas necessá- Os Estados Partes que não sujeitarem a extradi-
rias para conceder a extradição de toda pessoa ção à existência de um tratado reconhecerão es-
acusada de delito de tortura ou condenada por ses delitos como casos de extradição entre eles,
esse delito, de conformidade com suas legisla- respeitando as condições exigidas pelo direito
ções nacionais sobre extradição e suas obriga- do Estado requerido.
ções internacionais nessa matéria.
Não se concederá a extradição nem se proce-
Artigo 12. derá à devolução da pessoa requerida quando
Todo Estado Parte tomará as medidas neces- houver suspeita fundada de que corre perigo
sárias para estabelecer sua jurisdição sobre o sua vida, de que será submetida à tortura, tra-
tamento cruel, desumano ou degradante, ou de

www.acasadoconcurseiro.com.br 179
que será julgada por tribunais de exceção ou ad Artigo 19.
hoc, no Estado requerente.
Esta Convenção estará sujeita à ratificação. Os
Artigo 14. instrumentos de ratificação serão depositados
na Secretaria-Geral da Organização dos Estados
Quando um Estado Parte não conceder a ex- Americanos.
tradição, submeterá o caso às suas autoridades
competentes, como se o delito houvesse sido Artigo 20.
cometido no âmbito de sua jurisdição, para fins
de investigação e, quando for cabível, de ação Esta Convenção ficará aberta à adesão de qual-
penal, de conformidade com sua legislação na- quer outro Estado Americano. Os instrumentos
cional. A decisão tomada por essas autoridades de adesão serão depositados na Secretaria-Ge-
será comunicada ao Estado que houver solicita- ral da Organização dos Estados Americanos.
do a extradição. Artigo 21.
Artigo 15. Os Estados Partes poderão formular reservas a
Nada do disposto nesta Convenção poderá ser esta Convenção no momento de aprová-la, ra-
interpretado como limitação do direito de asilo, tificá-la ou de a ela aderir, contanto que não se-
quando for cabível, nem como modificação das jam incompatíveis com o objeto e o fim da Con-
obrigações dos Estados Partes em matéria de venção e versem sobre uma ou mais disposições
extradição. específicas.

Artigo 16. Artigo 22.

Esta Convenção deixa a salvo o disposto pela Esta Convenção entrará em vigor no trigésimo
Convenção Americana dobre Direitos Humanos, dia a partir da data em que tenha sido deposi-
por outras convenções sobre a matéria e pelo tado o segundo instrumento de ratificação. Para
Estatuto da Comissão Interamericana de Direi- cada Estado que ratificar a Convenção ou a ela
tos Humanos com relação ao delito de tortura. aderir depois de haver sido depositado o segun-
do instrumento de ratificação, a Convenção en-
Artigo 17. trará em vigor no trigésimo dia a partir da data
em que esse Estado tenha depositado seu ins-
Os Estados Partes comprometem-se a informar trumento de ratificação ou adesão.
a Comissão Interamericana de Direitos Huma-
nos sobre as medidas legislativas, judiciais, ad- Artigo 23.
ministrativas e de outra natureza que adotarem
em aplicação desta Convenção. Esta Convenção vigorará indefinidamente, mas
qualquer dos Estados Partes poderá denunciá-
De conformidade com suas atribuições, a Co- -la. O instrumento de denúncia será depositado
missão Interamericana de Direitos Humanos na Secretaria-Geral da Organização dos Estados
procurará analisar, em seu relatório anual, a si- Americanos. Transcorrido um ano, contado a
tuação prevalecente nos Estados membros da partir da data de depósito do instrumento de
Organização dos Estados Americanos, no que denúncia, a Convenção cessará em seus efeitos
diz respeito à prevenção e supressão da tortura. para o Estado denunciante, ficando subsistente
para os demais Estados Partes.
Artigo 18.
Artigo 24.
Esta Convenção estará aberta à assinatura dos
Estados membros da Organização dos Estados O instrumento original desta Convenção, cujos
Americanos. textos em português, espanhol, francês e inglês
são igualmente autênticos, será depositado na
Secretaria-Geral da Organização dos Estados

180 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

Americanos, que enviará cópia autenticada do CONVENCIDOS de que a eliminação da violência


seu texto para registro e publicação à Secreta- contra a mulher é condição indispensável para
ria das Nações Unidas, de conformidade com seu desenvolvimento individual e social e sua
o artigo 102 da Carta das Nações Unidas. A Se- plena e igualitária participação em todas as es-
cretaria-Geral da Organização dos Estados Ame- feras de vida; e
ricanos comunicará aos Estados membros da
referida Organização e aos Estados que tenham CONVENCIDOS de que a adoção de uma con-
aderido à Convenção as assinaturas e os depósi- venção para prevenir, punir e erradicar todas as
tos de instrumentos de ratificação, adesão e de- formas de violência contra a mulher, no âmbito
núncia, bem como as reservas que houver. da Organização dos Estados Americanos, consti-
tui positiva contribuição no sentido de proteger
os direitos da mulher e eliminar as situações de
violência contra ela,
Convenção Interamericana para CONVIERAM no seguinte:
prevenir, punir e erradicar a violência
contra a Mulher (1994) – Convenção
de Belém do Pará
CAPÍTULO I
DEFINIÇÃO E ÂMBITO DE APLICAÇÃO
OS ESTADOS PARTES NESTA CONVENÇÃO,
RECONHECENDO que o respeito irrestrito aos Artigo 1º
direitos humanos foi consagrado na Declaração Para os efeitos desta Convenção, entender-se-á
Americana dos Direitos e Deveres do Homem e por violência contra a mulher qualquer ato ou
na Declaração Universal dos Direitos Humanos e conduta baseada no gênero, que cause morte,
reafirmado em outros instrumentos internacio- dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico
nais e regionais; à mulher, tanto na esfera pública como na esfe-
AFIRMANDO que a violência contra a mulher ra privada.
constitui violação dos direitos humanos e liber- Artigo 2º
dades fundamentais e limita total ou parcial-
mente a observância, gozo e exercício de tais Entende-se que a violência contra a mulher
direitos e liberdades; abrange a violência física, sexual e psicológica:

