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INTRODUÇÃO

Vivemos numa sociedade que vai se tornando cada vez mais centrada na escrita e
que exige de seus falantes saber praticá-la. Com isso, defrontamo-nos,
constantemente, com uma reflexão sobre o uso da língua escrita na vida e na
sociedade e sobre a questão da inclusão ou exclusão que os indivíduos sofrem em
virtude desse uso. Afinal, é na linguagem, e com a linguagem que o homem produz
mundos e nele se produz, havendo um destaque para o uso social da palavra nesse
contexto. Ao se falar em linguagem, logo a escrita emerge para o estudo e o tema da
alfabetização entra em campo. Sabemos que apenas decodificar palavras é insuficiente
para a participação em práticas sociais que envolvem a língua escrita, é necessário
algo mais: saber utilizar a leitura e a escrita de acordo com as contínuas exigências
sociais. Assim, esse utilizar a leitura e a escrita tornam-se um passaporte para o pleno
exercício da cidadania, e, consequentemente, da inclusão social. Ou seja, se
considerarmos o desenvolvimento do ser humano como produto de sua interação com
o meio tanto físico como o social, aonde se faz necessário o agir para possibilitar que
as crianças aprendam pensando, ou seja, construindo sua escrita e buscando forma
para solucionar situações problemas surgidas em seu cotidiano.

DESENVOLVIMENTO

2.1. Leitura e escrita: passaporte para a cidadania


Nas últimas décadas vem surgindo nova proposta de práticas pedagógicas. Existe o
docente que se propõe buscar cada vez mais inovações para melhorar suas ações e
metas, com a preocupação de refletir sobre sua prática.
Vygotsky, um estudioso importante para a educação, demonstra em seus estudos
preocupação constante com a questão do desenvolvimento e com a importância dos
processos de aprendizado. Para Vygotsky, o desenvolvimento individual se dá no
ambiente social determinado e na relação com o outro.
Considerando que o desenvolvimento do ser humano é produto de sua interação com o
meio tanto físico como o social, se faz necessário agir para possibilitar que as crianças
aprendam pensando, ou seja, construindo sua escrita e buscando forma para
solucionar situações problemas surgidas em seu cotidiano.
Sabe-se que o indivíduo não nasce pronto e acabado, muito menos é cópia do
ambiente externo, portanto é necessário que o professor conheça o nível de
aprendizagem em que se encontra o seu aluno para que possa contribuir em sua
educação em todos os aspectos.
Ferreiro e outros pesquisadores mostraram que a criança não chega à escola sem
saber nada, pois traz consigo sua bagagem histórica, cultural e social. Assim sendo,
devemos trabalhar a partir do que a criança nos mostra que sabe, ou seja, o que ela já
domina, e assim tornar a aprendizagem mais desafiadora.
No texto de Ana Maria Lunardi Padilha (1997) “Dirigindo o olhar para a sala de aula e
conhecendo José”, a autora nos relata a história da importância da intervenção
pedagógica no caso do aluno José, que possuía dificuldades de disciplina,
organização, concentração durante as aulas e aprendizado. A intervenção ajudou a
José a resolver seus problemas de aprendizado, através de uma intervenção
psicopedagógica. Sobre isso a autora nos relata que:
A psicologização da educação é uma tendência que ganha forma com a consolidação
da Psicopedagogia – campo de atuação profissional de caráter preventivo e terapêutico
-que prioriza a resolução de problemas de aprendizagem fora da escola.
Frequentemente isso é feito buscando-se corrigir as disfunções do aluno, o que resulta
num deslocamento, para outro espaço, da tarefa que a escola deixou de realizar.
Tipicamente, a partir de diagnósticos realizados através de testes, propõe-se
tratamento clínico nas áreas de psicologia, psicomotricidade, psicopedagogia,
fonoaudiologia. (PADILHA, 1997, pág.54).
A autora ainda chama a atenção para a necessidade da escola se organizar de forma
que as necessidades dos alunos sejam sanadas na própria instituição, cujo objetivo é
ensinar. Com professores bem preparados não existe a necessidade de buscar ajuda
externa para o aprendizado das crianças.
A escola tem um papel fundamental a desempenhar nesse processo. Em primeiro lugar
porque é o espaço em que pode se dar à convivência entre crianças de origens
diferentes daqueles que cada uma conhece, com visões de mundo diversas daquela
que compartilha em família. Em segundo, porque é um dos lugares onde são
ensinadas as regras do espaço público porque a escola apresenta à criança
conhecimentos sistematizados sobre os países e o mundo, e aí a realidade plural de
um país como o Brasil fornece subsídios para debates e discussões em torno de
questões sociais. A criança na escola convive com a diversidade e poderá aprender
com ela.
Assim, a alfabetização como educação é um dos elementos motores da transformação
histórica. Por isso mesmo é um instrumento necessário às mudanças sociais, enquanto
insere as pessoas na cultura e no mundo.
Tanto o ato de alfabetizar como o ato de educar são políticos, sociais e não podem
ficar à margem das estruturas econômicas, políticas e administrativas que, em última
instância, delineiam suas diretrizes.
Portanto, o que se propõe ao alfabetizar, é que o aluno, além de dominar o mecanismo
da leitura seja capaz de usá-la como instrumento auxiliar no seu crescimento e
desenvolva o gosto pela mesma, para que se utilize cada vez mais desse poder como
elemento de ajustamento pessoal e social.
O cidadão transformado em leitor e usuário da escrita constr0i o conhecimento com
uma visão crítica da realidade, sempre descobrindo o saber para a construção de um
novo mundo através da leitura.