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O Inferno que nos congela

A Imperial Desecration Editora acredita piamente no trabalho e na arte. E acredita ainda mais na magia da
fusão das mesmas. Para nós, essa mesma combinação é e será sempre a verdadeira manifestação da
essência do ser humano consciente, em qualquer das suas formas e expressões. Através desta nossa nova
incursão na edição e impressão de obras, como também a divulgação de novos autores, estamos seguros
de servir esse propósito com muita honra. Desejamos-lhe um grande desafio através desta leitura. Muito
obrigado.

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Todos os direitos reservados. 2018,


João Pimentel e Imperial Desecration Editora.

Título: O Inferno que nos congela


Editor: Pedro Pimentel
Composição gráfica: João Pimentel e Imperial Desecration Prints
Capa: Foto composição de Pedro Pimentel
Impressão e acabamento: Versão digital por Imperial Desecration Prints
1ª edição, Maio, 2018

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O Inferno que nos congela

O Inferno
que nos
congela
João Pimentel
Joao Pimentel

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O Inferno que nos congela

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O Inferno que nos congela

Por todo o mal presente, a falta e a presença de vida numa vida que já não
vive. Congelado o meu tempo, nunca mais fui o mesmo, perdi tudo, tudo
mesmo, porque é tudo inútil.
A minha falta, falta em tudo, tudo partido e eu sem conseguir alterar o meu
rumo à minha destruição.
Pelo Inferno desta vida, sem calor para mim, eu feito num cubo de gelo,
sem vontade de amar novamente. A minha rejeição, volta a mim, não uma,
mas todas em conjunto. A falta novamente, do amor meu, tão fraco que
não sobreviveu nos vossos corações.
Eu, sozinho, a perder momentos desta vida, vida única, preciosa, todas
com tanta importância e a minha, solitária.
Talvez chore, por parar no tempo, por nunca ser capaz de ser a pessoa certa
para todo o mundo.

20-01-2018

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O Inferno que nos congela

II

Ultimamente, o único calor que passa pelo meu corpo é quando tomo
banho. A minha vida não sente outra forma de algo para aquecer o gelo
que está dentro de mim.
Tempos a tempos, porque tudo isto é demorado, sinto que cada vez há
menos calor a aquecer a minha alma e perco mais tempo na ilusão que é só
a água quente que banha o meu corpo, é a única forma.
Já não parece ser assim uma ilusão, parece demasiado real e isto assusta,
mas com o tempo tento aceitar o meu destino, da alma partida.
Este Inferno que passa no meu corpo arde tanto por fora, mas nunca
aquece o que é necessário, o meu coração.
Hoje, novamente congelado, solitário e perdido na minha vida, no meu
próprio amor.

21-01-2018

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O Inferno que nos congela

III

Uma noite em branco, perdido no meu tempo, perdido nesta vida.


Os pensamentos negativos, talvez realistas neste momento, matam o que
me resta de amor. O amor não existe cá dentro, acabou tudo. Para quê
amar, se eu não me consigo amar? Vai chegar alguém? Não, eu não deixo,
não sou bom o suficiente, para quem quer que seja.
Tenho tanta pena, mas só sei corromper o vosso interior, por isso espero
que me compreendam.
Não durmo bem há semanas, não sei porquê. E adormecer sozinho é um
dilema complicado.
Por este Inferno, que todos os dias congela um pouco mais esta casa, no
geral, já por si tão fria.
O meu coração já parou de bater por tudo, tanto dentro como fora de mim,
o meu amor é uma miragem.
Haverá alguém disposto a amar um ser humano tão incompleto?

21-01-2018

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O Inferno que nos congela

IV

Os fantasmas; os meus, os nossos e no geral, todos os fantasmas que criei,


agora são todos tão reais. Estou assombrado, não sei quando aconteceu
exatamente, só sei que estou.
As vozes perdidas no tempo, perdidas nas nossas mentes, estão cá ainda,
estiveram sempre cá.
O meu passado, parado no meu presente, não é ele que assombra o
pesadelo da minha vida, é tudo o que está para vir.
O que teve de passar, já passou, nunca terá de ser o meu maior tormento, o
futuro sim. Vejo neste caso a tentativa de prever o meu fim, a falta do
plural numa vida, por isso assombro-me.
Perdido, sem razões, as perguntas, nunca foram respondidas, depois de
tantos anos, eu previ este fim.
Esta casa, é o meu Inferno que congelou o meu coração, sem ter culpa,
novamente assim.