PREOCUPADOS por que a violência contra a mu- a) ocorrida no âmbito da família ou unida-
lher constitui ofensa contra a dignidade humana de doméstica ou em qualquer relação inter-
e é manifestação das relações de poder histori- pessoal, quer o agressor compartilhe, tenha
camente desiguais entre mulheres e homens; compartilhado ou não a sua residência, in-
cluindo-se, entre outras formas, o estupro,
RECORDANDO a Declaração para a Erradicação maus-tratos e abuso sexual;
da Violência contra a Mulher, aprovada na Vigé-
sima Quinta Assembléia de Delegadas da Comis- b) ocorrida na comunidade e cometida por
são Interamericana de Mulheres, e afirmando qualquer pessoa, incluindo, entre outras
que a violência contra a mulher permeia todos formas, o estupro, abuso sexual, tortura,
os setores da sociedade, independentemente tráfico de mulheres, prostituição forçada,
de classe, raça ou grupo étnico, renda, cultura, seqüestro e assédio sexual no local de tra-
nível educacional, idade ou religião, e afeta ne- balho, bem como em instituições educacio-
gativamente suas próprias bases; nais, serviços de saúde ou qualquer outro
local; e

www.acasadoconcurseiro.com.br 181
c) perpetrada ou tolerada pelo Estado ou Artigo 5º
seus agentes, onde quer que ocorra.
Toda mulher poderá exercer livre e plenamen-
te seus direitos civis, políticos, econômicos, so-
ciais e culturais e contará com a total proteção
CAPÍTULO II desses direitos consagrados nos instrumentos
regionais e internacionais sobre direitos huma-
DIREITOS PROTEGIDOS
nos. Os Estados Partes reconhecem que a vio-
Artigo 3º lência contra a mulher impede e anula o exercí-
cio desses direitos.
Toda mulher tem direito a ser livre de violência,
tanto na esfera pública como na esfera privada. Artigo 6º

Artigo 4º O direito de toda mulher a ser livre de violência


abrange, entre outros:
Toda mulher tem direito ao reconhecimento,
desfrute, exercício e proteção de todos os direi- a) o direito da mulher a ser livre de todas
tos humanos e liberdades consagrados em to- as formas de discriminação; e
dos os instrumentos regionais e internacionais b) o direito da mulher a ser valorizada e
relativos aos direitos humanos. Estes direitos educada livre de padrões estereotipados de
abrangem, entre outros: comportamento e costumes sociais e cultu-
a) direito a que se respeite sua vida; rais baseados em conceitos de inferioridade
ou subordinação.
b) direito a que se respeite sua integridade
física, mental e moral;
c) direito à liberdade e à segurança pesso- CAPÍTULO III
ais;
DEVERES DOS ESTADOS
d) direito a não ser submetida a tortura;
Artigo 7º
e) direito a que se respeite a dignidade ine-
rente à sua pessoa e a que se proteja sua Os Estados Partes condenam todas as formas de
família; violência contra a mulher e convêm em adotar,
por todos os meios apropriados e sem demora,
f) direito a igual proteção perante a lei e da políticas destinadas a prevenir, punir e erradicar
lei; tal violência e a empenhar-se em:
g) direito a recurso simples e rápido peran- a) abster-se de qualquer ato ou prática de
te tribunal competente que a proteja contra violência contra a mulher e velar por que as
atos que violem seus direitos; autoridades, seus funcionários e pessoal,
bem como agentes e instituições públicos
h) direito de livre associação;
ajam de conformidade com essa obrigação;
i) direito à liberdade de professar a pró-
b) agir com o devido zelo para prevenir, in-
pria religião e as próprias crenças, de acor-
vestigar e punir a violência contra a mulher;
do com a lei; e
c) incorporar na sua legislação interna nor-
j) direito a ter igualdade de acesso às fun-
mas penais, civis, administrativas e de outra
ções públicas de seu país e a participar nos
natureza, que sejam necessárias para pre-
assuntos públicos, inclusive na tomada de
venir, punir e erradicar a violência contra a
decisões.

182 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

mulher, bem como adotar as medidas admi- dade ou superioridade de qualquer dos gê-
nistrativas adequadas que forem aplicáveis; neros ou nos papéis estereotipados para o
homem e a mulher, que legitimem ou exa-
d) adotar medidas jurídicas que exijam do cerbem a violência contra a mulher;
agressor que se abstenha de perseguir, in-
timidar e ameaçar a mulher ou de fazer uso c) promover a educação e treinamento de
de qualquer método que danifique ou po- todo o pessoal judiciário e policial e demais
nha em perigo sua vida ou integridade ou funcionários responsáveis pela aplicação da
danifique sua propriedade; lei, bem como do pessoal encarregado da
implementação de políticas de prevenção,
e) tomar todas as medidas adequadas, in- punição e erradicação da violência contra a
clusive legislativas, para modificar ou abolir mulher;
leis e regulamentos vigentes ou modificar
práticas jurídicas ou consuetudinárias que d) prestar serviços especializados apro-
respaldem a persistência e a tolerância da priados à mulher sujeitada a violência, por
violência contra a mulher; intermédio de entidades dos setores públi-
co e privado, inclusive abrigos, serviços de
f) estabelecer procedimentos jurídicos jus- orientação familiar, quando for o caso, e
tos e eficazes para a mulher sujeitada a vio- atendimento e custódia dos menores afeta-
lência, inclusive, entre outros, medidas de dos;
proteção, juízo oportuno e efetivo acesso a
tais processos; e) promover e apoiar programas de educa-
ção governamentais e privados, destinados
g) estabelecer mecanismos judiciais e ad- a conscientizar o público para os problemas
ministrativos necessários para assegurar da violência contra a mulher, recursos jurí-
que a mulher sujeitada a violência tenha dicos e reparação relacionados com essa
efetivo acesso a restituição, reparação do violência;
dano e outros meios de compensação jus-
tos e eficazes; f) proporcionar à mulher sujeitada a vio-
lência acesso a programas eficazes de rea-
h) adotar as medidas legislativas ou de ou- bilitação e treinamento que lhe permitam
tra natureza necessárias à vigência desta participar plenamente da vida pública, pri-
Convenção. vada e social;
Artigo 8º g) incentivar os meios de comunicação a
Os Estados Partes convêm em adotar, progressi- que formulem diretrizes adequadas de di-
vamente, medidas específicas, inclusive progra- vulgação, que contribuam para a erradica-
mas destinados a: ção da violência contra a mulher em todas
as suas formas e enalteçam o respeito pela
a) promover o conhecimento e a observân- dignidade da mulher;
cia do direito da mulher a uma vida livre de
violência e o direito da mulher a que se res- h) assegurar a pesquisa e coleta de estatís-
peitem e protejam seus direitos humanos; ticas e outras informações relevantes con-
cernentes às causas, conseqüências e fre-
b) modificar os padrões sociais e culturais qüência da violência contra a mulher, a fim
de conduta de homens e mulheres, inclu- de avaliar a eficiência das medidas tomadas
sive a formulação de programas formais e para prevenir, punir e erradicar a violência
não formais adequados a todos os níveis do contra a mulher, bem como formular e im-
processo educacional, a fim de combater plementar as mudanças necessárias; e
preconceitos e costumes e todas as outras
práticas baseadas na premissa da inferiori-

