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PLANEJAMENTO NA ECONOMIA BRASILEIRA: A VISÃO INDUSTRIAL-

DESENVOLVIMENTISTA DE ROBERTO SIMONSEN

Durante o governo Vargas, entre 1944 e 45, um debate entre o líder


industrial paulista Roberto Simonsen e o economista liberal Eugênio Gudin
difundiu uma competição entre conceitos econômicos que perpetua até os dias
atuais.

Na disputa: os rumos da economia brasileira, a necessidade de


industrialização do país e o papel do Estado. Nas respostas: uma visão
industrial-desenvolvimentista contra uma a visão liberal-mercantilista.

Para entender o debate é importante entender a princípio o contexto


histórico da época e as principais questões que envolviam o país no período
como: 1) a opção do país por um desenvolvimento pautado na agricultura de
exportação, diferentemente do EUA, durante a Revolução Industrial no século
XIX; 2) a reação do Brasil a Grande Depressão de 1929; 3) e a posição de
envolvimento do país em questões de planejamento e industrialização.

Durante o período da Revolução Industrial a atitude dos Estados Unidos


foi integrar-se o quão logo ao processo, aumentando as relações comerciais e
financeiras com a Inglaterra. Em contrapartida o Brasil reforçou sua posição
como economia agrário-exportadora escravista tendo como consequência uma
menor renda per capta se comparado com os EUA.

No período da Grande Depressão de 29, o Brasil, com dinamismo


econômico dependente do mercado externo, sentiu um grande impacto negativo
na balança comercial. Mesmo com as tentativas de manter o preço do café
estável, principal produto exportado na época, a queda do preço foi inevitável o
que fortaleceu a indústria e gerou crescimento no produto do setor.

Já em 1942, para conquista do apoio brasileiro na guerra, os EUA


enviaram ao Brasil a Missão Coke, com discurso de “industrialização para o
desenvolvimento” com melhor utilização dos recursos naturais, necessidade de
melhoria da infraestrutura econômica do país e das indústrias de base. O que foi
em consonância à pretensão do governo Vargas: Criar mecanismos para

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estruturação de uma política de desenvolvimento, dando-se início as discussão
sobre planejamento.

Roberto Cochrane Simonsen (1889-1948), formado em Engenharia Civil,


foi fundador da CIESP (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), fundador
e presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Líder
empresarial, ingressou na política em 1933, sedo eleito primeiro deputado,
depois senador e membro da Academia Brasileira de Letras.1

Simonsen foi um defensor da intervenção e planejamento do Estado como


base do desenvolvimento, desenvolvimento esse que segundo ele só seria
possível a partir da industrialização do país, o que resultaria também superação
da pobreza.

A partir do relatório da Missão Coke (1942) Simonsen entra no debate de


planejamento econômico onde para sanar os problemas encontrados no país ele
sugere uma planificação econômica, em que “o Estado brasileiro deixava de ser
apenas regulador e protetor, para assumir praticamente todas as atividades
econômicas do país, desde a criação, geração e distribuição de energia e de
várias fontes de combustíveis até a criação de indústrias chaves: siderúrgicas,
metalúrgicas e químicas” (SIMONSEN, 1945, apud ROMPATTO, 2013)

Para Simonsen a base do desenvolvimento nesse programa de


planificação econômica seria a aceleração do processo de industrialização, que
possibilitaria o aumento da renda nacional trazendo benefícios para toda a
coletividade, desenvolvimento que para o autor não poderia ser conquistado a
partir de modelos clássicos ou liberais.

Essa industrialização, porém, não impede o aperfeiçoamento da produção


agrícola e inclusive estaria vinculada a esta, e a planificação deveria, então,
englobar igualmente os mais diversos ramos da economia brasileira.

De fato, em um país como o nosso, serão as indústrias mais


intimamente ligadas às atividades extrativas e agropecuárias as que
usufruirão as mais favoráveis condições de estabilidade e
desenvolvimento. Dependerá ainda essa industrialização da

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Informações tiradas da enciclopédia colaborativa online, Wikipédia.

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intensificação do aperfeiçoamento dos transportes e dos processos de
distribuição e comércio. A planificação do fortalecimento econômico
nacional deve, assim abranger por igual o trato dos problemas
industriais, agrícolas e comerciais, como o dos sociais e econômicos,
de ordem geral. (SIMONSEN e GUDIN, 2010, p. 45)

Não obstante, o engenheiro, em seus argumentos, traz o planejamento


econômico e a planificação como importante para o desenvolvimento, mas,
sendo o conceito de planejamento essencialmente técnico, não poderia ser
considerado como incompatível à iniciativa privada, colocando então a
intervenção estatal como responsável por impulsionar a mesma, sendo
necessária, não somente, mas sempre quando a iniciativa privada se mostrar
falha.

O planejamento econômico é uma técnica e não uma forma de


governo. Não exclui os empreendimentos particulares. Pelo contrário.
Cria um ambiente de segurança de tal ordem que facilita o melhor e
mais eficiente aproveitamento da iniciativa privada, que está
intimamente ligada ao conceito da propriedade, (...) sendo uma grande
arma contra a instabilidade econômica, concorre para assegurar a
sobrevivência das instituições políticas, das médias e pequenas
empresas, propicia maiores facilidades para o controle e combate aos
trustes e proporciona a melhor utilização da propriedade privada em
beneficio da coletividade. (SIMONSEN e GUDIN, 2010, p. 135)

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GUDIN, Eugênio; SIMONSEN, Roberto. A Controvérsia do planejamento na


Economia Brasileira. 3. ed. Brasília: IPEA, 2010.

ROMPATTO, Maurílio. A planificação da economia na obra de Roberto


Simonsen: Uma discussão em torno do pensamento industrialista brasileiro
(1939-1945). Maringá-PR: VI Congresso Internacional de História, 2013.