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ROTULAGEM DE PRODUTOS QUÍMICOS

Jorge Bernardo Sijibo Chabane 1

Estudante na Universidade Pedagógica – Delegação de Montepuez


Departamento de Ciências Naturais e Matemática
Jorge.sigibo@gmail.com

Resumo
O presente artigo é o resultado de um levantamento bibliográfico, visa abordar a rotulagem dos produtos
químicos, trazendo uma breve reflexão acerca dos produtos químicos por nós utilizados em diversas
actividades caseiras, profissionais, entre outros eventuais, a artigo tem um objectivo de analisar os
produtos químicos consumidos em Moçambique, partindo da percepção comum que incentiva-nos a usar
os mesmos, sendo que, nesta perspectiva, depara-se com dois grupos de consumidores: os consumidores
activos – os que intencionalmente usam prevendo os seus apropriados resultados; e; os passivos – os que
são influenciados a usar através das publicidades aparentes feitas ou pela indução social.

Palavras – chave: rotulagem de produtos químicos, ABNT.

Introdução

Havendo necessidade de estabelecer os mecanismos legais do exercício do direito à


informação, ao abrigo do disposto dos n.ºs 1 e 6 do artigo 48, conjugado com o n.º 1 do
artigo 179, ambos da Constituição, a Assembleia da República determina: O exercício
do direito à informação, a materialização do princípio constitucional da permanente
participação democrática dos cidadãos na vida pública e a garantia de direitos
fundamentais conexos.

O tema é de extrema importância, a necessidade de alertar e sensibilizar para os


riscos de exposição à substâncias perigosas no local de trabalho leva a que se
proceda à exposição de informações relevantes na utilização das substâncias e
preparações perigosas (JACOBS, 2010: 65)

1
Estudante do 3º Ano, Licenciatura em Ensino de Química com Habilitações em Gestão de Laboratório,
II semestre, Regime Laboral, 2017. Docente da Cadeira: dr. Alfredo Bartolomeu
Os produtos químicos estão presentes, directa ou indirectamente, em nossas vidas, são
essenciais na produção de alimentos e medicamentos e para o nosso estilo de vida. O
amplo uso dos produtos químicos resultou no desenvolvimento de regulamentações
específicas para o sector (transportes, produção, locais de trabalho, agricultura,
comércio e consumo).

Ter informações sobre as propriedades perigosas e medidas de controlo de produtos


químicos disponíveis ao longo de seu ciclo de vida permite que a produção, transporte,
uso e disposição sejam gerenciados adequadamente, como forma de proteger a saúde
humana e o meio ambiente.

Objectivos

Esta investigação tem objectivos de identificar, analisar e criticar os produtos químicos


sem e com a rotulagem incompleta vigentes em Moçambique.

Metodologia

Como referido no inicio deste trabalho, trata-se de uma pesquisa bibliográfica baseada
nos manuais, nas obras literárias, nas teses, trabalhos científicos, virtual/ digital, e
projectos, que foi realizada no mês de Maio de 2017, cingindo-se mais nas literaturas
não moçambicanas por falta de exercício na parte de órgão legislativo.

Revisão teórica

Definições e termos

Para os efeitos desta parte, aplicam-se os termos e definições:


Na óptica de CORÉIA (1997:155), “Rótulo é toda e qualquer informação referente a
um produto que esteja transcrita na sua embalagem”

Aspectos gerais

 Os sectores produtivos já regulamentados em relação à rotulagem de produtos


químicos devem atender à sua legislação específica.
 Os fornecedores, sempre que necessário ou periodicamente, devem revisar as
informações constantes no rótulo, com base na ficha de informações de
segurança de produtos químicos (FISPQ) actualizada.
 A rotulagem de produto químico constitui apenas parte da informação necessária
para a elaboração de um programa de segurança, saúde e meio ambiente.
 A rotulagem do produto químico não pode conter imagens ou informações que
possam induzir o público-alvo a erro.
 A rotulagem do produto químico deve ser específica e exclusiva ao respectivo
produto contido na embalagem.
 Os textos da rotulagem de produto químico devem ser breves, precisos,
redigidos em termos simples e de fácil compreensão, de modo a minimizar ou
evitar riscos resultantes das condições normais de uso e armazenagem do
produto.

