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CONTEÚDO

CAPÍTULO UM: A JORNADA PARA HOGWARTS


A Estação de King’s Cross
Plataforma Nove e Meia
O Expresso de Hogwarts

CAPÍTULO DOIS: A SELEÇÃO


O Chapéu Seletor
Empata-chapéu

CAPÍTULO TRÊS: O CASTELO E AS TERRAS


A Sala Comunal da Lufa-Lufa
O Mapa do Maroto
O Grande Lago

CAPÍTULO QUATRO: AS AULAS EM HOGWARTS


Matérias de Hogwarts
Vira-Tempo

CAPÍTULO CINCO: OS RESIDENTES DO CASTELO


Os Fantasmas de Hogwarts
Fantasmas
A Balada de Nick Quase Sem Cabeça
Retratos de Hogwarts
Sir Cadogan

CAPÍTULO SEIS: OS SEGREDOS DO CASTELO


Espelho de Ojesed
Penseira
A Pedra Filosofal
A Espada de Gryffindor
A Câmara Secreta
DA EDITORA DE POTTERMORE:

Sabemos bastante coisa sobre Hogwarts. Que é uma escola para bruxas e bruxos, os
quais são convidados a frequentá-la através de carta, entregue via coruja. Que possui
cento e quarenta e duas escadas, capazes de se moverem como se tivessem vontade
própria. Que foi fundada por Godrico Gryffindor, Rowena Ravenclaw, Helga Hufflepuff
e Salazar Slytherin, os quais batizaram as Casas da escola.

Sabe-se até de uma passagem secreta, sob a estátua da bruxa de um olho só, que permite
a alguém que seja magro o suficiente chegar do castelo ao porão da Dedosdemel. Mas
se o próprio Professor Alvo Percival Wulfrico Brian Dumbledore diz que nem mesmo ele
conhece todos os segredos de Hogwarts, imagine nós!

Somente uma pessoa sabe tudo sobre Hogwarts. Nesta coleção de textos, J.K. Rowling
divulga os segredos escondidos e mais fatos curiosos sobre a escola britânica de magia
e bruxaria.
Começamos nossa jornada exatamente como qualquer jovem bruxa ou bruxo a caminho
de Hogwarts: por King’s Cross, em Londres. É uma estação de trem tumultuada e
enorme, repleta de passageiros apressados – de tal modo que sequer reparam nas
pessoas carregadas de malões, corujas, gatos e vestes correndo em direção a uma
parede e desaparecendo.
A ESTAÇÃO DE KING’S CROSS
POR J.K. ROWLING
Quando a ministra Ottaline Gambol confiscou um trem trouxa para servir como novo meio de
transporte aos alunos de Hogwarts, ela também construiu uma pequena estação no povoado bruxo de
Hogsmeade – um acessório necessário ao trem. Contudo, o Ministério da Magia percebeu que
construir uma estação bruxa adicional no meio de Londres seria demais até para a notória
determinação dos trouxas de não perceber a magia, ainda que exploda bem na cara deles.
Foi Evangeline Orpington, ministra entre 1849 e 1855, quem trouxe a solução de adicionar uma
plataforma oculta na recém-construída (pelos trouxas) estação de King’s Cross, acessível apenas
para bruxas e bruxos. No geral, a plataforma tem funcionado bem, apesar de pequenos problemas
ocorridos ao longo dos anos seguintes, como bruxas e bruxos que deixaram cair malas cheias de
livros de feitiços mordedores ou baços de salamandra por todo o piso polido da estação, ou que
desapareciam pela barreira sólida fazendo muito estrondo. O Ministério da Magia costuma se valer
de vários funcionários à paisana para lidar com qualquer memória inconveniente que precise ser
alterada nos trouxas, no início e no final de cada período letivo de Hogwarts.
Reflexões de J.K. Rowling

A King’s Cross, uma das principais estações ferroviárias de Londres, tem grande importância
pessoal para mim, pois meus pais se conheceram em um trem que partiu dali para a Escócia. Além
disso, por causa do nome evocativo e simbólico, e também por ser a estação de partida correta
quando se vai para a Caledônia, eu nunca tive a menor dúvida quanto à localização do portal que
levaria Harry para Hogwarts, ou quanto ao meio de transporte que o levaria para lá.
Dizem – embora eu não saiba de onde saiu essa história, estranhamente vaga – que a estação de
King’s Cross foi construída no local da última batalha, ou do túmulo de Boadicea, uma antiga rainha
britânica que liderou uma rebelião contra os romanos. Diz a lenda que seu túmulo está situado em
algum lugar entre as plataformas oito e dez. Eu não sabia disso quando dei o número à plataforma
dos bruxos. A estação de King’s Cross recebeu esse nome por causa de um monumento, agora
demolido, ao rei Jorge IV.
Agora existe um carrinho de verdade meio enterrado em uma parede de King’s Cross, e isso me
faz sorrir com orgulho sempre que passo por lá...
Não há dúvida de que um trem saindo de King’s Cross é a maneira mais segura de
conduzir jovens bruxas e bruxos a Hogwarts (carros voadores são firmemente
desaconselháveis). Mas por que Plataforma Nove e Meia? E que outras plataformas
podem estar escondidas por trás daquelas paredes?
PLATAFORMA NOVE E MEIA

