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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE

JUSTIÇA DO ESTADO X

Norberto, brasileiro, estado civil, desempregado, RG nº..., CPF nº..., residente e domiciliado na
rua..., nos autos do processo nº..., em que litiga com o Estado X, já qualificado nos autos, vem,
por seu advogado, infra firmado, com procuração anexa e endereço profissional na rua..., onde
serão encaminhadas as intimações do feito, interpor AGRAVO DE INSTRUMENTO em face da
decisão que negou o pedido liminar, pelos fatos e fundamentos a seguir.

Em respeito ao disposto no artigo 1.016, IV, do Código de Processo Civil, segue, anexo, o nome
e endereço dos advogados, do agravante e do agravado.

Também, em observância ao disposto no artigo 1.017, inciso I, do CPC, seguem em anexo aos
autos cópias da decisão agravada, da certidão da respectiva intimação e das procurações
outorgadas aos advogados do agravante e agravado.

DO CABIMENTO

É cabível o presente agravo de instrumento com fulcro no artigo 1.015 do CPC.

DOS FATOS

Norberto, brasileiro, desempregado e passando por sérias dificuldades econômicas, resolve


participar de concurso público para o cargo de médico de hospital estadual. Aprovado na fase
inicial do concurso, o agravante foi submetido a exames médicos, através dos quais se constatou
a existência de tatuagem em suas costas. Por conta disso, Ele foi eliminado do concurso, com a
justificativa de que o cargo de médico não era compatível com indivíduos portadores de
tatuagem. Inconformado, Norberto ajuizou ação sob o rito ordinário em face do Estado, com
pedido liminar, na qual requereu (i) a anulação do ato administrativo que o eliminou do concurso;
e (ii) que lhe fosse deferida a possibilidade de realizar as demais etapas do certame, com vaga
reservada. Ocorre que o juízo de 1ª instância indeferiu o pedido liminar, sob o fundamento de
que a anulação do ato de eliminação e de reserva de vaga não seria possível, uma vez que isso
significariam atraso na conclusão do certame e que a Administração Pública possui poder
discricionário para decidir quais são as restrições aplicáveis àqueles que pretendem se tornar
médicos no âmbito do Estado, de forma que o autor deveria provar que a decisão foi equivocada.

DA ANTECIPAÇÃO DE TUTELA RECURSAL OU DA CONCESSÃO DE EFEITO


SUSPENSIVO ATIVO

O Art. 1.018, inciso I, do CPC, prevê a possibilidade de se antecipar os efeitos da tutela recursal
desde que presentes o fumus boni iuris e o periculum in mora.

O periculum in mora decorre do fato de que o agravante pode perder a sua vaga no concurso
público caso esta não seja reservada.

O fumus boni iuris se baseia na violação ao princípio do livre acesso aos cargos públicos, além
da afronta aos princípios da legalidade e da razoabilidade, na atuação administrativa.

Logo, é indispensável à suspensão do ato impugnado com a determinação da reserva da vaga


do Agravante.
DO MÉRITO

Inicialmente, o Art. 37, inciso I, da CRFB/88, define que os cargos públicos são acessíveis a
todos os brasileiros, na forma da lei. Vejamos:

“os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os
requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei”.

Tal dispositivo configura o princípio de livre acesso aos cargos públicos, desde que cumprido os
requisitos legais.

Na situação apresentada foi negado ao Agravante o acesso a cargo público sem que houvesse
dispositivo legal acerca da matéria.

Sendo assim, a decisão proferida pelo juízo de 1ª instância, que indeferiu o pedido liminar, é
ilícita por afrontar diretamente ao princípio da legalidade.

Ademais, a discricionariedade administrativa está adstrita aos limites impostos pela lei e pelos
princípios constitucionais.

No caso em apreço, a exigência da ausência de tatuagem viola os princípios da razoabilidade e


da proporcionalidade, uma vez que a presença ou ausência de tatuagem não guarda qualquer
relação com o exercício das funções do cargo de médicos.

Além do mais, à luz da Sumula 683 do STF, aplicada por analogia, só se pode estabelecer
restrições para ingresso em cargo público por meio de lei e se estas restrições forem compatíveis
com o exercício das funções do cargo, ou pela natureza das atribuições deste.

Assim, a decisão deve ser reformada, em razão dos vícios apresentados.

DOS PEDIDOS

Pelo exposto requer:

1. seja determinada a antecipação dos efeitos da tutela recursal com a reserva da vaga para que
o agravante possa participar das fases seguintes do certame;
2. seja o presente recurso conhecido e provido com a reforma da decisão para que seja proferida
nova decisão com a reserva da vaga do Agravante;
3. a juntada de comprovação do preparo;
4. a condenação do Agravado ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios.

Nesses termos, pede deferimento.


Local, data.

Advogado
OAB/...