Informações de segurança para a rotulagem de produto químico perigoso

Rotulagem de produto químico classificado como perigoso de acordo com a ABNT2

A rotulagem de produto químico classificado como perigoso deve conter as seguintes


informações (Ibid, 1997:156)

 Identificação do produto e telefone de emergência do fornecedor;

O rótulo do produto químico perigoso deve conter o nome comercial e o nome técnico
do produto conforme utilizado na FISPQ.

O rótulo do produto químico perigoso deve conter o(s) número(s) de telefone de


emergência do fornecedor.

O(s) telefone(s) de emergência deve(m) oferecer suporte para situações de emergência,


fornecendo informações sobre segurança, saúde (incluindo informações toxicológicas) e
meio ambiente.

 Composição química;

“O rótulo de segurança do produto químico perigoso deve conter o(s) nome(s) do(s)
ingrediente(s) ou impureza(s) que contribui(em) para o perigo da substância ou da
mistura, por meio do seu nome químico comum ou genérico” (GHS, 2003:324).

2
Associação Brasileira de Normas Técnicas
Para definição dos ingredientes ou impurezas que contribuem para o perigo, devem ser
observados os limites estabelecidos conforme a ABNT.

 Pictogramas de perigo

O(s) perigo(s) associado(s) ao produto químico perigoso deve(m) ser informado(s), no


rótulo, por meio de seus pictogramas de perigo Ibid (2003:238),. O desenho e a
modulação destes pictogramas devem ser elaborados conforme a ABNT.

Estes pictogramas devem consistir em um símbolo preto, sobre um fundo branco e com
uma borda vermelha. Quando este pictograma for utilizado em embalagens não
destinadas à exportação, a borda pode ser na cor preta, Ex.:

Nos perigos para a saúde, aplicam-se os seguintes critérios de prioridade:

 Se o símbolo do crânio com ossos cruzados se aplica, o ponto de exclamação


não pode ser utilizado;
 Se o símbolo de corrosivo se aplica, o ponto de exclamação não pode ser
utilizado quando for usado para irritação aos olhos e pele;
 Palavra de advertência;

Para JACOBS (2010:48), “as palavras de advertência servem para indicar a maior ou
menor gravidade de perigo e alertar o leitor do rótulo sobre um possível perigo”. As
palavras de advertência são “perigo” e “atenção”. A primeira se usa para as categorias
mais graves de perigo, a segunda é reservada para categorias menos graves, de acordo
com a ABNT. As palavras de advertência, quando aplicáveis, devem ser incluídas na
rotulagem do produto químico perigoso.

Se a palavra de advertência “Perigo” for empregada, a palavra de advertência “Atenção”


ou “Cuidado” não pode ser utilizada.

Ex.: “Cuidado” também pode ser utilizada em vez da palavra “atenção”.


 Frase(s) de perigo;

As frases de perigo são textos padronizados e devem ser incluídas no rótulo do produto
químico perigoso.

 Frase(s) de precaução

O rótulo do produto deve incluir as frases de precaução pertinentes. O rótulo


deve conter no máximo seis frases de precaução, excepto se for necessário para
descrever a natureza e gravidade dos perigos. As frases de precaução aplicáveis
devem ser incluídas no rótulo do produto químico perigoso e compreendem
informações sobre (Ibid, 2010:50):

 Perigo físico;

 Como evitar potencial uso indevido e exposição à saúde;

 Aplicações nos casos de acidentes com o produto e quanto à protecção


ambiental;

 Medidas apropriadas de destinação.

 Validade do produto

Inclui o Período após abertura e Data de durabilidade mínima

 Outras informações.

O rótulo do produto químico perigoso deve conter a seguinte frase:


“A Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos deste produto químico
perigoso pode ser obtida por meio de…”.

Rotulagem de produto químico não classificado como perigoso de acordo com a


ABNT

Para MALÁSIA (1994:221), “a rotulagem de produto químico não classificado como


perigoso deve conter as seguintes informações”:

 Identificação do produto;
 A frase “Produto químico não classificado como perigoso de acordo com a
ABNT”;
 Recomendações de precaução, quando exigidas e/ou pertinentes;
 Validade do produto
 Outras informações.

Princípios inerentes à rotulagem

Em estreita relação com o direito à informação do consumidor encontra-se o princípio


da verdade do conteúdo da informação apresentada que confere idoneidade aos
elementos apresentados pelo fornecedor em relação ao seu produto. “Em outras
palavras, trata-se de assegurar a correspondência entre as características rotuladas no
produto e as efectivamente apresentadas por este” (LEITÃO, 2012:157), constituindo a
respectiva violação, mesmo que parcial, uma fraude sobre mercadorias, nos termos do
art.º 23.º, n.º 1 b) do Regime Jurídico das Infracções Antieconómicas e contra a Saúde
Públicas (Decreto-Lei 28/84, de 20 de Janeiro).