Reflexões de J.K. Rowling

Ao escolher o número da plataforma oculta que levaria os jovens bruxos e bruxas à escola, decidi
que seria um número que ficasse entre as plataformas trouxas – portanto, era claramente uma fração.
Isso levantou a interessante questão de quantas outras plataformas fracionárias existiam entre as
plataformas de números inteiros de King’s Cross, e eu concluí que provavelmente havia algumas.
Embora não estejam mencionadas nos livros, gosto de pensar que é possível pegar uma versão do
Expresso do Oriente para povoados bruxos da Europa Continental (tente a Plataforma Sete e Meia) e
que outras plataformas podem ser abertas conforme a necessidade, como, por exemplo, para eventos
grandes e exclusivos, como os shows de Celestina Warbeck (consulte seu ingresso para obter mais
detalhes).
O número nove veio à minha mente sem que eu pensasse muito, e eu gostei tanto que o peguei logo
de cara. É o “meia” que o torna especial, claro.
Agora, nada mais lógico que saltar direto para o Expresso de Hogwarts, o qual todos os
anos enche-se com novos e antigos alunos de magia e bruxaria para levá-los à escola.
O EXPRESSO DE HOGWARTS
POR J.K. ROWLING
Como se sabe através dos primeiros relatos históricos, e de evidências em xilogravuras e gravuras,
os alunos de Hogwarts costumavam chegar na escola da maneira que lhes agradasse. Alguns
montavam vassouras, um feito difícil quando se carrega malões e animais de estimação; outros
conduziam carroças e, mais tarde, carruagens encantadas; outros tentavam aparatar, geralmente com
consequências desastrosas, já que o castelo e suas terras sempre foram protegidos com Feitiços
Antiaparatação; outros vinham montados em uma infinidade de criaturas mágicas.
(Na verdade, acredita-se que os Testrálios, que atualmente habitam a Floresta Proibida e que
foram treinados para puxar as carruagens da escola na estação de Hogsmeade, são descendentes
daqueles montados pelos alunos para ir à escola, muitos anos atrás).
Apesar dos acidentes que acompanham esses vários modos de transporte mágico, sem falar dos
trouxas que avistavam anualmente um grande número de bruxos viajando pelo céu em direção ao
norte, era responsabilidade dos pais levar os filhos à escola até a imposição do Estatuto
Internacional de Sigilo, em 1692. A partir daí tornou-se uma questão urgente encontrar um método
mais discreto para transportar centenas de crianças bruxas de todos os pontos da Grã-Bretanha até a
escola secreta nas Terras Altas da Escócia.
Foram então providenciadas chaves de portal em pontos de acolhida por toda a Grã-Bretanha. A
logística causou problemas desde o começo: todos os anos, cerca de um terço dos alunos tinha
problemas para chegar porque ou perdiam o horário ou não encontravam o discreto objeto
enfeitiçado que os levaria à escola. Também havia o fato infeliz de muitas crianças serem (até hoje
são) suscetíveis a enjoos nesse tipo de viagem e, todos os anos, a ala hospitalar costumava ficar
superlotada nos primeiros dias de aula, com alunos debilitados enfrentando crises de histeria e
náuseas.
Mesmo admitindo que as chaves de portal não eram a solução ideal para o problema de transporte
escolar, o Ministério da Magia não encontrava uma alternativa aceitável. Seria impossível voltar às
antigas viagens não regulamentadas, e ainda vários diretores da escola foram contrários à adoção de
meios mais seguros (como por exemplo a liberação de uma lareira que pudesse ser oficialmente
acessada com Pó de Flu), pois não queriam que a segurança do castelo fosse violada.
Uma solução ousada e controversa para esse problema tão complicado foi enfim proposta pela
Ministra da Magia Ottaline Gambol: sempre muito intrigada com as invenções trouxas, ela enxergou
o potencial dos trens. Nunca se provou ao certo de onde veio o Expresso de Hogwarts, mas é fato
que existem registros secretos no Ministério da Magia detalhando uma operação em massa, que
envolveu cento e sessenta e sete Feitiços da Memória e o maior Feitiço de Ocultamento já realizado
na Grã-Bretanha. Na manhã seguinte a esses alegados crimes, uma reluzente locomotiva a vapor
vermelha e seus vagões espantavam os moradores de Hogsmeade (que também não tinham percebido
terem agora uma estação ferroviária). Enquanto isso, diversos funcionários trouxas da rede
ferroviária em Crewe passavam o resto do ano confusos, com a desconfortável sensação de que
tinham perdido algo importante.
O Expresso de Hogwarts passou por várias modificações mágicas antes de ser aprovado pelo
Ministério para uso escolar. Muitas famílias de sangue puro se sentiram ultrajadas com a ideia de
seus filhos usando um transporte trouxa, segundo eles inseguro, insalubre e degradante. Entretanto,
quando o Ministério decretou que os alunos não frequentariam a escola se não embarcassem no trem,
as objeções foram rapidamente silenciadas.
Os alunos do primeiro ano de Hogwarts são conduzidos ao Salão Principal para o teste
de personalidade mais revelador do mundo bruxo. Quando cada jovem bruxa ou bruxo é
chamado, um chapéu falante infinitamente sábio é colocado sobre sua cabeça. Nós já
sabemos o que o Chapéu Seletor faz, mas o que sabemos sobre sua criação?
O CHAPÉU SELETOR
POR J.K. ROWLING
O famoso Chapéu Seletor de Hogwarts faz um relato de sua própria origem em várias canções
entoadas no início de cada ano letivo. Diz a lenda que o chapéu pertenceu a um dos quatro
fundadores, Godrico Gryffindor, e foi enfeitiçado em conjunto pelos quatro bruxos para garantir que
os alunos fossem escolhidos para suas respectivas Casas de acordo com a preferência particular de
cada fundador.
O Chapéu Seletor é um dos objetos enfeitiçados mais inteligentes que qualquer bruxa ou bruxo já
viu. Ele possui literalmente a inteligência dos quatro fundadores, pode falar (através de um rasgo
junto à aba) e é dotado de Legilimência, que lhe permite olhar dentro da mente do aluno e adivinhar
suas capacidades, ou seu temperamento. Ele pode até mesmo responder aos pensamentos do aluno.
O Chapéu Seletor possui ainda outra habilidade, raramente revelada a alguém de Hogwarts. Ele é
um portal mágico, através do qual é possível ter acesso a outro bem de Godrico Gryffindor: sua
espada. Esta foi enfeitiçada por Godrico para aparecer sempre que um membro de sua Casa pedisse
ajuda enquanto estivesse usando o Chapéu. Por duas vezes, ao longo da série Harry Potter, a espada
abandona seu detentor temporário para ajudar um aluno da Grifinória que precisa de uma arma.
O Chapéu Seletor é notório por se recusar a admitir que cometeu um engano ao selecionar os
alunos. Nas ocasiões em que alguém de Sonserina se comporta com altruísmo ou abnegação, quando
alguém da Corvinal fracassa nas provas, quando alguém da Lufa-Lufa demonstra preguiça e talento
acadêmico ao mesmo tempo, ou quando alguém da Grifinória se mostra covarde, o Chapéu logo volta
atrás em sua decisão. No balanço geral, entretanto, o Chapéu cometeu pouquíssimos erros de
julgamento ao longo dos muitos séculos de serviço.
Reflexões de J.K. Rowling
O Chapéu Seletor não aparece nos meus primeiros planos para Hogwarts. Ponderei sobre vários
métodos diferentes de seleção dos alunos, porque eu sabia desde cedo que haveria quatro Casas,
cada uma com qualidades diversas. O primeiro seria uma máquina elaborada ao estilo de Heath
Robinson, que fazia uma série de coisas mágicas antes de tomar uma decisão, mas não gostei: parecia
ser complicado demais e, ao mesmo tempo, fácil demais. Depois coloquei no saguão de entrada as
estátuas dos quatro fundadores, que ganhavam vida e selecionavam os alunos do grupo colocado
diante deles, enquanto toda a escola assistia. Era melhor, mas ainda não estava bom. Por fim, fiz uma
lista com os métodos que usamos para escolher pessoas: uni-duni-tê, palitinhos, ser escolhido por
capitães de time, nomes tirados do chapéu... nomes tirados de um chapéu falante... colocar um
chapéu... o Chapéu Seletor.
O Chapéu Seletor é muito sábio. Mas dividir a população estudantil mágica de
Hogwarts entre quatro casas é uma tarefa difícil. Às vezes ele fica desnorteado. É raro
que o Chapéu demore a decidir a qual Casa o aluno pertence, mas existe um termo
específico para essa ocorrência.
EMPATA-CHAPÉU
POR J.K. ROWLING
Um termo arcaico de Hogwarts para qualquer aluno novo cuja seleção demore mais de cinco
minutos. Esse é um tempo excepcionalmente longo para o Chapéu Seletor deliberar e raramente
ocorre, talvez uma vez a cada cinquenta anos.
Dos contemporâneos de Harry Potter, apenas Hermione Granger e Neville Longbottom chegaram
perto de serem empata-chapéus. O Chapéu Seletor passou quase quatro minutos tentando decidir se
colocaria Hermione na Corvinal ou na Grifinória. No caso de Neville, o Chapéu estava determinado
a colocá-lo na Grifinória. Neville, intimidado com a reputação de bravura da casa, pediu um lugar na
Lufa-Lufa. A briga silenciosa resultou no triunfo do Chapéu.
Os únicos empata-chapéus conhecidos pessoalmente por Harry Potter são Minerva McGonagall e
Pedro Pettigrew. Minerva fez o Chapéu sofrer por cinco minutos e meio para decidir se ela deveria ir
para Corvinal ou Grifinória; Pedro foi colocado na Grifinória após grande deliberação entre essa
casa e Sonserina. O Chapéu Seletor, que é conhecido por ser teimoso, ainda se nega a aceitar que sua
decisão no caso de Pedro foi errônea, citando a maneira como Pettigrew morreu como (dúbia)
evidência.
Hogwarts é um grandioso labirinto mágico e encantado com masmorras e torres, uma
árvore mal-humorada, um extenso lago cheio de sereianos e terras que são o lar de
criaturas mágicas. Vamos começar por um lugar que Harry Potter jamais visitou: a sala
comunal da Lufa-Lufa, onde os gentis de coração repousam suas diligentes cabeças.
A SALA COMUNAL DA LUFA-LUFA
POR J.K. ROWLING
A sala comunal da Lufa-Lufa é acessada pelo mesmo corredor que leva às cozinhas de Hogwarts.
Passando pela grande imagem de natureza-morta que forma a entrada da cozinha, pode-se ver vários
barris grandes empilhados em um escuro recesso de pedra no lado direito do corredor. O segundo
barril, a contar do chão, no meio da segunda fileira, abre-se ao levar batidinhas no ritmo de “Helga
Hufflepuff”*. Como dispositivo de segurança para repelir quem não é da Lufa-Lufa, batidinhas no
barril errado ou no número incorreto de vezes fazem com que uma das outras tampas exploda e deixe
o intruso ensopado com vinagre.
Uma simples passagem dentro dos barris segue por uma curta subida até revelar uma sala
confortável, redonda e de teto baixo, que faz lembrar uma toca de texugo. A sala é decorada nas
alegres cores de uma abelha, amarelo e preto, enfatizadas pelo uso de madeira cor-de-mel
extremamente polida nas mesas e nas portas redondas que levam aos dormitórios dos meninos e das
meninas (mobiliados com confortáveis camas de madeira, todas arrumadas com cobertores
escoceses).
Uma colorida profusão de plantas e flores parece agraciar a atmosfera da sala comunal da Lufa-
Lufa: vários cactos ficam em prateleiras de madeira circular (curvadas para encaixar nas paredes),
muitos dos quais acenam e dançam para quem passa, enquanto vários suportes de plantas, revestidos
de cobre e pendentes do teto, fazem com que ramos de samambaias e heras acariciem o cabelo de
quem passar por baixo.
Um retrato acima da cornija de madeira (toda decorada com entalhes de texugos dançarinos)
mostra Helga Hufflepuff, uma das fundadoras da Escola de Hogwarts, brindando aos seus alunos com
uma pequena xícara dourada de asas duplas. Pequenas janelas redondas ao nível do solo, na base do
castelo, exibem uma agradável visão de relva ondulante e dentes-de-leão e, às vezes, de alguns pés
passando. Apesar das janelas baixas, a sala parece perenemente ensolarada.