22-01-2018

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O Inferno que nos congela

Os meus olhos cansados de ver e viver.


As ruas que percorro, todos os dias, estão sempre vazias para mim,
barulhos e luzes inúteis. Pessoas sem emoção passam por mim, sem
nenhum sentimento.
Ás vezes os olhares tocam um no outro, mas por pouco tempo. Escondo o
meu espelho partido, o meu coração rejeitado, mal amado, sempre o
principal culpado de tudo.
A rua, distante de mim, ninguém sabe o porquê.
Por vezes olham, talvez tentam perceber algo? A minha mudança, o meu
Inferno sempre a congelar estas ruas da minha vida, tudo aqui, sem
movimento.
Agora, escondido do gelo do mundo lá fora, escrevo mais sobre algo que
tanto desejava sobre o que tanto falhei.
A minha vida em pedaços, eu aqui, mais uma noite, sozinho.

22-01-2018

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O Inferno que nos congela

VI

O meu escudo, o meu quarto, longe e cada vez mais perto de tudo aquilo
que tento fugir. Fugir nunca foi a melhor opção, mas aqui estou eu a tentar,
mais do mesmo, de novo, quem sabe se desta vez resulta.
Ninguém bate à minha porta, o barulho é inexistente, só eu e apenas eu,
sabe alguém o que isto é? O presente a viver no passado, sem um futuro
nos olhos, o meu amor, tão difícil de alcançar, tudo tão longe de mim.
Já não caem lágrimas do meu espelho, eu não consigo sentir algo por ti,
por nós, por tudo lá fora. Perdi, no plural inexistente, perdi a força, e eu
queria tanto chorar por alguém, ter uma razão bem lá no fundo.
O Inferno que congelou a minha visão, tudo sem sabor, imóvel, ninguém
vem cá ter, nem mesmo as memórias são positivas, um mar totalmente
congelado, por mim, por todos vós.

24-01-2018

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O Inferno que nos congela

VII

O silêncio persegue a minha vida, hoje, todos os dias não há um barulho


positivo perto de mim. Seja onde seja, tudo tão quieto, dentro e fora de
casa, nada acorda o que tenho dentro de mim. Os dias passam, o silêncio
aumenta, sempre junto de mim, quem de nós sabe o seu propósito? Porquê
a mim? Mais disto, mas mesmo com tanto silêncio dentro de mim, nunca
estou calmo.
Qual será o dia que vou ter uma voz ao meu ouvido, uma voz suave, a
dizer algo de bom, comigo calmo, os meus ouvidos a sentir algo, só isso, a
sentir algo. A tua voz, hoje, não existe, quando é que devia de existir uma
voz dessas dentro de nós, se não somos bons. Este Inferno, à minha volta,
congela os meus ouvidos, nada de bom entra, da minha boca, nada de bom
sai.

25-01-2018

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O Inferno que nos congela

VIII

As minhas mãos sempre geladas, na cidade gelada, todas sempre assim, é


de mim, o meu gelo sempre cá. Não faz diferença onde eu esteja, não é
isso que irá mudar tudo cá dentro. Aqui ou ali, seja onde seja, o meu gelo
não pára de criar, mais e mais. O meu corpo sempre gelado, a roupa não
ajuda onde devia, só o mínimo presente em mim, a minha vida quer
derreter tanto aqui, as vozes de mais disto, voltam, voltam para matar o
que resta de mim, volta tudo junto para mim.
Pelo Inferno que te congelou, tu e eu sempre presentes num universo que
nunca será real, sempre perdidos. Ainda continua a percorrer o teu corpo,
culpa o meu, mas quem se aproxima também se congela. Mais vozes de
culpa, a tua voz tão diferente em cima da minha consciência, exemplos e
mais exemplos do meu mal, a minha culpa pelo teu gelo, hoje, e para
sempre.