www.acasadoconcurseiro.com.br 183
i) promover a cooperação internacional Comissão Interamericana de Direitos Humanos
para o intercâmbio de idéias e experiências, petições referentes a denúncias ou queixas de
bem como a execução de programas desti- violação do artigo 7 desta Convenção por um
nados à proteção da mulher sujeitada a vio- Estado Parte, devendo a Comissão considerar
lência. tais petições de acordo com as normas e pro-
cedimentos estabelecidos na Convenção Ame-
Artigo 9º ricana sobre Direitos Humanos e no Estatuto e
Para a adoção das medidas a que se refere este Regulamento da Comissão Interamericana de
capítulo, os Estados Partes levarão especialmen- Direitos Humanos, para a apresentação e consi-
te em conta a situação da mulher vulnerável a deração de petições.
violência por sua raça, origem étnica ou condi-
ção de migrante, de refugiada ou de deslocada,
entre outros motivos. Também será considera-
da sujeitada a violência a gestante, deficiente, CAPÍTULO V
menor, idosa ou em situação sócio-econômica DISPOSIÇÕES GERAIS
desfavorável, afetada por situações de conflito
armado ou de privação da liberdade. Artigo 13.
Nenhuma das disposições desta Convenção po-
derá ser interpretada no sentido de restringir
ou limitar a legislação interna dos Estados Par-
CAPÍTULO IV tes que ofereça proteções e garantias iguais ou
MECANISMOS INTERAMERICANOS maiores para os direitos da mulher, bem como
DE PROTEÇÃO salvaguardas para prevenir e erradicar a violên-
cia contra a mulher.
Artigo 10.
Artigo 14.
A fim de proteger o direito de toda mulher a
uma vida livre de violência, os Estados Partes Nenhuma das disposições desta Convenção po-
deverão incluir nos relatórios nacionais à Comis- derá ser interpretada no sentido de restringir
são Interamericana de Mulheres informações ou limitar as da Convenção Americana sobre Di-
sobre as medidas adotadas para prevenir e er- reitos Humanos ou de qualquer outra conven-
radicar a violência contra a mulher, para prestar ção internacional que ofereça proteção igual ou
assistência à mulher afetada pela violência, bem maior nesta matéria.
como sobre as dificuldades que observarem na Artigo 15.
aplicação das mesmas e os fatores que contri-
buam para a violência contra a mulher. Esta Convenção fica aberta à assinatura de to-
dos os Estados membros da Organização dos Es-
Artigo 11. tados Americanos.
Os Estados Partes nesta Convenção e a Comis- Artigo 16.
são Interamericana de Mulheres poderão solici-
tar à Corte Interamericana de Direitos Humanos Esta Convenção está sujeita a ratificação. Os
parecer sobre a interpretação desta Convenção. instrumentos de ratificação serão depositados
na Secretaria-Geral da Organização dos Estados
Artigo 12. Americanos.
Qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou Artigo 17.
qualquer entidade não-governamental juridi-
camente reconhecida em um ou mais Estados Esta Convenção fica aberta à adesão de qual-
membros da Organização, poderá apresentar à quer outro Estado. Os instrumentos de adesão

184 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

serão depositados na Secretaria-Geral da Orga- Esta Convenção entrará em vigor no trigésimo


nização dos Estados Americanos. dia a partir da data em que for depositado o
segundo instrumento de ratificação. Para cada
Artigo 18. Estado que ratificar a Convenção ou a ela aderir
Os Estados poderão formular reservas a esta após haver sido depositado o segundo instru-
Convenção no momento de aprová-la, assiná-la, mento de ratificação, entrará em vigor no tri-
ratificá-la ou a ela aderir, desde que tais reser- gésimo dia a partir da data em que esse Estado
vas: houver depositado seu instrumento de ratifica-
ção ou adesão.
a) não sejam incompatíveis com o objetivo
e propósito da Convenção; Artigo 22.

b) não sejam de caráter geral e se refiram O Secretário-Geral informará a todos os Estados


especificamente a uma ou mais de suas dis- membros da Organização dos Estados America-
posições. nos a entrada em vigor da Convenção.

Artigo 19. Artigo 23.

Qualquer Estado Parte poderá apresentar à As- O Secretário-Geral da Organização dos Esta-
sembléia Geral, por intermédio da Comissão In- dos Americanos apresentará um relatório anu-
teramericana de Mulheres, propostas de emen- al aos Estados membros da Organização sobre
da a esta Convenção. a situação desta Convenção, inclusive sobre as
assinaturas e depósitos de instrumentos de ra-
As emendas entrarão em vigor para os Estados tificação, adesão e declaração, bem como sobre
ratificantes das mesmas na data em que dois as reservas que os Estados Partes tiverem apre-
terços dos Estados Partes tenham depositado sentado e, conforme o caso, um relatório sobre
seus respectivos instrumentos de ratificação. as mesmas.
Para os demais Estados Partes, entrarão em vi-
gor na data em que depositarem seus respecti- Artigo 24.
vos instrumentos de ratificação. Esta Convenção vigorará por prazo indefinido,
Artigo 20. mas qualquer Estado Parte poderá denunciá-
-la mediante o depósito na Secretaria-Geral da
Os Estados Partes que tenham duas ou mais uni- Organização dos Estados Americanos de instru-
dades territoriais em que vigorem sistemas jurí- mento que tenha essa finalidade. Um ano após
dicos diferentes relacionados com as questões a data do depósito do instrumento de denúncia,
de que trata esta Convenção poderão declarar, cessarão os efeitos da Convenção para o Estado
no momento de assiná-la, de ratificá-la ou de a denunciante, mas subsistirão para os demais Es-
ela aderir, que a Convenção se aplicará a todas tados Partes.
as suas unidades territoriais ou somente a uma
ou mais delas. Artigo 25.

Tal declaração poderá ser modificada, em qual- O instrumento original desta Convenção, cujos
quer momento, mediante declarações ulterio- textos em português, espanhol, francês e inglês
res, que indicarão expressamente a unidade ou são igualmente autênticos, será depositado na
as unidades territoriais a que se aplicará esta Secretaria-Geral da Organização dos Estados
Convenção. Essas declarações ulteriores serão Americanos, que enviará cópia autenticada de
transmitidas à Secretaria-Geral da Organização seu texto ao Secretariado das Nações Unidas
dos Estados Americanos e entrarão em vigor para registro e publicação, de acordo com o arti-
trinta dias depois de recebidas. go 102 da Carta das Nações Unidas.