* Pode-se dizer que a complexidade para entrar nas salas comunais dá uma ideia geral da reputação intelectual de cada casa: Lufa-Lufa
tem um portal que não muda e requer batidinhas rítmicas; Sonserina e Grifinória possuem entradas que desafiam o suposto aluno quase
que da mesma maneira, uma com uma entrada quase imperceptível e senhas variadas, outra com uma guardiã caprichosa e senhas que
mudam frequentemente. Para manter sua reputação como casa das mentes mais ágeis de Hogwarts, a porta para a sala comunal da
Corvinal coloca um novo desafio intelectual ou filosófico a cada pessoa que bata nela.

Entretanto isso não deve nos levar a concluir que os alunos da Lufa-Lufa são idiotas ou incompetentes, ainda que às vezes tenham sido
cruelmente caricaturados dessa maneira. Vários cérebros brilhantes saíram da Lufa-Lufa ao longo dos séculos. O caso é que essas
mentes excelentes sempre estiveram aliadas a outras qualidades notáveis: paciência, uma forte ética de trabalho e constância, todas
atributos tradicionais da Lufa-Lufa.
Reflexões de J.K. Rowling

Quando planejei a série, esperava que Harry visitasse as quatro salas comunais durante sua
temporada em Hogwarts. Chegou um momento em que percebi que ele jamais teria uma razão válida
para entrar na sala da Lufa-Lufa. Contudo, ela é tão real para mim quanto as outras três, então eu
sempre soube exatamente para onde os alunos da Lufa-Lufa estavam indo quando tomavam a direção
da cozinha depois das aulas.
Harry pode nunca ter entrado na sala comunal da Lufa-Lufa, mas acabou se apossando
de um método infalível para circular pelo resto do castelo. Fred e Jorge Weasley lhe
deram algo que Tiago Potter e seus amigos criaram quando estavam na escola: o Mapa
do Maroto. “Juro solenemente que não pretendo fazer nada de bom.”
O MAPA DO MAROTO
POR J.K. ROWLING
Talvez nenhum aluno (nem mesmo Harry Potter, Rony Weasley, Hermione Granger e Tom Riddle)
tenha explorado o castelo e as terras de Hogwarts de maneira tão completa e ilícita quanto os quatro
criadores e colaboradores do Mapa do Maroto: Tiago Potter, Sirius Black, Remo Lupin e Pedro
Pettigrew.
Tiago, Sirius e Pedro, a princípio, não foram compelidos a explorar a escola à noite por diabrura
(embora ela tenha tido seu espaço), mas sim pelo desejo de ajudar seu prezado amigo Remo Lupin a
suportar a licantropia. Antes da invenção da Poção de Mata-cão, Lupin era forçado a passar por uma
excruciante transformação a cada lua cheia. Assim que seus três melhores amigos descobriram sua
condição, buscaram uma maneira de tornar tais transformações menos solitárias e dolorosas.
Aprenderam a se tornar animagos (não registrados), podendo assim fazer companhia a Remo sem se
machucarem. A capacidade que Sirius Black, Pedro Pettigrew e Tiago Potter tinham de se
transformarem, respectivamente, em cachorro, rato e cervo permitia que explorassem as terras do
castelo à noite sem serem detectados. O interior do castelo, por outro lado, foi mapeado aos poucos
com a ajuda da Capa da Invisibilidade de Tiago Potter.
O Mapa do Maroto é um testemunho permanente da avançada habilidade mágica dos quatro
amigos, que incluíam o pai, o padrinho e o professor favorito de Harry Potter. O mapa criado na
época em que estudaram em Hogwarts parece ser um mero pedaço de pergaminho em branco se não
for ativado pela frase: “Juro solenemente que não pretendo fazer nada de bom”. Uma frase que, no
caso de três dos quatro criadores, devia ser entendida como piada. O “nada de bom” do qual falavam
nunca denotou magia negra, apenas a quebra de regras da escola. Uma ousadia similar é evidenciada
pelo uso dos próprios apelidos no mapa (“Srs. Aluado, Rabicho, Almofadinha e Pontas”).
A mágica usada na criação do mapa é avançada e impressionante: inclui o Feitiço Homúnculo, que
permite quem estiver de posse do mapa rastrear os movimentos de cada pessoa no castelo, e também
um feitiço usado para repelir infinitamente (da maneira mais insultante possível) a curiosidade do
pior inimigo do quarteto, Severo Snape.
Embora não se revele nos livros de Harry Potter a circunstância exata que levou à perda do mapa,
é fácil concluir que um dia eles acabaram se excedendo e foram pegos por Argo Filch,
provavelmente através de uma informação dada por Snape, cuja obsessão era expor seu arquirrival,
Tiago Potter, em delito. A obra-prima foi confiscada no último ano de Sirius, Tiago, Remo e Pedro,
mas nenhum deles conseguiu roubá-lo de volta do precavido e desconfiado Filch. De qualquer forma,
as prioridades deles mudaram nos últimos meses de escola, tornando-se muito mais sérias e focadas
no mundo fora de Hogwarts, onde Lorde Voldemort estava tendo sucesso na ascensão ao poder. Os
quatro criadores do mapa logo seriam integrados à organização renegada chefiada por Alvo
Dumbledore, a Ordem da Fênix, e um mapa dos velhos tempos de escola, por mais engenhoso que
fosse, não teria mais nenhuma utilidade para eles, exceto como objeto de nostalgia.
Contudo, o Mapa do Maroto foi de imensa ajuda para os jovens gêmeos Weasley. A história da
aquisição do mapa por Fred e George é contada em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Foi
graças à alta estima que sentiam por Harry Potter, e por acreditarem que ele precisava de ajuda por
carregar um destino ainda incompreendido, que os gêmeos o presentearam com o mapa, sem saber
que o entregavam ao filho de um dos criadores.
O mapa foi em seguida confiscado de Harry Potter por um Comensal da Morte disfarçado na
escola, que reconheceu aquilo como fonte provável de sua própria descoberta.
Reflexões de J.K. Rowling

