Você está na página 1de 136
Análise do Desempenho de uma Ligação Óptica em Sistemas DWDM Maria Teresa Pinto Ferreira Palma

Análise do Desempenho de uma Ligação Óptica em Sistemas DWDM

Maria Teresa Pinto Ferreira Palma Ramalho

Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em

Engenharia Electrotécnica e de Computadores

Júri

Presidente: Prof. Fernando Duarte Nunes Orientador: Prof. Doutor António Luís Campos da Silva Topa Vogal: Prof. Isabel Maria Silva Pinto Gaspar Ventim Neves

Outubro 2013

Agradecimentos

Gostaria, em primeiro lugar, de agradecer ao Prof. Dr. António Topa o enorme apoio, disponibilidade, conhecimentos e confiança transmitidos, que constituíram aspectos decisivos para a elaboração desta dissertação. Gostaria de agradecer aos meus pais, pela educação e valores que me transmitiram, às minhas irmãs pelo apoio e amizade, e à minha família pelos conselhos e incentivo que me deram. Um agradecimento muito especial à minha mãe, por toda a ajuda, carinho, amor e disponibilidade. Sem todos eles nada disto seria possível e, por isso mesmo, dedico-lhes este trabalho. Por último, uma palavra de agradecimento ao meu grupo de amigos que me acompanharam ao longo destes anos no Instituto Superior Técnico. Para todos eles, por todos os momentos passados juntos e por me ajudarem a crescer enquanto pessoa, o meu muito obrigado.

Resumo

Esta dissertação procura compreender o desempenho de uma ligação óptica em sistemas DWDM, evidenciando a influência dos amplificadores EDFAs e dos seus parâmetros característicos, no desempenho do sinal. Começa-se por estudar um sistema DWDM de transmissão por fibra óptica, os vários elementos constituintes deste e os seus parâmetros característicos. De seguida, para um sistema DWDM de transmissão por fibra óptica específico e com determinadas características, três estudos são efectuados de modo a analisar o impacto da variação das características do sistema no desempenho do sinal, através da análise da relação sinal ruído óptica à entrada do receptor e da probabilidade de erro. Dá-se início ao estudo dos amplificadores ópticos com os EDFA´s (Erbium Doped Fiber Amplifier), em que é estudado o dimensionamento deste tipo de amplificadores tendo em conta o compromisso entre o ganho e o comprimento óptimo da fibra para amplificar um sinal WDM (Wavelength Domain Multiplexing). É feita a caracterização espectral deste tipo de amplificadores assim como as influências do ruído devido à emissão espontânea. É analisado o impacto da variação do ganho e do factor de ruído característico dos EDFAs, no desempenho do sinal, considerando o efeito de saturação dos amplificadores

Palavras chave

Fibras

Ópticas,

OSNR,

Amplificadores Ópticos, EDFAs

Probabilidade

de

Erro,

Desempenho

do

Sistema,

Abstract

This paper seeks to understand the performance of an optical link in DWDM systems, with emphasis on the influence of Optical Amplifiers EDFAs and its characteristic parameters on the signal performance. We begin by studying the optical fiber transmission DWDM system, its various elements and its characteristic parameters. Then, for a specific optical fiber transmission DWDM system with specific characteristics, three studies are done in order to analyze the impact of the system characteristics variation on the system performance, through the analysis of the optical signal to noise ratio at the receiver and the Bit Error Ratio. The study of Optical amplifiers EDFA’s (Erbium Doped Fiber Amplifier) is done, with focus on EDFA’s dimensioning, regarding the compromise between the gain and the fiber optimal length in the amplification of a DWDM signal. The spectral characterization is analyzed, as well as the noise influence due to spontaneous emission. The impact of the EDFA´s characteristic gain variation and noise factor, in the system performance is analyzed, considering the amplifier saturation effect.

Keywords:

Optic Fibers, OSNR, Bit Error Ratio, Network Performance, Optical Amplifiers, EDFAs

Índice

 

Lista de Figuras

ix

Lista de Tabelas

xiii

Lista de Acrónimos

xv

Lista de Símbolos Principais

xvii

Lista de Símbolos Principais - Alfabeto grego

xviii

1

Introdução

1

1.1

Enquadramento

1

Redes ópticas

1

Redes ópticas Reconfiguràveis

2

Amplificadores ópticos

4

1.2 Motivação e Objectivos

5

1.3 Estrutura da Dissertação

5

1.4 Contribuições principais

6

 

2 Descrição de um sistema DWDM de transmissão óptica

7

3 Dependência da probabilidade de erro do sistema com a potência de sinal e com a

relação sinal ruído óptica à entrada do receptor óptico

17

3.1 Resultados e Discussão

21

3.2 Conclusões

31

4 Relação sinal ruído óptica requerida à entrada do receptor óptico, necessària para

obtenção de determinado desempenho do sistema

33

4.1 Resultados e Discussão

34

4.2 Conclusões

49

5 Estudo da influência de dois parâmetros característicos de um sistema DWDM na

relação sinal ruído à entrada do receptor e na probabilidade de

51

5.1

Resultados e Discussão

51

5.2

Conclusões

58

 

6

Fibras Amplificadoras dopadas com Érbio

59

6.1

Amplificação laser numa fibra dopada com iões de érbio

59

6.2

Coeficiente de ganho

62

6.3

Modelos para a amplificação de um sinal WDM

66

6.4

Modelo simplificado para um EDFA com comprimento óptimo

72

6.5

Caracterização espectral

74

6.6

Ruído devido à emissão espontânea (ASE)

81

6.7

Conclusões

85

Estudo do impacto da variação das características do amplificador óptico no desempenho do sinal

7

87

7.1

Características do amplificador

87

7.2

Análise em cadeia

89

7.3

Análise teórica da contribuição dos amplificadores

98

7.4

Conclusões

103

 

8

Conclusões

105

8.1

Principais conclusões

105

8.2

Perspectivas para trabalhos futuros

111

 

Referências

113

Lista de Figuras

Fig. 1.1: Arquitectura da rede de fibra óptica (adaptado de

1

Fig. 2.1: Esquema de uma ligação óptica com amplificadores ópticos de linha

7

Fig. 2.2: Receptor óptico sem pré amplificação óptica

13

Fig. 3.1: Variação da probabilidade de erro com o factor

19

Fig. 3.2: Dependência da probabilidade de erro em função da potência de sinal à saída do

21

Fig. 3.3: Dependência do ruído de batimento sinal-EEA e EEA-EEA com a potência do sinal à

saída do

Fig. 3.4:Relação da probabilidade de erro com as variâncias do ruído de batimento sinal-EEA e

EEA-EEA, obtidas por variação da potência do sinal à saída do

Fig. 3.5: Dependência da probabilidade de erro em função da largura de banda óptica do filtro

22

22

do

24

Fig. 3.6: Dependência das variâncias sinal-EEA e EEA-EEA com a largura de banda

25

Fig. 3.7: Relação da probabilidade de erro com as variâncias do ruído de batimento sinal-EEA e

EEA-EEA, obtidas por variação da largura de banda

25

Fig. 3.8: Dependência da probabilidade de erro em função da largura de banda

27

Fig. 3.9: Dependência das variâncias sinal-EEA e EEA-EEA com a largura de banda eléctrica.

27

Fig. 3.10: Relação da probabilidade de erro com as variâncias do ruído de batimento sinal-EEA

e EEA-EEA, obtidas por variação da largura de banda

Fig. 3.11: Dependência da probabilidade de erro com a razão de extinção do sinal à entrada do

receptor óptico

28

29

Fig. 3.12: Dependência das variâncias sinal-EEA e EEA-EEA com a razão de extinção à

29

Fig. 3.13: Relação da probabilidade de erro com as variâncias do ruído de batimento sinal-EEA

e EEA-EEA, obtidas por variação da razão de extinção à entrada do

entrada do

30

Fig. 4.1: Dependência da variância da corrente de ruído de batimento s-EEA, com a potência

do

Fig. 4.2: Dependência da variância de ruído de batimento EEA-EEA, com a potência do sinal.

35

 

35

Fig. 4.3: Dependência da OSNRR em função da largura de banda

36

Fig. 4.4: Dependência da OSNRR,ref em função da largura de banda óptica

37

Fig. 4.5: Dependência da variância de ruído de batimento sinal-EEA em função da largura de

banda

Fig. 4.6: Dependência da variância de ruído de batimento EEA-EEA em função da largura de

banda

38

38

Fig. 4.7: Dependência da OSNR R com a largura de banda equivalente de ruído da parte

39

Fig. 4.8: Dependência da OSNR R na banda de referência com a largura de banda equivalente

de ruído da parte eléctrica do

40

eléctrica do receptor, para uma largura de banda óptica de

Fig. 4.9: Dependência da OSNRR

eléctrica do receptor, para uma largura de banda óptica de

Fig. 4.10: Dependência da variância do ruído de batimento sinal-EEA com a largura de banda

equivalente de ruído da parte eléctrica do receptor

Fig. 4.11: Dependência da variância do ruído de batimento EEA-EEA com a largura de banda

42

com a largura de banda equivalente de ruído da parte

41

equivalente de ruído da parte eléctrica do receptor

42

Fig. 4.12: Dependência da OSNRR com a razão de extinção à entrada do receptor

44

Fig. 4.13: Dependência da OSNRR na banda de referência com a razão de extinção à entrada

do receptor

44

Fig. 4.14: Dependência da OSNRR com a razão de extinção à entrada do receptor, para uma

largura de banda óptica de

45

Fig. 4.15: Dependência da variância do ruído de batimento sinal-EEA com a razão de extinção

à entrada do

46

Fig. 4.16: Dependência da variância do ruído de batimento EEA-EEA com a razão de extinção

à

entrada do

46

Fig. 5.1: Variação da OSNR r com o comprimento da secção de fibra, para Bo,nm de

52

Fig. 5.2: Variação da probabilidade de erro com o comprimento da secção de fibra, para Bo,nm

de 20nm

52

Fig. 5.3: Variação da OSNRr com o comprimento da secção de fibra, para Bo,nm de 30nm

53

Fig. 5.4: Variação da probabilidade de erro com o comprimento da secção de fibra, para Bo,nm

de 30nm

53

Fig. 5.5: Variação da OSNRr com o número de secções de fibra, para Bo,nm de 20nm

55

Fig. 5.6: Variação da probabilidade de erro com o número de secções de fibra, para Bo,nm de

20nm

55

Fig. 5.7: Variação da OSNRr com o número de secções de fibra, para Bo,nm de 30nm

56

Fig. 5.8: Variação da probabilidade de erro com o número de secções de fibra, para Bo,nm de

30nm

Fig. 6.1: Amplificação laser de três níveis. As setas a cheio indicam transições induzidas (excepto R13 que representa o bombeamento). As setas a tracejado indicam transições

56

espontâneas (i.e., decaimento da

60

Fig. 6.2: Modelo simplificado do sistema laser de um EDFA. O bombeamento dá-se para

61

Fig. 6.3: Variação da potência de sinal e da potência do bombeamento ao longo do

amplificador. Consideram-se: P s in = 0.1µW , P p in =10 mW

69

90

93

92

91

94

96

97

Lista de Tabelas

Tabela 2.1: Parâmetros do sistema de comunicação óptica

16

Tabela 3.1: Valores de Q, OSNR R e OSNR R , ref para típicos valores de P e

21

Tabela 3.2: Valores de variâncias de ruído EEA-EEA e sinal-EEA e sua relação com P e e

23

OSNR R

Tabela 4.1: Valores da OSNRR requerida à entrada do receptor óptico para três valores de Pe ,

com Ben,

e r fixos e B0,nm a variar

47

Tabela 4.2: Valores da OSNRR requerida à entrada do receptor óptico para três valores de Pe ,

para dois valores de B0,nm , r fixo e Ben,

a

48

Tabela 4.3: Valores da OSNRR requerida à entrada do receptor óptico para três valores de Pe ,

48

Tabela 5.1: Valores de L e OSNR r para três P e , com B e,n = 7GHz, r = 0 e para dois valores de

para dois valores de B0,nm , Ben,

fixo e r a

Bo,nm

54

Tabela 5.2: Valores de N sec e OSNR r para três P e , com B e,n = 7GHz, r = 0 e para dois valores de