Artigo 21.

www.acasadoconcurseiro.com.br 185
EM FÉ DO QUE os plenipotenciários infra-assi- CAPÍTULO PRIMEIRO
nados, devidamente autorizados por seus res- DISPOSIÇÕES GERAIS
pectivos governos, assinam esta Convenção,
que se denominará Convenção Interamericana Artigo 1º
para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência con-
tra a Mulher, “Convenção de Belém do Pará”. O objeto desta Convenção, com vistas à prote-
ção dos direitos fundamentais e dos interesses
EXPEDIDA NA CIDADE DE BELÉM DO PARÁ, BRA- superiores do menor, é a prevenção e sanção do
SIL, no dia nove de junho de mil novecentos e tráfico internacional de menores, bem como a
noventa e quatro. regulamentação de seus aspectos civis e penais.
Neste sentido, os Estados Partes obrigam-se a:
a) garantir a proteção do menor, levando
Convenção Interamericana sobre
em consideração os seus interesses supe-
Tráfico Internacional de Menores riores;
(1994)
b) instituir entre os Estados Partes um sis-
tema de cooperação jurídica que consagre
Os Estados Partes nesta Convenção, a prevenção e a sanção do tráfico interna-
Considerando a importância de assegurar pro- cional de menores, bem como a adoção das
teção integral e efetiva ao menor, mediante a disposições jurídicas e administrativas so-
implementação de mecanismos adequados que bre a referida matéria com essa finalidade;
garantam o respeito aos seus direitos; c) assegurar a pronta restituição do menor
Conscientes de que o tráfico internacional de vítima do tráfico internacional ao Estado
menores constitui uma preocupação universal; onde tem residência habitual, levando em
conta os interesses superiores do menor.
Levando em conta o direito convencional em
matéria de proteção internacional do menor e, Artigo 2º
em especial, o disposto nos Artigos 11 e 35 da Esta Convenção aplicar-se-á a qualquer menor
Convenção sobre os Direitos do Menor, adotada que resida habitualmente em um Estado Parte
pela Assembléia Geral da Nações Unidas em 20 ou nele se encontre no momento em que ocor-
de novembro de 1989; ra um ato de tráfico internacional de menores
Convencidos da necessidade de regular os as- que o afete.
pectos civis e penais do tráfico internacional de Para os efeitos desta Convenção, entende-se:
menores; e
a) por “menor”, todo ser humano menor
Reafirmando a importância da cooperação in- de 18 anos de idade;
ternacional no sentido de proteger eficazmente
os interesses superiores do menor, b) por “tráfico internacional de menores”,
a subtração, a transferência ou retenção, ou
Convêm no seguinte: a tentativa de subtração, transferência ou
retenção de um menor, com propósitos ou
por meios ilícitos;
c) por “propósitos ilícitos”, entre outros,
prostituição, exploração sexual, servidão ou
qualquer outro propósito ilícito, seja no Es-
tado em que o menor resida habitualmen-

186 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

te, ou no Estado Parte em que este se en- O Estado Parte que designar mais de uma Au-
contre; e toridade Central enviará a pertinente comunica-
ção à Secretaria-Geral da organização dos Esta-
d) por “meios ilícitos”, entre outros, o se- dos Americanos.
qüestro, o consentimento mediante coação
ou fraude, a entrega ou o recebimento de Artigo 6º
pagamentos ou benefícios ilícitos com vis-
tas a obter o consentimento dos pais, das Os Estados Partes cuidarão do interesse do me-
pessoas ou da instituição responsáveis pelo nor, mantendo os procedimentos de aplicação
menor, ou qualquer outro meio ilícito utili- desta Convenção sempre confidenciais.
zado seja no Estado de residência habitual
do menor ou no Estado Parte em que este
se encontre.
CAPÍTULO II
Artigo 3º ASPECTOS PENAIS
Esta Convenção também abrangerá os aspectos Artigo 7º
civis não previstos da subtração, transferência e
retenção ilícitas de menores no âmbito interna- Os Estados Partes comprometem-se a adotar,
cional, não previstos em outras convenções in- em conformidade com seu direito interno, me-
ternacionais sobre a matéria. didas eficazes para prevenir e sancionar severa-
mente a ocorrência de tráfico internacional de
Artigo 4º menores definido nesta Convenção.
Os Estados Partes cooperarão com os Estados Artigo 8º
não Partes, na medida do possível, na preven-
ção e sanção do tráfico internacional de meno- Os Estados Partes comprometem-se a:
res e na proteção e cuidado dos menores víti-
a) prestar, por meio de suas autoridades
mas do fato ilícito.
centrais e observados os limites da lei inter-
Nesse sentido, as autoridades competentes dos na de cada Estado Parte e os tratados inter-
Estados Partes deverão notificar as autoridades nacionais aplicáveis, pronta e expedita as-
competentes de um Estado não Parte, nos casos sistência mútua para as diligências judiciais
em que se encontrar em seu território um me- e administrativas, obtenção de provas e de-
nor que tenha sido vítima do tráfico internacio- mais atos processuais necessários ao cum-
nal de menores. primento dos objetivos desta Convenção;

Artigo 5º b) estabelecer, por meio de sua autorida-


des centrais, mecanismos de intercâmbio
Para os efeitos desta Convenção, cada Estado de informação sobre legislação nacional, ju-
Parte designará uma Autoridade Central e co- risprudência, práticas administrativas, esta-
municará essa designação à Secretaria-Geral da tísticas e modalidades que tenha assumido
Organização dos Estados Americanos. o tráfico internacional de menores em seus
Um Estado federal, um Estado em que vigorem territórios; e
diferentes sistemas jurídicos ou um Estado com c) dispor sobre as medidas necessárias
unidades territoriais autônomas pode designar para a remoção dos obstáculos capazes de
mais de uma Autoridade Central e especificar a afetar a aplicação desta Convenção em seus
extensão jurídica ou territorial de suas funções. respectivos Estados.
O Estado que fizer uso dessa faculdade designa-
rá a Autoridade Central a que possam ser dirigi-
das todas as comunicações.