O Mapa do Maroto logo se tornou quase que uma maldição para seu verdadeiro criador (eu), pois
permitia que Harry tivesse muita liberdade de informação. Nunca mostrei Harry pegando o mapa de
volta no gabinete vazio do (suposto) Olho-Tonto Moody, e às vezes lamento não ter aproveitado esse
erro para deixar o mapa esquecido de vez. Entretanto, gosto do momento em que Harry vê o pontinho
de Gina se movendo pela escola em Relíquias da Morte, então, no geral, fico contente por Harry ter
recuperado o que era seu.
O Mapa do Maroto podia ajudar os alunos a escapar para a Dedosdemel, localizar
inimigos nos corredores de Hogwarts e insultar Severo Snape, mas provavelmente não
seria de grande ajuda no Grande Lago. Com profundezas escuras e residentes mágicos,
o Grande Lago é um dos lugares mais misteriosos do castelo, o local da segunda tarefa
no Torneio Tribruxo e ainda o abrigo de uma série de criaturas mágicas aquáticas, de
grindylows à lula gigante.
O GRANDE LAGO
POR J.K. ROWLING
As terras de Hogwarts funcionam em parte como reserva natural para criaturas mágicas que
dificilmente existiriam em áreas habitadas por trouxas.
O lago está cheio de criaturas que fariam um naturalista desmaiar de entusiasmo – caso o terror
não o dominasse primeiro. Existem grindylows (pequenos demônios aquáticos maldosos), sereianos
(de forte descendência escocesa) e uma lula gigante, que é semidomesticada e permite aos alunos
fazerem cócegas em seus tentáculos nos dias de sol, quando vem se esquentar nas águas rasas.
As lulas gigantes existem de verdade, embora sejam criaturas muito misteriosas. Ainda que seus
corpos extraordinários sejam encontrados por todo o planeta, só em 2006 uma lula gigante viva foi
filmada pelos trouxas. Tenho a forte suspeita de que elas possuem poderes mágicos.
Reflexões de J.K. Rowling

O lago é o cenário da segunda tarefa que os competidores do Torneio Tribruxo devem enfrentar em
Cálice de Fogo, e é também a minha tarefa favorita. Considero-a satisfatoriamente assustadora.
Gosto da diversidade de métodos empregados pelos competidores para respirar debaixo d’água, e
gostei de sondar as profundezas de uma parte das terras que nunca foram vistas antes. No rascunho
original da Câmara Secreta, Harry e Rony batem no lago com o Ford Anglia do Sr. Weasley e
encontram os sereianos pela primeira vez.
Naquela época, eu tinha a vaga ideia de que o lago poderia levar para outros lugares e de que os
sereianos poderiam ter um papel mais importante nos livros seguintes, então pensei que Harry
deveria ser apresentado aos dois nesse estágio. Contudo, o Salgueiro Lutador ofereceu uma batida
mais satisfatória porque causou menos distrações no enredo, servindo posteriormente para outro
propósito em Prisioneiro de Azkaban. O Grande Lago (que na verdade é um loch escocês,
aparentemente de água doce e sem saída para o mar) nunca se desenvolveu como portal para outros
mares ou rios, mas o surgimento do navio de Durmstrang de suas profundezas em Cálice de Fogo
indica o fato de que, quando se viaja em uma embarcação encantada, pode-se tomar um atalho
mágico para outras águas.
É hora de irmos direto ao verdadeiro motivo para a existência de Hogwarts: as aulas.
Você não encontrará Química ou Matemática no currículo, mas também não esperaria
encontrar Poções e Aritmancia na grade de matérias dos trouxas, não é mesmo?
MATÉRIAS DE HOGWARTS
POR J.K. ROWLING
Todos os alunos do primeiro ano de Hogwarts precisam cursar sete disciplinas: Transfiguração,
Feitiços, Poções, História da Magia, Defesa Contra as Artes das Trevas, Astronomia e Herbologia.
As aulas de voo (em vassouras) também são obrigatórias.
Ao fim do segundo ano em Hogwarts, os alunos devem escolher mais duas matérias, no mínimo,
entre as seguintes opções: Aritmancia, Estudos dos Trouxas, Adivinhação, Estudo das Runas Antigas
e Trato das Criaturas Mágicas.
Matérias muito especializadas, como Alquimia, às vezes são oferecidas nos últimos dois anos,
caso exista demanda suficiente.
Reflexões de J.K. Rowling

Uma lista ligeiramente diferente de matérias aparece nas minhas primeiras anotações. Herbologia se
chama “Herbalismo”. Adivinhação é obrigatória desde o primeiro ano, assim como Alquimia e uma
matéria que simplesmente chamei de “Feras”, enquanto Transfiguração é chamada de
“Transfiguração/Metamorfose”.
Se, como para Hermione, praticamente todas essas matérias lhe parecem essenciais,
então um certo objeto mágico pode vir a ser útil. Em Harry Potter e o Prisioneiro de
Azkaban, Hermione conseguiu duplicar sua carga de trabalho utilizando-se de um vira-
tempo, um dispositivo mágico que permite ao seu portador voltar no tempo. Contudo,
usar um vira-tempo pode ter graves consequências.
VIRA-TEMPO
POR J.K. ROWLING
Apesar das muitas fantasias trouxas a respeito do tema, a viagem no tempo é possível no mundo
mágico, ainda que de maneira limitada. Mesmo que o assunto seja tratado com grande sigilo nas
investigações em andamento no Departamento de Mistérios, parece que a magia não pode nos levar
muito longe.
De acordo com o Professor Saul Croaker, que passou a carreira inteira no Departamento de
Mistérios estudando magia temporal:
“Segundo nossas investigações atuais, o período máximo que pode ser revivido sem a
possibilidade de prejudicar seriamente o viajante ou o tempo em si é de cerca de cinco horas.
Conseguimos encapsular individualmente Feitiços de Reversão de Hora, que são instáveis, mas
seguros quando confinados, em pequenas ampulhetas enfeitiçadas que podem ser usadas ao redor do
pescoço da bruxa ou do bruxo e giradas de acordo com o número de horas que o usuário deseja
reviver.
“Todas as tentativas de voltar mais do que cinco horas resultaram em danos catastróficos para a
bruxa ou bruxo envolvido. Por muitos anos, não se entendia por que os viajantes do tempo não
sobreviviam a jornadas de grande distância. Todos os experimentos desse tipo foram abandonados
em 1899, quando Eloise Mintumble ficou presa, por um período de cinco dias, no ano de 1402.
Agora compreendemos que seu corpo envelheceu cinco séculos no retorno para o presente. Com o
corpo irreparavelmente danificado, ela morreu no Hospital St. Mungus para Doenças e Acidentes
Mágicos logo após conseguirmos trazê-la de volta. Além disso, seus cinco dias no passado distante
causaram grande distúrbio às trajetórias de todos que ela conheceu, mudando o curso de suas vidas
de maneira tão dramática que nada menos do que vinte e cinco dos seus descendentes desapareceram
no presente, uma vez que “desnasceram”.
“Por fim, nos dias seguintes ao resgate de Madame Mintumble, houve sinais alarmantes de que o
tempo em si fora perturbado por uma séria ruptura de suas leis. A terça-feira seguinte ao
ressurgimento dela durou dois dias e meio, enquanto a quinta-feira acabou em um espaço de quatro
horas. O Ministério da Magia teve muito trabalho para encobrir isso e, desde então, impôs leis e
penalidades mais severas sobre quem estudasse viagens no tempo.”
Até o uso da limitadíssima quantidade de vira-tempos disponíveis no Ministério é restringido por
centenas de leis. Ainda que não seja tão potencialmente perigoso quanto pular cinco séculos, a
reutilização de uma única hora pode ter consequências dramáticas, por isso o Ministério da Magia
exige garantias explícitas quando permite o uso de tais objetos raros e poderosos. Grande parte da
comunidade mágica ficaria surpresa por saber que os vira-tempos costumam ser usados apenas para
resolver problemas triviais de gerenciamento do tempo e nunca para propósitos maiores e mais
importantes pois, como Saul Croaker nos diz, “assim como a mente humana não consegue
compreender o tempo, também não consegue compreender o dano resultante quando ousa mexer com
suas leis”.
Todo o estoque de vira-tempos do Ministério foi destruído durante uma luta no Departamento de
Mistérios, cerca de três anos depois que Hermione Granger recebeu permissão para usar um em
Hogwarts.
Reflexões de J.K. Rowling

