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AULA 6 – A CONSCIÊNCIA MORAL E A LIBERDADE HUMANA

1 – INTRODUÇÃO

A consciência de si mesmo ou autoconsciência confere ao ser humano a capacidade


de julgar ações, e de escolher, dentre as circunstâncias possíveis, seu próprio caminho na
vida. A essa característica peculiar ao homem, de julgar suas próprias ações, decidindo se
elas são boas ou más, damos o nome de consciência moral. E a possibilidade que o
homem tem de escolher seu caminho na vida e constituir sua historia damos o nome de
liberdade.
Evidentemente a liberdade é algo que não se exerce no vazio, mas dentro das
limitações impostas pelas circunstancias. Pois, como escreveu Karl Marx, “os homens
fazem suas própria historia, mas não a fazem como querem; não a fazem sob
circunstancias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente,
legadas e transmitidas pelo passado”.
A liberdade e a consciência estão as intimamente relacionadas. Isso porque só tem
sentido julgar moralmente a ação de uma pessoa se esta ação foi praticada em liberdade.
Quando não se tem escolha (liberdade), é impossível decidir entre o bem e o mal
(consciência moral). Entretanto, quando estamos livres para escolher entre esta ou aquela
ação, tornamo-nos responsáveis pelo que praticamos. É esta responsabilidade que pode
ser julgada pela consciência moral do próprio indivíduo ou do grupo social. Do ponto de
vista filosófico, podemos sintetizar a questão da liberdade em trê pontos:

i – DETERMINISMO ABSOLUTO: A liberdade já não existe, pois o homem é sempre


determinado, seja por natureza biológica, (necessidade e instintos), seja natureza histórico-social
(leis normas e costumes). Ou seja, as ações individuais seriam causadas e determinadas por
fatores naturais ou constrangimentos sociais, e a liberdade seria apena uma ilusão. Essa
concepção encontra-se presente no pensamento de filósofos materialistas do século XVIII, tais
como o franceses Helvetius (1715 -1771) e Holbach(1723- 1789).

ii – A LIBERDADE ABSOLUTA: O homem é sempre livre. Embora os defensores dessa posição


admitam das determinações de origem externa, sociais, e as de origem interna, tais como
desejos, impulsos etc. sustem a tese de que o indivíduo possui uma liberdade moral que está
acima dessas determinações. Ou seja, apesar de todos os fatores sociais e subjetivos que atuam
sobre cada indivíduo, ele sempre possui um a possibilidade de escolha e pode agir livremente a
partir de sua autodeterminação. A maior expressão dessa concepção filosófica acerca da
liberdade é encontrada no pensamento de Jean-Paul Sartre, “que afirmou que o homem está
condenado a ser livre”.

iii – A RELAÇÃO DIALÉTICA ENTRE LIBERDADE E DETERMINISMO: O homem é determinado


e livre ao mesmo tempo. Determinismo e liberdade não se excluem, mas se completam. Nessa
perspectiva não faz sentido pensar em uma liberdade absoluta nem em uma negação absoluta
da liberdade. A liberdade é sempre uma liberdade concreta, situada no interior de um conjunto de
condições subjetivas de vida. Embora a nossa liberdade seja restringida por fatores objetivos que
cercam a nossa existência concreta, podemos sempre atuar no sentido de alargar as
possibilidades dessa liberdade, e isso será tanto mais eficiente quanto maior for a nossa
consciência a respeito desses fatores. Essa concepção é encontrada nos pensamento de
Espinosa, Hegel e Marx. Embora haja muitas diferenças entre eles, o ponto em comum é a ideia
eu a liberdade é a compreensão da necessidade (dos determinismos).
2 – VALOR

O conceito de valor passa tanto pela relação existente a necessidade do sujeito que valora e
a capacidade de satisfação proporcionada pelo objeto valorado, quanto pelo grau de afetividade
que há entre este sujeito que valora e o objeto valorado, dessa forma, valorar é uma experiência
fundamentalmente humana que se encontra no centro de toda escolha de vida. Nas palavras da
filósofa Agnes Heller, valor é um "modo de preferência consciente".
A consequência de qualquer valoração é, sem duvida, dar regras para a ação prática.
Assim, por exemplo, se a credibilidade é algo valioso, é preciso agir no sentido de busca-la e
mantê-la.