25-01-2018

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O Inferno que nos congela

IX

O sentimento de culpa a atravessar o meu corpo, a percorrer as minhas


veias, a minha respiração com culpa, tudo isto sempre presente, neste
corpo.
Os pensamentos de uma vida, com mais vida ao lado e tanta mais vida
para te dar, estão agora vazios. Ambos culpados por tudo o que falhou
nesta nossa vida, vida falhada. Quem culpa quem? Quem é o mais
culpado? Cada um de nós a puxar a corda para o mesmo lado que o
egoísmo preserva.
Um dia iremos queimar esta corda e congelar um passado que não deve ser
lembrado, de tudo falhado.
Este Inferno, que nos congela as memórias. Afinal de contas, o nosso para
sempre era tão falso, como este amor que hoje não sinto, quem sabe, vindo
de ti? Congelado tudo, para ti e para mim.
Algum dia, esperas mudança, como eu espero sorrisos.

28-01-2018

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O Inferno que nos congela

Um lapso na memória e por breves instantes perco a noção do tempo, viajo


para uns braços, um calor, embora temporário, mas amigável. Volto a mim,
às memórias corretas, em que nenhum de nós tem um presente, no mesmo
presente.
Caio na realidade, não posso voltar atrás, isto destrói o meu frágil corpo,
todos os nossos momentos, destruídos.
Por este Inferno que habita aqui todos os dias, na minha memória, quem
sabe na tua? Quem sabe de nós afinal? A nossa vida só se encontra nestes
lapsos, de mim, de novo sem saber de ti.
Até nos bons pensamentos, o meu coração derrama mais um pouco de
sangue que lhe resta, o amor que me resta, a tua vida que ainda habita em
mim.

28-01-2018

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O Inferno que nos congela

XI

Os planos feitos por ambos, à procura de um futuro mais bonito, em


conjunto, que hoje nada disso conta para cada um de nós. A parede está
entre nós, cada um para o seu lado, os planos não eram estes. E agora
quem pensa nisto? Nenhum de nós pensa e no seu geral, cada um de nós,
agora mais que do que nunca, pensa apenas em si.
O Inferno que congelou antes congela hoje, os nossos planos e uma vida
que era para habitar no plural das emoções. Penso hoje, no que devia de
pensar na minha vida, em planos esquecidos do passado. Penso numa vida
a dois, hoje, falhei ao pensar em ti.

03-02-2018

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O Inferno que nos congela

XII

Um passeio solitário, num caminho conhecido, mas já não consigo


conhecer esta pessoa que habita em mim.
Devagar, o meu passo sempre mais lento, seja onde seja, o que será de
mim se continuar perdido em braços inexistentes, em memórias que nunca
mais voltam a mim? Como perdi e acho que ainda hoje estou a perder
tanto, do pouco de nada, deste amor, que ainda está no meu pequeno
coração.
Pelo Inferno que congela todos os meus passos neste caminho tão verde,
nestas memórias tão positivas, perdidas pelo tempo, de que vale ser feliz,
se tudo é sempre tão cinzento neste meu pequeno mundo?
O nosso caminho... De que valeu criar tanto neste lugar, se hoje e no resto
dos meus dias serei sempre eu e só eu a percorrer este gelo?

05-02-2018

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O Inferno que nos congela

XIII

As agulhas inseridas no meu corpo quem sabe o que farão a longo prazo.
O meu corpo, que às vezes, sente leve cada picada, outras vezes sem sentir
algo, de novo a perder a vontade de tudo. As tuas agulhas ainda percorrem
o meu templo, rodeado das dores do nosso passado, parece que ainda estou
preso a ti. Outras vezes, agulhas boas, comigo relaxado, a tirar o que era
nosso, a melhorar os danos no meu espelho.
No teu Inferno, que deixaste em mim, as tuas agulhas todas, ainda, sempre
congeladas, nunca irão sair do meu corpo, quem se pergunta neste
momento por ti, por aquilo que resta?
Os teus pensamentos ainda estão com os meus, que mal fiz para nunca
retirar o que era teu, porque raio nunca consegui mudar, se não há nada
teu, a não ser as memórias de um coração gelado?