“Decorre das considerações precedentes, o reconhecimento de três outros princípios


inerentes à rotulagem: o princípio da eficiência da informação, o princípio da
relevância da informação e o princípio da vinculação” Ibid (2012:160).

O princípio da eficiência baseia-se na cognoscibilidade da informação pelo


consumidor, ou seja, o que pode ser conhecido, assimilado e compreendido por este,
integrando deste modo requisitos como a transparência, a clareza, a objectividade, a
identificabilidade, todos eles consagrados expressa ou implicitamente na legislação de
direito do consumidor, nomeadamente no artigo 8º da Lei de Defesa do Consumidor
(LEITÃO, 2012:162).
O princípio da relevância da informação dita que o volume exagerado de informação
com a mesma finalidade pode funcionar em sentido contrário ao objectivo da rotulagem.
Assim, a informação irrelevante apresentada na rotulagem é ineficiente para o
consumidor, constituindo uma violação do dever de informação (LEITÃO, 2012:169),
uma vez que omite informação essencial sobre a qualidade.

O princípio da vinculação pode ser concebido como a responsabilização pelo


cumprimento da informação disponibilizada, obrigando por esta via o fornecedor a
actuar de acordo com a informação comunicada ao consumidor. A não observância
dessa conduta representa violação do princípio da vinculação da informação prestada e
permite ao consumidor recorrer judicialmente por violação directa do direito à
informação (a violação indirecta ocorre neste caso pelo incumprimento da redução do
dano causado ao ambiente), originando responsabilização civil, penal e administrativa
do fornecedor infractor (LEITÃO, 2012:183).

Discussão dos resultados

Rótulo é toda e qualquer informação referente a um produto que esteja transcrita na


sua embalagem. INNQ (2014:43), “A rotulagem de qualquer que seja produto utilizado
pelo homem é de extrema importância, é Por meio dela, que estabelece-se uma
interacção entre o consumidor e o produto, descrito nas suas diversas propriedades e
características”. Conseguimos, desse modo, aceder a informações relevantes acerca
dos produtos, aos vários parâmetros aferidores e indicativos da sua qualidade
e segurança alimentar.

Os rótulos contêm especificações quanto à sua composição, características,


propriedades nutricionais e riscos associados ao seu consumo. A rotulagem
íntegra, geralmente, três subcategorias: a rotulagem geral, a rotulagem
nutricional e, por fim, a rotulagem ambiental (LEITÃO, 2012:183).

A primeira permite expor as informações mais relevantes, nomeadamente: a


identificação do fabricante e do produto; a enumeração dos seus ingredientes, matérias-
primas e aditivos; a indicação do prazo de validade; a rastreabilidade; a indicação da
quantidade; as instruções de uso, preparação, armazenamento e conservação; e, claro, a
identificação do lote.
A segunda contém especificações quanto ao conteúdo nutricional dos produtos
(vitaminas, gorduras, proteínas, minerais, calorias, etc). Em alguns países, há legislação
que determina a obrigatoriedade de se inscrever nos rótulos das embalagens dos
alimentos determinadas informações nutricionais.

A comparação de produtos idênticos a partir da sua rotulagem nutricional permite que


os consumidores consigam escolher conscienciosamente os alimentos mais saudáveis e
mais ajustados às suas necessidades nutricionais. Essa confrontação pode, por
conseguinte, induzir a adopção de novos hábitos e práticas alimentares, mais coerentes
com a preocupação com a saúde, qualidade de vida e bem-estar.

A última contém informação relativa à reciclagem da embalagem e determinadas


advertências ambientais.

Em função das vantagens decorrentes da consulta e leitura da rotulagem para os


consumidores, é conveniente que eles, estando cada vez mais exigentes em relação à
qualidade dos alimentos que ingerem, dediquem uma maior atenção e interesse à
informação veiculada nos rótulos das embalagens.