Bo,nm

57

Tabela 6.1: Parâmetros do EDFA utilizados no cálculo da potência Tabela 6.2: Parâmetros do EDFA utilizados neste estudo

Tabela 6.3: Valores dos parâmetros das gaussianas para o cálculo da secção eficaz de

78

75

69

emissão num EDFA codopada com GeO 2 Al 2 O 3 SiO 2

Lista de Acrónimos

APD

Avalanche Photodiode

ASE

Amplified Spontaneous Emission

BER

Bit Error Ratio

DCF

Dispersion Compensating Fibers

DS-SMF

Dispersion-Shifted Single-Mode Fibers

DWDM

Dense-Wavelength Division Multiplex

EDFA

Erbium-Doped Fiber Amplifier

EEA

Emissão Espontânea Amplificada

eROADM

Enhanced Reconfigurable Optical Add and Drop Multiplexer

FEC

Forward Error Correction

FPM

Four-Photon Mixing

FWM

Four-Wave Mixing

HDTV

High Definition Television

IIS

Interferência Inter-Simbólica

IR

Infrared

ISI

Inter Symbol Interference

ITU

International Telecommunication Union

ITU-T

ITU Telecommunications Sector

LASER

Light Amplification by Stimulated Emission

LED

Light Emitting Diode

OADM

Optical Add and Drop Multiplexers

OSNR

Optical Signal-to-Noise Ratio

PD

Photodiode

PIN

Positive Intrinsic Negative

PLC

Planar Lightwave Circuit

ROADM

Reconfigurable Optical Add and Drop Multiplexer

RZ

Return to Zero

SNR

Signal Noise Ratio

SOA

Semiconductor Optical Amplifier

SPM

Self Phase Modulation

VoD

Video on Demand

WDM

Wavelength Division Multiplexing

Lista de Símbolos Principais

a Raio do núcleo da fibra

a 0

A 0

A k

Raio efectivo da fibra

Área efectiva da concentração de iões

Área efectiva do feixe k

Largura de banda equivalente de ruído da parte eléctrica do receptor

Largura de banda óptica do EDFA em nanometros

Largura de banda óptica do EDFA em Hertz

Débito binário de transmissão

Coeficiente de inversão da população no EDFA

Parâmetro de dispersão

Nível m de energia dos iões de érbio dopantes

B e,n

B o,nm , B 0

B o,Hz

D b

D k

D λ

E m

F

Frequência óptica

f n ; F n ;NF

Factor de ruído óptico

g; G

Ganho do EDFA

G 0

h Constante de Planck

Ganho não saturado do EDFA

I th

Corrente de limiar

k Constante genérica de propagação

k B

k

L Comprimento da fibra do EDFA

Constante de Boltzmann

Constante de propagação no vazio

o

L eff

L opt

L sec

M f

Comprimento efectivo da fibra

Comprimento óptimo da fibra

Comprimento da secção de transmissão

Margem de funcionamento

N

Número total de electrões

N(z)

Número médio de fotões no EDFA no processo de emissão espontânea

n 1

n 2

N ch

N m

N sec

n sp

P e

p EEA (v)

P in

P k

P sat

Índice de refracção do núcleo

Índice de refracção da bainha

Número de canais

Densidade populacional de iões de érbio.

Número de secções de amplificação

Factor de emissão espontânea

Probabilidade de erro

Potência de ruído de emissão espontânea amplificada

Potência óptica de sinal á entrada

Potência associada ao feixe de ordem k

Potência de saturação do EDFA

P

P

P

P

Q Factor Q

Q k

Q k sat

N

out

p

s

Potência de ruído de emissão espontânea

Potência óptica de sinal á saída

Potência de bombeamento (pump)

Potência óptica do sinal

Fluxo total de fotões do feixe k

Fluxo de saturação do do feixe k

R Razão de extinção do sinal óptico

R ab

R st

Taxa de absorção no processo de emissão estimulada

Taxa de emissão no processo de emissão estimulada

Respostividade do fotodíodo

R λ

S Parâmetro de saturação

S EEA (v)

v Frequência normalizada da fibra

Densidade espectral de potência de ruído de emissão espontânea amplificada

W ij

Transições induzidas do nível de energia i para j

Lista de Símbolos Principais - Alfabeto grego

; i

P s

p

s

Coeficiente de atenuação

Penalidade devido à transmissão

Densidade do fluxo de fotões

Factor de confinamento óptico

Coeficiente de emissão

Relação entre secções eficazes de absorção e emissão

Comprimento de onda

Comprimento de onda de bombeamento

Comprimento de onda do sinal

Densidade populacional total de iões de érbio

r

Densidade populacional total de iões de érbio num ponto da fibra

EEA-EEA

Variâncias do ruído de batimento EEA-EEA

sinal-EEA

Variâncias do ruído de batimento sinal-EEA

a

e

ij

' ij

ν

o



Secção eficaz de absorção

Secção eficaz de emissão

Tempo de vida da emissão espontânea

Tempos de vida da emissão espontânea radiativa entre os níveis de energia i e j

Tempos de vida das transições não-radiativas entre os níveis de energia i e j

Frequência do sinal

Frequência angular do sinal

Frequência angular da portadora

Constante dieléctrica na frequência ou dispersão material

1

Introdução

1.1

Enquadramento

Redes ópticas

Recentemente tem havido um crescente interesse em desenvolver redes em fibra óptica para suportar o aumento da procura de largura de banda em aplicações, tais como televisão de em alta definição (HDTV) e a internet. Uma típica arquitetura de redes públicas em fibra óptica é apresentada na Fig. 1.1. Os nodos da rede são Centrais de Informação (Central Office), também chamados pontos-de- presença (POPs). A implementação de redes em anel é uma solução para fornecer caminhos alternativos para o redireccionamento de tráfego em caso de falha de ligações. Em muitos casos uma rede em malha é implementada na forma de redes em anel interligadas. A rede pode ser dividida numa Rede Metropolitana que contém uma grande cidade ou região e uma Rede de Longas Distâncias que interliga estas cidades ou regiões. A rede metropolitana inclui uma Rede de Acesso metropolitana (Access Network) e uma Rede metropolitana Inter-Centrais (Interoffice Network). A rede de acesso metropolitana vai desde a Central de Informação até aos edifícios empresariais individuais ou casas particulares. A rede Inter-Centrais interliga grupos de centrais de informação de uma determinada cidade ou região. Em contraste com as redes de acesso, a distribuição de tráfego em redes metropolitanas inter-centrais e redes de longas distâncias é em anel ou em malha. As ligações em redes de longas distâncias são muito caras em comparação com as ligações em redes metropolitanas [1]. As redes podem ser totalmente ópticas ou podem conter partes compostas por fibra e partes em fios de cobre. Ambas as fibras ópticas e os fios de cobre são usados em amplificadores ópticos de potência ou regeneradores de sinal, os quais são necessários periodicamente para amplificar e dar forma ao sinal em ligações de longa distância. Neste tipo de arquitectura de rede em fibra, fios de cobre ainda são implementados em redes metropolitanas de acesso e inter-centrais enquanto as redes em longas distâncias são todas compostas por fibra óptica.

longas distâncias são todas compostas por fibra óptica. Fig. 1.1: Arquitectura da rede de fibra óptica

Fig. 1.1: Arquitectura da rede de fibra óptica (adaptado de [1]).

Têm sido desenvolvidas novas maneiras de aumentar a capacidade da largura de banda bem como a sua efectiva utilização. A técnica conhecida por WDM - Wavelength-Division Multiplexing, permite utilizar a grande largura de banda disponível nas fibras ópticas aumentando a capacidade de transporte da fibra por via de associar os sinais ópticos a frequências específicas da luz (comprimentos de onda) dentro de uma certa banda de frequências. Num sistema WDM cada comprimento de onda é lançado na fibra e os sinais ópticos são desmultiplexados no terminal receptor. A capacidade resultante é um agregado dos sinais de entrada, cada um dos quais é transportado independentemente dos outros. Isto significa que cada canal tem a sua própria largura de banda e que todos os sinais podem chegar ao mesmo tempo ao terminal receptor da fibra. Utilizando WDM nas redes ópticas pode-se conseguir capacidades de transporte simultâneo da ordem dos 50 THz [2]. Outra técnica que utiliza ainda melhor a grande largura de banda disponível nas fibras ópticas é

a DWDM - Dense Wavelength Division Multiplexing. Esta técnica é semelhante à anterior, mas o espaçamento que se pode conseguir entre os comprimentos de onda dos sinais é menor, do que resulta uma capacidade global maior. Os primeiros sistemas DWDM operaram com 416 comprimentos de onda. Hoje existem sistemas comercializados que suportam 160 comprimentos de onda, transmitindo a 10Gb/s cada. Tais sistemas têm a capacidade de 1.6 terabits por segundo [3]. O sistema DWDM tem duas características significativas: A capacidade de amplificar todos os comprimentos de onda imediatamente sem que seja necessário convertê-los primeiro em sinais eléctricos, e a capacidade de transportar os sinais de diferentes tipos e diferentes velocidades, simultaneamente através da fibra (independência do protocolo e da velocidade de transmissão). A primeira característica significa que a técnica DWDM combina múltiplos sinais ópticos de modo

a que possam ser amplificados como um grupo e transportados através da fibra para aumentar a

capacidade desta. A segunda característica significa que cada sinal transportado pode ter a sua própria

velocidade de transmissão e o seu próprio formato [3].

Redes ópticas Reconfiguràveis.

As soluções tradicionais dos sistemas WDM, são limitadas pela tecnologia de adição e extracção de comprimentos de onda em cada local. Quem tem a tarefa de construir e dimensionar uma rede óptica, usando tecnologia OADM Optical Add and Drop Multiplexers, isto é, filtros de canais fixos que só podem adicionar ou extrair canais ou comprimentos de onda específicos, depara-se com um problema de planeamento de capacidade: tem

de prever muito cedo possíveis mudanças nos padrões do tráfego, que obrigam a alterações nas redes

estando estas em funcionamento (inserção de novos filtros) e implicam interrupções de serviço que afectam os consumidores. Uma rede óptica reconfigurável oferece a possibilidade de acompanhar o crescimento das necessidades da rede sem obrigar a planeamento precoce e sem levar a interrupções de serviço [4]. Inicialmente as redes ópticas reconfiguráveis eram muito caras e pouco robustas para serem implementadas em larga escala. Com o aparecimento dos circuitos integrados PLC - Planar Lightwave Circuit components, multiplexadores ROADM’s - Reconfigurable Optical Add and Drop Multiplexer são agora instalados em muitas aplicações [4], [5]. Antes do desenvolvimento dos dispositivos ópticos de multiplexagem do tipo ROADM, o sinal óptico era redirecionado para a as redes de fibra óptica após a conversão do raio visível ou infravermelho em sinal eléctrico e só então se redireciona o sinal usando interruptores electrónicos. Os sinais eléctricos após serem redirecionados são novamente convertidos em sinal óptico (raios visíveis ou infravermelhos) [2]. Num dispositivo ROADM convencional as alterações a efectuar nos sinais não obrigam à conversão óptico-eléctrico ou eléctrico-óptico. As operações de adição de sinal óptico (add), ou extracção/cancelamento de sinal óptico (drop), são efectuadas sobre os sinais ópticos. Um raio também pode atravessar um dispositivo ROADM sem sofrer qualquer modificação (cut-through operation). Em qualquer local é possível adicionar ou extrair um ou vários sinais de qualquer comprimento de onda sem afectar nenhum dos outros serviços. [6]. A configuração do sistema com dispositivos ROADM pode consequentemente ser alterada remotamente. Nas redes ditas opacas os canais terminam em cada nó. As potencias ópticas nas saídas do nó são geradas por novos transmissores e por consequência estão desacoplados das potências ópticas dos sinas nas entradas do nó. As redes ROAM apresentam transparência óptica, isto é providenciam ligações contínuas entre as entradas e saídas dos sinais nos nós permitindo que determinados sinais passem de forma transparente através do nó. Isto potencialmente pode criar acoplamentos ópticos através de toda a rede.