www.acasadoconcurseiro.com.br 187
Artigo 9º CAPÍTULO III
Serão competentes para conhecer de delitos re- ASPECTOS CIVIS
lativos ao tráfico internacional de menores:
Artigo 12.
a) o Estado Parte em que tenha ocorrido a
conduta ilícita; A solicitação de localização e restituição do me-
nor decorrente desta Convenção será promovi-
b) o Estado Parte em que o menor resida da pelos titulares determinados pelo direito do
habitualmente; Estado de residência habitual do mesmo.
c) o Estado Parte em que se encontre o su- Artigo 13.
posto delinqüente, no caso de não ter sido
extraditado; e São competentes para conhecer da solicitação
de localização e de restituição, por opção dos
d) o Estado Parte em que se encontre o reclamantes, as autoridades judiciais ou admi-
menor vítima de tráfico. nistrativas do Estado Parte de residência habitu-
al do menor ou as do Estado Parte onde se en-
Para os efeitos do parágrafo anterior, ficará pre- contrar ou se presuma encontrar-se retido.
vento o Estado Parte que haja sido o primeiro a
conhecer do fato ilícito. Quando, a juízo dos reclamantes, existirem mo-
tivos de urgência, a solicitação também poderá
Artigo 10. ser submetida às autoridades judiciais ou admi-
O Estado Parte que, ao condicionar a extradição nistrativos do local onde tenha ocorrido o ato
à existência de tratado, receber pedido de ex- ilícito.
tradição de outro Estado Parte com a qual não Artigo 14.
mantenha tratado de extradição ou, se o man-
tiver, este não inclua o tráfico internacional de A solicitação de localização e de restituição
menores como delito que possibilite a extradi- será tramitada por intermédio das Autoridades
ção, poderá considerar esta Convenção como Centrais ou diretamente perante as autorida-
a base jurídica necessária para concedê-la no des competentes indicadas no Artigo 13 desta
caso de tráfico internacional de menores. Convenção. As autoridades requeridas estabe-
lecerão os procedimentos mais expedidos para
Além disso, os Estados Partes que não condi- torná-la efetiva.
cionam a extradição à existência de tratado re-
conhecerão, entre si, o tráfico internacional de Recebida a respectiva solicitação, a autoridade
menores como causa de extradição. requerida estipulará as medidas que, de acordo
com seu direito interno, sejam necessárias para
Na inexistência de tratado de extradição, esta fi- iniciar, facilitar e coadjuvar os procedimentos
cará sujeita às demais condições exigíveis pelo judiciais e administrativos referentes à localiza-
direito interno do Estado requerido. ção e restituição do menor. Adotar-se-ão, ade-
Artigo 11. mais, as medidas para providenciar a imediata
restituição do menor e, conforme o caso, asse-
As ações instauradas em conformidade com o gurar sua proteção, custódia ou guarda provisó-
disposto neste Capítulo não impedem que as ria, de acordo com as circunstâncias, bem como
autoridades competentes do Estado Parte em as medidas preventivas para impedir que o me-
que encontre o menor determinem, a qualquer nor seja indevidamente transferido para outro
momento, em consideração aos seus interesses Estado.
superiores, sua imediata restituição ao Estado
em que resida habitualmente. As solicitações de localização e de restituição,
devidamente fundamentadas, será formulada

188 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

dentro dos 120 dias de conhecida a subtração, competentes do Estado onde o menor tenha
transferência ou retenção ilícitas do menor. tido, anteriormente, sua residência habitual. As
Quando a solicitação de localização e de resti- autoridades intervenientes adotarão todas as
tuição partir de um Estado Parte, este disporá providências necessárias para comunicar as me-
do prazo de 180 dias para sua apresentação. didas adotadas aos titulares das ações de locali-
zação e restituição do menor.
Havendo necessidade prévia de localizar o me-
nor, o prazo anterior será contado a partir do dia Artigo 17.
em que o titular da ação tiver tomado conheci-
mento da respectiva localização. Em conformidade com os objetivos desta Con-
venção, as Autoridades Centrais dos Estados
Não obstante o disposto nos parágrafos ante- Partes intercambiarão informação e colabora-
riores, as autoridades do Estado Parte em que rão com suas competentes autoridades judiciais
o menor tenha sido retido poderão, a qualquer e administrativas em tudo o que se refira ao
momento, determinar sua restituição, atenden- controle de saída de menores de seu território e
do aos interesses superiores do mesmo. de sua entrada no mesmo.
Artigo 15. Artigo 18.
Os pedidos de cooperação previstos nesta Con- As adoções internacionais e outros institutos
venção, formulados por via consular ou diplo- afins, constituídos em um Estado Parte, serão
mática ou por intermédio das Autoridades Cen- passíveis de anulação quando tiveram como ori-
trais, dispensarão o requisito de legalização ou gem ou objetivo o tráfico internacional de me-
outras formalidades semelhantes. Os pedidos nores.
de cooperação formulados diretamente entre
tribunais das áreas fronteiriças dos Estados Par- Na respectiva ação de anulação, levar-se-ão
tes também dispensarão legalização. Ademais, sempre em conta os interesses superiores do
estarão isentos de legalização, para efeitos de menor.
validade jurídica no Estado solicitante, os docu- A anulação será submetida à lei e às autorida-
mentos pertinentes que sejam devolvidos por des do Estado de constituição da adoção ou do
essas mesmas vias. instituto de que se trate.
Os pedidos deverão estar traduzidos, em cada Artigo 19.
caso, para o idioma oficial ou idiomas oficiais do
Estado Parte ao qual esteja dirigido. Com rela- A guarda ou custódia será passível de revogação
ção aos anexos, é suficiente a tradução de um quando sua origem ou objetivo for o tráfico in-
sumário, contendo os dados essenciais. ternacional de menores, nas mesmas condições
previstas no artigo anterior.
Artigo 16.
Artigo 20.
As autoridades competentes de um Estado Par-
te que constatem, no território sujeito à sua A solicitação de localização e de restituição do
jurisdição, a presença de um menor vítima de menor poderá ser apresentada sem prejuízo da
tráfico internacional deverão adotar as medidas ação de anulação e revogação previstas nos Ar-
imediatas necessárias para sua proteção, inclu- tigos 18 e 19.
sive as que tenham caráter preventivo e impe-
Artigo 21.
çam a transferência indevida do menor para ou-
tro Estado. Em qualquer procedimento previsto neste Capí-
tulo, a autoridade competente poderá determi-
Estas medidas serão comunicadas por inter-
nar que a pessoa física ou jurídica responsável
médio das Autoridades Centrais às autoridades
pelo tráfico internacional de menores pague os