06-02-2018

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O Inferno que nos congela

XIV

As flores: as que te dei, aquelas que nunca te dei e as outras que tanto
querias, mas que eu não via a necessidade dentro de mim, eram inúteis.
O teu coração, sem flores de quem quer que seja, como aquelas que
procurei, perto e longe de ti, onde estão?
Perdidas, talvez nunca mais irão ter alguma cor, como o nosso amor. O que
foi, e agora o que é.
Perdemos tudo, não ficou nada colorido de nós. Agora ficam os meus
textos e a minha dor, mas nunca saberás. Como este Inferno congelou
todas as flores que te dei e as outras que ficaram para trás, congeladas no
tempo, e acima de tudo, na memória do teu coração.

14-02-2018

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O Inferno que nos congela

XV

A fragilidade do soar do teu nome, ao ler aquilo que tudo o representa,


para mim.
Quando foi a última vez que tiveste coragem de gritar por mim? Quando
foi a última vez que os nossos nomes se cruzaram da boca para fora, com
amor, forte por nós os dois? Como se cura a dor de um nome, como posso
esquecer tudo e seguir em frente?
O teu nome sempre presente da mesma forma, mas nenhum de nós tem
culpa por este sucedido, nunca fomos culpados por um final diferente do
que planeamos. Agora só nos resta isto, as memórias associadas a cada
nome, com todas as intensidades que gritamos um pelo outro, mas só grito
por esquecimento.

14-02-2018

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O Inferno que nos congela

XVI

Quando é que podemos falar de amor se nenhum dos dois corações bate
um pelo outro, se não há momentos que estão no mesmo patamar?
Perdemos o que o amor significa, perdemos tudo. E ainda sem querer, eu
escrevo por ti e por ti que nunca exististe dentro de mim como era suposto,
como eu nunca fui especial como os outros.
Agora quem fala mais de amor, no dia do amor, no dia da união, no dia de
tudo no plural.
Mas escrevo algo, que não tem nada destes valores, nada deste amor, tudo
tão vazio, o teu coração sempre vazio, o meu esquecido.
Neste momento nada resta, no dia em que tudo devia de estar presente,
todo o nosso amor.

14-02-2018

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O Inferno que nos congela

XVII

Hoje falamos de tempo, mais preciso, do nosso tempo.


De que valeu ter tempo, se o tempo não nos deu nada hoje? Neste dia, a
fugir de todos os refúgios, quem sabe se na realidade não é de ti, quem me
diz se não é de mim. Falemos um dia sobre nós, mas nós nunca mais
seremos um só. Falar para quê? Porque sim, porque devíamos, discutir
tudo, tudo o que foi, o que talvez será.
É o nosso tempo, o tempo que gastamos juntos, porém cada tempo pessoal
anda ao seu próprio ritmo. Espero que estejas de acordo com as tuas
correntes da vida, eu prometo que faço pelas minhas.
Viagens, após viagens, às vezes nem preciso de sair de casa. Tantas e
tantas vezes saí para viajar neste mundo sem nunca sair realmente de mim.
Agora viaja no teu, com toda a alegria.

16-02-2018

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O Inferno que nos congela

XVIII

Estou a imaginar como seria todo este passado se nenhum de nós tivesse
tocado no coração de ambos.
Haveria piores erros que os meus, ou então mais amor do outro lado?
O que seria do teu nome que tenho na minha cabeça, o que seria do meu
nome no teu coração? Seríamos mais felizes? Menos problemas nas nossas
vidas?
As questões aumentam, mas em nenhuma delas exijo uma resposta correta,
ou até mesmo que haja uma resposta.
Agora, o que está feito, vai continuar da maneira que está.
No final, valeu tudo a pena, agora espero que algum dia respondas à
primeira pergunta de todas.