O sistema deve gerir estes acoplamentos de modo a prevenir os efeitos adversos ao seu bom

funcionamento [4].

O uso da tecnologia de redes ópticas reconfiguráveis é vantajoso quer para os fornecedores quer

para os utilizadores da rede, sendo de referir a possibilidade de aumentar de 1 para 32 comprimentos de

onda, protegidos, sem afectar o tráfego existente. Como a configuração da rede é simplificada, a sua manutenção e as necessidades de aprovisionamento são menores. As intervenções na rede são mais rápidas, os custos operacionais são mais baratos.

A capacidade de ramificação óptica é importante no desenvolvimento de redes eficientes e

fiáveis de alto volume de dados projectadas para fornecer serviços tais como vídeo sob pedido (VoD). A

tecnologia enanced-ROADM (eROADM) torna possíveis verdadeiras ramificações ópticas [7].

Amplificadores ópticos

Os amplificadores ópticos constituem um elemento importante dos sistemas de comunicação óptica, devido à sua capacidade de amplificar, regenerar, ou dito de outro modo, controlar a energia óptica a ser transferida para o próximo destino. Apresentam baixo ruído, permitem uma largura de banda relativamente grande que não depende da polarização e apresentam perdas de inserção baixas na transmissão de sinais que operam na faixa dos 1550nm. Os amplificadores ópticos permitem incorporar sistemas de controlo por retroacção para melhor controlar a potência de saída do amplificador [8]. Actualmente nas redes de comunicações ópticas empregam-se vários tipos de amplificadores ópticos, nomeadamente os EDFAs (Erbium doped fiber amplifier), os SOA (semiconductor optical amplifier) e os amplificadores Raman. Os amplificadores ópticos tipo SOA ou os amplificadores de Raman, têm características específicas que os tornam bons amplificadores sendo utilizados em sistemas de comunicação óptica [2], [9]. No entanto, para sistemas de transmissão WDM, os EDFAs são os amplificadores ópticos utilizados [4], [9].

Os amplificadores ópticos dopados a Erbium, EDFA, são fibras ópticas de comprimento variável que podem amplificar a luz e proporcionar ganho nos comprimentos de onda de 1525 a 1560 nm. Operando a estas frequências os EDFAs reduzem as perdas nas fibras e nos componentes e minimizam os efeitos da dispersão. Os EDFAs são muitas vezes usados como amplificadores de linha e noutras aplicações que requeiram elevada potência de saída, elevadas taxas de transmissão de dados, e baixo ruído. Uma limitação à amplificação óptica é o desigual espectro do ganho que os amplificadores apresentam. Um amplificador óptico pode apresentar um ganho para um dada gama de comprimentos de onda, mas não amplifica necessariamente todos esses comprimentos de onda igualmente. Esta característica acompanhada do facto de que os amplificadores ópticos amplificam o ruído do mesmo modo que amplificam o sinal a transmitir, e ainda o facto de que a região activa do amplificador pode emitir fotões espontaneamente, o que também causa ruído, limita o desempenho dos amplificadores ópticos.

Um sinal de múltiplos comprimentos de onda ao atravessar uma série de amplificadores ópticos pode eventualmente apresentar desequilíbrios na potência dos comprimentos de onda [4]. Têm sido estudadas várias maneiras de equalizar o ganho de um EDFA. Uma solução implementa um filtro alisador centrado num comprimento de onda específico, de modo a suprimir o sinal no pico do ganho do EDFA [10]. Outra solução consiste em ajustar a potência do transmissor de entrada de modo que as potências na recepção de todos os comprimentos de onda recebidos no destino sejam iguais [11]. Uma

terceira solução para a equalização do ganho consiste em desmultiplexar os comprimentos de onda individuais e então atenuar certos comprimentos de onda tal que todos fiquem com igual potência [12].

1.2 Motivação e Objectivos

O desempenho de um sistema de transmissão por fibra óptica é dado pelo critério de desempenho que é a probabilidade de erro de bit, BER. Esta dissertação tem como objectivo o estudo do desempenho de uma ligação óptica em sistemas DWDM, evidenciando a influência dos amplificadores EDFAs e dos seus parâmetros característicos, no desempenho do sinal. Numa primeira fase da Dissertação é apresentado um sistema DWDM de transmissão por fibra óptica, os vários elementos constituintes deste e os seus parâmetros característicos. De seguida, para um sistema DWDM de transmissão por fibra óptica específico e com determinadas características, três estudos são efectuados de modo a analisar o impacto da variação das características do sistema no desempenho do sinal, através da análise da relação sinal ruído óptica à entrada do receptor e da probabilidade de erro. Após a análise de desempenho do sistema, vai-se analisar com mais detalhe os amplificadores EDFAs (Erbium Doped Fiber Amplifiers) e os seus parâmetros característicos. Por fim, é analisado o impacto da variação do ganho e do factor de ruído característico dos EDFAs, no desempenho do sinal, considerando o efeito de saturação dos amplificadores.

1.3 Estrutura da Dissertação

Esta dissertação foi estruturada em 8 catítulos que tiveram em conta os objectivos propostos descritos anteriormente:

Capítulo 1: Neste capítulo, apresenta-se uma breve descrição das Redes ópticas, Redes ópticas Reconfiguràveis e Amplificadores Ópticos. São explicitados os principais objetivos da dissertação, a sua estrutura e as principais contribuições. Capítulo 2: Neste capítulo é feito uma descrição de um sistema DWDM de transmissão óptica, e dos elementos que o constituem. Apresentam-se os parâmetros do emissor, receptor, linha de transmissão óptica e amplificadores ópticos. Capítulo 3: Neste capítulo estuda-se a dependência da probabilidade de erro do sistema com a potência de sinal e com a relação sinal ruído óptica à entrada do receptor óptico. Capítulo 4: Neste capítulo estuda-se a relação sinal ruído óptica requerida à entrada do receptor óptico, necessària para obtenção de determinado desempenho do sistema. Capítulo 5: Neste capítulo estuda-se a influência de dois parâmetros característicos de um sistema DWDM, o comprimento da secção de fibra e o número de secções de fibra, na relação sinal ruído à entrada do receptor e na probabilidade de erro.

Capítulo 6: Neste capítulo estuda-se com mais detalhe os amplificadores EDFAs (Erbium Doped Fiber Amplifiers). É deduzida a equação do ganho e do comprimento óptimo associado a um EDFA, é apresentado um modelo simplificado para EDFAs com comprimento óptimo e a sua caracterização espectral, sendo depois estudado um caso prático e avaliado o problema da amplificação quando estamos perante um sinal WDM de vários canais. Capítulo 7: Neste capítulo é analisado o impacto da variação do ganho e do factor de ruído característicos de um amplificador óptico, no desempenho do sinal, considerando o efeito de saturação dos amplificadores. Um estudo em cadeia é também efectuado, bem como uma análise teórica da contribuição dos amplificadores no cálculo da relação sinal-ruído e no cálculo do factor de ruído. Capítulo 8: No último capítulo são resumidas as principais conclusões da dissertação.

1.4 Contribuições principais

Esta dissertação tem como principais contribuições, na área das comunicações ópticas:

Caracterização de um sistema DWDM. Estudo dos elementos constituintes do sistema e dos seus parâmetros característicos;

Análise do desempenho de um sistema DWDW de transmissão por fibra óptica, através da relação sinal ruído óptica à entrada do receptor e da probabilidade de erro;

Caracterização do método de amplificação com recurso a EDFAs. Aplicação a um sistema DWDM de vários canais;

Análise do impacto da variação do ganho e do factor de ruído característico dos EDFAs, no desempenho do sinal, considerando o efeito de saturação dos amplificadores.

2

Descrição de um sistema DWDM de transmissão óptica

A análise de sistemas tem por objectivo perceber o funcionamento destes, obter conhecimento

sobre o comportamento dos parâmetros do emissor, receptor, linha de transmissão óptica e amplificadores ópticos e tirar informações sobre o desempenho do sistema.

A Fig. 2.1 apresenta um esquema de uma ligação óptica com amplificadores e filtros ópticos,

composta por N sec secções de amplificação. O sinal óptico originado no emissor propaga-se pelas diversas secções de fibra sofrendo perdas de potência, devido à atenuação e distorção do sinal, que dependem da distancia de transmissão, até chegar ao receptor onde é convertido em sinal eléctrico e processado. Os amplificadores ópticos de linha são colocados em cada secção de linha com o objectivo de restaurar a potência de sinal.

de linha com o objectivo de restaurar a potência de sinal . Fig. 2.1: Esquema de

Fig. 2.1: Esquema de uma ligação óptica com amplificadores ópticos de linha.

O emissor óptico tem como função converter o sinal eléctrico, que codifica a informação a transmitir, num sinal óptico que é transmitido no sistema através da fibra. Vários parâmetros

caracterizam o emissor óptico: a potência óptica de saída da fonte óptica; o tipo de modulação, a largura espectral do sinal injectado na fibra óptica, a corrente de limiar, a temperatura do laser e a razão de extinção;

A potência óptica do sinal gerado na fonte óptica depende do tipo de fonte. Esta pode ser um

díodo emissor óptico de luz, LED, ou um díodo laser, LASER, Para a transmissão óptica a elevados débitos binários, requer-se a existência de LASERs [13]. Estes devem ser lasers monomodo pois a existência de uma estrutura multimodal faz com que a largura espectral do sinal injectado na fibra seja muito elevada, limitando consideravelmente a sua aplicação em transmissão óptica. A recomendação G.957 da ITU-T indica que, para débitos de 2,5Gbit/s e superiores a fonte óptica do emissor óptico deverà ser um laser de modo longitudinal único, SLM. Com estes lasers obtêm-se potências de emissão típicas entre 0 e 10dBm [14].

A conversão do sinal eléctrico em variações de potência óptica pode ser realizada através de

modulação directa ou modulação externa. O emissor laser considerado tem modulação externa, de

modo a poder-se desprezar o efeito da modulação de frequência ou chirp, que associada à dispersão da fibra, limita a transmissão a elevados débitos, pois introduz atrasos de propagação na fibra e interferência inter-simbólica [13].

A largura espectral do sinal injectado na fibra óptica, de determinado comprimento de onda,

resulta da combinação da largura de banda espectral que a fonte óptica apresenta com a largura espectral do sinal modulante que contém a informação codificada que se pretende transmitir. As larguras espectrais dos lasers monomodo variam entre 10 -5 nm e 10 -3 nm, isto é, entre cerca de 1MHz e cerca de 100MHz [14].

A corrente de limiar é a corrente de condução a partir da qual o laser emite potência óptica. A

variação da corrente de condução altera o comprimento de onda do sinal emitido, tipicamente entre 100 MHz/mA e 1 GHz/mA.

A temperatura do laser também influência o comprimento de onda. É aceitàvel uma variação de

±0.1ºC, o que conduz a uma variação de ±0,01nm/ºC.

A razão de extinção, r, define-se como a razão entre a potência óptica média associada ao nível

óptico “0” e a potência óptica média associada ao nível óptico “1”. Esta definição é o inverso de r ext adoptada pela ITU-T. A recomendação G.957 da ITU-T indica que o valor mínimo da razão de extinção seja r ext = 6,6. Assim, os emissores apresentam uma razão de extinção, tipicamente, entre 0 e 0,152 [13]. Para uma penalização de potência devido à razão de extinção inferior a 1dB, a ITU-T recomenda valores de razão de extinção entre 0 e 0,11 [14]. Neste estudo considera-se a razão de extinção do emissor, nula.

A potência óptica acoplada à fibra é determinada pela potência de emissão da fonte e pelas

perdas de acoplamento entre esta e a fibra. Neste capítulo começa-se por considerar uma potência óptica de saída do emissor de 1mW (0dBm). Neste estudo despreza-se as perdas de acoplamento entre o emissor óptico e a fibra, pelo que a potência óptica acoplada à fibra tem o mesmo valor que a potência óptica de saída deste, p in .