3 – VIRTUDE

Entender o significado da palavra virtude passa pelo conhecimento do termo latino virtus e
do termo grego areté. O termo latino virtus designa “o homem”, o “varão” (daí o adjetivo viril) e
denota “poder” “força”, “capacidade”. Já termo grego areté significa qualidade da excelência e
mérito. Está ligado à noção de cumprimento do propósito ou da função a que o indivíduo se
destina. Portanto homem virtuoso literalmente é aquele que tem capacidade de ação e potência,
aquele que é resoluto na realização de seu dever.
Em termos contemporâneos, virtude é uma qualidade moral particular. É uma disposição
estável de praticar o bem. Atitude que revela mais do que uma simples aptidão para uma
determinada ação boa, trata-se de uma verdadeira inclinação. São todos os hábitos constantes
que levam o homem para o bem, quer como indivíduo, quer como espécie, quer pessoalmente,
quer coletivamente.
Os tipos de virtudes humanas diferem de acordo com alguns autores e as áreas de estudo.
Para os filósofos e psicólogos, por exemplo, as virtudes humanas básicas das pessoas são:
benevolência, justiça, paciência, sinceridade, responsabilidade, otimismo, sabedoria, respeito,
autoconfiança, contentamento, coragem, desapego, despreocupação, determinação, disciplina,
empatia, estabilidade, generosidade, honestidade, flexibilidade, humildade, misericórdia,
introspecção, entre outras.
Platão e outros filósofos, no entanto, resumiram todas as virtudes humanas em quatro tipos
distintos: prudência (atuar em conformidade com um juízo correto), justiça (dar ao próximo aquilo
que lhe é devido), força (capacidade de resistir às tentações), e temperança (capacidade de
controlar a atração pelos prazeres).
3.1 – USO DA LIBERDADE COM RESPONSABILIDADE
A consciência moral geralmente nos fala como uma voz interior que nos inclina para o
caminho da virtude. Virtude designa a prática constante do bem, correspondendo ao uso da
liberdade com responsabilidade moral. O oposto da virtude é o vício, que consiste na prática
constante do mal, correspondendo ao uso da liberdade sem responsabilidade moral.
Responsabilidade, por sua vez, é ter condição de responder pelos atos praticados, isto é, de
justificar as ações.

3.2 – OBRIGAÇÃO E LIBERDADE

O ser humano é dotado de consciência moral, ou seja, possui a capacidade de avaliar suas
próprias atitudes, formulando juízos de valor sobre seus atos. Somado a isso ele também é
dotado de liberdade, que é a capacidade de escolher seu caminho, construir sua história e decidir
sua maneira própria de ser. Desses dois conceitos (consciência moral e liberdade) vem a
responsabilidade, que é a prerrogativa de responder por seus atos.

3.3 – O ATO MORAL EXIGE OBRIGAÇÃO E LIBERDADE

O ato moral é o exercício da vontade e distingue-se do desejo (que é involuntário). Todo ato
moral esta sujeito a sanção, ou seja, merece aprovação ou desaprovação elogio ou censura

3.4 – PROGRESSO MORAL

Nem sempre a mudança moral equivale a progresso moral. Existe progresso quando se dá
um avanço com melhoria de qualidade. Isso significa que certos valores antigos não precisam ser
considerados necessariamente ultrapassados, da mesma forma que valores dos novos tempos
algumas vezes podem não indicar progresso.
Quais seriam então os critérios para avaliar o progresso moral? Examinemos alguns deles.

a) AMPLIAÇÃO DA ESFERA MORAL: certos atos cujo cumprimento antes era garantido pela
força legal (direito) por constrangimento social (costumes) ou por imposição religiosa,
passaram a ser cumpridos por exclusiva obrigação moral. Por exemplo, um pai divorciado não
precisaria da lei para reconhecer a obrigação de continuar sustentando seus filhos menores de
idade. Por outro lado, certas situações em que as pessoas fazem o bem tendo em vista a
recompensa divina são indicadores de diminuição de esfera moral, porque nesse caso, o
estímulo para a ação não é a obrigação moral, mas certa “barganha” visando recompensa.

b) CARÁTER CONSCIENTE E LIVRE DA AÇÃO: a responsabilidade moral esta na exigência de


um compromisso livremente assumido. Responsável é a pessoa que reconhece seus atos
como resultantes da vontade e responde pelas consequências deles. Quando adultas como
mulheres e escravos permanecem tutelados, os resultados é o empobrecimento moral das
relações humanas.

c) GRAU DE ARTICULAÇÃO ENTRE INTERESSES COLETIVOS E PESSOAIS: enquanto nas


tribos primitivas o coletivo predomina sobre o pessoal, nas sociedades contemporâneas o
individualismo exacerbado tende a desconsiderar os interesses da coletividade. É importante
que o desenvolvimento de cada um não seja feito à revelia do desenvolvimento dos demais.

Mas os problemas decorrentes da decadência ética que presenciamos não podem ser
resolvidos a partir de tentativas isoladas de educação moral do indivíduo. É preciso que exista
vontade de política de alterar as condições patogênicas, isto é, as condições geradoras da
doença social, para que se possa dar possibilidade de superação da pobreza moral.
Dito de outra forma, não basta “reformar o indivíduo para reformar a sociedade”. Um projeto
moral desligado do projeto político está destinado ao fracasso. Os dois processos devem formar
o homem plenamente moral só é possível na sociedade que também se esforça para ser justa.