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Escola Secundária de Leal da Câmara

C u r s o E FA / S e c u n d á r i o –
2009/10

Área de Competência: Cultura, Língua e Comunicação


UFCD: 5 – Cultura, Comunicação e Média
Resultado de Aprendizagem 2: O formando identifica as mais-valias da sistematização da
informação disponibilizada por via electrónica em contextos socioprofissionais.
Formando: _________________________________ Nº____Turma:____ Data:___/___/_____

Ficha de trabalho nº 02

Actividade: “As TIC no mundo do trabalho”


Que efeitos estão a provocar as comunicações móveis e a internet na vida humana? As novas
tecnologias estão a mudar a economia? A sociedade da informação influencia a economia? As
empresas estão a mudar? E o trabalho? Eis algumas questões que se colocam neste início de século.
Hoje, olhando à nossa volta, as tecnologias da informação e da comunicação (TIC) estão em todo
o lado: são os códigos de barras nos supermercado; os raios-X e as ecografias, na saúde; são os
simuladores de voo e o piloto automático na aviação; são os efeitos especiais no cinema; são os
sistemas de videovigilância e de segurança; são os computadores, os faxes, os gravadores, a
internet, nas redacções dos jornais; são os arranjos musicais, no computador; são os telemóveis.
As novas tecnologias estão presentes em todas as organizações e actividades humanas, criando
uma sociedade em rede e produzindo impactos e alterações enormes nas pessoas e nas empresas.
As novas tecnologias conheceram nas últimas décadas um espectacular desenvolvimento,
transformando o mundo do trabalho e da economia. Agora, com o funcionamento em rede, o mundo
está ao alcance de uma tecla, as pessoas podem trabalhar a partir de casa, comunicam à distância
em tempo real, transaccionam bens e serviços na hora. As empresas pensam globalmente, agem e
operam localmente e estão em rede, aumentando, por exemplo, a deslocalização directa das
actividades: é a globalização, com a criação de uma nova ordem económica internacional, que
provoca impactos no conteúdo e natureza do trabalho.

"(...) As transformações tecnológicas têm sido, em muitos domínios (micro-electrónica, biotecnologia, indústrias
aeroespaciais, etc.), factores decisivos de mudança na economia, nas empresas e no trabalho. Nos últimos anos
do século XX, e sobretudo depois da queda dos regimes socialistas da Europa de Leste, começou a falar-se de
globalização para significar um conjunto complexo de aproximações e interdependências internacionais, onde
sobressai uma economia de mercado mais integrada, com um sistema financeiro pouco controlado, um papel
importante assumido pelas grandes empresas multinacionais e, quase sempre, concorrência sectorial
acrescida, levando à descida de preços ou à melhoria da qualidade dos produtos, mas também à falência das
empresas menos capazes e à perda de emprego de muitos trabalhadores. A noção de "competitividade" -
aplicada às empresas, mas igualmente a cidades e a nações - veio traduzir, na linguagem económica, esta
nova realidade: a globalização. " (João Freire, Sociologia do Trabalho)
As actividades associadas a esta "nova economia" ocupam, nestes países, um cada vez maior
número de pessoas. Este conjunto de modificações de base tecnológicas vai produzir efeitos na
natureza do trabalho e nas condições do seu exercício, nos processos de produção e na
organização das empresas.
A sociedade da informação é marcada pela quantidade de informação colocada à disposição das
pessoas. Contudo, ter informação disponível não significa que se saiba interpretá-la, geri-la e
transformá-la em conhecimento. Por isso, há que distinguir entre sociedade da informação, o que é
oferecido às pessoas (informação) e sociedade do conhecimento, construída a partir da informação
(o conhecimento).

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Feita esta distinção, assistimos hoje ao aparecimento de uma sociedade marcada em todas as
áreas da actividade humana pelas grandes transformações tecnológicas, principalmente nos países
desenvolvidos. A economia de base industrial na produção de bens dá lugar a uma economia de
base tecnológica, onde o vector mais produtivo está concentrado no tratamento, gestão e
processamento da informação. Actualmente, a ciência e a técnica, de mãos dadas, revelaram com
uma rapidez enorme descobertas e inovações, desde o genoma humano às novas aplicações na
computação, que alteraram por completo a estabilidade do conhecimento. Vivemos uma revolução
do conhecimento. A questão que se coloca é: a sociedade da informação caminha para a sociedade do
conhecimento?

Tarefa nº 1
1. a) Enumere as principais actividades onde as TIC estão presentes na sua vida profissional.
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1. b) De que modo as TIC estão relacionadas com a globalização? Justifique.