Adentrei sem qualquer preocupação no tema da viagem no tempo em Harry Potter e o Prisioneiro de
Azkaban. Apesar de não me arrepender (Prisioneiro de Azkaban é um dos meus livros favoritos),
isso me abriu um vasto leque de problemas pois, no fim das contas, se os bruxos podiam voltar no
tempo e desfazer problemas, quais seriam as minhas tramas no futuro?
Resolvi o problema de maneira satisfatória, em etapas. Primeiro, fiz Dumbledore e Hermione
enfatizarem que era muito perigoso ser visto no passado, para lembrar ao leitor que a viagem no
tempo, além de soluções, poderia oferecer consequências imprevisíveis e perigosas. Depois, fiz
Hermione devolver o único vira-tempo que já entrou em Hogwarts. Por último, destruí todos os vira-
tempos restantes durante a batalha no Departamento de Mistérios, removendo a possibilidade de
reviver mesmo que períodos curtos no futuro.
Esse é apenas um exemplo de que, quando se escreve histórias de fantasia, devemos tomar cuidado
com o que se inventa. Para cada benefício, costuma existir uma desvantagem.
Os alunos e os professores não são os únicos que habitam a escola. Hogwarts é o lar de
muitos outros seres além dos vivos, e essas almas têm tempo de sobra. Entre os
residentes permanentes de Hogwarts está uma variada coleção de habitantes do outro
mundo.
OS FANTASMAS DE HOGWARTS
POR J.K. ROWLING
Apesar dos rumores infundados com relação à Casa dos Gritos, que nunca foi assombrada de fato,
Hogwarts é a habitação mais mal-assombrada da Grã-Bretanha (e isso considerando-se uma dura
competição, já que há mais avistamentos/percepções de fantasmas nestas ilhas úmidas do que em
qualquer outro lugar do mundo). O castelo é um local agradável para os fantasmas, pois os habitantes
vivos tratam seus amigos mortos com tolerância e até mesmo afeição, não importa quantas vezes
tenham ouvido as mesmas reminiscências de sempre.
Cada uma das quatro Casas de Hogwarts possui seu próprio fantasma. A Sonserina se orgulha do
Barão Sangrento, coberto de manchas de sangue prateado. O fantasma menos falante é a Dama
Cinzenta, bela e de cabelos longos.
Lufa-Lufa é assombrada pelo Frei Gorducho, executado porque o seu superior desconfiou da sua
habilidade para curar varíola cutucando os camponeses com um graveto, e do imprudente hábito de
tirar coelhos do cálice da comunhão. Apesar de ser um fantasma alegre, o Frei Gorducho ainda se
ressente de não ter conseguido chegar a cardeal.
A Grifinória é lar de Nick Quase Sem Cabeça, que em vida foi Sir Nicholas de Mimsy-Porpington.
Um tanto esnobe e longe de ser o bruxo perfeito que acreditava ser, em vida Sir Nicholas frequentava
a corte de Henrique VII, até cometer a tola tentativa de usar magia para embelezar uma dama de
companhia... e acabar por fazer presas brotarem na pobre mulher. Sir Nicholas teve a varinha tomada
e foi executado sem qualquer perícia, ficando com a cabeça pendurada por um fiapo de pele e
tendão. Por tal motivo, ele guarda um sentimento de inadequação com relação aos fantasmas
realmente sem cabeça.
Outro fantasma notável de Hogwarts é a Murta Que Geme, a qual assombra um muito pouco
frequentado banheiro feminino. Murta era aluna de Hogwarts quando morreu, mas preferiu perpetuar
sua existência na escola por um objetivo de curto prazo: assombrar sua ameaçadora arquirrival,
Olívia Hornby. Com o passar das décadas, Murta ganhou a fama de fantasma mais deprimente da
escola. É fácil encontrá-la escondida em um dos boxes, enchendo o espaço azulejado de gemidos e
lamentações.
Reflexões de J.K. Rowling

A inspiração para a Murta Que Geme era a presença frequente de alguma garota chorando nos
banheiros públicos, especialmente nas festas e danceterias da minha juventude. Isso não acontece nos
banheiros masculinos, então gostei de colocar Harry e Rony em um território tão desconfortável e
desconhecido, em Harry Potter e a Câmara Secreta e Harry Potter e o Enigma do Príncipe.
O fantasma mais produtivo de Hogwarts é, claro, o Professor Binns, o velho professor de História
da Magia que certo dia dormiu diante da lareira na sala de professores e depois levantou para dar
sua próxima aula, deixando o corpo para trás. Ainda se discute se o Professor Binns percebeu ou não
que está morto. Mesmo que seja um tanto engraçado para os alunos vê-lo pela primeira vez entrando
em sala de aula através do quadro-negro, ele não é o professor mais empolgante de todos.
A inspiração para o Professor Binns foi um velho professor da minha universidade, que dava todas
as aulas com os olhos fechados, balançando-se para frente e para trás quase que na ponta dos pés.
Embora fosse um homem brilhante, que vomitava uma quantidade imensa de informação valiosa a
cada aula, sua desconexão com os alunos era total. O Professor Binns mal se dá conta de seus alunos
vivos, e fica espantado quando começam a lhe fazer perguntas.
Na primeira lista de fantasmas que fiz para Hogwarts incluí a Murta (inicialmente chamada de
“Wanda Que Lamenta”), o Professor Binns, a Dama Cinzenta (então chamada de “Dama
Sussurrante”) e o Barão Sangrento. Havia também um Cavaleiro Negro, O Sapo (que deixava seu
ectoplasma por toda a sala de aula), e um fantasma que me arrependo um pouco de não ter usado. Seu
nome era Edmund Grubb, e as anotações ao lado dele dizem: Faleceu na entrada do Salão de Jantar.
Às vezes impede as pessoas de entrar, de propósito. Fantasma gordo vitoriano (comeu frutinhas
venenosas).
Os fantasmas são algo tão normal de se ver em Hogwarts que é fácil esquecer que não
se costuma vê-los no mundo trouxa. Claro, existe uma boa explicação para isso.
FANTASMAS
POR J.K. ROWLING
No mundo de Harry Potter, um fantasma é uma impressão transparente e tridimensional de uma bruxa
ou um bruxo falecido que continua a existir no mundo mortal. Os trouxas não podem retornar como
fantasmas, e as bruxas e os bruxos mais inteligentes escolhem não fazê-lo. São aqueles com “assuntos
inacabados”, seja na forma de medo, culpa, arrependimento ou apego exagerado ao mundo material,
que se recusam a ir para a próxima dimensão.
Tendo escolhido um débil simulacro da vida mortal, os fantasmas são limitados no que podem
experimentar. Não sentem nenhum prazer físico, e o conhecimento e a visão de mundo permanecem
no mesmo nível atingido durante a vida, então velhos ressentimentos (como o de ter uma cabeça
indevidamente decapitada, por exemplo) continuam a causar amargura mesmo após vários séculos.
Por isso fantasmas costumam ser uma péssima companhia. Eles causam um desapontamento ainda
maior no que diz respeito ao único assunto que fascina a maioria das pessoas: não conseguem dar
uma resposta muito sensata sobre como é morrer, pois escolheram uma versão empobrecida da vida.
Fantasmas podem atravessar objetos sólidos sem causar dano a si mesmos ou ao material, mas
criam distúrbios na água, no fogo e no ar. A temperatura cai no espaço ao redor de um fantasma, um
efeito intensificado se muitos se congregam no mesmo lugar. A aparição deles também pode tornar as
chamas azuis. Se um fantasma, inteiro ou em parte, passar por uma criatura viva, essa experimentará
uma sensação de frio semelhante ao mergulho em água congelada.
Bruxas e bruxos são mais suscetíveis ao que trouxas chamam de atividade paranormal, por isso
veem (e ouvem) fantasmas com clareza, enquanto trouxas podem apenas sentir que um lugar
assombrado é frio ou “assustador”. Os trouxas que garantem ver fantasmas com nitidez a) estão
mentindo ou b) são bruxos se exibindo – em uma flagrante quebra do Estatuto Internacional de Sigilo.
As circunstâncias referentes à decapitação malfeita de Nick Quase Sem Cabeça nunca
foram esclarecidas na série Harry Potter, mas já não são mais mistério. Você descobrirá
exatamente o que aconteceu com o ressentido fantasma (nas palavras do próprio Nick)
na balada abaixo, que foi cortada do rascunho inicial de Harry Potter e a Câmara
Secreta.
A BALADA DE NICK QUASE SEM CABEÇA
POR J.K. ROWLING
Se está bem cansado, ou até pressionado
Qualquer bruxo, é natural, se enrola
Um deslize, se tanto, e para meu grande espanto
Vi-me aflito perante a degola.