16-02-2018

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O Inferno que nos congela

XIX

As mãos que se separam, o toque que o nosso tempo alterou e a vida no


plural que nunca será a mesma.
É nisto que nos situamos, em todas as razões, algumas por descobrir,
outras demasiado óbvias. Esta era a nossa vida, agora separados por tudo,
até pelo mar, quem diria que fosse chegar a este ponto.
Pergunto se o teu coração é feliz, se a tua cara tem o mesmo sorriso
genuíno. O mundo deu tantas voltas, nós também em tantos sentidos, cada
vez mais encaro uma despedida, embora essa mesma já realizada, mas uma
despedida pessoal, no meu coração. Nunca saberei do teu.
Por isso, a cada dia que passa e mesmo a cada texto que escrevo, despeço-
me, sem nunca saberes.
Só eu sei que a mudança é o melhor que temos, por agora.

16-02-2018

23
O Inferno que nos congela

XX

Este bar, o bar em que devia de haver todas as conversas, com tudo de
bom, juntos aqui. Agora não passa de um bar solitário, só comigo e
pergunto-me por onde andas, o que fazes hoje e o que devíamos fazer
amanhã. As conversas com o caderno e esta saída solitária. Mas já aceito
tudo isto com normalidade. Já perdi muito tempo a chorar por isto.
Agora o meu dia mudou, as coisas tiveram de se alterar, a nossa vida já
não existe e fico sempre contente por ti, estejas onde estejas.
O caminho é para a frente, faz o que tens de fazer, eu faço o meu papel de
perder tempo sozinho, para um dia crescer com alguém.

16-02-2018

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O Inferno que nos congela

XXI

Há quem diga que os nossos sonhos têm um significado, até mais que isso,
que podem tornar-se realidade.
Ultimamente está sempre alguém nos meus sonhos, estás tu, nos bons e
nos maus. Porém, cada vez que sonho lembro-me menos daquilo que se
passou, de certa forma parece que está tudo a esgotar-se.
Um dia espero ter essa resposta, sobre o que fazes tu aqui dentro, quando
nós os dois devíamos estar em linhas diferentes.
Isto terá de significar algo, mas no consciente eu quero ver outro alguém,
não quero mais estas caras, todas elas fora de mim. Talvez com o tempo
tenho as respostas, quem sabe? Desde que todos nós estejamos a ir no
caminho correto, eu fico feliz. O passado está comigo, talvez só para
empurrar os meus pensamentos, para algo melhor.

18-02-2018

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O Inferno que nos congela

XXII

Sei porque fugiste de mim, sei exatamente esse medo que eu tinha aos teus
olhos. Sei bem que a tua alegria, nunca será por uma razão minha. Sei que
agora, a tua vida é melhor, já colheste tantas flores desse teu lindo jardim.
Sei que o nosso amor era verdadeiro, mas infelizmente falhámos, sem
culpa de ambas as partes. Lá no fundo, era a nossa forma de ser que não se
completava, era algo que ia além das nossas possibilidades.
Mas mesmo com tudo isto, o teu jardim deixa-me feliz, sei que o teu lugar
é longe de mim, talvez possa dizer o mesmo de mim, talvez seja dessa
forma que tens as flores mais lindas, tanto dentro, como fora de ti, visto
que eu fui incapaz de satisfazer ambas as partes.

20-02-2018

26
O Inferno que nos congela

XXIII

Acredito nesta dualidade da minha alma, sei que é algo para o resto da
vida. Perdi tempo a pensar na tua saída, virei tantas folhas, quem sabe se
cheguei a folhear o nosso livro completo para chegar ao fundo da minha
questão. Perdeste alguém, mas hoje não estás a ver isto como algo
negativo, pelo contrário. É tão complicado lidar com duas caras. Vives
agora só com uma, eu sinto isso, sinto a tua felicidade e isso deixa-me
feliz. Por favor, sê feliz, sê por ti, quem sabe, se podes ser por mim
também.
Aos poucos tento atenuar estes erros, não sei se aos poucos aceito a ideia
da tua solidão, ou vou aprendendo aos poucos, dias, semanas e meses.
O tempo passa e ambos sabemos que o tempo cura tudo, só falta mesmo,
este tempo curar a perca de tempo.