www.acasadoconcurseiro.com.br 189
gastos e as despesas de localização e restitui- ou mais sistemas jurídicos aplicáveis em unida-
ção, contanto que essa pessoa física ou jurídica des territoriais diferentes:
tenha sido parte desse procedimento.
a) toda referência à lei do Estado será in-
Os titulares da ação ou, se for o caso, qualquer terpretada com referência à lei correspon-
autoridade competente, poderão propor ação dente à respectiva unidade territorial;
civil para ressarcir-se das despesas, nestas in-
cluídas os honorários advocatícios e os gastos b) toda referência à residência habitual no
de localização e restituição do menor, a não ser referido Estado será interpretada como à
que estas tenham sido fixadas em ação penal ou residência habitual em uma unidade terri-
em processo de restituição, nos termos desta torial do estado mencionado;
Convenção. c) toda referência às autoridades compe-
A autoridade competente ou qualquer parte tentes do referido Estado será entendida
prejudicada poderá propor ação civil objetivan- em relação às autoridades competentes
do perdas e danos contra as pessoas físicas ou para agir na respectiva unidade territorial.
jurídicas responsáveis pelo tráfico internacional Artigo 25.
do menor.
Os Estados que tenham duas ou mais unidades
Artigo 22. territoriais onde se apliquem sistemas jurídicos
Os Estados Partes adotarão as medidas neces- diferentes a questões tratadas nesta Convenção
sárias para possibilitar gratuidade aos procedi- poderão declarar, no momento da assinatura,
mentos de restituição do menor, nos termos de ratificação ou adesão, que a Convenção se apli-
seu direito interno, e informarão aos legítimos cará a todas as suas unidades territoriais ou so-
interessados na respectiva restituição os bene- mente a uma ou mais.
fícios decorrentes de pobreza e quando possam Tais declarações podem ser modificadas me-
ter direito à assistência gratuita, em conformi- diante declarações posteriores, que especifica-
dade com as suas leis e regulamentos. rão expressamente a unidade territorial ou as
unidades territoriais a que se aplicará esta Con-
venção. Essas declarações posteriores serão en-
caminhadas à Secretaria-Geral da Organização
CAPÍTULO IV dos Estados Americanos e produzirão efeito no-
DISPOSIÇÕES FINAIS venta dias a partir da data do recebimento.
Artigo 23. Artigo 26.
Os Estados Partes poderão declarar, seja no Os Estados Partes poderão declarar, no momen-
momento da assinatura e da ratificação desta to da assinatura e ratificação desta Convenção
Convenção ou da adesão à mesma, ou poste- ou de adesão à mesma, ou posteriormente, que
riormente, que reconhecerão e executarão as não se poderá opor em juízo civil deste Estado
sentenças penais proferidas em outro Estado Parte exceção ou defesa alguma que tenda a de-
Parte no que se refere à indenização por perdas monstrar a inexistência do delito ou eximir de
e danos decorrentes do tráfico internacional de responsabilidade uma pessoa quando houver
menores. sentença condenatória proferida por outro Es-
tado Parte em conexão com este delito e já tran-
Artigo 24. sitada em julgado.
Com relação a um Estado que, relativamente a
questões tratadas nesta Convenção, tenha dois

190 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

Artigo 27. Artigo 33.


As autoridades competentes das zonas frontei- Para os Estados ratificantes, esta Convenção en-
riças dos Estados Partes poderão acordar, dire- trará em vigor no trigésimo dia a partir da data
tamente e a qualquer momento, com relação a em que haja sido depositado o segundo instru-
procedimentos de localização e restituição mais mento de ratificação.
expeditos que os previstos nesta Convenção e
sem prejuízo desta. Para cada Estado que ratificar esta Convenção
ou a ela aderir depois de haver sido deposita-
O disposto nesta Convenção não será interpre- do o segundo instrumento de ratificação, a Con-
tado no sentido de restringir as práticas mais venção entrará em vigor no trigésimo dia a par-
favoráveis que as autoridades competentes dos tir da data em que tal Estado haja depositado
Estados Partes puderem observar entre si, para seu instrumento de ratificação ou de adesão.
os propósitos desta Convenção.
Artigo 34.
Artigo 28.
Esta Convenção vigorará por prazo indetermi-
Esta Convenção está aberta à assinatura de to- nado, mas qualquer dos Estados Partes poderá
dos os Estados membros da Organização dos Es- denunciá-la. O instrumento de denúncia será
tados Americanos. depositado na Secretaria-Geral da Organização
dos Estados Americanos. Transcorrido um ano
Artigo 29. da data do depósito do instrumento de denún-
Esta Convenção está sujeita à ratificação. Os cia, os efeitos da Convenção cessarão para o Es-
instrumentos de ratificação serão depositados tado denunciante.
na Secretaria-Geral da Organização dos Estados Artigo 35.
Americanos.
O instrumento original desta Convenção, cujos
Artigo 30. textos em português, espanhol, francês e inglês
Esta Convenção ficará aberta à adesão de qual- são igualmente autênticos, será depositado na
quer outro Estado, uma vez que entre em vigor. Secretaria-Geral da Organização dos Estados
Os instrumentos de adesão serão depositados Americanos, que enviará cópia autenticada do
na Secretaria-Geral da Organização dos Estados seu texto à Secretaria das Nações Unidas para
Americanos. seu registro e publicação, de conformidade com
o Artigo 102 da sua Carta constitutiva. A Secre-
Artigo 31. taria-Geral da Organização dos Estados Ameri-
Cada Estado poderá formular reservas a esta canos notificará aos Estados membros da refe-
Convenção, no momento de assiná-la, ratificá-la rida Organização e aos Estados que houverem
ou de a ela aderir, desde que a reserva se refi- aderido à Convenção, as assinaturas e os depó-
ra a uma ou mais disposições específicas e que sitos de instrumentos de ratificação, adesão e
não seja incompatível com o objetivo e fins des- denúncia, bem como as reservas existentes e a
ta Convenção. retirada destas.