Ai! Foi o encontro que tive com Lady Grieve


Passeando no parque ao anoitecer
Achou que minha magia seus dentes ajeitaria
Mas presas gigantes fiz aparecer.

Noite adentro chorei que conserto havia,


Mas a lei me deu por condenado;
E no preparo da cena para cumprir-se a pena
Faltou a pedra de amolar o machado.

A manhã vinha chegando, e o desespero aumentando,


O sacerdote me diz para não chorar:
“Venha até mim, ande logo, é o fim.”
Minha hora já estava por chegar.

O homem mascarado vinha acelerado


Para separar minha cabeça do pescoço
“Nick, joelho no chão, hora do machado”
E eu me vi então no fundo do poço.

“Deve doer um pouco”, disse aquele louco


Que ergueu o machado no ar
A lâmina cega desceu, ah! Como doeu!
Mas a cabeça não conseguiu cortar.

O carrasco gingou e no pescoço mirou


“É rápido, você nem vai sentir!”
Rápido não: quarenta golpes em vão,
E mais cinco até a cabeça cair.

E eu morri assim, com a cabeça em mim


Vejam só, ela não quis partir
Entre nós há junção, mas é o fim da canção
E agora, piedade, podem me aplaudir.
O Nick Quase Sem Cabeça e a Murta Que Geme não são os únicos residentes
permanentes de Hogwarts. As paredes do castelo estão forradas de retratos que podem
se mover, falar e interagir com os estudantes – inclusive a Mulher Gorda, que guarda a
entrada da torre da Grifinória, e muitos diretores anteriores, mais do que prontos para
oferecer conselho a seus sucessores.
RETRATOS DE HOGWARTS
POR J.K. ROWLING
Os retratos de Hogwarts são capazes de falar e se mover de uma pintura para outra e comportam-se
exatamente como o indivíduo que representam. Entretanto, o grau com que interagem com seus
observadores não depende do talento do pintor, mas do poder da bruxa ou do bruxo retratado.
Quando um retrato mágico é feito, o artista bruxo naturalmente usa encantamentos para assegurar
que a pintura será capaz de se mover da maneira de costume. O retrato poderá usar algumas das
frases favoritas do retratado e imitar seu comportamento geral. Assim, o retrato de Sir Cadogan está
sempre desafiando as pessoas a lutar, caindo do cavalo e comportando-se de maneira um tanto
desequilibrada, que é como o retratado pareceu ao pobre bruxo que teve que pintá-lo; já o retrato da
Mulher Gorda continua amando os prazeres da mesa e prezando pela excelência na segurança muito
depois de seu modelo vivo ter morrido.
Entretanto, nenhum desses retratos seria capaz de ter uma discussão particularmente profunda
sobre aspectos complexos de sua vida: eles são literal e metaforicamente bidimensionais. São meras
representações dos retratados vivos na visão do artista.
Alguns retratos mágicos são capazes de interação considerável com o mundo vivo. Por tradição, o
diretor ou a diretora da escola são pintados antes de morrer. Uma vez pronto o retrato, o retratado o
mantém trancado, visitando-o regularmente em seu armário (se assim desejar) para lhe ensinar a agir
e se comportar exatamente como ele mesmo, repassando todo tipo de memória e conhecimento útil
que possa ser compartilhado através dos séculos com seus sucessores no escritório.
O vasto conhecimento e a percepção contidos em alguns dos retratos de diretores e diretoras são
desconhecidos por todos, exceto os encarregados do escritório e alguns poucos alunos que
perceberam, ao longo dos séculos, o quanto a aparente sonolência dos retratos quando chegam
visitantes no escritório não é necessariamente genuína.
Talvez o retrato mais desembaraçado a agraciar as paredes do castelo seja Sir Cadogan,
que Harry, Rony e Hermione encontraram no terceiro ano em Hogwarts. Geralmente
visto à procura de seu pônei gordo, Sir Cadogan é um cavaleiro prepotente que desafia
os transeuntes a duelar sempre que tem oportunidade. Diz a lenda que Sir Cadogan foi
tão impetuoso e valente quanto parece ser em seu retrato.
SIR CADOGAN
POR J.K. ROWLING
ANIVERSÁRIO:
Desconhecido

VARINHA:
(De acordo com a lenda) Espinheiro-negro e bigode de trasgo, vinte e dois centímetros, inflamável

CASA DE HOGWARTS:
Grifinória

HABILIDADES ESPECIAIS:
Coragem insana

LINHAGEM :
Pai bruxo, mãe bruxa

FAMÍLIA:
Acredita-se que foi deixado por três esposas, e os rumores relatam dezessete filhos conhecidos

Antes que a comunidade bruxa fosse forçada a se esconder, não era incomum que um bruxo vivesse
na comunidade trouxa e tivesse o que hoje entendemos como trabalho de trouxa.
Acredita-se piamente nos círculos bruxos que Sir Cadogan era um dos famosos Cavaleiros da
Távola Redonda, ainda que pouco conhecido, e que alcançou essa posição graças à amizade com
Merlin. Ele foi extirpado de todos os livros trouxas sobre a história do Rei Arthur, mas as versões
bruxas dos contos colocam Sir Cadogan ao lado de Sir Lancelot, Sir Bedivere e Sir Percival. Esses
contos revelam o quanto ele era temperamental e irritável, corajoso ao ponto da imprudência, mas um
bom homem no fim das contas.
O confronto mais famoso de Sir Cadogan foi com a Serpe de Wye, uma criatura semelhante a um
dragão que aterrorizava o sudoeste da Inglaterra. No primeiro embate, a fera comeu o belo corcel de
Sir Cadogan, partiu sua varinha ao meio e derreteu sua espada e seu visor. Incapaz de ver através do
vapor no elmo que se derretia, Sir Cadogan quase não escapou vivo. Entretanto, em vez de fugir, ele
cambaleou até uma campina vizinha, pegou um pequeno pônei gordo que estava pastando por ali,
pulou nele e galopou de encontro à serpe sem nada além da varinha quebrada na mão, pronto para
encontrar uma morte valorosa. A criatura baixou sua cabeça temível para engolir Sir Cadogan e o
pônei inteiros, mas a varinha estilhaçada e sem mira furou-lhe a língua, inflamando os vapores
gasosos que vinham do estômago da criatura e fazendo-a explodir.
Bruxas e bruxos idosos ainda usam o ditado “Vou buscar o pônei do Cadogan” para dizer “Darei o
melhor de mim em uma situação difícil”.
O retrato de Sir Cadogan, no sétimo andar do Castelo de Hogwarts, mostra-o com o pônei que
cavalgou para todo o sempre (e que, muito compreensivelmente, nunca gostou do cavaleiro) e retrata
seu temperamento esquentado, seu amor por desafios temerários e sua determinação em vencer o
inimigo, seja qual for.
Hogwarts está transbordando de segredos. Ao acompanharmos as explorações de Harry,
parece que cada porta trancada e cada sala vazia escondem um raro objeto mágico ou
algum tipo de monstro apavorante. Vamos começar com um dos mais tentadores, mas
provavelmente um dos mais devastadores objetos escondidos em Hogwarts: o Espelho de
Ojesed.
ESPELHO DE OJESED
POR J.K. ROWLING
O Espelho de Ojesed é um dispositivo muito antigo. Ninguém sabe quem o criou, ou mesmo como foi
parar em Hogwarts. Vários professores traziam objetos interessantes de suas viagens, portanto, ele
pode ter chegado ao castelo de maneira casual, ou porque algum professor conhecia seu
funcionamento e se sentiu intrigado, ou ainda porque não o compreendia e queria consultar o parecer
dos colegas.
O Espelho de Ojesed é um daqueles artefatos mágicos que parece ter sido criado com intuito de
divertir (se de modo inocente ou malévolo, é questão de opinião), pois embora seja mais revelador
do que um espelho normal, é na verdade mais interessante que propriamente útil. Somente após o
Professor Dumbledore fazer modificações importantes no espelho (o qual permaneceu uma
eternidade inativo na Sala Precisa, antes de ser tirado de lá e utilizado) ele tornou-se um soberbo
esconderijo e o teste final para os impuros de coração.
A inscrição no espelho (“oãça rocu esme ojesed osamo tso rueso ortso moãn”) deve ser lida de
trás para frente, toda junta, para mostrar seu verdadeiro propósito.
Alvo Dumbledore, que o trouxe do esconderijo, recolocou-o no lugar onde o encontrou depois que
este cumpriu sua função em Pedra Filosofal. Pode-se concluir então que o espelho foi destruído,
junto com todo o conteúdo da Sala Precisa, durante a Batalha de Hogwarts.
Reflexões de J.K. Rowling