Ainda para CHALD (2011:32), argumenta a rotulagem dos produtos através da Lei de
Defesa do Consumidor

O Código de defesa do consumidor na alínea a (Responsabilidade pelo produto ou


serviço), que diz:
i. São responsáveis pela reparação dos danos causados aos consumidores por
defeitos do produto, o fabricante, comerciante, vendedor, produtor, construtor e
importador.
ii. O produto é considerado defeituoso quando não apresenta os requisitos de
qualidade e segurança, nomeadamente, a apresentação, o prazo de validade, a
falta de informação em português sobre as características do produto e o prazo
de garantia.
iii. O comerciante é, ainda, responsável pelo defeito do produto quando não os
conservar adequadamente nos termos da legislação aplicável, e quando os
fornecer sem a identificação do fabricante, produtor, construtor ou importador.
Em Moçambique apesar de haver leis que defendem a rotulagem de produtos, na
realidade as entidades responsáveis não exercem os seus deveres de obrigar as
empresas, industrias, companhias que fornecem ou então exportam os tais produtos de
países exteriores para Moçambique, visto que, maior parte dos produtos que existem
neste país são transladados sem a consideração da Lei n.º 22/2009, de 28 de
Setembro3, isto é, produtos com idiomas diferentes de português, enquanto seja a
língua oficial desta pátria.

Moçambique é um pais subdesenvolvido comparado com alguns países da Europa e


América, ate mesmo com alguns países de África, “por meio disso, acaba inteirando-se
na actividade agrícola e pesqueira como a base do desenvolvimento nacional” (CRM,
2004), razão pela qual, Moçambique simplesmente interessa-se no controle dessas duas
actividades, criando assim Diploma Ministerial n.º 247/20114 e o Diploma
Ministerial 184/ 20015, quanto a rotulagem de produtos químicos usados na área
científica e os dos cosméticos o controle é muito aparentando, ou seja, em Moçambique
não há legislação que determina a obrigatoriedade de se inscrever nos rótulos das
embalagens dos produtos químicos.

De salientar que a falta de legislação dos produtos químicos num país sucede a falta de
supervisão do mercado, em consequência disso originam as infracções e as ganâncias
publicitárias a ponto de usar-se os cosméticos como se fossem medicamentos, exemplo
disso é a questão de uso de medicamento caro light pensando-se que é um cosmético só
porque este encontra-se comercializado nos mercados e não nas farmácias.

Conclusão

Rotulagem de produtos químicos foi um tema muitíssimo interessante, porque a


rotulagem traz muita informação à respeito das precauções, medidas de conservação, de
uso, etc. De salientar que a rotulagem do produto químico perigoso é um dos meios
utilizados pelo fornecedor para transferir ao público-alvo as informações essenciais
(incluindo o transporte, o manuseio, a armazenagem e as acções de emergência) sobre

3
Lei de Defesa do Consumidor de Moçambique
4
Regime jurídico específico atinente à rotulagem, apresentação e publicidade de produtos alimentares de
origem aquática
5
Regulamento sobre a produção, comercio, controle de qualidade e certificação de sementes
os seus perigos. As obrigações do público-alvo de um produto químico perigoso estão
além da abrangência desta parte da ABNT.

Algumas delas estão incluídas, no entanto, para que seja feita uma diferença clara entre
as obrigações do fornecedor do produto químico perigoso e àquelas do seu público-alvo.

Bibliografia

CHALD, Maria Cecilia Cury. Dissertação (doutorado) – Direito à informação: Proteção


dos direitos à saúde e a alimentação da população com alergia alimentar. Maputo, 2011

CORÉIA: Nota do Ministério do Trabalho da Coréia 1997-27 “Preparação de FISPQ e


regulamentação de rótulos de identificação”. 2003

GHS: Sistema Harmonizado Globalmente para Classificação e Rotulagem de Produtos


Químicos, Nações Unidas,

JACOBS, Loraine. Rotulagem de produtos químicos. 1ª Edição. Nigeria.2010

LEITÃO, Manuela Prado. 2012. "Rotulagem ecológica e o direito do consumidor à


informação". Porto Alegre: Verbo Jurídico

MALÁSIA: Ato de Saúde e Segurança Ocupacionais da Malásia (1994), Ato 514 e


Regulamentos (1994).

Legislação Moçambicana Consultada

 Constituição da República de Moçambique (CRM), de 2004.


 Decreto n.º 27/2016 de 18 de Julho, o Regulamento da Lei de Defesa do
Consumidor
 Instituto Nacional de Normalização e Qualidade (INNQ): Catálogo de Normas
Moçambicanas do 2014
 BOLETIM DA REPÚBLICA:
 Diploma Ministerial n.º 247/2011 do Ministério das Pescas, em Maputo, 26 de
Julho de 2011
 Diploma Ministerial 184/ 2001 do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento
Rural