A fibra óptica é constituída por um fio de sílica ultra pura a que se adicionam dopantes. Os

dopantes são adicionados para ajustar o índice de refracção da sílica e por conseguinte as suas características de propagação de luz. O cabo óptico é um único fio de fibra de grande comprimento constituído por uma camada interior chamada núcleo e por uma camada exterior com uma mistura diferente de dopantes chamada bainha. As dimensões da fibra são identificadas por estes dois parâmetros sendo uma fibra com um núcleo de 8.6 a 9.5 µm classificada como fibra monomodo G.652 segundo as normas da ITU-T.

A transmissão por fibra óptica dá-se através de modos guiados: multimodo e monomodo. As

fibras que só suportam o modo fundamental TE 11 e HE 11 são chamadas de monomodo. Da comparação das capacidades de transmissão estimadas para os dois tipos de fibra conclui-se que, em ligações de

débito binário superior a 10Mbit/s ou para distâncias maiores que 1km, a fibra utilizada deve ser a fibra monomodo.

A transmissão em monomodo permite transmitir sinais modulados a 40Gbit/s, ou superior, até

200km sem amplificação. O débito binário considerado neste estudo é de 10Gbit/s. Os sinais ópticos ao serem transmitidos são sujeitos a atenuação, distorção e interferências de várias ordens que levam à sua degradação. A distorção de sinal em qualquer meio de transmissão linear pode ser devida à variação da atenuação com a frequência (distorção de amplitude) ou à variação do atraso com a frequência do sinal (distorção de atraso). A fibra óptica é considerada como um meio de transmissão não distorcido na amplitude para os débitos binários actualmente em uso, da ordem das dezenas de Gbit/s. A distorção de atraso na transmissão por fibra óptica deve-se à dispersão da fibra a qual conduz a que determinadas componentes espectrais de um impulso se propaguem mais depressa que outras e depende das características da fibra e do sinal que é injectado na fibra. Em transmissão digital, este efeito manifesta-se como interferência inter-simbólica (IIS) no receptor óptico. Existem dois tipos de dispersão: a intermodal (presente em fibras multimodo) e intramodal ou cromática. A dispersão cromática consiste em 2 contribuições: a dependência da constante dieléctrica ξ na frequência ω, chamada dispersão material, e a dependência não-linear da constante de propagação na frequência ω,

chamada dispersão de guia de ondas. A dispersão material é mais significativa. A dispersão é medida em picosegundos por nanometro-kilómetro, (ps/nm.km).

A ITU-T tem, presentemente, normalizados três tipos de fibras ópticas monomodo. A fibra em

estudo é a fibra de dispersão deslocada não nula, NZDSF, ou fibra G.655, que apresenta um parâmetro

de dispersão de 4ps/nm.km que resulta do compromisso entre a distorção reduzida e efeitos não- lineares reduzidos, na região dos 1550nm. Com este valor de dispersão o efeito diafónico entre canais é reduzido. Neste estudo admite-se que a penalidade devido à transmissão é só devido à dispersão e considera-se 2dB para esta penalidade. Não se entra em consideração com efeitos não-lineares.

A atenuação na fibra é uma característica de transmissão muito importante que impõe um limite

de potência óptica na fibra. Para um dada potência óptica de entrada na fibra, a atenuação afecta a potência total que atinge o fim do troço de fibra e consequentemente limita o comprimento máximo da fibra considerada sem amplificação. O comprimento ideal máximo da fibra é também limitado pela dispersão e pelo débito binário. O coeficiente de atenuação de potência óptica α (dB/km) é um parâmetro não linear e depende do comprimento de onda do sinal óptico a transmitir, λ. A ITU-T G.652 recomenda

perdas menores que 0,4dB/km na região dos 1550nm. Neste estudo consideram-se perdas de atenuação de 0,25dB/km e troços de fibra NZDSF de 80km. Nos sistemas de transmissão em redes WDM, com velocidades muito elevadas utilizam-se comprimentos de onda situados na chamada Banda-C (3ª janela) definida de 1528-1565nm e na Banda- L definida de 1561-1620nm. A Banda-C é compatível com amplificadores ópticos de fibra de custos razoàveis.

A Banda-L aproveita a fibra de compensação de dispersão que estende a Banda-C até 1600nm,

duplicando assim o número de comprimentos de onda apropriados para aplicações DWDM. Neste primeiro capítulo o comprimento de onda utilizado é λ=1540nm. A escolha deste comprimento de onda para o estudo inicial do sistema foi devido à atenuação específica da fibra ser menor na terceira janela e

devido a esta frequência ser uma frequência central deste intervalo de comprimentos de onda. As perdas de potência óptica devido a conectores devem ser tidas em conta. Para minimizar estas perdas as fibras devem ter o comprimento máximo possível, reduzindo assim o número de conectores necessários. As perdas de conectores são desprezàveis neste estudo.

Os amplificadores ópticos são dispositivos em que a amplificação do sinal óptico incidente é realizada no domínio óptico, através da emissão estimulada, por um mecanismo semelhante ao já mencionado para o laser do emissor óptico. As características principais dos amplificadores ópticos são: o ganho óptico, que depende da frequência do sinal óptico incidente mas também da intensidade do feixe local em qualquer ponto dentro do amplificador; a largura de banda do ganho; o valor de saturação do ganho, valor máximo de potência de saída do amplificador a partir do qual esta não aumenta apesar do aumento de potência de entrada; o factor de ruído óptico, F n , (característica inerente aos amplificadores, devido à emissão espontânea de luz dos iões excitados, que se acumula ao longo da ligação quando esta apresenta vários amplificadores); e a potência de saturação do sinal de saída, que depende do ganho e é definida como a potência de saída do amplificador óptico para a qual o ganho, G amp , é reduzido de um factor de 3dB ao seu valor, G 0 ,de ganho não saturado. O ganho relativamente constante numa gama elevada de comprimentos de onda, na região dos 1550nm, possibilita que vários canais de um sinal WDM possam ser amplificados em simultâneo sem necessidade de compensação de diferenças de ganho. Por outro lado, a insensibilidade do ganho a variações da potência à entrada do amplificador também é desejável, pois assegura o mesmo funcionamento independentemente do sinal de entrada. Os amplificadores ópticos de fibra dopada a érbio, EDFA, são um tipo de amplificadores ópticos actualmente muito utilizados pois operam na região dos comprimentos de onda dos 1550nm onde as perdas na fibra são mínimas. São os amplificadores ópticos utilizados nos sistemas WDM de transmissão por fibra óptica.

O amplificador óptico de fibra dopada a érbio, EDFA, é um segmento de fibra com uns metros de

comprimento fortemente dopados com o elemento raro de terra érbio, que requer energia óptica para excitar o estado dos pares electão-buraco. É estimulado por uma fonte laser com uma frequência óptica elevada, no intervalo da ultra-violeta, chamada bomba (pump). A bomba excita os aditivos de fibra que amplificam directamente o sinal óptico que está a passar a um comprimento de onda da região dos 1550nm. Bombas típicas têm um comprimento de onda de 980 ou 1480nm e uma potência de saída entre 10mW e 250mW [15], [13]. Estas fontes lasers proporcionam ganho elevado (tipicamente 25 dB),

com relativamente pequeno ruído e demonstram independência da polarização. Experimentalmente têm- se conseguido para os EDFAs, ganhos que atingem os 51 dB, com o ganho máximo limitado pelo filtro de Rayleigh, no qual alguma da energia da luz é disseminada na fibra e direcionada para trás para a fonte de sinal [16]. A utilização do comprimento de onda de 980nm no laser apresenta várias vantagens. Primeiro, o processo de bombeamento é mais eficiente, isto é, necessita de menos potência de bomba, para um dado ganho, do que a 1480nm. Além disso, a fracção de iões que passa para o estado excitado com o bombardeamento a 1480nm é mais reduzida. Como quanto mais elevada for a fracção de iões no estado excitado, menor é a potência de ruído introduzido pelo amplificador, a utilização do bombardeamento a 980nm é preferível para realizar EDFAs de baixo ruído. Contudo, lasers bomba de potência mais elevada estão disponíveis no comprimento de onda de 1480nm, pelo que este comprimento de onda é preferível para o fabrico de EDFAs projectados para apresentarem elevadas potências de saída. O processo de emissão estimulada que está na base do funcionamento deste tipo de amplificador permite aumentar a potência do sinal de entrada do EDFA por aplicação de um ganho, mas introduz durante o processo de amplificação o chamado ruído de emissão espontânea amplificada, EEA (ASE acrónimo anglo-saxónico). Este ruído, que se vai acumulando ao longo das diferentes secções de amplificação é caracterizado por uma densidade espectral de potência de ruído de emissão espontânea,SEEA () , ou a correspondente potência de ruído pEEA () que depende do factor de ruído

intrínseco ao EDFA, fn .

Visto que as fontes de ruído óptico são acumulativas e que a emissão espontânea dos EDFAs introduz ruído que degrada a relação sinal ruído óptica, OSNR, ao criar um caminho de fibra óptica, pode-se tentar ultrapassar o problema, inserindo um sinal óptico com maior potência na fibra. No entanto, perto da região dos comprimentos de onda de dispersão nula, os efeitos lineares podem tornar- se dominantes e degradarem a OSNR. A selecção da potência, por canal, lançada na fibra é limitada pelo ruído do amplificador que impõe um mínimo de potência de sinal, e pelos efeitos não-lineares que impõem um máximo de potência de sinal. Para determinar o nível de potência, os parâmetros característicos do emissor óptico, receptor óptico e linha da transmissão devem ser tidos em conta. O filtro óptico foi considerado neste estudo como parte integrante do amplificador óptico; é considerado ideal e deve contribuir para a redução do ruído na saída bem como uniformizar o ganho que num EDFA é diferente para cada comprimento de onda dos vários canais que ele amplifica simultaneamente [14]. A largura de banda do filtro no domínio óptico deve ser reduzida, mas suficientemente elevada para não provocar distorção do sinal. O amplificador óptico na globalidade é

caracterizado pela menor largura de banda óptica entre a do amplificador e a filtro a ele associado, Bo,hz

Concluindo, o EDFA tem como vantagens:

Permitir a amplificação simultânea de muitos canais WDM;

Uma transferência de potência da bomba para o sinal com elevada eficiência (>50%);

Amplificar directamente e simultaneamente uma larga região de comprimentos de onda (na região dos 1550nm) a uma potência de saída tão alta como 37dBm, com um ganho relativamente constante (>20dB), o que é apropriado para sistemas WDM;

A potência de saturação de saída, que é definida como o nível de potência de saída ao qual o ganho decresce 3dB, é maior do que 1mW (10 a 25dBm) [17];

A constante de tempo do ganho é elevada (>100ms) para ultrapassar os efeitos de modulação e distorções de modulação interna (baixo ruído);

Intervalo dinâmico largo (80nm);

Figura de ruído baixa;

São transparentes a modulação de formato óptico;

São independentes da polarização, reduzindo assim as perdas de acoplamento para somente perdas de transmissão na fibra que também são reduzidas;

Apropriados para aplicações de longas distâncias;

Ausência de diafonia entre vários canais quando amplifica sinais WDM;

EDFAs modificados também podem operar na banda L.

Sendo as principais desvantagens dos EDFAs:

São dispositivos de grandes dimensões que não podem ser integrados com outros dispositivos semicondutores;

Exibem emissão espontânea amplificada, ASE, ou seja, mesmo quando não está presente sinal à entrada do EDFA, Há sempre algum sinal de saída resultante da excitação de iões na fibra. A este sinal chama-se ruído espontâneo;

Há saturação de ganho, o ganho reduz-se com o aumento de potência do sinal à entrada;

Só realiza amplificação nos comprimentos de onda da terceira janela, nomeadamente na chamada banda C (1528-1565nm).

Amplificam o ruído do mesmo modo que amplificam o sinal a transmitir

Apresentam um espectro desigual do ganho, não amplificando todos os comprimentos de onda de igual modo.

Os amplificadores ópticos devem ser colocados de modo a minimizar vários factores que podem afectar a integridade do canal e do sinal a transmitir. A ITU-T recomenda limites de parâmetros assim como aplicações de amplificadores ópticos em G.662 e G.663.

O amplificador existente após o emissor óptico é designado por pós-amplificador óptico e é

dimensionado de modo a aumentar a potência óptica do sinal a transmitir. É colocado à saída do emissor óptico e recebe um sinal da fonte de laser, de potência da ordem de 0,1mW a 5 mW, [14] com uma determinada OSNR, e aumenta a sua potência para níveis com mais de 10dBm.