As palavras de aviso de Alvo Dumbledore para Harry ao falar sobre o Espelho de Ojesed expressam
o meu próprio ponto de vista. O conselho de “abraçar seus sonhos” é muito bom e correto, mas há um
ponto em que se apegar aos sonhos se torna inútil e até mesmo nocivo. Dumbledore sabe que a vida
pode passar enquanto se vive agarrado a um desejo que jamais poderá – ou deverá – se realizar. O
maior anseio de Harry é impossível: o retorno dos pais. Por mais triste que tenha sido para ele viver
privado da família, Dumbledore sabe que ficar sentado olhando para a visão de algo que nunca vai
acontecer apenas irá fazer mal a Harry. O espelho é cativante e tentador, mas não traz felicidade em
si.
Dumbledore pode ter escondido de Harry o que via quando olhava no Espelho de
Ojesed, mas não escondeu todas as suas memórias. Ao longo dos anos, a poderosa
Penseira no escritório do diretor foi usada por Harry para explorar o misterioso
passado de Tom Riddle, a terrível história da família de Crouch e o maior erro de
Slughorn. Assim como muitos itens no escritório do diretor, a Penseira é difícil de se
achar e complicada de se usar.
PENSEIRA
POR J.K. ROWLING
Uma Penseira é um prato largo e raso feito de metal ou pedra, geralmente com decoração elaborada
ou incrustado com pedras preciosas, que carrega encantamentos poderosos e complexos. As
Penseiras são raras, pois só os bruxos mais experientes as usam – na verdade, a maioria dos bruxos
sente medo desse objeto.
Os perigos vistos na Penseira se devem ao seu poder sobre a memória e o pensamento. Ela é
encantada para recriar memórias de modo que se possa revivê-las, fazendo com que cada detalhe
armazenado no subconsciente seja recriado fielmente e permitindo que o dono ou (e aqui reside o
perigo) uma segunda pessoa seja capaz de entrar nas memórias e transitar por elas. Inevitavelmente,
aqueles que têm coisas a esconder, se envergonham do passado, querem guardar seus segredos ou
prezam pela privacidade terão reservas quanto a um objeto como a Penseira.
Ainda mais difícil que recriar memórias é usar uma Penseira para examinar e selecionar
pensamentos e ideias. Poucos bruxos possuem essa habilidade. Alvo Dumbledore é visto usando a
Penseira de Hogwarts dessa maneira, principalmente no Capítulo Trinta de Harry Potter e o Cálice
de Fogo, quando ele acrescenta ideias na Penseira e o rosto de Harry se transforma no de Snape.
Dumbledore está se lembrando da conexão escondida entre Snape e Harry (Snape era apaixonado
pela mãe de Harry, e agora – ainda que com ressentimentos – tem o compromisso de honra de
protegê-lo).
Tradicionalmente, a Penseira de uma bruxa ou um bruxo, assim como a varinha, é enterrada com o
dono, pois é considerada um artefato muito pessoal. Qualquer pensamento ou memória deixado
dentro da Penseira é também enterrado com seu dono, a menos que ele ou ela tenha pedido o
contrário. A Penseira de Hogwarts, no entanto, não pertence a um indivíduo, mas à escola. Foi usada
por uma longa sucessão de diretores e diretoras, que também deixaram para trás sua experiência de
vida em forma de memórias. Isso forma uma inestimável biblioteca de referência para o diretor ou a
diretora em função.
A Penseira de Hogwarts é feita de pedra com ornatos entalhados e gravações de runas saxônicas
modificadas, que a marcam como um artefato de imensa antiguidade anterior à criação da escola.
Uma lenda (improcedente) diz que os fundadores descobriram a Penseira quase que enterrada no
chão, no local onde decidiram erguer a escola.
A palavra “Penseira” originou-se de “pensativo”, que significa mergulhado em pensamentos,
meditativo. Ela também funciona como trocadilho, pois alude à palavra “peneira”, remetendo à
função do objeto de selecionar significados dentro da massa de pensamentos e memórias.
Se você quiser explorar o castelo para todo o sempre, precisaria tomar posse da Pedra
Filosofal. Antes de ela ter sido destruída, é claro. Mas você sabia que a pedra tem uma
história que vai muito além do mundo bruxo?
A PEDRA FILOSOFAL

Reflexões de J.K. Rowling

Não inventei o conceito da Pedra Filosofal, uma substância lendária que já se acreditou ser real e foi
o verdadeiro objetivo da alquimia.
As propriedades da “minha” Pedra Filosofal são fiéis à maioria dos atributos com que os antigos a
descreveram. Acredita-se que a Pedra transforma metais comuns em ouro e produz o Elixir da Vida,
capaz de tornar qualquer pessoa imortal. Os alquimistas “autênticos”, precursores dos químicos e
físicos como Sir Isaac Newton e (o verdadeiro) Nicolau Flamel, buscaram, às vezes ao longo de toda
uma vida, descobrir o segredo de sua criação.
A Pedra costuma ser descrita como vermelha e branca em muitos dos textos antigos em que
aparece. Essas cores são importantes na maioria dos relatos da alquimia, pois geralmente são
interpretadas dentro de um significado simbólico.
A Pedra Filosofal não é o único artefato misterioso a aparecer para Harry em um
momento de necessidade. A espada de Gryffindor, feita por duendes e cravejada de
rubis, pertenceu ao próprio Godrico Gryffindor, fundador de Hogwarts. Foi o
surgimento da espada que apaziguou as dúvidas de Harry quanto a pertencer ou não à
Grifinória. Como Dumbledore observou: “Só um verdadeiro membro da Grifinória
poderia ter tirado isto do chapéu, Harry”.
A ESPADA DE GRYFFINDOR
POR J.K. ROWLING
A espada de Gryffindor foi feita há mil anos por duendes, os ferreiros mais talentosos do mundo
mágico. Portanto, é encantada. Fabricada em prata pura, está cravejada de rubis, a pedra que
representa Gryffindor na ampulheta que conta os pontos das Casas de Hogwarts. O nome de Godrico
Gryffindor está gravado logo abaixo do punho.
A espada foi feita seguindo as especificações de Godrico Gryffindor por Ragnok, o Primeiro – o
melhor prateiro dos duendes, sendo portanto o rei (na cultura dos duendes, o governante não trabalha
menos do que os outros, apenas possui mais talento). Quando a concluiu, Ragnok a cobiçou tanto que
fingiu ter sido roubada por Gryffindor e mandou seus asseclas roubarem-na de volta. Gryffindor
defendeu-se com sua varinha, mas não matou seus atacantes. Em vez disso devolveu-os ao seu rei,
enfeitiçados para comunicar uma ameaça: se Ragnok tentasse roubá-la novamente, Gryffindor
empunharia a espada contra todos eles.
O rei duende levou a ameaça a sério e deixou Gryffindor possuir sua devida propriedade, mas
manteve-se ressentido até a morte. Foi essa a origem da falsa lenda do roubo de Gryffindor, que
ainda perdura em alguns segmentos da comunidade duende até os dias de hoje.
Embora seja comum questionar porque um bruxo precisaria de uma espada, a resposta é fácil.
Antes que o Estatuto Internacional de Sigilo existisse, quando os bruxos se misturavam livremente
com os trouxas, eles usavam a espada para se defender tanto quanto a varinha. De fato, era
considerado desleal usar a varinha contra uma espada trouxa – o que não quer dizer que nunca
acontecesse. Muitos bruxos talentosos eram também exímios duelistas, no sentido convencional da
palavra. Gryffindor era um deles.
Assim como a varinha mágica, a espada de Gryffindor parecer ser quase consciente, pois reage ao
apelo de socorro dos sucessores escolhidos por Gryffindor. E, assim como uma varinha, parte de sua
magia consiste em absorver qualquer coisa que a fortaleça, o que pode ser usado contra inimigos.
Reflexões de J.K. Rowling