20-02-2018

27
O Inferno que nos congela

XXIV

O cinzento que nos cai por cima, num dia azul e onde o sol tenta brilhar. A
tua presença, mesmo sabendo que estás tão longe, tudo o que eras, longe,
sempre longe.
Não vives dentro de mim, isto não me pode congelar mais. O passado tenta
sempre estar presente, as minhas perguntas aumentam e nunca vou
perceber porque estou onde estou. Tu aí estás, aí continuas, no meu
pensamento em grande parte das vezes, mas nada em concreto existe.
Quem acredita no crescimento já passou por ele, de certeza que sim.
Só peço que as outras mãos não escrevam por mim, que nunca mais façam
perguntas, nem podem responder a mais do que está dentro de mim. De
novo, falo de alguém, mas quem diz que tu, tu sem nome, tu em vários
nomes, se és mesmo real.
Uma coisa é certa, o meu coração ainda bate por esse tu.

26-02-2018

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O Inferno que nos congela

XXV

Vivo hoje, neste Inferno que me congela, neste meu mundo sozinho,
aumenta o medo dele, os meus demônios a bater à porta, cada vez com
mais força, quem é que volta para demonstrar o que era amor, o que já não
existe, a culpar o meu ser, a culpar aquilo em que me tornei. Onde está o
teu reflexo no meu espelho, o teu reflexo, algo no meu mundo solitário,
tudo chora dentro de mim, as saudades de um amor matam-me.
O meu quarto a cada dia que passa, fica mais calado, muito mais frio
dentro e fora deste meu corpo. De novo cai no passado, no geral do meu
falhanço como companheiro, sempre sem amor para dar. Agora tomo estes
comprimidos para mudar, para um dia alguém aceitar este meu ser.

01-03-2018

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O Inferno que nos congela

XXVI

As pegadas que marcaram o meu coração, assombram de uma forma


peculiar os meus dias. Porém de uma maneira ligeira a cada dia que passa.
Quero olhar para cima, quero sair, custe o que custar, todos temos o direito
de ter um sorriso genuíno. Onde vive o meu sorriso nestes dias? Acredito
que aos poucos, ele nasce em mim, ou melhor, renasce.
Vamos os dois viver algo, algo que era suposto, em que eu consiga puxar
um sorriso fora de mim, um sorriso no plural, uma vida no plural.
Não tento procurar muito, mas sei que o primeiro sorriso verdadeiro terá
de ser solitário. Não sei quem és, mas sei que vamos ser os dois felizes.

01-03-2018

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O Inferno que nos congela

XXVII

Tudo era bonito e nada no fundo nos magoava, mas a idade chega a todos
nós, cada dia que passa, a mudança é inevitável, tudo o que deixei e o que
me deixou, era algo que eu sabia que tinha de acontecer, mas ainda aqui
estou.
Os nossos perdões, eram como o vento, tanto soprava para a direita como
para a esquerda, mas no fim, os nossos corações ainda batiam, um pelo
outro. Agora nunca vou saber o que te resta, não há mais um perdão
possível, a esperança morreu. As culpas vão para quem? Um dia, quem
sabe quando, tenho a tua resposta. O nosso adeus, nenhum espelho perto
um do outro, partidos, não havia mais para ti, nem para mim.
Que cresçam muitas flores no teu jardim.

02-03-2018

31
O Inferno que nos congela

XXVIII
Tenho saudades de escrever por amor, por algo nestas folhas que possam
despertar alguns sorrisos, mas com um objetivo de um sorriso particular. O
teu sorriso, só o teu será importante e prometo que vou tentar escrever
sempre a coisa mais bonita deste mundo. Isso será garantido, até lá
veremos.
Continuo com saudades de uma aura quente à minha volta, uma força ao
meu lado, de amor, de carinho, quem sabe uma ajuda na minha escuridão.
Sem saber de nada, aqui estou eu com pedidos, para alguém que ainda não
existe, mas espero um dia ter alguém nos meus braços. Até um dia, meu
amor...

02-03-2018

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O Inferno que nos congela

Editado em Queretaro, México, Maio de 2018

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