Artigo 32. Em fé do que os plenipotenciários infra-assina-


dos, devidamente autorizados por seus respec-
Nenhuma cláusula desta Convenção será inter- tivos Governos, assinam esta Convenção.
pretada de modo a restringir outros tratados bi-
laterais ou multilaterais ou outros acordos subs-
critos pelas partes.

www.acasadoconcurseiro.com.br 191
Convenção Interamericana para a de 20 de dezembro de 1993; a Declaração de
Eliminação de todas as formas de Viena e Programa de Ação aprovados pela Con-
ferência Mundial sobre Direitos Humanos, das
discriminação contra as pessoas Nações Unidas (157/93); a resolução sobre a
portadoras de deficiência (1999) situação das pessoas portadoras de deficiência
no Hemisfério Americano [AG/RÉS. 1356 (XXV-
OS ESTADOS PARTES NESTA CONVENÇÃO, 0/95)] e o Compromisso do Panamá com as Pes-
soas Portadoras de Deficiência no Continente
REAFIRMANDO que as pessoas portadoras de Americano [AG/RÉS. 1369 (XXVI-0/96)]; e
deficiência têm os mesmos direitos humanos e
liberdades fundamentais que outras pessoas e COMPROMETIDOS a eliminar a discriminação,
que estes direitos, inclusive o direito de não ser em todas suas formas e manifestações, contra
submetidas a discriminação com base na defici- as pessoas portadoras de deficiência,
ência, emanam da dignidade e da igualdade que CONVIERAM no seguinte:
são inerentes a todo ser humano;
ARTIGO I
CONSIDERANDO que a Carta da Organização
dos Estados Americanos, em seu artigo 3, j, es- Para os efeitos desta Convenção, entende-se
tabelece como princípio que "a justiça e a segu- por:
rança sociais são bases de uma paz duradoura";
1. Deficiência
PREOCUPADOS com a discriminação de que são
objeto as pessoas em razão de suas deficiências; O termo "deficiência" significa uma restrição
física, mental ou sensorial, de natureza perma-
TENDO PRESENTE o Convênio sobre a Readap- nente ou transitória, que limita a capacidade de
tação Profissional e o Emprego de Pessoas In- exercer uma ou mais atividades essenciais da
válidas da Organização Internacional do Traba- vida diária, causada ou agravada pelo ambiente
lho (Convênio 159); a Declaração dos Direitos econômico e social.
do Retardado Mental (AG.26/2856, de 20 de
dezembro de 1971); a Declaração das Nações 2. Discriminação contra as pessoas porta-
Unidas dos Direitos das Pessoas Portadoras de doras de deficiência
Deficiência (Resolução N° 3447, de 9 de dezem- a) O termo "discriminação contra as pesso-
bro de 1975); o Programa de Ação Mundial para as portadoras de deficiência" significa toda
as Pessoas Portadoras de Deficiência, aprovado diferenciação, exclusão ou restrição base-
pela Assembléia Geral das Nações Unidas (Reso- ada em deficiência, antecedente de defici-
lução 37/52, de 3 de dezembro de 1982); o Pro- ência, conseqüência de deficiência anterior
tocolo Adicional à Convenção Americana sobre ou percepção de deficiência presente ou
Direitos Humanos em Matéria de Direitos Eco- passada, que tenha o efeito ou propósito de
nômicos, Sociais e Culturais, "Protocolo de San impedir ou anular o reconhecimento, gozo
Salvador" (1988); os Princípios para a Proteção ou exercício por parte das pessoas portado-
dos Doentes Mentais e para a Melhoria do Aten- ras de deficiência de seus direitos humanos
dimento de Saúde Mental (AG.46/119, de 17 de e suas liberdades fundamentais.
dezembro de 1991); a Declaração de Caracas da
Organização Pan-Americana da Saúde; a resolu- b) Não constitui discriminação a diferen-
ção sobre a situação das pessoas portadoras de ciação ou preferência adotada pelo Estado
deficiência no Continente Americano [AG/RÉS. Parte para promover a integração social ou
1249 (XXIII-0/93)]; as Normas Uniformes sobre o desenvolvimento pessoal dos portado-
Igualdade de Oportunidades para as Pessoas res de deficiência, desde que a diferencia-
Portadoras de Deficiência (AG.48/96, de 20 de ção ou preferência não limite em si mesma
dezembro de 1993); a Declaração de Manágua, o direito à igualdade dessas pessoas e que

192 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

elas não sejam obrigadas a aceitar tal dife- por parte das pessoas portadoras de defici-
renciação ou preferência. Nos casos em que ência; e
a legislação interna preveja a declaração de
interdição, quando for necessária e apro- d) medidas para assegurar que as pessoas
priada para o seu bem-estar, esta não cons- encarregadas de aplicar esta Convenção e a
tituirá discriminação. legislação interna sobre esta matéria este-
jam capacitadas a fazê-lo.
ARTIGO II
2. Trabalhar prioritariamente nas seguintes
Esta Convenção tem por objetivo prevenir e eli- áreas:
minar todas as formas de discriminação contra
as pessoas portadoras de deficiência e propiciar a) prevenção de todas as formas de defici-
a sua plena integração à sociedade. ência preveníeis;

ARTIGO III b) detecção e intervenção precoce, trata-


mento, reabilitação, educação, formação
Para alcançar os objetivos desta Convenção, os ocupacional e prestação de serviços com-
Estados Partes comprometem-se a: pletos para garantir o melhor nível de inde-
pendência e qualidade de vida para as pes-
1. Tomar as medidas de caráter legislativo, soas portadoras de deficiência; e
social, educacional, trabalhista, ou de qual-
quer outra natureza, que sejam necessárias c) sensibilização da população, por meio
para eliminar a discriminação contra as pes- de campanhas de educação, destinadas a
soas portadoras de deficiência e proporcio- eliminar preconceitos, estereótipos e ou-
nar a sua plena integração à sociedade, en- tras atitudes que atentam contra o direito
tre as quais as medidas abaixo enumeradas, das pessoas a serem iguais, permitindo des-
que não devem ser consideradas exclusivas: ta forma o respeito e a convivência com as
pessoas portadoras de deficiência.
a) medidas das autoridades governamen-
tais e/ou entidades privadas para eliminar ARTIGO IV
progressivamente a discriminação e pro-
mover a integração na prestação ou forne- Para alcançar os objetivos desta Convenção, os
cimento de bens, serviços, instalações, pro- Estados Partes comprometem-se a:
gramas e atividades, tais como o emprego, 1. Cooperar entre si a fim de contribuir
o transporte, as comunicações, a habitação, para a prevenção e eliminação da discrimi-
o lazer, a educação, o esporte, o acesso à nação contra as pessoas portadoras de defi-
justiça e aos serviços policiais e as ativida- ciência.
des políticas e de administração;
2. Colaborar de forma efetiva no seguinte:
b) medidas para que os edifícios, os veícu-
los e as instalações que venham a ser cons- a) pesquisa científica e tecnológica relacio-
truídos ou fabricados em seus respectivos nada com a prevenção das deficiências, o
territórios facilitem o transporte, a comuni- tratamento, a reabilitação e a integração na
cação e o acesso das pessoas portadoras de sociedade de pessoas portadoras de defici-
deficiência; ência; e

c) medidas para eliminar, na medida do b) desenvolvimento de meios e recursos


possível, os obstáculos arquitetônicos, de destinados a facilitar ou promover a vida
transporte e comunicações que existam, independente, a autossuficiência e a inte-
com a finalidade de facilitar o acesso e uso gração total, em condições de igualdade, à
sociedade das pessoas portadoras de defici-
ência.