Os amplificadores ópticos de linha têm pouco ruído e são capazes de amplificar um sinal bastante atenuado ao longo das secções de fibra, expandindo o comprimento efectivo de fibra entre a fonte de informação e o destino. Recebem um ou mais sinais ópticos, cada um com uma janela de frequências ópticas, e amplificam simultaneamente todos os comprimentos de onda libertando coerentemente mais fotões em cada comprimento de onda. São dimensionados de modo a que através do seu ganho, compensem exactamente as perdas de cada secção de fibra que o antecede.

O amplificador existente imediatamente antes do receptor óptico é designado por pré-amplificador óptico e é dimensionado com muito baixo ruído e capaz de aumentar um sinal bastante atenuado para um nível que pode ser detectado com fiabilidade pelo fotodetector do receptor óptico. Os EDFAs têm uma largura de banda de 30nm sem filtro óptico e de 20nm com filtros ópticos incorporados, e um factor de ruído, F n = 4dB. A largura de banda óptica de referência, B o,ref , é de 0,1nm. Neste estudo consideram-se 20 secções de amplificação.

O receptor óptico é responsàvel pela reconversão do sinal óptico para sinal eléctrico e pelo processamento do sinal eléctrico resultante, recuperando a informação transmitida através do sistema. A Fig. 2.2 apresenta a estrutura de um receptor óptico sem pré-amplificação óptica.

de um receptor óptico sem pré-amplificação óptica. fotodetector PIN Pré amplificador P o U P eléctrico
fotodetector PIN Pré amplificador P o U P eléctrico Processamento Sinal óptico eléctrico de à
fotodetector
PIN
Pré amplificador
P o
U P
eléctrico
Processamento
Sinal óptico
eléctrico de
à entrada do
sinal
R P
receptor
Sinal
eléctrico
Fig. 2.2: Receptor óptico sem pré amplificação óptica

O receptor óptico tem dois módulos principais: um módulo onde se dà a conversão do sinal

óptico para eléctrico e se amplifica este sinal de nível muito baixo, e um outro módulo dito de processamento eléctrico de sinal onde se realiza a regeneração do sinal eléctrico através da sua

igualação, amplificação e se efectua o seu processamento digital de modo a aceder à informação transmitida [18].

O fotodetector converte o sinal óptico em sinal eléctrico através do efeito foto-eléctrico. Deve ter

elevada sensibilidade, uma resposta ràpida, baixo ruído, baixos custos, e alta fiabilidade. O seu tamanho

deve ser compatível com o tamanho do núcleo da fibra. Geralmente os fotodetectores são fotodíodos de

semicondutor. Destes, os dois tipos mais utilizados são os fotodíodos positivo-intrinseco-negativo ou PIN, e os fotodíodos de avalanche ou APD.

O fotodetector a utilizar no sistema em estudo é um fotodetector PIN porque os APDs, embora

apresentem ganho, são de aplicação mais limitada devido à sua largura de banda ser mais reduzida.

A respostividade R λ , é o parâmetro utilizado para caracterizar os fotodíodos e define-se como a

razão entre a corrente eléctrica na saída do fotodíodo e a potência óptica nele incidente. Neste estudo

considera-se uma respostividade de 0,7A/W.

Ao sinal óptico presente à entrada do fotodetector aplica-se a definição razão de extinção, r. Como já foi referido, neste estudo considera-se a razão de extinção, r, nula.

O sinal óptico que entra no fotodetector é habitualmente de fraca potência sendo o sinal de

corrente eléctrica na sua saída de fraca intensidade pelo que se amplifica a corrente com um pré- amplificador eléctrico que proporciona um nível de sinal compatível com os circuitos seguintes. O pré-amplificador eléctrico introduz potência de ruído eléctrico que deve ser a mais baixa possível pois o desempenho do receptor óptico é determinado principalmente pelo ruído do conjunto fotodetector e pré-amplificador. Para isso a largura de banda tem que ser bastante limitada para filtrar o ruído mas suficientemente elevada para que o sinal, que contém a informação codificada, não seja distorcido. A largura de banda equivalente de ruído da parte eléctrica, B e,n depende do débito binário de transmissão e situa-se entre 0,5 e 0,7D b , de modo a poder-se assumir ausência de interferência inter- simbólica, IIS. Neste estudo considera-se uma largura de banda equivalente de ruído da parte eléctrica,

B e,n de 0,7D b . A corrente eléctrica resultante do processo de fotodetecção contém ruído quântico. Este depende da largura de banda eléctrica B e,n , que é a largura de banda equivalente de ruído da parte eléctrica do receptor óptico, que depende da filtragem realizada pelo pré-amplificador eléctrico. Os

circuitos eléctricos subsequentes à resistência de polarização também contribuem para o ruído à saída dos vários blocos de amplificação e filtragem [14]. À componente de ruído originada no circuito eléctrico do receptor óptico chama-se ruído de circuito. A principal contribuição para o ruído de circuito advém geralmente do ruído térmico do pré-amplificador eléctrico. Ambos os ruídos são estudados através das suas variâncias de corrente e consideram-se independentes por terem origens diferentes.

É comum que a potência de ruído de circuito seja muito superior à potência de ruído quântico,

pelo que o ruído de circuito é o principal condicionante do desempenho do receptor óptico [14].

O receptor óptico pode ou não ter pré-amplificação óptica. No caso da existência de um pré- amplificador óptico, o ruído à saída do fotodetector PIN tem, além do ruído de circuito e do ruído quântico, o ruído de emissão espontânea amplificada com origem no amplificador óptico e resultante do processo de fotodetecção, caracterizado por duas componentes: o batimento sinal-EEA e o batimento EEA-EEA (Emissão Espontânea Amplificada).

Para ganhos do amplificador, razoavelmente elevados (superior a 10dB) os ruídos quântico e de circuito são desprezàveis comparativamente aos ruídos originados pelos amplificadores e resultantes do processo de fotodetecção [14]. Por outro lado, a potência da corrente de ruído do batimento EEA-EEA pode ser tomada bastante pequena se se reduzir a largura de banda óptica do amplificador. Isto pode ser conseguido através de filtragem óptica adequada. Nestas condições, o tipo de ruído dominante é o ruído de batimento sinal-EEA. Os parâmetros relacionados com o receptor óptico são o parâmetro de sobrecarga e a sensibilidade. O parâmetro de sobrecarga é a potência màxima que o receptor óptico pode aceitar à sua entrada. Um receptor óptico com um fotodetector PIN e um débito binário de 10Gbit/s apresenta um parâmetro de sobrecarga de -1dBm [14]. Assumindo uma margem de sobrecarga de 1dB, a potência màxima admissível à entrada do fotodetector passa a ser de -2dBm. A sensibilidade é a potência óptica média mínima à entrada do receptor óptico (em ligações sem amplificação óptica) requerida para uma dada probabilidade de erro de bit, BER, do sinal transmitido e é determinada pelo ruído de circuito, dominante, introduzido no processo de fotodetecção e amplificação eléctrica. Este parâmetro pressupõe que o sinal presente à entrada do fotodetector seja um sinal limpo, isto é sem ruído EEA a ele associado

[14].

O sinal que chega ao receptor óptico vem adicionado do ruído de emissão espontânea amplificada introduzido pelos EDFAs, pelo que tem interesse considerar não a sensibilidade mas a relação sinal ruído óptica mínima, OSNR min requerida à entrada do fotodetector, para se obter uma dada probabilidade de erro de bit. Esta relação sinal ruído óptica mínima depende da razão de extinção da largura de banda eléctrica e da largura de banda óptica dos EDFA e filtro associado ou ainda, em caso se sistemas multicanal, do espaçamento entre canais e da largura de banda óptica a 3dB do filtro do desmultiplexador.

A Tabela 2.1 apresenta os valores típicos dos parâmetros do emissor óptico Laser, secção de

fibra, amplificador EDFA e receptor óptico PIN, utilizados neste estudo de análise de desempenho do

sistema.

Tabela 2.1: Parâmetros do sistema de comunicação óptica

 

Parâmetros do sistema

Valor

Emissor

Potência média do sinal à saída do emissor óptico, p s [mW]

1

Óptico

Número de canais, N ch

1

 

tipo monomodo NZDSF

 

Comprimento de onda, λ [nm]

1540

Linha de transmissão a fibra óptica

Débito binário de transmissão, D b [Gbit/s]

10

Comprimento da secção, L sec [km]

80

Coeficiente de atenuação, α [dB/km]

0.25

 

Parâmetro de dispersão, D λ [ps/nm.km]

4

Penalidade devido à transmissão, P s [dB]

2

 

Largura de banda óptica dos amplificadores na ausência de filtros ópticos associados, B o [nm]

30

Amplificador

Largura de banda óptica dos amplificadores com filtros associados, B o [nm]

20

óptico

Largura de banda óptica de referência, B o,ref [nm]

 

EDFA

0.1

Número de secções de amplificação, N sec

20

Factor de ruído dos EDFAs, F n [dB]

4

 

Respostividade, R λ [A/W]

0.7

Receptor

Razão de extinção à entrada do receptor, r

0

óptico

Largura de banda equivalente de ruído da parte eléctrica do receptor óptico, B e,n [GHz]

7

Parâmetro de sobrecarga [dBm]

-2

3 Dependência da probabilidade de erro do sistema com a potência de sinal e com a relação sinal ruído óptica à entrada do receptor óptico

O critério de desempenho de sistemas de transmissão digital é a probabilidade de erro de bit,

definida como a probabilidade de identificação incorrecta de um bit na recepção do sinal transmitido.

Na análise de desempenho de um sistema específico de transmissão óptica (ver Fig. 3.1), pretende-se estudar a dependência da probabilidade de erro, com as diferentes componentes de ruído de EEA do sistema referidos à entrada do receptor óptico, com a potência de sinal, P s e com a relação sinal-ruído óptica à entrada do receptor óptico, OSNR R .

A determinação de uma dada P e , para um sistema específico, exige o conhecimento de

parâmetros característicos do receptor óptico, do amplificador óptico e da linha de transmissão. Alguns deles são apresentados na Tabela 2.1, outros são obtidos a partir das equações apresentadas nesta secção.

Num sistema com secções de amplificação uniformes, todas as secções de fibra têm o mesmo comprimento e o mesmo coeficiente de atenuação, logo apresentam as mesmas perdas. Os amplificadores, EDFAs, todos com as mesmas características, que integram as secções de amplificação,

deverão apresentar um ganho g = f () que compense as perdas de atenuação do sinal óptico, devidas exclusivamente à atenuação específica da fibra, em cada secção de fibra de comprimento L sec [km] e

coeficiente de atenuação dBkm]. O ganho dos EDFAs, não saturado e uniforme em toda a banda de passagem do filtro óptico [14], é dado por

g

10

L

sec

10

(3.1.1)

Quando ocorre a inversão completa da população o amplificador introduz o mínimo de ruído no EDFA. Deste modo, cada EDFA introduz ruído de emissão espontânea amplificada (EEA) cuja potência de ruído, por cada modo de polarização, se obtém sabendo a densidade espectral de potência, SEEA ()

e a menor largura de banda óptica entre a do amplificador e a do filtro óptico a ele associado, B o,Hz . Sabendo que a densidade espectral de potência se obtém através do ganho, g, do factor de ruído f n , da constante de Planck h, e da frequência da portadora do sinal transmitido, , considerada a frequência

central da largura de banda do filtro óptico do EDFA ou a frequência óptica do sinal à entrada do EDFA, pode-se exprimir a potência de ruído de emissão espontânea amplificada do seguinte modo:

p

EEA

f

n

2

(

g

1)

h B

o Hz

,

(3.1.2)

Em cada secção de amplificação uniforme, considerando só a atenuação imposta no sinal óptico pela fibra, e dado que o ganho compensa inteiramente essas perdas por atenuação, a potência de sinal óptico à saída do amplificador, constante, É igual à potência de sinal óptico à saída do emissor com pós- amplificação,

pout g pin ps po ps

secções de amplificação, com potência de sinal p s na emissão, a potência de sinal é dada por

entrada do fotodetector do receptor óptico, para um sistema de ligação óptica com N sec

(3.1.3)

À

(3.1.4)

Considerando que a largura de banda do ruído EEA filtrado apresenta à entrada do fotodetector

é muito superior à largura de banda do ruído de circuito, a potência total de ruído, considerando os dois

modos de polarização, é dada por pn 2 Nsec pEEA

(3.1.5)

A relação sinal ruído óptica relaciona a potência de sinal óptico com o nível de ruído associado

ao sinal, à entrada do receptor óptico [13], sendo:

osnr

R

p

s

p

o

p

n

2

N

sec

p

EEA

(3.1.6)

O factor Q é um parâmetro definido para contabilizar a probabilidade de erro do sistema em

função da relação sinal ruído óptica à entrada do receptor óptico, da largura de banda óptica do amplificador ou filtro associado, da largura de banda eléctrica equivalente de ruído da parte eléctrica do receptor óptico, B e,n , e da razão de extinção r [13],

Q

 1  r  B 0, Hz 2 osnr  R  1 
 1  r 
B
0, Hz
2
osnr
R
1  r
 
B
e n
,
1
r 
1
 4
osnr
1
4
osnr
R
R
 
1
r
 
 
1
r
 

(3.1.7)

Este é determinado a partir dos valores amostrados na entrada do circuito de decisão.