Existem muitas espadas encantadas no folclore. A Espada de Nuada, parte dos quatro tesouros
lendários dos Tuatha Dé Danann, era invencível quando empunhada. A espada de Gryffindor deve
algo à lenda de Excalibur, a espada do Rei Arthur, que em algumas versões deve ser retirada da
pedra pelo rei legítimo. A ideia de adequação para se portar a espada ecoa no retorno da espada de
Gryffindor aos membros valorosos da Casa de seu verdadeiro dono.
Ainda há a alusão ao surgimento de Excalibur no lago quando Harry precisa mergulhar em um
poço congelado na mata para recuperar a espada, em Relíquias da Morte (embora a localização da
espada se deva a um impulso vingativo de Snape, que a colocou ali), pois, em outras versões da
lenda, Excalibur foi entregue a Arthur pela Dama do Lago, sendo devolvida ao lago quando ele
morreu.
No mundo mágico, a posse física não é necessariamente uma garantia de propriedade. Esse
conceito se aplica às três Relíquias da Morte e também à espada de Gryffindor.
Eu me interesso pelo que acontece quando crenças culturais entram em choque. Nos livros de
Harry Potter, os mais militantes da raça duende consideram que todos os objetos feitos por duendes
são seus por direito, embora um objeto específico possa ser feito para que um bruxo o utilize
enquanto for vivo, mediante pagamento em ouro. Os bruxos, assim como os trouxas, acreditam que
uma vez feito o pagamento, o objeto pertence eternamente a ele e a seus descendentes ou herdeiros.
Esse é um choque de valores sem solução, porque cada lado possui um conceito diferente do que é
certo. Isso se transforma em um difícil dilema moral para Harry quando Grampo exige a espada
como pagamento por seus serviços em Relíquias da Morte.
Talvez o enigma mais duradouro e sinistro de Hogwarts seja o da Câmara Secreta, uma
área escondida da escola, criada pelo ambicioso fundador de Hogwarts, Salazar
Slytherin. Quando o misterioso diário de Tom Riddle levou Harry a descobrir os
segredos sombrios da Câmara em seu segundo ano, a lenda foi despertada mais uma vez.
Embora poucas pessoas tenham de fato entrado na câmara subterrânea, sua existência
não se manteve exatamente em segredo. Afinal, alguém teve que adaptar a entrada
escondida quando a escola decidiu construir um banheiro em cima dela.
A CÂMARA SECRETA
POR J.K. ROWLING
A Câmara Secreta subterrânea foi criada por Salazar Slytherin sem o conhecimento de seus três
colegas fundadores de Hogwarts. Acreditou-se, por muitos séculos, que a Câmara era um mito.
Contudo, o fato de rumores sobre sua existência persistirem por tanto tempo só revela que Slytherin
falou sobre sua criação e que outras pessoas acreditaram nele, ou tiveram permissão dele para entrar.
Não há dúvida de que cada um dos quatro fundadores buscava estampar sua própria marca na
escola de magia e bruxaria, que desejavam ser a melhor do mundo. Definiram que cada um
construiria sua própria Casa, por exemplo, escolhendo a localização das salas comunais e dos
dormitórios. Entretanto, Slytherin foi mais longe e construiu o que na verdade era uma base pessoal e
secreta dentro da escola, acessível apenas a ele mesmo e a quem mais permitisse entrar.
Talvez, ao construir a Câmara, Slytherin não quisesse nada além de um lugar onde instruir seus
alunos sobre feitiços que os outros três fundadores poderiam desaprovar (as diferenças entre os
quatro logo surgiram no que se referia ao ensino das Artes das Trevas). Contudo, a própria
decoração da Câmara deixa claro que, quando a concluiu, Slytherin havia desenvolvido ideias
grandiosas sobre sua própria importância na escola. Nenhum fundador construiu para si uma estátua
gigantesca ou enfeitou a escola com emblemas de seus poderes pessoais (as cobras entalhadas na
Câmara Secreta faziam referência ao poder de Slytherin como ofidioglota).
É certo apenas que, na ocasião em que foi forçado a sair da escola pelos outros três fundadores,
Slytherin decidiu que dali em diante a Câmara seria o covil de um monstro controlável apenas por
ele – ou por seus descendentes: um basilisco. Além do mais, somente um ofidioglota poderia entrar
na Câmara. Isso, sabia ele, afastaria os três fundadores e qualquer outro funcionário da escola.
A existência da Câmara era conhecida pelos descendentes de Slytherin e por aqueles com quem
ele decidiu compartilhar a informação. Assim, os rumores permaneceram vivos ao longo dos séculos.
Existe uma clara evidência de que a Câmara foi aberta mais de uma vez entre a morte de Slytherin
e a entrada de Tom Riddle na escola, já no século XX. Quando foi criada, a Câmara era acessada
através de um alçapão e vários túneis mágicos. No entanto, quando o encanamento de Hogwarts ficou
mais elaborado no século XVIII (um raro exemplo de bruxos copiando trouxas, pois até ali eles
simplesmente se aliviavam onde quer que estivessem e faziam a evidência desaparecer), a entrada da
Câmara foi ameaçada, pois se localizava no ponto proposto para um banheiro. Naquela época, a
presença de um aluno chamado Corvinus Gaunt – um descendente direto de Slytherin que precedeu
Tom Riddle – explica como o simples alçapão foi protegido secretamente, para que quem o
conhecesse ainda pudesse acessar a entrada da Câmara mesmo após o encanamento moderno ser
colocado sobre ele.
Os rumores de que um monstro vivia nas profundezas do castelo persistiram por séculos. E isso se
deu porque quem podia ouvir e falar com ele nem sempre foi tão discreto quanto deveria: a família
Gaunt não resistia a ostentar seu conhecimento. Já que mais ninguém podia ouvir a criatura
deslizando sob as tábuas do assoalho ou, mais tarde, pelo encanamento, pouquíssimas pessoas
acreditavam na história e ninguém, até Riddle, ousou soltar o monstro no castelo.
Vários diretores e diretoras, sem falar nos inúmeros historiadores, vasculharam muitas vezes o
castelo inteiro ao longo dos séculos, sempre chegando à conclusão de que a câmara era um mito. A
razão para o fracasso foi simples: nenhum deles era ofidioglota.
Então, aqui ficamos: não é uma visita guiada, nem um registro inteiramente completo,
mas agora vocês estão inteirados de alguns dos muitos segredos da famosa escola de
bruxaria. Deixamos você com alguns conselhos: tenha cuidado ao usar um vira-tempo,
pare de procurar a Câmara Secreta (a não ser que seja ofidioglota) e não fique tempo
demais diante do Espelho de Ojesed.

Esperamos que tenha gostado dessa coleção de textos de J.K. Rowling, apresentados por
Pottermore.
Edições Digitais também publicadas por Pottermore

Harry Potter e a Pedra Filosofal


Harry Potter e a Câmara Secreta
Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
Harry Potter e o Cálice de Fogo
Harry Potter e a Ordem da Fênix
Harry Potter e o Enigma do Príncipe
Harry Potter e as Relíquias da Morte

Histórias de Hogwarts: proezas, percalços e passatempos perigosos


Histórias de Hogwarts: poder, política e poltergeists petulantes
Hogwarts: Um guia imperfeito e impreciso
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J.K. Rowling.
Título Original: Hogwarts: An Incomplete and Unreliable Guide

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Essa edição foi publicada pela primeira vez por Pottermore Limited em 2016.

Texto © J.K. Rowling


Design da capa e ilustrações: MinaLima © Pottermore Limited

A série Harry Potter foi originalmente publicada em formato físico em português pela Editora Rocco

Direitos para a língua portugesa reservados © Pottermore

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O direito moral da autora foi assegurado.

ISBN 978-1-78110-671-6