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1. c) Explique a relação entre a sociedade de informação e a sociedade de conhecimento.


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A afirmação da sociedade da informação e da estrutura produtiva de base tecnológica assente


no conhecimento provocou a terciarização da economia. Esta nova economia de serviços
emprega, neste momento, nos países desenvolvidos, cerca de 75% da população activa, o que
corresponde a diversas alterações no tipo de trabalho, nas actividades e no emprego.
As novas tecnologias modificaram a natureza de tarefas, permitindo o aparecimento de
novas formas de trabalho e alterações profundas no mercado de trabalho. De entre os efeitos
dessas alterações, destacam-se os seguintes:
- Exigência de novas competências aos trabalhadores, de modo a lidarem com a linguagem
informática e digital no posto de trabalho;
- Fim de vários postos de trabalho obsoletos como telefonista, dactilógrafa ou tipógrafo;
- Criação de novos postos de trabalho, como é o caso de webdesigner, operador informático, técnico
de manutenção informática, ou operador de sistemas;
- Dificuldades na transferência de trabalhadores para novas funções de base tecnológica;
- Eliminação física progressiva do local de trabalho e passagem ao teletrabalho (trabalho à distância);
- Flexibilização de horários;
- Fim do conceito de emprego para toda a vida;
- Criação de novas oportunidades para aqueles que são capazes de se adaptar;
- Necessidade de disponibilidade do trabalhador para requalificação e formação profissional.

Assim, "( ... ) onde a produtividade do novo dispositivo tecnológico é claramente superior ao trabalho humano que o
antecedia, inevitavelmente esse posto de trabalho acaba por ser suprimido. Mas, por outro lado, as novas tecnologias
trazem com elas novas exigências de mão-de-obra para as produzir, instalar, manter, operar, reparar. A questão torna-
se, pois, a seguinte: qual o saldo que se apura entre os empregos que se perdem e os que se criam? E a esta
pergunta, meramente quantitativa, seguem-se outras que introduzem um elemento de qualidade na discussão: Quais
os níveis de qualificação dos empregos perdidos e dos empregos criados? São os mesmos trabalhadores susceptíveis
de passarem dos antigos para os novos postos de trabalho? A renovação da mão-de-obra far-se-á nos mesmos
sectores e nas mesmas localizações espaciais ou implicará mobilidades, migrações?" (João Freire, idem)
Estas são apenas algumas das questões que se nos colocam, uma vez que as modernas questões
salariais - e, modernamente, quando falamos de trabalho queremos dizer "o exercício de uma
actividade produtiva cuja remuneração permita que o trabalhador tenha uma vida familiar decente e
digna" - estão longe de englobar toda a humanidade. Atentemos nos seguintes factos:
- A escravatura e o trabalho forçado ou gratuito ainda existem em muitas regiões do globo;
- O tráfico e a exploração sexual de mulheres têm aumentado muito;
- Situação de desemprego ou de sub-emprego, segundo números da OIT (Organização Internacional
do Trabalho) de mais de mil milhões de seres humanos;
- Nos países em desenvolvimento, mais de metade dos empregos nas cidades fazem parte da
economia informal, isto é, são empregos precários com baixa produtividade e baixos rendimentos;
- Cerca de 211 milhões de crianças, dos 5 aos 14 anos, são obrigadas a trabalhar para completar os
rendimentos dos pais;
- Crescente precarização dos mercados de emprego, com imposição de trabalho a tempo parcial
e um recurso cada vez maior aos contratos a termo certo, isolando as carreiras profissionais e os
trabalhadores, em detrimento das negociações colectivas e dos direitos sindicais;
- Acentuação da divisão internacional do trabalho, com o objectivo de reduzir o mais possível os
custos salariais, e o surgir de novas zonas francas industriais.
Portanto, tanto nos países do Norte como nos países do Sul, o direito ao trabalho e a uma
remuneração digna parece continuar a ser um desafio civilizacional.
* Nota: os textos apresentados foram adaptados de um Manual da Área de Integração da Lisboa Editora.

Cultura, Língua e Comunicação Formadora: Marina Santos pp.3/4


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Tarefa nº 2
2. a) Indique algumas consequências da introdução das TIC no mercado de emprego.
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2. b) Explique em que sentido se afirma que “O direito ao trabalho e a uma remuneração digna
parece continuar a ser um desafio civilizacional”.
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2. c) Elabore um pequeno comentário às figuras, procurando relacioná-las.

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Cultura, Língua e Comunicação Formadora: Marina Santos pp.4/4