A probabilidade de erro de bit do sistema, medida na saída do circuito de decisão, obtém-se

utilizando o valor do factor Q [13], assumindo que o sinal, com ruído gaussiano, tem dois níveis (“1” e “0”)

que são usados com igual probabilidade e que o limiar do nível de decisão está fixado no valor óptimo

[19],

Pe

Pe

Q 1 erfc   2     2
Q
1 erfc  
2   
2

(3.1.8)

A Fig. 3.1 traduz a equação (3.1.8), evidenciando a melhoria de desempenho do sistema, devido à diminuição da probabilidade de erro com o aumento do factor Q. As legendas dos gràficos utilizam, para a apresentação dos vários valores da probabilidade de erro, o logaritmo de base 10.

-2 10 -4 10 -6 10 -8 10 -10 10 -12 10 -14 10 2.5
-2
10
-4
10
-6
10
-8
10
-10
10
-12
10
-14
10
2.5
3
3.5
4
4.5
5
5.5
6
6.5
7
7.5

Factor Q

Fig. 3.1: Variação da probabilidade de erro com o factor Q.

Com o objectivo de aprofundar o estudo da influência do ruído de emissão espontânea na probabilidade de erro, consideram-se as duas componentes em que o mesmo se pode subdividir: ruído do batimento sinal-EEA e ruído do batimento EEA-EEA. Considerando o sistema na sua totalidade, no fim da ligação óptica, estas componentes de ruído são caracterizadas pelas correspondentes variâncias das correntes de ruído referidas à entrada do amplificador eléctrico, saída do PIN, (ver Fig. 2.2), obtendo-se por [13],

B e n

,

s 2 EEA

4 N

sec

R gp

in

sec 2

4 N

2

R

p

2

p

EEA

EEA 2

o Hz

,

B e n

,

B

o Hz

,

B

2

EEA EEA

(3.1.9)

(3.1.10)

Nestas equações, tem-se em conta os pressupostos já enunciados, e admite-se que a largura de banda óptica é bastante superior à largura de banda equivalente de ruído da parte eléctrica do receptor óptico, sendo p in a potência do sinal à entrada do pré-amplificador óptico, g o seu ganho, pEEA a

potência de ruído EEA filtrada medida à entrada do fotodetector, B o,Hz a menor largura de banda óptica

entre a do amplificador e a do filtro óptico a ele associado e B e,n , a largura de banda eléctrica equivalente de ruído da parte eléctrica do receptor óptico.

A equação (3.1.9) indica que o ruído de batimento sinal-EEA depende da potência do sinal

óptico, p 0 e da largura de banda eléctrica B e,n sendo independente da largura de banda óptica B o,Hz pois

através da equação (3.1.2) a densidade espectral de potência pode ser dada por

S

EEA

p EEA

B

o Hz

,

.

A equação (3.1.10) evidencia a independência da componente de ruído EEA-EEA da potência de sinal óptico e a sua dependência com a largura de banda eléctrica e óptica pois com base na equação

(3.1.2) tem-se

S

2

EEA

B

o Hz

,

p

2

EEA

B

o Hz

,

.

Partindo de (3.1.4), (3.1.5), (3.1.6) , obtém-se por substituição:

2 N

sec

p

EEA

p

o

osnr

R

(3.1.11)

Ainda por substituição de (3.1.11) em (3.1.9) e (3.1.10), as equações das variâncias das correntes de ruído do batimento sinal-EEA e do batimento EEA-EEA expressas em função da potência de sinal po , e da relação sinal ruído óptica osnrR requerida à entrada do receptor óptico,

s 2 EEA

EEA 2 EEA

2

2 R

2

o

p

B

e n

,

osnr

R

B

o Hz

,

R   

2

 

2

B

e n

,

p

o

osnr

R

B

o Hz

,

(3.1.12)

(3.1.13)

A medição da OSNR em sistemas WDM é apresentada no documento IEC 61280-2-9, em que

se determina o respectivo valor osnrR,ref definida para uma largura de banda

para cada valor de osnrR

óptica de referência

o ref nm

B

,

0,1nm

[20], utilizada de modo à osnrR,ref ser independente da resolução da

largura de banda do instrumento utilizado na medição e se poder comparar relações sinal-ruído ópticas medidas com diferentes instrumentos,

osnr

R

B o ref Hz

,

osnr

R ref

,

B

o Hz

,

(3.1.14)

3.1

Resultados e Discussão

e

P

Considerando um sistema com uma largura de banda óptica a 30nm, típica de um EDFA sem filtro óptico, uma largura de banda eléctrica a 7GHz, que corresponde a 70% do débito binário de 10Gbit/s, e uma razão de extinção ideal r=0 à entrada do receptor, varia-se a potência do sinal à saída do emissor óptico entre -5dBm e 1dBm obtendo a Fig. 3.2, a Fig. 3.3 e a Fig. 3.4.

-2 10 -4 10 -6 10 -8 10 -10 10 -12 10 -14 10 -16
-2
10
-4
10
-6
10
-8
10
-10
10
-12
10
-14
10
-16
10
-18
10
-5
-4.5
-4
-3.5
-3
-2.5
-2
-1.5
-1
-0.5
0
0.5
1

P s [dBm]

Fig. 3.2: Dependência da probabilidade de erro em função da potência de sinal à saída do emissor.

A Fig. 3.2 mostra o valor da probabilidade de erro em função da potência de sinal à saída do emissor. Para um sistema com P s = -5dBm tem-se P e =3,3x10 -3 , para P s = 0dBm tem-se P e =1,6x10 -13 e para P s = 1dBm tem-se P e =1,0x10 -18 . Conclui-se que o aumento da potência do sinal, P s , melhora o desempenho do sistema pois diminui o valor da probabilidade de erro, devido a um aumento da relação sinal ruído óptica, OSNR R , e do factor Q. A Tabela 3.1 apresenta o valor do factor Q, da OSNR R e da OSNR R,ref à entrada do receptor óptico, para valores típicos da probabilidade de erro.

Tabela 3.1: Valores de Q, OSNR R e OSNR R , ref para típicos valores de P e

P

erro

Q

OSNR R [dB]

OSNR R,ref [dB]

10

-3

3,1

-8,2

16,5

10

-9

6,0

-4,9

19,9

10

-12

7,0

-4,1

20,7

Verifica-se que, para o sistema ter um melhor desempenho, ou seja, para probabilidades de erro cada vez menores, os valores de Q, da relação sinal ruído óptica à entrada do fotodetector e da correspondente relação sinal ruído óptica de referência, têm que ser mais elevados.

6 x 10 -9 5.5 5 var (s-EEA) var (EEA-EEA) 4.5 4 3.5 3 2.5
6 x 10 -9
5.5
5
var (s-EEA)
var (EEA-EEA)
4.5
4
3.5
3
2.5
2
1.5
1
-5
-4.5
-4
-3.5
-3
-2.5
-2
-1.5
-1
-0.5
0
0.5
1
var(s-EEA) e var(EEA-EEA) [A 2 ]

P s [dBm]

Fig. 3.3: Dependência do ruído de batimento sinal-EEA e EEA-EEA com a potência do sinal à saída do emissor.

6 x 10 -9 5.5 5 var (s-EEA) var (EEA-EEA) 4.5 4 3.5 3 2.5
6 x 10 -9
5.5
5
var (s-EEA)
var (EEA-EEA)
4.5
4
3.5
3
2.5
2
1.5
1
10 -18
10 -16
10 -14
10 -12
-10
10
10 -8
10 -6
10 -4
10 -2
var(s-EEA) e var(EEA-EEA) [A 2 ]

P e

Fig. 3.4:Relação da probabilidade de erro com as variâncias do ruído de batimento sinal-EEA e EEA-EEA, obtidas por variação da potência do sinal à saída do emissor.

A Fig. 3.3 mostra a dependência do ruído de batimento sinal-EEA e EEA-EEA com a potência do

sinal à saída do emissor. Verifica-se que a variância de ruído de batimento sinal-EEA aumenta com a potência do sinal ao contràrio da variância de ruído de batimento EEA-EEA que se mantém constante. O valor de potência de sinal para o qual ambas as componentes de ruído são iguais verifica-se para P s = 0,85dBm, (σ 2 sinal-EEA = σ 2 EEA-EEA = 5,4×10 -9 A 2 ). Para potências de sinal P s ,> 0,85dBm o ruído do batimento

sinal-EEA é dominante aumentando muito rapidamente com o aumento da potência de sinal. Para potências de sinal inferiores, o tipo de ruído dominante é o ruído de batimento EEA-EEA , sendo que para P s , <-2,5dBm se verifica σ 2 EEA-EEA > 2σ 2 sinal-EEA .

A Fig. 3.4 mstra a dependência das variâncias de ruído de batimento sinal-EEA e EEA-EEA com

a probabilidade de erro. O valor para o qual ambas as componentes de ruído influenciam igualmente a probabilidade de erro de bit obtém-se para P e = 8,1×10 -18 , (σ 2 sinal-EEA = σ 2 EEA-EEA = 5,4×10 -9 A 2 ). Verifica-se

que a variância de ruído de batimento s-EEA diminui com o aumento de P e . A variância de corrente de

ruído do batimento EEA-EEA não varia com a probabilidade de erro e torna-se o tipo de ruído dominante para probabilidades de erro P e >8,1×10 -18 sendo que para P e ,> 10 -6 , se tem σ 2 EEA-EEA > 2σ 2 sinal-EEA .

A Tabela 3.2 apresenta os valores de variâncias de ruído EEA-EEA e sinal-EEA para valores

típicos de probabilidade de erro.

Tabela 3.2: Valores de variâncias de ruído EEA-EEA e sinal-EEA e sua relação com P e e OSNR R .

P s [dBm]

2

EEAEEA

[A

2

]

2

sEEA

[A

2

]

P

e

OSNR R [dB]

-4,4

 

1,6x10 -9

 

10

-3

-8,2

-1,0

5,4x10 -9

 

3,5x10 -9

 

10

-9

-4,9

-0,2

 

4,2x10 -9

 

10

-12

-4,1

0,85

5,4x10 -9

 

2,1x10 -18

-3,0

No sistema em estudo em que a largura de banda óptica considerada é de Bo,nm 30 nm, a

largura de banda eléctrica é B e,n =7GHz e a razão de extinção é r =0, verifica-se que só se consegue a dominância da componente de ruído sinal-EEA com potências de sinal P s superiores a 0,85dBm, relações sinal ruído ópticas superiores a -3dB e para probabilidades de erro inferiores a 10 -18 .

e

P

Com o objectivo de estudar a influência da largura de banda óptica dos EDFAs e filtros ópticos associados na probabilidade de erro e no ruído de emissão espontânea, varia-se este parâmetro entre 5 e 30nm, sendo 30nm o valor da largura de banda óptica dos EDFAs na ausência de filtros ópticos incorporados e 5nm um possível valor limite da largura de banda óptica dos EDFAs com filtro óptico associado. Assumindo um valor típico para a potência do sinal de 0dBm (valor de potência para o qual a dependência do ganho com o comprimento de onda assume-se constante), uma largura de banda eléctrica a 7GHz e uma razão de extinção à entrada do receptor a 0. O estudo permite obter a Fig. 3.5, a Fig. 3.6 e a Fig. 3.7.