www.acasadoconcurseiro.com.br 193
ARTIGO V das que os Estados membros tiverem ado-
tado na aplicação desta Convenção e qual-
1. Os Estados Partes promoverão, na me- quer progresso alcançado na eliminação de
dida em que isto for coerente com as suas todas as formas de discriminação contra as
respectivas legislações nacionais, a partici- pessoas portadoras de deficiência. Os rela-
pação de representantes de organizações tórios também conterão toda circunstância
de pessoas portadoras de deficiência, de or- ou dificuldade que afete o grau de cumpri-
ganizações não-governamentais que traba- mento decorrente desta Convenção.
lham nessa área ou, se essas organizações
não existirem, de pessoas portadoras de de- 5. A Comissão será o foro encarregado de
ficiência, na elaboração, execução e avalia- examinar o progresso registrado na aplica-
ção de medidas e políticas para aplicar esta ção da Convenção e de intercambiar experi-
Convenção. ências entre os Estados Partes. Os relatórios
que a Comissão elaborará refletirão o deba-
2. Os Estados Partes criarão canais de co- te havido e incluirão informação sobre as
municação eficazes que permitam difundir medidas que os Estados Partes tenham ado-
entre as organizações públicas e privadas tado em aplicação desta Convenção, o pro-
que trabalham com pessoas portadoras de gresso alcançado na eliminação de todas as
deficiência os avanços normativos e jurídi- formas de discriminação contra as pessoas
cos ocorridos para a eliminação da discrimi- portadoras de deficiência, as circunstâncias
nação contra as pessoas portadoras de defi- ou dificuldades que tenham tido na imple-
ciência. mentação da Convenção, bem como as con-
ARTIGO VI clusões, observações e sugestões gerais da
Comissão para o cumprimento progressivo
1. Para dar acompanhamento aos compro- da mesma.
missos assumidos nesta Convenção, será es-
tabelecida uma Comissão para a Eliminação 6. A Comissão elaborará o seu regulamen-
de Todas as Formas de Discriminação contra to interno e o aprovará por maioria absolu-
as Pessoas Portadoras de Deficiência, cons- ta.
tituída por um representante designado por 7. O Secretário-Geral prestará à Comissão
cada Estado Parte. o apoio necessário para o cumprimento de
2. A Comissão realizará a sua primeira reu- suas funções.
nião dentro dos 90 dias seguintes ac de- ARTIGO VII
pósito do décimo primeiro instrumento de
ratificação. Essa reunião será convocada Nenhuma disposição desta Convenção será in-
pela Secretaria-Geral da Organização dos terpretada no sentido de restringir ou permitir
Estados Americanos e será realizada na sua que os Estados Partes limitem o gozo dos direi-
sede, salve se um Estado Parte oferecer tos das pessoas portadoras de deficiência re-
sede. conhecidos pelo Direito Internacional consue-
tudinário ou pelos instrumentos internacionais
3. Os Estados Partes comprometem-se, na vinculantes para um determinado Estado Parte.
primeira reunião, a apresentar um relató-
rio ao Secretário-Geral da Organização para ARTIGO VIII
que o envie à Comissão para análise e estu-
do. No futuro, os relatórios serão apresen- 1. Esta Convenção estará aberta a todos os
tados a cada quatro anos. Estados membros para sua assinatura, na
cidade da Guatemala, Guatemala, em 8 de
4. Os relatórios preparados em virtude do junho de 1999 e, a partir dessa data, perma-
parágrafo anterior deverão incluir as medi- necerá aberta à assinatura de todos os Es-

194 www.acasadoconcurseiro.com.br
MTE - Auditor Fiscal do Trabalho – Direitos Humanos – Prof. Mateus Silveira

tados na sede da Organização dos Estados ARTIGO XII


Americanos até sua entrada em vigor.
Os Estados poderão formular reservas a esta
2. Esta Convenção está sujeita a ratifica- Convenção no momento de ratificá-la ou a ela
ção. aderir, desde que essas reservas não sejam in-
compatíveis com o objetivo e propósito da Con-
3. Esta Convenção entrará em vigor para os venção e versem sobre uma ou mais disposições
Estados ratificantes no trigésimo dia a par- específicas.
tir da data em que tenha sido depositado o
sexto instrumento de ratificação de um Es- ARTIGO XIII
tado membro da Organização dos Estados
Americanos. Esta Convenção vigorará indefinidamente, mas
qualquer Estado Parte poderá denunciá-la.
ARTIGO IX O instrumento de denúncia será depositado
na Secretaria-Geral da Organização dos Esta-
Depois de entrar em vigor, esta Convenção esta- dos Americanos. Decorrido um ano a partir da
rá aberta à adesão de todos os Estados que não data de depósito do instrumento de denúncia,
a tenham assinado. a Convenção cessará seus efeitos para o Estado
ARTIGO X denunciante, permanecendo em vigor para os
demais Estados Partes. A denúncia não eximi-
1. Os instrumentos de ratificação e adesão rá o Estado Parte das obrigações que lhe impõe
serão depositados na Secretaria-Geral da esta Convenção com respeito a qualquer ação
Organização dos Estados Americanos. ou omissão ocorrida antes da data em que a de-
2. Para cada Estado que ratificar a Con- núncia tiver produzido seus efeitos.
venção ou aderir a ela depois do depósito ARTIGO XIV
do sexto instrumento de ratificação, a Con-
venção entrará em vigor no trigésimo dia a 1. O instrumento original desta Convenção,
partir da data em que esse Estado tenha de- cujos textos em espanhol, francês, inglês e
positado seu instrumento de ratificação ou português são igualmente autênticos, será
adesão. depositado na Secretaria-Geral da Organi-
zação dos Estados Americanos, que enviará
ARTIGO XI cópia autenticada de seu texto, para regis-
1. Qualquer Estado Parte poderá formular tro e publicação, ao Secretariado das Na-
propostas de emenda a esta Convenção. As ções Unidas, em conformidade com o artigo
referidas propostas serão apresentadas à 102 da Carta das Nações Unidas.
Secretaria-Geral da OEA para dis