10

10

10

10

10

10

10

10

10

-12

-14 -16 -18 -20 -22 -24 -26 -28 5 10 15 20 25 30
-14
-16
-18
-20
-22
-24
-26
-28
5
10
15
20
25
30

B o [nm]

Fig. 3.5: Dependência da probabilidade de erro em função da largura de banda óptica do filtro do amplificador.

x 10 -9 5.5 var (s-EEA) 5 var (EEA-EEA) 4.5 4 3.5 3 2.5 2
x 10 -9
5.5
var (s-EEA)
5
var (EEA-EEA)
4.5
4
3.5
3
2.5
2
1.5
1
0.5
5
10
15
20
25
30
var (s-EEA) e var (EEA-EEA) [A 2 ]

B o [nm]

Fig. 3.6: Dependência das variâncias sinal-EEA e EEA-EEA com a largura de banda óptica.

x 10 -9 5.5 var (s-EEA) 5 var (EEA-EEA) 4.5 4 3.5 3 2.5 2
x 10 -9
5.5
var (s-EEA)
5
var (EEA-EEA)
4.5
4
3.5
3
2.5
2
1.5
1
0.5
10 -28
10 -26
10 -24
10 -22
-20
10 -18
10 -16
10 -14
10 -12
10
var(s-EEA) e var(EEA-EEA) [A 2 ]

P e

Fig. 3.7: Relação da probabilidade de erro com as variâncias do ruído de batimento sinal-EEA e EEA- EEA, obtidas por variação da largura de banda óptica.

A Fig. 3.7 mostra o valor da probabilidade de erro em função da largura de banda do filtro óptico integrado nos EDFAs. Verifica-se que uma diminuição de B o provoca uma diminuição da probabilidade de erro melhorando-se o desempenho do sistema. Um sistema com uma potência de sinal de saída do emissor óptico de 0dBm, uma largura de banda eléctrica de 7GHz e uma razão de extinção nula, tem bom desempenho mesmo para o valor máximo B o =30nm considerado, visto a probabilidade de erro ser inferior a 10 -12 .

A Fig. 3.8 mostra a dependência das variâncias de ruído de batimento sinal-EEA e EEA-EEA com a largura de banda óptica do filtro do amplificador. Através desta figura pode-se determinar o valor para o qual ambas as componentes de ruído influenciam igualmente a largura de banda óptica (B o =24,1nm, σ 2 sinal-EEA =σ 2 EEA-EEA =4,4×10 -9 A 2 ). Verifica-se que a variância de ruído de batimento sinal-EEA não varia com a largura de banda óptica e a variância de ruído de batimento EEA-EEA varia linearmente com a largura de banda óptica. Esta pode ser tomada bastante pequena se se reduzir a largura de banda óptica. Isto pode ser conseguido através de uma filtragem óptica adequada. Verifica-se que o tipo de ruído dominante é o ruído de batimento s-EEA, para larguras de banda ópticas inferiores a 24,1nm. A Fig. 3.9 mostra a dependência das variâncias de ruído de batimento sinal-EEA e EEA-EEA com a probabilidade de erro. Através desta figura pode-se determinar o valor para o qual ambas as componentes de ruído influenciam igualmente a probabilidade de erro de bit (P e = 8.3×10 -14 , σ 2 sinal-EEA = σ 2 EEA-EEA = 4.4×10 -9 A 2 ). Verifica-se que o de ruído de batimento EEA-EEA aumenta com a probabilidade de erro mas o ruído de batimento sinal-EEA não varia com a probabilidade de erro sendo o tipo de ruído dominante para probabilidades de erro inferiores a 8.3×10 -14 .

e

P

Com o objectivo de estudar a influência da largura de banda eléctrica na probabilidade de erro e no ruído de emissão espontânea, varia-se este parâmetro entre 5 e 10GHz, (50% a 100% do débito binário de 10Gbit/s), mantendo a potência do sinal a 1mW, a largura de banda óptica dos EDFAs a 30nm e a razão de extinção à entrada do receptor a 0. O estudo permite obter a Fig. 3.8, a Fig. 3.9 e a Fig.

3.10.

10

10

10

10

10

10

10

10

10

10

-9 -10 -11 -12 -13 -14 -15 -16 -17 -18 5 5.5 6 6.5 7
-9
-10
-11
-12
-13
-14
-15
-16
-17
-18
5
5.5
6
6.5
7
7.5
8
8.5
9
9.5
10

B e,n [GHz]

Fig. 3.8: Dependência da probabilidade de erro em função da largura de banda eléctrica.

5.5 var (s-EEA) var (EEA-EEA) 5 4.5 4 3.5 3 5 5.5 6 6.5 7
5.5
var (s-EEA)
var (EEA-EEA)
5
4.5
4
3.5
3
5
5.5
6
6.5
7
7.5
8
8.5
9
9.5
10
var(s-EEA) e var(EEA-EEA)

B e,n [GHz]

Fig. 3.9: Dependência das variâncias sinal-EEA e EEA-EEA com a largura de banda eléctrica.

5.5 var (s-EEA) var (EEA-EEA) 5 4.5 4 3.5 3 10 -18 10 -17 10
5.5
var (s-EEA)
var (EEA-EEA)
5
4.5
4
3.5
3
10 -18
10 -17
10 -16
10 -15
10 -14
10 -13
10 -12
10 -11
10 -10
10 -9
var(s-EEA) e var(EEA-EEA)

P e

Fig. 3.10: Relação da probabilidade de erro com as variâncias do ruído de batimento sinal-EEA e EEA- EEA, obtidas por variação da largura de banda eléctrica.

A Fig. 3.8 mostra o valor da probabilidade de erro em função da largura de banda equivalente de

ruído da parte eléctrica do receptor óptico. A diminuição da largura de banda eléctrica leva a uma melhoria do desempenho do sistema pois a potência de ruído eléctrico introduzida pelo pré-amplificador elétrico no sinal é menor. Não se pode esquecer, no entanto, que a largura de banda eléctrica do recetor

óptico deve ser suficientemente elevada para não distorcer o sinal.

A Fig. 3.9 mostra a variação das variâncias de ruído de batimento sinal-EEA e EEA-EEA com a

largura de banda equivalente de ruído da parte eléctrica do receptor óptico. A diminuição da largura de banda eléctrica B e,n , filtra linearmente ambas as componentes do ruído EEA com maior influência na

componente EEA-EEA. A filtragem efectuada na parte eléctrica do receptor não altera a dominância da componente de ruído estabelecida pelo valor da largura de banda óptica e verifica-se que o tipo de ruído dominante é o ruído de batimento EEA-EEA, para qualquer valor da largura de banda eléctrica, quando a largura de banda óptica dos amplificadores e filtros associados é B o >24,1nm.

A Fig. 3.10 mostra a variação das variâncias de ruído de batimento sinal-EEA e EEA-EEA com a

probabilidade de erro. Verifica-se que a probabilidade de erro é dominada pela variância de ruído de batimento EEA-EEA, para qualquer valor da largura de banda eléctrica, quando o sistema tem amplificadores ópticos com 30nm de largura de banda óptica.

Com o objectivo de estudar a influência da razão de extinção à entrada do receptor na probabilidade de erro e no ruído de emissão espontânea, varia-se este parâmetro entre 0 e 0.152, valor limite recomendado pela ITU-T que implica uma penalidade de potência devido à razão de extinção em receptores PIN de 1,4dB [13], mantendo a potência do sinal a 1mW, a largura de banda eléctrica a 7GHz e a largura de banda óptica a 30nm. O estudo permite obter a Fig. 3.11, a Fig. 3.12 e a Fig. 3.13.

-7 10 -8 10 -9 10 -10 10 -11 10 -12 10 -13 10 0
-7
10
-8
10
-9
10
-10
10
-11
10
-12
10
-13
10
0
0.02
0.04
0.06
0.08
0.1
0.12
0.14 0.152
r
Fig. 3.11: Dependência da probabilidade de erro com a razão de extinção do sinal à entrada do receptor
óptico.
P
e
8 x 10 -9 var (s-EEA) 7.5 var (EEA-EEA) 7 6.5 6 5.5 5 4.5
8 x 10 -9
var (s-EEA)
7.5
var (EEA-EEA)
7
6.5
6
5.5
5
4.5
4
0
0.02
0.04
0.06
0.08
0.1
0.12
0.14 0.152
r
var(s-EEA) e var(EEA-EEA)

Fig. 3.12: Dependência das variâncias sinal-EEA e EEA-EEA com a razão de extinção à entrada do receptor.

8 x 10 -9 var (s-EEA) 7.5 var (EEA-EEA) 7 6.5 6 5.5 5 4.5
8 x 10 -9
var (s-EEA)
7.5
var (EEA-EEA)
7
6.5
6
5.5
5
4.5
4
10 -13
10 -12
10 -11
10 -10
10 -9
10 -8
10 -7
var(s-EEA) e var(EEA-EEA)

P e

Fig. 3.13: Relação da probabilidade de erro com as variâncias do ruído de batimento sinal-EEA e EEA- EEA, obtidas por variação da razão de extinção à entrada do receptor.

A Fig. 3.11 apresenta o valor da probabilidade de erro em função da razão de extinção à entrada

do receptor óptico. O aumento da razão de extinção à entrada do receptor de 0 a 0,152 piora o desempenho do sistema pois leva a um aumento do valor de P e de 10 -13 para 10 -8 , sendo esta muito sensível a pequenas variações de r. Este comportamento de P e está de acordo com o esperado pois,

sendo a razão de extinção um parâmetro definido pela ITU-T que indica se a potência óptica para o zero lógico se extingue, ao aumentar o valor deste parâmetro está-se a diminuir a potência óptica do zero lógico em comparação à do um lógico, mantendo a potência óptica média constante. Como consequência o padrão de olho vai ficando distorcido e fechado o que implica um aumento da probabilidade de erro.

A Fig. 3.12 apresenta a dependência das variâncias de ruído de batimento sinal-EEA e EEA-EEA

com razão de extinção à entrada do receptor óptico. O aumento de r faz aumentar linearmente ambas as

componentes do ruído, pela razão física descrita anteriormente, com maior influência na componente EEA-EEA.

A Fig. 3.13 apresenta a dependência das variâncias de ruído de batimento sinal-EEA e EEA-EEA

com a probabilidade de erro. Verifica-se que o sistema é dominado pela variância do ruído de batimento EEA-EEA, para qualquer valor de probabilidade de erro pois a largura de banda óptica dos EDFAs e

filtros associados é 30nm.

3.2

Conclusões

Dos estudos efectuados por variação de cada um dos quatro parâmetros P s , B o,Hz , B e,n , e r cuja influência na probabilidade de erro, P e , e nas componentes de ruído se pretende conhecer, tira-se as seguintes conclusões:

Um aumento da potência do sinal, P s , melhora o desempenho do sistema pois aumenta a relação sinal ruído óptica, OSNR R , diminuindo o valor da probabilidade de erro. No sistema em estudo com B 0 =30nm, B e,n =7GHz e r=0, para potências de sinal P s ,<0,85dBm a que corresponde P e ,>2,1x10 -18 , o ruído de batimento EEA-EEA que não varia com o aumento da potência de sinal, torna-se dominante. Para potências de sinal P s ,>0,85dBm o ruído do batimento sinal- EEA é dominante aumentando muito rapidamente com o aumento da potência de sinal.

O valor da largura de banda óptica dos EDFAs e filtros associados é determinante no

desempenho do sistema na medida em que filtra a componente de ruído EEA-EEA, estabelecendo ou não a sua dominância face à componente sinal-EEA, que é independente de B 0 . A diminuição da largura

de banda óptica, B o,nm , faz diminuir a componente de ruído EEA-EEA (uma diminuição de 50% em B o,nm reduz para metade o ruído EEA-EEA). No sistema em estudo com P s =0dBm, B e,n =7GHz e r=0, para B o >24,1nm o ruído predominante é o da componente EEA-EEA. Para B o <24,1nm a componente de ruído s-EEA, é predominante.

A diminuição de B o,nm faz diminuir o ruído total, logo, a relação sinal ruído óptica OSNR R

aumenta, melhorando o desempenho do sistema.

A diminuição da largura de banda eléctrica B e,n , filtra linearmente ambas as componentes do

ruído EEA com maior influência na componente EEA-EEA. Para o sistema em estudo com P s =0dBm,

B 0 =30nm e r=0, a filtragem efectuada na parte eléctrica do receptor não altera a dominância da componente de ruído estabelecida pelo valor da largura de banda óptica.

A diminuição da largura de banda eléctrica leva a uma melhoria do desempenho do sistema pois

a potência de ruído eléctrico introduzida pelo pré-amplificador eléctrico no sinal é menor.

O sistema em estudo com P s =0dBm, B 0 =30nm e B e,n =7GHz, é muito sensível a pequenas

variações da razão de extinção à entrada do receptor. Um aumento de r faz aumentar linearmente

ambas as componentes do ruído e implica um padrão de olho mais distorcido e fechado o que implica um aumento da probabilidade de erro. Para além da razão de extinção à entrada do receptor, a potência do sinal óptico é o parâmetro que mais influencia o desempenho do sistema.

O sistema em estudo, com uma potência de sinal de saída do emissor óptico de 0dBm, uma

largura de banda eléctrica de 7GHz e uma razão de extinção nula, tem um bom desempenho mesmo para o valor máximo B o =30nm considerado, visto a probabilidade de erro ser inferior a 10 -12 .

Este estudo foi efectuado para um sistema com uma largura de banda óptica de 30nm, largura de banda muito elevada e que filtra pouco o ruído de EEA e por essa razão o batimento de ruído EEA- EEA é o dominante. Se a largura de banda óptica dos EDFAs e filtros associados passar de 30nm para 20nm, e o estudo for realizado com este valor fixo de B o,nm , a componente de ruído dominante passa a ser o batimento de ruído s-EEA para qualquer valor de B e,n, de r e para P s > -0,9dBm.

4 Relação sinal ruído óptica requerida à entrada do receptor óptico, necessària para obtenção de determinado desempenho do sistema

Neste estudo, o sistema tem um valor específico para a probabilidade de erro e um determinado desempenho de sistema e pretende-se calcular a relação sinal ruído óptica requerida à entrada do fotodetector, necessària para a obtenção dessa probabilidade de erro. Analisa-se a influência dos mesmos parâmetros do estudo anterior, P s , B o,Hz , B e,n , e r. As principais componentes de ruído a influenciar a probabilidade de erro são também analisadas de modo a identificar factores limitativos da qualidade da ligação [14].

Partindo de valores típicos de probabilidade de erro de bit calcula-se o factor Q, à entrada do receptor óptico, através da inversa da função erfc (x) , dada por

Q

da inversa da função erfc ( x ) , dada por Q  2 erfc 

2 erfc

1

(2Pe )

(4.1.1)

A relação sinal ruído óptica à entrada do receptor óptico, exigida para uma dada probabilidade de

erro em condições ideais em que a penalidade devida à razão de extinção é considerada mas a penalidade de potência devida à distorção do sinal não é tida em conta [14], osnrR,i , é obtida a partir do

valor do factor Q, da largura de banda óptica do amplificador ou filtro associado, Bo,Hz , da largura de

banda eléctrica, Be,n,Hz e da razão de extinção r , do sinal óptico presente à entrada do receptor óptico

[13]

osnr

R i

,

Q 2 B  r 2  1 4 r  1  2 r
Q
2
B
 r
2
 1
4
r
1 
2
r 
B
e n
,
o Hz
,
 
  1 
B
  1
r  
1  r
2
1  r  
Q
2
B
o Hz
,
e n
,

  

(4.1.2)

A vantagem deste estudo traduz-se na obtenção de uma relação sinal ruído independente da

causa do ruído e da potência do sinal óptico à entrada do receptor, pois é só função dos parâmetros do receptor e do factor Q, e já inclui a penalidade de potência devida à razão de extinção do emissor [14].

A obtenção da relação sinal ruído óptica ideal, osnrR,i é necessària mas não é suficiente pois Há

que considerar penalidades na potência média do sinal óptico à entrada, necessàrias para garantir em condições reais uma dada Pe , o que conduz a uma osnrR real superior.

Em unidades logarítmicas, a relação sinal ruído óptica real requerida à entrada do receptor óptico em condições reais, sendo Mf a margem de funcionamento e ps a penalidade devida à transmissão

[13] é dada por

OSNRR OSNRR,i Mf ps

(4.1.3)

A principal causa a considerar para a penalidade de potência na transmissão, ps , é a

penalidade devido à dispersão para a qual contribui a largura de banda do sinal modulado [14].

Mf , assegura que a ligação se mantenha com a qualidade

pretendida mesmo quando existem flutuações indesejáveis das características dos vários sistemas com o tempo. Deve incluir a margem de segurança e margens para outros fins [14]. Normalmente assume-se uma margem de funcionamento mínima, Mf 6dB e ps 2dB

Neste estudo, tal como anteriormente, também se considera que o ganho dos EDFAs deve compensar totalmente as perdas de potência de sinal nas secções da fibra, que a potência do sinal óptico à entrada do receptor é constante e que a largura de banda que o ruído EEA filtrado apresenta à entrada do fotodetector, é muito superior à largura de banda do ruído de circuito [14].

As principais componentes de ruído de emissão espontânea a influenciar a probabilidade de erro

são caracterizadas pelas correspondentes variâncias das correntes de ruído referidas à entrada do

receptor óptico e apresentadas no estudo anterior através das equações (3.1.12) e (3.1.13). A OSNR em sistemas WDM é medida para cada valor de osnrR , determinando-se o respectivo

A margem de funcionamento,

valor osnrR,ref

definida para uma largura de banda óptica de referência

equação (3.1.14) apresentada no estudo anterior.

o ref nm

B

,

0,1

,

como indica a

4.1 Resultados e Discussão

Considerando-se os valores específicos típicos de probabilidade de erro do sistema

Pe

10

12

,

3 , obtém-se a OSNR R e as duas componentes de ruído de emissão espontânea

amplificada em função dos mesmos parâmetros do estudo anterior: P s B o,Hz , B e,n , e r. Variando-se a potência do sinal à saída do emissor óptico entre -5dBm e 1dBm, mantendo a largura de banda óptica B o =30nm, a largura de banda eléctrica B e,n = 7GHz e a razão de extinção à entrada do receptor r = 0, obtêm-se a Fig. 4.1 e a Fig. 4.2.

Pe

10

9

,

Pe

10

4.5 x 10 -9 log Pe= -3 4 log Pe= -9 log Pe= -12 3.5
4.5 x 10 -9
log Pe= -3
4
log Pe= -9
log Pe= -12
3.5
3
2.5
2
1.5
1
0.5
0
-5
-4.5
-4
-3.5
-3
-2.5
-2
-1.5
-1
-0.5
0
0.5
1
var(s-EEA) [A 2 ]

P s [dBm]

Fig. 4.1: Dependência da variância da corrente de ruído de batimento s-EEA, com a potência do sinal.

3 x 10 -9 log Pe= -3 log Pe= -9 2.5 log Pe= -12 2
3 x 10 -9
log Pe= -3
log Pe= -9
2.5
log Pe= -12
2
1.5
1
0.5
0
-5
-4.5
-4
-3.5
-3
-2.5
-2
-1.5
-1
-0.5
0
0.5
1
var(EEA-EEA) [A 2 ]

P s [dBm]

Fig. 4.2: Dependência da variância de ruído de batimento EEA-EEA, com a potência do sinal.

A Fig. 4.1 e a Fig. 4.2 apresentam a variação da componente de ruído de batimento sinal-EEA e EEA-EEA em função da potência de sinal à saída do emissor, para 3 valores típicos de probabilidade de erro.

Para um determinado desempenho de sistema, observa-se que ambas as variâncias de ruído aumentam quando a potência de sinal aplicada à entrada do receptor óptico aumenta. Esta variação é mais acentuada para potências de sinal elevadas.

Para uma determinada potência de sinal, sistemas com melhor desempenho têm variâncias de ruído menores. A variância de ruído de batimento sinal-EEA é dominante para qualquer valor de probabilidade de erro e de potência de sinal óptico, sendo no mínimo o triplo da variância de ruído de batimento EEA-

EEA, para probabilidades de erro de

Pe

10

12

e

Pe

10 10  

, verificando-se para Ps 0dBm e

3

e Ps 0dBm verifica-se

2

s EEA

1,4

9

Pe

10

.

9

,

2

s EEA

3,7

2

EEA EEA

. Para probabilidades de erro

Pe

2

EEA EEA

Varia-se a largura de banda óptica dos filtros dos EDFAs entre 5 e 30nm, mantendo a potência do sinal a 1mW, a largura de banda eléctrica a 7GHz e a razão de extinção à entrada do receptor a 0. O estudo permite obter a Fig. 4.3, Fig. 4.4, Fig. 4.5 e Fig. 4.6.

10 log Pe= -3 log Pe= -9 8 log Pe= -12 6 4 2 0
10
log Pe= -3
log Pe= -9
8
log Pe= -12
6
4
2
0
-2
5
7.5
10
12.5
15
17.5
20
22.5
25
27.5
30
OSNR R [dB]

B o [nm]

Fig. 4.3: Dependência da OSNRR em função da largura de banda óptica.

30 28 log Pe= -3 26 log Pe= -9 log Pe= -12 24 22 20
30
28
log Pe= -3
26
log Pe= -9
log Pe= -12
24
22
20
18
5
7.5
10
12.5
15
17.5
20
22.5
25
27.5
30
OSNR R,ref [dB]

B o [nm]

Fig. 4.4: Dependência da OSNRR,ref em função da largura de banda óptica.

A Fig. 4.3 e a Fig. 4.4 apresentam a variação da OSNRR e da OSNRR,ref

requeridas para

determinadas probabilidades de erro em função da largura de banda óptica dos filtros dos EDFAs, B0,nm.

Para um determinado desempenho de sistema a OSNRR aumenta com a diminuição da largura

de banda óptica, B0,nm , pois mais ruído de EEA é filtrado nos EDFAs e a potência de sinal mantêm-se

constante. No entanto a OSNRR,ref diminui, pois é directamente proporcional a B0,nm .

O aumento da OSNRR

não é proporcional à diminuição de

B0,nm

pois verifica-se que um

decréscimo de

B0,nm de 30 para 20nm leva a um aumento da OSNRR

de 1dB enquanto que um

decréscimo de 20nm para 10nm leva a um aumento da OSNRR de 2dB.

Para uma determinada largura de banda óptica, sistemas com probabilidades de erro inferiores, ou seja, com um melhor desempenho, têm OSNRR e OSNRR,ref mais elevadas.

12 têm OSNRR > 2,8dB no intervalo de larguras de banda

óptica considerado, sendo possível obter bons desempenhos, para um sistema composto só por EDFAs

3 necessitam

da aplicação de filtros integrados nos EDFAS, com larguras de banda reduzidas de modo a se obter a mesma OSNRR .

(em que a largura de banda típica é 30nm) sem existência de filtros. Sistemas com

Sistemas com

Pe

10

9

e

Pe

10

Pe

10

6 x 10 -9 log Pe= -3 log Pe= -9 5 log Pe= -12 4
6 x 10 -9
log Pe= -3
log Pe= -9
5
log Pe= -12
4
3
2
1
0
5
7.5
10
12.5
15
17.5
20
22.5
25
27.5
30
B o [nm]
var(s-EEA) [A 2 ]

Fig. 4.5: Dependência da variância de ruído de batimento sinal-EEA em função da largura de banda óptica.

2 x 10 -9 log Pe= -3 1.5 log Pe= -9 log Pe= -12 1
2 x 10 -9
log Pe= -3
1.5